Telepatologia
O programa de educação continuada do CRM-PR
projeta maior expansão na nova sede, em
especial na interação com as sociedades de
especialidade. Os eventos de telepatologia já
contam com calendário até o final do ano e a
iminente integração com Cascavel.
Páginas 12 e 13
Órgão Informativo do
Conselho
Regional de Medicina do
Paraná
Ano VII • Nº 56
Março e Abril/2003
www.crmpr.org.br
e-mail: [email protected]
Novo espaço, novos tempos!
Encontro dos Conselhos e Pré-Enem marcam a inauguração da “Casa do Médico”
nova sede do Conselho
de Medicina do Paraná
abre suas portas como
centro irradiador de idéias, voltado ao fortalecimento do compromisso ético e de defesa da vida.
Sob estímulo de dois eventos de
repercussão e amplitude, o espaço está preparado para abrigar
continuamente atividades científicas, culturais e artísticas, me-
lhorando a educação médica continuada e estreitando a relação
com a sociedade. Aliás, a realização do XV Encontro dos Conselhos da Região Sul/Sudeste e do
Pré-Enem vêm consolidar a proposta de harmonia das entidades
médicas em busca de “um novo
tempo” (veja a edição especial).
A representação da constelação de Ophiuchas e a referência
ao deus grego da medicina,
Asclépio, estão em destaque no
projeto arquitetônico da Casa do
Médico (à dir.). Edição especial
dos Cadernos do Conselho e a
mostra Pioneiros da Medicina do
Paraná ajudam a contar um pouco mais da história de quase meio
século para concretização do
sonho da sede do CRM.
Páginas 2, 8, 9 e 10
IMPRESSO ENVELOPAMENTO AUTORIZADO. PODE SER ABERTO PELO ECT
MARÇO
E
ABRIL-2003 / PÁGINA 2
editorial
A Casa de
um novo tempo
oncretiza-se um sonho de
46 anos. O trabalho e a
retidão dos conselheiros,
o apoio e contribuição de todos
médicos paranaenses permitiram
entregar ao Paraná a nova Sede
do Conselho Regional de Medicina - uma bela obra arquitetônica inspirada em aspectos
históricos, na mitologia e seus
deuses, na arte de curar, no
cosmos e nos valores da Medicina. Muito mais que apenas
uma estrutura fria de ferro e
concreto, trata-se de um espaço
para irradiar esperança, justiça,
eqüidade, educação, beneficência e autonomia.
Preservamos a liberdade de
idéias, o respeito ao contraditório,
o fortalecimento do compromisso
ético e a defesa da vida. Será
também abrigo ao bom médico.
Uma Casa que, além de referência de luta pelas boas condições de trabalho, ao mesmo
tempo vai prevenir condutas
equivocadas, corrigir posturas e
atitudes inadequadas e afastar
colegas antiéticos capazes de
denegrir a profissão. Assim,
estaremos protegendo a socie-
dade, fortalecendo a confiança
e a consideração com os médicos, pois o respeito à Medicina
sempre existiu. Trata-se de função
fiscalizadora do Conselho saber
o que é insuficiente para a boa
prática da profissão.
Outras ações são indispensáveis, como as atividades
científicas para melhorar a
educação médica continuada, a
serem levadas ao novo e confortável auditório. Para complementar a educação continuada, implementaremos as
videoconferências com as especialidades médicas. As videoconferências já estão possibilitando a integração com as
delegacias regionais para atender
questões administrativas e a
interatividade com os conselheiros do interior para apresentar
pareceres e sindicâncias. Outra
inovação é a divulgação do
intenso trabalho do Conselho,
assim como a criação de espaço
para atividades culturais e
artísticas, facilitando a aproximação com a sociedade.
Aproveitando a inauguração
da nova sede, teremos o XV
Encontro dos Conselhos Regionais e das demais entidades
médicas. A programação é de
interesse e de perspectivas
futuras para toda classe médica.
Os assuntos já foram abordados
em eventos anteriores, mas a
situação atual é mais promissora,
pois identificamos um trabalho
mais unificado e solidário por
parte das instituições médicas.
Os nossos dirigentes maiores
estão harmonizando estratégias
de luta, ações para atender as
expectativas dos médicos e
restaurar a importância e o
respeito que a classe merece.
Não se trata da busca corporativa estreita e limitada, mas de
corrigir as distorções entre a sobrecarga de trabalho e as baixas
remunerações. A exigência por
parte da sociedade coloca o
médico como um ser infalível.
Novos tempos nos esperam.
É tempo de esperança e fé.
Tempo de confiança aos destinos
do nosso País. Juntos, conseguiremos atuar para fortalecer
a classe e a sociedade.
Cons. Luiz Sallim Emed,
presidente do CRM-PR
CQH lança Prêmio Nacional da Gestão em Saúde
O Congresso de Qualidade Hospitalar (CQH) lança, no dia 13 de junho, o Prêmio Nacional da Gestão
em Saúde (PNGS). O lançamento ocorrerá durante a VI edição do evento, em São Paulo. Podem
concorrer ao prêmio hospitais, laboratórios de patologia clínica, clínicas de especialidades médicas
e empresas de atendimento domiciliar (home care) de qualquer parte do Brasil. As entidades
também precisam ter, no mínimo, um ano de existência, pelo menos 10 pessoas na quadro de
funcionários, registro no seu respectivo CRM, CNPJ próprio, registro no Cadastro Nacional de
Estabelecimentos de Saúde e não ser operadora de planos de saúde.
As entidades interessadas em participar devem submeter ao PNGS um relatório de gestão, que
passará por uma banca avaliadora e um corpo de juízes. Na segunda fase do concurso, a comissão
de avaliação fará visitas às instalações do locais selecionados. Serão entregues troféus e diplomas
de reconhecimento pela qualidade da gestão aos primeiros lugares, no próximo ano, durante o
CQH’2004.
O PNGS tem apoio da Associação Médica Brasileira, da Universidade Federal de São Paulo (Escola
Paulista de Medicina), Associação Paulista de Medicina e do Conselho Regional de Medicina de São
Paulo. Outras informações pelo telefone (0xx11) 3188-4213.
e x p e d i e n t e
Jornal do Conselho Regional de Medicina do Paraná
Conselho Editorial
Luiz Sallim Emed (coordenador), Donizetti Dimer Giamberardino Filho, Ehrenfried
Othmar Wittig, João Manuel Cardoso Martins, Eloi Zanetti e Hernani Vieira.
Diretoria - Gestão 1998/ 2003
Presidente: Cons. Luiz Sallim Emed
Vice-Presidente: Cons. Donizetti Dimer Giamberardino Filho
1.ª Secretária: Cons. Marília Cristina Milano Campos
2.ª Secretária: Cons. Monica De Biase Wright Kastrup
Tesoureiro: Cons. Roberto Bastos da Serra Freire
Tesoureiro-Adjunto: Cons. Gerson Zafalon Martins
Corregedora: Cons. Raquele Rotta Burkiewicz
Conselheiros Efetivos
Carlos Ehlke Braga Filho, Carlos Roberto Goytacaz Rocha, Daebes Galati Vieira,
Donizetti Dimer Giamberardino Filho, Gerson Zafalon Martins, Hélcio Bertolozzi
Soares, José Luís de O. Camargo (Londrina), Kemel Jorge Chammas (Maringá), Luiz
Sallim Emed, Marcos Flávio Gomes Montenegro, Mariângela Batista Galvão Simão,
Marília Cristina Milano Campos, Mauri José Piazza, Monica de Biase Wright Kastrup,
Raquele Rotta Burkiewicz, Roberto Bastos da Serra Freire, Rubens Kliemann, Sérgio
Maciel Molteni, Wadir Rúpollo e Zacarias Alves de Souza Filho.
Conselheiros Suplentes
Antonio Carlos de A. Soares (Cascavel), Célia Inês Burgardt, Cícero Lotário Tironi,
Jorge Rufino Ribas Timmi, José Eduardo de Siqueira (Londrina), Lucia Helena
Coutinho dos Santos, Luiz Antonio de Mello Costa (Umuarama), Luiz Jacintho
Siqueira (Ponta Grossa), Manoel de Oliveira Saraiva Neto, Marco Antonio do S.
Marques R. Bessa, Mario Stival, Minao Okawa (Maringá), Niazy Ramos Filho, Nilson
Jorge de M. Pellegrini (Foz do Iguaçu), Orlando Belin Júnior (Guarapuava), Renato
Seely Rocco e Sylvio José Borela (Pato Branco).
Membros Natos
Dr. Duilton de Paola / Dr. Farid Sabbag / Dr. Luiz Carlos Sobania / Dr. Ehrenfried
Othmar Wittig
Consultor jurídico: Antonio Celso Cavalcanti de Albuquerque
Assessores jurídicos: Afonso Proenço Branco Filho e Martim Afonso Palma
Médico Fiscal: Dr. Elísio Lopes Rodrigues
Sede – Curitiba / Regionais da Saúde Estadual: Curitiba / Curitiba Norte /
Curitiba Sul / Paranaguá
Rua Marechal Deodoro, 497 – 3.º andar / 80020-909 - Curitiba – PR / Fone:
(0xx41) 322-8238 / Fax: (0xx41) 322-8465.
·Delegacia Seccional de Apucarana
Rua Dr. Oswaldo Cruz, 510 – sala 502 / Edifício Palácio do Comércio – Centro /
86800-720 – Apucarana- PR / Fone: (0xx43) 424-1417
Presidente: Dr. José Marcos Lavrador
·Delegacia Seccional de Campo Mourão
Av. Capitão Índio Bandeira, 1400 sala 412 – Centro / 87300-000 – Campo MourãoPR / Fone/fax: (0xx44) 525-1048.
Presidente: Dr. Dairton Luiz Legnani
·Delegacia Seccional de Cascavel
Rua Senador Souza Naves, 3983 – sala 705 / Edifício Comercial Lince – Centro /
85801-250 – Cascavel- PR / Fone/fax: (0xx45) 222-2263.
Presidente: Dr. Keithe de Jesus Fontes
·Delegacia Seccional de Foz do Iguaçu
Rua Almirante Barroso, 1293 – sala 604/ Condomínio Centro Empresarial Pedro
Basso / 85851-010 – Foz do Iguaçu – PR / Fone/fax: (0xx45) 572-4770
Presidente: Dr. Nilson Jorge de Mattos Pellegrini
·Delegacia Seccional de Guarapuava
Rua Barão do Rio Branco, 779 sala 07 – Centro / 85.010-040 – Guarapuava-PR/
Fone/fax: (0xx42) 623-7699
Presidente: Dra. Vera Lúcia Dias
·Delegacia Regional de Londrina
Av. Higienópolis, 32 sala 1403 / Condomínio Empresarial Newton Câmara/ 86020040 – Londrina-PR / Fone: (0xx43) 3321-4961 /Fax: (0xx43) 3339-5347
Presidente: Dr. José Luís de Oliveira Camargo
·Delegacia Regional de Maringá
Ruas das Azaléias, 209 / 87060-040 – Maringá- PR Fone/fax: (0xx44) 224-4329
Presidente: Dr. Kemel Jorge Chammas
·Delegacia Seccional de Pato Branco
Rua Ibiporã, 333 sala 401 – Centro / 85501-280 / Fone/fax: (0xx46) 225-4352
Presidente: Dr. Paulo Roberto Mussi
·Delegacia Seccional de Ponta Grossa
Rua XV de Novembro, 512 sala 76 – Centro / 84010-020 – Ponta Grossa-PR/ Fone/
fax: (0xx42) 224-5292
Presidente: Dr. Luiz Jacinto Siqueira
·Delegacia Seccional de Toledo
Rua Santos Dumont. 2705 – Centro / 85900-010 – Toledo-PR / Fone/fax: (0xx45)
252-3174
Presidente: Dr. Eduardo Gomes
·Delegacia Seccional de Umuarama
Praça da Bíblia, 3336 – sala 302 / Edifício CEMED – Zona 01 / 87501-670 –
Umuarama-PR / Fone/fax: (0xx44) 622-1160
Presidente: Dr. Luiz Antônio de Melo Costa
·Delegacia Regional de Porto União
Rua Prudente De Morais, 300 - 89400-000 - Porto União - SC
Fone: (0xx42) 523-1844 – Fax: (0xx42)522-0936
Delegado Regional do Cremesc: Dr. Ayrton Rodrigues Martins
Jornalista responsável: Hernani Vieira – Mtb 993/06/98V-PR / Assistentes editoriais:
Priscila P. J. Naufel e Giselle Brisk / Fotos: Joel Cerizza e Miro Matiak / Projeto
Gráfico: Jump! Comunicação / Editoração: Upper Comunicação (0xx41) 252-0674 /
Fotolito e Impressão: Serzegraf / Tiragem: 16.500 mil exemplares.
