ASSOCIAÇÃO TERESINENSE DE ENSINO - ATE
FACULDADE SANTO AGOSTINHO
BACHARELADO EM ENFERMAGEM
FRANCISCO JOSÉ RODRIGUES FILHO
ISAAC GUEDES ALVES ALCOFORADO COSTA
EXPECTATIVAS DE MÃES PRIMÍPARAS DE RECÉM-NASCIDOS INTERNADOS EM
UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL
TERESINA
2010
FRANCISCO JOSÉ RODRIGUES FILHO
ISAAC GUEDES ALVES ALCOFORADO COSTA
EXPECTATIVAS DE MÃES PRIMÍPARAS DE RECÉM-NASCIDOS INTERNADOS EM
UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL
Trabalho de conclusão de curso submetido à Banca
examinadora do curso de Enfermagem da Faculdade
Santo Agostinho – FSA, como requisito parcial para
obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem.
Orientadora: Profª. Especialista Maria Noélia Melo
Brandão
TERESINA
2010
FRANCISCO JOSÉ RODRIGUES FILHO
ISAAC GUEDES ALVES ALCOFORADO COSTA
EXPECTATIVAS DE MÃES PRIMÍPARAS DE RECÉM-NASCIDOS INTERNADOS EM
UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL
Trabalho de conclusão de curso submetido à
Banca examinadora do curso de Enfermagem
da Faculdade Santo Agostinho – FSA, como
requisito parcial para obtenção do grau de
Bacharel em Enfermagem.
Data de Aprovação: __/__/____
BANCA EXAMINADORA
______________________________________________
Maria Noélia Melo Brandão
Orientadora – FSA
______________________________________________
Dean Douglas Ferreira de Olivindo
Examinador – FSA
______________________________________________
Tatiana Mª M. Guimarães dos Santos
Examinadora – FSA
À Deus por nos mostrar os melhores passos a
serem seguidos.
Aos nossos pais e familiares, por nos
compreenderem e apoiarem.
À nossa mestra orientadora por se dedicar e
entrar conosco nesse difícil percurso.
AGRADECIMENTOS
À Deus por ter me guiado nessa caminhada de tantas dificuldades.
Ao meu pai Rodrigues por, em vida, sempre ter acreditado no meu potencial e sempre ter
buscado me estimular nos estudos.
À minha mãe Jesus, pelo apoio, compreensão, carinho e incentivo.
À minha irmã Gisele, pelo carinho e companheirismo.
À minha namorada Érika Ravena, por estar comigo em todos os momentos da vida, pela
compreensão e incentivo.
Francisco José Rodrigues Filho
À Deus, por me guiar em todos os momentos da minha vida, em especial ao longo dessa
minha primeira caminhada universitária.
Aos meus pais, Irapuan e Socorro, por terem me dado do dom da vida e me fazer
compreender que a existência é um grande contrato de risco, que frustrações são privilégios
dos vivos e transcendê-las é a virtude dos sábios.
Ao meu irmão Ícaro, pelo companheirismo, momentos de diversão e confidencias.
Aos meus amigos de sala, pela grande amizade construída ao longo desse nosso primeiro
grande passo em nossas vidas.
Aos meus mestres, por compartilhar comigo a sua arte de educar, não apenas transmitindo
idéias, mas tornando-as compreensivas.
Isaac Guedes Alves Alcoforado Costa
“Não há trajetórias sem percalços, nem oceanos sem tormentas.”
Augusto Cury
RESUMO
FILHO, F.J.R.; COSTA, I.G.A.A. Expectativas de mães primíparas de recém-nascidos
internados em unidade de terapia intensiva neonatal. 56p. Jun. 2010.
O objetivo dessa pesquisa é descrever as expectativas das mães primíparas em relação
à internação e ao processo saúde-doença do seu filho internado em UTIN, bem como analisar
as inquietações experimentadas pelas mães durante o período de internação do seu filho. O
referido estudo tem natureza qualitativa e exploratória, tendo como participantes as mães
primíparas de recém-nascidos submetidos a cuidados intensivos de uma maternidade de
referência no estado do Piauí. Os dados foram coletados inicialmente por meio dos
prontuários dos postos e da UTIN, fazendo o levantamento das primíparas que tinham filhos
submetidos aos cuidados intensivos, tanto das que ainda estavam internadas nessa
maternidade quanto das que já tiveram alta. As entrevistas foram feitas na forma semiestruturada, com perguntas abertas, gravadas em aparelho digital, na ante-sala da UTIN no
horário de visita das mães, bem como nas enfermarias que tiveram mães ainda internadas e
que o filho estava na UTIN. Em seguida transcritas na íntegra, facilitando a análise e
interpretação. Os resultados indicam o quanto as mães primíparas apresentam expectativas
positivas em relação ao RN submetido a cuidados intensivos. Se mostraram muito confiantes
na recuperação da saúde do RN. Apresentaram ansiedade pelo término da internação.
Demonstraram muita inquietação por não poderem estar com os bebês, o que gerou
expectativas de tocá-los ou tê-los no colo para fazerem carinho ou amamentarem, porém todo
aquele aparato utilizado para manter RN estável não auxiliou nesse anseio das mães.
Demonstraram ainda, inquietação em relação aos procedimentos invasivos, chegando a citar
punção e aspiração como causa de sofrimento. Conclui-se que as mães primíparas são
otimistas em relação ao processo de internação e saúde dos filhos internados na UTIN. Porém
se apresentaram ansiosas, o que pode ser atribuído a falta de experiência e a fase de adaptação
a um novo momento da vida.
Palavras-chave: Expectativa, Comportamento materno, Cuidados intensivos.
ABSTRACT
The objective of this research is to describe the expectations of primiparous mothers
about the hospitalization and the health-disease process of his son admitted in NICU, and
analyze the concerns experienced by mothers during the hospitalization of their child. This
study has nature qualitative and exploratory, and it has as participants primiparous mothers of
newborn submitted to intensive care in a hospital maternity reference in the state of Piauí. The
data ware initially collected by the records of the posts and NICU, doing a survery of
primiparea who had children submitted to intensive care, as records which still in hospital
maternity as those that already had medical discharge. The interviews were semi-structured,
with open questions, recorded on digital equipment in the NICU waiting room in the schedule
of visits of mothers, as well in the wards who had mothers who were still hospitalized and that
her son was in NICU. Then the interviews were transcribed, facilitating the analysis and
enterpretation. The results show how positive were expectations of the primiparous about the
newborns undergoing intensive care. They were very confident of recovering the health of
newborns. They showed anxiety about the end of the hospitalization. The showed much
concern because they can not be with their babies, which has rised expectations to toch them
or have them in her lap to care or breastfeed, all apparatous used to maintais stable RN did not
help this longing of the mothers. Also showed the concern about invasive procedures like
pucture and aspiration as cause of suffering. We conclude that primiparous mothers are
aptimistic about the process of hospitalization and health of children hospitalized in the
NICU. But they were anxious, which can be attributed to lack of experience and phase of
adaptation to a new moment of life.
Key words: Expect, Maternal comportment, Intensive cares.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
RN(s)
Recém-nascido(s)
UTIN(s)
Unidade(s) de Terapia Intensiva Neonatal
OMS
Organização Mundial de Saúde
MMC
Método Mãe-Canguru
PNHAH
Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar
UCIN
Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO
10
1.1 Objeto de estudo
12
1.2 Justificativa e relevância
12
1.3 Questões Norteadoras
13
1.4 Objetivos
13
2. REFERENCIAL TEÓRICO
14
2.1 A primigestação e suas dificuldades
14
2.2 O parto e a separação
15
2.3 O vínculo mãe-filho
16
2.4 A internação na UTIN
19
2.5 A busca pelo desenvolvimento integral da criança
20
2.6 O ambiente hospitalar e sofrimento psíquico
21
2.7 Comunicação e saúde
22
3. METODOLOGIA
25
3.1 Natureza do estudo
25
3.2 Cenário do estudo
25
3.3 Participantes do estudo
26
3.4 Coleta de dados
26
3.5 Análise dos dados
27
3.6 Aspectos éticos e legais
28
4. CONSTRUÇÃO DE RESULTADOS
29
5. REFLEXÕES SOBRE O ESTUDO
38
REFERÊNCIAS
40
APÊNDICE
46
ANEXOS
48
10
1 INTRODUÇÃO
Observa-se que em uma gestação há todo um processo de adaptação do organismo da
gestante. Ocorrem modificações físicas e alterações fisiológicas ao longo desse período, e que
a cada fase, desse processo único da mulher, ocorrem manifestações de sentimentos diversos
o que exige atenção e cuidados. A cada encontro com amigos, familiares e até na consulta
pré-natal a mãe, levada pela emoção, deixa no ar uma expectativa em relação ao nascimento e
desenvolvimento do novo ser.
Segundo Souza et al (2008), a gestação possibilita, paulatinamente, a formação do
vínculo entre pais-bebê, ou apego, tornando-se uma atividade de crescimento e aprendizado
constante. O apego pode ser interpretado como uma variação do vínculo afetivo que exige a
presença do outro promovendo a sensação de segurança.
Nas primíparas, obviamente por ser a primeira experiência, nota-se que essas emoções
estão bem mais afloradas. Ela exala sentimentos como se já estivesse com o bebê no seu colo,
amamentando, afagando ou brincando com ele. A família também expõe a ansiedade de poder
estar com o novo membro. Porém, nem sempre a mãe e familiares podem levar o recémnascido (RN) para casa logo após o parto, por conta da prematuridade ou complicações com o
bebê. E o pequeno deve ser assistido de forma intensiva pela equipe de saúde.
Essa situação afeta toda a família e altera a sua dinâmica, principalmente da mãe, pois
ao vivenciar a doença do filho recém-nascido, ela ingressa em um novo mundo, o mundo do
hospital, cuja organização, rotina e lógica são muito diferentes de seu cotidiano, acarretando
um elevado nível de estresse e ansiedade, que pode variar de acordo com a doença, evolução
clínica e prognóstico do bebê (DIAS; MOTA, 2004; RIBEIRO, 2004).
Sabe-se que a hospitalização em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN)
faz com que o bebê seja introduzido em um ambiente novo e crítico, onde há bastante
exposição a estímulos negativos como o estresse, dor, diminuição do vínculo com a mãe,
ruídos, luz intensa, e também outros procedimentos clínicos invasivos que são constantes
nesse ambiente (MOREIRA et al, 2003).
