WWW.EDITORAPOSITIVO.COM.BR | ANO 14 | No. 23 | OUTUBRO/2013
REVISTA DO SISTEMA
POSITIVO DE ENSINO
MARKETING E
RELACIONAMENTO
Sua instituição
sabe avaliar os
alunos?
Tempo
na escola
Jornada escolar ampliada:
mais do que uma necessidade
contemporânea
IDEIAS E PROJETOS
Projetos pedagógicos
inspiradores
ENTREVISTA
Laura Monte Serrat
Barbosa: os papéis da
escola e da família no
ensino integral
ENEM: O
RESULTADO
É POSITIVO.
Quem tem a maior rede de escolas
também tem os melhores resultados.
269
.
1 lugar
o
escolas conveniadas
ao sistema positivo de ensino
conquistaram as melhores
colocações em suas cidades.
DO ENEM Na
região sul.
Procure uma escol a conveniada ao
Sistema Positivo de Ensino mais próxima de você.
Info rmações:
0800 724 4241
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Caro(a) leitor(a):
Nesta última edição da Revista Atividades&Experiências
de 2013, destacamos um assunto que, embora não seja
inédito na educação brasileira, tem recebido especial atenção:
a educação em tempo integral.
REVISTA DO SISTEMA POSITIVO DE ENSINO
Apesar de não ser obrigatório para as escolas particulares, há
uma demanda crescente das famílias por essa modalidade de
ensino, uma vez que é cada vez maior o número de mulheres
que trabalham fora e não tem onde deixar os filhos no contra-turno. Em nossa Matéria Especial, abordamos as dimensões
dessa proposta, os pontos para que o projeto seja bem-sucedido
e apresentamos as diferenças entre: educação integral, educação
de tempo integral e contraturno escolar.
EXPEDIENTE
Ano 14 | n.º 23 | OUTUBRO/2013
Diretor-Superintendente
Ruben Formighieri
Conselho Editorial
Emerson W. dos Santos
Acedriana V. Sandi
Fabrício Almada
Patrícia Romagnani
Para aprofundar o tema, trazemos em nossa entrevista, uma
conversa com a educadora Laura Monte Serrat Barbosa,
que fala sobre a qualidade das atividades propostas
nas Escolas de Tempo Integral.
Os artigos da seção Sala de Aula estão imperdíveis, com temas
reflexivos e que podem render boas discussões e ideias para os
professores: a importância da gestão por indicadores educacionais, a escola como espaço de conhecimento e respeito à diversidade, os aspectos elementares da criatividade e as abordagens
para o ensino da Química, aplicada ao cotidiano.
Coordenação Editorial
Naira Passoni
Diocsianne Moura
Projeto Gráfico, Diagramação e Redação
O2 Design e Comunicação
Diocsianne Moura
Nesta edição, você confere ainda os projetos especiais
da Editora Positivo voltados à Gestão Escolar, o Gero
e à avaliação externa, o hábile. E, como sempre, o
destaque fica por conta dos projetos educacionais
das nossas escolas conveniadas, na seção Ideias
e Projetos.
Colaboraram nesta edição
Elka Padilha
Simone Stival
Fale Conosco
[email protected]
Uma boa leitura!
Departamento Pedagógico:
Contate-nos: 0800 725 3536 – (41) 3218-1000
Visite-nos: www.editorapositivo.com.br
Vamos nos encontrar novamente
na primeira edição de 2014.
Naira Passoni
Coordenadora de Comunicação
da Editora Positivo
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Este impresso teve suas emissões compensadas pelo
Programa Carbono Zero da Posigraf. A Posigraf
monitora de acordo com as orientações do GHG
Protocol e compensa as emissões de CO2 resultantes de
seu processo produtivo, comprovando sua preocupação
com o meio ambiente.
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REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
[email protected]
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Índice
Aperfeiçoamento
9
CAIXA DE IDEIAS
Júlio Röcker Neto:
a urgência de refletir
sobre as escolas de
tempo integral
no Brasil
ENTREVISTA
SALA DE AULA
APERFEIÇOAMENTO
ESCOLA EM FOCO
PARCERIA
NOSSAS ESCOLAS
IDEIAS E PROJETOS
SUA ESCOLA
GESTÃO
MARKETING E RELACIONAMENTO
PAINEL CULTURAL
PONTO DE VISTA
10
CAPA
A busca por uma escola
que atenda à formação
completa do aluno é
uma urgência no Brasil
e em diversos outros
países. Mas, será que
apenas ampliar o tempo
escolar resolve?
46
PLURALIDADES
Cultura da Paz:
trabalhando a mediação
em sala de aula
47
POR DENTRO DO
POSITIVO
Sua escola já tem excelência
em educação digital? Saiba
como obter o “Selo Escola
Digital Segura”
5
Entrevista
Laura Monte
Serrat Barbosa
“Ampliar a oferta e a qualidade das atividades artísticas vai melhorar ainda
mais a formação dos alunos das escolas de ensino integral.” A avaliação
é da educadora Laura Monte Serrat Barbosa, especialista em Psicologia
Escolar e da Aprendizagem e mestre em Educação. Nesta entrevista, Laura
também destaca a importância da distinção entre os papéis desempenhados
pela escola e pela família
Como a senhora avalia
a educação de tempo
integral?
Desde o momento em que a mulher
começou a conquistar o campo de trabalho, essa brecha se abriu. Então veem
as perguntas: “é bom?“, “não é bom?”.
Eu acredito que não tem nada que é só
bom ou só ruim. Do meu ponto de vista,
o ensino integral tem facetas e depende do contexto em que ele está sendo
necessário e da escola que desenvolve
essa programação. Porque o ensino
integral não pode ser formal o tempo
todo, e também não deve ser um abandono – que deixa as crianças fazerem
tudo o que quiserem. É preciso que ele
seja muito bem pensado e planejado.
6
REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
Imagino que esse planejamento deva
envolver diferentes dimensões. O sujeito
não é só cabeça ou mão. Não se limita
a escrever e calcular. É um ser brincante,
criativo, expressivo. O ensino integral
tem que se preocupar com esse sujeito
inteiro. Para pais que trabalham oito
horas por dia, é também uma forma
de garantir que as crianças estejam em
um espaço que foi organizado para
recebê-las.
Qual o papel dos pais
quando o aluno passa
o dia todo na escola?
A escola não deve ser um instrumento de
terceirização. O vínculo entre pais e filhos
tem que ter qualidade. Brincar tem a ver
com vínculo. A criança pode fazer isso na
escola integral, mas a brincadeira deve
fazer parte também da rotina da família.
Os pais precisam ser a referência para
os filhos. Não podem deixar de ser pais.
A criança não pode perder o lugar da
intimidade e do privado. Esse lugar é da
família e precisa ser preservado. Um erro
comum das escolas é fazer o contato com
os pais via agenda, principalmente para
apontar pontos negativos. Isso é péssimo,
porque a agenda acaba servindo de arma
contra a criança, um correio sobre que
o aluno não é capaz de realizar. Então,
que usemos a agenda para compartilhar
conquistas e não os defeitos, as faltas.
Os pais gostam de saber o que os filhos
conseguiram. Mas não é a professora que
deve escrever um bilhetinho. É preciso
dividir isso com o aluno. É bacana fazer
com que ele participe. Provocar os pais
para que respondam. A criança deve ser
a dona da agenda, saber o que se está
conversando ali. Outro equívoco frequente é a escola exigir que os pais resolvam,
em casa, um problema que acontece
na escola. Ou vice-versa. A escola não
consegue fazer isso e nem os pais devem
resolver o problema da briguinha entre
colegas no recreio.
Como a escola pode
compor para não estimular a terceirização
da educação por parte
dos pais?
Uma das coisas interessantes é organizar grupos de discussão de temas
importantes relacionados à educação.
Compartilhar com a família coisas que
acontecem na escola e contar o que as
crianças fazem. Os pais também podem
participar, por exemplo, de feiras em que
falam sobre as profissões deles. Outra
ideia é a escola organizar vivências e
festivais, ou atividades como piqueniques e caminhadas. Situações em que
não há nada para vender ou assistir,
organizadas para conviver. Os pais são
sedentos desse tipo de experiência, mas
talvez não tenham tempo. E a escola,
assim, vai poder abrir nichos, espaços
importantes de compartilhamento.
integral também deve
ser diferenciado?
No ensino de período integral, o professor não deve “dar aula”, principalmente
na Educação Infantil. Ele tem três funções
importantes: observar, registrar e preparar o ambiente para o dia seguinte.
Ver o que as crianças fazem, o que elas
podem aprender e avançar. Ele é um
mediador que não fala muito, mas registra, escreve, desenha, fotografa. E a
gente não está longe disso. Mas poderia
desenvolver ainda mais. O professor
da USP Luiz Carlos Menezes diz que a
Educação Infantil teria muito a ensinar
aos outros níveis de ensino porque ela
trabalha com o sujeito inteiro, com a
interdisciplinaridade. Ou seja, não divide
o conhecimento em partes estanques.
Mas acontece que, nesse nosso ensino
que ainda permanece linear, a Educação
Infantil é que está sendo influenciada pelos outros níveis. Agora temos que alfabetizar com quatro anos, fazer letra cursiva
com seis. No entanto, os educadores têm
esquecido que a criança que brinca vai
ter muito mais condições de pensar. A
linguagem vem depois do movimento,
é simbólica. A criança precisa viver o
corpo na Educação Infantil, brincando,
pulando, correndo, relacionando-se com
as outras crianças. E aí vai surgindo a
linguagem e é do simbólico que vai surgir
o pensamento. A gente direciona tanto o que a criança tem a fazer que ela
não brinca. Depois, queremos que ela
pense, aprenda Matemática, que seja
capaz de interpretar Língua Portuguesa.
Uma escola de ensino integral deveria
ser uma escola integral de aprendizagem
e ensino. A escola existe para o aluno
aprender. Uma escola de ensino integral
deve visar ao aprendizado.
Como deve ser planejado o tempo do aluno no
ensino integral?
Atividades artísticas são fundamentais
porque o mundo está se “dessimbolizando”. O mundo está muito concreto, as
crianças pouco fazem de conta, brincam
cada vez menos. Então, a escola de período integral, para as crianças pequenas,
tem que ter brincadeiras. Para as mais
velhas, também. Meu sonho é o de uma
Podemos transformar
em algo positivo...
O que a gente não pode esquecer é que
a família é importante, tanto quanto a
intimidade e a privacidade. E isso não
acontece na escola, que é um espaço
público, compartilhado. Não dá para
a escola funcionar da maneira como
cada família deseja que ela funcione.
O que a escola pode fazer é pensar
melhor a respeito desse trânsito entre
o público e o privado.
“Atividades artísticas
são fundamentais
porque o mundo está se
‘dessimbolizando’ ”
O comportamento do
professor de uma escola
7
Entrevista
escola de período integral que se
fundamente em todos os tipos de
arte: música, dança, literatura, modelagem... Assim, o aluno vai mexer
com o corpo, ouvir, se expressar..., um
jeito de ele continuar aprendendo
Matemática, Linguagem, Ciências,
Estudos Sociais... Tudo isso por meio
da arte, sem ter “aula” disso ou daquilo, mas aplicar o conhecimento,
tecê-lo com a emoção. Produzir e
integrar saberes e sentimentos.
Mas ALGUNS pais ainda
PODEM TER dificuldades para entender esses
benefícios. Como a arte
pode influenciar no futuro dessas crianças?
A arte desenvolve um quesito importantíssimo, que cada vez menos está em uso: a
subjetividade. Faz a ponte com a objetividade, tem o poder de síntese, de unir os
opostos: a Ciência e a consciência, por
“ Eu posso fazer um poema
falando sobre a saudade, no
qual minha razão e emoção
vão estar entrelaçadas. [...]
A arte nos possibilita evoluir
como ser humano”
88
REVISTA
REVISTAA&E
A&E||ANO
ANO14
14||NNo. o.23|
23|OUTUBRO/2013
OUTUBRO/2013
exemplo, a tristeza e a alegria. Parece
que não dá para articular essas duas
coisas, mas a arte consegue. Eu posso
fazer um poema falando sobre a saudade, no qual minha razão e emoção
vão estar entrelaçadas. A arte possibilita
essas articulações, que só a Ciência não
consegue, e só a vivência do mundo interno também não. A arte nos possibilita
evoluir como ser humano. E por meio
dela, também, fazemos história e podemos conhecer a história da humanidade.
