Padre Geral
escreve aos
jesuítas sobre
José de Anchieta
pág.
JESUÍTAS BRASIL
17
Papa Francisco
celebrará missa
pela canonização
de Anchieta
pág.
Em
EDIÇÃO 3 | ANO1 | ABRIL 2014 | JESUITASBRASIL.COM
7
INFORMATIVO DOS JESUÍTAS DO BRASIL
O Apóstolo do Brasil:
Testemunho de uma
vida doada
A Igreja reconhece o valor evangélico
da vida e missão de José de Anchieta
ESPECIAL • 8
Projeto social
na Amazônia
inaugura
mais oficinas
pág.
21
Obras
participam de
treinamento
em São Paulo
pág. 25
Jesuíta brasileiro
defende tese de
doutorado na
Áustria
pág.
29
Projeto para jovens
é apresentado ao
Arcebispo de
Teresina
pág.
33
Planejamento
Apostólico
reúne jesuítas
pelo país
pág.
36
4
EDITORIAL
VIDA E MISSÃO, SEMPRE EM COMPANHIA
Pe. Adelson Araújo
dos Santos, sj
Pe. Carlos
Palácio, sj
Pe. Mieczyslaw
Smyda, sj
Pe. Miguel de Oliveira
Martins Filho, sj
Pe. Vicente Palotti
Zorzo, sj
Superior da Região
Brasil Amazônia
Provincial do
Brasil
Provincial do Brasil
Centro-Leste
Provincial do Brasil
Nordeste
Provincial do Brasil
Meridional
O presente número do INFORMATIVO aparece já com o tímativo, o faremos ‘em companhia’, certamente, mas restulo que terá de agora em diante: EM COMPANHIA. Informatisaltando outro aspecto importante da nossa missão: a
vo dos Jesuítas do Brasil, e com o desenho gráfico definitivo. A
itinerância. Essa seção lembrar-nos-á sempre o que não
apresentação é ágil e moderna, e o layout de inegável qualidapodemos esquecer: somos “peregrinos na missão”.
de técnica. Temos confiança de que todos hão de se reconheÉ uma feliz coincidência que este número do Informacer na cara deste novo “Informativo dos Jesuítas do Brasil”.
tivo venha à luz no momento em que a Igreja reconhece,
EM COMPANHIA foi escolhido como título por ter sido
oficial e publicamente, o valor evangélico da vida de José
o mais indicado entre os quatro finalmente retidos no prode Anchieta. É o que importa, de fato, na canonização. Não
cesso de seleção. A escolha não era
é isso que buscamos com a “revitafácil; todos eram títulos com potencial
lização do nosso corpo apostólico”?
para obter nossa adesão. Só o número
Por isso, queremos que a figura
de indicações podia nos fazer sair desdesse jesuíta ilumine nossa missão
sa indefinição. PEREGRINOS EM MISneste momento de transição para a
SÃO, que ficou em segundo lugar, será
Província do Brasil: que nos revele
o nome de uma seção fixa, na qual irão
o segredo da sua intensa vitalidade
aparecendo partilhas da missão realizaapostólica, que nos alcance, como
da por nossos irmãos. As histórias serão
corpo, a graça da verdadeira itine(CG 35, no D. 2, n. 3.)
compartilhadas nas próximas edições.
rância e da mobilidade apostólica e
O título escolhido é carregado de
que nos ensine a organizar a missão
sentido e põe em evidência uma característica que define
de modo articulado, integrando as diversas presenças
nossa identidade e é essencial para a missão. “Encontraapostólicas e as diferentes dimensões em uma missão
mos a nossa identidade, não sozinhos, mas em companhia”,
diversificada, complexa, mas única e comum: a missão
diz a CG 35, no D. 2, n. 3. Em companhia com o Senhor que
do “corpo apostólico”.
chama e em companhia com outros que compartilham esse
As comemorações deveriam ser, ao mesmo tempo,
chamamento. Por isso, a nossa missão tem que ser “em
uma ocasião para reavivar o espírito e uma ajuda para dicompanhia”. Eis por que Em Companhia não é só título do
namizar a missão. Estamos tomando algumas iniciativas,
Informativo, é uma maneira de ser (identidade) e de realiem nível do Brasil, que serão comunicadas à medida que
zar a missão: nunca sozinhos, mas com outros, i.é., com
forem amadurecendo. Tudo “em companhia” e como “peCristo, com outros jesuítas, em colaboração com outros.
regrinos na missão”.
Ao partilhar com os outros a nossa missão no InforBoa leitura!
“Encontramos a
nossa identidade,
não sozinhos, mas
em companhia”
5
I N F O R M AT I V O D O S J E S U Í TA S D O B R A S I L
UMA MISSÃO, UM INFORMATIVO
Após algumas etapas, o nome do
novo Informativo da Companhia de Jesus
no Brasil foi escolhido. A votação – que
durou, aproximadamente, duas semanas
– teve grande participação das pessoas
e Em Companhia foi o selecionado. Com
o nome decidido, era a hora de colocar a
mão na massa. Pensar em um logotipo
que representasse a força do nome, não
foi tarefa fácil! Mas, em colaboração, as
ideias foram ganhando forma e os designers, Dimas Oliveira e Victor Pisani, do
Núcleo de Comunicação Integrada (NCI),
pensaram em diferentes representações.
Com a colaboração dos padres
Francys Silvestrini e Carlos Palácio e da
equipe do NCI, a identidade visual foi escolhida. A partir de agora, o visual do informativo ganha mais dinamismo, através das fontes sem serifas, o que facilita
a leitura. Dessa forma, aliando conteúdo
e layout, é possível trazer mais notícias
de forma leve e clara. Nesta edição, você
confere o resultado.
2
1
Em
A VOTAÇÃO
59,9%
EM COMPANHIA
21,1%
PEREGRINOS EM
MISSÃO
10,5%
+ MISSÃO
8,5%
PEREGRINOS NAS
FRONTEIRAS
AGRADECEMOS SUA PARTICIPAÇÃO NESTE PROCESSO, seja na sugestão de nome ou na votação. Sua
colaboração ajudou na produção
deste informativo, que traz cada vez
INFORMATIVO DOS JESUÍTAS DO BRASIL
mais o sentimento de união. E, para
saber a inspiração para o nome Em
1
A cruz
Representa a centralidade de Cristo na
vida e missão dos jesuítas e colaboradores.
2
A trama
Representa a missão de reconciliação que brota da Cruz de Cristo, que inspira o trabalho
em rede realizado pelo Corpo Apostólico da
Companhia de Jesus, na Igreja.
Companhia, entrevistamos o escolástico Gilmar Pereira da Silva, autor
da sugestão. Confira a entrevista na
próxima página.
EXPEDIENTE
EM COMPANHIA é uma publicação
mensal dos Jesuítas do Brasil,
produzida pelo Núcleo de Comunicação Integrada (NCI)
Contato NCI
[email protected]
www.jesuitasbrasil.com
Pe. Francys Silvestrini Adão, sj
Diretor editorial
Juliana Dias
Redação
Pe. Geraldo Lacerdine, sj
Diretor do NCI
Dimas Oliveira e Victor Pisani
Diagramação e edição de imagens
Silvia Lenzi (MTB: 16.021)
Editor e jornalista responsável
Fotos:
Arquivo
Colaboradores da 3ª Edição: Pe. Bruno Schizzerotto (BAM), Pe. Carlos James dos Santos (BRC), Pe. Creômenes Tenório Maciel (BNE)
e Pe. Matias Martinho Lenz (BRM). Ir. Afonso Wobeto, Assessoria de Comunicação da CAJU, Belisa Lemes da Veiga, Pe. César Alves,
Érika Augusto, Francilma Grana, Esc. Jerfferson Amorim de Souza, Esc. Jordano Hernández, Pe. José Acrizio Vale Sales, Ne. Luís Duarte
Vieira, Pe. Miron Alexius Stoffels, Pe. Rafael Lería Ortega, Valéria Machado, Vanalda Araújo, Vanessa Quintieri e Ana Ziccardi (revisão).
Tradução: Pe. José Luis Fuentes Rodriguez (Carta da CPAL) e Esc. André Luís de Araújo (notícias da Cúria Geral)
6
ENTREVISTA
Como nasceu a inspiração
para o nome Em Companhia? Qual o significado
para você?
O ESCOLÁSTICO GILMAR PEREIRA DA SILVA, 30 ANOS, ENTROU PARA A COMPANHIA DE
JESUS EM 2009. ATUALMENTE,
ESTÁ NO 1º ANO DE TEOLOGIA
NA FAJE (FACULDADE JESUÍTA
DE FILOSOFIA E TEOLOGIA). EM
ENTREVISTA, O JESUÍTA FALOU
SOBRE SUA INSPIRAÇÃO PARA
A SUGESTÃO DO NOME EM
COMPANHIA.
Logo que li a proposta de
pensar um nome para o informativo, vieram-me algumas
memórias. Lembrei que havia
um informativo dos Jesuítas
dos EUA com o nome Company. Lembrei do layout, da
família tipográfica adotada
etc. Parecia que algo similar
funcionaria bem. Contudo,
uma simples tradução poderia transmitir algo empresarial demais. Não somos uma
“Cia.”de Jesus no sentido da
administração, mas somos
companheiros de Jesus, amigos no Senhor. Daí o “Em”,
que completa o sentido de
Companhia e reforça o sentido de relação profunda.
Estar em companhia
de alguém é partilhar
da presença do outro e
estar disponível a ele
Estar em companhia de alguém é partilhar da presença
do outro e estar disponível a
ele. Acho que esse é o sentido do informativo. Mais que
transmitir o estado de nossa
missão, ele pretende minimizar distâncias e nos colocar
próximos daquilo que nosso
irmão vive em sua missão
(que também é minha).
Que mensagem você acha
que o nome Em Companhia
transmite para as pessoas?
O nome transmite simplicidade e familiaridade. Essa
última tem o sentido de
“já conhecido”, porque já
somos familiarizados com
tudo que o termo companhia implica; como também
o sentido de fraternidade,
uma vez que esse nome expressa relação.
Na sua opinião, por que
as pessoas escolheram
esse nome?
Por mais que a gente faça
elucubrações
sobre
um
nome, ele só é escolhido se
soa bem. Tem que ter um
valor estético. Nomes grandes não funcionam. Folha
de S. Paulo virou “Folha”;
Carta Capital virou “Carta”;
Piauí Herold, “Piauí”. Mesmo
o L’Osservatore já perdeu o
“Romano”, e a Civiltà é comentada no boca-a-boca sem
o “Cattolica”. Imagine alguém
perguntando se o informativo
já foi publicado. Vão perguntar: “O ‘Em Companhia’ já
saiu?”. É mais simples.
Para você, qual a importância de um informativo nacional para a missão da Companhia de Jesus no Brasil?
Temos uma missão vasta e, com frequência, não
sabemos o que o corpo da
Companhia está realizando.
Estou impressionado com
a preocupação da ETE em
aplicar o conhecimento na
qualidade de vida das pessoas. Alegro-me em ver o
vigor expresso nas fotos
enviadas pelo Centro Magis,
em Belém. Dificilmente, eu
entraria no site de uma obra
ou outra. Como o informativo tem a função de concentrar informação, o que hoje
é chamado de “hub”, acabo
por tomar conhecimento
e me unir afetivamente ao
que estão realizando. Saber
que um projeto do Medianeira dá certo permite que
outro colégio o tome como
modelo. Não é preciso reinventar a roda.
Outro fator de importância
é a inserção na era da comunicação. Há muito envio
de dados e pouca comunicação. Creio que seja um
passo para a Companhia
pensar seu modo de dialogar com o mundo. Não é
bobagem ter uma unidade
visual, qualidade no site,
compor uma boa campanha. Isso implica nossa autocompreensão e expressão. Eu teria muito para
falar sobre esse tema, mas
não cabe aqui, se não fica
chato demais. Eu me deslumbro com o pensamento
de Flusser, McLuhan, Habermas e outros e fico no
desejo de que a Companhia
esteja na vanguarda da Comunicação. Está aí uma
nova fronteira para o jesuíta. Fronteira mais difícil
porque não é geográfica e
carece de domínios multidisciplinares. Mas vamos
começar do básico - que já
é difícil, dado o tamanho da
Companhia no Brasil.
7
I N F O R M AT I V O D O S J E S U Í TA S D O B R A S I L
o ministério de unidade na
IGREJA
SANTA SÉ
CANONIZAÇÃO
DOS BEATOS
JOÃO XXIII E
JOÃO PAULO II
Em 27 de abril, os beatos João XXIII
e João Paulo II serão canonizados pelo
papa Francisco. Trata-se do segundo
domingo do tempo pascal, Domingo da
Divina Misericórdia, celebração instituída por João Paulo II e na véspera da
qual ele faleceu, em 2005. A expectativa é que a canonização atraia milhares
de pessoas, principalmente da Itália e
Polônia, até a praça de São Pedro.
João Paulo II foi proclamado beato
por Bento XVI a 1º de maio de 2011, na
Praça de São Pedro. A Igreja celebra
sua memória litúrgica em 22 de outubro, data do início de pontificado de
Karol Wojtyla, em 1978, pouco depois
de ter sido eleito papa.
João XXIII foi declarado beato pelo
papa João Paulo II, a 3 de setembro de
2000. A sua celebração litúrgica é no
dia 11 de outubro, data da abertura do
Concílio Vaticano II, por ele convocado.
O último Consistório público ordinário
tinha tido lugar a 11 de fevereiro passado. Foi nessa ocasião que Bento XVI
anunciou a sua renúncia ao pontificado.
Fonte: news.va
Papa Francisco celebrará missa
pela canonização de Anchieta
O papa Francisco celebrará uma
missa pela canonização de São José
Anchieta, no dia 24 de abril, na Igreja
de Santo Inácio, centro de Roma. O
pontífice assinou o decreto de canonização no dia 3 de abril. Jesuítas do
Brasil e de outros países participarão da cerimônia.