Lima (1999), afirma que a liberação da permanência materna na UTIN durante a
hospitalização do filho é uma estratégia que possibilita, além do estreitamento do vínculo
afetivo, a redução do estresse emocional tanto do RN como da mãe, e como conseqüência,
contribui para diminuir o tempo de internação hospitalar.
11
A UTIN já existe há bastante tempo, pois sempre foi e sempre vai ser motivo para a
busca da adaptação, tanto do RN ao ambiente quanto da mãe à situação, por meio de ações
humanizadas em conjunto com a tecnologia. Segundo Costa et al (2007), Pierre Budin seguiu
essa linha de cuidados ao RN criando incubadoras com paredes de vidro com a intenção
permitir que as mães visualizassem seus filhos, incentivando elas a visitar e cuidar deles. Ele
ainda lutou pela criação de um serviço especial para prematuros, o qual foi inaugurado em
1893. Esse serviço buscava atenção minuciosa aos recém-nascidos pré-termos, além de
permitir à mãe a passar o maior tempo possível com o seu filho, estimulando o aleitamento
materno.
Para Lamego; Deslandes e Moreira (2005), a humanização é um conjunto de
iniciativas que têm a intenção de prover cuidados em saúde conciliando a melhor tecnologia
disponível com promoção de acolhimento e respeito ético e cultural ao paciente, de espaços
de trabalhos adequados para o bom exercício técnico e à satisfação dos profissionais de saúde
e usuários. A humanização do cuidado neonatal recomenda várias ações propostas pelo
Ministério da Saúde, fundamentando-se nas adequações brasileiras ao Método Canguru para
recém-nascidos de baixo peso. Estas são voltadas para o respeito às individualidades, à
garantia de tecnologia que permita a segurança do recém-nato e o acolhimento ao bebê e sua
família, com ênfase no cuidado voltado para o desenvolvimento e psiquismo, facilitando o
vínculo mãe-bebê durante a sua permanência no hospital e após a alta.
Segundo Segre (2002), o processo de humanização da assistência dos berçários
iniciou-se com o estabelecimento do sistema de alojamento conjunto e, apesar de há muitos
anos ser conhecida a necessidade de modificar-se o atendimento aos pais no berçário
tradicional, incluídas as UTIN’s e as unidades para internação de RN pré-termo, somente a
bem pouco tempo os neonatologistas convenceram-se da importância de um berçário com
cuidados dirigidos também aos pais e à família. Para se humanizar a assistência em uma
unidade neonatal é preciso transformá-la em um local onde o recém-nascido seja manipulado
pela equipe multidisciplinar como um ser humano.
A prematuridade ainda hoje é um fator que requer cuidados intensivos ao RN. Para
Carvalho et al (2006), o grupo de adolescentes primigestas corresponde ao pior prognóstico
materno-fetal com altos índices de partos prematuros, RN pequeno para a idade
gestacional(PIG) e com risco de morte materna aproximadamente sessenta vezes maior do
que em mulheres de 20 a 24 anos.
Para Souza et al (2008), na permanência na unidade neonatal, a mãe e familiares
experimentam longas horas de ócio, contribuindo para o aumento de tensão, provocado pelo
12
estresse e ansiedade, que o próprio ambiente hospitalar desencadeia. Torna-se importante
ocupar o tempo livre disponível, afastando o tédio e a inércia causada pela falta de atividades
em um ambiente estranho, além da espera por boas notícias ou alta do bebê.
No processo de internação de um RN em UTIN, a comunicação entre profissionais de
saúde com a família é indispensável, e, sobretudo deve ser realizado de forma humanizada,
direta, com linguagem acessível, sem buscar reprimir ou coibir qualquer familiar. Essa
interação faz com que a mãe, principalmente a primípara, fique mais disposta a questionar,
interagir, tirar suas dúvidas e poder minimizar suas angústias.
1.1 Objeto de estudo
Diante dessas considerações o objeto de estudo são as expectativas de mães primíparas
em relação à internação e a saúde do recém-nascido submetido aos cuidados da UTIN.
1.2 Justificativa e relevância
O interesse por esse estudo foi despertado ao perceber, no decorrer de um projeto de
extensão em uma Maternidade no estado do Piauí, as inquietações e os temores demonstrados
pelas mães, em especial as primíparas, que tinham um bebê com necessidades de cuidados
intensivos em UTIN.
Percebe-se que existe uma carência na humanização para mães nessa situação. Muitas
mães ficam sem ter informações atualizadas sobre o estado de saúde do seu bebê, exames e
procedimentos realizados, além de não serem estimuladas a visitar e pegar no RN.
Espera-se que esse estudo possa servir de reflexão aos profissionais de saúde,
principalmente os de enfermagem, fazendo-os compreender as expectativas de mães
primíparas e as suas inquietações. Dessa forma os profissionais poderão atuar proporcionando
às mães maior equilíbrio emocional durante o período em que seu filho estiver internado, com
o intuito de promover o seu encorajamento e aumento do vínculo mãe-bebê, o que otimizará a
sua recuperação. Nesse momento, a mãe e os demais familiares necessitam de apoio para
enfrentar o processo de internação do filho que acabou de nascer.
13
1.3 Questões norteadoras
De acordo com Corrêa; Sales e Soares (2002), o processo de internação de um familiar
é sempre difícil, pois há uma modificação radical na forma de vida dessa família. Portanto,
quando se trata de uma internação de um recém-nascido em uma UTIN essa forma de vida
muda mais ainda. As expectativas da família estão mais afloradas por terem um futuro incerto
do familiar, a mãe se sente insegura, podendo até ter sentimento de culpa por não ter gerado
seu filho com saúde.
Assim surgiram as seguintes inquietudes: Quais as expectativas das mães de RN
internados em UTIN em relação à internação e à saúde do seu filho? Que inquietações
experimenta a mãe que tem um bebê internado em uma UTIN?
1.4 Objetivos
Descrever as expectativas das mães primíparas em relação à internação e ao processo
saúde-doença do seu filho internado em UTIN.
Analisar as inquietações experimentadas pelas mães durante o período de internação
do seu filho.
14
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 A primigestação e suas dificuldades
A gestação é um evento complexo, com mudanças em diversos aspectos, além de ser
uma experiência repleta de sentimentos intensos que podem gerar conteúdos inconscientes da
mãe. O relacionamento da mãe com seu filho já começa desde o período pré-natal, e se dá,
através das expectativas que a mãe tem sobre o bebê e da interação que estabelece com ele.
Esta primeira relação serve de prelúdio para a relação mãe-bebê que se estabelece depois do
nascimento e, portanto, merece ser melhor compreendida (PICCININI et al, 2004).
A constituição da maternidade tem início muito antes da concepção, a partir das
primeiras relações e identificações da mulher, passando pela atividade lúdica infantil, a
adolescência, o anseio de ter um filho e a gravidez propriamente dita. Oferecem também para
esta fase aspectos transgeracionais e culturais, associados ao que se espera de uma menina e
de uma mulher, tanto dentro da família como numa determinada sociedade (PICCININI et al,
2008).
No decorrer da gestação, a mulher vivencia as alterações das manifestações corporais
ao lado das emocionais, que são apresentadas como estados de tensão, medo e insegurança.
Essas interpretações têm seu suporte psicológico em mecanismos de defesa e de regressão.
Naturalmente, esta é uma defesa mental transitória o que possibilita à mulher adaptar-se a essa
nova etapa de seu ciclo biológico (TEDESCO; ZUGAIDE; QUAYLE, 1997).
Segundo Piccinini et al (2008), a gravidez é um momento de grandes readaptações na
vida da mulher e nos papéis que ela exerce. Durante esse período ela tem que passar da
condição de só filha para a de também mãe e reviver experiências anteriores, além de ter de
reajustar seu relacionamento conjugal, sua situação socioeconômica e suas atividades
profissionais. Todas estas mudanças são mais impactantes nas gestantes primíparas, apesar de
as multíparas também as viverem com intensidade.
Na transformação do esquema corporal, ocorrem inúmeras mudanças, porém aos
poucos. Já no parto, esse processo é rápido, havendo brusca transformação do esquema
corporal. Na gravidez, a tarefa psicológica mais importante da gestante é a de considerar o
filho como um indivíduo singular, de modo que, no momento do parto, dê um passo decisivo
15
na contínua simbiose-separação física e emocional em relação ao filho (MALDONADO,
1997).
É comum, entre as adolescentes, a interrupção da escolarização e da formação
profissional em decorrência da gravidez, o que acarreta dificuldades de inserção no mercado
de trabalho, perpetuando a tendência à pobreza, com conseqüentes riscos sociais para a mãe e
para os seus dependentes (SALES et al, 2006).
Estudos expõem que existem riscos quando a gravidez ocorre na adolescência, não só
para a mãe, mas também para o RN. As mulheres têm mais probabilidades de apresentarem
síndromes hipertensivas, anemia, estado nutricional comprometido, desproporção fetopélvica, partos prematuros e problemas decorrentes de abortos provocados sem assistência
adequada. Entre as mulheres de 15 a 19 anos, a chance de ocorrência de morte por problemas
decorrentes da gravidez ou do parto é duas vezes maior que entre as maiores de 20 anos, e
entre as menores de 15, essa ocorrência é ainda cinco vezes maior, sendo essa uma das
principais causas de morte da faixa etária (CARNIEL et al, 2006).
Segundo os mesmos autores, os RNs de primíparas adolescentes, além da maior
probabilidade de apresentarem baixo peso ao nascer, têm um risco maior de óbito por
desnutrição e problemas infecciosos no primeiro ano de vida, tornarem-se pais na
adolescência, apresentarem atraso de desenvolvimento, dificuldades escolares, perturbações
comportamentais e tóxico-dependência.
2.2 O parto e a separação
O parto pode ser considerado um momento importante do processo de trajetória para a
maternidade, por vários motivos. Primeiramente porque é o momento em que mãe e bebê vão,
finalmente, poder se encontrar. Para a mulher, é o momento de se deparar com o bebê real,
que gestou por nove meses, e que provavelmente será diferente do tão sonhado bebê
imaginário, idealizado durante a gestação (LOPES et al, 2005).
