1 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Sucessão e Herança Leis, práticas e costumes na região rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 2 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) A questão de partida: Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 O que é que predispõe uma minoria de lavradores a manter as suas explorações indivisas enquanto que a maioria de entre eles as fracciona até as tornar inviáveis economicamente? 3 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) O contributo das outras Ciências Sociais: Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Geografia – as paisagens Antropologia – os grupos domésticos Sociologia – emigração/diferenciação social Chamar a atenção sobre as raízes históricas de certas práticas que actualmente são cada vez mais raras mas que no passado teriam sido muito usuais 4 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) Campo de observação: A área rural do concelho de Braga O período: 1720 – 1820 Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 O objecto de análise: as informações fornecidas pela sucessão testamentária 5 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 A Terra 6 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) Mapa 1 – Concelho de Braga, no séc. XVIII com a localização dos senhorios Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Braga: um senhorio eclesiástico • Arcebispo • Cabido • Senhorios monásticos (coutos) • Comenda da Ordem de Cristo Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 7 O emprazamento: divisão da propriedade em explorações de pequena e média dimensão Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Quadro nº 1: Dimensão das explorações Adaúfe (1593-1609) Classificação Hectares Muito pequena exploração Pequena exploração Média exploração Grande exploração TOTAL 0 - 0,5 0,5 - 2 Foreiros % com contrato 1 Foreiros sem contrato 1 % 2% Subforeiros 3 % 6% Total 4 % 3% 1% 12 30% 28 62% 41 27% 2-5 35 55% 19 48% 7 16% 61 41% 5-+ 28 44% 8 20% 7 16% 43 29% 64 100 40 100 45 100 149 100 8 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) O emprazamento: O contrato de exploração mais utilizado pelos senhorios eclesiásticos Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 • Partilha do conceito de propriedade: domínio útili e domínio eminente • Partilha dos direitos de propriedade: - Senhor – recebe uma renda - Foreiro – trabalha a terra, paga uma renda e deve nomear um sucessor para manter a exploração na família Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 9 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) Os Homens: • Povoamento denso nos vales e nas boas terras agrícolas • Despovoamento nas terras altas e nos solos de fraco potencial agrícola Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 10 Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Comportamentos demográficos característicos da região do Minho : • • • • • • Baixas taxas de mortalidade Esperança de vida elevada ao nascimento Idade média elevada ao primeiro casamento feminino Níveis altos de celibato feminino definitivo Fecundidade controlada Número médio de descendentes pouco elevado Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 11 Quadro nº 2: População de Braga e da sua zona rural: taxa de crescimento (séc. XVII – XIX) FOGOS Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 DATAS 16951706 1732 1757 1795 1798 1801 Variação em % do nº de fogos de cada numeramento Cidade Zona + Cidade rural Zona rural Cidade Zona Rural Cidade + Zona rural 3.500 3.600 7.100 - - 3.087 4.635 4.306 4.121 4.020 4.835 5.669 5.678 5.576 9.470 9.975 9.799 9.596 -11,8 50,1 -7,1 -4,3 -2,5 34,3 17,2 0,2 -1,8 Taxa média anual de crescimento Cidade Zona rural Cidade + Zona rural - - - - 33,4 5,3 -1,8 -2,1 -0,34 1,64 -0,19 -1,45 -0,82 0,48 0,42 0,05 -0,60 0,47 0,14 -0,59 -0,70 Fonte: DAVID, Henrique, As Crises de Mortalidade no Concelho de Braga, 1700-1880. Tese de doutoramento, F.L.U.P., Porto, 1992, p. 92. Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 12 Mapa 2: 1706 Cartas com as densidades do concelho de Braga: Mapa 3: 1758 Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Mapa 4: 1798 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 13 Quadro nº 3: Densidade média dos fogos na cidade de Braga e na zona rural ( sécs. XVIII – XIX) Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Cidade Zona rural Cidade + Zona rural 1732 4,00 3,16 3,57 1795 4,13 3,78 3,93 1801 3,99 4,11 4,06 Fonte: DAVID, Henrique, As Crises de Mortalidade no Concelho de Braga, 1700-1880. Tese de doutoramento, F.L.U.P., Porto, 1992, p.98. 14 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) As fontes – a dispersão dos testamentos portugueses: • Arquivos regionais (Arquivo Distrital): fundo notarial, fundo do tribunal eclesiástico, registos paroquiais; Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 • Arquivos municipais (Arquivo Camarário): fundo do tribunal civil, fundo do administrador do concelho; 15 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) As fontes –os registos paroquiais: • Casamentos, baptizados e óbitos; • Todas as formas de fazer testamento; Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 • Dotes e doações; Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 16 As fontes – A representatividade dos testamentos: Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Quadro nº 4: Frequência dos testamentos, dotes e doações na paróquia de Adaúfe (1720-1809) Períodos Testamentos % Dotes % Doações % TOTAL 1720-1749 1750-1779 1780-1809 TOTAL 134 135 247 516 77% 68% 68% 70% 23 40 96 159 13% 20% 26% 22% 17 23 22 62 10% 12% 6% 8% 174 198 365 737 Quadro nº 5:Frequência dos Testamentos, Dotes e Doações na paróquia de Nogueira (1720-1809) Períodos Testamentos % Dotes % Doações % TOTAL 1720-1749 1750-1779 1780-1809 TOTAL 31 8 25 64 76% 80% 100% 84% 2 1 0 3 5% 10% 0% 4% 8 1 0 9 19% 10% 0% 12% 41 10 25 76 As Fontes – A representatividade dos testamentos: Quadro nº 6: Adaúfe. Comparação entre o fluxo de mortalidade e o fluxo testamentário (1720-1809) Períodos 1720-29 1730-39 1740-49 1750-59 1760-69 1770-79 1780-89 1790-99 1800-09 TOTAL Total de Óbitos 206 268 306 284 286 299 219 251 267 2386 % 9% 11% 13% 12% 12% 13% 9% 11% 11% 100% Óbitos de Menores 47 93 117 126 125 115 40 15 13 691 % 7% 13% 17% 18% 18% 17% 6% 2% 2% 100% Óbitos de Adultos 159 175 189 158 161 184 179 236 254 1695 % Testamentos % Test./ Óbitos 9% 10% 11% 9% 9% 11% 11% 14% 15% 100% 45 56 36 38 47 53 64 92 77 508 9% 11% 7% 7% 9% 10% 13% 18% 15% 100% 28% 32% 19% 24% 29% 29% 36% 39% 30% 30% 18 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) As fontes – a construção da amostra : Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 (carta com a localização das paróquias levantadas) Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 19 A amostra: um modelo católico romano Gráfico nº1: Distribuição dos testamentos pelo lugar de redacção Casa Cartório do notário 3% 18% No leito 79% Grafico nº2: Distribuição dos testamentos segundo a sua tipologia Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Test. público 9% Testamento cerrado 27% Nuncupativo4% Testamento aberto 60% Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 20 A amostra: características sociológicas Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Quadro nº 7: Distribuição dos testamentos por sexo e estado civil do testador (sécs. XVIII – XIX) Celibatários % Casados % Víúvos % TOTAL % Homens 111 31,8 317 51,8 158 38,4 586 42,7 Mulheres 238 68,2 295 48,2 253 61,6 786 57,3 TOTAL 349 100 612 100 411 100 1372 100 Fonte: Registos Paroquiais. Livros de Testamentos de 12 paróquias da zona rural de Braga 21 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 O contexto jurídico: as Ordenações 22 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) As Ordenações: dois critérios/dois modelos de regras jurídicas Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 • Família – princípios gerais • Propriedade – princípios particulares dos bens vinculados (inalienáveis et indivisíveis) Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 23 Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Definição dos Conceitos: • • • • • Família Camponesa Sucessão Herança Património Exploração Agrícola 24 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 A construção dos modelos de análise: • Partindo dos conceitos (sucessão, herança, património, exploração agrícola) • Tendo em conta o sistema legislativo em