Ano 17, no 3, jul./set. 2012 – www.sobecc.org.br – ISSN 14144425
tecnologia
Cirurgia Robótica de
Revascularização Miocárdica:
em Busca de Evidência
Científica no Uso da Tecnologia
do Século XXI
Em revista
cial
Ediç
spe
ão E
humanização
Humanização no Centro
Cirúrgico: a Percepção do
Técnico de Enfermagem
infecção
Controle de Infecção Hospitalar
no Paraná: Facilidades e
Dificuldades do Enfermeiro
infecção
Fatores Associados à
Infecção de Sítio Cirúrgico
em Um Hospital na Amazônia
Ocidental Brasileira
assistência
Síndrome Compartimental
Relacionada ao
Posicionamento Cirúrgico
E mais:
Hospital em foco:
Copa D’Or segue Protocolo Universal
da OMS
Agenda:
Congressos, simpósios e cursos.
Tudo isso e muito mais!
Título de Especialista
Revalidação
8º Simpósio Internacional
de Esterilização e Controle
de Infecção Hospitalar
O evento reuniu 2.173 participantes e
64 empresas expositoras
Foto cedida pela empresa H. Strattner & Cia. Ltda Intuitive Surgical
Diretoria da SOBECC - Gestão 2011-2013
Presidente: Janete Akamine • Vice-presidente: Márcia Hitomi Takeiti • Primeirasecretária: Liraine Laura Farah • Segunda-secretária: Andrea Alfaya Acunã •
Primeira-tesoureira: Simone Batista Neto Arza • Segunda-tesoureira: Zuleica
Fazoni Souza • Diretora da Comissão de Assistência: Maria Lúcia Suriano •
Membros da Comissão de Assistência: Mariângela Belmonte Ribeiro e Giovana
Abrahão de Araújo Moriya • Diretora da Comissão de Educação: Márcia
Cristina Pereira • Membros da Comissão de Educação: Aparecida de Cássia
Giani Peniche e Tânia Regina Zeni • Diretora da Comissão de Publicação e
Divulgação: Rachel de Carvalho • Membros da Comissão de Publicação e
Divulgação: Raquel Machado Cavalca Coutinho e Eliane da Silva Grazziano •
Diretor do Conselho Fiscal: Ernane de Sousa Almeida • Membros do Conselho
Fiscal: Kátia Aparecida Ferreira de Almeida e Mara Lúcia Leite Ribeiro • Diretora
da Comissão e Eventos Regionais: Lígia Garrido Calicchio.
Revista SOBECC
Órgão oficial da Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico,
Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização.
Comissão de Publicação e Divulgação - Diretora: Drª Rachel de Carvalho
(Faculdade de Enfermagem do Hospital Israelita Albert Einstein – FEHIAE) •
Membros: Drª Eliane da Silva Grazziano (Universidade Federal de São Carlos
– UFSCAR) e Drª Raquel Machado Cavalca Coutinho (Universidade Paulista
– UNIP).
Conselho Editorial: Drª Ana Lúcia de Mattia (Universidade Federal de Minas
Gerais – UFMG), Drª Aparecida de Cássia Giani Peniche (Escola de Enfermagem
da USP), Ms Dulcilene Pereira Jardim (Universidade Santo Amaro – UNISA), Drª
Eliane da Silva Grazziano (Universidade Federal de São Carlos – UFSCAR), Drª
Estela Regina Ferraz Bianchi (Escola de Enfermagem da USP), Isabel Cristina
Dauth (Universidade Luterana do Brasil – ULBRA), Ms Jacqueline Ramos de
Andrade Antunes Gomes (Centro Universitário de Brasília – UniCEUB), Ms Márcia
Wanderley de Moraes (Faculdade de Enfermagem do Hospital Israelita Albert
Einstein – FEHIAE), Drª Maria Belén Salazar Posso (Faculdade de Enfermagem
da Fundação ABC), Drª Maria Clara Padovezze (Escola de Enfermagem da
USP), Drª Maria Concepcion Pezo Silva (Universidade Nacional Pedro Ruiz
Gallo – Peru), Drª Maria Helena Barbosa (Universidade Federal do Triângulo
Mineiro – UFTM), Drª Maria Isabel Pedreira de Freitas (Universidade Estadual
de Campinas – UNICAMP), Drª Maria Lúcia Suriano (Universidade Federal de
São Paulo – UNIFESP), Drª Rachel de Carvalho (Faculdade de Enfermagem
do Hospital Israelita Albert Einstein – FEHIAE), Drª Raquel Machado Cavalca
Coutinho (Universidade Paulista – UNIP), Drª Rita Catalina Aquino Caregnato
(Universidade Luterana do Brasil – ULBRA), Ms Verônica Cecília Calbo de
Medeiros (Centro Universitário São Camilo).
Equipe Técnica – Revisão: Marcelo de Andrade • Coordenação: Sirlene
Aparecida Negri Glasenapp • Administração: Veridiana Franco • Produção
Gráfica: Solange Mattenhauer Candido • Secretária: Maria Elizabeth Jorgetti •
Bibliotecária: Sônia Maria Gardim • Revisão em Espanhol: Drª Maria Belén
Salazar Posso • Revisão em Inglês: Elaine Koda • Tiragem: 4.000 exemplares
• Impressão: Editora Referência Ltda.
SOBECC: Rua Vergueiro, 875, conj. 64, Liberdade (metrô Vergueiro),
CEP 01504-001, São Paulo, SP • CGC: 67.185.215/0001-03
Tel.: (11) 3341-4044 • Fax: (11) 2501-4144.
E-mail: [email protected] | Site: www.sobecc.org.br
Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores.
A SOBECC está associada à Academia Brasileira de Especialistas de
Enfermagem (ABESE) desde 2000, à International Federation Perioperative
Nurses (IFPN) desde 1999 e ao Fórum Mundial de Esterilização (WFHSS)
desde 2008. Além disso, mantém parceria constante com a Association
Operating Room Nurses (AORN).
Índice
4•••
EDITORIAL
5•••
agenda
6•••
Acontece
28•••
Hospital em foco
31•••
revisão de literatura
Cirurgia Robótica de Revascularização
Miocárdica: em Busca de Evidência Científica
no Uso da Tecnologia do Século XXI
43•••
artigo original
Humanização no Centro Cirúrgico: A
Percepção do Técnico de Enfermagem
50•••
artigo original
Controle de Infecção Hospitalar no Paraná:
Facilidades e Dificuldades do Enfermeiro
60•••
artigo original
Fatores Associados à Infecção de Sítio
Cirúrgico em um Hospital na Amazônia
Ocidental Brasileira
71•••
revisão de literatura
Síndrome Compartimental Relacionada
ao Posicionamento Cirúrgico: um Inimigo
Silencioso
81•••
Normas de Publicação da
Revista SOBECC
ISSN 14144425
Revista indexada nas bases de dados LILACS,
CUIDEN e CINAHAL INFORMATION SYSTEMS
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 3
Editorial – Revista SOBECC
Julho/setembro 2012
Simpósio Internacional reúne mais de 2 mil participantes
No evento também foram apresentados 123 trabalhos
científicos, sob a forma de pôsteres. As novidades da
programação ficaram por conta das Oficinas Temáticas,
apresentadas no pré-simpósio (dia 25 de julho), da
Sala Acadêmica Profa Dra Silma Pinheiro, dos Testes de
Funcionalidade e das apresentações, em plenária, dos
trabalhos premiados na sessão pôster. Destacamos
e agradecemos a fundamental participação de cada
pessoa que abrilhantou o 8º Simpósio Internacional.
A Revista SOBECC deste trimestre traz, na sessão
Hospital em Foco, a história do Copa D’Or, do Rio de
Janeiro (RJ), uma rede de assistência à saúde em
franca expansão no País.
Quanto aos cinco trabalhos aqui publicados, destacamse três estudos de campo e duas revisões sistemáticas de literatura, procedentes de autores das mais
diversas regiões. Aliás, uma constante nas publicações
da Revista SOBECC tem sido a autoria de trabalhos
enviados pelos nossos associados de todas as regiões
do Brasil e sobre os mais diversos assuntos, que tanto
conhecimento e experiência agregam à Enfermagem
Perioperatória.
Colegas do Rio Grande do Sul discutem aspectos
relacionados à humanização da assistência no Centro
Cirúrgico, segundo a percepção
de técnicos de Enfermagem,
que estão em constante interação com o cliente e relatam
suas experiências, por meio
de uma pesquisa de campo
qualitativa.
A pesquisa Controle de Infecção hospitalar no Paraná: Faci
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 4
lidades e Dificuldades do Enfermeiro é um estudo de
campo multiprofissional, realizado por duas enfermeiras e uma médica, que identificaram as peculiaridades
do trabalho de enfermeiros atuantes no serviço de
controle de infecção.
Partindo do sul, em direção ao norte do País, um grupo
de enfermeiros do Acre realizou o estudo de campo
Fatores Associados à Infecção de Sítio Cirúrgico em
um Hospital na Amazônia Ocidental Brasileira, que
revelou fatores predisponentes ao desenvolvimento de
infecções em mais de 2.200 pacientes de um Hospital
de Ensino de Rio Branco e identificou as intervenções
pertinentes à equipe cirúrgica.
Síndrome Compartimental Relacionada ao Posicionamento Cirúrgico: um Inimigo Silencioso é uma revisão
de literatura, realizada por enfermeiras cariocas, que
traçam uma relação da evolução desta síndrome com
a posição do paciente durante a cirurgia, por meio de
discussão da fisiopatologia, apresentação dos posicionamentos de risco e dos mecanismos de prevenção,
controle e intervenção.
Finalmente, a tecnologia da cirurgia robótica é destacada, por meio de revisão sistemática da literatura,
no trabalho Cirurgia Robótica de Revascularização
Miocárdica: em Busca de Evidência Científica no
Uso da Tecnologia do Século XXI. O artigo é repleto
de bibliografia atual e internacional e também uma
homenagem emocionante à primeira autora.
Confira, ainda nesta edição, as notícias do Acontece, em especial a entrevista com a presidente do
COFEN, Márcia Cristina Krempel,comentando a
atualíssima Resolução 424/2012, que “normatiza
as atribuições dos profissionais de Enfermagem em
Centro de Material e Esterilização e em empresas
reprocessadoras de produtos para saúde”.
Aproveite a leitura, adquira novas informações, recicle seus
conhecimentos! Afinal, a SOBECC acredita que “ninguém
é tão grande que não possa
aprender, nem tão pequeno
que não possa ensinar” (Esopo,
escritor grego 620-550 a.C.).
Receba nosso abraço!
www.sobecc.org.br
Iniciamos este editorial comentando sobre o sucesso
de mais um importante evento científico promovido
pela SOBECC. Trata-se da oitava edição do Simpósio
Internacional de Esterilização e Controle de Infecção
Hospitalar, que aconteceu entre os dias 26 e 28 de
julho, no Palácio das Convenções do Anhembi, em
São Paulo (SP), com o tema Estratégias e Boas
Práticas em Saúde Focadas na Sustentabilidade. O
evento reuniu 2.173 participantes e 64 empresas na
Exposição Tecnológica, que foi visitada por 1.722 profissionais, entre representantes de vendas, gerentes
e empresários.
Agenda
III Jornada de Estudos sobre
Processamento de Produtos para Saúde
Data: 26 de outubro de 2012
Local: Hotel Plaza São Rafael,
Av. Alberto Bins, 514, Centro - Porto Alegre (RS)
Informações: (51) 3333-2428
Site: www.sindihospa.com.br/3jornada
III Encontro Internacional de Pesquisa em
Enfermagem
Data: 29 a 31 de outubro de 2012
Local: Centro de Convenções Rebouças,
Av. Dr. Enéas Carvalho Aguiar, 23, São Paulo (SP)
Informações: (11) 3061-7548
Site: www.ee.usp.br/evento/2012/encontro
E-mail: [email protected]
XII Congresso Brasileiro de Controle
de Infecção e Epidemiologia Hospitalar
Data: 7 a 10 de novembro de 2012
Local: Mendes Convention Center, Avenida
Francisco Glicério, 206, Santos (SP)
Site: www.cih2012.com.br
E-mail: [email protected]
V Congresso Latino-Americano de
Enfermagem Oncológica
Data: 10 a 12 de abril de 2013
Local: Centro de Convenções Rebouças,
Av. Dr. Enéas Carvalho Aguiar, 23, São Paulo
(SP)
Site: www.sbeonet.com.br
E-mail: [email protected]
11º Congresso Brasileiro de Enfermagem
em Centro Cirúrgico, Recuperação
Anestésica e Centro de Material e
Esterilização Data: 24 a 27 de julho de 2013
Local: Palácio das Convenções do Anhembi,
Av. Olavo Fontoura, 1.209, Anhembi Parque,
Santana, São Paulo (SP)
Informações: (11) 3341-4044
Site: www.sobecc.org.br
E-mail: [email protected]
Curso de Pós-Graduação em Enfermagem:
Clínica e Cirúrgica; Cardiologia e Hemodinâmica; Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica
e Centro de Material e Esterilização; Nefrologia
e Urologia; Terapia Intensiva; Urgência e Emergência; Obstetrícia e Ginecológica; Pediátrica e
Neonatal
I Encontro do Polo de Enfermagem para
Segurança do Paciente de São Carlos e I
Jornada Científica de Segurança em Cirurgia da Informações: (11) 2151-1001
SOBECC
Site: www.einstein.br/pos
Data: 1º de dezembro de 2012
Local: a confirmar
Informações: (11) 3341- 4044
E-mail: [email protected]
Programe-se para o Congresso da SOBECC em 2013
A 11ª edição do Congresso Brasileiro de Enfermagem em Centro Cirúrgico, Recuperação
Anestésica e Centro de Material e Esterilização já está com data marcada: será de 24 a 27
de julho de 2013, no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo (SP).
Trata-se de mais um encontro com o objetivo de promover o aperfeiçoamento e a
troca de experiências entre os profissionais do Brasil e de outros países acerca das
ações de Enfermagem Perioperatória. Mais informações nas próximas edições da Revista
SOBECC e no site www.sobecc.org.br.
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 5
Acontece SOBECC
Presidente do COFEN
tira dúvidas sobre a
Resolução 424/2012
Márcia Cristina Krempel, presidente do COFEN
SOBECC - Qual é a visão do Conselho Federal de
Enfermagem (COFEN) em relação às atribuições
dos profissionais de Enfermagem em Centro de
Material e Esterilização (CME)?
Márcia Cristina Krempel: A Enfermagem sempre
foi a detentora do trabalho em Centro de Material
e Esterilização (CME). O enfermeiro, na grade curricular, quando em formação, possui uma gama
de disciplinas que o habilita a planejar, coordenar,
executar, supervisionar e avaliar todas as etapas
relacionadas ao processamento de produtos para
saúde, seja recepção, limpeza, secagem, avaliação
da integridade e da funcionalidade, preparo, desinfecção ou esterilização, armazenamento e distribuição para as unidades consumidoras.
A Central de Materiais e Esterilização é um dos setores decisivos para a manutenção do baixo índice
de infecção hospitalar e, nesse sentido, podemos
afirmar que a qualidade da assistência está intimamente relacionada à qualidade do material utilizado,
como foi processado, embalado e armazenado.
Considero que a CME é o coração de uma
instituição de saúde, pois consiste em prestar um serviço com maior nível de segurança
no processamento dos artigos hospitalares,
garantindo a qualidade e proporcionando
condições seguras de assistência ao paciente e na prevenção e controle da infecção hospitalar.
SOBECC - Como se deu o processo de ela
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
boração da Resolução COFEN nº 424/2012?
Márcia: A minuta da Resolução, elaborada pela Câmara Técnica de Legislação e Normas do COFEN
(CTLN), foi fruto de grande pesquisa junto às matérias que discorrem sobre o tema. Considerou-se
ainda a RDC da ANVISA nº 15/2012, que “dispõe
sobre os requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para saúde”, e na Lei do
Exercício Profissional da Enfermagem no 7.498/86.
SOBECC - Em quais aspectos o COFEN pode contribuir para a realização das boas práticas relacionadas ao processamento de produtos para a saúde
nos CMEs do Brasil?
Márcia: A Contribuição do COFEN é com a normatização e a fiscalização do exercício profissional nos
serviços, visando a observância e ao cumprimento da legislação vigente. É necessário, ainda, estimular cada vez mais a educação continuada em
função do avanço tecnológico nesta área de atuação, assim como dos equipamentos hospitalares
sofisticados que, consequentemente, chegam para
limpeza, desinfecção e esterilização.
SOBECC - O fato de a Resolução COFEN nº 424/2012
normatizar as atribuições dos profissionais de Enfermagem em CME e em empresas processadoras de
produtos para saúde garante a responsabilidade técnica desta área somente ao enfermeiro?
Márcia: Não, tal atribuição não é privativa do enfermeiro. No entanto, como já afirmei no início, his-
toricamente a Enfermagem encontra-se à frente do
CME. Inclusive, pela sua importância, há especialização em Centro de Material e Esterilização e uma
Associação que congrega estes especialistas. Referendo, ainda, inúmeras pesquisas na área realizada por enfermeiros, assim como publicações que
contribuem para o avanço do CME.
Lei do Exercício Profissional da Enfermagem, que
trata como competência privativa do Enfermeiro a
supervisão dos profissionais de Enfermagem. Portanto, onde houver técnicos e auxiliares de Enfermagem executando ações, mesmo que no Centro
de Material e Esterilização, torna-se obrigatória a
presença do profissional enfermeiro.
SOBECC - Com esta resolução em vigor, há alguma posição de irregularidade legal nos CMEs que
estão sob coordenação de outro profissional que
não o enfermeiro? Em caso afirmativo, o hospital ou
a empresa pode ser autuado? Qual é a penalidade
a ser imposta?
Quando a instituição contrariar a Lei, os serviços de
saúde podem e devem ser denunciados aos Conselhos Regionais de Enfermagem para as providências que se fizerem necessárias.
Márcia: Não, o serviço não pode ser autuado desde que tenha profissionais com a competência técnica e legal. No entanto, aqui merece destaque a
A questão da exclusividade do enfermeiro firma-se
devido ao seu conhecimento detalhado das ações
de cuidado de Enfermagem e na capacidade de visualizar as necessidades do trabalho de outros profissionais de saúde.
A SOBECC agradece a disponibilidade da Dra Márcia Cristina Krempel, presidente do COFEN, pela concessão desta entrevista.
Máxima proteção e
conforto aos pacientes
e à equipe cirúrgica
‡$YHQWDO%9%%DUUHLUD9LUDOH5HVSLUiYHO
‡.LWVHDYHQWDLVFLU~UJLFRV
‡&DPSRVLPSHUPHiYHLVSDUDPHVDGHLQVWUXPHQWDO
‡&DPSRVSDUDFREHUWXUDGHSDFLHQWH
5XD$OEXTXHUTXH6RX]D0XQL]__6mR3DXOR63
)RQH)D[_FRPHUFLDO#OLIHPHGFRPEU_ZZZOLIHPHGFRPEU
Acontece SOBECC
SOBECC representada no VII
Congresso Panamericano de
Esterilização
A diretora da Comissão de Educação da SOBECC, Márcia Cristina de
Pereira de Oliveira, ministrou as palestras O Futuro das Centrais de
Esterilização nos Hospitais e Estratégias para Melhorar as Relações
entre Centro Cirúrgico e CME no VII Congresso Panamericano de
Esterilização, entre 18 e 20 de julho, em Guayaquil (Equador).
Além dos equatorianos, o congresso reuniu cerca de 700 participantes
de vários países da América Latina, como Chile, Argentina, Bolívia,
Colômbia, Costa Rica, México, Guatemala, Uruguai, Peru, Venezuela
e Brasil.
Maria Helena Yeckle, presidente da
Associação Peruana de Enfermeiros
de Esterilização, e Marcia Cristina
Pereira de Oliveira, diretora da
Comissão de Educação da SOBECC
“As palestras foram de alto nível e houve uma
grande oportunidade de troca de conhecimentos
entre os países latino-americanos”, explica
Márcia Cristina. “O intercâmbio cultural nos
traz a percepção de que o Brasil hoje está
em um patamar de qualidade e busca pela
excelência no nível dos melhores países da
America Latina.”
Da esquerda para direita (frente): Guatemala, Equador,
Peru, Chile e Argentina. Em pé: Bolívia, Colômbia, Brasil,
Uruguai, Venezuela, México, Costa Rica
Eleições
Em 2013 haverá eleição da Diretoria da SOBECC
Nacional para a gestão 2013-2015. Em breve,
você poderá conferir pela internet as condições
para a elegibilidade dos candidatos. Acompanhe
e participe!
Práticas
Recomendadas
Em 2013, a SOBECC lançará a 6ª edição
revisada e ampliada de suas Práticas
Recomendadas. Aguarde!
Errata
No trabalho nº 139 – Lesões de Pele Decorrentes do Posicionamento Cirúrgico do Paciente
Idoso, publicado na edição abril/junho 2012, faltou citar o mini currículo da autora Maria Célia
Kirchner Sundfeld, Enfermeira, graduada em Enfermagem pela Universidade Camilo Castelo
Branco (UNICASTELO), Campus Descalvado (SP). E-mail: [email protected].
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
Título de especialista
Revalidação de Título
Em 2013, será realizada a prova para obtenção
de Título de Especialista pela SOBECC. Vale
lembrar que os candidatos precisam ser sócios
da SOBECC por dois anos consecutivos, além
de terem, no mínimo, cinco anos de experiência
comprovadas nas áreas de Centro Cirúrgico,
Recuperação Anestésica e Centro de Material
e Esterilização (Bloco Operatório).
Os associados que obtiveram o Título de
Especialista em 2007 e os que revalidaram no
mesmo ano, durante o Congresso Brasileiro
realizado pela SOBECC em São Paulo (SP),
terão a oportunidade de revalidá-lo.
A próxima edição da Revista SOBECC apresentará mais informações sobre a prova. Acompanhe também pelo site www.sobecc.org.br.
Para os títulos que serão revalidados em 2013,
será necessária a apresentação dos três últimos comprovantes da anuidade SOBECC.
A partir de 2015, será necessário a apresentação dos cincos último comprovantes.
Rev. SOBECC, São Paulo. abr./jun. 2012; 17(2): 6-10
Acontece SOBECC
Hospitais e sistemas de saúde
começam a contribuir para uma
economia verde
Em sua 8ª edição, o Simpósio Internacional de Esterilização e Controle de Infecção Hospitalar abordou como tema central Estratégias e Boas Práticas
em Saúde Focadas na Sustentabilidade, reunindo,
de 26 a 28 de julho, na capital paulista, cerca de
2.200 profissionais, entre enfermeiros e técnicos de
Enfermagem, que puderam aprimorar o conhecimento para uma atuação mais competente na CME,
além de debater assuntos relacionados à saúde do
planeta.
Da esquerda para direita: Dr. Luis Carlos Fonseca e Silva
(ANVISA), Dr. Win Renders (WFHSS), Janete Akamine
(SOBECC), Valeska Stempliuk (OPAS) e Mauro Antonio
Pires Dias da Silva (COREN – SP)
Renomados palestrantes nacionais e especialistas
convidados dos Estados Unidos, Chile, Portugal,
Alemanha e Bélgica compartilharam experiências
a respeito das melhores práticas no reprocessamento de material e controle de infecção hospitalar. Assuntos como novas tecnologias, leis
e resoluções que normatizam os processos
da CME, ações sustentáveis, métodos e recomendações de limpeza e liderança na assistência hospitalar, entre outros temas, contemplaram uma extensa programação, com
mais de 20 palestras, além de simpósios-satélites e mostra tecnológica, com mais de 60
expositores.
