UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
FACULDADE DE FISIOTERAPIA
DEPT° FMR
PÓS GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA DO TRABALHO
Profª Drª Vanusa Caiafa Caetano
2012
Desenhos de Pesquisa
Porque pesquisar?
 Porque se preocupar com um método?
 Sinonímias:

-
Modelos de estudo
-
Deliniamentos de estudos
-
Deliniamentos de pesquisa
-
Modelos de investigação científica
-
Modelos de planejamento
-
Modelos de deliniamento
-
Deliniamentos clínico-epidemiológicos
-
Desenhos de estudos
-
Desenhos metodológicos
-
Métodos epidemiológicos
-
Estratégias de pesquisa
-
Tipos de estudo
-
Tipos de investigação

Elementos de uma pesquisa:
-Pesquisar é resolver problemas!
-Primeiro passo: PENSAR EM UMA
PERGUNTA, EM UM PROBLEMA.
-Como encontrar um problema de
pesquisa?

A escolha do tema:
-O tema deve ser útil na sua vida profissional →
área de interesse.
-O tema deverá ser viável, e contemplar possibilidades
reais de execução.
-É importante que, ao se pensar sobre o tema de
estudo, faça-se uma análise prévia e detalhada
sobre o tempo que se tem para a execução do
projeto e uma análise dos custos.
CRONOGRAMA
PLANILHA FINANCEIRA
-Os objetivos do estudo devem estar claros, e para
isso é necessário um conhecimento aprofundado do
tema a ser estudado.
REVISÃO DA LITERATURA
Qual a contribuição deste estudo?
Qual a sua importância social?
Ele irá favorecer ou embasar a prática
clínica/profissional?
Então, resumindo, a pergunta principal do estudo deverá contemplar:
•Viabilidade ou capacidade de ser
executado;
•Interesse do pesquisador e da
sociedade;
•Aspectos Éticos;
•Relevância.
Planejamento da Pesquisa:
Escolha
do tema
Delimitação do
assunto
Indicação de
variáveis
Construção
das hipóteses
Delimitação
da amostra
Construção
da
metodologia
Revisão da
literatura
Formulação
do problema
Formulação
da análise
estatística
Tipos de Pesquisas:
→ Quantitativas:
Paradigma mais influente
Positivismo
→ Qualitativas:
Fenomenologia
Atitude científica
Busca de explicação do
comportamento das coisas
Busca da compreensão da
dinâmica do ser humano
Força do método
Atribuída à qualidade da alta
confiabilidade/reprodutibilidade
dos resultados que foram obtidos
Atribuída à qualidade da alta
validade dos dados/achados
que foram colhidos
Objeto de estudo
Fatos (vistos e descritos)
Fenômenos(apreendidos)
Quanti
Objetivos de pesquisa
Desenho do projeto
Quali
Estabelecimento matemático
das relações causa-efeito
Interpretação das relações de
significado dos fenômenos, como
referidos pelas pessoas
Recursos preestabelecidos
Recursos em aberto e flexíveis
Tipos de instrumentos
de pesquisa
Observação dirigida, questionários
fechados, escalas, classificações
nosográficas, exames laboratoriais,
dados randomizados de prontuários...
Pesquisador com seus sentidos:
observação livre, entrevistas
semidirigidas, complementares:
coleta intencional em prontuários
e testes projetivos eventuais.
Amostragem
Randomizada: indivíduos pegos
ao acaso, representativos estatisticamente de uma grande população
Intencionada: busca proposital de
indivíduos que vivenciam o problema
em foco e/ou têm conhecimento
sobre ele
Uso de técnicas bioestatísticas
para organização dos achados.
Uso de análise do conteúdo (dentre
outras): categorização por relevância
teórica ou reiteração dos dados.
Tratamento/Análise
dos dados
Adaptado de: TURATO, ER. Métodos qualitativos e quantitativos na área
da saúde: definições, diferenças e seus objetos de pesquisa. Rev Saúde
Pública 2005;39(3): 507-14.
Planejamento da Pesquisa:

Conceitos básicos
◦ Sujeitos da pesquisa (voluntários)
 Participantes do estudo
◦ Mascaramento (cegueira)
 Uni, duplo ou triplo cego
◦ Randomização
 Dar as mesmas chances aos participantes, distribuição ao acaso
◦ Bias (viés, vício, tendenciosidade)
 Erro ou desvio sistemático no estudo
 Leva à conclusões tendenciosas
 Pode acontecer em qualquer fase do estudo da seleção da
amostra ao relato do mesmo
Planejamento da Pesquisa