No dia 4 de maio, durante a 52ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, acontecerá
uma missa de ação de graças pela canonização do apóstolo do Brasil. A celebração
será às 8 horas da manhã, no Santuário Nacional de Aparecida (SP), com transmissão,
ao vivo, por emissoras de televisão e rádio.
Fonte: news.va
Jovens brasileiros entregam
símbolos da JMJ à Polônia
Na conclusão da Santa Missa do
Domingo de Ramos, em 13 de abril,
e da Jornada Mundial da Juventude, em âmbito diocesano, o papa
Francisco dirigiu uma saudação especial aos 250 delegados – bispos,
sacerdotes, religiosos e leigos – que
participaram do encontro sobre as
Jornadas Mundiais da Juventude,
organizado pelo Pontifício Conselho
para os Leigos. O pontífice destacou
que tem início, assim, o caminho de
preparação do próximo encontro
mundial, que se realizará em julho
de 2016, em Cracóvia, Polônia, e
que terá como tema ’Bem-aventurados os misericordiosos, porque
encontrarão misericórdia, (Mt 5,7).
O papa, então, recordou que os
jovens brasileiros estavam entregando aos jovens poloneses a Cruz
das Jornadas Mundiais da Juventude. “A entrega da cruz aos jovens
foi feita trinta anos atrás pelo beato
João Paulo II: ele pediu aos jovens
que a levassem por todo o mundo como
sinal do amor de Cristo pela humanidade. No próximo dia 27 de abril, teremos
a alegria de celebrar a canonização
desse papa, junto com João XXIII”.
Francisco disse ainda que João
Paulo II foi o iniciador das Jornadas
Mundiais da Juventude e se tornará
o seu grande patrono; na comunhão
dos santos, continuará a ser, para os
jovens do mundo, um pai e um amigo.
Peçamos ao Senhor, - continuou – que
a Cruz, junto com o Ícone de Nossa Senhora, Salus Populi Romani, seja sinal
de esperança para todos, revelando ao
mundo o amor invencível de Cristo.
Em seguida, realizou-se a passagem
dos símbolos da JMJ das mãos dos jovens
brasileiros às mãos dos jovens poloneses.
O papa saudou todos os presentes, em
particular as delegações do Rio de Janeiro e de Cracóvia, guiadas pelos seus Arcebispos, os cardeais Orani João Tempesta e
Stanilsaw Dziwisz,respectivamente.
Fonte: news.va
8
ESPECIAL
São José de Anchieta,
EXEMPLO DE VIDA E MISSÃO
ANCHIETA E TIBIRIÇÁ, PINTURA DE CLÁUDIO PASTRO
As contribuições de padre José
de Anchieta estão registradas em diversos pontos do Brasil. Uma história
de grandes desafios, escrita em pleno
século XVI e em uma terra inóspita,
de dimensões continentais. Mas nem
mesmos as dificuldades enfrentadas
no Novo Mundo – como os longos deslocamentos na mata, a falta de conforto e a escassez de alimentos – foram
obstáculos para barrar a missão do jesuíta de aparência frágil. Movido pela
caridade, humildade e fé inabalável em
Deus, o Apóstolo do Brasil dedicou-se
à evangelização e à educação de índios
e colonos, ações fundamentais para a
formação do nosso país.
“Como Provincial da Companhia
de Jesus no Brasil, entre 1577 e 1585,
Anchieta visitava constantemente as
missões espalhadas pelo nosso território. Com isso, ajudou a criar uma
consciência de unidade nacional”,
afirma dom Odilo Scherer, arcebispo
de São Paulo. Diante disso, o exemplo de Anchieta ganha dimensão ainda
mais importante para o momento que
a Companhia de Jesus vive no país.
Nos últimos cinco anos, a Ordem vem
se preparando, de modo mais imediato, para se organizar em uma única
província a partir de janeiro de 2015.
Essa nova configuração visa a maior
articulação e mobilidade na missão da
Companhia, respeitando e valorizando
as singularidades regionais, mas favorecendo, justamente, que essas singularidades estejam a serviço de todos.
DIÁLOGO E RESPEITO
MÚTUO
O respeito e a valorização das singularidades e diversidades sempre se
fizeram presentes na missão de Anchieta, que nasceu em São Cristóvão de
Laguna, nas Ilhas Canárias, arquipélago pertencente à Espanha. Ainda noviço, aos 19 anos, ele deixou Coimbra,
em Portugal, rumo ao Novo Mundo. Em
13 de julho de 1553, desembarcou em
Salvador, na Bahia, com a comitiva do
segundo governador-geral, Duarte da
Costa, e outros seis jesuítas. Menos de
um ano depois, já dominava o tupi, idioma indígena. Produziu relatos importantes sobre os povos, a fauna e a flora
aqui encontrados, e foi responsável por
9
I N F O R M AT I V O D O S J E S U Í TA S D O B R A S I L
ESPECIAL
trazer ao país a poesia, o teatro e a literatura. “Seu coração de missionário jesuíta
colocou tudo isso a serviço
da evangelização”, ressalta
Pe. César Augusto dos Santos, vice-postulador da canonização de Anchieta, em
entrevista à TV Cultura. “Ele
foi também um grande defensor dos indígenas contra
os abusos cometidos pelos
colonizadores portugueses.”
Nos 43 anos em que viveu
no Brasil, Anchieta esteve à
frente da catequização dos
índios que se espalhavam ao
longo do litoral sul do Estado de São Paulo até o Ceará.
Para tanto, ajudou a fundar
cidades e escolas pelo país,
possibilitando que indígenas
e colonos tivessem acesso
à educação. Participou, por
exemplo, da fundação do
Colégio de São Paulo de Piratininga, o primeiro aberto
pela Companhia de Jesus na
América. O local, que hoje
abriga o Pateo do Collegio,
deu origem à cidade de São
Paulo, uma das maiores metrópoles do mundo.
O Apóstolo do Brasil é
reconhecido por ter cumprido sua missão por meio do
diálogo e do respeito mútuo.
Um episódio que exemplifica bem esse cuidado do religioso é a sua participação
na negociação de paz entre
portugueses e tamoios. Em
1563, Anchieta e Pe. Manuel
da Nóbrega, superior da primeira missão jesuíta no país,
viajaram para a aldeia de
Iperoig (atual Ubatuba, no litoral norte de São Paulo) com
CABANA
“Aqui se fez uma casinha pequena de palha com uma esteira de canas por portas,
em que moraram por algum tempo, bem apertados os irmãos, mas este aperto era ajuda
contra o frio, que naquela terra é grande com muitas geadas.
As camas eram redes, que os índios costuram os cobertores o fogo, para o qual os irmãos comumente, acabada a lição da tarde, iam por lenha ao mato e a traziam às costas,
para passarem a noite. O vestido era pouco e pobre, sem calça nem sapato e o ordinário de
pano de algodão. Para mesa usaram algum tempo de folhas largas de árvores, em lugar de
guardanapos. Mas bem se escusavam toalhas onde faltava o que comer, o qual não tinham
donde lhes viesse, senão dos índios, que lhes davam alguma esmola de farinha e algumas
vezes alguns peixinhos do rio, e mais raramente alguma caça do mato.
E assim muito tempo passaram grande fome e frio. E contudo prosseguiam seu estudo, com muito fervor, lendo às vezes a lição , fora ao frio, com o qual se haviam melhor
que com o fumo dentro de casa. A primeira missa se celebrou dia da conversão de São
Paulo, em um altarzinho que para isso se aparelhou, porque não havia ainda igreja. E,
por esta causa se dedicou aquela casa a São Paulo e tem seu nome.”
Carta sobre a Fundação do Collegio de São Paulo in História da Companhia de Jesus
no Brasil, que está inserida no livro Textos históricos de Pe. Jose de Anchieta. Organização de Pe. Helio Abranches Viotti, SJ.1989.
PINTURA DA CABANA DE FUNDAÇÃO DO COLÉGIO DE SÃO PAULO, 1554
o objetivo de conter a revolta
dos índios contra a colonização portuguesa. Como prova
sincera da proposta de paz,
Anchieta entregou-se como
refém dos indígenas, ficando
cinco meses preso. Era prática entre os índios oferecer
mulheres aos prisioneiros.
Nesse período, o jesuíta escreveu nas areias da praia
o Poema à Virgem Maria,
em promessa a Nossa Senhora para que conseguisse
manter-se fiel ao seu voto de
castidade durante o cativeiro.
A negociação de paz entre índios também ilustra a
disposição de Anchieta de
estar onde se fizesse necessário, não importando as
condições e as distâncias a
serem percorridas. A vocação “universal” foi semeada
10
ESPECIAL
por Inácio de Loyola e seus
primeiros
companheiros,
desde os primeiros momentos de existência da Companhia de Jesus, fundada no
século XVI, e presente até
os dias de hoje. Em outras
palavras, a Ordem religiosa
sente-se chamada a permanecer disponível para
qualquer missão, em qualquer lugar do mundo, em
comunhão com as necessidades da Igreja.
DOCUMENTAÇÃO SOBRE ANCHIETA
Nas 488 páginas do documento enviado ao Vaticano,
solicitando a canonização de Pe. Anchieta, estão registrados:
35
PARÓQUIAS DEDICADAS A SEU NOME
5.350
CARTAS DE PESSOAS QUE
ALCANÇARAM GRAÇAS PEDINDO A
INTERCESSÃO DO JESUÍTA
1.154
DIVULGADORES, QUE, ALÉM DE
REZAR, TAMBÉM PROPAGAM A
DEVOÇÃO A ELE POR MEIO DE
GRUPOS DE ORAÇÃO
A MISSÃO
“Quase sem cessar, andamos visitando várias povoações, assim de índios, como de portugueses, sem fazer
caso de calmas, chuvas e grandes enchentes de rios, e
muitas vezes de noite por bosques muito escuros socorremos aos enfermos, não sem grande trabalho, seja pela
aspereza dos caminhos, como pela incomodidade do
tempo, maxime sendo tantas estas povoações e tão distantes umas das outras, que nem nós bastamos acudir
a tão variadas necessidades, como ocorrem, nem, ainda
que fôssemos muitos mais, poderíamos bastar. A isto
se ajunta que nós, que socorremos as necessidades dos
outros, muitas vezes estamos mal dispostos e, fatigados
de sofrimentos, desfalecemos pelo caminho, de maneira
TOTAL ENTREGA
A DEUS E AO
SEMELHANTE
que apenas o conseguimos levar a cabo. Deste modo não
menos necessidade de ajuda parece terem os médicos,
que os enfermos. Mas nada é árduo aos que têm por fim
somente a glória de Deus e a salvação das almas, pelas
quais não duvidarão dar a vida”.
Carta para o Padre Diogo Laínes escrita no ano de
1560 in Minhas cartas, por José de Anchieta (editadas
por ocasião dos 450 anos de fundação de São Paulo).
Durante o anúncio da canonização de Pe. Anchieta, em
3 de abril, foi lembrado que o
papa Francisco dispensou a
comprovação de um milagre
para declarar santo o jesuíta.
“Na história da Igreja, houve
muitos casos semelhantes.
Mesmo porque a exigência
de comprovação de milagres
é relativamente recente”, explica Pe. César Augusto dos
Santos, vice-postulador da canonização de Anchieta.
A perda de documentação e a falta de contato
pessoal com os grandes conhecedores da causa, que já
haviam morrido, foram as
principais dificuldades para
levar adiante o processo de
canonização do Apóstolo do
Brasil. Mas há muitos mi-
lagres atribuídos à intercessão de Anchieta junto a
Deus, como cura de doenças
e ações sobre a natureza.
Mas, mais do que milagres, o que faz de Anchieta
um santo é o seu exemplo de
vida e de virtude. “Não é a assinatura do decreto que torna
Anchieta santo, não é a assinatura do decreto pelo papa,
mas, sim, sua vida, sua total
entrega a Deus e a seu semelhante. Ele sempre se dedicou ao diálogo, à educação e
à pessoa”, ressalta Pe. Carlos
Alberto Contieri, diretor do
Pateo do Collegio, no centro
de São Paulo, e do Museu
de Arte Sacra dos Jesuítas
(MASJ), em Embu das Artes.
E como Pe. César Augusto
declarou à revista Época: “Anchieta não é um santo-modelo para o passado. As virtudes
dele servem de inspiração
para a atualidade”.
11
I N F O R M AT I V O D O S J E S U Í TA S D O B R A S I L
ESPECIAL
A CANONIZAÇÃO DE ANCHIETA E A COMPANHIA
DE JESUS NO BRASIL
ENTREVISTA COM O PE. CARLOS PALÁCIO, PROVINCIAL DO BRASIL
momento de transição, para a nova
Província do Brasil. Da figura de São
José de Anchieta e da sua atualidade
e significação para nós, eu ressaltaria
três aspectos: evangelizador incansável, missionário itinerante e estrategista de uma missão articulada. Tudo
alimentado e fundado numa profunda
e extraordinária experiência espiritual.
Por uma feliz coincidência, o horizonte
da nossa missão volta a ser, como naquela época, a ‘Província do Brasil’ na
sua totalidade.
Qual a importância de Anchieta na
constituição e na história do Brasil?
Qual o significado da canonização de
Anchieta para a Companhia de Jesus
no Brasil?
A Companhia de Jesus se alegra, em
primeiro lugar, com a Igreja do Brasil,
que há tanto tempo desejava que essa
canonização acontecesse. Afinal, José
de Anchieta foi denominado “Apóstolo
do Brasil” em 1597, no mesmo dia das
suas exéquias, na cidade de Anchieta,
no Espírito Santo.
Mas é evidente que, por ser jesuíta,
a canonização de José de Anchieta tem
também para nós, da Companhia de
Jesus, um significado especial. Não só
por ser uma personalidade polivalente, instigante e de extrema atualidade,
mas, do ponto de vida espiritual e da
missão, pela qualidade evangélica da
sua vida. Porque é isso que deve animar
e alimentar a nossa missão. É esse espírito que deve recriar constantemente
o nosso corpo apostólico.