“O número de participantes comprova o sucesso do evento, caracterizando-se como
um encontro produtivo, contribuindo, assim,
10
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
Por uma CME mais
sustentável
para a melhoria da qualidade da assistência da Enfermagem especializada
em CME. A programação
trouxe novos conhecimentos e desafios para profissionais da área”, assinala
a presidente da SOBECC,
Janete Akamine.
Janete Akamine,
presidente da SOBECC
Sustentabilidade
O desenvolvimento da economia verde é uma missão de todos os organismos nas próximas décadas. Diminuir os impactos causados no ambiente
pelas instituições de saúde é uma preocupação da
SOBECC. Nesse sentido, o simpósio colocou em
discussão as contribuições dos hospitais para a
chamada economia verde, por meio de iniciativas
que podem fazer a diferença para um futuro mais
sustentável.
“Todos sonham com um
mundo melhor, mas com o
padrão de consumo atual
em que vivemos, não teremos condições de manter
o planeta por muito tempo.
Precisamos repensar tudo
que estamos fazendo e
como agir de forma difeDr. Gonzalo Vecina Neto, rente em prol do planeta”,
Hospital Sírio-Libanês
disse o superintendente do
Hospital Sírio-Libanês e
professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, Dr. Gonzalo Vecina Neto,
durante a sua apresentação, com título do tema
central do simpósio.
Gonzalo alertou sobre a importância de ter uma
agenda de sustentabilidade na área da saúde.
“Questões sobre reprocessamento de material devem continuar em pauta por muito tempo. Sustentabilidade é um conceito novo nas instituições de
saúde, e ainda falta a cultura de preservação no
ambiente hospitalar”, disse, complementando que:
“a preocupação da SOBECC com o impacto das
CMEs no meio ambiente leva uma nova perspectiva
para os profissionais, gerando uma mobilização do
setor para um ambiente mais sustentável”.
Para ele, o grande desafio na área da saúde é ter
uma agenda de sustentabilidade. “Temos que ser
pró-ativos na adoção de uma agenda em favor de
hospitais verdes e saudáveis, e medir o que estamos fazendo. Poucos hospitais avaliam os impactos
gerados no meio ambiente. E já existe um modelo
de relatório para isso”, ressalta Gonzalo.
e a quantidade de participantes. A capacidade de
mobilização dos profissionais reflete a vontade de
melhorar e de aprender mais. Este é o caminho”,
conclui Gonzalo.
Hospitais saudáveis
Entre os pontos que devem ser adotados na agenda estão: substituir o uso de produtos químicos perigosos no reprocessamento; segregar melhor os
resíduos gerados, aumentando a capacidade de
reciclagem; implantar iniciativas para o uso de energia renovável; reduzir o consumo de água; utilizar
veículos que emitam menos carbono na atmosfera;
promover nutrição segura ao paciente, com alimentos mais saudáveis; dar o destino correto dos produtos farmacêuticos; construir empreendimentos
de saúde verdes, com mínimo de agressão ao meio
ambiente; e exigir certificação de fornecedores para
tratamento adequado dos materiais.
Em sua palestra Políticas
Institucionais que Integram
o Tripé da Sustentabilidade,
a coordenadora de Meio
Ambiente do Hospital Israelita Albert Einstein Marcia
Galluci Pinter, ressaltou: “A
sustentabilidade está conectada com a inter-relação dos aspectos econôMarcia Galluci Pinter,
Hospital Israelita Albert
micos, sociais e ambienEinstein
tais, cujo principal objetivo
é prover o melhor para as
pessoas e para o ambiente, tanto agora quanto no
futuro. Para um empreendimento ser sustentável
são necessários três requisitos básicos: ser ecologicamente correto, socialmente justo e economicamente viável”.
“A área da saúde pode contribuir significativamente
para uma vida melhor na terra. Dentro desse propósito, muito me encanta o alto nível deste simpósio
Marcia apontou que, no Brasil, as instituições de
saúde geram cerca de 6.500 toneladas de resíduos
por dia. “Os hospitais produzem resíduos tóxicos,
Secretaria do evento
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
11
Acontece SOBECC
infecciosos, radioativos, entre outros potenciais poluidores do ar e da água”, exemplificou.
As instituições de saúde também são responsáveis
por despenderem uma alta utilização de água, ficando em segundo lugar no ranking das maiores
consumidoras de energia elétrica entre os edifícios
comerciais por metro quadrado, o que representa
10,6% do consumo total nacional de energia comercial no Brasil. “Há emissões substanciais de gases
de efeito estufa (GEEs) pelos hospitais decorrentes
de combustíveis fósseis, de energia e resíduos orgânicos”, alerta a palestrante.
Segundo a Associação Brasileira de Empresas de
Limpeza Pública, os serviços de saúde no Brasil geram cerca de 2,7 milhões de toneladas de resíduos
sólidos por ano. Desse total, 35% são incinerados,
gerando dioxinas, entre outros gases tóxicos; 13%
são descartados nos lixões e menos de 15% passam por processos de micro-ondas e autoclave. Na
avaliação de Márcia: “qualquer que seja o sistema,
a liderança e o comprometimento são a chave para
implantar iniciativas corretivas e de melhorias em
sustentabilidade”.
Garrafas PET como fonte de
geração de energia
Segundo o pesquisador
do Centro de Energias Renováveis da Universidade
do Estado de São Paulo
(UNESP), Teófilo Miguel de
Souza, no País há cerca
de 7.000 hospitais, sendo
70% da iniciativa privada e 30% do setor
público, contabilizan- Teófilo Miguel de Souza,
do aproximadamen­ UNESP
te 440.000 leitos.
Ele apresentou em sua palestra um estudo
apontando que o consumo de água quente
de apenas um leito é de 125 litros por dia.
Já o refeitório e departamentos similares são
responsáveis pelo gasto diário de 15 litros
por pessoa e a lavanderia, por 15 litros de
água quente por quilo de roupa seca.
12
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
Ainda de acordo com Teófilo, medidas para substituição nos procedimentos diários garantem a diminuição expressiva de custos nas redes de saúde.
Uma das iniciativas indicadas nas pesquisas feitas
pela universidade mostra que a utilização de lâmpadas LED em vez de incandescentes gera uma redução de 15 vezes nos custos com energia.
Outro estudo feito pela UNESP aponta que a geração de energia por paineis solares é uma alternativa
para a diminuição de gastos com eletricidade dos
hospitais, mas ainda não é uma opção financeiramente viável. “Há resistência dos hospitais quanto
ao investimento inicial, que pode chegar a R$ 840
mil. Porém, este projeto gera uma economia anual
no custo da eletricidade de R$ 168 mil, amortizando
o investimento inicial em apenas cinco anos”, afirmou Teófilo.
Na busca por alternativas mais baratas para utilização de paineis solares, a Universidade encontrou
uma forma de transformar garrafas PET em fontes
de geração de energia solar. “O Brasil é produtor
de 14 bilhões de garrafas PET por ano, fator preocupante para o meio ambiente. Pensando nisso,
criamos um painel feito com garrafas PET para 200
litros de água quente entre 50oC e 64oC que, após
5 horas de exposição ao Sol, gera de 900 a 1.000
W/m2. No painel de 100W foram investidos apenas
R$ 1.000,00”, explicou Teófilo.
Cada metro quadrado de coletor solar, equivale a
50 litros de água quente a 50oC. Ideal para tomar
banho, lavar roupas e louças, além de cozinhar alimentos.
Cada coletor solar (capacidade para
5 pessoas) com garrafas PETs evita:
• 216 garrafas de refrigerantes sem uso no
ambiente;
• 200 metros quadrados de inundação de
água para gerar energia elétrica que seriam
para a agricultura.
ISO 14.001
A busca pela certificação ISO 14.001 – norma mundial que especifica os requisitos e os processos de
um sistema de gestão ambiental – é um movimento
que começa a ser estimulado no setor da saúde. Isso
ocorre porque à medida em que a sociedade valoriza a sustentabilidade, os hospitais e os sistemas de
saúde sentem a necessidade de adequação.
“Aderir à ISO 14.001 demonstra o comprometimento
da instituição de saúde com as práticas sustentáveis e traz também benefícios de melhoria contínua
nos resultados operacionais, como o desperdício
de água e energia elétrica, possibilitando aos gestores realocar investimentos”, enfatiza a presidente
da SOBECC, Janete Akamine.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO), no
Brasil existem 267 certificações ISO 14.001 validadas e, desse total, São Paulo corresponde a 124
certificações concedidas. Já nos hospitais e demais
sistemas de saúde, a ISO 14.001 está implantada
em apenas seis instituições.
A enfermeira especialista
em Acreditação Hospitalar do Hospital Santa Cecília (SP), Elaine Malizia
Ribeiro, destacou em sua
palestra Certificação pela
Norma ISO 14001: Meio
Ambiente em Empresas
de Saúde: “o profissional
de Enfermagem precisa
Elaine Malízia Ribeiro,
Hospital Santa Cecília
desenvolver uma visão
ampla e atualizada daquilo
que acontece no mundo e perceber a importância
da correlação entre a assistência ao paciente, a
preservação e a racionalização do uso dos recursos
naturais e disponíveis. Compreender a importância
de ações que trazem como resultado a preservação
do meio ambiente melhora a qualidade de vida de
toda a comunidade”.
Na avaliação de Elaine, a ISO 14.001, na prática,
promove uma melhor gestão de uso e disposição de
recursos, reduz os riscos e melhora o desempenho
de uma organização, além de ser reconhecida mundialmente como um meio de controlar os custos.
RDC 15/2012: uma grande
conquista da classe
Outro assunto em destaque durante o 8º Simpósio
Internacional foi a RDC 15/2012, publicada em março pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA), que dispõe sobre requisitos de boas
práticas para o processamento de produtos para
saúde no CME. “Antes existiam normas. Agora, os
CMEs precisam seguir uma lei. A resolução oferece
o respaldo legal para o procedimento operacional
padrão, qualificando as condições organizacionais,
o processamento adequado de produtos, a estrutura física, o armazenamento e o transporte, a segurança e a saúde no trabalho, além de regulamentar
as atribuições do profissional de CME. Foi, sem dúvida, uma grande conquista da classe”, destaca a
presidente da SOBECC, Janete Akamine.
Os serviços da saúde e as empresas processadoras abrangidas pela resolução terão 24 meses,
contados a partir da data de publicação da lei, para
promover as adequações necessárias estabelecidas pelo regulamento técnico. Ou seja, o prazo
acaba em 15 de março de 2014. “É um processo de
mudança cultural, que envolve o comprometimento
dos gestores para o êxito da implantação”, assinala
Janete.
A arquiteta especializada
em projetos para a área
da saúde, Célia Bertazzoli,
ressaltou em sua palestra
que “os processos devem
seguir o fluxo unidirecional,
da área suja, passando
pela área limpa, de modo
a evitar o cruzamento de
materiais não processaCélia Bertazzoli, CABE
Arquitetura
dos com outros desconta­
mi­nados, desinfec­tados ou
esterilizados, bem como evitar o cruzamento do
profissional da área contaminada com o da área
limpa”, afirmou. “Para facilitar a adequação dos
procedimentos e orientar o processamento dos
materiais, adotou-se a classificação, que leva em
consideração o risco potencial de transmissão de
infecção aos pacientes. Os artigos são classificados em críticos, semicríticos e não críticos. A RDC
nº15/2012 foi elaborada com base em referencial
científico”, acrescentou.
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
13
Acontece SOBECC
“As leis e resoluções balizam as boas práticas no
CME, orientando os profissionais a seguir os procedimentos seguros. As
publicações que tratam
dessas regulamentações
devem ser livros de cabeceira de todo profissional
Dr. Luis Carlos Fonseca e
de enfermagem. Em serSilva, ANVISA
viços de saúde, qualidade
e risco são indissociáveis”,
comenta o gerente geral de Tecnologia de Produtos
para Saúde da ANVISA, Dr. Luiz Carlos da Fonseca
e Silva.
“Os brasileiros estão trazendo as mais modernas
técnicas de esterilização”,
afirma o arquiteto e consultor independente em
processos, projetos e documentação habilitada de
Esterilização e Controle de
Contaminação, Fernando
Bustamante. Segundo o
Fernando Bustamante,
consultor, o Brasil está in- ABNT
serido em vários Grupos
de Trabalho (GTs) mundiais para discussão de normas de padrão de qualidade em saúde, por exemplo, o CE 26:090.01 – esterilização de produtos
para saúde.
Brasil evolui no conceito de
esterilização
Os debates durante os três dias de simpósio apontaram para uma evolução no cenário de esterilização no Brasil, principalmente, com o respaldo
das normas e leis que padronizam e qualificam
o processo operacional do CME. O envolvimento
da ANVISA, do Conselho Federal de Enfermagem
(COFEN) e dos Conselhos Regionais de Enfermagem (COREN) tem contribuído com a busca pela
excelência do CME junto aos profissionais em todo
o país. “Assim que a lei RDC 15/2012 for totalmente implantada, o País terá mais ganhos na área da
saúde”, afirmou a enfermeira da Divisão de Prevenção de Infecção do Departamento Técnico da 3M
(EUA), Mary Kundus.
Nesse sentido, o CME do século XXI exerce um
papel fundamental na prevenção e no controle de
infecção hospitalar, garantindo, ainda, a segurança
do paciente cirúrgico e a qualidade da saúde em
geral. “O principal objetivo do profissional de CME
é reduzir a propagação de doenças infecciosas.
O CME foi criado para reduzir o índice de infecção
hospitalar”, enfatizou a palestrante especialista
em Controle de Infecção Intra-Hospitalar da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS – EUA),
Valeska Stempliuk, explicando que “a contaminação
microbiana do local cirúrgico precede a infecção”.
Curiosidade
A atividade do CME, como uma ciência, tem menos de 200
anos. Até 1940, o processo de esterilização era descentralizado e realizado por enfermeiros das próprias UHs. Já na década de 1950, o CME foi parcialmente centralizado, tendo parte
dos instrumentos e artigos preparados e esterilizados no CME.
Somente nas últimas décadas do século XX, o CME tornou-se
centralizado e passou a ser definido como Unidade de Apoio
Técnico, sendo subordinado ao serviço de Enfermagem e dirigido por enfermeiro. Nesse período, houve uma evolução da
tecnologia, das técnicas cirúrgicas e dos edifícios hospitalares,
resultando no aprimoramento dos processos de esterilização.
Auditório Celso Furtado
14
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
Valeska ressaltou que a
vigilância na prevenção
e no controle de infecção
é, sim, uma atribuição do
CME. “O profissional precisa ficar atento aos processos para assegurar a
esterilidade dos artigos”,
alertou, complementando
com a dica: “um checklist
Valeska Stempliuk, OPAS
bem feito melhora as condições para uma cirurgia segura”.
A especialista avalia que o Brasil tem um bom nível
técnico e acesso tecnológico bastante privilegiado
em relação a outros países que já visitou. “Na maioria dos CMEs que visitei, constatei mais problemas
nos processos do que na infraestrutura. Esterilização é um tema de vanguarda e o Brasil se encontra
em um nível avançado de discussão. Por exemplo,
temos a realização deste simpósio, com uma grande participação de profissionais interessados no assunto, e também a RDC 15/2012”, disse.
A palestrante fez uma reflexão sobre o cenário no
Brasil. “O País tem um longo caminho a percorrer
em algumas regiões, pois a realidade dos CMEs
em alguns Estados não é homogênea. Dentro desse contexto, a RDC 15/2012 é uma legislação moderna e que culmina em um processo de evolução
de esterilização no Brasil. Ou seja, agora, o profissional que deseja melhorar a qualidade em sua
CME tem um instrumento legal e técnico de bata-
lha. É lei! É assim que evoluímos, tendo como base
boas legislações. Para os países que não têm suas
próprias normas, a Organização Mundial da Saúde
(OMS) disponibiliza um manual de esterilização”.
Considerações finais
O CME nasce a partir da necessidade de evitar
infecção do cliente, e sua centralização teve
a finalidade de realizar o processo de forma
efetiva e em grande escala. E, assim, garantir, garantindo a qualidade e a segurança dos
processos que se realizam no setor. A qualidade do trabalho do CME repercute diretamente
nos índices de infecção hospitalar.
“Cada vez mais as doenças infecciosas constituem uma séria ameaça à saúde das pessoas. A esterilização adequada desempenha
um papel essencial na tentativa de
reduzir a propagação de doenças
no serviço de saúde.“ World Forum for Hospital Sterile Supply
área exposição tecnológica
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
15
Acontece SOBECC
Vencedores dos temas livres
na categoria pôster
Foram apresentados 123 trabalhos na forma de pôsteres durante o 8º Simpósio Internacional de Esterilização
e Controle de Infecção Hospitalar, com temas atuais na temática de controle de infecção hospitalar. entre
todos os trabalhos, quatro foram premiados. Confira abaixo os vencedores:
Primeiro lugar
Pôster 101 - O Desconhecimento do Enfermeiro
sobre os Processos de Limpeza e Desinfecção de
Material no Hospital Público de Emergência de Belo
Horizonte.
Autores: Danielle Gonçalves Abrantes, Maria Lúcia
Silva e Sales, Pedro Adalberto Aguiar Castro.
Janete Akamine, presidente da SOBECC,
e Maria Lúcia Silva e Sales
Terceiro lugar
Pôster 40 - Segurança na Esterilização: um Relato
na Selva Amazônica.
Autoras: Lia Jeronimo Romero, Zaida Aurora Soler,
Sandra Savi Almeida.
Márcia Hitomi Takeiti, vice-presidente da
SOBECC, e Lia Jeronimo Romero
16
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
Segundo lugar
Pôster 52 - Processamento de Micronebulizadores:
é Possível Oferecer Maior Segurança com Menor
Custo.
Autoras: Larissa de Siqueira Gutierres, Simone
Garcia Lopes.
Andréa Alfaya Acunã, segunda-secretária da
SOBECC, e Larissa de Siqueira Gutierres
Quarto lugar
Pôster 93 - Processamento de Cateteres Diagnóstico/
Terapêutico em Óxido de Etileno: Experiência de Uma
Empresa Processadora do Rio Grande do Sul.
Autores: Daniela Silva dos Santos, Ronaldo Torma
Bernardo.
Ligia Garrido Calicchio, diretora de Eventos
Regionais da SOBECC, e Daniela Silva dos Santos
área Exposição dos Pôsteres
Menção honrosa
O nível de trabalhos enviados foi alto.
Por isso, a Comissão de Premiação
resolveu agraciar o trabalho abaixo
pela relevância apresentada.
Pôster 120 - Prazo de Validade de
Esterilização de Materiais Utilizados
na Assistência à Saúde: um Estudo
Experimental.
Da esquerda para a direita: Tânia Regina Zeni Diniz, coordenadora da
Comissão de Premiação; Lia Jeronimo Romero (3º lugar); Daniela Silva dos
Santos(4º lugar); Larissa de Siqueira Gutierres (2º lugar); Maria Lúcia Silva e
Sales (1º lugar); Giovana Abrahão de Araujo Moriya (menção honrosa)
Autoras: Giovana Abrahão de Araújo
Moriya, Kazuko Uchikawa Graziano.
Sorteio
William Pesinato (Fami) entrega o
tablet à Daniele Barros, do Amapá
Além da bagagem de conhecimento, alguns congressistas
sócios da SOBECC também
levaram prêmios sorteados durante o evento. Ao todo, foram
distribuídos, mediante sorteio, os
seguintes presentes: dois home
theaters; dois microsystems;
uma TV LCD, oferecida pela
Empresa Brasuture; um tablet
oferecido pela empresa Fami.
A coordenadora de marketing da
Brasuture, Ana Gabriela Cardoso, e
o gerente de Vendas, José Carlos
Portas, entregam a TV LCD sorteada
à enfermeira Marilene de Camargo, da
Unicamp
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
17
Acontece SOBECC
Sala Acadêmica
apresenta pesquisas
de três universidades
A orientadora Kazuko Uchikawa Graziano e a
pesquisadora Giovana Abrahão de Araújo Moriya.
coletânea de pesquisas foi sucesso de público
A cada ano, a SOBECC busca inovar nos eventos que
realiza. No 8º Simpósio, a Profa Dra Kazuko Uchikawa
Graziano, professora titular do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, coordenou a Sala
Acadêmica, uma atividade que apresentou pesquisas
da Universidade de São Paulo (USP), Universidade
Federal de Goiás (UFG) e Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp).
A iniciativa foi um sucesso de público. Vale lembrar
também que a Sala Acadêmica tomou emprestado o
nome da Profa Dra Silma Pinheiro, uma homenagem
da SOBECC a esta grande profissional que tanto se
dedicou à Enfermagem.
Sala Acadêmica Profª Drª Silma Pinheiro
Teste de Funcionalidade
A programação científica do Congresso também promoveu oficina para o Teste de Funcionalidade do
instrumental de alguns materiais utilizados em procedimentos cirúrgicos. O conteúdo foi ministrado
em aulas teóricas e práticas, coordenadas pela enfermeira mestre e doutora Giovana Abrahão de
Araújo Moriya, com a colaboração do grupo de monitores, que saíram satisfeitos com o interesse dos
participantes em aprender.
A coordenadora Giovana Moriya e monitores da oficina de Teste de
Funcionalidade
18
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
Aula prática: alunos verificam
materiais da rotina cirúrgica
Happy hour julino
Representantes das empresas patrocinadoras do happy
hour e membros da Diretoria da SOBECC dão boasvindas aos participantes de mais uma animada e descontraída festa. Neste ano, o tema foi festa julina, com carrinho de pipoca, algodão doce e animada quadrilha.
Da esquerda para direita: Oswaldo Araujo (Wolf
Comercial), Maria Cristina Silva Cruz Garcia (Comercial
3 Albe), Gislene Reis (Mack Medical), Marcia Takeiti
e Ligia Garrido Calicchio (SOBECC), Bruno Sotero
(B|Braun), Humerto Isidoro (Steris) e Marcus Vinicius
(Wolf Comercial)
Jantar de Confraternização revive anos 70
Mais de mil pessoas compareceram ao Jantar de
Confraternização no Hall do Palácio de Convenções do Anhembi, no dia 27 de julho. Neste ano, ao
embalo dos anos 70, houve muita descontração e
animação durante a festa, que contou com decoração, alimentação de primeira e show com brincadeiras e muita diversão. Confira as fotos no site
www.sobecc.org.br.
As diretoras da SOBECC, Ligia Garrido Calicchio e Marcia
Hitomi Takeiti, junto com os hosts, na entrada da festa,
recepcionando os convidados.
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
19
Acontece SOBECC
Avaliação
Pós-evento
Origem dos congressistas por Estado
(Total: 2177)
Estado
AC
AL
AM
AP
BA
CE
DF
ES
GO
MA
MG
MS
MT
PA
PB
PE
PI
PR
RJ
RN
RO
RR
RS
SC
SE
SP
TO
Não informado
Programação Científica
supera expectativa
Segundo avaliação realizada após
o evento, 84% dos congressistas
responderam que a programação
científica do evento superou as expectativas. Para 12% dos respondentes, a programação atendeu à
expectativa, e 4% consideraram
que o conteúdo apresentado não
correspondeu às expectativas.
20
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
Quantidade
6
5
23
3
56
32
42
42
17
22
109
4
7
7
21
87
13
75
454
7
14
3
102
35
6
977
2
6
Distribuição por categoria
ENDOZIME
BIO-CLEAN
O único detergente
enzimático capaz de
remover o biofilme,
conforme norma
ISO 15883-5 anexo F.
NOVO!
Ruhof
ATP Complete
Novo software de
armazenagem e
rastreabilidade de
dados.