MARÇO
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B R I L
-2003/ PÁGINA 3
prevenção
Programa propõe comissões de
farmácia e terapêutica nos hospitais
om a constituição da
Câmara Técnica de
Controle sobre Medicamentos, o Conselho Regional de
Medicina do Paraná começa a
alicerçar o projeto voltado a
normatizar o acesso e uso de
psicotrópicos de modo geral especialmente os opióides - nos
hospitais, clínicas e demais estabelecimentos de saúde. A proposta, de conotações preventiva
e educativa, tem entre as suas
vertentes a preocupação de também oferecer respaldo de tratamento e reabilitação ao médico
dependente químico, cada vez
mais presente nos índices estatísticos e que traçam um quadro
sombrio e alarmante.
A Câmara é interdisciplinar
e, além de conselheiros do CRM,
conta com a participação efetiva
do Conselho Regional de Farmácia e da Vigilância Sanitária,
com apoio da Secretaria Estadual
de Saúde e, na etapa inaugural,
da Secretaria Municipal de
Saúde e das instituições hospitalares da Capital. Assim como a
expansão gradativa e natural para
todo o Estado, com alcance
também no meio acadêmico, o
projeto propõe um reforço substancialàscampanhas institucionais
de prevenção às drogas ilícitas ou
não,incluindoasbebidasalcoólicas
e o tabaco, este, aliás, também
objeto motivador de outra Câmara
Técnica e de uma mobilização de
âmbito nacional (ver Página 4).
Dependência, o problema
Coordenador da Câmara
Técnica de Controle de Medicamentos, o conselheiro Marco
AntônioRibeiroBessaressaltaque
a proposta vem sendo debatida há
um bom tempo mas só agora pôde
ser implementada, graças ao
envolvimento das demais
instituições fiscalizadoras e da
cooperação das unidades hospitalares da Capital. Uma reunião
realizada na sede do CRM, em
fevereiro, mostrou consenso sobre
a necessidade de se concentrar
esforços para o maior controle na
dispensação de medicamentos.
Pesquisas reforçadas por sucessivas denúncias apontam os
dispensários como fonte de abastecimento de substâncias para
médicos e demais profissionais de
saúde, que formam um contingente cada vez maior de dependentes químicos.
De acordo com o coordenador, está sendo defendida a
criação de comissões de farmácia
e terapêutica nos hospitais e
clínicas, para que haja a normatização do uso de medicamentos de modo geral, em especial os
opióides. Como colaboração, a
Câmara Técnica pretende
oferecer uma cartilha de recomendações, que inclui um modelo
de regimento interno a ser aplicado pelos estabelecimentos
hospitalares, compatível à sua
realidade. O esboço da cartilha já
será discutido na próxima reunião
dos componentes da Câmara, no
dia 29 de abril, como informa o
Dr. MarcoAntônio Bessa, que não
deixa de insistir no caráter
preventivo e de ajuda médica, e
não de se fiscalizar e punir o
médico. “Pretendemos oferecer
uma referência ética aos diretores
clínicos”, resume.
Marco Bessa admite que a
questão da dependência é
incômoda e que coloca em risco
muitas pessoas. Ele confirma casos
emquemédicos,mesmosemfazer
parte do corpo clínico de um
hospital, tinham acesso à farmácia
simulando a necessidade de uso
de medicamento em algum
paciente. A perspectiva, avalia, é
de que a normativa seja estendida
a todas as demais regiões do
Estado, através das Delegacias do
Conselho, possibilitando detectar
e prevenir situações de dependência e, ao mesmo tempo, de
oferecer formas de tratamento.
Para isso, o CRM já está implementando alternativas de assistência e reabilitação dos médicos,
tendo por base experiência inaugurada pelo Cremesp.
Ao insistir que prevenir é
trabalho ético do Conselho, Marco
Bessa chama a atenção do médico
para que se conscientize tanto
sobre a sua saúde como pelo papel
que ele representa na sociedade,
sobretudo por seu elevado grau de
influência. Outro foco da proposta
são as escolas de medicina, onde
se pretende centrar esforços para
que os estudantes sejam conscientizados e evitem a relação com
drogas e, como conseqüência,
tornem-se agentes de prevenção.
Ele reconhece que somente um
trabalho cultural intenso e de
mudança de percepção, a longo
prazo, é que a sociedade como um
todo vai detectar o custo social
elevadíssimo que as drogas
representam. Porém, diz, é hora
de começar a agir.
Citando estudos recentes, o
conselheiro aponta que o uso
abusivo de drogas no país tem um
custo de 7,9% do PIB (ou R$ 48
bilhões) em tratamento médico,
perda de produtividade e de
acidentes. No período de 1988 e
1999, foram detectadas 726 mil
internações decorrentes do abuso
de drogas. Bessa queixa-se da
permissividade legal quanto às
drogas, principalmente o álcool,
que prolifera cada vez mais entre
os jovens e gera problemas
gravíssimos. “Uma guerrilha
velada que produz muito mais
vítimas que os explícitos conflitos étnicos, políticosoureligiosos.”
Ações preventivas
“As pessoas não têm a percepção do perigo do álcool”, diz o
médico psiquiatra, que chama a
atenção até mesmo para o uso
precoce e em ambientes de alto
risco, numa referência aos postos
de combustíveis urbanos. “O uso
conjugado do álcool, cigarro e
celular nestes locais que geram
concentração pode ser visto como
o estopim de uma bomba sem hora
para explodir”. Realça ainda a
pesquisa realizada em hospitais
que atendem emergência e dos
IML de quatro capitais, incluindo
Curitiba, que aponta a presença
de álcool no sangue de 61% das
vítimas de acidentes de trânsito.
Para Marco Bessa, a proibição da
venda de bebidas nas estradas
deve ser acompanhada de outras
medidas e ações preventivas,
exemplificando as condições de
trabalho dos caminhoneiros. O
uso de anfetaminas, avalia, tem
conduzido a quadro de extrema
gravidade, com reflexo nas
trágicas estatísticas.
O conselheiro conclama os
médicos a terem maior envolvimento nessa “cruzada” antidrogas, a começar dando o exemplo,
que pode ser evitando presentear
tabaco ou bebidas alcoólicas.
Neste porém, chegou-se ao
extremo de detecção de venda
de tais produtos em ambiente
hospitalar. Aliás, o uso de tabaco
em unidades médico-hospitalares
e escolas é proibido em Curitiba
por lei municipal, cabendo o seu
cumprimento à fiscalização da
Vigilância e até do Ministério
Público. Marco Bessa ressalta que
o CRM tem exercido suas atribuições éticas, mas que cabe à
direção de cada unidade hospitalar desenvolver programas de
conscientização, inclusive de
alcance aos visitantes, sendo um
dos exemplos o Hospital Psiquiátrico Bom Retiro, que há mais de
quatro anos centra esforços em
prevenção do tabaco.
Perfil
Marco Antônio do
Socorro Marques Ribeiro
Bessa graduou-se em
Medicina em 1982 pela
UFPR. É especialista em
Homeopatia e Psiquiatria, conselheiro do CRM
e Secretário da Região
Sul da Associação
Brasileira de Estudo de
Álcool e Drogas
(Abead). Também faz
pós-graduação na Escola
Paulista de Medicina, na
área de Psiquiatria, com
ênfase em dependência
química.
MARÇO
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geral
Controle de tabagismo
A Organização Mundial de Saúde e todas as instituições médicocientíficas estão vivamente empenhadas no controle da pandemia tabágica
que está vitimando por ano 5 milhões de fumantes no mundo e 200 mil
no Brasil. Uma das medidas mais efetivas é a participação da classe
médica no aconselhamento mínimo aos seus pacientes fumantes para que
abandonem o tabaco.
O Conselho Federal de Medicina e seus Regionais, a Associação
Médica Brasileira e o Ministério da Saúde (Inca/Conprev) estão
conclamando os profissionais a dispensar alguns minutos na sua consulta,
para realizar uma eficaz abordagem dos seus pacientes fumantes para que
deixem tal prática. Assim, solicitam a cooperação com o preenchimento
do questionário disponível no site do Conselho. As instituições ressaltam
que a participação do médico nesse programa é de grande importância
para a saúde da nossa população.
Campanha Desmoralizada
À véspera do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, o governo editou
uma Medida Provisória flexibilizando a propaganda do cigarro, permitindo
que cinco das 10 escuderias estampassem em seus carros propagandas de
seus patrocinadores. A MP afastou a ameaça do Brasil ser retirado do
“Circo”, pelo menos até 2005. Mas desmoralizou a legislação antitabagista
recém-instituída.
Pré-Congresso da Abead
O Pré-Congresso da Associação Brasileira de Estudo de Álcool e
Drogas (Abead) será realizado em Curitiba, nos dias 13 e 14 de junho,
com apoio do CRM-PR. O tema central será “Os jovens e as drogas – A
educação, a comunidade e a mídia”. Aberto ao público de modo geral, o
evento terá a participação dos Prof. Ronaldo Laranjeiras, presidente da
Abead e coordenador da Unidade de Álcool e Drogas (Uniad) da
Universidade Federal de São Paulo; e Ana Cecília Marques, da Escola
Paulista de Medicina.
Câmara Técnica do Tabagismo
Com o propósito de se posicionar sobre assuntos técnicoespecializados, o Conselho Regional de Medicina do Paraná acaba de
criar mais quatro câmaras técnicas. Através das Resoluções n.º 112, 113,
114 e 115/2003, publicadas no Diário Oficial do Estado na segunda
quinzena de abril, foram instituídas as Câmaras Técnicas em Auditoria
Médica, Sobre Controle de Medicamentos, em Tabagismo e sobre
Programa Saúde da Família. Todos os grupos estão sendo formados e os
trabalhos iniciados, como o da Câmara Sobre Controle de Medicamentos
(destaque na página 3). A de Tabagismo, que tem a coordenação do
conselheiro Gerson Zafalon Martins, projeta-se como de intensa atividade
face às campanhas antitabagistas deflagradas no país.
Quadro alarmante
30,6 milhões
•
é o número estimado de fumantes no Brasil, sendo 10%
menores de 19 anos.
•
10 milhões
é o número de pessoas que podem morrer até 2020,
vitimadas por doenças causadas pelo cigarro.
•
4.720
substâncias tóxicas são inaladas pelo fumante em cada
tragada. Delas, 80 são cancerígenas.
Em agosto, a eleição
dos novos conselheiros
través da Resolução n.º
1.660/2003, o Conselho
Federal de Medicina
aprovou, em março, as instruções para as eleições que
serão realizadas em agosto
próximo para os membros dos
Conselhos Regionais de Medicina. Com as novas normas, fica
revogada a Resolução CFM n.º
1.491/98. Para o Paraná,
mantém-se o número de 20
membros efetivos e igual número de suplentes, para mandato de cinco anos e que serão
eleitos em pleito previsto para o
segundo semestre. A eles somam-se mais dois conselheiros
indicados pela Associação
Médica do Paraná.
