NT
A revista da Produção Animal
Nutrition for
Tomorrow
N˚ 02 - ano 01
Janeiro/2010
O custo dos alimentos e as
escolhas dos consumidores
Por que o agronegócio precisa de tecnologia para atender à demanda crescente por alimentos
saudáveis, nutritivos e com custos razoáveis
Jeff Simmons
Elanco Saúde Animal
Negócios
Frans Borg
Cooperativa Castrolanda
Cooperativismo
Alfredo Lang
Cooperativa C. Vale
Cooperativismo
Lair Antonio de Souza
Fazenda Colorado
Alta gerência & empreendedorismo
Ciliomar Tortola
e Rogério Martini
Frangos Canção
Alta gerência & empreendedorismo
Aviário azul e
dark-house para
frangos de corte
Marketing, o
caminho para
o consumo
Ambiência
e conforto
térmico
Ponto de abate
e remuneração
operacional
Editorial
Editorial
O Nutrition for Tomorrow Alliance é o resultado
de uma parceria entre as principais empresas que
representam os diversos elos da cadeia produtiva de
proteína animal, cujo objetivo é fornecer conteúdo
de relevância para garantir a sustentabilidade da
pecuária brasileira.
Para isso, desenvolvemos algumas ferramentas
que estão disponíveis para nossos clientes:
- Revista NT
- Treinamentos e cursos presenciais
- Palestras on-line com certificação
- E-books colecionáveis
Desejamos a todos vocês que 2010 seja um
ano repleto de saúde e sucesso. Queremos fazer
Caros amigos,
Nesta edição apresentamos líderes de importantes empresas produtoras de
carnes e de leite compartilhando suas opiniões e os modelos de negócio de suas
empresas. Esta gente é quem está construindo a nutrição do amanhã, que vai
não somente à mesa do brasileiro como também de milhões de pessoas em todo
o planeta. Estes líderes entendem que sua contribuição para alimentar o mundo é
produzir alimentos acessíveis, saudáveis e com sustentabilidade para o negócio
de suas empresas, da cadeia produtiva e do meio ambiente.
Apresentamos também na seção de negócios, um excelente artigo de Jeff
Simons, o qual discorre sobre o papel das tecnologias de produção de alimentos.
Este artigo mostra caminhos de como tornar a nutrição do amanhã acessível,
saudável e sustentável.
Finalmente, diante das polêmicas que envolvem as questões de sustentabilidade
ambiental na produção de bovinos e de seu impacto no aquecimento global,
trazemos um artigo que discute os trabalhos científicos que originaram esta
discussão. Além disso, o artigo propõe uma agenda positiva para a indústria
de produção de carne bovina, apresentando tecnologias capazes de reduzir
as emissões de metano pelos ruminantes. Estas tecnologias permitirão que as
empresas possam inclusive criar produtos com baixo carbon footprint (pegada
de carbono) e, desta forma, aumentar o valor de seus produtos em mercados
que de fato valorizam este tema.
Construir a nutrição do amanhã é também interpretar as tendências
e proativamente adaptar-se a elas, beneficiando o consumidor e
fortalecendo toda a cadeia produtiva.
parte, junto com você, da nutrição do futuro,
assegurando a produção de alimentos seguros
de forma sustentável, garantindo fornecimento à
Adriano Marcon,
presidente da Nutron Alimentos
população crescente.
Alessandro Roppa
Comitê do NT Alliance
NT 5
#2
#2
4 NT
N˚ 02 I ano 01 I Janeiro/2010
Expediente
Índice
NT
A REVISTA NT é uma publicação trimestral
da Nutrition for Tomorrow Alliance, distribuída
gratuitamente para a cadeia da produção animal.
Comitê NT Alliance
Nutron Alimentos – Alessandro Roppa
Elanco Saúde Animal – Milton Serapião
Novus do Brasil – Victor Walzberg
Serrana Nutrição Animal – Manuela Silva
Jornalista responsável:
Alessandra Cavicchioli
MTB 027.257
i9 Comunicações
Redação:
Tatiany Moccaldo
Tayara Lima
Projeto gráfico e diagramação:
Produção Coletiva
Impressão:
Citygráfica
Tiragem:
Negócios
08 I O custo dos alimentos e as escolhas dos
consumidores
Tuffi Bichara
Contato:
revista@nftalliance.com.br
Todas as bibliografias podem ser acessadas
no site: www.nutron.com.br
risco nas empresas Étore Baroni
Neto Carvalho
Sabrina Coneglian
Suínos
46I Fumonisinas - Diagnósticos e controle na
suinocultura Wanderson Paulino
Nutrição responsável
52 I Redução da pegada de carbono da produção de
carne bovina
5 I Editorial
24 I Negócios - Balanço do setor em 2009
Nutrition for Tomorrow Alliance é um projeto,
desenvolvido e administrado pela Nutron
Alimentos, que reúne empresas do setor da
produção animal, concentrando o melhor capital
humano e fornecendo conteúdo técnico para
gerar e fortalecer a sustentabilidade dos clientes.
A REVISTA NT é uma publicação dirigida a
produtores, empresários, técnicos, pesquisadores
e colaboradores ligados à cadeia de produção
animal. Os artigos assinados não expressam
necessariamente a opinião da revista. Não é
permitida a reprodução parcial ou total das
reportagens e dos artigos publicados sem
autorização.
Bovino de leite
30 I Ambiência e conforto térmico em bovinos de leite
36 I Influência da nutrição na qualidade do leite
Jeff Simmons
Aves
42 I Aviário azul e dark house para frangos de corte
15 mil exemplares
Gestão
20 I A atual volatilidade de preço e gerenciamento de
74 I Cooperativismo
- Castrolanda __ Ideias somadas e gestão profissionalizada
- C. Vale __ Fórmula que dá certo
80 I Alta gerência & empreendedorismo
- Leites Xandô - Sucesso planejado
- Frangos Canção - Crescimento acelerado sustentável
86 I Curtas
92 I Agenda
Bovinos de corte
58 I Ponto de abate e remuneração operacional
66 I Marketing o caminho para o consumo
Danilo Grandini, Hudson Castro e Pedro Terencio
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Negócios
s
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e
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o
aliment
s
o
d
s
a
escolh
s
e
r
o
d
i
consum
Hoje há aproximadamente um bilhão de
pessoas no mundo que passam fome. Contudo,
em apenas 50 anos estima-se que nossa
população global em crescimento requererá
100% mais de alimentos do que se produz
hoje. Infelizmente, não teremos 100% mais área
agricultável de alta qualidade disponível para
produzirmos o dobro de grãos ou duas vezes
mais animais para produção de alimentos. A FAO
(Organização das Nações Unidas para Agricultura
e Alimentação) relata que o aumento de área em
produção agropecuária permitirá a produção
de apenas 20% da quantidade de alimentos
adicional que será demandada em 2050, e que
10% virá do aumento de intensidade na atividade
agrícola. Coerentemente, a FAO conclui que 70%
da demanda adicional por alimentos poderá
ser produzida apenas com as tecnologias
agropecuárias novas ou já existentes.
As consequências da não utilização
dessas tecnologias e inovações baseadas
em ciência serão desastrosas. Os produtores
de alimentos em países industrializados e em
desenvolvimento precisam igualmente de
tecnologia para garantir o fornecimento de
grãos e proteínas de origem animal seguros,
nutritivos e a custos razoáveis, de maneira
sustentável, a fim de satisfazer o veloz aumento
de demanda. Por esse motivo, e vários outros,
todos compartilhamos a responsabilidade
de assegurar que as novas tecnologias
agropecuárias – assim como aquelas que foram
comprovadas como seguras e efetivas durante
décadas – continuem disponíveis.
Por que o agronegócio precisa de tecnologia
para atender à demanda crescente por alimentos
saudáveis, nutritivos e com custos razoáveis
Jeff Simmons
presidente da Elanco Saúde Animal
50
anos, a
Em
população mundial
demandará
100% mais
alimentos, e
70%
desses alimentos
deverão vir de tecnologias que
aumentem a produtividade
Resumo
• A ONU (Organização das Nações Unidas) prevê que a população mundial atingirá mais de 9 bilhões de
pessoas até a metade do século e clamou pelo aumento em 100% na produção mundial de alimentos até 2050.
De acordo com a ONU, essa demanda pelo dobro dos alimentos deve ser produzida virtualmente pela mesma
área que hoje já é utilizada para produção agropecuária.
• A FAO afirma que 70% desse fornecimento adicional de alimentos deverá vir do uso de tecnologias que
melhorem a eficiência da produção.
• Impulsionada pela eficiência na produção de alimentos, a agricultura pode conquistar uma “vitória máxima” para consumidores em todo o mundo – custos razoáveis, disponibilidade, segurança dos alimentos,
sustentabilidade e fornecimento abundante de grãos para biocombustíveis. Três conceitos-chave − colaboração, escolha e tecnologia – emergem como o caminho para esse sucesso.
NT 9
#2
#2
8 NT
Alguns argumentam que isso já ocorreu. Em
dezembro de 2008, aproximadamente 963 milhões
de pessoas em todo o mundo não conseguiam se
alimentar de maneira adequada. Aproximadamente
42% das pessoas que sofrem de fome crônica vivem
em duas das regiões mais populosas das nações
em desenvolvimento: Índia e China. Devido à má
nutrição, uma em cada quatro crianças nas nações
de “Segundo e Terceiro Mundo” (M2 e M3) estão
abaixo do peso para sua idade.
Essa é uma situação inaceitável nos dias atuais e
exigirá uma nova abordagem na produção de alimentos
para evitar um cenário ainda pior nas próximas décadas.
Isso ocorre porque espera-se que a demanda
global por alimentos aumente em 100% até 2050.
Consequentemente, a FAO projeta que a produção
global de carnes e proteínas derivadas do leite vai
praticamente dobrar até 2050. Esse aumento na
demanda global será impulsionado por um constante
incremento no crescimento da população atual: de
6,7 bilhões de pessoas para mais de 9 bilhões no
meio do século 21.
Esse acréscimo populacional será caracterizado
pelo aumento na riqueza, particularmente nas nações
do chamado “Segundo Mundo”, o que criará a maior
ampliação no consumo global de carnes e produtos
lácteos da história. Muito desse aumento ocorre
concomitantemente a uma melhoria nos padrões de
vida das nações em desenvolvimento, em que mais
pessoas podem custear a troca de grãos de baixo
custo em sua dieta diária por fontes de proteína de
maior valor. A China é um grande exemplo dessa
tendência. Comparada às outras nações do grupo
M2, como a Índia, a China teve mais progressos na
redução da fome em sua população em expansão.
Em 1985, o consumo de carne na China era de
aproximadamente 20 Kg por habitante por ano. Em
2000, essa quantidade havia aumentado para 41 Kg
per capita anualmente, valor que, estima-se, mais do
que duplicará novamente até 2030.
Alimentando nossos 3 “mundos”
10% virá da intensificação da agricultura (obter mais
colheitas por ano de cada hectare).
No que tange ao aumento da produção, há
boas notícias. Durante a última metade do século
20, a produtividade agropecuária em muitas nações
do grupo M1 se expandiu a taxas fenomenais. Por
exemplo, a produção média de milho nos Estados
Unidos aumentou de 2,45 toneladas por hectare
para 9,61 toneladas por hectare (Fig. 1). Além
Por quê? Porque, segundo o Serviço de Pesquisa
Econômica do USDA (ERS), o desenvolvimento de
novas tecnologias agropecuárias – incluindo avanços
em genética, nutrição, controle de doenças e pestes
e manejo de rebanhos – foi importante fator nessas
melhorias de produtividade do século 20.14,15 Refinar
essas tecnologias, e descobrir novas, será crítico
para nosso sucesso em expandir a melhoria da
produtividade neste século.
Quanto à otimização do uso da terra para a
agricultura nas próximas décadas, porém, as notícias
não são tão encorajadoras. As razões para isso
são múltiplas e complexas, mas duas delas são de
importância primordial. Primeiramente, há a crescente
necessidade de se balancear o uso de terras com fins
agropecuários com o dever de minimizar o impacto
da agricultura no cenário global – particularmente
no que tange às emissões de gases de efeito
estufa, degradação do solo e proteção de recursos
escassos como a água. Poucos argumentariam
contra a premente necessidade de utilizar-se apenas
aquelas tecnologias agropecuárias que tenham
impacto neutro ou positivo em nosso meio ambiente.
Fazer o contrário é o mesmo que sacrificar nossa
sobrevivência de longo prazo em favor de ganhos
em curto prazo.
A segunda razão envolve a conflitante pressão
para realocar o uso de terras hoje utilizadas para
a agricultura voltada à produção de alimentos
para a agricultura geradora de grãos para
produção de biocombustíveis. Responder a esses
desafios adicionais com sucesso – proteger o
meio ambiente e balancear as necessidades
mundiais por energia e água – requererá uma
abordagem complexa e multifacetada. Por ora,
independentemente de como respondamos a
esses desafios, ambos inevitavelmente afetarão o
custo dos alimentos nas nações dos grupos M1,
M2 e M3 da mesma maneira.
Figura 1 - Produtividade de milho por
hectare nos EUA: 1950-2000
(Dados do Serviço de Pesquisa Econômica do USDA)
12
9
6
3
2,45
{
9,61
Produtividade
aumentou 292% em
apenas 50 anos
0
1950
2000
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos)
designa as novas tecnologias como “fatores primordiais”
para as melhorias na produtividade agropecuária, tais como o
aumento de 292% na produtividade de milho de 1950 a 2000.
Economistas classificam nosso mundo em três grupos socioeconômicos:
(M1)
Primeiro Mundo (M1): Nações ricas, industrializadas, e regiões incluindo os Estados
Unidos, Europa ocidental, Japão, Coreia do Sul e Austrália.
População total estimada (2008): < 1 bilhão.
(M3)
Segundo Mundo (M2): Nações onde o principal desafio é o balanço dos recursos e das
necessidades, incluindo a China, Índia, Leste Europeu e América Latina.
População total estimada (2008): 3-4 bilhões.
(M2)
Terceiro Mundo (M3): Nações que estão constantemente em situação difícil, como
Bangladesh, Haiti e a maior parte da África.
População total estimada (2008): 1-2 bilhões.
disso, uma comparação da produção rural dos
Estados Unidos de 1948 a 1994 mostra substancial
aumento de produtividade para todas as atividades
pecuárias e de produção de grãos, incluindo um
aumento de 88% na produção de carnes e de 411%
na produção de ovos e frango. Combinadas, essas
melhorias resultaram em um aumento de 145% no
Fator Total de Produtividade (FTP )* para a indústria
agropecuária dos EUA (Fig. 2). Isso nos deve dar
motivos suficientes para acreditar que podemos
atender à crescente demanda mundial por alimentos.
Estimativas populacionais utilizadas para o gráfico: M1 = 0,9 bilhão, M2 = 3,8 bilhões e M3 = 1,8 bilhão
Coincidindo com o aumento na demanda por
proteína animal, há a realidade das crescentes
restrições dos recursos naturais esgotáveis, sendo
a terra um fator essencial limitante. Com base nas
projeções da FAO, 13% a mais de terra nos países
em desenvolvimento serão convertidos para uso
agropecuário nos próximos 30 anos. No âmbito
#2
10 NT
global, isso representa um aumento líquido de terras
agricultáveis disponíveis de apenas 1% dos 39% de
área de terra globalmente utilizados em 2008, para
um total de 40%. Essa expansão de terras contribuirá
com apenas 20% do aumento futuro na produção de
alimentos. De acordo com as Nações Unidas, 70% do
aumento na produção de alimentos precisará vir da
intensificação do uso de novas ou atuais tecnologias
melhoradoras de rendimento. Aproximadamente
Mudanças na produção
agropecuária (1948=100)
Terra: o recurso esgotado
Figura 2 - Produção e produtividade dos EUA: 1948 - 1994
(Dados do Serviço de Pesquisa Econômica do USDA)
600
511
1948
1994
500
Mudanças em tecnologia auxiliaram a mais
do que duplicar a produção de produtos
pecuários e agrícolas durante a segunda
metade do século passado.
Aumentos na produção
resultam em um incremento
de 145 pontos percentuais
no “Fator Total de
Produtividade” (FTP ) para
a agricultura dos Estados
Unidos.
400
300
200
100
132
213
188
250
245
0
Produtos
lácteos
Carnes
Frango e ovos
Todos os produtos
pecuários
Todas as culturas
agrícolas
Fator Total de
Produtividade*
Tendo a produção agropecuária mais do que dobrado em 1994 em comparação a 1948, o Fator Total de Produtividade (FTP) para a agricultura dos Estados Unidos
durante a última metade do século 20 melhorou em aproximadamente 150%. De acordo com o USDA, essa diferença em FTP resultou de fatores que incluem as
mudanças em tecnologia, eficiência e escala de produção.
*Em geral, a taxa de produtividade é mais comumente expressa como Fator Total de Produtividade (FTP), uma relação entre produção e insumos (ambos medidos
como um índice). O FTP identifica o crescimento em produção não contabilizado pelo crescimento nos insumos de produção.
NT 11
#2
O crescimento populacional será maior que nossa habilidade de
atender à demanda de alimentos?
Um consenso crescente: o desafio de alimentar o mundo.
Grãos para alimentos ou grãos para combustíveis: podemos ter ambos?
O que alguns especialistas têm a dizer:
“A ciência e a tecnologia devem estimular a produção agrícola nos próximos 30 anos a um ritmo mais rápido do que a
O USDA projeta que, aproximadamente, um terço da produção de milho norte-americana em 2009 será convertida
em etanol. Ainda assim, esta nova tecnologia criada para revolucionar a produção de energia, também produziu
debates a nível mundial, sobre os prós e contras da utilização de terras agrícolas para a produção de combustíveis em
detrimento à produção de alimentos.
Considere: quando a produção estadunidense de etanol começou a aumentar em 2005, o milho custava menos
de dois dólares norte-americanos por bushel (o equivalente a 25,4 Kg). Em um prazo de dois anos, o valor havia
dobrado para 4 dólares e, um ano mais tarde, teve um pico de quase 8 dólares por bushel, resultando em significativa
pressão na indústria alimentar.
Podemos produzir alimentos suficientes para alimentar o mundo enquanto ajudamos os Estados Unidos e o
mundo a atingir um maior nível de independência energética? Se a história pode orientar-nos, a resposta é sim, mas
apenas à medida que continuemos a investir na tecnologia necessária para fazer a produção de etanol, produção de
grãos e de alimentos ainda mais eficiente.
Revolução Verde o fez durante as três últimas décadas.”
Dr. Jacques Diouf, diretor-geral, FAO
“Políticas visando proteger os pobres do aumento do preço dos alimentos são urgentes e precisam ser desenhadas de
maneira a conduzir o estímulo a uma produtividade agropecuária ainda maior no longo prazo.”
Dan Leipziger, vice-presidente do Banco Mundial para a redução da pobreza e gerenciamento econômico
“Tudo bem com as hortas de quintal. O mesmo vale para os orgânicos... Mas as soluções para a crise global dos
alimentos virão dos grandes negócios, lavouras geneticamente modificadas e fazendas de grande escala.”
Jason Clay, WWF (World Wildlife Fund)
Com respeito ao fornecimento mundial de
alimentos, o que pensa o cidadão médio? Ele ou
ela se preocupa diariamente com a segurança dos
alimentos, tecnologias e métodos agropecuários?
Especialistas continuam a debater a resposta para
essa pergunta.
Por outro lado, o medo das contaminações
alimentares – como aquelas envolvendo leite da China,
pimenta do México, carne de algum abatedouro
norte-americano e produtos derivados de amendoim
da Geórgia – criaram compreensíveis preocupações
nos consumidores sobre a segurança do suprimento
mundial de alimentos.
% de consumidores ditando esta preocupação
Figura 3 - Preocupações dos consumidores
quanto à segurança dos alimentos
50
50
40
29
30
20
13
7
10
1
0
Doenças
Manuseio Origem dos Produção Biotecnologia
Contaminação Preparo
alimentos agropecuária
Apesar da pesquisa mostrar que a maioria dos consumidores
não está particularmente preocupada com a segurança dos
alimentos, quando solicitados a compartilhar preocupações em
potencial 50% deles citam doenças de contaminação.
Em contraste, apenas 1% cita a biotecnologia como uma
preocupação de segurança dos alimentos.
#2
12 NT
De outra forma, uma pesquisa realizada em
2008 pelo Conselho Internacional de Informações
sobre Alimentos (IFC - International Food Information
Council) revelou que quando os consumidores são
questionados sobre preocupações específicas
quanto aos alimentos, metade considera que
“doença e contaminação” estão no topo da lista. Não
obstante, apenas 7% relataram preocupar-se com
os métodos de produção agropecuários, e 1% citou
a biotecnologia como uma preocupação primordial
(Figura 3).
A pesquisa também demonstra que a maioria
das pessoas não está excessivamente preocupada
com a segurança dos alimentos, tampouco
com as modernas tecnologias de produção
agropecuárias. Pesquisas norte-americanas e
internacionais, envolvendo um total de 45 gruposfoco, conduzidas em 2001, 2004 e 2008 – incluindo
uma pesquisa quantitativa de 741 americanos
feita em 2008 –, revelaram que a maioria dos
consumidores (aproximadamente 70% em 2008)
supõe que a carne e o frango que compram são
seguros. A pesquisa também demonstrou que os
consumidores preocupam-se pouco com a origem
da carne adquirida. E apenas 17% dos consumidores
pesquisados em 2008 expressaram um forte
interesse em conhecer as modernas técnicas de
produção de animais produtores de alimentos, ao
passo que aproximadamente 60% tinha pouco ou
nenhum interesse, preferindo, em vez disso, confiar
na cadeia de produção de alimentos para assegurar
que os alimentos que consomem é seguro. Em
quem os consumidores acreditam mais para garantir
a segurança dos alimentos baseada em ciência?
