Universidade do Vale do Paraíba
Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento
CHUNE AVRUCH JANOVICH
ESTUDO COMPARATIVO DA FORÇA LIBERADA PELOS CLIPES DE
BRÁQUETES AUTOLIGANTES INTERATIVOS
São José dos Campos, SP.
2010
CHUNE AVRUCH JANOVICH
ESTUDO COMPARATIVO DA FORÇA LIBERADA PELOS CLIPES DE
BRÁQUETES AUTOLIGANTES INTERATIVOS
Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Bioengenharia, da Universidade do
Vale Paraíba, como complementação dos créditos
necessários para obtenção do título de Mestre em
Engenharia Biomédica.
Orientador: Profa. Dra. Vera Lúcia Arantes
Co-orientadora: Profa. Dra Kátia Regina Cardoso
São José dos Campos, SP.
2010
.
Dedico ao meu amado filho Bruno Roitman Janovich que por
diversas vezes teve que entender a minha ausência, apesar da
pouca idade e sempre me recebeu com um grande sorriso.
Amor sincero, amor honesto, amor eterno.
Agradeço a Deus, por ter me dado à humildade de
perceber que o aprendizado é infinito e por ter me
mostrado que é possível superar-se a cada dia quando se
tem fé.
A minha querida mãe por ter me educado e me mostrado
o caminho certo a seguir. Uma grande mãe e amiga.
Ao meu pai por ter me educado e por me conceder a
honra de estar sempre trabalhando ao seu lado. Por ser
meu conselheiro e melhor amigo. Meu herói de verdade.
À minha esposa pelo amor, ajuda e companheirismo nos
momentos difíceis de minha vida. Por compreender a
importância do caminho que escolhi e das dificuldades
para se chegar até lá.
À minha orientadora profa. Dra. Vera Lúcia Arantes por
estar sempre disposta a ajudar e a transmitir seus
conhecimentos independente da distância.
À minha co-orientadora profa. Dra. Kátia Regina
Cardoso por aceitar compartilhar este momento e
transmitir seus conhecimentos.
Ao Prof. Dr. Celestino Prudente Nóbrega mestre, mentor
e grande amigo de conhecimento e humildade
inigualável.
Aos meus colegas fisioterapeutas por me permitir
compartilhar este momento de suas vidas.
Aos meus queridos colegas dentistas Alexandre, Anael,
Edson e Silvia pelo companheirismo, amizade e ajuda
mútua. Apesar da distância, sempre que precisarem
contem comigo.
Ao Sr. Emanuel e Sr. Wilson do laboratório de pesquisa
da Indústria Morelli, que muito nos ajudaram para a
execução dos testes deste trabalho.
“Pesquiso para constatar, constatando, intervenho,
intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o
que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a
novidade”.
Paulo Freire (1996, p. 29).
Estudo comparativo da força liberada pelos clipes de braquetes autoligantes interativos
RESUMO
A ortodontia tem sofrido uma evolução constante das técnicas e dos dispositivos utilizados no
tratamento ortodôntico. Uma destas inovações foi à criação dos bráquetes autoligantes
interativos cujos clipes, tema da pesquisa, substituem aparatos utilizados para manter o fio
dentro do slot do bráquete como as ligaduras elastoméricas. A escolha do tema se justifica por
sua relevância clinica em relação ao funcionamento biomecânico destes clipes que
proporcionam bons resultados de acordo com as recomendações dos fabricantes. O problema
investigado quis descobrir qual bráquete apresenta o clipe mais eficiente, com maior força
exercida contra o fio retangular. O objetivo deste estudo foi determinar o deslocamento dos
clipes e a pressão máxima, mínima e a média que estes clipes dos bráquetes autoligantes
interativos exercem sobre os fios ortodônticos retangulares, utilizando 8 corpos de prova de 4
modelos de bráquetes autoligantes. A metodologia é de natureza aplicada, concebida pelo
interesse em adquirir novos conhecimentos práticos. A partir dos resultados encontrados no
estudo, pode-se concluir que: independente da etapa, o grupo Inovation R® apresentou média
significativamente maior do que nos demais grupos; ao compararmos as etapas do testes,
todos os bráquetes sofreram perda de força, porém no Inovation R® e C® foi menor; as
maiores forças foram encontradas nos bráquetes do Inovation R® seguidos pelos bráquetes
Quick®, Quicklear® e por ultimo o Inovation C®.
Palavras-chave: Biomecânica; Ortodontia. Bráquetes. Fios ortodônticos.
Comparative study of force liberated by clips to bracket self-ligation interative
ABSTRACT
Orthodontics has been a constant evolution of techniques and devices used in orthodontic
treatment. One such innovation was the creation of interactive brackets autoligantes whose
clips, research theme, replacing apparatus used to keep the wire into the slot on the bracket as
the elastomeric ligatures. The theme is justified by its clinical relevance in relation to the
biomechanical functioning of these clips that give good results according to the
manufacturers' recommendations. The problem investigated has wanted to find out which
bracket the clip more efficiently, with greater force exerted against the rectangular wire. The
aim of this study was to determine the displacement of the clips and the maximum pressure,
minimum and average of these clips brackets autoligantes interactive exercise on the
rectangular orthodontic wires using eight samples of four types of brackets autoligantes. The
methodology was applied, designed by an interest in acquiring new practical knowledge.
From the findings of the study, it can be concluded that regardless of the stage, the group
Inovation R ® showed a significantly higher average than in other groups, when comparing
the stages of testing, all brackets have suffered loss of strength, but in inovation and R ® C ®
was lower and the largest forces were found in the brackets of inovation R ® ® Quick
followed by brackets, and finally quickl ® C ® the Inovation.
