Setembro/Outubro - 96 Ano 7o-N0 65 Brasilia-DF R$1,00 FOLHA DO MEIO AMBIENTE Cartas . Editorial...^ 4 Coluna do Meio. 5 Qualidade Verde.7 ONGs em Ação ..11 Agenda 16 Filatelia 19 Pelo Brasil 21 Gente do Meio ...22 Ponto de Vista....22 Curiosidades 23 Literatura 24 TCU investiga gastos com Semana da Amazônia Os R$ 850 mil que o governo doou para a ONG americana Amanaka'a gastar em concerto, jantar e coquetel caríssimos durante a T Semana da Amazônia, em Nova Iorque - Estados Unidos, daria para construir, segundo o Ibama, cerca de 2,5 usinas de beneficiamento de borracha, que beneficiariam mais de 7,6 mil seringueiros da região. A repercussão negativa do caso levou o Tribunal de Contas da União TCU a abrir, a pedido do deputado federal Augusto Carvalho (PPS-DF), auditoria especial para investigar os gastos com o evento, promovido com repasses de verbas públicas, sem licitação. Página 3 e Editorial, Página 4. Uma publicação da Forest Cultura Viva Ltda. Antônio Miranda As ervas alimentam o interior do Brasil Nó-de-cachorro, imburana, boldo do chile, catuaba, canela sassafrás, casca d'anta, erva-de-soldado e funcho são nomes de algumas das ervas que fazem muito sucesso no cardápio da população do interior do Brasil. Trazidas pelos portugueses e africanos ou cultivadas pelos índios, essas ervas são descritas no livro "As ervas comestíveis", da professora de botânica Cida Zurlo que resgata o conhecimento popular sobre a flora brasileira. Página 15. Quando a cidadania é baseada na ecologia Ver a sua cidade com toda a infra-estrutura necessária e harmonizada ecologicamente é o que estão aprendendo a fazer centenas de alunos e professores de São Sebastião, cidade pobre da periferia de Brasília, que estão participando do projeto "Cerrado, Casa Nossa", promovido pelo Jardim Botânico em parceria com a Sobotânica e o Unicef. Transformado numa brilhante experiência em educação ambiental no país, o projeto é considerado um grande exercício de cidadania baseada na ecologia. Página 7. Amazonense denuncia contaminação em Pitinga O Ministério das Minas e Energia, o Ibama, o DNPM e a Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Amazonas vão fazer uma inspeção conjunta para descobrir se os operários da vila de Pitinga, que trabalham na Mineração Taboca, no interior do Amazonas, estão sendo contaminados pela radiotividade impregnada nos alimentos que estariam sendo trans- portados pelos baús frigoríficos usados pela empresa para o transporte de cassiterita. A inspeção foi anunciada para investigar denúncia contida em uma carta anônima enviada por um morador do município de Presidente Figueiredo à Folha do Meio que repassou cópia da correspondência ao ministério. Cartas, Página 2. Próxima edição No reino das bromélias De beleza plástica inconfundível e uma enorme variedade de formas e cores, que tornam bela a paisagem, as bromélias têm uma importância extraordinária para os ecossistemas abrigando em seu interior muitas espécies animais. Em entrevista à FMA, o poeta e professor universitário Antônio Miranda, dono do único bromeliário do Centro-Oeste fala sobre sua paixão pelas bromélias. Páginas 12 e 13. Tiragem desta edição; 30.000 exemplares • População das margens do rio Gurupi, sente efeitos da contaminação provocada pelo mercúrio. • A maioria dos danos ambientais do Rio de Janeiro é causada pelo descumprimento da legislação ambiental. • Mercosul despreza legislação brasileira que regulamenta o uso dos agrotóxicos. L»li'il=ll»f:^/IHI^^^><.l>'il=t>y>l^.ltMdí.l^Wdd^d! Brasília, setembro/outubro de 1996 Z Folha do Meio Ambiente CARTAS Se existisse o Tarzan... Escrevo esta com muita revolta no peito. A TV Globo apresentou as matanças dos animais e das aves. Os caçadores exibindo para as câmeras de TV os animais que eles mataram e ainda disseram: "tchau, até aproxima caçada!" Cadê os defensores da natureza e do animais. Onde estão as leis para cadear - colocar na cadeia - esses homens desamorosos. Se existisse o Tarzan não aconteceria as matanças de animais, das aves e outros. Miro Fabiano Jacareí-RJ. Fonte de pesquisa Sou professora de Geografia do Ensino Fundamental e estou encontrando bastante obstáculos para trabalhar com meus alunos de acordo com o novo prot grama de ensino. Leciono no interior e confesso que fontes de pesquisa são quase inexistentes por aqui. Conversando com meu professor da faculdade, ele sugeriu este jornal como fonte de pesquisa e gostaria de saber como recebê-lo em minha escola. Edlene Aparecida Barreiros - Ataléia-MG. N.R. - Já providenciamos para que você receba o jornal em sua escola. Indispensável Sou estudante de engenharia agronômica da Universidade de Brasília e estou muito relacionado com o meio ambiente de hoje. É indispensável ler uma publicação como esta e manter-se a par das últimas no DF, no Brasil e no mundo. Já apreciei um exemplar de vocês e gostei muito, tanto em termos gráficos como de conteúdo. Li realmente o que precisava ler. Achei ótimo e, por isso, gostaria de assinar o jornal. Henrique Almeida Miranda - Brasília-DF. Instruindo Como uma entidade recentemente criada e amiga da natureza, queremos receber a Folha do Meio, pois acreditamos que ela contribuirá em muito para nos instruir no caminho que escolhemos seguir, que é o de proteger o ambiente em que vivemos. Lionira Coelho da Costa, da Brigada Ecológica Sucuriú Costa Rica-MS. Polícia florestal A questão ambiental requer a conscientização e a participação efetiva de todos, razão pela qual estamos desenvolvendo uma política de comando voltada para a prevenção. A legislação ambiental é complexa e bastante rigorosa. Por vezes, cumpre-nos o dever de autuar, notificar, apreender equipamentos e até prender em flagrante os infratores dessas legislação, muitos dos quais alegam desconhecimento da lei. Objetivando evitar constrangimentos aos cidadãos e a nossos policiais militares florestais, estamos distribuindo uma cartilha e um folheto informativos, acreditando estar contribuindo para uma maior Madeireira repassa jornal para escola Tenho recebido periodicamente os exemplares do seu jornal e desejo cumprimentá-los pelo seu conteúdo. A cada publicação nova, os assuntos nele abordados tomam-se mais interessantes. São tratados com a seriedade devida. Estamos entregando o nosso exemplar, após a sua leitura e apreciação, para as escolas do município, cujos professores têm utilizado as matérias publicadas como informação e conscientização da sociedade a respeito da legislação ambiental. Paulo Cezar Gomes Navega, comandante da Polícia Militar Florestal de Mato Grosso do Sul - Campo Grande-MS. Alta qualidade Tomamos conhecimento da Folha do Meio pelos nossos colegas do Centro de Estudos Ambientais - CE A e ficamos muito interessados em obter a assinatura desse periódico que consideramos de alta qualidade. Gostaríamos de colaborar com o jornal, enviando artigos sobre os ecossistemas da metade sul do Rio Grande do Sul. Knriq uc Araújo de Salazar, coordenador do Grupo Especial de Estudo e Proteção do Ambiente Aquático do Rio Grande do Sul - Pelotas-RS. N.R. - Agradecemos o elogio e teríamos o prazer de receber os artigos sobre os ecossistemas do Rio Grande do Sul. Zelar o ambiente Cuidar do meio, zelar o ambiente, lutar pela vida é ser realmente humano, é ser realmente animal. A natureza é divina, o homem animal é exigir muito para salvar, ele não consegue raciocinar que aquilo que ele mata é tão matemal, é a própria vida e seu ser racional. Parabéns pelos trabalhos realizados na Folha do Meio Ambiente. É qualidade e luta. Simão Pedro Claudino São José dos Campos - SP. continuem fortes como sempre foram! Um grande abraço para todos e sucessos. Luiz Carlos Couto, Maria Cristina I. Couto, Lilian Itagiba Couto, Igor Itagiba Couto e luri Itagiba Couto Ste-Foy - Canadá. Publicação excelente Venho parabenizá-los pela excelente publicação do jornal que trata especificamente de assuntos relacionados ao meio ambiente, sendo um jornal ecologista, feito por ecologistas e para ecologistas, o que é muito interessante. João Ferreira Ribeiro Macapá-AP. Projeto de reciclagem Somos leitores do jornal que tem sido um subsídio de grande Mogno e virola O governo não proibiu o corte de mogno e virola, conforme saiu publicado na FMA. Proibiu, sim, novas concessões para a exploração pelo prazo de dois anos. As concessões em vigor estão valendo e o mogno e a virola continuam sendo explorados. Consta que o prazo médio de uma concessão é de 30 anos. Paulo Lyra, da WWF Brasflia-DF. Cumprimentos A Folha do Meio Ambiente recebeu cartas de cumprimentos das seguintes entidades e pessoas: Meltur - Tour Operator; As-PTA- Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa; Universidade Federal de Juiz de Fora; Sindicato dos Biólogos do Estado do Piauí Abiopi; Federação Nacional das Apaes; biblioteca da Embrapa Piauí; biblioteca da Secretaria de Educação do Paraná; biblioteca da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará; Divisão de Documentação da biblioteca da Presidência da República; biblioteca da Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária da Bahia; e senador Jonas Pinheiro. UniABC tema para a elaboração de aulas relacionadas com os cuidados necessários à preservação do meio ambiente. Excelente nível O objetivo desta carta é simplesmente para dar testemunho do excelente nível de qualidade que a Folha do Meio Ambiente tem nos proporcionado. Estou aqui no Canadá, onde conclui recentemente o meu curso de doutorado em engenharia florestal e esse informativo nos possibilitou cultivar ao longo desses anos as nossas culturas sobretudo ligadas à uma das nossas maiores riquezas que é a natureza exuberante do Brasil. Para os meus filhos, sobretudo, que chegaram aqui ainda bem novos, a Folha do Meio Ambiente sempre nos permitiu redescobrir nossos valores e nos atualizarmos com relação aos nossos problemas e soluções diversas. Bravo a toda equipe e Nelson Fábio Sbabo, da madeireira Formulo Madeiras Ltda. - Caxias do SulRS. importância para nossas reflexões. Parabéns pelo trabalho! Estamos montando um projeto de reciclagem de papel e lixo se possível, gostaríamos de ter informações de como conseguir publicações sobre esse assunto ou entidade que possa nos apoiar tecnicamente na implantação desse projeto. Dório Macedo dos S. Neto - Araguaína-TO. N.R. - Para obter informações sobre reciclagem de papel e lixo escreva para o Cempre - Compromisso Empresarial para Reciclagem, no seguinte endereço: Praia de Botafogo, 228/613, CEP 22359-900, Rio de Janeiro RJ, fone: (021) 553-5152 e fax (021) 553-5760. Pertencemos a uma instituição que desenvolve um projeto de educação ambiental na região metropolitana de São Paulo, onde uma das atividades é o empréstimo de material bibliográfico para elaboração de trabalhos por alunos e professores da rede pública e particular de ensino. Por isso, gostaríamos que nos fossem enviados as edições posteriores à edição de março/abril de 96. Dagmar Santos Roveratti, chefe do Departamento de Ciências Biológicas e Meio Ambiente da Escola de Ecologia da UniABC - São Caetano do Sul-SP Escoteiro Sou lobinho da matilho branco no 35° Grupo de Escoteiro Corrente e gostaria de receber o jornal para cumprir a etapa sobre meio ambiente para ganhar a.segunda estrela. Ramiro Rocha - São Paulo - SP. Permitida a reprodugão total ou parcial das matérias, desde que citada a FOLHA DO IVIEIO /ViVIBIEMTE Folha do Meio Ambiente O Brasília, setembro/outubro de 1996 DENUNCIA TCUinvestigagastos com evento sobre Amazôniano exterior Gasto deR$ 850 mil do governo dariam para construir 2,5 usinas de beneficiamento de borracha, que melhorariam a vida de 7,5 mil seringueiros Roberto Cruz/CGAE-FUNAI Romerifo Aquino O Tribunal de Contas da União - TCU abriu auditoria especial para investigar denúncia de irregularidades envolvendo a doação de R$ 850 mil da Suframa, do Ibama, do Ministério do Meio Ambiente e da Embraturpara a ONG americana Amanaka'a AmazonNetworkrealizar de 21 a 28 do mês passado, a 7a Semana da Amazônia, em Nova Iorque, Estados Unidos. O dinheiro foi usado pela Amanaka'a para, entre outras coisas, gastar com jantar de R$46,8 mil, coquetel de R$ 36,2miJ, concerto de R$ 53 mil e plano de mídia de R$ 196,5 mil, de acordo com os valores divulgados pela ONG. Pela justificativa que a instituição apresentou ao governo, o dinheiro seria usado para, entre outros objetivos, divulgar no mercado americano os produtos extrativistas da Amazônia. Esses recursos, segundo dados do Centro Nacional de Desenvolvimento Sustentado das Populações Tradicionais CNPT, órgão do Ibama, encarregado de apoiar o extrativismo na Amazônia, dariam para construir quase 2,5 usinas de beneficiamento de borracha natural como a que vem sendo construída em Xapuri, no Acre, com capacidadeparabeneficiar a produção de mais de três mil famílias de seringueiros. Caso fossem construídas as 2,5 usinas podenam beneliciar, portanto, uma população de mais de 7,5 mil seringueiros, correspondente hoj e a aproximadamente 20% dos mais de 40 mil índios e seringueiros que extraem borracha atualmente no Acre eprecisam de usinas de beneficiamento para agregar valor à sua matéria-prima. O deputado Augusto Carvalho, PPSDF, enviou ao TCU documentação completa sobre o caso da Amanaka'a, que, segundo ele, detecta distorções na aplicação dos recursos, inclusive na não publicação de matérias no jornal The New Yoric Times, contrariando o que constava no plano de mídia enviado pela ONG ao governo. Em sua denúncia o deputado questiona o fato do governo ter liberado dinheiro sem licitação para a Amanaka'a gastar na reahzação do evento. Críticas - A liberação de tanto dinheiro para a ONG gastar em tetras americanas foi destaque na grande imprensa do país que estranhou o fato do governo alegar não ter dinheiro para investirnumapolítica global de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, mas o tem, e muito, para investir em propaganda no exterior. A revista Veja, porexençlo, em sua edição da primeira semana deste mês, divulgou que o evento foi um fracasso, pois "a platéia dos shows e palestras era formada só por brasileiros e uma meia dúzia de americanos incautos". Assessores do Ibama, que estiveram em Nova Iorque para acompanhar os "negócios" que seriam feitos com os produtos extrativistas, disseram à Folha do Meio que "voltamos decepcionados diante do fracasso do evento que era para promover o extrativismo amazônico". A presidente da A maioria da poputaçãoincígena continua desassistida Amanaka'a, a jornalista brasileira Zezé Weiss, se defendeu das acusa- que se transformou a semana americana da ções contestando as cifras publicadas na Amazônia já era prevista desde a sua divulimprensa brasileira e reafirmando o propó- gação prévia, ocorrida duas semanas antes sito do evento, cujos resultados ela consi- na sede do Conselho Nacional de Serindera que irão possibilitar aos povos da flo- gueiros, em Brasília, onde a apresentação resta conseguir "os meios de subsistência, do projeto à imprensa brasileira foi seguida a partir de seu próprio trabalho. Por sua de unt almoço aoarlivreàbasedetambaqui, assessoria de Imprensa, mandou avisar que saboroso peixe amazônico. Depois de passar mais de uma hora in"não existe licitação para patrocínio". A sucessão de erros e equívocos em formando aos jornalistas sobre os projetos Dinheiro equiparia as reservas extrativistas Pelos dados obtidos pela Folha do Meio junto ao CNPT os R$ 850 mil gastos pelo governo emjantar, concerto, coquetel eplano de mídia no exterior, poderiam ter sido usados para adquirir uma enorme quantidade dos mais variados equipamentos que as reservas extrativistas instituídas pelo Ibama nos estados amazônicos necessitam para sobreviver e se desenvolver. Até o momento, de acordo com assessores do CNPT, o Ibama só dispôs de recursos para investir em nove das 16 reservas extrativistas instituídas pelo governo para garantir a permanência dos trabalhadores extrativistas da Amazônia onde eles são os principais responsáveis pela preservação das riquezas florestais da região. Aliás, ainda segundo dados do CNPT, os gastos previstos este ano para apoiar as reservas não passaram até agora de R$ 800 mil. O dinheiro gasto nos Estados Unidos poderia comprar 2,5 usinas de beneficiamento de borracha como a de Xapuri, daria para construir, nas reservas onde moram índios e seringueiros extrativistas, 42 miniusinas para transformar o látex em folha fumada - matéria-prima de excelente qualidade, usada para fazer preservativos, luvas cirúrgicas etc -; 5,6 fábricas de beneficiamento de palmito, 229 armazéns para guardar castanhas e boiracha - o Ibama só pode construir até agora 13 desses armazéns -; comprar 212 peladeiras de arroz para ajudarnaprodução de alimentos; construir e manter durante um ano cerca de 94 escolas de alfabetização para os seringueiros e seus filhos; e construir e manter anualmente cerca de 80 postos de saúde. SUMMARY The Treasitre Court ofThe Union, wlnch supervises the expenditures by the Brazilian GovemmetJt.shallstart, inresponsetoarequesthy Federal Representative Augusto Carvalho.from Brasília, a special audit to