MANUAL PRÁTICO
Guardiães da saúde
dos nossos filhos
Actividades para os grupos
das igrejas levarem homens
e mulheres a participar na
prevenção da transmissão
do VIH de pais para filhos
Guardiães da saúde dos nossos filhos
Actividades para os grupos das igrejas levarem homens e mulheres
a participar na prevenção da transmissão do VIH de pais para filhos
por Peter Labouchere e Alice Fay
com contribuições dos parceiros “Sete de Nairobi” e “Sete de Lusaca”
Traduzido por: Vítor Santos, Samuel Cerqueira
Fotografia da capa: Mike Tsang
Design: Wingfinger Graphics
© Tearfund 2009
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser
copiada, reproduzida, armazenada num sistema electrónico ou transmitida
por qualquer meio sem a autorização prévia do titular dos direitos.
Gostaríamos de publicar um estudo de caso das experiências da utilização
deste pacote e do impacto que tem em África. Escrevam-nos, por favor,
descrevendo as vossas experiências. Se possível, incluam fotografias e
comentários dos vossos participantes.
Contacto: [email protected]
A Tearfund é uma agência cristã de ajuda de emergência e de
desenvolvimento que está a criar uma rede global de igrejas locais
para ajudar a erradicar a pobreza.
Guardiães da saúde
dos nossos filhos
Actividades para os grupos das igrejas levarem
homens e mulheres a participar na prevenção
da transmissão do VIH de pais para filhos
Foto : Peter Labouchere
Por Peter Labouchere e Alice Fay com contribuições dos parceiros
“Sete de Nairobi” e “Sete de Lusaca”
1
Prefácio
Rev. Cónego Gideon B. Byamugisha
Há três marcos importantes pelos quais devemos agradecer a Deus nas nossas intervenções
individuais e colectivas contra as infecções, doença e mortes relacionadas com o VIH e a SIDA.
PRIMEIRO Sabemos agora como controlar, com amor e eficácia, novas infecções e transmissões de
VIH dos membros da nossa família, amigos, prestadores de serviços e outros que já têm o VIH, de
forma a podermos atingir os nossos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio 2015 relativamente
ao VIH e à SIDA.
SEGUNDO Sabemos agora que podemos zelar pelos nossos entes queridos que estejam já vivendo
com o VIH, cuidar deles, tratá-los e apoiá-los, nas nossas famílias, comunidades e nações, para que
possam viver vidas mais longas, mais seguras, mais saudáveis, mais produtivas e mais gratificantes.
TERCEIRO Também sabemos fazer, de forma eficaz, Prevenção da Transmissão de Pais para Filhos
(PTPF) do VIH. Porém, para este conhecimento fazer mais milagres no terreno, precisamos de apoio
para nos tornarmos mais competentes na defesa, na protecção e no melhoramento da vida tanto
das pessoas vivas como das pessoas ainda por nascer. Este apoio é preciso tanto para aqueles de nós
que já são seropositivos como para todos os que, nas nossas famílias, comunidades e nações, sejam
vulneráveis às infecções, doença e mortes provocadas pelo VIH e a SIDA.
Cada um de nós necessita de toda a ajuda possível para acelerar a derrota do estigma, vergonha,
negação, discriminação, inacção e acção incorrecta que se prendem com o VIH e a SIDA. Trata-se
de seis males relacionados entre eles que continuam a frustrar o aumento da testagem de VIH,
a revelação e a abertura relativamente à condição de seropositivo, o tratamento e a prevenção
positiva. Comportamentos de prevenção positiva, atitudes, conhecimentos, práticas, acções, políticas,
programas, parcerias, mensagens e orações são todos muito importantes para ajudar aqueles de entre
nós que vivem já com o VIH (e o sabem) a serem capazes de não transmitir o vírus a mais ninguém na
sua vida.
Para conseguir atingir o marco de parar, fazer recuar e acabar por derrotar a pandemia de VIH,
precisamos de informação rigorosa sobre como o VIH se transmite e se previne. Precisamos de
atitudes apropriadas que nos ajudem a reconhecer, apreciar e fazer algo relativamente aos nossos
riscos e vulnerabilidades (tanto sexuais como não sexuais) e aos riscos daqueles que nos são queridos.
Precisamos de conhecimentos e serviços de comunicação, negociação e programação que nos ajudem
a adoptar e a manter sempre um comportamento seguro.
Nos nossos grupos das igrejas, nas nossas congregações e nas nossas posições de liderança, estamos
bem colocados para levar a bom termo este ministério importante e divino de salvar e melhorar vidas,
de acordo com Êxodo 3:7-10, Isaías 65:17 e seguintes, Lucas 4:18-19 e João 10:10.
Quero aqui prestar homenagem à Tearfund por nos dar este instrumento de formação, comunicação,
negociação, mobilização e programação que nos ajudará (enquanto igrejas e comunidades das igrejas)
a aprender e a fazer mais no ministério divino de prevenção da transmissão do VIH de pais para filhos.
Quando fazemos o que está ao nosso alcance para mobilizar e levar a participar homens e mulheres
com vista a aumentar a prevenção da transmissão do VIH de pais para filhos, o nosso Deus fará o que
nós não conseguirmos fazer.
Rev. Cónego Gideon B. Byamugisha (Abril de 2009)
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Rev. Patricia Sawo
É com grande satisfação que vos recomendo Guardiães da saúde dos nossos filhos. O conhecimento
é poder – e ainda mais se for apresentado como um manual prático a ser trabalhado por famílias e
grupos das igrejas. Deus é tão misericordioso connosco. Vamos todos participar!
A boa nova é que este manual nos traz novas oportunidades. Trabalhar em conjunto, como grupos
e como famílias, dará às mulheres confiança para ultrapassarem a vergonha e o medo de serem elas
a carregar o fardo de serem testadas. Criará condições para que os homens explorem o seu papel de
protectores da família e para que os grupos das igrejas se apoiem mutuamente e apoiem pessoas fora
das suas comunidades. Ajudará de uma forma prática: o que responder às perguntas que os familiares
dos nossos cônjuges e os nossos amigos nos possam fazer; como proteger-nos a nós próprios e aos
nossos filhos.
Trata-se de um comportamento que visa a liberdade e a saúde, não só para os nossos filhos, mas para
todos nós.
Garanto-vos que, estejam ou não seropositivos, saber se o estão ou não devolve aquilo que o inimigo
poderia ter roubado: vida em abundância!
Participem neste grande milagre para que a Tearfund vos está a convidar.
Rev. Patricia Sawo, Embaixadora de VIH da Tearfund (Abril de 2009)
Objectivos deste pacote
de formação
■
Promover um sentido de identidade e visão de futuro dos homens enquanto guardiães da saúde
dos seus familiares.
■
Esclarecer como o VIH se pode transmitir de pais para filhos.
■
Dar a ambos os pais conhecimentos e capacidades, a fim de reduzir o risco de transmissão do
VIH aos filhos.
■
Incentivar os homens a participar de forma mais activa no desenvolvimento saudável dos seus
filhos a partir do momento da concepção.
■
Incentivar os homens a fazerem o teste de VIH, de preferência juntamente com as mulheres ou
parceiras.
■
Fazer face a questões de estigma, discriminação e auto-estigmatização e promover abordagens
de Vida Positiva e atitudes de amor e aceitação para com aqueles que vivem com o VIH.
■
Enquadrar estes objectivos num modelo bíblico e no contexto da congregação da igreja local.
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Índice
Prefácio
2
Objectivos deste pacote de formação
3
Definições de palavras-chave, abreviaturas e siglas
5
Agradecimentos
6
Introdução
Historial deste pacote de formação
7
Materiais para Guardiães da saúde dos nossos filhos
7
Utilização do pacote de formação Guardiães da saúde dos nossos filhos
8
Ensino/pregação e facilitação
9
Como ser um bom facilitador
9
Layout das notas de facilitação
15
Resumo das actividades
16
Actividades
Secção A
Secção B
Secção C
Secção D
4
Uma visão para a minha família
18
Actividade 1: O meu futuro com crianças saudáveis
18
Actividade 2: O pai ou a mãe que quero ser
21
Actividade 3: Quem faz o quê?
24
E se estiver um de nós, ou os dois, vivendo com VIH?
27
Actividade 4: Queimada descontrolada
27
Actividade 5: Avaliação do risco pessoal de VIH
32
Actividade 6: Aconselhamento e testagem de saúde
35
Actividade 7: Consegue ver?
39
Actividade 8: Os meus apoiantes
43
Actividade 9: Dramatização da grávida e seropositiva
48
Compreender a prevenção da transmissão de pais para filhos (PTPF)
51
Actividade 10: A PTPF durante a gravidez e o parto
51
Actividade 11: Opções de alimentação de crianças de tenra idade
59
Criar valores, crenças, competências e estratégias para a PTPF
65
Actividade 12: Qual é a minha posição?
65
Actividade 13: A história dos “guarda-chuvas”
72
Actividade 14: Como usar um “guarda-chuva”
79
Actividade 15: Dramatizações para tratar outras questões de relacionamento
82
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Anexos
Anexo 1: Quebra-gelos e revigoradores
86
Anexo 2: Bibliografia e fontes
89
Fichas de apoio
1. Perguntas de avaliação para os participantes
14
2. VIH e SIDA: informação básica
30
3. Aconselhamento e Testagem de Saúde (ATS)
38
4. Imagens e histórias de pessoas
42
5. Prevenção da Transmissão de Pais para Filhos (PTPF)
57
6. Como usar um preservativo masculino
81
Definições de palavras-chave, abreviaturas e siglas
AFASS
[alimentação de substituição] aceitável, factível, acessível, sustentável, segura
ARV
medicamento anti-retroviral
ATS
aconselhamento e testagem de saúde (ATV nalguns países)
NOTA: Antigamente, este serviço era chamado ATV tanto em Angola como em
Moçambique. Actualmente, chama-se ATS em Moçambique e é essa a designação
que adoptamos neste pacote de formação. Em Angola, porém, o serviço continua
a ser designado como ATV, sendo muitas vezes referido como GATV (Gabinetes de
Atendimento e Testagem Voluntária).
ATV
aconselhamento e testagem voluntária (ATS nalguns países)
HAART
terapia anti-retroviral de alta potência (highly active antiretroviral therapy)
IST
infecção sexualmente transmitida
NVP
Nevirapine – um medicamento anti-retroviral frequentemente usado para impedir
transmissão do VIH durante o parto
PTMF
prevenção da transmissão [do VIH] de mãe para filho
NOTA: A designação corrente em português é PTV, Prevenção da Transmissão
Vertical. Neste manual, porém, usamos a designação PTMF, Prevenção da
Transmissão de Mãe para Filho, para deixar clara a diferença entre esse conceito e o
conceito que se pretende introduzir de PTPF, Prevenção da Transmissão de (ambos os)
Pais para Filhos.
PTPF
prevenção da transmissão [do VIH] de pais para filhos
SIDA
Síndroma de Imunodeficiência Adquirida
TB
tuberculose
VIH
vírus da imunodeficiência humana
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Agradecimentos
As citações das escrituras são de: Bíblia Sagrada em Português Corrente, tradução interconfessional do
hebraico, do aramaico e do grego em português corrente. Mem Martins: Difusora Bíblica, 1995.
Os nossos sinceros agradecimentos a todos os que contribuíram para a elaboração do pacote
Guardiães da saúde dos nossos filhos, em especial
■
aos membros dos Sete de Nairobi e dos Sete de Lusaca que criaram e deram forma ao manual
e o testaram: Hope Siwale (Evangelical Fellowship of Zambia, “Comunidade Evangélica da
Zâmbia”), Lazarus B Harawa (Livingstonia Synod AIDS Programme, “Programa de SIDA do Sínodo
de Livingstonia”, Malawi), Felicien Maisha (Heal Africa, “Curem África”, República Democrática do
Congo ), Teresiah Waguthu Kamay (Christian Community Services Mount Kenya East, “Serviços
Comunitários Cristãos do Mount Kenya Leste”), Christopher Kanyankole e Canon Fareth
Sendegeya (Anglican Church Kagera Diocese, “Igreja Anglicana, Diocese de Kagera”), Dr. Kirere
Mathe (Centre Médical Evangélique de Nyankunde, “Centro Médico Evangélico de Nyankunde”,
República Democrática do Congo), Rosa Magare (Kubatsirana, Moçambique), Alice Osuji e
Caroline Onwuezobe (Faith Alive, “Fé Viva”, Nigéria), Nehemiah Ghata (ECWA, “Igreja Evangélica
da África Ocidental”, Nigéria) Ginwell Yooma (Brethren in Christ Church, “Igreja Irmãos em
Cristo”, Zâmbia), Feston Chilewani (Evangelical Association of Malawi, “Associação Evangélica
do Malawi”), Dr. Isaac Tiembre (Groupe Biblique des Hôpitaux, “Grupo Bíblico dos Hospitais”,
Côte d’Ivoire), apoiados por Carina Winberg, Anne Mumbi e Joyce Mdlawuzo (Tearfund), Andy
Bowerman e John Downing
■
àqueles que vivem abertamente com o VIH que quiseram partilhar fotos e comentários
■
à Dra. Rena Downing e ao Professor Andrew Tomkins, pelos comentários, conselhos, apoio e
trabalho preparatório com os Sete de Nairobi e os Sete de Lusaca
■
ao Dr. Abi Abiga, Calle Almedal, Roger Basungeli, Rachel Carnegie, Ros Kent, Mandy Marshall,
Dr. Mutiso, Rita Mwangi, Maggie Sandilands, Dr. Manuel Sierra, Felista Wanjuguna e Peter Wangera
■
ao Rev. Cónego Gideon Byamugisha, por várias contribuições, entre as quais o prefácio, estudos
bíblicos seleccionados e a Actividade 5, Avaliação pessoal do risco de VIH
■
aos artistas Rose Fay (Reino Unido), Theodore Mugolola (Tanzânia) e Zenzo Ndlovu (Zimbabwe)
■
aos autores dos materiais incluídos nas referências e fontes (Anexo 2).
Participantes no workshop de Outubro de 2008
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Participantes no workshop de Março de 2009
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Introdução
Historial deste pacote de formação
A visão da Tearfund é deter a expansão da doença e diminuir o impacto do VIH nos países em que
trabalha, unindo forças com parceiros de muitos países para dar uma resposta abrangente ao VIH.
Em 2006, a Tearfund juntou um grupo de sete parceiros africanos, todos eles a implementar
programas de prevenção de transmissão de mãe para filho (PTMF). Os parceiros ficaram conhecidos
como os Sete de Nairobi. Liderados pela Dra. Rena Downing e pelo Professor Andrew Tomkins, os
parceiros lançaram-se numa pesquisa das actividades dos seus programas, analisando a utilização dos
seus serviços. Quando a utilização ou a prestação de serviços era má, a pesquisa tentava compreender
por quê. Com base nas suas constatações, introduziram melhorias nos seus programas e repetiram
então a avaliação para monitorar o progresso realizado, analisando dados de 12 meses. Uma
constatação fundamental foi que havia necessidade de os homens se envolverem mais no processo
de PTMF. Sem a sua participação, as mulheres têm menos acesso aos serviços. Os Sete de Nairobi
consideraram que se tratava aqui de algo em que a igreja podia e devia empenhar-se, mas que não
estava preparada para o fazer. Tentaram colmatar esta lacuna elaborando um manual para igrejas e
organizações locais baseadas na fé que lhes permitisse envolver homens no processo.
Os parceiros dos Sete de Nairobi foram unânimes em considerar que, em resposta à sua conclusão
principal, o alcance da PTMF deveria ser alargado, passando a ser prevenção de transmissão de pais
para filhos (PTPF). Desta forma, incluem-se tanto os pais como as mães.
Com o modelo bíblico de José e Maria, os pais de Jesus, a igreja tem um padrão de parentalidade
com aplicação em todas as tradições. Pode ser, porém, bastante diferente das tradições locais dos
utilizadores deste manual. O papel da igreja é fundamental nas comunidades que serve e, havendo
boas razões para tal, pode introduzir mudanças nas tradições. Impedir o alastramento do VIH é uma
razão absolutamente fundamental.
Hoje em dia, com o VIH tão espalhado, algumas das tradições de parentalidade existentes têm-se
revelado inadequadas, aumentando a vulnerabilidade tanto da mãe como do filho. A responsabilidade
pela saúde da criança precisa de se tornar uma tarefa partilhada.
Nascida a ideia do manual, reuniu-se um segundo grupo de parceiros, os Sete de Lusaca, para realizar
o mesmo processo avaliativo de pesquisa. Também ajudaram a elaborar este manual.
Materiais para Guardiães da saúde dos nossos filhos
Materiais incluídos no kit Guardiães da saúde dos nossos filhos
■
o presente guia
■
conjunto de 16 cartões de actividade plastificados para a Actividade 3: Quem faz o quê?
■
três cartões plastificados simbolizando um homem, uma mulher, e o homem e a mulher juntos
(Actividade 3)
■
cartões plastificados com desenhos de um homem e de uma mulher grávida
(Actividades 9, 10, 11)
■
cartão plastificado com desenho de uma mulher amamentando (Actividades 9, 10, 11)
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■
cartão plastificado com desenho de uma mulher alimentando com uma chávena um filho de
tenra idade (Actividades 9, 10, 11)
■
conjunto de seis fotografias de pessoas, em formato A4 e plastificadas (Actividade 7)
■
dois cordões (fios para pôr ao pescoço, com uma pinça) (Actividade 9)
■
modelo de pénis para demonstrar preservativos (Actividade 14)
■
seis preservativos masculinos (Actividade 14)
■
um saco para transportar todos estes artigos
Materiais que o facilitador terá de fornecer
■
Bíblia
■
leite, sumo de limão ou outra bebida ácida, um copo e uma chávena (para a Actividade 11)
■
preservativos masculinos adicionais (para a Actividade 14)
■
cartão A4 ou papel liso e tesouras
■
canetas (uma por participante, para grupos alfabetizados)
■
fotocópias das diversas fichas do material de apoio (traduzidas, se necessário, para a língua local)
■
um guarda-chuva (opcional, para ilustrar a Actividade 13)
■
um flip chart ou um quadro para se escrever (opcional para a Actividade 2)
■
dois paus, ramos ou pedaços de corda (Actividade 10)
■
lenços de papel ou papel de seda (Actividade 14)
Utilização do pacote de formação Guardiães da saúde
dos nossos filhos
Este pacote está concebido para facilitar sessões de grupo interactivas e divertidas que ajudam a
tentar atingir os objectivos apresentados na página 3.
Com quem se pode usar Guardiães da saúde dos nossos filhos?
As actividades deste pacote estão concebidas antes de mais para serem utilizadas com grupos
cristãos, normalmente nas congregações eclesiásticas locais. As actividades podem também ser
adaptadas e usadas de forma eficaz com grupos comunitários mais amplos, incluindo:
■
grupos de homens, ou grupos mistos de homens e mulheres
■
pessoas de idades, culturas, personalidades e estilos de vida diversos
■
participantes alfabetizados e não alfabetizados.
Tamanho dos grupos
A maior parte destas actividades funciona melhor com grupos de entre 10 e 30 participantes, o que
permite que toda a gente participe. Algumas actividades, porém, podem também ser usadas com
êxito em trabalho individual e com grupos de mais de 100 participantes.
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Principais requisitos para dirigir sessões eficazes
■
bons conhecimentos de facilitação
■
espírito aberto e uma atitude não condenatória
■
conhecimento dos factos básicos sobre VIH, SIDA e PTPF
■
fluência numa língua em que os participantes se sintam à vontade
■
entendimento da visão bíblica da família em diferentes culturas.
Ensino/pregação e facilitação
Facilitar é diferente de ensinar ou pregar. Tem uma abordagem muito diferente, e assenta em
pressupostos e atitudes diferentes. Eis algumas das principais diferenças:
Ensino/pregação
Facilitação
O professor ou pregador é considerado um
“perito”, com maiores conhecimentos ou
compreensão do que os participantes.
O facilitador reconhece que os participantes têm
já muito conhecimento e experiência relevantes
para partilhar.
O papel do professor ou pregador é transmitir os
seus conhecimentos ou a sua compreensão aos
participantes.
O papel do facilitador é criar condições para os
participantes explorarem e elaborarem o seu
próprio entendimento das questões e de como
lidar com elas.
O pregador ou professor dá as “respostas” aos
participantes.
O facilitador usa uma actividade ou faz perguntas
e orienta uma discussão que envolva os
participantes e os ajude a chegar às suas próprias
respostas.
O pregador ou professor é quem fala. Os
participantes ficam sentados a ouvir.
O facilitador faz perguntas e escuta o que se diz.
São os participantes que falam mais e participam
activamente na exploração das questões.
Todas as actividades em Guardiães da saúde dos nossos filhos requerem facilitação. Por muito que seja
um pregador ou um professor brilhante, precisará de desenvolver as suas competências de facilitação
antes de poder utilizar este pacote de forma eficaz. As notas que se seguem ajudá-lo-ão.
Como ser um bom facilitador
As competências de facilitação são algo que se pode aprender e praticar – não precisa de ser um
perito. Eis algumas sugestões e ideias:
Preparação antes da sessão
Boa preparação é a chave de uma boa facilitação.
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■
Tente descobrir o que puder sobre as necessidades e as questões dos participantes. Quem são
e quantos estarão presentes? O que é que já sabem sobre o VIH e a prevenção da transmissão
de pais para filho? Que questões e necessidades específicas têm? O que é que esperam desta
formação? As respostas a estas perguntas ajudá-lo-ão a fazer uma planificação mais eficaz.
■
Tenha claro para si próprio o que quer que os seus participantes aprendam na sessão (os
objectivos de aprendizagem).
■
Leia as notas para as várias actividades. Seleccione que actividades usará e planeie cada sessão.
Pense como pode adaptá-las para as tornar mais relevantes para as necessidades e questões dos
seus participantes.
■
Pratique o que dirá, sozinho ou com um amigo. Pratique também o uso e a demonstração dos
materiais.
Preparação de materiais e o espaço de formação
Certifique-se de que tem todos os materiais necessários para a sessão.
■
Antes da sua primeira sessão de Guardiães da saúde dos nossos filhos com um grupo, e de novo
antes da sua última sessão com esse grupo, faça fotocópias para cada participante da Ficha 1,
Perguntas de avaliação para os participantes, na página 14. (Isso dir-lhe-á que conhecimentos,
competências e atitudes os seus participantes têm no início do programa que está a dirigir.
Quando voltar a utilizar as mesmas questões no fim do programa, podemos ver que diferença é
que este fez.)
■
Escreva para o e-mail [email protected] solicitando a ficha de lançamento de dados para
reunir e enviar a informação que retirou da Ficha 1.
■
Faça fotocópias de outras fichas do material de apoio que queira distribuir aos participantes.
■
Vá para a sala de formação ou para o ponto de encontro pelo menos 15 minutos antes da hora
prevista para início da sessão.
■
Arranje o espaço em que a formação terá lugar. Desvie para os lados secretárias ou mesas que
haja. Não disponha as cadeiras ou bancos em filas como numa sala de aula. Disponha-as antes
em círculo ou semicírculo.
Foto: Eleanor Bentall/Tearfund
■
Disponha as cadeiras em círculo ou semicírculo.
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No início da sessão
■
Cumprimente as pessoas à medida que elas forem chegando.
■
Seja simpático. Sorria!
■
Dê as boas vindas aos participantes e apresente-se.
■
Se tal for adequado, abra com uma oração.
■
Explique qual a finalidade da sessão e o que participantes podem esperar dela.
■
Se for a primeira sessão, dê a cada participante uma cópia da Ficha 1, Perguntas de avaliação
para os participantes (página 14), para preencher. Recolha as fichas preenchidas e guarde-as em
lugar seguro até ao fim do programa.
■
Se for uma sessão de seguimento, faça um resumo do último encontro. (As pessoas podem
esquecer o que foi partilhado/discutido, e algumas podem não ter vindo ao último encontro.)
■
Verifique se toda a gente compreende a língua que está a falar. Se não, arranje alguém que
traduza.
■
Combine com os seus participantes algumas orientações para o trabalho em conjunto,
como sejam:
– começar e acabar a horas
– só falar uma pessoa de cada vez
– dar a toda gente oportunidade de participar nas discussões
– manter a confidencialidade sobre quaisquer informações pessoais que outras pessoas nos
dêem nos grupos.
■
Usar um quebra-gelo ou um revigorador para os participantes relaxarem e se empenharem nos
trabalhos. Há alguns exemplos destes exercícios nas páginas 86–88.
Durante a sessão
■
Escute com atenção o que os participantes dizem. Incentive os participantes a escutarem e a
apreciarem as contribuições uns dos outros.
■
Oriente o grupo e mantenha as discussões focadas no tema da sessão.
■
Controle quem falar demasiado.
■
Garanta que todos tenham possibilidade de participar – incentive os participantes calados a
falar e a participarem também, de modo a que cada participante sinta que a sua contribuição é
importante.
■
Incentive os membros do grupo a explorarem as questões e a chegarem às respostas por eles
próprios, ajudando-os a falar sobre ideias, sentimentos e experiências, em vez de lhes dizer o que
está certo e o que está errado ou de os criticar.
■
Mostre interesse e respeito pelos pontos de vista das outras pessoas, mesmo que, pessoalmente,
discorde deles. Se um participante disser alguma coisa com que não concorda, pergunte primeiro
ao resto do grupo: “O que pensam as outras pessoas sobre este assunto?”
■
Faça de vez em quando um resumo de discussão e também no fim de uma sessão.
■
Partilhe a liderança – muitas vezes, uma sessão funciona melhor com dois facilitadores apoiandose mutuamente e assumindo a direcção à vez.
■
Seja honesto e aberto ao responder a perguntas de participantes e colegas. Se não souber
alguma coisa, diga que não sabe – e depois vá investigar para poder dar uma informação correcta
da próxima vez que os vir.
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■
Se os membros do grupo começarem a parecer cansados ou parecerem perder concentração, use
um revigorador (ver páginas 86–88).
■
Faça perguntas abertas que fomentem a discussão em grupo, como sejam “Quais as diversas
maneiras de apoiar as pessoas vivendo com o VIH?”, em vez de perguntas fechadas, como
“Podemos ou não apoiar as pessoas vivendo com o VIH?”.
No fim de uma sessão
REVISÃO DA APRENDIZAGEM E PLANIFICAÇÃO DA ACÇÃO Faça uma revisão das actividades usadas e
pergunte aos participantes:
■
Quais foram as principais coisas que aprenderam?
■
O que é que vão fazer de modo diferente, enquanto igreja/grupo?
■
O que é que cada um de vocês pessoalmente fará de modo diferente com aquilo que aprenderam?