Talvez, não surpreendentemente, seja nos produtores
de alimentos – aqueles que utilizam as modernas
tecnologias para ajudá-los a produzir alimentos de
produtos geneticamente modificados como uma
maneira segura e eficiente. É interessante observar
preocupação primordial sobre os alimentos.
que os consumidores confiam nos produtores para
Além do mais, na União Europeia – uma região
ajudar a manter a segurança dos alimentos em grau
do mundo que tipicamente é líder em produção
muito maior do que acreditam grupos de interesse
orgânica – poucos consumidores evitam de fato
especial (Fig. 4).
os alimentos geneticamente modificados quando
Proteger a confiança e o crédito que os
fazem compras. Na realidade, independentemente
consumidores
colocam
na
do
que
os
consumidores
cadeia
de
produção
dos
declarem sobre os alimentos
A produção
alimentos é vital. Apesar de a
geneticamente modificados em
agropecuária em
confiança dos consumidores
pesquisas de opinião, a grande
2050 ocupará apenas
permanecer relativamente forte,
maioria prontamente consome os
aproximadamente 1%
as pesquisas mostram que ela
poucos alimentos geneticamente
17
de
terra
a
mais
do
que
é
está reduzindo-se levemente.
modificados disponíveis sem
Recalls de alimentos de alto
hesitação aparente. É digno de
utilizado em 2008.
padrão ajudaram a abalar essa
nota, porém, que a demanda
confiança. Mas será que o surgimento de alimentos
global por produtos orgânicos continue a crescer.
geneticamente modificados também tem sua
Mundialmente, as vendas de produtos orgânicos
parcela de culpa? Provavelmente não.
dobraram de 2000 a 2006, sendo que a União
As pesquisas revelam que, a menos que
Europeia emergiu como um dos três principais
seja sugerido, consumidores não colocam os
mercados de importação para esses produtos.
Figura 4 - Em quem os consumidores mais confiam para garantir a segurança dos alimentos?
(1 = Confiam menos, 10 = Confiam mais)
4,83
Grupos de interesse especial
Agências regulatórias federais
5,07
Agências regulatórias estaduais
5,08
Companhias de alimentos/Processadores
5,33
5,66
Restaurantes
5,96
Lojas de produtos hortifrutigranjeiros
Fazendeiros/Produtores
1
2
3
6,56
4
5
6
7
No que tange à garantia da segurança dos alimentos, os consumidores depositam maior confiança nos fazendeiros
e produtores de alimentos.
NT 13
#2
A perspectiva dos consumidores
Em 2003, um grupo de pesquisadores denominado Centro de
Excelência Competitiva foi formado para avaliar uma série de desafios.
Um deles era analisar a indústria da carne europeia e estratégias
de desenvolvimento para melhorar sua posição competitiva dentro
da Europa e no mercado global. Pesquisas e painéis de discussão
realizados por especialistas em agropecuária altamente respeitados,
veterinários e produtores de alimentos de toda a Europa foram
conduzidos pelo Centro. Três percepções emergiram:
1. A existência de um órgão regulador, de credibilidade,
que demonstre autoridade.
O modelo para isso é o U.S. Food and Drug Administration (FDA),
um órgão regulador que, apesar de algumas críticas, permanece uma
autoridade altamente respeitada pelos consumidores nos Estados
Unidos e no resto do mundo. Uma autoridade centralizada como
o FDA ajuda a manter a confiança dos consumidores – algo que
os europeus reconhecem e de que necessitaram quando lidaram
com contaminações alimentares e problemas de sanidade animal.
Finalmente, eles criaram órgãos centralizados para a União Europeia,
como o FVO - Food and Veterinary Office (Escritório Veterinário e de
Alimentos) e a EFSA - European Food Safety Authority (Autoridade
Europeia de Segurança dos Alimentos).
2. Permitir a continuidade do uso de tecnologias
aprovadas e de modernas práticas agropecuárias.
Por exemplo, fazendeiros do Reino Unido aprenderam na
década de 90 que reescrever leis para apaziguar os interesses
políticos de minorias engajadas é uma receita para o desastre
econômico. Uma década após ceder às pressões para banir
(ou não aprovar) os hormônios de crescimento, produtos
biotecnológicos, OGMs (organismos geneticamente modificados)
e certas práticas produtivas, o Reino Unido transformou-se de um
líder global competitivo em um produtor doméstico de alto custo,
baixa produtividade que hoje depende das importações de frango
e carne bovina para atender às demandas dos consumidores.
3. Produtores de alimentos devem evitar “a diferenciação
pelo negativo”.
Rotular alimentos com alegações negativas como SEM aditivos,
SEM isso, SEM aquilo, etc., resulta numa competição cara entre
produtores de alimentos para ganhar nos atributos negativos “SEM”,
além de confundir os consumidores que não entendem, desejam ou
preferem esses tipos de alimentos. Além disso, essa prática pode
criar medos infundados nos consumidores de que os produtos sem
tais alegações sejam menos seguros, quando, na realidade, eles
podem até mesmo ser mais seguros para o consumo. De qualquer
maneira, é o consumidor que deve tomar a decisão final sobre quais
produtos adquirir.
#2
14 NT
consumidores, particularmente para aqueles em países
ricos (países do grupo M1), onde a despesa com os
alimentos consome apenas 10% da renda média. Isso
inclui consumidores que preferem alimentos produzidos
de maneira orgânica, em outras palavras, sem pouco uso
Se a maioria dos consumidores confia que
(ou nenhum) de modernas tecnologias e ferramentas
os alimentos que consome são seguros e aceita
agropecuárias. A produção orgânica de alimentos,
alimentos
geneticamente
modificados
com
porém, tipicamente demanda mais recursos e produz
poucas inquietações, então com o que eles se
menos alimentos − o que, no momento atual, tornapreocupam? Quando perguntados abertamente
se uma solução questionável para atender à crescente
sobre o que mais desejam em seus alimentos,
demanda global por alimentos. À medida que nos
consumidores consistentemente
preparamos para adentrar a
dizem que desejam produtos
Pesquisas recentes nos
segunda década do século,
de alta qualidade e com custos
a maioria dos alimentos
Estados Unidos, Reino Unido,
razoáveis. Como exemplo, um
orgânicos permanece um
Alemanha, Argentina e China
recente levantamento nos Estados
luxo de alto custo ao qual
demonstraram que sabor,
Unidos, Reino Unido, Alemanha,
três quartos da população
qualidade e preço eram as
Argentina e China revelou que o
mundial não têm acesso,
principais considerações
sabor, qualidade e preço estavam
particularmente em países
entre as principais considerações
feitas no momento da escolha. em
desenvolvimento,
feitas quando da escolha dos
onde os custos com a
alimentos.
alimentação consomem mais de 50% da renda média.
Custos razoáveis continuam a ser o fator mais
Obviamente, consumidores que desejam adquirir
relevante, à medida que a economia global permanece
produtos orgânicos – o que auxilia a indústria de
em um estado de elevada volatilidade. De acordo com
alimentos a satisfazer a demanda e capturar mais
uma pesquisa de outubro de 2008 realizada pelo Centro
valor – merecem essa escolha. Do mesmo modo,
de Integridade dos Alimentos (Center for Food Integrity),
consumidores
que desejam ter abundância de
60% dos respondentes estão mais preocupados com
alimentos produzidos eficientemente, com alta
os preços dos alimentos do que estavam apenas
qualidade e custos razoáveis, também merecem essa
um ano antes da pesquisa − “o mais alto nível de
oportunidade. Todas as preferências dos consumidores
preocupação... desde a Segunda Guerra Mundial” de
podem e devem ser protegidas. Sobretudo os
acordo com o CEO do Centro, Charlie Arnot.
subnutridos das nações em desenvolvimento, que
estão melhorando suas dietas pelo aumento de
consumo de proteínas de origem animal, merecem
Os consumidores desejam ter
alimentos a custos acessíveis, que possam ser
escolhas
produzidos
com
tecnologias
agropecuárias
cuidadosamente monitoradas, que aumentem a
Naturalmente, a possibilidade de ter recursos
eficiência de produção.
para adquirir alimentos importa menos para alguns
Figura 5 - Entendimento dos consumidores de
que fornecimento de alimentos hoje é mais
seguro do que era durante sua infância
14
36
50
Baixo nível de
concordância
Médio nível de
concordância
Alto nível de
concordância
Figura 6 - Preocupação dos consumidores
acerca do preço dos alimentos
4
36
60
Baixo nível de
concordância
Nível de
concordância
ambivalente
Alto nível de
concordância
Sessenta e quatro por cento dos americanos acreditam que o fornecimento de alimentos atual é ainda mais seguro do que era
quando eles eram jovens; 60%, entretanto, expressa alto nível de preocupação com o custo dos alimentos.
NT 15
#2
Lições do Centro Europeu
de Excelência Competitiva
Os consumidores desejam
alimentos de alta qualidade e
com custos razoáveis
atender à demanda global por
alimentos e para proporcionar
escolhas aos consumidores?
Há uma ampla variedade de respostas para essa
questão e listamos aqui três das mais importantes:
1. A tecnologia permite aos produtores de
alimentos fornecer mais grãos e fontes de
proteína de alta qualidade, usando menos
recursos.
#2
16 NT
2. A tecnologia pode auxiliar na manutenção de
preços adequados dos alimentos ao mesmo
tempo que assegura a máxima opção de
escolhas aos consumidores – especialmente
nas nações em desenvolvimento.
Os alimentos orgânicos são uma opção adequada
para aqueles que podem dispor de recursos
suficientes para pagar um preço maior por eles.
De acordo com os pesquisadores do USDA, o
aumento de preços destes produtos pode ser em
média de 100% ou mais para os vegetais, 200% a
os representantes institucionais na cadeia global
mais para frango e aproximadamente 300% a mais
dos alimentos.
para ovos. Em uma escala global, porém, a maioria
3. A tecnologia pode ajudar a minimizar os
dos consumidores não pode arcar com esses custos
impactos ambientais globais do aumento da
aumentados e demanda, em vez disso, escolhas
produção de alimentos.
alimentares mais baratas.
O uso das modernas técnicas de produção e
É digno de nota que nem todos os métodos de
tecnologias não apenas auxilia na produção de mais
produção orgânica são menos eficientes e fornecem
proteínas de alto valor a partir de menos terras em
alimentos que, invariavelmente, custem mais. De
produção, mas também tem um impacto líquido mais
acordo com um relatório da FAO, em alguns países,
positivo no ambiente. Para exemplificar, o que os
sistemas orgânicos bem estruturados podem fornecer
produtores hoje chamam de técnicas de produção
produção e lucros maiores do que os sistemas
“convencionais” (isto é, modernas) pode na realidatradicionais. Em Madagascar, por exemplo, os
de reduzir as emissões de gases de efeito estufa por
fazendeiros aumentaram a produtividade do arroz
quilograma de carne produzida (aproximadamente
em quatro vezes por intermédio do uso melhorado de
meio quilo) em 38%, comparado a um sistema de
práticas de manejo orgânico. Na Bolívia, Índia e Quênia,
produção “todo natural” (Figura 7).
os fazendeiros demonstraram
Além do mais, a tecnologia
que a produção pode dobrar ou
A
tecnologia
pode
ajudar
pode
ajudar a reduzir a
triplicar em relação às práticas
significativamente na redução produção de efluentes de
tradicionais.
origem animal que ameaçam
Todavia, o relatório também
da produção de efluentes
reconhece a necessidade de animais que ameacem fontes as fontes de água em nações
mais pesquisas para resolver os
vitais de água em países em em desenvolvimento cujos
padrões
e
tecnologias
problemas técnicos enfrentados
desenvolvimento onde
modernas
de
controle
pelos produtores orgânicos, e
os
padrões
e
tecnologias
de
poluição
não
estão
sugere que a agricultura orgânica
modernas
de
controle
atualmente
em
uso.
Exemplo
possa se tornar uma alternativa
de poluição não estão
objetivo: o uso de um aditivo
realista à agricultura tradicional
alimentar aprovado pelo FDA
atualmente em uso
nos próximos 30 anos, porém
para suínos pode reduzir
apenas localmente.
a produção de dejetos em 8%. Sua utilização na
Ainda assim, dada a magnitude da crise de
alimentação de todos os cachaços abatidos nos
alimentos com a qual o mundo se confrontará nas
Estados Unidos em 2002 teria reduzido a produção
próximas décadas, os esforços para maximizar as
anual de dejetos suínos em mais de 13 bilhões de
escolhas e concretizar altas eficiências produtivas (e
litros – ou o suficiente para encher 5.600 piscinas de
menores custos) para todos os alimentos – incluindo
tamanho olímpico.
os produtos orgânicos – merecem o apoio de todos
Figura 7 - Emissão total de gases de efeito estufa por Kg de carne bovina
(exclui NOx - outros óxidos de base nitrogenada)
6
5
4
3
2
Gado alimentado com grãos
emite 38% menos gases de
efeito estufa do que gado
alimentado a pasto
3,12
{
5,02
3,57
Criação convencional com grãos
Criação natural com grãos
Criação orgânica a pasto
1
0
Os métodos convencionais de produção auxiliam na redução total da emissão de gases de efeito estufa
comparados aos métodos orgânicos.
NT 17
#2
Ironicamente, aqueles que acreditam que práticas
agropecuárias “naturais” (por exemplo, as realizadas
antes de 1950) eram superiores às utilizadas
atualmente não poderiam estar mais enganados. Por
exemplo, os produtores de gado atualmente usam
A questão sobre como os alimentos são produzidos
uma combinação de modernas práticas alimentares
tornou-se ainda mais relevante em 2008, quando o
e aditivos alimentares melhoradores de performance.
mundo todo assistiu a uma pressão na aceleração da
Essas modernas tecnologias permitem aos pecuaprodução de alimentos como nunca antes vista. De
ristas produzir carne utilizando dois terços de terra
acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI),
a menos do que utilizariam para produzir a mesma
os preços mundiais das commodities alimentares
quantidade de carne em um sistema de produção
cresceram mais de 75% do início de 2006 até julho
“todo natural” baseado apenas na alimentação a
de 2008.23 É claro que qualquer aumento nos preços
pasto. Além disso, podemos atualmente produzir
dos grãos inevitavelmente provoca aumento nos
pelo menos 58% a mais de leite com 64% menos
custos das carnes, ovos e produtos lácteos, já que
vacas do que os produtores de leite tinham condições
os grãos são utilizados na alimentação animal.
de produzir em 1944. Os pesquisadores também
Ainda que esses aumentos
descobriram que o uso
sejam apenas dolorosos
nacional de um aditivo
“O alto preço dos alimentos
nos países industrializados
alimentar aprovado para
não está causando apenas uma
(M1), nas nações pobres o
suínos pelo FDA (Food
crise humanitária, mas também
mais modesto incremento
and Drug Administration)
colocando em risco o potencial
no preço dos gêneros
pode permitir aos Estados
de desenvolvimento de milhões
alimentares pode significar a
Unidos manter o mesmo
de pessoas.” – Josette Sheeran,
diferença entre a subsistência
nível de produção de suínos
Programa Mundial de Alimentos
e a fome. Josette Sheeran,
utilizando 11 milhões de
diretora do Programa Mundial
cachaços a menos. Isso
de Alimentos, relata que de 2002 a 2007 os custos de
também reduziria a demanda de terra utilizada na
aquisição de alimentos básicos para seu programa
produção de grãos para alimentação dos suínos em
aumentaram em 50% - e então aumentaram 50% a
mais 809.400 mil hectares.
mais apenas um ano mais tarde. Como consequência
Similarmente, para cada milhão de vacas
desse aumento de preços nunca antes visto, Sheeran
manejadas com outra tecnologia amplamente
adverte que “o alto preço dos alimentos não está
utilizada, o mundo economiza 2,25 milhões de
apenas causando uma crise humanitária, mas também
toneladas de alimentos que demandariam 218.530
colocando em risco o desenvolvimento potencial de
hectares de terra para serem produzidos. Esse
milhões de pessoas”.
aumento de eficiência economiza energia suficiente
O desafio de auxiliar esses milhões de pessoas exige
para abastecer 15 mil residências e pode reduzir
que perguntemos a nós mesmos: podemos nos dar ao
substancialmente o preço do leite.
luxo de não utilizar essas tecnologias disponíveis para
A tecnologia também teve um papel importante
produzir alimentos tão eficientemente quanto for possível?
na indústria do frango, que testemunhou um aumento
de quatro a seis vezes no peso do abate de frango de
corte desde 1957. Os pesquisadores atribuem esse
Por que a tecnologia é uma
aumento à cuidadosa seleção genética e melhoria na
ferramenta tão importante para
nutrição.
Kg de CO2 equivalente
O alto preço dos alimentos
agravará a crise global dos
alimentos
Conclusões
1. A indústria global dos alimentos
demanda tecnologia.
Sem avanços na tecnologia agropecuária,
a humanidade provavelmente não teria
progredido no século 20 sem grandes crises
de fome ou guerras (que teriam um efeito
devastador) motivadas pelos alimentos. Será
que estaremos aptos a dizer o mesmo ao final
deste século, dado que uma crise alimentar já
se iniciou?
Acredito que a resposta é sim, porque
concordo com a FAO que 70% desses
alimentos precisam vir do uso de tecnologias
e métodos novos ou já existentes. E essas
tecnologias e métodos não devem ter efeitos
negativos sobre o meio ambiente, bem-estar
animal ou segurança dos alimentos.
2. Os consumidores merecem a mais
ampla variedade possível de escolhas
alimentares seguras e a custos
razoáveis.
Em geral, os consumidores acreditam nos
produtores de alimentos para a manutenção
do fornecimento de alimentos seguros e
estão mais preocupados com contaminações
alimentares do que com a tecnologia
utilizada na fazenda. Em vez disso, uma das
principais preocupações das pessoas é com
a possibilidade de ter recursos para adquirir
os alimentos.
Por esse motivo, os consumidores
de todas as classes sociais e geografias
− desde aqueles que podem pagar por
alimentos orgânicos até os que lutam para
manter uma dieta alimentar suficiente para a
sobrevivência – devem ter a possibilidade de
escolher dentre uma abundância de alimentos
seguros, nutritivos e, mais importante, com
custos adequados a suas possibilidades de
consumo.
3. O sistema de produção de alimentos
pode atenuar o desafio dos custos dos
alimentos e possibilitar uma “vitória
máxima”.
Defrontado com uma crise global de
alimentos, o mundo estará em risco no meio
deste século. Será que nós já podemos
reconhecer os sinais? Nossa população
#2
18 NT
consumiu mais grãos do que se produziu
durante sete dos últimos oito anos.
A boa notícia: uma “vitória máxima” ainda
é possível. Com o que ela se parecerá? Cinco
principais conquistas marcarão seu sucesso:
1. Aumentar o fornecimento de alimentos
pelo uso de novas e já existentes tecnologias e
ótimas práticas produtivas.
2. Aumentar o fornecimento de alimentos
instituindo-se amplamente maior grau de
cooperação em toda a cadeia global dos
alimentos.
3. Garantir a segurança dos alimentos com
uma combinação de tecnologia, sistemas e
padrões de alta qualidade, aliados ao melhor
nível de colaboração global.
4. Incrementar a sustentabilidade por
intermédio de um sistema produtivo altamente
eficiente que simultaneamente proteja o meio
ambiente com o uso sensível e eficiente dos
recursos naturais.
5. Produzir mais biocombustíveis para
reduzir a dependência dos combustíveis fósseis
enquanto não é gerado nenhum efeito negativo
na disponibilidade mundial de alimentos.
Em resumo, três conceitos-chave −
colaboração, escolha e tecnologia – emergem
como caminho para o sucesso. Eles não
apenas indicarão o caminho, mas também
serão pré-requisitos necessários para uma
“vitória máxima” no desafio dos custos dos
alimentos.
nutron
Jeff Simmons é o presidente
da Elanco Saúde Animal, a divisão
de saúde animal da Eli Lilly and
Company. Jeff é membro do Comitê
Executivo do Animal Health Institute
– AHI (Instituto de Saúde Animal)
e atua no Conselho de Diretores
tanto da AHI quanto da International
Federation for Animal Health – IFAH (Federação Internacional para
a Saúde Animal). Ele também é membro do comitê da Harvard
Business School’s Private and Public, Scientific, Academic, and
Consumer Food Policy Group (PAPSAC ) e chairman de 2009 da
FFA Foundation Board. Jeff é bacharelado em Economia Agrícola e
Marketing pela Cornell University.
Vacas mais sauDáVeis No pré e pós-parto
Geralmente as três últimas semanas de gestação e as três primeiras semanas após o parto são o período mais crítico do ciclo
de produção da vaca leiteira.
Isto ocorre por conta de uma queda vertiginosa no consumo, o que pode resultar em complicações de diferentes tipos para o
animal, tais como cetose, deslocamento de abomaso, retenção de placenta, metrite, etc.
Para evitar problemas como estes, utilize Nutron Drench logo após o parto.
Nutron Drench:
- hidrata o animal;
- repõe eletrólitos perdidos no momento do parto;
- fornece energia (propilenoglicol).
Gestão
Imagine que você opera em um mercado no qual
o volume de informação é quase nenhum ou muito
inferior ao atual, sem telefone, internet, wireless,
telefone celular, e-mails ou Google, muito menos um
parâmetro de preços atuais ou preços futuros para
comprar ou vender qualquer commodity.
Se não conseguir imaginar, agradeça à grande
revolução tecnológica e ao aprimoramento dos
mercados financeiros ocorridos nas últimas décadas,
que facilitam, e muito, a vida de todos nós. Porém,
antes que fosse inventado um instrumento de
negociação (Bolsas), produtores e consumidores
de produtos agrícolas tinham preços totalmente
desconhecidos por conta das incertezas e, na falta
de parâmetros de preço, era impossível controlar a
negociação, devido aos parcos recursos disponíveis
e ao escasso conhecimento na época. Essa ausência
de parâmetros deixava o mercado sem direção no
momento da safra, quando os agricultores tinham
situações de preço abaixo dos custos e, algumas
vezes, jogavam produtos fora, devido à baixa
rentabilidade e à falta de estrutura de armazenagem.
