CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DO PARANÁ CURSO DE ENGENHARIA INDUSTRIAL ELÉTRICA – ÊNFASE EM ELETROTÉCNICA ESTUDO COMPARATIVO TÉCNICO/FINANCEIRO ENTRE LINHAS DE TRANSMISSÃO AÉREAS E SUBTERRÂNEAS, EM GRANDES CENTROS URBANOS CURITIBA 2003 DALTON HAICK PIERDONÁ MARCELO ALVARES FERNANDES ONEIL SCHLEMMER VALMIR TERLUK ESTUDO COMPARATIVO TÉCNICO/FINANCEIRO ENTRE LINHAS DE TRANSMISSÃO AÉREAS E SUBTERRÂNEAS, EM GRANDES CENTROS URBANOS Projeto Final de Graduação do Curso de Engenharia Elétrica ênfase Eletrotécnica do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná, apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Engenheiro Eletricista. Professor orientador: Ayrton Roberto Lopes. Professor co-orientador: Jorge Carlos Guerra. CURITIBA 2003 DALTON HAICK PIERDONÁ MARCELO ALVAREZ FERNANDES ONEIL SCHLEMMER VALMIR TERLUK ESTUDO COMPARATIVO TÉCNICO/FINANCEIRO ENTRE LINHAS DE TRANSMISSÃO AÉREAS E SUBTERRÂNEAS, EM GRANDES CENTROS URBANOS Este Projeto Final de Graduação foi julgado e aprovado como requisito parcial para obtenção do título de Engenheiro Eletricista pelo Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná. Curitiba, 27 DE FEVEREIRO DE 2003. ______________________________ Prof. Carlos Alberto Dallabona Coordenador de Curso Engenharia Industrial Elétrica - Eletrotécnica ______________________________ Prof. Paulo Sérgio Walenia Coordenador de Projeto Final de Graduação Engenharia Industrial Elétrica - Eletrotécnica ______________________________ Prof. Ayrton Roberto Lopes Orientador ______________________________ Prof. Jorge Carlos Guerra Co-orientador ______________________________ Prof. Antonio Carlos Pinho Banca 1 ______________________________ Prof. Carlos Henrique Karam Salata Banca 2 II DEDICATÓRIA O presente trabalho é dedicado aos nossos pais, professores, colegas de turma e de trabalho que sem dúvida nenhuma elevaram o nível deste e nos apoiaram nos momentos difíceis e nas madrugadas passadas em claro, estudando, pensando ou escrevendo não só durante a confecção deste, mas em todo o período de estudos de nossa Engenharia. III AGRADECIMENTO Agradecemos primeiramente aos nossos orientadores Ayrton Roberto Lopes e Jorge Carlos Corrêa Guerra, que nos auxiliaram para que o trabalho saísse na direção correta, ao idealizador Danilo Rosset e aos prezados Rubens Campos e Aloísio Lima da Pirelli Energia e ao Doutor Jorge Tamioka que nos atenderam prontamente para solucionar qualquer dúvida que tivéssemos. Também agradecemos a CELESC – Centrais Elétricas de Santa Catarina na pessoa dos Senhores José Neto da Silva e Ronaldo Quinaut. Ao A Solluz Construções Técnicas representadas pelos Senhores José Inácio Drosdoski e André Dolinsk Campos. IV SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS................................................................................................ VII LISTA DE TABELAS ................................................................................................ IX RESUMO.................................................................................................................... X 1 PROPOSTA DE TRABALHO ...........................................................................1 1.1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................1 1.2 JUSTIFICATIVA ................................................................................................2 1.3 OBJETIVOS ......................................................................................................2 1.3.1 Objetivo Global..................................................................................................2 1.3.2 Objetivo Específico ...........................................................................................3 1.4 METODOLOGIA ...............................................................................................4 1.5 CRONOGRAMA................................................................................................5 2 LINHAS AÉREAS DE TRANSMISSÃO............................................................6 2.1 HISTÓRICO ......................................................................................................6 2.2 ASPECTOS CONSTRUTIVOS .......................................................................10 2.2.1 Condutores......................................................................................................11 2.2.2 Cabo de guarda ou pára raios.........................................................................11 2.2.3 Isoladores........................................................................................................11 2.2.4 Ferragens e acessórios...................................................................................12 2.2.5 Estruturas portantes ........................................................................................15 2.2.6 Aterramentos...................................................................................................15 2.2.7 Fundações ......................................................................................................16 2.3 CONFIABILIDADE ..........................................................................................16 2.4 MANUTENÇÃO...............................................................................................22 2.4.1 Manutenção preventiva ...................................................................................23 2.4.2 Manutenção Corretiva .....................................................................................26 2.5 ASPECTOS AMBIENTAIS E RISCOS ............................................................28 2.5.1 O Direito Ambiental .........................................................................................29 2.5.2 A Lei 9.605/98 .................................................................................................31 2.5.3 Metodologia para avaliação de riscos .............................................................35 2.5.4 Aplicação da metodologia ...............................................................................38 V 2.6 IMPACTOS VISUAIS ......................................................................................40 3 LINHAS SUBTERRÂNEAS DE TRANSMISSÃO...........................................42 3.1 HISTÓRICO ....................................................................................................42 3.1.1 Evolução das linhas de transmissão subterrâneas utilizando cabos tipo óleo fluído ...............................................................................................................47 3.1.2 Método antigamente usado em larga escala para construção da Linha de Transmissão Subterrânea ...............................................................................49 3.1.3 Evolução do nível de potência nas linhas de transmissão subterrâneas ........60 3.1.4 Manutenção dos cabos tipo óleo fluído e PIPE de transmissão subterrânea..63 3.2 ASPECTOS CONSTRUTIVOS .......................................................................69 3.2.1 Instalação de cabos Subterrâneos ..................................................................70 3.2.2 Métodos de Instalação ....................................................................................72 3.3 CONFIABILIDADE ..........................................................................................77 3.4 MANUTENÇÃO...............................................................................................78 3.4.1 Manutenção Preventiva...................................................................................78 3.4.2 Sistema de monitoração de defeitos em Linhas Subterrâneas – Manutenção corretiva. .........................................................................................................80 3.5 ASPECTOS AMBIENTAIS E RISCOS ............................................................81 3.6 IMPACTOS VISUAIS ......................................................................................81 4 METODOLOGIA – ESTUDO DE CASO .........................................................82 4.1 LINHA DE TRANSMISSÃO 69 KV AÉREA JOINVILLE I – JOINVILLE V.......82 4.1.1 CONSTRUÇÃO DA LINHA DE TRANSMISSÃO ............................................88 4.2 LINHA DE TRANSMISSÃO 69KV SUBTERRÂNEA .......................................92 4.2.1 Calculo da Bitola dos Cabos ...........................................................................97 5 RESULTADOS .............................................................................................100 6 CONCLUSÃO ...............................................................................................102 7 REFERÊNCIAS ............................................................................................104 8 ANEXOS .......................................................................................................109 VI LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Cronograma do projeto ...............................................................................5 Figura 2 –-Estruturas da LT de CA de Itaipu em 800kV..............................................9 Figura 3 – Principais elementos das linhas de transmissão ......................................10 Figura 4 – Isoladores a pino, linha até 69kV .............................................................12 Figura 5 – Cadeia de suspensão convencional.........................................................13 Figura 6 – Grampo de suspensão armado ................................................................13 Figura 7 – Grampo de tensão....................................................................................14 Figura 8 – Estruturas das LT de CC de +- 600kV, de Itaipu......................................15 Figura 9 – Linha de Transmissão derrubada em decorrência da ação do vento.......18 Figura 10 – Causas de ocorrência de falhas transitórias na linha Angelim II – Recife II ...............................................................................................................21 Figura 11 – Número de desligamentos e taxa de falhas das LT’s da Copel .............22 Figura 12 – Inspeção aérea feita por helicóptero ......................................................24 Figura 13 – Manutenção em linha viva com método ao potencial.............................27 Figura 14 – Matriz de risco de impacto ambiental .....................................................38 Figura 15 – Detalhe da Praça Santos Dumont antes e após a chegada da rede subterrânea ..............................................................................................41 Figura 16 – Linha de Transmissão instalada em um centro comercial......................41 Figura 17 – Cabos Cintados......................................................................................42 Figura 18 – Cabo Blindado ( 3 Condutores 2/0. 25kV)..............................................43 Figura 19 – Cabo a Gás (3 Condutores 500 000 CM, 25kV).....................................44 Figura 20 – Cabo “PIPE” ...........................................................................................45 Figura 21 – Componentes do Cabo do tipo Óleo Fluido (OF) ...................................46 Figura 22 – Cabo do tipo Óleo Fluido (OF) ...............................................................46 Figura 23 – Lajota sobre os cabos ............................................................................51 Figura 24 – Escavação para 2 circuitos utilizando cabos OF ....................................52 Figura 25 – Escavação para 1 circuito utilizando cabos OF......................................53 Figura 26 – Disposição das caixas de emendas para 2 circuitos utilizando cabos OF .................................................................................................................55 VII Figura 27 - Disposição das caixas de emendas para 1 circuitos utilizando cabos OF .................................................................................................................56 Figura 28 – Caixa de proteção de emendas utilizando cabos OF .............................57 Figura 29 – Resfriamento Integral – Deformação do cabo com os circuitos de carga .................................................................................................................61 Figura 30 – Protótipo do resfriamento lateral – seção típica .....................................62 Figura 31 – Resfriamento forçado – Potências transportáveis Cabo OF 400kV .......63 Figura 32 – Cabos em trifólio, em vala......................................................................71 Figura 33 – Cabos instalados em plano com blindagem cross-bonding ...................72 Figura 34 – Cabos em túneis fixados por braçadeiras ..............................................75 Figura 35 – Comparativo dos tipos de instalação......................................................77 Figura 36 – Sistema de monitoramento de cabo subterrâneo...................................79 Figura 37 - Circuito Duplo .........................................................................................85 Figura 38 - Dois Circuitos Simples ............................................................................86 Figura 39 - Comparação com um poste comum de distribuição ...............................87 Figura 40 – Comparação com um prédio local..........................................................88 Figura 41 - Escavação para 2 circuito utilizando cabos EPR ....................................95 Figura 42 – Cabo com isolação em EPR ..................................................................96 VIII LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Classificação de riscos e descrição.........................................................37 Tabela 2 - Riscos de acidentes na população próxima à Linha de Transmissão .....39 Tabela 3 – Dimensões empregadas para Valas........................................................58 Tabela 4 – Dimensões das Caixas de Emendas.......................................................58 Tabela 5 – Dimensões de “Manholes“ para Tanques de Alimentação ......................59 Tabela 6 – Gastos Mensais na construção da LTA...................................................91 Tabela 7 – Custo Global da LTS ...............................................................................92 Tabela 8 – Tabela de correção dos valores da LTA..................................................93 Tabela 9 – Custos de pessoal e equipamento na construção da LTS ......................98 Tabela 10 – Custo Global da LTS .............................................................................99 Tabela 11 – Quadro Resumo ..................................................................................101 IX RESUMO Este trabalho apresenta um estudo comparativo entre linhas de transmissão aéreas e subterrâneas em grandes centros urbanos, para tal realizamos um estudo de caso na Linha 69kV Joinville I- Joinville V , empreendimento concluído em abril de 2002. O capítulo 1 apresenta nossa proposta de trabalho no início deste projeto, contendo justificativas, bem como nossa proposta para a metodologia aplicada, estabelecendo objetivos para o presente trabalho e apresentando um cronograma de execução. Os capítulos 2 e 3 tratam-se de um referencial teórico, nosso objetivo ao apresentar estes capítulos é dar um embasamento aos leitores sobre linhas aéreas e subterrâneas de transmissão para posteriores conclusões sobre vantagens e desvantagens num comparativo. Os aspectos avaliados são: • Histórico • Aspectos construtivos • Confiabilidade • Manutenção • Aspectos Ambientais e Riscos • Impacto Visual No capítulo 4, apresentamos nosso estudo de caso propriamente dito, onde o primeiro passo foi obter o projeto da linha aérea de Joinville de 69kV, em cima deste e em consulta a órgãos municipais e empresas especializadas, fizemos nosso projeto da linha subterrânea. Chegamos a posterior conclusão que o melhor custobenefício para a execução seria uma linha mista (aérea + subterrânea). O capítulo também mostra as etapas e dificuldades da construção da linha aérea em Joinville. Também neste estão discriminados custos da linha subterrânea e aérea. O capítulo 5 mostra os resultados de nosso estudo, num quadro comparativo, abordando os mesmos aspectos dos capítulos 2 e 3. X Finalmente montamos nossa conclusão com base nos resultados e nas expectativas do início do projeto e comentamos sobre futuros trabalhos e projetos relacionados a linhas de transmissão subterrâneas. Nos anexos constam fotos da linha de transmissão em estudo de Joinville, traçados e fotos das linhas utilizando cabos isolados a seco e cabos isolados a óleo fluído que alimentam a ilha de Florianópolis. XI 1 1.1 PROPOSTA DE TRABALHO INTRODUÇÃO Devido ao contínuo e inevitável crescimento das grandes cidades, e como conseqüência disto o aumento progressivo da carga energética nestes centros urbanos, cada vez mais será necessário ter uma eficiente e compatível demanda de energia e portanto um sistema eficiente de transmissão de energia. Como estes lugares se tornam densamente povoados, a implantação de linhas de transmissão (LT´s) aéreas urbanas tornam-se cada vez mais caras e difíceis do ponto de vista técnico e também pelo evidente impacto visual causado por estas LT´s. Com isso, surgem dúvidas sobre a viabilidade técnica / financeira, quanto à implantação de linhas de transmissão com tensões iguais ou superiores a 69 kV de forma subterrânea, dentro destes centros urbanos. Para sanarmos estas dúvidas iremos efetuar um estudo comparativo entre uma linha aérea urbana existente e uma possível linha subterrânea de mesmo porte a ser projetada no mesmo trajeto, analisando assim as diferenças técnicas e de preços entre estas duas formas de transmissão. Em decorrência do aumento populacional em grandes centros urbanos, o crescimento da demanda de energia elétrica, verificado em índices relativamente altos, e a contínua elevação do crescimento de cargas na região central, forçando a conduzir para esta área grandes potencias elétricas, surge então o problema de como suprir estas estações transformadoras e distribuidoras com linhas de transmissão que teriam de atravessar regiões densamente edificadas. Dada a impossibilidade de abrir caminhos para a instalação de linhas aéreas e o das dificuldades de remanejamento de subestações que estavam localizadas na periferia das cidades, e em poucos anos passaram a ser englobadas devido a este crescimento descontrolado, tornou-se inevitável achar uma outra solução. Esta solução deveria apresentar caminhos alternativos para alocação dos cabos de transmissão tendo em vista que a maneira tradicional, ou seja, com linhas de transmissão aéreas necessitava um grande espaço físico reservado para colocação das torres de transmissão. Além disso, acarretar menores riscos para a população e 2 maior confiabilidade. Pensando nisso e buscar a boa técnica ao melhor custo possível é que se optou pela construção de linhas de transmissão subterrâneas. 