Publicação do Sistema Federação das Indústrias do
Estado do Ceará Ano VII n No 84 n MAIO/2014
Da esquerda para a direita, Roberto Macêdo, Valdelírio
Pereira, governador Cid Gomes e Demontiê Aragão
INDÚSTRIA EM FESTA
Durante solenidade comemorativa do Dia da Indústria, FIEC entrega
a Medalha do Mérito Industrial a três personalidades e avalia
possibilidades de crescimento para o estado
/sistemafiec
00084
@fieconline
Foto: Miguel de Paula
O verdadeiro
show de bola.
O tatu-bola (Tolypeutes tricinctus)
é uma espécie que só ocorre no
Brasil, na Caatinga e no Cerrado. O
animal inspirou a escolha do mascote da próxima Copa do Mundo e
corre sério risco de desaparecer da
natureza. Ajude-nos a protegê-lo.
Conheça o Projeto de Conservação do Tatu-bola e venha marcar
um gol pela biodiversidade. Sua
participação vai ser show de bola.
Acesse www.acaatinga.org.br
e participe.
Publicação do Sistema Federação
das Indústrias do Estado do Ceará
MAIO 2014 | No 84
........................................................................................
Aquiraz
18
Ação Global
Evento realizado no município
ofereceu mais de 40 serviços
gratuitos e promoveu 50 672
atendimentos
Inovação
24
Profissionais do futuro
CAPA
08
16
são a principal força de
trabalho para promover o
desenvolvimento na indústria
30
Demandas discutidas
Abigraf elege nova diretoria
em evento que discutiu o setor,
que hoje gera mais de
230 000 empregos
FIEC concede a Medalha do Mérito Industrial ao
governador Cid Gomes, Francisco Demontiê Aragão e
Valdelírio Soares Filho
Meio ambiente
assessoria
técnica
Incentivos fiscais
40
FIEC e Associação
Caatinga firmaram parceria
de assessoria técnica
ambiental
Engenheiros e técnicos
Indústria gráfica
Dia da Indústria
Comida de Rua
36
Cozinha Brasil e
Sebrae capacitam
Preocupação
com a Súmula 69
STF poderá declarar
inconstitucional concessão
de incentivos sem prévia
aprovação pelo Confaz
Agenda da Indústria
44
Microempreendedores da
área de alimentação são
treinados para aperfeiçoar o
atendimento na Copa
CNI elabora
propostas
Das 134 propostas
elaboradas, 14 são projetos
de maior impacto para o
ambiente econômico brasileiro
6a Cúpula do Brics
34
FIEC comanda negócios
CNI e FIEC estão à frente da
articulação de encontros de negócios
durante o evento que ocorre entre
15 e 16 de julho, em Fortaleza
Seções
Mensagem da Presidência........05
Notas & Fatos..........................06
Inovações & Descobertas....,,,,..43
Federação das Indústrias do Estado do Ceará – FIEC
DIRETORIA Presidente Roberto Proença de Macêdo 1º Vice-Presidente Ivan Rodrigues Bezerra Vice-Presidente Carlos Prado, Jorge Alberto
Vieira Studart Gomes e Roberto Sérgio Oliveira Ferreira Diretor Administrativo Carlos Roberto Carvalho Fujita Diretor Administrativo Adjunto
José Ricardo Montenegro Cavalcante Diretor Financeiro José Carlos Braide Nogueira da Gama Diretor Financeiro Adjunto Edgar Gadelha
Pereira Filho Diretores Antônio Lúcio Carneiro, Fernando Antônio Ibiapina Cunha, Francisco José Lima Matos, Frederico Ricardo Costa
Fernandes, Geraldo Bastos Osterno Júnior, Hélio Perdigão Vasconcelos, Hercílio Helton e Silva, Ivan José Bezerra de Menezes, José Agostinho
Carneiro de Alcântara, José Alberto Costa Bessa Júnior, José Dias de Vasconcelos Filho, Lauro Martins de Oliveira Filho, Marcos Augusto Nogueira
de Albuquerque, Marcus Venícius Rocha Silva, Ricard Pereira Silveira e Roseane Oliveira de Medeiros CONSELHO FISCAL Titulares Francisco
Hosanan Pinto de Castro, Marcos Silva Montenegro e Vanildo Lima Marcelo Suplentes Fernando Antônio de Assis Esteves, José Fernando
Castelo Branco Ponte e Verônica Maria Rocha Perdigão Delegados da CNI Titulares Fernando Cirino Gurgel e Jorge Parente Frota Júnior
Suplentes Roberto Proença de Macêdo e Carlos Roberto Carvalho Fujita Superintendente geral do Sistema FIEC Paulo Studart Filho.
Serviço Social da Indústria – SESI
CONSELHO REGIONAL Presidente Roberto Proença de Macêdo Delegados das Atividades Industriais Efetivos Cláudio Sidrim Targino, Marcos
Silva Montenegro, Ricardo Pereira Sales, Carlos Roberto Carvalho Fujita Suplentes Abdias Veras Neto, José Agostinho Carneiro de Alcântara,
Luiz Francisco Juaçaba Esteves, Paula Andréa Cavalcante da Frota Representantes do Ministério do Trabalho e Emprego Efetivo Francisco José
Pontes Ibiapina Suplente Raimundo Nonato Teixeira Xavier Representantes do Governo do Estado do Ceará Efetivo Denilson Albano Portácio
Suplente Paulo Venício Braga de Paula Representantes da Categoria Econômica da Pesca no Estado do Ceará Efetivo Francisco Oziná Lima
Costa Suplente Eduardo Camarço Filho Representantes dos Trabalhadores da Indústria no Estado do Ceará Efetivo Pedro Valmir Couto
Suplente Raimundo Lopes Júnior Superintendente Regional Francisco das Chagas Magalhães.
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI
CONSELHO REGIONAL Presidente Roberto Proença de Macêdo Delegados das Atividades Industriais Efetivos Marcus Venícius Rocha
Silva, Aluísio da Silva Ramalho, Ricard Pereira Silveira, Edgar Gadelha Pereira Filho Suplentes Marcos Antônio Ferreira Soares, Paulo
Alexandre de Sousa, Francisco Lélio Matias Pereira, Marcos Augusto Nogueira de Albuquerque Representantes do Ministério da Educação
Suplente Samuel Brasileiro Filho Representantes da Categoria Econômica da Pesca do Estado do Ceará Efetivo Elisa Maria Gradvohl
Bezerra Suplente Eduardo Camarço Filho Representantes do Ministério do Trabalho e Emprego Efetivo Francisco Enio Oliveira Alencar
Suplente Francisco José Pontes Ibiapina Representantes dos Trabalhadores da Indústria do Estado do Ceará Efetivo Carlos Alberto
Lindolfo de Lima Suplente Francisco Alexandre Rodrigues Barreto Diretor do Departamento Regional Fernando Ribeiro de Melo Nunes.
Instituto Euvaldo Lodi – IEL
Diretor-presidente Roberto Proença de Macêdo Superintendente Vera Ilka Meireles Sales
Instituto de Desenvolvimento Industrial – INDI
Presidente Roberto Proença de Macêdo Diretor Corporativo Carlos Matos
Instituto FIEC de Responsabilidade Social – FIRESO
Presidente Roberto Proença de Macêdo Vice-presidente Wânia Cysne de Medeiros Dummar
Coordenação e edição Luiz Carlos Cabral de Morais (lcarlos@sfiec.org.br) Redação Camila Gadelha (cfgadelha@sfiec.org.br), Gevan Oliveira
(gdoliveira@sfiec.org.br), Luiz Henrique Campos (lhcampos@sfiec.org.br0 e Ana Paola Vasconcelos Campelo (apvasconcelos@sfiec.org.br)
Fotografia José Sobrinho e Giovanni Santos Diagramação Claudemir Luis Gazzoni Coordenação gráfica Marcograf Endereço e
Redação Av. Barão de Studart, 1980 - Térreo - Fortaleza-CE - CEP 60.120-024 Telefones (85) 3421 5435 e 3421 5436 Fax (85) 3421 5437
Revista da FIEC é uma publicação mensal editada pela Assessoria de Imprensa e Relações com a Mídia (AIRM) do Sistema FIEC
Gerente da AIRM Luiz Carlos Cabral de Morais Tiragem 5.000 exemplares Impressão Marcograf Publicidade (85) 3421 4203/3421 5434/8801 9077/8578 3018
publicidadesfiec@sfiec.org.br e airm@sfiec.org.br Endereço eletrônico www.sfiec.org.br/publicacao/revistadafiec
Revista da FIEC. – Ano 7, n 84 (maio 2014) – Fortaleza : Federação das Indústrias do Estado do Ceará, 2008 v. ; 20,5 cm.
Mensal.
ISSN 1983-344X
1. Indústria. 2. Periódico. I. Federação das Indústrias do
Estado do Ceará. Assessoria de Imprensa e Relações com a Mídia.
CDU: 67(051)
Mensagem da Presidência
Roberto Proença de Macêdo
Protagonismo
em primeiro plano
Na nossa Festa da Indústria, realizada no dia 22 passa- tecnológicos, e, além disso, criou uma equipe de elaboração
do, falei um pouco sobre as ações que empreendemos nos de projetos para aproveitar ao máximo recursos para pesúltimos 12 meses e sobre o que estará em consolidação nos quisa e inovação de editais dos governos estadual e federal,
três meses de conclusão do nosso mandato. Ambos como tendo obtido aprovação nos últimos meses de cinco projetos
parte do esforço que estamos desenvolvendo tendo em no valor de 34 milhões de reais, oriundos do Finep/BNDES.
Quanto ao fortalecimento da nossa capacidade física
primeiro plano o protagonismo empresarial. Nesta mensagem, sintetizo o que disse naquela ocasião.
de atendimento, já inauguramos o Instituto SENAI de
O programa Indústria Viva, que objetiva integrar proje- Tecnologia (IST) em Energias Renováveis, no campus da
tos e ações que contribuam para a promoção da competiti- Universidade do Ceará (Uece), e já está em funcionamento
vidade sustentável da indústria cearense, tem tido avanços o Centro de Formação Profissional de Horizonte.
importantes na direção de uma atuação regional, na prosFizemos a aquisição de dez unidades móveis para atenpecção do futuro, na inovação, na inteligência industrial e der os setores de Confecção, Panificação e Confeitaria, Eletroeletrônica, Madeira e Mobiliário, Construção Civil, Elena conexão com países mais avançados.
Foram criados sete polos regionais de inovação, dos quais tricidade, Solda, Bombeiro Hidráulico e Máquinas Injetoras.
Estamos em fase de conclusão do Centro Tecnológico
o primeiro já está implantado no Vale do Jaguaribe e o segundo será inaugurado em julho no
da Cadeia Têxtil (CTCT) e do
Cariri. Já temos também os resultados
Centro de Formação do SinOs próximos três meses
duscon, ambos em Parangaba,
do trabalho “Setores portadores de fude gestão serão intensos
turo para o Ceará”, fruto de uma ação
e, ainda, do Instituto SENAI de
realizada em sete regiões, apontando na conclusão de muitos projetos
Tecnologia de Eletrometalmecânica, em Maracanaú.
caminhos do que se quer para colocar
No SESI, foram feitos investia indústria cearense em posição com- relevantes para a nossa indústria
petitiva nacional e internacionalmente.
mentos superiores a 12 milhões
e para o desenvolvimento do
A aproximação das universidades e
de reais na modernização das suas
governos com as empresas, por meio nosso estado
unidades de atendimento, principalmente na construção em Mado Uniempre, ganha cada vez mais um
racanaú de uma nova Unidade de
contorno de resultados. Este programa
já é um patrimônio da sociedade. Em seu âmbito, realizamos Referência em Saúde e Segurança do Trabalhador.
Com a expansão de novos parques industriais no inteo mapeamento do Ecossistema de Inovação do Ceará e formamos a quinta turma do programa Apóstolos da Inovação, rior do estado, além das unidades fixas do SESI no Carique reúne estudantes cearenses do ITA e de universidades ri, em Horizonte e em Sobral, destacamos a prestação dos
nossos serviços mediante o uso intensivo de 22 unidades
locais, com o objetivo de fixar aqui nossos talentos.
O despertar da consciência da necessidade de inovação móveis especializadas.
Ainda no âmbito da atuação do SESI, em agosto inaupor parte dos nossos associados está sendo demonstrado
em momentos como o da superação de projetos apresen- guraremos o nosso Museu da Indústria, equipamento sintados para uso da totalidade dos recursos de um edital do gular que, por seu requinte tecnológico, se incluirá entre os
programa Tecnova, da Secretaria de Ciência e Tecnologia mais modernos do mundo.
do Ceará (Secitece), elaborados conjuntamente com o
Como se vê, nossos próximos três meses de gestão
SENAI, o IEL e o INDI.
serão intensos na conclusão de muitos projetos relevanO SENAI vem ampliando a sua capacidade de formação tes para a nossa indústria e para o desenvolvimento do
profissional e técnica, de atendimento de serviços técnicos e nosso estado.
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
|
5
q u e
Notas&Fatos
a c o n t e c e
n o
S i s t e m a
F IEC ,
n a
P o l í t i c a
e
n a
E c o n om i a
Copa 2014
Dia do Trabalho
Recicla Nordeste
Ministro discute
ganhos do Brasil
Sistema FIEC
comemora
Sindverde realiza
4ª edição
O Sistema FIEC, por meio do SESI,
comemorou o Dia do Trabalhador em 4 de
maio, das 8h às 17h, com atividades esportivas
e recreativas no SESI Clube da Parceria, em
Maracanaú. Os trabalhadores da indústria e
seus familiares participaram de competições
esportivas de natação, futsal e futebol society
pela manhã. À tarde, ao som de música ao
vivo, foi a vez de tênis de mesa, pebolim,
dama humana e recreação aquática. No dia 1º,
SENAI e SESI, em parceria com as secretarias
estadual e municipal do Trabalho e Desenvolvimento Social, promoveram uma festa para
homenagear o trabalhador cearense, com o
tema Trabalho Decente. Por toda a manhã, das
8h às 12h, foram oferecidos serviços de saúde,
terapêuticos, de beleza e de melhoria da qualidade de vida, de orientação, intermediação
e formalização para o trabalho, além de muita
diversão com shows e atrações musicais.
O evento foi realizado ainda pela Superintendência do Trabalho e Emprego (SRT/CE),
entidades do Sistema S (Sest e Senat), Sine/
IDT e sindicatos.
A 4ª edição da Recicla Nordeste – Feira
da Indústria da Reciclagem e Transformação,
promovida pelo Sindverde, filiado à FIEC, foi
realizada entre os dias 23 e 25 de abril, no
Centro de Eventos do Ceará. A programação
incluiu palestras e exposições para mostrar
que a reciclagem pode ser um bom negócio.
