Setembro/Outubro - 96
Ano 7o-N0 65
Brasilia-DF
R$1,00
FOLHA DO
MEIO
AMBIENTE
Cartas .
Editorial...^
4
Coluna do Meio. 5
Qualidade Verde.7
ONGs em Ação ..11
Agenda
16
Filatelia
19
Pelo Brasil
21
Gente do Meio ...22
Ponto de Vista....22
Curiosidades
23
Literatura
24
TCU investiga gastos com
Semana da Amazônia
Os R$ 850 mil que o governo doou para a ONG
americana Amanaka'a gastar em concerto, jantar e
coquetel caríssimos durante a T Semana da Amazônia, em Nova Iorque - Estados Unidos, daria para
construir, segundo o Ibama, cerca de 2,5 usinas de
beneficiamento de borracha, que beneficiariam mais
de 7,6 mil seringueiros da região. A repercussão negativa do caso levou o Tribunal de Contas da União TCU a abrir, a pedido do deputado federal Augusto
Carvalho (PPS-DF), auditoria especial para investigar os gastos com o evento, promovido com repasses
de verbas públicas, sem licitação.
Página 3 e Editorial, Página 4.
Uma publicação da Forest Cultura Viva Ltda.
Antônio Miranda
As ervas alimentam
o interior do Brasil
Nó-de-cachorro, imburana, boldo do chile, catuaba, canela
sassafrás, casca d'anta, erva-de-soldado e funcho são nomes de
algumas das ervas que fazem muito sucesso no cardápio da
população do interior do Brasil. Trazidas pelos portugueses e
africanos ou cultivadas pelos índios, essas ervas são descritas no
livro "As ervas comestíveis", da professora de botânica Cida Zurlo
que resgata o conhecimento popular sobre a flora brasileira.
Página 15.
Quando a cidadania é
baseada na ecologia
Ver a sua cidade com toda a infra-estrutura necessária e harmonizada ecologicamente é o que estão aprendendo a fazer centenas
de alunos e professores de São Sebastião, cidade pobre da periferia
de Brasília, que estão participando do projeto "Cerrado, Casa Nossa", promovido pelo Jardim Botânico em parceria com a
Sobotânica e o Unicef. Transformado numa brilhante experiência
em educação ambiental no país, o projeto é considerado um grande exercício de cidadania baseada na ecologia.
Página 7.
Amazonense denuncia
contaminação em Pitinga
O Ministério das Minas e
Energia, o Ibama, o DNPM e a
Secretaria de Meio Ambiente
do Estado do Amazonas vão fazer uma inspeção conjunta para
descobrir se os operários da
vila de Pitinga, que trabalham
na Mineração Taboca, no interior do Amazonas, estão sendo
contaminados pela radiotividade impregnada nos alimentos que estariam sendo trans-
portados pelos baús frigoríficos usados pela empresa para o
transporte de cassiterita. A inspeção foi anunciada para investigar denúncia contida em
uma carta anônima enviada por
um morador do município de
Presidente Figueiredo à Folha
do Meio que repassou cópia da
correspondência ao ministério.
Cartas, Página 2.
Próxima edição
No reino das bromélias
De beleza plástica inconfundível e uma enorme variedade de formas e cores, que tornam
bela a paisagem, as bromélias têm uma importância extraordinária para os ecossistemas
abrigando em seu interior muitas espécies animais. Em entrevista à FMA, o poeta e professor
universitário Antônio Miranda, dono do único bromeliário do Centro-Oeste fala sobre sua
paixão pelas bromélias.
Páginas 12 e 13.
Tiragem desta edição; 30.000 exemplares
• População das margens do rio Gurupi, sente
efeitos da contaminação provocada pelo mercúrio.
• A maioria dos danos ambientais do Rio de Janeiro é causada pelo descumprimento da legislação ambiental.
• Mercosul despreza legislação brasileira que regulamenta o uso dos agrotóxicos.
L»li'il=ll»f:^/IHI^^^><.l>'il=t>y>l^.ltMdí.l^Wdd^d!
Brasília, setembro/outubro de 1996
Z Folha do Meio Ambiente
CARTAS
Se existisse o Tarzan...
Escrevo esta com muita revolta no peito. A TV Globo apresentou as matanças dos animais
e das aves. Os caçadores exibindo para as câmeras de TV os animais que eles mataram e ainda
disseram: "tchau, até aproxima
caçada!" Cadê os defensores da
natureza e do animais. Onde estão as leis para cadear - colocar
na cadeia - esses homens
desamorosos. Se existisse o
Tarzan não aconteceria as matanças de animais, das aves e
outros.
Miro
Fabiano
Jacareí-RJ.
Fonte de pesquisa
Sou professora de Geografia
do Ensino Fundamental e estou
encontrando bastante obstáculos para trabalhar com meus alunos de acordo com o novo prot grama de ensino. Leciono no
interior e confesso que fontes de
pesquisa são quase inexistentes
por aqui. Conversando com
meu professor da faculdade, ele
sugeriu este jornal como fonte
de pesquisa e gostaria de saber
como recebê-lo em minha escola.
Edlene Aparecida Barreiros - Ataléia-MG.
N.R. - Já providenciamos
para que você receba o jornal
em sua escola.
Indispensável
Sou estudante de engenharia agronômica da Universidade de Brasília e estou muito relacionado com o meio ambiente de hoje. É indispensável ler
uma publicação como esta e
manter-se a par das últimas no
DF, no Brasil e no mundo. Já
apreciei um exemplar de vocês
e gostei muito, tanto em termos
gráficos como de conteúdo. Li
realmente o que precisava ler.
Achei ótimo e, por isso, gostaria
de assinar o jornal.
Henrique Almeida Miranda - Brasília-DF.
Instruindo
Como uma entidade recentemente criada e amiga da natureza, queremos receber a Folha
do Meio, pois acreditamos que
ela contribuirá em muito para
nos instruir no caminho que escolhemos seguir, que é o de proteger o ambiente em que vivemos.
Lionira Coelho da Costa, da
Brigada Ecológica Sucuriú Costa Rica-MS.
Polícia florestal
A questão ambiental requer
a conscientização e a participação efetiva de todos, razão pela
qual estamos desenvolvendo
uma política de comando voltada para a prevenção. A legislação ambiental é complexa e bastante rigorosa. Por vezes, cumpre-nos o dever de autuar, notificar, apreender equipamentos e
até prender em flagrante os infratores dessas legislação, muitos dos quais alegam desconhecimento da lei. Objetivando evitar constrangimentos aos cidadãos e a nossos policiais militares florestais, estamos distribuindo uma cartilha e um folheto
informativos, acreditando estar
contribuindo para uma maior
Madeireira repassa
jornal para escola
Tenho recebido periodicamente os exemplares do seu jornal e desejo cumprimentá-los pelo
seu conteúdo. A cada
publicação nova, os assuntos nele abordados
tomam-se mais interessantes. São tratados com
a seriedade devida.
Estamos entregando o
nosso exemplar, após a
sua leitura e apreciação,
para as escolas do município, cujos professores têm utilizado as matérias publicadas como
informação e conscientização da
sociedade a respeito da legislação ambiental.
Paulo Cezar Gomes Navega, comandante da Polícia Militar Florestal de Mato Grosso
do Sul - Campo Grande-MS.
Alta qualidade
Tomamos conhecimento
da Folha do Meio pelos nossos
colegas do Centro de Estudos
Ambientais - CE A e ficamos
muito interessados em obter a
assinatura desse periódico que
consideramos de alta qualidade.
Gostaríamos de colaborar com
o jornal, enviando artigos sobre
os ecossistemas da metade sul
do Rio Grande do Sul.
Knriq uc Araújo de Salazar,
coordenador do Grupo Especial de Estudo e Proteção do
Ambiente Aquático do Rio
Grande do Sul - Pelotas-RS.
N.R. - Agradecemos o elogio e teríamos o prazer de receber os artigos sobre os
ecossistemas do Rio Grande do
Sul.
Zelar o ambiente
Cuidar do meio, zelar o ambiente, lutar pela vida é ser realmente humano, é ser realmente
animal. A natureza é divina, o
homem animal é exigir muito
para salvar, ele não consegue raciocinar que aquilo que ele mata
é tão matemal, é a própria vida e
seu ser racional. Parabéns pelos
trabalhos realizados na Folha
do Meio Ambiente. É qualidade e luta.
Simão Pedro Claudino São José dos Campos - SP.
continuem fortes como sempre
foram! Um grande abraço para
todos e sucessos.
Luiz Carlos Couto, Maria
Cristina I. Couto, Lilian
Itagiba Couto, Igor Itagiba
Couto e luri Itagiba Couto Ste-Foy - Canadá.
Publicação excelente
Venho parabenizá-los pela
excelente publicação do jornal
que trata especificamente de assuntos relacionados ao meio
ambiente, sendo um jornal ecologista, feito por ecologistas e
para ecologistas, o que é muito
interessante.
João Ferreira Ribeiro Macapá-AP.
Projeto de reciclagem
Somos leitores do jornal que
tem sido um subsídio de grande
Mogno e virola
O governo não proibiu o
corte de mogno e virola, conforme saiu publicado na FMA. Proibiu, sim, novas concessões para
a exploração pelo prazo de dois
anos. As concessões em vigor
estão valendo e o mogno e a
virola continuam sendo explorados. Consta que o prazo médio de uma concessão é de 30
anos.
Paulo Lyra, da WWF Brasflia-DF.
Cumprimentos
A Folha do Meio Ambiente
recebeu cartas de cumprimentos
das seguintes entidades e pessoas: Meltur - Tour Operator;
As-PTA- Assessoria e Serviços
a Projetos em Agricultura Alternativa; Universidade Federal de
Juiz de Fora; Sindicato dos Biólogos do Estado do Piauí Abiopi; Federação Nacional das
Apaes; biblioteca da Embrapa Piauí; biblioteca da Secretaria de
Educação do Paraná; biblioteca
da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará; Divisão de Documentação da biblioteca da Presidência da República; biblioteca da Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária
da Bahia; e senador Jonas Pinheiro.
UniABC
tema para a elaboração de
aulas relacionadas com os
cuidados necessários à
preservação do meio ambiente.
Excelente nível
O objetivo desta carta é simplesmente para dar testemunho
do excelente nível de qualidade que a Folha do Meio Ambiente tem nos proporcionado.
Estou aqui no Canadá, onde
conclui recentemente o meu curso de doutorado em engenharia
florestal e esse informativo nos
possibilitou cultivar ao longo
desses anos as nossas culturas sobretudo ligadas à uma das nossas maiores riquezas que é a natureza exuberante do Brasil.
Para os meus filhos, sobretudo,
que chegaram aqui ainda bem
novos, a Folha do Meio Ambiente sempre nos permitiu
redescobrir nossos valores e nos
atualizarmos com relação aos
nossos problemas e soluções diversas. Bravo a toda equipe e
Nelson
Fábio
Sbabo, da madeireira
Formulo Madeiras
Ltda. - Caxias do SulRS.
importância para nossas reflexões. Parabéns pelo trabalho!
Estamos montando um projeto
de reciclagem de papel e lixo se
possível, gostaríamos de ter informações de como conseguir
publicações sobre esse assunto
ou entidade que possa nos apoiar tecnicamente na implantação
desse projeto.
Dório Macedo dos S. Neto
- Araguaína-TO.
N.R. - Para obter informações sobre reciclagem de papel e lixo escreva para o
Cempre - Compromisso Empresarial para Reciclagem, no
seguinte endereço: Praia de
Botafogo, 228/613, CEP
22359-900, Rio de Janeiro RJ, fone: (021) 553-5152 e fax
(021) 553-5760.
Pertencemos a uma instituição que desenvolve um projeto
de educação ambiental na região
metropolitana de São Paulo,
onde uma das atividades é o
empréstimo de material bibliográfico para elaboração de trabalhos por alunos e professores
da rede pública e particular de
ensino. Por isso, gostaríamos
que nos fossem enviados as edições posteriores à edição de
março/abril de 96.
Dagmar Santos Roveratti,
chefe do Departamento de Ciências Biológicas e Meio Ambiente da Escola de Ecologia
da UniABC - São Caetano do
Sul-SP
Escoteiro
Sou lobinho da matilho
branco no 35° Grupo de Escoteiro Corrente e gostaria de receber o jornal para cumprir a
etapa sobre meio ambiente para
ganhar a.segunda estrela.
Ramiro Rocha - São
Paulo - SP.
Permitida a reprodugão total ou parcial das matérias, desde que citada a FOLHA DO IVIEIO /ViVIBIEMTE
Folha do Meio Ambiente O
Brasília, setembro/outubro de 1996
DENUNCIA
TCUinvestigagastos com evento sobre Amazôniano exterior
Gasto deR$ 850 mil do governo dariam para construir 2,5 usinas de
beneficiamento de borracha, que melhorariam a vida de 7,5 mil seringueiros
Roberto Cruz/CGAE-FUNAI
Romerifo Aquino
O Tribunal de Contas da União - TCU
abriu auditoria especial para investigar denúncia de irregularidades envolvendo a
doação de R$ 850 mil da Suframa, do Ibama,
do Ministério do Meio Ambiente e da
Embraturpara a ONG americana Amanaka'a
AmazonNetworkrealizar de 21 a 28 do mês
passado, a 7a Semana da Amazônia, em
Nova Iorque, Estados Unidos.
O dinheiro foi usado pela Amanaka'a
para, entre outras coisas, gastar com jantar
de R$46,8 mil, coquetel de R$ 36,2miJ, concerto de R$ 53 mil e plano de mídia de R$
196,5 mil, de acordo com os valores divulgados pela ONG. Pela justificativa que a
instituição apresentou ao governo, o dinheiro seria usado para, entre outros objetivos, divulgar no mercado americano os
produtos extrativistas da Amazônia.
Esses recursos, segundo dados do
Centro Nacional de Desenvolvimento Sustentado das Populações Tradicionais CNPT, órgão do Ibama, encarregado de
apoiar o extrativismo na Amazônia, dariam
para construir quase 2,5 usinas de
beneficiamento de borracha natural como a
que vem sendo construída em Xapuri, no
Acre, com capacidadeparabeneficiar a produção de mais de três mil famílias de seringueiros.
Caso fossem construídas as 2,5 usinas
podenam beneliciar, portanto, uma população de mais de 7,5 mil seringueiros, correspondente hoj e a aproximadamente 20% dos
mais de 40 mil índios e seringueiros que
extraem borracha atualmente no Acre eprecisam de usinas de beneficiamento para
agregar valor à sua matéria-prima.
O deputado Augusto Carvalho, PPSDF, enviou ao TCU documentação completa
sobre o caso da Amanaka'a, que, segundo
ele, detecta distorções na aplicação dos
recursos, inclusive na não publicação de
matérias no jornal The New Yoric Times,
contrariando o que constava no plano de
mídia enviado pela ONG ao governo. Em
sua denúncia o deputado
questiona o fato do governo ter liberado dinheiro sem
licitação para a Amanaka'a
gastar na reahzação do evento.
Críticas - A liberação
de tanto dinheiro para a ONG
gastar em tetras americanas
foi destaque na grande imprensa do país que estranhou o fato do governo alegar não ter dinheiro para investirnumapolítica global de
desenvolvimento sustentável para a Amazônia, mas o
tem, e muito, para investir em
propaganda no exterior. A
revista Veja, porexençlo, em
sua edição da primeira semana deste mês, divulgou que
o evento foi um fracasso,
pois "a platéia dos shows e
palestras era formada só por
brasileiros e uma meia dúzia
de americanos incautos".
Assessores do Ibama, que
estiveram em Nova Iorque
para acompanhar os "negócios" que seriam feitos com
os produtos extrativistas,
disseram à Folha do Meio que
"voltamos decepcionados
diante do fracasso do evento que era para promover o
extrativismo amazônico".
A presidente da A maioria da poputaçãoincígena continua desassistida
Amanaka'a, a jornalista brasileira Zezé Weiss, se defendeu das acusa- que se transformou a semana americana da
ções contestando as cifras publicadas na Amazônia já era prevista desde a sua divulimprensa brasileira e reafirmando o propó- gação prévia, ocorrida duas semanas antes
sito do evento, cujos resultados ela consi- na sede do Conselho Nacional de Serindera que irão possibilitar aos povos da flo- gueiros, em Brasília, onde a apresentação
resta conseguir "os meios de subsistência, do projeto à imprensa brasileira foi seguida
a partir de seu próprio trabalho. Por sua de unt almoço aoarlivreàbasedetambaqui,
assessoria de Imprensa, mandou avisar que saboroso peixe amazônico.
Depois de passar mais de uma hora in"não existe licitação para patrocínio".
A sucessão de erros e equívocos em formando aos jornalistas sobre os projetos
Dinheiro equiparia as
reservas extrativistas
Pelos dados obtidos pela Folha do Meio
junto ao CNPT os R$ 850 mil gastos pelo
governo emjantar, concerto, coquetel eplano de mídia no exterior, poderiam ter sido
usados para adquirir uma enorme quantidade dos mais variados equipamentos que as
reservas extrativistas instituídas pelo Ibama
nos estados amazônicos necessitam para
sobreviver e se desenvolver.
Até o momento, de acordo com assessores do CNPT, o Ibama só dispôs de recursos para investir em nove das 16 reservas
extrativistas instituídas pelo governo para
garantir a permanência dos trabalhadores
extrativistas da Amazônia onde eles são os
principais responsáveis pela preservação
das riquezas florestais da região. Aliás, ainda segundo dados do CNPT, os gastos previstos este ano para apoiar as reservas não
passaram até agora de R$ 800 mil.