Conceitos básicos
◦ Intervenção
 Qualquer tratamento aplicado por determinação do
pesquisador excluindo-se o placebo (tratamento inerte
aplicado a um grupo)
◦ Sensibilidade
 Proporção de pessoas que têm um teste positivo e têm, de
fato, a doença ou condição
◦ Especificidade
 Proporção de pessoas que têm um teste negativo e, de fato,
não têm a doença ou condição
Planejamento da Pesquisa

Conceitos básicos
◦ Fator de estudo
 O que está sendo estudado
 Determina o desfecho de interesse
◦ Desfecho clínico
 Evento em investigação supostamente causado pelo fator de
estudo
◦ Fator de confusão
 presença de um terceiro fator associado que poderá
distorcer os resultados
Planejamento da Pesquisa

Conceitos básicos
◦ Padrão ouro (gold standard)
◦ Reprodutibilidade
 Capacidade de uma medida de fornecer o mesmo resultado
quando repetidas (intra ou interexaminadores)
◦ Validade
 Capacidade de uma medida avaliar realmente o que se
pretende medir – confiabilidade da medida
◦ Incidência
 Proporção de indivíduos que não têm determinada condição
clínica e que a desenvolve no decorrer de um período
Planejamento da Pesquisa

Conceitos básicos
◦ Prevalência
 Proporção de indivíduos que apresentam determinada
condição clínica em um determinado ponto do tempo
◦ Eficácia
 Avalia se uma intervenção funciona em condições ideais
◦ Efetividade
 Avalia se uma intervenção funciona em condições habituais ,
mesmo com indivíduos poucos aderentes ou com outras
doenças associadas
Planejamento da Pesquisa

