CARACTERIZAÇÃO DO CAMPO ELÉTRICO DE LINHAS AÉREAS DE MÉDIA TENSÃO EM PEDESTRES ATRAVÉS DE ELEMENTOS FINITOS Lucas de A. Amaral1, Wellington Maycon S. Bernardes2, José R. Camacho3, Geraldo Caixeta Guimarães4 Universidade Federal de Uberlândia Faculdade de Engenharia Elétrica, Uberlândia, MG, Brasil [email protected] 1, [email protected] 2, [email protected] 3, [email protected] 4 Resumo – O objetivo deste artigo é simular o campo elétrico de linhas aéreas de distribuição de energia elétrica de média tensão e verificar a sua influência em pedestres por meio de uma ferramenta computacional utilizada em cálculo de campos eletromagnéticos. Neste contexto, para a resolução do problema é utilizado um programa de domínio público baseado no método dos elementos finitos, o qual viabiliza o estudo prático da radiação de baixa freqüência de redes elétricas em seres humanos. Palavras-chave – campo elétrico, educação em Engenharia, elementos finitos, linha área de distribuição. CHARACTERIZATION OF ELECTRIC FIELD OF OVERHEAD LINES OF MEDIUM VOLTAGE ON PEDESTRIANS VIA FINITE ELEMENTS Abstract - The objective of this paper is to simulate the electric field for overhead medium voltage distribution lines to evaluate its influence in pedestrians through a computational tool that is used in the computation of electromagnetic fields. In this context, a public domain program based on finite elements method is used to solve this problem, with the practical study of the radiation of low frequency electrical networks in human beings becoming a real possibility. Constata-se na literatura especializada, a existência de inúmeras publicações que contemplam de forma direta ou indireta a utilização desta ferramenta para análise de dispositivos e estruturas que podem ser modelados através de equações diferenciais parciais [1, 3, 4, 5]. O presente trabalho recaiu às linhas aéreas do sistema de distribuição de energia elétrica convencional, onde as características físicas da rede estão totalmente relacionadas com seu comportamento. Dessa maneira, é essencial realizar uma análise dos elementos que as compõe, ou seja, é necessário um estudo preliminar acerca do material, da disposição dos cabos condutores, dos isoladores, das estruturas de sustentação e das ferragens utilizadas no sistema para que a modelagem seja realizada. Além de um efeito pedagógico, no aspecto de demonstrar a importância do software FEMM - Finite Elements Method Magnetics [6] que agiliza o processamento de dados e garante maior estabilidade e organização nos resultados, esse artigo busca confirmar didaticamente a segurança dos postes de energia elétrica existentes nas cidades brasileiras às pessoas (Figura 1). Keywords - electric field, engineering education, finite elements, overhead distribution lines. I. INTRODUÇÃO Em primeiro lugar, os métodos numéricos surgiram com o avanço dos computadores digitais e se mostraram como uma alternativa aos métodos analíticos, pois permitem a resolução de problemas físicos de geometrias complexas, com contornos de diferentes permissividades, cujo comportamento pode ser descrito por equações diferenciais parciais [1]. Ainda, os campos elétricos e magnéticos têm comportamento regido pelas equações de Maxwell [2]. A resolução e a modelagem numérica do sistema de equações diferenciais parciais se tornam mais acessíveis através da utilização do método de elementos finitos. Assim, a facilidade e a precisão inerentes ao método de elementos finitos fazem-no uma ferramenta poderosa para a obtenção da solução de problemas de diversas áreas de conhecimento. Fig. 1. Vista de poste situado em uma rua comercial de Uberlândia–MG onde se constata uma presença habitual de pessoas nos seus arredores II. OBJETIVOS Nesse relato, será realizada uma análise da disposição de campo elétrico em um poste de distribuição de energia elétrica, com tensões eficazes de 13800 V e 220 V fase-fase, permitindo determinar os níveis elétricos atuantes em diversas regiões do espaço em torno do objeto, identificando a influência dela em pedestres que ali transitam. de tensão alternada trifásica com freqüência de 60 Hz e tensões eficazes de 13800 V/220 V, os seguintes valores de tensão instantânea serão utilizados para a análise de resultados, mostrados na Tabela III. III. CARACTERÍSTICAS DA