CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES ASSOCIADAS DE ENSINO – FAE ALINNE MARIANE FANELLI E MASTIGUIM LANCES DE UMA VIDA SÃO JOÃO DA BOA VISTA - SP 2010 ALINNE MARIANE FANELLI E MASTIGUIM LANCES DE UMA VIDA Relatório Técnico do Projeto Experimental, modalidade livro-reportagem, apresentado ao Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino – FAE, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo, sob orientação do professor Dr. Francisco de Assis Carvalho Arten. SÃO JOÃO DA BOA VISTA – SP 2010 ALINNE MARIANE FANELLI E MASTIGUIM LANCES DE UMA VIDA Este Projeto Experimental, modalidade livro-reportagem, foi apresentado como trabalho de conclusão do curso de Comunicação Social – Jornalismo do Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino – FAE, e foi avaliado pela banca examinadora integrada pelos professores abaixo nomeados. São João da Boa Vista (SP),______ de ______________________2010 ____________________________________________ Carlos Alberto Vicchiatti Examinador ____________________________________________ Nilton Joaquim Queiroz Examinador ____________________________________________ Francisco de Assis Carvalho Arten Orientador DEDICATÓRIA Para amar de verdade é preciso ter coragem. É preciso se livrar das conveniências, das amarras, dos medos. Só assim vale a pena. Com você aprendi o que é amar. Dedico este livro à minha mãe, Onelma, a quem amo incondicionalmente. Por todo amor e dedicação dispensados em toda minha vida. AGRADECIMENTOS À Deus pelo dom da vida, por me dar sabedoria e conhecimento para trabalhar na profissão que eu escolhi. À minha mãe, Onelma, pela paciência, compreensão e força dada nos momentos mais difíceis. Principalmente, por não me deixar desistir em nenhum momento. Ao meu pai, Edson, que mesmo ausente fisicamente de minha casa, me deu carinho e tudo o que precisei durante esses anos. Aos meus avós, Orlando e Oneide, que me acolheram nos momentos difíceis e que não deixaram faltar nada à minha família. Ao professor-orientador, Francisco Arten, pelos ensinamentos durante o trabalho, pela paciência e pela troca de experiências. Ao Luis Roberto de Mucio, pela paciência e disposição em auxiliar no desenvolvimento do trabalho. A todos os outros professores que, durante os quatro anos de curso, transmitiram todo o conhecimento necessário para trabalharmos com Comunicação Social. Às amigas, Emília Frison, Marta Marsullo, Nathália Assis e Zeinab, por estarem comigo nos melhores momentos de minha vida durante estes quatro anos. Ao Pedro Cotrim, que sempre esteve comigo, diariamente, há quatro anos. Ao André Carnielli, pela amizade, pelas críticas e sugestões dispensadas neste trabalho. Aos meus outros colegas de sala e de vida, pela amizade e companheirismo. Pela confiança nos momentos difíceis e pela diversão nos momentos felizes. A todos os outros entrevistados que, de uma maneira ou de outra, colaboraram para este livro estivesse completo. “Seja competente no que você fizer e sempre haverá espaço e trabalho, por mais que lhe faltem”. Telê Santana RESUMO O livro-reportagem Lances de Uma Vida conta momentos da história do jornalista, comentarista e narrador esportivo da Rede Globo de Televisão Luis Roberto de Mucio, que nasceu em São Paulo e passou infância e adolescência em São João da Boa Vista. Para produzir este livro, foram feitas pesquisas pela internet, colhidos depoimentos de familiares, colegas de trabalho e amigos com participação importante na trajetória de Luis Roberto – além de depoimentos da própria personagem. O objetivo do trabalho é disponibilizar um produto para consulta sobre a vida do jornalista e narrador esportivo da principal emissora de televisão do Brasil, relembrando momentos de sua vida. Palavras-chave: Luis Roberto de Mucio, Narrador Esportivo, TV Globo ABSTRACT The book-entry Lances de Uma Vida account for moments in the history of the journalist, commentator and sports Globo TV’s announcer Luis Roberto de Mucio, who was born in Sao Paulo and spent childhood and adolescence in São João da Boa Vista. To produce this book, research was done through the internet, collected testimonies from relatives, colleagues and friends with an important participation in the career of Luis Roberto - in addition to testimony of his own. The objective of this book is to provide a product for consultation on the life of this journalist and sports announcer from the main television station in Brazil, recalling moments of his life. Keywords: Luis Roberto de Mucio, Sports Narrator, Globo TV SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................ 10 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA................................................................... 13 2.1 LIVRO-REPORTAGEM ......................................................................... 13 2.2 JORNALISMO ESPORTIVO ................................................................. 14 2.3 ESPORTE NA TELEVISÃO .................................................................. 14 2.4 NOVO JORNALISMO ........................................................................... 15 3 DEFINIÇÃO DO OBJETO ............................................................................. 16 3.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA ............................................................... 16 3.2 APRESENTAÇÃO DO OBJETO ........................................................... 16 3.3 O RÁDIO ................................................................................................. 17 3.4 A TELEVISÃO ....................................................................................... 17 3.5 MOMENTO MARCANTE ..................................................................... 18 4 METODOLOGIA ............................................................................................ 19 4.1 ENTREVISTAS ...................................................................................... 19 4.2 PERFIL .................................................................................................... 19 5 DESCRIÇÃO DO LIVRO ............................................................................... 21 5.1 LINHA EDITORIAL............................................................................... 21 5.2 PROJETO GRÁFICO .............................................................................. 21 5.3 PÚBLICO-ALVO .................................................................................... 21 5.4 CUSTOS DA PRODUÇÃO .................................................................... 21 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................... 23 CRONOGRAMA DE TRABALHO ...................................................................... 24 REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 27 ANEXOS .................................................................................................................. 30 A .................................................................................................................... 30 B ..................................................................................................................... 34 C ..................................................................................................................... 38 D .................................................................................................................... 39 E ..................................................................................................................... 44 APÊNDICE .............................................................................................................. 48 A .................................................................................................................... 48 B ..................................................................................................................... 55 C ..................................................................................................................... 60 D .................................................................................................................... 63 E ..................................................................................................................... 68 F ..................................................................................................................... 73 G .................................................................................................................... 74 H .................................................................................................................... 76 I ...................................................................................................................... 78 J ...................................................................................................................... 80 1 INTRODUÇÃO A modalidade escolhida, livro-reportagem, permite pesquisa profunda e estudo detalhado sobre temas específicos. Este livro-reportagem traz momentos da vida de Luis Roberto de Mucio, jornalista e narrador esportivo da Rede Globo de Televisão. A personagem cresceu em uma pequena cidade do interior do Estado de São Paulo e ocupa considerável posição no jornalismo esportivo brasileiro hoje. Luis Roberto nasceu em São Paulo, cidade em que seu pai trabalhava. Aos dois anos, mudou-se com a família para São João da Boa Vista, a 223 quilômetros da capital paulista. Desde pequeno, interessava-se por tudo o que dizia respeito ao futebol. Acompanhava jogos com o pai, brincava com os amigos e jogava futebol de botão em casa. Cresceu numa cidade em que o futebol era valorizado, tendo revelado dois capitães e campeões mundiais pela Seleção Brasileira, Mauro e Bellini. Foi em São João da Boa Vista que Luis Roberto deu seus primeiros passos na locução esportiva. Durante o Ensino Médio, participava do Grêmio Estudantil da escola em que cursava o segundo grau, o Instituto de Educação, e produzia textos para o jornal O Sacívico, da instituição. Além dele, Luis Roberto foi convidado a publicar artigos em um impresso da cidade, o Jornal Opção. Graças às frequentes publicações, o locutor recebeu o convite para integrar a equipe de esportes da Rádio Piratininga, de São João, em que comentava informações sobre o Campeonato Amador, no programa de Célio Braga, O Esporte Amador é notícia. Luis Roberto praticava suas locuções em casa, nos jogos da zona rural, nas partidas de rua, em todos os lugares possíveis. Da modesta participação no programa de Célio Braga, Luis iniciou seus trabalhos como repórter cobrindo o Palmeiras Futebol Clube, que representava São João da Boa Vista nas principais divisões do Campeonato Paulista. Sua estreia como locutor aconteceu em uma das transmissões em que Basílio Bisi, o narrador oficial da Rádio Piratininga, não pôde trabalhar. Era uma partida em Indaiatuba e aquele locutor não viajou junto com o grupo da rádio. Foi então, que Luis Roberto foi chamado para narrar àquela partida, de surpresa. Toda a equipe que viajou já sabia que essa missão lhe seria designada. Esta foi a primeira narração do garoto. Depois disso, Luis Roberto continuou trabalhando na Rádio Piratininga até iniciar seu curso de Jornalismo, na PUC Campinas. De lá, foi trabalhar em Santos, na Rádio Cultura. A partir disso, outros convites foram surgindo. O locutor passou pela Rádio Gazeta, ESPN 10 Brasil, Rádio Globo e, hoje, Rede Globo de Televisão e SporTV. Este livro-reportagem tem por objetivo contar os principais momentos da vida e da profissão de Luis Roberto, fornecendo aos pesquisadores do futuro, um amplo e completo material sobre a vida do jornalista. Também pretende-se possibilitar aos estudantes de jornalismo uma descrição de como se construir uma trajetória de conquistas na área, a partir de Luis Roberto. Outro objetivo é o histórico. Através de episódios, como a morte de Ayrton Senna, pretende-se retratar os bastidores do jornalismo em momentos tão cruciais como aqueles. É um registro histórico sobre estas curiosidades que, no conhecimento da pesquisadora, não há nenhum trabalho, até o momento, sobre a personagem, com estas características. A produção do livro foi feita por meio de pesquisa em jornais de São João da Boa Vista, entrevistas com familiares, amigos e companheiros de trabalho, além dos próprios depoimentos de Luis Roberto, colhidos em palestra ao Unifae, por entrevistas feitas por terceiros e em gravação de reportagem para o Globo Esporte. O estilo adotado neste produto leva em conta o novo jornalismo, aquele que mistura literatura e jornalismo. Por isso, o livro tem informações apuradas e pesquisas profundas sobre a personagem e a característica da literatura, que dita a melodia do texto. No livro não há introdução. O primeiro capítulo conta o final daquele que foi o momento mais marcante para Luis Roberto segundo o próprio jornalista e, dentro da história, retrata lembranças de sua vida. É a viagem de volta do corpo do piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna, que faleceu no dia 01 de maio de 1994, no Grande Prêmio de Ímola, na Itália. Aquele foi um voo da Varig, de Paris, na França, para o Brasil, fretado e reservado especialmente para poucas pessoas. Foram cerca de doze horas que fizeram com que Luis Roberto se recordasse de momentos que o levaram àquela ocasião. O jornalista considera este trabalho o mais marcante de sua vida, até hoje. Com isso, são contados, de maneira superficial, momentos da infância, da adolescência e da profissão de Luis Roberto. Apenas flashes do que ele viveu, uma vez que os detalhes serão disponibilizados com maior atenção no decorrer do livro. O capítulo funciona como introdução e uma espécie de resumo de toda a obra. No segundo capítulo, é contado todo o episódio da morte de Ayrton Senna. A escolha do tema neste local do livro se deve pelo fato de que, além de ter sido Luis Roberto de Mucio o primeiro repórter a dar a notícia do falecimento do piloto, ele acompanhou momentos e 11 situações únicas naquele final de semana em Ímola. Luis esteve presente em locais e em momentos que fizeram daqueles dias e horas, marcantes em sua vida. Em seguida, no terceiro capítulo, tem início a narração dos principais fatos da infância de Luis Roberto em São João da Boa Vista. O capítulo se limita às situações e lembranças da mãe e amigos até a adolescência, quando começou a trabalhar na área jornalística. É no quarto capítulo que é narrada a história de sua primeira locução na Rádio Piratininga. Todo o lado profissional de Luis Roberto, seus primeiros textos na escola, as reportagens de campo nos jogos, os depoimentos dos amigos, até o final de seu trabalho na Piratininga. A trajetória profissional de Luis Roberto fora de São João da Boa Vista é o foco do quinto capítulo. São narrados os trabalhos nas Rádios Cultura, Gazeta e Globo. Posteriormente, são relatadas as experiências da personagem com televisão, chegando à Globo. O sexto capítulo é dedicado ao título de Cidadão Sanjoanense, que Luis Roberto recebeu em Sessão Solene da Câmara Municipal. Por fim, o sétimo capítulo do livro é destinado aos colegas de trabalho de Luis Roberto e amigos que dão depoimentos sobre o profissional. 