UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL – UFRGS
ESCOLA DE AMINISTRAÇAO – EA
PROGRAMA DE POS-GRADUAÇAO EM ADMINISTRAÇAO – PPGA
ESPECIALIZAÇAO EM MERCADO DE CAPITAIS
ASSOCIAÇÃO DOS ANALISTAS E PROFISSIONAIS DE
INVESTIMENTO DO MERCADO DE CAPITAIS – APIMEC
ANÁLISE AVANÇADA DA CLASSIFICAÇÃO DE INDICADORES CONTÁBEISFINANCEIROS E DE MERCADO APLICADOS PARA A AVALIAÇÃO DE AÇÕES
Orientador: Prof. Gilberto de Oliveira Klöckner, PhD
Aluno: Conrad Albrecht
Porto Alegre, Maio de 2011
CONRAD ALBRECHT
ANÁLISE AVANÇADA DA CLASSIFICAÇÃO DOS INDICADORES CONTÁBEISFINANCEIROS E DE MERCADO APLICADOS PARA A AVALIAÇÃO DE AÇÕES
Monografia de Conclusão de Curso apresentada como
requisito parcial para a obtenção do grau de
Especialista em Mercado de Capitais, pelo Programa
de Pós-Graduação em Administração da Escola de
Administração, da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul.
BANCA EXAMINADORA:
_________________________________________________________
Prof. Dr. Gilberto de Oliveira Klöckner (Orientador)
UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul
_________________________________________________________
Prof. Membro da Banca Examinadora
UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul
_________________________________________________________
Prof. Membro da Banca Examinadora
UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul
_________________________________________________________
Prof. Membro da Banca Examinadora
UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul
“Vivi e aprendi o mais belo sentido do amor, do
caráter e do respeito humano contigo, minha mãe.
Obrigado por me ensinar estes valores para me
tornar um homem melhor”.
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao quadro de docentesda Pós-Graudação da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul – UFRGS, representando a Escola de Administração – EA/UFRGS e da
Faculdade de Ciências Econômicas – FCE/UFRGS, bem como, dos docentes e profissionais
do mercado financeiro e de capitais da Associação dos Analistas e Profissionais de
Investimento do Mercado de Capitais - APIMEC-SUL, convidados para lecionar durante o V
Curso Lato Sensu de Especialização em Mercado de Capitais 2009-2010, pelo
compartilhamento do seu conhecimento de alta profundidade e qualidade, seu relacionamento
interpressoal e dedicação na orientação dos estudos.
Agradeço em especial ao coordenador do curso, professor Gilberto de Oliveira
Klöckner, PhD., pela sua disposição e auxílio durante o processo de orientação,
desenvolvimento e conclusão desta presente monografia.
Ao professor Stefano Florisi, PhD., pelo incrível exemplo de amor a profissão como
professor universitário e pesquisador, da amizade e notório saber e conhecimento em
economia; ao professor Paulo Renato Soares Terra, PhD., pelo seu sempre bom humor e alto
nível de qualidade nas exposições das aulas e conhecimento em finanças; e ao professor Me.
Valter Bianchi Filho, pelo seu amplo e profundo saber em investimentos de renda variável,
sua sempre pronta disposição para ajuda e pela sua valorosa amizade.
Também gostaria de agradecer uma equipe operacional da APIMEC-SUL, do mais
alto gabarito, na prestação de serviços de suporte e apoio a condução do curso, representada
pelos nomes de Valderez, Antônia e Carlos, sempre solícitos e extremamente cordiais e
profissionais no tratamento com os discentes.
“Accounting is the language of business”: “You
have to understand accounting and you have to
understand the nuances of accounting. It’s the
language of business and it’s an imperfect language,
but unless you are willing to put in the effort to learn
accounting – how to read and interpret financial
statements – you really shouldn’t select stocks
yourself.”
WARREN E. BUFFETT
RESUMO
O presente trabalho tem por objetivo estudar a avaliação de empresas, centrando-se no estudo
das técnicas de análise das demonstrações financeiras, especializando-se nas suas respectivas
avançadas classificações de indicadores patrimoniais-financeiros e de mercado, utilizados
para a precificação de ações. Para a sua consecução, foram empregados renomados autores da
área, tanto em âmbito nacional como internacional, visando prover uma perspectiva
referencial multicriterial. As distintas formas de classificação, denominação e categorização
destes índices foram revisadas, extraídas da literatura e colocadas em comparativo, sendo
então empregadas para a elaboração de uma nova proposição categórica com o propósito de
congregar as diferentes formas de abordagens de classificação. Os resultados obtidos
apontaram para relações de similaridade e complementaridade de abordagens, porém, os
indicadores
e
suas
fórmulas
referenciados
também
sob
diferentes
formas
de
classificação/denominação. Por desfecho, pode-se concluir que as relações assimétricas e
simétricas puderam ser ligadas pelo framework de classificação proposto, de modo
satisfatório.
Palavras-chave: avaliação de empresas; análise contábil-financeira; múltiplos de mercado.
LISTA DE SIGLAS
AC – Ativo Circulante
ACF – Ativo Circulante Financeiro
ACL – Ativo Circulante Líquido
ACO – Ativo Circulante Operacional
ANC – Ativo Não Circulante
AP – Ativo Permanente
AT – Ativo Total
ATM – Ativo Total Médio
BV – Book Value Per Share
BP – Balanço Patrimonial
CAPEX – Capital Expenditures
CFE – Ciclo Financeiro Equivalente
CC – Ciclo de Caixa
CCL – Capital Circulante Líquido
CCP – Capital Circulante Próprio
CD – Custo da Dívida
CDG – Capital de Giro
CDG/D – Índice de Capital de Giro sobre Dívidas
CF – Ciclo Financeiro
CGP – Capital de Giro Próprio
CMV – Custo das Mercadorias Vendidas
CO – Ciclo Operacional
CPL – Capital Permanente Líquido
CT – Capital de Terceiros
C/ROA – Caixa Rentabilidade da Ação
CY – Cash Yield
D/CG – Índice de Dias sobre Capital de Giro
DCP/DLP – Dívidas de CP em Sobre Dívidas de LP
DASAF – Depreciação Acumulada Sobre os Ativos Fixos
DD – Duplicatas Descontadas
DF – Demonstrações Financeiras
DJSD – Despesas de Juros Sobre Dívidas
DP – Dias do Período
DPA – Dividendo por Ação
DP – Dividend Payout
DRE – Demonstrativo do Resultado do Exercício
DOAR – Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos
DY – Dividend Yield
EB – Endividamento Bancário
EBCP – Empréstimos Bancários de Curto Prazo
EBITDA – Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization
EBITDA/EV – EBITDA to Enterprise Value
EFSAT – Endividamento Financeiro Sobre Ativo Total
ELP – Exigível a Longo Prazo
EV/E – Enterprise Value to Earnings Ratio
EV/EBITDA – Enterprise Multiple to EBITDA
F&A – Fusões e Aquisições
FAIC - Financiamento do Ativo por Instituições de Crédito
FACICCP – Financiamento de Ativo Circulante por Instituições de Crédito a Curto Prazo
FC – Fluxo de Caixa
FPNCG – Financiamento Próprio da Necessidade de Capital de Giro
GA – Giro do Ativo
GAF – Grau de Alavancagem Financeira
GAO – Grau de Alavancagem Operacional
GAT – Grau de Alavancagem Total
GSAT – Goodwill Sobre Ativo Total
IAF – Índice de Alavancagem Financeira
ICAR – Índice de Conversão de Ativos de Risco
ICD – Índice de Custos Discricionários
ICF – Índice de Capital Financiado
ICJ – Índice de Cobertura de Juros
ICP – Imobilização do Capital Próprio
ICT – Índice de Cobertura Total
IECG –Índice de Estoques sobre o Capital de Giro
IF – Instituições Financeiras
IIC – Índice de Imobilização de Capital
IPC – Índice de Passivo Circulante
IPCG – Índice de Produtividade do Capital de Giro
IV – Índice de Vendas
IPO – Initial Public Offering
LAJIR – Lucro Antes dos Juros e Imposto de Renda
LAJIDA – Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização
LI – Limite Inferior
NCG – Necessidade de Capital de Giro
NDD – Nível de Desconto de Duplicatas
ME – Margem EBITDA
MB – Margem Bruta
ML – Margem Líquida
MLB – Margem de Lucro Bruto
MO – Margem Operacional
MS – Margem de Segurança
ONC – Outros não Cíclicos
OPA – Oferta Pública de
PC – Passivo Circulante Ações / Aquisição
PCT – Participação de Capitais de Terceiros
PCF – Passivo Circulante Financeiro
PCO – Passivo Circulante Operacional
PDE – Ponto de Equilíbrio
PE – Passivo Exigível
PF – Passivo Financeiro
PICEA – Participação de Instituições de Crédito no Endividamento da Empresa
PL – Patrimônio Líquido
P/L – Preço sobre Lucro por Ação
P/VCT – Preço sobre o Valor Contábil Tangível
P/VL – Preço sobre Vendas Líquidas
PMC – Prazo Médio de Cobrança
PME – Prazo Médio de Estocagem de Matéria Prima
PMF – Prazo Médio de Fabricação
PMRV – Prazo Médio de Recebimento de Vendas
PMPC – Prazo Médio de Pagamento de Compras
PMRE – Prazo Médio de Renovação de Estoques
PMC – Prazo Médio de Cobrança
PNC – Passivo Não Circulante
PR – Passivo Remunerado
PO – Passivo Operacional
PTBV – Price to Tangible Book Value
TRSI – Taxa de Retorno Sobre Investimentos
RA – Rentabilidade do Ativo
RC - Rotação de Compras
RDA – Rentabilidade da Ação
RDC – Retorno de Caixa
RE - Rotação de Estoques
RI – Rentabilidade do Investimento
RLP/PNC – Índice de Ativo Realizável a Longo Prazo em Relação ao Passivo Não Circulante
ROA – Return on Assets
ROCE – Return on Assets Employed
ROE – Return on Equity
ROIC – Return on Invested Capital
ROIE – Return on Infrastructure Employed
ROGIC – Return on Gross Invested Capital
RONA – Return on Net Assets
ROS – Return on Sales
RSAE – Retorno Sobre os Ativos Empregados
RSAL – Retorno Sobre o Ativo Líquido
RSCIB – Retorno sobre o Capital Investido Bruto
RSI – Retorno Sobre Investimentos
RSPR – Retorno Sobre o Passivo Remunerado
RLP – Realizável a Longo Prazo
RNC – Recursos Não Correntes
RSA – Retorno Sobre o Ativo
RSPL - Retorno Sobre o Patrimônio Líquido
RV - Rotação de Vendas
ST – Saldo de Tesouraria
STSV – Saldo de Tesouraria Sobre Vendas
SSP – Sales to Stock Price Ratio
TBV – Tangible Book Value
TCPL – Taxa de Crescimento do Patrimônio Líquido
TI – Turnover dos Investimentos
TR – Taxa de Retorno
TRSCP – Taxa de Retorno do Capital Próprio
TRSCT – Taxa de Retorno dos Capitais de Terceiros
TRSIT – Taxa de Retorno do Investimento Total
VAF – Vendas Sobre Ativos Fixos
VCT – Valor Contábil Tangível
V/AC – Índice de Vendas sobre Ativo Circulante
V/LPA – Variação do Lucro por Ação
V/TBV – Vendas Por Taxa Bruta de Vendas
VPA – Valor Patrimonial da Ação
VPL/A – Valor Patrimonial Líquido por Ação
VSCG – Vendas Sobre Capital de Giro
VSDA – Vendas Sobre Despesas Administrativas
VSPL – Vendas Sobre o Patrimônio Líquido
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 1
PROBLEMA ........................................................................................................................ 3
JUSTIFICATIVA ................................................................................................................ 4
OBJETIVOS ........................................................................................................................ 6
OBJETIVO GERAL .......................................................................................................... 6
OBJETIVOS ESPECIFICOS ............................................................................................. 6
1
AVALIAÇÃO DE EMPRESAS LISTADAS EM BOLSAS DE VALORES ............. 6
1.1 ANÁLISE FINANCEIRA: INDICADORES ................................................................ 11
1.1.1
Análise Horizontal e Vertical .............................................................................. 13
1.1.1.1
Análise Horizontal – AH .................................................................................... 13
1.1.1.2
Análise Vertical – AV ........................................................................................ 14
1.2 ANÁLISE POR ÍNDICES CONTÁBEIS E FINANCEIROS ....................................... 14
1.2.1
Índices de Estrutura de Capitais e Solvência ...................................................... 14
1.2.1.1 Participação de Capitais de Terceiros – PCT ...................................................... 15
1.2.1.2 Composição do Endividamento – CE .................................................................. 15
1.2.1.3 Imobilização do Patrimônio Líquido – IPL ......................................................... 16
1.2.1.4 Imobilização dos Recursos Não Correntes – IRNC ............................................ 17
1.2.1.5 Índice de Capital Financiado – ICF..................................................................... 18
1.2.1.6 Índice de Dívidas sobre o Patrimônio Líquido – IDPL ....................................... 19
1.2.2
Índices de Liquidez e a Capacidade de Pagamento............................................. 19
1.2.2.1 Liquidez Geral – LG............................................................................................... 20
1.2.2.2 Liquidez Corrente – LC .......................................................................................... 21
1.2.2.3 Liquidez Seca – LS ................................................................................................ 22
1.2.2.4 Liquidez Imediata – LI ........................................................................................... 24
1.2.2.5 Índice de Cobertura Total – ICT ............................................................................. 24
1.2.2.6 Índice de Cobertura de Juros – ICJ ......................................................................... 24
1.2.2.7 Saldo de Tesouraria Sobre Vendas – STSV ............................................................ 25
1.2.2.8 Índice de Estoques sobre Vendas – ESV ................................................................. 25
1.2.2.9 Índice de Estoques sobre o Capital de Giro – IECG ................................................ 25
1.2.2.10 Índice de Vendas sobre Ativo Circulante – V/AC ................................................... 26
1.2.2.11 Índice de Produtividade do Capital de Giro – IPCG ................................................ 26
1.2.2.12 Índice de Dias sobre Capital de Giro – D/CG ......................................................... 27
1.2.2.13 Índice de Passivo Circulante – IPC ......................................................................... 27
1.2.2.14 Índice de Capital de Giro sobre Dívidas – CDG/D .................................................. 27
1.2.2.15 Índice de Conversão de Ativos de Risco – ICAR .................................................... 28
1.2.2.16 Índice de Ativo Realizável a Longo Prazo em Relação ao Passivo Não Circulante –
RLP/PNC ............................................................................................................................. 28
1.2.2.17 Dívidas de CP em Sobre Dívidas de LP – DCP/DLP .............................................. 28
1.2.3
Índices Complementares de Utilização de Ativos ................................................ 29
1.2.3.1 Vendas Sobre Capital de Giro – VSCG .................................................................. 29
1.2.3.2 Vendas Sobre Ativos Fixos – VAF ......................................................................... 29
1.2.3.3 Vendas Sobre Despesas Administrativas – VSDA .................................................. 29
1.2.3.4 Vendas Sobre o Patrimônio Líquido – VSPL .......................................................... 29
1.2.3.5 Vendas Por Taxa Bruta de Vendas – V/TBV .......................................................... 30
1.2.3.6 Depreciação Acumulada Sobre os Ativos Fixos – DASAF ..................................... 30
1.2.3.7 Índice de Custos Discricionários – ICD .................................................................. 31
1.2.3.8 Despesas de Juros Sobre Dívidas – DJSD ............................................................... 31
1.2.3.9 Goodwill Sobre Ativo Total – GSAT...................................................................... 32
1.2.3.10 Turnover dos Investimentos – TI ............................................................................ 32
1.2.3.11 Ponto de Equilíbrio – PDE ..................................................................................... 32
1.2.3.12 Margem de Segurança – MS ................................................................................... 33
1.2.4
Índices de Dependência Bancária e Endividamento Financeiro ......................... 33
1.2.4.1 Índices de Dependência Bancária e Endividamento Financeiro ............................... 33
1.2.4.2 Financiamento do Ativo por Instituições de Crédito – FAIC ................................... 33
1.2.4.3 Endividamento Financeiro Sobre Ativo Total – EFSAT ......................................... 33
1.2.4.4 Participação de Instituições de Crédito no Endividamento da Empresa – PICEA .... 33
1.2.4.5 Financiamento de Ativo Circulante por Instituições de Crédito a Curto Prazo –
FACICCP ............................................................................................................................ 33
1.2.4.6 Nível de Desconto de Duplicatas – NDD ................................................................ 35
1.2.4.7 Endividamento Bancário – EB................................................................................ 33
1.2.4.8 Financiamento Próprio da Necessidade de Capital de Giro – FPNCG ..................... 33
1.2.5
Índices de Rentabilidade e Margens de Lucro .................................................... 36
1.2.5.1 Giro do Ativo – GA ................................................................................................ 36
1.2.5.2 Margem Bruta – MB .............................................................................................. 36
1.2.5.3 Margem Operacional – MO .................................................................................... 36
1.2.5.4 Margem EBITDA – ME ......................................................................................... 36
1.2.5.5 Margem Líquida – ML ........................................................................................... 36
1.2.5.6 Rentabilidade do Ativo – RA.................................................................................. 36
1.2.5.7 Rentabilidade do Patrimônio Líquido – RPL .......................................................... 36
1.2.5.8 Rentabilidade dos Investimentos – RI ..................................................................... 40
1.2.6
Ciclo Financeiro, Operacional e os Índices de Prazos Médios da Empresa ....... 41
1.2.6.1 Prazo Médio de Estocagem de Matéria Prima – PME ............................................. 41
1.2.6.2 Prazo Médio de Fabricação – PMF ......................................................................... 41
1.2.6.3 Prazo Médio de Vendas – PMV .............................................................................. 41
1.2.6.4 Prazo Médio de Recebimento de Vendas – PMRV ................................................. 41
1.2.6.5 Prazo Médio de Pagamento de Compras – PMPC ................................................... 41
1.2.6.6 Prazo Médio de Renovação de Estoques – PMRE................................................... 41
1.2.6.7 Prazo Médio de Cobrança – PMC ........................................................................... 41
1.2.7
Interpolação entre os Índices de Prazos Médios ................................................. 45
1.2.8
Cálculo e Saldos Médios de Balanço dos Índices de Prazos Médios ................... 46
1.2.9
Prazos Médios versus Rotações ............................................................................ 47
1.2.9.1 Rotação de Estoques – RE ...................................................................................... 47
1.2.9.2 Rotação de Vendas – RV ........................................................................................ 47
1.2.9.3 Rotação de Compras – RC ...................................................................................... 47
1.2.10 Análise do Capital de Giro ................................................................................... 49
1.2.10.1 Capital Circulante Líquido – CCL .......................................................................... 49
1.2.10.2 Capital de Giro Próprio – CGP ............................................................................... 49
1.2.10.3 Ativo Circulante Líquido – ACL ............................................................................ 49
1.2.10.4 Capital de Giro – CDG ........................................................................................... 51
1.2.10.5 Necessidade de Capital de Giro – NCG ou Investimento Operacional em Giro – IOG
52
1.2.10.4 Saldo de Tesouraria – ST........................................................................................ 52
1.2.11 Análise da Gestão do Lucro: Alavancagem Financeira e Taxas de Retorno ..... 55
1.2.11.1 Valor Contábil Tangível – VCT.............................................................................. 55
1.2.11.2 Preço sobre o Valor Contábil Tangível – P/VCT .................................................... 55
1.2.11.3 Retorno Sobre os Ativos Empregados – RSAE ....................................................... 55
1.2.11.4 Índice de Vendas – IV ............................................................................................ 55
1.2.11.5 Retorno Sobre Vendas – RSV................................................................................. 55
1.2.11.6 Retorno sobre o Ativo – RSA ................................................................................. 55
1.2.11.7 Custo da Dívida – CD............................................................................................. 55
1.2.11.8 Retorno sobre o Patrimônio Líquido – RSPL .......................................................... 55
1.2.11.9 Retorno sobre o Capital Investido Bruto – RSCIB .................................................. 55
1.2.11.10 Retorno sobre o Capital Investido – RSCI............................................................. 55
1.2.11.11 Retorno sobre a Infraestrutura de TI – RSTI ......................................................... 55
1.2.11.12 Grau de Alavancagem Total – GAT ...................................................................... 55
1.2.11.13 Grau de Alavancagem Operacional – GAO ........................................................... 55
1.2.11.14 Grau de Alavancagem Financeira – GAF .............................................................. 60
1.2.11.15 Passivo Operacional – PO e Passivo Financeiro – PF............................................ 62
1.2.11.16 Retorno Sobre o Passivo Remunerado – RSPR ..................................................... 62
1.2.11.17 Retorno Sobre o Ativo Líquido – RSAL ............................................................... 55
1.2.11.18 Taxa de Crescimento do Patrimônio Líquido – TCPL ........................................... 64
1.3 ANÁLISE POR ÍNDICES DE MERCADO ................................................................. 64
1.3.1
Índices de avaliação Patrimonial ......................................................................... 65
1.3.1.1 Valor Patrimonial da Ação – VPA .......................................................................... 65
1.3.1.2 Preço Sobre o Valor Patrimonial da Ação – P/VPA ................................................ 65
1.3.1.3 Valor Patrimonial Líquido por Ação – VPL/A ........................................................ 65
1.3.2
Índices de avaliação Econômica das Ações .......................................................... 67
1.3.2.1 Lucro por Ação – LPA ........................................................................................... 67
1.3.2.2 Variação do Lucro por Ação – V/LPA .................................................................... 67
1.3.2.3 Preço sobre Lucro por Ação – P/L .......................................................................... 67
1.3.2.4 Lucro sobre o Preço – L/P ...................................................................................... 67
1.3.2.5 Rentabilidade da Ação – RDA ................................................................................ 69
1.3.2.6 Price Sales Ratio – PSR .......................................................................................... 69
1.3.2.7 Preço sobre Vendas Líquidas – P/VL...................................................................... 70
1.3.2.8 Sales to Stock Price Ratio – SSP ............................................................................ 70
1.3.2.9 Enterprise Multiple to EBITDA – EV/EBITDA...................................................... 71
1.3.2.10 Enterprise Value to Earnings Ratio – EV/E................................................................ 71
1.3.2.11 EBITDA to Enterprise Value – EBITDA/EV.......................................................... 72
1.3.2.12 Stock Options to Common Shares Ratio – SO/CS................................................... 72
1.3.3
Índices de avaliação Monetária das Ações .......................................................... 72
1.3.3.1 Dividendo por Ação – DPA .................................................................................... 72
1.3.3.2 Dividend Yield – DY ............................................................................................. 72
1.3.3.3 Dividend Payout – DP ............................................................................................ 72
1.3.3.4 Retorno de Caixa – RDC ........................................................................................ 72
1.3.3.5 Caixa Rentabilidade da Ação – C/ROA .................................................................. 72
2
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .............................................................. 74
3
RESULTADOS........................................................................................................... 75
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 84
5
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS ...................................................................... 87
1
INTRODUÇÃO
O mercado de capitais representa o principal interesse individual dos investidores
(SANTOS, SCHMIDT; 2005). Destarte, pode-se afirmar que as ações representam a melhor
alternativa para os investimentos dos indivíduos, pois o tempo e a história comprovam esta
qualificação (BRANDES, 2004).
