Planos Pedagógicos para Sistemas de Informação:
Fortalecimento de Identidade do Curso e
Adaptação ao Perfil do Aluno
Carlos Corrêa Gonçalves, Alexandre Pimenta
FADOM – Faculdades Integradas do Oeste de Minas
R. Santos Dumont, 1001 – Bairro do Carmo – 35500-286 – Divinópolis – MG – Brazil
{ccorreag,pimenta}@fadom.br
Abstract. The following article presents an outline of the pedagogical plan for
Information System courses regarding the student’s profile and the need to
deepen the different aspects of these courses in relation to Computer Science.
Concerning the student’s profile, the characteristics of his/her occupation are
presented, specially the lack of time devoted to studying outside college.
Strengthening the status of Information System courses, through the inclusion
of exclusive contents not mentioned in other courses belonging to the
computing area, is also suggested.
Resumo. Este artigo apresenta um esboço de plano pedagógico para cursos
de Bacharelado em Sistemas de Informação que leva em consideração o perfil
do estudante e a necessidade de aprofundar a diferenciação do curso em
relação à Ciência da Computação. No que se refere ao perfil do aluno, são
apresentadas suas características de ocupação, em especial quanto à falta de
tempo para dedicação aos estudos fora da faculdade. O plano também propõe
fortalecer a identidade dos cursos de Sistemas de Informação, através da
inclusão de conteúdos exclusivos, não abordados em outros cursos da área de
Computação e Informática.
1. Introdução
A área de informática é relativamente recente e, por isso, pouco consolidada. Os cursos
superiores da área devem estar em constante mutação, de forma a, pelo menos, refletir a
realidade dos avanços científicos e tecnológicos. A oferta de cursos brasileiros na área
de Informática aumentou de forma explosiva na última década, como conseqüência da
expansão do ensino superior e da demanda reprimida por profissionais qualificados.
Com essa expansão, apareceram cursos com diversos nomes, objetivos e ementas. Ao
final da década, podiam ser encontrados cursos superiores denominados Processamento
de Dados, Bacharelado em Informática, Bacharelado em Computação, Bacharelado em
Ciências da Informática, Bacharelado em Análise de Sistemas, Licenciatura em
Informática, Engenharia de Informação, Engenharia de Processamento de Dados,
Engenharia de Software, Engenharia de Produção de Software e Tecnologia em
Informática. Quanto aos objetivos e ementas, não havia nenhum consenso.
Passados seis anos da primeira tentativa de organização da área (CEEInf-SESuMEC, 1998), o panorama atual pede uma reflexão acerca dos resultados obtidos e uma
nova revisão de objetivos. Grande parte dos projetos pedagógicos, elaborados e
implementados durante esse período, baseou-se em diretrizes que propunham um curso
de Sistemas de Informação ainda muito parecido com um curso de Ciência da
Computação (SBC, 1999). Mais recentemente, os grupos de trabalho encarregados de
propor os currículos de referência para a área de Sistemas de Informação elaboraram
diretrizes que tornam o curso mais próximo das necessidades específicas do mercado de
informática (SBC, 2003; Strauman-Draft, 2004).
Nenhum desses trabalhos considera o perfil do aluno e suas características de
ocupação durante do curso, que é ministrado preferencialmente à noite. Um leitor atento
também nota a excessiva proximidade com a ementa de um curso de Ciência da
Computação. A proposta deste artigo é elaborar as linhas gerais de um plano pedagógico
que contemple esses aspectos, sem descuidar do perfil profissional desejado para o
egresso do curso. O documento apresenta, na seção 2, um histórico dos documentos que
servem de base para os projetos pedagógicos dos cursos da área de Computação e
Informática. Na seção 3 são mostrados alguns dados sobre o perfil dos alunos da
FADOM, especialmente no que se refere ao uso de seu tempo. A seção 4 apresenta um
resumo do perfil desejado para o egresso do curso, segundo as diretrizes curriculares
vigentes. Na seção 5 é apresentada uma matriz que busca atender ao perfil do aluno, ao
mesmo tempo em que avança na inserção de diferenciais para o curso. Finalmente, na
seção 6, são feitas algumas conclusões.
