ABERTURA DO ACERVO DA BIBLIOTECA UNIVERSITARIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA Adriana Aparecida de Oliveira1, Geraldina Antonia Evangelina de Oliveira1, Vânia Pinheiro de Sousa1, Vanilda Cardoso de Alvarenga1 1 Bibliotecária, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, Minas Gerais RESUMO Este trabalho descreve a reabertura do acervo da Biblioteca Universitária, fato extremamente significativo, pois através desse procedimento, os usuários voltaram a ter o livre acesso às estantes. A mudança do espaço ocorreu mediante estudos e propostas de novas formas de melhorias do layout da biblioteca que resultassem facilidades, precisão e satisfação dos usuários que a utilizam. A Biblioteca Universitária (BU) anteriormente denominada de Biblioteca Central (BC) pertencente ao Sistema de Bibliotecas da UFJF, modernizou-se, passando por reformas nas instalações físicas (Salão do acervo “fechado” e Salão de leitura). Providenciou-se a compra de novos equipamentos de segurança, visando maior controle do acervo. Para melhor atendimento, novos títulos também foram adquiridos. Palavras-chave: Reforma de Bibliotecas; Ampliação de espaço físico; Mudança de layout. ABSTRACT This study describes the reopening of the University Library's collection, is an extremely significant because through this procedure, users will again have free access to shelves. The change of space occurred with studies and proposals for new ways to improve the layout of the library that resulted facilities, precision and satisfaction of users that use it. The University Library (BU) formerly called the Central Library (BC) belonging to the Library System UFJF, modernized, through reforms in the physical facilities (Hall of the acquis "closed" and reading room). Provided to purchase new safety equipment, seeking greater control of the acquis. For better service, new titles were also acquired. Keywords: Reform of Libraries; Expansion of physical space; Change layout. 1 Introdução A Biblioteca Universitária (BU) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), anteriormente denominada Biblioteca Central, criada em 1975, compõe com mais 12 bibliotecas de Unidade o Centro de Difusao do Conhecimento (CDC) da UFJF. Localizada no segundo andar do atual prédio no campus da Reitoria, passa, desde a segunda quinzena de julho de 2009, por uma grande reforma. As obras, que foram previstas para durar em torno de 15 dias, modificaram profundamente a estrutura física e o funcionamento da biblioteca, uma das mais antigas e tradicionais do campus. Tornou-se referência, ao longo da sua história, por fornecer com precisão, relevância e atualidade as informações bibliográficas necessárias aos programas pedagógicos e possuir documentação que constitui instrumento de trabalho imprescindível para a formação acadêmica e profissional de seus usuários. Neste contexto, a Biblioteca mantém seu acervo atualizado, adaptando-se às novas tecnologias. Apresenta aproximadamente 155.473 exemplares entre livros, folhetos, periódicos, CDs e outros materiais; possui ainda um repositório das publicações produzidas na UFJF (dissertações e teses), denominada Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), a qual está integrada ao Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). Atende ao público interno e externo da Universidade, de segunda a sexta-feira, das 7h às 23h e aos sábados das 8h às 14h. Com o objetivo de estender para a sociedade o acesso às informações, e com o apoio da atual administração, em julho de 2009 a Biblioteca Universitária abriu seu acervo, com a participação de funcionários e serviços de apoio. Os usuários têm acesso direto ao acervo disponível no Salão de Leitura (Coleção Não-Circula, Obras de Referência e Publicações Avulsas), Salão de Circulação (Coleção Circula) e Setor de Periódicos. As demais coleções (Obras Raras e Multimídia) podem ser consultadas mediante solicitação. Pretendemos apresentar uma realidade de muitas bibliotecas universitárias brasileiras, abordando roubo e depredação de materiais bibliográficos, motivo pelo qual a gestão anterior decidiu fechar o acervo. Apesar das constantes ações empreendidas, a solução total e definitiva no combate a estes problemas ainda não foi alcançada. Pequenas e simples atitudes administrativas podem obter melhores resultados do que uma grande, desgastante e custosa reforma. Fotografia 1: Acervo fechado Fonte: Biblioteca Universitária