Ainda segundo os mesmos autores esta é a hora de se deparar com um produto do seu
corpo, que irá mostrar para o mundo sua capacidade ou incapacidade feminina de gerar uma
criança. É o momento de pôr à prova sua competência feminina de gerar, sua competência
materna de cuidar, e sua competência física de suportar as dores, resistir à retaliação de seus
órgãos genitais e, ainda, nutrir seu filho através da amamentação. Além disso, o nascimento
16
de um filho, principalmente do primeiro, inaugura definitiva e concretamente a maternidade, e
esse fato vem acompanhado de todo o status e toda a pressão social do papel de mãe.
Diversos estudos na área da neonatologia afirmam a importância do vínculo mãe-bebê
para o desenvolvimento da criança. De acordo com Klaus e Kennell (1989), o processo de
vinculação está dividido em duas fases: a gestacional, que abrange o planejamento da
gravidez, sua confirmação e aceitação, e a neonatal, na qual o filho pode ser visto, acariciado
e cuidado. Assim, manter os pais e o bebê juntos logo após o nascimento permite uma
seqüência de interações ligando-os uns aos outros e assegurando a continuidade do vínculo
afetivo, pois após o nascimento a formação do vínculo está diretamente relacionada ao
contato entre pais e a criança.
Porém nem sempre esse contato permanente é possível. Por razões diversas, alguns
recém-nascidos precisam de tratamentos intensivos em unidade de terapia intensiva, sem o
qual sua sobrevivência se tornaria inviável. Para Bercini (1994), as principais causas de
morbidade em que levam à UTIN são baixo peso ao nascer, prematuridade, anóxia e infecções
neonatais. Nesses casos, pode ocorrer descontinuidade do processo de vinculação porque os
pais participam pouco dos cuidados prestados ao filho, já que muitas vezes sentem-se
receosos em tocar ou conversar com o bebê, o que pode gerar estresse psicológico para ambos
(SCHUMACHER, 2002).
2.3 O vínculo mãe-filho
A gravidez é um dos momentos mais decisivos para a formação das ligações afetivas
entre a mãe e seu futuro bebê. O termo "vínculo" refere-se ao elo entre os pais e a criança,
enquanto que a palavra "apego" refere-se ao elo da criança com os pais (KLAUS; KENNELL;
KLAUS, 2000).
O desenvolvimento do vínculo inicia-se durante a gestação, principalmente no período
posterior ao aparecimento dos movimentos fetais. Nesse período, a mulher começa a sonhar
com a aparência do bebê e atribuir-lhe algumas características de personalidade. No entanto, o
nascimento de um bebê pré-termo representa para os pais uma situação nova que pode
comprometer o processo de vinculação (KLAUS; KENNELL, 1993).
17
O peso ao nascer e a idade gestacional são os fatores mais importantes relacionados ao
óbito neonatal. Araújo, Bozzetti e Tanaka (2000) encontraram um risco de óbito seis vezes
maior entre os recém-nascidos com peso menor do que 2500g e/ou idade gestacional menor
do que 37 semanas.
Estudos mostram que mães de bebês pré-termo apresentam níveis de stress maior do
que aquelas de bebês nascido a termo e que apresentam maiores riscos de sofrer depressão e
ansiedade quando têm alta do hospital (SLOAN et al, 1994).
Resultados semelhantes têm sido notados também para os pais dessas crianças. Níveis
de stress aumentado dos pais nos primeiros anos de vida do bebê têm se mostrado como
fatores de risco importantes para subseqüentes problemas comportamentais dos seus filhos,
com algumas exceções (BOHNHORST et al, 2001).
Afirmam Ludington; Cong e Hashemi (2002), que o bebê precisa de uma série de
cuidados especiais por apresentar situações de risco. O uso de equipamentos de alta
tecnologia e atitudes de humanização no atendimento de bebês pré-termo têm sido
preconizados pela Organização Mundial da Saúde como uma maneira de se criar ambientes
ideais para a sobrevivência dos neonatos.
O suporte familiar passou a ser visto com a finalidade de fortalecer o vínculo entre a
mãe e o bebê a partir da criação de oportunidades de contato físico e do prolongamento do
aleitamento. Esse contato permite ao bebê ouvir a voz, o acalanto, a batida cardíaca e receber
carícias. Dessa maneira, o vínculo entre a mãe e bebê que começa a se formar já durante a
gestação continua a ser explorado e fortalecido. (PACHI, 2003)
Um dos métodos que beneficia o fortalecimento do vínculo mãe-filho é o Método
Mãe-Canguru (MMC). A posição canguru consiste em manter o bebê pré-termo, ou de baixo
peso, sobre o peito da mãe em contato pele a pele. Isto é feito de forma precoce e crescente,
sendo o bebê sustentado por uma faixa ou manta amarrada ao redor do tórax da mãe em
posição vertical. O tempo de permanência na posição canguru é determinado pelo sentimento
de bem-estar da mãe ou do bebê. Os pais em contato físico com seu bebê passam a se sentir
mais confiantes, compreendendo as condições de saúde do seu filho (CRUVINEL;
MACEDO, 2007).
Os efeitos extensivos do método mostram que ele não pode ser considerado apenas
como um procedimento médico, mas também deve ser visto como um programa social para
pessoas de baixa renda, pois quanto mais pobre for a família, maior será a importância do
método. Os efeitos do MMC têm sido analisados a partir de três aspectos básicos: saúde do
18
bebê, vínculo mãe-bebê e aspectos psicológicos dos pais (FURLAN; SCOCHI; FURTADO,
2003).
As vantagens do MMC para a saúde do bebê são: melhora do estado de organização e
regulação térmica do bebê; mudança no padrão respiratório com redução de apnéia e
bradicardia; ganho de peso e diminuição da estadia no hospital; e impacto positivo no
desenvolvimento motor e cognitivo. Além disso, o MMC é seguro, pois não tem sido
relacionado com intercorrências clínicas, inclusive em bebês intubados sob ventilação
mecânica (FURMAN; KENNELL, 2000).
Os benefícios descritos do MMC no sentido de fortalecer o vínculo mãe-bebê são:
encorajamento à mãe; prolongamento do período de amamentação; aumento da produção de
leite com a prevenção do refluxo gastroesofágico; sentimentos positivos de satisfação e
alegria; diminuição de sintomas depressivos. Além disso, pais que participavam do MMC se
mostraram mais atentos às respostas de choro do bebê em casa com impacto positivo, tanto no
senso de competência e auto-estima, quanto no relacionamento com os profissionais de saúde
(FELDMAN et al, 2002).
Existe uma preocupação do Ministério da Saúde em tornar os serviços de saúde no
país mais humanizados. Por isso, foi criado, em 1999, o Programa Nacional de Humanização
da Assistência Hospitalar (PNHAH), pela Secretaria da Assistência à Saúde do Ministério da
Saúde, a partir dos resultados de pesquisa junto aos usuários dos serviços públicos de saúde
que se queixavam de maus tratos nos hospitais públicos (DINIZ; SCHOR, 2006).
Os cuidados prestados ao RN em UTI neonatais têm passado por enormes
transformações. Algumas intervenções têm sido recomendadas e implementadas nas unidades
neonatais para instrumentalizar o trabalho da equipe de saúde, como a liberação de visitas de
outros membros da família, a permanência dos pais junto ao filho internado, a implementação
de grupos de apoio aos familiares, o incentivo à participação da mãe no cuidado ao bebê e na
tomada de decisão do tratamento, dentre outras (GAÍVA; SCOCHI, 2005).
Para os mesmos autores, a presença dos pais na UTIN é de suma importância e os
estudos comprovam. A participação deles nos cuidados ao filho hospitalizado é necessária não
só para o estabelecimento do vínculo afetivo mãe-filho, mas também para a redução do
estresse causado pela hospitalização e no preparo para o cuidado à saúde no domicílio. A
assistência ao RN em UTIN sofreu mudanças, o modelo tradicional de assistência centrado no
bebê doente vem cedendo espaço para um novo modelo que permite a presença dos pais e a
incorporação da família no cuidado. Para efetivar essa nova prática, as UTINs têm permitido
19
livre acesso dos pais para visitar os filhos, além de liberar a permanência contínua deles junto
ao bebê internado, proporcionando inclusive, condições para sua acomodação nas unidades.
Gaíva e Schochi (2005) ainda afirmam que a situação dos RNs em UTINs na nossa
realidade ainda não mudou muito, apesar do advento da legislação dos direitos da criança e o
avanço da literatura. Hoje, na maioria dos hospitais, a visita dos pais/família aos RNs
internados ainda é restrita e controlada por normas rígidas e a inserção da mãe no cuidado ao
prematuro ainda é limitada. No cotidiano das UTINs é comum não se permitir a presença da
mãe, justificada pela execução de procedimentos invasivos, horário da visita médica, espaço
físico pequeno e escassez de recursos humanos. Quanto aos outros membros da família, a
situação é ainda mais difícil, poucos são os serviços que permitem a entrada de familiares que
não os pais, além de não permitir que eles participem dos cuidados.
2.4 A internação na UTIN
Segundo Duarte; Sena e Xavier (2009), a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal
(UTIN) é um dos setores de maior especialização do cuidado aos recém-nascidos dentro das
instituições de saúde. Nesse espaço restrito há concentração de diferentes profissionais,
diferentes tecnologias e diferentes saberes. A assistência oferecida aos neonatos está orientada
para o diagnóstico e a terapêutica na busca da recuperação biológica dos prematuros ou da
cura da doença.
Para Oliveira et al (2005), a hospitalização ocorre de maneira necessária, e em sua
maioria por uma emergência, ocasionando clima de expectativa, angústia e medo, provocando
interferência no ritmo de vida. Nesse contexto, é fundamental que a equipe de profissionais
dessa unidade promova um ambiente receptivo e acolhedor, para minimizar ao máximo a
separação e fortalecer os laços afetivos. Sabe-se que a manutenção do vínculo mãe-filho é
necessária, pois a presença da mãe proporciona segurança, equilíbrio emocional e recuperação
do seu bebê, durante todo o período de internação.
A internação de um filho em uma unidade de terapia intensiva é compreensivelmente
um momento difícil para a família, que pode passar por sentimentos de incerteza quanto ao
presente e futuro de seu familiar, sentimentos que envolvem as suas próprias perspectivas de
vida. Nesses momentos, muitos sentimentos passam pela cabeça dos familiares à respeito da
cura, possibilidades de seqüela e morte (SALES et al, 2006).