A firma de consultoria Ibbotson Associates, avaliou o retorno das ações, obrigações1,
títulos do tesouro do Governo Americano, dentre outros ativos, no período compreendendo 75
anos, de 1927 a 2002. Obteve-se uma média anual de 10,2 %; 5,5% e 3,8% respectivamente.
Em termos monetários, US$ 100,00 investidos no início do período teria valorizado para US$
177.500,00; US$ 5.970,00 e US$ 1.748,00. Já em termos percentuais têm-se uma expressiva
diferença de 2.873,20% comparado às obrigações; e a incríveis 10.054,46% mais rentável
frente aos títulos do Governo (BRANDES, 2004).
Logo, as ações ultrapassam a performance de qualquer outro ativo público de
negociação existente do Mercado de Capitais, afirmação ilustrada pela Figura 1 (SIEGEL,
2008):
Figura 1 – Retorno nominal dos índices dos ativos, de 1802 até 2006.
Fonte: Adaptado Siegel (2008).
Porém, o sucesso em um investimento em ações relaciona-se fundamentalmente com
a capacidade de análise de acionistas e investidores (CAVALCANTE, MISUMI, RUDGE;
2009). Neste sentido, o conhecimento da linguagem contábil torna-se o principal requisito
1
Leia-se debêntures.
2
para a avaliação de ações (BUFFETT, CLRACK; 2006; 2008). O enfoque da contabilidade
para o investidor individual é a busca por títulos subavaliados, títulos cujo valor intrínseco
seja superior ao preço corrente das ações em bolsa (SANTOS, SCHMIDT; 2005).
Com a procura do conhecimento contábil, os analistas podem avaliar empresas
listadas em bolsa por meio da análise de balanços, esta que por sua vez, objetiva angariar
informações das demonstrações financeiras empresariais para a tomada de decisões
(MATARAZZO, 2010).
Esta análise transforma os dados brutos das demonstrações financeiras em
informações que discorrem sobre diferentes aspectos da empresa e possibilitam distintas
formas de inferências para fins de investimento. Dentre as principais formas de pesquisa,
encontra-se a escolha dos indicadores, ou seja, da análise de empresas por meio de índices de
balanços e de mercado (MATARAZZO, 2010).
Portanto, o presente trabalho irá discorrer acerca dos distintos índices contábeisfinanceiros e de mercado existentes, tendo por propósito desenvolver um framework teórico
que congregue ambas perspectivas e que sirva como modelo de classificação para o processo
de desdobramento das informações concernentes à avaliação de ações.
Este estudo foi estruturado pelo seguinte ordenamento: primeiramente, apresenta-se
o Problema de Pesquisa; em sequencia, tem-se a Justificativa; logo a seguir, tem-se elencado
os Objetivos de Pesquisa, constando o Objetivo Geral e os Objetivos Específicos; A partir do
Primeiro Capítulo da Pesquisa, apresenta-se a fundamentação teórica do tema, por meio da
abordagem da avaliação de investimentos, centrando-se na análise de índices contábeis,
financeiros e de mercado existentes na literatura; no Capítulo 2, tem-se delineada a construção
metodológica do trabalho; No Capítulo 3, parte-se para a análise dos resultados obtidos; e por
desfecho, no Capítulo 4 são apresentadas as conclusões da pesquisa, isto é, as considerações
finais pertinentes, as limitações bem como, as sugestões para pesquisas futuras que envolvam
o tema e para novas pesquisas.
3
PROBLEMA
Apesar de o conhecimento contábil ser essencial para a condução de uma análise
financeira sobre uma empresa, analisar índices contábeis-financeiros isoladamente e em um
único espaço de tempo, acaba por restringir tanto a potencialidade de interpretação como a
sua real viabilidade para a tomada de decisões em investimentos (SILVA, 2008).
Os analistas geralmente culpam a contabilidade pelas inconveniências da análise de
ações, porém, a contabilidade é a ciência primordial para que se possa desenvolver uma
precificação de ativos e de valuation respeitável (PÓVOA, 2004).
A utilização destes indicadores de maneira estática e isolada já não é mais praticada
pelos analistas nos dias atuais. A fotográfica situacional de um único período passou a ser
suplantada pela análise comparativa de períodos, considerando dados históricos, conciliando
números do passado e do presente para projetar o desempenho futuro (PÓVOA, 2004).
Os analistas externos devem buscar sempre o acompanhamento na evolução dos
índices ao passar do tempo, desenvolvendo uma análise comparativa com empresas de um
mesmo setor econômico, detendo um sólido conhecimento acerca das atividades e operações
das empresas no curto prazo (PÓVOA, 2004).
A contabilidade aplicada à análise financeira apresenta algumas limitações, como a
ausência de mensuração de dados qualitativos que não são expressos em valores monetários, a
defasagem da informação com o passar do tempo, questões sobre a veracidade das
informações e de por algumas vezes, resistências dos administradores em prover informações
(SILVA, 2008).
No entanto, tais limitações não justificam a exclusão de sua utilidade. Logo, a análise
financeira deve ser conduzida de modo a transcender ótica contábil-financeira e também
utilizar-se fatores exógenos às demonstrações contábeis, como por exemplo, as interações dos
eventos econômicos, do mercado de capitais e de suas respectivas bases de informação
(SILVA, 2008).
Neste sentido, devido a sua indispensável utilidade e necessidade, os analistas
deparam-se com a questão da quantidade de índices a ser utilizado para conduzir uma
avaliação empresarial de qualidade. Uma quantidade excessiva pode confundir os analistas,
enquanto que uma quantidade limitada pode subestimar e não ser suficiente para obter uma
interpretação da real situação financeira e econômica de uma empresa (SILVA, 2008).
4
O que realmente importa é que os índices demonstrem a situação da empresa
segundo o grau de profundidade requerida pelo analista, ou seja, este como fator dependente.
Porém, com o avanço da quantidade de índices, não se consegue avançar na quantidade de
informações auferidas, ou seja, geralmente observa-se um rendimento decrescente
(MATARAZZO, 2010).
Outra limitação apontada refere-se a ausência de consenso entre quais são os
principais índices a serem analisados pelos profissionais de mercado, isto é, convém a cada
autor rotular um grau de importância daqueles que julgar mais pertinentes (MATARAZZO,
2010).
No entanto, diversos pesquisadores e profissionais de mercado classificam os índices
de acordo com a sua ótica de denominação, que ao lado das limitações expostas como, índices
mais importantes, quantidade, profundidade, relação temporal e ausência do fator qualitativo,
também podem ser considerados como um problema de assimetria informacional ou
consensual.
Portanto, levanta-se a seguinte questão de pesquisa: identificando os principais
índices referenciados nas literaturas nacional e estrangeira, consegue-se propor uma
classificação generalista e analítica das informações contidas nas demonstrações financeiras e
das provenientes do mercado de capitais que atenda os diversos níveis de avaliação, utilizados
por analistas de valores mobiliários?
JUSTIFICATIVA
A ciência contábil, mas especificadamente, a contabilidade é considerada como a
língua dos negócios (BUFFETT, CLARCK, 2006; SILVA, 2008). Ela está intimamente
relacionada com a análise financeira, e por esta razão, o seu domínio torna-se necessário para
uma análise de eficiente e de alta qualidade (SILVA, 2008). A contabilidade é considerada a
matéria-prima da precificação de ativos – valuation (PÓVOA, 2004).
Para os analistas externos à empresa – analistas de mercado – a análise financeira das
empresas reside nas demonstrações financeiras, onde são disponibilizadas informações sobre
o desempenho, situação patrimonial, econômica e financeira de uma empresa em um
5
determinado período. A análise financeira é tida como a ferramenta de auxílio para a
avaliação de risco e retorno de investimentos para investidores e acionistas (SILVA, 2008).
Os
analistas
financeiros,
profissionais
de
investimentos,
utilizam-se
das
demonstrações contábeis para a tomada de decisões de investimentos em ações e seus
derivativos. Estes profissionais analisam não apenas demonstrações contábeis, mas também,
consideram a análise de valores mobiliários, de crédito, de risco, investimentos, administração
de fundos ou carteiras de investimento, análises econômicas e serviços de consultoria técnica,
relacionadas a estas atividades (APIMEC, 2003; SILVA, 2008).
A análise de empresas por meio dos quocientes2 contábeis-financeiros e de bolsa são
os métodos mais conhecidos, importantes e difundidos no mercado para a avaliação de
empresas,
pela
abordagem
fundamentalista
(STEINBERG,
2005;
SILVA,
2008;
MATARAZZO, 2010), particularmente quando se analisam as demonstrações financeiras,
devido a sua simplicidade e da mínima chance de ocorrem distorções devido a efeitos
inflacionários (STEINBERG, 2005).
No entanto, o processo de determinação dos quocientes é difícil, visto a mobilização
de informações que é exigida, dos padrões de comparação que os analistas pretendem abordar,
bem como, das projeções e estimativas futuras a partir da análise de dados históricos
(STEINBERG, 2005).
Em razão das assimetrias sobre as formas de classificação, denominação, cálculo e
empregabilidade dos indicadores, aliando-se o momento atual de expansão da busca pelo
conhecimento e interesse por parte dos investidores em renda variável, particularmente em
ações de empresas, torna-se oportuno investigar e mapear o desafio de aproximar e entender
os distintos e complementares índices de avaliação de empresas.
Destarte, a pesquisa torna-se relevante tanto para os profissionais de mercado e
demais investidores, que podem considerar uma nova forma para enxergar e utilizar os
indicadores financeiros sob a ótica da estrutura de classificação e denominação – um modelo
que congregue distintas perspectivas e que sirva de referência para consulta, quanto para o
pesquisador e para a academia, que poderá aprofundar seu circulo de competência no tema e
terá uma nova contribuição de pesquisa, respectivamente.
2
Sinônimo para “indicadores”; “índices”.
6
OBJETIVOS
OBJETIVO GERAL
Desdobrar os índices de avaliação contábil-financeira 3 e os múltiplos de mercado
aplicados e empregados à análise de valores mobiliários por analistas buy side, sell side,
gestores de carteiras, portfólios, administradores de riquezas, acionistas e demais agentes
econômicos do mercado de capitais, propondo a construção de uma classificação de
categorias de análise abrangente e detalhista.
OBJETIVOS ESPECIFICOS
a) Identificar as denominações de classificação dos principais índices patrimoniaisfinanceiros e múltiplos de mercado por categorias dos quocientes existentes na
literatura;
b) Analisar a composição das fórmulas destes quocientes aplicados para a análise de
ações e dentre outros valores mobiliários da revisão de literatura;
c) Estruturar um quadro comparativo as diversas abordagens de classificação e
denominação dos índices contábeis-financeiros e de mercado;
d) Desenvolver um framework de classificação analítico, a partir dos dados obtidos
pelo quadro comparativo, dos diversos indicadores de distintos referenciais
teóricos nacionais e estrangeiros.
1
AVALIAÇÃO DE EMPRESAS LISTADAS EM BOLSAS DE VALORES
A avaliação de empresas objetiva quantificar o valor de uma empresa. Para este fim,
os analistas utilizam um aparato diversificado de premissas, métodos e métricas, subjetivos ao
seu julgamento (GALLI, 2009).
Para que o analista consiga compreender as alterações de resultado das empresas ao
longo do tempo, deverá avaliar suas DFs, que tem como vantagens principais (BRIGHAM et
al, 2001):
3
Também pode ser denominada como “análise patrimonial-financeira” (IUDÍCIBUS et al, 2008).
7
a) Comparação da empresa-alvo com seus pares setoriais;: determinado em grade
parte pela filosofia de investimentos do analista, variável para cada tipo de
investimento;
b) Possibilita a análise de tendências das operações de negócio no longo prazo,
podendo projetar lucros futuros, dividendos e o próprio preço das ações.
O papel da avaliação pode ser segregado em três níveis (DAMODARAN, 2002):
c) Avaliação e gestão de carteiras: determinado em grade parte pela filosofia de
investimentos do analista, variável para cada tipo de investimento;
d) Avaliação na análise de aquisições: analistas e gestores de empresas buscam
estabelecer um valor justo antes da fase de negociação da empresa; e
e) Avaliação nas finanças corporativas: relaciona as decisões financeiras, estratégia
empresarial e o valor da empresa, objetivando sempre maximizar este último.
Diante da extensiva diversidade de modelos de análise existentes na literatura,
Damoradan (2002; 2004; 2007) propõe a classificação geral em três grandes grupos:
f) Avaliação pelo método do Fluxo de Caixa Descontado: faz a relação entre o
valor do ativo ao valor presente dos futuros fluxos de caixa esperados do
respectivo ativo;
g) Avaliação relativa: faz a estimativa do valor do ativo por meio da precificação de
ativos comparáveis, relacionados a uma variável em comum, como por exemplo,
índices, indicadores e/ou taxas extraídos do Balanço Patrimonial – BP, do
Demonstrativo do Resultado do Exercício – DRE e do Fluxo de Caixa – FC; e
h) Avaliação de direitos contingentes: faz a estimativa do valor do ativo através de
modelos de precificação de opções4.
Os principais modelos de avaliação são ilustrados graficamente a seguir pela Figura 2
(SANTOS, SCHMIDT; 2005):
4
Utilizado para ativos que possuam características de opções (DAMODARAN, 2002).
8
Avaliação Relativa
Índices ContábeisFinanceiros e de Mercado
Entradas
Modelo Black & Scholes
Avaliação
Avaliação por Opções
Modelo Binomial
Saídas
Empresa
Fluxo de Caixa
Patrimônio Líquido
Figura 2 – Métodos de avaliação.
Fonte: Adaptado de Santos, Schmidt (2005)
O presente trabalho tratará de avaliar o quadrante das entradas – Avaliação relativa5.
Esta abordagem considera que o valor de um ativo é derivado da precificação de ativos
comparáveis, estas que são então padronizadas por meio de variáveis comuns a exemplo de
receitas, lucros, valores contábeis etc (DAMODARAN, 2002; 2004).
A avaliação relativa mensura o valor de um determinado ativo por meio da
precificação de outros ativos que sejam comparáveis – através da análise da precificação de
mercado de ações similares (DAMODARAN, 2007).
No caso dos múltiplos, os preços devem ser padronizados por uma determinada
variável comum (COSTA, COSTA, ALVIM; 2010). Ou seja, esta metodologia fundamenta-se
na relação proporcional dos preços de ativos semelhantes, logo, torna-se possível estimar o
valor de uma empresa com base nos múltiplos de empresas terceiras (GALLI, 2009).
Os indicadores ou múltiplos são fáceis de serem calculados e, pois exigem menos
pressupostos, parâmetros e desdobramentos de cálculo para se conduzir uma análise, isto é,
são explícitos, diferentemente dos modelos de fluxo de caixa descontado que são implícitos
(DAMODARAN, 2004).
Existem três passos fundamentais na avaliação relativa (DAMODARAN, 2007):
a) Identificação de ativos comparáveis;
b) Escalonamento dos preços de mercado frente uma variável comum; e
5
Nota-se que este método só aplicável em empresas listadas em Bolsas de Valores, devido a necessidade de
comparação entre os múltiplos de outras empresas (COSTA, COSTA, ALVIM; 2010).
9
c) Ajuste de diferença entre ativos.
Quanto ao emprego dos indicadores patrimonais-financeiros e de Bolsa, consideramse duas formas (DAMODARAN, 2002):
d) Utilizando-se os fundamentos: refere-se aos múltiplos da empresa sob avaliação,
isto é, as suas taxas de crescimento e fluxos de caixa, payouts e risco envolvido.
Esta abordagem é equivalente ao Fluxo de Caixa Descontado, exigindo os
mesmos aparatos de informação e atingindo os mesmos resultados. Ao empregar
estes índices, o analista consegue verificar a relação entre os indicadores e as
características da entidade, podendo assim, viabilizar a mudança e o futuro dos
cenários e os respectivos efeitos nos indicadores (DAMODARAN, 2002;
SANTOS, SCHMIDT, 2005); e
e) Utilizando-se Entidades Comparáveis 6 : esta é a forma mais ordinária para se
comparar os múltiplos, através da análise relativa a empresas similares, de como
elas são precificadas pelo mercado ou de como foi avaliada em períodos
históricos. A desenvoltura desta abordagem se dá pelo conhecimento das
dimensões entre as distintas entidades, isto é, a questão do controle intrínseco ou
extrínseco das diferenças entre as variáveis de crescimento, risco e fluxo de
caixa. Este controle varia entre a utilização de médias setoriais a modelos mais
sofisticados, como os modelos multivariáveis de regressão (DAMODARAN,
2002; SANTOS, SCHMIDT, 2005)7.
Quando se utilizam os múltiplos com empresas similares, os analistas conseguem
determinar o valor e o patrimônio líquido. Para que isto possa ser realizado, inicialmente
deve-se decidir qual será o múltiplo e o grupo de empresas similares (DAMODARAN, 2004).
Nos casos em que se objetive avaliar uma empresa de modo isolado, deve-se usar a
média calculada dos índices das empresas do setor econômico 8 (DAMODARAN, 2004).
Empresas similares possuem fluxos de caixa, potencial de crescimento e riscos
semelhantes. Geralmente, quanto maior for a quantidade de empresas comparáveis, outros
6
Empresas em comparativo.
Entretanto, pode ser difícil encontrar empresas comparáveis, mesmo que pertençam a um mesmo setor
econômico (COSTA, COSTA, ALVIM; 2010).
8
Se os valores encontrados diferirem significativamente da média do setor então uma análise subjetiva de outras
variáveis intrínsecas à empresa deverá ser realizada.
7
10
critérios poderão ser empregados, limitando ainda mais a quantidade sob comparação
(DAMODARAN, 2004).
Reilly e Norton (2008) consideram que apenas os índices relativos serão importantes
na análise financeira das empresas no momento em que se comparar o desempenho destas
com:
a) Condições econômicas;
b) Setor econômico específico de atuação;
c) Números relativos à concorrência setorial; e
d) Desempenho histórico através da análise temporal.
A principal vantagem do uso dos métodos de avaliação relativa reside em sua
simplicidade, em sua característica intuitiva, rapidez e facilidade para se obter os valores dos
ativos das entidades, particularmente quando há uma expressiva quantidade destas disponíveis
para avaliação, e quando esta é conduzida corretamente9 (DAMODARAN, 2002; 2007).
É uma maneira mais fácil e tempestiva de se conduzir um valuation, sem se
aprofundar em detalhes, como projeções e os fundamentos econômicos e de negócio da
empresa10 (COSTA, COSTA, ALVIM; 2010).
Contudo, sua principal limitação refere-se ao uso das entidades comparáveis, da
subjetividade implícita na definição da composição das entidades que serão postas em
comparativo, dependente das pressuposições dos analistas, visto que os indicadores não
apresentam um denominador comum acerca de pressuposições (DAMODARAN, 2002).
Também há a questão da não especificidade da empresa sob análise: os riscos e o
crescimento dos fluxos de caixa futuros podem ser mal interpretados (COSTA, COSTA,
ALVIM; 2010).
Porém, apesar das limitações e da extrema objetividade11, é uma técnica amplamente
difundida e empregada por analistas de mercado, participando ativamente do processo de
9
Contudo, existe o risco destas avaliações serem sub ou superavaliadas em função de uma avaliação incorreta
das entidades comparáveis por parte do próprio mercado (SANTOS, SCHMIDT, 2005; DAMODARAN, 2002).
10
Aplicável inclusive para empresas iniciantes em Bolsa, sem um histórico de resultados divulgados
publicamente (COSTA, COSTA, ALVIM; 2010).
11
Leia-se objetividade em termos de prática eficiente – simplicidade.
11
análise e recomendações de compra e venda de ações, bem como, para subsidiar as projeções
de fluxos de caixas futuros12 (COSTA, COSTA, ALVIM; 2010).
1.1 ANÁLISE FINANCEIRA: INDICADORES13
A análise financeira trabalha diretamente com o uso de indicadores, estes que tem
como propósito monitorar o desempenho da empresa ao longo do tempo (CHOUDHRY et al,
2010).
Compreende-se como índice toda a relação entre contas ou grupos de contas
contábeis das DFs e de dados do mercado (STEINBERG, 2005), que tem por objetivo
explorar a situação atual de uma empresa, seja em termos econômicos ou financeiros.
Possuem como característica principal o retrato de uma visão ampla destes dois termos,
servindo de medida para a construção de um quadro de avaliação empresarial
(MATARAZZO, 2010).
Os indicadores objetivam suprir a falta de informação das DFs e dos números de
mercado isolados 14 da empresa (REILLY, NORTON; 2008). A análise financeira tem por
objetivo de servir como um ponto de partida para que o analista possa projetar os eventos
futuros que influenciarão as operações, desempenhos e resultados empresariais. Neste ínterim,
os indicadores ajudam durante o processo de avaliação (BRIGHAM et al, 2001).
Devido a grande quantidade de contas contábeis e dados de mercado, é possível que
os analistas desenvolvam e utilizem diversos indicadores, sendo que muitos destes podem não
prover uma informação que demonstre relevância para a análise dos profissionais de mercado.
Logo, prefere-se utilizar categorias que desmembrem as características econômicas mais
pertinentes da empresa (REILLY, NORTON; 2008).
A análise consiste em um conjunto de técnicas que fornecem números e indicadores
padronizados que podem ser colocados em comparação (DEBASTIANI, RUSSO; 2008). É
um dos métodos mais usados para a análise sistemática das DFs, devido a simplicidade e
aplicabilidade para a análise empresarial (STEINBERG, 2005).
12
Exemplos: Relatórios de research; M&A; Oferta Pública de Ações – OPA ou Initial Public Offering – IPO
(COSTA, COSTA, ALVIM; 2010).
13
Índices, múltiplos, razões etc.
14
“Dados brutos ou puros”.