Também serão eleitos em
agosto os integrantes das Delegacias Regionais do CRM-PR,
cada qual investida de um
delegado presidente, um secretário e delegados colaboradores.
O mandato dos atuais conselheiros termina em 1.º de outubro,
coincidindo com a posse dos
membros eleitos e início da nova
gestão.
A Comissão Eleitoral será
designada em breve pelo plenário do CRM, tendo presidente e
dois secretários. Até o dia 23 de
maio será publicado o edital com
os integrantes da Comissão e a
fixação das datas para inscrições
das chapas concorrentes e das
eleições. Conforme as normas do
CFM, o período para registro das
chapas vai das 14h de 2 de junho
até 18h do dia 16 do mesmo mês.
Na cédula eleitoral, a ser providenciada logo após o acolhimento legal dos registros, as chapas
serão numeradas com a ordem
cronológica de inscrição e terão
a relação dos candidatos a conselheiros efetivos e suplentes. As
regras para eleição dos conselheiros do CRM têm extensão
para a indicação dos representantes das Delegacias.
O cargo de conselheiro é
meramente honorífico e a composição da diretoria será decidida
em plenária, pelos membros
eleitos. São elegíveis os médicos
devidamente inscritos no Conselho e que sejam brasileiros natos
ou naturalizados, estejam quite
com suas obrigações e firmem
compromisso de aceite da candidatura. O voto, por sua vez, é
direto, obrigatório e secreto para
os que estejam no gozo de seus
direitos, exceto para os inscritos
como militares. O médico que não
cumprir a obrigação do voto, sem
justa causa ou impedimento, fica
sujeito a multa.
Os médicos inscritos no Conselho, residentes em municípios
que não disponham de urna
coletora de votos, receberão o
material necessário para exercer
seu direito/obrigação através de
correspondência., que será aceita
até o prazo final previsto pela
Resolução. No Paraná, estão
sendo adotadas as medidas para
a informatização do pleito, conforme as normas do Tribunal
Regional Eleitoral. Tanto em
Curitiba como nas cidades-sedes
das Delegacias as eleições
ocorrerão somente no dia 20 de
agosto, das 8 às 20h. Na capital,
haverá urnas coletoras na sede
do Conselho e em locais de
grande concentração de médicos,
como hospitais e a Associação
Médica. A apuração ocorrerá na
sede do CRM será imediata ao
encerramento do prazo para votação.
A Resolução n.º 1.660/2003
e a íntegra das instruções para
as eleições dos Conselhos
Regionais estão à disposição dos
médicos no Conselho e em suas
Seccionais e Regionais, bem
como no site do Conselho Federal
(www.portalmedico.org.br).
Curso de administração hospitalar para médicos
OCRM-PRestáfirmandoparceriascomfaculdadeslegalmentereconhecidasparainstituirturmasdemédicosparaqualificaçãoem
extensão,graduaçãoouespecializaçãoemadministraçãohospitalar,conformeexigênciasestabelecidasparaaestruturatécnicoadministrativadehospitaisconveniadosaoSUS.APortarian.º2.225,editadaemdezembrode2002peloMinistériodaSaúde,
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a capacitação em gestão de clínicas e hospitais. Ao término será concedido o Certificado de Especialização, lato sensu, aos
participantes. O IMEC também está inaugurando a primeira turma para o curso de pós-graduação (lato sensu) em Gestão de
ClínicaseCentrosdeSaúde.Destina-seaprofissionaiscomcursosuperiorqueestejamatuandooutêminteresseematuarem
clínicas ou centros de saúde. Serão também 360h. Informações e inscrições pelo fone (0xx41) 232-2814 ou por e-mail
([email protected]).
MARÇO
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ABRIL-2003 / PÁGINA 5
psiquiatria
Coordenador da OMS fala sobre
perspectivas para a saúde mental
José Manoel Bertolote,
coordenador da equipe de Gestão
de Transtornos Mentais da
Organização Mundial de Saúde.
médicobrasileiroJoséManoel
Bertolote, coordenador da
equipe de Gestão de Transtornos Mentais e Cerebrais da
Organização Mundial de Saúde,
ministrou conferência dia 24 de
março, no auditório da Biblioteca da
Pontifícia Universidade Católica do
Paraná, em Curitiba. Com o tema
“Perspectivas para a saúde mental no
Século XXI”, a palestra foi um dos
eventos em destaque na programação
comemorativa do centenário de
fundação do Hospital Psiquiátrico
Nossa Senhora da Luz, integrado à
Aliança PUC-PR/Santa Casa de
Misericórdia.
Falando para uma platéia formada por professores, psiquiatras,
acadêmicos e também membros das
equipes de saúde mental das Secretarias Estadual e Municipal (Curitiba)
de Saúde, o representante da OMS
chamou a atenção para o fato de que
os transtornos mentais e de comportamento já representam, hoje, 13,5%
das doenças. Os investimentos,
contudo, estão numa escala inversamente proporcional, lamenta o
psiquiatra, lembrando que só 2% do
orçamento geral da saúde são
direcionados à área mental. A agravar
este fato quadro está a constatação
de que, no mundo, os transtornos
mentais já correspondem à metade
das causas de incapacitação. “Esse
crescimento vem representar um
custo enorme em termos de sofri-
mento humano, incapacidade e
prejuízos econômicos. Precisamos
estancar isso”, enfatiza.
O Dr. José Manoel Bertolote
reconhece que as duas doenças de
maior preocupação na OMS para este
séculoreferem-seàAidseàdepressão,
a primeira quando se avalia a mortalidade e a segunda quanto a incapacidade. Ao citar dados de relatórios
da Organizações Mundial e PanAmericanadeSaúde,omédicodestaca
que são 450 milhões de pessoas que
sofrem de transtornos mentais ou
comportamentais, mas somente uma
pequenaparcelatemtratamentobásico
adequado. Não por acaso, assinala,
são registrados cerca de 900 mil suicídios por ano, ou um para cada 40
segundos.“Émaisqueumaguerra”,diz
opsiquiatra,citandocomoregiõesmais
críticas a Rússia e os países bálticos,
com índices de 43 a 45 suicídios por
grupo de 100 mil habitantes,enquanto
a média mundial é de 16. No Brasil, a
cifra é mais baixa: 4/100.000.
Embora detendo dados globais
sobre a saúde mental e seus efeitos,
José Bertolote diz que a realidade
brasileira não é muito diferente,
mesmo reconhecendo os importantes
avanços implementados na última
década, especialmente na esfera
político-legal. Nesse porém, há de se
destacar que a legislação de saúde
mental no Brasil, que datava de 1934,
somente foi revista em 2001, depois
de 12 anos tramitando no Legislativo
Federal.Nestesdoisanos,completados
em abril, o país vem experimentando
uma verdadeira “revolução” na área
psiquiátrica, apesar de subsistirem
conflitos com origem ideológica, de
carência de recursos humanos e
financeiros e de integração de esforços, como admitiu o palestrante.
Recomendações da OMS
Entre as recomendações propostas pela OMS para a área de saúde
mental, destacam-se fatores como
legislação, políticas de saúde, integração e cobertura de treinamento,
cuidados primários e rediscussão do
papel do hospital, fortalecimento de
entidades de ajuda voluntária, dados
epidemiológicos, avaliação de serviços, acesso a medicamento e
promoção dos direitos humanos dos
pacientes. Tais recomendações, expressa o representante da OMS, estão
operacionalizadas de acordo com
nível de recursos de cada país. Para
os que detêm ou oferecem poucos
recursos, a prioridade é criar
legislação; para os que têm situação
média, a preocupação passa a ser de
melhorar o sistema; e, para os com
alto investimento a questão é atualizar.
À questão orçamentária, outro
problema que se soma, conforme o
Dr. José Bertolote, é o de carência de
recursos humanos. Ele cita a ausência
da enfermeira psiquiatra, especialização que praticamente inexiste no
Brasil. Lembra que a recomendação
da OMS de três enfermeiros para
cada médico vale também para a área
de psiquiatria. Neste caso, faz um
chamamento para que o Poder Público e as instituições profissionais
representativas repensem o modelo
de assistência oferecido, para que
ganhem em eficiência e qualidade. No
aspecto geral, ele realça a necessidade
de se promover saúde mental aberta
a inovações e que não é possível
aceitar a acomodação. “Não se tem o
interesse em jogar na rua o paciente
crônico, mas igualmente não se deve
aproveitar dele”, refere-se o psiquiatra, apontando que o foco principal
deve ser o da reinserção social e não
da internação.
Sobre a questão manicomial,
aliás, o representante da OMS tem
uma posição clara quanto a necessidade de modernização e de constituição de novas estruturas. Para os
hospitais que não se ajustam à nova
mentalidade, a tendência é de que
“desapareçam,talqualosdinossauros”,
resume, ao lembrar exemplos como
o Juquiri, em São Paulo, por décadas
o maior “depósito” de pacientes do
mundo e onde ele chegou a atuar.
Bertolote entende que o processo de
desospitalização no Brasil segue as
tendências mundiais e que, na evolução dessa conscientização, tende a
ajustar-se às inovações propostas pela
OMS.
Formado pela Unesp, o Dr.
Bertolote foi coordenador de Saúde
Mental do Rio Grande do Sul no
período de 84 a 88 e está desde 1989
na OMS. A organização tem 1,5 mil
funcionários, incluindo 19 brasileiros,
sete deles na sede de Genebra (sendo
o coordenador um deles). Ao falar
sobre questões que envolvem os
profissionais médicos, como o uso de
drogas lícitas ou não, o psiquiatra
reconhece a situação de risco e a
importância das campanhas de
prevenção. Para ele, as iniciativas não
podem ter o caráter punitivo ou de
discriminação. Além de reconhecer
a figura do médico como instrumento
de influência da sociedade, o Dr.
Bertolote cita que a primeira
evidência do cigarro como causador
de câncer surgiu com uma pesquisa
entre médicos ingleses dependentes.
tempo, com o estigma de modelo
ultrapassadodeassistência.Aimagem
do gesto simbólico de derrubada do
muro pelo provedor da Aliança,
Clemente Ivo Juliatto, não apenas
precipitou uma série de ações de
âmbito interno, como repercutiu e
influenciouaspectosdamodernização
da assistência psiquiátrica no Estado.
No ano passado, o Hospital
registrou 48.997 atendimentos,
incluindo internamentos, consultas
ambulatoriais e assistência nas sete
unidades psiquiátricas. Seu objetivo
está voltado ao tratamento ativo de
transtornos mentais, dependências
químicas, reabilitação, ensino e
pesquisa.Amaioriadosatendimentos
(96,6%) foi pelo SUS. O Centro de
Atenção às Drogas foi responsável
por vários cursos e seminários, como
destaque para o pioneiro Curso de
Especialização em Dependência
Química, que já formou 98 profissionais.
HospitalNossaSenhoradaLuz
No ano passado, o coordenador
da OMS já tinha feito uma visa
informal ao Hospital Nossa Senhora
da Luz, atendendo a um convite do
diretor-geral, Dr. Dagoberto Hungria
Requião. Na ocasião, Bertolote diz
ter irradiado a idéia de se promover
uma iniciativa revolucionária na
unidade de saúde mental, o que
acabou ocorrendo logo depois, com
a derrubada dos muros e, ao mesmo
Provedor da Aliança, Clemente
Ivo Juliatto: gesto simbólico da
derrubada do muro do Hospital
Nossa Senhora da Luz.