Leve os participantes a identificarem acções específicas que cada um deles empreenderá como
resultado do que aprenderam. Por exemplo, se concordarem que a testagem de VIH é muito
importante, pergunte-lhes o que farão relativamente a isso, e quando. Por exemplo, “Este fim-desemana, vou conversar com a minha mulher sobre irmos fazer juntos o teste de VIH”.
PEÇA OPINIÕES SOBRE A GESTÃO DO PROGRAMA E A SUA FACILITAÇÃO Os bons facilitadores pedem e
aceitam sempre opiniões honestas e específicas, porque isso os ajuda a melhorar e a fazer com que a
sua próxima sessão seja ainda melhor. Faça perguntas como:
■
De que gostaram na maneira como esta sessão foi facilitada?
■
O que é que devemos alterar para a melhorar para a próxima vez?
■
Que perguntas ou questões ainda têm, relacionadas com o VIH e PTPF, que não foram tratadas
nesta sessão?
■
Mais algumas perguntas ou questões?
OS PARTICIPANTES PREENCHEM O QUESTIONÁRIO DE AVALIAÇÃO PARA OS PARTICIPANTES (FICHA 1)
Se for a última sessão do programa Guardiães da saúde dos nossos filhos, faça cópias da Ficha 1 do
material de apoio e peça a cada participante que a preencha e lha devolva antes de se ir embora.
EXPLIQUE O QUE ACONTECERÁ A SEGUIR Por exemplo, haverá outra sessão ou uma sessão de
seguimento? Que apoio será dado aos participantes para implementarem o que aprenderam?
Diga aos participantes como o podem contactar a si e/ou a um especialista local de VIH, se quiserem
mais informação ou se quiserem discutir mais a fundo quaisquer questões que possam ter.
CONCLUA E DÊ POR ENCERRADA A SESSÃO Agradeça aos participantes a sua participação e agradeça a
contribuição de quem tiver ajudado na facilitação. Termine com uma oração, se apropriado.
Depois da sessão
12
■
Faça a revisão e a avaliação da sessão em conjunto com outras pessoas que a tenham observado
ou a tenham facilitado juntamente consigo. Reflicta sobre o feedback dos participantes. Discuta
o que funcionou bem e o que poderia fazer para melhorar ainda mais para a próxima vez.
■
Faça o seguimento que houver para fazer. Por exemplo, procure informação sobre coisas que não
sabia quando lhas perguntaram durante a sessão.
■
Planeie e prepare-se para a sua próxima sessão.
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Quando tiver completado o programa de formação Guardiães da saúde dos
nossos filhos (normalmente várias sessões)
Após a última sessão de Guardiães da saúde dos nossos filhos que realizar com um determinado grupo
de pessoas:
■
Envie um e-mail para [email protected] pedindo a ficha de lançamento de dados, para reunir
as respostas às perguntas da Ficha 1 do material de apoio.
■
Lance todas as respostas de todos os participantes que tenham preenchido a Ficha 1 do material
de apoio, tanto no início da primeira sessão como no fim da última sessão.
■
Envie por e-mail a ficha de lançamento de dados preenchida para [email protected],
juntamente com:
– um breve resumo do programa Guardiães da saúde dos nossos filhos que dirigiu (o que correu
bem, quaisquer desafios/ dificuldades)
– boas fotografias das actividades sendo realizadas
– nomes do(s) facilitador(es), como deseja que apareçam no(s) seu(s) certificado(s).
CERTIFICAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS Ao receber o seu e-mail, a Tearfund enviar-lhe-á:
– uma análise sumária dos dados que entregou
– um bonito certificado de apresentação, reconhecendo como ajudou os outros a tornarem-se
melhores Guardiães da saúde dos nossos filhos.
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13
Ficha 1
Perguntas de avaliação para os participantes
A preencher por todos os participantes no início da primeira sessão de um programa de formação
Guardiães da saúde dos nossos filhos e no fim da última sessão.
Por favor, responda honestamente a todas as questões. Este questionário é confidencial.
Ninguém saberá em que folha de papel estão as suas respostas.
Data de hoje:
Sexo:
■ masculino
Idade:
■ menos de 18 ■ 18–25
Casado?
Educação:
Assinale com um
círculo Sim ou Não
em cada uma
destas questões
Até que ponto
concorda com
cada uma destas
afirmações ou
discorda delas?
Para cada afirmação,
assinale um número
com um círculo
Discordo muito: 1
Discordo: 2
Tenho uma opinião
neutra: 3
Concordo: 4
Concordo muito: 5
14
............................................................................
■ sim
■ feminino
■ 26–40
■ mais de 40
■ não
■ não concluiu a primária
■ concluiu a secundária
■ concluiu a primária
■ concluiu a educação superior
1 Uma mãe seropositiva pode dar à luz um bebé seronegativo?
Sim / Não
2 O VIH pode ser transmitido através da amamentação?
Sim / Não
3 Se a mãe estiver seropositiva, pode amamentar o bebé às vezes e outras
vezes dar-lhe outras comidas ou bebidas?
Sim / Não
4 Sabe onde pode fazer o teste de VIH?
Sim / Não
5 Se um homem estiver seropositivo, o seu filho ainda por nascer pode ser
infectado com o VIH?
Sim / Não
6 Se forem correctamente usados, os preservativos são muito eficazes para
impedir a infecção do VIH?
Sim / Não
7 Sente que pode pedir ao seu parceiro para usar preservativo?
Sim / Não
8 Uma pessoa pode apanhar VIH sem nunca ter tido sexo?
Sim / Não
9 As pessoas vivendo com o VIH deviam poder desempenhar cargos de liderança
em instituições religiosas.
1 2 3 4 5
10 Uma pessoa seropositiva que venha a minha casa é bem vinda.
1 2 3 4 5
11 O homem também devia fazer o teste de VIH quando a sua mulher grávida o faz.
1 2 3 4 5
12 O VIH é um castigo de Deus.
1 2 3 4 5
13 Um marido seronegativo deve continuar a viver com a mulher se ela
estiver seropositiva.
1 2 3 4 5
14 Os casais deviam ir juntos fazer o teste do VIH.
1 2 3 4 5
15 Usar preservativo é uma maneira responsável e afectuosa de evitar a
infecção do VIH.
1 2 3 4 5
16 Às vezes, consegue-se saber se uma pessoa tem VIH só olhando para ela.
1 2 3 4 5
17 Usar preservativo é pecado.
1 2 3 4 5
18 A gravidez, o parto e tomar conta do bebé são da responsabilidade da mulher
e o pai não deve participar nisso.
1 2 3 4 5
19 Sinto-me à vontade para discutir questões relacionadas com sexo e saúde
com o meu marido / mulher / parceiro.
1 2 3 4 5
20 Já fez o teste de VIH?
Sim / Não
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Layout das notas de facilitação
Neste guia, as notas gerais para facilitar uma actividade estão em tipo normal, como este.
Nalguns sítios, é apresentado um exemplo de enunciado em itálico, como este. Este texto diz-lhe o
que há-de dizer ao facilitar uma sessão, mas funcionará melhor se usar as suas próprias palavras para
partilhar ideias e exemplos, usando uma linguagem em que se sinta à vontade e os seus participantes
também.
Quebra-gelos, revigoradores e estudos bíblicos
Quando estiver a planear sessões, além das actividades principais, pense também como pode incluir:
■
QUEBRA-GELOS, REVIGORADORES (Anexo 1, páginas 86–88). Os quebra-gelos são para usar com
um grupo no início da sessão. Ajudam os participantes a relaxar, a familiarizarem-se consigo e
uns com os outros, e a empenhar-se na sessão. Os revigoradores podem ser usados quando o
ritmo tiver afrouxado, quando as pessoas estiverem a ficar cansadas ou com sono, ou quando
quiser mudar a disposição do grupo e animá-lo.
■
ESTUDOS BÍBLICOS que se possam relacionar com diversas questões de PTPF. Algumas das
actividades incluem pequenos estudos bíblicos ligados a elas.
Utilização flexível de Guardiães da saúde dos nossos filhos
As actividades constantes deste manual seguem um padrão lógico. A maior parte dos programas
funcionará melhor fazendo todas as actividades de seguida, da Actividade 1 até à Actividade 15. Se
trabalhar todas as actividades com um grupo, isso deve demorar entre 8 e 12 horas no total (10 horas
em média). Por isso, se se encontrarem uma vez por semana e passarem cerca de uma hora a fazer
duas actividades de Guardiães da saúde dos nossos filhos, deve levar dez semanas a completar o
programa.
O pacote, porém, está concebido de maneira a poder também ser usado de forma flexível. Cada
actividade pode ser usada separadamente, ou pode ser adaptada e combinada com outras actividades
deste manual ou de outras fontes.
Isto é um guia do utilizador (não é um regulamento do utilizador!)
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Resumo das actividades
Activity
Por que fazer esta actividade? (Objectivos)
Duração (aprox.)
Secção A: Uma visão para a minha família
1 O meu futuro
com crianças
saudáveis
• Para imaginar o futuro que cada um de nós quer, para nos ajudar a focalizar e a
motivar para fazer alguma coisa para nos mantermos saudáveis e impedirmos a
transmissão do VIH aos nossos filhos.
30–40 minutos
2 O pai ou a mãe
que quero ser
• Para identificar as características de um marido/pai bom e responsável na
sua tradição.
30–40 minutos
• Para desenvolver uma forte afirmação pessoal de identidade acerca da
paternidade/maternidade, que ajude cada participante a preservar a sua saúde e
a saúde da sua família.
3 Quem faz o
quê?
• Para explorar percepções e ideias sobre os papéis de mulheres e homens e como
eles podem ir mudando ao longo do tempo.
30–40 minutos
• Para elaborar ideias para lidar com esses papéis.
• Para esclarecer que, para salvaguardar a saúde dos filhos, é importante os homens
participarem em actividades que têm tradicionalmente sido realizadas apenas
por mulheres.
Secção B: E se estiver um de nós, ou os dois, vivendo com VIH?
4 Queimada
descontrolada
30–40 minutos
• Para demonstrar como o VIH (e outras ISTs) se podem espalhar numa
comunidade.
• Para levar os participantes a pensarem sobre os riscos e implicações que o
VIH pode ter para eles pessoalmente.
5 Avaliação do
risco pessoal de
VIH
• Para ajudar os participantes a avaliarem a sua vulnerabilidade à infecção do VIH.
20–30 minutos
• Para esclarecer os diversos tipos de risco que podem levar à infecção de VIH.
• Para esclarecer que a infecção de VIH não implica forçosamente imoralidade
sexual.
• Para ajudar os participantes a reconhecer a importância da testagem de VIH, uso
de preservativos e outras práticas mais seguras quando se é casado.
6
7
30–40 minutos
Aconselhamento
e testagem de
saúde
• Para esclarecer o que implica fazer o teste de VIH.
Consegue
ver?
• Para pôr em causa as suposições que as pessoas fazem, com base na aparência
física, sobre se uma pessoa está vivendo com o VIH.
• Para os participantes ponderarem eles próprios algumas das questões de fazerem
o teste de VIH.
• Para esclarecer o que significa “viver positivamente” e para aprender que é
possível viver uma vida longa e saudável com o VIH.
20–30 minutos
(60–90 minutos
com um orador)
• Para sublinhar a necessidade de fazer o teste para saber se se está seropositivo.
8 Os meus
apoiantes
45–60 minutos
• Para mostrar como é fácil estigmatizar outras pessoas e o que pode sentir a
pessoa que está a ser estigmatizada.
• Para reconhecer a importância de dar apoio a outras pessoas e o que acontece
quando falta esse apoio.
• Para identificar formas de reduzir o estigma relacionado com o VIH e apoiar as
pessoas vivendo com o VIH e por ele afectadas.
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Activity
9 Dramatização
da grávida e
seropositiva
Por que fazer esta actividade? (Objectivos)
Duração (aprox.)
• Para criar competências e estratégias para ser cooperativo e lidar com as
questões que surgem quando a sua mulher ou parceira grávida lhe diz que está
seropositiva, ou quando descobre que está seropositivo.
30–40 minutos
• Para incentivar a revelar o seu estado ao parceiro.
• Para desenvolver competências e estratégias para lidar com outras questões de
relacionamento que afectem a transmissão de pais para filhos e a sua prevenção.
Secção C: Compreender a PTPF
10 A PTPF durante
a gravidez e o
parto
• Para explicar como ambos os pais podem ajudar a impedir a transmissão do VIH
ao bebé durante a gravidez, o parto e os primeiros tempos de vida.
30–40 minutos
• Para esclarecer a importância de evitar a infecção /reinfecção de VIH durante
a gravidez.
• Para esclarecer por que razão, sem tratamento, há um risco significativo de
transmissão do VIH durante o parto.
• Para explicar como o uso de ARVs (tais como Nevirapine) pode reduzir
drasticamente o risco de infecção durante o parto.
11 Opções de
alimentação
de crianças de
tenra idade
• Para dar informação de base sobre riscos e vantagens de diversas opções para
alimentar as crianças muito jovens, e outras questões que essas opções colocam.
30–40 minutos
• Para esclarecer a importância de apoiar a mãe para se manter fiel à opção
alimentar que escolher e evitar uma alimentação mista.
• Para incentivar mulheres grávidas vivendo com o VIH e os seus maridos/parceiros
a procurar aconselhamento profissional sobre a opção para alimentação do
seu bebé.
Secção D: Criar valores, crenças, competências e estratégias
para a PTPF
12 Qual é a minha
posição?
15–60 minutos
• Para explorar algumas das nossas crenças, valores e atitudes que podem ter
impacto na prevenção da transmissão do VIH de pais para filhos.
• Para pôr em causa e mudar algumas crenças prejudiciais que possamos ter sobre
relações, VIH, ter filhos e alimentar crianças jovens.
13 A história dos
“guarda-chuvas”
• Para esclarecer que o uso de preservativos pode ser compatível com princípios e
ensinamentos cristãos relativos a amar o próximo e cuidar de forma responsável
da sua própria saúde e da saúde dos outros, em particular do seu parceiro e
do seu filho.
60–75 minutos
14 Como usar um
“guarda-chuva”
• Para esclarecer o que são preservativos, quais os vários tipos que se encontram e
como os usar.
20–30 minutos
• Para garantir que os participantes saibam onde podem obter preservativos
localmente.
• Para dar aos participantes competências e confiança para usar devidamente um
preservativo masculino.
15 Dramatizações
para tratar outras
questões de
relacionamento
• Para construir competências e estratégias para os participantes lidarem com
questões particulares das relações que possam estar relacionadas com PTPF.
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20–40 minutos
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SECÇÃO
A
Actividade
Uma visão para a minha família
1 O meu futuro com crianças
saudáveis
Por que fazer
esta actividade?
Resumo
Tempo
Materiais
Para imaginar o futuro que cada um de nós quer, para nos ajudar a focalizar e a motivar para
fazer alguma coisa para nos mantermos saudáveis e impedirmos a transmissão do VIH aos
nossos filhos.
Cada participante imagina o futuro que quer, que pode incluir ser pai/mãe ou avô/avó com filhos
ou netos felizes e saudáveis. Depois, identifica acções que levará a cabo para tornar realidade
esta visão de futuro, incluindo garantir a saúde dos filhos na era do VIH.
30–40 minutos
– Uma caneta para cada participante
– Fotocópias da Ficha 1, Perguntas de avaliação para os participantes
Como preparar
Leia as notas gerais sobre Como ser um bom facilitador (páginas 9–13).
Faça fotocópias da Ficha 1, página 14 – em número suficiente para dar uma a cada participante.
Como dirigir esta actividade
Passo 1
Use um quebra-gelo
Use um dos quebra-gelos o e revigoradores do Anexo 1 (páginas 86–88). O quebra-gelo “Chamome… e gosto de…” é um bom exercício para começar. Abra com uma oração, se tal for apropriado.
Passo 2
Explique:
18
Introduza o programa Guardiães da saúde dos nossos filhos
O que se pretende com o programa Guardiães da saúde dos nossos filhos é alcançar os sonhos e visões
que temos para as nossas famílias – assegurar que as crianças nasçam saudáveis e assim continuem. Na
nossa qualidade de Guardiães da saúde dos nossos filhos, há muitas coisas que os homens (assim como
as mulheres) podem fazer para que estes sonhos se tornem realidade, quer estejam ou não vivendo com
o VIH. Participando nas divertidas actividades e discussões deste programa, aprenderão como cada um
de vocês pode ajudar a impedir a transmissão do VIH e a garantir a saúde da sua família, dos seus filhos e
a sua própria saúde.
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Passo 3
Participantes preenchem o questionário (Ficha 1 do material de apoio)
Distribua a cada participante uma cópia da Ficha 1, Perguntas de avaliação para os participantes.
Empreste uma caneta ou um lápis a quem não tiver.
Explique:
Passo 4
Para nos ajudar a avaliar o programa, vamos pedir-vos a todos que preencham este questionário
agora no início do programa e depois outra vez no fim. Por favor, respondam honestamente a todas
as perguntas da ficha e entreguem-na. Não ponham o vosso nome no papel – as vossas respostas são
confidenciais e ninguém saberá quem deu cada resposta.
As pessoas da Bíblia que tiveram uma visão ou um sonho
Pergunte aos participantes se se lembram de uma pessoa da Bíblia que tenha tido uma visão ou um
sonho. Se não se lembrarem de nenhuma, sugira algumas das seguintes pessoas:
Passo 5
Explique:
■
Abraão: deixar a sua terra e ir para Canaan (Génesis 12:1-4)
■
Moisés: libertar os israelitas do Egipto (Êxodo 3:2-12)
■
Neemias: reconstruir a cidade de Jerusalém (Neemias 2:5)
■
Salomão: construir o templo (1 Reis 5:3-5)
■
José: tornar-se governante (Génesis 37:6-7, 9)
Imagine o futuro que quer
Quero que cada um de vocês imagine o futuro que quer daqui a cinco anos. Em que ano estaremos
então? O que gostariam de estar a fazer nessa altura? Se já têm filhos agora, imaginem como eles serão
dentro de cinco anos, crescendo fortes e saudáveis. Se querem ter mais filhos (ou netos) saudáveis nos
próximos cinco anos, imaginem essas crianças.
Faça os participantes relaxarem o mais possível, porque a imaginação trabalha mais livremente
quando estamos relaxados. Com uma voz suave e calma, leia lentamente o que se segue, ou use as
suas próprias palavras.
Diga:
Ponha-se à vontade e descontraia-se. Talvez fechar os olhos o ajude. Imagine como gostaria que fosse
o futuro, talvez daqui a cinco anos. Imagine que está lá agora. Você e a sua família estão todos muito
saudáveis e tudo na vida lhe corre bem. O que vê? O que está a fazer? Quem está lá consigo? Quantos
filhos ou netos tem agora? O que estão a fazer? O que estão a dizer? Se já tem filhos ou netos jovens,
imagine que agarra num deles e o segura nos seus braços. Como se sente?
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Passo 6
Os participantes partilham as suas visões de futuro
Peça a um ou dois voluntários para descrever para todo o grupo como imaginam o futuro, como se
lá estivessem agora. Devem começar dizendo “Estamos agora em 2015…” (ou o ano que tenham
imaginado).
Agora, peça a todos os participantes para experimentarem o mesmo exercício…
Diga:
Juntem-se aos pares e, um de cada vez, descrevam um ao outro o futuro que querem. Descrevam-no
exactamente como o imaginaram, como se lá estivessem agora.
Passo 7
Planeamento de acção
Pergunte:
O que fizeram as diversas personagens bíblicas depois de terem tido um sonho ou uma visão?
Explique:
Moisés foi falar com Aarão. Neemias falou com o rei sobre a reconstrução de Jerusalém. Abraão levou a
mulher e os filhos. Todos nós precisamos de fazer coisas diferentes para fazer com que os nossos sonhos
e as nossas visões de futuro se tornem realidade.
Pergunte:
■
Que passos precisa de dar para alcançar a sua visão ou o seu sonho?
■
Quem precisa de ter a seu lado ou com quem precisa de falar?
■
Qual é a primeira coisa que vai fazer e quando é que a vai fazer?
Depois de dar tempo para pensar, peça aos participantes para formarem pares de novo e dizerem uns
aos outros pelo menos uma coisa que cada um deles fará.
Passo 8
Sublinhe que:
20
Resuma
É muito importante ter uma visão clara do futuro que queremos.
■
Quando não há visões proféticas, o povo corrompe-se (Provérbios 29:18)
■
É também fundamental planear e agir e fazer participar outras pessoas para que cada um de nós
consiga atingir a sua visão de futuro.
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Actividade
Por que fazer
esta actividade?
Resumo
Tempo
Materiais
2 O pai ou a mãe que quero ser
– Para identificar as características de um marido/pai bom e responsável na sua tradição.
– Para desenvolver uma forte afirmação pessoal de identidade acerca da paternidade/
maternidade, que ajude cada participante a preservar a sua saúde e a saúde da sua família.
Esta actividade discute características de bons pais e explora o modelo de comportamento de um
marido e pai bom e responsável na Bíblia. Cada participante cria e partilha uma afirmação que
reflicta o tipo de pai (ou mãe) que gostaria mesmo de ser.
30–40 minutos
Um flip chart ou um quadro para escrever
Como dirigir esta actividade
Passo 1
Diga:
Faça um brainstorming sobre as características de “bons” pais
Pensem em homens que sejam bons pais, ou em histórias que tenham ouvido sobre bons pais. Que tipo
de coisas fazem ou dizem? Que palavras os descrevem?
Se tiver acesso a um flip chart ou a um quadro, escreva as palavras que os participantes usarem para
descrever bons pais. Senão, faça uma lista numa folha de papel.
Passo 2
Explique:
Exemplo bíblico de um bom pai e marido
Um exemplo que temos na Bíblia de pais que trabalharam em conjunto na educação do filho é o de José
e Maria.
Leia Lucas 2:16, 21-24, 33, 39-51 (ou todo o capítulo).
Explique:
Lucas 2 mostra como, no nascimento de Jesus e ao longo da sua infância, José e Maria estavam
presentes os dois, apoiando-se mutuamente e partilhando as alegrias, responsabilidades e ansiedades
da paternidade e da maternidade. No versículo 33, “Os pais de Jesus estavam admiradíssimos com o que
Simeão dizia do menino”, quando o levaram juntos para o apresentarem a Deus.
Quando Jesus tinha doze anos, José e Maria viajaram juntos com Jesus para a festa da Páscoa em
Jerusalém, mas, quando ele ficou em Jerusalém, os seus pais voltaram juntos para o procurar. Quando
por fim o encontraram, diz Maria (versículo 48): “O teu pai e eu temos andado aflitos à tua procura!”.
Pergunte:
Que palavras usariam para descrever José no seu papel de pai?
Acrescente quaisquer descrições positivas adicionais de José como pai à lista de “Bons Pais”.
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Passo 3
Criar uma afirmação sobre o tipo de pai/mãe que quer ser
Explique que cada participante vai criar uma breve afirmação sobre o tipo de pai/mãe que quer
realmente ser.
Diga:
Pensem em duas ou três palavras que descrevam da melhor maneira o que queriam ser como pai/mãe.
Podem ser palavras como carinhoso, zeloso, responsável, brilhante, forte, orgulhoso, e dinâmico.
Podem também escolher palavras que vos agradem da lista dos “Bons Pais”.
(Leia esta lista em voz alta.)
Para participantes homens…
Diga:
Elaborem uma afirmação usando as palavras em que pensaram, que seja do tipo “Sou um pai ………….”
Por exemplo, “Sou um pai forte, zeloso, responsável.”
Se houver participantes mulheres…
Diga:
Criem uma afirmação usando as palavras em que pensaram, que seja do tipo “Sou uma mãe ………….”
Por exemplo, “Sou uma mãe fantástica, carinhosa.”
Esclareça que, embora a afirmação seja sobre o tipo de pai/mãe que se querem tornar, é bom fazê-la
no presente, quer dizer, “Sou…”, e não “Serei…”
Diga:
Pensem em alguém que realmente admirem como pai ou mãe. Os homens devem pensar em alguém
que admirem como sendo um grande pai. As mulheres devem pensar em alguém que admirem como
sendo uma grande mãe. Que palavras usariam para descrever esta pessoa e as suas qualidades como pai
ou mãe? É esse tipo de palavras que devem pensar utilizar na vossa própria afirmação.
Dê aos participantes cerca de dois minutos para elaborarem a sua própria afirmação. Para
participantes que tenham caneta e papel, sugira que eles a escrevam.
Passo 4
Diga:
Partilhar as afirmações uns com os outros
Imaginem que se tornaram o tipo de pai ou mãe que realmente querem ser. Têm os filhos que querem,
todos bem e de boa saúde. Levantem-se e formem pares. Em seguida, partilhem as vossas afirmações
uns com os outros, perguntando: “Quem é você?” A outra pessoa deve responder com a afirmação do
tipo de pai ou mãe que gostaria de ser. Depois separem-se, dêem uma volta para formar outro par e
repitam o exercício.
Faça você próprio uma demonstração, para deixar claro o exercício. Dê tempo às pessoas para o
repetirem com quatro ou cinco parceiros diferentes.
Peça aos participantes para decorarem a sua afirmação e para a repetirem para si próprios
regularmente. Sugira que pode ser bom para eles escreverem-na num lugar onde a venham a ler
muitas vezes ou, se tiverem um celular, transformarem-na num ecrã de pausa.
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Passo 5
Estudo bíblico – O que significa agir contraculturalmente
Leia Mateus 1:18-21.
Explique/discuta:
José está numa posição difícil. Está noivo de Maria. Ela revela que está grávida – e ele não é responsável!
O que deve ele fazer? A tradição diz que ele deve romper o noivado; talvez tentar recuperar o dote que
foi pago. Maria seria considerada um produto estragado.
Mas recebe a visita de uma anjo que lhe diz a verdade sobre a criança que está a ser concebida dentro de
Maria. José acredita no que lhe é dito. Contra toda a tradição e todos os costumes, a partir daí ele cuida
de Maria e casa com ela, por muito que não seja dele que ela está grávida. É-nos dito que o casamento
só se consuma depois do nascimento.
O que dirão as pessoas? Virarão a cara para o outro lado? Farão troça? Haverá rejeição? O que farão?
Mas José acreditava que a sua honra e o seu estatuto lhe vinham de Deus, não do que os outros
pensavam e diziam dele. Isto deu-lhe coragem para agir contraculturalmente.
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Actividade
Por que fazer
esta actividade?
3 Quem faz o quê?
– Para explorar percepções e ideias sobre os papéis de mulheres e homens e como eles podem ir
mudando ao longo do tempo.
– Para elaborar ideias para lidar com esses papéis.
– Para esclarecer que, para salvaguardar a saúde dos filhos, é importante os homens
participarem em actividades que têm tradicionalmente sido realizadas apenas por mulheres.
