INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO IVOTI – ISEI
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO LATO SENSU
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA E ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL
ÉLEN CRISTINA WEDIG RAIMANN
DIVERSOS OLHARES SOBRE A EDUCAÇÃO EM TURNO INTEGRAL NAS
SÉRIES INICIAIS
IVOTI
2009
ÉLEN CRISTINA WEDIG RAIMANN
DIVERSOS OLHARES SOBRE A EDUCAÇÃO EM TURNO INTEGRAL NAS
SÉRIES INICIAIS
Monografia apresentada ao Instituto Superior de
Educação, como requisito parcial para obtenção do título
de especialista em Coordenação Pedagógica e Orientação
Educacional do Instituto Superior de Educação Ivoti.
Orientador: Dr. Gilson de Almeida Pereira
IVOTI
2009
SUBSTITUIR PELA FOLHA DE APROVAÇÃO
A todos que participaram desta jornada ao meu lado,
principalmente meus pais Claricio e Eldi, meus irmãos
Cristiane, Márcio, Gabriel e Mateus e meu querido esposo
Cássio.
AGRADECIMENTOS
Foram tantos que colaboraram na realização deste trabalho, meus mais sinceros
agradecimentos...
À Deus, sobretudo, por ter estado sempre comigo, me iluminando.
À minha família por todo o apoio, carinho, paciência e compreensão.
Aos meus amigos, em especial a Elaine, pela companhia nessa etapa de
nossas vidas.
Ao meu professor orientador Gilson Almeida Pereira, pela dedicação e
carinho com que me orientou.
A todos os entrevistados que colaboraram para essa pesquisa e a instituição
que abriu as suas portas para este estudo.
A todos aqueles que amam a sua profissão.
Projetar é como remar. Remar de costas; olhando para
trás, pensando para frente.
Amyr Klink
RESUMO
Este trabalho tem como tema central o estudo sobre as escolas de turno integral e os seus
objetivos propostos. No primeiro momento foi realizada a descrição da metodologia utilizada
para a realização da pesquisa. Posteriormente foi realizado um estudo teórico sobre as
diferentes experiências de escolas que ofereciam o turno integral num passado recente. Após,
o enfoque passa a ser a análise realizada de uma escola em turno integral, na serra gaúcha,
apresentando o dia-a-dia e seus desafios. Finalmente, são apresentadas reflexões e
constatações sobre a escola em turno integral a partir de entrevistas com pais, alunos e
professores, do estudo teórico e das idéias da autora da pesquisa sobre o assunto. A partir
deste trabalho, foram desenvolvidas reflexões com o intuito de repensar este paradigma
educacional, trazendo inquietações a respeito de nossas certezas.
Palavras-chave: Turno integral - Educação integral - Paradigma educacional - Diversos
olhares.
ABSTRACT
Keywords: This paper aims to develop a research about full time schools and the objectives
they propose. First of all, a description was made about the methodology that was used to
develop the research. Secondly, a theoretical research about the different experiences of
schools that offered full-time period in recent past takes place. Then, the focus turns into an
analysis made upon a full-time school in the “Serra Gaúcha” region (mountainous regions of
Rio Grande do Sul). It presents the daily work and the challenges of the school. Finally,
critical thoughts, ideas and assumptions about the full-time school are presented, having as
background interviews with parents, students and teachers, the theoretical research and the
ideas about the subject of the author of this paper. This paper was important to develop
critical thoughts about the educational paradigm, bringing into light doubts we may have
about the sure of the subject.
Keywords: Full-time period - Full-time education - Educational paradigm - Multiple views.
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1: Foto do CIEP. ...................................................................................................20
FIGURA 2: Escola que oferece o turno integral. .................................................................25
FIGURA 3: Foto do refeitório. .............................................................................................27
FIGURA 4: Foto da hora do descanso. ................................................................................27
FIGURA 5: Foto da entrada da escola apresentando as diversas oficinas. ..........................28
FIGURA 6: Oficina de Língua Alemã. Teatrinho de Fantoches de Páscoa. ........................30
FIGURA 7: Oficina de Musicalização. ................................................................................31
FIGURA 8: Oficina de Artesanato. Costurando o coelho da Páscoa. ..................................32
FIGURA 9: Oficina de Meio Ambiente e Turismo..............................................................34
FIGURA 10: Oficina de Educação Física. .............................................................................37
FIGURA 11: Oficina de Tae kwon do. ...................................................................................38
FIGURA 12: Ficha de avaliação ............................................................................................39
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 11
2
PONTO DE PARTIDA ................................................................................................. 13
2.1
DEFININDO O TEMA ................................................................................................... 13
2.2
DELINEANDO A PESQUISA ....................................................................................... 14
3
EXPERIÊNCIAS DE TURNO INTEGRAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS............. 16
3.1
ANÍSIO TEIXEIRA E A PROPOSTA DAS ESCOLA-CLASSE E ESCOLA-PARQUE
......................................................................................................................................... 16
3.2
CIEP’S - CENTROS INTEGRADOS DE EDUCAÇÃO PÚBLICA ............................. 19
3.3
CIAC’S, CENTROS INTEGRADOS DE APOIO À CRIANÇA................................... 21
3.4
CEU’S - CENTROS EDUCACIONAIS UNIFICADOS................................................ 22
3.5
EDUCAÇÃO INTEGRAL: UMA PROPOSTA EM CONSTRUÇÃO.......................... 22
4
UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL.................................................... 25
4.1
O CURRÍCULO POR ATIVIDADE .............................................................................. 26
4.2
ROTINA .......................................................................................................................... 26
4.3
AS OFICINAS................................................................................................................. 28
4.4
OS PROJETOS E A AVALIAÇÃO................................................................................ 38
5
DIVERSOS OLHARES SOBRE O TURNO INTEGRAL........................................ 40
5.1
ESCOLA DE TURNO INTEGRAL: PAPEL DA ESCOLA.......................................... 40
5.2
ESCOLA DE TURNO INTEGRAL: PAPEL DA FAMÍLIA......................................... 43
5.3
ESCOLA DE TURNO INTEGRAL: VANTAGENS E DESVANTAGENS ................ 46
5.4
ESCOLA DE TURNO INTEGRAL: EXPECTATIVAS E HABILIDADES ................ 51
6
CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................ 55
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 57
11
1
INTRODUÇÃO
O termo educação traz consigo muitos questionamentos e indagações. “Só tenho uma
certeza: as minhas muitas incertezas”; a afirmação de Olya Prigogine1 expressa bem o
sentimento que o professor tem ao longo de sua trajetória como profissional. O educador, na
atualidade, deve ser um profissional comprometido e que reflita sobre os paradigmas
educacionais que vem se apresentado; dentre eles a oferta de escolas em turno integral.
Com a mudança acelerada da sociedade estão sendo delegadas funções para a escola
que antes eram do núcleo familiar. Sendo assim, é necessário ter um local em que as crianças
permaneçam por mais tempo, porém a escola em turno integral não pode ser vista como
cuidadora, mas sim como um local que proporciona múltiplas situações de aprendizagem
visando o desenvolvimento pleno do educando.
Nesse trabalho realiza-se uma pesquisa teórica e qualitativa sobre as experiências de
escolas que ofereciam e oferecem o turno integral. Esse estudo busca verificar qual é o
principal objetivo que acompanha essa proposta: se é a permanência dos educados em um
lugar seguro ou se pretende desenvolver o aluno plenamente. Para tanto, serão analisados os
diferentes olhares que os pais, os professores e os alunos têm sobre esse contexto.
Para alcançar tais objetivos o trabalho foi assim subdividido; primeiramente
apresentar-se-á a metodologia utilizada para a realização da pesquisa. Na seqüência trar-se-á o
resgate histórico através de pesquisa bibliográfica sobre as experiências de turno integral nas
escolas públicas brasileiras, sendo citadas as experiências com os Centros Integrados de
Educação Pública (CIEP’s), os Centros Integrados de Apoio à Crianças (CIAC’s) e Centros
Educacionais Unificados (CEU’s). Também será abordada a importância do educador Anísio
Teixeira, sua influência na educação brasileira, bem como sua proposta de Escolas Parque.
Posteriormente o estudo direciona-se para a descrição de uma experiência de ensino
em uma escola de turno integral na Encosta da Serra, realizada a partir de observações do diaa-dia da mesma e da leitura de documentos (Plano Político-Pedagógico, Regimento Escolar e
Projetos das Oficinas) a ela pertencentes. Na escola em estudo, os alunos permanecem dois
turnos (manhã e tarde). Além do ensino normal, são oferecidas refeições, momento de
descanso, acompanhamento do tema e oficinas. As atividades diferenciadas são pensadas
1
Professor de Química em Bruxelas e autor do livro O fim das certezas.
11
12
numa filosofia de atividades coletivas, nos quais os projetos de trabalho são planejados para
despertar o interesse do aluno, em prol do crescimento e bem estar comum. Diariamente são
ministradas duas oficinas diferentes para cada turma. A escola oferece as oficinas de Canto,
Instrumental, Língua Alemã, Danças Folclóricas Alemãs, Hora do Conto, Recreação, Arte,
Artesanato, Ginástica Rítmica, Tae kwon do, Informática, Raciocínio Lógico, Teatro, Meio
Ambiente e Turismo.
Para finalizar o estudo trará as diferentes visões que os personagens desse contexto
têm sobre a escola; elencando-os em diferentes categorias com base nas entrevistas realizadas;
entre elas: o papel da escola, papel da família, as vantagens e as desvantagens de permanecer
na escola dois turnos e expectativas e habilidades desenvolvidas.
Por fim, é importante mencionar que, nesse trabalho, estão inseridas fotografias e
trechos das entrevistas que foram prontamente autorizadas pelos responsáveis para ilustrar o
trabalho.
12
13
2
2.1
PONTO DE PARTIDA
DEFININDO O TEMA
Esse trabalho teve como ponto de partida uma inquietação profissional, pois leciono
em uma escola que oferece o turno integral (manhã e tarde) para os alunos das Séries Iniciais
e percebi que esse é um desafio que vem repleto de questionamentos, tanto para os
professores, como para os pais e os alunos. Cada um dos personagens deste contexto tem uma
visão sobre essa escola, que é um modelo novo e que deve ser percebida não só como de um
lugar em que a criança permanece o dia inteiro e fica segura. A partir dessa inquietação,
surgiu o tema da pesquisa: Diversos olhares sobre a Educação em turno integral nas Séries
Iniciais.
O trabalho tem como objetivo geral verificar e analisar a proposta de turno integral em
escolas públicas e constatar os desafios de uma contextualização de escola que oferece o turno
integral. Como objetivos específicos, definir a educação integral, contextualizando e situando
historicamente as experiências existentes, descrever uma experiência atual, conhecer e
analisar os diferentes olhares (pais, alunos, professores) sobre a escola.
Atualmente, a nova configuração que se tem de sociedade está exigindo que a escola
se molde de acordo com as suas necessidades. Os pais precisam sair para trabalhar e seus
filhos necessitam de um local adequado para ficar e que proporcione novas oportunidades de
aprendizagem e vivências através de atividades práticas. Sendo assim, são necessárias novas
estratégias e, uma delas, é redimensionar os espaços da escola, oferecendo mais tempo de
permanência através do turno integral. A Lei 9.394/96 que estabelece Diretrizes e Bases da
Educação Nacional determina, em seu Artigo 34 Parágrafo Segundo:
Artigo 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro
horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o
período de permanência na escola. [...]
§ 2º. O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral, a
critério dos sistemas de ensino (LDB, 1996, p. 13).
