UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO Recursos Didáticos e a motivação dos alunos em EAD ALVARO TADDEO FREITAS UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO APRENDIZAGEM EM AMBIENTE VIRTUAL Recursos Didáticos e a motivação dos alunos em EAD ALVARO TADDEO FREITAS Orientador: Prof. Ms. Ivan Carlos Alcântara de Oliveira Monografia apresentada ao Programa de PósGraduação, da Universidade Cruzeiro do Sul, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Educação em Ambientes Virtuais. SÃO PAULO 2011 FICHA CATALOGRÁFICA Freitas, Alvaro Taddeo Recursos Didáticos e a motivação dos alunos em EAD / A.T. Freitas. -São Paulo, 2011. 67 p. Monografia (Especialização em Educação em Ambientes Virtuais) – Universidade Cruzeiro do Sul. 1.Educação a Distância 2.Recursos didáticos 3.Ambiente Virtual de Aprendizagem 4.Material didático I. Universidade Cruzeiro do Sul II.t. DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho a minha família que tem me incentivado e compreendido a minha ausência durante as diversas noites e finais de semana que passei estudando. Dedico também a todos os professores da UniCSul que tanto me ensinaram nos últimos meses, e em especial ao meu Mestre e orientador, Prof. Ivan Carlos Alcântara de Oliveira. AGRADECIMENTOS O meu agradecimento especial vai para cada pessoa que colaborou participando do curso disponibilizado para esta pesquisa. Muitos colegas prontos a ajudar nessa pesquisa científica e outros tantos de vários cantos do Brasil que não tive a oportunidade de conhecer. Agradeço também ao Giovani Farias por ter me apresentado o Moodle como uma poderosa ferramenta de ensino. Sem esse conhecimento, as pesquisas desse trabalho não teriam sido possíveis. EPÍGRAFE “A essência do conhecimento consiste em aplicá-lo, uma vez possuído” Confúcio RESUMO A presente monografia “Recursos Didáticos e a motivação dos alunos em EAD” consolida uma investigação voltada para responder a seguinte pergunta: “Acrescentar recursos de áudio, animação e interação nos materiais didáticos em EaD para Ambientes Virtuais de Aprendizagem possibilita maior aceitação por parte do aluno e o motiva a querer aprender?”. Esse trabalho, inicialmente investiga na literatura os diferentes estilos de aprendizagem propostos por Richard Felder baseado nos estudos de Carl Jung, onde a individualidade de cada aprendiz é analisada e classificada mediante critérios psicológicos individuais, relacionando as situações que melhor estimulam o aluno a aprender. Em seguida, discorre sobre as dimensões do processo cognitivo propostas por Bloom na sua obra “Taxonomia dos objetos de aprendizado”, onde o autor relaciona cada passo do processo de aprendizagem, desde a simples capacidade do aluno em reconhecer algo que lhe foi ensinado, até a capacidade do mesmo em criar algo novo baseado nas informações por ele adquiridas. Para terminar a revisão teórica, a presente monografia trata da classificação dos métodos de ensino proposta por Edgar Dale e culmina no “Cone do Aprendizado”, onde o pesquisador classifica as técnicas de ensino pela sua eficiência pedagógica, de símbolos verbais, visuais e filmes até experiências mais ativas como dramatização, debate, simulação e experimentação real. Posteriormente, um curso foi criado e disponibilizado na internet, dispondo conteúdos na forma de texto, imagem, áudio e animação contendo alguma interação. Para cada um dos participantes, uma avaliação foi proposta, objetivando medir a aprendizagem em cada tratamento do conteúdo. No final do período da pesquisa, os resultados foram estatisticamente analisados e foi possível identificar que quando os recursos são apresentados com maior diversidade de formas de apresentação, maior é o número de alunos que se veem atraídos e motivados pelo conteúdo, gerando assim uma média melhor no resultado da avaliação. Palavras chave: ensino a distância; ambiente virtual de aprendizagem; recurso didático; material didático ABSTRACT This monograph "Educational resources and motivation of students in distance education" consolidates a study aimed to answer the following question: "Add audio features, animation and interaction in the learning materials for distance learning in Virtual Learning Environments provides greater acceptance by the student and motivates them to want to learn?". Initially this work investigates in the literature the different learning styles proposed by Richard Felder based on studies of Carl Jung, where the individuality of each learner is analyzed and classified by individual psychological criteria, relating the situations that best stimulate the student to learn. Then discusses the dimensions of the cognitive process proposed by Bloom in his book "Taxonomy of learning objects", where the author relates each step in the process of learning, from simple student's ability to recognize something that was taught to the same capacity to create something new based on the information acquired. To conclude the literature review, this monograph deals with the classification of teaching methods proposed by Edgar Dale and culminates in the "Cone of Learning", where the researcher classifies the teaching techniques for their pedagogical efficiency of verbal symbols, visual and film to more active experiences such as drama, debate, simulation and actual experimentation. Later, a course was created and made available on the Internet, providing content in text form, image, audio and animation with a little interaction. For each participant, an assessment was proposed, aiming to measure the learning content for each treatment. At the end of the study, the results were statistically analyzed and it was possible to identify that, where resources are presented with greater diversity of forms of presentation, the greater the number of students that are attracted and motivated by the content, in that way, generating a better average on the evaluation’s outcome. Key words: distance learning, virtual learning environment, teaching resource, teaching materials. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Ilustração 1 - Estilos de Aprendizagem - adaptado de Felder por Senra (2009).......16 Ilustração 2 - Categorias do domínio cognitivo - Taxonomia de Bloom, adaptado de Ferraz (2010).............................................................................................................18 Ilustração 3 - Categorização atual da Taxonomia de Bloom proposta por Anderson (2001) , adaptado de Ferraz (2010) ..........................................................................19 Ilustração 4 - Cone do Aprendizado de Edgar Dale, adaptado de (DALE, 1946)......20 Ilustração 5 - Adaptação do cone de Dale por Bruce Hyland, adaptado da publicação do METIRI GROUP (2008)........................................................................................22 Ilustração 6 - Cone do aprendizado de Edgar Dale, terceira edição, adaptado da publicação do METIRI GROUP (2008)......................................................................23 Ilustração 7- Categorias de Bloom eleitas para a pesquisa, Anderson (2001) , adaptado de Ferraz (2010)........................................................................................28 Ilustração 8 - Exemplo de questão para avaliar o conhecimento ..............................31 Ilustração 9 - Exemplo de questão para avaliar a capacidade de análise.................34 Ilustração 10 - Avaliação de conhecimento prévio ....................................................34 Ilustração 11 - Questão relativa a percepção do aluno em relação ao tipo de recurso educacional e o seu aprendizado..............................................................................34 Ilustração 12 - Questões extras relacionadas a idade e escolaridade do aluno........35 Ilustração 13 – Comparação das médias da hipótese da Narração ..........................43 Ilustração 14 – Comparação das médias da hipótese da Animação.........................46 Ilustração 15 – Comparação das médias da hipótese da Animação com a Narração ..................................................................................................................................49 Ilustração 16 – Comparação das médias da hipótese da Interação..........................52 Ilustração 17 – Comparação entre todos os tratamentos..........................................55 Ilustração 18 - Comparativo de Duncan ....................................................................56 Ilustração 19 - Teste de Duncan para 2 médias........................................................56 