vigor (Ordenações) • Construímos os seguintes modelos de observação: - Sucessão fragmentada/herança igualitária - Sucessão única/ herança igualitária - Sucessão única /herança beneficiada - Sucessão única /herança universal Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 25 As práticas: a predominância da desigualdade Quadro nº 8: Distribuição das formas de sucessão e de partilha do património segundo o sexo e o estado civil dos testadores Homens TOTAL Celibatário Casado Viúvo Celibatário Casado Viúvo 101 98 110 206 68 159 742 2 46 27 1 63 50 189 Herança Igualitária 3 19 20 9 12 34 97 Cônjuge Herdeiro - 133 - - 138 - 271 - 20 - - 14 - 34 Legados 5 1 1 22 - 10 39 TOTAL 111 317 158 238 295 253 1.372 Herança Universal Herança Beneficiada Cônjuge Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Mulheres Usufrutuário Fonte: Livros de Testamentos de 12 paróquias da zona rural de Braga 26 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) As práticas: uma desigualdade adoptada por todos Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Quadro nº 9: Escolha da forma de sucessão e da partilha do património segundo o estatuto socio-profissional do testador Herança Herança Herança Cônjuge Cônjuge Legados TOTAL Univ. Benef. igualit. Herdeiro Usufr. Proprietário 1 1 Foreiro 351 35 24 100 25 5 540 Caseiro 1 2 3 Sub-foreiro 5 2 7 Camponês/Artesão 3 1 4 Assalariado rural 2 1 4 1 8 Criado 17 8 25 Artesão 10 9 4 1 24 Eclesiástico 42 1 1 2 46 Comerciante 1 1 2 Cirurgião 3 2 5 Nobre 2 2 1 5 Funcionário 6 1 1 8 Militar 3 1 4 Pobre 3 2 2 4 2 13 TOTAL 444 55 30 120 27 19 695 Fonte: Livros de Testamentos de 12 paróquias da zona rural de Braga Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 27 As práticas: uma desigualdade atenuada pelos encargos Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Quadro nº 10: Encargos do herdeiro principal e do herdeiro beneficiado Legado Pio Legados/Legítimas Legados Usufrutos Dívidas TOTAL Herdeiro Universal 687 203 246 153 177 1.466 % 46,9 13,8 16,8 10,4 12,1 100 Herdeiro Beneficiado 166 14 43 6 39 268 % TOTAL % 61,9 5,2 16,1 2,2 14,6 100 853 217 289 159 216 1.734 49,2 12,5 16,7 9,2 12,4 100% Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 28 Legados para desconto da legítima: a recompensa dos não sucessores Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Quadro nº 11: Composição dos legados para desconto da legítima dos descendentes a cargo dos sucessores , herdeiros universais Dinheiro Vestuário Roupa de casa Jóias Móveis Caixas Catre Animais Terras Utensílios Homens 144 4 Mulheres 183 24 TOTAL 327 28 % 68,4 5,9 2 26 28 5,9 18 10 27 5 4 4 7 18 14 37 6 5 7 8 478 3,8 2,9 7,7 1,2 1,0 1,5 1,7 100% 4 10 1 1 3 1 TOTAL Quadro nº 12: Distribuição dos legados para desconto da legítima, em dinheiro e a cargo dos sucessores e herdeiros universais < 10.000 reis 10.000 - 20.000 rs. 20.000 - 60.000 rs. 60.000 - 100.000 rs. > 100.000 rs. TOTAL Homens 21 25 55 7 35 143 % 14,7 17,5 38,5 4,8 24,5 100 Mulheres 16 28 66 11 59 180 % 8,9 15,6 36,7 6,0 32,8 100 TOTAL 37 53 121 18 94 323 % 11,4 16,4 37,5 5,6 29,1 100 Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 29 Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Legados: a recompensa dos parentes e dos vizinhos • • • • Pagar serviços Demonstrar afeição e amizade Atenuar as desigualdades Proteger os mais fracos Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 30 Os usufrutos: protecção dos viúvos(as) e dos celibatários Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Quadro nº 13: Composição e distribuição dos usufrutos declarados pelos testadores rurais de Braga nos sécs. XVIII - XIX. Casas Secundáriass Aposento da casa principal Terra para horta Terra de cultivo 1/4 do usufruto 1/3 do usufruto 1/2 do usufruto Totalidade do usufruto Usufruto de rendas Cônjuge Filhos Colaterais Pai/Mãe Outros parentes Sobrinhos/as Escravos 17 39 4 - 1 1 1 7 2 - - - - - 13 15 - - - 1 - 6 13 2 - - 1 1 5 1 - - - - - 20 3 1 - - - - 3 4 1 1 - 1 - 34 3 5 1 4 2 - - 1 - - - 1 - Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 31 O pagamento das dívidas Quadro nº 14: Distribuição das dívidas a cargo dos herdeiros universais e beneficiados Quantias < 5.000 reis 5.000 - 10.000 rs. 10.000 - 30.000 rs. 30.000 - 50.000 rs. 50.000 - 100.000 rs. > 100.000 rs. Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 TOTAL Total das dívidas Homens 9 8 23 15 17 13 85 5.570.795 rs. Mulheres 6 4 22 16 7 7 62 3.451.481 rs. TOTAL 15 12 45 31 24 20 147 9.022.276 rs. % 10,2 8,2 30,6 21,1 16,3 13,6 100% Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 32 Sucessores e herdeiros: os laços de parentesco Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Quadro nº 15: A escolha dos herdeiros e os laços familiares segundo o sexo e o estado civil dos testadores (sécs. XVIII – XIX) Não designa Filhos/as Cônjuge Pai/Mãe Colaterais Tios/as Sobrinhos/as Netos/as Outros parentes Sem laço familiar TOTAL Homens Celibatário Casado 1 7 125 181 5 1 48 4 37 4 1 - Viúvo 145 2 6 1 Mulheres Celibatário Casado 5 22 97 185 4 2 109 4 1 59 6 2 - Viúvo 1 213 10 20 - TOTAL 7 609 366 12 177 1 132 4 4 1 1 5 - 3 14 8 - 3 31 1 6 50 111 318 158 238 295 253 1.372 Fonte: Livros de Testamentos de 12 paróquias da zona rural de Braga. Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 33 Sucessores e herdeiros: o papel do cônjuge Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Quadro nº 16: A escolha do sucessor na herança universal e na herança beneficiada (sécs.XVIII – XIX) Cônjuge Primogénito Primogénita Filho Filha Ultimogénito Ultimogénita Netos Colaterais Pai/Mãe Tios/as Sobrinhos/as Outros Alma TOTAL Testadores com filhos Herança Herança Universal Beneficiada 75 40 172 21 103 24 47 7 49 43 6 6 12 9 7 2 456 130 Testadores sem filhos Herança Herança Universal Beneficiada 196 33 5 153 1 12 1 117 1 54 2 4 557 59 TOTAL 344 193 127 54 92 12 21 14 154 12 1 118 56 4 1.202 Fonte: Livros de Testamentos de 12 paróquias da zona rural de Braga Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 34 Sucessores e herdeiros: a questão da primogenitura Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 Quadro nº 16: Composição e distribuição dos usufrutos declarados pelos testadores rurais de Braga nos sécs. XVIII - XIX. Cônjuge Primogénito Primogénita Filho Filha Ultimogénito Ultimogénita Netos Colaterais Pai/Mãe Tios/as Sobrinhos/as Outros Alma TOTAL Testadores com filhos Herança Herança Universal Beneficiada 75 40 172 21 103 24 47 7 49 43 6 6 12 9 7 2 456 130 Testadores sem filhos Herança Herança Universal Beneficiada 196 33 5 153 1 12 1 117 1 54 2 4 557 59 TOTAL 344 193 127 54 92 12 21 14 154 12 1 118 56 4 1.202 Fonte: Livros de Testamentos de 12 paróquias da zona rural de Braga Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 35 Conclusões: Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 As práticas detectadas mostram um sistema sucessório e hereditário desigual; A desigualdade não se regista somente em relação ao descendente escolhido para continuar a possuir e a explorar a terra mas também se verifica entre os descendentes excluídos; As condições e os encargos que pesam sobre o sucessor/herdeiro universal ajudam a diminuir a desigualdade entre os descendentes e a criar um sistema mais « justo »; Entre os casados, o cônjuge sobrevivente é a personagem chave de todo o processo quer ele tenha sido nomeado sucessor e herdeiro universal quer lhe tenha sido apenas atribuído o usufruto; Entre os descendentes há uma nítida preferência pela primogenitura mas não pela linha masculina já que as filhas têm um papel importante em todo o processo de sucessão e herança; Sucessão e Herança Leis, Práticas e Costumes na Zona Rural de Braga (XVIII – XIX séculos) 36 Conclusões: Margarida Durães Universidade do Minho, 2004 É um modelo designado de assistencial já que os seus principais objectivos são a protecção na doença e na velhice dos progenitores bem como dos membros da família mais frágeis (celibatários) Estas práticas começaram a entrar em decadência a partir da aplicação das reformas económicas e sociais do regime liberal; Não tendo mais a protecção do sistema jurídico da propriedade vinculada (indivisibilidade) as explorações agrícolas têm necessidade de um suporte financeiro cada vez maior para permanecer indivisas; Mas é sobretudo a partir da instalação do Estado Providência que a maioria delas deixa de fazer sentido mantendo-se, no entanto, a tradição de beneficiar o filho(a) que fica em casa e trata os pais na doença e na velhice.