Novo modelo
A participar da 1.ª Conferência de Saúde Mental do Hospital
Adauto Botelho, o secretário Cláudio Xavier, da Saúde, informou
que o Estado pretende seguir uma nova orientação do Ministério
da Saúde, onde a principal atenção deve ser o atendimento
ambulatorial, não só nos hospitais, mas com a ampliação dos
Caps (Centro de Atendimento Psicossocial), que funcionam como
hospital-dia e onde são concentradas atividades de recuperação
e reintegração na sociedade. No Paraná já existem 15 Caps,
sendo cinco em Curitiba. Estimativas da Sesa indicam que há 3
mil pacientes internados em leitos psiquiátricos.
MARÇO
E
ABRIL-2003 / PÁGINA 6
entrevista
Em defesa do meio ambiente
saudável e da preservação da vida
futuro da vida:
ambientes saudáveis para as
crianças”. O tema escolhido
pela Organização Mundial
de Saúde, para destacar em
2003 o Dia Mundial da
Saúde (7 de abril), é um
desafio universal de sobrevivência das novas gerações,
que rompe fronteiras, limites
socioeconômicos, concepções político-ideológicas e
atividades profissionais.
Afinal, estimativas da própria OMS sugerem que um
ambiente saudável salvaria
a vida, a cada ano, de mais
de cinco milhões de crianças,
atingidas por doenças causadas pela poluição do ar,
pelo consumo de água
contaminada ou pela falta
de higiene nos lares, nas escolas ou locais de recreação.
As distorções e extremos
detectados nos Continentes
sugerem a busca de uma
consciência globalizante
para a saúde, capaz de estreitar as desigualdades e as
conseqüências que se anunciam cada vez mais desastrosas para todos. O Brasil de
contrastes é um exemplo
claro do estágio de desarmonia entre a conscientização
ecológica e a saúde, refletido
nas sombrias estatísticas
epidemiológicas e de mortalidade. E no Paraná, será
possível distinguir ações que
possam ajudar a formar uma
corrente mais responsável na
preservação do meio ambiente e da vida? Com o respaldo de quem ascendeu à
função de Secretário Estadual de Meio Ambiente e
Recursos Hídricos por sua
reconhecida atuação em
prol do binômio ecologiasaúde, o médico Luiz Eduardo Cheida garante que
sim. Mais que isso: projeta
uma nova perspectiva de
ações capazes de garantir
não só que a “lição de casa”
Perfil
Formado em 1980 pela UEL, Luiz
Eduardo Cheida (foto) especializou-se em gastroenterologia
clínica e endoscopia digestiva. No
início da década de 80, integrou
a Associação Médica de Londrina
e o Sindicato dos Médicos. Seu
currículo inclui o trabalho em
grandes hospitais de Londrina e
a atividade de professor universitário e de ensino médio. É
autor de vários livros didáticos, com destaque para “Ecologia
vivenciada”, obra de 80 páginas que teve ampla tiragem por ter sido
adotada em âmbito nacional pela rede de ensino, em 1991, à véspera
da Eco/92. Ex-secretário e prefeito de Londrina, concorreu nas últimas
eleições à Câmara Federal. Um dos médicos candidatos com votação
mais expressiva, Cheida está na suplência de seu partido.
está sendo bem-feita, mas
oferecendo um modelo às
demais regiões do país.
Luiz Eduardo Cheida diz
sentir-se à vontade para
vislumbrar um futuro favorável no Paraná com o que
chama de “ecologização do
governo”. De acordo com
ele, nunca houve uma política ambiental de fato, já
que muitas das ações do
governo geravam conflitos
de resultados. Agora, destaca, a questão do meio
ambiente está amparada por
três diretrizes básicas e afins.
A primeira, a da transversalidade, propõe colocar o meio
ambiente no coração do
governo, tendo-o como
instrumento regulador de
todos os demais projetos. A
segunda, a de desenvolvimento sustentável, determina que o crescimento não
pode se sobrepor à preservação, reconhecida também
como questão social. A terceira, leva à criação de um
sistema estadual de meio
ambiente, com uma agenda
que vai de encontro às causas e não às conseqüências.
Através desse sistema é
que serão estabelecidos os
mecanismos de monitoramento e de informação
periódica à população.
“Todo cidadão tem o direito
de saber a condição do
ambiente em que vive”, diz
o secretário. Assinala ainda
que o sistema de monitoramento ambiental, como da
qualidade do ar, será desenvolvido nas grandes cidades,
mas com perspectiva de
alcance para todo o Paraná.
O secretário indica ainda
que há projetos de integração e ações de prevenção
que envolvem os Estados vizinhos e até mesmo os países
do Conesul. Aliás, a questão
das águas será objeto de
iminente encontro do Mercosul, o da Bacia do Prata.
Na questão de saneamento ambiental, Luiz Eduardo Cheida aponta que os
esforços estarão sendo centrados em cinco ações: água
tratada, esgoto tratado, lixo,
drenagem e controle de vetores. O programa ganha
ênfase no segundo semestre,
a partir do litoral. No diagnóstico da situação do Estado, hoje, o secretário chama a atenção para os parâmetros que tanto preocupam a Organização Mundial de Saúde. Ele calcula
que 70% da população
paranaense tenha acesso à
água potável e que não mais
de 28% acesso ao esgoto
coletado e tratado. Quanto
ao lixo, estima que o percentual cai para 25%. Cheida
compartilha do conceito de
que 70% das doenças têm
relação com a água. E decreta: “Cada dólar investido
em saneamento representa
cinco poupado no tratamento de doenças”.
O ex-prefeito e ex-secretário de Saúde e de Meio
Ambiente de Londrina não
deixa de dirigir uma crítica
ao descaso que vem propiciando a proliferação de
doenças endêmicas há
muito tidas sob controle. Na
questão da dengue, ele lamenta que sua cidade de
origem tenha se transformado num dos maiores focos
de contaminação do país.
Ele considera uma irresponsabilidade “deixar a coisas
acontecerem” e, no caso de
Londrina, denuncia que são
seis anos sem o recolhimento
de entulhos, que na maioria
das vezes acaba em fundos
de vale, com conseqüências
desastrosas ao meio ambiente. Em sua gestão, diz,
tal material era reprocessado
para uso em projeto de
habitação.
Médicos na função pública
O secretário Estadual de Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, é o
entrevistado nesta edição do Jornal do CRM, na série inaugurada em
janeiro/fevereiro e que visa mostrar as propostas de trabalho dos médicos
elevados a funções públicas de relevância e alcance político-social. Cláudio
Xavier, da Secretaria de Saúde, e Nitis Jacon, do Centro Cultural Teatro
Guaíra, foram os primeiros entrevistados.
MARÇO
E
ABRIL-2003 / PÁGINA 7
geral
Merenda escolar orgânica
Vincular de fato a vida à questão ambiental, em defesa das futuras
gerações, tal qual sugere a OMS. Esta é a essência de um dos
principais programas do secretário do Meio Ambiente, Luiz Eduardo
Cheida, e que estará associado a várias outras Pastas do atual
governo estadual, também representadas no Conselho Estadual do
Meio Ambiente. A proposta visa instituir a merenda escolar orgânica
na rede de ensino público, iniciando um processo gradativo de
conscientização para uma agricultura sem agrotóxicos. Cheida estima
que cerca de 1,5 milhão de crianças podem ter acesso aos produtos
orgânicos, estimulando o crescimento desse mercado. O secretário
avalia que o Paraná é um dos estados que mais consomem
defensivos agrícolas e, não como mero acaso, também detém
proporcional índice de intoxicações e de câncer de fígado e
pâncreas. Com respaldo do Iapar, a iniciativa tem projeções mais
audaciosas, como transformar o Parque Castelo Branco em
referência internacional da agricultura orgânica.
Transgênico
No Paraná o transgênico é proibido, seja contrariando legislação
nacional ou mesmo posição do governo Lula. Para Luiz Eduardo
Cheida, é preciso esgotar o assunto, separando o que é ciência e o
que é tecnologia.
Cermepar empossa
nova diretoria
novo Conselho Deliberativo da Comissão Estadual de Residência
Médica do Paraná (Cermepar)
foi eleito em 14 de março último
para o período 2003/2004. O Prof.
José Takashi Tosugui do Hospital
de Clínicas da UFPR, foi empossado na presidência, sucedendo ao par Sérgio Ioshii. A vicepresidência passa a ser ocupada
por Sinésio Moreira Júnior. Carlos
José Franco de Souza e Jorge
Augusto Acúrio Zavala respon-
dem como primeiro e segundo
secretários. Flávio Daniel Saavedra Tomasich assumiu a tesouraria. O novo diretor científico é
o Prof. João Carlos Simões.
Reunião no CRM
Representantes dos médicos
residentes de Curitiba estiveram
em reunião com diretores do
CRM-PR, na sede da entidade,
no início de abril. Na oportunidade, foram analisados
aspectos da legislação e também
o programa do XV Encontro dos
Conselhos e do Pré-Enem. Outro
assunto abordado foi a cessão de
espaço na nova sede do Conselho,
além da perspectiva de melhor
infra-estrutura para funcionamento da Associação dos Médicos Residentes do Paraná. O
presidente do CRM, Luiz Sallim
Emed, enfatizou no encontro a
importância da participação dos
residentes nas ações da classe e
em benefício da sociedade,
“semprecomocompromissoético
e solidário”.
O médico e o meio ambiente
O secretário entende que os médicos têm uma responsabilidade
maior em contribuir para a conscientização de não-agressão ao
meio ambiente. “Nenhuma outra profissão tem essa visão clara do
curso sistêmico que tem a vida e que a mesma é um conjunto de
sistemas”, diz Cheida, traçando o comparativo entre o corpo humano
e a natureza. Ele também cobra do médico o exemplo nas campanhas
antitabagistas. “O médico fumar é uma desmoralização às
propagandas oficiais e àqueles que se empenham em conter as
drogas, que alcançam sobretudo os jovens”.
Diretores do CRM (esq.) recepcionaram, no iníicio de abril, os representantes dos médicos residentes de Curitiba.
Lixo hospitalar
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária editou conjunto de normas
que visam disciplinar o acondicionamento e tratamento do lixo
hospitalar no pais. As normas alcançam tanto os produtores e
distribuidores de medicamentos humanos e veterinários como para
hospitais e clínicas de tratamento e diagnóstico. As empresas terão
um ano para se adequar às novas regras. Há estimativas de que
de 1 a 3% do lixo urbano seja produzido em estabelecimentos de
saúde. Saiba mais sobre o assunto acessando o site da Anvisa
(www.anvisa.gov.br).
Secretaria Estadual de Saúde faz campanha
contra a pneumonia atípica no Paraná
Seguindo recomendações do Ministério da Saúde, a Secretaria de
Estado de Saúde do Paraná está desenvolvendo um programa de
bloqueio e prevenção da Síndrome Respiratória Aguda Severa
(SRAS), popularmente conhecida como “pneumonia asiática”. Em
parceria com vários segmentos governamentais e da área de saúde,
incluindo o Conselho Regional de Medicina do Paraná, a Secretaria
vem trabalhando com ações específicas na sociedade para evitar a
entrada da doença no Estado. A pneumonia atípica já fez milhares
de vítimas em todo o mundo. A SRAS já afetou 12 países, com
mais de 3 mil infectadas e 200 de mortes só até meados de abril.
A Câmara Técnica de Infectologia do CRM-PR colocou-se à disposição
da Sesa para colaborar no combate à doença.
Liminar garante benefício
salarial aos médicos do
funcionalismo público
Tribunal de Justiça do Paraná concedeu liminar ao
Simepar, em 9 de abril
último, suspendendo a
aplicação dos termos
do Decreto n.º 6.614,
assinado pelo então
governador Jaime Lerner, em novembro do
ano passado, e que
determinava a redução
à metade do valor da
promoção e progressão
salarial dos médicos pertencentes ao quadro próprio do Poder Executivo.
Em seu despacho, o
desembargador Hirosê Zeni
reconheceu a jornada especial de trabalho do médico
servidor e o princípio da
irredutibilidade dos salários
previsto na Constituição.