verijy the official expenditures wilh tlie 7th WeekofÚKAmazon, put on in New YorkbytheAnanaka aAmazon Network Tlie Representative, as well as many newspapers and magazines throughout the Country, found excessive and umecessary the expenses by tíie Government, estimated in around USS850 tliousand. According to lhe to the Representative, while the Government spent such valwblefimds abroad, it-wouldnotfiave enoutfi moneyto Jaundi important projects in the program for implementation ofthe Integrated Policyfor the Amazon, suchasaidto educatiai andhealth ofthe rubber tree workers in the reserves for látex exploitation, to the development ofexploration in manyStatesintiieReffonÁmaiiaka abyexpkmmig âiatdieresultsJhomtlK Week ofthe Amazonwill allow tfie néberworkers in the Region to develop means qfsubsistence,fivm die momentlheybecome able toselldieirpmductto Úie American matket. apoiadospelo governo em favor extrativismo da Amazônia, a secretária-executiva e viceministra do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, Aspásia Camargo, surpreendeu a todos ao revelar que não sabia da existência da BR-317, entre Boca do Acre, no Amazonas, e Assis Brasil, na fronteira do Acre com o Peru e a Bolívia. Essa estrada, que continua "vivendo" na lama devido ao rigoroso inverno amazônico, simplesmente é essencial para a retirada dos produtos florestais da reserva extrativista Chico Mendes, a maior do país, com cerca de um milhão de hectares. Aspásia Camargo não soube exphcar, por exemplo, o porquê do governo Fernando Henrique que, segundo ela, está apoiando incondicionalmente o desenvolvimento sustentável da Amazônia, não ter incluído o asfaltamento dessa estrada no programa 'Brasil em Ação", onde se encontram as obras que serão prioritárias em seus dois últimos anos de governo. "Desperdício é verde" Festival de dinheiro no exterior, governo gasta sem poder em festa pela Amazônia ou o desperdício é verde. Foram com manchetes como esta que a imprensa nacional criticou o governo por ter dado R$ 850 mil porauma ONG americanagasíar nos Estados Unidos. Isso sem felar nos R$ 54 mil do anopassadoeem mais R$ 112mil este ano, que, segundo o deputado Augusto Carvar lho, também foram doados a essa instituição pelo Ibama A revista Veja assinalou, por exemplo, cfiea7BSemanada Amazônia realízadapela AmanakaVpode ser considerada um tremendo sucesso se seu objetivo era transferir para o extericrperto de 1 mühãodedólares de dinheiro pubhco". Segundo a revista a Superintendência da Zona Franca de Manaus-Sufiama mandou 600.000 mil dólares, o Ministério do Meio Ambiente 150.000,olbama lOO.OOOeaErabratur 50.000. "A platéia dos shows e palestras era fomiada só porbrasileirose uma meia dúzia de americanos incautos. Atraente mesmo só um jantar de g3la no Hotel Plaza em que o prato principal era tambaqui, trazido por via aérea da Amazônia. A repercussão na imprensa e na televisão americanas foi absolutamente inexistente. Alguém deve uma explicação: por que o governo brasileiro manda dinheiro e caciques da plutocracia verde passear em Nova Yoric quando as tribos na floresta estão em permanente estado de penúria?!," assinala a revista Críticas sobre o equívoco do governo brasileiro também foram feitas peloCorreio Braziliense, de Brasüia que dôi feitas manchetes sobre o assunto, e pelo Jornal de Brasília, também da capital federal, que adotou a mesma linha de críticas severas ao desperdício promovido pelo gpvemo com aONGamericana Brasília, setembro/outubro de 1996 4 Folha do Meio Ambiente EDITORIAL FOLHA DO MEIO AMBIENTE Editor-Ceral: Silvestre Gorgulho Editor-Executivo: Romerito Aquino Gerente de Marketing: Romoaldo de Souza Gerente Administrativo: Ivonete Gomes Correspondentes: São Paulo -" Siinone Silva Jardim Goiás - Malu Maranhão Rio de Janeiro - Zilda Ferreira Amapá - Landolfe Scote Campinas/SP - José Pedro Brasília - Karen Rodrigues Pará - Edson Gillet Rio Grande do Sul - Sílvia Franz Marcuzzo Santa Catarina - Lize Torok Itália - Aivone Brandão Estados Unidos - Cláudia Pinheiro Canadá - Natália Sena Colaboradores: Arnaldo Niskier, Glaucia M. da Costa, Joanice Pierini, Tetê Catalão, Miguel Oliveira, Milano Lopes, Alexandros L. Geogopoulos, Mércia S. Maciel, Marcos Terena, Valéria Fernandes, Elza Pires, Mila Petrillo e Therezinha Duche. Conselho Editorial: Alarico Verano, Arnaldo Niskier, Carlos Alberto Xavier, Dioclécio Luz, Jorge Reti, Leandra T. Arguelo, Malu Maranhão, Romerito Aquino, Romoaldo de Souza, Marcos Terena, Milano Lopes, Nikolaus Behr e Washington Novaes. Programação Gráfica e Editoração Eletrônica: Edimilso Ladeira Revisão: Romoaldo de Souza Tradução: José Lins Contatos Publicitários: Báo Horizonte: Nina Fortes - Tdax 031.411-5304 Brasília:Armazém de Comunicação - Telefone 061.225-9945 Telefax 061.321-3440 São Riulo: Carlos Bordigiai - Telefax 011.866-7490 Campo Grande: Luca Maribondo - Atelier de Comunicação - Telefax 067.787.3685. * Os artigos assinados não traduzem necessariamente a opinião do jornal. Folha do Meio Ambiente é uma publicação da Forest Cultura Viva e Promoções Ltda, SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A Salas 717 e 719 - Centro Empresarial Brasília - CEP 70340-907 Brasília-DF, Brasil. Fone: (061) 321-3765, Fax. (061) 321-7357 ou Caixa Postal 10891 ACF/Centro Sul 70312-970 Brasilia-DF. Brincando de Amazônia "Por que o governo brasileiro manda dinheiro e caciques da plutocracia verde passear em Nova York quando as tribos na floresta estão em permanente estado de penúria?" A indagação, feita pela revista Veja, caiu como uma luva nesse triste e vergonhoso episódio envolvendo a doação de R$ 850 mil dos cofres públicos brasileiros para a ONG americana Amanaka'a propagandear aos americanos que eles têm de comprar os produtos da floresta amazônica, ajudando, assim, os projetos de desenvolvimento sustentável dos nativos, merecedores de "toda a atenção" por parte do atual governo. Ambos, governo e ONG, deram com os burros n^gua, uma vez que, após o festival de jantar, concerto e coquetel caríssimos, voltaram de Nova Iorque de mãos abanando, conforme constataram correspondentes de jomais brasileiros ao fim da 7" Semana da Amazônia. Até assessores do Ibama que estranhamente pediram para não serem identificados, concordaram com relação ao fracasso do glantour que se quis fazer em tomo da vida simples do caboclo do Amazonas, do seringueiro do Acre e das quebradeiras de coco do Maranhão. Só mesmo a Amanaka'a e o governo, que foram, de fato, muito eficientes em brincar com o dinheiro dos contribuintes, para não enxergarem que os americanos estão preocupados com coisas "mais importantes" do que salvar índios ou ajudar seringueiro a guardar a floresta. Isso eles manifestaram muito recentemente, quando seu governo se negou a ampliar o desembolso americano dentro do bolo das contribuições dos sete países mais ricos do mundo - o G-7 - que, diante do glamour e da atenção da mídia mundial na Eco-92, se comprometeram em salvar a floresta ajudando os povos da floresta. Por outro lado, só mesmo um gover- no que se fascina pelos flashes da mídia pode querer ir lá fora faturar uns poucos e pobres projetos que, timidamente, passou a desenvolver apenas há bem pouco tempo. Mesmo assim, é importante ressaltar aqui que o dinheiro público que se gastou nesse evento foi até maior do que os R$ 800 mil repassados, da janeiro até agora, para o Centro Nacional de Desenvolvimento Sustentado das Populações Tradicionais - CNPT, do Ibama, investir nas 16 reservas extrativistas criadas na Amazônia. Propagandear migalhas é querer fazer com que a opinião pública nacional e mundial se esqueça de cobrar a execução de um programa global, sério e competente, para o desenvolvimento social e econômico da Amazônia. Para quem conhece, de fato, a Amazônia, a ausência desse programa há muito é a causa maior de situação escandalosa em que está se transformando a região, onde seringueiros são expulsos por madeireiros, índios são iludidos por presentes baratos dados por inescrupulosos interessados na riqueza de seus territórios, milhares de crianças morrem de fome, sem falar na elevada incidência de epidemias de malária, raiva, hanceníase, tuberculose e outros doenças provocadas pela miséria humana. * * * Ainda nesta edição, a Folha do Meio traz matérias sobre a importância das bromélias para o equilíbrio de vários ecossistemas, o projeto de educação ambiental desenvolvido pelo Jardim Botânico de Brasília com crianças pobres de sua periferia, a opinião de pesquisadores europeus sobre o processo de degradação da Amazônia e sobre o sucesso da Escola de Ecologia, projeto da Universidade do Grande ABC, em São Paulo. 3 SUMMARY The Treasure Court of The Union, which supervises the expenditures by the Brazilian Government, shall start, in response to a request by Federal Representative Augusto Carvalho, from Brasília, a special audit to verify the official expenditures with the 7th Week of the Amazon, put on in New York by the Amanaka'a Amazon.Network. The Representative, as well as many newspapers and magazines throu'ghout the Country, found excessive and unnecessary the expenses by the Government, estimated in around US$850 thousand. According to the to the Representative, while the Government spent such valuable funds abfoad, it would not have enough money to launch important projects in the program for implementation of the Integrated Policyfor the Amazon, such as aid to education and health of the rubber tree workers in the reserves for látex exploitation, to the development of exploration in many States in the Region, in addition to the Arapiuns complex for eco-tourism, among other projects. A Non-Governmental Organization, Amanaka'a, even though confirming that received the money, defende d itselffrom the criticism, by explaining that the resulís from the Week of the Amazon will allow the rubber workers in the Region to develop means of subsistence, from the moment they become able to sell their product to the American market. :Todo o mundo lê a Folha do Meio Ambientei 6 edições RS 6,00 ou 12 edições R$ 12,00 Envie este cupom preenchido e cheque nominal cruzado em nome de FOREST CULTURA VIVA E PROMOÇÕES LTDA Endereço: , SRT Sul, Quadra 701, Bloco A, Salas 71 7 e 719 - Centro Empresarial Brasília CEP 70340-907 Brasília-DF Telefone (061) 321-3765 Fax (061) 321 - 7357 Nome do Assinante CPf/CGC N0 flos cuidados de Profissão Cndereço C€P Cidade •xwwowwwo&oooooooMooooowoaoot VAVAW.W.V.'AV^.*.W.V.V.SSW,W.SW OMHMW» .;.:•: .>v -v .y .W.Wí<W>W €stado Telefone v.y.'.\?,-.%v.v.v.v-v,-.v..vvv.vvv. .•.■-•.•.•.■.■.■.•.•.■.•.•.■.• Folha do Meio Ambiente O Brasília, setembro/outubro de 1996 ESPORTE Meninas de Brasília lutam pelo bicampeonato no pólo aquático COLUNA DO MEIO SILVESTRE GORGULHO Nem tanto • Infelizmente, Brasília perdeu as Olimpíadas do Ano 2000, mas os brasilienses estão torcendo para que o Rio de Janeiro ganhe as Olimpíadas de 2004. • Os Jogos Olímpicos trazem muitas coisas boas: será bom para o esporte, para o turismo, para melhorar a auto-estima do brasileiro e para a recuperação do Rio. Mas não vai resolver os problemas sociais, econômicos e políticos de uma país mal resolvido. , », . . • Por exemplo: o México sediou a Olimpíada de 68 e as Copas do Mundo de 70 e 86. E, continua um país tremendamente mal resolvido. Cheio de problemas econômicos e políticos. Para um país do segundo time, organizar bem um evento grande na área do esporte, que pode ser uma Olimpíada ou uma Copa do Mundo, é demonstrar aos quatro cantos do mundo que alcançou um grau de desenvolvimento econômico e gerencial que o capacita a ficar entre os grandes. • Não é à toa que a Sansung, a Ásia Motors, a Hyundai e outras grandes empresas sulcoreanas aproveitaram muito bem o marketing dos Jogos de 88 e firmaram sua competência a partir da Olimpíada de Seul. Ciência O pólo aquático é considerado um esporte ecológico outubro, em Recife, onde foram camElas treinam e jogam em piscina, rio, peãs no ano passado vencendo as melholago ou lagoa, sempre buscando na na- res equipes de pólo aquático do país. Sempre acreditando no entrosamento tureza a força e a eficiência que as tomacom a natureza e no rigoroso treinamento ram, logo cedo, merecedoras campeãs que fazem todos os dias na piscina da brasileiras. Elas são as meninas da seleUnB, as meninas de Brasília se destacação brasiHense de pólo aquático, esporram no cenário nacional em 1994, ao gate considerado ecológico por não requenharem o campeonato brasileiro univerrer qualquer alteração na natureza para sitário. No ano passado, além do campeque seja praticado. Júlia, Renata, Kely, Mariana e suas onato brasileiro da modalidade, elas venceram os campeonatos da Chapada dos outras companheiras, com idade entre 17 e 25 anos, quase todas estudantes de va- Veadeiros, o de Brasília e o do Centroriados cursos da Universidade de Brasília Oeste. (UnB), acabam de competir no poço da fazenda São Bento, em plena Chapada dos Veadeiros, município goiano de Alto Paraíso, considerado um dos mais belos recantos ecológicos do país. Treinadas por Maurício Dias, ex-jogador de pólo aquático da capital federal, as jogadoras de Brasília vão tentar o bicampeonato brasileiro entre os dias 18 e 20 de As meninas de Brasília em treinamento Texto e fofos; Romerito Aquino • A Embrapa, que j á fez a revolução verde neste país, está agora entrando na luta contra a AIDS. • O Cenargen - Centro de Recursos Genéticos da Embrapa, localizado na Asa Norte, em Brasília, faz trabalhos fantásticos de engenharia genética. • O pesquisador do Cenargen, "Democracia é asdm...país de misérias assombrosas, analfabetos, desnutridos, sem trabalho, para os quais o título eleitoral é um falso cartão de credito..." Do poeta amazônico Thiago de Mello, único e verdadeiro poeta do Mercosul (morou no Chile, naÀrgenüna, Uruguai, Cuba, México e não sei mais aonde) no seu livro "De Uma Vez Por Todas" lançado este mês em Brasília, Wagner Barja • O pintor Wagner Barja conseguiu uma coisa inédita. • Diretor do Espaço Cultural da 508 Sul (Galpão), Barja ganhou o reconhecimento do MEC e do Conselho Nacional da Educação por seu notório saber na área de Educação Artística, em nível de licenciatura plena. • O processo, que tramitou por um ano no MEC e no CNE, foi relatado pelo conselheiro Arnaldo Niskier, que compõe a Câmara de Educação Superior. • Escritor, jornalista e acadêmico, Niskier teve a sensibilidade de considerar a enorme produção de Wagner Barja como artista e todo um trabalho de curadoria, de animação cultural e do ensino de Técnicas de Expressão e Comunicação em Artes Plásticas e Fundamentos da Linguagem Visual. • Palmas para o MEC, para o CNE e, sobretudo, para o pintor Wagner Barja. Água e esgoto •Um problema sério acontece aos arredores do Distrito Federal. •A Caesb - Companhia de Águas e Saneamento de Brasflia deve ficar muito atenta para o que está ocorrendo nos muitos condomínios irregulares que se proliferam nas terras do DF. •Com serviços públicos precários, os condomínios abusam da perfuração de poços artesianos e, o que é pior, cada casa está construindo suas fossas de forma SRT SúL, Quadra 701, moco A, Salas 717 e 719 Ceartro Empresarial Brasília CEP 70S40-907 Brasilia-DElWfefone (061) 921-3765 Elíbio Rech, surpreendeu os participantes do 42° Congresso Brasileiro de Genética, realizado em Caxambu, Minas Gerais, avisando que dentro de pouco tempo começarão os testes de uma vacina genética contra o viras HTV. • Com razoáveis chances de êxito. indiscriminada. •Pode nascer aí uma perigosa rede de contaminação entre o esgoto e o lençol freático. Brasília tem dezenas de condomínios nessa situação que abrigam uma população de cerca de 70 mil pessoas. •O problema é grave. Imagine só: Brasflia, a Capital do Terceiro Milênio, está sem um plano diretor. O que será do resto de Brasil por aí. O Ministério do Meio Ambiente e o Ibama já gostam de gastar dólares em marketing com as ONGs. Em consultorias de dentro para fora e de fora para dentro do ministério. E tudo isto, de preferência, em Nova Iorque, que rende algumas viagens internacionais para o pessoal de governo. Brasília, setembro/outubro de 1996 6 Folha do Meio Ambiente OS CORREIOS CORRESPONDEM COM VOCÊ. Caixas de coleta e postos de venda autorizados. O mesmo conforto e agilidade das agências dos Correios. Os Correios estão sempre trabalhando para facilitar a vida das pessoas. Além de contar com as agências, você ainda pode usar as caixas de coleta e os postos de venda autorizados para mandar suas correspondências na hora que você precisar, mesmo quando as agências estiverem fechadas. CAIXAS DE COLETA. k As caixas de coleta são uma maneira prática e segura de à mandar suas correspondências. Com elas, você economiza \ % tempo e pode ter a certeza de que sua carta vai chegar no lugar que você quiser. É muito fácil usar as caixas de coleta. É so ter sempre à mão selos, aerogramas e envelopes pré-franqueados. Assim, você pode usar os serviços dos correios 24 horas por dia. POSTOS DE VENDA AUTORIZADOS Os postos de venda autorizados são mais uma opção criada pelos Correios para você mandar suas correspondências com o mesmo conforto e comodidade das agências. Perto de você existe sempre um posto de venda autorizado, onde você pode comprar selos: uma papelaria, banca de revista, mercearia, armarinhos ou qualquer outro lugar credenciado pelos Correios. CAIXAS DE COLETA E POSTOS DE VENDA AUTORIZADOS UMA FACILIDADE A MAIS DOS CORREIOS PARA VOCÊ. CORRCKH MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES BRASIL Folha do Meio Ambiente / Brasília, setembro/outubro de 1996 EDUCAÇÃO Crianças aprendem a respeitar a natureza Qualidade Verde Simone Silva Jardim Texto e foto: Dioclécio Luz Morar nas vizinhanças do Jardim de Botânico de Brasília (JBB) tem suas vantagens. Devido ao fato, a cidade-satélite de São Sebastião, no Distrito Federal, a 20km do centro da capital, uma agrovila que virou cidade há pouco tempo, foi a escolhida para implantação do projeto "Cerrado, Casa Nossa'". 