UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
Recursos Didáticos e a motivação dos alunos em
EAD
ALVARO TADDEO FREITAS
UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
APRENDIZAGEM EM AMBIENTE VIRTUAL
Recursos Didáticos e a motivação dos alunos em EAD
ALVARO TADDEO FREITAS
Orientador: Prof. Ms. Ivan Carlos Alcântara de Oliveira
Monografia apresentada ao Programa de PósGraduação, da Universidade Cruzeiro do Sul,
como parte dos requisitos para a obtenção
do título de Especialista em Educação em
Ambientes Virtuais.
SÃO PAULO
2011
FICHA CATALOGRÁFICA
Freitas, Alvaro Taddeo
Recursos Didáticos e a motivação dos alunos em EAD / A.T.
Freitas. -São Paulo, 2011.
67 p.
Monografia (Especialização em Educação em Ambientes Virtuais)
– Universidade Cruzeiro do Sul.
1.Educação a Distância 2.Recursos didáticos 3.Ambiente Virtual
de Aprendizagem 4.Material didático I. Universidade Cruzeiro do
Sul
II.t.
DEDICATÓRIA
Dedico esse trabalho a minha
família que tem me incentivado e
compreendido a minha ausência
durante as diversas noites e finais
de semana que passei estudando.
Dedico também a todos os
professores da UniCSul que tanto
me ensinaram nos últimos meses, e
em especial ao meu Mestre e
orientador, Prof. Ivan Carlos
Alcântara de Oliveira.
AGRADECIMENTOS
O meu agradecimento especial vai para cada pessoa que colaborou participando do
curso disponibilizado para esta pesquisa. Muitos colegas prontos a ajudar nessa
pesquisa científica e outros tantos de vários cantos do Brasil que não tive a
oportunidade de conhecer. Agradeço também ao Giovani Farias por ter me
apresentado o Moodle como uma poderosa ferramenta de ensino. Sem esse
conhecimento, as pesquisas desse trabalho não teriam sido possíveis.
EPÍGRAFE
“A essência do conhecimento consiste em
aplicá-lo, uma vez possuído”
Confúcio
RESUMO
A presente monografia “Recursos Didáticos e a motivação dos alunos em EAD”
consolida uma investigação voltada para responder a seguinte pergunta:
“Acrescentar recursos de áudio, animação e interação nos materiais didáticos
em EaD para Ambientes Virtuais de Aprendizagem possibilita maior aceitação
por parte do aluno e o motiva a querer aprender?”. Esse trabalho, inicialmente
investiga na literatura os diferentes estilos de aprendizagem propostos por Richard
Felder baseado nos estudos de Carl Jung, onde a individualidade de cada aprendiz
é analisada e classificada mediante critérios psicológicos individuais, relacionando
as situações que melhor estimulam o aluno a aprender. Em seguida, discorre sobre
as dimensões do processo cognitivo propostas por Bloom na sua obra “Taxonomia
dos objetos de aprendizado”, onde o autor relaciona cada passo do processo de
aprendizagem, desde a simples capacidade do aluno em reconhecer algo que lhe foi
ensinado, até a capacidade do mesmo em criar algo novo baseado nas informações
por ele adquiridas. Para terminar a revisão teórica, a presente monografia trata da
classificação dos métodos de ensino proposta por Edgar Dale e culmina no “Cone
do Aprendizado”, onde o pesquisador classifica as técnicas de ensino pela sua
eficiência pedagógica, de símbolos verbais, visuais e filmes até experiências mais
ativas
como
dramatização,
debate,
simulação
e
experimentação
real.
Posteriormente, um curso foi criado e disponibilizado na internet, dispondo
conteúdos na forma de texto, imagem, áudio e animação contendo alguma
interação. Para cada um dos participantes, uma avaliação foi proposta, objetivando
medir a aprendizagem em cada tratamento do conteúdo. No final do período da
pesquisa, os resultados foram estatisticamente analisados e foi possível identificar
que quando os recursos são apresentados com maior diversidade de formas de
apresentação, maior é o número de alunos que se veem atraídos e motivados pelo
conteúdo, gerando assim uma média melhor no resultado da avaliação.
Palavras chave: ensino a distância; ambiente virtual de aprendizagem; recurso
didático; material didático
ABSTRACT
This monograph "Educational resources and motivation of students in distance
education" consolidates a study aimed to answer the following question: "Add audio
features, animation and interaction in the learning materials for distance
learning in Virtual Learning Environments provides greater acceptance by the
student and motivates them to want to learn?". Initially this work investigates in
the literature the different learning styles proposed by Richard Felder based on
studies of Carl Jung, where the individuality of each learner is analyzed and
classified by individual psychological criteria, relating the situations that best
stimulate the student to learn. Then discusses the dimensions of the cognitive
process proposed by Bloom in his book "Taxonomy of learning objects", where the
author relates each step in the process of learning, from simple student's ability to
recognize something that was taught to the same capacity to create something new
based on the information acquired. To conclude the literature review, this monograph
deals with the classification of teaching methods proposed by Edgar Dale and
culminates in the "Cone of Learning", where the researcher classifies the teaching
techniques for their pedagogical efficiency of verbal symbols, visual and film to more
active experiences such as drama, debate, simulation and actual experimentation.
Later, a course was created and made available on the Internet, providing content in
text form, image, audio and animation with a little interaction. For each participant, an
assessment was proposed, aiming to measure the learning content for each
treatment. At the end of the study, the results were statistically analyzed and it was
possible to identify that, where resources are presented with greater diversity of
forms of presentation, the greater the number of students that are attracted and
motivated by the content, in that way, generating a better average on the evaluation’s
outcome.
Key words: distance learning, virtual learning environment, teaching resource,
teaching materials.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Ilustração 1 - Estilos de Aprendizagem - adaptado de Felder por Senra (2009).......16
Ilustração 2 - Categorias do domínio cognitivo - Taxonomia de Bloom, adaptado de
Ferraz (2010).............................................................................................................18
Ilustração 3 - Categorização atual da Taxonomia de Bloom proposta por Anderson
(2001) , adaptado de Ferraz (2010) ..........................................................................19
Ilustração 4 - Cone do Aprendizado de Edgar Dale, adaptado de (DALE, 1946)......20
Ilustração 5 - Adaptação do cone de Dale por Bruce Hyland, adaptado da publicação
do METIRI GROUP (2008)........................................................................................22
Ilustração 6 - Cone do aprendizado de Edgar Dale, terceira edição, adaptado da
publicação do METIRI GROUP (2008)......................................................................23
Ilustração 7- Categorias de Bloom eleitas para a pesquisa, Anderson (2001) ,
adaptado de Ferraz (2010)........................................................................................28
Ilustração 8 - Exemplo de questão para avaliar o conhecimento ..............................31
Ilustração 9 - Exemplo de questão para avaliar a capacidade de análise.................34
Ilustração 10 - Avaliação de conhecimento prévio ....................................................34
Ilustração 11 - Questão relativa a percepção do aluno em relação ao tipo de recurso
educacional e o seu aprendizado..............................................................................34
Ilustração 12 - Questões extras relacionadas a idade e escolaridade do aluno........35
Ilustração 13 – Comparação das médias da hipótese da Narração ..........................43
Ilustração 14 – Comparação das médias da hipótese da Animação.........................46
Ilustração 15 – Comparação das médias da hipótese da Animação com a Narração
..................................................................................................................................49
Ilustração 16 – Comparação das médias da hipótese da Interação..........................52
Ilustração 17 – Comparação entre todos os tratamentos..........................................55
Ilustração 18 - Comparativo de Duncan ....................................................................56
Ilustração 19 - Teste de Duncan para 2 médias........................................................56
Ilustração 20 - Teste de Duncan para 3 médias........................................................57
Ilustração 21 - Teste de Duncan para 4 médias........................................................57
Ilustração 22 - Conclusão do teste de Duncan..........................................................57
Ilustração 23 - Gráfico de dispersão do Custo vs. Benefício.....................................60
Ilustração 24 - Resultado da preferência do aluno ....................................................61
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Relação entre aprendizado e alguns recursos didáticos, adaptado da
publicação do METIRI GROUP (2008)......................................................................24
Tabela 2 - Relação de INCOTERMS, adaptado de (INCOTERMS, 2010) ................26
Tabela 3 - Estrutura e Organização do Curso: Relação de Conteúdo educacional por
Recurso didático........................................................................................................27
Tabela 4 - Relação de questões para avaliação de conhecimento (Primeira
Categoria de BLOOM)...............................................................................................29
Tabela 5 - Relação de questões para avaliação de análise ......................................33
Tabela 6 – Itens do curso INCOTERMS com e sem narração que envolvem a
Hipótese ” O recurso didático narração tem pouca influência no bom resultado da
avaliação do curso!” ..................................................................................................36
Tabela 7 - Itens do curso INCOTERMS com e sem animação que envolvem a
Hipótese ”O recurso didático animação tem pouca influência no bom resultado da