Com a decisão, fica suspenso o desconto dos vencimentos dos médicos, até o
julgamento do mérito.
De acordo com o
Sindicato, a medida
judicial tornou-se imprescindível diante a
urgência do tema, apesar da receptividade do
atual governo em resolver o impasse com
origem no plano de
cargos e salários. A
questão mereceu ampla
mobilização das entidades médicas ao final
do ano passado.
MARÇO
E
ABRIL-2003 / PÁGINA 8
opinião
ARQUIVO GEM
MINADA.P65
MARÇO
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bioética
MARÇO
E
ABRIL-2003 / PÁGINA 10
bioética
A Cronologia e os Pioneiros
cronologia dos pioneiros da Medicina remonta à primeira
metade do século 18, com os primeiros hospitais (as
Santas Casas) e médicos, com destaque para Joaquim
Ignacio da Mota. O sequenciamento dos fatos históricos inclui
em 1843 a formatura do primeiro médico paranaense. O lapeano
José Francisco Corrêa graduou-se no Rio de Janeiro e depois
atuou na cidade natal, em Ponta Grossa e Castro, basicamente
de forma gratuita face a sua origem abastada. Em 1852 começam
as obras da Irmandade da Santa Casa, que dois anos depois
teria à frente o Dr. José Candido da Silva Murici, oficial médico
do Exército e nomeado “vacinador provinciano”, cargo que à
época correspondia ao de secretário da Saúde e que tinha como
prioridade o combate à varíola.
O primeiro farmacêutico aparece em 1857. Augusto Stellfeld
era alemão e revalidou seu diploma no Rio. Começou a atuar no
Hospital da Santa Casa, quando o mesmo ainda estava na Rua
da Direita, atual 13 de Maio. O primeiro médico parnanguara foi
o Dr. Leocádio José Corrêa, que se instalou no litoral em 1973,
após formar-se no Rio. Médico humanista e deputado provinciano,
começou a carreira como inspetor de portos. Em 1880 ocorreu a
inauguração da Santa Casa de Curitiba, com a presença do
imperador dom Pedro 2.º (era assim que ele assinava). Ao contrário
do que assinalam alguns autores contemporâneos, o imperador
disse que “o hospital está bem situado”. O Dr. Ravazzani observou
em suas pesquisas, inclusive de jornais da época, de que é folclórica
a observação de dom Pedro 2.º de que a Santa Casa ficava “muito
longe”.
Único médico atuando no hospital da Irmandade desde 1868,
o Dr. Murici morreu um ano antes da inauguração da obra (da
sede atual), que levou 12 anos para ser edificada. Quem o sucedeu foi o genro, médico que ascenderia a general do Exército,
Dr. Antonio Carlos Pires de Carvalho Albuquerque. Seu neto,
Walter Pires, cerca de um século depois viria a ser o ministro do
Exército (no governo Figueiredo). Dr. Antonio foi o provedor e
único médico da Santa Casa de 1879 a 89, passando com a reforma
do Império, a Inspetor de Higiene do Paraná, função também
similar a de Secretário. Também foi a Santa Casa que abrigou as
primeiras enfermeiras do Estado. As Irmãs de São José chegaram
da França em 1896.
A primeira publicação especializada surgiu em 1901. A “Gazeta
Médica do Paraná” tinha como editores-redatores os Drs. Victor
do Amaral, João Evangelista Espíndola e Reinaldo Machado. No
ano seguinte surgia a primeira sociedade médica, a de Medicina
e Cirurgia do Paraná, presidida pelo Dr. Victor do Amaral. Em
1907 ocorreu a primeira cesariana no Paraná, sendo a sexta no
país. Foi conduzida na Santa Casa pelos Drs. Reinaldo Machado e
João Espíndola. A fundação da primeira faculdade de Medicina,
a UFPR, ocorreu em 1912, tendo como expoentes os Drs. Victor
do Amaral e Nilo Cairo. Formada em 1919 na Federal, a Dra.
Maria Falce de Macedo transformou-se na primeira médica do
Paraná. Ainda nesse período, são enfocados os pioneiros da
universidade: o Dr. João Cândido Ferreira em clínica médica e
Dr. Symon Kossobudski, em clínica cirúrgica. A viagem no tempo
passa pelo ano de 1933, com a fundação da Associação Médica
do Paraná e da Revista Médica do Paraná, sob liderança do Prof.
Milton de Macedo Munhoz, que em 1958 participaria da
constituição do CRM-PR e também seria seu primeiro presidente.
Higiene das mãos
“Faça novos amigos, porém mantenha os antigos”
Célia Inês Burgardt (*)
á muito que se fala, escreve
e estuda a questão da
lavagem das mãos nos
Serviços de Saúde. A literatura
científica nunca deixou de fazer
deste, um assunto relevante, de
discussão e grande especulação.
Mas, especulação de que? De que
muitos profissionais de Saúde
encaram este procedimento de
maneira leviana.
Novastécnicassãoassimiladas
com mais facilidade por parte dos
profissionais. Especialmente pela
demonstração de sua atualização
científica, a própria indústria da
Medicina favorece e incentiva
este fascínio tecnológico. Entretanto, muito do que foi aprendido
fica no esquecimento ou na indiferença. Sob este aspecto é que se
quer dizer: que “se fazem novos
amigos” mas que não se pode
“esquecer os antigos”. A lavagem
das mãos se enquadra como sendo
uma técnica primordial, para não
se dizer, imprescindível na prática
de qualquer ato profissional na
área da Saúde.
O impacto da correta lavagem das mãos na incidência de
complicações infecciosas, tanto
em hospitais quanto em consultórios e ambulatórios está muito
bem documentado. Porque um
procedimento tão barato, tão
simples e eficaz não recebe a
devida importância no cotidiano
profissional, especialmente das
equipes médicas?
Asmaisvariadasdesculpassão
apresentadas para se justificar a
não realização da adequada lavagem das mãos. Em 2002, o
Centers for Disease Control (CDC
– Atlanta, USA), um dos órgãos
norteadores das diretrizes na prevençãoecontroledeinfecçõeshospitalares publicou um Manual para
HigienedasMãos(www.cdc.gov).
Neste manual, fica claro, que
mesmo havendo limitação de recursos arquitetônicos (ex. falta de
pias), existem alternativas adequadas e baratas, preconizando o uso
de álcool, para a higiene das mãos.
Existem estudos que chegam
a medir o quanto se lava as mãos
em Unidades de Terapia Intensiva,
e até se existe diferença na adesão
a esta norma entre homens e mulheres. As mais variadas técnicas
de educação continuada são realizadas e conduzidas para abordar
o tema no ambiente das instituiçõesdeSaúde.Umenormeesforço
é despendido para “ensinar” algo
que, a priori, deveria ser um hábito
de higiene adquirido em casa.
Outros estudos estão sendo
conduzidos, principalmente na
América do Norte, nos quais a
instituição hospitalar orienta os
pacientesinternadosesuasfamílias
a só se deixarem examinar ou
manipular após médicos e equipe
de enfermagem terem lavado as
mãos. É grande o impacto, para
não se dizer susto, do médico
quando um paciente o questiona
sobre a sua higiene das mãos. A
estratégia vem apresentando um
resultado positivo.
O exercício profissional é
composto por uma série de exigências e técnicas científicas. Infelizmente com o tempo, percebese uma perda substancial do que
poderia ser chamado de “parte
não visível” do trabalho médico.
A ênfase e o brilho da Medicina
ficaram restritos aos procedimentos de grande porte, tanto na
Clínica quanto na Cirurgia.
Não pode haver competência
profissional se todos os passos do
proceder médico não forem executados com rigorosa observação
e disciplina. Detalhes que constituem e agregam valor ao resultado
final. Competência e ética andam
juntas.
Qualquer técnica quando
executada com os cuidados que
lhe são devidos, resulta em uma
clara manifestação de ética. É o
respeito e honestidade consigo
mesmo, com a pessoa que vem
procurar ajuda especializada, e
também, respeito para com a instituição que acolheu o profissional.
Com critérios, deve-se analisar
a questão das perdas que ocorrem
nos casos de infecções hospitalares, as quais se refletem diretamente nos pacientes, nos profissionais e nas instituições. A maior
perda, sem dúvida é para o doente,
pois não se pode medir a sua dor,
seu sofrimento, sua angústia.
Ainda sob este aspecto deve-se
considerar em um horizonte mais
amplo, que a perda também atinge
a família e a sociedade.
Quanto aos prestadores de
serviços, esta perda pode ser
medida de forma direta, pois a
cada dia de internamento se
aumenta o gasto financeiro, desviando recursos que seriam de
prevenção para o tratamento. O
paciente sempre acaba sendo
submetido a mais procedimentos
diagnósticos e terapêuticos.
Mais do que controlar a
infecção hospitalar é importante
implementar os esforços em
prevenir.
Lembre-se que foi um cirurgião que estabeleceu a higiene das
mãos como um meio de diminuir
as complicações infecciosas. E foi
ainda, um outro cirurgião que se
jogou debaixo de uma carruagem,
pois se sentiu culpado por ter sido
a provável causa de mortes
durante seu exercício profissional.
A história completa pode ser
encontrada no livro “O Século dos
Cirurgiões”, leitura obrigatória aos
médicos de boa vontade.
(*) Célia Inês Burgardt,
conselheiraeintegrantedaCâmara
Técnica de Bioética do CRM-PR
MARÇO
E
A B R I L - 2 0 0 3 / P Á G I N A 11
bioética
Maringá será sede, em maio, da
13.ª Jornada de Bioética do CRM
12.ª Jornada de Bioética
do Conselho Regional
de Medicina do Paraná
foi realizada em 27 de março
último, em Ponta Grossa. As
palestras atraíram cerca de uma
centena de médicos e outros
profissionais de Ponta Grossa e
região. Esta foi a segunda jornada
levada aos Campos Gerais desde
a implantação do programa de
educação médica implementado
pela Câmara Técnica de Bioética
do CRM, no ano passado. Também marcou a inauguração das
atividades de 2003, que prevêem
as próximas etapas para Maringá,
Londrina, Curitiba, Foz do Iguaçu e Cascavel.
A jornada ponta-grossense
ocorreu no auditório Dr. Enny
Luiz Facchin da Unimed e teve
como palestrantes a conselheira
Célia Inês Burgardt, o também
conselheiro Gerson Zafalon
Martins e o Prof. Mário Sanches,
estes recém-incorporados à Câmara Técnica face a ampliação
das atividades. Foram colocados
em destaque os temas “Relacionamento humano”, “Relacionamento médico-paciente” e
“Denúncias contra médicos:
sindicâncias e processos”. Os
trabalhos tiveram a coordenação
do presidente da Delegacia
Seccional do CRM em Ponta
Grossa, conselheiro Luiz Jacinto
Siqueira, com apoio dos delegados da região e secretariado por
Carliane Vargas Pereira.
A 13.ª Jornada de Bioética
do CRM vai ocorrer no auditório
da Delegacia Regional de Maringá. As datas previstas inicialmente são 23 e 24 de maio. Serão
palestrantes os conselheiros Luiz
Sallim Emed, Carlos Ehlke Braga
Filho e José Eduardo de Siqueira,
coordenador da Câmara Técnica
de Bioética e primeiro presidente
da recém-fundada Regional do
Paraná da Sociedade Brasileira
de Bioética. Serão abordados nas
palestras temas como “Distanásia”, “Educação médica”,
“Ensino da Bioética” e “Relação
Médico-Paciente”. A coordenação local dos trabalhos está sob
responsabilidade do conselheiropresidente da Regional, Kemel
Jorge Chammas.
Em junho, a 14.ª Jornada de
Bioética será levada para Londrina, em data a ser fixada, assim
como as subseqüentes, previstas
para Curitiba, Foz do Iguaçu e
Cascavel. A de Curitiba poderá
ocorrer em meados do ano,
coincidindo com o Simpósio 2003
de Bioética da Pontifícia Universidade Católica.