1.2 JUSTIFICATIVA Com a recente construção de uma LT 69 kV na cidade de Joinville – SC, surgiram alguns questionamentos da população desta cidade, IPUJ (Instituto de Planejamento Urbano de Joinvile) e SEINFRA (Secretaria de Infra-estrutura) sobre a possibilidade de uma lei proibindo a construção de novas LT’s desta forma, na cidade, e sobre a possibilidade de ser feita, como alternativa, linhas de transmissão subterrâneas. Ao pesquisarmos sobre este assunto, percebemos um grande déficit de material sobre o assunto no mercado, por tratar-se se uma tecnologia pouco empregada até o momento, o que acaba complicando na hora de uma negociação entre a concessionária e a prefeitura local sobre a real possibilidade ou não de ser feita uma LT subterrânea, devido à falta de estudos comparativos sobre este assunto, e quando existem estes comparativos, estão incompletos e desatualizados, não mais servindo como base para uma comprovação sobre o assunto. Por isso, com este trabalho, pretendemos suprir parte desta falta de material sobre o assunto. 1.3 OBJETIVOS 1.3.1 Objetivo Global Realizar um estudo comparativo entre uma LT 69 kV urbana, circuito duplo em estrutura de concreto, situada na cidade de Joinville – SC e uma suposta linha subterrânea de 69 kV, com as mesmas características da existente, para com isso levantarmos a diferença de custos, vantagens, desvantagens e dificuldades técnicas se esta linha fosse subterrânea. 3 1.3.2 Objetivo Específico • Levantar os posteriormente dados de utilizá-los projeto no da LT projeto da aérea LT existente para subterrânea, e paralelamente, contabilizar todos os custos para a implantação desta linha aérea, para viabilizar o comparativo de preço entre as duas formas de transmissão. • Analisar com os órgãos responsáveis, qual o melhor trajeto a ser seguido (rua ou calçada) a fim de minimizar os danos e transtornos causados a população e impedimentos legais/políticos em relação à obra, assim como levantar junto à prefeitura, quais foram seus principais problemas em relação à LT aérea. • Com base nos dados coletados até o momento, finalizar o estudo da LT aérea, para posteriormente efetuar o comparativo com a LT subterrânea. • Coletar dados técnicos sobre projetos de LT’s subterrâneas a fim de projetarmos a nova LT, a partir dos dados da existente, que supostamente irá substituir a mesma, e efetuar o projeto. • Com base mo projeto, pesquisar junto a fornecedores, construtores e prestadores de serviço, os custos para uma possível implantação desta LT subterrânea, e concluir o assunto para uma posterior análise. • Efetuar o comparativo de custo, entre as duas formas de Transmissão e levantar as principais vantagens e desvantagens da LT subterrânea em relação à aérea, assim como analisar as principais dificuldades para implantar a LT Subterrânea, e, com base em todos os dados levantados concluir o trabalho. 4 1.4 METODOLOGIA Para efetuarmos este trabalho, pretendemos realizar um estudo de caso com uma linha existente (circuito duplo/estruturas de concreto/hm=23m), dentro da cidade de Joinville. Em um primeiro momento analisaremos a LT existente, coletando dados de projeto, juntamente com levantamento de custos a fim de realizar um comparativo doravante. Como o projeto encontra-se em uma área urbana, será necessário um levantamento junto à prefeitura desta cidade para sabermos as limitações e impedimentos legais e possíveis locais para a instalação da mesma. Após a coleta destes dados, iniciaremos a segunda etapa de nosso projeto, no qual iremos apurar junto a projetistas e bibliografias especializadas todos as considerações sobre LT´s subterrâneas tais como normas, cálculos, considerações técnicas e materiais. Também nesta fase iremos coletar dados junto a projetistas. Com base nos dados de projeto, partiremos para uma consulta a fornecedores e levantaremos os prováveis custos desta LT. Para finalizar, estudaremos vantagens e desvantagens da LT subterrânea em relação a tradicional, analisando principalmente a aplicabilidade deste tipo de transmissão. 5 1.5 CRONOGRAMA Figura 1 - Cronograma do projeto EVENTOS junho julho agosto setembro MESES outubro Definição do tema Apresentação da proposta Levantamento dos Dados e Custos da LT Aérea Levantamento de Dados Com a Prefeitura Conclusão do Estudo da LT Aérea Levantamento Técnico da LT Subterrânea Lev. de Custos da LT Subterrânea e Conclusão do Assunto Comparativo e Conclusão do Trabalho Fonte: Grupo do projeto final novembro dezembro janeiro fevereiro 6 2 2.1 LINHAS AÉREAS DE TRANSMISSÃO HISTÓRICO As primeiras aplicações de caráter econômico de energia elétrica datam de 1870, aproximadamente, época em que as máquinas elétricas atingiram o estágio que permitiu seu uso na geração e na utilização de energia elétrica como força motriz em industrias e transportes. A iluminação pública, com lâmpadas de arco voltaico, apresentavam-se como uma alternativa à iluminação a gás. Como energia primária, utilizava-se quase que exclusivamente máquinas a vapor estacionárias, ou locomoveis, queimando carvão ou lenha, em pontos próximos de sua utilização. Somente em 1882 é que foi constituída a primeira empresa destinada a gerar e vender energia elétrica, agora mais facilmente utilizável, em virtude da invenção da lâmpada incandescente por Thomas Edison. Foi o mesmo Edison o autor do projeto e o responsável pela instalação da usina da rua Pearl, em Nova Iorque, cujos dínamos eram acionados por máquinas a vapor. A rede de distribuição abrangia uma área de 1600m de raio em torno da usina. A energia fornecida, em 110 V de corrente contínua era para uso geral, abrangendo inicialmente a iluminação pública e residencial, além de umas poucas aplicações para força motriz. A aceitação foi imediata e o sistema exigiu novas adições. Isso só era possível com a construção de novas centrais, em virtude de limitações econômicas e técnicas impostas ao transporte de energia a distâncias maiores. Esse fato por si só, constituía-se em uma importante limitação ao uso de energia elétrica. O emprego da corrente alternada foi desenvolvido na França, com a invenção dos transformadores, permitindo o transporte econômico da energia elétrica, em potências maiores a distâncias maiores. Em maio de 1888, Nicola Tesla, na Europa, apresentou um artigo descrevendo motores de indução e motores síncronos bifásicos. O sistema trifásico seguiu-se logo com o desenvolvimento dos motores e geradores síncronos de indução. As vantagens sobre os sistemas de CC fizeram com que os sistemas de CA passassem a ter um desenvolvimento muito rápido. 7 Registram-se: • 1886 - uma linha monofásica com 29.5 km e capacidade de 2700HP, para Roma, Itália; • 1888 - uma linha trifásica, em 11kV, com 180km na Alemanha; • 1890 - primeira linha CA, de 20km, monofásica no estado de Oregon, EUA, operando em 3.3kV; • 1907 - já era atingida a tensão de 110kV; • 1913 - foi construída uma linha de 150kV; • 1923 - foram construídas linhas de 230kV; • 1926 - foram construídas linhas de 244kV; • 1936 - a primeira linha de 287kV entrou em serviço; • 1950 - entrada em serviço de uma linha de 1000km de comprimento, 50Hz e 400kV, na Suécia; • 1953 - alcançada a tensão de 345kV nos EUA; • 1963 - energizada a primeira linha de 500kV nos EUA; • 1965 - é energizada a primeira linha de 735kV no Canadá. A primeira linha de transmissão de que se tem registro no Brasil, foi construída por volta de 1883, na cidade de Diamantina , Minas Gerais. Tinha por fim transportar a energia produzida em uma usina hidrelétrica, construída por duas rodas d’água e dois dínamos Grame, a uma distância de 2km, aproximadamente. A energia transportada acionava bombas hidráulicas em uma mina de diamantes. Consta que era a LT mais longa do mundo na época. Em 1901, com a entrada em serviço da central hidrelétrica de Santana do Parnaíba, a então San Paulo Tramway Light and Power Co. Ltd. Construiu as primeiras linhas de seu sistema de 40kV. Em 1914, com a entrada em serviço da usina hidrelétrica de Itupararanga, a mesma empresa introduziu o padrão 88kV, que até hoje mantém e adotou também para subtransmissão. Esse padrão de tensão foi, em seguida, adotada pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro, Estrada de Ferro Sorocabana e, através desta, USELPA, hoje integrada ao sistema Cesp. Entre 1945 e 1947, foi construída a primeira linha de 230kV no Brasil, com um 8 comprimento aproximado de 330km, destinada a interligar os sistemas Light Rio-São Paulo, operando inicialmente em 170kV e, passando, em 1950 a operar em 230kV. Foi também a primeira interligação em dois sistemas importantes no Brasil. Seguiram-se a partir daí, as linhas de 345kV da CEMIG e FURNAS, 460kV da CESP, as linhas de 500kV do sistema de FURNAS e 800kV do sistema ITAIPU. 9 Figura 2 –-Estruturas da LT de CA de Itaipu em 800kV Fonte: Projetos Mecânicos das Linhas Aéreas de Transmissão [29] 10 2.2 ASPECTOS CONSTRUTIVOS De todas as soluções possíveis para a implantação de uma Linha de transmissão aérea, apenas uma ou poucas satisfazem os requisitos básicos do transporte de energia. Essa solução é dada através dos estudos de “otimização”. Para tanto, são feitos orçamentos de custos e de perdas de energia. Todos os fatores intervenientes estão relacionados com os componentes físicos das linhas. Uma LT se compõe das seguintes partes principais, que serão analisadas a seguir. • Cabos condutores • Estruturas Isolantes • Estruturas de suporte • Ferragens e acessórios • Fundações • Cabo pára-raios e cabo de guarda • Aterramentos Figura 3 – Principais elementos das linhas de transmissão Fonte: Projetos Mecânicos das Linhas Aéreas de Transmissão [29] 11 2.2.1 Condutores A seguir, discriminamos os tipos de cabos comumente utilizados em linhas de transmissão aéreas: Cabos de cobre (alto custo de instalação) Cabos de alumínioÆ cabo de alumínio c/ alma de aço, Ligas de alumínio, cabos especiais. 2.2.2 Cabo de guarda ou pára raios A função principal do cabo pára raio é dar a devida cobertura, ou seja, interceptar descargas atmosféricas, protegendo assim os cabos condutores. A função do cabo de guarda, quando existir, é de viabilizar imediata sinalização de uma falta para a terra e também oferecer proteção mecânica imediata para os cabos condutores. Tipos: Cordoalha de fios de aço zincada, cabos CAA extra fortes, cabos tipo aço-alumínio ou Alumo-(weld) 2.2.3 Isoladores São estruturas utilizadas para isolar eletricamente os condutores da estrutura portante e ao mesmo tempo oferecer resistência mecânica para tal. Devem suportar tensões elevadas devido às descargas atmosféricas, de tipo impulso e freqüência industrial. Podem ser apresentados em vidro, porcelana e material sintético composto. 12 Figura 4 – Isoladores a pino, linha até 69kV Fonte: Projetos Mecânicos das Linhas Aéreas de Transmissão [29] 2.2.4 Ferragens e acessórios As cadeias de isoladores são completadas por um conjunto de peças que se destinam a suportar cabos a serem conectados a ela. São exemplos de cadeias: cadeias de suspensão convencional, grampo de suspensão armado, grampo de tensão e grampo de ancoragem passante. Temos também outros acessórios que se mostram essenciais para a construção de linhas e tem função específica como anéis anticorona, espaçadores para condutores múltiplos, emendas para cabos condutores e pára raios, dispositivos antivibração, sinalização de advertência, etc. 13 Figura 5 – Cadeia de suspensão convencional Fonte: Projetos Mecânicos das Linhas Aéreas de Transmissão [29] Figura 6 – Grampo de suspensão armado Fonte: Projetos Mecânicos das Linhas Aéreas de Transmissão [29] 14 Figura 7 – Grampo de tensão Fonte: Projetos Mecânicos das Linhas Aéreas de Transmissão [29] 15 2.2.5 Estruturas portantes Também designados suportes, desempenham dupla função no sistema: Proporcionar pontos de fixação para os cabos, garantindo distâncias de segurança entre condutores energizados, amarrar, através de suas fundações, as linhas ao terreno. Podem ser do tipo estaiadas ou auto portantes. Figura 8 – Estruturas das LT de CC de +- 600kV, de Itaipu Fonte: Projetos Mecânicos das Linhas Aéreas de Transmissão [29] 2.2.6 Aterramentos Existem para garantir resistência de terra adequada para a correta proteção dos cabos condutores pelos cabos pára raios. 16 São normalmente constituídos pelos seguintes materiais: Haste de aterramento, fio de aterramento (de cobre ou aço-cobre). 2.2.7 Fundações Tem a finalidade de sustentar os suportes, absorvendo todos os esforços mecânicos a ele submetido como ação do vento, tensionamento dos cabos, etc. Existem diversos tipos de fundação: Grelhas metálicas, tubulão, sapatas, ancoragem em rocha, etc. Cada fundação deve ser dimensionada de acordo com o terreno onde vai ser implantada e também os esforços atuantes naquele ponto. A seqüência básica para a construção de linhas de transmissão urbanas segue basicamente os seguintes passos: 2.3 • Levantamento topográfico; • Sondagens; • Projeto mecânico; • Execução das fundações; • Montagem das estruturas; • Montagem de acessórios; • Lançamento e tensionamento de cabos. CONFIABILIDADE Com o passar do tempo, o consumo de energia elétrica no país cresceu e ainda cresce em níveis alarmantes. Em decorrência disso a ANEEL, Agência Nacional de Energia Elétrica, órgão responsável pela supervisão dos níveis de geração, transmissão e distribuição, vem impondo às concessionárias maiores índices de confiabilidade. O desempenho das concessionárias quanto à continuidade do serviço prestado de energia elétrica é medido pela ANEEL com base em indicadores específicos, denominados de DEC e FEC, cujas definições foram retiradas do site da própria ANEEL [30]. 17 O DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) indica o número de horas em média que um consumidor fica sem energia elétrica durante um período, geralmente mensal. Já o FEC (Freqüência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) indica quantas vezes, em média, houve interrupção na unidade consumidora (residência, comércio, indústria etc). As metas de DEC e FEC a serem observadas pelas concessionárias estão definidas em Resolução específica da ANEEL. A confiabilidade é medida pelos índices de falhas e interrupções programas e não programadas. A linha de transmissão aérea é uma estrutura muito vulnerável a interperes que podem acarretar falhas e interrupções, isso por estar exposta diretamente ao meio ambiente e aos próprios seres humanos estará exposta a diversos riscos apresentados por José, Oswaldo e Roberval [22], tais como: Vibrações eólicas De acordo com Fenômeno provocado por ventos transversais brandos (em torno de 2 m/s) os quais incidem sobre os condutores que, quando submetidos a trações mecânicas superiores a 20% de suas cargas de ruptura absorvem tais energias e as transmite aos pontos de suspensão. Esses pontos podem ser gradativamente deteriorados por fadiga mecânica do material, requerendo cuidados especiais de montagem e monitoração. A evolução desses desgastes pode provocar a ruptura parcial dos condutores, caracterizando um defeito de difícil localização visual à distância. As inspeções especiais são realizadas com a instalação desenergizada e envolve grandes recursos humanos e matérias, quando realizada de forma disseminada e em larga escala. Outra preocupação que deve ser levantada e dos riscos que as torres de transmissão estão sujeitas há esforços provocados por ventos que podem exceder aos níveis que foram projetadas derrubando a linha, como mostrado na Figura 9, e esta pode vir a derrubar outras em cascata. 18 Figura 9 – Linha de Transmissão derrubada em decorrência da ação do vento Fonte: Evolução dos Sistemas de Transmissão Subterrânea [27], slide 11. Resistência de pé de torre A resistência de aterramento das estruturas (resistência de pé de torre), representa um parâmetro que responde diretamente pelo desempenho das linhas de transmissão, quando submetidas a descargas atmosféricas. Clearances condutor-solo As distâncias (clearances) condutor-solo representam um parâmetro fundamental na identificação da capacidade de carregamento elétrico de linhas de transmissão, no sentido de assegurar que os condutores, mesmo aquecidos pelo efeito Joule e ação do Sol, não violem as condições de segurança estabelecidas em normas técnicas. A aferição dessas distâncias requer uma avaliação do 19 comportamento eletromecânico da linha de transmissão, a partir do qual se possa identificar vãos críticos a serem corrigidos ou monitorados em condições de carregamento normal ou contingências. Essas aferições devem incorporar a degradação superficial gradativa dos condutores que acarretam em seu “enegrecimento”, perda das características de troca de calor com o meio ambiente e conseqüente diminuição da capacidade de transporte de energia elétrica na presença de raios solares. Oxidação de Condutores A oxidação em condutores ocorre na alma de aço, após longos períodos de operação e pode ser acelerada em decorrência da agressividade do meio ambiente (umidade, acidez, etc.). A preocupação reside no enfraquecimento mecânico do condutor e conseqüente ruptura do mesmo. Ação Eletroquímica do Solo Este problema assombra nos dois tipos de sistemas. Nas torres de linhas aéreas deve-se tomar cuidado com partes metálicas enterradas no solo, que podem entrar em processo de oxidação. Cadeia de isoladores De acordo com Armando [25], o desempenho das linhas de transmissão está diretamente relacionado com o desempenho dos seus isoladores. As cadeias de isoladores estão sujeitas a três principais problemas que são, poluição dos isoladores, atos de vandalismo e a corrosão das ferragens dos isoladores o que acarreta um custo dispendioso de manutenção e a queda de índices de confiabilidade. A poluição de isoladores ocorre através da deposição de contaminantes quer sejam de origem industrial, marítima ou ambiental. Esses depósitos, juntamente com a presença da umidade, e tensão elétrica mais elevada propiciam o surgimento de 20 descargas superficiais que podem evoluir para o fechamento de um arco de potência sobre a cadeia de isoladores e conseqüente interrupção no fornecimento de energia. Atos de vandalismo Como dito anteriormente, as linhas aéreas estão sujeitas a atos de vandalismo pelo fato de estarem expostas ao meio ambiente. Estes atos no mínimo imprudentes compreendem entre outras coisas a quebra de cadeias de isoladores e utilização inadequada das torres ou postes por pessoas sem autorização da concessionária. Outros fatores que deixam as linhas aéreas vulneráveis é que na maioria das vezes essas linhas têm em seu itinerário, matas densas onde há riscos de queimadas que podem afetar as estruturas e da própria mata crescer e entrar dentro da faixa de servidão, potencializando uma falha devido ao balanço dos galhos que podem encostar-se aos cabos. Analisando os inúmeros problemas supracitados podemos concluir que as linhas aéreas têm um número muito altor de possíveis problemas para a instalação e ainda alheios à vontade dos seres humanos, a título ilustrativo, a Figura 10 enfoca as principais causas das ocorrências de falhas transitórias em decorrência da ação do meio ambiente na linha Angelim II – Recife II, 500 kV, C1, do Sistema CHESF. 