ESTRUTURA As implementações computacionais que utilizam o método dos elementos finitos, exigem o conhecimento da geometria e características elétricas e magnéticas do conjunto. Inicialmente é feito um desenho da seção transversal da estrutura (poste, cruzeta, isoladores e ferragens), considerando todas as dimensões, inclusive a profundidade, utilizando as próprias ferramentas de desenho do FEMM e outros programas complementares, como o AutoCAD. Na seqüência, aos contornos, são introduzidas as características elétricas, inerentes ao equipamento, como por exemplo: definição das propriedades dos condutores, materiais empregados e definição de circuitos. A Tabela I apresenta as principais dimensões construtivas para a obtenção do traçado no FEMM. Tabela III Valores instantâneos de tensão para to (fase A passando pelo seu máximo positivo) Condutor Fase A – rede primária Fase B – rede primária Fase C – rede primária Fase A – rede secundária (F-N) Fase B – rede secundária (F-N) Fase C – rede secundária (F-N) Neutro – rede secundária Valor (V) 19516,147 -9758,073 -9758,073 179,6051 -89,8025 -89,8025 Zero Depois de ter sido desenhado cada estrutura e terem sido definidas suas propriedades, o software está apto para realizar as simulações. A Figura 2 mostra a estrutura já modelada. Tabela I Dimensões físicas da estrutura [7] Estrutura padrão Tipo da estrutura Distância entre solo e rede de baixa tensão (m) Distância entre isoladores de baixa tensão (m) Distância entre baixa tensão e cruzeta (m) Comprimento da cruzeta (m) Distância entre isoladores da cruzeta (m) Altura total da estrutura (m) Seção circular a 1 m do solo (m²) Seção dos condutores da rede primária (mm²) Seção dos condutores da rede secundária (mm²) Poste de concreto de seção circular (B1) Tipo beco com pino simples 5,5 0,4 0,8 2,4 0,6 8,4 0,156 84,99 84,99 A caracterização dos materiais que compõe isoladamente a estrutura que é utilizada na simulação está especificada na Tabela II. Uma vez que o problema apresenta um caráter eletrostático, o conhecimento da permissividade relativa de cada material é fundamental para a modelagem. Tabela II Principais materiais usados e suas permissividades relativas ou constantes dielétricas [6, 8] Material Ar Madeira Solo Ferro galvanizado Cimento Portland Porcelana vitrificada Alumínio Constante dielétrica 1 10 a 60 2 a 20 5000 5,9 a 6,7 5,9 8,1 a 9,7 Outro ponto refere-se ao software empregado – FEMM, uma vez que o mesmo não permite a simulação das grandezas desejadas em função do tempo, mas somente em um determinado instante. Então, como o sistema em estudo é Fig. 2. Modelo da estrutura estudada com eixo de referência IV. EQUAÇÕES DE MAXWELL E APLICAÇÕES A idéia de elementos finitos está em facilitar o problema da complexidade das equações diferenciais dentro de um grande número de regiões, cada com uma geometria simples através de triângulos. Acima dessas regiões simples, as "verdadeiras" soluções são aproximadas por funções simples. Se as regiões são suficientemente pequenas, as aproximações feitas se aproximam da solução exata. A seguir é demonstrada uma série de equações que deveria ser calculada para encontrar o campo elétrico em um determinado ponto da linha aérea. Partindo das equações elementares (1) e (2) do campo elétrico tem-se que: r ∂Q1 r ∂E p = a1P 4πεR12P (1) Onde E p é a intensidade de campo elétrico em um ponto P, Q1 é uma carga pontual, ε é a permissividade elétrica do r meio, R1P é a distância do ponto 1 ao ponto P e a1P é o versor orientado do ponto 1 ao ponto P. r n E r = ∑n =1 r am Qm 4πε r − rm 2 (2) Onde E r é o campo elétrico gerado por n cargas pontuais, Qm é a m-ésima carga pontual, r é a posição do ponto onde se quer o campo, rm é a posição da m-ésima carga pontual e r am é o versor da m-ésima carga pontual. Como as cargas estão distribuídas nos fios condutores da rede, então a Equação 3 define a densidade linear de carga. ∂Q = ρ L ⋅ ∂l Onde (3) ρ L é a densidade linear de carga. As Equações 3 a 8 descrevem um condutor com carga. r r r R = − z ⋅ a z + r ⋅ ar ∴ R = z2 + r2 (4) r r v r R − z ⋅ a z + r ⋅ ar ar = = R z2 + r2 r E=∫ (5) r r ρl ⋅ dz − z ⋅ az + r ⋅ ar ∂z ∗ 2 2 4πε (z + r ) z2 + r2 (6) A partir da Equação 6, observa-se que o campo elétrico v será composto por dois vetores nas direções de a z (paralela