Parceiros Patrocínio Projeto Semeando o Bioma Cerrado Edifício Finatec, Bloco “H” - Campus UnB Cep: 70.910-900 - Brasília/DF Telefone: (61) 3348-0423 E-mail: [email protected] Produção de mudas de plantas www.rededesementesdocerrado.org.br nativas do Cerrado SEAPA/DF Diretoria de Desenvolvimento Sustentável e Produção - DDP Fernando Cleser Moreno de Almeida REALIZAÇÃO Núcleo de Proteção e Reabilitação Ambiental Núcleo de Produção Vegetal AGRADECIMENTOS Aos servidores do Núcleo de Produção Vegetal da Granja Modelo do Ipê, responsáveis pela produção de milhares de mudas de espécies nativas do bioma Cerrado, cujo convívio e troca de experiências em muito contribuiu para a elaboração desta cartilha e aos profissionais do herbário e do viveiro do Jardim Botânico de Brasília, com os quais temos compartilhado e adquirido conhecimentos na coleta de sementes e identificação de espécies, nossos sinceros agradecimentos. PARCERIA Rede de Sementes do Cerrado SEAPA/DF Edifício sede: Setor de Áreas Isoladas Norte – SAIN Parque Rural CEP 70620-000 – Brasília - DF Fone 3051.6360 – Fax: 3347.9322 Home page: www.sa.df.gov.br e-mail: [email protected] Governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento Lúcio Taveira Valadão Subsecretário de Desenvolvimento Rural e Agricultura José Nilton Campelo Gerência de Tecnologia e Produção - GTP Marília Tiberi Caldas Núcleo de Proteção e Reabilitação Ambiental - NRA Juliana Lopes Rodrigues de Sousa Viana Núcleo de Produção Vegetal - NPV Cláudio Silva Equipe Técnica Germana Maria C. Lemos Reis (Engenheira Florestal) Marília Tiberi Caldas (Engenheira Agrônoma) Júlio Otávio Costa Moretti (Engenheiro Agrônomo) Alba Evangelista Ramos (Bióloga) Gilberto Cotta de Figueirêdo (Engenheiro Mecânico) Juliana Lopes Rodrigues de Sousa Viana (Engenheira Agrônoma) Rogério Ferreira do Rosário (Técnico em Agropecuária) Fotos: Equipe NRA Direitos autorais reservados à SEAPA/DF. Permitida à reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte. Núcleo de Proteção e Reabilitação Ambiental - NRA SAIN Parque Rural Ed. Sede SEAPA 70.620-000 Brasília – DF - Tel. (61) 3051.6360 E-mail: [email protected] Catalogação Produção de Mudas de Plantas Nativas do Cerrado. Germana Maria C. Lemos Reis, Marília Tiberi Caldas, Júlio Otávio Costa Moretti, Alba Evangelista Ramos, Gilberto Cotta de Figueirêdo, Rogério Ferreira do Rosário, Juliana Lopes Rodrigues de Sousa Viana,– Brasília-DF: SEAPA, 2011. 36 pg. : il 1. Propagação vegetal. 2. Viveiro de plantas. 3. Reabilitação Ambiental da Área Rural. I. Reis, Germana Maria C. Lemos. II. Caldas, Marília Tiberi. III. Moretti, Júlio Otávio Costa. IV. Ramos, Alba Evangelista. V. Figueirêdo, Gilberto Cotta de. VI. Rosário, Rogério Ferreira do. VII Viana, Juliana Lopes Rodrigues de Sousa. VIII. Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Distrito Federal. Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado Brasília, 2011 Diretoria da Rede de Sementes do Cerrado (2010 – 2012) Presidente Maria Magaly Velloso da Silva Wetzel Vice-Presidente Celúlia Maria R. F. Maury Secretária Regina Célia Fernandes Tesoureira Carmen Regina M. A. Correa Conselho Consultivo Ana Palmira Silva Manoel Cláudio da Silva Júnior Alba Evangelista Ramos José Carlos Sousa Silva Conselho Fiscal Sarah Christina Caldas Oliveira Germana Maria Cavalcanti Lemos Reis Antonieta Nassif Salomão Luiz Cláudio Siqueira Jorge Coordenador do Projeto “Semeando o Bioma Cerrado” José Rozalvo Andrigueto Projeto Gráfico, diagramação e ilustrações Ct. Comunicação AGRADECIMENTOS A Rede de Sementes do Cerrado é uma instituição jurídica de direito privado, sem fins lucrativos - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP, regida por estatuto próprio e sediada em Brasília. Tem por finalidade a conservação, o manejo, a recuperação, a promoção de estudos e pesquisas e divulgação de informações técnicas e científicas do Bioma Cerrado. A Rede de Sementes do Cerrado mantém contratos de cooperação e colaboração com a Embrapa, IBRAM, Oca Brasil, CRAD/UnB, UFG, SEAPA, IFB, Eco Câmara, entre outros. Nestes últimos anos a Rede tem desenvolvido os seguintes projetos: capacitação de pequenos agricultores da Bahia - MMA; levantamento de dados secundários do Rio São Francisco- MMA; XIII Feira de Sementes dos Índios Kraôs - USAID; recuperação de nascentes do DF- IBRAM/SEAPA e, no ano de 2011, iniciou o Projeto Semeando o Bioma Cerrado, patrocinado pela Petrobras dentro do Programa da Petrobras Ambiental. Dentro deste projeto está prevista a realização de 24 cursos visando a capacitação de 360 pessoas para o exercício das atividades em seis áreas temáticas: identificação de árvores do Bioma Cerrado; seleção e marcação de árvores matrizes; coleta e manejo de sementes, beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes; produção de mudas de espécies florestais; viveiros: projetos, instalação, manejo e comercialização. Para cada curso realizado está prevista a elaboração de uma cartilha com as informações básicas dos temas. A Rede de Sementes do Cerrado agradece a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Distrito Federal - SEAPA/DF pela cessão dos direitos autorais da cartilha - Produção de Mudas de Plantas Nativas do Cerrado. Também agradece aos membros do Núcleo de Proteção e Reabilitação Ambiental e aos membros do Núcleo de Produção Vegetal, responsáveis pelo brilhante trabalho de produção de milhares de mudas de espécies nativas para a recuperação do Bioma Cerrado e pela elaboração desta excelente cartilha que visa colaborar com o desenvolvimento dos elos da cadeia produtiva de sementes e mudas florestais de espécies nativas a adequarem-se à legislação e adotarem modelos eficientes de produção promovendo desenvolvimento sustentável. Maria Magaly V. da Silva Wetzel Presidente da Rede de Sementes do Cerrado José Rozalvo Andrigueto Coordenador do Projeto APRESENTAÇÃO O Cerrado brasileiro tornou-se grande celeiro de alimentos para o Brasil e para o mundo revelando-se grande produtor de grãos e de carne, entre outros. Entretanto, esse desenvolvimento da agricultura e pecuária ocasionou a perda de áreas naturais para a implantação das lavouras e em alguns casos o uso das áreas de preservação permanente e de reserva legal, comprometendo a quantidade e qualidade dos recursos hídricos. A responsabilidade socioambiental é de todos. E a atividade agrícola tem de estar muito comprometida com essa premissa. Assim, como principal usuária dos recursos hídricos, deve contribuir para a manutenção de processos que garantam a oferta de água. Por isso, é de fundamental importância que os produtores rurais se engajem no desafio de revegetar as matas ciliares, fonte de água e biodiversidade. Com esse intuito, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do DF lançou o Programa de Reabilitação Ambiental da Área Rural do DF cujos objetivos abrangem a adimplência ambiental das propriedades rurais com destaque para a proteção de mananciais, revegetação das áreas de preservação permanente, incentivo à averbação e plantio das reservas legais, conservação do solo e uso das boas práticas agrícolas. Um dos instrumentos utilizados no Programa é a capacitação de produtores rurais em instalação e operação de viveiros de produção de mudas. Esta atividade pode representar um acréscimo na renda do produtor rural na medida em que ele passa a produzir e ofertar mudas ao mercado, além de utilizá-las na revegetação de suas propriedades para proteção dos recursos hídricos ou mesmo implantar pomares de frutos e sementes. A parceria com a Rede de Sementes do Cerrado representa um caminho para estender a experiência do Distrito Federal na capacitação de produtores rurais para outros locais no bioma Cerrado. Essa cartilha busca subsidiar o produtor rural quanto à implantação e operação de um viveiro permanente de produção de mudas de espécies nativas, além de descortinar outras possibilidades de negócios envolvendo sementes e mudas. Temos a certeza que esta parceria será prolífica, ganhando o Cerrado e todos nós, habitantes deste Bioma. Lucio Taveira Valadão Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Distrito Federal sumário I. Introdução 06 II. Construção do viveiro 07 III. Produção de mudas 10 IV. Dormência 12 V. Beneficiamento das