Projeto Corredor Cultural Rua da Bahia: Educação Patrimonial e
Memória Urbana
Bernadete Bittencourt Rodrigues *
Apresentação
O Projeto Corredor Cultural Rua da Bahia: Educação Patrimonial e Memória Urbana
visa promover ações de Educação Patrimonial, usando como primeira referência o
espaço aqui definido como Eixo-Cultural da Rua da Bahia, espaço emblemático da
evolução urbanística e cultural de Belo Horizonte. Institucionalmente é um projeto
financiado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, em parceria com a Escola
Superior de Turismo da PUC-Minas e o Núcleo Cidade e Meio Ambiente da
Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte. Quando se fala em espaço
público, quase sempre se esquece da importância da observação e reconhecimento
dos aspectos arquitetônicos para o exercício da apropriação do mesmo. Para esta
observação, precisamos de hábito e exercício de sensibilidade.
Conforme o planejamento de Aarão Reis, aprovado em 1895, cada região da cidade
seria ocupada por moradores e usos específicos. A Rua da Bahia é uma via de
destaque desde os primeiros anos da capital. Pensada para ser um dos principais
eixos de expansão urbana, ligando a estação ferroviária - então principal porta de
entrada da cidade - ao centro cívico, passando por todo o centro comercial, foi
ocupada desde os primórdios.
A Rua da Bahia possui exemplares de diversos estilos arquitetônicos que retratam
evoluções e (des)construções urbanísticas presentes em toda Belo Horizonte,
possuindo também mais de 40 espaços de uso cultural localizados nela ou em seu
entorno. Também foi o primeiro espaço de vida urbana na cidade, chegando a
superar o centro linear projetado por Aarão Reis, a Avenida Afonso Pena. Além da
ligação entre a Estação e o Governo, o local “costurava” os principais espaços
culturais dos primeiros anos da capital, tais como o Bar do Ponto, Cine Metrópole,
comércio de luxo, dentre outros.
A importância artístico-cultural da ação apresentada neste projeto consiste
efetivamente na proposta de interpretação do patrimônio histórico-cultural através da
realização de visitas guiadas. Com intuito de criar espaços onde os jovens possam
preparar-se para uma observação crítica e construtiva do patrimônio comum, em
especial ao que se refere a seu patrimônio cultural material, imaterial e ambiental,
apresenta-se como oportunidade para destacar elementos da identidade
sociocultural dos belo-horizontinos.
Assim, o projeto busca mostrar como a observação é importante no reconhecimento
do patrimônio material e imaterial e como este é um passo importante e significativo
no exercício da cidadania. Num país que aplica poucos recursos em ações
patrimoniais, este projeto propõe-se a contribuir para que mais pessoas possam
iniciar (ou ampliar, em alguns casos) a concepção do que seja a história, processo
contínuo que tem ligação conosco no momento presente, a partir das percepções do
que nos aconteceu no passado e que ficou marcado em nós (individualmente e
coletivamente) se projetando no futuro.
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PS: Os textos aqui transcritos são de inteira responsabilidade de seus autores.
Cópias são autorizadas desde que citadas as fontes.
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*Pós-Graduanda em Elaboração, Gestão e Avaliação de Projetos Sociais em Áreas Urbanas pela
UFMG, Bacharel em Turismo pela PUC Minas, Gestora Cultural, Empreendedora e responsável pelo
projeto Corredor Cultural Rua da Bahia: Educação Patrimonial e Memória Urbana.
Cidade: Lugar de trânsito da Memória
Denísia Martins Borba*
“(...) Cidades vão sendo descritas através da memória, dos
desejos, dos símbolos, das trocas, dos nomes... num jogo de
substituições infinitas. De início, por objetos – prédios, ruas,
cúpulas, muralhas, torres..., - e por lendas, conversas, falas...
que vão formando uma espécie de catálogo de coisas vistas ou
ouvidas: um catálogo de emblemas”.
Atualmente, estamos vivendo o apogeu da globalização. As facilidades no campo da
informática cada vez mais aproximam os mais diversos países, línguas e culturas.
Com a popularização da Rede Mundial de Computadores podemos visitar museus,
monumentos, exposições e até cidades sem nunca termos de fato estado nesses
lugares. Todavia em muitas dessas viagens virtuais pelo mundo, que vem
consolidando uma unificação global podemos estar nos distanciando a cada dia da
nossa identidade. O fato de pertencermos a um mundo globalizado talvez seja um
dos motivos que nos levam a perceber, cada vez mais, a necessidade de nos auto
afirmarmos, valorizarmos nossos espaços, nossas raízes, nossas tradições, nossa
cultura, nos apropriando de nossa cidade. São nas nossas práticas cotidianas, na
vivência dos espaços da nossa cidade que conseguimos assegurar essa inclusão.
Segundo Luiz Roberto do Nascimento e Silva, “no fundo todos vivemos nas cidades.
Ninguém vive no Estado. Ninguém vive na Federação”.
É na cidade que
encontramos fortemente o sentimento de familiaridade e de “pertencimento”. As
diversas formas de viver a cidade por seus habitantes é que nos faz construirmos os
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ambientes, as ruas, as praças, as igrejas, as casas, os símbolos. Sentir-se parte da
cidade é reconhecer nela uma identidade, necessidade histórica do homem.
As cidades nunca são iguais, suas diferenças são estabelecidas pelas relações
específicas de cada uma com a história e a cultura com quais foram formadas e
consolidadas. O caminhar pelas ruas, os lugares de encontro, de trabalho, as festas,
vão sendo escritas pelos habitantes ao longo do tempo. Mas a cidade, como requer
Renato Cordeiro Gomes, nunca pode ser confundida com o discurso que a
descreve, pois, toda a leitura que se faz dela também é histórica e assim está sujeita
a várias interpretações. A cidade é um campo fértil para o desenvolvimento das
diferenças. Cada um de nós guarda fragmentos da vida na cidade a partir de
percepções e sentimentos diferentes. As diversas possibilidades de leitura é que
constroem a nossa memória. De acordo com J. Le Goff, “A memória nasce, onde
cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o
presente e o futuro”. (LE GOFF,1984)
A memória e o tempo
“Mas a cidade não conta o seu passado, ela o contém como as linhas da
mão, escrito nos ângulos das ruas, nas grades das janelas...” (Ítalo Calvino
p. 14).
“Recuperar o passado significa: construir o sentido e o presente”.(W. Bolle).
Ao realizar um trabalho de (re) descobrir, a Rua da Bahia, nos vemos diante de uma
tarefa delicada: fazer uma leitura baseada em uma das várias representações da
memória construídas e vivenciadas por literatos, pesquisadores, artistas e seus
moradores nos seus espaços. O desafio está em como ligar, o novo e o antigo,
entendendo o processo de continuidade histórica.
Trabalhar com a memória é apreender a cidade para além de suas edificações,
praças, ruas, becos, viadutos, enfim, perceber aquilo que está contido na memória
de cada um de seus usuários. Muitas vezes os compromissos da vida cotidiana nos
fazem passar pelas ruas, entrar e sair de edifícios sem perceber seu significado, o
que pode estar contido em cada parede, a importância de cada célula que compõe a
cidade. A memória da Rua da Bahia não está representada unicamente em seus
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marcos físicos e sim no significado que nós habitantes atribuímos a eles. Conforme
acrescenta W. Bolle, a arma da resistência das cidades está no fio do tempo que liga
passado e presente está na memória afetiva, nas sensações vividas e ecoadas pela
memória oral, escrita e edificada.
“A partir da memória dos sentidos e da tradição, e não apenas da memória da história,
poder-se-ia retomar a legitimidade desse processo, não copiando ou refazendo os
objetos do passado, mas continuando a inventá-los”. (CAMPELLO,1994)
Quando olhamos para nossa cidade podemos observar edificações que são
testemunhas de séculos de história e a memória não é um simples relembrar do
passado. Viajar pelo tempo na história da cidade estabelecendo os vínculos entre o
passado e o presente é possível se não nos esquecermos do fio condutor que nos
permite caminhar nos labirintos da memória. O trabalho com a cidade e a memória
tem sido alvo de várias comparações. Uma delas é a “metáfora da arqueologia” em
que, Walter Benjamin associa a cidade e a memória com o trabalho arqueológico:
“(...) a memória não é o instrumento para a espoliação do passado, mas, antes, o meio, o
palco, onde se deu a vivência, assim como o solo é o meio no qual as antigas cidades
estão soterradas. Agindo como um homem que escava, aquele que recorda aproxima-se
do passado, não só para elaborar o inventário dos achados, mas, sobretudo para
assinalar no terreno de hoje o lugar no qual é conservado o velho”. (GOMES,1994)
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Esse trabalho da memória, de estabelecer vínculos entre o passado e o presente é
que possibilita o belorizontino sentir-se parte da cidade em especial da Rua da
Bahia. Reconhecer-se nas ruas, nas edificações, nos objetos, documentos, jornais,
mapas, trilhos, e todas as celebrações que fazem parte de nossa história é que nos
permite viver a cidade estabelecendo laços de afetividade com ela. São essas
relações que formam a nossa identidade e tornam possível a ligação entre o seu
passado e o seu presente.
“Se o passado se congela, se torna um ramo seco, sem possibilidade de
germinação, está destinado ao esquecimento (...)Viajar, portanto, no
passado, na tradição, é transformá-lo, salvando-o do esquecimento,
tornando-o produtivo: ramos viçosos”. (Gomes,1994)
Preservação do Patrimônio Cultural
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“Se a cidade vive pela rememoração, é também verdade o seu
contrário, a cidade morre pelo esquecimento”. (GOMES,1994)
As idéias em torno da preservação do patrimônio cultural estiveram durante muito
tempo relacionadas com a idade cronológica, ou antigüidade das edificações, de seu
valor enquanto obra arquitetônica e artística ou de fatos considerados importantes
pela história oficial. Ainda podemos ouvir a utilização do termo cidades históricas em
cidades como Ouro Preto, Diamantina, São João Del Rei, Serro, Sabará, Mariana,
dentre outras. E é claro que, sem dúvida elas são cidades históricas como são
também Belo Horizonte, Lagoa Santa, Betim. Toda cidade tem memória e identidade
e, portanto têm história, logo são históricas. Cada vez mais a idéia de preservação
está ligada a outros valores como de memória, identidade, cidadania, celebrações,
formas de expressão, ofícios ou modos de fazer. O que deve ser lembrado ou
esquecido, preservado ou não, já não é mais estabelecido por determinantes da
história oficial a partir de acontecimentos e pessoas consideradas notáveis. Como
esclarece Maria Beatriz Silva,
“tanto o exercício da memória, quanto à formação da identidade são, ao nível individual,
capacidades humanas, como andar, comer, dormir; porém, quando tomadas
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coletivamente, passam à categoria de direitos a conquistar, aos quais o maior obstáculo
parece ser o interesse individual ou corporativo”.
(SILVA,1996)
Assim, o patrimônio que deve ser preservado, a memória que deve ser lembrada ou
esquecida, não pode estar apenas relacionada com as fachadas de seus edifícios e
seus aspectos formais, mas com o processo por que passaram como imagens de
uma cidade vivida quotidianamente e nesse sentido a perda e/ou destruição de
marcos importantes de nossas cidades significa apagar fortes traços de nossa
história.
O trabalho de identificar, documentar, proteger e promover o patrimônio cultural de
uma cidade deve acompanhar o conteúdo das vivências e experiências da
população e ligá-las à qualidade de vida e a cidadania, criando vínculos de
aproximação não apenas físicos, mas também com as possíveis funções sociais que
os bens culturais podem adquirir.
A Rua da Bahia veio passando por alterações na sua paisagem urbana, algumas
delas certamente necessárias outras nem tanto. Elas nos mostram que a cidade é
um ser vivo em constante transformação e que segue a dinâmica de seu tempo de
sua gente. Mas não podemos nos esquecer que exatamente por não ser estática,
parada no tempo, a cidade com casas, ruas e praças têm aura própria.
Muitas vezes as transformações pelas quais as cidade passam são dirigidas por um
entendimento equivocado da palavra progresso. Muitas edificações são demolidas,
praças são alteradas, ruas são alargadas, linhas férreas são desativadas, rios são
poluídos, sem se levar em conta às ligações afetivas da memória desses lugares
com a população das cidades, ou seja, sua identidade. Os conceitos de destruir o
antigo para construir o moderno pode trazer conseqüências irreparáveis para o
organismo vivo da cidade, a população local.
“(...) demolir é índice do apagamento do passado, da memória, da cidade compartilhada,
da cartografia afetiva. Aqui, construir o povo é apagar o velho, não deixar marcas: tudo
vai sendo sucessivamente substituído”. (GOMES,1994)
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O direito à cidade, à qualidade de vida, não pode estar apenas ligado às
necessidades estruturais, mas também às necessidades culturais da coletividade.
Assim, a preservação do patrimônio cultural não está envolvida em um saudosismo,
muito menos tem a intenção de impedir o desenvolvimento da cidade, ao contrário,
esta ação vai ao sentido de garantir que a população por meio de seus símbolos
possa continuar ligando seu passado a seu presente exercendo seu direito à
memória, à identidade, à cidadania.
Política de Preservação do Patrimônio Cultural de BH
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“A vida é descer a Rua da Bahia que tinha dois ou três quarteirões de
cidade grande, de prazer” Paulo Mendes Campos
O Município de Belo Horizonte antecipou à própria promulgação da Constituição
Federal de 1988, quando criou em 1984 o Conselho Deliberativo do Patrimônio do
Município por meio da Lei N. 3.802.
Em 1989 o Decreto 6441 dispõe que o Conselho seria composto por representantes
do poder público Municipal executivo e legislativo; poder público, executivo estadual
e federal, da Universidade Federal de Minas Gerais, da Pontifícia Universidade
Católica de Minas Gerais, do Instituto dos Arquitetos do Brasil (Departamento de
Minas Gerais), da Associação Nacional dos Professores Universitários de História
(Núcleo Regional de Minas Gerais), da Coordenadoria de Defesa do Meio Ambiente,
Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural, Estético e Paisagístico da Procuradoria
Geral de Justiça do estado de Minas Gerais, por três membros escolhidos pelo
Prefeito dentre profissionais de notório conhecimento da matéria, nas áreas de
antropologia ou arqueologia ou arquitetura e urbanismo ou artes plásticas ou direito
ou história.. Em 21 de dezembro deste mesmo ano foram designados os membros
do conselho, que então passou a funcionar.
O grande objetivo do CDPCM-BH é assegurar a preservação do patrimônio histórico
e cultural da cidade de Belo Horizonte, para que as gerações futuras desenvolvam o
sentimento de pertencimento a uma história que também é sua, o lugar onde se
constrói a identidade comum. Mesmo que as cidades tenham deixado de se
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constituir como “espaço de realização de um projeto de vida coletiva para serem, ao
contrário, o loteamento onde colidem as esferas do interesse ‘privado’ de destino
público”. (Brandão,s/d)
Todos queremos viver em uma cidade onde o espaço, a história e tempos vividos
comunguem entre si sem entregar desmedidamente ao futuro a sua história.
Queremos sentir ligados a uma origem comum. E não queremos a privatização do
espaço público junto com a privatização super valorizando “o valor de troca, de
compra e venda, (...) em detrimento do seu valor de uso”. (Brandão,s/d)
Acredita-se que o sucesso da preservação do patrimônio cultural das cidades só
será possível via,
“uma demanda social, da demanda de usuários, moradores e das comunidades locais.
Só essa demanda tornará efetiva e possível à aplicação da difícil medida de limitação do
direito de proprietários particulares diante do interesse coletivo, necessário à
preservação de espaços urbanos”. (MOTTA,s/d)
Vivemos em um momento em que a propriedade privada atinge 70% da área
urbana.
“O contraponto para as terras de uso particular e controlado são as terras de uso público
onde todos possam estar e circular sem permissão especial. São os espaços e
logradouros públicos, principalmente as ruas que servem de circulação de pedestres e
veículos e para muitas coisas mais”. (SANTOS,1998)
O tempo decorrido entre a criação do Conselho, por Lei Municipal, e seu efetivo
funcionamento mostra a dificuldade para se efetivar no município uma entidade
deliberativa com representação do poder público e da sociedade civil para
estabelecer a política de preservação do patrimônio. Em 1998 a composição do
Conselho sofreu novo acréscimo passando a incluir um representante da Secretaria
Municipal de Atividades Urbanas e um do Sindicato da Indústria da Construção Civil
do Estado de Minas Gerais.
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Durante uma década o Conselho funcionou assessorado pelo Serviço de Bens
Culturais
da
Secretaria
de
Cultura.
A
transformação
deste
Serviço
em
Departamento, dando-lhe maior poder e autonomia, só aconteceu em 1999.
Compete ao conselho Deliberativo aplicar e deliberar sobre o instituto do
tombamento e seus perímetros de proteção, estimular o seu uso combinado a outros
mecanismos de ordem urbanística e tributária, sugerir e participar da política cultural,
propor formas de incentivo à conservação de bens protegidos, conceder autorização
prévia, estipulando as condições, para intervenções em bens tombados e em sua
vizinhança e exercer vigilância permanente sobre os bens tombados.
A dinâmica de atuação do CDPCM-BH compreende reuniões mensais onde são
discutidos e deliberados os temas referentes a propostas de intervenções em
perímetros protegidos por tombamento e/ou áreas em estudo, que geralmente são
remetidos para prévia análise por um relator designado pelo Presidente.
A Gerência do Patrimônio Histórico e Urbano / GEPH e o Conselho Deliberativo do
Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte / CDPCM-BH da Secretaria
Municipal de Regulação Urbana / SMRU tem como função principal: identificar,
documentar, proteger e promover a memória social e o patrimônio cultural de Belo
Horizonte, em termos materiais e simbólicos.
Compete à Gerência do Patrimônio Histórico e ao Conselho Deliberativo do
Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte:
•
Identificar: reconhecer, descobrir um bem cultural de interesse coletivo por
seu valor arquitetônico ou relevância para a memória social da cidade de Belo
Horizonte;
•
Documentar: buscar dados sobre o bem de interesse cultural; elaborar um
dossiê, que é constituído de síntese histórica, análise sócio-cultural, descrição
arquitetônica e urbanística, fotos, bem como outros documentos relativos ao
bem em questão;
•
Proteger: abrigar, resguardar, não deixar que o bem cultural seja demolido.
•
Promover: trabalhar a favor da preservação do bem tombado buscando o
reconhecimento da população, por meio de ações de educação patrimonial.
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A política de proteção da memória e do patrimônio cultural busca estabelecer uma
sintonia com o planejamento urbano e a qualidade de vida buscando a preservação
do passado com a construção do presente e do futuro. A memória e o patrimônio
cultural incorporam:
•
Edificações de valor histórico;
•
Várias dimensões (bens imateriais) que constroem a identidade e a cultura de
uma cidade e seus habitantes.
Instrumentos de Preservação
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1. O Tombamento
Dentre os instrumentos utilizados, o tombamento é um dos que possibilita a adoção
de medidas restritivas que visam à proteção de bens culturais isolados ou em
conjunto. O tombamento municipal é regulamentado pela Lei 3802/84 e pelo Decreto
5531/86, acompanhando a legislação Federal e Estadual. O tombamento representa
o reconhecimento por parte da sociedade do valor de determinado bem para a
cultura local, sob aspectos que vão do arqueológico ao imaterial ressaltando o
interesse coletivo.
Para o patrimônio edificado foram definidas categorias diferenciadas de tombamento
que refletem a importância atribuída ao bem naquele momento e as características
de cada imóvel:
•
Declaração de interesse cultural – determina a obrigatoriedade de
elaboração do Registro Documental, dossiê com documentação iconográfica
e descritiva que pode eventualmente levar à conclusão pela aplicabilidade do
tombamento ou, em caso contrário, constituir instrumento de pesquisa futura.
•
Tombamento parcial – incide sobre aspectos isolados do imóvel, podendo
se limitar à fachada frontal e/ou outras, volumetria ou altimetria, sendo que
neste último caso a limitação se restringe à altura que poderá atingir uma
nova edificação no local.
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•
Tombamento integral – inclui os planos externos e o interior da edificação,
geralmente quando possuidores de elementos ou soluções valiosas ou
indissociáveis do imóvel.