r ao condutor) e a r (normal ao condutor). Portanto o resultado final será dado pela Equação 7: r E=∫ ρl ⋅ zdz ( 4πε ⋅ z + r 2 ) 2 3/ 2 r ⋅ ∂z ⋅ az + ∫ r ⋅ ρl dz ( 4πε ⋅ z + r 2 ) 2 3/ 2 r ⋅ ∂z ⋅ ar (7) Com os limites de integração variando por todo o comprimento do fio. Ao final, observa-se que a componente r v em a z se anula restando somente a componente em a r . A expressão final é dada pela Equação 8. r E= r ρl ⋅ ar 2πε ⋅ r (8) Ainda, a densidade de fluxo magnético é o fluxo por área produzido por cargas livres e é independendente do meio onde estas estão situadas. A fórmula geral é dada pela Equação 9, onde Q representa uma carga pontual. r r ∂Q r ⋅ ar D =ε ⋅E = ∫ 4πR 2 (9) Enfim, essas são as equações principais utilizadas pelo software durante a simulação. V. METODOLOGIA O Método de Elementos Finitos surgiu na década de 1950 como uma ferramenta útil para solucionar problemas relacionados à Engenharia Mecânica [9]. No entanto, o avanço tecnológico, facilidade de acesso aos computadores digitais e o aprimoramento das técnicas numéricas fez com que este método numérico se tornasse uma alternativa bastante eficaz na solução de diversos problemas relacionados à Engenharia Elétrica. Com o advento de técnicas numéricas modernas, associadas ao avanço dos equipamentos de informática, a utilização do método de elementos finitos é muito comum na resolução e modelagem numérica de problemas físicos baseados em sistemas de equações diferenciais parciais. As vantagens do método são decorrentes da flexibilidade em relação à forma geométrica e composição do domínio sob estudo e, principalmente, a confiabilidade dos cálculos. A utilização desta técnica permite que se faça o mapeamento de campos elétricos e magnéticos de estruturas eletromagnéticas. O conhecimento da distribuição dos campos elétricos e magnéticos permite avaliar computacionalmente o desempenho do dispositivo sob análise, ainda na etapa de projeto, evitando assim, a efetivação de gastos na construção de protótipos para estudos de comportamentos. Além dos aspectos econômicos, a possibilidade da análise estrutural, evidenciando, sobretudo seu comportamento eletromagnético, torna o método uma ferramenta eficiente para o estudo de dispositivos com características eletromagnéticas, tais como os transformadores, linhas de transmissão, isoladores e máquinas elétricas. Para exemplificar a rapidez da avaliação eletromagnética com a utilização do FEMM, verifique a quantidade de equações existentes no item IV. Se fosse para ser calculado matematicamente o campo elétrico em um determinado ponto da linha aérea, necessitaria aplicar aquelas fórmulas durante seis vezes, ou seja, uma vez para cada condutor, que são três na rede primária e três na rede secundária. O leitor que já detém o conhecimento nessa área poderá verificar o resultado do problema por meio de uma simulação que necessita somente da construção do objeto sob análise e em seguida, ajustar suas propriedades (material, permissividade elétrica, tensão elétrica, entre outros). O processo para resolução de problemas físicos pelo método de elementos finitos é dividido em três etapas. A primeira, o pré-processamento, consiste na subdivisão do domínio de estudo em pequenos subdomínios, denominados elementos finitos, que são conectados entre si por meio de pontos discretos, chamados de nós. Ainda nesta etapa é feita a escolha dos elementos apropriados para modelar cada situação física. A segunda etapa refere-se à resolução propriamente dita do problema, através da montagem de um sistema de equações lineares e não-lineares que descrevem o comportamento do problema estruturado. A terceira e última etapa, chamada de pós-processamento, consiste na disponibilização dos resultados gráficos obtidos para os campos elétricos e magnéticos, na forma de contornos e gráficos de densidade [1]. A Figura 3 mostra a malha de elementos finitos criada na cruzeta da estrutura sob análise, que exemplifica a primeira etapa do processo, no tocante à divisão da estrutura enfocada. Já a Figura 4 mostra o pós-processamento, ou seja, a última etapa do processo. Para as simulações desse trabalho o software usou 50953 nós e 101576 elementos com uma precisão de 1 × 10−8 . A modelagem e simulação da estrutura em questão foram realizadas com a versão 4.2 do