SISTEMA DE EMBALAGENS
PARA ESTERILIZAÇÃO
PARA ELIMINAÇÃO DE
PACOTES MOLHADOS
PACOTES
MOLHADOS
=
PACOTES
CONTAMINADOS
Recomendações AORN/AAMI/SOBECC
As embalagens para esterilização Cleantech são
produzidas em Nãotecido SMS Grau Médico
proporcionando um sistema de barreira estéril,
em conformidade com a Norma ISO 11607.
Possuem dupla proteção:
embalagem
hidrofóbica
barreira microbiana
comprovada através
de laudos técnicos
embalagem
hidrofílica
eliminação dos
pacotes molhados
através da dissipação
de calor e umidade
Conheça mais sobre estes produtos no site da Planitrade e assista ao vídeo Simpósio-Satélite
“Remoção de Biofilme e Pacotes Secos na Esterilização:
Soluções Inovadoras para Velhos Problemas”, realizado no
8º Simpósio de Esterilização e Controle de Infecção Hospitalar – SOBECC 2012, com os Palestrantes
Fernando Bustamante, Juarez Py de Freitas e Relato de Experiência da Enfª Cristiane Uyeno.
www.planitrade.com.br
Tecnologia e segurança
na redução de infecções hospitalares
Linha Direta de Atendimento 51 3358.6300 | Av. Ceará, 447 – Porto Alegre, RS
21
[email protected]
| www.planitrade.com.br
Rev. SOBECC,
São Paulo. jul./set. 2012;
17(3) 6-27
Acontece SOBECC
Exposição Tecnológica: sucesso total
Cerca de 64 empresas participaram da Exposição Tecnológica
do 8º Simpósio Internacional de Esterilização e Controle de
Infecção Hospitalar. A SOBECC Nacional agradece o apoio desses
expositores em nome dos enfermeiros que atuam em CC, RA e
CMEs. Confiram, a seguir, os estandes que marcaram presença
no evento.
22
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
JoãoMed
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
23
Acontece SOBECC
24
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
HUMAN SP
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
25
Acontece SOBECC
26
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 6-27
27
Hospital em Foco
O Hospital Copa D’Or
segue Protocolo Universal
de segurança do paciente
proposto pela Organização
Mundial de Saúde
Copa D´Or em Copacabana, Rio de Janeiro (RJ)
O Hospital Copa D’Or é referência em tratamentos de
alta complexidade na rede suplementar de saúde no
estado do Rio de Janeiro. Fundado no ano 2000 no
bairro de Copacabana, na capital fluminense, oferece
atendimento geral de elevado padrão, amparado
por estrutura gerencial moderna, equipamentos de
última geração e corpo clínico aberto, composto
por profissionais altamente qualificados. Tudo isso
com adoção das melhores práticas de segurança
operatória em Enfermagem.
O Centro Cirúrgico (CC) do Hospital Copa
D’Or possui 11 salas operatórias (SO),
onde são realizadas cirurgias das mais
diversas especialidades. São, em média, 650
procedimentos anestésico-cirúrgicos por mês,
desde intervenções de pequeno porte, até
os de alta complexidade, como transplantes
Dispondo de equipamentos de última geração e equipe especializada, as SOs da Instituição foram planejadas para oferecer segurança aos clientes, promovendo assistência humanizada aos seus pacientes e
aos seus familiares. As instalações das colunas de
gases e da eletricidade ultrapassam as recomendações de segurança internacionais, e um sistema no
break (baterias) é ligado automaticamente no caso
de queda de luz e geradores que entram em operação mediante qualquer oscilação de energia. O
sistema de iluminação é composto por focos duplos
multiprismáticos, que melhoram a visualização e impedem a formação de sombra. Todas as SOs são
equipadas com filtros antimicrobianos e um sistema
de ar condicionado individualizado. Ainda disponíveis em cada SO, os modernos equipamentos de
anestesia e de monitorização possibilitam constante
e cirurgias cardíacas. O CC é composto,
avaliação dos parâmetros vitais do paciente, auxi-
São mais de 200 leitos disponíveis, distribuídos pelos
setores de Internação, Terapia Intensiva e SemiIntensiva, Pediatria, Urgência e Emergência (adulta
e pediátrica), Unidade Coronariana e Day Clinic.
28
ainda, por área de recepção de pacientes, farmáciasatélite, sala de agendamento cirúrgico, anatomia
patológica, sala de guarda de equipamentos, expurgo,
depósito de material de limpeza, conforto médico e de
enfermagem e vestiários (feminino e masculino).
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 28-30
liando consideravelmente na garantia da segurança
dos clientes cirúrgicos.
encaminha o paciente à SO.
Transoperatório
A equipe de Enfermagem que atua no CC é formada
por uma enfermeira-chefe, dois enfermeiros de rotina,
sete enfermeiros plantonistas, quatro técnicos de
enfermagem (responsáveis pelo agendamento das
cirurgias), cinco técnicos de enfermagem diaristas, 46
técnicos de enfermagem plantonistas, dois assistentes
administrativos e dez auxiliares de serviços gerais.
A gestão do Bloco Cirúrgico é compartilhada por uma
equipe multiprofissional, composta por: diretor técnico,
diretor clínico, gestor médico, supervisora médica,
gerente de enfermagem e chefe de enfermagem. A
gerência da área mensura a qualidade dos processos
assistenciais, acompanhando indicadores como:
sign in, timeout, sign out, marcação do sítio cirúrgico,
cirurgias suspensas, tempo de chegada do paciente
e total de cirurgias.
Pré-Operatório
Imediatamente após a recepção do paciente na SO, é
realizado o sign in. Os dados referentes a esta etapa
são confirmados junto com o anestesista e registrados
no checklist do paciente cirúrgico. Após o paciente ter
sido anestesiado e antes da cirurgia propriamente dita
se iniciar, é realizado o time out (pausa cirúrgica). Em
cada um dos momentos, os dados são confirmados
por algum membro da equipe de enfermagem (técnico
de enfermagem – circulante de sala ou enfermeiro).
Ao término do procedimento, o responsável pela lista
de verificação realiza o sign out. O enfermeiro do
CC checa os dados referentes ao encaminhamento
do paciente, confere o prontuário, assina e carimba
a evolução de enfermagem e o checklist, antes da
liberação. Somente após finalizado o processo, se
faz contato com o setor de destino, passando-se
as informações a respeito do quadro clínico do
paciente.
A equipe de Enfermagem da unidade de internação
apresenta-se ao paciente, familiares e acompanhantes e o identifica com uma pulseira. Depois, orienta-o
sobre jejum e rotinas do setor. Em seguida, afere e
registra os sinais vitais em impresso de balanço e
evolução de enfermagem; preenche o histórico de
Uma das estratégicas de segurança para prevenção
de eventos adversos na SO é a implantação de
processos de verificação pré-operatória, conforme
Enfermagem com anamnese e exame físico, anexa-o
ao prontuário do paciente e confirma a presença dos
termos de consentimento pertinentes ao procedimento a ser realizado. Depois confirma a realização
de marcação do sítio cirúrgico (quando aplicável)
e preenche a parte referente ao encaminhamento
do paciente no checklist cirúrgico, confirmando as
informações com o paciente ou responsável e em
prontuário. Por último, colhe a assinatura do paciente
ou do responsável no checklist.
recomenda o Protocolo Universal da Organização
Mundial de Saúde (OMS). O processo é realizado em
todas as etapas. Na área de recepção do paciente,
no CC, o enfermeiro, ao realizar a admissão, confere:
identificação do paciente, idade, data de nascimento,
tempo de jejum, procedimento anestésico-cirúrgico
proposto, nome do cirurgião responsável, ocorrência
de alergias, termo de consentimento, sítio cirúrgico
e lateralidade demarcada, resultados de exames e
necessidade de algum tipo de precaução específica.
A admissão do cliente no CC é feita pelo enfermeiro,
que checa novamente os dados de identificação e
Além de contar com preparo técnico-científico, a
enfermagem atua em equipe, primando pela comu-
Prevenção de acidentes
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 28-30
29
nicação interpessoal. Todos os componentes da
equipe de enfermagem têm acesso ao gerenciador
de documentos (G Doc), disponível em cada computador na área de trabalho. Neles, além do prontuário
eletrônico do paciente, pode-se ter acesso, também,
às políticas, normas e procedimentos institucionais.
a acreditação hospitalar confere à Instituição uma
comprovação de que suas práticas assistenciais e
de controle de qualidade são pautadas em padrões
de excelência. O cuidado seguro com o paciente
tem como efeito menores taxas de infecção e reinternação, além da diminuição de falhas, eventos
inesperados e erros assistenciais.
Acreditação
O Hospital Copa D’Or é acreditado pela Joint Commission International desde 2007 e obteve recertificação em abril de 2011. Baseando-se na identificação antecipada de riscos, na verificação diária de
atividades, no controle e na auditoria de processos,
AF_anuncio_ageis_21x14.pdf
1
8/12/11
Os investimentos em acreditação geram benefícios
concretos, tanto nos processos assistenciais, quanto
no aumento real de percepção da segurança. Os
resultados são notados na melhoria da assistência
ao paciente, na redução de custos e, principalmente,
no nível de satisfação de clientes e colaboradores.
7:36 PM
Ageis. O sistema que enxerga
até os mínimos detalhes.
A 3Albe é referência nacional na distribuição de
produtos específicos para o segmento hospitalar.
Ela criou e desenvolveu o Sistema Ageis CME,
o método mais inteligente para a completa gestão
de sua CME - Central de Material e Esterilização.
Composto por seis fases, este modelo exclusivo
de monitoramento e rastreabilidade de material
cirúrgico está disponível em módulos que se adaptam
às necessidades de cada hospital. Sistema Ageis CME.
Qualidade total em gerenciamento para sua CME.
Certificados
Certificado de Boas Práticas
de Armazenagem e
Distribuição de Produtos para
a Saúde e Medicamentos
Garantia de Qualidade
www.3albe.com.br
Soluções com qualidade em produtos e serviços à saúde.
Revisão de Literatura
CIRURGIA ROBÓTICA DE REVASCULARIZAÇÃO
MIOCÁRDICA: EM BUSCA DE EVIDÊNCIA CIENTÍFICA NO
USO DA TECNOLOGIA DO SÉCULO XXI*
ROBOTIC SURGERY MYOCARDIAL REVASCULARIZATION: IN SEARCH OF SCIENTIFIC EVIDENCE
ON USING TECHNOLOGY OF THE XXI CENTURY
CIRUGÍA ROBÓTICA LA REVASCULARIZACIÓN MIOCÁRDICA: EN BÚSQUEDA DE LA EVIDENCIA
CIENTÍFICA SOBRE EL USO DE LA TECNOLOGÍA DEL SIGLO XXI
ALVES, Amanda Ferreira Gonçalves; GRASSIA, Rita de Cássia Fernandes; CARVALHO, Rachel de.
“Não importa o quanto essa vida nos obriga a ser sérios, todos nós procuramos alguém para
sonhar, brincar, amar e tudo que precisamos é de uma mão para segurar e um coração para
nos entender.” (Miguel Falabella)
“Dai-nos Senhor, a perseverança das ondas do mar, que fazem de cada recuo, um ponto de
partida para um novo avanço.” (Gabriela Mistral)
RESUMO: Trata-se de uma revisão sistemática
da literatura, que objetivou identificar evidências
científicas relacionadas ao emprego de sistemas
robóticos em cirurgias de revascularização do
miocárdio. A busca foi realizada nas bases de dados
LILACS, BDENF, MEDLINE e CINAHL, nos idiomas
Inglês, Português e Espanhol, com recorte temporal
de dez anos, utilizando-se os descritores: Robótica,
Procedimentos cirúrgicos cardíacos e Procedimentos
cirúrgicos minimamente invasivos; na classificação
do nível de evidência, foram considerados os níveis I
a IV. Das 1.678 publicações encontradas, com os três
descritores combinados no índice permutado, foram
selecionados 13 artigos científicos para fazerem
parte da amostra, todos na língua inglesa e 10 deles
classificados no nível de evidência II. Concluiu-se
que há evidências claras na literatura de que a
cirurgia robótica de revascularização miocárdica
totalmente endoscópica é um meio seguro e eficaz
de revascularização do coração e seu uso na clínica
cardiológica é justificado. Em todos os estudos
analisados, não houve mortalidade operatória e
a maioria das pesquisas evidenciou alta patência
angiográfica e baixa morbidade pós-operatória.
Palavras-chave: Robótica. Procedimentos cirúrgicos
cardíacos. Procedimentos cirúrgicos minimamente
invasivos.
ABSTRACT: This is a systematic literature review,
which aimed to identify scientific evidence related
to the use of robotic systems in coronary artery
bypass grafting. The search was conducted in the
databases LILACS, BDENF, MEDLINE and CINAHL,
in English, Portuguese and Spanish, with time frame
of ten-years, using the descriptors: Robotics, Cardiac
surgical procedures and Minimally invasive surgical
procedures. In the evidence level classification, we
* Trabalho extraído da Monografia de Conclusão do Curso de Pós-Graduação de Enfermagem em Cardiologia e Hemodinâmica
da Faculdade de Enfermagem do Hospital Israelita Albert Einstein (FEHIAE). A publicação deste artigo é a concretização de um
sonho de Amanda, a primeira autora, que faleceu aos 27 anos, no interior de Minas Gerais, vítima de acidente automobilístico.
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 31-42
31
considered the levels I to IV. Of the 1.678 publications
found, combined with the three descriptors exchanged
in the index, 13 papers were selected for inclusion in
the sample, all in English and 10 of them classified as
level II. It was concluded that there is clear evidence
in the literature that surgery robotic coronary artery
bypass graft totally endoscopic is a safe and effective
revascularization of the heart and its use in clinical
cardiology is justified. In all studies analyzed, there
was no operative mortality and most research showed
high angiographic patency and low postoperative
morbidity.
Key words: Robotics; Cardiac surgical procedures;
Surgical procedures, minimally invasive.
RESUMEN: Se trata de una revisión sistemática
de la literatura, que tuvo como objetivo identificar
la evidencia relacionada con el uso de sistemas
robóticos en cirugía de revascularización coronaria.
La búsqueda se realizó en las bases de datos
LILACS, BDENF, MEDLINE y CINAHL, en Inglés,
Portugués y Español, con un recorte temporal
de diez años, utilizando las palabras clave:
Robótica, Procedimientos quirúrgicos cardíacos
y Procedimientos quirúrgicos mínimamente
invasivos; en la clasificación el nivel de evidencia,
fueron considerados los niveles I al IV. De las 1678
publicaciones encontradas, con los tres descriptores
intercambiados en el índice, 13 artículos fueron
seleccionados para su inclusión en la muestra,
todos en inglés y 10 de ellos clasificados como de
nivel de evidencia II. Se concluyó que hay una clara
evidencia en la literatura que la cirugía robótica de
bypass coronario totalmente endoscópica de la
arteria es un injerto de revascularización segura y
efectiva del corazón y su uso en cardiología clínica
está justificado. En todos los estudios analizados,
no hubo mortalidad operatoria y la mayoría de
las investigaciones mostraron alta permeabilidad
angiografica y baja morbidad postoperatoria.
Palabras clave: Robótica; Procedimientos quirúrgicos
cardíacos; Procedimientos quirúrgicos mínimamente
invasivos.
INTRODUÇÃO
A finalidade da Cirurgia de Revascularização do
Miocárdio (CRVM) é restaurar o suprimento de
32
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 31-42
sangue do músculo cardíaco. Este procedimento
cria um novo percurso para o fluxo coronariano,
restaurando o volume e a pressão do sangue para
o alívio dos sintomas decorrentes da hipóxia do
músculo cardíaco.
O primeiro relato de revascularização coronariana
foi de Alexis Carrel, que compreendeu a associação
entre angina pectoris e estenose coronária. Antes
da primeira guerra mundial, ele desenvolveu um
modelo canino de anastomose aorto-coronária
com as artérias carótidas como um condutor. Este
experimento foi um advento para o desenvolvimento
de técnicas cirúrgicas de doenças cardiovasculares,
sendo agraciado com o Prêmio Nobel1.
Porém, foi somente após a segunda guerra mundial
que a CRVM se difundiu. A cirurgia clássica com
circulação extracorpórea, utilizando veia safena e
artéria torácica interna, foi realizada em maiores
proporções, somente no final da década de 1960.
A partir de 1970 a cirurgia foi sistematizada e
estudos multicêntricos, prospectivos e randomizados
compararam o tratamento clínico com o tratamento
cirúrgico na doença aterosclerótica coronária e
evidenciaram que o tratamento cirúrgico reduz a
incidência de morte súbita, melhora a tolerância
ao esforço físico e a sintomatologia clínica, sendo
esses benefícios relacionados à perviabilidade do
enxerto2-3.
Ao longo dos anos, a cirurgia de revascularização
difundiu-se e firmou-se como alternativa para doença
aterosclerótica coronariana.
As CRVM tradicionalmente eram realizadas
por toracotomia mediana transesternal, o que
proporciona amplo acesso às estruturas cardíacas
e grandes vasos. Nessas cirurgias eram também
utilizadas a circulação extracorpórea (CEC) e as
soluções cardioplégicas, a fim de oferecer um campo
operatório estático e exangue, proporcionando mais
conforto ao cirurgião e segurança para o paciente.
Apesar da CRVM oferecer completa revascularização
e excelentes resultados em longo prazo, atualmente
a morbidade cirúrgica permanece entre 10 e 15%,
sendo atribuída principalmente à esternotomia, à
manipulação da aorta e à circulação extracorpórea45
. As complicações pós-operatórias são também
associadas ao aumento significativo da mortalidade,
do tempo de hospitalização e dos custos3-4,6.
Com o objetivo de diminuir a morbidade e a mortalidade
operatória, procurou-se realizar cirurgias menos
agressivas, que proporcionassem recuperação mais
rápida do paciente.
Visando essa recuperação mais rápida, novas tecnologias passaram a ser empregadas nas cirurgias em
geral e, em especial, na cardiologia intervencionista.
Passou-se a realizar um grande número de CRVM
sem CEC, mesmo em pacientes com lesões múltiplas
de artérias coronárias. Paralelamente, foram desenvolvidos cateteres e cânulas especiais de calibre
menor para a instalação da CEC e da cardioplegia,
sem a necessidade de abertura do tórax, constituindo
a base da cirurgia endoscópica.
Mais recentemente, a CRVM robótica oferece a possibilidade de revascularização totalmente endoscópica
(totally endoscopic coronary artery bypass - TECAB)
ou através de pequenas toracotomias (minimally
invasive direct coronary artery bypass - MIDCAB).
A CRVM totalmente endoscópica é realizada com
auxílio de sistemas robóticos.
O termo robô foi empregado inicialmente em 1921
pelo escritor checo Karel Capek. Esse termo vem da
palavra tcheca “robota” que significa “servo”7. Com
o advento da industrialização, os robôs se tornaram
cada vez mais especializados em movimentação
e sensibilidade e passaram a exercer atividades
industriais de grande precisão e dificilmente
realizadas pelas mãos humanas8.
O uso da robótica em cirurgia iniciou-se com o PUMA
560 (Programmable Universal Machine Assembly),
um braço robótico industrial, utilizado po Kwoh e
colaboradores em biópsias cerebrais em 19859. Em
1988 foi realizada a primeira ressecção transureteral
de próstata com o robô, que resultou na criação do
PROBOT, um robô específico para ressecção de
tumores de próstata.
Em 1989 foi criado um sistema robótico para cirurgia
cardíaca, aperfeiçoado em 1993 com comando de
voz, que possibilitava o controle dos braços robóticos
acoplados a uma câmara endoscópica, chamado
AESOP (Automated Endoscopic System for Optimal
Poisitioning)10.
Em 1998 foi introduzido o robô Zeus por Reichenspuner
e colaboradores11. Neste mesmo ano, na Universidade
da Pensilvânia, Damiano e colaboradores publicaram
um estudo com 19 pacientes que realizaram CRVM
assistida com o robô Zeus12. No Canadá, Boyd
e colaboradores realizaram um estudo com 55
pacientes com dissecção da artéria torácica interna
com o robô Zeus, sendo que as anastomoses foram
realizadas manualmente por meio de toracotomia
reduzida. Posteriormente, esse mesmo grupo
realizou a CRVM em seis pacientes com coração
batendo totalmente endoscópica13.
O sistema Da Vinci, hoje o mais empregado em
cirurgias, foi introduzido também em 1998 na CRVM
por Loulmet e colaboradores, com a dissecção
da artéria torácica interna esquerda14. Um estudo
realizado por Mohr e colaboradores destacou
a experiência com o sistema robótico da Vinci,
também com número significativo de casos15. Além
destes, outros dois grupos de cirurgiões publicam
experiências com o mesmo sistema robótico16-17.
As experiências com sistemas robóticos e telemanipulações têm demonstrado sua factibilidade e
inovação no auxílio da realização de cirurgias cardíacas. Entretanto, requerem grande tecnologia e uma
extensa curva de aprendizado.
A evolução tecnológica e a crescente experiência
cirúrgica contribuirão para a expansão dessa nova
era, porém ainda não existe na literatura evidência
clara da equivalência ou superioridade da cirurgia de
revascularização miocárdica com a técnica robótica
em relação à convencional. Por isso, se justifica a
necessidade de uma revisão sistemática de literatura
para identificar evidências científicas sobre o tema.
OBJETIVO
Identificar evidências científicas relacionadas ao
emprego de sistemas robóticos em cirurgias de
revascularização do miocárdio.
MÉTODO
Trata-se de uma pesquisa descritiva, retrospectiva,
de nível I, realizada por meio de revisão sistemática
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 31-42
33
de literatura, com abordagem quantitativa.
Revisões sistemáticas consistem em integrações de
um corpo de pesquisa cuidadosamente elaboradas
e executadas, que costumam levar a metanálises e
metassínteses, desempenhando papel fundamental
no processo de pesquisa e na tentativa de desenvolver
uma prática baseada em evidências18.
Foram incluídos artigos publicados no período de
2001 a 2011, nos idiomas Inglês, Português e Espanhol, nas bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS),
Base de Dados de Enfermagem (BDENF), Literatura
Internacional em Ciências da Saúde (MEDLINE) e
Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL).
Os descritores utilizados foram Robótica, Procedimentos cirúrgicos cardíacos e Procedimentos
cirúrgicos minimamente invasivos, bem como seus
respectivos termos nas línguas inglesa e espanhola, segundo os Descritores em Ciências da Saúde
(DeCS).
Primeiramente os artigos foram analisados e selecionados pelo título e posteriormente pelo resumo,
sendo incluídos na amostra 13 artigos específicos
sobre cirurgia de revascularização miocárdica robótica, todos na língua inglesa.
Após a leitura minuciosa dos artigos, foi preenchido
o roteiro de fichamento das publicações, com dados
de identificação do artigo, instituição sede do estudo,
características metodológicas, amostra, resultados
e conclusão (Anexo).
Foram incluídos na pesquisa somente artigos de nível
I a VI de evidência, baseando-se na classificação
proposta por Galvão19:
• Nível I: metanálise de estudos clínicos controlados;
34
•
Nível II: estudo clínico controlado;
•
Nível III: estudos com delineamento quaseexperimental (caso-controle);
•
Nível IV: estudos com delineamento nãoexperimental, como pesquisa descritiva
correlacional;
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 31-42
•
Nível V: relatórios de caso;
•
Nível VI: opinião de especialistas ou de
comitês de especialistas, com base em
estudos clínicos in vitro ou em animais.