Rememorando Histórias da Rua da Bahia
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“Eu conheci a Rua da Bahia Quanto era feliz. Era feliz e tinha um ar de importância que irritava as
outras ruas da Cidade.” Carlos Drumond de Andrade
O Conjunto Urbano Rua da Bahia, “define o Corredor Cultural Rua da Bahia”,
compreendendo um perímetro, que é o resultado de um processo histórico de
construções, destruições e reconstruções. Conseqüência de contribuições
sucessivas, não somente de um momento. Esse corredor conta várias histórias
sobre o desenvolvimento de Belo Horizonte. Conta um pouco da história da
arquitetura, da evolução urbana, da ocupação da cidade, do comércio, das pessoas,
mas principalmente da cultura de nossa cidade.
Segundo os critérios da Comissão Construtora da Nova Capital, a Rua da Bahia
seria o eixo de ligação ente o setor administrativo, localizado na Praça da Liberdade
e o centro comercial, que se desenvolveu aos arredores da Praça da Estação,
avenida do Comércio, atual Santos Dumont, onde havia o comércio do tipo
atacadista, formado pela proximidade com a Estação Central, por onde chegava
todos os suprimentos para a Capital, e avenida Afonso Pena.
O Conjunto Urbano Rua da Bahia faz justaposição com vários outros conjuntos ao
logo de seu eixo: Conjunto Urbano Praça Rui Barbosa (Praça da Estação): a
Estação foi projetada por José de Magalhães, que teve como auxiliar o arquiteto,
Edgard Nascentes Coelho e o desenhista José Verdussem, em 1920 foi substituído
pelo prédio hoje existente projetado por Luiz Olivieri. O prédio há muito é conhecido
como Estação Central e é referência cultural pelas proporções e linhas elegantes do
estilo neoclássico, consagrado na Capital do início do século XX.
Esse Conjunto Urbano é, em sua maior parte, interceptado por outros Conjuntos
Urbanos - Rua dos Caetés, Avenida Afonso Pena, Praça Afonso Arinos e Praça da
Liberdade-Avenida João Pinheiro era um Conjunto Urbano praticamente
consolidado, com poucos terrenos vazios. Do ponto de vista histórico observa-se
sua diversidade e riqueza. A definição do perímetro de proteção do referido Conjunto
Urbano busca dar notoriedade para o eixo da Rua da Bahia, devido à importância
dessa rua na história de Belo Horizonte. Observa-se que a Rua da Bahia, apesar de
sua importância como eixo cultural, pela sua história de ocupação e de apropriação,
ela também é um eixo polarizador de referência, um marco urbano importante na
cidade, e as diretrizes de proteção são importantes definidoras desse marco.
Quem atravessava Bahia na altura de Goiás ia dar direto na esquina de
Goitacazes onde ficava a Casa Narciso. (...) Por cima do térreo de Seu
Narciso ficava a residência da família Rocha Melo. (...) Seguiam-se os
prédios de um andar onde ficavam no 936 a Papelaria e Tipografia Brasil do
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Silva Veloso, no 928 a Farmácia Americana. (...) Ainda descendo era a
Casa Decat. (...) Em cima dessa loja morava o Comendador Avelino
Fernandes, Cônsul de Portugal, nosso amigo. (...) Depois era o segundo
Parc Royal (...). Encostado era a Charutaria Flor de Minas e nos seus altos
vivia a família de outro comendador, o Seu Fonseca. (...) Seguia-se o prédio
fabuloso cujo andar térreo era o Cinema Odeon que tinha a glória de ser
sobrepujado pelo piso do Clube Belo Horizonte. (Pedro Nava – Beira-Mar pp
11-12)
Os cafés foram os principais testemunhos da efervescência cultural de Belo
Horizonte, desde sua inauguração. Café foi um termo muito difundido em Belo
Horizonte, para designar “bares mais sofisticados”, na verdade o que eles menos
serviam eram cafés, suas especialidades era um bom chope gelado ou uma cerveja
de qualidade.
O Café Paris, talvez tenha sido o primeiro ponto de encontro entre os poetas de
Belo Horizonte, ainda por volta de 1908. Nesse período lá já era possível se
encontrar cerveja, poesia e música americana tocada ao piano. Era um local
essencialmente masculino. A Rua da Bahia era o seu endereço.
O Café Estrela, localizado na esquina de Bahia com Goitacazes, foi um dos marcos
da Rua da Bahia, na década de 1920. Serviu como ponto de encontro ente os
intelectuais ligados ao movimento modernista mineiro, como Carlos Drumond de
Andrade, Emílio Moura, Abgard Renault, Milton Campos, Pedra Nava entre outros. A
sede desse café era na Rua da Bahia ente Goitacazes e Augusto de Lima, um
pouco abaixo de onde recentemente funcionou o Bahia Shopping. Esse
estabelecimento era mais que um simples café chegou a ser classificado por seus
freqüentadores como uma confraria.
Nossa roda no Café Estrela, da Rua da Bahia, era tão literária quanto
política, e reunia estudantes destacados na Faculdade, a gente que
vagamente estudava ou simplesmente vadiava, como o cronista. Mas se
alguns comentavam a realidade nacional, outros queriam transformá-lo.
Gabriel Passos era um desses últimos (DIAS, 1971).
A Rua Bahia apresenta marcos da arquitetura de diferentes épocas e estilos é
referência obrigatória na literatura modernista com destaque especial na obra do
memorialista Pedro Nava, bem como do poeta Carlos Drumond de Andrade.
De todas as ruas da cidade é a da Bahia que assume a função de elo com o
cosmopolitismo. Lá era possível encontrar um comércio de qualidade, o cinema, a
aglomeração humana e o melhor bar/café da cidade, o do Ponto. Foi planejada
como uma artéria e era nela que transitava os habitantes mais elegantes, os
automóveis e o bonde. Em alguns momentos chegou a ser comparada a uma vitrine
humana, onde todos que seguiam Bahia acima ou Bahia abaixo estavam em
evidência.Era a rua da Bahia que servia de palco para as paqueras, os namoros e
os encontros de boêmios e intelectuais, conforme observações de Abílio Barreto:
A mim pergunto de novo, espicaçado pelo desejo latente, irresistível, de
andar. ‘Onde vou agora?’ Outras ruas me attrahem, mas há sempre uma
que mais se impõe, que me chama, que me arrasta. Sigo, então, para ella,
procurando... o que? Não sei... (VITA, 1914)
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A Rua da Bahia era considerada por todos como artéria sanguínea da capital
mineira. Todas as atividades culturais aconteciam em casas dessa Rua. Era uma
Rua com poucas residências o que consentia aos transeuntes um sentimento de
liberdade, que embebiam do ambiente plural que lhes era proporcionado. Os bares e
os cafés foram sendo ocupados como ponto de encontro, onde se era possível à
troca de informações, a leitura do jornal e discussões acerca da literatura atual, a
situação política, os filmes em cartaz, e a vida cotidiana da capital.
Pensando em Rua da Bahia, não podemos deixar de ressaltar algumas edificações
que conferiram e/ou ainda conferem destaque especial na paisagem urbana da
Capital.
O Café e Bar do Ponto, lugar de encontro dos boêmios da Capital. Situava-se na
esquina de Afonso Pena, entre Rua da Bahia e Tupis, onde hoje se encontra o hotel
Othon Palace. Esse nome foi devido à sua localização, pois logo à sua frente, no
centro da Avenida Afonso Pena ficava o abrigo de bondes, era o ponto final e inicial
daqueles que se dirigiam às regiões sul e leste de Belo Horizonte. Esse
estabelecimento comercial, marco referencial de Belo Horizonte foi fundado por
Felipe Longo, em 1906, a edificação que abrigava esse estabelecimento era um
sobrado que se estendia por todo o cruzamento.
O Bar do Ponto, tudo sabia e informava. Era um jornal vivo. (...) Dali os fatos
eram irradiados (...). Ao recolher-se a casa, à noite, cada belo-horizontino
conhecia tudo o que ocorrera no dia, porque ouvira no Bar do Ponto. (...) E
no Bar do Ponto punha-se pikets nos fatos (...) Cada habitante lá chegava,
parava, ficava informado do que ignorava e informava o que sabia
(ANDRADE, 1982).
O Bar do Ponto não era tão luxuoso como o Café Estrela, contudo serviu não só
como o mais famoso ponto etílico das primeiras décadas da Capital, mas também de
local para exposições de pintores em início de carreira, como Renato de Lima. Até
para homenagens a figuras ilustres do cenário mineiro, o Bar do Ponto era local
ideal. No segundo pavimento do edifício encontra-se o Palácio Hotel, que tinha
entrada pela Rua Tupis.
Marco referencial da cidade por trinta e quatro anos, o Bar do ponto ajudou a
construir a história de Belo Horizonte, passou por vários proprietários, “mas
conservando-se sempre, acima de tudo, uma instituição essencialmente popular,
quase propriedade do público” (CHACHAN, 1994).
O encerramento das atividades do Bar do Ponto foi motivo de comoção popular
repercutindo em toda a imprensa da Capital, que expressa o sentimento de
melancolia. “Raros estabelecimentos de reunião pública desempenharam tão
importante e insistente papel na história de uma cidade, como o Bar do Ponto, na
crônica de Belo Horizonte” (A CIDADE, 1940).
O Bar do Ponto foi fechado em 1940 e demolido em 1959. No local foi edificado o
hotel Othon Palace. Carlos Drummond de Andrade referiu-se à demolição do prédio
afirmando que não era apenas uma referência perdida, mas também um processo
de “liquidação de imagens”, mostrando que a cidade que nasce sob a égide da
modernidade carrega consigo: a incansável busca do novo.
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A Casa Giácomo compunha o cenário da Rua da Bahia, a casa lotérica da época, à
sua frente os engraxates trabalhavam embelezando os pés dos homens ilustres da
capital mineira.
Continuando subindo logo depois da Casa Giácomo se encontrava a Joalheria
Pádua, que vendia jóias de fabricação diamantinense, ao lado a Charutaria Flor de
Minas. No segundo pavimento funcionava o Jornal “Folha de Minas”, importante
veículo de informação da época fundado por Afonso Arinos, na década de 1930,
para o qual Drumond e Nava contribuíram com suas palavras encantadas.
Em frente a essa edificação existiu uma loja de tecidos (com duração efêmera) e
depois foi ocupada pela loja de discos “Lucerna” de propriedade de Waldomiro Lobo,
que mais tarde tornou-se deputado e desistiu do negócio.
A Bombonière Suíssa, servia os melhores doces e confeitos da cidade e não pode
ser esquecida no cenário da Rua da Bahia, considerando, que era lá que a
tradicional família mineira levava suas filhas para passear.
A Livraria Itatiaia funcionava no prédio nomeado Parc Royal e era freqüentada pela
alta inteligência mineira, de propriedade dos irmãos Vivaldi, Pedro Paulo e Edison,
toda Moreira. Ao 2º andar só tinha acesso os amigos íntimos, pois era a residência
de Edison Moreira. Era lá que se discutia literatura e pensavam sobre as sucessões
da Academia Mineira de Letras.
Outras livrarias também já compuseram parte importante desse corredor cultural
chamado de Rua da Bahia, tais como a Francisco Alves, freqüentada pelos jovens
revolucionários da década de 1920; a Livraria Morais, que funcionou na esquina de
Bahia com Goitacazes, onde posteriormente cedeu lugar à Livraria Civilização
Brasileira, mais acima se encontrava a Livraria Alemã, que fora destruída ao final da
Segunda Guerra Mundial.
O Trianon fez parte dos mais célebres cafés da Capital, no princípio do século XX.
Era de propriedade de Otaviano Soares. Na edificação de dois pavimentos
encontrava-se a seguinte disposição: no andar inferior do bar ficavam as mesas e
cadeiras, local onde eram servidos doces, sorvetes e outras guloseimas; no andar
superior as bebidas alcoólicas eram servidas no balcão, onde se podia saborear a
melhor empada da cidade. Era freqüentado pela boemia mais refinada de Belo
Horizonte.
Havia a hora cheia do aperitivo da manhã tomado em pé (...).
Depois morria o movimento e todo o dia era de freguesia
familiar escassa (...). Às quatro da tarde (...) começava o
movimento mais firme dos aperitivos e da cerveja (...) Outra
hora oca, correspondendo à da janta da Família Mineira. Nova
enchente à noite (NAVA, 1985, p. 9-10).
Em frente ao Trianon funcionou a Confeitaria Pappi, que antecedeu a Confeitaria
Elite, era mais requintada casa de chá, que recebia a fina flor da sociedade
belorizontina. Foi bastante freqüentada pela da época, principalmente as moças, que
começavam a ter uma vida social. A confeitaria Elite substituiu a Pappi e passou a
14
centralizar a vida social da cidade, era o ponto de encontro das moças, após a
matinê no Cine Metrópole. Com o passar do tempo a Confeitaria Elite também se
rendeu aos apelos boêmios da juventude e passou a servir cerveja.
Na esquina de Bahia e Augusto de Lima encontrava-se o Grande Hotel, o melhor de
Belo Horizonte, por longos anos. Contava com serviço de bar nos andares térreo e
sacada do 2º. Era o local privilegiado para se discutir política. Em 1918 foi adquirido
pelo italiano Arcângelo Maletta, que promoveu ampla reforma imediatamente, logo
depois construiu o 3º pavimento. Era o mais moderno edifício destinado ao ramo
hoteleiro, hospedou figuras ilustres como Santos Dumont, Rui Barbosa e Getúlio
Vargas, antes desse tornar-se Presidente da República. Juscelino Kubitschek foi um
dos grandes freqüentadores do bar do Grande Hotel.
Em 1956 o prédio foi adquirido pela Cia. De Empreendimentos Gerais, que o
demoliu e no ano seguinte construiu o Edifício Arcângelo Maletta, com 20
pavimentos, de uso misto (residencial e serviços) inaugurado em 1961 e até hoje
importante referência na paisagem urbana da Capital. No andar térreo abriga bares
famosos até os dias atuais, como o Pelicano – com frente para a Avenida Augusto
de Lima e na parte interna a Cantina do Lucas, tombada como patrimônio cultural de
Belo Horizonte, e o Lua Nova, todos movimentados pontos de encontro de
intelectuais, jornalistas e artistas.
O prédio onde hoje se encontra instalado o Centro de Cultura de Belo Horizonte, é
um belo exemplar da arquitetura manuelina. No princípio do século XX, no andar
térreo funcionou a Biblioteca Pública Estadual, no 2º pavimento funcionou a Câmara
Municipal. O prédio já abrigou também uma rádio, o Museu da Força Expedicionária
Brasileira e o Museu de Mineralogia.
Na esquina de Bahia com Goiás já existiu o prédio que abrigou, o Teatro Municipal¹
vendido por Juscelino Kubitschek para construção do Cine Metrópole. O cinema foi
inaugurado em 07 de maio de 1942, e foi um grande acontecimento social na
cidade, com a presença do Governador Benedito Valadares. A festa de inauguração
exigiu traje a rigor. O filem exibido foi “Tudo isso e o céu também” com os atores
Charles Boyer e Bette Davis (a musa dos anos de 1940). Posteriormente o Cine
Metrópole teve o mesmo destino do Teatro Municipal e cedeu lugar a um prédio de
gosto arquitetônico duvidoso, sede do Banco Bradesco. A demolição do Cine
Metrópole serviu como mola propulsora para a política de proteção ao patrimônio
cultural em Belo Horizonte.
O Gruta Metrópole, situado à Rua da Bahia, 1052, na década de 1950, foi o último
reduto de vida boêmia dessa Rua. Foi o estabelecimento herdeiro do Bar do Ponto e
do Trianon. Lá se reuniam, jornalistas, intelectuais, empresários, banqueiros de
estabelecimentos bancários e bancários, banqueiros do jogo de bicho e
trabalhadores em geral. Lá também era possível discutir política, esporte, negócios,
artes, jornalismo, literatura, ciências em geral e até segredos de família. Lá já
estiveram trocando conhecimentos Tancredo Neves e Hélio Garcia; os artistas
plásticos Di Cavalcanti e Mário Silésio; os atores Carlos Kroeber e Jota D’Ângelo e
muitos outros. Hoje o bar ainda existe, o que faz parte da memória é charme de
outrora.
15
Os bondes são parte integrante da memória de todos os autores que escrevem
sobre a Rua da Bahia. Eles iam e vinham por esta Rua levando passageiros ao
Bairro Serra, à atual Praça Diogo Vasconcelos, na Savassi, onde outrora existia o
abrigo Pernambuco e mais tarde aos bairros Carmo e Sion. Todos os moradores da
Capital usavam o bonde como sistema de transporte, todas as classes sociais se
serviam dele. Era considerado por todos como um espaço democrático, diferente do
transporte coletivo existente atualmente, em que apenas as classes menos
abastadas se utilizam dele.
Fazem justaposição com o Conjunto Urbano Rua da Bahia os seguintes Conjuntos:
A Praça Afonso Arinos foi nomeada pela Comissão Construtora como Praça da
República. No decorrer desses 109 anos foi bastante alterada. Seu traçado original
criava uma perspectiva para a antiga Avenida Liberdade, atual João Pinheiro. Em
1996, o CDPCM-BH, aprovou o tombamento de árvores na malha urbana, com
destaque para o Jequitibá e o Pau-Brasil plantados nessa praça.
A Avenida João Pinheiro foi originalmente batizada de Avenida Liberdade.
Projetada como rampa de acesso à esplanada artificial terraplenada pela CCNC. Os
trabalhos de arborização da Capital foram iniciados nessa avenida, Da ocupação
original, destinada às residências de altos funcionários públicos restaram apenas
alguns palacetes, hoje ocupados pelo Museu Mineiro, Arquivo Público Mineiro e pela
Escola Estadual Afonso Pena, protegidos por tombamento municipal e estadual.
A Praça da Estação foi projetado pela CCNC, implantada em 1895 e recebeu o
nome de Praça Cristiano Otoni. A partir de 1924, passou a ser denominada Praça
Rui Barbosa, período em que teve o seu paisagismo reformulado. É espaço
consagrado de manifestações coletivas, políticas e culturais. Esse Conjunto Urbano
é patrimônio cultural protegido pelo município e pelo Estado, com elementos que se
ligam a diversos períodos da evolução urbana de BH.
O Conjunto Urbano Avenida Afonso Pena, o principal eixo projetado pela CCNC, no
sentido norte-sul, a partir da Serra do Curral até o Ribeirão Arrudas. Ao longo de seu
percurso, destacam-se importantes referências culturais, arquitetônicas e
urbanísticas, como a Praça Sete de Setembro e o Pirulito – Monumento ao
Centenário da Independência -, o edifício Sulacap/ Sulamérica, o Mercado das
Flores e o extinto Bar do Ponto fazem parte da memória desse cruzamento.
O Parque Municipal Américo René Giannetti, não pode perder o lugar de
destaque desse Conjunto. Foi inicialmente o quartel general da Comissão
Construtora da Nova Capital. Serviu também como o local de cultivo de sementes
para todo paisagismo executado na época da construção da cidade. Após a
inauguração foi estruturado para servir de Parque, hoje, o grande respiradouro do
hiper-centro de Belo Horizonte. Segundo a Comissão Construtora da Nova Capital –
CCNC -, o Parque Municipal cumpriria a seguinte função: “Será o parque mais
importante e grandioso de quantos há na América, e por si só, merecerá a visita de
nacionais e estrangeiros e levará a nova Cidade acima de quantos ora atraem no
Brasil”. (CCNC – 1894)
No princípio do século ele incentivou e cultivou o hábito do passeio público, o local
onde as pessoas se reuniam longe do trânsito das ruas. Todavia, assim como nas
16
outras vias públicas em especial a Rua da Bahia, servir como lugar de encontro dos
enamorados, dos amigos, para conversas rápidas ou apenas apreciação da
paisagem. O paisagista Paul Villon, produziu naquela localidade um verdadeiro
“museu da natureza”, conseguindo criar a sensação de aproximação entre o
ambiente bucólico de Ouro Preto e o modernismo de Belo Horizonte.
Logo após a transferência da capital mineira, de Ouro Preto símbolo do sistema
colonial, para Belo Horizonte o marco da república, do modernismo e do futuro, a
Rua da Bahia, o Parque Municipal e os cinemas assumem o papel de civilidade.