Por isso, a figura desse jesuíta é
muito iluminadora para nós, neste
A pessoa e a obra de Anchieta são, por
muitos motivos, uma referência constitutiva da história do Brasil. O jesuíta está
na origem de duas grandes cidades do
país: São Paulo e Rio de Janeiro, além
de ter marcado, com sua presença e atividade apostólica, outras cidades como
Salvador, e a própria região do Espírito Santo, em cuja capitania passou os
últimos anos da vida, de 1588 a 1597,
como amigo e defensor dos índios nas
suas aldeias. A atual cidade de Anchieta
perpetuou seu nome. O Brasil continua
a ser um país marcado por diversidades
étnicas (indígenas, africanas, caboclas
e mestiças) que dão lugar a diferentes
instituições sociais e culturais. Passados mais de quatro séculos, essa diversidade continua a ser um desafio para
a identidade em construção do Brasil
e para a identidade e missão da Igreja.
Essa diversidade exige um esforço constante para acolher, respeitar e integrar
as diferenças numa unidade maior. O
que demanda a todas as diferentes re-
giões do Brasil o exercício constante de
‘acolher’ e respeitar o diferente como
diferente; não como algo que ameaça e
separa, mas como algo que enriquece.
Revisitar a originalidade de José
de Anchieta poderia ser a maneira fecunda de aprender a viver hoje com as
tensões que brotam da coexistência simultânea de várias tradições. Não podemos definitivamente nos contentar
com fechar os olhos para essa realidade polivalente das nossas raízes culturais privilegiando uma delas (a ocidental) e relegando as outras ao folclore. É
preciso aprender a conviver, integrando, criando consensos, reinventando o
futuro muito mais rico, justo e original.
E do ponto de vista eclesial?
Muito poderíamos aprender do trabalho catequético de Anchieta e da sua
imaginação e liberdade criadoras para
a evangelização. O seu ministério pastoral e catequético com os índios foi enriquecido por representações teatrais
festivas, pela utilização do folclore popular adaptado como música religiosa,
pela representação de “autos” nas duas
línguas, buscando satisfazer também a
psicologia indígena. Um exemplo perfeito é o auto da fé, intitulado Pregação
universal, inspirado no cerimonial indígena de recepção de pessoas ilustres,
introduzindo no idioma tupi a técnica de
verso e estrofe do teatro português.
Sem ocultar nem esquecer as limitações vindas da ‘consciência possível’
daquela época, é inegável a atualidade
de José de Anchieta para os novos e
enormes desafios que enfrenta hoje a
missão da Igreja no Brasil.
12
ESPECIAL
Carta do Secretário de
Estado do Vaticano,
que saúda o padre José
Acrízio e os fiéis, por
ocasião da canonização
de Anchieta.
13
I N F O R M AT I V O D O S J E S U Í TA S D O B R A S I L
ESPECIAL
Celebrações pelo Brasil
No dia 3 de abril, em Roma, o papa Francisco assinou o decreto de canonização do Pe. José de Anchieta. No Brasil, as celebrações começaram no dia 1, com várias Obras da Companhia de
Jesus homenageando o novo santo jesuíta.
Veja como foi:
BAHIA
CEARÁ
A Missa em Ação de Graças na Catedral Basílica
de Salvador, em 3 de abril, expressou a gratidão dos
baianos pela canonização do Pe. José de Anchieta. A
celebração foi presidida pelo arcebispo Dom Murilo
Krieger e concelebrada com sacerdotes da Arquidiocese da capital e padres jesuítas. Entre eles, o provincial
Pe. Miguel de Oliveira Martins Filho, da Província Brasil Nordeste. Alunos e funcionários do Colégio Antônio
Vieira também estiveram presentes à missa, transmitida pela emissora da Arquidiocese de Salvador, a Rádio
Excelsior da Bahia.
O reitor do Santuário Nossa Senhora de Fátima, Pe.
Geraldo Coelho, falou ao portal G1 sobre a trajetória de
São José de Anchieta na Bahia.
A canonização de São José de Anchieta foi celebrada
com muita alegria em Fortaleza. Os jesuítas em missão
na cidade organizaram um informativo com o resumo da
vida do Santo e o divulgaram na Paróquia Cristo Rei, na
Casa Inaciana da Juventude e no Colégio Santo Inácio. A
história da vida do santo e sua canonização foram assuntos também das homilias das missas.
Em 2 de abril, na matriz da Paróquia Cristo Rei, a comunidade jesuítica da capital cearense, leigos e leigas da
Paróquia Cristo Rei e da Casa Inaciana da Juventude participaram da celebração eucarística em Ação de Graças
pela canonização do Apóstolo do Brasil. Após a missa, os
jesuítas estiveram presentes à confraternização na Comunidade São Luiz Gonzaga.
MINAS GERAIS
No Colégio dos Jesuítas, em Juiz de Fora, além de
informações veiculadas em seu site, professores conversaram com suas turmas sobre a canonização de Apóstolo
do Brasil. Institucionalmente, a escola optou por uma celebração próxima a 9 de junho, Dia de Anchieta.
Em Montes Claros, foram realizadas duas Missas
de Ação de Graças pela canonização, em 6 de abril.
Uma delas, celebrada pelo Pe. César Alves, aconteceu
na Matriz de Nossa Senhora de Montes Claros, com a
leitura de breve biografia de Anchieta e a entrada solene da imagem do santo, padroeiro secundário dessa paróquia. Presidida pelo Pe. Anísio Ribeiro, a outra
missa aconteceu na igreja da comunidade São José de
Anchieta, que, viva e numerosa, encheu o templo. Durante a celebração, foram feitas diversas referências e
homenagens ao novo santo.
JESUÍTAS EM MISSÃO EM FORTALEZA, DURANTE E APÓS A CELEBRAÇÃO
EM AÇÃO DE GRAÇAS PELA CANONIZAÇÃO DE SÃO JOSÉ DE ANCHIETA
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ESPECIAL
ESPÍRITO SANTO
Por ocasião das comemorações em Ação de Graças
pela canonização de São José de Anchieta, a cidade de Anchieta viveu momentos de grande alegria, movimentação
e celebrações. Em 1º de abril, uma carreata, com aproximadamente 700 carros e motos, percorreu várias ruas da
cidade até o Santuário Nacional de São José de Anchieta,
onde houve um momento de oração.
No dia seguinte, uma grande celebração foi realizada
no interior do Santuário Nacional, presidida pelo arcebispo
Metropolitano de Vitória, dom Luiz Mancilha Vilella, concelebrada por seus dois bispos auxiliares e mais 20 padres.
Em 6 de abril, no Pátio do Santuário, foi realizada outra grande celebração, presidida por dom Rubens Sevilha,
bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória. Uma multidão
ocupou todo o pátio externo, estando presentes também
algumas autoridades municipais e estaduais.
MOMENTOS VARIADOS DA CELEBRAÇÃO DA CANONIZAÇÃO DE ANCHIETA,
NA CIDADE QUE CARREGA O NOME DO PRÓPRIO SANTO
GOIÁS
RIO DE JANEIRO
Em entrevista ao telejornal da PUC TV Goiás, Pe. Jonas Carvalho de Moraes, diretor da Casa da Juventude Pe.
Burnier (CAJU), falou sobre a canonização do Padre José
de Anchieta e da importância do trabalho que o religioso
espanhol realizou no Brasil com os índios.
Para anunciar a alegria da Companhia de Jesus por
mais um santo jesuíta, o Colégio Santo Inácio, no Rio
de Janeiro, colocou em sua fachada uma reprodução da
tela de Candido Portinari que retrata Anchieta escrevendo na areia. Na biblioteca da escola, os alunos tive-
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I N F O R M AT I V O D O S J E S U Í TA S D O B R A S I L
ESPECIAL
ram acesso à exposição de livros com a obra literária do
Apóstolo do Brasil.
Já os padres da PUC-Rio participaram da missa em
homenagem à canonização na Igreja Metropolitana do
Rio de Janeiro.
No Colégio Anchieta, em Nova Friburgo, as celebrações aconteceram em clima de muitas alegrias e bênçãos, com a presença de alunos, professores e funcionários, que, juntamente com o reitor Pe. Guy Ruffier,
cantaram o Hino de São José de Anchieta. O colégio
marcou presença também na Missa em Ação de Graças a
São José de Anchieta, que aconteceu na Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro. O arcebispo
do Rio, dom Orani João Tempesta, presidiu a cerimônia e
o Pe. Guy foi concelebrante.
ACIMA: MISSA REALIZADA NA CATEDRAL METROPOLITANA DO
RIO DE JANEIRO
ABAIXO: PE. PALACIO, D. ORANI E PE. JOSAFÁ, EM MISSA DE AÇÃO DE GRAÇAS PELA CANONIZAÇÃO DE SÃO JOSÉ DE ANCHIETA.
RIO GRANDE DO SUL
No dia 2, os oito jesuítas da Residência Espírito Santo, em São
Leopoldo, reuniram-se na capela doméstica para a celebração
eucarística em Ação de Graças pela canonização de José de Anchieta. Na homilia, o superior Pe. Miron Alexius Stoffels discorreu
sobre a vida e missão do Apóstolo do Brasil e o significado de sua
canonização para a Igreja e para a Companhia de Jesus, destacando os marcos mais importantes do grande evangelizador.
Além disso, Pe. Matias Martinho Lenz (sócio da BRM) e Pe.
Miron foram convidados para uma entrevista sobre a canonização de Anchieta na RedeSul de Rádio, dos padres capuchinhos, em Caxias do Sul. A emissora é a única rede de rádios
AM via satélite do interior gaúcho, atingindo um total de 3 milhões de potenciais ouvintes.
Pe. Miron foi convidado também pelo Pe. Isidro Sallet, do
Santuário do Sagrado Coração de Jesus, para falar sobre a
vida de Anchieta e o significado de sua canonização a um grupo de líderes comunitários.
No dia 2, em Porto Alegre, foi realizada uma Missa de Ação
de Graças, na Igreja da Ressureição, no Colégio Anchieta, pela
canonização do Apóstolo do Brasil, patrono da instituição. A
celebração foi presidida pelo arcebispo, dom Jaime Spengler e
contou com a participação de 800 pessoas, entre padres e religiosos, além de pais, alunos, professores, colaboradores administrativos e comunidade. Junto ao bispo, estavam Pe. João
Claudio Rhoden, diretor do colégio; Pe. Sergio Mariucci, reitor
da Igreja da Ressurreição; Pe. Martinho Lenz; e Pe. João Geraldo Kolling, diretor-presidente da Associação Antônio Vieira
(ASAV), mantenedora do Colégio Anchieta.
16
ESPECIAL
NA PÁGINA ANTERIOR:
PE. JOÃO CLAUDIO, PE. SERGIO MARIUCCI, DOM JAIME, PE. MARTINHO LENZ E PE. GERALDO KOLLING
EM CELEBRAÇÃO DE AÇÃO DE GRAÇAS QUE REUNIU 800 PESSOAS
NESTA PÁGINA:
DOM JAIME E CRIANÇAS; CRIANÇAS DO ENSINO FUNDAMENTAL COM TRABALHOS ESCOLARES
SOBRE ANCHIETA
SÃO PAULO
No dia 2, todos os sinos das igrejas de São Paulo tocaram
em homenagem à canonização de Anchieta. À tarde, os alunos do Ensino Fundamental do Colégio São Luís reuniram-se
para uma celebração na Paróquia São Luís Gonzaga, onde, às
19h, foi realizada também uma missa solene. No mesmo horário, o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, celebrou
missa solene na capela do Pateo do Collegio.
No Anchietanum, em 5 de abril, a Tarde de Espiritualidade
foi dedicada a rezar a vida e missão de São José de Anchieta.
Mais de 50 jovens e colaboradores participaram da iniciativa.
No dia 6, domingo, cerca de 2 mil pessoas, entre religiosos e leigos, reuniram-se em frente ao Pateo do Collegio e,
depois, seguiram em procissão, levando a relíquia de São
José de Anchieta até a Catedral da Sé. No local, os 61 sinos
da igreja receberam os fiéis para a Missa de Ação de Graças, pela canonização do jesuíta. Celebrada por dom Odilo
Scherer, a missa contou com a presença do provincial da
BRC, padre Mieczyslaw Smyda, além de padres e irmãos
jesuítas. Entre as autoridades, estiveram presentes o governador do Estado, Geraldo Alckmin, e o prefeito Fernando
Haddad. A celebração teve ainda a participação de Agnaldo
Rayol, que cantou a música Ave Maria.
ACIMA, TARDE DE ESPIRITUALIDADE A REZAR A VIDA DE ANCHIETA
AO MEIO, MISSA DE AÇÃO DE GRAÇAS NA CATEDRAL DA SÉ
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I N F O R M AT I V O D O S J E S U Í TA S D O B R A S I L
a companhia de jesus no
MUNDO
CÚRIA GERAL
CANONIZAÇÃO DO BEATO JOSÉ DE ANCHIETA
RESUMO DA CARTA DO PE. GERAL, ADOLFO NICOLÁS, S.J.
Queridos irmãos e
amigos do Senhor,
A canonização, em 3 de abril, do Beato José de Anchieta é um acontecimento que a Igreja do Brasil desejou muito
e há muito tempo. Anchieta foi proclamado Apóstolo do Brasil, título pelo qual
é conhecido até hoje, pelo arcebispo do
Rio de Janeiro, na cidade de Reritiba, na
mesma Igreja do Colégio onde se celebraram seus funerais em 1597.