No momento da entressafra, era a vez do consumidor
sofrer, tendo que pagar preços altíssimos para não
ter sua linha de produção interrompida por falta de
produto.
A necessidade de conhecer o preço e seus riscos
de variação eram fatores importantes sobre os quais
não se tinha controle na época, deixando todos os
participantes sem qualquer parâmetro para a tomada
de decisão antecipada no mercado. A existência
de riscos levou exatamente à criação dos contratos
futuros.
Étore Baroni
Consultor em Gerenciamento de
Riscos – FCStone do Brasil
A atual volatilidade de
preço e gerenciamento
de risco nas empresas
Em 1848, em uma reunião, 82 homens discutiram
o preço justo do mercado e a instabilidade dos
preços. Foi estabelecido um padrão, de acordo com
o qual os preços seriam definidos por consenso entre
compradores e vendedores de contratos.
Em 1865, foi criada a CBOT – Chicago Board of
Trade −, em que era possível realizar negociações de
compra e venda de produtos agrícolas no mercado
spot (mercado à vista) e também no mercado
futuro. A partir daquele momento, compradores e
vendedores definiam o preço justo do mercado para
seus produtos, podendo comprar ou vender contratos
futuros para entrega ou recebimento com prazos,
datas e especificações predefinidos. Operações
e controles foram aprimorados de acordo com as
necessidades, tais como a criação do mercado de
derivativos. Nesse momento, foi criada uma das
maiores e mais importantes bolsas de mercadorias
em negociações no mundo.
Com o aprimoramento dos mercados, foram
criadas as opções − um importante instrumento
de operações utilizado no mercado de bolsa −,
uma vez que dão flexibilidade e garantem um piso
ou teto de preço, pagando um prêmio por isso e
ainda participando da variação do mercado, seja ela
qual for. Pense no seguro de automóvel, é bastante
semelhante.
Várias décadas depois, o mercado se encontra
em um estágio muito mais avançado. Hedgers e
especuladores, fundos index, de pensão, bancos,
seguradoras, agentes financeiros e muitos outros
operadores do mercado disputam dia a dia qual o
preço “justo” para as commodities. Esse aumento
Porcentagem de preço farelo – CBOT – 5 anos
Volatilidade das Comodities
100%
2,75
2001/2008
90%
Porcentagem
Gráfico de
variação do dólar
80%
2,50
70%
2,25
60%
2,00
50%
40%
1,75
30%
1,50
20%
1,25
10%
1,00
2/1/2008
30/1/2008
27/2/2008
26/3/2008
23/4/2008
21/5/2008
18/6/2008
16/7/2008
13/8/2008
10/9/2008
8/10/2008
5/11/2008
3/12/2008
2/1/2009
30/1/2009
27/2/2009
27/3/2009
24/4/2009
22/5/2009
19/06/2009
17/7/2009
14/8/2009
11/9/2009
Café
Prata
Leite
S&P
Gado vivo
Gado de engorda
Títulos
Carne de porco magra
Petróleo
Aveia
Algodão
Trigo
Farelo
Cobre
Madeira serrada
Suco
Soja
Óleo de soja
Cacau
Milho
Açúcar
Óleo para aquecimento
NT 21
#2
#2
20 NT
Gasolina sem chumbo
Gás Natural
Propano
0%
no número de participantes implica volatilidade e,
consequentemente, muito mais riscos e incertezas
em relação às margens das empresas.
A bolsa possui dois tipos de operadores: hedgers
e especuladores. Os hedgers procuram diariamente
o instrumento de Bolsa para proteção de seus ativos
e para transferência de risco diário de suas posições,
diferentemente dos especuladores, que estão todos
os dias no mercado buscando aproveitar a volatilidade
dos preços para obter os lucros das posições. Estes
geralmente trazem maior liquidez ao mercado, devido
ao forte volume operado.
Esse é o cenário que vivenciamos atualmente, em
que nem sempre os fatores fundamentais de mercado
(oferta, demanda, clima, política) ditam o nível de
preço “justo” de mercado, deixando todos os agentes
que não possuem uma estrutura de gerenciamento de
riscos desconfortáveis em relação a seus objetivos de
compra pré-determinados em seu orçamento.
O mundo vive hoje o maior processo de
globalização da história, no qual podemos comprar
e vender produtos do mundo inteiro, a qualquer hora
do dia, com negociações em Bolsa praticamente 24
horas e parâmetros de preços disponíveis a toda hora,
o que exige cada vez mais conhecimento, rapidez,
agilidade e um planejamento estratégico montado
para tomada de decisão no momento adequado.
Para os produtos agrícolas, podemos sentir essa
globalização avançando muito rapidamente em
termos de preço. Citemos a soja e seu complexo
como exemplo: uma quebra de safra ou um aumento
considerável na produção em importantes países
produtores podem levar a um impacto muito forte
nos preços, o que muitas vezes afeta os preços
de compra das empresas, eliminando assim
sua competitividade no mercado ou impactando
diretamente suas margens.
Como vimos ultimamente, a volatilidade do
mercado foi muito alta e pode se repetir por muito
tempo durante os próximos anos. Os operadores
de mercado (especuladores) buscam, de forma
crescente, maior rentabilidade em seus investimentos
em relação a outros. Vejam os gráficos de variação e
volatilidade no mercado.
Acompanhamos nos últimos anos a maior
volatilidade dos preços da história, com o farelo de
soja saindo de US$ 250 para US$ 420/tonelada,
e mercado de derivativos nos últimos meses. Na
o milho de R$ 18 para R$ 32/saca, o dólar de R$
maioria dos casos, verificamos que o custo das
1,60 para R$ 2,50. Será que as empresas, toda vez
estruturas para operações em Bolsa sempre será
que tinham que pagar um valor extra para compra
muito menor em relação às variações do mercado,
das matérias-primas, conseguiam repassar a seus
em que, no momento da compra, o comprador
compradores? Qual foi o impacto dessa variação
assume toda essa variação, por vezes colocando em
sobre os negócios das empresas e suas margens
risco o patrimônio da empresa.
operacionais? Esse impacto nos preços poderia ser
Após a crise financeira iniciada em setembro de
menor se as empresas utilizassem toda a estrutura
2008, o mercado sente que as empresas estão muito
disponível para hedge no mercado?
mais abertas para esse novo fato, o gerenciamento
Como descrito acima, vivemos em um mundo
dos riscos envolvidos em sua atividade, seja produtor,
dinâmico, onde as operações e alterações de preços
consumidor, cooperativa ou cerealista, e o risco de
fogem totalmente ao controle das empresas, as
mercado envolvido (soja em grão, farelo, óleo, açúcar,
quais estão frequentemente focadas em sua linha
milho, dólar, etc).
de produção e não atentam para um gerenciamento
Diversas empresas sofreram com as variações de
efetivo do risco de uma das importantes fases da
mercado nos últimos anos, algumas por não fazerem
produção, a compra de matéria-prima. Atualmente,
nada para gerir esse risco, outras por utilizarem esse
em uma realidade de mercado aberto, praticamente
recurso de forma indevida em relação a sua atividade
todas as empresas conhecem os preços de compra
principal (especulação).
e os preços de venda de seus concorrentes e, muitas
Com tudo isso, é cada vez mais comum observar
vezes, o grande diferencial de cada uma está em
a adoção, implantação e execução de políticas de
sua estratégia utilizada de hedge, se antecipando
gerenciamento de risco pelas empresas, visando
ao mercado físico ou futuro
avaliar e quantificar todos os
e aproveitando os recursos
Diversas empresas sofreram riscos dos mercados de matériadisponíveis para isso.
prima e financeiros, segregar
com as variações de
Muitas empresas possuem
esses riscos hierarquicamente
mercado nos últimos anos,
sistemas
de
cotações,
e utilizar todos os instrumentos
algumas por não fazerem
acompanham diariamente as
disponíveis de hedge, quando
nada para gerir esse risco,
variações de preços de farelo
for necessário. Esse é talvez um
de soja, de milho, de dólar e
dos recursos mais inteligentes
outras por utilizarem esse
de tantas outras commodities,
em
implementação
pelas
recurso de forma indevida
mas o que estão efetivamente
empresas atualmente, uma
fazendo para ter um controle
vez que protege todos os
efetivo sobre a compra desses produtos? Estariam
envolvidos contra uma variação brusca do mercado,
essas empresas utilizando todos os recursos citados
que impactaria diretamente no preço de compra,
a seu favor, seja para garantia de um preço efetivo
reduzindo assim suas margens e, em alguns casos,
de seu orçamento, seja para a margem de lucro
como observado nos últimos anos, afetando o
esperada, ou para ser mais competitivo e aumentar
patrimônio líquido da empresa e dos sócios.
sua parcela no mercado?
Parece irreal, mas infelizmente ainda há muitas
Nos últimos anos, com a experiência que
empresas no Brasil que, apesar de terem à disposição
temos no mercado brasileiro, pudemos observar
todos os recursos para a tomada de proteção de
e sentir alguma relutância por parte das empresas
preços, trabalham como se a realidade fosse aquela
em relação à tomada de hedge. Algumas, por
descrita no começo deste texto, com uma grande
falta de conhecimento, outras por falta de capital
diferença: naquela realidade não havia nenhum
humano disponível, outras como “desculpa” pelas
recurso disponível e, hoje, as empresas têm acesso
necessidades financeiras ou por medo, uma vez
a todo tipo de informação, porém continuam à mercê
que, por conta da crise, ouviram muito sobre Bolsa
de variações do mercado.
Étore Otávio Baroni é Consultor em Gerenciamento de Riscos – FCStone do Brasil − Experiência de 10 anos como trader de
mercado físico e futuros, ingressou na FCStone em agosto de 2007. Graduado em ciências contábeis pela Unifacef – Franca – SP,
MBA em Comércio Exterior e Negócios Internacionais e MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas.
NT 23
#2
#2
22 NT
Negócios
Balanço do setor em 2009
Produção de alimentação animal registra queda
Crise mundial e recuo na utilização de tecnologia têm impactado resultados
ARIOVALDO ZANNI é médico veterinário,
diretor executivo do Sindicato Nacional da
Indústria de Alimentação Animal (Sindirações),
diretor do Departamento de Agronegócio da
Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp), diretor financeiro da Associação
de Indústrias de Alimentação Animal da
América Latina e do Caribe (Feed Latina),
diretor do Colégio Brasileiro de Nutrição
Animal (CBNA) e membro da International
Feed Industry Federation (IFIF).
A indústria de alimentação animal no
Brasil registrou queda de 1,6% em sua
produção nos primeiros nove meses em
relação ao mesmo período do ano passado.
O ritmo de crescimento dos últimos anos
foi negativamente influenciado pela crise
financeira global no primeiro semestre, o que
fez a produção total recuar para 43,3 milhões
de toneladas nos primeiros nove meses de
2009.
Houve queda no uso de pré-misturas
em toda a indústria, o que significa menor
utilização de tecnologia para a fabricação de
ração animal. Apurou-se queda ainda mais
acentuada na produção de pré-misturas do
que na produção de ração, o que comprova
a queda no uso de tecnologia, compensada
pelo aumento no consumo de grãos.
Os preços competitivos do milho
fizeram os produtores comprarem mais
grãos, compensando parte dos nutrientes
supridos pelos aditivos. A queda no uso de
tecnologia, porém, pode comprometer a
produtividade futura.
FRANGO
CORTE
POSTURA
BOVINO
CORTE
BOVINO
LEITE
SUÍNOS
CÃES E
GATOS
2009
20,39
3,54
1,90
3,50
11,30
1,50
0,40
0,84
43,3
2008
20,40
3,49
2,10
3,90
11,40
1,53
0,41
0,89
44,1
% 09/08
-0,01
1,4
-7,1
-10,0
-1,2
-2,6
-0,7
-5,7
-1,6
EQUINOS OUTROS TOTAL
Variação no índice do preço do milho (Setembro/08 = 100)
NT 25
#2
#2
24 NT
Avicultura de corte
Alojamento pintaínhas de postura e índice do preço do ovo
A avicultura de corte, que demanda quase 50% da produção nacional de ração, consumiu 20,4 milhões de
toneladas nos primeiros nove meses do ano, quantidade semelhante ao mesmo período de 2008.
A queda das exportações, seguida de maior disponibilidade no mercado doméstico, tem determinado preços
mais baixos para o frango vivo.
O menor alojamento de pintos e matrizes, apurado desde agosto, pode demandar menos ração e resultar,
consequentemente, em menor mobilização de tecnologia nutricional no último trimestre.
100
116
125
119
112
5,2
5,0
4,8
JAN.
FEV.
5,0
115
98
5,2
5,2
JUN.
JUL.
4,8
100
90
5,0
5,1
AGO.
SET.
Alojamento de pintos de corte e produção de frango
1004
890
781
902
862
892
957
MAR.
956
ABR.
MAI.
pintainhas
índice
Fonte: APINCO e JOX - Adaptado Sindirações
830
500
482
426
418
456
483
462
468
407
JAN.
FEV.
MAR.
ABR.
MAI.
pintos (milhões)
JUN.
produção (mil toneladas)
JUL.
AGO.
SET.
Fonte: APINCO/UBA - Adaptado Sindirações
Bovinocultura de corte
Com queda de 7,1% no consumo de ração durante os primeiros nove meses, a bovinocultura de corte
dificilmente alcançará a quantidade demandada no ano passado. Neste ano, o descompasso na relação do valor
da arroba do boi e do preço do bezerro, além de outros fatores de ordem conjuntural, forçaram produtores a tardar
o confinamento e consumir rações, concentrados e suplementos, deixando o boi a pasto. O resultado foi uma
retração no consumo para gado de corte. No total, não foram produzidos nem sequer 2 milhões de toneladas de
ração de janeiro a setembro.
Alojamento de matrizes de corte e exportação de frango
275
263
307
330
329
304
317
Relação entre os indicadores do boi gordo (valor da arroba) e bezerro
(Jan/08 a Jun/09)
301
290
4,1
3,9
4,0
3,7
3,5
3,5
3,5
JAN.
JAN.
FEV.
MAR.
ABR.
pintos (milhões)
MAI.
JUN.
exportações
JUL.
AGO.
SET.
Com crescimento de 1,4% no consumo em relação ao mesmo período de 2008, a demanda por ração mantevese firme em resposta à estabilidade no alojamento de pintainhas e preço dos ovos durante o primeiro semestre.
Nesses nove meses já foram consumidas 3,5 milhões toneladas de ração.
#2
MAR.
ABR.
MAI.
boi gordo
JUN.
JUL.
AGO.
SET.
bezerro
Fonte: Indicadores CEPEA/ESALQ/BM&F - Adaptado Sindirações
Fonte: APINCO/UBA - Adaptado Sindirações
Avicultura de postura
26 NT
FEV.
Bovinocultura de leite
A produção de ração para a bovinocultura leiteira teve queda de 10%, a mais acentuada em todos os
setores analisados pelo Sindirações, totalizando menos de 3,5 milhões de toneladas. A acentuada diminuição
da captação no período, as importações oriundas da Argentina e Uruguai e o comprometimento da produção
afetaram negativamente o uso da tecnologia nutricional.
NT 27
#2
3,6
3,6
Variação no índice de capacitação do leite
100
100
97
95
93
91
91
89
89
JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
Fonte: CEPEA/ESALQ - Adaptado Sindirações
Suinocultura
A suinocultura, também impactada pela crise financeira global, reduziu o consumo de ração e emprego de
tecnologia. O resultado foi uma produção 1,2% menor durante janeiro e setembro deste ano, ou seja, pouco
mais de 11,2 milhões de toneladas. Os preços internacionais da carne suína alcançados no ano passado
desabaram por conta da crise financeira global. A quantidade embarcada para o mercado internacional chegou a
aproximadamente 450 mil toneladas nos primeiros nove meses.
Exportação de carne suína (mil toneladas)
49
51
47
28
set/08
out/08
nov/08
31
dez/08
38
jan/09
54
54
52
60
48
46
fev/09
mar/09
abr/09
mai/09
jun/09
jul/09
47
ago/09
set/09
Fonte: CEPEA/ESALQ - Adaptado Sindirações
Cães e gatos, equinos, peixes,
camarões e outros
Outros setores que continuam a registrar queda no período − também causada pelo impacto da crise
mundial − foram os de ração para cães e gatos (-2,6%) e equinos (-5,4%).
De acordo com as estimativas e apesar de registrar queda em quase todos os segmentos, a produção de
rações pode ainda terminar o ano em torno de 58 milhões de toneladas, mais aproximadamente 2 milhões de
toneladas de sal mineral.
NT 29
#2
#2
28 NT
Neto Carvalho
Coordenador Técnico de Bovinos de
Leite da Nutron Alimentos
#2
30 NT
Vacas leiteiras sob estresse calórico
duas estações bem distintas e que devem
perdem drasticamente desempenho produtivo,
ser analisadas separadamente pelo produtor
reprodutivo e sanitário. É quase uma regra
e seus técnicos. O que faz a maior diferença
no campo: rebanhos leiteiros especializados
entre as fazendas de ótimo resultado em
têm a produção e todos seus índices
relação às fazendas médias é perder o mínimo
zootécnicos piorados de novembro a abril e
possível de desempenho na estação quente,
uma recuperação constante e gradativa de
comparado com o melhor período produtivo
maio a outubro. Se nada for feito para que
(de maio a outubro), com o intuito de entrar
se amenizem os efeitos do calor no rebanho,
acelerando na estação mais amena desde o
esta fase do ano será sempre o gargalo da
primeiro mês. Para isso, é preciso entender o
atividade, pois ela representa 50% do ano.
estresse calórico e tudo o que ele representa e
Sem atuarmos efetivamente nesse momento
investir sempre no conforto térmico do rebanho.
crítico do desempenho, podemos encontrar
Em um país tropical de clima quente e úmido,
o rebanho em um ciclo vicioso, no qual a
mensurar o impacto do calor, entender como
propriedade leiteira pode trabalhar a estação
combatê-lo e ter sucesso efetivo na ambiência
mais amena do ano para voltar ao
dos animais faz toda a diferença
que perdeu nas estações mais
na lucratividade final e pode
O que faz a maior
quentes e, por isso, não evoluir
ser o limiar entre o lucro ou o
diferença das fazendas
em produtividade, descartes, de ótimo resultado para prejuízo no negócio do leite.
reprodução, etc. Na época
Vacas em estresse térmico
as fazendas médias é
mais quente, sempre se espera perder o mínimo possível apresentam maior exigência de
uma perda de desempenho do
mantença devido à maior taxa
de desempenho na
rebanho. A magnitude dessa
respiratória para dissipação
estação quente
queda, porém, é que fará toda
do calor. Práticas de alteração
a diferença, pois, se ela for muito grande,
do ambiente, como fornecimento de sombra
levará um residual para a melhor época do
e climatização das áreas de sombra e de
ano, o que acarreta atraso na recuperação
alimentação, têm grande impacto na redução
do rebanho. Não é incomum encontrarmos
dos efeitos negativos do estresse calórico
rebanhos que perdem de 30% a 40% na
sobre o desempenho de vacas leiteiras.
produtividade, fechando abril com algum nível
Entretanto, além das medidas de alteração no
de claudicação, reprodução péssima, células
ambiente, práticas de manejo nutricional − mais
somáticas aumentadas, baixo escore de
especificamente de alterações na formulação
condição corporal e consumo voluntário muito
das rações e qualidade de volumoso − também
abaixo do ideal. O problema é que existe um
podem contribuir para reduzir o impacto
efeito residual que leva meses para trazer o
negativo do estresse calórico no desempenho
rebanho de volta à normalidade.
de vacas leiteiras. Porém, nesta edição, vamos
O ano sempre será marcado por essas
nos ater somente ao manejo ambiental.
NT 31
#2
Bovino de Leite
Ambiência e
conforto térmico em
bovinos de leite
A nutrição do amanhã precisa
aumentar a discussão sobre o tema
Figura 2 - Vaca maximizando contato de superfície corporal com piso e ar e, à direita, uma vaca com a
respiração aumentada e babando, mostrando claramente o efeito deletério do calor com seu desconforto
(nessa fase, o desempenho já caiu muito e a saúde da vaca também).
Aumenta o consumo
de água
Reduz consumo de
matéria seca
Diminui a atividade
Busca por
sombra e vento
Aumenta
transpiração
Aumenta o fluxo de
sangue à pele e reduz
o fluxo aos órgãos
Aumenta frequência
respiratória e baba
Diminui resultados em
produção e saúde
Zona de conforto térmico
A zona de conforto térmico ou termoneutralidade,
(Fig. 1) é determinada pela faixa de temperatura efetiva
ambiental, na qual o animal mantém constante sua
temperatura corporal entre 38,6ºC e 39,3ºC, com
mínimo esforço dos mecanismos termorregulatórios
(fig. 2) e sem efeito deletério em seu desempenho. De
acordo com Nääs (1989), a faixa de termoneutralidade
para vacas holandesas em lactação, em função da
umidade relativa do ar e radiação solar, poderia ser
restringida de 7ºC a 21ºC. Atualmente, está sendo
revista essa faixa de termoneutralidade e se acredita
que, para a vaca moderna de alta produtividade, essa
zona se encontra entre 6ºC e 16°C. Diante disso,
podemos afirmar que o rebanho brasileiro passa a
maior parte do ano, se não todo o ano, em estresse
calórico. Quando a temperatura do ambiente se
encontra acima da zona térmica ótima (> TCI, fig.