O dinheiro gasto nos Estados Unidos
poderia comprar 2,5 usinas de
beneficiamento de borracha como a de
Xapuri, daria para construir, nas reservas
onde moram índios e seringueiros
extrativistas, 42 miniusinas para transformar
o látex em folha fumada - matéria-prima de
excelente qualidade, usada para fazer preservativos, luvas cirúrgicas etc -; 5,6 fábricas de beneficiamento de palmito, 229 armazéns para guardar castanhas e boiracha - o
Ibama só pode construir até agora 13 desses
armazéns -; comprar 212 peladeiras de arroz
para ajudarnaprodução de alimentos; construir e manter durante um ano cerca de 94
escolas de alfabetização para os seringueiros e seus filhos; e construir e manter anualmente cerca de 80 postos de saúde.
SUMMARY
The Treasitre Court ofThe Union, wlnch
supervises the expenditures by the Brazilian
GovemmetJt.shallstart, inresponsetoarequesthy
Federal Representative Augusto Carvalho.from
Brasília, a special audit to verijy the official
expenditures wilh tlie 7th WeekofÚKAmazon, put
on in New YorkbytheAnanaka aAmazon Network
Tlie Representative, as well as many newspapers
and magazines throughout the Country, found
excessive and umecessary the expenses by tíie
Government, estimated in around USS850
tliousand. According to lhe to the Representative,
while the Government spent such valwblefimds
abroad, it-wouldnotfiave enoutfi moneyto Jaundi
important projects in the program for
implementation ofthe Integrated Policyfor the
Amazon, suchasaidto educatiai andhealth ofthe
rubber tree workers in the reserves for látex
exploitation, to the development ofexploration in
manyStatesintiieReffonÁmaiiaka abyexpkmmig
âiatdieresultsJhomtlK Week ofthe Amazonwill
allow tfie néberworkers in the Region to develop
means qfsubsistence,fivm die momentlheybecome
able toselldieirpmductto Úie American matket.
apoiadospelo governo em favor extrativismo
da Amazônia, a secretária-executiva e viceministra do Meio Ambiente, dos Recursos
Hídricos e da Amazônia Legal, Aspásia
Camargo, surpreendeu a todos ao revelar
que não sabia da existência da BR-317, entre
Boca do Acre, no Amazonas, e Assis Brasil,
na fronteira do Acre com o Peru e a Bolívia.
Essa estrada, que continua "vivendo"
na lama devido ao rigoroso inverno amazônico, simplesmente é essencial para a retirada dos produtos florestais da reserva
extrativista Chico Mendes, a maior do país,
com cerca de um milhão de hectares. Aspásia
Camargo não soube exphcar, por exemplo, o
porquê do governo Fernando Henrique que,
segundo ela, está apoiando incondicionalmente o desenvolvimento sustentável da
Amazônia, não ter incluído o asfaltamento
dessa estrada no programa 'Brasil em Ação",
onde se encontram as obras que serão
prioritárias em seus dois últimos anos de
governo.
"Desperdício é verde"
Festival de dinheiro no exterior, governo gasta sem poder em festa pela Amazônia
ou o desperdício é verde. Foram com manchetes como esta que a imprensa nacional
criticou o governo por ter dado R$ 850 mil
porauma ONG americanagasíar nos Estados Unidos. Isso sem felar nos R$ 54 mil do
anopassadoeem mais R$ 112mil este ano,
que, segundo o deputado Augusto Carvar
lho, também foram doados a essa instituição pelo Ibama
A revista Veja assinalou, por exemplo,
cfiea7BSemanada Amazônia realízadapela
AmanakaVpode ser considerada um tremendo sucesso se seu objetivo era transferir para o extericrperto de 1 mühãodedólares de dinheiro pubhco". Segundo a revista a Superintendência da Zona Franca de
Manaus-Sufiama mandou 600.000 mil dólares, o Ministério do Meio Ambiente
150.000,olbama lOO.OOOeaErabratur 50.000.
"A platéia dos shows e palestras era
fomiada só porbrasileirose uma meia dúzia
de americanos incautos. Atraente mesmo
só um jantar de g3la no Hotel Plaza em que
o prato principal era tambaqui, trazido por
via aérea da Amazônia. A repercussão na
imprensa e na televisão americanas foi absolutamente inexistente. Alguém deve uma
explicação: por que o governo brasileiro
manda dinheiro e caciques da plutocracia
verde passear em Nova Yoric quando as tribos na floresta estão em permanente estado de penúria?!," assinala a revista
Críticas sobre o equívoco do governo
brasileiro também foram feitas peloCorreio
Braziliense, de Brasüia que dôi feitas manchetes sobre o assunto, e pelo Jornal de
Brasília, também da capital federal, que
adotou a mesma linha de críticas severas ao
desperdício promovido pelo gpvemo com
aONGamericana
Brasília, setembro/outubro de 1996
4 Folha do Meio Ambiente
EDITORIAL
FOLHA DO
MEIO
AMBIENTE
Editor-Ceral: Silvestre Gorgulho
Editor-Executivo: Romerito Aquino
Gerente de Marketing: Romoaldo de Souza
Gerente Administrativo: Ivonete Gomes
Correspondentes:
São Paulo -" Siinone Silva Jardim
Goiás - Malu Maranhão
Rio de Janeiro - Zilda Ferreira
Amapá - Landolfe Scote
Campinas/SP - José Pedro
Brasília - Karen Rodrigues
Pará - Edson Gillet
Rio Grande do Sul - Sílvia Franz Marcuzzo
Santa Catarina - Lize Torok
Itália - Aivone Brandão
Estados Unidos - Cláudia Pinheiro
Canadá - Natália Sena
Colaboradores:
Arnaldo Niskier, Glaucia M. da Costa, Joanice
Pierini, Tetê Catalão, Miguel Oliveira, Milano
Lopes, Alexandros L. Geogopoulos, Mércia S.
Maciel, Marcos Terena, Valéria Fernandes, Elza
Pires, Mila Petrillo e Therezinha Duche.
Conselho Editorial:
Alarico Verano, Arnaldo Niskier, Carlos Alberto
Xavier, Dioclécio Luz, Jorge Reti, Leandra T.
Arguelo, Malu Maranhão, Romerito Aquino,
Romoaldo de Souza, Marcos Terena, Milano
Lopes, Nikolaus Behr e Washington Novaes.
Programação Gráfica e Editoração Eletrônica: Edimilso Ladeira
Revisão: Romoaldo de Souza
Tradução: José Lins
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Báo Horizonte: Nina Fortes - Tdax 031.411-5304
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Campo Grande: Luca Maribondo - Atelier de
Comunicação - Telefax 067.787.3685.
* Os artigos assinados não traduzem necessariamente a opinião do jornal.
Folha do Meio Ambiente é uma publicação
da Forest Cultura Viva e Promoções Ltda,
SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A Salas 717 e
719 - Centro Empresarial Brasília - CEP
70340-907 Brasília-DF, Brasil. Fone: (061)
321-3765, Fax. (061) 321-7357 ou Caixa
Postal 10891 ACF/Centro Sul 70312-970
Brasilia-DF.
Brincando de Amazônia
"Por que o governo brasileiro manda
dinheiro e caciques da plutocracia verde
passear em Nova York quando as tribos
na floresta estão em permanente estado
de penúria?"
A indagação, feita pela revista Veja,
caiu como uma luva nesse triste e vergonhoso episódio envolvendo a doação de
R$ 850 mil dos cofres públicos brasileiros para a ONG americana Amanaka'a
propagandear aos americanos que eles
têm de comprar os produtos da floresta
amazônica, ajudando, assim, os projetos
de desenvolvimento sustentável dos nativos, merecedores de "toda a atenção"
por parte do atual governo.
Ambos, governo e ONG, deram com
os burros n^gua, uma vez que, após o
festival de jantar, concerto e coquetel
caríssimos, voltaram de Nova Iorque de
mãos abanando, conforme constataram
correspondentes de jomais brasileiros ao
fim da 7" Semana da Amazônia. Até assessores do Ibama que estranhamente
pediram para não serem identificados,
concordaram com relação ao fracasso do
glantour que se quis fazer em tomo da
vida simples do caboclo do Amazonas,
do seringueiro do Acre e das quebradeiras
de coco do Maranhão.
Só mesmo a Amanaka'a e o governo,
que foram, de fato, muito eficientes em
brincar com o dinheiro dos contribuintes, para não enxergarem que os americanos estão preocupados com coisas "mais
importantes" do que salvar índios ou ajudar seringueiro a guardar a floresta. Isso
eles manifestaram muito recentemente,
quando seu governo se negou a ampliar
o desembolso americano dentro do bolo
das contribuições dos sete países mais
ricos do mundo - o G-7 - que, diante do
glamour e da atenção da mídia mundial
na Eco-92, se comprometeram em salvar
a floresta ajudando os povos da floresta.
Por outro lado, só mesmo um gover-
no que se fascina pelos flashes da mídia
pode querer ir lá fora faturar uns poucos e
pobres projetos que, timidamente, passou a desenvolver apenas há bem pouco
tempo. Mesmo assim, é importante ressaltar aqui que o dinheiro público que se
gastou nesse evento foi até maior do que
os R$ 800 mil repassados, da janeiro até
agora, para o Centro Nacional de Desenvolvimento Sustentado das Populações
Tradicionais - CNPT, do Ibama, investir
nas 16 reservas extrativistas criadas na
Amazônia.
Propagandear migalhas é querer fazer com que a opinião pública nacional e
mundial se esqueça de cobrar a execução
de um programa global, sério e competente, para o desenvolvimento social e
econômico da Amazônia.
Para quem conhece, de fato, a Amazônia, a ausência desse programa há muito é a causa maior de situação escandalosa em que está se transformando a região,
onde seringueiros são expulsos por madeireiros, índios são iludidos por presentes baratos dados por inescrupulosos interessados na riqueza de seus territórios,
milhares de crianças morrem de fome, sem
falar na elevada incidência de epidemias
de malária, raiva, hanceníase, tuberculose e outros doenças provocadas pela miséria humana.
* * *
Ainda nesta edição, a Folha do
Meio traz matérias sobre a importância das bromélias para o equilíbrio de
vários ecossistemas, o projeto de educação ambiental desenvolvido pelo
Jardim Botânico de Brasília com crianças pobres de sua periferia, a opinião de pesquisadores europeus sobre
o processo de degradação da Amazônia e sobre o sucesso da Escola de
Ecologia, projeto da Universidade do
Grande ABC, em São Paulo.
3
SUMMARY
The Treasure Court of The
Union, which supervises the
expenditures by the Brazilian
Government, shall start, in
response to a request by Federal
Representative Augusto Carvalho,
from Brasília, a special audit to
verify the official expenditures
with the 7th Week of the Amazon,
put on in New York by the
Amanaka'a Amazon.Network. The
Representative, as well as many
newspapers and magazines
throu'ghout the Country, found
excessive and unnecessary the
expenses by the Government,
estimated in around US$850
thousand. According to the to the
Representative,
while
the
Government spent such valuable
funds abfoad, it would not have
enough money to launch important
projects in the program for
implementation of the Integrated
Policyfor the Amazon, such as aid
to education and health of the
rubber tree workers in the reserves
for látex exploitation, to the
development of exploration in
many States in the Region, in
addition to the Arapiuns complex
for eco-tourism, among other
projects. A Non-Governmental
Organization, Amanaka'a, even
though confirming that received
the money, defende d itselffrom the
criticism, by explaining that the
resulís from the Week of the
Amazon will allow the rubber
workers in the Region to develop
means of subsistence, from the
moment they become able to sell
their product to the American
market.
:Todo o mundo lê a Folha do Meio Ambientei
6 edições RS 6,00 ou 12 edições R$ 12,00
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flos cuidados de
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Cidade
•xwwowwwo&oooooooMooooowoaoot
VAVAW.W.V.'AV^.*.W.V.V.SSW,W.SW
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Telefone
v.y.'.\?,-.%v.v.v.v-v,-.v..vvv.vvv.
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Folha do Meio Ambiente O
Brasília, setembro/outubro de 1996
ESPORTE
Meninas de Brasília lutam pelo
bicampeonato no pólo aquático
COLUNA DO MEIO
SILVESTRE GORGULHO
Nem tanto
• Infelizmente, Brasília perdeu as Olimpíadas do Ano 2000, mas os brasilienses
estão torcendo para que o Rio de Janeiro ganhe as Olimpíadas de 2004.
• Os Jogos Olímpicos trazem muitas coisas boas: será bom para o esporte, para
o turismo, para melhorar a auto-estima do brasileiro e para a recuperação do Rio.
Mas não vai resolver os problemas sociais, econômicos e políticos de uma país
mal resolvido.
, », . .
• Por exemplo: o México sediou a Olimpíada de 68 e as Copas do Mundo de
70 e 86. E, continua um país tremendamente mal resolvido. Cheio de problemas
econômicos e políticos. Para um país do segundo time, organizar bem um evento
grande na área do esporte, que pode ser uma Olimpíada ou uma Copa do Mundo,
é demonstrar aos quatro cantos do mundo que alcançou um grau de
desenvolvimento econômico e gerencial que o capacita a ficar entre os grandes.
• Não é à toa que a Sansung, a Ásia Motors, a Hyundai e outras grandes
empresas sulcoreanas aproveitaram muito bem o marketing dos Jogos de 88 e
firmaram sua competência a partir da Olimpíada de Seul.
Ciência
O pólo aquático é considerado um esporte ecológico
outubro,
em Recife, onde foram camElas treinam e jogam em piscina, rio, peãs no ano passado vencendo as melholago ou lagoa, sempre buscando na na- res equipes de pólo aquático do país.
Sempre acreditando no entrosamento
tureza a força e a eficiência que as tomacom
a natureza e no rigoroso treinamento
ram, logo cedo, merecedoras campeãs
que
fazem
todos os dias na piscina da
brasileiras. Elas são as meninas da seleUnB,
as
meninas
de Brasília se destacação brasiHense de pólo aquático, esporram
no
cenário
nacional
em 1994, ao gate considerado ecológico por não requenharem
o
campeonato
brasileiro
univerrer qualquer alteração na natureza para
sitário.
No
ano
passado,
além
do
campeque seja praticado.
Júlia, Renata, Kely, Mariana e suas onato brasileiro da modalidade, elas venceram os campeonatos da Chapada dos
outras companheiras, com idade entre 17
e 25 anos, quase todas estudantes de va- Veadeiros, o de Brasília e o do Centroriados cursos da Universidade de Brasília Oeste.
(UnB), acabam de competir no poço da fazenda São Bento, em plena
Chapada dos Veadeiros,
município goiano de
Alto Paraíso, considerado um dos mais belos
recantos ecológicos do
país.
Treinadas por Maurício Dias, ex-jogador de
pólo aquático da capital
federal, as jogadoras de
Brasília vão tentar o
bicampeonato brasileiro
entre os dias 18 e 20 de As meninas de Brasília em treinamento
Texto e fofos; Romerito Aquino
• A Embrapa, que j á fez a revolução
verde neste país, está agora entrando
na luta contra a AIDS.
• O Cenargen - Centro de Recursos
Genéticos da Embrapa, localizado na
Asa Norte, em Brasília, faz trabalhos
fantásticos de engenharia genética.
• O pesquisador do Cenargen,
"Democracia é asdm...país de misérias assombrosas, analfabetos, desnutridos,
sem trabalho, para os quais o título eleitoral é um falso cartão de credito..."
Do poeta amazônico Thiago de Mello, único e verdadeiro poeta do Mercosul
(morou no Chile, naÀrgenüna, Uruguai, Cuba, México e não sei mais aonde) no seu
livro "De Uma Vez Por Todas" lançado este mês em Brasília,
Wagner Barja
• O pintor Wagner Barja conseguiu uma coisa inédita.
• Diretor do Espaço Cultural da 508 Sul (Galpão), Barja ganhou o
reconhecimento do MEC e do Conselho Nacional da Educação por seu notório
saber na área de Educação Artística, em nível de licenciatura plena.
• O processo, que tramitou por um ano no MEC e no CNE, foi relatado pelo
conselheiro Arnaldo Niskier, que compõe a Câmara de Educação Superior.
• Escritor, jornalista e acadêmico, Niskier teve a sensibilidade de considerar
a enorme produção de Wagner Barja como artista e todo um trabalho de curadoria,
de animação cultural e do ensino de Técnicas de Expressão e Comunicação em
Artes Plásticas e Fundamentos da Linguagem Visual.
• Palmas para o MEC, para o CNE e, sobretudo, para o pintor Wagner Barja.
Água e esgoto
•Um problema sério acontece aos
arredores do Distrito Federal.
•A Caesb - Companhia de Águas e
Saneamento de Brasflia deve ficar muito
atenta para o que está ocorrendo nos
muitos condomínios irregulares que se
proliferam nas terras do DF.
•Com serviços públicos precários, os
condomínios abusam da perfuração de
poços artesianos e, o que é pior, cada casa
está construindo suas fossas de forma
SRT SúL, Quadra 701, moco A, Salas 717 e 719
Ceartro Empresarial Brasília CEP 70S40-907
Brasilia-DElWfefone (061) 921-3765
Elíbio Rech, surpreendeu os
participantes do 42° Congresso
Brasileiro de Genética, realizado em
Caxambu, Minas Gerais, avisando que
dentro de pouco tempo começarão os
testes de uma vacina genética contra o
viras HTV.
• Com razoáveis chances de êxito.
indiscriminada.
•Pode nascer aí uma perigosa rede
de contaminação entre o esgoto e o lençol
freático. Brasília tem dezenas de
condomínios nessa situação que abrigam
uma população de cerca de 70 mil
pessoas.
•O problema é grave. Imagine só:
Brasflia, a Capital do Terceiro Milênio,
está sem um plano diretor. O que será do
resto de Brasil por aí.