12
Também são denominados como Indicadores Fundamentalistas, sua função é
compreender as atividades da empresa, mensurando o crescimento ou a redução de sua
estrutura e negócios (DEBASTIANI, RUSSO; 2008).
O processo de análise geralmente tem início com o cálculo conjunto dos índices
financeiros visando identificar a melhora ou piora da posição financeira empresarial, bem
como, seus pontos fortes e fracos em relação aos seus pares setoriais (BRIGHAM et al, 2001).
Os indicadores devem sempre ser analisados em comparativo com outros indicadores
ou outras técnicas (MATARAZZO, 2010), bem como, com outras empresas de um mesmo
setor econômico, estas que por fim, deverão sempre estar relacionadas ao crivo temporal de
análise (PÓVOA, 2004).
Apesar das vantagens e facilidades, tem-se também limitações e problemas
potenciais (BRIGHAM et al, 2001):
a) Empresas de grande porte são mais complexas e por isso mais difíceis de serem
avaliadas;
b) Um desempenho médio, em relação ao setor, não é meramente o suficiente, devese focar em empresas líderes do setor;
c) Análises comparativas devem ser avaliadas com julgamento devido às pressões
das distorções inflacionárias;
d) Fatores sazonais poderão distorcer os balanços;
e) Algumas empresas podem empregar técnicas de window dressing;
f) Práticas contábeis diferentes podem distorcer comparações: como modelos de
avaliação e contratos de leasing;
g) De maneira geral é difícil determinar o significado de um índice, se é bom ou
ruim; e
h) Alguns ativos empresariais podem parecer bons e outros ruins se não forem
analisados sob alguma ferramenta, procedimento estatístico.
No entanto, além dos indicadores, é importante utilizar de modo combinado, a
análise horizontal e vertical – que decompõem as variações das contas do BP e o DRE – pois
estas duas técnicas poderão enfatizar ou contradizer os números apontados pelos indicadores
(PÓVOA, 2004).
13
O ideal para conduzir uma análise do desempenho de uma empresa é utilizar
indicadores financeiros aliados a análise horizontal e vertical, além do conhecimento do setor
econômico de atuação e de outras informações do mercado (PÓVOA, 2004)15.
1.1.1 Análise Horizontal e Vertical16
As análises horizontal e vertical suprem a carência de complexidade e detalhamento
dos índices financeiros e de mercado. Sua empregabilidade decorre no segundo momento,
após a análise dos índices devido a regra da própria análise de Balanços (MATARAZZO,
2010).
Estas técnicas explicam o que os índices não conseguem detalhar, apontando falhas,
problemas e demais características e motivos de uma determinada situação da empresa
(MATARAZZO, 2010).
Assim como os índices, devem ser utilizadas conjuntamente, pois elas além de se
complementarem, se sobrepõem (SILVA, 2008), sendo desejável que as inferências da AV
sejam amparadas pela AH – ou seja, tornam-se uma única ferramenta de análise: “Análise
Vertical/Horizontal” (MATARAZZO, 2010).
1.1.1.1 Análise Horizontal – AH
A Análise Horizontal – AH, indica o percentual de cada rubrica do BP e de cada
linha do DRE, apresentando sua evolução através de uma base 100 de receita. Ajuda a
compreender o padrão proporcional do comportamento de cada conta contábil em relação a
sua participação no total (PÓVOA, 2004). Em suma, permite extrair conclusões sobre a
evolução da empresa (MATARAZZO, 2010), o crescimento, principalmente das vendas, em
razão do crescimento econômico do setor, dos concorrentes e da variação de variáveis
econômicas, como a inflação e as taxas de câmbio (SILVA, 2008).
15
Outra forma de interpretar os índices, indo além dos números seria indagar: se as receitas da empresa estão
relacionadas a algum processo ou produto principal, bem como sua forma; dependências de um único ou vários
fornecedores; percentual de negócios dependentes/auferidos em outros países; posicionamento/formas de
competição; inserção no ambiente legal-regulatório; e perspectivas futuras (BIRGHAM, 2001).
16
Pode ser utilizada para a previsão de falências, identificando potenciais riscos nas flutuações das DFs
(MATARAZZO, 2010).
14
1.1.1.2 Análise Vertical – AV
Já a Análise Vertical – AV demonstra a evolução dos números de cada linha do BP
(SILVA, 2008) e do DRE, considerando-se o período inicial como base 100. Ajuda a
identificar o crescimento de cada conta contábil, potencializando o apontamento de forças e
fraquezas da empresa ao longo do tempo (PÓVOA, 2004). Em suma, habilita ao analista
concluir se existem itens que estejam fora de proporções normais (MATARAZZO, 2010).
1.2 ANÁLISE POR ÍNDICES CONTÁBEIS E FINANCEIROS 17
Este capítulo discorrerá acerca dos diversos métodos e indicadores de análise
contábil e financeira aplicado para as empresas de capital aberto listadas em Bolsas de
Valores.
Essencialmente, a análise de indicadores contábeis-financeiros ajudam a visualizar,
de forma comparativa, os números contidos nas DFs. Seu objetivo é prover o analista com
informações padronizadas e que sejam úteis a tomada de decisão de investimentos. A
distinção fundamental deste método perante os indicadores de mercado reside no fator
temporal, isto é, dependem da divulgação das DFs e por este motivo, permanecem estáticos
até a próxima divulgação pública (DEBASTIANI, RUSSO; 2008).
1.2.1 Índices de Estrutura de Capitais e Solvência
Os indicadores de Estrutura de Capital detalham as grandes linhas de decisões
financeiras da empresa em termos de obtenção e aplicação de recursos e de suas fontes de
financiamento (SILVA, 2008; MATARAZZO, 2010).
Os fundos aplicados em ativos são provenientes dos próprios proprietários das
empresas ou do capital de terceiros. A decisão de investimento deve considerar os riscos e
retornos esperados do empreendimento. A análise dos financiamentos aponta a origem dos
recursos, podendo ser essencialmente de seus sócios, dos lucros gerados pela atividade
17
Também conhecido como Múltiplos; Indicadores Financeiros; ou Indicadores de Balanço.
15
empresarial ou ainda pela dívida com terceiros. A empresa pode obter estes recursos tanto
pela venda de participações ou tomando empréstimos 18 (SILVA, 2008).
Deve-se levar em conta que a falência da empresa nunca se deve de modo exclusivo
ao endividamento, há também a capacidade de gestão da empresa, a organização, os projetos,
que se forem mal conduzidos, somam-se ao excessivo endividamento (MATARAZZO, 2010).
Existem três linhas gerais na definição do perfil e capacidade de endividamento da
empresa: a geração de recursos; a liquidez e a renovação (MATARAZZO, 2010).
1.2.1.1 Participação de Capitais de Terceiros – PCT19
Também conhecido como índice de Grau de Endividamento, informa o quanto a
empresa obteve de capitais de terceiros para cada R$ 100 de capital próprio que foi investido.
Considerando o ponto de vista estritamente financeiro, quanto maior for a relação entre o
Capital de Terceiros e O PL da empresa - CT/PL, menor será a liberdade de decisões
financeiras da empresa, ou seja, maior será a dependência a estes credores (MATARAZZO,
2010).
Já pelo ponto de vista da obtenção de lucro, pode ser vantajoso para a empresa fazer
uso do capital de terceiros, desde que a remuneração paga a estes credores torne-se inferior ao
lucro obtido com a sua aplicação nos negócios da empresa. Porém, para fins de análise, o
ângulo de interpretação deve ser limitado a tratativa financeira, do risco de insolvência
(MATARAZZO, 2010).
O índice relaciona os Capitais Próprios e Capitais de terceiros, consideradas as duas
grandes fontes provedoras de recursos da empresa. É considerado um indicador de risco ou de
dependência ao capital de terceiros (MATARAZZO, 2010).
1.2.1.2 Composição do Endividamento – CE
18
A alternativa de utilizar-se os recursos de terceiros ao invés do capital próprio decorrerá do custo de
empréstimo e de oportunidade (SILVA, 2008).
19
Designado em Inglês como Debt to Equity Ratio.
16
Este índice demonstra as características do endividamento empresarial, em relação ao
vencimento de suas dívidas. Quanto menor for o valor do índice, melhor, mantendo-se todos
os demais fatores constantes, pois quanto mais dívidas a empresa tiver para pagar a curto
prazo20 , maior será a pressão para que ela consiga gerar recursos para honrá-las (SILVA,
2008)21.
Com o conhecimento do grau de Participação de Terceiros da empresa, parte-se para
a análise da composição dessas dívidas, isto é, o perfil de dívida da companhia.
Essencialmente, este índice trata de desdobrar esta composição, segregando-a em dois grupos:
dívidas de curto e longo prazo (MATARAZZO, 2010).
Por exemplo, se em X1 a empresa possuía o índice de 70% significava que este era o
percentual de suas dívidas vencíveis em curto prazo, e os 30% restantes ao longo prazo.
Dívidas de curto prazo precisam ser honradas rapidamente e é notória a dificuldade das
empresas em gerar recursos em curto prazo, já as dívidas de longo prazo possibilitam que a
empresa tenha mais tempo e recursos disponíveis, como através do lucro e da depreciação,
para o pagamento das dívidas (MATARAZZO, 2010).
1.2.1.3 Imobilização do Patrimônio Líquido – IPL22
Indica quanto a companhia aplicou no AP para cada R$ 100,00 de PL23, ou seja, a
proporção do capital imobilizado no ativo fixo (IUDÍCIBUS, 2008). Sua interpretação é de
20
De modo isolado, o fato isolado da dívida se concentrar no vencimento de curto prazo não implica na
interpretação de que este é necessariamente um fator negativo (SILVA, 2008).
21
Quando parcelas expressivas do ELP estejam sendo transferidas para o curto prazo, poderá ser um fator crítico
para a empresa, caso não tenha capacidade imediata para liquidar estes compromissos.
22
Fixed asset, investment and intangible to net worth (SILVA, 2008). Conhecido também como Imobilização do
Capital Próprio – ICP (STEINBERG, 2005); ou ainda como Índice de Imobilização de Capital – IIC.
23
Ou seja, o nível de financiamento dos ativos não correntes por meio de capital próprio (STEINBERG, 2005).
17
que quanto menor for o índice, melhor, mantendo-se os demais fatores constantes24 (SILVA,
2008; MATARAZZO, 2010).
O cenário ideal é que a empresa consiga dispor de um PL suficiente para cobrir o AP
e ainda obter uma sobra – CCP – que seja suficiente para financiar o seu AC, isto porque
geralmente, o AC, que é o giro comercial da empresa, já conta com inúmeras outras fontes
alternativas de financiamento, ao contrário do AP (MATARAZZO, 2010).
O percentual restante do índice indica que o quanto foi investido no AC, por
exemplo, se em X1 o índice de imobilização for de 80%, os 20% restantes do PL investidos
no AC é chamado de Capital Circulante Próprio – CCP (MATARAZZO, 2010).
Torna-se importante ressalvar que quanto mais a empresa investir no seu AP, menor
será a parcela de recursos próprios destinados para o AC e, como consequência, a empresa
necessitará de maiores aportes de capitais de terceiros para o financiamento do AC, ou seja,
maior será a sua dependência externa (MATARAZZO, 2010).
Nos momentos em que o índice ultrapassa 100%, mesmo que não se tenham outros
comparativos, como outros períodos ou pares setoriais, pode-se afirmar que, em termos
gerais, há uma evidência de perigo no nível de imobilização. No entanto, não consegue
revelar a existência de comprometimento da saúde financeira, este que pode ser visualizado
pelo índice a seguir (MATARAZZO, 2010).
1.2.1.4 Imobilização dos Recursos Não Correntes – IRNC
O índice analisa quanto a empresa destinou, em termos percentuais, de seus Recursos
não Correntes ao Ativo Permanente – AP, sendo que quanto menor for este índice, melhor
será para a empresa (MATARAZZO, 2010).
24
Para empresas de logística, recomenda-se um valor entre 0,7 e 0,8; para empresas puramente comerciais, entre
0,3 e 0,4, visto que para esta última, o capital próprio em giro é extremamente requisitado para a atividade .
Valores muito altos poderão indicar que a empresa está retirando dinheiro do giro de seus negócios para
imobilizá-los (IUDÍCIBUS, 2008).
18
Por terem vida útil definida, os componentes do AP não precisam ser financiados
integralmente com recursos próprios, sendo assim, possível utilizar recursos de longo prazo,
desde que sejam compatíveis com o prazo de duração do Imobilizado, considerando ainda o
cenário em que a empresa consiga gerar resultados para resgatar as dívidas de longo prazo.
Por este motivo que é possível comparar aplicações físicas com os Recursos não Correntes
(MATARAZZO, 2010).
Como regra geral, o índice não deve ser superior a 100%, pois mesmo que a empresa
não necessite de possuir AC, deve sempre primar por um excesso de Recursos não Correntes,
em relação às imobilizações, destinado ao AC (MATARAZZO, 2010).
A parcela dos Recursos não Correntes que é destinada ao AC, nomeia-se como
Capital Circulante Líquido – CCL. Por exemplo, se a empresa em X1 destinou 60% de seus
Recursos não Correntes para o AP, logo 40% destes foram direcionados para o AC, ou seja,
40% de CCL (MATARAZZO, 2010).
O CCL é considerado como a folga financeira em curto prazo da empresa, aqueles
financiamentos que ela possui para girar suas atividades que não serão exigidos em curto
prazo. Logo, esta folga origina-se dos recursos próprios mais as exigibilidades de longo prazo
investidas no AC (MATARAZZO, 2010)25.
Em termos gerais, quanto a sua composição, o CCL é formado por CP e Exigível em
Longo Prazo. Considerando o curto prazo, essa relação não afeta a capacidade de pagamento,
já no longo prazo, o exigível precisará ser pago e assim, quanto maior for a proporção de
CCP, melhor26 (MATARAZZO, 2010).
Nos casos em que a empresa apresente um CCP negativo, por insuficiência de PL,
pode corrigir esta deficiência pelo adequado financiamento de longo prazo. No entanto,
existem situações em que se o CCP ficar negativo não haverá problemas, como no caso de
uma expansão de negócios, porém, o risco reside na empresa não ser capaz de gerar recursos
que cubram esta expansão (MATARAZZO, 2010).
Para determinar se o saldo de CCL existente é suficiente para prover uma razoável
tranquilidade financeira à empresa, devem-se analisar os índices de liquidez.
25
O CCL também será avaliado como parte da análise do Capital de Giro empresarial.
Torna-se importante ponderar que a qualidade da liquidez, isto é, a sua representatividade, será sempre uma
função do setor de atuação econômico da companhia (SILVA, 2008).
26
19
1.2.1.5 Índice de Capital Financiado – ICF27
Demonstra a proporção dos ativos fixos que estão sendo financiados por
financiamentos de longo prazo. Se o índice apresentar valores abaixo de 100% é porque a
empresa está sendo forçada a usar dívidas de curto prazo, para financiar ativos de longo
prazo28 (BRAGG, 2007).
1.2.1.6 Índice de Dívidas sobre o Patrimônio Líquido – IDPL
Indica quanto à empresa está financiando as suas operações com dívidas ao invés de
capital próprio (BRAGG, 2007).
Uma forma mais estrita é incluir apenas as dívidas de longo prazo (BRAGG, 2007).
1.2.2 Índices de Liquidez e a Capacidade de Pagamento
Os índices de liquidez demonstram a situação financeira das empresas, e as
condições de pagamento das mesmas, no curto prazo, cerca de 360 dias (IUDÍCIBUS et al,
2008) divididos em três grandes níveis: geral, corrente e seco. Os índices deste grupo
confrontam o AC com as dívidas da empresa, onde se procura mensurar a solidez e sua base
financeira (MATARAZZO, 2010).
O Índice de Liquidez Geral ou Índice de Liquidez, é um dos métodos mais utilizados
na análise de balanços. De maneira geral, pode-se considerar que quanto mais líquido for o
total do AC, menor deverá ser a margem exigida para cobrir o PC. O fator determinante de
27
Funded Capital Ratio.
Com o passar do tempo esta situação torna-se perigosa, visto que a empresa só conseguirá refinanciar suas
dívidas de curto prazo por meio de altas taxas de juros ou a dificuldade de refinanciamento, resultando na
necessidade de venda de ativos ou de liquidação da empresa (BRAGG, 2007).
28
20
um bom índice dependerá das atividades da empresa e de seu setor econômico (GRAHAM,
1998).
A capacidade financeira da empresa perante suas exigibilidades, considerada uma
análise de curto prazo, também pode ser complementada pelo Índice como o de Liquidez
Imediata (STEINBERG, 2005).
Muitos executivos financeiros discorrem que um índice alto seria tão prejudicial
quanto um valor baixo, visto que, poderia indicar que a empresa estaria operando com
recursos ociosos e perdendo dinheiro com a inflação (MATARAZZO, 2010).
Uma liquidez alta pode ser tanto do excesso de Recursos Não Correntes – RNC no
AC como decorrente de um pequeno PC (MATARAZZO, 2010).
No primeiro caso, tem-se uma má gestão que resulta no excesso de Estoques e
Duplicatas a Receber e os recursos ociosos resulta de uma má administração de AC em valor
absolutos e que se reflete diretamente na liquidez, o que significa que não é propriamente a
liquidez alta um apontamento desfavorável (MATARAZZO, 2010).
Nos casos sem que o índice decorra de um valor baixo de PC, poderá ser um indício
de uma ótima administração, pois evita a contração de empréstimos bancários ou de despesas
financeiras. Um índice alto também pode ser função de empréstimos de Longo Prazo ao invés
do Curto Prazo (MATARAZZO, 2010).
1.2.2.1 Liquidez Geral – LG
Indica o quanto a empresa possui no AC e RLP para cada R$ 1,00 de dívida total,
sendo que quanto maior for este índice, melhor será a situação financeira da empresa
(MATARAZZO, 2010).
Uma vez analisado o índice de Imobilização do PL da empresa, no caso se os 80%
foram imobilizados e os 20% restantes direcionados ao investimento no AC, por meio do
índice de LG, pode-se averiguar se este último percentual é suficiente, em termos financeiros,
para a empresa (MATARAZZO, 2010).
21
Por exemplo, se a empresa possui um índice de 1,50, significa que para cara R$ 1,00
de dívida a empresa possui R$ 1,40 de investimentos que são realizáveis em curto prazo.
Logo, pode honrar todas as dívidas e ainda terá a sua disposição uma margem 29de 50%30. Este
excedente financeiro só é proporcionado quando a empresa possui um CCP positivo
(MATARAZZO, 2010).
Caso o índice apresente um resultado inferior a 1,00, não necessariamente significa
dizer que a empresa esteja em uma situação de insolvência. Nestes casos, deve-se comparar a
um período no qual a empresa apresente um índice superior a 1,00 (MATARAZZO, 2010).
Deve-se atentar ainda que caso a empresa apresente uma insuficiência no índice, um
valor menor do que para cada R$ 1,00 de dívida, ainda existem dívidas a longo prazo, e neste
ínterim, poderá gerar recursos que venham a supri-la, sendo esta então, a melhor interpretação
para os casos de dependência. Já para avaliar se o valor é aceitável ou não, deverá ser feito um
comparativo com padrões, e a sua capacidade de geração de novos recursos por meio da
Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos – DOAR, da companhia
(MATARAZZO, 2010).
1.2.2.2 Liquidez Corrente – LC
O Índice de Liquidez Corrente mostra quanto uma empresa possui no seu AC 31 para
cada R$ 1,00 de Passivo Circulante, sendo que quanto maior for o valor obtido, melhor. Ou
Seja, quanto a empresa possui de elementos disponíveis a curto prazo para cada real de dívida
(IUDÍCIBUS, 2008).
Quando este índice é superior a 1,00, significa que os investimentos no AC da
empresa cobrem as dívidas de curto praz, ou seja, todos os recursos do PC foram investidos
no AC32 (MATARAZZO, 2010).
29
Entendem-se como sinônimos ainda: excedente, reserva, margem de segurança ou ainda folga financeira.
R$ 0,50 restantes para cada R$ 1,00 de dívida.
31
Ou Ativo Corrente (IUDÍCIBUS, 2008).
32
Em termos gerais, um quociente de 1,5 já pode ser considerado bom. No entanto alcançar esta cifra dependerá
diretamente dos prazos médios, recebimento de vendas, pagamento de compras, retenção de estoques etc
(IUDÍCIBUS, 2008).
30
22
Na composição deste índice, pode-se considerar que sempre que seu resultado for
maior do que 1,00, a empresa não terá dificuldades em realizar suas obrigações, logo
apresenta uma situação privilegiada (IUDÍCIBUS, 2008). Ademais, este excesso se deve à
existência do CCL positivo, de fato, o CCL é também obtido pela diferença entre o AC e o
PC33 (MATARAZZO, 2010):
A margem de segurança obtida através deste índice permite que a administração
financeira da empresa possa manobrar prazos com o objetivo de equilibrar as entradas e
saídas de caixa. Logo, considerando que os recursos do AC entrarão em caixa geralmente em
um momento diferente da saída para pagamento do PC, caberá a empresa equalizar
diariamente esta proporção, trabalhando com os prazos de recebimento e pagamento, bem
como, da renovação de empréstimos bancários (MATARAZZO, 2010).
1.2.2.3 Liquidez Seca – LS
34
ou
O LS35 é um índice que retrata quanto à empresa consegue pagar de suas dívidas em
curto prazo utilizando-se dos seus índices de maior liquidez do AC36, sem que esta precise
utilizar seus estoques (STEINBERG, 2005).
33
O CCL é uma ferramenta que complementa a análise dos Índices de Liquidez (IUDÍCIBUS, 2008).
Clientes de rápida conversibilidade em dinheiro.
35
Também conhecido como teste ácido (BRIGHAM et al, 2001).
36
Neste caso também podem ser compreendidos por “Ativos Realizáveis a Curto Prazo”, excluindo-se o estoque
, visto que, se de um lado uma empresa possui um giro muito grande de estoques e do outro, outra empresa
possui baixas rotações “giros” de estoque devido a sazonalidades de vendas, os ativos realizáveis a curto prazo
nestes casos podem acabar sendo distorcidos por este índice (GRAHAM, 1998).
34
23
Indica quanto à companhia possui de Ativo Líquido para cada R$ 1,00 de PC, sendo
que sua interpretação é de que quando maior for, melhor será a situação financeira 37
(MATARAZZO, 2010).
A diferença entre a LC e a LS refere-se a exclusão dos estoques e despesas
antecipadas do AC no numerador da fórmula (IUDÍCIBUS, 2008).