1) o animal aciona seus mecanismos termolíticos,
como a vasodilatação periférica, dissipando o calor
principalmente por radiação e convecção. À medida
que a temperatura se eleva e ultrapassa a TCS (fig. 1),
o centro termorregulador, sediado no hipotálamo, dá
início à termólise, especialmente por via evaporativa,
intensificando a sudação, que por sua vez é
complementada com o aumento na evaporação
respiratória através do ofego. Se esses mecanismos
não forem suficientes para perda do calor e não
houver restabelecimento do equilíbrio térmico, a
temperatura do corpo começará a se elevar, iniciando
a redução nas atividades da tireoide, com redução
na ingestão de alimentos (10% a 20%), alterações
comportamentais (como procura por sombra e
modificações na postura) e queda no desempenho
produtivo e reprodutivo.
ção do ambiente mais utilizados para aumentar as
perdas de calor e melhorar o desempenho. Com a
sombra sendo o primeiro recurso para minimizar
o estresse calórico, a ventilação natural e a artificial devem ser otimizadas nos abrigos para vacas
leiteiras como o segundo mais importante recurso
de conforto, em função da grande quantidade de
calor que pode ser retirada do animal para o ar e
também pela importância dessa via como facilitadora da evaporação.
Estratégias para minimizar o
estresse calórico
A sombra é o método mais simples para reduzir
o impacto da radiação solar, podendo ser natural ou
artificial. As sombras das árvores são mais eficientes,
já que não diminuem apenas a incidência da radiação
solar, mas também a temperatura do ar abaixo delas,
quando comparadas com as sombras artificiais.
Podemos incluir sombras, ventilação e resfriamento evaporativo como os métodos de modifica-
Sombra natural ou artificial?
Figura 1 - A zona de conforto térmico ou termoneutralidade
Resfriamento
evaporativo
Ofegação
SOBREVIVÊNCIA
HOMEOTERMIA
Reações
fisiológicas e
comportamentais
CONFORTO
TÉRMICO
HIPERTERMIA
Reações
fisiológicas e
comportamentais
MORTE
MORTE
HIPOTERMIA
Resfriamento
evaporativo
Transpiração
CONVECÇÃO
Sombra natural
Temperatura
crítica inferior
(TCI)
#2
32 NT
Sombrite: deve ter altura mínima de 3 metros
ESTRESSE
DE CALOR
Temperatura
crítica superior
(TCS)
CONDUÇÃO
RADIAÇÃO
Quando não se dispõe de sombra natural suficiente, o uso de estruturas artificiais, móveis ou fixas, deve ser adotado. As
características mais importantes para o desenho dessas estruturas são os materiais utilizados, a altura, a orientação e a
disponibilidade do espaço por animal.
NT 33
#2
ESTRESSE
DE FRIO
O movimento do ar é um fator importante na
diminuição do estresse térmico, já que favorece as
perdas de calor por convecção e, dependendo da
umidade do ar, as perdas por evaporação. Portanto,
a ventilação, quando disposta de maneira adequada
(número, capacidade e posição dos ventiladores), pode
promover melhorias nas condições termo-higrométricas
das instalações e se torna um método efetivo no aumento
das perdas de calor, além da dispersão de gases.
A velocidade da ventilação indica valores entre 2,2
a 2,7 m/s como sendo ideais para vacas holandesas
em confinamento.
Os aspersores fazem com que a água penetre
e umedeça completamente o pelo e a epiderme do
animal, de forma que os animais sejam resfriados
e percam calor por condução e por evaporação
da água. A eficiência desta via de perda de calor
depende da diferença do conteúdo de água entre a
superfície evaporada e o ar, por isso, se faz necessária
a remoção constante do ar, através de ventiladores,
evitando a saturação e o frear do processo.
100
1. 0
90
Taxa de respiração
(batimentos/minuto)
Ventilação
80
3. 5
Sprinkler (1 min ligado e 4 min desligado)
70
4. 5+F Sprinkler (1 min ligado e 4 min desligado) + ventilador
60
5. 10
Sprinkler (1 min ligado e 9 min desligado)
6. 10+F Sprinkler (1 min ligado e 9 min desligado) + ventilador
50
7. 15
40
Sprinkler (1 min ligado e 14 min desligado)
8. 15+F Sprinkler (1 min ligado e 14 min desligado) + ventilador
5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95
Tempo em minutos
que todos estão fazendo hoje em novos projetos de
ambiência de vacas leiteiras.
Esse mesmo autor acredita no sistema de
ventilação cruzada para ambientes quentes e úmidos,
conseguindo reduções de até 10ºC por resfriamento
do ar por meio de painéis evaporativos associados à
ventilação constante.
Com isso, grandes benefícios têm sido alcançados
no desempenho animal, como incremento na produção
de leite, aumento na eficiência alimentar, melhora no
desempenho reprodutivo, redução de laminites e bemestar dos animais, o que justifica todo o investimento.
Painéis evaporativos
Uso de ventiladores na linha de cocho
Resfriamento evaporativo
O resfriamento evaporativo pode ser obtido por meio
de sistema de nebulização associado à ventilação.
O princípio dos nebulizadores consiste em provocar
finíssimas gotas de água que gerem uma neblina,
que deve evaporar antes de chegar à superfície do
animal. Esse método proporciona um resfriamento do
ar, favorecendo as perdas de calor por convecção. Se
no projeto não houver uma circulação de ar adequada,
pode resultar em alta umidade e problemas de saúde
no rebanho. O ideal é que o ar seja trocado a cada
período de 70 segundos. Por isso, a velocidade do
vento deve ser em torno de 3 m/s.
Controle nem água e nem ventilador
2. 0+F Sem água (Sprinkler) + ventilador
Sistema evaporativo para animais em pasto e ducha após a ordenha
em vacas confinadas. A água é muito importante para o resfriamento
corporal dos animais.
O trabalho conduzido pelo Dr. John Smith mostra
que a água é a mágica no resfriamento térmico. A
ventilação sozinha não é efetiva para diminuir a taxa
de respiração de vacas em estresse térmico e é o
mais comum. Apenas molhar a vaca é mais efetivo
do que ventilador. O trabalho mostrado é um norte do
a bovinocultura caminhou muito devagar nessa
disciplina, tão importante no sistema de produção nas
últimas décadas. Como a força de uma corrente é a
de seu elo mais frágil, pode-se dizer que a ambiência
animal será um divisor de águas nos próximos anos
na bovinocultura leiteira. Ao se pensar em planejar
construções em regiões de clima quente, devem-se
buscar profissionais experientes e bem-sucedidos
nessa área, que conheçam projetos aqui e fora do
Brasil. Detalhes são importantes, como as condições
microclimáticas prevalentes na propriedade e na área
destinada, que favoreçam a ventilação natural, a
renovação do ar dentro dos galpões e o sombreamento
aos animais, bem como a manutenção de pisos secos e
livres de fontes de infecção. Os materiais construtivos e
as áreas do entorno das edificações merecem destaque
no projeto. Os equipamentos a serem utilizados
(ventiladores, aspersores e nebulizadores) devem ser
corretamente dimensionados e posicionados, visando
sua máxima eficácia e mínimo desperdício, seja de
água ou energia.
A produção leiteira só é sustentável, ética e viável
quando bem planejada; não obrigatoriamente de alta
tecnologia, mas sempre garantindo as necessidades
dos animais, do ambiente e das pessoas envolvidas no
processo produtivo, em busca de produtos seguros e
de alta qualidade. O foco na ambiência e no conforto
térmico dos animais faz parte da nutrição do amanhã
e, por isso, será cada vez mais um pensamento forte
de todo o grupo da Nutron Alimentos, que possui
profissionais especializados, com cursos na área,
realizados no Brasil e no exterior.
Considerações finais
#2
34 NT
Associação de aspersores + ventilação em animais estabulados
Neto Carvalho é médico
veterinário, formado pela Unifenas e
especializado em reprodução animal
pela USP.
Coordenador Técnico de Bovinos de
Leite da Nutron Alimentos.
NT 35
#2
Foggers para resfriamento do ar
Todo investimento no incremento do conforto térmico
dos bovinos leiteiros, na pastagem e nos estábulos, por
meio de arborização e sistemas de ventilação natural ou
artificial, deve ser um objetivo na produção de leite; afinal,
reflete no resultado direto do desempenho animal.
Diferentemente da avicultura e da suinocultura,
em que todo projeto segue um mesmo padrão lógico
de conceitos de ambiência e bem-estar animal,
Bovinos de Leite
Sabrina Coneglian
Departamento Técnico da Bunge
Fertilizantes /Serrana Nutrição Animal
Influência da
nutrição na
qualidade do
Leite
#2
36 NT
Relação volumoso: concentrado
A explicação tradicional é a de que um aumento
no concentrado na dieta de vacas leiteiras que
ultrapasse 50% reduz a concentração de gordura do
leite em função de uma alteração ruminal. O substrato
ruminal com maior concentração de concentrado
proporciona uma maior concentração de ácidos
graxos voláteis, que reduzem o pH do rúmen para
menos de 6,0, acarretando uma menor degradação
da parte fibrosa da dieta.
O conteúdo de proteína pode ser aumentado em
até 0,4 % ou mais se a proporção de forragem na dieta
é reduzida em 10%. Deve-se ressaltar que a forragem é
essencial na dieta de vacas leiteiras e deve fazer parte
de pelo menos 40% da matéria seca fornecida.
Quantidade e fonte de proteína: esse assunto tem
sido muito discutido e verificou-se que a porcentagem
de proteína do leite é aumentada quando é também
fornecida em maior proporção na dieta. Esse dado
é ainda mais concreto quando a fonte de proteína
administrada é resistente aos microorganismos do
rúmen. Uma maneira de fornecer proteínas não
degradáveis no rúmen aos animais é a utilização de
grãos que sofrem tratamento térmico na formulação
de dietas. Deve-se ter cuidado nesse processo,
pois o excesso de calor pode provocar uma
reação indesejável, como a reação de Maillard ou
caramelização, que torna a proteína indisponível para
o animal mesmo depois de passar pelo rúmen.
NT 37
#2
A manutenção de qualquer atividade produtiva depende basicamente da eficiência do sistema
de produção, que pode ser traduzida pela maior produtividade com o menor custo possível. Na
atividade leiteira, a nutrição é o principal fator da eficiência do sistema de produção, pois é a
maior responsável pelo nível de produção e pode representar até 70% dos custos. Portanto,
se pode afirmar que, quanto mais eficiente for a nutrição de um rebanho, mais eficiente será o
sistema de produção.
A composição do leite de vacas leiteiras é determinada por vários fatores, como raça,
estação do ano, genética, estágio de lactação, sanidade e nutrição. As tendências atuais
da comercialização do leite demandam a obtenção de certos produtos lácteos, em geral
influenciados pela composição do leite, diretamente correlacionada à nutrição dos animais. A
gordura é o componente de maior variabilidade do leite, podendo variar de 2% a 4%. Essa
porcentagem é fortemente influenciada pela genética, fatores nutricionais e fatores ambientais.
A gordura, a proteína, o fósforo e o extrato seco desengordurado são as variáveis de maior
importância econômica, servindo de critério para o pagamento do leite em muitos países. Algumas medidas podem ser tomadas para alterar a porcentagem de sólidos no leite. Veja, a seguir,
algumas delas.
Quantidade e tipo de fibra
Como regra geral, as dietas devem conter
um mínimo de 28% de FDN, sendo 75% deste
proveniente de forragens não finamente moídas
(fibra efetiva).
Outro aspecto nutricional relacionado com a
gordura do leite é a quantidade de fibra efetiva. A
fibra efetiva é responsável pela manutenção do
pH ruminal acima de 6,2 através do estímulo à
ruminação, que provoca um aumento na produção
de saliva e na liberação de tamponantes. A dieta
deve conter no mínimo 15% de fibra efetiva, para
que apresente efeito sobre as bactérias celulolíticas,
sensíveis a baixo pH. Desta forma, o aproveitamento
e a digestibilidade da porção fibrosa da dieta é
maximizada e convertida em maior produção de
leite de melhor qualidade.
Fornecimento de fósforo
A influência da suplementação do fósforo em
gado leiteiro de alta produção tem foco na melhora
do desempenho reprodutivo, que consiste na
diminuição do intervalo entre partos, diminuição dos
serviços por concepção e aumento na proporção
de vacas prenhez em relação ao rebanho. Outro
ponto em que essa suplementação exerce efeito
diz respeito à qualidade do leite, principalmente na
contagem de células somáticas, diminuindo sua
concentração nos leites produzidos por vacas que
ingeriram níveis recomendados de fósforo.
A literatura mostra consistentemente que o
fósforo não influi de maneira negativa sobre a
reprodução e produção se os seus níveis na
dieta forem acima de 0,2% da matéria seca,
isto é, superiores às exigências de fósforo pelos
microorganismos do rúmem. Níveis inferiores a
estes reduzem o crescimento microbiano e a síntese
de proteína microbiana e possivelmente têm efeito
deletério sobre a digestibilidade da dieta. A menor
digestibilidade da dieta reduz o status energético do
animal que pode repercutir negativamente sobre a
produção de leite e reprodução.
Aditivos
Os tipos de aditivos mais comuns utilizados
visando melhorar o desempenho produtivo de
ruminantes que influenciam os teores de gordura
do leite são os tamponantes e os ionóforos ou
modificadores ruminais.
#2
38 NT
Os tamponantes como bicarbonato de sódio
minimizam a queda do pH ruminal, evitando
acidose ruminal quando dietas com alta proporção
de concentrados são fornecidas para os animais,
mantendo ativas as bactérias que fermentam a
fibra. Assim, os níveis de ácido acético (precursor
de gordura do leite) não são reduzidos e não afetam
o teor de gordura no leite.
Os ionóforos diminuem os teores de gordura
do leite. Sua ação por meio da seleção de algumas
bactérias ruminais que melhor convertem os
alimentos em nutrientes, reduzindo a produção de
gás carbônico e metano no rúmen, promove um
aumento do ácido propiônico (precursor de proteína
do leite) e uma redução do ácido acético. Dessa forma,
existe um aumento na produção de leite, porém com
teores menores de gordura. O conhecimento dos
fatores que influenciam a composição nutricional
do leite traz algumas vantagens ao produtor. Tratase de uma ferramenta importante na avaliação
nutricional da dieta, podendo levar à informações
sobre a eficiência de utilização de nutrientes e sobre
a saúde animal.
Assim, o produtor pode e deve adotar boas
práticas de manejo nutricional que possibilitem
conforto, saúde, acesso fácil à alimentação e dietas
bem balanceadas em proteína (níveis adequados
de proteína degradável e não degradável no rúmen),
energia, fibra, minerais e vitaminas. Essas práticas
são pontos-chaves para a obtenção de leite com
alto valor nutritivo que, aliado às boas práticas de
higiene e investimento em capacitação de mãode-obra e capacitação técnica especializada, são
primordiais para melhorar a qualidade do leite e,
dessa forma, encarar o sistema de pagamento por
qualidade como uma maneira real de agregar valor
a seu produto.
* Sabrina Coneglian é
zootecnista, doutora em Nutrição
de Ruminantes pela Universidade
Estadual de Maringá e integrante
do Departamento Técnico da
Bunge Fertilizantes/ Serrana
Nutrição Animal.
NT 41
#2
#2
40 NT
azul e
para frangos
desenvolvendo novos
conceitos para aviários de
pressão negativa
Tuffi Bichara
Consultor Técnico de Aves
da Nutron Alimentos
#2
42 NT
dark
house
de corte
Estamos mais uma vez frente às novas tecnologias. Cabe a nós as entender e aprimorar,
adequando-as ao nosso jeito de trabalhar. Recentemente, isso aconteceu com os galpões
“dark house” para a recria das matrizes, com
os bebedouros tipo “nipple” e com esses sistemas de aquecimento dos pintos.
Não temos dúvidas de que devemos evoluir nos sistemas de ventilação em túnel por
pressão negativa nos aviários para frangos de
corte. Esses sistemas vêm sendo empregados
há mais de dez anos na construção de novos
aviários ou mesmo na atualização dos aviários
antigos. Em algumas regiões, a construção
dos novos aviários, quase que como unanimidade, é feita com essa nova tecnologia. Em
outras, entretanto, por algumas falhas iniciais
de projeto e de implantação, estabeleceu-se
um paradigma entre as empresas integradoras, os técnicos e os próprios fornecedores de
equipamentos, que se tratava de tecnologias
caras, com alto risco e muitas dificuldades de
operação. Isso levou a predominância das
construções no sistema convencional de ventilação.
O segmento de avicultura de corte caracteriza-se por desenvolvimento contínuo nas áreas de genética, nutrição, sanidade, ambiente,
produtos processados, comercialização, entre outras, e não é por acaso que crescemos
algo em torno de 10% ao ano, há pelo menos
10 anos consecutivos. Acompanhando esse
crescimento, observam-se recentemente mais
investidores interessados em fazer parte da
cadeia produtiva da avicultura de corte. Esses
investidores podem ser chamados de novos
entrantes no segmento.
Existe uma oportunidade enorme, para as
empresas que conduzem os processos da
cadeia, de captar e tornar mais fácil, viável e
rentável a chegada desses novos investidores
no sistema. É uma oportunidade única para
atualizarmos nossos galpões de forma
eficiente, lucrativa e sustentável.
NT 43
#2
Aves
Aviário
veis com a necessidade do equipamento.
Máximo admissível de 10% em queda de tensão
ou sobretensão entre o fornecimento e o ponto de
utilização.
Isolamento das condições ambientais externas
desfavoráveis.
Entrada do ar por uma extremidade do aviário,
passando por um sistema simples de resfriamento
através de processo evaporativo (conceito já
adaptado às condições de criação do Brasil).
Exaustão controlada do ar através de exaustores
posicionados na extremidade oposta às entradas.
Isolamento
Todo o sistema está baseado no isolamento ótimo, ou seja, o ar deve entrar e sair somente por onde
nós projetarmos. Entradas falsas de ar em pontos
indesejáveis e mal vedados comprometem todo o
resultado. Portanto, as cortinas e os forros devem ser
de material laminado e a qualidade da montagem
deve ser impecável.
Benefícios do sistema
Entradas de ar
Devem ser construídas com sistemas de
resfriamento evaporativo e cumprir com os seguintes
requisitos:
Abaixar a temperatura do ar na entrada.
Não permitir passagem de umidade para dentro
do aviário.
Possuir o sistema de cortinas automáticas com
abertura conforme o número de exaustores acionados
ou com abertura por pressão estática.
Ser dimensionada em tamanho suficiente para
não sobrecarregar os exaustores e manter a pressão
correta de funcionamento.
Refletem em todos os parâmetros produtivos e
econômicos da criação: no ganho de peso, na mortalidade, na qualidade da carcaça, no custo da criação, etc. Entretanto, é na conversão alimentar que é
observado o efeito mais significativo. “Se os frangos
não precisassem utilizar parte da energia que consomem para manter a temperatura corporal constante,
eles teriam um desempenho em conversão alimentar
similar ao dos peixes, ou seja, algo próximo de 1:1.”
(FENCHER, B.).
Não temos dúvidas de
que devemos evoluir nos
sistemas de ventilação
em túnel por pressão
negativa nos aviários
para frangos de corte
Características fundamentais para
implantação dessa tecnologia
Rede elétrica
Oferta suficiente para tocar todo o sistema.
Dimensionamento perfeito do tamanho do transformador e dos cabos para levar a energia até os
pontos de utilização.
Tensões de entrada nos equipamentos compatí-
#2
44 NT
Controlador
É o cérebro de todo o sistema. Passa por esse
aparelho toda decisão sobre temperatura, umidade,
necessidade de abertura da cortina da entrada do ar,
nebulização, temperatura do aquecimento, intensidade e programa de luz e sistemas de segurança.
Exaustores
Cumprem as funções básicas de troca de ar, removendo calor, umidade e gases.
Promovem o efeito da sensação térmica, através
da velocidade do ar: variando de 0,1 m/s, para aves
na primeira semana de vida, a 3 m/s, após os 30
dias de vida. Devem ser dimensionados para trocar
o volume total de ar em um minuto quando todos os
exaustores estiverem ligados.
Devem ser dimensionados para proporcionar ve-
O que podemos esperar de
melhorias do sistema?
Sistema
convencional
Pressão
negativa
Azul
Pressão
negativa
Dark house
31
37
38
Viabilidade %
referência
+1
+2
GPD (g)
referência
+0,5
+1
C.A (g/1000g)
referência
-50
-100
IEP
referência
+ 15
+ 30
Custo (R$/Kg de frango vivo)
referência
- 2%
- 4%
Densidade Kg ave/ m²
locidades de 3 m/s quando todos estiverem ligados,
considerando uma pressão estática de 0,1 polegadas de coluna de água.
Luz, comprimento de onda e
preferência das aves
Existe um campo enorme para investigações
nessa área. A visão das aves e a humana, com relação à sensibilidade e à percepção da luz, são diferentes. Em um experimento sobre a preferência dos
frangos em 6, 20, 60 ou 200 lux, as aves com até
duas semanas de idade preferiram ambientes mais
iluminados, mas preferiram ambientes com pouca
luz a partir dessa idade.
Aparentemente, nas duas primeiras semanas,
as aves são mais ativas. A partir dessa idade, elas
gastam 60% a 70% de energia em repouso ou deitadas, preferindo ambientes com menos intensidade
luminosa.
Uma série de experimentos mostra significante
correlação positiva para ganho de peso e conversão alimentar ocorrendo na região do azul e verde,
quando comparado com aves criadas na região do
laranja para o vermelho (LEWIS and MORRIS).
Conclusões
A tecnologia dos aviários por pressão negativa,
seja aviário azul ou dark house, mostra-se viável técnica e economicamente.
Os benefícios da nova
tecnologia de aviários
Empresa/ Integrado
- Melhor desempenho zootécnico.
- Melhor qualidade de carcaça.