avaliação do curso!” ..................................................................................................37
Tabela 8 - Itens do curso INCOTERMS com narração e animação associadas a
Hipótese ”Os recursos didáticos animação e narração produzem o mesmo efeito no
resultado da avaliação do curso!”.............................................................................37
Tabela 9 - Itens do curso INCOTERMS com e sem interação associadas a Hipótese
”A interação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!”...........38
Tabela 10 – Itens do curso INCOTERMS com múltiplas combinações de recursos
didáticos associadas a Hipótese ” As combinações entre os recursos didáticos texto
e imagem, narração, animação e interação produzem o mesmo efeito no resultado
da avaliação do curso!” .............................................................................................39
Tabela 11 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de
Conteúdo associados à Hipótese “O recurso didático narração tem pouca influência
no bom resultado da avaliação do curso!”.................................................................42
Tabela 12 – Quadro de ANOVA da hipótese da Narração........................................43
Tabela 13 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de
Conteúdo associados a Hipótese “O recurso didático animação tem pouca influência
no bom resultado da avaliação do curso!”.................................................................45
Tabela 14– Quadro de ANOVA da hipótese da Animação........................................46
Tabela 15 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de
Conteúdo associados a Hipótese “Os recursos didáticos animação e narração
produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do curso!” ..............................48
Tabela 16– Quadro de ANOVA da hipótese da Animação........................................49
Tabela 17 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de
Conteúdo associados a Hipótese “A interação tem pouca influência no bom
resultado da avaliação do curso!”..............................................................................51
Tabela 18– Quadro de ANOVA da hipótese da Interação.........................................52
Tabela 19 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de
Conteúdo associados a Hipótese “As combinações entre os recursos didáticos texto
e imagem, narração, animação e interação produzem o mesmo efeito no resultado
da avaliação do curso!” .............................................................................................54
Tabela 20– Quadro de ANOVA de todos os tratamentos..........................................55
Tabela 21 - Escala de dificuldade/custo de produção ...............................................59
Tabela 22 - Relação de Dificuldade e Benefício........................................................59
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AVA
Ambiente Virtual de Aprendizagem
EaD
Ensino a Distância
TIC
Tecnologia de Informação e da Comunicação
MOODLE
Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment
MEC
Ministério da Educação e Cultura
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................14
2 ENQUADRAMENTO TEÓRICO ............................................................................15
2.1 Estilos de Aprendizagem .................................................................................15
2.2 Dimensões do processo cognitivo ...................................................................17
2.3 Classificação de Edgar Dale............................................................................20
3 DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO ................................................................25
3.1 Escolha do AVA...............................................................................................25
3.2 Escolha do conteúdo didático e do Curso........................................................26
3.3 Organização e Estrutura do Curso ..................................................................27
3.4 Avaliação do Curso..........................................................................................27
3.5 As hipóteses ....................................................................................................36
3.6 Análise dos dados ...........................................................................................39
4 CONCLUSÃO ........................................................................................................62
REFERÊNCIAS.........................................................................................................65
14
1 Introdução
Apesar do sucesso do Ensino a Distância nesta sociedade onde a Tecnologia da
Informação e da Comunicação se faz tão presente, algumas verdades ainda
assombram os Educadores, e a principal delas trata do sensível índice de rejeição
ao ensino a distância com relação ao presencial. Muitas pessoas, por simples
preconceito, se recusam a aceitar a Educação a Distância (EaD) como opção de
aprendizado por julgá-lo ineficiente. Outras, experimentam e não encontram ânimo
para continuar, desistindo no caminho.
Objetivando aumentar a aceitação do público à EaD, a questão central deste
trabalho de pesquisa é: “Acrescentar recursos de áudio, animação e interação
nos materiais didáticos em EaD para Ambientes Virtuais de Aprendizagem
possibilita maior aceitação por parte do aluno e o motiva a querer aprender?”
Este trabalho objetiva identificar na literatura o que os teóricos já desenvolveram a
esse respeito. Objetiva também, realizar um experimento prático para tentar
encontrar resposta a essa pergunta.
15
2 Enquadramento Teórico
Visando um melhor esclarecimento sobre os conceitos utilizados durante a pesquisa,
abordaremos brevemente nas subseções a seguir os assuntos Estilos de
Aprendizagem, Dimensões do Processo Cognitivo e Classificação de Edgar Dale..
2.1 Estilos de Aprendizagem
Para que se possa avaliar se a apresentação de um conteúdo didático a um aluno
surtiu ou não o efeito desejado, é preciso, antes de mais nada, se ter em mente que
a educação, é não somente um processo de ensino, mas de ensino-aprendizado.
Portanto, levar em consideração somente o material didático, ignorando os
diferentes aspectos do receptor, ou seja, do aluno, seria um erro.
Cavellucci (2003) no seu trabalho “Estilos de aprendizagem: em busca das
diferenças individuais” identificou alguns estilos de aprendizagem baseados nos
modos como as pessoas veem o mundo, esses modos, descritos por Jung (1991),
são:
•
Extroversão – Introversão
•
Sensação – Intuição
•
Pensamento – Sentimento
•
Julgamento – Percepção
Para Richard M. Felder (1988), os estilos de aprendizagem, são uma
característica/preferência dominante, por parte do aluno, na forma de como eles
aprendem, passível, inclusive, de ser modificada. Assim, se o recurso de
aprendizagem coincide com o estilo de aprender deste aluno, acaba por repercutir
positivamente no seu aprendizado. Em (FELDER; SILVERMAN, 1988) pode-se
encontrar as cinco dimensões de estilos de aprendizagem:
•
Sensorial – Intuitivo
•
Visual – Verbal
•
Indutivo – Dedutivo
•
Ativo – Reflexivo
•
Seqüencial – Global
Para (SENRA, 2009), a dimensão sensorial/intuitivo está ligada aos sentidos, ou
seja, o que é tocado, ouvido ou visto; e intuitiva, através de memória, reflexão e
16
imaginação. A dimensão visual/verbal, está ligada a forma com que o aluno recebe a
informação, se visual, ele prefere os gráficos e as figuras, se verbal, prefere os
textos, narrações e formulações matemáticas. Na dimensão indutivo/dedutivo, os
indutivos preferem começar por casos específicos e ir construindo até chegar aos
princípios e teorias. No caso dos dedutivos, eles preferem começar com princípios e
teorias gerais e então deduzir as conseqüências até chegar às aplicações. Na
dimensão ativo/reflexivo, os aprendizes ativos preferem processar a informação
realizando alguma atividade e testando o conteúdo, já os reflexivos preferem
primeiro refletir calmamente sobre a informação para então, colocá-la em prática. A
dimensão seqüencial/global trata os alunos pela forma com que aprendem, de
maneira seqüencial, se ele vai assimilando o conteúdo de parte em parte, seguindo
alguma lógica, até entender o todo; ou global, quando, para obter melhor
desempenho, o aluno carece de ter uma visão geral do objetivo final do conteúdo.
Na Ilustração 1 pode-se visualizar os estilos de aprendizagem segundo o modelo do
Felder.
Sensorial
Percepção
Intuitivo
Visual
Entrada
Verbal
Indutivo
Organização
Dedutivo
Ativo
Processamento
Reflexivo
Seqüencial
Entendimento
Global
Ilustração 1 - Estilos de Aprendizagem - adaptado de Felder por Senra (2009)
17
2.2 Dimensões do processo cognitivo
O processo de aprendizagem é algo que nem sempre é rápido e direto como se
deseja. É sabido que o processo cognitivo possui vários níveis de maturidade até
atingir a sua plenitude. Uma criança demora certo tempo para começar a pronunciar
as primeiras palavras. Depois, com um maior domínio, passa a arriscar algumas
frases feitas. Depois de muito treino, começa a criar sua própria estrutura, para
então, criar seu próprio estilo. Essa maturidade, não acontece somente na infância,
mas em todos os momentos onde novas informações passam a fazer parte do
indivíduo e se transformam em competência.
Essas fases ou dimensões do processo cognitivo vêm sendo cuidadosamente
estudadas ao longo dos tempos, porém, foi a partir dos anos 40, depois de uma
publicação no “Journal of Educational Research” escrita pelo estudioso Benjamin
Bloom que as teorias sobre o processo cognitivo passaram a assumir o formato que
conhecemos hoje.
Em 1956, com a publicação da Taxonomia de Bloom, o processo cognitivo passou a
ser aceito em seis etapas que vão desde o simples fato de se ter retido uma
determinada informação até atingir o nível, de poder tecer os mais significantes
julgamentos sobre tal conceito. As categorias, obtidas de Ferraz (2010) e
apresentadas na ilustração 2, foram assim definidas:
•
Conhecimento
O aluno é capaz de recordar ou reconhecer informações, ideias, e princípios
na forma em que foram aprendidos.