12 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Livro-reportagem A modalidade escolhida para o Trabalho de Conclusão de Curso foi livro-reportagem devido ao desejo de produzir um registro para consulta de futuros pesquisadores do assunto e uma forma de homenagear o jornalista, comentarista e narrador esportivo da Rede Globo, a principal emissora de televisão do país. Portanto, optou-se pela modalidade livro-reportagem, por possibilitar “reciclar com métodos mais eficazes de captação, como as histórias de vida e a observação participante, nas suas diversas variantes, recursos próprios das ciências sociais” (LIMA, 1998, p. 38). O produto livro-reportagem oferece ao autor a possibilidade de migrar para campos não explorados pelo jornalismo de veículos como jornais e revistas; a reportagem detalhista. Ao mesmo tempo, ele “escapa de preceitos antigos que estão na base do jornalismo tradicional. Um desses preceitos é que o jornalismo só deve tratar daquilo que é atual” (LIMA, 1998, p. 13). Para contar a história de Luis Roberto, utiliza-se como método de produção a descrição de momentos da trajetória do jornalista de maneira não cronológica, que não interfere na veracidade das informações. Histórias são como holofotes e refletores – iluminam parte do palco enquanto deixam o resto na escuridão. Se iluminassem igualmente o palco todo, de fato não teriam utilidade. Sua tarefa, afinal, é “limpar” o palco, preparando-o para o consumo visual e intelectual dos espectadores; criar um quadro que se possa absorver, compreender e reter, destacando-o da anarquia de borrões e manchas que não se podem assimilar e que não fazem sentido (BAUMAN, 2004, p. 26) O jornalista, no momento da entrevista, pretende atingir seu objetivo levando em consideração o público-alvo para informar as principais informações. O trabalho de um repórter na produção da grande reportagem vai além do habitual lead. É por isso que o livroreportagem permite que o jornalista fuja de seus moldes tradicionais. [...] amplia o trabalho da imprensa cotidiana, como que concedendo uma espécie de sobrevida aos temas tratados pelos jornais, pelas revistas e emissoras de rádio de televisão e [...] penetra em campos desprezados ou superficialmente tratados pelos veículos jornalísticos periódicos, recuperando para o leitor a gratificante aventura da viagem pelo conhecimento da contemporaneidade (LIMA, 1998, p. 7) A forma de livro-reportagem é a modalidade que oferece liberdade de escrita ao autor, além de proporcionar a leitura de um texto contrário às normas que regem o jornalismo padrão. Além disso, o autor tem a possibilidade de descobrir e adotar um estilo próprio, que 13 não seja uma cópia daqueles utilizados normalmente. O livro-reportagem transcende as concepções norteadoras do jornalismo atual. Tem potencial para assumir posturas experimentais. Tem pique suficiente, se trabalhado se forma adequada, para fazer nascer a vanguarda de um jornalismo realmente afinado com as tendências mais avançadas do conhecimento humano contemporâneo (LIMA, 1998, p. 16) 2.2 Jornalismo Esportivo A personagem deste livro atua como narrador esportivo da Rede Globo de Televisão. A cobertura de esportes na área de TV tende a apoiar-se apenas no futebol, modalidade em que a massa de telespectadores fornece grande audiência. Luis Roberto trabalha na área desde os 16 anos e sua relação com a imprensa teve início em São João da Boa Vista, com o Jornal Opção e logo após, nos microfones da Rádio Piratininga. O comunicador, mesmo depois de graduado, estuda - e muito - para os eventos em que vai trabalhar, pois a participação de um jornalista no meio esportivo é renovada a cada nova missão. Enquanto os jogadores nas concentrações dos clubes ligam o computador para navegar pela internet e jogar games na espera de a bola rolar, o jornalista deve vasculhar vírgulas e entrelinhas de informações em todos os locais possíveis. Seja ele narrador, comentarista, produtor, editor, chefe de reportagem, o que for. Antes de tudo precisa ser repórter: deve ter na ponta da língua (ou do dedo) a informação que evite o chute pelos ares ou pelas páginas da web e dos jornais (VILAS BOAS, 2005, p. 22) 2.3 Esportes na Televisão Devido à criação de uma monocultura nos esportes chamada “futebol”, a cobertura esportiva na televisão brasileira não é mais a mesma há cerca de dois anos. Antes, não havia toda a essência nas narrações e reportagens relacionadas ao futebol que é vista hoje. Eram apenas divulgados resultados, autores dos gols, classificação dos campeonatos e pronto. Porém, hoje, a situação é outra. Cada vez mais encontra-se nos noticiários, principalmente televisivos, uma grande inteligência na narração e descrição de uma partida. Tristeza e alegria. Estes sentimentos se alternam nos trabalhos de cobertura, e não há como o repórter ficar insensível – nem deve. Afinal, ele é antes de mais nada um ser humano igual aos seus leitores, e precisa transmitir não só as informações, mas também as emoções dos acontecimentos que está cobrindo. Informação e emoção são duas ferramentas básicas do repórter, e ele terá que lutar sempre consigo mesmo para saber dosá-las na medida certa em cada matéria (KOTSCHO, 1995, p. 32) É o que confirma Vilas Boas, (2005, p. 18) em seu livro “Formação e Informação 14 esportiva”: “[...] Os profissionais de imprensa também vão se municiando de dados, de fatos, de fotos, de impressões, de observações que surgem com a prática”. Por isso, o futebol hoje é o principal foco das empresas de televisão. Além de ser acompanhado pela grande massa de homens – e mulheres, é mais fácil encontrar um garoto jogando bola pelas ruas de sua pequena cidade, do que um jovem praticando kart no interior do Estado. É função da imprensa tornar interessantes os assuntos importantes. Como a tática de um jogo; como as jogadas de bastidores e as cartolices dos donos das bolas. É chato, mas é preciso falar, criticar, questionar, procurar. Poucos veículos conseguem entrar de sola nas questões de campo e extra-campo (VILAS BOAS, 2005, p. 17) 2.4 Novo Jornalismo O Novo Jornalismo, ou o New Journalism, surgiu nos Estados Unidos, na década de 60, com o objetivo de estabelecer novas linhas de produção ao jornalismo. Sua principal característica é mesclar a narrativa jornalística com a literária. Seus precursores foram Gay Talese, Tom Wolfe, Norman Mailer e Truman Capote. Literatura e jornalismo são dois territórios diferentes, mas não territórios separados por barreiras intransponíveis que impeçam as apropriações, os entrelaçamentos. Ao contrário, são tênues os limites entre eles, por vezes quase imperceptíveis. Não que a literatura ou o jornalismo possam se transfigurar um no outro. Mas que, com características bem marcadas e elementos distintos, em algumas manifestações têm a ousadia de usar os pontos de intersecção para construir uma narrativa quase híbrida (VICCHIATTI, 2005, p.90) A utilização do Novo Jornalismo permite ao autor uma linguagem mais leve que a do jornalismo tradicional. Destaca-se como o encontro com a literatura, fazendo com que sejam necessárias algumas artimanhas para prender o leitor no texto e não deixar que ele disperse e perca o seu nível de atenção durante a leitura do conteúdo. Para contornar o problema, os autores devem utilizar os mais diferentes artifícios de construção de texto, de modo que haja variação do ritmo narrativo, mudança de certas características do estilo, alterações do ponto de vista – da perspectiva sob a qual o tema em foco está sendo tratado em seu texto – e assim por diante, fazendo uso de uma variada bateria de recursos disponíveis (LIMA, 1998, p. 42 e 43) Portanto, na produção deste livro-reportagem foram utilizadas as técnicas do Novo Jornalismo a fim de deixar o conteúdo em harmonia com a forma de transmissão da mensagem. Significa potencializar os recursos do Jornalismo, ultrapassar os limites dos acontecimentos cotidianos, proporcionar visões amplas da realidade, exercer plenamente a cidadania, romper as correntes burocráticas do lead, evitar os definidores primários e, principalmente, garantir a perenidade e profundidade aos relatos (PENA, 2008, p. 13) 15 3 DEFINIÇÃO DO OBJETO 3.1 Apresentação do tema O tema escolhido para o livro-reportagem foi Luis Roberto de Mucio. Não classificado como biografia, o trabalho realizado em estilo perfil conta momentos da vida e profissão do jornalista. Para contar as histórias, foram realizadas várias pesquisas e entrevistas com pessoas envolvidas no círculo social e profissional vivido pelo jornalista. O contato com os profissionais que trabalharam e trabalham com Luis Roberto foram decisivos para a construção das histórias contadas no livro. As dificuldades existiram na busca por informações com a fonte tema do livro. O problema foi solucionado com a pesquisa profunda em arquivos de jornais, entrevistas feitas com a família e as próprias fontes que viveram com Luis Roberto momentos importantes da vida. 3.2 Apresentação do objeto Luis Roberto de Mucio nasceu em São Paulo, em 29 de maio de 1961. Aos dois anos de idade, mudou-se com a família para São João da Boa Vista, a 223 km da capital paulista. Desde pequeno, demonstrou grande paixão por esportes, principalmente, por futebol. Quando completou quatro anos de idade, ficou doente. Teve febre alta, que não cessava com os medicamentos da mãe, Sebastiana Manóquio. Apreensiva, Sebastiana conversou com o marido, Afonso de Mucio Neto, a respeito da febre constante do filho. Resolveram então, levar Luis Roberto a um médico. Foi no consultório que a mãe descobriu que a febre do garoto não era nada; era apenas vontade de algo... Algo que ele queria muito. Sebastiana pensou por alguns momentos em algum brinquedo que o filho queria muito ganhar. A infância de Luis Roberto foi bastante agitada. O menino não gostava de frequentar à escola, fazendo com que sua mãe, Sebastiana, por várias vezes, tivesse de acompanhá-lo na sala de aula. “Eu tinha de levá-lo até dentro da classe, porque, de vez em quando, ele escapava de minhas mãos e fugia. Saía e corria em volta da Praça Coronel Joaquim José, no centro da cidade. A praça fica em frente à escola. Eu tinha de ir atrás dele, para levá-lo de volta”, conta a mãe. Como o filho fugia das mãos da mãe, não querendo ir para a escola, Sebastiana 16 decidiu colocá-lo para estudar a partir da primeira série. Desde então, Luis Roberto ama os estudos e busca sempre grande quantidade de informações sobre determinados assuntos, quando vai fazer uma transmissão. Algumas pessoas compartilharam da infância de Luis Roberto como Pedro Luengo e Antonio Carlos Nogueira de Oliveira, o Leivinha. Eles descrevem como o garoto era quando brincavam de bola e as principais características dele. 3.3 O Rádio Luis Roberto cursou o Ensino Médio no Instituto de Educação Coronel Cristiano Osório de Oliveira. Ali, havia um Centro Acadêmico do qual o jornalista era presidente. O Jornal da instituição, O Sacívico, passava as informações da escola para os outros colegas. Luis Roberto escrevia a coluna A Palavra do Presidente, sobre esportes. Assim, ele foi convidado a ler suas colunas que falavam sobre o futebol Dente-de-Leite, na Rádio Piratininga. Aos poucos, Luis ganhou espaço na emissora e integrou alguns programas não somente relacionados a esportes. Comprovando a competência, Luis Roberto logo iniciou seus trabalhos na rádio com reportagem de campo, cobrindo a equipe de futebol do Palmeiras Futebol Clube, no Campeonato Paulista. Luis Roberto fez sua estreia como narrador esportivo por acaso, em uma de suas viagens cobrindo jogos do time sanjoanense. Basílio Bisi, narrador oficial da Rádio não pôde estar presente na partida entre Palmeiras e o Primavera, em Indaiatuba, no ano de 1978. Por isso, Luis foi convocado pelo diretor da rádio, Wanderlei Fleming, para fazer a narração daquele jogo. 3.4 A Televisão O jornalista iniciou sua trajetória na televisão após passar por várias rádios de São Paulo. Da Piratininga, Luis recebeu o convite para trabalhar em Santos, na Cultura. Com participações também em outras rádios, o jornalista foi convidado para atuar na Rádio Globo. Luis teve contato com locutores que ele ouvia quando era pequeno e que foram sua inspiração como Osmar Santos e Fiori Giglioti. Da Rádio Globo, em 1998, Luis Roberto aceitou a proposta de trabalhar na TV Globo, tendo como moradia o Rio de Janeiro. Há 13 anos, ele narra os principais eventos 17 esportivos da emissora como Copa do Mundo, Pan-Americano, Fórmula 1, Stock Car, entre outros. Em 2010, Luis Roberto teve a oportunidade de participar de um evento diferente do que estava acostumado a transmitir: o Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. “Tive apenas um mês para me preparar e entender as regras. Precisei conhecer um universo de pessoas que se envolvem naquele trabalho, para ter domínio nos comentários. Apresentar o Desfile foi sensacional; diferente de tudo o que já fiz até hoje”. 3.5 Momento Marcante O momento mais marcante da vida de Luis Roberto retratado neste livro é o episódio da morte do piloto brasileiro de Fórmula 1, Ayrton Senna. Por meio de um telefone celular, novidade no ano de 1994 na Europa, Luis Roberto foi o primeiro jornalista a divulgar o falecimento do ídolo brasileiro. Além disso, o jornalista passou momentos que jamais esquecerá. Ao lado de companheiros de profissão, ele guarda lembranças daquele que foi o final de semana mais triste para o automobilismo mundial. Luis Roberto esteve na viagem que trouxe para o Brasil o corpo de Ayrton Senna. “Ali, definitivamente, morria o ser humano e nascia o mito Ayrton Senna da Silva. São imagens que jamais sairão de minha mente. Ali estava, desfigurado, sendo velado a 35 mil pés de altura, o ídolo brasileiro.” 18 4 METODOLOGIA Ao definir o tema e a modalidade, partiu-se para a busca do maior número de informações possíveis a respeito do objeto de estudo. As pesquisas na internet não foram extensas, já que a quantidade de informações disponíveis no meio virtual não foram suficientes para embasar o trabalho. Além de poucos dados, os documentos possuíam datas e informações incorretas. Portanto, a pesquisa via internet auxiliou pouco no desenvolvimento do trabalho. Para a produção deste livro-reportagem foram realizadas leituras específicas que deram embasamento teórico para a construção do relatório técnico. Não há nenhuma bibliografia específica que trate sobre Luis Roberto de Mucio; este é um dos motivos para a construção do produto livro. 4.1 Entrevistas Devido ao baixo número de informações a respeito da vida e trajetória de Luis Roberto, as entrevistas foram elementos primordiais para a produção do livro. “A entrevista é o procedimento clássico de apuração de informações em jornalismo. É uma expansão da consulta às fontes, objetivando, geralmente, a coleta de interpretações e a reconstituição de fatos” (LAGE, 2001, p.73). As fontes escolhidas foram pessoas que estiveram próximas do jornalista nos períodos da infância e adolescência, além de atuais companheiros de emissora. Como sistema de entrevistas, a princípio, para as entrevistas residentes em São João da Boa Vista, foi utilizado o método aberto. As entrevistas abertas permitem que a fonte não se limite a responder ao que lhe foi perguntado. O entrevistador relata o tema e as questões surgem do contexto imediato. Para as entrevistas realizadas via e-mail, que são aquelas pessoas que tiveram ou têm um envolvimento na trajetória de Luis Roberto, foram utilizadas perguntas semiabertas. Ou seja, o roteiro de perguntas foi preestabelecido para melhor andamento e uniformidade nas respostas. 4.2 Perfil O livro-reportagem Lances de Uma Vida não pode ser caracterizado como uma biografia. Esta exige um vasto tempo do autor e ainda uma grande dedicação na busca pelo máximo de informações possíveis. 19 Assim, o livro-reportagem Lances de Uma Vida deve ser classificado como perfil biográfico, já que conta momentos da vida e profissão de uma personagem apenas, Luis Roberto de Mucio. 20 5 DESCRIÇÃO DO LIVRO 5.1 Linha editorial O livro Lances de Uma Vida tem uma linguagem de fácil compreensão, seguindo os princípios do novo jornalismo, que agrega traços literários. O título do livro remete ao esporte. A palavra “lance” é sinônimo de “momento” e utilizada para relatar uma ação esportiva. Portanto, o livro que conta momentos da vida de Luis Roberto, pode ser entendido como lances. A intenção do livro não é biográfica, como foi dito. É relatar para pesquisadores futuros e amantes da profissão quais foram os passos e por onde passou Luis Roberto de Mucio antes de chegar à TV Globo. 