Praça da Liberdade – Encontra-se implantada no alto da Boa Vista do Curral Del
Rei, foi projetada pela CCNC, seus jardins originais em estilo inglês forma
remodelados em 1920, sob inspiração francesa. O coreto foi projetado por Edgard
Nascentes Coelho com denominação de Pavilhão da Música. Em 1992, foi concluído
o projeto de restauração da Praça de autoria da Arquiteta Jô Vasconcelos. No
período da ocupação da capital, a Praça da Liberdade não era um local de grande
circulação, a imprensa da época atribuía tal fato à concorrência da Rua da Bahia e
dos cinemas:
Mais uma noite triste para a praça da Liberdade foi a do último domingo. A
falta de música, concorrência dos collegas da Rua da Bahia (os
cinematographos), os circos, - tudo conspira contra ella, que se viu
despovoada do encanto seductor e mágico das senhoritas formosas que
costumam florir de graça e de alegria (O BINÓCULO, 1908).
A Praça da Liberdade foi primeiramente reconhecida como poder público e não
como espaço público, que encontrava na Rua da Bahia seu lócus preferencial. A
maioria da população a percebia como uma ilha do poder, bastante distanciada da
vida cotidiana da capital.
___________________________
¹ O Teatro Municipal era um dos mais belos exemplares que remetia a belle époque, que foi inuagurado pela Cia.
Nina Sanzi e continuou sendo placo de brilhantes apresentações de conjunto e artistas nacionais e
internacionais.
Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial / Manifestações Culturais
___________________________________________________________________
Em tempos que o patrimônio soma a seus aspectos históricos bem como os
saberes, fazeres, formas de expressão e celebrações de um povo, como
manifestações artísticas e culturais representadas, pelas festas religiosas, produção
artesanal também são passíveis de atenção, proteção e motivação de interesse
turístico.
A Rua da Bahia é considerada tanto pela população local como por visitantes o mais
importante eixo cultural da capital. Menos glamorosa, mas não menos intensa é a
programação desse corredor cultural com exposições, espetáculos teatrais e
17
musicais, roda de samba, vídeos e filmes, toda essa efervescência pode ser
conferida nos bares, teatros, cinemas e clubes.
A Rua da Bahia presenciou e registrou o nascimento, apogeu e decadência do
carnaval em nossa cidade. Entre as décadas de 1930 e 1940, a Rua da Bahia, em
frente ao bar Trianon, onde só entrava homens e a Confeitaria Elite, onde as
mulheres também podiam entrar, servia de ponto de concentração para os foliões.
Anos mais tarde o encerramento das atividades dos dois estabelecimentos
comerciais coincidiram com a decadência do carnaval na Rua da Bahia. A Gruta
Metrópole serviu de ponto de encontro, por um curto período. Salles fala com
melancolia da situação presente desse marco da Rua da Bahia: “Desfazia-se, pouco
a pouco, toda a estrutura humana de sustentação daquela tradicional casa. (...),
impiedosamente lanchonetizada pelo mau gosto dos homens, e lá permaneceu, sem
quê nem pra quê. Era o fim”. (SALLES,2005)
Os benefícios da preservação do patrimônio
Incentivos à preservação dos imóveis
1. Isenção de Imposto Predial Territorial Urbano / IPTU, para os imóveis em bom
estado de conservação;
2.
Transferência do Direito de Construir  Potencial construtivo do lote que pode
ser vendido a áreas onde é permitido o adensamento;
3.
Lei de incentivo à Cultura / LIMIC  verba para realizar restaurações;
4. Ateliê de Acompanhamento do GEPH/SMRU  faz projetos de restauração dos
bens tombados e auxilia os proprietários empreendedores.
A Redistribuição do ICMS
A Lei Estadual 12.040/95, conhecida como Lei Robin Hood, estabeleceu parâmetros
para redistribuir o ICMS segundo as políticas implantadas pelos municípios. No
Anexo III está fixado o Índice do Patrimônio Cultural/IPC, que leva em conta:
18
I - a existência de planejamento e política de proteção do patrimônio cultural: a)
possuir legislação municipal que disponha sobre a política cultural do município, em
especial sobre proteção e a conservação de seus bens culturais tombados ou de
interesse de preservação; b) dispor, em sua estrutura administrativa, de equipe
técnica especificamente designada para responsabilizar-se pela política de
preservação do município, com atuação efetiva comprovada;
II – apresentação (para cada bem tombado de a) planta em escala contendo o
perímetro de tombamento, para o caso de cidade ou núcleo histórico e de conjuntos
urbanos, arquitetônicos e paisagísticos; b) número de domicílios englobados pelo
perímetro de tombamento, para o caso de cidades ou núcleo histórico; c) área e
número de unidades envolvidas pelo perímetro de tombamento, para o caso de
conjuntos urbanos, arquitetônicos e paisagísticos; d) endereço completo do bem
imóvel tombado isoladamente e de bens móveis; e) elementos artísticos integrados
e informe histórico; f) descrição geral das características do bem, justificando seu
valor cultural para o município; g) responsabilidade técnica pelas informações; h)
natureza jurídica do ato de tombamento; i) data do tombamento;
III – Lei de criação de Conselho Municipal de Cultura ou afim, com seus respectivos
instrumentos de regulamentação contemplando as seguintes características e
atribuições: a) atribuição em caráter preferencialmente deliberativo, de proceder ao
tombamento ou outras formas de proteção de bens de interesse cultural do
município; b) atribuição de controle e fiscalização pelo município sobre intervenções
em bens tombados ou de interesse cultural; c) representação equilibrada do poder
público e de entidades e instituições representativas da sociedade civil; d) formas de
convocação, deliberação e periodicidade das reuniões; e) comprovação do
funcionamento regular do Conselho através de cópias de atas aprovadas e
assinadas pelos conselheiros;
IV – Apresentação de: a) inventário de bens culturais; b) dossiê de tombamento; c)
inscrição nos Livros de Tombo; d) laudos técnicos que comprovem o bom estado de
conservação do bem cultural tombado; e) investimentos em bens culturais realizados
diretamente pelo município ou através de parcerias e convênios.
19
Referências Bibliográficas
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Estado da Cultura de Minas Gerais e BFMG, 1987.
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20
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PENHA, Otávio. Notas Cronológicas de Belo Horizonte (1711-1930). Belo
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SILVA, Maria Beatriz Setúbal de Rezende. Preservação na Gestão das Cidades. In.:
Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Cidadania. Rio de
Janeiro: IPHAN, 1996. N. º 24.
¹ Bacharel em História pela UFMG, coordenadora do Pontão de Cultura da UFMG.
Relatório de Arquitetura
Daniel Medeiros de Freitas*
O relatório parcial de arquitetura faz parte dos estudos técnicos integrantes do
projeto Corredor Cultural Rua da Bahia: Educação Patrimonial e Memória Urbana,
financiado por Recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de
Belo Horizonte. O conteúdo do relatório é dividido em duas partes. A primeira
apresenta os objetivos, metodologia, fontes bibliográficas do estudo e caracterização
geral do acervo arquitetônico e urbano da rua da Bahia. A segunda parte apresenta
o inventário e a caracterização das edificações da rua, destacando os edifícios ou
conjuntos urbanos considerados relevantes em relação ao tema e natureza do
projeto.
Objetivo,
metodologia
e
fonte
___________________________________________________________________
O trabalho procurou adequar a necessidade de elaboração de inventário próprio do
espaço construído com a evolução urbana da rua Bahia. Nesse sentido, é
importante considerar que o inventário proposto tem por objetivo primeiro subsidiar
trabalhos de elaboração de eixos turístico-pedagógicos, não visando diretamente
21
subsidiar a preservação ou intervenção física nas edificações. No entanto, para
possibilitar a correta identificação das edificações suprimidas, o estudo opta por um
levantamento de todas as edificações, identificando lote a lote a evolução do espaço
e variação de uso e estrutura construída. Com base neste inventário detalhado e nas
diretrizes do projeto proposto, foram destacadas as edificações com maior
relevância para o patrimônio histórico arquitetônico e urbano, a fim de se aprofundar
em sua caracterização.
Sobre a análise dos dados e definição de critérios de seleção de edificações
notáveis, o trabalho opta por priorizar a relação que os edifícios estabelecem com o
espaço urbano e história da cidade, oferecendo dados para o mapeamento,
identificação e caracterização da relação das edificações relevantes do ponto de
vista arquitetônico, construtivo e referencial com a cidade. Neste sentido, o conceito
de patrimônio adotado é o que trabalha com a associação de valores ao objeto
(CHOAY, 2001), buscando identificar valores para a história, história da arte,
singularidade artística ou de uso, atual ou passado.
Sobre a delimitação da área de estudo, foi adotado o eixo formado pela rua da Bahia
em toda sua extensão, com alargamento em trechos de maior concentração de
edificações, estruturas ou atividade urbanas relevantes.
Sobre a apresentação dos dados o estudo define uma lista de edificações relevantes
para, em seguida elaborar um pequeno parágrafo introdutório sobre a caracterização
do edifício, história de seu projeto, ocupação e modificação de uso, descrição da
importância para a arquitetura, para a história e para a cidade e, finalmente, foto ou
figura disponível em acervo. Sobre o último aspecto, o estudo opta por não produzir
levantamento fotográfico específico para cada edificação caracterizada. A opção se
justifica pela existência de amplo material gráfico relativamente atualizado do local e
pela pouca relevância de fotografias atualizadas no produto final do projeto, que da
maior peso à identificação da edificação do que o diagnóstico de sua situação atual.
Caso a coordenação do projeto opte por produção de registro fotográfico e
vinculação deste em produto final (cartilha, palestras, etc) recomenda-se elaboração
de critérios com o responsável pela diagramação final do material.
Arquitetura e urbanismo na Rua da Bahia
A Rua da Bahia, do ponto de vista histórico-arquitetônico, é a rua mais importante de
Belo Horizonte. Essa importância se deve ao acúmulo de edificações consideradas
patrimônio histórico que vinculam valores de identidade local, referência histórica,
inovação estética ou tecnológica, símbolos da vida urbana, dentre outros. Por outro
lado, associada à importância histórica dos edifícios, tem-se, desde as primeiras
décadas, um processo contínuo de demolição e substituição de edificações,
relacionado à ação do mercado imobiliário e à reinvenção contínua do modelo
arquitetônico e urbano do Hipercentro de Belo Horizonte.
A importância da rua pode ser reconhecida já nos primeiros anos da capital,
momento em que no trecho próximo à esquina da Rua da Bahia com Afonso Pena
se consolida a primeira centralidade de comércio e serviços da cidade planejada.
Essa centralidade desbanca o próprio projeto original de Aarão Reis e sua intenção
de criação de um grande centro linear ao longo da Afonso Pena. Nos primeiros
22
anos, a Rua da Bahia representava a elite republicana que encontrava em seus
cafés, tabacarias e lojas de luxo a urbanidade próxima à das metrópoles européias,
sobretudo a Paris das intervenções de Haussmann² . Deste último Aarão Reis herda
grande parte do vocabulário espacial que combina com a opção malha regular,
geométrica e fechada.
Neste momento, a arquitetura neoclássica de inspiração européia combina regras de
composição e técnicas construtivas com a utilização de símbolos republicanos. O
partido arquitetônico e a relação com cidade têm como objetivo a contextualização e
reforço dos eixos e perspectivas visuais do projeto urbano, efeito obtido pelo
alinhamento do edifício com o passeio e adoção de gabarito de altura.
Nos anos 30 o modelo urbano adotado até então sofre as primeiras críticas e um
novo vocabulário formal passa a nortear as intervenções no tecido existente. Belo
Horizonte na época possuía diversos vazios na área central, o que possibilitou a
reinvenção do espaço de acordo com as novas referências. Data dessa época o
viaduto Santa Tereza, maior vão de concreto da América Latina e as primeiras
edificações em estilo art-deco, os dois principais símbolos dessa nova estética
urbana.
Na década de 40 o processo de substituição de edificações na área central se
consolida, atingindo mesmo edificações de grande porte e referência, como o antigo
edifício sede dos correios. No lugar, foi construído o conjunto do edifício Sulacap
Sudameris, ainda hoje o melhor exemplo de inserção urbana de arquitetura vertical
no Hipercentro, devido à apropriação e valorização do eixo criado pelo viaduto Santa
Tereza. No entanto, na década de 70 essa estratégia de implantação é
completamente subvertida pela construção de anexo sobre o vão central.
Na década de 50 um novo modelo urbano é imposto à capital, caracterizado pela
abertura de vias e zoneamento de usos. Surge no período o privilégio ao tráfego de
veículos, embora a frota menor conseguisse se harmonizar com os usos da rua,
equilíbrio que irá se romper de forma definitiva a partir da década de 60. Por outro
lado, a arquitetura modernista chega na rua da Bahia presa ao gabarito de altura e
alinhamento frontal, incapaz de promover a subversão do tecido neoclássico através
da criação de grandes pilotis como aconteceu em diversos pontos da cidade.
Nas décadas de 60 e 70 a inserção da arquitetura vertical prioriza a ocupação total
do lote e do coeficiente permitido pela legislação, fruto direto da ação do mercado
imobiliário e do isolamento funcional do edifício. No final da década de 70, teve início
a demolição de diversas residências no trecho final da rua da Bahia. De 1980 a 1990
foram demolidas 3 casas entre a Álvares Cabral e a Timbiras; 3 casas entre Aimorés
e Bernardo Guimarães; 6 casas entre Bernardo Guimarães e Gonçalves Dias e 2
casas entre Gonçalves Dias e Bias Fortes.
No entanto, também foi na rua da Bahia que foram implantadas as primeiras ações
de preservação do patrimônio histórico. As ações e discussões se concentraram
primeiramente no conjunto da Praça da Estação para, em seguida, subir a rua da
Bahia, propondo dentre outras ações a instalação de um eixo comercial 24 horas,
nunca viabilizado. A maior importância dessas ações foram inaugurar a discussão e
23
definir grande parte dos atuais modelos e critérios de intervenção no patrimônio
histórico de áreas centrais.
Atualmente o espaço construído da rua da Bahia convive com graves problemas de
tráfego de veículos e poluição sonora e visual. O uso dos espaços, apesar disso,
ainda sugere potencialidades para apropriação do eixo e resgate da importância da
rua para a memória e vida social da capital. A maior parte das edificações relevantes
para o projeto estão bem conservadas, com poucas descaracterizações, sendo o
maior prejuízo a demolição de maior parte do acervo ao longo dos anos.
Inventário Completo de Edificações
***Maior Relevância **Média relevância *Pouca relevância
Entre Contorno e Guaicurus
***Companhia Industrial de Belo Horizonte – Edifício 104 tecidos - Fourteen
Inaugurado em 1908, o edifício foi construído para sediar a fábrica de tecidos da
Companhia Industrial de Belo Horizonte, primeira grade indústria de tecidos a se
estabelecer na Nova Capital de Minas. O projeto original da edificação foi elaborado,
em 1906, pelo arquiteto Edgar Nascente Coelho. A partir do final da década de 40 o
edifício passa a abrigar a União Brasileira de Tecidos, popularmente conhecido
como 104 Tecidos. Atualmente, parte do galpão é ocupada pela fábrica da fourteen.
O prédio sofreu, ao longo dos anos, inúmeras intervenções que, além de
descaracterizarem seu interior, contribuíram para o desaparecimento quase
completo das linhas arquitetônicas originais de suas fachadas.
***Prédio da Escola de Engenharia - Construído em estilo modernista em 1965, se
destaca pelo uso de estrutura independente, parede de vidro e pilotis sob o
auditório, voltado para a rua Espírito Santo.
***Instituto de Química da Escola de Engenharia da UFMG – Laboratório da
Escola de Engenharia da UFMG - Edificação construída em 1911 em estilo
neoclássico. Possui importância arquitetônica devido ao porte e caráter referencial
para o entorno. Está mal conservado e começa a apresentar descaracterizações.
Entre Guaicurus e Santos Dumond
***Praça Rui Barbosa - Principal porta de entrada da capital, construída para ser o
cartão postal da cidade planejada. No início da década de 40 passa a ter sua
importância diminuída, situação que se agrava nas décadas de 50 e 60 com a
chegada do tráfego de veículos e desativação das indústrias do entorno. Após
passar por período de degradação, serviu de bandeira para a preservação do
patrimônio no Hipercentro. Na década de 80 tem seu processo de requalificação
iniciado com a instalação do centro cultural da UFMG. No final da década de 90 o
edifício e o espaço urbano passa por uma série de intervenções que recuperam a
condição de cartão postal da cidade.
24
***Biblioteca da Escola de Engenharia - Edificação do conjunto neoclássico
próximo à Praça da Estação.
***Segundo Batalhão da Brigada Policial – Escola Livre de Engenharia – Centro
Cultural da UFMG - O prédio foi originalmente concebido para sediar o Hotel
Antunes. Entretanto, concluídas suas obras, em 1906, destinou-se ao Quartel do
Segundo Batalhão da Brigada Policial, que permaneceu nesse endereço por cinco
anos. A partir de 1911, a Escola Livre de Engenharia passou a funcionar no local.
Nos anos 80, a edificação foi restaura da e passou a sediar o Centro Cultural da
UFMG. O prédio foi construído em estilo eclético com predominância de elementos
neoclássicos, é exemplar das construções de médio porte do início do século.
Entre Santos Dumond e Caetés
***Hotel Internacional – Hotel Itatiaia - Em 1912 havia no local e imediações um
pequeno conjunto de estabelecimentos comerciais e de serviços: a Empresa
Progresso (serviços de mensageiros, transportes e despachos), a Confeitaria
Americana, a Farmácia e Drogaria Comércio, a Empresa Minerva (papelaria e
tipografia), duas firmas de bilhar e uma loja de loterias. O Hotel Itatiaia ou
Internacional foi construído em 1951, projeto dos arquitetos Raffaello Berti e
Shakeaspeare Gomes. Atualmente abriga diversos serviços.
Entre Caetés e Tupinambás
**Hotel Macedo - Na década de 1940 a rede hoteleira ganhou impulso. Entre os
principais estabelecimentos da época estava o Hotel Macedo, edifício art-déco de 3
pavimentos com entrada pela Praça Rui Barbosa.
**Edifício Aurélio Lobo - Edificação localizada na Amazonas, recentemente
restaurada.
**Edifício Marena - Residencial vertical. Construído em 1959 com projeto de
Euípedes Santos.
**Condomínio Edifício Rio Tapajós: Edifício residencial vertical. Construído em
1958 com projeto de Tarcisio Silva.
*Edificação de 1 pavimento atual
*Prédio sem nome entre condomínio e estacionamento - Dois pavimentos em estilo
moderno.
**Edifício Farinha - residencial vertical
Construído em 1962 com projeto de Hilmar Toscano Rios
*Estacionamento
**Edifício Mantiqueira - residencial vertical
Construído em 1962 com projeto de Antônio Botelho Pereira e Jéferson Lodi.
Entre Tupinambás e Carijós
25
*Posto de Gasolina
***Prédio Neoclássico Azul – 4 pavimentos
*Prédio 3 andares novo (451) - Paulistão dos Retalhos, construído em 1983 por
Yokio Sato Eng. Civil.
*Frigorífico – 2 pavimentos
*Prédio 3 andares - novo (487)
**Edifício Satélite (nº 478) - moderno - Construído em 1958 com projeto de Paulo
Mourão Monteiro.
*Prédio Garagem - Sua construção tem início em 1998
***Mecânica Purri / Edifício Victor Purri/Cine Regina - Funcionava no número 508
a “Mecânica de Minas”, oficina de fundição, fundada em 1903, de Victor Purri. No
número 304 está a oficina de mármores e ladrilhos de “José Scartelli e Filhos”. Estes
dois estabelecimentos, junto com a oficina de cerâmica de João Pinheiro, que em
1912 já não existia, foram pioneiros na construção da cidade, localizando-se na Rua
da Bahia, estrategicamente perto da Estação Ferroviária. Na década de 50 as
edificações são demolidas para construção do edifício atual. O Edifício Victor Purri
foi construído em 1964 com autoria de Victor Purri e Paulo Mourão Monteiro.
Entorno: Viaduto Santa Tereza
**Edifício Amália Taboada - (504) moderno - Construído em 1962 com projeto de
Gibrtto C. Andrade
**Prédio neoclássico
Entre Carijós e Tamoios
**Edificação Edifício Alcazar - (570) Prédio (década de 40). Com 11 pavimentos foi
construído em 1944 e seu autor foi Raffaello Berti.
*Edificação 581 - moderno
*Estacionamento
* Edifício Elepebê
**Edifício Lisboa - Construído em 1962 com projeto de Paulo Zukim Figueiredo
Neves
*Edifício São Lucas - Construído em 1958. Autoria de Geraldo Ferreira Lima.