•
Compreensão
O aluno traduz, compreende ou interpreta informação com base em uma
bagagem prévia de conhecimentos adquiridos.
•
Aplicação
O aluno seleciona e usa dados e princípios para resolver um problema ou
tarefa.
•
Análise
O aluno identifica, qualifica, classifica, e relaciona hipóteses, evidências ou
estruturas de uma questão.
•
Síntese
O aluno cria e combina ideias para formar uma proposta totalmente nova.
18
•
Avaliação
O aluno observa, reflete, avalia e critica com base em critérios específicos.
6 - Avaliação
5 - Síntese
4 - Análise
3 - Aplicação
2 - Compreensão
1 - Conhecimento
Ilustração 2 - Categorias do domínio cognitivo - Taxonomia de Bloom, adaptado de Ferraz
(2010)
Porém, com o avanço dos estudos na área da educação, muito se tem evoluído,
inclusive na compreensão das etapas do processo cognitivo tanto para a pedagogia
quanto para a andragogia. Assim, a proposta iniciada por Bloom sofreu algumas
alterações e hoje é conhecida como a taxonomia revisada de Bloom. A nova
proposta, obtidas de Ferraz (2010) e apresentadas na ilustração 3, ficou assim:
•
Lembrar
Lembrar significa reconhecer e recordar informações importantes da memória.
•
Entender
Entender é fazer sua própria interpretação do conteúdo educacional
transferido pelo professor.
•
Aplicar
Aplicar significa saber utilizar o conteúdo ensinado em uma nova
contextualização, é como pegar um balde vermelho e uma lanterna e fazer
uma sinalização de emergência.
19
•
Analisar
Analisar é poder dividir o conhecimento aprendido em células menores, e
então, poder reorganizar, acrescentando fragmentos de conhecimento prévio,
formando uma nova solução para o problema.
•
Avaliar
Avaliar significa verificar e criticar, usando seus próprios argumentos.
•
Criar
Criação é um elemento novo na taxonomia de Bloom, consiste em, utilizando
os conhecimentos prévios, tecer teorias e hipóteses totalmente novas,
gerando conhecimento.
6 - Criação
5 - Avaliação
4 - Análise
3 - Aplicação
2 - Entendimento
1 - Lembrança
Ilustração 3 - Categorização atual da Taxonomia de Bloom proposta por Anderson (2001) ,
adaptado de Ferraz (2010)
Esse trabalho dispõe da taxonomia sugerida por Bloom e posteriormente revisada
para avaliar e quantificar a qualidade do aprendizado gerado durante o curso usado
como pesquisa para responder a pergunta chave desse trabalho.
20
2.3 Classificação de Edgar Dale
A procura por recursos educacionais mais eficientes para atuarem como
coadjuvante do professor não é algo novo. Uma famosa frase atribuída ao filósofo
Confúcio a milhares de anos, e citada por Teixeira (2010), já dizia: “O que eu vejo,
eu esqueço, o que eu ouço, eu relembro e o que eu faço, eu entendo”.
Dentre os educadores que se empenharam em avaliar as diversas maneiras de
apresentar um conteúdo didático ao aluno temos o Edgar Dale da Universidade do
estado de Ohio nos Estados Unidos. No ano de 1946 ele publicou um artigo
chamado “Audio-visual methods in Teaching” no qual, ele relaciona as diversas
abordagens de ensino e as classifica quanto a sua eficiência em transmitir
conhecimento desde o material de ensino até o aluno (DALE, 1964).
Dale relacionou onze formas diferentes de se apresentar um conteúdo educacional a
um educando. Essas classificações, ele dispôs em forma de pirâmide em um
diagrama que ficou conhecido como o cone da experiência ou cone da
aprendizagem, como pode ser visualizado na ilustração 4.
Ilustração 4 - Cone do Aprendizado de Edgar Dale, adaptado de (DALE, 1946)
21
No topo da pirâmide, temos a figura de menor área, representando ser a forma de
apresentação pedagógica com menor aproveitamento na aprendizagem. Já na base
da pirâmide, encontra-se a categoria que do ponto de vista de Dale, apresenta uma
maior eficiência pedagógica. As categorias estão assim definidas:
•
Símbolos Verbais
Tudo aquilo que o aluno lê, como livros, apostilas, textos no computador, etc.
•
Símbolos Visuais
Ilustrações e representações gráficas, como o cone de Dale por exemplo.
•
Fotos e Áudio
Gravações de áudio, programas de rádio, fotos e imagens sem movimento.
•
Filmes
Filmes de uma forma geral, com áudio e vídeo. Por exemplo, filme de cinema.
•
Vídeo Aulas
São vídeos criados especificamente para educar. O Telecurso é um bom
exemplo.
•
Exposições
Pertencem a essa classificação as aulas expositivas e palestras pedagógicas.
•
Passeios Educacionais
Excursões, viagens e passeios com fim educativo são exemplos dessa
categoria.
•
Demonstração
A demonstração é quando o aluno tem a oportunidade de ver aquilo que está
sendo ensinado, em funcionamento.
•
Dramatização
A dramatização é a mistura do conteúdo didático com emoção. O dicionário
Aurélio diz que dramatizar é: ”Tornar ou procurar tornar dramáticos,
interessantes ou comoventes como um drama, sofrimentos, fatos, situações”.
•
Experiência Simulada
São recursos que permitem ao aluno imitar a experiência de realizar aquilo
que está sendo ensinado. Um bom exemplo é o simulador de vôo e os jogos
eletrônicos.
22
•
Experiência Direta
A experiência direta é a oportunidade que o aluno tem de realizar na prática o
que foi ensinado. O estágio é um ótimo exemplo.
Posteriormente, outros autores redesenharam o cone de Dale, representado na
Ilustração 5, para uma melhor adaptação aos nossos dias. Um exemplo é a releitura
feita por Bruce Hyland e citada no trabalho “Multimodal Learning Through Media:
What the Research Says” . O cone ficou conforme a ilustração 5.
Ilustração 5 - Adaptação do cone de Dale por Bruce Hyland, adaptado da publicação do METIRI
GROUP (2008)
Nessa releitura, temos uma divisão muito clara do aluno, recebendo o conteúdo de
maneira passiva (lendo, vendo, ouvindo e assistindo) e do aluno interagindo com o
conteúdo de maneira ativa (participando, fazendo, simulando e realizando). Quando
participando ativamente, o aluno, segundo Bruce Hyland em (METIRI GROUP,
2008), aprende muito mais efetivamente.
Em (DALE, 1969), Edgar Dale aclara o cone com alguns detalhes, ficando parecido
com a ilustração 6:
23
Ilustração 6 - Cone do aprendizado de Edgar Dale, terceira edição, adaptado da publicação do
METIRI GROUP (2008)
Nessa edição, tem-se uma visão da ideia de Edgar Dale sobre os métodos de
ensino em função da sua eficiência no processo de ensino aprendizado.
Nesse trabalho, será considerada essa classificação de Dale, levantando hipóteses
e testando a eficiência de um material didático em algumas das classificações
acima.
A tabela 1 visa classificar, tomando por base a publicação do METIRI GROUP
(2008), algumas maneiras de se apresentar conteúdos educacionais on-line.
24
Tabela 1 - Relação entre aprendizado e alguns recursos didáticos, adaptado da publicação do
Classificação de Dale
Natureza do
Envolvimento
METIRI GROUP (2008)
Recursos Educacionais on-line
Texto (HTML, pdf, Apresentação, ePub,
etc)
01 Lendo
Gravação digital de áudio
Baixo
02 Ouvindo palavras
03 Olhando imagens
Leitor de texto (“text-to-speech”)
Foto;
Ilustração;
Gráfico, etc.
Filme com conteúdo didático
05 Vendo uma apresentação
Gravação audiovisual de uma explicação –
Vídeo-Aula
Assistindo a uma
06
Demonstração
Médio
04 Assistindo a Filmes
Gravação audiovisual de uma
demonstração prática;
Animação gráfica
07 Vendo no local
Fórum de debate e Sala de bate papo
09 Argumentando
Fórum de debate e Sala de bate papo com
participação ativa
10 Dramatizando
Alto
08 Participando de discussão
11 Simulando
Hipertexto, Atividades de simulação,
emulação, Jogos, etc.
12 Realizando
Questionário, Tarefa on-line, Tarefa offline, Hipertexto interativo, etc.
25
3 Desenvolvimento do Trabalho
Para embasar a pesquisa elaborou-se um curso no ambiente virtual de
aprendizagem Moodle sobre termos usados no comércio exterior (INCOTERMS), no
período de 15 de agosto a 15 de setembro de 2011, acessado pelo endereço
http://academiaplatonica.com.br/moodle/.