A criança deve pensar
e sentir...
E pensar vai ajudar a refinar as suas
capacidades de sentir. Porque o sentir
pode ser só um impulso. O pensamento
medeia, para você conseguir se expressar de uma forma mais humana. A arte
tem esse poder, coloca os saberes e os
fazeres a serviço das denúncias do que
precisa mudar e dos anúncios das possíveis saídas que, como seres humanos,
teremos diante de nós.
E a escola de ensino
integral?
Ela não deve ser uma escola em que
se duplica, simplesmente, a jornada.
Precisa ser uma escola em que se
duplica a atenção sobre o aprendiz
como um sujeito inteiro, multifacetado, que tem muito a aprender e muito
a ensinar e que pode fazer isso de
muitas maneiras.
Laura Monte Serrat Barbosa
é pedagoga, psicopedagoga, especialista
em Psicologia Escolar e da Aprendizagem.
Mestre em Educação pela Universidade
Federal do Paraná (UFPR) e professora do
Programa de Pós-Graduação da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná (PUCPR); Membro da Associação Brasileira
de Psicopedagogia, conselheira nata
da Seção Paraná Sul e sócia gerente da
Síntese (Centro de Estudos e Aprendizagem)
e autora de livros e artigos científicos.
<Facebook/laura.monteserratbarbosa>
uma nova aposta?
A
educação Integral no Brasil, mais do que uma aposta
se configura como uma proposta de solução. São
inegáveis algumas evoluções na educação ao longo
dos últimos 20 anos, muito em razão de grandes investimentos:
cada vez menos crianças fora da escola, cada vez mais acesso
a livros e outros recursos, preocupação com a formação do
professor. O que mais é preciso?
Colocando um “pouco mais de pimenta nesse molho”, vivemos
um momento educacional de transição, em que as Tecnologias
de Informação e Comunicação (TICs) vieram para ficar e
precisamos descobrir como tirar o melhor proveito delas. E a
escola diante desse cenário?
O modelo predominante de escola ainda é aquele que nasceu
com a Revolução Industrial, com o professor ensinando dezenas de alunos de um mesmo jeito e ao mesmo tempo. Sim,
esse modelo chegou ao século XXI. Em dois séculos, mudou
o mundo e com ele a sociedade, o mercado de trabalho e,
claro, os alunos. Mas quando mudará a escola?
As escolas de tempo integral, com o compromisso de uma formação integral, trazem a possibilidade da mudança. Pesquisas
e práticas, no mundo todo, apontam que é tempo de ir além
das competências básicas da Matemática, da escrita e da
leitura, porque o mundo e suas relações exigem também
competências de convivência. Mas, indo além, será que o
aluno aprende melhor?
A educação integral age no desenvolvimento integral do ser
humano porque se apoia em três pilares fundamentais: a)
desenvolvimento do ser humano em todas as suas dimensões,
e aí se consideram fatores cognitivos ou intelectuais e também competências e habilidades
afetivas, sociais e físicas; b) integração
de tempos e espaços, de maneira que a
educação não fica limitada ao espaço
da escola nem depende exclusivamente
no professor, mas, sim, traz uma diversidade de saberes e atores sociais
para dinamizar a aprendizagem; c)
desenvolvimento das atividades em
tempo integral, pelo aumento
da carga horária. O Programa
Mais Educação, lançado pelo
governo federal em
2007, sistematiza a educação integral hoje no
Caixa de Ideias
Aperfeiçoamento
Escolas de tempo integral no Brasil:
país e tem como objetivo levá-la a 60 000 escolas públicas
de todo o país até 2014.
A proposta basilar das escolas de tempo integral é formar
pessoas mais bem preparadas para as demandas da vida:
alunos mais críticos e mais capazes de se desenvolver como
seres humanos plenos. Como isso acontece? Concebendo a
educação com a da valorização dos saberes da família e da
comunidade e desenvolvendo competências para participar
da vida pública. Além disso, reconhecendo a necessidade de
estimular a convivência social para a promoção de valores
como respeito à diversidade e à solidariedade, bem como
oportunizar atividades socioeducativas, acesso às artes e às
novas tecnologias, tendo como premissas essenciais o caráter lúdico e elevado padrão estético. Consequentemente,
promove-se a potencialização da formação cognitiva, que
passa inevitavelmente por uma formação humana sólida e
pelo desenvolvimento de competências e habilidades sociais e
emocionais. É dessa forma, sim, que o aluno aprende melhor.
Precisamos encarar esse momento de “refundação” da escola,
e isso não se deve apenas à era digital (uma transformação
não se dá só com tecnologia), mas envolve questões elementares, como (re)discutir práticas pedagógicas; promover
alterações no currículo; repensar a organização do ensino,
do tempo e do espaço; formar e valorizar professores. Todos
esses são elementos dinamizados pela busca da igualdade de
oportunidades e pela educação como fator de inclusão social.
O desejo de uma nova escola não é recente, mas o fato é que
temos mais urgência. Ao longo dos últimos anos, as escolas de
tempo integral vêm sendo estimuladas inclusive por instituições
não governamentais e se tornaram uma tendência crescente
nas políticas públicas.
Retomando a pergunta inicial: o que mais é preciso? Resposta
complexa, mas que tal arriscar “uma nova
escola para um novo tempo”?
Júlio Röcker Neto
Gerente Editorial de
Conteúdo da Editora Positivo
[email protected]
9
Especial
Mais tempo para
aprender
A escola em período
integral oferece
a possibilidade do
desenvolvimento e da
formação completa
do aluno. Para isso, no
entanto, é preciso investir
em qualidade e atividades
que estejam em harmonia
com um currículo
interdisciplinar
A
proposta de ampliar o tempo do aluno na escola
parece ter chegado para ficar. De um lado, a necessidade – pais e mães trabalham o dia todo e precisam
de um lugar seguro no qual seus filhos sejam desafiados a
aprender. De outro, a mudança da forma como enxergamos o
ensino formal – a escola deixa de ser um espaço pedagógico
centrado em competências específicas e assume o papel de
trabalhar a formação integral do aluno, que contempla todo
o seu desenvolvimento.
“Sabemos que quanto maior o tempo do educando no espaço socioeducativo, maior será a contribuição nas diferentes
dimensões, como a afetiva, a ética e a cultural”, diz a pedagoga Janesley Rank, que atua no Centro de Desenvolvimento
Cognitivo do Paraná (CDCP) e já participou de experiências de
implantação de ensino integral. “O aluno tem a possibilidade
de ampliar o convívio com o ‘outro’, construir sua autonomia
e desenvolver atividades pedagógicas cujo estímulo vai além
do aspecto cognitivo”, concorda Audry Castello Branco,
diretora do Colégio Positivo Internacional, em Curitiba (PR).
Aumentar o tempo de permanência na escola, no entanto,
é apenas o começo. Para garantir que a formação do aluno
seja completa, é preciso extrapolar os conteúdos curriculares. “A educação integral não se caracteriza somente pela
10
REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
“Em nosso sistema, a criança
não aprende a traduzir,
mas conhece a fundo o
contexto de outra cultura,
desenvolvendo a criticidade e
a compreensão do mundo”
ampliação do tempo escolar, mas principalmente em concentrar quantidade e qualidade”, explica Audry. “Devemos
ampliar as possibilidades e situações que promovam
aprendizagens significativas e contribuir para a
formação de sujeitos éticos, saudáveis e conscientes de seu papel no mundo”, explica
Janesley. Qualidade, nesse contexto, é
palavra-chave. Segundo Audry, a escola
deve oferecer mais do que uma estrutura
adequada e orientação educacional.
Deve abrir a possibilidade para que a
criança e o adolescente façam escolhas de acordo com suas habilidades e
interesses ao longo dos anos escolares.
A educadora e Mestre em Educação
Laura Monte Serrat defende que a arte
tenha papel central na proposta pedagógica. Ela diz que as atividades artísticas
são fundamentais porque trabalham com
símbolos e o mundo atualmente está muito
concreto. Na escola integral, as crianças pequenas
devem aprender brincando e, as maiores, terem acesso a
todos os tipos de arte: música, dança, literatura, entre outras
(leia a entrevista completa na página 6).
11
Capa
Experiências que deram certo
A proposta de escola de tempo integral não é nova. Educadores como Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo
Freire já defendiam a ideia há mais de 50 anos. Em países como a Filnlândia, a Coreia do Sul, a Irlanda
e, inclusive, no nosso vizinho Chile, os modelos de educação ampliada estão consolidados e servem de
referência para escolas do mundo todo. No Brasil, a discussão ganhou força nos últimos anos e motivou
a criação de políticas públicas relacionadas à escola de período integral.
O Programa Mais Educação, do governo federal, prevê a ampliação da jornada escolar e a organização
curricular na perspectiva da educação integral. Atualmente, quase 50 mil escolas públicas em todo o país
têm atividades o dia todo. No turno complementar, os alunos têm acompanhamento pedagógico obrigatório, aulas de reforço e praticam esportes e atividades culturais. “Quando a escola tem uma proposta
pedagógica adequada, há impacto no rendimento escolar do aluno, na qualidade da educação e no
desenvolvimento do país”, defende Audry.
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REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
Você sabe a
diferença?
Os termos são parecidos e, muitas vezes, são usados como sinônimos. Mas basta um olhar atento
para perceber que as palavras carregam significados e conceitos completamente diferentes.
Contraturno escolar
As atividades realizadas nesse período são complementares, flexíveis e não têm conexão com o
conteúdo pedagógico.
Educação de tempo integral
Refere-se ao horário escolar expandido.
O aluno desenvolve atividades na escola por
um período de, no mínimo, sete horas.
Educação integral
Considera o aluno em todas as suas dimensões – social, cultural, afetiva, espiritual, cognitiva e fisiológica.
Educação integral em tempo integral
Oferece uma formação ampla para o aluno durante um período maior em que ele permanece
na escola. É o tempo com qualidade.
Aprenda Mais
Educação integral em tempo integral
Estudos e experiências em processo.
Ligia Martha Coimbra da Costa Coelho.
Editora Depetrus.
Educação integral
Uma educação holística para o século XXI.
Rafael Yus Ramos. Editora Artmed.
13
SALA DE
AULA
Gestão por
Indicadores
Educacionais
Há muitos anos, os indicadores de desempenho têm
sido utilizados como uma importante ferramenta de
gestão para organizações das mais diversas estruturas
e áreas de atuação. No segmento escolar, têm contribuído para levantamento de informações acerca dos
cenários, das tendências, da concorrência, do perfil dos
clientes e das regiões que fazem parte da inteligência
competitiva e influenciam no desempenho, nos resultados alcançados pelas instituições de ensino, e seus
alunos, nas avaliações internas e externas.
E, falando em resultados, é importante pontuar que,
cada vez mais, as instituições orientam seu foco, e o de
suas equipes docentes e discentes, para a mensuração
de resultados. Nesse cenário, é preciso comprovar a efetividade de cada ação adotada por meio de indicadores
apropriados. Porém, determiná-los não é tarefa fácil,
pois se faz necessário que esses indicadores estejam
alinhados à estratégia e aos objetivos da instituição, e
que a base de indicadores auxilie os gestores a ilustrar
perfeitamente a realidade da instituição. Para isso, é
preciso que sejam bem definidos e revisados periodicamente, para que demonstrem de forma assertiva os
resultados atingidos, conforme planejado. Porém, não
será útil elencar e determinar uma lista numerosa de
indicadores se os profissionais envolvidos na gestão
da instituição de ensino não souberem o que fazer
com os dados levantados. Por isso, a análise desses
indicadores é uma atividade ainda mais importante do
que a determinação deles.
Muitas empresas dedicam muito tempo e esforço a
indicadores que pouco contribuem para o resultado
final esperado e investem tempo demasiado em reuniões
improdutivas e atrasadas em relação à decisão que
já deveria ter sido tomada. Nesse caso, as situações
encontradas não se traduzirão em ações estratégicas.
Assim, cabe ressaltar que não basta identificar os indicadores de desempenho corretos, mas, também, utilizá-los
em tempo hábil para que os resultados sejam alcançados ou, até mesmo, superados, tal como projetados.