- Otimização de mão-de-obra.
- Estabilidade de resultados durante o ano.
- Maior lucratividade produtor/empresa.
Ave
- Maior bem-estar para as aves.
- Qualidade de carcaça (menores injúrias físicas).
- Maior viabilidade.
Ganhos Ambientais
- Economia de água, ração, energia elétrica,
combustível.
- Maior produção por área.
Tuffi Bichara
* Tuffi Bichara é Zootecnista
formado pela Universidade
Estadual Paulista, especialista em
gestão estratégica de empresas
pelo Instituto de Economia da
Unicamp. Consultor Técnico Aves
da Nutron Alimentos.
NT 45
#2
Princípios do funcionamento
dos sistemas de pressão negativa e “dark house”
Suínos
A toxicidade das fumonisinas em suínos caracteriza-se pelo aparecimento de edema pulmonar,
hepatotoxicose, problemas renais, problemas cardiovasculares e imunosupressores.
Essas micotoxinas também alteram a síntese dos esfingolípidos e causam efeitos negativos no
consumo de alimento, ganho de peso vivo, índice de conversão e qualidade da carcaça.
Tendo em vista que a sintomatologia possui semelhanças com enfermidades, problemas de
manejo ou outras intoxicações, como é possível avaliar se uma integração de suínos tem problemas
de intoxicação com fumonisinas?
A primeira e mais lógica alternativa consiste na realização de análises específicas dos ingredientes,
sobretudo milho, seus derivados e produtos acabados; contudo, em muitas integrações compramse matérias-primas de várias origens e/ou em quantidades pequenas, tornando a metodologia de
análises uma ferramenta excelente para o histórico da fábrica, porém não tão eficiente quanto ao
controle da fumonisina.
O histórico das amostragens deve estar sempre
associado com a sintomatologia do campo.
Seguem algumas observações que poderão
servir de apoio na constatação de intoxicações por
fumonisinas.
Fumonisinas
Diagnósticos e controle na suinocultura
Wanderson Paulino
Médico Veterinário da Nutron Alimentos
Diminuição repentina de Índices Zootécnicos
As fumonisinas alteram a síntese dos
esfingolipídios, causando uma acentuada diminuição
no consumo de alimentos e consequente redução
no ganho de peso vivo. Possuem também efeitos
negativos no índice de conversão alimentar e
qualidade de carcaça.
Observando algumas unidades terminadoras (UT)
de suínos, que posteriormente foram diagnosticadas
como problemas de intoxicação por fumonisinas,
algumas características comuns se evidenciaram.
Diminuição repentina e acentuada no
consumo de rações
Em casos de unidades terminadoras com sistema
de fornecimento de ração com restrição alimentar,
observou-se diminuição de 10% a 25% do consumo,
conforme a tabela de arraçoamento.
Diminuição acentuada do ganho médio diário de
peso (15% a 30%) comparando-se ao histórico
de lotes das UTs e médias da integradora.
Diminuição do peso médio final dos animais
ao abate
#2
46 NT
As informações provenientes do campo são
retratadas de maneira muito similar aos resultados de
experimentos in vivo em suínos.
No experimento in vivo realizado pelo Samitec em
outubro deste ano, os seguintes parâmetros foram
afetados pela presença de 50 ppm de fumonisinas
na dieta de leitões em idade de creche:
• Consumo médio de ração (CMD= -13,2%).
• Peso médio (-21,5%).
• Ganho médio diário de peso (GMD= -29,0%).
• Conversão alimentar média (piora de 22,2%).
(Dados: Samitec)
Edema pulmonar e problemas respiratórios
As concentrações de FB1 no alimento composto,
suscetíveis de provocar problemas de edema
pulmonar nos suínos, são elevadas em alguns casos.
No entanto, concentrações baixas por períodos
de ingestão prolongados podem também causar
problemas.
As duas situações ocorrem nas granjas: quando
a intoxicação por fumonisinas possui níveis altos,
observa-se mortalidade por edema pulmonar;
contudo, níveis mais baixos por períodos prolongados
convergem em problemas crônicos e consequente
desuniformidade de lote e aumento de mortalidade
no período próximo do abate.
Associadas ao histórico das amostragens da
fábrica e aos índices zootécnicos reduzidos perante
as médias da granja, a constatação de problemas
respiratórios e a presença de edema pulmonar
auxiliam o diagnóstico da intoxicação por fumonisinas.
Comprovando o relato de campo, seguem na (Fig. 1),
aspectos macroscópicos de pulmões de leitões
intoxicados experimentalmente com fumonisinas.
NT 47
#2
Qual seria a solução para uma
detecção rápida e controle dessa
micotoxicose?
Imunotoxicidade
Verifica-se um aumento nos índices de
mortalidade na maioria dos casos em que houve
intoxicações por fumonisinas.
A imunotoxicidade já foi descrita por vários
autores como correlacionando maior suscetibilidade do suíno em relação à Pseudomonas
aeruginosa (Mallmann e Dilkin, 2007) e Escherichia
coli (Oswald et al., 2003).
Ainda nesse contexto, contudo, deve-se atentar
ao conjunto de fatores que desencadeiam essas
doenças, antes de diagnosticar uma possível
correlação direta dessas enfermidades com as
fumonisinas.
Problemas relacionados com fêmeas
Nos trabalhos de Mallman e Dilkin (2007), não
foram encontrados níveis de fumonisinas no leite de
porcas que tinham consumido alimento composto
com FB1 em concentrações superiores a 100 ppm.
Vale ressaltar, contudo, que em alguns casos a
campo foi observada uma diminuição acentuada
no consumo de rações durante o período de
lactação, acarretando leitegadas com peso inferior
ao desmame.
Problemas relacionados a leitões
Um grande paradigma das fumonisinas é que
essa micotoxicose acarreta problemas somente
em animais na fase de terminação.
Pelo fato de os problemas crônicos evidenciarem
sintomatologias ou diminuição de índices
zootécnicos no período pós-creche, acreditava-se
erroneamente na prevenção ou controle apenas
para as fases de crescimento e terminação.
Nos resultados de um experimento in vivo
(Samitec, 2009) realizado em leitões desmamados
com 30 dias e que consumiram 50 ppm de
fumonisinas nas rações, os animais intoxicados
experimentalmente tiveram conversão alimentar
20% pior do que o grupo controle na última semana
do experimento (35 a 42 dias de experimento).
T2
T3
T4
T5
FIGURA 1 – Aspecto macroscópico dos pulmões dos animais utilizados nesse experimento
(T1 = Controle; T2 = 0,50% AAM; T3 = 50 ppm fumonisinas; T4 = 50 ppm de fumonisinas + 0,25% AAM; T5 = 50 ppm
de fumonisinas + 0,50% AAM).
#2
48 NT
Mês
nº de
amostras
% positividade
Jul.
33
84,8
Ago.
45
84,4
Set.
90
84,4
Out.
51
92,2
Nov.
24
70,8
Conclusões
Diante da evidente contaminação por
fumonisinas abrangendo as principais regiões
produtoras da cadeia suinícola, a continuidade
das análises rotineiras e as observações e
interpretações dos índices zootécnicos tornam-se
primordiais para o controle dessa micotoxicose.
Ressalta-se que, após o diagnóstico dessa
micotoxicose, recomenda-se a substituição da
matéria-prima; sabe-se, contudo, que com os altos
índices de contaminação do milho praticamente
torna-se impossível a obtenção de grandes
volumes de grãos totalmente livres de micotoxinas.
Em alguns casos, o milho é utilizado sem ser
amostrado e analisado. A alternativa nesses
casos seria a utilização de aditivos antimicotoxinas
aprovados in vivo existentes no mercado brasileiro
para o controle das intoxicações por fumonisinas.
Incidência regional de contaminação de
fumonisinas
Trabalhos anteriores relatavam intoxicações
de fumonisinas principalmente nos Estados do
Sul; atualmente, sabe-se que a fumonisina pode
ser encontrada também na região sudeste e
Wanderson Paulino
* Médico Veterinário formado na
UFPR e especialista em nutrição
animal - Nutron Alimentos
NT 49
#2
T1
centro-oeste.
Muitas regiões, onde não era comprovada
a prevalência dessa micotoxina, presenciam
atualmente seus efeitos e implicações.
Abaixo, na tabela, segue resumo das últimas
análises feitas em 2009, em laboratório credenciado,
nas três regiões citadas.
Hink Perdok e
John Newbold
Centro de Pesquisa e Inovação Provimi
(Bruxelas-Bélgica)
Parte I de III
#2
52 NT
Cada vez mais os consumidores dos mercados premium exigem que a produção dos seus
alimentos cause o menor impacto ambiental possível. Por isso, métodos de Avaliação de Ciclo
de Vida (ACV) estão surgindo para calcular a tão falada pegada de carbono dos alimentos
(carbon footprint), que representa a quantidade total de dióxido de carbono equivalente (CO2
eq: medida para calcular o aquecimento global) emitida ao longo do ciclo de vida completo
de um determinado produto. Até o momento, a maneira mais eficaz para reduzir a pegada de
carbono da produção de carne bovina é aumentar o ganho de peso diário dos animais.
Introdução
Diferentemente dos seres humanos, das aves e
dos suínos que não digerem fibras alimentares, os
bovinos são muito eficazes em convertê-las em carne
nutritiva. Como exemplo de alimentos basicamente
fibrosos, temos as pastagens em geral, silagens,
fenos, cana-de-açúcar e seus subprodutos (bagaço
principalmente). Além disso, a casca da soja, a
polpa cítrica e o caroço de algodão também são
exemplos de ingredientes fibrosos. Sem os bovinos,
vastas áreas de terra permaneceriam inutilizadas e
enormes quantidades de alimentos fibrosos seriam
desperdiçadas, causando problemas ambientais
devido a incêndios florestais, queimadas ou outras
formas de eliminação de resíduos. A digestão da fibra
feita pelos ruminantes, ou mais especificamente pelos
micro-organismos do rúmen, inevitavelmente resulta
na formação de grandes quantidades de hidrogênio
(H2) e de dióxido de carbono (CO2). As bactérias
metanogênicas do rúmen convertem o hidrogênio e
parte do dióxido de carbono em gás metano (CH4),
que é eliminado do rúmen por meio da eructação
bovina. Como o metano tem alta densidade energética
(50-55 MJ/kg), esta perda configura um desperdício
energético, visto que entre 2% e 12% da Energia Bruta
ingerida pelo animal é desperdiçada na produção
e eliminação do gás metano. Além disso, ele é um
dos gases relacionados ao denominado Gases do
Efeito Estufa – GEE (Greenhouse gas - GHG) com
maior Potencial de Aquecimento Global - PAG (Global
Warming Potential – GWP), pois é 25 vezes mais
potente que o dióxido de carbono (Tabela 2). O esterco
dos bovinos e o plantio de vegetação específica para
alimentação dos rebanhos também emitem grandes
quantidades de um dos GEE denominado óxido
nitroso, que tem um PAG 298 vezes mais potente que o
do dióxido de carbono. Portanto, os consumidores de
carne bovina e de outros tipos de carne aumentaram
a pressão para fazer com que a emissão de GEE
seja reduzida. O desenvolvimento e a aplicação de
estratégias com boa relação custo-benefício para
reduzir a pegada de carbono da carne bovina são
essenciais para a sustentabilidade do setor.
NT 53
#2
Nutrição responsável
Redução da pegada
de carbono da
produção de carne
bovina
Tabela 2. PAG, tempo de vida e % de emissão antropogênica de CO2, CH4 e N2O causada
pela agricultura
GEE
PAG
100 anos
Gt CO2 eq
100 anos
CO2 eq
(bilhões de
toneladas)
100 anos
Tempo de vida médio
em anos
PAG
20 anos
CO2
1
n.d.
1,5
100
1
CH4
25
3,3
47
12
72
N2O
298
2,8
58
114
289
Fonte: IPCC, 2007
O Painel Intergovernamental de Mudanças
Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate
Change – IPCC) é a organização científica criada
pelas Nações Unidas e pela Organização Mundial de
Meteorologia (World Meteorological Organization –
WMO) para fornecer dados científicos independentes
sobre as mudanças climáticas. O Quarto Relatório de
Avaliação do IPCC, publicado em 2007, apresenta os
dados mais confiáveis sobre as fontes de GEE. Parte
dos GEE é de origem natural e o restante é provocado
pelas atividades relacionadas ao ser humano (Tabela
1). No caso do metano, cerca de 60% das emissões
são antropogênicas (relacionadas ao ser humano) e
40% são oriundas de fontes naturais como pântanos,
oceanos e cupins.
Tabela 1. Fontes antropogênicas dos gases
do efeito estufa no mundo e no Brasil
Mundo %
Brasil %
Fornecimento de energia
25,9
17,5
Indústria
19,4
1,8
Mudança no uso da terra e
silvicultura
17,4
56,3
Agricultura
13,5
23,1
Transporte
13,1
Construções residenciais e
comerciais
7,9
Resíduos e gestão de
resíduos
2,8
1,2
Fontes: Mundo: IPCC, 2007;
Brasil: calculado com base na Cerri e.a., 2009
Os dados da Tabela 1 são cálculos aproximados
sobre a contribuição direta da agricultura no mundo,
apresentada como 13,5% (na verdade podem variar
#2
54 NT
entre 11% e 15%). Se forem somados os valores de
6% a 17% provocados pelas mudanças no uso da
terra, principalmente pelo desmatamento, podese dizer que a agricultura é responsável por 17%
a 32% de todas as emissões antropogênicas dos
GEE. Devido à grande variação nas estimativas
de mudança no uso da terra, esses aspectos
não serão abordados neste artigo. No entanto, é
importante observar que, no Brasil, estima-se que
mais da metade dos GEE antropogênicos seja
emitido pelas mudanças no uso da terra e pela
silvicultura (Tabela 1).
Agricultura
Os principais GEE presentes na agricultura são o
dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido
nitroso (N2O). De acordo com o Protocolo de Kyoto,
o CO2 emitido pelos bovinos não é considerado uma
fonte líquida de CO2, porque faz parte de um sistema
biológico de ciclo rápido, em que a matéria vegetal
consumida foi criada por meio da fotossíntese,
que converte o CO2 atmosférico em compostos
orgânicos. No entanto, a agricultura é responsável
por aproximadamente 47% do CH4 e de 58% do N2O
de todas as emissões antropogênicas globais ao
longo de um intervalo de tempo padrão de 100 anos
(Tabela 2).
Os efeitos da eventual redução da emissão de
gás metano são percebidos com muito mais rapidez
do que os do CO2 e N2O, pois o CH4 tem um tempo
de vida médio de 12 anos comparado aos 114 anos
do N2O e aos 100 anos do CO2. No futuro, o IPCC
poderá adotar o intervalo de tempo mais apropriado
de 20 anos para o metano e aumentar o PAG desse
gás para 72 (Tabela 2). Essa mudança na contagem
triplicará o efeito da mitigação de CH4 apresentado
nos equivalentes de CO2 padrão (CO2 eq).
Avaliação do ciclo de vida
Certamente, a emissão dos GEE é o assunto
mais estudado até o momento em função do
impacto ambiental causado pelos mesmos.
Entretanto, existem outros como a biodiversidade, a
acidificação, a emissão de poeira, a ecotoxicidade,
o uso de energia e o uso da água. É muito difícil
quantificar a maioria desses impactos e portanto,
neste artigo, as opções de melhoria estão limitadas
à redução dos GEE.
A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é o método
selecionado para compreender os impactos
ambientais de um sistema de produção e para
identificar opções de melhoria. A ACV quantifica o
impacto ambiental de todos os processos envolvidos
na fabricação e/ou produção de um produto. Para
comparar sistemas, é necessário definir a unidade
funcional como, por exemplo, 1 kg ou 1 tonelada de
peso vivo que sai da fazenda.
Tabela 3 - Fontes dos gases do efeito
estufa, exceto CO2, na agricultura
Mundo
(%)
Brasil
(%)
Emissões de N2O do solo
38
41
CH4 proveniente da
fermentação entérica
32
53
Queima de biomassa
12
1
Produção de arroz em áreas
alagadiças
11
1
Tratamento de estrume
7
3
Fontes: Mundo: IPCC, 2007; Brasil: calculado com base na Cerri e.a., 2009
Em seguida, o limite do sistema é definido.
Geralmente, inclui-se desde o nascimento até a saída
da fazenda, ou seja, o ciclo de vida completo, desde
a produção de suplementos até o momento em que
os animais deixam a fazenda. O limite não inclui o
transporte até o abatedouro ou o processamento da
carne na fábrica. Alguns métodos de ACV incluem
dados obtidos desde o nascimento até a saída da
fazenda, além de todos os suplementos utilizados
depois que os animais deixam a fazenda, e avaliam
até a quantidade de energia gasta pela geladeira
na casa do consumidor e o custo ambiental do
descarte da embalagem. As contribuições principais
para uma ACV que analisa a produção de carne
bovina desde o nascimento até a saída da fazenda
são as emissões de CH4, mas também incluem
emissões dos GEE dentro e fora da fazenda na
cadeia de produção dos alimentos fibrosos e dos
alimentos concentrados. Isso varia de acordo com
os fertilizantes (a produção que emite N2O, CH4 e
CO2) e pesticidas comprados para o cultivo da
plantação e com o diesel (CO2) usado pelos tratores,
além da eletricidade (CO2) para iluminação e para
o funcionamento de máquinas. Todos os GEE são
apresentados em CO2 eq por unidade funcional.
NT 55
#2
Gases do efeito estufa - GEE
A tabela 3 resume as principais fontes de
gases do efeito estufa, exceto CO2, na agricultura
no mundo e no Brasil. No Brasil, 53% dos GEE na
agricultura são devidos ao gás metano resultantes
da fermentação entérica.
Multiplicando-se 53% (%CH4 proveniente
da fermentação entérica) por 23,1% (% GEE
provenientes da agricultura (Tabela 1), nos mostra
que, no Brasil a fermentação entérica é responsável
por 12,3% da emissão antropogênica dos GEE. Em
termos mundiais, isso equivale a 4,4%. No Brasil,
considerando que aproximadamente 20% dos
bovinos são representados por bovinos leiteiros,
conclui-se que o segmento de bovinos de corte é
responsável por 82,2% da fermentação entérica
(Cerri et al., 2009). Isto representa10% dos GEE
antropogênicos. Portanto, as estratégias que visam
à redução da fermentação entérica em bovinos de
corte podem reduzir significativamente as emissões
dos GEE no Brasil.
O impacto ambiental de um produto em termos de
emissão dos GEE é chamado de pegada de carbono e é
expresso em gramas ou toneladas de CO2 eq por unidade
funcional. Um número cada vez maior de supermercados
e fabricantes de alimentos informa a pegada de carbono
de seus produtos no rótulo. Atualmente, ferramentas de
ACV estão sendo desenvolvidas em diversos países para
avaliar a pegada de carbono das dietas para animais,
assim como dos outros suplementos necessários para
a criação destes animais. Dados confirmados serão
necessários para calcular a pegada de carbono relativa
a produção da carne e de outros produtos de origem
animal. Temporariamente, valores predeterminados são
utilizados. Há também iniciativas para padronizar os
métodos de medição e cálculo da pegada de carbono.
É provável que em segmentos premium do mercado de
carne, num futuro próximo seja exigido que os produtores
forneçam informações sobre a pegada de carbono de
seus produtos.
Medição e redução do metano
entérico
É evidente que o metano produzido durante a
digestão, principalmente no rúmen, é o componente
principal da pegada de carbono da carne bovina e do
leite. O que pode ser feito para reduzir essa pegada?
O primeiro passo na pesquisa é desenvolver
métodos para medir as emissões de metano. Isso
pode ser feito em câmaras de respiração ou por meio
do método indireto de gás traçador SF6 (hexafluoreto
de enxofre), como utilizado pela APTA-IZ (Instituto de
Zootecnia), em Nova Odessa (SP), e pela Provimi, na
Holanda. Nos estudos in vitro, a emissão de metano
de cada animal é medida e os efeitos das estratégias
de mitigação podem ser analisados técnica e
financeiramente. Evidentemente, as estratégias de
#2
56 NT
mitigação precisam ser financeiramente neutras na
pior das hipóteses. É certo que, em bovinos de corte,
a maneira mais eficaz (relação custo-benefício) para
reduzir a emissão de metano por kg de peso vivo é
aumentar o ganho de peso diário dos animais. Um
animal que se desenvolve mais rápido atingirá o peso
de abate em uma idade mais jovem. Nesta hipótese,
menos alimento(dieta) é utilizado na manutenção do
animal e as emissões totais de metano ao longo do
ciclo de vida também serão reduzidas, resultando
em menos CH4 por kg de peso vivo ou por kg de
carne bovina produzida. Devido à diminuição das
exigências de manutenção, o CH4 emitido por peso
final em kg cai rapidamente, em termos absolutos
e relativos, quando comparados à idade no abate
(Tabela 4). Obviamente, a qualidade de alimento e,
principalmente, a digestibilidade, deverão aumentar
para dar suporte ao maior desempenho do animal.
O primeiro passo muitas vezes pode ser obtido com
suplementos relativamente simples, como o NNP e
uma mistura balanceada de minerais.
Estratégias para aumentar o
ganho de peso diário e reduzir a
emissão de CH4 por kg de carne
bovina
A tabela 5 apresenta uma lista não exaustiva de
estratégias para aumentar o ganho médio de peso
por dia de vida e para reduzir a quantidade de metano
emitido por kg de carne bovina produzida. A maioria
dessas medidas também aumentará a rentabilidade da
produção de carne bovina e faz parte da administração
normal. Para escolher o melhor método, uma abordagem
holística na forma de ACV dos GEE é recomendada.
Isso evitará que a redução de um GEE, como o metano,
ocasione um aumento da emissão de outros GEE,
como o N2O dos fertilizantes nitrogenados aplicados ao
pasto para aumentar a digestibilidade da pastagem.