Keywords: Biomechanics. Orthodontics. Brackets. Orthodontic wires.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 - Bráquete Russel Lock aberto e fechado. ............................................................ 14
Figura 2 - Bráquete autoligante passivo Edgelok em posição aberto e fechado ................ 15
Figura 3 - Bráquete Mobil-lock em posição A) aberta e B) fechada. ................................. 15
Figura 4 - Bráquete autoligante ativo SPEED com seu clipe de níquel titânio aberto e
fechado.............................................................................................................. 16
Figura 5 - Bráquete Activa em posição A) aberta e B) fechada. ........................................ 16
Figura 6 - Bráquete Activa aberto e fechado. ...................................................................... 16
Figura 7 - Bráquete Time em posição A) aberta e B) fechada. ...........................................17
Figura 8 - Bráquete Damon SL em posição A) aberta e B) fechada. ..................................17
Figura 9 - Bráquete Damon 2 em posição A aberta e B) fechada ....................................... 18
Figura 10 - Bráquete Damon 3 em posição A) aberta e B) fechada .................................... 18
Figura 11 - Bráquete D3 MX em posição A) Aberta B) Fechada .......................................18
Figura 12 - Bráquete In-Ovation .........................................................................................19
Figura 13 - A) ativo; B) interativo; C) passivo....................................................................19
Figura 14 - Bráquete In-Ovation R ativo e passivo ............................................................. 19
Figura 15 - Bráquete Smartclip ...........................................................................................20
Figura 16 - Resumo cronológico da história dos bráquetes autoligantes ............................20
Figura 17 - Máquina EMIC .................................................................................................26
Figura 18 - Área reservada para o deslocamento do clipe ...................................................27
Figura 19 - Slot de um bráquete autoligante ........................................................................28
Figura 20 - Suporte para colocação das tampas ..................................................................28
Figura 21 - Tampas contendo 8 bráquetes colados ao seu redor .........................................29
Figura 22 - Régua utilizada para neutralizar interferências indesejadas .............................29
Figura 23 - Máquina EMIC em funcionamento. Fio sendo tracionado dentro do slot
com o clipe fechado .............................................................................................................30
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Características do clipe das diferentes marcas ...................................................28
Tabela 2 - Resultados da força máxima, mínima e média do clipe na 1ª etapa de testes
com os bráquetes autoligantes ............................................................................................. 34
Tabela 3 - Resultados da força máxima, mínima e média do clipe na 2ª etapa de testes
com os bráquetes autoligantes .............................................................................................35
Tabela 4 - Resultados da força máxima, mínima e média do clipe na 3ª etapa de testes
com os bráquetes autoligantes .............................................................................................35
Tabela 5 - Médias dos valores da 1ª, 2ª e 3ª etapas com o resultado da diferença entre a
3ª etapa e a1ª etapa...............................................................................................................36
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 11
2 OBJETIVO .....................................................................................................................12
3 REVISÃO DE LITERATURA ......................................................................................13
3.1 Braquetes Convencionais ............................................................................................13
3.2 Bráquetes Autoligantes ...............................................................................................14
3.3 Bráquetes Autoligantes Interativos ............................................................................20
3.4 Atrito Gerado pelo Binômio Briquete / Fio Ortodôntico .........................................24
4 MATERIAL E MÉTODOS ...........................................................................................26
5 RESULTADOS ...............................................................................................................31
5.1 Primeira Etapa de Testes ............................................................................................31
5.2 Segunda Etapa de Testes .............................................................................................32
5.3 Terceira Etapa de Testes .............................................................................................33
6 DISCUSSÃO ...................................................................................................................35
7 CONCLUSÃO.................................................................................................................38
REFERÊNCIAS ................................................................................................................39
ANEXOS: RELATÓRIOS DE ENSAIOS .....................................................................43
13
1 INTRODUÇÃO
A ortodontia tem sofrido uma evolução constante das técnicas e dos dispositivos
utilizados no tratamento ortodôntico. Uma destas inovações foi a criação dos bráquetes
autoligantes interativos cujos clipes, tema central deste estudo, substituem aparatos utilizados
para manter o fio dentro do slot do bráquete como as ligaduras elastoméricas.
Estes elásticos promovem um grande atrito, reduzindo o efeito do binômio bráquete /
fio ortodôntico. O clipe do bráquete autoligante permite que ocorram, com fios redondos, os
movimentos de 1º e 2º ordem de uma forma mais passiva e fisiológica gerando pequena
pressão (atrito). Quando se necessita de movimentos de 3º ordem, realizados com fios
retangulares, faz-se necessário uma maior pressão por parte desta tampa, similar ao
funcionamento de uma mola, de forma a manter o fio no fundo do slot. (FERNANDES;
LEITÃO; JARDIM, 2005; KUFTINEC; ELTZ, 2004).
Com o surgimento da técnica Stright Wire, onde os movimento ortodônticos já estão
incluídos no bráquete, se faz necessário que a interação do conjunto bráquete/fio ortodôntico
seja a melhor possível para conseguir usufruir e todas estas características, um destes
movimentos é o torque que é de grande importância, pois promove as inclinações corretas dos
dentes gerando uma intercuspidação ideal, obedecendo critérios estético-funcionais
(THIESEN et al. 2003).
Este trabalho irá medir a força que o clipe de quatro modelos de bráquetes autoligantes
interativos existentes no mercado exercem sobre o fio retangular no sentido de melhorar a
interação deste binômio bráquete/fio.
Serão utilizados 8 bráquetes autoligantes interativos de cada um dos 4 modelos mais
conhecidos no mercado. São eles: Inovation R, Inovation C, Quick e Quicklear.
Os testes serão realizados em 3 etapas, onde em cada uma delas será medida a força do
clipe sobre o fio retangular a partir de um movimento de tração feito pela máquina de testes
EMIC. Na seqüência os resultados serão analisados e discutidos.
14
2 OBJETIVO
O objetivo deste estudo foi determinar o deslocamento dos clipes e a pressão máxima,
mínima e a média que estes clipes dos bráquetes autoligantes interativos exercem sobre os
fios ortodônticos retangulares, utilizando 8 corpos de prova de 4 modelos de bráquetes
autoligantes.
15
3 REVISÃO DE LITERATURA
A ortodontia é uma especialidade da odontologia que tem se desenvolvido de forma
muito rápida, visando a melhor pratica desta função tanto para o profissional que a executa
como para o paciente que a recebe. Dentro destes preceitos os bráquetes evoluíram dos ditos
“convencionais”, que utilizam de ligas elastoméricas ou ligas metálicas para fazer a união do
binômio bráquete/ fio, para bráquetes autoligantes, que apresentam uma tampa que faz esta
função de interação entre o bráquete e o fio funcionando como uma mola.
3.1 Bráquetes Convencionais
Para Fernandes et al. (2008) os bráquetes convencionais utilizam amarrilhos metálicos
ou elásticos para fazerem a ligação do fio ao bráquete. Ligaduras elásticas, apesar de sofrerem
deformações permanentes em decorrência da hidrólise térmica ou estiramento em meio bucal,
são preferidas, em decorrência de sua mais simples e fácil forma de manuseio no cotidiano
clinico. Contudo, apresentam uma superior contribuição para o aumento da fricção em
decorrência do alto coeficiente de atrito de alguns materiais borrachoides, como o poliuretano.
O amarrilho metálico, por sua vez, demonstra um coeficiente de atrito consideravelmente
inferior ao de seu análogo elástico, uma superior efetividade e longevidade na forma de
amarração, além de facilitar a higienização por parte do paciente propiciando uma menor
retenção de biofilme bacteriano.
Desvantagens de tal sistema estariam no maior tempo de cadeira e complexidade de
manuseio deste material, além da falta de padronização da força empregada por esta
amarração no complexo bráquete/ fio ortodôntico. Estas limitações, quando em associação à
hidrolise e fricção superior, evidenciadas no sistema de ligação elástico, sinalizam para as
vantagens de utilização clinica do sistema autoligável, por este independer de qualquer
componente externo para reclusão do fio ortodôntico.
Harradine (2003) descreveu como sendo desvantagens dos dispositivos de ligadura
convencionais os seguintes fatores: impossibilidade de fornecer e manter a plena interação do
fio com o bráquete, perda da força com o passar do tempo e serem um empecilho à boa
16
higiene oral tornando-se um local de acúmulo de placa. Nas ligaduras metálicas o tempo gasto
para sua colocação é muito grande.
3.2 Bráquetes Autoligantes
A revisão bibliográfica realizada por Alegret et al. (2009) relata que a primeira patente
de um aparato autoligante foi o bráquete de banda de Boyd em 1933 criado por Charles E.
Boyd, seguido por Stolzenberg em 1935 com o bráquete Russel lock (figura1).
Figura 1 – Bráquete Russel Lock aberto e fechado. Era necessário uma chave especial
para ajusta-lo.
