Telepatologia O programa de educação continuada do CRM-PR projeta maior expansão na nova sede, em especial na interação com as sociedades de especialidade. Os eventos de telepatologia já contam com calendário até o final do ano e a iminente integração com Cascavel. Páginas 12 e 13 Órgão Informativo do Conselho Regional de Medicina do Paraná Ano VII • Nº 56 Março e Abril/2003 www.crmpr.org.br e-mail: [email protected] Novo espaço, novos tempos! Encontro dos Conselhos e Pré-Enem marcam a inauguração da “Casa do Médico” nova sede do Conselho de Medicina do Paraná abre suas portas como centro irradiador de idéias, voltado ao fortalecimento do compromisso ético e de defesa da vida. Sob estímulo de dois eventos de repercussão e amplitude, o espaço está preparado para abrigar continuamente atividades científicas, culturais e artísticas, me- lhorando a educação médica continuada e estreitando a relação com a sociedade. Aliás, a realização do XV Encontro dos Conselhos da Região Sul/Sudeste e do Pré-Enem vêm consolidar a proposta de harmonia das entidades médicas em busca de “um novo tempo” (veja a edição especial). A representação da constelação de Ophiuchas e a referência ao deus grego da medicina, Asclépio, estão em destaque no projeto arquitetônico da Casa do Médico (à dir.). Edição especial dos Cadernos do Conselho e a mostra Pioneiros da Medicina do Paraná ajudam a contar um pouco mais da história de quase meio século para concretização do sonho da sede do CRM. Páginas 2, 8, 9 e 10 IMPRESSO ENVELOPAMENTO AUTORIZADO. PODE SER ABERTO PELO ECT MARÇO E ABRIL-2003 / PÁGINA 2 editorial A Casa de um novo tempo oncretiza-se um sonho de 46 anos. O trabalho e a retidão dos conselheiros, o apoio e contribuição de todos médicos paranaenses permitiram entregar ao Paraná a nova Sede do Conselho Regional de Medicina - uma bela obra arquitetônica inspirada em aspectos históricos, na mitologia e seus deuses, na arte de curar, no cosmos e nos valores da Medicina. Muito mais que apenas uma estrutura fria de ferro e concreto, trata-se de um espaço para irradiar esperança, justiça, eqüidade, educação, beneficência e autonomia. Preservamos a liberdade de idéias, o respeito ao contraditório, o fortalecimento do compromisso ético e a defesa da vida. Será também abrigo ao bom médico. Uma Casa que, além de referência de luta pelas boas condições de trabalho, ao mesmo tempo vai prevenir condutas equivocadas, corrigir posturas e atitudes inadequadas e afastar colegas antiéticos capazes de denegrir a profissão. Assim, estaremos protegendo a socie- dade, fortalecendo a confiança e a consideração com os médicos, pois o respeito à Medicina sempre existiu. Trata-se de função fiscalizadora do Conselho saber o que é insuficiente para a boa prática da profissão. Outras ações são indispensáveis, como as atividades científicas para melhorar a educação médica continuada, a serem levadas ao novo e confortável auditório. Para complementar a educação continuada, implementaremos as videoconferências com as especialidades médicas. As videoconferências já estão possibilitando a integração com as delegacias regionais para atender questões administrativas e a interatividade com os conselheiros do interior para apresentar pareceres e sindicâncias. Outra inovação é a divulgação do intenso trabalho do Conselho, assim como a criação de espaço para atividades culturais e artísticas, facilitando a aproximação com a sociedade. Aproveitando a inauguração da nova sede, teremos o XV Encontro dos Conselhos Regionais e das demais entidades médicas. A programação é de interesse e de perspectivas futuras para toda classe médica. Os assuntos já foram abordados em eventos anteriores, mas a situação atual é mais promissora, pois identificamos um trabalho mais unificado e solidário por parte das instituições médicas. Os nossos dirigentes maiores estão harmonizando estratégias de luta, ações para atender as expectativas dos médicos e restaurar a importância e o respeito que a classe merece. Não se trata da busca corporativa estreita e limitada, mas de corrigir as distorções entre a sobrecarga de trabalho e as baixas remunerações. A exigência por parte da sociedade coloca o médico como um ser infalível. Novos tempos nos esperam. É tempo de esperança e fé. Tempo de confiança aos destinos do nosso País. Juntos, conseguiremos atuar para fortalecer a classe e a sociedade. Cons. Luiz Sallim Emed, presidente do CRM-PR CQH lança Prêmio Nacional da Gestão em Saúde O Congresso de Qualidade Hospitalar (CQH) lança, no dia 13 de junho, o Prêmio Nacional da Gestão em Saúde (PNGS). O lançamento ocorrerá durante a VI edição do evento, em São Paulo. Podem concorrer ao prêmio hospitais, laboratórios de patologia clínica, clínicas de especialidades médicas e empresas de atendimento domiciliar (home care) de qualquer parte do Brasil. As entidades também precisam ter, no mínimo, um ano de existência, pelo menos 10 pessoas na quadro de funcionários, registro no seu respectivo CRM, CNPJ próprio, registro no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde e não ser operadora de planos de saúde. As entidades interessadas em participar devem submeter ao PNGS um relatório de gestão, que passará por uma banca avaliadora e um corpo de juízes. Na segunda fase do concurso, a comissão de avaliação fará visitas às instalações do locais selecionados. Serão entregues troféus e diplomas de reconhecimento pela qualidade da gestão aos primeiros lugares, no próximo ano, durante o CQH’2004. O PNGS tem apoio da Associação Médica Brasileira, da Universidade Federal de São Paulo (Escola Paulista de Medicina), Associação Paulista de Medicina e do Conselho Regional de Medicina de São Paulo. Outras informações pelo telefone (0xx11) 3188-4213. e x p e d i e n t e Jornal do Conselho Regional de Medicina do Paraná Conselho Editorial Luiz Sallim Emed (coordenador), Donizetti Dimer Giamberardino Filho, Ehrenfried Othmar Wittig, João Manuel Cardoso Martins, Eloi Zanetti e Hernani Vieira. Diretoria - Gestão 1998/ 2003 Presidente: Cons. Luiz Sallim Emed Vice-Presidente: Cons. Donizetti Dimer Giamberardino Filho 1.ª Secretária: Cons. Marília Cristina Milano Campos 2.ª Secretária: Cons. Monica De Biase Wright Kastrup Tesoureiro: Cons. Roberto Bastos da Serra Freire Tesoureiro-Adjunto: Cons. Gerson Zafalon Martins Corregedora: Cons. Raquele Rotta Burkiewicz Conselheiros Efetivos Carlos Ehlke Braga Filho, Carlos Roberto Goytacaz Rocha, Daebes Galati Vieira, Donizetti Dimer Giamberardino Filho, Gerson Zafalon Martins, Hélcio Bertolozzi Soares, José Luís de O. Camargo (Londrina), Kemel Jorge Chammas (Maringá), Luiz Sallim Emed, Marcos Flávio Gomes Montenegro, Mariângela Batista Galvão Simão, Marília Cristina Milano Campos, Mauri José Piazza, Monica de Biase Wright Kastrup, Raquele Rotta Burkiewicz, Roberto Bastos da Serra Freire, Rubens Kliemann, Sérgio Maciel Molteni, Wadir Rúpollo e Zacarias Alves de Souza Filho. Conselheiros Suplentes Antonio Carlos de A. Soares (Cascavel), Célia Inês Burgardt, Cícero Lotário Tironi, Jorge Rufino Ribas Timmi, José Eduardo de Siqueira (Londrina), Lucia Helena Coutinho dos Santos, Luiz Antonio de Mello Costa (Umuarama), Luiz Jacintho Siqueira (Ponta Grossa), Manoel de Oliveira Saraiva Neto, Marco Antonio do S. Marques R. Bessa, Mario Stival, Minao Okawa (Maringá), Niazy Ramos Filho, Nilson Jorge de M. Pellegrini (Foz do Iguaçu), Orlando Belin Júnior (Guarapuava), Renato Seely Rocco e Sylvio José Borela (Pato Branco). Membros Natos Dr. Duilton de Paola / Dr. Farid Sabbag / Dr. Luiz Carlos Sobania / Dr. Ehrenfried Othmar Wittig Consultor jurídico: Antonio Celso Cavalcanti de Albuquerque Assessores jurídicos: Afonso Proenço Branco Filho e Martim Afonso Palma Médico Fiscal: Dr. Elísio Lopes Rodrigues Sede – Curitiba / Regionais da Saúde Estadual: Curitiba / Curitiba Norte / Curitiba Sul / Paranaguá Rua Marechal Deodoro, 497 – 3.º andar / 80020-909 - Curitiba – PR / Fone: (0xx41) 322-8238 / Fax: (0xx41) 322-8465. ·Delegacia Seccional de Apucarana Rua Dr. Oswaldo Cruz, 510 – sala 502 / Edifício Palácio do Comércio – Centro / 86800-720 – Apucarana- PR / Fone: (0xx43) 424-1417 Presidente: Dr. José Marcos Lavrador ·Delegacia Seccional de Campo Mourão Av. Capitão Índio Bandeira, 1400 sala 412 – Centro / 87300-000 – Campo MourãoPR / Fone/fax: (0xx44) 525-1048. Presidente: Dr. Dairton Luiz Legnani ·Delegacia Seccional de Cascavel Rua Senador Souza Naves, 3983 – sala 705 / Edifício Comercial Lince – Centro / 85801-250 – Cascavel- PR / Fone/fax: (0xx45) 222-2263. Presidente: Dr. Keithe de Jesus Fontes ·Delegacia Seccional de Foz do Iguaçu Rua Almirante Barroso, 1293 – sala 604/ Condomínio Centro Empresarial Pedro Basso / 85851-010 – Foz do Iguaçu – PR / Fone/fax: (0xx45) 572-4770 Presidente: Dr. Nilson Jorge de Mattos Pellegrini ·Delegacia Seccional de Guarapuava Rua Barão do Rio Branco, 779 sala 07 – Centro / 85.010-040 – Guarapuava-PR/ Fone/fax: (0xx42) 623-7699 Presidente: Dra. Vera Lúcia Dias ·Delegacia Regional de Londrina Av. Higienópolis, 32 sala 1403 / Condomínio Empresarial Newton Câmara/ 86020040 – Londrina-PR / Fone: (0xx43) 3321-4961 /Fax: (0xx43) 3339-5347 Presidente: Dr. José Luís de Oliveira Camargo ·Delegacia Regional de Maringá Ruas das Azaléias, 209 / 87060-040 – Maringá- PR Fone/fax: (0xx44) 224-4329 Presidente: Dr. Kemel Jorge Chammas ·Delegacia Seccional de Pato Branco Rua Ibiporã, 333 sala 401 – Centro / 85501-280 / Fone/fax: (0xx46) 225-4352 Presidente: Dr. Paulo Roberto Mussi ·Delegacia Seccional de Ponta Grossa Rua XV de Novembro, 512 sala 76 – Centro / 84010-020 – Ponta Grossa-PR/ Fone/ fax: (0xx42) 224-5292 Presidente: Dr. Luiz Jacinto Siqueira ·Delegacia Seccional de Toledo Rua Santos Dumont. 