O Ministério do Meio Ambiente e o Ibama já gostam de gastar dólares
em marketing com as
ONGs. Em consultorias de dentro para fora e de fora para dentro do
ministério. E tudo isto, de preferência, em Nova Iorque, que rende
algumas viagens internacionais para o pessoal de governo.
Brasília, setembro/outubro de 1996
6 Folha do Meio Ambiente
OS CORREIOS CORRESPONDEM COM VOCÊ.
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CORRCKH
MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES
BRASIL
Folha do Meio Ambiente /
Brasília, setembro/outubro de 1996
EDUCAÇÃO
Crianças aprendem a respeitar a natureza
Qualidade Verde
Simone Silva Jardim
Texto e foto: Dioclécio Luz
Morar nas vizinhanças do Jardim de Botânico de Brasília (JBB)
tem suas vantagens. Devido ao fato,
a cidade-satélite de São Sebastião,
no Distrito Federal, a 20km do centro da capital, uma agrovila que virou cidade há pouco tempo, foi a escolhida para implantação do projeto "Cerrado, Casa Nossa'". 0 projeto, uma parceria entre o JBB, Sociedade de Amigos do Jardim Botânico de Brasília (Sobotânica), e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), está sendo considerado uma das mais brilhantes experiências de educação ambiental do
país.
Não é para menos. Segundo
Carmem Xavier de Almeida, integrante da equipe da Divisão de Educação Ambiental do JBB, e primeira coordenadora do projeto, a principal meta foi obtida: "conseguimos
desenvolver uma consciência crítica em relação à problemática
ambiental e, conseqüentemente,
contribuímos para formação de uma
postura ética e equilibrada em relação aos recursos naturais, ao meio
ambiente e a interdependência destes com o ser humano".
De agosto de 1994. quando foi
iniciado o trabalho, até agora, o projeto levou ao Jardim Botânico um
total de 800 crianças de cinco escolas públicas da região (quatro de São
Sebastião e uma do próprio JBB).
Todas cursavam o primeiro grau; na
faixa etária dos oito aos 18 anos.
Cada aluno visitou o JBB 16 vezes.
Em duas visitas elas conheceram o
trivial do Jardim Botânico de
Brasília: a trilha ecológica, o Jardim
de cheiros. Jardim de plantas medicinais; as características do cerrado
de um modo geral.
Nas visitas restantes participaram de cinco oficinas; papel
artesanal, alimentação alternativa,
imagem, teatro e reciclagem. Se o
cerrado é a alma, aí se encontra o
coração do projeto. Não se ofereceram oficinas profissionalizantes no
sentido comum. "Não basta aprender a fazer, tem que refletir sobre o
que faz", disse Carmem.
Na oficina da imagem, por
exemplo, as crianças aprenderam a
fazer fotografia usando uma lata de
leite vazia. Segundo Maria Teresa
Leite Jeffris, chefe da Divisão de
Educação Ambiental, aí os jovens
aprenderam os princípios ecológicos fundamentais. "Consideramos,
primeiro, a imagem da pessoa, seu
corpo; depois a família, a cidade, o
cerrado, o Jardim Botânico. Saímos
do meio ambiente interno para o externo, numa reflexão sobre como estão as relações e como agir para
melhorá-las", disse Teresa.
A oficina de alimentação alternativa abordou uma nova visão sobre os alimentos tradicionais e os
frutos do cerrado. As crianças, carentes em sua grande maioria, aprenderam a utilizar os alimentos no seu
contexto mais amplo, acrescentando à dieta as cascas de ovos, folhas
de legumes e frutas que geralmente
Salvos pelo ganso
Os sistemas de comunicação via satélite são caros porque custam
uma fortuna colocar satélites em órbita, sem falar nos danos à camada
de ozônio causa dos pelos gases do foguete lançador. Mas aviões
inteligente movidos a energia solar e voando em formação sobre cidadespoderão ser uma alternativa econômica aos satélites. Um protótipo
do "veículo aéreo ultraleve", VAU, foi apresentado pelos pesquisadores da Universidade da Califórnia. Eles acreditam que esses aparelhos
não tripulados permanecerão no ar por semanas ou meses, voando a
160 quilômetros por hora numa altitude de 19,5 mil metros, como
uma revoada de gansos! "Essas aves voam em formação 'V e, na
verdade, ftmcionam como uma única asa. Cada pássaros aproveita o
empuxo do que está à frente para reduzir o seu esforço", explicou
Jasson Speyei; chefe do projeto.
Crianças fotografam arvore usando lata de leite vazia
grandioso nicho ecológico, há 10
vão para o lixo; como usar o jatobá,
minutos do lugar onde trabalha o
a cagaita, cajuzinho, baru, entre oupresidente da República.
tros frutos do cerrado, para fazer
Criado em 1985, o Jardim
pães, bolos, sorvetes, sucos, comB otânico tem uma atividade intensa:
potas, geleias. Os professores não
mantém um herbário de plantas do
foram esquecidos. Eles participacerrado; produz plantas exóticas e
ram, também, de oficinas ministranativas; mantém uma coleção de
das pela equipe do Jardim Botâniplantas ornamentais; desenvolve
co de Brasflia.
estudos sobre apicultura; trabalha no
No dia 6 de outubro, para fechar
resgate do conhecimento das plantas
o projeto, foi realizado no Jardim
utilizadas por populações indígenas;
Botânico de Brasília o "I Fórum da
estuda a fauna e a flora do cerrado;
Criança para o Meio Ambiente". O
e tem uma biblioteca. Com o apoio
tema, lançado como desafio para as
do Unibanco e S. A. White Martins
crianças participantes foi: "São Seestá implantando o modelo
bastião como eu quero". Por quatro
filogenético - um misto de praça,
meses, elas trabalharam e refletiram
jardim, laboratório vivo e espaço
sobre a idéia: como deveria ser a cipaia educação ambiental, que vai
dade em que moram? O resultado
mostrar como ocorreu a evolução
não poderia ser melhor.
das espécies ao longo do tempo.
Em vez de uma São Sebastião
O projeto Cerrado, Casa Nossa
carente de infra-estrutura, elas apreé apenas uma das atividades
sentaram maquetes grandiosas de
desenvolvidas pela Divisão de
uma cidade em que a população
Educação Ambiental do Jardim
convive harmoniosamente com o
Botânico de Brasília. A equipe se
meio ambiente; as ruas são asfaltacompõe de somente sete pessoas.
das, foram construídos esgotos, a
Elas fazem de tudo um pouco. Além
cidade está arborizada, há segurando projeto Cerrado. Casa Nossa,
ça, não falta luz... Ainda fizeram um
diariamente atendem alunos das
texto básico, e até compuseram uma
escolas públicas e particulares do
música que revela todos os defeitos
DF: foram 11.482 no ano passado
da cidade e aponta as soluções. See, até agosto deste ano, quase cinco
bastião (avaliada por instituição
mil crianças.
indicada pelo Unicef e sob critérios
científicos) foi considerada um sucesso.
SUMMARY
Maria Teresa observa que a comunidade inteira foi contaminada.
The satellite dty ofSart Sebastían,
"O importante neste projeto é que
m the Federal District, 20 tílotveters
ele prepara as pessoas para serem
from Brasüia, a agricultural based
viüage which beca/ne a dty shordy ago,
moradoras do cerrado", disse a chewas choosenfor hosting the project
fe da Divisão de Educação
"Cerrado, Our House". The Project,
Ambiental. O Jardim Botânico de
a partiiersfúp mvolving the JBB, The
Brasília, a Sobotânica e o Unicef já
Sodety ofthe Friends ofthe Botcoúcd
se preparam para a implantação do
Garden of Brasüia (Sobotânica) axd
projeto Cerrado, Casa Nossa em
the United Nation's Child's Fwids
outra cidade-satélite. A experiência
(UNICEF), is bemg considered one of
está sendo registrada num livro edithe most brilliant experiences in
tado pelo Unicef, para que o país
environmentaleducationintlieCoimtry.
It is notfor tess According to Carmen
inteiro a conheça e a coloque em
Xavier de Almeida, member of the
prática. O que é muito bom.
Enviroivnental Education EHvision of
Lugar nobre - O Jardim
the JBB, andfirst coordiiiaíor ofthe
Botânico de Brasília é vizinho da
Project, thefirst god was acHeved: " \
área mais nobre de Brasília, o Lago
We were able to develop a criticai
Sul. Na verdade, o JBB é que é o
awareiiess reganütig the aivirownentd
espaço nobre da capital da
concems,
and,
consequently,
República. Afinal, considerando sua
cotvtributed to the fonnatiai ofafirm
estação ecológica, com quatro mil
ethical standbig with respect to natural
resowves, andiis búer-dependency with
hectares, tem um total de 4,5 mil
hianan beings".
hectares de área de preservação da
fauna e flora do cerrado, um
Mal necessário, mas suficiente
Em São Paulo, nas quatro
semanas de agosto em que vigorou a Operação Rodízio,
mais de 6,5 mil toneladas de
monóxido de carbono deixaram de ser emitidas pelos carros que foram obrigados a ficar na garagem. Especialistas
em ambiente reconhecem os
méritos do rodízio como medida em emergêncial. Segundo eles, sem a medida, 2 mi-
lhões de paulistanos com menos de cinco anos e mais de 65
ou sensíveis à poluição, teriam
passado muito mal. Um plano
diretor para as questões
ambientais e a adoção de medidas corretivas e preventivas
estão sendo pedidas, especialmente a inspeção veicular obrigatória nos carros velhos. Para
se ter uma idéia, uma Brasília
polui 25 vezes mais que o
Vectra...
Novidade para quem?
A possibilidade de escassez no fornecimento de eletricidade
já está levando as empresas brasileiras a finalmente pensarem
no uso de fontes alternativas de energia para evitar a queda no
ritmo de produção. Documento divulgado pela Confederação
Nacional da Indústria, CNI, prevê que, com a retomada do crescimento econômico, o país pode se defrontar com escassez de
energia elétrica firme no Sudeste, em 1998. O caminho das pedras paia ver luz no final do túnel? As indústrias precisam lançar mão do aparentemente inútil bagaço de cana, sobras de madeira, gás natural, enfim, recursos disponíveis dentro do seus
próprios muros ou, no máximo, na região em que estão instaladas. E a roda foi inventada mais uma vez...
Polêmica tupiniquim
Jordan Young, que publicou, em 1941, a obra Brasil:
Emerging World Power, foi o
primeiro, no mundo, a receber título de "Brasilianista".
Seus comentários entrevista a
um grande jornal de São Paulo causaram a maior polêmica: "O Brasil sempre vai viver no futuro. Na minha opinião, o Brasil não quer chegar nunca ao presente, não
deseja para si a responsabilidade de ser uma grande po-
tência mundial. Eu mesmo
pensei, durante algum tempo,
que o Brasil chegaria ao ano
2000 muito perto do desenvolvimento sonhado, mais hoje
estou certo de que esta meta
está longe. E há pelo menos
cinco Brasis dentro do Brasil.
Nos EUA ninguém pensa no
Brasil como um parceiro econômico, como ura país que
trabalha e produz. E o paraíso
perdido, apenas, no qual se
pode ficar alguns dias".
Gente que paz
O designer de jóias Antônio Bernardo assinou ura contrato
de adoção do Orquidiário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, pelo qual se comprometeu a cuidar, por ura prazo de dois
anos renovável, dessa que já foi amais importante coleção de
orquídeas do Brasil - chegou a exibir oito mil espécies e hoje
não terainais de700, era condições precárias. Bernardo vai arcar
cora todos os custos de insuraos, de vasos a mudas. O orçamento total do projeto não foi revelado, mas já foram contratados
ura botânico, um biólogo, uma paisagista e três jardineiros para
realizarem os trabalhos de recuperação e manutenção do
orquidiário, fechado ao público há anos.
O Folha do Meio Ambiente
Brasília, setembro/outubro de 1996
EDUCAÇÃO
Escola de Ecologia luta pela qualidade de vida
Romerito Aquino
Uma área verde de 20 mil metros
quadrados, onde existem um grande
acervo bibliográfico, pedagógico e
biológico, uma coleção de plantas
medicinais de cerca de 100 espécies,
uma coleção de plantas venenosas,
uma exposição de material geológico
e paleontológico, um sauveiro
artificial, um herbário e várias
espécies de essências nativas da Mata
Atlântica.
Isso tudo é um pouco do que vem a
ser hoje a Escola de Ecologia, uma
instituição criada pela Universidade do
Grande ABC - UniABC, de São Paulo,
para ressaltar a importância da
preservação do meio ambiente visando
a manutenção da qualidade de vida do
homem. Funcionando desde 1993 no
parque botânico Presidente Jânio
Quadros, situado no município de São
Caetano do Sul - SP, a Escola de
Ecologia desenvolve um amplo
programa de educação ambiental
voltado para estudantes, professores e
todos os outros segmentos sociais da
região do ABCB paulista.
O sucesso da instituição pode ser
medido pelas mais de 42 mil pessoas
da comunidade que, de março de 1993
a abril deste ano, estiveram
diretamente envolvidas com atividades
relacionadas ao meio ambiente, tais
como cursos, palestras, visitas
monitoradas e projetos de pesquisa.
SUMMARY
AgreenareaoflOthoiisandsquaremeters,
where it is located a great bibliographic bank,
pedagogic andbiologic, a coüection ofarowid
100 species of medicinal plants, a collection
of venomous plants, a display of geological
and paleontological pieces, an artificial sauba
ant colony , an herbariwn, and many species
of native essences of the Atlantic Forest. Ali
this isjust a small part ofwhat became today
tlie College ofEcology, an institution created
by the Great ABC University, The UniABC, in
San Pablo, to emphasize the importance of
preserving the environment, aiming the
maintenance ofthe qudity oflifefor the nian.
Operating since 1993 in the President Jânio
Quadros Botanical Parle, located, in the
Municipality ofSan Caetano ofthe Soutli, San
Pablo, The College ofEcology is developing
a vast environmental minded education
program meant for students, professors and
for other social sectors ofthe ABC Region, in
San Pablo.
Estudantes recebem explicações sobre plantas medicinais
Oferecendo inúmeras atividades, a
Escola de Ecologia tem procurado
conscientizar a comunidade da região,
além de estudantes e professores, sobre
a responsabilidade do homem com a
preservação do ambiente em que ele
vive. Entre as atrações da Escola de
Ecologia destaca-se a "Sala das
Ciências da Terra", que, embasada em
conceitos museológicos de exposição,
contém um acervo de materiais
específicos como rochas, minerais,
fósseis, réplicas de dinossauros e
diversos modelos relacionados à
antropologia física, prospecção de
petróleo e sondagens de águas
subterrâneas.
Os visitantes, calculados em mais
de cinco mil, de outubro do ano
passado até junho deste ano, entre
estudantes de 1° e de 2o graus, além
de universitários, são monitorados por
técnicos e alunos da UniABC, que
fornecem todas as informações
necessárias à compreensão do acervo.
Os locais onde estão plantadas
COMUNICAÇÃO
Andi divulga infância e adolescência
Mila Petrillo
Reverenciada no Congresso Mundial
contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças, em Estocolmo, na Suécia, como único exemplo no mundo de agência de notícias dedicada exclusivamente ao tema da infância e da adolescência, a Andi - Agência
de Notícias dos Direitos da Infância, funciona há quatro anos em Brasília. É unia organização não governamental, dedicada à pesquisa e à divulgação de fatos, atores, denúncias, exemplos de ações sociais e personagens relevantes para a defesa das crianças e
jovens no Brasil.
A função estratégica da Andi é atuar
como fonte permanente de pautas para jornais, rádios e televisões, com o objetivo de
não permitir que a cobertura da realidade da
infância e da adolescência no país se esgote
nos temas mais aparentes. É prioridade da
Andi a divulgação de experiências bem sucedidas na busca de soluções sociais. A Agência tem procurado mostrar que os problemas
que atingem crianças e adolescentes no Brasil têm solução, sim. Soluções já colocadas
em prática por administrações municipais,
estaduais e organizações não govemamentais.
Apoiada pelo Fundo das Nações Unidas
para a Infância - Unicef e pelo Instituto
Ayrton Senna, a Andi é uma espécie de
ombudsman dos jornais diários das capitais
do país quando o assunto é a criança e o adolescente excluídos. Semanalmente a Andi
edita a Análise do Clipping, um resumo das
principais notícias do país sobre
meninos e meninas, veiculadas
por mais de 70 jomais brasileiros.
A partir desse trabalho minucioso, a Andi conseguiu mapear
como se comporta a imprensa na
área da infância e da juventude, e
apresentou no início do ano ao
ftêmio Esso - mais importante
prêmio de jornalismo do Brasil a sugestão de que fossem premiadas reportagens relevantes nesta
área. Assim, nasceu a categoria
Kpecial "Prêmio Esso pela Infân- ^ec'e "O Andi
cia", em homenagem aos 50 anos do Unicef. para o público infantil.
O premiado será conhecido em dezembro.
Projeto MTV - Tem banda de reggae
Também em decorrência da Análise, a com ex-meninos e meninas de rua de Brasflia,
Andi divulga uma pesquisa trimestral cha- com meninos de Vigário Geral, no Rio de
mada "A Infância na Mídia", onde são Janeiro e do Morro da Conceição, em Recimensuradas as inserções do tema criança e fe. Tem distribuição de sopa e alegria em
adolescente em 55 jomais brasileiros. Nas São Paulo, tem coral de Minas Gerais, fabriredações dos jomais, a pesquisa já está sen- cação de tambores e sons na capital de
do usada para definição de pautas e como Pernambuco e dança na paulistana favela do
passo inicial para discussões sobre o papel Vinte. Tudo isso na série Do Bem exibida
dos meios de comunicação nas soluções das pela MTV, que mostra a participação de joquestões sobre infância e adolescência.
vens em ações sociais.