A Companhia não deve deixar de
responder a esse convite que lhe é feito de resgatar essa figura polivalente,
motivadora e extremamente atual. O
que nos quer dizer o Senhor ao nos
presentear, em menos de um ano,
com o reconhecimento eclesial do valor evangélico das vidas de dois companheiros nossos, Pedro Fabro e José
de Anchieta? Dois homens que levaram adiante missões tão diferentes e,
no entanto, tão semelhantes no espírito jesuítico que deve animar nossa
missão. Os dois, com a intensidade de
suas vidas, convidam-nos a descobrir
que “restauração”, mais que ser para
nós um mero acontecimento histórico,
deve representar o ‘modo de ser’ sempre presente, em um corpo apostólico
em contínua recriação.
José de Anchieta, “de estatura
mediana, magro, pelo vigor de seu
espírito forte e decidido, moreno, de
PE. GERAL, ADOLFO NICOLÁS, SJ
olhos azuis, fronte larga, nariz grande, barba rala, de semblante alegre
e amável”, durante 44 anos de sua
vida, percorreu boa parte da geografia do Brasil, levando a boa nova do
Evangelho aos indígenas.
(...)
Deparamo-nos já com o primeiro
dos paradoxos desse jovem jesuíta: o
forte contraste entre sua fragilidade física e a intensa vitalidade apostólica que
desenvolveu ininterruptamente durante
44 anos, atravessando numerosas regiões do Brasil, até sua morte, aos 63
anos. A vida de José de Anchieta é apostólica e radicalmente evangélica. (...)
Uma das críticas que se fizeram a
ele diante do Visitador foi a de que “fazia muita caridade”. Aos olhos de seus
críticos, seu excesso de bondade estaria na origem de um governo que tendia
a ser brando. O Pe. Gouveia, entretanto,
não tinha a mesma opinião. Descreve-o
como “homem fiel, prudente e humilde em Cristo, muito querido por todos,
ninguém tinha queixa contra ele, nem
me é possível encontrar palavra ou
ação em que tenha agido mal”. Sincero
amigo de todos, sabia unir a bondade
ao rigor e à firmeza, como desejava
Santo Inácio em todo bom superior.
Apesar de suas enfermidades, bem visíveis, o provincialado de Anchieta pôde
ser considerado um dos mais dinâmicos e frutuosos de seu tempo.
(...)
Somente em 1595, a obediência o
liberou das responsabilidades de go-
18
A COMPANHIA DE JESUS NO MUNDO CÚRIA GERAL
verno. Restavam-lhe dois escassos
anos de vida. Neles, encontrou ainda
tempo para participar na defesa da
capitania do Espírito Santo contra as
incursões dos índios goitacazes. Seu
último destino foi a aldeia de Reritiba. Ali, começou a escrever uma História da Companhia de Jesus no Brasil, preciosa obra perdida, da qual só
restam fragmentos.
Não lhe movia, certamente, para
levar essa vida itinerante, nenhum
espírito de aventura, senão um espírito de disponibilidade para a missão, de liberdade espiritual e de
prontidão para buscar e encontrar, a
todo momento, a vontade do Senhor.
Acompanhou-o, até o fim, um ardor
verdadeiramente apostólico. (...)
Não deveria ser a itinerância –
com tudo o que implica de liberdade espiritual, de disponibilidade e
capacidade de discernir e de tomar
decisões – uma das características
indispensáveis de nosso corpo apostólico? O contínuo peregrinar de Anchieta, quase uma forma de vida, poderia inspirar hoje e estimular nossa
busca de mobilidade apostólica, para
responder aos desafios que nos propõem as novas fronteiras.
Uma característica de grande relevância na figura humana, espiritual e apostólica de José de Anchieta
manifesta-se em sua capacidade para
organizar estruturalmente a missão,
integrando as distintas presenças
apostólicas e as diferentes dimensões em um só projeto diversificado
e complexo, mas único. E, no centro,
dando sentido a tudo, o amor pelos
índios: “sinto os índios”, escreve ele
mesmo, do seu último refúgio na aldeia de Reritiba, “mais próximos que
os portugueses, porque é por eles que
vim ao Brasil”.
(...) Sempre soube colocar a serviço da missão seus extraordinários
dons de perfeito humanista: seu do-
ESTÁTUA DE ANCHIETA NA PRAIA DE UBATUBA.
O contínuo peregrinar de Anchieta, quase
uma forma de vida, poderia inspirar hoje
e estimular nossa busca de mobilidade
apostólica, para responder aos desafios que
nos propõem as novas fronteiras.
mínio da gramática, seu gosto pelos
clássicos latinos e sua habilidade na
arte da oratória. Com enorme fecundidade, compôs, em tupi, os Diálogos
da fé - catecismo maior para a instrução dos índios na doutrina cristã -,
adaptou opúsculos para a preparação ao batismo e para a confissão e
concluiu a gramática da língua mais
usada na costa do Brasil, o tupi.
(...)
São muitas as razões para estarmos agradecidos ao Papa Francisco
por propor ao mundo, com o novo
destaque da santidade, o exemplo de
José de Anchieta. Para a Companhia
de Jesus, é uma ocasião de restaurar
com intensidade a busca daqueles
horizontes que ele perseguiu e que
são sempre novos: a sensibilidade
diante da diversidade étnica e a pluralidade religiosa, cultural e social;
o desenvolvimento incansável de
uma nova liberdade criativa e de uma
responsável capacidade de improvisação; a busca constante de expressões inculturadas para a experiência
cristã e evangelizadora.
Que esse novo intercessor ajude-nos a buscar, cada vez com maior
empenho, a vontade de Deus e a
cumpri-la sem descanso.
Fraternalmente no Senhor,
Adolfo Nicolás, S.J.
Superior Geral
Veja a íntegra da Carta no Portal
Jesuítas Brasil http://bit.ly/1oTRRw5
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A COMPANHIA DE JESUS NO MUNDO CÚRIA GERAL
REUNIÃO DE
PROVINCIAIS
EM 2015
Em 12 de março, o padre Adolfo
Nicolás, superior geral da Companhia
de Jesus, escreveu a todos os Superiores Maiores para convocar a Reunião
de Provinciais. “A Congregação Geral
34”, escreve o padre Geral, “em seu
Decreto 23 (C4), estabelece que o Geral convoque uma reunião de todos os
Provinciais a cada seis ou sete anos,
a partir da última Congregação Geral,
com o objetivo de considerar a situação, os problemas e as iniciativas da
Companhia Universal, como também
a colaboração internacional e interprovincial. Por isso, depois de haver
discutido o assunto com meus conselheiros, convoco a Reunião de Provinciais, que se dará de 18 a 25 de janeiro
de 2015, em Yogyakarta (Indonésia)”.
“A escolha da cidade”, ele acrescenta,
“será uma oportunidade para cairmos
na conta dos desafios que o diálogo
inter-religioso apresenta para a Companhia no seu desejo de servir à Igreja
e à Humanidade”.
CONTRA A
VIOLÊNCIA NA
VENEZUELA
Diante da difícil situação da Venezuela, o diretor geral do Movimento Fé e
Alegria fez uma declaração sob o título Já
Basta. “O país está enchendo-nos de dor,
de sofrimento, de angústia, de violência,
de medo, de repressão e de morte. Esse
conflito está crescendo num ritmo que se
fará incontrolável. Demos carta branca ao
Nomeações
O padre Francis Serrao foi nomeado bispo de Shimoga (Índia) pelo
papa Francisco. O religioso, até agora Provincial da Província de Karnataka (Índia), nasceu em 1959, foi
admitido à Companhia de Jesus em
1979 e ordenado sacerdote em 1992.
O padre Jakub Kolacz foi nomeado Provincial da Província da
Polônia Meridional (PME) pelo
Padre Geral. O jesuíta, até agora
sócio e secretário da Província,
nasceu em 1970, sendo admitido à
Companhia de Jesus em 1988 e ordenado sacerdote em 1999.
Além disso, em 17 de março, veio a
público que o superior geral da Companhia de Jesus nomeará o padre Francisco José Ruiz Pérez como Provincial
da Espanha, no próximo dia 21 de junho,
na mesma data em que será erigida a
Província da Espanha. O Pe. Ruiz Pérez
nasceu em 1961, foi admitido à Companhia de Jesus em 1981 e ordenado
sacerdote em 1994. Nos últimos anos,
coordenou o processo de unificação das
atuais cinco Províncias espanholas.
CAMBOJA: PROJETO EDUCATIVO
A Missão do Camboja trabalha
atualmente no novo projeto educativo
que terá sua base em Sisophon, na
Província de Bantey Meanchey. Em
carta aos membros da Missão e seus
colaboradores, o padre Oh In-don,
delegado do Provincial da Coreia para
a Missão do Camboja, escreve: “Era
evidente que nós, os jesuítas, devíamos dedicar-nos, antes de tudo, aos
meninos que vivem na pobreza”, diz
enfrentamento, à eliminação da oposição, ao uso desmedido da violência. Precisamos parar com a violência, venha de
onde vier. Nem violência para protestar,
nem violência para reprimir”, diz o texto.
E continua: “Apoiamos as distintas iniciativas de diálogo que partam do reconhecimento do outro, com acordos precisos e
efetivos para o restabelecimento da paz.
Apoiamos o pedido do papa Francisco ao
fim da violência e da hostilidade, e que
todo o povo venezuelano, começando pelos responsáveis políticos e institucionais,
se una para favorecer a reconciliação na-
o religioso, explicando que a escolha de
Sisophonse deve-se por ter menos possibilidades educativas. “A cidade é mais
pobre. Battambang já conta com dois colégios de que a população gosta muito: o
Colégio Salesiano e o de Borey. Por outro
lado, Sisophon carece de tudo. E essa foi
a principal razão da escolha”. O novo colégio vai chamar-se Xavier Jesuit School,
em homenagem a São Francisco Xavier,
padroeiro da Paróquia de Sisophon.
cional através do perdão mútuo e do diálogo sincero, do respeito pela verdade e da
justiça, capazes de fazer frente a questões
concretas para o bem comum. Chamamos
os distintos setores da população a exercer
uma participação ativa pela paz e a justiça.
Nós, em Fé e Alegria, queremos ser lugar
de encontro de todas as vozes e, como Movimento de Educação Popular, seguiremos
formando cidadãos comprometidos com a
construção de um país livre da violência e
amante da paz, onde haja lugar para todos.
Atuemos, prontamente, antes que a anomia e a violência se façam incontroláveis”.
20
a companhia de jesus na
AMÉRICA LATINA
CPAL
POIS ENTÃO VOU SEDUZI-LA. EU A LEVAREI AO
DESERTO E FALAR-LHE-EI AO CORAÇÃO. (OS 2,16)
PE. MIGUEL MARTINS, SJ | PROVINCIAL DO BRASIL NORDESTE (BNE)
Salvador, Bahia
15 de março de 2014
A IMAGEM DO PROFETA, quando
fala da atitude do Deus de Israel perante seu povo rebelde que insiste em procurar outros deuses na busca de alento
e sentido em momentos de crise, ajuda-nos a refletir sobre o significado do
tempo da Quaresma, que a cada ano a
Igreja nos propõe.
Olhando para a confusão em que
nos encontramos, perdidos no meio de
um “paraíso” de tantas vozes que nos
seduzem, na complexa sociedade em
que vivemos – que promete felicidade
sem limites, mas nos deixa amarrados
ao “inferno” do sem-sentido –, Deus
mesmo toma a iniciativa, aproxima-se
de nós, conduz-nos pela mão e, no seio
da Igreja, abre para nós a possibilidade do diálogo, da escuta profunda do
nosso coração ─ a partir do qual decifra para nós a realidade ao nosso redor ─ e de discernir o que Ele mesmo
nos propõe como resposta, em sintonia
com seu projeto salvífico, manifestado
desde sempre – a Aliança.
O local desse encontro – o deserto
– é, também, uma metáfora interessante: o lugar do desafio, da tentação,
da crise, da liberdade submetida à
provação, mas é igualmente o lugar do
crescimento, da tomada de decisão, do
fortalecimento da própria identidade,
da afirmação da liberdade.
Na mensagem dirigida aos brasileiros no início da Quaresma, por ocasião
do lançamento da Campanha da Fra-
ternidade, o Papa Francisco lembra-nos que “JC, pela sua Paixão, morte
e ressurreição, libertou a humanidade
das amarras da morte e do pecado.
Durante os próximos quarenta dias,
procuremos nos conscientizar mais e
mais da misericórdia infinita que Deus
teve para conosco.” A seguir, pediu-nos para “fazê-la transbordar para os
demais, sobre tudo para aqueles que
mais sofrem.” ‘Estás livre; vai e ajuda
teus irmãos a se libertarem!’
Essa chamada que, como jesuítas da
América Latina, assumimos e explicitamos nas nossas prioridades apostólicas
(PAC) deve ressoar continuamente em
nossos corações como apelo frequente à
conversão para aquele que é o horizonte,
o sentido e a inspiração de nossa missão:
o seguimento de Jesus com a cruz, como
nos lembra a última Congregação Geral:
somos enviados a essa missão pelo Pai,
como Inácio e os primeiros companheiros
em La Storta, junto com Cristo ressuscitado e glorificado, porém carregando a cruz,
como continua trabalhando em um mundo que ainda deve experimentar a plenitude de sua reconciliação. Em um mundo
rasgado pela violência, pelas lutas e pela
divisão, também nós somos chamados,
junto com outros, para chegarmos a ser
instrumento de Deus que ‘estava em Cristo reconciliando o mundo consigo, sem
pedir-lhe contas de seus pecados’. Essa
reconciliação chama-nos a construir um
mundo novo de relações mais justas, um
novo Jubileu no qual, superando todas as
divisões, Deus restaura sua justiça para
todos. (CG 35, dec. 3, n. 16)
É nesse sentido que o apelo que Deus
nos faz de modo especial nesta Quaresma
impele-nos a nos abrirmos ao diálogo com
Deus, deixando a experiência de Deus nos
transformar em instrumentos vivos da sua
misericórdia, em cada realidade tocada
pela nossa ação e presença apostólicas.