2705 – Centro / 85900-010 – Toledo-PR / Fone/fax: (0xx45) 252-3174 Presidente: Dr. Eduardo Gomes ·Delegacia Seccional de Umuarama Praça da Bíblia, 3336 – sala 302 / Edifício CEMED – Zona 01 / 87501-670 – Umuarama-PR / Fone/fax: (0xx44) 622-1160 Presidente: Dr. Luiz Antônio de Melo Costa ·Delegacia Regional de Porto União Rua Prudente De Morais, 300 - 89400-000 - Porto União - SC Fone: (0xx42) 523-1844 – Fax: (0xx42)522-0936 Delegado Regional do Cremesc: Dr. Ayrton Rodrigues Martins Jornalista responsável: Hernani Vieira – Mtb 993/06/98V-PR / Assistentes editoriais: Priscila P. J. Naufel e Giselle Brisk / Fotos: Joel Cerizza e Miro Matiak / Projeto Gráfico: Jump! Comunicação / Editoração: Upper Comunicação (0xx41) 252-0674 / Fotolito e Impressão: Serzegraf / Tiragem: 16.500 mil exemplares. MARÇO E A B R I L -2003/ PÁGINA 3 prevenção Programa propõe comissões de farmácia e terapêutica nos hospitais om a constituição da Câmara Técnica de Controle sobre Medicamentos, o Conselho Regional de Medicina do Paraná começa a alicerçar o projeto voltado a normatizar o acesso e uso de psicotrópicos de modo geral especialmente os opióides - nos hospitais, clínicas e demais estabelecimentos de saúde. A proposta, de conotações preventiva e educativa, tem entre as suas vertentes a preocupação de também oferecer respaldo de tratamento e reabilitação ao médico dependente químico, cada vez mais presente nos índices estatísticos e que traçam um quadro sombrio e alarmante. A Câmara é interdisciplinar e, além de conselheiros do CRM, conta com a participação efetiva do Conselho Regional de Farmácia e da Vigilância Sanitária, com apoio da Secretaria Estadual de Saúde e, na etapa inaugural, da Secretaria Municipal de Saúde e das instituições hospitalares da Capital. Assim como a expansão gradativa e natural para todo o Estado, com alcance também no meio acadêmico, o projeto propõe um reforço substancialàscampanhas institucionais de prevenção às drogas ilícitas ou não,incluindoasbebidasalcoólicas e o tabaco, este, aliás, também objeto motivador de outra Câmara Técnica e de uma mobilização de âmbito nacional (ver Página 4). Dependência, o problema Coordenador da Câmara Técnica de Controle de Medicamentos, o conselheiro Marco AntônioRibeiroBessaressaltaque a proposta vem sendo debatida há um bom tempo mas só agora pôde ser implementada, graças ao envolvimento das demais instituições fiscalizadoras e da cooperação das unidades hospitalares da Capital. Uma reunião realizada na sede do CRM, em fevereiro, mostrou consenso sobre a necessidade de se concentrar esforços para o maior controle na dispensação de medicamentos. Pesquisas reforçadas por sucessivas denúncias apontam os dispensários como fonte de abastecimento de substâncias para médicos e demais profissionais de saúde, que formam um contingente cada vez maior de dependentes químicos. De acordo com o coordenador, está sendo defendida a criação de comissões de farmácia e terapêutica nos hospitais e clínicas, para que haja a normatização do uso de medicamentos de modo geral, em especial os opióides. Como colaboração, a Câmara Técnica pretende oferecer uma cartilha de recomendações, que inclui um modelo de regimento interno a ser aplicado pelos estabelecimentos hospitalares, compatível à sua realidade. O esboço da cartilha já será discutido na próxima reunião dos componentes da Câmara, no dia 29 de abril, como informa o Dr. MarcoAntônio Bessa, que não deixa de insistir no caráter preventivo e de ajuda médica, e não de se fiscalizar e punir o médico. “Pretendemos oferecer uma referência ética aos diretores clínicos”, resume. Marco Bessa admite que a questão da dependência é incômoda e que coloca em risco muitas pessoas. Ele confirma casos emquemédicos,mesmosemfazer parte do corpo clínico de um hospital, tinham acesso à farmácia simulando a necessidade de uso de medicamento em algum paciente. A perspectiva, avalia, é de que a normativa seja estendida a todas as demais regiões do Estado, através das Delegacias do Conselho, possibilitando detectar e prevenir situações de dependência e, ao mesmo tempo, de oferecer formas de tratamento. Para isso, o CRM já está implementando alternativas de assistência e reabilitação dos médicos, tendo por base experiência inaugurada pelo Cremesp. Ao insistir que prevenir é trabalho ético do Conselho, Marco Bessa chama a atenção do médico para que se conscientize tanto sobre a sua saúde como pelo papel que ele representa na sociedade, sobretudo por seu elevado grau de influência. Outro foco da proposta são as escolas de medicina, onde se pretende centrar esforços para que os estudantes sejam conscientizados e evitem a relação com drogas e, como conseqüência, tornem-se agentes de prevenção. Ele reconhece que somente um trabalho cultural intenso e de mudança de percepção, a longo prazo, é que a sociedade como um todo vai detectar o custo social elevadíssimo que as drogas representam. Porém, diz, é hora de começar a agir. Citando estudos recentes, o conselheiro aponta que o uso abusivo de drogas no país tem um custo de 7,9% do PIB (ou R$ 48 bilhões) em tratamento médico, perda de produtividade e de acidentes. No período de 1988 e 1999, foram detectadas 726 mil internações decorrentes do abuso de drogas. Bessa queixa-se da permissividade legal quanto às drogas, principalmente o álcool, que prolifera cada vez mais entre os jovens e gera problemas gravíssimos. “Uma guerrilha velada que produz muito mais vítimas que os explícitos conflitos étnicos, políticosoureligiosos.” Ações preventivas “As pessoas não têm a percepção do perigo do álcool”, diz o médico psiquiatra, que chama a atenção até mesmo para o uso precoce e em ambientes de alto risco, numa referência aos postos de combustíveis urbanos. “O uso conjugado do álcool, cigarro e celular nestes locais que geram concentração pode ser visto como o estopim de uma bomba sem hora para explodir”. Realça ainda a pesquisa realizada em hospitais que atendem emergência e dos IML de quatro capitais, incluindo Curitiba, que aponta a presença de álcool no sangue de 61% das vítimas de acidentes de trânsito. Para Marco Bessa, a proibição da venda de bebidas nas estradas deve ser acompanhada de outras medidas e ações preventivas, exemplificando as condições de trabalho dos caminhoneiros. O uso de anfetaminas, avalia, tem conduzido a quadro de extrema gravidade, com reflexo nas trágicas estatísticas. O conselheiro conclama os médicos a terem maior envolvimento nessa “cruzada” antidrogas, a começar dando o exemplo, que pode ser evitando presentear tabaco ou bebidas alcoólicas. Neste porém, chegou-se ao extremo de detecção de venda de tais produtos em ambiente hospitalar. Aliás, o uso de tabaco em unidades médico-hospitalares e escolas é proibido em Curitiba por lei municipal, cabendo o seu cumprimento à fiscalização da Vigilância e até do Ministério Público. Marco Bessa ressalta que o CRM tem exercido suas atribuições éticas, mas que cabe à direção de cada unidade hospitalar desenvolver programas de conscientização, inclusive de alcance aos visitantes, sendo um dos exemplos o Hospital Psiquiátrico Bom Retiro, que há mais de quatro anos centra esforços em prevenção do tabaco. Perfil Marco Antônio do Socorro Marques Ribeiro Bessa graduou-se em Medicina em 1982 pela UFPR. É especialista em Homeopatia e Psiquiatria, conselheiro do CRM e Secretário da Região Sul da Associação Brasileira de Estudo de Álcool e Drogas (Abead). Também faz pós-graduação na Escola Paulista de Medicina, na área de Psiquiatria, com ênfase em dependência química. MARÇO E ABRIL-2003 / PÁGINA 4 geral Controle de tabagismo A Organização Mundial de Saúde e todas as instituições médicocientíficas estão vivamente empenhadas no controle da pandemia tabágica que está vitimando por ano 5 milhões de fumantes no mundo e 200 mil no Brasil. Uma das medidas mais efetivas é a participação da classe médica no aconselhamento mínimo aos seus pacientes fumantes para que abandonem o tabaco. O Conselho Federal de Medicina e seus Regionais, a Associação Médica Brasileira e o Ministério da Saúde (Inca/Conprev) estão conclamando os profissionais a dispensar alguns minutos na sua consulta, para realizar uma eficaz abordagem dos seus pacientes fumantes para que deixem tal prática. Assim, solicitam a cooperação com o preenchimento do questionário disponível no site do Conselho. As instituições ressaltam que a participação do médico nesse programa é de grande importância para a saúde da nossa população. Campanha Desmoralizada À véspera do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, o governo editou uma Medida Provisória flexibilizando a propaganda do cigarro, permitindo que cinco das 10 escuderias estampassem em seus carros propagandas de seus patrocinadores. A MP afastou a ameaça do Brasil ser retirado do “Circo”, pelo menos até 2005. Mas desmoralizou a legislação antitabagista recém-instituída. Pré-Congresso da Abead O Pré-Congresso da Associação Brasileira de Estudo de Álcool e Drogas (Abead) será realizado em Curitiba, nos dias 13 e 14 de junho, com apoio do CRM-PR. O tema central será “Os jovens e as drogas – A educação, a comunidade e a mídia”. Aberto ao público de modo geral, o evento terá a participação dos Prof. Ronaldo Laranjeiras, presidente da Abead e coordenador da Unidade de Álcool e Drogas (Uniad) da Universidade Federal de São Paulo; e Ana Cecília Marques, da Escola Paulista de Medicina. Câmara Técnica do Tabagismo Com o propósito de se posicionar sobre assuntos técnicoespecializados, o Conselho Regional de Medicina do Paraná acaba de criar mais quatro câmaras técnicas. Através das Resoluções n.º 112, 113, 114 e 115/2003, publicadas no Diário Oficial do Estado na segunda quinzena de abril, foram instituídas as Câmaras Técnicas em Auditoria Médica, Sobre Controle de Medicamentos, em Tabagismo e sobre Programa Saúde da Família. Todos os grupos estão sendo formados e os trabalhos iniciados, como o da Câmara Sobre Controle de Medicamentos (destaque na página 3). A de Tabagismo, que tem a coordenação do conselheiro Gerson Zafalon Martins, projeta-se como de intensa atividade face às campanhas antitabagistas deflagradas no país. Quadro alarmante 30,6 milhões • é o número estimado de fumantes no Brasil, sendo 10% menores de 19 anos. • 10 milhões é o número de pessoas que podem morrer até 2020, vitimadas por doenças causadas pelo cigarro. • 4.720 substâncias tóxicas são inaladas pelo fumante em cada tragada. Delas, 80 são cancerígenas. Em agosto, a eleição dos novos conselheiros través da Resolução n.º 1.660/2003, o Conselho Federal de Medicina aprovou, em março, as instruções para as eleições que serão realizadas em agosto próximo para os membros dos Conselhos Regionais de Medicina. Com as novas normas, fica revogada a Resolução CFM n.º 1.491/98. Para o Paraná, mantém-se o número de 20 membros efetivos e igual número de suplentes, para mandato de cinco anos e que serão eleitos em pleito previsto para o segundo semestre. A eles somam-se mais dois conselheiros indicados pela Associação Médica do Paraná. Também serão eleitos em agosto os integrantes das Delegacias Regionais do CRM-PR, cada qual investida de um delegado presidente, um secretário e delegados colaboradores. O mandato dos atuais conselheiros termina em 1.