Em virtude da dependência de diversos fatores e imprevistos para a liquidação dos
estoques, eliminam-se os mesmos do Ativo Realizável a Curto Prazo, procedimento que
configura este índice a denominação de uma verdadeira prova de ácido, ou teste ácido da
empresa. Logo, este indicador é considerado como um teste de força da empresa, pois objetiva
avaliar o grau de excelência da situação financeira, empregando critérios mais exigentes para
tal (STEINBERG, 2005; MATARAZZO, 2010).
Analisando este índice conjuntamente com o índice de LC, nos casos em que
excedam a proporção de 1,00, pode-se inferir que a empresa está com um perfil de liquidez
ótimo ou ideal (MATARAZZO, 2010).
Comparando o índice com outros pares, padrões do setor industrial, nos momentos
em que for abaixo de 1,00, poderão ser um indicativo de dificuldade de liquidez, mas não
obrigatoriamente nos casos em que a LC seja satisfatória (MATARAZZO, 2010).
O Índice de LS também pode ser interpretado por faixas limites, como o da Figura 3
a seguir:
Figura 3 – Faixas de limite
Fonte: Matarazzo (2010)
Esta segunda forma de interpretação demonstra a debilidade conclusiva do índice,
logo, deve ser utilizado em conjunto com outros indicadores, como o índice de LC. Fixar um
índice inferior – LI, como o exposto anteriormente requer profundo conhecimento do setor de
atuação da empresa, bem como, da experiência do analista (MATARAZZO, 2010).
37
Um quociente menor do que 1,00 pode às vezes ser considerado normal (IUDÍCIBUS, 2008).
24
1.2.2.4 Liquidez Imediata – LI
38
Mensura a proporção de numerário, o valor mínimo, que a empresa deve manter para
atender aos seus compromissos imediatos (de curto prazo), uma parte destes, do seu ciclo
operacional. A interpretação do índice é de quanto maior for melhor39 (STEINBERG, 2005;
DEBASTIANI, RUSSO; 2008).
Os valores apontados pelo indicador representam o percentual do qual a empresa
poderá fazer frente imediatamente aos seus compromissos (STEINBERG, 2005).
1.2.2.5 Índice de Cobertura Total – ICT
Analisa a capacidade de pagamento da empresa, sendo utilizada principalmente para
decisões de concessão de empréstimos por parte de instituições financeiras, bem como, para
decisões de investimento e a análise da iminência de liquidação de uma empresa
(IUDÍCIBUS, 2008).
1.2.2.6 Índice de Cobertura de Juros – ICJ40
O índice relaciona o Lucro Antes dos Juros e Imposto de Renda – LAJIR 41 ou o
Lucro Antes dos Juros, Imposto de Renda, Depreciações e Amortizações – LAJIDA42, com as
38
Ou disponibilidades.
No entanto, o quociente deve estar idealmente entre valores de 0,1 ou 0,2, dependendo do prazo médio de
vencimento das obrigações (IUDÍCIBUS, 2008).
40
Times interest earned ratio (SILVA, 2008).
41
Earnings before interest and Taxes - EBIT.
42
Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization – EBITDA.
39
25
Despesas Financeiras – DF da empresa, na busca de identificar a capacidade de pagá-las43
(SILVA, 2008).
Este indicador apresenta quantas vezes o lucro operacional da empresa foi capaz de
cobrir as suas despesas financeiras
1.2.2.7 Saldo de Tesouraria Sobre Vendas – STSV
Indica a relação entre a posição financeira da empresa e o seu volume de vendas. A
razão indica o quanto o ST representou, em termos percentuais, das vendas líquidas acrescidas
dos impostos, ou seja, para cada R$ 100,00 de receita mais impostos, é obtido um valor x de
reais de ST (SILVA, 2008).
1.2.2.8 Índice de Estoques sobre Vendas – ESV44
O Índice ESV demonstra a quantidade de estoques que são utilizados para suportar
um nível específico de vendas, sendo um substituto para o cálculo da rotação de estoques em
relação aos bens vendidos e terá sempre um valor maior do que este, pois por utilizar as
vendas, estas serão sempre maiores que os custos dos bens vendidos (BRAGG, 2007).
1.2.2.9 Índice de Estoques sobre o Capital de Giro – IECG45
O IECG avalia a relação dos estoques com o CG. Os estoques podem compor grande
parte do CG da empresa, e que por muitas vezes, pode encobrir a visão desta em levantar
caixa pelo CG, particularmente quando o estoque apresenta baixos níveis de rotação. Logo,
43
Podem ser feitos diversos índices de coberturas com vários grupos de despesas, porém, o de juros é o mais
conhecido e utilizado pelos analistas de mercado (SILVA, 2008).
44
Denominado em inglês por Inventory to Sales Ratio.
45
Denominado em inglês por Inventory to Working Capital Ratio.
26
quanto maior for este índice, pior, pois mais difícil será para a empresa obter caixa para suas
contas a pagar (BRAGG, 2007).
1.2.2.10
Índice de Vendas sobre Ativo Circulante – V/AC46
O V/AC pode demonstrar se uma empresa apresenta problemas de liquidez. Quanto
mais alto for o índice, menor será a proporção de ativos para o suporte das vendas, e poderá
ter dificuldades imediatas com suas contas a pagar, podendo levara a empresa a falência
(BRAGG, 2007).
1.2.2.11
Índice de Produtividade do Capital de Giro – IPCG47
É similar ao V/AC, porém o IPCG tende a ser mais robusto e confiável, visto que
desconsidera o PC do AC para se chegar em um ACL que possa ser representativamente
menor do que o AC total utilizado no V/AC (BRAGG, 2007).
Porém, neste caso, quanto maior for o índice, melhor, visto que, quanto menor for,
mais ineficiente é a relação de produtividade das vedas e que possui muito investido em
contas a receber ou estoques a serem utilizados para a produção de um determinado nível de
vendas (BRAGG, 2007)
46
47
Denominado em inglês por Sales to Current Assets Ratio.
Denominado em inglês por Working Capital Productivity.
27
1.2.2.12
Índice de Dias sobre Capital de Giro – D/CG48
É um indicador que serve para avaliar a eficiência da gestão do CDG da empresa.
Quanto menor for o índice, mais eficiente será o uso do CDG49 (BRAGG, 2007).
1.2.2.13
Índice de Passivo Circulante – IPC50
Determina a proporção do passivo total que será utilizado para obrigações de curto
prazo, logo, este indicador funciona como uma métrica aproximada de liquidez, por não
explorar a habilidade da empresa em pagar suas dívidas e da possibilidade de interpretação da
extensão e importância destas (BRAGG, 2007).
1.2.2.14
Índice de Capital de Giro sobre Dívidas – CDG/D51
Este índice avalia se uma empresa conseguiria honrar suas dívidas ao liquidar seu
CDG. Nota-se que este teste deverá ser procedido apenas quando se considerar que a empresa
deverá pagar suas dívidas em uma única vez, visto que zerar o CDG impossibilitaria dela
continuar operacional, o que por consequência, a traria a falência (BRAGG, 2007).
48
Denominado em inglês por Days of Working Capital.
Entretanto, é importante notar que o D/CG poderá sofrer do ciclo de negócios da empresa – sazonalidade.
50
Denominado em inglês por Current Liability Ratio.
51
Denominado em inglês por Working Capital to Debt Ratio.
49
28
1.2.2.15
Índice de Conversão de Ativos de Risco – ICAR52
Determina a proporção dos ativos que possuem dificuldade para serem convertidos
em dinheiro. O índice ideal deveria apontar um menor valor possível, ou seja, quanto menor
for, melhor, visto que quanto maior o for, retratará um valor de liquidação pequeno, pois no
caso de liquidar uma dívida imediata, a empresa teria que liquidar outros ativos53 (BRAGG,
2007).
1.2.2.16
Índice de Ativo Realizável a Longo Prazo em Relação ao Passivo Não
Circulante – RLP/PNC54
Indica o montante de Ativos RLP que podem ser utilizados para pagar as dívidas de
longo prazo, PNC. Um valor igual ou maior do que 1,00 indica que a empresa apresenta uma
eficiência razoável para fazê-lo 55 (BRAGG, 2007).
1.2.2.17
Dívidas de CP em Sobre Dívidas de LP – DCP/DLP56
Indica a proporção das dívidas totais que estão por serem pagas no curto prazo. Pode
indicar a inabilidade de uma empresa em “rolar” sua dívida de curto prazo para o longo prazo,
que por sua vez, poderá resultar em uma dificuldade da capacidade de pagamento da
empresa57 (BRAGG, 2007).
52
Denominado em inglês por Risky Asset Conversion Ratio.
Exemplos: ativos intangíveis, equipamentos customizados, amortização de ativos intangíveis, depreciação de
equipamentos customizados, etc (BRAGG, 2007).
54
Denominado em inglês por Noncurrent Assets to Noncurrent Liabilities Ratio.
55
Porém, este é um indicador sensível e que apresenta algumas falhas: a) casos em que a empresa apresente
apenas recursos para honrar suas dívidas no ANC; e b) o valor de revenda dos ANC poderão não estar
atualizados com os valores do PNC (BRAGG, 2007).
56
Denominado em inglês por Short-Term Debt to Long-Term Debt Ratio.
57
Deve-se atentar para o setor da empresa, visto que algumas companhias podem apresentar um sólido fluxo de
caixa que poderá ser utilizado para pagar qualquer dívida de curto prazo (BRAGG, 2007).
53
29
1.2.3 Índices Complementares de Utilização de Ativos
1.2.3.1 Vendas Sobre Capital de Giro – VSCG58
O VSCG mensura o montante de caixa requerido para que as vendas sejam mantidas
a um determinado nível, sendo mais bem empregado em uma linha de tempo. De fato, quanto
menor for o montante de caixa utilizado, nos níveis mais baixos possíveis, menor será a
dependência de financiamentos (BRAGG, 2007).
1.2.3.2 Vendas Sobre Ativos Fixos – VAF59
O VAF avalia o quanto uma empresa investe em ativos fixos e a sua implicação em
vendas. Este indicador é amplamente aplicável para comparar empresas de um mesmo setor a
fim de procurar empresas que obtenham uma razão menor. Neste sentido, quanto menor for o
valor do índice, melhor, sendo recomendada a análise por uma linha de tempo (BRAGG,
2007).
1.2.3.3 Vendas Sobre Despesas Administrativas – VSDA60
Este indicador revela a proporção de despesas administrativas incumbidas nas vendas
da empresa, ou seja, avalia quanto estas despesas foram requeridas para manter um certo nível
do volume de vendas (BRAGG, 2007).
58
Denominado em inglês por Sales to Working Capital Ratio.
Denominado em inglês por Sales to Fixed Assets Ratio.
60
Denominado em inglês por Sales to Administrative Expenses Ratio.
59
30
1.2.3.4 Vendas Sobre o Patrimônio Líquido – VSPL61
Mensura o montante do PL que deveria ser retido no negócio em função da flutuação
do nível de vendas. Esta razão também identifica se o PL foi alocado excessivamente a um
negócio, podendo a empresa então avaliar alternativas para seus acionistas por meio de
proventos (BRAGG, 2007).
1.2.3.5 Vendas Por Taxa Bruta de Vendas – V/TBV62
Indica a extensão do retorno das vendas. Um nível excessivo neste indicador pode
significar que há algum problema com as vendas, seja no produto, na política de preços
(BRAGG, 2007).
1.2.3.6 Depreciação Acumulada Sobre os Ativos Fixos – DASAF63
Este indicador revela a extensão da qual uma empresa substitui, em uma base
contínua, seus ativos por novos ativos. Este índice demonstra uma ideia da habilidade em que
a empresa pode gerar caixa ao rever suas despesas atreladas aos ativos fixos (BRAGG, 2007).
De um lado, se a DASAF for alta, indica que a empresa apresenta escassez de
dinheiro e que poderá indicar ainda que a empresa não adicionou novos ativos nos anos
recentes e que poderá haver pouco caixa disponível para investimentos (BRAGG, 2007).
61
Denominado em inglês por Sales to Equity Ratio.
Denominado em inglês por Sales Returns to Gross Sales Ratio.
63
Denominado em inglês por Accumulated Depreciation to Fixed Assets Ratio.
62
31
No entanto, este indicador pode retratar uma visão incorreta da política de
reinvestimento da empresa, por exemplo, no caso da empresa utilizar cálculos de depreciações
mais aceleradas, resultando em um numerador maior, dando a impressão de uma base de
ativos mais antiga (BRAGG, 2007).
1.2.3.7 Índice de Custos Discricionários – ICD64
O ICD retrata a situação de empresas com apertos de fluxo de caixa no curto prazo 65.
Pela análise do índice, pode-se determinar quais custos podem ser reduzidos para que a
empresa possa apresentar uma situação neutra ou positiva do seu fluxo de caixa 66 (BRAGG,
2007).
1.2.3.8 Despesas de Juros Sobre Dívidas – DJSD67
Este indicador ajuda ao analista mensurar um valor aproximado da taxa de juros que
a empresa está pagando para as suas dívidas contraídas (BRAGG, 2007).
64
65
66
Denominado em inglês por Accumulated Depreciation to Fixed Assets Ratio.
Deve ser utilizado apenas para análises de curto prazo (BRAGG, 2007).
Exemplos de itens discricionários: reparos e manutenção, marketing, treinamentos, desenvolvimento de novos
produtos etc (BRAGG, 2007).
67
Denominado em inglês como Interest Expense to Debt Ratio.
32
1.2.3.9 Goodwill Sobre Ativo Total – GSAT68
O goodwill deixou de ser amortizado e agora é submetido ao teste de impairment. No
entanto, os analistas precisam verificar se grandes proporções dos ativos da empresa são
formados por este, e se está crescendo ao longo do tempo (BRAGG, 2007).
1.2.3.10
Turnover dos Investimentos – TI69
O TI é um índice que determina a habilidade da empresa em converter suas dívidas e
PL em receitas de vendas. Um alto índice demonstra uma alta eficiência na geração de
vendas, no entanto, não implica afirmar que ela pode gerar lucros 70 (BRAGG, 2007).
71
1.2.3.11
Ponto de Equilíbrio – PDE72
O PDE determina o nível em que as vendas da empresa atingem seu ponto de
equilíbrio. Este indicador é útil para decisões operacionais internas da empresa e também para
retratar esta situação para o analista externo (BRAGG, 2007).
Ou
73
68
Denominado em inglês como Goodwill to Assets Ratio.
Denominado em Inglês como Investment Turnover ou ainda como Rotação dos Investimentos.
70
Deve ser usada em conjunto com os indicadores de MB e ML (BRAGG, 2007).
71
Dívidas de curto prazo poderão também poderão entrar no denominador (BRAGG, 2007).
72
Denominado em Inglês como Break Even Point.
73
Outras Despesas não monetárias (BRAGG, 2007).
69
33
1.2.3.12
Margem de Segurança – MS74
Indica o percentual das vendas que podem sofrem impacto – redução de vendas –
antes que a empresa atinja o seu ponto de equilíbrio – PDE. O indicador pode ajudara
identificar a probabilidade em que a empresa possa enfrentar situações de dificuldade
financeira devido às flutuações nas vendas (BRAGG, 2007).
75
1.2.4 Índices de Dependência Bancária 76 e Endividamento Financeiro
Uma empresa pode trabalhar com um índice de LC abaixo de 1,00 caso seu PC se
renove constantemente, isto se dá em virtude da renovação praticamente automática dos seus
créditos de funcionamento que decorrem de sua operação – fornecedores, salários, encargos,
tributos etc. Seu prazo para pagamento configura-se como um financiamento permanente
(MATARAZZO, 2010).
Porém, aos empréstimos bancários e desconto de duplicatas não há garantias, pois
por mais que apresente um business 77 exemplar, muitas vezes não poderá conseguir a
renovação de um empréstimo. Um exemplo é um cenário inflacionário que compromete a
capacidade de pagamento da empresa. Logo, quanto maior for a dependência bancária da
empresa, maior será o seu risco de endividamento atribuído a insolvência (MATRAZZO,
2010).
1.2.4.1 Financiamento do Ativo por Instituições de Crédito – FAIC
74
Denominado em Inglês como Margin of Safety.
O nível atual da venda refere-se as receitas geradas com as vendas (BRAGG, 2007).
76
Os índices de dependência bancária destacam-se como os melhores índices para medir a previsão de falência
das empresas, podendo até substituir inclusive alguns índices mais tradicionais (MATARAZZO, 2010).
77
No que tange a qualidade de gestão e administração dos negócios empresariais.
75
34
Indica qual é a proporção dos investimentos totais que são financiados pelas
instituições de crédito (MATARAZZO, 2010).
1.2.4.2 Endividamento Financeiro Sobre Ativo Total – EFSAT
78
Indica a participação do passivo financeiro no financiamento do ativo da empresa, ou
seja, a dependência financeira da empresa junto às instituições financeiras, indicando o
endividamento financeiro em percentual do AT, para cada R$ 100,00 aplicados no ativo
estava sendo utilizado, em R$, de recursos de instituições financeiras ou de outras fontes
financeiras (SILVA, 2008).
Muitas vezes, o custo da dívida é benéfico pois os ativos da empresa podem estar
provendo um retorno superior aos de captação, como nos casos dos Adiantamentos sobre
Contrato de Câmbio – ACC (SILVA, 2008).
Porém, algumas empresas podem não possuir recursos próprios suficientes para
financiar suas necessidades o que acarreta a necessidade na tomada de empréstimos que
incorrem em juros altos. Nestes casos, a relação é de quanto maior for o índice, pior para a
empresa (SILVA, 2008).
Este índice, de Endividamento Financeiro – EF pode ser avaliado ainda perante o PL
e a dívida da empresa, respectivamente (SILVA, 2008):
79
78
DD – Duplicatas Descontadas (ou cambiais descontadas); IF – Instituições Financeiras; ONC – Outros não
cíclicos (como dividendos, impostos etc); ELP – Exigível a Longo Prazo, considerando que todo o ELP é
financeiro, visto que, dificilmente uma dívida não está sujeita a encargos financeiros (SILVA, 2008).
79
Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo.
35
1.2.4.3 Participação de Instituições de Crédito no Endividamento da Empresa – PICEA
Indica o percentual de participação do capital das instituições de crédito no total de
recursos que são obtidos através de terceiros (MATARAZZO, 2010).
1.2.4.4 Financiamento de Ativo Circulante por Instituições de Crédito a Curto Prazo –
FACICCP
Indica o percentual dos investimentos no AC financiado pelas instituições de crédito
em curto prazo (MATARAZZO, 2010).
1.2.4.5 Nível de Desconto de Duplicatas – NDD
80
Indica a proporção das Duplicatas a Receber descontadas junto aos bancos, sendo
que sua interpretação é de que quanto menor for, melhor para a empresa, pois o desconto das
mesmas só é realizado quando a empresa vai ao banco, precisando do dinheiro. Em
contrapartida, os bancos retêm estes títulos e antecipam os valores às empresas, cobrando uma
determinada taxa de juros para tal81. (SILVA, 2008; MATARAZZO, 2010).
80
Ou cambiais descontadas (SILVA, 2008).
A operação encerra-se quando, no vencimento, os sacados – clientes – pagam os títulos. No entanto, caso não
o façam, o cedente – a empresa – deverá pagá-lo ao banco (SILVA, 2008).
81
36
1.2.4.6 Endividamento Bancário – EB
Este índice mensura a relação de empréstimos bancários obtidos pela empresa em
relação ao seu PL (MATARAZZO, 2010).
1.2.4.7 Financiamento Próprio da Necessidade de Capital de Giro – FPNCG
Este indicador mensura a relação do CCP com a NCG., Do ponto de vista financeiro,
quanto maior for este índice, melhor, entretanto, em termos estratégicos, a empresa poderá vir
a perder participação de mercado (MATARAZZO, 2010).
1.2.5 Índices de Rentabilidade e Margens de Lucro82
A análise da rentabilidade é considerada como uma das mais importantes da análise
das demonstrações financeiras83, tendo por objetivo, apresentar o retorno do capital investido
e identificar as razões e fatores que levaram a esta rentabilidade (PADOVEZE; BENEDICTO,
2007).
Os índices de Rentabilidade indicam a rentabilidade atingida dos capitais investidos
na empresa, ou seja, o quanto os investimentos empresariais renderam, considerando os
retornos das vendas, ativos ou PL – provendo conhecimento sobre o grau de excelência
econômica da empresa (MARTINEWSKI, 2009; MATARAZZO, 2010).
82
Importante distinguir rentabilidade de margem ou lucratividade: a primeira é a relação do lucro obtido com o
valor do investimento realizado, medindo o retorno obtido; do outro lado, a segunda mede a relação percentual
das margens de lucro relacionadas às vendas, medindo o quanto se obtém, em média, de lucro (PADOVEZE;
BENEDICTO, 2007).
83
Pois uma empresa rentável dificilmente encontrará problemas de liquidez. Logo, é considerada como o “[...]
critério natural de avaliação do retorno do investimento” (PADOVEZE; BENEDICTO, 2007, p.101).
37
Já as margens de lucratividade da empresa representam o quociente entre o resultado
e as vendas e proporcionam uma noção de negócio para avaliar se a companhia é capaz ou
não de manter suas margens crescentes ao longo do tempo (STEINBERG, 2005).
1.2.5.1 Giro do Ativo – GA84
85
Considerado um dos principais indicadores da atividade empresarial, demonstra
quanto a empresa vendeu para cada R$ 1,00 de investimento total, sendo que quanto maior for
o valor obtido, melhor, indicando o nível de eficiência em que os recursos foram aplicados,
isto é, o Ativo Total – AT (SILVA, 2008; MATARAZZO, 2010).
As vendas estão diretamente atreladas aos investimentos de uma companhia e a
simples análise do valor absoluto de vendas. Logo, o índice de GA avalia a razão entre as
vendas líquidas da empresa em relação ao tamanho do seu ativo total, ao capital total
investido (MATARAZZO, 2010).
Quando o índice cai de um ano para outro, ou quando está abaixo de 1,00, as
possíveis razões podem ser: uma retração do mercado como um todo; perda de marketshare86
ou orientação/reorientação estratégica da empresa (MATARAZZO, 2010).
1.2.5.2 Margem Bruta – MB87
A MB é uma medida percentual do que sobra na venda de produtos após a empresa
ter efetuado o pagamento dos custos totais pela aquisição e processamento destes. A indicação
é de que quanto maior for o percentual, menor será o custo relativo à venda dos produtos
(STEINBERG, 2005).
84
Turnover asset ou Rotação do Ativo.