21 Figura 10 – Causas de ocorrência de falhas transitórias na linha Angelim II – Recife II Fonte: Monitoração de Parâmetros Eletromecânicos de Linhas de Transmissão com vista a Avaliação do Estado Operacional e Recapacitação [22] Para fins ilustrativos, consultamos a Copel, Companhia Paranaense de Energia Elétrica para termos acesso aos números de desligamentos e taxa de falhas das suas linhas de transmissão aéreas, as quais estão abaixo demonstradas na Figura 11. 22 Figura 11 – Número de desligamentos e taxa de falhas das LT’s da Copel Fonte: Companhia Paranaense de Energia Elétrica - COPEL 2.4 MANUTENÇÃO Para a diminuição das interrupções e o aumento da confiabilidade do sistema são necessárias inspeções e manutenções que atendam a requisitos legais e de segurança. No caso da transmissão de energia, deve-se manter sempre elevados níveis de eficiência, refletindo em índices de disponibilidade, fazendo da manutenção a parte mais importante desta cadeia e exigindo cada vez mais conhecimento técnico e inovação para atendimento a esses requisitos. A Eletrobrás [23] estabelece um programa de manutenção e critérios detalhados para intervenção em linhas aéreas, como cabos e ferragens, descritos abaixo: i) Organização das equipes de manutenção Descrever, para a linha de transmissão em foco, a estrutura organizacional, instalações, infra-estrutura de transporte e comunicação, e o efetivo de pessoal existente para operá-la. ii) Sistemática de programação de manutenção Relatar os processos utilizados para elaboração e execução dos programas de manutenção, bem como as periodicidades adotadas. 23 iii) Processo de controle, acompanhamento e avaliação da manutenção/operação Discorrer sobre os procedimentos de controle, acompanhamento e avaliação da operação/manutenção, explicitando os índices gerenciais utilizados e os resultados obtidos. iv) Principais anomalias verificadas Relatar as principais anomalias verificadas, citar suas causas, as medidas corretivas e resultados obtidos no que se refere a: v) • Descargas atmosféricas; • Sobretensões de manobra; • Vibrações; • Corrosão; • Poluição; • Recalques em fundações e contenções; • Ineficiência do sistema de drenagem; • Avarias nas estradas de acesso; • Acidentes com quedas de estruturas. Estatísticas do desempenho em linhas de transmissão Apresentar os principais índices de desempenho alcançado pelo sistema, definindo as causas prováveis dominantes. Usar padrão estabelecido pelo GCOI – Grupo Coordenador de Operação Interligada e CDE – Comissão de Desempenho de Estatística. vi) Serviços corretivos ou melhoramentos realizados Descrever os serviços de grande porte realizado com intuito de corrigir ou melhorar os padrões de projeto/construção. 2.4.1 Manutenção preventiva Em sistemas de transmissão aéreos a manutenção preventiva é muito rigorosa e importante para que se tenha um bom funcionamento da linha. Esse tipo de manutenção compreende inspeções visuais aéreas e terrestres nos diversos 24 componentes das linhas tais como torres, isoladores, cabos, caminhos de acesso, área de servidão entre outros. A inspeção aérea juntamente com a inspeção terrestre é um dos principais instrumentos de diagnóstico das linhas de transmissão, servindo para a programação das manutenções preventivas e corretivas das mesmas. A inspeção aérea detalhada é a inspeção periódica realizada com helicóptero em velocidade reduzida (média de 60 km/h), para observar todos os pontos. O vôo é feito ao longo da linha. A inspeção aérea de patrulhamento é realizada numa velocidade maior (média de 90 km/h), observando os pontos que possam colocar em risco a linha de transmissão em curto prazo. O vôo é realizado em apenas um sentido também ao longo da linha. Inspeção aérea específica é restrita a alguns componentes ou subcomponentes das instalações, como na Figura 12. Figura 12 – Inspeção aérea feita por helicóptero Fonte: http://www.cteep.com.br/transmissao/linhas_transmissao/linhas.htm [31] Já a inspeção terrestre é realizada seguindo um roteiro preestabelecido, que leva em consideração o diagnóstico da linha de transmissão, sua idade, desempenho, características próprias, etc. Os serviços de inspeção em geral são executados pelas equipes de inspeção, compostas por pessoas experientes e tecnicamente capacitadas. 25 As equipes devem anotar em formulários próprios o estado geral das faixas de servidão e de segurança, das estruturas, cabos condutores e pára-raios, isoladores e ferragens das cadeias, sistemas de aterramento (rabichos e contrapeso), etc; execução de ensaios com instrumentos específicos para verificação das condições das instalações, tais como medição de vibração eólica em cabos condutores e pára-raios, medição de resistência de aterramento das estruturas e resistividade do solo, verificação de potencial em isoladores (teste de ruído), etc; inspeção de barramentos aéreos de subestações; inspeção de estruturas de telecomunicações; fiscalização de serviços especializados de manutenção de linhas de transmissão contratados; fiscalização de serviços de tratamento anticorrosivo de linhas de transmissão, pórtico e suportes de subestações e estruturas de telecomunicações; apoio às turmas de em serviços de emergência em linhas de transmissão. Um problema sério que pode ser identificado com brevidade antes que ocorra a falha é a corrosão em estruturas e acessórios das linhas de transmissão. O combate preventivo à corrosão tem como principais atribuições as seguintes tarefas: inspeção das instalações quanto ao estado de corrosão e levantamento das necessidades de tratamento nas linhas de transmissão, fiscalização de todo o processo de tratamento anticorrosivo. De acordo com Rogério [24], a inspeção visual é realizada para identificar a situação do estado de corrosão e desgaste por abrasão que se encontram os cabos pára-raios e as ferragens, além de acompanhar a evolução da perda da camada de zinco. Dessa forma, através da consideração da taxa de corrosão do zinco, da atmosfera do local inspecionado, da situação que se encontra a galvanização do cabo ou ferragem e das características do vento e da estrutura (satisfatória ao desgaste por abrasão do galvanizado dos pontos de coligação de ferragens), é possível estimar o tempo aproximado para que ocorra a perda total da galvanização e conseqüentemente a determinação da data da próxima inspeção, sendo que esta poderá ser visual ou detalhada, dependendo da situação. Outra manutenção preventiva muito importante para se manter a integridade da linha é a poda da vegetação que compreende o itinerário da linha e que está próxima à linha de transmissão. Essa poda deve ser feita com uma periodicidade 26 que depende do tipo da vegetação, e isso gera custos que às vezes são esquecidos, mas que corresponde a uma boa fatia dos gastos de manutenção em linhas aéreas. 2.4.2 Manutenção Corretiva A manutenção corretiva é efetuada depois de ocorrida a falha do equipamento ou estrutura, no caso de linhas de transmissão isso pode ocasionar problemas sérios nos índices de confiabilidades que como dito anteriormente são fiscalizados pela ANEEL, Agência Nacional de Energia Elétrica. Na ampla diversidade de falhas em linhas de transmissão aérea, em consulta ao artigo publicado por José, Oswaldo e Roberval [22], podemos identificar alguns aspectos importante na manutenção corretiva da linha: Geralmente quando a manutenção corretiva de linhas de transmissão aéreas é caracterizada pela substituição do item danificado. Por exemplo, as vibrações eólicas podem ocasionar a ruptura do cabo seja ela na parte de sustentação que é a mais freqüente, ou em algum ponto do lance do cabo. Para se corrigir isso terá que substituir o cabo rompido entre as torres onde foi ocasionado o problema. O vento também pode ocasionar a derrubada de torres de transmissão, e isto se agrava porque a torre que cai pode puxar várias outras em cascata, e neste caso também há a necessidade de substituição de torres e cabos condutores. Em casos onde há corrosão de partes metálicas, se não for controlada também possivelmente acarretará na substituição das peças corroídas. Isso pode acontecer tanto em cabos condutores quanto em estruturas. Acidentes aéreos e automobilísticos também são fatores que podem acionar as equipes de manutenção corretiva, pois na maioria das vezes estruturas e equipamentos são danificados, acarretando no reparo ou até mesmo na substituição dos mesmos. No caso de isoladores, o problema crítico é o vandalismo que ocorre nestes equipamentos, e pelo fato de não haver uma manutenção preventiva para este problema que desencadeia a substituição dos isoladores danificados. 27 Citado na manutenção preventiva, a manutenção da área de servidão deve ser bem realizada e com uma certa periodicidade, porque o não cumprimento disto pode levar a uma ação corretiva que possivelmente será mais cara e complicada. Na manutenção corretiva existe um método bastante difundido que é a manutenção em linha viva. Compreende na manutenção da linha sem a necessidade do desligamento da mesma. Existem dois métodos que podem ser utilizados na transmissão: a) à distância: utiliza-se bastões de fibra de vidro endurecidos com resina no interior com diâmetro de 1 “. Pode ser considerada uma extensão do braço do operador. Existe uma distância de segurança entre o operador e o local da manutenção que varia de acordo com a classe de tensão porem limitada em 230kV; b) ao potencial: o operador fica no mesmo potencial da linha. É obrigatório o uso de equipamentos especiais como roupas e andaimes de fibra de vidro para isolação. Este método pode ser utilizado em linhas de até 750kV. Figura 13 – Manutenção em linha viva com método ao potencial Fonte: http://www.engelmig.com.br/ 28 Porém estes métodos são muito perigosos quando não utilizados com bastante responsabilidade por parte dos operadores. Resumindo quando se trata de manutenção corretiva em linhas de transmissão aéreas, os gastos despendidos e a complexibilidade da ação, torna a manutenção preventiva de vital importância para o sistema. 2.5 ASPECTOS AMBIENTAIS E RISCOS A lei Nº 9.605 de 13 de fevereiro de 1998, veio com o objetivo de definir responsabilidade criminal a pessoas físicas ou jurídicas na matéria ambiental. Esta lei estabelece sanções penais e administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente, sendo definido como impacto ao meio ambiente qualquer atividade que resulte em impacto a ele. Podemos perceber a partir desta definição que ela também se aplica à construção de linhas em grandes centros urbanos. Várias etapas podem caracterizar em impactos ambientais quando se trata da construção de Linhas de transmissão. Linhas de transmissão aéreas: • Abertura de estradas de acesso, limpeza de faixa de servidão, construção das fundações, montagem de estruturas e lançamento de cabos. Linhas de transmissão Subterrâneas: • Abertura de valas ou túneis para lançamento dos cabos. Da larga experiência de empreiteiras e concessionárias de energia, podemos encontrar impactos divididos em três áreas específicas: • Impactos ao meio físico: aumento da emissão de ruídos e poeiras, aceleração/iniciação de processos erosivos, interferência com atividades minerarias, instabilização de encostas. • Impactos no meio biológico: aumento da caça predatória, mudanças no habitat e hábitos da fauna, alteração ou eliminação da vegetação existente. 29 • Impactos no meio sócio econômico: mudanças na vida diária da população residente, mudanças no perfil demográfico, exposição da população ao risco de acidentes, etc. Neste último aspecto de impacto ambiental é que as LTA's têm grande influência em relação as LTS's, principalmente depois do empreendimento concluído. Marcelo [14] define algumas questões sobre o direito ambiental e a lei 9.605/98. 2.5.1 O Direito Ambiental Princípios do direito ambiental Estes princípios regem a atual legislação ambiental brasileira e são à base deste estudo: i) princípio do direito humano fundamental: o primeiro e mais importante princípio ambiental nos diz que: O direito ao ambiente é um Direito Humano Fundamental. Tal princípio decorre do texto expresso da constituição federal: “Todos tem o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo” ii) Princípio democrático: Este princípio é aquele que assegura os cidadãos o direito pleno de participar da elaboração das políticas ambientais. iii) Princípio da prudência ou da cautela: este princípio encontra-se incluído na declaração do Rio Nº 15 em que temos disposto o seguinte: “ O princípio da cautela é aquele que determina que não se produzam intervenções no meio ambiente antes de ter a certeza de que estas não serão adversas para o meio ambiente”. iv) Princípio do equilíbrio : É o princípio pelo qual devem ser pesadas todas as implicações de uma intervenção no meio ambiente, 30 buscando-se adotar a solução que melhor concilie um resultado globalmente positivo. v) Princípio do limite: É o princípio pelo qual a administração pública tem o dever de fixar parâmetros para as emissões de partículas, resíduos e presença de corpos estranhos ao meio ambiente levando em conta a proteção da vida e a qualidade ambiental necessária. vi) Princípio da Responsabilidade: É o princípio pelo qual o poluidor deve responder por suas ações ou omissões, de maneira mais ampla possível que se possa repristimar a situação ambiental degradada e que a penalização aplicada tenha efeitos pedagógicos e impedindo que os custos recaiam sobre a sociedade. Lembrando que a simples restituição financeira como fórmula para que se faça a reparação do dano é absolutamente inadequada. A constituição de 88 e o novo sistema de competências ambientais A constituição de 1988 inseriu pela primeira vez no Brasil o tema “meio ambiente” em sua concepção unitária. Paulo [15] afirma que a referida lei Fundamental mudou profundamente o sistema de competências ambientais. O autor nos diz que a parte global das matérias ambientais pode ser legislada em três planos – federal, estadual e municipal. Isto é, a concepção de meio ambiente não ficou na competência exclusiva da União, ainda que alguns setores do ambiente (águas, energia nuclear e transporte) estejam na competência privativa federal. Paulo [15] ainda aponta que as competências ambientais são repartidas entre a união e os estados, sendo que estes últimos tem competência sem que se precise provar que o assunto tem interesse estadual ou regional. Diferentemente, na questão ambiental os municípios precisam articular sua competência suplementar. Os estados só encontrarão barreira para legislar em matéria ambiental, quando existir ou vier a existir norma geral federal. 31 Responsabilidade por danos ao meio ambiente Uma das competências dos estados introduzidas pela constituição de 88 que se refere diretamente ao serviço de construção de linhas de transmissão é a responsabilidade pelo meio ambiente. Os estados poderão, por exemplo, estabelecer normas obrigando à prestação de caução para a realização de uma atividade perigosa para o ambiente regional. É importante consultar órgãos regionais competentes a fim de cumprir não só o que é exigido pelas licenças ambientais obtidas, mas também pela legislação regional pertinente. Licenciamento Ambiental x Competências A resolução do CONAMA nº 237, de 19 de dezembro de 1997, no seu art 7º diz que “Os empreendimentos e atividades serão licenciados em um único nível de competência, conforme estabelecido nos artigos anteriores”. Os art. 4º 5º e 6º da mesma resolução estabelecem os casos em que o licenciamento é da esfera federal, estadual ou municipal. Isto posto fica claro que qualquer empreendimento só será licenciado em um único nível de competência. Contudo, de acordo com o novo sistema de competências, a obtenção necessária não exime o empreendedor de cumprir a legislação regional suplementar a legislação federal. 