Ilustração 20 - Teste de Duncan para 3 médias........................................................57 Ilustração 21 - Teste de Duncan para 4 médias........................................................57 Ilustração 22 - Conclusão do teste de Duncan..........................................................57 Ilustração 23 - Gráfico de dispersão do Custo vs. Benefício.....................................60 Ilustração 24 - Resultado da preferência do aluno ....................................................61 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Relação entre aprendizado e alguns recursos didáticos, adaptado da publicação do METIRI GROUP (2008)......................................................................24 Tabela 2 - Relação de INCOTERMS, adaptado de (INCOTERMS, 2010) ................26 Tabela 3 - Estrutura e Organização do Curso: Relação de Conteúdo educacional por Recurso didático........................................................................................................27 Tabela 4 - Relação de questões para avaliação de conhecimento (Primeira Categoria de BLOOM)...............................................................................................29 Tabela 5 - Relação de questões para avaliação de análise ......................................33 Tabela 6 – Itens do curso INCOTERMS com e sem narração que envolvem a Hipótese ” O recurso didático narração tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!” ..................................................................................................36 Tabela 7 - Itens do curso INCOTERMS com e sem animação que envolvem a Hipótese ”O recurso didático animação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!” ..................................................................................................37 Tabela 8 - Itens do curso INCOTERMS com narração e animação associadas a Hipótese ”Os recursos didáticos animação e narração produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do curso!”.............................................................................37 Tabela 9 - Itens do curso INCOTERMS com e sem interação associadas a Hipótese ”A interação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!”...........38 Tabela 10 – Itens do curso INCOTERMS com múltiplas combinações de recursos didáticos associadas a Hipótese ” As combinações entre os recursos didáticos texto e imagem, narração, animação e interação produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do curso!” .............................................................................................39 Tabela 11 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de Conteúdo associados à Hipótese “O recurso didático narração tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!”.................................................................42 Tabela 12 – Quadro de ANOVA da hipótese da Narração........................................43 Tabela 13 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de Conteúdo associados a Hipótese “O recurso didático animação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!”.................................................................45 Tabela 14– Quadro de ANOVA da hipótese da Animação........................................46 Tabela 15 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de Conteúdo associados a Hipótese “Os recursos didáticos animação e narração produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do curso!” ..............................48 Tabela 16– Quadro de ANOVA da hipótese da Animação........................................49 Tabela 17 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de Conteúdo associados a Hipótese “A interação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!”..............................................................................51 Tabela 18– Quadro de ANOVA da hipótese da Interação.........................................52 Tabela 19 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de Conteúdo associados a Hipótese “As combinações entre os recursos didáticos texto e imagem, narração, animação e interação produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do curso!” .............................................................................................54 Tabela 20– Quadro de ANOVA de todos os tratamentos..........................................55 Tabela 21 - Escala de dificuldade/custo de produção ...............................................59 Tabela 22 - Relação de Dificuldade e Benefício........................................................59 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AVA Ambiente Virtual de Aprendizagem EaD Ensino a Distância TIC Tecnologia de Informação e da Comunicação MOODLE Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment MEC Ministério da Educação e Cultura SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................14 2 ENQUADRAMENTO TEÓRICO ............................................................................15 2.1 Estilos de Aprendizagem .................................................................................15 2.2 Dimensões do processo cognitivo ...................................................................17 2.3 Classificação de Edgar Dale............................................................................20 3 DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO ................................................................25 3.1 Escolha do AVA...............................................................................................25 3.2 Escolha do conteúdo didático e do Curso........................................................26 3.3 Organização e Estrutura do Curso ..................................................................27 3.4 Avaliação do Curso..........................................................................................27 3.5 As hipóteses ....................................................................................................36 3.6 Análise dos dados ...........................................................................................39 4 CONCLUSÃO ........................................................................................................62 REFERÊNCIAS.........................................................................................................65 14 1 Introdução Apesar do sucesso do Ensino a Distância nesta sociedade onde a Tecnologia da Informação e da Comunicação se faz tão presente, algumas verdades ainda assombram os Educadores, e a principal delas trata do sensível índice de rejeição ao ensino a distância com relação ao presencial. Muitas pessoas, por simples preconceito, se recusam a aceitar a Educação a Distância (EaD) como opção de aprendizado por julgá-lo ineficiente. Outras, experimentam e não encontram ânimo para continuar, desistindo no caminho. Objetivando aumentar a aceitação do público à EaD, a questão central deste trabalho de pesquisa é: “Acrescentar recursos de áudio, animação e interação nos materiais didáticos em EaD para Ambientes Virtuais de Aprendizagem possibilita maior aceitação por parte do aluno e o motiva a querer aprender?” Este trabalho objetiva identificar na literatura o que os teóricos já desenvolveram a esse respeito. Objetiva também, realizar um experimento prático para tentar encontrar resposta a essa pergunta. 