Em outubro, durante o Festival de
A série começou a ser exibida no dia 18
Brasília do Cinema Brasileiro, será ofereci- de setembro, com os 30 meninos e meninas
do, pela primeira vez, o Prêmio Andi - Ci- da periferia de Recife, integrantes da banda e
pema pela Infância. Leva o prêmio (sem va- do grupo de dança do Centro Popular Maria
lor financeiro) o filme que melhor contribuir da Conceição. Na primeira fase da série, vão
para a reflexão sobre os problemas da infânser exibidos, até o dia 6 de novembro, sempre
cia ou aquele que representar uma experiên- às quartas-feiras no jomal MTV no Ai; bancia positiva como entretenimento educativo das e grapos de dança formados por meninos
essências nativas da Mata Atlântica
também são muito visitados,
permitindo às pessoas da comunidade
se conscientizarem da importância da
conservação do patrimônio biológico
da região. Mais informações sobre a
Escola de Ecologia da UniABC podem
ser obtidas com a professora e diretora
Dagmar Santos Roveratti, no seguinte
endereço: Rua da Paz, 10, Bairro
Maná, São Caetano do Sul - SP, CEP
09570-850, fone (011) 743-3027 e fax:
(011) 441-6494.
e meninas que moram ou moraram nas ruas
(ou que são muito pobres), ou que são portadores de deficiências. Como foco principal a
série mostra as formas de utilização da música como instrumento de expressão e de recuperação e estímulo a essas crianças e adolescentes.
Do Bem foi sugerida à MTV a partir de
uma pesquisa da Agência de Notícias dos Direitos da Infância - Andi sobre projetos que
atendemmeninas emeninos e trabalham com
arte. O critério primeiro para ser incluído na
pesquisa era a qualidade artística. "Só selecionamos grapos muito bons, não buscamos trabalhos bonitinhos de crianças pobrezinhas.
Trata-se de música e dança bem feitas, com
apuro e técnica, para corresponder aos padrões
daMTV", explicaodiretorexecutivoda Andi,
Geraldinho Vieira.
SUMMARY
Since 1992, the News Agency for the
ChUãren 's Righls - Andi - has been worldng in
Brasília as a non profil non governmental
orgemiaitíon devoted to the research and Io the
release offacís, deminciations, sncessfidprojeds,
and profiles that somehow are important Io lhe
defense of chüdren and adolescents in BnajL
The stmtegkal objective ofAndi is to be a
pennanent source ofslories Io Bmzílian nempapers, radio and lelevision broadeasters, with
lhe aim to not pennit lhe coverage and anafysis
of children and adolescents' situation to be
superficial It is a priority to Andi the
disseiniruilion of weU-succeded experiences in
the search of solutions to Brazilian social
problems. Solutions that have already become
reaUty Úirough lhe actions of some cides and
states governments, and non goveminental
organizatíons.
Brasília, setembro/outubro de 1996
Fo^a do Meio Ambiente
Brasília
Verde e Limpa
é nossa
responsabilidade
O Governo Democrático e Popular, através da SEMATEC e do SLU,
está lançando o Programa Brasília Verde e Limpa. Algumas ações já
foram implantadas e são um sucesso, como: o Programa de Parceria
Popular, que é a participação da comunidade na limpeza do DF; a Lei
da Limpeza, uma multa para quem suja a cidade e a Coleta Seletiva
do Lixo.
O objetivo é deixar Brasília ainda mais verde e limpa do que ela já é.
Meio ambiente e limpeza andam lado a lado na construção da
cidadania.
É o GDP trabalhando para a melhoria da qualidade de vida dos
brasilienses.
SElVl/VI EC
Secretaria do Meio Ambiente,
,
Oj
Jl
1 Serviço de Limpeza
|J Urbana do D. Federal
^iiF E POPULAR
l)~bo\/o em 1? luqar
Brasília, setembro/outubro de 1996
I U Folha do Meio Ambiente
Prefeitura devasta Vila Velha
para agradar aos turistas
Para melhorar a visão dos turistas no
trenzinho que circula por entre as rochas
do parque de Vila Velha, em Ponta Grossa - PR, a prefeitura desse município não
titubeou e, sem qualquer estudo prévio
de impacto ambiental, mandou derrubar
vasta área de vegetação do parque, provocando sérios prejuízos ecológicos na
região.
A denúncia foi encaminhada à Folha do Meio pelo Grupo Ecológico dos
Campos Gerais, que considerou a atitude da prefeitura de Ponto Grossa "um
crime contra a natureza, devendo seus
responsáveis serem punidos com os rigores da legislação ambiental", que, no
artigo 26 da lei 4.771, prevê pena de três
meses a um ano de prisão ou nnilta para
quem degrada área de preservação permanente, como é o caso do parque estadual de Vilha Velha.
Segundo a presidente do Grupo Ecológico dos Campos Gerais, Aida Franco
de Lima, "é um absurdo o que estamos
testemunhando e o governo do estado,
como legítimo proprietário, tem obrigação de adotar uma postura definitiva em
relação ao parque de Vilha Velha, porque não podemos mais aceitar que fatos
lastimáveis e criminosos como este continuem a ocorrer, por incompetência da
prefeitura em administrar a nossa prin-
cipal unidade de conservação".
Depois de denunciar a degradação do
parque ao Instituto Ambiental do Paraná
- IAP e à Secretaria de Estado do Meio
Ambiente - Sema, a ONG paranaense
exigiu a punição judicial dos responsáveis da prefeitura que autorizaram a derrubada da vegetação, além do fim do
convênio através do qual o estado passou a administração do parque para a prefeitura de Ponta Grossa.
A direção do grupo ecológico também
questionou as obras construídas "erradamente" pela prefeitura na barragem do
lago do parque de Vila Velha, "que já deveria estar fechado e formando um belo
espelho d'água, que vai representar uma
barreira contra os incêndios vindos da rodovia para dentro da área do parque, e o
fim do processo de erosão e desertificação
que vem se acentuando na região".
" 'É hora de se dar um basta e se o Governo do Estado tem uma proposta
exeqüível para Vila Velha - e sabemos que
tem - deve implementá-la, assumindo de
vez a administração de uma unidade de
preservação aberta à visitação pública, que
não pode continuar sofrendo de degradações como a que testemunhamos, ainda
mais quando ações criminosas partem da
própria administração municipal", afirmou
a presidente do grupo ecológico.
Gomo evitar a fatalidade
dos esportes radicais
Sandra Marcos da Silva
Adrenalina, aventura, novos horizontes e limites a serem vencidos são
alguns dos principais objetivos dos esportes radicais, que vêm crescendo no
país.
Escalada
em
rocha,
paraquedismo, canyoning e diversas
modalidades do montanhismo e do
excursionismo atraem centenas de
adeptos, na maioria jovens de 14 a 25
anos.
"Domingo, dia 28/04/96, uma jovem escaladora, de 17 anos, perde sua
vida em uma queda fatal em Pedro
Leopoldo - MG. Fatalidade ou
irresponsabilidade?" Essa notícia ievanps a afirmar que todos os esportistas
estão sujeitos a esse tipo de acidente,
mas de uma forma ou de outra podemos diminuir as margens de risco que
tais esportes oferecem.
Regras básicas de segurança e, principalmente, de bom senso, proporcionarão uma maior confiança para aqueles que desejam ingressar nesse maravilhoso mundo adrenalizado, mas que
também pode tomar-se um verdadeiro
inferno.
Hoje em dia, é muito comum pequenos grupos de "instrutores", sem
nenhum tipo de especialização ou capacidade profissional, ministrarem cur-
sos a jovens inexperientes, sendo o mais
preocupante a falta de equipamentos
normalizados que venham a oferecer
uma margem de segurança eficaz ou o
uso indevido de tais equipamentos que
colocam em risco a vida dos alunos e
de seus despreparados instrutores.
Ao contrário do paraquedismo, no
Brasil não temos tuna federação ou outro tipo de entidade que fiscalize a prática desses esportes, bem como a qualificação dos instrutores e, principalmente, o uso de equipamentos de segurança do tipo utilizado nos esportes de
montanha, o que vem severamente contribuir para a má imagem dos esportes
radicais.
Por isso, antes que você se defronte
com uma situação de risco na prática
de algum desses esportes, verifique se
seu instrutor está realmente qualificado para evitar colocar suâ segurança em
jogo e se seu equipamento oferece total segurança, pois sua vida vale muito
mais que alguns segundos de emoção.
Quem tiver interesse em conhecer
mais a fundo as normas de segurança,
pode escrever para o Grupo Ecológico
de Busca, Salvamento e Treinamento
Águia Dourada, à Rua Jordânia, 364,
Balneário de Camboriú, Santa Catarina,
CEP: 88.330-000..
Folha do Meio Ambiente I
Brasília setembro/outubro de 1996
FUTURO
Alimentação saudável pode
alcançar preços estratosféricos
Simone Silva Jardim
Pelo menos na Europa, a doença da "vaca louca" continua provocando efeitos indigestos^ não no estômago, mas simna cabeça de muitos amantes dos prazeres da came.
Só para citar um caso isolado, recentemente o Guild of Food Writers
- guia dos jornalistas que escrevem
sobre alimentos, em Londres - promoveu uma conferência que acabou
produzindo o seguinte vaticíhio: a
médio prazo, o paladar inglês vai
mesmo se deixar seduzir por completo pelos encantos das verduras,
frutas, grãos, raízes e legumes, e dizer um polido, mas definitivo bye
bye aos steaks bem ou mal passados.
Quem também está dando uma
mãozinha nessa
guinada
gastronômica rumo aos alimentos
"verdes" é a pesquisa biológica
molecular do Instituto de Pesquisa
Rowett que mostra que o consumo
de frutas e legumes, aproximadamente cinco porções ou 400 gramas
ao dia, está associado à proteção de
um grande número de doenças, incluindo câncer, males do coração e
o desenvolvimento de catarata, além
da ação dos implacáveis inimigos
dajuventude, os radicais livres. Mas
^jesar da alardeada danandapcr alimentos bons e integrais, principalmente por parte daqueles tenáqueos
de hábitos ecologicamente saudáveis, os preços praticados pelo setes:
de horticultura ainda castigam duramente os bolsos das camadas mais
empobrecidas da comunidade global.
Pior: peritos afirmam que, num
íuturo próximo, os preços de grãos
como trigo, arroz e milho podem
alcançar níveis estratosféricos
Garfo e espada - Para se ter
uma idéia, nas últimas duas décadas os consumidores americanos
contaram com preços estáveis, e até
mesmo declinantes, para os produtos agrícolas. Descontada a inflação,
os preços dos produtos do
agribusiness despencaram 40% entre 1975 e 1995. Mas arecente série
de más colheitas e o aumento na demanda apertaram o gatilho dos preços do trigo, do milho e da soja
Atualmente, o aumento do preço dos alimentos sinaliza, no mundo inteiro, um problema comum e
gravíssimo: as colheitas fracas vêm
atingindo, simultaneamente, vários
pontos do planeta e já é uma realidade o esgotamento das reservas de
alimentos em nível global, em que
os estoques disponíveis de grãos declinaram de 77 dias de consiHno, em
1993, para a estimativa atual de 48
dias, o nível mais baixo dos últimos
35 anos segundo reportagem do jornal Business Week.
Nos Estados Unidos, o maior
país exportador de gêneros alimentícios, a equação oferta/demanda de
alimentos não dá mole para resultados otimistas. A Secretaria da Agricultura divulgou, sem rodeios, que
os preços dos alimentos subirão a
'm
>íi^ i mi
O saudável hábito de cultivar verduras
ritmo mais rápido que a inflação,
com um impacto particularmente
severo sobre as famílias americanas
de baixa renda. Puxando esse fio, é
possível ainda vislumbrar outro cenário, o das populações que estão
fora das terras do Tio Sam. Nações
importadoras de alimentos da África, da Ásia e do Oriente Médio estarão desembolsando mais dinheiro
para encher seus pratos e, conseqüentemente, vão ter de desviar recursos de áreas tão vitais como saúde, educação e habitação. Picarão
entre o garfo e a espada, provável
estopim de guarás internas.
Sem saída? - Peritos afirmam
que, a curto prazo, o potencial mundial para o aumento da produção de
grãos é limitado. Em escala planetária existem poucas terras não utilizadas - no máximo 3% - que poderiam ser lavradas prontamente, e
por mais que países de tradição
pecuarista estejam hoje engajando
na conversão das áreas de pastos em
lavouras de grãos, uma maior oferta de gêneros agrícolas só estará disponível a longo prazo para decepção dos que crêem que a
biotecnologiae a cibernética podem
tudo num estalar de dedos.
Apesar do grande salto
tecnológico e Icnow-how do
agribusiness, a alardeada "revolução verde" e todas as suas promessas de velocidade máxima na produção de produtos agrícolas viraram
água, porque seus defensores jogaram para debaixo do tapete os riscos ambientais, que hoje ninguém
em sa consciência deixaria de lado
sob pena de comprometer toda a
produção futura de alimentos. Detalhe: depois de duas décadas de
melhorias constantes, a expansão da
produtividade agrícola definhou
desde fins dos anos oitentas. É que
a estagnação dos preços agrícolas
tomaram menos lucrativos os investimentos an pesquisa. Agora que os
preços estão subindo, existe um "incentivo" para desenvolver novas
tecnologias - mas isso também não
vai acontecer da noite para o dia.
De cato e imediato, há um vigoroso crescimento da atividade industrial, o inchaço das cidades, a degradação de áreas produtivas, o au-
mento da demanda por alimoitos e
a oscilações de preços muito
marcantes em alguns cantos do planeta. As famílias americanas de baixarendagastamatualmenteaté 17%
de suarenda em alimentos. No Brasil, a situação é tragicômica - a cesta básica custa mais que o salário
mínimo; em São Paulo, o caixa do
supermacado registra exatos R$
115,00 na compra de todos os itens.
Outros 800 milhões de seres humanos engordam as estatísticas da
subnutrição e a Ásia, dizem os analistas de plantão, está devorando
cada grão exportado pelos Estados
Unidos.
SUMMARY
At least in Europe, the "crazy
cow" plague continues to inflict
the annoying effects, not in the
stomach, but in the head of many
lovers of the pleasures of beef
Just to mention one isolated case,
recently the Guild of Food Writers, the bible of the joumalists
writing abouí meals in London,
promoted a conference which lead
to the following verdict: on the
médium range, the English taste
will be completely seduced by the
magic of vegetables, fruits,
grains, roots and garden stouf
andsay good-bye to the weíl-done
or rare steaks. The molecular biologic research of the Rowet Research Institute has also given a
hand in this gastronomic turn
towards green food by showing
that the consumption of fruits and
vegetables, approximalely five
portions or 400 grams a day, is
associated with the prevention of
a great number of diseases
including câncer, heart illnesses
and the development of cataract,
besides the the action of the
implacable enemies of the youth,
thefree radicais. But, even though
there is a well spread demandfor
good and natural food, specially
by those terrestrians with healthy
ecological habits, the prices
practiced by the horíicultural
sector are still heavy on the
pockets of the poorer classes of
the global community.
ONGs em Ação
Romoaldo de Souza
WWF faz campanha
de filiação
Depois de 25 anos atuando no Brasil, o WWF - Fundo Mundial da Natureza - abriu um quadro de afiliados. A entidade estabeleceu uma meta: ter 1.000 afiliados até o final deste ano.
Fundado em 1961, na Suíça, onde fica sua sede internacional,
atua hoje em mais de 100 países e conta com 5 milhões de contribuintes em todo o mundo. Esses associados ajudam o WWF a
proteger as florestas, os ecossistemas de água doce, as áreas costeiras e os oceanos em todo o mundo. No Brasil, 600 afiliados já
se associaram à entidade. São pessoas atuantes e bem informadas
que agora participam da maior rede internacional de proteção à
natureza.
O que faz o WWF? - Examina quais são os principais problemas ambientais do Brasil e, a partir daí, desenvolve estratégias de conservação. Para isso, opera com projetos de campo que
visam a tomar-se modelos para a solução desses problemas.
O trabalho não fica somente no campo. O WWF divulga os
resultados obtidos em ações de educação ambiental e comunicação. Publica regularmente estudos sobre políticas públicas, em
nível nacional e internacional. Sempre que possível, esse trabalho é realizado em parceria com ONGs regionais e locais ou com
órgãos do govemo. Isso contribui para o sucesso dos projetos e
ajuda a fortalecer essas instituições. O WWF também proporciona cursos de desenvolvimento organizacional para seus parceiros.
Outro objetivo do WWF é fortalecer as ONGs regionais e
locais, por meio de parcerias, disseminação de informações e do
treinamento em desenvolvimento organizacional.
Algumas ações do WWF no Brasil - Distribuiu em todo o
país 500 kits educativos contra o tráfico de animais silvestres;
lançou o primeiro documento brasileiro alertando contra o risco
da hidrovia Paraguai-Paraná descaracterizar o Pantanal; viabilizou
a publicação do Mapa de Unidades de Conservação do IBGE;
patrocinou a primeira pesquisa nacional sobre pessoas que trabalham com ecoturismo; Publicou "De grão em grão o Cerrado
perde espaço", alertando para o modo predatório de ocupação
daquele bioma; entregou um abaixo-assinado contra o tráfico de
animais com 35 mil assinaturas ao ministro Gustavo Krause.