2.5.2 A Lei 9.605/98 Disposições Gerais O texto da lei é iniciado através de uma exposição clara de que todos aqueles responsáveis pela prática de crimes ambientais serão punidos, na medida de sua culpabilidade, mesmo que, por omissão, deixem de impedir a prática do crime. De acordo com Paulo [15] a responsabilidade civil ambiental das pessoas jurídicas, bem como de pessoas físicas, continua regida pela Lei nº 6.938/81(art 14 1º) Podemos notar também no texto onde se lê “ no interesse ou benefício da sua entidade...” há uma liberação da culpabilidade da empresa no caso em que seu representante legal 32 ou contratual utiliza a máquina empresarial para a satisfação de seus interesses pessoais, aqui vemos também que a responsabilidade das pessoas jurídicas não excluem a das pessoas físicas co-autoras. Da aplicação da pena Podemos perceber que há uma grande abertura para que as penas privativas de liberdade sejam substituídas pelas penas restritivas de direitos. Segundo Paulo [15] examinando-se as penas cominadas aos crimes desta lei, pode-se concluir que as penas aplicadas, na grande generalidade, não ultrapassarão quatro anos. Além disso, ainda segundo mencionado o autor, a prática forense mostra que não se aplica no Brasil o máximo da pena, portanto, lógico concluir que a pena de prisão, a não ser de reincidência, não será efetivamente cominada ao criminoso ambiental. É importante notar de acordo com o código penal (Art. 44, II) a reincidência deve impedir a utilização do sistema de pena restritiva de direito. Das penas restritivas de direitos a que mais chama a nossa atenção é aquela onde o condenado pode ser proibido de contratar os Poderes Públicos, de receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios, bem como de participar de licitações de até cinco anos. Da infração administrativa As sanções administrativas que mais nos chamam a atenção são as restritivas de direito, multa simples, multa diária e embargo ou demolição da obra. Os valores das multas por infração ambiental administrativa foram fixados pelo decreto nº 3179/99 e variam entre R$50,00 e R$50 milhões, sendo corrigidos periodicamente. Os valores arrecadados destas multas são revertidos do Fundo Nacional do Meio Ambiente ou outros fundos correlatos. Novamente nos chama a atenção para a desproporcionalidade entre o máximo da sanção penal de multa e da sanção administrativa. A multa simples será aplicada sempre que o agente por negligência ou dolo deixar de sanar as irregularidades praticadas no prazo estabelecido e ainda se 33 opuser embaraço á fiscalização dos órgãos do SISNAMA. Já a multa diária é aplicada sempre que o cometimento da infração se prolongar no tempo. Dos Crimes conta o meio ambiente É presumível que com o intuito de facilitar a leitura da lei os legisladores organizaram os tipos de crimes em cinco seções dentro deste capítulo da lei. Com o objetivo de formar uma idéia bem clara de que quais crimes são mais prováveis de acontecer durante a construção de linhas de transmissão, cada uma das seções será comentada. i) Crimes contra a Fauna: Os artigos 29,32,34 e 35 relacionam crimes que se identificam principalmente com o impacto ambiental do aumento da caça, relativo ao meio ecológico. As penas cominadas aos crimes previstos nestes artigos variam de 3 meses a 5 anos incluindo multa. A criminalização dos maus tratos e abusos contra animais é uma das inovações da Lei que está inclusa nesta seção. Os impactos de iniciação/aceleração de processos erosivos e da instabilização das encostas, vinculados ao meio físico, encontram relação com o tipo de crime descrito no artigo 33 onde temos que provocar pela emissão de efluentes ou carreamento materiais, o perecimento de espécies da fauna aquática existente entre rios, lagos, açudes,baías ou águas jurisdicionais brasileiras incorre na pena de detenção de 1 a 3 anos ou multa, ou ambas cumulativamente. ii) Crimes contra a flora: O impacto ambiental da alteração ou eliminação da vegetação existente, relativo ao meio biológico, quem acontece principalmente nas fases de abertura de estradas de acesso e de limpeza de faixa encontra relação com os tipos de crimes previsto nos artigos 38,39,40,41,45,48,50,51 e 52; as penas cominadas aos crimes previstos nestes artigos variam de 3 meses a 5 anos. 34 iii) Da poluição e outros crimes ambientais: O impacto ambiental do aumento da emissão de ruídos e poeiras referente ao meio físico encontra correlação com o artigo 54 o qual dispõe que é crime causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem em mortandade de animais ou a destruição significativa da flora sendo punido com pena de reclusão de 1 a 4 anos,e multa, que poderá variar até R$50 milhões. iv) Crimes contra o ordenamento urbano e patrimônio cultural: os crimes previstos nos artigos 62,63 e 64 estão relacionados com o impacto ambiental das interferências com os patrimônios histórico e arqueológico. No Brasil, chegamos ao século 21 com um vasto ferramental adequado a proteção do meio ambiente e das cidades e amplamente aplicado a empreendimentos de linhas de transmissão, onde daqui para frente ficará cada vez mais difíceis aprovações para a construção de linhas aéreas e portanto as linhas subterrâneas serão mais amplamente aplicadas e difundidas, barateando seu custo a um longo prazo. A seguir, propormos fazer uma breve análise de riscos, a fim de dar subsídios para uma melhor compreensão do conhecimento técnico-científico que acompanha discussões sobre risco como instrumento de gestão ambiental em um sistema de transmissão. Segundo Francisco e Paulo [11] definiremos alguns aspectos conceituais: A qualidade ambiental e os riscos Constituem-se em uma das mais importantes preocupações da sociedade moderna. Os elementos motivadores desta priorização são o impacto potencial do desenvolvimento tecnológico e as mudanças no estilo de vida e também o aumento da percepção para os perigos á saúde e segurança. Segundo o sociólogo alemão Beck [19], houve uma mudança gradual no conflito social predominante neste século. O conflito primário, no início do século XX, era centrado na distribuição do bem estar entre os grupos sociais; depois da Segunda guerra e particularmente a partir de 1960, o foco mudou para a distribuição do poder na política e economia. Nos últimos anos, o maior conflito é sobre a 35 distribuição e tolerabilidade dos riscos para diferentes grupos sociais, regiões e gerações futuras. “A modernidade é uma cultura do risco.,” Afirma Giddens [20]. Segundo esse pesquisador “O conceito de risco torna-se fundamental na maneira que ambos os atores, leigos e especialistas técnicos, organizaram o mundo social”. E prossegue “... a noção de risco torna-se central em uma sociedade que está se desfazendo do passado, de maneiras tradicionais de fazer as coisas e está se abrindo para um problemático futuro”. Isto faz parte de um fenômeno mais geral de controle do tempo que ele denomina, “colonização do futuro”. Além disso, segundo Sjoberg [21], a acentuada velocidade das transformações tem reduzido a estabilidade social e institucional, em particular no mundo globalizado, onde o conjunto de variáveis é significativamente ampliado e a capacidade de controle de eventos, por parte dos indivíduos e/ou nações é diminuída. Isto certamente afeta a capacidade de prever o futuro e portanto amplia as incertezas. No mundo contemporâneo, o conceito de risco tem se tornado fundamental, apresentando-se como critério imprescindível nas negociações, relações e organização da sociedade, que no âmbito local, nacional ou mesmo global. Do ponto de vista da segurança industrial, as estimativas de risco possibilitavam a redução dos custos das empresas com acidentes, seguros e perdas gerada por acidentes severos e paradas de operação prolongadas. Na visão construtivista do risco, a avaliação objetiva não poderá determinar fatores como injustiça, igualdade, controle e outros. Estes fatores poderão ser alcançados a partir da crença e da racionalidade dos diversos atores sociais. Desta forma, o próprio conceito de risco deverá se socialmente construído pelas estruturas sociais existentes. 2.5.3 Metodologia para avaliação de riscos Uma avaliação de risco é constituída, em geral por quatro etapas básicas: identificação do perigo, avaliação da exposição, avaliação do risco e gerenciamento do risco. 36 A qualificação do risco é precedida da avaliação da magnitude das conseqüências dos impactos considerados. Os riscos são então quantificados em termos de riscos sociais ou riscos individuais. O risco individual é o risco para uma pessoa na vizinhança de um perigo e pode ser calculado para os indivíduos expostos, para um grupo de indivíduos. Para tanto, o escopo deste método, abrange eventos perigosos ou não, cujas causas tenham origem no meio considerado. Ficam excluídos da análise os agentes perigosos externos ao sistema, como por exemplo, a ocorrência de eventos tais como terremotos, furacões, enchentes, deslizamentos de terra, etc.. tais eventos externos foram excluídos por terem probabilidade de ocorrências extremamente baixas. A realização da análise propriamente dita poderá ser feita através do preenchimento de uma tabela para cada impacto considerado, considerando-se o meio impactado e o momento histórico de sua ocorrência. O resultado da avaliação dos Riscos Ambientais – ARA, é apresentado sob formas de tabelas com sete colunas preenchidas conforme orientação apresentada a seguir. 1ª Coluna: Fase de aplicação Esta coluna contém os diversos cenários de ocorrência do impacto em estudo. Constata-se a necessidade com esta abordagem porque, um mesmo impacto ambiental, produz diferentes efeitos quando ocorrem em fases distintas do empreendimento. 2ª Coluna: Modo de detecção Os modos disponíveis na instalação para detecção do perigo identificado na primeira coluna foram relacionados nesta coluna. A detecção da ocorrência do impacto poderá ser realizada através de uma inspeção visual, inspeção auditiva, usando instrumentação. 3ª Coluna: Efeitos Os efeitos provocados por cada impacto identificado, foram listados nesta coluna. 37 4ª Coluna: Categoria de Conseqüência De acordo com a metodologia adotada neste trabalho, os cenários de acidentes foram classificados em categorias de severidade, as quais fornecem uma indicação qualitativa do grau de severidade das conseqüências de cada um dos cenários identificados, sejam para os meios físico, biótico e antrópico. 5ª Coluna: Categoria de Freqüência de cenários Os cenários de acidentes foram classificados em categorias de freqüência, as quais fornecem uma indicação qualitativa da freqüência esperada de ocorrência em cada um dos impactos identificados, segundo Tabela 1. Tabela 1 – Classificação de riscos e descrição Categoria 1 Remota Descrição Não é esperado acontecer Durante o ciclo de vida útil do Sistema de Transmissão 2 Provável Esperado acontecer pelo menos uma vez durante o ciclo de vida útil do Sistema de transmissão 3 Freqüente Esperado acontecer algumas vezes durante o ciclo de vida útil do Sistema de transmissão 4 Muito Freqüente Esperado acontecer inúmeras vezes durante o ciclo de vida útil do Sistema de transmissão Fonte: Grupo do projeto final 6ª Coluna: Níveis de risco Combinando-se a figura, as categorias de freqüências da tabela com as conseqüências da tabela, obtém-se o nível de risco de cada cenário de impacto ambiental identificado na análise. Os níveis de riscos apresentados no exemplo estudado são categorizados na Tabela 1 e apresentados na Figura 14. 38 Figura 14 – Matriz de risco de impacto ambiental Fonte: Método de avaliação de riscos ambientais em sistemas de transmissão de energia elétrica [11] 7ª Coluna: Medidas mitigadoras Esta coluna contém as medidas mitigadoras recomendadas e demais observações pertinentes ao cenário do impacto ambiental em estudo. 2.5.4 Aplicação da metodologia Para a validação desta metodologia, deve-se aplicar a algum fator – A Tabela 2 ilustra a metodologia aplicada a “riscos de acidentes na população próxima a LT”. 39 Tabela 2 - Riscos de acidentes na população próxima à Linha de Transmissão Gerenciamento de Riscos Ambientais Meio Antropico – Nível e vida Impacto – Riscos de acidentes na população próxima à Linha de Transmissão Fase de Modos Aplicação de Efeitos Conseqüênc Categor Níveis de Medidas Mitigadoras Detecção ias ia de Riscos Freqüên cia Construção Colocação de da Linha sinalização adequada quando das travessias de rodovias federais e ainda junto a aeroportos e rotas de aeronaves Final da Implementação de Fase de programa de Construção comunicação educação visando e ambiental, esclarecer população a sobre os riscos de doenças Antes do Divulgar amplamente o início da início de operação da LT operação Energização Equipament Surgimento e operação os da linha de dos 3 4 efeitos (3,4,I)não -Acompanhamento aceitável estudos sobre dos efeitos medição de eletromagné biológicos dos campos campos eletromagnéticos ticos em eletromagné -Efeitos andamento no mundo ticos biológicos -aperfeiçoamento na fauna critérios de projeto -Efeitos -controle devido à dos ocasionados transferênci campos a eletromagnéticos de potencial Fonte: Grupo do projeto final dos efeitos pelos 40 Existem outras avaliações a serem consideradas são elas: Quedas de estruturas, incêndios causados ou aumentados por descargas elétricas, idem para curtos circuitos fase-terra, erosão nas bases das torres, riscos aumentados de incêndio pelas equipes de manutenção, riscos de eletrocussão, riscos de acidentes de veículos, riscos de acidentes com aeronaves. 2.6 IMPACTOS VISUAIS Aqui talvez seja um dos pontos mais importantes de nosso trabalho, pois foi ele que despertou interesse em faze-lo, é o ponto mais relevante quando se foca a melhor solução para a população local. Joinville é a mais populosa cidade de Santa Catarina e é considerada uma cidade tipicamente turística, onde se concentram pessoas de todos os lugares do país e até do mundo para assistir seus festivais que se realizam lá. Levando-se tudo isto em conta, pode discorrer sobre o que é atualmente chamado de “custos sociais” de implementação de uma Linha de transmissão aérea. Que basicamente seriam custos relacionados à perda de visitação da cidade, desvalorização de imóveis, etc. Estes custos serão melhores abordados no outro capítulo. A seguir, relacionamos algumas fotos que demonstram, melhor do que qualquer explicação teórica, estes impactos visuais e porque não psicológicos na população. 41 Figura 15 – Detalhe da Praça Santos Dumont antes e após a chegada da rede subterrânea Fonte: www.light.com.br Figura 16 – Linha de Transmissão instalada em um centro comercial Fonte: Evolução dos Sistemas de Transmissão Subterrânea [27], slide 12. 42 3 LINHAS SUBTERRÂNEAS DE TRANSMISSÃO 3.1 HISTÓRICO Em consulta as palestras proferidas por Claudio [1] e Carmine [3] e aos artigos publicados por Agostinho e Sylvio [4] e também por Claudio [2], podemos sintetizar o histórico das linhas subterrâneas desde o começo dos anos 20 ao decorrer deste capítulo. O uso de linhas subterrâneas no Brasil começou na cidade de São Paulo, operando sob o sistema de 20 kV no final dos anos 20 para alimentar estações transformadoras e distribuidoras de 20 - 3,8 kV, que foram construídas no centro da cidade. Esses cabos denominados cabos cintados, eram da classe 25 kV, tipo sólido cintado com três condutores de cobre, seção circular ou setorial, ilustrados na Figura 17, isolados com papel impregnado, com capa protetora externa de chumbo. Figura 17 – Cabos Cintados Fonte: Linhas de Transmissão Subterrânea: A Evolução em São Paulo e perspectivas para o futuro [2] Após esta primeira instalação, passaram-se a usar cabos tipo “H”, para as classes de tensão de 25 kV e em malhas de distribuição de 15kV. Estes cabos possuíam cada um sua própria blindagem de fita de cobre cuja finalidade é distribuir 43 igualmente o campo elétrico no isolamento, semelhante ao da Figura 18, esse artifício permitiu ultrapassar as tensões de operação dos cabos anteriormente possíveis até 25 kV. O conjunto dos três condutores era reunido com uma fita de cobre, sobre o qual foi colocada a capa externa de chumbo. Figura 18 – Cabo Blindado ( 3 Condutores 2/0. 25kV) Fonte: Linhas de Transmissão Subterrânea: A Evolução em São Paulo e perspectivas para o futuro [2] Nessa época surgiram problemas com relação ao emprego dos cabos tipo sólido, instalados em locais de declives e aclives acentuados. Essas diferenças da disposição do cabo causavam a migração do óleo isolante para as partes onde o perfil do terreno era mais baixo, ocasionando a ruptura da capa de chumbo por aumento da pressão interna e, também pela formação de espaços vazios nas partes onde o perfil do terreno era mais alto, que resultavam em defeitos elétricos por deficiência da isolação. A solução desses problemas só foi resolvida satisfatoriamente com a aplicação de cabos a gás. O cabo a gás, demonstrado na Figura 19, também isolado com papel impregnado, blindado com fitas metálicas e com capa de chumbo, possuía dois tubos formados por espirais metálicas para a distribuição do gás ao longo do cabo e mais um para conduzir diretamente o gás para as luvas de 44 emendas. A finalidade do gás era para evitar a formação de espaços vazios no interior da isolação. Esses cabos necessitavam de um dispositivo automático para a detecção de falhas de queda de pressão do gás abaixo de 10 lb/pol2, pois esta queda de pressão poderia causar avarias no sistema de isolação. Devido ao custo dos cabos a gás serem elevados, seu uso era restrito apenas a trechos absolutamente necessários. Figura 19 – Cabo a Gás (3 Condutores 500 000 CM, 25kV) Fonte: Linhas de Transmissão Subterrânea: A Evolução em São Paulo e perspectivas para o futuro [2] Posteriormente, foram empregados cabos isolados com papel impregnado com compostos não escoantes, tornando assim a migração do impregnante insignificante para os trechos inferiores. A primeira linha de transmissão subterrânea instalada entrou em serviço em 1949 também na cidade de São Paulo. Operando sob 88 kV e com 2,2 Km de extensão. Essa linha foi construída com cabos importados, do tipo cheio de óleo sob alta pressão denominado “PIPE”, com capacidade para transmitir 75MVA continuamente. Era formado por cabos de cobre, com seção de 253 mm2 isolados com papel impregnado com óleo, instalados no interior de um tubo de aço no qual a 45 pressão do óleo era da ordem de 200 lb/pol2. A ilustração deste cabo esta mostrada na Figura 20. Figura 20 – Cabo “PIPE” Fonte: Linhas de Transmissão Subterrânea: A Evolução em São Paulo e perspectivas para o futuro [2] Em 1950 entrou em operação a primeira linha de cabo de 138 kV no Rio de Janeiro. O cabo denominado tipo OF (Óleo Fluido), foi adquirido através de importação junto a Akonite, e era provido de um canal interno através do qual o óleo mineral, altamente desgaseificado, flui sob baixa pressão longitudinalmente, e radialmente mantendo o isolamento impregnado. Esta instalação possuía uma extensão de 4,5 km e foi instalada integralmente em dutos de barro vidrado de 4 ½’. A seção do condutor de cobre era de 1 x 500 MCM. Depois disso, em 1960 em São Paulo ocorreu a primeira instalação linhas de transmissão subterrâneas com cabos do tipo OF de fabricação nacional. Esta linha tinha 3,3 Km e capacidade contínua para 20 MVA, e foi construída para alimentar o consumidor Siderúrgica Aliperti, com quatro cabos (três cabos para operação normal e outro de reserva), com condutores de cobre de 70 mm2, isolados com papel 46 impregnado com óleo, capa externa de chumbo com proteção adicional de neoprene, semelhantes ao da Figura 21 e da Figura 22. Figura 21 – Componentes do Cabo do tipo Óleo Fluido (OF) Fonte: Linhas de Transmissão Subterrânea: A Evolução em São Paulo e perspectivas para o futuro [2] Figura 22 – Cabo do tipo Óleo Fluido (OF) Fonte: Aspectos Econômicos de Dimensionamento de uma LT Subterrânea [10] 47 3.1.1 Evolução das linhas de transmissão subterrâneas utilizando cabos tipo óleo fluído Para posteriormente mostrarmos as vantagens que os cabos extrudados trouxeram em relação aos cabos isolados a óleo, relataremos o estado arte, métodos de instalações, tipos de manutenções e questões de confiabilidade dos cabos isolados a óleo. E ainda iremos levantar aspectos intangíveis em termos de custos em instalações subterrâneas. O desenvolvimento das linhas de transmissão subterrâneas utilizando cabo OF passou por vários estágios, dos quais iremos destacar os mais importantes. A fim de atender as contingências operativas, as linhas poderiam ser instaladas com um circuito de quatro cabos (três para operação normal e um para reserva), ou com dois circuitos (6 cabos sendo um circuito para operação normal e outro para reserva). Na linha composta por quatro cabos o circuito ficará desligado por defeito em um dos três cabos somente o tempo necessário para ser efetuada a manobra de troca pelo cabo reserva. Já na linha composta por dois circuitos, um circuito é reserva do outro, sendo assim devem ser dimensionados para 100% da carga, podendo ser ligados em paralelo, se esse esquema for o de operação normal cada circuito ficará operando com 50% da carga máxima. As diretrizes de planejamento e as possíveis ampliações é que recomendavam sobre