20
De acordo com os mesmos autores, as mães ao gerarem um filho prematuro ou com
complicações, entram em uma nova realidade, que lhes despertam um paradoxo de
sentimentos, muitas vezes incompreendidos por profissionais da saúde. É Preciso
compreender que, nesse processo, a mãe também é prematura, o que exige um tratamento de
forma humanizada, individualizada e diferenciada. Para tanto, é necessário que se
compreenda o ser mãe neste novo contexto que o cerca.
Para Calil (1999), os recém-nascidos que precisam de cuidados da UTIN são
separados da mãe por necessidade vital, e são levados a um novo local aonde irão se deparar
com um ambiente muito diferente daquele no qual se encontravam.
Na busca pela melhora do estado de saúde do RN, os profissionais que dele cuidam
realizam muitos procedimentos como intubação, ventilação mecânica, inserção de cateteres,
além de punções venosas que podem prolongar-se por muitos dias, favorecendo a um
processo de excessivos episódios de manuseio. O recém-nascido permanecerá por algum
tempo em uma incubadora, longe do carinho e do aconchego de sua mãe, sentirá não o cheiro
do leite e da pele materna, mas o odor de substâncias usadas em procedimentos, na lavagem
das mãos dos cuidadores e nos lençóis de seu leito (ROLIM; CARDOSO, 2006).
Ao se adaptarem à vida extra-uterina, alguns órgãos do RN passam por um processo
acelerado de maturação com sobrecarga do sistema orgânico. Nessa fase crítica do
desenvolvimento cerebral, a exposição a estímulos inapropriados deve ser controlada, pois
pode romper o padrão normal do seu desenvolvimento (BLACKBURN, 1998).
O ruído na UTIN é apontado como um problema importante devido aos danos que
pode causar aos RNs pela sua fragilidade fisiológica e também pela obrigatoriedade da
convivência com ele durante a sua internação (GUIMARÃES et al, 1996; GLASS, 1999).
2.5 A busca pelo desenvolvimento integral da criança
A busca pelo desenvolvimento integral da criança tem crescido, nas últimas décadas,
no mundo inteiro por conta do aumento constante da sobrevivência infantil e do
reconhecimento de que a prevenção de problemas ou patologias nesse período exerce efeitos
duradouros na constituição do ser humano. Essa busca foi tão efetiva que houve uma
diminuição na taxa de mortalidade infantil de 52,02/mil nascidos vivos em 1989 para 28,7/mil
21
nascidos vivos em 2001, no Brasil, o que se denota um aumento importante de crianças que
sobrevivem nos seus primeiros anos de vida (SALES et al, 2006).
Diagnósticos, terapias sofisticadas, procedimentos cirúrgicos têm garantido a chance
de sobrevida aos bebês que há algumas décadas atrás, eram considerados inviáveis pela
ciência. Ao passo em que o aumento da sobrevivência desse grupo tem sido garantido pelo
desenvolvimento de recursos tecnológicos modernos e profissionais especializados, há uma
progressiva carga para os sistemas de saúde e seguridade social de todo o mundo. Além disso,
nos países em desenvolvimento ocorre ainda uma grande escassez desses recursos
tecnológicos acrescida da carência de profissionais qualificados (WHO, 2003).
Os fatores que contribuem para a redução da taxa de mortalidade infantil pode-se citar
a melhoria tecnológica das UTINs, as quais têm conseguido reduzir a taxa de mortalidade de
recém-nascidos pré-termo, criando ambientes extra-uterinos favoráveis a sua sobrevivência
(SALES et al, 2006).
A UTIN se configura como um ambiente tecnológico onde os avanços e a intervenção
profissional se voltam principalmente para a recuperação do bebê. Corriqueiramente, o foco
principal de atenção que deveria ser o bebê e sua família com todas as suas potencialidades, é
desviado para a maquinaria ao seu redor e o seu quadro clínico. Nesse ambiente de urgência e
imediatismo, tão dominado pela especialização, muitas vezes a equipe se volta para dominar e
manipular as tecnologias. Sendo assim, o desafio fundamental é perceber a tecnologia de
ponta em sua verdadeira dimensão no processo de cuidado, isto é, de meio que possa auxiliar
na atenção à saúde e ao bem-estar da criança (CALDAS; FIGUEIREDO, 1998).
É nesse ambiente que surgem outras necessidades do bebê, como a inserção de sua
família nos cuidados e a manutenção da qualidade de vida. Dessa forma, o bebê deve ser visto
e respeitado como ser-sujeito, dotado de emoções e individualidades, e não como objeto de
intervenções. Logo, os cuidados não devem ser focados apenas no aspecto biológico, mas
também
na
estimulação do
seu
desenvolvimento
psicoafetivo
(SILVA; SILVA;
CHRISTOFFEL, 2009).
2.6 O ambiente hospitalar e sofrimento psíquico
O ambiente hospitalar é desencadeador de sofrimento psíquico decorrente de variados
aspectos, acredita-se que com a identificação de tais aspectos contribui-se para a melhoria de
22
assistência prestada à criança hospitalizada, ampliando-a no sentido da integralidade,
incluindo a família nessa assistência, tentando amenizar seu sofrimento frente à hospitalização
de um filho e contribuindo para uma melhor aceitação da doença e seu envolvimento no
processo terapêutico (MILANESI et al, 2006).
Milanesi et al (2006) ainda relata que, no processo de hospitalização, a mãe da criança
hospitalizada está sujeita a passar por pressões internas e externas. As internas referem-se aos
sentimentos de preocupação, culpa dentre outros, e as externas são decorrentes de aspectos do
ambiente, hospital e suas particularidades. Existem expressões diretas do sofrimento, que são
entre outras, atitudes agressivas, preocupações, medo, desconfiança, desânimo, tensões,
individualismo.
O ambiente hospitalar, com seus sistemas, dinâmica e rotina, é muito diferente daquele
que a família conhece. A convivência neste ambiente permeado por pessoas e organização
peculiar provoca alterações emocionais tanto na criança quanto na família (COSTA;
COLLET; GONÇALVES, 2007).
Além de ter que conviver com a doença, a criança e a família precisam se adaptar ao
novo ambiente e às novas situações presentes. Ziegel e Cranley (1995) afirmam que toda
família passa por alguns estágios quando enfrenta uma situação de crise: vivencia certa
desorganização familiar até a sua reorganização no decorrer desse processo.
É por esse motivo que o aparecimento da doença, especialmente quando exige
hospitalização, constitui quase sempre fator desestruturante para a família. O adoecimento
pode surgir então como uma ameaça, não só à criança, mas também à família. Essa ameaça
possui proporções equivalentes à gravidade da doença (DIAZ-CANEJA et al, 2005).
Desse modo, a doença interrompe o trajeto normal do desenvolvimento do recémnascido e a rotina de seus familiares, configurando um estado de crise, agravado por algumas
características específicas determinadas pela hospitalização, com suas complicadas relações e
com as reações dos agentes envolvidos. É preciso, portanto, uma intervenção a partir do
reconhecimento precoce e do manejo eficiente desse sofrimento (COSTA; MOMBELLI;
MARCON, 2009).
2.7 Comunicação e saúde
23
A comunicação é um fator bem necessário e muito presente na área de saúde. Segundo
Santos e Silva (2006), a comunicação é um processo que envolve um intercâmbio de
mensagens enviadas e recebidas que influenciam no comportamento das pessoas a curto,
médio ou longo prazo. Sua finalidade é permitir ao profissional de saúde e ao paciente
delinearem as necessidades a serem atendidas, para ajudar o indivíduo que está sendo cuidado
sentir-se um ser humano digno e com autonomia para solucionar problemas, visando a
promoção, manutenção e recuperação de sua saúde física e mental, como também encontrar
novos padrões de comportamento diante de uma situação inesperada.
Os mesmos autores certificam que mesmo a comunicação sendo um processo
importante, ainda existem aspectos que interferem negativamente na interação entre
profissionais de saúde e familiares. A sobrecarga de trabalho ou a falta de tempo, a
supremacia dada a rotina de trabalho em relação a interação com a família, a exclusão da
família no processo de cuidar do paciente, constituem os aspectos negativos relacionados.
Outro aspecto que interfere negativamente na interação entre profissional e família, são as
situações de alta demanda emocional, como a piora das condições clínicas do paciente. Por
outro lado, existem outros aspectos que interferem positivamente. Estes aspectos estão
relacionados ao interesse do profissional em conhecer o familiar como uma pessoa, e sua
vontade em estabelecer essa relação, a espontaneidade em demonstrar seus sentimentos ou
falar sobre algumas informações pessoais, ouvir e responder as questões da família.
Ao aceitar a existência da doença do filho e que essa tem possibilidade de cura, a
família deve passar a combater seu sofrimento fazendo da relação família-criança algo de
influência positiva no tratamento. Ao se estabelecer uma relação de confiança entre a família
e os profissionais, há uma possibilidade de transformar o ambiente hospitalar em um local de
menos sofrimento tanto para a criança quanto para a família e para os profissionais. O ato de
valorizar a confiança estabelecida constrói um elo importante entre os sujeitos envolvidos na
hospitalização da criança e, para isso, a equipe de saúde deve saber identificar os sentimentos
de insegurança, medo, cansaço, comportamentos específicos, irritação, enfim, os sentimentos
decorrentes do sofrimento e os comportamentos que os caracterizam (MILANESI et al,
2006).
De acordo com Sales et al (2006), esses sentimentos demonstram claramente que para
cuidar e confortar, procurando atender sempre às expectativas e necessidades de quem é
cuidado, a equipe de saúde sempre deve ter interesse em aprender a cuidar de um bebê
enfermo e sua família, além de compreender que o sofrimento perante a doença e a morte, que
são sofrimentos universais, não se limitam a um determinado tempo e espaço, mas sim,
24
assumem características sociais bem claras e distintas, em diferentes contextos econômicos e
sociais.
A valorização do ser humano, o cuidado de forma individualizada e a ética pósmoderna do trabalho estão sendo reavaliados. O trabalhador da saúde tem satisfações a dar
sobre o valor de seu trabalho, não somente pela remuneração, mas por um saber-poder
socialmente edificado e por subjetividades que percebem, imaginam, simbolizam e criam
através de posturas e atitudes reais, uma condição de cuidar, sendo o paciente percebido como
um ser merecedor de respeito e consideração (ROLIM; CARDOSO, 2006).