5.2 Projeto Gráfico (em produção) Formato: 14 cm x 21 cm Papel da capa: couché fosco, gramatura 230, impressão colorida Papel das páginas internas: impressão PB em papel sulfite, gramatura 90 Fonte do título da capa: Cooper Black Fonte do texto: Adobe Caslon Pro Bold Fonte dos títulos dos capítulos: Cooper Black Fonte da epígrafe: Segoe Print Software para diagramação: Adobe InDesign CS4 Número de capítulos: 7 Diagramação: Ana Paula Malheiros Impressão: Sérgio Hentz 5.3 Público-alvo Lances de Uma Vida é destinado a todos os que, primeiramente, gostam de esporte. Aos estudantes de Jornalismo, o livro serve como exemplo de um profissional de origem humilde que conseguiu vencer na vida. Os universitários podem também conhecer os bastidores de coberturas jornalísticas como a morte de Ayrton Senna, em que Luis Roberto foi o primeiro a anunciar o fato. 5.4 Custos da produção 21 Gravador: R$ 150,00 Impressões Livros: R$ 65,00 Costura livros: R$ 40,00 Diagramação: R$ 200,00 Impressão Relatório Técnico: R$ 30,00 Total: R$ 485,00 22 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS O livro-reportagem Lances de Uma Vida conta momentos da história do jornalista, comentarista e narrador esportivo da Rede Globo de Televisão Luis Roberto de Mucio. A paixão por esportes e a proximidade do narrador com São João da Boa Vista foi o principal fator para a escolha do tema. Não faltaram vontade, dedicação e paciência na produção do livro. Os momentos da trajetória profissional de Luis Roberto são o foco do livro. Por isso, apenas a mãe foi entrevistada, já que o pai encontra-se debilitado. Assim, os principais indícios da paixão de Luis pelo esporte foram apurados. A grande dificuldade do livro foi no contato com a personagem. No decorrer do ano, foi preciso encontrar outras maneiras de construir o trabalho sem a presença de Luis Roberto. Ressalto que ele sempre esteve a par de tudo o que era desenvolvido. Como resultado um livro leve, que conta com as informações principais da vida do narrador esportivo. 23 CRONOGRAMA DE TRABALHO Outubro/2008 Escolha do tema Abril/2009 Primeiro contato com a personagem Outubro/2009 Contatos com a personagem via e-mail Janeiro/2010 Início da pesquisa em internet Visita à casa da mãe da personagem Fevereiro/2010 Pesquisas Leitura do livro “A prática da reportagem” Leitura do livro “A arte de entrevistar bem” Leitura do livro “Entrevista, o diálogo possível” Leitura do livro “Formação e informação esportiva” Leitura do livro “Monografia, passo a passo” Contato com a personagem via e-mail Março/2010 Início das orientações Leitura do livro “O que é Livro-reportagem” Leitura do livro “A arte de escrever bem” Leitura do livro “Jornalismo Literário” Visita ao Jornal O Município Organização do material Início do primeiro capítulo 24 Decupagem de palestra feita pela personagem na Unifae em 17/04/2009 Leitura do livro “Ayrton, o herói revelado” Abril/2010 Produção e correção do primeiro capítulo Entrevista com Antonio Carlos Nogueira de Oliveira – 08/04 Contato com a personagem via e-mail Transcrição de documento do Jornal O Município de 12/08/1995 Digitalização de fotos e jornais de época Entrevista com a mãe da personagem em 15/04 Produção e correção do segundo capítulo Entrevista com Aílton Fonseca via e-mail – 19/04 Maio/2010 Contato com a personagem Transcrição de prefácio escrito pela personagem no livro “A história do futebol em São João da Boa Vista” Finalização dos primeiros e segundos capítulos Produção da Introdução do Relatório Técnico Contato pessoal com a personagem Acompanhamento de gravação de matéria televisiva com a personagem em São João da Boa Vista para o Esporte Espetacular Correção ortográfica do projeto Produção do terceiro capítulo Junho/2010 Entrega de parte do trabalho à Banca de Qualificação Entrevista com João Fernando Palomo Entrevista com João Batista Amorim Pesquisa em livros 25 Revisão do terceiro capítulo Julho/2010 Produção do quarto capítulo Contato com a personagem Leitura de livro Agosto/2010 Produção do quarto capítulo Produção do sexto capítulo Acompanhamento do trabalho da personagem Entrevistas com profissionais da área via e-mail Setembro/2010 Produção do quinto capítulo Definição do nome e capítulos do livro Definição do modelo do produto Finalização dos capítulos Correção do material Diagramação do Livro Outubro/2010 Correção do material Impressão dos livros e Relatórios Entrega à Banca Examinadora 26 REFERÊNCIAS A MORTE ANTES DA CURVA. Revista Veja. São Paulo: Editora Abril, 03 de maio de 1994. Disponível em: http://veja.abril.com.br/especiais/extras/fechado/senna01.html. Acesso em: 05 abr. 2010. BAUMAN, Z. Vidas desperdiçadas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004. COELHO, P. V. Luis Roberto profissional: depoimento via e-mail [ago. 2010]. Entrevistadora A. M. F. Mastiguim, 31/08/2010 DE MUCIO, L. R. Comemoração dos 10 Anos de Comunicação Social. Palestra no Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino – FAE, São João da Boa Vista, 17 abr. 2009. DE MUCIO, L. R. Produção de reportagem jornalística. São João da Boa Vista, 14 maio 2010. DE MUCIO, S. M. A vida de Luis Roberto: depoimento: [abr. 2010]. Entrevistadora: A. M. F. Mastiguim, São João da Boa Vista, 15 abr. 2010. FAVARA, N. C. P. Luis Roberto profissional: depoimento via e-mail [jul.2010]. Entrevistadora: A. M. F. Mastiguim, 22/07/2010 FONSECA, A. Amizade com Luis Roberto: depoimento via e-mail: [abril 2010]. Entrevistadora: A. M. F. 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Eu era presidente do Centro Acadêmico do Segundo Grau, da escola que eu cursava lá em São João da Boa Vista. 2) Você nasceu onde? Em São Paulo, na capital. Meu pai trabalhava em São Paulo. Aí, pequenininho, com dois anos, eu voltei para o interior do estado de São Paulo, para São João da Boa Vista. Fui presidente do Centro Acadêmico que editava um jornal. O símbolo da escola era o saci e o jornal era O Sacívico. Aí tinha a palavra do presidente. Eu só escrevia sobre esportes e saía a cada dois meses. No interior de São Paulo tem uma competição muito legal que são os Jogos Abertos do Interior. E a escola cedia duas equipes do coletivo para representar a cidade nos Jogos Abertos do Interior. O basquetebol masculino e o voleibol feminino. Eu escrevi sobre esses esportes e um dos jornais da cidade, que até já não existe mais, chamava-se Opção, o jornal era bissemanário, não existia jornal diário em São João da Boa Vista naquele tempo. Saía um às quartas e um aos domingos. Aos domingos, tinha um caderno de esportes. O cara que era o editor me convidou para falar sobre esportes olímpicos, digamos, eu escrevia em duas ou três edições. Escrevi também sobre futebol Dente-de-Leite. A mulher que administrava a rádio, a gerente da rádio de São João da Boa Vista, me convidou para ler a coluna no rádio. Aí começou a história de microfone. 3) Como é que foi a sua história no rádio? Eu comecei em São João como repórter, fazendo primeiro a cobertura do Dente-de-Leite. O Dente-de-Leite foi um evento magnífico que ocorreu no Brasil no final dos anos 70 e aquilo foi uma febre, realmente. Eu comecei falando sobre o futebol Dente-de-Leite. Mas, alguns meses depois, eu comecei a fazer reportagem no profissional. Lá em São João da Boa Vista tinha um time profissional, chamado Palmeiras, que, por acaso, é Palmeiras antes do Palmeiras de São Paulo. Aí, algum tempo de repórter, o cara que narrava era gerente de banco, foi transferido e 30 eu fui pego de surpresa, num domingo. Cheguei no estádio para ser repórter e o sujeito que era o chefe da equipe falou “Não, não, hoje você vai narrar”. Isso foi em 1978, narrei meu primeiro jogo numa cidade chamada Indaiatuba, perto de Campinas. 4) Você virou narrador por acaso, meio que por acidente. Você não queria ser narrador antes? Não tinha me passado pela cabeça de ser narrador. O meu barato era ser repórter mesmo. O encanto de trazer a notícia sempre povoou meu imaginário. Mas, como toda criança que é apaixonada por rádio, no nosso tempo era tudo no rádio, televisão era Copa do Mundo e uma ou outra final. Não havia transmissão na televisão. Eu jogava botão, eu jogava futebol narrando, como todos nós. Aí o sujeito me viu narrando e achou que eu levava jeito para esse negócio. Acabei virando narrador praticamente desde o início. Nesse início, tive uma passagem num programa de música, não existia FM nessa época, o AM era muito forte. Nós tínhamos um programa de música, eu fazia na hora do almoço, que chamava-se Sirva-se de Sucessos. 5) Você passou para a televisão tem quanto tempo? Minha primeira experiência de televisão foi com a TV Manchete, numa época em que em São Paulo, quem respondia pela televisão era o Osmar Santos. Ele precisou de um tipo de freelancer. Eu fiquei na Manchete, na verdade, em 89-90. Fiz outro freelancer em 93. Nesse meio do caminho, eu fazia, também na TV Gazeta, uma participação num programa que se chamava Sábado Esporte, apresentado por Cleber Machado. A Rádio Gazeta tinha um assento nessa mesa redonda, digamos assim, aos sábados, e eu participava. Foi a minha primeira experiência de televisão. Mas foi meio incipiente, mesmo como um convidado. Na Manchete eu fiz essas locuções, eu lembro que a locução mais marcante tenha sido aquela goleada da Colômbia sobre a Argentina, em Buenos Aires, que foi nas Eliminatórias de 1993. Por acaso, foi o último evento que eu fiz na TV Manchete. Fui para a ESPN Brasil, a TVA Sports daquela época. Lá, fiquei até vir para a TV Globo, fazendo, concomitantemente, rádio também. 6) Já que você falou em narração marcante, qual é a sua narração mais marcante da carreira? 31 Sem dúvidas, foi a morte do Ayrton Senna. É um momento muito difícil porque é um momento que você, primeiro não está esperando, ainda mais naquela época que, desde 1982, não morria ninguém na Fórmula 1. 7) O que mais te dá prazer em fazer? Narrar. A narração é o que mais me encanta. Não é só de futebol, porque o futebol é o esporte preferido de todos nós. Mas eu tenho um encanto muito especial com outros esportes, adoro narrar voleibol, acho um esporte encantador para o locutor, para a narração. Não é tão simples de ser decifrado o que dita o ritmo de um jogo. Automobilismo, talvez seja até o mais difícil, porque são fatos que estão ocorrendo e estão fora do seu alcance visual, enfim, a narração me encanta. Acho que eu nasci para fazer esse negócio de narrar as coisas na televisão e no rádio. 8) Como você faz para deixar o time de coração longe da narração? Eu acho que a maioria de nós todos nem se lembra do time do coração quando está lá envolvido numa transmissão, especialmente no ao vivo. Você está lá, o microfone está ligado, você está fazendo uma transmissão. 9) Nem quando esse time está jogando? Acho que é pior ainda. Quando você está relatando um jogo, narrando aquele evento, é A versus B mesmo. Óbvio que existe um gol, existe um gol mais bonito, existe um gol mais importante e nesses momentos é natural que você em casa reaja de um jeito diferente mesmo que seja contra você. Se você tomar um gol aos 45, a dor vai ser maior. Consequentemente, o grito do outro vai ser maior. Assim, o grito de gol tem que ser maior. Então, essa é uma relação às vezes difícil, mas o que mais me conforta é que eu saio na rua, todo mundo acha que eu torço contra o time dele. Esse é o sintoma, diz a psicologia, de que as pessoas não sabem o time que você torce. 10) Luis o que falta na sua carreira? Qual o objetivo ainda? Eu tenho 49 anos e 32 de profissão. Costumo dizer que jornalista tem profissão e não carreira. Nos últimos cinco, seis anos, eu tive talvez a crise boa do profissional que começa a ficar incomodado com tudo. Depois de passar por esse período, de maturar isso na minha 32 cabeça, eu cheguei à conclusão de que o que eu gosto de fazer é estar nos eventos e narrar os eventos. Então, meu sonho é completar a minha profissão, até onde eu agüentar e tiver saúde, narrando. O meu desafio é esse. 33 B Entrevista de Antonio Carlos Nogueira de Oliveira, repórter esportivo, com Luis Roberto de Mucio - Jornal O Município, 12 de Agosto de 1995, página 6 Luis Roberto de Mucio: Craque da locução esportiva Ao iniciar sua participação em jornais e na equipe radiofônica da Piratininga em São João da Boa Vista, aos 17 anos, Luis Roberto de Mucio, nascido a 29/05/61, filho de Afonso de Mucio Neto e Sebastiana Manóquio, hoje muito bem casado com Denise Tidon de Mucio, talvez não pudesse imaginar o brilhante futuro que lhe sorria, graças à oportunidade a ele oferecida por alguns sanjoanenses da imprensa, que enxergavam nele um jornalista de muitas qualidades, apenas da pouca idade. Atualmente, locutor titular da Rádio Globo de São Paulo, ao lado de Osmar Santos, em recuperação do acidente, de Oscar Ulisses, Vanderlei Ribeiro, Luis Augusto Maltoni e outros grandes conhecedores da matéria, De Mucio recebeu nossa reportagem em seu escritório da Emissora, para uma conversa inteligente e bem descontraída. O Município: Como se deu seu início na imprensa esportiva sanjoanense? De Mucio: Em 1978, eu estudava no Instituto de Educação da cidade, sendo presidente do Centro Cívico. Havia um jornalzinho que circulava entre os alunos, o “Sacívico”, e eu já escrevia nele uma coluna “A Palavra do Presidente”, sobre esportes. Nesta época, o Célio Braga possuía um programa na Piratininga: “O esporte amador é notícia”; e houve um convite feito por ele a mim, a fim de participar diariamente. Foi quando conheci o Francisco Arten, proprietário do jornal “Opção”, que também abriu para mim as portas para fazer matérias sobre futebol “Dente de Leite”. O Município: Após esta arrancada, com foi sua subida meteórica dentro do rádio? De Mucio: Passei a fazer uma página inteira de esportes no “Opção”, além de receber um convite por intermédio do Wanderley Fleming, para fazer reportagens no futebol profissional da cidade. Participavam da equipe, o Basílio Bisi (locutor), Ito Amorim e Carlos de Oliveira (comentarista), eu e o João Fernando (repórteres), sob a gerência da Orminda Cassiano de Carvalho. Esta fase como repórter durou até o final de julho de 78, quando passei a locutor, num acontecimento muito curioso. O Município: Conte-nos sobre este fato: 34 De Mucio: Na véspera de um jogo do Palmeiras F.C., em Indaiatuba, houve a transferência de cidade do Basílio Bisi, ele que era gerente de um Banco local. A equipe da rádio passou em casa, logicamente sem o seu locutor titular. O Wanderlei Fleming me disse que o Basílio havia viajado sozinho, e compareceria na hora do jogo, para transmitir. Mas esta não era a verdade. Ele já tinha planejado a transmissão da partida por mim, não me dizendo para não me deixar nervoso. Só fiquei sabendo da novidade pouco antes do jogo começar, mas encarei esta oportunidade, embora muito surpreso. Narrei meus dois primeiros gols na vida: do Simões, para o Primavera, na vitória de 2 a 0 sobre o Palmeiras. Gostaram de mim nesta especialidade, e continuei como o narrador titular da emissora. O Município: Até quando você narrou pela Piratininga, e quais suas grandes lembranças? De Mucio: A última partida que transmiti foi em 81, no jogo de inauguração do estádio do CIC, entre Palmeiras x Ginásio Pinhalense. E houve grandes ocasiões, como a campanha do Palmeiras em 79, em que nas 12 partidas finais, venceu 11, com Mirandinha e Cia. Aliás, possuo em meus arquivos, os dois gols do Miranda narrados por mim, na última partida, contra o Guairense, que deu ao time o título da 1ª divisão naquele ano. O Município: Como começou sua vida no jornalismo esportivo, fora de São João? De Mucio: Antes deste jogo de inauguração do CIC, eu havia feito a cobertura de um jogo do Palmeiras em Santos, contra a Santista ao lado do Aílton Fonseca. Convidamos uma pessoa da Rádio Cultura local, o Sinésio Bernardo, para participar dos comentários de intervalo (o jogo estava 2 a 2). Ele ouviu a reprise dos gols por mim narrados, gostou, e houve o convite para trabalhar na Cultura. Nesta época, eu já cursava a Faculdade de Jornalismo, na PUC, em Campinas. O Município: Você resolveu aceitar este convite? De Mucio: Com muita satisfação. Fui contratado pela emissora do Beto Mansur, mesmo morando em Campinas, até o final de 81. Consegui minha transferência, em 82, para a Unisantos, onde concluí meu curso de jornalismo. Estreei numa transmissão, num jogo Santos x Comercial, narrando meio tempo. Logo, também passei a diretor artístico da Cultura. Surgiram então, as primeiras viagens internacionais, acompanhando