Fonte: Berger (2001)
Pouco tempo depois, James W. Ford criou o adaptador de Ford, que foi abandonado
logo em seguida e voltou a ser produzido em 1951 por seu filho. A partir deste momento
houve um grande interesse por este tipo de bráquete autoligante, porém sem grandes sucessos,
o que ocorreu somente a partir da década de 70, mais precisamente 1971, com o surgimento
do bráquete Edgelock(figura2), desenhado por J. Wildman. Era um bráquete redondo com
uma tampa rígida que girava de modo a fechar a ranhura de uma forma passiva.
17
Figura 2 - Bráquete autoligante passivo Edgelok em posição aberto e fechado.
Fonte: Berger (2001)
Foi seguido por outros modelos, sendo o principal o Móbil-lock (figura 3). Esta
filosofia de bráquete não foi bem aceita nesta época devido ao seu desenho muito volumoso,
controle limitado dos dentes e a grande aceitação das ligaduras elásticos por parte dos
ortodontistas da época.
Figura 3 - Bráquete Mobil-lock em posição A) aberta e B) fechada.
Fonte: Berger (2001)
No meio da década de 70 desenvolveu-se o bráquete SPEED (figura 4) que
representava o início de uma nova era para os bráquetes autoligantes mediante o fato de ser
ativo. Foi somente em 1980 que ele foi inicialmente comercializado.
18
Figura 4 – Bráquete autoligante ativo SPEED com seu clipe de níquel titânio aberto
e fechado.
Fonte: Berger (2001)
Em 1986 os bráquetes Activa (figura 5) desenvolvidos por E. Pletcher se ofereciam
como uma alternativa aos sistemas convencionais de ligadura. Apresentavam um clipe
circular rígida que rotava em direção oclusogengival (figura 6) sobre o corpo cilíndrico do
bráquete formando um tubo passivo, que era fácil de ser aberto pelo paciente.
Figura 5 - Bráquete Activa em posição A) aberta e B) fechada.
Fonte: Berger (2001)
Figura 6 - Bráquete Activa aberto e fechado. Fica semelhante à um tubo, não interferindo
diretamente nos movimentos.
Fonte: Harradine, Birne (1996)
19
Na seqüência de desenhos dos autoligantes surgiu o bráquete Time (figura 7),
comercializado em 1995, onde o clipe é formado de um material rígido e curvado que ao
fechar envolve a face vestibular do corpo do bráquete. A rigidez desta tampa ativa faz com
que seja excluída qualquer interação com o arco, o que lhe converte em um sistema passivo.
Figura 7 - Bráquete Time em posição A) aberta e B) fechada.
Fonte: Berger (2001)
Um ano mais tarde, em 1996, foi introduzido o bráquete Damon SL (figura 8) cujo
sistema era passivo. Em 1998 foi comercializado um bráquete chamado de Twinlock
desenvolvido por A.J. Wildman, também criador do Edgelok.
Figura 8 - Bráquete Damon SL em posição A) aberta e B) fechada.
Fonte: Berger (2001)
Um ano após, o bráquete Twinlock foi modificado vindo a se chamar de Damon 2
(sistema passivo) e em 2004 surgiu o Damon 3 que era um bráquete passivo híbrido de metal
e resina composta (figuras 9 e 10).
20
Figura 9 - Bráquete Damon 2 em posição A aberta e B) fechada.
Fonte: Berger (2001)
Figura 10 - Bráquete Damon 3 em posição A) aberta e B) fechada.
Fonte: Berger (2001)
Figura 11 - Bráquete D3 MX em posição A) Aberta B) Fechada.
Fonte: Birnie (2008)
No ano de 2000 a empresa GAC introduziu o bráquete In-Ovation, um bráquete mais
volumoso que o SPEED e um clipe ativo de Elgiloy, diferente do clipe de niquel titânio do
SPEED cuja elasticidade do material é maior (figura 12, 13 e 14).
21
Figura 12 - Bráquete In-Ovation.
Fonte: Harradine (2003)
Figura 13 – A) ativo; B) interativo; C) passivo.
Fonte: Rinchuse (2007)
Figura 14 - Bráquete In-Ovation R ativo e passivo.
Fonte: Alpern (2008)
Em 2004 surgiu o bráquete Smartclip (figura 15) que é passivo e o bráquete Damon
3MX (figura 11), em 2005, seguidos pelo bráquete Quick da Forestadent (empresa Alemã),
em 2006, cuja ação do clipe é ativo.
22
Figura 15 - Bráquete Smartclip.
Fonte: Trevisi, Bergstrand (2008)
Resumo da história dos bráquetes autoligantes
Ano da
patente
1933
1933
1952
1953
1957
1966
1972
1972
1979
1986
1995
1996
1998
2000
2004
2004
2005
2006
2006
Braquete
Modo de ação
Braquete de banda de Boyd
Acoplador de Ford
Aparato de Russel
Dispositivo de Schurter
Dispositivo de Rubin
Branson
Sistema SPEED
Braquete Edgelock
Braquete Movil-lock
Braquete Activa
Braquete Time
Braquete Damon
Braquete Twinlock
In -Ovation
Damon 3
SmartClip
Damon 3MX
Braquete Carriere SLB
Braquete Quick
Passivo
Passivo
Passivo
Passivo
Passivo
Passivo
Ativo
Passivo
Passivo
Passivo
Passivo
Passivo
Passivo
Ativo
Passivo
Passivo
Passivo
Passivo
Ativo
Componente móvel
Barra rígida deslizante
Tampa rígida rotacional
Tampa rígida deslizante
Pino de fechamento rígido
Rígido
Rígido
Clip elástico flexível
Rígido deslizante
Disco rígido rotacional
Braço rígido rotatório
Braço rígido rotatório
Tampa sólida ajustável
Tampa sólida labial
Clip flexível
Tampa rígida solida
Clip mesial e distal
Tampa rígida
Tampa rígida
Clip flexível
Disponibilidade
não
não
não
não
não
não
sim
não
sim
não
sim
sim
não
sim
sim
sim
sim
sim
sim
Figura 16 - Resumo cronológico da história dos bráquetes autoligantes
Fonte: Alegret et al ( 2009)
3.3 Bráquetes Autoligantes Interativos
Segundo Closs et al. (2005) o bráquete autoligante tem despertado o interesse de
profissionais e indústrias, visando utilizar e produzir uma aparatologia de fácil utilização e
higienização, resultando em tratamentos mais eficientes, com menos atrito, durante os
movimentos, e num menor período de tempo. Há estudos que relatam uma diminuição do
23
atrito no sistema autoligante em relação ao tratamento convencional, gerando forças leves e
contínuas para a movimentação dentária preservando o ligamento periodontal.
Thomas, Sherriff e Birnie (1998) avaliaram, em um estudo, dois tipos de bráquetes:
bráquetes autoligantes e bráquetes convencionais que se utilizam de ligaduras elastoméricas.
Os resultados demonstraram que os autoligantes apresentaram menor resistência á fricção,
aumentando com o aumento do calibre do fio. As características de fricção são multifatoriais e
dependem do tamanho, forma, tipo de material, modo de ligação do fio e tamanho do
bráquete.
Para Hemingway et al. (2001) o conceito do bráquete autoligante apresenta
características ideais como: segurança, baixa fricção entre bráquete e fio, fácil manuseio,
efeito rápido, boa higiene e confortável para o paciente.
Closs et al. (2005) relatou que os bráquetes autoligantes podem ser de dois tipos:
1) ativo quando o clipe (tampa) pressiona o arco contra a canaleta do bráquete,
gerando um maior controle de rotação e de torque desde a fase de alinhamento e nivelamento.