Os 13 artigos foram categorizados por ano de
publicação, base de dados, categorias temáticas e
assunto, sendo apresentados quantitativamente por
meio de tabelas e quadros. Posteriormente, foram
discutidos seus níveis de evidência, considerando
somente aqueles incluídos nos critérios propostos
por Galvão19.
RESULTADOS
A revisão sistemática realizada envolveu um total de
1.678 publicações científicas, com os três descritores
combinados no índice permutado nas três línguas
(Inglês, Português e Espanhol), nas bases de dados
CINAHL, LILACS, BDENF e MEDLINE.
Foram destacados os tipos de estudos por níveis
de evidência, de acordo com o critério de Galvão19.
Após leitura dos títulos e resumos, as publicações
foram reduzidas a 13 artigos, todos no idioma Inglês,
considerando-se o recorte temporal de dez anos
(de 2001 a 2011) e que tinham cirurgia robótica de
revascularização miocárdica como tema central.
Os resultados da busca nas bases de dados estão
apresentados nas tabelas a seguir.
Tabela 1. Publicações selecionadas para fazer parte
da amostra, segundo base de dados.
Base de
dados
Número de
publicações
Percentagem
CINAHL
09
69,2%
MEDLINE
02
15,4%
LILACS
01
7,7%
BDENF
01
7,7%
Total
13
100,0%
A Tabela 1 demonstra que nove (69,2%) dos 13 artigos
selecionados para fazerem parte da amostra deste
estudo foram encontrados na base de CINAHL.
Tabela 2. Publicações selecionadas para fazer parte
da amostra, segundo ano de publicação.
Ano de
publicação
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
Total
Número
Percentagem
01
01
02
05
01
02
01
13
7,7%
7,7%
15,4%
38,4%
7,7%
15,4%
7,7%
100,0%
Procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos
como descritor, seguidos de três (23,1%) artigos com
Procedimentos cirúrgicos cardíacos e apenas dois
(15,4%) utilizando o descritor Robótica.
O quadro da página a seguir apresenta 11 dos 13
artigos selecionados como amostra deste estudo,
classificados segundo o nível de evidência proposto
por Galvão19, lembrando-se que foram considerados
os níveis de I a IV, o que justifica a ausência de
dois trabalhos. Também são apresentados segundo
tipo de estudo, país de origem, número de casos
analisados e complicações decorrentes da CRVM
robótica.
Dez artigos são classificados no nível de evidência
II, tratando-se de estudos clínicos controlados, e um
no nível IV, por se tratar de uma pesquisa descritiva
correlacional19.
De acordo com a Tabela 2, o ano 2006 concentrou
maior número de publicações sobre Cirurgia de
Revascularização do Miocárdio (CRVM) robótica,
com cinco (38,4%) artigos publicados, seguidos dos
anos 2005 e 2008, ambos com dois (15,4%) artigos
cada um. Não foram encontradas publicações sobre
o tema nos anos 2001, 2003, 2009 e 2010, nas quatro
bases de dados pesquisadas.
Apesar de todos os trabalhos terem sido publicados
em Inglês, sete artigos são provenientes dos Estados
Unidos, dois da Alemanha, um do Canadá e um da
Austrália. A quase totalidade das publicações tratouse de estudos clínicos controlados, realizados com
o mínimo de 15 e o máximo de 150 pacientes, com
ou sem CEC. A variação de dias de internação foi
entre três (mínimo) e 8,6 (máximo).
Tabela 3. Caracterização das publicações selecionadas para fazerem parte da amostra, segundo
descritores e assuntos.
As complicações relatadas foram: conversão para
esternotomia, hemorragia, disfunção renal e Acidente
Vascular Cerebral (AVC). Em nenhum dos casos
estudados em todos os trabalhos analisados houve
mortalidade perioperatória.
Assunto /
Descritor
Procedimentos
cirúrgicos
minimamente
invasivos
Número de
publicações
08
Procedimentos
cirúrgicos
cardíacos
Robótica
Total
Percentagem
61,5%
DISCUSSÃO
03
23,1%
A introdução de novos procedimentos em cirurgia
cardíaca é uma fase crítica, que inclui curvas de
aprendizagem e o risco de aumento da morbidade
e/ou da mortalidade. A revascularização do miocárdio
totalmente endoscópica usando técnicas de robótica
representa tal procedimento inovador.
02
13
15,4%
100,0%
Na Tabela 3 estão divididos os 13 artigos, de
acordo com os DeCS, podendo-se verificar que a
maioria dos estudos (oito ou 61,5%) incluídos tinha
Na cirurgia cardíaca e, especificamente, na cirurgia
de revascularização miocárdica, a adoção de técnicas
minimamente invasivas robóticas é um desafio, devido
às seguintes razões: as abordagens endoscópicas
aumentam ainda mais o grau de complexidade da
cirurgia, a dificuldade de coleta e anastomose dos
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 31-42
35
Quadro 1. Classificação dos estudos sobre cirurgia robótica de revascularização do miocárdio, segundo
autores, país de origem, nível de evidência, número de casos analisados, caridioplegia, tempo de hospitalização e complicações.
País de
origem
Tipo de
estudo
Nível de
evidência
Número
de casos
(N)
Cardioplegia
Tempo de
permanência
hospitalar
Conversão para
esternotomia
Reversão
de hemorragia
Disfunção renal
AVC
Mortalidade
perioperatória
EUA
Clínico
controlado
multicêntrico
Nível II
98
Com
cardioplegia
7,5 dias
5
3
0
0
0
Bonatti et al21
Austrália
Clínico
controlado
Nível II
40
Com
cardioplegia
5,1 dias
9
3
1
0
0
Kiaii et al22
Canadá
Clínico
controlado
Nível II
58
Sem
cardioplegia
4,5 dias
2
3
-
1
0
Subramanian
et al23
EUA
Clínico
controlado
Nível II
30
Sem
cardioplegia
4,0 dias
1
2
-
-
0
Turner et al24
EUA
Clínico
controlado
Nível II
70
Sem
cardioplegia
5,7 dias
3
2
0
0
0
Srivastava
et al25
EUA
Clínico
controlado
Nível II
150
Sem
cardioplegia
3,6 dias
2
4
-
0
0
EUA
Clínico
controlado
caso-controle
Nível II
15
Sem
cardioplegia
3,7 dias
0
-
-
-
0
EUA
Clínico
controlado
randomizado
Nível II
100
Sem
cardioplegia
3,8 dias
0
-
3
-
0
Canniere et
al28
Alemanha
Clínico
controlado
multicêntrico
Nível II
90
Com
cardioplegia
6,0 dias
27
-
0
1
0
Dogan et al29
Alemanha
Relato de
caso
Nível IV
45
Com
cardioplegia
8,6 dias
7
2
0
1
0
Derose et al30
EUA
Clínico
controlado
Nível II
37
Sem
cardioplegia
3,0 dias
1
1
-
0
0
Autores
Argenziano
et al20
Kon et al
26
Poston et al27
36
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 31-42
vasos é maior, o acesso às estruturas cardíacas por
minitoracotomias é mais difícil, o tempo operatório
é prolongado, a necessidade ou não do uso de
circulação extracorpórea e de soluções cardioplégias
e a possibilidade de eventos adversos intra e pósoperatórios24,27,31.
Um desses desafios é a dificuldade de coleta dos
vasos, pois o cirurgião não tem a visão do campo
operatório aberto. Além disso, há uma diminuição
considerável do espaço, uma vez que não há abertura
do tórax por meio de esternotomia. A dificuldade de
coleta do vaso está ligada diretamente ao tempo
gasto para coleta e à experiência do cirurgião27,29,32.
Quadro 2. Tempo de coleta da artéria mamária
interna por meio da tecnologia robótica.
Autores
Número de
casos (N)
Tempo médio de
coleta da artéria
mamária interna
Bonatti J, Schachner T,
Bernecker O, Chevtchik O,
Bonaros N, Ott H, Friedrich
G et al21
40 pacientes
35 ± 85 minutos
Kiaii B, McClure RS, Stitt L,
Rayman R, Dobkowski WB,
Jablonsky G et al22
58 pacientes
66 ± 22 minutos
Dogan S, Aybek T,
Andressen E, Byhahn C,
Mierdl S, Westphal K et al29
37 pacientes
65 ± 21 minutos
O Quadro 2 evidencia o tempo de coleta robótica
da artéria mamária interna, segundo alguns estudos
selecionados21-22,29. Pesquisadores relatam que o
sistema robótico da Vinci é seguro e viável para coleta
multiarterial na CRVM através de minitoracotomia
lateral. Porém, o acompanhamento de patência do
enxerto é necessário e a dor pós-operatória pode ser
reduzida com analgesia intensa25.
As abordagens por minitoracotomias são mais
dolorosas que a transesternal, especialmente se
houver afastamento prolongado das costelas. Em
pacientes com diabetes e obesos, o índice de
infecção da minitoracotomia pode ser maior, devido
à maior manipulação e ao maior tempo de exposição
pela dificuldade em visualizar a área cardíaca31.
Em relação à perviabilidade do enxerto, autores22
compararam a qualidade de artérias torácicas internas
esquerdas colhidas pelo método convencional aberto
com técnicas minimamente invasivas por videoscopia
e robótica assistida, em um estudo prospectivo com
150 pacientes. A artéria torácica interna esquerda
foi colhida por meio de três abordagens diferentes,
com 50 pacientes consecutivamente atribuídos
a cada grupo. Os pacientes do grupo sem CEC
foram submetidos à esternotomia mediana, com
visualização direta.
O sistema automatizado empregou o AESOP 3000
para robótica assistida com visualização manual
endoscópica no segundo grupo. No terceiro grupo
foi empregado o robô Zeus e a colheita da artéria
torácica interna foi feita por via remota a partir de
um console cirúrgico. Posteriormente, foi realizada
angiografia no primeiro dia de pós-operatório para
avaliar a qualidade da artéria torácica interna e sua
permeabilidade, não havendo diferença significativa
na taxa angiográfica da patência das artérias colhidas
nos três grupos22.
Apesar do estudo anterior ter descrito que não há
diferença pelo método de coleta do vaso em relação
à sua permeabilidade, ainda estão sendo desenvolvidos dispositivos robóticos para facilitar a anastomose
dos vasos na CRVM. Práticas menos invasivas e
estratégias cirúrgicas utilizando sofisticados sistemas
robóticos têm sido aplicados para facilitar o acesso
ao procedimento totalmente endoscópico na área
cardíaca e diminuir o tempo cirúrgico24,29.
Aperfeiçoar as técnicas cirúrgicas endoscópicas e as
tecnologias robóticas, com a finalidade de reduzir as
complicações pré e pós-operatórias, tem sido cada
vez mais o foco das equipes de cirurgia cardíaca e
dos grandes centros hospitalares. Alguns estudos
relacionam a eficácia da cirurgia, a mortalidade
intraoperatória e as complicações relacionadas
ao tempo de permanência hospitalar (Quadro 1).
A redução da permanência intra-hospitalar reflete
menor custo e qualidade da assistência20-30.
Um estudo com tecnologia robótica em revascularização do miocárdio, através de uma pequena
toracotomia, com o coração batendo e sem o uso
de circulação extracorpórea foi realizado com 70
pacientes, verificando-se que o tempo médio operatório foi de 4 horas e 3 minutos. O tempo médio
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 31-42
37
operatório por caso para os primeiros 10 casos foi
de 5 horas e 56 minutos. Este tempo diminuiu para
3 horas e 52 minutos durante os últimos 10 casos
da pesquisa, o que evidencia a melhora na curva de
aprendizagem. As complicações pós-peratórias incluíram: transfusões (10,0%), fibrilações atriais (8,5%),
reoperações por sangramento (2,8%) e infecções
(2,8%). Não houve nenhum tipo de comprometimento
neurológico, insuficiência renal, ventilação superior a
1 dia e a taxa de mortalidade operatória também foi
nula. A duração média de permanência pós-operatória foi de 5,7 dias. Desta forma, o estudo ressalta
que o tempo operatório diminuiu com a experiência
do cirurgião24.
Os resultados descritos acima estão em concordância
com os apresentados em outra pesquisa 21, que
diferentemente do estudo anterior, utilizou CEC
e soluções cardioplégicas. Quarenta pacientes
realizaram CRVM robótica com o telemanipulador
da Vinci. Todos os pacientes foram submetidos
à perfusão de acesso remoto e à CEC, por meio
de acesso femural e todas as anastomoses foram
realizadas após a cardioplegia. Ocorreram eventos
indesejáveis de vários graus, com complicações em
20 dos 40 pacientes (50%), incluindo: hemorragia
(três pacientes ou 8%), problemas de acesso
remoto de perfusão (nove ou 23%), sangramento
da anastomose (quatro ou 10%), estenose da
anastomose (dois 5%). Não houve mortalidade
hospitalar21.
As dificuldades técnicas durante a cirurgia de revascularização do miocárdio totalmente endoscópica
traduziram acentuadamente maior tempo operatório,
tempo de ventilação moderadamente prolongada
no pós-operatório e a permanência hospitalar aumentou ligeiramente. Entretanto, a sobrevivência
a curto prazo e a ausência de angina não foram
comprometidas21.
A busca por menor tempo de internação também é
abordado por um grupo de pesquisadores que estudaram 23 pacientes submetidos à minitoracotomia
e que realizaram a cirurgia robótica de revascularização miocádica. Não houve mortalidade hospitalar
e, após 30 dias de acompanhamento, 97% dos pacientes foram extubados na mesa de operação. No
prazo de 24 horas após a cirurgia, 50% dos pacientes
receberam alta, 17% tiveram alta em 36 a 48 horas
38
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 31-42
e o restante em 72 horas23.
Em concordância com o estudo acima, outra pesquisa
evidenciou que, no procedimento de cirurgia de
revascularização miocádica híbrida (TECAB) e
angioplastia, o tempo de intubação, a permanência
na terapia intensiva, a permanência hospitalar e a
morbidade perioperatória foram significativamente
menores. Os custos intraoperatórios foram
aumentados, porém os pós-operatórios foram
menores26.
Tais resutados também têm pontos concordantes com
um estudo20 realizado com 98 pacientes submetidos à
CRVM com CEC e que utilizaram a oclusão do balão
endoclampeio e toracoscopia. Todos os aspectos
do procedimento foram realizados com o sistema
robótico, desde a colheta da artéria mamária interna
até a anastomose coronariana. Em 85 pacientes (69
homens, idade 58 ± 10 anos) que foram submetidos a
TECAB, o tempo médio de CEC foi de 117 ± 44 minutos, o tempo de pinçamento foi de 71 ± 26 minutos e
o tempo de internação hospitalar foi de 5,1 ± 3,4 dias.
Houve cinco (6%) conversões para esternotomia; não
houve mortalidade operatória ou acidentes vasculares
cerebrais, mas houve uma reintervenção precoce e
um infarto do miocárdio.
TECAB foi realizado com ausência de mortalidade,
baixa morbidade e patência angiográfica e as taxas de
reintervenção coincidem com as dos estudos anteriormente citados. Embora o uso de CEC tenha sido uma
limitação da técnica, esta experiência representou um
passo em direção a procedimentos mais avançados,
como multiarteriais ou sem CEC TECAB20.
As complicações pós-operatórias encontradas pelos
autores dos trabalhos citados anteriormente se
assemelham a um estudo multicêntrico europeu28,
que descreve uma experiência maior na literatura com
revascularização robótica totalmente endoscópica do
miocárdio especificamente relacionado à viabilidade
processual, segurança e eficácia. Entre setembro
de 1998 e novembro de 2002, 228 pacientes com
doença arterial coronariana foram submetidos à
cirurgia de revascularização do miocárdio totalmente
endoscópica com o Sistema da Vinci em cinco
instituições europeias. O estudo foi randomizado e
as cirurgias ocorreram sem CEC e sem cardioplegia.
Os pacientes foram submetidos a eletrocardiograma,
angiografia ou estresse pós-operatório e foram
acompanhados por seis meses28.
A viabilidade do procedimento foi demonstrada através
da realização de 164 casos de sucesso totalmente
endoscópica. Sessenta e quatro pacientes tiveram a
conversão para procedimentos não robóticos. Porém,
os autores enfatizam que as taxas de conversão
diminuíram com o tempo de experiência da equipe
de cirurgia. A eficácia processual global, conforme
definido pela patência angiográfica ou a falta de
sinais de isquemia na eletrocardiografia de esforço,
foi de 97%. A incidência de eventos cardíacos
adversos maiores em 6 meses foi de 5%28.
As limitações da maioria dos estudos estão nos
tempos de acompanhamento dos pacientes após
o procedimento robótico, pois, por ser um método
relativamente novo, não há estudos que tenham
acompanhamento a longo prazo. Assim, não há
evidência clara sobre a patência do enxerto por
até 10 anos, como na CRVM clássica. Além disso,
há comparação de estudos com CEC e sem CEC,
porém não houve diferença significativa.
Para a enfermagem é impressindível o conhecimento
dos processos e das complicações que envolvem as
cirurgias robóticas de revascularização miocárdica,
pois a tendência mundial é a ampliação dessa
nova tecnologia. Sendo a equipe de enfermagem
responsável pelos cuidados pós-operatórios e pela
identificação das complicações, torna-se primordial
o entendimento das relações cirúrgicas frente à
tecnologia robótica. Esses cuidados proporcionam
uma intervenção mais rápida e a correção do
problema, uma vez que, quanto mais o enfermeiro
tem conhecimento das complicações, mais cedo elas
são abordadas.
Por isso, a impotância da atuação do enfermeiro
especialista em cardiologia nas unidades cardiológicas
de pacientes críticos. Dados como altas taxas
de conversões e hemorragias só não afetaram a
taxa de morbidade, devido à identificação precoce
do problema e à intervenção adequada, rápida e
precisa.
Além disso, especificamente o enfermeiro especialista em cardiologia pode atuar diretamente na instrumentação cirúrgica do procedimento, na pevisão
e provisão de recursos que são específicos para tal
procedimento e na garantia do funcionamento adequado do console e dos braços robóticos.
Assim, cabe ao enfemeiro, como gestor da assistência, conhecer essa nova tecnologia, que diminui significativamente o tempo de permanência e
promove menor tempo de internação do paciente
na terapia intensiva, menor tempo de internação
hospitalar, alta rotatividade e qualidade da assistência, proporcionando mais segurança e menor custo
pós-operatório.
CONCLUSÃO
A revisão sistemática realizada envolveu um total
de 1.678 publicações científicas, com os descritores
Robótica, Procedimentos cirúrgicos cardíacos e
Procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos
combinados no índice permutado, nos idiomas Inglês,
Português e Espanhol. Após leitura dos títulos e
resumos, os trabalhos foram reduzidos a 13 artigos,
todos na língua inglesa, publicados entre 2001 e
2011. Foram destacados os tipos de estudos por
níveis de evidência, encontrando-se 10 pesquisas
classificadas no nível II de evidência.
Há evidências claras na literatura de que a cirurgia
robótica de revascularização miocárdica totalmente
endoscópica é um meio seguro e eficaz de
revascularização do coração e seu uso na clínica
cardiológica é justificado. Em todos os estudos
analisados, não houve mortalidade operatória.
A maioria das pesquisas evidenciou alta patência
angiográfica e baixa morbidade pós-operatória.
Houve altas taxas de conversão em alguns estudos
isolados para toracotamia e complicações pósoperatórias, porém tais complicações não afetaram
as taxas de mortalidade. As taxas de reintervenção
foram variáveis e estavam ligadas à experiência da
equipe cirúrgica. É universalmente sabido que tais
taxas se alteram conforme o estágio da curva de
aprendizado que o cirurgião se encontra.
A simulação irá desempenhar um papel importante
na redução da curva de aprendizagem, tanto do cirurgião principal, quanto da equipe em treinamento,
especialmente quando procedimentos mais complexos forem realizados. Técnicas híbridas continuarão
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 31-42
39
a ser parte integrante da abordagem da doença
coronariana arterial.
Atualmente, a maioria dos pacientes tem alta de
forma segura, em média, 36 horas após a cirurgia e
rápido retorno às atividades diárias. Este é mais um
indício de que a revascularização do miocárdio totalmente endoscópica pode ser implementada de forma
segura em um programa de cirurgia cardíaca.
REFERÊNCIAS
1. American College of Cardiology and the American
Heart Association. Guidelines for Coronary Artery
Bypass Graft Surgery. J Am Coll Cardiol. 1999;
34(4):1265-347.
2. Coronary Artery Surgery Study (CASS): a
randomized trial of coronary artery bypass surgery:
survival data. Circulation [Internet]. 1983. [cited 2011
Jul 03]:68(5):939-50. Available from: http://www.ncbi.
nlm.nih.gov/pubmed/6137292
3. Stamou SC, Hill PC, Dangas G, Pfister AJ, Boyce
SW, Dullum MK, et al. Stroke after coronary bypass:
incidence, predictors and clinical outcome. Stroke
2001;32(7):1508-13.
4. Antunes PE, Oliveira JF, Antunes MJ. Predictors
of cerebrovascular events in patients subjected
to isolated coronary surgery: the importance of
aortic cross-clamping. Eur J Cardiothorac Surg.
2003;23(3):328-33.
5. Shroyer AL, Coombs LP, Peterson ED, Eiken
MC, DeLong ER, Chen A, et al. Society of Toracic
Surgeons: 30-day operative mortality and morbity risk
models. Ann Thorac Surg 2003;75(6):1854-56.
6. Bucerius J, Gummert JF, Borger MA, Walther T,
Doll N, Onnasch JF, et al. Stroke after cardiac surgery:
a risk factor analysis of 16,184 consecutive adult
patients. Ann Thorac Surg 2003;75(2):472-8.
Paulo (SOCESP) 2003;6:744-57.
9. Kwoh YS, Hou J, Jonckheere EA, Hayati S. A robot
with improved absolute positioning accuracy for CT
guided stereotactic brain surgery. IEEE Trans Biomed
Eng. 1988;35(2):153-61.
10. Mettler L, Ibrahim M, Jonat W. One year of experience working with the aid of a robotic assistant (the
voice-controlled optic holder AESOP) in gynecological
endoscopic surgery. Oxford J. 1998;3(10):2748-50.
11. Detter C, Boehm DH, Reichenspuner H, Deuse
T, Arnol M, Reichart B. Robotically-assisted coronary
artery surgery with and without cardiopulmonary
bypass - from first clinical use endoscopic operation.
Med Sci Monit. 2002;8(7):118-23.
12. Damiano Jr RJ, Ehrman WJ, Ducko CT, Tabaie HA,
Stephenson Jr ER, Kingsley CP, et al. Initial United
States clinical trial of robotically assisted endoscopic
coronary artery bypass grafting. J Thorac Cardiovasc
Surg. 2000;119(1):77-82.
13. Boyd WD, Rayman R, Desai ND, Menkis AH,
Dobkowski W, Ganapathy S, et al. Closed-chest
coronary artery bypass grafting on the beating
heart with the use of a computer- enhanced
surgical robotic system. J Thorac Cardiovasc Surg.
2000;120(4):807-9.
14. Loumet D, Carpentier A, D’Attelis N, Berrebi
A, Cardon C, Ponzio O, et al. Endosopic coronary
artery bypass grafiting with the aid of robotic
assisted instruments. J Thorac Cardiovasc Surg.
1999;118(1):4-10.
15. Mohr FW, Falk V, Diegeler A, Walther T, Gummert
JF, Bucerius J, et al. Computer-enhancer “robotic”
cardiac surgery: experience in 148 patients. J Thorac
Surg. 2002;73(2):505-10.
7. Lanfranco AR, Castellanos AE, Desai JP, Meyers
WC. Robotic surgery: a current persective. Ann Sur.
2004;239(1):14-21.