25
3 METODOLOGIA
3.1 Natureza do estudo
O referido estudo tem natureza qualitativa e exploratória. Segundo Minayo (2008),
pesquisa qualitativa é a que se aplica no estudo da história, das relações, das representações,
das crenças, das percepções e das opiniões, produtos das interpretações que os homens fazem
a respeito de como vivem, constroem seus artefatos e a si mesmos, sentem e pensam.
Esse tipo de método que tem fundamento teórico, além de permitir desvelar
processos sociais ainda pouco conhecidos referentes a grupos particulares, propicia a
construção de novas abordagens, revisão e criação de novos conceitos e categorias
durante a investigação. Caracteriza-se pela empiria e pela sistematização progressiva
de conhecimento até a compreensão da lógica interna do grupo ou do processo em
estudo. Por isso, é também utilizado para a elaboração de novas hipóteses,
construção de indicadores qualitativos, variáveis e tipologias. (MINAYO, 2008,
p.57)
Segundo Silverman (2009), o ponto forte da pesquisa qualitativa é que ela usa dados
que ocorrem naturalmente para encontrar as seqüências em que os significados dos
participantes são exibidos e, assim, estabelecer o caráter de algum fenômeno.
Para Gil (2002), a pesquisa do tipo exploratória tem como principal finalidade ampliar,
esclarecer e alterar o sentido de conceitos e idéias, tendo em vista, a formulação de problemas
mais precisos que são desenvolvidas com o objetivo de propiciar uma visão geral, do tipo
aproximativo, sobre determinado fato.
3.2 Cenários do estudo
Esse estudo teve como cenários a ante-sala da UTIN de uma maternidade de Teresina
no horário de visita das mães primíparas de recém-nascidos que estavam nesta unidade, bem
como as enfermarias que tiveram mães ainda internadas e que o filho estava na UTIN. Essa
26
maternidade é referência no norte-nordeste, localiza-se na zona sul de Teresina. Ela conta com
ala A, com especialidade em tratamento clínico; ala B, unidade mista de tratamento clínico;
ala C, assistência à puérpera e RN; ala D, canguru; UTI neonatal; Unidade de Cuidados
Intermediários Neonatal (UCIN) e UTI obstétrica.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde do Piauí (2009), essa instituição foi
inaugurada em 15 de julho de 1976 e sua estrutura física pré-moldada, bem como todos os
equipamentos e materiais necessários para seu funcionamento, foram adquiridos na Inglaterra.
Nos seus vinte e sete anos de existência tem passado por reformas ambientais e estruturais.
Sua capacidade de leitos quando foi inaugurada era de 240 leitos obstétricos e ao longo dos
anos foram acrescidos oito leitos perfazendo um total de 248 leitos obstétricos. Além destes,
ainda conta com 167 leitos neonatais. É a maior maternidade do estado e responsável por 63%
dos nascimentos ocorridos na cidade de Teresina. Apresenta em média 1200 internações por
mês das quais 900 são partos.
Ainda segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Piauí (2009), essa maternidade
oferece os recursos de assistência ambulatorial, exames complementares, atendimento de
urgência e emergência, e internação. Este último recurso conta com apartamentos individuais
e coletivos de 2 e 3 leitos e enfermarias com 6 leitos, UTI obstétrica com 6 leitos, berçário de
alto risco e de cuidados intermediários, alojamento conjunto mãe/bebê e alojamento conjunto
especial onde ficam mães e recém-nascidos (RN) com peso a partir de 1.200g como incentivo
ao aleitamento materno e para estimular o vínculo afetivo entre mãe e filho que ficaram
separados por problemas decorrentes das condições de nascimento do RN.
3.3 Participantes do estudo
As participantes do estudo foram as mães primíparas de recém-nascidos submetidos ao
cuidado da UTIN da referida maternidade, e que aceitaram participar da pesquisa, assinando o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (ANEXO B). Foram preservados a identidade e
os direitos das mães que não aceitaram participar.
3.4 Coleta de dados
27
A coleta de dados foi iniciada por meio dos prontuários dos postos e da UTIN, fazendo
o levantamento das primíparas que tinham filhos submetidos aos cuidados intensivos, tanto
das que ainda estavam internadas nessa maternidade quanto das que já tiveram alta. Em
seguida os pesquisadores se dirigiam até ela, se identificavam e solicitavam o seu
consentimento (ANEXO B). Ao consentir, se iniciava a entrevista, que era feita diante o leito
da enfermaria na qual ela se encontrava ou na ante-sala da UTIN, para que seus sentimentos
viessem de forma espontânea.
Após a autorização do estudo, o mesmo foi desenvolvido no período de Janeiro a
Fevereiro de 2010. Para a coleta de dados, utilizou-se um roteiro de entrevista semiestruturado (APÊNDICE A), com objetivo de colher informações da primípara com filho
internado em UTIN. O áudio da entrevista foi gravado em aparelho digital para evitar perda
de informações.
Para Minayo (2008) as entrevistas semi-estruturadas combinam perguntas fechadas e
abertas, em que o entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema em questão sem
se prender à indagação formulada, obedecendo a um roteiro apropriado fisicamente e utilizado
pelo pesquisador, facilitando a abordagem.
3.5 Análise de dados
Após a gravação do áudio das entrevistas em aparelho digital, as falas das
entrevistadas foram ouvidas e transcritas na íntegra, facilitando a compreensão dos
sentimentos expressados pelas mães, fazendo com que os objetivos da pesquisa fossem
alcançados de forma mais eficaz. Em seguida as falas foram analisadas e interpretadas para
em seguida serem categorizadas, possibilitando agrupar as idéias semelhantes entre si.
No presente estudo foi utilizado para analisar os dados obtidos através da entrevista, o
método de Análise de Conteúdo, que é definido como:
Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por
procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens,
indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos
28
relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens
(BARDIN, 1977, p.42).
A Análise do Conteúdo abrange todas as iniciativas que consistam na explicitação e
sistematização do conteúdo das mensagens e da expressão desse conteúdo. Tem por finalidade
realizar deduções lógicas e justificadas, de acordo com as mensagens levadas em
consideração (BARDIN, 1977).
Para Minayo (2008), categoria é o agrupamento de elementos ou aspectos que
possuem características semelhantes entre si. Sendo estas empregadas para estabelecer
relações de idéias de classe ou expressões interligadas.
3.6 Aspéctos éticos e legais
A pesquisa foi realizada de acordo com as diretrizes e normas regulamentadoras de
pesquisas envolvendo seres humanos da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde
(ANEXO C). Segundo BRASIL (2006), a pesquisa envolvendo seres humanos é toda aquela
que individual ou coletivamente, direta ou indiretamente envolva o ser humano ou utilize o
manejo de informações ou materiais pertinentes ao mesmo, atendendo as exigências éticas e
científicas fundamentais que são: autonomia, beneficência, não-maleficência, justiça e
equidade.
O projeto foi apresentado ao Comitê de Ética e Pesquisa da Maternidade (ANEXO A),
e logo após sua aprovação (ANEXO D) foi executado a pesquisa.
29
4 CONSTRUÇÃO DE RESULTADOS
Com o objetivo de preservar a identidade das mães do referido estudo, as mesmas
foram caracterizadas por ordem crescente de acordo com a ordem em que eram entrevistadas,
ou seja, da M1 a M15, tendo em vista que a saturação de depoimentos foi obtida na 15ª mãe.
Elas possuem idade média de 20,2 anos, variando de 13 a 33 anos.
A partir dos dados levantados foi possível analisá-los de forma que se obtiveram
subsídios para alcançar os objetivos e responder as questões norteadoras. As entrevistas foram
transcritas na íntegra, com algumas modificações, sem alterar o sentido. A seguir serão
apresentadas as categorias.
4.1 Expectativa pelo término da internação
Quando questionadas quanto ao processo de internação do filho na UTIN as mães
demonstram muita ansiedade pelo seu término. Elas desejam que o período de recuperação
dos filhos nesta unidade seja o mais breve possível para poder levá-lo para casa ou pelo
menos para a enfermaria.
M2: Espero que ele tenha muita saúde, seja muito feliz, espero que ele saia logo daí.
M7: Ahh..., que ele cresça bem, que ele pegue logo o peso dele normal pra gente ir
embora.
Sousa; Silva e Guimarães (2008) afirmam que as mães que vivenciam essa situação,
apresentam expectativas de ter o novo integrante da família em casa, o que para ela significa
que a criança está livre de riscos, buscando vivenciar um momento que foi adiado em função
das circunstâncias de nascimento do bebê.
Para as mães, o fato de ter o primeiro filho e não poder levá-lo pra casa dois ou três
dias após o parto é difícil. A mãe se sente ansiosa e insegura por não ter experiência em
relação a esse novo momento.
30
M3: É triste, né? Porque eu não tinha experiência nenhuma, e ele nasceu prematuro,
aí dá ansiedade pra que ele saia logo.
Com relação às primeiras relações afetivas, segundo Xavier (2003), as mães de prétermo ressentem-se ao final da gravidez, da falta do que Brazelton (1988) chama de "período
de consolidação", no qual os pais investem no bebê imaginário, incluindo esse bebê no
discurso familiar.
De acordo com Sousa; Silva e Guimarães (2008), os pais mostram-se surpresos com a
necessidade de hospitalização de seus filhos, pois até então, desconhecem a possibilidade de
terem filhos doentes. Acreditam que levariam o bebê para casa na ocasião da alta da mãe. A
expectativa vai sendo amenizada à medida que a família é informada sobre a situação,
prognóstico e tratamento.
Então percebe-se a ansiedade da mãe para que seu filho se recupere logo e tenha alta
para acabar com aquele desconforto do ambiente hospitalar. Nessas horas o pensamento da
mãe está centrado na saúde do filho. Ela idealiza bons fluidos em relação à saúde do bebê.
M10: Assim... “é que meu pensamento só dá nele”, que ele fique bom logo, só está
meio pensando só nele, e já estava com 9 meses, já estava com 39 semanas, mas minha
expectativa é que ele fique bom logo pra ter logo contato com ele e ir pra casa cuidar dele.
Para entender a condição do filho, o sentimento de angústia experimentado
inicialmente ante sua fatalidade as torna também livres para assumir as possibilidades
concretas de seu existir, buscando nas respostas positivas de seu filho o conforto para seu
coração (SALES et al, 2006).