Alguns projetos do WWF no Brasil - Parque Nacional da
Chapada dos Veadeiros (GO); Parque Nacional do Jaú (AM); Programa de Rádio "Natureza Vrva" (Amazônia); Projeto Tamar (litoral); Reserva Biológica de Una (BA); Reserva Biológica de
Poço das Antas (RJ); Reserva Extrativista do Cajari (AP); Sistemas Agroflorestais em Paragominas (PA); Tartaragas da Amazônia (RO); Cadastro Nacional de Entidades Ambientalistas; Convenção da Biodiversidade; Educação Ambiental no Ensino Formal Brasileiro; Estação Ecológica de Mamirauá (AM); Jornal
para Educadores Ambientais; Manejo de Várzea (PA); Manejo
Sustentável de Madeira na Amazônia (PA); Manejo de Fauna
pelos índios Xavantes (MT); Manejo Sustentado de Açaí para
Palmito (AP); Modelo de Exploração Comunitária de Madeira
(RO); e Monitoramento do Planafloro (RO).
Existem cinco modalidades de associado: a primeira é a de
amigo, cuja contribuição anual é de R$ 15,00. O benfeitor contribui com R$ 50,00. Um terceira forma é a do patrono que contribui com R$ 100,00. Finalmente vem o colaborador especial,
nesse caso a contribuição está acima de R$ 250,00. O afiliado
recebe periodicamente um boletim informativo e outras publicações.
Ao afiliar-se o interessado receberá em seu endereço, pelos
Correios, um kit WWF contendo: boletim + pin + adesivo, na
categoria de amigo; boletim + pin + adesivo + caneta, se se tornar colaborador; boletim + pin + adesivo + boné; tomando-se
benfeitor; boletim + pin + adesivo + camiseta, no caso da escolha seja de colaborador especial. Passando a ser um patrono, o
associado receberá boletim + pin + adesivo + camiseta + vídeo
ecológico.
O endereço do WWF é: SfflS QL 6/8, Conjunto E, 2o andar
CEP71620-430Brasília-DF.Tel:(061)248-2899,Fax:(061)2487176. E-mail: [email protected].
Folha do Meio Ambiente
Brasília, setembro/outubro de 1996
I Á.
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Brasília, setembro/outubro de 1996
I O Folha do Meio Ambiente
Bromélias são essenciais ao ecossistema
Antônio Miranda, poeta, professor e dono do primeiro e único bromeliário do CentroOestCy fala de suas experiências com as bromélias e da importância delas para a natureza
Laís Scuotto
Lineu, famoso botânico sueco, foi quem criou, em homenagem ao seu colega Olaf Bromel, o nome
do gênero bromélia.
As bromeliáceas, plantas exclusivas do continente americano (com exceção de uma única espécie
na África), distribuem-se por 50 gêneros, com mais de três mil espécies classificadas, sendo que só no
Brasil, mais de 1,6 mil são conhecidas. Compreendem espécies terrestres, epífitas - que crescem nas
arvores, sem serem parasitas - e as saxícolas e rupículas sobre e entre as pedras, comuns na Mata
Atlântica, um dos seus habitats naturais, porém ocorrendo também em todas as regiões brasileiras
A importância das bromélias para o ecossistema é extraordinária. Além de abrigarem em seu interior muitas espécies animais, que vão desde insetos minúsculos até girinos, que crescem abrigados
entre suas folhas, as bromélias ajudam no reflorestamento na região de restinga, mantendo o solo
úmido.
Sua principal atração, no entanto, é a sua beleza plástica inconfundível, com uma enorme variedade
de formas e cores, que embelezam a paisagem, atraindo não só o interesse dos botânicos como também, e cada vez mais, de colecionadores que criaram, há cinco anos, a Sociedade Brasileira de
Bromélias, no Rio de Janeiro, cujo objetivo principal é o estudo, a propagação e a preservação das
espécies nativas.
■
Atualmente, estão sendo desenvolvidas modernas técnicas de reprodução das bromélias, como por
exemplo por tecidos meristemáticos, assim como por processos de hibridização que permitem o aparecimento de novos cultivares, muito mais ornamentais que as encontradas na natureza e que, sendo
cada vez mais disputados pelo grande público, constituem-se em alternativa de consumo, evitando
assim a coleta indiscriminada em seus habitats e o risco de sua extinção.
A maior atração das bromélias é sua beleza plástica inconündível
Um cultivador apaixonado
Antônio Miranda
Poeta, contista, autor teatral premiado, escultor, bibliotecário, professor universitário e colecionador fanático de postais antigos e
modernos do Brasil, Antônio Miranda é também cultivador apaixonado de Bromélias. O primeiro e único bromeliário do Centro-Oeste fica
na chácara Irecê, nos arredores de Brasüia, onde ele passa os fins de semana, dedicando-se, com método e organização, a catalogar as espécies de
bromeliáceas que chegam às suas mãos, de todo o Brasil e do exterior, por
meio de trocas que realiza com dezenas de aficionados colecionadores que,
como ele, buscam descobrir novas espécies para terem o prazer de ver seus
nomes batizando uma espécie desconhecida pela botânica.
FMA - Quando e como surgiu o seu interesse pelas bromélias?
Miranda - Primeiro, ao descobrir algumas espécies epífitas e terrestres no cerrado
que estavam sendo dizimadas para o lançamento de empreendimentos imobiliários. Resgatei algumas que agora ornamentam árvores
e jardins de minha chácara. Depois, foi o deslumbramento com as gravuras de Margareth
Mee, uma artista genial que ilustrou espécies
de bromélias com um talento artístico e
minúcia científica difíceis de serem superadas. Por último, e decisivamente, com a dbra
"Bromélias na Natureza", de Elton Leme &
Luiz Marigo, que mostra a nossa flora nas diversas regiões do país.
FMA - É difícil mantê-las nesse clima
árido do cerrado? Quais são as melhores
condições para preservá-las?
Miranda - É um tremendo desafio. As
bromélias vêm de habitats diferenciados e requerem umidade e iluminação próprias que
somente é possível oferecer em condições de
viveiro ou estufa. Mas até que elas são, em
sua maioria, muito resistentes e adaptáveis.
Conservo a coleção básica no bromeliário,
cercado de cuidados especiais, e as mais adaptáveis multiplico-as pelas árvores e jardins
próximos. No período de estio é imprescindível regá-las regularmente por causa da baixa
umidade e do vento e frio, protegê-las do excesso de sol e 4té vaporizá-las.
FMA - O fato de você ser bibliotecário e
colecionador de postais, facilita o seu tra-
Tecnicas modernas garantem a reprodução das bromélias
balho de catalogação de espécies?
Miranda - Sem dúvida. A busca de literatura e das fontes de consulta são exploradas
adequadamente, assim também os problemas
taxonômicos básicos para a classificação.
Como o hábito faz o monge, acabei fazendo
^^^H
estantes como em bibliotecas para armazenar
a coleção.
FMA- Você não acha que no futuro, as
bromélias, como outras espécies da Mata
Atlântica, terão que ser colecionadas como
peças raras, tal é a agressão que vem so-
frendo pela mão do homem?
Miranda - De fato, muitas bromélias são
endêmicas e a depredação do meio ambiente
pode (e certamente é o que já vem acontecendo) dizimar espécies conhecidas e até ainda
não identificadas. Por outro lado, com a
comercialização da bromélias para paisagismo
e decoração, populações inteiras de bromélias
vêm sendo arrancadas para atender ao mercado, muitas vezes por gente que tem aí a sua
única fonte de renda.
FMA - Não existem técnicas capazes de
garantir a reprodução das bromélias?
Miranda - Por outro lado, a engenharia
genética vem desenvolvendo novas
tecnologias capazes de reproduzi-las (por
meristemas, por exemplo) aos milhares, e a
custos mais baixos do que por coleta na natureza, o que é positivo. Por certo, isso também
preocupa. A maioria das bromélias que são
vendidas em floriculturas são híbridos de plantas brasileiras, cujas matrizes vieram dos Estados Unidos ou da Europa e são mais decorativas e comerciais que as naturais. Isso ébom
para a preservação, mas, por outro lado, só
mesmo nos jardins botânicos e nas coleções
particulares, que ainda são poucas, é que as
espécies nativas são efetivamente preservadas. Ou nos parques nacionais, com os riscos
que conhecemos: incêndios, coleta clandestina da forma indiscriminada, falta de técnicos para garantir sua propagação e conservação etc. Felizmente, existem alguns exemplos
positivos tanto na área governamental quanto da iniciativa privada na ação protetora de
nossa fauna e flora.
FMA - Você já descobriu alguma espé-
cie nova de bromélia?
Miranda - Ainda não confirmada. Vou iniciar um trabalho de levantamento de espécies
da região com um colega da Universidade de
Brasília e as perspectivas são interessantes. Por
exemplo, encontramos exemplares de Vrieseas
que até então pensávamos não existirem por
aqui. O livro citado do Leme & Marigo, contempla as espécies da Amazônia, dos Campos
Rupestres, dos Campos de Altitude, da Mata
Atlântica e da Restinga, não inclui o Cerrado.
É verdade que existem bolsões de cerrado nos
Campos Rupestres e na Amazônia, mas a flora
específica da região é ainda pouco conhecida
e digna de inventário. Se continuam descobrindo espécies novas em santuários tão explorados como os do litoral, como duvidar da
existência de outras na região?
FMA - É verdade que você está criando
o primeiro jardim labirinto da América Latina? O que lhe motivou a criar um jardim
tipicamente europeu, onde os muros são feitos de ciprestes?
Miranda - Já existe, há várias décadas, um
jardim assim nas serras de Córdoba, na Argentina, que eu visitei há muito tempo atrás, pepois estive no de Hampton Court, nos arredores de Londres. Ao ler o livro "Bomarzo", de
meu amigo Manuel Mujica Lainez (agora traduzido e publicado no Brasil), encantei-me com
a idéia do jardim renascentista do príncipe
Orsini. Comecei o meu há vários anos, amphando-o aos poucos, mas as condições climáticas não favorecem muito, apesar de usar a técnica de gotejamento para garantir um pouco
de umidade nos períodos de seca. Mas, depois
de iniciado o meu trabalho, foi inaugurado um
jardim labirinto - o primeiro de caráter público-, na cidade gaúcha de Nova Petrópolis. É
um exercício lúdico, um preciosismo do romantismo que na Europa muito se venera e
preserva. Nós apenas imitamos, e não vejo pecado nisso.
FMA - Você é também um premiado autor teatral, poeta e contista, além de escritor.
Como consegue dividir-se em tantas atividades e interesses disüntos?
Miranda - Paradoxalmente, são atividades que fazem parte de uma mesma dinâmica
criativa, de comunicação, de auto-realização.
Vou trabalhando por airebatamentos, paixões,
buscando as formas de expressar meus sentimentos. Só não consigo é ficar parado. Dificilmente escolheria uma única forma de expressão, mesmo que isso redundasse numa especialização mais produtiva e conseqüente. Agora
mesmo estou apaixonado por um livro que está
na gráfica e que escrevi durante uma longa
estada em Porto Rico, em 1993: Relógio, não
marque as horas, em que interligo várias crônicas numa estrutura novelesca, algo que tem
alguma originalidade. Se eu não me dividisse
em tantas atividades, certamente a obra já teria
sido publicada antes.
FMA - Fale um pouco de sua paixão pelos cartões postais.
Miranda - Foi amor à primeira vista. Começou aos 13 anos de idade, há mais de quarenta anos. Hoje tenho milhares e milhares, mas
o principal do acervo é a "Brasiliana", mais de
cem mil cartões brasileiros, sobre todos os temas e lugares, desde 1880 até os dias atuais. E
o retrato do Brasil em diferentes épocas, num
trabalho de garimpagem constante, que tenta
preservar um pouco da imagem de nosso país
feita por fotógrafos e ilustradores em mais de
cem anos. Muitas destas imagens são únicas,
não aparecem em outras formas de mídia, constituem uma fonte documental fantástica para o
resgate de nossa memória.
FMA - Você não pensou em criar uma
filial da Sociedade Brasileira de Bromélias?
Mira - A entidade está pensando nisso.
Deve acontecer em breve em outras regiões,
fora do Rio de Janeiro onde ela está situada.
Em Brasüia ainda somos poucos mas um dia
será.
FMA-As espécies que você possui no seu
bromeliário são somente para o seu prazer
de colecionador, ou você, além de trocas, as
comercializa?
Miranda - Sou ainda um principiante,
com algumas centenas de espécies. A medida
que as plantas se multipliquem além da minha
capacidade de conservá-las, eu seja obrigado a
presenteá-las e até vender uma parte, quem sabe
para minimizar os custos de manutenção da
coleção. Aceito trocas pelo correio. Cartas para
a Caixa Postal 4548, CEP 70919-970 Brasília,
DF, ou pelo telefone 061 -502.9010, nos fins de
seniana
-
SUMMARY
Poet, story writer, awarded theater
author, sculptor, book-keeper, professor
and fanatic collector of modem and old
Brazilian post cards, Antônio Miranda is
also a passionate planter of Bromélias. The
first and only Bromelarium of the MidWestern is located in the Irecê Grove, in
the surroundings of Brasília, where he
spends the weekends, dedicating himself,
with method and organization, to the cataloguing of bromeliaceous species which
get to his hands, from ali o ver Brazil and
from abroad, by the mean of exchanges
he makes with dozens of affictionated collectors who, like himself, aim the discovery of new species, so that they may have
the pleasure of seeing their name baptizing a specie unknown to Botany. In na
interview to the Folha do Meio, Antônio
Miranda denounces that the degradation
of the environment is killing known
bromeliaceous species, and also some noí
yet identified. According to the collector,
the greàter part ofthe Bromélia sold in
flower stores are hybrid of Brazilian
plants, whose mother-plant camefrom the
United States or Europe, and are more
decorative and marketable than the natural ones. This is good for their preservation, according to Miranda, but only in
the botanical gardens and inprivate collections, which are still in a small number in Brazil, are the native species actually preserved. Or yet in the National
Parks, where the bromeliaceous might be
victims of arson, illegal picking in a
indiscriminated way, and the lack of technicians to guarantee their proliferation
and preservation.
LaU scuotto
Antônio Miranda em seu bromeliário
I A Folha do Meio Ambiente
Brasília, setembro/outubro de 1996
Quando o turismo cresce, o Brasil cresce junto
/• iinrível o que n indústria do turismo pode fazer
por um pah. Quanto mais turistas vierem passar
férias tio Brasil, mais as regiões turísticas se
desenvolvem, mais divisas desembarcam no país e
py—-JI, melhor é a distribuição de retida
* entre os brasileiros. Por isso
9M^fnmmr
cs/amos itivestindo na (fiuiiidadv
v.; ;; ;■' dos serviços prestados ao ///ris/a.
íEMBRATUR financiando projetos turísticos e
ainda modernizando as leis que se referem
ao turismo no Brasil. Incentivando o turismo.
cada vez aumentam mais as oportunidades de
emprego para os brasileiros.
No comércio, nos restaurantes.
boteis, transportes, teatros,
museus. li até na agência de
propaganda que trabalhou para
fazer este anúncio.
Brasília, setembro/outubro de 1996
Folha do Meio Ambiente IÒ
LITERATURA
As ervas nossas de cada dia
Livro da botânica Cida Zurlo resgata o conhecimento popular
sobre aflora no contexto da tradição oral do interior do país
Carlos Alberto Ribeiro de Xavier
A professora de Botânica Cida Zurlo,
da Escola de Farmácia da Universidade
Federal de Ouro Preto, aposentou-se do
magistério, mas não do trabalho de pesquisadora. Mas, no Brasil, também pode
ser chamada de batalhadora, insistente,
inovadora, ou ainda melhor, idealista.
Das pesquisas que fez, duas precisam
ser realçadas: a primeira, muito curiosa,
resultou na cachaça "Milagre de Minas",
composta a partir da maceração de 15 ervas escolhidas a dedo, como nó-de-cachorrOi imburana, boldo do Chile, catuaba, canela sassafrás, casca d^ta, ervade-soldado e funcho; a outra, deu no livro "As Ervas Comestíveis - Descrição,
Ilustração e Receitas" de sua autoria, em
cooperação com a pesquisadora Mitzi
Brandão, que resgata o conhecimento popular sobre a flora, recuperando a tradição oral do interior do Brasil.
A professora Cida Zurlo foi diretora
do Jardim Botânico de Brasília, onde
deixou mais dois filhotes: o "Jardim de
Cheiros", de plantas medicinais tradicionalmente cultivadas, e o "Jardim do
Cerrado", de plantas medicinas nativas
da própria área do Jardim Botânico. Hoje,
a professora e suas surpresas podem ser
encontradas no "Armazém das Gerais",
que funciona na Rua Antônio de Albuquerque n0 16, em Ouro Preto, endereço
onde viveu a "Madame Olympia", uma
das mais notáveis e folclóricas figuras da
cidade.
A professora Cida pode ser identificada no trecho de um poema de Cora
Coralina que abre o seu livro: "Sou mais
doceira e cozinheira do que escritora,
sendo a culinária a mais nobre das artes:
objetiva, concreta, jamais abstrata, a que
está ligada à vida e à saúde humana". O
livro, que foi editado pela editora Globo
para a coleção "Globo Rural",
está praticamente esgotado, mas
pode ser pedido diretamente à
editora do Rio pelo telefone
021-273-5522. Trata-se de uma
obra de importância no Brasil,
onde grandes contingentes da
população são subnutridos,
pois o livro apresenta 35 ervas comum,
popularmente chamadas de daninhas e
que ocorrem em terrenos pouco férteis ou
pobres em nutrientes, em terrenos baldios, nas encostas dos morros, nos fundos
de quintais ou em ruínas.
São espécies botânicas que não precisam muito para sobreviver. "Já nascem
incomodando, competindo ousadamente com as classes superiores das plantas.
Se flageladas, podadas ou sufocadas, ao
primeiro ar fresco renascem alegres. Parem filhotes que geram outros rebentos.
