A EDUCAÇÃO EM SAÚDE PARA A PREVENÇÃO DA INFECÇÃO HOSPITALAR NA CLÍNICA PEDIÁTRICA DO HRTVM, MOSSORÓ-RN Líbne Lidianne da Rocha e Nóbrega, Maria Francisca Costa da Silva, Raquel Raiza Ferreira de França , Rebecca Stefany da Costa Santos RESUMO O texto relata a experiência de ações desenvolvidas na Clínica Pediátrica do Hospital Regional Tarcísio Vasconcelos Maia, Mossoró, RN, Brasil, de um projeto idealizado dentro da disciplina Estágio em Prática do Ensino I, por docentes e acadêmicos do curso de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Objetivo foi desenvolver ações educativas, que possibilitem a conscientização dos acompanhantes e crianças sobre a importância da adoção de medidas que previnas a Infecção Hospitalar. A Educação em Saúde foi adotada como recurso teórico metodológico, fundamentada no método dialógico de Paulo Freire. Os temas dinamizados por meio do lúdico propiciaram importantes reflexões entre os envolvidos, evidenciando a relevância de atividades dessa natureza no ambiente hospitalar. Descritores: Educação em Saúde. Infecção Hospitalar. Criança Hospitalizada. RESUMEN Este informe describe la experiencia de las acciones realizadas en la Clínica de Pediatría del Hospital Regional deTarcisio Vasconcelos Maia, Mossley, RN, Brasil, que viene deun proyecto concebido dentro de la disciplina de prácticas en la práctica docente que, por profesores y estudiantes deEnfermería de la Universidad de Estado de Río Grande do Norte. El objetivo era desarrollar la conciencia educativa,estimulante de los padres, los cuidadores y los niños sobre la importancia de adoptar medidas preventivas contra lainfección hospitalaria. Educación para la Salud se adoptó como metodología de recurso teórico, basado en el métododialógico de Paulo Freire. Los temas simplificados a por importantes entre los través involucrados, actividadesdentro de los hospitales. dedivertidas conversaciones dirigidas destacando la relevancia de dichas Descriptores: Educación en Salud. Infección Hospitalaria. Niño Hospitalizado. ABSTRACT This report describes the experience of actions undertaken inthe Pediatric Clinic of the Hospital Regional TarcisioVasconcelos Maia, Mossley, RN, Brazil, coming from a project conceived within the discipline Internship in Teaching PracticeI, by teachers and students of Nursing, University of State of RioGrande do Norte. The goal was to develop educational, stimulating awareness of parents, caregivers and children about the importance of adopting preventive measures againsthospital infection. Health Education was adopted as atheoretical resource methodology, based on Paulo Freire'sdialogical method. The streamlined themes through playful ledimportant discussions between those involved, highlighting the relevance of such activities within hospitals. Descriptors: Health Education. Cross Infection. Child Hospitalized. INTRODUÇÃO O processo de hospitalização torna-se angustiante e desgastante, principalmente quando se trata de uma internação infantil. É um momento de tensão e insegurança pelo contato com situações geralmente desconhecidas tanto para criança, quanto para os acompanhantes. Surgem situações desagradáveis, em que a criança é submetida a exames e tratamentos dolorosos, tendo que adequar-se a novos horários, afastar-se do ambiente familiar e ficar sobre o cuidado e ordem de pessoas estranhas. Assim, no processo de hospitalização infantil, é fundamental a participação dos acompanhantes e familiares, pois, a presença constante dos mesmos pode contribuir para construção de novas formas de organização da assistência pelos profissionais de saúde. O autor¹ refere que, prática do cuidado centrado na família demanda uma mudança no modelo assistencial. É preciso que enfermeiros e os diferentes profissionais de saúde estejam recebendo os pais e os outros membros da família como parte do cuidado às crianças, encorajando-os a participarem ativamente desse processo. No hospital, a clínica pediátrica se organiza mediante programação de rotinas burocráticas e assistenciais que parecem ter cunho fortemente biologicista, fragmentado e mecanicista, voltadas à realização de técnicas diferenciadas, dificultando uma aproximação mais dialogada da enfermagem com o paciente e acompanhante. Ademais, além dos procedimentos dolorosos aos quais a criança é submetida, existem os riscos recorrentes de infecção hospitalar (IH), uma vez que comumente em uma mesma enfermaria, permanecem crianças e adolescentes com patologias diversas, inclusive, de origem infecciosa. A infecção hospitalar é definida como aquela adquirida após a internação do paciente e que se manifesta durante a internação ou depois da alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares2. Desta forma, considera-se relevante, adotar estratégias de Educação em Saúde que possam colaborar com uma prática assistencial diferenciada, valorizando o ser criança e a participação da família no processo de hospitalização e o diálogo coletivo sobre aspectos primordiais à saúde infantil. Considera-se que a brinquedoteca se configura num espaço de fundamental importância na Clínica