º de outubro, coincidindo com a posse dos membros eleitos e início da nova gestão. A Comissão Eleitoral será designada em breve pelo plenário do CRM, tendo presidente e dois secretários. Até o dia 23 de maio será publicado o edital com os integrantes da Comissão e a fixação das datas para inscrições das chapas concorrentes e das eleições. Conforme as normas do CFM, o período para registro das chapas vai das 14h de 2 de junho até 18h do dia 16 do mesmo mês. Na cédula eleitoral, a ser providenciada logo após o acolhimento legal dos registros, as chapas serão numeradas com a ordem cronológica de inscrição e terão a relação dos candidatos a conselheiros efetivos e suplentes. As regras para eleição dos conselheiros do CRM têm extensão para a indicação dos representantes das Delegacias. O cargo de conselheiro é meramente honorífico e a composição da diretoria será decidida em plenária, pelos membros eleitos. São elegíveis os médicos devidamente inscritos no Conselho e que sejam brasileiros natos ou naturalizados, estejam quite com suas obrigações e firmem compromisso de aceite da candidatura. O voto, por sua vez, é direto, obrigatório e secreto para os que estejam no gozo de seus direitos, exceto para os inscritos como militares. O médico que não cumprir a obrigação do voto, sem justa causa ou impedimento, fica sujeito a multa. Os médicos inscritos no Conselho, residentes em municípios que não disponham de urna coletora de votos, receberão o material necessário para exercer seu direito/obrigação através de correspondência., que será aceita até o prazo final previsto pela Resolução. No Paraná, estão sendo adotadas as medidas para a informatização do pleito, conforme as normas do Tribunal Regional Eleitoral. Tanto em Curitiba como nas cidades-sedes das Delegacias as eleições ocorrerão somente no dia 20 de agosto, das 8 às 20h. Na capital, haverá urnas coletoras na sede do Conselho e em locais de grande concentração de médicos, como hospitais e a Associação Médica. A apuração ocorrerá na sede do CRM será imediata ao encerramento do prazo para votação. A Resolução n.º 1.660/2003 e a íntegra das instruções para as eleições dos Conselhos Regionais estão à disposição dos médicos no Conselho e em suas Seccionais e Regionais, bem como no site do Conselho Federal (www.portalmedico.org.br). Curso de administração hospitalar para médicos OCRM-PRestáfirmandoparceriascomfaculdadeslegalmentereconhecidasparainstituirturmasdemédicosparaqualificaçãoem extensão,graduaçãoouespecializaçãoemadministraçãohospitalar,conformeexigênciasestabelecidasparaaestruturatécnicoadministrativadehospitaisconveniadosaoSUS.APortarian.º2.225,editadaemdezembrode2002peloMinistériodaSaúde, determina que os médicos responsáveis pela direção geral, técnica e/ou administrativa de hospital terão de obter ou confirmar qualificaçãoatéofinaldoanode2004.OConselhoestácadastrandoosprofissionaisinteressados,paraaconstituiçãodaprimeira turma.ContatoscomCristina,pelofone(0xx41)322-8238. Curso MBA para médicos CursoMBAdeAdministração,GerenciamentoeMarketingparaMédicosestásendoofertadoatravésdoIMEC/Martinus(Centro dePós-GraduaçãodasFaculdadesLuteranas)eBlessConsulting.Acargahoráriaseráde360h,comaulasquinzenaisaossábados, das8às17h30,envolvendoprofessoresepalestrantesrenomados.Estaseráasegundaturmadocurso,quetemcomoobjetivo a capacitação em gestão de clínicas e hospitais. Ao término será concedido o Certificado de Especialização, lato sensu, aos participantes. O IMEC também está inaugurando a primeira turma para o curso de pós-graduação (lato sensu) em Gestão de ClínicaseCentrosdeSaúde.Destina-seaprofissionaiscomcursosuperiorqueestejamatuandooutêminteresseematuarem clínicas ou centros de saúde. Serão também 360h. Informações e inscrições pelo fone (0xx41) 232-2814 ou por e-mail ([email protected]). MARÇO E ABRIL-2003 / PÁGINA 5 psiquiatria Coordenador da OMS fala sobre perspectivas para a saúde mental José Manoel Bertolote, coordenador da equipe de Gestão de Transtornos Mentais da Organização Mundial de Saúde. médicobrasileiroJoséManoel Bertolote, coordenador da equipe de Gestão de Transtornos Mentais e Cerebrais da Organização Mundial de Saúde, ministrou conferência dia 24 de março, no auditório da Biblioteca da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba. Com o tema “Perspectivas para a saúde mental no Século XXI”, a palestra foi um dos eventos em destaque na programação comemorativa do centenário de fundação do Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora da Luz, integrado à Aliança PUC-PR/Santa Casa de Misericórdia. Falando para uma platéia formada por professores, psiquiatras, acadêmicos e também membros das equipes de saúde mental das Secretarias Estadual e Municipal (Curitiba) de Saúde, o representante da OMS chamou a atenção para o fato de que os transtornos mentais e de comportamento já representam, hoje, 13,5% das doenças. Os investimentos, contudo, estão numa escala inversamente proporcional, lamenta o psiquiatra, lembrando que só 2% do orçamento geral da saúde são direcionados à área mental. A agravar este fato quadro está a constatação de que, no mundo, os transtornos mentais já correspondem à metade das causas de incapacitação. “Esse crescimento vem representar um custo enorme em termos de sofri- mento humano, incapacidade e prejuízos econômicos. Precisamos estancar isso”, enfatiza. O Dr. José Manoel Bertolote reconhece que as duas doenças de maior preocupação na OMS para este séculoreferem-seàAidseàdepressão, a primeira quando se avalia a mortalidade e a segunda quanto a incapacidade. Ao citar dados de relatórios da Organizações Mundial e PanAmericanadeSaúde,omédicodestaca que são 450 milhões de pessoas que sofrem de transtornos mentais ou comportamentais, mas somente uma pequenaparcelatemtratamentobásico adequado. Não por acaso, assinala, são registrados cerca de 900 mil suicídios por ano, ou um para cada 40 segundos.“Émaisqueumaguerra”,diz opsiquiatra,citandocomoregiõesmais críticas a Rússia e os países bálticos, com índices de 43 a 45 suicídios por grupo de 100 mil habitantes,enquanto a média mundial é de 16. No Brasil, a cifra é mais baixa: 4/100.000. Embora detendo dados globais sobre a saúde mental e seus efeitos, José Bertolote diz que a realidade brasileira não é muito diferente, mesmo reconhecendo os importantes avanços implementados na última década, especialmente na esfera político-legal. Nesse porém, há de se destacar que a legislação de saúde mental no Brasil, que datava de 1934, somente foi revista em 2001, depois de 12 anos tramitando no Legislativo Federal.Nestesdoisanos,completados em abril, o país vem experimentando uma verdadeira “revolução” na área psiquiátrica, apesar de subsistirem conflitos com origem ideológica, de carência de recursos humanos e financeiros e de integração de esforços, como admitiu o palestrante. Recomendações da OMS Entre as recomendações propostas pela OMS para a área de saúde mental, destacam-se fatores como legislação, políticas de saúde, integração e cobertura de treinamento, cuidados primários e rediscussão do papel do hospital, fortalecimento de entidades de ajuda voluntária, dados epidemiológicos, avaliação de serviços, acesso a medicamento e promoção dos direitos humanos dos pacientes. Tais recomendações, expressa o representante da OMS, estão operacionalizadas de acordo com nível de recursos de cada país. Para os que detêm ou oferecem poucos recursos, a prioridade é criar legislação; para os que têm situação média, a preocupação passa a ser de melhorar o sistema; e, para os com alto investimento a questão é atualizar. À questão orçamentária, outro problema que se soma, conforme o Dr. José Bertolote, é o de carência de recursos humanos. Ele cita a ausência da enfermeira psiquiatra, especialização que praticamente inexiste no Brasil. Lembra que a recomendação da OMS de três enfermeiros para cada médico vale também para a área de psiquiatria. Neste caso, faz um chamamento para que o Poder Público e as instituições profissionais representativas repensem o modelo de assistência oferecido, para que ganhem em eficiência e qualidade. No aspecto geral, ele realça a necessidade de se promover saúde mental aberta a inovações e que não é possível aceitar a acomodação. “Não se tem o interesse em jogar na rua o paciente crônico, mas igualmente não se deve aproveitar dele”, refere-se o psiquiatra, apontando que o foco principal deve ser o da reinserção social e não da internação. Sobre a questão manicomial, aliás, o representante da OMS tem uma posição clara quanto a necessidade de modernização e de constituição de novas estruturas. Para os hospitais que não se ajustam à nova mentalidade, a tendência é de que “desapareçam,talqualosdinossauros”, resume, ao lembrar exemplos como o Juquiri, em São Paulo, por décadas o maior “depósito” de pacientes do mundo e onde ele chegou a atuar. Bertolote entende que o processo de desospitalização no Brasil segue as tendências mundiais e que, na evolução dessa conscientização, tende a ajustar-se às inovações propostas pela OMS. Formado pela Unesp, o Dr. Bertolote foi coordenador de Saúde Mental do Rio Grande do Sul no período de 84 a 88 e está desde 1989 na OMS. A organização tem 1,5 mil funcionários, incluindo 19 brasileiros, sete deles na sede de Genebra (sendo o coordenador um deles). Ao falar sobre questões que envolvem os profissionais médicos, como o uso de drogas lícitas ou não, o psiquiatra reconhece a situação de risco e a importância das campanhas de prevenção. Para ele, as iniciativas não podem ter o caráter punitivo ou de discriminação. Além de reconhecer a figura do médico como instrumento de influência da sociedade, o Dr. Bertolote cita que a primeira evidência do cigarro como causador de câncer surgiu com uma pesquisa entre médicos ingleses dependentes. tempo, com o estigma de modelo ultrapassadodeassistência.Aimagem do gesto simbólico de derrubada do muro pelo provedor da Aliança, Clemente Ivo Juliatto, não apenas precipitou uma série de ações de âmbito interno, como repercutiu e influenciouaspectosdamodernização da assistência psiquiátrica no Estado. No ano passado, o Hospital registrou 48.997 atendimentos, incluindo internamentos, consultas ambulatoriais e assistência nas sete unidades psiquiátricas. Seu objetivo está voltado ao tratamento ativo de transtornos mentais, dependências químicas, reabilitação, ensino e pesquisa.Amaioriadosatendimentos (96,6%) foi pelo SUS. O Centro de Atenção às Drogas foi responsável por vários cursos e seminários, como destaque para o pioneiro Curso de Especialização em Dependência Química, que já formou 98 profissionais. HospitalNossaSenhoradaLuz No ano passado, o coordenador da OMS já tinha feito uma visa informal ao Hospital Nossa Senhora da Luz, atendendo a um convite do diretor-geral, Dr. Dagoberto Hungria Requião. Na ocasião, Bertolote diz ter irradiado a idéia de se promover uma iniciativa revolucionária na unidade de saúde mental, o que acabou ocorrendo logo depois, com a derrubada dos muros e, ao mesmo Provedor da Aliança, Clemente Ivo Juliatto: gesto simbólico da derrubada do muro do Hospital Nossa Senhora da Luz. Novo modelo A participar da 1.