o Santos em excursões. Transmiti o último título ganho pelo Santos, em 84, sobre o Corinthians, ao Vice-Campeonato 35 Brasileiro de 83 (contra o Flamengo) e a campanha da equipe na Libertadores de 84. O Município: Depois disso, surgiu a oportunidade em uma rádio da capital, não foi? De Mucio: Nos últimos meses de 84, o Pedro Luiz (ex-grande narrador), me convidou para trabalhar na Rádio Gazeta. Passei a transmitir jogos pelas duas emissoras – Cultura e Gazeta. Em dezembro deste ano, a Rádio Record, sob o comando de Osvaldo Maciel, montou uma equipe muito forte, levando o locutor titular da Gazeta, o Paulo Soares. Aí, abriram-se de vez para mim as portas para ser o primeiro narrador desta equipe. Fiquei, então, até 1987. O Município: Como foi sua ida para a Rádio Globo? De Mucio: No início de 88, houve a fusão entre a Record e a Gazeta, com o comando do Osmar Santos, que saíra da Globo. Fiquei por 3 meses neste esquema, até que a Globo precisou de mais um locutor (estavam o Oscar Ulisses – Irmão de Osmar Santos – e o Vanderlei Ribeiro). Minha estréia foi num XV de Jaú 3 x 2 Corinthians, e meu 1º gol narrado na Globo foi do Ponta Kazú, do XV. Em julho deste ano, fiz minha 1ª transmissão de Fórmula 1, com uma vitória de Aírton Senna, em Montreal. A seguir, transmiti outra vitória sua em Detroit e, por fim, o título de Campeão Mundial em Susuka, no Japão. Até hoje, já narrei 57 grandes prêmios de F-1. Participei também de 2 Copas do Mundo, em 90, na Itália e em 94, nos E.U.A., já com Osmar Santos de retorno à Rádio Globo. O Município: Cite algumas curiosidades, até hoje, em sua brilhante passagem pela rádio: De Mucio: Entre uma corrida e outra de F-1, em 91, eu estava em Lisboa assistindo à decisão da Copa da U.E.F.A., entre Benfica e Katowice, da Polônia. Faltando 1 minuto, o jogo 0 a 0, saiu um lateral para o Benfica, sendo que um adversário jogou a bola longe. Como o gandula demorasse, um crioulo forte foi até a bola, fez uma linda embaixada e deu um sempulo de uns 30 metros, colocando a bola nas mãos de quem iria bater o lateral. Na cobrança, saiu o gol da vitória. O crioulo não era outro, senão o Euzébio, o Pelé do futebol português. No outro dia, ligamos para ele, e fizemos uma entrevista muito bonita. Em setembro de 93, o Senna arrumava sua saída para a Williams, que tinha o Prost. Na 6ª feira, antes do GP de Portugal, ele disse à imprensa que uma “bomba” iria estourar no sábado, mas não era a notícia de seu novo contrato. 36 No dia seguinte, eu e o Mário Andrade Silva, do Jornal do Brasil, nos encontramos logo cedo com o Senna. Solicitei a ele que nos contasse seu segredo, antes da coletiva. Foi então que ele nos disse que o Prost iria anunciar, antes do GP, ao encerramento da carreira. Dei a notícia na Globo, pela manhã toda, e fui chamado de “louco” por todos. Às 15 horas, Prost reuniu a imprensa do mundo todo para dar esta notícia. No domingo, sagrou-se TetraCampeão do Mundo. Senna foi para a Williams meses depois. O Município: Houve algum momento difícil para você, ao longo deste tempo? De Mucio: O pior momento foi transmitir a corrida do acidente do Senna, o acompanhamento daquela agonia toda no hospital, a viagem de volta no mesmo avião. Foi o encerramento de um clico no esporte brasileiro. O Município: Para encerrar, uma mensagem ao povo sanjoanense, que tanto admira sua ascensão no rádio: De Mucio: Passei a morar em São João com 2 anos de idade, pois nasci na capital, quando meu pai estava a serviço da firma que trabalhava. Agradeço com muito carinho ao título de “cidadão sanjoanense”, oferecido pelo Francisco Arten, presidente da câmara, no final de 94. Na 1ª oportunidade, irei com muito prazer recebê-lo, e que a cidade se uma em torno do esporte, pois este é o melhor caminho de congraçamento, paz e intercâmbio entre as pessoas. Gostaria também que o Palmeiras F.C. construísse o seu C.T., uma oportunidade para as crianças da cidade e da região. 37 C Decreto Legislativo – Título de Cidadão Sanjoanense a Luis Roberto de Mucio, em 07/06/1994 DECRETO LEGISLATIVO nº 0010/94 “Concede o Título de Cidadão Sanjoanense ao Ilmo. Sr. LUIS ROBERTO DE MUCIO” A CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA, Estado de São Paulo, aprovou, e o Presidente no uso de suas atribuições legais e regimentais, PROMULGA a seguinte... DECRETO LEGISLATIVO: ARTIGO 1º : - Fica a Câmara Municipal de São João da Boa Vista, devidamente autorizada a conceder o Título de Cidadão Sanjoanense ao Ilmo. Sr. LUIS ROBERTO DE MUCIO, em justo reconhecimento aos relevantes serviços prestados ao nosso Município na área esportiva. ARTIGO 2º: - A referida honraria será outorgada em Sessão Solene, em data a ser fixada pela Mesa da Câmara Municipal e de acordo com o homenageado. ARTIGO 3º: - A concessão desta outorga e as despesas inerentes a realização da mesma, correrão por conta de dotação orçamentária constante no orçamento vigente, suplementada se necessário. ARTIGO 4º: - Este Decreto Legislativo entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. FRANCISCO DE ASSIS CARVALHO ARTE PRESIDENTE Secretaria da Câmara Municipal de São João da Boa Vista, aos sete dias do mês de junho de mil novecentos e noventa e quatro (07.06.1994) 38 D Entrevista de Luis Roberto para a Revista ATUA – via e-mail, em Agosto/2010 1) Qual sua ligação com São João da Boa Vista? Meus pais são de São João, cresceram, se casaram. Quando nasci eles estavam morando em São Paulo por conta do trabalho de meu pai. Mas aos dois anos de idade já morava por aqui. Só fui viver em outra cidade pra estudar Jornalismo. 2) Conte-nos algumas lembranças de sua infância em São João. São os momentos ligados à minha escolha profissional. Desde pequeno frequentava a “Esportiva”, primeiro na natação, depois no futebol. Minha vida escolar com passagens pelo Joaquim José, depois Ginasinho e Instituto. Por fim o cursinho da dona Adélia, na época era MacPoli. As divertidas “brincadeiras” na sede do Palmeiras. Eram os bailes de domingo. Os namoros de adolescente. Os amigos que ficarão para sempre. As reuniões de família. As pescarias no sítio do Tio Dotta, e por aí vai.... 3) Começou a carreira de jornalista em São João ? Sim. No Instituto de Educação fui eleito presidente do Centro Acadêmico e por lá tive meu primeiro contato com um jornal. Era o “Sacívico” uma publicação do CA. O Saci é o símbolo da escola. Tinha uma coluna “a palavra do presidente”. Escrevi e gostei. Depois fui para o jornal Opção, Rádio Piratininga. 4) Como chegou ao jornalismo esportivo? Foi no jornal Opção. Primeiro escrevi sobre o futebol dente de leite, que era uma febre na época. Célio Braga (já falecido) era o presidente da Liga Sanjoanense de Futebol e tinha um programa na rádio Piratininga aos sábados chamado “O Esporte Amador é Notícia”. Célio Braga me convidou pra ler a coluna sobre o dente de leite no programa. Foi aí meu primeiro contato com a “mídia eletrônica”. 5) Recorda-se de sua primeira transmissão pela televisão? Sim, foi pela extinta TV Manchete. Foi um jogo pelas Eliminatórias da Copa de 94. Era 1993, a Colômbia goleou a Argentina em Buenos Aires por 5x0. Foi a maior derrota da história da seleção da Argentina jogando em casa. 6) Quais as coberturas mais importantes que já fez? Foram 6 Copa no local. No 39 local também cobri os jogos Olímpicos de Sidney e os Pan do Rio em 2007. Foram mais de 50 Grandes Prêmios de Fórmula Um in loco e tantos outros eventos importantes. Estive também na cobertura do Colégio Eleitoral (eleição indireta) para a escolha do presidente da República em 1985. Venceu Tancredo Neves e o restante da história todos conhecemos. 7) Você estava na equipe que fazia a cobertura do Grande Prêmio de San Marino, em 1994. Você foi o primeiro jornalista a anunciar a morte de Airton Senna. Conte-nos como foi transmitir esta triste notícia para o Brasil. É difícil descrever os sentimentos daqueles dias de abril e maio de 94. Primeiro houve o acidente violentíssimo do Rubinho, depois a morte do austríaco Rolland Hatzenberg e enfim o acidente do Ayrton no domingo dia 1º de maio. Meu companheiro de transmissão o português Henrique Cardão, que reside na Europa, portava um inédito telefone celular. Era o início do roaming europeu. Dei muita sorte, era o único que falava além do “orelhão” com o Brasil. Esse celular me levou a ser o único ao vivo no momento que a médica do Hospital Maggiore de Bologna nos deu a pior notícia do esporte brasileiro em todos os tempos. Foram muitos momentos, são imagens que jamais sairão de minha mente. Desde o acidente, passando pelo anúncio no hospital. Depois pelo IML, a viagem de volta e o enterro. Ficaríamos aqui um longo tempo falando daqueles momentos. 8) Você voltou para o Brasil no avião junto com o corpo do Ayrton Senna, como em um velório. O que passou pela sua cabeça naquelas horas? Tudo parecia um pesadelo. O que eu tinha certeza era que estava fazendo parte da história, que a Fórmula Um jamais seria a mesma e que estava terminando uma era do esporte mundial. 9) Quais as cenas mais marcantes que presenciou? Foram tantas! A última vez que vi o Senna vivo, pouco antes da corrida e ele me respondeu algumas perguntas sobre a reativação da associação dos pilotos. Fomos caminhando até o Box da Willians. Fiquei quase no bico do carro, o Ayrton entrou e parou logo atrás da asa traseira. Ele ficou olhando para o carro. Sério, quieto. Estava com a parte de cima do macacão amarrada na cintura e vestindo a camiseta do Senninha. O reencontro foi a bordo do avião da Varig, na classe executiva. Lá estava o caixão, coberto por uma lona bege que o segura ao chão. Fui chamado pelo Galvão Bueno pra fazer uma prece e me despedir do homem. Ali, 40 definitivamente, morria o ser humano e nascia o mito Ayrton Senna. 10) Como foi fazer a cobertura do desfile das escolas de samba do Grupo Especial no Carnaval 2010? Gostou da experiência? Pretende repetir? Foi sensacional. Diferente de tudo que fiz até aqui. Um banho de cultura, de manifestação popular. E tecnicamente, uma transmissão muito difícil de fazer. Se a Globo me escalar novamente, lá estarei feliz da vida. 11) Você trabalhou na transmissão das mais importantes competições esportivas mundiais, como Copa, Olimpíadas e Pan. Em algum momento, teve que se conter como torcedor e agir, somente, como jornalista? Jornalista é, antes de tudo, Jornalista. Nada é mais importante em nossas vidas que o Jornalismo. Se houve algum momento que poderia ter desabado foi na cobertura da morte do Ayrton. Ou ainda num incêndio de grandes proporções que destruiu a Vila Socó em Cubatão no litoral. Houve um vazamento de óleo que inundou o córrego onde as palafitas (casas sobre água) foram construídas. Forma mais de 80 mortos. Naquela madrugada tive a certeza que seria Jornalista pra sempre. 12) Você ministrou a aluna inaugural dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda no Unifae, em 1999. Em 2009 voltou à Instituição para uma palestra em comemoração aos 10 anos do curso e recebeu o título de professor Honoris Causa. O que representa esta ligação com os cursos de comunicação e com os alunos que se inspiram em você? Sempre fui um defensor do diploma. Um entusiasta da formação acadêmica. Uma Faculdade de Jornalismo na minha cidade é um sonho realizado. E receber tamanha honraria é muito importante e emocionante pra mim. 13) Fale-nos sobre o livro-reportagem sobre você, que está sendo escrito pela sanjoanense Alinne Fanelli. Acho que não mereço um livro. Mas a Alinne é craque e esta fazendo um grande trabalho. Acho que vai ficar legal. Ainda não caiu a ficha, não parece verdade. É uma sensação única, deliciosa. 14) O “cliente” do jornalismo esportivo é o torcedor. É preciso ter desenvoltura para agradar até mesmo torcidas rivais em dia de clássico. É possível ser imparcial e isento em uma área considerada uma das mais parciais da imprensa? Claro que é possível. Acontece que o futebol é paixão (a palavra já diz tudo, paixão é cega, dói e por aí vai) Por 41 isso, as vezes alguns poucos acham que todo mundo é venal na imprensa. Mas a enorme maioria sabe que estamos ali pra fazer o melhor. 15) Mauro Beting diz: “todo jornalista esportivo é um torcedor – quem não for, insisto, pode ser jornalista, mas não de futebol”. Por que muitos jornalistas esportivos não revelam qual o time de coração? O Mauro está certíssimo. Nos anos 60 todos revelavam seus times. A mudança de comportamento e surgimento dos fanáticos, esses são os motivos mais importante para que os jornalistas que frequentam estádios não revelem seus times. Eles podem ser vítimas dessa violência absurda. E eu ainda penso que quando o “cliente” não sabe o time do jornalista, ele tende a não ficar fazendo ilações. 16) Por muitos anos a imprensa esportiva foi essencialmente masculina. A que atribui o aumento de mulheres nas coberturas de esportes? O Futebol é machista, só por isso. A imprensa esportiva foi primeiro, a imprensa futebolística. Mas em pouco tempo isso será acontecimento do passado. Hoje a imprensa é poliesportiva e já não faz mais distinção de sexo. 17) O narrador na TV, na maioria das vezes, diz exatamente o que o telespectador está vendo. Como o jornalista esportivo pode driblar a falta de criatividade [ou se desvincular da linguagem de rádio] e inovar na hora de transmitir uma partida? Não acho que o narrador diz o que o telespectador está vendo. O narrador diz o nome do jogador (de futebol, vôlei etc) por exemplo. Na maioria das vezes a grande maioria não sabe quem é aquele personagem. Começa por aí. Ao narrador cabe dar vida aos personagens, decifrar os regulamentos, as táticas que levam a vitórias e derrotas, os movimentos técnicos e dificuldades dos movimentos e assim por diante. E cada um bota um pouco do seu charme, pra dar um colorido, Né?!?!?! 18) Há jornalistas que afirmem que hoje não há liberdade de imprensa, mas “liberdade de empresa”. Até que ponto os fins lucrativos afetam a qualidade do trabalho jornalístico? O que existe é responsabilidade. Liberdade de Imprensa sem responsabilidade é bagunça. Conquistamos no Brasil a Liberdade plena de Imprensa. E só com ética, responsabilidade, correção, imparcialidade, é que continuaremos a conquistar o coração dos Brasileiros. 42 19) As TVs fechadas preocupam-se mais com o índice do que com nível de audiência? Por que os canais, como SporTV, tem mais autonomia para inovar na programação?A inovação faz parte da vida dos meios de comunicação. Cada um respeitando o seu próprio público e entendo pra quem se está falando. Um canal só de esportes trabalha de uma forma, um outro só de programação infantil também. Uma televisão aberta fala para um público muito mais complexo. As inovações e mudanças são feitas baseadas nesses fundamentos. E no meu entender todos que fazem qualquer atividade relacionada a audiência, se preocupam em conquistar mentes e corações, e tem um compromisso constante com a sociedade que vivem. Com o bem-estar das pessoas, com a melhoria da qualidade de vida. Só assim é possível obter sucesso pleno. 43 E Ata Sessão Solene de Entrega do Título de Cidadão Sanjoanense a Luis Roberto de Mucio, em 29/03/1999 SESSÃO SOLENE DE ENTREGA DO TÍTULO DE CIDADÃO SÃO JOANENSE AO SENHOR LUIS ROBERTO DE MUCIO PRESIDENTE: - OVIDIO CARLOS MARTINS. SECRETÁRIO: - ROBERTO CARLOS VALIM CAMPOS DIRETORA GERAL: - IRACY ALVARENGA GONÇALVES SANTIN. ADJUNTO DO LEGISLATIVO: - MOACIR MOLINA. HORÁRIO: - 19,30 HORAS. VEREADORES PRESENTES: Vereadores. Presentes. Dia 29 de março de 1999. Horário. Partido. Vereador. 01 - 20H40. PPB. João Evangelista Michelazzo Penha. 02 - 20H41 PSDB. Antonio Fernandes Filho. 03 - 20H41 PSB. Valter Peres Franco. 04 – 20H41 Amauri Moreno Quinzani 05 – 20H41 PFL Paulo de Tarso Vallim Orrú 06 – 20H41 PL. Claudinei Damalio 07 – 20H41 PPB. Ilsondelso Batista de Oliveira. 08 – 20H41 PSDB. Antonio Aparecido da Silva. 09 – 20H42 PMDB Ovidio Carlos Martins. 10 – 20H43 PT. José Carlos Colabardini. 11 – 20H45 PDT Roberto Carlos Valim Campos. 12 – 20H45 PSDB. Plínio Antonio Pereira Quinête. 13 – 20H46 PDT. Francisco de Assis Carvalho Arten. 14 – 20H46 PL Paulo André Silva. 