15 2 Enquadramento Teórico Visando um melhor esclarecimento sobre os conceitos utilizados durante a pesquisa, abordaremos brevemente nas subseções a seguir os assuntos Estilos de Aprendizagem, Dimensões do Processo Cognitivo e Classificação de Edgar Dale.. 2.1 Estilos de Aprendizagem Para que se possa avaliar se a apresentação de um conteúdo didático a um aluno surtiu ou não o efeito desejado, é preciso, antes de mais nada, se ter em mente que a educação, é não somente um processo de ensino, mas de ensino-aprendizado. Portanto, levar em consideração somente o material didático, ignorando os diferentes aspectos do receptor, ou seja, do aluno, seria um erro. Cavellucci (2003) no seu trabalho “Estilos de aprendizagem: em busca das diferenças individuais” identificou alguns estilos de aprendizagem baseados nos modos como as pessoas veem o mundo, esses modos, descritos por Jung (1991), são: • Extroversão – Introversão • Sensação – Intuição • Pensamento – Sentimento • Julgamento – Percepção Para Richard M. Felder (1988), os estilos de aprendizagem, são uma característica/preferência dominante, por parte do aluno, na forma de como eles aprendem, passível, inclusive, de ser modificada. Assim, se o recurso de aprendizagem coincide com o estilo de aprender deste aluno, acaba por repercutir positivamente no seu aprendizado. Em (FELDER; SILVERMAN, 1988) pode-se encontrar as cinco dimensões de estilos de aprendizagem: • Sensorial – Intuitivo • Visual – Verbal • Indutivo – Dedutivo • Ativo – Reflexivo • Seqüencial – Global Para (SENRA, 2009), a dimensão sensorial/intuitivo está ligada aos sentidos, ou seja, o que é tocado, ouvido ou visto; e intuitiva, através de memória, reflexão e 16 imaginação. A dimensão visual/verbal, está ligada a forma com que o aluno recebe a informação, se visual, ele prefere os gráficos e as figuras, se verbal, prefere os textos, narrações e formulações matemáticas. Na dimensão indutivo/dedutivo, os indutivos preferem começar por casos específicos e ir construindo até chegar aos princípios e teorias. No caso dos dedutivos, eles preferem começar com princípios e teorias gerais e então deduzir as conseqüências até chegar às aplicações. Na dimensão ativo/reflexivo, os aprendizes ativos preferem processar a informação realizando alguma atividade e testando o conteúdo, já os reflexivos preferem primeiro refletir calmamente sobre a informação para então, colocá-la em prática. A dimensão seqüencial/global trata os alunos pela forma com que aprendem, de maneira seqüencial, se ele vai assimilando o conteúdo de parte em parte, seguindo alguma lógica, até entender o todo; ou global, quando, para obter melhor desempenho, o aluno carece de ter uma visão geral do objetivo final do conteúdo. Na Ilustração 1 pode-se visualizar os estilos de aprendizagem segundo o modelo do Felder. Sensorial Percepção Intuitivo Visual Entrada Verbal Indutivo Organização Dedutivo Ativo Processamento Reflexivo Seqüencial Entendimento Global Ilustração 1 - Estilos de Aprendizagem - adaptado de Felder por Senra (2009) 17 2.2 Dimensões do processo cognitivo O processo de aprendizagem é algo que nem sempre é rápido e direto como se deseja. É sabido que o processo cognitivo possui vários níveis de maturidade até atingir a sua plenitude. Uma criança demora certo tempo para começar a pronunciar as primeiras palavras. Depois, com um maior domínio, passa a arriscar algumas frases feitas. Depois de muito treino, começa a criar sua própria estrutura, para então, criar seu próprio estilo. Essa maturidade, não acontece somente na infância, mas em todos os momentos onde novas informações passam a fazer parte do indivíduo e se transformam em competência. Essas fases ou dimensões do processo cognitivo vêm sendo cuidadosamente estudadas ao longo dos tempos, porém, foi a partir dos anos 40, depois de uma publicação no “Journal of Educational Research” escrita pelo estudioso Benjamin Bloom que as teorias sobre o processo cognitivo passaram a assumir o formato que conhecemos hoje. Em 1956, com a publicação da Taxonomia de Bloom, o processo cognitivo passou a ser aceito em seis etapas que vão desde o simples fato de se ter retido uma determinada informação até atingir o nível, de poder tecer os mais significantes julgamentos sobre tal conceito. As categorias, obtidas de Ferraz (2010) e apresentadas na ilustração 2, foram assim definidas: • Conhecimento O aluno é capaz de recordar ou reconhecer informações, ideias, e princípios na forma em que foram aprendidos. • Compreensão O aluno traduz, compreende ou interpreta informação com base em uma bagagem prévia de conhecimentos adquiridos. • Aplicação O aluno seleciona e usa dados e princípios para resolver um problema ou tarefa. • Análise O aluno identifica, qualifica, classifica, e relaciona hipóteses, evidências ou estruturas de uma questão. • Síntese O aluno cria e combina ideias para formar uma proposta totalmente nova. 18 • Avaliação O aluno observa, reflete, avalia e critica com base em critérios específicos. 6 - Avaliação 5 - Síntese 4 - Análise 3 - Aplicação 2 - Compreensão 1 - Conhecimento Ilustração 2 - Categorias do domínio cognitivo - Taxonomia de Bloom, adaptado de Ferraz (2010) Porém, com o avanço dos estudos na área da educação, muito se tem evoluído, inclusive na compreensão das etapas do processo cognitivo tanto para a pedagogia quanto para a andragogia. Assim, a proposta iniciada por Bloom sofreu algumas alterações e hoje é conhecida como a taxonomia revisada de Bloom. A nova proposta, obtidas de Ferraz (2010) e apresentadas na ilustração 3, ficou assim: • Lembrar Lembrar significa reconhecer e recordar informações importantes da memória. • Entender Entender é fazer sua própria interpretação do conteúdo educacional transferido pelo professor. • Aplicar Aplicar significa saber utilizar o conteúdo ensinado em uma nova contextualização, é como pegar um balde vermelho e uma lanterna e fazer uma sinalização de emergência. 19 • Analisar Analisar é poder dividir o conhecimento aprendido em células menores, e então, poder reorganizar, acrescentando fragmentos de conhecimento prévio, formando uma nova solução para o problema. • Avaliar Avaliar significa verificar e criticar, usando seus próprios argumentos. • Criar Criação é um elemento novo na taxonomia de Bloom, consiste em, utilizando os conhecimentos prévios, tecer teorias e hipóteses totalmente novas, gerando conhecimento. 6 - Criação 5 - Avaliação 4 - Análise 3 - Aplicação 2 - Entendimento 1 - Lembrança Ilustração 3 - Categorização atual da Taxonomia de Bloom proposta por Anderson (2001) , adaptado de Ferraz (2010) Esse trabalho dispõe da taxonomia sugerida por Bloom e posteriormente revisada para avaliar e quantificar a qualidade do aprendizado gerado durante o curso usado como pesquisa para responder a pergunta chave desse trabalho. 20 2.3 Classificação de Edgar Dale A procura por recursos educacionais mais eficientes para atuarem como coadjuvante do professor não é algo novo. Uma famosa frase atribuída ao filósofo Confúcio a milhares de anos, e citada por Teixeira (2010), já dizia: “O que eu vejo, eu esqueço, o que eu ouço, eu relembro e o que eu faço, eu entendo”. Dentre os educadores que se empenharam em avaliar as diversas maneiras de apresentar um conteúdo didático ao aluno temos o Edgar Dale da Universidade do estado de Ohio nos Estados Unidos. No ano de 1946 ele publicou um artigo chamado “Audio-visual methods in Teaching” no qual, ele relaciona as diversas abordagens de ensino e as classifica quanto a sua eficiência em transmitir conhecimento desde o material de ensino até o aluno (DALE, 1964). Dale relacionou onze formas diferentes de se apresentar um conteúdo educacional a um educando. Essas classificações, ele dispôs em forma de pirâmide em um diagrama que ficou conhecido como o cone da experiência ou cone da aprendizagem, como pode ser visualizado na ilustração 4. Ilustração 4 - Cone do Aprendizado de Edgar Dale, adaptado de (DALE, 1946) 21 No topo da pirâmide, temos a figura de menor área, representando ser a forma de apresentação pedagógica com menor aproveitamento na aprendizagem. Já na base da pirâmide, encontra-se a categoria que do ponto de vista de Dale, apresenta uma maior eficiência pedagógica. As categorias estão assim definidas: • Símbolos Verbais Tudo aquilo que o aluno lê, como livros, apostilas, textos no computador, etc. • Símbolos Visuais Ilustrações e representações gráficas, como o cone de Dale por exemplo. • Fotos e Áudio Gravações de áudio, programas de rádio, fotos e imagens sem movimento. • Filmes Filmes de uma forma geral, com áudio e vídeo. Por exemplo, filme de cinema. • Vídeo Aulas São vídeos criados especificamente para educar. O Telecurso é um bom exemplo. • Exposições Pertencem a essa classificação as aulas expositivas e palestras pedagógicas. • Passeios Educacionais Excursões, viagens e passeios com fim educativo são exemplos dessa categoria. • Demonstração A demonstração é quando o aluno tem a oportunidade de ver aquilo que está sendo ensinado, em funcionamento. • Dramatização A dramatização é a mistura do conteúdo didático com emoção. O dicionário Aurélio diz que dramatizar é: ”Tornar ou procurar tornar dramáticos, interessantes ou comoventes como um drama, sofrimentos, fatos, situações”. • Experiência Simulada São recursos que permitem ao aluno imitar a experiência de realizar aquilo que está sendo ensinado. Um bom exemplo é o simulador de vôo e os jogos eletrônicos. 