Resumo
Tempo
Materiais
Os participantes colocam os cartões de actividades, conforme a actividade seja realizada só
por homens, só por mulheres ou por homens e mulheres, e discutem as questões que surjam.
Discute-se primeiro como era há 20 anos, depois como é actualmente e, finalmente, como é que
devia ser no futuro, em termos ideais.
30–40 minutos
– Os três cartões com um homem, uma
mulher, e um homem e uma mulher juntos
– Os 16 cartões de actividades (desenhos
neutros do ponto de vista do género),
como este. Se os seus participantes não
compreenderem as palavras Clínica (neste
cartão) e ATS (noutro cartão de actividade)
cubra essas palavras colando-lhe um papel
por cima e escreva alguma coisa que eles
compreendam melhor.
Como dirigir esta actividade
Passo 1
Estudo bíblico – Maria e Marta
Peça a um participante para ler a seguinte passagem da Bíblia: Lucas 10:38-42.
Sublinhe que Jesus reprova Marta, dizendo “Andas preocupada e aflita com tantas coisas” e elogia Maria
por esta ficar “sentada aos pés do Senhor”. Jesus diz que Maria escolheu a melhor parte.
Pergunte:
O que é que Maria tinha estado a “fazer”?
Explique:
Nesta descrição, Maria é a aluna, Jesus é o professor. Isto pode não nos parecer estranho. Mas, no
tempo de Jesus, a educação, especialmente sobre as escrituras judaicas, era só para homens. As
mulheres não participavam a nenhum nível. Maria estava a sair das normas culturais. E ela sabia. Mais
importante, Jesus sabia isso e afirmou-o. “Maria escolheu a melhor parte”.
Com Jesus, os papéis tradicionais de género são postos de lado por uma boa razão – para incluir as
mulheres no seu ensino!
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Passo 2
Explique:
Introduza a actividade e distribua os cartões
O que se pretende com esta actividade é explorar e compreender os papéis de género na vossa própria
cultura, e como mudaram ao longo do tempo. Vamos começar por ver como era no passado, depois na
situação actual, e depois como gostaríamos que as coisas viessem a ser no futuro.
Distribua os 16 cartões de actividades a 16 participantes na sala. Se houver menos de 16 participantes,
dê dois cartões de actividades a alguns deles. Se houver mais de 16 participantes, sugira que as
pessoas os partilhem.
Disponha três cartões – um homem, uma mulher, e um homem e uma mulher juntos – na parte da
frente do espaço de formação.
Diga:
Os participantes colocam os cartões de actividades indicando como as
coisas eram há cerca de 20 anos
Pensem em como as coisas eram há cerca de 20
anos nas comunidades de onde vocês vêm – na
geração dos vossos pais. Discutam e coloquem o
vosso cartão de actividade do seguinte modo:
■
Se, há 20 anos, a actividade que o vosso cartão
mostra era sempre ou quase sempre realizada
por uma mulher, ponham-no ao pé do cartão
da mulher.
■
Se, há 20 anos, a actividade era sempre ou
quase sempre realizada por um homem,
ponham-no ao pé do cartão do homem.
■
Passo 4
Foto: Alice Fay/Tearfund
Passo 3
Usando “Quem faz o quê?” numa igreja em Nairobi.
Se, há 20 anos, tanto homens como mulheres
faziam esta actividade, ponham-no ao pé
do cartão que representa uma mulher e um
homem.
Facilite uma breve discussão sobre a situação de há 20 anos
Comente a colocação dos cartões…
Pergunte:
■
Todos concordam com a maneira como os cartões foram colocados?
■
Quem é que fazia que tipo de actividade há 20 anos?
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Passo 5
Os participantes discutem e colocam os cartões de actividades
relativamente ao presente
Apanhe todos os cartões de actividades e distribua-os de novo. Peça aos participantes para colocarem
outra vez os cartões de actividades, tendo em conta o que acontece presentemente na sua família ou
comunidade.
Passo 6
Facilite uma discussão sobre a situação actual
Facilite uma discussão em grupo sobre os resultados, usando perguntas como:
Passo 7
■
Todos concordam com a maneira como os cartões foram colocados?
■
Que cartões de actividades mudaram de lugar, comparando com há 20 anos? Por que pensam que
isto acontece?
■
É diferente para a vossa geração, se compararmos com a geração dos vossos pais ou dos vossos
avós?
■
A nossa cultura pode mudar relativamente a diferenças entre homens e mulheres?
■
A Bíblia mudou alguma coisa na vossa cultura? Se sim, como?
■
Uma criança é considerada como pertencendo à mãe, ao pai ou a ambos?
■
Com que idade começa o pai a interessar-se pela criança?
Discussão sobre ideais para o futuro
Peça aos participantes para pensarem sobre como deveriam ser as coisas no futuro, em termos ideais.
Pergunte/discuta:
■
O que acham da maneira como as tarefas são distribuídas entre homens e mulheres?
■
Como é que pensam que as mulheres gostariam que fosse?
■
Como é que pensam que os homens gostariam que fosse?
■
Para os homens serem guardiães eficazes da saúde dos filhos, há algumas actividades em que
deveriam participar mais?
Sempre que um participante fizer uma sugestão de como algo deveria, em termos ideais, mudar
e ser diferente, convide-o a vir mover o cartão de actividade em questão para onde ele acha que
devia estar.
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SECÇÃO
B
Actividade
Por que fazer
esta actividade?
Resumo
Tempo
Materiais
E se estiver um de nós, ou os dois,
vivendo com VIH?
4 Queimada descontrolada
– Para demonstrar como o VIH (e outras ISTs) se podem espalhar numa comunidade.
– Para levar os participantes a pensarem sobre os riscos e implicações que o VIH pode ter para
eles pessoalmente.
Esta actividade mostra como o VIH se pode propagar numa comunidade, usando um aperto de
mão fora do vulgar para representar sexo sem protecção. A actividade introduz o debate sobre a
transmissão do VIH, o risco pessoal e a realização do teste de VIH.
30–40 minutos
– Papel liso
– Tesouras
Como preparar
Corte bocadinhos de papel em número suficiente para dar um a cada participante. Faça
metade em forma de quadrado e outra metade em forma de triângulo. Se houver menos de 20
participantes, escreva o número 0 (zero) em dois bocados de papel, o número 1 noutros dois
bocados e um X noutros dois bocados mais. (Se houver mais de 20 participantes, escreva o
número 0 em quatro bocados, o número 1 em quatro bocados e um X em dois bocados.) Dobre
todos os papelinhos e coloque-os numa caixa, num saco ou um numa tigela.
Faça fotocópias (para participantes alfabetizados, que achem isso útil) da Ficha 2, VIH e
SIDA: informação básica, na página 30.
Como dirigir esta actividade
Passo 1
Distribua os papelinhos
Faça passar de mãe em mão o recipiente com os papelinhos e peça a cada participante para tirar um
e o abrir.
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Passo 2
Façam o exercício de apertar a mão
Explique e demonstre a maneira que se segue de cumprimentar outras pessoas, que é interessante
e divertida.
Diga:
Agarre no nariz ou no queixo com a mão esquerda, passe o braço direito no espaço criado pelo
seu braço esquerdo e aperte com a sua mão direita a mão direita de outra pessoa que esteja a fazer
o mesmo.
Faça uma demonstração deste aperto de mão com um co-facilitador ou um participante.
Diga:
Se tiverem 0 no vosso papelinho, não devem apertar a mão a ninguém, só acenar com a mão e dizer olá.
Se tiverem um 1 no papelinho, só podem apertar a mão a uma pessoa. Se o vosso papelinho não tiver
nada escrito ou se tiverem um X, podem usar este novo tipo de aperto de mão com três outras pessoas
no máximo. Isto é voluntário – podem recusar-se a apertar a mão a uma pessoa, se não quiserem. Toda
a gente começa a andar e começa a apertar mãos agora.
Quando tiverem acabado, peça a todos os participantes para voltarem para o espaço de formação.
Passo 3
Explicar e discutir o significado deste exercício
Peça às duas pessoas que têm um X no papelinho que tiraram para virem para a parte da frente do
espaço de formação.
Diga:
Imagine, só para este jogo, que estas duas pessoas estavam seropositivas à partida. Todos os outros
estavam seronegativos. Neste jogo, cumprimentar alguém desta maneira pouco habitual representa
ter sexo desprotegido com essa pessoa. Então, quem tiver cumprimentado um deles, neste jogo, “teve
sexo desprotegido” e expôs-se ao risco de infecção de VIH. As pessoas que apertaram as mãos a estas
pessoas podem avançar e juntar-se a nós aqui à frente.
Vire-se então para os que estão ainda lá atrás no espaço de formação…
Diga:
Quem tiver cumprimentado alguém que esteja aqui à frente, pode vir para a frente também, por
favor. Segundo este jogo, vocês também se expuseram a algum risco de infecção de VIH, porque
“tiveram sexo desprotegido” com alguém que também “teve sexo desprotegido” com alguém que está
seropositivo.
Photo: Jay Butcher/Tearfund
Nesta altura, a maior parte dos participantes deve encontrar-se já à frente do espaço de formação.
Nas actividades da “Queimada descontrolada” há que cumprimentar pessoas de uma maneira nova.
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Pergunte:
Pergunte/discuta:
Explique:
Com quantas pessoas “teve sexo desprotegido” (isto é, a quantas apertou a mão)?
■
Se alguém disser “Com ninguém”, (por exemplo, quem tinha 0 no papelinho que tirou), explique
que essa pessoa ou “se absteve” ou que usou sempre um preservativo da maneira correcta de
todas as vezes que teve sexo. Pergunte como se sentiu essa pessoa quando recusou apertar a
mão a alguém que lhe queria apertar a mão a ela.
■
Se uma pessoa tiver apertado a mão só a uma pessoa (por exemplo, quem tinha 1 no papel que
tirou), diga que essa pessoa foi “fiel”, mas pode ainda estar em risco de infecção se o parceiro
“teve sexo” com outras pessoas.
■
Pergunte se alguém “teve sexo” com (apertou a mão a) mais do que três pessoas (o máximo,
segundo as instruções). O que levou a isso? Foi porque ainda havia outras pessoas a fazê-lo e a
pessoa se sentiu pressionada a fazer o mesmo ou porque era divertido? Foi porque não queria
ofender ninguém recusando? Como se relaciona tudo isto com a vida real?
■
Quantas pessoas estavam originalmente “infectadas com o VIH”?
■
Quantas estão agora em risco de infecção?
■
O que nos diz isto sobre o modo como o VIH se pode espalhar na nossa comunidade?
Segundo este jogo, as relações sexuais puseram muitos de vocês em risco de infecção de VIH. Vimos
como a infecção de VIH pode alastrar como uma queimada descontrolada. Mas não sabem se estão de
facto vivendo com o VIH ou não.
Recolha os papelinhos que deu aos participantes no início da actividade.
Passo 4
Dê informação básica sobre o VIH e a SIDA
Assegure-se de que os participantes conhecem os factos básicos sobre o VIH e a SIDA. Faça perguntas
e clarifique as respostas usando as notas da Ficha 2 do material de apoio, na página 30:
Pergunte:
■
De que maneiras é que o VIH pode ser transmitido?
■
De que maneiras é que o VIH não pode ser transmitido?
■
Resuma a diferença entre o VIH e a SIDA.
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Ficha 2
VIH e SIDA: informação básica
Como se espalha o VIH
O vírus da imunodeficiência humana (o VIH) vive no corpo humano. Eis as únicas maneiras como o
VIH pode ser transmitido:
ATRAVÉS DE SEXO DESPROTEGIDO Sexo é a maneira mais comum de o VIH se espalhar em África.
Pode ser transmitido durante sexo vaginal desprotegido (sem preservativo) entre um homem e uma
mulher. O VIH pode também ser transmitido de homem para homem ou de um homem para uma
mulher que façam sexo anal sem preservativo (quando o pénis de um homem penetra o ânus de outra
pessoa) ou através de sexo oral (lamber ou chupar os órgãos sexuais de outra pessoa).
TRANSMISSÃO DE PAIS PARA FILHOS Os bebés podem ser infectados no útero, durante o parto ou
através do leite materno, se a mãe estiver vivendo com o VIH. Isto não acontece sempre e há muitas
coisas que tanto homens como mulheres podem fazer para reduzir o risco de isto acontecer.
ATRAVÉS DO SANGUE Se se fizer uma transfusão de sangue tirado a uma pessoa com VIH para uma
pessoa que não esteja infectada, essa pessoa contrairá também o VIH. O sangue doado é sempre
testado para ver se tem VIH e é deitado fora se estiver infectado.
ATRAVÉS DE AGULHAS E LÂMINAS O VIH pode também ser transmitido através de agulhas para
injecção ou de lâminas que tenham sido usadas noutra pessoa com VIH, se não forem esterilizadas.
O VIH pode também ser propagado através das tatuagens tradicionais ou de cerimónias de
circuncisão, se for usada a mesma lâmina para várias pessoas, uma a seguir à outra.
Como o VIH não se propaga
O VIH só se encontra em quantidades suficientes para se transmitir no sangue, no sémen, no fluido
vaginal e no leite materno. (Saliva, suor e lágrimas não contêm VIH suficiente para infectar outra
pessoa.) O VIH tem de entrar noutra pessoa para causar infecção. O VIH não se transmite beijando,
abraçando, dando a mão ou apertando a mão, partilhando sanitas, indo à escola ou trabalhando
juntos, partilhando roupa, partilhando comida e bebidas, espirrando, tossindo, nem através de picadas
de mosquito.
A diferença entre o VIH e a SIDA
O VIH (o vírus) ataca e reproduz-se usando células brancas específicas do sangue no corpo humano
(células CD4). Durante vários anos após a infecção, a pessoa pode ter um aspecto saudável e não ter
sintomas, uma vez que o seu sistema imunitário continua forte. O VIH, porém, acaba por debilitar o
sistema imunitário do corpo a um ponto tal que outras infecções oportunistas e doenças podem
facilmente entrar no corpo e lá permanecer. Chama-se a isto SIDA (síndroma da imunodeficiência
adquirida). Com acesso a tratamento e boa nutrição, é possível sair deste estado e voltar a um estado
de vida saudável com o VIH.
Anti-retrovirais (ARVs)
Existem medicamentos chamados anti-retrovirais (ARVs) que uma pessoa vivendo com o VIH pode
começar a tomar quando o seu sistema imunitário fica demasiado fraco para combater outras
infecções e começa a desenvolver SIDA. Os ARVs podem ajudar o sistema imunitário do corpo a
recuperar durante algum tempo, reduzindo a quantidade de VIH no corpo, às vezes a um nível tão
baixo que os testes de VIH não o conseguem detectar. O VIH, no entanto, permanece no corpo e, se a
pessoa deixa de tomar os ARVs, o VIH que tem no corpo aumenta de novo.
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Quando uma pessoa começa a tomar ARVs, se os continuar a tomar diariamente como receitado,
pode muitas vezes manter-se forte e saudável durante muitos anos mais.
O VIH ou a SIDA podem ser curados?
Há muitas coisas que alguém vivendo com o VIH pode fazer para permanecer saudável e viver uma
vida mais longa. No entanto, não se conhece actualmente cura para o VIH que consiga matar o vírus
e erradicá-lo permanentemente do corpo através de tratamento e medicação. Os ARVs actuais têm de
ser tomados toda a vida para manterem o VIH sob controlo.
Há curandeiros tradicionais que afirmam conseguir curar o VIH e a SIDA e há líderes de igrejas que
afirmam conseguir curar o VIH através de curas de fé. Embora não possamos negar a possibilidades de
um milagre dessa natureza, não há casos provados e cientificamente confirmados ou documentados.
Devemos sempre tentar fazer a proveitosa distinção entre cura e cura física definitiva, no que respeita
ao VIH e à SIDA. Cura pode incluir várias formas – cura psicológica, cura emocional, cura espiritual,
cura nutricional, reparação e restauro do sistema imunitário, etc. Todas estas formas de cura podem
resolver problemas de saúde causados por preocupação constante, ansiedade, depressão e privação
crónicas, etc.
Quando as pessoas oram, procuram saúde mental, corporal e espiritual. Deus deu-nos também
o necessário à nossa saúde através de comida, água e medicamentos – incluindo ARVs. Quando
os cristãos oram e tomam ARVs, podem levar vidas saudáveis e gratificantes, por muito que ainda
tenham o VIH no corpo. É esta a diferença entre cura e cura física definitiva. É, pois, muito
importante que os líderes da fé não desaconselhem os ARVs, mas incentivem antes os membros
da sua comunidade vivendo com o VIH ou que estejam doentes com SIDA – e as pessoas que deles
cuidam – a procurar cura holística através de oração, amor, aceitação, misericórdia e perdão, cuidado,
apoio e tratamento ARV. O Deus dos milagres espirituais e emocionais é o mesmo Deus que permite
as descobertas científicas que nos ajudam a prevenir, adiar e controlar doenças e mortes relacionadas
(e não relacionadas) com o VIH e a SIDA.
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Actividade
5 Avaliação do risco pessoal de
VIH
Por que fazer
esta actividade?
– Para ajudar os participantes a avaliarem a sua vulnerabilidade à infecção do VIH.
– Para esclarecer os diversos tipos de risco que podem levar à infecção de VIH.
– Para esclarecer que a infecção de VIH não implica forçosamente imoralidade sexual.
– Para ajudar os participantes a reconhecer a importância da testagem de VIH, uso de
preservativos e outras práticas mais seguras quando se é casado.
Resumo
Tempo
Materiais
O facilitador faz aos participantes uma série de perguntas sobre o seu comportamento e
experiências passadas. Cada participante pontua secretamente as suas próprias respostas,
conforme elas sugiram ou não a possibilidade de transmissão do VIH.
20–30 minutos
Uma caneta e uma pequena folha de papel para cada participante. (Também podem dar pontos
usando os dedos.)
Como dirigir esta actividade
Passo 1
Distribua canetas e papel
Distribua canetas e papel a todos os participantes (opcional).
Passo 2
Diga:
Explique as instruções e as regras
Vou fazer a cada um de vocês algumas perguntas sobre as vossas experiências passadas. Dêem a cada
resposta ou 10 pontos ou 0 pontos. Ou escrevem a vossa pontuação ou, se não tiverem caneta e papel,
podem tomar nota dos pontos com os dedos. Este exercício é estritamente confidencial – ninguém
pode ver o que a outra pessoa está a escrever e devem usar um papel que depois possam deitar fora.
Cada resposta “Sim” vale 10 pontos e cada resposta “Não” vale 0 pontos.
Se não tiverem a certeza se a resposta é “Sim” ou “Não”, marquem 10 pontos.
Pensando sobre a vossa vida passada, respondam honestamente às perguntas que se seguem.
Passo 3
Faça as perguntas
Leia as perguntas todas, fazendo pausas entre elas, de modo a que os participantes possam pensar e
tomar nota da sua pontuação.
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Pergunta 1
Nasceu depois de 1981?
Se “Sim”, marque 10 pontos (ou levante um dedo). Se “Não”, marque 0.
Pergunta 2
Você (ou o seu parceiro sexual) já alguma vez recebeu uma transfusão de sangue?
Se “Sim”, marque 10 pontos (ou levante um dedo). Se “Não”, marque 0.
Pergunta 3
Você (ou o seu parceiro sexual) já alguma vez recebeu injecções de uma pessoa que não fosse um
profissional de saúde, que possa não ter esterilizado os utensílios?
Se “Sim”, marque 10 pontos (ou levante um dedo). Se “Não”, marque 0.
Pergunta 4
Você (ou o seu parceiro sexual) já alguma vez partilhou com alguém instrumentos para furar, penetrar
ou cortar a pele?
Se “Sim”, marque 10 pontos (ou levante um dedo). Se “Não”, marque 0.
Pergunta 5
Já alguma vez teve relações sexuais?
Se “Sim”, marque 10 pontos (ou levante um dedo). Se “Não”, marque 0.
Pergunta 6
Já alguma vez teve relações sexuais com alguém (a sua mulher, o seu marido ou outra pessoa) que já
tivesse tido relações sexuais com outras pessoas?
Se “Sim”, marque 10 pontos (ou levante um dedo). Se “Não”, marque 0.
Pergunta 7
Já alguma vez teve relações sexuais com mais do que um parceiro sexual ?
Se “Sim”, marque 10 pontos (ou levante um dedo). Se “Não”, marque 0.
Pergunta 8
Já alguma vez esteve longe do seu parceiro sexual (por motivos de negócios, educação, viagens,
trabalho, estudo, etc.) e depois reatou uma relação sexual com ele ou ela ao fim de algum tempo?
Se “Sim”, marque 10 pontos (ou levante um dedo). Se “Não”, marque 0.
Pergunta 9
Já alguma vez teve uma IST (infecção sexualmente transmitida, às vezes também chamada DST,
“doença sexualmente transmitida”)?
Se “Sim”, marque 10 pontos (ou levante um dedo). Se “Não”, marque 0.
Pergunta 10
Teve relações sexuais com alguém antes de se casar? Se ainda não se casou, já alguma vez teve
relações sexuais?
Se “Sim”, marque 10 pontos (ou levante um dedo). Se “Não”, marque 0.
Pergunta 11
O seu parceiro sexual teve relações sexuais com outra pessoas antes de se casar consigo? Se não se
casou ainda, mas tem namorado/a ou noivo/a, há alguma possibilidade de ele ou ela ter tido relações
com outras pessoas?
Se “Sim”, marque 10 pontos (ou levante um dedo). Se “Não”, marque 0.
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Explique:
Pergunta 12
Se tiver tido 0 pontos em todas as perguntas até agora, não precisa de responder à Pergunta 12 e a sua
pontuação total será 0. Se a sua pontuação total até agora for de 10 ou mais, ou se tiver levantado um
ou mais dedos, responda à próxima pergunta confidencialmente e com honestidade.
Já alguma vez teve relações sexuais com o seu parceiro sexual ou a sua parceira sexual sem usar
correctamente um preservativo?
Se “Sim”, marque 10 pontos (ou levante um dedo). Se “Não”, marque 0.
Passo 4
Diga:
Resuma e discuta o que os participantes aprenderam
Faça em segredo a soma da sua pontuação. Se estava a contar pelos dedos, multiplique por 10 o
número de dedos que levantou. Por exemplo, se levantou seis dedos, a sua pontuação é de 60.
Se teve 0 pontos em todas as perguntas, não está ainda em risco de infecção de VIH.
Se teve uma pontuação total de 10 pontos ou mais, ou se levantou um ou mais dedos, pode
encontrar-se em risco de infecção de VIH. Quanto mais alta for a sua pontuação, maior é o seu risco.
Pode até estar vivendo com o VIH e transmiti-los às pessoas que lhe são queridas. Tem de fazer um
teste de VIH e ficar a saber a verdade.
Faça uma pausa de um minuto, para os participantes reflectirem, e faça em seguinte as seguintes
perguntas:
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■
O que sente relativamente a este exercício?
■
O que aprendeu?
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6 Aconselhamento e testagem
Actividade
de saúde
Por que fazer
esta actividade?
– Para esclarecer o que implica o ATS (aconselhamento e testagem de saúde).
– Para os participantes ponderarem eles próprios algumas das questões implicadas no
aconselhamento e na testagem de VIH.
Resumo
Esta actividade ajuda os participantes a imaginarem como é passar pelo processo de ATS
(aconselhamento e testagem de saúde) e esclarece quais as implicações. (NOTE: Nalguns lugares,
o processo chama-se ATV, aconselhamento e testagem voluntária, e os centros são referidos
como GATV, gabinetes de aconselhamento e testagem voluntária.)
Tempo
30–40 minutos
Materiais
– Papel liso
– Tesoura
Como preparar
Corte bocadinhos de papel em número suficiente para dar um a cada participante. Faça metade
em forma de quadrado e outra metade em forma de triângulo. Dobre todos os papelinhos e
ponha-os numa caixa, num saco ou numa tigela. (Pode usar os mesmo papelinhos que usou na
Actividade 4, Queimada descontrolada.)
Faça fotocópias (para participantes alfabetizados, que a achem útil) da Ficha 3, Aconselhamento
e testagem de saúde, na página 38.
Descubra que centros de ATS (ou ATV) estão disponíveis localmente e que procedimentos usam
para aconselhamento e testagem de VIH. Se for possível, arranje folhetos sobre os serviços que
eles oferecem, para dar aos seus participantes. Pode também tentar combinar com um dos
conselheiros de um centro local de ATS para vir falar sobre ATS e os serviços que os centros
oferecem. Talvez até possam dar um serviço de aconselhamento e testagem logo após a sessão.
Faça você próprio o teste, se ainda não o tiver feito! Quando se lhes explica o ATS, os
participantes muitas vezes perguntam ao facilitador: “Você já foi fazer ATS?” Se puder
honestamente dizer “Sim, já fui” e falar sobre isso a partir da sua própria experiência pessoal, isso
dará credibilidade e impacto à sessão.
Como dirigir esta actividade
Passo 1
Discuta questões e preocupações da testagem de VIH
Esclareça que um teste de VIH é a única maneira de saber com certeza se tem ou não o VIH no corpo.
Pergunte:
■
O que acontece durante o ATS?
■
Em que precisa de pensar antes de fazer o teste?
■
Como se sentiria se o resultado do teste fosse negativo?
■
Como se sentiria se o resultado do teste fosse positivo?
■
A quem diria e como poderiam essas pessoas reagir?
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Peça às pessoas que tiverem dito que não fariam o teste para devolverem os papelinhos que lhes deu
e para darem um passo atrás. As pessoas que quiserem fazer o teste devem avançar, de modo a que
os dois grupos fiquem separados.
Passo 2
Imagine como é ir ao ATS
Peça aos participantes para imaginarem como é passar pelo processo de ATS, descrevendo-o com as
suas próprias palavras:
Diga:
Gostaria que se descontraíssem e imaginassem que vão fazer ATS. Vão ao aconselhamento pré-teste,
e depois dão uma amostra de sangue. A amostra de sangue é testada e vocês voltam para saber os
resultados. O vosso conselheiro convida-vos a entrar na sala de aconselhamento e pede-vos para se
sentarem. O conselheiro pergunta-vos se ainda querem saber o resultado. Se não quiserem saber o
resultado, levantem o braço.
Se alguém levantar o braço, peça-lhe para devolver o papelinho que lhe tinha dado e para se juntar lá
atrás ao grupo dos que escolheram não fazer ATS.
Passo 3
Dê os “resultados do teste”
Peça a cada participante que disser que quer saber o resultado do teste para pegar num dos
papelinhos dobrados.
Explique:
Imagine que o papelinho que tirou representa o seu resultado do teste. Abra-o. Ou é quadrado ou é
triangular. Uma dessas formas significa que o resultado do seu teste é positivo, a outra forma que o
resultado do seu teste é negativo. Como se sentiria se eu lhe dissesse que um quadrado significa um
resultado negativo e um triângulo significa um resultado positivo?