Pediátrica para o estímulo à Educação em Saúde voltada aos pais que acompanham o processo de hospitalização e à criança, reconhecendo-se também o momento do contato com a criança ao leito, como condizente para a troca de saberes entre equipe e pacientes. Além disso, pode-se verificar que o enfermeiro tem se preocupado em realizar atividades de orientação, promoção e recuperação da saúde com crianças internadas, mediante o uso do lúdico3 já que a brincadeira é primordial ao desenvolvimento infantil. Por isso, salienta-se a associação criativa e dinâmica entre Educação em Saúde, pediatria hospitalar e o uso do lúdico como parte relevante do contexto assistencial da enfermagem. Ademais, acredita-se que por ser um campo de práticas e conhecimento atento mais diretamente à criação de vínculos entre a ação assistencial e o pensar/fazer cotidiano da população4, valorizando uma postura educativa horizontal, elementos como estranhamento, distanciamento e ausência de diálogo entre profissionais e pacientes no âmbito hospitalar podem ser minimizados significativamente. Portanto, foi desenvolvido a partir da disciplina Estágio em Prática de Ensino I, da Faculdade de Enfermagem, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), projeto de Educação em Saúde junto às crianças internadas e seus acompanhantes, na Clínica Pediátrica (CP) do Hospital Regional Tarcísio de Vasconcelos Maia (HRTVM), Mossoró-RN, através de ações na brinquedoteca e leitoa-leito. O objetivo foi desenvolver ações educativas estimulando a conscientização de pais, acompanhantes e crianças sobre a importância da adoção de medidas de prevenção à IH. METODOLOGIA Inicialmente foi feito uma análise dos projetos realizados anteriormente dentro da disciplina de Estágio em Prática de Ensino I, desenvolvidos na CP do HRTVM, que é um hospital geral público, de grande porte, atende à população de Mossoró e de cidades circunvizinhas. A partir de uma visita in loco, foi estabelecido diálogo com os profissionais da Assistente Social, Terapeuta Ocupacional, Enfermeira, Brinquedista, Coordenadoria da Brinquedoteca e do Coral, sobre a organização da assistência na CP, características das crianças hospitalizadas e de suas famílias e as demandas para o trabalho com Educação em Saúde. As práticas de Educação e Saúde foram construídas ao longo de 16 atividades, junto a crianças e acompanhantes. Onde oito momentos foram destinados ao planejamento e mais oito para execução dos planos. As atividades foram desenvolvidas em torno de temáticas como: higiene pessoal na prevenção da infecção hospitalar e higiene do ambiente hospitalar, realizadas tanto dentro da brinquedoteca, como leito a leito, para as crianças que por motivos diversos como pós-traumas e pós-cirurgias não podiam se locomover. As ações educativas foram realizadas semanalmente, após o término do horário de visitas na CP e se fundamentaram no método dialógico de Paulo Freire para seu planeamento e efetivação. O conceito de educação em saúde também sobrepuja a transmissão de informações, envolvendo combinações de experiências de aprendizagem elaboradas com vistas a facilitar ações voluntárias referentes à saúde. Essas combinações estão relacionadas à troca de experiências, aspectos comportamentais, medidas terapêuticas e interacionais5. As ações foram desenvolvidas com metodologias diversas, utilizando-se de vídeos, histórias, músicas, pinturas, teatro, fantoches etc. Todos retratavam os bons hábitos higiene e possibilitaram a descontração dos participantes, especialmente, das crianças estimulando a construção de conhecimento com estabelecimento de uma conversa participativa sobre a temática proposta. Foram apresentados teatros que problematizaram acerca da importância do cuidado com a higiene e do estabelecimento de um ambiente saudável, seja em casa, na escola ou no hospital, reforçando a necessidade da simples lavagem das mãos na profilaxia da IH, utilizando-se de fantoches e exposição dialogada dos slides. As intervenções leito a leito eram precedidas da observação dos prontuários das crianças internadas com o objetivo de direcionar o olhar. Posteriormente, foram realizadas anamnese, com atenção especial à situação atual, pregressa, escolar, psicológica e social das crianças. As atividades foram encerradas com a realização da festa de carnaval da CP e com a apresentação de um vídeo que trazia um resumo geral das atividades desenvolvidas no decorrer do projeto. Logo após, os profissionais presentes expuseram suas opiniões acerca do projeto e o encontro foi encerrado com um lanche coletivo. RESULTADOS E DISCUSSÕES Nos primeiros dois encontros, foram discutidas a temática higiene pessoal. Durante a apresentação, as crianças e acompanhantes mostraram-se interessados pelo assunto. Após uma apresentação teatral intitulada “Uma mão lava a outra”, foi feita uma discussão bastante produtiva a respeito da importância dos hábitos saudáveis de higiene na prevenção da IH, considerando os saberes prévios das mães na orientação sobre os cuidados com a criança hospitalizada. No terceiro encontro, houve um público pequeno pelo fato