44 151617 – VEREADORES AUSENTES: - Jair Morgarbel, Alencar Aguiar Neto e Antonio Manoel Miachon. Mestre de Cerimônias:- Senhoras e Senhores, estamos reunidos neste 29 de março para Sessão Solene de entrega do Título de Cidadão São-Joanense ao Sr. Luis Roberto De Mucio. Excelentíssimos Senhores:- (autoridade judiciária policia civil, militar, e exército, autoridades religiosas e civis). O Senhor Presidente inicia a Sessão de hoje, solicitando a todos os presentes que fiquem em pé, para que possa ser executado o Hino Nacional Brasileiro. Executado o Hino Nacional o Senhor Presidente solicita ao senhor 1º. Secretário que proceda a leitura dos documentos endereçados à Câmara Municipal e que se referem a esta solenidade. Lido os documentos, o Senhor Presidente concede neste momento a palavra ao senhor Laert de Lima Teixeira, Prefeito Municipal. Com a palavra o senhor Prefeito Municipal Laert de Lima Teixeira – Senhor Presidente da Câmara Municipal, senhores Vereador, senhor João Ciacco Neto – DD. Diretor da FAE, Francisco Arten autor do Projeto, senhora Maria Aparecida Pimentel Mangeon, Luis Roberto De Mucio, Jornalista e Narrador Esportivo. Um Sanjoanense que recebe o título hoje, mas que sem dúvida nenhuma tem a sua história aqui em São João com todos nós. E foi com grande orgulho que nós assistimos hoje a sua aula inaugural, neste momento para São João. A Denise De Mucio esposa, do homenageado, a senhora Sebatiana a mãe que sem dúvida nenhuma deve estar orgulhosa do seu filho. Ao Afonso De Mucio Júnior os eu irmão, a Daniela De Múcio a sua irmã e a toda a sua da família De Múcio, infelizmente o seu pai se encontra hospitalizado, se não estaria conosco aqui compartilhando desta alegria toda. Aos 110 alunos do curso de jornalismo, ao sete professores e um deles doutro e seis finalizando o mestrado. Como foi colocada pelo Luís Roberto, a importância da ÉTICA E DO PROFISSIONALISMO, EU QEURIA PARBENIZAR A Faculdade em particular ao Dr. João e ao Vereador Arten que trouxe para a aula de abertura você Luís Roberto. Queria fazer um agradecimento público e não haveria uma data melhor que esta a todos vocês que após 23 anos temos um curso novo na FAE. Dando a sua aula e seu depoimento o Luis Roberto, muito mais importante Dr. João e Arten, foi este relato de experiência e essa garra, ele é um pouco mais velho do que eu, mas convivi muito com o De Mucio, o Pedrinho que esta lá no fundo, e nós tivemos momentos muito alegres, porque o De Mucio era aquela pessoal sempre determina como já foi colocado aqui. Jovem ainda procurando já o seu caminho. Parabéns DE Mucio, para nós é uma satisfação muito grande e para FAE é um momento histórico. Queria aproveitar a oportunidade para pedir a todo o meio de comunicação que ajude aos alunos fazerem seus estágios. Muito Obrigado. Senhor Presidente:- Concede neste momento a palavra ao Vereador Francisco de Assis Carvalho Arten, autor do Decreto, para que possa se dirigir ao homenageado. Com a palavra o Vereador Francisco de Assis Carvalho Arten – Primeira mente desculpas por qualquer improviso, é natural que tenhamos certas dificuldades. E foi feito para homenagear 45 você. Sempre nós percebemos em você, o carinho por São João da Boa Vista. Já com 16 anos de idade, quando nós trabalhávamos e tinha o Jornal Opção, o Luis Roberto sempre se pautou pela ética, ele mantinha a ética a cima de tudo. Nós vimos o Luis Roberto a sair de São João, começar a cursar uma faculdade, a trabalhar na Rádio de Santos, Gazeta e vimos o Luis Roberto chegar hoje na Rede Globo. Como ele bem frisou, não é um sinônimo de realização, mas só chega lá que tem muita determinação. Por isto eu não me preocu0ei muito que a Sessão fosse realizada com pompa. O Luís Roberto me confessou que nem no seu casamento uso terno e gravata, e hoje aqui esta usando. Eu lamento a ausência do senhor Afonso nesta noite por estar hospitalizado, sei da angustia que você esta sentido por ele estar hospitalizado, mas tenho certeza que o senhor Afonso compartilha disso com orgulho e rebate você com todo o carinhoso com todos nós Sanjoanense. Nós simplesmente tornamos de fato o que você já era. Eu recebi um telefonema do pessoal do Globo, não sei se eles continuam aqui. E eles me disseram: “mas o Luis Roberto não é de São João, todos os lugares que ele vai ele fala que e de São João”. Eu disse que era este o motivo da outorga deste titulo, e que foi por uma casualidade que ele nasceu em São Paulo. Foi um evento marcante o dia todo. Tivemos a oportunidade de ver aqui amigos antigos. Maurício, Professor Scanapieco, Professor Milton Mazzarini, enfim não vamos inúmeras todos para não cometer injustiça. Acho que este profissional correto que você é que nós temos que se espelhar. Quero passar agora este Título em suas mãos. A partir deste momento ele passa a ser de fato e de direito cidadão Sanjoanense. Senhor Presidente:- Concedo a palavra ao novo cidadão São-Joanense, Luis Roberto De Mucio para que proceda a seus agradecimentos. Com a palavra o senhor Luis Roberto De Mucio – Casei no dia de hoje com São João da Boa Vista, este namoro é longo, 37 anos. Senhor Prefeito Municipal, Presidente da Câmara, Vereador Francisco Arten autor do projeto, todos os Vereadores presentes, demais autoridades presentes, professor Ciacco, obrigado mais uma vez por abrir a porta da FAE. Aos meus parentes, obrigado pela educação, eles que me ensinaram a amar esta cidade loucamente. E aos colegas futuros jornalistas. É um momento que me emociona como muito, porque sempre fui Sanjoanense de coração, aqui tive amores e dissabores, aqui aprendi a viver. Eu que venho a São João duas ou três vezes por mês, eu me deparo com aqueles que representam a minha terra. De uma coisa vocês podem ter certeza, a garra o amor e acima de tudo o respeito que eu tenho, por São João da Boa Vista, vou ter da mesma forma, a única diferença é que eu agora tenho a certidão de casamento. Muito Obrigado. O Senhor Presidente usa da palavra – Talvez eu esteja emocionado tanto quanto o homenageado por um título tão merecido. O Arten se expressou corretamente uma Sessão tão simples e sem protocolo, mais de um alcance muito grande. Foi feita com coração, sem nenhum protocolo. Nós fizemos com muito amor e carinho. Nesta noite a FAE marca no seu calendário esta data. Nós Sanjoanense como disse o Arten sempre consideramos você um cidadão Sanjoanense. São exatamente estas pessoas de alto nível intelectual que são a humildes. Muito Obrigado. Encerrando a presente Sessão, agradeço a presença de todos, desejando-lhes uma boa noite. Eram 23,30h quando se encerrou a presente Sessão, estando presentes todos os Sres. Vereadores que tem os seus nomes inscritos na parte inicial desta Ata. Eu Moacir Molina – Adjunto do Legislativo da Câmara Municipal, anotei e digitei o presente Ata, da qual eu assino juntamente com a Senhora Irany Alvarenga 46 Gonçalves Sentem - Diretora Geral da Câmara Municipal, com o Senhor Ovídio Carlos Martins - Presidente da Câmara Municipal e com o Vereador Roberto Carlos Valim Campos, 1º. Secretário da Câmara Municipal, aos vinte e nove dias do mês de março de mil novecentos e noventa e nove. (29.03.1999). Ovídio Carlos Martins Roberto Carlos Valim Campos PRESIDENTE Irany Alvarenga Gonçalves Sentem DIRETORA GERAL 1 º SECRETÁRIO Moacir Molina ADJUNTO DO LEGISLATIVO 47 APÊNDICES A Entrevista com Antônio Carlos Nogueira de Oliveira – repórter esportivo, em 08/04/2010 1) Como você conheceu o Luis Roberto de Mucio? Eu nasci perto da Esportiva, na região da Leco. Ali, como meus vizinhos moravam os tios do Luis Roberto: o José Custódio casado com a Clávia, irmã da mãe dele, da dona Tianinha. E os primos que eram o Dias – que jogou futebol profissionalmente no Palmeiras também e o Celso que jogou basquete nos Estados Unidos, inclusive. O Luis Roberto eu não conhecia. Eles estavam morando em São Paulo naquela época, mas logo vieram pra São João e passaram a residir naquela região também, na Rua Teófilo de Andrade; naquela „descidona‟ da Teófilo de Andrade. Foi quando eu o conheci. Bem menino ainda, ele tinha cinco, seis anos, deve ter sido isso. 2) Isso então, no finalzinho da década de 60? Não, começo da década de 60. Ele deve ter nascido em 1950 e poucos... 3) Em 1961, ele nasceu. Isso. Então, foi final da década de 60. E ali a gente brincava junto, jogava futebol no antigo campo do Rener - ficava atrás do campo da Esportiva - que hoje é o campo dois da Esportiva. E o Luis, que eu me lembre, começou a fazer matérias para o jornal do Arten, e para o jornal Sacívico, porque ele estudava no Instituto de Educação e tinha esse jornal que era do Grêmio Estudantil Augusto de Freitas, o GAF. O Luis Roberto fazia a parte esportiva desse jornalzinho; desde criança ele já se interessava por futebol. Dali, que eu me lembre também, o Arten o levou para a Rádio Piratininga e ele começou a cobrir campeonatos de base da cidade; levando matérias para os programas esportivos da rádio. Até que foi subindo na própria rádio. Tornou-se repórter de campo quando o Palmeiras estava em plena atividade ainda, como profissional, isso foi na década, final de 70, 80, não me lembro direito. Houve uma partida do Palmeiras fora daqui, e o Luis fazia parte da equipe como repórter. O locutor oficial era o Basílio Bisi. Nesse jogo, o Basílio, como era gerente de banco, estava em transferência de cidade, e não pôde comparecer. A gerência da rádio não avisou o Luis Roberto que ele seria o locutor daquela partida. Chegando naquela cidade, ele foi avisado em 48 cima da hora e não se recusou, aceitou numa boa, falou “vamos lá”. E dali ele começou a narrar futebol e foi embora. 4) Na época que vocês jogavam no campinho atrás da Esportiva, como é que o Luis era? Ele dava algum indício de que seria quem é hoje? Ele gostava demais de futebol como todos ali; dava indício sim de que ele seria muito ligado ao esporte. Mas, que ele seria da crônica sanjoanense e depois levantasse esse voo que levantou, a gente não poderia nunca imaginar. Ele poderia ter se tornado um jogador de futebol também. 5) Ele jogava bem? Ah, ele era pequeno. Depois que ele evoluiu fisicamente. Mas ele jogava direitinho sim. Quem jogava melhor que ele eram os primos, isso eu garanto. O Dias inclusive foi lateral esquerdo do time do Palmeiras campeão do Troféu Jerônimo Bastos, quando jogou aqui o Babá, o Tião Marinho; o Dias mora em Santos hoje. E o Celso, o outro primo dele, era craque, mas não ligava para futebol. Ligava para basquete, ele foi um craque de basquete. Tanto é que ele foi pro Rio, jogou no Flamengo e do Flamengo ele foi para os Estados Unidos, levado pelo Zé Roberto Pedro, o Pedrão. Ele está nos Estados Unidos até hoje, não jogando mais. O Luis acabou não seguindo a carreira de jogador, mas na crônica esportiva ninguém podia imaginar naquela época que ele fosse tornar o que ele ficou hoje. 6) Como ele era? Uma criança agitada? Não, tranquilo. Ele não se envolvia em outras atividades. A gente fazia de tudo, nadava no „Areião‟, no „Tocão‟, punha fogo no mato, fazia aquelas coisas de criança da época. 7) Ele sempre estava dentro? Não, ele se recolhia. A família acho que era muito assim, exigente. Ele tinha horário para chegar em casa; ele batia bola com a gente lá mas não ficava para fazer aquelas artes. 8) Os primos ficavam? 49 Os primos eram terríveis. Eles gostavam de uma bagunça. 9) Como você analisa a locução do Luis? Ele é um locutor que começou no rádio. Então, no rádio você não tem ideia de uma partida de futebol, por exemplo, de uma corrida de fórmula 1; só imagina o que está acontecendo através do locutor. Você não tem uma noção muito certa do que ele está transmitindo; às vezes, pode estar transmitindo uma imagem diferente do que está acontecendo realmente. No rádio ele marcou época junto com o Osmar Santos, foi lançado pelo Pedro Luiz. Na TV, ele começou, em minha opinião, um pouco vacilante. Logo que chegou à Globo, estavam as „feras‟ todas. As transmissões dele no começo eram diferentes um pouco, tímidas. Mas, com o tempo, ele foi pegando o padrão Globo de transmissão e teve de se enquadrar. Com o potencial que sempre trouxe dentro dele, evoluiu impressionantemente e, hoje, se iguala aos grandes locutores esportivos da TV brasileira, em minha opinião. 10) Você comentou sobre fórmula 1, em 1994, o Luis viu grande parte dos acontecimento que levaram à morte do Ayrton Senna. Ele deu a primeira notícia pelo rádio. Você acompanhou? Ficou sabendo que ele estava junto? Fiquei sabendo sim. Inclusive, a Globo, a TV Globo ficou sabendo através dele também, não só a rádio Globo. E a gente acompanhou pela TV que o Ayrton tinha falecido naquele domingo a noite. A gente mais assistia TV do que ouvia rádio. Foi o Fantástico, se eu não me engano, que deu a notícia e disseram que foi uma notícia de primeira mão passada pelo Luis Roberto para a Rádio Globo e a TV se aproveitou disso. Então, foi pela TV que eu fiquei sabendo e quase todo o Brasil ficou sabendo por que ele estava no hospital em Ímola. 11) No rádio, você chegou a ouvir algo sobre ele? Sim, na Rádio Globo, naquele tempo, eu fiz essa matéria com ele. Fui até São Paulo na Rádio Globo para fazer essa matéria com ele. Ele falou “oh, pode deixar que eu vou te mandar um abraço”. E eu passei a ouvir as transmissões da Rádio Globo. Quando não era o Osmar Santos, passei a me interessar pelas transmissões dele porque até então eu só ouvia Fiori Giglioti, Flávio Araújo, na Rádio Bandeirantes. Na Globo, eu não sintonizava. Ele mandava abraços para nós, para família dele, para os amigos de São João. Foi quando eu me liguei nas 50 transmissões dele. Como eu te disse, a gente não tinha noção do que estava se passando dentro do campo. Só ele tinha e passava pra gente. Mas ele era um grande locutor de rádio. 12) Você compara a narração dele com alguém? A Globo parece ter de seguir certo padrão. A gente nota isso com todos os locutores. Inclusive, uns que até lá chegaram logo saíram, porque não puderam expor tudo aquilo que queriam naquele momento. Mandavam abraço para uma pessoa e isso não é permitido nem na TV nem no rádio. No rádio até se libera mais um pouco. Mas o Luis teve de se enquadrar nesse padrão, mas não que ele seja um imitador de alguém Galvão ou o Cleber. Ele tem a sua própria maneira de transmitir, peculiar, diferente do Galvão, diferente do Cleber, de outros, ele tem a própria personalidade. Então, não se pode comparar ele com ninguém. Ele veio evoluindo e tende a evoluir muito mais, porque cada dia você aprende um pouco e ele se tornou um grande locutor. Ficou mais fluente, „pegou a manha‟ da transmissão esportiva. 13) Ele fez o Carnaval do Rio, você acompanhou? O que achou dessa primeira experiência dele? Acompanhei, ele me pareceu um pouco tímido, não sei se você notou isso. O Cleber já estava mais acostumado. Mas isso, com o decorrer dos anos, se ele for continuar, acho que ele tem de estudar mais a história das escolas de samba, para poder ter argumentos, responder às perguntas. 14) Você acha que faltou informação para ele? Faltou um pouquinho de buscar mais informações junto às escolas de samba, quanto à história. Durante a transmissão, o pessoal gosta de ouvir histórias: „começou o desfile lá em 1900 e não sei quantos; a escola tal ganhou; era um componente tal; a música foi essa e tal‟. Alguma coisa ele disse, mas faltou buscar muita coisa no fundo do baú, isso é super interessante para uma transmissão. 15) Você tem tido contato com ele durante esses últimos anos? Tem visto ele? Sempre a gente se encontra na casa do pai dele, às vezes até sem querer. Porque eu faço umas visitas para o pai dele que está doente, o seu Afonso. E às vezes ele está lá. Ele fala “ô, você ta aí”. Mas eu tive maior contato com ele há um ano, começo de 2009, que eu 51 solicitei a ele que fizesse o prefácio do livro que eu lancei. E a gente começou a manter contato mais por e-mail. Até que ele me mandou o prefácio pronto, eu mandei de volta falando “Tá bom, só mexe aqui, mexe ali e tal”. Ele falava “não, pode ficar à vontade, você mesmo mexe, você sabe mais da minha vida do que eu”. 16) Sempre atencioso? Sempre. Uma pessoa que não mudou. 