16. Dogan S, Aybek T, Andressen E, Byhahn C,
Mierdl S, Westphal K, et al. Totally endoscopic
coronary artery bypass with robotically enhanced
telemanipulation: report of forty five cases. J Thorac
Surg. 2002;123(6):1125-31.
8. Dallan LA, Lisboa LAF, Abreu Filho CAC. Robótica
em cirurgia cardíaca. Rev Soc Cardiol Estado São
17. Karperr U, Schneider J, Cichon R, Gulielmos V,
Tugtekin SM, Nicolai J, et al. Development of robotic
40
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 31-42
enhanced endoscopic surgery for the treatment of
coronary artery disease. Circulation. 2001;104(Suppl
1):1102-7.
18. Polit DF, Beck CT. Fundamentos de pesquisa
em enfermagem: avaliação de evidências para a
prática da enfermagem. 7ª ed. Porto Alegre: Artmed;
2011. Revisão da literatura: localização e análise de
evidências; p.196-220.
19. Galvão CM. Níveis de evidência. Acta Paul
Enferm. 2006;19(2):10-2.
20. Argenziano M, Katz M, Bonatti J, Srivastava S,
Murphy D, Poirier R, et al. Results of the prospective
multicenter trial of robotically assisted totally
endoscopic coronary artery bypass grafting. Ann
Thorac Surg. 2006;81(5):1666-74.
21. Bonatti J, Schachner T, Bernecker O, Chevtchik
O, Bonaros N, Ott H, et al. Robotic totally endoscopic
coronary artery bypass: program development and
learning curve issues. J Thorac Cardiovasc Surg.
2004;127(2):504-10.
22. Kiaii B, McClure RS, Stitt L, Rayman R, Dobkowski
WB, Jablonsky G, et al. Prospective angiographic
comparison of direct, endoscopic, and telesurgical
approaches to harvesting the internal thoracic artery.
Ann Thorac Surg. 2006;82(2):624-8.
23. Subramanian V, Patel N, Patel N, Loulmet D.
Robotic assisted multi-vessel minimally invasive
direct coronary artery bypass with port-access
stabilization and cardiac positioning: paving the way
for outpatient coronary surgery? Ann Thorac Surg.
2005;79(5):1590-6.
24. Turner WF, Sloan JH. Robotic-assisted coronary
artery bypass on a beating heart: initial experience
and implications for the future. Ann Thorac Surg.
2006;82(3):790-4.
B, Grant, et al. Simultaneous hybrid coronary
revascularization reduces postoperative morbidity
comparedwith results from conventional off-pump
coronary artery bypass. J Thorac Cardiovasc Surg.
2008;135(2):367-75.
27. Poston RS, Tran R, Collins M, Reynolds M,
Connerney I, Reicher B, et al. Comparison of economic
and patient outcomes with minimally invasive versus
traditional off-pump coronary artery bypass grafting
techniques. Ann Surg. 2008;248(4):638-48.
28. Canniere D, Wimmer-Greinecker G, Cichon R,
Gulielmos V, Van Praet F, Seshadri-Kreaden U, et al.
Feasibility, safety, and efficacy of totally endoscopic
coronary artery bypass grafting: multicenter
European experience. J Thorac Cardiovasc Surg.
2007;134(7):710-6.
29. Dogan S, Aybek T, Andressen E, Byhahn C,
Mierdl S, Westphal K, et al. Totally endoscopic
coronary artery bypass grafting on cardiopulmonary
bypass with robotically enhanced telemanipulation:
report of forty-five cases. J Thorac Cardiovasc Surg.
2002;123(6):1125-31.
30. Derose Jr JJ, Balaram SK, Ro C, Swistel DG,
Singh V, Wilentz JR, et al. Mid-term results and
patient perceptions of robotically-assisted coronary
artery bypass grafting. Interact Cardiovasc Thorac
Surg. 2005;4(5):406-11.
31. Bonatti J, Schachner T, Bonaros N, Lher EL,
Zimrim D, Griffth B. Robottically assisted totally
endoscopic coronary bypass surgery. Circulation.
2011;124(2):236-44.
32. Bonatti J, Schachner T, Bonaros N, Ohlinger A, Danzmayr M, Jonetzko P, et al. Technical challenges intotally
endoscopic robotic coronary artery bypass grafting. J
Thorac Cardiovasc Surg. 2006;131(1):146-53.
25. Srivastava S, Gadasalli S, Agusala M, Kolluru
R, Naidu J, Shroff M, et al. Use of bilateral internal
thoracic arteries in CABG through lateral thoracotomy
with robotic assistance in 150 patients. Ann Thorac
Surg. 2006;81(3):800-6.
26. Kon ZN, Brown EN, Tran R, Joshi A, Reicher
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 31-42
41
Autoras
Amanda Ferreira Gonçalves Alves
Enfermeira, Graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Especialista em Enfermagem em
Cardiologia e Hemodinâmica pela Faculdade de Enfermagem do Hospital Israelita Albert Einstein (FEHIAE).
Rita de Cássia Fernandes Grassia
Enfermeira, Especialista em Cardiologia pelo Instituto Dante Pazzanese - Modalidade de Residência
Cardiovascular, Mestre em Enfermagem pela Universidade de São Paulo (USP), Doutoranda em Ciências
na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Docente dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação da
FEHIAE. E-mail: [email protected].
Rachel de Carvalho
Enfermeira, Especialista em Cardiologia e Centro Cirúrgico, Mestre e Doutora em Enfermagem pela Escola
de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), Docente dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação
da FEHIAE.
42
Artigo Original
HUMANIZAÇÃO NO CENTRO CIRÚRGICO: A PERCEPÇÃO DO
TÉCNICO DE ENFERMAGEM
HUMANIZATION IN SURGERY CENTER: THE PERCEPTION OF NURSING TECHNICIAN
HUMANIZACIÓN NO CENTRO DE CIRUGÍA: LA PERCEPCIÓN DEL TÉCNICO DE ENFERMERÍA
OLIVEIRA JUNIOR, Nery José de; MORAES, Clayton dos Santos; MARQUES NETO, Shana.
RESUMO: O objetivo do estudo foi analisar a percepção dos técnicos de enfermagem em relação à
humanização no Centro Cirúrgico (CC). Trata-se de
um estudo qualitativo, descritivo-exploratório, que
utilizou um questionário entrevista semi-estruturado. A amostra constituiu-se de 25 técnicos de enfermagem atuantes no CC de um hospital privado na
cidade de Porto Alegre (RS). A humanização do cuidado foi interpretada como um processo que visa
melhorar o atendimento ao cliente, proporcionandolhe bem-estar, acolhimento e que envolve interação
entre equipe e paciente. O acolhimento é traduzido
como o ato de dar proteção e guarida. Envolve ética, atendimento igualitário, individualizado, responsabilização, cuidado e apoio ao paciente. Entre as
medidas de humanização adotadas destacou-se a
atenção ao paciente nos momentos de admissão
e o preenchimento do checklist de cirurgia segura.
Esse grupo de profissionais considera importante a
assistência humanizada, porém, na prática profissional, encontra dificuldades na efetiva implementação, devido à demanda de trabalho, em especial,
o burocrático.
Palavras-chave: Humanização da assistência.
Equipe de enfermagem. Centro cirúrgico hospitalar.
ABSTRACT: The objective was to analyze the
perceptions of nursing technicians in relation to
the humanization in the Surgical Center. It is a
qualitative study, descriptive exploratory, that used
a semi-structured questionnaire. The sample was
composed of 25 technicians in nursing working in a
surgical center of a private hospital in Porto Alegre
(RS). The humanization of care was interpreted as
a process designed to improve customer service,
providing welfare, acceptance and that involves
interaction between staff and patient. The acceptance
is translated as the act of giving protection and shelter.
It involves ethic, egalitarian service, individualized,
accountability, care and support to the patient.
Among the measures of humanization adopted the
highlight was patient care at times of admission and
filling in the checklist for safe surgery. This group
of professionals consider humanized assistance
important, but in professional practice, face difficulties
in its the effective implementation, due to demand for
labor in particular, the bureaucratic.
Key words: Humanization; Nursing team; Surgical
center.
RESUMEN: El objetivo fue analizar las percepciones
de los técnicos de enfermería en relación a la
humanización del Bloque Quirúrgico. Estudio
cualitativo, descriptivo. Utilizamos la entrevista
semi-estructurada. La población estuvo constituida
por 25 asistentes de enfermería en un quirófano
en un hospital privado de Porto Alegre (RS). La
humanización del cuidado de enfermería fue
interpretado como un proceso destinado a mejorar
el servicio al cliente, proporcionándole bienestar,
atención que envuelve la interacción entre el
personal y los pacientes. El acogimiento es traducido
como el acto de dar protección y refugio. Incluye ética,
servicio igualitario, individualizado, responsabilidad,
cuidado y apoyo a los pacientes. Entre las medidas
adoptadas se destacaron la atención humanizada al
momento de su ingreso y en el rellenar el checklist
de la cirugía segura. Este grupo de profesionales
consideró importante el cuidado humanizado, pero
en la práctica profesional se enfrenta con dificultades
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 43-49
43
en la efectiva aplicación debido a la sobrecarga de
trabajo, en particular, la burocrática.
conhecer este processo e utilizá-lo como facilitador
no desempenho de suas funções4.
Palabras clave: Humanización; Grupo de enfermería; Quirófano
O estudo proposto advém do interesse em analisar
as percepções dos técnicos de enfermagem que
atuam no CC de um hospital privado da região
sul do país sobre o processo de humanização. O
diagnóstico realizado servirá de subsídio para futuras
ações gerenciais que buscam uma assistência de
enfermagem qualificada e comprometida com o
paciente.
INTRODUÇÃO
A relação entre a equipe de enfermagem e o
paciente cirúrgico é de fundamental importância
para a percepção e a experiência cirúrgica. A
atmosfera que envolve o paciente no período
perioperatório (pré, trans e pós-operatório) pode
incluir sentimentos, como medo do desconhecido,
da morte, comprometimento da relação do paciente
com seus familiares, preocupação com o retorno
ao trabalho, entre outros. A experiência cirúrgica
é subjetiva e requer um cuidado humanizado,
qualificado e seguro.
OBJETIVO
Analisar o processo de humanização da assistência
de enfermagem em um Centro Cirúrgico, a partir da
percepção dos técnicos de enfermagem.
MÉTODO
O cuidado pode ser expresso de duas formas:
como forma de sobrevivência ou como forma de
carinho, onde há o interesse por outra pessoa
e quando se deseja o bem estar do outro. Este
último não se refere apenas a um bem estar físico
(conforto ou ausência de dor), mas também ao bem
estar emocional, gerado por segurança, confiança,
comunicação e demonstrações de carinho1.
Trata-se de um estudo qualitativo, descritivoexploratório, desenvolvido no Centro Cirúrgico (CC)
de um hospital privado do sul do país, localizado
no município de Porto Alegre (RS). O hospital
mencionado presta atendimento de urgência,
emergência e internações. São realizadas cirurgias
de pequeno, médio e grande porte, diagnósticos
laboratoriais e de imagem.
A estrutura do Centro Cirúrgico (CC) está cada
vez mais sofisticada e burocrática, tornando-se
menos humanizada e mais tecnicista. Assim sendo,
a equipe de enfermagem deve ter prudência para
que o cliente não se torne somente um paciente a
mais, outro procedimento, outro tratamento ou um
número de prontuário, de forma a não valorizar a
sua própria identidade e individualidade.
O CC em estudo possui um quadro funcional de
86 técnicos de enfermagem, divididos nos turnos
manhã, tarde, noite 1 e noite 2. A coleta dos dados
foi realizada durante o mês de fevereiro de 2010,
período em que estavam atuando 66 técnicos, sendo
que seis estavam em licença e 14 estavam em férias.
Aceitaram participar do estudo 25 trabalhadores
atuantes durante o período de coleta, representando
37% do quadro de funcionários ativos.
A busca pela humanização prestada no CC não se
limita apenas ao atendimento prestado ao paciente,
mas se preocupa com a satisfação do mesmo e
estende-se aos familiares, vindo ao encontro dos
objetivos propostos para a cura2-3.
Humanizar caracteriza-se por colocar a cabeça e
o coração na tarefa a ser desenvolvida, entregarse de maneira sincera e leal ao outro e saber ouvir
com ciência e paciência as palavras e os silêncios,
integrando, junto à filosofia da enfermagem, de
modo a valorizar a essência humana para a
efetividade do cuidado. Cabe a toda a equipe
44
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 43-49
Os critérios de inclusão foram: ser membro da
equipe de técnicos de enfermagem do CC e aceitar
participar da pesquisa.
Os critérios de exclusão foram: não concordância
em participar da pesquisa e afastamento das
atividades profissionais, no período de coleta dos
dados, por licenças ou férias.
O projeto foi aprovado pelo comitê de ética em
Pesquisa do Hospital Mãe de Deus, registrado
sob o nº317/09. A aceitação da participação da
pesquisa foi formalizada pela assinatura do Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido, contendo
informações sobre a pesquisa. O estudo foi realizado
em conformidade com a Resolução nº196/96 do
Conselho Nacional de Saúde, Ministério da Saúde.
zado e ética; Processo de interação entre a equipe
e o paciente
.
“É um processo de interação entre chefia, funcionário
e paciente.” (E3)
Para a coleta de informações foi aplicado um questionário (Anexo), o qual foi preenchido por cada um
dos participantes, preservando-se a integridade das
informações.
“Significa atender o paciente sem indiferença” [...]
(E5)
Para análise das respostas fornecidas pelos técnicos,
foi utilizada a Técnica de Análise de Conteúdo tipo
temático, proposta por Minayo5, onde as respostas
foram descritas, mediante as fases de pré-análise,
exploração do material e tratamento e interpretação
dos resultados, correlacionando-os com a produção
científica sobre humanização.
A análise dos resultados permitiu a delimitação de
quatro núcleos temáticos: Compreensão sobre o
processo de humanização; Humanização como
atitude de responsabilização e cuidado ao paciente;
Medidas humanizadoras adotadas no CC e Dificuldades encontradas para implementação do processo
de humanização.
Objetivando preservar o anonimato dos entrevistados,
as respostas dos questionários foram identificadas por
meio da letra E, referente à equipe de enfermagem,
seguida do número correspondente ao colaborador
em relação à pergunta que aborda o respectivo
núcleo temático.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A seguir são apresentados os núcleos temáticos
que emergiram a partir da análise dos questionários
respondidos por 25 técnicos de enfermagem
atuantes no CC.
Percepção dos técnicos de enfermagem sobre
humanização da assistência no Centro Cirúrgico
Com relação ao núcleo Percepção dos técnicos de
enfermagem sobre humanização da assistência no
Centro Cirúrgico, foram construídas as seguintes
categorias: Melhorar o atendimento ao cliente, proporcionando-lhe bem estar, acolhimento individuali-
“Entendo que se deve cuidar do paciente sem
nenhuma discriminação de cor, raça, religião e seus
valores, não esquecendo da palavra ética.” (E9)
“Um bom tratamento, com segurança e conhecimento
para uma ótima impressão do paciente e um bom
relacionamento da equipe com a chefia para um
maior comprometimento.” (E11)
[...] “levando em consideração que cada indivíduo é
único.” (E15)
[...] “no momento em que vejo um colaborador como
um todo, procurando promover maior satisfação e
melhor atuação, conseguindo, assim, um atendimento
de excelência ao paciente.” (E18)
“É promover o bem estar do ser humano na presença
da enfermidade, atuando na promoção da saúde.”
(E20)
“É dar a devida atenção ao cliente, de uma forma
ou maneira confortável, tratando-lhe bem, fazendo
sentir-se seguro.” (E21)
“Empatia com colegas e paciente, e sempre
respeitando a todos como você gostaria que te
respeitassem.” (E22)
“Entendo por formar uma equipe padronizada,
atuando com princípios éticos perante o paciente e
seus familiares.” (E25)
As categorias identificadas neste núcleo temático
são semelhantes às encontradas em outro estudo,
que apontou como categorias relacionadas à
percepção dos enfermeiros sobre a humanização
da assistência cuidar do outro como gostaria de ser
cuidado, havendo destaque para a necessidade do
enfermeiro em demonstrar atenção, carinho, respeito
e empatia e também a visão integral do usuário em
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 43-49
45
que, para uma assistência humanizada, é necessário
identificar o indivíduo nas perspectivas física, social,
psicológica e espiritual6.
As respostas relacionadas a este tema no presente
estudo vão de encontro ao pensamento de que a
humanização leva a equipe a compreender a necessidade de dialogar com o paciente, quer durante
os procedimentos realizados ou não, evitando ser
vista como um ato técnico e sim como um processo
vivencial, que objetiva um tratamento humanizado
nas mais variadas situações7.
Percepção do processo de humanização como
atitude de responsabilização e cuidado ao paciente
“Engloba todo o cuidado que envolva o paciente,
desde a admissão até a sua recuperação.” (E12)
“Que o profissional é responsável pelo paciente desde
sua entrada no CC até a sua saída.” (E16)
“Que somos responsáveis pela recepção do paciente
(cliente) no CC desde a sua entrada até a sua saída.”
(E17)
A preocupação com a ética e com o cuidado individualizado retoma os argumentos de que a humanização representa um conjunto de iniciativas que
visa a produção de cuidados de saúde capazes de
conciliar a melhor tecnologia disponível com a promoção de acolhimento e o respeito ao ser humano,
valorizando sempre a ética e o bom desempenho
técnico, não deixando de valorizar o profissional de
saúde, o qual, no presente estudo, é apontado como
responsável por conduzir o cuidado ao paciente8.
Percepção das medidas de humanização adotadas no Centro Cirúrgico
Em relação a esse núcleo temático surgiram várias
categorias: Respeito, Acolhimento, Diálogo, Bem
estar proporcionado ao paciente, Fornecimento
de informações aos familiares e Implementação
do checklist da cirurgia segura como medidas
humanizadoras adotadas pela equipe do CC.
“Conversas com o paciente antes do procedimento,
lhe explicar o que irá acontecer da melhor forma
46
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 43-49
possível para que o mesmo possa entender.” (E5)
“Cuidar, confortá-lo, conversar ou dialogar, explicando
cada procedimento realizado.” (E9)
“Acolhimento, respeito.” (E14)
“O checklist, por exemplo, quando recebemos o
paciente o cumprimentamos, nos apresentamos,
chamamos o cliente pelo nome, o acompanhamos
até a sala, lhe dando atenção e quando o mesmo
chega na sala o acomodamos na cama cirúrgica e
podemos lhe transmitir segurança, simplesmente
segurando a sua mão...” (E17)
“Apresentação do funcionário ao paciente e
checklist.” (E19)
“Tratar-lhe bem, manifestando interesse em seu
estado atual, esclarecendo dúvidas e proporcionando-lhe conforto e segurança. O próprio checklist.”
(E21)
“Receber o paciente com qualidade e acolhida como
ele espera.” (E24)
“Manter sempre o familiar informado sobre a situação
em que o paciente se encontra, promover o bem
estar do paciente no pré, trans e pós-operatório e
entender o paciente e os familiares pelo momento
em que estão passando.” (E25)
Sendo assim, a educação do paciente e dos familiares nos ajuda a ter o conhecimento e as informações necessárias para que possam participar e
tomar decisões sobre o seu cuidado, valorizando o
diálogo, não deixando de dar importância às suas
necessidades, valores e crenças, a fim de estabelecer uma relação confiável e aberta para proteger os
valores culturais, psicossociais e espirituais de cada
paciente9. O acolhimento é traduzido como o ato de
dar proteção e guarida10.
Percepção das dificuldades encontradas para
implementação do processo de humanização
Os profissionais atribuíram as dificuldades ao
excesso de burocracia no processo de trabalho, à
falta de tempo, ao ambiente tenso e estressante que
é o CC, somadas ao fato de alguns colaboradores
serem resistentes às mudanças e à própria aceitação
e cooperação em relação à implementação do
processo de humanização, bem como à falta de
preparo profissional a respeito do assunto.
“O fato de que os profissionais não estão totalmente
preparados...” (E2)
“As pessoas aceitarem no dia a dia esta implementação;
tudo o que é novo demora um pouco para as pessoas
se adaptarem.” (E3)
“Os funcionários estarem dispostos à mudança.”
(E7)
“A cooperação dos funcionários em participarem
de cursos e palestras realizadas pelo hospital para
melhorar o contato dos funcionários com os clientes,
pacientes.” (E5)
“Muita burocracia, papéis, convênio.” (E12)
“Encontro dificuldades no tempo, que às vezes não se
tem para fazer um trabalho humanizado de máxima
qualidade e por motivos de excesso de burocracia.”
(E15)
[...] “é um setor onde há muito estresse, é um
ambiente tenso, moldar funcionários para fazer
cumprir regras e rotinas no setor, pois sempre tem
um que é resistente.” (E2)
O levantamento de dificuldades encontradas, associadas à resistência em relação às mudanças e
à própria aceitação do processo de humanização,
remetem às considerações que aponta a humanização como um processo amplo, demorado e complexo, ao qual se oferecem resistências, pois envolve
mudanças de comportamento, que sempre despertam insegurança.
Como política, ela deve traduzir princípios e modos de
operar no conjunto das relações entre profissionais
e usuários, entre os diferentes profissionais e entre
as diversas unidades e os serviços de saúde11-13.
Atividades educativas são imprescindíveis para o
desenvolvimento dos profissionais no sentido de
melhor atender os pacientes. Humanizar também é
cuidar com competência10,12.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Foi constatado que 37% dos funcionários ativos
responderam o questionário, o que demonstra baixa
adesão à pesquisa, a qual atribuímos ao fato de ter
sido aplicada em um Centro Cirúrgico (CC) de um
hospital privado em que a pesquisa ainda não é
divulgada e praticada pelos colaboradores de forma
contundente e acelerada, como vem acontecendo
em outros hospitais e também devido ao fato do
pioneirismo em se estudar o tema de uma forma
mais pontual e precisa, o que pode ter gerado o baixo
número de participantes.
Os CCs no universo do ambiente hospitalar são
unidades de cuidados especiais, que atendem
pacientes de diferentes graus de complexidade em
diferentes momentos de suas vidas. Contudo, a
percepção cirúrgica, para o paciente, é geradora
de estresse, medo e apreensão, independente da
gravidade ou da complexidade do procedimento
ao qual o mesmo irá se submeter. Os técnicos de
enfermagem se encontram inseridos nesse contexto
e se vêem responsáveis por prestar cuidados de
enfermagem aos clientes cirúrgicos.
Neste estudo, ao buscar compreender como os
técnicos de enfermagem percebem a humanização
do cuidado no CC, desvelou-se os núcleos temáticos
Melhorar o atendimento ao cliente, proporcionandolhe bem-estar, acolhimento e Processo de interação
entre a equipe e o paciente. Ao proteger o paciente,
o técnico de enfermagem está oferecendo segurança
e transmitindo confiança, fatores que buscam
proporcionar bem-estar e melhoram as percepções
quanto ao cuidado prestado.
Outro modo de perceber o cuidado dedicado pelos
técnicos de enfermagem aos pacientes no CC diz
respeito à percepção da humanização como um
processo que envolve ética e atendimento igualitário
e individualizado. Percebe-se, então, que os técnicos
conhecem os preceitos éticos que norteiam a profissão e buscam, dentro do universo do cuidar em CC,
dispensar atenção individualizada e humanizada,
atendendo todos os pacientes com respeito, zelo e
competência.
O técnico de enfermagem que vivencia o ambiente
cirúrgico sente-se responsável pelo apoio e pelo
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 43-49
47
cuidado ao paciente, emergindo desse sentimento o
tema Percepção do processo de humanização como
atitude de responsabilização e cuidado ao paciente,
onde os agentes percebem a sua responsabilidade
pelo atendimento prestado aos pacientes em todos
os momentos da experiência cirúrgica.