Pergunte:
Quem teve um resultado do teste negativo, como se sente? Quem teve um resultado do teste positivo,
como se sente? O que faria a seguir? A quem iria contar?
Depois, pergunte como se sentiriam as pessoas se os resultados fossem ao contrário, ou seja, se um
quadrado significasse um resultado positivo e um triângulo significasse negativo. Inclua na discussão
aqueles que “decidiram não fazer teste”, ou que não receberam o resultado.
Pergunte:
Como se sente agora não sabendo se tem VIH ou não?
Passo 4
Discuta onde é oferecida testagem
Descubra se os participantes sabem onde há ATS disponível na sua zona. Discuta que opções podem
os participantes ter para aceder ao ATS. Dê aos participantes o nome, a localização, o horário de
funcionamento e o preço dos centros de ATS. Tente também dar detalhes de centros noutras cidades
ou vilas fora da zona, para as pessoas que queiram ter garantia de confidencialidade.
Passo 5
O conselheiro de ATS apresenta informação, responde a perguntas e – se
disponível – oferece testagem (opcional)
Se tiver um conselheiro ou representante de um centro local que ofereça ATS, peça-lhe para descrever
os serviços oferecidos e responda a perguntas dos participantes. Se tiverem sido organizados serviços
móveis de aconselhamento e testagem de saúde, pode também explicar como os participantes
podem usar estes serviços.
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Passo 6
Estudo bíblico – A graça para enfrentarmos o medo
Leia Filipenses 1:12–14 e Mateus 26:36-42.
Discuta:
Pontos essenciais
■
Como é que Jesus descreve a sua alma? Por que acha que assim é? Pode imaginar que medo vai
sentir ao ir ao centro de ATS? Talvez já tenha ido. Pode descrever como foi ou como pode ser – na
noite anterior ou nesse dia?
■
Paulo foi preso. Jesus estava detido e prestes a ser crucificado. Cada um teve a sua razão para sentir
tristeza e medo. O que se passa nas nossas vidas que nos causa tristeza ou medo? E nas vidas da
nossa comunidade?
■
Como encaramos a libertação e a graça de Deus? Ao observarmos a vida de Jesus, ou de Paulo
quando estava preso, a graça nem sempre traz a mudança ou a libertação que poderíamos esperar.
Se é verdade que nem sempre faz que as nossas situações mudem, então o que é que a graça muda?
■
Quando for ou quando foi fazer um teste de VIH, como saberá ou como soube que a graça e a paz de
Deus estarão ou estavam consigo?
Jesus e Paulo sentiram tristeza e medo. Deus nem sempre traz a mudança ou a libertação que eu
possa querer ou esperar, mas a sua graça está sempre comigo para me ajudar a mudar as minhas
atitudes para comigo mesmo e o modo como lido com uma questão ou uma crise ou a enfrento.
Leia Job 32:1-8.
Discuta:
Pontos essenciais
Ninguém no Antigo Testamento sofreu tanto como Job – mas quais foram as atitudes e os comentários
dos seus amigos?
■
Porque é que Eliú se zanga com Job? Porque é que Eliú se zanga com os amigos de Job?
■
A quem é que Eliú atribui entendimento? Isso reflecte a forma como as coisas funcionam na nossa
comunidade – ficamos à espera que a idade ou a sabedoria falem primeiro?
■
Em que sentido é que as nossas comunidades reagem como Job ou como os amigos de Job em
relação às pessoas vivendo com o VIH ou ao teste de VIH?
■
Imagine que era um dos amigos de Job. O que diria?
■
É altura de falar com a sabedoria que provém de Deus? Como podemos conhecer essa sabedoria?
Job justifica-se com o facto que não ter pecado. Isto pode ser como alguém que diga que não
precisa de um teste de VIH porque não fez nada de mal.
Os amigos que condenam Job podem ser como membros da comunidade que se apressam a
condenar. No entanto, algumas pessoas vivendo com o VIH nunca tiveram relações sexuais ou
foram fiéis toda a vida ao marido ou à mulher.
Digam juntos:
Que a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo,
O amor de Deus
e a irmandade do Espírito Santo
estejam connosco, agora e para todo o sempre.
Ámen.
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Ficha 3
Aconselhamento e Testagem de Saúde (ATS)
Alguns hospitais e clínicas podem testar-lhe o sangue para ver se contém o VIH, e muitos países
africanos têm centros especializados oferecendo Aconselhamento e Testagem voluntária de Saúde
(ATS). Em muitos sítios, chama-se também Aconselhamento e Testagem Voluntária (ATV).
Quando o VIH entra no corpo, o corpo produz anticorpos para combater o VIH. É difícil de encontrar
o VIH propriamente dito, mas o teste pode detectar estes anticorpos. Se o teste for positivo, isso
significa que a pessoa tem o VIH no corpo. Não significa que a pessoa tenha SIDA.
Depois de a pessoa ser infectada com o VIH, os anticorpos de VIH podem levar até três meses a
desenvolverem-se e a aparecerem no teste. Chama-se a isto o período de seroconversão ou janela
imunológica. Se o resultado do seu teste for negativo para os anticorpos, pode ser porque está no
período de seroconversão e deve voltar a fazer o teste passados três meses, para se certificar.
Fazer um teste de VIH desencadeia muitas vezes sentimentos e emoções fortes e é muito importante
obter o aconselhamento adequado quando faz o teste.
Como funciona o aconselhamento e testagem de saúde?
Antes de ir fazer o teste de anticorpos de VIH, sozinho ou com o seu parceiro, passa algum tempo
com um conselheiro, que o ajudará a pensar sobre as suas questões e preocupações, e fará perguntas
do tipo:
■
O que fará se o teste revelar que está vivendo com o VIH?
■
O que fará se o teste não revelar traços de VIH no seu sangue?
■
Tem a certeza de que quer prosseguir e fazer o teste?
O conselheiro encontrar-se-á de novo consigo quando receber o resultado do teste e ajudá-lo-á a
considerar as implicações do resultado do seu teste de VIH e a planear o que fazer em seguida. Estas
discussões são confidenciais. O médico e conselheiro profissional não deve dizer a ninguém qual o
resultado do seu teste nem nada que lhe tenha dito a ele. Partilhar o seu resultado é uma decisão sua.
Algumas igrejas pedem aos casais um teste de VIH antes do casamento. É boa ideia, uma vez que é
importante os casais discutirem como lidarão com a questão, se um deles, ou ambos, estiver vivendo
com o VIH, e também como se protegerão mutuamente se ambos tiverem resultados negativos. No
entanto, as pessoas não deveriam ser forçadas a fazer testes. Se um casal efectivamente decidir fazer
o teste, é também decisão sua partilhar ou não os resultados.
Quem deve fazer aconselhamento e testagem de saúde?
Toda a gente. Ninguém tem a certeza de não ter o VIH sem ter feito um teste ao sangue. É bom saber
o seu estado – se estiver negativo, sabe que pode proteger essa sua condição e se estiver positivo
pode ser apoiado da maneira adequada e também proteger as outras pessoas da infecção.
Por que ir ao aconselhamento e testagem de saúde?
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■
Se souber que está vivendo com o VIH, há muitas coisas que pode fazer para permanecer
saudável, viver uma longa vida e conseguir ainda atingir os seus objectivos e realizar os seus
sonhos na vida.
■
Pode desfrutar de sexo, assegurando ao mesmo tempo que se se protege de reinfecção, e
protege os outros de contágio.
■
Se estiver à espera de bebé, há muitas coisas que pode fazer para minimizar a possibilidade de o
VIH ser transmitido à criança.
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Actividade
Por que fazer
esta actividade?
7 Consegue ver?
– Para pôr em causa as suposições que as pessoas fazem, com base na aparência física, sobre se
uma pessoa está vivendo com o VIH.
– Para esclarecer o que significa “viver positivamente” e para aprender que é possível viver uma
vida longa e saudável com o VIH.
– Para sublinhar a necessidade de fazer o teste para saber se está seropositivo.
Resumo
Os participantes vêem fotografias de pessoas e seleccionam quem pensam que esteja vivendo
com o VIH. Discutem as razões das suas escolhas. O facilitador conta então aos participantes
as verdadeiras histórias das pessoas das fotografias, a maior parte das quais está vivendo
abertamente com o VIH. Estes exemplos mostram que é possível viver uma vida longa e
saudável com o VIH e que não se pode ver pelo aspecto físico se uma pessoa está vivendo com
VIH ou não.
Tempo
30–40 minutos (60–90 minutos, se for incluído o Passo 4 – um orador que esteja vivendo com
o VIH)
Materiais
– Conjunto de seis fotografias de pessoas em formato A4
– Fotocópias da Ficha 4, Imagens e histórias de pessoas (opcional)
Como preparar
Se possível, organize a participação na sessão de uma pessoa vivendo com o VIH. Peça a essa
pessoa para falar aos seus participantes e para responder às perguntas que eles tenham. Deve
ser uma pessoa que esteja nessa altura saudável e tenha uma atitude positiva para com a vida e
abertura relativamente à sua condição de seropositiva.
Faça fotocópias da Ficha 4 (página 42) – opcional.
Como dirigir esta actividade
Os participantes seleccionam quem pensam que está vivendo com o VIH
Disponha as seis fotografias plastificadas de pessoas em
formato A4. Peça aos participantes para olharem para as
imagens e dizerem quem acham que esteja vivendo com
o VIH e quem acham que seja seronegativo. Peça-lhe
para porem dum lado as fotografias das pessoas que eles
pensam que estão vivendo com o VIH e doutro lado as
fotografias das pessoas que eles acham que não estão
vivendo com o VIH, deixando no meio aquelas de que
eles não têm a certeza.
Foto: Peter Labouchere
Passo 1
Usando a actividade “Consegue ver?” numa
igreja em Nairobi.
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Passo 2
Discussão
Peça aos participantes para explicarem por que seleccionaram as pessoas como “vivendo com o VIH”,
ou “não vivendo com o VIH”. Quando alguém disser, por exemplo, “Tem um ar triste – provavelmente
tem o VIH”, responda perguntando-lhe: “Então, se uma pessoa estiver com um ar triste, acha que ela
tem o VIH?” Da mesma forma, quando alguém diz “Parece muito religioso”, responda perguntando-lhe:
“Então uma pessoa que pareça religiosa não pode ter o VIH?” Isto leva os participantes a pensarem nos
juízos e nas conjecturas que fazem sobre a condição das pessoas no que diz respeito ao VIH.
Seleccione algumas das fotografias, uma por uma, e resuma as verdadeiras histórias destas pessoas,
usando a informação da Ficha 4 do material de apoio (página 42).
Mostre como é fácil os participantes enganarem-se ao julgar quem está e quem não está vivendo com
o VIH. Sublinhe que é impossível saber se uma pessoa está ou não seropositiva só olhando para ela.
Passo 3
Orador vivendo com o VIH (opcional)
Se tiver um orador que esteja vivendo aberta e positivamente com o VIH e que deseje partilhar as
suas experiências com o grupo, apresente-o e dê tempo para uma exposição, perguntas e discussão.
Passo 4
Discuta questões de justiça e VIH
Comente:
Muitas pessoas vivendo com o VIH estão preocupadas com questões de justiça relativamente a elas
próprias e às suas famílias. O Êxodo conta-nos a história de quando os judeus foram libertados do exílio
e da escravatura no Egipto. O profeta Amós escreveu no tempo em que os judeus estavam no exílio.
Leia Amós 5:24 e reflicta: “Quero, sim, que a justiça corra como as águas, e o que é recto como um
rio que nunca seca”. Miqueias tinha escrito uns 100 anos antes. Reflicta sobre Miqueias 6:8: “O que [o
Senhor] exige de ti é que pratiques a justiça, que sejas fiel e leal e que obedeças humildemente a Deus”.
O Profeta Isaías preocupa-se várias vezes com justiça. Descrevendo o “servo”, em 42:3 (que a maior
parte dos comentadores pensa que se trata de uma profecia sobre Jesus, 600 anos antes do seu
nascimento), Isaías escreve: “Não quebra a cana curvada, não apaga a mecha que ainda fumega.
Mas há-de promover o direito entre as nações”.
Reflicta sobre o que a justiça significa para a família afectada pelo VIH. Peça ao seu grupo que dê
ideias. Faça sugestões, como o direito a acesso a tratamento e o direito a não discriminação.
Passo 5
Ore e planeie maneiras de lidar com estas questões
Ore pelas questões de justiça que o grupo identificou.
Diga:
Cada um de vocês decide uma coisa que fará pessoalmente para fazer com que haja amor, apoio e
justiça para aqueles de nós que estão vivendo com o VIH.
Se sabe que está vivendo com o VIH, ou pensa que poderá estar, decida uma coisa que passará a fazer
de outra forma, para permanecer saudável e viver mais tempo.
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Passo 6
Dê a ficha do material de apoio com instruções
Se fez cópias da Ficha 4, Imagens e histórias de pessoas, dê-as aos participantes.
Explique:
Esta ficha é para vos recordar as pessoas e as suas histórias. Se a mostrarem aos vossos parentes, a
outros membros da igreja ou a amigos, tapem primeiro o texto e peçam-lhes para adivinhar quem está e
quem não está vivendo com o VIH, para eles poderem também dar-se conta dos preconceitos que têm.
Depois, revelem a história de cada pessoa.
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Imagens e histórias de pessoas
Foto: Ari Clowney/Tearfund
Ficha 4
Patricia Sawo fez um teste que a deu como seropositiva em 1999. Patricia é uma líder da igreja e
tinha antes estigmatizado as pessoas vivendo com o VIH. Patricia trabalha agora com líderes da igreja
no mundo inteiro para os ajudar a acabar com o estigma. Diz ela: “A igreja é a organização mais bem
colocada nestas comunidades para vencer a vergonha e para oferecer um lugar onde possam ir. No meu
trabalho com líderes da igreja, pergunto-lhes: Usa o VIH e a SIDA para controlar a sua congregação – ou
usa a sua congregação para controlar o VIH? Precisamos de dar informação rigorosa, reduzir o estigma,
dar cuidados e apoio e juntar-nos a outros que fazem este trabalho há anos. Juntos, podemos conseguir.”
Patricia mobilizou também a sua igreja para apoiar as pessoas vivendo com o VIH e por ele afectadas,
e ajuda-os a voltar a ter melhor saúde e a regressar às suas comunidades. Patricia é Embaixadora de
VIH da Tearfund.
Foto: Gisèle Wulfsohn
Foto: Strategies of Hope
O Reverendo Cónego Gideon Byamugisha (à direita) descobriu que estava
vivendo com o VIH em 1992 e declarou publicamente a sua condição em
1995. Trabalha como educador e activista em nome das pessoas vivendo com
o VIH, no Uganda e a nível internacional. Comenta ele: “Há tanta gente que
aceita que a SIDA anda por aí, mas não vai além disso e não faz nada para alterar
o seu próprio comportamento. Para ter uma atitude efectivamente aberta sobre
o VIH e a SIDA, tem de reconhecer que eles o podem afectar pessoalmente, que
pode estar em risco. E tem de agir em função disso, por exemplo, fazer o teste.”
Musa Njoko, a quem o VIH foi diagnosticado em 1995, é uma famosa
oradora, activista seropositiva, música, educadora, conselheira e empresária.
É uma das primeiras mulheres a revelar publicamente a sua condição de
seropositiva na África do Sul e tem feito uma notável contribuição, local e
internacionalmente, na área da saúde, especialmente no que respeita a VIH,
TB e saúde das mulheres. Musa é Embaixadora de VIH da Tearfund.
Foto: Gisèle Wulfsohn
Foto: Ian Pugh
Sala Dube (à direita), de 34 anos, é um jardineiro de Ntabazinduna no
Zimbabwe. É casado e tem um filho de sete anos. Sala fez um teste de VIH
em Novembro de 2008 (quando foi tirada esta fotografia) e o resultado do
teste foi negativo.
Valencia Mofokeng: “Quando me diagnosticaram o VIH, fiquei zangada e, pela primeira vez na minha
vida, pensei em suicidar-me. Creio que, por não ter dito nada a ninguém, me pus muito doente e deprimida.
Mal disse a toda a gente, fiquei aliviada e comecei a viver uma vida normal. Mas dizer às pessoas foi a coisa
mais difícil de fazer, porque não sabemos se nos vão aceitar ou não. Algumas pessoas diziam que eu era
uma mulher dissoluta, que andava a dormir com este e com aquele. Foi muito doloroso, porque eu era
fiel ao meu marido. Mas, de cada vez que falo com alguém, sinto-me bem. Desde que a aceitemos, é uma
doença como as outras. Desde que nos aceitemos a nós próprios, as pessoas aceitar-nos-ão.” Embora
tenha nascido quando Valencia já estava vivendo com o VIH, o filho dela é seronegativo.
Foto: Gisèle Wulfsohn
A David Patient, foi-lhe diagnosticado VIH em 1983, de modo que vive com o VIH há mais de 26
anos. Continua forte e saudável e é co-autor de vários livros, incluindo Positive Health (Saúde positiva).
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Actividade
Por que fazer
esta actividade?
8 Os meus apoiantes
– Para mostrar como é fácil estigmatizar outras pessoas e o que pode sentir a pessoa que está a
ser estigmatizada.
– Para reconhecer a importância de dar apoio a outras pessoas e o que acontece quando falta
esse apoio.
– Para identificar formas de reduzir o estigma relacionado com o VIH e apoiar as pessoas vivendo
com o VIH e por ele afectadas.
Resumo
Dividem-se os participantes em grupos de sete a dez participantes. Cada grupo forma um círculo
fechado. Todos os participantes vão ao meio, um de cada vez, e o resto do grupo segura-os
quando eles se inclinam para fora. Depois de várias pessoas terem experimentado, diz-se aos
membros do grupo para retirarem o apoio à próxima pessoa que vá ao centro.
Os participantes discutem como a pessoa no meio se sente quando é bem apoiada e quando
o apoio é retirado. Isto realça a importância de receber apoio dos amigos, da família e da
comunidade, e de aceitar e não estigmatizar nem estereotipar ninguém por estar vivendo com
o VIH ou por qualquer outra razão.
Tempo
Como preparar
45–60 minutos
Além de ler e compreender você próprio as notas de facilitação, precisará de ensinar
co-facilitadores a trabalhar com esta actividade, um para cada grupo de sete a dez pessoas.
Por exemplo, se tiver entre 21 e 30 participantes, isso dará três grupos, e precisará, portanto,
de dois co-facilitadores para o ajudarem.
Como dirigir esta actividade
Passo 1
Apresentar a actividade e organizar os grupos
Dê as boas vindas a todos e explique que vão participar numa actividade chamada “Os meus
apoiantes” em que se espera que cada pessoa dê apoio aos outros membros do grupo.
Divida os participantes em grupos de sete a dez pessoas. Como esta actividade implica contacto
físico, divida os participantes em grupos de um só sexo, com homens/rapazes num grupo e
mulheres/raparigas noutro grupo, se achar que os seus participantes não se sentirão à vontade em
grupos mistos.
Pergunte:
Quando pensa em “apoiantes” em que pensa? Num jogo de futebol, o que fazem os apoiantes pelos
jogadores?
As respostas podem ser que dão vivas, puxam pela equipa, motivam e inspiram os jogadores.
Diga:
Vamos criar um sistema de apoio uns para os outros. Estão prontos para se apoiarem uns aos outros nos
vossos grupos?
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Passo 2
Os facilitadores ensinam os seus grupos a serem bons apoiantes
Deve haver um facilitador a supervisionar cada grupo e a demonstrar esta actividade, sendo ele
próprio o primeiro a ir ao centro. Se for você o único facilitador, dirija um grupo de cada vez, com os
outros grupos a verem. Siga cuidadosamente os seguintes passos:
1 Cada facilitador fica no meio do grupo e pede aos participantes que façam um círculo apertado à
sua volta, ombro com ombro.
2 Diga aos participantes que lhes vai pedir para lhe servirem literalmente de apoio e para não o
deixarem cair ao chão quando se inclinar para cima deles.
3 Sublinhe que toda a gente tem de estar concentrada e atenta para este exercício ser seguro.
4 Mostre aos participantes a postura com um pé diante do outro e os joelhos ligeiramente dobrados,
inclinados para a frente, com os braços levantados e ligeiramente dobrados também. É esta a
posição que dá mais força para segurar alguém.
5 Fique no meio do círculo, muito direito, com os pés juntos, os braços dobrados sobre o peito e as
mãos nos ombros.
6 Faça a pergunta de controlo inicial: “Os meus apoiantes estão prontos?” Quando todos disserem
que sim, verifique se estão prontos e depois diga “Vou-me deixar cair”.
7 Escolha uma secção do círculo e deixe-se cair suavemente sobre ela. Todos os que estão nessa
parte do círculo devem ajudar a segurá-lo e a empurrá-lo suavemente para cima outra vez até ficar
de novo de pé e na posição vertical. (Deve haver pelo menos sempre duas pessoas que segurem a
pessoa que está no meio.)
8 Não mexa os pés e mantenha o corpo perfeitamente direito. Deixe-se cair numa direcção e depois
noutra, de maneira a dar a cada pessoa uma possibilidade de ajudar a segurá-lo. Estimule os
membros do grupo, se estiverem a fazer bem o seu papel. Diga-lhes que é uma actividade séria
com perigos reais, se deixarem cair alguém.
9 Continue até ter a certeza de que o grupo aprendeu bem a segurar alguém.
Passo 3
Os membros do grupo vão ao centro um de cada vez
Peça aos membros do grupo para ficarem no centro
do círculo um de cada vez e para serem “apoiados”
pelo resto do seu grupo. Peça ao primeiro voluntário
para ir para o meio e ficar de pés juntos, braços
dobrados sobre o peito e mãos nos ombros. O
facilitador passa agora a ser um dos apoiantes.
Antes de se deixar cair, a pessoa que está no centro
deve fazer a pergunta de controlo inicial: “Os meus
apoiantes estão prontos?”
Em plena actividade “Os meus apoiantes” em
Nairobi.
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Foto: Peter Labouchere
Os membros do grupo põem-se nas suas posições
de apoio, começando com as mãos muito perto
da pessoa que está no meio. Lembre toda a gente
de que deve manter os joelhos dobrados e o corpo
descontraído para servirem de “almofada de choque”
para a pessoa que se deixa cair.
Quando todos os membros do grupo que formam o círculo tiverem os braços levantados na posição
de preparados e responderem “Sim”, a pessoa no centro pode dizer “Vou-me deixar cair” e deixar-se
então cair.
Peça à pessoa que está no meio que feche os olhos quando se deixa cair. Peça a várias pessoas para
irem ao centro, mas só devem ir se quiserem – não as pressione nesse sentido.
Passo 4
Facilite uma discussão com o grupo inteiro
Use as seguintes perguntas para facilitar uma discussão geral sobre a experiência.
Passo 5
■
Como se sentiram quando estavam no meio e os ampararam?
Procure respostas como seguro, apoiado, confortável.
■
Quem são as pessoas na vossa vida que funcionam como vossos “apoiantes”?
As respostas podem ser: amigos, marido/mulher, outros familiares, vizinhos, outros membros da
igreja e líderes religiosos.
■
Como se sentiu sendo um dos apoiantes?
■
Quem são as pessoas na vossa vida que vocês apoiam? De que forma as apoiam (incluindo o seu
marido/mulher)?
Demonstre como uma pessoa se sente quando lhe é retirado o apoio
Convide um grupo a juntar-se a si para voltar a fazer a actividade e façam um círculo num lugar
onde todos os outros possam observar. Peça um voluntário para ficar no meio e faça a pergunta de
controlo. Depois, interrompa a actividade, explicando que vai introduzir algumas alterações.
■
Diga a dois ou três apoiantes para baixarem os braços e porem as mãos atrás das costas.
■
Diga a dois ou três apoiantes para darem um grande passo para trás.
■
Diga a dois ou três apoiantes para saírem do círculo e irem para os seus lugares.
Pergunte à pessoa que está no meio:
■
Está disposto a continuar com a actividade agora e começar a deixar-se cair, agora que só poucas
pessoas continuam a estar preparadas para o apoiar? (A pessoa recusará sem dúvida.)
■
Porque recusa?
■
Como se sente?
Pergunte a todos os participantes:
É isto que acontece quando as pessoas descobrem que um membro da família, um amigo ou um
colega da igreja ou do trabalho está vivendo com o VIH?…
■
■
Algumas pessoas deixam de oferecer apoio.
(Aponte para as pessoas com as mãos atrás das costas.)
■
Algumas pessoas distanciam-se da pessoa vivendo com o VIH.
(Aponte para os que deram um passo atrás.)
■
Algumas pessoas podem rejeitar essa pessoa e cortar o contacto com ela.
(Aponte para os que saíram do círculo e se foram sentar.)
Explique que se trata de vários exemplos de estigma externo – tratar alguém de uma forma diferente
ou injusta por causa de um rótulo (como “seropositivo”) que lhe foi posto.
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Passo 6
Pergunte/Discuta:
Passo 7
Diga:
Passo 8
Pergunte aos
participantes:
Explique:
Discussão: Como podemos dar melhor apoio às pessoas vivendo
com o VIH?
■
Quais são algumas das razões para as pessoas rejeitarem, julgarem, evitarem e vitimizarem quem
vive com o VIH?
■
Se descobrisse que está vivendo com o VIH, sentir-se-ia à vontade contando às outras pessoas da sua
igreja e procurando o apoio delas? Se não, porque não?
■
Será que os seus familiares, amigos e outros crentes se sentiriam à vontade para lhe contarem que
estão vivendo com o VIH? Se não, porquê?
■
O que é que precisa de ser mudado? O que podemos fazer, individualmente e como igreja, para
acolher melhor e apoiar mais as pessoas vivendo com o VIH?
Levar à prática bom apoio
Não queremos que a pessoa que está no meio seja deixada com o sentimento de desamparo. Então,
o grupo que retirou o apoio pode juntar-se e desta vez dar um apoio mesmo bom à pessoa que está
no meio?
Explique o auto-estigma e que não temos de aceitar as atitudes
estigmatizadoras dos outros
As acções estigmatizadoras dos apoiantes mudam a pessoa que está no meio?
Provavelmente, afectarão a maneira como se sente a pessoa que está no meio, mas não tem de ser
assim. As acções dos apoiantes só afectarão a pessoa que está no meio se ela aceitar as atitudes
estigmatizadoras dos apoiantes. Chama-se a isto auto-estigma ou estigma interno.
Não haverá auto-estigma, se a sua resposta for algo como: “Continuo a ser uma boa pessoa,
maravilhosamente criada e amada por Deus, independentemente de ter ou não algum VIH no corpo.
Se é essa a vossa atitude para comigo, o problema é vosso, não meu.”
Passo 9
Estigma e o Filho Perdido
Peça aos participantes para lerem Lucas 15:11-32.