O Papa Francisco, na sua encíclica Evangelii Gaudium, convoca-nos a um estado
permanente de missão, a “uma renovação
eclesial urgente, (...) a uma opção missionária capaz de transformar tudo, para
que os costumes, os estilos de vida, os
horários, a linguagem e toda a estrutura
eclesial se tornem canais mais abertos à
evangelização do mundo atual do que à sua
preservação.” (EG 27). Nada mais inaciano
que esse apelo que nos faz o Santo Padre
para “sairmos de nós mesmos”, para sermos uma igreja em constante diálogo com
o mundo: ‘(...) O que acontece quando alguém sai de si mesmo? Pode passar o que
acontece àqueles que saem da sua casa e
andam pelos caminhos: um acidente. Eu
lhes digo: prefiro mil vezes uma Igreja ferida por causa de um acidente a uma Igreja
que adoece por se fechar em si mesma!”
Que as palavras do Papa Francisco,
que um ano atrás assumiu o cuidado da
Igreja como Pastor, levando a Roma o
odor do rebanho latino-americano e seu
dinamismo que marcou a nossa experiência de Igreja no Continente, nos sirvam
de inspiração para viver esta Quaresma
com a simplicidade de discípulos que se
deixam instruir pelo Evangelho, assumindo com renovado entusiasmo o desafio de viver a serviço da misericórdia, da
ternura e da alegria de Deus no mundo.
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I N F O R M AT I V O D O S J E S U Í TA S D O B R A S I L
a companhia de jesus no
BRASIL
AMAZÔNIA
PROJETO BIBLIOTECA E
CENTRO CULTURAL PE.
GABRIEL MALAGRIDA
INAUGURA NOVAS OFICINAS
O projeto Biblioteca e
Centro Cultural Pe. Gabriel
Malagrida, iniciativa da
Companhia de Jesus com o
apoio da Paróquia Sagrada
Família, inaugurou novas
oficinas no início de 2014,
em Marabá (PA). Agora, a
Comunidade Nossa Senhora
da Paz, no bairro Bela Vista,
conta com oficinas de capoeira, aeróbica, teatro e balé.
Mais de 80 alunos participam das atividades.
O objetivo do projeto é a
integração cultural e social
das comunidades atendidas,
em especial aos jovens e ado-
lescentes, que passam a ter
mais acesso à cultura e à informação, por meio de ações
culturais e sociais. O bairro
Liberdade também conta com
oficinas de karatê, muay thai,
e balé, em espaço cedido pela
comunidade Nossa Senhora
Aparecida. Outra comunidade beneficiada pelo projeto é
a São Pedro, que hoje conta
com uma oficina de violão.
Para Vanalda Araújo, da
Biblioteca e Centro Cultural
Pe. Gabriel Malagrida, o projeto e cada oficina agregam
conhecimento e ajudam no
desenvolvimento das comu-
AS AULAS DE CAPOEIRA SÃO MINISTRADAS PELO PROFESSOR CRISTIANO RODRIGUES, MAIS DE 30 ALUNOS PARTICIPAM DA OFICINA.
nidades. “É com grande alegria que comunicamos que
conseguimos estender ainda
mais nosso sonho, por meio
da inauguração de novas oficinas”, afirma.
No dia 26 de março,
aconteceu o primeiro encontro com as famílias dos
alunos que participam do
projeto. O evento, promovido em parceria com a
Pastoral da Família, foi um
momento de integração e
diálogo. No dia 8 de abril,
o novo espaço da sede da
Biblioteca e do Centro Cultural Pe. Gabriel Malagrida
e da Pastoral da Juventude
foi inaugurado.
22
A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL AMAZÔNIA
JESUÍTAS CONHECEM
HISTÓRIA DOS
SERINGUEIROS DA
AMAZÔNIA
Os jesuítas que participaram do 3º módulo do curso
de Liderança Apostólica, organizado pelo Provincialado
do Brasil, em março, na cidade de Manaus (AM), aproveitaram os intervalos para
conhecer um pouco mais a
história da região. Eles percorreram os rios que banham
Manaus e visitaram o museu
Casa do Seringal, localizado
em um dos afluentes do Rio
Negro, com acesso somente
por via fluvial.
O museu, localizado no
meio da floresta amazônica, é
uma réplica de um antigo seringal que funcionou até o início
do século XX, no município de
Humaitá (AM). Na época, milhares de nordestinos vieram
povoar a Amazônia, atraídos
pelas promessas do governo,
da existência de um verdadeiro
eldorado. Mas o que a maioria
encontrou foi uma vida de escravidão e sujeição aos coronéis e barões da borracha.
Os 25 jesuítas que participaram da visita puderam conhecer essa história por meio da explicação
da guia, que levou o grupo
para andar por diversas
trilhas na mata e ver como
se extraía o látex das seringueiras.
ACIMA, JESUÍTAS CHEGANDO AO MUSEU | ABAIXO: PÍER NA CHEGADA DO MUSEU CASA DO SERINGAL
Equipe Itinerante recebe novos membros
A Equipe Itinerante realizou uma reunião para receber quatro novos membros na
missão, entre os dias 8 e 12
de março, no sítio dos frades
Franciscanos Capuchinos, na
região de Manaus (AM). Agora,
também participam dos trabalhos com os povos indígenas e
ribeirinhos da região, as irmãs
Joaninha, da congregação das
Irmãs Azuis, e Dorothea, leiga
alemã enviada pelos jesuítas
da província da Alemanha; o
irmão Fernando, da CVX (Comunidade de Vida Cristã) do
Chile, e o jesuíta Rafael, da
província da Bolívia.
Os novos membros foram
acolhidos pelo padre Paco Almenar e pelos integrantes da Equipe
Itinerante. Durante a acolhida,
cujo lema foi Vinde e vede, cada
integrante compartilhou um pouco de sua história de vida com os
demais. Um momento de parti-
lha e conhecimento do próximo.
Durante os dias do encontro, também foram apresentados aos novos membros, que
vão atuar em Manaus e Tabatinga, na Amazônia, os principais objetivos, as propostas e a
organização interna da Equipe
Itinerante, que é composta por
jesuítas, leigos e religiosos de
várias congregações.
“Foram dias de dar graças
ao Deus Itinerante por tanto
bem recebido. Foram dias de
partilha, de oração, de encontro pessoal e comunitário. Em
definitivo, dias de muita riqueza em nossa pobreza, para
saber quem somos e para ir
ao encontro de nossos irmãos
indígenas, ribeirinhos e marginalizados urbanos, que nos
mostram o rosto do Deus itinerante e nos dizem o fim para
o que fomos criados”, afirmou
o padre Rafael Lería Ortega.
23
I N F O R M AT I V O D O S J E S U Í TA S D O B R A S I L
A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL AMAZÔNIA
PASTORAL
UNIVERSITÁRIA
REALIZA SEU
PRIMEIRO RETIRO
ARQUIDIOCESANO
A Pastoral Universitária Arquidiocesana de
Manaus realizou um retiro no sítio da Paróquia
São João Batista, em
Iranduba (AM), nos dias
5 e 6 de abril. O encontro
teve a participação do
Pe. Geraldo Bendahan,
coordenador
arquidiocesano da Pastoral de
Manaus, dos animadores
das instituições Fametro
(Faculdade
Metropolitana de Manaus), UFAM
(Universidade
Federal
de Manaus) e Faculdade Salesiana Dom Bosco, além da presença
do professor Humberto Herrera, da Equipe
do Setor Universidade
da Comissão Episcopal
Pastoral para a Cultura e Educação da CNBB
(Conferência
Nacional
dos Bispos do Brasil).
O retiro contou com
muita formação e estudo dos documentos da
CNBB, dentre eles, o
documento 102, com o
tema O seguimento de
Jesus Cristo e a ação
evangelizadora no âm-
bito universitário, que
foi desenvolvido nos três
eixos da Pastoral Universitária (Espiritualidade, Reflexão/Formação
e Socioeducativa), em
diálogo com o Diretório
Pastoral da Arquidiocese
de Manaus.
O encontro, preparado pela Equipe Animadora
Arquidiocesana, composta pela irmã Ana, da FMM
(Franciscana Missionária de
Maria), pelo escolástico Jordano Hernández, por Lúcia
Oliveira e Francilma Grana,
contou com o apoio da Arquidiocese de Manaus.
O professor Humberto provocou o grupo a
refletir o agir pastoral,
tendo como modelos,
para o eixo da espiritualidade, o apóstolo Paulo;
para o eixo da reflexão e
formação, o Pentecostes;
e para o eixo socioeducativo, os discípulos de
Emaús. Como encerramento, houve uma breve
reflexão sobre as diretrizes para a ação evangelizadora no âmbito universitário em Manaus.
JOVENS DA PASTORAL UNIVERSITÁRIA ARQUIDIOCESANA EM
MOMENTOS DE REUNIÃO, DESCONTRAÇÃO E ORAÇÃO NOS DIAS DO RETIRO
24
A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL AMAZÔNIA
VOLUNTÁRIOS PARTICIPAM DE ENCONTRO
DO PROJETO EDUCAÇÃO E CIDADANIA
O PEC (Projeto Educação e Cidadania) promoveu um encontro de monitores e colaboradores, no dia 22 de
março, no Centro Loyola de Pastoral,
em Manaus (AM). Cerca de 30 pessoas
participaram do evento, que teve início
com um momento de oração, orientado por Idarcley Silva, membro do SIES
(Serviço Inaciano de Espiritualidade).
Os voluntários também assistiram à
palestra Trabalho do Voluntariado, ministrada por Gisele Lopes, administradora e secretária das ações comunitárias dos Salesianos na Amazônia.
O evento contou com a presença do
padre Horácio Freire e com a visita dos
padres Mieczyslaw Smyda, provincial
da BRC (Província Brasil Centro-Leste), Bruno Schizzerotto, sócio da BAM
(Região Dependente Brasil Amazônia),
além do padre Adelson Santos, superior
regional da BAM. O encontro encerrou-se com um momento de confraternização e de partilha de um saboroso bolo.
Calendário BAM
AGENDA DO SUPERIOR REGIONAL
22 DE ABRIL | Assembleia da mantenedora DIA (Distrito dos Jesuítas da Amazônia) – Manaus (AM)
23 DE ABRIL A 2 DE MAIO | Representação da província do Brasil na missa de ação de graças pela canonização de José
de Anchieta, presidida pelo papa Francisco – Roma (ITA)
23 DE ABRIL A 2 DE MAIO | Encontro com estudantes jesuítas do Brasil que estão na Europa, como assistente de formação
3 DE MAIO | Confraternização de Páscoa da família inaciana – Manaus (AM)
5 A 13 DE MAIO | Assembleia da CPAL – Guadalajara (MEX)
16 E 17 DE MAIO | Reunião da CONAFEJ (Comissão Nacional de Formação Jesuíta), como assistente de formação
Belo Horizonte (MG)
25
I N F O R M AT I V O D O S J E S U Í TA S D O B R A S I L
a companhia de jesus no
BRASIL
CENTRO-LESTE
OBRAS PARTICIPAM DE TREINAMENTO EM SP
A Província BRC promoveu uma semana de treinamento aos colaboradores que trabalham em obras da Companhia de Jesus nas cidades do Rio de
Janeiro (RJ), Brasília (DF), Goiânia (GO)
e Juiz de Fora (MG). A iniciativa, realizada entre os dias 23 e 28 de março, no
Centro Santa Fé, em São Paulo (SP),
reuniu mais de 20 pessoas e teve como
objetivo capacitar jesuítas e leigos para
a utilização do sistema RM Totvs, mais
precisamente dos softwares de operações de compras e financeiras, respectivamente, o Nucleus e o Fluxus.
O intuito é promover a gestão de
cada obra de forma sistematizada e
padronizada. “O sistema otimizará e
padronizará informações. Todas as
comunidades vão ter informações sistematizadas e padronizadas para fins
de gestão. Dessa forma, será possível oferecer à Província informações
ágeis, que vão ajudar na visualização
do cenário de todas as comunidades,
assim, você conseguirá avaliar o caminhar de cada obra”, explica Igor
Saluti, Controller da mantenedora
ANEAS, da Companhia de Jesus.
O treinamento faz parte de um processo que está inserido na unificação
das províncias da Companhia de Jesus. Nessa 1ª fase, todas as comunidades das mantenedoras Aneas e
Ajeas iniciam um processo de separação, mas de forma integrada, pois, em
2014, elas passam a ser mantidas pela
figura jurídica da Companhia de Jesus.
Para o padre Carlos Fritzen, administrador da Província BRC, “é importante
lembrar que esta reorganização das comunidades se situa num plano maior,
que é a reorganização da vida e da mis-
são dos jesuítas para melhor responder,
hoje e nos próximos anos, à missão nos
diversos contextos do Brasil”.
A integração entre os colaboradores
também fez parte do treinamento. No
primeiro dia, a programação foi aberta
com um diálogo, para que os presentes pudessem explicitar suas dúvidas
em relação às mudanças nos procedimentos administrativos. Além disso,
durante toda a semana, eles puderam
participar de atividades de integração,
como cinema, churrasco e uma visita
rápida a pontos turísticos de São Paulo.
Para a contadora Marília Cea de
Araújo, 71 anos, que trabalha na residência da PUC-Rio, a aproximação
com os colegas durante o treinamento foi positiva. “Eu achei maravilhoso
essa integração, eu tive o prazer de
conhecer pessoas que só conhecia
por telefone”, afirmou.
Padre Fritzen ressalta ainda a dimensão humana que se fortalece no encontro com o próximo. “Creio que, para
além de técnicas aprendidas e aprofundadas, são os vínculos entre pessoas
que se fortalecem a serviço da mesma
missão. É na convivência, nas orações,
nas celebrações, nas reflexões e nos diversos exercícios práticos, dentre outros
momentos, que se dá o intercâmbio e o
conhecimento mútuo, o rico aprendizado e o fortalecimento da equipe a serviço da mesma causa”, ele ressalta.