*Edifício novo sobre reforma que descaracterizou edificação anterior.
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*Edifício Duque de Caxias - Construído em 1957. Autoria de U Muniz.
Entre Tamoios e Afonso Pena
***Parque municipal - Estação Bondes – Mercado das Flores - O parque foi
Inaugurado em 26 de setembro de 1897. Na década de 10 começou a perder partes
de sua área para a cidade. Em 1925/26, ele ganhou seus portões principais e a
cerca de arame foi trocada por um belo gradil de ferro. O coreto, inicialmente
montado na praça do mercado, foi transferido para o cruzamento da avenida Afonso
Pena com rua da Bahia. No mesmo local, foi construída a estação de bondes. Em
1937, perdeu grande área para o prolongamento da rua Pernambuco.
A Agência de Bondes “Viação Elétrica” foi instalada já nos primeiros anos da capital,
sendo o principal ponto o da esquina da Afonso Pena com rua da Bahia em
edificação eclética já demolida. O prédio existente próximo ao parque data de 1946 .
Na década de 60 a edificação virou Mercado das Flores.
**Prédio dos Correios – Sulacap Sudameris - O prédio dos correios foi construído
em 1904. O edifício era róseo, de arestas pintadas de branco, alternando largos
janelões com elegantes janelas finas. Tinha porão habitável, dois pisos e seu maior
requinte estava no vestíbulo cuja altura era a dos seus dois andares, juntos. Foi
inaugurada em 1906 e se destacava no centro de Belo Horizonte. O prédio manteve
o padrão da arquitetura eclética utilizado nos prédios construídos na inauguração da
Capital. Em 1933, o prédios dos Correios é colocado à venda. No terreno foi
construído em 1941 o edifício Sulacap-Sudameris em composição com o viaduto
Santa Tereza, onde o arquiteto Roberto Capello constrói integração simétrica entre
os dois blocos no edifício e dois arcos no viaduto. No centro um vão permitia a visão
da Afonso Pena, perspectiva perdida com a construção de um anexo entre os dois
prédios na década de 70.
Entre Afonso Pena e Goiás – Goitacazes
***Casa Arthur Haas – Ediício Haas - Desde 1901 a casa Arthur Haas era uma
casa de concessionária de automóveis situado na esquina da rua da Bahia com
Afonso Pena em frente ao Bar do Ponto. Em 1934 foi demolida para construção do
edifício Haas de 4 pavimentos.
**Edifício Itamaraty - Construído em 1960 com projeto original de A. Remy
***Trianon – Ed. Trainon - Bingo: Misto de restaurante e confeitaria que surge em
meados dos anos 20. Próximo ao local haviam a Confeitaria Suissa e a loja do
alfaiate João Batista Coscarelli. O conjunto foi demolido para construção do Ed.
Trianon (em 1960) e do Bingo (1987).
***Bar do Ponto - Hotel Globo - Othon Palace Hotel - O Café e Bar do Ponto era o
mais famoso de Belo Horizonte, instalado à esquina das ruas Bahia e Tupis, num
grande sobrado que abrigava, no primeiro andar, o Hotel Globo. O espaço inferior
era dividido com a elegantíssima Sapataria Central, a Papelaria e Livraria Oliveira e
Costa, o Restaurante Acre Moderno e o Teatrinho Paris, mais tarde convertido em
cinema.
27
Em 1969 a edificação ou conjunto de edificações foi demolido para construção do
Othon Palace Hotel
***Teatro Soucasaux – Teatro Municipal – Cine Metrópole Francisco Soucasaux construiu seu teatro adaptando o galpão de madeira e zinco
existente no local desde os primeiros anos da capital. Inaugurado em 20 de
dezembro de 1899, o teatro ficava no fundo do jardim onde havia um coreto e
substituiu o Teatro Provisário. A edificação foi demolida no dia 26 de abril de 1906
para construção do teatro municipal, inaugurado em 21 de outubro de 1909. O
prédio, de requintada arquitetura eclética, com a predominância do estilo
neoclássico, sofreu alterações ao longo dos anos e chegou a ser chamado de
pardieiro na década de 30. Na década de 40, passou por reforma de fachada para
abrigar o cine metrópole. O cinema, símbolo da cultura da capital, foi vendido em
1983 e demolido para construção do edifício que atualmente abriga o Banco
Bradesco.
***Cine Odeon – Clube BH – Itaú - Inaugurado em fevereiro de 1912 o cine Odeon
ficou na rua da Bahia até o final dos anos 20. Instalado luxuosamente no sobrado de
Mendes Pimentel, cujo andar superior servirá de sede para o famoso Clube Belo
Horizonte, entre 1913 e 1915. Em 1978 foi demolido para construção do edifício do
Itaú.
***Parc Royal - Casa projetada pelo engenheiro Luiz Mourão Júnior e inaugurada
em 13 de janeiro de 1921 para abrigar a casa de moda mais sofisticada de Belo
Horizonte. A edificação ainda conserva a sua fachada de arquitetura eclética,
marcada por características clássicas com elementos do art-noveau. Nos detalhes,
linhas verticais nos frisos e relevos, além da platibanda típica das construções de
época. No conjunto destacam-se as sacadas, as luminárias art-noveau e as colunas
e capitéis estilizados. Em 1939, abrigou a casa das lentes. Depois o segundo andar
foi alugado pela Singer, e no primeiro, instalada a confeitaria elite. No terceiro
funcionavam consultórios de médicos famosos como o de Juscelino Kubitschek. Foi
ocupado pela Livraria Oliveira e Costa e pela Itatiaia Editora. Atualmente, serve a
uma agência bancária. Interior descaracterizado.
**Charutaria Flor de Minas - no local onde foi construído o Ed. Mercantil em 1969.
**Casa Decat – Farmácia Americana no local onde foi construído em 1969 o edifício
que abriga o HSBC
**Sobrado do Comendador Avelino - Papelaria e tipografia Brasil no local do
Edifício Bom Destino construído em 1954, projeto de Raul de Lagos e Luciano
Alfredo Santiago.
Entre Goiás-Goitacazes e Augusto de Lima
***Hotel – Leiteira Celeste – Lanchonete Nacional: local privilegiado situado a
pequena distância de três redações de jornais, o Estado de Minas, O Diário e a
Folha de Minas. Atualmente no local esta o Hotel Metrópole, de seis pavimentos,
projeto de Raffaello Berti e Romeo di Paoli.
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***Região onde havia a loja de Alfredo Coscarelli, a Gruta Metrópole - Desde
1946 existe no local um edifício de 15 pavimentos de autoria de Raffaello Berti.
**Ed. Minas Oeste - de 1966, projeto de Álvaro Benício de Paiva.
**Edifício Fátima - construído em 1954.
**Restaurante Colosso – Andrade e Campos - Local onde em 1945 foi construído
o edifício projetado por Tarcísio Silva e Oswaldo de Andrade.
**Confeitaria Estrela – Edifício Ipê- Também chamado café estrela a confeitaria
marcou época nas décadas de 10 e 20, instalada em um sobrado de cinco portas.
Deu lugar ao edifício Ipê de 1958, projeto de Tarcísio Silva.
**Farmácia Abreu – Ed. Argélia - Farmácia muito antiga desativada em meados da
década de 50. Construção do Ed. Argélia data 1957, também projeto de Tarcísio
Silva.
**Edifício Santa Maria e Shopping Metrópole - construído em 1957.
**Hotel Sol BH - de 1990, projeto de Henrique Campos e Sidney Portela
**Confeitaria High Life - Também era restaurante e possuía grande salão de bilhar
confirmar localização. Atualmente vê-se a casa antiga com 1º pavimento
descaracterizado
**Livraria Francisco Alves – Colégio Minas Gerais
Entre Augusto de Lima e Guajajaras
***Conselho Deliberativo - biblioteca pública - Museu de Mineralogia - Centro
de Cultura de Belo Horizonte - O prédio em estilo neogótico manuelino – o único
do estado – foi construído entre 1910 e 1914, para abrigar o Conselho Deliberativo
de Belo Horizonte. Projetado por Francisco Isidro Monteiro, foi inaugurado em
setembro de 1914. Em 1930, abrigou a Câmara Municipal. Entre 1931 e 1944,
abrigou a primeira estação de rádio de Belo Horizonte (antiga “Rádio Mineira”) no
porão do Conselho Deliberativo. Nos anos 40 era a biblioteca pública da cidade.
Depois de um período desocupado, foi transformado, em 1974, no Museu de
Mineralogia Djalma Guimarães, que deixou o lugar para que o prédio fosse
restaurado para abrigar um novo espaço cultural.
***Grande Hotel - Edifício Malleta - Inaugurado em agosto de 1897, com 52
quartos e vastas salas para refeições e festas. Em 05/11/1908 o prédio é totalmente
destruído por um incêndio. É totalmente reconstruído em 01/04/1909, agora com três
andares. Foi demolido em 1957 e em seu terreno foi construído o edifício Maleta em
1958, que causou grande impacto junto à população. Possuía linhas arrojadas e
proporções espetaculares para a época.
***Edificação que abriga Agência de Correios - Não foi possível confirmar seu uso
anterior
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**Edifício San Remo - construído em 1955 com autoria de Angilberto Sabino
Santos.
***Clube B.H. - Polícia Militar - Em 27/11/1926 foi lançada a pedra fundamental da
nova sede do Clube Belo Horizonte. Foi construído em 1927 com 5 pavtos. O autor
foi Luiz Signorelli. Em 23/04/1929, passou a denominar-se “Jockey Club de Belo
Horizonte”.
**Prédio Chromos / La Grépia - descaracterizado. Apenas valor referencial.
**Ed 227 - residencial vertical.
**Edifício Rotary - construído em 1965, projeto de Luiz Pinto Coelho e Arturo Garcia
Entre Guajajaras e Timbiras
**Edifício Capri - Residencial vertical da década de 50.
**Edifício Bernardo Monteiro
**Edifício Teixeira Rocha - antigo +ou- 3 andares, nº 1295
*Estacionamento
**Academia / Estacionamento - nº 313
**Edifício Augusto Costa – nº1320. +ou - 15andares até 1972
**Edifício G. Couto e Silva - teatro da cidade, +ou- 18 andares, nº1345
**Edifício Adriana – nº1354. +ou- 16 andares
**Edifício Bahia – antigo, 3 andares, nº1365
*Estacionamento / Casa 2 andares – nº1360
Entre Timbiras e Aimorés
*Restaurante / Lanchonete / Estacionamento
**Net
*Edifício Quartzo nº1443, novo +ou- 9andares
**Casa antiga 2 andares nº1432
**Edifício Baia Blanca novo +ou-14 andares (Banco do Brasil térreo)
***Associação Mineira de Imprensa
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**Prédio abandonado - +ou-3andares
***Consultório e Residência de Eduardo Borges Ribeiro da Costa - Academia
Mineira de Letras
**Casa antiga 2 andares nº 1491
***Anexo da Academia Mineira de Letras
Entre o velho e o novo, outro marco do início dos anos 90 foi a conclusão do anexo
da Academia Mineira de Letras. No projeto, Gustavo Penna propõe um diálogo entre
sua arquitetura contemporânea e as linhas neoclássicas do antigo palacete dos
Borges da Costa, sede da academia.
**Casa antiga 2 andares - CCAA nº 1499
**Colégio Imaculada
Entre Aimorés e Bernardo Guimarães
*Construção nova de 2 pavimentos
***Igreja de Lourdes - Em 3 de junho de 1900 foi lançada a pedra fundamental. Foi
inaugurada em 4 de maio de 1902.Seu padrão arquitetônico, a princípio gótico puro,
sofreu adaptações durante as obras, mantendo sempre a predominância do estilo.
**Arquidiocese Igreja de Lourdes
**Prédio novo - +ou-10andares
***O Departamento de Saúde - funcionou por décadas onde é hoje o BDMG. O
prédio atual é de 1962.
***Prédio antigo 2 andares em restauração esquina Bernardo Guimarães - Em
1898 acontece a Instalação da Faculdade Livre de Direito, a primeira da Capital.
Funcionava inicialmente na esquina das ruas da Bahia e Bernardo Guimarães, onde
está atualmente o Colégio Ordem e Progresso.
Entre Bernardo Guimarães e Gonçalves Dias
*Posto de Gasolina Rua da Bahia
*Edifício residence St. Raphael - +ou-16 andares entrada Bernardo Guimarães
*Construção 1 andar - clínica escola Izabela Hendrix
*Colégio Imaculada Jardim Azul - 2 andares
*ICBEU / UNA 4 andares
*UNA 2 andares
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*Edifício Rômulo Paes - novo +ou- 14 andares nº 1759
Entre Gonçalves Dias e Alvarenga Peixoto
***Imprensa Oficial - Ginásio Mineiro - Anexo II Secretaria da Fazenda - Anexo
da Biblioteca Pública
*Primeiro prédio destinado à Imprensa Oficial - prédio onde funcionou o primeiro
Ginásio Mineiro, depois o Arquivo Público Mineiro e a Juta Comercial, e por fim, uma
repartição pública). Atrás das secretarias.
*Prédio da Secretaria do Estado da Fazenda - com aproximadamente 9
pavimentos
*Prédio novo - 16 pavimentos
**Casa antiga - 1 andar
Entre Alvarenga Peixoto e Antônio de Albuquerque
***Filial Instituto Oswaldo Cruz - Biblioteca Pública Estadual Professor Luís de
Bessa - As instalações do Instituto Oswaldo Cruz ocupavam todo o terreno e ainda
poderão ser vistas na década de 40, porém já transformadas no “Centro de Saúde
da Capital” . Em 1957 foi construída a Biblioteca Pública. Seu projeto original, de
autoria de Oscar Niemayer e datado de 1955, foi modificado pelo arquiteto Hélio
Ferreira Pinto, a pedido de Juscelino Kubitschek. Sua construção foi concluída em
1961, após sucessivas paralisações em sua obra.
***Prédio Izabela Hendrix - Art Déco de 1938
*Edificação vertical recente
**Capela Izabela Hendrix
***Praça da Liberdade
***5 casas - 2 andares, antiga
*Secretaria de Estado de Governo 4 andares
***Casa antiga - 2 andares onde funciona a faculdade coorporativa da Prodemge
**Prédio de 3 andares
*Edifício vertical residencial Parque da Liberdade
**Prédio 3 andares antigo
*Prédio antigo de 4 andares
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**Prédio +ou-9andares CAADE MG
**Edifício Dona Clara
***Minas Tênis Clube - O terreno na planta original era destinado ao Jardim
Zoológico e só na década de 30 será ocupado pelo Minas Tênis Clube.Nos anos 30
acontece a inauguração da praça de esportes do clube. As obras começaram em
1936, logo após a entrega do projeto, feito pela construtora Romeo di Paoli.
***Casa antiga 1 andar
***Casa antiga 2 andares onde foi Casa Cor
*Edifício Itapuã +ou- 11 andares
Entre Antônio de Albuquerque e Feranades Tourinho
**Prédio - +ou- 4 andares
**Prédio +ou-11andares - Banco do Brasil Térreo
**Bar
**Casa antiga 2 andares
**Bar
**Edifício Maria Helena - 4 andares
**Casa antiga 1 andar moderna
**Casa 2 andares
*Estacionamento
**Prédio 3 andares
**Edifício porto seguro novo +ou-17andares
**2 construções de 1 andar
**construção de 2 andares
Entre Antônio de Albuquerque e Contorno
**Casa 2 andares
**Casa 1 andar Eddie’s Burger
**Casa 1 andar
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**Casa antiga 1 andar
**Prédio 7 andares
**Casa 1 andar
**Prédio novo +ou-9 andares
**Casa 2 andares
**Prédio urbel +ou-11 andares
**Casa 1 andar
**Prédio 2 andares
**Prédio 2 andares
________________________________________________
¹ Mestre em arquitetura e especialista em revitalização urbana e arquitetônica ambos pela UFMG, bacharel em
Arquitetura e Urbanismo pela PUC Minas. Consultor na área ambinetal inclusive com projetos de patrimônio
histórico e edificado.
² Georges-Eugène Haussmann (1809-1891) nasceu e morreu em Paris, advogado, funcionário público, político,
administrador francês, nomeado prefeito por Napoleão III. Cuidou do planejamento da capital francesa durante
17 anos.
Referências Bibliográficas
BELO HORIZONTE. Prefeitura Municipal. Projeto Rua da Bahia. Belo Horizonte:PBH,1993
CHOAY, Françoise.Alegoria do Patrimônio. São Paulo: Estação Liberdade: Ed.UNESPE,2001
ESTADO DE MINAS. BH 100 anos nossa história. Belo Horizonte: Estado de Minas,1997. 1 CD ROM
34
Anexos
Denísia Martins Borba
Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacência
Endereço: Avenida Augusto de Lima, 104 / Rua da Bahia, 1070 (Colégio Minas
Gerais)
Uso Atual: Institucional (pavimento superior) e comercial (térreo)
Proprietário Atual: Academia Brasileira de Letras
Uso Original: Misto
Arquiteto: Não identificado
Construtor: Não identificado
Ano da Construção: Não identificado
Primeiro Proprietário: Não identificado
Dados Históricos
Conforme o planejamento de Aarão Reis, aprovado em 1895, cada região da cidade
Seria ocupada por usos e moradores específicos - o que, porém, não ocorreu
imediatamente. Em seus primeiros anos, Belo Horizonte contava com pequena parte
de seu espaço urbano ocupada, sendo a área central privilegiada. A Rua da Bahia
também já se destacava. Pensando para ser um dos principais eixos De expansão
urbana, ligando a estação ferroviária - então principal, foi ocupada desde os
primórdios. O bem cultural ora analisado, situado na esquina entre Augusto de Lima
e Bahia.
Vale salientar que este trecho da rua da Bahia foi, até a década de 1920, e centro
do comércio, bares e cafés sofisticados, além do uso cultural garantido pelos
cinemas e teatro, tão mencionados "em verso e prosa" pelos literatos Belohorizontinos de então, que muito frequentavam estes estabelecimentos. Apesar de
não termos acesso ao projeto original da edificação, sabemos que é
contemporânea a legendárias edificações como o Grande Hotel e o Teatro
Municipal. Segundo as linhas do Ecletismo - estilo arquitetônico adotado pela
Comissão Construtora - já recebida projeto de aumento em 1905. Originalmente
projetada para o uso misto - comércio no primeiro pavimento e residência no
segundo pavimento - tal edificação sediou, ao longo dos anos várias instituições,
dentre as quais podemos citar a Academia Brasileira de Letras e o Colégio Minas
Gerais, que a ocupa até hoje. É importante ressaltar que, na década de1990, o bem
foi parcialmente restaurado (fachadas do segundo pavimento, o que a destacou
ainda mais em nosso contexto urbano.
Intervenções
1905 - projeto de aumento ao prédio já construído - proprietário: Cel. Emygdio R.
Germano
1923 - projeto de um arco e parede divisória, segundo pavimento - proprietário:
Academia Brasileira de letra - arquiteto: João Morandi.
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1939 - Projeto de modificação - proprietário: Faculdade de comércio de Minas
Gerais - construtor: Francisco José Pinto
1993 - Licença para reforma
Restaurações
1993 - Licença para reforma restauação da fachada do prédio, somente no segundo
pavimento - proprietário: Colégio Minas Gerais
Características Arquitetônicas
Edificação construída na primeira década do século XX, de tipologia de uso misto,
com implantação de esquina, representa o ecletismo de inspiração neoclássica,
gosto arquitetônico predominante em Belo Horizonte neste período. A fachada de
esquina destaca-se das demais, que são simétricas. O telhado é dissimulado por
rica platibanda conformada por balaustrada, frontão e acrotérios. Os ornamentos do
pavimento superior apresentam-se em motivos florais, sobretudo na altura das
sobrevergas em arco abatido das janelas que marcam a esquina e que, por isso,
receberam tratamento diferenciado das demais. Ainda na fachada de esquina,
observa-se frontão decorado com guirlandas e outros elementos neo-barrocos,
ostentando as iniciais P.J. que, provavelmente, referem-se às letras do nome do
antigo proprietário.
Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacências
Endereço: Avenida Cristóvão Colombo, 290, (Edifício Solar Narbona)
Uso Atual: Institucional (Secretaria Estadual de Cultura)
Proprietário Atual: Governo do Estado de Minas Gerais
Uso Original: Residencial Unifamiliar
Arquiteto: Não consta
Construtor: Francisco Narbona
Ano da Construção: 1911
Primeiro Proprietário: Francisco Narbona
Dados Históricos
Inserido ao perímetro de proteção do Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Av.
João Pinheiro e Adjacências, nos entornos da Praça, integrando sua grandiosa e
imponente paisagem arquitetônica, está o bem cultural da Av. Cristóvão Colombo,
290. A edificação foi construída por volta de 1911, por arquiteto desconhecido. Seu
construtor, Francisco Narbona, foi também seu primeiro proprietário e residente.
Narbona, aliás, foi um dos importantes construtores da nova capital, destacando-se
na construção de vias públicas. O Solar Narbona é hoje, importante testemunho
histórico cultural da cidade de Belo Horizonte, abrigando em seu interior instalações
da Secretaria de Estado de Cultura.
Características Arquitetônicas
Edificação eclética, seguindo as características estilísticas da maioria dos prédios da
Praça da Liberdade. Com 2 pavimentos e porão, acompanha a volumetria do
Palacete Dantas, situado à sua esquerda. As divisões dos pavimentos são marcados
36
por frisos ( no 1 º pavimento) e cimalha ( no 2 º pavimento), que arrematam também
a platibanda. As fachadas são marcadas pelo ritmo simétrico dos vãos, em grandes
janelas de madeira e vidro. A entrada principal é marcada por grande porta de
madeira e vidro. A entrada principal é marcada por grande porta de madeira, no 1º
pavimento, e balcão com grande porta e guarda corpo em gradil de ferro fundido
trabalhado. Sobre o balcão, a cimalha é arrematada em arco pleno, conferindo
tratamento diferenciado da entrada principal. O mesmo ocorre na esquina, que
também recebe tratamento diferenciado, marcando a implantação do edifício. A
platibanda, nesses locais, eleva-se em arco abatido, arrematada por compoteira ao
centro. Todos os vãos são guarnecidos com ornamentos em motivos florais e
molduras em baixo relevo. Os vãos da entrada e da esquina são ladeados por
colunas colossais coríntias, de pé direito duplo, que conferem importância aos
mesmos. A fachada posterior apresenta-se mais simplificada em ornamentos,
mantendo os vãos em verga reta e esquadrias de madeira e vidro.
Conjunto Urbano Rua dos Caetés e Adjacências (Sobreposição com Conjunto
Urbano Rua da Bahia e Adjacências)
Endereço: Rua da Bahia, 112 (Pavilhão Mário Werneck)
Uso Atual: Institucional - Biblioteca da Escola de Engenharia da UFMG
Proprietário Atual: Universidade Federal de Minas Gerais - Escola de Engenharia
Uso Original: Institucional
Arquiteto: Não identificado
Construtor: Não identificado
Período da Construção: 1948-1950
Primeiro Proprietário: Universidade de Minas Gerais
Dados Históricos
Em seus primeiros anos, Belo Horizonte contava com pequena parte de seu espaço
urbano ocupada. Na região da Estação Ferroviária - então porta de entrada da
cidade - mesclavam-se dois usos, prioritariamente: prestação de serviços e
comercial. Tais usos, acrescidos do residencial e institucional, espalharam-se por
toda a região.
A partir dos últimos anos da década de 1930, a paisagem urbana da capital mineira
se modificou, uma cidade construída para ser moderna não poderia se apegar a
épocas passadas e seus respectivos estilos que, com o passar do tempo, tornamse ultrapassados. Nesse momento a cidade experimentou um processo de
"renovação", que destruiu seu perfil original, delineado desde fins do século XIX. O
bem cultural em questão foi construído entre os anos 1948 e 1950 como
propriedade da Universidade Federal de Minas Gerais. Rompe com o Ecletismo estilo predominante na cidade desde sua criação - e apresenta linhas arquitetônicas
mais modernas. Foi originalmente projetada para sediar o Departamento de Física
da já citada instituição. Hoje, mantém o uso institucional, é sede da biblioteca da
Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais, recebendo o nome
de Pavilhão Mário Werneck - em homenagem ao professor e diretor Mário Werneck
de Alencar Lima.
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Características Arquitetônicas
Edificação de três pavimentos, de tipologia institucional, apresenta características
estilísticas ecléticas seguindo padrões da Comissão Construtora da Nova Capital.
De composição arquitetônica ritmada pela distribuição de seus vãos sempre em
vergas retas (com exceção dos pórticos de entrada, em arco pleno), conferindo ao
edifício caráter simétrico, apresenta ornamentos em massa em relevo definindo as
cimalhas, os falsos pilares, as aduelas e o peitoril das janelas. A platibanda que
dissimula o telhado, intercalada na sua fachada da rua da Bahia por frontão
neoclássico, apresenta recortes em forma de ameias. Os frisos em relevo
caracterizam um falso rusticado no revestimento do edifício, conferindo-lhe textura
regular e ritmada. Constitui rico conjunto arquitetônico com a edificação vizinha - o
Centro Cultural da UFMG - possuindo o mesmo estilo, a mesma volumetria e
seguindo, portanto, a mesma linguagem plástica.
Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências
Endereço: Rua da Bahia, 1060 (antiga Livraria Francisco Alves).
Primeiro Proprietário: Francisco Alves de Oliveira
Proprietário Atual: Academia Brasileira de Letras
Uso Original: Misto (residencial no pavimento superior - sobrado - e comercia no
térreo)
Uso Atual: Comercial – Livraria Leitura/ Bahia
Arquiteto: Não identificado
Construtor: Não identificado
Ano da Construção: 1909
Dados Históricos
O bem cultural em questão localiza-se no trecho da rua da Bahia que foi, até a
década de 1920, o centro do comércio, bares e cafés sofisticados, além da
efervescência cultural garantida pelos cinemas e o teatro. A edificação era de
propriedade do Sr. Francisco Alves de Oliveira foi, durante as primeiras décadas do
século XX, sede da conhecida e concorrida Livraria Francisco Alves. Este
estabelecimento é uma página importante na história da rua da Bahia. Foi este,
durante anos, o principal reduto dos intelectuais belo-horizontinos, onde se
encontravam quase que diariamente para se inteirarem das novidades editoriais e
discutirem literatura e política. Ao longo dos anos, o bem passou por algumas
alterações, a maioria internas, para melhor se adequar aos novos usos. Tais
alterações, no entanto, não comprometeram o estilo original da edificação.
Principais Intervenções
1938 - projeto de acréscimo, construção de marquise e alterações - construtor:
Romeo de Paoli
1944 - construção de uma bancada – projeto de José Castro
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Características Arquitetônicas
Edificação apresenta tipologia de uso misto, constitui conjunto arquitetônico com a
edificação vizinha, pertencente à Academia Brasileira de letras, uma vez que
também representa o ecletismo de inspiração neoclássica, gosto arquitetônico
predominante em Belo Horizonte neste período. O telhado é dissimulado por rica
platibanda conformada por balaustrada e frontão arrematado em sua parte superior
central, por destacada rocalha. Os ornamentos do pavimento superior apresentamse, sobretudo, entre a parte superior dos vãos e a cimalha de transição à
platibanda. Tais ornamentos, de característica bastante requintada e de inspiração
neobarroca, representam delicados motivos florais e guirlandas. O acesso à
fachada lateral direita apresenta-se marcado por pequeno frontão e marquise
ornamentados com elementos de inspiração art-nouveau
Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências
Endereço: Rua da Bahia, 1149
Primeiro Proprietário: Conselho Deliberativo de Belo Horizonte.
Proprietário Atual: Prefeitura Municipal de Belo Horizonte
Uso Original: Institucional
Uso Atual: Institucional - Centro de Cultura de Belo Horizonte
Arquiteto: Francisco Izidoro Monteiro
Construtor: José Verdussem
Período da Construção: 1911/1914
Dados Históricos
Construído em 1911 e 1914, o bem cultural ora analisado foi, originalmente, sede do
Conselho Deliberativo de Belo Horizonte Seguindo as tendências do estilo Neogótico, tal edificação rompeu com o Ecletismo, estilo arquitetônico adotado pela
Comissão Construtora da Nova Capital (CCNC) e que predominou até a década de
1920.
Vale salientar que seu projeto e sua construção estiveram ligados a nomes de
importantes e conhecidos profissionais da época, dentre os quais se destacam:
Francisco Isidoro Monteiro - desenhista, engenheiro e projetista que integrou a
CCNC, como autor do projeto; Agostinho de Castro Porto - um dos fundadores da
Escola de Engenharia da Universidade de Minas Gerais, como engenheiro; José
Verdussem - construtor, desenhista e projetista de origem belga, que também
integrou a CCNC, como construtor responsável pelas obras; Jõao Morandi arquiteto, construtor e escultor suíço, ex-integrante da CCNC, como responsável
pelo torreão e pela decoração interna e externa da edificação. Ao longo dos anos, o
bem passou por algumas alterações. É sabido que, durante alguns anos, seu porão
foi ocupado pela primeira emissora de rádio da cidade e, posteriormente, pela
Biblioteca Pública Estadual. Num período adiante, a edificação foi sede do Museu da
Força Expedicionária Brasileira e o Museu de Mineralogia, que o ocupou por muitos
anos.
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Em 1994, toda a edificação foi restaurada, externa e internamente, passando a ser
sede do Centro de Cultura Belo Horizonte, vinculado à Prefeitura de Belo Horizonte.
Tal intervenção veio a destacá-la ainda mais em nosso contexto urbano. O projeto
de restauração esteve sob a coordenação do escritório Tecne Projetos e
Consultorias – tendo como responsável técnico o arquiteto Flávio Lemos Carsalade.
Características Arquitetônicas
De arquitetura e implantação singulares na cidade, esse edifício apresenta
características estilísticas ecléticas de inspiração neo-gótica, o que o torna similar,
em termos plásticos, a um templo religioso. O destaque se dá por sua torre
proporcionalmente alta, de seção variada e desenvolvendo-se a partir de planta
sextavada. Elementos tais como vãos das janelas e portas em arco ogival, com
triglifos, tímpanos e esquadrias de madeira conciliadas com vitral colorido acentuam
a inspiração gótica. Um falso rusticado proporciona certa texturização às fachadas.
A fachada da Rua da Bahia apresenta, na altura do segundo pavimento, um extenso
balcão com guarda-corpo rendilhado. No terceiro pavimento pode-se observar
platibanda em ameias, arrematadas por torreões e pináculos.
Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências
Endereço: Rua da Bahia, 1155
Primeiro Proprietário: Não identificado
Proprietário Atual: Sérgio Sigaud Machado Coelho
Uso Original: Misto
Uso Atual: Serviço
Arquiteto: Não identificado
Construtor: Não identificado
Ano da Construção: 1910
Dados Históricos
A construção é contemporânea à do Grande Hotel e o Teatro Municipal. Seu estilo
arquitetônico segue as tendências do Ecletismo, adotado pela Comissão
Construtora da Nova Capital. Sua tipologia também não foge ao que foi amplamente
utilizado neste trecho da rua da Bahia, onde edificações sediavam o uso comercial
em seu primeiro pavimento e residencial, no segundo.
Ao longo dos anos, a edificação passou por algumas alterações, principalmente
internas, melhor adequando-o aos novos usos que veio a ter.
Características Arquitetônicas
Edificação de tipologia de uso misto (residência no sobrado e comércio no térreo),
representa o estilo eclético empregado com bastante profusão na época da
construção da cidade. De fachada principal movimentada por ornamentos
harmonicamente trabalhados, podemos observar, na parte térrea, cinco portas de
acesso às lojas, correspondendo simetricamente aos cinco vãos do pavimento
superior. As portas são todas em verga reta, as três centrais dão acesso a uma só
loja, e encontram-se separadas entre si por pilares frisados e ornados, na altura das
bandeiras, com falsos capitéis com alusão à ordem coríntia. As portas das
extremidades acessam às duas outras lojas, e encontram-se ornadas por delicado
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friso em alto relevo, que circundam todo o vão. A transição entre os dois pavimentos
é feita por cornijas e ornamentos em massa, em alto relevo, com motivos florais e
gamelas. O segundo pavimento é mais decorado, apresentando, no seu eixo central,
balcão com base ornada em forma de semi-bacia, guarda-corpo em ferro
delicadamente trabalhado e cobertura metálica fixada sobre a bandeira do vão
correspondente. As janelas de ambas as extremidades apresentam verga em arco
pleno e estão ladeadas por motivos decorativos em massa em alto relevo. Como
coroamento, observa-se platibanda também bastante decorada, embasada por
cimalhas com aduelas e frisos e composta por três frontões, o central apresenta
ornamentos, delicadamente trabalhado em motivos florais e guirlandas.
Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências
Endereço: Rua da Bahia, 1201 - Clube de Belo Horizonte
Primeiro Proprietário: Jockey Clube de Belo Horizonte
Proprietário Atual: Caixa Econômica do Estado de Minas Gerais
Uso Original: Institucional
Uso Atual: Serviços - Amadeu Assoc. Com. PCM Dirceu e ADJ, Caixa Econômica
do Estado de Minas Gerais, Casa Borborema, Minas Caixa
Arquiteto: Luiz Signorelli
Construtor: Não identificado
Período da Construção: 1926-1930
Dados Históricos
Construído entre os anos de 1926 e 1930 e então de propriedade de Jockey Clube
da cidade, seria a nova sede do já tradicional "Clube Belo Horizonte" que, fundado
ainda no início do século XX, funcionou durante anos em um sobrado na mesma rua
da Bahia, alguns quarteirões abaixo. Seu projeto foi elaborado por Luiz Signorelli, e
apresenta fachadas mais simples que as do Ecletismo, mais limpas de adornos e
com linhas mais retas. Premiado arquiteto e pintor mineiro, Signorelli formou-se pela
Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro. Na capital mineira, foi responsável pelo
projeto de várias edificações, dentre as quais devemos destacar: Automóvel Clube
(1927-1929); residência situada na avenida Bias Fortes, 197 (1929-1930); e Hotel
Sul Americano (1928) - todas protegidas pelo tombamento municipal. Além disso, foi
um dos fundadores da Escola de Arquitetura da Universidade de Minas Gerais. Ao
longo dos anos, o bem sofreu algumas alterações, melhor adequando-o aos novos
usos que veio a ter. Tais intervenções, por terem sido em sua maioria intervensões
internas, não chegaram a comprometer seu estilo original. Hoje é ocupada pela 4ª
Companhia do 1º Batalhão da Polícia Militar.
Intervenções
1943 - Aumento do 1º, 2º e 3º pavimento
Arquiteto: Raphael Hardy Filho
Construtor: Wady Simão
1944 - Adaptação do porão para auditório de projeções
Arquiteto: Raphael Hardy Filho
Construtor: Wady Simão
1946 - Construção da entrada para o buffet
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Arquiteto: Marcílio C.
1962 - Modificação e acréscimo
1965 - Modificações internas
Arquiteto: Pedro Paulo Brant Drummond
Características Arquitetônicas
Edifício no estilo art-déco, manifestação cubista na arquitetura, retratando o
racionalismo pretendido nos espaços construidos a partir de então. De tipologia de
serviço, e construído em um período em que o panorama externo passa a ser
marcado pela verticalização, o edifício se desenvolve em quatro pavimentos mais
sótão que faz destacar a esquina onde encontra-se implantado. Traduzindo a busca
de formas elementares em sua composição plástica, tais como linhas em frisos
destacados e superfícies reentrantes e salientes, apresenta fachada elegantemente
curva. Os pilares em relevo e com frisos escalonados nas suas extremidades
ressaltam um acentuado movimento vertical. A platibanda de coroamento, bastante
recortada, eleva-se na porção da esquina, devido ao sótão, contribuindo dessa
forma para enfatizar a verticalidade.
Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacências
(Sobreposição com Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências)
Endereço: Rua da Bahia, 1466
Uso Original: Institucional - Academia Mineira de Letras
Uso Original: Residencial unifamiliar
Primeiro Proprietário: Dr. Eduardo Borges Ribeiro da Costa
Proprietário Atual: Governo do Estado de Minas Gerais
Arquiteto: Antônio da Costa Christino
Construtor: Não identificado
Ano Da Construção: 1915
Dados Históricos
O bem cultural em questão localiza-se em um trecho da rua da Bahia onde
mesclam-se os usos comercial, residencial e de prestação de serviços. É um
espaço de características transitórias, entre o centro da cidade e o tradicional bairro
de Lourdes. Apresentou originalmente uso unifamiliar, teve sua construção iniciada
em 1915, para servir de residência. de Eduardo Borges da Costa, conhecido
médico da capital mineira.
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Seu projeto é de autoria de Antônio da costa Christino, arquiteto, construtor e
desenhista português, que teve sua matrícula registrada como desenhista na
diretoria de obras públicas da prefeitura de Belo Horizonte em 1912. A partir desse
período, foi responsável por vários projetos na cidade, dentre os quais podemos
citar: sacristia da Igreja da Boa Viagem (1916/17); condomínio Álvaro José dos
Santos, mais conhecido como Castelinho (esquina de avenida Afonso Pena e
Espírito Santo - 1920) – ambos bens tombados pelo município. Apesar da
edificação ter passado por algumas modificações em 1926 - seguindo projeto do
arquiteto Luiz Signorelli -, as características de seu estilo original não foram
comprometidas. Seu uso primeiro, no entanto, foi alterado, sendo hoje sede da
Academia Mineira de Letras -, uso este bastante pertinente ao espaço urbano ao
qual se insere, uma vez que a rua da Bahia é hoje considerada o eixo cultural de
Belo Horizonte.
Características Arquitetônicas
A edificação apresenta características ecléticas, de tipologia residencial, desenvolvese em 2 pavimentos. Implantado com afastamentos frontal, laterais e de fundo,
apresenta um jogo imponente de volumes e elementos de inspiração clássica. A
escadaria de acesso alcança um alpendre cuja laje de forro, sustentada por colunas
com capitéis, constitui um terraço em formato geométrico na altura do 2º pavimento.
No alpendre, observa-se ainda guarda-corpo em balaustrada, que se estende sob
ampla janela em madeira e vidro. Destacam-se também frisos horizontais e cornijas
com dentículos e falsa cachorrada, que embasam platibanda sugerindo um ático,
assim como o guarda-corpo do terraço, em ferro fundido bem trabalhado, além de
compridos
vitrais
coloridos,
suportados
por
esquadria
de
ferro.
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Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacências
(Sobreposição com Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências)
Endereço: Rua da Bahia, 1596 - Basílica de Nossa Senhora de Lourdes
Uso Atual: Religioso - Igreja de Lourdes
Proprietário Atual: Cúria Metropolitana
Uso Original: Institucional
Arquiteto: Não identificado
Construtor: Não identificado Não há projeto original.
Período da Construção: 1916-192
Primeiro Proprietário: Cúria Metropolitana
Dados Históricos
Em 1900 foi lançada a pedra fundamental da Capela de Nossa Senhora de Lourdes
- localizada à rua dos Aimorés, ao lado do Colégio Imaculada. A capela foi
inaugurada em 4 de maio de 1902, ainda inacabada. A partir de 1911, a capela
passa aos cuidados e responsabilidade dos missionários clarentinos que, com a
ajuda dos fiéis, terminam a sua construção. Foram eles os fundadores do Instituto
Claret - internato para moços - em 1905, quando adquiriram o Palacete Olyntho,
localizado na esquina entre rua dos Aimorés e Bahia. Vale aqui ressaltar que um dos
motivos da aquisição desta casa e de seu grande lote contíguo era a intenção de se
construir uma nova e bem mais ampla igreja, que substituísse a antiga e modesta
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capela. A pedra fundamental do novo templo foi lançada em 3 de maio de 1916,
sendo celebrado com grande festa. No natal de 1920, a obra foi entregue ao público
para a realização de cultos, porém a sua inauguração oficial só aconteceu em 14 de
outubro de 1923. Vale aqui salientar que o seu projeto foi elaborado para a
construção de um templo na cidade de Córboda, mas acabou sendo executado
pelos clarentinos de Belo Horizonte. Desde então a Basílica de Lourdes é um
referencial para os belorizontinos. Seu valor cultural, portanto, prevalece, uma vez
que o bem cultural faz parte da memória histórica e arquitetônica de nossa cidade.
Restaurações
1990/1992 - restauração geral da edificação.