Um dos procedimentos que não devem ser tomados em relação ao roubo é a proibição do acesso dos usuários ao acervo. Transformar o livre acesso em acervo fechado é, muitas vezes, a primeira atitude, e surge como solução imediata. Contudo, este procedimento restringe um dos objetivos básicos da biblioteca universitária: a pesquisa independente. Podemos citar como exemplo nossa experiência. A UFJF vivenciou e enfrentou o problema do roubo e da depredação de materiais bibliográficos. E uma ação forte e decisiva fez-se necessária. Ocorreu então uma análise das possíveis causas dos roubos e ações administrativas para solucionar ou amenizar os problemas decorrentes dessas causas, bem como a avaliação e determinação quantitativa das proporções da depredação, e a criação e implantação de uma campanha educativa visando ampliar as discussões e, nelas, inserir a comunidade acadêmica. As ações para sanar ou amenizar a depredação não foram implantadas de imediato, e a Reitoria da Universidade decidiu, naquele momento, fechar o acervo. Muitas vezes formaram-se filas, causando estress nos alunos, o que dificultou ainda mais o trabalho. Os estudantes não tendo acesso direto ao acervo precisavam anotar o número de chamada do livro e depois pedir a um funcionário para pegá-lo. Atende ao público interno (aproximadamente de 20.000 usuários, mais de 163 cursos da UFJF, nas categorias de graduação, especialização, mestrado e doutorado) e externo da Universidade. 2 Revisão de literatura Desde a idade Antiga a segurança das bibliotecas e conseqüentemente de seus acervos, vem sendo questionada, principalmente, com os casos que ao longo da história tem evidenciado essa temática como um problema para a sociedade. De fato, a segurança dessas bibliotecas eram tão escassa a ponto de “[...] nenhuma biblioteca da antiguidade ter sobrevivido [...]” (SOUSA, 2005, p. 5). Um dos procedimentos que não devem ser tomados em relação ao roubo é a proibição do acesso dos usuários ao acervo. Transformar o livre acesso em acervo fechado é, muitas vezes, a primeira atitude, e surge como solução imediata. Santos (2006 apud VALE; FERRARI; ANDRADE, 1996, p.103) entende que: [...] o acervo aberto é um fator facilitador para a biblioteca cumprir seu papel ativo e dinâmico junto ao ensino. É no manuseio dos livros, feito diretamente nas estantes, que o aluno aprende a ampliar sua pesquisa bibliográfica imprescindível à sua formação. Existem aqueles que furtam pela necessidade do negócio, há aqueles que roubam pelo simples prazer de colecionar e ter em seu poder a obra, outros que roubam por não ter condições financeiras, outros, por um simples ato de vandalismo e rebeldia e aqueles, que furtam folhas e partes de livros por não poder fotocopiálos. Como afirma Gauz (2004, p.1). A história se repete, só mudam os personagens. E se compararmos as histórias de roubos de livros [...] em bibliotecas americanas e bibliotecas brasileiras, podemos verificar vários pontos em comum. O único ponto aliás, ainda não muito considerado e comprovado ai, é a participação de funcionários em algumas etapas do processo, fato mais comum aqui, ou mais falado. Nas políticas de segurança, dentre elas, os sistemas de segurança eletrônica anti-furto que utilizam câmeras de vídeo, portais eletromagnético, tags transparentes e etc. foi que a BU e os bibliotecários pesquisaram tecnologias que pudessem preservar e manter o acervo. 3 Materiais e Métodos Para se obter uma avaliação aproximada, da proporção de depredação do acervo, são necessários os seguintes passos: a) obter amostra do acervo; b) revisão do material; c) recuperação dos materiais danificados ou reposição dos perdidos; d) análise dos dados. Estes passos devem ser executados na primeira vez em que se analisa o acervo e a analise deve ter dois momentos distintos, espaçados e regidos por um critério determinado pela biblioteca executora. Apenas após o segundo momento é que se conseguirá um índice de depredação. As campanhas educativas devem ser realizadas depois de obtido esse índice, e, findo o período inicial da campanha, será tomada a atitude necessária. Inicialmente houve o encaixotamento dos livros da Faculdade de Direito, transferidos para espaço destinado a biblioteca na construção do anexo. Nesse momento alguns livros foram lacrados para o desmonte das estantes e posteriormente o deslocamento dos livros. Durante esse processo fez-se a licitação dos novos equipamentos anti-furto e