Os jesuítas que participaram do
treinamento já conseguem visualizar
os benefícios das novas ferramentas
de gestão. “O treinamento foi uma boa
oportunidade: primeiro, para conhecer
as pessoas que trabalham nas nossas
obras e, principalmente, para ter conta-
COLABORADORES DAS OBRAS AO LONGO
DA CAPACITAÇÃO
to com a ferramenta, por meio do qual
conseguimos aprender a navegar e a
inserir os dados no sistema que, daqui
para frente, como Companhia de Jesus,
as comunidades religiosas vão ter que
seguir. O treinamento foi feito em boa
hora!”, conclui padre Jonas Carvalho de
Moraes, diretor da CAJU, em Goiânia.
Participaram desse primeiro treinamento, as obras Carpa e Bambina,
e a sucursal Rio de Janeiro, o CCB
(Centro Cultural de Brasília), a CAJU
(Casa da Juventude Padre Burnier) e
a Residência dos Jesuítas. Em 2014,
acontecerão outros treinamentos
com obras da Província BRC.
26
A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL CENTRO-LESTE
PROJETO DA FEI GANHA PRÊMIO ODEBRECHT
PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Projetos
acadêmicos
voltados à sustentabilidade
têm alcançado destaque e
reconhecimento em diversas
esferas, públicas e privadas.
É o caso do projeto de iniciação científica de Camilla Fernandes de Oliveira, aluna de
Engenharia Química do Centro Universitário da FEI, que
tem como tema Avaliação de
propriedades combustíveis
do condensado oriundo da
pirólise de pneus e inservíveis. Ao propor a utilização
do condensado líquido resultante da decomposição
de pneus, pela ação de altas
temperaturas, como combustível, o trabalho foi um
dos vencedores do Prêmio
Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável 2013,
na área de geração e uso de
energias, energias renováveis e eficiência energética.
Segundo o professor de
Engenharia Química Ronaldo
Gonçalves dos Santos, orientador do projeto, os pneus,
feitos de borracha vulcanizada, são de difícil reciclagem.
Apenas uma pequena parcela
é reaproveitada na produção
de asfalto e argamassa. Ainda há um grande excedente
de pneus nos lixões e aterros,
ocupando espaço e poluindo
o meio ambiente – os pneus
levam anos para se decompor
e são um foco de proliferação de doenças. “A partir da
pirólise, obtivemos um condensado e analisamos as propriedades determinadas pela
Agência Nacional do Petróleo,
CAMILLA FERNANDES, AUTORA DO PROJETO PREMIADO
como ponto de fulgor, viscosidade, densidade, pressão
de vapor e octonagem, entre
outras. Grande parte dos quesitos analisados está dentro
da faixa estipulada pela ANP.
Quando comparado a outros
combustíveis, o condensado
se mostrou similar ao diesel
S10”, explica o professor Gonçalves dos Santos.
A proposta do projeto, iniciado em janeiro de 2013, é
reutilizar e produzir combustível a partir de um poluente.
“Uma fundamentação teórica
consolidada e a análise dos
resultados de forma rigorosamente científica foram os
grandes méritos do trabalho,
e possibilitaram que o trabalho realizado na FEI superasse outros bons trabalhos sobre sustentabilidade”, afirma
Gonçalves dos Santos. Para
viabilizar o uso do condensado
como combustível, ainda são
necessários testes em motores e alterações nos compostos aromáticos e tóxicos.
PROFESSORA DA FEI RECEBE PRÊMIO DE RENOME POR TESE DE DOUTORADO
A professora do programa de pós-
o estudo da professora da FEI avalia o
modela o processo produtivo, de forma
-graduação em Administração do Cen-
processo produtivo dos serviços intensi-
a gerar ganhos de eficiência e eficácia”,
tro Universitário da FEI, Juliana Bonomi,
vos em conhecimento, como engenha-
explica a professora Juliana.
é autora da tese vencedora da edição
ria, desenvolvimento de software e con-
Como prêmio, a profa. Juliana, que
de 2013 do prêmio Emerald/EFMD de
sultoria. “Responsáveis por uma parcela
concluiu seu doutorado na Universi-
melhor tese de doutorado, na catego-
significativa do PIB mundial, esses ser-
dade de Lancaster, na Inglaterra, terá
ria Operações e Gestão da Produção.
viços geram e disseminam conheci-
a oportunidade publicar um artigo
A premiação, altamente reconhecida
mento no mercado, impulsionando
relacionado à tese no International
no meio acadêmico, é organizada pela
inovações e investimentos públicos em,
Journal of Operations and Production
editora internacional Emerald Group
por exemplo, infraestrutura e saúde.
Management, editado pela Emerald.
Publishing em parceria com a Funda-
Ganhos de produtividade nesses servi-
“Este prêmio é muito positivo, pois é o
ção Europeia de Desenvolvimento de
ços podem trazer avanços econômicos
reconhecimento da qualidade do tra-
Gestão (European Foundation for Ma-
e sociais. A tese faz uma contribuição
balho e a valorização de todo o esforço
nagement Development – EFMD).
nesse sentido. Composta por três ar-
empregado no doutorado. Ele também
Manage-
tigos, ela mostra, em detalhe, como a
abre possibilidades para o futuro”,
ment Perspectives on Expert Services,
expertise dos profissionais define e re-
completa Juliana.
Intitulado
Operations
27
I N F O R M AT I V O D O S J E S U Í TA S D O B R A S I L
A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL CENTRO-LESTE
PADRE ÉLCIO TOLEDO
DESPEDE-SE DE SANTA
RITA DO SAPUCAÍ E É
HOMENAGEADO EM MG
CAMILLA
FERNANDES,
AUTORA DO
PROJETO
PREMIADO DA CÂMARA MUNICIPAL DE
PADRE ÉLCIO
TOLEDO (DIREITA)
RECEBEU
HOMENAGEM
SANTA RITA DO SAPUCAÍ (MG)
O padre Élcio José de Toledo foi homenageado pela Câmara Municipal de
Santa Rita do Sapucaí (MG), em março.
O jesuíta recebeu uma Moção de Congratulações, de autoria do vereador
João Paulo Sampaio. Há dois anos em
Santa Rita, o reitor da ETE e também
diretor de Formação Cristã e Comunitária, envolveu-se ativamente na vida
ministerial das paróquias do município
e no trabalho com a juventude.
“Foram anos de muito aprendizado, crescimento e bastante dedicação.
E como todo trabalho que se faz por
Cristo, o maior beneficiado dele fui eu
mesmo. A mesma Companhia que,
para aqui me enviou, agora me destina para Belo Horizonte. Parto levando,
nos olhos, lágrimas de saudade; no
rosto, um sorriso pela certeza de ter
cumprido minha missão; e, no coração, a esperança de que é o bom Deus
quem me envia e que fará frutificar o
trabalho aqui realizado, assim como
preparará meu futuro caminho”, conta
padre Élcio.
Para João Paulo, autor da Moção e
diretor Pedagógico da ETE, o período de
trabalho com padre Élcio foi de muito
aprendizado. “Ele sempre confiou muito no nosso trabalho e nos deu total autonomia para que pudéssemos exercer
nossas funções na ETE. Em pouco tempo conquistou a nossa simpatia, amizade e admiração. Nesses dois anos,
deixou um grande legado, que foi sempre reforçar, na Instituição, o nome e os
princípios da Companhia de Jesus.”
28
A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL CENTRO-LESTE
COLÉGIO SÃO LUÍS PROMOVE CIS UNIVERSITY
TOUR PARA ALUNOS INTERESSADOS EM
ESTUDAR NO EXTERIOR
O Colégio São Luís realizou a segunda edição da CIS University Tour, feira
que reúne universidades do exterior,
entre os dias 18 e 20 de março. O evento
reuniu mais de 26 instituições dos Estados Unidos, França, Espanha e Suíça. A
programação contou com workshops,
rodas de conversa, orientação vocacional, dentre outras atividades.
As universidades forneceram informações sobre cursos de graduação, pós-graduação, especialização e
estudo da língua inglesa. As orientações sobre os cursos também foram
dadas em inglês pelas equipes especializadas de cada universidade.
Os pais e os alunos participaram
também de uma conversa individual
com Marila Lavelle, responsável pela
área internacional do Colégio, que esclareceu dúvidas sobre o processo de
estudos no exterior, inclusive sobre o
Na Paz do Senhor
Faleceu em Valinhos (SP), no
dia 9 de abril, a Sra. Nimpha B.
Beltramini, mãe do Pe. Eduardo
Beltramini. Faleceu aos 69 anos de
idade, também no início deste mês
de abril, o Sr. Geraldo P. Resende,
irmão do Ir. Edgar Armando de Resende. Nossa solidariedade aos familiares.
estudo da língua estrangeira. Ex-alunos e profissionais compartilharam,
de forma dinâmica e descontraída,
suas experiências de estudo no exterior, como a escolha da universidade,
o processo de inscrição, os desafios,
as dificuldades e conquistas.
“O São Luís está investindo fortemente nessa iniciativa porque sabemos que o número de estudantes
brasileiros interessados em estudar
no exterior tem crescido cerca de 20%
ao ano”, explica Tuna Serzedello, um
dos responsáveis pelo projeto de universidades do colégio.
Como incentivo para uma formação no exterior, o São Luís promove,
também, o programa Estudo do Meio
nos Estados Unidos, para os alunos
do 2º ano do Ensino Médio. Os jovens
passam 15 dias na Creighton University, nos EUA, e, durante a experiên-
REPORTAGEM FEITA PELA TV SÃO LUÍS
cia, participam também de aulas de
inglês e imersão cultural.
Calendário BRC
25 e 26 DE ABRIL | Visita à Residência do Colégio Anchieta
Nova Friburgo (RJ)
28 e 29 DE ABRIL | Visita ao Centro Santa Fé – São Paulo (SP)
30 DE ABRIL | Conselho Administrativo (CAD) – São Paulo (SP)
1º DE MAIO | Consulta BRC – São Paulo (SP)
5 A 10 DE MAIO | 28ª Assembleia da CPAL – Guadalajara (MEX)
8 A 10 DE MAIO | Simpósio Nacional do Bicentenário de Restauração da
Companhia de Jesus – São Paulo (SP)
18 A 20 DE MAIO | Visita à Residência e Paróquia de MOC
Montes Claros (MG)
29
I N F O R M AT I V O D O S J E S U Í TA S D O B R A S I L
a companhia de jesus no
BRASIL
MERIDIONAL
PE. LUIZ CARLOS DEFENDE
TESE DE DOUTORADO
NA ÁUSTRIA
O padre Luiz Carlos
Sureki obteve o título de
doutor em Teologia na
Katholisch-Theologische
Fakultät der Leopoldo-Franzens-Universität, em
Innsbruck, Áustria, após
defender sua tese no dia
18 de março. O trabalho do
jesuíta recebeu nota máxima e a apresentação durou
em torno de uma hora. Estiveram presentes à defesa
o provincial da Áustria, Pe.
Gernot Wisser, o Reitor do
Jesuitenkolleg, Pe. Markus
Inamma, e vários professores e estudantes jesuítas
do Filosofado e do Teologado, entre os irmãos Lauro
Eidt, do Colégio Pio Brasileiro, e Afonso Wobeto, da
Cúria Generalícia.
A tese apresentada
insere-se no campo da Teologia Fundamental e foi
orientada pelo professor
Roman Siebenrock. O trabalho aborda o tema da
relação entre Esperança e
Promessa (Hoffnung und
Verheißung) em perspectiva filosófica e teológica.
Na viagem para Innsbruck, Ir. Lauro entrou na
localidade de St. Ulrich,
ALFONSO WOBETO, LUIZ CARLOS SUREKI E MARKUS ROSSKOPF DE
SALZBURG.
Bolzano, para encomendar,
no ateliê Conrad Moroder,
uma estátua de José de Anchieta para colocar na capela do Colégio Pio Brasileiro.
O ateliê é famoso por fabricar estátuas de madeira
para a Itália e muitos ou-
Colégio Catarinense
inaugura capela e memorial
João Paulo II
A Comunidade Educativa do Colégio Catarinense inaugurou dois
espaços em homenagem ao Beato
João Paulo II, em março, no prédio
que leva seu nome e abriga os anos
iniciais da Unidade I. Em outubro de
1991, o papa João Paulo II esteve em
Florianópolis para celebrar a beatificação de Santa Paulina e hospedou-se na residência dos jesuítas, junto
ao Colégio Catarinense.
A capela faz memória ao oratório em
que o papa fazia suas orações, mantendo
o genuflexório – móvel para rezar, em forma de cadeira. O sacrário e o quarto onde
o papa hospedou-se foram preservados e
transformados em um memorial de sua
visita, reunindo fotos de sua passagem
por Florianópolis, do encontro com os
jesuítas, das reportagens de jornais que
noticiaram a visita, bem como o vídeo da
missa campal e de outros encontros.
tros países, inclusive para o
Brasil. A estátua será abençoada pelo papa Francisco,
por ocasião de sua visita ao
Pio Brasileiro para a comemoração dos 80 anos do Colégio, prevista para o dia 31
de maio deste ano.
30
A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL MERIDIONAL
ARCEBISPO DE FLORIANÓPOLIS CELEBRA
COM A COMUNIDADE EDUCATIVA
DO CATARINENSE
CELEBRAÇÃO DE DOM WILSON TADEU JÖNCK, NA IGREJA SANTA CATARINA DE ALEXANDRIA
O arcebispo de Florianópolis, dom Wilson Tadeu Jönck,
realizou uma celebração com a comunidade educativa do
Colégio Catarinense, na Igreja Santa Catarina de Alexandria, no dia 18 de março. A visita pastoral foi acompanhada
de padres da arquidiocese e jesuítas. Na sua homilia, dom
Wilson ressaltou a missão do Colégio como obra da Companhia de Jesus e também lembrou a grande contribuição dos
jesuítas com os Exercícios Espirituais, como serviço à Igreja, e orientou, aos leigos colaboradores do Colégio Catarinense, que vivam a experiência da espiritualidade inaciana
e partilhem dessa fonte com todos.