2) passivo quando o clipe fecha a canaleta sem gerar pressão, diminuindo a fricção do
fio e o bráquete para quase zero.
Para Kuftinec (2004) os acessórios interativos apresentam na realidade a habilidade de
atuação tanto ativo como passivo. Exemplo comercial é o In-Ovation da GAC. O clipe é
projetado de forma a oferecer certa flexibilidade, isto devido ao seu tratamento térmico e a
sua composição á base de Cromo Cobalto, atuando ativamente com fios mais espessos e
passivamente com fios mais finos.
Segundo Fernandes, Leitão e Jardim (2005) os bráquetes de auto-ligação eliminam a
necessidade de ligaduras e, portanto, uma das fontes de força perpendicular. Apresentam uma
quarta parede móvel, cujo deslizamento transforma o bráquete num tubo retangular através do
qual passa o fio ortodôntico. Existem 2 tipos de autoligantes:
1) os que apresentam um fecho em forma de uma mola elástica que se pressiona contra
o fio ortodôntico e;
2) aqueles cujo fecho de autoligação não pressiona o fio ortodôntico.
Para Fernandes, Leitão e Jardim (2005) a força perpendicular exercida pela mola ativa
do bráquete Inovation é proporcional à dimensão do fio inserido na ranhura do bráquete. Os
bráquetes de autoligação ativos podem produzir baixos valores de fricção na configuração
passiva quando se usa um fio redondo e existe espaço livre entre o fio e a ranhura do bráquete.
Os bráquetes autoligantes foram inicialmente idealizados com o objetivo de
otimização do tempo de atendimento clinico. Por dispensar qualquer tipo de amarração,
24
inúmeras vantagens foram atribuídas a este sistema, como a redução da fricção superficial na
interfase bráquete/ fio ortodôntico, necessitando forças de menor intensidade para a realização
de movimentos dentários, gerando tratamentos mais rápidos e eficientes.
Redlich et al (2003) descreveu que o conceito dos bráquetes autoligantes surgiram em
1935 com o advento do sistema Russel Lock, seguido e aprimorado por Wildman em 1972
com o sistema Esgelock. Em 1975 Hanson combinou o sistema Edgewise, preconizado por
Angle, com conceitos pessoais desenvolvendo um aparato helicoidal auto- ajustável capaz de
reter o arco e transmitir ao mesmo algum grau de ativação. Diversos outros tipos foram
idealizados com diferentes formas, tamanhos, materiais e mecânica, porém nunca se
difundiram de maneira permanente no cotidiano ortodôntico, provavelmente pelo seu alto
custo e inicial fragilidade apresentada.
Dahlan et al. (2005) realizaram um trabalho de medição da força necessária para a
quebra do clipe de bráquetes autoligantes. Foi comparando as quebras entre bráquetes
passivos e ativos em relação à quebra dos clipes. Utilizaram 12 bráquetes Inovation e 12
Damon-2 e dois métodos diferentes de medidas, um com tração direta do clipe e outro com o
bráquete fixado em um typodont. Concluíram que há diferenças significantes nas forças
necessárias para romper os clipes nos bráquetes Inovation (7.035g) e Damon-2 (2.345g) e
também afirmaram não haver diferença em se utilizar um typodont ou não para o estudo.
Segundo Fernandes et al. (2008) os bráquetes autoligantes foram, inicialmente,
idealizados com o objetivo de otimização do tempo de atendimento clínico e por dispensar
qualquer tipo de amarração, inúmeras vantagens foram atribuídas a este sistema, como a
redução da fricção superficial na interface bráquete/ fio ortodôntico. Com esta redução, são
necessárias forças de menor intensidade para o estabelecimento da movimentação dentária,
realizada, assim, de uma forma mais rápida e eficiente.
Para Sims et al(1993) e Henao e Kusy (2004) os fios ortodônticos de maior seção
transversal geram um maior preenchimento da ranhura do bráquete aumentando a área de
contato com o mesmo, resultando em uma maior fricção superficial. Fato este também
observado quando fios retangulares são empregados. Desvantagem suprida pelo fato de
ocorrer controle de posições radiculares, permitido por este tipo de fio durante a
movimentação dentária. Viabilizando, assim, uma menor incidência de inclinações
indesejadas que proporcionariam o estabelecimento de angulações que, por sua vez, gerariam
um atrito muito maior do que o gerando pelo fio retangular.
25
Harradine e Birnie (1996) referiu a existência de um modelo de bráquete autoligável,
derivado do modelo desenvolvido por Hanson em 1975, que ancorava-se na existência de uma
mola de material resiliente que garantia a permanência do fio dentro da ranhura do bráquete.
Este sistema originou a logística em uso conhecida como spring clip ou sistema ativo
resiliente.
Para Henao e Kusy (2004) o mecanismo conhecido como spring clip ou sistema ativo
resiliente, resume-se a existência de uma mola metálica que garante a permanência do fio
ortodôntico no interior da ranhura.
A alta resiliência deste clipe, segundo Berger (1994), garante a aplicação de forças
mais constantes, fisiológicas e homogêneas, além de propiciar um maior controle da
movimentação dentária nos 3 planos do espaço.
Para Voudouris (1997) o bráquete autoligante idealizado por ele foi chamado de
Inovation (GAC/ Dentsply) e apresenta um clipe de cromo cobalto que recebe tempera na
Suíça, pela Elgin. Os clipes são calibrados para exercerem forças de pouco mais de 30g,
sendo, portanto, compatível com as necessidades da membrana periodontal, suplantando a
resistência vascular, iniciando assim um processo inflamatório suave, ideal para o movimento
dentário com mínimas chances de seqüelas. Caso a força seja menor que a pressão capilar,
não se inicia o processo inflamatório e consequentemente não ocorre o movimento.
Para Harradine (2003) um sistema de ligação ideal deve apresentar as seguintes
características: ser seguro e robusto, assegurar o pleno envolvimento do bráquete com o fio
ortodôntico, apresentar baixo atrito entre o bráquete e o fio, ser rápido e fácil de usar, permitir
alta fricção quando desejado, permitir a fácil ligação de elástico em cadeia, ajudar na boa
higiene oral e ser confortável para o paciente.
A importância da incorporação e do controle de torque no tratamento ortodôntico
foram estudados por Thiesen et al. (2003), na intenção de compreender a importância dos
torques na finalização ortodôntica, uma vez que a correta inclinação vestíbulo-lingual dos
dentes anteriores e posteriores é essencial para a obtenção de uma intercuspidação adequada.
Em seu estudo realizaram uma revisão bibliográfica e apresentaram casos clínicos mostrando
a importância dos torques anteriores, posteriores, seu valor na finalização dos casos variados,
com extrações, retrações e compensatórios. Concluíram que o torque incorporado no arco ou
em bráquetes pré-programados é, provavelmente, uma das mais importantes etapas da
mecânica ortodôntica. A utilização do fio retangular, bem como o torque incorporado a este é
primordial para uma adequada finalização dos tratamentos ortodônticos, uma vez que as
inclinações vestíbulo-linguais dos dentes anteriores e posteriores devem ser individualizadas
26
para cada paciente, obtendo assim, uma correta intercuspidação das arcadas superior e
inferior, obedecendo critérios estético-funcionais.