2. Histórico
Descrevemos, a seguir, alguns dos documentos de referência para projetos de cursos de
computação e informática, em ordem cronológica de divulgação.
No ano de 1998, a Comissão de Especialistas no Ensino de Informática do MEC
divulgou as Diretrizes Curriculares para Cursos na Área de Computação e Informática
(CEEInf-SESu-MEC, 1998) . Nesse documento, foi proposta a divisão dos cursos da
área em quatro categorias complementares: cursos que têm a computação como
atividade fim (Ciência da Computação e Engenharia da Computação), cursos que têm a
computação como atividade meio (Sistemas de Informação e Licenciatura em
Computação), cursos de tecnologia e cursos seqüenciais. Foi também recomendado que
os cursos com outras denominações se adaptassem quando houvesse uma renovação de
reconhecimento. O documento propondo as Diretrizes Curriculares está em processo
final no Conselho Nacional da Educação (CNE).
Em 1999, a Sociedade Brasileira de Computação (SBC), tomando como base as
Diretrizes Curriculares para a área, elaborou um Currículo de Referência para Cursos de
Graduação em Computação (CR99). Esse documento descreve os egressos dos cursos
que têm a computação como atividade-meio como profissionais capacitados a aplicar a
computação em outros domínios do conhecimento (SBC, 1999:3). Especificamente, os
profissionais de Sistemas de Informação devem estar aptos a desenvolver e utilizar
sistemas para a solução de problemas administrativos das organizações. As suas
atividades englobam dois grupos de atividades: (a) a avaliação, especificação,
aquisição, instalação e gestão dos recursos e serviços da tecnologia da informação e
(b) o desenvolvimento e evolução de sistemas e infra-estrutura tecnológica para uso em
processos organizacionais (SBC, 1999:3).
No ano de 2003, a SBC publicou um Currículo de Referência voltado
especificamente para os cursos de Sistemas de Informação (SBC, 2003). Esse
documento apresenta áreas e contexto de atuação, classes de problemas na atuação e
competências que fazem parte do perfil do egresso. Segundo esse Currículo de
Referência, o egresso de um curso de Sistemas de Informação pode atuar tanto no
desenvolvimento e evolução dos Sistemas de Informação quanto na infra-estrutura e na
gerência de tecnologia da informação. Para isso, deve desenvolver, ao longo do curso,
competências de gestão, tecnológicas e humanas. Esse currículo de referência ainda não
é aplicado na maior parte dos atuais cursos de Sistemas de Informação, criados entre
1999 e 2001, e que são baseados no CR99.
Uma comissão formada por membros da Association for Computing Machinery
(ACM), da Association for Information Systems (AIS) e do Institute of Electrical and
Electronics Engineers – Computer Society (IEEE-CS) está trabalhando na elaboração de
um Currículo de Referência para os cursos de Graduação em Computação nos Estados
Unidos. A comissão tem feito esforços para conseguir um Currículo que tenha
abrangência multinacional, através da participação de associados espalhados pelo
mundo. Recentemente, essa comissão divulgou um documento provisório com as
características de cinco cursos da área: Engenharia da Computação (CE), Ciência da
Computação (CS), Sistemas de Informação (IS), Tecnologia da Informação (IT) e
Engenharia de Software (SE) (Strauman-Draft, 2004). Comparando essa classificação
com aquela utilizada pela SBC, notamos que os objetivos dos cursos de Sistemas de
Informação da SBC equivalem aos objetivos dos cursos de IS, IT e SE do StraumanDraft. Devido a essa abrangência de objetivos, há espaço para cursos de Sistemas de
Informação com ênfase em qualquer uma das três áreas, uma combinação de duas delas,
ou mesmo uma visão geral das três.