Jornada de Ponta Grossa repetiu o sucesso da edição do ano passado.
Mário Sanches, Célia Burgardt e Gerson Martins, os palestrantes.
Criada Sociedade de Bioética
Sociedade Brasileira
de Bioética-Paraná já
conta com a sua primeira diretoria, que segue a
característica preconizada de
ser multidisciplinar. O Prof.
José Eduardo de Siqueira,
conselheiro-coordenador da
Câmara Técnica de Bioética
do CRM-PR, assume a presidência da Sociedade. A 1.ª
e 2.ª vice-presidências são
ocupadas, respectivamente,
pelos Drs. Mário Antonio
Sanches, professor de Teologia e com doutorado em
Filosofia pela PUC-PR, e
Lourenço Zancanaro, doutor
em Filosofia pela UEL.
A bióloga Nilza Maria
Diniz, doutora em genética pela
UEL, passa a responder pela 1.ª
Secretaria. A conselheira do CRM
Célia Inês Burgardt, mestre em
Medicina pela PUC é a 2.ª Secretária. Kiyomi Nakanishi Yamada,
enfermeira especialista em Bioética pela UEL, é a 1.ª Tesoureira.
O médico oncologista Cícero Andrade Urban, mestre em Medicina
e especialista em Bioética pela
Universidade Urbaniana de Roma,
ocupa a 2.ª Tesouraria.
O Conselho Fiscal tem como
integrantes o Padre Ricardo
Hoepers, do Comitê de Bioética
do Hospital Nossa Senhora das
Graças; Leonardo Prota, doutor
em Filosofia e professor do curso
de especialização em Bioética da
UEL; e Roseli Nunes Coletti,
educadora e mestre em Bioética
pela Universidade de Buenos
Aires.
A criação da SBB-Paraná foi
decidida durante o Congresso
Internacional de Bioética, realizado ano passado em Brasília,
sob estímulo do sucesso das
jornadas realizadas nas várias
regiões do Paraná, traduzido
pela participação não só de
médicos mas de acadêmicos,
profissionais de saúde e de
outras áreas. Na fase inicial, a
sede da Sociedade será no CRM,
não só por causa da infraestrutura, mas por se ajustar à
proposta de extensão das
atividades.
O presidente da Delegacia de Ponta Grossa, Luiz Jacinto Siqueira (1.º
à dir.) foi o coordenador dos trabalhos, com apoio dos delegados locais.
Temas obrigatórios na residência
Resolução da Comissão Nacional de Residência Médica, publicada no
DOU de dezembro, determina que a abordagem de temas relacionados
a bioética e ética médica é obrigatória nos programas de residência.
Estimativas do início do ano apontavam que 16.803 médicos estavam
inscritos em 424 instituições que oferecem residência médica.
MARÇO
E
ABRIL-2003 / PÁGINA 12
profissão
Cirurgia plástica com mais
segurança e responsabilidade
onscientizar os médicos
sobre a responsabilidade
da cirurgia plástica e a
importância da formação adequada do cirurgião foram os
principais objetivos da mesa
redonda sobre “A responsabilidade civil do cirurgião plástico,
com ênfase no advento do novo
Código Civil”, realizada em
Curitiba no dia 7 de março, pela
Sociedade Brasileira de Cirurgia
Plástica (SBCP) – Regional
Paraná. Transmitida por videoconferência para Londrina e
Maringá, em parceria com o
Conselho Regional de Medicina
do Paraná, o evento possibilitou
debate on-line entre médicos,
estudantes e advogados das três
localidades.
Através da videoconferência,
o presidente da Regional Paraná
da SBCP, José Carlos de Miranda,
pôde divulgar no estado a
campanha nacional da SBCP
que está sendo realizada, através
de outdoors e mensagens divulgadas em rádios, para ajudar o
paciente a escolher com mais
segurança o especialista que vai
atendê-lo. “Demorou, mas
aconteceu. Estávamos analisando
a melhor forma de divulgar, sem
A responsabilidade civil foi tema de videoconferência realizada em
Curitiba. Na mesa de debatedores, o juiz de Direito Cleyton Reis,
Luiz Sallim Emed, Luiz Carlos Garcia (da SBCP) e José de Miranda.
agredir a população. A intenção
é esclarecer que as especialidades
lipoplastia e estética não são
reconhecidas e que os pacientes
devem procurar um médico com
título de especialista registrado
no CRM”, explica. Ressalta
ainda que os médicos devem
contribuir com esta campanha
tomando consciência da importância de um trabalho bem feito,
responsável e preocupado com os
pacientes. “Eles devem orientar
seus pacientes para que busquem
os melhores serviços”, completa.
A cirurgia plástica é uma das
especialidades médicas que mais
cresceram em demanda de
pacientes e, da mesma forma, em
denúncias levadas ao Conselho
Profissional e à esfera da Justiça,
especialmente pela expectativa
de resultados não alcançada.
“Por isso, precisamos tirar a idéia
de que a cirurgia plástica sempre
vai alcançar bons resultados. Ela
é apenas um meio para atingilos”, afirma Miranda. Só em 2002,
dos 79 processos éticos instaurados no CRM-PR, sete foram de
cirurgia plástica. “Associando
assim o novo Código Civil, o do
Consumidor e o de Ética Médica,
é muito importante que todo
médico faça um documento,
chamado consentimento livre,
esclarecendo ao paciente sobre
as conseqüências da cirurgia,
inclsuive quanto à cicatriz”,
explica.
Banalização da profissão
Seguindo a onda dos Reality
Shows, nos EUA o programa
Extreme Makeover oferece a
pessoas que se sentem em
desvantagem à beleza conven-
cional a chance de realizar, por
cirurgiões plásticos e dentistas,
mudanças estéticas ao vivo no
rosto e no corpo. Para Miranda,
isto é o mesmo que banalizar a
profissão e mostrar uma inverdade aos telespectadores do programa: “A cirurgia plástica não
é sinônimo de bons resultados”.
Para o presidente da SBCP Regional Paraná, a proliferação
das escolas médicas, muitas vezes
de baixa qualidade, coloca no
mercado muitos profissionais que
nem sempre têm boas condições
de trabalho. “Pois os convênios
hoje em dia não são mais garantia
de qualidade financeira. E,
portanto, os médicos buscam
incrementar seu orçamento através da cirurgia plástica”, declara.
Atualmente a popularização e a
facilidade de acesso às cirurgias
estéticas e reparadoras faz com
que haja uma maior comercialização da medicina, surgindo
inclusive os consórcios de cirurgias e planos de pagamento à
prestação. “Sou totalmente contra. O médico não pode tratar a
cirurgia como mercadoria. Ele
deve estar preparado para avaliar
se o paciente deve ou não realizála”, afirma Miranda.
Educação Continuada
Através do Plano de Educação Continuada (PEC), os
mais de 600 profissionais cadastrados podem aprender constantemente sobre as atualidades
científicas da cirurgia plástica, o
que garante sempre uma reciclagem dos profissionais. “No
Paraná, houve uma interiorização
da programação científica e
videoconferências para que todos
tenha acesso as atualizações”,
explica o presidente.
Perfil
José Carlos de Miranda formou-se pela Faculdade de Campos, em 1972, e fez residência em
cirurgia plástica em 1976, no Rio
de Janeiro . Foi presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia
Plástica/Regional Paraná no
período de 1982 a 1983. Atualmente ele está novamente na
direção da sociedade. “Resolvi
voltar para organizar a sociedade
aqui no estado e tentar transformá-la numa instituição forte,
representativa e que inspire confiança”. Para tanto, lançou um
informativo que vai ser distribuído para todos os médicos associados da SBCP para que saibam
o que está sendo feito na Regional Paraná, agora instalado na
sede da AMP. Saiba mais pelo
fone (0xx41) 242-5415.
Reuniões
científicas da
SBCP/Regional
Paraná
• 9 de maio, em
Curitiba – Mesa Redonda sobre Cirurgia
Bariátrica
• 24 de maio, em
Cascavel – Tratamento
de Patologias da Mama
• 6 de junho, em
Curitiba – Conferência
sobre Ritidoplastia
• 8 de agosto, em
Curitiba – Evolução da
Cirurgia do Abdomen
MARÇO
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ABRIL-2003 / PÁGINA 13
educação continuada
Eventos de telepatologia já
contam com calendário para o ano
programa de educação a
distância através de
eventos de telepatologia
vem ganhando ampla repercussão no entre professores,
profissionais e acadêmicos de
Medicina. Resultado de parceria
entre a Faculdade de Medicina
da USP e o Conselho Regional
de Medicina do Paraná, o projeto
vem possibilitando a realização
de videoconferências às quartasfeiras, em semanas intercaladas.
A primeira etapa de 2003 ocorreu
em 19 de março, com transmissão
do Departamento de Patologia
da FMUSP para o auditório da
Santa Casa em Curitiba e ainda
para a Associação Médica de
Londrina e Regional do Conselho
de Medicina em Maringá. As
discussões anátomo-clínicas a
partir de autópsias realizadas no
sistema on-line foram repetidas
nos dias 2 e 16 de abril, para os
mesmos locais. O cronograma de
videoconferência em telepatologia (confira o box) prevê a
próxima edição para 30 de abril,
com possibilidade de ser a
primeira com recepção já na nova
sede do CRM, mas mantidas as
transmissões para Londrina e
Maringá e, brevemente, com a
inclusão de Cascavel.
Projeto Pioneiro
O projeto pioneiro de videoconferências do Conselho foi
lançado em 2001, contando com
a imediata adesão da Associação
Médica do Paraná, das Sociedades de Especialidades e das
Faculdades de Medicina. Os
eventos de telepatologia, reconhecidos como um dos modelos mais completos de aprendizagem na Medicina, foram
ajustados para as atividades de
educação continuada do CRM
no ano passado, integrando
inclusive transmissões simul-
tâneas para quatro Estados. Em
fevereiro deste ano, face a receptividade observada, o programa
ganhou um calendário anual
com o convênio firmado com os
Departamentos de Telepatologia
e de Patologia da USP. As
discussões anátomo-clínicas têm
a coordenação dos Prof. György
Bôhm e Paulo Nascimento
Saldiva. Os participantes
recebem certificado e CDs com
gravação dos eventos.
Informações sobre os eventos
podem ser obtidas na secretraria
do CRM, pelo fone (0xx41) 3228238.
Datas das
videoconferências
• Maio
14 e 28
• Junho
11 e 25
• Julho
09 e 23
• Agosto
06 e 20
• Setembro
03 e 17
• Outubro
08 e 22
• Novembro
05 e 19
• Dezembro
03 e 17
O auditório da Santa Casa foi um dos locais da recepção dos eventos de telepatologia dos dias 2 e 16 de abril. Ao término do ciclo de jornadas, os participantes recebem CD e certificado.
Ética em ortopedia em debate
A Regional do Paraná da Sociedade de Ortopedia e Traumatologia,
integrada ao programa de educação continuada do Conselho
Regional de Medicina, promoverá em 9 de maio, das 19 às 21
horas, videoconferência sobre “Ética em Ortopedia”, interligando
as cidades de Curitiba, Londrina e Maringá. O evento será
centralizado na nova sede do CRM-PR, no bairro Vista Alegre.
Em Londrina, a transmissão será no auditório da Associação
Médica, na Praça Primeiro de Maio, 130, Centro. A recepção,
em Maringá, será no auditório da Delegacia Regional do Conselho,
na Rua das Azaléias, 209. A videoconferência é aberta aos
profissionais. Informações complementares podem ser obtidas
na Regional da Sociedade, pelo fone (0xx41) 262-8023.