ª Conferência de Saúde Mental do Hospital Adauto Botelho, o secretário Cláudio Xavier, da Saúde, informou que o Estado pretende seguir uma nova orientação do Ministério da Saúde, onde a principal atenção deve ser o atendimento ambulatorial, não só nos hospitais, mas com a ampliação dos Caps (Centro de Atendimento Psicossocial), que funcionam como hospital-dia e onde são concentradas atividades de recuperação e reintegração na sociedade. No Paraná já existem 15 Caps, sendo cinco em Curitiba. Estimativas da Sesa indicam que há 3 mil pacientes internados em leitos psiquiátricos. MARÇO E ABRIL-2003 / PÁGINA 6 entrevista Em defesa do meio ambiente saudável e da preservação da vida futuro da vida: ambientes saudáveis para as crianças”. O tema escolhido pela Organização Mundial de Saúde, para destacar em 2003 o Dia Mundial da Saúde (7 de abril), é um desafio universal de sobrevivência das novas gerações, que rompe fronteiras, limites socioeconômicos, concepções político-ideológicas e atividades profissionais. Afinal, estimativas da própria OMS sugerem que um ambiente saudável salvaria a vida, a cada ano, de mais de cinco milhões de crianças, atingidas por doenças causadas pela poluição do ar, pelo consumo de água contaminada ou pela falta de higiene nos lares, nas escolas ou locais de recreação. As distorções e extremos detectados nos Continentes sugerem a busca de uma consciência globalizante para a saúde, capaz de estreitar as desigualdades e as conseqüências que se anunciam cada vez mais desastrosas para todos. O Brasil de contrastes é um exemplo claro do estágio de desarmonia entre a conscientização ecológica e a saúde, refletido nas sombrias estatísticas epidemiológicas e de mortalidade. E no Paraná, será possível distinguir ações que possam ajudar a formar uma corrente mais responsável na preservação do meio ambiente e da vida? Com o respaldo de quem ascendeu à função de Secretário Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos por sua reconhecida atuação em prol do binômio ecologiasaúde, o médico Luiz Eduardo Cheida garante que sim. Mais que isso: projeta uma nova perspectiva de ações capazes de garantir não só que a “lição de casa” Perfil Formado em 1980 pela UEL, Luiz Eduardo Cheida (foto) especializou-se em gastroenterologia clínica e endoscopia digestiva. No início da década de 80, integrou a Associação Médica de Londrina e o Sindicato dos Médicos. Seu currículo inclui o trabalho em grandes hospitais de Londrina e a atividade de professor universitário e de ensino médio. É autor de vários livros didáticos, com destaque para “Ecologia vivenciada”, obra de 80 páginas que teve ampla tiragem por ter sido adotada em âmbito nacional pela rede de ensino, em 1991, à véspera da Eco/92. Ex-secretário e prefeito de Londrina, concorreu nas últimas eleições à Câmara Federal. Um dos médicos candidatos com votação mais expressiva, Cheida está na suplência de seu partido. está sendo bem-feita, mas oferecendo um modelo às demais regiões do país. Luiz Eduardo Cheida diz sentir-se à vontade para vislumbrar um futuro favorável no Paraná com o que chama de “ecologização do governo”. De acordo com ele, nunca houve uma política ambiental de fato, já que muitas das ações do governo geravam conflitos de resultados. Agora, destaca, a questão do meio ambiente está amparada por três diretrizes básicas e afins. A primeira, a da transversalidade, propõe colocar o meio ambiente no coração do governo, tendo-o como instrumento regulador de todos os demais projetos. A segunda, a de desenvolvimento sustentável, determina que o crescimento não pode se sobrepor à preservação, reconhecida também como questão social. A terceira, leva à criação de um sistema estadual de meio ambiente, com uma agenda que vai de encontro às causas e não às conseqüências. Através desse sistema é que serão estabelecidos os mecanismos de monitoramento e de informação periódica à população. “Todo cidadão tem o direito de saber a condição do ambiente em que vive”, diz o secretário. Assinala ainda que o sistema de monitoramento ambiental, como da qualidade do ar, será desenvolvido nas grandes cidades, mas com perspectiva de alcance para todo o Paraná. O secretário indica ainda que há projetos de integração e ações de prevenção que envolvem os Estados vizinhos e até mesmo os países do Conesul. Aliás, a questão das águas será objeto de iminente encontro do Mercosul, o da Bacia do Prata. Na questão de saneamento ambiental, Luiz Eduardo Cheida aponta que os esforços estarão sendo centrados em cinco ações: água tratada, esgoto tratado, lixo, drenagem e controle de vetores. O programa ganha ênfase no segundo semestre, a partir do litoral. No diagnóstico da situação do Estado, hoje, o secretário chama a atenção para os parâmetros que tanto preocupam a Organização Mundial de Saúde. Ele calcula que 70% da população paranaense tenha acesso à água potável e que não mais de 28% acesso ao esgoto coletado e tratado. Quanto ao lixo, estima que o percentual cai para 25%. Cheida compartilha do conceito de que 70% das doenças têm relação com a água. E decreta: “Cada dólar investido em saneamento representa cinco poupado no tratamento de doenças”. O ex-prefeito e ex-secretário de Saúde e de Meio Ambiente de Londrina não deixa de dirigir uma crítica ao descaso que vem propiciando a proliferação de doenças endêmicas há muito tidas sob controle. Na questão da dengue, ele lamenta que sua cidade de origem tenha se transformado num dos maiores focos de contaminação do país. Ele considera uma irresponsabilidade “deixar a coisas acontecerem” e, no caso de Londrina, denuncia que são seis anos sem o recolhimento de entulhos, que na maioria das vezes acaba em fundos de vale, com conseqüências desastrosas ao meio ambiente. Em sua gestão, diz, tal material era reprocessado para uso em projeto de habitação. Médicos na função pública O secretário Estadual de Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, é o entrevistado nesta edição do Jornal do CRM, na série inaugurada em janeiro/fevereiro e que visa mostrar as propostas de trabalho dos médicos elevados a funções públicas de relevância e alcance político-social. Cláudio Xavier, da Secretaria de Saúde, e Nitis Jacon, do Centro Cultural Teatro Guaíra, foram os primeiros entrevistados. MARÇO E ABRIL-2003 / PÁGINA 7 geral Merenda escolar orgânica Vincular de fato a vida à questão ambiental, em defesa das futuras gerações, tal qual sugere a OMS. Esta é a essência de um dos principais programas do secretário do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, e que estará associado a várias outras Pastas do atual governo estadual, também representadas no Conselho Estadual do Meio Ambiente. A proposta visa instituir a merenda escolar orgânica na rede de ensino público, iniciando um processo gradativo de conscientização para uma agricultura sem agrotóxicos. Cheida estima que cerca de 1,5 milhão de crianças podem ter acesso aos produtos orgânicos, estimulando o crescimento desse mercado. O secretário avalia que o Paraná é um dos estados que mais consomem defensivos agrícolas e, não como mero acaso, também detém proporcional índice de intoxicações e de câncer de fígado e pâncreas. Com respaldo do Iapar, a iniciativa tem projeções mais audaciosas, como transformar o Parque Castelo Branco em referência internacional da agricultura orgânica. Transgênico No Paraná o transgênico é proibido, seja contrariando legislação nacional ou mesmo posição do governo Lula. Para Luiz Eduardo Cheida, é preciso esgotar o assunto, separando o que é ciência e o que é tecnologia. Cermepar empossa nova diretoria novo Conselho Deliberativo da Comissão Estadual de Residência Médica do Paraná (Cermepar) foi eleito em 14 de março último para o período 2003/2004. O Prof. José Takashi Tosugui do Hospital de Clínicas da UFPR, foi empossado na presidência, sucedendo ao par Sérgio Ioshii. A vicepresidência passa a ser ocupada por Sinésio Moreira Júnior. Carlos José Franco de Souza e Jorge Augusto Acúrio Zavala respon- dem como primeiro e segundo secretários. Flávio Daniel Saavedra Tomasich assumiu a tesouraria. O novo diretor científico é o Prof. João Carlos Simões. Reunião no CRM Representantes dos médicos residentes de Curitiba estiveram em reunião com diretores do CRM-PR, na sede da entidade, no início de abril. Na oportunidade, foram analisados aspectos da legislação e também o programa do XV Encontro dos Conselhos e do Pré-Enem. Outro assunto abordado foi a cessão de espaço na nova sede do Conselho, além da perspectiva de melhor infra-estrutura para funcionamento da Associação dos Médicos Residentes do Paraná. O presidente do CRM, Luiz Sallim Emed, enfatizou no encontro a importância da participação dos residentes nas ações da classe e em benefício da sociedade, “semprecomocompromissoético e solidário”. O médico e o meio ambiente O secretário entende que os médicos têm uma responsabilidade maior em contribuir para a conscientização de não-agressão ao meio ambiente. “Nenhuma outra profissão tem essa visão clara do curso sistêmico que tem a vida e que a mesma é um conjunto de sistemas”, diz Cheida, traçando o comparativo entre o corpo humano e a natureza. Ele também cobra do médico o exemplo nas campanhas antitabagistas. “O médico fumar é uma desmoralização às propagandas oficiais e àqueles que se empenham em conter as drogas, que alcançam sobretudo os jovens”. Diretores do CRM (esq.) recepcionaram, no iníicio de abril, os representantes dos médicos residentes de Curitiba. Lixo hospitalar A Agência Nacional de Vigilância Sanitária editou conjunto de normas que visam disciplinar o acondicionamento e tratamento do lixo hospitalar no pais. As normas alcançam tanto os produtores e distribuidores de medicamentos humanos e veterinários como para hospitais e clínicas de tratamento e diagnóstico. As empresas terão um ano para se adequar às novas regras. Há estimativas de que de 1 a 3% do lixo urbano seja produzido em estabelecimentos de saúde. Saiba mais sobre o assunto acessando o site da Anvisa (www.anvisa.gov.br). Secretaria Estadual de Saúde faz campanha contra a pneumonia atípica no Paraná Seguindo recomendações do Ministério da Saúde, a Secretaria de Estado de Saúde do Paraná está desenvolvendo um programa de bloqueio e prevenção da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SRAS), popularmente conhecida como “pneumonia asiática”. Em parceria com vários segmentos governamentais e da área de saúde, incluindo o Conselho Regional de Medicina do Paraná, a Secretaria vem trabalhando com ações específicas na sociedade para evitar a entrada da doença no Estado. A pneumonia atípica já fez milhares de vítimas em todo o mundo. A SRAS já afetou 12 países, com mais de 3 mil infectadas e 200 de mortes só até meados de abril. A Câmara Técnica de Infectologia do CRM-PR colocou-se à disposição da Sesa para colaborar no combate à doença. Liminar garante benefício salarial aos médicos do funcionalismo público Tribunal de Justiça do Paraná concedeu liminar ao Simepar, em 9 de abril último, suspendendo a aplicação dos termos do Decreto n.