software livre FEMM e seguiram as etapas associadas à resolução de um problema eletrostático com o método dos elementos finitos, como descrito acima. VI. RESULTADOS Para a análise de resultados foi considerada a altura de 1,8 m relativa ao solo, paralelo ao nível da rua (Figura 2). Essa altura foi escolhida, pois se refere à altura de uma pessoa padrão em pé próxima à linha área. Os limites horizontais de análise são de zero a 10 m, sendo a linha média do poste localizada na posição 5 m, como pode ser observado na Figura 1. Como citado anteriormente, o software de simulação FEMM 4.2 não nos habilita a fazer estudos no tempo, somente para um dado instante, logo para o presente trabalho será abordado os seguintes instantes: t 0 = instante onde a fase A passa pelo máximo valor positivo (Tabela III), t1 é o instante onde a fase B passa no seu máximo positivo e t 2 é o instante onde a fase C passa no seu máximo positivo. Nesse ponto, vale ressaltar que o sistema considerado é um sistema trifásico balanceado. Sendo assim, as Figuras 5, 6 e 7 mostram respectivamente a variação de campo elétrico para a referida altura nos instantes t 0 , t1 e t 2 . Fig. 5. Variação de campo elétrico em to na altura de 1,8 m relativa ao solo Fig. 3. Em detalhes, vista da triangulação feita na cruzeta e regiões adjacentes Fig. 6. Variação de campo elétrico em t1 na altura de 1,8 m relativa ao solo Fig. 4. Distribuição de campo elétrico na cruzeta e em regiões adjacentes Fig. 7. Variação de campo elétrico em t2 na altura de 1,8 m relativa ao solo Na Figura 8, as linhas eqüipotenciais provocadas pelo campo elétrico da linha aérea são apresentadas quando a fase A possui seu máximo valor positivo. Fig. 8. Distribuição das linhas eqüipotenciais na cruzeta em to VII. DISCUSSÃO A partir das simulações realizadas, foi possível observar precisamente a variação do campo elétrico a 1,8 m do solo e a uma distância de 10 m ao redor da estrutura e em três instantes de tempo distintos. Nesse sentido, então, para o instante t 0 pode-se verificar que a região submetida ao maior nível de campo elétrico está aproximadamente na posição 2,5 m (Figuras 2 e 5), isto é, 2,5 m de distância do poste indo no sentido oposto ao da cruzeta. Nesse caso, atingem-se valores próximos de 115 V/m. Já para o instante t1 , o maior nível, 80 V/m, está a quase 5 m do poste no mesmo sentido da cruzeta (Figuras 2 e 6). Por fim, para o instante t 2 , o maior nível, 250 V/m, está também a 5 m do poste no mesmo sentido da cruzeta (Figuras 2 e 7). Assim sendo, considerando que a rigidez dielétrica do ar (grandeza que mede o quanto certo isolante suporta antes de perder a capacidade de isolamento) assuma para esse caso o valor padrão de 1000 kV/m [8], os valores obtidos mostram que a possibilidade de um arco voltaico é bem pequena, uma vez que os valores obtidos estão bem reduzidos. Por exemplo, para o instante t 2 o campo elétrico é cerca de 4000 vezes menor que a rigidez dielétrica, tendo sido provada a garantia de segurança das redes áreas de distribuição aos pedestres, desde que estas estejam instaladas corretamente. Esse estudo é ainda importante, pois o corpo humano na presença de campos elétricos está sujeito a efeitos de tensões e correntes induzidas. Assim, o valor de referência para exposição humana a campos elétricos está estabelecido a partir de correlações entre grandezas físicas e seus efeitos biológicos da exposição. O limite excedido pode causar, por exemplo, mudanças agudas na excitabilidade do sistema nervoso central [10]. A Tabela IV mostra os níveis de referência, que são obtidos das restrições básicas por modelamento matemático e por extrapolação de resultados de investigações de laboratório em freqüências específicas. Os níveis são dados para a condição de acoplamento máximo do campo com o indivíduo exposto, fornecendo o máximo de proteção [11]. Tabela IV Níveis de referência para exposição do público em geral a campos elétricos variáveis no tempo (valores eficazes, não perturbados) [11], mod. Faixas de freqüência f Intensidade de campo E (V/m)* Até 1 Hz 1 – 8 Hz 10000 8 – 25 Hz 10000 0,025 – 0,8 kHz 250/f 0,8 – 3 kHz 250/f 3 – 150 kHz 87 0,15 – 1 MHz 87 1 – 10 MHz 87/f1/2 10 – 400 MHz 28 400 – 2000 MHz 1,375/f1/2 2 – 300 GHz 61 *valores e unidades de f como indicado na faixa de