Explique:
A parábola de Jesus do filho perdido dá exemplos de estigma, de auto-estigma e de aceitação sem
estigma.
Pergunte:
Quem é que, nesta história, revela auto-estigma?
Explique:
O filho mais jovem volta dizendo: “Pai, pequei contra Deus e contra ti; já nem mereço ser teu filho”. Se
ele continuar a dizer para si próprio coisas como “Não valho nada”, isso cria auto-estigma. Ele precisa
de aceitar o perdão do seu pai e que é maravilhosamente criado e amado pelo Pai, apesar dos pecados
que cometeu.
Pensem para vocês: Auto-estigmatizam-se por causa de coisas que fizeram ou disseram, ou que
aconteceram no passado? Ou aceitam que são maravilhosamente criados à imagem de Deus, que nos
ama profundamente e cuida profundamente de nós, e perdoará quando nos arrependermos?
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Pergunte:
Quem é que, nesta história, estigmatiza outra pessoa?
Explique:
É o irmão mais velho, que recusa ir cumprimentar o seu irmão mais novo.
Pergunte:
Quem é que aceita sem estigma?
Explique:
O pai, que, apesar de saber que o seu filho mais novo tinha esbanjado as suas posses numa vida
desregrada, até com prostitutas, teve compaixão e o recebeu de volta. Ele nem sequer espera que o
filho chegue à porta – corre a lançar-se-lhe ao pescoço e cobre-o de beijos.
Pergunte:
Com quem nos parecemos, individualmente e como igreja, para com as pessoas que sabemos ou
suspeitamos que estejam vivendo com o VIH, na maneira como julgamos o seu comportamento sexual?
Somos como o filho mais velho ou somos como o pai? Como podemos tornar-nos mais parecidos com
o pai?
Passo 10
O Bom Samaritano
Leia a história do Bom Samaritano, em Lucas 10, versículos 25-37, ou resuma-a apenas, se os seus
participantes a conhecerem bem.
Lembre ao grupo que, no tempo de Jesus, os samaritanos eram desprezados e marginalizados pelos
judeus. Eram considerados “pecadores”, por causa das suas origens. Nesta história, vemos uma pessoa
que é rejeitada pela sociedade ajudar ela própria outro ser humano necessitado.
Pergunte:
Há exemplos disto na nossa comunidade?
Peça aos participantes para reflectirem:
Pergunte:
Estariam preparados para fazer o que o samaritano fez ou prefeririam passar ao largo na estrada?
Pensem numa coisa que poderiam fazer na semana seguinte como “Bons Samaritanos”.
Passo 11
Encerre com oração
Encerre o encontro com uma oração, pedindo sabedoria e coragem para levarmos nós próprios à
prática a abordagem mostrada pelo Bom Samaritano e também pelo pai na parábola de Jesus do
Filho Perdido.
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Actividade
9 Dramatização da grávida e
seropositiva
Por que fazer
esta actividade?
– Para desenvolver competências e estratégias para ser cooperativo e lidar com as questões que
surgem quando a sua mulher ou parceira grávida lhe diz que está seropositiva.
– Para incentivar a revelar o seu estado ao parceiro.
– Para desenvolver competências e estratégias para lidar com outras questões de
relacionamento que afectem a transmissão de pais para filhos e a sua prevenção.
Resumo
Tempo
Materiais
O facilitador apresenta uma pequena dramatização, na qual uma mulher grávida diz ao marido
que fez um teste e está seropositiva. O actor que faz o papel do homem reage de uma maneira
que mostra claramente que ele é incapaz de apoiar a mulher ou lidar com as questões. Os
actores fazem a peça toda uma vez até ao fim. Depois, voltam a fazê-la, mas desta vez o público
é convidado a interromper a peça e a fazer sugestões do que o homem poderia fazer ou dizer de
outra forma. A peça continua depois usando estas sugestões.
30–40 minutos
– Dois “actores” (participantes ou co-facilitadores), de preferência um homem e um mulher
– Os cartões plastificados com desenhos de um homem e de uma mulher grávida
– Dois cordões (fios para pôr ao pescoço, com uma pinça)
Como preparar
Antes do início da sessão, peça a duas pessoas (participantes ou co-facilitadores) para serem os
dois actores. Explique-lhes como funciona esta actividade:
– Uma faz de mulher grávida que está aborrecida e preocupada, por ter recebido há pouco
tempo um resultado positivo de um teste de VIH. Diz ao marido (o outro actor) qual foi o
resultado do teste.
– O marido deve reagir de uma maneira muito pouco cooperativa para com a mulher e mostra
claramente que não está disposto a fazer o teste ele próprio, nem é capaz de lidar com as
questões que se levantam. Deve dizer e fazer coisas que estejam muito obviamente erradas,
que não ajudem nada ou que sejam inapropriadas.
Se possível, observe-os enquanto eles praticam, para se assegurar de que estão a fazer a peça
como quer que eles a façam. Assegure-se de que o homem faz e diz coisas que o seu público
seguramente pensará que estão erradas. A peça deve ser curta – deve ter só uma cena e durar
entre um e três minutos.
Explique-lhes que, da segunda vez, devem fazer a peça exactamente da mesma maneira, até
alguém do público a interromper e ser convidado a substituir o actor que faz o papel do homem.
Instrua a “mulher” para ficar muito perturbada com o resultado do teste, para que outros
“maridos” (do público) sejam desafiados a apoiá-la e a irem introduzindo ideias sobre vida
positiva. Ela deve também dizer ao “marido” que ele devia fazer o teste e que lhe disseram que
deviam usar preservativos (mas ela detesta preservativos, porque ela acha que é pecado usá-los
e que não dão prazer). Mais uma vez, isto desafia o “marido” a convencê-la de que deveriam usar
preservativos juntos, dando razões positivas.
Decida que passagem ou passagens da Bíblia usará no Passo 6: Estudo bíblico – Lucas 1:8-25
e/ou Lucas 1:26-45 e/ou Génesis 17:15-21; 21:1-7.
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Como dirigir esta actividade
Passo 1
Diga:
Resuma o argumento da peça
Imagine esta situação: você é um homem. A sua mulher está grávida. Ela vai à consulta pré-natal.
Quando volta a casa, diz-lhe que fez um teste de VIH e que deu positivo.
■
O que faria? O que diria?
■
Que reacção é normal entre homens na sua comunidade?
Facilite uma breve discussão sobre as reacções.
Passo 2
Faça a peça a primeira vez
Apresente a breve peça que os seus actores vão fazer. Ponha
os cordões com os cartões da mulher grávida e do homem ao
pescoço dos actores.
Ilustração: Theodore Mugolola
Os actores fazem a pequena peça toda a primeira vez, do
princípio até ao fim.
Quando acabar, diga ao público para aplaudir.
Pergunte:
Passo 3
■
O que acham da maneira como o homem se comportou?
■
O que é que o homem devia dizer ou fazer de outra maneira?
Façam a peça outra vez, com a participação do público para mudar
o desfecho
Explique ao público o que vai acontecer agora:
Diga:
A peça vai ser representada de novo, começando exactamente da mesma maneira, mas vocês
(o público) podem participar, alterando o que o homem faz e diz, de maneira que ele seja mais
cooperativo e mantenha uma boa relação com a mulher. Assim que o homem faça ou diga alguma
coisa que vocês achem mal ou que não dê apoio à mulher, levantem o braço e digam “Parem!” para
interromper a peça.
Mal uma pessoa do público levante o braço ou diga “Parem!”, bata palmas e diga “Cortem!”. Pergunte
a quem tiver interrompido a peça por que o fez e que sugestões tem para o homem alterar o que diz
ou faz, de modo a melhorar o desfecho da peça. Convide a pessoa a ir fazer ela o papel do homem,
e demonstrar o que o homem devia dizer e fazer de outra maneira, para apoiar melhor a sua mulher
e lidar com as questões com que agora se defronta relativamente a fazer ele próprio o teste e a usar
preservativos. Tire ao “marido” original o cordão com o cartão plastificado com o desenho do homem
e ponha-o ao novo “marido”.
Peça aos actores para voltarem um pouco com a cena atrás e para a fazerem outra vez. Mais uma vez,
convide o público a erguer o braço e a dizer “Parem!” para interromper a peça, se achar que a nova
pessoa que está a fazer o papel do homem poderia melhorar o que está a dizer ou a fazer. Se houver
outras pessoas (homens ou mulheres) que mandem parar a peça com essas sugestões, peça-lhes
que substituam o “marido” e demonstrem o que querem dizer. Isto pode continuar, experimentando
diversas sugestões e desenvolvendo e alterando a peça várias vezes, até ter um melhor desenlace, mas
que continue a ser realista.
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Passo 4
Pergunte/Discuta:
Passo 5
Identifique que estratégias funcionam bem
■
O que é que aprendemos com esta actividade?
■
Que estratégias funcionaram bem nesta situação?
■
Como é que estas estratégias poderiam ajudar a impedir a Transmissão de Pais para Filhos?
Pratique em pares/pequenos grupos
Divida os participantes em pares.
Explique:
Passo 6
Eis a sua oportunidade de experimentar e praticar algumas das ideias que elaborou. Siga estes passos:
■
Faça a peça outra vez, com uma pessoa fazendo o papel da pessoa que revela o resultado positivo
do teste de VIH. A outra pessoa faz de marido/mulher, fazendo o melhor que pode para lidar com a
questão de uma forma correcta.
■
Quando terminarem, a pessoa que “revela a sua condição” deve dizer à outra pessoa a sua opinião,
dizendo-lhe o que fez bem feito, com sugestões de como melhorar o que faz ou diz.
■
Troquem de papéis e repitam os dois passos anteriores.
Estudo bíblico – Grávida e positiva
Reúna o grupo de novo e pergunte o que aprenderam com a prática em pares.
Pergunte aos participantes se se lembram de algumas histórias de gravidez da Bíblia. Faça uma
lista rápida.
Peça aos participantes que leiam uma ou mais das três histórias de gravidez seguintes: Lucas 1:8-25
e/ou Lucas 1:26-45 e/ou Génesis 17:15-21; 21:1-7.
Discuta:
Que aplicação podem ter estas histórias numa época de VIH? A resposta está na dramatização que
acabamos de fazer!
Em cada uma das histórias, queremos que vocês reflictam primeiro sobre a mãe e depois sobre o pai
– tentem descrever uns aos outros como se terão sentido.
■
Cada um deles tinha razões para estar ao mesmo tempo feliz e algo preocupado – por que acha que
assim era? Se não tem a certeza, pense nas idades deles, no seu estado civil e nos sistemas de saúde
a que tinham acesso.
■
Ouviram com atenção ou não os conselhos e mensagens que lhes deram?
■
Que apoio podiam ter tido à sua volta para os ajudar neste tempo de mudança?
Reflictam sozinhos e depois em conjunto com outros sobre as maneiras como podem melhorar o
apoio e ajudar as grávidas nas vossas comunidades – especialmente com os vossos conhecimentos
sobre o VIH.
Pergunte:
Estamos a comunicar bem os riscos e estas mensagens estão a ser bem ouvidas?
Termine com uma oração.
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SECÇÃO
C
Actividade
Compreender a prevenção da
transmissão de pais para filhos (PTPF)
10 A PTPF durante a gravidez
e o parto
Por que fazer
esta actividade?
– Para explicar como ambos os pais podem ajudar a impedir a transmissão do VIH ao bebé
durante a gravidez e o parto.
– Para esclarecer a importância de evitar a infecção de VIH ou reinfecção durante a gravidez.
– Para esclarecer por que razão, sem tratamento, há um risco significativo de transmissão do
VIH durante o parto.
– Para explicar como o uso de ARVs (tais como Nevirapine e AZT) pode reduzir drasticamente o
risco de infecção durante o parto.
Resumo
Nesta actividade, usa-se um pequeno sketch teatral para demonstrar e explicar quais os riscos
de transmissão de pais para filhos durante a gravidez e o parto, e como ambos os pais podem
ajudar a minimizar estes riscos. O sketch teatral implica demonstrar e discutir o que se passa em
quatro cenas:
Cena 1: Gravidez
Cena 2: Infecção de VIH ou reinfecção durante gravidez
Cena 3: Parto sem tratamento ARV
Cena 4: Parto com tratamento ARV
Tempo
Materiais
30–40 minutos
– O cartão plastificado com a mulher grávida
– Dois paus, ramos ou pedaços de corda, cada um com cerca de 1 metro de comprimento, para
fazer o “canal de parto”
– Cerca de 12–15 participantes ou co-facilitadores para desempenhar diversos papéis na peça.
Como preparar
Se o seu público for alfabetizado, faça cópias da Ficha 5 (página 57), para lhes dar no fim
da sessão.
Se possível, antes de a sessão começar, peça a um co-facilitador ou a um dos seus participantes
para fazer o papel do VIH, e explique claramente a esta pessoa o que ela deve fazer neste papel.
Descubra qual é a política nacional do seu país sobre PTPF (ou PTMF). Isto varia de país para país.
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Como dirigir esta actividade
Passo 1
Reflicta sobre o milagre da criação
Peça a alguém para ler em voz alta o Salmo 139:1, 13–16. Comente que as mães presentes entre os
participantes nunca esquecerão as dores e as alegrias de dar à luz (ver Isaías 49:15).
Agradeça a Deus pelo milagre de uma criança se desenvolver desde a concepção até ao nascimento
no ventre da sua mãe. Ore para que o que aprendemos hoje aumente o nosso conhecimento dos
riscos de transmissão do VIH aos bebés e do que os homens e as mulheres podem fazer para impedir
que isso aconteça ao seu bebé.
Passo 2
Explique como o VIH pode ser transmitido de pais para filhos
Mostre aos participantes o cartão com a mulher grávida.
Pergunte:
Se esta mulher grávida estiver vivendo com o VIH, significa isso que o bebé dela terá também VIH?
Resposta:
Não necessariamente. De facto, mesmo sem tratamento, é mais provável que a criança seja
seronegativa do que seropositiva.
Pergunte:
Se tivermos 100 mulheres grávidas, todas vivendo com o VIH, em quantos destes 100 casos é provável
que o VIH se transmita ao bebé?
Quando os participantes tiverem tido possibilidade de responder…
Explique:
Sem tratamento, cerca de 35 em cada 100 mulheres verão os seus bebés infectados com o VIH. Os
outros 65 bebés serão seronegativos. Com o conhecimento, o tratamento e os cuidados devidos, em
que participem tanto a mãe como o pai, o risco pode ser reduzido muito mais, de tal forma que menos
de 10 em cada 100 bebés serão infectados.
Há três fases em que há risco de transmissão do VIH de pais para filhos: durante a gravidez, o parto e a
alimentação da criança quando é muito jovem. Em cada 100 mulheres grávidas vivendo com o VIH, sem
receberem tratamento, cerca de 7 bebés têm probabilidades de contrair o VIH durante a gravidez, 15
durante o parto e 13 através da amamentação – num total de 35 em cada 100 bebés.
O risco de transmissão do VIH ao bebé em cada fase pode, porém, ser drasticamente reduzido, se
tanto o pai como a mãe (e outros membros da família e amigos) compreenderem e fizerem algo para
salvaguardar a saúde do seu filho.
Quando uma criança é concebida, é sempre seronegativa de início, mesmo que um dos pais, ou ambos,
esteja vivendo com o VIH. O VIH não entra nos óvulos de uma mulher vivendo com o VIH. O sémen
de um homem vivendo com o VIH contém espermatozóides e partículas de VIH, mas o VIH não entra
dentro dos espermatozóides.
Esta actividade centra-se na prevenção da transmissão do VIH durante a gravidez e o parto. A actividade
seguinte tratará questões de amamentação e opções na alimentação das crianças muito jovens.
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Passo 3
O sketch teatral
Leia o que está escrito ou use as suas próprias palavras e fale numa língua em que os participantes se
sintam à vontade. Ao ler ou falar, certifique-se de que os actores demonstram o que está a dizer. Faça
um breve pausa entre as cenas, para que fiquem claras as diversas fases.
Cena 1: Gravidez
Imaginem que este espaço de formação representa
o corpo de uma mulher vivendo com o VIH. Ela ainda
está saudável e o seu sistema imunitário está forte.
Precisamos que representem o papel de diversas
coisas dentro do corpo dela. A mulher está grávida
e traz dentro dela um bebezinho ou feto. Há algum
voluntário para ser o bebé?
Foto: Peter Labouchere
Diga (ou use as suas
próprias palavras):
Peça ao voluntário para fazer de Bebé que vá para o
meio da sala e se agache em posição fetal.
Pergunte:
Não haverá mais entre oito e dez voluntários para
protegerem o bebé fazendo um círculo à volta dele?
Peça a mais oito ou dez participantes para formarem um círculo apertado à volta do Bebé, de mão
dada ou de braço dado.
Explique:
Aqueles que estão agora à volta do bebé representam coisas que protegem o bebé, incluindo as
robustas paredes do útero, um saco protector chamado saco amniótico e a placenta. A placenta filtra
infecções e só deixa passar bons nutrientes e comida para o desenvolvimento do bebé através do
cordão umbilical. Na maior parte dos casos, não deixa o VIH da mãe entrar no bebé.
Mesmo que a mãe e o pai estejam ambos
vivendo com o VIH, no início da gravidez o
feto é sempre seronegativo.
Foto: Peter Labouchere
Peça a alguém para representar o papel
de VIH. Peça-lhe para pôr as mãos na
testa, com os indicadores apontando para
fora como se fossem chifres, como aqui
se mostra.
Peça ao VIH para tentar passar através das
paredes protectoras do útero para tocar
no Bebé. Peça às pessoas que formam a
parede protectora para impedirem o VIH
de passar e de tocar no Bebé.
Explique:
O VIH tenta tocar no bebé e infectá-lo, mas é difícil para o VIH passar através da protecção que existe
à volta do bebé. Se a mulher estiver saudável, o seu sistema imunitário forte mantém o vírus sob
controlo, por isso não há muitas partículas de VIH no corpo dela. O bebé tem o seu próprio sangue e
o seu próprio coração, separados da mãe e, assim sendo, o risco de o VIH passar da mãe para o bebé
durante a gravidez é baixo.
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Cena 2: Reinfecção com o VIH durante a gravidez
Explique:
Se a mulher grávida tiver sexo desprotegido (sem preservativo) e voltar a ser infectada com outra
estirpe de VIH, desenvolver-se-ão muito mais partículas de VIH no seu corpo. Isto aumenta muito o risco
de o VIH passar através das paredes do útero e infectar o bebé. Pode demorar até três meses antes que o
sistema imunitário da mulher grávida volte a controlar e a reduzir a quantidade de vírus no seu corpo.
Peça a mais três participantes para fazerem o papel de VIH com “chifres” (mãos na testa, indicadores
apontando para a frente), de modo a que haja agora quatro tentando forçar passagem até ao Útero e
tocar no Bebé. Agora, provavelmente conseguirão.
Diga:
Como podem ver, é muito importante que a mulher grávida e o marido/parceiro garantam que ela não
volta a ser infectada com o VIH. Como é que podem fazer isso?
(A resposta deve ser “abster-se de sexo” ou “usar devidamente um preservativo de cada vez que
têm relações”.)
Diga:
Vamos imaginar que esta mulher e o marido ou o parceiro dela fizeram escolhas acertadas. Fizeram
ambos o teste de VIH e ela sabe que está vivendo com o VIH. Durante a gravidez, ela e o marido
abstiveram-se de sexo ou usaram correctamente um preservativo de cada vez que tiveram relações.
Ela conseguiu assim evitar ser reinfectada e a quantidade de vírus no corpo dela permaneceu baixa,
minimizando o risco de transmissão ao bebé ainda por nascer.
Peça às três pessoas extras fazendo de VIH para retomarem o seu lugar no público, deixando só a
pessoa que estava originalmente a fazer de VIH.
Cena 3: Parto sem tratamento
Disponha os dois paus ou ramos ou pedaços de corda para representarem a vagina/canal de parto
para o Bebé.
Explique:
Durante o parto, o bebé tem de abandonar a segurança protectora do útero e passa através do
apertado canal da vagina, representada pelo espaço entre estes paus. Os músculos em volta do útero
contraem-se e empurram o bebé para fora. Com a hemorragia que ocorre normalmente nessa situação,
se o VIH não estiver controlado, há riscos significativos de o VIH da mãe conseguir penetrar no bebé.
Peça ao Útero para se contrair e empurrar o Bebé
através deste canal. O VIH espera ao lado dos
paus que representam a vagina e toca o Bebé
quando este passa por ela para nascer.
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É mais provável ocorrer transmissão do VIH se
houver problemas com o parto, como trabalho
de parto prolongado. A pele do bebé fica
facilmente danificada durante um trabalho de
parto prolongado e o bebé pode mais facilmente
ser infectado pelo sangue da mãe. É, pois, vital
que mães vivendo com o VIH dêem à luz num
estabelecimento de saúde em que haja pessoal
com formação profissional e equipamento.
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Foto: Peter Labouchere
Explique:
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Cena 4: Parto com tratamento
Peça ao Bebé para voltar para dentro do Útero.
Diga:
Agora, vamos voltar atrás, para quando a mulher está grávida. Desta vez, porém, a mulher e o marido
fizeram o teste de VIH e ela sabe que está vivendo com o VIH. Ela e o marido também aprenderam como
podem reduzir o risco de transmitir o VIH ao bebé durante o parto.
Há tipos específicos de medicamentos anti-retrovirais (ARV) que podem reduzir o risco de transmitir o
VIH ao bebé durante o parto, reduzindo a quantidade de VIH no corpo da mãe.
Se o sistema imunitário da mulher estiver já enfraquecido, de tal modo que o corpo dela se está a
esforçar no combate a infecções, deve tomar todos os dias uma combinação de ARVs (chamada terapia
anti-retroviral de alta potência – HAART – highly active antiretroviral therapy).
Se o sistema imunitário da mulher estiver ainda forte, deve tomar apenas um ou dois tipos de ARV
durante a gravidez e o parto, como sejam AZT e Nevirapine – o seu médico ou clínica aconselharão
com exactidão o que deve tomar e quando. Quando começar o trabalho de parto, a mulher deve
dirigir-se ao estabelecimento de saúde mais próximo, onde é mais seguro ter o bebé. Deve tomar um
comprimido anti-retroviral (ARV) receitado pelo estabelecimento de saúde. Este ARV ataca e detém o
VIH, impedindo-o de atacar e infectar o bebé durante o processo do parto.
Peça a outro participante para fazer de
ARV. Diga ao ARV para segurar o VIH ou
para se pôr à frente dele e não o deixar
passar, de maneira que o VIH não possa
tocar no bebé durante o parto.
Quando o Bebé “tiver nascido”…
O efeito do comprimido que a mulher
tomou começa a passar ao fim de um dia
ou dois, de maneira que o ARV solta o VIH.
A mulher continua vivendo com o VIH, mas
o bebé nasceu com risco mínimo de ter
sido, até essa altura, infectado pelo VIH.
Foto: Peter Labouchere
Explique:
Diga ao ARV para largar o VIH e sair do corpo.
Explique:
No caso de um pouco de VIH ter ainda assim conseguido entrar no bebé durante o parto, o bebé precisa
de tomar xarope de Nevirapine no prazo de três dias, para impedir o VIH de se fixar e desenvolver.
Nalguns estabelecimentos de saúde, dá-se Nevirapine às mães numa seringa especial que elas podem
levar com elas, para porem na boca do bebé no espaço de três dias após o parto.
Diga ao ARV para vir e escovar o Bebé recém-nascido.
Passo 4
Reveja a dramatização, esclareça sobre testagem de bebés
Quando a dramatização chegar ao fim, agradeça a todos os actores, e peça a todos para os
aplaudirem. Peça aos actores para abandonarem o seu papel, dizendo: “Agora sou … (o seu próprio
nome) outra vez.”
Pergunte se há perguntas sobre a dramatização e as questões que ela levanta.
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Se os seus participantes tiverem acesso a estabelecimento de saúde e a dinheiro para fazerem uma
cesariana, diga que esta é outra opção que minimiza o risco de transmissão do VIH ao bebé durante o
nascimento.
Explique que o mais normal é os testes de anticorpos de VIH não lhe poderem dizer se o bebé
recém-nascido é seropositivo ou não. O teste de VIH mais vulgarmente usado detecta os anticorpos
de VIH (que o corpo criou para combater o vírus) e não o vírus em si. Bebés de mães seropositivas
recebem delas alguns anticorpos de VIH durante gravidez, mesmo que o vírus tenha sido impedido
de entrar no bebé. Um teste de VIH feito a um bebé pode detectar os anticorpos de VIH da mãe,
mesmo que o bebé não tenha o VIH. Para saber se o filho de uma mãe seropositiva também tem o
vírus, o teste deve ser feito quando o bebé tem cerca de 18 meses, altura em que terão desaparecido
os anticorpos da mãe. Em alternativa, pode ser feito um teste mais complicado (chamado Reacção
em Cadeia da Polimerase, RCP) para detectar o próprio vírus. Quando está disponível, esta análise ao
sangue é feita normalmente com seis semanas de idade.
Passo 5
Entregue o material de apoio
Se os participantes forem alfabetizados, dê-lhes as cópias que tiver feito da Ficha 5 do material
de apoio.
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Handout
Ficha
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Prevenção da Transmissão de Pais para Filhos
(PTPF)
Qual é a probabilidade de o filho de uma grávida seropositiva vir a
ser seropositivo?
É possível o VIH passar de uma mãe seropositiva para o filho durante a gravidez, durante o parto ou
através do amamentação.
Sem qualquer tratamento, a possibilidade de transmitir o VIH de mãe para filho é aproximadamente
de 35%. Por outras palavras, em cada 100 mulheres grávidas seropositivas, em média só 35 terão um
bebé seropositivo e 65 bebés revelar-se-ão seronegativos. Com cuidados e tratamento implicando
ambos os pais, este risco pode ser reduzido ainda muito mais.
É melhor falar de Prevenção da Transmissão de Pais para Filhos (PTPF) do que de Prevenção da
Transmissão de Mãe para Filhos (PTMF), para deixar claro que não só as mães mas também os pais
devem participar e podem desempenhar um papel fundamental na prevenção da transmissão do VIH
ao bebé.
Prevenção primária da Transmissão de Pais para Filhos
Inclui:
■
garantir que os futuros pais permaneçam seronegativos
■
incentivar pais vivendo com o VIH a terem filhos mais tarde
Prevenção secundária da Transmissão de Pais para Filhos
Trata-se aqui do que fazer quando a mãe, ou ambos os pais, já está vivendo com o VIH e engravida.
Há várias maneiras de reduzir o risco de o VIH passar da mãe para filho, desde que a mãe saiba
que está vivendo com o VIH. É por essa razão que é muito importante para a mulher grávida
(e para o seu marido) fazer o teste de VIH. Este teste é normalmente oferecido no âmbito dos
cuidados pré-natais.
