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Economia
O Estado do Maranhão - São Luís, 9 de abril de 2010 - sexta-feira
Economia
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Pelotizadora da Vale retoma
as operações em São Luís
Usina estava parada há mais de um ano por causa da crise econômica que reduziu
a demanda por minério de ferro; reativação deve criar 390 postos de trabalho
Binè Morais
A
pós mais de um ano parada, a usina de pelotização
da Vale em São Luís reiniciou as operações para a produção de pelotas. A unidade, que
paralisou as atividades em razão
da crise econômica mundial, tem
capacidade anual de produção
de 7,5 milhões de toneladas. Com
a retomada, serão criados 390
postos de trabalho, entre próprios
e terceirizados, em áreas técnicas
como mecânica, elétrica, eletroeletrônica, eletrotécnica, metalurgia, química e eletrônica.
Também estão sendo contratados graduados em Engenharia
Mecânica, Elétrica, Química, Eletrônica e Eletroeletrônica. Até o
momento, mais de 320 profissionais (entre próprios e terceiros) já
foram efetivados. As vagas são
preenchidas de acordo com as
necessidades de cada área.
No início de 2009, a empresa,
por causa da queda na demanda
mundial por minérios, paralisou
as operações da usina no Maranhão e todo o seu efetivo foi transferido para as áreas da ferrovia e
do porto. Com o reinício da produção, os empregados retornaram
aos seus postos de trabalho na pelotização e as áreas ocupadas por
eles na ferrovia e no porto durante a crise estão sendo preenchidas
com novas contratações. Muitos
desses profissionais virão do Programa de Formação Profissional.
A usina de pelotização da Vale
em São Luís situa-se na área Itaqui-Bacanga, próximo ao Boqueirão, e compõe o que a Vale chama
Sistema Norte - também integrado pela ferrovia e pelo porto.
A pelotizadora de São Luís foi
inaugurada em 26 de março de
2002, um investimento de US$ 408
milhões que gerou 2.500 empregos diretos e indiretos na construção. Em 2007, a unidade atingiu
seu pico máximo de produção:
Usina de pelotização da Vale em São Luís tem capacidade para produzir 7,5 milhões de toneladas/ano
7,05 milhões de toneladas. Em
2008, a produção caiu para 6,960
milhões de toneladas de pelotas.
Além da usina de São Luís, seis
outras plantas de pelotização da
Vale no país tiveram de paralisar
suas atividades em 2009, como
forma de a empresa lidar com a
redução de demanda e evitar a
formação de estoques excessivos.
Mais
- Usada na fabricação de aço, a pelota é um produto de altíssimo valor
agregado por proporcionar maior produtividade nas usinas siderúrgicas.
- Para se chegar à pelota, o minério de ferro é misturado ao calcário, betonita e antracito, um tipo de combustível sólido, além de outros insumos.
Haroldo Cavalcanti Jr. disputará
a Fecomércio com José Arteiro
Chapa de oposição deve ser registrada hoje por
Haroldo Jr., que critica as sucessivas reeleições
do atual presidente; eleições serão no dia 27
O empresário Haroldo Cavalcanti Júnior será o adversário de
José Arteiro da Silva nas eleições
para a presidência da Federação
do Comércio do Maranhão (Fecomércio), marcadas para o dia
27 deste mês. A chapa da oposição deve ser registrada ainda hoje. O prazo final de registro é
amanhã até as 18h.
O nome de Haroldo Cavalcanti Júnior foi confirmado em
reunião do grupo com o objetivo de compor a chapa opositora
a José Arteiro da Silva, que exerce o cargo de presidente da Fecomércio há 26 anos.
Os dois candidatos apresentam em comum, além de também disputarem o comando do
Sindicato dos Lojistas de São
Luís, cuja eleição está sub judice,
o fato de terem como primeiros
vices em suas chapas no pleito
da Fecomércio, representantes
da Região Tocantina.
Como o primeiro vice na chapa de Haroldo Cavalanti Júnior
foi escolhido o presidente do Sindicato dos Representantes Comerciais do Sul do Maranhão
(sede em Imperatriz), João Dantas Fernandes Júnior. Enquanto
José Arteiro tem como candidato a vice o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Imperatriz, Vilson Estácio Maia.
Haroldo Cavalcanti se habili-
ta a concorrer à presidência da
Fecomércio com a proposta de
acabar com a reeleição. O mandato seria único, de quatro anos.
“Isso dará possibilidade a outras
lideranças de presidir a Casa, garantindo alternância de poder, o
que hoje não existe na federação”, observou.
Além de “dar um basta ao
continuísmo”, como ele classifica o mandato de José Arteiro, Haroldo Cavalcanti disse que pretende promover mudanças estruturais no âmbito da federação,
tendo como principais beneficiários os sindicatos filiados.
“Nossa proposta é fazer uma
Fecomércio voltada para os sindicatos, para que estes possam se
estruturar, ter apoio jurídico e
contábil e, principalmente, participar das decisões da federação.
Hoje, os sindicatos estão abandonados à própria sorte”, afirmou.
Outra proposta de Haroldo
Cavalcanti é instalar restaurantes do Serviço Social do Comércio (Sesc) em outros bairros de
São Luís que têm comércio forte
como João Paulo, São Cristóvão
e Cohatrac, por exemplo. “Temos
um único restaurante que atende à classe comerciária no Centro, enquanto outros bairros, que
reúnem um grande contigente
desses trabalhadores ficam desassistidos”, criticou.