Na responsabilidade expressa nos discursos
dos técnicos de enfermagem, verifica-se uma
preocupação constante com o diálogo e o modo de
interagir com o paciente, surgindo desse, o núcleo
Percepção das medidas humanizadoras adotadas
em Centro Cirúrgico, onde fica evidente que a
atenção dispensada ao paciente nos momentos de
admissão, preenchimento do checklist de cirurgia
segura, prestação de informações e implementação
dos cuidados específicos de enfermagem são
oportunidades de oferecer atenção e cuidado
humanizado. O diálogo, o toque e o olhar se tornam
indispensáveis para a percepção que o paciente tem
do cuidado proporcionado a si.
Quando o técnico de enfermagem se vê inserido no
ambiente de CC, entre suas diversas preocupações
está o ambiente tenso e com necessidade de
registros específicos e detalhados. Surge dessa
impressão, o núcleo temático Percepção das
dificuldades para implementação dos processos
de humanização. Verifica-se que o técnico percebe
o ambiente de trabalho como tenso e estressante.
A rotina diária de preenchimento de formulários e
protocolos e o despreparo de alguns profissionais
foram apontados como os principais fatores que
dificultam a sistematização da assistência de
enfermagem humanizada.
Ao se apropriar das percepções dos técnicos de
enfermagem acerca da humanização do cuidado
de enfermagem aos pacientes atendidos no CC, se
permite fazer algumas recomendações, que poderão
subsidiar a qualidade da assistência prestada a
tais clientes. O emprego de rotinas sistemáticas
de treinamentos e de capacitação de funcionários
tem a finalidade de preparar os profissionais
para o labor no ambiente cirúrgico. Sugere-se,
também, a reavaliação das rotinas e dos protocolos
de atendimento de enfermagem aos pacientes,
visando reduzir a demanda de trabalho burocrático
e possibilitando mais tempo para que o técnico de
enfermagem possa interagir com o paciente, de modo
48
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 43-49
a dedicar-lhe mais atenção, fornecer informações e
cuidados individualizados e humanizados.
REFERÊNCIAS
1. Waldow VR. Cuidado humano: o resgate necessário. 3ª ed. Porto Alegre: Sagra Luzzatto; 2001.
2. Bonfim MA, Carvalho R. A mãe e a criança na
recuperação anestésica: o cuidado que faz a
diferença. Rev SOBECC. 2011;16(2):57-64.
3. Grasel LH, Brentano EP, Caregnato RC. Ansiedade
e medo: diagnóstico de enfermagem aplicado no
pré-operatório do paciente cardíaco. Rev SOBECC.
2009;14(2):28-35.
4. Bedin E, Ribeiro MBL, Barreto RSS. Humanização
da assistência de enfermagem em centro cirúrgico.
Rev Eletrônica Enferm [Internet]. 2005 [citado 2007
jul. 27];7(1):118–27. Disponível em: http://www.
revistas.ufg.br/index.php/fen/article/view/846/1018
5. Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 12ª ed. São Paulo: Hucitec; 2010.
6. Backes DS, Koerich MS, Erdmann AL. Humanizing
care through the valuation of the human being: resignification of values and principles by health professionals. Rev Latino-Am Enferm. 2007;15(1):34-41.
7. Camargos AT, Dias LO. Communication: an important instrument for humanizing nursing care in the intensive care unit. In: Proceedings of the 8º Brazilian
Nursing Communication Symposium; 2002 May 0203; Ribeirão Preto [Internet]. Ribeirão Preto: Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto,Universidade
de São Paulo; 2002. [citado 2012 Jul 11]. Disponível em: http://www.proceedings.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=MSC00000000520020
00100029&lng=en&nrm=van
8. Puccini PT, Cecílio LCO. A humanização dos
serviços e o direito à saúde. Cad Saúde Pública.
2005;20(5):1342-53.
9. Joint Comission International. Padrões de acreditação da Joint Commission para Hospitais [Internet].
4ª ed. Rio de Janeiro (RJ): Consórcio Brasileiro
de Acreditação de Sistemas e Serviços de Saúde;
2010 [acesso 2011 Jan 08]. Disponível em: http://
pt.jointcommissioninternational.org/enpt/Accreditation-Manuals/EBIAS400P/1639/
10. Martins MCF. Humanização das relações
assistenciais de saúde: a formação do profissional
de saúde. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2001.
11. Mota RA, Martins CGM, Veras RM. Papel dos
profissionais de saúde na política de humanização
hospitalar. Psicol Estud [Internet]. 2006 mai-ago
[citado 2007 ju. 29]; 11(2):323-30. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/pe/v11n2/v11n2a10.pdf
12. Brasil. Ministério da Saúde. Carta dos direitos
dos usuários da saúde: ilustrada [Internet]. 2ª ed.
Brasília; 2006 [citado 2008 jan 17]. Disponível em:
http://www.saude.mt.gov.br/adminpublicacao/arquivo/carta_direitos_usuarios_saude_ilustrada.pdf
13. Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de
Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH):
humaniza SUS [Internet]. Brasília; 2006 [citado
2007 jul 28]. Disponível em: http://portal.saude.gov.
br/portal/arquivos/pdf/doc_base.pdf
Autores
Nery José de Oliveira
Enfermeiro, Especialista em Terapia Intensiva e
MBA em Gestão.
E-mail: [email protected].
Clayton dos Santos Moraes
Enfermeiro, MBA Gestão em Saúde, Mestrando
em Enfermagem pela UNISINOS.
E-mail: [email protected].
Shana Marques Neto
Enfermeira, Enfermeira da Sala de Recuperação
Pós-Anestésica do Hospital Mãe de Deus, Porto
Alegre (RS).
E-mail: [email protected].
ANEXO – Instrumento de coleta de dados: Questionário semi-estruturado
Parte I – Caracterização da amostra
Idade: __________ anos
Gênero: ( ) masculino ( ) feminino
Tempo que trabalha em CC: __________
Parte II – A humanização segundo a percepção dos técnicos de enfermagem
1. O que você entende por processo de humanização no CC?
2. Você identifica no processo de trabalho do CC a preocupação com o cuidado humanizado?
3. Quais medidas adotadas no CC podem ser citadas como humanizadoras?
4. Quais as dificuldades que você encontra para implementar o processo de humanização no CC?
5. Na sua opinião, qual é a importância da implementação do processo de humanização no CC?
6. Quais são as suas sugestões para a prestação de uma assistência mais humanizada no CC?
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 43-49
49
Artigo Original
CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR NO PARANÁ:
FACILIDADES E DIFICULDADES DO ENFERMEIRO*
NOSOCOMIAL INFECTION CONTROL IN PARANÁ: NURSE’S FACILITIES AND DIFFICULTIES*
CONTROL DE LA INFECCIÓN EN PARANA: FACILIDADES Y DIFICULTADES DEL ENFERMERO*
BARBOSA, Maria Emilia Marcondes; SIQUEIRA, Denise de Carvalho de; MANTOVANI, Maria de Fátima.
RESUMO: Objetivo: Identificar as dificuldades e
facilidades do trabalho do enfermeiro no controle de
infecção no estado do Paraná. Método: Pesquisa
quantitativa e transversal, da qual participaram 29
enfermeiros atuantes no serviço de controle de
infecção, de instituições com cem ou mais leitos
e comissões formalmente constituídas. Utilizouse um questionário enviado, via Web e por cartas,
cujas respostas foram analisadas estatisticamente.
Resultados: Tanto as dificuldades quanto as
facilidades foram divididas em três categorias:
Institucional, Operacional e Organizacional. Entre
as dificuldades destacaram-se: sobrecarga de
trabalho (51,7%), profissionais descomprometidos
e/ou despreparados (58,6%) e desvalorização do
serviço pelos enfermeiros (10,3%). As principais
facilidades foram: apoio da administração nas
decisões tomadas (27,6%), adesão da equipe de
enfermagem às orientações (20,7%), aceitação e
respeito do corpo clínico e confiança no trabalho
pelos colaboradores (20,7%). Conclusões: Das
dificuldades evidenciou-se a sobrecarga de trabalho,
que pode estar relacionada ao fato de a Portaria MS
2.616/1998 determinar que somente ao enfermeiro
exige-se exclusividade e carga horária distinta em
relação aos demais profisssionais. Por outro lado, o
enfrentamento das dificuldades foi percebido como
uma conquista, pois obtiveram o reconhecimento
pelo seu trabalho, percebido pelas facilidades
encontradas e pelo apoio nas decisões tomadas.
Palavras-chave: Enfermeiros; Equipe multiprofissio-
nal; Infecção hospitalar (prevenção & controle).
ABSTRACT: Objective: To identify the nurse’s
difficulties and facilities about the nosocomial
infection control in Paraná. Method: Cross-sectional
quantitative study with 29 infection control nurses
working at institutions with one hundred or more beds
and HICC, formally constituted, took part in this survey.
A questionnaire, sent via Web and mail services, was
used and the answers statistically analized. Results:
Both the difficulties and the facilities were divided
into three categories: Institutional, Operational and
Organizational. Among the difficulties stood out:
work overload (51.7%), uncommitted/unprepared
professionals (58.6%), work devaluation by the
nurses (10.3%). As to facilities: administration support
on taken decisions (27.6%), nursing staff’s attachment
to the guidelines (20.7%), medical staff’s acceptance
and respect as long as the confidence in the work
by the contributors (20.7%). Conclusions: With
reference to the difficulties, the work overload was
stressed, which may be related to the fact that in
the MS 2626/98 decree it’s only demanded to the
nurse exclusivity and distinct workload compared
to other professionals. On the other hand, confront
the difficulties was perceived as a reward, since
they achieved recognition for their work, noticed by
the facilities found and the support in the decisions
taken.
Key words: Nursing; Multi-professional; Cross
infection (prevention & control).
* Texto derivado da dissertação “A Atuação do Enfermeiro no Controle de Infecção Hospitalar no Estado do
Paraná”, defendida por Maria Emilia Marcondes Barbosa, Universidade Federal do Paraná (UFPR); 2007.
50
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 50-59
RESUMEN: Objetivo: Identificar las dificultades
y las facilidades del enfermero de control de
infecciones en la provincia de Paraná. Método:
Estudio cuantitativo de corte transversal en que
participaron 29 enfermeros del servicio de Control
de Infección. de Instituciones con 100 o más camas
y comisiones formalmente constituidas. Se utilizó un
cuestionario enviado a través de la Web y a través
de cartas, cuyas respuestas fueron analizadas
estadisticamente. Resultados: ambas, dificultades
y facilidades fueron divididas en tres categorías:
Institucional, Operacional, y Organizacional. Entre
las dificultades se sobresalieron: la sobrecarga de
trabajo (51,7%), los profesionales poco preparados
(58,6%) y devaluación del servicio por los enfermeros
enfermería (10,3%). Las principales facilidades fueron:
apoyo de la administración en las decisiones tomadas
(27,6%); adherencia por equipo de enfermería a las
orientaciones (20,7%), de aceptación y respeto
del cuerpo clínico y la confianza en el trabajo de
los empleados (20,7%). Conclusiones: Cuanto a
las dificultades se evidenció la carga de trabajo,
que puede estar relacionada con el hecho de que
la Ley del Ministerio de la Salud 2616/98 exigir
solamente al enfermero la exclusividad y carga
horaria distinta en relación a los demás profesionales
de la salud. Por otra parte, el enfrentamiento de las
dificultades fue percibió como una victoria, pues
los enfermeros obtuvieron el reconocimiento por su
trabajo, divisado por las facilidades encontradas,
y por el apoyo de las decisiones adoptadas.
Essa característica confere a gravidade da afecção,
reconhecida como sério problema de saúde pública
e, como tal, é dever do Estado a sua atenção, uma
vez que ele é responsável direto em garantir o bemestar da população.
Atualmente, as ações do controle de infecção
hospitalar são norteadas pela Portaria nº2.616/19981
da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA),
do Ministério da Saúde (MS) e, dentre as deliberações
incluídas nesse documento, está a orientação
sobre a constituição do Programa de Controle de
Infecção Hospitalar (PCIH), entendido como um
conjunto de ações desenvolvidas, deliberadas
sistematicamente, com vistas à máxima redução da
incidência e da gravidade das infecções hospitalares.
Para sua execução, é exigida dos hospitais a
constituição da Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar (CCIH), órgão de assessoria máxima da
instituição e de execução das ações de controle das
infecções hospitalares, a qual deve ser composta
por profissionais da área de saúde, de nível superior,
designados formalmente.
INTRODUÇÂO
A CCIH tem a função de elaborar, implementar,
manter e avaliar o Serviço de Controle de Infecção
Hospitalar (SCIH), adequado às características e às
necessidades da instituição, e deve ser composta
por membros consultores e executores. As ações
do controle de infecção devem ser realizadas por
técnicos de nível superior, legalmente designado,
contando eles, obrigatoriamente, por médicos e
enfermeiros, os quais também representam o SCIH
e são incumbidos da realização do Programa de
Controle de Infecção Hospitalar. Entre os executores,
o enfermeiro tem caráter preferencial.
Infecção Hospitalar (IH) é aquela que acomete o
paciente durante ou após o período de internação1.
É uma patologia causada, na maioria das vezes,
por múltiplos microorganismos, cuja progressão
associa-se a vários cofatores. Para o diagnóstico
dessa afecção, é necessário utilizar metodologias
que possibilitem a percepção da multicausalidade
da doença 2. É fenômeno determinante para a
intervenção dos diversos segmentos da área de
saúde no tratamento, no controle e na prevenção.
O SCIH tem como meta principal a defesa do
paciente, ser humano em potencial, sujeito a contrair
infecções. Por de tratar de patologia causada por
múltiplos fatores, o seu controle, seu tratamento e
sua prevenção não são tarefas fáceis. Assim sendo,
acreditamos que se trata de uma atividade complexa,
na qual o enfermeiro, no exercício da função de
controlador da infecção hospitalar, invariavelmente,
encontrará muitas dificuldades e também algumas
facilidades. Desta forma, nosso interesse no tema
Palabras clave: Enfermera(prevención & control).;
Equipo multidisciplinario; Infección hospitalaria.
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 50-59
51
infecção hospitalar se voltou à descoberta de tais
fatores.
OBJETIVO
Identificar as dificuldades e as facilidades encontradas
pelos enfermeiros na prática da função de controlador
da infecção, atuando no serviço de controle de
infecção hospitalar de instituições do Paraná.
MÉTODO
Pesquisa quantitativa, descritiva e transversal3.
A população foi constituída por enfermeiros que
atuassem no controle de infecção hospitalar em
instituições hospitalares do Estado do Paraná, com
cem ou mais leitos e com Comissão de Controle de
Infecção Hospitalar (CCIH) formalmente constituída.
O contato com as instituições foi orientado pela
Secretaria de Estado da Saúde e extraído do site
do DATASUS, atualizado em 20064.
A coleta de dados transcorreu de julho a setembro
de 2007, por meio de um questionário auto-aplicado, com questões semi-estruturadas, previamente
testadas e enviadas, via Web e por cartas3, aos enfermeiros.
A pesquisa foi analisada e aprovada pelo Comitê de
Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Paraná, em 12 de julho de 2007, sob protocolo número
CAAE: 0048.0.091.000-06.
Os dados foram lançados no Microsoft Excel, convertidos para o EPIINFO, versão 6.0, e depois analisados. A análise estatística foi o meio de interpretação dos dados, utilizando-se como parâmetro a
revisão de literatura. Os dados foram analisados
conforme as variáveis que emergiram. Nas questões dissertativas, as respostas foram agrupadas
por semelhança, culminando em 03 categorias: institucional, operacional e organizacional, tanto para
as dificuldades como facilidades.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As investigações de IH envolvem quatro temas: o
paciente, o microorganismo, o meio ambiente e a
administração. Estima-se, também, que o controle
de infecção hospitalar compreenda a intervenção
52
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 50-59
de um grande número de especialistas, além dos
profissionais responsáveis pela assistência direta5.
Por ser o enfermeiro o profissional preferencial para
a realização das atividades de controle de infecção,
procurou-se identificar no seu trabalho os fatores que
dificultam e os que facilitam sua atuação no Serviço
de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH).
Participaram do estudo 29 enfermeiros que atuavam
no SCIH dos 26 hospitais que atenderam aos critérios
de inclusão da pesquisa.
A Tabela 1 (ao lado) apresenta as maiores dificuldades enfrentadas pelos enfermeiros no desempenho
de suas funções. Para facilitar a compreensão, elas
foram organizadas em três categorias: dificuldades
relacionadas à estrutura institucional, operacional e
organizacional.
A categoria Estrutura Institucional compreendeu as
seguintes dificuldades: financeira, rotatividade de
funcionários e sobrecarga de trabalho. Esses aspectos são relativos à administração, pois envolvem
gerenciamento de recursos humanos e financeiros.
A sobrecarga de trabalho foi citada por 51,7% dos
participantes (15 enfermeiros).
O cotidiano do profissional de enfermagem se caracteriza por jornadas exaustivas, sobrecarga de tarefas
e condições precárias, seja de recursos humanos ou
de materiais, além de convivência ininterrupta com a
dor e o sofrimento alheio5. Essa categoria de trabalhadores caracteriza-se por ser prestadora de assistência ininterrupta - 24 horas por dia. Executora de
cerca de 60% das ações de saúde, é a que mais entra
em contato físico com os doentes6. As condições de
trabalho relatadas caracterizam o cenário onde atua
o enfermeiro do SCIH e refletem, diretamente, na
qualidade das ações do controle de IH.
A rotatividade de funcionários e médicos foi
relatada por 20,7% dos sujeitos da pesquisa (seis
enfermeiros). Essa rotatividade impede avanços
nos processos que estão sendo implantados com a
finalidade de promover o controle de IH e aumenta o
tempo dedicado à capacitação, pois constantemente
há necessidade de preparar os novos integrantes
no serviço.
A falta de recursos humanos, relacionada às difi-
Tabela 1. Fatores que dificultam a atuação do enfermeiro no Serviço de Controle de Infecção Hospitalar,
no estado do Paraná.
Categoria
Institucional
Operacional
Organizacional
Dificuldades
Número*
Percentagem**
- sobrecarga de trabalho
15
51,7%
- rotatividade de funcionários e médicos
06
20,7%
- falta de recursos humanos
05
17,2%
- falta de postura dos diretores
04
13,8%
- financeira
03
10,3%
- profissionais descomprometidos e despreparados
17
58,6%
- inexperiência em CCIH/SCIH
06
20,7%
- visão errônea do papel do enfermeiro do SCIH
05
17,2%
- desvalorização do serviço pelos enfermeiros
03
10,3%
- burocracia do serviço público
01
3,4%
- grande número de discentes despreparados
01
3,4%
* O número de respostas poderia ultrapassar ou ser menor que o número de sujeitos, uma vez que cada enfermeiro poderia apontar
mais de uma dificuldade ou não apontar nenhuma dificuldade relacionada a determinada categoria.
** Para o cálculo das percentagens, foi considerado 100,0% o número total de profissionais que participaram do estudo (29
enfermeiros).
culdades, foi citada por 17,2% dos participantes do
estudo (cinco enfermeiros). O adequado número de
profissionais é condição para a eficácia das ações
de prevenção e controle das infecções hospitalares.
Assim, o maior desafio dos enfermeiros é responder
às exigências legais de CCIH nas condições adversas que emergem da estrutura institucional precária.
A falta de recursos humanos gera sobrecarga de
trabalho, podendo levar o profissional a apresentar
déficit de atenção e a não dispor de tempo hábil para
atender às necessidades do serviço. A distribuição
adequada de recursos humanos contribuirá para a
eficiência dos serviços prestados pela instituição
hospitalar7.
A falta de postura dos diretores foi relacionada por
13,8% dos participantes (quatro enfermeiros). Diretores e administradores constituem formalmente as
comissões, porém, não investem em infraestrutura
que permita a operacionalização do serviço. A mo-
tivação para implantar a CCIH não é, em muitas
instituições, a preocupação com a qualidade da
assistência propriamente dita e sim reflete a necessidade de responder uma exigência legal8. Esse dado
evidencia um distanciamento da direção com a causa
controle de infecção hospitalar.
A dificuldade financeira interfere na atuação do
enfermeiro no SCIH, na visão de 10,3% dos
participantes (três enfermeiros). O escasso interesse
da administração em controlar a infecção hospitalar
explica os baixos investimentos na área. Mesmo
na eminência deste controle ser um indicador de
qualidade, ele é sempre subestimado. Geralmente
as instituições optam por investimentos tecnológicos
que representem avanços em diagnóstico e
tratamento e que impactam a sociedade, atraindo a
atenção da mídia.
No âmbito Operacional, surgiram como fatores
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 50-59
53
que dificultam a atuação do enfermeiro no SCIH, a
inexperiência em CCIH/SCIH, a visão errônea do
papel do enfermeiro e a falta de comprometimento e
atualização de enfermeiros assistenciais e médicos.
Essa última dificuldade foi reconhecida por 58,6%
dos enfermeiros que participaram do estudo e que
atuam no SCIH (17 enfermeiros).
trabalho em equipe e a falta da cultura de prevenção
na instituição. A vigilância constante, realizada pelo
enfermeiro do SCIH, não deve ser vista como uma
ameaça e sim como um fator protetor, uma vez que
o propósito do controlador de infecção é atacar o
problema e não as pessoas. O controle de infecção
deve ser meta de todos e não de alguns11.
O maior desafio, nesse sentido, é incorporar
informação cientificamente comprovada à prática
diária dos profissionais de saúde. Manter-se
atualizado é uma necessidade para poder se
adequar às exigências das transformações no
campo da saúde e especificamente do controle
de IH8. Há, ainda, a omissão dos profissionais que
não estão diretamente envolvidos com o SCIH. A
responsabilidade em controlar a infecção é papel
inerente a todo profissional da equipe de saúde,
como condição para desenvolver uma cultura de
prevenção que possa concretizar um programa de
controle de infecções9.
As atividades do enfermeiro da CCIH envolvem muitas
ações burocráticas, distanciando-o da assistência e,
por isso, outros profissionais consideram que esse
enfermeiro não trabalha em equipe. Ocorre, assim,
uma fragmentação da assistência, ou seja, apesar
de convencidos de que o trabalho deva ser realizado
em equipe, ele acontece de forma individualizada
e desconectada da realidade8. O agravante, nesse
aspecto, é que, por força da função, o enfermeiro
do SCIH fiscaliza todas as áreas assistenciais. Isso
pode provocar certo desconforto por parte dos
profissionais que se sentem fiscalizados.
A inexperiência em CCIH/SCIH foi identificada como
dificuldade por 20,7% dos participantes (seis enfermeiros). Essa preocupação é de alta pertinência,
uma vez que inexperiência pode gerar imperícia e,
do ponto de vista ético e jurídico, apresenta diversas implicações. Trata-se de uma atividade voltada
à prevenção de riscos e envolve várias categorias
profissionais10. Assim, é importante o enfermeiro do
SCIH, no exercício de sua função, ter domínio dos
conceitos de negligência, imprudência e imperícia.
Empiricamente se sabe que a experiência gera a
perícia e que, quanto maior a experiência, mais
seguro fica o profissional em desenvolver sua
função, aumentando, consequentemente, o limiar
de confiança dos consumidores do serviço. À
medida que aumenta a habilidade e o conhecimento,
aumenta, também, o senso crítico do enfermeiro,
que passa a exigir mais, tornando-se um empecilho
para o administrador com pouca visão dos benefícios
do eficiente controle de IH. Um profissional bem
preparado torna-se mais oneroso para as instituições,
porém, os benefícios de sua contratação são
inúmeros.
