Tico e Teco: A nova visão da piscina
Tico e Teco estavam no segundo andar da academia, na parte que dava para visualizar
na parte de baixo a piscina de natação. Admiravam o desempenho dos nadadores e,
como sempre, conversavam sem parar.
- Teco, aquele pessoal que nada nas raias 4, 5 e 6 formam uma turminha muito legal.
- Eu também nutro certa admiração por eles.
- Veja aquele da última raia. Ele adora nadar com um tubo enfiado na boca.
- Uhm! Deve ser muito excitante nadar com um tubo na boca. Quando eu for nadar
vou usar um tubo também.
- E aquele outro que gosta de nadar com uma touca rosa muito charmosa.
- Você tem razão, a rapaziada forma uma turminha muito legal.
- E a sereia? Você tinha visto aquele que parece uma sereia nadando?
- Pôxa! Com aqueles pés de patos gigantes, ele na verdade está desfilando na piscina,
como uma verdadeira sereia. Que turminha legal.
O dois ficam parados um tempo admirando os nadadores.
- Você está vendo aquele moreninho?
- Aquele que nada bem?
- Ele mesmo. Outro dia ele disse que, toda vez que vai nadar em Angra, ele é enrabado.
- Uau! Quando é que vamos nós dois nadar em Angra?
Tico e Teco dão uma risadinha marota.
- Você esqueceu que aquele que usa o tubo na boca estava comentando no banheiro
para o outro de cabeça branca?
- Como é que eu iria esquecer? Eles conversavam sobre infiltração.
- O do tubo estava com medo de tomar uma infiltração e nós o tranquilizamos dizendo
que já havíamos tomado várias infiltrações.
- A turminha é muito legal, mas eles precisam ainda aprender muito.
- Com toda certeza.
- Vamos lá conversar com a professora e perguntar se nós podemos entrar para essa
turminha legal.
- Será que ela vai deixar nós dois nadarmos de tubo na boca, com uma touca cor de
rosa e usando pé de pato de sereia? Ah! Nós vamos entrar para a equipe que vai nadar
em Angra.
- O nome da professora é Tamia. Vamos lá conversar com ela.
- Será que para nadar bem precisamos tomar primeiro uma infiltração?
Enquanto se encaminham para a piscina para conversar com a professora Tamia, Tico
se lembra de mais uma coisa.
- Ah! Tem mais uma coisa? Eles são muito amiguinhos uns dos outros. Quando um tem
uma informação muito importante, passa logo para os outros.
- Puxa! Que turminha legal!
- Outro dia, aquele que nada com um tubo na boca estava conversando no banheiro
com o de toca rosa. Ele contava para o amigo um segredo muito importante. Dizia que
o Seedorf, aquele jogador de futebol do Botafogo, era um sujeito muito bem dotado.
- O que?
- Isso mesmo, tinha um pênis muito grande.
- Caramba, que informação importante. Isso é que é ser amiguinho. Se nós tivéssemos
essa informação não estaríamos perdendo tempo indo ver jogo do Fluminense, iriamos
mesmo era ver jogo do Botafogo.
- Poxa! Essa turminha é legal mesmo.
As boas lembranças não paravam de chegar.
- Ih! Lembrei-me de outra brincadeira legal. Tem um grupinho que faz triatlo que gosta
de fazer trenzinho para nadar.
- Trenzinho da alegria.
- Isso mesmo. Formam um grupo de três ou quatro, e um vai nadando na frente. Os
outros vão atrás tentando pegá-lo. O que gosta de ir à frente, na maioria das vezes, é
um carequinha, seguido por um japonesinho.
- Uau! Eu vou querer ir à frente para ser pego pelo carequinha.
- Eu também quero ir à frente.
- Então é melhor irmos nós dois na frente e todo o grupinho do triatlo atrás.
- Não vejo a hora de entrar no grupinho e começar logo a nadar.
A professora Tamia já conhecia Tico e Teco de vista e começou a ficar nervosa quando
viu os dois se aproximando. Ela, coitada, já tinha tido uma experiência com a Mulher
Macarrão, aquela que tinha orgasmos dentro da piscina com o macarrão de isopor
entre as pernas, e estava assustada com o que poderia acontecer com a chegada dos
novos alunos.
Tico e Teco: A Origem
Quando Tico e Teco tinham entre 7 e 10 anos, um dia. a sua mãe entrou no quarto
deles e encontrou Tico deitado de bruços no chão, e Teco deitado, também de bruços,
em cima dele. Dona Tica ficou surpresa com a cena.
- Tico e Teco o que é isso? – perguntou indignada.
- Mamãe, estamos brincando de colchão, eu sou o colchão – respondeu Tico – Cada
hora um é o colchão. Uma hora é o Teco outra hora sou eu.
- Ué! Por que vocês não brincam de colchão na cama de vocês, deve ser muito mais
confortável.
- Ah! Mamãe! No colchão de verdade não tem graça – respondeu Teco.