As mulheres que são infectadas ou reinfectadas com o VIH enquanto estão grávidas ou enquanto
estão a amamentar correm um maior risco de transmitir o VIH aos bebés do que as mulheres que
foram infectadas com o VIH antes. Isto acontece porque há mais VIH no corpo durante os três
primeiros meses após a infecção. (Demora este tempo para o corpo criar anticorpos para o vírus, que
controlam e reduzem a quantidade de vírus no corpo.) É, pois, muito importante que uma mulher que
esteja grávida ou que esteja a amamentar evite o risco de infecção de VIH ou de reinfecção.
O risco de transmissão do VIH durante o parto pode ser reduzido de várias maneiras, incluindo o uso
de medicamentos anti-retrovirais (ARVs) especiais durante o fim da gravidez e o trabalho de parto.
Como é que uma mãe seropositiva deve alimentar o seu filho?
A decisão de uma mãe infectada com VIH amamentar ou usar alimentação de substituição (isto é,
um substituto do leite materno) depende de vários factores. Pode procurar-se mais aconselhamento
junto dos profissionais de saúde locais.
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o seguinte:
■
Para minimizar o risco de transmissão do VIH, deve usar-se amamentação exclusiva até aos seis
meses, se possível. Depois, deve apoiar-se as mães, quando deixarem de amamentar.
■
Quando, e só quando, a alimentação de substituição for aceitável, factível, acessível, sustentável
e segura se recomenda evitar todo o aleitamento por parte de mães seropositivas.
Escolha quer amamentação exclusiva quer alimentação de substituição, e cinja-se ao que tiver
escolhido. Amamentação exclusiva significa alimentar a criança só com leite materno, não lhe dar
também água, papa, leite de vaca ou de cabra nem nenhum outro substituto. É muito importante
amamentar exclusivamente, porque a alimentação de substituição pode enfraquecer o revestimento
do estômago, permitindo que o VIH do leite materno penetre na corrente sanguínea do bebé.
Ao fim de seis meses, a mãe desmama o bebé e passa à alimentação de substituição o mais depressa
possível, para reduzir o risco de infecção. Não é fácil deixar de amamentar de um momento para o
outro e as mães precisarão de ajuda e apoio.
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Actividade
11 Opções de alimentação de
crianças de tenra idade
Por que fazer
esta actividade?
– Para dar informação de base sobre riscos e vantagens de diversas opções para alimentar as
crianças muito jovens, e outras questões que essas opções colocam.
– Para esclarecer a importância de apoiar a mãe para se manter fiel à opção alimentar que
escolher e evitar uma alimentação mista.
– Para incentivar mulheres grávidas vivendo com o VIH e os seus maridos/parceiros a procurar
aconselhamento profissional e conselhos sobre a opção para alimentação do seu bebé.
Resumo
Tempo
Materiais
Discutem-se as diversas opções de alimentação de crianças muito jovens que se colocam a
uma mulher com infecção de VIH e faz-se uma demonstração física com diversos líquidos para
acentuar a importância de evitar uma alimentação mista.
30–40 minutos
– O cartão com a imagem da personagem da mulher grávida e outro cartão de personagem
representando o seu marido
– O cartão A4 plastificado de uma mulher a amamentar
– O cartão A4 plastificado de uma mulher a dar de comer a uma criança com uma chávena
– Um copo ou uma garrafa de plástico ou de vidro claro, limpa e transparente
– Uma chávena ou uma caneca
– Uma pequena quantidade de leite fresco – cerca de 20 ml ou 4 colheres de sopa
– Sumo de limão ou outro sumo ácido (por exemplo, uma bebida gasosa de limão/laranja,
Sprite, Fanta ou sumo de um limão grande espremido numa chávena ou numa caneca).
Precisa mais ou menos da mesma quantidade de sumo ácido e de leite, para a actividade
funcionar bem, isto é, cerca de 20 ml – 4 colheres de sopa.
Como preparar
Se o seu público for alfabetizado, faça cópias da Ficha 5, páginas 57–58, para lhas distribuir no
final da sessão.
Ponha cerca de 20 ml (4 colheres de sopa) de leite fresco numa garrafa de plástico ou de vidro
claro, limpa e transparente, ou num copo.
Ponha cerca de 20 ml (4 colheres de sopa) de sumo ácido numa chávena ou numa caneca.
Veja quanto custa uma lata de 450g de leite em pó para bebés. Multiplique por sete, para dar
uma ideia do custo médio mensal do leite em pó para o bebé nos primeiros seis meses (se fizer
alimentação de substituição).
Descubra quais são as directivas nacionais no seu país relativamente à alimentação de crianças
de tenra idade.
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Como dirigir esta actividade
Passo 1
Apresente esta actividade
Explique:
Tratámos questões de transmissão durante a gravidez e o parto na Actividade 10. Esta actividade agora
focará o terceiro modo possível de transmissão, através da amamentação, e mostra como alimentar
o seu bebé para que ele goze de boa saúde e para minimizar o risco de transmissão do VIH através da
amamentação.
Sublinhe que é importante, antes de o bebé nascer, discutir opções e planear como alimentar o bebé
durante a gravidez e obter aconselhamento profissional adequado. Também é importante que os
progenitores masculinos (e, se possível, os parentes próximos) participem nessas discussões, de modo
a que possam entender plenamente e possam apoiar o plano de alimentação acordado.
Passo 2
Alimentar um bebé se a mãe for seronegativa – as vantagens da
amamentação
Mostre aos participantes os cartões com
personagens da mulher grávida e do marido. Peça
aos participantes para lhes darem um nome a cada
um, por exemplo, Tendai e Chuma.
Se, quando Tendai e Chuma fizerem o
aconselhamento e testagem de saúde, a Tendai
descobrir que é seronegativa, como acham que
devem planear alimentar o bebé?
Ilustração: Theodore Mugolola
Pergunte:
Escute as respostas, depois levante o cartão
plastificado, reproduzido ao lado, de uma mulher
dando de mamar e explique, destacando as
vantagens da amamentação pela mãe:
Diga:
O leite materno é o alimento ideal para bebés. Fornece de
forma eficaz todos os nutrientes, vitaminas e minerais de
que uma criança de tenra idade precisa para crescer e se
desenvolver, e ajuda também a criar o sistema imunitário do
bebé. Se Tendai tiver a certeza de que é seronegativa e assim
permanecer, a amamentação exclusiva nos primeiros seis
meses e alimentação mista a partir dos seis meses e durante
um período que pode ir até mais dois anos é a melhor opção
para a saúde do filho.
Passo 3
Opções para alimentação de um bebé, se a mãe for seropositiva
Pergunte:
Se, quando Chuma e Tendai fizerem o aconselhamento e testagem de saúde, eles descobrirem que
Tendai está vivendo com o VIH, ou que estão ambos, como acham que deviam planear alimentar
o bebé?
Escute as respostas, que lhe dirão quanto é que o público sabe sobre o assunto.
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Explique:
As principais opções alimentares para uma mulher vivendo com o VIH são:
■
ou (1) Amamentação exclusiva (mostre este cartão da mulher
amamentando), em que a mãe só dá de mamar ao filho e a criança não
recebe nenhuma outra comida nem bebida – não sequer água. A única
excepção são gotas ou xaropes contendo vitaminas, suplementos
minerais ou medicamentos.
A mãe continua exclusivamente a amamentar durante um período que
pode ir até seis meses e depois deixa da amamentar, desmama a criança e
começa logo com alimentos de substituição.
■
ou (2) Alimentação de substituição desde o nascimento (mostre o
cartão da mulher alimentando o bebé com uma chávena), em que a
mãe simplesmente não amamenta e se cinge a fórmula para lactentes e
outros alimentos de substituição.
Se Tendai estiver vivendo com o VIH, haverá algum VIH no seu leite e
amamentar o bebé implicará um pequeno risco de o infectar. Quanto mais
tempo ela amamentar, mais esse risco aumenta. A amamentação exclusiva
tem, porém, muitas vantagens e pode ser, ainda assim, a melhor opção para
a saúde do bebé.
Com orientação profissional, Chuma e Tendai terão de escolher a opção mais adequada à sua situação.
É muito importante para Chuma ir com Tendai às consultas, para aprender quais são as suas opções
e discuti-las, para compreender a escolha e concordar com ela. Pode então apoiar Tendai quando
levarem à prática o que for melhor para o desenvolvimento do bebé.
Passo 4
Demonstre que opção tem probabilidade de ser a melhor na situação deles
Coloque estas imagens uma de cada lado do espaço de formação ou peça a duas pessoas para
segurarem um cartão cada uma.
Explique:
Vamos agora ajudar-vos a avaliar que opção
seria melhor usar na vossa família, se vocês
e/ou os vossos parceiros estivessem vivendo
com o VIH.
Diga:
Ilustração: Rose Fay
Peça a toda a gente para se deslocar para o
lado da alimentação de substituição.
Vou fazer-vos algumas perguntas. Conforme
as vossas respostas, posso pedir-vos para irem
para a opção de amamentação exclusiva.
Depois de fazer cada pergunta, espera até as pessoas se terem deslocado para fazer a pergunta
seguinte. Explique que, quando uma pessoa for para o “lado da amamentação”, não pode voltar atrás.
1
Normalmente, vai buscar a água que bebe a um rio, a um riacho, uma lagoa ou um poço? Se a resposta
for “Sim”, vá para o lado da amamentação.
2
Tem uma retrete com autoclismo em casa? Se “Não”, vá para o lado da amamentação.
3
Tem dinheiro que chegue para comprar fórmula para lactentes suficiente todos os meses? (Diga aos
participantes mais ou menos quanto é que isso pode custar – durante os primeiros seis meses, um bebé
precisa de um total de cerca de 42 latas de 450 g de leite para bebé – sete latas por mês.) Se “Não”, vá
para o lado da amamentação.
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4
Tem dinheiro que chegue para o transporte para ir comprar formula para lactentes quando esta se
acabar? Se “Não”, vá para o lado da amamentação.
5
Tem uma geleira com um fornecimento de energia fiável? Se “Não”, vá para o lado da amamentação.
6
Pode preparar todas as refeições da criança com água fervida e utensílios limpos? Se “Não”, vá para o
lado da amamentação.
7
Seria difícil preparar o leite à noite? Se “Sim”, vá para o lado da amamentação.
8
A sua família sabe que você é seropositiva, ou o seu parceiro, ou diria à sua família, se fosse
seropositiva? Se “Não”, vá para o lado da amamentação.
9
Se uma mãe não amamentar o seu bebé recém-nascido, as outras pessoas da comunidade partem do
princípio que ela tem VIH? Suportaria bem esses boatos? Se “Não”, vá para o lado da amamentação.
10
O pai e outros membros da família dariam apoio e estariam dispostos a ajudar com a alimentação com
leite substituto? Se “Não”, vá para o lado da amamentação.
Vire-se para aqueles que estão agora no lado da amamentação.
Diga:
Se vocês estiverem numa situação em que estão à espera de criança e a mulher estiver vivendo com
o VIH, provavelmente a melhor opção para a saúde do vosso filho é a amamentação exclusiva nos
primeiros quatro a seis meses antes de o desmamar. Ambos os pais, no entanto, deveriam ir a um posto
de saúde, antes de a criança nascer, para receber aconselhamento sobre as suas opções de alimentação,
e tomar então uma decisão firme sobre que opção fazer.
Agora, vire-se para os que ficaram do lado da alimentação de substituição…
Diga:
Passo 5
Se vocês estiverem numa situação em que estão à espera de criança e a mulher estiver vivendo com o
VIH, provavelmente a melhor opção para a saúde do vosso filho é só alimentação de substituição desde
o nascimento, sem qualquer amamentação. Ambos os pais, no entanto, deveriam ir a um posto de
saúde, antes de a criança nascer, para receber aconselhamento sobre as suas opções de alimentação, e
tomar então uma decisão firme sobre que opção fazer.
Explique as condições AFASS para alimentação de substituição desde o
nascimento
Explique que este exercício demonstra as recomendações da Organização Mundial de Saúde para
amamentação ou alimentação de substituição:
Diga:
A amamentação exclusiva nos primeiros quatro a seis meses antes de desmamar recomenda-se em
todos os casos, excepto quando a alimentação de substituição é Aceitável, Factível, Acessível,
Sustentável, e Segura (AFASS) e se podem satisfazer todas as cinco condições AFASS.
Explique o que é AFASS – requisitos e condições para alimentação de substituição – com a ajuda das
notas que se seguem.
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AFASS
– requisitos e
condições para
alimentação de
substituição
ACEITÁVEL A mãe não vê barreira(s) significativa(s) à opção alimentar por razões de ordem
cultural ou social ou por medo de estigmatização e discriminação.
FACTÍVEL A mãe (ou outro membro da família) tem o tempo, os conhecimentos, as competências
e outros recursos necessários para preparar a comida de substituição e para dar comida à criança,
bem como o apoio para lidar com a pressão da família, da comunidade e da sociedade.
ACESSÍVEL A mãe e a família, com apoio disponível da comunidade e/ou do sistema de saúde,
podem pagar os custos da alimentação de substituição. Devem ser capazes de cobrir todas as
despesas, incluindo todos os ingredientes, combustível e água limpa, sem comprometer os
gastos com saúde e nutrição da família.
SUSTENTÁVEL A mãe tem acesso a um fornecimento contínuo e ininterrupto de todos os
ingredientes e produtos necessários para levar à prática a opção de alimentação de substituição
de forma segura, enquanto a criança precisar. Por exemplo, se a mãe não tiver dinheiro para
comprar fórmula para lactentes, é provável que não se consigam satisfazer as condições AFASS.
Não é provável que uma única doação de fórmula seja sustentável e não deve ser usada por uma
mãe seropositiva.
SEGURA Os alimentos de substituição são correcta e higienicamente armazenados, preparados e
dados à criança em quantidades nutricionalmente adequadas. As crianças são alimentadas com
mãos limpas, usando instrumentos limpos, de preferência com chávenas.
Passo 6
Explique:
Demonstre os perigos da alimentação mista
Seja qual for a opção de Tendai e Chuma, é vital que se mantenham fiéis ao que tiverem escolhido – ou
amamentação exclusiva ou alimentação de substituição exclusiva. Se derem ao bebé uma mistura de
leite materno e outras comidas e bebidas, isso cria um muito maior risco de infecção de VIH.
Mostre aos participantes o copo ou a garrafa com algum leite fresco lá dentro. Diga que é leite
materno. Incline um pouco o copo ou a garrafa para um lado e depois volte à posição vertical, de
maneira a que o leite escorra um pouco pelas paredes do recipiente.
Veja como o leite é macio e cobre o interior do copo/da garrafa com uma camada uniforme. É o que
acontece no estômago do bebé. O leite cria uma camada macia e gordurosa que reveste o interior do
estômago do bebé, o que ajuda a impedir qualquer VIH de penetrar na corrente sanguínea do bebé.
Vamos ver agora o que acontece quando
pomos outro líquido que temos aqui nesta
chávena, que representa leite em pó para
lactentes ou outra comida ou bebida de
substituição.
Deite o sumo de limão ou outro sumo
ácido no copo/na garrafa onde está o leite.
Passados poucos segundos, deve talhar e
formar grumos.
Mais uma vez, incline o copo/a garrafa para
um lado e endireite-o/a outra vez. Desta
vez, deve deixar uma superfície irregular e
gretada nas paredes do copo/da garrafa.
Mostre o copo/a garrafa a todos os seus
participantes, para eles verem.
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Foto: Peter Labouchere
Diga:
Caroline Onwuezobe (Faith Alive, Nigéria) mostrando a
camada gordurosa macia deixada pelo leite.
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Vejam – eis o que acontece quando dão a um bebé
uma mistura de leite materno e leite em pó para
bebés ou outras comidas e bebidas. Essas comidas
ou bebidas de substituição destroem a camada
gordurosa que reveste o interior do estômago do
bebé e deixam gretas através das quais o VIH do
leite materno pode agora com bastante facilidade
penetrar na corrente sanguínea do bebé.
Quer se trate de amamentação ou de alimentação
de substituição, é portanto vital para a mãe que
estiver vivendo com o VIH cingir-se a uma opção
ou à outra.
Passo 7
Sublinhe que:
Foto: Peter Labouchere
Diga:
A mistura talhada deixa uma camada áspera, irregular
na superfície do copo com muitas gretas.
Resuma e volte a recomendar aconselhamento sobre alimentação de
crianças de tenra idade
As escolhas sobre alimentação de crianças muito jovens são bastante difíceis para alguém vivendo com
o VIH. O que é melhor para cada família depende das condições de cada uma delas.
Todas as mulheres grávidas e os maridos são aconselhados a fazerem o teste, para ficarem a saber se
têm VIH ou não. Se forem seropositivos, devem procurar aconselhamento professional, durante a
gravidez, sobre opções de alimentação do seu bebé.
Recomenda-se insistentemente que o marido/pai participe e vá ao aconselhamento sobre alimentação
da criança, uma vez que o seu apoio é fundamental.
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SECÇÃO
D
Actividade
Por que fazer
esta actividade?
Criar valores, crenças, competências
e estratégias para a PTPF
12 Qual é a minha posição?
– Para explorar algumas das nossas crenças, valores e atitudes que podem ter impacto na
prevenção da transmissão do VIH de pais para filhos.
– Para pôr em causa e mudar algumas crenças prejudiciais que possamos ter sobre relações, VIH,
ter filhos e alimentar crianças jovens.
Resumo
Tempo
Materiais
Como preparar
É lida aos participantes uma série de afirmações que reflectem diversas atitudes, valores e crenças
em torno de questões relacionadas com PTPF. Os participantes começam todos numa posição neutra
mas, dependendo da sua reacção a cada afirmação, podem ir para uma das quatro posições seguintes:
Discordo muito, Discordo, Concordo ou Concordo muito. Discutem em seguida as suas escolhas.
30–60 minutos (conforme o número de perguntas e o alcance da discussão)
Quatro pedaços de cartão ou de papel em que se escreverão os letreiros “Concordo muito”,
“Concordo”, “Discordo” e “Discordo muito”.
Escolha que afirmações usará ou acrescente as suas próprias afirmações para trazer ao debate
questões específicas relevantes para os seus participantes.
Escreva “Concordo muito”, “Concordo”, “Discordo” e “Discordo muito” nos quatro pedaços de
cartão ou de papel, numa língua que os participantes compreendam com facilidade.
Notas para
facilitadores
Esta actividade é muito boa para compreender algumas das atitudes e crenças dos seus participantes.
Também é boa para questionar algumas crenças limitadoras que os participantes possam ter. As
pessoas exprimem crenças limitadoras com afirmações como: “Não posso…”, “Tenho de…” ou
“É impossível…” Estas afirmações não dão possibilidades alternativas à pessoa que as faz, e fazem,
portanto, com que essa pessoa se sinta impotente. Por exemplo:
– “Não posso falar com os meus filhos sobre sexo.”
– “Como mulher/rapariga, tenho de fazer o que o homem/rapaz diz.”
– “Se tiver VIH, não hei-de chegar a ver os meus filhos crescidos.”
Pode pôr em questão estas afirmações e ajudar as pessoas a mudar as suas crenças limitadoras
respondendo a essas afirmações com certos tipos de perguntas, como sejam:
– “O que aconteceria, se o fizesse?”
– “O que aconteceria, se não o fizesse?”
– “Já alguém como você fez o que você diz que não pode fazer?” (Por exemplo, já houve outros pais
a falarem com os filhos sobre sexo?)
Estes tipos de perguntas predispõem as pessoas a dar-se conta de que, de facto, há outras opções
e possibilidades que poderiam escolher. Evite a pergunta “Porquê?”. Essa pergunta apenas leva as
pessoas a justificar e a reforçar as suas crenças limitadoras, em vez de as incentivar a pensarem
noutras possibilidades.
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Como dirigir esta actividade
Passo 1
Apresente a actividade e os seus objectivos
Explique:
Esta actividade visa explorar algumas crenças, valores e atitudes que temos sobre relações humanas,
o VIH, ter filhos e como os alimentar. Toda a gente pode participar nesta actividade. Podem mostrar se
concordam ou discordam com várias afirmações e discutir as razões da vossa posição.
Passo 2
Crie posições para níveis de acordo/desacordo
Peça a todos os seus participantes para
ficarem de pé na parte de trás do espaço
de formação ou da sala. Diga-lhes que essa
posição é a posição Neutra.
Tenho
uma opinião
neutra
Se o grupo for pequeno (menos de 15
participantes), ponha os letreiros dizendo
“Concordo muito”, “Concordo”, “Discordo”
e “Discordo muito” em cada posição.
Para um grupo maior (mais de 15
participantes), peça a quatro voluntários
para serem “capitães” de cada uma das
posições – como “Discordo” ou “Concordo
muito”.
Peça aos capitães para se colocarem em
diferentes posições no espaço de formação,
como se mostra, e dê a cada capitão o seu
cartão.
Passo 3
Concordo
Discordo
Concordo
muito
Discordo
muito
Posicionamento dos capitães e posição neutra no espaço
de formação.
Os participantes tomam posições exprimindo os seus pontos de vista
Explique a todos os participantes que lhes vai ler afirmações. Algumas dessas afirmações podem ser
polémicas e é provável que eles tenham outras opiniões. Leia a primeira afirmação seleccionada.
Diga:
Pensem sobre a afirmação e vão para o posição que reflicta se pessoalmente concordam ou discordam
com a afirmação. Se não tiverem opinião ou se não têm a certeza sobre esta questão, podem ficar onde
estão, na posição neutra.
Peça a cada capitão para lembrar às pessoas que posição representa, de modo a que toda a gente
tenha uma ideia clara de para onde se deve dirigir. Por exemplo, “Se você discorda muito, venha para
aqui” ou “Se você concorda, venha para aqui”.
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Passo 4
Facilite a discussão
Depois de os participantes terem ocupado os seus lugares, peça a um voluntário de cada posição
ocupada para explicar por que razão está no lugar onde está.
O objectivo não é convencer os outros de que há uma resposta certa, mas antes permitir que os
participantes façam uma reflexão crítica sobre os seus próprios pontos de vista e que aprendam uns
com os outros.
Facilite a discussão e, se tal for apropriado, use as perguntas e as notas que vêm debaixo de cada
afirmação.
Passo 5
Toda a gente vai para uma posição de acordo/desacordo
Peça a todos os que ficaram na posição neutra para irem agora para uma das outras posições, depois
de ouvirem a discussão e as explicações. Deixe as outras pessoas mudarem para outra posição, se
tiverem aprendido alguma coisa com as discussões e as explicações tiverem mudado as suas ideias e a
sua opinião sobre a questão.
Se ainda tiver ficado alguém na posição neutra, verifique se é porque tem dificuldade em
compreender a questão e dê as informações adicionais que forem necessárias.
Passo 6
Repita os Passos 3, 4 e 5 para as outras afirmações
Repita os passos 3, 4 e 5 para outras afirmações que acha que farão surgir questões relevantes para os
seus participantes.
Passo 7
Dar as mãos em sinal de acordo
Esta actividade pode ter despoletado algumas emoções e diferenças de opinião. Discordar em relação
a certas coisas é humano. Discordar é uma das maneiras de desenvolver ideias e criar mudança. Os
discípulos nem sempre estiveram de acordo. Numa altura em que houve um desacordo especialmente
forte (sobre o papel da circuncisão como pré-requisito para ser membro da igreja) os dois campos
separaram-se, mas deram um ao outro as mãos em sinal de acordo (Gálatas 2:9).
Ao terminar a actividade de hoje, peça a todos para darem a mão direita em sinal de comunhão,
pedindo a Deus que a sua graça acompanhe cada pessoa ao regressar ao lar. Convide os participantes
a proclamarem juntos a bênção apostólica, talvez, dando as mãos em círculo e olhando cada pessoa
para todas as outras presentes na sala.
Juntos:
Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam
convosco, agora e sempre. Ámen.
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Lista de afirmações para a actividade
“Qual é a minha posição?”
As afirmações para ler alto estão a negrito. Depois de cada afirmação, há algumas perguntas e/ou
notas para o ajudar a facilitar a discussão em torno da questão. Seleccione as afirmações mais
relevantes para os seus participantes.
1
O VIH é um castigo de Deus
Se alguém concordar com esta afirmação, pergunte-lhe se também se aplica à criança que recebe o
VIH do pai ou da mãe, ou à mulher fiel que só conheceu o marido?
João 9 dá conta duma discussão entre alguns fariseus, um homem nascido cego e os seus pais.
Jesus deu vista ao homem. Embora o homem não saiba por que é cego, os discípulos de Jesus e os
fariseus partem do princípio que a cegueira é causada pelo “pecado” de alguém – dos pais, dos avós,
seja quem for. Jesus diz que não. O homem tinha nascido cego para que a obra de Deus pudesse ser
revelada.
Nos Salmos 100:5 e em Marcos 10:18, fala da bondade de Deus tanto para com o justo como para
com o pecador. Por causa da sua bondade, Deus enviou o seu filho único; quem acreditar nele (seja
seropositivo ou seronegativo) não perecerá, mas terá antes vida eterna. A bondade de Deus revela-se
também na maneira como ele nos livra dos nossos males (Salmos 107; 136) e através da sua paciência.
Se o VIH e a SIDA fossem realmente doenças enviadas para castigar os delinquentes sexuais, então
porque é que o VIH se propaga através de transfusão de sangue e da circuncisão sem os devidos
cuidados, agulhas e injecções contaminadas, e passa de pais fiéis para os seus bebés ainda por nascer?
Em vez de acusar Deus de “nos castigar” com o VIH, devíamos agradecer-lhe pela sua misericórdia
e pela sua graça ao ajudar-nos a compreender como o VIH se transmite, como podemos impedir a
transmissão para os nossos parceiros e para os nossos filhos, e como podemos apoiar aqueles que nos
são queridos que vivem com o VIH.
O nosso Deus é um Deus misericordioso, cuja misericórdia não tem fim (Lamentações 3:22-23).
O julgamento de Deus é justo e é tanto para os que pecam pelo sexo como para os que pecam de
outras maneiras. Cristo suportou o castigo por todos os nossos pecados oferecendo-se no sacrifício
verdadeiro e final pelos nossos vários pecados. Através do seu sacrifício, fomos justificados. Através
da nossa fé em Jesus, recebemos o perdão e a aceitação dos nossos defeitos e pecados, sexuais e não
sexuais – uma aceitação e um perdão que não encontramos em mais lado nenhum (Lucas 15:20-24,
Gálatas 2:15-16; 3:24-25).
Deus perdoa-nos as nossas ofensas, mas isso não significa que devemos continuar a cometer pecados
sexuais e não sexuais. De modo nenhum! O nosso comportamento deve ser de afirmação da vida,
reflectindo o amor de Deus e a graça que ele nos dá.