º 6.614, assinado pelo então governador Jaime Lerner, em novembro do ano passado, e que determinava a redução à metade do valor da promoção e progressão salarial dos médicos pertencentes ao quadro próprio do Poder Executivo. Em seu despacho, o desembargador Hirosê Zeni reconheceu a jornada especial de trabalho do médico servidor e o princípio da irredutibilidade dos salários previsto na Constituição. Com a decisão, fica suspenso o desconto dos vencimentos dos médicos, até o julgamento do mérito. De acordo com o Sindicato, a medida judicial tornou-se imprescindível diante a urgência do tema, apesar da receptividade do atual governo em resolver o impasse com origem no plano de cargos e salários. A questão mereceu ampla mobilização das entidades médicas ao final do ano passado. MARÇO E ABRIL-2003 / PÁGINA 8 opinião ARQUIVO GEM MINADA.P65 MARÇO E ABRIL-2003 / PÁGINA 9 bioética MARÇO E ABRIL-2003 / PÁGINA 10 bioética A Cronologia e os Pioneiros cronologia dos pioneiros da Medicina remonta à primeira metade do século 18, com os primeiros hospitais (as Santas Casas) e médicos, com destaque para Joaquim Ignacio da Mota. O sequenciamento dos fatos históricos inclui em 1843 a formatura do primeiro médico paranaense. O lapeano José Francisco Corrêa graduou-se no Rio de Janeiro e depois atuou na cidade natal, em Ponta Grossa e Castro, basicamente de forma gratuita face a sua origem abastada. Em 1852 começam as obras da Irmandade da Santa Casa, que dois anos depois teria à frente o Dr. José Candido da Silva Murici, oficial médico do Exército e nomeado “vacinador provinciano”, cargo que à época correspondia ao de secretário da Saúde e que tinha como prioridade o combate à varíola. O primeiro farmacêutico aparece em 1857. Augusto Stellfeld era alemão e revalidou seu diploma no Rio. Começou a atuar no Hospital da Santa Casa, quando o mesmo ainda estava na Rua da Direita, atual 13 de Maio. O primeiro médico parnanguara foi o Dr. Leocádio José Corrêa, que se instalou no litoral em 1973, após formar-se no Rio. Médico humanista e deputado provinciano, começou a carreira como inspetor de portos. Em 1880 ocorreu a inauguração da Santa Casa de Curitiba, com a presença do imperador dom Pedro 2.º (era assim que ele assinava). Ao contrário do que assinalam alguns autores contemporâneos, o imperador disse que “o hospital está bem situado”. O Dr. Ravazzani observou em suas pesquisas, inclusive de jornais da época, de que é folclórica a observação de dom Pedro 2.º de que a Santa Casa ficava “muito longe”. Único médico atuando no hospital da Irmandade desde 1868, o Dr. Murici morreu um ano antes da inauguração da obra (da sede atual), que levou 12 anos para ser edificada. Quem o sucedeu foi o genro, médico que ascenderia a general do Exército, Dr. Antonio Carlos Pires de Carvalho Albuquerque. Seu neto, Walter Pires, cerca de um século depois viria a ser o ministro do Exército (no governo Figueiredo). Dr. Antonio foi o provedor e único médico da Santa Casa de 1879 a 89, passando com a reforma do Império, a Inspetor de Higiene do Paraná, função também similar a de Secretário. Também foi a Santa Casa que abrigou as primeiras enfermeiras do Estado. As Irmãs de São José chegaram da França em 1896. A primeira publicação especializada surgiu em 1901. A “Gazeta Médica do Paraná” tinha como editores-redatores os Drs. Victor do Amaral, João Evangelista Espíndola e Reinaldo Machado. No ano seguinte surgia a primeira sociedade médica, a de Medicina e Cirurgia do Paraná, presidida pelo Dr. Victor do Amaral. Em 1907 ocorreu a primeira cesariana no Paraná, sendo a sexta no país. Foi conduzida na Santa Casa pelos Drs. Reinaldo Machado e João Espíndola. A fundação da primeira faculdade de Medicina, a UFPR, ocorreu em 1912, tendo como expoentes os Drs. Victor do Amaral e Nilo Cairo. Formada em 1919 na Federal, a Dra. Maria Falce de Macedo transformou-se na primeira médica do Paraná. Ainda nesse período, são enfocados os pioneiros da universidade: o Dr. João Cândido Ferreira em clínica médica e Dr. Symon Kossobudski, em clínica cirúrgica. A viagem no tempo passa pelo ano de 1933, com a fundação da Associação Médica do Paraná e da Revista Médica do Paraná, sob liderança do Prof. Milton de Macedo Munhoz, que em 1958 participaria da constituição do CRM-PR e também seria seu primeiro presidente. Higiene das mãos “Faça novos amigos, porém mantenha os antigos” Célia Inês Burgardt (*) á muito que se fala, escreve e estuda a questão da lavagem das mãos nos Serviços de Saúde. A literatura científica nunca deixou de fazer deste, um assunto relevante, de discussão e grande especulação. Mas, especulação de que? De que muitos profissionais de Saúde encaram este procedimento de maneira leviana. Novastécnicassãoassimiladas com mais facilidade por parte dos profissionais. Especialmente pela demonstração de sua atualização científica, a própria indústria da Medicina favorece e incentiva este fascínio tecnológico. Entretanto, muito do que foi aprendido fica no esquecimento ou na indiferença. Sob este aspecto é que se quer dizer: que “se fazem novos amigos” mas que não se pode “esquecer os antigos”. A lavagem das mãos se enquadra como sendo uma técnica primordial, para não se dizer, imprescindível na prática de qualquer ato profissional na área da Saúde. O impacto da correta lavagem das mãos na incidência de complicações infecciosas, tanto em hospitais quanto em consultórios e ambulatórios está muito bem documentado. Porque um procedimento tão barato, tão simples e eficaz não recebe a devida importância no cotidiano profissional, especialmente das equipes médicas? Asmaisvariadasdesculpassão apresentadas para se justificar a não realização da adequada lavagem das mãos. Em 2002, o Centers for Disease Control (CDC – Atlanta, USA), um dos órgãos norteadores das diretrizes na prevençãoecontroledeinfecçõeshospitalares publicou um Manual para HigienedasMãos(www.cdc.gov). Neste manual, fica claro, que mesmo havendo limitação de recursos arquitetônicos (ex. falta de pias), existem alternativas adequadas e baratas, preconizando o uso de álcool, para a higiene das mãos. Existem estudos que chegam a medir o quanto se lava as mãos em Unidades de Terapia Intensiva, e até se existe diferença na adesão a esta norma entre homens e mulheres. As mais variadas técnicas de educação continuada são realizadas e conduzidas para abordar o tema no ambiente das instituiçõesdeSaúde.Umenormeesforço é despendido para “ensinar” algo que, a priori, deveria ser um hábito de higiene adquirido em casa. Outros estudos estão sendo conduzidos, principalmente na América do Norte, nos quais a instituição hospitalar orienta os pacientesinternadosesuasfamílias a só se deixarem examinar ou manipular após médicos e equipe de enfermagem terem lavado as mãos. É grande o impacto, para não se dizer susto, do médico quando um paciente o questiona sobre a sua higiene das mãos. A estratégia vem apresentando um resultado positivo. O exercício profissional é composto por uma série de exigências e técnicas científicas. Infelizmente com o tempo, percebese uma perda substancial do que poderia ser chamado de “parte não visível” do trabalho médico. A ênfase e o brilho da Medicina ficaram restritos aos procedimentos de grande porte, tanto na Clínica quanto na Cirurgia. Não pode haver competência profissional se todos os passos do proceder médico não forem executados com rigorosa observação e disciplina. Detalhes que constituem e agregam valor ao resultado final. Competência e ética andam juntas. Qualquer técnica quando executada com os cuidados que lhe são devidos, resulta em uma clara manifestação de ética. É o respeito e honestidade consigo mesmo, com a pessoa que vem procurar ajuda especializada, e também, respeito para com a instituição que acolheu o profissional. Com critérios, deve-se analisar a questão das perdas que ocorrem nos casos de infecções hospitalares, as quais se refletem diretamente nos pacientes, nos profissionais e nas instituições. A maior perda, sem dúvida é para o doente, pois não se pode medir a sua dor, seu sofrimento, sua angústia. Ainda sob este aspecto deve-se considerar em um horizonte mais amplo, que a perda também atinge a família e a sociedade. Quanto aos prestadores de serviços, esta perda pode ser medida de forma direta, pois a cada dia de internamento se aumenta o gasto financeiro, desviando recursos que seriam de prevenção para o tratamento. O paciente sempre acaba sendo submetido a mais procedimentos diagnósticos e terapêuticos. Mais do que controlar a infecção hospitalar é importante implementar os esforços em prevenir. Lembre-se que foi um cirurgião que estabeleceu a higiene das mãos como um meio de diminuir as complicações infecciosas. E foi ainda, um outro cirurgião que se jogou debaixo de uma carruagem, pois se sentiu culpado por ter sido a provável causa de mortes durante seu exercício profissional. A história completa pode ser encontrada no livro “O Século dos Cirurgiões”, leitura obrigatória aos médicos de boa vontade. (*) Célia Inês Burgardt, conselheiraeintegrantedaCâmara Técnica de Bioética do CRM-PR MARÇO E A B R I L - 2 0 0 3 / P Á G I N A 11 bioética Maringá será sede, em maio, da 13.ª Jornada de Bioética do CRM 12.ª Jornada de Bioética do Conselho Regional de Medicina do Paraná foi realizada em 27 de março último, em Ponta Grossa. As palestras atraíram cerca de uma centena de médicos e outros profissionais de Ponta Grossa e região. Esta foi a segunda jornada levada aos Campos Gerais desde a implantação do programa de educação médica implementado pela Câmara Técnica de Bioética do CRM, no ano passado. Também marcou a inauguração das atividades de 2003, que prevêem as próximas etapas para Maringá, Londrina, Curitiba, Foz do Iguaçu e Cascavel. A jornada ponta-grossense ocorreu no auditório Dr. Enny Luiz Facchin da Unimed e teve como palestrantes a conselheira Célia Inês Burgardt, o também conselheiro Gerson Zafalon Martins e o Prof. Mário Sanches, estes recém-incorporados à Câmara Técnica face a ampliação das atividades. Foram colocados em destaque os temas “Relacionamento humano”, “Relacionamento médico-paciente” e “Denúncias contra médicos: sindicâncias e processos”. Os trabalhos tiveram a coordenação do presidente da Delegacia Seccional do CRM em Ponta Grossa, conselheiro Luiz Jacinto Siqueira, com apoio dos delegados da região e secretariado por Carliane Vargas Pereira. A 13.ª Jornada de Bioética do CRM vai ocorrer no auditório da Delegacia Regional de Maringá. As datas previstas inicialmente são 23 e 24 de maio. Serão palestrantes os conselheiros Luiz Sallim Emed, Carlos Ehlke Braga Filho e José Eduardo de Siqueira, coordenador da Câmara Técnica de Bioética e primeiro presidente da recém-fundada Regional do Paraná da Sociedade Brasileira de Bioética. Serão abordados nas palestras temas como “Distanásia”, “Educação médica”, “Ensino da Bioética” e “Relação Médico-Paciente”. A coordenação local dos trabalhos está sob responsabilidade do conselheiropresidente da Regional, Kemel Jorge Chammas. Em junho, a 14.