Aquela cena impressionou tanto Dona Tica que à noite ela comentou o fato com o
marido. Seu Tecão, como sempre, estava sentado na sua poltrona, com um cigarro
pendurado no canto da boa e um olhar de peixe morto, assistindo televisão. Sem tirar
os olhos do aparelho ele respondeu:
- Na minha época isso era meia.
- Que meia? Ninguém estava de meia? – respondeu Dona Tica na sua inocência.
Seu Tecão continuou imóvel olhando para o aparelho de TV.
Os anos passaram e quando Tico e Teco já estavam na casa dos 20 anos, um dia Dona
Tica os chamou num canto para uma conversa particular.
- Por que vocês não têm uma namorada? Namorar é bom, distrai. Cada um de vocês
deveria arrumar uma namorada. Para dois rapazes bonitos como vocês, não deve ser
difícil arrumar uma namorada.
Eles não gostaram daquela interferência da mãe na sua vida particular.
- Mamãe! Namorada é muito chato. Elas ficam falando o tempo todo e não nos deixam
conversar – respondeu Tico.
- Isso mesmo. Ficam querendo se meter em tudo. Vão querer entrar na nossa
conversa.
- E nós gostamos muito de conversar.
- Argh! Que saco! Imagine duas garotas querendo entrar na nossa conversa.
Daquela vez Dona Tica não tinha mais ninguém com quem comentar a sua última
surpresa, pois Seu Tecão já tinha sido dispensado há muito tempo, pois nenhuma
mulher aguenta um homem que fica vendo televisão toda noite com um cigarro no
canto da boa igual a uma estátua. Enquanto os filhos falavam sem parar Seu Tecão não
dizia uma palavra.
Aquele encontro, desta vez, deixou as suas marcas. Tico e Teco ficaram preocupados.
- Acho melhor nós voltarmos a conversar com mamãe. Vamos inventar alguma coisa
para deixa-la mais tranquila.
- Isso mesmo. Vamos dizer que nós não temos namoradas porque a mulherada não
larga do nosso pé.
- Boa ideia. São tantas as mulheres que nós não conseguimos dar conta. É uma de
manhã, outra de tarde, a fila não para.
No dia seguinte eles chamaram Dona Tica para uma conversa.
- Mamãe nós mentimos para a senhora. Nós realmente não temos uma namorada,
temos várias delas. Às vezes duas no mesmo dia.
- A mulherada hoje em dia está dando muito mole. Ficam o tempo todo em cima da
gente. Não conseguimos nem escolher uma namorada fixa.
Dona Tica se sentiu aliviada com a nova natureza do problema.
- Meus filhos! Não fiquem preocupados. Eu sei como são as coisas hoje em dia. Uma
hora tudo irá se acertar.
O problema é que os anos passavam e nada da situação mudar.
- A mulherada não larga do nosso pé – era o que falavam quando o assunto voltava à
tona.
Nessa época os dois já moravam sozinhos e um dia Dona Tica resolveu vasculhar o
apartamento dos filhos. Não encontrou nenhum sinal de presença de uma mulher que
fosse. Repetiu a prática por várias semanas e nada. A história mais uma vez não estava
batendo. Eles diziam que a mulherada não largava dos pés deles. Só se fossem
mulheres invisíveis, foi o que concluiu.
De volta ao presente
- Eu sou Tico.
- Eu sou Teco.
Tamia estava com vontade de rir. Ela já conhecia os dois pelas histórias contadas pelos
seus alunos do sexo masculino, a maioria delas acontecidas dentro do banheiro dos
homens.
- Tudo bem, muito prazer eu sou a Tamia – conseguiu finalmente falar.
- Nós estamos inscritos na natação.
- Que bom. Vocês já sabem nadar?
Os dois se entreolharam.
- Nós queremos nadar na turminha legal. Aquele grupinho alegre que nada de noite –
falou Teco.
- Nós já compramos um tubo para colocar na boca e várias toucas rosa. Vamos fazer
parte da equipe. Queremos inclusive competir em Angra, onde o pessoal daqui é
sempre enrabado.
Nesse momento chegou Lucas. Rapaz jovem, forte e vestindo uma portentosa sunga
amarela.
Tico arregalou os olhos, e Teco não se conteve.
- Vamos fazer trenzinho. Nós três na mesma raia.
- Eu vou começar na frente – completou Tico.
- Não, quem vai à frente sou eu, pois a ideia foi minha – insistiu Teco.
Antes que os dois começassem uma discussão, Tamia interveio.
- Não é assim que a coisa funciona aqui. Voces podem colocar o tubo na boca, usarem
a touca rosa, competirem em Angra, mas aqui quem organiza as raias sou eu.
Enquanto isso, assustado, Lucas resolveu mudar de ideia.
- Eu vou nadar mais tarde, pois esqueci de enviar um e-mail e vou fazer isso agora.
- Volte logo – gritou Teco.
- Nós não temos pressa – completou Tico.
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Tico e Teco: A nova visão da piscina Tico e Teco