Gonçalves (2004) faz um estudo um pouco mais detalhado dos principais
documentos de referência para projetos de cursos de informática.
3. Perfil do Aluno
O objetivo dessa seção é apresentar o perfil dos alunos matriculados no curso de
Sistemas de Informação da FADOM. Nos vários trabalhos publicados pela SBC, que
abordam implementações do currículo de referência (Casa et al, 2001; Cidral et al,
2001; Costa et al, 2001), existe a preocupação com a formação do egresso, mas não com
as características do aluno real, aquele que está matriculado. Entendemos que o projeto
de um curso deve considerar também as características dos alunos matriculados, pois
um curso está sempre inserido em um contexto sócio-econômico particular.
O Curso de Sistemas de Informação da FADOM teve seu início em fevereiro de
2000 e, atualmente, conta com 350 alunos, distribuídos nos seguintes períodos: 1º, 2º,
4º,6º,8º, alocados nos turnos matutino e noturno.
No período de 03/08/2004 a 05/08/2004 foi aplicado um questionário para os
alunos do curso, sendo obtidas respostas por, aproximadamente, 60% dos alunos
matriculados.
A figura 1 é o resultado da pergunta “Exerce alguma atividade remunerada?”.
Em todos os períodos temos quase todos os alunos trabalhando, com destaque para o 6º
período, onde 100% dos alunos exercem alguma atividade remunerada. No geral,
identificamos que 89% dos alunos trabalham ou realizam algum tipo de estágio
remunerado.
A lu n o s q u e e x e r ce m alg u m a a t ivid ad e r e m u n e r ad a
1 00
90
80
70
60
50
S im
40
Não
30
20
10
0
1º Per iod o 2º Per iod o 4 º Pe r io d o 6 º Pe r io do 8º Per iod o
Figura 1. Exercício de atividade remunerada.
Na figura 2 temos outra informação relevante: 87% dos alunos que exercem
alguma atividade remunerada têm uma carga horária semanal de trabalho igual ou
superior a 40 horas. Ainda considerando o item trabalho, foi constatado que apenas 20%
dos alunos que trabalham exercem atividade relacionada com a informática.
C ar g a h o r ár ia s e m an al d e tr ab alh o
60
50
40
30
S1
44h/Semana
40h/Semana
30h/Semana
20h/Semana
10
0
10h/Semana
20
Figura 2. Carga horária semanal de trabalho.
Na figura 3, identificamos que a maioria (87%) dos alunos acessa a Internet fora
do ambiente da faculdade. Ainda identificando o perfil do aluno, 30% dos alunos
residem em cidades próximas a Divinópolis, tendo como agravante à sua falta de tempo
as horas utilizadas no transporte até a instituição. Essas
informações
apresentadas
servirão como auxílio para a seção 5, onde discutimos um projeto viável de formação de
alunos com esse perfil.
Apesar da coleta de dados ser particular a uma instituição, imaginamos que as
conclusões tiradas desse universo podem ser generalizadas para o conjunto de
instituições particulares de ensino superior que oferecem o curso noturno de Sistemas de
Informação.
Acesso a Internet fora da faculdade
Não
1
Sim
0
20
40
60
80
100
Figura 3. Acesso à Internet fora do ambiente da faculdade.
4. Perfil do Egresso
O perfil desejado para o egresso de um curso de Bacharelado em Sistemas de
Informação abrange, principalmente, as seguintes competências (SBC, 2003:6):
- Competências gerenciais: compreender a dinâmica empresarial; participar do
desenvolvimento de modelos de produtividade; diagnosticar problemas e pontos de
melhoria nas organizações; planejar e administrar sistemas de informação;
- Competências tecnológicas: modelar, especificar, construir, implantar e validar
sistemas; identificar possíveis impactos na estratégia da organização, com a evolução
da tecnologia; projetar e implantar a arquitetura de tecnologia da informação;
- Competências humanas: expressar idéias de forma clara; conduzir processos de
negociação; criar, liderar e participar de grupos; identificar oportunidades de negócio
relacionadas à Informática e gerenciar empreendimentos para concretizar essas
oportunidades; atuar profissionalmente de forma ética.