Conceitos básicos
◦ Eficiência
 Avalia se uma intervenção funciona em condições habituais (com
custos e riscos)
◦ Validade interna
 O quanto os resultados são verdadeiros para a população
estudada
◦ Validade externa
 O quanto os resultados podem ser aplicados a outros indivíduos
- generalização
Desenhos de Pesquisa:
Quanto à originalidade do estudo:
PRIMÁRIOS: são investigações originais, com temas nunca antes
estudados;
SECUNDÁRIOS: são estudos que procuram estabelecer conclusões
a partir de estudos primários. Incluem nesta categoria as revisões
não sistemáticas da literatura, as revisões sistemáticas com e sem
metanálise e os artigos de revisão.
Desenhos de Pesquisa:
Quanto à interferência no estudo:
OBSERVACIONAL: O pesquisador simplesmente observa sua amostra,
suas características ou transtornos, mas não intervém ou modifica
qualquer aspecto que esteja estudando;
A coleta de dados é realizada em um único momento, cada participante
é avaliado uma única vez, medida única.
LONGITUDINAL: observação do fenômeno ao longo do
tempo, cada participante é acompanhado por um período,
medidas repetidas.
INTERVENCIONAL: o pesquisador não se limita à simples
observação, mas interfere pela exclusão, inclusão ou
modificação de um determinado fator.
Desenhos de Pesquisa:
Quanto ao tipo de unidade do estudo:
PESQUISA CLÍNICA (ENSAIO, TRIAL):
são estudos envolvendo
pacientes, onde os pesquisadores escolhem indivíduos elegíveis para
um grupo de intervenção.
PESQUISA EXPERIMENTAL: são estudos que envolvem modelos
experimentais como animais de experimentação, cadáver e culturais
celulares e teciduais.
Desenhos de Pesquisa:
Quanto ao período de segmento do estudo:
LONGITUDINAL (ESTUDOS COM SEGMENTO, SEQUENCIAL,
FOLLOW UP):
-Nestes estudos existe uma sequência temporal conhecida entre uma
exposição, ausência da mesma ou intervenção terapêutica, e o
aparecimento da doença ou fato evolutivo. Destinam-se a estudar um
processo ao longo do tempo para investigar mudanças.
TRANSVERSAL (SECCIONAL, CROSS SECTIONAL):
-Nestes estudos a exposição ou fator causa está presente ao efeito no
mesmo momento ou intervalo de tempo. Esse modelo se aplica como
uma fotografia ou corte instantâneo que se faz de uma população.
Possui como principais vantagens o fato de serem de baixo custo, e por
praticamente não haver perdas de seguimento.
Desenhos de Pesquisa:
Quanto à direcionalidade temporal do estudo:
PROSPECTIVO (ESTUDO COMTEMPORÂNEO, PROSPECTIVO
CONCORRENTE, CONCORRENTE)
-Monta-se o estudo no presente, e o mesmo é seguido para o futuro.
RETROSPECTIVO (ESTUDO HISTÓRICO, PROSPECTIVO NÃO
CONCORRENTE, INVERTIDO):
-Realiza-se o estudo a partir de registros do passado, e é seguido
adiante a partir daquele momento até o presente. É fundamental que
haja credibilidade nos dados registrados a serem computados.
Desenhos de Pesquisa:
Quanto ao perfil de avaliação epidemiológico do estudo:
DESCRITIVO: Trata-se de estudos que descrevem a caracterização de
aspectos semiológicos, etiológicos, fisiopatológicos e epidemiológicos
de uma doença. Podem abranger desde relatos ou séries de casos até
estudos populacionais (ecológicos). Trata-se de estudos longitudinais.
ANALÍTICO: São os modelos de estudo utilizados para verificar uma
hipótese. O investigador introduz um fator de exposição ou um novo
recurso terapêutico, e o avalia utilizando ferramentas bioestatísticas.
Desenhos de Pesquisa:
Quanto ao controle comparativo no estudo:
NÃO CONTROLADO (ESTUDO DE CASOS, ESTUDO “ANTES E
DEPOIS”, ESTUDO DA RELAÇÃO ESTÍMULO/EFEITO, RELATO DE
CASO): Trata-se de pesquisas clínicas onde se registra os dados
relativos à observação clínica, assim como laboratorial, de grupos de
indivíduos, sem utilizar um grupo controle ou placebo. Em alguns tipos
de pesquisas, onde o critério de avaliação for subjetivo (como melhora
da dor após alguns tratamento) pode-se utilizar o próprio paciente como
controle de si mesmo, podendo-se utilizar questionários específicos e
validados para essa finalidade.
CONTROLADO: São pesquisas que envolvem o estudo de “grupo de
casos” e um “grupo controle”. O grupo controle deve ter seus integrantes
o mais semelhantes possível daqueles do grupo de casos
(experimental). A diferença será o fato de que o primeiro vai receber o
placebo ou o tratamento já consagrado, e o segundo o novo tratamento
proposto, um fator de exposição ou a ausência de um fator.
COMPARATIVO: Trata-se das pesquisas onde se comparam grupos
diferentes, não sendo um controle do outro.
AUTO-CONTROLADO (AUTO-PAREADO, SELF PARING): É um tipo
especial de controle para seguimento de uma condição patológica ou de
uma intervenção.
Desenhos de Pesquisa:
Quanto aos tipos de frequência do estudo:
ESTUDOS
DE
PREVALÊNCIA
(DETECÇÃO
DE
CASOS,
SCREENING): A prevalência de uma doença ou transtorno é medida