de ter poucas crianças internadas no setor da pediatria. Porém, os poucos participantes mostraram-se interessados e participativos durante toda a metodologia. Iniciamos com o teatro de fantoches intitulado “A turma da limpeza”, que retratava na encenação todos os constituintes do banho como: á água, sabonete, creme dental, bucha e o shampoo, reforçando sempre como esse momento pode ser importante e ao mesmo tempo agradável. Nos dois encontros seguintes, a temática proposta foi a higiene do ambiente hospitalar. Foi iniciada com a realização de ações leito a leito, por meio de pinturas, que mostraram-se importante meio de descontração, além do aprendizado a respeito da temática. Na ocasião foi estabelecido um excelente diálogo, através de uma conversa aberta sobre as imagens dos desenhos, que continham crianças lavando as mãos e tomando banho. Tal momento proporcionou uma melhor aproximação dos acadêmicos com os acompanhantes e crianças que, aos poucos, mostraram-se menos tímidas. A ação seguinte estabelecida por meio de um teatro “O sapo não lava o pé?” foi instituído mais uma vez um canal de comunicação com os participantes durante o desenvolvimento do teatro com elementos da realidade do hospital, como: toalhas de banho espalhadas, comida armazenada de forma inadequada, água parada em baldes, etc.. A ação foi encerrada com a apresentação de slides com fotos montadas pelos acadêmicos com a pergunta “Adivinhe onde está o erro”. Nesta, os participantes poderiam apontar os hábitos de higiene inadequados. As crianças e os adultos gostaram da brincadeira e descobriram os erros sugeridos nas fotos e puderam relacioná-los com a realidade vivida na enfermaria e banheiros da CP. Na última ação, foram utilizadas pinturas sobre a higiene do ambiente e musicoterapia, o qual proporcionou um ambiente mais tranquilo, onde as crianças puderam relaxar em quanto pintavam, favorecendo o diálogo a partir dos estímulos auditivos e visuais sobre as questões referentes à higiene hospitalar e com um momento de distração, descontração, fuga da dor, e da própria situação desconfortável que os cercam na internação. Em geral, o uso de tais metodologias beneficiou o processo de prevenção da IH, mediante o feedback positivo dados pelos participantes no final de cada ação. Favoreceu também a interação do profissional com o paciente, potencializando o processo de educação em saúde, ajudando de forma expressiva na melhora da permanência e contribuindo na reabilitação das crianças hospitalizadas. Por último, deve ser destacada a importância de se buscar uma participação cada vez mais marcante de todos os profissionais de saúde do setor da pediatria do hospital, pelo fato de que durante as ações desenvolvidas, observou-se uma insipiente participação de alguns profissionais no desenvolvimento das atividades, sobretudo, profissionais da equipe de enfermagem. CONSIDERAÇÕES FINAIS O uso das metodologias da Educação em Saúde na CP do HRTVM favoreceu o processo de prevenção da IH, a interação profissional e paciente e o fortalecimento do cuidado com os usuários, potencializando a associação do processo de Educação em Saúde com a ludoterapia, ajudando de forma expressiva na melhora da permanência das crianças hospitalizadas, contribuindo com sua reabilitação. Os efeitos terapêuticos das atividades realizadas na brinquedoteca e leito a leito, diminuição da dor, da ansiedade, do sofrimento, ociosidade e estresse, e a compreensão coletiva sobre o cuidado para higiene pessoal e do ambiente de internação, puderam ser vislumbrados e refletidos durante a vivência das ações. Destarte, não há mais porquê se delimitar às atividades do hospital, em específico, da Clínica Pediátrica, em ações biologicistas e mecanicistas, restritas à realização de procedimentos fragmentados. Afirma-se, portanto, que a enfermagem e os demais profissionais da Pediatria, possam voltar seu fazer assistencial às necessidades coletivas e individuais de Educação em Saúde dos pequenos usuários e suas famílias, observando-se as demandas que extrapolam em muito o aspecto estritamente biológico e fragmentado do trabalho meramente técnico e burocrático. REFERÊNCIAS 1 Góes FGB, La cava AM. A concepção de educação em saúde do enfermeiro no cuidado à criança hospitalizada. Revista Eletrônica de Enfermagem, AM, 2009; 11(4):932-941. 2 Ministério da Saúde (BR). Portaria n° 2616 de 13 de maio de 2008. Regulamenta as ações de controle de infecção hospitalar no país. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, 15 maio 19. Seção I. 3 Leite TMC, Shimo AKK. Uso do brinquedo no hospital: o que os enfermeiros brasileiros estão estudando? Rev Esc Enferm USP, 2008; 42(2):389-95. 4 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Departamento de Apoio à Gestão Participativa. Caderno de educação popular e saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Departamento de Apoio à Gestão Participativa. - Brasília: Ministério da Saúde, 2007. 5 Coscrato G, Pina JC, Mello DF. Utilização de atividades lúdicas na educação em saúde: uma revisão integrativa da literatura. Acta Paul Enferm, DF, 2010;23(2):25763.