freqüência O limite máximo de campo elétrico para público em geral, gerado por linhas de distribuição a 60 Hz (ver 0,060 kHz na Tabela IV na faixa de 0,025 a 0,8 kHz), convencionado pela OMS – Organização Mundial da Saúde para a exposição do público em geral, com base em recomendações da ICNIRP – International Commission on Non-Ionizing Radiation Protection (Comissão Internacional para Proteção Contra Radiações Não-Ionizantes) é de 4,17 kV/m [11, 12, 13]. Dessa forma, por exemplo, para o instante t1 , o campo elétrico obtido é aproximadamente 52 vezes menor do que o recomendado pelas normas, confirmando mais outra vez a segurança às pessoas por meio de uma simulação fácil e rápida para o leitor. Portanto, é possível verificar que o comportamento das grandezas monitoradas está, qualitativamente, em consonância com os resultados experimentais encontrados em outros artigos científicos e técnicos. VIII. CONCLUSÃO Por fim, um método genérico baseado na formulação eletrostática das equações de Maxwell e em técnicas computacionais foi proposto para o cálculo da distribuição de potencial e campo elétrico em uma linha aérea utilizada nas redes de distribuição de energia elétrica na área urbana. Em acréscimo, o trabalho apresentou e analisou a implementação computacional da estrutura e os resultados da modelagem utilizando o método dos elementos finitos, por meio do software FEMM 4.2. Os resultados obtidos mostraram que o recurso utilizado é bastante funcional na simulação de dispositivos eletromagnéticos, uma vez que efetua o mapeamento dos campos, permitindo uma visualização da distribuição dos fluxos em torno da estrutura modelada e gerando gráficos 2D das grandezas pesquisadas. Dessa forma, pode-se concluir que a ferramenta utilizada constitui-se num poderoso recurso em estudos computacionais de diversos dispositivos eletromagnéticos. Por outro lado, é bom lembrar que o uso de um programa a nível 3D garantiria os resultados com melhor qualidade, mas se tornaria inviável devido aos custos. Do ponto de vista didático, nota-se que a presença de simuladores é cada vez mais importante, pois permite ao graduando uma visão mais detalhada do fenômeno descrito, confirmando a carga teórica, que deve ser estudada anteriormente para maior compreensão. Em adição, o investimento para a aquisição do software e o treinamento dos instrutores para a prática de uma disciplina que pode exigir a utilização do FEMM não é tão elevado, visto que o programa é gratuito e apresenta interface bem amigável com o usuário. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] REZENDE, I. et al. Modelagem de transformadores trifásicos utilizando o método dos elementos finitos. 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Atualmente, é membro do laboratório de Fontes Alternativas de Energia e Eletricidade Rural da Faculdade de Engenharia Elétrica da UFU. Suas principais áreas de interesse são: Sistemas Elétricos de Potência, Dinâmica, Geração e Transmissão de Energia e Fontes de Energia Renovável. Wellington Maycon Santos Bernardes nasceu em Goiânia – Goiás, Brasil. É graduando do 8º período de Engenharia Elétrica na UFU. É familiarizado com as linguagens Pascal, C, C++ e MatLab. Atualmente, é student member do Institute of Electrical and Electronic Engineers, Inc (IEEE) e do IEEE Communications Society. Sua pesquisa é voltada para área de Eletromagnetismo Aplicado e processamento de sinais biológicos no Laboratório de Engenharia Biomédica (BIOLAB). José Roberto Camacho nasceu em Taquaritinga – São Paulo, Brasil em 03/11/1954. Obteve o PhD em Engenharia Elétrica no Departamento de Engenharia Elétrica e Eletrônica na Canterbury University, Christchurch, Nova Zelândia, em Agosto 1993. Ingressou na Universidade Federal de Uberlândia em 1979, onde é professor titular desde 1994. As suas áreas de interesse são: Geração Distribuída e Eletricidade para Aplicações Rurais e Energia Alternativa. Geraldo Caixeta Guimarães nasceu em Patos de Minas – Minas Gerais, Brasil, tendo graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), recebido o título de mestrado pela Universidade Federal de Santa Catarina, em 1984 e o título de doutorado (PhD) pela University of Aberdeen, Escócia, em 1990. É atualmente professor e pesquisador da Faculdade de Engenharia Elétrica da UFU.