Tabela 4. Efeito da idade de abate na produção entérica de CH4 por kg de peso final (480 kg)
Esta é uma análise simplificada e exclui a produção de CH4 no caso de confinamento e
reprodução.
Idade de abate (anos)
5
4
3
2
Idade de abate relativa
100
80
60
40
-
-
-
3
Meses em lote de alimentação
Ganho de peso vivo (g/dia de vida)
247
309
412
618
TCA estimada (kg por dia/kg de
ganho de peso vivo)
33
24
17
9
Digestibilidade da dieta %
55
60
65
7/8
Metano entérico como % de EB
7,0
6,5
6,0
1 5/6
Kg de metano no ciclo de vida
337
224
145
67
Kg de CO2 eq/kg de peso final
17,6
11,6
7,5
3,5
CO2 eq relativo/kg de peso final
100
66
43
20
Fonte: IPCC, 2007
Tabela 5 - Exemplos de estratégias para mitigar
o metano entérico por Kg de carne bovina:
• Animal mais jovem na primeira reprodução e
intervalo mais curto de reprodução
• Minimizar o descarte involuntário
• Reduzir o estoque de substituição
• Aumentar a longevidade do rebanho
• Aumentar o mérito genético animal e vegetal
• Otimizar a formulação de dieta
• Fornecer suplementos como NNP e minerais
• Otimizar o fornecimento de água potável
• Melhorar o manejo
• Melhorar a saúde do animal e o controle de
doenças
Conclusão
A agricultura – e a produção de carne bovina e de
leite em particular – recebe críticas negativas devido
à produção associada de gases do efeito estufa. No
entanto, devemos nos lembrar, e continuar a relembrar
nossos clientes, nossos políticos e nosso público,
da habilidade única dos ruminantes de converter
materiais, que, caso contrário, não poderiam ser
utilizados, em carnes e laticínios altamente nutritivos.
Com o investimento apropriado em pesquisa e
desenvolvimento, assim como o trabalho da Provimi
com os parceiros no Brasil, na Holanda e em outros
locais, teremos certeza de que a pegada de carbono
atual da produção de carne bovina e de leite pode
ser reduzida significativamente, para o benefício de
todos nós.
• Fornecer abrigo e refrigeração
• Aumentar a eficácia da conversão alimentar
NT 57
#2
Pegadas de carbono (Carbon
footprint)
Bovinos de corte
Modelos bioeconômicos têm sido muito utilizados para determinar a máxima
remuneração operacional. Esse recurso permite a comparação de diferentes cenários,
envolvendo tipos genéticos, manejos nutricionais, custos diretos e oportunidades
de mercado (compra, venda, programas de valorização de carnes especiais, etc.),
destinados basicamente a um sistema de criação intensivo (recria/terminação em
confinamento), devido ao controle total das variáveis.
Ponto de abate
e remuneração
operacional
No Brasil, o confinamento é uma ferramenta
cada vez mais utilizada na pecuária bovina. Tratase de uma ferramenta, já que não é um fim por si
só, e sim parte de uma estratégia cuja finalidade
é maximizar o resultado financeiro da propriedade
rural em três pontos muito importantes:
- Livrar as pastagens na estação seca de
animais mais pesados (engorda) em favorecimento
dos mais leves (recria).
- Possibilitar a remuneração da venda em
momento mais favorável (melhores preços).
- Aproveitar ao máximo a carcaça em engorda
(peso de abate).
Do ponto de vista da estratégia de compra
e venda de animais, ao tomarmos a recente
reconstrução do país em sua fase pós-inflação
(1994 até os dias atuais), vemos claramente que a
possibilidade de melhores negócios na venda de
boi gordo concentra-se depois do mês de junho,
e a compra de bezerros até o referido mês. Este
cenário cria, sob a perspectiva de um sistema de
produção, duas oportunidades muitos específicas:
uma estação de compra e uma estação de venda.
A figura 1 mostra a sobra de valores (R$)
considerando o momento de compra/venda sobre
o preço médio anual do boi gordo e bezerro. Se
uma determinada propriedade comercializasse
mil animais/ano e adotasse a estratégia sugerida
acima, muito provavelmente agregaria a seu
resultado um total de R$ 840.000,00 ao longo de
14 anos, em comparação a outra propriedade
que estivesse comercializando seus animais sem
uma estratégia definida. Isso, se considerarmos
os valores médios, sem contar, portanto, as
melhores oportunidades em momentos mais do
que oportunos (fig. 2).
Figura 1 - Impacto (medido em R$) na decisão de compra/venda frente à média de
preços anuais (Dados: média de janeiro a dezembro, entre 1995 e 2008)
80
60
Danilo Grandini
Gerente de Negócios de Bovinos de Corte
Nutron Alimentos
Hudson Castro
Gerente Regional de Bovinos de Corte
Nutron Alimentos
40
Diferença
(R$) BZ
20
0
Diferença
(R$) BOI
-20
-40
#2
58 NT
-60
NT 59
#2
Pedro Terencio
Coordenador de Serviço Técnico de Bovinos de Corte da
Nutron Alimentos
Figura 2 - Máxima oportunidade na venda de boi em relação à média anual
(Dados: média de janeiro a dezembro, entre 1995 e 2008)
300
250
200
R$ boi
150
Max
100
50
0
-50
Foto 1. Animal classificado como de acabamento escasso
70
Y = 0.4739 + 0.0005 (X)
Y = Porcentagem
X = Peso carcaças
68
66
64
62
60
58
56
R2 = 0.81
n = 85
SE = 0.000025
54
52
50
150
200
250
300
Peso carcaças, Kg
#2
60 NT
350
400
450
90
80
70
60
50
Rendimento %
40
Custo $ colocada
30
Receita $
20
10
Sob o prisma técnico, a premissa básica é um
maior conhecimento dos animais a serem trabalhados,
principalmente no que se refere à questão de peso
maduro e relação proteína-gordura no momento do
abate.
Fisiologicamente, o peso maduro pode ser
considerado como ponto máximo de acúmulo de
massa muscular, desconsiderando o acúmulo de
gordura que pode ocorrer depois disso. Aceita-se,
em geral, que o crescimento muscular é praticamente
nulo após o acúmulo de 34% a 37% de gordura
corporal, portanto, a definição de peso maduro
passa a ser o peso em que o animal atinge de 34%
a 37% de gordura corporal. A relação entre estrutura
corporal (frame size) e peso maduro é praticamente
direta, porém dependente do nível de musculosidade.
A compreensão do peso maduro é importante na
determinação do plano nutricional a fim de explorar
546
536
526
515
505
494
484
473
462
451
440
428
417
405
393
381
0
todo potencial produtivo de uma raça ou mesmo
manipular as taxas de crescimento com o objetivo de
postergar ou antecipar a fase de acabamento (figura
05). Comercialmente, a terminação do peso maduro,
ou seja, 34% a 37% de gordura, é realizada somente em
mercados altamente especializados, principalmente
naqueles que buscam gordura intramuscular
(marmoreio) e nos quais existe remuneração para esse
tipo de produção. Comercialmente, em nosso sistema
de classificação, busca-se a produção de um animal
de gordura de cobertura moderada a uniforme, o que
corresponde a um animal com percentual de gordura
em torno de 26% (fig. 6), ponto em que a demanda
energética para terminação não implica grande perda
econômica e possibilita atingir um maior peso de
abate, melhorando, assim, o rendimento da carcaça.
No sistema norte-americano seria o equivalente ao
tipo select e low choice.
NT 61
#2
Figura 3 - Relação entre peso de carcaça (Kg) e rendimento (%), em abates nos EUA (Owens)
Figura 4 - Lucro operacional considerando diferentes pesos de abate a um custo de R$ 0,41/Kg MS
(dieta) e valor de venda de R$ 75/@ (apresentado durante Workshop Merial/Nutron 2008, avaliação do
desempenho de 54.764 nelores inteiros de diversos criadores).
369
ao peso maduro funcional, e este, por sua vez, ao nível
de gordura da carcaça, que comercialmente fica em
torno de 25% a 27% de gordura corporal (equivalente
a gordura uniforme). Ou seja, ao atingirmos a gordura
uniforme no abate, estaremos, de certa forma,
representando o máximo acúmulo de carcaça,
considerando o sistema nacional de classificação
(fotos 1 e 2). Uma segunda pergunta que nos ocorre
é o custo do ganho, o raciocínio de que animais com
maior acabamento são mais caros de se produzir é
correto, entretanto o incremento do rendimento de
carcaça representa um ganho financeiro que não
deve ser esquecido (figura 3). De um lado, teremos
piores conversões alimentares (custo) e, de outro
lado, melhores rendimentos (receita). Deve-se
considerar o valor da diária nutricional e valor de
venda do boi gordo, permitindo, assim, a correta
determinação do peso do abate através do retorno
financeiro final, e não somente através do custo
mínimo de produção (fig. 4).
357
Avaliando a oportunidade em relação ao peso
final de engorda, não resta dúvida da importância
da genética na quantificação desse valor. Pardi et al.
(1996), citado por Pineda N. R., mostrou que em 70
anos o peso da carcaça de 7,4 milhões de zebuínos
abatidos em um único frigorífico (Anglo, Barretos
– SP) passou de 234,5 Kg/carcaça para 268,6 Kg/
carcaça, ou seja, um incremento de 26,9 Kg/carcaça.
Ganho Isso é fruto da substituição de raças (aumento
da população de nelore em relação ao gir no rebanho
zebuíno), aumento do uso de touros provados e
busca de cruzamentos industriais.
Entretanto, temos uma oportunidade única no que
diz respeito à genética para obtermos melhorias na
nutrição e sanidade, em que a etapa final de engorda
sob sistema confinado (controle total das variáveis)
permite uma pergunta muito importante: vendemos
bois ou carcaças? Obviamente vendemos o animal,
mas somos remunerados pelo peso de sua carcaça.
O peso da carcaça estará intimamente relacionado
Foto 2. Animal classificado como de acabamento uniforme
Figura 5 - Relação entre estágio de crescimento/taxa de ganho e composição
corporal de bovinos frame médio (adaptação NRC, 1996)
Figura 7 - Estimativa dos conteúdos corporais de gordura e proteína (Kg) de acordo com o PCV (peso
corporal vazio) de bovinos nelore não castrados, puros e mestiços. (Adaptado de: Composição corporal e
exigência de energia de manutenção em bovinos nelore, puros e mestiços, em confinamento)
30
140
25
120
100
0,6 Kg/d
0,8 Kg/d
15
1,0 Kg/d
1,3 Kg/d
10
80
Conteúdo (Kg)
% gordura corporal
20
60
40
20
5
Proteína
0
0
150
200
250
300
350
400
450
200
250
Gordura
300
350
400
450
500
500
PCV (Kg) - EBW (Kg)
Peso vivo (Kg)
Composição corporal, %
Figura 6 - Composição química do peso vivo em jejum sob diferentes condições corporais (escore 1 - 9)
Escore
corporal
Gordura
(%)
Proteína
(%)
Mineral
(%)
Água
(%)
Variação em
relação ao
escore 5
Gordura
14,9
17,2
19,5
21,8
24,2
26,5
28,8
1
3,77
19,42
7,46
69,35
77
Proteína
19,5
19,1
18,6
18,1
17,6
17,1
16,5
2
7,54
18,75
7,02
66,69
81
3
11,3
18,09
6,58
64,03
87
4
15,07
17,04
6,15
61,36
93
5
18,84
16,75
5,71
58,70
100
6
22,61
16,08
5,27
56,04
108
7
26,38
15,42
4,83
53,37
118
8
30,15
14,75
4,39
50,71
130
9
33,91
14,08
3,96
48,05
144
Machos não castrados (PV - Kg)
Pequeno
230
275
325
370
415
465
510
Médio
270
325
380
435
490
545
600
Grande
310
375
440
500
565
625
690
Machos castrados (PV - Kg)
Pequeno
195
230
270
310
350
385
425
Médio
225
270
320
365
410
455
500
Grande
260
315
365
420
470
520
575
Novilhas (PV - Kg)
Pequeno
155
185
220
245
275
310
340
Médio
180
220
255
290
325
365
400
Grande
210
250
290
335
375
420
460
Freitas et. al. (2006), trabalhando na determinação
da composição corporal e exigência de manutenção
de nelore e seus mestiços (não castrados) em
confinamento, com dietas que variaram de 30% a 70%
de concentrado, e peso de abate variando entre 480 Kg e
510 Kg (100% a 110% do peso materno), não encontrou
diferença significativa entre os grupos genéticos. Assim,
adotamos uma única equação para a determinação da
composição corporal de proteína e gordura corporal
#2
62 NT
(fig. 7), em que o peso corporal vazio foi obtido pela
aplicação do fator 0,891 sugerido pelo NRC, 1996. Com
base na estrutura corporal e categoria animal, é possível,
de acordo com o mesmo objetivo final (composição da
carcaça), estabelecer um programa nutricional correto,
bem como apartação para abates programados (tabela
1), definindo, assim, um sistema de produção que vise
maximizar o resultado financeiro, tendo como base o
animal, o mercado e seu custo de produção.
Table 3 – 5, NRC 1996
Em resumo:
• Busque um sistema de produção voltado à maximização de resultados financeiros.
• O momento da venda é a melhor oportunidade. FOCO e OBJETIVO. Entenda o mercado.
• Venda CARCAÇA! Procure conhecê-la melhor.
Danilo Grandini
é Zootecnista,
formado pela
UNESP Jaboticabal,
especialista em
análise econômica e
Gerente de Negócios
de Bovinos de Corte
da Nutron Alimentos
Hudson Castro
Médico Veterinário,
formado em veterinária
em 1999 pela UFLA Universidade Federal
de Lavras - MG e
Gerente Regional de
Bovinos de Corte da
Nutron Alimentos
Pedro Terencio
Médico Veterinário
formado pela
FMVZ da USP,
Coordenador
Técnico de
Bovinos de
Corte da Nutron
Alimentos
NT 63
#2
Tabela 1 - Pesos corporais nos quais os animais em crescimento, de diferentes tamanhos de
estrutura corporal, têm composição corporal e exigências nutricionais semelhantes. (Adaptado
de: Beef production and management , 1982)
NT 65
#2
#2
64 NT
Suínos
Marketing
o caminho para o consumo
O mercado consumidor está cada vez mais
exigente. Hoje em dia, certificados e garantias
de origem são ferramentas essenciais para
comercialização, principalmente quando
o destino é o mercado externo. Com a
carne suína não é diferente. Para atender
esse padrão internacional, os suinocultores
investem fortemente em tecnologia nas
áreas de genética, manejo, nutrição e
gestão, alcançando, assim, o mesmo
nível dos melhores sistemas utilizados em
todo o mundo. Até o ano passado, o Brasil
comercializava carne suína com 76 países.
O que muitos desconhecem, porém, é que
o Brasil, quarto maior produtor e exportador de
carne suína, é um dos últimos no ranking de
consumo interno. Apesar do grande avanço
industrial do setor, a carne suína perdeu
espaço no mercado interno e ainda hoje perde
para as carnes de boi e frango na preferência
dos consumidores. Além disso, apenas 25%
do total de 13,3 Kg per capita consumidos em
2008 são carne fresca, “in natura”. Os 75%
restantes são consumidos pelos brasileiros
processados, ou seja, embutidos como
presuntos, salames, linguiças e salsichas
diversas.
Desfazer os tabus que inibem o aumento
de seu consumo e realçar as vantagens de
um produto saudável, equilibrado e de fácil
preparo foram os maiores desafios para
convencer os brasileiros a consumir mais
carne suína. Como o consumidor de hoje é
altamente propenso a comprar produtos que
ofereçam diferenciais e novas experiências,
foi preciso agregar valor aos produtos de
carne suína, investindo na comercialização
com cortes especiais e boa exposição para
atender a demanda. Essa foi a visão da
Associação Brasileira de Criadores de Suínos
(ABCS). Era preciso um novo olhar sobre a
carne suína.
CONSUMO MUNDIAL DE CARNES
NT 67
#2
#2
66 NT
A alma do negócio
Para reverter esse quadro de baixo consumo e abrir
espaço para a carne suína no cotidiano dos brasileiros,
a ABCS implementou há três anos a campanha “Um
novo olhar sobre a carne suína” em diversos estados
do país. Simples e direta, a propaganda é a ferramenta
mais estratégica para se apresentar ao consumidor as
qualidades e os diferenciais de um produto. Com a
carne suína não poderia ser diferente, é o que explica
Irineu Wessler, presidente da ABCS. “Mais do que uma
campanha de promoção, foi preciso uma ação concreta
de mudança dos conceitos, de comercialização da carne
suína. Necessitávamos de um novo olhar”, completa.
Recebida com sucesso em diversas unidades de
supermercados, incluindo desde unidades de pequeno
porte até as maiores redes, a campanha desenvolveu
formatos modernos de apresentação do produto em
seus variados cortes, adaptados às necessidades
e exigências do consumidor, além de promover a
degustação nas lojas e a distribuição de folhetos com
receitas e informações nutricionais.
Necessidade do consumidor
A carne suína oferecida em grandes peças
enfrentava dificuldades para entrar na alimentação
do dia a dia dos brasileiros. Seu volume e forma se
mostravam incompatíveis com a real necessidade do
consumidor − por exemplo, o pernil. Já os formatos
das carnes de frango e bovina, com cortes menores
e embalagens mais práticas, atendem à praticidade
e às conveniências da estrutura social e econômica
do país. “Esse é o item conceitual mais importante.
A carne suína tem que ser vendida o ano todo, em
formatos diversificados, contemporâneos, que atraiam
e satisfaçam o consumidor”, afirma o diretor de
comunicação e marketing da ABCS, Fernando Barros.
Para isso, a Associação uniu-se ao Centro de
Tecnologia da Carne, do Instituto de Tecnologia de
Alimentos (CTC/ITAL), em Campinas, e desenvolveu um
trabalho de caracterização dos cortes, de acordo com
as exigências de consumo. “É indispensável mostrar
que a carne suína pode ser consumida da forma mais
leve e saudável. Mas não poderíamos desestimular
aqueles que têm preferência pelo sabor que a própria
gordura proporciona ao irrigar a carne durante o
cozimento. Por isso, criamos 57 cortes diferenciados,
desde medalhão de filé mignon e picanha até bifes
magros, tirinhas para strogonoff e carne moída”, conta
o diretor de marketing.
O projeto piloto realizado em parceria com a
Associação Brasileira de Supermercados (Abras) em
três lojas do Grupo Pão de Açúcar – Extra, Bom Preço e
Pão de Açúcar – foi altamente positivo. Somente numa
das lojas, a quantidade de carne suína vendida em uma
semana superou o total vendido pela mesma loja no
período de um mês, apenas com a disponibilização dos
novos cortes e uma apresentação mais cuidadosa dos
produtos nas gôndolas.
Para dar continuidade ao projeto, especialistas nos
cortes industriais treinaram e capacitaram funcionários
e dirigentes de frigoríficos, açougues e supermercados
que fizeram parte da campanha, tudo para garantir uma
boa apresentação do produto nos postos de venda.
Suíno: garoto-propaganda nos EUA
er
Ceci Snyd
#2
68 NT
Ainda para Snyder, as campanhas promovidas ao longo desses anos tiveram focos diferentes, de acordo com a
necessidade do consumidor e do mercado. “As campanhas atuais se afastaram do foco em nutrição para reforçar
a versatilidade da carne suína. Nesse cenário, identificamos que nossa maior barreira é a falta de conhecimento
quanto às formas de cozimento da carne”, explica. Diante disso, o site renovado da campanha The Other White Meat
traz agora diversas receitas de preparo da carne, com objetivo de apresentar os consumidores diferentes ideias de
pratos e dicas para cozimento.Baseado nessa necessidade, o National Pork Board também lançou outra campanha
de marketing, o The Other White Meat Tour. Com um trailer itinerante, a promoção viaja por todo o país com chefs de
cozinha preparando para o público diversas receitas à base de carne suína. No site é possível saber em qual estado
e cidade a campanha estará e qual será o chef de cozinha. Tudo para promover e facilitar a divulgação, estando cara
a cara com os consumidores.
NT 69
#2
Países que hoje são os maiores consumidores da carne suína também apostaram no marketing
para alavancar as vendas. Lançada nos EUA em 1987, a campanha “The Other White Meat” (A Outra
Carne Branca) iniciou com anúncios na TV com o objetivo principal de mudar o pensamento do
consumidor em relação à carne suína. Em apenas quatro anos de campanha, as vendas de carne
suína nos Estados Unidos subiram 20%, atingindo US$ 30 bilhões.
Sucesso há mais de 20 anos, a campanha é considerada hoje um dos cinco slogans mais conhecidos
na publicidade norte-americana. Para Ceci Snyder, vice-presidente da National Pork Board, entidade
responsável pelo programa de promoção e incentivo ao consumo da carne suína americana, o alto
investimento em ações de divulgação foi o grande responsável pelo reconhecimento da campanha
e aumento do consumo no país. “Acredito que nosso sucesso inicial se deve à publicidade, mas nós
confiamos bastante nas relações públicas e no nosso trabalho com os varejistas”, afirma.
McDonald’s se rende aos
prazeres da carne suína
Nem mesmo a maior rede de fast-food do
mundo que atendeu, no ano passado, cerca
de 1,6 milhão de clientes no Brasil e faturou
mais de R$ 3,3 bilhões, resistiu ao sabor da
carne suína. Essa é a novidade que o Mc
Donald’s apresenta nos países da América
Latina em campanha específica: o sanduíche
Chef Sausage, composto por carne suína
selecionada, temperada com um mix de três
variedades de pimentas moídas.
Com apenas 264 calorias, o sanduíche
apresenta 30% de ferro em sua composição,
aproximadamente um terço das necessidades
diárias desse nutriente para um adulto.