COLEÇÃO DO AGRICULTOR
SUMMARY
ECaQGlA
The Botanics Professor Cida Zurlo, of
the College ofPharmacy ofthe Federal Úniversity o/Ouro Prelo, retiredfrom magistracy, but notfrom her work as a researcher. In lirazil, she may be caüed afighter,
insistent, an innovator, or even better, an
idealisl. Of att researches she carried out,
two must be highlighted: the first, a very
curious one, resuüed in the hard liquor
"Milagre de Minas" (Minas' Miracle), obtainedfrom the maceration oflS hand-picked herbs, such as dogs-knot, umburana,
Chilean boldo, catuaba, sassafrás cinamon,
casca d\tnta, soldier's herb and fennel; the
second resuüed in the book "Edâle Herbs Description, lllustration and Recipes", by
herself, in cooperation with the researcher
Mitzi Brandão, which recalls the popular
knowledge about the flora, more precisely
aboutthosecaUedweeds, recovering the oral
tradition ofthe Braz&an countryside. Professor Cida Zurlo was the director of the
Botanic Garden of liraiam, where she left
two daughters: "The Garden of Scents"
(Jardim de Cheiros), with the mosttraditionally cultured healing herbs, and the
"Highland's Garden" (Jardim do Cerrado), with healing herbs native ofthe Botanic
Garden área. Today, the professor and her
surprises may be found iri the "Armazém
das Gerais", which is located at Antônio de
Albuquerque Street, number 16, in Ouro
Preto, address where lived "Madam Olympia", one ofthe most autstanding andfoIkloric persons in lhe city. Professor Cida
may be identified in apassage ofapoem by
Cora Coralina, which prefaces her book:
"I am more a confectioner and a cooker
than a wriíer, being culinary the noblesl of
the arts: objecüve, real, never ahstmcl, lhe
one linked to life and to human health".
As ERVAS
O livro fala
do uso de
35 ervas
comuns,que
em
linguagem
popular
COMESTíVEIS
DESCRICto, ILUSTRAÇÃO E RECEITAS
mmm
mmmm
são
chamadas
de
daninhas,
mas que
apresentam
grande
valor
culinário
Pragas e doenças tampouco as intimidam,
elas ressurgem também do caos. Acrescente-se, ainda, que mesmo sendo malvistas, elas quase sempre escapam aos
agrotóxicos. São danadas as daninhas".
Mas quase nunca são espécies novas. São
plantas de uso muito antigo, algumas trazidas pelos portugueses, outras pelos africanos, que as cultivavam no Brasil e outras tantas eram usadas pelos índios brasileiros. Os caiapós, por
exemplo, chegaram a domesticar e cultivar mais de uma centena de espécies.
Outro aspecto interessante
é que o livro traz as receitas de
sopas, saladas, doces e salgados
de fácil preparo, que não custam quase
nada. Entretanto, existe muito preconceito
em relação essas plantas.
De uma maneira geral, uma erva é
considerada daninha quando não chega
à mesa, o que é uma questão de costume,
ou de ignorância, acrescento eu. "O carura, por exemplo, foi trazido pelos portugueses junto com a couve. A couve manteve seu prestígio. O caruru - sabe Deus
por que - caiu em desgraça e passou a
pária na comunidade vegetal. Assim, a
necessidade de manter a mesa farta e va-
Receitas
de sopas,
saladas,
salgados
e doces
riada levou nossos ancestrais a se servirem, sem cerimônia, do material nativo,
cultivado, e ou o clandestino daninho em
sua cozinha. Guisados e sopas trazidos
de além-mar tiveram seus ingredientes
paulatinamente substituídos: as então daninhas beldroega, dente-de-leão, ora-pronóbis, mostarda, labaça, serralha, trevo,
major-gomes, tomaram o lugar da couvemanteiga, da couve-tronchuda,
da couve-de-bruxelas, e novas
receitas surgiram.
As cambuquiras, as floresde-bucha, taboas, munhecasde-samambaia e muitas outras
plantas enfeitaram os lombos,
os pemis, as galinhas assadas,
as peças de caça. O joá-manso, as amoras,
o tomatinho, as capuchinhas, as gabirobas, os araças, as flores de dente-de-leão,
as cépalas da vinagreira, entre tantas outras, substituíram as refinadas geléias de
maçã, de ameixa e de cereja tão a gosto
do europeu. Da miscigenação das etnias
que formaram o brasileiro, viu-se também
miscigenar a culinária de muitos povos.
E o resultado é ótimo.
Em muitas regiões variam os nomes
dessas plantas. A beldroega, (Portulaca
oleracea L.) também é conhecida como
verdolaca, salada-de-negro, porcelana,
caaponga, bredo-de-porco, beldroega
vermelha, de horta, ou beldroega-de-comer. O jambu, (Spilanhes sp.) também é
conhecido como agrião-do-Pará, jambuaçu, pimenteira, pimenta-d'água, gambu,
erva-de-málaca. A major-gomes (Taninum sp.) é conhecida ainda como benção-de-deus, maria-gorda, bunda-mole,
ora-pro-nóbis-do-miúdo, camegorda, língua-de-vaca. Até a temida urtiga também está no livro e se pode preparar uma deliciosa sopa com urtigas tenras.
Quanto à cachaça, também
é conhecida no Brasil como
pinga, água-que-passarinhonão-bebe, capote-de-pobre, moça branca, birita, lindinha, calibrina e muitos
outros nomes regionais. Recomenda-se
beber com moderação e requer um ritual:
"deve ser bebida como se bebe um vinho
raro". Os propalados efeitos afrodisíacos
dessas bebidas parecem indiscutíveis
dada à grande variedade de usos em todo
o Brasil. Afinal, para que servem as ervas
e o que é mato? Emerson deixou uma frase definitiva: "Mato é tudo aquilo que se
desconhece, ou ainda não se sabe a utilidade".
E
Ervanativa
faz afesta na
mesa do
interior
brasileiro
Brasília, setembro/outubro de 1996
1 6 Folha do Meio Ambiente
AGENDA
icmarA
Espanha debate
O Colégio Oficial de
Físicos da Espanha, com
apoio da União Profissional e Aproma, realiza em
Madri, de 25 a 29 de novembro, o seu 3o Congresso Nacional de Meio Ambiente, que vai revisar a situação do meio ambiente
espanhol e sugerir as alternativas que 0 país necessi-
ta executar para cuidar
bem de seus dos recursos
naturais. Durante esse congresso, haverá um encontro ibero-americano, reunidos pessoas de vários países. Mais informações escrever para Tilesa Londres,
17, E-28020 Madrid, fone
3413612600 e fax
3413559208.
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Educação ambiental
Manguezais
Será realizado, de quatro a 8 de novembro, em Nova
Almeida, município de Serra - ES, o 4o Encontro Nacional de Educação Ambiental em Áreas de Manguezal, promovido pela Universidade Federal do Espírito Santo. O
encontro oferecerá cursos, palestras, mesas- redondas e
oficinas sobre vários aspectos das áreas de manguezais,
como bioecologia, etnobiologia e técnicas e dinâmicas
de educação ambiental. Quem estiver interessado manter
contato com a Pró-Reitoria de Extensão da UFES, na Avenida Fernando Ferrari, s/n, Campos Universitário de Goiabeiras, Vitória - ES, CEP 29060-900, fone (027) 3352333 e fax (027) 335-2330.
Cursos ambientais
Mais dois cursos serão
realizados este mês pela
Sociedade Brasileira para
a Valorização do Meio
Ambiente - Biosfera, na
área de meio ambiente.
Em Natal - RN, de 13 a
17 de outubro, haverá o
curso de planejamento,
operacionalização e gestão de projetos de
ecoturismo. Em São Paulo, de 21 a 23 de outubro.
o curso versará sobre
gerenciamento da água
industrial, com enfoques
técnicos econômicos e
ambientais. Mais informações na Biosfera, à Avenida Presidente Vargas, 435,
Grupos 1104 e 1105, caixa postal 2432, Rio de Janeiro - RJ, CEP 20001970, fone (021) 221-0155
e fax (021) 221-0155 e
262-5946.
De 26 de outubro a dois de novembro. Belo
Horizonte será transformada em capital ecológica por reunir quatro eventos de grande importância, quais sejam: 13° Simpósio Nacional de
Educação Ambiental, 4o Simpósio Nacional
Infanto Juvenil de Educação Ambiental, 1°
Simpósio Mineiro de Educação Ambiental e Ia
Feira Nacional de Cultura Ambiental. Promovidos por diversas órgãos estaduais, instituições
de classe e empresas mineiras, os eventos ocorrerão, simultaneamente, no Parque das
Mangabeiras, auditório do Sesiminas e no Campos da Universidade Federal de Minas Gerais.
Mais informações na Pró-Reitoria de Extensão
da UFMG, no fone (031) 499-4065 e fax (031)
491-1947.
Ecoturismo
O
Instituto de
Ecoturismo do Brasil IEB realiza em Bertioga
- SP, de seis a oito de novembro seu primeiro congresso com o título
"Ecoturismo é um bom
negócio", que reunirá
grandes especialistas nacionais e internacionais
em ecoturismo. Mais informações sobre o evento no IEB, à Rua Wanderlei, 750, São Paulo SP, telefax (011) 2622069.
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:
olha do Meio Ambiente I /
Brasília, setembro/outubro de 1996
DEBATE
Devastação da Amazônia preocupa pesquisadores europeus
|Reunidos na Itália, pesquisadores europeus denunciam que a
devastação causa grande perda das espécies vegetais
Textos e foto Aivone Brandão
O Instituto Italo-Latino Americano
(IILA-Roma) dedicou a última semana de
junho exclusivamente à cultura, à reflexão e ao diálogo da problemática da salvaguarda da racional utilização dos recursos naturais da região amazônica.
O foco principal do evento foi a realização de uma mesa redonda composta de
pesquisadores vinculados a universidades italianas e sul americanas, bem como
o representante da Agência Espacial Européia e membros da "Associação Amazônia", uma organização não governamental que há muito vem amando na região dos igarapés Xixuau e Xiparanã, no
Estado do Amazonas.
A jornada seminário foi realizada no
dia 27 e durou mais de oito horas. Os estudiosos, ao ilustrarem suas experiências, estiveram de acordo em afirmar que a
Amazônia, possuidora da maior quantidade de espécies viventes do planeta,
continua sendo devastada.
O processo de desflorestamento, que
tem como causa principal a colonização
com suas várias formas de criação e cultivo, está avaliado hoje, segundo Maurício Fea, da European Space Agency ES A, em um milhão e trezentos mil hec-
tares, a cada ano, só na Amazônia brasileira, e em quatro milhões e trezentos mil
em toda a América Latina.
Segundo estudos realizados por
Samuel Fujisaka, do Centro Internacional de Agricultura Tropical de Cali-Colômbia, "no recrescimento das espécies
devastadas sobre o solo abandonado pela
shifting-culture - cultura itinerante - há
sempre uma considerável perda de espécies vegetais".
O biólogo Maurizio Paolehi da Universidade de Padova - Itália, também
acredita que um dos grandes problemas
da Amazônia é a influência dos limitados recursos para a subsistência humana
utilizados pelas culturas ocidentais: ao
invés de explorarem os recursos naturais
sem danificar o ecossistema (como o fazem os aborígenes da Amazônia
venezuelana, que se alimentam inclusive de grandes minhocas e pequenas mamíferos, ricos em proteínas), elas destroem a floresta para, paradoxalmente,
transformá-la na quota de proteína necessária à sua subsistência.
Um outro problema, segundo Paolehi,
é que a colaboração científica é limitada
pelo fato de "os pesquisadores não terem
muito acesso à cultura para compreende-
Mesa redonda reuniu representantes de vários países
rem e desenvolverem in colo, os maravilhosos e vastíssimos recursos ainda desconhecidos".
Os pesquisadores estiveram de acordo, ainda, com relação a importância de
se criarem projetos de desenvolvimento
sustentável a partir, obviamente, do total
conhecimento dos problemas da Amazônia.
"Um desenvolvimento sustentável".
Compromissos assumidos
Os resultados concretos dos trabalhos
expostos na jomada-seminário foram
consolidados, entretanto, em reunião corrida posteriormente. Segundo o Dr. Júlio
Samper, vice-secretário técnico-científico do IILA os resultados foram os seguintes:
- Decidiu-se criar uma rede de organismos e pessoas que se proponham manter uma observação permanente na Itália,
tanto para compilar os resultados das investigações e projetos, como para entrarem em contatos entre si e promoverem o
intercâmbio com as instituições de outros países que se dedicam ao estudo deste tema.
- Paralelamente à construção dessa
rede, concordou-se em iniciar a preparação de um projeto de desenvolvimento
sustentável na Reserva Xixuau da Associação Amazônia, que constitua um laboratório de experimentação que cumpra com as condições anteriormente mencionadas.
- Os estudiosos concordaram ainda,
que um instrumento útil para a realiza-
ção das iniciativas está representado pela
utilização de observação por satélite,
como foi ilustrado pelo representante da
Agência Espacial Européia durante sua
exposição".
- Em conclusão, no final dos trabalhos, verificou-se um consenso em relação aos problemas tais como o
desflorestamento e, em geral, a perda dramática da variedade biológica da Amazônia, que devem ser enfrentados com
projetos de desenvolvimento sustentável
de enfoque interdisciplinar e em estreito
acordo com os problemas locais".
Exposição - Paralelamente às discussões sobre desenvolvimento sustentável
na região Amazônia ocorreu, durante
toda a semana, a primeira exposição
Itinerante de Pinturas Fotografias e Filmes da Amazônia.
A exposição ocupou uma das amplas
e luxuosas salas da sede do IILA em Roma
e mostrou quase uma centena de quadros
de artistas de diversas regiões da Amazônia, algumas dezenas de fotografias e filmes que retrataram a beleza natural da
"Reserva Xixuau".
Tal exposição foi visitada por grande número de pessoas, além de personalidades como o embaixador do Brasil na Itália, Paulo Pijes do Rio, e do
duque Roberto Pablo Imperiali, importante empresário italiano, e mais recente sócio da reserva Xixuau, presentes
na inauguração. A exposição é uma
iniciativa da Associação Amazônia e
do pintor Bui Chaves, cujas obras agradaram muitíssimo os colecionadores
romanos. Depois de Roma, a exposição passou a percorrer as cidades de
Montana, Siena, Grosseto, Lago D'Orta,
Perugia e Foi lonica.
Os eventos realizados durante a semana dedicada à Amazônia tiveram
uma considerável repercussão na imprensa local. A seriedade dos pesquisadores e o empenho do IILA foram,
no entanto, traduzidos pela seguinte
manchete. "Compra um Pezzo Di
Amazônia", publicada pelo periódico
L'unita, em 28/06/96, na sua página
destinada a assuntos ambientais.
afirma Christopher Clark, um dos sócios
da "Reserva Xixuau" e integrante da mesa
redonda, "deve olhar em todas as direções". No Caso do Xixuxau, por exemplo, "explorar de modo conciliável a castanha e a borracha, manter relações com
universidades e centros de pesquisas científicas, oferecer hospitalidade para grupos dedicados ao estudo e documentação naturalística".
SUMMARY
The Italo-Lalin-American Institute
(IILA, Rome) dedicated the last week of June
exclusively to culture, to reflection and to discussion of the problematic of assuríng a mtional utilization of natural resources m the Amazon. The mainfocus ofthe event was the realization of a round table formed by researches from
Italian and Souih-American Universities, as well
as by the representative of the European Space
Agency, and members of the "Amazonian Association", a non-governmental organization
which has been operating in the region of the
Xixuau and Xiparanã Igarapés, in the State of
Tlie Amazon, for a long time. The seminar, occurred on the 27, lasted more than eight hours.
Tlie researchers, as they presented lheir experiences, agreed that the Amazon, which is the
region containing lhe greatest number of living
species in the planet, continues to be devastated. The deforestation process, which lias as
its main cause the coíonization, with its various
forms of livestock growing and agriculture, is
estimated today, according to Maurício Fea,
from lhe European Space Agency (ESA), as being
a million and three hundred thousand hectares
each year, just in the Brazilian Amazon, and as
four million three hundred thousand for the
wliole Latin America. According to studies carried out by Samuel Fujisaka, from the International Center of Tropical Agriculture, in Cali
{Colômbia), "in the re-growth ofthe devastated
species on the soil left by the shifting-culture
there is always a considerable loss of vegetal
species "■
Brasília, setembro/outubro de 1996
I O Folha do Meio Ambiente
n tudo que merece
ser preservado
everde
A preservação do meio ambiente depende,
antes de tudo. da nossa civilidade. E isso
que nos diferencia dos outros animais. Os
telefones públicos são patrimônio de todos.
Ajude a conservá-los.
Teiebrasíiia
SISTEMA TELE8RAS
Brasília, setembro/outubro de 1996
Folha do Meio Ambiente 17
A reciclagem vira luxo
e chega nos shoppings
Clausem Bonifácio
•erf«».
MtKKf"-
0400»»*
FILATELIA
E ECOLOGIA
DEPARTAMENTO DE FILATELIA-ECT
Os selos que falam das flores
No Conjunto Nacional o lúdico é aprender
Romoaldo de Souza
O que antes era apenas lixo, hoje é luxo.
Pelo menos é assim que o lixo nas grandes
cidades vem sendo tratado: com o verdadeiro valor, de luxo. As indústrias não suportam o desperdício causado com o lixo.
O consumidor, cada vez mais exigente, examina mais de uma vez o produto que vai
adquirir; se é reciclável, se biodegradável.
Ao que parece, o desperdício está com os
dias contados.