22 • Experiência Direta A experiência direta é a oportunidade que o aluno tem de realizar na prática o que foi ensinado. O estágio é um ótimo exemplo. Posteriormente, outros autores redesenharam o cone de Dale, representado na Ilustração 5, para uma melhor adaptação aos nossos dias. Um exemplo é a releitura feita por Bruce Hyland e citada no trabalho “Multimodal Learning Through Media: What the Research Says” . O cone ficou conforme a ilustração 5. Ilustração 5 - Adaptação do cone de Dale por Bruce Hyland, adaptado da publicação do METIRI GROUP (2008) Nessa releitura, temos uma divisão muito clara do aluno, recebendo o conteúdo de maneira passiva (lendo, vendo, ouvindo e assistindo) e do aluno interagindo com o conteúdo de maneira ativa (participando, fazendo, simulando e realizando). Quando participando ativamente, o aluno, segundo Bruce Hyland em (METIRI GROUP, 2008), aprende muito mais efetivamente. Em (DALE, 1969), Edgar Dale aclara o cone com alguns detalhes, ficando parecido com a ilustração 6: 23 Ilustração 6 - Cone do aprendizado de Edgar Dale, terceira edição, adaptado da publicação do METIRI GROUP (2008) Nessa edição, tem-se uma visão da ideia de Edgar Dale sobre os métodos de ensino em função da sua eficiência no processo de ensino aprendizado. Nesse trabalho, será considerada essa classificação de Dale, levantando hipóteses e testando a eficiência de um material didático em algumas das classificações acima. A tabela 1 visa classificar, tomando por base a publicação do METIRI GROUP (2008), algumas maneiras de se apresentar conteúdos educacionais on-line. 24 Tabela 1 - Relação entre aprendizado e alguns recursos didáticos, adaptado da publicação do Classificação de Dale Natureza do Envolvimento METIRI GROUP (2008) Recursos Educacionais on-line Texto (HTML, pdf, Apresentação, ePub, etc) 01 Lendo Gravação digital de áudio Baixo 02 Ouvindo palavras 03 Olhando imagens Leitor de texto (“text-to-speech”) Foto; Ilustração; Gráfico, etc. Filme com conteúdo didático 05 Vendo uma apresentação Gravação audiovisual de uma explicação – Vídeo-Aula Assistindo a uma 06 Demonstração Médio 04 Assistindo a Filmes Gravação audiovisual de uma demonstração prática; Animação gráfica 07 Vendo no local Fórum de debate e Sala de bate papo 09 Argumentando Fórum de debate e Sala de bate papo com participação ativa 10 Dramatizando Alto 08 Participando de discussão 11 Simulando Hipertexto, Atividades de simulação, emulação, Jogos, etc. 12 Realizando Questionário, Tarefa on-line, Tarefa offline, Hipertexto interativo, etc. 25 3 Desenvolvimento do Trabalho Para embasar a pesquisa elaborou-se um curso no ambiente virtual de aprendizagem Moodle sobre termos usados no comércio exterior (INCOTERMS), no período de 15 de agosto a 15 de setembro de 2011, acessado pelo endereço http://academiaplatonica.com.br/moodle/. A obtenção dos dados, por meio da participação de 34 participantes nesse curso, permitiu inferir respostas à pergunta “Acrescentar recursos de áudio, animação e interação nos materiais didáticos em EaD para Ambientes Virtuais de Aprendizagem possibilita maior aceitação por parte do aluno e o motiva a querer aprender?”, . Vale a pena citar que, para aumentar o número de alunos dispostos a colaborar com a pesquisa, foi previamente informado a cada participante o caráter científico do curso, além do fato de que os dados pessoais não seriam revelados. Dessa maneira, as informações aqui apresentadas não incluem nomes nem qualquer outra informação que permita o reconhecimento do participante. Utilizando os recursos de coleta de dados nativos do Moodle, os resultados da avaliação final dos alunos foram analisados estatisticamente com a intenção de tecer as conclusões desse trabalho. 3.1 Escolha do AVA Inicialmente pesquisaram-se os ambientes virtuais de aprendizagem disponíveis no mercado, optou-se pelo Moodle, pelos seguintes fatores: • é gratuito e de código aberto; • possui uma versão estável, portanto, confiável; • tem uma vasta documentação disponível on-line; • tem um fórum de usuários ativos e dispostos a atender prontamente aos questionamentos; • é utilizado por grandes Universidades e centros de ensino por todos os continentes. 26 3.2 Escolha do conteúdo didático e do Curso A escolha do conteúdo didático e dos recursos foram fatores importantes para a obtenção de dados adequados para a pesquisa. O conteúdo deveria possuir a peculiaridade de ser passível de fragmentação em unidades menores de mesmo grau de dificuldade, além disso, para poder medir o desempenho de cada recurso, o conteúdo não poderia ser interdependente, caso contrário, um recurso ineficiente, comprometeria o resultado de outro subseqüente. Nem tampouco, poder-se-ia ter conteúdos mais difíceis do que outros. Esse fato motivou a escolha de um curso sobre os INCOTERMS. Os INCOTERMS são basicamente siglas contendo três letras. Cada sigla representa uma modalidade de transporte com as responsabilidades definidas em cada ponto do transporte internacional. Assim, os quinze INCOTERMS, apresentados na tabela 2, poderiam ser facilmente explicados de maneira praticamente padronizada, tornando a dificuldade de aprendizado uniforme. Com isso, a variante ficaria apenas na forma de explicar. Viabilizando assim a pesquisa. Tabela 2 - Relação de INCOTERMS, adaptado de (INCOTERMS, 2010) INCOTERMS Significado em Inglês Significado em Português EXW Ex Works A retirar no local FCA Free Carrier Livre para ser transportada FAS Free Alongside Ship Livre ao lado do navio FOB Free on board Livre e a bordo do navio CFR Cost and Freight Custos e frete pagos CIF Cost, Insurance and Freight Custos, seguro e frete pagos CPT Carriage Paid to Transporte pago CIP Carriage and Insurance Paid to Transporte e seguro pagos DAT Delivered at Terminal Entregue no terminal de carga DAP Delivered at Place Entregue no local combinado DAF Delivered at Frontier Entregue na fronteira DES Delivered Ex Ship Entregue no navio DEQ Delivered Ex Quay Entregue no cais DDU Delivered Duty Unpaid Entregue sem o pagamento das taxas DDP Delivered Duty Paid Entregue com tudo pago 27 3.3 Organização e Estrutura do Curso Para possibilitar a obtenção de resultados da pesquisa, o curso sobre os INCOTERMS foi organizado em seis unidades compostas dos seguintes recursos: 1. Unidade 1: texto + imagem; 2. Unidade 2: texto + imagem + narração; 3. Unidade 3: animação + narração; 4. Unidade 4: texto + imagem + atividade interativa; 5. Unidade 5: texto + imagem + narração + atividade interativa; 6. Unidade 6: animação + narração + atividade interativa. Dessa forma, foi possível mesclar recursos diferentes com e sem interação. A Tabela 3 exibe como ficaram divididos os conteúdos para o curso sobre INCOTERMS. Tabela 3 - Estrutura e Organização do Curso: Relação de Conteúdo educacional por Recurso didático Recurso Didático Símbolos Verbais (Texto) Símbolos Visuais (Imagem) Sem interatividade 1.1 CFR 1.2 CPT 1.3 CIP Símbolos Verbais (Texto) 2.1 DAP Símbolos Visuais (Imagem) 2.2 DAF Áudio (Narração) 2.3 DEQ Animação gráfica (Animação) 3.1 DDP Símbolos Visuais (Imagem) 3.2 DDU Áudio (Narração) 3.3 FAS Com interatividade (atividade interativa) 4.2 CIF 4.1 EXW 5.1 DAT 5.2 DES 6.1 FCA 6.2 FOB 3.4 Avaliação do Curso A avaliação do conteúdo do curso foi realizada utilizando a atividade “Questionário” da plataforma Moodle. Inicialmente foi preparada uma questão de múltipla escolha para cada um dos INCOTERMS. Essa questão, visa avaliar o conhecimento do aluno, tal como Bloom 28 (1957) preconizou, ou seja, mediante a definição de um INCOTERM, localizar nas alternativas a sigla correspondente. Em seguida, foram criadas questões de múltipla escolha, onde o aluno deveria entender as vantagens e desvantagens de uma série de INCOTERMS e analisar, dentre eles, qual seria o mais vantajoso. Essa classe de questão, objetiva medir o aprendizado do aluno de maneira mais aprofundada, pois, demanda do aluno, não somente a lembrança da matéria dada, mas que também tenha adquirido a capacidade de compreender e analisar uma determinada situação, conforme explicou Bloom (1957) na sua obra “Taxonomy of educational objectives”. A Ilustração 7 destaca as categorias da taxonomia de Bloom eleitas para avaliar o curso de INCOTERMS. 