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Miriam Leitão
Com Alvaro Gribel
Erros que matam
C
ertas cenas são haitianas. E é Niterói. O Morro do Bumba é
uma espécie de resumo dos erros: era uma encosta, era uma
ocupação, era um lixão. Não foi a chuva que matou, foram
esses erros somados. A tragédia dos últimos dias no Rio traz tantas lições e confirma tantos alertas que só nos dá dois caminhos:
corrigir os desatinos ou assumir de vez a insensatez.
Há cinco anos, a professora Regina Bienenstein, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF) esteve
no Morro do Bumba para estudar a situação de risco da comunidade.
— Isso já estava anunciado — diz a professora.
Deixar uma comunidade se instalar em cima de um lixão não faz
qualquer sentido, explica o engenheiro e consultor ambiental Carlos Raja Gabaglia. Ele conta que visitou muito aterro sanitário na Alemanha.
Aterro não é lixão. Aterro exige que se coloque uma manta para proteger o solo da contaminação e outra para recobrir e proteger o meio ambiente. Em cima, pode haver urbanização, jamais construções. E isso
porque o terreno cede.
— O processo de decomposição do lixo e a saída do gás metano fazem com que a área fique em movimento, há um rebaixamento natural. Não é um solo confiável para se instalar uma construção. Não suporta carga de imóveis — afirma.
No lixão do Bumba, não havia qualquer manta isolante, a população
ali vivia exposta aos maiores riscos.
Segundo o professor Julio Cesar Wassermann, coordenador da área
de meio ambiente e desenvolvimento sustentável da UFF, a comunidade estava exposta ao metano, que pode causar intoxicação e explosões.
— O lixo orgânico, quando sofre decomposição, forma esse gás explosivo. Mesmo em lixões antigos, o metano continua sendo produzido. O deslizamento liberou o metano. Já o chorume — líquido tóxico decorrente do lixo — grande parte dele já deve ter se infiltrado no lençol
freático — diz o professor.
O presidente da Associação de Policiais e Bombeiros Militares Ativos e Inativos (Assinap), Miguel Cordeiro, disse que as doenças associadas ao lixão são dengue, leptospirose, infecções intestinais, doenças de
pele, verminoses, bronquite, pneumonia, alergias, tifo, hanseníase e até
câncer.
Olha só a soma dos absurdos que eles estão revelando. Aquela população que foi soterrada, vivia sob risco de explosões de gás metano,
exposta a doenças, num terreno instável, cujo líquido tóxico já estava
contaminando o lençol freático. O deslizamento liberou esse metano para a atmosfera. E tudo já se sabia porque o assunto tinha até sido estudado. O gás metano é o segundo maior responsável pelo efeito estufa.
Ele é 20 vezes mais potente do que o CO2, mas é emitido em volume
menor. Aquele lixão adoecia, poluía, punha em risco vidas. A avalanche
provocou um desastre humano e ambiental.
Cordeiro nos contou que os aterro sanitários do Rio, Niterói e São
Gonçalo são na verdade lixões disfarçados, porque não foi feito o trabalho de impermeabilização.
— No caso do lixão do Bumba, quando ele foi desativado, em 1986,
jogaram meio metro de terra em cima para espantar os urubus e deixaram para lá. A população carente foi ocupando o espaço e nenhuma autoridade fez nada durante esse tempo — disse.
Quando desativaram o Bumba abriu-se outro lixão no Morro do Céu,
a oito quilômetros do centro de Niterói. A Assinap entrou com ação na
Justiça porque o lixo está avançando sobre a Mata Atlântica (vejam fotos no meu blog).
Essa tragédia confirma todos os temores dos ambientalistas. Eles
não estão falando em poesia verde, em proteger uma espécie, ou em
um risco que virá daqui a um século. O alerta é concreto. O lixo tem que
ser tratado, reciclado, recolhido, separado não por que isso é politicamente correto, mas porque o lixo mata.
Carlos Raja Gabaglia, na grande tempestade de 1966, foi com amigos acudir a população atingida em morros do Rio. Acha hoje que vive
a repetição do filme, com um agravante: não vai demorar mais 44 anos
para se repetir.
O professor Eneas Salati, da Fundação Brasileira do Desenvolvimento Sustentável, disse que já há mudanças:
— Há um aumento do dinamismo atmosférico e isso provoca maiores precipitações, mudanças dos ciclos hidrológicos. A temperatura do
mar já subiu nos últimos 30 anos. Os eventos extremos serão mais intensos e mais frequentes daqui pra frente.
O economista Sérgio Besserman, que tem feito estudos com climatologistas sobre a preparação do Rio para as mudanças climáticas, disse
que essa conjugação de chuvas intensas com maré cheia vai se repetir.
— E aí fica mais difícil escoar a água. As águas descerão pelas encostas e vão encontrar uma barreira maior. Nós temos um problema pela
frente. A solução é produzir conhecimento e aplicá-lo nas políticas públicas — sugere Besserman.
Mas nem conhecimento velho é usado: como o de recolher, separar
e tratar o lixo. O país sabe que é necessário. Uma lei tramita há 19 anos
no Congresso estabelecendo regras para o tratamento dos resíduos sólidos. Mas ainda não foi aprovada. Vivemos tragédias anunciadas. Nisso, nos parecemos com o Haiti. Com a diferença que os terremotos podem ocorrer ou não, mas as chuvas voltarão todos os anos.
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