Nas cidades, a limpeza urbana foi um
dos principais temas das campanhas eleitorais do pleito de 3 de outubro. Acreditase ser urgente uma tomada de decisão que
vise a reciclagem do lixo como fator primordial para melhoria da qualidade de
vida.
Nas escolas não tem sido diferente.
Cada vez mais especialistas no assunto são
convidados a proferir palestras à garotada
sobre a importância de se reciclar o lixo.
Nessas conferências acontecem verdadeiras sabatinas. Afiadíssimos, alunos e professores não se contentam apenas com a
teoria da necessidade, insistem em saber
como se dá a operacionalização. Como podem efetivamente contribuir.
Em Brasília, desde meados do mês de
setembro o Projeto Experimenta montou
uma exposição no Conjunto Nacional,
shopping localizado na região central de
Brasflia, cujo objetivo, da exposição, é desenvolver a educação ambiental, estimulando e conscientizando o público
freqüentador do shopping e alunos da rede
escolar do Distrito Federal. Na exposição
- idealizada por especialistas em meio ambiente e em educação - são enfocadas as
ações que devem ser tomadas na área da
reciclagem do lixo. Emil, o Ursinho Verde,
é o personagem central da exposição. Ele
é um misto de urso e índio
Por onde passa Emil cativa das crianças aos adultos. Desde 1995, o Projeto Experimenta já percorreu 11 cidades do país,
sempre muito bem acolhido. Todos fazem
questão de decorar a lição de casa; seguir
sempre as 10 regras de ouro do Emil:
1.
empenhar-se todos os dias na defesa do meia ambiente;
2.
querer ver mais verde nas cidades, no campo e nas escolas;
3.
fazer questão de que ninguém
desperdice água e que todos utilizem produtos que não agridam o meio ambiente;
4.
querer que os adultos abram mão
do uso do carro, sempre que possível, para
diminuir a poluição do ar;
5.
usar papel reciclado para escrever, fazer cálculos e desenhos, economizando assim água, substâncias químicas e
madeira;
6. evitar produzir lixo, seja
onde for;
7. zelar para que metais,
plásticos, vidros e papel sejam
coletados e reaproveitados separadamente;
A arte de reciclar, vista de perto
8. gostar de comidas saudáveis;
9. proteger todos os animais e plantas e ajudam a conservar seu habitat natural;
10. ser detetives do meio
ambiente.
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançou no dia 17 de setembro de 1996, a
série Preservação da Flora, divulgando três orquídeas, cujas características as distinguem
dentre as inúmeras espécies existentes em todo o país. A emissão assinalou a 15* Conferência
Mundial de Orquídeas, realizada no Rio de Janeiro, no período de 17 a 22 de setembro último,
que contou com a presença de orquidófilos do mundo inteiro e de apaixonados por essas
delicadas e belas representantes da fantástica flora brasileira.
%
- Promenea stapelioides (Link e Otto) Lindley
Esta espécie é encontrada no sul do Brasil. Pode ser cultivada em pequenos
vasos de barro ou plástico, em locais de temperatura intermediáriae com bastante umidade.
- Catüey a loddigessii Lindley
Do Gênero Cattleya, esta espécie pode ser encontrada em regiões elevadas
e de matas com elevado grau de umidade. Embora ocorram até mesmo como
litófitos (vegetais que crescem e vivem nas pedras), o mais comum é as espécies
vegetarem em galhos altos de grandes árvores, onde se beneficiam de boa
luminosidade.
-Cattleya eldorado
Nativade áreas do Estado do Amazonas, esta espécie é de extraordinária beleza ornamental, possuindo hábito epifítico (plantas que nascem sobre outros vegetais, sem contudo tirarem
deles a sua nutrição). Ocorre predominantemente nos tipos de vegetação conhecidos como campina e campinarama e com menor freqüência na densa floresta
de terra firme. A Cattleya eldorado floresce nos meses de dezembro a fevereiro,
mas com o pico da floração ocorrendo no mês de janeiro, pleno verão brasileiro.
Selo promocional
defensores da natureza
A presente emissão, com lançamento efetuado em 9/10/96, por suas características
promocionais inéditas no Brasil, é peça essencial em todo o projeto "Defensores da Natureza"
iniciado com o Convênio entre a Xuxa Produções, o Ministério do Meio Ambiente, dos
Recursos Hídricos e Amazônia Legal/Ibama e com o apoio dos Correios.
Para o uso deste selo, cuja tarifa de R$10,00 é destinada ao pagamento da
anuidade do Clube Defensores da Natureza, foi criada a "Carta Verde" por
intermédio da qual os interessados em associar-se enviarão seus dados pessoais
e uma frase declarando seu amor à natureza. Esta correspondência chega a um
banco de dados preparado para cadastrar, em três anos, até dez milhões de
pessoas " Defensoras da Natureza".
Os cadastrados receberão uma carteira de PVC, inédita no país, contendo
uma foto da Xuxa e a foto da pessoa, além dos telefones da linha Verde/Defensores da Natureza e um número de código de barras que identifica o cadastro.
Trata-se, portanto, de um selo promocional de grande importância capital na
construção e de um projeto de educação e informação ambiental.
Centenário do nascimento
Israel Pinheiro da Silva
Assinalando o centenário do nascimento de Israel Pinheiro da Silva, a Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos está emitindo, hoje, um selo comemorativo.
Notáveis realizações e preciosos ensinamentos: eis a síntese da vida e da
obra de Israel Pinheiro da Silva.
Durante sua exemplar vida pública, exerceu múltiplas e variadas funções,
com muitos êxitos e grande respeitabilidade. Presidente da Câmara Municipal de
Caeté; Diretor da "Companhia de Mineração Jucá Vieira" e da "Usinade Tubos Centrifugados
Barbará"; Secretário da Agricultura, Viação e Obras Públicas e Secretário da Agricultura,
Comércio, Indústria e Trabalho de Minas Gerais; Presidente da Companhia Vale do Rio Doce;
Deputado Federal com destaque na Presidência da Comissão de Orçamento e Finanças da
Câmara dos Deputados; Presidente da "Companhia Urbanizadora da Nova Capital" (Novacap);
Prefeito do Distrito Federal e Governador do Estado de Minas Gerais.
Esse espírito empreendedor se revelou, de forma incomparável, durante a construção da
Nova Capital do Brasil, quando surgiu a expressão "espírito de Brasília", que Israel definiu
como "tudo que há de contrário ao derrotismo sistemático".
Para compor o selo o artista. Márcio Rocha, idealizou uma associação da figura do
homenageado com um dos mais conhecidos cenários de Brasília - o Congresso Nacional - e
ainda mostra o projeto do Plano Piloto, início da cidade que o espírito empreendedor de Israel
Pinheiro ajudou a construir.
rsBi
^H
Brasília, setembro/outubro de 1996
XU Folha do Meio Ambiente
VOCÊ DESENHOU ASSIM.
A GENTE ESTÁ FAZENDO TUDO PARA QUE
OS SEUS FILHOS NÃO DESENHEM ASSIM.
Nos últimos anos, milhares de pessoas têm abraçado
a causa do meio ambiente.
Uma preocupação mais do que natural, já que o futuro
do planeta e da própria humanidade está diretamente ligado
à questão ambiental.
Antenada com o que de mais importante acontece
no mundo moderno, a Petrobras tem plena consciência do
papel que deve exercer no combate à degradação da
natureza e dos seus ecossistemas.
Através de parcerias desenvolvidas junto a Universidades,
Institutos de Pesquisas, IBAMA, Ministérios e Institutos,
a Petrobras participa de inúmeros programas de preservação.
Projetos como o TAMAR, de MONITORIZAÇÃODA
QUALIDADE DO AR e o TELEFONE VERDE, entre outros, são
algumas das iniciativas que a empresa empresta seu total apoio.
Porque entende que esta é a melhor maneira de evitar
que, num futuro muito próximo, as crianças se inspirem em
fotos antigas sempre que forem retratar a natureza.
PETROBRAS
Brasília, setembro/outubro de 1996
Folha do Meio Ambiente Z. I
AMAZÔNIA
Floresta depredada PELO BRASIL
Augusto Mazagão
Conforme a imprensa tem no- ticiado, empresas madeireiras estrangeiras -principalmente asiáticas - estão se instalando no Brasil. Investem alguns milhares de
dólares e adquirem vastas extensões de terra na floresta amazônica, especialmente no Estado do
Amazonas. As áreas adquiridas
ou arrendadas já somam milhões
de hectares. Para o brasileiro que
vive na cidade e está acostumado a medir o seu reduzido espaço
urbano em metros quadrados,
vale comparar. Cada hectare eqüivale a 10 mil metros quadrados,
ou seja, mais que um campo de
futebol com as dimensões oficiais máximas.
Pois uma única empresa asiática comprou, de uma só tacada,
um milhão e meio de hectares.
fato poderia ser alvissareiro se
as madeireiras da Ásia tivessem
tradição de explorar as reservas
naturais de forma sustentável e
respeitando o meio ambiente.
Assim, elas trariam o seu capital,
criariam empregos e gerariam riquezas para o Brasil. Entretanto,
não é o caso. Essas mesmas empresas que agora chegam à nossa
Amazônia devastaram as florestas tropicais asiáticas. Começam
a vir para cá porque estão prestes
a esgotar as reversas de madeira
das regiões onde operam.
Se não nos acautelarmos, veremos repetir-se aqui a mesma devastação, marca registrada dos
predadores. Trata-se de um desafio posto diante de todas as responsabilidade brasileiras: desde
as autoridades municipais, estaduais e federais, detentoras do
poder de fiscalizar e proibir, até
as do cidadão comum, com destaque para as organizações da
sociedade civil.
Habituamo-nos, nos últimos
anos, à idéia de que o nosso país
é o vilão mundial do meio ambiente. As críticas e denúncias internacionais, reverberadas aqui
dentro pelos setores mais atentos
aos riscos de um desenvolvimento desordenado, infundiram-nos
uma consciência de culpabilidade ecológica. Fomos condenados
sem provas e aceitamos passivamente o julgamento de conveniência armado lá fora.
A realidade, todavia, conta
uma história bem diferente. Não
há termo de equivalência, por
exemplo, entre a magnitude dos
estragos ambientais que as madeireiras vêm causando na Ásia e
a resultante do corte de madeiras
e da denubada de capoeiras pela
agricultura migratória na Amazônia. O abate da floresta amazôni-
ca, no Brasil, não passa de 1.500 hectares
por dia, enquanto a
devastação de florestas tropicais, em escala mundial, atinge 46
mil hectares. Isso
mesmo: 50 mil maracanãs por dia, ou 30
vezes o que se
desmata na Amazônia. E as madeireiras
asiáticas são as campeãs dessa perversa
competição contra a
natureza.
Bem informado
do perigo que
estamos correndo, há
poucas semanas o
presidente da República editou medida
provisória que proíbe, temporariamente,
o corte e o comércio
do mogno e da virola,
duas madeiras nobres
extraídas na Amazônia e muito valorizadas no mercado mundial. O governo se antecipou, assim, a recomendações que
provavelmente adviriam da próxima reunião da Organização
do Comércio Internacional de Madeiras.
O mogno e a virola já
podem ser considerados espécies em vias Madereiras
de extinção no território nacional.
E por que devemos proteger
a floresta? A pergunta continua
sendo necessária, pois ainda existe entre nós quem julgue a defesa
ambiental um entrave ao desenvolvimento, à geração de emprego e de renda.
Tais resistências jirstifícamrebater na tecla de que a conservação dos recursos naturais constitui um imperativo em benefício
do avanço econômico e do próprio homem em suas múltiplas necessidades. A experiência demonstra que é menos oneroso preservar do que recuperar, a
posteriori, as áreas degradadas
pela exploração destrutiva. No
caso da floresta tropical, está em
foco um reservatório inestimável
de recursos genéticos que a natureza levou milhões de anos para
acumular. A utilização sem cuidados ecológicos destrói parte
considerável desse tesouro, o
qual se nos vai tomando cada vez
mais útil à medida que estudamos e melhor conhecemos a floresta e suas espécies.
Por isso, a palavra de ordem é
André Penner/Abril Imagens
Auditores ambientalistas
O Tribunal de Contas da União (TCU) está formando, na
Universidade Livre do Meio Ambiente - UniLivre, de Curitiba
- PR, técnicos auditores na área de educação ambiental para
atuarem em questões de crimes contra o meio ambiente, que
associam interesses econômicos escusos, fiscalização dificiente
e conivência em vários níveis da administração pública. Os
novos auditores ambientalistas terão o embasamento necessário quanto à legislação e técnicas a serem empregadas nas funções de fiscalização e auditoria dos órgãos públicos responsáveis pela preservação ambiental.
Dependentes químicos
A comunidade terapêutica
Caminho do Meio, que trata
da recuperação de dependentes químicos dos mais variados segmentos sociais, inclusive junto à população de baixo poder aquisitivo, faz sucesso em Brasília pelo método
revolucionário que vem empregando para recuperar crianças e adolescentes, que, desde
cedo, mergulham no mundo
do álcool e das drogas. Em vez
do método tradicional de
internação clínica, a Caminho
do Meio usa a convivência
comunitária para, acompanhada de técnicas terapêuticas de
grupo, recuperar e reintegrar
o dependente químico em seu
meio familiar e social. Mais
informações sobre a comunidade terapêutica no fone (061)
500-3080.
Sensor na fiscalização
usam tratores na floresta'
explorar dentro dos parâmetros
conservacionistas. Ou seja: extrair, mas ao mesmo tempo repor,
ajudar a floresta a se regenerar
após cada extração.
Estudos concluídos recentemente pela Embrapa demonstram
a plena possibilidade da exploração nesses termos metódicos e
recriadores. Além disso, experimentos de campo da entidade
governamental comprovam ser
mais econômico promover o
chamado manejo sustentado.
Comparado à extração predatória, o manejo racional promove
a regeneração da floresta em
metade do tempo. E acaba produzindo o dobro de madeira nobre, para uma segunda extração.
Em síntese, a floresta racionalmente trabalhada toma-se quatro vezes mais produtiva que a
simplesmente assolada.
Eis porque não se deve ter dó
nem piedade na fiscalização e
punição dos agentes predadores.
É para o bem de todos nós, dependentes dos bens e do manto
protetor da natureza. Dependência que inclui mesmo aqueles
que a desrespeitam a agridem.
O Ibama, vire e mexe, apresenta algo de bom no setor
ambiental brasileiro. Para combater o desmatamento na Amazônia, o órgão está usando um sensor desenvolvido pela NASA,
que tem capacidade de fotografar e identificar as áreas
desmaiadas, incluindo nas fotografias as coordenadas geográficas que permitem a localização precisa do local desmaiado. Por
sua precisão, as fotos podem ser usadas até como prova judicial,
segundo informou o presidente do Ibama, Eduardo Martins.
Revendo a Rio-92
Vem causando muita expectativa o encontro de representantes de governos e organizações não-govemamentais
do mundo inteiro, previsto
para ocorrer de 13 a 19 demarco do próximo ano, no Rio de
Janeiro, que irá fazer um balanço do que foi feito até agora em termos dos compromis-
sos firmados para o meio ambiente durante a Rio-92. A
Fundação Brasileira para o
Desenvolvimento Sustentável, informou que, para o "Rio
5", como vem sendo chamado o encontro, já estão confirmadas as presenças de 1.500
representantes de governos e
ONGs.
Composto orgânico
O Brasil está desperdiçando mu grande volume de composto orgânico, que é uma espécie de adubo. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública - Abrelp, 50%
das 96 mil toneladas de lixo domiciliar produzido diariamente
poderia ser transformado pelo processo de compostagem, gerando um produto rico em micronutrientes para a terra. Para se
chegar ao composto, é preciso retirar do lixo vidros, latas, plásticos e outros itens como baterias e pneus. A massa orgânica
passa pela fermentação e ganha um aspecto semelhante ao da
tena, sendo capaz de devolver ao solo o composto nitrogênio,
fórsoro e potássio, auxiliar na maior absorção da água e garantir
uma colheita agrícola de melhor qualidade.