0 projeto, uma parceria entre o JBB, Sociedade de Amigos do Jardim Botânico de Brasília (Sobotânica), e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), está sendo considerado uma das mais brilhantes experiências de educação ambiental do país. Não é para menos. Segundo Carmem Xavier de Almeida, integrante da equipe da Divisão de Educação Ambiental do JBB, e primeira coordenadora do projeto, a principal meta foi obtida: "conseguimos desenvolver uma consciência crítica em relação à problemática ambiental e, conseqüentemente, contribuímos para formação de uma postura ética e equilibrada em relação aos recursos naturais, ao meio ambiente e a interdependência destes com o ser humano". De agosto de 1994. quando foi iniciado o trabalho, até agora, o projeto levou ao Jardim Botânico um total de 800 crianças de cinco escolas públicas da região (quatro de São Sebastião e uma do próprio JBB). Todas cursavam o primeiro grau; na faixa etária dos oito aos 18 anos. Cada aluno visitou o JBB 16 vezes. Em duas visitas elas conheceram o trivial do Jardim Botânico de Brasília: a trilha ecológica, o Jardim de cheiros. Jardim de plantas medicinais; as características do cerrado de um modo geral. Nas visitas restantes participaram de cinco oficinas; papel artesanal, alimentação alternativa, imagem, teatro e reciclagem. Se o cerrado é a alma, aí se encontra o coração do projeto. Não se ofereceram oficinas profissionalizantes no sentido comum. "Não basta aprender a fazer, tem que refletir sobre o que faz", disse Carmem. Na oficina da imagem, por exemplo, as crianças aprenderam a fazer fotografia usando uma lata de leite vazia. Segundo Maria Teresa Leite Jeffris, chefe da Divisão de Educação Ambiental, aí os jovens aprenderam os princípios ecológicos fundamentais. "Consideramos, primeiro, a imagem da pessoa, seu corpo; depois a família, a cidade, o cerrado, o Jardim Botânico. Saímos do meio ambiente interno para o externo, numa reflexão sobre como estão as relações e como agir para melhorá-las", disse Teresa. A oficina de alimentação alternativa abordou uma nova visão sobre os alimentos tradicionais e os frutos do cerrado. As crianças, carentes em sua grande maioria, aprenderam a utilizar os alimentos no seu contexto mais amplo, acrescentando à dieta as cascas de ovos, folhas de legumes e frutas que geralmente Salvos pelo ganso Os sistemas de comunicação via satélite são caros porque custam uma fortuna colocar satélites em órbita, sem falar nos danos à camada de ozônio causa dos pelos gases do foguete lançador. Mas aviões inteligente movidos a energia solar e voando em formação sobre cidadespoderão ser uma alternativa econômica aos satélites. Um protótipo do "veículo aéreo ultraleve", VAU, foi apresentado pelos pesquisadores da Universidade da Califórnia. Eles acreditam que esses aparelhos não tripulados permanecerão no ar por semanas ou meses, voando a 160 quilômetros por hora numa altitude de 19,5 mil metros, como uma revoada de gansos! "Essas aves voam em formação 'V e, na verdade, ftmcionam como uma única asa. Cada pássaros aproveita o empuxo do que está à frente para reduzir o seu esforço", explicou Jasson Speyei; chefe do projeto. Crianças fotografam arvore usando lata de leite vazia grandioso nicho ecológico, há 10 vão para o lixo; como usar o jatobá, minutos do lugar onde trabalha o a cagaita, cajuzinho, baru, entre oupresidente da República. tros frutos do cerrado, para fazer Criado em 1985, o Jardim pães, bolos, sorvetes, sucos, comB otânico tem uma atividade intensa: potas, geleias. Os professores não mantém um herbário de plantas do foram esquecidos. Eles participacerrado; produz plantas exóticas e ram, também, de oficinas ministranativas; mantém uma coleção de das pela equipe do Jardim Botâniplantas ornamentais; desenvolve co de Brasflia. estudos sobre apicultura; trabalha no No dia 6 de outubro, para fechar resgate do conhecimento das plantas o projeto, foi realizado no Jardim utilizadas por populações indígenas; Botânico de Brasília o "I Fórum da estuda a fauna e a flora do cerrado; Criança para o Meio Ambiente". O e tem uma biblioteca. Com o apoio tema, lançado como desafio para as do Unibanco e S. A. White Martins crianças participantes foi: "São Seestá implantando o modelo bastião como eu quero". Por quatro filogenético - um misto de praça, meses, elas trabalharam e refletiram jardim, laboratório vivo e espaço sobre a idéia: como deveria ser a cipaia educação ambiental, que vai dade em que moram? O resultado mostrar como ocorreu a evolução não poderia ser melhor. das espécies ao longo do tempo. Em vez de uma São Sebastião O projeto Cerrado, Casa Nossa carente de infra-estrutura, elas apreé apenas uma das atividades sentaram maquetes grandiosas de desenvolvidas pela Divisão de uma cidade em que a população Educação Ambiental do Jardim convive harmoniosamente com o Botânico de Brasília. A equipe se meio ambiente; as ruas são asfaltacompõe de somente sete pessoas. das, foram construídos esgotos, a Elas fazem de tudo um pouco. Além cidade está arborizada, há segurando projeto Cerrado. Casa Nossa, ça, não falta luz... Ainda fizeram um diariamente atendem alunos das texto básico, e até compuseram uma escolas públicas e particulares do música que revela todos os defeitos DF: foram 11.482 no ano passado da cidade e aponta as soluções. See, até agosto deste ano, quase cinco bastião (avaliada por instituição mil crianças. indicada pelo Unicef e sob critérios científicos) foi considerada um sucesso. SUMMARY Maria Teresa observa que a comunidade inteira foi contaminada. The satellite dty ofSart Sebastían, "O importante neste projeto é que m the Federal District, 20 tílotveters ele prepara as pessoas para serem from Brasüia, a agricultural based viüage which beca/ne a dty shordy ago, moradoras do cerrado", disse a chewas choosenfor hosting the project fe da Divisão de Educação "Cerrado, Our House". The Project, Ambiental. O Jardim Botânico de a partiiersfúp mvolving the JBB, The Brasília, a Sobotânica e o Unicef já Sodety ofthe Friends ofthe Botcoúcd se preparam para a implantação do Garden of Brasüia (Sobotânica) axd projeto Cerrado, Casa Nossa em the United Nation's Child's Fwids outra cidade-satélite. A experiência (UNICEF), is bemg considered one of está sendo registrada num livro edithe most brilliant experiences in tado pelo Unicef, para que o país environmentaleducationintlieCoimtry. It is notfor tess According to Carmen inteiro a conheça e a coloque em Xavier de Almeida, member of the prática. O que é muito bom. Enviroivnental Education EHvision of Lugar nobre - O Jardim the JBB, andfirst coordiiiaíor ofthe Botânico de Brasília é vizinho da Project, thefirst god was acHeved: " \ área mais nobre de Brasília, o Lago We were able to develop a criticai Sul. Na verdade, o JBB é que é o awareiiess reganütig the aivirownentd espaço nobre da capital da concems, and, consequently, República. Afinal, considerando sua cotvtributed to the fonnatiai ofafirm estação ecológica, com quatro mil ethical standbig with respect to natural resowves, andiis búer-dependency with hectares, tem um total de 4,5 mil hianan beings". hectares de área de preservação da fauna e flora do cerrado, um Mal necessário, mas suficiente Em São Paulo, nas quatro semanas de agosto em que vigorou a Operação Rodízio, mais de 6,5 mil toneladas de monóxido de carbono deixaram de ser emitidas pelos carros que foram obrigados a ficar na garagem. Especialistas em ambiente reconhecem os méritos do rodízio como medida em emergêncial. Segundo eles, sem a medida, 2 mi- lhões de paulistanos com menos de cinco anos e mais de 65 ou sensíveis à poluição, teriam passado muito mal. Um plano diretor para as questões ambientais e a adoção de medidas corretivas e preventivas estão sendo pedidas, especialmente a inspeção veicular obrigatória nos carros velhos. Para se ter uma idéia, uma Brasília polui 25 vezes mais que o Vectra... Novidade para quem? A possibilidade de escassez no fornecimento de eletricidade já está levando as empresas brasileiras a finalmente pensarem no uso de fontes alternativas de energia para evitar a queda no ritmo de produção. Documento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria, CNI, prevê que, com a retomada do crescimento econômico, o país pode se defrontar com escassez de energia elétrica firme no Sudeste, em 1998. O caminho das pedras paia ver luz no final do túnel? As indústrias precisam lançar mão do aparentemente inútil bagaço de cana, sobras de madeira, gás natural, enfim, recursos disponíveis dentro do seus próprios muros ou, no máximo, na região em que estão instaladas. E a roda foi inventada mais uma vez... Polêmica tupiniquim Jordan Young, que publicou, em 1941, a obra Brasil: Emerging World Power, foi o primeiro, no mundo, a receber título de "Brasilianista". Seus comentários entrevista a um grande jornal de São Paulo causaram a maior polêmica: "O Brasil sempre vai viver no futuro. Na minha opinião, o Brasil não quer chegar nunca ao presente, não deseja para si a responsabilidade de ser uma grande po- tência mundial. Eu mesmo pensei, durante algum tempo, que o Brasil chegaria ao ano 2000 muito perto do desenvolvimento sonhado, mais hoje estou certo de que esta meta está longe. E há pelo menos cinco Brasis dentro do Brasil. Nos EUA ninguém pensa no Brasil como um parceiro econômico, como ura país que trabalha e produz. E o paraíso perdido, apenas, no qual se pode ficar alguns dias". Gente que paz O designer de jóias Antônio Bernardo assinou ura contrato de adoção do Orquidiário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, pelo qual se comprometeu a cuidar, por ura prazo de dois anos renovável, dessa que já foi amais importante coleção de orquídeas do Brasil - chegou a exibir oito mil espécies e hoje não terainais de700, era condições precárias. Bernardo vai arcar cora todos os custos de insuraos, de vasos a mudas. O orçamento total do projeto não foi revelado, mas já foram contratados ura botânico, um biólogo, uma paisagista e três jardineiros para realizarem os trabalhos de recuperação e manutenção do orquidiário, fechado ao público há anos. O Folha do Meio Ambiente Brasília, setembro/outubro de 1996 EDUCAÇÃO Escola de Ecologia luta pela qualidade de vida Romerito Aquino Uma área verde de 20 mil metros quadrados, onde existem um grande acervo bibliográfico, pedagógico e biológico, uma coleção de plantas medicinais de cerca de 100 espécies, uma coleção de plantas venenosas, uma exposição de material geológico e paleontológico, um sauveiro artificial, um herbário e várias espécies de essências nativas da Mata Atlântica. Isso tudo é um pouco do que vem a ser hoje a Escola de Ecologia, uma instituição criada pela Universidade do Grande ABC - UniABC, de São Paulo, para ressaltar a importância da preservação do meio ambiente visando a manutenção da qualidade de vida do homem. Funcionando desde 1993 no parque botânico Presidente Jânio Quadros, situado no município de São Caetano do Sul - SP, a Escola de Ecologia desenvolve um amplo programa de educação ambiental voltado para estudantes, professores e todos os outros segmentos sociais da região do ABCB paulista. O sucesso da instituição pode ser medido pelas mais de 42 mil pessoas da comunidade que, de março de 1993 a abril deste ano, estiveram diretamente envolvidas com atividades relacionadas ao meio ambiente, tais como cursos, palestras, visitas monitoradas e projetos de pesquisa. SUMMARY AgreenareaoflOthoiisandsquaremeters, where it is located a great bibliographic bank, pedagogic andbiologic, a coüection ofarowid 100 species of medicinal plants, a collection of venomous plants, a display of geological and paleontological pieces, an artificial sauba ant colony , an herbariwn, and many species of native essences of the Atlantic Forest. Ali this isjust a small part ofwhat became today tlie College ofEcology, an institution created by the Great ABC University, The UniABC, in San Pablo, to emphasize the importance of preserving the environment, aiming the maintenance ofthe qudity oflifefor the nian. Operating since 1993 in the President Jânio Quadros Botanical Parle, located, in the Municipality ofSan Caetano ofthe Soutli, San Pablo, The College ofEcology is developing a vast environmental minded education program meant for students, professors and for other social sectors ofthe ABC Region, in San Pablo. Estudantes recebem explicações sobre plantas medicinais Oferecendo inúmeras atividades, a Escola de Ecologia tem procurado conscientizar a comunidade da região, além de estudantes e professores, sobre a responsabilidade do homem com a preservação do ambiente em que ele vive. Entre as atrações da Escola de Ecologia destaca-se a "Sala das Ciências da Terra", que, embasada em conceitos museológicos de exposição, contém um acervo de materiais específicos como rochas, minerais, fósseis, réplicas de dinossauros e diversos modelos relacionados à antropologia física, prospecção de petróleo e sondagens de águas subterrâneas. Os visitantes, calculados em mais de cinco mil, de outubro do ano passado até junho deste ano, entre estudantes de 1° e de 2o graus, além de universitários, são monitorados por técnicos e alunos da UniABC, que fornecem todas as informações necessárias à compreensão do acervo. Os locais onde estão plantadas COMUNICAÇÃO Andi divulga infância e adolescência Mila Petrillo Reverenciada no Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças, em Estocolmo, na Suécia, como único exemplo no mundo de agência de notícias dedicada exclusivamente ao tema da infância e da adolescência, a Andi - Agência de Notícias dos Direitos da Infância, funciona há quatro anos em Brasília. É unia organização não governamental, dedicada à pesquisa e à divulgação de fatos, atores, denúncias, exemplos de ações sociais e personagens relevantes para a defesa das crianças e jovens no Brasil. A função estratégica da Andi é atuar como fonte permanente de pautas para jornais, rádios e televisões, com o objetivo de não permitir que a cobertura da realidade da infância e da adolescência no país se esgote nos temas mais aparentes. É prioridade da Andi a divulgação de experiências bem sucedidas na busca de soluções sociais. A Agência tem procurado mostrar que os problemas que atingem crianças e adolescentes no Brasil têm solução, sim. Soluções já colocadas em prática por administrações municipais, estaduais e organizações não govemamentais. Apoiada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância - Unicef e pelo Instituto Ayrton Senna, a Andi é uma espécie de ombudsman dos jornais diários das capitais do país quando o assunto é a criança e o adolescente excluídos. Semanalmente a Andi edita a Análise do Clipping, um resumo das principais notícias do país sobre meninos e meninas, veiculadas por mais de 70 jomais brasileiros. A partir desse trabalho minucioso, a Andi conseguiu mapear como se comporta a imprensa na área da infância e da juventude, e apresentou no início do ano ao ftêmio Esso - mais importante prêmio de jornalismo do Brasil a sugestão de que fossem premiadas reportagens relevantes nesta área. Assim, nasceu a categoria Kpecial "Prêmio Esso pela Infân- ^ec'e "O Andi cia", em homenagem aos 50 anos do Unicef. para o público infantil. O premiado será conhecido em dezembro. Projeto MTV - Tem banda de reggae Também em decorrência da Análise, a com ex-meninos e meninas de rua de Brasflia, Andi divulga uma pesquisa trimestral cha- com meninos de Vigário Geral, no Rio de mada "A Infância na Mídia", onde são Janeiro e do Morro da Conceição, em Recimensuradas as inserções do tema criança e fe. Tem distribuição de sopa e alegria em adolescente em 55 jomais brasileiros. Nas São Paulo, tem coral de Minas Gerais, fabriredações dos jomais, a pesquisa já está sen- cação de tambores e sons na capital de do usada para definição de pautas e como Pernambuco e dança na paulistana favela do passo inicial para discussões sobre o papel Vinte. Tudo isso na série Do Bem exibida dos meios de comunicação nas soluções das pela MTV, que mostra a participação de joquestões sobre infância e adolescência. vens em ações sociais. Em outubro, durante o Festival de A série começou a ser exibida no dia 18 Brasília