No entanto, o aumento do tempo de permanência na escola deve prover atividades que
ultrapassem as paredes das salas de aula. Gardner (1995) considera as pessoas inteiras e
valorizar outras formas de demonstração de competências e habilidades, além das
13
14
tradicionais. Desse modo, ela deve oferecer uma gama de atividades que proporcione o
desenvolvimento pleno do educando de uma forma holística.
Segundo Yus, a educação holística
está “centrada no estudante”, o que a obriga a proporcionar a ele uma variedade de
opções, perspectivas e estratégias para explorar o potencial oculto, pois reconhece
que a aprendizagem efetiva sempre se baseia na experiência, começando pela
experiência de vida, das reflexões, compreensões e contextos dos próprios
estudantes (2002, p. 40).
A partir dessa perspectiva, surgiu o seguinte problema para o estudo: segundo a visão
dos professores, pais e alunos, pergunto-me: a educação em turno integral favorece o
desenvolvimento integral do educando?
2.2
DELINEANDO A PESQUISA
Nesse trabalho, inicialmente, apresenta-se um resgate histórico através de pesquisa
teórica sobre as experiências de turno integral nas escolas públicas brasileiras, sendo citados
os CIEP’s (Centros Integrados de Educação Pública), os CIAC’s (Centros Integrados de
Apoio à Crianças) e CEU’s (Centros Educacionais Unificados). Também se aborda a
importância do educador Anísio Teixeira, sua influência na educação brasileira e sua proposta
de Escolas Parque. No capítulo seguinte faz-se a descrição de uma experiência de ensino em
uma escola de turno integral na Serra Gaúcha, a partir de observações do dia-a-dia e de leitura
de documentos da mesma (Plano Político-Pedagógico, Regimento Escolar e Projetos das
Oficinas).
Para desenvolver a investigação optou-se por entrevistas estruturadas. Essas foram
individuais e realizadas com pais, professores e alunos. Foram entrevistados seis professores,
três pais e três alunos, a partir de sete questões. As perguntas foram elaboradas a partir das
seguintes questões norteadoras:
•
Qual é a visão dos professores, pais e alunos sobre o turno integral na escola?
•
Qual o principal fator que levou a optar pelo turno integral?
•
Quais são os benefícios para uma criança que permanece na escola em tempo
integral?
14
15
•
Quais as dificuldades encontradas ou que podem surgir deixando criança na escola
em tempo integral?
A metodologia de análise de conteúdo adotada, sugerida por Engers (1987), tem base
nos escritos de Bardin (1977). As entrevistas foram transcritas, lidas, analisadas e
sistematizadas. Inicialmente, foi realizada a análise vertical, em que as respostas foram
colocadas literalmente, apontando tema, palavra-chave ou frase. Após, foi realizada a análise
horizontal, em que uma pergunta é analisada com todas as respostas dos participantes,
proporcionado uma visão ampla de todas as idéias, com seus aspectos comuns ou não. Em
seguida, passei a síntese e o levantamento de subcategorias.
No decorrer da análise de dados, da síntese e do levantamento das subcategorias,
apontaram-se quatro categorias que direcionaram a reflexão da pesquisadora sobre as
diferentes visões que os professores, os alunos e os pais têm sobre a escola. São elas:
•
Escola de Turno Integral: papel da escola
•
Escola de Turno Integral: papel da família
•
Escola de Turno Integral: vantagens e desvantagens
•
Escola de Turno Integral: expectativas e habilidades
O texto foi construído com o cruzamento das idéias da autora e dos entrevistados,
usando como base teórica o pensamento de diversos autores, entre eles, Vasconcellos,
Gardner, Yus.
15
16
3
EXPERIÊNCIAS DE TURNO INTEGRAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS
A escola pública brasileira vive um momento de busca de identidade. Novas
possibilidades, concepções e práticas de educação estão surgindo e, uma delas, é a Educação
Integral que amplia a jornada escolar.
O MEC promete escola em tempo integral para todo o Ensino Fundamental até 2010 e
publicou ainda que, para o Ensino Médio, o prazo para implantação do período integral é
2015, anunciado pelo então ministro da Educação Cristovam Buarque.
O ministro da Educação, Cristovam Buarque, garantiu que até 2010 as escolas
públicas do ensino fundamental terão turno integral. Já os alunos do ensino médio,
deverão freqüentar escola durante todo o dia a partir de 2015, se a meta do atual
governo for executada. Para Cristovam, o Projeto Segundo Tempo, desenvolvido em
parceria com o Ministério dos Esportes, já é um ‘piloto’ para o turno integral. “Não
é completa a escola que oferece quatro horas de aula por dia”, criticou o ministro,
durante cerimônia de assinatura de convênio com o ministro dos Esportes, Agnelo
Queiroz. Para Cristovam, as escolas devem oferecer cultura e complementação de
estudos aos alunos, além de atividades esportivas. O ministro, tido como um dos
maiores ‘chorões’ por recursos da Esplanada, aposta que a escola integral é um
“projeto que vai dar para fazer sim”, mesmo sem verbas extraordinárias, utilizando
criatividade e os recursos disponíveis (ESCOLA DE TURNO INTEGRAL. Jornal O
Estado de São Paulo, 14 de abril de 2003).
Porém, a idéia de oferecer escola em turno integral não é tão recente assim, pois já
existiram outras propostas no Brasil. Um dos idealizadores desse tipo de concepção de escola
foi Anísio Teixeira que lutou para defender a democratização do ensino no Brasil.
3.1
ANÍSIO TEIXEIRA E A PROPOSTA DAS ESCOLA-CLASSE E ESCOLA-PARQUE
Anísio Spínola Teixeira é considerado um dos personagens centrais na história da
educação brasileira. O educador era defensor do ensino público, difusor de pressupostos da
Escola Nova e teve participação fundamental na reformulação do sistema educacional da
Bahia e do Rio de Janeiro.
O professor formou-se em 1922 e dois anos após assumiu o cargo de Inspetor Geral de
Ensino na Bahia iniciando, assim, a sua carreira como pedagogo e administrador público.
Viajou para a Europa e Estados Unidos para observar e conhecer outros sistemas
educacionais. Em 1927, Anísio Teixeira foi aluno do filósofo e educador John Dewey que,
mais tarde, inspirou a Escola Nova e foi inspirador de suas idéias.
16
17
O governador da Bahia, Octavio Mangabeira, em 1946, convidou Anísio Teixeira para
ser Secretário de Educação e Saúde. Neste período, o educador criou o Centro Educacional
Carneiro Ribeiro, mais conhecido como Escola Parque. Esse complexo educacional era
formado por quatro Escolas-Classe e Escola Parque. A proposta pedagógica buscava integrar
os alunos com a comunidade escolar, tornando-os conscientes dos seus direitos e deveres,
desenvolvendo a autonomia, a iniciativa, a responsabilidade e a cooperação.
As Escolas-Classe contavam com 12 salas de aula cada uma, áreas cobertas, gabinetes
médico e dentário, instalações para administração, jardins, hortas e áreas livres. Nelas
permaneciam os alunos quatro horas em aprendizagem escolar das chamadas matérias de
ensino: linguagem, aritmética, ciências e estudos sociais. Após o horário de classe os alunos
da manhã dirigiam-se para a Escola Parque onde permaneciam mais quatro horas,
completavam seu tempo integral de educação com atividades diversas.
Nos anos 60, Anísio Teixeira fundou a Universidade de Brasília junto com Darcy
Ribeiro, sendo eleito Reitor em 1963, porém o golpe de 1964 o afastou do cargo. Viajou
novamente para os Estados Unidos atuando como professor universitário. Voltou ao Brasil em
1970 e passou a rever sua obra literária. O educador faleceu em 1971.
Anísio Teixeira defendia a implantação de instituições que tinham como meta a
Educação Integral e acreditava que para o bom desenvolvimento do educando era necessária à
proximidade entre a escola e a sociedade. As suas idéias eram fundamentadas nos
pensamentos de Dewey, que reinvidicavam a escola pública, gratuita, obrigatória e que
assegurasse o direito a educação integral. O educador percebia que a escola tinha o grande
desafio de educar, formar hábitos, desenvolver qualidades cívicas, morais e intelectuais,
preparando a criança para a vida em sociedade.
No ano 2000 completaram-se 100 anos do nascimento de Anísio Teixeira e a Bahia
comemorou com inúmeras atividades. O Governador César Borges autorizou a recuperação
da Escola Parque. O prédio de 12 mil m² funciona atualmente em tempo integral e oferece o
turno de ensino básico e um segundo turno, com os Centros de Aprendizagem. De acordo
com o Artigo 74º do regimento escolar do Centro, o Ensino Fundamental da Escola Parque
tem caráter de ensino integral e as seguintes finalidades:
a) aprimorar o educando como ser integral, incluindo a formação ética, política e
estética no sentido de desenvolver a autonomia intelectual e pensamento crítico;
b) estimular o desenvolvimento da inteligência emocional do educando com vistas a
sua formação ética;
17
18
c) compreender o ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das
artes e dos valores em que se fundamentam a sociedade;
d) desenvolver a capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de
conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
e) fortalecer os vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de
tolerância recíproca em que se assenta a vida social (1968).
As Escolas-classe são compostas por núcleos que possibilitam uma re-significação e a
complementação das disciplinas curriculares. Compõem-se dos seguintes núcleos:
•
Informação,
•
Comunicação e Conhecimento;
•
Pluralidade Artística;
•
Pluralidade Esportiva;
•
Artes Visuais;
•
Jardinagem;
•
Alimentação e;
•
Projetos Especiais.
Este último núcleo (Projetos Especiais) apresenta os seguintes temas: Projeto
Interdisciplinar: prazer e aprendizagem; Projeto de Acompanhamento do Processo EnsinoAprendizagem; Projeto de Apoio às Famílias; Projeto Abrindo Caminhos; Projeto de Altas
Habilidades; Projeto Aluno Guia; Projeto de Atuação Profissional e Projeto de Articulação de
Área.
Além dos núcleos e dos projetos são oferecidos aos alunos os seguintes programas:
aceleração da aprendizagem, desenvolvimento das inteligências múltiplas e habilidades
mentais, experimentação científica, integração da informática com as comunicações e todos
os suportes mais avançados necessários à construção da aprendizagem.
Anísio Teixeira foi um educador que deixou uma vasta literatura sobre a educação e as
suas marcas nos sistemas educacionais pelos quais passou.
18
19
3.2
CIEP’S - CENTROS INTEGRADOS DE EDUCAÇÃO PÚBLICA
Os Centros Integrados de Educação Pública (CIEP’s), idealizados pelo professor
Darcy Ribeiro, foram projetados por Oscar Neymeier e implantados no estado do Rio de
Janeiro durante o governo de Leonel Brizola, em 1982. Essas escolas eram conhecidas
popularmente por “Brizolões”. A implantação dos CIEP’s era uma das metas do Programa
Especial de Educação (PEE) que pretendia criar 500 unidades escolares e atender a um quinto
do alunado do estado.
O CIEP foi apresentado como a primeira experiência de escola brasileira em turno
integral e a sua concepção estava embasada no pensamento de Anísio Teixeira que
vislumbrava a ampliação da jornada escolar, priorizando a educação integral.
A ação educativa do CIEP pretendia:
assegurar a cada criança um bom domínio da escrita, da leitura e da aritmética, como
instrumentos fundamentais que são para atuar eficazmente dentro da civilização
letrada. Com base nesses elementos ela pode não só prosseguir estudando em regime
escolar como continuar aprendendo por si própria (RIBEIRO, 1995, p.21).