2
É natural e normal um homem ter uma namorada além da sua mulher
Se usar esta afirmação, use a Afirmação 3 a seguir.
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3
É natural e normal uma mulher ter um namorado além do seu marido
Se os participantes concordarem com a Afirmação 2, mas discordarem desta Afirmação 3, pergunte
por que é que é diferente para homens e para mulheres.
4
Os casais deviam ir juntos fazer o teste de VIH
Destaque o valor de saber se tem VIH ou não e o valor de ir fazer o teste juntamente com o seu
marido/mulher/parceiro.
5
Uma pessoa que descubra que está seropositiva pode ficar muito deprimida
e desistir da vida, por isso é melhor não saber
É certamente importante para uma pessoa perceber, antes de fazer o teste, que ainda é possível
viver uma vida longa e saudável com o VIH no corpo, e ainda realizar os seus sonhos e atingir os seus
objectivos na vida, incluindo até ter (mais) crianças. Se souber isso antes de saber se está seropositiva,
isso ajudará a pessoa a planear em função da sua condição, para garantir que permanece saudável.
(Isto pode relacionar-se com a Actividade 5.)
6
Usar preservativo é uma forma responsável e afectuosa de evitar a infecção
de VIH
Isto pode ligar-se à Actividade 13.
7
Na sua maioria, os bebés de mães seropositivas são também seropositivos
Esta afirmação é incorrecta. Para ilustrar: se tomarmos 100 mulheres grávidas todas vivendo com
o VIH, mesmo sem tratamento algum, só cerca de 35 dos 100 bebés têm probabilidade de ter o
VIH e cerca de 65 serão seronegativos. Com cuidados e tratamento com ARVs específicos, pode-se
melhorar ainda mais a situação, de modo a que 90 dos 100 bebés sejam seronegativos e menos de 10
seropositivos. (Isto pode ligar-se com a Actividade 10.)
8
A gravidez, o parto e cuidar do bebé são da responsabilidade das mulheres
– os homens não devem participar
É de facto muito importante e relevante que o marido/parceiro participe, por diversas razões,
incluindo:
■
Se compreender as questões, terá mais capacidade de dar apoio à mulher da forma adequada e
garantir o desenvolvimento saudável do filho de ambos.
■
Se ele infectar ou reinfectar a mulher com o VIH durante a gravidez ou enquanto ela amamenta,
isso aumenta muito o risco de transmissão do VIH ao filho, por causa da elevada carga viral
que se desenvolve logo após a infecção. Se ele compreender isso, haverá muito maiores
probabilidades de ele se abster ou concordar em usar preservativo.
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Se o marido e a mulher souberem que estão vivendo com o VIH, não devem
tentar ter outro bebé
■
A decisão de tentar ter um bebé pertence ao casal e, com cuidado, planificação e tratamento
adequado, há bastantes possibilidades de que um casal seropositivo venha a ter um filho
saudável e seronegativo.
■
Se a mulher estiver vivendo com o VIH, porém, há diversas questões adicionais que ela e o
marido/parceiro devem ter em consideração antes de tentarem conceber, como sejam:
– Se o futuro pai for seronegativo, há um risco de lhe transmitir o VIH durante o acto sexual.
Se forem ambos seropositivos, corre-se o risco de reinfecção.
– A gravidez vai colocar mais stress e mais pressão no corpo e no seu sistema imunitário, o que
pode afectar a saúde da mulher.
– Mesmo com bons cuidados e bom tratamento, continua a haver uma pequena possibilidade
de que o VIH possa ser transmitido ao bebé.
– Embora seja possível uma pessoa viver muitos anos depois de se ter tornado seropositiva,
há maiores possibilidades de morrer antes dos outros e possivelmente antes de a criança
ter crescido. Os pais precisariam de tomar disposições relativamente ao filho, para o caso
de morrerem enquanto ele ainda é jovem. Há muitas organizações que dão apoio para isso,
através de planeamento da sucessão, livros de memórias e outros programas. Descubra que
organizações oferecem esses serviços no seu país ou na sua zona e refira-as aos participantes.
10
Um homem não pode viver sem sexo mais do que um mês, por isso, se a
mulher não quer, ele tem de ir à procura de sexo a outro lado
Esta crença é limitadora. Desafie os homens que forem para as posições de “Concordo” ou “Concordo
muito” com as seguintes perguntas:
■
Na sua vida adulta, já alguma esteve sem sexo mais do que um mês?
■
Conhece algum homem que se tenha abstido de sexo mais do que um mês?
■
O que aconteceria se passasse mais de um mês sem sexo?
Se a resposta for “Sim” a uma das duas primeiras perguntas…
Diga:
70
Então, concorda que é possível para si, como homem, passar mais de um mês sem sexo. Portanto,
discorda da afirmação de que “um homem tem de ter relações sexuais pelo menos uma vez por mês”.
Talvez devesse ir antes para a posição “Discordo” ou “Discordo muito”. Os homens podem querer sexo
pelo menos uma vez por mês (e com muito maior frequência) e podem-se sentir frustrados se não
tiverem relações sexuais, mas é sem dúvida possível passar mais do que um mês sem sexo. Há homens
em algumas comunidades religiosas que se abstêm toda a vida.
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11
Marido e mulher podem continuar a ter relações sexuais enquanto ela
estiver grávida ou a amamentar
Há diferentes tradições e crenças sobre se um casal se deveria abster de sexo durante a gravidez ou
após o nascimento de uma criança, e durante quanto tempo. Do ponto de vista médico, porém, o
sexo entre os pais não prejudica de modo algum nem o feto nem a amamentação do bebé, desde
que o sexo não transmita o VIH ou outra IST à mulher. Um casal pode continuar a desfrutar de sexo
durante a gravidez e a amamentação, contanto que:
■
tanto o homem como a mulher se sintam à vontade com o sexo. (O sexo no fim da gravidez terá
de ser carinhoso e respeitar a condição da mulher.)
■
usem correctamente um preservativo de cada vez que tiverem relações sexuais. (A única
excepção é quando ambos têm a certeza de que nenhum deles tem o VIH nem outra IST.)
Abster-se de sexo durante a gravidez e a amamentação pode resultar numa maior probabilidade
de o homem ir à procura de sexo fora de casa durante este período. Isso pode aumentar o risco
de transmissão do VIH para o homem, a mulher e o bebé. É importante que tanto homens como
mulheres tenham vidas sexuais saudáveis, em que ambos os parceiros se sintam realizados, e que os
homens compreendam o cansaço e a pressão que sente uma mulher grávida ou que está a cuidar de
uma criança de tenra idade. Uma mulher também precisa de tempo para recuperar fisicamente do
processo de dar à luz um filho, antes de ser capaz de voltar a ser sexualmente activa. Se o marido/
parceiro decidir ir à procura de sexo fora do lar, é fundamental que ele use correctamente um
preservativo de cada vez que o fizer. Pode ser boa ideia indicar 1 Coríntios 7:3-5 para uma perspectiva
bíblica das relações conjugais.
12
Uma mulher vivendo com o VIH deve, ainda assim, amamentar o bebé
Há uma pequena quantidade de VIH no leite de uma mulher seropositiva e há um pequeno risco
de transmissão do VIH se a mãe amamentar o bebé. Há, porém, muitas vantagens para a saúde
resultantes da amamentação, pelo que a amamentação exclusiva pode bem ser a melhor opção
para a saúde do bebé, especialmente se a fórmula para lactentes não puder ser preparada de forma
segura. Para o ajudar a compreender as opções e a escolher avisadamente, o casal dever procurar
aconselhamento adequado.
Para uma discussão e uma demonstração mais detalhada, veja as notas da Actividade 11, Opções de
alimentação de crianças de tenra idade (página 59), e a Ficha 5, Prevenção da transmissão do VIH
de pais para filhos (página 57).
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Actividade
13 A história dos
“guarda-chuvas”
Por que fazer
esta actividade?
Resumo
Tempo
Materiais
Como preparar
Para esclarecer que usar preservativos pode ser compatível com a aplicação de princípios e
ensinamentos cristãos sobre amar o próximo e cuidar de forma responsável da sua própria saúde
e da saúde alheia – em particular, do seu parceiro e dos seus filhos.
Conta-se uma história, chamada “Guarda-chuvas”, sobre um chefe com três filhos, e as
suas questões relativamente ao uso de guarda-chuvas. O guarda-chuva é uma metáfora
dos preservativos, e a história explora atitudes e questões morais que os cristãos, e não só,
enfrentam relativamente ao uso de preservativos. A história tem quatro partes, com notas e
questões para discussão no fim de cada secção.
60–75 minutos
Um guarda-chuva, para ilustrar a história à medida que a for contando (opcional)
Leia a história para si. Pense se vai ler a história em voz alta ou se a vai contar com as suas
próprias palavras. Pode adaptar elementos da história (por exemplo, usar nomes locais para os
três filhos), para a tornar mais relevante para o seu público? E seria também melhor para este
mesmo público que a história fosse traduzida para outra língua?
Como dirigir esta actividade
Passo 1
Apresentar a actividade
Dê as boas vindas a todos. Se adequado, diga uma pequena oração. Peça aos participantes para se
descontraírem e para escutarem uma história chamada “Guarda-chuvas”. Explique que a história é em
quatro partes, com um intervalo entre cada parte, para discussão.
Não diga aos participantes que a história é sobre o uso de preservativos.
Passo 2
Leia a 1ª Parte da história “Guarda-chuvas”
Pode ler em voz alta a 1ª Parte da história “Guarda-chuvas” ou conte-a à sua maneira, usando a língua
em que os seus participantes se sentem mais à vontade.
GUARDA-CHUVAS – 1ª PARTE
Era uma vez um chefe de uma aldeia, que vivia com a mulher e três filhos, Juma, Yoma e Kwesi. Viviam
no alto de uma pequena colina, de onde se via a aldeia e o rio. Tinha começado há pouco tempo a época
das chuvas e estava a chover muito todos os dias.
O chefe era um homem bom e justo, empenhado no bem-estar e na moralidade da sua família e das
pessoas da sua aldeia. Um dos ensinamentos morais tradicionais que ele dava era que as pessoas deviam
ficar em casa quando chovesse e não deviam sair.
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Muita gente seguia este ensinamento, mas havia quem não o fizesse e muitas vezes saísse à chuva.
Alguns faziam isso simplesmente porque gostavam das sensações e da experiência de andar à chuva,
ao passo que outros andavam à chuva porque queriam fazer os seus negócios e ganhar dinheiro. Alguns
jovens faziam-no por pressão dos amigos e diziam que estava na moda andar à chuva. Às vezes, os que
se molhavam e apanhavam frio engripavam-se e ficavam com febre. Alguns morriam por causa disso.
Um dia, chegou à aldeia um viajante que vendia guarda-chuvas. Os aldeãos nunca tinham visto um
guarda-chuva e alguns ficaram desconfiados, incluindo o chefe.
“Os guarda-chuvas não são naturais”, declarou ele na assembleia seguinte da aldeia. “Não fazem
parte da nossa cultura nem das nossas crenças. As nossas crenças e os ensinamentos tradicionais dizem
que é imoral sair à chuva. As pessoas devem ficar em casa quando está a chover, de maneira que os
guarda-chuvas não deveriam ser necessários e ninguém os deve usar.”
“E se chover dentro de casa?”, perguntou um casal de jovens, marido e mulher. “Não podemos usar
guarda-chuvas dentro de casa para não ficarmos ambos molhados?”
“Suponho que é aceitável”, reconheceu o chefe, “desde que os usem só para vocês os dois juntos.”
Apesar do que o chefe disse, o viajante foi para o outro lado da aldeia e falou com os aldeãos
interessados em guarda-chuvas. Demonstrou como usar correctamente um guarda-chuva, sem o
partir, para ele os proteger da chuva. Vários aldeãos, tanto homens como mulheres, compraram
guarda-chuvas e usavam-nos muitas vezes quando saíam à chuva, para não ficarem molhados, frios e
não apanharem a febre. Alguns casais compraram também guarda-chuvas e usaram-nos para impedir
que a febre se propagasse nos seus lares, porque lhes chovia dentro de casa.
Os filhos do chefe Juma e Yoma também compraram guarda-chuvas, mas não disseram aos pais, porque
sabiam que eles não aprovariam.
Passo 3
Perguntas e discussão sobre a 1ª Parte
Facilite uma breve discussão sobre o significado da história, usando as seguintes perguntas para lançar
a discussão:
Pergunte:
O que pensa desta história até agora?
■
Se pensarmos nesta história como uma espécie de parábola, o que pode representar o seguinte?
– O chefe? (Resposta: a igreja / os líderes da igreja)
– Andar à chuva? (Resposta: sexo fora do casamento)
– A febre? (Resposta: o VIH)
– Usar um guarda-chuva? (Resposta: usar um preservativo)
– Usar um guarda-chuva quando chove? (Resposta: ter relações sexuais com preservativo fora
do casamento. O facto de ser fora do casamento faz com que este sexo seja proibido pela lei
de Deus, mas, pelo menos, é seguro e responsável, e protege-o a si e aos outros do VIH, de
outras ISTs e de gravidez não desejada.)
– Andar à chuva sem guarda-chuva? (Resposta: ter relações sexuais desprotegidas, sem
segurança, fora do casamento, o que o coloca a si e aos outros em risco de infecção de VIH ou
de gravidez não desejada.)
– Usar um guarda-chuva dentro da sua própria casa, quando chove lá dentro? (Resposta: usar um
preservativo com o seu marido ou com a sua mulher – isto é, sexo lícito que também protege
contra o risco de infecção de VIH ou de reinfecção, se um de vocês estivar vivendo com o VIH,
ou ambos, ou se não têm os dois a certeza de que estão ambos seronegativos. Pode também
ser para planeamento familiar.)
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Se os participantes não tiverem ainda percebido o que a história pode querer dizer, não lhes diga, mas
diga-lhes que se há-de tornar claro depois de ouvirem a 2ª Parte.
Passo 4
Leia a 2ª Parte da história “Guarda-chuvas”
Leia a 2ª Parte da história “Guarda-chuvas” ou conte-a por palavras suas.
GUARDA-CHUVAS – 2ª PARTE
A chuva continuou, dia após dia, e o rio subiu.
Os três filhos do chefe rapidamente se fartaram de estarem sentados em casa no alto da colina, à
espera que a chuva parasse.
“Vamos sair e divertir-nos com os nosso amigos na aldeia”, disse Juma, o irmão mais velho.
“Mas o pai diz que devemos ficar em casa enquanto estiver a chover”, respondeu Yoma, o irmão do
meio.
“Então, vamos levar os guarda-chuvas”, disse Juma.
“Mas o pai diz que não devemos usar guarda-chuva. Se levássemos o guarda-chuva, faríamos duas
coisas erradas, andar à chuva e usar guarda-chuva”, disse Yoma.
“OK, vamos fazer só uma coisa errada, e vamos sair sem guarda-chuva”, disse Juma.
“Eu não me arrisco. Fico em casa”, disse Kwesi, o irmão mais novo.
“És um medricas”, disse Juma. “Vamos sair e vamos deixar aqui os guarda-chuvas. E também guardachuvas são só para medricas como tu. Sou demasiado moderno e demasiado corajoso para isso.”
Nessa noite, estava frio e continuava a chover muito. Juma e Yoma tiveram dificuldades em subir a
colina para voltar a casa. Chegaram cansados e a tremer de frio. Juma ficou com febre nessa noite.
Melhorou depois, mas a febre nunca se curou completamente.
Algum tempo mais tarde, Juma casou-se com uma linda rapariga chamada Patience.
Patience sugeriu a Juma que deviam examinar o telhado da sua nova casa, para ver se havia goteiras
antes de lá dormirem. Ele não quis. Patience sugeriu então porem um grande guarda-chuva por cima
da cama até terem testado o telhado, salientando que, como o chefe tinha dito, não há nada de mal em
usar guarda-chuva dentro da sua própria casa.
Mas Juma respondeu zangado, dizendo: “Confia em mim, não há-de haver goteiras no telhado. Não vou
usar guarda-chuva na minha própria casa.”
Desabou uma tempestade nessa noite e entrou água pelo telhado, que encharcou Patience enquanto
ela estava na cama, e ela apanhou a mesma febre que Juma tinha, embora não tivesse dado por nada.
A mulher de Juma depressa engravidou e, quando deu à luz um filho, houve uma grande festa na
aldeia. A festa, porém, durou pouco tempo, porque o bebé rapidamente adoeceu com a mesma febre e
morreu. A saúde de Juma também piorou e, ao fim de alguns meses lutando contra a febre, ele também
morreu, deixando Patience também doente com a febre. O chefe e os seus dois filhos mais novos, Yoma
e Kwesi, sofreram muito.
Quando estava a ver as coisas de Juma, o chefe encontrou no fundo de uma gaveta um guarda-chuva
coberto de pó. Quando o sacudiram e o abriram, o guarda-chuva parecia novinho em folha. Era óbvio
que nunca tinha sido usado. O chefe perguntou a Yoma: “O que é que Juma fazia com isto e, se tinha
guarda-chuva, por que não o usava quando saía à chuva?”
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“Pai, proibiste-nos de usar guarda-chuva, por isso nós não o levávamos quando saíamos à chuva”,
respondeu Yoma.
O chefe sentiu-se ainda mais triste. “Mas que fiz eu?”, gritou ele. “Proibi os meus filhos de usarem a
única coisa que podia ter impedido a morte de Juma e, indirectamente, a morte do meu único neto. Se
ao menos eu lhe tivesse permitido que ele usasse um guarda-chuva e o tivesse incentivado a fazer isso.”
Passo 5
Perguntas e discussão sobre a 2ª Parte
Facilite a discussão sobre o significado da história, usando as seguintes perguntas para lançar a
discussão.
Pergunte:
Passo 6
■
O que acham do comportamento dos três filhos, Juma, Yoma e Kwesi?
■
O que pensam sobre o que o chefe disse e fez?
Leia a 3ª Parte da história “Guarda-chuvas”
Leia a 3ª Parte da história “Guarda-chuvas” ou conte-a por palavras suas.
GUARDA-CHUVAS – 3ª PARTE
No dia seguinte, o chefe saiu cedo, de viagem até à capital. Era algo que ele não costumava fazer e
houve muita discussão na aldeia sobre os motivos da viagem.
Quando o chefe voltou, passados alguns dias, marcou uma reunião de toda a aldeia. Levantou-se e
dirigiu-se às pessoas:
“Vou falar-vos hoje sobre como viver vidas longas e saudáveis. Quero que vocês permaneçam saudáveis
e realizem os vossos sonhos na vida.
Vocês é que decidem o que hão-de fazer na vida. Eu só posso fazer recomendações. A escolha é vossa.
Quando chove, o melhor que podem fazer é ficar dentro de casa. É esta a melhor maneira, segundo as
nossas crenças, e os que assim agirem serão abençoados nesta vida e para além dela.
Se chover dentro de casa ou não examinarem o telhado para ver se deixa entrar água, podem precisar
de usar guarda-chuva dentro da vossa própria casa.
Eu sei que muitos de vocês de vez em quando decidem não seguir este caminho justo e cedem à
tentação de sair à chuva. Também sei que, diga eu o que disser na qualidade de vosso chefe, algumas
pessoas continuarão a sair e a brincar à chuva, tenham ou não guarda-chuva.
De facto, quando era jovem, às vezes decidia ir brincar à chuva, por muito que os meus pais me
dissessem para não o fazer.”
Houve um murmúrio de surpresa à confissão do chefe, mas também um sentimento de admiração pela
sua honestidade. O chefe tirou um grande guarda-chuva colorido do saco. Ouviu-se outro murmúrio de
surpresa.
O chefe continuou:
“Para aqueles que, mesmo só ocasionalmente, saem à chuva, eu digo o seguinte: Se saírem de casa
quando houver possibilidade de chuva, devem levar convosco um guarda-chuva e usá-lo se precisarem,
para se protegerem a vocês próprios e aos outros. Também devem saber como o usar correctamente.”
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“Chefe!”, interrompeu-o uma mulher idosa, “Não deve incentivar os nossos jovens a usar estas coisas
– isso é promover a imoralidade.”
“Estou a falar-vos de guarda-chuvas”, afirmou ele, “não porque eu goste de guarda-chuvas, não porque
eu acredite que são forçosamente a melhor maneira nem porque os queira promover, mas porque
vos amo, meus filhos, e as pessoas da minha aldeia, e quero que vivam vidas longas e saudáveis. Além
disso, há casos em que pessoas casadas têm goteiras no telhado e a febre já se instalou na casa delas.
Nesse caso, usar um guarda-chuva é muito importante para elas quando estão em sua própria casa.
Não quero que tenham o destino do meu filho mais velho e do meu único neto. Se Juma tivesse usado
guarda-chuva, ainda estariam vivos os dois.”
Passo 7
Perguntas e discussão sobre a 3a Parte
Facilite a discussão sobre o significado da 3ª Parte da história, usando as seguintes perguntas para
lançar a discussão:
Pergunte:
Passo 8
■
O que acha das acções do chefe na 3ª Parte?
■
Que mensagens dá o chefe ao seu povo?
■
O que é que estas mensagens significam no que respeita a usar preservativos?
Leia a 4ª Parte da história “Guarda-chuvas”
Leia a 4ª Parte da história “Guarda-chuvas” ou conte-a por palavras suas.
GUARDA-CHUVAS – 4ª PARTE
Quando o chefe acabou de falar, foram-se deixando de ouvir os murmúrios entre a multidão.
“Tenho notado”, disse um rapaz, “que quando os guarda-chuvas estão abertos, chove. Desde que
os guarda-chuvas apareceram aqui na aldeia, temos tido muita chuva. Por isso, devem ser estes
guarda-chuvas que estão a causar a chuva.”
Algumas pessoas riram-se com esta ideia e o chefe explicou calmamente:
“Os guarda-chuvas de facto não causam chuva, nem fazem as pessoas sair à chuva. A vontade de sair
à chuva vem de dentro da pessoa, não vem do guarda-chuva. Os guarda-chuvas, no entanto, podem
proteger as pessoas da chuva.”
Uma mulher jovem pediu a palavra:
“Tenho uma amiga que realmente prefere andar à chuva sem guarda-chuva, para poder sentir
a sensação natural da chuva batendo-lhe no rosto, acariciando a sua pele e escorrendo-lhe pelo
pescoço.”
As pessoas indicaram com um aceno da cabeça que sabiam do que ela estava a falar. A mulher corou.
Toda a gente adivinhou de que a “amiga” de que ela estava a falar era ela própria.
O chefe respondeu: “Decerto a tua amiga conhece os perigos de infecção, doença e até morte, se uma
pessoa se molhar – como aconteceu ao meu filho e a outras pessoas da nossa aldeia. Se a tua amiga usar
um guarda-chuva, ainda assim pode descontrair-se e desfrutar da chuva.”
“Mas os guarda-chuvas nem sempre funcionam”, insistiu ela, “às vezes rasgam-se, partem-se ou
viram-se, de maneira que uma pessoa fica molhada na mesma. E é difícil abri-los no escuro.”
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“Pois, isso é verdade, não são mesmo 100% seguros. No entanto, os guarda-chuvas são muito eficazes,
se os usares sempre de forma correcta e usares um que esteja em bom estado e não seja muito velho.
E para usar correctamente os guarda-chuvas tens de saber como se faz.”
Para surpresa geral, o chefe começou então a demonstrar como usar o guarda-chuva, tirando-o do saco
e abrindo-o. “Durante a minha estadia na cidade, encontrei-me com o viajante que nos apresentou
os guarda-chuvas e já aprendi tudo sobre eles”, explicou ele. “Vou agora partilhar com vocês este
conhecimento. É um conhecimento de que talvez alguém possa precisar em algum momento da sua
vida, se sair à chuva ou se ficar em casa, porque algumas casas têm telhados com goteiras sem que nós
o saibamos.”
O chefe demonstrou para todos como usar um guarda-chuva. Distribuiu guarda-chuvas a todos, para
poderem todos praticar até saberem trabalhar bem com eles e se sentirem confiantes para os usar.
“Para terminar”, concluiu o chefe, “se saírem à chuva ou ficarem em casa, vocês e os membro das
vossas famílias podem, em certas ocasiões, precisar de usar um guarda-chuva para se assegurarem de
que ficam seguros e saudáveis. A escolha é vossa.”
Passo 9
Perguntas e discussão sobre a 4ª Parte
Facilite a discussão sobre o significado da 4ª Parte da história, usando as seguintes perguntas para
lançar a discussão:
Pergunte:
■
O que pensa do comentário do rapaz que diz que os guarda-chuvas fazem as pessoas sair à chuva?
Como se relaciona isto com sexo e o uso do preservativo?
■
O que pensa sobre o comentário da mulher jovem sobre preferir andar à chuva sem guarda-chuva?
Como se relaciona isto com sexo e o uso do preservativo?
■
Que mensagens transmite o chefe ao seu povo?
■
O que significam estas mensagens em termos de uso do preservativo?
Facilite a discussão e acrescente as seguintes mensagens fundamentais, se os participantes não
propuserem eles próprios essas mensagens:
■
Os preservativos por si próprios não causam promiscuidade, da mesma forma que os guarda-chuvas
também não causam chuva. Alterando as palavras de umas afirmações do chefe: “Os preservativos
(guarda-chuvas) de facto não levam as pessoas a terem sexo fora do casamento (sair à chuva). A
vontade de ter relações sexuais vem de dentro da pessoa, não vem do preservativo. Os preservativos,
no entanto, podem proteger as pessoas quando elas têm relações sexuais.”
■
Usar preservativo pode fazer parte de ser afectuoso e responsável pela sua própria saúde e pela
saúde da sua mulher e dos seus futuros filhos.
■
Há muitas razões para as pessoas usarem preservativos quando são casadas, como por exemplo:
– Para adiar o próximo filho.
– Se um parceiro for seropositivo e o outro for seronegativo (um casal “dissonante”), podem usar
preservativos para evitar infectarem-se um ao outro. Há muitos casos de casais dissonantes
que têm regularmente relações sexuais usando preservativos há 15 anos e mais, e a pessoa
seronegativa continua seronegativa.
– Se estiverem ambos vivendo com o VIH, deveriam também usar preservativo para não se
reinfectarem um ao outro com mais VIH.
– Se, por qualquer razão, não tiverem a certeza de que são ambos seronegativos, podem usar
preservativos até terem ido os dois juntos fazer um teste de VIH.
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Passo 10
Reciprocidade nas relações sexuais
Reflicta sobre as instruções de S. Paulo aos casais em 1 Coríntios 7:1-5. Nas relações sexuais, quem é
que Paulo diz que tem mais poder (autoridade) do que o outro? Quem diz “Sim” e quem diz “Não”?
Não subestimem o que esta afirmação tinha de revolucionário – e continua a ter!