A variação induzida do material na expressão do torque de aparelhos ortodônticos préprogramados foi o tema do trabalho de Gioka e Elíades (2004). Foram feitas investigações
detalhadas nas fontes da variação na expressão do torque através de fotografias
microscópicas. Foram avaliadas as irregularidades do processo de fabricação; as diferenças de
rigidez das ligas dos arcos acoplados aos bráquetes, a dificuldade para preencher a canaleta do
braquete, e as modalidades da ligação. Os resultados indicaram uma perda do controle do
torque, não alcançando os 100% das prescrições. Concluíram que deveria ser prescrito um
torque elevado para compensar a falta da expressão cheia do torque que é encontrada em
situações clínicas.
3.4 Atrito Gerado pelo Binômio Bráquete / Fio Ortodôntico
Voudouris (1997) em um experimento in vitro, utilizando eletromicroscopia de
varredura, comparou a resistência ao atrito de três diferentes sistemas de bráquetes
autoligantes: A (Sigma, American Orthodontics), B (Interactwin, Ormico) e C (Damon,
A- Company) relacionado com seus respectivos bráquetes convencionais. Para mensurar a
resistência ao atrito da relação bráquete/fio foi utilizado uma máquina de teste Instron
Universal. Os bráquetes do tipo A apresentam interação ativa com fios redondos que resultou
numa pequena força de assentamento, responsável por um completo e precoce controle dental
em comparação às altas forças de assentamento dos sistemas convencionais. Os braquetes B e
C apresentam interação passiva com força de atrito de assentamento próximo a zero, e foi
precisa utilização de fios retangulares de maiores dimensões para completa expressão do
bráquete. A resistência ao atrito foi menor em todos os bráquetes interativos em comparação
aos bráquetes convencionais.
Read-Ward, Jone e Davies(1997) realizaram um estudo comparativo a respeito do
atrito desenvolvido por bráquetes autoligantes e convencionais. Utilizaram para tal, três tipos
de bráquetes autoligantes e um bráquete convencional Ultratrimm®. Verificaram que, com o
aumento do diâmetro do arco e da angulação, ocorria maior fricção estática em todos os
bráquetes testados. Os bráquetes Lock Variable-Slot obtiveram a menor força friccional. Os
bráquetes SPEED® demonstraram baixa fricção em arcos redondos, porém aumentada
27
extremamente quando foram utilizados arcos retangulares. Concluíram neste trabalho que os
bráquetes autoligantes possuem força friccional reduzida em relação aos bráquetes
convencionais.
A comparação da resistência ao deslizamento entre bráquetes autoligantes diferentes
com angulações de segunda ordem, foi o tema do estudo de Thorstenson e Kusy (2002). Para
tal, usaram três bráquetes autoligantes ativos. De modo geral, concluíram que os bráquetes
autoligantes ativos com angulações que excederam o ângulo crítico, tinham mais resistência
ao deslizamento do que os testados com baixas angulações. Os bráquetes autoligantes
passivos em angulações críticas exibiram uma menor resistência ao deslizamento, mas os
faziam às custas de uma certa perda de controle.
Para que o movimento dentário seja estabelecido, é preconizado que a força exercida
por um capilar sanguíneo seja aplicada sobre os tecidos de suporte dentário. Esta força
contudo, deve primeiramente superar a resistência apresentada pela fricção gerada na
interface bráquete/ fio. Quando altos níveis de atrito são observados neste conjunto, a força
aplicada pode ser reduzida à ordem de até 60% de sua intensidade original, podendo
transcorrer, clinicamente, na dificuldade de movimentação dentaria desejada e em perda de
ancoragem. Diversas outras manobras clínicas também respondem pela geração de atrito.
Dentre elas pode-se citar a aplicação de torques ativos e o alinhamento de elementos dentários
(FERNANDES et al., 2008).
Ehsani (2009) fez uma revisão sistemática e analisou a quantidade de resistência
friccional expressa entre bráquetes convencionais e autoligantes in vitro. Para tanto, foi feita
uma busca, ilimitada, em bases de dados (Medline, PubMed, Embase, Cochrane Library e
Web of Science) e os artigos sobre fricção entre bráquetes convencionais e autoligantes foram
selecionados e revisados. Ao final, 70 artigos foram selecionados pela busca eletrônica e 3 por
meio do levantamento secundário e, após a aplicação dos critérios de seleção, apenas 19
artigos foram incluídos nessa revisão. Concluíram que, comparados aos bráquetes
convencionais, os autoligantes produzem menor fricção quando combinados a arcos redondos
de pequeno diâmetro e na ausência angulação e/ou torque, em um arco com alinhamento
ideal. Não foram encontradas evidências suficientes para comprovar a baixa fricção de
bráquetes autoligantes em relação aos convencionais, quando do uso de arcos retangulares, na
presença de angulação e/ou torque, em casos de má oclusão considerável. A maioria dos
estudos avaliados concordam que a fricção de bráquetes autoligantes e convencionais aumenta
com o calibre do arco.
28
4 MATERIAIS E MÉTODOS
O desenvolvimento experimental deste trabalho foi realizado no laboratório de
pesquisa da fábrica de materiais ortodônticos Morelli, situada na cidade de Sorocaba em São
Paulo. A máquina de testes utilizada foi a EMIC DL 2000 (Figura 17), cujo programa de
analise é o Tesc versão 3.01, onde foram realizados ensaios tensão versus deformação.
Figura 17 - Máquina EMIC
Para os testes, foram usados 8 bráquetes autoligantes interativos de cada um dos 4
modelos selecionados, com a finalidade de se medir as forças mínima e máxima exercidas
pelo clipe sobre o fio retangular. Foi feito um estudo comparativo entre as médias dos
resultados encontrados para cada um dos 4 modelos escolhidos.
Os bráquetes selecionados foram o Inovation R® e Inovation C®, fabricados pela
empresa GAC (USA) e o bráquete Quick® e Quicklear®, fabricados pela empresa Forestadent
(Alemanha). Os 4 tipos de bráquetes autoligantes apresentam o clipe de cromo cobalto, porém
os clipes no Inovation C® e Quicklear® apresentam um recobrimento com Ródio usado para
dar um aspecto mais claro e esbranquiçado, com a finalidade de acompanhar o aspecto do
corpo desses bráquetes que é de porcelana. Os bráquetes Inovation R® e Quick® são metálicos
com o corpo de aço inoxidável e o clipe de cromo cobalto.
Estes bráquetes foram analisados no microscópio eletrônico de varredura, onde foi
possível determinar a espessura dos clipes de cada fabricante e a quantidade de espaço
reservado para o seu deslocamento como demonstrado na tabela 1.
Tabela 1 - Características do clipe das diferentes marcas testadas, demonstrando a diferença de espessura, espaço
para o deslocamento e área para este deslocamento do clipe.
Marca dos bráquetes
Espessura do
Espaço
Áreas para este
autoligantes
clipe
Para o deslocamento
deslocamento
GAC
116µm
225 µm
2
Forestadent
133 µm
180 µm
1
29
A área disponível para o deslocamento do clipe é diferente para as duas marcas
comerciais. Na empresa GAC os bráquetes autoligantes apresentam duas áreas de
deslocamento do clipe, localizadas abaixo das aletas superiores do corpo do bráquete. Na
empresa FORESTADENT, a área designada para o deslocamento do clipe é apenas uma,
localizada entre as duas aletas superiores do bráquete (Figura 18).