Além do aumento da carga horária escolar, a escola oferecia quatro refeições diárias,
assistência médico-dentária e fornecimento de material didático. Sendo assim, o CIEP se
propunha a respeitar os direitos das crianças, proporcionando programas de alimentação,
subsídios aos pais, atendimento médico-odontológico, conforme cita Ferretti (1988), dando
melhores condições para o aluno aprender sem ter o seu rendimento escolar prejudicado por
outros fatores, tais como: desnutrição, dificuldades de aquisição e problemas dentários,
visuais e auditivos.
Ainda conforme Ferretti (1988), as prioridades do programa eram a socialização e a
criação de bons hábitos. Portanto, a função considerada predominante da escola era mais
“formativa”, “educativa” do que na transmissão de informações. Fica evidente que a
dimensão social do CIEP era bem maior que a questão pedagógica.
Os CIEP’s eram construídos em três estruturas:
•
Edifício principal: salas de aula, centro médico, cozinha, refeitório, banheiros,
áreas de apoio e recreação;
•
Ginásio esportivo;
•
Biblioteca e dormitórios.
19
20
FIGURA 1:
FONTE:
abr. 2009
Foto do CIEP.
Disponível em: <http://www.pdt-rj.org.br/images/Cieps_104_105.jpg>. Acesso em: 15
As crianças chegavam à escola às 7 horas e 30 minutos da manhã e permaneciam até
às 16 horas e 30 minutos. Recebiam o café da manhã e às 8 horas iniciavam as aulas. Durante
as primeiras 4 horas e 30 minutos permaneciam nas salas de aula e recebiam os conteúdos do
currículo básico. Esse currículo era composto por quatro áreas: Letras e Artes, Ciências
Sociais e Filosóficas, Matemática e Ciências da Natureza. Em seguida, almoçavam e tinham
atividades de recreação (crianças livres no pátio ou assistindo TV), Educação Física, Música
ou Artes Cênicas. Antes de retornarem as suas casas, recebiam o jantar.
Além da preocupação com a garantia do domínio da leitura, da escrita e da aritmética,
o CIEP promovia interações com a cultura da comunidade através dos animadores culturais,
que tinham o intuito de relacionar a escola com a realidade da comunidade, transpondo assim,
os muros da escola. Através do teatro, da música, da dança, do cinema e outras manifestações
artísticas, acreditava-se que o aluno se tornava um sujeito construtor de sua aprendizagem. Os
animadores culturais eram pessoas que moravam na própria comunidade da escola e
passavam por constantes treinamentos.
Várias foram às críticas em relação à implantação dos CIEP’s, dentre elas, a
localização eleitoreira, a caracterização como rede paralela, o seu papel assistencialista, a
priorização do horário integral sem dar acesso universal à escola.
20
21
Com o passar do tempo, os CIEP’s não resistiram e passaram a sofrer dos mesmos
problemas que atingem o sistema educacional brasileiro, onde a falta de verbas e a
descontinuidade das ações governamentais advindas de diferentes concepções políticas
estancaram sua continuidade, transformando os CIEP’s em escolas comuns.
3.3
CIAC’S, CENTROS INTEGRADOS DE APOIO À CRIANÇA
O projeto dos Centros de Atenção Integral à Criança (CAIC’s) iniciou com o
presidente Fernando Collor de Mello em 1990. O primeiro Centro Integrado de Atenção à
Criança e ao Adolescente (CIAC) inaugurado foi na Vila Paranoá, em Brasília. Esse CIAC
recebeu o nome de Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus em homenagem à freira
italiana que viveu em Santa Catarina e foi beatificada pelo Papa João Paulo II.
O CIAC Madre Paulina possuía doze salas de aula, berçário, consultório médico,
creche e pré-escola, além de um núcleo de atendimento as famílias das crianças. O Centro
ainda contava com um ginásio, um refeitório, biblioteca e playground, totalizando quatro mil
m² de área construída.
O Centro Integrado de Atenção à Criança e ao Adolescente – CIAC previa o
atendimento em creches, pré-escola e ensino de 1º grau; saúde e cuidados básicos;
convivência comunitária e desportiva. A meta era a construção de cinco mil CIAC’s e atender
à cerca de seis milhões de crianças
Em 1993, o MEC assumiu o programa e passou a se chamar Programa Nacional de
Atenção Integral à Criança e ao Adolescente, PRONAICA. Sendo assim, os CIAC’s passaram
a se chamar CAIC’s – Centro de Atenção Integral à Criança.
Um dos objetivos do projeto era oferecer às famílias marginalizadas pela estrutura
econômica, condições mínimas para que seus filhos freqüentassem a escola, onde lhes era
oferecido o que a sua família não teria condições de proporcionar: comida, vestuário
(uniforme), assistência médico-odontológica, etc. Outro objetivo era evitar que essas crianças
se lançassem precocemente no mercado de trabalho (subempregos). Sendo assim, os CAIC’s
pretendiam diminuir os índices de evasão e repetência escolar, minimizando efeitos gerados
pelas diferenças entre as classes sociais.
21
22
A proposta do CIAC’s tinha como objetivo a universalização do ensino. Esse projeto
era bastante assistencialista, pois a sua clientela era de classes populares. Acreditava-se que a
criança pobre poderia ter as mesmas oportunidades que os alunos de classes mais elevadas.
Logo, o principal objetivo era a formação e não a instrução.
3.4
CEU’S - CENTROS EDUCACIONAIS UNIFICADOS
Outra experiência de escola em tempo integral foram os Centros Educacionais
Unificados (CEU’s). Foram planejados 21 CEU´s na gestão da prefeita Marta Suplicy em São
Paulo. Esses complexos educacionais foram projetados também nas comunidades carentes.
Os complexos educacionais incluíram creche, Escola de Educação Infantil, Escola de
Ensino Fundamental, playground, centro comunitário, teatro, cinema, biblioteca, quadras de
esportes, piscinas, vestiários, ateliês, estúdios para oficinas de vídeo, TV, rádio e fotografia,
telecentro, pista de skate e área verdes. Os CEU’s ofereciam educação, esporte, cultura, lazer
e aulas de informática em um mesmo local.
A escola tinha como proposta formar cidadãos multiplicadores dos conceitos
desenvolvidos nesse espaço, visando oferecer formação em recursos educativos e culturais
integrados com a realidade da comunidade e direcionada para toda a família. Os Centros
Educacionais Unificados possuíam três objetivos: o desenvolvimento integral das crianças e
dos jovens; ser um pólo de desenvolvimento da comunidade e de inovação de experiências
educacionais.
3.5
EDUCAÇÃO INTEGRAL: UMA PROPOSTA EM CONSTRUÇÃO
Atualmente estão sendo atribuídas novas funções à escola e isto é um grande desafio.
Pensando nesse contexto
emergem debates acerca da especificidade dessa escola na sociedade, como
instituição educadora, mas também “protetora”; acerca dos novos atores sociais que
buscam apoiar a escola no exercício dessas novas funções e, ainda, acerca dos
movimentos e organizações que igualmente buscam a companhia da instituição
escolar para constituí-la e, talvez, ressignificá-la (MEC, 2008, p. 10).
22
23
A partir dos questionamentos sobre o momento que a escola vive e pensando em uma
proposta de Educação, o MEC publicou em setembro de 2008 um texto referência sobre a
educação integral que faz uma retrospectiva das experiências realizadas ao longo da história
da Educação Brasileira e enfatiza algumas questões referentes à mudança de concepção que se
faz necessária quando se pensa em educação integral, tais como: saberes, currículo, relação
comunidade-escola, tempos e espaços da educação integral; além dos papéis dos educadores e
do poder público.
Foram, também, analisados indicadores e dados expressos pelo Censo Escolar, pelo
Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB, e pelo Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica – IDEB que mostraram, em 2006, uma grande variação entre os índices que
variam de 1,8 a 6,0 e outras de 0,7 a 8,5. A partir dos dados nota-se que existem grandes
desigualdades nas condições de acesso, na permanecia na escola e no trabalho pedagógico que
acabam afetando a educação brasileira. De acordo com o INEP, em 2003,
16% dos alunos abandonaram a escola antes de completar oito anos de estudo. Nas
regiões mais pobres, como Norte e Nordeste, somente 40% das crianças concluíram
o Ensino Fundamental. Segundo análise do IPEA no relatório “Brasil: O Estado de
Uma Nação” (2006), a quantidade de concluintes do Ensino Médio, em 2003, não
passou de 30,4% da que ingressou na 1ª série do fundamental no mesmo ano. A
simulação feita pelo IPEA com os números de 2003 indica que, do total de
ingressantes na 1ª série do Ensino Fundamental, 38% não concluem a 4ª série e 54%
não concluem a 8ª série. Por isso, ao instituir o Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica e fixar metas para o desempenho escolar, o Ministério da Educação
induziu ações sobre territórios considerados prioritários, com predominância nas
Regiões Norte e Nordeste. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica,
medido em 2007, nesses territórios, são encorajadores quanto ao alcance e mesmo à
superação da meta de seis pontos em uma escala de zero a dez, para todas as escolas
da Educação Pública Básica, em 2022 (MEC, 2008, p. 9).
Pensando nesses números e referindo-se ao contexto legal, o desafio da educação é
promover “articulações e convivências entre programas e serviços públicos, a fim de expandir
sua ação educativa, o que demanda um compromisso ético com a inclusão social, por meio da
gestão democrática e integrada” (MEC, 2008, p. 14). A proposta de educação integral seria a
concretização desse ideal de Educação Pública Nacional e Democrática.
O tema educação integral é vasto e traz consigo muitas dúvidas. Mesmo com a
existência de algumas experiências, ainda é uma proposta em construção, que precisa ser
pensada e estruturada. A educação integral deve ser percebida através de dois enfoques:
primeiro a ampliação do tempo de permanência das crianças na escola (com a jornada mínima
de oito horas), e segundo tendo a escola que educa de forma integral e holística. Ela deve
assegurar
23
24
às crianças, aos adolescentes e aos jovens,o acesso aos veículos de comunicação, o
domínio de diferentes linguagens, a prática da leitura, a crítica e, principalmente, a
produção de comunicação como instrumento de participação democrática. Trata-se
de instituir uma mobilização conseqüente para a formação que reconheça a
diversidade como patrimônio imaterial fundamental da sociedade, que incentive a
educação ambiental e o respeito aos direitos humanos. (MEC, 2008, p.22)
A escola deve desempenhar o papel fundamental de construção e difusão do
conhecimento, estabelecendo um diálogo entre os diversos saberes e experiências da
comunidade.
A escola tem o desafio de reconhecer a legitimidade das condições culturais da
comunidade em que está inserida. O desenvolvimento integral do aluno não pode ser apenas
de responsabilidade da escola, mas de toda a comunidade. Além disso, para trabalhar a
educação integral em tempo integral, é de suma importância uma mudança de postura do
profissional, que precisa ter um olhar sensível e realizar projetos diferentes que não fiquem
vinculados somente ao ensino formal. O educador precisa ultrapassar a atual fragmentação de
conteúdos e articular atividades e propostas pedagógicas diferenciadas.
Rafael Yus (2002) assevera que as escolas são muito fragmentadas, trabalhando
apenas com disciplinas e unidades. No entanto, a educação deve ser integral, auxiliando no
desenvolvimento do aluno como um todo. O autor entende que a educação deve nutrir
o desenvolvimento da pessoa no global; está interessada no intelectual, assim como
no emocional, no social, no físico, no critico intuitivo, no estético e nos potenciais
espiritual.
A educação integral gira em torno das relações entre os aprendizes, entre as pessoas
jovens e adultas. A relação professor-aluno tende a ser igualitária, aberta, dinâmica
em formação holística, e não-limitada por funções burocráticas ou regras
autoritárias. Um sentido de comunidade essencial (YUS, 2002, p. 18).