O evento reuniu produtos e serviços
voltados para a indústria e o comércio de
reciclagem e transformação. O objetivo
principal foi potencializar os negócios da
cadeia de reciclagem e transformação no
Nordeste nos segmentos de sucata metálica,
plástico, papel/papelão e geração de energia. A Dinâmica Eventos foi responsável pelo
planejamento e execução da Recicla, que
reuniu uma média de 50 marcas expositoras e 3 000 visitantes de todo o Brasil. O
tema deste ano, Tecnologia e inovação no
mercado de transformação, foi discutido no
Seminário de Reciclagem, Transformação e
Meio Ambiente. O evento teve o apoio da
CNI, FIEC, governo federal, por meio da Casa
Civil, e Sebrae.
Foto: JOSÉ SOBRINHO
O
O ministro-chefe da Secretaria-Geral
da Presidência da República, Gilberto
Carvalho, a secretária extraordinária
da Copa de Fortaleza, Patrícia Macedo, e o secretário especial da Copa no
Ceará, Ferrúcio Feitosa, participaram no
dia 6 de maio do seminário Diálogos
Governo-Sociedade Civil – Copa 2014,
promovido pelo governo federal, em
parceria com os governos estadual
e municipal. O principal objetivo foi
esclarecer sobre os investimentos realizados para a realização da Copa 2014
no Brasil, o andamento das obras de infraestrutura e mobilidade urbana e dialogar com movimentos sociais. O Brasil
ganha com a Copa, segundo o ministro
Gilberto Carvalho. Trinta bilhões de reais
é a projeção de renda adicionada ao
Produto Interno Bruto (PIB) pelo evento
a partir de estudos de impacto econômico da Copa das Confederações 2013,
de acordo com a Fundação de Estudos
e Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) e o
Ministério do Turismo.
6 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
Agenda
---------------------
Empresas e institutos privados de pesquisa com projetos inovadores
têm até o dia 13 de junho para se inscrever no Inova Talentos e
ganhar apoio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e do Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para tirar essas
ideias do papel. As propostas serão analisadas por uma comissão
nacional e as selecionadas vão receber incentivo financeiro. Mas,
para isso, elas precisam apresentar uma contrapartida. O programa
prevê investimentos de 56 milhões de reais até 2016 para atender
às demandas em inovação. O foco dos projetos deve ser o aumento
da competitividade, por meio de inovação de produtos e processos,
organizacional, em marketing e modelo de negócios. A empresa também
pode solicitar, durante a inscrição, a participação de até três bolsistas
no desenvolvimento dos projetos. As empresas interessadas devem
procurar o IEL/CE. Mais informações: (85) 3421 6508/ 3421 6526.
CURTAS
---------------------
P&D&I
Aluno medalha
de ouro é
homenageado
Embrapii apresenta
primeiro edital
Foto: JOSÉ SOBRINHO
WorldSkills Americas
Mauri Saraiva dos Santos, de 20
anos, aluno do Centro de Formação Profissional Waldyr Diogo de
Siqueira, unidade do SENAI/CE na
Barra do Ceará, foi homenageado
no dia 5 de maio, durante reunião
de diretoria plena da FIEC, por ter
ganhado a medalha de ouro em
Eletrônica no WorldSkills Americas, competição interamericana
de profissões técnicas realizada
em Bogotá, na Colômbia, entre 1º
e 6 de abril. Mauri Santos competiu na área de eletrônica e fez intenso treinamento desde dezembro do ano passado no SENAI. Ele
também foi medalha de bronze na
modalidade Eletrônica Industrial
na última Olimpíada do Conhecimento, em 2012. Atualmente, faz
o curso Técnico em Eletrotécnica.
A equipe brasileira que participou
da WorldSkills Americas foi formada por 34 estudantes de cursos
técnicos e de aprendizagem profissional. Nas provas, os estudantes executam tarefas do dia a dia
do trabalho nas profissões que
escolheram, seguindo padrões
internacionais de qualidade.
A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação
Industrial apresentou, no dia 30 de abril, na FIEC, o primeiro
edital para a seleção de unidades. Para esta chamada, as instituições de pesquisa científica e tecnológica estão sendo convidadas a apresentar propostas de credenciamento em áreas
de competências específicas, visando à execução de planos
de ação de desenvolvimento tecnológico. Serão selecionadas
dez unidades, com montantes de recursos previstos em 260
milhões de reais. Nesta chamada, as instituições credenciadas
firmarão compromisso com a Embrapii por um período de seis
anos para a contratação e execução de projetos de inovação.
O edital está disponível no link http://www.embrapii.org.br/
chamada-publica.
Guaiúba
Polo químico será iniciado
A pedra fundamental do Condomínio Industrial
Químico do Ceará foi lançada no dia 10 de maio, no município
de Guaiúba, integrante da região metropolitana de Fortaleza.
O empreendimento irá reunir 24 empresas do setor, distribuídas
em 32 lotes, e deverá gerar 1 600 empregos diretos a partir
do próximo ano. Conforme o presidente do Sindiquímica/CE,
Marcos Soares, a expectativa do setor é que pelo menos 70%
a 80% da mão de obra empregada no local sejam de Guaiúba.
A prefeitura deverá construir uma escola profissionalizante
para capacitar os trabalhadores que atuarão no condomínio
industrial. O empreendimento resulta de uma parceria entre
prefeitura de Guaiúba, Sindiquímica, governo do estado e a
empresa Fortsan do Brasil. Somados, os investimentos para
viabilizar o condomínio industrial totalizam 100 milhões de reais. Para a construção do condomínio industrial, a prefeitura de
Guaiúba ofereceu o terreno e a infraestrutura necessária. A área
doada tem 45 hectares, divididos em lotes de 0,9 a 1,4 hectare.
n O Edital SENAI SESI
de Inovação traz duas
novidades na edição
deste ano. As inscrições,
disponíveis desde 31
de março, poderão ser
feitas durante todo o
ano e startups também
terão direito de participar.
Os recursos chegam a
30,5 milhões de reais,
sendo 20 milhões de
reais para projetos do
SENAI, 7,5 milhões de
reais para projetos do
SESI e 3 milhões de reais
em bolsas de pesquisa
em Desenvolvimento
Tecnológico e Industrial
(DTI) do CNPq. As
avaliações de projetos
serão trimestrais.
Mais informações e
inscrições:
www.editaldeinovacao.
com.br.
n O Centro
Internacional de
Negócios (CIN/CE),
da FIEC, realiza entre 9
e 12 de junho o curso
Analista de Exportação.
O conteúdo programático
envolve tópicos como
negociação com o
comprador, aspectos
administrativos, fiscais e
cambiais e desembaraço
aduaneiro. Aparecida
Alves, especialista em
Logística, Distribuição
e Transportes, será
a facilitadora. O
investimento é de 300
reais para estudantes
e 370 reais para
profissionais. Pode ser
parcelado no cartão
de crédito. Mais
informações: (85) 3421
5417 / 5418 /
www.sfiec.org.br/cin.
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
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7
Dia da Indústria
Roberto Macêdo: "Nós empresários devemos apoiar candidatos de ficha limpa, comprometidos com a agenda da indústria e o desenvolvimento do país”
FIEC homenageia
personalidades
Durante a festa, Cid Ferreira Gomes, Francisco Demontiê Mendes
Aragão e Valdelírio Pereira de Soares Filho receberam a Medalha do
Mérito Industrial por sua contribuição à indústria do estado
A
Federação das Indústrias do Estado do Ceará
(FIEC) realizou no dia 22 de maio, no La Maison
Dunas, a tradicional festa alusiva ao Dia da Indústria, comemorado em 25 de maio. Na ocasião,
homenageou com a Medalha do Mérito Industrial três personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do
setor industrial e para a economia do Ceará: o governador
Cid Ferreira Gomes, Francisco Demontiê Mendes Aragão,
do setor de pedras ornamentais, e o ex-presidente do Sindi-
8 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
cato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais
Elétricos do Ceará (Simec/CE), Valdelírio Pereira de Soares
Filho, fundador da Microsol.
Em seu discurso, o presidente da FIEC, Roberto
Proença de Macêdo, apontou problemas estruturais do Brasil que impedem o crescimento acelerado, com destaque
para as carências da infraestrutura, o recrudescimento da
inflação e o aumento do custo Brasil, agravados com a retomada da alta dos juros. Os aspectos foram registrados pelo
presidente na solenidade do ano passado e relembrados este ano para a constatação de que
são recorrentes e atrasam o desenvolvimento.
Diante dos problemas, ele sugeriu reagir como
protagonistas no uso de oportunidades para
enfrentá-los. Três eventos que ocorrerão no
Ceará podem ser identificados como oportunidades a serem aproveitadas, sugeriu o líder da
FIEC: a Copa do Mundo, o Encontro da VI Cúpula do Brics e as eleições para renovação dos
mandatos legislativos e executivos nas esferas
federal e estadual.
“Além de oportunidade, é dever tirar, na
condição de anfitriões, o melhor proveito da
Copa”, disse Roberto Macêdo. Também de
grande dimensão e visibilidade internacional
será o Encontro da VI Cúpula do Brics, nos
dias 15 e 16 de julho, em Fortaleza. A vertente
empresarial será coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com o apoio
local da FIEC, por meio do Centro Internacional de Negócios (CIN/CE). Governantes e
empresários da Rússia, Índia, China e África
do Sul virão a Fortaleza para realizar o que Roberto Macêdo classificou como o “maior evento
político-econômico da história do Ceará”, com
a presença dos chefes de estado dos países-membro, que juntos formam mais de 25% da
economia global. A reunião tem o propósito de
intensificar o diálogo e a cooperação nos campos econômico, social e político. Além disso,
será criado um banco com um fundo de 100
bilhões de dólares para financiar projetos de
infraestrutura de interesse dos países membros
do Brics. Para os empresários, afirmou Roberto
Macêdo, será uma oportunidade privilegiada
de participar ativamente das redes de negócio
que serão criadas, estreitando relações com esse
grande mercado.
Em relação às eleições, o presidente da FIEC
advertiu sobre o apoio a candidatos para mudar a situação em que se encontra o país, com
uma série de escândalos sobre o mau uso dos
recursos públicos: “Nós empresários devemos
apoiar somente candidatos de ficha limpa, que
sejam realmente comprometidos com a agenda
da indústria e com o desenvolvimento do país”.
O sistema político não atende ao potencial e à
necessidade de desenvolvimento do Brasil, disse
Roberto Macêdo, com excesso de partidos, outros de aluguel e falta de compromisso de grande
parte dos eleitos para com os interesses da nação.
O governador Cid Gomes discursou pelos
Ano a ano, a FIEC
tem feito seletivamente
a escolha desses nomes.
O governador Cid Gomes
é um grande cearense,
comprometido com o estado.
Os outros agraciados são
empresários com grande
contribuição ao Ceará
Roberto Cláudio, prefeito de Fortaleza
medalhados. Além de ser motivo de orgulho,
receber a Medalha do Mérito Industrial, para
ele, “tem o condão de reforçar responsabilidades e compromissos com o Ceará e seu povo”.
Ressaltou o dinamismo da indústria cearense
atualmente, que tem sabido crescer, avantajar-se nos contextos regional e nacional, assumindo responsabilidades sociais e ambientais,
gerando milhares de empregos, contribuindo
para que o Ceará alcance um novo patamar de
desenvolvimento. A indústria cearense apresentou, no primeiro trimestre deste ano, expansão de 1,2% na produção física, em comparação
com igual período de 2013, obtendo, mais uma
vez, resultado superior à média nacional, que
foi de 0,4%. “Isto, reconheça-se, apesar de uma
política econômica demasiado parcimoniosa
em incentivos e de uma carga tributária que no
Brasil, lamentavelmente, pesa cada vez mais sobre os ombros de quem produz.”
Dentre os diversos setores que cresceram
no período tiveram destaque a indústria de
vestuário (20%); petróleo, derivados e álcool
(16,5%); produtos de metal (9,1%); bebidas
(9,1%) e alimentos (9%). “Estamos, sem dúvida, no caminho certo”, acredita Cid. As aspirações do governo do estado e do setor produtivo
estão em consonância, demonstrou o governador, no sentido de elevar o nível de desenvolvimento socioeconômico, gerando mais oportunidades para todos. O desafio que guiou suas
ações na atual gestão foi reverter a situação que
julga “intolerável” para os cearenses, representada pelo fato de o Ceará ter 4% da população
do país e representar apenas 2,1% do Produto
Interno Bruto (PIB) nacional. Segundo dados
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
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9
A solenidade
congrega os
associados e estimula o
segmento. A FIEC é uma
das maiores associações
do nosso estado
Francisco Freitas Cordeiro,
presidente da Câmara de Dirigentes
Lojistas de Fortaleza (CDL)
do Instituto de Desenvolvimento Industrial do
Ceará (INDI), organismo da FIEC, atualmente o Ceará representa 2,2% do PIB brasileiro,
maior percentual desde 1965.
O que tem sido realizado no estado em termos
de investimentos é uma obra indestrutível, avaliou Cid Gomes, citando a ampliação do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP); criação do polo siderúrgico; construção do Centro de
Eventos e aeroportos; abertura e alargamento de
estradas; concretização do Cinturão das Águas,
Cinturão Digital e parques eólicos; construção
de policlínicas, unidades de pronto atendimento
(UPAs) e centros de especialidades odontológicas,
além de hospitais regionais e implantação de escolas de educação profissional.
O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, prestigiou a festa e comentou a escolha dos agraciados.
“Ano a ano, a FIEC tem feito seletivamente a escolha desses nomes. O governador Cid Gomes é um
grande cearense, comprometido com o estado e que
vem transformando o sonho da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e da siderúrgica em realidade. Os outros agraciados são empresários que
contribuem para o crescimento da economia do
Ceará”, reconheceu.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL), Francisco Freitas
Cordeiro, exaltou a realização da festa pelo Dia
da Indústria. “A ocasião congrega os associados
e estimula o segmento. A FIEC é uma das maiores associações do nosso estado."
Modernidade e inovação
A busca pela competitividade sustentável da indústria cearense tem sido a base de
10 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
atuação do Sistema FIEC, destacada por Roberto Macêdo durante a solenidade. O programa
Indústria Viva, que objetiva integrar projetos
e ações que contribuam para a promoção da
competitividade, apresenta avanços importantes, como a implantação do segundo Polo
Regional de Inovação, no dia 10 de junho, no
Cariri. O primeiro já está estabelecido no Vale
do Jaguaribe. O projeto Setores Portadores de
Futuro, que aponta caminhos para a indústria
cearense em um horizonte temporal de dez
anos, lançou uma publicação que deve nortear
o crescimento de setores estratégicos.