A obtenção dos dados, por meio da participação de 34 participantes nesse curso,
permitiu inferir respostas à pergunta “Acrescentar recursos de áudio, animação e
interação nos materiais didáticos em EaD para Ambientes Virtuais de
Aprendizagem possibilita maior aceitação por parte do aluno e o motiva a
querer aprender?”, .
Vale a pena citar que, para aumentar o número de alunos dispostos a colaborar com
a pesquisa, foi previamente informado a cada participante o caráter científico do
curso, além do fato de que os dados pessoais não seriam revelados. Dessa
maneira, as informações aqui apresentadas não incluem nomes nem qualquer outra
informação que permita o reconhecimento do participante.
Utilizando os recursos de coleta de dados nativos do Moodle, os resultados da
avaliação final dos alunos foram analisados estatisticamente com a intenção de
tecer as conclusões desse trabalho.
3.1 Escolha do AVA
Inicialmente pesquisaram-se os ambientes virtuais de aprendizagem disponíveis no
mercado, optou-se pelo Moodle, pelos seguintes fatores:
•
é gratuito e de código aberto;
•
possui uma versão estável, portanto, confiável;
•
tem uma vasta documentação disponível on-line;
•
tem um fórum de usuários ativos e dispostos a atender prontamente aos
questionamentos;
•
é utilizado por grandes Universidades e centros de ensino por todos os
continentes.
26
3.2 Escolha do conteúdo didático e do Curso
A escolha do conteúdo didático e dos recursos foram fatores importantes para a
obtenção de dados adequados para a pesquisa.
O conteúdo deveria possuir a peculiaridade de ser passível de fragmentação em
unidades menores de mesmo grau de dificuldade, além disso, para poder medir o
desempenho de cada recurso, o conteúdo não poderia ser interdependente, caso
contrário, um recurso ineficiente, comprometeria o resultado de outro subseqüente.
Nem tampouco, poder-se-ia ter conteúdos mais difíceis do que outros. Esse fato
motivou a escolha de um curso sobre os INCOTERMS. Os INCOTERMS são
basicamente siglas contendo três letras. Cada sigla representa uma modalidade de
transporte com as responsabilidades definidas em cada ponto do transporte
internacional. Assim, os quinze INCOTERMS, apresentados na tabela 2, poderiam
ser facilmente explicados de maneira praticamente padronizada, tornando a
dificuldade de aprendizado uniforme. Com isso, a variante ficaria apenas na forma
de explicar. Viabilizando assim a pesquisa.
Tabela 2 - Relação de INCOTERMS, adaptado de (INCOTERMS, 2010)
INCOTERMS
Significado em Inglês
Significado em Português
EXW
Ex Works
A retirar no local
FCA
Free Carrier
Livre para ser transportada
FAS
Free Alongside Ship
Livre ao lado do navio
FOB
Free on board
Livre e a bordo do navio
CFR
Cost and Freight
Custos e frete pagos
CIF
Cost, Insurance and Freight
Custos, seguro e frete pagos
CPT
Carriage Paid to
Transporte pago
CIP
Carriage and Insurance Paid to
Transporte e seguro pagos
DAT
Delivered at Terminal
Entregue no terminal de carga
DAP
Delivered at Place
Entregue no local combinado
DAF
Delivered at Frontier
Entregue na fronteira
DES
Delivered Ex Ship
Entregue no navio
DEQ
Delivered Ex Quay
Entregue no cais
DDU
Delivered Duty Unpaid
Entregue sem o pagamento das taxas
DDP
Delivered Duty Paid
Entregue com tudo pago
27
3.3 Organização e Estrutura do Curso
Para possibilitar a obtenção de resultados da pesquisa, o curso sobre os
INCOTERMS foi organizado em seis unidades compostas dos seguintes recursos:
1. Unidade 1: texto + imagem;
2. Unidade 2: texto + imagem + narração;
3. Unidade 3: animação + narração;
4. Unidade 4: texto + imagem + atividade interativa;
5. Unidade 5: texto + imagem + narração + atividade interativa;
6. Unidade 6: animação + narração + atividade interativa.
Dessa forma, foi possível mesclar recursos diferentes com e sem interação. A
Tabela 3 exibe como ficaram divididos os conteúdos para o curso sobre
INCOTERMS.
Tabela 3 - Estrutura e Organização do Curso: Relação de Conteúdo educacional por Recurso
didático
Recurso Didático
Símbolos Verbais (Texto)
Símbolos Visuais (Imagem)
Sem
interatividade
1.1 CFR
1.2 CPT
1.3 CIP
Símbolos Verbais (Texto)
2.1 DAP
Símbolos Visuais (Imagem)
2.2 DAF
Áudio (Narração)
2.3 DEQ
Animação gráfica (Animação)
3.1 DDP
Símbolos Visuais (Imagem)
3.2 DDU
Áudio (Narração)
3.3 FAS
Com interatividade
(atividade interativa)
4.2 CIF
4.1 EXW
5.1 DAT
5.2 DES
6.1 FCA
6.2 FOB
3.4 Avaliação do Curso
A avaliação do conteúdo do curso foi realizada utilizando a atividade “Questionário”
da plataforma Moodle.
Inicialmente foi preparada uma questão de múltipla escolha para cada um dos
INCOTERMS. Essa questão, visa avaliar o conhecimento do aluno, tal como Bloom
28
(1957) preconizou, ou seja, mediante a definição de um INCOTERM, localizar nas
alternativas a sigla correspondente.
Em seguida, foram criadas questões de múltipla escolha, onde o aluno deveria
entender as vantagens e desvantagens de uma série de INCOTERMS e analisar,
dentre eles, qual seria o mais vantajoso. Essa classe de questão, objetiva medir o
aprendizado do aluno de maneira mais aprofundada, pois, demanda do aluno, não
somente a lembrança da matéria dada, mas que também tenha adquirido a
capacidade de compreender e analisar uma determinada situação, conforme
explicou Bloom (1957) na sua obra “Taxonomy of educational objectives”.
A Ilustração 7 destaca as categorias da taxonomia de Bloom eleitas para avaliar o
curso de INCOTERMS.
6 - Avaliação
5 - Síntese
4 - Análise
3 - Aplicação
2 - Compreensão
1 - Conhecimento
Ilustração 7- Categorias de Bloom eleitas para a pesquisa, Anderson (2001) , adaptado de
Ferraz (2010)
Para avaliar o conhecimento de cada um dos quinze INCOTERMS foram propostas
quinze questões de múltipla escolha, uma para cada um dos “INCOTERMS”
explicados durante o curso.
Na tabela 4, observa-se que a alternativa correta está em destaque (NEGRITO).
Vale lembrar que a ordem das alternativas é aleatoriamente eleita pelo Moodle,
29
dessa forma, a posição da resposta correta não exerce influência estatística no
resultado obtido na pesquisa.
Tabela 4 - Relação de questões para avaliação de conhecimento (Primeira Categoria de
BLOOM)
#
Item
Pergunta
Alternativa
Pontos
CFR
1
1.1
O vendedor paga o transporte até o navio
chegar no porto de destino, mas o risco do
transporte é do comprador.
CPT
DAF
CIP
1 ponto
para
CFR
DES
CPT
2
1.2
O vendedor paga o transporte até entregar a
mercadoria em um local combinado já
desembaraçado para exportação, porém, o
risco do transporte é do comprador.
CIP
EXW
FOB
1 ponto
para
CPT
FAS
CIP
3
1.3
O vendedor paga o transporte e o seguro até
entregar a mercadoria em um local combinado
já desembaraçado para exportação, porém, o
risco do transporte é do comprador.
FCA
DDU
CPT
1 ponto
para
CIP
CIF
EXW
CIF
4
4.1
A mercadoria deve ser
instalações do vendedor
retirada
nas
DDP
CPT
1 ponto
para
EXW
DDU
CIF
5
4.2
O vendedor paga o transporte e o seguro até
o navio chegar no porto de destino já
desembaraçado para exportação, porém, o
risco do transporte é do comprador.
EXW
CFR
DAT
1 ponto
para
CIF
FOB
continua
30
continuação
#
Item
Pergunta
Alternativa
Pontos
DAP
6
2.1
O vendedor assume o risco e entrega a
mercadoria no porto de destino pronto para
ser desembarcado, porém, sem arcar com a
importação.
DEQ
DAF
FAS
1 ponto
para
DAP
FOB
DAF
DAP
7
2.2
Só pode ser usado na modalidade de
transporte terrestre
DES
DEQ
1 ponto
para
DAF
CIP
DEQ
8
2.3
Faz com que o vendedor se encarregue e se
responsabilize pela mercadoria até chegar ao
cais do país de destino.
DAF
EXW
DDP
1 ponto
para
DEQ
DDU
DAT
9
5.1
Faz com que o vendedor se encarregue e se
responsabilize pela mercadoria até chegar ao
terminal do país de destino. Serve para
transporte aéreo, terrestre e aquaviário.