do Cinema Brasileiro, será ofereci- de setembro, com os 30 meninos e meninas do, pela primeira vez, o Prêmio Andi - Ci- da periferia de Recife, integrantes da banda e pema pela Infância. Leva o prêmio (sem va- do grupo de dança do Centro Popular Maria lor financeiro) o filme que melhor contribuir da Conceição. Na primeira fase da série, vão para a reflexão sobre os problemas da infânser exibidos, até o dia 6 de novembro, sempre cia ou aquele que representar uma experiên- às quartas-feiras no jomal MTV no Ai; bancia positiva como entretenimento educativo das e grapos de dança formados por meninos essências nativas da Mata Atlântica também são muito visitados, permitindo às pessoas da comunidade se conscientizarem da importância da conservação do patrimônio biológico da região. Mais informações sobre a Escola de Ecologia da UniABC podem ser obtidas com a professora e diretora Dagmar Santos Roveratti, no seguinte endereço: Rua da Paz, 10, Bairro Maná, São Caetano do Sul - SP, CEP 09570-850, fone (011) 743-3027 e fax: (011) 441-6494. e meninas que moram ou moraram nas ruas (ou que são muito pobres), ou que são portadores de deficiências. Como foco principal a série mostra as formas de utilização da música como instrumento de expressão e de recuperação e estímulo a essas crianças e adolescentes. Do Bem foi sugerida à MTV a partir de uma pesquisa da Agência de Notícias dos Direitos da Infância - Andi sobre projetos que atendemmeninas emeninos e trabalham com arte. O critério primeiro para ser incluído na pesquisa era a qualidade artística. "Só selecionamos grapos muito bons, não buscamos trabalhos bonitinhos de crianças pobrezinhas. Trata-se de música e dança bem feitas, com apuro e técnica, para corresponder aos padrões daMTV", explicaodiretorexecutivoda Andi, Geraldinho Vieira. SUMMARY Since 1992, the News Agency for the ChUãren 's Righls - Andi - has been worldng in Brasília as a non profil non governmental orgemiaitíon devoted to the research and Io the release offacís, deminciations, sncessfidprojeds, and profiles that somehow are important Io lhe defense of chüdren and adolescents in BnajL The stmtegkal objective ofAndi is to be a pennanent source ofslories Io Bmzílian nempapers, radio and lelevision broadeasters, with lhe aim to not pennit lhe coverage and anafysis of children and adolescents' situation to be superficial It is a priority to Andi the disseiniruilion of weU-succeded experiences in the search of solutions to Brazilian social problems. Solutions that have already become reaUty Úirough lhe actions of some cides and states governments, and non goveminental organizatíons. Brasília, setembro/outubro de 1996 Fo^a do Meio Ambiente Brasília Verde e Limpa é nossa responsabilidade O Governo Democrático e Popular, através da SEMATEC e do SLU, está lançando o Programa Brasília Verde e Limpa. Algumas ações já foram implantadas e são um sucesso, como: o Programa de Parceria Popular, que é a participação da comunidade na limpeza do DF; a Lei da Limpeza, uma multa para quem suja a cidade e a Coleta Seletiva do Lixo. O objetivo é deixar Brasília ainda mais verde e limpa do que ela já é. Meio ambiente e limpeza andam lado a lado na construção da cidadania. É o GDP trabalhando para a melhoria da qualidade de vida dos brasilienses. SElVl/VI EC Secretaria do Meio Ambiente, , Oj Jl 1 Serviço de Limpeza |J Urbana do D. Federal ^iiF E POPULAR l)~bo\/o em 1? luqar Brasília, setembro/outubro de 1996 I U Folha do Meio Ambiente Prefeitura devasta Vila Velha para agradar aos turistas Para melhorar a visão dos turistas no trenzinho que circula por entre as rochas do parque de Vila Velha, em Ponta Grossa - PR, a prefeitura desse município não titubeou e, sem qualquer estudo prévio de impacto ambiental, mandou derrubar vasta área de vegetação do parque, provocando sérios prejuízos ecológicos na região. A denúncia foi encaminhada à Folha do Meio pelo Grupo Ecológico dos Campos Gerais, que considerou a atitude da prefeitura de Ponto Grossa "um crime contra a natureza, devendo seus responsáveis serem punidos com os rigores da legislação ambiental", que, no artigo 26 da lei 4.771, prevê pena de três meses a um ano de prisão ou nnilta para quem degrada área de preservação permanente, como é o caso do parque estadual de Vilha Velha. Segundo a presidente do Grupo Ecológico dos Campos Gerais, Aida Franco de Lima, "é um absurdo o que estamos testemunhando e o governo do estado, como legítimo proprietário, tem obrigação de adotar uma postura definitiva em relação ao parque de Vilha Velha, porque não podemos mais aceitar que fatos lastimáveis e criminosos como este continuem a ocorrer, por incompetência da prefeitura em administrar a nossa prin- cipal unidade de conservação". Depois de denunciar a degradação do parque ao Instituto Ambiental do Paraná - IAP e à Secretaria de Estado do Meio Ambiente - Sema, a ONG paranaense exigiu a punição judicial dos responsáveis da prefeitura que autorizaram a derrubada da vegetação, além do fim do convênio através do qual o estado passou a administração do parque para a prefeitura de Ponta Grossa. A direção do grupo ecológico também questionou as obras construídas "erradamente" pela prefeitura na barragem do lago do parque de Vila Velha, "que já deveria estar fechado e formando um belo espelho d'água, que vai representar uma barreira contra os incêndios vindos da rodovia para dentro da área do parque, e o fim do processo de erosão e desertificação que vem se acentuando na região". " 'É hora de se dar um basta e se o Governo do Estado tem uma proposta exeqüível para Vila Velha - e sabemos que tem - deve implementá-la, assumindo de vez a administração de uma unidade de preservação aberta à visitação pública, que não pode continuar sofrendo de degradações como a que testemunhamos, ainda mais quando ações criminosas partem da própria administração municipal", afirmou a presidente do grupo ecológico. Gomo evitar a fatalidade dos esportes radicais Sandra Marcos da Silva Adrenalina, aventura, novos horizontes e limites a serem vencidos são alguns dos principais objetivos dos esportes radicais, que vêm crescendo no país. Escalada em rocha, paraquedismo, canyoning e diversas modalidades do montanhismo e do excursionismo atraem centenas de adeptos, na maioria jovens de 14 a 25 anos. "Domingo, dia 28/04/96, uma jovem escaladora, de 17 anos, perde sua vida em uma queda fatal em Pedro Leopoldo - MG. Fatalidade ou irresponsabilidade?" Essa notícia ievanps a afirmar que todos os esportistas estão sujeitos a esse tipo de acidente, mas de uma forma ou de outra podemos diminuir as margens de risco que tais esportes oferecem. Regras básicas de segurança e, principalmente, de bom senso, proporcionarão uma maior confiança para aqueles que desejam ingressar nesse maravilhoso mundo adrenalizado, mas que também pode tomar-se um verdadeiro inferno. Hoje em dia, é muito comum pequenos grupos de "instrutores", sem nenhum tipo de especialização ou capacidade profissional, ministrarem cur- sos a jovens inexperientes, sendo o mais preocupante a falta de equipamentos normalizados que venham a oferecer uma margem de segurança eficaz ou o uso indevido de tais equipamentos que colocam em risco a vida dos alunos e de seus despreparados instrutores. Ao contrário do paraquedismo, no Brasil não temos tuna federação ou outro tipo de entidade que fiscalize a prática desses esportes, bem como a qualificação dos instrutores e, principalmente, o uso de equipamentos de segurança do tipo utilizado nos esportes de montanha, o que vem severamente contribuir para a má imagem dos esportes radicais. Por isso, antes que você se defronte com uma situação de risco na prática de algum desses esportes, verifique se seu instrutor está realmente qualificado para evitar colocar suâ segurança em jogo e se seu equipamento oferece total segurança, pois sua vida vale muito mais que alguns segundos de emoção. Quem tiver interesse em conhecer mais a fundo as normas de segurança, pode escrever para o Grupo Ecológico de Busca, Salvamento e Treinamento Águia Dourada, à Rua Jordânia, 364, Balneário de Camboriú, Santa Catarina, CEP: 88.330-000.. Folha do Meio Ambiente I Brasília setembro/outubro de 1996 FUTURO Alimentação saudável pode alcançar preços estratosféricos Simone Silva Jardim Pelo menos na Europa, a doença da "vaca louca" continua provocando efeitos indigestos^ não no estômago, mas simna cabeça de muitos amantes dos prazeres da came. Só para citar um caso isolado, recentemente o Guild of Food Writers - guia dos jornalistas que escrevem sobre alimentos, em Londres - promoveu uma conferência que acabou produzindo o seguinte vaticíhio: a médio prazo, o paladar inglês vai mesmo se deixar seduzir por completo pelos encantos das verduras, frutas, grãos, raízes e legumes, e dizer um polido, mas definitivo bye bye aos steaks bem ou mal passados. Quem também está dando uma mãozinha nessa guinada gastronômica rumo aos alimentos "verdes" é a pesquisa biológica molecular do Instituto de Pesquisa Rowett que mostra que o consumo de frutas e legumes, aproximadamente cinco porções ou 400 gramas ao dia, está associado à proteção de um grande número de doenças, incluindo câncer, males do coração e o desenvolvimento de catarata, além da ação dos implacáveis inimigos dajuventude, os radicais livres. Mas ^jesar da alardeada danandapcr alimentos bons e integrais, principalmente por parte daqueles tenáqueos de hábitos ecologicamente saudáveis, os preços praticados pelo setes: de horticultura ainda castigam duramente os bolsos das camadas mais empobrecidas da comunidade global. Pior: peritos afirmam que, num íuturo próximo, os preços de grãos como trigo, arroz e milho podem alcançar níveis estratosféricos Garfo e espada - Para se ter uma idéia, nas últimas duas décadas os consumidores americanos contaram com preços estáveis, e até mesmo declinantes, para os produtos agrícolas. Descontada a inflação, os preços dos produtos do agribusiness despencaram 40% entre 1975 e 1995. Mas arecente série de más colheitas e o aumento na demanda apertaram o gatilho dos preços do trigo, do milho e da soja Atualmente, o aumento do preço dos alimentos sinaliza, no mundo inteiro, um problema comum e gravíssimo: as colheitas fracas vêm atingindo, simultaneamente, vários pontos do planeta e já é uma realidade o esgotamento das reservas de alimentos em nível global, em que os estoques disponíveis de grãos declinaram de 77 dias de consiHno, em 1993, para a estimativa atual de 48 dias, o nível mais baixo dos últimos 35 anos segundo reportagem do jornal Business Week. Nos Estados Unidos, o maior país exportador de gêneros alimentícios, a equação oferta/demanda de alimentos não dá mole para resultados otimistas. A Secretaria da Agricultura divulgou, sem rodeios, que os preços dos alimentos subirão a 'm >íi^ i mi O saudável hábito de cultivar verduras ritmo mais rápido que a inflação, com um impacto particularmente severo sobre as famílias americanas de baixa renda. Puxando esse fio, é possível ainda vislumbrar outro cenário, o das populações que estão fora das terras do Tio Sam. Nações importadoras de alimentos da África, da Ásia e do Oriente Médio estarão desembolsando mais dinheiro para encher seus pratos e, conseqüentemente, vão ter de desviar recursos de áreas tão vitais como saúde, educação e habitação. Picarão entre o garfo e a espada, provável estopim de guarás internas. Sem saída? - Peritos afirmam que, a curto prazo, o potencial mundial para o aumento da produção de grãos é limitado. Em escala planetária existem poucas terras não utilizadas - no máximo 3% - que poderiam ser lavradas prontamente, e por mais que países de tradição pecuarista estejam hoje engajando na conversão das áreas de pastos em lavouras de grãos, uma maior oferta de gêneros agrícolas só estará disponível a longo prazo para decepção dos que crêem que a biotecnologiae a cibernética podem tudo num estalar de dedos. Apesar do grande salto tecnológico e Icnow-how do agribusiness, a alardeada "revolução verde" e todas as suas promessas de velocidade máxima na produção de produtos agrícolas viraram água, porque seus defensores jogaram para debaixo do tapete os riscos ambientais, que hoje ninguém em sa consciência deixaria de lado sob pena de comprometer toda a produção futura de alimentos. Detalhe: depois de duas décadas de melhorias constantes, a expansão da produtividade agrícola definhou desde fins dos anos oitentas. É que a estagnação dos preços agrícolas tomaram menos lucrativos os investimentos an pesquisa. Agora que os preços estão subindo, existe um "incentivo" para desenvolver novas tecnologias - mas isso também não vai acontecer da noite para o dia. De cato e imediato, há um vigoroso crescimento da atividade industrial, o inchaço das cidades, a degradação de áreas produtivas, o au- mento da demanda por alimoitos e a oscilações de preços muito marcantes em alguns cantos do planeta. As famílias americanas de baixarendagastamatualmenteaté 17% de suarenda em alimentos. No Brasil, a situação é tragicômica - a cesta básica custa mais que o salário mínimo; em São Paulo, o caixa do supermacado registra exatos R$ 115,00 na compra de todos os itens. Outros 800 milhões de seres humanos engordam as estatísticas da subnutrição e a Ásia, dizem os analistas de plantão, está devorando cada grão exportado pelos Estados Unidos. SUMMARY At least in Europe, the "crazy cow" plague continues to inflict the annoying effects, not in the stomach, but in the head of many lovers of the pleasures of beef Just to mention one isolated case, recently the Guild of Food Writers, the bible of the joumalists writing abouí meals in London, promoted a conference which lead to the following verdict: on the médium range, the English taste will be completely seduced by the magic of vegetables, fruits, grains, roots and garden stouf andsay good-bye to the weíl-done or rare steaks. The molecular biologic research of the Rowet Research Institute has also given a hand in this gastronomic turn towards green food by showing that the consumption of fruits and vegetables, approximalely five portions or 400 grams a day, is associated with the prevention of a great number of diseases including câncer, heart illnesses and the development of cataract, besides the the action of the implacable enemies of the youth, thefree radicais. But, even though there is a well spread demandfor good and natural food, specially by those terrestrians with healthy ecological habits, the prices practiced by the horíicultural sector are still heavy on the pockets of the poorer classes of the global community. ONGs em Ação Romoaldo de Souza WWF faz campanha de filiação Depois de 25 anos atuando no Brasil, o WWF - Fundo Mundial da Natureza - abriu um quadro de afiliados. A entidade estabeleceu uma meta: ter 1.000 afiliados até o final deste ano. Fundado em 1961, na Suíça, onde fica sua sede internacional, atua hoje em mais de 100 países e conta com 5 milhões de contribuintes em todo o mundo. Esses associados ajudam o WWF a proteger as florestas, os ecossistemas de água doce, as áreas costeiras e os oceanos em todo o mundo. No Brasil, 600 afiliados já se associaram à entidade. São pessoas atuantes e bem informadas que agora participam da maior rede internacional de proteção à natureza. O que faz o WWF? - Examina quais são os principais problemas ambientais do Brasil e, a partir daí, desenvolve estratégias de conservação. Para isso, opera com projetos de campo que visam a tomar-se modelos para a solução desses problemas. O trabalho não fica somente no campo. O WWF divulga os resultados obtidos em ações de educação ambiental e comunicação. Publica regularmente estudos sobre políticas públicas, em nível nacional e internacional. Sempre que possível, esse trabalho é realizado em parceria com ONGs regionais e locais ou com órgãos do govemo. Isso contribui para o sucesso dos projetos e ajuda a fortalecer essas instituições. O WWF também proporciona cursos de desenvolvimento organizacional para seus parceiros. Outro objetivo do WWF é fortalecer as ONGs regionais e locais, por meio de parcerias, disseminação de informações e do treinamento em desenvolvimento organizacional. Algumas ações do WWF no Brasil - Distribuiu em todo o país 500 kits educativos contra o tráfico de animais silvestres; lançou o primeiro documento brasileiro alertando contra o risco da hidrovia Paraguai-Paraná descaracterizar o Pantanal; viabilizou a publicação do Mapa de Unidades de Conservação do IBGE; patrocinou a primeira pesquisa nacional sobre pessoas que trabalham com ecoturismo; Publicou "De grão em grão o Cerrado perde espaço", alertando para o modo predatório de ocupação daquele bioma; entregou um abaixo-assinado contra o tráfico de animais com 35 mil assinaturas ao ministro Gustavo Krause. Alguns projetos do WWF no Brasil - Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO); Parque Nacional do Jaú (AM); Programa de Rádio "Natureza Vrva" (Amazônia); Projeto Tamar (litoral); Reserva Biológica de Una (BA); Reserva Biológica de Poço das Antas (RJ); Reserva Extrativista do Cajari (AP); Sistemas Agroflorestais em Paragominas (PA); Tartaragas da Amazônia (RO); Cadastro Nacional de Entidades Ambientalistas; Convenção da Biodiversidade; Educação Ambiental no Ensino Formal Brasileiro; Estação Ecológica de Mamirauá (AM); Jornal para Educadores Ambientais; Manejo de Várzea (PA); Manejo Sustentável de Madeira na Amazônia (PA); Manejo de Fauna pelos índios Xavantes (MT); Manejo Sustentado de Açaí para Palmito (AP); Modelo de Exploração Comunitária de Madeira (RO); e Monitoramento do Planafloro (RO). Existem cinco modalidades de associado: a primeira é a de amigo, cuja contribuição anual é de R$ 15,00. O benfeitor contribui com R$ 50,00. Um terceira forma é a do patrono que contribui com R$ 100,00. Finalmente vem o colaborador especial, nesse caso a contribuição está acima de R$ 250,00. O afiliado recebe periodicamente um boletim informativo e outras publicações. Ao afiliar-se o interessado receberá em seu endereço, pelos Correios, um kit WWF contendo: boletim + pin + adesivo, na categoria de amigo; boletim + pin + adesivo + caneta, se se tornar colaborador; boletim + pin + adesivo + boné; tomando-se benfeitor; boletim + pin + adesivo + camiseta, no caso da escolha seja de colaborador especial. Passando a ser um patrono, o associado receberá boletim + pin + adesivo + camiseta + vídeo ecológico. O endereço do WWF é: SfflS QL 6/8, Conjunto E, 2o andar CEP71620-430Brasília-DF.Tel:(061)248-2899,Fax:(061)2487176. E-mail: [email protected]. Folha do Meio Ambiente Brasília, setembro/outubro de 1996 I Á. T TTn7X> AIPT TX> A Brasília, setembro/outubro de 1996 I O Folha do Meio Ambiente Bromélias são essenciais ao ecossistema Antônio Miranda, poeta, professor e dono do primeiro e único bromeliário do CentroOestCy fala de suas experiências com as bromélias e da importância delas para a natureza Laís Scuotto Lineu, famoso botânico sueco, foi quem criou, em homenagem ao seu colega Olaf Bromel, o nome do gênero bromélia. As bromeliáceas, plantas exclusivas do continente americano (com exceção de uma única espécie na África), distribuem-se por 50 gêneros, com mais de três mil espécies classificadas, sendo que só no Brasil, mais de 1,6 mil são conhecidas. Compreendem espécies terrestres, epífitas - que crescem nas arvores, sem serem parasitas - e as saxícolas e rupículas sobre e entre as pedras, comuns na Mata Atlântica, um dos seus habitats naturais, porém ocorrendo também em todas as regiões brasileiras A importância das bromélias para o ecossistema é extraordinária. Além de abrigarem em seu interior muitas espécies animais, que vão desde insetos minúsculos até girinos, que crescem abrigados entre suas folhas, as bromélias ajudam no reflorestamento na região de restinga, mantendo o solo úmido. Sua principal atração, no entanto, é a sua beleza plástica inconfundível, com uma enorme variedade de formas e cores, que embelezam a paisagem, atraindo não só o interesse dos botânicos como também, e cada vez mais, de colecionadores que criaram, há cinco anos, a Sociedade Brasileira de Bromélias, no Rio de Janeiro, cujo objetivo principal é o estudo, a propagação e a preservação das espécies nativas. ■ Atualmente, estão sendo desenvolvidas modernas técnicas de reprodução das bromélias, como por exemplo por tecidos meristemáticos, assim como por processos de hibridização que permitem o aparecimento de novos cultivares, muito mais ornamentais que as encontradas na natureza e que, sendo cada vez mais disputados pelo grande público, constituem-se em alternativa de consumo, evitando assim a coleta indiscriminada em seus habitats e o risco de sua extinção. A maior atração das bromélias é sua beleza plástica inconündível Um cultivador apaixonado Antônio Miranda Poeta, contista, autor teatral premiado, escultor, bibliotecário, professor universitário e colecionador fanático de postais antigos e modernos do Brasil, Antônio Miranda é também cultivador apaixonado de Bromélias. O primeiro e único bromeliário do Centro-Oeste fica na chácara Irecê, nos arredores de Brasüia, onde ele passa os fins de semana, dedicando-se, com método e organização, a catalogar as espécies de bromeliáceas que chegam às suas mãos, de todo o Brasil e do exterior, por meio de trocas que realiza com dezenas de aficionados colecionadores que, como ele, buscam descobrir novas espécies para terem o prazer de ver seus nomes batizando uma espécie desconhecida pela botânica. FMA - Quando e como surgiu o seu interesse pelas bromélias? Miranda - Primeiro, ao descobrir algumas espécies epífitas e terrestres no cerrado que estavam sendo dizimadas para o lançamento de empreendimentos imobiliários. Resgatei algumas que agora ornamentam árvores e jardins de minha chácara. Depois, foi o deslumbramento com as gravuras de Margareth Mee, uma artista genial que ilustrou espécies de bromélias com um talento artístico e minúcia científica difíceis de serem superadas. Por último, e decisivamente, com a dbra "Bromélias na Natureza", de Elton Leme & Luiz Marigo, que mostra a nossa flora nas diversas regiões do país. FMA - É difícil mantê-las nesse clima árido do cerrado? Quais são as melhores condições para preservá-las? Miranda - É um tremendo desafio. As bromélias vêm de habitats diferenciados e requerem umidade e iluminação próprias que somente é possível oferecer em condições de viveiro ou estufa. Mas até que elas são, em sua maioria, muito resistentes e adaptáveis. Conservo a coleção básica no bromeliário, cercado de cuidados especiais, e as mais adaptáveis multiplico-as pelas árvores e jardins próximos. No período de estio é imprescindível regá-las regularmente por causa da baixa umidade e do vento e frio, protegê-las do excesso de sol e 4té vaporizá-las. FMA - O fato de você ser bibliotecário e colecionador de postais, facilita o seu tra- Tecnicas modernas garantem a reprodução das bromélias balho de catalogação de espécies? Miranda - Sem dúvida. A busca de literatura e das fontes de consulta são exploradas adequadamente, assim também os problemas taxonômicos básicos para a classificação. Como o hábito faz o monge, acabei fazendo ^^^H estantes como em bibliotecas para armazenar a coleção. FMA- Você não acha que no futuro, as bromélias, como outras espécies da Mata Atlântica, terão que ser colecionadas como peças raras, tal é a agressão que vem so- frendo pela mão do homem? Miranda - De fato, muitas bromélias são endêmicas e a depredação do meio ambiente pode (e certamente é o que já vem acontecendo) dizimar espécies conhecidas e até ainda não identificadas. Por outro lado, com a comercialização da bromélias para paisagismo e decoração, populações inteiras de bromélias vêm sendo arrancadas para atender ao mercado, muitas vezes por gente que tem aí a sua única fonte de renda. FMA - Não existem técnicas capazes de garantir a reprodução das bromélias? Miranda - Por outro lado, a engenharia genética vem desenvolvendo novas tecnologias capazes de reproduzi-las (por meristemas, por exemplo) aos milhares, e a custos mais baixos do que por coleta na natureza, o que é positivo. Por certo, isso também preocupa. A maioria das bromélias que são vendidas em floriculturas são híbridos de plantas brasileiras, cujas matrizes vieram dos Estados Unidos ou da Europa e são mais decorativas e comerciais que as naturais. Isso ébom para a preservação, mas, por outro lado, só mesmo nos jardins botânicos e nas coleções particulares, que ainda são poucas, é que as espécies nativas são efetivamente preservadas. Ou nos parques nacionais, com os riscos que conhecemos: incêndios, coleta clandestina da forma indiscriminada, falta de técnicos para garantir sua propagação e conservação etc. Felizmente, existem alguns exemplos positivos tanto na área governamental quanto da iniciativa privada na ação protetora de nossa fauna e flora. FMA - Você já descobriu alguma espé- cie nova de bromélia? Miranda - Ainda não confirmada. Vou iniciar um trabalho de levantamento de espécies da região com um colega da Universidade de Brasília e as perspectivas são interessantes. Por exemplo, encontramos exemplares de Vrieseas que até então pensávamos não existirem por aqui. O livro citado do Leme & Marigo, contempla as espécies da Amazônia, dos Campos Rupestres, dos Campos de Altitude, da Mata Atlântica e da Restinga, não inclui o Cerrado. É verdade que existem bolsões de cerrado nos Campos Rupestres e na Amazônia, mas a flora específica da região é ainda pouco conhecida e digna de inventário. Se continuam descobrindo espécies novas em santuários tão explorados como os do litoral, como duvidar da existência de outras na região? FMA - É verdade que você está criando o primeiro jardim labirinto da América Latina? O que lhe motivou a criar um jardim tipicamente europeu, onde os muros são feitos de ciprestes? Miranda - Já existe, há várias décadas, um jardim assim nas serras de Córdoba, na Argentina, que eu visitei há muito tempo atrás, pepois estive no de Hampton Court, nos arredores de Londres. Ao ler o livro "Bomarzo", de meu amigo Manuel Mujica Lainez (agora traduzido e publicado no Brasil), encantei-me com a idéia do jardim renascentista do príncipe Orsini. Comecei o meu há vários anos, amphando-o aos poucos, mas as condições climáticas não favorecem muito, apesar de usar a técnica de gotejamento para garantir um pouco de umidade nos períodos de seca. Mas, depois de iniciado o meu trabalho, foi inaugurado um jardim labirinto - o primeiro de caráter público-, na cidade gaúcha de Nova Petrópolis. É um exercício lúdico, um preciosismo do romantismo que na Europa muito se venera e preserva. Nós apenas imitamos, e não vejo pecado nisso. FMA - Você é também um premiado autor teatral, poeta e contista, além de escritor. Como consegue dividir-se em tantas atividades e interesses disüntos? Miranda - Paradoxalmente, são atividades que fazem parte de uma mesma dinâmica criativa, de comunicação, de auto-realização. Vou trabalhando por airebatamentos, paixões, buscando as formas de expressar meus sentimentos. Só não consigo é ficar parado. Dificilmente escolheria uma única forma de expressão, mesmo que isso redundasse numa especialização mais produtiva e conseqüente. Agora mesmo estou apaixonado por um livro que está na gráfica e que escrevi durante uma longa estada em Porto Rico, em 1993: Relógio, não marque as horas, em que interligo várias crônicas numa estrutura novelesca, algo que tem alguma originalidade. Se eu não me dividisse em tantas atividades, certamente a obra já teria sido publicada antes. FMA - Fale um pouco de sua paixão pelos cartões postais. Miranda - Foi amor à primeira vista. Começou aos 13 anos de idade, há mais de quarenta anos. Hoje tenho milhares e milhares, mas o principal do acervo é a "Brasiliana", mais de cem mil cartões brasileiros, sobre todos os temas e lugares, desde 1880 até os dias atuais. E o retrato do Brasil em diferentes épocas, num trabalho de garimpagem constante, que tenta preservar um pouco da imagem de nosso país feita por fotógrafos e ilustradores em mais de cem anos. Muitas destas imagens são únicas, não aparecem em outras formas de mídia, constituem uma fonte documental fantástica para o resgate de nossa memória. FMA - Você não pensou em criar uma filial da Sociedade Brasileira de Bromélias? Mira - A entidade está pensando nisso. Deve acontecer em breve em outras regiões, fora do Rio de Janeiro onde ela está situada. Em Brasüia ainda somos poucos mas um dia será. FMA-As espécies que você possui no seu bromeliário são somente para o seu prazer de colecionador, ou você, além de trocas, as comercializa? Miranda - Sou ainda um principiante, com algumas centenas de espécies. A medida que as plantas se multipliquem além da minha capacidade de conservá-las, eu seja obrigado a presenteá-las e até vender uma parte, quem sabe para minimizar os custos de manutenção da coleção. Aceito trocas pelo correio. Cartas para a Caixa Postal 4548, CEP 70919-970 Brasília, DF, ou pelo telefone 061 -502.9010, nos fins de seniana - SUMMARY Poet, story writer, awarded theater author, sculptor, book-keeper, professor and fanatic collector of modem and old Brazilian post cards, Antônio Miranda is also a passionate planter of Bromélias. The first and only Bromelarium of the MidWestern is located in the Irecê Grove, in the surroundings of Brasília, where he spends the weekends, dedicating himself, with method and organization, to the cataloguing of bromeliaceous species which get to his hands, from ali o ver Brazil and from abroad, by the mean of exchanges he makes with dozens of affictionated collectors who, like himself, aim the discovery of new species, so that they may have the pleasure of seeing their name baptizing a specie unknown to Botany. In na interview to the Folha do Meio, Antônio Miranda denounces that the degradation of the environment is killing known bromeliaceous species, and also some noí yet identified. According to the collector, the greàter part ofthe Bromélia sold in flower stores are hybrid of Brazilian plants, whose mother-plant camefrom the United States or Europe, and are more decorative and marketable than the natural ones. This is good for their preservation, according to Miranda, but only in the botanical gardens and inprivate collections, which are still in a small number in Brazil, are the native species actually preserved. Or yet in the National Parks, where the bromeliaceous might be victims of arson, illegal picking in a indiscriminated way, and the lack of technicians to guarantee their proliferation and preservation. LaU scuotto Antônio Miranda em seu bromeliário I A Folha do Meio Ambiente Brasília, setembro/outubro de 1996 Quando o turismo cresce, o Brasil cresce junto /• iinrível o que n indústria do turismo pode fazer por um pah. Quanto mais turistas vierem passar férias tio Brasil, mais as regiões turísticas se desenvolvem, mais divisas desembarcam no país e py—-JI, melhor é a distribuição de retida * entre os brasileiros. Por isso 9M^fnmmr cs/amos itivestindo na (fiuiiidadv v.; ;; ;■' dos serviços prestados ao ///ris/a. íEMBRATUR financiando projetos turísticos e ainda modernizando as leis que se referem ao turismo no Brasil. Incentivando o turismo. cada vez aumentam mais as oportunidades de emprego para os brasileiros. No comércio, nos restaurantes. boteis, transportes, teatros, museus. li até na agência de propaganda que trabalhou para fazer este anúncio. Brasília, setembro/outubro de 1996 Folha do Meio Ambiente IÒ LITERATURA As ervas nossas de cada dia Livro da botânica Cida Zurlo resgata o conhecimento popular sobre aflora no contexto da tradição oral do interior do país Carlos Alberto Ribeiro de Xavier A professora de Botânica Cida Zurlo, da Escola de Farmácia da Universidade Federal de Ouro Preto, aposentou-se do magistério, mas não do trabalho de pesquisadora. Mas, no Brasil, também pode ser chamada de batalhadora, insistente, inovadora, ou ainda melhor, idealista. Das pesquisas que fez, duas precisam ser realçadas: a primeira, muito curiosa, resultou na cachaça "Milagre de Minas", composta a partir da maceração de 15 ervas escolhidas a dedo, como nó-de-cachorrOi imburana, boldo do Chile, catuaba, canela sassafrás, casca d^ta, ervade-soldado e funcho; a outra, deu no livro "As Ervas Comestíveis - Descrição, Ilustração e Receitas" de sua autoria, em cooperação com a pesquisadora Mitzi Brandão, que resgata o conhecimento popular sobre a flora, recuperando a tradição oral do interior do Brasil. A professora Cida Zurlo foi diretora do Jardim Botânico de Brasília, onde deixou mais dois filhotes: o "Jardim de Cheiros", de plantas medicinais tradicionalmente cultivadas, e o "Jardim do Cerrado", de plantas medicinas nativas da própria área do Jardim Botânico. Hoje, a professora e suas surpresas podem ser encontradas no "Armazém das Gerais", que funciona na Rua Antônio de Albuquerque n0 16, em Ouro Preto, endereço onde viveu a "Madame Olympia", uma das mais notáveis e folclóricas figuras da cidade. A professora Cida pode ser identificada no trecho de um poema de Cora Coralina que abre o seu livro: "Sou mais doceira e cozinheira do que escritora, sendo a culinária a mais nobre das artes: objetiva, concreta, jamais abstrata, a que está ligada à vida e à saúde humana". O livro, que foi editado pela editora Globo para a coleção "Globo Rural", está praticamente esgotado, mas pode ser pedido diretamente à editora do Rio pelo telefone 021-273-5522. Trata-se de uma obra de importância no Brasil, onde grandes contingentes da população são subnutridos, pois o livro apresenta 35 ervas comum, popularmente chamadas de daninhas e que ocorrem em terrenos pouco férteis ou pobres em nutrientes, em terrenos baldios, nas encostas dos morros, nos fundos de quintais ou em ruínas. São espécies botânicas que não precisam muito para sobreviver. "Já nascem incomodando, competindo ousadamente com as classes superiores das plantas. Se flageladas, podadas ou sufocadas, ao primeiro ar fresco renascem alegres. Parem filhotes que geram outros rebentos. COLEÇÃO DO AGRICULTOR SUMMARY ECaQGlA The Botanics Professor Cida Zurlo, of the College ofPharmacy ofthe Federal Úniversity