Por meio do programa Uniempre, a aproximação das universidades e governos com as
empresas está cada vez mais sólida, acredita
o presidente. No âmbito deste programa, foi
realizado o mapeamento do Ecossistema de
Inovação do Ceará e formada a quinta turma
do programa Apóstolos da Inovação, que reúne
estudantes do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e de universidades locais com o
objetivo de fixar talentos no estado.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI/CE) vem ampliando sua capacidade de formação profissional e técnica e de
atendimento de serviços técnicos e tecnológicos.
O presidente destacou a inauguração do Instituto SENAI de Tecnologia (IST) em Energias Renováveis, no campus da Universidade Estadual
do Ceará (Uece), e a aquisição de dez unidades
móveis. Em fase de conclusão estão o Centro
Tecnológico da Cadeia Têxtil (CTCT), o Centro
de Formação do Sindicato da Indústria da Construção do Ceará (Sinduscon/CE) e o Instituto
SENAI de Tecnologia de Eletrometalmecânica.
No Serviço Social da Indústria (SESI/CE),
foram feitos investimentos superiores a 12 milhões de reais na modernização de unidades de
atendimento, a exemplo da nova unidade de
Referência em Saúde e Segurança do Trabalhador, em Maracanaú. Para atender à demanda
dos novos parques industriais no interior do estado, o SESI/CE dispõe de 22 unidades móveis
especializadas. ainda no âmbito de atuação do
SESI, Roberto Macêdo anunciou que o Museu
da Indústria, um dos mais modernos do mundo, será inaugurado em agosto.
Em 22 de setembro, o presidente eleito, Beto
Studart, assumirá o comando da instituição.
Ausente da festa por estar viajando em família,
enviou uma carta parabenizando os homenageados e cumprimentando os presentes.
Medalha do Mérito Industrial
Instituída pela FIEC em 1974, a comenda presta homenagem a empresários e personalidades com
atuação marcante no impulso do desenvolvimento econômico do Ceará por meio de relevantes serviços
prestados ao setor industrial cearense. Os nomes das personalidades agraciadas com a Medalha do Mérito
Industrial foram aprovados pela diretoria plena da FIEC.
Em 2013, os industriais Ana Lúcia Mota, da Cerbras, Waldyr Diogo de Siqueira Filho, da área da construção civil, que participou por vários anos da diretoria da FIEC, e, in memoriam, o empresário Flávio Barreto
Parente, falecido em 28 de dezembro de 2012, receberam a comenda.
Cid Ferreira Gomes
Cid Gomes nasceu em Sobral, em 27 de abril
de 1963. Filho de José Euclides Ferreira e de Maria
José Santos Ferreira Gomes, convive com a política
desde a infância. Cursou Engenharia Civil na Universidade Federal do Ceará (UFC) e presidiu o Centro
Acadêmico. Em 1990, elegeu-se deputado estadual,
tendo exercido o cargo de 1o secretário da Mesa Diretora. Quatro
anos depois, reeleito, tornou-se, aos 32 anos, o mais jovem presidente
da história da Assembleia Legislativa do Ceará.
Cid teve atuação destacada à frente do Parlamento estadual,
de onde saiu para disputar o cargo de prefeito de Sobral. Eleito com
votação recorde, desenvolveu projetos nas áreas social, econômica
e de infraestrutura. O excelente desempenho o credenciou à reeleição. Em 2006, elegeu-se governador e, em 2010, os cearenses
o reconduziram ao cargo. À frente do governo do Ceará, Cid se
destaca pelo espírito empreendedor.
Francisco Demontiê Mendes Aragão
Nascido em Sobral, Demontiê Aragão ingressou no Grupo M.
Dias Branco como vendedor, onde posteriormente passou a ser
supervisor, atendendo aos grandes clientes, supermercados e
Companhia Brasileira de Alimentos (Cobal).
Em 1977, aos 23 anos de idade, saiu do Grupo M. Dias Branco
e fundou a Imarf Granitos, que iniciou com uma pequena marmoraria que comercializava os mármores e granitos vindos do Espírito
Santo. Em 1982, fundou a Indústria de Mármores e Granitos
(Inbrasma), em Sobral, e a Mineração Vale do Acaraú (Minevale),
onde surgiu como pioneiro na extração de granitos no Norte e Nordeste, ambas voltadas para o mercado consumidor cearense.
Em 1989, com o domínio do mercado nacional, fundou a
Granos Granitos do Nordeste. Com o olhar inovador, foi também
pioneiro na extração de limestone (pedra calcária), com a criação
em 2002 da empresa Limestone do Brasil.
O grupo empresarial comandado por Demontiê Aragão domina a maioria das grandes obras no Brasil e
exterior, dentre elas o Aeroporto de Guarulhos, em
São Paulo, com o granito Branco Ceará, e atual-
mente a construção de 11 torres na cidade de Shangai, na China,
com o limestone Mont Charmot. Em 2011, para ter mais agilidade e
qualidade na entrega dos produtos, fundou a DM Transportes. Atualmente, o grupo emprega mão de obra direta de 700 funcionários.
Para Demontiê, ser agraciado foi uma alegria. Ele ressaltou as
conquistas do segmento de pedras ornamentais, que, apesar das
dificuldades enfrentadas poucas décadas atrás, alcançou posição de
destaque não só no país, mas no mundo. “É mais um incentivo para a
indústria cearense e também para o setor no qual atuo, o de granito.”
Valdelírio Pereira de Soares Filho
Cearense do sertão de Crateús, Valdelírio Soares
sempre foi um curioso e sua avidez por conhecimentos em energia encontrou estímulo na Escola
Técnica Federal do Ceará, onde estudou. Iniciou as
atividades profissionais por concurso, na Embratel,
na área de comunicação de dados. Ali aprendeu a
trabalhar com microprocessadores, chegando a liderar
um departamento autônomo de P&D. Em 1982, fundou
com o amigo José Vicente Borges a primeira indústria de
tecnologia do Ceará, “Micros na Terra do Sol” – Microsol, empresa de
assistência técnica e desenvolvimento de software.
A Microsol chegou a ser a segunda maior indústria de condicionadores de energia do Brasil, com filiais em São Paulo e Salvador,
empregando 700 colaboradores diretos. Em 2004, Valdelírio convida o fundo Nordeste Empreendedor a investir na companhia, assumindo 18% das ações. Em 2009, o Fundo e Valdelírio decidiram
vender 100% da companhia para a APC/Schneider, multinacional
francesa que deu seguimento ao legado da Microsol, continuando
a investir no Ceará. Valdelírio permaneceu até dezembro de 2011
liderando a integração da Microsol à Schneider. Desde então, vem
investindo no setor imobiliário, por meio da VS Realty, e no setor de
varejo de combustíveis. Em 2012, fundou a sua nova paixão: Cieli di
Toscana – operador turístico na Itália.
Valdelírio disse que a homenagem é um estímulo na busca do
crescimento empresarial: “É uma enorme alegria ter o reconhecimento dos colegas industriais, além de uma grande responsabilidade carregar essa comenda”.
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
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11
Flashes
Roberto Macêdo e família
Francisco Baltazar e Maria Conceição Baltazar, Livia Baltazar e Felipe Rabelo
Frederico e Francisco Silveira ex-presidente da FIEC Lúcia Castro e Fred Hosanan
Fred Fernandes, Júnior Osterno, Hebert Velho, Carlos Matos e José Dias Vasconcelos
Carlos Prado e Ivens Dias Branco
Kilvia e Marcos Montenegro
Fernando Cirino e Tereza Cirino, Zena Targino e Claúdio Targino, Helena Diogo e Waldyr Diogo
André Siqueira e Juliana Barroso
Luciana Dummar, Roberto Macêdo e Tânia Macêdo e João Dummar Neto Freitas Cordeiro, Fernando Cirino e Pio Rodrigues
12 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
Rejane e João Batista Fujita
Maria Alciones e Marcus Venícius
Pedro Medeiros e Roseane Medeiros, Márcia Pinheiro e Adilino Pinheiro
Ciro Gomes, Roberto Macêdo, Maria José Gomes e Cid Gomes
Roberto Macêdo e Cid Gomes
Raimundo Bernado Neto, Imaculada Silva, Cid Gomes, Maria Célia e Matheus
Luiz Mandes, Carlos Girão, Leonardo Girão, Carlos Fujita, Ciro Gomes e Carlos Ferrentini
Expedito Borges e Domingos Filho
Mário Peneretti e Selma Peneretti, Camilo Santana e Onélia Santana
Nadja Parente, Cid Gomes e Jorge Parente
Tomaz Rocha, Rafael Fujita, Liana Rocha, Cid Gomes e Carlos Fujita
Isabel e Alexandre Pereira
Zezinho Albuquerque e Antonio Balhmann
Livia Gomes e Jorge Albuquerque
Roberto Ramos, Cid Gomes, Fernando Ibiapina e Jocely Dantas João Batista Fujita e Cid Gomes
Danilo Serpa e Roberto Cláudio
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
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Flashes
Edição de fotos: Giovanni Santos
Mendes Aragão e família
Mendes Aragão e convidados
Socorro França e Assis Machado Márcio Aragão, Humberto Fontenele e Darlan Aragão
Roberto Cláudio e Mendes Aragão
Mauro Benevides e Mauro Filho
Elias Carmo, Mônica Aguiar e Sérgio Aguiar e Marcos Albuquerque
Hélio Perdigão e Verônica Perdigão e Artur Bruno
Walter Cavalcante, Camilo Santana e João Batista Fujita
14 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
Pio Rolim e Felipe Gurgel
Nívea Aragão, Gustavo Serpa e Mendes Aragão
Marcos Albuquerque, Carlos Rubens e Cid Gomes
Verônica Barros, Arnon Bezerra e Helena Demes
Mendes Aragão e Adriano Borges
Adail Junior, Tin Gomes, Roberto Cláudio e Fernando Cirino
José Pimentel, Raimundo Gomes de Matos e Inácio Arruda
Beat Suhner e Vânia Suhner
Cid Gomes e Mendes Aragão
Ferrúcio Feitosa, Zezinho Albuquerque, Honório Pinheiro e Freitas Cordeiro
Aureliano Cavalcante e Luciana Soares,Valdelírio Soares e Lúcia Soares
Waldyr Diogo, Cláudio Targino, Valdelírio Soares e Maurício Targino
Francisco Brandão, Valdelírio Soares e Ednilton Soarez
Mário Bravo, Carlos Prado, Valdelírio Soares e Eduardo Bezerra
Mônica e Paulo Studart
Zezinho Albuquerque e Valdelírio Soares
Edgar Gadelha e Valdelírio Soares
Valdelírio Soares e família
Álvaro e Eneida Correia
Fernando Nunes, Gorete Pereira, Carlúcio Pereira e Francisco Magalhães
Pedro Alfredo, Chico Esteves e Eulálio Costa
Mendes Aragão, Fernando Cirino e Valdelírio Soares
Felipe Gurgel, Otilio Ferreira e Marcelo Quinderé
Eliane Brasil e Euvaldo Bringel
Wânia Dummar e Anya Ribeiro
Eliane e Jurandir Picanço
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
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Meio ambiente
A parceria foi apresentada pelo diretor financeiro adjunto da FIEC e vice-presidente da Associação Caatinga, Edgar Gadelha, que ressaltou a necessidade e a importância da assessoria para a Federação
Parceria pela
sustentabilidade
FIEC e Associação Caatinga firmaram parceria de assessoria técnica
ambiental para casas do Sistema e sindicatos associados
A
Associação Caatinga e o Sistema FIEC, por meio
do Serviço Social da Indústria (SESI/CE) e do
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
(SENAI/CE), firmaram uma parceria para prestar assessoria técnica ambiental à Federação das Indústrias
do Estado do Ceará (FIEC) e aos sindicatos associados. O
anúncio foi feito durante a 13ª Reunião do Conselho Temático de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Coema) da
Confederação Nacional da Indústria (CNI), regional Nordeste, realizada na FIEC em 24 de abril.
A parceria foi apresentada pelo diretor financeiro adjunto da FIEC e vice-presidente da Associação Caatinga,
Edgar Gadelha, que ressaltou a necessidade e a importância
da assessoria para a Federação. Ele lembrou que projetos de
leis são discutidos em Brasília, eventos acontecem e ações
16 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
são deliberadas sem que os empresários cearenses, classe
diretamente envolvida, saibam o que está se passando. Segundo ele, muitas vezes, só ficam sabendo após a surpresa
de uma multa por desacordo a determinada decisão dos
órgãos ambientais reguladores.
Edgar disse que a CNI tem uma agenda de meio ambiente e sustentabilidade organizada, sustentada por redes,
que funciona como fórum e organização empresarial para
esses temas. A Rede Clima discute metas de redução de
gases do efeito estufa (GEE), acordos internacionais, protocolos e acordos entre ministérios da República. A Rede
Biodiversidade e Floresta discute o acesso ao patrimônio
genético e conhecimento tradicional adquirido, código
florestal, cadastro ambiental rural e pagamento por serviços ambientais (PSA). A Rede Água e Energia discute
Foto: giovanni santos
marcos regulatórios e leis como a de recursos
hídricos. A Rede de Resíduos Sólidos se dedica a discutir logística reversa e o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), dentre outros
temas. Existem ainda diversas redes focadas
em assuntos específicos. Os licenciamentos
ambientais e a necessidade por inovação nessa
área também são assuntos discutidos.
A assessoria técnica foi pensada para trazer para perto do empresário cearense esses
temas. “Precisamos internalizar tudo isso na
federação e passar aos sindicatos para que a
informação chegue na ponta, na empresa”,
afirmou Edgar. Ela auxiliará o Sistema FIEC
na implantação transversal da agenda ambiental nacional da indústria, fomentando a discussão de temas estratégicos localmente, além
de promover a disseminação de informações
ambientais nos industriais. Um dos pontos
destacados por Edgar foi a possibilidade de a
FIEC adquirir experiência na formatação de
projetos para captação de recursos em órgãos
ambientais e ministérios. “A Associação Caatinga entende muito bem disso porque sobrevive assim, captando recursos. Queremos internalizar isso também no Sistema FIEC.”
Também está no escopo da parceria o assessoramento na identificação de oportunidades para a atuação das indústrias do Ceará
na área ambiental, levantando nas instituições
que compõem o Sistema FIEC e sindicatos
associados as demandas e prioridades na área
ambiental e de sustentabilidade. Mais: a Associação Caatinga deverá auxiliar a FIEC na participação da instituição no Coema nacional e
regional e nas redes. Também deverá apoiar
a sistematização de documentos, legislação e
acordos pertinentes aos temas ambientais estratégicos da indústria.