4.2 Expectativa de recuperação da criança.
31
Quando questionadas quanto as suas expectativas em relação à saúde do bebê, as mães
demonstram muita confiança em relação à recuperação do seu filho. Elas sonham com essa
recuperação e já imaginam como seria o bebê em casa brincando e levando uma vida saudável
e normal como qualquer outra criança, pois o fato de o levarem pra casa já é um alívio. As
mães afirmam que os seus filhos possuem chances de serem crianças saudáveis tanto quanto
qualquer outra criança, ou até mais.
M4: São as melhores possíveis, que ele melhore logo, que ele possa voltar pra casa,
está em um lugarzinho em casa, só ele saindo daí já é um alívio.
M5: As minhas expectativas são que ela saia bem da UTI, que ela tenha uma vida
saudável igual as outras crianças, espero que tenha uma vida boa, uma vida normal.
M8: Muitas pessoas dizem que uma criança prematura sempre não tem uma saúde
boa, mas só que eu acho que não, que talvez ele possa até ter muito mais saúde do que um
bebê normal, é normal, só porque ele nasceu de pouco tempo antes, mas só que ele está se
recuperando e lá na UTI é como se fosse no útero da mãe.
De acordo com Souza et al (2009), mesmo sabendo que o parto acontecerá de forma
prematura, a mulher mantém a esperança de que o filho nasça com boa vitalidade e no
decorrer da internação a expectativa positiva permanece com ela. Após o nascimento do filho,
a mãe espera iniciar trocas interativas e de comunicação com seu bebê. Para Costernaro;
Martins (1988), a expectativa de ter filhos perfeitos e saudáveis é comum para todos os pais.
Apesar de ver seu filho todo cheio de aparelhos a mãe acredita na recuperação do
mesmo, pois o que ela quer é uma vida tranqüila igual a que imaginou no decorrer da
gestação. Para ela, a situação de estar com o filho internado na UTIN é muito incômoda, pois
vê-lo precisando de cuidados intensivos e não poder fazer algo desfaz toda uma expectativa
que ela planejou para sua família. E nas situações adversas as mães se apegam às forças
divinas como uma forma de adquirir energia para continuarem firmes e confiantes.
M1: Eu acho que ele sai daqui bem, com saúde, pra gente poder viver a nossa vida
tranqüila. Porque agora ela tá toda intubada e tá complicado né? Tem dias que eu fico
chorando ali na portinha porque ela falta o ar dela de vez em quando, ai tá difícil, a situação
aqui no hospital é ruim, ai não dá pra ficar com o filho aqui. Mas eu tenho esperança de sair
daqui com minha filha nos braços boa, com saúde. Com fé em Deus vai sair.
32
M12: Graças à Deus tá tudo bem com ele, passou 24 horas na UTI com oxigênio e
depois já saiu e agora está bem melhor, tá se recuperando muito bem, já está fora do
oxigênio e provavelmente próxima semana ele vai descer pro médio risco, ele está no alto
risco e vai descer pro médio risco. E minha expectativa é que ele seja um bebê muito
saudável.
M15: Eu espero que ela melhore logo, porque a gente não ta com ela no colo,
mamando na gente não pode. A criança tá só tomando pela sonda, às vezes nem mama e nem
tá tomando também, às vezes fica..., como é? Em dieta zero que eles falam, aí a gente fica...
sei lá a expectativa é que a criança melhore logo, porque ave maria é ruim de mais a gente
ver uma criancinha da gente numa situação dessa.
Para Valansi e Morsch (2004), a mãe que acabou de ter o bebê encaminhado à UTI
pode sentir-se inteiramente dominada por um sentimento de incapacidade e de culpa. Todas as
suas referências de maternagem e cuidados com o bebê parecem não fazer sentido. Além
disso, no nascimento prematuro, ela não pode viver psiquicamente as questões próprias do
final da gestação que a conduziriam ao desempenho das novas tarefas. Portanto, faltam-lhe
algumas peças do incrível jogo de relações que se iniciaram ainda intra-útero, e que precisam
ter continuidade nos primeiros contatos com o bebê, fora de seu corpo. Afinal, o que se espera
após o nascimento de um bebê é que ele vá diretamente para os braços da mãe, saudável e
capacitado a entrar em comunicação, em trocas interativas.
Frota et al (2007), afirmam que o desconhecimento das mães leva à necessidade da fé
em Deus e a conformação com a situação vivenciada, o que torna muitas vezes tarefa difícil, a
compreensão da realidade, derivando um misto de impotência e angústia. As crenças reforçam
comportamentos e atitudes, assim como fortalece o desejo de recuperação e cura dos filhos.
No momento de fragilidade, tristeza e angústia geradas pela condição do internamento na
Unidade, a busca do divino intensifica-se no sentido de manter viva a esperança. Em
momentos difíceis o ser humano apega-se à cultura, à fé, na procura incansável de força.
4.3 Inquietação por não estar com a criança.
Quando questionadas quanto às suas inquietações durante o período de internação do
RN na UTIN, nota-se o quanto as mães querem ter logo o bebê no colo para fazer carinho,
amamentar, e levar pra casa, porém só querem levá-lo pra casa quando tiver bem e em
33
condições para isso. Mesmo tendo acesso 24 horas por dia ao bebê, a mãe ainda sente que
falta alguma coisa. Talvez um contato com privacidade para ela se sentir capaz de cuidar do
seu filho. Pois o fato de ter seu bebê sob os cuidados de outras pessoas de certa forma lhe traz
desconforto. O fato delas não estarem em casa também contribui, elas não se sentem à
vontade, pois estão em um ambiente estranho e cercadas por pessoas estranhas.
M9: É assim... porque hoje tá com mais de 8 dias que eu estou com ele aqui, e pra
mim é como se fosse uma prisão porque a gente fica esperando para estar com ele né? E a
gente não se sente bem à vontade que a gente não está em casa entendeu?
M11: Eu queria estar com todos os 3 já, mas eles já estão perto de vir e Ave Maria
taria tão feliz se estivesse com os 3 juntinhos aqui.
Nas visitas à UTIN, a mãe geralmente encontra um ambiente estranho e assustador.
Ainda que existam orientações no sentido de livre acesso aos pais, de incentivo ao contato
deste com o bebê e a preocupação de mantê-los informados, a mãe encontra uma equipe
muito atarefada e um bebê real diferente do bebê imaginado. O encontro entre a mãe e seu
bebê é um momento único, que deve ser estimulado, respeitando sempre as diferenças
individuais. Cabe à equipe facilitar a aproximação, compreendendo que nem todas as mães
estão prontas para responder com atitudes padronizadas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009).
De acordo com os mesmos autores, ao receber um bom suporte, a mãe vai lentamente
se adaptando à rotina do ambiente, podendo cuidar do seu filho e desmistificar a percepção do
bebê como alguém muito fragilizado. Esse caminho permite que gradualmente ela fique mais
próxima, tocando-o, cuidando dele até o momento em que possa acolhê-lo de forma mais
íntima na posição canguru, já que dessa forma ela sente o bebê como seu.
Algumas mães demonstram um sentimento mais aguçado pela falta do filho por não
ter sido liberado a visita ou ter horário delimitado para a mesma, situação essa justificada pela
equipe de saúde devido ao quadro clínico delicado da criança. A ansiedade toma conta dessas
mães, já que esperam tanto pelo primeiro filho durante a gestação e terminam por ter que
aguardar a recuperação do bebê enfermo em um ambiente alheio, prejudicando o vínculo
mãe-bebê. Essa situação faz com que as mães se entreguem a Deus, como uma forma de
conseguir consolo e paciência.
34
M13: Eu acho que é mais complicado né... a pessoa ter o primeiro filho e não poder
estar lá com ele, já fez 8 dias agora e agora que eu fui ver ela, é complicado a gente fica
ansiosa, sem saber como é que ela tá assim, e agora já liberaram pra eu ir ver, tá tudo bem
lá com ela.
M14: É muito ruim, eu queria meu filho era aqui perto de mim, mas já que ainda não
aconteceu, vou esperar né? Só confiar em Deus pra que ele logo saia de lá da UTI, é o que eu
mais quero é que ele saia logo. Isso não é bom, mas tudo é como Deus quer. Eu não posso
dizer nada, se ele está lá é porque Deus permitiu e Deus quis assim, então eu vou só esperar
que logo logo ele tenha alta.
Para Azevedo e Mendes (2008), o nascimento prematuro ou com complicações, são
situações difíceis para toda a família, interferindo, especialmente em relação aos pais, no
estabelecimento do apego e do vínculo. Por esse motivo, o incentivo à manutenção da
lactação vem sendo fortemente preconizado como uma estratégia que visa ao fortalecimento
do vínculo materno, reforçando a participação da mãe no cuidado do filho.
Para Kenell e Klaus (1998), o aleitamento materno fortalece os vínculos afetivos e
propicia benefícios, em longo prazo, para o desenvolvimento intelectual e neurológico dessas
crianças. Segundo a OMS (2001), o fato de amamentar precocemente um bebê prematuro é
importante para reduzir a perda de peso, aumentar os níveis de glicose no sangue e diminuir a
bilirrubina não conjugada no soro.
Para Souza et al (2009), as atividades do cuidado com o filho como o de tocar, segurar
no colo e auxiliar na dieta por sonda, representam para as mães a reestruturação do papel
materno e estabelece a autoconfiança.
O Método Mãe Canguru é uma forma de atenção que incentiva e valoriza a presença e
a participação da mãe e da família na unidade neonatal. Tem um papel importante para
assegurar a saúde do bebê de baixo peso. Pois além de fortalecer o vínculo afetivo,
proporciona altas taxas de amamentação (FURMAN; KENNELL, 2000).
O desgaste é outro fator que se percebe em mães que já tiveram alta e já estão em casa
sem o filho. Pois a mãe quer visitar seu bebê todos os dias, e para isso existem gastos e outras
situações adversas que prejudicam o acompanhamento da internação do pequeno enfermo.
Elas também se queixam de não poder pôr a criança no colo por conta dos aparelhos que estão
sendo utilizados nela.