Videoconferência para oftalmologia
O CRM-PR disponibiliza seu programa de videoconferências para
tornar interativos os eventos promovidos por entidades médicas,
possibilitando o debate on-line entre os participantes das localidades
para onde são transmitidas. Integrada ao programa, a Associação
Paranaense de Oftalmologia promoveu em 26 de março último
uma mesa de discussão sobre o tema “Erro médico”. O evento
ocorreu na sede da Associação Médica, em Curitiba, com a
participação do presidente do Conselho de Medicina, Luiz Sallim
Emed, e cerca de 20 profissionais da especialidade. A transmissão
também foi para Londrina, com 18 participantes, e para Maringá,
com mais 10.
MARÇO
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ABRIL-2003 / PÁGINA 14
projetos/legislação
NOTAS
Disque Saúde da Mulher
O Ministério da Saúde inaugurou em Brasília um novo
serviço de informações de
saúde para a população
feminina. O Disque Saúde da
Mulher (0800-6440803)
começou a funcionar no dia
08 de abril e a expectativa é
de esclarecer as principais
dúvidas das mulheres sobre
planejamento familiar, doenças sexualmente transmissíveis, prevenção de
câncer e violência doméstica.
A central de informação está
habilitada a receber até
2.500 ligações por dia. Para
realizar esse trabalho, 20
operadoras foram treinadas
e estão disponíveis para
atender o público, diariamente, das 8 às 18 horas.
O projeto é resultado de uma
parceria entre o Ministério da
Saúde e a Secretaria de
Políticas para Mulheres e
atende todas as regiões do
Brasil.
Crise hospitalar
A comunidade de Apucarana
e do Vale do Ivaí está
mobilizada na campanha de
visa socorrer financeiramente
o seu principal hospital, o da
Providência, que se encontra
mergulhado em grave crise
financeira. Para o presidente
da Seccional de Apucarana
do CRM, José Marcos Lavrador, a situação é gravíssima, como reflexo da política
de saúde do governo, que
remunera mal. O conselheiro
destaca que a região perdeu
nos últimos ano vários
hospitais e que, sem novas
perspectivas, outros irão
fechar
Medicina enlutada
O Dr. Elias Gilson Garcia
faleceu em Curitiba, na
segunda quinzena de março
último, quando estava prestes a
completar meio século dedicado
à Medicina paranaense. Nascido
em 1.º de abril de 1929, em
Caldas (MG), Elias formou-se em
dezembro de 1955 na UFPR. Foi
um dos primeiros profissionais a
se inscrever no Conselho de
Medicina do Paraná (tinha a
inscrição n.º 70), tendo se
dedicado à ginecologia e obstetrícia. Esteve vinculado nos
últimos anos no Hospital São
Lucas e à Associação de Assistência à Saúde.
Medicina enlutada II
A Medicina também perdeu, no
mês de março, os Drs. Rogério
Antônio Souza do Nascimento
(CRM 2554), Amilton Pedro
Germano (8693), Isabel Maria do
Nascimento Santos (1536) e
Dorival Ruzzon (7011). O Dr.
Rogério formou-se pela PUC em
1969 e era especialista em
alergia, imunologia, dermatologia
e hansenologia. O Dr. Amilton
tinha se formado pela Federal em
1983, enquanto a Dra. Isabel era
da turma de 1957 da mesma
Universidade. O Dr. Dorival tinha
se formado em 1980 pela Universidade Estadual de Londrina.
Novos médicos
O vice-presidente do CRM, Donizetti Dimer Giamberardino Filho,
conduziu a palestra ética para
entrega de carteiras a 23 novos
médicos. A solenidade ocorreu dia
18 de março, na sede do Conselho.
Prêmio de Monografia
“O médico na moderna sociedade
do Século XXI”. Este será o tema
da edição 2003 do Prêmio de
Monografia Ética do Conselho
Regional de Medicina do Paraná.
Podem participar todos os
brasileiros, independente da
formação. Os trabalhos, que
podem ser apresentados até 4 de
agosto, serão avaliados por uma
comissão julgadora formada por
membros da Academia Paranaense de Medicina. O autor
melhor monografia receberá R$
2 mil em dinheiro, certificado e
terá o trabalho publicado na
Revista Arquivos. O segundo
colocado receberá R$ 1 mil.
Informações com a secretária do
Conselho ou por e-mail.
AniversáriodaPUC-PR
A Pontifícia Universidade Católica
do Paraná comemorou em 14 de
março os seus 40 anos. Com
campus em Curitiba, São José dos
Pinhais, Londrina, Toledo e, em
breve, Maringá, a PUC também
conta com uma ampla estrutura
hospitalar relacionada ao ensino
médico. Nas comemorações, a
PUC homenageou vários de seus
docentes e funcionários. Constantino Cominos e Luiz Carlos
Pereira encabeçaram a lista de
homenageados pelos 40 anos de
docência. O Prof. João Manuel
Cardoso Martins, que integra o
Conselho Editorial do CRM-PR, foi
distinguido por seus 30 anos de
dedicação ao ensino.
Biblioteca de Radiologia
O Hospital de Clínicas da UFPR
inaugurou, na segunda quinzena
de março, as novas instalações
da biblioteca dos residentes do
setor de Radiologia Médica. Desde
a implantação, em 1977, esta foi
a primeira vez que passou por uma
restauração completa, exigindo
investimentos de R$ 40 mil.
Condenação por pedofilia
O pediatra Eugênio Chipkevitch foi
condenado no final de março
último a 124 de prisão, em regime
fechado e multa de 150 salários
mínimos. A pena, imposta pelo
juiz Marcelo Semer, da 10.ª Vara
Criminal de São Paulo, é a maior
até hoje imposta no país a um
acusado de pedofilia. O médico
teve negado seu pedido de
recorrer da sentença em li-
berdade. Ele foi preso no ano
passado sob acusação de ter
abusado sexualmente de crianças
e adolescentes durante consultas
em sua clínica, na capital. Fitas
gravadas das cenas acabaram por
denunciá-lo. O Cremesp interditou
preventivamente Eugênio da
prática da Medicina.
Hospital infantil
O Hospital Pequeno Príncipe de
Curitiba, referência nacional em
Pediatria, realizou em março o
100.º transplante de rim infantil,
de um total de 353 pacientes em
atendimento na área de Nefrologia. No histórico dos transplantes, 76 foram de doadores
vivos e as demais captações de
órgãos de cadáveres. Apesar da
característica da Central de
Transplantes do Paraná em
priorizar o atendimento a crianças,
há ainda dificuldade na captação
de órgãos.
CARTAS
Coluna Iátrico
Parabéns,Dr.JoãoManuel,
Tive o prazer de ler a coluna no Jornal do
CRM. Sem dúvida é um conjunto de
pérolas que merece ser lido pela classe
médica. Mais que isso, deve exigir
reflexão para o cotidiano do trabalho
profissional.Iátricoéumespaçoquevem
enriqueceraindamaisoexcelenteveículo
de comunicação dos médicos paranaenses. É de extremo bom gosto e de
inestimável reforço científico-cultural.
Dr. Luiz Felipe, de Curitiba
Nossos cumprimentos pela criativa e
informativa coluna Iátrico, publicada no
JornaldoCRM-PR.É,semdúvida,roteiro
obrigatório de leitura, especialmente aos
nossosjovensmédicos,sempre em busca
de exemplos eensinamentoséticospara
a vida pessoal e profissional.
José F. Schiavon, médico e dirigente
hospitalar
N.R.AColunaIátrico,JornaldoMédicos,
ganhaumencarteespecialnestaedição,em
experiênciaquepropõeumaavaliaçãopor
partedosmédicos/leitores.
Intercâmbio
SenhorPresidente,
Acusamos o recebimento do Jornal do
CRM-PR de n.º 55, ano VII, de janeiro e
fevereiro do corrente, juntamente com o
Jornal Jamp de n.º 173, do ano XXI, de
janeiroefevereiro,eoexemplardoSaúde
do Paraná, de n.º 17, do Ano V, da
Primavera de 2002, que nos trouxeram
informaçõesimportantessobreaclassee
outros.Gostaríamosdedesejaraindamais
sucesso nas próximas edições, tal como
essa, que foi de grande valia.
Edson Milani de Holanda (CD),
Presidente do Conselho Regional de
OdontologiadoParaná
Meio Ambiente
Senhor Presidente, Agradeço,
sensibilizado, pelos votos de sucesso
recebidos por ocasião de minha posse
frente à Secretaria de Estado do Meio
AmbienteeRecursosHídricos.Amelhoria
continua da qualidade de vida do Meio
Ambiente é o ideal de todos os Paranaenses. Para isso, gostaria de continuar
contandocomoapoioimprescindívelde
amigoscomovocê.MuitoGrato.
Luiz Eduardo Cheida , Secretário de
Estado do Meio Ambiente e Recursos
Hídricos.
MaiorRapidez
Por esta carta eletrônica venho elogiar as
edições dos veículos informativos e
periódicos do Conselho Regional de
Medicina do Paraná, fontes de inestimáveis conhecimentos e informações
culturais para classe médica e, enfim,
para os demais cidadãos brasileiros.
Todavia, sugiro que os eventos realizados ou promovidos pelos CRM´s e
CFM (como os debates, reuniões,
encontros de Ética Médica,Bioética,etc)
sejamdivulgados comantecedência,para
queosinteressadospossampresenciá-los
e não somente deles conhecer de sua
realização. Saudações e parabéns à
equipedeprofissionaisdoCRM-PR.
JoséAmérico Penteado de Carvalho,
médicoepromotordeJustiçanoParaná.
N.R.OConselhoagradeceocomentárioe
adotarámedidasvisandomaioragilidade
nofluxodesuasinformações.
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ABRIL-2003 / PÁGINA 15
legislação
Ato médico e Lei dos Conselhos
debatidos com parlamentares
s principais instituições
médicasnacionaisestiveram
representadas no café da
manhã realizado dia 9 de abril, na
sede do Conselho Federal de Medicina, em Brasília, e que teve como
convidados deputados federais e
senadores integrados na reorganização da Frente Parlamentar da
Saúde. Ato Médico, abertura de
escolas médicas e a reforma na Lei
dos Conselhos de Medicina, todos
temas em discussão no Legislativo
Federal, estiveram em destaque no
encontro.Alémde28parlamentares,
participaramospresidentesdoCFM,
Associação Médica Brasileira,
ConfederaçãoNacionaldosMédicos,
Fenam e integrantes de Conselhos
Regionais de Medicina,Sociedades
Médicas e Sociedades de Especialidade.OParanáesteverepresentado
pelo conselheiro Gerson Zafalon
Martins, do CRM, e Jurandir
Marcondes Ribas Filho e Ronaldo
Rocha Loures, daAMP.
Ao fazer a saudação aos convidados, na abertura do encontro, o
presidente do CFM, Edson de
Oliveira Andrade, ressaltou a
importância dos assuntoseanecessidade de que sejam discutidos com
profundidade junto à sociedade.
“Estestemasestãoacimadequestões
partidárias e acreditamos que, dessa
forma,estamosajudandoaconstruir
novosprojetosdesaúdeparaopaís”,
assinalou Edson Andrade. Eleuses
VieiradePaiva,presidentedaAMB,
apresentou aos parlamentares a
preocupação das entidades médicas
emrelaçãoàaberturaindiscriminada
denovasescolasdemedicinanopaís:
“É inaceitável a forma como está
proliferando o número de escolas
médicas.Precisamosdiscutirdeforma
séria com a sociedade e encontrar
mecanismos para consolidar o
aparelhoformador,paraquetenhamos
garantiasdeformarbonsmédicos”.
O presidente da Federação
NacionaldosMédicos(Fenam),Eder
Murari Borba, aproveitou para pedir
apoio aos parlamentares para o
movimento das entidades médicas
em favor da paz que promoverá um
grande evento, provavelmente, em
SãoPauloouBrasília,nofinaldomês.