Experiência
e instituições interessadas na conservação da
biodiversidade da Caatinga, num espectro que
abrange universidades, órgãos técnicos e de
financiamento, proprietários rurais e agricultores familiares, empresários, organizações do
terceiro setor e instituições governamentais.
Com equipe formada por biólogos, geógrafos, engenheiros agrônomos, engenheiros
florestais e juristas, com mestrados e especializações, a Associação Caatinga colocará
à disposição do Sistema FIEC e sindicatos
sua experiência em criação e gestão de áreas
protegidas, elaboração de marcos legais ambientais, produção de mudas e restauração de
áreas degradadas, recuperação de nascentes,
mudanças climáticas, sequestro de carbono, emissão evitada de carbono, produção
de materiais técnico-científicos sobre temas
ambientais, produção de materiais didáticos
na área ambiental, capacitação na área de
tecnologias sustentáveis, capacitação na área
de educação ambiental, elaboração e gestão
de projetos ambientais e de sustentabilidade,
planejamento estratégico de instituições do
terceiro setor, elaboração e execução de estratégias de conservação e assessoria técnica
para reposição florestal.
A relação da FIEC com a instituição já rendeu frutos. A federação tem apoiado projetos
como o No Clima da Caatinga; a divulgação
da campanha do tatu-bola para mascote da
Copa 2014; a realização da Semana da Caatinga; a edição do livro Caatinga, um novo olhar;
e a campanha para inserção da Caatinga e do
Serrado na constituição como patrimônio nacional. Cerca de 90 educadores do SESI foram
capacitados em oficinas ambientais, com material didático incluso.
Associação Caatinga promove
a conservação do bioma
Caatinga
A Associação Caatinga, criada em Fortaleza, em 1998, é uma entidade não governamental, sem fins lucrativos. Tem a missão de
promover a conservação das terras, florestas e
águas do bioma Caatinga para garantir a permanência de todas as suas formas de vida. Desenvolve projetos para a criação e gestão de áreas protegidas e fomenta a pesquisa, a educação
ambiental e o desenvolvimento sustentável.
Sempre em busca de parceiros, a Associação potencializa a mobilização de pessoas
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
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Foto: giovanni santos
Ação Global em Aquiraz
Casamento
coletivo
emociona
20a edição promoveu 50 672 atendimentos
a 16 781 pessoas. Ofertou mais de
40 serviços gratuitos, além de ter
proporcionado a 67 casais realizarem o
sonho do casamento civil
S
uely de Sousa conheceu
Adriano de Carvalho quando
ainda tinha 11 anos, em Caponga da Bernarda, distrito
de Aquiraz. Aos 15, teve o primeiro dos
dois filhos com ele, e, desde então, passaram a viver juntos. Suely e o parceiro
sempre acalentaram o sonho de oficializar a relação, mas a concretização
só foi possível 25 anos depois, graças
ao casamento coletivo proporcionado
pelo programa Ação Global realizado
no dia 26 de abril em Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza.
Assim como Suely e Adriano, outros 66 casais oficializaram suas relações, muitas já amadurecidas pelo
tempo, tendo como testemunhas os
próprios filhos. O ato, presidido pelo
juiz de paz José Wilson de Abreu, do
cartório Queiroz, reuniu autoridades
18 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
municipais e gestores do
Serviço Social da Indústria (SESI/CE), e foi um
dos mais emocionantes já
levados a efeito pelo evento, uma parceria do SESI e
a Globo, com apoio da TV
Verdes Mares, que este ano
promoveu 50 672 atendimentos para 16 781 pessoas.
Além do espaço belamente decorado para o casamento coletivo, localizado na Casa do Saber, os
noivos tiveram direito a brindes surpresas, como o
sorteio de cinco luas de mel nos hotéis Marina Park,
Holiday Inn, Bristol, Confort e Spázio. Para Suely e
Adriano, também agraciados com uma das diárias,
o casamento foi uma bênção que jamais esquecerão.
Este ano também será especial para os dois, pois
o primeiro filho do casal, Adriano Benício, já casado,
está com a esposa grávida. Feliz com a oficialização
dos pais, ele ressalta que, junto com a irmã, Adriele,
Adriano e Suely realizaram
no Ação Global, com outros
66 casais, a concretização do
sonho de oficializar uma relação
que já dura 25 anos
aliança de compromisso que deve durar até a
morte: “É uma visão de futuro, de amor, cumplicidade, de envelhecer juntos”. Para ela, quando isso se concretiza, as pessoas estão também
de certa forma contribuindo para que se tenha
uma sociedade mais justa e harmoniosa.
De acordo com o prefeito de Aquiraz,
Antônio Guimarães, a relação entre um
homem e uma mulher se dá principalmente mediante o companheirismo, querendo
para o parceiro o mesmo que se deseja para
si. O gestor municipal disse ainda que, se
em casa cabe ao casal cuidar para que nada
falte aos seus, é papel da prefeitura proporcionar bem-estar às famílias, oferecendo
serviços de qualidade.
Guimarães, nesse sentido, afirmou que tem
procurado cumprir o que prometeu durante
sua campanha, nas áreas de saúde e educação,
dentre outras, esquecendo desavenças políticas: “Fui eleito para ser o prefeito de todos, e
não apenas de alguns”.
Mapeamento da cultura
O
sempre viram os dois alimentando esse sonho.
Para o superintendente regional do SESI/CE,
Francisco das Chagas Magalhães, é importante
entender o casamento não apenas em relação
ao casal, mas extensivo aos familiares. Magalhães disse que o ato representa a oficialização
de um sonho, mas também a percepção de que
a união entre um homem e uma mulher é antes
de tudo o exercício de perdoar e pedir perdão.
Segundo a gerente de qualidade de vida do
SESI, Kassandra Moraes, o casamento é uma
espaço escolhido para a realização do programa Ação Global
não poderia ter sido mais apropriado. Na Praça da Matriz, onde o
aspecto da arborização é um dos destaques, foi possível aproveitar a brisa do local. Ali também foi montado um amplo palco para
apresentações artísticas. Das 8h às 17h, foram 15 atrações mostrando
um pouco dos talentos da terra, como sanfoneiros, grupos de dança e
de capoeira, dentre outros.
A abertura coube ao próprio secretário de Cultura de Aquiraz, o sanfoneiro Rodolf Forte, e à banda de música municipal. De acordo com
a coordenadora de patrimônio de Aquiraz, Karol Paiva, a seleção das
apresentações, que ficou a cargo
do município, levou em conta os
artistas da própria cidade, como
incentivo para que possam ocupar
os espaços disponíveis para mostrar sua arte.
Segundo Karol, desde que a
atual gestão municipal assumiu,
em janeiro do ano passado, a Secretaria de Cultura deu início a um
inventário de manifestações artísticas para elaborar um mapeamento
Foto: JOSÉ SOBRINHO
atualizado do patrimônio artístico-cultural que Aquiraz possui: “Esse diagnóstico visa oferecer a possibilidade de se ampliarem espaços aos grupos e artistas já existentes, bem
como passar a ter novos. Pretendemos criar um calendário permanente
para difundir nossas manifestações artísticas”.
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
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Foto: giovanni santos
Consórcio de
responsabilidade social
E
mpresas participantes do Consórcio de
Responsabilidade Social Empresarial coordenado pelo SESI se fizeram presentes
ao Ação Global com a promoção de atividades
lúdicas. Cagece, Esmaltec, Cobap, Gerdau,
Cerbras, Hidracor e Naturágua promoveram
atividades como oficinas de tetra pack, teatro
de mamulengos, jogo de coleta seletiva, arte em
papel, oficina de balões decorativos, bricolagem
e contação de histórias, dentre outras.
Desde 2007, o SESI/CE promove ações de
Foto: giovanni santos
mobilização para orientar,
apoiar e capacitar as indústrias
a uma gestão sustentável. A criação e o desenvolvimento de uma tecnologia social, ensejando
rede de caráter inovador, são os objetivos dos
consórcios empresariais. Neles, as empresas
participantes criarão, atuando conjuntamente, nova imagem e cultura comportamental,
provocando novas chances de vida social e
novos horizontes para os habitantes das suas
respectivas comunidades.
Soro caseiro e vacinação
contra a gripe
D
iagnóstico e encaminhamento sobre como proceder para evitar a desnutrição infantil.
Este foi um dos serviços oferecidos pela Pastoral da Criança durante o Ação Global. Na
tenda do serviço, a criança passava por uma avaliação de peso e tamanho, e depois
recebia orientações, como, por exemplo, utilizar o soro caseiro. Outra atividade na área da
saúde oferecida por ocasião do evento foi a vacinação contra a gripe.
Os serviços de saúde foram um dos mais procurados durante todo o dia. Ao todo, 14 492
atendimentos foram prestados nos mais variados campos, como atendimento ambulatorial,
auxílio diagnóstico, consultas em clínica médica, cardiologia, pediatria, ginecologia, oftalmologia e otorrinolaringologia, além de diversos exames.
Vacinação contra a gripe
Aprendizagem a alunos parceiros
A
aluna do quarto ano de Direito da Faculdade Nordeste (Fanor), Fabíola Guedes,
que participa pela segunda vez do Ação
Global, disse que o evento ajuda a vivenciar de
perto o aprendizado visto em sala de aula, além
de ser uma oportunidade de ajudar o próximo:
“Aqui temos casos reais. Pessoas com problemas que podem ser resolvidos, muitas vezes,
com uma simples orientação, mas que não têm
acesso a um advogado por serem carentes. Sob a
supervisão de professor, esse contato direto com
o público nos desperta a estudar, ainda mais,
certas áreas que ainda não dominamos”.
20 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
O professor do curso de Direito da faculdade,
Roberto Linhares, destacou a função social do
evento e sua importância na formação humana e
técnica do estudante: “O contato estreito com as
necessidades do público faz com que os alunos
interajam e queiram aprender sobre temas com
os quais ainda não estão familiarizados. Neste
evento, por exemplo, as maiores demandas
foram questões trabalhistas, previdenciárias e
relacionadas à pensão alimentícia. Os alunos que
passaram por aqui perceberam o quanto estão
bons, como também suas deficiências nessas
áreas. Isso acaba sendo um estímulo a mais nos
Foto: JOSÉ SOBRINHO
Monick Barreto orienta
contra o câncer de mama
seus estudos”.
A Faculdade Cearense (FAC), que participa pelo quinto ano
consecutivo, também
aposta na interação
de seus alunos com
o público do evento
como forma de complementar o aprendizado.
Desta vez, a instituição trouxe 14 alunos do
curso de Serviço Social, que atuaram por meio
de minicursos de maquiagem e manicure, além
orientações em DST/AIDS. “A FAC é integrante do
Programa Formação Cidadã, do FIRESO, e entendemos a importância de a instituição levar seus
alunos a trocar experiência com a sociedade. E
o Ação Global tem oferecido essa oportunidade
para nossos alunos e professores”, afirmou o
psicólogo Thiago Oliveira, coordenador da área de
Recursos Humanos da FAC.
Interação com o público e aprendizado extraclasse também estavam nos planos dos mais de
30 alunos da Faculdade
da Grande Fortaleza que
participaram por meio
de várias atividades,
dentre elas, orientação
contra o câncer de
mama, alimentação
saudável, DST/AIDS,
contação de histórias e dicas para evitar a
dengue. Monick Barreto, do quarto semestre do
curso de Enfermagem, estava empolgada diante
do desafio de orientar as mulheres quanto aos
benefícios do diagnóstico precoce da doença
que mata milhares de mulheres no Brasil todos
os anos. “Aqui no Ação Global ensinamos ações
simples que aprendemos em sala de aula, mas
que podem salvar vidas, como os 12 sintomas
que não podem ser ignorados. Dentre eles
mamas mais duras que o normal, presença de
um sulco na mama, pequenas feridas na pele,
vermelhidão ou ardor na mama, afundamento
do mamilo e assimetria.”
Dia de tirar documentos
D
ia de Ação Global é dia de acordar cedo para aproveitar os benefícios das dezenas de serviços
gratuitos. Dentre os mais procurados, a retirada de documentos. Para alguns, a regularização proporcionada por uma certidão oficial era um sonho antigo. É o caso do pedreiro Francisco Leandro
da Silva, 28 anos, e pai de três filhas, que deu entrada, pela primeira vez, na carteira de trabalho.
Segundo ele, que atua de forma autônoma, e por isso já perdeu alguns trabalhos, foi preciso sair cedo
de casa, já que mora a 20 quilômetros do evento, mas valeu a pena. “Agora ampliarei meus horizontes
e não vou desperdiçar outros serviços por não ter a papelada.”
Os agricultores Lauro Xavier Assunção, 66 anos, e Pedro Carvalho dos Santos, 68, também saíram
felizes do Ação Global depois de darem entrada na documentação para a aquisição do passe livre do
idoso. Seu Lauro conta que veio com a filha mais nova porque não sabe “andar sozinho na cidade”,
mas agora pretende desfrutar os benefícios do documento: “Sou homem criado no campo. Minhas viagens são a cavalo. Depois que o meu passe chegar, vou criar coragem e viajar por vários lugares. Quero
aproveitar a vida viajando, nem que seja apenas
Foto: JOSÉ SOBRINHO
para ir à casa dos meus nove filhos”.
No Ação Global, todas as idades são bem-vindas e desfrutam dos mesmos benefícios. Douglas
Adriano, residente do distrito de Barro Preto, a cerca
de 15 quilômetros do Centro de Aquiraz, aprendeu
que responsabilidade social é para todos, independente da idade. Com apenas 14 anos, o caçula
de uma família de seis irmãos retirou sua primeira
carteira de identidade e disse que já se sente “mais
adulto”. “Valeu o sacrifício de acordar às 6h da
manhã. Agora vou tirar o título de eleitor e o CPF,
documentos que todos precisam ter.”
Lauro Xavier Assunção tirou o passe livre do idoso
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
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21
Cuidando da saúde
A
dona de casa Rosângela dos Santos
Inácio, 33 anos, acordou cedo e viajou
cerca de dez quilômetros de ônibus, desde
a Prainha, para trazer suas duas filhas, Júlia do
Santos, de apenas dois meses, e Estefânia Santos, de dez anos, para se consultar com médico
pediatra. Ela diz que as meninas apresentam sintomas de gripe, além de vermelhidão nos olhos.