(b)
(a)
(c)
(d)
(e)
Figura 18 - Área reservada para o deslocamento do clipe. (a) vista frontal do clipe da Forestadent; (b) vista
superior do bráquete da Forestadent e da área reservada para o deslocamento do clipe; (c) vista frontal do
bráquete da GAC; (d) vista superior do braquete da GAC com a área reservada para o deslocamento do
clipe; (e) vista lateral do bráquete da GAC e da área de deslocamento do clipe.
Com o intuito de se padronizar o experimento, foram utilizados bráquetes de 1º prémolar superior direito com slot 0,022” x 0,028”, onde o primeiro valor representa a largura do
slot e o segundo valor corresponde a altura do slot (figura 19), e um segmento de fio
retangular reto em vareta com a medida de 0,016” x 0,022” de aço inoxidável da marca
Morelli, que serve como referência entre o estado passivo e ativo dos bráquetes autoligantes
interativos.
30
Figura 19 - Slot de um bráquete autoligante, onde a flecha
amarela representa a base do slot com 0,022” e a flecha
verde representa a altura do slot com 0,028”.
Para a execução dos testes dos clipes dos bráquetes autoligantes na máquina EMIC, foi
necessário utilizar um suporte de chumbo com 13 Kg utilizado por Guidi (2010), onde foi
parafusado um sistema com rolamentos. Dentro deste sistema, colocou-se um cilindro de aço
que podia girar (Figura 20). Para facilitar a troca de bráquetes de cada um dos 4 modelos, foi
desenvolvido uma tampa de cobre (Figura 21) que encaixa na ponta deste suporte cilíndrico e
é fixada à ele por um parafuso. Utilizou-se uma tampa para cada um dos 4 modelos testados,
onde foram colados os 8 bráquetes do mesmo modelo com cola SuperBonder® de precisão,
eqüidistantes, contornando a circunferência desta tampa. Foi demarcada nesta tampa com
caneta de retroprogetor, uma numeração de 1 a 8 acima de cada bráquete, para que não fosse
repetido o teste com o mesmo bráquete. Para se mudar de bráquete da mesma marca era
necessário apenas girar o suporte metálico e para fazer o experimento com outra marca de
bráquete era necessário trocar a tampa de cobre.
Figura 20 - Suporte para colocação das tampas.
31
(a)
(b)
(c)
Figura 21 - Tampas contendo 8 bráquetes colados ao seu redor: (a) bráquete autoligante
Inovation C; (b) bráquete autoligante Inovation R; (c) bráquete autoligante Quick.
O segmento de fio utilizado foi colocado transversalmente em uma lâmina de aço
(figura 22b) que fazia o contato com a máquina de testes. Para se garantir que o torque estava
neutralizado, evitando qualquer interferência e garantir as mesmas condições de medição para
todos os bráquetes, foi criado uma régua com fio 0,16`` X 0,22``(figura 22a) que servia de
guia para que a lâmina entrasse no slot. Para cada bráquete testado era colocado um segmento
de fio novo na lâmina de aço, que fazia a união entre a máquina EMIC e o bráquete, para que
não houvesse possibilidade de interferência das propriedades do fio. O sistema era ajustado de
forma que a lâmina de aço deveria estar paralela à régua (figura 22c), de forma que, na
ausência desta, a lâmina com o segmento de fio entraria e sairia de dentro do slot do bráquete
de forma passiva sem sofrer nenhuma interferência, neutralizando o torque.
(a)
(b)
(c)
Figura 22 – (a)Régua utilizada para neutralizar interferências indesejadas. (b) Lâmina de aço
contendo o segmento de fio 0,16``x 0,22`` de aço transversalmente. (c) Paralelismo entre a lâmina e
a régua de forma a eliminar interferência na execução dos testes.
O experimento consistiu de 3 etapas descritas a seguir:
1ª etapa (Pull out) – medição da força que o clipe exerce sobre o fio. Foi tracionado a
altura do slot não preenchida pelo fio, até atingir o stop do bráquete impedindo que o clipe
rompa – utilização de um bráquete novo (sem uso).
32
2ª etapa (esforço máximo) – O clipe do bráquete testado anteriormente foi levado a
uma força constante de 20N por 2horas. Para se determinar a força submetido, foram feitos
testes para verificar a quantidade de força que o clipe suportava sem se soltar.
3ª etapa (Pull out) – repetiu-se a 1ª etapa do experimento, para o mesmo bráquete com
o objetivo de se aferir a nova força exercida após os dois estágios anteriores.
Em cada bráquete, foi usado um segmento de fio novo, em cada um dos estágios dos
testes citados anteriormente – 3 fios por bráquete, totalizando 32 fios por tipo de bráquete. Ao
todo 128 segmentos de fios presos no suporte criado especificamente para este fim.
Inicialmente foi realizado a 1ª etapa para todos os 8 bráquetes do mesmo modelo. A 2ª
e 3ª etapas foram feitas para cada um dos bráquetes de forma que, a 3ª etapa foi feita logo em
seguida da 2ª para que não desse tempo para haver um relaxamento do clipe.
O movimento realizado pela máquina EMIC para fazer as medições foi de tração
(Figura 23). O clipe foi tracionado a distância restante do slot em altura, espaço entre o fio
retangular 0,16”x 0,22” e a entrada do slot onde existe um stop do próprio bráquete que
impede o clipe de escapar.
A calibração da máquina EMIC foi feita anteriormente a cada teste com os 4 modelos,
Inovation R, Inovation C, Quick e Quicklear. Foi utilizado um bráquete de cada modelo
escolhido, exclusivamente para este preparo da máquina. Foi feito à execução da 1ª etapa do
teste e verificou-se, no movimento de tração, o ponto que representaria que o clipe havia
encostado no seu stop sofrendo uma deformação acima do normal.
Figura 23 - Máquina EMIC em funcionamento. Fio sendo tracionado dentro do
slot com o clipe fechado.
33
5 RESULTADOS
Foram encontrados os valores de força máxima, mínima e deformação do clipe dos 8
bráquetes autoligantes interativos das 4 marcas testadas. A partir dos valores encontrados para
cada marca escolhida, foi feita uma média que representou o valor de força que o clipe exerce
sobre o fio retangular com as dimensões de 0,016” x 0,022”. Foi realizado também um
comparativo entre as etapas.
Em relação às médias de força em cada uma das etapas de testes, deve-se considerar
que houve a exclusão do corpo de prova 4 do Inovation C®, que demonstrou falha no seu clipe
nas 3 etapas de testes e do corpo de prova 7 do Quick® metálico, que apresentou falha na 2ª e
3ª etapas de testes, com valores muito abaixo do encontrado nos outros bráquetes
semelhantes.
5.1 Primeira Etapa de Testes
Na 1ª etapa dos testes do bráquete - Inovation R - foi realizada a medição da força que
o clipe exerce sobre o fio.
Nesta 1ª etapa dos testes do Inovation R o valor máximo da força do clipe sobre o fio
retangular foi de 7,64N e força mínima encontrada foi de 6,95N. A média da força dos 8
bráquetes testados foi de (7,37N ± 0,25)N. O deslocamento do clipe máximo encontrada foi
de 0,445mm, o mínimo de 0,355mm e a média de (0,413± 0,03)mm
Em outra marca de bráquetes autoligantes - Quick® - foi realizada a medição da força
que o clipe exerce sobre o fio.