Ativo Total Médio – ATM.
86
Participação de mercado.
87
Também podendo ser denominada como Margem de Lucro Bruto – MLB (IUDÍCIBUS, 2008).
85
38
1.2.5.3 Margem Operacional – MO
É a proporção que sobra na venda dos produtos antes que a empresa efetue o
pagamento de juros e imposto de renda devido (STEINBERG, 2005).
1.2.5.4 Margem EBITDA – ME88
É considerado um índice que aproxima do fluxo de caixa da empresa em cada R$
1,00 de vendas antes das despesas financeiras, impostos, depreciações e amortizações 89
(STEINBERG, 2005).
Mensura a rentabilidade das atividades operacionais principais da empresa.
A ME pode ficar impactada em empresas de alto crescimento e em um setor
altamente competitivo (STEINBERG, 2005).
1.2.5.5 Margem Líquida – ML90
A MA é uma medida em termos percentuais do que sobra na venda dos produtos
após a empresa efetuar todas as deduções de suas despesas, inclusive juros e imposto de
88
O EBITDA apresenta algumas imperfeições: a) ignora as variações de capital de giro; b) não mensura as
necessidades de reinvestimentos em bens do AP; e c) não considera as receitas e despesas não operacionais
(MATARAZZO, 2010). Já Galli (2009) apresenta 10 restrições consideradas pela Moody’s:1) é manipulável; 2)
ignora necessidades adicionais do CDG, indicando um fluxo de caixa superior nos períodos de crescimento
destas; 3) não considera o montante de reinvestimento requerido; 4) pode indicar um falso sinal de liquidez; 5)
não qualifica o lucro; 6) É inadequada se considerada de maneira singular em no cálculo de múltiplos em
operações de M&A; 7) ignora as dentições das receitas no fluxo de caixa (qualidade); 8) não é um denominador
comum para os diferentes padrões de contabilidade nacionais; 9) oferece baixa proteção para contratos que
envolvam limites financeiros de ação; 10) acaba restringindo ou ignorando atributos de muitas indústrias e
setores econômicos.
89
Um limitador deste índice é que não considera o capital investido na empresa (STEINBERG, 2005).
90
Considerado um índice essencial para a análise contábil (IUDÍCIBUS, 2008).
39
renda. Quanto maior for a margem, maior será a probabilidade da empresa alcançar um nível
de alta lucratividade (STEINBERG, 2005).
Indica quanto a empresa obtém de lucro para cada R$ 100,00 vendidos, sendo sua
interpretação de quanto maior for, melhor para a empresa (MATARAZZO, 2010).
Quanto maior o número, mais a empresa aufere de lucros globais, ganhando mais por
unidade vendida (MATARAZZO, 2010).
1.2.5.6 Rentabilidade do Ativo – RA91
92
O índice indica quanto a empresa obtém de lucro para cada R$ 100,00 de
investimento total 93 , sendo sua interpretação de quanto maior for, melhor para a empresa
(MATARAZZO, 2010).
Esta medida indica o potencial de geração de lucro por parte da empresa, e deste
modo poder se capitalizar, não sendo considerada exatamente como uma medida de
rentabilidade do capital94, ademais é também empregado como uma medida do desempenho
comparativo da empresa entre os anos (MATARAZZO, 2010).
1.2.5.7 Rentabilidade do Patrimônio Líquido – RPL95
91
Também conhecido como Retorno Sobre o Ativo – RSA; Return on Asset – ROA.
O ATM só deverá ser usado quando não tenham ocorrido mudanças significativas no AT.
93
Entende-se como AT. Para um melhor aprimoramento do índice, deveria ser excluído do AT todos os ativos
não operacionais, bem como, deveriam ser excluídos do LL, os efeitos das despesas e receitas não operacionais.
94
Este que por sua vez é mensurado pelo Índice de Rentabilidade do Patrimônio Líquido – RPL.
95
Também conhecido como Retorno Sobre o Patrimônio Líquido – RSPL; Returno on Equity – ROE. Assim
como o ML o RPL é um índice de extrema importância (IUDÍCIBUS, 2008).
92
40
96
O índice indica quanto a empresa obteve de lucro para cada R$ 100,00 de Capital
Próprio investido, ou seja, quanto é o prêmio que os acionistas/proprietários da empresa estão
obtendo em relação a seus investimentos, sendo que sua interpretação é de quanto maior for,
melhor (SILVA, 2008; MATARAZZO, 2010).
Através do seu cálculo relaciona-se a rentabilidade com a participação dos
proprietários dos negócios da empresa, demonstrando claramente o retorno sobre o
investimento nestes negócios (IUDÍCIBUS, 2008).
Este quociente mensura a rentabilidade efetiva – taxa de rendimento – do capital
próprio investido na empresa, apresentando percentualmente o montante adicionado ao PL
pelo resultado líquido do exercício social. Logo, pode-se avaliar o retorno deste investimento
comparativamente com outras alternativas no mercado de renda fixa ou variável
(STEINBERG, 2005; MATARAZZO, 2010).
1.2.5.8 Rentabilidade dos Investimentos – RI97
O RI Mensura o poder de ganho da empresa ao remunerar seus investimentos totais,
permitindo estimar em quanto tempo a empresa poderá recuperá-los (STEINBERG, 2005).
O RI avalia o desempenho da eficiência de um investimento (INVESTOPEDIA,
2011):
ou
Utilizam-se juntamente com o LL no nominador, os juros e o imposto de renda para
que a fórmula não fique distorcida, visto que o LL é apenas parte da renda gerada pela
96
Patrimônio Líquido Médio.
. Utiliza-se o PLM visto que
segundo as regras da matemática financeira, uma dada renda dever ser sempre dividia pelo Capital Inicial – PL
inicial, porém, considerando que ocorrem inúmeros eventos societários ao longo de um período contábil, por
questão de simplicidade, emprega-se o PLM entre o final e o inicial.
97
Conhecido também como Returno on Investments – ROI (STEINBERG, 2005).
41
empresa que objetiva remunerar o capital de risco empregado, este que geralmente é o PL
(STEINBERG, 2005; MATARAZZO, 2010).
Assim, poderiam ser desdobradas as seguintes fórmulas para que sejam obtidos os
seguintes indicadores: Taxa de Retorno do Investimento Total – TRSIT; Taxa de Retorno dos
Capitais de Terceiros – TRSCT; e Taxa de Retorno do Capital Próprio – TRSCP
(MATARAZZO, 2010):
98
1.2.6 Ciclo Financeiro, Operacional e os Índices de Prazos Médios da Empresa99
O ciclo operacional de uma empresa é o equivalente ao tempo empregado para a
aquisição de matérias primas ou de mercadorias até o momento do recebimento da venda.
Assim, estas variáveis configuram-se como fases operacionais da empresa que perfazem
desde o momento de aquisição de insumos para o processo produtivo, sua produção de fato
até o recebimento das vendas auferidas (ASSAF NETO, 2010).
Cada fase do ciclo operacional100 apresenta uma duração, como nos casos a seguir
(ASSAF NETO, 2010):
a) Aquisição de matérias primas (insumos): prazo de estocagem;
b) Processo produtivo: tempo decorrido até a transformação dos insumos em
produtos finais;
c) Venda dos produtos: prazo determinado para estocagem dos produtos; e
d) Recebimento das vendas: prazo de cobrança das duplicatas a receber.
98
Que é o custo dos capitais de terceiros (MATARAZZO, 2010).
De forma geral, os principais limitadores do PMRE, PMRV e PMPC são: a) aspectos de sazonalidade; e b)
épocas de encerramento de exercício social (SILVA, 2008).
100
Aquisição de matérias primas (insumos); processo produtivo; venda dos produtos; recebimento das vendas,
respectivamente.
99
42
Este processo que se desdobra ao decorrer do tempo denomina-se de maturação, isto
é, a soma de cada fase operacional da companhia, correspondendo ao tempo que se leva em
média desde a compra dos insumos até a venda final de um produto e o seu recebimento em
termos de receita. Quanto maior for o período transcorrido, maior será o volume de recursos
empregado para financiar a atividade empresarial (ASSAF NETO, 2010).
Para fins de mensuração deste ciclo operacional, convêm-se analisar os Índices de
Prazos Médios: Prazo Médio de Estocagem de Matérias Primas – PME-MP; Prazo Médio de
Fabricação – PMF; Prazo Médio de Venda – PMV; Prazo Médio de Recebimento de Vendas
– PMRV; Prazo Médio de Pagamento de Compras – PMPC; Prazo Médio de Renovação de
Estoques – PMRE; e Prazo Médio de Cobrança – PMC.
1.2.6.1 Prazo Médio de Estocagem de Matéria Prima – PME
Demonstra o tempo médio desde o momento da aquisição dos materiais até a sua
exigência para o processo produtivo, ou seja, é o tempo médio do qual a matéria-prima
permanece estocada até que venha a ser utilizada no processo de produção (ASSAF NETO,
2010).
1.2.6.2 Prazo Médio de Fabricação – PMF
43
Indica o tempo médio que a companhia fabrica os seus produtos (ASSAF NETO, 2010).
1.2.6.3 Prazo Médio de Vendas – PMV101
Indica o tempo médio em que o produto leva desde a sua produção até o momento de sua
venda, ou seja, quanto tempo ele permanece estocado até que seja vendido. (ASSAF NETO, 2010).
1.2.6.4 Prazo Médio de Recebimento de Vendas – PMRV102
Indica quanto tempo, em média, a empresa espera para receber as suas duplicatas103.
Emprega-se o período de 360 dias visto que nas Demonstrações Financeiras – DF, apenas
aparecem as vendas anuais e não mensais ou diárias (MATARAZZO, 2010).
Considerando a visão de risco, quanto maior for o indicador, pior será para a
empresa, mantidos os demais fatores constantes104 (SILVA, 2008).
As Duplicatas a Receber funcionam como um tipo de reserva que é de um lado
suprido pelas vendas e que atua do outro lado alimentando o caixa. Importante notar que o
PMRV não afeta diretamente o Fluxo de Caixa da empresa, mas sim o volume de
investimentos. Entretanto, visto que o recebimento das duplicatas não ocorre simetricamente,
as flutuações de recebimento acarretam em variações no próprio fluxo de entradas de caixa
(MATARAZZO, 2010).
101
Também pode ser denominado por Prazo Médio de Estocagem dos Produtos Acabados.
Days Sales Outstanding – DSO; também pode ser denominado por Prazo Médio de Cobrança – PMC.
103
Vendas. Seu volume dependerá de: a) montante de vendas a prazo; e b) prazo concedido aos clientes para o
pagamento (SILVA, 2008).
104
Caso a companhia opere em um mercado sazonal ou sofra algum tipo anormal de sazonalidade em suas
atividades, o resultado obtido acarretará em uma distorção, assim como a incidência da inflação (SILVA, 2008).
102
44
1.2.6.5 Prazo Médio de Pagamento de Compras – PMPC
A fórmula e os conceitos do PMRV são análogos ao PMPC, indicando em média,
quantos dias a empresa leva para pagar seus fornecedores (SILVA, 2008; MATARAZZO,
2010). Podendo também ser utilizado a média dos Fornecedores no período, conforme
demonstra a segunda equação (SILVA, 2008)105.
1.2.6.6 Prazo Médio de Renovação de Estoques – PMRE106
107
A fórmula e os conceitos do PMRE são análogos ao PMRV e PMPC, porém,
distingue-se em relação ao tratamento das Duplicatas a Receber ou a Pagar, que decorrem das
vendas ou das compras históricas e os estoques, relacionando-se com as vendas a preço de
custo futuras. Entretanto, o correto seria considerar as vendas meses após a divulgação do
balanço empresarial, porém, devido a impossibilidade de se obter esta informação ao usuário
externo das demonstrações contábeis, considera-se as vendas passadas pelo seu preço de
custo, dadas pelo Custo das Mercadorias Vendidas – CMV (MATARAZZO, 2010).
A segunda fórmula indica quanto a empresa consegue vender por dia ao seu preço de
custo e quantos dias o estoque é suficiente para cobrir a demanda da empresa
(MATARAZZO, 2010).
105
Duas limitações adicionais para o cálculo desta fórmula: a) eventuais fornecedores apresentam créditos não
registrados; e b) atrasos nos pagamentos aos fornecedores (SILVA, 2008).
106
Também conhecido por Prazo Médio de Rotação de Estoques – PMRE (SILVA, 2008).
107
A terceira fórmula considera o estoque médio das mercadorias (SILVA, 2008).
45
A tendência é que a administração consiga obter um PMRE cada vez menor ou mais
rápido. Do ponto de vista de análise de risco, tem-se que quanto maior for o valor do índice,
pior será para a empresa, mantendo-se os demais fatores constantes108. (SILVA, 2008).
1.2.6.7 Prazo Médio de Cobrança – PMC
O índice aponta o tempo médio para que a empresa receba o produto vendido no
mercado, ou seja, em quanto tempo terá que esperar para receber o valor monetário de suas
vendas efetuadas (ASSAF NETO, 2010).
Caso a empresa julgue necessário reduzir este tempo de recebimento, pode usar o
artifício de descontar as duplicatas, para isso, calcula-se o Prazo Médio de Desconto – PMDD
(ASSAF NETO, 2010):
1.2.7 Interpolação entre os Índices de Prazos Médios
Com a soma dos prazos do PMRE + PMRV, tem-se o Ciclo Operacional – CO, ou
seja, o tempo que decorre entre a compra e o recebimento da venda de um produto
(MATARAZZO, 2010). O CO é o equivalente ao tempo utilizado entre a aquisição dos
insumos de produção (indústria) ou das mercadorias (comércio) até o recebimento das vendas
efetuadas (ASSAF NETO, 2010).
Este processo pode ser ilustrado pela Figura 4 indicada a seguir:
Ciclo Operacional
Compra
Venda
PMRE
Figura 4 – Ciclo Operacional
Fonte: Matarazzo (2010, p. 267)
108
Mesma implicação da PMRV
Recebimento
PMRV
46
A empresa procura atender sempre as expectativas de seus credores, responsáveis
pelo seu financiamento, logo, conduz de modo contínuo um ciclo operacional de produção de
bens e/ou serviços, suas vendas e recebimento (ASSAF NETO, 2010).
O CO apresenta o prazo de investimento. Pelo fato da ocorrência do financiamento
por parte dos fornecedores, desde o momento da compra, até decorrer o pagamento destes, a
empresa não necessita se depender sobre o financiamento (MATARAZZO, 2010).
Considerando seu cálculo, tem-se em conta o PMRE mais o PMRV, dai resulta-se, grosso
modo, o CO da empresa (SILVA, 2008).
Nos casos em que o PMPC for maior do que o PMRE, PMPC > PMRE, os
fornecedores financiarão uma parte das vendas da empresa. O momento em que a empresa
precisa se preocupar com financiamento é quando paga o fornecedor e quando recebe suas
vendas, conhecido como Ciclo de Caixa – CC ou Ciclo Financeiro – CF (MATARAZZO,
2010).
Considerando os valores do PMRE, adicionando-se os do PMRV e subtraindo-se o
dos PMPC, o analista pode obter uma ideia do CF da empresa, mas especificadamente os dias
financiados.
O CO e CF da empresa são representados pela Tabela 1 a seguir:
PRAZOS
20X1
20X2
20X3
PMRE
39
41
49
(+) PMRV
42
39
39
(=) CO
81
80
88
(-) PMPC
31
39
54
109
50
41
34
(=) CF
Tabela 1 – Ciclo Operacional e Financeiro da empresa.
Fonte: Adaptado de Silva (2008, p. 261)
1.2.8 Cálculo e Saldos Médios de Balanço dos Índices de Prazos Médios
Para se calcular precisamente os Índices de Prazos Médios, deve-se ter a disposição
compras e vendas efetuadas de modo uniforme. Caso ocorram flutuações, picos ou vales ou
109
Dias financiados (SILVA, 2008).
47
ainda concentrações em um determinado espaço de tempo, os índices poderão sofrer
distorções significativas (MATARAZZO, 2010).
Assim, nestes casos, o analista externo deve deter de um sólido conhecimento sobre
o setor industrial de atividade da empresa, para que possa calcular os índices com determinada
razoabilidade (MATARAZZO, 2010).
Do mesmo modo, torna-se imprescindível utilizar as Demonstrações Financeiras em
moeda constante, visto que a inflação ao longo do exercício social provoca distorce
invariavelmente o resultado dos cálculos. As vendas crescem em valores nominais mesmo que
permanecem em valores reais, logo apresentam geralmente um mínimo de seis meses de
atraso, logo, como exemplo, as vendas de janeiro precisam ser corrigidas pela inflação do
período dos últimos doze meses (MATARAZZO, 2010).
O emprego dos Saldos Médios 110 ao invés do Saldo Final apresenta desvantagens
para a análise destes índices, por não proverem a informação efetiva de quais prazos foram
praticados nas datas de balanço e deste modo, o analista não consegue obter conclusões
adequadas das políticas de prazos da empresa (MATARAZZO, 2010).
Importante distinguir que a métrica que é desprovida de lógica refere-se a média
entre dois balanços sucessivos e não aos prazos médios calculados entre prazos de
recebimento, renovação de estoques e pagamento de fornecedores, pois estes são
denominados de prazos médios, onde os Saldos de Duplicatas a Receber, os Estoques e os
Fornecedores resultam diretamente de médias. A empresa trabalha com diversos prazos, logo
tendo como base o saldo de balanço representa uma média dos distintos prazos
(MATARAZZO, 2010).
1.2.9 Prazos Médios versus Rotações
Para se calcular o número de vezes que um determinado item se renova 111, divide-se
360 dias pelo respectivo prazo médio. No entanto, não devem ser utilizados juntamente com o
Índice de GA, pois este objetiva dimensionar o volume de vendas relativo ao investimento
total e não a renovação das Duplicatas, Estoques e Fornecedores (MATARAZZO, 2010).
110
111
Média simples entre o balanço inicial e final de um determinado período – exercício social.
Giro ou rotação dos produtos.
48
1.2.9.1 Rotação de Estoques – RE112
O quociente de RE indica quantas vezes o estoque da empresa foi renovado durante o
exercício social. O índice de RE pode ser calculado utilizando-se distintas variáveis –
desdobramentos, como o cálculo para todos os estoques, bem como, para classes específicas
de estoques (IUDÍCIBUS, 2008), porém, sempre relacionando-se a análise em uma linha de
tempo (BRAGG, 2007).
Esta análise deverá estar alinhada ao tipo de atividade da empresa, considerando as
particularidades do negócio, como sazonalidades, logo, seu emprego poderá detectar
eventuais imperfeições na fixação dos preços de venda dos produtos comercializados pela
empresa (IUDÍCIBUS, 2008).
A forma mais simples de cálculo é feita por meio do custo das vendas anuais sobre
os estoques ou a média dos estoques no ano (BRAGG, 2007):
113
ou
(
)
A última fórmula facilita a interpretação, visto que é mais fácil assimilar uma rotação
em dias do que em percentual (BRAGG, 2007).
1.2.9.2 Rotação de Vendas – RV114
112
Matarazzo (2010).
Custo das Mercadorias Vendidas – CMV.
114
Ibid.; Também denominado por Rotação de Duplicatas a Receber (MATARAZZO, 2010).
113
49
1.2.9.3 Rotação de Compras – RC115
1.2.10 Análise do Capital de Giro
A análise do CDG 116 de uma empresa é fundamentalmente importante para o
administrador financeiro, como para o analista externo (SILVA, 2008), compreende o
conceito de Necessidade de Capital de Giro – NCG, essencial para o estudo de sua situação
financeira e de caixa, bem como, permite que o analista conheça as estratégias de
financiamento, crescimento e de lucratividade (MATARAZZO, 2010).
Porém, antes da sua análise, convêm-se conceituar o CCL, o Capital de Giro Próprio
– CGP e o Ativo Circulante Líquido – ACL (SILVA, 2008).
1.2.10.1
Capital Circulante Líquido – CCL
O CCL, que é a diferença entre o AC e o PC, conforme indicado anteriormente, pode
ser um número negativo, porém apresentando boa liquidez, como nos casos de
supermercados, que compram a prazo, vendem a vista e possuem um PMPC superior ao
PMRE. O oposto também pode ocorrer, nos casos em que uma empresa apresenta um CCL
positivo, podendo ter problemas financeiros, como a incompatibilidade dos prazos de
realização dos AC em função do vencimento das obrigações de curto prazo (SILVA, 2008).
A liquidez medida pelo CCL, de duas empresas com o mesmo perfil operacional e de
porte, será maior para a que apresentar maior CCL (SILVA, 2008).
O CCL ainda pode ser desdobrado matematicamente por:
E a igualdade torna-se representada por:
115
Ibid.
Os conceitos do Capital de Giro de uma empresa permite uma melhor compreensão acerca do Investimento
Operacional em Giro – IOG. Ademais, seu significado poderá ser aplicado em distintas áreas da análise
financeira de empresas (SILVA, 2008).
116
50
Ou seja, o CCL também é obtido pela diferença entre as contas não circulantes:
Visando simplificar a denominação de circulante, também pode-se nomear a
diferença entre os grupos de ativos e passivos não circulantes de Capital Permanente Líquido
– CPL (SILVA, 2008):
Por exemplo, considerando um AC de R$ 50.000,00 e um PC de 40.000,00, tem-se
um CCL de R$ 10.000,00. Este valor indica quanto os ativos de curto prazo superam os
passivos de curto prazo. Logo, em uma situação em que a empresa estivesse com suas
obrigações para serem honradas no curto prazo, em um mesmo prazo de vencimento, o valor
de R$ 10.000,00 seria uma folga financeira, porém, caso as obrigações vençam antes, a
empresa poderá ter problemas financeiros (SILVA, 2008).
Considerando o fato do valor do CPL ser sempre igual ao CCL 117, um CPL de R$
10.000,00 deve ser interpretado diferente do ponto de vista do CCL (atividades operacionais).
O CPL trabalham com decisões administrativas que tendem a representar a estratégia
empresarial no que tange aos investimentos em AP, da alocação de ELP e do uso de recursos
próprios118 (SILVA, 2008).
1.2.10.2
Capital de Giro Próprio – CGP
Representa a parcela do AC financiada com os recursos próprios, isto é, o quanto
sobra do PL após o comprometimento destes recursos com o AP e o RLP (SILVA, 2008).
117
118
Natureza da paridade matemática do balanço patrimonial.
Patrimônio Líquido.
51
1.2.10.3
Ativo Circulante Líquido – ACL
O ACL utiliza itens do AC e PC que estão diretamente conectados as atividades da
empresa, onde se procura saber a necessidade líquida do seu AC (SIVLA, 2008).