Brasília, setembro/outubro de 1996
2.2. Folha do Meio Ambiente
PONTO DE VISTA 1
Carro elétrico, o
choque do futuro
* José Carlos Pinheiro Neto
Neste começo de outono, manho das baterias para acionos Estados Unidos, em dois nar o veículo, a viabilidade de
importantes estados norte-ame- sua produção em escala indusricanos da costa oeste, trial e, finalmente, o custo final
Califórnia e Arizona, está come- que o carro elétrico chegaria ao
çando tuna nova fase para a in- consumidor final.
dústria automobilística mundiNa questão da bateria, houal e especialmente para aqueles ve a formação de um consórcio,
consumidores que têm preocu- integrado pelas famosas "Big
pações com a preservação do 3", dos Estados Unidos, ou seja.
meio ambiente: o início da ven- General Motors, Ford e Chrysler,
da do primeiro veículo elétrico cujas pesquisas e esforços conem escala comercial. Trata-se do juntos estão tomando possível
EV-1, um modelo compacto de- a aplicação prática das baterias
senvolvido pela General Motors nos automóveis, com redução
Corporation, que sai na frente de peso e preço, inclusive com
para comprovar, mais uma vez, a aplicação de plásticos e ligas
sua liderança tecnológica no de metal leve na carroceria.
campo das energias alternativas
Já como resultado dessas
para impulsionar os veículos.
pesquisas, a General Motors
Sem dúvida alguma, o iní- Corporation surpreendeu o mercio da comercialização do EV-1
cado automobilístico mundial
que está chegando ao mercado no começo deste ano, em Los
com preço ao redor de 35.000 Angeles, quando teve a primadólares, é um extraordinário zia de anunciar o lançamento do
avanço para o mundo, que há EV-1, o primeiro veículo elétrimuito tempo busca desenvolver co a ter sua comercialização ao
veículos que não poluam o meio público a partir deste outono, no
ambiente. Com capacidade para hemisfério norte.
dois passageiros, o EV-1 pode deSabemos que os volumes a
senvolver até 14 km/hora de veserem comercializados, da orlocidade máxima e sua autono- dem de 2.000 unidades, todos
mia é de 15 km, sendo que suas praticamente já vendidos com
baterias podem ser recarregadas muita antecedência, são quase
numa tomada doméstica de 220 simbólicos, quando comprados
volts.
com os volumes de veículos
O desafio de tomar factível movidos a gasolina que circuo lançamento do veículo elétri- lam nas mas e estradas norteco, tanto de ponto de vista americanas, mas de acordo com
operacional, quanto de custo, o nosso "chairman", JackSmith,
foi a existência de
"a General Motors
uma legislação
Corporation
está
SUMMARY
muito rígida do
se antecipando ao
Estado
da
futuro ao disponiThisFall, inthe United
Califórnia, famoso States, specifically in bilizar, em escala
pela sua política Califórnia and Arizona, a comercial, veícuambientalista, que new era is begimúng in the los que incorpoworidwide auto industry: the
exige, até o ano de start ofsales ofthefirst electric ram uma tecnolo1988, que pelo cor on a commercid. sede gia absolutamente
menos 2% das for customers of these two nova e que deverá
vendas de veícu- Westcoast states. It is the EV- direcionar a prefe1, theektriccardevelopedby
los de uma deter- General Motors Cor- rência do mercado
minada marca de- poration, introduced to nos próximos
vem ser de veícu- confim its technological anos". Por esta ralos de com zero leadership within the auto zão, os ambienindustry. The EV-I is a
emissão de po- compact car for two talistas estão venluentes.
do a chegada do
passengers, powered by an
O trabalho ci- electric engine of 172 horse carro elétrico como
Its top speed achieves um verdadeiro
entífico para o de- power.
144km/hour and its
senvolvimento de autonomy is about 150 km. choque do futuro.
um veículo elétri- Its batteries can be charged
co vinha sendo at home in a conmion 220
f * ) Diretor de
desenvolvido há volt electric appliance. For Assuntos Corpoenrorimentalists who care
muito tempo, sem- for the preservation of the ra&vos da Genercd
pre esbarrando em earth the launch ofthefir& Motors do Brasil e
o
três questões bási- electric car represenís a step I vice-presidente
daAnfavea.
cas: o peso e o ta- into thefuture.
PONTO DE VISTA 2
A importância da era
da ecoinformação
* Simone Silva Jardim
No mundo inteiro, indústrias dos mais variados
setores alegam que o alto
custo da despoluição ameaça sua saúde financeira, e
há, entre elas, as que alegam
essa despesa-rombo pode
acabar
se
"metamorfoseando" em facão que corta, sem piedade,
o emprego de milhares de
trabalhadores. Em alguns
poucos cantos do planeta, os
ambientalistas estão conseguindo levar os poluidores
aos tribunais. Esse confronto, desgastante para ambas
as partes, tem por objetivo
fazer um acerto de contas em
favor do meio ambiente.
Mas, no placar, essa quedade-braço fica registrada assim: custos altos em tempo
e dinheiro para os envolvidos, e resultados muito minguados para a mãe-natureza.
Não é para menos. O
comportamento humano
está alicerçado numa série
incontável de condicionamentos. É possível gerar todas as mudanças requeridas
para entrarmos no século 21
com o pé direito, mas é preciso dar outra abordagem à
questão ambiental se quisermos sensibilizar os setores
que exaurem os recursos naturais.
Essa estratégia consiste
em apelar para os interesses
próprios do empresário e em
bombardeá-lo com o que eu
costumo
chamar
de
ecoinformação certa, aquela que acena com números
e dados suficientes para que
o homem de negócios componha uma nova equação e
constate, de uma vez por todas e na ponta do lápis, que
sua ignorância quanto aos
danos causados por sua atividade ao meio ambiente é
a responsável por rombos
muito bem camuflados em
sua contabilidade, uma doença silenciosa, mas fatal
para a sobrevivência futura
de sua empresa.
Vale lembrar que a expressão ecoinfonnação cer-
ta nada mais visa do que desenvolver uma forte ética
ambiental no setor produtivo.
Trocando em miúdos: "seja o
que for que você fabrique, é
preciso se responsabilizar por
todo o processo de produção e
descarte final do produto. Daqui para frente, sua sobrevivência empresarial dependerá basicamente de sua competência
em levar adiante esse compromisso que deve ser aperfeiçoado para o resto de sua vida".
É o Kaisen pintado de verde e
indicando a trilha a ser percorrida pela humanidade daqui
para a frente, sem mais adiamentos, rumo ao desenvolvimento economicamente sustentado.
Os empresários também
precisam ser imunizados contra a velha mania de tratar a
poluição somente ao final do
processo produtivo. Ela pode
- e deve - ser eliminada já na
sua origem. Há experiências
que provam por a+b que prevenir a poluição na fonte significa, em números, gastar
SUMMARY
Industries from ali over the
world, from the most diverse
sectors, havebeen complaining that
the high costs of de-polluting the
environment is threatening their
financial health. There are some
among them who declare that this
ovenvhelming expendiíure might
suffer a metamorphosis into a
sword which might sever, with no
mercy, the jobs of thousands of
workers. In some few comers of
thePlanet, environmentalistshave
being able to takepoüuters to court.
This conflict, stressing for both
parties, aims achieving an
agreement which favors the
environment. But, sofar, the score
for this arm-wrestting is registered
as: high costs andtime consuming
for ali the involved and very little
outeome for mother-natwe. This
strategy consists ofinvoldng the
interests of the entrepreneurs
themselves, andbomhmgthemwith
what I use to call "the righí ecoinformation ", meanig the one which
contains enoughn umbers and data
to allow businessmen to compose
anewequation, andverifyfor once
andforever, at the tip ofthe pencil,
thattheirignorance conceming the
damages causedby his activities to
the environment is responsible for
well camouflaged hanns to his
accountings. Tliis represent a silent
but fatal ailment to the future
survival oftheir companies.
muito menos, economia que
permite abocanhar uma fatia a mais do mercado da concorrência. Essa atitude, calcada no cumprimento compulsório ou facultativo de
certas normas, pode evitar
sérios aranhões na reputação
de uma companhia que não
há dinheiro que pague. Uma
vez suja, é muito difícil reabilitar a imagem de uma empresa, principalmente agora
comas informações circulando em rede planetária, quase sem filtros ou barreiras.
Hoje, o potencial humano para driblar desafios é ilimitado. Exemplo dessa condição privilegiada é de que
o intelecto do homo sapiens
é capaz de desenvolver
tecnologias e processos que
respondem a múltiplas exigências: despoluição de áreas seriamente degradadas,
desenvolvimento de novas
fontes alternativas de energia, substituição de certas
matérias-primas naturais escassas por outras criadas em
laboratórios, tratamento eficiente de resíduos perigosos
e até um uso nobre para
eles...
Nessa área, mais que
força de expressão, o céu
realmente é o limite. A atividade industrial tem atualmente todas as chances
de acertar suas contas com
o planeta que é uma gigantesca, mas finita jazida de
recursos que precisam ser
melhor conhecidos para
serem melhor usados e respeitados. Mas, nessa empreitada, é bom não perder de vista um fato: os
empresários estão acostumados a reagir a desafios,
desde que ninguém ameace tirá-los do jogo ou
deixá-los acuados.
(*) Pós graduada em educação ambiental, Simone Silva Jardim éjornalista especializada na área de meio ambiente. Desenvolve projetos de
comunicação interna e externa para diversas empresas.
Brasília, setembro/outubro de 1996
Folha do Meio Ambiente
iriosid
23
$
CIENTIFICAS
Alexandros L. Georgopoulos
A matança dos cangurus
Talvez a caça mais repugnante e
sem compaixão que já tenha sido
praticada em nosso planeta tenha sido
a do canguru vermelho na Austrália.
Fazendeiros australianos têm por
tradição matar todos os cangurus que
conseguirem porque estes competem
por grama com seu gado ou suas
ovelhas. Já em 1863, o grande
naturalista e artista John Gould temia
que o canguru vermelho e algumas
outras espécies de marsupiais fossem
extintas pelos criadores de gado.
Felizmente ele estava errado - o
canguru vermelho permaneceu comum
em áreas mais secas onde as ovelhas
não conseguiam sobreviver.
Então nos anos cinqüentas, surgiu
o mercado para carne de canguru, que
servia para fazer comida para cães e
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gatos, salsicha de qualidade inferior e
sopa de cauda de canguru. O resultado
foi uma corrida desenfreada para caçar
cangurus. A técnica padrão era iluminálos com faróis de carros à noite, porque
Peixes e reciclagem
Os peixes podem se dar bem com
esgoto, e os habitantes de Calcutá adoram peixe. Esses mesmos habitantes
também produzem esgoto: 700 milhões de litros por dia. Criando peixes
com esses esgotos, piscicultores do
leste daquela metrópoles indiana descobriram como ligar essas necessidades na virada do século. Mas esse sistema de reciclagem natural - o maior
de seu tipo e possivelmente o mais
antigo - está sendo ameaçado pelo
governo do estado, devido a interesses de ganhar dinheiro com o mercado
imobiliário.
A piscicultura floresce por meio de
uma elaborada tecnologia rural. Espalhado numa espécie de lagos, o esgoto
decanta seus sólidos putrefatos. Peixes e plantas aquáticas vivem em tanques próximos aos lagos. Mais abai-
xo, algas se reproduzem com os nutrientes das águas já menos poluídas.
Tilápias e carpas, por sua vez, se alimentam das algas. Mais de 20t desses
peixes vão para o mercado de Calcutá
todos os dias. As algas também liberam oxigênio, muito necessário naquela cidade tão poluída.
Além disso, lodo oriundo dos lagos
de decantação fertilizam extensos "jardins de sujeira". O lixo sólido de Calcutá, que têm seu plástico, papel e metais retirados por mais de 25.000 pessoas catadoras de lixo que perambulam
pelos depósitos de lixo da cidade, é
quase inteiramente orgânico. Irrigado
por esgoto tratado e então adubado, o
lixo se transforma em solo no qual fazendeiros cultivam vários vegetais.
Suas colheitas suprem a cidade com
150t de produtos por dia.
assim eles ficavam imóveis e era mais
fácil alvejá-los com rifles. Uns poucos
eram mortos imediatamente, mas alguns
caçadores apenas feriam os animais de
propósito - algumas vezes deixando-
os sofrendo por várias horas ou mesmo
alguns dias para que sua carne
permanecesse fresca até eles serem
coletados. Essas caçadas noturnas eram
consideradas "eventos esportivos",
apesar de não serem necessárias nem
coragem nem técnica por parte dos
caçadores. Em 1980, um novo método
de caça se tornou popular: duas pessoas
perseguiam os animais numa
motocicleta, um guiando e o outro
atirando nos animais que tentavam
fugir o mais rápido possível. Desde o
início da colonização da Austrália pelo
homem branco, mais ou menos um
milhão de cangurus são mortos por ano
naquele país. A matança continua hoje,
apesar de felizmente os grandes
cangurus estarem conseguindo
sobreviver. Em contraste, algumas das
espécies menores estão sucumbindo
devido à destruição do seu meio
ambiente.
Doce muito caro
A.grande borboleta azul da Europa
(já extinta na Inglaterra) tem uma estranha e curiosa relação com uma espécie
de formiga. Ela se desenvolve bem em
áreas onde existe o tomilho selvagem,
uma espécie de planta. Coincidentemente essas áreas são propícias para
essa espécie de formiga que "pastoreia"
as lagartas da borboleta. A relação da
borboleta com as formigas que protegem suas lagartas é obrigatória. Em seus
estágios iniciais de desenvolvimento,
as lagartas da borboleta desenvolvem
glândulas que secretam uma substância adocicada. Quando as formigas tocam nas lagartas com suas antenas e
patas, essas glândulas expelem pequenas gotas do fluido açucarado, que são
a recompensa da formiga. Enquanto
isso, as lagartas comem não só o tomilho como umas às outras; o canibalismo é freqüente, as lagartas grandes devorando as menores.
Quando as lagartas alcançam o
quinto e último estágio de desenvolvimento, as formigas as carregam para
dentro do formigueiro - onde passam
a viver como parasitas sociais. Nesse
estágio, as lagartas se assemelham às
larvas das formigas em tamanho, cor e
textura da pele, e usam um comportamento muito parecido com o das larvas das formigas para pedir alimento.
Isto provoca uma resposta nas formigas, fazendo com que alimentem as
lagartas das borboletas. Enquanto isso,
as lagartas estão ocupadas devorando
também as larvas das formigas. Eventualmente, as lagartas da borboleta se
transformam em pupas (crisálidas) e
ficam assim por um tempo, até se transformarem em borboletas. Quando a
transformação está completa, a borboleta emerge, rasteja para fora do formigueiro, expande e seca suas asas e
voa para se acasalar.
z4 Folha do Meio Ambiente
Brasília, setembro/outubro de 1996
Florestas sustentáveis
Extrair madeira sem destruir as
florestas, preservando-as para as futuras gerações. Este é o objetivo a
que se presta o vídeo, de 11 minutos
de duração, que foi produzido pela
Fundação Floresta Tropical, uma entidade educacional sem fins lucrativos, para mostrar às indústrias maddreiras, às entidades acadêmicas e
às autoridades brasileiras que é pos-
sível utilizar as florestas
nativas de maneira sustentável, sem destruir
seus extraordinários recursos e, ao mesmo tempo, garantindo a sobrevivência da atividade madeireira. Distribuído pela
empresa Caterpillar, o
vídeo, sob o título
"Gerenciamento Sustentado de Florestas", apresenta técnicas que
viabilizam economicamente a extração de madeira nativa
em florestas tropicais, sem destruí-las.
Os interessados devem escrever para
Caterpillar, na Rodovia Luiz de
Queiroz, km 157, s/n. Distrito
Unileste, Caixa Postal 330, CEP
13420-900, Piracicaba - SP, fone
(0194) 29-2100 e fax (0194) 22-0966
e 29-2430.
Farsa no Mercosul
'Farsa no Mercosul" é o livro que
acaba de ser lançado pelo jornalista
José Pedro Martins, com prefácio do
escritor argentino Miguel Grinberg
- Prêmio Global 500, do Programa
Ambiental da ONU, em 1988 - retratando as evidências da farsa que
se prevê para o Mercado Comum do
Sul na medida em que este tem se
revelado muito mais como uma
oportunidade de meganegócios empresariais, traçada em gabinetes e em
palácios, do que uma verdadeira e
ampla integração entre os povos dessa região da América do Sul. É uma
boa obra para quem almeja essa
integração e recusa a farsa que, segundo o jornalista, está se transformando o Mercosul. Os interessados
devem entrar em contato com o próprio autor, à rua Presciliana Soares,
192, Apto 102, Campinas - SP,
CEP 13025-180, ou pelo fone:
(019) 251-3808.
SOS animal
Cardozo Dias, é um balanço completo de todas as adversidades que
o homem pratica hoje contra os animais, domésticos ou silvestre, em
casa, na rua, na floresta ou em laboratórios. Esse livro fala dos males, para os animais, da engenharia
genética, do tráfico, dos esportes e
das leis que protegem os animais e
são permanentemente desrespeitas
pelo homem. Traz também o que
representa o animal nas principais
religiões do mundo: no budismo,
judaísmo, cristianismo, espiritismo
e no induísmo. Tanto esse como o
livro "Crimes Ambientais", que publicamos na edição passada da
FMA, podem se adquiridos junto a
autora, à rua Espírito Santo, 935,
apto 803, CEP 30160-031, Belo Horizonte - MG, ou fone (031) 2244735.
Editado pela Liga de Prevenção
da Crueldade contra o Animal LPCA, com sede em Belo Horizonte - MG, o livro "SOS Animal", da
advogada e ecologista mineira Edna
Áreas degradadas
Curso de Recuperação de Áreas Degradadas, realizado em fevereiro
deste ano, em Curitiba, pela Universidade Federal do Paraná. A apostila do curso traz textos sobre a
micorrizas: uma ferramenta na re^■flMHT ■.■■-■'■ '^JÊÊÊÊÊÊ
cuperação de áreas degradadas; o
papel das leguminosas arbóreas
noduladas e micorrizadas na recuperação das áreas degradadas; as
medidas preventivas e corretivas do
processo erosivo e contenção de
encostas; recomposição de florestas
III CURSO
nativas; entre outros importantes traDE ATUALIZAÇÃO
balhos. Quem estiver interessado na
apostila favor escrever para a Fupef,
12 - 16 FEVEREIRO DE 1996
CURÍTIBfl - PARANÁ
à Rua Bom Jesus, 650, Juvevê,
Curitiba - PR, CEP 80035-010; ou
A Fundação de Pesquisas Flo- ligar pelo fone (041) 352-2443 e fax
restais do Paraná - Fupef, acaba de (041) 253-2332.
publicar, em bem elaborado e luxuosa apostila, os resultados do 3o
RECUPERAÇÃO
DE ÁREAS
DEGRADADAS
Setembro/Outubro de 1996
Ano T2 - N8 65
Brasil ia-DF
FOLHA DO
MEIO
AMBIENTE
PORTE PAGO
DR/BSB
PRT/BSB - 537/91
Forest Cultura Viva
e Promoções Ltda.
SRTV Sul, Quadra 701,
Bloco A, Salas 717 e 719
Centro Empresarial Brasília
CEP 70340-907
BRASÍLIA-DF
«(061)321-3765
FAX(061) 321-7357
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