Além destas competências, é fundamental que o egresso do curso tenha
habilidade para a resolução de problemas. Essa habilidade envolve a identificação de
problemas e oportunidades, detalhamento desses problemas, desenvolvimento de
alternativas, elaboração de projetos e sistemas, gerenciamento do desenvolvimento e da
implementação das soluções (SBC, 2003:4).
Nas próximas seções apresentamos um projeto de curso para formar um egresso
com essas competências e habilidades, mas que considera o perfil de uso do tempo por
seus alunos.
5. Uma Proposta de Matriz Curricular
5.1. Estratégias de Acordo com o Perfil do Aluno
A característica marcante do perfil dos alunos dos cursos de Sistemas de Informação é
que uma grande quantidade deles trabalha em tempo integral. Essa característica nos
leva a concluir que estão fadadas ao fracasso quaisquer tentativas de implementar um
projeto pedagógico que exija muitas horas de dedicação extra-classe. Como sintomas
dessa realidade, podemos citar:
- Alto índice de reprovação em disciplinas que exigem uma grande carga de
estudos fora de sala de aula, como Cálculo, Lógica, Programação, Estruturas de
Dados, etc.;
-
Grande evasão devido ao stress causado pelas múltiplas atividades;
-
Alarmante incidência de plágio nos trabalhos extra-classe;
- Dificuldade de elaboração de trabalhos em grupo, especialmente devido à
dispersão geográfica de residência dos alunos.
MATRIZ CURRICULAR
1° período
2° período
3° período
4º período
Algoritmos e
Técnicas de
Programação I
68 ha
Algoritmos e
Técnicas de
Programação II
68 ha
Algoritmos e
Técnicas de
Programação III
68 ha
Algoritmos e
Técnicas de
Programação IV
68 ha
5º período
6º período
7º período
8º período
Engenharia de
Software I
Engenharia de
Software II
Interfaces
Usuário-Máquina
Psicologia
Organizacional
68 ha
68 ha
68 ha
34 ha
Legislação
aplicada à
Informática
34 ha
Lógica para
Computação
Arquitetura de
Computadores
Estrutura de
Dados I
Estrutura de
Dados II
Redes de
Computadores I
Redes de
Computadores II
Sistemas
Distribuídos
68 ha
68 ha
34 ha
34 ha
68 ha
68 ha
68 ha
Sistemas
Operacionais
Linguagens de
Programação
Banco de Dados
I
Banco de Dados
II
68 ha
68 ha
68 ha
68 ha
Sistemas
Integrados
Sistemas
Cooperativos
Avaliação de
Sistemas
Gerência de
Projetos
Sistemas de
Apoio a Decisão
68 ha
34 ha
34 ha
34 ha
34 ha
Auditoria e
Segurança de
Sistemas
34 ha
Tópicos
Especiais I
Tópicos
Especiais III
68 ha
68 ha
Tópicos
Especiais II
Tópicos
Especiais IV
Introdução aos
Sistemas de
Informação
68 ha
Administração I
Administração II
Administração III
Metodologia
Científica
68 ha
68 ha
68 ha
34 ha
Seminários em
Sistemas de
Informação
34 ha
Matemática
Discreta
Métodos
Quantitativos
Cálculo
Diferencial e
Integral
68 ha
Probabilidade e
Estatística
68 ha
34 ha
68 ha
Projeto Integrado
I
Projeto Integrado
II
Projeto Integrado
III
Projeto Integrado
IV
Projeto Integrado
V
Projeto Integrado
VI
68 ha
68 ha
34 ha
34 ha
34 ha
34 ha
Gestão dos
Sistemas de
Informação
68 ha
68 ha
68 ha
Projeto de
Conclusão de
Curso I
34 ha
Projeto de
Conclusão de
Curso II
34 ha
Figura 4. Matriz Curricular Proposta
Uma forma de resolver esse problema é dar tempo ao aluno, dentro das
atividades realizadas na faculdade, para desenvolver a parte prática dos conteúdos
ministrados em sala de aula. Para isso, uma estratégia é criar uma série de disciplinas
específicas para projeto e implementação de softwares, de forma integrada com as
disciplinas teóricas de cada período. Essas disciplinas devem estar presentes em todos
os períodos do curso, abordando problemas de complexidade crescente até que o aluno
se torne habilitado a criar um projeto final de curso de médio porte.