o número de cabos a serem adotados, suas capacidades ou mesmo sobre o número de cabos reservas necessários. Em virtude da necessidade de evoluir o sistema para as tensões regulamentadas pelo decreto número 73.080, de 05/11/73, a partir de 1974 os cabos de 88 kV passaram a ser encomendados para tensões nominais de 138 kV, cujas características básicas eram: - Tensão nominal de serviço: 138 kV; - Classe de tensão para isolação: 150 kV; - Capacidade: 85 MVA com fator de carga de 75%; - Seção do condutor: Cobre 400 mm2 ou alumínio 500 mm2; - Isolante: papel impregnado com óleo mineral; 48 - Capa protetora: chumbo ou alumínio; - Capa externa: PVC preto ou polietileno preto; - Resistividade térmica do solo: 0,90ºC m/W. Como a necessidade de transmitir várias potências continuou aumentando ocorreu à construção de linhas de transmissão de 230 kV e 345 kV alimentadas por cabos subterrâneos, cujas características básicas, por exemplo, para uma linha de 230 kV eram: - Tensão nominal de serviço: 230 kV; - Classe de tensão para isolação: 245 kV; - Capacidade: 570 MVA com fator de carga de 75%; - Seção do condutor: Cobre 1.200 mm2; - Isolante: papel isolante com óleo; - Capa protetora: chumbo; - Capa externa: polietileno preto; - Resistividade térmica do solo: 0,90ºC m/W. Naquela época era importante ressaltar a questão de alguns componentes, por exemplo, nos condutores e capas protetoras. Com relação aos condutores, o material utilizado era preferencialmente cobre por motivos econômicos. Mas recomenda-se atualmente solicitar uma cotação de preços em alternativas cobre e alumínio e decidir pelo mais baixo. Outra evolução verificada foi à utilização de capa de alumínio corrugada em vez da capa de chumbo lisa. Capa de alumínio tem a vantagem de ter maior resistência que o chumbo, melhorando as características físicas do cabo. A evolução da capacidade de condução da corrente elétrica é relacionada com a redução do aumento da temperatura do cabo, ou com o aumento da tolerância do material isolante para temperaturas mais elevadas de operação. A redução do aumento temperatura dos cabos pode ser obtida com redução das perdas ôhmicas (perdas no próprio condutor ou nas capas protetoras), ou diminuição das perdas dielétricas geradas nos isolantes. Neste caso, procura-se usar materiais com tg δ menor, ou seja, reduzindo o fator de perda no dielétrico. Nos cabos de corrente contínua não há perda no dielétrico, existem linhas operando com ± 266 kV e ± 600 kV, podendo neste caso transmitir até 3.000 MW. 49 A outra forma de baixar a temperatura de operação dos cabos subterrâneos é reduzir a resistência térmica não só do cabo, como do meio ambiente, ou seja, o solo em volta do cabo (usando materiais especiais para enchimento das valas). A redução da temperatura ambiente do cabo pode ser obtida também através de resfriamento forçado. Podemos diferenciar três tipos de resfriamento, o indireto, o direto e o interno: No indireto, resfria-se o solo entorno do cabo por meio de tubos colocados paralelamente aos cabos onde circula água. No resfriamento direto, os cabos OF são colocados no interior de tubos de aço, onde é feita a circulação forçada de água. Nos cabos tipo PIPE o fluido que esta dentro da tubulação envolve o cabo é o óleo. Com esse recurso, consegue-se obter um acréscimo de transporte de energia de 30 a 50% acima da normal dependendo das extensões dos trechos de resfriamento. O aumento da temperatura de operação pode ser obtido através do uso de matérias isolantes com maior tolerância a temperaturas elevadas. Finalmente pode ser feita a redução da capacidade eletrostática que é conseguida com emprego de gás isolante (SF6), neste caso, os cabos têm semelhanças com os barramentos das subestações, como se fossem barras continuas. 3.1.2 Método antigamente usado em larga escala para construção da Linha de Transmissão Subterrânea Neste capítulo iremos mostrar porque anos atrás quando se cogitava de utilizar o sistema de transmissão subterrâneo seja para interligação de subestações em perímetro urbano ou para atender consumidores de localização central, era rejeitado de imediato. Pois a complexibilidade de instalação e manutenção além dos custos dispendiosos deste tipo de instalação era realmente incomparável. Mesmo assim havia casos onde não se podia fugir das linhas subterrâneas, como foi visto no capítulo 2. Consultamos como base para demonstrar os métodos utilizados, o manual de instalações de linhas subterrâneas elaborado pela Light [9] e o artigo publicado por Francisco e Aloísio [10]. 50 Uma vez determinada à rota mais conveniente e econômica sob o ponto de vista da construção civil e também levando em conta a circulação de veículos e dos logradouros; inicia-se o estudo hidráulico da linha levando-se em conta o perfil altimétrico, carga a transmitir, distância entre subestações e números de circuitos a instalar na mesma vala. Tudo isso para decidir-se pela utilização dos diferentes tipos de emendas. Também era abordada a questão de tipo, capacidade, quantidade e locação dos reservatórios de alimentação, bem como o sistema de alarme a adotar-se. Quanto à pressão, destacamos a importância do projeto de permitir a contração e dilatação do óleo fluído de acordo com o aumento ou diminuição de temperatura do cabo, sem implicar em sucessivas variações de pressão prejudiciais, sob o ponto de vista mecânico. A adoção de emendas de retenção de emendas abertas ligadas a reservatórios de alimentação, bem como emendas de retenção ligadas ou não a estes reservatórios, dependiam exclusivamente do comprimento e do perfil altimétrico da linha projetada. Em alguns casos ocorria o emprego de emendas de retenção na interligação de um novo trecho de cabos, a um mais antigo sem misturar o óleo fluído. Podíamos dividir os serviços de construção civil nas seguintes classes; • Escavação de valas; • Construção de linhas de dutos de pvc; • Escavação das caixas de emendas; • Construção das caixas de proteção de emendas; • Construção de “manholes“ para tanques de alimentação; • Remanejamento e reconstrução de outros serviços públicos. Escavação de valas • Demolição das pavimentações necessárias à execução da vala; • Separação dos materiais reaproveitáveis, e remoção dos materiais não reaproveitáveis; • Escavação da vala de acordo com a seção nominal definida em projeto; 51 • Escoramento contínuo com pranchas nas paredes escavadas; • Fornecimento e execução de um leito de areia peneirada para instalação de cabos com espessura de 0,05 m; • Fornecimento e colocação de areia peneirada para proteção dos cabos, em camada de 0,30 m; • Fornecimento e colocação de lajotas sobre os cabos, da forma indicada na Figura 23; Figura 23 – Lajota sobre os cabos NOME DA CONCESSIONÁRIA PERIGO TENSÃO EM VOLTS Fonte: Light – Serviços de Eletricidade S. A. [9] • Fechamento da vala com material residual reaproveitável, inclusive fazendo a compactação; • Concretagem da base para recapeamento asfáltico, e recomposição total da pavimentação no caso de outros tipos de calçamento; • Retirada da obra de todo material excedente; • Bombeamento, para escoamento das valas e escoamento apropriado das águas. 52 Figura 24 – Escavação para 2 circuitos utilizando cabos OF Fonte: Light – Serviços de Eletricidade S. A. [9] 53 Figura 25 – Escavação para 1 circuito utilizando cabos OF Fonte: Light – Serviços de Eletricidade S. A. [9] Construção de linhas de dutos de PVC Este tipo de disposição difere da anterior apenas por se tratar do lançamento de dutos para passagem dos cabos. Estes dutos devem ser envolvidos em concreto, com uma espessura de 0,10 m na parte inferior e superior. 54 Escavação de caixas de emendas • Demolição da pavimentação necessária à execução da caixa; • Escavação propriamente dita da caixa; • Escoramento contínuo com pranchas de 2” x 12” travadas por pernas de 3” x 3”; • Preparo do fundo da caixa em concreto traço 1:3:5 e espessura igual a 10 cm. Sobre o concreto será confeccionado assoalho de madeira apoiado sobre pernas de 3” x 3”, deixando-se uma abertura para bombeamento de água; • Cobertura provisória de madeira em pranchas, após a instalação dos cabos; • Construção da mureta de proteção em torno da caixa, em concreto simples de traço 1:3:5, com espessura de 0,15 m e altura de 0,60 m. Esta mureta servirá de proteção aos encarregados da montagem, bem como evitará que ocorram penetrações de água proveniente de chuvas fortes, que ocorram quando os cabos estiverem abertos por ocasião das emendas; • Fechamento da escavação com material residual da abertura, inclusive apiloamento, após construção das caixas de proteção de emendas; • Concretagem da base para recapeamento asfáltico; • Retirada de todo o material excedente, inclusive o resultante do empolamento. 55 Figura 26 – Disposição das caixas de emendas para 2 circuitos utilizando cabos OF Fonte: Light – Serviços de Eletricidade S. A. [9] 56 Figura 27 - Disposição das caixas de emendas para 1 circuitos utilizando cabos OF Fonte: Light – Serviços de Eletricidade S. A. [9] Construção de caixas de Proteção de Emendas e Mureta de apoio dos Cabos • A caixa de emendas recebe uma camada de concreto simples por ocasião de sua abertura. Confeccionadas as emendas e após observação da solda e de possíveis vazamentos, inicia-se a execução das caixas de proteção e das muretas de apoio dos cabos, em alvenaria de ½ tijolo juntas argamassadas, sem revestimento. Estas caixas são preenchidas com areia de fina granulometria; • Fornecimento e recobrimento das caixas de proteção de emendas das muretas e de um modo geral de toda a área da caixa de emendas, por lajotas. 57 Figura 28 – Caixa de proteção de emendas utilizando cabos OF Fonte: Light – Serviços de Eletricidade S. A. [9] Construção de “manholes “ para tanques de Alimentação • Os “manholes” São construídos em concreto armado, de dimensões compatíveis com o número de reservatórios que se pretende abrigar; • O fundo do “manhole”, o teto e as paredes não são revestidos. O concreto apresentar-se-á liso, sem falhas e, sobretudo impermeável; • Tampão utilizado é o mesmo empregado em “vaults”, com sobtampão e tranca, a fim de evitar a entrada de água. Também é provido de escada de ferro galvanizado, para facilitar visitas periódicas de inspeção. 58 Dimensões empregadas para Valas, Caixas de Emendas, “Manholes“ e linhas de dutos Tabela 3 – Dimensões empregadas para Valas Circuitos Dimensões 1 Circuito Trifásico 2 Circuito Trifásico 3 Circuito Trifásico Largura 0,80 0,90 1,00 Profundidade 1,70 1,70 1,70 OBS: Dimensões em metros Fonte: Light – Serviços de Eletricidade S. A. [9] Tabela 4 – Dimensões das Caixas de Emendas Quantidade e Tipo de Emenda 6 Emendas Dimensões 4 Emendas Alimentação Normais ou 3 Emendas Alimentação Normais Retenção ou Alimentação Normais Retenção ou Retenção Largura 3,10 3,50 2,60 3,00 2,20 2,60 Comprimento 10,50 12,00 7,50 9,00 7,00 8,60 Profundidade 2,20 2,20 2,20 2,20 2,20 2,20 OBS: Dimensões em metros Fonte: Light – Serviços de Eletricidade S. A. [9] 59 Tabela 5 – Dimensões de “Manholes“ para Tanques de Alimentação Quantidade de Reservatórios Dimensões Até 6 Reservatórios De 6 a 18 Reservatórios Largura 2,00 2,00 Comprimento 3,00 5,00 Altura 2,00 2,00 OBS: Dimensões em metros Fonte: Light – Serviços de Eletricidade S. A. [9] E as linhas de Dutos de PVC devem ter um diâmetro de aproximadamente 5” ou 6”. A saturação do subsolo pelas redes de outros serviços públicos, nem sempre corretamente cadastradas, bem como, os problemas de licenciamento para a execução de escavação nas vias públicas, devido à dificuldade de escoamento de veículos nos grandes centros, têm conduzido as seguintes soluções: • Sustentação e escoramento provisório daqueles serviços públicos para possibilitar a instalação dos cabos sob as galerias em tubulações, implicando na reconstrução, após a instalação e dos cabos, dos serviços públicos inevitavelmente danificados, em certos casos, durante os trabalhos. A maioria das vezes tais galerias ou tubulação de água, esgotos, etc, rompem-se a simples retirada de aterro de recobrimento, devido ao desequilíbrio de pressões, já que as mesmas operam geralmente em sobrecarga; • Remanejamento para outra posição, de galerias e tubulações, tais como ramais residenciais de água, esgoto, gás, etc. Evidentemente, tais serviços realizados por outro órgão de utilidade pública, somente poderão ser executados, se tecnicamente viáveis, a critério daquelas instituições. Outro problema que poderiam surgir era os de remanejamento de cabos de transmissão já instalados quando se constituíam em obstáculos à construção de importantes obras públicas, tais como viadutos, túneis etc. 60 Tais situações, indesejáveis sob todos os aspectos, são evitadas ao máximo e, atualmente, por ocasião de elaboração dos projetos de cabos de transmissão, são confrontadas as rotas escolhidas com todos e quaisquer serviços ou obras públicas que se realizam. 3.1.3 Evolução do nível de potência nas linhas de transmissão subterrâneas Para abordarmos as técnicas de resfriamentos em cabos isolados a óleo, utilizadas para aumentar a potencia transmitida nas linhas de transmissão subterrâneas tomamos como base os métodos descritos nos artigos de Julio e Teruo [5], Aloísio e Carmine [8], Geraldo, Samir e Carmine [7] e Julio, Fernando e Aloísio [6]. Face à saturação que os serviços públicos trouxeram às camadas mais superficiais do solo das zonas urbanas, a profundidade de instalação dificilmente é inferior a 1,5 m. Nestas condições os níveis de potências transportáveis são substancialmente reduzidos, se forem mantidas as técnicas convencionais. Diante deste problema existem sempre pelo menos duas alternativas disponíveis: a) Aumento do nível de tensão da transmissão; b) Aumento da capacidade de condução de corrente dos condutores através da melhoria das condições de dissipação de calor gerado pelos cabos. Esta necessidade de se transportar grandes blocos de potência em altíssimas tensões utilizando cabos subterrâneos com a menor ocupação possível de espaço na via pública, juntamente com o limite da seção máxima de condutores a ser fabricado mostrou a necessidade de serem usados artifícios para resfriamento dos cabos. Três tipos de resfriamento forçados são os mais estudados atualmente, o interno, o integral e o lateral, os quais descritos abaixo. O resfriamento interno é caracterizado pelo fato do óleo de impregnação dos cabos ser forçado a circular pelo canal central dos mesmos e a passar por uma estação de resfriamento retornando a seguir aos cabos a uma temperatura préfixada. O calor é retirado diretamente do condutor. 61 Diferentemente do anterior, o resfriamento integral é feito pelo meio refrigerante que circula dos dutos onde estão alojados os cabos, retirando assim o calor diretamente da capa dos cabos. Os meios refrigerantes mais utilizados são água e ar/água. Já o resfriamento lateral, também chamado de resfriamento por tubos em separado, consiste da instalação dos cabos e tubos diretamente enterrados, sendo os tubos colocados próximos e em paralelo aos cabos; com a circulação de água pelos tubos é retirado calor do meio ao redor dos cabos, possibilitando uma maior troca de calor entre o cabo e o meio ambiente. Estes sistemas de resfriamento supriam a necessidade de transmitir maiores potências que aquelas possíveis com sistemas resfriados naturalmente. O sistema de resfriamento interno era aquele que tinha melhor rendimento de troca de calor, possibilitando o transporte de blocos de potência realmente elevados; em contrapartida, era o sistema que tinha maior número de elementos a serem desenvolvidos e principalmente tinha que ser contornado o problema de contaminação do óleo isolante no bombeamento. Já o sistema com resfriamento integral possuía poucas vantagens de transporte de potência quando comparado com o resfriamento lateral possuía os mesmos problemas de acessórios e ainda estava sujeito a deformações cíclicas nos cabos, que não ocorrem naquele tipo de resfriamento. Figura 29 – Resfriamento Integral – Deformação do cabo com os circuitos de carga Fonte: Sistema de Transmissão Subterrânea com Resfriamento Forçado [8] 62 Finalmente o resfriamento lateral, podia ser realizado sem grandes dificuldades, existindo a necessidade da melhoria do resfriamento do terminal e emenda. Portanto, é o tipo que mais rapidamente pode ser colocado em condições de atender ás necessidades de transporte de potências na maioria dos casos. Figura 30 – Protótipo do resfriamento lateral – seção típica Fonte: Sistema de Transmissão Subterrânea com Resfriamento Forçado [8] Para fins ilustrativos abaixo apresentamos um quadro comparativo com o nível de potência transmitidas com cada um dos tipos de resfriamentos. 63 Figura 31 – Resfriamento forçado – Potências transportáveis Cabo OF 400kV Fonte: Sistema de Transmissão Subterrânea com Resfriamento Forçado [8] 3.1.4 Manutenção dos cabos tipo óleo fluído e PIPE de transmissão subterrânea Depois das exigências do setor elétrico, com a implantação de serviços específicos, de prevenção e correção de falhas e defeitos as concessionárias desenvolverão a manutenção preventiva para essas instalações. Para podermos mostrar como é feita e côo é difícil a manutenção dos sistemas construídos com cabos isolados a óleo fluido e do tipo “PIPE” descrito no capítulo 2, consultamos o artigo publicado por Agostinho e Sylvio [4] e pudemos destacar os seguintes aspectos de manutenção preventiva e corretiva e ainda os principais problemas detectados nestes sistemas. Manutenção preventiva Como na maioria dos cabos utilizados, a isolação é feita por óleo fluído a maior preocupação nestas instalações era a queda de pressão do óleo isolante ao longo do cabo unipolar, em virtude de falhas de montagem, defeitos de fabricação de componentes, falhas de operação, ação do meio e de terceiros sobre os acessórios. Outros objetos que necessitam de atenção especial são os pontos de 64 conexão entre cabos e entre cabos e barramentos, assim como entre as capas metálicas e os pontos de aterramento das mesmas. Sendo assim são programados e realizados os seguintes serviços de manutenção preventiva: c) Inspeção e Manutenção de Terminais O terminal externo de um cabo subterrâneo, em virtude do tipo de instalação usada, torna-se o único componente do cabo que se tem acesso. Por estar em uma estrutura de aço galvanizado e exposto ao meio ambiente, está submetido a ações de produtos químicos, ocasionando problemas como oxidação das partes metálicas, fenômenos de ordem elétrica e interferências. Objetivando a eliminação destes programados e realizados com periodicidade anual: • Inspeção, limpeza e/ou substituição de conectores entre cabos subterrâneos e barramentos ou cabos aéreos, bem como conectores de aterramento das capas metálicas; • Inspeção e substituição de componentes da estrutura de apoio e do terminal; • Pintura dos acessórios expostos ao tempo, tais como estruturas de suporte, compensadores de variação de volume de óleo, entre outras; • Limpeza do terminal de porcelana. d) Limpeza das Caixas de Alimentação São caixas de concreto armado, e enterradas para proteção do sistema hidráulico e de alarme dos cabos contra atos de vandalismo e contra as condições atmosféricas, sendo instaladas ao longo do itinerário dos cabos sempre ao lado das caixas de emendas. 