pelo cálculo da proporção entre o número de pessoas acometidas
(casos) e as que estão saudáveis. Visam conhecer a probabilidade de
indivíduos assintomáticos desenvolverem ou não uma doença ou
situação clínica que é o objeto da pesquisa.
ESTUDO DE INCIDÊNCIA: A incidência é medida pela proporção de
um grupo inicialmente livre de uma condição clínica, e que a desenvolve
depois de um período determinado de tempo. Ou seja, é o estudo de
novos casos ou de desfechos novos dos casos existentes de uma
doença específica, que ocorre numa população que não os
apresentava. Detectam-se os novos casos ou desfechos, ao longo do
tempo, mediante a realização de exames periódicos. Na prática, utilizase a medida de incidência como uma estimativa de risco. São estudos
longitudinais.
Desenhos de Pesquisa:
Quanto à aleatorização amostral no estudo:
NÃO ALEATORIZADO: é o menos indicado em pesquisas, pois
pressupõe distorções nos resultados em consequência da casuística ou
amostragem poder estar viciada por possíveis tendenciosidades.
ALEATORIZADO (RANDOMIZADOS): Após o estabelecimento dos
fatores de inclusão e exclusão, os integrantes de todos os grupos
amostrais da pesquisa (controle e experimentais) serão sorteados para
pertencerem a um dos grupos, e sem propiciar nenhuma possibilidade
de previsão de alocação.
O objetivo da aleatorização consiste em evitar vieses, propiciando a
comparabilidade entre os grupos amostrais para poderem ser
submetidos à análise estatística.
Desenhos de Pesquisa:
Quanto à relação entre exposição-efeito/doença do estudo:
ESTUDOS DO TIPO COORTE (ESTUDO DE SEGUIMENTO, COHORT
STUDY):
Em epidemiologia, COORTE significa um grupo de indivíduos que tem
uma característica comum que é a presença de uma exposição a um
fator em estudo ou, então, a ausência deste fator.
O pesquisador, após distribuir os indivíduos como expostos ou não
expostos a um fator em estudo, segue-os durante um determinado
período de tempo para verificar a incidência de uma doença ou situação
clínica entre os expostos e os não-expostos.
ESTUDOS DO TIPO COORTE
Desenhos de Pesquisa:
ESTUDOS TIPO CASO-CONTROLE (ESTUDO CASO-REFERÊNCIA,
CASE-CONTROL STUDY):
Neste modelo, após o pesquisador distribuir as pessoas como doentes
e não doentes, verifica, retrospectivamente, se houve exposição prévia
a um fator entre os doentes e os não doentes.
As pessoas doentes são denominadas “casos”, e as não doentes,
“controle”. Portanto, o parâmetro a ser estudado é a exposição ou não a
um fator.
ESTUDOS TIPO CASO-CONTROLE
Desenhos de Pesquisa:
Quanto ao mascaramento no estudo (estudo com ocultação, blinding):
ABERTO (OPEN, OPEN LABEL, OPEN CLINICAL TRIAL): Neste ensaio
não ocorre mascaramento. Todos os pesquisadores integrantes da
equipe de investigação, assim como todos os pacientes envolvidos,
sabem a que grupo pertencem (controle ou experimental).
UNICEGO (BLIND, SINGLE MASKED): Neste modelo apenas a equipe
de investigação sabe qual foi o tratamento instituído em cada paciente,
ou a qual grupo o paciente pertence; mas os pacientes não sabem.
DUPLO-CEGO (DOUBLE-BLIND): É a condução da pesquisa sem que
os membros da equipe e das pessoas que lidam com os pacientes, os
investigadores que coletam os resultados, e tampouco os pacientes,
saibam a que grupo os mesmos pertencem. Apenas uma pessoa da
equipe, a qual não vai lidar com os pacientes, e tampouco avaliar os
resultados, sabe quem pertence a cada grupo.
QUADRO 1 - Classificação dinâmica na integração dos desenhos
de pesquisa primários.
Relação entre o desenho de pesquisa primário a ser indicado para a
subárea biomédica pesquisada
Desenhos de pesquisa
Estudos de casos e relatos de casos
Estudos transversais
Estudos de detecção de casos
Estudos de acurácia
Estudos longitudinais
Estudos caso-controle
Estudos coorte
Ensaios clínicos controlados aleatorizados
Áreas de interesse
Quadro clínico (doenças
raras)
Freqüências
Fatores de risco
Procedimentos diagnósticos
Evolução
Fatores de risco, etiologia
(doenças raras), prevenção
Fatores de risco, etiologia,
incidência, evolução,
prognóstico
Tratamento, prevenção
IMPORTANTE
Para cada pergunta de pequisa há um tipo de
desenho de estudo mais adequado
Questão Clínica
Desenho de estudo
Diagnóstico
Transversal
Prevalência
Transversal
Incidência
Coorte
Risco
Coorte e Caso Controle
Prognóstico
Coorte
Tratamento
Experimental
Prevenção
Experimental
Causa
Longitudinal
• Referências Bibliográficas
– Reis FB, Ciconelli RM, Falopa F. Pesquisa científica: a importância da
metodologia. Rev Bras Ortop, v. 37, n. 3, 2000.
– Hochman B, Nahas FX, Oliveira Filho RS, Ferreira LM. Desenhos de
pesquisa. Acta Cirúrgica Brasileira. v. 20, supl. 2, 2005.
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Planejamento da Pesquisa - Universidade Federal de Juiz de Fora