DES
DAF
CIP
1 ponto
para
DAT
FOB
DES
DAT
10 5.2
Define que o vendedor deverá entregar a
mercadoria no navio e no porto de destino.
DAF
CFR
1 ponto
para
DES
DEQ
DDP
11 3.1
É o INCOTERM mais cômodo para o
comprador, que não assume riscos nem
custos do transporte.
DDU
EXW
DAT
1 ponto
para
DDP
DES
continua
31
continuação
#
Item
Pergunta
Alternativa
Pontos
DDU
12 3.2
O vendedor assuma quase todos os riscos e
custos do transporte, exceto impostos e taxas
de importação.
DDP
FAS
EXW
1 ponto
para
DDU
FOB
FAS
13 3.3
O vendedor entrega a mercadoria em seu
próprio país e do lado do navio que o
comprador contratar para o transporte.
DDU
FOB
FCA
1 ponto
para
FAS
CIP
FCA
14 6.1
A mercadoria, desembaraçada para a
exportação, é entregue pelo vendedor no país
de origem, para o transportador contratado
pelo comprador.
FOB
DDU
DAS
1 ponto
para
FCA
EXW
FOB
15 6.2
A mercadoria, desembaraçada para a
exportação, é entregue pelo vendedor no país
de origem, a bordo do navio contratado pelo
comprador.
DDU
DDP
FCA
1 ponto
para
FOB
FAS
Na ilustração 8 está exposto um exemplo de questão dentro do Moodle para
avaliação de conhecimento.
Ilustração 8 - Exemplo de questão para avaliar o conhecimento
32
Aumentando o nível de dificuldade e avaliando o processo cognitivo do aluno mais
profundamente foram elaboradas dez questões com o objetivo de medir a
capacidade de análise do educando perante o conteúdo apresentado.
Apesar de não haver sido mencionado durante o curso que um “INCOTERM”
apresenta maiores vantagens econômicas do que o outro, somente com o conteúdo
apresentado durante o curso, um aluno que tenha atingido um nível de compreensão
mais avançado sobre o assunto pode chegar a tal conclusão. Com base nisso,
visando medir a capacidade de análise do aluno, conforme (BLOOM, 1956), o
seguinte enunciado foi proposto para as últimas dez questões:
“Se em uma importação lhe fosse oferecido as seguintes opções de INCOTERMS
pelo mesmo preço, qual você escolheria?”
Para que o aluno possa acertar a questão, é preciso que ele, tenha conhecimento de
todas as alternativas, por isso, o número de alternativas foi reduzido para duas ou
três, almejando uma redução no nível de dificuldade. Da mesma forma, julgou-se
prudente que, ao ter acertado uma questão dessa categoria, as demais alternativas
também fossem pontuadas, já que o aluno demonstrou conhecimento de todas.
Portanto, as últimas questões ficaram definidas como demonstrado na tabela 5.
33
Tabela 5 - Relação de questões para avaliação de análise
#
Item
16 1. e 4.
17 1. e 4.
18 2. e 5.
19 2. e 5.
20 3. e 6.
21 3. e 6.
Alternativas
1.2 CPT
4.1 EXW
1.1 CFR
4.2 CIF
2.3 DEQ
5.2 DES
2.1 DAP
5.1 DAT
3.1 DDP
6.1 FCA
3.3 FAS
6.2 FOB
Correta
CPT
CIF
DEQ
DAP
DDP
FOB
1.3 CIP
22 1. 2. e 3.
23 1. 2. e 3.
24 4. 5. e 6.
25 4. 5. e 6.
2.1 DAP
Pontos
1 ponto para CPT
1 ponto para EXW
1 ponto para CIF
1 ponto para CFR
1 ponto para DEQ
1 ponto para DES
1 ponto para DAP
1 ponto para DAT
1 ponto para DDP
1 ponto para FCA
1 ponto para FAS
1 ponto para FOB
1 ponto para CIP
DDP
1 ponto para DAP
3.1 DDP
1 ponto para DDP
1.1 CFR
1 ponto para CFR
2.1 DAP
DAP
1 ponto para DAP
3.3 FAS
1 ponto para FAS
4.1 EXW
1 ponto para EXW
5.2 DES
DES
1 ponto para DES
6.2 FOB
1 ponto para FOB
4.2 CIF
1 ponto para CIF
5.1 DAT
6.1 FCA
DAT
1 ponto para DAT
1 ponto para FCA
Na Ilustração 9 pode-se ver um exemplo de questão de avaliação de capacidade de
análise do aluno.
34
Ilustração 9 - Exemplo de questão para avaliar a capacidade de análise
Como complemento, algumas questões extras foram relacionadas no final do
questionário. Elas estão apresentadas nas ilustrações 10, 11 e 12.
Ilustração 10 - Avaliação de conhecimento prévio
Na tentativa de aumentar a confiabilidade das respostas, os alunos que declararam
por meio da pergunta exibida na ilustração 10, conhecer previamente o conteúdo do
curso, todos ou quase todos os INCOTERMS, não foram considerados na estatística
dessa pesquisa.
Ilustração 11 - Questão relativa a percepção do aluno em relação ao tipo de recurso
educacional e o seu aprendizado
35
Vale observar que no momento que o aluno respondeu a questão exibida na
Ilustração 11, ele desconhecia o seu desempenho na avaliação. Assim, a resposta
corresponde unicamente à sua percepção.
Apenas para fins de estratificação de dados, foi perguntado sobre a faixa de idade e
de escolaridade do aluno, conforme Ilustração 12, além de disponibilizar um campo
para comentários e observações gerais.
Ilustração 12 - Questões extras relacionadas a idade e escolaridade do aluno
36
3.5 As hipóteses
Convém relembrar que o objetivo desse trabalho é responder a questão:
“Acrescentar recursos de áudio, animação e interação nos materiais didáticos
em EaD para Ambientes Virtuais de Aprendizagem possibilita maior aceitação
por parte do aluno e o motiva a querer aprender?”. Para tentar respondê-la,
foram montadas as seguintes hipóteses:
1. O recurso didático narração tem pouca influência no bom resultado da
avaliação do curso!
2. O recurso didático animação tem pouca influência no bom resultado da
avaliação do curso!
3. Os recursos didáticos animação e narração produzem o mesmo efeito no
resultado da avaliação do curso!
4. A interação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!
5. As combinações entre os recursos didáticos texto e imagem, narração,
animação e interação produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do
curso!
Para testar a hipótese 1, foram comparadas as médias de acerto entre os conteúdos
das unidades com e sem narração, como apresenta a Tabela 6.
Tabela 6 – Itens do curso INCOTERMS com e sem narração que envolvem a Hipótese ” O
recurso didático narração tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!”
Sem narração
Com narração
1.1 CFR
2.1 DAP
1.2 CPT
2.2 DAF
1.3 CIP
2.3 DEQ
4.2 CIF
5.1 DAT
4.1 EXW
5.2 DES
3.1 DDP
3.2 DDU
3.3 FAS
6.1 FCA
6.2 FOB
37
Na avaliação da hipótese 2 foram comparadas as médias de acerto entre os
conteúdos das unidades com e sem animação, como ilustra a Tabela 7.
Tabela 7 - Itens do curso INCOTERMS com e sem animação que envolvem a Hipótese ”O
recurso didático animação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!”
Sem animação
Com animação
1.1 CFR
3.1 DDP
1.2 CPT
3.2 DDU
1.3 CIP
3.3 FAS
2.1 DAP
6.1 FCA
2.2 DAF
6.2 FOB
2.3 DEQ
4.2 CIF
4.1 EXW
5.1 DAT
5.2 DES
No teste da hipótese 3, foram comparadas as médias de acerto das questões cujos
conteúdos das unidades apresentavam narração e animação, conforme a Tabela 8.
Tabela 8 - Itens do curso INCOTERMS com narração e animação associadas a Hipótese ”Os
recursos didáticos animação e narração produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação
do curso!”
Com narração
Com animação
2.1 DAP
3.1 DDP
2.2 DAF
3.2 DDU
2.3 DEQ
3.3 FAS
5.1 DAT
6.1 FCA
5.2 DES
6.2 FOB
Para avaliar a hipótese 4, foram comparadas as médias de acerto entre os
conteúdos das unidades que possuíam ou não interação, conforme apresenta a
Tabela 9.
38
Tabela 9 - Itens do curso INCOTERMS com e sem interação associadas a Hipótese ”A
interação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do curso!”
Sem interação
Com interação
1.1 CFR
4.2 CIF
1.2 CPT
4.1 EXW
1.3 CIP
5.1 DAT
2.1 DAP
5.2 DES
2.2 DAF
6.1 FCA
2.3 DEQ
6.2 FOB
3.1 DDP
3.2 DDU
3.3 FAS
No teste da hipótese 5, foram comparadas as médias de acerto das questões cujos
conteúdos das unidades apresentavam, conforme a Tabela 10, as seguintes
combinações:
•
texto com imagem;
•
texto com imagem e interação;
•
texto com imagem e narração;
•
texto com imagem, narração e interação;
•
animação e narração;
•
animação, narração e interação.