Características Arquitetônicas
Foi projetado conforme características neogóticas, em que se destaca a
verticalidade. Observa-se o predomínio de linhas e elementos delicados e verticais,
trabalhados em relevo, assim como os vãos e vergas em arco ogival, vitrais
coloridos intercalados por finas colunas e tímpanos rendilhados, pináculos e nichos
abrigam as imagens sacras. Trata-se de importante referencial na cidade e nos
conjuntos urbanos nos quais encontra-se inserido, constituindo-se em um marco
urbano por excelência.
Conjunto Urbano Rua dos Caetés e Adjacências (Sobreposição com Conjunto
Urbano Rua da Bahia e Adjacências)
Endereço: Rua da Bahia, 52 (Instituto de Química da UFMG)
Uso Atual: Não identificado
Primeiro Proprietário: Universidade de Minas Gerais
Proprietário Atual: Universidade Federal de Minas Gerais - Escola de Engenharia
Uso Original: Institucional
Arquiteto: Damis Nascimento Coelho
Construtor: não identificado
Período da Construção: 1920-1921
Dados Históricos
O bem cultural ora analisado foi construído entre 1920 e 1921 sendo, já neste
período, de propriedade da Universidade de Minas Gerais. Sede do curso de
Química Industrial seguia as linhas do Ecletismo - estilo adotado pela Comissão
Construtora da Nova Capital e que prevaleceu até a década de 1920 - sendo seu
projeto elaborado pelo arquiteto Damis Nascimento Coelho. Seu uso institucional se
mantém até hoje, fazendo parte do complexo da Escola de Engenharia da
Universidade Federal de Minas Gerais.
Características Arquitetônicas
Edificação construída em dois pavimentos, de tipologia institucional, apresenta
características estilísticas ecléticas seguindo padrões da Comissão Construtora da
Nova Capital. De composição arquitetônica ritmada pela distribuição de seus vãos,
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em vergas retas, apresenta ornamentos em massa em tanto em baixo quanto em
alto relevo, definindo as cimalhas, os falsos pilares, as aduelas e o peitoril das
janelas. A platibanda que dissimula o telhado, intercalada na sua fachada da rua da
Bahia por frontão neoclássico, apresenta recortes em forma de ameias. Os frisos em
baixo relevo caracterizam um falso rusticado no revestimento do edifício, conferindolhe textura regular e ritmada. Constitui rico conjunto arquitetônico com a edificação
vizinha como o Centro Cultural da UFMG que, possui o mesmo estilo, a mesma
volumetria e seguindo, portanto, a mesma linguagem plástica.
Conjunto Urbano Avenida Afonso Pena e Adjacências (Sobreposição com
Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacência
Endereço:Rua da Bahia, 902 (Edifício Parc Royal)
Uso Atual: Serviços Bancários
Proprietário Atual: Pedro Paulo Moreira
Uso Original: Comercial
Arquiteto: Luiz de Morais Junior
Construtor: não identificado
Ano da Construção:1920
Primeiro Proprietário: José Vasco R. Ortigão Theodorico C.
Dados Históricos
Conforme o planejamento de Aarão Reis, aprovado em 1895, cada região da cidade
seria ocupada por moradores e usos específicos - o que não ocorreu
imediatamente. A rua da Bahia também é uma via de destaque desde os primeiros
anos da capital. Pensada para ser um dos principais eixos de expansão urbana,
ligando a estação ferroviária - então principal porta de entrada da cidade - ao
centro cívico, passando por todo o centro comercial, foi ocupada desde os
primórdios. O bem cultural em questão localiza-se no trecho da rua da Bahia, que
até a década de 1920, o centro do comércio, bares e cafés sofisticados, além da
efervescência cultural garantida pelos cinemas e teatro. Todos estes
estabelecimentos foram mencionados "em verso e prosa" pelos literatos belohorizontinos de então, que muito os frequentavam. Construído em 1920, seguiu as
linhas do ecletismo, estilo arquitetônico adotado pela Comissão Construtora da
Nova Capital e que prevaleceu até a década de1920. Seu projeto foi elaborado por
Luiz Morais Júnior - arquiteto que, no Rio de Janeiro, foi responsável pelo projeto do
Instituto Manguinhos - apesar de ter sido assinado por Antônio da Costa Christino.
A edificação era de propriedade do Sr. José Vasco Theodorico C., e recebeu o
nome de "Parc Royal". Foi recebida como uma grande novidade, pelos moradores
da capital mineira, devido a sua grandiosidade e à nova dinâmica comercial
empregada, tratando-se do primeiro prédio de lojas e salas comerciais da cidade.
Ao longo dos anos, o bem passou por algumas alterações que, no entanto, não
comprometeram seu estilo original. Entre os anos de 1998 e 1999, teve suas
fachadas restauradas, passando a ser sede de uma agência bancária.
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Intervenções
1934 - projeto de acréscimo à dependência e acréscimo de 5 m2 ao prédio, para
inst. sanitárias.
1937 - projeto de remodelação da fachada, pelo arquiteto Caetano de Franco,
prevendo a colocação de marquise e projeto de acréscimo de 37m2 no 1º e 2º
pavimentos.
1945 - projeto de modificação nas plantas do 2º e 3º pavimentos
(arquiteto João Porto de M.).
1949 - projeto de acréscimo para o prédio
(arquiteto João Porto de M.).
1960 - projeto de acréscimo para o prédio (arquiteto Francisco Farinelli)
1998/1999 - realizou-se obras de restauração de toda a parte externa do edifício.
Características Arquitetônicas
Edificação de três pavimentos, de tipologia institucional, apresenta características
estilísticas vinculadas ao eclétismo seguindo padrões da Comissão Construtora da
Nova Capital. Possui composição arquitetônica ritmada pela distribuição de seus
vãos, sempre em vergas retas e arrematados por bandeiras fixas com vitral
colorido, separadas dos vãos na altura do primeiro e do segundo pavimento por
vigotas em alvenaria. Apresenta ainda ornamentos em massa em relevo que
definem as cimalhas, os falsos pilares (arrematados sob a platibanda por brasões e
marcados por frisos também em relevo que lhe conferem tratamento texturizado em
falso rusticado). Apresenta platibanda e frontão e ornamentos geométricos em
massa em relevo. O frontão traz o nome da edificação.
Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacências
(Sobreposição com Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências
Endereço: Rua Bernardo Guimarães, 1478 /1500
Primeiro Proprietário: Carlos Antonini
Uso Original: Misto
Uso Atual: Escola Estadual Ordem e Progresso
Proprietário Atual: Estado de Minas Gerais
Arquiteto: José Fornaciari
Construtor: Carlos Antonini
Ano da Construção:1898
Dados Históricos
No ano de inauguração da cidade de Belo Horizonte (1897) poucos eram os
espaços urbanos já efetivamente ocupados. No bairro dos Funcionários foram
surgindo as casas destinadas à residência dos funcionários públicos que se
transfeririam de Ouro Preto. Na rua da Bahia, entre as avenidas Afonso Pena e
Augusto de Lima, residências e casas comerciais já haviam sido construídas, assim
como em alguns trechos da avenida da Liberdade (atual João Pinheiro), também
ocupada por palacetes que serviram de residência aos secretários de Estado. Além
da praça da Liberdade, que contava com a construção, já em fase final, do Palácio
Presidencial e das Secretarias de Estado, o que atraía para as suas redondezas
abastadas famílias, que queriam construir suas casas na região mais nobre da
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cidade. O bem cultural em questão teve seu projeto elaborado pelo arquiteto italiano
José Fornaciari, aprovado em 1898. Sua construção ficou sob a responsabilidade do
proprietário. Construtor, projetista e industrial, Carlos Antonini - oficial do exército
italiano e com o título de comendador - que tranferiu-se para a capital mineira na
época de sua construção, quando executou os serviços de terraplanagem da praça
da Liberdade, trabalhando também na construção do Palácio e das Secretarias. Tal
edificação apresentava, originalmente, uso misto, uma vez que o primeiro pavimento
abrigava o escritório do construtor e; o segundo, a residência do mesmo. Este uso,
porém, foi alterado quando a Guarda Civil do Estado passou a ocupar a casa ao
lado. Nesta ocasião o prédio passou a ser Sede da Cooperativa da Polícia Militar.
Em 1960 o uso da edificação foi novamente alterado, passando a ser ocupado pela
Escola Ordem e Progresso, escola administrada pela Polícia Militar de Minas Gerais.
Este uso é mantido até os dias atuais. Tantas mudanças de uso, no entanto,
acabaram promovendo uma série de intervenções na edificação, o que não chegou
a comprometer o seu estilo arquitetônico original.
Características Arquitetônicas
Edificação no alinhamento da rua, desenvolvendo-se em 2 pavimentos.
Representativa do estilo eclético, esse sobrado possui coroamento em platibanda
ornamentada por cornija saliente, pináculos, frontões com alusivos à república e
motivos florais. Em sua fachada voltada para a rua Bernardo Guimarães, mais
ornamentada, percebe-se vergas em arco pleno marcadas por folhas de acanto nos
vãos do pavimento térreo, e vergas retas com frisos horizontais nos vãos do
pavimento superior. Na fachada voltada para a rua da Bahia, observa-se, no
pavimento térreo, uma intercalação de vãos com vergas retas e em arco pleno.
O edifício anexo, apresenta fachada principal voltada para a rua da Bahia, seguindo
o mesmo estilo eclético, porém em pavimento único com porão alteado. A
platibanda é ornamentada por pináculos e alusivos à república. Observa-se ainda
ornamentos em argamassa em alto relevo, com motivos geométricos
Conjunto Urbano Conjunto Urbano Praça Da Liberdade - Avenida João
Pinheiro e Adjacências
Endereço: Avenida Bias Fortes, 21 - Biblioteca do Estado Professor Luiz de Bessa
Uso Original: Institucional
Uso Atual: Institucional - Biblioteca Pública do Estado Professor Luiz de Bessa
Primeiro Proprietário: Estado de Minas Gerais
Proprietário Atual: Governo do Estado de Minas Gerais
ARQUITETO: Oscar Niemeyer
Ano da Construção:1961
Dados Históricos
Inserida no entorno imediato da Praça da Liberdade, a Biblioteca Pública Estadual
Luiz de Bessa, seu projeto original foi assinado, em 1954, por Oscar Niemeyer. A
edificação foi uma encomenda feita pelo então governador Juscelino Kubitschek,
que tinha como uma de suas principais metas de governo modernizar Minas Gerais.
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Seu projeto original não chegou a ser inteiramente concluído. Dos seis andares
propostos, apenas três foram construídos, não havendo também a efetivação dos
projetos para salas de teatro, cinema e exposições. Vale ainda salientar que
trabalharam em sua edificação (processo este que durou por volta de sete anos)
presidiários da penitenciária de Neves. Desde sua inauguração, em 1961, até os
dias de hoje, a Biblioteca é importante referencial para estudantes e pesquisadores,
devido a seu grande e variado acervo, além de se destacar como mais um marco
da arquitetura moderna de Oscar Niemeyer na capital mineira.
Características Arquitetônicas
A edificação apresenta tipologia institucional, de características da vanguarda
modernista. O seu partido coincide com a forma do terreno, o que confere
movimentação à edificação de volumes geométricos. Explorando ao máximo o
potencial plástico do concreto armado, o edifício desenvolve-se em três pavimentos.
É possível observar a presença dos brises horizontais em argamassa armada
acompanhando toda a extensão do volume cilíndrico. O volume que abriga a
circulação vertical é vedado por cobogós, o mais alongado traduz a intenção da
arquitetura moderna de representar clareza por meio da presença de grandes
panos de vidro, mostrando a resolução estrutural e o uso do edifício. No pano cego
da fachada na esquina da Rua da Bahia com Avenida Bias Fortes, observa-se
painel artístico de características cubistas, assinados por Amílcar de Castro. A
variação no tratamento das fachadas de cada volume apresenta diferentes texturas
que marcam cada bloco, valorizando assim a pureza geométrica pretendida pelos
arquitetos vinculados ao movimento modernista.
A volumetria do imóvel não corresponde àquela prevista no projeto de O. Niemeyer,
que projetou um edifício de 7 pavimentos.
Entende-se como fachada frontal da edificação, aquela voltada para a Praça da
Liberdade/ Av. Bias Fortes.
CONJUNTO URBANO Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João
Pinheiro e Adjacências
Endereço: Palácio dos Despachos
Uso Original: Institucional
Uso Atual: Institucional - Palácio dos Despachos
Construtor: Não identificado
Ano da Construção: 1975
Primeiro Proprietário: Governo do Estado de Minas Gerais
Proprietário Atual: Governo do Estado de Minas Gerais
Dados Históricos
Em 1966 durante o governo de Israel Pinheiro, que se decidiu construir o Palácio
dos Despachos, justificado pela inadequação do Palácio da Liberdade para abrigar
as funções oficiais do governo, já que várias de suas salas passaram a sediar a
Biblioteca Pública do Estado de Minas Gerais. Seu projeto é de autoria do arquiteto
Luciano Amedée Péret que, naquela época ocupava o cargo de diretor executivo do
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Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais( IEPHA/MG),
valendo salientar que tal edificação mutilou boa parte dos jardins do Palácio. Sua
inauguração aconteceu em outubro de 1975, pelo então presidente da república,
Marechal Costa e Silva. Não se pode deixar de destacar que, no vestíbulo do
edifício, foi colocado um painel de autoria de Cândido Portinari, atado de 1959,
alusivo à Inconfidência Mineira, proveniente do Banco do estado de Minas Gerais.
Características Arquitetônicas
Edifício com linguagem arquitetônica vinculada ao modernismo apresenta partido
retangular horizontal, desenvolvendo-se em 4 pavimentos. Apresenta no 1º
pavimento, grandes panos de vidro com esquadrias de alumínio, marcando o
acesso principal. Nos demais pavimentos, as grandes esquadrias de alumínio e
vidro são protegidas por brises metálicos verticais móveis, que dão tratamento
peculiar à fachada, acentuando a horizontalidade do edifício. Destaca-se no
vestíbulo, um painel de Cândido Portinari, alusivo à Inconfidência Mineira. Nota-se
uma exposição clara do sistema estrutural do edifício, que pode ser imediatamente
compreendido através de sua observação. A simplificação de ornamentos também
traduz o seu caráter modernista.
Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacências
Endereço: Avenida Cristóvão Colombo, 317 Palacete Dantas
Uso Atual: Secretaria de Estado da Cultura
Proprietário Atual: Estado de Minas Gerais
Uso Original: Residêncial Unifamiliar
Arquiteto: Luiz Olivieri
Construtor: José Dantas
Ano da Construção: 1915
Dados Históricos
O bem cultural ora analisado localiza-se na vizinhança imediata da Praça da
Liberdade e acompanha, com seu estilo arquitetônico, o Ecletismo das Secretarias
de Estado e do Palácio. Prevendo o uso residencial na mais nobre região da cidade,
seu projeto assinado, em 1915, por Luiz Olivieri, ficando sua construção a cargo do
engenheiro José Dantas. O arquiteto, desenhista, escultor e pintor italiano, Luiz
Olivieri formou-se em Florença, transferindo-se para Belo Horizonte para participar
de sua construção, integrando a Comissão Construtora da Nova Capital como
desenhista da 7ª Divisão, responsável pelas edificações públicas. Já em 1897, abriu
o primeiro escritório de desenho e arquitetura da cidade, passando a projetar para
particulares. A edificação em questão, conhecida por Palacete Dantas, conservou
seu uso original (residencial unifamiliar) durante muitos anos. Em 1931, a casa foi
cedida ao governo estadual, que nela hospedou o então Presidente da República,
Getúlio Vargas e sua comitiva. Nos anos seguintes o imóvel foi vendido, passando a
ser alugado sucessivamente para várias instituições, em geral educativas, dentre as
quais podemos citar o Colégio Sion, o Colégio Helena Guerra, a Faculdade Católica
(1958 a 1963) e FUMEC. Entre 1972 e 1978, o bem foi ocupado pela 1ª Delegação
Regional de Ensino, unidade da Secretaria de Educação. Hoje, o bem cultural
abriga a Secretaria de Cultura do Estado.
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Características Arquitetônicas
O edifício construído em dois pavimentos, com implantação de esquina. Neste
vértice, ambos os pisos apresentam varanda movimentada por recortes, sendo que
no 1º pavimento, estão as varandas que dão acesso ao imóvel. Estas varandas são
sustentadas por colunas ecléticas, de inspiração dórica no 1º pavimento e
compósita no 2º pavimento, sendo fechadas por guarda - corpo em balaustrada
em massa. A fachada da avenida Cristóvão Colombo apresenta um volume que se
destaca ligeiramente do restante. Este volume é marcado pela presença de um
frontão em arco abatido, na altura da platibanda decorada, que acompanha o beiral
em cimalha com falsa cachorrada. Neste mesmo ponto, sobre a platibanda, elevase uma cúpula facetada, sobre base ortogonal em caixote adornado com frisos,
consoles e guirlandas. A fachada é ritmada pelos vãos das janelas, em verga reta,
em arco pleno, em arco abatido. Esse ritmo é quebrado, às vezes, por balcões nas
janelas, tendo como fechamento guarda-corpo em balaustrada, ornamentado com
volutas. A fachada como um todo é ornamentada com frisos, faixas, cartelas,
escudos, guirlandas, cornijas, colunas ecléticas e sobre-vergas em forma de mini
frontões.
Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacências
(Sobreposição com Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências)
Endereço: Rua Gonçalves Dias, 1400 / 1434 (Edifício-sede do IPSEMG)
Uso Original: serviço / institucional
Uso Atual: IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas
Gerais
Proprietário Atual: Estado de Minas Gerais
Primeiro Proprietário: Estado de Minas Gerais
Arquiteto: Raphael Hardy Filho
Construtor: Não Identificado
Ano Da Construção: 1960
Dados Históricos
Em seus primeiros anos, Belo Horizonte contava com pequena parte de seu espaço
urbano ocupado; a Praça da Liberdade, por exemplo , fora ocupada pelo Palácio
Presidencial e pelas Secretarias de Estado, além de uma série de instituições e
residências
que
foram
construídas
em
suas
redondezas.
Tal paisagem urbana começou a ser alterada a partir de meados da década de
1950, quando algumas edificações da primeira fase de ocupação da região
começaram a ser substituídas. Tudo começou pelo Palacete Dolabela (também
conhecido por "castelinho"), que deu lugar ao moderno edifício Niemeyer. Nas
décadas seguintes, outras modificações ocorreram no cenário da Praça; como
exemplos podemos citar a construção da Capela de Sant'Ana, nos jardins do
Palácio, da sede do IPSEMG (1961), do anexo da Secretaria de Educação (19621963), do edifício Campos Elíseos (1965), do anexo da Secretaria da Fazenda
(1972-1973) e do Palácio dos Despachos (1975). O bem cultural em questão,
50
edifício sede do IPSEMG, foi construído, portanto, nesse processo de "renovação"
da Praça da Liberdade. Vale salientar que , antes de sua construção, a esquina ente
a rua Gonçalves Dias e a avenida João Pinheiro era ocupada pela residência do Sr.
Irineu Ribeiro, Projetada em 1898 pelo arquiteto Edgard Nascentes Coelho. A atual
edificação foi projetada, no início da década de 1960, pelo arquiteto Raphael Hardy
Filho. Seu estilo apresenta linguagem arquitetura arquitetônica vinculada ao
modernismo, inaugurada na capital mineira, durante a década de 1940, quando foi
inaugurado o conjunto arquitetônico da Pampulha. Seu uso institucional permanece
até os nossos dias, e não ter sofrido grandes alterações (em sua maioria internas)
ao longo dos anos.
Características Arquitetônicas
Edificação de tipologia institucional, com características modernistas, possui
implantação recuada e desenvolve-se em três blocos de partido retangular, de
alturas diferentes, provocando uma movimentação volumétrica do conjunto. De
fachadas transparentes pelo uso de grandes panos de vidro com caixilharia
metálica, possui marcação dos pavimentos através de marquises em concreto
armado, em extensão às lajes de piso. No bloco mais elevado observa-se marquise
vazada por círculos. Trata-se de edifício que marca, por sua arquitetura, o período
em que foi construído, no contexto da Praça da Liberdade, assim como o Ed.