Empresas cíclicas, com vendas sazonais, podem apresentar um ACL mais elevado
em épocas de maior atividade (SIVLA, 2008).
Para se trabalhar com a análise do ACL o analista precisará reclassificar o balanço,
nas contas do AC e PC em partes cíclicas e financeiras. A parte financeira relaciona as
disponibilidades e as dívidas perante terceiros, sendo as demais rubricas dependentes do
contexto operacional cíclico da empresa (SIVLA, 2008).
Portanto, o ACL é um tipo de aplicação líquida de recursos, com caráter operacional,
envolvendo os itens cíclicos e a existência de um caixa operacional mínimo (SIVLA, 2008).
1.2.10.4
Capital de Giro – CDG
A expressão da análise do Capital de Giro – CDG pode aparecer na literatura como
sinônimo para AC, ou seja, a análise das duplicatas, estoques, disponibilidades etc. Quanto
maior for o AC, melhor será a liquidez da empresa e conseqüentemente a sua capacidade de
pagamento, porém, implica-se um custo de manutenção (SILVA, 2008).
O CDG é calculado pela seguinte fórmula:
O CDG é a parcela de recursos de Longo Prazo que está aplicada no Ciclo
Operacional da empresa, este que assume distintas formas ao longo do seu processo de
produção e de vendas. Nota-se que o CDG tende a apresentar um comportamento estável ao
decorrer do tempo (MARTINEWSKI, 2009).
O CDG pode ser afetado tanto positivamente – aumento – como negativamente –
redução (MARTINEWSKI, 2009):
a) Aumento: lucro líquido do exercício social; venda de AP; taxa de empréstimos de
LP; aumento de capital social etc; e
52
b) Redução: prejuízo líquido do exercício; pagamento de empréstimos de LP;
pagamento de dividendos; aplicação de recursos no Ativo Imobilizado; operações
de Fusões e Aquisições – F&A; concessão de crédito a LP etc.
1.2.10.5
Necessidade de Capital de Giro – NCG ou Investimento Operacional em Giro
– IOG119
A NCG ou o Investimento Operacional em Giro – IOG decorre das necessidades das
atividades empresariais, de acordo com o seu setor econômico. Representa os recursos
necessários a um dado ciclo financeiro e volume de atividades empresariais, ou seja, depende
destes dois fatores (MARTINEWSKI, 2009). A NCG reflete o montante que é necessário para
financiar o AC da empresa por causa do seu Ciclo Operacional (MATARAZZO, 2010).
É uma forma de analisar a saúde financeira de uma empresa de modo sistêmico entre
diversas áreas e suas interações 120 . Proporciona uma visão privilegiada das operações,
decisões de aplicações (investimentos) de ativos imobilizados e a forma deste financiamento
(SILVA, 2008).
Para sua análise, é preciso desdobrar o Ativo Circulante e Passivo Circulante em
Operacional e Financeiro. De um lado, tem-se o Ativo Circulante Operacional – ACO121 que
congrega todas as atividades operacionais, como compra, produção, estocagem, venda etc,
enquanto que o Passivo Circulante Operacional – PCO é o financiamento decorrente destas
atividades (MATARAZZO, 2010).
A diferença entre o ACO e o PCO,122 é quanto à empresa necessita de capital para
financiar o giro de suas atividades, ou seja, a sua NCG (MATARAZZO, 2010):
Existem três situações para a ocorrência do NCG (MARATAZZO, 2010):
119
Working Investment – WI.
O IOG está inserido no CCL.
121
É o investimento operacional em giro da empresa, sendo compreendido como o que o financiamento
operacional não cobre – um financiamento não operacional para giro. De sua composição, destacam-se os itens
de financiamento, como por exemplo, o capital próprio ou empréstimos bancários de curto prazo .
122
Portanto, entre os investimentos e os financiamentos.
120
53
a) ACO > PCO: considerada a situação de maior normalidade para a maioria das
empresas e significa que existe uma NCG para a qual a empresa deve
encontrar fontes adequadas de financiamento;
b) ACO = PCO: ocorre quando o NCG é zero, ou seja, nos momentos em que a
empresa não tem necessidade de financiamento para giro; e
c) ACO < PCO: quando uma empresa apresenta mais financiamentos
operacionais do que investimentos. Neste caso, sobram-se recursos de
atividades operacionais que poderão ser usados para aplicações no mercado
financeiro ou para outras atividades de negócio.
Dentre as diversas possíveis fontes de financiamento, destacam-se: (MARATAZZO,
2010):
a) Capital Circulante Próprio123;
b) Empréstimos e Financiamentos Bancários de Longo Prazo; e
c) Empréstimos Bancários de Curto Prazo e Duplicatas Descontadas.
O fluxo de financiamento da NCG pode ser desdobrado da seguinte forma, Conforme
demonstrado na Figura 5 (SILVA, 2008):
PL
CCP
CCL
NCG
ELP
RLP+A
P
EBCP
Figura 5 – Fluxo de Financiamento da NCG de uma empresa124.
Fonte: Adaptado de Silva (2008, p. 287)
1.2.10.6
Saldo de Tesouraria – ST125
Considerando a diferença entre o Ativo Circulante Financeiro – ACF e entre o
Passivo Circulante Financeiro – PCF; ou entre o CDG e a NCG, tem-se o índice de Saldo de
Tesouraria – ST (MARTINEWSKI, 2009):
123
Patrimônio Líquido.
EBCP: Empréstimos Bancários de Curto Prazo (incluindo as Duplicatas Descontadas).
125
Desdobrando o CCL, obtem-se tanto o NCG/IOG quanto o Saldo de Tesouraria – ST (SILVA, 2008).
124
54
Se o NCG/IOG analisava os itens operacionais geralmente contidos no AC e PC, o
ST é composto por aqueles com características financeiras, a exemplo das disponibilidades,
aplicações financeiras e empréstimos de curto prazo (SILVA, 2008).
O ST revela a margem de segurança financeira da empresa e reflete as decisões de
cunho estratégico e as oscilações da parte variável da NCG, isto é, as sazonalidades 126
(MARTINEWSKI, 2009).
Portanto, para se analisar o CF da empresa, pode-se ainda considerar o seguinte
desdobramento matemático, denominado como Ciclo Financeiro Equivalente – CFE, que
permite analisar as informações para fins de interpretação financeira considerando uma
mesma base financeira, conforme a Figura 6:
PME
PMR
PMP
Figura 6 – Ciclo Financeiro Equivalente.
Fonte: Adaptado de Martinewski (2009, p. 20)
Considerando a análise da situação financeira da empresa, podemos classificar a
estrutura de relação entre o CCL, NCG e o ST 127 , em função do risco percebido –
considerando a probabilidade de default128 da empresa (MARTINEWSKI, 2009).
126
N.
1.
2.
CDG
-
NCG
+
-
ST
-
Situação ou Classificação
Péssima
Muito Ruim
3.
4.
+
-
+
-
+
Insatisfatória
Razoável
5.
6.
+
+
+
-
+
+
Sólida
Excelente
Com impacto direto no valor do PMR.
Também conhecido como Saldo Disponível – SD.
128
Neste caso, a probabilidade de insolvência.
127
55
Tabela 2 – Classificação – Grau de Solvência Geral da Empresa.
Fonte: Adaptado de Martinewski (2009, p. 46)
1.2.11 Análise da Gestão do Lucro: Alavancagem Financeira129 e Taxas de Retorno 130
A partir da análise da abordagem da Gestão do Lucro empresarial, o analista externo
pode entender firmemente as relações entre a renda e os investimentos com determinação da
taxa final de retorno do capital dos acionistas (MATARAZZO, 2010).
A análise da geração de lucro empresarial compreende a taxa de retorno sobre os
investimentos:
131
1.2.11.1
Valor Contábil Tangível – VCT132
Com o VCT, o analista pode desconsiderar a influência dos goodwill e dos ativos
intangíveis. É uma maneira mais simplista de se calcular o valor da empresa, porém, apresenta
a vantagem de não considerar estes fatores, que são de difícil compreensão e valoração, no
cálculo (BRAGG, 2007).
Por exemplo, o valor contábil de uma empresa pode estar altamente inflamado por
causa de um processo recente de M&A133 (BRAGG, 2007).
1.2.11.2
Preço sobre o Valor Contábil Tangível – P/VCT134
Considerando a mesma fórmula do VCT, compara o preço da ação sobre o seu valor
contábil tangível. Representa quanto o acionista receberia para cada ação possuída caso a
129
“Alavancagem Financeira é o efeito da estrutura de financiamento no lucro dos acionistas” (MATARAZZO,
2010, p. 320).
130
Ou taxas de rentabilidade (MATARAZZO, 2010).
131
Retorno Sobre Investimentos – RSI, Taxa de Retorno Sobre Investimentos – TRSI ou ainda Taxa de
Rentabilidade – TR (MATARAZZO, 2010).
132
Denominado em inglês por Tangible Book Value – TBV.
133
Mergers and Acquisitions – M&A.
134
Denominado em inglês por Price to Tangible Book Value – PTBV.
56
empresa liquidasse por completo todas as suas operações e terminasse suas atividades
135
(INVESTOPEDIA, 2011).
1.2.11.3
Retorno Sobre os Ativos Empregados – RSAE136
Este indicador demonstra a eficiência operacional geral de uma empresa. Quanto
mais a empresa gerar de retorno empregando um mínimo de seus ativos, melhor (BRAGG,
2007).
1.2.11.4
Índice de Vendas – IV
Este índice demonstra quanto R$ 1,00 investido na empresa resultou em vendas.
Observa-se que a razão deve ser feita com o Ativo da empresa e não com o seu PL, visto que
representa apenas parte dos recursos utilizados e do outro lado, as vendas auferidas devem-se
a receita por meio do uso de todo os ativos 137 (MATARAZZO, 2010).
1.2.11.5
135
Retorno Sobre Vendas – RSV138
Em termos gerais, quanto maior for este índice, mais perigoso torna-se o investimento para o acionista
(INVESTOPEDIA, 2011).
136
Denominado em inglês por Return on Assets Employed – ROCE.
137
Apesar de nos casos em que, ao passar do tempo, as vendas líquidas e o ativo sejam maiores e o PL seja
menor – giro do patrimônio líquido – em que a empresa supostamente estaria vendendo mais utilizando menos
investimentos é verdadeira apenas matematicamente. Se analisado pela razão das vendas líquidas sobre o ativo, o
analista irá perceber que a empresa vende menos por cada R$ de investimento no negócio (MATARAZZO,
2010).
138
Vendas Líquidas ou Receita Líquida, denominado em inglês por Return on Sales – ROS.
57
O RSV indica o lucro que a empresa está obtendo em função de seu faturamento com
as vendas, em termos percentuais, ou seja, para cada R$ 100,00 de vendas líquidas, quanto
sobrou para a empresa. Quanto maior for o valor deste índice, melhor (SILVA, 2008).
1.2.11.6
Retorno sobre o Ativo – RSA139
O índice RSA mensura a rentabilidade obtida pelo negócio, ou seja, quanto a
empresa gera de lucro para cada R$ 100,00 investidos. Quanto maior for o seu valor, indicará
maior eficiência (MATARAZZO, 2010)140.
1.2.11.7
Custo da Dívida – CD
O índice de CD retrata quanto a empresa está pagando de juros sobre cada R$ 100,00
tomados junto às instituições financeiras (capitais de terceiros). Caso este índice seja maior do
que o RSA, então os acionistas estarão cobrindo a diferença com uma parte do seu lucro ou do
capital (MATARAZZO, 2010).
1.2.11.8
139
Retorno sobre o Patrimônio Líquido – RSPL141
Denominado em inglês por Return On Assets – ROA.
Alguns autores, como Copeland et al (2001), consideram que o ROA é indevido devido suas debilidades de
cálculo, tanto no numerador, quanto no denominador. Ademais, toda a sua proposição pode ser encontrada na
análise do ROIC, tornando desnecessário o seu cálculo.
141
Denominado em inglês por Return On Equity – ROE.
140
58
O RSPL ou ROE informa quanto os acionistas ganham para cada R$ 100,00
investidos na empresa (BRAGG, 2007). O RSA e o CD sustentam a forma de como a empresa
obteve o valor de seu RSPL. A empresa pode obter um RSPL expressivo e um RSA
inexpressivo, apenas pagando uma taxa inferior ao obtido pelo índice de RSA, empregando
uma dada proporção de capitais de terceiros142 (MATARAZZO, 2010).
O indicador mensura a rentabilidade da organização ao indicar quanto de lucro esta
gerou com o emprego do dinheiro dos acionistas - PL. É muito útil para se comparar empresas
de um mesmo setor econômico (INVESTOPEDIA, 2011).
Retorno sobre o Capital Investido Bruto – RSCIB143
1.2.11.9
O RSCIB ou ROGIC mensura a eficiência da empresa ao alocar seu capital bruto
investido para a geração de resultados. Demonstra o montante que uma empresa obtêm sobre
o investimento bruto total que fez em seus negócios. Este investimento é igual para todos os
acionistas de ações PN ou ON, adicionando-se a dívida bruta que a empresa acumulou antes
de realizar qualquer pagamento sobre esta dívida144 (INVESTOPEDIA, 2011).
1.2.11.10
Retorno sobre o Capital Investido – RSCI145
O RSCI ou ROIC é um índice que avalia a eficiência de uma empresa ao se alocar o
capital investido para a geração de resultados rentáveis, ou seja, demonstra de que modo a
empresa utiliza os recursos para tal objetivo (INVESTOPEDIA, 2011).
142
Ou seja, o RSPL poderá ser totalmente divergente ou oposto do RSA, devido ao CD e de sua proporção em
relação ao PL. Logo, em certas ocasiões uma ótima administração financeira poderá ser melhor para a empresa
do que uma ótima atividade operacional (MATARAZZO, 2010).
143
Denominado em inglês por Return On Gross Invested Capital – ROGIC ou ainda por Return on Gross
Capital.
144
Representa o valor investido antes de qualquer depreciação ou amortização (INVESTOPEDIA, 2011).
145
Denominado em inglês por Return On Invested Capital – ROIC ou ainda por Return on Capital.
59
1.2.11.11
Retorno sobre a Infraestrutura de TI – RSTI146
O RSTI ou ROIE avalia os investimentos realizados em toda a infraestrutura com TI
da empresa, servindo como um indicador generalista para avaliar estes gastos (BRAGG,
2007).
Para melhores resultados, este indicador deve ser analisado sob uma perspectiva de
linha de tendência no tempo, assim, o analista poderá entender melhor como os gastos
adicionais em TI impactam nos lucros (BRAGG, 2007).
1.2.11.12
Grau de Alavancagem Total – GAT
Índice utilizado para avaliação de prováveis cenários de lucratividade da empresa,
considerando cenários pessimistas, mais prováveis e otimistas (SILVA, 2008).
1.2.11.13
Grau de Alavancagem Operacional – GAO
Mesma interpretação do GAT, porém, ao invés da variação do LL, considera-se a
variação do EBIT, que corresponde à margem de contribuição total subtraindo-se os custos
fixos (SILVA, 2008).
146
Denominado em inglês por Return On Infrastructure Employed – ROIE.
60
1.2.11.14
Grau de Alavancagem Financeira – GAF147
148
Quando se colocam os índices de RSPL em razão do RSA, tem-se o GAF
(MATARAZZO, 2010).
O GAF pode indicar se uma grande proporção da dívida da empresa em relação ao
seu capital próprio está sendo usado para financiar suas operações. Importante notar que se o
denominador do índice, ROA, for maior do que o ROE, então a base de capitais é menor o
que implica dizer que a diferença entre os dois índices é financiada por uma base de capital
não própria (BRAGG, 2007).
Considerando o exemplo da Tabela 3:
Balanço em:
ATIVO TOTAL
(operacional)
31-12-X1
31-12-X2
1.000
1.220
400
400
600
820
1.000
1.220
Empréstimos Bancários
Patrimônio Líquido
DRE de 1º-1-X2 a 31-12-X2
Vendas Líquidas
CMV
Lucro Bruto
Despesas Operacionais
(inteiramente pagas no
exercício - exceto as
financeiras)
Lucro Antes das Despesas Financeiras
Despesas Financeiras
Lucro Líquido
2.500
(1.500)
500
(200)
300
(80)
220
Tabela 3 – Exemplo de Balanço e DRE para análise do GAF
Fonte: Adaptado de Matarazzo (2010, p. 317)
147
Indica quanto a empresa consegue aumentar o seu lucro líquido por meio de sua estrutura de financiamento,
ao contrário da alavancagem operacional, relacionada a atividade operacional em razão da manutenção de custos
fixos e da margem de contribuição – esta que por sua vez é a diferença entre receitas e custos variáveis
(MATRAZZO, 2010). Também podendo ser denominado por Índice de Alavancagem Financeira – IAF.
148
É o Passivo Gerador de Encargos dividido pelo Patrimônio Líquido (MATARAZZO, 2010).
61
Tem-se um RSA de 30%; CD de 20%; RSPL de 36,66%; e um GAF de 1,22.
O GAF indica que para cada R$ 100,00 investidos a companhia obteve R$ 30,00 de
lucros, pagando juros de R$ 20,00 para cada R$ 100,00 tomados, então, para cada um destes,
ganha R$ 10,00 (MATARAZZO, 2010).
A empresa tomando R$ 400,00 emprestados ganha R$ 40,00. Já para os R$ 600,00
de PL a empresa ganharia R$ 180,00, considerando o RSA (de 30%) que o negócio rende.
Somando-se os R$ 180,00 mais os R$ 40,00, tem-se um lucro total de R$ 220,00
(MATARAZZO, 2010).
Os R$ 40,00 adicionais retratam uma taxa incremental de 6,66%. Somado à taxa de
R$ 30%, tem-se 36,66% (MATARAZZO, 2010).
Por outro lado, a empresa ganha um adicional entre a diferença entre as taxas de
RSA e CD: 30% - 20% = 10%. Se multiplicada pela proporção entre o passivo gerador de
encargos e PL de 66,6%, resulta um incremento do RSPL de 6,66% - 10% x 66,6%
(MATARAZZO, 2010).
Logo, dos 30% de rentabilidade do negócio, a empresa remunera 33,66% para os
acionistas, ou uma alavancagem de 1,22 vezes, ou seja, para cada 1% de rentabilidade, obteve
1,22% de alavancagem favorável (MATARAZZO, 2010).
No entanto, se os empréstimos bancários fossem 600 e o PL de 400 em 31-12-X1, o
RSPL seria maior ainda, pois a proporção entre o PE sobre o PL seria maior ou seja, 150%.
Logo, o RSPL teria um incremento de 15% = 10% x 150%, atingindo 45%, representando
então, uma alavancagem de 1,5vezes ou 0,3vezes superior. Já a taxa de remuneração do PL
seria ampliada em 50% (de 30% para 45%) devido ao uso dos capitais de terceiros
(MATARAZZO, 2010).
Importante notar que será benéfico para a empresa e seus acionistas que aquela
contraia dívidas com terceiros somente quando o RSA for superior ao CD, neste caso, terá
uma alavancagem favorável (MATARAZZO, 2010).
A administração ou gestão da alavancagem financeira procura maximizar os lucros
por ação – LPA, sendo uma relação de custo-benefício de decisões de se incorporar a empresa
um montante de recursos próprios e/ou de terceiros (MATARAZZO, 2010).
62
1.2.11.15
Os
Passivo Operacional – PO e Passivo Financeiro – PF
capitais
de terceiros
(PC+ELP),
representados pelos
empréstimos
e
financiamentos, são as únicas obrigações remuneradas, isto é, corrigida pela incidência de
juros. Outros itens que compõem o Passivo Exigível – PE, são livres desta ocorrência, apesar
de que as obrigações com fornecedores podem estar com uma remuneração embutida
(MATARAZZO, 2010).
Estes passivos são denominados como Passivo Operacional – PO 149 , dos quais a
empresa não tem opções para substitutos próprios, visto que não possuem “custo”. Já o
Passivo Financeiro – PF150 é representado por empréstimos e financiamentos de instituições
financeiras (MATARAZZO, 2010).
A análise da alavancagem restringe-se apenas ao PF, onde se busca identificar a
influência do PF no lucro da companhia (MATARAZZO, 2010).
1.2.11.16
Retorno Sobre o Passivo Remunerado – RSPR
Se o PO não possui encargos, o Passivo Remunerado – PR é medido por
(MATARAZZO, 2010):
O Lucro antes das Despesas Financeiras é distribuído ao segregar o montante das
Despesas Financeiras Líquidas para os detentores de PFs e o Lucro Líquido, para os
detentores do PL (MATARAZZO, 2010).
Logo, o retorno sobre este passivo que é remunerado, é mensurado através do índice
de RSPR (MATARAZZO, 2010):
149
150
Ou Passivo de Funcionamento (MATARAZZO, 2010).
Ou Passivo de Encargos (MATARAZZO, 2010).
63
Indica quanto obteve-se de lucro para cada R$ 1,00 tomado para fins de
financiamento dos investimentos empresariais ou ainda, para indicar qual foi a remuneração
obtida dos recursos utilizados pela companhia. Ao contrário, o RSA mensura o retorno sobre
os ativos, isto é, cada R$ 1,00 investido (MATARAZZO, 2010).
O RSA que avalia o poder de geração de lucro e mensura o desempenho da empresa
e do seu planejamento de lucros, permite projetar o lucro dos ativos (MATARAZZO, 2010).
Para comparar diferentes alternativas de empreendimentos, computando-se o efeito
da alavancagem financeira utiliza-se o RSPR151 (MATARAZZO, 2010).
1.2.11.17
Retorno Sobre o Ativo Líquido – RSAL152
O RSAL ou RONA é uma alternativa para o RSPR, obtido pela seguinte fórmula
(MATARAZZO, 2010):
O Ativo Líquido – AL é igual a (MATARAZZO, 2010):
O RSAL mensura o retorno global sobre o capital, independentemente das suas
fontes de longo prazo. É prática comum dos analistas desdobrarem este índice pelo uso do
indicador de RSV ou dos múltiplos de venda (CHOUDHRY et al, 2010).
Seu valor é igual ao do PR. Usando o AL, o lucro dos ativos corresponde ao
resultado do investimento total realizado no ativo subtraído do PO, pois o lucro dos ativos não
corresponde exatamente ao resultado do investimento total no ativo, uma vez que o lucro
destes ativos é deduzido do custo implícito do PO (MATARAZZO, 2010).
Quanto maior for o valor do índice, maior será o desempenho financeiro da empresa
(INVESTOPEDIA, 2011).