39
Tabela 10 – Itens do curso INCOTERMS com múltiplas combinações de recursos didáticos
associadas a Hipótese ” As combinações entre os recursos didáticos texto e imagem,
narração, animação e interação produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do
curso!”
#
Recurso Didático
Itens das unidades do
curso INCOTERMS
1.1 CFR
A
Texto + Imagem
1.2 CPT
1.3 CIP
B
C
Texto + Imagem
4.2 CIF
Interação
4.1 EXW
Texto + Imagem
Narração
Texto + Imagem
D
Narração
Interação
E
Animação
Narração
Animação
F
Narração
Interação
2.1 DAP
2.2 DAF
2.3 DEQ
5.1 DAT
5.2 DES
3.1 DDP
3.2 DDU
3.3 FAS
6.1 FCA
6.2 FOB
3.6 Análise dos dados
A partir da publicação do curso INCOTERMS no Moodle e da participação de 54
estudantes, a coleta dos dados foi praticamente automática. Como todas as
questões são de múltipla escolha, o Moodle fornece ao administrador relatórios
contendo as respostas de cada questão, bem como, as notas individuais por
questão e a média geral.
Convém ressaltar que dos 54 participantes, somente 34 concluíram a avaliação final
declarando não ter conhecimento do conteúdo do curso antes de estudá-lo.
40
Para facilitar as comparações, todos os resultados apresentados nesse trabalho
foram convertidos em percentual.
3.6.1 Justificativa do método
Segundo Calegare (2001), responder uma pergunta com dados estatísticos, não se
resume a comparar médias. Imagine uma mesma saca de feijão, colhida no mesmo
dia da mesma lavoura. Se fossem tirados dez grãos de feijão e pesados, e em
seguida, fosse realizado o mesmo procedimento, é muito provável que as médias da
primeira e da segunda amostra fossem diferentes, embora vindas do mesmo lote.
Um desavisado poderia errar ao julgar que as amostras tivessem vindo de lotes
diferentes e que um seria melhor do que o outro.
Para não se incorrer nesse erro, nesse trabalho, optou-se por utilizar um método
chamado de ANOVA, ou análise da variância. Basicamente, se calcula a variação de
resultados dentro de cada uma das amostras e com uma probabilidade de 95% de
acerto, se afirma que as amostras testadas são diferentes ou não.
Ou seja, o teste da ANOVA funciona muito bem para responder se houve ou não
variação nos resultados obtidos ao se alterar o tratamento, porém, somente se
tivermos apenas dois tipos de tratamento. Se tivermos mais de dois, podemos
afirmar se todos são iguais ou se o melhor é diferente do pior, porém, não podemos
afirmar se o tratamento intermediário é igual ao melhor, ao pior ou se ele constitui
um terceiro grupo.
Por exemplo, ensina-se um conteúdo apenas com texto, outro com uma gravação de
áudio e outro com um vídeo. Faz-se uma avaliação e constatam-se os seguintes
resultados:
•
Conteúdo apresentado com texto – aproveitamento 60%
•
Conteúdo apresentado com áudio – aproveitamento 65%
•
Conteúdo apresentado com vídeo – aproveitamento 68%
O teste da ANOVA poderia dizer se a forma de apresentação exerce influência no
aprendizado ou não, mas não diria se áudio e vídeo apresentam o mesmo resultado.
Para sanar esse impasse, nesse trabalho optou-se pelo uso do teste de Duncan em
conjunto com a ANOVA nos casos em que a hipótese envolve mais do que dois
tratamentos.
41
Como o objetivo desse trabalho não é a explanação do método estatístico, nos
deteremos nesse assunto, e deixamos como referência o livro (CALEGARE, 2001).
3.6.2 Teste da hipótese da Narração
Durante o curso, a apresentação dos quinze INCOTERMS, foi dividida em dois
grupos: um de conteúdos apresentados sem nenhum tipo de narração e o outro
grupo, apresentado ou com texto narrado, ou com animação narrada.
A tabela 11 apresenta os resultados obtidos pelos estudantes dos itens de conteúdo
associados à hipótese ”O recurso didático narração tem pouca influência no bom
resultado da avaliação do curso!”. Dessa tabela, destaca-se:
•
Foram analisados 34 alunos;
•
As notas obtidas (em amarelo) pelos estudantes na avaliação, variam de 0 à
100;
•
T, representa a soma das notas;
•
N, representa o número de amostras, no caso, alunos;
•
a, representa o número de tratamentos, nesse caso, 2, com e sem narração;
•
Y, representa a média de cada tratamento e a média total;
•
Os demais números servem de base para a ANOVA.
42
Tabela 11 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de Conteúdo
associados à Hipótese “O recurso didático narração tem pouca influência no bom resultado da
avaliação do curso!”
Os dados da Tabela 11 e sua análise fornecem subsídios para responder a
pergunta: Os conteúdos apresentados com narração tiveram um melhor
resultado da avaliação?
43
A partir das médias Yi da Tabela 11 tem-se o gráfico da Ilustração 13.
Ilustração 13 – Comparação das médias da hipótese da Narração
A partir do resultado da ilustração 13, tem-se a impressão de que os textos narrados
resultam em um maior aprendizado, no entanto para validar esse resultado, foi
realizado o teste da ANOVA, como apresentado na Tabela 12
Tabela 12 – Quadro de ANOVA da hipótese da Narração
É importante esclarecer que, segundo Calegare (2001), se Fcalculado for maior do
que o Fcrítico, então, pode-se afirmar com 95% de certeza que os dois tratamentos
testados são diferentes. Assim, pode-se concluir que:
O resultado da avaliação de um conteúdo apresentado com Narração é melhor
do que um conteúdo sem narração!
44
3.6.3 Teste da hipótese da Animação
Durante o curso, a apresentação dos quinze INCOTERMS, pôde ser dividida em
dois grupos: um de conteúdos apresentados sem animação e outro grupo,
apresentado com animação narrada.
A tabela 13 apresenta os resultados obtidos pelos estudantes dos itens de conteúdo
associados à hipótese ”O recurso didático animação tem pouca influência no bom
resultado da avaliação do curso!”. Dessa tabela, destaca-se:
•
Foram analisados 34 alunos;
•
As notas obtidas (em amarelo) pelos estudantes na avaliação, variam de 0 à
100;
•
T, representa a soma das notas;
•
N, representa o número de amostras, no caso, alunos;
•
a, representa o número de tratamentos, nesse caso, 2, com e sem narração;
•
Y, representa a média de cada tratamento e a média total;
•
Os demais números servem de base para a ANOVA.
45
Tabela 13 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de Conteúdo
associados a Hipótese “O recurso didático animação tem pouca influência no bom resultado
da avaliação do curso!”
Os dados da Tabela 13 e sua análise fornecem subsídios para responder a
pergunta: Os conteúdos apresentados com animação tiveram um melhor
resultado da avaliação?
46
A partir das médias Yi da Tabela 13 tem-se o gráfico da Ilustração 14.
Ilustração 14 – Comparação das médias da hipótese da Animação
A partir do resultado da ilustração 14, tem-se a impressão de que os conteúdos com
animação resultam em um maior aprendizado, no entanto para validar esse
resultado, foi realizado o teste da ANOVA, como apresentado na Tabela 14.
Tabela 14– Quadro de ANOVA da hipótese da Animação
É importante esclarecer que, segundo Calegare (2001), se Fcalculado for maior do
que o Fcrítico, então, pode-se afirmar com 95% de certeza que os dois tratamentos
testados são diferentes. Assim, pode-se concluir que:
O resultado da avaliação de um conteúdo apresentado com Animação é
melhor do que um conteúdo sem animação!
47
3.6.4 Teste da hipótese da Animação e da Narração
Durante o curso, a apresentação dos quinze INCOTERMS, pode ser dividida em
dois grupos: um de conteúdos apresentados com narração, porém, sem animação e
outro grupo, apresentado com animação narrada.
A tabela 15 apresenta os resultados obtidos pelos estudantes dos itens de conteúdo
associados à hipótese ”Os recursos didáticos animação e narração produzem o
mesmo efeito no resultado da avaliação do curso!”. Dessa tabela, destaca-se:
•
Foram analisados 34 alunos;
•
As notas obtidas (em amarelo) pelos estudantes na avaliação, variam de 0 à
100;
•
T, representa a soma das notas;
•
N, representa o número de amostras, no caso, alunos;
•
a, representa o número de tratamentos, nesse caso, 2, com e sem narração;
•
Y, representa a média de cada tratamento e a média total;
•
Os demais números servem de base para a ANOVA.
48
Tabela 15 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de Conteúdo
associados a Hipótese “Os recursos didáticos animação e narração produzem o mesmo efeito
no resultado da avaliação do curso!”