ª Jornada de Bioética será levada para Londrina, em data a ser fixada, assim como as subseqüentes, previstas para Curitiba, Foz do Iguaçu e Cascavel. A de Curitiba poderá ocorrer em meados do ano, coincidindo com o Simpósio 2003 de Bioética da Pontifícia Universidade Católica. Jornada de Ponta Grossa repetiu o sucesso da edição do ano passado. Mário Sanches, Célia Burgardt e Gerson Martins, os palestrantes. Criada Sociedade de Bioética Sociedade Brasileira de Bioética-Paraná já conta com a sua primeira diretoria, que segue a característica preconizada de ser multidisciplinar. O Prof. José Eduardo de Siqueira, conselheiro-coordenador da Câmara Técnica de Bioética do CRM-PR, assume a presidência da Sociedade. A 1.ª e 2.ª vice-presidências são ocupadas, respectivamente, pelos Drs. Mário Antonio Sanches, professor de Teologia e com doutorado em Filosofia pela PUC-PR, e Lourenço Zancanaro, doutor em Filosofia pela UEL. A bióloga Nilza Maria Diniz, doutora em genética pela UEL, passa a responder pela 1.ª Secretaria. A conselheira do CRM Célia Inês Burgardt, mestre em Medicina pela PUC é a 2.ª Secretária. Kiyomi Nakanishi Yamada, enfermeira especialista em Bioética pela UEL, é a 1.ª Tesoureira. O médico oncologista Cícero Andrade Urban, mestre em Medicina e especialista em Bioética pela Universidade Urbaniana de Roma, ocupa a 2.ª Tesouraria. O Conselho Fiscal tem como integrantes o Padre Ricardo Hoepers, do Comitê de Bioética do Hospital Nossa Senhora das Graças; Leonardo Prota, doutor em Filosofia e professor do curso de especialização em Bioética da UEL; e Roseli Nunes Coletti, educadora e mestre em Bioética pela Universidade de Buenos Aires. A criação da SBB-Paraná foi decidida durante o Congresso Internacional de Bioética, realizado ano passado em Brasília, sob estímulo do sucesso das jornadas realizadas nas várias regiões do Paraná, traduzido pela participação não só de médicos mas de acadêmicos, profissionais de saúde e de outras áreas. Na fase inicial, a sede da Sociedade será no CRM, não só por causa da infraestrutura, mas por se ajustar à proposta de extensão das atividades. O presidente da Delegacia de Ponta Grossa, Luiz Jacinto Siqueira (1.º à dir.) foi o coordenador dos trabalhos, com apoio dos delegados locais. Temas obrigatórios na residência Resolução da Comissão Nacional de Residência Médica, publicada no DOU de dezembro, determina que a abordagem de temas relacionados a bioética e ética médica é obrigatória nos programas de residência. Estimativas do início do ano apontavam que 16.803 médicos estavam inscritos em 424 instituições que oferecem residência médica. MARÇO E ABRIL-2003 / PÁGINA 12 profissão Cirurgia plástica com mais segurança e responsabilidade onscientizar os médicos sobre a responsabilidade da cirurgia plástica e a importância da formação adequada do cirurgião foram os principais objetivos da mesa redonda sobre “A responsabilidade civil do cirurgião plástico, com ênfase no advento do novo Código Civil”, realizada em Curitiba no dia 7 de março, pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) – Regional Paraná. Transmitida por videoconferência para Londrina e Maringá, em parceria com o Conselho Regional de Medicina do Paraná, o evento possibilitou debate on-line entre médicos, estudantes e advogados das três localidades. Através da videoconferência, o presidente da Regional Paraná da SBCP, José Carlos de Miranda, pôde divulgar no estado a campanha nacional da SBCP que está sendo realizada, através de outdoors e mensagens divulgadas em rádios, para ajudar o paciente a escolher com mais segurança o especialista que vai atendê-lo. “Demorou, mas aconteceu. Estávamos analisando a melhor forma de divulgar, sem A responsabilidade civil foi tema de videoconferência realizada em Curitiba. Na mesa de debatedores, o juiz de Direito Cleyton Reis, Luiz Sallim Emed, Luiz Carlos Garcia (da SBCP) e José de Miranda. agredir a população. A intenção é esclarecer que as especialidades lipoplastia e estética não são reconhecidas e que os pacientes devem procurar um médico com título de especialista registrado no CRM”, explica. Ressalta ainda que os médicos devem contribuir com esta campanha tomando consciência da importância de um trabalho bem feito, responsável e preocupado com os pacientes. “Eles devem orientar seus pacientes para que busquem os melhores serviços”, completa. A cirurgia plástica é uma das especialidades médicas que mais cresceram em demanda de pacientes e, da mesma forma, em denúncias levadas ao Conselho Profissional e à esfera da Justiça, especialmente pela expectativa de resultados não alcançada. “Por isso, precisamos tirar a idéia de que a cirurgia plástica sempre vai alcançar bons resultados. Ela é apenas um meio para atingilos”, afirma Miranda. Só em 2002, dos 79 processos éticos instaurados no CRM-PR, sete foram de cirurgia plástica. “Associando assim o novo Código Civil, o do Consumidor e o de Ética Médica, é muito importante que todo médico faça um documento, chamado consentimento livre, esclarecendo ao paciente sobre as conseqüências da cirurgia, inclsuive quanto à cicatriz”, explica. Banalização da profissão Seguindo a onda dos Reality Shows, nos EUA o programa Extreme Makeover oferece a pessoas que se sentem em desvantagem à beleza conven- cional a chance de realizar, por cirurgiões plásticos e dentistas, mudanças estéticas ao vivo no rosto e no corpo. Para Miranda, isto é o mesmo que banalizar a profissão e mostrar uma inverdade aos telespectadores do programa: “A cirurgia plástica não é sinônimo de bons resultados”. Para o presidente da SBCP Regional Paraná, a proliferação das escolas médicas, muitas vezes de baixa qualidade, coloca no mercado muitos profissionais que nem sempre têm boas condições de trabalho. “Pois os convênios hoje em dia não são mais garantia de qualidade financeira. E, portanto, os médicos buscam incrementar seu orçamento através da cirurgia plástica”, declara. Atualmente a popularização e a facilidade de acesso às cirurgias estéticas e reparadoras faz com que haja uma maior comercialização da medicina, surgindo inclusive os consórcios de cirurgias e planos de pagamento à prestação. “Sou totalmente contra. O médico não pode tratar a cirurgia como mercadoria. Ele deve estar preparado para avaliar se o paciente deve ou não realizála”, afirma Miranda. Educação Continuada Através do Plano de Educação Continuada (PEC), os mais de 600 profissionais cadastrados podem aprender constantemente sobre as atualidades científicas da cirurgia plástica, o que garante sempre uma reciclagem dos profissionais. “No Paraná, houve uma interiorização da programação científica e videoconferências para que todos tenha acesso as atualizações”, explica o presidente. Perfil José Carlos de Miranda formou-se pela Faculdade de Campos, em 1972, e fez residência em cirurgia plástica em 1976, no Rio de Janeiro . Foi presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica/Regional Paraná no período de 1982 a 1983. Atualmente ele está novamente na direção da sociedade. “Resolvi voltar para organizar a sociedade aqui no estado e tentar transformá-la numa instituição forte, representativa e que inspire confiança”. Para tanto, lançou um informativo que vai ser distribuído para todos os médicos associados da SBCP para que saibam o que está sendo feito na Regional Paraná, agora instalado na sede da AMP. Saiba mais pelo fone (0xx41) 242-5415. Reuniões científicas da SBCP/Regional Paraná • 9 de maio, em Curitiba – Mesa Redonda sobre Cirurgia Bariátrica • 24 de maio, em Cascavel – Tratamento de Patologias da Mama • 6 de junho, em Curitiba – Conferência sobre Ritidoplastia • 8 de agosto, em Curitiba – Evolução da Cirurgia do Abdomen MARÇO E ABRIL-2003 / PÁGINA 13 educação continuada Eventos de telepatologia já contam com calendário para o ano programa de educação a distância através de eventos de telepatologia vem ganhando ampla repercussão no entre professores, profissionais e acadêmicos de Medicina. Resultado de parceria entre a Faculdade de Medicina da USP e o Conselho Regional de Medicina do Paraná, o projeto vem possibilitando a realização de videoconferências às quartasfeiras, em semanas intercaladas. A primeira etapa de 2003 ocorreu em 19 de março, com transmissão do Departamento de Patologia da FMUSP para o auditório da Santa Casa em Curitiba e ainda para a Associação Médica de Londrina e Regional do Conselho de Medicina em Maringá. As discussões anátomo-clínicas a partir de autópsias realizadas no sistema on-line foram repetidas nos dias 2 e 16 de abril, para os mesmos locais. O cronograma de videoconferência em telepatologia (confira o box) prevê a próxima edição para 30 de abril, com possibilidade de ser a primeira com recepção já na nova sede do CRM, mas mantidas as transmissões para Londrina e Maringá e, brevemente, com a inclusão de Cascavel. Projeto Pioneiro O projeto pioneiro de videoconferências do Conselho foi lançado em 2001, contando com a imediata adesão da Associação Médica do Paraná, das Sociedades de Especialidades e das Faculdades de Medicina. Os eventos de telepatologia, reconhecidos como um dos modelos mais completos de aprendizagem na Medicina, foram ajustados para as atividades de educação continuada do CRM no ano passado, integrando inclusive transmissões simul- tâneas para quatro Estados. Em fevereiro deste ano, face a receptividade observada, o programa ganhou um calendário anual com o convênio firmado com os Departamentos de Telepatologia e de Patologia da USP. As discussões anátomo-clínicas têm a coordenação dos Prof. György Bôhm e Paulo Nascimento Saldiva. Os participantes recebem certificado e CDs com gravação dos eventos. Informações sobre os eventos podem ser obtidas na secretraria do CRM, pelo fone (0xx41) 3228238. Datas das videoconferências • Maio 14 e 28 • Junho 11 e 25 • Julho 09 e 23 • Agosto 06 e 20 • Setembro 03 e 17 • Outubro 08 e 22 • Novembro 05 e 19 • Dezembro 03 e 17 O auditório da Santa Casa foi um dos locais da recepção dos eventos de telepatologia dos dias 2 e 16 de abril. Ao término do ciclo de jornadas, os participantes recebem CD e certificado. Ética em ortopedia em debate A Regional do Paraná da Sociedade de Ortopedia e Traumatologia, integrada ao programa de educação continuada do Conselho Regional de Medicina, promoverá em 9 de maio, das 19 às 21 horas, videoconferência sobre “Ética em Ortopedia”, interligando as cidades de Curitiba, Londrina e Maringá. O evento será centralizado na nova sede do CRM-PR, no bairro Vista Alegre. Em Londrina, a transmissão será no auditório da Associação Médica, na Praça Primeiro de Maio, 130, Centro. A recepção, em Maringá, será no auditório da Delegacia Regional do Conselho, na Rua das Azaléias, 209. A