6 - Avaliação 5 - Síntese 4 - Análise 3 - Aplicação 2 - Compreensão 1 - Conhecimento Ilustração 7- Categorias de Bloom eleitas para a pesquisa, Anderson (2001) , adaptado de Ferraz (2010) Para avaliar o conhecimento de cada um dos quinze INCOTERMS foram propostas quinze questões de múltipla escolha, uma para cada um dos “INCOTERMS” explicados durante o curso. Na tabela 4, observa-se que a alternativa correta está em destaque (NEGRITO). Vale lembrar que a ordem das alternativas é aleatoriamente eleita pelo Moodle, 29 dessa forma, a posição da resposta correta não exerce influência estatística no resultado obtido na pesquisa. Tabela 4 - Relação de questões para avaliação de conhecimento (Primeira Categoria de BLOOM) # Item Pergunta Alternativa Pontos CFR 1 1.1 O vendedor paga o transporte até o navio chegar no porto de destino, mas o risco do transporte é do comprador. CPT DAF CIP 1 ponto para CFR DES CPT 2 1.2 O vendedor paga o transporte até entregar a mercadoria em um local combinado já desembaraçado para exportação, porém, o risco do transporte é do comprador. CIP EXW FOB 1 ponto para CPT FAS CIP 3 1.3 O vendedor paga o transporte e o seguro até entregar a mercadoria em um local combinado já desembaraçado para exportação, porém, o risco do transporte é do comprador. FCA DDU CPT 1 ponto para CIP CIF EXW CIF 4 4.1 A mercadoria deve ser instalações do vendedor retirada nas DDP CPT 1 ponto para EXW DDU CIF 5 4.2 O vendedor paga o transporte e o seguro até o navio chegar no porto de destino já desembaraçado para exportação, porém, o risco do transporte é do comprador. EXW CFR DAT 1 ponto para CIF FOB continua 30 continuação # Item Pergunta Alternativa Pontos DAP 6 2.1 O vendedor assume o risco e entrega a mercadoria no porto de destino pronto para ser desembarcado, porém, sem arcar com a importação. DEQ DAF FAS 1 ponto para DAP FOB DAF DAP 7 2.2 Só pode ser usado na modalidade de transporte terrestre DES DEQ 1 ponto para DAF CIP DEQ 8 2.3 Faz com que o vendedor se encarregue e se responsabilize pela mercadoria até chegar ao cais do país de destino. DAF EXW DDP 1 ponto para DEQ DDU DAT 9 5.1 Faz com que o vendedor se encarregue e se responsabilize pela mercadoria até chegar ao terminal do país de destino. Serve para transporte aéreo, terrestre e aquaviário. DES DAF CIP 1 ponto para DAT FOB DES DAT 10 5.2 Define que o vendedor deverá entregar a mercadoria no navio e no porto de destino. DAF CFR 1 ponto para DES DEQ DDP 11 3.1 É o INCOTERM mais cômodo para o comprador, que não assume riscos nem custos do transporte. DDU EXW DAT 1 ponto para DDP DES continua 31 continuação # Item Pergunta Alternativa Pontos DDU 12 3.2 O vendedor assuma quase todos os riscos e custos do transporte, exceto impostos e taxas de importação. DDP FAS EXW 1 ponto para DDU FOB FAS 13 3.3 O vendedor entrega a mercadoria em seu próprio país e do lado do navio que o comprador contratar para o transporte. DDU FOB FCA 1 ponto para FAS CIP FCA 14 6.1 A mercadoria, desembaraçada para a exportação, é entregue pelo vendedor no país de origem, para o transportador contratado pelo comprador. FOB DDU DAS 1 ponto para FCA EXW FOB 15 6.2 A mercadoria, desembaraçada para a exportação, é entregue pelo vendedor no país de origem, a bordo do navio contratado pelo comprador. DDU DDP FCA 1 ponto para FOB FAS Na ilustração 8 está exposto um exemplo de questão dentro do Moodle para avaliação de conhecimento. Ilustração 8 - Exemplo de questão para avaliar o conhecimento 32 Aumentando o nível de dificuldade e avaliando o processo cognitivo do aluno mais profundamente foram elaboradas dez questões com o objetivo de medir a capacidade de análise do educando perante o conteúdo apresentado. Apesar de não haver sido mencionado durante o curso que um “INCOTERM” apresenta maiores vantagens econômicas do que o outro, somente com o conteúdo apresentado durante o curso, um aluno que tenha atingido um nível de compreensão mais avançado sobre o assunto pode chegar a tal conclusão. Com base nisso, visando medir a capacidade de análise do aluno, conforme (BLOOM, 1956), o seguinte enunciado foi proposto para as últimas dez questões: “Se em uma importação lhe fosse oferecido as seguintes opções de INCOTERMS pelo mesmo preço, qual você escolheria?” Para que o aluno possa acertar a questão, é preciso que ele, tenha conhecimento de todas as alternativas, por isso, o número de alternativas foi reduzido para duas ou três, almejando uma redução no nível de dificuldade. Da mesma forma, julgou-se prudente que, ao ter acertado uma questão dessa categoria, as demais alternativas também fossem pontuadas, já que o aluno demonstrou conhecimento de todas. Portanto, as últimas questões ficaram definidas como demonstrado na tabela 5. 33 Tabela 5 - Relação de questões para avaliação de análise # Item 16 1. e 4. 17 1. e 4. 18 2. e 5. 19 2. e 5. 20 3. e 6. 21 3. e 6. Alternativas 1.2 CPT 4.1 EXW 1.1 CFR 4.2 CIF 2.3 DEQ 5.2 DES 2.1 DAP 5.1 DAT 3.1 DDP 6.1 FCA 3.3 FAS 6.2 FOB Correta CPT CIF DEQ DAP DDP FOB 1.3 CIP 22 1. 2. e 3. 23 1. 2. e 3. 24 4. 5. e 6. 25 4. 5. e 6. 2.1 DAP Pontos 1 ponto para CPT 1 ponto para EXW 1 ponto para CIF 1 ponto para CFR 1 ponto para DEQ 1 ponto para DES 1 ponto para DAP 1 ponto para DAT 1 ponto para DDP 1 ponto para FCA 1 ponto para FAS 1 ponto para FOB 1 ponto para CIP DDP 1 ponto para DAP 3.1 DDP 1 ponto para DDP 1.1 CFR 1 ponto para CFR 2.1 DAP DAP 1 ponto para DAP 3.3 FAS 1 ponto para FAS 4.1 EXW 1 ponto para EXW 5.2 DES DES 1 ponto para DES 6.2 FOB 1 ponto para FOB 4.2 CIF 1 ponto para CIF 5.1 DAT 6.1 FCA DAT 1 ponto para DAT 1 ponto para FCA Na Ilustração 9 pode-se ver um exemplo de questão de avaliação de capacidade de análise do aluno. 34 Ilustração 9 - Exemplo de questão para avaliar a capacidade de análise Como complemento, algumas questões extras foram relacionadas no final do questionário. Elas estão apresentadas nas ilustrações 10, 11 e 12. Ilustração 10 - Avaliação de conhecimento prévio Na tentativa de aumentar a confiabilidade das respostas, os alunos que declararam por meio da pergunta exibida na ilustração 10, conhecer previamente o conteúdo do curso, todos ou quase todos os INCOTERMS, não foram considerados na estatística dessa pesquisa. Ilustração 11 - Questão relativa a percepção do aluno em relação ao tipo de recurso educacional e o seu aprendizado 35 Vale observar que no momento que o aluno respondeu a questão exibida na Ilustração 11, ele desconhecia o seu desempenho na avaliação. Assim, a resposta corresponde unicamente à sua percepção. Apenas para fins de estratificação de dados, foi perguntado sobre a faixa de idade e de escolaridade do aluno, conforme Ilustração 12, além de disponibilizar um campo para comentários e observações gerais. Ilustração 12 - Questões extras relacionadas a idade e escolaridade do aluno 36 3.5 As hipóteses Convém relembrar que o objetivo desse trabalho é responder a questão: “Acrescentar recursos de áudio, animação e interação nos materiais didáticos em EaD para Ambientes Virtuais de Aprendizagem possibilita maior aceitação por parte do aluno e o motiva a querer aprender?”. Para tentar respondê-la, foram montadas as seguintes hipóteses: 1. O recurso didático narração tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso! 2. O recurso didático animação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso! 3. Os recursos didáticos animação e narração produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do curso! 4. A interação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso! 5. As combinações entre os recursos didáticos texto e imagem, narração, animação e interação produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do curso! Para testar a hipótese 1, foram comparadas as médias de acerto entre os conteúdos das unidades com e sem narração, como apresenta a Tabela 6. Tabela 6 – Itens do curso INCOTERMS com e sem narração que envolvem a Hipótese ” O recurso didático narração tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!” Sem narração Com narração 1.1 CFR 2.1 DAP 1.2 CPT 2.2 DAF 1.3 CIP 2.3 DEQ 4.2 CIF 5.1 DAT 4.1 EXW 5.2 DES 3.1 DDP 3.2 DDU 3.3 FAS 6.1 FCA 6.2 FOB 37 Na avaliação da hipótese 2 foram comparadas as médias de acerto entre os conteúdos das unidades com e sem animação, como ilustra a Tabela 7. Tabela 7 - Itens do curso INCOTERMS com e sem animação que envolvem a Hipótese ”O recurso didático animação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!” Sem animação Com animação 1.1 CFR 3.1 DDP 1.2 CPT 3.2 DDU 1.3 CIP 3.3 FAS 2.1 DAP 6.1 FCA 2.2 DAF 6.2 FOB 2.3 DEQ 4.2 CIF 4.1 EXW 5.1 DAT 5.2 DES No teste da hipótese 3, foram comparadas as médias de acerto das questões cujos conteúdos das unidades apresentavam narração e animação, conforme a Tabela 8. Tabela 8 - Itens do curso INCOTERMS com narração e animação associadas a Hipótese ”Os recursos didáticos animação e narração produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do curso!” Com narração Com animação 2.1 DAP 3.1 DDP 2.2 DAF 3.2 DDU 2.3 DEQ 3.3 FAS 5.1 DAT 6.1 FCA 5.2 DES 6.2 FOB Para avaliar a hipótese 4, foram comparadas as médias de acerto entre os conteúdos das unidades que possuíam ou não interação, conforme apresenta a Tabela 9. 