14
REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
De acordo com o pensamento estratégico corrente, é
preciso que a equipe gestora se antecipe aos resultados
e ações dos concorrentes, clientes internos e externos e
mercado e, não, simplesmente, reaja a eles. Por isso,
defina claramente quais indicadores de resultados têm
maior relevância para sua instituição e quais mostram
claramente o que ela procura. Mapeie seu negócio em
todas as frentes de trabalho e busque os indicadores
ideais para cada setor e situação. Antecipe-se aos fatos
e saia na frente!
Sílvia Fráguas
Assessora da Área Jurídica
da Editora Positivo
[email protected]
SALA DE
AULA
Quando o
tema é saúde
Bulas de remédios e automedicação
no ensino de Química
A escola está passando por transformações em sua estrutura
em função da necessidade de se adaptar às mudanças que
estão ocorrendo na sociedade, mas isso não é novidade para
os bons educadores. Quando expressões como “educar para
a cidadania” ou “Química do cotidiano” passaram a ser
obrigatórias nas salas de aula, muitos colegas já aplicavam
esse princípio na seleção de conteúdos e na problematização
durante aplicação na sala de aula.
Essa demanda está fortemente presente também nas avaliações externas, como no Exame Nacional do Ensino Médio
(ENEM) e do Programa Internacional de Avaliação de
Estudantes (PISA na sigla em inglês), em que situações cotidianas são a base para as situações problemas apresentadas.
Mas, em Química, quais situações podem ser usadas na
problematização? Precisa-se pensar no cotidiano do nosso
aluno de hoje, assim, usar a amálgama dentária como
contexto de ligação metálica não faz sentido para um aluno
que nem tem cárie atualmente e as restaurações que ele
conhece são feitas de resinas poliméricas.
Um exemplo de trabalho foi feito no Programa de Formação
Continuada da Editora Positivo 2013 para as escolas conveniadas no grupo do Ensino Médio, na oficina de Tecnologia
e Saúde, em que foram usadas as bulas de remédio para
problematização do trabalho com Cinética Química e com
Química Orgânica.
observados. Com os dados selecionados, pode-se construir um modelo matemático de interpretação do processo
de absorção e eliminação do medicamento para que,
por fim, o aluno possa responder a questões do tipo: Por
que se deve respeitar a posologia de um medicamento?
Quais interações entre os medicamentos e alimentação?
Qual a concentração mínima do medicamento para que
ele tenha o efeito esperado no organismo? Quais são os
efeitos colaterais do medicamento?
Por fim, deve-se trabalhar os riscos da automedicação,
não apenas de medicamento alopáticos, mas também de
fitoterápicos, encarados, muitas vezes como inocentes e com
poucos efeitos colaterais.
Lembre-se de que o trabalho em Ciência, deve ir além
da simples interpretação do conhecimento científico e do
modelo proposto. É preciso que se apresente uma discussão
histórica do processo de construção da Ciência e inclua
a interpretação social dos fenômenos para que o ensino
possa ter um novo significado.
Jailson Rodrigo Pacheco
Assessor da Área de Química
da Editora Positivo
[email protected]
O início do trabalho pode apresentar uma discussão sobre
a medicação na história, apresentar a Iatroquímica com os
trabalhos de Paracelso e como o conhecimento popular foi
a base da Ciência moderna. Para isso, sugere-se a discussão
da afirmação: “Um médico deve sair à procura de velhas
comadres, ciganos, feiticeiros, tribos nômades, velhos ladrões
e proscritos dessa espécie e aprender com eles. Um médico
deve ser um viajante... Conhecimento é experiência.”
Em seguida, sugere-se que o aluno possa ler
partes da bula, previamente selecionadas pelo professor, para
interpretação dos fenômenos
15
SALA DE
AULA
Escola
espaço de conhecimento
e respeito à diversidade
A sociedade brasileira, quando nos referimos ao senso
comum, entende os povos indígenas a partir de dois
preconceitos: a preguiça ou a pureza. Vamos superar
esses preconceitos?
O primeiro passo é reconhecer a diversidade cultural dos
povos indígenas no Brasil. No território brasileiro, vivem mais
de 600 mil indígenas, que são divididos linguisticamente
em mais de 180 línguas diferentes.1 2
Com relação à preguiça, podemos pensar em um exemplo
histórico. Quando os portugueses chegaram à América,
encontraram várias aldeias indígenas, a maioria da família
linguística tupi, e realizaram atividades comerciais
com esses povos. Quase sempre trocavam produtos europeus
ou asiáticos
por pau-brasil. Todos aprenderam isso na escola e pensamos
que os indígenas eram “burros” ou “inocentes” por trocarem
uma madeira valiosa por bugigangas. Esquecemos que
a noção de valor também é cultural. A madeira existente
em grande quantidade não tinha muito “valor” para os
indígenas, já a bugiganga do espelho tinha muito valor,
pois era inédita, o machado de ferro era mais útil que o
machado de pedra, isso se observarmos a troca do ponto
de vista dos indígenas.
Outro fator sobre essas trocas recai no fato de que cortar,
desbastar, empilhar e transportar os troncos de pau-brasil da
mata até os navios, não era um serviço de “gente preguiçosa”. Notamos que o trabalho é uma
atividade entendida pelos povos indígenas,
de maneira diferente do que entendemos na
nossa sociedade. Não existe a necessidade
do trabalho para o acúmulo, apenas para
a necessidade.
Compreender as diferenças culturais existentes entre as nações indígenas e delas
com a nossa sociedade, e desenvolver entre nós a visão da alteridade, estão entre
os esforços que a escola brasileira tem
que enfrentar, para termos como objetivo a construção de uma sociedade mais
justa, plural e livre de preconceitos.
Walfrido S. de Oliveria Jr.
Assessor da Área de História
da Editora Positivo
[email protected]
http://blog.portalpositivo.com.br/historiaspe
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm>.
Acesso em: 8 abr. 2013.
2
<http://www.funasa.gov.br/internet/desai/
sistemaSiasiDemografiaIndigena.asp>
Acesso em: 8 abr. 2013.
1
16
REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
SALA DE
AULA
Aspectos elementares
da criatividade
Considerada condição imprescindível para o mundo contemporâneo, a criatividade é objeto de estudo nas diferentes
áreas do conhecimento. Ainda assim, são muitos os mitos
e estereótipos que envolvem o tema.
sua identidade. Na aula de Arte, ela é a desenvolvida e
descoberta de forma processual, evidenciando o modo
singular do aluno criar e comunicar-se com o mundo por
meio dos códigos da Arte.
Convido o leitor a responder à pergunta: Você se considera criativo? Reflita os aspectos que o levaram a responder
“sim” ou “não”. Lembre-se das experiências que teve na
escola em relação às aulas de Arte (antiga Educação
Artística) e perceba se sua resposta está vinculada a
essas experiências.
Heitor Villa Lobos enaltecia a essência brasileira em sua
música, incorporando elementos das canções folclóricas,
indígenas e populares. Isadora Duncan, bailarina lembrada
por buscar movimentos além dos estabelecidos pela técnica
do balé, inspirou-se na arte grega e nos elementos da
natureza para improvisar movimentos. Esses são exemplos
de elementos poéticos dos artistas que os identificam como
criadores disseminadores daquilo que é próprio da sua
maneira de pensar e compor suas obras.
Antigamente, a criatividade era tratada como um dom
dedicado a uma parcela de pessoas. Atualmente, admite-se
a criatividade como característica inerente ao ser humano,
que possui grande capacidade de inventividade e que
contribui para a transformação de realidades nas esferas
individual e social.
O cérebro humano é designado para criar. Ele possui dois
hemisférios ligados um ao outro, que manifestam funções
diferentes. O hemisfério esquerdo é predominantemente
ligado ao pensamento lógico e analítico. O hemisfério
direito tem ênfase nos processos emocionais, intuitivos e
criativos. Em consonância, códigos, repertórios, experiências e emoções conectam ideias que em uma primeira
instância pode parecer pouco provável e
até mesmo sem lógica, mas é assim
que ocorre um ato de criatividade.
Para finalizar nosso diálogo, citarei Fayga Ostrower, que
sabiamente nos revela que “Criar é tão difícil ou tão fácil
como viver. E é do mesmo modo necessário.”
Kelly Eloá Lotz
Assessora da Área de Artes
da Editora Positivo
[email protected]
É na escola, e não somente nela,
que os alunos experimentarão aspectos da criatividade. Espera-se
que todos os componentes curriculares oportunizem os processos
de criação. No entanto, é na aula de
Arte que se desenvolve o despertar para
os elementos estéticos, criativos e a
descoberta da poética pessoal.
Na arte, a poética é a forma
individual de cada artista criar
17
17
Aperfeiçoamento
Projetos Especiais
da Editora Positivo
mobilizam ações
sustentáveis
e promovem troca de
experiências entre gestores,
em intercâmbio educacional
T
odos os anos, a Editora Positivo realiza diversos projetos especiais para atender às Escolas
Conveniadas. Em 2013, duas grandes iniciativas
mobilizaram os profissionais das áreas Pedagógica e de
Marketing: o projeto Rede+Criança, em parceria com a
Fundação Xuxa Meneghel, e o Conexão Educação – de
intercâmbio educacional.
Positivo, ressalta ainda que
a iniciativa propõe diferentes formas de aprendizagem,
em especial as que não ficam
restritas à sala de aula, ganhando dimensões mais envolventes
e instigantes aos alunos. “A transformação do contexto social
passa pelas crianças e jovens”, comenta.
A Rede+Criança – que teve origem no projeto +Criança
apresentado na Rio+20, em 2012 – constitui-se num grupo de
meninos e meninas de diferentes regiões do país que discutem
e desenvolvem propostas para uma vida sustentável. Com
foco em garantir a participação de crianças nas discussões
sobre sustentabilidade, a Rede, agora, em parceria com a
Editora Positivo, será ampliada para as mais de 2 100 escolas
conveniadas ao Sistema Positivo de Ensino – em um universo
que abrange 530 mil alunos e 53 mil professores.
NA PRÁTICA
As instituições conveniadas são convidadas a discutir sobre o
seu papel diante da sustentabilidade das relações humanas,
ambientais e sociais, envolvendo toda a comunidade educativa. Por meio da parceria, acontece a promoção da troca
de conhecimentos, em todas as regiões do Brasil, envolvendo
diretamente as crianças, valorizando seus olhares e vozes
como forma de construção e intervenção no futuro. “Com
essa aproximação com o projeto Rede+Criança, estendemos
a parceria entre as instituições, compartilhando nosso legado:
dar voz para quem é o futuro da nação, afinal ninguém melhor do que eles para nos acenar sobre as necessidades de
repensarmos a sustentabilidade de nosso planeta!”, comenta
Raphaela Gubert, coordenadora pedagógica da Editora
Positivo. “Somos parceiros da Fundação Xuxa Meneghel há 16
anos e, destes, 6 anos tenho o grato privilégio de acompanhar
de perto o trabalho, o profissionalismo e a competência com
que promovem, por meio de seus projetos, a promoção dos
direitos da criança e do jovem”, relata.
Milena Fiuza, coordenadora de Gestão Escolar da Editora
18
REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
Para dar início ao projeto, a Editora Positivo promoverá
oficinas de sensibilização sobre o tema, cuja metodologia
será aplicada pelos Coordenadores Pedagógicos Regionais
nas escolas conveniadas. Isso será feito utilizando a mesma
metodologia desenvolvida pela Fundação Xuxa Meneghel
durante a Rio +20. As oficinas se baseiam no conceito da
“Teia da Vida”, criado por Fritjof Capra, segundo o qual
todos os seres vivos fazem parte de comunidades ecológicas
interdependentes, ligadas em redes.
“Esta metodologia aborda tanto a sustentabilidade pelo viés
do meio ambiente quanto pelo das relações humanas. As
crianças que participam da Rede também desejam tratar
das questões que envolvem sua vida na escola, na família
e na comunidade.” diz Ana Paula Rodrigues, coordenadora
de Redes e Incidência Política da Fundação Xuxa Meneghel.
“Com a Rede+Criança, queremos também ressaltar que
as crianças são mais do que uma promessa de futuro,
estão presentes e querem participar das iniciativas de
sustentabilidade desde já” conclui.