“No distrito onde moro não tem posto de saúde
e, quando a gente precisa, tem de pegar longas
filas para conseguir uma consulta. Muitas vezes,
para vários dias depois. Aqui, em menos de uma
hora, consultei as duas. Graças a Deus a médica
me disse que não era nada grave”.
Francisco Norões Oliveira, 73 anos, aproveitou a oportunidade e foi ao oftalmologista do
Ação Global a fim de solicitar uma receita para a
compra de óculos. Ela conta que fez uma cirurgia
de catarata há 30 dias, mas ainda não pegou a
guia para adquirir o aparelho. “Não comprei os
óculos porque não pude mais voltar a Fortaleza,
onde fiz a cirurgia. Fiquei sabendo do evento
ontem à tarde e resolvi vir. Moro aqui pertinho e
em menos de duas horas fiz uma avaliação da
operação com o doutor e retirei a receita.”
O comerciante José Faustino Brito, 66 anos,
chegou ao Ação Global se queixando de dores de
cabeça e na “parte de trás dos olhos”. Segundo ele,
provavelmente causadas por algum problema de
visão. “Ontem à noite as dores aumentaram e os
olhos começaram a lacrimejar. Estava disposto a
Foto: JOSÉ SOBRINHO
Rosângela dos Santos aproveitou para trazer suas filhas
pagar um médico particular, mas minhas filhas me
avisaram do evento. Cheguei cedo e fui atendido
em pouco mais de duas horas, pois a procura era
grande. O médico disse que eu precisava fazer uma
série de exames, mas, aparentemente, não era nada
grave. Estou mais tranquilo agora”, disse aliviado.
Apesar da pouca idade, as irmãs Júlia Miranda Santos, de oito anos, e Natália Santos, de
dez anos, aprenderam desde cedo que é preciso
cuidar bem dos dentes para conservá-los fortes
e sem cárie. Durante o Ação Global, as duas entraram na fila da aplicação de flúor e brincaram
com os aparelhos presentes na sala.
Foto: giovanni santos
Beleza e higiene
A
ção Global é também momento para o embelezamento
e a higine pessoal. Por meio da Associação dos Cabeleireiros e do Instituto Embeleze, 2 297 pessoas foram
atendidas por serviços como corte de cabelo, manicure, pedicure e design de sobrancelha. Além
da parte prática, os usuários receberam orientação a respeito de hábitos de higiene pessoal.
Cidadã
Maria Valdeneide, que mora em São Paulo e está passando as férias em Aquiraz,
aproveitou o Ação Global para utilizar cinco serviços, desde a área da saúde a documentação. Ela fez questão de acompanhar uma parte do casamento coletivo. “O que
vocês fizeram aqui hoje é digno dos mais sinceros elogios. Apesar de estar morando
fora, sou filha de Aquiraz e sei das dificuldades desse povo.”
Foto: giovanni santos
22 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
Números do Ação Global
A
20a edição do programa Ação Global promoveu 50 672 atendimentos a 16 781
pessoas. O evento, que este ano teve como tema A importância da mulher na qualidade de vida da família, ofertou mais de 40 serviços gratuitos à população, além de
ter proporcionado a 67 casais realizarem o sonho do casamento civil.
Os serviços de saúde, com 14 492 atendimentos, foram os mais procurados, tendo
sido prestados nos mais variados campos, como atendimento ambulatorial, auxílio diagnóstico,
consultas em clínica médica, cardiologia, pediatria, ginecologia, oftalmologia e otorrinolaringologia,
além de diversos exames. Ainda como parte das atividades na área de saúde, ocorreu a vacinação
contra a gripe e foram prestadas orientações sobre prevenção e hábitos alimentares e de higiene.
Em relação aos serviços de cidadania, foram contabilizados 1 820 atendimentos, com registros de nascimento, emissão de carteira de identidade, carteira de trabalho, CPF, serviços bancários e
orientações trabalhistas e jurídicas, dentre outros. Na área de lazer, participaram 10 665 pessoas,
em eventos culturais e ações de promoção social. Também foram prestados serviços educacionais
nas áreas de orientação profissional e de educação básica e de geração de emprego e renda.
O presidente da FIEC e diretor regional do SESI, Roberto Proença de Macêdo, mostrou-se
impressionado com a adesão da população aos serviços prestados e feliz com a realização do
Ação Global em Aquiraz. Ele percorreu a praça da Igreja São José de Ribamar (Matriz) e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Laís Sidrim Targino, onde estavam dispostos os atendimentos, e conversou com os voluntários e usuários.
Na saudação oficial na abertura do evento, em palco montado ao lado da praça, destacou a colaboração dos voluntários (980) e dos parceiros que proporcionaram os serviços.
Para ele, isso era uma prova de que ainda é possível acreditar no desprendimento das pessoas em prol dos mais necessitados.
Engenheiros e técnicos
Profissionais
da inovação
Engenheiros e técnicos são vitais para o futuro
da indústria moderna e inovadora que o Brasil
precisa para ter competitividade e crescer
Camila Gadelha
A
penas 42% dos engenheiros brasileiros atuam na
área em que se formam. O percentual é resultado
da análise feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em estatísticas do Ministério da Educação (MEC) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento da CNI aponta
que, de 680 526 engenheiros empregados, apenas 286 302
(42%) trabalham na área – a maioria na região Sudeste.
Dos que se ocupam em engenharia, 153 341 (54%) estão
no setor industrial. Engenheiros qualificados são motores
de processos inovadores e sem inovação não há competitividade. Por isso, os dados preocupam o setor produtivo.
O diretor de Educação e Tecnologia da CNI, Rafael
Lucchesi, aponta que uma das causas pode ser a falta de
experiência dos recém-formados, já que a indústria que investe em inovação requer profissionais prontos, com visão
de mercado, habilidade de gestão, de trabalho em equipe,
aplicação de leis e normas técnicas e domínio de idiomas
estrangeiros, principalmente o inglês. Segundo ele, os estudantes saem das universidades brasileiras com excesso
de teoria e falta de prática. Sem isso, não estão prontos
para a indústria e buscam outros setores. A CNI defende
a mudança nos cursos de engenharia. Uma das sugestões é
24 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
a inclusão de disciplinas no currículo de experiências práticas para que haja uma aderência do ensino às demandas
da indústria. Na Alemanha, por exemplo, país referência
em inovação, a formação de engenheiros é baseada em
know-how prático, voltada para a aplicação industrial.
Apesar do baixo percentual de profissionais na indústria, o Brasil não corre o risco da total falta de mão de obra
de engenharia. Esta é a conclusão de um artigo do Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado no final
do ano passado, de autoria dos pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) Mário Sérgio Salerno, Leonardo
Melo Lins, Bruno César Pino Oliveira de Araújo, Leonardo Augusto Vasconcelos Gomes, Demétrio Toledo e Paulo
Meyer Nascimento. Segundo eles, apesar de estar abaixo
O levantamento da CNI
aponta que, de
680 526
engenheiros
empregados, apenas
286 302 (42%)
trabalham na
área – a maioria na
região Sudeste. Dos que se
ocupam em engenharia,
153 341 (54%) estão
no setor industrial
de outras profissões, o número de engenheiros exercendo a atividade tem crescido desde
os anos 2000 e a tendência é aumentar ainda
mais no curto e médio prazo com a graduação
de novos profissionais.
Um cenário econômico favorável torna a
carreira atrativa, explicam, mas se a economia
não for bem, a carreira perde fôlego. O dados
analisados mostram que o percentual de engenheiros exercendo ocupações típicas era 29%
em 2000 e foi crescendo ano a ano. A tendência é seguida pelo mercado de trabalho. As vagas para engenheiros cresceram 85% em dez
anos. Os engenheiros trabalham menos no
setor em que se formam do que outras profissões, como, por exemplo, os médicos, citados
no estudo com 80% de atuação na área.
Explicam os autores que, por volta de 2005,
com a valorização salarial e a divulgação da falta
de profissionais, aumentou a procura pelos cursos. As instituições públicas e privadas começaram a ofertar muitas vagas e os alunos responderam. Em 2012, eles procuraram mais engenharia
que direito, pela primeira vez na história. No
longo prazo, existe a preocupação de que, caso
haja um enfraquecimento da economia, é possível que ocorra também a fuga desses profissionais e a carência poderá ser um problema.
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
|
25
Baixa participação
Conforme a pesquisa, os profissionais de
ciência, tecnologia, engenharias e matemática
(CTEM) são vistos como a força básica por trás
da competitividade internacional, da inovação
e do crescimento da produtividade da economia. A opinião é compartilhada pelo gerente da
Unidade de Inovação e Tecnologia do Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI/
CE), Alysson Amorim. Para ele, o momento é
de fazer um esforço em todo o Brasil no sentido
de criar uma indústria forte, alicerçada na alta
produtividade, qualidade de produtos e capacidade de inovar. Num mercado exigente e competitivo, para se alcançar a incorporação de tecnologia e novidades nos processos produtivos,
é preciso recurso humano qualificado.
Os motivos para a baixa participação de
engenheiros na indústria, diz Alysson, passam
pela formação. Além disso, são imprescindíveis
uma especialização e a capacidade de transformar a teoria universitária em prática aplicável
na indústria. Ou seja, a necessária melhoria da
relação universidade-empresa. “Outro ponto
que contribui para a fuga dos profissionais é a
remuneração”, acredita o gestor. Atualmente, as
empresas brasileiras têm margem de lucro mui-
to menores do que as de países desenvolvidos
porque inova pouco e, em muitos casos, importa tecnologias de outros países. “As inovadoras lucram mais e dispõem de recursos para
investir e retroalimentar o sistema da inovação
com máquinas, modernização de processos e
pessoal”, diz Alysson.
O engenheiro, por sua habilidade com números e gestão, torna-se diferenciado e atrativo
para outros mercados. De acordo com a pesquisa do Ipea, este profissional é muito requisitado,
por exemplo, no mercado financeiro em atividades de ensino e em gestão de políticas públicas.
Essa realidade é natural, coloca o estudo, já que
a formação permite desempenhar atividades de
gestão e tantas mais não necessariamente associadas a competências técnicas específicas.
Outro artigo do Ipea, de autoria de Aguinaldo Nogueira Maciente e Paulo A. Meyer M.
Nascimento, mostra que a expectativa é que, até
2020, o mercado formal apresente demanda entre 600 000 e 1,5 milhão de engenheiros. O Brasil apresenta metade da média do número de
matrículas em cursos de engenharia dos países
da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). São 44,5 matrículas para cada 10 000 habitantes no Brasil, enquanto nos países da OCDE a média é de 78,5.
Mão de obra prática
M
ãos hábeis aliadas ao raciocínio apurado
também fazem o desenvolvimento acontecer. É o caso dos técnicos e tecnólogos
formados em cursos profissionalizantes. Esta mão
de obra é cada vez mais necessária na indústria moderna, que tem os dois pés no século 21. A ideia da
formação profissionalizante vem vingando no Brasil,
sob o impulso dessa indústria. As novas tecnologias
implantadas nas fábricas estão levando à queda da
contraposição entre ensino superior e ensino técnico,
como se o primeiro fosse o único caminho para a ascensão social. Mas não é bem assim. Muitos jovens
não se interessam por uma graduação convencional,
ou podem fazer as duas coisas.
Este é o caso de Alysson Amorim, que faz questão de citar seu exemplo para ilustrar o benefício da
formação técnica em sua carreira: “A formação técnica é fundamental para as indústrias, que demandam
profissionais atuando em atividades operacionais.
26 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
Ela possibilita um profissional mais completo, com
o conhecimento teórico e experiência operacional,
o que lhe permite dar praticidade ao conhecimento,
transformá-lo em produto”. O Brasil é um país com
muito conhecimento, mas pouco prático, segundo
ele. Como técnico, Alysson pôde vivenciar conteúdos
na universidade de engenharia e entender melhor a
teoria porque sabia como era aplicada no processo
de fabricação e transformação de materiais. “A formação técnica também ajuda a formar engenheiros
mais bem preparados para atender às necessidades
das empresas num horizonte de alta produtividade e
capacidade de inovar.”
No mundo inteiro, estudos que percorrem a
trilha prática são comuns. A qualidade do ensino
universitário no Brasil também coloca em cheque a
escolha dos estudantes. Muitos cursos são de baixa
qualidade e formam profissionais que não conseguem se encaixar no mercado. A carreira técnica,
Foto: giovanni santos
assim, começa a ganhar espaço e preencher lacunas
na indústria moderna. Não só o diploma universitário
possibilita isso aos jovens. É preciso visão de futuro e
esforço pessoal para executar as complexas tarefas
dos processos industriais. Muitos têm experiência
em setores raros, tornando-se bastante requisitados.
De acordo com estudo do SENAI Nacional, as áreas
que têm impulsionado o Produto Interno Bruto (PIB)
são as que mais precisam de técnicos: petroquímica,
metalmecânica e eletromecânica. A média salarial
nessas áreas já passa a das carreiras de nível superior como um todo, com 6 300 reais na petroquímica.
Levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV)
mostra que, para cada ano de estudo, os técnicos
somam 14% ao salário. Quem segue por mais dois
anos e se forma tecnólogo, aumenta em 24% o
salário. Os universitários adicionam 21% para cada
ano na faculdade. 72% dos técnicos e tecnólogos,
segundo a FGV, se formam com emprego certo.
Procura acanhada
A procura pelas escolas técnicas no Brasil
vem aumentando, mas, mesmo com esse futuro
promissor, ainda é acanhada. Nos últimos dez anos,
o número de alunos saltou 74%, e, na faixa dos 15
aos 19 anos, apenas 9% dos alunos estão no ensino
técnico. Na Alemanha, o número é de 53%. No Brasil,
o ensino técnico é tido como opção para quem não
tem muito futuro, ao contrário da Europa, onde, desde
os tempos medievais, os aprendizes já aprendiam
com os mestres artesãos técnicas de forja, construção, tecelagem e outras ocupações.
Há uma visão míope do trabalho na indústria,
analisa Alysson Amorim. O ambiente é associado a
trabalho mecanicista, de apertar botão, sujar-se de
graxa e trocar peças de máquinas. “A realidade é
diferente.” As indústrias têm um ambiente agradável e
cada vez mais seguro. A preocupação com a segurança é constante para que não ocorram acidentes.
A Constituição de 1937 implantou o ensino
profissionalizante como destinado às classes menos
favorecidas. A legislação brasileira dividiu, em vez de
mesclar, currículo acadêmico e profissional. A metade
dos estudantes que deixa o ensino médio antes do
fim do curso poderia ter um novo alento por encontrar
um caminho mais atraente. Cerca de 5,3 milhões
de jovens estão hoje na categoria nem-nem – nem
estudam nem trabalham. Estão alheios à existência
do diploma técnico e do potencial de bons salários.