Considerado item importante para uma
alimentação saudável e indispensável em um
cardápio bem elaborado, a carne suína é fonte
de proteína e, por isso, não tem associação direta
com o fornecimento de energia ao corpo, como
carboidratos e gorduras. Além disso, é uma das
principais fontes de vitamina B1 (tiamina), que
participa do metabolismo energético, melhora o
apetite e o funcionamento do sistema nervoso.
Segundo Roberto Gnypek, diretor de
planejamento e marketing da Arcos Dourados,
empresa de capital latino-americano e detentora
da maior franquia McDonald’s no mundo, o
lançamento do sanduíche Chef Sausage se
baseou nas opiniões dos consumidores e tem
como objetivo entender e atender da melhor
forma possível a expectativa dos clientes da rede.
#2
70 NT
“A ideia é proporcionar sempre novos sabores e
a carne suína é uma excelente opção, porque
oferece aos consumidores a experimentação
de novidades. Para aqueles que já frequentam
nossos restaurantes, as novidades significam
opções, sabores diferentes, com prazer e
diversão”, afirma.
Lançado há menos de um mês e presente
no cardápio somente até dezembro, o Chef
Sausage já apresenta resultados satisfatórios,
segundo o diretor de marketing. “Em
uma semana, aproximadamente 200 mil
consumidores já saborearam o Chef Sausage
nos 566 restaurantes da rede no Brasil”, afirma.
Mas essa não é a primeira vez que o gigante da
alimentação fast-food se rendeu aos prazeres
dessa carne. O sanduíche McRib, com carne
feita a partir de paleta do porco, em formato de
costelinhas (ribs), voltou ao cardápio da rede
em 2002, após ter sido lançado dois anos antes.
Além disso, a carne suína também é umas das
opções servidas no café da manhã, no Muffin
Sausage e como ingrediente em alguns dos
sanduíches (bacon).
Sobre o lançamento de produtos
temporários, Gnypek explica que eles incentivam
a experimentação e, dessa forma, colaboram
na definição do menu. “A rede sempre se pauta
pela preferência do consumidor. É ele quem
determina o nosso cardápio. Um exemplo é o
Cheddar McMelt, uma inovação brasileira que
entrou como produto temporário e hoje tem
um público fiel. Entendemos que, apesar do
brasileiro dar preferência à carne bovina, existe
um mercado potencial a ser explorado, por isso
a carne suína tem sido utilizada em algumas
ações, pois há um público consumidor voltado
ao produto”, conclui.
Reconhecido no mundo todo, espalhado
em 119 países com mais de 30 mil lojas que
servem quase 50 milhões de compradores todo
dia, o McDonald’s já provou confiar no sabor
da carne suína, agora é tornar esses lanches
permanentes do cardápio da rede.
Os resultados numéricos apresentados pela
campanha comprovaram que o consumidor muda
seu padrão tradicional de consumo quando a carne
suína é apresentada de forma diversificada, prática,
atraente e nem sempre associada à gordura. Mas
também foram identificadas razões operacionais
e logísticas que explicam o baixo consumo da
carne suína no Brasil. “Antes, os suinocultores
se contentavam em atribuir os problemas de
comercialização ao preconceito que inegavelmente
ainda vigora fortemente em todas as camadas da
população. Mas há alguns aspectos gerenciais,
logísticos e operacionais que acabam limitando, ou
inviabilizando, a colocação da carne suína no varejo”,
afirma o presidente.
Contrariamente ao que ocorreu nas cadeias
de carne de aves e bovina, a carne suína resfriada
ou congelada ainda chega ao varejista na forma
tradicional e antiquada de meias carcaças. “Essa
forma de comercialização exige grande manipulação
no ponto de venda, além da incidência de custos
de transporte, impostos e tributos sobre ossos, pele
e retalhos não aproveitáveis que são gerados na
preparação final dos cortes”, conta Fernando Barros.
Diante desse novo cenário, a ABCS está
implantando ações para melhorar os mecanismos de
comercialização da carne suína, como o Programa
Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura, que
reúne parceiros e agências de desenvolvimento
empresarial, para aumentar em 2 Kg o consumo per
capita de carne suína, no Brasil, em três anos.
Para Wessler, atingir 15 Kg contra os 45 Kg da
média europeia é aparentemente modesto, mas o
objetivo tem marcante impacto econômico e social.
“Será necessário adicionar 200 mil novas matrizes
no plantel brasileiro; investir mais de R$ 1 bilhão em
granjas; gerar demanda adicional de 15 milhões de
sacas de milho e 6,2 milhões de sacas de soja” afirma.
Segundo dados da ABCS, esse aumento no consumo
dos brasileiros representariam 12 mil novos empregos
diretos e estimados outros 60 mil indiretos.
Para isso, o programa irá integrar as ações da
cadeia produtiva de forma a atender a demanda
e assim disponibilizar a carne suína in natura em
qualidade, quantidade, formato e competitividade
com as demais proteínas animais, em todos os níveis
de varejo. “Cerca de 5 mil produtores receberão
informações e serão treinados em diversas
tecnologias, elaboradas em conformidade com suas
características”, afirma Fernando Barros. Já as ações
na indústria serão desenvolvidas em frigoríficos e
abatedouros localizados nos estados incluídos no
projeto. O programa prevê a ampliação da campanha
“Um novo olhar sobre a carne suína”, alcançando
agora todos os nichos de mercado (supermercados,
açougues, restaurantes, empresas de refeições
coletivas, entre outros), com objetivo de aumentar,
em três anos, 25% as vendas de carne suína nos
estabelecimentos que aderirem à campanha.
NT 71
#2
Novas perspectivas
Garantia de qualidade.
Ingleses confiam no selo!
#2
72 NT
C
M
Y
CM
MY
CY
CMY
K
NT 73
#2
Bem-estar animal e procedência dos alimentos estão em alta nas
mentes dos consumidores modernos, principalmente dos ingleses.
Grande consumidora de carne suína, a Inglaterra possui agora um novo
selo que atesta e garante a qualidade dos produtos à base de carne
suína. Lançado pelo Conselho da British Pig Executive (BPEX), o padrão
de qualidade será usado apenas nas embalagens de carne de porco
e produtos que vêm de uma cadeia de abastecimento comprometida
com padrões elevados de bem-estar animal, controle de qualidade e
rastreabilidade.
Comercializado a partir de 1º de abril de 2010, o selo será uma
marca global e reconhecível para o uso de carne de porco in natura, bacon,
salsichas e presunto, entre outros. Segundo o diretor de marketing da BPEX,
Chris Lamb, o selo Quality Standard Mark foi criado para dar suporte aos
fazendeiros de suínos que produzem carne de alta qualidade (sem baias e
sem castração). “O QSM foi introduzido para diferenciar essas carnes, uma
necessidade de proteger o futuro desses produtores, oferecer a oportunidade
de competir e dar continuidade ao próprio negócio. Além de trazer benefícios
para a indústria suinícola inglesa”, explica.
Outra campanha lançada pela BPEX, também tem como objetivo o aumento
do consumo. A comunidade online Love Pork é um site para os apaixonados
por carne suína. “Nós precisávamos de uma aproximação mais ‘amiga do
consumidor’ e um incentivo para se envolverem e ‘amarem carne suína’. Com
a baixa nos nossos orçamentos e muita informação detalhada para oferecer,
a internet foi o canal apropriado”, conta Lamb. Grandes supermercados
também estão envolvidos, usando o logo nas embalagens de carne suína. O
site é constantemente atualizado para passar o maior número de informações
possível sobre a carne e produtos derivados, desde a fazenda até a mesa.
Segundo Lamb, a BPEX acredita em dois caminhos para aumentar o consumo
da carne suína: explicar os valores e benefícios da carne aos consumidores
para tornar-se um hábito e não apenas uma opção, além de desenvolver uma
vasta gama de produtos para maximizar a utilização da carcaça.
Frans Borg
Esqueça os conceitos primários de Cooperativa.
A ideia de algumas pessoas que se juntam para
produzir e ter algum lucro com isso definitivamente
não se aplica à Castrolanda. Gigante do setor, seus
números impressionam. A edição de outubro da
revista Exame a coloca entre as melhores e maiores
do ano, ao lado de outras igualmente gigantes do
mercado agropecuário. Com capital social dividido
entre 744 sócios, a Castrolanda conta com uma
#2
74 NT
estrutura funcional de 528 colaboradores e atende
a cerca de 30 municípios. Sediada em Castro,
Ponta Grossa, Piraí do Sul, Curiúva e Ventania –
todas cidades do Paraná – a Cooperativa dedicase à prestação de serviços a seus associados e,
como empresa, busca desenvolver-se de maneira
contínua, procurando aplicar modernas práticas de
gestão, conquistar e manter vantagens competitivas
na exploração das oportunidades que se abrem a
NT 75
#2
Cooperativismo
Ideias somadas
e gestão
profissionalizada
de leite, creme de leite e achocolatados. Ainda
cada dia no mercado. Investe em projetos de novos
na linha de leite, R$ 5 milhões estão destinados
negócios, sem perder o foco de atuação, mantendopara a modernização da fábrica de rações de
se como coordenadora da cadeia produtiva de seus
bovinos. Outro setor que receberá melhorias é o de
associados, participando ao longo delas por conta
beneficiamento de cereais, com previsão de R$ 12
própria ou por intermédio de parcerias e alianças
milhões. A unidade produtora de leitões ficará com
estratégicas. Os produtores têm forte vocação
a cifra de R$ 7 milhões.
para a produção agropecuária. Investem muito em
“Dentro do Planejamento Estratégico da
tecnologia e gestão agropecuária, nas mais diversas
Cooperativa, temos definido e atualizados anuáreas de atuação − agricultura, suinocultura,
almente as grandes estratégias como a integração
pecuária de leite e ovinocultura −, sempre com o
agropecuária, o processo de profissionalização
objetivo de buscar a melhoria de produtividade e a
da gestão do produtor; o desenvolvimento das
administração de seus negócios.
lideranças e dos executivos da Cooperativa, o
Presidida há 13 anos por Frans Borg, produtor
investimento em pesquisa e desenvolvimento e o
e engenheiro agrônomo, a Castrolanda vive hoje
avanço tecnológico e biotecnológico. A integração
o desafio de manter os princípios vivos de seus
vertical ou formação de Joint Venture
primeiros fundadores. “Apesar de
“Como
Cooperativa,
entre cooperativas e empresas
sermos Cooperativa, buscamos
privadas nacionais e internacionais
uma gestão profissionalizada,
devemos manter o
sustentável nas três vertentes: mesmo foco na missão, também estão nos planos, bem
como estratégias específicas por
social, ambiental e econômica.
que é agregar valor a
Os tempos mudam e as pessoas
nosso associado”, define produto”, explica o presidente da
Castrolanda.
também, porém defendemos
Frans Borg.
Para manter esse crescimento de
princípios e valores ensinados
forma sustentável, Frans Borg cita a
pelos fundadores da Cooperativa,
importância de coordenar, desenvolver e fomentar
que são: a união, a ética, o comprometimento, a
as atividades produtivas dos associados, incluindo
valorização das pessoas, a criatividade e a liderança.
os conceitos da nutrição animal como um desses
Se hoje somos dez vezes mais pessoas participando
negócios, aliados à tecnologia, sem esquecer de
do negócio, isso significa dez vezes mais ideias que
estar sempre atento ao comportamento geral dos
podem vir a somar e devemos aproveitar o lado
consumidores e manter certa proximidade.
positivo disso”, comenta o presidente.
Para manter essa unidade sempre presente,
a Cooperativa implantou, nos últimos 10 anos,
Apoio à cultura como estratégia
reformas profundas em suas estruturas e introduziu
na comunidade
um programa de planejamento participativo, que
envolveu programas de profissionalização de sua
A Castrolanda adota políticas bem definidas para
gestão e de seus produtores, planos de capitalização
apoios culturais, tanto destinados aos colaboradores
e monitoramento. São realizados encontros anuais
e associados como para a comunidade.
de avaliação, quando são discutidas as principais
Treinamentos, programas de educação continuada,
diretrizes estratégicas para o futuro.
contratação de menores aprendizes e estagiários,
E os resultados dessas mudanças na gestão
saúde e segurança no trabalho e incentivo ao
parecem ter surtido efeito rápido. A Cooperativa
folclore (por meio de aulas com crianças para a
cresceu, em média, praticamente 15% ao ano na
preservação da cultura holandesa) são algumas das
última década. Apesar da crise, o ano de 2008 foi
ações. O incentivo ao esporte beneficia anualmente
considerado como um dos melhores na existência
cerca de quatro mil atletas do município de Castro.
da Castrolanda, graças ao preço das commodities
Trabalhos sociais são fomentados pelos próprios
agropecuárias. A crise foi sentida somente no
colaboradores ou na Agroleite, hoje referência
quarto trimestre e nem tanto em preços, mas em
nacional em termos de tecnologia e lançamento
crédito no mercado. Até o final de 2009 a previsão
de produtos do setor. Nesse evento, o maior da
da Cooperativa é investir R$ 50 milhões. O principal
Cooperativa, cerca de 40 mil pessoas são envolvidas
objetivo é a ampliação da Usina de Beneficiamento
nos projetos, entre produtores, técnicos, estudantes,
de Leite (UBL), onde estão sendo investidos
cooperativas e entidades ligadas ao agronegócio
cerca de R$ 21 milhões na linha de envasamento
brasileiro.
Cooperativismo
C.Vale
Fórmula que dá certo
O desafio de aperfeiçoar pessoas, processos e
produtos é um compromisso de quem deseja se
manter competitivo no mercado. Definir metas e
lutar por elas empregando talento e persistência foi a
fórmula que levou a Cooperativa C. Vale a passar de
um conjunto de 24 associados para a condição de
segunda maior cooperativa do Estado do Paraná.
Ao longo de quatro décadas e meia, a Cooperativa
ampliou sua estrutura e hoje, formada por mais de 8
mil associados e cerca de 5 mil funcionários, possui
40 unidades de recebimento de produção, seis
#2
76 NT
supermercados e seis indústrias, espalhadas pelo
Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato
Grosso e Paraguai.
Atuante na produção de soja, milho, trigo,
mandioca, leite, suínos e frangos, a C. Vale tem
como foco a busca do crescimento de seus
associados e, por isso, investe na diversificação de
atividades, na assistência técnica, na transferência
de tecnologias e nos programas de qualificação
pessoal e profissional. “Queremos estender a
proteção do guarda-chuva do cooperativismo a um
número cada vez maior de produtores e, ao mesmo
tempo, permitir que outros segmentos sociais se
beneficiem da abertura de novos postos de trabalho
e da geração de tributos”, explica o presidente da
cooperativa, Alfredo Lang.
Exemplo da capacidade empreendedora de seus
cooperados foi a construção do primeiro sistema de
integração avícola brasileiro, em escala comercial,
a utilizar processos automatizados para o controle
de ambiente, que rendeu à Cooperativa o lugar
de sexta maior exportadora de carne de frango do
Brasil, com vendas para 45 países. Com matrizeiro,
incubatório, fábrica de rações, aviários de campo e
abatedouro, a cooperativa abate 310 mil aves por
dia, comercializadas em 17 estados e países como
Alemanha, Holanda, Inglaterra, China e Japão. Para o
presidente, o desafio da C. Vale agora é chegar aos
500 mil frangos/dia. “É um número muito expressivo e
que significará ainda mais oportunidades de trabalho,
negócios e desenvolvimento econômico e social para
toda a região”, enfatiza Lang.
Enio Weiss Hubner foi um dos primeiros integrados
NT 77
#2
Alfredo Lang
do sistema avícola da Cooperativa. Ele revela que os
principalmente porque ele já vinha de frustrações
dois aviários construídos na região de Santa Rita, no
seguidas de safras. Mas não deixamos que a crise
município de Assis Chateaubriand, estão ajudando a
afetasse a qualidade de nossos produtos. Esse é um
pagar a faculdade das filhas e a superar períodos de
valor que não tem preço e precisa ser preservado a
crise. “Graças aos aviários e a minha aposentadoria
qualquer custo. Se você tem qualidade diferenciada,
estamos conseguindo atravessar os períodos de
consegue se sobressair no mercado”, explica. Para
safras ruins”, avalia. Segundo Enio, o aviário dá
o presidente, o ótimo resultado também se deve a
tranquilidade, porque tem giro rápido. “Chova ou faça
força, união e o trabalho de seus 8 mil associados,
sol, em dois meses tem colheita”, afirma.
assim como de sua diretoria e seus funcionários.
Essa é a segurança que a C. Vale garante aos
“Isso consolida de vez que o cooperativismo, quando
associados: bons rendimentos, mesmo em época de
bem trabalhado, dá certo”, analisa.
crise, como a que arrasou o mundo no ano passado e
E todo o resultado desse empenho tem se
que parece não ter abalado os índices de crescimento
mostrado nos mais de R$ 90 milhões que a C. Vale
da Cooperativa. Prova disso é a
investiu em 2009. Até o final
edição 2009 do levantamento
desse ano, a previsão é aplicar
Melhores e Maiores da revista
R$ 21 milhões na construção
Essa é a segurança
Exame, que aponta a C.Vale
da central de armazenagem
que a C. Vale garante
como a 214ª maior empresa
para 1,4 milhão de sacas de
aos associados: bons
brasileira em vendas, com
grãos, além de R$ 78 milhões
rendimentos, mesmo
faturamento equivalente a 864,7
na melhoria e na ampliação da
em época de crise
milhões de dólares (R$ 1,94
estrutura de recebimento de
bilhão). Mas mesmo com os
grãos. Mas Lang acredita que
bons índices acumulados em
o próximo ano será bem mais
2008, Alfredo Lang, mostrou cautela e tranquilidade
promissor para os produtores e para as empresas e,
para lidar com a crise. “O cenário mundial fez a
por isso, já tem planos para ampliar o faturamento
C.Vale reavaliar a velocidade de execução de novos
de 2010, que passará de R$ 1,9 bilhão para R$ 2,1
investimentos, porque é preciso preservar o capital de
bilhões. “Estamos ainda mais positivos para os
giro quando o crédito se torna mais caro e escasso.
resultados do próximo ano, nosso foco é expandir a
As vendas de insumos e máquinas se tornaram bem
área de atuação da Cooperativa, além de aumentar
mais difíceis durante o período de crise porque o
a produção de frangos, conquistando uma presença
produtor ficou, com razão, mais receoso em gastar,
ainda mais expressiva no mercado”, conclui.
Prêmio nacional em educação cooperativista
Pela terceira vez, a C. Vale foi eleita Cooperativa do Ano na categoria educação cooperativista, do prêmio
concedido pela Organização das Cooperativas Brasileiras em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem
do Cooperativismo e a revista Globo Rural. O Projeto Núcleos Femininos da C. Vale ofereceu treinamentos e cursos
nas áreas de qualidade de vida, geração de renda e formação pessoal e profissional, que estimularam muitas
mulheres a investir em novos negócios, como a produção de alimentos e artesanato, ajudando a complementar
a renda familiar. “Paralelamente, as esposas de associados passaram a fazer parte das instâncias
responsáveis pelas decisões da Cooperativa”, explica o presidente da C. Vale.
A edição 2009 do prêmio OCB/Globo Rural teve o número
recorde de 197 projetos de 151 cooperativas.
Das 18 Cooperativas premiadas, cinco são
do Paraná. Desde 2004, a C. Vale é premiada
como cooperativa do ano nas categorias
Gestão Profissional, Educação Cooperativista
e Intercooperação.
NT 79
#2
#2
78 NT
Toque de Midas nos negócios
A simplicidade com que Lair Souza resume a
administração de seu patrimônio embute cifras
bem elaboradas e conhecimento especializado.
Sua trajetória inclui a presidência de 11 empresas,
seja nas vezes em que ocupou o cargo mais alto ou
quando se viu como fundador delas. Foi esse o caso
da Solorrico, empresa de fertilizantes que criou com
a experiência adquirida em um de seus primeiros
empregos e que, sob sua administração, se tornou
a terceira maior do setor brasileiro. A partir daí, seu
lado empreendedor logo começou a falar mais
alto. Foi numa notícia que vislumbrou uma grande
oportunidade. Em meados dos anos 1960, o governo
anunciou que parte do dinheiro da restituição do
Imposto de Renda poderia ser usado para a compra
de áreas para reflorestamento, numa época em que
o assunto não atingira os níveis de obrigatoriedade
de hoje. Lá foi Lair Souza se informar a respeito.
Assim, após muita leitura e pesquisas, descobriu que
o plantio de árvores frutíferas entraria como incentivo
ao produtor, o que caiu como uma luva para quem
acabara de adquirir uma propriedade em Araras, na
qual plantava... laranjas! A ideia se tornou realidade
e a Fazenda Colorado foi a primeira a utilizar árvores
frutíferas como área de reflorestamento em solo
nacional.
Ouro branco
Da plantação de laranjas, na Fazenda Colorado,
nasceu também outro nicho de mercado: o leite. O
início foi tímido, em 1981, quando produzia apenas
100 litros por dia. Depois de oito meses, a produção
já havia saltado para 1.000 litros e a fazenda era
pioneira na fabricação dos primeiros leites do tipo
A do mercado. Ainda hoje, o maior desafio que
Lair Souza encontra nesse negócio é trabalhar o
conceito do leite do tipo A, como isso é absorvido
Lair Antonio de Souza
“Não existe mau negócio. Existe negócio mal administrado.” Com essa frase, o empresário
Lair Antonio de Souza resume seu estilo de gerenciar. O toque de Midas que imprime em
seus negócios pode ser facilmente notado na rápida visita da revista NT em uma de suas
propriedades, a Fazenda Colorado, em Araras, interior de São Paulo. É lá que esse senhor
de 80 anos descansa nos finais de semana, enquanto cuida pessoalmente de cada detalhe
da produção da laranja e leite. Nas mínimas coisas é que Lair Souza mostra mais de sua
personalidade. Sua memória é capaz de registrar a idade de cada uma das duas mil
vacas holandesas que cria ali. E, falando em idade, a primeira impressão é de que ele não
ultrapassou os 60 anos. Um rápido olhar já mostra o gosto pela era digital, comprovada pela
familiaridade com as tecnologias da internet ou as facilidades do iPhone.