sementes 13 VI. Armazenamento 15 VII. Preparação do substrato 16 VIII. Semeadura 17 IX. Canteiros 20 X. Raleio ou desbaste 21 XI. Transplantio 22 XII. Luminosidade 23 XIII. Rega 23 XIV. Irrigação 24 XV. Controle fitossanitário e tratos culturais 25 Referências bibliográficas 26 Anexos 28 I. INTRODUÇÃO Viveiros florestais são áreas com um conjunto de benfeitorias e utensílios, em que se empregam técnicas visando obter o máximo da produção de mudas. Existem dois tipos de viveiro: Viveiro permanente - onde são produzidas mudas de maneira contínua e por tempo indeterminado, ou para comercialização; Viveiro temporário - onde as mudas são produzidas para uma determinada área e por um período limitado. Todos os procedimentos pertinentes à produção e comercialização de sementes e mudas em viveiros permanentes devem seguir a Lei 10.711 de 05 de agosto de 2003, regulamentada pelo Decreto n° 5.153 de 23 de julho de 2004, Diário Oficial da União. O interessado deverá inscrever o viveiro de produção de mudas no RENASEM (Registro Nacional de Sementes e Mudas) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) - Superintendência Federal de Agricultura no Distrito Federal (SFA), Divisão Técnica (DF) do Serviço de Fiscalização de Insumos Agropecuários (SEFAG). Para tanto, deverá ter um responsável técnico (Eng. Agrônomo ou Eng. Florestal), que possua registro profissional no CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) – e inscrição no RENASEM. Semeando o Bioma Cerrado 6 II. CONSTRUÇÃO DO VIVEIRO a) Escolha do local O viveiro deve ser instalado em ambiente totalmente ensolarado e livre de ventos fortes, em local quase plano ou pouco inclinado, com declividade de 1% a 3%, o suficiente para evitar acúmulo de água no solo e para não comprometer as atividades de manejo e de produção das mudas. 1a3 Inclinação de 10 a 30 cm em 10 m 100 A proximidade de uma fonte de água de qualidade e constante, a disponibilidade de mão de obra e material necessários para sua instalação e manutenção são aspectos importantes e decisivos na instalação de um viveiro. O local deve ser cercado para evitar o acesso de animais e plantadas árvores para formar quebra-vento visando evitar danos nas sementeiras e mudas. Locar o comprimento do viveiro no sentido Norte/Sul, para distribuição mais uniforme da luminosidade. N O Mão esquerda Mão direita S 7 L As linhas de plantio (canteiros) devem ser montadas de forma que as plantas não façam sombra às outras. Isso é conseguido com o alinhamento dos canteiros no sentido Norte-Sul, pois as plantas receberão aproximadamente a mesma quantidade de energia. Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado Dificilmente a área escolhida, ou disponível para a instalação do viveiro, reunirá todos os requisitos citados, devendo, em cada caso, serem levados em consideração os que pareçam essenciais. Entretanto, fácil acesso, disponibilidade de água e intensa iluminação solar são elementos considerados de grande importância. b) Infraestrutura e dimensionamento A área necessária para instalação de um viveiro depende da quantidade e do tipo de mudas a serem produzidas, do método de propagação (sementes ou vegetativa), dimensões dos canteiros, passeios, estradas e instalações. A área dos canteiros corresponde de 50% a 60% da área total do viveiro. O tamanho do viveiro é função da quantidade de mudas que se deseja produzir e dos recipientes em que as mesmas estarão acondicionadas. Pode-se considerar, para fins de projeto, a produção média de 30 mudas/m2, com uso de saquinhos apropriados de 20 x 30 cm. Adotando-se esses indicadores, pode-se definir a área de viveiro a ser construído. Por exemplo, desejando-se produzir 4.000 mudas, a área de viveiro necessária será de 133 m2. Adotando-se as dimensões de 12 x 12 m, temos uma área de 144 m2 e capacidade para cerca de 4.300 mudas. Considerando um pé direito de 2,30 m, altura considerada satisfatória para manejo e manutenção do telado, sugere-se o uso de esteios de madeira com 3 metros de comprimento e 17 a 20 cm de diâmetro, enterrados 70 cm. Outros materiais também podem ser usados na estrutura de sustentação da tela