A escola necessita repensar as suas práticas, construir novas concepções de
aprendizagem, reorganizar o seu currículo e ressignificar a ação educativa tentando trazê-la o
mais próximo da realidade de mundo do aluno, bem como ampliar o desenvolvimento do
mesmo, estimulando a respeitar os direitos humanos e a exercer a cidadania.
24
25
4
UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL
Esse capítulo descreve a proposta pedagógica, a rotina e as oficinas oferecidas em uma
Escola Pública de Turno Integral localizada na Encosta da Serra Gaúcha. A escola foi
inaugurada em novembro do ano de 2003 e entrou em efetivo funcionamento no ano de 2004.
Como a demanda de alunos fora muito grande, surgiu à necessidade da construção de um
novo prédio com 2.720m². A inauguração desse novo prédio ocorreu no ano de 2008. O
prédio possui 11 salas de aula, auditório, biblioteca, laboratório de Ciências e Informática,
sala de multimeios, dormitório, refeitório, sala de direção, salas de apoio, salas de supervisão,
banheiros e secretaria.
A escola é a única do município com a proposta de atendimento aos alunos em turno
integral. Atualmente, atende alunos do 1º ano ao 6º ano do Ensino Fundamental dos nove
anos e 6 ª e 7ª série do Ensino Fundamental dos oito anos. Porém, somente os alunos do 1º ao
5º ano dois turnos (manhã e tarde), os demais têm aula durante o turno da manhã e uma tarde.
A escola atende 210 crianças, sendo que 130 permanecem em turno integral. Nem todos os
alunos dois turnos (manhã e tarde). Alguns almoçam em casa e retornam para as oficinas e
outros participam somente da aula regular e fazem o tema em casa. A permanência do aluno
na escola o dia inteiro depende da opção dos pais. Apenas dez por cento dos alunos não
permanecem na escola em turno integral.
FIGURA 2:
FONTE:
Escola que oferece o turno integral.
Foto tirada pela autora desse trabalho no dia 18 de junho de 2009.
25
26
4.1
O CURRÍCULO POR ATIVIDADE
No turno da manhã ocorrem as atividades referentes ao currículo por atividades. A
aula inicia às 7 horas 30 minutos, com 30 minutos de intervalo para lanche e recreio,
terminando a aula às 11 horas 30 minutos.
Durante a manhã são realizadas atividades do ensino regular e os professores utilizam
o maior número possível de recursos e estratégias, atendendo a todos os alunos com muita
dedicação e procuram dar uma atenção individualizada. Os professores acreditam que devem
disponibilizar de diferentes estratégias e propostas, pois cada aluno tem o seu tempo de
aprendizagem e como recebem uma gama de estímulos diários, precisam oportunizar
atividades atrativas e instigadoras, evitando assim a rotina.
A escola também oferece outras oportunidades de aprendizagem para os alunos que
não acompanham o ritmo da turma através do reforço escolar em pequenos grupos. A
professora que oportuniza o reforço busca diferentes estratégias juntamente com a professora
titular para auxiliar o educando superar a dificuldade.
Os alunos são avaliados através de pareceres descritivos nos quais são contempladas
as habilidades dos alunos a partir dos objetivos propostos.
4.2
ROTINA
As crianças chegam à escola às 7 horas 30 minutos e ficam até às 17 horas. No turno
da manhã, freqüentam a aula no currículo regular, com algumas oficinas: hora do conto, canto
e Educação Física. Os alunos que não permanecem no turno integral vão para casa às 11 horas
30 minutos.
Ao meio-dia os alunos almoçam no refeitório da escola, recebendo uma alimentação
saudável diversificada, sendo acompanhados por uma nutricionista. Os alunos são
acompanhados por monitores durante todo o momento do almoço.
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FIGURA 3:
FONTE:
Foto do refeitório.
Foto tirada pela autora desse trabalho no dia 18 de junho de 2009.
Após o almoço, as crianças fazem sua higiene bucal, em seguida elas são dirigidas ao
dormitório para o momento de descanso.
FIGURA 4:
FONTE:
Foto da hora do descanso.
Foto tirada pela autora desse trabalho no dia 18 de junho de 2009.
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Os alunos têm um acompanhamento na realização das tarefas escolares referentes às
atividades do currículo por atividades com profissionais que auxiliam na execução do tema.
Os alunos que não freqüentam a escola no turno da tarde realizam essa atividade em casa.
Em seguida, os alunos freqüentam oficinas variadas e momentos de recreação.
Diariamente são ministradas duas oficinas diferentes para cada turma. A escola oferece as
oficinas de Canto, Instrumental, Língua Alemã, Danças Folclóricas Alemãs, Hora do Conto,
Recreação, Arte, Artesanato, Ginástica Rítmica, Tae kwon do, Informática, Raciocínio
Lógico, Teatro, Meio Ambiente e Turismo.
4.3
AS OFICINAS
A escola oferece oficinas pautadas na prática pedagógica comprometida com os quatro
pilares da educação definidos pela Comissão Internacional de Educação e apoiados pela
UNESCO: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser. As
oficinas são pensadas numa filosofia de atividades coletivas, onde os projetos de trabalho são
planejados para despertar o interesse do aluno, em prol do crescimento e bem estar comum.
As propostas e os objetivos das oficinas são descritas na seqüência.
FIGURA 5:
FONTE:
Foto da entrada da escola apresentando as diversas oficinas.
Foto tirada pela autora desse trabalho no dia 18 de junho de 2009.
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A) Oficina de Danças Alemãs
A oficina de Danças Alemãs foi escolhida para fazer parte das atividades
diversificadas do turno integral, pois se acredita que a dança é arte, vida, cultura e educação.
Através da dança o aluno pode manifestar os sentimentos, evidenciando o espírito artístico ou
simplesmente como forma de lazer. No contexto educativo, a dança é pedagógica e ensina
tanto quanto os esportes, os jogos e as brincadeiras. Ela trabalha valências ecléticas e
fundamentais ao desenvolvimento humano, como: condicionamento físico geral, socialização,
equilíbrio, destreza e coordenação motora.
A oficina tem como objetivos: desenvolver o condicionamento físico geral, equilíbrio,
destreza e coordenação motora; estimular percepções sensoriais; fazer com que a criança
através da dança preserve os costumes que nossos antepassados nos deixaram e compartilhar
espaços e dividi-lo com o outro.
B) Oficina Língua Alemã
A oficina de Língua Alemã tem como objetivo maior sensibilizar os alunos para um
interesse pelo idioma trazido pelos imigrantes alemães que colonizaram a região da cidade. A
oficina parte do pressuposto de que manter viva essa língua é manter viva oportunidade de
acesso a valores, experiências e conhecimento deixado pelos antepassados. A oficina é
desenvolvida através de diversas brincadeiras, histórias cantadas, diálogos do cotidiano,
dependendo do nível de aprendizagem de cada turma.
O estudo da língua alemã é um enriquecimento cultural, que possibilita o aprendizado
de uma língua estrangeira, imprescindível quanto ao aspecto social e profissional do
município.
Os objetivos dessa oficina são: valorizar a língua alemã; identificar palavras
apresentadas nos exercícios práticos e escritos; comunicar-se com colegas, professores e
comunidade em geral; cantar músicas alemãs; dramatizar cantos, diálogos e histórias
desenvolvidas.
29
30
FIGURA 6:
FONTE:
Oficina de Língua Alemã. Teatrinho de Fantoches de Páscoa.
Foto tirada pela autora desse trabalho no dia 30 de março de 2009.
C) Oficina de Canto e Oficina de Música Instrumental
Essa oficina foi escolhida, pois o canto e a música instrumental, estão muito presente
na realidade e é de grande importância para o município. A música atrai e envolve os alunos,
eleva a auto-estima, a capacidade de concentração, o raciocínio-lógico, a socialização e a
expressão corporal.
As aulas de musicalização partem do pressuposto de que todas as crianças nascem
com diversas potencialidades que podem ser desenvolvidas através do meio. O método
utilizado pela professora denomina-se Método Suzuki. Esse método tem como princípio que se
a criança aprende qualquer língua por meio da exposição diária, ela também poderá aprender
música. As aulas são ministradas de forma lúdica e prazerosa.
O objetivo geral do canto e da música é fazer com que o aluno consiga se expressar
individualmente como também em seu grupo. Seus objetivos específicos são: tocar um
instrumento musical de seu interesse; ensaiar canções para as festividades da escola; aprender
técnicas e ritmos musicais; ensinar o aluno a ter técnica vocal para usar a voz adequadamente.
30
31
FIGURA 7:
FONTE:
Oficina de Musicalização.
Foto tirada pela autora desse trabalho no dia 18 de junho de 2009.
D) Oficina de Artes
A proposta da oficina parte do pressuposto de que na infância é fundamental explorar
o espaço, os materiais, os gestos, as sensações que vêm das cores, do tato, dos cheiros e,
sobretudo, exploram-se as possibilidades de criar e inventar.
Através da arte é possível observar, pensar, elaborar idéias e opiniões, cooperar,
interagir, levar à criação, ao imaginário, assim como expressar a realidade do mundo que nos
cerca. O fazer artístico envolve a criança contribuindo para que ela descubra novas formas de
“ver” o mundo e contribui decisivamente para a construção do conhecimento.
A professora procura trabalhar com materiais recicláveis em suas oficinas,
confeccionados fantoches, bijuterias, utilizando diversas técnicas com giz de cera, tinta,
modelagem, dobraduras.
Essa oficina tem como objetivos desenvolver na criança os aspectos físicos, motor,
emocional e perceptível, através dos processos criativos que a levarão a descobrir sua
capacidade inventiva; favorecer a ação espontânea, facilitar a livre expressão e permitir a
31
32
comunicação; confeccionar trabalhos manuais úteis e aproveitáveis; adquirir habilidades e
formas próprias, desenhando, construindo, pintando, dobrando e modelando; desenvolver o
gosto pelo trabalho, respeitando a própria produção e a produção do colega; formar conceitos
de equipe e coleguismo; desenvolver noções de direita e esquerda através de jogos; viver
situações de competição e colaboração.
E) Oficina de Artesanato
Essa oficina quer oportunizar para o educando um momento diferente de criação, no
qual transforma matéria prima em objetos úteis. Como os trabalhos manuais são de grande
valor para a criança na idade escolar, pois se acredita que o artesanato é um excelente meio de
desenvolver potencialidades. A oficina tem como objetivos: desenvolvimento motor, a
aquisição de habilidades manuais, a cooperação em grupo e instigar a criatividade do aluno.
FIGURA 8:
FONTE:
Oficina de Artesanato. Costurando o coelho da Páscoa.
Foto tirada pela autora desse trabalho no dia 30 de março de 2009.
F) Oficina de Meio Ambiente e Turismo
Acreditando que todos os elementos que existem no meio ambiente são fundamentais
para a existência e merecedores de respeito, a escola oferece a oficina de Meio Ambiente e
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33
Turismo, pois cada elemento possui a sua função e é importante para a manutenção do
equilíbrio.
Nos ecossistemas, os organismos e o ambiente interagem promovendo troca de
materiais e energias das cadeias alimentares. Qualquer interferência em qualquer um desses
elementos, positiva ou negativa, poderá ser sentida por todos os outros. Sendo assim, para
entender verdadeiramente a natureza e as suas inter-relações existentes entre seus diversos
elementos, se faz necessário desenvolver uma capacidade perceptiva, que permita enxergar
além do que os olhos vêem e para isso é preciso ser sensível e consciente da importância do
equilíbrio dos ecossistemas.