Os participantes da pesquisa consideraram também
como uma dificuldade operacional, a visão errônea
do papel do enfermeiro do SCIH (17,2% ou cinco
enfermeiros). Esse aspecto relaciona-se com o
54
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 50-59
A categoria Organizacional caracterizou-se pelos
relatos: desvalorização do serviço pelos enfermeiros,
burocracia do serviço público e grande número de
discentes despreparados.
A desvalorização do trabalho do enfermeiro do SCIH
por outros enfermeiros assistenciais foi relatada por
10,3% dos participantes (três enfermeiros). Percebese a falta de coesão e consciência de que a IH não se
faz isoladamente e sim partindo de um compromisso
de todos. Um fato que contribui para esse tipo de
comportamento na equipe, num contexto macroinstitucional, é o desconhecimento das normas legais que
regem as ações do controle de infecção por parte de
alguns profissionais. A ignorância estimula a desconfiança, podendo ser este o entrave no relacionamento
das equipes. Nesse aspecto, é importante o papel
da gerência da enfermagem para fazer essa ponte
entre as equipes. Uma decisão gerencial é a maneira
pela qual o enfermeiro analisa dados e informações
pertinentes às ações de enfermagem, conclusões
sobre problemas e julga a necessidade de intervir e
as formas de fazê-lo9.
A burocracia do serviço público foi considerada um
problema por um participante (3,4%). O trabalho do
enfermeiro do SCIH, dentro da estrutura hospitalar,
caracteriza-se por atividades de cunho técnico e
burocrático, pois precisa a todo tempo realizar inves-
tigações e intervir, e os resultados de tais investigações devem ser informadas interna e externamente,
para setores de Vigilância Municipal de Saúde, ou
seja, é condição obrigatória para o bom desempenho
das atividades do controle de infecção. Essa citação
acerca do serviço público está se referindo ao atendimento em instância extra-hospitalar e, nesse caso,
é específico de cada região9.
Finalmente, um enfermeiro (3,4%) relacionou como
problema o grande número de discentes despreparados. Muitos hospitais servem como campo de estágio
para diversos cursos de graduação na área da saúde,
assim, acaba ocorrendo a participação de um grande número de alunos nos cuidados aos pacientes
e a atenção do enfermeiro do SCIH é exigida, pois,
indivíduos despreparados podem representar uma
ameaça ao controle de infecção. Cumprir medidas
de isolamento e de precauções, por exemplo, é uma
regra para o efetivo controle de IH; tais medidads
podem ser quebradas pela alta rotatividade de estudantes10. Cabe aos docentes que supervisionam
os estágios, em conjunto com o enfermeiro da SCIH,
controlar o trânsito de acadêmicos e educá-los dentro da instituição, a fim de prevenir os riscos de IH,
provenientes de sua inaptidão.
Nota-se que as dificuldades referidas pelo enfermeiro
no controle de infecção hospitalar no Paraná,
comprovam que são profissionais atuantes e críticos,
porém engessados pelo sistema de saúde, onde
de um lado, os administradores visam lucros e há
pouco incentivo e investimento, tanto no que diz
respeito a recursos materiais, quanto à capacitação
dos recursos humanos e, por outro lado, o sistema
público impõe normas, sem oferecer suporte para
sua implementação e, assim, se instala o pouco
compromisso com a população propriamente dita.
O enfrentamento das dificuldades foi percebido como
uma conquista, pois obtiveram o reconhecimento
pelo seu trabalho, tanto pelos colegas como pela
administração, percebido pelo relato das facilidades
encontradas, nas quais se destacaram o apoio da
administração nas decisões e o entrosamento e o
respeito da equipe multiprofissinal com o trabalho
do enfermeiro do SCIH.
No âmbito das facilidades, ilustradas na Tabela 2,
assim como nas dificuldades, foram consideradas
três categorias: Institucional, Operacional e Organizacional.
Tabela 2. Fatores que facilitam a atuação do enfermeiro no Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, no
Estado do Paraná.
Categoria
Institucional
Operacional
Organizacional
Facilidades
Número
Percentagem
- apoio da administração nas decisões tomadas
08
27,6%
- entrosamento entre a equipe multiprofissional que compõe o SCIH
07
24,1%
- disponibilidade de bibliografia e acesso à Internet
04
13,8%
- condições de ambiente e área física
03
10,3%
- trabalho com infectologista
02
6,9%
- adesão da equipe de enfermagem às orientações
06
20,7%
- experiência e conhecimento técnico
06
20,7%
- autonomia
- aceitação e respeito do corpo clínico e confiança no trabalho pelos
colaboradores
- tempo adequado para executar os trabalhos e organizar o serviço
04
13,8%
06
20,7%
06
20,7%
* O número de respostas em cada categoria é menor que o número de sujeitos, pois alguns enfermeiros não apontaram facilidades.
** Para o cálculo das percentagens, foi considerado 100,0% o número total de profissionais que participaram do estudo (29
enfermeiros).
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 50-59
55
Na categoria estrutura Institucional, foram consideradas as seguintes questões: apoio da administração
nas decisões tomadas; entrosamento entre a equipe
multiprofissional; disponibilidade de bibliografia e
acesso à Internet; condições de ambiente e área
física; trabalho em conjunto com um infectologista.
O apoio da administração nas tomadas de decisão
é fundamental para o bom desempenho das ações
de controle de IH, e foi relatado por 27,6% dos participantes do estudo (oito enfermeiros). As decisões
envolvendo essa área devem ser adotadas respeitando a CCIH, pois têm maior probabilidade de êxito
e efetivação das ações. A administração eficaz de
um hospital requer um trabalho conjunto das áreas
técnica, assistencial e administrativa. Acredita-se que
o êxito da CCIH está atrelado ao apoio da direção
do hospital e à participação ativa dos profissionais
interessados na segurança efetiva do paciente durante o período de internação11.
O entrosamento entre a equipe multiprofissional
que compõe o SCIH foi referido como facilidade por
24,1% dos participantes do estudo (sete enfermeiros).
Respeitadas suas especificidades, as atividades
de todos convergem para o mesmo objetivo: o de
prevenir e controlar a IH e saber onde o SCIH é
eficaz. Consequentemente, interação e aproximação
ocorrem, caracterizando de fato uma equipe
multiprofissional. Por outro lado, observa-se o risco
de “empoderamento” dessa equipe em função de sua
ação fiscalizadora, afastando-os das outras equipes,
principalmente da enfermagem, percebida nesse
estudo, podendo resultar na perda de parceiros no
combate à infecção12. A união entre os membros do
SCIH é necessária e salutar, porém é importante a
adoção de mecanismos para que todos se sintam
incluídos e comprometidos. Somente a ação conjunta
confere êxito ao programa de controle de infecção
em uma instituição.
Considerada facilitador, a disponibilidade de bibliografia e acesso à Internet, foi citada por 13,8% dos
enfermeiros (quatro profissionais). Para a atualização
constante, a instituição que provê recursos bibliográficos e acesso livre à Internet demonstra interesse
no bom desempenho das ações de controle de IH. O
mérito desses recursos está no estímulo à pesquisa,
numa área que vem apresentando mudanças dia a
dia. Apesar dos avanços tecnológicos, a IH ainda
constitui uma séria ameaça à saúde dos pacientes
56
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 50-59
internados, visto a mudança de comportamento dos
microorganismos e a emergência de velhas doenças.
Portanto, pesquisas precisam ser constantes para
aquele que se propõe a controlar infecções10.
As condições de ambiente e de área física adequada
foram, para 10,3% dos participantes (três enfermeiros),
facilitadoras para controlar as infecções. A Portaria
não define, em seu teor, a necessidade de uma área
física específica às atividades da CCIH. Falta uma
definição com maior clareza acerca da infraestrutura
mínima necessária para o controle de IH, bem
como de um sistema de informação atualizado e
acessível aos hospitais que atendam aos padrões
exigidos pela literatura para o adequado controle de
infecções. O lugar disponibilizado pela instituição
mostra a importância que o controle de infecção
hospitalar representa para a administração13. O local
de trabalho da CCIH deve ser arejado, iluminado,
ser mantido sempre limpo e em bom estado de
conservação. Ambientes funcionais e organizados
proporcionam maior satisfação no trabalho7.
Considerado como facilitador, trabalhar com um
infectologista foi citado por 6,9% dos participantes
do estudo (dois enfermeiros). Embora a Portaria não
referencie a especialidade médica de infectologista
para atuar no SCIH, percebe-se o destaque desse
profissional para integrar a equipe da CCIH/SCIH. A
justificativa maior dessa opção deve-se ao domínio
desse profissional sobre doenças infecciosas e
controle de antibióticos.
A categoria Operacional foi caracterizada pelo
relato das seguintes facilidades: adesão da equipe
de enfermagem às orientações, experiência e
conhecimento técnico e autonomia.
A adesão da equipe de enfermagem foi relatada como
facilidade por 20,7% dos participantes do estudo (seis
enfermeiros). Ao considerar que, para a efetivação
das ações de controle de infecção, há necessidade
da adesão da equipe às orientações determinadas
pelo SCIH, trata-se de um dado alarmante. Os
métodos tradicionais de educação permanente não
são suficientes para despertar, na equipe, a cultura
da prevenção. Mesmo após capacitações, percebese que os profissionais cometem os mesmos erros.
Acredita-se que a educação permanente ainda seja
o caminho para despertar conhecimentos e hábitos,
mas precisa-se mudar a estratégia para atingir tal
objetivo13. A educação permanente deve assumir um
caráter de edificação.
A experiência e o conhecimento técnico facilitam o
trabalho para 20,7% dos participantes (seis enfermeiros). Considera-se que a experiência favorece
o enfrentamento das dificuldades encontradas para
a mudança de comportamento. O estabelecimento
da cultura de prevenção foi evidenciado como uma
necessidade para efetivar as ações de controle de
IH. A experiência gera perícia e competência. Desse
modo, o profissional experiente deve ser valorizado
e respeitado.
Por último, a autonomia foi citada como facilitador por
13,8% dos participantes do estudo (quatro enfermeiros). A autonomia é a capacidade de governar a liberdade moral e intelectual ou a propriedade do direito
de escolha. A atuação profissional do enfermeiro do
SCIH, pautada no conhecimento científico, permite a
respeitabilidade mútua dos profissionais e conquista
a confiança da equipe em sua atuação. A autonomia
se conquista pela especialização produzida e pela
experiência e estudos permanentes, que lapida todo
o tempo a atuação desse enfermeiro14.
A categoria organizacional das facilidades foi
caracterizada pelos seguintes apontamentos:
aceitação e respeito do corpo clínico e confiança
no trabalho pelos colaboradores, bem como tempo
adequado para executar os trabalhos e organização
do serviço, cada item relacionado por 20,7% dos
participantes do estudo (sete enfermeiros). Esse
quadro confere respeito e confiança no serviço
realizado pelo enfermeiro do SCIH e é comprovado
pelo relato de autonomia anteriormente descrito,
ou seja, à medida que o enfermeiro do SCIH
aumenta o seu conhecimento, conquista adeptos
comprometidos, o que caracteriza autonomia.
A questão do tempo adequado para executar
os trabalhos e a organização do serviço é uma
conseqüência da organização e reflete a conquista
de espaço social e profissional, tornando-se um fator
que facilita a atuação no controle de IH.
É evidente a importância da integração entre o SCIH
e os serviços de apoio, a fim de facilitar a realização das atividades de controle e prevenção de IH15.
Observa-se que, à medida que há a inclusão dos
diversos setores na meta de combater a IH, ocorre
a divisão natural das tarefas, de modo a não gerar
sobrecarga para um em detrimento do outro, favorecendo, assim, a melhor organização das atividades
realizadas pelo enfermeiro do SCIH, ou seja, a força
do grupo impera nas ações de combate à infecção.
As facilidades relatadas pelos enfermeiros do SCIH
do Paraná demonstram que esses profissionais
estão atuando de forma responsável e, a despeito
das dificuldades, vêm conquistando respeito da
equipe multiprofissional, multidisciplinar e dos
administradores. Esse comportamento abre espaço
para serem reconhecidos também pela sociedade
como controladores de infecção hospitalar.
Pode-se verificar pelos resultados da pesquisa
que, no que se refere ao controle de IH, instituições
públicas e privadas somente atendem o que é exigido
por lei para o funcionamento mínimo, porém, se
não há fiscalização eficaz e frequente, o serviço cai
no esquecimento. Por exemplo, a sobrecarga de
trabalho referenciada pelos enfermeiros do SCIH
pode estar diretamente relacionada com a falta
de comprometimento dos demais profissionais e a
desvalorização do trabalho pelos colegas, bem como
a referência de exclusividade somente do enfermeiro
na Portaria que estabelece as ações e as equipes
do controle de infecção no País.
Quem atua na assistência muitas vezes se exclui de
sua responsabilidade pessoal, gerando sentimento
de impotência, já que isoladamente pouco pode
fazer. O êxito do programa do controle de infecção
hospitalar está relacionado com o envolvimento de
todos. A responsabilidade de prevenir e controlar
a infecção hospitalar é tanto individual quanto
coletiva.
CONCLUSÃO
As respostas referentes às dificuldades e às
facilidades dos enfermeiros atuantes em serviços
de controle de infecção de hospitais do Estado do
Paraná, participantes do estudo, foram agrupadas
em três categorias: Institucional, Operacional e
Organizacional.
Revelou-se que dentre as dificuldades, na categoria
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 50-59
57
Institucional, a evidência como principal obstáculo
às ações do SCIH foi a sobrecarga de trabalho.
Na categoria Operacional, foi considerado como
entrave o descompromisso e o despreparo dos
profissionais para atuar no controle de IH. Na categoria
Organizacional, constatou-se a desvalorização
do Serviço pelos enfermeiros assistenciais. Essa
realidade desenha um cenário que dificulta a
efetivação das ações propostas pelo SCIH.
Como fatores que facilitam a atuação dos enfermeiros
no serviço de controle de infecção hospitalar, em
nível Institucional, houve maior destaque para o
apoio da administração nas decisões tomadas e o
entrosamento entre a equipe multiprofissional. Na
categoria Operacional, evidenciaram-se fatores como
a adesão da equipe de enfermagem às orientações,
bem como a experiência e o conhecimento técnico
dos profissionais. Na Organizacional registrou-se a
aceitação e o respeito do corpo clínico e a confiança
do trabalho pelos colaboradores, como também o
tempo adequado para executar os trabalhos e a
organização do serviço, como fatores facilitadores.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A investigação sobre as dificuldades e as facilidades
encontradas pelo enfermeiro do Controle de Infecção
Hospitalar do Estado do Paraná teve como propósito
explorar o universo da atuação deste profissional,
verificando as fragilidades e as compensações do
seu papel no exercício da função.
Os questionários respondidos pelos enfermeiros,
na função de controladores de infecção hospitalar,
demonstraram que a atuação destes profissionais,
nesse cenário, estabelece-se como fundamental
para que os acontecimentos no entorno ocorram
de forma eficaz, não apenas pelo aspecto legal,
mas pela forma com que se comprometem com o
serviço.
Verificou-se que há mais dificuldades do que facilidades. Controlar a infecção não é tarefa fácil, considerando-se a etiologia e as condições de instalação
de microrganismos no homem em desequilíbrio
no seu processo doença. São múltiplos os fatores
causadores de infecção e as ações eficientes para
o seu controle resultam de ação conjunta, tanto do
aspecto técnico, como filosófico e político. O enfer58
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 50-59
meiro, pela própria designação legal, possui maior
designação de carga horária em detrimento de outras
categorias, o que muitas vezes o torna o principal
responsável pelo controle de infecção na instituição.
Dificuldades e facilidades fazem parte do cotidiano
de um profissional em qualquer função.
As dificuldades representam as adversidades que
o enfermeiro enfrenta no dia a dia no exercício da
difícil missão de controlar e/ou prevenir as infecções hospitalares e as facilidades representam as
conquistas obtidas pela competência profissional no
exercício de sua função. Assim, esta pesquisa nos
leva a considerar que os enfermeiros do Serviço de
Controle de Infecção do Estado do Paraná estão
ativos e atuantes na sua função, cujo principal beneficiado é o paciente.
Existe, no trabalho do enfermeiro no controle de
infecção, um ponto de reflexão, pois paralelamente
às adversidades encontradas para o exercício da
função, subsiste o encanto e uma luta incessante
dos profissionais envolvidos para a eficácia do
controle das IH. Há prazer quando vêem seu trabalho
reconhecido, o que estimula os enfermeiros a não
desistirem.
REFERÊNCIAS
1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Portaria
n. 2.616 de 12 de maio de 1998. Dispõe sobre
normas destinadas ao controle de infecções
hospitalares [Internet]. Brasília; 1998. [citado 2007
out 14]. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/
legis/portarias/2616_98.htm.
2. Lopes ACO, Proeietti FA, Machado GPM, Gaiffa
WT. Epidemiologia básica. In: Couto RC, Pedrosa
TMG, Nogueira JM. Infecção hospitalar e controle:
gestão para a qualidade. 3ª ed. São Paulo: Medsi;
2003.
3. Polit DF, Beck CT. Fundamentos de pesquisa
em enfermagem: avaliação de evidências para
a prática de enfermagem. 7ª ed. Porto Alegre:
Artmed; 2011.
4. DATASUS. Cadastro Nacional de Estabelecimentos
de Saúde: estabelecimentos cadastrados no estado
do Paraná [Internet]. Rio de Janeiro; s.d. [citado
2006 jun 6]. Disponível em: http://cnes.datasus.gov.
br/Lista_Tot_Es_Municipio.asp?Estado=41&NomeE
stado= PARANA
5. Lacerda RA. Controle de infecção em centro
cirúrgico: fatos, mitos e controvérsias. São Paulo:
Atheneu; 2003.
6. Medeiros SM, Ribeiro LM, Fernandes SMBA,
Veras VSD. Condições de trabalho de enfermagem:
a transversalidade do sofrimento cotidiano. Rev
Eletron Enferm [Internet]. 2006. [citado 2007 out
14];8(2):233-40. Disponível em http://www.fen.ufg.
br/revista/revista82v8n2a8htm.
7. Gomes ACT, Oliveira DC. Estudo da estrutura da
representação social da autonomia profissional em
enfermagem. Rev Esc Enferm USP [Internet]. 2005.
[citado 2007 out 14];39(2):145-53. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v39n2/04.pdf.
2004;17(3):316-24.
14. Barbosa ME, Vieira MCU, Abbot A. A eficácia da
educação continuada na prevenção de acidentes com
riscos biológicos: uma análise qualitativa. In: Anais
do 6º Congresso Pan-Americano e 10º Congresso
Brasileiro de Controle de Infecção e Epidemiologia
Hospitalar; 2006 set. 11-5; Porto Alegre. Porto Alegre;
2006.
15. Pereira MS, Prado MA, Leão ALM, Souza DN.
Avaliação de serviços de apoio na perspectiva do
controle de infecção hospitalar. Rev Eletron Enferm
[Internet]. 1999 out-dez. [citado 2007 out 14];1(1).
Disponível em: http://www.bvsde.paho.org/bvsacd/
cd49/aval.pdf.
8. Alves DCI, Évora YDM. Questões éticas envolvidas na prática profissional de enfermeiros da
Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. Rev
Latino-Am Enferm. 2002;3(10):265-75.
9. Bocchi SCM, Fávero N. Caracterização das atividades diárias do enfermeiro chefe de seção em
um hospital universitário. Rev Latino-Am Enferm.
1996;4(2):41-59.
10. Melo DS, Silva e Souza AC, Tipple AFV, Neves ZCP,
Pereira MS. Compreensão sobre precauções padrão
pelos enfermeiros de um hospital público de GoiâniaGO. Rev Latino-Am Enferm. 2006;14(5):720-7.
11. Pereira MS, Souza ACS, Tipple AFV, Prado MAA.
Infecção hospitalar e suas implicações para o cuidar da enfermagem. Texto Contexto Enferm [Internet]. 2005 abr-jun. [citado 2007 out 14];14(2):250-7.
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tce/v14n2/
a13v14n2.pdf.
12. Fernandes AT. As infecções hospitalares e suas
interfaces na área da saúde. São Paulo: Atheneu;
2000.
13. Turrini RNT. Programa de controle de infecção
hospitalar: problemas na implementação em
hospitais do Município de São Paulo. Acta Paul Enf.
Autoras
Maria Emilia Marcondes Barbosa
Enfermeira, Especialista em Centro Cirúrgico,
Recuperação Anestésica e Centro de Materiais
e Esterilização, Mestre em Enfermagem pela
Universidade Federal do Paraná (UFPR),
Docente da Universidade Estadual do Centro
Oeste (UNICENTRO) e da Faculdade Guairacá,
Guarapuava (PR).
E-mail: [email protected].
Denise de Carvalho de Siqueira
Médica, Doutora em Medicina Preventiva pela
Universidade de São Paulo (USP), Docente
do Departamento de Saúde Comunitária da
Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Maria de Fátima Mantovani
Enfermeira, Doutora em Enfermagem pela
Universidade de São Paulo (USP), Professora
Associada do Departamento de Enfermagem da
Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 50-59
59
Artigo Original
FATORES ASSOCIADOS À INFECÇÃO DE SÍTIO CIRÚRGICO
EM UM HOSPITAL NA AMAZÔNIA OCIDENTAL BRASILEIRA*
FACTORS ASSOCIATED WITH SURGICAL SITE INFECTIONS IN A HOSPITAL IN THE WESTERN
BRAZILIAN AMAZON
FACTORES ASOCIADOS CON LA INFECCIÓN DEL SITIO QUIRÚRGICO EN UN HOSPITAL EN LA
AMAZONÍA OCIDENTAL BRASILEÑA
AGUIAR, Ana Paula Lima; PRADO, Patricia Rezende do; OPITZ, Simone Perufo; VASCONCELOS, Suleima Pedroza; FARO,
André Ricardo Maia da Costa de.
RESUMO: Objetivo: Identificar os fatores associados à Infecção de Sitio Cirúrgico (ISC) em um
Hospital de Ensino de Rio Branco (AC). Método:
Estudo transversal, cuja coleta de dados incluiu
todos os pacientes com ISC de duas enfermarias
cirúrgicas. Resultados: do total de 2.203 pacientes,
81 apresentaram ISC, representando prevalência
de 3,68%. As ISC incidiram predominantemente
em mulheres, com idade média de 48 anos, baixa
escolaridade e baixo nível sócio-econômico. As
cirurgias mais frequentes relacionadas à ISC
foram colecistectomia e laparotomia, em pacientes
classificados com risco ASA II, apresentando hipertensão e diabetes como comorbidades e tricotomizados com lâmina de barbear, além de outros
aspectos. À equipe de enfermagem é necessária
a orientação quanto à tricotomia mais próxima da
cirurgia e com tricotomizador elétrico. Aos médicos
cabe a observação das cirurgias que mais ocorrem
ISC, tempo cirúrgico, assepsia adequada, além da
cultura de secreções. Conclusão: Este estudo revelou fatores predisponentes para o desenvolvimento de ISC e as ações pertinentes de intervenção
da equipe cirúrgica.
Palavras-chave: Infecção hospitalar (prevenção
& controle); Biossegurança; Enfermagem; Centro
cirúrgico hospitalar.
ABSTRACT: Purpose: To identify the factors
associated with Surgical Site Infections (SSI) in
a university hospital in Rio Branco, AC, Brazil.