A Rede+Criança utiliza como uma das formas de comunicação um ambiente virtual criado juntamente com as
crianças para disseminar e tornar realidade as ideias e
os projetos discutidos pelas comunidades envolvidas. “As
crianças se reúnem presencialmente em eventos da Rede,
mas é por meio da plataforma digital que as principais
trocas acontecem devido à distância das comunidades”,
explica Ana Paula.
Conexão Educação
vivenciando a educação no Chile
E
m sete dias, gestores de Escolas Conveniadas puderam conhecer um pouco melhor a realidade da educação no Chile, país referência na América Latina. Por meio do projeto Conexão
Educação, da Editora Positivo, os participantes visitaram instituições de ensino, na cidade de
Santiago, que oferecem uma educação diferenciada em relação ao Brasil. Entre as instituições
visitadas, estavam o Colégio Pedro de Valdívia, o Colégio Latinoamericano de Integración e a
Universidade de Ciências da Educação de Santiago.
Além disso, o projeto de intercâmbio educacional e cultural oportunizou uma integração entre os
gestores, em momentos diversos, ofertando palestras e bate-papo com representantes das instituições chilenas, entre eles, os profissionais do Ministério de Educação
do Chile e da Fundación Chile. Com o conteúdo recebido, os viaSantiago
jantes brasileiros puderam refletir sobre o papel da Educação na
construção de um futuro melhor.
Idealizado pelas coordenadoras da Editora Positivo, Milena Fiuza
e Raphaela Gubert, o projeto Conexão Educação, em sua primeira versão, foi bem recebido pelos gestores das escolas conveniadas, que, em relatos, compartilharam o sentimento de participar de
uma iniciativa inovadora como essa. Conceição Setim, do Colégio
Comercial Alvorada – Rede Drummond, de São Paulo (SP), comenta
a experiência: “A vida é feita de momentos especiais e, com certeza, os que vivemos serão
inesquecíveis. Aprendi muito e conheci pessoas maravilhosas”, afirma. Para Lucia Helena
Michelon, do Colégio Convívio, de Bebedouro (SP), a viagem ampliou seu conhecimento
e também o círculo de amizades. “Esta parte de minha vida na qual conheci vocês, fará a
diferença no que ainda serei. Obrigada pela generosidade da partilha profissional e pelo
carinho do encontro”, comenta.
“Vivemos num mundo globalizado, onde as fronteiras entre países praticamente não existem
mais. Acreditamos e sempre tivemos a certeza de que o intercâmbio cultural e educativo
entre os países era uma medida necessária e urgente. Que, do canto mais longínquo do
Rio Grande do Sul ao extremo do Japão, temos jovens que nos acenam para a necessidade de repensarmos o formato da escola de hoje que, sem dúvida nenhuma, imprime
um trabalho pautado numa realidade de século XIX”, explica Raphaela. “A intenção do
Conexão Educação foi possibilitar às nossas escolas um olhar para o universo macro,
que promova a elas condições de romper as barreiras municipais de suas instituições.
Que focalizem o olhar para o cenário educacional na perspectiva ampliada, alertando-as
para a necessidade urgente de repensarmos nossas práticas educativas”, declara.
ESCOLAS CATÓLICAS
Outra ação especial da Editora Positivo está
voltada aos desafios das instituições católicas
em tempo de pós-modernidade: é o “Encontro
Escolas Católicas: diante de um novo tempo”.
A iniciativa busca oferecer possibilidades de
reflexões para as escolas conveniadas, vistas
como agentes essenciais para a transformação
da sociedade por meio da educação com origem
cristã católica.
19
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para
DUPLO
crescer.
CHEGOU A NOVA COLEÇÃO DA EDUCAÇÃO
INFANTIL DO SISTEMA POSITIVO DE ENSINO
O Sistema Positivo de Ensino preparou uma coleção que
vai auxiliar o trabalho de professores e de crianças de 0 a 5
anos. Um material completo, interativo e lúdico. Conte com
essa confiança para oferecer o melhor às crianças.
Saiba mais sobre a nova coleção:
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EDUCAÇÃO SE FAZ COM CONFIANÇA.
Escola em Foco
O cliente chegou!
E agora?
A
s escolas possuem características diferentes das
prestações de serviço em geral. Muitas vezes, os
clientes são de longo prazo que para finanças significa que eles se relacionam com a escola há um período
superior a 10 anos.
maneira que o novo cliente. Vale ressaltar que o custo de
captação de um novo cliente é mais elevado que o custo
de manutenção do cliente. Muitas vezes, gasta-se recurso e
energia olhando para fora dos muros da escola esquecendo
o potencial do cliente.
Outro fator a destacar é que esse mesmo cliente tem expectativas diferentes ao longo desse relacionamento. Quando
seu filho está na Educação Infantil, o tratamento da criança
é determinante para a durabilidade desse contrato. Já, no
Ensino Médio, os responsáveis buscam solidez na formação
para que seus filhos possam buscar uma colocação no
Ensino Superior.
A escola deve elaborar no Setor de Atendimento, estratégias
para captação de novos clientes e para a manutenção dos
clientes de longa data.
Se a escola possui grandes desafios para atender mais e
melhor a longo prazo, como deveria ser estruturado o Setor
de Atendimento ao Cliente?
Assim como o Pedagógico e o Administrativo são setores
determinantes para a longevidade da escola, o Atendimento
ao Cliente é um setor que deve ser acompanhado de perto
pelos gestores da escola.
Além de uma atenção especial, o Atendimento ao Cliente,
deve ser um setor estruturado com as atividades bem definidas para cada colaborador tendo este passado por uma
seleção bastante criteriosa. O jargão “a pessoa certa, no
lugar certo” cabe perfeitamente a essa função.
Já que as etapas de estruturação e a seleção já foram
mencionadas, também é importante salientar que os colaboradores que estão no setor devem ser muito bem formados
e conhecer a fundo os serviços oferecidos pela escola.
Lembrar sempre que o objetivo de cada encontro é buscar
soluções para atender, se possível, a todas as necessidades
levantadas pelo cliente.
O sucesso do trabalho não ocorre só no fechamento do
contrato, mas também na manutenção desse relacionamento ao longo dos anos. Por isso, o cliente de longa data
não pode ser tratado de forma diferente, pois deve ser
atendido sempre que houver uma necessidade levantada.
Ao falar em cliente de longa data, estamos falando daquele
que está conosco desde longa data, que, por questões de
falha de comunicação, às vezes, não é atendido da mesma
22
REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
Para finalizar, sugerem-se algumas estratégias que podem ser elaboradas pela escola e que contribuem para o
atendimento e fidelização dos clientes: descontos para
matrículas antecipadas, bonificação para pagamentos
pontuais, benefícios para os adimplentes e opções para
o parcelamento da anuidade.
No Atendimento ao Cliente, os verbos “ouvir” e “atender”
são os direcionadores da atividade.
Vanize Pacheco de Araujo Allessi
Assessora da Área Financeira
da Editora Positivo
[email protected]
Parceria
Parceiros de
CONFIANÇA
A
o longo dos últimos anos, o Centro de Criatividade
Infantil (CCI) de Samambaia (DF), preocupado com
as mudanças nos processos educacionais de conteúdo para desenvolvimento das competências, desenvolveu
com a ajuda de seus professores e coordenadores e da
T1-tecnologia, um sistema gerenciador pedagógico (CCI
WIN). Esse sistema passou a organizar competências,
habilidades, conteúdos, registros de aulas, registros de
supervisão, resultados da aprendizagem, compartilhar
todas essas informações com pais, alunos e professores,
e a integrar tais dados para auxiliar os gestores nas ações
de planejamento da instituição educacional.
Sendo o Sistema Positivo de Ensino um grande parceiro,
tivemos a oportunidade de conhecer o sistema e propor
uma evolução do CCI WIN para o GERO-pedagógico,
fazendo a integração de mais outros dados, tais como: links
do Portal Positivo, aperfeiçoamento das tecnologias
de utilização, uso do banco de questões
do Portal, entre outros, melhorando ainda mais aquele
primeiro sistema, e abrindo a possibilidade de o GERO
ser utilizado pelas escolas conveniadas.
Em breve, os gestores das escolas conveniadas terão a
oportunidade de usufruir do GERO – que reúne diversos
dados, hoje soltos dentro das escolas, numa só base para
compartilhar com pais, professores e alunos, e tomar
decisões importantes para os desempenhos pedagógico
e administrativo da escola.
Clayton Braga
Diretor do Centro de Criatividade (CCI)
de Samambaia (DF)
www.portalcci.com.br
@cciccisenior
Para conhecer melhor o GERO, acesse:
www.editorapositivo.com.br/gero
23
Aperfeiçoamento
Reciclando
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Foz do Iguaçu
Um sucesso.
CERTIFICAÇÃO
O Sistema Educacional Vieira
Media, de Cravinhos (SP),
recebeu neste ano o Selo ESCOLA
SOLIDÁRIA 10 ANOS, do Instituto
Faça Parte. A iniciativa reconhece o
Voluntariado Educativo nas escolas
privadas e públicas de todo o
Brasil. Parabéns!
60 anos
ora do
O Instituto Nossa Senh
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Laranjas e Livros
Ao som de Laranjas Maduras,
do CD Músicas do material
didático do G4 e G5, os alunos
do Colégio Eagle, de Cotia
(SP), aprenderam um pouco
sobre os benefícios da fruta no
projeto de mesmo nome. Outra
experiência dos pequenos foi uma
homenagem à obra de Monteiro
Lobato, em comemoração ao Dia
Nacional do Livro infantil.
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24
REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
Leitura
A 1ª. Feira do Livro, com o tema “Ler, verbo que move
mundos”, do Colégio Santa Rosa de Lima, de Lages
(SC), transformou a instituição em palco da cultura
lageana com diversas atividades culturais.
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ional.
ULBRA
A Rede ULBRA (RS) compartilha diversas
novidades: nos colégios São Pedro e Concórdia
acontece o projeto Odonto na Escola,
oferecendo atendimento gratuito à comunidade.
A ULBRA comemora ainda a participação de
24 estudantes do Ensino Médio em equipes
de pesquisas de Iniciação Científica da
Universidade Luterana do Brasil, pelo CNPq,
nas áreas de Genética, Química, Biologia,
Palinologia e Ensino de Ciências.
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Incentivo à leitu
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do Leitor, para vivencia
literário.
imaginação do universo
Feira de Ciências
Os eventos do Colégio
Semear, de São Paulo
(SP), são referência por
abordar temas de grande
relevância social em sua
Feira de Ciências. O
tema escolhido para este
ano foi “Consumismo e
Sustentabilidade”, que será
desdobrado em temas como
“Rota do Lixo” e “Valores”. Ao
término do projeto, acontece
uma exposição dos trabalhos
e das pesquisas.
TICs
Os alunos da 1ª. série do Ensino Médio em Formação
de Docentes do Colégio Bagozzi, em Curitiba
(PR), construíram linhas do tempo com o tema “As
tecnologias da comunicação e da informação na
educação”, sob a orientação da professora Cristina
Pereira Chagas.
Gincana Cultural
O Colégio Salvatoriano Bom
Conselho, de Passo Fundo (RS),
realizou sua 1ª. Gincana Cultural
envolvendo alunos do 6°. ano do
Ensino Fundamental ao 3°. do Ensino
Médio. Todas as atividades visavam
reforçar o espírito de equipe e a
solidariedade nos grupos. Um desfile
encerrou o evento em alto estilo.
Concurso
(SC),
de Florianópolis
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Visando melhorar a coorde
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trimestre deste ano,
foram promovidas, no 1º.
nha, de Campo Bom
no Colégio Santa Teresi
modalidades de
(RS), vivências nas diversas
Física.
lutas, durante a Educação
o
Inclusã
A inclusão foi discutida no Colégio Barão, de
Erechin (RS). A professora do 3°. ano do Ensino
Fundamental Carolina Salles e seus alunos
convidaram o professor da APADA Amauri
Miller e uma intérprete para explicar o que é
Libras e contar um pouco de sua história de
vida com a deficiência auditiva.