65 Por motivo de imperfeições construtivas e problemas advindos do tipo de instalação, constantemente permitem a infiltração de água ocasionando a deterioração dos componentes. Para minimizar estes problemas, são realizados serviços de drenagem através de bombas submersíveis e limpeza no interior dessas caixas, com periodicidade variável de acordo com a precipitação pluviométrica. e) Manutenção no Sistema de Alarme de Pressão de Óleo Este sistema é composto por manômetros dispostos nas caixas de alimentação e nos terminais de acordo com o número de circuitos hidráulicos existentes, munidos de contatos duplos de alarme de alta e baixa pressão, normalmente fechados e interligados em série, através de cabos telefônicos subterrâneos ou aéreos, com o painel de alarmes instalados na estação. A manutenção dos sistemas de alarme é realizada com periodicidade semestral, através de desmontagem dos manômetros com objetivo de se efetuar testes de continuidade dos alarmes e verificar a flexibilidade dos contatos, uma vez que devido às condições de umidade existentes no interior das caixas e as condições estáticas dos ponteiros, geralmente ocorre o emperramento dos mesmos. Manutenção Corretiva Caracteriza-se pela retirada de operação do cabo, seja imediata, pela atuação do sistema de proteção, ou através de solicitação do setor responsável. a) Falha no Circuito de Óleo É detectada pelo alarme de pressão de óleo através dos contatos dos manômetros, pode ser ocasionada por perfurações das fases do cabo 66 subterrâneo de transmissão causada por terceiros ou pela deterioração de um componente do sistema hidráulico. Depois de confirmar a veracidade do alarme é solicitado o desligamento do cabo e acionado o fabricante para a normalização da mesma no circuito de óleo correspondente, a fim de evitar a despressurização do cabo e conseqüentemente minimizar o tempo de desligamento. Imediatamente após a comunicação é efetuada inspeção ao longo do itinerário, com o objetivo de encontrar escavações recentes que possam ter originado a perfuração e por conseqüência a falha. Caso contrário, o óleo no cabo encontra-se em condições normais de operação, procede-se uma inspeção nos contatos de alarme e cabo telefônico. b) Falha Elétrica Caracteriza-se pela ocorrência de um curto circuito, com conseqüência a atuação do sistema de proteção e retirada imediata do cabo de operação. Ocasionada pela interferência de terceiros, causando a perfuração das fases. O procedimento adotado consiste na leitura de pressão do óleo isolante ao longo do itinerário com o objetivo de identificar o circuito de óleo correspondente e localizar o ponto de falha. Depois solicita a empresa fabricante do cabo para injeção de óleo isolante, abertura da vala e exposição do cabo para realização de reparo provisório. No caso do circuito ser composto por 4 cabos, sendo 3 fases e 1 reserva, e somente um cabo tenha sido afetado, solicitar a retirada do referido cabo de operação e substituindo-o pelo cabo reserva, energizando o circuito normalmente. Posteriormente o fabricante fará o reparo definitivo que geralmente consiste na substituição de um trecho de cabo e a realização de 2 emendas normais. 67 Problemas em Cabos tipo “PIPE” a) Tratamento em óleo isolante Em 1983, durante testes realizados no óleo isolante de uma linha de 230kV contatou-se que o valor da rigidez dielétrica encontrava-se perto do valor mínimo especificado de 25kV/mm, em contraposição com o valor obtido no cabo de 40kV/mm, e também um decréscimo de 1000 galões U.S. de óleo em relação ao nível mínimo estabelecido, isso ocasionado por ocorrências registradas em dois terminais. Com a finalidade de normalizar as condições de operação, tornouse necessário o tratamento deste óleo e a complementação do nível de reservatório, serviços estes dificultados em virtude da falta de parâmetros que os orientassem das condições inadequadas do óleo disponível no almoxarifado e da inexistência deste produto no mercado nacional. b) Deterioração de Guarnições em Terminais Devido ao vazamento de óleo isolante na câmara interna, ocorreu a deterioração das guarnições. Sendo assim precisava-se fazer a desmontagem dos terminais com cuidados especiais para evitar a perda de óleo e trocar as guarnições deterioradas. c) Vazamento de óleo na câmara interna Em 1984, constatou-se o vazamento de óleo da câmara interna de alta pressão para a câmara externa, e depois foi identificado o problema como a falta de aperto das flanges da câmara interna. Isso necessitou de um grande empenho da equipe de reparo uma vez que o tipo construtivo dificulta a manutenção interna. 68 Problemas em cabos “OF” a) Corrosão em Componentes de Cabos Devido o material de vários componentes serem feitos de aço galvanizado, principalmente dentro das caixas de alimentação onde a entrada de água e a falta de ventilação ocasionam forte presença de umidade, ocorre a corrosão destes componentes. Para combater este problema são utilizados meios de manutenção já citados como a limpeza das caixas de alimentação e a pintura destes componentes com a linha energizada. Porém do ponto de vista de segurança e do próprio combate a corrosão é bastante ineficaz uma vez que não permite o acesso total aos componentes. Por causa disto opta pela substituição das peças e realizando a sua manutenção em locais apropriados. b) Substituição de Componentes de Manômetros Devido à deterioração dos componentes de manômetros tais como ponteiros, escalas e contatos em função das condições presentes no interior das caixas, bem como por defeitos de origem elétrica, exige a substituição imediata dos mesmos a fim de normalizar o sistema de alarme. Para solucionar esse tipo problema torna-se necessário à substituição completa do manômetro pelo fato da incompatibilidade dos manômetros instalados e as peças de reposição. A troca é feita em aproximadamente em 20 minutos, com o cabo em operação, restringindo a retirada da supervisão de alarme. Isso é possível porque considerando as condições de operação do cabo, cuja pressão do óleo em um período relativamente curto, praticamente não sofre variação. 69 c) Conexões Hidráulicas As interligações hidráulicas entre cabo e compensadores de variação de volume de óleo e entre esses e manômetros são realizadas, através de tubos de chumbo, possuindo em suas extremidades conexões de bronze ou latão, fixadas através de soldas estanho-chumbo. Estas conexões têm apresentado ao longo do tempo, em alguns cabos, trincas longitudinais decorrentes de falhas de material, ocasionando vazamento de óleo isolante. A substituição destas conexões que em alguns casos é muito trabalhosa, exigindo o congelamento do óleo contido no tubo de chumbo, acarreta problemas operacionais, uma vez que torna necessário o desligamento do cabo. d) Deterioração de Soldas em Emendas e Terminais A existência deste tipo de defeito, mais freqüentes em cabos com capa metálica de alumínio cujo processo de solda exige cuidados especiais e também ocorrendo em cabos com capas metálicas de chumbo ocasiona vazamento de óleo que de acordo com a sua amplitude e queda de pressão, leva a retirada do cabo de operação. A reconstrução destas soldas tem sido realizada pelos fabricantes, adotando-se sobre as mesmas, um reforço mecânico à base de fita de fibra de vidro e resina sendo a reincidência muito difícil de acontecer. 3.2 ASPECTOS CONSTRUTIVOS Comparando as duas formas de instalação, vemos que neste aspecto, de maneira geral, as Linhas aéreas são infinitamente mais fáceis e rápidas de instalar em condições normais. Basicamente, dentro de um projeto de uma LTA, para reduzir seus custos de implantação, tenta-se obter o maior vão possível entre estruturas, economizando 70 assim torres e postes de transmissão. Isto resulta muitas vezes em dificuldades de acesso as estruturas devido justamente aos pontos de instalação (normalmente picos e lugares altos). Quando a linha corta grandes centros urbanos, a instalação de LTA´s pode se inviabilizar. As dificuldades de instalação de redes subterrâneas também são conhecidas. A seguir, mostraremos os métodos de instalação e também comentaremos o aplicado a nosso projeto. 3.2.1 Instalação de cabos Subterrâneos A definição de como o cabo deve ser instalado, considera, entre outros, dois fatores importantes: o critério de aterramento das blindagens e o método de instalação a ser implementado. Aterramento das Blindagens As utilizações de blindagens multi-aterradas ocorrem tanto com cabos instalados em trifólio como em plano. Os cabos em trifólio (triângulo eqüilátero com os cabos encostados, Figura 32), têm a vantagem de ocuparem pouco espaço para sua instalação, reduzindo o volume de escavações nas instalações em valas. Os cabos em plano (com os cabos afastados um do outro) com a blindagem multiaterrada, raramente são utilizados, devido a exigir valas mais largas e terem perdas devido a corrente de circulação na blindagem elevadas. 71 Figura 32 – Cabos em trifólio, em vala Fonte: Aspectos Econômicos de Dimensionamento de uma LT Subterrânea [10] O sistema “cross bonding” de aterramento das blindagens, realiza a transposição dos condutores com relação às blindagens de modo a se conseguir praticamente o cancelamento das correntes circulantes nas blindagens. O sistema “single point bonding” com as blindagens aterradas em uma única extremidade tem como vantagem à eliminação das perdas ôhmicas nas blindagens, reduzindo dessa maneira as perdas totais e permitindo a circulação de uma corrente maior no condutor. 72 Figura 33 – Cabos instalados em plano com blindagem cross-bonding Fonte: Aspectos Econômicos de Dimensionamento de uma LT Subterrânea [10] 3.2.2 Métodos de Instalação Aqui, o principal e único fator determinante é o local onde a obra será executada. Métodos convencionais São aqueles que trabalham a céu aberto em valas ou banco de dutos. 73 a) Instalação em valas A largura das valas é função de como os cabos serão instalados, ou seja, em “trifólio” quando se utilizam valas com 800 mm de largura, ou em plano quando a largura passa para cerca de 1300 mm. A profundidade 1600 mm é um valor de referência para instalações em vias públicas. As instalações em valas são utilizadas em locais com pouco transito, onde é possível manter a vala aberta pôr um período longo, necessário para se completar a abertura de todo o lance e permitir o lançamento dos cabos. A principal vantagem das instalações em valas é permitir lances longos, reduzindo o número de emendas (acessórios e obras civis). É viável o puxamento de lances da ordem de 1000 metros, facilmente fornecidos no caso de cabos OF, quando a instalação é em vala. b) Instalação em Dutos As instalações em dutos são utilizadas nas regiões de maior congestionamento/tráfegos intenso, bem como em locais onde o subsolo tem baixa capacidade de suporte. A principal vantagem que este método apresenta é que podem ser construídos em trechos curtos, da ordem de 40 metros, evitando-se a interrupção da via pública em grandes extensões. Outra grande vantagem dos bancos de dutos é permitir a existência de dutos para instalações futuras, reduzindo o custo real da obra.. Os lances permitidos para puxamento em dutos são da ordem de 250 a 300 metros, dependendo do número de curvas existentes no trajeto, Nas vias públicas normalmente é constituído pôr um envelope de concreto dentro do qual estão os dutos. Atualmente é mais usual a utilização de dutos de polietileno de alta densidade, fabricado em lances de 40 metros. Se o local permitir podem 74 ser instalados sem o envelope de concreto, apenas envolto em “back fill” de boas características térmicas. Métodos não destrutivos a) Processo PITH Consiste em cravar diretamente no solo tubos metálicos de grande diâmetro (870 mm pôr exemplo), cobrindo a extensão necessária para a instalação do cabo. A parte interna do tubo é escavada à medida que é instalado, ficando auto suportada. Posteriormente é necessário preencher a parte interna construindose um banco de dutos. Sua desvantagem é a mesma dos bancos de dutos, ou seja, permitir apenas lances pequenos, devido às dificuldades de puxamento. Além disso, a dificuldades de construção do banco de duto dentro do tubo pode resultar em problemas maiores durante o puxamento dos cabos. Esse método tem sido utilizado em travessias especiais e devemos prever a instalação lances de cabos da ordem de 200 a 250 metros. Seu custo de referência é pouco superior ao de uma linha de dutos convencional. b) Túneis e Galerias. Os túneis e galerias são utilizados em regiões de maior congestionamento/tráfico intenso e/ou que possuem o subsolo congestionado. São vantajosos para linhas de alta potência ou quando é necessária a instalação de numerosos circuitos de potência e outros serviços. Como exemplo a LTS Norte-Miguel Reale 345 kV, para 1200 MVA, com 15 km de extensão, sendo os 5 km que atravessa o centro de São 75 Paulo, executada em túnel, construído pelo processo NATM, sem causar grandes problemas na superfície. Dentro dos túneis os cabos são instalados de modo similar a instalações em valas, permitindo portanto lances longos. Seu custo é semelhante ao de instalação de uma linha em vala, desde que seja instalado no piso do túnel. A diferença de preço resultado se deve a diferença entre os preços das obras civis. No caso de outro tipo de fixação dos cabos dentro do túnel o preço pode aumentar, como o exemplo da Figura 34, cabos fixados em braçadeira. Figura 34 – Cabos em túneis fixados por braçadeiras Fonte: Aspectos Econômicos de Dimensionamento de uma LT Subterrânea [10] 76 c) Navigator Estão sendo realizados testes para viabilizar a instalação de linhas subterrâneas, com a utilização de sondas que fazem a perfuração longitudinalmente, direcionada por um controlador na superfície do solo. É passado um cabo guia que posteriormente realizará o puxamento dos dutos em polietileno, dentro dos quais serão instalados os cabos. Nesses dutos os cabos tanto podem ser instalados um em cada duto, com aterramento das blindagens em “cross bondig”, para grandes blocos de potência (superiores a 150 MVA) ou três cabos em trifólio num único duto. Os lances ficam também limitados a 200/250 metros devido às dificuldades de puxamento. O preço de instalação dos cabos é semelhante ao de instalações em dutos, Sua grande vantagem é que os preços das obras civis são inferiores ao de abertura das valas e causam pouca interferência na superfície. 77 Figura 35 – Comparativo dos tipos de instalação Fonte: Aspectos Econômicos de Dimensionamento de uma LT Subterrânea [10] 3.3 CONFIABILIDADE Os dados de confiabilidade de linhas de transmissão subterrâneas são escassos e de difícil acesso. Na linha de 69kV da ponte Hercílio Luz (CELESC) nunca ocorreu uma falta de energia por causa de falha nos cabos. Linhas de distribuição de 13,8kV subterrâneas do centro de Curitiba tem uma estimativa de 0,25 Falhas/Km.ano, sendo à parte destas falhas devido às falhas de conexões nos transformadores, inundação de cabinas de AT, etc. Cabos isolados em Óleo fluido tem confiabilidade bastante elevada, cerca de 0,5x10-3 falhas/km.ano na rede subterrânea de São Paulo, estes cabos são fabricados no Brasil de 69 a 520kV e no mundo até 1100kV. Possíveis falhas nos cabos podem acontecer por motivos alheios às concessionárias de energia e são muito raramente causados por agentes naturais. 78 As falhas são causadas por erro ou omissão humanas. Os fatos mais comuns são cravação de estacas causando defeitos permanentes em cabos, escavação com máquinas tipo retro-escavadeira, perfurações diversas, etc. 3.4 MANUTENÇÃO 3.4.1 Manutenção Preventiva Algumas Linhas de transmissão instaladas em nosso sistema, tem a ele acoplado o chamado sistema de monitoração de cabos. Das necessidades das concessionárias de energia elétrica que operam linhas de transmissão, podemos destacar: i) Transmitir o máximo de energia que a linha suporta, principalmente em emergência. ii) Reduzir custos, tempo de interrupção, aumentar a eficiência da manutenção. O principal fator limitante para a capacidade de transmissão de potência é a temperatura do condutor. Para linhas diretamente enterradas ou em galerias, as normas usadas para definir capacidade de transmissão e as considerações de projeto das condições de pior caso podem levar a um dimensionamento do cabo superior ao necessário em relação às condições reais da instalação. A linha instalada pode transmitir mais energia do que o especificado no projeto original. Somente com informações coletadas através de uma extensa pesquisa das condições do solo (umidade e resistividade térmica) ao longo de todo o trecho, e ao longo de vários anos, seria possível realizar o projeto com pequena margem de segurança. Isso é normalmente impossível ou economicamente inviável, principalmente para linhas extensas. Ainda assim, considerando-se toda a vida útil da instalação (tipicamente 40 anos), seguramente as condições de pior caso usadas no projeto serão mais severas do que as condições realmente presentes na linha. 79 Caso uma falha na operação ou instalação de uma linha subterrânea não seja identificado a tempo, os custos podem ser grandes para a concessionária, tanto pelo custo de reparo como pelo tempo de interrupção da linha. No caso de monitoração, os dados de campo são coletados em uma série de pontos ao longo da linha. Figura 36 – Sistema de monitoramento de cabo subterrâneo Fonte: Sistema de monitoração de cabos [28] O cálculo realizado para determinar a temperatura do condutor recebe como entrada a temperatura da cobertura, a temperatura do solo e a corrente elétrica no condutor. O modelamento térmico do cabo e do solo é realizado usando-se as normas IEC 287 (ampacidade em regime a plena carga) e IEC 853 (ampacidade em regime de emergência considerando o transitório térmico). O sistema é adaptativo e recalcula a resistividade e capacidade térmica do solo com o decorrer do uso. Como saída, além da temperatura do condutor em 80 tempo real, o sistema fornece uma tabela de sobrecorrentes admissíveis para uma série de tempos pré-definidos, exemplo: para uma corrente nominal de 650 A seriam fornecidas as saídas de 1200 A para 10 min, 900 A para 30 min, e assim por diante. Também é fornecido o tempo para atingir a temperatura nominal, mantida a corrente atual. 