Os dados da Tabela 15 e sua análise fornecem subsídios para responder a
pergunta: Os conteúdos apresentados com animação tiveram um melhor
resultado da avaliação do que os com narração?
49
A partir das médias Yi da Tabela 11 tem-se o gráfico da Ilustração 15.
Ilustração 15 – Comparação das médias da hipótese da Animação com a Narração
A partir do resultado da ilustração 15, tem-se a impressão de que as animações
narradas resultam em um maior aprendizado do que as narrações sem animação,
no entanto para validar esse resultado, foi realizado o teste da ANOVA, como
apresentado na Tabela 16.
Tabela 16– Quadro de ANOVA da hipótese da Animação
É importante esclarecer que, segundo Calegare (2001), se Fcalculado for maior do
que o Fcrítico, então, pode-se afirmar com 95% de certeza que os dois tratamentos
testados são diferentes. Assim, pode-se concluir que:
O resultado da avaliação de um conteúdo apresentado com animação narrada
é melhor do que um conteúdo somente narrado!
50
3.6.5 Teste da hipótese da Interação
Parte do material apresentado na forma de texto e imagem, também foi apresentada
com interação. O mesmo ocorreu com a narração e a animação. Com isso, restou a
dúvida de se a interação do aluno com o conteúdo exerce alguma influência no
resultado das avaliações.
A tabela 17 apresenta os resultados obtidos pelos estudantes dos itens de conteúdo
associados à hipótese ”A interação tem pouca influência no bom resultado da
avaliação do curso!”. Dessa tabela, destaca-se:
•
Foram analisados 34 alunos;
•
As notas obtidas (em amarelo) pelos estudantes na avaliação, variam de 0 à
100;
•
T, representa a soma das notas;
•
N, representa o número de amostras, no caso, alunos;
•
a, representa o número de tratamentos, nesse caso, 2, com e sem narração;
•
Y, representa a média de cada tratamento e a média total;
•
Os demais números servem de base para a ANOVA.
51
Tabela 17 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de Conteúdo
associados a Hipótese “A interação tem pouca influência no bom resultado da avaliação do
curso!”
Os dados da Tabela 17 e sua análise fornecem subsídios para responder a
pergunta: Os conteúdos apresentados com alguma interação tiveram um
melhor resultado da avaliação?
52
A partir das médias Yi da Tabela 17 tem-se o gráfico da Ilustração 16.
Ilustração 16 – Comparação das médias da hipótese da Interação
A partir do resultado da ilustração 16, tem-se a impressão de que os textos narrados
resultam em um maior aprendizado, no entanto para validar esse resultado, foi
realizado o teste da ANOVA, como apresentado na Tabela 18.
Tabela 18– Quadro de ANOVA da hipótese da Interação
É importante esclarecer que, segundo Calegare (2001), se Fcalculado for maior do
que o Fcrítico, então, pode-se afirmar com 95% de certeza que os dois tratamentos
testados são diferentes. Assim, pode-se concluir que:
O resultado da avaliação de um conteúdo apresentado com interação é melhor
do que um conteúdo sem interação!
53
3.6.6 Teste da hipótese de todos os tratamentos
Para finalizar os testes, realizou-se a comparação estatística entre todas as
combinações testadas nesse trabalho:
A tabela 19 apresenta os resultados obtidos pelos estudantes dos itens de conteúdo
associados à hipótese ”As combinações entre os recursos didáticos texto e imagem,
narração, animação e interação produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação
do curso!”. Dessa tabela, destaca-se:
•
Foram analisados 34 alunos;
•
As notas obtidas (em amarelo) pelos estudantes na avaliação, variam de 0 à
100;
•
T, representa a soma das notas;
•
N, representa o número de amostras, no caso, alunos;
•
a, representa o número de tratamentos, nesse caso, 2, com e sem narração;
•
Y, representa a média de cada tratamento e a média total;
•
Os demais números servem de base para a ANOVA.
54
Tabela 19 - Resultado da avaliação do curso INCOTERMS relativo aos Itens de Conteúdo
associados a Hipótese “As combinações entre os recursos didáticos texto e imagem,
narração, animação e interação produzem o mesmo efeito no resultado da avaliação do
curso!”
Os dados da Tabela 19 e sua análise fornecem subsídios para responder a
pergunta: Os conteúdos apresentados de maneira combinada entre texto,
narração, animação e interação tiveram resultados diferentes na avaliação?
55
A partir das médias Yi da Tabela 11 tem-se o gráfico da Ilustração 17.
Ilustração 17 – Comparação entre todos os tratamentos
A partir do resultado da ilustração 17, tem-se a impressão de que as animações com
interação resultam em um maior aprendizado, no entanto para validar esse
resultado, foi realizado o teste da ANOVA, como apresentado na Tabela 12
Tabela 20– Quadro de ANOVA de todos os tratamentos
É importante esclarecer que, segundo Calegare (2001), se Fcalculado for maior do
que o Fcrítico, então, pode-se afirmar com 95% de certeza que os dois tratamentos
testados são diferentes. Assim, pode-se concluir que:
O resultado da avaliação de um conteúdo, apresentado com Animação e com
interação é melhor do que quando apresentado somente como Texto e imagem
estática!
56
Porém, não conseguimos saber a respeito dos demais simplesmente observando a
ANOVA, portanto, realizou-se o teste de Duncan.
Para facilitar a visualização do comparativo de Duncan, a seguinte nomenclatura foi
utilizada:
A) Texto e imagem (µ= 57,56);
B) Texto e imagem + Áudio (µ= 67,65);
C) Texto e imagem + Interação (µ= 75,49);
D) Texto e imagem + Áudio + Interação (µ= 79,90);
E) Animação (µ= 84,03);
F) Animação + Interação (µ= 89,22).
A Ilustração 18 representa o comparativo gráfico da análise de Duncan.
A
57,56
B
67,65
10,1
C
75,49
7,8
D
79,90
4,4
E
84,03
4,1
F
89,22
5,2
20,29
Ilustração 18 - Comparativo de Duncan
Cálculo da diferença mínima significativa de Duncan:
S = raiz (S2R/n) = raiz (433,42/34) = 3,57
Intervalo com 2 médias
dms2 = r(α;p;f) x S = r(5%; 2; 198) x 3,57 = 2,77 x 3,57 = 9,89
Assim, a representação gráfica do comparativo de Duncan para intervalo com duas
médias fica como o representado na Ilustração 19.
A
57,56
B
67,65
10,1
≠
C
75,49
7,8
=
D
79,90
4,4
=
E
84,03
4,1
=
20,29
Ilustração 19 - Teste de Duncan para 2 médias
F
89,22
5,2
=
57
Intervalo com 3 médias
dms3 = r(α;p;f) x S = r(5%; 3; 198) x 3,57 = 2,92 x 3,57 = 10,42
Assim, a representação gráfica do comparativo de Duncan para intervalo com três
médias fica como o representado na Ilustração 20.
A
57,56
B
67,65
C
75,49
7,8
D
79,90
4,4
E
84,03
4,1
F
89,22
5,2
12,2
9,3
=
≠
Ilustração 20 - Teste de Duncan para 3 médias
Intervalo com 4 médias
dms2 = r(α;p;f) x S = r(5%; 4; 198) x 3,57 = 3,02 x 3,57 = 10,78
Assim, a representação gráfica do comparativo de Duncan para intervalo com quatro
médias fica como o representado na Ilustração 21.
A
57,56
B
67,65
C
75,49
D
79,90
4,4
E
84,03
4,1
F
89,22
5,2
13,7
≠
Ilustração 21 - Teste de Duncan para 4 médias
Analisando os resultados obtidos nos testes de Duncan para 2, 3 e 4 médias, podese chegar a conclusão apresentada na Ilustração 22:
Grupo 1
Grupo 2
A
57,56
B
67,65
Grupo 3
C
75,49
D
79,90
E
84,03
Ilustração 22 - Conclusão do teste de Duncan
F
89,22
58
Dos seis tratamentos estudados, com 95% de certeza, podemos afirmar que existem
3 grupos distintos:
Grupo 1 – Formado pelos conteúdos que continham Texto e imagem estática.
Esse é o grupo onde se obteve o resultado menos satisfatório na avaliação;
Grupo 2 – Formado pelos conteúdos ministrados com Texto e imagem estática
com Narração.
Grupo 3 – Formado pelos conteúdos apresentados com Texto e imagem estática
com Narração e Interação; e pelos conteúdos Animados, com ou sem interação.
Com esse tamanho de amostra, não foi possível concluir se Texto e imagem estática
com interação faz parte do Grupo 2, do Grupo 3 ou se ele constitui um novo grupo.