Os resultados dos testes do bráquete Quick com relação a força máxima do clipe é de
7,39N, a força mínima é 6,30N e a média (6,99± 0,379)N. O deslocamento máximo do clipe é
de 0,415mm, o mínimo de 0,317mm e a média de (0,350±0,029)mm.
Além destes bráquetes foram testados os bráquetes Inovation C®. Na 1ª etapa o valor
máximo de força encontrado foi de 7,31N e o valor mínimo de 5,68N e média de
(6,30N±1,19)N. O deslocamento máximo do clipe encontrado foi de 0,385mm, o mínimo de
0,200mm e média de (0,326±0,055)mm.
34
O último bráquete testado foi o Quicklear®, onde na 1ª etapa foi obtido como força
máxima do clipe 7,33 N, força mínima de 6,65N, média de (7,01N ± 0,21)N. O deslocamento
máximo do clipe é de 0,462mm, o mínimo de 0,331mm e média de (0,389±0,041)mm.
Tabela 2 - Resultados da força máxima, mínima e a média da força do clipe na 1ª etapa de testes com os
bráquetes autoligantes.
Resultados da 1ª etapa de testes
Grupo de Bráquetes
Força máxima
Força mínima
Média de força
autoligantes
do clipe
Do clipe
Inovation R
7,64N
6,95N
(7,37 ± 0,250)N
Quick
7,39N
6,30N
(6,99± 0,379)N
Inovation C
7,31N
5,68N
(6,30 ± 1,190)N
Quicklear
7,33N
6,65N
(7,01± 0,210)N
5.2 Segunda Etapa de Testes
Na 2ª etapa do Inovation R onde foi feito um esforço grande, força de 20N por 2horas,
obteve-se como resultado a força máxima de 8,03N e a força mínima de 6,71N. A média foi
de (7,28N ± 0,439)N. O deslocamento máximo do clipe foi de 0,452mm, o mínimo de
0,338mm e a média de (0,402±0,03)mm.
Na 2ª fase de testes com o Quick o valor máximo de força encontrado foi de 7,22N e a
mínima de 6,14N com média de (6,59N ± 1,7)N. O deslocamento máximo do clipe é de
0,340mm, o mínimo de 0,090mm e a média de (0,290±0,086)mm.
Na 2ª etapa no Inovation C a força máxima do clipe foi de 6,70N e a mínima de 5,59N
e média de (6,09N ± 1,0)N. O deslocamento do clipe máximo encontrada foi de 0,340mm, o
mínimo de 0,245mm e média de (0,300±0,03)mm.
Na 2ª etapa dos testes com o bráquete autoligante QuicKlear obteve como resultado a
força máxima do clipe de 6,77N, a força mínima de 6,06N e média de (6,35±0,25)N. O
deslocamento do clipe máximo é de 0,387mm e o mínimo de 0,330mm e média de
(0,365±0,017)mm.
35
Tabela 3 - Resultados da força máxima, mínima e a média da força do clipe na 2ª etapa de testes com os
bráquetes autoligantes.
Resultados da 2ª etapa de testes
Grupo de Bráquetes
Força máxima
Força mínima
Média de força
autoligantes
do clipe
Do clipe
Inovation R
8,03N
6,71N
(7,28 ± 0,439)N
Quick
7,22N
6,14N
(6,59 ± 1,700)N
Inovation C
6,70N
5,59N
(6,09 ± 1,000)N
Quicklear
6,77N
6,06N
(6,35± 0,250)N
5.3 Terceira Etapa de Testes
Na 3ª etapa dos testes com o Inovation R® o valor máximo de força do clipe obtido foi
de 7,32N e a força mínima de 6,62N. A média foi de (7,04±0,24)N. O deslocamento máximo
do clipe foi de 0,442mm e a mínima de 0,378mm, sendo que a média foi de
(0,417±0,018)mm.
Na 3ª fase do Quick® a força máxima obtida foi de 7,07N e a mínima de 5,94N e
média de (6,42N±1,57)N. O deslocamento máximo do clipe é de 0,37mm, o mínimo é de
0,12mm, sendo que a média é (0,310± 0,079)mm.
Na 3ª etapa de testes com o Inovation C®, o valor máximo encontrado de força do
clipe foi de 6,76N e a força mínima de 5,59N. Média de (5,99N ± 1,02)N. O deslocamento do
clipe máximo é de 0,332mm, o mínimo de 0,235mm e média de (0,297±0,02)mm.
Na 3ª e última etapa do bráquete QuicKlear® a força máxima do clipe obtida foi de
6,48N e a mínima de 5,86N com média de (6,25N± 0,20)N. O deslocamento do clipe máximo
foi de 0,397mm e o mínimo de 0,334mm, com média de (0,360± 0,018)mm.
Tabela 4 - Resultados da força máxima, mínima e a média da força do clipe na 3ª etapa de testes com os
bráquetes autoligantes.
Resultados da 3ª etapa de testes
Grupo de Bráquetes
Força máxima do clipe
Força mínima
Média de força
autoligantes
Do clipe
Inovation R
7,32N
6,62N
(7,04 ± 0,439)N
Quick
7,07N
5,94N
(6,42 ± 1,570)N
Inovation C
6,76N
5,59N
(5,99 ± 1,020)N
Quicklear
6,48N
5,86N
(6,25± 0,200)N
36
A partir dos dados obtidos com o auxílio da máquina de testes EMIC foram realizados
cálculos estatísticos, através da Análise da Variância Múltipla complementada pelo Teste de
Comparações Múltiplas de Tukey, ao nível de significância de 5% onde foi verificado não
haver interação entre grupo e etapa de testes. Quanto aos efeitos principais, ambos foram
significativos, ou seja, independente da etapa, o grupo Inovation R® apresentou média
significativamente maior do que nos demais grupos, os grupos Quick® e Quicklear® também
apresentaram média significativamente maior do que o grupo Inovation C; independente dos
grupos na 1ª etapa de testes a média foi significativamente maior do que na 2ª e 3ª etapa.
As médias dos valores encontrado em cada uma das etapas são apresentadas na tabela
de nº 5 onde é feito também uma relação entre a média de força do clipe na 1ª etapa e a média
da 3ª etapa, para verificar a perda de força que os clipes sofreram.
Tabela 5 - Médias dos valores da 1ª, 2ª e 3ª etapas com o resultado da diferença entre a 3ª etapa e a1ªetapa
1ª etapa (F1)
2ª etapa (F2)
3ª etapa (F3)
F3- F1
GRUPO
Média
Média
Média
Inovation R
(7,37±0,250)N
(7,28±0,439)N
(7,04±0,439N)
-0,33N
Quick
(6,99±0,379)N
(6,59±1,700)N
(6,42±1,570)N
-0,57N
Inovation C
(6,30±1,190N)
(6,09±1,000)N
(5,99±1,020)N
-0,31N
Quicklear
(7,01±0,210)N
(6,35±0,250)N
(6,25±0,200)N
-0,76N
Através da analise de variância múltipla verificou-se, também, que no grupo Inovation
C® e R® não houve diferença significativa na média de força em relação às etapas de testes;
no grupo Quick a média de força na 1ª etapa é significativamente maior do que na 3ª etapa; no
grupo Quicklear® a média de força na 1ª etapa é significativamente maior do que na 2ª e 3ª
etapas.