3.4.2 Sistema de monitoração de defeitos em Linhas Subterrâneas – Manutenção corretiva. Detectar e localizar falhas incipientes em cabos subterrâneos, antes que aconteça efetivamente uma falha elétrica, e evitar faltas repetitivas tem enormes benefícios potenciais quanto à satisfação do cliente, economia de capital, custo operacional e qualidade das estatísticas de fornecimento. A análise estatística de falhas nos cabos fornece a chave para se entenderem os tipos de faltas que acontecem. A análise de falhas em cabos de média tensão indica dois principais tipos: externas e internas. As falhas externas são falhas na cobertura ou no bloqueio contra penetração de água. Surgem principalmente em virtude de danos na hora da instalação. A aplicação de técnicas de monitoramento de condições de referência pode identificar circuitos individuais com alto risco de falha. Algumas das técnicas de monitoramento nestas condições incluem: i) Tan δ e variação de tan δ ii) Impedância de seqüência zero iii) Mapeamento de descargas parciais iv) Refletômetro por domínio do tempo A falha no cabo por descarga própria é rara, porém na maioria dos casos, pode ser atribuída à fuga térmica no isolamento, devido à técnica de emenda ou a presença de vácuos no isolamento. As técnicas de monitoramento destes defeitos incluem: 81 i) Ensaios de pressão (corrente alternada e contínua) ii) Queda de potencial iii) Mapeamento de descarga parcial por VLF (baixa freqüência) v) Tan δ e variação de tan δ iv) Imagem térmica das terminações v) Ultra sonografia Existem dois tipos também de técnicas de monitoramento que podem ser dividas por: técnicas off line de monitoramento e técnicas on line. 3.5 ASPECTOS AMBIENTAIS E RISCOS As questões ambientais, relacionadas às linhas de transmissão subterrâneas são mínimas, pois como já citado anteriormente, seus efeitos não são mensuráveis sobre o meio físico, já que não há significativa emissão de ruídos, campos eletromagnéticos, aumento de processos erosivos. Sobre o meio biológico o impacto também é pequeno e sobre o meio sócio econômico não há significativa mudança na vida diária nem exposição da população a riscos. Em relação aos riscos, estes somente se apresentam na fase construtiva da linha, após os riscos desaparecem, sendo que a possibilidade de acidentes, no caso, o mais provável seria eletrocussão num curto circuito fase-terra envolvendo pessoas é mínimo havendo aterramento correto da blindagem. 3.6 IMPACTOS VISUAIS O aspecto visual sem dúvida é uma das principais vantagens dos sistemas subterrâneos em relação ao aéreo em grandes centros urbanos, pois não gera a tão desagradável poluição visual. Além disso, em redes de distribuição de energia por exemplo, as empresas prestadoras de serviços como distribuição de energia, telefonia, TV por assinatura e até mesmo saneamento podem juntos fazer galerias com espaços reservados para cada serviço, limpando assim o espaço aéreo das ruas. 82 4 METODOLOGIA – ESTUDO DE CASO Neste capítulo iremos fazer inicialmente um breve comentário sobre as características da linha urbana aérea implantada na cidade de Joinville, informando o motivo de sua construção, critérios para a definição da linha, breve comentário sobre a construção e valores globais e parciais da obra em questão para que possamos dar continuidade a nosso estudo de caso. Depois apresentaremos os critérios para a especificação, dimensionamento e custos de uma possível instalação de uma LT subterrânea que teria como função substituir a LT aérea onde esta passa por locais mais densamente habitado, em perímetro urbano. Desta forma, a LT resultante apresentada em nosso trabalho, seria uma linha mista, sendo que, no trajeto onde o traçado passa por áreas desabitadas, a linha irá permanecer aérea como foi construída, e no trajeto urbano, mais densamente povoado analisaremos a viabilidade técnico-financeira para a substituição desta parte por uma linha subterrânea. Com base nestes dados iremos analisar o trecho da linha em questão para podermos efetuar um comparativo de custos e aspectos que possam influenciar o projeto de novas LT’s urbanas. 4.1 LINHA DE TRANSMISSÃO 69 KV AÉREA JOINVILLE I – JOINVILLE V Junto a CELESC – Centrais Elétricas de Santa Catarina, obtemos a informação que a LT em questão, foi implementada com o intuito de aumentar a capacidade de fornecimento de energia da SE Joinville v, assim como melhorar a confiabilidade da mesma. A SE Joinville V era anteriormente suprida através de uma LT aérea de 69 kV, circuito simples, que seguia praticamente o mesmo traçado da nova LT, porém com o aumento da demanda energética da região, era necessário um aumento no transporte de energia da SE Joinville I para a SE Joinville V. Após estudos de viabilidade e projeções de demanda, foi decidido por parte da Celesc que a LT 83 existente seria substituída por outra LT de maior capacidade de transporte de energia que seguiria basicamente o mesmo traçado da anterior. Decidiu-se então construir uma LT de circuito duplo com cabos do tipo CAA 477 MCM código Hawk, os quais em condições normais de operação suportam o transporte de aproximadamente 60 MVA, sendo que com isso a nova LT teria a capacidade total de 120 MVA, suprindo assim, com folga a demanda da região e permitindo uma maior expansão no fornecimento de energia com o decorrer do tempo e melhorando a confiabilidade do mesmo, uma vez que este é responsável pelo abastecimento da região central da cidade e de pontos importantes da industria e comercio de Joinville. Seguindo os padrões locais em vigência para a construção de LT’s aéreas urbanas, a LT em questão foi projetada em estruturas de concreto armado, com exceção a estrutura de saída da SE Joinville I, que foi definida em torre metálica, devido a um problema de acesso e altura mínima de segurança devido à travessia da BR 101, sendo que o trajeto de 2,3 km foi dividido entre 32 estruturas que seguem as seguintes características: • estrutura de concreto de suspensão, circuito simples, circular, 29 metros e carga de topo 1500 daN, tipo SVC → 02 unidades; • estrutura de concreto de ancoragem, circuito simples, circular, 27 metros e carga de topo 2100 daN, tipo AVC2 → 01 unidade; • estrutura de concreto de ancoragem, circuito simples, circular, 29 metros e carga de topo 2100 daN, tipo AVC2 → 08 unidades; • estrutura de concreto de ancoragem, circuito simples, circular, 29 metros e carga de topo 2400 daN, tipo AVC2 → 01 unidade; • estrutura de concreto de ancoragem, circuito simples , circular, 29 metros e carga de topo 3500 daN, tipo AVC2 → 02 unidades; • estrutura de concreto de ancoragem, circuito duplo, circular, 29 metros e carga de topo 3500 daN, tipo ADCE → 17 unidades; • estrutura metálica em circuito duplo tipo AGS1 + extensão de 9 m → 01 unidade. Sendo que a disposição na linha e o desenho das mesmas encontram-se no projeto da LT, em anexo, o qual foi feito pelo Departamento de Projetos da CELESC. 84 Para a proteção da LT foi estipulados um cabo pára-raios do tipo 101,5 MCM código Petrel e um cabo OPGW 24 FO. Um aspecto interessante que podemos observar nesta LT, e que nos pontos onde existe um maior numero de casas e a largura da rua é menor, como nos casos da rua Brigada Lopes e Max Collin, a linha que vem em circuito simples por um lado da rua, abre-se em dois circuitos distintos, passando um em cada lateral da rua. Esta manobra foi feita para diminuir a necessidade de desapropriar e indenizar os moradores destas regiões, o que causaria um grande transtorno a população local, uma vez que, em circuito simples, é avançar com os cabos alguns metros sobre a rua devido aos braços das estruturas, fazendo com isso que os terrenos e casas fiquem fora da faixa de servidão da linha. A seguir, podemos observar a linha em circuito duplo na Figura 37 e em dois circuitos simples na Figura 38, assim como, ter uma noção da dimensão das estruturas em questão, comparando-as a um poste comum de distribuição na Figura 39 e com um pequeno prédio local na Figura 40. 85 Figura 37 - Circuito Duplo Fonte: Grupo do projeto final 86 Figura 38 - Dois Circuitos Simples Fonte: Grupo do projeto final 87 Figura 39 - Comparação com um poste comum de distribuição Fonte: Grupo do projeto final 88 Figura 40 – Comparação com um prédio local Fonte: Grupo do projeto final 4.1.1 CONSTRUÇÃO DA LINHA DE TRANSMISSÃO A LT 69 kV Joinville I – Joinville V foi construída pela empresa Solluz Construções Técnicas Ltda, em regime de contrato tipo “Turn Key”, onde a mesma, além da construção da LT, é responsável ela aquisição dos materiais e equipamentos para a obra em questão. 89 A obra iniciou-se em 02/12/2001 com a mobilização, e instalação do canteiro de obras em Joinville, onde em seguida foi iniciado o trabalho de escavação e concretagem das fundações das estruturas, de acordo com o projeto de autoria da CELESC, e em paralelo a isso foi iniciada a aquisição dos materiais, devido ao prazo de entrega dos mesmos (ate 60 dias dependendo do material). Em Janeiro de 2002, iniciou-se o trabalho de içamento das estruturas, o qual era feito com guindastes para 45 ton. ou superiores, devido ao peso e altura das estruturas. Este serviço exigiu uma grande cooperação por parte da empreiteira, concessionária e prefeitura local, uma vez que, pelo fato da obra ser, na sua maioria paralela a linha existente, e em ruas importantes para o fluxo de veículos da cidade, os serviços de içamentos necessitavam ser feitos em “pacotes”, ou seja, era necessário que se levantassem vários postes em um pequeno espaço de tempo (06 h), pois para a execução destas manobras era necessária a interdição total da rua que estava sendo executado o serviço, assim como o desligamento da LT existente e as linhas de distribuição que cruzavam ou eram paralelas à nova LT, o que ocasionava um grande transtorno a população local, exigindo com isso que a manobra fosse realizada no menor tempo possível. Alem deste transtorno, a LT não podia permanecer desligada por muito tempo, devido à nova resolução da ANEEL (Agencia Nacional de Energia Elétrica), que impõe limites mensais e anuais para desligamentos, cobrando multa da concessionária caso estes sejam ultrapassados, o que exigia que todos os postes de uma determinada região fossem levantados no mesmo dia, e o serviço ficasse pronto, restando apenas o lançamento e regulação dos novos cabos para serem executados em outro desligamento. Na primeira quinzena de abril foram terminados os serviços na LT de Joinville, sendo a mesma entregue a CELESC. Com base nas notas fiscais e documentos internos referentes à obra em estudo, o controle de obras da empresa Solluz fez um levantamento completo dos custos da mesma, separando estes por mês e categorias chaves, chegando a valores parciais e totais da obra, conforme podemos observar nas tabelas e gráfico abaixo, sendo que com base nestes valores faremos posteriormente o comparativo com o valor estimado de uma provável LT subterrânea no lugar da aérea. Vale a 90 pena ressaltar o grande percentual (66%) gasto em materiais eletromecânicos, ou seja, estruturas, cabo condutor, cabos pára-raios, aterramentos, isoladores e ferragens para cadeias de suspensões e ancoragens da LT em relação ao total da obra. 91 Tabela 6 – Gastos Mensais na construção da LTA CELESC - Planilha de Gastos Mensais Joinville I - Joinville V Custos - Pessoal Item Descrição 1 Salários 2 Horas Extras 3 Periculosidade 4 Encargos - 78% 5 Alimentação 6 Hospedagem 7 Viagens Mensais nov/01 139,84 0,00 0,00 109,08 18,60 267,52 dez/01 4.236,45 2.315,81 876,48 3.304,43 2.054,68 997,50 6,50 13.791,85 jan/02 8.994,37 3.224,77 1.771,77 7.015,61 4.165,46 1.905,60 27.077,58 fev/02 mar/02 10.734,45 11.379,07 3.527,12 9.311,20 2.410,86 2.633,95 8.372,87 8.875,67 3.978,75 4.617,07 2.493,00 2.367,85 abr/02 5.962,88 1.572,84 1.239,96 4.651,05 4.003,20 1.144,00 31.517,05 39.184,81 18.573,93 Custos - Manutenção maquinas e veículos Item Descrição 1 Combustível 2 Reparos Veículos e Maquinas nov/01 dez/01 790,30 0,00 790,30 jan/02 2.113,84 8.529,90 10.643,74 fev/02 2.275,17 nov/01 1.534,84 dez/01 2.453,15 622,64 jan/02 3.028,30 650,48 fev/02 1.959,92 530,70 889,01 104,15 mar/02 193,00 914,80 1.184,43 abr/02 1.025,44 39,50 146,85 855,61 70,72 1.534,84 3.075,79 3.678,78 3.483,78 2.292,23 2.138,12 nov/01 dez/01 1.000,00 jan/02 1.200,00 fev/02 mar/02 1.000,00 abr/02 2.275,17 mar/02 2.753,08 2.000,00 4.753,08 abr/02 2.168,39 680,00 2.848,39 Custos - Movimento de caixa Item 1 2 3 4 5 6 7 8 Movimento de Caixa Custos - EPI's + Uniformes Item 1 Geral Descrição Custos - Diversos Descrição Item 1 Diversos 2 Mat. Eletromecânico TOTAL MÊS TOTAL OBRA Moeda: Real nov/01 dez/01 jan/02 fev/02 mar/02 abr/02 3.544,55 20.892,99 31.725,06 37.251,79 14.863,24 23.095,25 3.741,10 363.551,06 71.548,11 147.009,72 6.235,87 4.926,29 7.285,65 384.444,05 103.273,17 184.261,51 21.099,11 28.021,54 nov/01 dez/01 jan/02 fev/02 mar/02 abr/02 9.088,01 403.101,99 145.873,27 221.537,51 68.329,23 51.581,98 899.511,99 Fonte: Grupo do projeto final 92 Tabela 7 – Custo Global da LTS CUSTOS - JOINVILLE I - JOINVILLE V 1.200.000,00 1.000.000,00 800.000,00 R$ 600.000,00 400.000,00 Gastos 200.000,00 nov/01 dez/01 jan/02 fev/02 mar/02 abr/02 MESES DE OBRA nov/01 5.346,91 3.741,10 9.088,01 9.088,01 CUSTOS SERVIÇOS CUSTOS MATERIAIS CUSTOS M + S IMPOSTOS + CUSTOS OPERACIONAIS (13%) CUSTOS + IMPOSTOS dez/01 39.550,93 363.551,06 403.101,99 38.519,66 412.190,00 jan/02 74.325,16 71.548,11 145.873,27 68.936,73 558.063,26 fev/02 74.527,79 147.009,72 221.537,51 99.096,73 779.600,78 mar/02 62.093,36 6.235,87 68.329,23 98.401,98 847.930,01 abr/02 46.655,69 4.926,29 51.581,98 118.905,25 1.018.417,24 COMPOSIÇÃO DOS CUSTOS 12% 16% 2% 4% Pessoal Concreto Locação Equip. Mat. Eletromec. Diversos 66% DESCRIÇÃO Pessoal Concreto Locação Equip. Mat. Eletromec. Diversos VALOR 111.838,81 16.981,67 38.348,00 592.085,86 140.257,65 Moeda: Real Fonte: Grupo do projeto final 4.2 LINHA DE TRANSMISSÃO 69KV SUBTERRÂNEA Em nosso projeto, propomos a mudança da parte aérea urbana para cabos subterrâneos com isolamento em EPR, como alternativa para diminuir os impactos causados pela mesma na cidade em questão. Desta forma a possível linha resultante teria seus primeiros 800m com uma LT aérea, onde a mesma passa por uma região desabitada. Para fins comparativos tivemos que fazer a correção do valor gasto na época da realização da obra, que foi no final do ano de 2001 e começo de 2002 para os dias de hoje. Para isso usando o índice IPC-SP da Fipe, conforme Tabela 8. 93 Posteriormente seguiria subterrânea por mais aproximadamente 1500m, aonde chegaria na SE Joinville V. Para o estudo comparativo, determinamos o valor gasto para a execução destes 1500m conforme demonstrativo abaixo, e com base neste valor iremos comparar com os custos estimados para este mesmo trajeto em LT subterrânea, seguindo praticamente o mesmo traçado e atendendo as mesmas características de carga da LT aérea existente. Tabela 8 – Tabela de correção dos valores da LTA Custo da LT aérea no trecho em estudo na época R$ 618.950,00 Custo da LT aérea corrigido (9,95%) R$ 680.536,00 Fonte: Grupo do projeto final Para a elaboração do projeto subterrâneo, iniciamos pela determinação do local por onde passariam os cabos junto ao Eng. Valdir Campos Junior da SEINFRA (Secretaria de Infra-estrutura) da cidade de Joinville, aonde chegamos a conclusão que o melhor local para a instalação dos cabos seria sob uma das calçadas, a uma profundidade superior a 1,20m para evitarmos com isso as tubulações de telefonia e água potável que passam pela calçada e também evitando as tubulações de água pluvial e esgoto que passam sob a rua, e causando assim um mínimo de transtorno ao fluxo viário da região, e evitando futuros problemas com a canalização de gás natural que irá passar a aproximadamente 1m do meio fio, sob a rua. Com base em dois encontros feitos com projetistas de LT’s, foi possível determinar a forma de instalação dos cabos e alguns parâmetros para o dimensionamento dos condutores isolados para 69kV. Numa primeira reunião, feita com o Eng. José da Silva Neto, responsável pelo DEPC (Departamento de Projeto e construção) da empresa CELESC, tomamos conhecimento da forma de construção da LT subterrânea, onde nos foi informado que os cabos isolados em EPR são enterrados diretamente no solo, em valetas de 1,5m de profundidade por aproximadamente 1,0m de largura, o que fica em 94 conformidade com a profundidade aconselhada pala prefeitura da cidade. Estas dimensões asseguram uma ótima proteção dos cabos contra pressões superficiais e agentes externos, assim como garante uma boa dissipação de calor. Para assegurar a integridade dos cabos devido a esforços causados pelo transito de veículos, e também como uma forma de impedir rompimentos acidentais , usa-se o seguinte critério: • No fundo da cava é colocada uma camada de areia com aproximadamente 0,10m para um melhor assentamento dos cabos e para evitar danos na parte inferior dos cabos. • Os cabos são lançados diretamente sobre esta camada e sobre eles é colocado mais areia, até uma altura de 0,35m a partir a primeira camada. Estas camadas de areia são compactadas com o auxilio de água e ferramentas. • Sob esta segunda camada, são colocadas lajotas de concreto armado com uma dimensão de aproximadamente 0,8x0,8x0,05, em toda a extensão da valeta para dividir melhor a pressão e proteger contra agentes externos. • Sobre as lajotas e colocado mais uma camada de areia compactada com aproximadamente 0,2m como uma forma de 1° aviso contra escavações indesejadas. • O resto da vala é reaterrada com terra compactada e por fim, é refeita a cobertura original (calçada, asfalto, etc...). No desenho abaixo é possível visualizar, de forma gráfica estas camadas, e também como seria executada a instalação destes cabos. 95 Figura 41 - Escavação para 2 circuito utilizando cabos EPR Fonte: Grupo do projeto final Em uma segunda visita, feita à Pirelli, conversamos com o Eng. Aloísio José de Oliveira Lima do departamento de projetos da Pirelli e o Sr. Rubens Bertim de Campos, Gerente de Produtos e Aplicação, onde conseguimos confirmar a forma de instalação descrita acima e levantar outros dados importantes sobre o projeto. Para conservarmos as características originais da LT existente determinamos que a possível LT subterrânea também teria dois circuitos, e chegamos à conclusão que a melhor forma de instalação dos cabos seria em trifólio, pois desta forma, apesar de termos uma diminuição na capacidade de transporte de corrente devido à perda de dissipação térmica, não temos o problema de desequilíbrio de indutâncias dos cabos e também temos uma menor corrente de circulação pela blindagem do cabo, o que diminui a espessura da mesma. 