35
M15: É a distância que a gente tem da criança né? A gente não pode tá com ela
direto, a gente não pode nem botar ela no colo, porque tá cheio de aparelho essas coisas, aí
não pode botar no colo é ruim demais. No meu caso eu fui pra casa aí todo dia eu vinha
porque é ruim a gente ficar longe dos filhos da gente aí todo dia eu vinha... todo dia... aí eu
falei com a Assistente Social pra ela arrumar uma vaga pra eu vir ficar aqui perto dela, aí
ela arrumou, aí todo dia eu tou indo lá..., tou pertinho dela, é ruim a gente ficar distante do
filho da gente.
Para Cresti e Lapi (1997), a longa hospitalização dificulta o estabelecimento da
relação mãe-bebê uma vez que tira o conhecimento e o poder da mãe sobre o filho doente. Por
outro lado, estes autores afirmam que as intervenções operadas pela estrutura do hospital
também podem dar suporte aos potenciais de relação da díade, facilitando a sua ativação em
favor da aproximação. O hospital pode atuar como um "envelope que contém e protege" não
só o bebê, mas a mãe, dando uma sustentação adequada durante a permanência na unidade.
Silva; Silva e Christoffel (2009), afirmam que entender a vivência dos pais e do bebê
numa situação difícil como essa é dispor-se a valorizar as diferentes formas de enfrentamento
que cada um assume diante das dificuldades, as nuances singulares de cada interação que
estabelecem, as maneiras como experimentam o sofrimento da separação, do adoecimento e
da perda do contato corporal. É também ir contra a prejudicial tendência de se familiarizar
com a dor e o sofrimento humano, de não estranhar o cotidiano, de não se envolver, de
realizar ações impessoais desprovidas de afetividade.
De acordo com Conz; Merighi e Jesus (2009), é necessário que o enfermeiro
estabeleça formas de comunicação e interação com os familiares dos bebês internados em
UTIN, promovendo a participação dos pais na assistência, orientando e incentivando-os a
tocar seus filhos. Com esse ponto de vista constrói-se um processo de cuidado, obtendo êxito
nas ações de enfermagem que dependem de comunicações eficazes, preservando a
singularidade e a individualidade da criança e de seus pais, a partir de situações vividas pelos
familiares atendidos pelo enfermeiro, favorecendo uma interação que proporcione
informações, ajuda, compreensão, enfim, que amenize a ansiedade e ofereça tranqüilidade.
4.4 Inquietação com procedimentos invasivos
36
Ainda em relação as suas inquietações, as mães exaltaram que os procedimentos
considerados invasivos são os maiores causadores de aflição. Segundo Yamaushi; Munhoz e
Ferreira (2000), considera-se procedimento invasivo, aquele que rompe as barreiras naturais
do organismo ou penetra em suas cavidades. Mesmo sabendo que todos aqueles aparelhos são
necessários para a sobrevivência do RN, a mãe ainda sofre muito com aquela imagem
dolorosa.
M1: Aspirar, ter que tá aspirando, quase toda hora tem que tá aspirando, porque fica
criando muita secreção aí tem que aspirar toda hora, aí isso incomoda muito, muito mesmo.
M2: É quando ela perde o acesso e fica furando, caçando o acesso dela, isso me
incomoda bastante.
A mãe geralmente permanece no ambiente hospitalar, acompanhando a real situação
em que o filho se encontra. Para Maldonado (1996), quase sempre, o novo ambiente, dotado
de aparelhos e equipamentos altamente sofisticados, causa impacto e medo à mãe. Para a
maioria dos pais é chocante e estranho entrar pela primeira vez em uma unidade e ver seu
filho cercado de fios e aparelhos para manter tudo sob controle.
Nesse espaço, fica, ainda, comprometida a relação interpessoal da mãe acompanhante
com os profissionais da equipe, que estão voltados para os procedimentos necessários dos
recém-nascidos, em um movimento constante e intenso. A realização desses procedimentos,
muitas vezes considerados dolorosos, torna a mãe cada vez mais fragilizada ante as condutas
dos profissionais (Oliveira et al, 2005).
Ao ver seu filho cercado por equipamentos sem saber do que se trata ou a sua
finalidade, a mãe fica inquieta, pois essa situação lhe causa aflição. Punções venosas,
sondagens, aspiração endotraqueal e intubação são os principais procedimentos causadores de
tensão nas mães.
M6: Ah é sofrimento ter o filho da gente assim na UTI internado cheio de aparelhos,
furar na cabecinha dele, sofrendo né? Eu sofri muito e tou sofrendo ainda.
37
De acordo com Tronchin e Tsunechiro (2007), o avanço científico e tecnológico do
último século impulsionou o desenvolvimento da neonatologia com reflexos no aumento das
taxas de sobrevida de recém-nascidos mais prematuros e de muito baixo peso ao nascer ou
gravemente enfermos. Essas crianças necessitam de longo período de hospitalização, sendo
submetidas a inúmeros procedimentos invasivos, como intubação orotraqueal, inserção de
cateter intravascular, sondagem orogástrica, entre outros para a efetivação de tratamentos,
como: oxigenoterapia, nutrição parenteral, antibioticoterapia, hemotransfusão. Quando a
idade gestacional e o peso ao nascer são menores, a tendência é um maior número e
diversidade de intervenções, até que o neonato encontre condições de sobreviver extraambiente hospitalar.
Diante desse turbilhão de dúvidas e emoções que vivenciam as mães, faz-se necessário
o aprimoramento da assistência de toda a equipe multiprofissional para que compreenda,
aceite e colabore na recuperação do bebê prematuro ou gravemente enfermo. A equipe de
Enfermagem por estar em contato permanente com o RN e seus familiares mostra-se com
maior potencial para interagir, apoiar e estimular o contato precoce com o recém-nascido,
conforme esclarece Travelbee, 1979.
Considerando o fato de que a interação, o diálogo entre o profissional e o cliente,
minimiza ansiedade, ao esclarecer as dúvidas, contempla também uma das atividades de
Educação em Saúde, a qual promove qualidade de vida às pessoas que buscam apoio do
serviço. Portanto, há grande relevância nas relações interpessoais interpostas à comunicação
no ato de cuidar, seja do indivíduo ou da família. É importante que o enfermeiro desenvolva
uma interação efetiva com os pais, visando a promover sua participação no tratamento e
recuperação da saúde do filho internado (ROLIM et al, 2003).
38
REFLEXÕES SOBRE O ESTUDO
Os resultados do presente estudo indicam o quanto as mães primíparas apresentam
expectativas positivas em relação ao RN internado em UTIN. Em relação à saúde do bebê,
elas se mostraram muito confiantes na sua recuperação. Mesmo vendo o filho enfermo em um
ambiente alheio, cheio de aparelhos e sendo cuidado por pessoas desconhecidas, elas foram
otimistas e se permitiram acreditar na recuperação do pequeno enfermo, ainda que para isso
muitas delas tiveram que se apegar às forças divinas como meio de adquirir força e consolo.
Em relação à internação, suas expectativas não foram diferentes. Elas apresentaram
muita ansiedade pelo seu término. Aquela rotina do ambiente hospitalar lhes trouxeram
desconforto, e evidenciaram sentir falta do ambiente de casa. Algumas mães almejaram sair
daquele ambiente e trazer consigo seus conceptos, filhos dos seus ventres que gestaram por 9
meses ou menos, em caso de prematuridade, para retomarem suas perspectivas que tiveram
durante a gestação. Para isso elas idealizaram os filhos saudáveis, brincando com eles em casa
ou provendo os cuidados que elas imaginaram desde a própria infância.
Ao retomarem a realidade e se depararem com a situação dos filhos, as mães
encontraram vários percalços no caminho pela aproximação com eles. Elas demonstraram
muita inquietação por não poderem estar com os bebês, o que gerou expectativas de tocá-los
ou tê-los no colo para fazerem carinho ou amamentarem, porém todo aquele aparato utilizado
para manter RN estável não auxiliou nesse anseio das mães.
As mães demonstraram ainda, muita inquietação em relação aos procedimentos
invasivos, e chegaram a citar punção e aspiração como causa de sofrimento. Mesmo tendo a
intuição de que estes procedimentos eram vitais para o filho, elas sentiram muita aflição
principalmente ao ver os profissionais da UTIN executando tais procedimentos repetidas
vezes.
A equipe de Enfermagem tem papel de singular importância, pois realiza a quase
totalidade dos procedimentos com o RN na UTIN e deve fazê-lo da maneira mais humana
possível e de modo a minimizar as repercussões negativas no funcionamento de seus sistemas.
A enfermagem também deve promover a interação da equipe com a mãe fazendo-a entender o
que se passa com o filho e até participar dos cuidados com o mesmo. Atitudes dessa natureza
denotam uma assistência humanizada tanto à mãe quanto ao bebê e repercutem de maneira
positiva na recuperação da criança, favorecendo o restabelecimento do vínculo mãe-filho, tão
necessário para o desenvolvimento deste pequeno ser.
39
Conclui-se que as mães primíparas são otimistas em relação ao processo de internação
e saúde dos filhos internados na UTIN. Porém se apresentaram ansiosas, o que pode ser
atribuído a falta de experiência e a fase de adaptação a um novo momento da vida. Não só
este comportamento, mas também as inquietações percebidas por não estarem com os bebês, e
também durante procedimentos invasivos, deixam claro o quanto elas são dependentes da
assistência da equipe multiprofissional, tanto na assistência direta com o bebê como também
em apoiá-la no enfrentamento desse momento difícil pelo qual está vivenciando.
40
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46
APÊNDICE
47
APÊNDICE A
ASSOCIAÇÃO TERESINENSE DE ENSINO – ATE
FACULDADE SANTO AGOSTINHO
As expectativas de mães primíparas de recém-nascidos internados em UTI neonatal
ROTEIRO PARA ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA
1ª PARTE – Caracterização do sujeito
Número de ordem da mãe:
Idade:
2ª PARTE – Expectativas das primíparas
1) Quais são suas perspectivas em relação à internação do seu filho na UTIN?
2) Comente suas expectativas em relação à saúde do bebê.
3) De uma maneira geral, o que mais lhe aflige neste momento?