Niemeyer, o Ed. Xodó e a Biblioteca Pública Estadual
Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacências
(Sobreposição com Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências)
Endereço: Rua Gonçalves Dias, 1581 (Edifício-sede do Diretório Central dos
Estudantes
da
UFMG
Cinema
Belas
Artes
Liberdade)
Uso Original: Institucional (DCE-UFMG)
Uso Atual: Cultural (Espaço Cultural Unibanco Belas Artes) e Comercial(Acústica
CD Shop, livraria e cafeteria)
Primeiro Proprietário: Diretório Central dos Estudantes (UFMG)
Proprietário Atual: Diretório Central dos Estudantes da UFMG
Dados Históricos
Edificação construída no ano de 1953 foi, originalmente, sede do Diretório Central
dos Estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais, uso este que persistiu
até meados da década 60. Neste período, seu amplo espaço foi utilizado para as
tradicionais horas dançantes e para atividades de cunho político, além de servir
como moradia estudantil. Após algum tempo em desuso, o espaço foi reaberto em
1992, transformado em Espaço Cultural Belas Artes Liberdade (hoje Espaço
Cultural Unibanco Belas Artes Liberdade). Cabe salientar que tal espaço,
juntamente com o "Teatro do ICBEU" e o teatro do Izabela Hendrix, forma um
interessante conjunto de uso cultural na região.
Seu projeto arquitetônico é de Sylvio Vasconcellos, renomado arquiteto mineiro,
autor de várias construções modernistas na cidade.
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Características Arquitetônicas
A edificação se desenvolve em 2 pavimentos, com a parte térrea recuada em
relação ao alinhamento com a via pública. O pavimento superior avança em relação
ao térreo, apoiando-se nas paredes laterais e nas colunas de sessão circular.
O espaço interno expressa a intenção modernista de amplidão e de integração de
ambientes. Para isso, recorreu-se a sistemas estruturais que possibilitam a criação
de grandes vãos livres (o concreto armado). A fachada frontal é caracterizada pela
presença de grandes aberturas c/ vedação em panos de vidro e caixilhos metálicos
em modulação regular.
Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacências
(Sobreposição com Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências)
Endereço: Avenida João Pinheiro, 372
Uso Original: Residencial unifamiliar
Uso Atual: Edifício-sede do Arquivo Público Mineiro
Primeiro Proprietário: Estado de Minas Gerais
Proprietário Atual: Estado de Minas Gerais
Arquiteto: Projeto coletivo
Construtor: Comissão Construtora da Nova Capital
Ano da Construção: 1897
Primeiro Proprietário: Estado de Minas Gerais
Dados Históricos
A história da avenida João Pinheiro, antiga avenida da Liberdade - monumental eixo
de acesso ao centro cívico da nova capital mineira - confunde-se com a própria
história de Belo Horizonte. No mesmo período da implantação do palácio de governo
e das secretarias estaduais - na Praça da Liberdade - a avenida também é ocupada
com a construção de palacetes destinados à residência dos Secretários de Governo
e de algumas edificações particulares. Algumas destas edificações encontram-se
ainda hoje preservadas como, por exemplo, o bem cultural ora analisado. Ainda no
final do século XIX, tal palacete foi construído, pela Comissão Construtora da Nova
Capital, seguindo as linhas do Ecletismo, utilizado nas Secretarias, Palácio e nas
casas para os funcionários públicos que se mudavam de Ouro Preto. Projetada pela
Seção de Arquitetura da já referida Comissão, chefiada pelo arquiteto
pernambucano José de Magalhães, manteve seu uso original(residencial unifamiliar)
até o ano de 1910, quando passou por grande reforma, que a adequava para melhor
sediar a Prefeitura Municipal. Tal uso se manteve até 1938. Nesse mesmo ano, a
edificação foi ocupada pelo Arquivo Público Mineiro - instituição criada em Ouro
Preto no ano de 1896, mudando-se definitivamente para Belo Horizonte em 1901.
Em 1975, no entanto, o Arquivo foi transferido para a edificação vizinha(rua dos
Aimorés), devido ao arruinamento do prédio, que fica abandonado até meados da
década de 1990.
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Devido a sua beleza e imponência, tal edificação foi escolhida, em 1995, para sediar
a Casa Cor Minas-95, evento este que deu início a seu processo de restauração e
revitalização. Já em 1996, seu projeto de restauração foi aprovado, o que propiciou
a volta do Arquivo Público Mineiro.
Intervenções
1905: ornamentação feita por Frederico Antônio Steckel;
1910: acréscimo de dependências e garagem e melhorias hidráulicas e elétricas;
1925: remodelação interna do edifício principal e pintura da fachada, sob
responsabilidade da construtora Carneiro de Rezende e Cia;
1995: intervenções feitas para a realização da Casa Cor Minas-95;
1996: aprovação do projeto de restauração, pelo Instituto Estadual do Patrimônio
Histórico e Artístico de Minas Gerais;
1998: Execução da obra de restauro da edificação (monitorada pelo Instituto
Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais).
Características Arquitetônicas
Edificação do ano de 1897, construída pela Comissão Construtora da Nova Capital,
em estilo eclético para sediar a residência do secretário de finanças. Desenvolve-se
elevada do solo sobre porão habitável, com recuos laterais, frontais e de fundo
apresentando jardim jardim frontal. A fachada principal possui ornamentação
seguindo os princípios do ecletismo. Os vãos são em arco pleno, emoldurados por
frisos e decoração com motivos florais, e se desenvolvem simetricamente em
relação ao vão maior, central, ladeado por colunas coríntias adossadas na parede.
Além disso, esse vão apresenta varanda com guarda-corpo em balaustrada,
arrematado nas duas extremidades por pilaretes adornados com compoteiras. É
coroado com frontão clássico, que recebe arremate em cimalha e ornamentação
central bem delicada e ricamente trabalhada. Essas compoteiras se repetem no
acabamento da cimalha. Os vãos das fachadas laterais são em verga reta, lisa,
assim como os vãos do porão, na fachada principal. O revestimento das fachadas é
feito em argamassa com acabamento rusticado. Outro elemento importante é a
varanda lateral no 2º pavimento, que apresenta estrutura da cobertura em ferro e
arremate em lambrequim trabalhado também em ferro. O fechamento do lote se faz
em gradil de ferro intercalado por pilares de alvenaria, que recebeu o mesmo
tratamento das fachadas.
Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacências
Endereço: Avenida João Pinheiro, 417
Uso Atual: Institucional - Departamento de Trânsito de Minas Gerais
Proprietário Atual: Governo do Estado de Minas Gerais
Uso Original: Institucional
Arquiteto: José Ferreira Pinto
Construtor: não Identificado
Período da Construção: 1956-1959
Primeiro Proprietário: Estado de Minas Gerais
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Dados Históricos
A edificação encontra-se inserida em uma das mais nobres áreas da cidade conforme o planejamento de Aarão Reis - e localizada na antiga avenida da
Liberdade - monumental eixo de acesso ao centro cívico da nova capital mineira.
Seu projeto mostra um importante exemplar da arquitetura moderna, foi assinado
pelo arquiteto José Ferreira Pinto, no final da década de 1950. Devemos salientar
que esse é um período de grandes modificações nesta região. A Avenida João
Pinheiro, que até então mantinha um conjunto de edificações harmonioso,
apresentando as proporções de sua primeira fase de ocupação - da qual mantinha
ainda um número significativo de exemplares - passa por um processo de
substituição. Com a demolição de muitas de suas edificações originais, surgiram
prédios modernos - como o DETRAN, a Faculdade de Direito e o Condomínio Solar
- que muito destoavam da vizinhança. Tal processo, no entanto, torna-se mais
agressivo na década de 1970, quando são construídos vários edifícios residenciais
multifamiliares, promovendo a verticalização de boa parte da avenida. O bem
cultural em questão, exímio representante da arquitetura moderna, inaugurada em
Belo Horizonte na década de 1940 - com a construção da Pampulha - marca,
portanto, uma fase de mudanças em nosso espaço urbano.
Características Arquitetônicas
Edifício modernista apresenta partido retangular horizontal composto por dois
volumes paralelos entre si. Apresenta no 1º pavimento panos de vidro com
esquadrias de alumínio, onde se destaca um painel de azulejos coloridos, marcando
o seu acesso principal. Nos demais pavimentos, as grandes esquadrias de alumínio
e vidro são protegidas por brises metálicos verticais móveis, que dão tratamento
diferenciado à fachada, acentuando a horizontalidade do edifício. A simplificação de
ornamentos traduz o seu caráter modernista. Pode-se observar um outro edifício
bastante similar a este, também nas proximidades da Praça da Liberdade: trata-se
do Palácio dos Despachos, na avenida Brasil. Na cidade de Belo Horizonte, existem
outras edificações do mesmo arquiteto, e também com a mesma linguagem plástica
do DETRAN. Dentre eles, o prédio do DEOESP, localizado na avenida Afonso
Pena, 2351.
Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacências
(Sobreposição com Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências)
Endereço: Avenida João Pinheiro, 450
Uso Original: Residencial Unifamiliar
Uso Atual: Escola Estadual Afonso Pena
Primeiro Proprietário: Estado de Minas Gerais
Proprietário Atual: Estado de Minas Gerais
Arquiteto: não identificado
Construtor: Comissão Construtora da Nova Capital
Ano da Construção: 1897
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Dados Históricos
A edificação em questão foi construída em 1897, para servir de residência do
Secretário de Interior. Sua pintura e ornamentação original ficaram a cargo do pintor
e estucador alemão Frederico Steckel.
Em 1906 no prédio teve seu uso alterado sendo ali instalado o primeiro grupo
escolar da cidade, que passou a se chamar, a partir de 1914, Barão do Rio Branco,
quando este foi transferido para outra sede.
A casa passa então a ser ocupada pelo segundo grupo escolar da capital, com a
denominação de Afonso Pena.
Em 1926, a edificação da esquina, era de propriedade da família do Conselheiro
Afonso Pena. Essa edificação foi utilizada para ampliação do grupo, que já não
atendia à demanda de estudantes. Com as obras de adaptações e melhoramentos
então executadas, a escola adquiriu a estrutura mantida até hoje.
A construção é do final do século XIX, fazendo parte dos edifícios erguidos pela
Comissão Construtora da Nova Capital. Foi projetada inicialmente como tipologia
residencial unifamiliar, mas teve seu uso logo alterado para abrigar uma escola. O
prédio ocupa dois grandes blocos implantados paralelamente e ligados entre si por
um anexo. Originalmente, esses blocos constituíam-se em duas residências
distintas, destinadas a altos funcionários do Governo.
Construído em linguagem arquitetônica vinculada ao eclético, apresenta
afastamentos frontais e laterais. Desenvolve-se em porão elevado do solo com mais
um pavimento sobre este. O edifício do lado direito possui vão em verga reta, com
sobreverga em arco pleno saliente e escalonado, ornado com motivos fitomórfos e
compoteira ao centro. Os vãos são emoldurados por falsas colunas arrematadas
por volutas em massa e base com balaustradas adossadas, de acabamento em
falso rusticado. Já o edifício da esquerda, possui vãos em arco abatido,
emoldurados com cercadura trabalhada em massa, em delicada ornamentação em
motivos fitomórfos. Apresenta ainda revestimento em argamassa com acabamento
rusticado no porão e pintura lisa no 1º pavimento. Ambos os edifícios possuem
largo beiral em cachorrada metálica decorada. O bloco da direita possui ainda
varanda lateral em estrutura metálica.
As intervenções executadas
1906: alterações internas para acomodação do primeiro grupo escolar da cidade;
1909: construção de um anexo na edificação da esquina;
1926: junção das duas edificações;
1958: o prédio foi incluído na campanha de recuperação dos prédios escolares,
promovida pela Secretaria de Estado da Educação.
Após esse período o prédio passou por várias obras no sentido de garantir sua
integridade e o bom estado de conservação.
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Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacências
Endereço: Praça da Liberdade, 153 (Edifício Niemeyer)
Uso Original Residencial: Multifamiliar
Uso Atual: Residencial Multifamiliar
Primeiro Proprietário: Lúcia Monteiro Machado Almeida
Proprietário Atual: Diversos
Arquiteto: Oscar Niemeyer
Construtor: Waldemar Polizzi
Ano da Construção: 1955
Dados Históricos
A paisagem urbana da região da Praça da Liberdade, só foi alterada a partir de
meados da década de 1950, quando algumas das edificações da primeira fase de
ocupação da região foram substituídas. O Palacete Dolabela (também conhecido
por "Castelinho") foi demolido em fevereiro de 1955 para dar lugar ao moderno
Edifício Niemeyer.
O projeto do edifício é de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer e teve aprovação na
Prefeitura de Belo Horizonte em 20 de novembro de 1954 com o primeiro alvará
concedido no mesmo ano.
O alvará foi renovado por duas vezes, em 14 de outubro de 1958 e em 23 de abril
de 1962, e a conclusão das obras provavelmente se deu neste mesmo ano quando
foi concedida a “baixa e habite-se” em 14 de novembro de 1962. O construtor
responsável pela obra foi o engenheiro Waldemar Polizzi.
Essa edificação marca a volta do arquiteto Oscar Niemeyer à capital mineira, após
ter inaugurado seu estilo modernista projetando o conjunto arquitetônico da
Pampulha.
O edifício com suas linhas sinuosas é um marco para os belorizontinos, seja por
sua imponência na paisagem urbana ou por sua excelência arquitetônica. Vale
salientar que este bem inaugurou o uso residencial multifamiliar, no entorno
imediato da Praça da Liberdade.
Características Arquitetônicas
A edificação de uso residencial multifamiliar apresenta características da vanguarda
moderna, apresenta rico partido arquitetônico, com representação criativa da forma
do terreno, o que confere à obra movimentação volumétrica.
Explorando ao máximo a potencialidade plástica do concreto armado, o edifício
apresenta caráter extremamente harmônico para a sua imagem vertical. Observase a presença dos brises horizontais em argamassa armada acompanhando toda a
extensão do volume com forma orgânica. A obra traduz ainda a intenção moderna
de representar a clareza arquitetônica pelo uso de grandes panos de vidro,
mostrando a resolução estrutural e o uso do edifício. Observa-se ainda
revestimento em azulejos com beleza plástica apurada.
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Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacências
ENDEREÇO: Praça da Liberdade, s/n (Edifício do Palácio da Liberdade)
Primeiro Proprietário: Estado de Minas Gerais
Uso Atual: Edifício do Palácio da Liberdade
Proprietário Atual: Governo do Estado de Minas Gerais
Uso Original: Sede do Governo do Estado de Minas Gerais
Arquiteto: José de Magalhães
Construtor: Comissão Construtora da Nova Capital
PERÍODO da Construção: 1895 - 1897
Dados Históricos
Quando Aarão Reis projetou a cidade de Belo Horizonte, em 1895, reservou um
local privilegiado para o centro cívico da nova capital mineira. Um platô foi
artificialmente construído em lugar de destaque e ao redor de uma grande praça,
Palácio de Governo e Secretarias de Estado seriam construídos. Ainda em 1895 os
projetos dessas edificações estavam prontos, sendo autoria de José de Magalhães.
Engenheiro pernambucano formado pela Escola Central do Rio de Janeiro,
Magalhães foi, posteriormente, para Paris, onde estudou arquitetura na Escola de
Belas Artes. Em Belo Horizonte, foi diretor da seção de Arquitetura da Comissão
Construtora da Nova Capital, sendo responsável pelo projeto dos principais prédios
públicos construídos na primeira fase de ocupação da cidade, tendo oportunidade,
portanto, de exercer toda a influência que teve do Ecletismo francês. Projetado
originalmente para ser local de despachos e residência dos, então, Presidentes de
Estado(e respectivas famílias) foi inaugurado, ainda em obras, em 12 de dezembro
de 1897, simultaneamente à cidade. Sua decoração ficou sob responsabilidade do
pintor e estucador alemão Frederico Steckel - formado pela Escola de Belas Artes
de Berlim - que utilizou essencialmente material importando da
Europa(ornamentação em "papier-maché", tintas, vigas de aço, folhas de zinco,
fusis, parafusos, obras de ferro, painéis, calhas, mármore, pinho de riga e o
mobiliário), com exceção de parte do mármore e granito, obtidos na região. Com o
passar dos anos, a edificação passou inúmeros intervenções que, por terem sido
principalmente internas, não chegaram a comprometer seu estilo original. Seu uso
original, no entanto, foi alterado, deixando de ser a residência oficial dos
governadores. A grande movimentação provocada pelas atividades administrativas
também diminuiu após a construção do Palácio dos Despachos, que acaba
concentrado grande parte destas atividades. Seu valor cultural é inquestionável,
uma vez que conta muito da história de Belo Horizonte e de sua própria razão de
ser. trata-se, portanto, de importante referencial de nossa memória histórica e
arquitetônica.
Intervenções
1920: reforma na decoração -responsáveis: Enoch Lima, Elisário Bahiana
1925: nova decoração(renovação da pintura do teto do salão nobre) - responsável:
Antônio Diogo da Silva Parreiras
1956: notícias de nova ornamentação - responsável: Ladislaw Prokot
1968: colocação de grades(frente e laterais) e holofotes nos jardins; derrubada de
árvores; mudança na distribuição dos cômodos; construção de novos apartamentos
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no segundo pavimento - responsável: José Maciel de Paiva(engenheiro - construtor).
Restaurações
1948: pintura e restauração dos salões
1980-1983: execução de estacas-raiz pré-consolidação do terreno; reforço da
estrutura de fundação(responsável Fondedile - firma italiana); recuperação da
cobertura (responsável: Empresa Coscarelli).
Características Arquitetônicas
Tratando-se do principal elemento do conjunto arquitetônico da Praça, esse edifício
apresenta tipologia institucional, com traço arquitetônico eclético, de inspiração
neoclássica. A fachada principal é marcada por um escalonamento de planos em
planta, conferindo à edificação um caráter bastante monumental. Dessa maneira, o
plano central encontra-se mais saliente em relação aos demais, e à medida que se
afasta do eixo central do edifício, os planos, trabalhados sempre de forma simétrica,
tornam-se mais afastados do alinhamento frontal do terreno. Desenvolvendo-se em
dois pavimentos mais sótão com pé-direito habitável e cobertura sobre estrutura em
ferro, com acesso para um terraço, apresenta volume bem movimentado e de
proporções harmônicas. Nas duas extremidades frontais, observa-se dois corpos de
planta circular, que se constituem em torreões que abrigam varandas de vãos
arqueados. Aliás, a maior parte dos vãos da fachada frontal possuem verga em arco
pleno; somente as duas janelas, localizadas no segundo pavimento, ladeando o
corpo central do edifício, apresentam verga reta com pequeno frontão ornado em
motivos republicanos. Um frontão maior pode ser observado no eixo central do
prédio, na altura do seu coroamento. Esse frontão abriga um busto que representa a
República.
Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacências
Endereço: Praça da Liberdade, s/n (Edifício da Secretaria de Estado de
Transportes e Obras Públicas)
Uso Original: Institucional
Uso Atual: an1 Secretaria de Estado da Fazenda - Superintendência Central do
Tesouro, an2 Superintendência do Planejamento e Comunicação - SPC, an4 Gov.
Estadual de MG Palácio dos Despachos do Gabinete Militar, an4 e an5 IEPHA-MG Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais
Primeiro Proprietário: Governo do Estado de Minas Gerais
Proprietário Atual: Governo do Estado de Minas Gerais
Arquiteto: José de Magalhães
Construtor: Comissão Construtora da Nova Capital
Ano da Construção:1895-1897
Dados Históricos
As pedras fundamentais das Secretarias de Estado de Finanças, de Interior e
Agricultura foram lançadas em 07 de setembro de 1895. O bem cultural supra citado
analisado, originalmente sede da Secretaria de Estado da Agricultura, teve suas
obras iniciadas em maio de 1896 e, apesar de terem transcorrido com rapidez, a
edificação ainda não estava em fase de acabamento quando do inauguração da
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cidade, em 12 de dezembro de 1897. Vale aqui salientar que o primeiro de seus três
pavimentos originais abrigou, por um curto período, a Prefeitura Municipal de Belo
Horizonte. Com o passar dos anos a edificação sofreu várias intervenções, inclusive
o acréscimo do quarto pavimento. No entanto, tais modificações não
comprometeram o projeto original do imóvel. O prédio foi considerado, no início do
século XX, o mais belo da recém-inaugurada capital mineira. Seu uso original
também se mantém, sendo sede da Secretaria de Estado de Viação e Obras
Públicas e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas
Gerais(IEPHA-MG).
Intervenções
1903 - Construção de muros, gradil e reparos em geral.