25
Ideias e Projetos
Colégio Dom Bosco – Ipiaú (BA)
“Revivemos a
trajetória do ícone
maior de nossa
literatura”
26
REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
Jorge
Amado na
escola
Obra do escritor
brasileiro inspira alunos a
mergulhar nos costumes
e na cultura da Bahia
C
onsagrado mundialmente, Jorge Amado sempre manteve em suas obras a discussão de temas marcantes.
Sua visão crítica permitiu, ao longo do tempo, construir um amplo painel da sociedade baiana. Com
tamanho legado, o escritor é sempre motivo para discussões
apimentadas, mas também para grandes homenagens e boas
iniciativas pedagógicas que envolvem professores, alunos, pais
e a comunidade. Ainda mais na região sul da Bahia.
No Colégio Dom Bosco, de Ipiaú – cidade que fica a pouco
mais de 130 km de Itabuna, onde nasceu Jorge Amado – o
centenário do escritor baiano foi celebrado de maneira intensa
em um projeto que contou com oficinas literárias e encenações.
O projeto foi aplicado do 9 º. ano do Ensino Fundamental à
3.a série do Ensino Médio e recebeu muita atenção na cidade.
“O estudo da obra do autor recebeu especial destaque para o
cenário característico utilizado por Jorge Amado, a linguagem
regional, a história do cacau e sua importância para as economias regional e nacional”, destaca o coordenador do projeto,
professor Robson Ribeiro.
Retratos da Bahia
Na primeira fase, as obras foram estudadas pelos alunos em sala
de aula, divididas conforme critérios escolhidos pela professora
de Literatura, Ana Maria Vidal. Foram selecionados os seguintes
livros: A morte e a Morte de Quincas Berro D’água, Capitães da
areia, Dona Flor e seus dois maridos, Gabriela cravo e canela,
Jubiabá, O país do carnaval, Terras do Sem Fim e Tieta do Agreste.
27
Ideias e Projetos
Cada turma ficou responsável pelo estudo de uma obra,
e recebeu o auxilio de um professor monitor para análises
dentro de cada disciplina. O projeto exigiu o aprofundamento na pesquisa dos mais variados temas abordados
por Jorge Amado: sincretismo religioso, cultura popular,
problemas sociais, política e amor.
Foi preciso delimitar objetivos para a discussão: demonstrar os problemas sociais presentes nas obras (infância marginalizada, lutas de classe, preconceito social, marginalização
das minorias); fazer uma análise da visão crítica de Jorge
Amado sobre o amor, a sensualidade e a decadência da
família; relacionar a atuação dele dentro do Modernismo; e
também o alcance popular de suas obras quando foram adaptadas para a televisão e o cinema. “A nossa escola sempre
nos surpreende com projetos maravilhosos. O Centenário de
Jorge Amado contou com o empenho de todos nós, alunos,
porque víamos em nossos professores o prazer de trabalhar e
o empenho em fazer bonito” afirma Marina Carvalho, aluna
da 2.a série do Ensino Médio. “Jorge Amado sempre esteve
Quem foi ele?
Jorge Amado nasceu em 10 de agosto de 1912, em Itabuna, sul da Bahia. Seu
pai era fazendeiro de cacau. Mudou-se para Ilheús com um ano de idade, cursou a Escola Secundária em Salvador e formou-se pela Faculdade Nacional de
Direito, no Rio de Janeiro. Publicou seu primeiro romance, O país do carnaval,
em 1931. Em 1945, casou-se com Zélia Gattai. Trabalhou como jornalista e também como deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Durante
três anos, permaneceu exilado na França. A obra literária de Jorge Amado foi
adaptada para cinema, teatro e televisão. Seus livros foram traduzidos para
49 idiomas. Jorge Amado morreu em Salvador, no dia 6 de agosto de 2001.
Foi cremado e, suas cinzas, enterradas no jardim de sua residência no dia
em que completaria 89 anos.
Fonte: Fundação Casa de Jorge Amado (www.jorgeamado.org.br)
“Vimos em nossos professores o
prazer de trabalhar e o empenho
em fazer bonito”
28
REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
presente na literatura de minha família porque meu pai e
minha mãe sempre fizeram questão de que nós tivéssemos
contato com livros clássicos”, complementa.
A 3 .a série do Ensino Médio ficou responsável pelo encerramento do projeto. Foi realizada uma encenação aberta
para toda a comunidade. “Para mim, foi muito gratificante
participar do projeto porque eu não conhecia a fundo a
biografia do autor. Fiquei feliz por poder dar vida a uma
personagem escrita por um autor tão brilhante”, conta o
aluno Caio Limeira. “Revivemos a trajetória do ícone maior
de nossa literatura regional em oficinas literárias e apresentações de palco que foram motivo de muito orgulho para nós”
destaca a diretora do Colégio Dom Bosco, Regina Pinheiro*.
*Fazem parte do corpo diretivo da escola Ana Maria Pinheiro,
Regina Pinheiro e Vanda Andrade. Elizabete Ribeiro é a
coordenadora pedagógica e Maria Verônica Dantas é a
professora de Arte.
“Amiga Vanda
[Andrade, diretora do Colégio Dom Bosco]
Recém chegados de Ipiaú, nós te dirigimos esta carta ainda sob
o peso da emoção contínua e crescente que vivemos durante o
tempo, tão curto e tão intenso, em que fomos hóspedes do povo
de tua cidade.
Poucas vezes em nossas vidas nos sentimos tão comovidos e tão
felizes. A festa do Colégio Dom Bosco foi incomparável em beleza,
em encanto, em ternura. Enquanto as crianças desfilavam na
representação de nossas vidas e nossos personagens, exibindo
graça e talento, nós riamos e chorávamos ao mesmo tempo.
Nossos corações foram sujeitos a uma dura prova: a festa de
teu colégio foi um ato de amor. Professores, funcionários e
alunos do Dom Bosco uniram-se na criação e no esforço do
inesquecível espetáculo.
Aqui estamos para agradecer a todos e a cada um deles.
Impossível citar os nomes, são muitos: Por isso mesmo
nos dirigimos a ti que fostes a idealizadora e comandante
em chefe, para te pedir que transmitas às crianças e aos
mestres do Dom Bosco nossa infinita gratidão.
Muito obrigados de todo o coração.
Receba, querida Vanda, um beijo afetuoso de teus amigos
Zélia Gattai e Jorge Amado.”
29
Ideias e Projetos
30
COLÉGIO SANDRA CAVALCANTE – MANAUS (AM)
REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
Welcome
to London
Feira de conhecimento e cultura
destaca importância do
Sistema Positivo de Ensino
S
ede das Olimpíadas no ano passado, Londres serviu de
tema para a Feira de Conhecimento e Cultura do Centro
Educacional Sandra Cavalcante (CESC), em Manaus. O
projeto também fez com que alunos, pais e professores se
aprofundassem no método pedagógico oferecido pelo Grupo
Positivo. “O resultado foi fantástico, todos se envolveram e os
pais ficaram mais satisfeitos com as respostas claras e diretas dos
pedagogos”, destaca a diretora do CESC, Ziza Fátima Martins
de Oliveira.
Em 2012, os estudantes da Educação Infantil ao Ensino Médio
participaram do evento interdisciplinar, focado na cultura e
na língua britânica. Responsável pelo projeto, a supervisora
Vanessa Martins Melo explica que a feira visa à integração
da escola com a família e a comunidade. “Desenvolvemos
o hábito da leitura, da pesquisa à habilidade artística.” Da
escolha do tema à apresentação final dos trabalhos, foram
quatro meses de produção de conteúdo e ensaios e muita
participação da família. “Senti e vi nos olhos dos pais um brilho
nunca visto”, relembra a diretora, que salientou a proposta
pedagógica do Sistema Positivo de Ensino. “O método faz
com que o aluno busque a pesquisa, leia, interprete, tome
iniciativa e elabore as próprias opiniões.”
31
Ideias e Projetos
Grandes autores
Na opinião de Gustavo Morais, que está no 9º. ano, participar da feira trouxe mais conhecimento de forma lúdica.
“Procuramos ornamentar uma sala como se estivéssemos
em Londres. Assim, os visitantes conheceram um pouco
da arquitetura, da música, do teatro e da gastronomia da
Inglaterra.” Katherine Loureiro, também do 9º. ano, gostou
da diversidade cultural que a equipe dela pode mostrar
ao final das pesquisas. “Foram interpretados personagens
como Alice no País das Maravilhas, o famoso detetive das
crônicas inglesas Sherlock Holmes, e o casal real, Kate
Middleton e o príncipe William.”
A escolha da cultura inglesa, justifica Vanessa, foi para
sensibilizar os alunos da importância do idioma inglês
como instrumento de comunicação universal. “Cultivar uma
linguagem estrangeira leva o aluno a integrar-se ao mundo
atual, caracterizado pelo avanço tecnológico e pelo grande
intercâmbio entre os povos”. A supervisora conta que, ao
final da Feira de Conhecimento e Cultura, os estudantes fizeram apresentações de dança, de peças de teatro, palestras
e também brincadeiras. O evento foi aberto à comunidade.
Os alunos foram avaliados pelo desempenho, pelo domínio
de conteúdo e pela interação da equipe.
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REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
“Cultivar uma linguagem estrangeira
leva o aluno a integrar-se ao mundo
atual, caracterizado pelo avanço
tecnológico e pelo grande intercâmbio
entre os povos”
Vanessa argumenta que quando os estudantes são desafiados a construir um projeto com pesquisas científicas de
maneira mais divertida, livre, “há uma quebra de paradigma” na estrutura educacional. “O professor deixa de ser
um expositor de informações e passa a ser um orientador”.
Vanessa ainda acredita que propostas como a da Feira
do Conhecimento e Cultura, servem de motivação para
que a aprendizagem escolar se torne mais duradoura.
Bastante entusiasmada com o sucesso da iniciativa, ela
conta que a maneira como a feira se desenvolveu também
influenciou as atividades de outras disciplinas. Temas abordados em História viraram peças de teatro. A Matemática
foi parar em aulas dentro de lojas e supermercados. E
até jogos eletrônicos foram usados na Educação Física.
“Dessa forma, não atingimos o nosso objetivo apenas com
os alunos, mas também com os pais e professores.”
33
Ideias e Projetos
COLÉGIO drummond – cianorte (pr)
Cara a cara
com o autor
Projeto que une leitura
e criação de textos
completa dez anos
transformando alunos
em escritores
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REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
“Nosso objetivo é integrar
cada escola e despertar o
gosto pela leitura”
A
dedicação à leitura e também à criação literária são as marcas registradas do projeto
“Conhecendo um Autor”, que é realizado
há uma década pelo Colégio Drummond,
em Cianorte, no noroeste do Paraná. A cada início
de período letivo, os professores selecionam vários
livros para que os alunos definam, por votação, de
cinco a oito obras que serão lidas durante o ano.
“Essa prática gera uma motivação, pois o estudante
se sente parte do processo”, explica a coordenadora
Lúcia Moro. O trabalho envolve todas as turmas do
Ensino Fundamental 1 e do 2. A preferência é para
os escritores brasileiros que tenham uma quantidade
grande de obras publicadas e que se encaixem nos
conteúdos desenvolvidos em cada ano.
Depois de mergulhar nos textos de autores consagrados, os alunos são incentivados a escrever e ilustrar o
próprio livro, como parte das atividades das aulas de
Língua Portuguesa e Comunicação e Literatura. Essas,
no entanto, não são as únicas disciplinas envolvidas.
O objetivo é integrar toda a escola e, assim, despertar
o gosto pela leitura.
A produção literária é organizada de acordo com a
faixa etária. O livro do 1º. ao 4º. ano chama-se Pequenos
autores, e do 5º. ao 9º. ano, Sentimentos em ação. Os
anos também seguem gêneros diferentes: do 1º. ao
5º. ano, narrativa; para o 6º. ano, acróstico; a poesia
é a escolhida para os alunos do 7º. ano; no 8º. ano é
o monólogo; e as opções para o 9º. ano são o conto
ou a crônica.
Ideias e Projetos
Celebração da leitura
O encerramento do projeto acontece durante a "Noite
Literária", quando um escritor escolhido pelos alunos,
professores e equipe pedagógica é convidado a
participar de uma animada celebração. Na definição
do autor homenageado, o quesito popularidade é
levado em conta. Outro critério é que ele tenha várias
obras publicadas. Os livros são lidos e discutidos em
sala de aula. Depois disso, são organizadas apresentações artísticas para que as crianças e os adolescentes
mostrem um pouco do que aprenderam.