Além de trabalhar a educação ambiental, faz-se um trabalho direcionado a partir da
realidade local, de envolvimento com o turismo da cidade, justifica o estudo e acompanhando
o desenvolvimento desse fenômeno, para que o mesmo seja cada vez mais favorável à
comunidade.
O turismo se utiliza dos recursos naturais como produtos turísticos e pode assim ser
forte aliado na preservação dos mesmos. Deve-se sempre ter em mente a sustentabilidade
dessas ações, pois caso contrário esse será prejudicial ao meio ambiente.
A oficina tem os seguintes objetivos: aguçar os sentidos e a percepção através do
contato direto e exploração dos elementos da natureza; sensibilizar a respeito da importância
de todos os elementos e da interdependência existente em um ecossistema; identificar os
principais problemas ambientais da comunidade, suas causas e repercussões sobre a qualidade
de vida e a saúde da população; promover a conscientização sobre a necessidade de preservar
o meio ambiente; conscientizar que o ser humano é parte integrante do meio ambiente e que é
o maior responsável pelas transformações do mesmo; motivar para a coleta seletiva dos
resíduos; trabalhar o conceito turismo, identificando os principais elementos; identificar Nova
Petrópolis como cidade turística; reconhecer e valorizar elementos culturais.
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FIGURA 9:
FONTE:
Oficina de Meio Ambiente e Turismo.
Foto tirada pela autora desse trabalho no dia 18 de junho de 2009.
G) Oficina de Hora do Conto
A partir do momento em que a criança ouve está iniciando a sua caminhada para ser
um bom leitor. Através de histórias contadas na Hora do Conto podem-se encontrar outras
idéias para solucionar questões pessoais. O aluno pode se identificar com algum personagem
e esclarecer melhor a própria dificuldade ou encontrar um caminho para a resolução de seus
conflitos. O aluno vivencia emoções diferentes como a alegria, tristeza, medo, insegurança,
tranqüilidade.
As crianças podem descobrir outros lugares, outros tempos através das histórias, o que
é mais interessante, tudo isso é aprendido com prazer.
Seus objetivos específicos são: despertar no educando o interesse e o hábito da leitura;
manter o contato com a linguagem padrão escrita; ampliar o vocabulário; desenvolver a sua
criatividade e imaginação; vivenciar outros papéis que auxiliam na socialização (faz de
conta); aprender a lidar com seus medos e expectativas;
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35
H) Oficina de Teatro
O teatro estimula a imaginação e a criatividade, além de auxiliar no processo de
socialização e racionalização da realidade. Nesses momentos a criança incorpora personagens
e vivem situações presentes no seu cotidiano, aprendendo a vencer medos e estabelecer
relações entre o certo e o duvidoso. Incorporar um personagem é um momento mágico, no
qual a criança viaja por um mundo repleto de sensações e emoções que despertam a
imaginação.
Através da dramatização de histórias, poesias e canções o aluno exterioriza emoções e
vence a timidez. Além de melhorar a capacidade da criança se expressar, seja verbal ou
corporalmente. A criança entra no mundo do faz-de-conta e tem a oportunidade de conhecer
outros mundos e viver outras emoções. Além disso, as histórias são estímulos à prática da
leitura.
A oficina tem como objetivo: estimular a imaginação e a criatividade, melhorando a
expressão oral e corporal.
I) 0ficina de Informática Educativa
Atualmente a informática é uma peça fundamental no currículo. É justamente na
infância que se tem maior facilidade de aprender e gostar de desafios. Assim o educando
aprende e se diverte ao mesmo tempo com os jogos educativos no computador.
Seus objetivos são: fazer com que a criança se familiarize com a tecnologia, estando
dessa forma se preparando para os desafios da informática; desenvolver a capacidade de
digitação básica; proporcionar prazer ao realizar tarefas de diferentes disciplinas; desenvolver
as habilidades e competências nessa área de maneira criativa e educativa.
J) Momentos de Recreação e Integração
Os momentos de recreação e integração são proporcionados diariamente para os
educandos, pois melhoram a autonomia e o senso crítico, permitindo ao aluno expressar suas
emoções e sensações, aprendendo a respeitar as regras estabelecidas pelo grupo. A criança
aprenderá a aceitar a existência dos outros, estabelecendo as suas relações sociais.
35
36
A oficina tem como objetivos: desenvolver a responsabilidade, a autonomia e a
socialização; aprender através das atividades lúdicas, o conceito de equipe e coleguismo;
desenvolver a psicomotricidade (equilíbrio, salto, etc.); estimular a atenção, respeitar as regras
e interagir com os colegas, desenvolvendo raciocínio lógico; viver situações de competição e
colaboração; permitir a criança a ser menos egocêntricas.
Na escola em análise existe uma brinquedoteca, esse espaço foi criado para
proporcionar às crianças oportunidade de brincar de forma enriquecedora; nele tudo convida a
explorar, a sentir, a experimentar. Brincar é tão importante para a criança quanto trabalhar é
para o adulto! Brincar ajuda a desenvolver a criatividade, cria oportunidades de
relacionamento com outros seres humanos e, acima de tudo, promove a aprendizagem.
Brincando, a criança fortalece vínculos e torna-se solidária.
Através das brincadeiras os alunos desenvolvem as habilidades de comparar, analisar,
nomear, medir, associar, calcular, classificar, quantificar, compor, decompor, antecipar,
conceituar, criar, deduzir, somar, dividir, subtrair, multiplicar. Atividades lúdicas são
indispensáveis para a saúde física, emocional e intelectual das crianças.
Através das brincadeiras a criança faz amigos, aprende a compartilhar, a escolher,
assumir lideranças e riscos, a delegar, a cooperar, a respeitar o direito dos outros e as normas
estabelecidas pelo grupo, dando chances à criança de se engajar nas atividades pelo prazer de
participar, sem visar castigos ou recompensas.
A brinquedoteca tem como objetivos: estimular o desenvolvimento integral das
crianças; valorizar o brincar e as atividades lúdicas; possibilitar à criança o acesso a vários
tipos de brinquedos e de brincadeiras; desenvolver hábitos de responsabilidade e cooperação
entre as crianças; ensinar a utilização dos brinquedos e a socialização do seu uso; criar
oportunidades para que as crianças brinquem espontaneamente.
L) Educação Física
A Educação Física tem como fundamento as questões do corpo e do movimento, com
acesso aos conhecimentos práticos e conceituais. Embora numa aula de Educação Física os
aspectos corporais motores sejam mais visíveis, a aprendizagem não se restringe só a esse
aspecto, pois o aluno sendo considerado como um todo, onde os aspectos cognitivos, afetivos,
36
37
sociais e motores se inter-relacionam em todas as situações. Também favorecerá a autonomia
e a responsabilidade dos alunos para monitorar suas próprias atividades.
A esses desafios acrescenta-se também, principalmente nas habilidades motoras, a
vivência dos alunos aos movimentos em múltiplas situações, para construir um amplo
vocabulário motor, visto que a especialização de uma atividade através do treinamento não é
adequada à idade.
Nesse sentido a Educação Física busca, em especial nas séries iniciais, educar o corpo
na sua totalidade, respeitando a individualidade e a bagagem corporal, possibilitando a
promoção de mudanças e a incorporação de valores.
FIGURA 10:
FONTE:
Oficina de Educação Física.
Foto tirada pela autora desse trabalho no dia 30 de março de 2009.
N) Oficina de Tae kwon do
A arte marcial Tae kwon do tem por finalidade propiciar aos seus participantes o
conhecimento de diversas formas de defesa pessoal, proporcionando uma boa saúde e um
perfeito equilíbrio físico, mental e espiritual.
37
38
FIGURA 11:
FONTE:
4.4
Oficina de Tae kwon do.
Foto tirada pela autora desse trabalho no dia 18 de junho de 2009.
OS PROJETOS E A AVALIAÇÃO
A escola desenvolve vários projetos que tem como objetivo incentivar o espírito de
colaboração, cortesia, respeito, participação e cuidado um com o outro, com a escola, bem
como com o seu material, visto que as crianças permanecem dez horas na escola. Um deles é
o projeto Turma Sinal Verde. Esse projeto tem como objetivo observar as turmas em relação a
alguns quesitos: comportamento, o respeito com colegas e professores, a participação na
oficina e o tom de voz.
Os alunos são avaliados através das cores: VERDE: ótimo, AMARELO: pode
melhorar; VERMELHO: insatisfatório. A cor predominante no dia será o parecer da turma.
Os alunos são avaliados durante duas semanas. Ao final do período avaliativo serão
contabilizados os conceitos e a turma que tiver obtido maior número de “ótimos” será a
TURMA SINAL VERDE. Os alunos receberão um marcador de páginas e um rostinho verde
será colado na porta identificando a turma sinal verde.
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39
FIGURA 12:
FONTE:
Ficha de avaliação
Projeto Turma sinal verde
Beleza de Limpeza é outro projeto desenvolvido na escola. Esse projeto tem como
objetivo incentivar a responsabilidade nos alunos em relação à limpeza e organização das
salas de aula e dos demais ambientes da escola. A turma que se destacar em relação a esses
quesitos, recebe troféu Beleza de Limpeza, feito de sucata que fica na sala de aula durante três
semanas.
Os alunos que permanecem nas oficinas são avaliados também através de pareceres
descritivos que contemplam as habilidades dos alunos em cada oficina. Também é realizado
um parecer descritivo geral que apresenta os aspectos atitudinais. Os professores “oficineiros”
procuram se reunir semanalmente para conversar sobre o andamento das oficinas e as
próximas propostas de trabalho.
39
40
5
DIVERSOS OLHARES SOBRE O TURNO INTEGRAL
Inicialmente foi formalizada a adesão da escola que oferece o turno integral como
participante da pesquisa e a escolha pela direção da escola dos pais, dos alunos e dos
professores da instituição que foram entrevistados.
A pesquisa buscou analisar os diferentes pontos de vista dos entrevistados sobre o
turno integral, bem como refletir sobre a questão: a escola de turno integral oferece o
desenvolvimento pleno do educando? O confronto entre teoria e reflexão sobre os dados
coletados permitiu a elaboração de quatro categorias que serão apresentadas a seguir.
Os participantes da pesquisa foram identificados, ao longo da análise, através da
seguinte nomenclatura: docentes serão designados pela letra D maiúscula e numerados de 1 a
6, respectivamente, os pais pela letra P maiúscula e numerados de 1 a 3 e os alunos pela letra
A maiúscula e numerados de 1 a 3, para manter-se a identidade preservada.
5.1
ESCOLA DE TURNO INTEGRAL: PAPEL DA ESCOLA
A escola atual está repleta de situações novas, desafios e inquietações, portanto está
buscando a sua nova identidade. Outrora a função primordial da escola era transmitir
conhecimentos, hoje se percebe uma grande mudança em toda a sociedade e junto com essa
avalanche de acontecimentos vem à pergunta: qual é a função da escola?
Vasconcellos (1998) menciona que uma grande transformação ocorreu na sociedade,
na vida e na estrutura familiar. Os pais precisam trabalhar mais e as mães necessitam auxiliar
nas despesas da casa buscando um emprego. Nesse cenário são delegadas responsabilidades
ainda maiores para a escola e a partir do momento em que as crianças permanecem na
instituição escolar o dia inteiro, as obrigações se tornam maiores ainda.
Os pais entrevistados apontam que o principal fator que os levou a optar pela escola de
turno integral é a tranqüilidade, pois na escola as crianças estão seguras, além de terem todo
um acompanhamento que se difere do ensino normal. A mãe P2 diz que:

“A escola é a segunda casa. Eles passam muito mais tempo aqui na escola.”