151
Setores de varejo e consumo tendem a apresentar altas cifras de PO, em indústrias extrativas, tende-se a ter
pequenos números e por fim, em holdings, este é quase nulo (MATARAZZO, 2010).
152
Denominado em inglês por Return on Net Assets – RONA (CHOUDHRY et al, 2010).
64
1.2.11.18
Taxa de Crescimento do Patrimônio Líquido – TCPL153
A TCPL é utilizada para determinar a taxa de retorno da qual investimentos
adicionais estejam sendo adicionados ao PL, devido às operações da empresa. Deste modo,
pode-se analisar se o PL da empresa está aumentando ou diminuindo com o passar do tempo
(BRAGG, 2007).
1.3 ANÁLISE POR ÍNDICES DE MERCADO154
Este capítulo discorrerá acerca dos diversos métodos e indicadores de análise de
mercado, aplicado para as empresas de capital aberto listadas em Bolsas de Valores.
A avaliação de ações por meio de índices de mercado é uma das maneiras, ao lado da
análise contábil e financeira das empresas, que têm por objetivo avaliar de modo exclusivo a
atratividade e viabilidade de se investir em ações de uma empresa. Logo, utiliza-se de
inúmeros dados de negociação de mercado das ações negociadas em Bolsas de Valores, bem
como, de métricas e embasamentos econômicos, contábeis e financeiros (MATARAZZO,
2010).
Estes indicadores utilizam-se de dados da empresa relacionados no mercado de
capitais, podendo ser atualizados sempre nos dias de negociação em Bolsa (DEBASTIANI,
RUSSO; 2008).
Os múltiplos de mercado são altamente aplicáveis para o analista devido a sua
simplicidade e facilidade em se trabalhar (DAMODARAN, 2002). Porém, apesar de ser
controversa, de não haver um consenso entre analistas em termos de cálculo e aplicabilidade
(CAVALCANTE, MISUMI, RUDGE; 2009), sabe-se que são empregados para se obter o
valor das empresas de maneira rápida e prática, particularmente nos casos em que estejam
sendo avaliadas diversas empresas em comparativo (DAMODARAN, 2002).
153
Denominado em inglês por Equity Growth Rate.
Também conhecido como Múltiplos, Múltiplos de Valor de Empresas ou Índices de Bolsa ou de Ações, em
referência aos índices utilizados para a análise de empresas de capital aberto listadas em Bolsas de Valores.
154
65
A maioria dos múltiplos de mercado geralmente utiliza o preço da ação em relação a
um parâmetro de avaliação, sendo que de modo geral, as ações com os menores múltiplos
podem indicar que estão subvalorizadas 155, em relação àquelas com valores maiores, visto que
proporcionam retorno em um menor espaço de tempo, logo são opções para investimento, e
para as supervalorizadas, tornam-se opções para venda (CAVALCANTE, MISUMI, RUDGE;
2009).
Costa, Costa e Alvim (2010) elencaram 5 passos para a avaliação de múltiplos:
a) Seleção de empresas comparáveis;
b) Seleção de uma atividade comum: lucros, vendas, EBIT/EBITDA etc;
c) Cálculo dos múltiplos para as empresas selecionadas;
d) Aplicação do(s) múltiplo(s) na empresa sob avaliação; e
e) Finalizar a avaliação com o processo decisório – tomada de decisão.
1.3.1 Índices de avaliação Patrimonial
1.3.1.1 Valor Patrimonial da Ação – VPA156
O VPA é um importante indicador inicial para se conduzir a avaliação do valor da
ação de uma empresa e depois poder compará-lo com o valor em Bolsa (STEINBERG, 2005).
O indicador avalia se o preço de mercado da ação excede ou não o seu valor contábil
(BRAGG, 2007).
Indica quanto vale cada ação da empresa em termos de PL, ou seja, a proporção de
cada ação no PL157. O índice está relacionado à ideia de geração de lucros e dividendos e não
ao preço das ações no mercado (MATARAZZO, 2010).
155
Subavaliadas.
Também conhecido por Valor Contábil Por Ação – VCPA, denominado em inglês por Book Value Per Share
– BV.
157
É a relação entre o PL e a quantidade de ações do Capital Realizado (MATARAZZO, 2010).
156
66
É um índice que apresenta, por grosso modo, um termômetro inicial do que o
mercado está atribuindo em termos de valor para a empresa, ou seja, do que o mercado
considera que deveria ser o preço daquela ação (STEINBERG, 2005).
Também pode ser obtido pela seguinte expressão (BRAGG, 2007):
1.3.1.2 Preço Sobre o Valor Patrimonial da Ação – P/VPA158
O número indicado desta razão entre o preço de mercado da empresa sobre o VPA
indica quantas vezes este preço está maior ou menor do que o valor patrimonial da
companhia, ou seja, o indicador informa quanto o mercado está disposto a pagar pela empresa
(INVESTOPEDIA, 2011).
Um P/VPA baixo pode indicar que a ação está sendo cotada com desconto no
mercado, ou seja, está subavaliada, mas também, pode indicar que a empresa está com
problemas159 (INVESTOPEDIA, 2011), isto é, poderá não obter retorno satisfatório sobre o
PL, sendo que este poderá ainda estar sub ou superavaliado, limitando a análise
(CAVALCANTE, MISUMI, RUDGE; 2009).
1.3.1.3 Valor Patrimonial Líquido por Ação – VPL/A160
O VPL/A é um indicador criado por Benjamin Graham, que objetiva determinar se
uma empresa está sendo negociada abaixo do seu valor justo de mercado.
158
Também conhecido por Price-To-Book Ratio – P/B Ratio.
Indica também se o acionista está pagando demais para o que restaria, caso a empresa falisse imediatamente
(INVESTOPEDIA, 2011).
160
Também conhecido por Net Current Asset Value Per Share – NCAV ou NCAVPS.
159
67
1.3.2 Índices de avaliação Econômica das Ações
1.3.2.1 Lucro por Ação – LPA
O LPA161 indica o lucro correspondente a cada ação. Por meio deste indicador, o
acionista pode estimar o tempo para obter o retorno do seu capital aplicado na empresa,
através da compra de ações, considerando o LPA do último exercício social (STEINBERG,
2005; MATARAZZO, 2010).
Com o cálculo do VPA e LPA, habilita ao analista iniciar uma avaliação preliminar
sobre os dados do balanço de uma empresa para mensurar sua potencialidade para
investimento (STEINBERG, 2005)162.
1.3.2.2 Variação do Lucro por Ação – V/LPA
Visto que o LPA é um dos indicadores mais analisados pelos usuários externos à
empresa, torna-se importante avaliar a taxa de alteração deste indicador entre os períodos
considerados (BRAGG, 2007).
Para se chegar ao valor da variação incremental do LPA, deve-se primeiramente
verificar se ouve alguma nova emissão secundárias de ações, desdobramentos ou
agrupamentos. Para isso, considera-se a seguinte fórmula (BRAGG, 2007):
161
É um índice que precisa ser utilizado de modo conjunto, visto que os valores das ações flutuam no mercado
(MATARAZZO, 2010).
162
Este indicativo aplica-se particularmente para a análise de empresas novas em Bolsa ou empresas ainda não
estudadas.
68
Logo, tem-se a seguinte razão:
163
1.3.2.3 Preço sobre Lucro por Ação – P/L164
O P/L indica o tempo, em anos, em que o investidor obteria o retorno do seu capital
alocado na compra de ações da empresa caso fosse mantido o LPA do último exercício social,
ou seja, o tempo que ele deverá esperar para acumular um LPA igual ao seu investimento
efetuado, ou quanto tempo é estimado para recuperar seu capital investido (MATARAZZO,
2010).
É o indicador mais difundido pelo mercado como parâmetro de referência para
estimar se uma empresa está barata ou cara165 (STEINBERG, 2005).
Teoricamente, quanto menor for o valor do P/L mais rápido será o retorno do
investimento, porém, mesmo com um valor alto, a primeira vista indicando que demorará
mais para receber o capital investido, quocientes maiores podem conter fortes expectativas de
crescimento no lucro por parte do mercado, visto que este estaria pagando mais caro pelas
ações em função desta expectativa 166 (STEINBERG, 2005).
1.3.2.4 Lucro sobre o Preço – L/P167
O L/P é o inverso do P/L, é um indicador que pode ser utilizado em comparativo com
outras empresas, bem como, com outras formas de investimento (ROSS, 2000).
163
Considera a média de ações emitidas no período (BRAGG, 2007).
Ou simplesmente denominado como preço-lucro ou como multiplicador preço-lucro (STEINBERG, 2005).
165
Estimativa por grosso modo, deve ser analisada em paralelo com outros critérios.
166
De fato, os investidores pretendem utilizar o P/L na tentativa de prever lucros futuros de uma empresa.
Porém, já que utiliza-se de um denominador contábil – LPA – logo, esta estimativa não consegue computar todos
os valores externos, de mercado ou intangíveis que possam influenciá-lo (STEINBEG, 2005).
167
Earnings Yield – EY (ROSS, 2000). Também conhecido ainda como Taxa de Capitalização (BRAGG, 2007).
164
69
Pode ser usado em comparativo com o Índice P/L para avaliar a taxa de retorno
implícita da ação dado o preço atual de negociação no mercado (BRAGG, 2007).
Indica o percentual de cada R$ 1,00 investido da ação que foi ganho pela empresa168
(INVESTOPEDIA, 2011).
1.3.2.5 Rentabilidade da Ação – RDA
A RDA indica quantos reais o acionista irá obter anualmente para cada R$ 100,00
investidos na compra de ações ao preço corrente de mercado, ou seja, mensura o percentual
anual de rentabilidade de sua aplicação (MATARAZZO, 2010).
1.3.2.6 Price Sales Ratio – PSR169
170
O PSR é utilizado para avaliar a ação de uma empresa em função de seu desempenho
histórico, é obtido pela razão do preço da ação pela receita líquida por ação do ano mais
recente. O índice é particularmente aplicável para se comprar empresas similares de um
mesmo setor de atividade econômica (INVESTOPEDIA, 2011).
É um indicador parecido com o P/L, porém superior, pois ao invés dos lucros, utiliza
as vendas da empresa no denominador. A vantagem é que esta é uma variável mais estável do
que outras métricas empresariais 171 (FISHER, 2008).
O PSR indica quanto o mercado está disposto a pagar por cada R$ 1,00 de vendas 172
da empresa, visto que os acionistas consideram o valor da empresa em função de suas vendas
futuras173 (FISHER, 2008).
168
Muito utilizado pelos gestores de carteira para se determinar a melhor forma de alocação de ativos
(INVESTOPEDIA, 2011).
169
Também conhecido pela nomenclatura de Preço Receita – P/R.
170
O preço da ação também pode ser calculado pela sua média no ano, visando limitar as flutuações do mesmo
(BRAGG, 2007).
171
Algumas empresas podem apresentar um P/L alto mesmo com lucros baixos devido a expectativa de
crescimento destes no futuro. Nestes casos, aplica-se o PSR (ROSS, 2000).
70
1.3.2.7 Preço sobre Vendas Líquidas – P/VL
É um indicador utilizado para comparar a rentabilidade sobre as vendas das empresas
de um mesmo grupo setorial com características semelhantes, visto que é mais importante a
rentabilidade do que apenas o volume vendido (CAVALCANTE, MISUMI, RUDGE; 2009).
1.3.2.8 Sales to Stock Price Ratio – SSP
O SSP indica a expectativa das vendas da companhia pelo mercado. Se as vendas
crescem e não há alteração no valor das ações, então há uma queda na expectativa de vendas
futura da empresa, já se o valor das ações aumenta, então as vendas auferidas no ano
excederam as expectativas (BRAGG, 2007).
174
1.3.2.9 Enterprise Multiple to EBITDA – EV/EBITDA175
O EV/EBITDA é muito utilizado por analistas e investidores, levando em conta a
estrutura financeira da empresa. Apresenta, a grosso modo, o retorno esperado sobre o valor
da empresa em função unicamente de sua atividade operacional, de negócios
176
(STEINBERG, 2005).
172
Receitas.
De forma geral, quanto menor for este índice, melhor, pois é uma maneira de avaliar o desconto da empresa
(AU, 2004; FISHER, 2008).
174
Considera-se a média do valor das ações da empresa no ano a fim de reduzir os efeitos de flutuação no preço
(BRAGG, 2007).
175
Enterprise Value/EBITDA – Valor da Firma/LAJIDA, sendo que o Valor da Firma é obtido por meio da soma
do valor de mercado da empresa e a sua dívida líquida. Também é conhecido por múltiplo LAJIDA ou EBITDA
multiple. O Valor da Firma é obtido por meio da soma do valor de mercado da empresa e a sua dívida líquida.
176
É o índice P/L modificado: os efeitos financeiros não incidem no cálculo, mas acaba sendo afetado por
dívidas elevadas (STEINBERG, 2005).
173
71
É utilizado para se obter o valor de uma empresa. Valores baixos podem indicar que
a empresa esteja subavaliada 177 (INVESTOPEDIA, 2011). Pode-se considerar que os valores
7 e 12 sejam normais para empresas de alto crescimento e de 4 e 7 para as de menor
crescimento (STEINBERG, 2005).
É um múltiplo útil para se comparar empresas de distintos países, visto que os efeitos
de impostos e tributos de cada país ficam excluídos do cálculo. Do mesmo modo, é útil para
manobras de M&A, pois indica as dívidas que seriam assumidas (INVESTOPEDIA, 2011).
1.3.2.10
Enterprise Value178 to Earnings Ratio – EV/E179
O EV indica qual seria o valor para adquirir a totalidade da empresa (ações e
dívidas), sendo que calculado em razão dos lucros, EV/E, o analista consegue obter uma
imagem mais fácil de comparação do valor das empresas com diferentes estruturas de
capitais180 (BRAGG, 2007).
Com o lucro líquido ajustado, o analista pode prever o quanto poderá obter, em
termos percentuais, após realizar a compra da empresa por completo (BRAGG, 2007).
181
1.3.2.11
EBITDA to Enterprise Value – EBITDA/EV
Mensura o retorno do investimento em uma empresa, apresentando uma alta
aplicabilidade na análise de valores mobiliários de uma mesma indústria, pois não se distorce
perante as diferenças de cada companhia e de sua contabilização inerente
182
(INVESTOPEDIA, 2011).
183
177
No entanto, por ser um índice estático, não considera o diferente crescimento de diferentes empresas, o ROE,
necessidades de CAPEX também é perigoso na análise de empresas cíclicas (valores baixos e altos, no topo e no
fundo, respectivamente).
178
Enterpise Value – EV: valor das operações da empresa (DAMODARAN, 2007)
179
Também conhecido por Índice do Valor da Firma sobre os Lucros.
180
Neste sentido, torna-se um indicador mais robusto do que o P/L (BRAGG, 2007).
181
Caixa e equivalentes de caixa.
182
Como a estrutura de capital; tributação e impostos; e o tratamento dos ativos fixos.
72
1.3.2.12
Stock Options to Common Shares Ratio – SO/CS184
O índice SO/CS indica quantas ações adicionais a empresa poderá ter que emitir para
os detentores das opções sobre ações, ao passo que este movimento irá afetar os ganhos por
ação dos acionistas. Em termos gerais, quanto menor for o indicador, melhor, pois um alto
percentual de SO/CS pode ser considerado como um problema potencial185 (BRAGG, 2007).
1.3.3 Índices de avaliação Monetária das Ações
1.3.3.1 Dividendo por Ação – DPA
Indica quanto cada ação rende em reais embolsados pelo proprietário das ações, ou
seja, quanto o lucro distribuído aos acionistas cabe a cada ação da empresa (MATARAZZO,
2010).
O DPA é a proporção direta sobre o LL da empresa, denominado de payout
(STEINBERG, 2005).
1.3.3.2 Dividend Yield – DY186
O DY relaciona em termos percentuais, o retorno com dividendos que é proporcional
ao valor da ação em Bolsa em um determinado período. Este indicador pode ser comparado
com outras formas de retorno em que um investidor poderia aplicar seus recursos financeiros,
como por exemplo, em outras ações ou em renda fixa (STEINBERG, 2005).
183
Fórmula proposta (STEINBERG, 2005).
Também conhecido por Índice de Opções de Ações sobre Ações Ordinárias.
185
A fórmula congrega todas as opções sobre ações, mesmo aquelas que não venham a ser exercidas (BRAGG,
2007).
186
Também denominado por Yield do Dividendo, ou Cash Yield – CY (STEINBERG, 2005).
184
73
Determina o retorno obtido pelos investidores a partir dos dividendos a parti do preço
corrente das ações da empresa. No entanto, este indicador não considera a variação das
cotações da ação (BRAGG, 2007).
Nos casos em que a cotação da empresa em Bolsa cair, o DY será maior, visto que o
DPA não se altera em relação aos movimentos diários do mercado (STEINBERG, 2005).
1.3.3.3 Dividend Payout – DP
O DP indica a proporção dos lucros que estão sendo obtidos pelo acionista por meio
do pagamento de dividendos. Valores acima de 1,00 indicam que a empresa está
comprometida a pagar dividendos por meio de reservas de caixa; já valores menores do que
1,00 indica que a empresa está reinvestindo o caixa restante em atividades operacionais, de
negócio, o que pode resultar em um incremento no preço de negociação do papel em Bolsa
(BRAGG, 2007).
1.3.3.4 Retorno de Caixa – RDC
O RDC indica quanto o acionista embolsa em dinheiro para cada R$ 100,00
investidos na aquisição de ações de acordo com sua cotação (MATARAZZO, 2010).
74
1.3.3.5 Caixa Rentabilidade da Ação – C/ROA
O índice C/ROA demonstra a relação entre o lucro do acionista e o que recebe
monetariamente da companhia 187 , ou seja, indica percentualmente quanto da rentabilidade
proporcionada pela ação é convertida em reembolso de caixa. Seu cálculo é procedido por
meio da razão entre o RDC e o RDA (MATARAZZO, 2010):
2
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Considerando a profundidade da fundamentação teórica estabelecida, o presente
capítulo aborda a metodologia de pesquisa elegida para que os objetivos delimitados pela
investigação possam ser alcançados.
A presente pesquisa consiste em uma análise documental – levantamento
quantitativo de distintas abordagens literárias, nacionais e estrangeiras, que discorrem sobre a
avaliação de empresas – ações em que se utilizam métricas quantitativas de mensuração,
envolvendo temas como contabilidade, finanças e economia.
Partindo-se da revisão de literatura, foram constatadas diversas dimensões de
abordagens, categorias e variáveis finais de análise, isto é, as fórmulas de cálculo e suas
interpretações/aplicabilidades.
A coleta de dados da amostra compreendeu a verificação de dez referenciais teóricos
da
literatura
nacional
e
estrangeira,
escolhidos
ao
acaso,
de
acordo
com
a
disponibilidade/acessibilidade de material. Foram considerados todas as abordagens que
avaliassem os Indicadores/Índices/Múltiplos Financeiros, Contábeis e de Mercado, contidos
nestes documentos/obras literárias.
Neste sentido, com o objetivo de entender as assimetrias e complementaridades de
denominação, classificação e amplitude dos índices financeiros e de mercado de avaliação de
empresas, será desenvolvido um quadro comparativo destes autores.
187
Relação entre o lucro convertido em moeda (MATARAZZO, 2010).
75
Assim, a partir das constatações do quadro comparativo, será estruturada a
proposição de um framework analítico destas abordagens encontradas na literatura. Seu
objetivo é prover mais informações que agreguem valor a utilidade dos índices. Logo, será
possível entender quais são as diferentes formas de classificação/nomenclaturas aplicadas por
diferentes autores e que porventura, envolvam os mesmos índices, isto é, nomenclaturas
diferentes/similares/complementares para os mesmos índices (estes que ainda podem ser
denominados de formas parecidas, mas que essencialmente apresentam fórmulas iguais ou
semelhantes e que auferem um mesmo resultado).
O modelo do construto teórico – quadro comparativo – fundamentou-se em cinco
perspectivas: dimensão; categoria; variáveis: I – Proponentes Teóricos; II – Dimensão; III –
Categoria; IV – Sub-Categoria; e V – Variável de Análise. Esta etapa, que também será a
mesma estrutura utilizada para o framework, irá ser aplicada e o seu resultado avaliado no
próximo capítulo.
3
RESULTADOS
Este capítulo irá apresentar e analisar os dados coletados por meio da comparação
entre as diversas abordagens, possibilitando a elaboração do seguinte compêndio, elencado
pelo Quadro 1.
Os resultados foram os seguintes:
a) Dimensões: de maneira geral, os autores indicaram a classificação das dimensões
entre (I) “indicadores de balanço”; “índices financeiros”; “múltiplos de Patrimônio Líquido”;
“múltiplos de valor da empresa” ou simplesmente por “análise de ações” para retratar a
análise contábil-financeira, lidando diretamente com as DFs; e (II) “indicadores de mercado”;
“múltiplos de mercado”; “índices de avaliação de ações”; ou simplesmente por “múltiplos”,
para a análise da empresa com base em dados de mercado/Bolsa de Valores. Importante notar
que alguns autores omitiram ou simplesmente não fizeram distinção entre as duas abordagens,
utilizando-se de uma ou de outra para abordar ambas e seus respectivas variáveis (métricas);
b) Categoria: apenas dois autores não caracterizaram as dimensões no quesito de
uma ou mais categorias, no entanto, todos os outros autores utilizaram alguma denominação,
76
seja esta pela ótica contábil-financeira ou pela ótica de mercado – retratando o tipo de
indicador, o grupo geral de indicadores;
c) Subcategoria: apenas quatro autores desdobraram ainda mais em detalhes as suas
categorias de classificação em subcategorias de interesse, inclusive um autor procedeu com
uma segunda subcategoria mais específica ainda;
d) Variável de Análise: no último nível, tem-se a nomenclatura dos respectivos
índices. Nota-se que grande parte dos indicadores apresentam a mesma denominação, ou
denominação semelhante entre diferentes autores. No entanto, a apresentação dos índices
varia significativamente de acordo com os autores, uns prestando mais informações do que
outros.
Considerando as inferências anteriores, pode-se elaborar o framework de análise
final, que teve por finalidade utilizar-se dos diferentes pontos de abordagem para consolidar
uma ferramenta estrutural, visual e interpretativa de classificação dos índices que ao mesmo
tempo facilitasse a consulta dos índices (seja qual for a sua aplicabilidade/intenção de uso),
bem como, para prover uma análise mais completa destas abordagens. O framework está
apresentado pelo Quadro 2 e 3.