Toda a comunidade escolar é convidada a participar
desse momento, que acontece sempre no mês de novembro. Os pais recebem os livros produzidos por seus
filhos com uma dedicatória escrita por eles. Depois
disso, quem entra em cena é o autor. Ele responde a
perguntas dos estudantes, autografa os livros que eles
leram durante o ano e tira um foto com cada turma para
registrar o encontro. A “Noite Literária” se transforma
em uma celebração da leitura na cidade. Em 2011,
uma das homenageadas foi a autora Heloísa Prieto, que
teve adaptadas as obras Pedro e o Lobo, A dona da Bola
e A dona da história, Mano descobre a Arte, Mano descobre
a Liberdade, O cachorro que sabia dar risada e A guerra dos
gatos contra a bruxa da rua. Para 2013, os escritores eleitos
foram Lourenzo Cazarré, Fernando Sabino, Cristina Porto
e Marcelo Duarte. Para a noite literária de 2013, um
dos homenageados será o escritor paranaense Paulo
Venturelli.
A coordenadora lista, com orgulho, alguns dos autores
que já estiveram no Colégio Drummond: Marcia Kupstas,
Rosana Rios, Julio Emilio Braz, César Obeid e Alvaro
Cardoso Gomes. “Já recebemos o Pedro Bandeira duas
vezes. No ano passado, os alunos ficaram encantados
com a Ana Lee. Alguns deles compraram todos os livros
dela”, conta Lúcia. Ela comemora a melhora significativa dos alunos na produção e na interpretação de
textos. “Com este trabalho, despertamos vários leitores
que passaram a ser visitantes assíduos da biblioteca.
Principalmente porque os livros são discutidos em sala
e usados em diversas atividades”, destaca.
Sonho mágico
Sonhei que era uma fada
com minha vara de condão
comecei a melhorar
o que estava em destruição.
Mudei tudo o que queria
menos a educação
respeito a maioria tem
os outros só fazem poluição.
Acabei com as drogas
e com as doenças também.
Criei mais escolas
para propagar o bem.
Esse sonho foi tão bom
que nem queria acordar,
e se o mundo fosse assim
Todo mundo queria sonhar.
Produção de texto da aluna Julia Martins Hernandes,
do 7o. ano, que faz parte do livro Sentimentos em ação.
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REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
“Com esse trabalho, despertamos
vários leitores que passaram a ser
visitantes assíduos da biblioteca”
O que eles dizem
“A Noite Literária e o Conhecendo um Autor são
projetos interessantes e que valorizam a literatura
– um meio de comunicação importante que está
perdendo o valor por conta da tecnologia. Esses
projetos nos mostram que os livros são essenciais,
que devem ser lidos e apreciados.”
Nathiele Mucio Ferreira, 8 .o ano
“É algo realmente bom estar à frente do autor
de um livro que nós já lemos. Também podemos
perguntar a ele de onde veio a inspiração do livro
e dos personagens.”
Guilherme Luiz Batista, 8 .o ano
“O projeto literário contribuiu muito para que eu
adquirisse o gosto pela leitura. Tínhamos a honra
e o orgulho de conhecer autores importantes,
que de uma maneira ou de outra, faziam parte
de nossa história pelos seus livros.”
Sérgio Bezerra P. Júnior, ex-aluno do Colégio
Drummond e estudante de Psicologia na Universidade
Estadual de Maringá (UEM)
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Ideias e Projetos
colégio crescer – contagem (mg)
Jovens
cientistas
Com trabalhos inéditos, alunos
do Colégio Crescer,
de Contagem (MG), são finalistas
de feira nacional de Ciência
e Tecnologia
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REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
“A Internet é fantástica para
pesquisa, mas a ideia que está lá
não é do estudante”
O
professor de Geografia Joelton Carneiro
de Lima não esconde a empolgação com a
classificação dos trabalhos de três de suas
alunas para a Feira Brasileira de Colégios
de Aplicação e Escolas Técnicas (Febrat), realizada pela
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A felicidade
fica mais evidente quando o professor celebra a vitória
sobre as cópias da internet que os estudantes costumam
fazer em projetos de pesquisa.
chance de apresentar a pesquisa. Dessa vez, com muito
mais qualidade e reflexão. Essa foi a oportunidade para
que o professor debatesse com as turmas a importância
da tecnologia e a maneira correta de utilizá-la. “A internet
é fantástica para pesquisa, mas a ideia que está lá não é
a do estudante. Ele tem que tentar entender o que copiou
e, depois, ele cria, ele redige com uma visão crítica aquilo
que ele pesquisou na internet”, destaca o professor.
No total, quase 100 textos de alunos do 8.º e 9.º anos
do Ensino Fundamental chegaram ao professor, que os
avaliou um a um entre os meses de abril e setembro de
2013. A tarefa mais desafiadora foi envolver os estudantes para que eles realmente se dedicassem a conhecer a
fundo o tema escolhido. “Na primeira avaliação, percebi
que metade dos projetos haviam sido copiados”, conta
Joelton. Resultado: quem copiou tirou zero e teve uma nova
Da vida para a escola
O professor estipulou um tema livre, que “inquietasse”
seus alunos para desenvolver as pesquisas. A variedade de
assuntos foi grande, passando pelas redes sociais e a eletricidade até às famigeradas espinhas, que tanto atormentam os adolescentes. “A menina que fez o trabalho sobre
saúde e beleza, por exemplo, ficou muito impressionada
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Ideias e Projetos
“Instigamos e promovemos os alunos
como produtores de conhecimento e não
apenas assimiladores de conteúdo”
com a amiga que sofreu uma reação alérgica a um tipo
de maquiagem bem famosa”, conta Joelton. Isabela Ester
Santos Cruz, do 8.º ano, autora do projeto “Maquiagem,
moda e saúde”, gostou do resultado. “Esse grande desafio
foi ao mesmo tempo árduo e estimulante. O professor
trabalhou muito conosco e senti meu crescimento.”
As outras duas classificadas para a Febrat também cursam o 8.º ano. Bárbara Gomes Ribeiro escreveu sobre
tatuagens. E os armamentos nucleares foram o tema de
Raquel Pereira Pêgo. “Vou levar essa conquista para toda
a minha vida”, comemorou Raquel. Bárbara também
celebrou a classificação. “Todo trabalho, esforço, empenho e tempo usado em pesquisas, redações e revisões
tiveram resultado. Pesquisa é minha paixão. Fazer ciência
é muito estimulante.”
Durante os dez dias da feira, realizada em outubro, alunas e
professor apresentam os trabalhos na Universidade Federal
de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Além dos julgadores
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REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
dos trabalhos, alunos de colégios públicos e privados da
capital mineira são convidados a visitar a Febrat. Na opinião de Carolina Francione, supervisora pedagógica do
Colégio Crescer, a iniciativa conseguiu demonstrar que o
ensino ultrapassa os limites da sala de aula. “Instigamos e
promovemos os alunos como produtores de conhecimento
e não apenas como assimiladores de conteúdo.”
O professor explica ainda que os projetos também sofreram um processo de seleção natural. Houve um momento
em que os alunos receberam notas pelo que haviam
apresentado e só continuaram a escrever os estudantes
que mostraram interesse em se aprofundar nos temas
propostos. “Eu sempre digo aos alunos que existe uma
diferença entre o professor que eu sou, e o professor
do passado – que era considerado o dono da verdade.
Eu sou um facilitador. Digo a eles: eu prefiro que vocês
duvidem de tudo o que eu digo. Aí eles vão pra internet,
perguntam ao Google, obtêm a resposta e voltam muito
mais interessados”, comemora.
Incentivo à pesquisa
A Feira Brasileira de Colégios de Aplicação e Escolas Técnicas (Febrat) está sendo
realizada pela primeira vez em 2013. O projeto da Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG) é de abrangência nacional e tem como tema “Ciência,
Saúde e Esporte”. Participam da Febrat estudantes de escolas públicas e particulares, e também de escolas técnicas públicas e privadas.
Os participantes foram divididos em duas categorias. Na Categoria A, ficaram
os alunos do Ensino Fundamental, com faixa etária de seis a 14 anos.
Na categoria B, os estudantes do Ensino Médio ou Técnico (1.a, 2.a e 3.a séries),
na faixa etária de 15 a 18 anos. Serão apresentados 100 projetos finalistas por categoria.
Uma comissão julgadora classifica os três melhores trabalhos de cada uma delas. Esses projetos
recebem prêmios de incentivo à pesquisa e à iniciação científica.
Handwritten
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Sua Escola
Educação Integral
no cenário
educacional brasileiro
A
tualmente, educação integral em tempo integral é
o assunto em destaque, mas vale a pena ressaltar
que a concepção de educação integral remonta a
Antiguidade Clássica. Na Grécia Antiga, a educação tinha
por objetivo formar homens em sua totalidade, ou seja, nas
diferentes dimensões: ética, física, estética, moral...Apartir
do século XVIII, baseado nos ideais da Revolução Francesa
ampliaram-se os estudos, as reflexões e as
contribuições no que diz respeito à
educação integral.
No movimento histórico
brasileiro, a discussão
sobre educação integral
surgiu num cenário
político fortemente relacionado
ao movimento
renovador na
educação das
décadas de 1920
e 1930, inaugurado com
os debates político-ideológicos de
educadores inconformados com a distorção do papel da escola enquanto instituição formadora de cidadãs e cidadãos. Esses
pioneiros no debate educacional renovador deixaram sua indignação registrada no Manifesto
dos Pioneiros de 1932. Nessa trajetória, Anísio
Teixeira trouxe a proposta de Escola Parque (Centro
Educacional Carneiro Ribeiro, 1953). Em 1980
ocorreu a implantação dos Centros Integrados
de Educação Pública por Darcy Ribeiro (CIEPs).
Em 1988, a Constituição Federal e, em 1990,
o Estatuto da Criança e do Adolescente, visam
ao aumento da jornada escolar e à consolidação
do acesso aos direitos básicos da criança e do adolescente. A Lei Orgânica da Assistência Social (1993) e a
Lei de Diretrizes e Bases(1996) reforçam os preceitos da
atenção integral. Em 2007, o Programa Mais Educação
MEC foi criado como uma estratégia do governo federal
para induzir a ampliação da jornada escolar e a organização curricular, na perspectiva da educação integral.
A concepção de educação integral nos últimos anos tem sido
motivo de amplos debates, estudos e pesquisas. No entanto,
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REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
ainda hoje há distanciamento entre o que é debatido pelos
intelectuais da educação e a realidade do cotidiano escolar.
Ao visualizarmos o quadro educacional brasileiro, vemos
um cenário complexo e desafiante, ainda distante dos
princípios e fins previstos legalmente. A escola de educação
básica, mesmo com todos os esforços empenhados nas
duas últimas décadas na elaboração de políticas públicas
pautadas no acesso, permanência e sucesso escolar, ainda não garante esse direito a todos os brasileiros.
Na maioria dos países desenvolvidos, a ampliação
da jornada escolar não é novidade. Na realidade brasileira, as políticas públicas
de educação acenam nessa
direção, pois, com a
perspectiva da garantia de uma jornada
mínima de 7 horas
diárias pretende-se garantir a efetivação de processos
escolares de qualidade. No entanto, não basta ampliar a jornada sem
prever projetos educativos
significativos para crianças
e adolescentes. Pensar um
tempo com qualidade é ir
além dos conteúdos curriculares. É buscar, por meio das práticas
construídas com educandos e educadores, a construção de um currículo integrado,
vivo, na direção de uma educação transformadora, em permanente diálogo com o contexto, com conteúdos que nascem desse contexto.
O processo educativo, seja ele em tempo integral ou
parcial, deve contribuir para a apropriação de conhecimentos significativos que propicie aos indivíduos a ampliação
de suas potencialidades, uma tomada de consciência
sobre si mesmo, de tudo a sua volta, de seu lugar no
mundo e das possibilidades de intervenção na realidade.