videoconferência é aberta aos profissionais. Informações complementares podem ser obtidas na Regional da Sociedade, pelo fone (0xx41) 262-8023. Videoconferência para oftalmologia O CRM-PR disponibiliza seu programa de videoconferências para tornar interativos os eventos promovidos por entidades médicas, possibilitando o debate on-line entre os participantes das localidades para onde são transmitidas. Integrada ao programa, a Associação Paranaense de Oftalmologia promoveu em 26 de março último uma mesa de discussão sobre o tema “Erro médico”. O evento ocorreu na sede da Associação Médica, em Curitiba, com a participação do presidente do Conselho de Medicina, Luiz Sallim Emed, e cerca de 20 profissionais da especialidade. A transmissão também foi para Londrina, com 18 participantes, e para Maringá, com mais 10. MARÇO E ABRIL-2003 / PÁGINA 14 projetos/legislação NOTAS Disque Saúde da Mulher O Ministério da Saúde inaugurou em Brasília um novo serviço de informações de saúde para a população feminina. O Disque Saúde da Mulher (0800-6440803) começou a funcionar no dia 08 de abril e a expectativa é de esclarecer as principais dúvidas das mulheres sobre planejamento familiar, doenças sexualmente transmissíveis, prevenção de câncer e violência doméstica. A central de informação está habilitada a receber até 2.500 ligações por dia. Para realizar esse trabalho, 20 operadoras foram treinadas e estão disponíveis para atender o público, diariamente, das 8 às 18 horas. O projeto é resultado de uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Secretaria de Políticas para Mulheres e atende todas as regiões do Brasil. Crise hospitalar A comunidade de Apucarana e do Vale do Ivaí está mobilizada na campanha de visa socorrer financeiramente o seu principal hospital, o da Providência, que se encontra mergulhado em grave crise financeira. Para o presidente da Seccional de Apucarana do CRM, José Marcos Lavrador, a situação é gravíssima, como reflexo da política de saúde do governo, que remunera mal. O conselheiro destaca que a região perdeu nos últimos ano vários hospitais e que, sem novas perspectivas, outros irão fechar Medicina enlutada O Dr. Elias Gilson Garcia faleceu em Curitiba, na segunda quinzena de março último, quando estava prestes a completar meio século dedicado à Medicina paranaense. Nascido em 1.º de abril de 1929, em Caldas (MG), Elias formou-se em dezembro de 1955 na UFPR. Foi um dos primeiros profissionais a se inscrever no Conselho de Medicina do Paraná (tinha a inscrição n.º 70), tendo se dedicado à ginecologia e obstetrícia. Esteve vinculado nos últimos anos no Hospital São Lucas e à Associação de Assistência à Saúde. Medicina enlutada II A Medicina também perdeu, no mês de março, os Drs. Rogério Antônio Souza do Nascimento (CRM 2554), Amilton Pedro Germano (8693), Isabel Maria do Nascimento Santos (1536) e Dorival Ruzzon (7011). O Dr. Rogério formou-se pela PUC em 1969 e era especialista em alergia, imunologia, dermatologia e hansenologia. O Dr. Amilton tinha se formado pela Federal em 1983, enquanto a Dra. Isabel era da turma de 1957 da mesma Universidade. O Dr. Dorival tinha se formado em 1980 pela Universidade Estadual de Londrina. Novos médicos O vice-presidente do CRM, Donizetti Dimer Giamberardino Filho, conduziu a palestra ética para entrega de carteiras a 23 novos médicos. A solenidade ocorreu dia 18 de março, na sede do Conselho. Prêmio de Monografia “O médico na moderna sociedade do Século XXI”. Este será o tema da edição 2003 do Prêmio de Monografia Ética do Conselho Regional de Medicina do Paraná. Podem participar todos os brasileiros, independente da formação. Os trabalhos, que podem ser apresentados até 4 de agosto, serão avaliados por uma comissão julgadora formada por membros da Academia Paranaense de Medicina. O autor melhor monografia receberá R$ 2 mil em dinheiro, certificado e terá o trabalho publicado na Revista Arquivos. O segundo colocado receberá R$ 1 mil. Informações com a secretária do Conselho ou por e-mail. AniversáriodaPUC-PR A Pontifícia Universidade Católica do Paraná comemorou em 14 de março os seus 40 anos. Com campus em Curitiba, São José dos Pinhais, Londrina, Toledo e, em breve, Maringá, a PUC também conta com uma ampla estrutura hospitalar relacionada ao ensino médico. Nas comemorações, a PUC homenageou vários de seus docentes e funcionários. Constantino Cominos e Luiz Carlos Pereira encabeçaram a lista de homenageados pelos 40 anos de docência. O Prof. João Manuel Cardoso Martins, que integra o Conselho Editorial do CRM-PR, foi distinguido por seus 30 anos de dedicação ao ensino. Biblioteca de Radiologia O Hospital de Clínicas da UFPR inaugurou, na segunda quinzena de março, as novas instalações da biblioteca dos residentes do setor de Radiologia Médica. Desde a implantação, em 1977, esta foi a primeira vez que passou por uma restauração completa, exigindo investimentos de R$ 40 mil. Condenação por pedofilia O pediatra Eugênio Chipkevitch foi condenado no final de março último a 124 de prisão, em regime fechado e multa de 150 salários mínimos. A pena, imposta pelo juiz Marcelo Semer, da 10.ª Vara Criminal de São Paulo, é a maior até hoje imposta no país a um acusado de pedofilia. O médico teve negado seu pedido de recorrer da sentença em li- berdade. Ele foi preso no ano passado sob acusação de ter abusado sexualmente de crianças e adolescentes durante consultas em sua clínica, na capital. Fitas gravadas das cenas acabaram por denunciá-lo. O Cremesp interditou preventivamente Eugênio da prática da Medicina. Hospital infantil O Hospital Pequeno Príncipe de Curitiba, referência nacional em Pediatria, realizou em março o 100.º transplante de rim infantil, de um total de 353 pacientes em atendimento na área de Nefrologia. No histórico dos transplantes, 76 foram de doadores vivos e as demais captações de órgãos de cadáveres. Apesar da característica da Central de Transplantes do Paraná em priorizar o atendimento a crianças, há ainda dificuldade na captação de órgãos. CARTAS Coluna Iátrico Parabéns,Dr.JoãoManuel, Tive o prazer de ler a coluna no Jornal do CRM. Sem dúvida é um conjunto de pérolas que merece ser lido pela classe médica. Mais que isso, deve exigir reflexão para o cotidiano do trabalho profissional.Iátricoéumespaçoquevem enriqueceraindamaisoexcelenteveículo de comunicação dos médicos paranaenses. É de extremo bom gosto e de inestimável reforço científico-cultural. Dr. Luiz Felipe, de Curitiba Nossos cumprimentos pela criativa e informativa coluna Iátrico, publicada no JornaldoCRM-PR.É,semdúvida,roteiro obrigatório de leitura, especialmente aos nossosjovensmédicos,sempre em busca de exemplos eensinamentoséticospara a vida pessoal e profissional. José F. Schiavon, médico e dirigente hospitalar N.R.AColunaIátrico,JornaldoMédicos, ganhaumencarteespecialnestaedição,em experiênciaquepropõeumaavaliaçãopor partedosmédicos/leitores. Intercâmbio SenhorPresidente, Acusamos o recebimento do Jornal do CRM-PR de n.º 55, ano VII, de janeiro e fevereiro do corrente, juntamente com o Jornal Jamp de n.º 173, do ano XXI, de janeiroefevereiro,eoexemplardoSaúde do Paraná, de n.º 17, do Ano V, da Primavera de 2002, que nos trouxeram informaçõesimportantessobreaclassee outros.Gostaríamosdedesejaraindamais sucesso nas próximas edições, tal como essa, que foi de grande valia. Edson Milani de Holanda (CD), Presidente do Conselho Regional de OdontologiadoParaná Meio Ambiente Senhor Presidente, Agradeço, sensibilizado, pelos votos de sucesso recebidos por ocasião de minha posse frente à Secretaria de Estado do Meio AmbienteeRecursosHídricos.Amelhoria continua da qualidade de vida do Meio Ambiente é o ideal de todos os Paranaenses. Para isso, gostaria de continuar contandocomoapoioimprescindívelde amigoscomovocê.MuitoGrato. Luiz Eduardo Cheida , Secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos. MaiorRapidez Por esta carta eletrônica venho elogiar as edições dos veículos informativos e periódicos do Conselho Regional de Medicina do Paraná, fontes de inestimáveis conhecimentos e informações culturais para classe médica e, enfim, para os demais cidadãos brasileiros. Todavia, sugiro que os eventos realizados ou promovidos pelos CRM´s e CFM (como os debates, reuniões, encontros de Ética Médica,Bioética,etc) sejamdivulgados comantecedência,para queosinteressadospossampresenciá-los e não somente deles conhecer de sua realização. Saudações e parabéns à equipedeprofissionaisdoCRM-PR. JoséAmérico Penteado de Carvalho, médicoepromotordeJustiçanoParaná. N.R.OConselhoagradeceocomentárioe adotarámedidasvisandomaioragilidade nofluxodesuasinformações. MARÇO E ABRIL-2003 / PÁGINA 15 legislação Ato médico e Lei dos Conselhos debatidos com parlamentares s principais instituições médicasnacionaisestiveram representadas no café da manhã realizado dia 9 de abril, na sede do Conselho Federal de Medicina, em Brasília, e que teve como convidados deputados federais e senadores integrados na reorganização da Frente Parlamentar da Saúde. Ato Médico, abertura de escolas médicas e a reforma na Lei dos Conselhos de Medicina, todos temas em discussão no Legislativo Federal, estiveram em destaque no encontro.Alémde28parlamentares, participaramospresidentesdoCFM, Associação Médica Brasileira, ConfederaçãoNacionaldosMédicos, Fenam e integrantes de Conselhos Regionais de Medicina,Sociedades Médicas e Sociedades de Especialidade.OParanáesteverepresentado pelo conselheiro Gerson Zafalon Martins, do CRM, e Jurandir Marcondes Ribas Filho e Ronaldo Rocha Loures, daAMP. Ao fazer a saudação aos convidados, na abertura do encontro, o presidente do CFM, Edson de Oliveira Andrade, ressaltou a importância dos assuntoseanecessidade de que sejam discutidos com profundidade junto à sociedade. “Estestemasestãoacimadequestões partidárias e acreditamos que, dessa forma,estamosajudandoaconstruir novosprojetosdesaúdeparaopaís”, assinalou Edson Andrade. Eleuses VieiradePaiva,presidentedaAMB, apresentou aos parlamentares a preocupação das entidades médicas emrelaçãoàaberturaindiscriminada denovasescolasdemedicinanopaís: “É inaceitável a forma como está proliferando o número de escolas médicas.Precisamosdiscutirdeforma séria com a sociedade e encontrar mecanismos para consolidar o aparelhoformador,paraquetenhamos garantiasdeformarbonsmédicos”. O presidente da Federação NacionaldosMédicos(Fenam),Eder Murari Borba, aproveitou para pedir apoio aos parlamentares para o movimento das entidades médicas em favor da paz que promoverá um grande evento, provavelmente, em SãoPauloouBrasília,nofinaldomês. Entre os parlamentares que se pronunciaram, o deputado Rafael Guerraconfirmouaiminentereorganização da Frente Parlamentar da Saúde. ”É de suma importância resgatá-la, para que, de forma organizada, possamos colocar em pauta assuntos que interessam não