sombreadora, tais como, caibros, bambu, perfis metálicos e pilares de concreto, dentre outros. Há necessidade de uma infraestrutura mínima de apoio, como depósito para ferramentas, defensivos e adubos, local para beneficiamento e armazenamento de sementes, preparação de substrato e enchimento de embalagens, canteiro para semeadura e estaquia e área a pleno sol para aclimatação das mudas. Exemplo: um projeto de viveiro de módulo com área de 144 m2, coberta com sombrite com 50% de luminosidade (telado), para abrigar os canteiros, com possibilidade de produzir aproximadamente 4.300 mudas por ano, dependendo do tamanho do recipiente. A proposta modular do anexo 1 permite a ampliação da área de produção por meio da replicação do módulo, de acordo com a demanda e o interesse do proprietário. Semeando o Bioma Cerrado 8 Construção do viveiro sombreado (estrutura) Construção do viveiro sombreado – malha de arame liso para sustentação da tela Construção do viveiro sombreado Viveiro sombreado costura da tela c) Sistema de irrigação Em viveiros de pequeno porte a irrigação pode ser feita utilizando-se regadores ou mangueiras. Porém, em viveiros comerciais o sistema por aspersão é o mais recomendado e o detalhamento do sistema deverá ser feito, caso a caso, por um técnico especializado. 9 Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado III. PRODUÇÃO DE MUDAS Os principais procedimentos envolvidos na coleta do material a ser propagado são a escolha de matrizes, a coleta propriamente dita e a opção do método de propagação - sexuada (por sementes) ou assexuada (vegetativa – partes das plantas - estaquia, enxertia, alporquia, mergulhia, cultura de tecidos), somados aos conhecimentos básicos sobre germinação de sementes e propagação vegetativa. a) Escolha de matrizes É necessária a seleção de árvores matrizes, isto é, fornecedoras de sementes, para acompanhamento do processo de formação das sementes, desde a polinização até a maturação das mesmas, adotando-se um esquema de coleta quinzenal ou mensal dos frutos e sementes maduros. As melhores sementes são obtidas de árvores adultas, sadias, vigorosas, que apresentam boa forma do tronco, altura e distribuição de copa. No caso de frutíferas deve-se considerar a qualidade dos frutos e produtividade. Organizar expedições de coleta requer o conhecimento das espécies, saber os locais onde elas ocorrem, ter um calendário com as épocas de frutificação e promover o monitoramento da maturação dos frutos. As matrizes devem ser marcadas e mapeadas de forma que possam ser facilmente encontradas posteriormente, de preferência usando um aparelho de GPS portátil para registro das coordenadas geográficas. A correta escolha da árvore matriz está em função do objetivo do plantio. Escolha de matriz na mata Escolha de matriz no cerrado Semeando o Bioma Cerrado 10 b) Coleta de sementes A coleta de sementes deve ser realizada pelo próprio viveirista uma vez que o comércio de sementes de espécies nativas de Cerrado é incipiente. Na região do Cerrado há frutificação de espécies durante todo o ano embora entre os meses de março a junho exista menor número de espécies frutificando. As espécies com frutos secos, de um modo geral, dispersam as sementes no período seco, como ocorre com a aroeira, sucupira branca, gonçalo alves. Já as espécies com frutos carnosos, apresentam maturação de frutos entre o início e o meio da estação chuvosa, como pequi, mangaba e cagaita. As espécies de mata de galeria concentram a dispersão das sementes do meio para o final da estação seca (julho-setembro). A coleta de sementes pode ser realizada diretamente das árvores ou no solo quando se tratar de frutos grandes ou de sementes pesadas. Para garantir a qualidade das sementes recomenda-se a coleta diretamente da copa das árvores. O ideal é a coleta das sementes ser realizada de vários indivíduos visando garantir maior variabilidade genética. Uma vez colhidas, as sementes devem ser beneficiadas, secas, e logo semeadas, evitando seu armazenamento. São utilizados para a coleta equipamentos como veículo, podão, tesoura de poda, saco, escada, lona plástica, etiqueta. Coleta