o/Ouro Prelo, retiredfrom magistracy, but notfrom her work as a researcher. In lirazil, she may be caüed afighter, insistent, an innovator, or even better, an idealisl. Of att researches she carried out, two must be highlighted: the first, a very curious one, resuüed in the hard liquor "Milagre de Minas" (Minas' Miracle), obtainedfrom the maceration oflS hand-picked herbs, such as dogs-knot, umburana, Chilean boldo, catuaba, sassafrás cinamon, casca d\tnta, soldier's herb and fennel; the second resuüed in the book "Edâle Herbs Description, lllustration and Recipes", by herself, in cooperation with the researcher Mitzi Brandão, which recalls the popular knowledge about the flora, more precisely aboutthosecaUedweeds, recovering the oral tradition ofthe Braz&an countryside. Professor Cida Zurlo was the director of the Botanic Garden of liraiam, where she left two daughters: "The Garden of Scents" (Jardim de Cheiros), with the mosttraditionally cultured healing herbs, and the "Highland's Garden" (Jardim do Cerrado), with healing herbs native ofthe Botanic Garden área. Today, the professor and her surprises may be found iri the "Armazém das Gerais", which is located at Antônio de Albuquerque Street, number 16, in Ouro Preto, address where lived "Madam Olympia", one ofthe most autstanding andfoIkloric persons in lhe city. Professor Cida may be identified in apassage ofapoem by Cora Coralina, which prefaces her book: "I am more a confectioner and a cooker than a wriíer, being culinary the noblesl of the arts: objecüve, real, never ahstmcl, lhe one linked to life and to human health". As ERVAS O livro fala do uso de 35 ervas comuns,que em linguagem popular COMESTíVEIS DESCRICto, ILUSTRAÇÃO E RECEITAS mmm mmmm são chamadas de daninhas, mas que apresentam grande valor culinário Pragas e doenças tampouco as intimidam, elas ressurgem também do caos. Acrescente-se, ainda, que mesmo sendo malvistas, elas quase sempre escapam aos agrotóxicos. São danadas as daninhas". Mas quase nunca são espécies novas. São plantas de uso muito antigo, algumas trazidas pelos portugueses, outras pelos africanos, que as cultivavam no Brasil e outras tantas eram usadas pelos índios brasileiros. Os caiapós, por exemplo, chegaram a domesticar e cultivar mais de uma centena de espécies. Outro aspecto interessante é que o livro traz as receitas de sopas, saladas, doces e salgados de fácil preparo, que não custam quase nada. Entretanto, existe muito preconceito em relação essas plantas. De uma maneira geral, uma erva é considerada daninha quando não chega à mesa, o que é uma questão de costume, ou de ignorância, acrescento eu. "O carura, por exemplo, foi trazido pelos portugueses junto com a couve. A couve manteve seu prestígio. O caruru - sabe Deus por que - caiu em desgraça e passou a pária na comunidade vegetal. Assim, a necessidade de manter a mesa farta e va- Receitas de sopas, saladas, salgados e doces riada levou nossos ancestrais a se servirem, sem cerimônia, do material nativo, cultivado, e ou o clandestino daninho em sua cozinha. Guisados e sopas trazidos de além-mar tiveram seus ingredientes paulatinamente substituídos: as então daninhas beldroega, dente-de-leão, ora-pronóbis, mostarda, labaça, serralha, trevo, major-gomes, tomaram o lugar da couvemanteiga, da couve-tronchuda, da couve-de-bruxelas, e novas receitas surgiram. As cambuquiras, as floresde-bucha, taboas, munhecasde-samambaia e muitas outras plantas enfeitaram os lombos, os pemis, as galinhas assadas, as peças de caça. O joá-manso, as amoras, o tomatinho, as capuchinhas, as gabirobas, os araças, as flores de dente-de-leão, as cépalas da vinagreira, entre tantas outras, substituíram as refinadas geléias de maçã, de ameixa e de cereja tão a gosto do europeu. Da miscigenação das etnias que formaram o brasileiro, viu-se também miscigenar a culinária de muitos povos. E o resultado é ótimo. Em muitas regiões variam os nomes dessas plantas. A beldroega, (Portulaca oleracea L.) também é conhecida como verdolaca, salada-de-negro, porcelana, caaponga, bredo-de-porco, beldroega vermelha, de horta, ou beldroega-de-comer. O jambu, (Spilanhes sp.) também é conhecido como agrião-do-Pará, jambuaçu, pimenteira, pimenta-d'água, gambu, erva-de-málaca. A major-gomes (Taninum sp.) é conhecida ainda como benção-de-deus, maria-gorda, bunda-mole, ora-pro-nóbis-do-miúdo, camegorda, língua-de-vaca. Até a temida urtiga também está no livro e se pode preparar uma deliciosa sopa com urtigas tenras. Quanto à cachaça, também é conhecida no Brasil como pinga, água-que-passarinhonão-bebe, capote-de-pobre, moça branca, birita, lindinha, calibrina e muitos outros nomes regionais. Recomenda-se beber com moderação e requer um ritual: "deve ser bebida como se bebe um vinho raro". Os propalados efeitos afrodisíacos dessas bebidas parecem indiscutíveis dada à grande variedade de usos em todo o Brasil. Afinal, para que servem as ervas e o que é mato? Emerson deixou uma frase definitiva: "Mato é tudo aquilo que se desconhece, ou ainda não se sabe a utilidade". E Ervanativa faz afesta na mesa do interior brasileiro Brasília, setembro/outubro de 1996 1 6 Folha do Meio Ambiente AGENDA icmarA Espanha debate O Colégio Oficial de Físicos da Espanha, com apoio da União Profissional e Aproma, realiza em Madri, de 25 a 29 de novembro, o seu 3o Congresso Nacional de Meio Ambiente, que vai revisar a situação do meio ambiente espanhol e sugerir as alternativas que 0 país necessi- ta executar para cuidar bem de seus dos recursos naturais. Durante esse congresso, haverá um encontro ibero-americano, reunidos pessoas de vários países. Mais informações escrever para Tilesa Londres, 17, E-28020 Madrid, fone 3413612600 e fax 3413559208. LfíSfftGOR REPRODUÇÕES GRÁFICAS E EDITORA L TDA. S»G Q_3 BL-C-N-9 - (0611 344-1007 FAX: (0611 344-3428 - B«AS1U*-0F Educação ambiental Manguezais Será realizado, de quatro a 8 de novembro, em Nova Almeida, município de Serra - ES, o 4o Encontro Nacional de Educação Ambiental em Áreas de Manguezal, promovido pela Universidade Federal do Espírito Santo. O encontro oferecerá cursos, palestras, mesas- redondas e oficinas sobre vários aspectos das áreas de manguezais, como bioecologia, etnobiologia e técnicas e dinâmicas de educação ambiental. Quem estiver interessado manter contato com a Pró-Reitoria de Extensão da UFES, na Avenida Fernando Ferrari, s/n, Campos Universitário de Goiabeiras, Vitória - ES, CEP 29060-900, fone (027) 3352333 e fax (027) 335-2330. Cursos ambientais Mais dois cursos serão realizados este mês pela Sociedade Brasileira para a Valorização do Meio Ambiente - Biosfera, na área de meio ambiente. Em Natal - RN, de 13 a 17 de outubro, haverá o curso de planejamento, operacionalização e gestão de projetos de ecoturismo. Em São Paulo, de 21 a 23 de outubro. o curso versará sobre gerenciamento da água industrial, com enfoques técnicos econômicos e ambientais. Mais informações na Biosfera, à Avenida Presidente Vargas, 435, Grupos 1104 e 1105, caixa postal 2432, Rio de Janeiro - RJ, CEP 20001970, fone (021) 221-0155 e fax (021) 221-0155 e 262-5946. De 26 de outubro a dois de novembro. Belo Horizonte será transformada em capital ecológica por reunir quatro eventos de grande importância, quais sejam: 13° Simpósio Nacional de Educação Ambiental, 4o Simpósio Nacional Infanto Juvenil de Educação Ambiental, 1° Simpósio Mineiro de Educação Ambiental e Ia Feira Nacional de Cultura Ambiental. Promovidos por diversas órgãos estaduais, instituições de classe e empresas mineiras, os eventos ocorrerão, simultaneamente, no Parque das Mangabeiras, auditório do Sesiminas e no Campos da Universidade Federal de Minas Gerais. Mais informações na Pró-Reitoria de Extensão da UFMG, no fone (031) 499-4065 e fax (031) 491-1947. Ecoturismo O Instituto de Ecoturismo do Brasil IEB realiza em Bertioga - SP, de seis a oito de novembro seu primeiro congresso com o título "Ecoturismo é um bom negócio", que reunirá grandes especialistas nacionais e internacionais em ecoturismo. Mais informações sobre o evento no IEB, à Rua Wanderlei, 750, São Paulo SP, telefax (011) 2622069. iVo platicm inteiro, estão sumindo com as cores aa natureza. Não deixe que isto aconteça. Inicie por aqui a sua parte COMUNIDADE O Ambiente Certo Para A Sua Reserva. Para preservar os grandes.momentos em Brasília, basta preocupar-se com uma reserva: NAOUM PLAZA HOTEL. 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Postal 07.0672 - Tel.: PABX (061) 344-3673 - Fax: (061) 344-1184 - Brasília-DF : olha do Meio Ambiente I / Brasília, setembro/outubro de 1996 DEBATE Devastação da Amazônia preocupa pesquisadores europeus |Reunidos na Itália, pesquisadores europeus denunciam que a devastação causa grande perda das espécies vegetais Textos e foto Aivone Brandão O Instituto Italo-Latino Americano (IILA-Roma) dedicou a última semana de junho exclusivamente à cultura, à reflexão e ao diálogo da problemática da salvaguarda da racional utilização dos recursos naturais da região amazônica. O foco principal do evento foi a realização de uma mesa redonda composta de pesquisadores vinculados a universidades italianas e sul americanas, bem como o representante da Agência Espacial Européia e membros da "Associação Amazônia", uma organização não governamental que há muito vem amando na região dos igarapés Xixuau e Xiparanã, no Estado do Amazonas. A jornada seminário foi realizada no dia 27 e durou mais de oito horas. Os estudiosos, ao ilustrarem suas experiências, estiveram de acordo em afirmar que a Amazônia, possuidora da maior quantidade de espécies viventes do planeta, continua sendo devastada. O processo de desflorestamento, que tem como causa principal a colonização com suas várias formas de criação e cultivo, está avaliado hoje, segundo Maurício Fea, da European Space Agency ES A, em um milhão e trezentos mil hec- tares, a cada ano, só na Amazônia brasileira, e em quatro milhões e trezentos mil em toda a América Latina. Segundo estudos realizados por Samuel Fujisaka, do Centro Internacional de Agricultura Tropical de Cali-Colômbia, "no recrescimento das espécies devastadas sobre o solo abandonado pela shifting-culture - cultura itinerante - há sempre uma considerável perda de espécies vegetais". O biólogo Maurizio Paolehi da Universidade de Padova - Itália, também acredita que um dos grandes problemas da Amazônia é a influência dos limitados recursos para a subsistência humana utilizados pelas culturas ocidentais: ao invés de explorarem os recursos naturais sem danificar o ecossistema (como o fazem os aborígenes da Amazônia venezuelana, que se alimentam inclusive de grandes minhocas e pequenas mamíferos, ricos em proteínas), elas destroem a floresta para, paradoxalmente, transformá-la na quota de proteína necessária à sua subsistência. Um outro problema, segundo Paolehi, é que a colaboração científica é limitada pelo fato de "os pesquisadores não terem muito acesso à cultura para compreende- Mesa redonda reuniu representantes de vários países rem e desenvolverem in colo, os maravilhosos e vastíssimos recursos ainda desconhecidos". Os pesquisadores estiveram de acordo, ainda, com relação a importância de se criarem projetos de desenvolvimento sustentável a partir, obviamente, do total conhecimento dos problemas da Amazônia. "Um desenvolvimento sustentável". Compromissos assumidos Os resultados concretos dos trabalhos expostos na jomada-seminário foram consolidados, entretanto, em reunião corrida posteriormente. Segundo o Dr. Júlio Samper, vice-secretário técnico-científico do IILA os resultados foram os seguintes: - Decidiu-se criar uma rede de organismos e pessoas que se proponham manter uma observação permanente na Itália, tanto para compilar os resultados das investigações e projetos, como para entrarem em contatos entre si e promoverem o intercâmbio com as instituições de outros países que se dedicam ao estudo deste tema. - Paralelamente à construção dessa rede, concordou-se em iniciar a preparação de um projeto de desenvolvimento sustentável na Reserva Xixuau da Associação Amazônia, que constitua um laboratório de experimentação que cumpra com as condições anteriormente mencionadas. - Os estudiosos concordaram ainda, que um instrumento útil para a realiza- ção das iniciativas está representado pela utilização de observação por satélite, como foi ilustrado pelo representante da Agência Espacial Européia durante sua exposição". - Em conclusão, no final dos trabalhos, verificou-se um consenso em relação aos problemas tais como o desflorestamento e, em geral, a perda dramática da variedade biológica da Amazônia, que devem ser enfrentados com projetos de desenvolvimento sustentável de enfoque interdisciplinar e em estreito acordo com os problemas locais". Exposição - Paralelamente às discussões sobre desenvolvimento sustentável na região Amazônia ocorreu, durante toda a semana, a primeira exposição Itinerante de Pinturas Fotografias e Filmes da Amazônia. A exposição ocupou uma das amplas e luxuosas salas da sede do IILA em Roma e mostrou quase uma centena de quadros de artistas de diversas regiões da Amazônia, algumas dezenas de fotografias e filmes que retrataram a beleza natural da "Reserva Xixuau". Tal exposição foi visitada por grande número de pessoas, além de personalidades como o embaixador do Brasil na Itália, Paulo Pijes do Rio, e do duque Roberto Pablo Imperiali, importante empresário italiano, e mais recente sócio da reserva Xixuau, presentes na inauguração. A exposição é uma iniciativa da Associação Amazônia e do pintor Bui Chaves, cujas obras agradaram muitíssimo os colecionadores romanos. Depois de Roma, a exposição passou a percorrer as cidades de Montana, Siena, Grosseto, Lago D'Orta, Perugia e Foi lonica. Os eventos realizados durante a semana dedicada à Amazônia tiveram uma considerável repercussão na imprensa local. A seriedade dos pesquisadores e o empenho do IILA foram, no entanto, traduzidos pela seguinte manchete. "Compra um Pezzo Di Amazônia", publicada pelo periódico L'unita, em 28/06/96, na sua página destinada a assuntos ambientais. afirma Christopher Clark, um dos sócios da "Reserva Xixuau" e integrante da mesa redonda, "deve olhar em todas as direções". No Caso do Xixuxau, por exemplo, "explorar de modo conciliável a castanha e a borracha, manter relações com universidades e centros de pesquisas científicas, oferecer hospitalidade para grupos dedicados ao estudo e documentação naturalística". SUMMARY The Italo-Lalin-American Institute (IILA, Rome) dedicated the last week of June exclusively to culture, to reflection and to discussion of the problematic of assuríng a mtional utilization of natural resources m the Amazon. The mainfocus ofthe event was the realization of a round table formed by researches from Italian and Souih-American Universities, as well as by the representative of the European Space Agency, and members of the "Amazonian Association", a non-governmental organization which has been operating in the region of the Xixuau and Xiparanã Igarapés, in the State of Tlie Amazon, for a long time. The seminar, occurred on the 27, lasted more than eight hours. Tlie researchers, as they presented lheir experiences, agreed that the Amazon, which is the region containing lhe greatest number of living species in the planet, continues to be devastated. The deforestation process, which lias as its main cause the coíonization, with its various forms of livestock growing and agriculture, is estimated today, according to Maurício Fea, from lhe European Space Agency (ESA), as being a million and three hundred thousand hectares each year, just in the Brazilian Amazon, and as four million three hundred thousand for the wliole Latin America. According to studies carried out by Samuel Fujisaka, from the International Center of Tropical Agriculture, in Cali {Colômbia), "in the re-growth ofthe devastated species on the soil left by the shifting-culture there is always a considerable loss of vegetal species "■ Brasília, setembro/outubro de 1996 I O Folha do Meio Ambiente n tudo que merece ser preservado everde A preservação do meio ambiente depende, antes de tudo. da nossa civilidade. E isso que nos diferencia dos outros animais. Os telefones públicos são patrimônio de todos. Ajude a conservá-los. Teiebrasíiia SISTEMA TELE8RAS Brasília, setembro/outubro de 1996 Folha do Meio Ambiente 17 A reciclagem vira luxo e chega nos shoppings Clausem Bonifácio •erf«». MtKKf"- 0400»»* FILATELIA E ECOLOGIA DEPARTAMENTO DE FILATELIA-ECT Os selos que falam das flores No Conjunto Nacional o lúdico é aprender Romoaldo de Souza O que antes era apenas lixo, hoje é luxo. Pelo menos é assim que o lixo nas grandes cidades vem sendo tratado: com o verdadeiro valor, de luxo. As indústrias não suportam o desperdício causado com o lixo. O consumidor, cada vez mais exigente, examina mais de uma vez o produto que vai adquirir; se é reciclável, se biodegradável. Ao que parece, o desperdício está com os dias contados. Nas cidades, a limpeza urbana foi um dos principais temas das campanhas eleitorais do pleito de 3 de outubro. Acreditase ser urgente uma tomada de decisão que vise a reciclagem do lixo como fator primordial para melhoria da qualidade de vida. Nas escolas não tem sido diferente. Cada vez mais especialistas no assunto são convidados a proferir palestras à garotada sobre a importância de se reciclar o lixo. Nessas conferências acontecem verdadeiras sabatinas. Afiadíssimos, alunos e professores não se contentam apenas com a teoria da necessidade, insistem em saber como se dá a operacionalização. Como podem efetivamente contribuir. Em Brasília, desde meados do mês de setembro o Projeto Experimenta montou uma exposição no Conjunto Nacional, shopping localizado na região central de Brasflia, cujo objetivo, da exposição, é desenvolver a educação ambiental, estimulando e conscientizando o público freqüentador do shopping e alunos da rede escolar do Distrito Federal. Na exposição - idealizada por especialistas em meio ambiente e em educação - são enfocadas as ações que devem ser tomadas na área da reciclagem do lixo. Emil, o Ursinho Verde, é o personagem central da exposição. Ele é um misto de urso e índio Por onde passa Emil cativa das crianças aos adultos. Desde 1995, o Projeto Experimenta já percorreu 11 cidades do país, sempre muito bem acolhido. Todos fazem questão de decorar a lição de casa; seguir sempre as 10 regras de ouro do Emil: 1. empenhar-se todos os dias na defesa do meia ambiente; 2. querer ver mais verde nas cidades, no campo e nas escolas; 3. fazer questão de que ninguém desperdice água e que todos utilizem produtos que não agridam o meio ambiente; 4. querer que os adultos abram mão do uso do carro, sempre que possível, para diminuir a poluição do ar; 5. usar papel reciclado para escrever, fazer cálculos e desenhos, economizando assim água, substâncias químicas e madeira; 6. evitar produzir lixo, seja onde for; 7. zelar para que metais, plásticos, vidros e papel sejam coletados e reaproveitados separadamente; A arte de reciclar, vista de perto 8. gostar de comidas saudáveis; 9. proteger todos os animais e plantas e ajudam a conservar seu habitat natural; 10. ser detetives do meio ambiente. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançou no dia 17 de setembro de 1996, a série Preservação da Flora, divulgando três orquídeas, cujas características as distinguem dentre as inúmeras espécies existentes em todo o país. A emissão assinalou a 15* Conferência Mundial de Orquídeas, realizada no Rio de Janeiro, no período de 17 a 22 de setembro último, que contou com a presença de orquidófilos do mundo inteiro e de apaixonados por essas delicadas e belas representantes da fantástica flora brasileira. % - Promenea stapelioides (Link e Otto) Lindley Esta espécie é encontrada no sul do Brasil. Pode ser cultivada em pequenos vasos de barro ou plástico, em locais de temperatura intermediáriae com bastante umidade. - Catüey a loddigessii Lindley Do Gênero Cattleya, esta espécie pode ser encontrada em regiões elevadas e de matas com elevado grau de umidade. Embora ocorram até mesmo como litófitos (vegetais que crescem e vivem nas pedras), o mais comum é as espécies vegetarem em galhos altos de grandes árvores, onde se beneficiam de boa luminosidade. -Cattleya eldorado Nativade áreas do Estado do Amazonas, esta espécie é de extraordinária beleza ornamental, possuindo hábito epifítico (plantas que nascem sobre outros vegetais, sem contudo tirarem deles a sua nutrição). Ocorre predominantemente nos tipos de vegetação conhecidos como campina e campinarama e com menor freqüência na densa floresta de terra firme. A Cattleya eldorado floresce nos meses de dezembro a fevereiro, mas com o pico da floração ocorrendo no mês de janeiro, pleno verão brasileiro. Selo promocional defensores da natureza A presente emissão, com lançamento efetuado em 9/10/96, por suas características promocionais inéditas no Brasil, é peça essencial em todo o projeto "Defensores da Natureza" iniciado com o Convênio entre a Xuxa Produções, o Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e Amazônia Legal/Ibama e com o apoio dos Correios. Para o uso deste selo, cuja tarifa de R$10,00 é destinada ao pagamento da anuidade do Clube Defensores da Natureza, foi criada a "Carta Verde" por intermédio da qual os interessados em associar-se enviarão seus dados pessoais e uma frase declarando seu amor à natureza. Esta correspondência chega a um banco de dados preparado para cadastrar, em três anos, até dez milhões de pessoas " Defensoras da Natureza". Os cadastrados receberão uma carteira de PVC, inédita no país, contendo uma foto da Xuxa e a foto da pessoa, além dos telefones da linha Verde/Defensores da Natureza e um número de código de barras que identifica o cadastro. Trata-se, portanto, de um selo promocional de grande importância capital na construção e de um projeto de educação e informação ambiental. Centenário do nascimento Israel Pinheiro da Silva Assinalando o centenário do nascimento de Israel Pinheiro da Silva, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos está emitindo, hoje, um selo comemorativo. Notáveis realizações e preciosos ensinamentos: eis a síntese da vida e da obra de Israel Pinheiro da Silva. Durante sua exemplar vida pública, exerceu múltiplas e variadas funções, com muitos êxitos e grande respeitabilidade. Presidente da Câmara Municipal de Caeté; Diretor da "Companhia de Mineração Jucá Vieira" e da "Usinade Tubos Centrifugados Barbará"; Secretário da Agricultura, Viação e Obras Públicas e Secretário da Agricultura, Comércio, Indústria e Trabalho de Minas Gerais; Presidente da Companhia Vale do Rio Doce; Deputado Federal com destaque na Presidência da Comissão de Orçamento e Finanças da Câmara dos Deputados; Presidente da "Companhia Urbanizadora da Nova Capital" (Novacap); Prefeito do Distrito Federal e Governador do Estado de Minas Gerais. Esse espírito empreendedor se revelou, de forma incomparável, durante a construção da Nova Capital do Brasil, quando surgiu a expressão "espírito de Brasília", que Israel definiu como "tudo que há de contrário ao derrotismo sistemático". Para compor o selo o artista. Márcio Rocha, idealizou uma associação da figura do homenageado com um dos mais conhecidos cenários de Brasília - o Congresso Nacional - e ainda mostra o projeto do Plano Piloto, início da cidade que o espírito empreendedor de Israel Pinheiro ajudou a construir. rsBi ^H Brasília, setembro/outubro de 1996 XU Folha do Meio Ambiente VOCÊ DESENHOU ASSIM. A GENTE ESTÁ FAZENDO TUDO PARA QUE OS SEUS FILHOS NÃO DESENHEM ASSIM. Nos últimos anos, milhares de pessoas têm abraçado a causa do meio ambiente. Uma preocupação mais do que natural, já que o futuro do planeta e da própria humanidade está diretamente ligado à questão ambiental. Antenada com o que de mais importante acontece no mundo moderno, a Petrobras tem plena consciência do papel que deve exercer no combate à degradação da natureza e dos seus ecossistemas. Através de parcerias desenvolvidas junto a Universidades, Institutos de Pesquisas, IBAMA, Ministérios e Institutos, a Petrobras participa de inúmeros programas de preservação. Projetos como o TAMAR, de MONITORIZAÇÃODA QUALIDADE DO AR e o TELEFONE VERDE, entre outros, são algumas das iniciativas que a empresa empresta seu total apoio. Porque entende que esta é a melhor maneira de evitar que, num futuro muito próximo, as crianças se inspirem em fotos antigas sempre que forem retratar a natureza. PETROBRAS Brasília, setembro/outubro de 1996 Folha do Meio Ambiente Z. I AMAZÔNIA Floresta depredada PELO BRASIL Augusto Mazagão Conforme a imprensa tem no- ticiado, empresas madeireiras estrangeiras -principalmente asiáticas - estão se instalando no Brasil. Investem alguns milhares de dólares e adquirem vastas extensões de terra na floresta amazônica, especialmente no Estado do Amazonas. As áreas adquiridas ou arrendadas já somam milhões de hectares. Para o brasileiro que vive na cidade e está acostumado a medir o seu reduzido espaço urbano em metros quadrados, vale comparar. Cada hectare eqüivale a 10 mil metros quadrados, ou seja, mais que um campo de futebol com as dimensões oficiais máximas. Pois uma única empresa asiática comprou, de uma só tacada, um milhão e meio de hectares. fato poderia ser alvissareiro se as madeireiras da Ásia tivessem tradição de explorar as reservas naturais de forma sustentável e respeitando o meio ambiente. Assim, elas trariam o seu capital, criariam empregos e gerariam riquezas para o Brasil. Entretanto, não é o caso. Essas mesmas empresas que agora chegam à nossa Amazônia devastaram as florestas tropicais asiáticas. Começam a vir para cá porque estão prestes a esgotar as reversas de madeira das regiões onde operam. Se não nos acautelarmos, veremos repetir-se aqui a mesma devastação, marca registrada dos predadores. Trata-se de um desafio posto diante de todas as responsabilidade brasileiras: desde as autoridades municipais, estaduais e federais, detentoras do poder de fiscalizar e proibir, até as do cidadão comum, com destaque para as organizações da sociedade civil. Habituamo-nos, nos últimos anos, à idéia de que o nosso país é o vilão mundial do meio ambiente. As críticas e denúncias internacionais, reverberadas aqui dentro pelos setores mais atentos aos riscos de um desenvolvimento desordenado, infundiram-nos uma consciência de culpabilidade ecológica. Fomos condenados sem provas e aceitamos passivamente o julgamento de conveniência armado lá fora. A realidade, todavia, conta uma história bem diferente. Não há termo de equivalência, por exemplo, entre a magnitude dos estragos ambientais que as madeireiras vêm causando na Ásia e a resultante do corte de madeiras e da denubada de capoeiras pela agricultura migratória na Amazônia. O abate da floresta amazôni- ca, no Brasil, não passa de 1.500 hectares por dia, enquanto a devastação de florestas tropicais, em escala mundial, atinge 46 mil hectares. Isso mesmo: 50 mil maracanãs por dia, ou 30 vezes o que se desmata na Amazônia. E as madeireiras asiáticas são as campeãs dessa perversa competição contra a natureza. Bem informado do perigo que estamos correndo, há poucas semanas o presidente da República editou medida provisória que proíbe, temporariamente, o corte e o comércio do mogno e da virola, duas madeiras nobres extraídas na Amazônia e muito valorizadas no mercado mundial. O governo se antecipou, assim, a recomendações que provavelmente adviriam da próxima reunião da Organização do Comércio Internacional de Madeiras. O mogno e a virola já podem ser considerados espécies em vias Madereiras de extinção no território nacional. E por que devemos proteger a floresta? A pergunta continua sendo necessária, pois ainda existe entre nós quem julgue a defesa ambiental um entrave ao desenvolvimento, à geração de emprego e de renda. Tais resistências jirstifícamrebater na tecla de que a conservação dos recursos naturais constitui um imperativo em benefício do avanço econômico e do próprio homem em suas múltiplas necessidades. A experiência demonstra que é menos oneroso preservar do que recuperar, a posteriori, as áreas degradadas pela exploração destrutiva. No caso da floresta tropical, está em foco um reservatório inestimável de recursos genéticos que a natureza levou milhões de anos para acumular. A utilização sem cuidados ecológicos destrói parte considerável desse tesouro, o qual se nos vai tomando cada vez mais útil à medida que estudamos e melhor conhecemos a floresta e suas espécies. Por isso, a palavra de ordem é André Penner/Abril Imagens Auditores ambientalistas O Tribunal de Contas da União (TCU) está formando, na Universidade Livre do Meio Ambiente - UniLivre, de Curitiba - PR, técnicos auditores na área de educação ambiental para atuarem em questões de crimes contra o meio ambiente, que associam interesses econômicos escusos, fiscalização dificiente e conivência em vários níveis da administração pública. Os novos auditores ambientalistas terão o embasamento necessário quanto à legislação e técnicas a serem empregadas nas funções de fiscalização e auditoria dos órgãos públicos responsáveis pela preservação ambiental. Dependentes químicos A comunidade terapêutica Caminho do Meio, que trata da recuperação de dependentes químicos dos mais variados segmentos sociais, inclusive junto à população de baixo poder aquisitivo, faz sucesso em Brasília pelo método revolucionário que vem empregando para recuperar crianças e adolescentes, que, desde cedo, mergulham no mundo do álcool e das drogas. Em vez do método tradicional de internação clínica, a Caminho do Meio usa a convivência comunitária para, acompanhada de técnicas terapêuticas de grupo, recuperar e reintegrar o dependente químico em seu meio familiar e social. Mais informações sobre a comunidade terapêutica no fone (061) 500-3080. Sensor na fiscalização usam tratores na floresta' explorar dentro dos parâmetros conservacionistas. Ou seja: extrair, mas ao mesmo tempo repor, ajudar a floresta a se regenerar após cada extração. Estudos concluídos recentemente pela Embrapa demonstram a plena possibilidade da exploração nesses termos metódicos e recriadores. Além disso, experimentos de campo da entidade governamental comprovam ser mais econômico promover o chamado manejo sustentado. Comparado à extração predatória, o manejo racional promove a regeneração da floresta em metade do tempo. E acaba produzindo o dobro de madeira nobre, para uma segunda extração. Em síntese, a floresta racionalmente trabalhada toma-se quatro vezes mais produtiva que a simplesmente assolada. Eis porque não se deve ter dó nem piedade na fiscalização e punição dos agentes predadores. É para o bem de todos nós, dependentes dos bens e do manto protetor da natureza. Dependência que inclui mesmo aqueles que a desrespeitam a agridem. O Ibama, vire e mexe, apresenta algo de bom no setor ambiental brasileiro. Para combater o desmatamento na Amazônia, o órgão está usando um sensor desenvolvido pela NASA, que tem capacidade de fotografar e identificar as áreas desmaiadas, incluindo nas fotografias as coordenadas geográficas que permitem a localização precisa do local desmaiado. Por sua precisão, as fotos podem ser usadas até como prova judicial, segundo informou o presidente do Ibama, Eduardo Martins. Revendo a Rio-92 Vem causando muita expectativa o encontro de representantes de governos e organizações não-govemamentais do mundo inteiro, previsto para ocorrer de 13 a 19 demarco do próximo ano, no Rio de Janeiro, que irá fazer um balanço do que foi feito até agora em termos dos compromis- sos firmados para o meio ambiente durante a Rio-92. A Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, informou que, para o "Rio 5", como vem sendo chamado o encontro, já estão confirmadas as presenças de 1.500 representantes de governos e ONGs. Composto orgânico O Brasil está desperdiçando mu grande volume de composto orgânico, que é uma espécie de adubo. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública - Abrelp, 50% das 96 mil toneladas de lixo domiciliar produzido diariamente poderia ser transformado pelo processo de compostagem, gerando um produto rico em micronutrientes para a terra. Para se chegar ao composto, é preciso retirar do lixo vidros, latas, plásticos e outros itens como baterias e pneus. A massa orgânica passa pela fermentação e ganha um aspecto semelhante ao da tena, sendo capaz de devolver ao solo o composto nitrogênio, fórsoro e potássio, auxiliar na maior absorção da água e garantir uma colheita agrícola de melhor qualidade. Brasília, setembro/outubro de 1996 2.2. Folha do Meio Ambiente PONTO DE VISTA 1 Carro elétrico, o choque do futuro * José Carlos Pinheiro Neto Neste começo de outono, manho das baterias para acionos Estados Unidos, em dois nar o veículo, a viabilidade de importantes estados norte-ame- sua produção em escala indusricanos da costa oeste, trial e, finalmente, o custo final Califórnia e Arizona, está come- que o carro elétrico chegaria ao çando tuna nova fase para a in- consumidor final. dústria automobilística mundiNa questão da bateria, houal e especialmente para aqueles ve a formação de um consórcio, consumidores que têm preocu- integrado pelas famosas "Big pações com a preservação do 3", dos Estados Unidos, ou seja. meio ambiente: o início da ven- General Motors, Ford e Chrysler, da do primeiro veículo elétrico cujas pesquisas e esforços conem escala comercial. Trata-se do juntos estão tomando possível EV-1, um modelo compacto de- a aplicação prática das baterias senvolvido pela General Motors nos automóveis, com redução Corporation, que sai na frente de peso e preço, inclusive com para comprovar, mais uma vez, a aplicação de plásticos e ligas sua liderança tecnológica no de metal leve na carroceria. campo das energias alternativas Já como resultado dessas para impulsionar os veículos. pesquisas, a General Motors Sem dúvida alguma, o iní- Corporation surpreendeu o mercio da comercialização do EV-1 cado automobilístico mundial que está chegando ao mercado no começo deste ano, em Los com preço ao redor de 35.000 Angeles, quando teve a primadólares, é um extraordinário zia de anunciar o lançamento do avanço para o mundo, que há EV-1, o primeiro veículo elétrimuito tempo busca desenvolver co a ter sua comercialização ao veículos que não poluam o meio público a partir deste outono, no ambiente. Com capacidade para hemisfério norte. dois passageiros, o EV-1 pode deSabemos que os volumes a senvolver até 14 km/hora de veserem comercializados, da orlocidade máxima e sua autono- dem de 2.000 unidades, todos mia é de 15 km, sendo que suas praticamente já vendidos com baterias podem ser recarregadas muita antecedência, são quase numa tomada doméstica de 220 simbólicos, quando comprados volts. com os volumes de veículos O desafio de tomar factível movidos a gasolina que circuo lançamento do veículo elétri- lam nas mas e estradas norteco, tanto de ponto de vista americanas, mas de acordo com operacional, quanto de custo, o nosso "chairman", JackSmith, foi a existência de "a General Motors uma legislação Corporation está SUMMARY muito rígida do se antecipando ao Estado da futuro ao disponiThisFall, inthe United Califórnia, famoso States, specifically in bilizar, em escala pela sua política Califórnia and Arizona, a comercial, veícuambientalista, que new era is begimúng in the los que incorpoworidwide auto industry: the exige, até o ano de start ofsales ofthefirst electric ram uma tecnolo1988, que pelo cor on a commercid. sede gia absolutamente menos 2% das for customers of these two nova e que deverá vendas de veícu- Westcoast states. It is the EV- direcionar a prefe1, theektriccardevelopedby los de uma deter- General Motors Cor- rência do mercado minada marca de- poration, introduced to nos próximos vem ser de veícu- confim its technological anos". Por esta ralos de com zero leadership within the auto zão, os ambienindustry. The EV-I is a emissão de po- compact car for two talistas estão venluentes. do a chegada do passengers, powered by an O trabalho ci- electric engine of 172 horse carro elétrico como Its top speed achieves um verdadeiro entífico para o de- power. 