17) A humildade continua? Sim, continua. Aquele menino que eu conheci perto da Esportiva é o meu amigo até hoje, daquela maneira. O padrão Globo de vida para mim não o mudou. Para a minha pessoa não. Ele fez o prefácio numa boa. Só não pôde vir no lançamento do livro porque o calendário dele não permite, mas sempre a gente se cruza por aí. 18) Você tem alguma lembrança que ficou marcada dele, dessa época de infância? Algum acontecimento que jamais saiu da sua memória? Ele foi alvo de gozação na época do São Lázaro. O Armando Pigatti, que era o goleiro titular, tem 1,90m e ele tinha 1,65m. Então, ele foi alvo de gozação, diziam, “se o Armando machucar vai entrar esse menino aí no lugar dele” e ele dava conta do recado. Mas, o Armando dificilmente saía do time. Ele era um reserva para constar. 19) O São Lázaro era uma equipe do Campeonato Amador? Exatamente, representava o bairro do São Lázaro que tinha, juntamente com o time, escola de samba. 20) Mas ele não morava no São Lázaro? Não, mas muita gente daquele time também não morava. A grande maioria era pessoal do bairro, mas eles chamavam pessoas de outros lugares, pessoas que tinham jogado na Esportiva, no Pratinha. 21) Com quantos anos ele entrou nessa equipe do São Lázaro? 52 Ele nasceu em 61? Então acho que foi em 77, com 16 anos. Para falar que era um juvenil. 22) Foi a mesma época que ele começou na Rádio Piratininga? É, mais ou menos. 16 anos. Ele já batia uma bolinha no meio do futebol amador. 23) Quanto tempo ele ficou jogando? Ah, não jogou muita coisa não. O negócio dele era locução e escrever. Ele logo parou e nunca mais eu me lembro de ter visto ele num time. 24) Na infância, algum dia, ele narrava algum jogo de brincadeira, enquanto vocês jogavam bola? Não que eu tivesse presenciado, mas contam que, naqueles jogos da zona rural, aos domingos à tarde, muita gente de São João, quando o Palmeiras não jogava em São João, fazia amistosos na Zona Rural. O Luis acompanhava esse pessoal e levava um gravador. Fazia lá seu treinamento. Ele já tinha na cabeça de levar isso até a direção da Rádio Piratininga, para mostrar e talvez se tornar um dos locutores. 25) Antes de ele ser levado à Piratininga então? Exatamente. Então, quando ele foi levado à Piratininga ele já tinha esse material gravado naqueles gravadores antigos e isso convenceu, de certa forma, a direção da rádio, de que ele tinha esse potencial, gostava e ali que ele começou, narrando futebol de zona rural. 26) Como é a família dele? Humilde... Humilde ao extremo, principalmente a mãe. O pai, Afonso, foi goleiro e talvez ele tenha se inspirado nele para jogar no gol. Ele tem um irmão, o Junior, são todas pessoas muito amigas da gente. Uma família que, não sei se é natural de São João ou não, mas sempre se mostra muito amiga. Quando vou à casa da Tianinha, sou recebido como uma pessoa da família. Aquele abraço que você vê que é carinhoso, apertado, não tem frescura, vamos dizer assim. Eu sou de casa, então sou suspeito para falar. „Tô‟ sempre numa boa lá com eles. 53 27) Você quer acrescentar alguma coisa? Acho que não. Desejo a ele muita sorte, por tudo isso que eu tive, essa passagem ao lado dele quando criança. Acompanhei a evolução toda dele tanto no rádio como na televisão; fiz entrevista com ele no começo da carreira praticamente. Ele nem estava na Globo ainda, na TV. E foi degrau a degrau, subindo, subindo. Desejo que ele continue subindo muito mais, porque Galvão Bueno não é eterno, talvez ele chegue a um cargo desse que o Galvão ocupa na Globo, ou até um cargo que o Armando Nogueira exerceu, que é um diretor geral. A carreira dele ali depende só dele. É isso que eu desejo. 54 B Entrevista com Sebastiana Manóquio de Mucio – mãe de Luis Roberto de Mucio, em 15/04/2010 1) Vamos começar então quando a senhora morava em São Paulo, o Luis Roberto nasceu em? Ele nasceu no dia 29 de maio de 1961. 2) E a senhora morava em São Paulo com a sua família? Eu morava. Minha família já morava aqui em São João. E a do Afonso também. Morava a avó do Luis Roberto lá e eu morava junto com ela, a minha sogra. 3) Como foi a vinda pra São João? Por que ela aconteceu? Então, o Afonso trabalhava numa firma de ar condicionado. Quando o Ademar de Barros foi governador, cortou. Ele foi despedido. Aí, nós viemos para cá e ele foi trabalhar na Elfusa. 4) Ele já veio para São João com emprego, então? Já veio para trabalhar na Elfusa. 5) O Luis tinha quantos anos quando isso ocorreu? Ele tinha dois anos. 6) Como o Luis era quando bem pequeninho, como bebê? Ah, igual às outras crianças. 7) A senhora falou que quando ele tinha quatro anos, ele começou a jogar futebol? Ele começou a jogar e eu até comprei o joguinho de botão para ele jogar. Deu até febre nele, o médico falou que era de vontade de alguma coisa. Aí eu comprei o joguinho de botão e ele se trancava no quarto para jogar. Fazia o cartão vermelho; o cartão amarelo, para dar para os jogadores. Mas eu não via, porque ele trancava a porta. Ele ficava sozinho no quarto, 55 narrando, narrando. Jogando e narrando, com quatro aninhos. 8) Quantos anos o irmão tinha? Ainda não tinha o irmão. O irmão nasceu quando ele tinha cinco anos, o Júnior. E os amiguinhos da rua iam lá brincar com ele. 9) A senhora morava onde? Eu morava na Rua Teófilo de Andrade, número 77, perto da Esportiva. Aí ele entrou como sócio na Esportiva para fazer natação. 10) E quando ele começou a jogar bola? Jogar bola ele jogava sim, no São Lazaro até ele jogou. 11) O Leivinha comentou que eles jogavam num campinho ali atrás da Leco? Isso, o Leivinha era amigo dele. Brincava com ele. Eles brincavam muito ali. Até chegava a hora de ir para a escola e eu tinha de ir lá chamar porque ele não vinha. Ele era meio bravo quando tinha de ir para a escola. Eu tinha de levar e, às vezes, ficar na classe. Ele fugia. Ia na praça, corria e eu corria atrás dele, para pegar ele. Aí eu tinha de ficar na classe. A professora ainda falava pra mim “a senhora pode ficar, mas se o diretor aparecer vai expulsar nós duas daqui”. 12) Quantos anos ele tinha? Então, cinco, seis aninhos. Foi no „prézinho‟. 13) Nesse período, ele já ouvia rádio? Futebol no rádio? Ouvia. Sempre com o radinho do lado. Ele era fanático por jogo de futebol. 14) Ele sempre demonstrava essa vontade de narrar? Sempre. Eu tenho o jogo de botão até hoje. Tenho o joguinho de botão que comprei 56 para ele com quatro aninhos. Faz 45 anos. 15) Que escola ele estudou no „prézinho‟? Estudou no Joaquim José. Ele não fez o „prézinho‟. Não consegui. Ele fugia muito. Ele já entrou no primeiro ano. 16) E foi até a oitava série no Joaquim José? Foi. Aí ele estudou no Instituto Cristiano Osório de Oliveira. 17) E nessa época de Joaquim José tem alguns amigos dele que a senhora lembra? Alguém que ele sempre brincava ou que ele falava? Tem sim. Mas eles não moram aqui em São João e eu não me lembro direito os nomes. Um chamava Junior e o outro era Moacir. Os dois amiguinhos dele. 18) Tem algum episódio da infância dele que a senhora nunca esquece, além desse do futebol de botão? Então, esse eu não esqueço. Eu me lembro sempre porque deu febre e eu precisei deixar ele na Igreja para vim buscar o jogo de botão. Deixei-o sozinho na Catedral, com febre. Vim comprar o jogo de botão, fomos para casa. Aí ele foi jogar e já melhorou. Levei-o no médico antes, mas o médico falou que era vontade de alguma coisa, porque ele não tinha nada. Isso eu lembro bem. O mais marcante foi esse mesmo. 19) E na escola, o Luis era um bom aluno? Era. Principalmente no ginásio. Ele era até presidente do Grêmio. 20) Durante esse crescimento dele, essa passagem pelo Instituto, em algum momento a senhora percebeu que ele fosse ser um narrador de futebol? Não. Nunca imaginei. 21) Mesmo quando ele começou a escrever para o jornalzinho da escola? 57 É, no Opção. Ele trabalhou no Opção. Ele já escrevia. 22) Quando ele começou a trabalhar na Rádio Piratininga, a senhora imaginava que ele fosse chegar onde está? Não. Nunca imaginei também. Nunca. Ele tinha 18 anos quando foi estudar em Campinas. Aí ele foi trabalhar na Rádio Cultura, de Santos. Depois, veio para São Paulo, na Gazeta e na Rádio Globo. 23) Ele sempre visitava a família aqui em São João? Sempre. Ele vinha todo final de semana. Era muito ligado. Um bom filho. Muito bom. 24) Como a senhora vê esse sucesso do Luis, que está numa emissora tão grande, em comparação com o menininho que a senhora viu crescer? Então, eu sempre falo que eu não acredito. Todo mundo fala bem dele. E eu penso assim „meu deus, a gente sempre foi uma família humilde, aquele menino, agora está na Globo‟ e narrava com quatro anos. Já tinha essa vontade. 25) O tempo dele é muito escasso, mas ele continua vindo ver a família? Ele veio agora, faz 20 dias. Eu operei e ele veio me ver. Veio na quinta e foi embora na sexta. Foi dia 24 de março agora que ele veio. É mais difícil agora ele vir. Porque fim de semana ele sempre faz Stock Car, essas coisas. Está sempre muito ocupado. Ele vem geralmente de quinta e vai embora no sábado. 26) Na época que ele começou na Rádio Piratininga, ele continuava a ouvir o radinho? Sempre. 27) E ele imitava alguém? Algum narrador? O Fiori Giglioti. Ele imitava. Fazia aqueles gestos do Fiori. Ele gostava muito do Fiori. 58 28) A senhora imaginava o que daquilo? Sim, pensava que ele estava louco. Que bom que foi. Como o tempo passa. Ele teve uma infância muito linda. 29) Como era a educação dele? A senhora impunha horários pra ele? Sim, colocava. Ele era sempre pontual. Porque eu tinha o Juninho pequenininho, ele sabia que ele era bebezinho. Então ele vinha para ir para a escola. 59 C Entrevista com Pedro Luengo – professor e amigo de Luis Roberto de Mucio, em 10/08/2010 1) Quando você conheceu o Luis Roberto? A gente se conheceu na época de colégio. Estudávamos no Instituto de Educação. Foi onde a gente fez amizade. Inicialmente, a gente jogava bola junto, na escola. Eu me lembro que, na época, a gente usava muito os campinhos de futebol nos bairros e me lembro que jogávamos muito no São Benedito. Hoje, é um colégio no local. Ali tinha um campinho de futebol onde o José Luis Cassiano, que era goleiro e jogou comigo no Rosário, montou um timinho onde o Luis jogava de centroavante. Ele era bem ruinzinho de bola. No início, ele era goleiro; queria muito ser goleiro. Mas, na época, eu lembro que campinho de futebol não tinha muito espaço e ele realmente não jogava muito bem no gol não. Então, nesse timinho ele jogava de centroavante. Nós montamos um time no Instituto, uma época, de futebol de salão, onde ele jogava também na frente, de ala. Eu lembro que disputamos um campeonatinho no Instituto. Nós tínhamos um time bem ruinzinho, mas a gente chegou a ganhar alguns campeonatinhos. Depois, comecei a jogar no juvenil do Palmeirinhas. Ele começou a trabalhar já com reportagem de futebol. Ele acompanhava a gente. 2) Na rádio? Isso. Na Piratininga. Ele acompanhava a gente nos jogos, ia com a gente nos ônibus, acompanhando o campeonato juvenil. Depois ele passou a fazer reportagens e narrar o futebol profissional. 3) Você se lembra de algum momento marcante dessa amizade de vocês? São dois fatos. Essa época no campinho de futebol no São Benedito. Eu jogava sempre contra ele, a gente levava um timinho que a gente tinha, do Perpétuo Socorro e esse time do José Luis era imbatível no bairro dele. Todo mundo que ia lá perdia. 4) O Luis morava no bairro São Benedito? 60 Eu não me recordo se ele morava lá. Ele tinha muita amizade com o José Luis, mas eu não me lembro realmente, na época, se ele morava ali. Mas ele frequentava muito ali. O fato assim que eu me lembro é que ele nunca conseguia ganhar de mim (risos). Ele de centroavante e eu de goleiro, ele nunca conseguia fazer gol em mim. A gente sempre ia lá e ganhava. Eles ficavam muito bravos. E outro fato, eu não tenho certeza, eu me lembro de uma época que a gente tinha um time de futebol de salão lá no Instituto e construíram aquela quadra ao lado da rodoviária urbana, aqui no centro. Essa quadra quando foi inaugurada e o nosso time do Instituto foi jogar contra um time de expressão no futebol de salão. Eu lembro que, quando entramos com nosso timinho, nós tínhamos um time bem ruim e aquele time era sempre campeão nos campeonatos do Palmeiras e a gente conseguiu perder de 1 a 0 só. Então foi uma coisa que marcou. Todo mundo achou que fossemos levar uma goleada e a gente conseguiu jogar „fechadinho‟. 5) O Luis demonstrava que seria o jornalista que é hoje? Ele sempre gostou, principalmente naquela época em que estávamos mais na adolescência. Ele sempre acompanhava então ele estava se inserindo nisso. Com certeza, como jogador, ele não iria muito longe. Me lembro dele jogando no São Lázaro também, nessa época de goleiro. 6) Quantos anos? Uns 15, 16 anos. Foi a época que a gente estava saindo de Dente-de-Leite para Juvenil. Então, muitos passaram a disputar Amador. Alguns que mais se destacavam iam pro Palmeiras. Depois, mais para frente, que começou a Esportiva. A Esportiva estava parada nessa época. Então, eu me lembro do Luis indo para o Amador ainda novo, na equipe do São Lázaro. 7) Qual a sua opinião sobre o Luis como profissional? Olha, tirando o Galvão Bueno que é top – não que seja melhor que ele -, eu acho que ele é o melhor narrador da Globo na minha opinião. Eu não entendo, mas, me parece, que na escala, o Cleber fica, às vezes, na frente dele. Acho que isso já está mudando, em função da 61 Copa, ele se destacou bem. Acompanho e gosto muito de assistir jogo com ele. 8) Ele continua o mesmo amigo daquela época? É a mesma pessoa. Muito humilde. Sempre que a gente se vê, a gente conversa. É uma pessoa muito bacana. 62 D Entrevista com João Fernando Alves Palomo - advogado, professor e amigo de Luis Roberto, em 11/08/2010 1) Quando começou o seu relacionamento com o Luis Roberto? Nós fazíamos bico no Jornal Opção, escrevíamos algumas coisas, assim como eu faço hoje no Jornal O Município. Ele foi lá para fazer a página de esportes no Jornal Opção que, na época, era de propriedade do Arten. Nessa época, eu já trabalhava na Rádio Piratininga como repórter de campo. O Luis passou a trabalhar na rádio também, num programa de esportes no final da tarde de sábado, com o Célio Braga. Aí surgiu a oportunidade de ele começar a transmitir futebol. Eu já estava lá, já fazia reportagens na equipe de esportes e ele então começou a transmitir futebol. Foi nessa época que eu comecei a ter mais contato com ele. Eu já o conhecia antes, da cidade, mas pouco. A partir desse momento, começamos a ter contato mais estreito. Depois disso, em 79, eu fui fazer faculdade em Campinas e um ano ou dois depois, ele entrou na faculdade também. Ele foi fazer jornalismo e morou na mesma república que eu morava. Então, nós passamos a dividir república, mas ele ficou pouco tempo lá. Acho que ele ficou um ano ou um ano e meio lá. Logo em seguida, ele foi contratado para trabalhar em Santos. Ele ia para lá todo final de semana, acho que todo domingo, quarta ou quinta, quando tinha jogo do Santos. Ficou nessa vida, eu penso que, meio ano, mais ou menos. Depois, transferiu a faculdade para Santos e passou a morar lá. Depois disso, continuamos tendo contato. Claro, em razão das atividades profissionais de cada um de nós, especialmente das dele, que são fora de São João, o contato diminuiu, mas ele é uma pessoa que a gente sempre tem um certo contato, quando ele vem aqui, às vezes a gente conversa. 