Entre os parlamentares que se
pronunciaram, o deputado Rafael
Guerraconfirmouaiminentereorganização da Frente Parlamentar da
Saúde. ”É de suma importância
resgatá-la, para que, de forma
organizada, possamos colocar em
pauta assuntos que interessam não
somenteàsentidadesmédicas,masa
toda sociedade brasileira”, declarou.
Edson Andrade, do CFM.
Pareceres do CFM
• Parecer 2/2003 - Ementa: A solicitação de prova de qualificação
especializada por parte de um perito não é criticável. Contudo, o
médico não deve se anunciar como médico legista se não tiver título
de especialista em Medicina Legal ou desempenhar essa função no
serviço público.
• Parecer 3/2003 - Ementa: Rejeição de projeto de lei que torna obrigatória a expedição de receitas médico-odontológicas em letras de
forma, datilografadas ou digitadas, por ser incapaz de atingir os objetivos
a que se propõe, já contemplados por legislação federal específica.
• Parecer 4/2003 - Ementa: Os médicos dos serviços de atendimento
pré-hospitalar, para efeito de emissão de declaração de óbito, poderão
ser considerados assistentes ou substitutos e devem obedecer o disposto
na Resolução CFM n° 1.601/2000.
• Parecer 5/2003 - Ementa: Serviços de auditoria só poderão ter acesso
a prontuários no local onde os serviços médicos assistenciais foram
prestados, sendo-lhes vedada a retirada de cópias; contratos entre
operadoras de planos de saúde, de qualquer natureza, deverão obrigatoriamente conter cláusulas de reajuste anual dos honorários médicos.
• Parecer 6/2003 - Ementa: É vedado aos médicos e diretores médicos
responsáveis por clínicas o fornecimento de prontuário médico em
desacordo com dispõe a Resolução CFM nº 1.605/00.
Recursos a hospitais
universitários
otar com mais recursos
os hospitais universitários, para que tenham
condições de atender maior
número de pacientes do SUS é
o que propõe o Projeto de Lei
281/03, de autoria do deputado
Dr. Pinotti (PMDB-SP). A
intenção é que, na definição dos
tetos financeiros globais, os
recursos de custeio da assistência
hospitalar e ambulatorial deverão ser alocados de forma a contemplar toda a capacidade
instalada dos hospitais universitários. Conforme o parlamen-
tar médico, estão aumentando os
casosemqueospacientesdoSUS
deixam de ser atendidos nos hospitais universitários. “Apesar de
disporem de capacidade instalada, os hospitais universitários
não podem fazer esses atendimentos porque esgotaram as
cotas de internações ou os
procedimentos ambulatoriais,
fixados nos tetos financeiros
globais de cada gestor”, justifica.
A proposta foi encaminhada às
Comissões de Seguridade Social
e Família e de Constituição e
Justiça e de Redação.
Remuneração digna
A deputada Maninha (PT-DF) apresentou o Projeto de Lei 587/03, que determina que os honorários de médicos e odontólogos deverão ter
o valor mínimo de cobrança para evitar o descredenciamento de profissionais nos planos de saúde. A parlamentar, que também é médica,
denuncia que as operadoras têm sido alvo de constante fiscalização do CADE por tentativas de cartelização. Para seu projeto, justificou
que, na tentativa de impor preços baixo pelos serviços prestados, as operadoras acabam por descredenciar os profissionais que não
aceitam trabalhar pelos valores impostos. “O piso dos honorários vai permitir que os consumidores paguem preço justo por um atendimento
adequado. Não se pode baratear custos quando se lida com a vida das pessoas”. Maninha lembra que 40 milhões de pessoas utilizam os
planos privados pela falta de atendimento adequado pelo SUS.
Curso no
exterior e
estágio no país
AJustiçaFederalindeferiupedido
de liminar impetrado por alunos
da Universidade Cristã da Bolívia
(Ucebol) contra os efeitos da
Resolução CFM n.º 1.560/2002,
que estabelece normas de comportamento a serem adotadas
pelos estabelecimentos de assistência médica brasileiros em
relação a estudantes de Medicina
oriundos de universidades estrangeiras.Nomandado,osestudantes
sustentaram que o convênio firmado entre a Ucebol e alguns
hospitais não universitários era
anterior à edição da Resolução,
nãosendopossívelasuautilização
no caso concreto. Em sua justificativa, o CFM expressou que
a edição da norma decorreu de
seu poder fiscalizatório e da
necessidade de controle dos
convênios firmados entre universidades estrangeiras e hospitais
nacionais.
O juiz Márcio Luiz Coelho de
Freitas, da 20.ª Vara Federal do
Distrito Federal, negou o pedido
assinalando o perigo do precedente e os riscos à população.
Deste modo, a Resolução
continua em vigência e ficam
sujeitos às penalidades disciplinares os médicos pertencentes
ao corpo clínico de hospital que
não seja universitário e que
mantenha convênio com escola
estrangeira que ministre curso de
Medicina, para a realização de
internato no país.
MARÇO
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A B R I L - 2 0 0 3 / P Á G I N A 16
curiosidade
AMEDICINACUIDADOCORPO
EAMÚSICACUIDADAALMA
harmonia musical pode
despertar sensações, sentimentos e aguçar os sentidos.
Alguns estudiosos do assunto
atribuem à música outros benefícios
ao corpo humano, como a melhoria
da coordenação motora e aumento
no poder de concentração. De uma
forma simplificada, a música pode
ser, sim, sinônimo de qualidade de
vida. Atualmente, a terapia por meio
do uso de sons pode ser encontrada
em unidades de tratamento intensivo, centros de reabilitação para
pacientes com danos neurológicos,
maternidades e unidades de recém-
nascidos. É a estreita ligação entre
dois mundos opostos, entre a
medicina e a arte.
O médico e artista Luiz Alberto
Iso Fischer Abramides diz que, de
alguma forma, sempre utilizou a
música como meio terapêutico de
auxílio em tratamentos específicos.
Há mais de 10 anos, Iso Fischer,
como prefere ser chamado, desenvolve um projeto de interatividade
com seus pacientes denominado
“Oficinas de Vivência”. O projeto
consiste na educação de adultos,
utilizando técnicas teatrais e bases
da psicologia moderna. As oficinas
Iso Fischer e Etel Frota: médicos afinados com a música.
são realizadas em grupo de pessoas
que apresentam problemas em
comum. A música entra como um
complemente durante as atividades
e tornou-se um poderoso aliado.
“Em alguns casos, utilizo a harmonia
de sons como um remédio, principalmente quando praticamos sessões
de relaxamento. Certas melodias
ajudam a acalmar, relaxar e curar”,
relata o homeopata. Inicialmente,
era uma forma de trabalhar conteúdos relacionados ao Programa de
Atendimento à Saúde da Mulher
com profissionais das áreas de Saúde
e Educação. Hoje, o trabalho
engloba pacientes portadores do
HIV, como investimento na
qualidade de vida dessas pessoas, do
pontos de vista físico, mental,
emocional e espiritual.
Etelvina Arrebola Souza da
Frota, médica e também compositora, explica melhor esta relação
entre a música e a medicina.
“Música é harmonia e movimento.
Ritmo. Tensão, seguida de repouso.
A fisiologia de qualquer organismo
saudável também funciona dessa
maneira”, esclarece. Segundo o
médico Iso Fischer, a música faz bem
para qualquer pessoa. “Para mim,
ela funciona como higiene mental e
pode interferir na melhoraria da
qualidade de vida de qualquer
pessoa”, complementa o homeopata.
Parceria
Formado pela Universidade de
São Paulo, em 1978, Iso Fischer
teve seu primeiro contato com a
música ainda na adolescência. Aos
13 anos, começou a compor algumas
canções e a estudar piano na sua
cidade natal, Penápolis, no interior
de São Paulo. Desde então, nunca
mais abandonou a música. Mesmo
atento às aulas de medicina, o
homeopata não se afastou da
carreira artística. “Tudo que se
relacionava à música chamava a
minha atenção”, relembra. Após a
formatura, mudou-se para Campo
Grande, no Mato Grosso do Sul,
onde se dedicou à área de obstetrícia
natural. Nesta época, começou a
fazer alguns shows. “Muitas vezes, o
músico pagou as contas do médico”,
brinca Fischer. Em parceria com
outros músicos, compôs canções
para intérpretes famosos como Nana
Caymmi e Ivans Lins.
Em 1985, mudou-se para
Curitiba, onde se especializou em
Homeopatia e passou a clinicar,
deixando um pouco de lado a vida
artística. Apenas em 1993, voltou
ao cenário musical, passando a fazer
parcerias com corais e intérpretes
da capital.
Um ano depois conheceu Etel
Frota (nome artístico da médica),
durante uma oficina de música. “Eu
sabia que ele estava montando um
repertório de canções feitas a partir
de poemas curtos. Cheia de vergonha, mostrei para ele ‘Origami’,
poema que virou faixa no primeiro
CD de Iso Fischer”, conta a médica.
Em 1999, Iso Fischer lançou o CD
“Camera Pop” e recebeu o prêmio
Saul Trumpete – prêmio de música
do Paraná, como melhor compositor
do ano.
Atualmente, Iso Fischer e Etel
Frota trabalham como parceiros. Em
seus projetos futuros incluem um
novo CD para o próximo ano e a
retomada de um espetáculo musical,
que produziram há cerca de dois anos,
sobre a poesia do poeta simbolista
Alphonsus de Guimaraens.
A dificuldade de conciliar profissões
ão é raro encontrar médicos
que se dedicam à carreira
artística no dias de hoje. No
entanto, a falta de tempo é um
dos grandes problemas para esses
profissionais da saúde, que se
arriscam em uma nova carreira.
“Conciliar a medicina e a música
requer dedicação. Os fins de
semana geralmente são sacrificados”, diz Iso Fischer. “Muitas
vezes, aos domingos, viajo para
São Paulo para fazer algumas
gravações em estúdio”.
Na época em que produziu seu
CD, o homeopata precisou tirar
licença-prêmio, pois necessitava
ficar em período integral no
estúdio de gravação. “Eu não
encaro a música apenas como um
hobby, mas com qualidade
profissional. É uma atividade que
necessita ser desempenhada com
disciplina e paixão”, afirma o
médico. No entanto, a carreira
artística hoje está em segundo
plano. “Sou um apaixonado pela
medicina que pratico, não penso
em deixar de cuidar das pessoas.
Posso até me definir como
profissional de qualidade de vida
e educação em saúde. Isso
engloba a Homeopatia, o trabalho
com as ‘Oficinas de Vivência’ e a
música”, finaliza.
Já com um final um tanto
diferente, Etel Frota não pratica
medicina atualmente. Médica
graduada pela Universidade
Estadual de Londrina, durante a
vida acadêmica passou pelo
“caldeirão cultural“ dos movimentos estudantis. E, dentro
desse cenário, teve seus primeiros contatos com a arte. Após
a formatura, mudou-se para
Curitiba, onde cursou especialização em Reumatologia, no
Hospital de Clínicas. “Sempre fui
apaixonada pela música, mas
nunca passou pela minha cabeça
que algum dia eu viria a ser uma
‘fazedora’ de canções. Essa
aventura aconteceu muito tarde.
Comecei a escrever e a me
envolver seriamente com música
depois dos 40 anos de idade”,
conta Etel.
Em 1998, deixou definitivamente a medicina. A música e a
literatura já haviam tomado todo
o espaço da vida médica. “Se num
fim de semana, eu tivesse que
escolher entre um Congresso de
Clínica Médica e uma Oficina de
Composição de Canções, provavelmente optaria pelo segundo”,
relata. No ano passado, Etel Frota
lançou o livro “Poesia Escrita,
Falada e Cantada”. A Obra inclui
um CD e a participação de outros
artistas renomados no cenário
musical de Curitiba e São Paulo.
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