1 FACULDADES INTEGRADAS IPIRANGA GRADUAÇÃO TECNOLÓGICA EM GESTÃO DA SEGURANÇA PRIVADA IVAN CARLOS FEITOSA GOMES JOÃO CARLOS ANDRADE SANTIAGO PERCEPÇÃO DO PROFISSIONAL DO TRANSPORTE COLETIVO NO MUNICÍPIO DE BELÉM EM RELAÇÃO A ACIDENTES DE TRÂNSITO E SEU AMBIENTE DE TRABALHO Belém-PA 2013 2 FACULDADES INTEGRADAS IPIRANGA GRADUAÇÃO TECNOLÓGICA EM GESTÃO DA SEGURANÇA PRIVADA IVAN CARLOS FEITOSA GOMES JOÃO CARLOS ANDRADE SANTIAGO PERCEPÇÃO DO PROFISSIONAL DO TRANSPORTE COLETIVO NO MUNICÍPIO DE BELÉM EM RELAÇÃO A ACIDENTES DE TRÂNSITO E SEU AMBIENTE DE TRABALHO Monografia apresentada ao curso de Tecnologia e Gestão da Segurança Privada das Faculdades Integradas Ipiranga, como requisito parcial para a obtenção do Título de Tecnólogo em Segurança Privada. Orientador: Professor Especialista, João Renato Paes Lopes. Belém-PA 2013 3 IVAN CARLOS FEITOSA GOMES JOÃO CARLOS ANDRADE SANTIAGO PERCEPÇÃO DO PROFISSIONAL DO TRANSPORTE COLETIVO NO MUNICÍPIO DE BELÉM EM RELAÇÃO A ACIDENTES DE TRÂNSITO E SEU AMBIENTE DE TRABALHO Monografia apresentada ao Curso de Tecnologia e Gestão da Segurança Privada das Faculdades Integradas Ipiranga, como requisito parcial para a obtenção do Título de Tecnólogo em Segurança Privada. Data: / / Ivan Carlos Feitosa Gomes: João Carlos Andrade Santiago: ____________________________________________Orientador Prof. João Renato Paes Lopes - Especialista em Desenvolvimento Regional - UFPA Faculdades Integradas Ipiranga Banca Examinadora: ____________________________________________Avaliador 1 Prof. MSC. Eduardo Otávio Ferreira Vasconcelos Faculdades Integradas Ipiranga ____________________________________________Avaliador 2 Prof ........................................... ................................................... 4 Dedicamos este trabalho, primeiramente aos nossos pais, por terem nos proporcionado a vida, aos nossos familiares que nos momentos difíceis nos fortaleceram para que não desistíssemos de nossos objetivos, a Deus pela nossa existência com saúde, aos nobres professores que se dedicaram para que pudéssemos concluir nosso curso e aos colegas com os quais convivemos durante o período acadêmico. 5 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, por ter me oportunizado a vida e ter colocado em meu coração, a motivação para fazer algo tão gratificante que é criar meios de mitigação de riscos relacionados ao mais valioso bem que um ser humano pode ter que é sua vida. A minha querida esposa e companheira de tantas lutas, Ieda Feitoza Santiago, por ter me apoiado em tantos momentos difíceis, por sua compreensão, pelas minhas ausências em tantas ocasiões especiais, por ter me ajudado a conquistar minha graduação, pois, em momentos que eu mais precisava, era com ela que desabafava, ela sempre tinha uma palavra de apoio. Aos meus amados pais João Ferreira Santiago e Maria do Carmo de Andrade Santiago, por terem me orientado, educado fazendo com que eu me tornasse um cidadão digno e com princípios. Aos meus adorados irmãos: Edinamar Andrade Santiago, Alielson Andrade Santiago e Osenilde Andrade Santiago e filha Cíntia Giselle Aviz Santiago, por terem me apoiado em minha decisão e caminhada. Aos meus colegas de faculdade, por terem participado de momentos especiais em minha vida acadêmica, onde compartilhamos medos, ansiedades e obstáculos, mas que juntos sempre conseguimos vence-los. Aos nobres professores, que através dos seus esforços, foram responsáveis pela nossa aprendizagem e formação. João Carlos Andrade Santiago 6 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, por ter me oportunizado a vida e determinação para fazer algo tão gratificante que é oportunizar às pessoas, conhecimentos acerca dos riscos relacionados ao trabalho, onde objetivamos preservar o bem mais precioso de um ser humano, que é sua vida. A minha querida esposa e companheira de tantas lutas, por ter me apoiado em tantos momentos difíceis, por sua compreensão, por ter me ajudado a conquistar minha sonhada graduação, pois, em momentos que eu mais precisava, era ela que sempre tinha uma palavra de apoio. Aos meus amados pais, por terem me orientado, educado fazendo com que eu me tornasse um cidadão digno e com princípios. Aos meus colegas de faculdade, por terem participado de momentos especiais em minha vida acadêmica, onde compartilhamos medos, ansiedades e obstáculos, mas que juntos sempre conseguimos vence-los. Aos nobres professores, que através dos seus esforços, foram responsáveis pela nossa aprendizagem. Ivan Carlos Feitosa Gomes 7 É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota”. (Theodore Roosevelt). 8 RESUMO Este trabalho teve o propósito de realizar uma avaliação no comportamento pessoal dos motoristas de ônibus em Belém e verificar a relação entre condutores de veículos de transporte coletivo com os acidentes de trânsito, abordando como metodologia uma pesquisa de campo qualitativa no sentido de objetivar medidas preventivas contra estes sinistros, que serão adotadas por empresas de transporte coletivo. Através dos resultados obtidos, buscar-se-á o aprimoramento profissional e, por conseguinte, a mitigação das perdas relativas aos acidentes, as quais impactam fortemente as organizações, incluindo diretamente os colaboradores, seus familiares, terceiros e concernentes às questões socioeconômicas, no entanto, para um assunto que é considerado irrelevante para muitos sendo que as vezes poderá leva-lo à morte. Propor alternativas de treinamento utilizando meios que possam contribuir para que estes profissionais do transporte coletivo possam se tornar multiplicadores de ações de educação no trânsito e que sua incolumidade física e dos demais usuários sejam preservas. Palavras-chave: Comportamento, Condutor, Acidente, Trânsito, Educação. 9 ABSTRACT This work aims to conduct an assessment on the personal conduct of the bus drivers in Bethlehem and the relation between conductors of public transport vehicles with traffic accidents, addressing methodology as qualitative field research in order to objectify preventive measures against these claims, which will be adopted by transportation companies. From the results, it will seek professional improvement and therefore mitigate losses relating to accidents, which strongly impact organizations, including direct employees, their family members, third parties and pertaining to socioeconomic issues, however for a subject that is considered irrelevant to many of which can sometimes leads him to death. Propose alternative training using means that might contribute to these transportation professionals can become multipliers actions traffic education and that their physical safety and other users are preservest. . Keywords: Behavior, Driver, Accident, Traffic Education. 10 LISTA DE QUADROS QUADRO 1- ACIDENTES OCORRIDOS NO PERÍODO 2008 A 2011----------------------------24 QUADRO 2 - ÍNDICE DE ACIDENTE DE TRÂNSITO-------------------------------------------------26 QUADRO 3 - VÍTIMAS NÃO FATAIS (FERIDOS)-------------------------------------------------------26 QUADRO 4 - VÍTIMAS FATAIS (MORTOS)--------------------------------------------------------------27 QUADRO 5 - FAIXA ETÁRIA---------------------------------------------------------------------------------28 QUADRO 6 - TIPOS DE ACIDENTES----------------------------------------------------------------------32 11 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - ACIDENTE ENTRE ÔNIBUS E PEDESTRE---------------------------------------------52 FIGURA 2 - ACIDENTE ENTRE ÔNIBUS E CICLISTA------------------------------------------------52 FIGURA 3 - ACIDENTE ENTRE ÔNIBUS E MOTOCICLISTA---------------------------------------53 FIGURA 4 - ACIDENTE ENTRE ÔNIBUS E AUTOMÓVEL-------------------------------------------54 FIGURA 5 - ACIDENTE ENTRE ÔNIBUS E CAMINHÃO---------------------------------------------54 FIGURA 6 - ACIDENTE ENTRE DOIS ÔNIBUS --------------------------------------------------------55 FIGURA 7 - ACIDENTE ENTRE ÔNIBUS E OBJETO FIXO -----------------------------------------55 FIGURA 8 - VISÃO DO TRÂNSITO CONGESTIONADO----------------------------------------------56 FIGURA 9 - FOTO DO VEÍCULO QUE SERÁ IMPLANTADO COM O BRT----------------------56 12 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CPC-RC - Centro de Perícias Científicas Renato Chaves CNM - Confederação Nacional dos Municípios CTB - Código de Trânsito Brasileiro DETRAN - Departamento de Trânsito do Estado de Pará DNIT - Departamento Nacional de Infra Estrutura de Trânsito IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ONU - Organização das Nações Unidas PC - Polícia Civil PRE - Polícia Rodoviária Estadual PRF - Polícia Rodoviária Federal UCP/DETRAN/PA - Unidade Central de Planejamento 13 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 15 1.1 PROBLEMATIZAÇÃO.................................................................................................... 17 1.2 OBJETIVOS................................................................................................................... 17 1.2.1 Objetivo Geral..........................................................................................................17 1.2.2 Objetivos Específicos ............................................................................................... 17 1.2.2.1 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO ................................................................................... 18 1.2.2.2 HIPÓTESES ............................................................................................................ 18 1.2.2.3 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO ............................................................................ 18 2 MÉTODO .......................................................................................................................... 19 2.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA..................................................................................19 2.1.1 Quanto à Natureza....................................................................................................19 2.1.2 Quanto à Abordagem do Problema............................................................................19 2.1.3 Quanto aos Objetivos..............................................................................................19 2.1.4 Quanto aos Procedimentos Técnicos......................................................................19 2.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA ........................................................................................... 20 2.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS ............ ......................................................20 2.4 ANÁLISE DOS DADOS ................................................................................................. 20 3 REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................................... 21 3.1 BELÉM DO PARÁ, APRESENTANDO SEU CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO E CONSEQUENTEMENTE, SEUS PROBLEMAS SOCIAIS RELACIONADOS AO TRÂNSITO, DEVIDO AO AUMENTO DA FROTA DE VEÍCULOS EM CIRCULAÇÃO. ............................ 21 3.2 ACIDENTE DE TRÂNSITO ............................................................................................ 22 3.2.1 Acidentes de Trânsito Ocorridos no Município de Belém no Período de 2008 a 2011..................................................................................................................................... 23 3.3 ESTATÍSTICAS DE ACIDENTES DE TRÂNSITO NO MUNICÍPIO DE BELÉM .............. 24 3.3.1 Acidentes, Feridos e Mortos Envolvendo Ônibus no Município de Belém no Período de 2008 a 2011. ..................................................................................................... 25 3.3.1.1 ACIDENTES COM VÍTIMAS .................................................................................... 26 3.3.1.2 VÍTIMAS NÃO FATAIS ............................................................................................. 26 3.3.1.3 VÍTIMAS FATAIS ...................................................................................................... 26 3.3.1.4 CUSTOS DOS ACIDENTES .................................................................................... 27 3.3.2 Categorias Causadoras de Problemas aos Motoristas de Ônibus ........................ 27 14 3.4 RESULTADO DO QUESTIONÁRIO ............................................................................... 34 3.5 HIGIENE DO TRABALHO .............................................................................................. 38 3.6 O PROGRAMA DE HIGIENE DO TRABALHO ESTÃO RELACIONADOS COM ........... 38 3.6.1 Ambiente Físico de Trabalho ................................................................................... 39 3.6.2 Ambiente Psicológico de Trabalho.......................................................................... 39 3.6.3 Aplicação de Princípios de Ergonomia ................................................................... 39 3.6.4 Saúde Ocupacional ................................................................................................... 39 3.6.4.1 SAÚDE OCUPACIONAL .......................................................................................... 39 3.6.4.2 ESTRESSE NO TRABALHO ................................................................................... 40 3.6.4.3 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT) ........................................................ 40 3.7 FONTES E INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS ............................................... 41 3.8 CONCLUSÃO DA PESQUISA .........................................................................................44 3.9 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................... 47 REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 48 APÊNDICES ..........................................................................................................................49 ANEXOS................................................................................................................................50 15 1 INTRODUÇÃO O trânsito na Cidade de Belém do Pará é alvo todos os dias, quer na mídia escrita, televisiva, nas redes sociais ou em comentários informais entre as pessoas, em que as reclamações são sempre as mesmas: falta de sinalização, indústria da multa, estresse dos motoristas, falta de educação, agressividade, acidentes graves com danos materiais e humanos, pior com sequelas irreversíveis ou mortas etc. Devido toda essa problemática, tem-se o fim de realizar uma avaliação e propor alternativas a minimizar os acidentes de trânsito, envolvendo motoristas de ônibus, compreender suas causas e propor meios que possam contribuir para que estes profissionais de transporte coletivo possam se tornar multiplicadores de comportamentos socialmente adequados, e que vidas sejam preservadas em um trânsito, onde se apresenta uma acidentalidade crescente, no Município de Belém no Estado do Pará; suas consequências concernentes a problemas de saúde, psicossociais e no trabalho. A necessidade do transporte público é essencial nas cidades já saturadas pelo trânsito. Não há como aumentar fisicamente as cidades, então o melhor é aproveitar bem o espaço urbano. E para isso, o transporte coletivo é fundamental. Um ônibus substitui dezenas de carros de uma só vez economizando espaço e poluindo menos. Mas, para as pessoas deixarem seus veículos em casa, o ônibus tem de ser atrativo oferecendo conforto, qualidade e velocidade nas viagens. No entanto, hoje muitos administradores públicos acreditam que dar prioridade ao transporte coletivo é só delimitar uma faixa ou uma caneleta e pronto. Na verdade o transporte coletivo precisa de espaços, mas espaços bem planejados, o que não necessariamente significam obras caras. O trânsito que deveria ser um espaço social humanitário, onde houvesse respeito mútuo uns pelos outros, tendo como princípio o respeito às normas e regras de trânsito estabelecidas, ultimamente têm sido caracterizados por inúmeros conflitos pelo espaço físico nas vias, como entradas e saídas de logradouros, estacionamentos, deslocamentos em horários em que ocorre maior número de veículos em circulação, surgindo desta 16 problemática, as travessias inadequadas de pedestres, agressões físicas, condutas tipificadas como infrações e até crimes, ultrapassagens proibidas de veículos em trânsito, portanto, todos mencionados como fatores que culminam em situações estressantes aos motoristas. Na realidade, as quais fazem parte todos os munícipes ou não, na condição de condutor, passageiro ou pedestre, é necessário observar as práticas cotidianas dos envolvidos supracitados, diante da problemática em que se encontra o trânsito na cidade de Belém no Estado do Pará. Nesse sentido, utilizou-se de informações que objetivam facilitar a reflexão acerca de comportamentos inadequados, que podem evoluir para acidentes. Durante o período em que os autores exerceram suas atividades profissionais na Gerência de Fiscalização de Vias do Departamento de Trânsito do Estado do Pará – DETRAN, que consistia em abordar, fiscalizar condutores e veículos, fazer levantamento de locais de acidentes, a fim de encontrar a causa do sinistro, neste período, foi identificado um grande número de acidentes envolvendo veículos de transporte coletivo, com o predomínio de ônibus. Sendo assim, verificou-se a necessidade de identificação das variáveis que favorecem a ocorrência desses acidentes. No trânsito em Belém, são observados comportamentos agressivos que muito têm levado cidadãos perderem o autocontrole, agindo com intolerância levando-os a inconsequências. Ainda que não seja possível identificar uma relação somente das más condições das vias, tem-se crescente aquisição de veículos e devido à falta de políticas públicas voltadas a melhoria e expansão do transporte coletivo na capital, o que eleva a demanda para aquisições de automóveis, com isso, aumentam-se os congestionamentos, por conseguinte, crescem as ocorrências de sinistros no trânsito devido: a pressa, falta de atenção, falta de bom senso, falta de cortesia e de solidariedade para com os usuários da via. Visualiza-se diariamente, grandes congestionamentos que se agravam em determinado período do dia, o que ocasionam fadigas, desconfortos às pessoas, devido à necessidade de deslocamento aos diversos pontos. 17 1.1 PROBLEMATIZAÇÃO Por tratar-se de um tema recorrente, e que a sociedade encontra-se intimamente ligada, quer na condição de condutor, passageiro ou pedestre, visualizou-se a necessidade de se fazer algo para mudar esta problemática. Portanto, tem-se o propósito de fazer uma avaliação através de informações públicas, aplicação de um questionário em que se almeja encontrar respostas acerca da relação direta entre os comportamentos e consequentemente, sinistros envolvendo os motoristas de ônibus em Belém. A proposição de alternativas a fim de minimizar os acidentes de trânsito e seus efeitos danosos aos envolvidos, compreender suas causas e propor meios que possam contribuir para que estes profissionais de transporte coletivo possam perceber sua importância tanto para sua família quanto para a sociedade. E estrategicamente, contribuir para uma mudança de paradigmas comportamentais, tanto da organização quanto dos condutores e atingir positivamente os responsáveis nas empresas pela gestão de pessoal, evitando-se custos desnecessários com indenizações a terceiros e afastamentos de colaboradores, concernentes a problemas de saúde, psicossociais e no trabalho. 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral Identificar por meio da percepção do condutor de ônibus a relação dos acidentes de trânsito e seu ambiente de trabalho. Para então sugerir, alternativas de minimização desses acidentes, sugerir procedimentos de gestão direcionados a problemas de comportamentos durante a jornada de trabalho. 1.2.2 Objetivos Específicos Identificar os comportamentos agressivos, na condução de veículo de transporte coletivo; 18 Identificar fatores geradores de perigos de danos aos demais usuários da via e que podem resultar em graves problemas psicossociais, familiares e financeiros aos envolvidos. 1.2.2.1 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO São objetos de estudo, informações coletadas por meio de um questionário aplicado a cinquenta motoristas de ônibus, das empresas: Viação Norte e Viação Princesa que circulam em Belém. 1.2.2.2 HIPÓTESES Obter respostas, que possam inferir uma relação entre o comportamento, e às causas de envolvimento destes profissionais aos acidentes de trânsito no período de 2008 a 2011. 1.2.2.3 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO O presente trabalho está dividido em III capítulos. O primeiro capítulo apresenta os motivos que levaram os autores a realizar a presente pesquisa, bem como, a problematização e objetivos. No segundo capítulo está descrito o método empregado. No capítulo seguinte trataremos do referencial teórico, em que se tratou dos acidentes de trânsito acontecidos na Cidade de Belém no Estado do Pará no período compreendido entre os anos de 2008 a 2011. Continuando, com as categorias causadoras de problemas aos motoristas de ônibus, trataremos da higiene no trabalho, saúde ocupacional, do estresse no trabalho, qualidade de vida e, por conseguinte, com a fonte e instrumentos de coleta de dados juntamente com o questionário empregado em campo, com os condutores de veículos de transporte coletivo das empresas Viação Via Norte e Viação Princesa. 19 2 MÉTODO 2.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA 2.1.1 Quanto à natureza Aplicada: pois, tem o propósito de gerar conhecimentos para a efetiva prática, dirigidos à mitigação de problemas específicos, no caso os comportamentos geradores de acidentes de trânsito envolvendo motoristas de ônibus em Belém. 2.1.2 Quanto à abordagem do problema Quantitativa: por considerar que tudo pode ser quantificável, utilizando-se de recursos e de técnicas estatísticas, ou seja, é a tradução das informações, opiniões em números, para a classificação e análise. (Lakatos e Marconi. 2007, p. 185). Qualitativa: por sua relação pragmática entre o mundo real e o indivíduo, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito, que não se traduz em números, por não utilizar métodos e técnicas estatísticas. E sim, a interpretação dos fenômenos e atribuição de significações básicas no processo de pesquisa. (Lakatos e Marconi. 2007, p. 185). Os dados estatísticos são colhidos diretamente e a intervalos geralmente regulares, quer abrangendo a totalidade da população (censos) quer utilizando-se da técnica da amostragem, generalizando os resultados a toda população. Em outras palavras, em épocas regulares, as estatísticas recolhem dados semelhantes em lugares diferentes. (LACATOS e MARCONI. 2007, p. 180) 2.1.3 Quanto aos Objetivos Exploratória: por proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Envolvendo levantamentos bibliográficos, consulta a informações públicas disponibilizadas em meios tecnológicos; aplicações de questionários a profissionais que vivenciam cotidianamente experiências práticas com o problema pesquisado. (Lakatos e Marconi. 2007, p. 185). 2.1.4 Quanto aos Procedimentos Técnicos Bibliográfica: pois, sua elaboração é a partir de material já publicado, constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e, com material disponibilizado na Internet. “A 20 pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias, abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, material cartográfico etc”. (Lakatos e Marconi. 2007, p. 185). Documental: quando elaborada a partir de materiais que não receberam tratamento analítico. “a característica da pesquisa documental é que a fonte de coleta de dados está restrita a documentos, escritos, ou não, constituindo no que se denomina de fontes primárias”. (Lakatos e Marconi. 2007, p. 176) Levantamento: a pesquisa envolveu a interrogação direta das pessoas cujo comportamento se desejou conhecer. Participante: envolveu a interação entre pesquisadores e profissionais do transporte coletivo, relacionados com as situações investigadas. 2.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA Amostras Acidentais Probabilísticas: obtidas por acaso, com cinquenta motoristas que iniciavam suas atividades laborais, no horário da chegada dos pesquisadores ao local. 2.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS Observação sistemática e aplicação de um questionário com perguntas fechadas e objetivas, com duas alternativas: sim ou não. Este contém uma série ordenada de 13 perguntas que foram respondidas por escrito pelos participantes. O questionário foi elaborado pelos autores. “As instruções devem esclarecer o propósito de sua aplicação, ressaltar a importância da colaboração do informante e facilitar o preenchimento”, (Oliveira Netto, 2008, p. 84). 2.4 ANÁLISE DOS DADOS A pesquisa teve como local a cidade de Belém do Pará, em que observa-se uma acidentalidade crescente, envolvendo profissionais do transporte coletivo, o que gerou a motivação para a busca de informações, que apresentassem resultados acerca de suas causas e a proposição de alternativas, que possam contribuir com a minimização desta realidade. 21 3 REFERENCIAL TEÓRICO 3.1 BELÉM DO PARÁ, APRESENTANDO SEU CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO E CONSEQUENTEMENTE, SEUS PROBLEMAS SOCIAIS RELACIONADOS AO TRÂNSITO, DEVIDO AO AUMENTO DA FROTA DE VEÍCULOS EM CIRCULAÇÃO. De acordo com o Censo Demográfico do IBGE 2000, a População Total do Município de Belém do Pará era de 1.280.614 de habitantes, hoje a realidade é bem diferente com uma população de 1.392,031 habitantes, maior densidade demográfica da região norte com 1307,17 hab/km², (IBGE/2010). Sua Área é de 1.064,92 km² representando 0,09 % do Estado, 0,03 % da Região e 0,01 % de todo o território brasileiro. É conhecida como "Metrópole da Amazônia", e uma das dez cidades mais movimentadas e atraentes do Brasil. A cidade é sede da Região Metropolitana de Belém, que possui em torno de 2.100.319 habitantes, é a 2ª mais populosa da região, 10ª do país e 175ª do mundo, além de ser o maior aglomerado urbano da região. A cidade de Belém, considerada a maior da linha do equador, é também classificada como a capital com melhor qualidade de vida da Região Norte do Brasil. Para muitos estudiosos do tema acidente de trânsito, o homem representa a principal causa, devido ser o responsável pela manutenção dos veículos, conhecimento das leis de trânsito, direção defensiva etc. Os acidentes de trânsito são uma das principais causas de morte no mundo, estando na nona posição e, prosseguindo com os atuais níveis de crescimento, esta posição pode chegar à sexta até 2020, sendo então uma das maiores causas de morte da era moderna. A situação caótica que às vezes percebemos no trânsito se reflete na seguinte frase: "O caos é obra de anos". Isto é, há um fundamento histórico para termos a realidade atual; caos não é obra do acaso, e sim, de uma história social. Todas as dificuldades apontadas sobre o Trânsito refletem, com certeza, um motivo anterior, uma explicação compreensível para a situação atual. (HOFFMANN, et al. 2011, p. 94) Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), preceitua como aceitável o índice de 3 mortos por 10 mil veículo/ano. Entretanto, no ano de 2000, no Brasil, houve aproximadamente 6,8 mortos por 10 mil veículos/ano, enquanto que na maioria dos países desenvolvidos esse número não ultrapassou a uma morte por 10 mil veículos. Ratificando, 22 uma das maiores preocupações dos órgãos responsáveis pelo planejamento do trânsito, bem como pela comunidade científica que analisa tal problema, é encontrar soluções que possam mitigar esses números. Não obstante os benefícios proporcionados pelos meios de transportes rodoviários, o trânsito é uma das preocupações da civilização moderna, ao ponto do delito do automóvel ter sido cognominado de delito dos tempos modernos ou um delito da civilização. Dele decorrem as perdas de vidas humanas, mutilações de pessoas, neuroses, frustrações e, por último, a poluição ambiental. (ARAGÃO, 2009. p.55) Procurar entender esses eventos é uma forma de tentar preveni-los ou amenizar seus impactos sobre a sociedade, encontrando assim soluções para a diminuição desse problema. Os acidentes de trânsito, por sua frequência, são considerados riscos segundo alguns estudos epidemiológicos. Segundo estes autores, os acidentes de transito são englobados em um agrupamento de causas de mortes não naturais, denominadas causas externas, em que se incluem todos os tipos de acidente (de transporte, quedas, afogamentos e outros), as lesões intencionais (homicídios, suicídios e intervenções legais) e as lesões provocadas em circunstâncias de intencionalidade ignorada (ou causa de tipo ignorado), sendo, atualmente, classificada no capítulo XX da Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão. As taxas médias por região mostram que a região SUL é a que lidera as mortes, com uma taxa de 27,1 mortes a cada 100.000 habitantes. Quase empatada vem a região Centro- Oeste, com 27,0. Em seguida vem Sudeste (20,7), Norte (20,2) e Nordeste (18,0). Fonte: MS/SVS/DASIS - Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM (elaboração CNM) 3.2 ACIDENTE DE TRÂNSITO Segundo informações disponibilizadas pela UCP/DETRAN-PA, é todo evento com dano que envolve um ou mais veículos, a via, o homem ou animais, e que para caracterizarse tem a necessidade da presença de dois desses fatores. A Organização Mundial da Saúde – OMS. Preconiza que, o número de mortes em consequência de lesões em acidentes de trânsito saltará de 5,1 milhões em 1990 para 8,4 milhões em 2020. O que representa atualmente 2,2% da mortalidade mundial em todas as idades. 23 É o acontecimento involuntário, inevitável e imprevisível, ou inevitável, mas previsível, ou ainda, imprevisível, mas evitável, do qual participam, pelo menos, um veículo em movimento, pedestres e obstáculos fixos, isolado ou conjuntamente, ocorrido em numa via terrestre, e resultando danos ao patrimônio, lesões físicas ou morte. (ARAGÃO, 2009, p. 77). As condições das vias, como por exemplo: congestionamento, parada de ônibus em lugar inadequado, ruas apresentando irregularidades, ou seja, alagadas com a chuva, sem asfalto, estreitas e esburacadas formam os problemas visíveis nas vias públicas de Belém, sendo causas preponderantes na ocorrência de acidentes, e culminam em processos psicológicos que geram estresse aos motoristas, pois estas condições, muitas vezes, dificultam o fluxo do trânsito, para o qual os motoristas acabam encontrando como solução, a mudança unilateral do itinerário, dirigindo as vezes na contramão e desviando dos buracos, fazendo com que atrasem também o horário do percurso de ponto a ponto. De acordo com o MS/SVS/DASIS - Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM (elaboração CNM). Os acidentes de trânsito ocupam uma triste nona posição entre as principais causas de incapacidade humana, anualmente são registrados no mundo 1,26 milhões de mortes no trânsito, afetando principalmente os países pobres e em desenvolvimento, o que afeta diretamente o Sistema Único de Saúde - SUS, pois, leitos estão sendo ocupados por cidadãos que, na maioria, ainda jovens e suas inconsequências; onde terão que ficar internados por longos períodos, aguardando sua recuperação. Assim, em termos de segurança no trânsito, o Brasil ocupa uma desconfortável posição, em relação aos outros países, evidenciando a realidade que o homem sempre está presente nas ocorrências pela sua falta de conhecimento ou excesso de habilidade em situações de perigo. O homem é a própria causa dos acidentes com o dom da inteligência, tem construído carros e estradas que, se respeitados certos limites operacionais, praticamente seriam imunes a falhas; todavia, não consegue melhorar a si mesmo, continuando com as mesmas características psicofisiológicas que o descredencia para pilotar veículos automotores. (ARAGÃO. 2009. P. 52) 3.2.1 Acidentes de Trânsito Ocorridos no Município de Belém no Período de 2008 a 2011 24 De acordo com o quadro 1, observamos inicialmente um crescimento nos primeiros dois anos, sofrendo uma variação positiva nos seguintes, não obstante permanecer com valores elevados. Belém 2008 10.219 2009 11.117 2010 11.026 2011 10.202 TOTAL 42.564 Desse total,8.318 houve envolvimento de ÔNIBUS Fonte: UCP/DETRAN Quadro 1: Acidentes de trânsito ocorridos no período 2008 a 2011 É importante se analisar as informações acima, pois se observa que os acidentes de trânsito são acontecimentos em que o homem concorre por sua negligencia, inobservância quanto às regras de circulação e desconhecimento das peculiaridades das vias. Vê-se, pois, que a etiologia dos acidentes de tráfego está circunscrita à decantada trilogia: homem – veículo – estrada, isolada ou conjuntamente, em interdependência com o meio ambiente. Evidentemente que há modelos de acidentes cuja origem difere das habitualmente conhecidas e que o homem, em função de suas características e potencialidades, nada pode fazer para evita-las, como a ação inesperada da natureza – a força maior, e a acontecimentos que, embora não sendo provocados por qualquer elemento natural, evidenciam uma intervenção humana de terceiros, de modo remoto ou indireto, (ARAGÃO, 2009, p. 53). 3.3 ESTATÍSTICAS DE ACIDENTES DE TRÂNSITO NO MUNICÍPIO DE BELÉM O controle e análise de estatísticas são fundamentais em qualquer área de atividade. São estes que viabilizam a identificação dos principais problemas, com definição de prioridades e avaliação dos resultados dos trabalhos executados. No Brasil, a valorização é pouca quanto à coleta, tabulação, processamento, análise e a utilização de dados. Dá-se pouca importância a esses aspectos por falta de tradição e, também, muitas vezes por desconhecimento dessas informações para a orientação de trabalhos. O alto custo das pesquisas e a necessidade de recursos humanos e materiais contribuem para esta deficiência. Na área do trânsito não é diferente. Todavia, a lei 9.503/97, exige que seja feito o controle e a análise estatística, onde os municípios devem atender esta exigência. Os dados de acidentes são fundamentais para orientação de 25 programas de tratamentos desses pontos críticos assim como aferir os resultados das intervenções realizadas nas vias, elaborando-se estudos antes e depois das intervenções e projetos implantados, com o propósito de garantir uma segurança viária a todos. Dessa forma, é possível a correção eventual de falhas nas implantações realizadas, assim como, a aferição dos benefícios obtidos em função do custo das intervenções. Identificou-se por meio de observações no local de trabalho, das linhas de transporte, das empresas, comportamentos e depoimentos de 50 motoristas, que a atividade de dirigir desencadeia transtornos psicológicos (estresse e irritabilidade), fisiológicos (fadiga, problemas auditivos, calor intenso) e físicos (dores na cabeça, pescoço, pernas). Nessa pesquisa foi possível diagnosticar que decorrências físicas e psicológicas da atividade de dirigir em motoristas profissionais repercutem não somente no âmbito do trabalho, mas social e pessoal. Neste sentido, vale frisar que a profissão de motorista de ônibus, sendo uma atividade bastante estressante, pois estes profissionais têm diariamente que lidar com várias situações, como por exemplo: condições adversas do clima devido a cidade de Belém ter um índice pluviométrico elevado e calor constante, já que a frota de coletivos não dispões de ar condicionado para amenizar a temperatura ambiente; condições precárias das vias; más condições dos veículos; alto nível de exigências por parte da empresa e passageiros; condições de trabalho que não atendem muitas vezes até às necessidades fisiológicas básicas dos motoristas. É evidente, na atualidade, que o trabalho ocupa um espaço de grande importância na vida de todos, ou seja, uma parcela importante da sociedade trabalha, e grande parte de nossa vida é passada dentro das organizações, convivendo com outras pessoas em momentos de alegria ou não, sejam públicas ou privadas, os riscos que geram estresses são os mesmos, daí porque se devem observar métodos eficazes na busca da minimização dos fatores que dão origem. 3.3.1 Acidentes, Feridos e Mortos Envolvendo Ônibus no Município de Belém no Período de 2008 a 2011. 26 Conforme o quadro abaixo, verificamos um número expressivo de acidentes de trânsito de 2009 a 2010, o que é evidenciado em relação a feridos, porém, reduz-se acerca das mortes no mesmo período. Descrição Belém 2008 Belém 2009 Belém 2010 Acidentes 2.054 2.293 2.328 Feridos 295 321 321 Mortos 11 8 5 Quadro 2: Índice de acidente de trânsito Fonte: Acidentes/Feridos: Sistema Integrado de Segurança Pública – SISP Mortos: SISP/PRE/PRF/CPC Renato Chaves/Hospital Metropolitano/Clipping Belém 2011 1.856 177 5 3.3.1.1 ACIDENTES COM VÍTIMAS Verifica-se que, os feridos na condição de motociclista, o pedestre e o ciclista nesta seqüência, por serem os mais suscetíveis à gravidade quando envolvidos em acidente. Apura-se que, as principais vítimas fatais estão sob a condição de pedestres, motociclistas e passageiros. Sendo necessário um novo planejamento de políticas a fim de diminuir a gravidade destes acidentes. 3.3.1.2 VÍTIMAS NÃO FATAIS Até o mês de Dezembro de 2011, o número de feridos já apresentava um total de 3.684 pessoas envolvidas em acidentes de trânsito. Esse valor representa 65,1% do total dos feridos em 2009. Levando em consideração os bairros onde mais houve pessoas feridas em acidentes de trânsito, podemos verificar que o bairro do Marco, novamente, aparece no topo da lista em 2009, representando 15,2% dentre estes. A Marambaia vem em segundo, apresentando um percentual de 9,2% e em seguida, a Pedreira com 9,0%. Vale ressaltar que, estes três bairros apresentaram maiores índices de feridos tanto em 2009. Belém Vitimas Não Fatais(feridos) CICLISTA CONDUTOR MOTOCICLISTA NÃO INFORMADO PASSAGERIO PEDESTRE Total Fonte: UCP/DETRAN Quadro 3: Vitimas Não Fatais(feridos) 3.3.1.3 VÍTIMAS FATAIS 2008 605 180 1062 8 671 754 3280 2009 562 138 1246 12 656 713 3327 2010 564 184 1665 3 774 723 3913 2011 337 757 1554 1 529 506 2684 27 Conforme os dados sobre as vítimas fatais (mortos) por acidentes de trânsito em 2011, verificou-se que o número atingiu um montante igual a 108 ocorrências no Município de Belém e Região Metropolitana nesse ano. Quanto às Vítimas Fatais, pode-se verificar que o Bairro do Marco apresentou 13,9% de mortes por Acidentes de Trânsito em 2009, dentre os destacados acima. Em seguida, observamos que Sacramenta e Parque Verde, até Dezembro, apresentaram percentuais de 10,1% e 8,9%, respectivamente. Comparando com anos anteriores, vimos que a Marambaia, que estava entre os três primeiros em 2007 e 2008, caiu para a 7ª posição no ranking em 2009. Belém Vitimas Não Fatais(feridos) CICLISTA CONDUTOR MOTOCICLISTA NÃO INFORMADO PASSAGEIRO PEDESTRE Total Fonte: UCP/DETRAN Quadro 4: Vitimas Fatais(mortos) 2008 18 8 25 1 23 72 147 2009 10 2 33 21 44 110 2010 17 16 47 12 53 145 2011 11 7 38 14 34 104 Evidentemente que há paradigmas de acidentes cujas causas diferem das habitualmente conhecidas e que o homem, em função de suas características e potencialidades, nada pode fazer para evita-las, como a ação da natureza – a força maior, e acontecimentos que, embora não sendo provocados por qualquer evento natural, evidenciam uma intervenção humana, de modo remoto ou indireto, ou seja, sempre o fator homem estará presente nos acidentes de trânsito através dos pressupostos da culpa. É visto que, a etiologia dos acidentes de trânsito está circunstanciada à trilogia: homem – veículo – vias, isolada ou conjuntamente, em interdependência com o meio ambiente. A diferença entre comportamentos de segurança individual coletivo tem gerado polêmica. Uma adequada definição de comportamento seguro individual é aquela que alinha os limites impostos pelas características da via, as condições atmosféricas, o veículo e as habilidades do condutor. Porém este conceito somente permanece válido na ausência de outros atores do trânsito, em uma via ou condução individual, por exemplo, em um circuito fechado para provas. (HOFFMANN, et al. 2011, p.69) 28 Ainda para o autor, 90% dos acidentes geralmente são provocados pelo fator humano, o que nos faz ratificar a necessidade de um programa institucional que vise por meio de palestras, cursos, treinamentos a assimilação por parte dos colaboradores de comportamentos apropriados a quando da condução do veículo, pois, transportam-se vidas, e a todo o momento, interage-se com elementos como; veículos, pessoas, animais e meio ambiente. O homem sempre participa da origem do acidente de tráfego, diante do que é crucial distinguir o erro resultante de ação ou omissão humana (naqueles casos previstos de imperícia, imprudência e negligencia), e as limitações psicofisiológicas da espécie humana frente aos eventos do trânsito. Conforme o autor, o próprio homem é o principal causador de acidentes de trânsito. (ARAGÃO, 2009 p. 27). Os acidentes de trânsito na sua maioria envolvem motoristas ainda jovens, os quais participam de forma significativa para as estatísticas. Os sinistros com veículos automotores, no mundo refletem em parte a combinação da pressa, intolerância, estresse, pressão no trabalho, excesso de confiança, sensação de poder, imaturidade, espirito de emulação, falta de conhecimento das potencialidades dos veículos e a falta de experiência ao conduzi-lo. Os motoristas jovens, conforme o quadro abaixo, andam em alta velocidade, avançam sinais, praticam manobras arriscadas, dirigem após o uso de álcool ou droga ou andam em companhia de outros motoristas, também sob efeito de narcóticos. O veículo automotor, como qualquer outra máquina, exige que o ser humano esteja qualificado técnico e psicologicamente para operá-lo com segurança, o que se evitariam traumas físicos e psicossociais. Belém 2008 Mortos % Faixa Etária 0 a 09 4 2,72 10 a 12 13 a 17 3 2,04 18 a 29 29 19,73 30 a 59 42 28,57 60 ou mais 24 16,33 Ignorado 45 30,61 Total 147 100 Fonte: UCP/DETRAN Quadro 5: Faixa Etária 2009 Mortos % 4 3,64 1 0,91 3 2,73 23 20,91 27 24,55 11 10,00 41 37,27 110 100 2010 Mortos % 3 2,11 1 0,70 2 1,41 39 27,46 43 30,28 15 10,56 39 27,46 142 100 2011 Mortos % 3 2,88 3 2,88 22 21,15 24 23,08 9 8,65 43 41,35 104 100 29 Nesse sentido, o cidadão comum, muitas vezes quando adquire um veiculo passa a ter uma falsa sensação de poder. O acidente de trânsito é consequência de um comportamento inadequado do ser humano, fruto de um processo psicológico que não funcionou preventivamente; com isso, a atenção e as distrações repercutem na segurança para o trânsito e podemos comprovar que está relacionado diretamente como o fator humano. A educação para o trânsito é mais um capítulo da educação ético-social que não tem sentido como disciplina de conteúdo independente. Seu conhecimento teórico e prático se enquadra nos conteúdos organizados sistematicamente nas duas grandes áreas das ciências sociais e ciências naturais, uma vez que integra o homem, o meio ambiente e a realidade social e, assim, o contexto em que vive o aluno”. (HOFFMANN, et al. 2011, p.74) Alguns fatores procedem do próprio indivíduo (internos) e outros têm sua origem no meio ambiente que circunda o condutor (externos). Causar um acidente por derrapar numa estrada, com chuva, andando com pneus “carecas”, sem dúvida envolve o fator humano. As falhas humanas podem ser diretas, atos deliberados, omissões ou atos falhos, ou indiretas condições e estados de motorista de origens fisiológicas, mentais e emocionais, assim como condições de experiência e familiaridade como o trânsito. Existem, também, os agentes diretos internos que colaboram como causa dos acidentes de trânsito, como falar, ligar o rádio, telefonar, fumar que são os chamados comportamentos que interferem diretamente na segurança, pois geram riscos iminentes e os diretos externos como: atenção desmesurada a algum elemento ou paisagem, sinalização incorreta ou excessiva, dentre outras. Esses dois agentes compõem o cerne desta pesquisa. Após análise dos anos 2008 a 2011, concernentes a acidentes nas vias urbanas do município de Belém, verificou-se que a maior parte concentra-se nos grandes corredores de fluxo, o que já era de se esperar. No entanto as três primeiras vias em número de acidentes se mantêm inalteradas nos quatro anos estudados, assim com um crescimento ao longo do período no número absoluto de acidentes. 30 As Avenidas: Augusto Montenegro, Almirante Barroso e Pedro Álvares Cabral, respectivamente, figuram durante todos os anos analisados permanecendo em 1°, 2° e 3° lugares no ranking de vias com maior número de acidentes registrados. Vários fatores podem ser apontados como relevantes, a fim de tentar explicar o número elevado de sinistros nestas vias. Segundo informações disponibilizadas pela UCP/DETRAN-PA, visualiza-se na Avenida Augusto Montenegro, diversos fatores que pode lançar uma luz sobre o problema dos acidentes recorrentes nesta via. Como a pavimentação asfáltica, que apresenta vários trechos com remendos de baixa qualidade, contribuindo para que condutores desviem de trajetória repentinamente em movimentos de risco; assim como, outros trechos onde o asfalto não foi reparado (buracos), o que força os condutores muitas vezes a efetuar manobras arriscadas que resultam em acidentes. Falta de uma politica municipal voltada aos ciclistas, pois a cidade é extremamente deficiente quanto à questão. Atualmente, a referida via apresenta apenas uma ciclofaixa, que por sinal, encontra-se bastante deteriorada, sem sinalização adequada. Durante os períodos de congestionamento, a ciclo faixa é utilizada por motociclista e outros condutores de veículos automotores, o que potencializa o acontecimento de acidentes e por sua vez, aumentando as estatísticas de feridos e mortos nesta via. A necessidade de uma sinalização horizontal e vertical adequada, aliada as precárias condições da pavimentação, o que se agravou devido às obras embargadas do BRT, tornando-se causas de significativa influência, concernentes aos elevados números de acidentes. Falta e ineficiente fiscalização por agentes de trânsito ao longo da via em horários sistemáticos, entretanto, observa-se uma pequena melhoria no efetivo, devido à contratação de novos agentes de trânsito por meio de concurso público. Atualmente a maior forma de fiscalização na via é através de fiscalização eletrônica em pontos pré-determinados, sendo de extrema necessidade a fiscalização contínua e ininterrupta nesta importante via, assim como é executada pela Policia Rodoviária Federal 31 nos primeiros quilômetros da BR 316, que se localiza dentro de áreas bastante urbanizadas com intenso fluxo de veículos e pedestres. Segundo informações disponibilizadas pelo DETRAN/PA, a Avenida Almirante Barroso é o principal corredor de fluxo de veículos da cidade, sendo uma válvula de escape para muitos condutores e a única via para entrada e saída da cidade. Juntando-se a isso, existem as obras embargadas do BRT que seriam umas das alternativas para minimizar a questão do trânsito em Belém, porque retirariam grande parte dos ônibus que circulam nesta via do Complexo do Entroncamento até o Centro. Vale enfatizar que passa grande parte do dia, sob intenso, fluxo de veículos e constantes congestionamentos, o que leva os condutores a diminuir a distância de segurança entre os veículos, ocasionando pequenas colisões com danos de pequena monta. A referida avenida apresenta-se com boa sinalização, inclusive eletrônica, uma grande extensão de ciclovia, o que diminuiu consubstancialmente os acidentes com ciclista, evidenciando desta forma a importantíssima necessidade de mais ciclovias nas zonas urbanas da região metropolitana de Belém. Segundo informações disponibilizadas pelo DETRAN/PA, a Avenida Pedro Álvares Cabral, ocupa o terceiro lugar em número de acidentes, isto se deve ao fato de que esta via funciona como uma alternativa de trânsito, para diminuir a pressão sobre a Av. Almirante Barroso. No entanto, as condições de pavimentação asfáltica, unida às precárias condições de sinalização tanto horizontal como vertical, bem como a pouca fiscalização, e pelos mesmos motivos já apresentados nas outras vias, colaboram para que esta via se apresente dentre as três primeiras em maior número de acidentes de trânsito. Novos projetos foram implantados nesta via, com o fim de melhorar a fluidez do trânsito, como as obras do projeto BINÁRIO (PMB) e o projeto VIA METRÓPOLE (Governo do Estado), sendo aquela executada e esta passando por ajustes para então ser finalizada. Vale ressaltar, que em outras vias de Belém, apresentam-se quantidades significativas de acidentes de trânsito, porém, as três vias citadas são as de maior relevância, principalmente pelo seu papel no que tange o processo de fluidez de trânsito na capital paraense. 32 Comentou-se de todos os possíveis fatores que corroboram para os índices elevados de acidentes nas principais vias de Belém, contudo, é imprescindível comentar sobre o principal fator neste processo: o condutor do veículo. Não é possível pensar em reduzir o número de acidentes, sem o primordial apoio dos condutores. Belém Tipos de Acidentes Abalroamento Atropelamento Capotamento Choque objeto fixo Colisão bicicleta Colisão veículo Não informado Outros Queda de motocicleta Queda de ônibus Total Fonte: UCP/DETRAN Quadro 6: Tipos de Acidentes 2008 225 790 27 189 632 8084 16 19 98 134 10214 2009 310 733 25 165 531 8985 18 27 125 195 11114 2010 259 715 27 209 621 8827 21 9 147 136 10971 2011 366 489 18 162 380 7124 4 221 64 8828 Fica a cargo deles, após as melhorias implantadas no sistema viário, o respeito à sinalização e aos agentes de trânsito, respeitar os limites de velocidade, zelar por um trânsito mais seguro e humanizado, pois caso contrário, nenhuma das melhorias introduzidas nas vias vai obter o efeito esperado, que é a redução dos altos índices de acidentes, vítimas fatais e não fatais. Assim, as campanhas educativas eficientes ficam cada vez mais necessárias, agregadas as fiscalizações planejadas. Dessa forma sistemática se terá um êxito maior nas tentativas de redução dos índices de acidentalidade. 3.4 CUSTOS DOS ACIDENTES As estatísticas oficiais, indicam a ocorrência de pouco mais de 20 mil por ano, número sabidamente Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA calculou o custo social dos acidentes de trânsito nas áreas urbanas do país, que atinge a absurda cifra de 5,6 bilhões de reais a cada ano, valor insuportável até mesmo para países desenvolvidos. Falar em custos dos acidentes eles envolvem vidas humanas parece piada de humor negro. A vida e a integridade física de uma pessoa são coisas que não se pagam. Contudo, além das lamentáveis perdas humanas, os acidentes também provocam perdas financeiras para o acidentado, para sua família, a organização e a sociedade. (CHIAVENATO, 2004, p.446). 33 3.5 CATEGORIAS CAUSADORAS DE PROBLEMAS AOS MOTORISTAS DE ÔNIBUS Com base nos dados obtidos, a partir dos questionários aplicados aos motoristas de ônibus das empresas: Via Norte e Viação Princesa, observamos alguns pontos que são imprescindíveis para verificarmos a real percepção destes trabalhadores em seu ambiente de trabalho em relação ao acidente de trânsito em Belém. É salutar, que consideremos a atividade perigosa, pelos seguintes motivos: local de trabalho desconfortável; responsabilidade com vidas; necessidade de atenção redobrada na condução do veículo, devido ao trânsito que fica congestionado constantemente; risco de acidentes; ocorrências de assaltos; concentração; reflexo do sol no para brisa, a temperatura elevada; excesso de ruídos devido à posição do motor; conforto e higiene; problemas ergonômicos devido à posição prolongada; passageiros estressados e agressivos; sono; bancos desconfortáveis; falta de um ponto de apoio durante o itinerário. Vale ressaltar que tais fatores contribuem significativamente para um desgaste psicológico e consequente problema de saúde do trabalhador em questão. A profissão de motorista de ônibus é descrita, segundo a Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho, como aquele profissional que dirige veículos de empresas particulares, municipais e interestaduais, acionando comandos de marcha e direção, bem como conduzindo o veículo no itinerário, de acordo com as regras e normas estabelecidas no trânsito, com a finalidade de transportar passageiro dentro de uma localidade (MINISTÉRIO DO TRABALHO, 1994). Os principais problemas desenvolvidos pelo trabalho dos motoristas de ônibus são: estresse, ansiedade, medo excessivo de assalto, problemas gastrointestinais, pressão alta, angústia, problemas osteomusculares, obesidade, visão irritada, agressividade, problemas respiratórios, problemas auditivos, dentre outros. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, sob o Nº da CBO: 985.40 Título: Motorista de ônibus Descrição resumida: Dirige ônibus de empresas particulares, municipais ou interestaduais, acionando os comandos de marcha e direção e conduzindo-o no itinerário, 34 segundo as regras de trânsito, para transportar passageiros dentro de uma localidade ou longa distância: Descrição detalhada: vistoria o veículo, verificando o estado dos pneus, o nível de combustível, água e óleo do cárter e testando freios e parte elétrica, para certificar-se de suas condições de funcionamento; examina as ordens de serviço, verificando o itinerário a ser seguido, os horários, o número do ônibus, girando a chave de ignição, para aquecê-lo e possibilitar a movimentação do veículo; dirige o ônibus, manipulando seus comandos de marcha e direção e observando o fluxo do trânsito e a sinalização, para transportar os passageiros; zela pelo bom andamento da viagem, adotando as medidas cabíveis na prevenção ou solução de qualquer anomalia, para garantir a segurança dos passageiros, transeuntes e outros veículos; providencia os serviços de manutenção do veículo, comunicando falhas e solicitando reparos, para assegurar seu perfeito estado; recolhe o veículo após a jornada de trabalho, conduzindo-o à garagem da empresa, para permitir sua manutenção e abastecimento. Pode cobrar e entregar os bilhetes aos passageiros. Pode efetuar reparos de emergência no veículo. É relevante que se reflita acerca da saúde, englobando a alimentação saudável, exercícios físicos regulares e o bem estar, como fator determinante para a qualidade de vida no trabalho. No que se refere aos motoristas de ônibus, pode-se perceber que várias medidas são relativas a empresa e que esta pode agir para tomar, como a questão do conforto e higiene, por exemplo. Pois, é importante valorizar e raciocinar sobre a importância do serviço que estes profissionais prestam à sociedade. Ao se melhorar as condições de trabalho destes profissionais, para que se possa ter uma contra prestação de serviço de boa qualidade, ou seja, além das melhorias das condições de trabalho, o público seria contemplado com atitudes educadas de um profissional qualificado e valorizado. 35 3.4 RESULTADO DOS QUESTIONÁRIOS Dos profissionais pesquisados obtive-se os seguintes dados: Estado civil: 68% são casados, 28% são solteiros e 4% são divorciados. Conforme o resultado o número é significativo com relação aos casados, o que nos mostra a necessidade de se programar políticas organizacionais voltadas para o treinamento motivacional com o fim de reduzir afastamentos por ocasião de problemas psicológicos ou de saúde ocupacional. Escolaridade: 22% tem o ensino fundamental completo, 8% fundamental incompleto, 42% tem ensino médio completo, 20% ensino médio incompleto, 4% possuem ensino superior completo e 4% ensino superior incompleto, podemos observar que o nível educacional sofreu mudanças, como se pode verificar a presença de portadores de diploma de graduação e outros cursando ensino superior, entre os motoristas pesquisados, fato este positivo, porque agrega valor aos profissionais e reflete na contra prestação do serviço aos usuários. As pessoas constituem o principal patrimônio das organizações. O capital humano das organizações – composto de pessoas, que vão desde o mais simples operário ao seu principal executivo – passou a ser uma questão vital para o sucesso do negócio, o principal diferencial competitivo das organizações bem sucedidas. (CHIAVENATO, 2004, p. 338). Renda familiar: 84% possuem renda familiar de até 2 salários mínimos, 10% de até 3 salários mínimos e 6% possuem renda familiar acima de 4 salários mínimos, o que nos faz refletir acerca da necessidade de um programa na empresa voltado ao plano estratégico de recursos humanos, com a valorização do funcionário através de complementação associado ao cumprimento de metas e acompanhamento profissional. Números de filhos: 56% possuem filhos e 44% não, este fator mostrou que alguns condutores entrevistados preocupam-se com a questão social em constituir família. Casa própria: 64% possuem casa própria e 36% não; 36 Tempo de trabalho na função: o resultado foi bastante diversificado, pois tivemos tempo de serviço na atividade a partir de 2 anos até 32 anos; Com relação a treinamento: 100% informaram terem sido treinados, o que demonstra uma preocupação das empresas com os seus colaboradores. É notório que um programa de educação traz sem duvida, resultados satisfatórios para toda sociedade, com ações que visam atingir a base do problema, ou seja, campanhas na escola, universidades e instituições quer públicas ou privadas com o fim colimado de se evitar perdas. A sociedade ocidental tem se deparado com uma série de problemas relacionados ao planejamento e a necessidade de melhoria dos sistemas educacionais voltados ao trânsito. Muitas das soluções para esses problemas passam pela educação do cidadão livre, mas responsável. Educar uma criança ou adolescente para que seja um cidadão livre e responsável supõe realizar uma escolha dentro dos vários enfoques teóricos e metodológicos da educação. (HOFFMANN, et al. 2011, p.82) Em relação a problemas com passageiros: 44% informaram que já tiveram e 36% disseram que não; Estresse no trabalho: 78% acham o trabalho estressante e 22% disseram que não, este resultado veio ratificar atual situação em que Belém passa, sendo uma das cidade mais perigosas do Brasil, o que representa uma constante sensação de insegurança por parte dos motoristas do transporte coletivo. Envolvimento em acidentes de trânsito: 44% afirmaram já terem se envolvido e 56% disseram que não; Se o objetivo da intervenção social é a mudança de comportamento, é decisivo realizar ações que cumpram ao menos um desses requisitos: atuar sobre as atitudes de uma forma persistente, esperando efeitos sobre o comportamento a médio e longo prazo, ou atuar diretamente sobre o comportamento e suas consequências. Por exemplo, as mudanças no sistema de multas e, ainda às vezes produzam efeitos colaterais indesejáveis sobre as atitudes, que resultam em alternativas de comportamentos desejáveis. (HOFFMANN, et al. 2011. p.73). Com relação às vias, se favorecem as ocorrências de acidentes: 78% afirmaram e 22% disseram que não; 37 Em relação ao tempo de percurso, se gera estresse: 56% afirmaram que o tempo é gerador de estresse e 44% afirmaram que não. Na maioria dos trabalhos, existem situações consideradas estressantes pelos funcionários, como ser repreendido pelo supervisor, ter muito pouco tempo para completar uma tarefa ou ser avisado da possibilidade de demissão. (SPECTOR, 2006, p.429). Com relação a ponto de apoio durante o itinerário: 58% disseram haver durante o percurso e 42% afirmaram inexistir este ponto; Com relação à necessidade de educação no trânsito: 100% afirmaram ser extremamente necessário um programa voltado à educação para o trânsito; Há conforto na posição do assento: 54% relataram ser confortável e 46% disseram que não; O barulho do motor: 70% disseram que incomoda e 30 afirmaram que não; A fiscalização evita os acidentes: 76% declaram que sim e 24% afirmaram que não. Pode-se afirmar que, a seleção tem o propósito de escolher, dentre os vários candidatos recrutados, aqueles que são mais adequados aos cargos disponibilizados na organização, visando manter ou aumentar a eficiência e o desempenho pessoal, bem como a eficácia da organização. Seleção de pessoas funciona como uma espécie de filtro que permite que apenas algumas pessoas possam ingressar na organização: aquelas que apresentam características desejadas pela organização. Há um velho ditado popular que afirma que a seleção constitui a escolha exata da pessoa certa para o lugar certo (CHIAVENATO, 2004, p.130,131). A cultura organizacional tem a ver com o estudo das organizações, a cultura equivale ao modo de vida da organização em todos os seus aspectos, como ideias, crenças, costumes, regras, técnicas etc. Segundo Spector, (2006. P. 387) O comportamento Organizacional de cidadania é geralmente definido como o comportamento que vai além das exigências formais do trabalho e que é benéfico para a organização. A Cultura Organizacional, cultura é um termo genérico utilizado para significar duas acepções diferentes. De um lado, o conjunto de costumes e realizações de uma época ou de um povo e, de outro lado, artes, erudição e demais manifestações mais sofisticadas do intelecto e da sensibilidade humana, consideradas coletivamente. (CHIAVENATO, 2004, p.164). 38 Treinamento: é processo de desenvolver qualidades nos recursos humanos para habilitá-los a serem mais produtivos e contribuir melhor para o alcance dos objetivos organizacionais. O propósito do treinamento é aumentar a produtividade dos indivíduos em seus cargos influenciando seus comportamentos. O processo de treinamento compreende: Diagnóstico: é o levantamento das necessidades de treinamento a serem satisfeitas. Essas necessidades podem ser passadas, presentes ou futuras; Desenho: é a elaboração do programa de treinamento para atender às necessidades diagnosticadas; Implementação: é a condução do programa de treinamento; Avaliação: é a verificação dos resultados obtidos com o treinamento. 3.5 HIGIENE DO TRABALHO Um ambiente saudável de trabalho deve envolver condições ambientais físicas que atuem positivamente sobre todos os órgãos dos sentidos humanos-como visão, audição, tato, olfato e paladar. Do ponto de vista de saúde mental, o ambiente de trabalho deve envolver condições psicológicas e sociológicas saudáveis e que atuem positivamente sobre o comportamento das pessoas evitando impactos emocionais, como estresse. “A higiene do trabalho está relacionada com as condições ambientais do trabalho que assegurem a saúde física e mental e com as condições de saúde e bem-estar das pessoas. Do ponto de vista de saúde física, o local de trabalho constitui a área de ação da higiene do trabalho, envolvendo aspectos ligados com a exposição do organismo humano a agentes externos como ruído, ar, temperatura, umidade, luminosidade e equipamento de trabalho”(CHIAVENATO, 2004, p.430,431). 3.6 O PROGRAMA DE HIGIENE DO TRABALHO ESTÃO RELACIONADOS, SEGUNDO (CHIAVENATO, 2004, p.430,431) COM: 3.6.1 Ambiente físico de trabalho. Envolvendo: Iluminação: luminosidade adequada a cada tipo de atividade. 39 Ventilação: remoção de gases, fumaça e odores desagradáveis, bem como afastamento de possíveis fumantes ou utilização de máscaras. Temperatura: manutenção de níveis adequados de temperatura. Ruídos: remoção de ruídos ou utilização de protetores auriculares. 3.6.2 Ambiente psicológico de trabalho. Envolvendo: Relacionamentos humanos agradáveis. Tipo de atividade agradável e motivadora. Estilo de gerencia democrático e participativo. Eliminação de possíveis fontes de estresse. 3.6.3 Aplicação de princípios de ergonomia. Envolvendo: Maquinas e equipamentos adequados às características humanas. Mesas e instalações ajustadas ao tamanho das pessoas. Ferramentas que reduzem a necessidade de esforço físico humano. 3.6.4 Saúde ocupacional. Envolvendo aspectos que veremos a seguir. 3.6.4.1 SAÚDE OCUPACIONAL O ambiente de trabalho em si também pode provocar doenças, como o local de trabalho dos motoristas de ônibus que são obrigados pelo encargo do trabalho de suportarem ruídos, por ficarem horas ao lado do motor, desconfortável e além do mais tendo que cumprir dentro do previsto seu itinerário. Nesse sentido, pode-se definir o estado de saúde como um estado físico, mental e social de bem-estar. Essa definição enfatiza as relações entre corpo, mente e paradigmas sociais. “Um ambiente de trabalho agradável pode melhorar o relacionamento interpessoal e a produtividade, bem como reduzir acidentes, doenças, absenteísmo e rotatividade do pessoal. Fazer do ambiente do trabalho um local agradável tornou-se uma verdadeira obsessão para as empresas bem-sucedidas”, (CHIAVENATO, 2004, p.431). A saúde do trabalhador em especial do condutor de ônibus, pode ser agravada por doenças ocupacionais, acidentes ou estresse. 40 Sob o enfoque da psicologia da saúde, vem-se insistindo na necessidade da pessoa conhecer os riscos para sua saúde, assim como as fontes potenciais de perigo, especificamente os comportamentos ou práticas de risco, a fim de que este conhecimento lhe permita prevenir o acidente ou a doença. Esta abordagem se fundamenta na percepção de susceptibilidade aos problemas de saúde ou risco que predizem ações comportamentais preventivas, de modo que quanto mais consciente esteja uma pessoa de seus possíveis ou atuais fatores de riscos - e conduzir veículo é uma das atividades que implica em alto risco - mais ela terá comportamentos preventivos, ou seja, tomará menos decisões que impliquem para si e para o outro risco objetivo. (HOFFMANN, et al., 2011, p.74). Os gestores devem assumir também a responsabilidade de cuidar do estado geral de saúde dos funcionários, incluindo seu bem-estar, favorecendo um estado psicossocialmente saudável. “Uma maneira de definir saúde é a ausência de doenças. Contudo, os riscos de saúde como riscos físicos e biológicos, tóxicos e químicos, bem como condições estressantes de trabalho podem provocar riscos no trabalho” (CHIAVENATO, 2004 p.431). 3.6.4.2 ESTRESSE NO TRABALHO Os problemas familiares como: dívidas, aluguéis atrasados, roubos frequentes no seu turno, medo, mau relacionamento interpessoal com os colegas, intolerância com os demais usuários da via, passageiros agressivos, autoritarismo do chefe, a desconfiança, a pressão das exigências e cobranças, o cumprimento de horário de trabalho, a chateza e monotonia devido à rotina, o baixo astral dos colegas, a falta de perspectiva de progresso profissional e a insatisfação pessoal não somente derrubam o bom humor das pessoas, como também provocam estresse no trabalho. O estresse no trabalho provoca sérias consequências tanto para o empregado como para a organização, como o acidente de trânsito. “Estresse é um conjunto de reações físicas, químicas e mentais de uma pessoa decorrente de estímulos ou estressores que existem no ambiente. É uma condição dinâmica, na qual ema pessoa é confrontada com uma oportunidade, restrição ou demanda relacionada com o que ela deseja” (CHIAVENATO, 2004, p.433). 3.6.4.3 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT) 41 A QVT envolve os aspectos intrínsecos (conteúdo) e extrínsecos (contexto) do cargo. Ela afeta atitudes pessoais e comportamentos relevantes para a produtividade individual e grupal, tais como: motivação para o trabalho, adaptabilidade a mudanças no ambiente de trabalho, criatividade e vontade de inovar ou aceitar mudanças. “O termo qualidade de vida no trabalho (QVT) foi cunhado por Louis Davis,³³ na década de 1970, quando desenvolvia um projeto sobre desenho de cargos. Para ele, o conceito de QVT refere-se à preocupação com o bem-estar geral e a saúde dos trabalhadores no desempenho de suas tarefas. Atualmente, o conceito de QVT envolvem tanto os aspectos físicos e ambientais, como os aspectos psicológicos do local de trabalho. A QVT assimila duas posições antagônicas: de um lado, a reivindicação dos empregados quanto ao bem-estar e satisfação no trabalho; e, de outro, o interesse das organizações quanto aos seus efeitos potenciadores sobre a produtividade e a qualidade” (CHIAVENATO, 2004, p.448). 3.7 FONTES E INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS Utilizamo-nos neste trabalho, de informações públicas obtidas através de pesquisa de dados disponibilizados pela UCP/DETRAN-PA, no site do Departamento de Trânsito do Estado do Pará DETRAN-PA, através de pesquisas bibliográficas e de pesquisa in loco por meio de aplicação de questionário aos colaboradores das Empresas Monte Cristo e qual nos trouxe dados que puderam nortear nosso trabalho, evidenciando a problemática que é o acidente de trânsito que ocorrera no município de Belém no período de 2008 A 2011, onde Belém por ter uma malha viária formada por vias municipais, estaduais além de contar com rodovia federal. Logo, os acidentes neste município podem ocorrer nos três níveis de jurisdição: Municipal, Estadual e Federal. Os acidentes que aconteceram no município, os quais foram registrados em várias fontes de dados, como: a Companhia de Transporte do Município de Belém atual AMUB, a Policia Rodoviária Federal, o Hospital Metropolitano, o Centro de Perícia Científica Renato Chaves e as Delegacias de Polícia Civil, estas por meio de seu Boletim de Ocorrência Policial – BOP. São as fontes que fornecem maior quantidade de registros de acidentes de trânsito no município de Belém. As delegacias estão atualmente interligadas por um sistema de informática implantado pela Secretaria de Segurança Pública de nome Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP. Este Sistema reúne e armazena em bancos de dados todas as ocorrências 42 da unidade policial que esteja conectada ao sistema, permitindo realizar estudos em varias áreas, dentre elas, as relacionadas aos acidentes de trânsito. Considerando as diversas fontes citadas, a complexidade que envolve o levantamento de acidentes de trânsito, o risco de casos duplicados e a necessidade de uma amostra representativa dos sinistros de trânsito para este trabalho, selecionaram-se os acidentes de trânsito registrados nas delegacias de policia o Estado do Pará e município de Belém e armazenados no SISP. O Núcleo de Acompanhamento e Monitoramento Estatístico de Trânsito – NAMET, vinculado a Unidade Central de Planejamento - UCP/DETRAN-PA, coleta dados estatísticos para poder gerar os indicadores de trânsito sugeridos pelo Departamento Nacional de Trânsito – Denatran, para o Estado do Pará. Para reunir o maior número de registros no Estado do Pará, o Núcleo de Estatística realiza, atualmente, pesquisas periódicas nas fontes que seguem: Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP, Polícia Rodoviária Estadual PRE, Polícia Rodoviária Federal - PRF, Centro de Perícias Criminais Renato Chaves CPCRC, Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência - HMUE, Clipping e outros. Os dados referente à população foi pesquisado no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, e os dados de frota e infração através da Diretoria de Tecnologia da Informação – DTI/Detran-PA. Observa-se que os autores identificaram no próprio homem a causa principal dos acidentes de trânsito, inclusive quando há problemas mecânicos nos veículos que surgem por negligência do proprietário. “Acidente é qualquer acontecimento inesperado, casual, fortuito, por ação ou omissão, imperícia, imprudência, negligência, caso fortuito ou força maior, e foge ao curso normal, do qual advêm danos à pessoa e/ou ao patrimônio”. (Aragão, 2009, p.77). “Fatores humanos, é uma disciplina cientifica que estuda a capacidade e as características do comportamento humano na condução de veículos automotores frente às variadas solicitações do trânsito, fornecendo informações científicas”. (Aragão, 2009, p.19). “As pessoas devem ser visualizadas como parceiras das organizações”. Nesse sentido, ressalta-se que são imprescindíveis ações por parte dos gestores de segurança das organizações, no que tange às orientações relacionadas à como se deve agir prudentemente em diversas situações que envolva perigo na condução do veículo. (Chiavenato, 2004, p.8). 43 Segundo art. 1º § 2º da Lei 9.503/97, o trânsito em condições seguras é um direito de todos e dever dos órgãos e entidades componentes do Sistema nacional de Trânsito, a estes cabendo, no âmbito das respectivas competências, adotar as medidas destinadas a assegurar esse direito. O acidente de trânsito por ser um evento não premeditado de que resulte dano em veículo ou na sua carga e/ou lesões em pessoas e/ou animais, em que pelo menos uma das partes esteja em movimento nas vias terrestres ou áreas abertas ao público. Pode originarse, terminar ou envolver veículo parcialmente na via pública. “Acidente de tráfego é incidente involuntário do qual participam, pelo menos, um veículo em movimento; pedestres e obstáculos fixos, isolado ou conjuntamente, ocorrido numa via terrestre, resultando danos ao patrimônio, lesões físicas ou morte” (NBR 10697/1989 – ABNT). Ainda para o autor: Trânsito traduz-se em movimento ou imobilização de veículos, pessoas ou animais, segundo percursos geralmente preestabelecidos, considerando quanto ao conjunto, em outras palavras, seria a dinâmica da locomoção de cargas, animais e pessoas, pelas vias públicas, em quantidade ou grupo. “Segundo entendimento de vários autores, tráfego é o movimento e a imobilização de pedestres, veículos ou animais sobre vias terrestres, considerando-se cada unidade de per si, isto é, a dinâmica do deslocamento físico de pessoas, animais e veículos no seu aspecto individual” (ARAGÃO, 2009 p. 76). 44 3.8 CONCLUSÃO DA PESQUISA Tendo em vista as informações apresentadas, observamos o quanto é indispensável que estejamos engajados de forma a contribuir para que famílias não sejam desestruturadas, por conta de ausências permanentes ou por terem que suportar resultados desastrosos que são consequências de atitudes incorretas que muitas das vezes poderiam ser evitadas. Buscou-se com este projeto incutir na mentalidade de cada um, o quanto é importante à segurança no trabalho mais especificamente no trânsito, ao se conhecer as normas, a legislação, os fatores humanos que levam milhares de pessoas aos hospitais, ao estado vegetativo e a morte por desconhecer ou por desobedecer às leis de trânsito. Observar os acidentes de trânsito no município de Belém/PA, especificamente quanto ao envolvimento de veículos de transporte coletivo (ônibus) no período de janeiro de 2008 a dezembro de 2011, através de informações públicas coletadas junto à Unidade Central de Planejamento – UCP do DETRA-PA. Contribuir por meio deste trabalho com a mudança de paradigmas de condutores profissionais, através de palestras, dinâmica de grupo, recreação. Buscando fomentar uma conscientização e proporcionar a estes que têm em seu local de trabalho, fatores potencializadores de riscos. Pode-se dizer que há uma relação entre os acidentes de trânsito, envolvendo motoristas de coletivos, com os desajustes familiares. As principais causas seriam a falta de análise comportamental por parte dos responsáveis nas empresas, com vistas a uma reação positiva contra estes problemas; seria possível planejar ações direcionadas às causas a fim de mitigar os efeitos. Propor alternativas aos problemas identificados, por meio de palestras ou cursos que contarão com a participação de instituições parceiras envolvidas com a atividade. 45 Vários estudos realizados, nos quais descrevem o contexto de trabalho dos motoristas de ônibus relatam que o ato de dirigir é uma tarefa altamente estressante, principalmente para estes profissionais e são vários os fatores que podem afetar o seu desempenho, como por exemplo: carga horária de trabalho irregular, baixos salários, insegurança (expostos a assaltos), altos níveis de ruído tanto dentro quanto fora do veículo, altas temperaturas ambientais, necessidade de lidar com o público e passageiros, exigência da empresa, más condições das vias, pressão para cumprirem o horário, falha nos equipamentos, excesso de paradas durante as viagens. É importante salientar que todos esses fatores podem contribuir com o aumento de comportamentos inadequados no trânsito; o aparecimento de doenças ocupacionais como: estresse, fadiga, ansiedade, depressão; bem como doenças cardiovasculares. Tendo em vista o dinamismo da profissão de motoristas de ônibus, vale ressaltar que a simples descrição das atividades exercidas por estes profissionais não é suficiente para compreender o seu cotidiano, uma vez que a nossa capacidade de perceber o mundo individualmente proporciona uma representação pessoal da realidade, diferindo de pessoa para pessoa, pois depende dos “filtros afetivos” de cada um, a maneira como percebemos e agimos. Desta forma, considerando os fatores estressantes vivenciados pelos motoristas, emergidos de um estímulo seja ele interno ou externo, proveniente do mundo objetivo ou subjetivo, sua eventual natureza agressiva poderá ser mais traumática ou menos traumática, dependendo do significado que damos para nossas vivências, atribuindo-lhes ou não importância. Portanto, investigar as vivências dos motoristas no seu cotidiano possibilitará uma melhor compreensão dos fatores estressantes que afetam o relacionamento homemtrabalho, criando, assim, novas estratégias ou ações adaptativas que favoreçam o seu desempenho pessoal e profissional satisfatório para a população. Comparação com bases internacionais: Segundo as Estatísticas Consolidadas da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), o International Transport Forum, os Estados Unidos teve 37.261 mortes no trânsito 46 em 2008, em uma população de aproximadamente 304 milhões de pessoas. Esse número vem caindo progressivamente, assim como em todos os países desenvolvidos, que estão investindo maciçamente no que chamam de “roadsafety policies” – (políticas de segurança rodoviária). Em 2007, os EUA teve 41.259 mortes, e em 2006, 42.7085. O International Transport Forum é uma organização intergovernamental no âmbito da OCDE – Organisation for Economico-operationand Development, formada a partir da Conferência Européia dos Ministros dos Transportes, com 51 países membros. Seus membros incluem todos os países da OCDE, assim como muitos países da Europa Central, Oriental e Índia. O Brasil ainda não faz parte deste Fórum, embora já tenha sido convidado6. Já a European Comission Transport7, mostra que a União Européia teve 38.876 mil mortes no trânsito em 2008, com custos socioeconômicos por volta de 2% do seu PIB, o equivalente a 180 bilhões de euros. Em seus 27 países membros residia uma população de 498 milhões de pessoas em 2008. Segundo o European Road Safety Observatory, as mortes em acidentes de trânsito na União Européia reduziram cerca de 30% entre 1996 e 2006, o que demonstra grande empenho dos países da região na resolução do problema. O maior êxito foi alcançado por Portugal, com uma redução de 62% no período de 1997 a 2008. Para a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), O objetivo deste Fórum é promover uma compreensão mais profunda do papel essencial desempenhado pelo transporte na economia e na sociedade. Transportes, logística e mobilidade são considerados fatores chave para o crescimento e o desenvolvimento econômico, além de contribuir para a geração de empregos, bem-estar e coesão social. O envolvimento de mais de 50 Ministros dos Transportes garante ampla troca de informações e é importante para a elaboração de políticas em nível nacional e internacional. 47 3.9 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo possibilitou conhecer e compreender os fatores estressantes vivenciados pelos motoristas de ônibus urbano no seu cotidiano. Neste sentido, percebe-se que a profissão de motorista é uma atividade vista como bastante estressante, pois estes profissionais têm que lidar com várias situações no seu dia-a-dia, como por exemplo: condições adversas do clima; condições precárias das vias; más condições do veículo; alto nível de exigências por parte da empresa e usuários (passageiros); condições de trabalho que não atendem muitas vezes até às necessidades fisiológicas básicas dos motoristas, etc. É notório, nos dias atuais, que o trabalho ocupa um espaço muito importante na vida do homem, ou seja, quase todo mundo trabalha, e grande parte de nossa vida é passada dentro das organizações. Porém, a nossa relação com o trabalho parece algo ainda bastante conflitivo, sendo ele, muitas vezes, percebido como estressante. (Sato, 1991, p.71) sugere: “para que o trabalho seja sentido como menos desgastante, é necessário que existam contextos de trabalho que permitam ao motorista adotar mecanismos de ajuste”, ou seja, criar ações adaptativas que possibilitam aos motoristas resignificar seu cotidiano, amenizando o sofrimento, insatisfações e desconforto provindos da relação homem e trabalho. Porém, essas ações adaptativas devem levar em consideração aspectos importantes para a segurança no trabalho e para a qualidade do serviço prestado. Bem sabemos que a liberdade do motorista para modificar o trabalho é restrita, pois os limites existem e têm suas consequências; como por exemplo, se o motorista estiver atrasado no cumprimento do horário, não seria viável desrespeitar as leis do trânsito, pois isto implicaria em possíveis acidentes. Desta forma, a ideia de ações adaptativas deve estar voltada para o princípio da liberdade e responsabilidade. No entanto, modificar o contexto de trabalho requer repensar o trabalho na sua totalidade, fazendo-se necessário considerar a dimensão objetiva e subjetiva, a saúde física e psíquica, tendo-se por referência a busca do equilíbrio e da integridade pessoal. 48 REFERÊNCIAS ARAGÃO, Ranvier Feitosa. Acidente de trânsito: análise da prova pericial – 4ª ed. – Campinas, SP: Millennium Editora, 2009. (tratado de perícias criminalísticas). CHIAVENATO, Idalberto, Gestão de Pessoas: e o novo papel dos Recursos Humanos nas Organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 7ª reimpressão, 2004. European Road Safety Observatory.Traffic Safety Basic Facts 2008. HOFFMANN, Maria Helena, Cruz, Roberto Moraes, Alchier, João Carlos - 3ª ed. – São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011. Comportamento Humano no Trânsito. http://www.internationaltransportforum.org. http://ec.europa.eu/transport/index_en.htm. http://galerias.orm.com.br/galeria. http://g1.globo.com/pa/para/noticia. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. SPECTOR, Paul E. Psicologia nas organizações; tradução de Cid Knipel Moreira, Célio Knipel Moreira, revisão Natacha Bertoia da Silva. – 2ª. ed. – São Paulo: Saraiva, 2006 Tradução de: Industrial and organization psychology: rese-arch and practice (4th ed); MTE – Ministério do Trabalho e Emprego. NEGRINI NETO, Oswaldo. Dinâmica dos acidentes de trânsito / Oswaldo Negrini Neto e Rodrigo Kleinübing. – Campinas, SP: Millennium Editora, 2009. (tratado de perícias criminalísticas). NEVES. J. L. Pesquisa Qualitativa - características, usos e possibilidades. Caderno de pesquisas em administração, São Paulo, 1996. NETTO. Alvim Antônio de Oliveira. Metodologia da Pesquisa Científica Guia Prático para apresentação de Trabalhos Acadêmicos. 3. Ed. Ver. E atual – Florianópolis: Visual Books, 2008. LAKATOS, Eva Maria. MARCONI, Maria de Andrade. Fundamentos de metodologia científica – 6. Ed. – 5. reimpressão – São Paulo : Atlas 2007. www.detran.pa.gov.br – Departamento de Trânsito do Estado de Pará. UCP/Detran/PA – Unidade Central de Planejamento. 49 FACULDADES INTEGRADAS IPIRANGA GRADUAÇÃO TECNOLÓGICA EM GESTÃO DA SEGURANÇA PRIVADA APÊNDICE A: QUESTIONÁRIO 01- DADOS PESSOAIS E SOCIOECONÔMICOS Estado civil: Casado(a) ( ) Solteiro(a) ( ) Viúvo(a) ( ) Divorciado (a)( ); Escolaridade: Alfabetizado ( ),Fundamental completo( ) Fundamental incompleto( ), Médio Completo( ) Médio Incompleto( ), Superior Completo( Renda familiar: até 2 Salários Mínimos ( mínimos ( ) Superior Incompleto( ), até 3 salários mínimos ( ); ) acima de 4 salários ); Número de filhos ______; Idade: ____anos; Casa própria:Sim( ) Não( ); 02 - Quantos anos trabalha na função_____; 03 - Recebeu treinamento para trabalhar com o público: sim ( 04 - Já teve problemas com passageiros: sim ( ) não ( ) não ( ); ); 05 - Ser condutor de ônibus é estressante: sim ( ) não ( ); 06 - Se envolveu em acidentes de trânsito: sim ( ) não ( ); 07 - As vias públicas favorecem os acidentes de trânsito: sim ( ) não ( ); 08 - O tempo do percurso gera estresse: sim ( ) não ( 09 - Existe ponto de apoio durante o itinerário sim ( 10 - É necessária a educação para o trânsito: sim ( ); ) não ( ) não ( ); ); 11 - A posição do assento no ônibus é confortável ao condutor: sim ( 12 - O barulho do motor incomoda durante o trabalho: sim ( 13 - A fiscalização de trânsito evita os acidentes: sim ( ) não ( ) não ( ). ) não ( ); ); 50 ANEXOS Acidente com vítima envolvendo ônibus de transporte coletivo e motocicleta na Avenida Pedro Miranda.(Foto: SELATRAN). 51 Acidente com vítima envolvendo ônibus de transporte coletivo e motocicleta na Avenida Pedro Miranda.(Foto: SELATRAN) Acidente envolvendo ônibus e automóvel particular - Foto Organizações Rômulo Maiorana. 52 Acidente envolvendo ônibus e automóvel oficial - Foto Organizações Rômulo Maiorana. http://noticias.orm.com.br/noticia.asp?id=649156&|acidente+deixa+um+morto+no+bairro+de+nazaré 53 Veículo de transporte coletivo envolvido em acidente de trânsito sem vítima - objeto fixo. (Foto: Diário do Pará). 54 Foto do trânsito no horário de pico, onde os ônibus misturam-se com os demais veículos em Belém/PA. Foto do ônibus que será utilizado com a implantação do BRT em Belém/PA.