38 Tabela 9 - Itens do curso INCOTERMS com e sem interação associadas a Hipótese ”A interação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!” Sem interação Com interação 1.1 CFR 4.2 CIF 1.2 CPT 4.1 EXW 1.3 CIP 5.1 DAT 2.1 DAP 5.2 DES 2.2 DAF 6.1 FCA 2.3 DEQ 6.2 FOB 3.1 DDP 3.2 DDU 3.3 FAS No teste da hipótese 5, foram comparadas as médias de acerto das questões cujos conteúdos das unidades apresentavam, conforme a Tabela 10, as seguintes combinações: • texto com imagem; • texto com imagem e interação; • texto com imagem e narração; • texto com imagem, narração e interação; • animação e narração; • animação, narração e interação. 39 Tabela 10 – Itens do curso INCOTERMS com múltiplas combinações de recursos didáticos associadas a Hipótese ” As combinações entre os recursos didáticos texto e imagem, narração, animação e interação produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do curso!” # Recurso Didático Itens das unidades do curso INCOTERMS 1.1 CFR A Texto + Imagem 1.2 CPT 1.3 CIP B C Texto + Imagem 4.2 CIF Interação 4.1 EXW Texto + Imagem Narração Texto + Imagem D Narração Interação E Animação Narração Animação F Narração Interação 2.1 DAP 2.2 DAF 2.3 DEQ 5.1 DAT 5.2 DES 3.1 DDP 3.2 DDU 3.3 FAS 6.1 FCA 6.2 FOB 3.6 Análise dos dados A partir da publicação do curso INCOTERMS no Moodle e da participação de 54 estudantes, a coleta dos dados foi praticamente automática. Como todas as questões são de múltipla escolha, o Moodle fornece ao administrador relatórios contendo as respostas de cada questão, bem como, as notas individuais por questão e a média geral. Convém ressaltar que dos 54 participantes, somente 34 concluíram a avaliação final declarando não ter conhecimento do conteúdo do curso antes de estudá-lo. 40 Para facilitar as comparações, todos os resultados apresentados nesse trabalho foram convertidos em percentual. 3.6.1 Justificativa do método Segundo Calegare (2001), responder uma pergunta com dados estatísticos, não se resume a comparar médias. Imagine uma mesma saca de feijão, colhida no mesmo dia da mesma lavoura. Se fossem tirados dez grãos de feijão e pesados, e em seguida, fosse realizado o mesmo procedimento, é muito provável que as médias da primeira e da segunda amostra fossem diferentes, embora vindas do mesmo lote. Um desavisado poderia errar ao julgar que as amostras tivessem vindo de lotes diferentes e que um seria melhor do que o outro. Para não se incorrer nesse erro, nesse trabalho, optou-se por utilizar um método chamado de ANOVA, ou análise da variância. Basicamente, se calcula a variação de resultados dentro de cada uma das amostras e com uma probabilidade de 95% de acerto, se afirma que as amostras testadas são diferentes ou não. Ou seja, o teste da ANOVA funciona muito bem para responder se houve ou não variação nos resultados obtidos ao se alterar o tratamento, porém, somente se tivermos apenas dois tipos de tratamento. Se tivermos mais de dois, podemos afirmar se todos são iguais ou se o melhor é diferente do pior, porém, não podemos afirmar se o tratamento intermediário é igual ao melhor, ao pior ou se ele constitui um terceiro grupo. Por exemplo, ensina-se um conteúdo apenas com texto, outro com uma gravação de áudio e outro com um vídeo. Faz-se uma avaliação e constatam-se os seguintes resultados: • Conteúdo apresentado com texto – aproveitamento 60% • Conteúdo apresentado com áudio – aproveitamento 65% • Conteúdo apresentado com vídeo – aproveitamento 68% O teste da ANOVA poderia dizer se a forma de apresentação exerce influência no aprendizado ou não, mas não diria se áudio e vídeo apresentam o mesmo resultado. Para sanar esse impasse, nesse trabalho optou-se pelo uso do teste de Duncan em conjunto com a ANOVA nos casos em que a hipótese envolve mais do que dois tratamentos. 41 Como o objetivo desse trabalho não é a explanação do método estatístico, nos deteremos nesse assunto, e deixamos como referência o livro (CALEGARE, 2001). 3.6.2 Teste da hipótese da Narração Durante o curso, a apresentação dos quinze INCOTERMS, foi dividida em dois grupos: um de conteúdos apresentados sem nenhum tipo de narração e o outro grupo, apresentado ou com texto narrado, ou com animação narrada. A tabela 11 apresenta os resultados obtidos pelos estudantes dos itens de conteúdo associados à hipótese ”O recurso didático narração tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!”. Dessa tabela, destaca-se: • Foram analisados 34 alunos; • As notas obtidas (em amarelo) pelos estudantes na avaliação, variam de 0 à 100; • T, representa a soma das notas; • N, representa o número de amostras, no caso, alunos; • a, representa o número de tratamentos, nesse caso, 2, com e sem narração; • Y, representa a média de cada tratamento e a média total; • Os demais números servem de base para a ANOVA. 42 Tabela 11 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de Conteúdo associados à Hipótese “O recurso didático narração tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!” Os dados da Tabela 11 e sua análise fornecem subsídios para responder a pergunta: Os conteúdos apresentados com narração tiveram um melhor resultado da avaliação? 43 A partir das médias Yi da Tabela 11 tem-se o gráfico da Ilustração 13. Ilustração 13 – Comparação das médias da hipótese da Narração A partir do resultado da ilustração 13, tem-se a impressão de que os textos narrados resultam em um maior aprendizado, no entanto para validar esse resultado, foi realizado o teste da ANOVA, como apresentado na Tabela 12 Tabela 12 – Quadro de ANOVA da hipótese da Narração É importante esclarecer que, segundo Calegare (2001), se Fcalculado for maior do que o Fcrítico, então, pode-se afirmar com 95% de certeza que os dois tratamentos testados são diferentes. Assim, pode-se concluir que: O resultado da avaliação de um conteúdo apresentado com Narração é melhor do que um conteúdo sem narração! 44 3.6.3 Teste da hipótese da Animação Durante o curso, a apresentação dos quinze INCOTERMS, pôde ser dividida em dois grupos: um de conteúdos apresentados sem animação e outro grupo, apresentado com animação narrada. A tabela 13 apresenta os resultados obtidos pelos estudantes dos itens de conteúdo associados à hipótese ”O recurso didático animação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!”. Dessa tabela, destaca-se: • Foram analisados 34 alunos; • As notas obtidas (em amarelo) pelos estudantes na avaliação, variam de 0 à 100; • T, representa a soma das notas; • N, representa o número de amostras, no caso, alunos; • a, representa o número de tratamentos, nesse caso, 2, com e sem narração; • Y, representa a média de cada tratamento e a média total; • Os demais números servem de base para a ANOVA. 45 Tabela 13 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de Conteúdo associados a Hipótese “O recurso didático animação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!” Os dados da Tabela 13 e sua análise fornecem subsídios para responder a pergunta: Os conteúdos apresentados com animação tiveram um melhor resultado da avaliação? 46 A partir das médias Yi da Tabela 13 tem-se o gráfico da Ilustração 14. Ilustração 14 – Comparação das médias da hipótese da Animação A partir do resultado da ilustração 14, tem-se a impressão de que os conteúdos com animação resultam em um maior aprendizado, no entanto para validar esse resultado, foi realizado o teste da ANOVA, como apresentado na Tabela 14. Tabela 14– Quadro de ANOVA da hipótese da Animação É importante esclarecer que, segundo Calegare (2001), se Fcalculado for maior do que o Fcrítico, então, pode-se afirmar com 95% de certeza que os dois tratamentos testados são diferentes. Assim, pode-se concluir que: O resultado da avaliação de um conteúdo apresentado com Animação é melhor do que um conteúdo sem animação! 47 3.6.4 Teste da hipótese da Animação e da Narração Durante o curso, a apresentação dos quinze INCOTERMS, pode ser dividida em dois grupos: um de conteúdos apresentados com narração, porém, sem animação e outro grupo, apresentado com animação narrada. A tabela 15 apresenta os resultados obtidos pelos estudantes dos itens de conteúdo associados à hipótese ”Os recursos didáticos animação e narração produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do curso!”. Dessa tabela, destaca-se: • Foram analisados 34 alunos; • As notas obtidas (em amarelo) pelos estudantes na avaliação, variam de 0 à 100; • T, representa a soma das notas; • N, representa o número de amostras, no caso, alunos; • a, representa o número de tratamentos, nesse caso, 2, com e sem narração; • Y, representa a média de cada tratamento e a média total; • Os demais números servem de base para a ANOVA. 