144km/hour and its senvolvimento de autonomy is about 150 km. choque do futuro. um veículo elétri- Its batteries can be charged co vinha sendo at home in a conmion 220 f * ) Diretor de desenvolvido há volt electric appliance. For Assuntos Corpoenrorimentalists who care muito tempo, sem- for the preservation of the ra&vos da Genercd pre esbarrando em earth the launch ofthefir& Motors do Brasil e o três questões bási- electric car represenís a step I vice-presidente daAnfavea. cas: o peso e o ta- into thefuture. PONTO DE VISTA 2 A importância da era da ecoinformação * Simone Silva Jardim No mundo inteiro, indústrias dos mais variados setores alegam que o alto custo da despoluição ameaça sua saúde financeira, e há, entre elas, as que alegam essa despesa-rombo pode acabar se "metamorfoseando" em facão que corta, sem piedade, o emprego de milhares de trabalhadores. Em alguns poucos cantos do planeta, os ambientalistas estão conseguindo levar os poluidores aos tribunais. Esse confronto, desgastante para ambas as partes, tem por objetivo fazer um acerto de contas em favor do meio ambiente. Mas, no placar, essa quedade-braço fica registrada assim: custos altos em tempo e dinheiro para os envolvidos, e resultados muito minguados para a mãe-natureza. Não é para menos. O comportamento humano está alicerçado numa série incontável de condicionamentos. É possível gerar todas as mudanças requeridas para entrarmos no século 21 com o pé direito, mas é preciso dar outra abordagem à questão ambiental se quisermos sensibilizar os setores que exaurem os recursos naturais. Essa estratégia consiste em apelar para os interesses próprios do empresário e em bombardeá-lo com o que eu costumo chamar de ecoinformação certa, aquela que acena com números e dados suficientes para que o homem de negócios componha uma nova equação e constate, de uma vez por todas e na ponta do lápis, que sua ignorância quanto aos danos causados por sua atividade ao meio ambiente é a responsável por rombos muito bem camuflados em sua contabilidade, uma doença silenciosa, mas fatal para a sobrevivência futura de sua empresa. Vale lembrar que a expressão ecoinfonnação cer- ta nada mais visa do que desenvolver uma forte ética ambiental no setor produtivo. Trocando em miúdos: "seja o que for que você fabrique, é preciso se responsabilizar por todo o processo de produção e descarte final do produto. Daqui para frente, sua sobrevivência empresarial dependerá basicamente de sua competência em levar adiante esse compromisso que deve ser aperfeiçoado para o resto de sua vida". É o Kaisen pintado de verde e indicando a trilha a ser percorrida pela humanidade daqui para a frente, sem mais adiamentos, rumo ao desenvolvimento economicamente sustentado. Os empresários também precisam ser imunizados contra a velha mania de tratar a poluição somente ao final do processo produtivo. Ela pode - e deve - ser eliminada já na sua origem. Há experiências que provam por a+b que prevenir a poluição na fonte significa, em números, gastar SUMMARY Industries from ali over the world, from the most diverse sectors, havebeen complaining that the high costs of de-polluting the environment is threatening their financial health. There are some among them who declare that this ovenvhelming expendiíure might suffer a metamorphosis into a sword which might sever, with no mercy, the jobs of thousands of workers. In some few comers of thePlanet, environmentalistshave being able to takepoüuters to court. This conflict, stressing for both parties, aims achieving an agreement which favors the environment. But, sofar, the score for this arm-wrestting is registered as: high costs andtime consuming for ali the involved and very little outeome for mother-natwe. This strategy consists ofinvoldng the interests of the entrepreneurs themselves, andbomhmgthemwith what I use to call "the righí ecoinformation ", meanig the one which contains enoughn umbers and data to allow businessmen to compose anewequation, andverifyfor once andforever, at the tip ofthe pencil, thattheirignorance conceming the damages causedby his activities to the environment is responsible for well camouflaged hanns to his accountings. Tliis represent a silent but fatal ailment to the future survival oftheir companies. muito menos, economia que permite abocanhar uma fatia a mais do mercado da concorrência. Essa atitude, calcada no cumprimento compulsório ou facultativo de certas normas, pode evitar sérios aranhões na reputação de uma companhia que não há dinheiro que pague. Uma vez suja, é muito difícil reabilitar a imagem de uma empresa, principalmente agora comas informações circulando em rede planetária, quase sem filtros ou barreiras. Hoje, o potencial humano para driblar desafios é ilimitado. Exemplo dessa condição privilegiada é de que o intelecto do homo sapiens é capaz de desenvolver tecnologias e processos que respondem a múltiplas exigências: despoluição de áreas seriamente degradadas, desenvolvimento de novas fontes alternativas de energia, substituição de certas matérias-primas naturais escassas por outras criadas em laboratórios, tratamento eficiente de resíduos perigosos e até um uso nobre para eles... Nessa área, mais que força de expressão, o céu realmente é o limite. A atividade industrial tem atualmente todas as chances de acertar suas contas com o planeta que é uma gigantesca, mas finita jazida de recursos que precisam ser melhor conhecidos para serem melhor usados e respeitados. Mas, nessa empreitada, é bom não perder de vista um fato: os empresários estão acostumados a reagir a desafios, desde que ninguém ameace tirá-los do jogo ou deixá-los acuados. (*) Pós graduada em educação ambiental, Simone Silva Jardim éjornalista especializada na área de meio ambiente. Desenvolve projetos de comunicação interna e externa para diversas empresas. Brasília, setembro/outubro de 1996 Folha do Meio Ambiente iriosid 23 $ CIENTIFICAS Alexandros L. Georgopoulos A matança dos cangurus Talvez a caça mais repugnante e sem compaixão que já tenha sido praticada em nosso planeta tenha sido a do canguru vermelho na Austrália. Fazendeiros australianos têm por tradição matar todos os cangurus que conseguirem porque estes competem por grama com seu gado ou suas ovelhas. Já em 1863, o grande naturalista e artista John Gould temia que o canguru vermelho e algumas outras espécies de marsupiais fossem extintas pelos criadores de gado. Felizmente ele estava errado - o canguru vermelho permaneceu comum em áreas mais secas onde as ovelhas não conseguiam sobreviver. Então nos anos cinqüentas, surgiu o mercado para carne de canguru, que servia para fazer comida para cães e HH im SÜIIB P ü '''íl^feurSi^M é^JBIH m Wmé m rnÊFi gatos, salsicha de qualidade inferior e sopa de cauda de canguru. O resultado foi uma corrida desenfreada para caçar cangurus. A técnica padrão era iluminálos com faróis de carros à noite, porque Peixes e reciclagem Os peixes podem se dar bem com esgoto, e os habitantes de Calcutá adoram peixe. Esses mesmos habitantes também produzem esgoto: 700 milhões de litros por dia. Criando peixes com esses esgotos, piscicultores do leste daquela metrópoles indiana descobriram como ligar essas necessidades na virada do século. Mas esse sistema de reciclagem natural - o maior de seu tipo e possivelmente o mais antigo - está sendo ameaçado pelo governo do estado, devido a interesses de ganhar dinheiro com o mercado imobiliário. A piscicultura floresce por meio de uma elaborada tecnologia rural. Espalhado numa espécie de lagos, o esgoto decanta seus sólidos putrefatos. Peixes e plantas aquáticas vivem em tanques próximos aos lagos. Mais abai- xo, algas se reproduzem com os nutrientes das águas já menos poluídas. Tilápias e carpas, por sua vez, se alimentam das algas. Mais de 20t desses peixes vão para o mercado de Calcutá todos os dias. As algas também liberam oxigênio, muito necessário naquela cidade tão poluída. Além disso, lodo oriundo dos lagos de decantação fertilizam extensos "jardins de sujeira". O lixo sólido de Calcutá, que têm seu plástico, papel e metais retirados por mais de 25.000 pessoas catadoras de lixo que perambulam pelos depósitos de lixo da cidade, é quase inteiramente orgânico. Irrigado por esgoto tratado e então adubado, o lixo se transforma em solo no qual fazendeiros cultivam vários vegetais. Suas colheitas suprem a cidade com 150t de produtos por dia. assim eles ficavam imóveis e era mais fácil alvejá-los com rifles. Uns poucos eram mortos imediatamente, mas alguns caçadores apenas feriam os animais de propósito - algumas vezes deixando- os sofrendo por várias horas ou mesmo alguns dias para que sua carne permanecesse fresca até eles serem coletados. Essas caçadas noturnas eram consideradas "eventos esportivos", apesar de não serem necessárias nem coragem nem técnica por parte dos caçadores. Em 1980, um novo método de caça se tornou popular: duas pessoas perseguiam os animais numa motocicleta, um guiando e o outro atirando nos animais que tentavam fugir o mais rápido possível. Desde o início da colonização da Austrália pelo homem branco, mais ou menos um milhão de cangurus são mortos por ano naquele país. A matança continua hoje, apesar de felizmente os grandes cangurus estarem conseguindo sobreviver. Em contraste, algumas das espécies menores estão sucumbindo devido à destruição do seu meio ambiente. Doce muito caro A.grande borboleta azul da Europa (já extinta na Inglaterra) tem uma estranha e curiosa relação com uma espécie de formiga. Ela se desenvolve bem em áreas onde existe o tomilho selvagem, uma espécie de planta. Coincidentemente essas áreas são propícias para essa espécie de formiga que "pastoreia" as lagartas da borboleta. A relação da borboleta com as formigas que protegem suas lagartas é obrigatória. Em seus estágios iniciais de desenvolvimento, as lagartas da borboleta desenvolvem glândulas que secretam uma substância adocicada. Quando as formigas tocam nas lagartas com suas antenas e patas, essas glândulas expelem pequenas gotas do fluido açucarado, que são a recompensa da formiga. Enquanto isso, as lagartas comem não só o tomilho como umas às outras; o canibalismo é freqüente, as lagartas grandes devorando as menores. Quando as lagartas alcançam o quinto e último estágio de desenvolvimento, as formigas as carregam para dentro do formigueiro - onde passam a viver como parasitas sociais. Nesse estágio, as lagartas se assemelham às larvas das formigas em tamanho, cor e textura da pele, e usam um comportamento muito parecido com o das larvas das formigas para pedir alimento. Isto provoca uma resposta nas formigas, fazendo com que alimentem as lagartas das borboletas. Enquanto isso, as lagartas estão ocupadas devorando também as larvas das formigas. Eventualmente, as lagartas da borboleta se transformam em pupas (crisálidas) e ficam assim por um tempo, até se transformarem em borboletas. Quando a transformação está completa, a borboleta emerge, rasteja para fora do formigueiro, expande e seca suas asas e voa para se acasalar. z4 Folha do Meio Ambiente Brasília, setembro/outubro de 1996 Florestas sustentáveis Extrair madeira sem destruir as florestas, preservando-as para as futuras gerações. Este é o objetivo a que se presta o vídeo, de 11 minutos de duração, que foi produzido pela Fundação Floresta Tropical, uma entidade educacional sem fins lucrativos, para mostrar às indústrias maddreiras, às entidades acadêmicas e às autoridades brasileiras que é pos- sível utilizar as florestas nativas de maneira sustentável, sem destruir seus extraordinários recursos e, ao mesmo tempo, garantindo a sobrevivência da atividade madeireira. Distribuído pela empresa Caterpillar, o vídeo, sob o título "Gerenciamento Sustentado de Florestas", apresenta técnicas que viabilizam economicamente a extração de madeira nativa em florestas tropicais, sem destruí-las. Os interessados devem escrever para Caterpillar, na Rodovia Luiz de Queiroz, km 157, s/n. Distrito Unileste, Caixa Postal 330, CEP 13420-900, Piracicaba - SP, fone (0194) 29-2100 e fax (0194) 22-0966 e 29-2430. Farsa no Mercosul 'Farsa no Mercosul" é o livro que acaba de ser lançado pelo jornalista José Pedro Martins, com prefácio do escritor argentino Miguel Grinberg - Prêmio Global 500, do Programa Ambiental da ONU, em 1988 - retratando as evidências da farsa que se prevê para o Mercado Comum do Sul na medida em que este tem se revelado muito mais como uma oportunidade de meganegócios empresariais, traçada em gabinetes e em palácios, do que uma verdadeira e ampla integração entre os povos dessa região da América do Sul. É uma boa obra para quem almeja essa integração e recusa a farsa que, segundo o jornalista, está se transformando o Mercosul. Os interessados devem entrar em contato com o próprio autor, à rua Presciliana Soares, 192, Apto 102, Campinas - SP, CEP 13025-180, ou pelo fone: (019) 251-3808. SOS animal Cardozo Dias, é um balanço completo de todas as adversidades que o homem pratica hoje contra os animais, domésticos ou silvestre, em casa, na rua, na floresta ou em laboratórios. Esse livro fala dos males, para os animais, da engenharia genética, do tráfico, dos esportes e das leis que protegem os animais e são permanentemente desrespeitas pelo homem. Traz também o que representa o animal nas principais religiões do mundo: no budismo, judaísmo, cristianismo, espiritismo e no induísmo. Tanto esse como o livro "Crimes Ambientais", que publicamos na edição passada da FMA, podem se adquiridos junto a autora, à rua Espírito Santo, 935, apto 803, CEP 30160-031, Belo Horizonte - MG, ou fone (031) 2244735. Editado pela Liga de Prevenção da Crueldade contra o Animal LPCA, com sede em Belo Horizonte - MG, o livro "SOS Animal", da advogada e ecologista mineira Edna Áreas degradadas Curso de Recuperação de Áreas Degradadas, realizado em fevereiro deste ano, em Curitiba, pela Universidade Federal do Paraná. A apostila do curso traz textos sobre a micorrizas: uma ferramenta na re^■flMHT ■.■■-■'■ '^JÊÊÊÊÊÊ cuperação de áreas degradadas; o papel das leguminosas arbóreas noduladas e micorrizadas na recuperação das áreas degradadas; as medidas preventivas e corretivas do processo erosivo e contenção de encostas; recomposição de florestas III CURSO nativas; entre outros importantes traDE ATUALIZAÇÃO balhos. Quem estiver interessado na apostila favor escrever para a Fupef, 12 - 16 FEVEREIRO DE 1996 CURÍTIBfl - PARANÁ à Rua Bom Jesus, 650, Juvevê, Curitiba - PR, CEP 80035-010; ou A Fundação de Pesquisas Flo- ligar pelo fone (041) 352-2443 e fax restais do Paraná - Fupef, acaba de (041) 253-2332. publicar, em bem elaborado e luxuosa apostila, os resultados do 3o RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS Setembro/Outubro de 1996 Ano T2 - N8 65 Brasil ia-DF FOLHA DO MEIO AMBIENTE PORTE PAGO DR/BSB PRT/BSB - 537/91 Forest Cultura Viva e Promoções Ltda. SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Salas 717 e 719 Centro Empresarial Brasília CEP 70340-907 BRASÍLIA-DF «(061)321-3765 FAX(061) 321-7357 r Py-rTn 3 :^ :-----:" EíSO : " : F 2o.mvm CP.éS