77
PROPONENTE TEÓRICO
DIMENSÃO
CATEGORIA
Indicadores de Balanço
(DEBASTIANI, RUSSO; 2008)
Indicadores de Mercado
Múltiplos de Mercado
(COSTA, COSTA, ALVIM;
2010)
Ótica dos Ativos
Ótica do Patrimônio Líquido
Múltiplos de Patrimônio Líquido
Índices de Liquidez
Índices de Administração de Ativos
(BRIGHAM et al, 2001)
Índices de Administração do Exigível
Índices de Lucratividade
SUB CATEGORIA
VARIÁVEL DE ANÁLISE
Liquidez Corrente
Liquidez Geral
Liquidez Imediata
Liquidez Seca
Retorno sobre o Patrimônio
Grau de Endividamento
Índice de Independência Financeira
Margem Bruta
Margem Líquida
Lucro por Ação
Valor Patrimonial por Ação
Relação Preço/Lucro
Taxa de Retorno do Investimento
Relação Preço/Valor Patrimonial
Price Sales Ratio
Payout
Dividend Yield
Valor/Rendimentos
EV/EBIT
EV/EBITDA
Valor/Valor Contábil dos Ativos
EV/Valor Patrimonial dos Ativos
Valor /Receita
EV/Receita Operacional
Valor/Rendimentos
Preço/Lucro por Ação
P/L/C ou PEG
Valor/Valor Contábil do Patrimônio Líquido
Preço/Valor Patrimonial por Ação
Valor/Receita
Preço/Receita Operacional por Ação
Liquidez Corrente
Liquidez Seco
Giro de Estoques
Período Médio de Recebimento
Giro dos Ativos Fixos
Giro dos Ativos Totais
Necessidades de Capital Adicional
Índice de Endividamento
Cobertura de Juros
Cobertura de Despesas Financeiras Fixas
Margem de Lucro
Capacidade de Geração de Lucros
Margem Operacional após Impostos
Retorno sobre Ativos Totais
78
Índices de Valor de Mercado
Múltiplos de Valor da Empresa
(DAMODARAN, 2007)
Índices de Balanço
Situação Financeira
Estrutura
Endividamento
Prazos Médios
Rotações
Capital de Giro
Alavancagem Financeira
(MATARAZZO, 2010)
Liquidez
Situação Econômica
Índices de Avaliação de Ações
Índices de Avaliação Patrimonial
Índices de Avaliação Econômica das Ações
Índices de Avaliação Monetária das Ações
Rentabilidade
Retorno Sobre Patrimônio Líquido
Preço/Lucro
Valor de Mercado/Valor de Livro
Preço/Lucro
Preço/Lucro/Taxa de Crescimento Esperado em LPA
Preço/Valor Contábil
Preço/Vendas
Valor de Mercado/Valor Contábil do Capital
Valor das Operações da Empresa/Capital Investido
Valor das Operações da Empresa/Receita
Valor das Operações da Empresa/EBIT
Valor das Operações da Empresa/EBITDA
Valor das Operações da Empresa/Capital
Participação de Capitais de Terceiros
Composição do Endividamento
Imobilização do Patrimnônio Líquido
Imobilização dos Recursos não Correntes
Financiamento do Ativo por Instituições de Crédito
Participação de Instituições de Crédito no Endividamento da
Empresa
Financiamento de Ativo Circulante por Instituições de Crédito a
Curto Prazo
Nível de Desconto de Duplicatas
Prazo Médio de Recebimento de Vendas
Prazo Médio de Pagamento de Compras
Prazo Médio de Renovação de Estoques
Rotação de Estoques
Rotação de Duplicatas a Receber
Rotação de Fornecedores
Necessidade de Capital de Giro
Retorno sobre o Ativo
Custo da Dívida
Retorno sobre o Patrimônio Líquido
Grau de Alavancagem Financeira
Retorno Sobre o Ativo Líquido
Liquidez Geral
Liquidez Corrente
Liquidez Seca
Giro do Ativo
Marqgem Líquida
Rentabilidade do Ativo
Rentabilidade do Patrimônio Líquido
Valor Patrimonial de Ações
Lucro por Ação
Preço/Lucro por Ação
Dividendo por Ação
79
Lucratividade e Desempenho
Índices de Retorno
Ciclos Financeiros e Operacional
Prazos Médios
Estrutura de Capitais Solvência
Indicadores de Estrutura
Liquidez e Capacidade de Pagamento
Índices de Liquidez
(SILVA, 2008)
Investimento Operacional em Giro
Alavancagem Financeira e Total
Indicadores de Balanço
Indicadores de Liquidez
Indicadores de Atividade (Giro)
(PÓVOA, 2004)
indicadores de Margens Financeiras
Indicadores de Dividendos
Indicadores de Endividamento
Indicadores de Alavancagem
Múltiplos
Indicadores de Imobilização do Patrimônio
Líquido
Múltiplos Comparativos de Ações
Alavancagem pela Estrutura de Gastos Fixos
Retorno de Caixa
Giro do Ativo
Retorno sobre as Vendas
Retorno sobre ao Ativo
Retorno sobre o Patrimônio Líquido
Prazo Médio de Rotação dos Estoques
Prazo Médio de Recebimento das Vendas
Prazo Médio de Pagaento das compras
Imobilização do Patrimnônio Líquido
Participação de Capitais de Terceiros
Composição do Endividamento
Endividamento Financeiro sobre o Ativo Total
Nível de Desconto de Duplicatas
Liquidez Geral
Liquidez Corrente
Liquidez Seca
Cobertura de Juros
Saldo de Tesouraria sobre Vendas
Investimento Operacional em Giro
Capital Permanente Líquido
Saldo de Tesouraria
Grau de Alavancagem Total
Grau de Avalancagem Operacional
Grau de Alavancagem Financeira
Índice de Solvência de Caixa
Liquidez Corrente
Liquidez Seca
Giro do Ativo
Giro do Contas a Receber e Prazo Médio de Recebimento
Giro de Contas a Pagar e Prazo Médio de Pagamento
Giro de Estoques e Prazo Médio de Estoques
Ciclo de Caixa
Retorno sobre o Ativo
Retorno sobre o Patrimônio Líquido
Payback
Margem Bruta
Margem Operacional
Margem Líquida
Índice de Payout
Índice de Retenção
Endividamento Financeiro
Multiplicador de Capital Próprio
Multiplicador de Capital de Terceiros
Imobilização do Patrimônio Líquido
Preço/Valor Patrimonial
80
Múltiplos Técnicos
Gerais
Bancos
Energia Elétrica
Telecomunicações
Varejo
Petróleo/Gás
Bebidas
Índices Financeiros
Medidas de Solvência a Curto Prazo, ou
Liquidez
Medidas de Solvência a Longo Prazo
Medidas de Gestão de Ativos ou Giro
(ROSS et al, 2002)
Medidas de Rentabilidade
Medidas de Valor de Mercado
Múltiplos
(DAMODARAN, 2004)
Análise de Ações
(KLEIN, IAMMARTINO, 2010)
Múltiplos de Lucros
Múltiplos de Valor Contábil (de Reposição)
Múltiplos de Receita Bruta
Análise Fundamental
Retorno sobre o Patrimônio
Preço/Lucro
Enterprise Value/EBITDA
Preço/Receita por Ação
Valor da Firma/Receita
Despesas de Pessoal/Número de Funcionários
Receitas/Número de Funcionários
Investimentos Líquidos/EBITDA
Provisão de Devedores Duvidosos/Média da Carteira de Crédito
Carteira de Crédito/Ativo
Ativo/Patrimônio Líquido
Enterprise Value/MWh
Enterprise Value/Total de Clientes
Enterprise Value/Total de Clientes PF ou PJ
Número de Linhas/Habitantes
Enterprise Value/Número de Assinantes
Receita por Usuário
Contas Não-pagas/Total de Contas
Enterprise Value/Km de Linhas Telefônicas
%Telefones Pré-pagos/Total de Assinantes
Vendas/m² de Loja
Enterprise Value/Reservas Existentes
Enterprise Value/Reservas Provadas
Enterprise Value/Custo por Barril Extraído
Enterprise Value/Hectolitros de Bebidas Produzidas
Liquidez Corrente
Liquidez Seca
Índice de Caixa
Endividamento Geral
Cobertura de Juros
Cobertura de Caixa
Giro do Estoque e Número de Dias de Vendas em Estoque
Giro de Contas a Receber e Dias de Vendas em Contas a Receber
Giro do Ativo Total
Margem de Lucro
Retorno do Ativo
Retorno do Capital Próprio
Preço/Lucro
Preço/Valor Patrimonial
Preço/Lucros
Preço/Valor Contábil
Preço/Vendas
Retorno sobre o Patrimônio
Carga Tributária
Ecargos com Juros
Margem Operacional
Giro dos Ativos
81
Valuation por Múltiplos
Quadro 1: Quadro resumo das abordagens dos índices.
Fonte: Desenvolvido pelo Pesquisador (2011).
Índices Comuns
Giro do Contas a Receber
Giro dos Estoques
Retorno sobre Ativos
Retorno sobre o Patrimônio Líquido
Preço/Lucro
Preço/Lucro Futuro
Preço/Valor Contábil
Price To Sales Ratio
Enterprise/EBITDA
82
Avaliação de Ações
Análise Relativa
DIMENSÃO
Indicadores Patrimoniais
(Contábeis-financeiros)
Índices
Complementares de
Utilização de Ativos
Índices de Dependência
Bancária e
Endividamento
Financeiro
Índices de Estrutura de
Capitais e Solvência
Índices de Liquidez e a
Capacidade de
Pagamento
Índices de
Rentabilidade e
Margens de Lucro
Índices de
Rentabilidade e
Margens de Lucro
Índices de
Rentabilidade e
Margens de Lucro
PCT
CE
LG
LS
VSCG
VAF
FAIC
EFSAT
GA
MB
PME
PMF
RE
IPL
IRNC
LC
LI
VSDA
VSPL
PICEA
FACICCP
MO
ME
PMV
PMRV
RC
IRNC
IDPL
ICT
ICJ
V/TBV
DASAF
NDD
EB
ML
RA
PMPC
PMRE
STSV
ESV
ICD
DJSD
FPNCG
RPL
RI
PMC
IECG
V/AC
GSAT
IPCG
D/CG
PDE
IPC
ICAR
Análise da Gestão do
Lucro: Alavancagem
Financeira e Taxas de
Retorno
CCL
CGP
VCT
P/VCT
ACL
CDG
RSAE
IV
NCG – IOG
ST
RSV
RSA
CD
RSPL
TI
RSCIB
RSCI
MS
RSTI
GAT
CDG/D
GAO
GAF
RLP/PNC
PF
RSPR
RSAL
TCPL
DCP/DLP
Quadro 2: Framework Analítico Proposto I – Indicadores Patrimoniais (Contábeis-financeiros).
Fonte: Desenvolvido pelo Pesquisador (2011).
RV
Índices de
Rentabilidade e
Margens de Lucro
83
Avaliação de Ações
Análise Relativa
DIMENSÃO
Indicadores de Mercado
(múltiplos de bolsa)
Índices de avaliação
Patrimonial
VPA
Índices de avaliação
Econômica das Ações
P/VPA
Índices de avaliação
Monetária das Ações
LPA
V/LPA
DPA
DY
P/L
L/P
DP
RDC
RDA
PSR
C/ROA
P/VL
SSP
EV/EBITDA
EV/E
EBITDA/EV
SO/CS
VPL/A
Quadro 3: Framework Analítico Proposto II – Indicadores de Mercado (Múltiplos de Bolsa).
Fonte: Desenvolvido pelo Pesquisador (2011).
84
O framework teórico foi desmembrado em duas partes para facilitar a visualização devido
a grande quantidade de indicadores agregados ao nível de Indicadores Patrimoniais (Contábeisfinanceiros), apresentado no Quadro 2. Já os Indicadores de Mercado (múltiplos de bolsa),
encontram-se, em sequência, no Quadro 3.
Este modelo de abordagem congrega todas as instâncias verificadas na literatura descritas
no Quadro 1, porém, classificando os índices de acordo com um único nível de categoria, sem
considerar um nível subsequente, como uma subcategoria. Desta maneira, pode-se generalizar a
classificação, propondo-se um nivelamento, sem perder a profundidade em termos qualitativos.
A classificação completa das categorias está disposta da seguinte maneira (Quadro 2):
a) Índices de Estrutura de Capitais e Solvência;
b) Índices de Liquidez e a Capacidade de Pagamento;
c) Índices de Dependência Bancária e Endividamento Financeiro;
d) Índices de Rentabilidade e Margens de Lucro;
e) Ciclo Financeiro, Operacional e os Índices de Prazos Médios da Empresa;
f) Prazos Médios versus Rotações;
g) Análise do Capital de Giro; e
h) Análise da Gestão do Lucro: Alavancagem Financeira e Taxas de Retorno;
Já a classificação completa das categorias do Quadro 2, estão dispostas pela seguinte
maneira:
a) Índices de avaliação Patrimonial;
b) Índices de avaliação Econômica das Ações; e
c) Índices de avaliação Monetária das Ações.
Como resultado, este framework servirá tanto para objetivos acadêmicos quanto para o
uso dos profissionais de mercado, pois proverá uma nova visão perante a vasta gama de
indicadores existentes atualmente, servindo tanto para fins de consulta, como para novos
desdobramentos teóricos sobre a classificação e denominação de cada índice.
85
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A avaliação de empresas é um dos temas que mais que gera fascínio dentre o mundo das
finanças devido a sua delicada relação de subjetividade no uso e na interpretação de indicadores
essencialmente quantitativos, mas que por lidarem com variáveis contábeis, financeiras e de
mercado, não são puramente matemáticas, o que desperta o interesse tanto por parte de seus
proponentes teóricos, acadêmicos, quanto por parte dos profissionais de mercado, analistas buy
side, sell side, corretores, gestores de carteiras, consultores e demais agentes econômicos do
mercado de capitais.
A avaliação relativa, que trata de aplicar os diversos índices financeiros e de mercado
para a avaliação de ações e de investimentos é um destes componentes que fazem parte do
processo de avaliação de empresas.
Os agentes econômicos interessados no uso dos índices deparam-se com um imenso
volume de referenciais técnicos e teóricos, o que pode dificultar e resultar em um entendimento
menos superficial e mais profundo do tema, tanto quanto a sua aplicabilidade no processo de
avaliação de ações.
Neste sentido, a delimitação da situação problemática, se propôs a desenvolver um
framework que classificasse de modo geral as informações contidas nas demonstrações financeiras
e das provenientes do mercado de capitais, que atendesse aos diversos níveis de avaliação – em
termos de complexidade – utilizados principalmente por analistas de valores mobiliários.
Mediante a análise do quadro comparativo de dez perspectivas diferentes, pode-se estruturar este
modelo e desenvolvê-lo de forma satisfatória.
Logo, o objetivo principal da pesquisa foi de encontro à problemática, onde se pode
desdobrar os principais índices utilizados pelos proponentes teóricos, viabilizando a estrutura do
framework teórico, com uma estrutura de categorias de análise detalhada e abrangente.
Dentre as principais limitações do trabalho, destacam-se a escolha dos autores
consultados para o desenvolvimento do quadro comparativo, que foram obtidos pela
disponibilidade/acesso aos materiais disponíveis pelo pesquisador, não sofrendo uma análise
estatística; e a característica de subjetividade passível da estrutura do framework.
Como sugestões para o desenvolvimento de pesquisas futuras, seria oportuno considerar
uma proposta de problema e objetivo(s) semelhantes a presente pesquisa, mas que tivesse como
86
tema central, um dos outros dois modelos de avaliação de empresas de maior consenso existente
na literatura: os métodos de fluxo de caixa descontado e/ou da avaliação de direitos contingentes.
87
5
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
APIMEC. Código de Ética – 2003. Disponível em:
http://www.apimec.com.br/ApimecSP/show.aspx?id_canal=1215&id_materia=9500. Acesso em:
05 maio de 2011.
ASSAF NETO, A. Estrutura e Análise de Balanços: um enfoque econômico-financeiro. São
Paulo: Editora Atlas, 2010, 344 p.
AU, T., P. A Modern Approach to Graham & Dodd Investing. Hoboken: John Wiley & Sons,
2004, 335 p.
BRAGG, S., M. Business Ratios and Formulas: A Comprehensive Guide. 2nd ed. Hoboken: John
Wiley & Sons, 2007, 364 p.
BRINGHAM, F., E., GAPENSKI, L., C., EHRHARDT, M., C. Administração Financeira: Teoria
e Prática. São Paulo: Atlas, 2001, 1113 p.
BUFFETT, M.; CLARCK, D. Warren Buffett and the Interpretation of Financial Statements: The
Search for the Company with a Durable Competitive Advantage. New York: Scribner, 2008, 224
p.
BUFFETT, M.; CLARCK, D. The Tao of Warren Buffett: Warren Buffett's Words of Wisdom:
Quotations and Interpretations to Help Guide You to Billionaire Wealth and Enlightened Business
Management. New York: Scribner, 2006, 192 p.
CAVALCANTE, F., MISUMI J., Y., RUDGE, L., F. Mercado de Capitais: O que é, Como
Funciona. São Paulo: Campus, 2009, 424 p.
CHOUDHRY, M., et al. Capital Market Instruments: Analysis and Valuation. 3rd Ed.
Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2010, 575 p.
COPELAND, T., KOLLER, T., MURRIN, J. Avaliação de Empresas – Valuation: Calculando e
Gerando o Valor das Empresas. 3ª Ed. São Paulo: Pearson Pretince Hall, 2001, 499 p.
88
COSTA, L., G., T., A., COSTA, L., R., T., A., ALVIM, M., A. Valutaion: Manual de Avaliação e
Reestruturação Econômica de Empresas. São Paulo: Atlas, 2010, 366 p.
DAMODARAN, A. Investment Valuation Tools and Techniques for Determining the Value of Any
Asset. Hoboken: John Wiley & Sons, 2002, 992 p.
DAMODARAN. A, Finanças Corporativas: Teoria e Prática. Porto Alegre: Bookman. 2004, 796
p.
DAMODARAN, A. Avaliação de Empresas. 2ª Ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007, 464
p.
DEBASTIANI, C., A., RUSSO, F., A. Avaliando Empresas: Investindo em Ações – Aplicação
prática da Análise Fundamentalista na Avaliação de Empresas. São Paulo: Novatec, 2008, 223 p.
FISHER, K., L. Super Stocks. New York: McGraw-Hill, 2007, 270 p.
GALLI, O., C. Avaliação de Ativos – Valuation. Especialização em Mercado de Capitais 2009.
Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Escola de Administração –
EA, 2009, 102 p.
GRAHAM, B. The Interpretation of Financial Statements. New York: HarperBusiness, 1998, 144
p.
INVESTOPEDIA. Earnings Yield. Disponível em:
http://www.investopedia.com/terms/e/earningsyield.asp. Acesso em: 05 maio de 2011.
INVESTOPEDIA. EBITDA Margin. Disponível em: http://www.investopedia.com/terms/e/ebitdamargin.asp. Aceso em: 05 maio de 2011.
INVESTOPEDIA. EBITDA/EV Multiple. Disponível em:
http://www.investopedia.com/terms/e/ebitda-ev-multiple.asp. Aceso em: 05 maio de 2011.
INVESTOPEDIA. Price-To-Book Ratio – P/B Ratio. Disponível em:
http://www.investopedia.com/terms/p/price-to-bookratio.asp. Acesso em: 05 maio de 2011.
89
INVESTOPEDIA. Price-To-Sales Ratio – Price/Sales. Disponível em:
http://www.investopedia.com/terms/p/price-to-salesratio.asp. Acesso em: 05 maio de 2011.
INVESTOPEDIA. Price to Tangible Book Value – PTBV. Disponível em:
http://www.investopedia.com/terms/p/PTBV.asp. Acesso em: 05 maio de 2011.
INVESTOPEDIA. Return On Equity – ROE. Disponível em:
http://www.investopedia.com/terms/r/returnonequity.asp. Acesso em: 05 maio de 2011.
INVESTOPEDIA. Return On Invested Capital – ROIC. Disponível em:
http://www.investopedia.com/terms/r/returnoninvestmentcapital.asp. .Acesso em: 05 maio de
2011.
INVESTOPEDIA. Return On Net Assets – RONA. Disponível em:
http://www.investopedia.com/terms/r/rona.asp. Acesso em: 05 maio de 2011.
IUDÍCIBUS, S., et al. Contabilidade Introdutória. São Paulo: Atlas, 2008, 303 p.
KLEIN, P., J., IAMMARTINI, B., R. Getting Started in Security Analysis. 2nd Ed. Hoboken: John
Wiley & Sons, 2010, 327 p.
MARTINEWSKI, A. L. Contabilidade e Análise das Demonstrações Financeiras. Especialização
em Mercado de Capitais 2009. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul –
UFRGS, Escola de Administração – EA, 2009, 59 p.
MATARAZZO, D. C. Análise Financeira de Balanços: abordagem gerencial. São Paulo: Editora
Altas, 2010, 372 p.
REILLY, F., Y., NORTON, E., A. Investimentos. 7ª ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008, 564
p.
PADOVEZE, C. L.; BENEDICTO, G. C. Análise das Demonstrações Financeiras. São Paulo:
Pioneira Thomson Learning, 2004, 285 p.
PÓVOA, A. Valuation: Como Precificar Ações. São Paulo: Globo, 2ª ed., 2004, 373 p.
90
ROSS, N. Lessons From The Legends of Wall Street: How Warren Buffett, Benjamin Graham,
Phil Fisher, T. Rowe Price and John Templeton Can Help You Grow Rich. Kaplan Business,
2000, 240 p.
ROSS, S., A. WESTERFIELD, R., W., JORDAN, B., D. Princípios de Administração Financeira.
2ª Ed. São Paulo: Atlas, 2002, 525 p.
SCHIDT, P., SANTOS, J., L. Fundamentos de Avaliação de Empresas: Foco no Método de Fluxo
de Caixa Descontado – Teoria e Prática. São Paulo: Atlas, 1ªa ed, 2005, 209 p.
SIEGEL, J., J. Stock Market. Disponível em:
http://www.econlib.org/library/Enc/StockMarket.html. Acesso em: 05 maio de 2011
SILVA, J. P. Análise Financeira das Empresas. São Paulo: Atlas, 9ª ed., 2008, 522 p.
STEINBERG, E. Seja Você seu Próprio Guru na Bolsa: Princípios da Análise Fundamentalista.
Rio de Janeiro, 2005, 266 p.
Download

Análise avançada da classificação dos indicadores contábeis