com podão em jerivá 11 Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado Coleta de fruta de veado IV. DORMÊNCIA A dormência ocorre quando, mesmo com as condições favoráveis à germinação, as sementes viáveis de algumas espécies não germinam ou levam mais tempo para germinar. a) Causas da dormência Embrião imaturo ou rudimentar; impermeabilidade à água; impermeabilidade a gases; restrições mecânicas (tegumento duro); embrião dormente; ação de substâncias inibidoras (ácido abscísico, cumarinas, compostos fenólicos, alcalóides). Mesmo com as condições favoráveis à germinação, as sementes viáveis de algumas espécies podem apresentar dormência e levarem mais tempo para germinar. Diversas espécies de Cerrado podem apresentar dormência, sendo mais comum, a dificuldade de embebição de água em função da dureza do tegumento, principalmente nas sementes de leguminosas. Para a superação da dormência, o viveirista deve estar atento à literatura específica para escolher o método apropriado. b) Métodos de superação Escarificação mecânica (uso de lixa); Escarificação ácida (ácido sulfúrico); Tratamento com água quente; Lavagem em água corrente; Secagem prévia; Pré-resfriamento ou substrato umedecido (5 a 10 ºC); Estratificação; Produtos químicos (ácido giberélico); Temperaturas alternadas; Exposição à luz. Semeando o Bioma Cerrado 12 Escarificação de sementes de jatobá Extração da semente de baru V. BENEFICIAMENTO DAS SEMENTES O beneficiamento abrange todas as atividades a que a semente está submetida, desde a coleta até a embalagem, visando melhorar a qualidade física das sementes. Consiste de todas as operações de preparo das sementes após a colheita, tais como, manipulação, debulha, descascamento, despolpa, secagem, limpeza, classificação, tratamento e embalagem. Para algumas espécies, o beneficiamento é iniciado com a secagem ou extração das sementes, sendo completado pelo uso de peneiras sob água corrente. O beneficiamento será diferenciado de acordo com o tipo de frutos (secos ou carnosos). As sementes são extraídas diretamente dos frutos secos e retiradas as impurezas, como deve ocorrer com as sementes de ipês, angico. Os carnosos são despolpados com o uso de água corrente, por exemplo, ingá, jenipapo. RECEPÇÃO EXTRAÇÃO ARMAZENAMENTO SECAGEM CLASSIFICAÇÃO Fluxograma básico das etapas de beneficiamento de sementes 13 Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado Beneficiamento de sementes de fruta de papagaio Semente de baru beneficiada Beneficiamento de jatobá Semeando o Bioma Cerrado 14 VI. ARMAZENAMENTO O armazenamento de sementes é um método que permite o prolongamento da vida das sementes, proporcionando qualidade e disponibilidade das mesmas ao longo do ano. As espécies possuem comportamentos diversos, por isso suportam tempos diferentes de armazenamento. Para armazenar sementes é ideal possuir locais adequados e secagem específica de acordo com a espécie. Existem dois tipos de sementes, as ortodoxas que suportam secagem e armazenamento, como ipê, paineira, e as recalcitrantes as quais não suportam secagem e, por isso, possuem o tempo de armazenamento curto comparado ao de outras espécies, perdendo com isso facilmente a viabilidade, por exemplo, pinha do brejo, manguito. 15 Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado VII. PREPARAÇÃO DO SUBSTRATO A análise do solo antes da preparação do substrato orientará os procedimentos para assegurar a qualidade quando à fertilidade dos componentes do substrato. O preparo do substrato é uma das operações ou etapas fundamentais na formação da muda. O substrato deve, de preferência, ser areno-argiloso, pois quando muito compacto diminui a aeração e prejudica o desenvolvimento das raízes. Isento de sementes de plantas daninhas indesejáveis, de pragas e microorganismos patogênicos. Para a produção de espécies de mata de galeria, o substrato deve possuir mistura de subsolo de cerrado, areia e matéria orgânica (esterco de gado curtido) na proporção 3:1:1, acrescido de 2 Kg de NPK 4-14-8 por m³ de substrato. Para as demais espécies de Cerrado usar substrato de terra pura de latossolo vermelho amarelo