96 Como as bobinas destes cabos, tem em média 600m, observamos a necessidade da existência de no mínimo duas emenda em cada cabo, sendo que estas emendas são pré-fabricadas e não requerem nenhum cuidado especial após a sua aplicação, ou seja, não é necessário à construção de caixas de inspeção, sendo que estas podem ser enterradas diretamente no solo assim como o restante dos cabos. Na figura abaixo podemos observar um cabo semelhante ao que seria usado nesta obra. Figura 42 – Cabo com isolação em EPR Fonte: Evolução dos Sistemas de Transmissão Subterrânea [27], slide 02. Na transição entre a linha subterrânea e a linha aérea, definimos uma torre metálica para dar maior sustentação mecânica, uma vez que os cabos subterrâneos sobem pelo centro da torre e são conectados aos cabos da linha aérea por grampos paralelos. Com base nos dados que nos foram passados pelos Eng. Aloísio (Pirelli), Eng. José Neto (Celesc) e por intermédio de um material para dimensionamento de cabos isolados em EPR para tensões até 69 kV, retirado do site da FICAP [34], chegamos aos seguintes resultados quanto ao dimensionamento dos cabos. 97 4.2.1 Calculo da Bitola dos Cabos Potência total da linha: S=120 MVA (2x60) Corrente nos cabos: Ic Ic = S 3φ 3 *V = 60 MVA 3 * 69kV = 502 A [1] Segundo critérios de dimensionamento para cabos isolados em EPR para tensões até 69 kV: Corrente corrigida nos cabos: Icor Icor = onde: Ic 502 = = 629 A [2] Fca * Fcs * Fct * Fcp 0,81 * 1,08 * 0,96 * 0,95 Fca = Fator de correção por agrupamento Fcs = Fator de correção devido ao solo Fct = Fator de correção devido a temperatura Fcp = Fator de correção devido à profundidade dos cabos Com base no valor de corrente corrigida encontrada, e de posse da tabela para dimensionamento de cabos, é possível encontrar para este caso uma secção de 400mm2 com condutor de cobre para os cabos da linha, os quais suportam uma corrente de aproximadamente 664A. Citamos que, para o nosso caso foram considerados dois circuitos instalados diretamente no solo, em trifólio, considerando solo com presença de umidade. Chegamos então a conclusão que, para o nosso caso, teremos dois circuitos com cabos de 400mm2 ou seja, S = 2x(3x400mm2), resguardando assim as características de carga e n° de circuitos da linha aérea existente. 98 De acordo com o possível traçado da nova LT, em anexo, conseguimos separar os 1500m de sua extensão em 350m de terra, 1028m de calçadas e 107m de ruas, para um melhor levantamento dos custos para a implantação da linha. No caso de uma instalação segundo as especificações acima citadas, estimamos um custo de aproximadamente R$ 1.825.342,30, demonstrados nas tabelas abaixo. Tabela 9 – Custos de pessoal e equipamento na construção da LTS PLANILHA DE CUSTOS PESSOAL/EQUIPAMENTOS NOME DA OBRA: LT 69 kV SUBTERRÂNEA MÃO DE OBRA DIRETA Mão de obra qtd MESES Engenheiro Encarregado Encarregado Almoxarife Montador B Montador A Ajudante 1 1 1 2 4 6 3 3 3 3 3 3 Sub-Total de mão de obra Total de Mão de Obra 15 EQUIPAMENTOS Combustivel (estimado) Trator c/ guincho trazeiro Munck Caminhão Maquita Veículo pequeno (s´manutenção) Retro escavadeira Cavalete Porta Bobina Hidraulico Compactador Rompedor Dinamômetro Teodolito World/Hope Alojamento TOTAL EQUIPMENTOS 1 1 1 1 2 1 1 3 2 2 3 1 1 3 3 3 3 2 3 3 3 3 3 1 3 3 Salário 2.500,00 1.200,00 600,00 460,00 560,00 315,00 10.000,00 6.500,00 6.000,00 2.000,00 55,00 800,00 5.000,00 1.000,00 480,00 360,00 800,00 500,00 3.000,00 Peric (30%) 360,00 138,00 168,00 Total sal 7.500,00 4.680,00 1.800,00 1.794,00 2.184,00 945,00 L sociais (127%) 6.000,00 3.744,00 1.440,00 1.435,20 1.747,20 756,00 FOLHA 9 200 Alimentação EPIs 27,00 27,00 27,00 54,00 108,00 162,00 200,00 200,00 200,00 400,00 800,00 1.200,00 30,00 30,00 30,00 60,00 120,00 180,00 57.553,20 405,00 3.000,00 450,00 TOTAL 30.000,00 19.500,00 18.000,00 6.000,00 220,00 2.400,00 15.000,00 9.000,00 2.880,00 2.160,00 2.400,00 1.500,00 9.000,00 118.060,00 Mão de Obra + Equipamentos TAXAS E IMPOSTOS Gerenciamento ISSQN (sobre serviços) IR e Contribuição Social PIS COFINS CPMF LUCRO Viagens 13.500,00 8.424,00 3.240,00 6.458,40 15.724,80 10.206,00 FERRAM L/A/T Taxas TOTAL 673,92 259,20 516,67 1.257,98 816,48 540,00 336,96 129,60 258,34 628,99 408,24 135,00 84,24 32,40 64,58 157,25 102,06 14.432,00 9.776,12 3.918,20 7.811,99 18.797,02 13.074,78 3.524,26 1.762,13 575,53 67.810,12 67.810,12 30.000,00 19.500,00 18.000,00 6.000,00 220,00 2.400,00 15.000,00 9.000,00 2.880,00 2.160,00 2.400,00 1.500,00 9.000,00 118.060,00 185.870,12 0,00% 5,00% 2,28% 0,65% 3,00% 0,30% 0,00% 0,00 3.390,51 4.237,84 1.208,16 5.576,10 557,61 0,00 TOTAL DE TAXAS E IMPOSTOS 14.970,21 TOTAL FINAL DE VENDA Moeda: Real 200.840,33 Fonte: Grupo do projeto final 99 Tabela 10 – Custo Global da LTS COMPOSIÇÃO DE CUSTOS Item Pessoal / Equipamentos Areia Lajotas (80x80x5) Estrutura metálica p/ transição Recomposição calçada Recomposição asfalto Cabo Emendas Terminais 69 kV Grampo paralelo Isolador vidro Grampo de ancoragem Grampo de suspensão Elo bola Concha olhal Manilha Concreto 15 MPA Teste HIPOT Unid. meses m3 pç unid m2 m2 m unid unid unid unid unid unid unid unid unid m3 unid Quant. Valor Unit. Valor Total 3 200.840,00 975 23,00 22.425,00 1875 4,60 8.625,00 1 24.343,80 24.343,80 1028 15,60 16.036,80 107 45,00 4.815,00 0,00 9200 12 12 12 66 6 6 12 12 12 20 1 134,00 1.232.800,00 10.800,00 129.600,00 14.400,00 172.800,00 19,75 237,00 35,65 2.352,90 62,50 375,00 68,50 411,00 9,90 118,80 19,80 237,60 18,70 224,40 145,00 2.900,00 6.200,00 6.200,00 TOTAL GERAL Moeda: Real Fonte: Grupo do projeto final 1.825.342,30 100 5 RESULTADOS Este capítulo irá resumir as vantagens e desvantagens das linhas de transmissão aéreas e subterrâneas. O quadro resumo mostra tópico por tópico abordado no decorrer deste projeto, podendo fazer um comparativo técnico, social e financeiro entre a solução que foi implementada na cidade de Joinville, que compreende a construção da linha de transmissão aérea em todo o itinerário, e a solução apresentada neste projeto, a qual planejamos ao invés de fazer a linha de transmissão aérea na parte urbana da cidade, fazer ela subterrânea por meio de cabos isolados a seco. 101 Tabela 11 – Quadro Resumo Quadro Comparativo Resumo Itens Aspectos Construtivos Confiabilidade Manutenção Linha Aérea Linha Subterrânea Já se tem bastante experiência; muitas empresas prestam este tipo de serviço. Poucas empresas prestam este serviço. Mais fácil e rápido de se executar que a LTS. Maior dificuldade de instalação. Poucos custos imprevistos. Riscos financeiros maiores na execução, principalmente em grandes centros urbanos. Imprevistos na execução no caso das obras civis. Comparativamente elevado número de falhas Cerca de 250 vezes mais confiável que linhas aéreas Custos elevados de manutenção/equipes(linha viva). Custos reduzidos de manutenção. Deve-se haver um plano de manutenção preditiva regular ao longo do itinerário da linha tanto em cabos, torres, acessórios e também na vegetação próxima e de acesso as linhas. No caso de cabos isolados a seco (EPR) não há necessidade da manutenção preditiva. Pouco tempo de indisponibilidade no caso de A manutenção quando necessária será corretiva e defeitos permanentes, porém o número de provocará indisponibilidade da linha por um longo manutenções corretivas é muito elevado por tempo. Porém como a linha está enterrada e assim estarem expostas ao meio ambiente, ao ser protegida é muito difícil de acontecer. humano e por exigir grandes esforços mecânicos. Aspetos ambientais e Riscos Impactos Visuais e Sociais Restrições pesadas e multas com novas lei ambientais. Pouquíssimas restrições. Apresentam riscos constantes para a população (quedas de suportes, abarrotamentos, efeitos de campos eletromagnéticos, etc). Riscos comuns somente durante as obras civis durante sua construção. Problemas para o planejamento da cidade. Não há restrições Impactos visuais severos, descontentamento da população local. Desvalorização de imóveis e terrenos, Turismo prejudicado. Grande vantagem das instalações subterrâneas Custo Global R$ 680.536,00 R$ 1.825.342,30 Custo p/ Km R$ 453.690,66 R$ 1.216.894,86 Fonte: Fonte: Grupo do projeto final 102 6 CONCLUSÃO Vivemos em uma época de transições em que novas visões de investimentos devem ser implantadas nas concessionárias de energia nos próximos anos. Vários aspectos vêm sendo mais bem analisados e estudados como forma de diminuir prejuízos em longo prazo. Entre estes prejuízos se encontram custos intangíveis que podem ser mais bem traduzidos em gastos com riscos potenciais, degradação da fauna e flora locais, gastos jurídicos, etc. Também estão em evidência não só a preocupação com prejuízos, mas sim com o lucro estendido, que obras bem feitas e planejadas garantem. Cidades estão cada vez mais preocupadas com sua atração turística e de investimentos e, portanto com um planejamento coerente para tal. Cidades evoluídas da Europa dos Estados Unidos já começaram seu planejamento muito antes de suas cidades virarem atrações. Em termos de tecnologia, tivemos grandes avanços na área de transmissão subterrânea com elevação da potência e da tensão suportadas pelos cabos. O desafio agora é fazer com que estes avanços significativos se tornem cada vez mais viáveis economicamente e provavelmente já estamos perto de oferecer soluções melhores com preços cada vez mais competitivos para os grandes centros urbanos. Posto que cada vez mais as linhas subterrâneas estarão presentes nas cidades, mais empresas também oferecerão serviços para tal fim e com isso teremos não só “know how” em linhas subterrâneas mas também serviços mais baratos e competitivos. Economicamente falando, no começo da década de 80 os autores falavam em seus artigos que a solução subterrânea era em torno de 10 vezes mais cara que a solução aérea, portanto não viável economicamente. E assim criou-se um paradigma que até hoje profissionais e concessionárias mantêm. Porém nosso trabalho vem para mostrar o avanço da tecnologia empregado e servir como auxilio na definição de novos projetos de linhas de transmissão em centros urbanos, apresentando uma alternativa viável de transmissão, se analisado o contexto geral, como custo implantação, manutenção, segurança, confiabilidade, preservação do meio ambiente e impacto visual. 103 Chegamos ao valor da linha subterrânea de 2,7 vezes o valor da linha aérea. Isso mostra que essa diferencia reduzirá até a ponto de uma equivalência econômica, porem com vantagens imensuráveis para a sociedade, comprovando uma nova tendência para obras em locais urbanos, onde o custo começa a deixar de ser o único fator para as decisões, passando a integrar um conjunto com questões ambientais, preservação de patrimônios públicos, privados e culturais, opinião publica e questões legais. Analisando nossa proposta de projeto final com os resultados apresentados, verificamos que todos os itens foram atendidos com êxito. Tivemos dificuldades em relação a material de pesquisa escasso e também ao fato de uma falta no mercado de projetistas e técnicos de instalação. Também em conseguir dados de projetos de linhas subterrâneas. O estudo que realizamos serve como base para linhas subterrâneas de 69kV em circuito duplo porém muito fácil de ser ampliado para outras classes de tensões e configurações. Dentro desta área ainda podem ocorrer muitas variações que geram custos ou podem viabilizar ainda mais as linhas subterrâneas. Deixamos então espaço para novos estudos e projetos que poderão surgir nesta área e que complementariam este estudo: • evolução dos cabos subterrâneos – novas tecnologias; • estudos de caso para tensões mais elevadas: 138 – 500kV; • redução de custos para implantação de linhas subterrâneas em grandes centros urbanos, utilizando galerias em parceria com outras prestadoras de serviço (telefonia, saneamento, etc); • análise de riscos de linhas aéreas em comparação com linhas subterrâneas. 104 7 [1] REFERÊNCIAS SOARES, Cláudio G.Linhas de Transmissão Subterrânea. Palestra sob o patrocínio do Institute of Electical and Eletrocnics Engineers. São Paulo-SC. Brasil, 1977. [2] _______. Linhas de Transmissão Subterrânea: A Evolução em São Paulo e perspectivas para o futuro. Anais do V Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Elétrica. Recife-PE. 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[30] http://www.aneel.gov.br/ [31] http://www.cteep.com.br/ [32] http://www.dcita.gov.au/cables/ 108 [33] www.pirelli.com.br [34] http://www.ficap.com.br/por/catalogos/div_energia/wtr46a69/wtr46a69.pdf 109 8 ANEXOS Tabelas complementares do projeto da linha aérea de 69kV em estudo da cidade de Joinville FUNDAÇÕES EM MANILHA MANILHAS N° N° DIAM DIAM ALT ALT CAIXA TIPO ALT CARGA (m) 1,0m 0,5m INT(M) Há EST POR 01 AVC2 27 2100 1,20 3 1 02 AVC2 29 2400 1,20 4 09 ADCE 29 3500 1,50 4 10 ADCE 29 3500 1,50 4 11 ADCE 29 3500 1,50 4 12 ADCE 29 3500 1,50 4 13 ADCE 29 3500 1,50 4 14A AVC2 29 2100 1,20 6 14B AVC2 29 2100 1,50 6 15A AVC2 29 2100 1,50 6 15B AVC2 29 2100 1,50 6 16 ADCE 29 3500 1,50 4 17 ADCE 29 3500 1,50 4 18 ADCE 29 3500 1,50 6 19 ADCE 29 3500 1,50 4 1 21 ADCE 29 3500 1,50 4 22A ADCE 29 2100 1,20 4 22B ADCE 29 2100 1,20 4 23A SVC 29 1500 1,20 4 1 23B SVC 29 1500 1,20 4 1 24A AVC2 29 2100 1,20 4 24B AVC2 29 2100 1,20 4 25A AVC2 29 3500 1,50 4 25B AVC2 29 3500 1,50 4 POR TOTAL DIRETORIA DE ENGENHARIA E OPERAÇÃO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO 1,07 1,08 1,30 1,30 1,30 1,30 1,30 1,30 1,30 1,30 1,30 1,30 1,30 1,30 1,30 1,30 1,08 1,08 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 2,70 2,70 2,70 2,70 2,70 0,70 0,70 2,70 1,20 0,70 0,70 0,70 1,08 1,08 1,30 1,30 0,70 0,70 0,70 0,70 N1 N2 VOL N° PESO DIAM ESP COMP PESO DIAM ESP COMP PESO AÇO(KG) DES VOL CONC VOL (kg) Hf CONC MAGRO AREIA QUANT (mm) (cm) (cm) (kg) QUANT (mm) (cm) (cm) (N1+N2) REF 0,50 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,50 0,50 0,15 0,15 0,15 0,15 1,26 1,12 2,15 2,15 2,15 2,15 3,04 3,04 3,04 3,04 3,04 2,15 2,15 3,04 2,38 2,15 1,12 1,12 0,57 0,57 1,12 1,12 2,15 2,15 0,09 0,09 0,12 0,12 0,12 0,12 0,13 0,13 0,13 0,13 0,13 0,12 0,12 0,13 0,13 0,12 0,09 0,09 0,11 0,11 0,09 0,09 0,12 0,12 0,86 0,93 0,93 0,93 0,93 3,58 3,58 3,58 3,58 3,58 0,93 0,93 3,58 1,60 0,93 0,86 0,86 12 12 15 15 15 15 15 15 15 15 15 15 15 15 15 15 12 12 10,0 10,0 12,5 12,5 12,5 12,5 12,5 12,5 12,5 12,5 12,5 12,5 12,5 12,5 12,5 12,5 10,0 10,0 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 350 400 400 400 400 400 600 600 600 600 600 400 400 600 450 400 400 400 26,2 30,0 59,3 59,3 59,3 59,3 89,0 89,0 89,0 89,0 89,0 59,3 59,3 89,0 66,7 59,3 30,0 30,0 15 17 17 17 17 17 25 25 25 25 25 17 17 25 19 17 17 17 6,3 6,3 6,3 6,3 6,3 6,3 6,3 6,3 6,3 6,3 6,3 6,3 6,3 6,3 6,3 6,3 6,3 6,3 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 366 366 460 460 460 460 460 460 460 460 460 460 460 460 460 460 366 366 13,6 15,4 19,4 19,4 19,4 19,4 28,5 28,5 28,5 28,5 28,5 19,4 19,4 28,5 21,6 19,4 15,4 15,4 39,8 45,4 78,7 78,7 78,7 78,7 117,5 117,5 117,5 117,5 117,5 78,7 78,7 117,5 88,3 78,7 45,4 45,4 0,86 0,86 0,93 0,93 12 12 15 15 10,0 10,0 12,5 12,5 30 30 30 30 400 400 400 400 30,0 30,0 59,3 59,3 17 17 17 17 6,3 6,3 6,3 6,3 25 25 25 25 366 366 460 460 15,4 15,4 19,4 19,4 45,4 45,4 78,7 78,7 47,97 2,75 50,72 OBRA: LT 69 kV JOINVILLE I - JOINVILLE V OBS: VER DESENHOS DE REFERÊNCIA ANEXOS 1768,4 REVISÃO: LT - FOLHA: 1/1 DATA: OUT/01 FUNDAÇÕES EM TUBULÃO DIAM DIAM FUSTE BASE Hf Hb Ht (m) (m) (m) (m) (m) N° TIPO 03 EAMD 0,90 1,40 2,60 0,40 3,10 DEO / DPEC / DVLT TABELA DE FUNDAÇÃO VOL CONC (m3) 2,23+0,64*E ARMADURA N2 N1 VOL COMP ESP DIAM COMP ESCV DIAM (cm) PESO (kg) (mm) QUANT (m) PESO (kg) (m3) (mm) QUANT (m) 2,23 12,5 14 320+E 18 44,3+13,8*E 6,3 13,0+4*E 281,00 0,7+QUANT OBRA: LT 69 kV JOINVILLE I - JOINVILLE V LTDATA: OUT/01 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 2 2 2 2 OBS: VER DESENHO ANEXO FOLHA 1/1 110 ESTRUTURA POSIÇÃO DEFLEXÃO EXT / CARGA OU NA PÉ A PÉ B PÉ C PÉ D ALT - (m) ESTACA + (m) GRAU MIN SENT FRENTE 21,58 27 2100 A01 83 39 E 5,28 29 2400 A02 50 34 E 101,12 6 9 9 9 9 A04 41 19 E 185,98 29 3500 4 A06X 9 26 D 162 29 3500 6 A08 164,18 29 3500 90 A10X 90,88 29 3500 A10X 0 44 E 184,33 29 3500 A10X 184 83,95 29 3500 A12X 35 7 D 43 29 3500 A12-1X 1 28 D 71,84 29 3500 A12-2X 4 41 D 45 29 3500 A13X 40 29 E 41,56 29 3500 A14X 3 13 E 122,99 29 2100 A15X 2 37 E 115,95 29 2100 A16X 5 28 D 16,92 29 3500 A17X 72 1 E 65,23 29 3500 A18X 53 48 D 41,6 29 3500 A19X 33 2 D 87,47 29 3500 A20X 3 13 E 113,3 29 3500 A22X 2 5 D 181,96 29 3500 A25X 6 20 D 80,58 29 2100 A25-1X 7 8 E 76,24 29 1500 A39 44 74,33 29 2100 A40 22 84,32 29 3500 A41X 90 0 E 16,2 N° TIPO POR 1 AVC2 2 AVC2 3 EAMD 4 ADCE 5 ADCE 6 ADCE 7 ADCE 8 ADCE 9 ADCE 10 ADCE 11 ADCE 12 ADCE 13 ADCE 14B AVC2 15B AVC2 16 ADCE 17 ADCE 18 ADCE 19 ADCE 20 ADCE 21 ADCE 22B AVC2 23B SVC 24B AVC2 25B AVC2 POR DISPOSIÇÃO PÉS OBS: 1 - ESTRUTURAS A SEREM FORNECIDAS EM DUAS PARTES B EIXO A LT D C DIRETORIA DE ENGENHARIA E OPERAÇÃO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO DIVISÃO DE LINHAS DE TRANSMISSÃO N° 13 14A 15A 16 TIPO ADCE AVC2 AVC2 ADCE 21 22A 23A 24A 25A POR ADCE AVC2 SVC AVC2 AVC2 ACUMULADA REFERÊNCIA N° DA MÉDIO GRAV BÁSICO km FUNDAÇÃO OBS 1 22 13,43 17 21,58 1 5 53,2 23 26,86 101 143,55 183 127,98 182 173,99 186 313,96 166 163,09 191 475,96 165 127,53 137 640,14 90 137,61 123 731,02 184 134,14 119 915,35 84 63,48 63 999,3 43 57,42 59 1042,3 72 58,42 61 1114,14 45 48,28 52 1159,14 52 87,28 89 1210,7 123 119,47 122 1333,69 116 66,44 76 1449,64 17 41,08 43 1466,56 65 53,42 69 1531,79 2 42 64,54 47 1573,39 54 100,39 -15 1660,86 113 147,63 371 1774,16 182 131,27 -35 1956,12 81 78,41 83 2036,7 75,29 86 2112,94 73 79,33 88 2187,27 89 50,26 72 2271,59 16 2287,79 REVISÃO: VÃOS (M) TABELA DE LOCAÇÃO OBRA: LT 69 kV JOINVILLEI - JOINVILLE V (LT2) LT - 19102 DATA: NOV/2001 FOLHA: 1/2 ACUMULADA REFERÊNCIA ESTRUTURA POSIÇÃO DEFLEXÃO VÃOS (M) EXT / CARGA OU NA N° DA ALT PÉ A PÉ B PÉ C PÉ D - (m) ESTACA + (m) GRAU MIN SENT FRENTE MÉDIO GRAV BÁSICO km FUNDAÇÃO OBS 29 3500 A14X 7 17 E 122,88 87,22 86 1210,7 123 29 2100 B15X 1 32 D 101,87 112,38 98 1333,58 102 29 2100 B16X 18 13 E 32,59 67,23 69 1435,45 0 29 3500 B17X 84 50 E 65,23 48,91 61 1468,04 29 29 29 29 29 3500 2100 1500 2100 3500 82,3 A25X B25X B25X B26X B26X 2 1 2 11 E D 90 0 E 76,2 79,97 76,24 69,33 82,33 4,28 130,97 78,11 72,79 75,83 43,31 -34 63 79 83 47 0 80 73 82 1956,12 2036,09 2112,33 2181,66 2263,99 2268,27 DISPOSIÇÃO PÉS OBS: 1 - ESTRUTURAS A SEREM FORNECIDAS EM DUAS PARTES B REVISÃO: EIXO A LT D C DIRETORIA DE ENGENHARIA E OPERAÇÃO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO DIVISÃO DE LINHAS DE TRANSMISSÃO FOLHA: 1/2 TABELA DE LOCAÇÃO OBRA: LT 69 kV JOINVILLEI - JOINVILLE V (LT2) LT - 19102 DATA: NOV/2001 111 Fotos da linha de 69kV aérea em estudo tiradas na cidade de Joinville-SC 112 Fotos da linha de 69kV subterrânea utilizando cabos isolados a seco na subestação da cidade de Florianópolis-SC 113 Fotos da linha de 69kV subterrânea utilizando cabos isolados a óleo fluído na subestação da cidade de Florianópolis-SC 114 Trajetórias da linha aérea construída e da pré-projetada linha subterrânea