1924 - Acréscimos em geral
1926 - Reparos em geral
1927 - Instalação elétrica
Características Arquitetônicas
Edifício de inspiração neoclássica, desenvolve-se em quatro pavimentos sobre
porão alteado. De tipologia institucional, apresenta implantação no alinhamento com
a via pública. Possui planta definida por dois blocos ortogonais. A fachada principal
apresenta pano central recuado, ladeado por dois outros ressaltados. Todos os
pavimentos, apresenta revestimento em argamassa texturizada, observa-se
marcação por cornijas. A cornija localizada entre o 2º e 3º pavimentos é conjugada
com frontões interrompidos por volutas. Os vãos do 2º pavimento possuem
ombreiras em colunas de capitel coríntio, apoiados sobre o guarda-corpo em
balaustrada. Sobre esses vãos, observa-se bandeiras fixas bipartidas, ladeadas por
volutas em argamassa. No pavimento térreo, os vãos apresentam vergas em arco
pleno com bandeira fixa. A escadaria em formato piramidal, assim como a sacada
curva no segundo pavimento, marcam o acesso à entrada principal. O coroamento
se dá por platibanda lisa, embasada por cornija saliente apoiada em falsa
cachorrada.
Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacências
(Sobreposição com Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências)
Endereço: Praça da Liberdade, s/nº - Edifício da Secretaria de Estado da Fazenda
Primeiro Proprietário: Estado de Minas Gerais
Proprietário Atual: Governo do Estado de Minas Gerais
Uso Original: Institucional (antiga Secretaria das Finanças)
Uso Atual: Institucional - Secretaria de Estado da Fazenda
Arquiteto: José de Magalhães
Construtor: Comissão Construtora da Nova Capital
Contratados da Comissão Construtora: José Tricoli e Caetano Tricoli.
Período da Construção: 1895/1897
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Dados Históricos
Em Belo Horizonte, O arquiteto, José de Magalhães foi diretor da seção de
arquitetura da Comissão Construtora da Nova Capital, sendo responsável pelos
principais prédios públicos construídos na primeira fase de ocupação da cidade,
tendo oportunidade, portanto, de exercer toda a influência que teve do Ecletismo
francês. As pedras fundamentais do Palácio Presidencial e das Secretarias de
Estado de Finanças, Interior e Agricultura foram lançadas em 07 de setembro de
1895. O bem cultural em questão teve suas obras iniciadas em novembro do mesmo
ano, já apresentando toda a cobertura definitiva finalizada em março de 1897.
Quando da inauguração da cidade, a obra já se encontrava em fase de
acabamentos. Entre os anos de 1905 e 1971, a edificação passou por inúmeras
intervenções e ampliações, que não comprometeram seu estilo original, apesar de
seu interior se encontrar bastante descaracterizado. Um projeto de restauração de
seus elementos artísticos foi proposto em 1984, mas não chegou a ser executado.
Seu uso original, no entanto, permanece, sendo até hoje sede da Secretaria da
Fazenda do Estado.
Intervenções
1905 - reparos no telhado
1908 - acréscimos no fundo e em toda altura do edifício
1926/1927 - acréscimos gerais e obras na área externa (canteiros, calçamentos,
etc.).
Após 1930 - outras reformas, mas sem identificação de datas.
1971- grande reforma, promovida pela Secretaria de Viação e Obras Públicas.
Características Arquitetônicas
Edifício de tipologia institucional apresenta características ecléticas de inspiração
neoclássica. Desenvolve-se em três pavimentos sobre porão alteado, com
implantação no alinhamento com a via pública. A fachada frontal apresenta-se
modulada por um plano central mais largo e recuado, ladeado por dois outros com
coroamento em prisma. O coroamento do plano central é diferenciado, composto por
platibanda em balaustrada e frontão imponente ornado com florões e brasão alusivo
à república. As cornijas se sobressaem no prolongamento das falsas colunas ora
lisas, ora ornadas com elementos fitomórfos e volutas, com capitéis compósitos. Na
altura do segundo pavimento, observa-se nos planos salientes vãos em verga reta
sobrepostos por falsos frontões e embasados por pequenas sacadas com balaústres
contrapondo-se aos vãos do pavimento inferior, de verga em arco pleno. Esses
planos apresentam revestimento em pedra no porão. O acesso é marcado por
escadaria piramidal. Sobre a porta observa-se brasão envolvido por ornamentos
florais, volutas e conchóides, que também servem de apoio para o mastro da
bandeira.
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Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacências
(Sobreposição com Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências)
Endereço: Praça da Liberdade, s/nº (Edifício da Secretaria de Estado da Educação)
Uso Atual: Edifício da Secretaria de Estado da Educação
Proprietário Atual: Estado de Minas Gerais
Uso Original: Institucional
Arquiteto: José de Magalhães
Construtor: Comissão Construtora da Nova Capital
Ano da Construção:1895/1897
Primeiro Proprietário: Estado de Minas Gerais
Dados Históricos
Quando Aarão Reis projetou a cidade de Belo Horizonte, em 1895, reservou um
local privilegiado para o centro cívico da nova capital mineira. Um platô foi
artificialmente construído, onde antes havia uma via crucis campal, utilizado pelos
moradores do Arraial de Curral D'el Rei por ocasião da Semana Santa. Neste lugar
de destaque e ao redor de uma grande praça, foi construído o Palácio de Governo e
as Secretarias de Estado. Ainda em 1895 os projetos dessas edificações estavam
prontos. Os projetos são de autoria de José de Magalhães, engenheiro
pernambucano formado pela Escola Central do Rio de Janeiro, Magalhães foi,
posteriormente, para Paris, onde estudou arquitetura na Escola de Belas Artes. Em
Belo Horizonte, foi diretor da seção de Arquitetura da Comissão Construtora da
Nova Capital, sendo responsável pelo projeto dos principais prédios públicos
construídos na primeira fase de ocupação da cidade, tendo oportunidade, portanto,
de exercer toda a influência que teve do Ecletismo francês. As pedras fundamentais
do Palácio Presidencial e das Secretarias de Estado de Finanças, Interior e
Agricultura foram lançadas em 07 de setembro de 1895. O bem cultural em questão
- foi originalmente sede da Secretaria de Estado do Interior - teve seus trabalhos de
construção iniciados em 22 de outubro do mesmo ano e, no dia da inauguração da
cidade (12 de dezembro de 1897), já se encontrava em fase de acabamento. A
decoração e a pintura foram trabalhos executados por Frederico Steckel, pintor e
estucador alemão, formado pela Escola de Belas Artes de Berlim.
Em 1930, o edifício passou a sediar a Secretaria de Estado da Educação - uso que
apresenta até os dias atuais. EM 1982, o prédio foi interditado, passando por obras
de reconstituição das estruturas e restauração, só finalizadas em 1988 - mantendose em bom estado de conservação até hoje.
Características Arquitetônicas
Edificação de características ecléticas, apresenta implantação no alinhamento com
a via pública. Desenvolve-se em três pavimentos sobre porão alto, a volumetria é
constituída por blocos dispostos de forma escalonada, sendo que o 3º pavimento
constitui um átrio. Apresenta platibanda que intercala panos cheios e vazados por
balaustrada, observadas tanto acima do 2º pavimento - servindo de guarda-corpo
para o terraço ao redor do átrio - sobre o 3º andar, esconde a cobertura em telha
francesa. Marcando o corpo central, observa-se coroamento em meia-cúpula,
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abrigando, em nicho, brasão e símbolo da República. Observa-se ainda volume
saliente que marca a entrada do edifício e conforma varanda com pórtico em arco,
no térreo, e varanda sustentadas por colunas de fuste liso, com capitéis compósitos
e apoiadas sobre balaustrada. Nos planos salientes de ambas as extremidades da
fachada frontal, observa-se na altura do 2º andar vãos em verga reta, ladeados por
falsas colunas e coroados por falsos frontões, e que dão acesso a pequenas
sacadas com guarda-corpo em serralheria. A escada de acesso principal, em pedra,
possui bocel abaulado.
Conjunto Urbano Praça da Liberdade - Avenida João Pinheiro e Adjacência
Endereço: Praça da Liberdade, s/nº (Edifício da Secretaria de Estado da
Segurança Pública
Uso Atual: Edifício da Secretaria de Estado da Segurança Pública
Proprietário Atual: Governo do Estado de Minas Gerais
Uso Original: Institucional
Arquiteto: Luiz Signorelli
Construtor: Construtora Carneiro de Rezende
Período da Construção: 1926-1930
Primeiro Proprietário: Estado de Minas Gerais
Dados Históricos
Ainda em 1895, os projetos do Palácio Presidencial e das Secretarias de Estado de
Finanças, Interior e Agricultura foram aprovados, estando suas obras concluídas em
fins do século XIX. O bem cultural ora analisado, no entanto, não é contemporâneo
às demais Secretarias. A Secretaria de Estado de Segurança Pública teve sua obra
iniciada em fins da década de 1920, na administração do presidente Antônio Carlos.
Seu projeto é de autoria de Luiz Signorelli. Arquiteto e pintor, Signorelli diplomou-se
pela Escola de Belas Artes do Rio de janeiro em 1925, mudando-se para a capital
mineira em 1926. Porém, mesmo antes desta data já projetava edificações para
Belo Horizonte. Dentre tais projetos podemos citar: o abrigo de bondes; o prédio da
Alfândega; o Clube Belo Horizonte; a sede do Automóvel Clube; o Hotel Sul
Americano; e edificação residencial situada na Avenida Bias Fortes, 197 - todos
tombados pelo município. Além disso, foi também fundador e organizador da Escola
de Arquitetura de Minas Gerais, sendo seu primeiro diretor. Essa construção só foi
concluída em 1930 e ficou sob responsabilidade da tradicional Construtora Carneiro
de Rezende e Cia, também responsável pela edificação de importantes edificações,
públicas e particulares, da capital mineira, entre 1926 e meados da década de 1940.
Apesar do intervalo temporal entre a construção desta e das demais Secretarias,
seus estilos dialogam, uma vez que o ecletismo predominou até a década de 1930.
Com o passar do tempo, a edificação sofreu algumas intervenções, que não
chegaram a comprometer seu estilo original, vale salientar que seu uso primeiro
também se mantém.
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Características Arquitetônicas
Edifício eclético de inspiração neoclássica que se desenvolve em 5 pavimentos
sobre porão alteado, além de acréscimos sobre o último andar. De tipologia
institucional, apresenta fachada frontal dividida basicamente em 3 módulos
horizontais: um primeiro, constituído pelo porão alto e térreo, apresenta vãos com
verga em arco pleno e revestimento texturizado por granito e falso rusticado. O
módulo intermediário é marcado pelos três pavimentos seguintes e apresenta
colunas da ordem compósita que sustentam a projeção do entablamento que se
apóiam em base saliente constituindo um terraço na altura do segundo pavimento.
Ambos os terraços, assim como todos os demais vãos do segundo pavimento,
possuem guarda-corpo em balaustrada e verga reta. Os vãos do 3º pavimento
possuem verga em arco pleno e guarda-corpo em ferro fundido, ladeados por outros
em verga reta. Esse segundo módulo é arrematado por cornija trabalhada por frisos
e apoiada em falsa cachorrada. O terceiro módulo, correspondente ao ático, possui
vãos de mesma forma e dimensão daqueles observados no 4º pavimento. Observase volumes salientes, com ornamentos, em continuidade ao corpo sustentado pelas
colunas. O ático apresenta-se arrematado por platibanda com frisos horizontais,
entretanto, esse coroamento encontra-se descaracterizado por acréscimos
desordenados sobre o próprio ático, que interferem negativamente no estado de
conservação do prédio e na imagem imponente do conjunto edificado ao redor da
Praça da Liberdade.
Endereço: Rua Santa Rita Durão, 1263
Uso Atual: Institucional
Proprietário Atual: Polícia Militar do Estado de Minas Gerais
Uso Original: Residencial
Arquiteto: José Lapertosa
Construtor: Não identificado
Ano da Construção:1912
Primeiro Proprietário: Márcio Alves Ferreira
Dados Históricos
Construído em 1912, o bem cultural em questão apresentava, originalmente, o uso
residencial unifamiliar, de propriedade do Sr. Guilherme Leite. Seu projeto é de
autoria de Edgard Nascentes Coelho. Arquiteto e desenheista, formado pela Escola
Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Após trabalhar no Exército e no
prolongamento da Estrada de Ferro Central do Brasil, transferiu-se para Belo
Horizonte em 1894, ocupando o cargo de primeiro desenhista da seção de
Arquitetura da Comissão Construtora da Nova Capital. Participou da execução e
elaboração de plantas e projetos de vários edifícios públicos da capital, dentre os
quais podemos citar: Instituto de Educação; Igreja de Santa Efigênia (1900);
Igreja do Sagrado Coração de Jesus (1900); Igreja São José (1901-1904).
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Além destes, foi responsável também pelo projeto de várias edificações particulares
como, por exemplo: Companhia Industrial Belo Horizonte (1906); residência na
rua Espiríto Santo, 1502 (1914); residência na rua dos Timbiras, 1697 (1899);
residência na rua dos Guaicurus, 471; e o "Solar Viváqua' (1909) - todos esses
bens são protegidos por tombamento pelo município. Por muitos anos essa
edificação conservou seu uso original. o que propiciou a preservação de grande
parte de seus elementos e características arquitetônicas originais. Hoje, o bem faz
parte do complexo da Secretaria de Estado da Cultura, tendo passado por algumas
intervenções internas, que melhor o adequou ao novo uso.
Características Arquitetônicas
De uso residencial, caracteriza o estilo arquitetônico vinculado ao ecletismo, próprio
da primeira fase de ocupação da Nova Capital. Apresenta partido retangular
composto de 2 pavimentos dispostos no alinhamento das vias públicas e
afastamentos laterais, por onde se tem acessos principais e secundários ao imóvel.
No pavimento superior, observa-se a presença típica da varanda lateral. As
fachadas das vias recebem tratamento expressivo com decoração característica do
ecletismo: relevos em massa, sobrevergas ornadas, cimalhas alternando segmentos
retos e curvos, platibandas enriquecidas com frontões, pináculos e conchóides.
Alguns dos vãos do pavimento superior caracterizam-se por porta-janela, com
guarda-corpo em balaústres de argamassa. Apresenta bom estado de conservação,
mantendo todas as suas características originais.
Conjunto Urbano Conjunto Urbano Praça Da Liberdade - Avenida João
Pinheiro e Adjacências
Endereço: Rua Santa Rita Durão, 1275
Primeiro Proprietário: Mário Alves Ferreira
Proprietário Atual: Governo Do Estado De Minas Gerais
Uso Original: Residencial Unifamiliar
Uso Atual: Anexo Da Secretaria De Estado Da Cultura
Arquiteto: José Lapertosa
Ano da Construção: 1912
Dados Históricos
Planejada em 1895, pelo engenheiro Aarão Reis, a cidade de Belo Horizonte foi
sendo ocupada lentamente. Nos primeiros anos, apenas uma pequena parte de seu
espaço urbano havia sido ocupada. No bairro dos Funcionários foram construídas
as casas destinadas à residência dos funcionários públicos, que se transferiam de
Ouro Preto, além de algumas residências particulares. A Praça da liberdade fora
ocupada pelo Palácio Presidencial e pelas Secretárias de Estado, além de uma
série de instituições e residências que foram construídas em seu entorno. A
edificação em questão encontra-se localizada no bairro dos Funcionários - na área
de entorno da Praça da Liberdade. O projeto arquitetônico da edificação em questão
- segue linguagem arquitetônica vinculada ao ecletismo e a tipologia adotada pela
Comissão Construtora da Nova Capital para as residências dos funcionários
públicos e enquadra-se tipologicamente no padrão B das casas-tipo funcionais da
época de mudança da capital do Estado. Seu projeto é de autoria de José
Lapertosa. Esse arquiteto/ desenhista italiano teve matrícula como desenhista
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registrada na diretoria de Obras Públicas da Prefeitura de Belo Horizonte em 1911.
Ao longo dos anos, a edificação sofreu algumas alterações, buscando adequá-la
aos novos usos que passou a ter. Tais modificações, no entanto, não
comprometeram seu estilo original. Atualmente apresenta uso institucional - sede da
Ação Feminina de Assistência Social, da Política Militar de Minas Gerais.
Características Arquitetônicas
Implantada sobre o alinhamento, sendo o acesso feito através de varanda lateral,
que se abre para um pequeno jardim. A planta desenvolve-se em dois blocos que
se constituem em volumes diferenciados. A fachada principal repete os esquemas
então em voga, dividindo-se em dois painéis onde o arranjo dos vãos e o
tratamento decorativo são variados. Os apliques florais dão delicadeza à
composição. As fachadas laterais são despojadas de ornamentação, sendo
marcadas apenas pelo ritmo dos vãos e pela cimalha contínua.
Conjunto Urbano Rua dos Caetés e Adjacências (Sobreposição com Conjunto
Urbano Rua da Bahia e Adjacências)
Endereço: Avenida Santos Dumont, 174 (Centro Cultural da UFMG)
Primeiro Proprietário: Não identificado
Proprietário Atual: UFMG
Uso Original: Serviço
Uso Atual: Institucional
Arquiteto: Silas Raposo
Construtor: Não identificado
Ano da Construção:1906
Dados Históricos
Em seus primeiros anos, Belo Horizonte contava com pequena parte de seu espaço
urbano ocupada, sendo a área central privilegiada. Na região da estação ferroviária
- então principal porta de entrada da cidade - mesclavam-se dois usos,
prioritariamente: a prestação de serviços, devido ao grande número de pensões, e
hotéis; e o comercial, uma vez que a Avenida do Comércio (atual Santos Dumont),
tem seu início bem em frente à Praça Rui Barbosa. Tais usos, acrescidos pelo
residencial, se espalharam por toda a região, caracterizando-a até os dias de hoje. O
bem cultural em questão foi construído em 1906. Seguindo as linhas do Ecletismo estilo arquitetônico adotado pela Comissão Construtora da Nova Capital - e
prevendo ser ocupada por um hotel, teve projeto elaborado pelo arquiteto Silas
Raposo. Seu uso primeiro, porém, permaneceu por pouco tempo e, ainda em 1906,
a edificação passou a sediar o Quartel do 2º Batalhão da Brigada Policial, que a
ocupou até 1911. Neste ano o bem passou por grandes reformas internas e, mais
uma vez, teve seu uso alterado. A partir daí foi sede da Escola Livre de Engenharia,
do Instituto de Eletrotécnica, da Escola de Engenharia da Universidade de Minas
Gerais e, enfim, do Centro Cultural da Universidade Federal de Minas Gerais. Vale
ainda ressaltar que, antes de sediar o já citado Centro Cultural, o bem foi restaurado,
o que ocorreu entre os anos de 1988 e 1989. Tal intervenção destacou ainda mais o
bem cultural no contexto urbano.
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Características Arquitetônicas
Edificação de dois pavimentos, de tipologia institucional, apresenta características
estilísticas ecléticas seguindo padrões da Comissão Construtora da Nova Capital.
De composição arquitetônica ritmada pela distribuição de seus vãos, sempre em
vergas de arco pleno, apresenta ornamentos em massa em relevo que definem as
cimalhas, os falsos pilares (arrematados acima da platibanda por esferas ou
frontões), as aduelas e o contorno das janelas. A platibanda que dissimula o telhado,
assim como os frontões, também apresentam ornamentos em massa em alto relevo,
representando guirlandas e motivos florais. Trata-se de referencial importante na
conformação do rico ambiente arquitetônico da Praça da Estação.
Em 1988/1989, passou por uma restauração de fachadas e parte do interior. Em
2003/2005, teve o auditório reformado com substituição das cadeiras.
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Marco Túlio Barreto
Marco Túlio Barreto
Anexo – Fotos
Academia Mineira de Letras
Marco Túlio Barreto
Marco Túlio Barreto
Detalhe escadaria da Academia Mineira de Letras
Rua da Bahia com Ed. Sulacap ao fundo
Viaduto Santa Teresa
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Marco Túlio Barreto
Marco Túlio Barreto
Exemplo de construção eclética
Marco Túlio Barreto
Marco Túlio Barreto
Centro de Cultura de Belo Horizonte
Detalhe do Edifício Parc Royal
Postais de Minas
Maria Lucia Dornas
Detalhe do Edifício Niemeyer
Detalhe do Edifício Parc Royal
Praça da Liberdade
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Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências