XIII JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2013 – UFRPE: Recife, 09 a 13 de dezembro.
ELABORAÇÃO DE UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA SOBRE
LIGAÇÕES QUÍMICAS COMO PROJETO DE INTERVENÇÃO NA
ESCOLA A PARTIR DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO
Luiz Alberto Barros Freitas1, Amanda Maria Vieira Mendes2, Verônica Tavares Santos Batinga3, Suely Alves da
Silva4.
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Introdução
O Estágio Supervisionado possibilita ao aluno de licenciatura uma melhora na qualidade de formação, no qual
valoriza a escola pública como espaço social de experiências para a construção do conhecimento, além de possibilitar o
desenvolvimento de metodologias de ensino, recursos e materiais didáticos de caráter inovador (Garcez et al, 2012). É
um importante espaço no qual a identidade profissional do professor constitui-se, conferindo-lhe a dimensão de
sujeito, e por isso mesmo, autor de sua prática social, como produto da reflexão contextualizada na ação, sobre a ação e
sobre o próprio conhecimento na ação, num processo de ressignificação constante (Nóvoa, 1995; Shön, 1995). Para
que possamos atuar dentro destas propostas e dimensões, fez-se necessário a elaboração de um projeto de intervenção a
fim de contribuir com os anseios da unidade escolar. O projeto de intervenção foi desenvolvido na Escola de
Referência em Ensino Médio Professor Cândido Duarte, do município de Recife – PE, com o objetivo de suprir as
necessidades da escola encontradas no diagnóstico escolar, como uma maior utilização do laboratório da escola.
O Ensino por investigação é uma importante estratégia de ensino em que os alunos interagem e levantam
hipóteses. Nesta perspectiva a aprendizagem não se restringe a conceitos, mas torna-se uma oportunidade de
compreender a ciência a partir dos fenômenos do cotidiano. A inserção de problemas auxilia a articulação entre teoria
e prática, além de ser um ponto inicial para os questionamentos do professor (Azevedo, 2004). Para uma boa
articulação entre a teoria e prática, o desenvolvimento de sequências didáticas é uma boa alternativa. Leach et al
(2005) consideram que propostas de sequências curtas de ensino de ciências surgem como uma tentativa de aproximar
o contexto da pesquisa da prática de sala de aula.
Assim o presente trabalho propõe uma sequência didática (SD) que considera a perspectiva epistemológica
construtivista, sendo baseada na abordagem de ensino por investigação com a experimentação. A SD é voltada para
alunos do ensino médio de escolas que disponham ou não de um laboratório de química, fazendo uso de materiais
alternativos de baixo custo.
Material e métodos
A pesquisa teve início com a realização de uma diagnose da escola com o objetivo de conhecer a estrutura e o
funcionamento do todo da Instituição bem como verificar as suas principais necessidades e anseios. Essa diagnose foi
realizada por meio de observações nas salas de aula, observações durante os intervalos, por meio de diálogos informais
sobre o funcionamento, relações interpessoais, aspectos pedagógicos e assuntos diversos, análise do Projeto Político
Pedagógico disponibilizado pela escola e um questionário que foi respondido pela coordenadora pedagógica da escola.
A partir da diagnose e vivência na escola, foi observado que o laboratório de química estava em desuso. Com isso
a professora demonstrou interesse em desenvolver atividades experimentais a fim de articular teoria e prática e utilizar
o laboratório de ciências. Assim, foi construída uma sequência didática que considera a perspectiva epistemológica
construtivista, baseada na abordagem de ensino por investigação, para o conteúdo de Ligações Químicas, solicitado
pela professora. Uma pesquisa bibliográfica sobre a perspectiva construtivista e do ensino por investigação foi
realizado a fim de articular os conceitos com situações práticas do cotidiano.
Resultados e Discussão
A sequência didática foi construída para uma turma da 1ª série do ensino médio, sendo utilizado um total de
quatro aulas de 50 minutos cada, perfazendo um total de 200 min, sobre o conteúdo de Ligações Químicas,
principalmente: ligações iônicas, ligações covalentes, propriedades das substâncias e ligação metálica.
1
Primeiro Autor é aluno do Curso de Licenciatura Plena em Química, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Rua Dom Manoel de Medeiros,
s/n°. Dois Irmãos, Recife - PE. CEP: 52.171-900. E-mail: [email protected]
2
Segunda Autora é aluna do Curso de Licenciatura Plena em Química, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Rua Dom Manoel de Medeiros,
s/n°. Dois Irmãos, Recife - PE. CEP: 52.171-900.
3
Terceira Autora é Professora do Departamento de Química, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Rua Dom Manoel de Medeiros, s/nº. Dois
Irmãos, Recife – PE. CEP: 52.171-900.
4
Quarta Autora é Professora Associada II do Departamento de Educação, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Rua Dom Manoel de Medeiros,
s/nº. Dois Irmãos, Recife – PE. CEP: 52.171-900.
XIII JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2013 – UFRPE: Recife, 09 a 13 de dezembro.
Na aula 1, o tema é iniciado com uma sondagem dos conhecimentos prévios dos alunos, a fim de verificar as
ideias que os estudantes têm sobre o tema, cujo objetivo de aprendizagem é compreender o conceito de ligação química
e associar conhecimentos do cotidiano com conhecimentos científicos. Na segunda atividade, uma hipermídia será
apresentada a fim de caracterizar a ligação química como resultado de processos energéticos.
Na segunda aula, serão introduzidas as ligações iônica e covalente, mostrando suas diferenças e propriedades.
Para compreender o conceito a partir de uma aplicação no cotidiano, o problema será apresentado e solicitado uma
possível resposta. Problema: A eletricidade é resultante do fluxo de cargas elétricas que estão presentes em todos os
materiais, cujas propriedades podem ser explicadas pela forma como constroem suas ligações. Junior, tentando
desvendar as propriedades do sal e do açúcar, decidiu dissolvê-las na água e testar a condução elétrica com o auxílio
de fios de caixa de som e uma pequena luz de LED. Junior encontrou diferenças, mas não soube explicar tais
fenômenos. Repita o experimento feito por Junior e o ajude a explicar a propriedade da condução elétrica no sal e no
açúcar.
Nas aulas 3 e 4, os alunos no laboratório de ciências farão o experimento apresentado no problema. Nessa aula, o
professor fará questionamentos, como: Quais os tipos de ligações químicas nos exemplos observados? Qual a relação
dessas ligações com a propriedade de condução elétrica? Como você caracteriza ligações iônicas, covalentes e
metálicas, segundo a condução elétrica? Esses questionamentos guiarão os alunos na resolução do problema.
O conceito de ligação química trabalhado com as atividades práticas propostas visa a superar as dificuldades
encontradas pelos alunos. Assim eles poderão relacionar com uma propriedade dos materiais (a condutividade elétrica)
e diferenciar os tipos de ligação.
Com o projeto de intervenção desenvolvido no estágio supervisionado, acreditamos está colaborando com o
aprendizado dos alunos, da mesma forma de ser uma oportunidade ao licenciando de aprimorar os conhecimentos e
habilidades, além de vivenciar a realidade de sua profissão. As atividades desenvolvidas durante o período de estagio
proporcionam aos estagiários a participação em situações reais de vida e trabalho, articuladas a área de química. Essas
atividades contribuem para o desenvolvimento da ética profissional e a sua prática deve contribuir para todas as
atividades relacionadas ao estágio.
Referências
Azevedo, M. C. P. Ensino por Investigação: Problematizando as atividades em sala de Aula. In: CARVALHO, A. M.
P. (Org.) Ensino de Ciências: Unindo a Pesquisa e a Prática. Editora Thomson, 2004, Cap. 2
Garcez, E. S. C; Gonçalves, F. C.; Alves, L. K. T.; Soares, M. H. F. B. O Estágio Supervisionado em Química:
possibilidades de vivência e responsabilidade com o exercício da docência. Revista de Educação em Ciência e
Tecnologia, v.5, n.3, p.149-163, novembro 2012. <http://alexandria.ppgect.ufsc.br/files/2012/11/Edna.pdf>
Leach, J.; Ametller, J.; Hind, A.; Lewis, J.; Scott, P. Desining and evaluating short science teaching sequences:
improving student learning. In: Research and Quality of Science Education (Eds. Kerst Boersma, Martin Goedhart,
Onno de Jong e Harrie Eijelhof) Holanda: Spring, 2005.
Nóvoa, A. (org.). As organizações Escolares em Análise. 2 ed. Lisboa, Portugal: Publicações Dom Quixote Ltda, 1995.
Schön, D. A. Formar professores como profissionais reflexivos in: Nóvoa, A. (Org) Os professores e a sua formação. 2
ed. Lisboa, Portugal: Publicações Dom Quixote Ltda, 1995.
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