a instalação do circuito interno de monitoramento eletrônico da UFJF. 4 Resultados Parciais/Finais A Biblioteca era constituída por acervo “fechado”, de modo que apenas a Sala de Leitura Individual e a de Estudo em Grupo eram de livre acesso. Em casos justificados, poderia ser concedido o “acesso autorizado” aos pesquisadores e à comunidade acadêmica. O fechamento ou “Acesso autorizado/controlado” acarretou a contratação de 20 bolsistas divididos nos três turnos para atender a comunidade acadêmica ocasionando um desgaste na relação biblioteca x usuário, muitas vezes causando filas e insatisfação. Quando se fala em busca de livros em estantes de bibliotecas, vem à tona a questão do “livre acesso”. A abertura do acervo ao público e a busca feita diretamente nas estantes têm suas vantagens e desvantagens. Ao mesmo tempo em que possibilita ao usuário um contato direto com os livros, ou com uma fonte de pesquisa direta, também contribui para a desorganização da coleção, à medida que deixa o usuário completamente livre para tirar e recolocar o material consultado na estante, correndo o risco de fazê-lo erroneamente. Para utilização dos serviços prestados pela Biblioteca, sobretudo empréstimo, é necessário que o consulente esteja devidamente matriculado, no caso dos alunos, ou vinculado à Instituição, no caso dos professores e funcionários. Como resultado objetivo salientamos a diminuição das filas e a redução do número de bolsistas na biblioteca. Hoje contamos apenas com 2 funcionários na reposição das obras e 10 bolsistas que auxiliam aos colegas na localização dos livros. Intensificamos e continuamos com as palestras Treinamento de Usuários. Fotografia 2: Montagem das estantes Salão de Circulação Fonte: Biblioteca Universitária Fotografia 3: Salão de Circulação após a abertura do acervo Fonte: Biblioteca Universitária 4 Considerações parcias/Finais Após seis anos de fechamento, os usuários da BU passaram a ter, a partir do início do segundo semestre letivo em 3 de agosto (devido à febre suína a inauguração só efetivou-se em 10 de agosto), acesso livre ao acervo de periódicos, livros e materiais especiais. Desde 2003, o usuário passou a depender da ajuda de um funcionário ou bolsista para retirar o livro ou revista que necessitasse consultar. Então, no dia 13 de julho, uma equipe da Pró-Reitoria de Infraestrutura (PROINFRA) trabalhou no local para viabilizar a reabertura e, por esse motivo, o atendimento aos usuários foi suspenso. Durante este mês, o único atendimento mantido foi a emissão de Nada Consta; o fechamento foi necessário, pois durante as obras os funcionários estariam envolvidos na alteração de layout da biblioteca universitária e na mudança do acervo pertencente à Faculdade de Direito para a nova Biblioteca, localizada naquela unidade. O arquiteto que trabalhou junto à biblioteca, ocupou-se por um ano com o projeto, desde a proposição até o fim do processo; o mesmo compreendeu perfeitamente as necessidades da mesma e projetou uma área de escaninhos para que os usuários deixassem seus pertences. Os funcionários e os bolsistas trabalharam orientando os alunos nas primeiras semanas. Os calouros receberam treinamento, como já era feito anteriormente e, se necessário ou solicitado pela coordenação do curso, os veteranos também. De qualquer forma, os 10 bolsistas que trabalham na Biblioteca estão à disposição para esclarecer dúvidas durante as consultas. Para empréstimos de livros, o processo continuou o mesmo. Esta abertura do acervo proporcionou ampliação do espaço para abrigar o acervo adquirido através do Edital n. 001/2009 de 31 agosto de 2009. Fotografia 4: Salão de Leitura após a abertura do acervo Fonte: Biblioteca Universitária 6 Referências ALMEIDA JUNIOR, Oswaldo Francisco de. Roubo, depredação de materiais e campanhas educativas em bibliotecas: proposta de um modelo de avaliação. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 9. , 1996, Curitiba. Anais... Curitiba, 1996. Disponível em:<http://www.ofaj.com.br/pessoais_conteudo.php?cod=6>. Acesso em: 03 maio 2010. BIBLIOTECA Universitária reabre no dia 10 de agosto. Diretoria de Comunicacao. Disponivel em: <http://www.ufjf.br/>. Acesso em: 03 maio 2010. BIBLIOTECAS passam por reformas. Disponível em:< http://www.ufpe.br/agencia/images/incampus/incampus-3-2009.pdf>. Acesso em: 11 jun.2010. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAQUARA. 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