37
6 DISCUSSÃO
Os bráquetes autoligantes interativos, segundo a literatura existente, demonstram
serem dispositivos de fácil manuseio, mais higiênicos e com a capacidade de reduzirem o
tempo de um tratamento ortodôntico (CLOSS et al., 2005).
Em concordância à Castro (2009), no início do tratamento as prescrições são
escolhidas de acordo com o fabricante ou ídolo ortodôntico; em contrapartida, a utilização de
fios de aço retangulares ao final do tratamento pode não levar às inclinações desejadas. Em
alguns casos será necessário incorporar dobras de 1ª, 2ª e/ou 3ª ordens (como preconizado na
mecânica Edgewise) no tratamento com a mecânica Straight-wire, para alcançar um bom
posicionamento dos dentes na fase da finalização ortodôntica.
Este trabalho visou determinar o deslocamento dos clipes e a pressão máxima, mínima
e a média que estes clipes dos bráquetes autoligantes interativos exercem sobre os fios
ortodônticos retangulares com o objetivo de se manter o fio no fundo do slot, propiciando as
inclinações desejadas e preconizadas nas prescrições.
A força elevada do clipe contra o fio retangular, não representa que esta força é
totalmente retransmitida ao dente e sim dissipada no fio e no próprio bráquete. Este fato é de
conhecimento, pois caso contrário haveria uma incidência muito grande de reabsorções
radiculares, reação que não ocorre com freqüência e quando aparece esta também relacionada
ao próprio organismo do individuo que apresenta uma tendência genética para tal fato
(ALEXANDRE et al. 2008).
Neste trabalho foi utilizado o fio retangular com dimensões de 0,016”X 0,022” por ser
o fio de referência entre a fase passiva e a fase ativa do clipe. As etapas de testes dos clipes,
dos bráquetes autoligantes, tentaram reproduzir o esforço que o clipe sofre durante um
tratamento ortodôntico completo.
Na literatura, a única referência encontrada relacionada à força máxima liberada pelo
clipe sobre o fio retangular, foi a de Guidi (2010), onde foi realizada a medição da força do
clipe, em um fio retangular 0,016” x 0,022”, dos bráquetes Inovation R®, Time2® e SPEED®.
O teste realizado foi o de tração do clipe e a medição com a máquina de testes EMIC. O
resultado final foi uma força de 832,2g - Inovation R, 719,7g - Time2® e 355,6g-Speed®.
Concluiu que o clipe do bráquete In-Ovation R® foi o que desenvolveu maior força, seguido
do Time2® e do Speed® que apresentou o menor valor. O maior deslocamento do clipe
ocorreu no bráquete In-Ovation-R®, seguido do Time2® e do bráquete Speed®.
38
A partir do trabalho referido acima, foram propostas algumas modificações no sentido
de facilitar a sua realização. Além de repetir o teste realizado, foi feito mais duas etapas de
testes com 4 marcas de bráquetes, tentando simular não apenas a fase inicial, mas um
tratamento completo. Foram utilizados 8 corpos de prova de cada marca, com o intuito de no
final ser possível fazer a comparação dos resultados encontrados em cada etapa e entre elas.
Com os resultados obtidos pode-se observar que, apesar de todos os clipes serem feitos
de Cromo Cobalto existem variações que podem ser tanto na sua espessura quanto na sua
composição da liga, que acabam gerando uma resultante maior. Neste trabalho pode-se
visualizar que os clipes dos bráquetes da empresa americana GAC foram os que menos
sofreram perda de força, apesar de que o Inovation R® apresentou a maior força inicial e final
dos testes e o Inovation C® a menor força inicial e final dos testes.
A força do clipe encontrada nas 3 etapas de testes foi maior no Inovation R®, seguido
pelo Quick®, Quicklear® e por último Inovation C®.
Segundo estes dados, acreditasse que o bráquete Inovation R®, por apresentar a maior
força do clipe contra o fio retangular, possivelmente é o que consegue obter uma maior
interação entre o fio e o fundo do slot permitindo a execução de toda a prescrição presente
neste bráquete.
A maior força gerada pelo clipe no fio pode representar um movimento de torque mais
efetivo, o que é muito importante na finalização ortodôntica por gerar uma intercuspidação
adequada, como relatou Thiesen et al. (2003) em seus estudos. A dúvida que surge é a
quantidade de força mínima necessária para que este movimento de torque ocorra. Valor este
que ainda não foi determinado por nenhum trabalho.
Dahlan et al. (2005) realizou um trabalho de
tração do clipe dos bráquetes In-
OvatioR® e Damon2® até que houvesse a quebra dos seus clipes. Em seus resultados é
confirmada a grande resistência que o clipe possui, pois para haver a quebra do clipe do InOvation R® foram necessários 7.035g e para a quebra do clipe do Damon2® foram necessários
2.345g.
Em relação ao deslocamento do clipe, considerando-se a diferença geométrica de cada
modelo de bráquete selecionado para este trabalho e o espaço reservado para a movimentação
deste clipe, o Inovation R apresentou uma média de deslocamento, na 1ª etapa de testes de
0,413mm e na 3ª etapa 0,417mm. O Quicklear® na 1ª etapa obteve 0,389 mm e na 3ª de
0,360mm. Inovation C® apresentou 0,326 mm inicial e 0,297mm na etapa final e o Quick teve
deslocamento inicial de 0,35mm e final de 0,31mm. Os resultados demonstram que existe
39
uma certa manutenção dos valores iniciais e finais de cada modelo de bráquete, quando
comparado as suas médias.
A importância de sabermos estes dados é pelo fato de que a quantidade deste
deslocamento do clipe pode interferir, por exemplo, em um movimento de correção de
rotação, como relata Benetti (2010) em sua pesquisa de simulação da correção de um
movimento de rotação dentária, comparando um bráquete convencional à um bráquete
autoligante, realizado a partir de um aparato criado para este fim. Concluiu que, nos estágios
iniciais onde a rotação era mais acentuada, os bráquetes autoligantes interativos, neste caso o
Inovation R, obtiveram melhores resultados que os passivos. O que enfatiza a possível
influência da capacidade de deslocamento do clipe para este tipo de correção.
40
7 CONCLUSÃO
A partir dos resultados encontrados neste trabalho pode-se concluir que :
- Independente da etapa, o grupo Inovation R® apresentou média significativamente
maior do que nos demais grupos;
- Ao compararmos as etapas do testes, todos os bráquetes sofreram perda de força,
porém no Inovation R® e C® foi menor;
- As maiores forças foram encontradas nos bráquetes do Inovation R® seguidos pelos
bráquetes Quick®, Quicklear® e por ultimo o Inovation C®.
SUGESTÕES DE TRABALHOS FUTUROS
Os resultados obtidos neste trabalho poderão servir de referencia para trabalhos
futuros e geram novas dúvidas no sentido de se poder determinar o porquê da diferença de
força dos clipes nas diferentes marcas testadas, mediante o fato de o material empregado na
produção dos mesmos ser da mesma liga.
Em relação ao deslocamento dos clipes pode-se concluir que existe uma certa
manutenção dos valores iniciais e finais, quando comparados a suas médias, em todos os
modelos de bráquetes selecionados para o trabalho. A quantidade deste deslocamento depende
da geometria destes bráquetes e a sua efetividade sugere estudos futuros.
41
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ANEXOS
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