48 Tabela 15 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de Conteúdo associados a Hipótese “Os recursos didáticos animação e narração produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do curso!” Os dados da Tabela 15 e sua análise fornecem subsídios para responder a pergunta: Os conteúdos apresentados com animação tiveram um melhor resultado da avaliação do que os com narração? 49 A partir das médias Yi da Tabela 11 tem-se o gráfico da Ilustração 15. Ilustração 15 – Comparação das médias da hipótese da Animação com a Narração A partir do resultado da ilustração 15, tem-se a impressão de que as animações narradas resultam em um maior aprendizado do que as narrações sem animação, no entanto para validar esse resultado, foi realizado o teste da ANOVA, como apresentado na Tabela 16. Tabela 16– Quadro de ANOVA da hipótese da Animação É importante esclarecer que, segundo Calegare (2001), se Fcalculado for maior do que o Fcrítico, então, pode-se afirmar com 95% de certeza que os dois tratamentos testados são diferentes. Assim, pode-se concluir que: O resultado da avaliação de um conteúdo apresentado com animação narrada é melhor do que um conteúdo somente narrado! 50 3.6.5 Teste da hipótese da Interação Parte do material apresentado na forma de texto e imagem, também foi apresentada com interação. O mesmo ocorreu com a narração e a animação. Com isso, restou a dúvida de se a interação do aluno com o conteúdo exerce alguma influência no resultado das avaliações. A tabela 17 apresenta os resultados obtidos pelos estudantes dos itens de conteúdo associados à hipótese ”A interação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!”. Dessa tabela, destaca-se: • Foram analisados 34 alunos; • As notas obtidas (em amarelo) pelos estudantes na avaliação, variam de 0 à 100; • T, representa a soma das notas; • N, representa o número de amostras, no caso, alunos; • a, representa o número de tratamentos, nesse caso, 2, com e sem narração; • Y, representa a média de cada tratamento e a média total; • Os demais números servem de base para a ANOVA. 51 Tabela 17 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de Conteúdo associados a Hipótese “A interação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!” Os dados da Tabela 17 e sua análise fornecem subsídios para responder a pergunta: Os conteúdos apresentados com alguma interação tiveram um melhor resultado da avaliação? 52 A partir das médias Yi da Tabela 17 tem-se o gráfico da Ilustração 16. Ilustração 16 – Comparação das médias da hipótese da Interação A partir do resultado da ilustração 16, tem-se a impressão de que os textos narrados resultam em um maior aprendizado, no entanto para validar esse resultado, foi realizado o teste da ANOVA, como apresentado na Tabela 18. Tabela 18– Quadro de ANOVA da hipótese da Interação É importante esclarecer que, segundo Calegare (2001), se Fcalculado for maior do que o Fcrítico, então, pode-se afirmar com 95% de certeza que os dois tratamentos testados são diferentes. Assim, pode-se concluir que: O resultado da avaliação de um conteúdo apresentado com interação é melhor do que um conteúdo sem interação! 53 3.6.6 Teste da hipótese de todos os tratamentos Para finalizar os testes, realizou-se a comparação estatística entre todas as combinações testadas nesse trabalho: A tabela 19 apresenta os resultados obtidos pelos estudantes dos itens de conteúdo associados à hipótese ”As combinações entre os recursos didáticos texto e imagem, narração, animação e interação produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do curso!”. Dessa tabela, destaca-se: • Foram analisados 34 alunos; • As notas obtidas (em amarelo) pelos estudantes na avaliação, variam de 0 à 100; • T, representa a soma das notas; • N, representa o número de amostras, no caso, alunos; • a, representa o número de tratamentos, nesse caso, 2, com e sem narração; • Y, representa a média de cada tratamento e a média total; • Os demais números servem de base para a ANOVA. 54 Tabela 19 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de Conteúdo associados a Hipótese “As combinações entre os recursos didáticos texto e imagem, narração, animação e interação produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do curso!” Os dados da Tabela 19 e sua análise fornecem subsídios para responder a pergunta: Os conteúdos apresentados de maneira combinada entre texto, narração, animação e interação tiveram resultados diferentes na avaliação? 55 A partir das médias Yi da Tabela 11 tem-se o gráfico da Ilustração 17. Ilustração 17 – Comparação entre todos os tratamentos A partir do resultado da ilustração 17, tem-se a impressão de que as animações com interação resultam em um maior aprendizado, no entanto para validar esse resultado, foi realizado o teste da ANOVA, como apresentado na Tabela 12 Tabela 20– Quadro de ANOVA de todos os tratamentos É importante esclarecer que, segundo Calegare (2001), se Fcalculado for maior do que o Fcrítico, então, pode-se afirmar com 95% de certeza que os dois tratamentos testados são diferentes. Assim, pode-se concluir que: O resultado da avaliação de um conteúdo, apresentado com Animação e com interação é melhor do que quando apresentado somente como Texto e imagem estática! 56 Porém, não conseguimos saber a respeito dos demais simplesmente observando a ANOVA, portanto, realizou-se o teste de Duncan. Para facilitar a visualização do comparativo de Duncan, a seguinte nomenclatura foi utilizada: A) Texto e imagem (µ= 57,56); B) Texto e imagem + Áudio (µ= 67,65); C) Texto e imagem + Interação (µ= 75,49); D) Texto e imagem + Áudio + Interação (µ= 79,90); E) Animação (µ= 84,03); F) Animação + Interação (µ= 89,22). A Ilustração 18 representa o comparativo gráfico da análise de Duncan. A 57,56 B 67,65 10,1 C 75,49 7,8 D 79,90 4,4 E 84,03 4,1 F 89,22 5,2 20,29 Ilustração 18 - Comparativo de Duncan Cálculo da diferença mínima significativa de Duncan: S = raiz (S2R/n) = raiz (433,42/34) = 3,57 Intervalo com 2 médias dms2 = r(α;p;f) x S = r(5%; 2; 198) x 3,57 = 2,77 x 3,57 = 9,89 Assim, a representação gráfica do comparativo de Duncan para intervalo com duas médias fica como o representado na Ilustração 19. A 57,56 B 67,65 10,1 ≠ C 75,49 7,8 = D 79,90 4,4 = E 84,03 4,1 = 20,29 Ilustração 19 - Teste de Duncan para 2 médias F 89,22 5,2 = 57 Intervalo com 3 médias dms3 = r(α;p;f) x S = r(5%; 3; 198) x 3,57 = 2,92 x 3,57 = 10,42 Assim, a representação gráfica do comparativo de Duncan para intervalo com três médias fica como o representado na Ilustração 20. A 57,56 B 67,65 C 75,49 7,8 D 79,90 4,4 E 84,03 4,1 F 89,22 5,2 12,2 9,3 = ≠ Ilustração 20 - Teste de Duncan para 3 médias Intervalo com 4 médias dms2 = r(α;p;f) x S = r(5%; 4; 198) x 3,57 = 3,02 x 3,57 = 10,78 Assim, a representação gráfica do comparativo de Duncan para intervalo com quatro médias fica como o representado na Ilustração 21. A 57,56 B 67,65 C 75,49 D 79,90 4,4 E 84,03 4,1 F 89,22 5,2 13,7 ≠ Ilustração 21 - Teste de Duncan para 4 médias Analisando os resultados obtidos nos testes de Duncan para 2, 3 e 4 médias, podese chegar a conclusão apresentada na Ilustração 22: Grupo 1 Grupo 2 A 57,56 B 67,65 Grupo 3 C 75,49 D 79,90 E 84,03 Ilustração 22 - Conclusão do teste de Duncan F 89,22 58 Dos seis tratamentos estudados, com 95% de certeza, podemos afirmar que existem 3 grupos distintos: Grupo 1 – Formado pelos conteúdos que continham Texto e imagem estática. Esse é o grupo onde se obteve o resultado menos satisfatório na avaliação; Grupo 2 – Formado pelos conteúdos ministrados com Texto e imagem estática com Narração. Grupo 3 – Formado pelos conteúdos apresentados com Texto e imagem estática com Narração e Interação; e pelos conteúdos Animados, com ou sem interação. Com esse tamanho de amostra, não foi possível concluir se Texto e imagem estática com interação faz parte do Grupo 2, do Grupo 3 ou se ele constitui um novo grupo. Assim, pode-se fazer a seguinte afirmação: Materiais didáticos, quando apresentados na forma textual com imagens estáticas, tiveram os piores resultados na avaliação entre os tratamentos estudados, seguido por texto com imagens estáticas e narração. O melhor resultado foi obtido ao se apresentar um recurso didático usando Animação ou a combinação de Texto, imagens estáticas, Narração e Interação. 