2) O Luis é o mesmo amigo daqueles tempos? Eu acho que é. Acho assim, é difícil você falar que a pessoa é a mesma daquela época porque ele era uma pessoa que tinha um determinado envolvimento social e hoje ele tem outro completamente diferente. Seria ilusório a gente falar que ele é a mesma pessoa. Agora, em relação à tratamento, sempre que ele me encontra, ele me trata muito bem. 63 Mas eu também não sou de ficar pedindo telefone, e-mail, porque eu sei que ele tem outra vida hoje, que ele tem outras preocupações. Mas, ele sempre me tratou muito bem. Desde o primeiro momento em que trabalhei com ele, tem uma coisa que marca muito; ele sempre foi muito profissional. Ele nunca gostou de fazer a coisa „meia boca‟. Ele sempre gostou de fazer a coisa muito certa, muito correta, da maneira como ele achava que era o melhor, para poder levar a informação ao ouvinte, para quem na época estava acompanhando, seja no jornal seja na rádio. Recentemente, quando houve a gravação aqui, eu estava conversando com algumas pessoas e nós estávamos lembrando que ele introduziu algumas mudanças na Piratininga, profissionalizando as transmissões esportivas. Os textos comerciais, que sempre era uma coisa muito mal feita, era um monte de papel solto, ele implantou um sistema de pasta. Foi para São Paulo, viu como faziam lá e adaptou aqui. Isso pra ele, como pessoa que estava transmitindo, era um conforto. Mas, por outro lado, também era uma coisa que valorizava o trabalho de quem estava junto com ele. Eu me lembro também que, na época, a gente fazia jogo fora de São João e o repórter de campo nunca ficava no campo. Ele sempre ficava na cabine, porque tinha medo, a gente tinha certo receio. Não é que nem hoje. Naquela época tinha uma rivalidade muito grande. Quando ele passou a tomar conta do departamento de esportes, ele falou “Não, espera aí, o repórter precisa ficar no campo. Vamos começar a ficar no campo e tal”. Mesmo que a gente enfrentasse alguma dificuldade, na grande maioria das vezes, a gente passou a fazer reportagem de campo. Isso, de certa forma, mostrava que já naquela época ele era uma pessoa extremamente preocupada com o profissional, com o aspecto profissional da coisa. Acho que por isso ele chegou aonde chegou. Outra coisa que eu também observo nele é que todo mundo tinha suas pretensões. Eu sempre trabalhei com imprensa, trabalhei em rádio, sempre escrevi em jornal, mas eu nunca tive pretensão profissional de ser um jornalista. Ele não, ele sempre, desde que eu tive contato com ele, ele sempre quis ser jornalista. Então, ele investiu pesado, tudo o que ele tinha e precisava, ele investiu na carreira de jornalista profissional. Ele sempre acreditou, sempre quis e acabou alcançando. 64 3) Ele sempre falava que queria seguir a carreira de locutor? Foi o que ele sempre quis. Ele começou transmitindo futebol na rádio e dali ele já caminhou para a carreira, para fazer jornalismo. Depois que ele começou a fazer jornalismo, acho que ele percebeu que ele começou a encontrar as portas sempre abertas. Sempre foi o que ele pretendia. 4) Você estava junto com a equipe quando ele fez a primeira narração? Então, eu estava, acompanhei sim. Foi o dia que o Bisi faltou. Eu conversei com ele a respeito disso, quando ele veio. Ele disse para mim que eu estava. Eu, sinceramente, não me lembrava. Por conta disso que eu acredito que eu estava sim. Depois disso, ele começou a se tornar o narrador titular. Nós começamos a viajar pelo interior do estado de São Paulo inteiro, acompanhando o futebol profissional. Foi a época em que o Mirandinha jogou aqui em São João. Era ele quem transmitia. O Ailton Fonseca fazia comentários e o Vanderlei era o chefe da equipe. Não me lembro do jogo que ele estreou. 5) Ele frequentava os campeonatos rurais da cidade? Não, os campeonatos rurais ele divulgava, naquele primeiro programa que ele participava, às 18h da tarde, com o Célio Braga. Ali era um programa só para campeonato rural. Acho que a participação dele era só em termos de divulgação durante o programa. Mas, não me lembro de ele transmitir campeonato rural e nem de fazer acompanhamento de campeonato rural não. Ele fazia essa divulgação só no programa. 6) Você lembra de algum acontecimento marcante para você junto com ele? Nós tivemos alguns jogos. Teve um jogo em Leme, por exemplo, foi o jogo da estreia do Mirandinha que a torcida queria pegar a gente. Naquela época tinha essa rivalidade. O Mirandinha foi expulso naquele jogo. Depois, o Mirandinha cumpriu suspensão e o outro jogo foi em Sertãozinho, num sábado a noite. Nesse jogo, foi a primeira vez que nós vimos o Mirandinha fazer um gol com a característica dele, ele ia até a linha de fundo, todo mundo achava que ele fosse cruzar para trás e ele batia fechado, pegava o goleiro fora do gol e fazia o gol. Fez muito gol assim em São João e na carreira dele. Quando ele fez o segundo gol assim, 65 no mesmo jogo, o Luis disse “é um jogador para ser visto pela seleção brasileira”. Me lembro que quando isso aconteceu, na segunda-feira depois que nós voltamos para São João, o pessoal que acompanha esporte criticava e falava “onde já se viu? Falar que o rapaz vai chegar na seleção brasileira?” e o Mirandinha chegou à Seleção Brasileira. É uma curiosidade, acabou sendo um jogador de bastante destaque. Tenho essas lembranças porque já faz um pouco de tempo também. Outra coisa que eu lembro muito bem dele, quando a gente morava em Campinas na mesma república, tem um programa que até hoje tem na Rádio Globo, chama “Globo Esportivo”, às seis da tarde. Tinha uma abertura do Globo Esportivo, que ele fazia inteirinha. Brincando, de gozação, ele fazia a abertura inteirinha. Ele sabia todos os comerciais, todos os anunciantes, ele fazia tudo. 7) Todo dia ele acompanhava? Todo dia. Eu também acompanhava. A gente que gostava de futebol acompanhava. Porque, naquela época, não tinha a mídia que tem hoje, internet e tal. Quando tinha campeonato que o Palmeiras disputava, a gente só conhecia o resultado dos jogos no outro dia, quando escutava o programa do Fiori Giglioti, na Rádio Bandeirantes. Ele transmitia em ondas curtas, às 17h40, o „Cantinho do Interior‟. Assim, sabíamos se o adversário ganhou ou perdeu. Aí você conseguia fazer a classificação. A gente escutava muito rádio e ele escutava muito rádio também. Ele gostava muito da Rádio Globo e do Osmar Santos. Então, ele sempre acompanhava esse programa. Ele reproduzia a abertura inteirinha desse programa, de tanto que ele gostava. Essa pasta de publicidade que ele montou, trouxe para São João, ele foi em São Paulo ver, viu um jogo da Rádio Globo lá, viu como era a pastinha e adaptou uma aqui em São João. Aquelas propagandas que se lê durante a partida. 8) Como você morou na república com ele, você o via imitando narradores? Então, ele fazia isso. Narrar gol, narrar jogo, ele fazia o dia inteiro. Estava sempre brincando de narrar. 66 9) Vendo o profissionalismo dele, você imaginou que ele fosse chegar onde está? Eu achava que ele fosse chegar na Rádio Globo, mas transmitir futebol pela TV não. Nunca imaginei, porque o foco dele era voltado para rádio. A gente sabia que ele era meio obstinado pela Rádio Globo. Quando ele foi para a Gazeta, a gente falava, que „daqui a pouco ele vai para a Rádio Globo‟, porque escutando as pessoas você sabe quem é bom e quem é ruim. Então era ilógico ele não ir. A ida dele para a televisão me surpreendeu porque eu não achava que ele gostaria de transmitir futebol pela televisão. Agora, pela rádio não foi muita surpresa ele chegar a transmitir futebol pela maior emissora do país, que é a Rádio Globo. 10) Qual a sua opinião sobre o Luis profissional e suas narrações? Não valoriza muito a opinião pelo fato de eu ter tido uma amizade muito forte com ele. Por exemplo, a transmissão dele da Copa do Mundo é uma transmissão que bateu inclusive o Galvão Bueno, que é um cara que hoje, só está lá, só se mantém por causa do marketing que se faz em volta dele. Então eu acho que o Luis foi o cara que levou para a televisão as informações. Antigamente, não se dava. Até pelo fato de ele ter vindo da rádio, ele levou para a televisão a informação. Antigamente não se falava “fulano de tal, jogou aonde, jogou isso, assim, tava suspenso”. Essa informação que hoje a gente vê na televisão, muito disso tem por conta de ele ter introduzido isso na televisão. Só que alguns exageram. Então, por exemplo, na Globo mesmo tem gente que só faz isso e esquece de narrar. Ele, nessa Copa do Mundo, mostrou que é possível você transmitir o jogo e dar informação na dose certa. Então, eu como espectador, gosto das estatísticas, mas não quero só estatística. Tem gente que só dá estatística, tem gente que só dá show e o Luis transmite e passa as estatísticas com equilíbrio por isso que eu acho que ele é melhor. Eu prefiro independentemente de ele ser de São João. Isso eu falo sem qualquer tipo de vinculação. Eu prefiro as transmissões dele por conta disso. Acho que hoje ele está no topo da transmissão esportiva. Ele conseguiu equilibrar esse tipo de coisa. Além de ele transmitir muito bem. 67 E Entrevista com Ailton Fonseca – jornalista, radialista e amigo de Luis Roberto de Mucio, via e-mail, em Abril/2010 Conheci o Luis Roberto em 1978. Eu escrevia, sobre esporte, no extinto Jornal Opção, cujo diretor era Francisco Arten. “Chico Arten” era amigo do Luis e por intermédio dele, nos conhecemos. Luis Roberto, inclusive, chegou a “colaborar” no jornal, com alguns textos, que já demonstravam sua competência. Em 1979, o Luis começou a narrar futebol na Rádio Piratininga. Ele foi levado pelo falecido Célio Braga, que tinha um programa, à noite, sobre o futebol rural. Um dia, Luis foi a um jogo da zona rural e gravou um trecho da partida, narrando as principais jogadas. À noite, levou ao Célio Braga que, ao ouvir, percebeu o talento que existia. Imediatamente o Célio colocou “no ar”, o trecho da narração de um dos gols. Esse fato foi marcante porque os ouvintes da zona rural puderam vibrar com uma coisa que dificilmente acontecia com eles. O narrador oficial, antes do Luis, era Basílio Bisi que, por ser bancário na época, tinha pouco tempo para viajar. O próprio Bisi estava “garimpando” algum novo profissional, na região, para substituí-lo. Estava ali a solução. A gerente da emissora, Orminda Cassiano de Carvalho, não titubeou e levou o Luis Roberto para transmitir os jogos do Palmeiras no extinto Campeonato Paulista da Primeira Divisão (seria hoje a Série A-3, porque tinha, ainda, a Divisão Intermediária e, só então, a Divisão Especial). No início, a equipe era formada por Luis Roberto de Mucio, que era o narrador; Sebastião Carlos de Oliveira Fortes – o Carlos de Oliveira – que era o comentarista; e o João Fernando Alves Palomo – o João Fernando – o repórter. O plantonista era Fábio Aparecido da Silva – o Fábio Silveira. Em alguns jogos os comentários eram de Hélio Fonseca (o pai do Helinho Fonseca), ou de Wanderley Fleming, que era diretor de jornalismo da emissora, mas chegou a comentar alguns jogos. Poucos meses depois da formação dessa equipe, fui convidado a trabalhar com eles. Isso aconteceu em Itapetininga-SP. Fui “cobrir” o jogo para o Jornal Opção, entre o DERAC local e o Palmeiras Futebol Clube. A Rádio Piratininga tinha viajado sem o seu comentarista. Estavam apenas Luis Roberto e João Fernando. O Luis me convidou para fazer as vezes do comentarista e aí começou uma nova fase nas nossas carreiras. Depois daquele jogo fui convidado pela direção da rádio e o convívio com o Luis Roberto foi quase que diário. De segunda a sábado apresentávamos, juntos, o Piratininga nos Esportes, às 12 horas, na 68 emissora. Geralmente, aos domingos, transmitíamos os jogos. Quando os jogos aconteciam no Estádio Dr. Getúlio Vargas Filho – Vila Manoel Cecílio – eu era o segundo repórter, ao lado do João Fernando. Quando se realizavam fora de São João da Boa Vista, eu passava a ser o comentarista do Luis. SURGIU COM MUITO TALENTO O Luis Roberto já iniciou com um diferencial muito grande dos demais locutores esportivos da época, no interior. O ritmo dele era maravilhoso e todos nós sabíamos, desde o início, que era questão de tempo a saída dele para uma rádio com mais tradição no esporte. O Palmeiras fazia uma campanha maravilhosa. Foi o campeão da antiga Primeirona, subindo para a Divisão Intermediária. Claro que isso valorizou ainda mais o trabalho dele como cronista esportivo. Os jogos eram realizados com “casa cheia” e isso sempre foi um forte aliado do narrador. O Luis Roberto nunca imitou ninguém. Ele tinha uma locução própria e um grito de gol autêntico. No entanto, ele era um fã incondicional do Osmar Santos, que era considerado o maior locutor esportivo da época. A Rádio Globo de São Paulo era um ícone no jornalismo esportivo. E o Osmar Santos trabalhava lá. Um dia, o Luis me confabulou, numa de nossas viagens pelo interior de São Paulo, para transmitir algum jogo do Palmeiras: “um dia eu ainda vou trabalhar na Globo”. Parecia uma utopia, mas eu jamais duvidei disso. Tenho um orgulho muito grande em ter trabalhado com ele e vivido esses sonhos que, ao longo do tempo, se realizaram na vida do Luís Roberto. O Luis sempre foi um companheiro perfeito. Alegre, descontraído, profissional ao extremo. Uma coisa que eu admiro muito nele é a sua autenticidade e sua personalidade marcante. Ele nunca vacilou em ter de olhar nos olhos do companheiro e fazer uma observação que pudesse melhorar o padrão de qualidade e valorizá-lo. Da mesma forma, ele é capaz de fazer uma crítica, em particular, sem que isso fira a amizade de quem conviva com ele. Isso aconteceu, algumas vezes, comigo. Claro que, mesmo sendo mais velho que o Luis, aprendi muito com seu jeito e com sua lealdade. Conheci a família do Luis Roberto. Além de amigos, fomos vizinhos. Morávamos a uma quadra de distância, no Bairro São Benedito, em São João da Boa Vista. Tive uma convivência maior com seus pais, até porque o pai – Afonso de Mucio – foi goleiro no futebol amador da cidade. O irmão, Afonsinho de Mucio, chegou a fazer algum trabalho como 69 repórter esportivo, mas preferiu seguir a carreira de bancário (não sei se ainda está na área). A irmã, mais nova, nasceu quando o Luis já tinha 16 ou 17 anos. O Luis começou a cursar jornalismo, em Campinas, antes de se transferir para Santos, onde terminou o curso, na UniSantos. Mesmo em Campinas, continuou narrando jogos pela Rádio Piratininga de São João da Boa Vista. Só vinha em dias de jogos. Tinha ficado impossível ele apresentar o programa Piratininga nos Esportes. A ida dele para Santos aconteceu por causa do trabalho como locutor esportivo. Um dia fomos a Santos transmitir um jogo entre Portuguesa Santista e Palmeiras de São João. Estávamos apenas eu e o Luis. Apareceu um comentarista, de nome Sinésio, que era chefe de esportes da Rádio Cultura de Santos. Ele participou, conosco, na transmissão do jogo e, ao final, ficou literalmente, boquiaberto, com o desempenho do Luis. Naquele dia, ele foi convidado a trabalhar na Cultura de Santos. O Luis ainda relutou em ir. Isso só se concretizou cerca de um ou dois meses depois. Sua ida envolveu a transferência para o curso de jornalismo de Santos, onde ele deu prosseguimento a uma carreira de muito sucesso. Perdíamos ali o narrador oficial da Piratininga, mas o jornalismo brasileiro ganharia um dos mais versáteis profissionais da área. Depois de algum tempo em Santos, a Rádio Gazeta convidou o Luis para fazer um “freelancer” em um campeonato de futsal, em Campinas. O Luis, autorizado pela Cultura, foi e se deu bem. O chefe de esportes da Gazeta era o Pedro Luís Paulielo, que além de ter sido um dos maiores locutores esportivos da história do rádio brasileiro, tinha “pendurado as chuteiras”, mas dirigia o Departamento de Esportes da emissora da Fundação Cásper Líbero. Após o campeonato de futsal, o Luis acabou recebendo um convite do Pedro Luís e, assim, chegou ao concorrido Rádio Esportivo paulistano. Curiosamente, foi quando Osmar Santos deixou, temporariamente, a Rádio Globo, para “recriar” o Departamento Esportivo da Rádio Record, de São Paulo, que o Luis Roberto foi levado para a Globo. Osvaldo Maciel era o comandante da Globo e foi nessa época que o Luis chegou à emissora da Rua das Palmeiras. Posteriormente, o Osmar voltou e aí o Luis Roberto realizou o grande sonho dele: trabalhar ao lado do “Pai da Matéria”. Isso durou até ele ser convidado para passar do rádio para a TV. A vida do locutor esportivo é de muita “correria”. Tempos depois de o Luis ter ido para Santos, eu passei a trabalhar em emissoras do interior, que cobriam o Campeonato Brasileiro. A própria Piratininga de São João passou a fazer esse tipo de cobertura. Cada um acabou indo 70 para um lado e tivemos muito pouco contato, depois disso. Me