misturada com esterco de gado curtido ou composto orgânico. Originalmente estes solos, além de pobres, são ácidos e por isso efetuar calagem para correção da acidez. Preparo de 1m3 de substrato suficiente para o enchimento de 200 a 250 sacos plásticos, dependendo do seu tamanho: 300 a 350 Kg de solo da região; 300 a 350 Kg de esterco de gado curtido; 300g de calcário dolomítico; 400 a 600 g de superfosfato simples. A terra deve ser peneirada antes de receber adubação química e ser colocada nos sacos plásticos. Para os canteiros de enraizamento de estacas pode-se utilizar uma mistura de 50% de areia e 50% de vermiculita, ou ainda, areia e esterco de curral na proporção de 1:1. Semeando o Bioma Cerrado 16 Preparo do substrato e enchimento de sacos plásticos Substrato em sacos plásticos VIII. SEMEADURA A semeadura deve ser feita em sementeiras ou diretamente nas embalagens. No caso de uso de sementeiras deve-se tomar cuidado durante o transplantio para evitar a mortalidade das mudas, ocasionada principalmente por danos às raízes. A utilização da semeadura em sementeiras é usualmente feita para espécies de sementes muito pequenas e de difícil distribuição individualizada (quaresmeira) ou de germinação baixa ou irregular (buriti, mamica de porca, pequi). Nas embalagens plásticas, a semeadura direta tem a vantagem de permitir a seleção das plantas, uniformizando por tamanho, além do melhor desenvolvimento do sistema radicular. As sementes devem ser selecionadas escolhendo-se aquelas livres do ataque de pragas ou doenças e as de maiores tamanhos. A semeadura deve ser feita entre 2 e 3 cm de profundidade, dependendo do tamanho da semente. Recomenda-se a semeadura logo após a coleta das sementes. 17 Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado Alguns cuidados precisam ser adotados antes, durante e após a semeadura para sucesso na produção: Não deixar as sementes expostas ao tempo; Irrigar bem os canteiros antes da semeadura; Escarificar a superfície do substrato caso apresente crosta; Depositar as sementes no centro dos sacos plásticos; Não deixar as sementes expostas após a semeadura, cobri-las com o substrato utilizado; Não remexer ou escarificar o recipiente até a emergência das plântulas; Colocar uma plaqueta de identificação constando a espécie, origem da semente e data de semeadura; Regar diariamente. A escolha da embalagem depende da escala de produção, espécie, tamanho final da muda e tempo de permanência das mudas no viveiro. Para produção em pequena escala podem ser utilizados materiais recicláveis como embalagem de longa vida, garrafas pets, sacos de leite, latas, fazendo-se furos na base para drenagem do excesso de água. Os sacos plásticos, tubetes e bandejas de isopor são os tipos mais comuns de embalagens nos viveiros de média e grande produção. Utilizam-se frequentemente: Sacos plásticos de polipropileno, pretos, 8 a 10 perfurações na base com maior disponibilidade no comércio, baixo custo e fácil manuseio no viveiro, nos tamanhos: 8x12 cm, 15x18 cm, 20x25 cm, entre outros. Para espécies de Cerrado recomendam-se sacos plásticos com dimensões de 20 cm de diâmetro x 30 cm de altura x 0,02 mm de espessura ou 14 cm x 25 cm x 0,02 mm. Tubetes para produção em grande escala; o custo inicial da instalação da infraestrutura de suporte é elevado e há necessidade de manejo mais refinado. Semeando o Bioma Cerrado 18 Semeadura em tubete Semeadura em bandeja de isopor Semeadura em sementeira de areia Semeadura direta em sacos plásticos 19 Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado IX. CANTEIROS Os canteiros são formados pelas embalagens plásticas provenientes da semeadura direta, da repicagem da sementeira ou do leito de enraizamento. Piquetes ligados por fios de arame delimitam os canteiros. Optando-se pelo uso de tubetes ou de bandejas de isopor, o canteiro é arranjado a uma altura de 0,80cm a 1,0m e sustentado por suportes fixos no solo. A largura dos canteiros deve ser de 1,00 a 1,20 m e a distância entre eles de 0,60 m, aproximadamente, para permitir os tratos culturais e a insolação adequada das mudas do centro. A locação dos