Leia também Efésios 5. Esta passagem é muitas vezes citada como prova de que a mulher se submete
ao marido. Por vezes, isto até é usado como título de capítulo na Bíblia, mas não é correcto. Em
Efésios 5:21, está escrito: “Sejam submissos uns para com os outros, pelo respeito que têm por Cristo”.
Quem se submete a quem?
Passo 11
Termine com uma oração
Termine com uma oração, se for adequado:
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■
pelas pessoas casadas do grupo e para elas moldarem as suas relações à imagem das relações
divinas de amor e respeito mútuos.
■
para as pessoas compreenderam que o uso do preservativo é responsável, seguro e honrado para
casais de pessoas fiéis uma à outra, se uma delas estiver vivendo com o VIH, ou ambas, ou não
souberem se têm VIH ou não.
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Actividade
Por que fazer
esta actividade?
14 Como usar um “guarda-chuva”
– Para esclarecer o que são preservativos, quais os vários tipos que se encontram e como os usar.
– Para garantir que os participantes saibam onde podem obter preservativos localmente.
– Para dar aos participantes competências e confiança para usar devidamente um preservativo
masculino.
Resumo
Tempo
Materiais
O facilitador demonstra e explica como usar um preservativo masculino. Em seguida, os
participantes praticam, usando-os. São discutidas questões e perguntas relacionadas com a
disponibilidade e uso dos preservativos.
20–30 minutos
– Modelo de pénis para demonstrar preservativos
– Pode usar-se outras coisas como modelos de pénis (por exemplo, bananas) para várias pessoas
poderem praticar o uso do preservativo ao mesmo tempo (opcional)
– Preservativos masculinos – em número suficiente para dar um ou dois a cada participante, para
este praticar com eles
– Lenços de papel ou papel de seda
– Fotocópias da Ficha 6, Como usar um preservativo masculino, na página 81 (opcional)
Como dirigir esta actividade
Passo 1
Apresente esta actividade e explique a sua importância
Explique:
Na actividade anterior, usava-se uma história para nos ensinar a importância de usar “guarda-chuva”.
Esta actividade criará os conhecimentos práticos e a confiança necessários para usar um preservativo
masculino, se alguma vez precisarem de algum.
O preservativo foi originalmente introduzido como método para os casais deixarem um período de
tempo maior entre dois filhos. Quando o VIH foi descoberto, a pesquisa que foi feita revelou que os
preservativos, se usados devidamente, são também altamente eficazes na prevenção da transmissão do
VIH de um parceiro para o outro. Usar um preservativo pode salvar a vida do seu parceiro e a vida do seu
filho ainda por nascer.
Mesmo que uma pessoa não tenha planos de usar agora um preservativo, é bom tanto homens como
mulheres saberem exactamente como se usa. Assim, podem usá-lo de modo correcto e seguro se
alguma vez disso tiverem necessidade – por exemplo, se vierem a descobrir que vocês ou os vossos
parceiros está vivendo com o VIH.
Passo 2
Tipos de preservativo
Mostre aos participantes um preservativo masculino. Deixe-os passá-lo uns aos outros, para todos o
sentirem. Enquanto o preservativo passa de mão em mão, dê a seguinte informação:
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Diga:
■
Um preservativo masculino funciona como uma pele dura através da qual o esperma, o VIH e os
micróbios de ISTs não podem passar. Se for usado correctamente de cada vez que tiverem relações
sexuais, os preservativos são muito eficazes para impedir a infecção de VIH. Também impedem
outras ISTs e gravidezes não desejadas.
■
O preservativo masculino é um tubo fino de borracha que se ajusta ao pénis erecto e recolhe o
sémen do homem, de modo que este não possa entrar na vagina, no ânus ou na boca.
■
Os preservativos masculinos estão facilmente disponíveis em quase todos os países. Há-os de diversos
tamanhos, formas e cores e alguns são cardados ou estriados para dar mais prazer no acto sexual.
Pergunte se alguém já viu preservativos femininos ou já ouviu falar deles.
Explique:
Passo 3
Pergunte/Discuta:
Passo 4
A maior parte dos preservativos femininos são feitos de um tipo de plástico chamado poliuretano.
O preservativo feminino é introduzido na vagina antes do acto sexual. Os preservativos femininos não
se encontram em muitos lugares em África e são mais caros, por isso esta sessão incidirá apenas nos
preservativos masculinos.
Onde pode arranjar preservativos?
■
Onde se pode arranjar preservativos nesta comunidade?
■
Que tipos se encontram? Quanto custam?
■
Que dificuldades podem ter as pessoas para obter um preservativo?
Demonstre o uso do preservativo masculino
Pegue num pacote de preservativos masculinos e demonstre como se verifica o prazo de validade e se
tira o preservativo da embalagem de maneira que não se estrague.
OPCIONAL: Esconda o modelo de pénis quando começar a demonstração e peça um voluntário
masculino. Olhe para ele como se quisesse demonstrar usando o pénis dele. Depois diga que pode de
facto fornecer o seu próprio modelo e tire o modelo de pénis. Isto pode provocar algum divertimento
e bom humor, e pôr os participantes à vontade.
Demonstre pondo o preservativo no modelo de pénis e oriente os participantes no processo de usar
um preservativo masculino, utilizando as notas da Ficha 6, Como usar um preservativo masculino.
Se tiver feito cópias da Ficha 6, ofereça-as aos participantes.
Passo 5
Pratique usando preservativos masculinos
As pessoas normalmente sentem-se embaraçadas ao fazer isto, por isso divida homens e mulheres em
grupos separados com as pessoas com que se sintam à vontade. Se houver pessoas mais velhas e mais
novas no grupo, pode também separá-las.
Distribua os preservativos masculinos a cada grupo (se possível, dois a cada pessoa). Dê aos grupos o
modelo de pénis e algumas bananas ou algo semelhante para praticarem.
Diga:
Observem as outras pessoas do grupo a pôr os preservativos nos modelos e ajudem-se uns aos outros,
de maneira a que todos aprendam a fazê-lo correctamente.
OPCIONAL: Quando os participantes se sentirem confiantes ao colocarem o preservativo masculino no
modelo, desafie-os a tentarem de novo de olhos fechados ou com os olhos vendados, de modo a que
o consigam colocar mesmo no escuro.
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Deve obter os seus preservativos numa loja ou numa instituição de saúde que forneça muitos
preservativos e onde eles estejam guardados em embalagens fechadas num lugar fresco, sem
exposição ao sol. Verifique o prazo de validade escrito na embalagem do preservativo. Verifique
a embalagem do preservativo para se certificar de que não há rasgões, buracos ou aberturas. Se
a cor do preservativo não for uniforme ou se estiver seco, quebradiço, rasgado ou anormalmente
pegajoso, deite-o fora porque provavelmente rebentará. Abra a embalagem com cuidado. Não
desenrole o preservativo antes de o colocar.
2
Certifique-se de que o preservativo está do lado certo, com a ponta para fora, como um chapéu.
Pegue na ponta do preservativo e ponha-a sobre a ponta do pénis em erecção. (Isto deixa espaço
para o sémen, para que o preservativo não rebente com a ejaculação.)
3
Desenrole o preservativo para baixo, ao longo do pénis, continuando a segurar a ponta enquanto o
vai desenrolando.
4
Desenrole o preservativo completamente até à base do pénis erecto. Ponha sempre o preservativo
antes de penetrar uma parceira. A vagina precisa de estar húmida para que o preservativo não
se rompa e para que o acto sexual seja mais confortável. Uma mulher fica húmida com fluido
vaginal quando está pronta para o sexo. Um bom amante não se apressa, é romântico e acaricia-a
para ela ficar húmida antes de a penetrar. Nunca use vaselina, óleo vegetal, óleo mineral, loção
para as mãos nem nada feito com óleo para humedecer um preservativo. O óleo faz rebentar um
preservativo masculino. Pode-se, porém, usar saliva ou lubrificantes à base de água, como o gel
lubrificante KY.
5
Depois de ejacular, agarre na base do preservativo e retire-se imediatamente da sua parceira.
6
Ponha um lenço de papel à volta da base do pénis e tire o preservativo do pénis sem entornar
sémen. Embrulhe-o no lenço de papel ou dê-lhe um nó e deite-o fora enterrando-o ou pondo-o
no caixote do lixo. Não o use outra vez. Use sempre um preservativo novo de cada vez que tiver
relações sexuais.
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Ilustração: Zenzo Ndlovu
Como usar um preservativo masculino
Ficha 6
81
15 Dramatizações para
Actividade
tratar outras questões de
relacionamento
Por que fazer
esta actividade?
Para criar competências e estratégias para os participantes lidarem com questões específicas de
relacionamento, que possam ter a ver com PTPF. (Para os objectivos específicos, ver quadro da
página seguinte.)
Resumo
Esta actividade trata diversas questões de relacionamento usando a mesma abordagem da
Actividade 9, Dramatização da grávida e seropositiva. O facilitador escolhe uma questão de
relacionamento específica. Os participantes preparam e representam uma pequena dramatização
na qual a personagem principal diz e faz coisas que mostram claramente que não tem
conhecimentos nem estratégias para lidar com a questão. Os actores fazem toda a dramatização
até ao fim uma vez. Quando a representam segunda vez, o público pode interromper a peça
e fazer sugestões do que a personagem principal deve dizer ou fazer doutra maneira. A
dramatização continua então utilizando essas sugestões para se chegar a um melhor desfecho.
Tempo
20–40 minutos para cada dramatização. No entanto, a técnica de teatro participativo pode ser
usada muitas vezes para tratar diversas situações.
Materiais
Use o quadro da página seguinte para decidir que objectivo e que drama usará. Primeiro defina
com clareza qual o seu objectivo – que competências e estratégias quer que os seus participantes
desenvolvam? Depois, encontre e instrua os seus actores (co-facilitadores ou participantes) para
representarem uma pequena peça em que a personagem principal demonstra não ter de modo
algum estes conhecimentos e estratégias. A maior parte das dramatizações para este tipo de
teatro necessita só de dois actores e só de uma cena, que dura de 1 a 5 minutos.
Se for esta a sua última sessão com um grupo de participantes, faça fotocópias em número
suficiente para dar a cada um da Ficha 1, Perguntas de avaliação para os participantes, na
página 14.
Como dirigir esta actividade
Passo 1
Faça a dramatização a primeira vez
Apresente a peça e deixe os actores representarem-na a primeira vez inteira até ao fim. A pessoa que
faz o papel principal deve dizer e fazer coisas muito obviamente erradas, prejudiciais ou inapropriadas
e resultando num final infeliz. (Por exemplo, para a Dramatização E, o comportamento da “amiga” (a
personagem principal) deve mesmo perturbar a pessoa que revela que está seropositiva.)
Quando acabar, peça ao público para aplaudir.
Pergunte:
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■
O que pode acontecer a seguir?
■
O que acha da maneira como a personagem principal se comportou? (Esclareça que actor é a
personagem principal)
■
O que é que a personagem principal devia dizer ou fazer doutra maneira?
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Objectivo
Dramatização sugerida
A
Desenvolver competências e
estratégias para discutir e chegar
a acordo com o seu parceiro sobre
irem juntos fazer aconselhamento e
testagem de saúde.
O marido (a personagem principal) diz à mulher:
“Não sei o que andas a fazer enquanto eu estou fora
todo o dia, por isso vou levar-te para fazeres um teste
de VIH.”
B
Construir competências e
estratégias para revelar a sua
condição de seropositivo de uma
forma adequada.
Um homem que acaba de ir fazer ATS e que está
seropositivo, diz à mulher: “Tenho o VIH e vou morrer,
e acho que foste tu que mo pegaste.”
C
Desenvolver competências
e estratégias em homens e
mulheres para negociar o uso de
preservativos.
Quando o marido chega a casa, a mulher (a
personagem principal) diz-lhe “Decidi que é muito
cedo para termos outro bebé, e quando tu chegas
tarde não sei com quem estiveste, por isso tens de usar
preservativos a partir de agora, está bem?” O marido
fica muito zangado e recusa.
D
Construir competências e
estratégias de uma mulher vivendo
com o VIH para continuar sempre
com amamentação exclusiva,
quando parentes, amigos ou colegas
a pressionam para também dar ao
bebé outros alimentos.
Uma mulher (a personagem principal) vivendo
com o VIH está a seguir o conselho que lhe deram
e está a amamentar exclusivamente o seu bebé de
quatro meses. Um familiar insiste que devia começar
a introduzir alguns alimentos sólidos. A mãe tenta
recusar, mas depois cede à pressão, porque não quer
ofender o familiar. Começa a dar ao bebé alguns
alimentos sólidos e depois, quando o familiar se vai
embora, dá de mamar ao bebé outra vez.
E
Construir competências e
estratégias de amigos, parentes
e membros da comunidade para
apoiarem uma mulher grávida
ou com um filho de tenra idade,
quando souberem ou suspeitarem
que a mulher está vivendo com
o VIH.
Uma mulher que fez recentemente aconselhamento
e testagem de saúde diz a uma amiga (a
personagem principal) que está seropositiva, mas
“a amiga” rejeita-a e rompe secamente a amizade
das duas.
F
Desenvolver competências e
estratégias de rapazes e homens
jovens para resistirem à pressão
dos seus pares para terem relações
sexuais.
Os amigos de um rapaz (a personagem principal)
estão a troçar dele porque ele é virgem e não quer
ter relações sexuais e quer evitar o risco de infecção
de VIH. Pressionam-no para ter relações sexuais
para “provar que é um homem a sério”. Ele desiste e
concorda.
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Passo 2
Explique:
Represente a peça outra vez, com a participação do público para alterar o
desfecho
Vai-se fazer a peça outra vez, começando exactamente da mesma maneira, mas vocês (o público)
devem mudar o que a personagem principal faz e diz, para melhorar o final da peça. Mal a
personagem principal faça ou diga alguma coisa que vocês achem mal, levantem o braço e digam
“parem”, para interromper a peça.
Interrompa a peça mal um participante levante o braço ou diga “parem”. Pergunte a quem tiver
mandado parar a peça por que o fez e o que é que a personagem principal deveria fazer ou dizer
de outra maneira. Convide um dos participantes a vir e a ficar ele com o papel da personagem
principal, e a demonstrar o que pensa que a personagem principal devia dizer e fazer. Para o ajudar
a encarnar a personagem, pode pôr um chapéu, vestir um casaco ou outra peça de roupa usada pela
personagem principal.
Instrua o actor original e o novo actor que está agora a desempenhar o papel da personagem
principal para voltarem com a cena atrás e a representarem outra vez. Convide mais uma vez os
participantes a levantar o braço e a dizer “parem” para interromper a peça, se a nova personagem
principal fizer ou disser alguma coisa que eles achem que é negativa e podia ser melhorada.
Isto pode continuar, com vários participantes desempenhando à vez o papel da personagem
principal, experimentando diversas ideias e alterando a peça várias vezes até que ela tenha um final
melhor, mas ainda assim realista.
Se os membros do público se mostrarem relutantes em tomar o lugar da personagem principal, diga
aos actores originais para representarem a cena outra vez, com a personagem principal mudando o
que diz ou faz em função das sugestões do público.
Passo 3
Pergunte/Discuta:
Passo 4
Identifique que estratégias funcionam bem
■
O que aprendemos com esta actividade?
■
Que estratégias funcionaram bem nesta situação?
Pratique em pares / pequenos grupos
Divida os participantes aos pares.
Explique:
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Esta é a vossa oportunidade de experimentarem e praticarem algumas das ideias que desenvolveram.
Sigam os seguintes passos:
■
Representem de novo a peça que viram, com um pessoa fazendo o papel da personagem principal
e a outra desempenhando o papel da outra personagem. A pessoa que faz a personagem principal
deve fazer o melhor que saiba e possa para tratar a questão de uma maneira correcta, ao passo que
os outros actores lhe dificultam a vida.
■
Quando tiverem acabado a peça, comuniquem as vossas impressões às pessoas que acabam
de desempenhar o papel da personagem principal, incluindo o que fizeram bem, e dêem-lhes
sugestões de como poderiam melhorar o que fazem ou dizem.
■
Troquem de papéis e repitam os dois passos anteriores.
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Passo 5
Conclua
Volte a juntar o grupo.
Pergunte:
Passo 6
■
O que aprenderam mais praticando em pares?
■
Quais foram as outras coisas essenciais que aprenderam ao longo deste programa?
■
Como é que cada um de vocês vai aplicar o que aprendeu?
Os participantes preenchem o questionário de avaliação (Ficha 1)
Se esta for a sua última sessão com um grupo, dê a cada participante uma cópia da Ficha 1,
Perguntas de avaliação para os participantes, na página 14. Empreste uma caneta ou um lápis a
quem não tiver.
Explique:
Para nos ajudar a avaliar este programa Guardiães da saúde dos nossos filhos, respondam, por favor, a
todas as perguntas deste questionário e entreguem-no antes de saírem. Não escrevam o vosso nome no
papel – as vossas respostas são confidenciais e ninguém saberá quem deu cada resposta.
Recolha todos os questionários preenchidos antes de os participantes saírem da sessão.
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ANEXO 1
Quebra-gelos e revigoradores
Use quebra-gelos e revigoradores quando for adequado. Use um quebra-gelo com um grupo novo, no
início duma sessão e para ajudar os participantes a descontraírem e a sentirem-se à vontade consigo
e uns com os outros. Use um revigorador quando os participantes começam a parecer cansados ou
quando quer animar o grupo. Abaixo encontra alguns exemplos de revigoradores e quebra-gelos.
O primeiro (Chamo-me… e gosto muito de…) funciona melhor como quebra-gelo. Todos os outros
podem ser usados quer como quebra-gelos quer como revigoradores.
Chamo-me ... e gosto muito de ...
É uma maneira divertida de as pessoas se apresentarem e estabelecerem relações no seio do grupo.
Toda a gente se põe em círculo, de pé. Peça a toda a gente para pensar nalguma coisa que gosta
muito de fazer e numa acção relacionada com isso (por exemplo, jogar futebol, cozinhar, dançar, etc.).
Uma pessoa dá um passo em frente e diz “Chamo-me … e gosto muito de …” (com uma acção), e
depois volta para trás. Em seguida, toda a gente dá um passo em frente ao mesmo tempo e repete
em conjunto exactamente o que a pessoa acaba de fazer e de dizer, exactamente com as mesmas
palavras, o mesmo tom e as mesmas acções. Todas as pessoas (incluindo os facilitadores) fazem a
mesma coisa, uma de cada vez, apresentando-se desta maneira.
Um grande emaranhado
Peça aos participantes para formarem grupos de cinco a doze pessoas, e peça-lhe para formarem
um círculo.
Diga:
Estenda os braços para a frente, feche os olhos e ande devagar para a frente, até cada uma das suas
mãos encontrar uma mão de outra pessoa. Encontre uma mão com a sua mão direita e outra mão de
outra pessoa com a mão esquerda. Mantenha os olhos fechados.
Certifique-se de que ninguém está a agarrar mais do que uma mão com cada mão. Se vir três ou mais
mãos juntas, agarre numa destas mãos e coloque-a numa mão livre.
Diga:
Continuem a agarrar nas mãos que encontraram e abram os olhos. Vocês estão num emaranhado
humano. Tentem desemaranhar-se sem largar as mãos.
Quando o grupo se tiver desemaranhado o mais possível, deve haver um ou mais círculos de pessoas.
Este exercício pode funcionar melhor com grupos de um só sexo.
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Mude de comportamento!
Diga:
Aponte para a pessoa ao seu lado e diga-lhe “Mude de comportamento!”
Saliente que, quando uma pessoa aponta um dedo a alguém, fica com três dedos apontados a
ela própria.
Sublinhe:
Só é possível uma mudança eficaz quando essa mudança começa em si!
Os às e os bês
Toda a gente se põe de pé e vai (se necessário) para um espaço aberto.
Diga:
Cada pessoa tem de escolher outra pessoa do grupo. Não diga quem escolheu. Essa é a sua pessoa A.
Escolha outra pessoa do grupo. Essa é a sua pessoa B.
Quando eu disser “agora”, aproxime-se o mais possível da pessoa A e afaste-se o mais que puder da
pessoa B … AGORA!
Ao fim de cerca de um minuto:
Diga:
Aproxime-se o mais possível da pessoa B e afaste-se o mais possível da pessoa A … AGORA!
Passado mais um minuto:
Diga:
Aproxime-se o mais possível da pessoa A e da pessoa B… AGORA!
Quem… muda de lugar
O facilitador fica no meio – todos os outros ficam sentados em círculo ou semicírculo. Retire as
cadeiras a mais, de maneira que não fique nenhuma cadeira para a pessoa que dá as ordens.
O facilitador diz: “Quem… muda de lugar” e defina uma categoria qualquer – por exemplo, “tiver
filhos”, “estiver vestido de azul”, “já tiver feito o teste de VIH”, “gostar de peixe”, etc., todos os que
entrarem nessa categoria têm de se levantar e ir para outra cadeira e a pessoa que deu a ordem
senta-se numa cadeira vazia. A pessoa que ficar sem cadeira dá a ordem a seguir e diz: “Quem… muda
de lugar” usando outra categoria.
Reparem que isto também pode ser útil para ficar a saber coisas sobre o grupo. Além disso, toda a
gente acaba por ficar sentada num lugar diferente, de maneira que também pode ser usado para
misturar o grupo.
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Pé na boca
Dê as seguintes instruções os seus participantes e demonstre as acções à medida que for explicando:
Diga:
Todos se levantam. Ponha ambas as mãos na
cabeça e imagine que pode desaparafusar a
cabeça e tirá-la dos ombros. Tire a cabeça dos
ombros devagar e, com cuidado, ponha-a debaixo
do braço esquerdo. Agora, levante o pé direito.
Estenda o braço direito para baixo, agarre no pé
direito e desaparafuse-o da perna. Puxe-o para
cima e punha-o na boca.
Foto: Peter Labouchere
Verá que a maior parte dos participantes leva a
mão direita à boca. Mostre que, como agora têm
a cabeça debaixo do braço esquerdo, é aí que
deviam pôr o pé!
Toda a gente se põe em círculo, de pé. O facilitador começa por fazer mímica de uma acção.
A pessoa à direita do facilitador pergunta-lhe: “O que está a fazer?” O facilitador responde que
está a fazer uma coisa completamente diferente.
Por exemplo, o facilitador faz mímica de nadar
Estou a
e diz: “Estou a lavar a cabeça”. A pessoa à direita
andar
a cavalo
do facilitador tem de fazer mímica do que o
facilitador disse que estava a fazer (lavar a
cabeça), mas quando a pessoa seguinte perguntar
“O que está a fazer?”, ela tem de dizer que está a
fazer uma coisa completamente diferente. Dêem
a volta ao círculo desta maneira, até toda a gente
ter feito mímica uma vez.
Ilustração: Petra Rohr-Rouendaal
Diga uma mentira por gestos
O barco que se afunda
Peça a toda a gente para imaginar que está num barco que se está a afundar muito depressa. Para
entrarem nos salva-vidas têm de formar grupos com um certo número de pessoas em cada grupo.
Se houver pessoas a menos, não conseguirão remar o salva-vidas. Se houver demasiadas pessoas,
o salva-vidas vai ao fundo. Peça a toda a gente para andar pela sala e depois grite: “O barco está a
afundar – façam grupos de três”. Repita várias vezes com números diferente, por exemplo, “Grupos de
quatro”, “Grupos de sete”.
NOTA Este revigorador pode também ser útil se quiser dividir os participantes em grupos mais
pequenos. For exemplo, para dividir toda a gente em grupos de cerca de cinco pessoas, a sua última
instrução será “Grupos de cinco”.
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ANEXO 2
Bibliografia e fontes
Os materiais incluídos neste guia incluem elementos adaptados das seguintes fontes ou por elas
inspirados:
■
Site da Internet de Bridges of Hope : www.bridgesofhope.info
■
Boal A (2005) Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira.
Edição revista; (ISBN 85-200-0265-X) 1ª edição 1975
■
Downing R (2008) Focused Church-based Action for PPTCT – Mapping progress of Tearfund partner
PPTCT programmes in Democratic Republic of Congo, Ethiopia, Kenya, Malawi, Tanzania, Zambia
and Zimbabwe
■
Downing R (2006) Focused Church-based Action for PPTCT – Case studies of Tearfund Partner
PPTCT programmes in Democratic Republic of Congo, Ethiopia, Kenya, Malawi, Tanzania, Zambia
and Zimbabwe
■
Site da Internet de Health24 : www.health24.com
■
Hubley J (1993) Communicating Health Macmillan Education
■
International HIV/AIDS Alliance (2002) 100 Ways to energise groups: Games to use in workshops
■
Kaleeba N, Kodowe J, Kalinaki D, Williams G (2000) Open Secret – People facing up to HIV and
AIDS in Uganda, Série Strategies for Hope, Nº 15, Action Aid
■
Labouchere P (2008) Bridges of Hope Users’ Guide – Changing behaviour for health and wellness
■
Labouchere P, Mkandawire J, Mkandawire G, Böse K (2007) Bambo Wachitsanzo – A Hope Kit
update package of experiential learning activities for involving men in addressing health and
wellness issues. Publicado em Chichewa pela Johns Hopkins University Center for Communication
Programs / Population Communication Services
■
Labouchere P, Mkandawire J, Mkandawire G, Böse K (2007) Have a healthy baby – A Hope Kit
update package of experiential learning activities for preventing mother-to-child transmission of
HIV. Publicado pela Johns Hopkins University Center for Communication Programs / Population
Communication Services
■
Organização Mundial de Saúde (2007) Prevention of mother-to-child transmission of HIV generic
training package
■
Orr N, Patient D (2007) Positive Health – Edição de 2007. Empowerment Concepts Joanesburgo:
Double Storey.
■
Parker W et al (2000) Living Openly: Stories and images of HIV-positive South Africans. Campanha
Beyond Awareness, do Departamento de VIH/SIDA e DST, Departamento de Saúde, Pretória
■
Shone R (1992) Creative Visualisation
■
West G et al (2005 e actualizações) Doing Contextual Bible Study: A resource manual. Ujamaa
Centre for Biblical and Theological Development and Research, Universidade do Kwa Zulu Natal,
Pietermaritzburg. Descarregado de www.ukzn.ac.za/sorat/ujamaa/resources.htm
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Guardiães da saúde dos nossos filhos
Actividades para os grupos das
igrejas levarem homens e mulheres a
participar na prevenção da transmissão
do VIH de pais para filhos
www.tearfund.org
100 Church Road, Teddington, TW11 8QE, Reino Unido
Tel: +44 (0)20 8977 9144
Instituição Beneficente nº 265464 (Inglaterra e País de Gales)
Instituição Beneficente nº SC037624 (Escócia)
19497–(0210)
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Materiais para Guardiães da saúde dos nossos filhos