40
41
Com essa fala, percebe-se que os pais atribuem muitas funções a escola, todavia
jamais ela deve exercer a função materna ou paterna.
Yus afirma que “a escola precisa sair do paradigma isolacionista para configurar em
seu território uma comunidade educadora” (1999. p 20). Por isso, uma das funções da escola é
justamente trazer a família para o contexto escolar para que juntas consigam auxiliar o
educando no processo ensino-aprendizagem.
A educadora D4 diz que acredita que a tarefa da escola primeiramente é fazer com:

“Que as crianças aprendam e sejam felizes no ambiente escolar o dia todo.
Saibam conviver em grupo, porque precisam lidar com o outro. Estudem com
vontade. Que a escola ofereça, em suas oficinas atividades práticas para que
desenvolva o cognitivo, o lúdico, o psicológico e o social e que elas se sintam
felizes nesse meio porque a maior parte do tempo ela passa na escola”.
A partir dessa fala, observa-se que a professora não está apenas preocupada em ensinar
os seus a alunos a ler, escrever e resolver cálculos matemáticos, mas que é necessário auxiliar
na formação do aluno como um todo.
Portanto, é fundamental o “movimento de integração curricular que ressalta a
necessidade de um currículo integrado e exige uma “dissolução de fronteiras” entre as áreas
disciplinares” (YUS, 2002, p. 35). As atividades propostas ao longo do ano devem estar
integradas, para que tenham sentido para o educando, incentivando assim, uma aprendizagem
colaborativa.
A professora D1 ressalta que a escola deve dar conta do papel que lhe cabe. Segundo a
docente a escola deve:
 “Formar crianças felizes, bem resolvidas, críticas, crianças que reconhecem o
que é certo e errado [...]. Formar um ser humano integral”.
E a educadora D2 afirma:
 “Espero que a escola possa atender as necessidades dos alunos, bem como da
sociedade”.
Nesses dois apontamentos percebe-se a seriedade da função da escola. Na mesma
direção, Vasconcellos destaca que:
41
42
O trabalho da escola tem uma repercussão muito maior também: não se trata
simplesmente de transmitir conteúdos acumulados pela comunidade: trata-se de
inserir o sujeito no processo civilizatório, bem como na sua necessária
transformação, tendo em vista o bem comum (1998, p.33).
Alarcão enfatiza que “a escola tem a função de preparar cidadãos, mas não pode ser
pensada apenas como tempo de preparação para a vida. Ela é a própria vida, um local de
vivência de cidadania” (2001, p.18). Os pais também acreditam que a partir do momento em
que são oferecidas mais oportunidades para os alunos desenvolverem as suas habilidades,
terão melhores condições de vida, tendo um futuro melhor.
Nessa perspectiva, o currículo deve buscar:
um equilíbrio entre os dois elementos, reduzindo a quantidade de conteúdos para
melhorar a quantidade de aprendizagens, assim como para processar a informação
(aprender a aprender), sem renunciar a um esquema lógico de conteúdos (YUS,
2002, p.30).
Logo, os alunos devem ser agentes ativos da construção do saber e o professor um
mediador e facilitador que auxilie na interação do aluno com o meio em que vive,
aproveitando as experiências.
Pereira assevera que a escola não deve ser vista:
como instituição de repasse de conteúdos acumulados pela humanidade, mas sim
como um ambiente da prática social, capaz de favorecer a construção de relações,
em que o aluno, dependendo da escola, pode ser considerado como um número de
listagem, mais uma cabeça a obedecer a ordens, ou a vivência a pratica cidadã
democrática participativa, propondo idéias, criticando, sendo criticado e valorizando
os outros membros desta instituição que não separada do tecido social (2004, p. 89).
Os professores devem estar muito atentos às oportunidades que encontram para poder
auxiliar no desenvolvimento das aptidões, pois se percebe que muitas vezes a escola sufoca o
potencial do aluno no momento em que faz um nivelamento do conhecimento deles. A escola
tem como tarefa perceber o aluno na sua individualidade e com um ser pleno, que possui a sua
cultura e suas crenças. A instituição escolar deve primar pelo trabalho educativo que “deve
estar centrado na criança: são suas capacidades e atitudes atuais as que deverão ser
exercitadas e intensificadas [...] é preciso proporcionar meios para que o estudante libere seu
potencial” (YUS, 2002, p.35).
Sendo assim, para que o educando obtenha sucesso na sua vida escolar, necessita-se de
profissionais competentes e envolvidos com a sua profissão e a participação efetiva dos pais.
O profissional que trabalha no ambiente escolar deve ter um olhar sensível para poder suprir
42
43
as necessidades do aluno, pois permanece na escola dez horas diárias e é diferente do aluno
que está somente quatro horas.
5.2
ESCOLA DE TURNO INTEGRAL: PAPEL DA FAMÍLIA
A escola exerce, atualmente, muitos papéis que não cabem a ela, e sim a família como
foi abordado no capítulo anterior. Ela vem sendo responsabilizada pelas funções de ensinar,
educar, cuidar, alimentar e proteger. Nesse sentido, a sociedade está colocando a cargo da
escola um papel muito importante: o de educadora em todos os sentidos. Além de auxiliar na
construção do conhecimento, a escola procura resgatar valores perdidos ao longo dos anos,
pois acredita que para o desenvolvimento pleno do educando, não deve ser apenas estimulado
em relação à aprendizagem de conteúdo, mas vivências e valores. Pereira assevera que a
escola não está sozinha na tarefa de educar, contudo [... ] os limites estão alicerçados
por regra de convivência, por valores sociais, direitos e deveres, levando o educando
a uma prática cidadã (2004, p.90).
Na mesma direção, o artigo 27 da LDB garante ao aluno o direito de que
os conteúdos curriculares da educação básica observarão ainda as seguintes
diretrizes: a difusão dos valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e
deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e a ordem democrática (MEC,
1996, p. 9).
Desse modo, a família necessita cultivar os valores essenciais como o afeto, o respeito,
a auto-estima e a responsabilidade; e a escola deve se tornar co-autora nesse processo. É
importante salientar que a responsabilidade institucional de ensinar compete à escola e a
responsabilidade de educar é da família, mas essas devem ser parceiras para contribuindo para
o desenvolvimento da criança.
Pereira menciona que ao
ingressar na instituição educativa, a criança traz consigo um conhecimento prévio,
adquirido em história de vida, carregado de valores que serão compartilhados na
escola e pela escola, bem como receberão influência do meio e junto a eles serão
assimilados novos valores (2004, p.100).
A instituição escolar precisa se reorganizar e redimensionar a sua proposta, a fim de
oportunizar a criança situações que busquem “preparar cidadãos, mas não pode ser apenas
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44
pensada como tempo de preparação para a vida. Ela é a própria vida, um local de vivência de
cidadania.” (ALARCÃO, 2001, p.18).
Da mesma forma que a escola está passando por um período de reorganização e
necessita redimensionar os seus espaços e ressignificar os seus objetivos, a família e sua
estrutura também passaram por muitas transformações.
Essas inúmeras mudanças estão deixando os pais muito atarefados e não eles estão
sabendo exatamente quais são as suas reais funções, muitas vezes delegado para outros.
Conforme Pereira, a família:
como pequeno núcleo social, é a primeira e importantíssima escola parta o sujeito
que, através dela, recebe uma base de compreensão do agir social, diferenciado para
cada grupo, mas que influencia decisivamente em suas futuras relações (2004, p.
100).
É a família a base que transmitirá bons exemplos, atitudes e valores, indo muito além
do desenvolvimento físico.
Os profissionais que trabalham na escola percebem que muitos pais acreditam que a
tarefa de educar é da escola. Segundo a educadora D1,
 “A dificuldade que a gente encontra é que a escola assume muitas vezes o papel
da família. Tem que prestar um atendimento que quase chega a ser uma
obrigação da família e a família não está presente. A criança afinal, fica aqui de
manhã até de tarde. Então, atendimentos, às vezes, de saúde... e aí agente
percebe que a família se exime um pouco da sua responsabilidade. Outra
dificuldade que a gente tem é que uma vez que as crianças estão em turno
integral, é que as mães e os pais trabalham fora, então, até que esses pais
chegam à escola, às vezes, é complicado. A gente tem que aguardar e esperar. O
fato de achar que a escola tem que cumprir um papel social que não lhe compete
e sim a família”.
Nesse depoimento percebe-se que, a partir do momento em que as crianças
permanecem em turno integral, os pais acabam delegando mais tarefas a escola e na verdade
isso não pode acontecer.
A docente D2 acredita que:
 “Acontece um certo descaso por parte da família. Esta tem a certeza de que a
criança está segura e muitas vezes, abre mão de seus deveres”.
44
45
Completando a fala da primeira profissional, a educadora D3 afirma que:
 “Algumas atribuições, até porque eles fazem o tema na escola, algumas coisas eu
acho que os pais ficam distantes, acompanham menos. Não todos. Agente
percebe que quando eles vão para outras turmas que não tem o turno integral.
Agente sente esta diferença”.
Nesses três fragmentos das entrevistas entende-se que nem todos os pais são muito
presentes e isso preocupa o grupo de profissionais, pois os profissionais acreditam que a
família e a escola devem trabalhar juntas, a escola sendo uma complementação da educação
proporcionada pela família e jamais substituí-la.
Os pais mencionaram que participam da vida escolar de seus filhos olhando os
cadernos e pedindo o que fez durante o dia. Como o tema durante a semana é realizado na
escola, alguns pais não participam efetivamente do que acontece com os seus filhos. Outros
pais são muito presentes, acompanham o momento de entrada de seus filhos à escola, vem
buscar diariamente e, conversando com eles, percebe-se que sabem o que está acontecendo.
Segundo o pai P1,
 “Sempre que retorna a casa, à noite, a primeira coisa que faço é retirar o
caderno da mochila, olho a atividade que ele fez durante o dia, vejo se tem tema
e ele nunca tem, pois faz na escola. Isso é bom. A gente repassa. Inclusive ele
teve prova esses dias, e eu pedi: Você quer estudar? E ele disse: “Não”. Eu
entendi na primeira vez que a professora explicou. Normalmente, de noite, dou
uma olhada. Ele não tem problema. Ele está captando bem. Se tivesse problema,
teria que dar uma reforçada”.
Através dessa fala, nota-se que a família procura saber o que se passou durante o dia
da criança e que isto é fundamental no desenvolvimento do educando.
A fala do pai P2 complementa esse depoimento dizendo:
 “A gente costuma sentar de noite. Eu olho o caderno dele e ele conta o que ele
fez. A gente conversa sobre tudo. Eles têm as mesmas oficinas, então eles trocam
idéias entre si. E perguntam o que eu acho e o que o pai acha”.
Os alunos dizem que falam para os seus pais o que acontece na escola, porém uma das
respostas espelha bem as prioridades que a família dá sobre o dia-a-dia da escola. A aluna A2
comenta que fala com a sua mãe sobre a escola e diz:
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 “Tipo a professora deu um bilhete daí a gente começa a conversar. Tipo um
bilhete que eu esqueci de entregar o trabalho, daí a mãe começa a me falar.
Conto as coisas que acontecem na escola, quando um colega meu, bateu nos
outros ou se chamaram de palavrão conto para o meu pai”.
Através desse depoimento, percebemos que a prioridade é saber ou falar sobre as
coisas que não foram positivas na escola. Em nenhum momento, a aluna mencionou que
conversam sobre as oficinas, o que aprendeu ou que fez durante o dia.
A escola, ao longo de seus cinco anos de funcionamento com o turno integral, acredita
que precisa resgatar a parceria entre a escola e a família. Nessa perspectiva, a escola deve
solicitar a presença ativa dos pais, pois é fundamental a participação para que os alunos
percebam que a escola e a família estão juntas para oferecer melhores condições para o
desenvolvimento dos alunos. Buscando essa parceria, a instituição escolar está oportunizando
aos pais e aos professores um encontro mensal com psicólogas que tratam de várias questões
pertinentes a limites, educação, função da escola e da família e, principalmente, orientação
para os pais sobre a mudança que ocorrem com os alunos do 6º ano, pois, a partir do 6º ano,
os alunos não permanecem mais na escola em turno integral e, tanto os alunos como os pais,
estão muito habituados com a escola de turno integral e acabam acontecendo alguns conflitos.
Os alunos e os pais precisam se reorganizar, pois alguns alunos acabam se tornando muito
dependentes, necessitando resgatar a autonomia do aluno.
Segundo Dom Hélder Câmara, “Sonho que se sonha só, é só um sonho, que se sonha
só. Mas um sonho que se sonha junto é realidade”. Esse pensamento reflete a importância da
união entre a família e a escola, pois elas são consideradas dois pilares na vida da criança e é
imprescindível que cada uma desempenhe o seu papel da melhor forma possível, objetivando
o sucesso do aluno.
5.3
ESCOLA DE TURNO INTEGRAL: VANTAGENS E DESVANTAGENS
As mudanças na sociedade estão ocorrendo de forma acelerada e a globalização exige
hoje uma socialização cada vez mais intensa do ser humano e um indivíduo competente que
consiga acompanhar esse ritmo. A partir das mudanças sócio-econômicas, a escola passou a
ser o primeiro ambiente social depois da família, tornando a responsabilidade da instituição
escolar ainda maior. Uma das metas primordiais, nos dias atuais, é o desenvolvimento pleno
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do educando. Sendo assim, a escola em tempo integral deve ser percebida como um local em
que o aluno possa encontrar diversas oportunidades para desenvolver as suas habilidades e as
suas competências. Além de ser um ambiente socializador, no qual ocorre a interação mais
intensa dos personagens desse contexto.
Vygostky (1991), em sua teoria, considera o desenvolvimento do indivíduo como
resultado de um processo sócio-histórico em que a aquisição do conhecimento ocorre pela
interação do sujeito com o meio. A partir do momento em que a criança, sendo considerada
um indivíduo social, está inserida em um ambiente estimulador forma ações mentais que
proporcionam trocas com o mundo exterior. Portanto a aprendizagem se dá entre a interação
do aluno, do professor e do meio em que está inserido.
A escola, segundo os profissionais entrevistados, é percebida como um ambiente de
interação que proporciona aos alunos vínculos emocionais, inter-sociais e inter-relacionais
muito maiores. Nela os alunos precisam aprender a dividir os espaços em sala de aula e nos
demais ambientes escolares, aprendendo a conviver uns com os outros.
O MEC destaca que a escola de turno integral deve mesclar:
atividades diferenciadas, para a superação da fragmentação e do estreitamento
curricular e da lógica educativa demarcando espaços físicos e tempos delimitados.
Nesse sentido, entende-se que a extensão do tempo - quantidade e - deve ser
acompanhada por uma intensidade de tempo- qualidade - nas atividades que
constituem a jornada ampliada na instituição escolar (2008, p. 22).
Todos os entrevistados concordam que os alunos que permanecem o dia inteiro na
escola recebem essas atividades com qualidade sugeridas pelo MEC. Eles são estimulados em
todos os momentos e recebem atividades diversificadas. Tanto pais como professores
acreditam que a escola de turno integral favorece o desenvolvimento maior do educando, com
atividades que complementam o ensino normal e, segundo a mãe P1, isso
 “Diferencia de outras crianças e nota-se a diferença.”.
A educação, segundo Gardner (1995), deve ser centrada no indivíduo e a escola
precisa auxiliar o educando no desenvolvimento de suas capacidades oportunizando
momentos diferentes e que explorem a sua inteligência. Portanto, a escola deve:
estimular o entendimento dos alunos em várias disciplinas básicas. Ela encoraja os
alunos a utilizarem este conhecimento para resolverem problemas e completarem
tarefas com as quais se deparam na comunidade mais ampla. Ao mesmo tempo, a
escola busca encorajar a mistura singular das inteligências de cada um de seus
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48
alunos, avaliando regularmente seu desenvolvimento de uma maneira justa para a
inteligência (GADNER, 1995, p. 68).
Pensando dessa forma, não existe apenas um padrão de competência, mas várias
inteligências. Sendo assim, aumenta a probabilidade do estudante demonstrar as suas
habilidades, tornando-os mais felizes e apresentando uma postura positiva no processo
ensino-aprendizagem.
Gardner (1995), em sua teoria, apresenta as Múltiplas Inteligências. Esse psicólogo
americano definiu que o ser humano possui um conjunto de sete diferentes capacidades
(inteligências). São elas:
•
Lógico-matemática - está associada diretamente ao pensamento científico ao
raciocínio lógico e dedutivo. Matemáticos e cientistas têm essa capacidade
privilegiada.
•
Lingüística - está associada à habilidade de se expressar por meio da linguagem
verbal, escrita e oral. Advogados, escritores e locutores a exploram bem.
•
Espacial - está associada ao sentimento de direção, à capacidade de formar um
modelo mental e utilizá-lo para se orientar. É importante tanto para navegadores
como para cirurgiões ou escultores.
•
Corporal-cinestésica - está associada aos movimentos do corpo que pode ser um
instrumento de expressão. Dançarinos, atletas, cirurgiões e mecânicos se valem
dela.
•
Inter-pessoal - está associada à capacidade de se relacionar com as pessoas. De
entender as intenções e os desejos dos outros e, conseqüentemente, de se
relacionar bem com eles. É necessária para vendedores, líderes religiosos, políticos
e tão importante para professores.
•
Intrapessoal - está associada à capacidade de se estar bem consigo mesmo, de
conseguir administrar os próprios sentimentos, de se conhecer e de usar essas
informações para alcançar objetivos pessoais.
•
Musical - está associada à capacidade de se expressar por meio da música, ou seja,
dos sons organizando-os de forma criativa a partir dos tons e timbres.
O estudioso, atualmente estuda uma oitava inteligência, chamada naturalista, que está
associada à capacidade humana de reconhecer objetos na natureza.
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Os profissionais e pais percebem que a variedade de oficinas pedagógicas estimulam
os alunos a descobrirem seus talentos e suas aptidões. Elas procuram instigar as inteligências,
descritas por Gardner, ora na Inteligência Lógico-matemática com a Oficina de Raciocíniológico, ora Inteligência Musical com a Oficina de Canto e Musicalização.
Então, é fundamental que as “intervenções devem ser oportunas, pois é durante esses
anos que as crianças podem descobrir algo sobre seus próprios interesses e habilidades
peculiares” (YUS, 2002, p. 65).
Além da oportunidade de estarem inseridas em um ambiente muito estimulador para
desenvolver as suas habilidades, os alunos precisam conviver em harmonia, conseguindo
resolver as situações que ocorrem no dia-a-dia. As professoras notam que os alunos são muito
unidos e que cuidam muito uns dos outros como se fosse uma grande família. A professora
D6 aponta que constantemente os alunos dizem que a escola:
 “É a nossa casa, é a casa da gente”.
Porém, alguns professores percebem que os alunos, por passarem o dia inteiro na
escola, confundem os dois ambientes: casa e escola. A professora D3 salienta que por estarem
muito tempo:
 “Enxergam a escola quase como a sua casa. Algumas atitudes, alguns
acontecimentos não aconteceriam se ficassem no turno regular”.
Os pais apontam que optaram pela escola de turno integral devido à segurança e
tranqüilidade que sentem em deixar os seus filhos o dia inteiro na escola enquanto podem
trabalhar. Durante as entrevistas, percebi que essa é a primeira idéia que surge quando se fala
em turno integral. Eles percebem a escola como um lugar que protege e cuida.
Uma das preocupações dos educadores da escola é que entendem que alguns pais não
acompanham o dia-a-dia da escola. Conforme a educadora D5,
 “Temos aqueles pais que acompanham que querem que mesmo que o aluno tenha
feito o tema em casa, levem pra casa, mostram o que foi feito e tem aqueles pais
que nem tiram um a camiseta molhada”.
É sobre essa perspectiva que a escola pode perder a sua real função. Sendo assim, ela
deve resgatar o seu papel na sociedade, buscando uma parceria com as famílias, não deixando
que as mesmas se eximam de suas responsabilidades, pois os alunos não estão freqüentando
uma “creche de alunos grandes”.
49
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Outro aspecto importante é que tanto pais como professores ressaltaram que ficando
na escola os alunos terão mais oportunidades de aproveitar o seu tempo com qualidade, não
ficando a tarde inteira na frente da televisão ou do vídeo game, ou ainda “correndo rua” como
dizem.
O compromisso da escola de turno integral é muito grande uma vez que as crianças
permanecem nela o dia inteiro. Duas professoras entrevistadas demonstram uma inquietação
em relação permanência dos alunos no sentido de serem exigidas demais e que isso possa
“sobrecarregar” os alunos. Percebe-se que os alunos não têm nenhum momento em que
podem fazer o que querem. Para amenizar essa situação, a escola procura oferecer em seu
horário uma oficina mais dirigida e outra de recreação, integração e momentos de leitura. A
professora D6 declara que acredita
 “Que são alunos muito atarefados pela idade que eles têm. De repente vão se
tornar adultos estressados”.
Segundo a autora Valquiria Aparecida Cintra Tricoli (2002), o acúmulo de exigências,
assim como a maturidade e a independência precoce, são fatores que poderão desencadear o
estresse infantil.
A autora ainda ressalta que
as atividades complementares são importantes e auxiliam no desenvolvimento
infantil. No entanto, a sobrecarga de atividades poderá estressar a criança,
provocando comportamentos agressivos e rebeldia, promovendo o desrespeito a pais
e professores, por outro lado, pode deixá-la apática e desmotivada (2002, p, 124).
Por isso, nem todos os alunos freqüentam a escola em tempo integral. Dez por cento
dos educandos participam das atividades do turno regular e vão para casa no turno da tarde.
Alguns alunos não conseguem permanecer na escola o dia inteiro e isso é percebido no ensino
regular, pois acaba prejudicando o rendimento do aluno. A partir do momento em que se
percebe que não está favorecendo o aluno, a escola conversa com os familiares para juntos
decidirem o que é melhor para o aluno.
Os pais acreditam que a escola somente apresenta vantagens. O P2 afirma que
 “Até hoje não passei por dificuldade nenhuma. Estou consciente que eles ficam o
dia inteiro na escola e que quando preciso buscá-lo para ir ao médico, posso
trazer ele de volta.” [...] “acho que só tem a ganhar ficando aqui o dia inteiro.
Eu nunca poderia pagar o que ele tem aqui, cada oficina que ele tem. Eu nunca
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51
teria como pagar e a escola proporciona isso. Além das refeições, eu não preciso
me preocupar com nada, além de saber que ele está seguro”.
Cabe ressaltar que realmente a escola em turno integral pode oferecer muitas
vantagens, desde a oferta de diferentes atividades que estimulam as habilidades dos alunos, o
acompanhamento de profissionais em todos os momentos em que estão na escola, a segurança
de estarem em um local sendo assistidos. Porém, tudo isso deve estar ligado a desenvolver o
aluno como um todo, envolvendo a família nesse processo.
5.4
ESCOLA DE TURNO INTEGRAL: EXPECTATIVAS E HABILIDADES
A proposta de turno integral nas escolas está se tornando um tema cada vez mais
discutido e lembrado, mas o que realmente se espera dessa escola que oferece um tempo de
permanecia maior dos alunos na escola?