Uma grande vantagem dessa abordagem é a possibilidade de explorar trabalhos
práticos interdisciplinares com um professor dedicado à junção dos temas abordados nas
várias disciplinas do mesmo período. Outra vantagem é a possibilidade de explorar a
continuidade de temas de interesse do aluno e da turma ao longo dos períodos seguintes.
A figura 4 mostra uma matriz curricular que implementa essa estratégia, através
das disciplinas Projeto Integrado I a Projeto Integrado VI, finalizando com Projeto de
Conclusão de Curso I e II. Para reforçar a habilidade pessoal de resolução de problemas
específicos de informática, as disciplinas Projeto Integrado I, II e III devem ter trabalhos
práticos individuais. As atividades práticas das disciplinas Projeto Integrado IV, V e VI
devem ser realizadas em grupos, de forma a promover as habilidade relacionadas a
divisão de trabalho em projetos mais complexos. Entretanto, as duas últimas disciplinas
da linha de progressão, Projeto de Conclusão de Curso I e II, devem voltar a ser
individuais, inclusive com projetos com temas independentes por aluno.
5.2. Estratégias para Fortalecimento da Identidade do Curso de Sistemas de
Informação
Como vimos na seção 2, a área de Sistemas de Informação tem evoluído de forma
consistente desde o currículo de referência de 1999 (SBC, 1999; SBC, 2003).
Entretanto, a inclusão de objetivos de três áreas (Engenharia de Software, Sistemas de
Informação e Tecnologia da Informação) em um único curso de Sistemas de
Informação, trouxe certa sobrecarga.
Só é possível atender a esses objetivos
sacrificando alguns outros que são específicos de demais cursos de Computação.
Devido à limitação da carga horária total do curso e ao excesso de objetivos,
podemos suprimir ou reduzir a carga horária de disciplinas que são indicadas em
profundidade para Ciência da Computação, mas devem ser ministradas apenas em
abrangência em Sistemas de Informação. Por exemplo, disciplinas como Cálculo e
Estrutura de Dados podem ter sua carga horária reduzida. Outras disciplinas, como
Inteligência Artificial e Computação Gráfica, podem ser suprimidas, uma vez que seu
conteúdo pode ser visto, de forma abrangente, em disciplinas tais como Sistemas de
Apoio a Decisão e Interfaces Usuário-Máquina, respectivamente.
A matriz curricular da figura 4 apresenta alguns avanços que fortalecem a
identidade do curso de Sistemas de Informação. Todas as disciplinas listadas para a
matéria Sistemas de Informação Aplicados do CR 2003 (SBC, 2003:9) estão
contempladas: Gestão dos Sistemas de Informação, Auditoria e Segurança de Sistemas,
Sistemas de Apoio à Decisão, Avaliação de Sistemas e Sistemas Cooperativos.
Conteúdos propostos no Strauman-Draft (2004:28), como específicos dos cursos
de Sistemas de Informação, Tecnologia da Informação e Engenharia de Software
também estão previstos como disciplinas ou como conteúdos de outras disciplinas
listadas na figura 4. Por exemplo, Comportamento Organizacional (Organizational
Behavior) dentro de Psicologia Organizacional, Gerência de Mudanças (Organizational
Change Management) e Suporte Técnico (Technical Support) dentro de Gestão de
Sistemas de Informação, Análise de Requisitos de Negócio (Analysis of Business
Requirements) dentro de Administração III. Por questão de restrição de espaço, não
incluímos nesse documento o detalhamento das disciplinas mostradas na figura 4.