Assim, pode-se fazer a seguinte afirmação:
Materiais didáticos, quando apresentados na forma textual com imagens
estáticas, tiveram os piores resultados na avaliação entre os tratamentos
estudados, seguido por texto com imagens estáticas e narração. O melhor
resultado foi obtido ao se apresentar um recurso didático usando Animação ou
a combinação de Texto, imagens estáticas, Narração e Interação.
3.7 Relação entre custo e benefício
Nem sempre a decisão por se eleger um formato para apresentação de um material
didático é tomada, meramente, embasando-se nos resultados pedagógicos. Não se
discute que aprender Inglês morando na terra da Rainha seja mais eficiente do que
estudando sozinho em casa, porém, deve-se considerar os custos tanto quanto os
benefícios que se pretende obter. Dessa forma, antes de tecer as conclusões, foi
feito um comparativo entre os benefícios e os custos de cada método:
•
uma modelagem adequada no material didático para um curso/unidade,
envolvendo múltiplos tipos de conteúdos/mídias e, consequentemente, os
vários estilos de aprendizagem, possibilita os benefícios de bons resultados
na avaliação do curso/unidade. Assim, neste trabalho, como fator de benefício
da aprendizagem associado ao material didático do curso/unidade serão
utilizadas as médias obtidas pelos alunos nas avaliações;.
•
o custo estimado para a produção de cada tipo de conteúdo pode considerar
como base o tempo gasto para a sua produção. Neste trabalho, considerado
59
este aspecto, definiu-se grau de dificuldade. Um valor maior nesse grau
representa maior dificuldade/custo de produção e um valor menor representa
um custo/dificuldade menor de produção. A tabela 21 apresenta a escala
utilizada no critério grau de dificuldade, baseado no tempo gasto para se
produzir cada unidade de conteúdo do curso desse trabalho.
Tabela 21 - Escala de dificuldade/custo de produção
Escala de Dificuldade
Muito Fácil – conteúdo produzido em menos de 1 hora
Fácil – conteúdo produzido em menos de 2 horas
Regular – conteúdo produzido em menos de 3 horas
Difícil – conteúdo produzido em menos de 4 horas
Muito Difícil – conteúdo produzido em 4 horas ou mais
0
25
50
75
100
Vale destacar que, a partir da experimentação de elaboração do material didático
para o curso INCOTERMS foram atribuídos graus de dificuldade aos conteúdos
produzidos e construiu-se a tabela 22 que contempla o grau de dificuldade e o
benefício obtido pela aprendizagem.
Tabela 22 - Relação de Dificuldade e Benefício
Dificuldade
Benefício
Texto e imagem
10
58
Texto e imagem + Interação
20
75
Texto e imagem + Audio
35
68
Texto e imagem + Audio + Interação
45
80
Animação
60
84
Animação + Interação
75
89
A ilustração 23 apresenta a relação custo de produção do material e benefício
obtido. Nessa ilustração, ao se posicionar no eixo “X” obtém-se a dificuldade ou o
custo de produção do material didático e no eixo “Y” o resultado da avaliação obtido
no curso.
60
Ilustração 23 - Gráfico de dispersão do Custo vs. Benefício
Ao observar o gráfico da Ilustração 23, é possível verificar que:
•
texto e imagem, apesar de apresentar um menor custo de produção,
apresenta o menor benefício de aprendizagem entre os conteúdos estudados;
•
quando acrescido de interação, o texto e a imagem estática ganham um
importante aumento no seu benefício de aprendizagem, sem representar
muito acréscimo no custo de produção;
•
acrescentar áudio (narração) ao texto e à imagem, representa um significativo
incremento no custo de produção, porém, sem ganho significativo na
aprendizagem;
61
•
os outros pontos do gráfico compõem um mesmo grupo (animação) que,
apesar de apresentarem um maior custo de produção obtiveram melhor
resultado no benefício da aprendizagem.
3.8 Preferência dos alunos
Por fim, como resultado ao questionamento feito para os alunos sobre a sua
preferência em termos de apresentação de conteúdo, foi obtido o resultado
apresentado na Ilustração 24.
Ilustração 24 - Resultado da preferência do aluno
A preferência do aluno não necessariamente está associada aos estilos de
aprendizagem que o aluno melhor aprende. Um método fundamentado que detecta
esses estilos, tais como o modelo de Felder e Silverman descrito anteriormente,
pode ser utilizado nesse caso. Assim, é importante destacar que este trabalho não
teve a pretensão de avaliar a aprendizagem associada aos tipos de conteúdo e aos
estilos de aprendizagem do aluno.
62
4 Conclusão
Para responder a pergunta que motivou esse trabalho - Acrescentar recursos de
áudio, animação e interação nos materiais didáticos em EaD para Ambientes
Virtuais de Aprendizagem possibilita maior aceitação por parte do aluno e o
motiva a querer aprender? – encontrou-se na literatura que o processo de
aprendizagem, depende, não só de como ou quem ensina, mas também do
aprendiz. Jung (1991) nos sugere quatro pares modais para a forma como as
pessoas veem o mundo, são elas:
•
Extroversão ou Introversão
•
Sensação ou Intuição
•
Pensamento ou Sentimento
•
Julgamento ou Percepção.
Tomando por referência os modais de Jung, Felder (1988) caracterizou os estilos de
aprendizagem, são eles:
•
Sensorial ou Intuitivo;
•
Visual ou Verbal;
•
Indutivo ou Dedutivo;
•
Ativo ou Reflexivo;
•
Seqüencial ou Global.
Com isso, concluiu-se não haver uma fórmula mágica que tornasse um conteúdo
mais eficiente, pedagogicamente falando, para todos os alunos, cada qual com suas
peculiaridades e estilos de aprendizagem. Dessa forma, uma pesquisa foi realizada
com 34 voluntários, usuários da internet. Os voluntários, de diversos Estados do
Brasil, com escolaridade entre o ensino médio e pós-graduação, demonstraram uma
preferência inicial por materiais mais elaborados. Ao serem questionados, qual tipo
de material do curso que eles mais acharam proveitoso, eles responderam:
•
Animação com áudio e vídeo
62%
•
Texto com narração e imagem
24%
•
Interações
15%
•
Texto e imagem
0%
•
Somente texto
0%
63
Para que fosse possível se obter dados, o mais próximo possível do real, um curso
on-line foi criado e disponibilizado na internet para todos que desejassem fazer. O
curso foi dividido em 15 partes de igual tamanho e complexidade. Essas 15 partes
do curso foram apresentadas de seis maneiras diferentes:
•
com texto e imagem;
•
com texto, imagem e alguma interação;
•
com texto, imagem e áudio (narração);
•
com texto, imagem, áudio (narração) e alguma interação;
•
com animação, mesclando texto, imagens em movimento e narração;
•
com animação, mesclando texto, imagens em movimento, narração e alguma
interação.
Após a apresentação do conteúdo, uma avaliação foi proposta. A avaliação consistiu
de 25 questões de múltipla escolha. Durante o período em que o curso esteve
disponível, 34 pessoas concluíram a avaliação, declarando no final da avaliação,
não ter conhecimento prévio sobre a matéria apresentada.
Os resultados obtidos das avaliações foram analisados e refletiram algo muito
parecido com as preferências declaradas, Os resultados obtidos no aproveitamento
do curso foram:
•
Animação + Interação
89%
•
Animação
84%
•
Texto e imagem + Áudio + Interação
80%
•
Texto e imagem + Interação
75%
•
Texto e imagem + Áudio
68%
•
Texto e imagem
58%
Ou seja, os participantes acertaram mais questões com conteúdos mais
diversificados, mesclando áudio, interação e animação.
Em termos de custo ou dificuldade para a produção de um tipo de material ou outro,
observou-se que, para a produção do curso utilizado para a presente pesquisa, a
produção textual com imagem foi um processo presente em todas as modalidades
aqui testadas, para os materiais narrados, alguma dificuldade foi acrescida, para a
produção das interações, observou-se uma demanda de tempo um pouco maior,
porém, a produção das animações foi o momento que mais demandou recursos para
a produção.
64
Dessa forma, podemos responder a pergunta chave desse trabalho - Acrescentar
recursos de áudio, animação e interação nos materiais didáticos em EaD para
Ambientes Virtuais de Aprendizagem possibilita maior aceitação por parte do
aluno e o motiva a querer aprender? – de uma maneira afirmativa, pois se pôde
concluir que cada aluno possui, tanto estilos de aprendizagem distintos, quanto
preferências nas formas com que os conteúdos são apresentados. Sendo assim,
quando se agrega mais recursos no material didático, mais pessoas são incluídas,
tornando o material mais empolgante para o aluno, motivando-o a aprender,
tornando assim, o processo de ensino-aprendizado mais eficaz.
Assim, como sugestão, ao se criar um material didático para EAD deve-se
considerar a inclusão de elementos que estimulem o aprendizado de alunos com
diferentes estilos e personalidades, como elementos visuais, auditivos e de
interação.
65
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66
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