Diante das entrevistas, percebe-se que todos possuem muitas expectativas e acreditam
que o aluno, ficando em tempo integral na escola, desenvolve diversas habilidades. Yus
ressalta que
ensinar deve ser considerado como compartilhar com os demais em diferentes
situações [...] e circunstâncias [...], de modo que a interação (a experiência) fortaleça
aquelas pessoas com as quais interagimos para que conheçam mais sobre elas (2002,
p. 47).
Nota-se que a escola de turno integral se enquadra nesse conceito, pois ela oferece
uma gama de atividades diferenciadas que são experimentadas através de situações
diariamente. Tanto pais, professores e alunos percebem que a escola é distinta das outras,
justamente pela sua proposta que é diferente das outras escolas.
Os alunos mencionaram, durante as entrevistas, algumas de suas expectativas e o que
acreditam que ainda deve ser melhorado no ambiente escolar. Eles sentem muita falta de
espaços para brincar. Observando a escola, nota-se realmente que ainda faltam locais para
oportunizar mais atividades físicas e recreativas. Os alunos gostariam muito de ter uma
quadra de esportes ou um ginásio. Até o momento, os educandos brincam no pátio
improvisando com um campo de futebol e uma quadra de vôlei. Uma das meninas também
falou sobre a brinquedoteca e que essa precisava de mais brinquedos. Hoje, as expectativas
dos alunos se resumem ao brincar, afinal, brincar é coisa séria. Neste aspecto, nota-se que eles
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sentem necessidade de se movimentar e estarem em ambientes ao ar livre, saindo das quatro
paredes da sala de aula e de dentro da escola. Eles também salientaram que gostam muito da
escola, pois percebem que aprendem muitas coisas diferentes.
Os pais demonstraram acreditar muito na proposta da escola e esperam que ela,
conforme pai P3,
 “Consiga formar crianças educadas, junto com os pais é claro. E um futuro
melhor, que possa ter o melhor para o futuro deles”.
Da mesma forma, a mãe P1 diz que está muito satisfeita com o que está sendo
desenvolvido na escola:
 “Está tendo bastante resultado. Eu acho bom. Colhendo bastantes frutos bons
dele. Como ele fica o dia todo aqui, eu também acho que ele não poderia dormir
logo. Ele quer brincar, brincar com as coisas dele. Eles brincam aqui, mas quer
brincar em casa. Quer assistir TV, ir no computador, ele tem muita coisa para
fazer em casa” .
Os pais percebem a escola como um local que, através da sua proposta, pode
oportunizar melhores condições de futuro para os seus filhos. Na mesma direção, Yus aponta
que é fundamental dar importância para
a experiência, entendendo-se por experiência aquilo que é vivenciado dentro do que
se ensina. Isso supõe prestar atenção no presente e reviver ou usar esse saber do
passado para solucionar problemas do presente. No entanto, também supõe ensinar o
futuro (2002, p. 91).
Tanto pais como professores citaram que essa proposta de oferecer outras atividades,
através do turno integral, além do ensino regular é ideal para o nosso país e para a educação
brasileira. A educadora D3 afirma acreditar que
 “Daqui a alguns anos isso vai se tornar fundamental em todas as escolas e penso
também que todos os nossos alunos do município deveriam de ter esta
oportunidade que na verdade poucos têm. Eu acho que ainda vai abranger a
todos os municípios”.
Os professores têm várias expectativas sobre a escola e sua importância para a
educação. Vários são os depoimentos. A professora D2 destaca:
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 “Espero que a escola possa atender as necessidades dos alunos, bem como da
sociedade, permitindo que todos cumpram bem seus papéis”.
Já a educadora D3:
 “Que ela possa contribuir nessa formação deles como aluno de uma forma mais
ampla do que uma escola regular. Tendo outros caminhos, priorizando a questão
dos valores que ficam atribuídos a escola”.
Uma das docentes, D5, afirma:
 “Eu acho que o que estamos conseguindo fazer. Estamos fazendo milagres. [...].
Eu acho que nós, como escola de turno integral, estamos fazendo muito. A
diversidade de atividades que tem, as oportunidades que eles têm. A gente está
atingindo diversas habilidades das crianças”.
Através dos depoimentos acima, identifica-se o comprometimento e a seriedade dos
profissionais que querem auxiliar no desenvolvimento de diversas habilidades e competências
dos alunos. Portanto, é necessário pensar e repensar as propostas das oficinas para que elas
não se tornem meramente uma ocupação, mas que a
ampliação da jornada, na perspectiva da Educação Integral, auxilia as instituições
educacionais a repensar suas práticas e procedimentos, a construir novas
organizações curriculares voltadas para concepções de aprendizagens como um
conjunto de práticas e significados multirreferenciados, inter-relacionais e
contextualizados, nos quais a ação educativa tenha como meta tentar compreender e
modificar situações concretas do mundo (MEC, 2008, p 31).
A cada ano são estruturadas novas oficinas que possam reconhecer “que a inteligência
é multidimensional e pode ser expressada e valorizada em uma variedade de formas cinéticas,
espaciais, intrapessoais e inter-pessoais de atuar de maneira inteligente com o mundo” (YUS,
2002, p.41).
Como já foi abordado no capítulo anterior, as propostas das oficinas são elaboradas
objetivando o espírito de coletividade e bem estar comum. Penso que a escola que pretende
auxiliar no desenvolvimento integral dos alunos, deve acreditar que
como professores, podemos mostrar que o compartilhar das crianças não é uma
questão de compartilharmos somente nossa coisa materiais, mas também dar-se
como pessoa. Ensinar sem compartilhar experiências, sentimentos e pensamentos
pessoais é meramente transmitir informação. A transmissão de informação
desprovida de significado humano é simplesmente um processo mecânico.
Compartilhando nosso eu, abrimos a porta para que os demais façam o mesmo.
Aprendemos com os outros e descobrimos novas possibilidades. Aprendemos o que
53
54
temos em comum e começamos a prezar por nossas diferenças. Logo, é ensinado a
compartilhar o eu que aprendemos o que todos nós, seres humanos, somos (YUS,
2002, p.52).
O autor acima explicita o objetivo maior da escola que procura oportunizar aos alunos
vivências diversas, no qual o aluno consiga desenvolver as suas habilidades, auxiliando na
formação como um ser pleno e que consiga respeitar a diversidade que hoje está tão presente
em nosso dia-a-dia. Sendo assim, a escola é um espaço rico de experiências e vivências e que
“oferece condições de educação muito diferentes das existentes na família. A criança passa a
perceber uma coletividade, que é sua turma, sua classe, sua escola” (TIBA, 2002, p. 181).
Encerro esse capítulo com uma frase muito significativa de Amyr Klink “Projetar é
como remar. Remar de costas; olhando para trás, pensando para frente.” A proposta de
turno integral deve ser pensada dessa forma, através das experiências que já foram
vivenciadas, resgatar o que há de bom e buscar novas propostas para que a escola cumpra com
o seu papel e consiga realmente ser um diferencial na vida de cada educando.
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6
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O mundo atual está passando por uma evolução muito rápida, assim como a educação.
A tarefa dos educadores está se tornando cada vez mais complexa e desafiadora, e hoje os
profissionais que atuam nessa área precisam se tornar pesquisadores. Pesquisadores que
observam o que está acontecendo ao seu redor e no mundo, partindo da parte para o todo.
Pensando dessa forma, procurei investigar sobre o meu meio de atuação e uma
proposta que é sugerida em âmbito nacional: oferecer turno integral nas escolas públicas. A
escola de turno integral está sendo sugerida na LDB, desde 1996, em seu artigo 34 quando
menciona o aumento da permanência do educando na escola, porém o turno integral deve ser
entendido não só como o aumento da jornada escolar, mas sim um momento que proporcione
o desenvolvimento pleno do educando.
Ao longo da história nota-se que não é uma proposta tão recente assim, pois já faz
parte da história da educação brasileira através das Escolas Parque idealizadas por Anísio
Teixeira, os CIEP’s, os CIAC’s e os CEU’s.
O educador Anísio Texeira percebia a importância da proximidade da escola, da
família e da sociedade. Atualmente este é um desafio para as nossas escolas, pois se faz
necessário trazer a família para o contexto escolar e receber a família, além de estar dispostos
para ter a família perto. Porém, cada um deve cumprir com as suas tarefas e funções.
Analisando a proposta do CIEP’s, verifica-se que essa apresentava um caráter mais
social do que pedagógico, tendo como função predominante à formação do aluno. Da mesma
forma, o CIAC apresentou-se mais assistencialista, sendo oferecida para as famílias mais
marginalizadas com o intuito de poder proporcionar as mesmas condições que teriam as
crianças de classes mais elevadas. A proposta de escola observada nessa pesquisa não
apresenta um caráter assistencialista. Ela procura proporcionar atividades que não ocupem
apenas o tempo da criança, mas que desenvolvam habilidades que auxiliem na formação do
ser humano integral.
Percebe-se que os entrevistados acreditam que a escola está conseguindo alcançar o
seu principal objetivo: favorecer o desenvolvimento pleno do educando. Porém, os
personagens desse contexto apresentam visões diferentes.
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Os pais percebem primeiramente a escola como um local seguro para os seus filhos e
que proporciona atividades que complementam a sua educação. Em relação à família,
verifica-se que a grande maioria participa realmente da vida escolar do aluno e que uma
pequena parcela não acompanha, pois acreditam que essa é a tarefa da escola. Os alunos
mencionam que gostam muito da escola pelas oficinas realizadas, pois aprendem muitas
coisas diferentes e que jamais teriam em uma outra escola. E, os docentes acreditam na escola
de turno integral desde que as atividades sejam bem propostas e elaboradas e que tenha o
envolvimento da família, cada qual exercendo a sua função da melhor forma possível.
Acredito que os profissionais estão muito engajados em fortalecer essa proposta, pois
percebem que ela pode ser uma oportunidade de melhorar o padrão de qualidade de Educação,
mas também são muito críticos, uma vez que reflete muito sobre a questão das crianças
permanecerem tanto tempo na escola. Os professores percebem que os alunos da escola são
muito agitados e que não possuem nenhum momento livre. Buscando uma forma de conseguir
solucionar, ou pelo menos amenizar essa questão, procura oferecer oficinas diversificadas e
que possam contemplar as diferentes inteligências para que cada aluno consiga se identificar
com uma delas e sinta-se feliz na escola. Além disso, acreditam que nem todos os educandos
conseguem se habituar a esse modelo de escola, portanto a permanência ou não da criança é
uma escolha da família.
Sabe-se que o custo de uma escola que oferece o turno integral para os alunos é
elevado, tanto que várias experiências não sobreviveram e se tornaram escolas de ensino
regular. Todos os entrevistados estão cientes de que o custo para a manutenção da mesma é
alto e o poder público não poderá arcar como os custos na sua totalidade, portanto deverá
contar com o apoio dos pais para sobreviver e que a implantação de escolas nesses moldes é
gradativa.
Por fim, percebo que a proposta de uma escola de turno integral pode ser o ideal para a
educação brasileira, mas essa deve ser muito bem pensada para que não exista uma dicotomia
entre qualidade e quantidade. O aumento da permanência do educando deve ser acompanhado
de qualidade de ensino e aprendizagens, primando pela democracia e responsabilidade pela
educação das crianças.
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57
REFERÊNCIAS
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2001.
ALTHUON, Beate. Família e Escola: uma parceria possível? PÁTIO - Revista Pedagógica,
Porto Alegre: Artmed, ano 3, n°. 10, ago./out. 1999.
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