Janesley Aparecida Rank
Pedagoga e Psicopedagoga
[email protected]
a gestão como
alicerce da escola
O
tema da qualidade em Gestão não é algo inédito
dentro do ambiente escolar. O que se percebe
é que, há algum tempo, essa temática ganha
ampla evidência no contexto educacional. Atualmente,
a instituição escolar constatou a evidente necessidade de
se expandir o planejamento para além da sala de aula.
É preciso planejar todas as ações da escola. A Editora
Positivo sempre esteve preocupada com essa temática e,
por esse motivo, lança o gero.
A origem da palavra "gestão" vem do verbo latino gero, cujo
significado é levar sobre si, carregar, chamar a si, gerar.
Foi pensando nesses adjetivos que o gero foi idealizado.
Essa solução permite que a equipe diretiva, os alunos e
família tenham as informações da escola atualizadas o
tempo todo e em “pronta entrega”.
Gestão
Aperfeiçoamento
Gero
melhoria dos resultados das escolas. Essas “boas práticas”
das escolas, serão concentradas em um banco de dados
e servirão como base para a troca de experiências entre
as próprias escolas.
Ainda, a solução de gestão gero proporciona formação
continuada, buscando intensificar o perfil de liderança e
inovação dos gestores. Qualificação de gestores, acrescentado de dados consistentes e relevantes, constitui o caminho
que todos os envolvidos devem trilhar no intuito de zelar
pela aprendizagem dentro e fora do ambiente escolar.
Milena Fiuza
Gestora do Projeto Gestão Escolar
da Editora Positivo
[email protected]
Pensar na Gestão Escolar como algo integrado, é entender
que não se trata somente dos aspectos administrativos e
financeiros e, sim, de todas as áreas. Nessa etapa inicial,
o gero tem seu trabalho focado na gestão pedagógica,
na gestão de indicadores e formação de lideranças.
O gero considera a gestão pedagógica como uma
das prioridades da escola. Sendo assim, na solução de
Gestão da Editora Positivo, os professores podem realizar
o planejamento de aula, tarefas e demais atividades de
sala, e ainda, compartilhar com a família para o acompanhamento. A finalidade é aproximar a família da escola,
permitindo que ela acompanhe especialmente o rendimento
pedagógico dos alunos.
Paralelamente, o gero aborda a questão do acompanhamento de indicadores, que tem como objetivo auxiliar
a escola na tomada de decisões pautada em dados e
informações indispensáveis para quem busca qualidade
na educação.
Os indicadores elaborados por uma equipe especializada,
com foco na escola privada, permite que cada instituição
tenha uma “fotografia” de sua real situação. Com os registros dos indicadores, é possível construir um histórico,
compilar dados, fazer comparações, ampliando a visão
da escola sobre seu contexto.
Com essa gestão de indicadores, surgirão novas e boas
práticas por meio da realização de planos de ações para a
43
Marketing e
Relacionamento
Melhoria contínua
A avaliação dos alunos é etapa essencial no
aprimoramento da escola e da aprendizagem
Ensinar, aprender e avaliar. As palavras se complementam e formam,
também, o ciclo do ensino de qualidade. E para sabermos se o que foi
ensinado foi de fato aprendido, é
preciso mensurar, testar e analisar.
A avaliação tem um papel fundamental no planejamento pedagógico.
Por meio dela, é possível perceber
lacunas, alterar rumos e garantir que
tanto o aluno quanto o professor alcancem os objetivos esperados.
Para auxiliar as escolas nesse processo, a Editora Positivo desenvolveu o hábile – Sistema de Avaliação
Positivo – Ensino Médio on-line. Com
ele, é possível verificar o desempenho dos alunos de 1.a ao 3.a série de
forma ágil e organizada. Um dos
diferenciais é a forma como o aluno é
analisado. Além da coleta de dados
de diferentes disciplinas, o hábile
oferece questionários que analisam
o perfil do estudante, levando em
conta sua realidade socioeconômica
e cultural, entre outros fatores.
As informações também permitem
que a escola entenda os fatores que
interferem direta ou indiretamente
nas condições de ensino. “Este
novo produto atende às necessidades geradas pelo Ministério
da Educação no que se refere
à melhoria permanente da
educação básica no Brasil.
O MEC tem o compromisso de monitorar os
resultados dos sistemas
educacionais”, explica
Margil Feller, supervisora
de Avaliação Educacional,
da Editora Positivo. Para a
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44
REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
elaboração do hábile, foi utilizada a mesma metodologia
já consagrada e adotada pelas avaliações oficiais. Dessa
forma, é possível comparar os resultados entre as diferentes
escolas, turmas e anos escolares, levando em consideração
o que é esperado para cada etapa de ensino. “Com esse
produto, a Editora Positivo pretende consolidar suas ações
educacionais, produzindo informações confiáveis para uma
gestão pedagógica cada vez mais eficaz”, completa.
Gestão pedagógica
Saiba como o hábile – Sistema de Avaliação
Positivo pode contribuir com a sua escola.
Informações à mão – é possível coletar e sistematizar informações sobre o rendimento dos alunos
por meio de testes que analisam o status cognitivo.
Questionários contextuais – avaliam em que
medida os fatores sociodemográficos, socioeconômicos e socioculturais interferem na aprendizagem
dos alunos.
Ensino de qualidade – o sistema auxilia a
escola a refletir sobre as políticas e práticas
educacionais internas.
Enem – a avaliação envolve as 14 disciplinas do
Ensino Médio, agrupadas em quatro áreas distintas, conforme as do Exame Nacional do Ensino
Médio: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias;
Matemática e suas Tecnologias; Ciências da
Natureza e suas Tecnologias e Ciências Humanas
e suas Tecnologias.
O hábile – Sistema de Avaliação Positivo é um produto pedagógico
de avaliação educacional externa e aprendizagem em larga escala. Ele
tem como objetivo principal contribuir com a escola na reflexão de
suas políticas e práticas internas, adequando os processos de gestão,
de ensino e aprendizagem às demandas educacionais, por meio da
verificação do desenvolvimento de competências e de habilidade dos
alunos. Em parceria com a escola, visa também à busca pela qualidade
do ensino no país.
Características
No Ensino Fundamental, verifica as disciplinas de Língua Portuguesa (enfoque na leitura), Matemática (ênfase
em resolução de problemas) e Ciências (enfoque nos fenômenos naturais e na tecnologia);
No Ensino Médio, verifica as 14 disciplinas, agrupadas em quatro áreas.
Confere, ainda, se os alunos têm a capacidade de raciocinar, coordenar e produzir informações significativas
e fazer inferências.
Para saber mais, acesse: www.editorapositivo.com.br/habile
45
45
Pluralidades
Os fins não justificam
os meios...
O papel da Mediação na Cultura de Paz
Sob que égide viveremos no futuro?
Tal questão remete a refletir sobre
as lições da história pela qual passamos (ou vivenciamos atualmente suas consequências) bem como
nosso papel na construção do próximo século.
O nosso histórico sociocultural demonstra que se faz necessária uma
nova ordem mundial para que se
possa resolver os conflitos de forma
não violenta. Essa ordem precisa
estar inserida nos princípios e nas
ações da convivência humana, num planeta com crescimento
populacional que tende a ultrapassar os nove bilhões de
habitantes em 2050, segundo a ONU.
Com o aumento das propostas democráticas na política, nas
empresas e nas escolas em que se tem buscado um crescente
reconhecimento dos direitos das minorias, novas relações de
trabalho e comércio, e pedagogias inovadoras, surge uma
inflação de conflitos impregnados de justificativas vãs, voltadas
a defender seus objetivos a qualquer custo, pregando que “os
fins justificam os meios”.
Nesse cenário, é preciso haver uma mudança de paradigma
diante das verdades absolutas, muitas vezes provenientes de
tentativas equivocadas de resolver os conflitos na busca de
culpados e inocentes, certos e errados.
O ser humano possui uma visão dos conflitos de forma ainda
muito negativa. Porém, sabe-se que os conflitos produzem reflexão, crescimento e mudanças de atitudes, as quais possibilitam
transformações pessoais, sociais e históricas muito profundas.
Estamos vivendo na era da mediação, na qual a resolução
dos conflitos provém de processos pragmáticos, construídos
com a parceria das partes, utilizando técnicas de comunicação
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REVISTA
REVISTAA&E
A&E||ANO
ANO14
14||NNo. o.23|
23|OUTUBRO/2013
OUTUBRO/2013
humana, com o respeito às diferenças e particularidades, e
sendo desenvolvido por critérios e estratégias aplicáveis a
cada caso.
As relações humanas, quando partilhadas com respeito mútuo,
agregação de valores, aceitação da diversidade pluricultural
e participação democrática, entre outros, levam à conscientização e à prática do que chamamos de civilização.
Todo o trabalho que pretende promover a paz e auxiliar na
resolução de conflitos precisa ter início nos pequenos gestos,
nas pequenas coisas que acontecem no dia a dia dentro da
família, da escola, do ambiente de trabalho e na sociedade.
A mediação vem complementar as propostas pedagógicas
atuais que já desenvolvem a humanização das relações, buscando criar gerações que possam aceitar opiniões diversas,
conviver com as diferenças e desenvolver suas emoções de
modo consciente e positivo, diante de conflitos, buscando
acordos que sejam bons para ambas as partes e soluções
encontradas com a participação dos envolvidos.
É preciso trabalhar desde a formação escolar inicial das nossas
crianças com os princípios da mediação, para formar um hábito espontâneo do papel de cada um no desenvolvimento da
cultura de paz, a qual será traduzida com o passar do tempo,
numa transformação social baseada na solidariedade.
Elka Padilha
Coordenadora Pedagógica
da Editora Positivo
[email protected]
Por dentro
Aperfeiçoamento
do Positivo
Escola digital
segura
N
os últimos anos, a tecnologia invadiu a sala de aula e
mudou o jeito de docentes e dicentes se relacionarem.
Ter computador na escola já não é mais diferencial
de ensino. As famílias buscam escolas que ensinem os jovens
sobre segurança no uso das ferramentas tecnológicas. Mas
como a Escola pode planejar todas essas ações e mostrar o
resultado alcançado? Foi enxergando essa necessidade, que
foi criado o “Selo Escola Digital Segura”.
O Selo que foi idealizado pelo i.START, instituto que abriga o
Movimento Família Mais Segura na Internet, é inédito no mundo na categoria educacional, e foi encampado pela Editora
Positivo para apoiar no processo de transformação, renovação
e inovação das escolas que adotam seu sistema de ensino. O
objetivo é promover avaliações nas escolas brasileiras quanto às
orientações que os jovens e as crianças estão recebendo com
relação ao uso das ferramentas digitais e, consequentemente,
seu reflexo no comportamento na internet.
Sendo assim, por meio da parceria serão feitas análises minuciosas do nível de excelência da educação digital nas escolas.
Aquelas que apresentarem boas práticas e uma grade de ensino
que oriente para uma conduta ética e segura no meio digital
receberão uma certificação identificada pelo “Selo Escola
Digital Segura”. O Selo será importante na identificação das
escolas preocupadas com o futuro e a formação dos jovens
quanto ao uso das ferramentas digitais. Vai apoiar, ainda, o
crescimento sustentável do uso da tecnologia na educação e,
em conjunto, auxiliar na implantação de um plano de ação
e de formação continuada de gestores, professores, equipes,
alunos e familiares.
A meta é disseminar a importância da educação digital e
elevar o nível de relevância do uso seguro, ético e legal, seja
da internet, das mídias sociais, dos celulares e tablets que
cada vez mais estão presentes na sala de aula. A expectativa
é de que, em 2013, aproximadamente 20 escolas recebam
o Selo e, para 2014, a previsão é de alcançar 100 escolas
em todo o Brasil.
A certificação tem como diferencial ser voltada especialmente
para o ambiente de ensino e traz quatro categorias ou níveis.
O primeiro, que é o tecnológico, visa medir o grau de uso de
tecnologia no ensino, o quanto a escola já possui de infraestrutura tecnológica. O segundo nível, que é o normativo, mede
o grau de governança em TI da escola, ou seja, o quanto há
regras claras já implementadas sobre o uso dos recursos. O
terceiro nível é o pedagógico e visa analisar o quanto o uso
da tecnologia, em especial do computador e da internet, já
está inserido no plano de aula dos professores, bem como o
quanto estes estão preparados para ensinar sobre o uso seguro das tecnologias e se a escola está implementando aula
sobre os temas de ética e segurança digital em seu conteúdo
programático. E o último nível, que é o social, premia as escolas que estão alcançando a formação da família brasileira
e realizando palestras de conscientização, com a missão de
criar mais cultura de segurança digital e, por sua vez, contribuir
com o modelo de sustentabilidade da escola digital no país.