Na celebração, foram comemorados, também, os 51
anos de sacerdócio do padre Quirino Weber, assessor espiritual do Colégio Catarinense. Em nome dos jesuítas, padre
Geraldo Kolling, presidente da Associação Antônio Vieira
(ASAV), agradeceu a visita de dom Wilson e dos padres diocesanos e motivou a missão do Colégio Catarinense. O diretor-geral do Colégio Catarinense, professor Afonso Silva,
também agradeceu a presença do arcebispo na Igreja, reafirmando que, como obra da Companhia de Jesus, o Colégio
tem o compromisso de estar sempre em comunhão com a
Igreja e as lideranças eclesiais locais.
Estagiários da Unisinos trazem alegria para
o Instituto São José
Com a volta das aulas,
a geriatria do Instituto São
José – Casa de Saúde alegra-se todas as quartas-feiras à tarde, com a presença
dos estagiários da Fisioterapia da Unisinos. Cerca de 20
jovens enchem de alegria e
esperança os corredores e
salas do Instituto. Além dis-
so, de 2ª a 6ª feira, um animado cumprimento de ‘bom
dia’ da estagiária de psicologia e da nutricionista traz
mais alegria para todos.
Na casa de saúde, continuam sob cuidados intensivos os irmãos Blásio B. Alles
e Walter Wiest, os padres
Pedro O. Mentges e Guido E.
Wenzel, que recebe a quimioterapia. De Salvador do Sul,
esteve no Instituto, durante
dois dias, o padre J. Sebaldo
Schuck, para consulta médica e exame.
Como comunidade orante, missionários pela oração,
o Instituto São José realiza
os Encontros Quaresmais,
Via-Sacra e Vídeo da CNBB
pela erradicação do flagelo
do tráfico humano, no mundo. “Sejam muitos e abençoados os frutos dos Exercícios
Quaresmais 2014 de toda a
Igreja, para uma feliz Páscoa
da Humanidade”, afirma o
padre Hugo Bersch, superior
da Casa de Saúde.
31
I N F O R M AT I V O D O S J E S U Í TA S D O B R A S I L
A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL MERIDIONAL
1ª Conferência Livre da Comigrar
A 1ª Conferência Livre
da Comigrar (Conferência
Nacional sobre Migração e
Refúgio) reuniu estudantes,
professores, representantes
do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para
Refugiados) e da Companhia
de Jesus, representada pela
ASAV (Associação Antônio
Vieira), no campus da Unisinos, em São Leopoldo (RS),
no dia 24 de março.
O evento incluiu a reflexão,
o debate e a construção de
soluções para elaboração da
nova Política Pública Nacional, que trata da Migração e
do Refúgio no país. “Estamos
aqui para estruturar ideias
práticas que tornem o Brasil
mais justo e menos desigual
na perspectiva da migração”,
declarou a coordenadora do
curso de Relações Internacionais e da CSVM (Cátedra
Sérgio Vieira de Mello), professora Gabriela Mezzanotti.
Padre José Ivo Follmann,
vice-reitor da Unisinos e diretor
de Assistência Social da ASAV,
ressaltou a importância da
observação dos problemas sociais enfrentados pelos estrangeiros que chegam ao Brasil
sob os dois status. “É necessário construir propostas de Políticas Públicas para os migrantes e refugiados, sem esquecer
que somos marcados por pre-
conceitos e discriminações.
São atos falhos coletivos que
podem comprometer a qualidade de vida e socialização”,
ponderou o jesuíta.
A deficiência da estrutura
para promover tal socialização também foi discutida. A
coordenadora do Projeto de
Reassentamento Solidário de
Refugiados no Rio Grande do
Sul, da ASAV, Karin Kaid Wa-
pechowski, deixou claro que
“existe a carência de uma estrutura para acolhimento aos
reassentados, que devem ter
acesso aos mesmos direitos
do restante da população”.
O evento da 1ª Conferência Livre da Comigrar avaliou
quinze propostas para serem
aprovadas na etapa nacional,
em São Paulo, entre os dias
30 de maio e 1º de junho.
Orquestra Unisinos Anchieta participa da
reinauguração do Estádio Beira-Rio
A Orquestra Unisinos Anchieta participou da reabertura do estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS), no dia 5 de abril. Com 100
músicos e 200 coralistas, o espetáculo Os Protagonistas emocionou os quase 50 mil torcedores do Sport Club Internacional.
A orquestra esteve sob regência do maestro Evandro Matté, com produção musical de Dudu Trentin e direção geral de
Edson Erdmann, ex-aluno do Colégio Anchieta e ex-integrante
do Show Musical do Colégio. A festa contou com a participação
de nomes da música nacional e de ídolos do clube colorado. O
estádio será uma das sedes dos jogos da Copa do Mundo.
32
A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL MERIDIONAL
Professora do Catarinense despede-se após 42 anos
No dia 10 de março, a comunidade
educativa do Colégio Catarinense celebrou os 42 anos de trabalho da professora Cléia Bernardete Fritzke Abdalla.
Além de educadores, diretores, familiares e ex-alunos, marcaram presença na
celebração os ex-diretores da instituição, o delegado de Educação da Província do Brasil, padre Mário Sündermann,
e o diretor do Colégio Anchieta de Porto
Alegre (RS), padre João Cláudio Rhoden.
Na celebração eucarística, a comunidade agradeceu à vida e à dedicação da
professora Cléia, relembrando os momentos de sua trajetória e as funções desempenhadas no Colégio. Padre Mário ressaltou o aprendizado na convivência e partilha
da missão como diretor-geral. “Com a
Cléia, aprendi a ser diretor. À ela, dedico o
agradecimento dos jesuítas no Brasil, por
ter compartilhado conosco a missão da
Companhia de Jesus na educação”, destacou ele, ao relembrar a dedicação da diretora acadêmica e a saudação em nome do
provincial do Brasil, padre Carlos Palácio.
Além de educadora, graduada em
História pela UFSC (Universidade Federal
de Santa Catarina), em 1969, Cléia formou-se também em Direito, pela mesma
universidade, em 1973. Viveu, nessa épo-
PROFESSORA CLÉIA (ACIMA) DURANTE A CELEBRAÇÃO FEITA EM SUA HOMENAGEM
ca, a experiência pioneira de ter constituído o primeiro escritório de advocacia de
Florianópolis, gerido exclusivamente por
mulheres. Exerceu a advocacia por quinze
anos, mas encontrou seu verdadeiro espaço de realização pessoal e profissional
junto à escola e às suas dinâmicas.
Nos 42 anos de Colégio Catarinense, além de professora, Cléia assumiu
diversas funções: coordenadora-geral,
assessora pedagógica e, nos últimos
cinco anos, foi diretora acadêmica. Em
sua despedida, ela agradeceu a todos
pela caminhada que trilhou no Colégio,
enalteceu o aprendizado e o crescimento de vida em sua trajetória: “Evitarei
citar nomes para não ser injusta e esquecer alguém. Agradeço o carinho de
todos e o muito que aprendi para meu
crescimento pessoal”.
Na Paz do Senhor
No sábado, 5 de abril, a irmã do Ir.
Afonso Woberto, Amália Wobeto, faleceu. A religiosa franciscana da PCC
(Penitência e Caridade Cristã) estava no
Asilo Santa Elisabeth, em São Leopoldo
(RS). Ela tinha 83 anos de idade e 54 de
vida religiosa. No dia 17, o irmão Walter
Wiest, 79 anos, faleceu no Instituto São
José, em São Leopoldo (RS). O jesuíta
dedicou 51 anos à Companhia de Jesus.
Que Deus os receba na sua paz.
Calendário BRM
21 A 24 DE ABRIL | Residência Espírito Santo – São Leopoldo (RS)
14 A 18 DE MAIO | Residência Santo Inácio – Pelotas (RS)
20 A 21 DE MAIO | Reunião de Superiores, diretores de obras e ministros
da BRM, no CECREI – São Leopoldo (RS)
33
I N F O R M AT I V O D O S J E S U Í TA S D O B R A S I L
a companhia de jesus no
BRASIL
NORDESTE
JESUÍTAS APRESENTAM PROJETO DA REDE INACIANA
DE JUVENTUDE AO ARCEBISPO DE TERESINA
Os jesuítas que trabalham
com juventude no Piauí apresentaram, ao arcebispo dom
Jacinto Furtado de Brito Sobrinho, o projeto da Rede Inaciana de Juventude, no dia 14 de
março, na residência episcopal
da Arquidiocese de Teresina.
O arcebispo acolheu com
alegria a proposta da Companhia de Jesus de integrar o
projeto ao trabalho arquidiocesano. Ele falou também sobre a importância da parceria
e do diálogo para um trabalho
ativo com a juventude.
Os jesuítas ressaltaram
que a intenção da Companhia
de Jesus é oferecer à juventude da Arquidiocese um espaço
privilegiado para sua formação. Esse espaço, a Casa MAGIS, está sendo montado com
o apoio do Colégio Diocesano.
Para o coordenador do
Núcleo de trabalho com a
juventude no Piauí, padre
Agnaldo Duarte, “o encontro
com o arcebispo de Teresina
foi muito consolador, marcado por uma conversa franca e aberta. A verdade é que
o arcebispo se mostrou muito sensível com a realidade
juvenil e nos animou a fazer
parte de um colegiado que
articule melhor as diversas
iniciativas com os jovens
universitários, conferindo-lhes largueza e horizonte”.
D. JACINTO FURTADO DE BRITO SOBRINHO E JESUÍTAS
34
A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL NORDESTE
COLÉGIO ANTÔNIO VIEIRA
CELEBRA 103 ANOS DE
SUA FUNDAÇÃO
UM DOS CORREDORES DO COLÉGIO
O Colégio Antônio Vieira completou 103 anos de fundação no dia
15 de março. Por meio de homenagens e celebrações, a comunidade
educativa festejou esse importante momento. A preparação para o
aniversário da instituição começou
com a campanha #Vocênos103anosdoVieira. O Setor de Comunicação
(Secom) convidou os alunos, professores e funcionários a enviarem uma
foto no formato selfie – autorretrato
feito com a câmera do celular, para
ser compartilhado nas redes sociais.
Com uma moldura padronizada, as
imagens foram publicadas na página
do Vieira no Facebook, recebendo
grande adesão dos alunos.
No dia 14, os alunos da 7ª série
do Ensino Fundamental à 2ª série do
Ensino Médio reuniram-se no Santuário Nossa Senhora de Fátima e
fizeram uma homenagem por meio
de orações, cantos e depoimentos.
No dia 15, aconteceu o ápice da comemoração por meio da Eucaristia.
Alunos do Ensino Fundamental e
Médio e da Educação para Jovens e
Adultos (EJACAV) juntaram-se aos
educadores, funcionários, jesuítas e
familiares e marcaram presença na
missa presidida pelo diretor do Colégio, padre Domingos Mianulli, e concelebrada pelo padre Leonel Gomes.
Durante a homilia, o diretor agradeceu às pessoas que fizeram parte da
história vieirense: “Obrigado a todos que
ajudaram a construir o Colégio nesses
103 anos, que a cada ano é renovado”, ressaltou. A celebração contou também com
a presença de vieirenses aprovados nos
vestibulares. O aluno Josenilson Evangelista dos Santos, concluinte do Ensino Médio no EJACAV, em 2013, e aprovado em
Engenharia Elétrica, participou da missa
levando flores no momento do ofertório.
Padre Jonas
Caprini
professa os
últimos votos
O padre Jonas Elias Caprini professou os últimos votos na Igreja de
Santo Antônio da Barra, no dia 25 de
março, em Salvador (BA). Os últimos
votos é um momento especial na vida
dos jesuítas, pois representa a incorporação definitiva no Corpo Apostólico da Companhia de Jesus.
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A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL NORDESTE
Comunidade
Manoel da
Nóbrega
acolhe novos
jesuítas
Em 2014, a residência Padre Manoel da Nóbrega acolheu novos jesuítas na comunidade. “Recebemos com
alegria os novos companheiros que
vieram integrar nossa vida e missão”,
afirmou Jerfferson Amorim de Souza,
sj. São 4 jesuítas que passam a fazer
parte da residência:
Irmão Fernando Vieira, natural
de Indaiatuba (SP), mudou-se para
o Recife (PE), após profissão religiosa realizada em Cascavel (PR), em 2
de fevereiro. Dedicará seu tempo ao
trabalho com música sacra e litúrgica, irradiando sua atuação a partir
da Unicap, com especial colaboração
nas casas de formação, paróquias e
obras da Companhia no Brasil.
O padre José Raimundo, baiano de
Amargosa (BA), que, após um tempo de
trabalhos em Salvador (BA), veio integrar a comunidade. Ele comporá o corpo de professores de Teologia da Unicap,
principalmente na área de Liturgia. No
momento, recupera-se de uma cirurgia
realizada devido à fratura no antebraço.
O padre José de Anchieta, de Salvador (BA), chegou ao Recife em fevereiro e atuará no CIES (Centro de
Espiritualidade Inaciana). Ele está
discernindo sua inserção na missão a
partir da universidade.
O padre Marcos Augusto, de Fortaleza (CE), chegou à comunidade
Manoel da Nóbrega destinado como
superior da comunidade. Atuará também na Unicap, a partir do trabalho
social que a instituição realiza.
FIÉIS LOTAM IGREJA NA
POSSE DE NOVO PÁROCO
O padre Pedro Pereira da Silva tomou posse como pároco da Paróquia de
Todos os Santos, em Feira de Santana
(BA), no dia 23 de fevereiro. Padre Pedrinho, como é mais conhecido, substituirá
padre Caio que, após três anos à frente
da Paróquia, foi transferido para Russas, no Ceará. Na cerimônia, o padre
José Paulino Martins assumiu o cargo
de vigário paroquial.