Outra característica da Matriz Curricular é a inclusão de quatro disciplinas de
tópicos especiais, para acomodar as mudanças tecnológicas e metodológicas que vierem
a ser desenvolvidas no futuro.
6. Conclusão
Este artigo apresentou uma proposta de Matriz Curricular que reforça a identidade dos
cursos de Sistemas de Informação, ao mesmo tempo em que aborda o problema da típica
escassez de tempo dos alunos. Como reforço de identidade, foram propostas algumas
disciplinas específicas para o curso, além da redução da carga horária de outras que
podem ser ministradas com abrangência e não com profundidade. No que se refere ao
melhor uso do tempo do aluno, foi proposta a criação de uma linha de disciplinas de
projetos, do primeiro ao último período, onde o aluno tem oportunidade de desenvolver
trabalhos práticos interdisciplinares no horário regular de aula.
Como trabalho futuro, sugerimos discutir o reforço da identidade do curso de
Sistemas de Informação dentro das disciplinas que também são ministradas em Ciência
da Computação. Por exemplo, a disciplina Sistemas Operacionais, comum aos dois
cursos, deve ser dada com ênfase nas características de construção, para Computação e
com ênfase na aplicação, configuração e otimização, para Sistemas de Informação.
Referências
CASA, M. E. et al. Proposta de Projeto Pedagógico para Cursos de Bacharelado em
Sistemas de Informação. In: CURSO DE QUALIDADE DE CURSOS DE
GRADUAÇÃO DA ÁREA DE COMPUTAÇÃO E INFORMÁTICA, 3., 2001,
Fortaleza. Anais... Fortaleza: Sociedade Brasileira de Computação, 2001.
CEEInf-SESu-MEC. Diretrizes Curriculares para cursos da área de Computação e
Informática. Brasília – DF: MEC, 1998.
CIDRAL, A. et al. Proposta de Plano Pedagógico para o Bacharelado em Sistemas
de Informação. In: CURSO DE QUALIDADE DE CURSOS DE GRADUAÇÃO
DA ÁREA DE COMPUTAÇÃO E INFORMÁTICA, 3., 2001, Fortaleza. Anais...
Fortaleza: Sociedade Brasileira de Computação, 2001.
COSTA, C. M. et al. Plano Pedagógico para cursos de Bacharelado em Sistemas de
Informação. In: CURSO DE QUALIDADE DE CURSOS DE GRADUAÇÃO DA
ÁREA DE COMPUTAÇÃO E INFORMÁTICA, 3., 2001, Fortaleza. Anais...
Fortaleza: Sociedade Brasileira de Computação, 2001.
GONÇALVES, C. C. O Perfil do Profissional de Informática e o Curso de
Bacharelado em Sistemas de Informação. In: CONTECSI CONGRESSO
INTERNACIONAL DE GESTÃO DE TECNOLOGIA E SISTEMAS DE
INFORMAÇÃO, 1., 2004, São Paulo. Anais... São Paulo: FEA/USP, 2004.
SBC. Currículo de Referência da SBC para Cursos de Graduação em Computação,
versão 1999. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Computação, 1999.
SBC. Currículo de Referência para Cursos de Bacharelado em Sistemas de
Informação – Versão 2003. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Computação,
2003.
STRAUMAN-DRAFT. Computing Curricula 2004: Overview Report.. New York:
Joint Task Force for Computing Curricula 2004: Association for Computing (ACM),
Association for Information Systems (AIS), Computer Society (IEEE-CS), 2004.
Available from <http://www.acm.org/education/040601-Overview-Strawman-Rev4John-Update.pdf>. Cited: 26 Jul. 2004.
Download

Planos Pedagógicos para Sistemas de Informação