Disseminar a importância da educação digital é uma opção
também para minimizar riscos nas próprias empresas. As crianças e os adolescentes em idade escolar serão os consumidores
e profissionais no futuro que podem, ou não, colocar a reputação das empresas em risco. Orientar esse público significa
preparar cidadãos. As instituições públicas e privadas têm o
dever de investir na realização de campanhas educacionais
com foco na conscientização e prevenção de incidentes digitais.
Isso inclusive tem um viés jurídico e mostra que as instituições
cumprem seu papel perante a sociedade.
A parceria entre i.START e Editora Positivo surge exatamente para
suprir a necessidade de multiplicar e disseminar uma formação
pautada também pela educação digital no país e destacar
as escolas que investem em ações preventivas de segurança
digital. Vai contribuir com a análise de quanto os jovens estão
sendo orientados nas escolas sobre uso seguro das ferramentas
digitais e preparar professores para que orientem crianças e
adolescentes em relação ao comportamento na internet.
Por fim, espera-se que o resultado alcançado aumente o número
de crianças e jovens mais preparados para o mundo digital,
quer seja na vida pessoal ou profissional, além da redução de
problemas, como o cyberbullying e o excesso de eposição de
vida íntima nas redes sociais que facilita o assédio e a pedofilia,
bem como situações envolvendo infração de direito de imagem
e de direitos autorais.
Patricia Peck Pinheiro
Advogada, especialista em Direito Digital. É sócia fundadora do Instituto i.START, idealizadora do Movimento Família
Mais Segura na Internet e do Selo Escola Digital Segura.
@patriciapeckadv
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Painel Cultural
A Editora Positivo lança novos títulos de literatura
todos os anos. Confira algumas obras que
encantaM e colaboraM no cotidiano do ensino e
da aprendizagem em sua escola!
Livro
MARCÉU
de Marcos Bagno
A
história de Marcos Bagno é
uma ode em homenagem ao
irmão morto, recontando seus
“causos” de uma vida perpassada
pela simplicidade que lhe fazia ter
pontes com a natureza a dignificar sua
vida. A tragédia da morte é encarada
de forma sensível, sem dramas, como
uma experiência de amadurecimento.
ficha técnica
MAÇÃS
ARGENTINAS
Título: Marcéu
Autor: Marcos Bagno
formato: 12,5 x 21 cm
número de páginas: 48 páginas
de Paulo
Venturelli
isbn: 978-85-385-6642-7
Gênero / tipo: narrativa
indicação: para jovens e adultos
UMA NOITE
ESPETACULAR
de Adriano
Messias
ficha técnica
Título: Uma noite espetacular
Autor: Adriano Messias
formato: 24 x 24 cm
número de páginas: 24 páginas
isbn: 978-85-385-6292-3
48
A
partir do roteiro do
escritor Adriano
Messias, a premiada ilustradora italiana, Anna Laura Cantone,
cria as imagens desta
narrativa divertida e envolvente, em que vários
bichos se unem para viver
uma noite especial.
Z
eza é um menino esperto e cheio
de vontades. Nos últimos tempos,
seu maior desejo passou a ser experimentar uma daquelas frutas vermelhas, cheirosas e suculentas que eram
vendidas na frente da Rodoviária: as
maçãs argentinas. Mas como, se o salário do pai não permitia extravagâncias?
Com uma boa dose de humor e outra de
poesia, Maçãs argentinas nos leva a refletir
sobre a distância que separa o sonho da
realidade e sobre o sabor das coisas que
desejamos e experimentamos na vida.
ficha técnica
Título: Maçãs argentinas
Autor: Paulo Venturelli
formato: 18 x 26 cm
número de páginas: 64 páginas
isbn: 978-85-385-6553-6
Gênero / tipo: livro de imagem
Gênero / tipo: narrativa
indicação: a partir de 6 anos
indicação: a partir de 9 anos
REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
Ponto de Vista
Enem
Emoção Nacional
Energia Máxima
F
im das férias e Estudar Não é Moleza. O que precisa, quem
apoia, a família, a escola? Mais de 7 milhões de inscritos.....
segurança ....fraude.....frustração....
Incentivar os alunos a tirar suas dúvidas e elaborar perguntas em
sala de aula deixa a aula mais produtiva. A aula não depende
apenas do professor.
Estudantes de todo o país entrando na reta final para a preparação do ENEM.
O processo de aquisição do conhecimento se completa com
o estudo após a aula. Não é fácil estudar. Exige concentração,
esforço, dedicação, uma postura disciplinada. Haverá momentos
em que o aluno se sentirá cansado, estressado, com vontade
de desistir. É preciso, porém, vencer esses momentos difíceis e
manter o bom ritmo de estudo. Estudar adequadamente é antes
de mais nada estudar com constância. Ela cria ritmo e o ritmo
motiva a estudar mais. De pouco adianta estudar bastante durante
um ou dois dias e depois ficar uma semana sem passar perto
dos livros. O importante é estudar diariamente, não deixando
dúvidas acumuladas.
O grande gargalo é motivar o aluno, por isso, este é um semestre
importante na vida do aluno. Um semestre de preparação, não só
para o ENEM, mas também para a própria vida na universidade.
Portanto, é fundamental que o rendimento do aluno seja o melhor
possível. Ele deve ser capaz de organizar seu estudo, extraindo o
máximo proveito dele.
Organizar o estudo significa, basicamente, saber assistir às aulas
e preparar-se em casa.
Pode parecer simples, mas quem já estudou seriamente sabe que
envolve muita dedicação e disciplina, o que nem sempre é tão fácil.
O processo de aquisição do conhecimento não se desenvolve de
modo individual. A produção do conhecimento se dá com base
no esforço coletivo. Se o aluno não assiste às aulas, deixa de
participar dessa construção coletiva e se reduz ao isolacionismo.
Um bom rendimento escolar começa pela postura adequada
em sala de aula. Alguns alunos, às vezes, pensam que é possível
recuperar em casa, individualmente, o tempo perdido em uma
aula mal assimilada. Nada mais equivocado.
O apoio dos professores é uma ajuda de valor inestimável.
Ele orienta rumos para o estudo individual, encurta caminhos.
Desprezar esse apoio é algo totalmente improdutivo.
O primeiro grande desafio, com vistas a enfrentar com determinação o ENEM, é a assiduidade às aulas para uma aquisição
coletiva do conhecimento.
Certos alunos têm plena assiduidade às aulas, mas seu desempenho não é o desejado. Isso acontece porque os alunos estão
fisicamente presentes na sala de aula, mas psicologicamente sua
atenção está voltada para outros interesses.
Organizar o estudo é ter um horário e um local fixo de estudo
seguindo uma rotina. Durante a rotina de estudo, o aluno deve
procurar não valorizar demasiadamente certas disciplinas em
detrimento de outras.
Para o bom rendimento, ele precisa evitar os fatores de dispersão,
como a televisão ligada ou o som ligado. É necessário estudar com
silêncio dedicando-se exclusivamente ao estudo. Após algumas
horas de estudo, é preciso fazer uma pausa.
Estudar pode dar sono? Nesses momentos, uma boa dica é
escrever: desperta. Mas escrever o quê? Escrever resumos do
que se esteja estudando. Esses resumos serão úteis na hora da
revisão antes das provas.
Aproveitar recursos multimídia é uma excelente forma de estudo:
é prazerosa, interativa e amplia o conhecimento.
Por fim, para vencer essa etapa,
vai aí uma última dica: sem
disciplina e determinação não
há sucesso. É necessário fazer
um planejamento de estudo e
priorizar o ato de estudar.
Saber assistir às aulas é buscar concentrar-se, estar em contato
com o professor, não só o contato físico, mas, principalmente, o
contato intelectual, psicológico.
Assistir bem a uma aula não é assistir de modo passivo, mas,
sim, de modo participativo. A aula é um exercício de interação
entre professor e aluno. Seu pleno aproveitamento depende de
que essa interação seja a maior possível.
Solange Lobo Guedes
Coordenadora Pedagógica
da Editora Positivo
[email protected]
49
Ponto de Vista
“Que mico!”
Q
uem ainda não ouviu a expressão-título desse
artigo, é porque não tem se relacionado com
adolescentes ou não foi avaliado pelo critério
do constrangimento da convivência com o mundo adulto
(quase sempre assíncrono), comum aos meninos e meninas dessa faixa etária. Sim, meu caro, se você ouvir um
sonoro “Que mico!”, é porque alguém está muito constrangido com algo que você disse ou fez e está querendo
lhe dizer: “Que vergonha”! Isso porque essa restrição
ou controversa representou um risco à imagem desse
adolescente perante o grupo a que ele pertence e/ou
almeja pertencer. É importante ressaltar que pertencer a
um grupo com pessoas de idade e interesse semelhantes
é indispensável nessa fase da vida, pois a referência dos
pares é salutar para a construção da identidade. Por
isso, mais do que incentivado, deve ser cultivado pelos
adultos. Muito embora seja importante conhecer e estar
atento ao grupo de amigos, vale a pena considerar que
o grau de influência que esse grupo exerce tem relação
com a constituição biopsicossocial de cada adolescente.
A maior parte dos profissionais que atuam em clínica de
reabilitação de dependência química, afirma que, em
grande parte, “os adolescentes que se perdem nas ruas,
antes não se encontraram em suas casas”.
Um movimento diferente, observado pelos pais, dá conta
do fato de que os filhos preferem ficar em casa, ao grupo de
amigos nas ruas e, isso acaba por ser motivo de orgulho para
alguns, que dizem, abertamente: “Meu filho não sai de casa.
Fica a noite inteira no quarto, na internet.” Sinceramente,
não consigo ver com otimismo esse movimento e creio
em uma dose de ingenuidade implícita nessa afirmação.
Primeiro, as portas da internet são abertas para o mundo
e não somente para os arredores da residência. Segundo,
a faixa etária e os interesses difundidos nesse meio são os
mais diversos e difusos possíveis e não somente a do grupo
50
REVISTA A&E | ANO 14 | No. 23| OUTUBRO/2013
de amigos. Terceiro, há vazios existenciais produzidos na
rede que provocam depressão, ansiedade, dependência
entre outras doenças, ainda não pesquisadas em escala,
mas já podemos afirmar que o tempo de convivência, de
escuta, de troca entre os familiares foi reduzido drasticamente, em virtude da utilização da internet e, só por isso,
já há prejuízos para essa faixa etária. Na primeira infância
tanto quanto na adolescência, a natureza humana carece,
de forma mais intensa, de "adultos-referência" para a sua
formação. Todavia, como o trabalho educativo é feito a
“quatro mãos” família-escola, temos a responsabilidade
de contribuir com os responsáveis pela construção de
referências, para uma reflexão que urge: quais são os
perigos do universo digital que se mascara de pseudoproteção? Nem todos têm a dimensão do que podem
trazer para dentro de casa, quando abrem o acesso à
internet. Por outro lado, seria uma insanidade viver nesse
século e estarmos alheios às inúmeras possibilidades de
informação e de comunicação que a internet oportuniza,
democraticamente, acessando as maravilhas do mundo,
em tempo real, sem sair de casa. Novamente estamos, nós,
adultos, diante da necessidade de recorrer ao bom senso.
Ao caminho do meio que, necessariamente, caminha-se
junto para encontrar...
Talvez, por isso, meu maior mico tenha sido trazer o computador para a sala e colocá-lo lado a lado com a TV, de
tal forma, que todos lá em casa possam acessar a internet,
desde que “socialmente”. E eu fico com “um olho no peixe
(TV) e outro no gato (computador)”.
Quem é cristão, me entende: “orai e vigiai”.
Acedriana Vicente Sandi
Diretora Pedagógica
da Editora Positivo
[email protected]
28
MUNICÍPIOS
28 MUNICÍPIOS
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Estadual
N. Sra. das
Graças,
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aumentou
de 2.6 para
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uma das 10
cidades com
IDEB
acima de 6
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Revista AeE 2013 - Outubro