3.7 Relação entre custo e benefício Nem sempre a decisão por se eleger um formato para apresentação de um material didático é tomada, meramente, embasando-se nos resultados pedagógicos. Não se discute que aprender Inglês morando na terra da Rainha seja mais eficiente do que estudando sozinho em casa, porém, deve-se considerar os custos tanto quanto os benefícios que se pretende obter. Dessa forma, antes de tecer as conclusões, foi feito um comparativo entre os benefícios e os custos de cada método: • uma modelagem adequada no material didático para um curso/unidade, envolvendo múltiplos tipos de conteúdos/mídias e, consequentemente, os vários estilos de aprendizagem, possibilita os benefícios de bons resultados na avaliação do curso/unidade. Assim, neste trabalho, como fator de benefício da aprendizagem associado ao material didático do curso/unidade serão utilizadas as médias obtidas pelos alunos nas avaliações;. • o custo estimado para a produção de cada tipo de conteúdo pode considerar como base o tempo gasto para a sua produção. Neste trabalho, considerado 59 este aspecto, definiu-se grau de dificuldade. Um valor maior nesse grau representa maior dificuldade/custo de produção e um valor menor representa um custo/dificuldade menor de produção. A tabela 21 apresenta a escala utilizada no critério grau de dificuldade, baseado no tempo gasto para se produzir cada unidade de conteúdo do curso desse trabalho. Tabela 21 - Escala de dificuldade/custo de produção Escala de Dificuldade Muito Fácil – conteúdo produzido em menos de 1 hora Fácil – conteúdo produzido em menos de 2 horas Regular – conteúdo produzido em menos de 3 horas Difícil – conteúdo produzido em menos de 4 horas Muito Difícil – conteúdo produzido em 4 horas ou mais 0 25 50 75 100 Vale destacar que, a partir da experimentação de elaboração do material didático para o curso INCOTERMS foram atribuídos graus de dificuldade aos conteúdos produzidos e construiu-se a tabela 22 que contempla o grau de dificuldade e o benefício obtido pela aprendizagem. Tabela 22 - Relação de Dificuldade e Benefício Dificuldade Benefício Texto e imagem 10 58 Texto e imagem + Interação 20 75 Texto e imagem + Audio 35 68 Texto e imagem + Audio + Interação 45 80 Animação 60 84 Animação + Interação 75 89 A ilustração 23 apresenta a relação custo de produção do material e benefício obtido. Nessa ilustração, ao se posicionar no eixo “X” obtém-se a dificuldade ou o custo de produção do material didático e no eixo “Y” o resultado da avaliação obtido no curso. 60 Ilustração 23 - Gráfico de dispersão do Custo vs. Benefício Ao observar o gráfico da Ilustração 23, é possível verificar que: • texto e imagem, apesar de apresentar um menor custo de produção, apresenta o menor benefício de aprendizagem entre os conteúdos estudados; • quando acrescido de interação, o texto e a imagem estática ganham um importante aumento no seu benefício de aprendizagem, sem representar muito acréscimo no custo de produção; • acrescentar áudio (narração) ao texto e à imagem, representa um significativo incremento no custo de produção, porém, sem ganho significativo na aprendizagem; 61 • os outros pontos do gráfico compõem um mesmo grupo (animação) que, apesar de apresentarem um maior custo de produção obtiveram melhor resultado no benefício da aprendizagem. 3.8 Preferência dos alunos Por fim, como resultado ao questionamento feito para os alunos sobre a sua preferência em termos de apresentação de conteúdo, foi obtido o resultado apresentado na Ilustração 24. Ilustração 24 - Resultado da preferência do aluno A preferência do aluno não necessariamente está associada aos estilos de aprendizagem que o aluno melhor aprende. Um método fundamentado que detecta esses estilos, tais como o modelo de Felder e Silverman descrito anteriormente, pode ser utilizado nesse caso. Assim, é importante destacar que este trabalho não teve a pretensão de avaliar a aprendizagem associada aos tipos de conteúdo e aos estilos de aprendizagem do aluno. 62 4 Conclusão Para responder a pergunta que motivou esse trabalho - Acrescentar recursos de áudio, animação e interação nos materiais didáticos em EaD para Ambientes Virtuais de Aprendizagem possibilita maior aceitação por parte do aluno e o motiva a querer aprender? – encontrou-se na literatura que o processo de aprendizagem, depende, não só de como ou quem ensina, mas também do aprendiz. Jung (1991) nos sugere quatro pares modais para a forma como as pessoas veem o mundo, são elas: • Extroversão ou Introversão • Sensação ou Intuição • Pensamento ou Sentimento • Julgamento ou Percepção. Tomando por referência os modais de Jung, Felder (1988) caracterizou os estilos de aprendizagem, são eles: • Sensorial ou Intuitivo; • Visual ou Verbal; • Indutivo ou Dedutivo; • Ativo ou Reflexivo; • Seqüencial ou Global. Com isso, concluiu-se não haver uma fórmula mágica que tornasse um conteúdo mais eficiente, pedagogicamente falando, para todos os alunos, cada qual com suas peculiaridades e estilos de aprendizagem. Dessa forma, uma pesquisa foi realizada com 34 voluntários, usuários da internet. Os voluntários, de diversos Estados do Brasil, com escolaridade entre o ensino médio e pós-graduação, demonstraram uma preferência inicial por materiais mais elaborados. Ao serem questionados, qual tipo de material do curso que eles mais acharam proveitoso, eles responderam: • Animação com áudio e vídeo 62% • Texto com narração e imagem 24% • Interações 15% • Texto e imagem 0% • Somente texto 0% 63 Para que fosse possível se obter dados, o mais próximo possível do real, um curso on-line foi criado e disponibilizado na internet para todos que desejassem fazer. O curso foi dividido em 15 partes de igual tamanho e complexidade. Essas 15 partes do curso foram apresentadas de seis maneiras diferentes: • com texto e imagem; • com texto, imagem e alguma interação; • com texto, imagem e áudio (narração); • com texto, imagem, áudio (narração) e alguma interação; • com animação, mesclando texto, imagens em movimento e narração; • com animação, mesclando texto, imagens em movimento, narração e alguma interação. Após a apresentação do conteúdo, uma avaliação foi proposta. A avaliação consistiu de 25 questões de múltipla escolha. Durante o período em que o curso esteve disponível, 34 pessoas concluíram a avaliação, declarando no final da avaliação, não ter conhecimento prévio sobre a matéria apresentada. Os resultados obtidos das avaliações foram analisados e refletiram algo muito parecido com as preferências declaradas, Os resultados obtidos no aproveitamento do curso foram: • Animação + Interação 89% • Animação 84% • Texto e imagem + Áudio + Interação 80% • Texto e imagem + Interação 75% • Texto e imagem + Áudio 68% • Texto e imagem 58% Ou seja, os participantes acertaram mais questões com conteúdos mais diversificados, mesclando áudio, interação e animação. Em termos de custo ou dificuldade para a produção de um tipo de material ou outro, observou-se que, para a produção do curso utilizado para a presente pesquisa, a produção textual com imagem foi um processo presente em todas as modalidades aqui testadas, para os materiais narrados, alguma dificuldade foi acrescida, para a produção das interações, observou-se uma demanda de tempo um pouco maior, porém, a produção das animações foi o momento que mais demandou recursos para a produção. 64 Dessa forma, podemos responder a pergunta chave desse trabalho - Acrescentar recursos de áudio, animação e interação nos materiais didáticos em EaD para Ambientes Virtuais de Aprendizagem possibilita maior aceitação por parte do aluno e o motiva a querer aprender? – de uma maneira afirmativa, pois se pôde concluir que cada aluno possui, tanto estilos de aprendizagem distintos, quanto preferências nas formas com que os conteúdos são apresentados. Sendo assim, quando se agrega mais recursos no material didático, mais pessoas são incluídas, tornando o material mais empolgante para o aluno, motivando-o a aprender, tornando assim, o processo de ensino-aprendizado mais eficaz. Assim, como sugestão, ao se criar um material didático para EAD deve-se considerar a inclusão de elementos que estimulem o aprendizado de alunos com diferentes estilos e personalidades, como elementos visuais, auditivos e de interação. 65 REFERÊNCIAS ANDERSON, L. W. et. al. Taxonomy for learning, teaching and assessing: a revision of Bloom’s Taxonomy of Educational Objectives, Addison Wesley Longman, Nova York, 2001. BETTIO, R. W., MARTINS, A. Objetos de Aprendizado: Um novo modelo direcionado ao Ensino a Distância. Cortez, São Paulo, 2002. BIBLIOTECA DIGITAL DA UNIVERSIDADE JEAN PIAGET DE CABO VERDE. Os recursos didácticos no processo de ensino-aprendizagem. 2007. 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