A metodologia consiste em passar um ou dois
dias na escola e os outros em aulas práticas, na ofi-
Levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV)
mostra que, para cada ano de estudo, os técnicos
somam 14%
ao salário. Quem segue
por mais dois anos e se forma tecnólogo,
aumenta em 24%. Os universitários
adicionam 21% para cada ano na faculdade.
72% dos técnicos e tecnólogos,
segundo a FGV, se formam com emprego certo
cina. Em países que estruturaram seu crescimento na
formação de bons técnicos, como a Coreia do Sul, os
cursos são feitos sob medida para suprir as exigências da economia. Os sul-coreanos planejaram seu
futuro como industriais e exportadores na década de
60 e, a fim de concretizar essa ambição, priorizaram
a implantação de escolas para formar técnicos para
as indústrias. De lá para cá, a produtividade coreana
disparou 90%. A brasileira registrou 23%.
Em todo o Brasil, são 600 ocupações atendidas
pelo ensino profissionalizante. Especialistas apontam
que é necessário começar a formar os profissionais
antes do início da demanda, numa perspectiva de
diagnóstico e previsões do futuro industrial. Um dos
obstáculos para isso está na burocracia. Entre a
detecção da demanda e a criação do curso pode
levar até dois anos.
Pesquisa recente mostrou que, de 2 000 empresas brasileiras, 65% se ressentem da falta de mão
de obra e 80% montaram cursos para formar seus
profissionais. A exigência cresceu. Os técnicos de
hoje precisam entender e interpretar instruções para
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
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27
operar equipamentos sofisticados.
O mais recente Mapa do Trabalho Industrial do
SENAI faz uma previsão de 7,2 milhões de vagas em
cargos técnicos até 2015, sendo 1,1 milhão de novas
posições. Esta necessidade produzirá oportunidades
em 177 ocupações, que vão desde trabalhadores
da indústria de alimentos (cozinheiros industriais) e
padeiros até supervisores de produção de indústrias
químicas e petroquímicas. Para suprir essa demanda,
o SENAI, em 2014, efetuará 4 milhões de matrículas
em todo o Brasil. Atualmente, é responsável por metade das matrículas do Programa Nacional de Acesso
ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), programa do
governo federal lançado em outubro de 2011 para
qualificar mão de obra.
No Ceará, a pesquisa realizada em 2012 mostrou que a taxa de ocupação de egressos de escolas
do SENAI no mercado de trabalho atingiu 86,9% na
Habilitação Profissional Técnica de Nível Médio e 63%
na Aprendizagem Industrial. Os números confirmam
o fato de que o profissional formado para a indústria
tem alta empregabilidade. Para Alysson Amorim, o
desconhecimento desse aspecto pode afastar os
jovens da carreira técnica e da indústria, em geral:
“Há altos índices de empregabilidade na indústria,
seja para técnico, engenheiro ou doutor, com muita
possibilidade de crescimento na carreira. O desconhecimento dos benefícios faz com que as pessoas
não procurem a carreira”.
O SENAI oferece no estado um total de 463
cursos, sendo 22 na modalidade de Aprendizagem
Industrial, 45 de Iniciação Profissional, 114 de
Qualificação Profissional, 267 de Aperfeiçoamento
Profissional e 15 de Habilitação Técnica nas áreas
de alimentos e bebidas, automação, automotiva,
construção, couros e calçados, eletroeletrônica,
energia, gestão, gráfica e editorial, logística, meio
ambiente, metalmecânica, metrologia, polímeros,
refrigeração e climatização, segurança do trabalho,
tecnologia da informação, telecomunicações, têxtil e
vestuário e transporte.
São nove unidades à disposição da indústria e
do trabalhador, sendo quatro em Fortaleza (Parangaba, Mucuripe, Barra do Ceará e Jacarecanga), uma
em Maracanaú, uma em São Gonçalo do Amarante,
um Núcleo Integrado SESI/SENAI em Horizonte,
um Centro Integrado SESI/SENAI em Sobral e uma
unidade em Juazeiro no Norte.
A Wana Química é uma empresa brasileira que produz aditivos de alta
performance para o segmento químico. Atendendo em todo Brasil e
América Latina, aos mercados de:
TINTAS IMOBILIÁRIAS
TÊXTIL
SANEANTES
COURO
Conta também com uma filial no Nordeste, a PETROWAN,
situada no estado do Ceará, que em parceria com o
SindQuim terá suas novas instalações no POLO
INDUSTRIAL DE GUAIÚBA em 2014.
www.petrowan.com.br / (85) 3260-9162
www.wanaquimica.com.br
É assim que a gente quer
o trabalho dos cearenses.
É assim que a gente FaZ
um novo Ceará.
Nos últimos 7 anos, o Ceará criou mais de 330 mil
novos empregos com carteira assinada.
O novo Ceará atraiu novas empresas e criou
mais oportunidades para os cearenses em todo o Estado.
saí daqui
“ eu
para proCurar
O novo Ceará construiu o mais moderno Centro de Eventos do Brasil,
que atrai visitantes o ano inteiro e gera milhares de empregos
no Turismo e nos Serviços.
O novo Ceará ampliou e modernizou o Complexo Industrial
e Portuário do Pecém, gerando 20 mil novos postos de trabalho.
qualifiCação e
trabalhei alguNs
aNos No sul, mas
eu sempre soNhei
em voltar para
miNha terra.
”
John carlos de almeida gomes
Profissional de rH que foi Para
outro estado Porque não encontrou
trabalHo no ceará e agora
retornou, Por conta das novas
oPortunidades de emPrego.
www.ceara.gov.br
Indústria gráfica
Abigraf elege
nova diretoria
Assembleia Geral Ordinária, que reuniu em Fortaleza
lideranças brasileiras, também discutiu as principais
demandas do setor gráfico, que hoje emprega mais de
230 000 trabalhadores no país
30 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
Foto: giovanni santos
A
Foto: giovanni santos
50ª Assembleia Geral Ordinária da
Abigraf Nacional realizada em Fortaleza em 25 de maio reuniu 32 representantes de 14 regionais para
a escolha da nova diretoria da entidade no
triênio 2014/2017. Antes da eleição, no entanto, houve a exposição de diversos assuntos de
interesse desse segmento industrial, que hoje
emprega no Brasil mais de 230 000 trabalhadores, em cerca de 20 000 empresas, e vem
sofrendo ameaças com a importação de produtos chineses, além do advento da internet,
que contribui para a diminuição da demanda
das empresas gráficas. “A Bíblia, por exemplo,
o livro mais vendido no Brasil, deixou de ser
produzido em muitas gráficas do país porque
sai mais barato importar da China. Além disso, as altas cargas tributárias, a bitributação e o
preço elevado para importação de tecnologia
têm ameaçado toda a cadeia no país”, explica o
empresário Tales Carvalho, presidente da Abigraf/CE, que vai assumir a cadeira no Conselho Fiscal da entidade.
Segundo o presidente da Abigraf Nacional,
Fábio Arruda Mortara, a entidade publicou,
em meados do ano passado, um manifesto
à nação, com oito reivindicações, dentre as
quais a desoneração da folha de pagamento
dos setores que ainda não foram contemplados com leis federais, a isenção do Imposto
sobre Produtos Industrializados (IPI) para
todos os materiais escolares, o fim da bitributação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto sobre
Serviços (ISS), alíquota zero do Programa de
Integração Social/Contribuição para o Finan-
ciamento da Seguridade Social (PIS/Cofins)
para a atividade de impressão de livros, redução das importações de produtos e serviços
gráficos e redução da carga tributária das embalagens de alimentos da cesta básica. Estes e
outros assuntos estiveram em pauta no encontro de Fortaleza.
O executivo destacou que o setor, em 2014,
seguirá mobilizado politicamente, motivado
por três importantes vitórias obtidas em 2013:
a extinção da sobretaxa sobre o Imposto de
Importação de seis tipos de papel para impressão, a desoneração da folha de pagamento
para o segmento de embalagens e a possibilidade de compra de embalagens, com o uso
do cartão BNDES. “Depois de anos de espera,
aguardamos desfecho favorável ao Projeto de
Lei 366/2013, que põe fim ao histórico conflito
tributário entre ICMS e ISS no setor gráfico. O
documento já foi aprovado no Senado e tramita na Câmara dos Deputados.”
As outras bandeiras da Abigraf, segundo o
presidente eleito, empresário paulista Levi Ceregato, dizem respeito ao ingresso da entidade
na Comissão Interministerial de Compras Públicas com pedido de margem de preferência
para as compras de livros e impressos nacionais por órgãos públicos. Também pleiteia que
o Brasil invista 10% do Produto Interno Bruto
(PIB) em educação e reivindica a desoneração
tributária de cadernos, agendas e materiais escolares em geral. O ponto alto dos debates em
prol do setor foi a exposição do projeto Two
Sides, iniciativa que pretende mostrar à sociedade o significado econômico do setor e o seu
caráter sustentável.
A Bíblia, o livro mais vendido no
Brasil, deixou de ser produzido em
muitas gráficas do país porque sai mais
barato importar da China. Além disso, as
altas cargas tributárias, a bitributação, o
preço elevado para importação de tecnologia
têm ameaçado toda a cadeia no país
Tales Carvalho, presidente da Abigraf/CE
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
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31
No Ceará
De acordo com Tales Carvalho, a indústria
gráfica cearense emprega cerca de 13 000 trabalhadores, em aproximadamente mil empresas, mas enfrenta vários desafios: “No estado,
temos carência de mão de obra especializada e
dificuldade para modernizar nosso parque fabril. Perdemos muitos contratos para empresas
mais modernas do Sul e algumas do Nordeste
que instalam seus escritórios em Fortaleza”.
Ainda segundo o empresário, a aquisição de
um único equipamento pode custar mais de
15 milhões de euros. “O financiamento nos
bancos de fomento é caro e difícil de conseguir e não temos como investir esse montante
do próprio bolso.”
Quanto à mão de obra, Tales Carvalho
diz que o problema será minimizado quando
a unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI/CE) no bairro Jacarecanga terminar a instalação de uma impressora ofsete Ryobi e começar a ofertar um
curso específico para esta máquina. “A grande
maioria das gráficas do Ceará usa esse equipamento, mas quando precisamos de pessoas
para operá-lo temos de mandar nossos funcionários para o Sudeste, a fim de serem capacitados, ou mesmo trazer profissional de lá.
Comunicação impressa
No dia 7 de abril, a Abigraf lançou oficialmente, na Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo (Fiesp), a campanha
Two Sides, um movimento internacional
em favor da comunicação impressa. Um
dos principais objetivos do projeto é combater mitos e desinformações sobre o uso
do papel na produção de jornais e revistas, em especial a crença de que a prática
contribui com o desmatamento de florestas. Criada em 2012, na Inglaterra, a Two
Sides prevê anúncios para jornais, revistas
e sites, além da distribuição da publicação
Comunicação Impressa e Papel – Mitos e Fatos, defendendo a sustentabilidade no uso
do papel e a possibilidade de convivência e
sinergia das plataformas impressa e digital.
A iniciativa tem o apoio de 42 entidades, dentre elas a Associação Nacional de
Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de
Editores de Revistas (Aner). No total, as
participantes representam 80 000 empresas, gerando 615 000 empregos diretos e faturamento anual de 40 bilhões de dólares.
O Two Sides é hoje a principal campanha
mundial de difusão da sustentabilidade na
comunicação impressa e está presente em
países como Alemanha, França e Itália,
além de Estados Unidos, Austrália e África
do Sul. No Brasil, a iniciativa reúne empresas da cadeia de valor da comunicação gráfica, incluindo silvicultura, celulose, papel,
tintas e produtos químicos, pré-impressão,
impressão, acabamento, impressos, publicações e malas diretas.
O segmento gráfico, que possui no Brasil
cerca de 20 000 empresas, sofre ameaças com a
importação de produtos chineses
32 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
Ouvidoria: 0800 702 6307
O S N Ú M E R O S D O C A R TÃ O B N D E S T R A B A L H A M A F A V O R D A S U A E M P R E S A .
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*Taxa de juros de 0,99% ao mês, vigente em maio de 2014.
**Bancos emissores: Banco do Brasil, Banrisul, Bradesco, BRDE,
Caixa Econômica Federal, Itaú e Sicoob. A concessão do crédito e
a emissão do Cartão estão sujeitas à análise de crédito realizada
pelo banco emissor.
6a Conferência do Brics
Reunião preparatória entre os embaixadores da Rússia, Índia, China e África do Sul envolveu diretoria da FIEC e governo do estado
FIEC articulará negócios
A FIEC, em conjunto com a CNI, estará à frente da vertente econômica da
6a Cúpula do Brics, que será realizada de 15 a 16 de julho, em Fortaleza
A
Federação das Indústrias do Estado do Ceará
(FIEC), em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), estará à frente da articulação da vertente de negócios da 6a Conferência de
Cúpula do Brics, a ser realizada em Fortaleza, nos dias 15 e
16 de julho, no Centro de Eventos do Ceará. Durante uma
reunião preparatória no dia 28 de abril, na sede da FIEC,
entre os embaixadores da Rússia, Índia, China e África do
Sul com a diretoria da entidade e governo do estado, o presidente Roberto Proença de Macêdo pleiteou ao Itamaraty a
realização de um business networking. A iniciativa consiste
numa rodada de negócios para promover aproximação entre
os empresários dos países participantes do bloco.
A expectativa, segundo a coordenadora do projeto Cúpula
do Brics criado para o evento pela CNI, Michelle Queiroz, é
34 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
reunir entre 600 e 700 empresários durante um fórum empresarial no primeiro dia do encontro. Por isso, a instituição está
formulando recomendações aos chefes de estado para incrementar o volume de negócios hoje existente entre as nações.
Roberto Macêdo garantiu o empenho da FIEC na realização do encontro: “Faremos com que ele dê bons frutos
futuros no desenvolvimento econômico e social. Temos
muito a discutir”. A peculiaridade de progresso do Ceará
nos negócios foi destacada pelo subsecretário geral do Ministério das Relações Exteriores, João Alfredo Graça Lima.
Ele exaltou o potencial exportador de alimentos do Ceará e
o crescimento das exportações de produtos com maior valor
agregado nos últimos anos.
O raio X econômico e social cearense foi apresentado
pelo presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado
à cúpula. Sabemos que existe um potencial de
cooperação com o Nordeste.” O indiano Ashok
Tomar se disse ansioso pela relação nos próximos anos com os países que compõem o Brics.
O embaixador sul-africano, Mphakama Mbete,
fez o convite para que o Ceará interaja com a
comunidade empresarial da África do Sul, segundo ele hoje diferente do que era.
O embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, contou que estava impressionado com
o futuro do Ceará. Para Jinzhang, há um alto
potencial de cooperação entre os países. Lembrou que desde 2009 a China é o maior parceiro
comercial do Brasil. Energias renováveis, agricultura, ferrovias e portos são os setores que
Jinzhang destacou como os de maior possibilidade de parceria. Conforme ele, o Ceará precisa explorar mais o enorme mercado chinês,
intensificando as exportações: “É de 17 bilhões
de dólares o déficit chinês com o Brasil. Espero que se possa vender para o mercado chinês.
Ano passado, o total das compras chinesas foi
de 2 trilhões de dólares em todo o mundo”.
Foto: JOSÉ SOBRINHO
Foto: JOSÉ SOBRINHO
do Ceará (Adece), Roberto Smith, que enalteceu o desempenho cearense em aspectos como
energia, infraestrutura, indústria e agricultura.
Ele citou projetos e empreendimentos marcantes do estado, como o polo industrial e tecnológico da saúde, polo de agricultura irrigada,
projeto do aeroporto do Pecém, ferrovia Transnordestina, Companhia Siderúrgica do Pecém,
refinaria, termelétricas, geração de energia eólica e solar, a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e os investimentos em educação
profissionalizante. "Essa é a hora de apresentar
as potencialidades do Ceará como estratégia de
captação de investimentos por parte dos países
membros dos Brics. Temos muito para mostrar
em termos de energias renováveis e infraestrutura, assim como informar sobre a nossa política de atração de investimentos e incentivos
fiscais", disse Roberto Smith.
A estratégia é apresentar o potencial econômico do Ceará neste momento de preparação para o
evento, e buscar afinidades que possam ser revertidas para a captação de investimentos no estado,
segundo o assessor para assuntos internacionais
do governo estadual, Hélio Leitão. “Este momento
é de unir forças em torno de blocos como o Brics
e fortalecer os gigantes que surgem no cenário do
multilateralismo. O evento será à altura do Brics e
da ousadia e bravura cearenses.”
É de 17 bilhões
de dólares o
déficit chinês com o
Brasil. Espero que se
possa vender para o
mercado chinês
Potencialidade do Ceará
Os embaixadores foram unânimes em se dizer surpresos com a apresentação a respeito do
Ceará e suas potencialidades. O russo Sergey
Akopov afirmou que informará ao seu país sobre a cidade de Fortaleza, que receberá a cúpula. “Há grande expectativa e otimismo quanto
Li Jinzhang, embaixador da
China no Brasil
BRICS em números
Rússia
Índia
China
África do Sul
Exportações do Ceará (em 2012) (em US$)
5,95 milhões
5,38 milhões
67,40 milhões
45,86 milhões
Importações para Ceará (em 2012) (em US$)
51,52 milhões
69,97 milhões
791,21 milhões
135,86 milhões
PIB (em US$)
3,38 trilhões
1,94 trilhões
9,31 trilhões
384 bilhões
Inflação
6,5%
6,7%
2,6%
6%
Crescimento
1,3%
4,4%
7,7%
2%
Investimento do PIB
21,1%
30,7%
54,2%
18,4%
Forças de trabalho
75,4 milhões
487,6 milhões
816,2 milhões
17,7 milhões
População
141 milhões
1,18 bilhão
1,33 bilhão
50 milhões
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
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35
Projeto Comida de Rua
Alimento
saudável
SESI Cozinha Brasil e
Sebrae capacitam para
a Copa do Mundo 200
microempreendedores
da área de alimentação
de Fortaleza e da região
metropolitana
O
Serviço Social da Indústria (SESI/CE) e o Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas estão unindo experiências para ajudar microempreendedores individuais (MEIs) da área de
alimentação. O objetivo é prepará-los para o período da
Copa do Mundo e aperfeiçoar a oferta de serviços durante o evento. Duzentos comerciantes de Fortaleza e região
metropolitana terão aulas gratuitas, de maio a junho, sobre higiene, manipulação e aproveitamento de alimentos,
por meio do Programa SESI Cozinha Brasil, e gestão e
empreendedorismo, pelo Sebrae.
O lançamento do projeto Comida de Rua ocorreu no final de abril, na sede da Federação das Indústrias do Estado
do Ceará (FIEC), e contou com a participação de cerca de 150
vendedores ambulantes, mobilizados pela prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SDE) e da Secretaria Municipal de Trabalho,
Desenvolvimento Social e Combate à Fome (Setra). Banco do
36 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
Nordeste e Central Fácil também são parceiros da iniciativa.
O articulador do Sebrae em Fortaleza, Rafael Albuquerque, explica que a iniciativa é resultado de uma preocupação
do Sistema S em qualificar a oferta de serviços durante a
Copa do Mundo e promover a sustentabilidade dos negócios
desses pequenos comerciantes. “O Sebrae entende a iniciativa
como mais uma oportunidade de oferecer aos empreendedores a capacitação necessária para a sua consolidação no
mercado e o sucesso de seu negócio. A preparação será útil
para a Copa do Mundo, mas também para após o mundial.
Este é o legado.”
A coordenadora do SESI Cozinha Brasil no Ceará, Liane
Lohmann Silveira, explica que a capacitação tem 39 horas/
aula, sendo 20 ministradas pelo SESI Cozinha Brasil, com
foco na produção de receitas saudáveis e na manipulação
correta dos alimentos (boas práticas no preparo de alimentos). As outras 19 horas constam de oficinas do Sebrae nas
áreas de compra, venda, planejamento, controle financeiro,
Foto: JOSÉ SOBRINHO
empreendedorismo e associativismo. Serão oferecidas 60 oficinas com aulas teóricas e práticas,
que tiveram início no dia 13 de maio, no SESI da
Barra do Ceará, mas que poderão ser realizadas,
de acordo com a demanda, até o final do ano. “Se
alguma cooperativa tiver interesse, poderemos
ministrar o curso in company, por meio das nossas unidades móveis”, diz Liane.
A executiva destaca que o Comida de Rua é
uma ação de responsabilidade social do SESI. “É
importante a participação do SESI Cozinha Brasil nesse projeto, pois estamos contribuindo com
profissionalização dos MEIs com foco na produção de receitas saudáveis, que utilizam partes de
alimentos geralmente desprezadas, como cascas
e sementes, e na manipulação correta dos ingredientes; sem desperdício, e dentro dos padrões
de higiene adequados para a população local e
Liane Lohmann Silveira: "É importante a participação do SESI Cozinha Brasil no projeto"
turistas.” Em todo o Ceará, o SESI Cozinha Brasil
já capacitou mais de 36 600 pessoas nos cursos
de Educação Alimentar e Nutricional.
Para participar do projeto, a única exigência
é ser registrado como microempreendedor individual do segmento de alimentação. Quem ainda não se formalizou, pode fazê-lo para participar do projeto. A formalização é gratuita e pode
ser feita nas unidades do Sebrae.
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
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Uma década do Cozinha Brasil
O
programa SESI Cozinha Brasil completará, em 2014, dez
anos de atividade. Neste período, os cursos oferecidos
capacitaram mais de um milhão de pessoas no Brasil e
têm sido replicados em outros países. Em outubro de 2013, o
programa foi um dos destaques apresentados durante reunião
entre representantes dos países do Mercosul na sede da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO)
em Roma, na Itália.
Considerado uma tecnologia social capaz de combater o desperdício e a desnutrição, o
programa foi criado a partir de estudos que revelavam baixa qualidade nutricional na alimentação dos trabalhadores da indústria e a necessidade de uma iniciativa nacional de educação
alimentar. Ensina a evitar o desperdício e mostra que é possível combinar saúde e sabor, por
meio da mudança de hábitos. As receitas buscam respeitar as diversidades regionais e a utilização de alimentos típicos de cada localidade.
Os cursos são ministrados em caminhões-escola (unidades móveis do SESI) e em cozinhas
das empresas, indústrias ou locais disponíveis nas comunidades. Presente em todo o território brasileiro, a tecnologia do Cozinha Brasil foi transferida para cinco países: Moçambique,
Uruguai, Guatemala, Honduras e El Salvador.
Qualidade na alimentação
As também amigas Estevânia Guerra (56) e Elenir Souza
(57), que fabricam quentinhas numa cooperativa no bairro Parquelândia, participarão dos cursos com outras 20 mulheres da
comunidade. Elas dizem que em mais de dez anos de atividade
acumularam experiências teórica e técnica na produção de
alimentos, mas pretendem participar desse treinamento por se
tratar de uma ação do SESI: “Já passamos por vários cursos
ministrados pela prefeitura de Fortaleza e seus parceiros, mas
nunca pelo SESI. Todo mundo fala muito bem dessa instituição e
agora surgiu a oportunidade”.
38 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
Foto: JOSÉ SOBRINHO
Foto: JOSÉ SOBRINHO
As amigas Josenilda Alexandre (42) e Jandiara Araújo (39) estão animadas com a possibilidade de ampliar as vendas de um pequeno negócio
que começaram na vizinhança de onde moram, no bairro Bom Jardim.
Elas vendem coxinhas de frango, diariamente, na casa de uma delas
e planejam comercializar outros produtos, como tortas doces e salgadas e churrasco. Para tanto, foram informadas que precisariam,
antes de ampliar o pequeno negócio, aprender a manipular esses
alimentos de forma segura, a fim de evitar contaminação. “Fomos
buscar informações no Sebrae e lá nos indicaram o curso sobre
alimentos de rua que será ministrado pelo SESI. É exatamente o que
precisamos. Estamos ansiosas para aprender novos pratos e a forma
certa de trabalhar com comida”, conta Jandiara.
Incentivos fiscais
Súmula 69
preocupa
setor produtivo
Caso seja aprovada, o benefício fiscal somente será
concedido mediante convênio previamente aprovado
por unanimidade pelo Confaz, trazendo riscos às
regiões que necessitam de incentivos
A
possível publicação da Proposta de Súmula Vinculante (PSV) n° 69 pelo Supremo Tribunal Federal
(STF) preocupa o setor produtivo cearense. Já com
parecer favorável da Procuradoria Geral da República (PGR), o teor base da PSV, que tem como relator no
STF o ministro Gilmar Mendes, define o seguinte: “Qualquer
isenção, incentivo, redução de alíquota ou de base de cálculo,
crédito presumido, dispensa de pagamento ou outro benefício fiscal relativo ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), concedido sem prévia aprovação
em convênio celebrado no âmbito do Conselho Nacional de
Política Fazendária (Confaz), é inconstitucional”.
Com base nesse entendimento, na visão do ministro Gilmar Mendes, a intenção é eliminar a chamada "guerra fiscal",
que consiste na concessão de incentivos fiscais para atrair
empresas aos estados da Federação. Hoje, pela sistemática
adotada, cada estado pode, por meio de leis estaduais, oferecer mecanismos de isenção, redução de alíquotas ou bases de
cálculo, concessão de créditos presumidos e dispensa de pagamentos, dentre outros benefícios fiscais relativos ao ICMS,
sem o prévio amparo em convênio aprovado no âmbito do
Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), constituído pelos secretários de Fazenda, Finanças ou Tributação
de cada estado e Distrito Federal e pelo ministro da Fazenda.
Para o coordenador do Conselho Temático de Economia
e Finanças da FIEC, José Fernando Castelo Branco, a decisão
trará sérios riscos às regiões menos favorecidas do país, que
40 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
ainda necessitam desse instrumento de incentivo para atrair
empresas. Ele aponta, dentre outros aspectos prejudiciais, o
fato de que a aprovação por unanimidade dos benefícios fiscais pelo Confaz se tornará quase impossível, haja vista que
dificilmente uma unidade federativa aprovará a concessão
de incentivos para outro estado, que, em tese, é seu competidor direto por investimentos.
Castelo Branco também faz referência ao fato de que a
aprovação da Súmula 69 implica dizer que, em relação aos
incentivos fiscais já concedidos às empresas, existe o risco
iminente de que os efeitos, após sua publicação, sejam retroativos. “Isso causa uma insegurança muito grande, e o
efeito é que as empresas já instaladas podem simplesmente
deixar os estados onde hoje são, em muitas regiões, motores
do desenvolvimento.”
Ele considera que, ao se conceder a possibilidade de um
maior controle por parte do Confaz dos incentivos fiscais,
se estará, na verdade, indo contra os interesses dos investidores, impedindo-os de contribuir com o desenvolvimento
nacional. O reflexo é o aumento das desigualdades regionais, dificultando a erradicação da pobreza. “Vai contra o
que prega a Constituição.” Castelo Branco conta que o custo
Brasil, que inclui desde a alta carga tributária aos problemas
de infraestrutura, impedem muitas vezes que as empresas
possam se instalar nas regiões mais carentes.
É nesse sentido, acrescenta, que o instrumento dos incentivos fiscais entra como catalisador desse movimento
de transformação da realidade socioeconômica das regiões mais pobres. No Ceará, dentre outros segmentos, Castelo Branco cita as
indústrias de calçados, que geram milhares
de empregos em vários municípios cearenses.
Destaca que tramita no Senado Federal o Projeto de Lei nº 40, de 2014, que estabelece normas
para a concessão de incentivos mais condizentes com a realidade atual do país.
Para Castelo Branco, o setor produtivo seria
mais bem receptivo à proposta que tramita no
Congresso Nacional porque não cria uma insegurança jurídica como propõe a Súmula 69.
Segundo ele, a questão não se trata de uma disputa entre regiões, já que a decisão do STF vai
prejudicar todos os estados que utilizam o mecanismo. “O primeiro grande prejudicado seria
o setor automobilístico”, explica, destacando
que seria uma calamidade isso acontecer.
Foto: JOSÉ SOBRINHO
A indústria calçadista gera milhares de empregos em vários municípios cearenses
A retroatividade causa
uma insegurança
muito grande, e o efeito é que
as empresas já instaladas
podem simplesmente deixar
os estados onde hoje são, em
muitas regiões, motores do
desenvolvimento
José Fernando Castelo Branco,
coordenador do Conselho Temático de
Economia e Finanças da FIEC
Dilaceramento das regiões pobres
E
x-secretário da Fazenda do Ceará, atualmente
exercendo o mandato de deputado estadual (Pros),
Mauro Filho aponta que a economia do Nordeste,
Centro-Oeste e Norte está ameaçada com a perspectiva de
proibição de incentivos fiscais para instalação de empresas
nessas regiões: "Está em risco o dilaceramento da economia
dessas regiões, porque todos os estados do Sul e Sudeste
estão pressionando para a constituição de uma súmula
vinculante que acaba com todos os incentivos fiscais que
são dados às indústrias que se instalam por lá".