somenteàsentidadesmédicas,masa toda sociedade brasileira”, declarou. Edson Andrade, do CFM. Pareceres do CFM • Parecer 2/2003 - Ementa: A solicitação de prova de qualificação especializada por parte de um perito não é criticável. Contudo, o médico não deve se anunciar como médico legista se não tiver título de especialista em Medicina Legal ou desempenhar essa função no serviço público. • Parecer 3/2003 - Ementa: Rejeição de projeto de lei que torna obrigatória a expedição de receitas médico-odontológicas em letras de forma, datilografadas ou digitadas, por ser incapaz de atingir os objetivos a que se propõe, já contemplados por legislação federal específica. • Parecer 4/2003 - Ementa: Os médicos dos serviços de atendimento pré-hospitalar, para efeito de emissão de declaração de óbito, poderão ser considerados assistentes ou substitutos e devem obedecer o disposto na Resolução CFM n° 1.601/2000. • Parecer 5/2003 - Ementa: Serviços de auditoria só poderão ter acesso a prontuários no local onde os serviços médicos assistenciais foram prestados, sendo-lhes vedada a retirada de cópias; contratos entre operadoras de planos de saúde, de qualquer natureza, deverão obrigatoriamente conter cláusulas de reajuste anual dos honorários médicos. • Parecer 6/2003 - Ementa: É vedado aos médicos e diretores médicos responsáveis por clínicas o fornecimento de prontuário médico em desacordo com dispõe a Resolução CFM nº 1.605/00. Recursos a hospitais universitários otar com mais recursos os hospitais universitários, para que tenham condições de atender maior número de pacientes do SUS é o que propõe o Projeto de Lei 281/03, de autoria do deputado Dr. Pinotti (PMDB-SP). A intenção é que, na definição dos tetos financeiros globais, os recursos de custeio da assistência hospitalar e ambulatorial deverão ser alocados de forma a contemplar toda a capacidade instalada dos hospitais universitários. Conforme o parlamen- tar médico, estão aumentando os casosemqueospacientesdoSUS deixam de ser atendidos nos hospitais universitários. “Apesar de disporem de capacidade instalada, os hospitais universitários não podem fazer esses atendimentos porque esgotaram as cotas de internações ou os procedimentos ambulatoriais, fixados nos tetos financeiros globais de cada gestor”, justifica. A proposta foi encaminhada às Comissões de Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça e de Redação. Remuneração digna A deputada Maninha (PT-DF) apresentou o Projeto de Lei 587/03, que determina que os honorários de médicos e odontólogos deverão ter o valor mínimo de cobrança para evitar o descredenciamento de profissionais nos planos de saúde. A parlamentar, que também é médica, denuncia que as operadoras têm sido alvo de constante fiscalização do CADE por tentativas de cartelização. Para seu projeto, justificou que, na tentativa de impor preços baixo pelos serviços prestados, as operadoras acabam por descredenciar os profissionais que não aceitam trabalhar pelos valores impostos. “O piso dos honorários vai permitir que os consumidores paguem preço justo por um atendimento adequado. Não se pode baratear custos quando se lida com a vida das pessoas”. Maninha lembra que 40 milhões de pessoas utilizam os planos privados pela falta de atendimento adequado pelo SUS. Curso no exterior e estágio no país AJustiçaFederalindeferiupedido de liminar impetrado por alunos da Universidade Cristã da Bolívia (Ucebol) contra os efeitos da Resolução CFM n.º 1.560/2002, que estabelece normas de comportamento a serem adotadas pelos estabelecimentos de assistência médica brasileiros em relação a estudantes de Medicina oriundos de universidades estrangeiras.Nomandado,osestudantes sustentaram que o convênio firmado entre a Ucebol e alguns hospitais não universitários era anterior à edição da Resolução, nãosendopossívelasuautilização no caso concreto. Em sua justificativa, o CFM expressou que a edição da norma decorreu de seu poder fiscalizatório e da necessidade de controle dos convênios firmados entre universidades estrangeiras e hospitais nacionais. O juiz Márcio Luiz Coelho de Freitas, da 20.ª Vara Federal do Distrito Federal, negou o pedido assinalando o perigo do precedente e os riscos à população. Deste modo, a Resolução continua em vigência e ficam sujeitos às penalidades disciplinares os médicos pertencentes ao corpo clínico de hospital que não seja universitário e que mantenha convênio com escola estrangeira que ministre curso de Medicina, para a realização de internato no país. MARÇO E A B R I L - 2 0 0 3 / P Á G I N A 16 curiosidade AMEDICINACUIDADOCORPO EAMÚSICACUIDADAALMA harmonia musical pode despertar sensações, sentimentos e aguçar os sentidos. Alguns estudiosos do assunto atribuem à música outros benefícios ao corpo humano, como a melhoria da coordenação motora e aumento no poder de concentração. De uma forma simplificada, a música pode ser, sim, sinônimo de qualidade de vida. Atualmente, a terapia por meio do uso de sons pode ser encontrada em unidades de tratamento intensivo, centros de reabilitação para pacientes com danos neurológicos, maternidades e unidades de recém- nascidos. É a estreita ligação entre dois mundos opostos, entre a medicina e a arte. O médico e artista Luiz Alberto Iso Fischer Abramides diz que, de alguma forma, sempre utilizou a música como meio terapêutico de auxílio em tratamentos específicos. Há mais de 10 anos, Iso Fischer, como prefere ser chamado, desenvolve um projeto de interatividade com seus pacientes denominado “Oficinas de Vivência”. O projeto consiste na educação de adultos, utilizando técnicas teatrais e bases da psicologia moderna. As oficinas Iso Fischer e Etel Frota: médicos afinados com a música. são realizadas em grupo de pessoas que apresentam problemas em comum. A música entra como um complemente durante as atividades e tornou-se um poderoso aliado. “Em alguns casos, utilizo a harmonia de sons como um remédio, principalmente quando praticamos sessões de relaxamento. Certas melodias ajudam a acalmar, relaxar e curar”, relata o homeopata. Inicialmente, era uma forma de trabalhar conteúdos relacionados ao Programa de Atendimento à Saúde da Mulher com profissionais das áreas de Saúde e Educação. Hoje, o trabalho engloba pacientes portadores do HIV, como investimento na qualidade de vida dessas pessoas, do pontos de vista físico, mental, emocional e espiritual. Etelvina Arrebola Souza da Frota, médica e também compositora, explica melhor esta relação entre a música e a medicina. “Música é harmonia e movimento. Ritmo. Tensão, seguida de repouso. A fisiologia de qualquer organismo saudável também funciona dessa maneira”, esclarece. Segundo o médico Iso Fischer, a música faz bem para qualquer pessoa. “Para mim, ela funciona como higiene mental e pode interferir na melhoraria da qualidade de vida de qualquer pessoa”, complementa o homeopata. Parceria Formado pela Universidade de São Paulo, em 1978, Iso Fischer teve seu primeiro contato com a música ainda na adolescência. Aos 13 anos, começou a compor algumas canções e a estudar piano na sua cidade natal, Penápolis, no interior de São Paulo. Desde então, nunca mais abandonou a música. Mesmo atento às aulas de medicina, o homeopata não se afastou da carreira artística. “Tudo que se relacionava à música chamava a minha atenção”, relembra. Após a formatura, mudou-se para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde se dedicou à área de obstetrícia natural. Nesta época, começou a fazer alguns shows. “Muitas vezes, o músico pagou as contas do médico”, brinca Fischer. Em parceria com outros músicos, compôs canções para intérpretes famosos como Nana Caymmi e Ivans Lins. Em 1985, mudou-se para Curitiba, onde se especializou em Homeopatia e passou a clinicar, deixando um pouco de lado a vida artística. Apenas em 1993, voltou ao cenário musical, passando a fazer parcerias com corais e intérpretes da capital. Um ano depois conheceu Etel Frota (nome artístico da médica), durante uma oficina de música. “Eu sabia que ele estava montando um repertório de canções feitas a partir de poemas curtos. Cheia de vergonha, mostrei para ele ‘Origami’, poema que virou faixa no primeiro CD de Iso Fischer”, conta a médica. Em 1999, Iso Fischer lançou o CD “Camera Pop” e recebeu o prêmio Saul Trumpete – prêmio de música do Paraná, como melhor compositor do ano. Atualmente, Iso Fischer e Etel Frota trabalham como parceiros. Em seus projetos futuros incluem um novo CD para o próximo ano e a retomada de um espetáculo musical, que produziram há cerca de dois anos, sobre a poesia do poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens. A dificuldade de conciliar profissões ão é raro encontrar médicos que se dedicam à carreira artística no dias de hoje. No entanto, a falta de tempo é um dos grandes problemas para esses profissionais da saúde, que se arriscam em uma nova carreira. “Conciliar a medicina e a música requer dedicação. Os fins de semana geralmente são sacrificados”, diz Iso Fischer. “Muitas vezes, aos domingos, viajo para São Paulo para fazer algumas gravações em estúdio”. Na época em que produziu seu CD, o homeopata precisou tirar licença-prêmio, pois necessitava ficar em período integral no estúdio de gravação. “Eu não encaro a música apenas como um hobby, mas com qualidade profissional. É uma atividade que necessita ser desempenhada com disciplina e paixão”, afirma o médico. No entanto, a carreira artística hoje está em segundo plano. “Sou um apaixonado pela medicina que pratico, não penso em deixar de cuidar das pessoas. Posso até me definir como profissional de qualidade de vida e educação em saúde. Isso engloba a Homeopatia, o trabalho com as ‘Oficinas de Vivência’ e a música”, finaliza. Já com um final um tanto diferente, Etel Frota não pratica medicina atualmente. Médica graduada pela Universidade Estadual de Londrina, durante a vida acadêmica passou pelo “caldeirão cultural“ dos movimentos estudantis. E, dentro desse cenário, teve seus primeiros contatos com a arte. Após a formatura, mudou-se para Curitiba, onde cursou especialização em Reumatologia, no Hospital de Clínicas. “Sempre fui apaixonada pela música, mas nunca passou pela minha cabeça que algum dia eu viria a ser uma ‘fazedora’ de canções. Essa aventura aconteceu muito tarde. Comecei a escrever e a me envolver seriamente com música depois dos 40 anos de idade”, conta Etel. Em 1998, deixou definitivamente a medicina. A música e a literatura já haviam tomado todo o espaço da vida médica. “Se num fim de semana, eu tivesse que escolher entre um Congresso de Clínica Médica e uma Oficina de Composição de Canções, provavelmente optaria pelo segundo”, relata. No ano passado, Etel Frota lançou o livro “Poesia Escrita, Falada e Cantada”. A Obra inclui um CD e a participação de outros artistas renomados no cenário musical de Curitiba e São Paulo.