lembro que, um dia, eu estava “cobrindo” um jogo da Seleção Brasileira, no Rio de Janeiro. O Luis estava de folga na TV, mas estava no Maracanã, numa das cabines mais altas do Estádio Mário Filho, apenas para assistir o jogo. Só que o Luis nos viu, lá de cima e, imediatamente, desceu para nos cumprimentar. Nós o convidamos e ele permaneceu o tempo todo ao nosso lado, dando uns “pitacos” na transmissão. Foi mais um gesto da simplicidade e da amizade do Luis. Claro que tivemos grandes momentos, juntos, no início das nossas carreiras. Viajávamos juntos, ficávamos nos mesmos hotéis, almoçávamos juntos... Enfim, há muitas coisas marcantes. Mas, foi fora do ambiente de trabalho que aconteceu a história mais curiosa entre nós. Eu tinha um irmão que morava no Rio de Janeiro. Nas férias de dezembro de 1978, eu convidei o Luis para passarmos uns dias com meu irmão, no Rio. Claro que fomos ao Corcovado, ao Maracanã e ao Pão de Açúcar. O Luis ainda não conhecia o Rio. Na nossa ida ao Pão de Açúcar, tiramos dezenas de fotos juntos, sempre pedindo que algum turista nos fotografasse. O grande objetivo seria guardar as fotos, como recordação. Talvez o Rio de Janeiro não acontecesse mais em nossas vidas. As máquinas fotográficas ainda eram de “filmes”. Tinham as máquinas com os filmes rebobinados, cujas câmeras poderiam ser abertas, depois de rebobinados. Mas havia aquelas cujos filmes só poderiam ser abertos na hora da revelação. Eu acabei abrindo a câmera e o filme acabou velado. As fotos nunca seriam reveladas. Nunca me perdoei por isso. Acho que nem o Luis... Outra coisa curiosa: antes de eu me tornar radialista, eu trabalhei viajando por uma empresa e conheci grande parte do Brasil. O Luis ficava abismado em ver como eu sabia me direcionar pelas ruas de cidades onde ele jamais imaginou que eu pudesse conhecer. Um dia ele me disse: “Eu invejo você... Você conhece muitos lugares”... O tempo passou e, um dia nos encontramos e nos lembramos dessa história. O Luis já tinha “rodado o mundo” umas dez vezes, cobrindo Fórmula 1 (em minha opinião, ele foi o mais perfeito radialista a transmitir Fórmula 1). Eu perguntei: “você ainda me inveja pelos lugares que conheço?” Rimos muito... Um dia, numa “roda de amigos”, alguém disse que o Luis Roberto era um sanjoanense que representava muito bem a cidade, fora dela. Eu disse: “O Luis Roberto não é sanjoanense”. Eu sabia, porque algumas vezes tínhamos ido a São Paulo assistir alguns jogos (quando não estávamos trabalhando) e ficávamos na casa dos avós do Luis. Numa dessas 71 viagens, fiquei sabendo, por intermédio do avô, que o Luis tinha nascido em São Paulo. Naquele dia, estavam conosco alguns vereadores e ali nasceu a ideia da homenagem mais consistente, que a cidade poderia fazer – e fez – por ele. O tempo passou... A amizade já não é mais a mesma, pelas próprias circunstâncias da vida. Mas o Luis Roberto ficou na minha história, como um dos mais competentes companheiros que tive... O incrível de tudo isso é que a admiração por ele aumenta, na mesma proporção que essas circunstâncias nos afastam. 72 F Entrevista com Paulo Vinicius Coelho – via e-mail, em 31/08/2010 RES: Livro sobre Luis Roberto de Mucio De: Coelho, Paulo V. ([email protected]) Enviada: terça-feira, 31 de agosto de 2010 8:42:45 Para: Alinne Mariane Fanelli e Mastiguim ([email protected]) Acho o Luís Roberto o sucessor natural do Galvão dentro da equipe atual da TV Globo. O que mais impressiona é sua capacidade de informar, especialmente num mundo, dos narradores, em que existe uma certa confusão entre ser jornalista ou artista. Ele é um jornalista que narra e isso é ótimo. Lembro muito do Luís Roberto no tempo de narrador e apresentador da Rádio Globo. E, antes, apresentando um jogo na TV Gazeta entre l´dieres de torcida uniformizada. Não lembro o nome do programa, mas essa é uma passagem da sua vida que você não pode deixar de recuperar. Havia altos quebra-paus em plena disputa das uniformizadas e o Luís Roberto precisava ter muita presença de espírito para solucionar os problemas. De: Alinne Mariane Fanelli e Mastiguim [mailto:[email protected]] Enviada em: segunda-feira, 30 de agosto de 2010 23:43 Para: Coelho, Paulo V. Assunto: Livro sobre Luis Roberto de Mucio Caro PVC, Sou Alinne, de São João da Boa Vista, cidade do Luis Roberto de Mucio. Estou escrevendo um livro-reportagem sobre ele. Gostaria de pedir a sua colaboração no trabalho com um depoimento, por e-mail, dizendo qual seu contato com ele e a sua opinião sobre o jornalista (e as narrações dele). Desde já, agradeço a colaboração. Atenciosamente, Alinne Mariane Fanelli e Mastiguim Cel.: (19) 9151-9556 73 G Entrevista com Nilson Cesar – via e-mail, em 22/07/2010 RE: TCC sobre Luis Roberto de Mucio De: nilson cesar piccini favara ([email protected]) Enviada: quinta-feira, 22 de julho de 2010 10:06:02 Para: [email protected] Temos a mesma idade, e começamos praticamente juntos no rádio. Conheci o Luis quando ele trabalhava na rádio Cultura em Santos, e juntamente com o Paulo Soares nos tornamos bons amigos, fazendo parte de uma nova geração que estava surgindo no radio. Acho o Luis um profissional excepcional, e entendo que pode ser o substituto do Galvão Bueno na Globo. Um cara que vem da escola do rádio, e isso facilitou demais a sua vida na Televisão. Tem uma enorme capacidade de improviso, e narra vários esportes com muito conhecimento. Trata-se tbem de um cara extremamente organizado e estudioso. Jamais vai para uma transmissão sem estar inteiramente preparado. Era na época do rádio um grande narrador de fórmula 1, e fazia tbem as reportagens com muita qualidade. O Luis ( mesmo agora global), conseguiu manter as suas origens, e com isso jamais perdera a sua identidade. Tenho um relacionamento pessoal excelente com o Luis. e sempre conversamos muito sobre tudo quando nos encontramos nos estádios da vida. O cara é sempre igual, e gosto demais do seu astral. ( sempre bem humorado e pra cima). Se precisar de algo mais , pode me ligar, e quanto visitar a rádio, quando desejar. Me liga- 15 -97212122 15-78349056. Beijos. Nilson Cesar. From: [email protected] To: [email protected] Subject: TCC sobre Luis Roberto de Mucio Date: Wed, 21 Jul 2010 23:41:03 -0300 Olá Nilson, Tudo bem? 74 Meu nome é Alinne Fanelli e curso o 4º ano de Jornalismo no Unifae, em São João da Boa Vista-SP. Como tema de meu TCC, escolhi falar sobre momentos da vida e carreira de Luis Roberto de Mucio, num Livro-reportagem. Além de Luis ter passado sua infância e adolescência em São João, admiro muito o trabalho dele. Tenho prontos dois capítulos que relatam o final de semana em que Ayrton Senna faleceu e nos depoimentos de Luis Roberto, ele cita seu nome. O último capítulo de meu livro é dedicado a (ex) colegas de trabalho e amigos, para que discorram sobre o profissional que é o Luis e o relacionamento com ele. O que gostaria é de poder contar com a sua colaboração para enriquecer meu trabalho com os seguintes tópicos: - Quando conheceu Luis Roberto? - Como era o trabalho dele na Fórmula 1? - Qual a postura dele? - Qual a sua opinião sobre o profissional e sua área de atuação? - Como é seu relacionamento com ele? Enfim, um depoimento mesmo sobre Luis. Agradeço se puder me ajudar neste trabalho! Se quiser, posso enviar os dois capítulos prontos para ler! Muito Obrigada! Atenciosamente, Alinne Mariane Fanelli e Mastiguim (19) 9151-9556 75 H Entrevista com Milton Leite – via e-mail, em 02/09/2010 Re: Livro reportagem sobre Luis Roberto De: Milton Leite ([email protected]) Enviada: quinta-feira, 2 de setembro de 2010 14:14:50 Para: Alinne Mariane Fanelli e Mastiguim ([email protected]) Alinne, aí vai. Meu primeiro contato com o Luís Roberto foi como ouvinte. Sou de uma geração que se apaixonou pelo futebol através dop rádio e ainda hoje mantenho o hábito de acompanhar os jogos pelo rádio. Conheci Luís Roberto como narrador da Rádio Globo, na equipe do Osmar Santos, e sempre considerei um ótimo narrador. Pouyco tempo depois, quando eu já era narrador da ESPN-Brasil, Luís Roberto foi trabalhar lá também -- ´permaneci como narrador da Rádio Globo e atuava também em jogos na ESPN. Ali o conheci pessaolmente e passei a acompanhar o profissionalismo com que sempre encarou as suas transmissões, fazendo demorado e meticuloso trabalho de preparação, levantamento de ionformações. Mas nossa convivência nesse período não foi muito longa, porque em pouco tempo ele foi convidado para trabalhar na TV Globo e mudou-se para o Rio de Janeiro. De vez em quando nos encontrávamos em alguma partida de futebol pelo Brasil ou em algum grande evento para os quais íamos pelas nossas empresas. Tenho até hoje uma foto que tiramos juntos logo depois da cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Sydney/2000. Em 2005 também fui contratado pela TV Globo, para trabalhar no Sportv. Mas mesmo estando na mesma empresa, continuamos nos encontrando apenas em estádios e eventos, porque ele mora no Rio de Janeiro e eui em São Paulo. Em 2006, tive a possibilidade de trabalhar diretamente com ele. Durante a Copa da Alemanha, fomos escalados juntos para participar de um programa diário durante o Mundial junto com Armando Nogueira. O "Papo com Artmando Nogueira", que era um programa semanal do Sportv, virou diário na Alemanha. Eu e Luís Roberto debatíamos com Armando soibre os jogos do dia, sobre o andamento da Copa. Foi uma das experiências mais valiosas da minha carreira, porque tive a chance de conviver diretamente com Luís Roberto e com o gênio que foi Armando Nogueira. Nos divertíamos muito preparando o programa ao longo do dia, em meio aos jogos que transmitíamos, e apresentando o programa. Luís Roberto é uma pessoa muito preparada, que se dedica muito, lê de tudo, levanta informações de maneira obsessiva. Além disso, é uma pessoa agregadora, contribuindo muito no trabalho em equipe, fazendo questão de se relacionar com todas as pessoas envolvidas numa transmissão ou num programa. Por isso mesmo ganhou apelidos como "deputado" ou "senador", tal é o seu relacionamento com as pessoas, conversando com todo mundo, brincando com todos. Luís Roberto é certamente um dos grandes profissionais de televisão que tive o privil[égio de conhecer na minha carreira, além de ter se tornado um grande amigo 76 e, nos meus primeiros passos dentro da TV Globo, um conselheiro de quem já estava havia muitos anos por lá. Em 31 de agosto de 2010 13:38, Alinne Mariane Fanelli e Mastiguim <[email protected]> escreveu: Oi Milton, Sou Alinne, de São João da Boa Vista, cidade do Luis Roberto de Mucio. Estou escrevendo um livro-reportagem sobre ele como Trabalho de Conclusão de Curso. Gostaria de pedir a sua colaboração no trabalho com um depoimento, por e-mail, dizendo qual seu contato com ele; a sua opinião sobre o jornalista (e as narrações dele) e se lembra de alguma situação em que trabalharam juntos. Desde já, agradeço a colaboração. Abs Alinne Mariane Fanelli e Mastiguim 77 I Entrevista com José Ilan – via e-mail, em 11/08/2010 RE: Livro sobre Luis Roberto de Mucio De: Ilan ([email protected]) Enviada: quarta-feira, 11 de agosto de 2010 15:02:08 Para: Alinne Mariane Fanelli e Mastiguim ([email protected]) Aline, tudo bom?! O arquivo é grande, em alta qualidade, não tem como ser enviado pra você via email. E não há possibilidade de baixá-lo também, já que é propriedade do site.Sugiro que vc bote um link no seu trabalho ou transcreva o que quiser da entrevista, citando a fonte. Sobre as suas perguntas: 1 - Conheci Luis Roberto na TV Globo, onde trabalhamos juntos entre os anos de 1999 até 2008. Depois me transferi para o site Globoesporte.com; deixamos de trabalhar diretamente juntos, mas temos contatos eventuais. Temos ótima relação de colegas e, de minha parte, muito respeito pelo grande profissional e ser humano que reconheço nele. 2 - Vou concordar com o próprio Luis Roberto, que na entrevista recente que me concedeu, considerou a campanha do Fluminense na Libertadores 2008 o momento mais marcante da nossa convivência profissional. Transmitimos juntos TODOS os jogos da campanha vitoriosa do tricolor carioca, no Brasil e no exterior. Foram meses intensos e felizes por ver um trabalho com grande importância e repercussão tomar forma e chegar a uma apoteótica decisão num Maracanã lotado e espetacular. Momentos e experiências que ficarão pra sempre na nossa história e, tenho certeza, em nossa memória também. Espero ter ajudado. Atenciosamente, José Ilan Editor-executivo Web TV GloboEsporte.com (21) 7827-8959 ID 92258*35 From: Alinne Mariane Fanelli e Mastiguim [mailto:[email protected]] Sent: Wed 11/8/2010 04:09 To: Ilan Subject: Livro sobre Luis Roberto de Mucio 78 Oi Ilan, Tudo bem? Me chamo Alinne e faço Jornalismo em São João da Boa Vista, cidade do Luis Roberto de Mucio. Como tema de meu TCC, escrevo um livro-reportagem sobre momentos da vida dele. Tenho dificuldades em encontrá-lo pessoalmente e sua entrevista no "Em off" foi de grande ajuda. Há a possibilidade de baixar aquela entrevista ou conseguir o arquivo? Queria também sua participação no livro, me contando: - Quando conheceu o Luis Roberto e qual sua relação com ele? - Algum momento marcante em que trabalharam juntos. Desde já, agradeço. Atenciosamente, Alinne Mariane Fanelli e Mastiguim Cel.: 19 9151-9556 79 J Entrevista com Cleber Machado – via e-mail, em 16/08/2010 RES: RES: Livro sobre Luis Roberto de Mucio De:Cleber Machado ([email protected]) Enviada:segunda-feira, 16 de agosto de 2010 12:48:12 Para:Alinne Mariane Fanelli e Mastiguim ([email protected]) Oi. Aí vai... - O Luís Roberto profissional é um cara extremamente dedicado. Ele próprio brinca dizendo que tem TOC.. Exige de si mesmo tempo para preparar o material de trabalho.. É bem informado e tem a qualidade absolutamente necessária para quem trabalha com esporte... ele gosta de esporte.. não se cansa de conversar sobre, assistir.. enfim, gosta de esporte... E tem uma trajetória que confirma... do rádio do interior paras Santos. Na capital de São Paulo a Rádio Gazeta.. a Rádio Globo... Um salto de qualidade e afirmação profissional... Sempre disposto a encarar novidades aventurou-se na TV... Espn Brasil e TV Globo... A aventura foi vitoriosa e não é mais aventura.. É realidade... - Ultimamente, pelas nossas atividades, normalmente não estamos juntos em dia de trabalho.. Os grandes eventos são as exceções... Recentemente a Copa da África do Sul. Fomos companheiros diários, de convívio excelente... Lembro, no passado, do tempo em que eu trabalhava na TV e ele na Rádio Gazeta.. Eu vivia no esporte da rádio, a gente conversava muito.. E as primeiras experiências dele na TV foram num programa chamado Sábado Esporte, que eu apresentava na TV.. Ele fez parte de mesas redondas... Estivemos juntos numa corrida de fórmula um.. Ele na Rádio e eu na TV Globo.. Lembro bem.. Era o GP de Mônaco.. E eu fiquei com o pessoal das rádios... Uma passagem engraçada.. Copa da França, 98.. Dia livre fomos passear.. eu, ele e o Paulo Soares.. Andamos pela cidade, brincamos em fliperama... E uma passagem foi engraçada... Entrávamos no metrô.. descendo a escada.. vinha subindo uma moça, baixinha... LuÍs Roberto soltou: “Bonita a baixinha”.. imaginando que o português dele jamais seria entendido pela moça... Ela se virou e mandou:”Baixinha, não”... O elogio ela encarou... baixinha não gostou... É isso, Alinne... Qualquer coisa mais, avise... Abraço, cleber De: Alinne Mariane Fanelli e Mastiguim [mailto:[email protected]] Enviada em: sexta-feira, 6 de agosto de 2010 21:00 Para: Cleber Machado Assunto: Livro sobre Luis Roberto de Mucio Caro Cléber, 80 Sou Alinne, de São João da Boa Vista, cidade do LUIS ROBERTO, seu companheiro da Globo. Foi ele que me passou seu contato. Estou escrevendo um livro-reportagem sobre ele. Venho pedir sua participação neste trabalho, me enviando - pode ser por e-mail - , as seguintes informações: - Como é o Luis Roberto: profissional e colega de trabalho? - Poderia citar alguns episódios marcantes em que esteve com ele? Desde já, agradeço a colaboração. Atenciosamente, Alinne Mariane Fanelli e Mastiguim Cel.: (19) 9151-9556 81