Os fiéis lotaram a igreja para assistir
à missa festiva, presidida pelo arcebispo
dom Itamar Vian e concelebrada pelos
padres recém empossados, e pelo provincial da BNE Miguel Martins, padre Jair,
dentre outros. Na sua homilia, o arcebispo
falou quais são as atribuições do pároco e
do vigário paroquial, além de ressaltar a
importância deles para a vida da Paróquia.
No final da celebração, dois gru-
pos de jovens, crianças e adolescentes,
emocionaram a todos quando protagonizaram duas lindas apresentações musicais. O primeiro, com os integrantes
tocando apenas violão, desfilou um repertório bastante eclético. Já o segundo, uma verdadeira sinfonia, com instrumentos variados, apresentou vários
números, indo do clássico Beethoven
até o popular Luiz Gonzaga.
Na Paz do Senhor
O senhor Marcílio Margotto, avô do diácono Aldomárcio M. Dal Bo, faleceu
recentemente, aos 92 anos. Pedimos oração para toda a família nesse momento.
Calendário BNE
COMPROMISSOS DO PROVINCIAL
22 A 23 DE ABRIL | Assembleia CSI – Fortaleza (CE)
24 DE ABRIL | Assembleia CETEC – Recife (PE)
25 DE ABRIL | Assembleia ANI – SALVADOR (BA)
26 A 30 DE ABRIL | Expediente na Cúria BNE e visita a comunidade e
obras da Barra – Salvador (BA)
1º A 12 DE MAIO | Assembleia da CPAL – Guadalajara (MEX)
13 DE MAIO | Chegada – Descanso – SALVADOR (BA)
14 DE MAIO | Consulta da BNE – SALVADOR (BA)
15 A 18 DE MAIO | Expediente da Cúria BNE – SALVADOR (BA)
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a companhia de jesus no
BRASIL
PROVINCIALADO
Encontros de Plataformas Apostólicas
reúnem jesuítas pelo país
Jesuítas do Brasil inteiro participam de uma série de encontros das
futuras Plataformas Apostólicas da Província dos Jesuítas do Brasil,
em abril. Até o momento, quatro dos sete encontros foram realizados.
Todos os encontros aconteceram em clima de fraternidade e
de busca conjunta da vontade de Deus para a missão da Companhia de Jesus no Brasil.
Foto: Ir. Lucemberg de Oliveira Lima
Foto: Pe. Carlos Viana
Nos dias 1º e 2 de abril, cerca de 60 jesuítas participaram do encontro da PLATAFORMA APOSTÓLICA
SUL 1, em Itaici, Indaiatuba (SP).
O encontro da PLATAFORMA APOSTÓLICA CENTRO-OESTE reuniu 21 jesuítas, nos dias 7 e 8 de
abril.
Foto: Pe. Itamar Carlos Gremon
Foto: Pe. Horácio Freire Silva
No encontro da PLATAFORMA APOSTÓLICA LESTE,
realizado nos dias 3 e 4 de abril, cerca de 80 jesuítas
estiveram presentes, no Rio de Janeiro (RJ).
E, por fim, nos dias 10 e 11 de abril, 25 jesuítas, que
partilharão a vida e a missão na PLATAFORMA APOSTÓLICA AMAZÔNIA, participaram do encontro.
CONFIRA AS DATAS DOS PRÓXIMOS ENCONTROS:
29 A 30 DE ABRIL | Encontro da PLATAFORMA APOSTÓLICA NORDESTE1, em Baturité (CE)
2 E 3 DE MAIO | Encontro da PLATAFORMA APOSTÓLICA 2, em Mar Grande (BA)
6 E 7 DE MAIO | Encontro da PLATAFORMA APOSTÓLICA SUL 2, em São Leopoldo (RS)
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A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL PROVINCIALADO
SURPRESAS DE DEUS
NOVIÇO LUÍS DUARTE
mente sou surpreendido por
Deus. Enquanto aguardava
uma pequena cirurgia, fui
enviado para passar alguns
dias em Salvador (BA), junto
aos jesuítas da Comunidade
Antônio Vieira e ao CEAS –
Centro de Estudos Sociais.
Durante dez dias, tive a
grata felicidade de conhecer
e de me aproximar mais do
CEAS e daqueles que constroem essa história. O CEAS
é uma construção coletiva
de jesuítas e leigos a serviço
da justiça e da solidariedade
“para que todos tenham vida
e vida em abundância”, “em
tudo amando e servindo”.
Estar no CEAS foi pisar em
solo sagrado que, no seguimento a “Jesus Cristo pobre”,
LUÍS, DE CAMISETA ROSA, COM A EQUIPE DO CEAS
se coloca a serviço dos mais
pobres e sofredores. E, por
isso mesmo, tece uma rede de
compromisso e de serviço que
ultrapassa diferenças sociais,
étnicas, culturais e religiosas.
Nesses dias, senti o compromisso com a vida e com a
construção de outro mundo
possível, que emana pelos corredores dessa casa. Saboreei o
perfume de um saber construído coletivamente ao conhecer
a biblioteca que, em gigante
acervo, guarda a memória dos
movimentos sociais e coloca-se como espaço de reflexão
crítica em vista da transformação da realidade. Convivi com
homens e mulheres gigantes.
Gigantes não no tamanho, mas
na doação da vida que se faz
serviço por uma causa, uma
utopia. Tateei uma história de
quase cinquenta anos. História
que, em suas dores, sabores,
realizações e caminhos, guarda uma incrível fidelidade a
Cristo e aos pobres.
Por tudo isso, estar esses
dias no CEAS foi uma grata e
feliz surpresa que Deus me
concedeu. Fica minha mais
profunda gratidão. Gratidão
a Deus pelo bem que Ele faz
ao povo através dos homens
e mulheres que, por meio
do CEAS, doam suas vidas
na construção da Civilização
do Amor. Gratidão aos homens e mulheres com quem
convivi no CEAS e aos jesuítas da Comunidade Antônio
Vieira que me acolheram.
Foto: Arquivo / Joabes Rodrigues
O que escrevo é acompanhado da convicção de que não
há coisa grande e pequena:
há pessoas que são capazes
de ser mais gente. Não conto
novidades; conto uma surpresa. Há mais tempo que venho
dizendo que Deus gosta de me
surpreender. Passei o primeiro
mês do segundo ano de noviciado preparando-me, com os
amigos noviços, para vivermos
o experimento de inserção na
Região Amazônica. Mas, próximo do dia de partir para a missão, veio a primeira surpresa.
Fui impossibilitado de viajar
por questões de saúde.
Cuidar de minha saúde
passou, então, a ser prioridade nos dias que se seguiram.
Em meio aos cuidados, nova-
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A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL PROVINCIALADO
NOTÍCIAS DA PASTORAL VOCACIONAL – BELO HORIZONTE
ESC. RENATO CARVALHO DE OLIVEIRA, SJ
Entre os dias 21 e 23 de março, começamos o GAVI (Grupo de Aprofundamento Vocacional Inaciano), em Belo Horizonte (MG),
cujo tema foi O sentido do acompanhamento
vocacional. Contamos com a presença de
jovens com desejo de encontrar respostas e
luzes para suas inquietações existenciais e
vocacionais. Confira seus relatos :
“É uma experiência ímpar participar de
um encontro onde se reúnem pessoas
que partilham entre si os mesmos sentimentos, realidades e inquietações.”
“A dinamicidade dos encontros vocacionais leva-me a ter um melhor conhecimento de mim mesmo, dos outros e do
nosso misericordioso Deus, e tudo isso
contribui com a minha vocação.”
“Discernir o chamado ao seguimento
a Cristo se torna suave na companhia
do Senhor e dos irmãos. É consolador
perceber que nunca estamos sozinhos.
Avancemos acompanhados!”
(Élio, 32 anos, de Itabira, MG).
(José Antônio, 26 anos, paulista e
residente em Belo Horizonte).
“O sentimento que brota é de alegria
por continuar caminhando no GAVI, na
companhia de amigos/irmãos, partilhando experiências.”
(Denis, 17 anos, de Passos, MG).
(Gustavo César, 18 anos, de Divinópolis).
(Raimundo, 23 anos, cearense e
“Considero valiosa a experiência de
iniciar um processo de discernimento
vocacional pautado na reflexão interior,
na convivência, na partilha e na observância da Palavra de Deus.”
residente em Belo Horizonte).
(André, 32 anos, de Resende Costa, MG).
“Espero que o acompanhamento me
ajude a dar um sim a Cristo, ao chamado
que ecoa de dentro do meu coração.”
Animados pelo calor dessas breves partilhas, sinal de esperança na Igreja e para a
Companhia de Jesus, pedimos, na ternura e num só espírito de “corpo apostólico”,
orações por esses “corações inquietos”. A
equipe atual da Pastoral Vocacional de Belo
Horizonte – que conta desde o ano passado
com o estudante de Filosofia Renato Carvalho e o Irmão Eudson Ramos – vive um tempo de ampliação da equipe com a chegada
do estudante de Filosofia Jucélio Olliver, do
padre Élcio Toledo e de alguns estudantes de
Teologia, e também dos nossos trabalhos.
Aos que chegam, desejamos Boas-Vindas!
Rezem por nós, companheiros!
Calendário BRA
22 DE ABRIL | Assembleia do DIA (Mantenedora)
Manaus (AM)
2 E 3 DE MAIO | Reunião da Plataforma Apostólica Nordeste 2
Mar Grande (BA)
22 E 23 DE ABRIL | Visita ao Colégio São Francisco Xavier
(Del. Educ.) – São Paulo (SP)
2 E 3 DE MAIO | Visita ao Colégio Anchieta (Del. Educ.)
Porto Alegre (RS)
23 DE ABRIL | Assembleia do Colégio Santo Inácio de
Fortaleza (Mantenedora) Fortaleza (CE)
2 A 4 DE MAIO | 2º Encontro Nacional de Lideranças Jovens do
MEJ – Baturité (CE)
24 DE ABRIL | Assembleia do CETEC – Recife (PE)
5 A 10 DE MAIO | 28ª Assembleia da CPAL – Guadalajara (MEX)
24 E 25 DE ABRIL | Visita à ETE (Del. Educ.) – Santa Rita
do Sapucaí (MG)
6 E 7 DE MAIO | Reunião da Plataforma Apostólica Sul 2
São Leopoldo (RS)
25 DE ABRIL | Assembleia da ANI e da JESLEQ – Salvador (BA)
8 A 10 DE MAIO | Simpósio Nacional do Bicentenário de
Restauração da Companhia de Jesus – São Paulo (SP)
29 E 30 DE ABRIL | Reunião da Plataforma Apostólica
Nordeste 1– Baturité (CE)
29 E 30 DE ABRIL | Visita ao Colégio Medianeira
(Del. Educ.) – Curitiba (PR)
9 A 14 DE MAIO | Encontro dos Secretários Nacionais do
Apostolado da Oração na América Latina – Baturité (CE)
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I N F O R M AT I V O D O S J E S U Í TA S D O B R A S I L
ANIVERSÁRIOS
ABRIL
MAIO
16 |
Pe. José Vollmer - BRM
01 |
Pe. Miguel Elosúa Rojo – BRC
17 |
Pe. Gino Raisa – BNE
Ir. Salvador Ienne – BRC
02 |
19 |
Pe. Agnaldo Barbosa Duarte – BNE
Pe. Pedro Vicente Ferreira – BNE
Pe. Spencer Custódio Filho – BRC
Pe. Ary de Freitas – BRC
Pe. Francisco de P. A. Xavier Barbieri – BRM
Esc. José Bruno Paula Moreira – BNE
Ir. Mário Álvares Gomes – BRC
03 |
Esc. Luiz Leandro Alves de Castro – BNE
04 |
Ir. Marcos Epifanio Barbosa Lima – BNE
05 |
Esc. Izequiel Luciano E. da Costa – MOZ
Pe. José Elias Feyh – BRM
06 |
Pe. Vanildo Pereira da Silva Filho – BNE
Esc. Segundo Rafael Pérez Rubio – PER
07 |
Ir. Augusto José Azevedo – MOZ
Pe. Martinho Mayer – BRM
08 |
Esc. José Robson Silva Souza – BRM
09 |
Ir. Raimundo Nonato Oliveira Barros – BNE
10 |
Ir. Pedro Sotoriva – BRC
12 |
Pe. Hilário Henrique Dick – BRM
Pe. Mário Sündermann – BRM
13 |
Pe. Guido Valli – BRM
Pe. Luiz Neis – BRM
Pe. Manuel Fernández Herce – BRC
Pe. Xavier Nichele – BNE
14 |
Esc. Antônio Ronilson Braga de Sousa – BAM
Pe. José Ivan Dias – BNE
15 |
Pe. Erno José Luetkemeyer – BRM
Ir. Eudson Ramos – BNE
16 |
Ir. José Auri Mallmann – BRM
20 |
Pe. Kuno Paulo Rhoden – BRM
Ne. Vitor Biral Bazucco – BRC
21 |
Esc. Francisco Danilo dos S. Oliveira – BNE
Pe. José Pablo Hernández Gil – BNE
22 |
Ir. Delson Pinto Siqueira – BRC
Pe. Nereu Fank – BRM
23 |
Esc. Anibal Atalibal Lorca – VEN
Pe. Élcio José de Toledo – BRC
Pe. Hipólito Chemello – BNE
Pe. Satílio Bolonhani da Silva – BRC
24 |
Pe. Elton Vitoriano Ribeiro – BRC
25 |
Esc. Gustavo V. Assis de Paula – BNE
26 |
Ir. Affonso Wobeto – BRM
27 |
Pe. Sebastião Francisco Pescatori – BRC
29 |
Esc. Arturo Estrada Acosta – MEX
Ir. Paulo Sérgio Costalonga – BNE
40
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