#2
80 NT
NT 81
#2
Alta gerência & empreendedorismo
Sucesso
planejado
O empresário bem-sucedido nem de longe lembra
o menino pobre que entregava carvão, aos catorze
anos, pelas casas das ruas do bairro da Lapa, em
São Paulo. Muito menos o rapazinho que dividia
o único par de sapatos com o irmão. Hoje, seus
negócios cumpriram a promessa feita no passado
de manter a sustentabilidade por meio da utilização
de 100% de matérias-primas próprias. Suas três
fazendas de produção de leite e laranja, em Araras,
Descalvado e Mogi-Mirim (todas no interior de São
Paulo), empregam quase 600 funcionários e foram
responsáveis por uma colheita de 1,4 milhão de
caixas de laranja só neste ano.
na mente do consumidor, bem como o mito de
que adultos não precisam de leite na alimentação.
Porém, graças à publicidade americana e a internet,
hoje os consumidores buscam mais informações
sobre o tema e conseguem entender o motivo de o
leite A ser mais caro (todo seu processo é realizado
sem contato manual e na mesma fazenda em que é
extraído das vacas, assim como a homogeneização
e a pasteurização). Para engarrafar o leite Xandô,
foi criada a Plastirico, empresa de fabricação de
embalagens plásticas que atende a marca e está
com 70% de sua capacidade de produção ocupada,
com estrutura para quintuplicar esse número – que se
encontra na marca dos 10 milhões de frascos mensais
– num período de três anos.
O marketing da Xandô começou ainda pelo boca
a boca, principalmente nos pontos de distribuição.
Hoje, são cerca de 40 em todo o Brasil, que atendem
varejistas e consumidores. O site, criado em 2006,
ajudou muito na divulgação da marca e afina a
sintonia entre produtor e consumidor. Há quatro anos,
ouvindo os ecos do mercado, começou a fabricação
de leite desnatado, de olho no público que pedia
produtos com zero por cento de gordura.
O segredo do sucesso na produção de leite,
porém, é creditado ainda ao cuidado com a vaca
no pasto. Uma vaca “boa” chega a dar 38 litros de
leite por dia, em três ou quatro períodos de lactação.
Vinte mil litros de leite por dia é o número considerado
adequado para alcançar algum lucro nesse negócio.
Sua produção, atualmente, alcança 1,1 milhão
litros por mês. “Para isso, investimos em genética boa,
manejo nutricional adequado e conforto”, explica Lair
Souza. A qualidade do leite também depende de boas
condições de higiene, equipamentos modernos, boa
refrigeração do laticínio e funcionários constantemente
treinados. “Mas o fundamental é cuidar bem da vaca.
O resto é só meio”, completa.
Para cuidar bem de suas vacas e dos outros
negócios, o empresário programa com no mínimo
um ano de antecedência o que fará nos próximos
cinco e dez anos, sempre assessorado pelos
melhores conhecedores do mercado em cada setor
de atuação. Cada projeto demora de dois a três anos
para se concretizar. Lair Souza continua trabalhando
com a mesma disciplina de quem planejou, ainda
nos primeiros anos de casado, se aposentar com 35
anos. Mas, como empreendedor que é, já planeja
os próximos passos nos negócios. “Se vierem me
perguntar, daqui a dez anos, o que eu vou fazer, a
resposta sempre vai ser a mesma: mais coisas! O
resto é trabalho”. Alguém duvida disso?
#2
82 NT
Crescimento
acelerado sustentável
trabalho que desenvolvemos agora é o aumento
do mix de produtos embutidos e industrializados,
novas parcerias com empresas do setor bovino e de
suínos para fazermos a distribuição, maximizando
nossa equipe comercial e diluindo o custo de frete”,
explica Rogério.
Preocupação ambiental
Para isso, investimentos são previstos em todas as
etapas da indústria, tanto na área de produção como
na agropecuária. Todo o planejamento de crescimento
dos negócios pauta pela sustentabilidade do negócio,
o que inclui o sistema de gestão ambiental. De olho
na meta da ISO 14.000 (Meio Ambiente), a Frangos
Canção conta, atualmente, com um gerenciamento
de descarte de resíduos em diversos planos, bem
como outras ações ambientais que prezam o
incentivo do plantio de árvores nativas em torno
das granjas dos produtores, manejo adequado do
esterco para adubo e construção de composteiras
para os animais mortos durante a criação.
O marketing do produto é feito nas bases do
negócio com os colaboradores, o produtor e, claro,
o cliente. O posicionamento da marca no mercado
tem como lema manter o comprometimento com
o bem-estar das aves, oferecendo um produto
ecologicamente correto. “Usamos as melhores
matérias-primas possíveis e adequadas para a
formulação da ração das matrizes e frangos de corte,
sempre levando em consideração um saudável
alimento para nossos clientes”, comenta Ciliomar
Tortola. “Essa é uma de nossas premissas para
garantir a nutrição do amanhã”, completa.
Ciliomar Tortola e
Rogério Martini
Quando sorte e oportunidade andam juntas, o trabalho parece render mais
nas mãos certeiras de empreendedores. Foi assim com os empresários Rogério
W. Martini Gonçalves e Ciliomar Tortola. Em 1992, tudo não passava de um sonho
para a dupla, cujas famílias trabalhavam na engorda de aves, comercializando a
produção em abatedores do Paraná e São Paulo. Mesmo com as mudanças na
economia no começo da década, os produtores independentes visualizaram na
crescente demanda da carne de frango no Brasil e no mundo uma oportunidade
de negócios.
#2
84 NT
NT 85
#2
Alta gerência & empreendedorismo
Frangos Canção
Fundadores da Frangos Canção – hoje uma
potência com números que parecem se multiplicar
exponencialmente em produção –, começaram com
a compra do Abatedouro Maringá, um pequeno e
antigo frigorífico no interior do Paraná, e optaram
pela criação de frangos de forma integrada.
A escolha foi mais do que acertada, já que dois
anos depois do início da empresa, em 1994, o
governo emplacou o estrondoso sucesso do Plano
Real, que tornou o frango a proteína mais acessível
do mercado, competindo com outros itens, até então
considerados supérfluos, como o iogurte e a prótese
dentária. O consumo per capita passou de 32 Kg
para 39Kg anuais, e a onda de consumo fez saltar
a capacidade de produção da fábrica, localizada
em Maringá (PR), onde fica seu abatedouro, e
nas filiais em Douradina, São Manoel do Paraná,
Indianópolis e Mirador, todas no mesmo estado. Os
primeiros anos foram fundamentais para a Frangos
Canção. A produção foi ampliada em nada menos
do que 1.000%, saltando de 1 mil para 10 mil abates
ao dia. Hoje, os mais de 2.700 colaboradores são
responsáveis pelo abate de 210 mil aves por dia e
a previsão é que esses números ainda aumentem.
De acordo com o planejamento da fábrica, a meta é
alcançar 310 mil aves abatidas em um único dia.
A crise financeira mundial fez que Rogério e
Ciliomar se tornassem cautelosos, mas com os olhos
bem abertos às novas oportunidades, buscando
novos nichos para atuar na produção de produtos
específicos para cada mercado, respeitando
costumes e culturas locais. “Estamos investindo
forte na abertura de filiais em alguns estados
para estarmos próximos dos clientes de varejo,
agregando valor e pulverizando o crédito. Outro
Curtas
Melhores do Agronegócio: Nutron
novamente, a melhor em nutrição animal
O Anuário Melhores do Agronegócio 2009 –
uma publicação da revista Globo Rural – trouxe,
em sua quinta edição, a Nutron Alimentos como a
melhor empresa de rações do Brasil pela terceira
vez consecutiva. O anuário é uma publicação muito
esperada por todos os segmentos da economia
brasileira, já que as empresas que participam da
premiação representam mais da metade do PIB
agropecuário brasileiro. Além disso, o anuário é
guia de referência e confiável fonte de pesquisa
e apresenta um ranking especial com as 500
maiores empresas do agronegócio nacional em
receita líquida.
Para mais detalhes acesse o site:
www.melhoresdoagronegocio.com.br
Qualidade da
carcaça de frango
A Zinpro Europa organizou em Amsterdã, na
Holanda, o Seminário Europeu de Qualidade de
Carcaça e Performance em Avicultura, no fim de
setembro. O evento contou com apresentações
do Dr. Philip Smith (Tyson Foods, Arkansas,
EUA), Dr. Thim Cheng (Zinpro, EUA), Professor
Joe Hess (Universidade de Auburn, EUA) e
o professor Sérgio Vieira (UFRGS, Brasil).
O gerente da Zinpro Brasil, José Francisco
Mendes, também esteve presente. Além das
palestras, houve o lançamento do livro do
professor Sérgio Vieira “Qualidade Visual de
Carcaça de Frangos de Corte” em sua versão
em inglês, devido à grande repercussão
internacional da versão em português. O
seminário teve como ponto alto uma atividade
prática ministrada pelo prof. Sérgio, em que
foram demonstrados diferentes defeitos visuais
de carcaça e suas possíveis causas. Estiveram
presentes, ainda, profissionais das principais
empresas da Europa, Ásia e África, em um total
de mais de 30 países.
I Workshop de
Segurança Alimentar e
Tecnologia em Petfood
O troféu Agroleite de 2009 apresentou a
Nutron Alimentos como a grande vencedora no
segmento nutrição animal. A premiação teve por
objetivo homenagear os maiores e melhores
destaques dos segmentos ligados à cadeia do
leite e foi realizada em parceria com a Revista
Balde Branco. Atenta ao potencial de negócios da
região Sul, a Nutron ampliou sua participação na
Agroleite e promoveu o I Seminário Internacional
#2
86 NT
Nutron/Agroleite, com palestras ministradas por
dois especialistas vindos de outros países: John
Newbold, diretor técnico da Provimi e James
Spain, PhD pela Universidade de Virgínia (EUA),
reconhecido como um dos grandes palestrantes
dos Estados Unidos e autor da famosa palestra
“O Contrato dos 100 dias”. Cerca de 400 pessoas
assistiram às palestras, entre clientes, técnicos e
produtores.
Disseminar conteúdo técnico aos gestores
das áreas de gestão de qualidade das principais
empresas de petfood do mercado por meio de
palestras e networking entre os participantes. Este
foi o principal objetivo do I Workshop de Segurança
Alimentar e Tecnologia. Promovido pela Nutron
Alimentos com o apoio da SPF do Brasil, Wenger,
Biorigin e ANFAL Pet (Associação Nacional dos
Fabricantes de Alimentos), o evento aconteceu no
final do mês de novembro, em Itapira – SP.
Durante dois dias, os convidados puderam
discutir temas como a responsabilidade na
nutrição dos pets, bioeficácia dos alimentos e
longevidade para aqueles que, atualmente, são
considerados membros da família. “Devemos ter
também uma preocupação ambiental quando
olhamos para este tema, já que 40% dos cães e
gatos no Brasil comem alimentos considerados
comerciais. Precisamos também conscientizar
os donos, já que os animais não podem ser
competidores de nossos alimentos”, afirma a
Profa. Dra. Flávia M. de Oliveira Borges Saad,
da Universidade Federal de Lavras, e uma das
palestrantes do evento. O workshop incluiu em
sua programação uma visita à fábrica da Nutron,
na cidade de Itapira.
NT 87
#2
Reconhecimento comprovado
Aliança
A Elanco Saúde Animal comunica ao
mercado sua nova aliança de manufatura
firmada com a Nutron Alimentos. Essa
aliança engloba a terceirização da fabricação
de produtos de uso veterinário e aditivos
zootécnicos para alimentação animal. A
transferência da produção da Elanco para
uma fábrica terceirizada está alinhada com a
estratégia global da empresa de consolidar
alianças globais e focar na síntese de
princípios ativos. A Nutron pertence ao grupo
Provimi, com o qual a Elanco já possui uma
aliança internacional.
A aliança de manufatura está aprovada
pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (MAPA) e os primeiros lotes
de produto estarão disponíveis no mercado
brasileiro ainda em 2009.
Economia
sustentável
A Bühler traz ao mercado sul-americano um
serviço já desenvolvido na Suíça e que garante
maior maximização dos recursos das plantas
industriais. Trata-se da Energy Consulting, uma
análise elaborada que mostra a possibilidade
de reduzir os gastos energéticos de uma planta
sem perder em produtividade.
A Energy Consulting surge para beneficiar
clientes Bühler de qualquer segmento e é ideal
para empresas atentas às novas possibilidade
de otimização de recursos. “Esse novo serviço
mostra a nossa preocupação em manter um
contato produtivo com os clientes e oferecer o
nosso know-how como forma de beneficiar ainda
mais os que já utilizam ou pretendem utilizar
nossas soluções”, comenta Ligia Fagundes,
Gerente de Marketing América do Sul.
Biorigin patrocina Congresso
O Instituto Agronômico de Campinas (IAC)
sediou o I Congresso Internacional de Leveduras,
com patrocínio da Biorigin, em setembro.
Durante dois dias, clientes e fornecedores se
reuniram para apresentar e discutir as principais
tendências e aplicações relacionadas às últimas
tecnologias disponíveis no mercado de levedura,
seus derivados e suas contribuições para a
saúde e nutrição animais.
A Biorigin apresentou dois palestrantes ao
evento: o Prof. Dr. Renato Luis Furlan, Doutor
em Zootecnia (Produção Animal) e Rolf Nordmo,
diretor da Biorigin Escandinávia.
#2
88 NT
CJ do Brasil Ltda
Rodov. Piracicaba – São Pedro, Km 10
Zona Rural – Ártemis
Piracicaba/SP - 13432-000
(11) 3717.8804
Evento de Compradores discute a
nutrição do amanhã
Desenvolver um conjunto de novas
competências nos compradores técnicos da
cadeia de produção animal e discutir temas-chave
para a competitividade das empresas. Este foi o
principal objetivo da terceira edição do Workshop
Nutron em Gestão de Suprimentos na Produção
Animal, realizado em Florianópolis. Reunindo
conteúdo técnico, comercial e de mercado, o
evento apresentou iniciativas que contribuem
para a nutrição do amanhã e a sustentabilidade
do negócio de carnes, leite, aves e suínos.
Organizado pela Nutrition for Tomorrow Alliance
– iniciativa de marketing cooperado que reúne
gigantes do setor –, o workshop foi baseado em
quatro pilares: módulo técnico, regulatório, de
mercado e de gestão, tendo como pano de fundo
a responsabilidade de comercialização daquilo
que os consumidores vão comer. “Devemos
ficar atentos às mudanças de mercado. A
adaptação requer o desenvolvimento de novas
competências pelas empresas. A gestão de risco
e a compra técnica profissional certamente estão
entre as novas competências que garantirão a
competitividade das empresas do agronegócio”,
destacou Adriano Marcon, presidente da Nutron
Alimentos, durante a abertura do evento.
“O evento foi muito bem focado. As palestras
foram conduzidas com a preocupação de
mesclar assuntos técnicos e de compras, uma
grande oportunidade para que as empresas,
aqui representadas por seus compradores,
evoluam no processo de gestão. Cada vez mais
precisamos dispor de ferramentas diferenciadas
na obtenção de resultados, que não são mais
alcançados de forma tradicional”, comenta
Jair Meyer, gerente da Divisão de Alimentos da
Cooperativa Agroindustrial Lar.
“Adorei o evento. Foi muito importante para
conscientizar os compradores. Temos que buscar
cada vez mais a profissionalização das equipes
de compras. Se não fizermos isso, vamos ficar
para trás na lista de grandes empresas”.
Marcelo Ortega - Representante Flamboyã Criação, abate e comercialização de frangos
“Esse tipo de evento agrega muito para a
melhoria dos processos. A parte de mercado
futuro é um tema que a maioria desconhece e
equivale a 65% do preço da ração. As equipes
precisam olhar mais para essa área para garantir
custo. As oportunidades de benchmarking e
networking também foram muito boas. Sugiro
de dois a três eventos desses por ano. Dessa
forma, nosso caminho se tornará mais fácil. É
importante revermos conceitos.”
Moacir Henrique Martins - Gerente comercial
Marfrig
Interação na produção de
carne suína
Com o objetivo de conhecer modelos
administrativos e as melhores tecnologias na
produção de suínos na Espanha, presidentes,
vice-presidentes, diretores e técnicos de
importantes cooperativas produtoras deste
segmento participaram de uma visita monitorada
à fábrica de rações mini-peletizadas para leitões,
pertencente à empresa SCA-Provimi. A fábrica
é a mais moderna da Europa e produz 54 mil
toneladas de ração por ano. O diretor-presidente
da Nutron, Adriano Marcon, e o diretor comercial,
Celso Mello, acompanharam o grupo composto
por 25 pessoas de Santa Catarina, Paraná, Mato
Grosso e Mato Grosso do Sul. O programa incluiu
uma visita ao Grupo Vall Comanys, empresa líder
na produção e comercialização de carne suína na
Europa, e à Cooperativa Agrícola de Guissona,
que inovou na comercialização de seus produtos
por meio do sistema de franquias.
É na Espanha que se encontra o maior número
de matrizes e consumo per capita de carne
suína da Europa. O país é referência mundial
em todos os aspectos ligados à produção
suinícola. A oportunidade foi importante para
o compartilhamento das melhores práticas na
produção, industrialização e comercialização de
carne suína, já que todos os participantes do grupo
enfrentam esse desafio em suas cooperativas ou
empresas. Todos puderam conhecer algumas
das principais empresas espanholas do setor
e interagir com seus dirigentes, em reuniões
descontraídas e focadas em suas especialidades.
A Nutron pensa em dar continuidade a esse tipo
de ação nos próximos anos, com o intuito de
estimular a profissionalização contínua do setor
suinícola, e, consequentemente, para que o
nosso país continue a ser um importante player
no mercado mundial de carne suína.
Jair Meyer, gerente da Divisão de Alimentos da Cooperativa
Agroindustrial Lar.
Produção Animal 09
III Workshop Nutron em Gestão de Suprimentos na
NT 91
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90 NT
Agenda
AVICULTURA
GERAL
XI Simpósio Brasil Sul de Avicultura
Data: 06 a 08 de abril de 2010
Local: Chapecó
Informações: www.nucleovet.com.br
XV CDA 2010 - Campo Demonstrativo Alfa
Data: 02 a 05 de fevereiro de 2010
Local: Linha Tomazelli/ Rodovia SC km 283 - Chapecó/SC
Informações: (49) 3321-7000
Avesui 2010
Data: 11 a 13 de maio de 2010
Local: Florianópolis/SC
Informações: www.avesui.com.br
Show Rural Coopavel
Data: 8 a 12 de fevereiro de 2010
Local: BR 277 Km 577, Cascavel/PR
Informações: (45) 3225- 6885
Site: www.showrural.com.br
FENAFRANGO
Data: 25 a 28 de maio de 2010
Local: Passo Fundo/RS
Informações: www.fenafrango.com.br
SUINOCULTURA
TecnoOeste
Data: 24 a 26 de fevereiro de 2010
Local: Instituto Federal Concórdia
Informações: (49) 3441-4200
Sinsui 2010
Data: 19 a 21 de maio de 2010
Local: Porto Alegre/RS
Dia de Campo Copervil
Data: 18 a 19 de março de 2010
Local: CETREVI - Videira/SC
Informações: (49) 3321-7000
5º Simpósio Internacional de Produção Suína
Data: 15 a 17 de junho de 2010
Local: Campinas/SP
Informações: simposio@consuitec.com.br
III Global Feed & Food Congress
Data: 20 a 23 de abril de 2010
Local: Cancun - México.
Informações: www.globalfeed-food.com.br
C
III Simpósio Mineiro de Suinocultura & I Conferência
Internacional de Suinocultura
Data: de 16 a 18 de junho de 2010
Local: Lavras/MG
Informações: www.nesui.com.br
III Simpósio Brasil Sul de Suinocultura
Data: de 10 a 12 de agosto de 2010
Local: Chapecó/SC
Informações: www.nucleoeste.com.br
Pork Expo 2010
Data: 14 a 16 Setembro de 2010
Local: Curitiba/ PR
Informações: info@porkexpo.com.br
GADO DE CORTE
8ª MercoAgro
Data: 14 a 17 de setembro de 2010
Local: Parque de Exposições Tancredo Neves, Chapecó/SC
Informações: www.btsmedia.biz
16ª Feicorte
Data: 15 a 19 de junho de 2010
Local: Centro de Exposições Imigrantes - São Paulo/SP
Informações: www.feicorte.com.br
GADO DE LEITE
11º Congresso Pan-Americano do Leite
Data: de 22 a 25 de março de 2010
Local: Minascentro - Belo Horizonte/MG
Informações: (31) 3074-3000
Site: www.faemg.org.br
#2
92 NT
INTERNACIONAL
International Poultry Expo (IPE)
Data: 27 a 29 de janeiro de 2010
Local: George World Congress Center, Atlanta/EUA
Informações: (770) 493-9401
Site: www.ipe10.org
M
Y
CM
MY
CY
CMY
VIV Índia 2010
Data: 1 a 3 de fevereiro de 2010
Local: Bangalore International Exhibition Centre, Bangalore/Índia
Informações: viv.india@interads.in
Site: www.viv.net
Prodexpo 2010
Data: 08 a 12 de Fevereiro de 2010
Local: Moscou/Russia
Informações: www.prod.expo.ru
VIV Europe 2010
Data: 20 a 22 de Abril de 2010
Local: Utrecht/Holanda
Informações: www.vivi.net
K
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