Ele lembra que 62% do Produto Interno Bruto (PIB)
brasileiro são concentrados no Sul e Sudeste, e, a fim de
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
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41
gerar a competitividade entre as regiões, os
demais estados passaram a oferecer incentivos
para que as indústrias se instalassem em seus
municípios. “Para uma indústria se instalar no
Nordeste, em vez do Sudeste, o insumo da
segunda região passa para o estado.”
De acordo com o parlamentar, as indústrias
atraídas pelos incentivos fiscais colocam parte
dos recursos na região, mas parte dos insumos
volta para o Sudeste. “Esse custo de trazer o
insumo para cá, produzir o bem e mandar de
volta para o Sul e Sudeste requer um aumento
de produção", diz, acrescentando que os incentivos fiscais foram feitos para compensar o
aumento do custo para poder trazer o insumo
ao Ceará, por exemplo.
Para Mauro Filho, o governo federal é que
deveria diminuir as disparidades entre as
regiões do país, e, por causa da falta desse
incentivo, os estados buscaram compensar
essas desvantagens por meio dos incentivos
fiscais. “Jamais essa desigualdade será corri-
gida se não tivermos igualdade na produção
industrial no Brasil."
Segundo Mauro Filho, muitos dos estados
do Norte, Nordeste e Centro-Oeste abriram
mão do ICMS, por algum período de consolidação da empresa, para compensar o insumo do
Sul e Sudeste, garantir mais riquezas e certeza
de trabalho para a população.
Em termos quantitativos, o parlamentar estima que o Ceará perderá 330 000
empregos com carteira assinada. O secretário
da Fazenda do estado, João Marcos Maia,
diz que a perda de receitas ao ano será de
1,1 bilhão de reais. Hoje há cerca de 500
empresas incentivadas com benefícios fiscais.
Conforme o gestor, esse benefício representa
a isenção por tempo determinado, em geral
dez anos, de 25% a 75% do ICMS para as
empresas que desejam se instalar no estado
ou para aquelas que, já instaladas, pretendam expandir os negócios ou modernizar o
parque industrial.
anuncio.pdf 2 14/5/2014 13:55:16
Uma indústria sólida é fundamental para que o nosso Estado tenha um desenvolvimento
sustentável e possa competir com os mais fortes e tradicionais mercados.
Homenagem do Sindroupas
e Sinconfecções ao Dia da Indústria
Inovações &
Descobertas
Criado concreto à prova
Brasileiros criam fertilizante
d'água que dura 120 anos que aumenta produtividade
Uma equipe de cientistas da Universidade de Wisconsin-Milwaukee,
nos Estados Unidos, criou um concreto à prova de água com a proposta de que dure até 120 anos.
Com o nome de Cimentício Super-hidrofóbico Projetado (ou SECC), o
produto usa fibras de álcool polivinílico para manter o líquido apenas
na superfície do material. Segundo
o professor Konstantin Sobolev, o
novo concreto tem diversas utilidades. Resultado de duas décadas
de pesquisas, o concreto à prova
d'água está sendo testado em
pontes monitoradas pela equipe
de pesquisadores americanos.
Por não acumular água em sua
estrutura, ele também é menos
suscetível a se rachar, o que origina buracos na pista.
Pesquisadores brasileiros da Embrapa, em parceria
com a Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ) e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM),
desenvolveram um composto mineral que, usado
como fertilizante, aumenta a produtividade agrícola
e, ao mesmo tempo, reduz o impacto ao meio ambiente. O produto é feito de concentrados zeolíticos
– um grupo numeroso de minerais que têm uma estrutura porosa – sem adição de produtos químicos.
Para obter os resultados, os pesquisadores fizeram modificações nas propriedades
superficiais das partículas de zeólitas a fim de que elas pudessem fazer a troca
de nutrientes, o que é otimizado pela característica porosa do material. Segundo
a pesquisadora Marisa Monte, nos testes agronômicos, o uso do concentrado
zeolítico apresentou uma produtividade até 40% superior àquela obtida pelo uso
de métodos convencionais de fertilização.
Aplicativo para smartphone detecta câncer
DermoScreen. Este é o nome do aplicativo para
smartphones capaz de detectar o câncer de pele com
acerto de 85%. O equipamento foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Houston, sob a coordenação do engenheiro George Zouridakis. Para funcionar, o
aplicativo usa, acopladas ao smartphone, lentes dermoscópicas que custam cerca de 500 dólares. Segundo
Zouridakis, o equipamento está sendo desenvolvido desde
2005. De acordo com dados da Organização Mundial da
Saúde, mais de dois milhões de casos de câncer de pele
são registrados todos os anos, e um em cada três pacientes diagnosticados com a doença morre.
Impressora de papelão
Uma das maiores empresas coreanas de tecnologia do mundo criou uma impressora de papelão que tem as mesmas funções e durabilidade das convencionais. Chamado de Origami,
o dispositivo é feito de papelão reciclado e um pedaço de plástico em seu interior. É resistente ao fogo e à água. A nova impressora é totalmente dobrável, e, no lugar dos parafusos,
possui encaixes embutidos na estrutura. Assim, os próprios usuários montam o dispositivo, que
não
tem formas complexas e dispensa cola. O equipamento, que pode ser personalizado para cada
usuário,
é totalmente reciclado após a utilização. A empresa informa que a impressora ainda é um protótipo,
sem previsão de lançamento e nem comercialização.
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
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Agenda Legislativa da Indústria
No lançamento da agenda, o presidente do CNI, Robson Braga, ressaltou a confiança da indústria brasileira no papel do Congresso Nacional como espaço de construção de leis modernas
Por um país
desenvolvido
Agenda contempla 134 propostas e estabelece 14
como componentes de uma Pauta Mínima da Indústria
O
desenvolvimento sustentado da economia depende de condições favoráveis ao investimento
e à atividade empresarial. Para a criação desse
ambiente, o Brasil precisa de leis alinhadas com
um projeto de desenvolvimento competitivo no longo
prazo. O discurso do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade,
durante o lançamento em março da Agenda Legislativa
44 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
da Indústria, é também um recado à classe política sobre a responsabilidade que os dirigentes do país devem
ter, sobretudo, em ano eleitoral.
A agenda, que contempla 134 propostas, estabeleceu
14 como componentes de uma Pauta Mínima da Indústria. Trata-se do conjunto de projetos com o maior
impacto – positivo ou negativo – para o ambiente de
negócios do país. Esses projetos podem afetar signifi-
Foto: CNI
cativamente o dia a dia do setor produtivo e estão
divididos nas seguintes áreas temáticas: regulamentação da economia, questões institucionais, meio
ambiente, legislação trabalhista, infraestrutura e
sistema tributário.
Robson Braga ressaltou a confiança da indústria
brasileira no papel do Congresso Nacional como
espaço de construção de leis modernas, que reduzam a burocracia, racionalizem o sistema tributário
e estimulem o investimento privado. Nesse sentido, destacou a aprovação da Nova Lei dos Portos
e a ampliação de novo limite de faturamento para
inclusão no regime de lucro presumido como dois
importantes avanços do Legislativo em 2013.
Para o presidente da CNI, é necessário obter
avanços urgentes nas propostas que simplificam o
sistema tributário nacional. Nesta edição da agenda, há três proposições consideradas prioritárias
para a indústria nesse âmbito: a criação do crédito
financeiro do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o restabelecimento do Regime Especial
de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadoras (Reintegra) e a Medida Provisória 627. “O sistema tributário complexo e caro não
atende às exigências da sociedade contemporânea e
atrapalha o desenvolvimento do país”, avaliou.
A MP 267, que tramita na Câmara dos Deputados, também foi destacada por Andrade. A matéria
altera normas de contabilidade das empresas e, principalmente, mexe com a tributação de lucros e dividendos de controladas de empresas brasileiras no
exterior. A CNI espera que o texto final da proposta
preveja a tributação somente no exterior. Dessa forma, as empresas do país têm incentivo à ampliação
de suas atividades fora do Brasil. “Essa é uma decisão
estratégica que influenciará diretamente os planos
das empresas de investir, ou não, na ampliação dos
negócios no exterior”, explicou o presidente da CNI.
Criada em 1996, a Agenda Legislativa da Indústria se consolidou como um instrumento transparente de diálogo do setor industrial com o Congresso Nacional e a sociedade. O documento é
construído a partir das contribuições de toda a base
da indústria brasileira e reflete a unidade do setor
em relação aos projetos em tramitação na Câmara
dos Deputados e no Senado Federal. Neste ano, a
Agenda Legislativa lista 134 projetos de interesse do
setor e indica se a posição da CNI é convergente ou
divergente em relação a cada uma dessas proposições. Também sugere o aperfeiçoamento dos projetos para que o país tenha um conjunto de leis e
regulamentos que promovam a competitividade e o
crescimento econômico.
Dos 14 projetos listados na Pauta Mínima, são
considerados urgentes para a indústria:
Extinção do adicional de 10% do FGTS
O setor privado já fez a sua parte no "maior acordo do mundo". A Caixa Econômica Federal, gestora do FGTS, afirmou
que a dívida com o Tesouro Nacional foi paga em junho
de 2012. Assim, a contribuição já poderia ter sido extinta
em julho de 2012. O Congresso Nacional aprovou o fim da
contribuição em julho de 2013, mas a proposta acabou
vetada. Com o tributo em vigor, há um impacto mensal
médio de 300 milhões de reais para o setor privado. O fim
do adicional é uma medida horizontal, que beneficiará todas
as empresas brasileiras. O que a CNI defende: a aprovação
do PLP 51/07, para extinguir o adicional de 10% do FGTS. O
projeto aguarda votação final na Câmara.
MP 267
A maioria das economias desenvolvidas incentiva a internacionalização de suas empresas. A MP 267 abre a
possibilidade para corrigir uma distorção no sistema
tributário brasileiro, que onera as multinacionais e traz
uma desvantagem competitiva em relação às companhias
de outros países. A MP também deve garantir a efetividade
dos acordos de bitributação firmados pelo Brasil, de forma
a não elevar indevidamente a tributação de empresas com
investimentos no exterior. O que a CNI defende: a aprovação
da MP 627/13 com aperfeiçoamentos, de forma a garantir
condições para as multinacionais brasileiras competirem em
pé de igualdade com empresas de economias avançadas
com investimentos no exterior.
Terceirização
Pesquisa realizada pela CNI mostra que 54% das empresas
industriais utilizam serviços terceirizados e 46% delas teriam
sua competitividade prejudicada caso não fosse possível
utilizá-los. A terceirização permite às empresas se concentrar em atividades inerentes a seu modelo de negócios e
funcionar de forma mais eficiente. A terceirização não pode
ser confundida com precarização das relações de trabalho.
O que a CNI defende: aprovação do PL 4 330/04.
Reintegra
Criado em 2012, no Plano Brasil Maior, devolve às empresas parte dos impostos incidentes sobre produtos exportados, da seguinte forma: 3% dos tributos não recuperáveis,
como ISS, Cide, IOF, PIS/Pasep, Cofins, ICMS e IPI. A CNI
calcula que os exportadores brasileiros vão pagar 3 bilhões
de reais em impostos inconstitucionais em 2014 com o fim
do Reintegra. O programa foi extinto em dezembro de 2013
e nem a meia década de estagnação das exportações de
manufaturados, que acumula mais de 400 bilhões de dólares de déficit desde 2008, foi suficiente para convencer o
governo de prorrogá-lo. O que a CNI defende: a aprovação
do PL 6 647/13.
Maio de 2014 | RevistadaFIEC
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45
Caráter participativo
C
Foto: JOSÉ SOBRINHO
oordenador do Conselho Temático de
Assuntos Legislativos (Coal) da FIEC, o
empresário Affonso Taboza ressalta o
caráter participativo da elaboração da Agenda
da Indústria. Ele, que é responsável na FIEC
por conduzir o processo de envio de sugestões
do estado para posterior discussão no âmbito
da CNI, diz que anualmente são selecionadas
As propostas
representam
uma lição voltada
ao desenvolvimento
do país
Affonso Taboza, coordenador
do Conselho Temático de Assuntos
Legislativos da FIEC
propostas que estão em tramitação ou podem
vir a estar no Congresso.
Feito esse trabalho preliminar, a CNI encaminha às entidades estaduais as proposições
legislativas de interesse do setor industrial, a fim
de que sejam consultadas. Nessa etapa, as federações elegem as proposições mais importantes
a partir de seus interesses e sugerem posicionamento a partir da Agenda Legislativa da Indústria.
Depois disso, a CNI promove o seminário
RedIndústria, quando os representantes de federações elegem os temas que comporão a agenda
para aprovação pela diretoria da Confederação.
Após a aprovação, a Agenda Legislativa da Indústria é lançada em evento na sede da entidade
com a presença dos presidentes da Câmara dos
Deputados e Senado, além de parlamentares e
dirigentes de outras instituições, em grande ato
político. Este ano, o documento chega à sua 19ª
edição. Taboza ressalta que a discussão em torno
das propostas que geram a agenda representa,
de fato, uma visão não apenas corporativa, mas
voltada ao desenvolvimento do país.
Nove projetos
A
Plenário da
Câmara dos
Deputados
Câmara dos Deputados definiu uma lista de nove projetos de interesse
do setor produtivo para serem debatidos e deliberados nas comissões
temáticas ainda em 2014. O conjunto de propostas foi construído
a partir de sugestões da CNI e de outras entidades setoriais. A ideia é que,
mesmo em ano eleitoral, o Legislativo avance na agenda de proposições que
ofereçam ganhos de competitividade para a indústria e a economia do país.
Dentre as proposições em tramitação no Congresso a CNI destacou três
projetos prioritários à indústria devido ao potencial para aliviar o Custo Brasil. Na
área tributária, foram listados o Projeto de Lei 6 530/2009, que institui o crédito
financeiro do IPI e PIS/Cofins, e o Projeto de Lei Complementar 381/2014, já
aprovado pelo Senado, que unifica as regras e procedimentos para União, estados e municípios, na condução do processo administrativo fiscal.
Na área trabalhista, a CNI defende a aprovação do Projeto de Decreto
Legislativo (PDC) 1 408/2013, que susta os efeitos da NR 12, editada pelo
Ministério do Trabalho. A norma definiu padrões de segurança em máquinas e equipamentos. Mas,
na avaliação da indústria, gerou insegurança jurídica e custos elevados para o setor, principalmente,
ao obrigar as empresas a se adaptarem imediatamente às novas regras, uma vez que não houve
corte temporal que permitisse manter as máquinas já instaladas como estão.
46 | RevistadaFIEC | Maio de 2014
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Durante solenidade comemorativa do Dia da