48
ANEXOS
49
ANEXO A
Carta de Apresentação
Ilmo. Sr. Diretor
Solicitamos a Vossa Senhoria autorização para coleta de dados na
Maternidade Dona Evangelina Rosa – Teresina – Piauí, para dar subsídio a um trabalho de
pesquisa científica intitulada: “EXPECTATIVAS DE MÃES PRIMÍPARAS DE RECÉMNASCIDOS INTERNADOS EM UTI NEONATAL”, que objetiva descrever as
expectativas de mães primíparas em relação à internação e ao processo saúde-doença do seu
filho internado em UTIN e discutir os sentimentos e inquietações experimentados pelas mães,
que será realizado pelos alunos regularmente matriculados no 6º período de enfermagem da
Faculdade Santo Agostinho (FSA): Francisco José Rodrigues Filho e Isaac Guedes Alves
Alcoforado Costa. A pesquisa estará sob orientação e responsabilidade da Prof.ª Especialista
Maria Noélia Melo Brandão (orientadora).
Certos de sermos atendidos em nosso pleito subscrevemos atenciosamente.
Teresina, ______ de _____________________ de 2009.
________________________________________________
Prof.ª Especialista Maria Noélia Melo Brandão
Orientadora
50
ANEXO B
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
O respeito devido à dignidade humana exige que toda pesquisa se processe após
consentimento livre e esclarecido dos sujeitos, indivíduos ou grupos que por si e/ou por
seus representantes legais manifestem a sua anuência à participação na pesquisa (IV, da Res.
196/96, do CNS).
Você, na qualidade de sujeito de pesquisa, está sendo convidado a participar de uma
pesquisa. Você precisa decidir se quer autorizar ou não sua inclusão como sujeito de pesquisa.
Para melhor esclarecer, sujeito de pesquisa, de acordo com a Resolução 196/96, do
Conselho Nacional de Saúde, é o (a) participante pesquisado (a), individual ou coletivamente,
de caráter voluntário, vedada qualquer forma de remuneração.
De acordo com a RESOLUÇÃO 196/96 – Conselho Nacional de Saúde, o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), que deverá ser assinado pelos sujeitos da
pesquisa, deve conter, em linguagem acessível ao sujeito da pesquisa, os seguintes ítens:
1. A justificativa, os objetivos e os procedimentos que serão utilizados;
2. Os desconfortos e riscos possíveis dos procedimentos;
3. Os benefícios esperados
4. Os métodos alternativos existentes; (se aplicável)
5. A forma de acompanhamento e assistência, assim como seus responsáveis;
6. A garantia de esclarecimentos, antes e durante o desenvolvimento da pesquisa, sobre
a metodologia, informando a possibilidade de inclusão em grupo controle ou placebo;
7. A liberdade do sujeito em recusar a participar ou retirar seu consentimento, em
qualquer fase da pesquisa, sem penalização alguma e sem prejuízo ao seu cuidado;
8. A garantia do sigilo que assegure a privacidade dos sujeitos e a confidencialidade das
informações;
9. A informação de que os dados da pesquisa podem vir a ser publicados/divulgados,
desde que garantido o disposto no item 8;
10. As formas de ressarcimento das despesas decorrentes da participação na pesquisa; se
aplicável);
11. As formas de indenização diante de eventuais danos decorrentes da pesquisa; (se
aplicável);
51
12. Os telefones institucionais e nome do(s) pesquisador(es) responsável(is) pelo projeto.
Leia cuidadosamente o que se segue e pergunte ao responsável pela pesquisa sobre qualquer
dúvida que tiver
ESCLARECIMENTO SOBRE A PESQUISA
1. TITULO DO PROJETO DE PESQUISA
Expectativas de mães primíparas de recém-nascidos internados em Unidade de Terapia
Intensiva Neonatal.
2. OBJETIVO DE ESTUDO
Descrever as expectativas das mães primíparas em relação à internação e ao processo saúdedoença do seu filho internado em UTIN.
Analisar as inquietações experimentadas pelas mães durante o período de internação do seu
filho.
DESCRIÇÃO DOS PROCEDIMENTOS ROTINEIROS
O projeto de pesquisa será encaminhado ao Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da
Maternidade Dona Evangelina Rosa (MDER).
Após sua aprovação iniciaremos a coleta de dados.
Leitura e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.
Os dados serão produzidos através de um roteiro de entrevista semi-estruturada.
Utilizaremos um celular para registrar as falas dos participantes para facilitar a realização da
nossa pesquisa.
Analisaremos os dados produzidos comparando-os com a literatura.
Por fim, iremos realizar a exposição dos resultados.
3. DESCRIÇÃO DE RISCOS E DESCONFORTOS:
Não haverá desconfortos ou riscos para os sujeitos da pesquisa
4. BENEFÍCIOS PARA OS PARTICIPANTES:
Espera-se que esse estudo possa servir de reflexão aos profissionais de saúde, principalmente
os de enfermagem, fazendo-os compreender as expectativas de mães primíparas e as suas
inquietações. Dessa forma os profissionais poderão atuar proporcionando às mães maior
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equilíbrio emocional durante o período em que seu filho estiver internado, com o intuito de
promover o seu encorajamento e aumento do vínculo mãe-bebê, o que otimizará a sua
recuperação.
5. GARANTIA DE ACESSO:
Em qualquer etapa do estudo você terá acesso aos pesquisadores responsáveis e participantes
pela pesquisa para esclarecimento de eventuais dúvidas.
6. PRINCIPAIS PESQUISADORES:
Francisco José Rodrigues Filho
Isaac Guedes Alves Alcoforado Costa
7. GARANTIA DE LIBERDADE:
É garantida a liberdade de querer não participar do projeto de pesquisa ou de retirar o
consentimento a qualquer momento, no caso da aceitação, sem qualquer prejuízo a
continuidade de seu tratamento na instituição.
8. DIREITO DE CONFIDENCIALIDADE:
Os dados colhidos na presente investigação serão utilizados para subsidiar a confecção de
artigos científicos, mas os responsáveis garantem a total privacidade e estrito anonimato dos
participantes, quer no tocante aos dados, quer no caso de utilização de imagens, ou outras
formas de aquisição de informações. Garantindo, desde já a confidencialidade, a privacidade e
a proteção da imagem e a não estigmatização, escusando-se de utilizar a informação gerada
pelo estudo em prejuízo das pessoas e/ou das comunidades, inclusive em termos de autoestima, de prestígio ou de quaisquer outras formas de discriminação.
9. DESPESAS E COMPENSAÇÕES:
As despesas porventura acarretadas pela pesquisa serão de responsabilidade da equipe de
pesquisa. Não havendo por outro lado qualquer previsão de compensação financeira. Em caso
de dúvidas ou perguntas, queira manifestar-se em qualquer momento, para explicações
adicionais, dirigindo-se a qualquer um dos pesquisadores.
Declaro que tive pleno conhecimento das informações que li ou que foram lidas para mim,
descrevendo o projeto de pesquisa acima intitulado e estando de posse de minha plenitude
mental e legal, ou da tutela legalmente estabelecida sobre o participante da pesquisa, que
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discute com um o pesquisador da pesquisa sobre a minha decisão em participar desse estudo
como sujeito de pesquisa e sobre a possibilidade de a qualquer momento, antes ou durante a
mesma, recusar-me a continuar participando da pesquisa em referência, sem penalidades e/ou
prejuízos, retirando o meu consentimento. Ficaram claros para mim quais são os propósitos
do projeto de pesquisa, os procedimentos a serem realizados, a ausência e ou presença de
riscos, as garantias de confidencialidade e de esclarecimentos permanentes. Ficou claro
também que minha participação é isenta de despesas e que tenho garantia do acesso à
pesquisa em qualquer tempo. Concordo, voluntariamente, em participar deste projeto de
pesquisa.
________________________, ____de _____________ de 2009.
Testemunhas (não ligadas à equipe de pesquisadores):
Nome: ________________________________________
Assinatura: ____________________________________
Nome: ________________________________________
Assinatura: ____________________________________
Em caso de dúvida você pode procurar o Comitê de Ética em Pesquisa da FSA- Av.
Valter Alencar, 665 - Bairro São Pedro, Teresina-Pi, CEP: 64019- 625, telefone: (86) 3215 –
8700, ou pelo e-mail cep@fsanet.com.br.
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ANEXO C
Declaração do(s) Pesquisador(es)
Ao Comitê de Ética em Pesquisa da MDER.
Eu (nós), Profª. Especialista Maria Noélia Melo Brandão, Francisco José Rodrigues Filho e
Isaac
Guedes
Alves
Alcoforado
Costa,
responsável(is)
pela
pesquisa
intitulada
“EXPECTATIVAS DE MÃES PRIMÍPARAS DE RECÉM-NASCIDOS INTERNADOS
EM UTI NEONATAL”, declaro (amos) que:
Assumo (imos) o compromisso de cumprir os Termos da Resolução nº 196/96, de 10
de Outubro de 1996, do Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde e
demais resoluções complementares à mesma (240/97, 251/97, 292/99, 303/2000,
304/2000 e 340/2004).
Assumo (imos) o compromisso de zelar pela privacidade e pelo sigilo das
informações, que serão obtidas e utilizadas para o desenvolvimento da pesquisa;
Os materiais e as informações obtidas no desenvolvimento deste trabalho serão
utilizados apenas para se atingir o(s) objetivo(s) previsto(s) nesta pesquisa e não serão
utilizados para outras pesquisas sem o devido consentimento dos voluntários;
Os materiais e os dados obtidos ao final da pesquisa serão arquivados sob a
responsabilidade
de
_______________________________
da
área
de
_________________________ da FSA; que também será responsável pelo descarte
dos materiais e dados, caso os mesmos não sejam estocados ao final da pesquisa.
Não há qualquer acordo restritivo à divulgação pública dos resultados;
Os resultados da pesquisa serão tornados públicos através de publicações em
periódicos científicos e/ou em encontros científicos, quer sejam favoráveis ou não,
respeitando-se sempre a privacidade e os direitos individuais dos sujeitos da pesquisa;
O CEP-MDER será comunicado da suspensão ou do encerramento da pesquisa por
meio de relatório apresentado anualmente ou na ocasião da suspensão ou do
encerramento da pesquisa com a devida justificativa;
O CEP-MDER será imediatamente comunicado se ocorrerem efeitos adversos
resultantes desta pesquisa com o voluntário;
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Esta pesquisa ainda não foi iniciada.
Teresina, ___ de _________________ de 20__
_____________________________________________________________________
Pesquisador responsável (assinatura, nome e CPF)
_____________________________________________________________________
Demais pesquisadores (assinatura, nome e CPF)
_____________________________________________________________________
Demais pesquisadores (assinatura, nome e CPF)
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ANEXO D
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