canteiros, preferencialmente, é na direção norte-sul para receberem insolação mais uniforme e no sentido paralelo à inclinação do terreno, para facilitar o escoamento da água de chuva ou excedente de irrigação, lembrando que a inclinação do terreno deve ser suave para se evitar a ocorrência de enxurrada entre canteiros e a consequente erosão do solo. Canteiros em viveiro sombreado Canteiros em pleno sol Semeando o Bioma Cerrado 20 X. RALEIO OU DESBASTE Na semeadura direta nos sacos plásticos, dependendo da espécie, colocar mais de uma semente, para garantir a presença de, pelo menos, uma muda por embalagem. Quando mais de uma semente germina, é necessário fazer um raleio ou desbaste, deixando apenas a muda mais vigorosa e de melhor forma. O raleio é feito quando as mudas tiverem de dois a três pares de folhas definitivas. Muda de mangaba após raleio Mudas de jatobá após raleio Mudas de pequi após raleio 21 Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado XI. TRANSPLANTIO As mudas cultivadas em sementeiras, tubetes ou bandejas de isopor, quando apresentarem seu segundo conjunto de folhas, devem ser transferidas para os sacos plásticos. Cuidados no transplantio para garantir a integridade e desenvolvimento das mudas: Retirar a muda do canteiro de semeadura com cuidado para manter o torrão de terra protegendo as raízes; Proceder a seleção de mudas mais vigorosas; Abrir o orifício no substrato com profundidade suficiente para acomodar as raízes das mudas; Plantar, preenchendo o orifício com substrato peneirado, fino e seco, de forma a evitar a formação de bolsas de ar; Regar fartamente logo após o transplantio; Identificar as mudas. Transplantio de mudas de tubete Semeando o Bioma Cerrado 22 XII. LUMINOSIDADE Manter as mudas encanteiradas em local semi-sombreado (tela sombreadora conhecida como sombrite, com 50% de passagem de luz). A aclimatação das mudas será em condições de pleno sol antes de serem levadas para o campo (rustificação), por ocasião do plantio definitivo. Algumas espécies de características próprias devem ser semeadas a pleno sol, sem uso de sombrite ou outra cobertura, pois são adaptadas a ambientes abertos na natureza. XIII. REGA Regar as mudas encanteiradas de forma abundante, porém, com intervalo de tempo suficiente para favorecer a aeração do substrato, considerando a necessidade da espécie. Como exemplo, irrigar o buriti três vezes ao dia, pois é uma espécie de ambiente úmido. Fazer maior controle na época chuvosa visando prevenir doenças fúngicas devido ao excesso de água acumulado nas folhas e caule. As plantas recém repicadas e que se encontram nas sementeiras devem ser regadas diariamente, evitando-se o encharcamento. 23 Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado XIV. IRRIGAÇÃO A irrigação por regadores ou mangueiras é suficiente nos viveiros de pequeno porte. Usar regador de crivo fino para evitar erosão e danos às folhas. Em viveiros comerciais o sistema por aspersão é o mais recomendado e o detalhamento do sistema deverá ser feito caso a caso. O mais usual é a irrigação por microaspersão, devido à maior eficiência e ao menor tamanho das gotas aspergidas. Quanto maior a proximidade do viveiro da fonte de água para irrigação menor será o custo para o produtor, devido à menor potência requerida para seu bombeamento e, consequentemente, menor gasto com energia. Havendo possibilidade, é desejável a condução da água por gravidade, com pressão suficiente para suprir as perdas de carga da tubulação e para a operação dos microaspersores, ao redor de 20 m.c.a. Semeando o Bioma Cerrado 24 XV. CONTROLE FITOSSANITÁRIO E TRATOS CULTURAIS Manter o controle de pragas ou doenças, consultando um profissional especializado; Estar atento ao ataque de formigas cortadeiras; Manter os recipientes e as ruas de circulação entre os canteiros livres de ervas daninhas e cobrir com matéria morta ou brita para evitar acúmulo de água; Realizar a movimentação das embalagens plásticas para evitar que as raízes penetrem no solo. Aplicação de inseticida óleo de Neen 25 Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado Tratos culturais REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Legislação brasileira sobre sementes e mudas: Lei 10.711, de 05 de agosto de 2003, Decreto n° 5.153, de 23 de julho de 2004 e outros. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Coordenação de sementes e mudas. Brasília: MAPA/DAS/CSM, 2007. 318p. BRASIL, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regras para análise de sementes. Brasília: Mapa/ACS, 2009. 399 p. FELFILI, J. M.; MENDONÇA, R. C. DE; WALTER, B. M. T.; SILVA JÚNIOR, M. C. DA; NÓBREGA, M. G. G.; FAGG, C. W.; SEVILHA, A. C. E SILVA, M. A. Flora fanerogâmica das Matas de Galeria e Ciliares do Brasil Central. In: Cerrado: caracterização e recuperação de matas de galeria / Editores José Felipe Ribeiro, Carlos Eduardo Lazarini da Fonseca, José Carlos Sousa-Silva. - Planaltina: Embrapa Cerrados, 2001. GONZÁLES, S. e TORRES, R. A. A. 2003. Coleta de Sementes e Produção de Mudas. In: Germinação de Sementes e Produção de Mudas de Plantas do Cerrado/ Organizado por Antonieta Nassif Salomão et al. - Brasília, Rede de Sementes do Cerrado. LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa, SP: Editora Plantarum. v.01. 1992. LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa, SP: Editora Plantarum. v.02. 1992. MELO, J. T. DE; TORRES, R. A. DE A.; SILVEIRA, C. E. DOS S. DA e CALDAS, L. S. Coleta, propagação e desenvolvimento inicial de plantas do Cerrado. In: Cerrado: ecologia e flora. Editores técnicos: Suelil Matiko Sano, Semíramis Pedrosa de Almeida, José Felipe Ribeiro, Embrapa-Cerrados.- Brasília-DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2008. v.02. cap. 11. Semeando o Bioma Cerrado 26 PAIVA, H. N. e GONÇALVES, W. 2001. Produção de Mudas. Viçosa: Aprenda Fácil. Coleção Jardinagem e Paisagismo. Série Arborização urbana, v.1. 130p. PINTO, A.C. de Q. (coor). 1996. Viveiro de mudas frutíferas sob condições do ecossistema de Cerrados. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. 112p. (EMBRAPACPAC. Documentos, 62). SALOMÃO, A. N.; SOUSA-SILVA, J. C.; DAVIDE, A. C.; GONZÁLES, S.; TORRES, R. A. A.; WETZEL, M. M. V. S.; Firetti, F. e Caldas, L. S. Germinação de sementes e produção de mudas de plantas do Cerrado. Brasília-DF, Rede de Sementes do Cerrado. 96p, 2003. SILVA JÚNIOR, M.C. e PEREIRA, B. A. DA S. + 100 árvores do cerrado - Matas de Galeria: guia de campo. Ed. Rede de Sementes do Cerrado. Brasília-DF. 288p. 2009. SILVA JÚNIOR, M.C.; SANTOS, G. C. DOS; NOGUEIRA, P. E.; MUNHOZ, C. B. R. e RAMOS, A.E. 100 árvores do Cerrado: guia de campo. Rede de Sementes do Cerrado. Brasília-DF. 278p. 2005. WENDLING, I; GATTO, A.; PAIVA, H.N. DE e GONÇALVES, W. Planejamento e Instalação de Viveiros. Editora Aprenda Fácil. Viçosa-MG. Coleção jardinagem e paisagismo. Série produção de mudas ornamentais. v.1. 120p, 2001. 27 Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado ANEXOS Anexo 1. Projeto de viveiro modular, detalhes construtivos e quantitativos Semeando o Bioma Cerrado 28 I. Material de construção II. Ferramental e equipamentos 29 Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado III. Insumos para produção de mudas – 4.300/8.600 mudas/ano IV. Mão de obra para produção de mudas Semeando o Bioma Cerrado 30 Anexo 2. Esquadrejamento da área 31 Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado Anexo 3. Relação de plantas nativas do bioma Cerrado para produção em viveiro Semeando o Bioma Cerrado 32 33 Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado NOTAS 1 sementes apresentam dormência em função da imaturidade do embrião. Escarificar e embeber em solução de 2g de ácido giberélico/ litro d’água. 2 quebra mecânica do fruto para retirada das sementes 3 sementes apresentam dormência. Embeber em solução de 2g de ácido giberélico/ 08 litros d’água, por 96h. * sementes perdem rapidamente a viabilidade, semear logo após colhidas. Semeando o Bioma Cerrado 34 Notas Notas Parceiros Patrocínio Projeto Semeando o Bioma Cerrado Edifício Finatec, Bloco “H” - Campus UnB Cep: 70.910-900 - Brasília/DF Telefone: (61) 3348-0423 E-mail: [email protected] Produção de mudas de plantas www.rededesementesdocerrado.org.br nativas do Cerrado