Method: A cross-sectional study. Data collection
included all the patients with SSI in two surgical
nursing wards. Results: Of the 2.203 patients, 81
had SSI, representing a prevalence of 3.68%. The
SSI focused predominantly on women, mean age
48 years, low education and low socioeconomic
status. The most common surgeries were related
to SSI cholecystectomy and laparotomy in patients
classified at risk ASA II, with hypertension and
diabetes as comorbidities and shaved with a razor
blade, besides other aspects. To the nursing staff,
guidance on shaving closer to the surgery and
utilization of tricotomizador electric is needed. To the
doctors fit the observation on the surgeries in which
more ISC occur, surgical time, proper cleansing,
and culture of secretions. Conclusion: This study
revealed the predisposing factors for developing
SSI and appropriate intervention actions.
Key words: Surgical site infection (prevention &
control).; Biosafety; Nursing
RESUMEN: Objetivo: Identificar los factores
asociados con infecciones del sitio quirúrgico
(ISQ) en un hospital universitario de Río Branco,
AC, Brasil. Método: Estúdio transversal, cuya
recolección de datos incluyó todos los pacientes
con ISQ en dos enfermerías quirúrgicas. Resultados:
De los 2203 pacientes, 81 tuvieron ISQ, lo que
representa una prevalencia de 3,68%. El ISQ se
* Pesquisa realizada no Hospital das Clínicas do Acre sob financiamento do PIBIC/CNPq. Universidade Federal do Acre (UFAC).
60
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 60-70
centró predominantemente en mujeres con edad
media de 48 años, baja escolaridad y bajo nivel
socioeconómico. Las cirugías más comunes estaban
relacionadas con la colecistectomía y la laparotomía
en pacientes clasificados como riesgo ASA II, con
la hipertensión y el Diabetes como enfermedades
concomitantes y rasuradas con un afeitador además
de otros aspectos. Al equipo de enfermería se
necesita orientarlo sobre que se proceda al rasurado
más cercano a la cirugía y con afeitador eléctrico.
Para los médicos cabe la observación de las cirugías
que más ocurren ISQ, el tiempo quirúrgico, asepsia
correcta y cultivo de secreciones. Conclusión: Este
estudio reveló los factores predisponentes para el
desarrollo de ISQ y acciones de intervención del
equipo quirúrgico adecuadas.
Palabras clave: Infección del Sitio Quirúrgico
(prevención & control); Seguridad; Enfermería.
INTRODUÇÃO
As Infecções Hospitalares são classificadas em
Infecção do Sistema Urinário, Sistema Respiratório,
Sistema Vascular e Infecções de Sítio Cirúrgico. As
Infecções de Sítio Cirúrgico (ISC) correspondem a
20% das infecções hospitalares, de acordo com a
National Nosocomial Infection Surveillance System
(NNIS)1.
A ISC é considerada uma das maiores e mais importantes complicações pós-operatórias, principalmente
devido a seus altos índices de morbidade e mortalidade, altos custos referentes ao tratamento, além
da questão litigiosa, que está diretamente ligada a
uma assistência com qualidade2.
O Ministério da Saúde, pela Portaria 2616, de 12
de maio de 1998, Anexo II, conceituou a Infecção
Hospitalar (IH) como aquela adquirida após a
admissão do paciente e que se manifeste durante
a internação ou após a alta, quando puder ser
relacionada com a internação ou procedimentos
hospitalares, num período de 48 horas após a
alta da unidade de terapia intensiva, 30 dias após
cirurgias sem próteses e até um ano após cirurgias
com próteses3.
Na ISC, o tempo correspondente ao período de
incubação é de 3 a 8 dias após a cirurgia, sendo
este período influenciado pelas variáveis de
classificação do ferimento. Segundo a probabilidade
de contaminação e a potencialidade de causar
infecções, os procedimentos cirúrgicos são
classificados em3:
• Cirurgias limpas são cirurgias realizadas em
tecidos estéreis, onde não há presença de
processo infeccioso, cicatrização por primeira
intenção, não há penetração dos tratos respiratório, digestório e geniturinário, não há falha na
técnica asséptica e não tem drenos. Exemplos:
herniorrafia e mamoplastia.
• Cirurgias Potencialmente Contaminadas envolvem cirurgias realizadas em tecidos que possuem
flora residente não numerosa ou onde a descontaminação é um processo difícil e já ocorreu
a abertura do trato respiratório, geniturinário
ou digestório, sem contaminação significativa.
Exemplos: gastrectomia e histerectomia abdominal.
• Cirurgias Contaminadas são cirurgias realizadas
em tecidos onde a flora microbiana é bem significativa, de difícil descontaminação, há presença
de sinais flogísticos e técnica asséptica inadequada. Exemplos: colectomia e hemorroidectomia.
• Cirurgias Infectadas correspondem aos procedimentos realizados em qualquer tecido ou órgão
com presença de pus, tecido desvitalizado ou
presença de corpo estranho, sendo que estes
dados são comprovados por meio de análises
laboratoriais e dados clínicos do paciente. Exemplos: amputação de pé diabético e apendicectomia supurada.
As estimativas no Brasil apontam para um percentual
de 5 a 10% de probabilidade de um paciente
internado contrair algum tipo de infecção e os fatores
predisponentes estão relacionadas ao paciente, ao
procedimento cirúrgico e à equipe de saúde4. Os
fatores relacionados diretamente ao paciente quanto
ao risco de desenvolver ISC são: idade, presença de
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 60-70
61
doenças crônicas, estado nutricional (obesidade e
desnutrição), imunossupressão, tabagismo, natureza
e local da cirurgia, tempo de internação pré e pósoperatório, grau de contaminação da cirurgia e
infecções coexistentes4.
A avaliação e a classificação do estado de saúde
do paciente que será submetido a uma cirurgia é
função do anestesista, que classifica o paciente de
acordo com as diretrizes da American Society of
Anestesiologists (ASA), que elencou um escore que
varia do melhor estado para cirurgia, ou seja, ASA I
ao pior estado, ASA VI5.
Quando o paciente é classificado como ASA I, é um
indivíduo sem alterações fisiológicas ou orgânicas
ou o processo patológico responsável pela cirurgia
não causa problemas sistêmicos. No caso de paciente ASA II, existe uma alteração sistêmica leve
ou moderada relacionada com patologia cirúrgica ou
enfermidade geral. No paciente classificado como
ASA III, há uma alteração sistêmica intensa relacionada com a patologia cirúrgica ou enfermidade geral.
Já no paciente classificado como ASA IV, o distúrbio
sistêmico é grave e coloca em risco a sua vida. ASA
V quando o paciente é moribundo e não é esperado
que sobreviva sem a operação. O paciente ASA VI
está em morte cerebral declarada, cujos órgãos estão
sendo removidos com propósitos de doação5.
O diagnóstico da ISC, segundo a metodologia
da NNIS, é a infecção que ocorre em até 30 dias
após a data da cirurgia e, em caso de prótese, até
um ano após o procedimento. Além da condição
anterior, torna-se necessário um dos seguintes
achados clínicos: 1) presença de secreção purulenta
envolvendo o local da incisão ou coleções purulentas
de órgão ou cavidade. Neste último, as evidências
são observadas diretamente durante a cirurgia,
por exame histopatológico ou exame radiológico
sugestivo; 2) microrganismos isolados obtidos de
culturas de fluidos ou tecidos procedentes da incisão
ou do órgão/cavidade; 3) sinais flogísticos locais,
deiscência espontânea da incisão e/ou abertura
deliberada da incisão pelo cirurgião; 4) diagnóstico
de infecção, de acordo com o local afetado, pelo
cirurgião ou médico assistente3,6
.
Diante da problemática das ISC, os gastos relacionados às suas complicações, com o aumento do
62
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 60-70
período de internação e, sobretudo, o risco para o
paciente, a Lei Federal 9.431, de 1997, por meio
da Portaria 2.6163, obriga todos os hospitais a implementarem um programa de controle de infecção
hospitalar, sendo necessário o estabelecimento da
vigilância epidemiológica para fazer o registro de
ocorrências, verificando as possíveis causas e propondo medidas de controle sobre procedimentos que
possam vir a desencadear as possíveis causas de
infecção em sitio cirúrgico, garantindo, assim, maior
segurança para o paciente7.
As vantagens de um estudo efetivo sobre os fatores
predisponentes das infecções de sítio cirúrgico,
bem como a detecção dos fatores de risco em
evidência em pacientes que desenvolvem este tipo
de infecção, são inquestionáveis, principalmente no
que diz respeito à redução da morbimortalidade e
dos gastos econômicos relacionados ao período
prolongado de internação de pacientes que
desenvolveram ISC7.
Perante tais constatações, despertou-nos a motivação
em realizar a presente pesquisa, que tem por
finalidade relacionar a ocorrência de ISC aos fatores
que dizem respeito ao procedimento anestésicocirúrgico e ao próprio paciente, em um hospital
localizado na Amazônia Ocidental Brasileira.
OBJETIVO
Identificar os fatores associados à Infecção de Sitio
Cirúrgico em um Hospital de Ensino de Rio Branco,
Estado do Acre, Brasil, segundo as características
do paciente e do procedimento anestésico-cirúrgico,
no período perioperatório.
MÉTODO
Trata-se de um estudo transversal, com abordagem
quantitativa, realizado em um Hospital de Ensino
público e de referência no Estado do Acre (AC
– Amazônia Ocidental, Brasil).
A coleta de dados foi realizada no período de dezembro
de 2009 a maio de 2010, representando 2.203
cirurgias realizadas no semestre estudado. Foram
excluídos da pesquisa os pacientes submetidos a
cirurgias ortopédicas, devido ao tempo prolongado
para manifestação dos sinais flogísticos neste tipo
de cirurgia e aqueles pacientes que permaneceram
hospitalizados por um período inferior a dois dias
após o procedimento cirúrgico e, ainda, todos os
pacientes que não aceitaram participar da pesquisa.
Desta forma, o período de manifestação dos sinais
de ISC foi avaliado como preconizado, ou seja, de 3
a 8 dias após o procedimento anestésico-cirúrgico.
A coleta de dados foi prospectiva e realizada pela
primeira autora, com o paciente hospitalizado e os
dados complementares foram obtidos do prontuário
do paciente. Utilizou-se um questionário elaborado
para este fim, com dados sociodemográficos e
informações sobre os períodos pré, trans e pósoperatório. Todos os pacientes eram esclarecidos
quanto ao objeto da pesquisa e assinaram o Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da
Universidade Federal do Acre (UFAC), sob protocolo
nº 23107.0013105/2009-82.
Após a coleta de dados, mediante aplicação do
questionário, foi elaborado um banco de dados no
programa estatístico STATA 12.0, o qual proporcionou
trabalhar com os resultados, a fim de que o objetivo
do estudo fosse alcançado.
RESULTADOS
No período do estudo, foram realizados 2.203
procedimentos anestésico-cirúrgicos, sendo que
81 pacientes apresentaram ISC, representando
uma prevalência de infecção de 3,68%. Deste total
(81 pacientes com ISC = 100,00%), 16,05% das
ISC (13 pacientes) ocorreram em cirurgias limpas,
72,84% (59 pacientes) em cirurgias potencialmente
contaminadas, 8,64% (sete pacientes) em cirurgias
contaminadas e 2,47% (dois pacientes) em cirurgias
infectadas.
A média de idade dos participantes da pesquisa foi de
48,4 anos, variando de 2 a 93 anos, obtendo, desse
modo, um desvio padrão de 16,5. Dos pacientes
que compuseram a análise deste trabalho, a maior
parte era composta pelo gênero feminino, sendo
65,43% (53 mulheres), enquanto 34,57% (28) eram
homens.
Quanto à caracterização da cor dos participantes,
houve predominância significativa dos pardos, com
um percentual bastante elevado: 92,59% pardos (75
pacientes), 3,70% (três pacientes) brancos e 3,70%
(três pacientes) negros. A análise deste resultado
mostra a predominância da população local e sua
etnia.
Foi constatado, também, que 60,49% (49 pacientes)
dos pacientes que tiveram ISC realizaram algum tipo
de procedimento cirúrgico anterior, enquanto que
39,51% (32 pacientes) não haviam realizado outra
cirurgia anteriormente.
No que se refere à ocupação, observou-se que a
percentagem mais expressiva correspondeu a profissionais do lar 37,04% (30 pacientes), seguidos pelos
aposentados 22,22% (18 pacientes), autônomos
7,41% (seis pacientes) e estudantes 6,17% (cinco
pacientes).
As demais ocupações citadas ficaram no patamar
que oscila entre 1,25 a 2,50%, as quais foram: pedagoga, agricultor, pedreiro, professor, cozinheira,
caseiro, vigilante, músico, comerciante entre outras.
A média do tempo de estudo dos participantes da
pesquisa foi de 4,6 anos, obtendo desvio padrão
de 3,8.
Quanto ao tipo de moradia, observou-se que 44,44%
(36 pacientes) dos pacientes residiam em casas
de alvenaria, 40,74% (33 pacientes) em casas de
madeira e os outros 14,82% (12 pacientes) residiam
em casas mistas. Dos participantes incluídos na
pesquisa, 65,43% (53 pacientes) possuíam moradia
com rede de água e esgoto, enquanto que 34,57%
(28 pacientes) não possuíam.
Os participantes da pesquisa foram analisados, ainda,
quanto ao hábito de fumar e de beber e identificou-se
que 33,33% (27 pacientes) eram tabagistas e 22,22%
(18 pacientes) eram etilistas.
No que se refere aos fatores relacionados ao período
pré-operatório, foram analisados os dias de internação do paciente antes da realização do procedimento
cirúrgico e observou-se que 62,96% (51 pacientes)
permaneceram internados apenas um dia antes da
realização da cirurgia e 11,11% (nove pacientes)
permaneceram internados por dois dias, segundo
se pode observar na Tabela 1.
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 60-70
63
Tabela 1. Dias de internação hospitalar (antes da
cirurgia) dos pacientes que apresentaram Infecção
de Sítio Cirúrgico. Rio Branco (AC), 2010.
Dias de
internação
anteriores à
cirurgia
Frequência
(número)
Percentagem
0
03
3,71%
1
51
62,96%
2
09
11,11%
3
01
1,23%
4
01
1,23%
6
01
1,23%
7
02
2,46%
8
01
1,23%
9
02
2,46%
12
01
1,23%
14
01
1,23%
16
02
2,46%
18
01
1,23%
19
01
1,23%
20
01
1,23%
25
01
1,23%
28
01
1,23%
31
01
1,23%
Total
81
100,00%
Quanto ao risco cirúrgico, de acordo com a classificação da American Society of Anestesiologists (ASA),
obteve-se que 54,32% (44 pacientes) dos pacientes
com ISC eram risco ASA II e 33,33% (27 pacientes)
eram ASA I, lembrando que o risco cirúrgico é um dos
fatores que pode predispor à ISC. Os dez pacientes
restantes foram distribuídos nas classificações ASA
III e IV, conforme é possível se verificar no gráfico
a seguir.
64
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 60-70
Risco Cirúrgico ASA (%)
Figura 1. Pacientes que apresentaram Infecção de
Sítio Cirúrgico, segundo avaliação do risco cirúrgico,
pela classificação ASA. Rio Branco (AC), 2010.
A Figura 2 se refere ao porte do procedimento
cirúrgico realizado nos pacientes que participaram
do estudo, e demonstra que houve maior incidência
de ISC nas cirurgias de médio porte, seguidas das
de grande porte e, com um valor significativamente
menor, nas cirurgias de pequeno porte.
Porte do procedimento Cirúrgico (%)
Figura 2. Avaliação do porte do procedimento
cirúrgico dos pacientes que participaram do estudo.
Rio Branco (AC), 2010.
Na Tabela 2 pode-se verificar que a colecistectomia
foi a cirurgia mais prevalente relacionada à ISC, com
frequência de 46,91% (38 pacientes), seguida da
laparotomia (7,41% ou seis pacientes) e herniorrafia,
histerectomia e gastrectomia, cada uma com 4,94%
(quatro pacientes).
Quanto ao potencial de contaminação cirúrgica, dos
81 pacientes com ISC, 72,84% (59 pacientes) foram
submetidos a cirurgias potencialmente contaminadas,
16,05% (13 pacientes) eram cirurgias limpas, 8,64%
(sete pacientes) cirurgias contaminadas e 2,47%
(dois pacientes) cirurgias infectadas.
Tabela 2. Tipos de procedimentos cirúrgicos realizados nos pacientes com infecção de sítio cirúrgico no
período de coleta de dados. Rio Branco (AC), 2010.
Tipo de cirurgia
Frequência
Percentagem
Colecistectomia
38
46,91 %
Laparotomia
06
7,41%
Herniorrafia
04
4,94%
Histerectomia
04
4,94%
Grastrectomia
04
4,94%
Uretrocistoscopia
02
2,47%
Mastectomia radical
02
2,47%
Exérese de cisto em região glútea
02
2,47%
Drenagem de abcesso abdominal
02
2,47%
Prostatectomia
02
2,47%
Ulcerectomia - enxerto de pele
02
2,47%
Gastroplastia
01
1,23%
Reconstrução de trânsito intestinal
01
1,23%
Amputação de membro por lesão necrótica
01
1,23%
Hepatectomia
01
1,23%
Remoção de tumor em MSE
01
1,23%
FAV
01
1,23%
Varizes
01
1,23%
Esvaziamento cervical
01
1,23%
Pielografia retrógada
01
1,23%
Biópsia hepática
01
1,23%
Polipectomia grave
01
1,23%
Correção cirúrgica de fístula vesical
01
1,23%
Colpoperineoplastia
01
1,23%
81
100,00%
Total
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 60-70
65
Na análise da presença de comorbidades, identificou-se que 34,57% (28 pacientes) apresentavam
hipertensão arterial, 2,47% (dois pacientes) eram
diabéticos, 2,47% (dois pacientes) eram hipertensos
e diabéticos, 1,23% (um paciente) portador de Doença de Chagas e 1,23% (um paciente) teve Malária.
No período pré-operatório, os participantes foram
questionados quanto ao banho, e verificou-se que
92,60% (75 pacientes) tomaram banho antes da
cirurgia, enquanto que 7,40% (seis pacientes) não
tomaram banho antes da cirurgia.
Foram questionados, ainda, quanto ao intervalo de
tempo entre o banho e a entrada no CC, obtendo-se
os seguintes dados: 40,74% (33 pacientes) tomaram
banho entre 1 e 2 horas antes de entrarem no CC;
24,69% (20 pacientes) tomaram banho entre 3 e 4
horas; 9,88% (oito pacientes) tiveram um intervalo
de 5 horas entre o banho e a cirurgia; 6,17% (cinco
pacientes) tiveram um intervalo de 6 horas; 8,64%
(sete pacientes) tiveram um intervalo entre o banho
e a cirurgia num período inferior a uma hora; 2,47%
(dois pacientes) tiveram este intervalo referente a 10
horas e o restante oscilou num período de 11 a 24
horas (seis pacientes).
Quanto à realização da tricotomia 70,37% (57
pacientes) realizaram antes da cirurgia, enquanto
que 29,63% (24 pacientes) não realizaram a
tricotomia. No que se refere ao tempo de tricotomia,
verificou-se que 29,63% (24 pacientes) realizaram a
tricotomia num período inferior a 1 hora; 20,99% (17
pacientes) entre um período de 1 a 2 horas; 6,17%
(cinco pacientes) realizaram tricotomia num período
referente a 3 horas antes do procedimento cirúrgico;
16,05% (13 pacientes) num período correspondente
a 24horas. A tricotomia foi realizada com o uso de
lâmina de barbear por 56 pacientes (69,14%).
Foi analisada, também, a presença de drenos e observou-se que 46,91% (38 pacientes) estavam portando algum tipo de dreno, enquanto que 53,09% (43
pacientes) não portavam dreno, sendo o uso destes
relacionados a um aumento nas taxas de ISC.
O período intraoperatório foi analisado quanto às
intercorrências durante a realização da cirurgia e
observou-se que 96,30% (78 pacientes) não apresentaram nenhum tipo de intercorrência, enquanto
66
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 60-70
que 3,70% (três pacientes) apresentaram alguma
intercorrência, como hemorragia, hipotensão, choque
entre outras.
Dentre os pacientes participantes da pesquisa que
tiveram ISC, foi observada a presença de sinais
flogísticos em 38,27% (31 pacientes). Ao analisar
a presença de sinais flogísticos, observou-se que a
dor associada ao edema foi o sinal mais prevalente,
representando 14,81% dos casos (12 pacientes),
enquanto a presença de eritema correspondeu a
11,11% (nove pacientes), seguida por eritema associado a edema 6,17% (cinco pacientes) e dor 3,70%
(três pacientes). Somente 2,47% (dois pacientes)
apresentaram todos os sinais flogísticos.
Ao avaliar alguns aspectos relacionados ao sítio cirúrgico, como a presença de abscessos ou deiscência
de sutura, secreção em sítio cirúrgico, presença de
febre, realização de cultura e necessidade de antibioticoterapia pós-cirurgia, encontrou-se os resultados
expressos na Tabela 3.
O presente estudo constatou que 32,10% (26) dos
pacientes apresentaram secreção no sítio cirúrgico,
30,86% (25 pacientes) apresentaram febre e 4,94%
(quatro pacientes) desenvolveram abscesso e
deiscência de sutura no período pós-operatório. Ao
analisar este fator, constatou-se que entre os pacientes que evoluíram com febre após o procedimento
cirúrgico, 66,60% apresentaram tal sinal por apenas
um dia, enquanto 22,20% por dois dias e o restante
(11,2%) por tempo superior a dois dias.
Apesar de ter sido encontrado um valor elevado
de secreção cirúrgica (26 pacientes ou 32,10%), a
realização de cultura foi feita em apenas cinco dos
pacientes (6,17%). Dentre os pacientes que tiveram
as culturas realizadas foi isolado Staphilococcus
aureus em metade das culturas.
Com relação à antibioticoterapia pós-cirúrgica,
constatou-se que em 90,12% dos casos (73
pacientes) ela foi prescrita, com uma ampla
variedade de antibióticos. Dentre estes, a cefalotina
foi a mais prescrita pelos médicos (37,04% ou 30
pacientes), seguida pela ciprofloxacina (12,35%
ou 10 pacientes); 9,88% (oito pacientes) utilizaram
cefazolina; 8,64% (sete pacientes) usaram cefalexina
e 6,17% (cinco pacientes) utilizaram ampicilina.
Tabela 3. Pacientes com Infecção de Sítio Cirúrgico, segundo aspectos relacionados ao sítio cirúrgico e
procedimentos realizados ou não. Rio Branco (AC), 2010.
Critério avaliado
Frequência (n)
Percentagem (%)
Degermação pré-operatória
Sim
Não
78
03
96,30%
3,70%
Antissepsia pré-operatória
Sim
Não
78
03
96,30%
3,70%
Antibioticoprofilaxia
Sim
Não
29
52
35,80%
64,20%
Presença de abscesso e deiscência
Sim
Não
04
77
4,94%
95,06%
Presença de secreção cirúrgica
Sim
Não
26
55
32,10%
67,90%
Presença de febre
Sim
Não
25
56
30,86%
69,14%
Coleta de cultura
Sim
Não
05
76
6,17%
93,83%
Antibioticoterapia pós-cirúrgica
Sim
Não
73
08
90,12%
9,88%
Foi analisado, ainda, o tempo de duração do procedimento cirúrgico em minutos, que oscilou entre 45 e
385 minutos. Somente 4,94% (quatro pacientes) foram operados em até 60 minutos e a maioria (50,62%
ou 41 pacientes) foram operados em até 150 minutos
(2,5 horas), demonstrando que o tempo cirúrgico é
longo, porém é necessário considerar que além da
maioria das cirurgias ser de médio porte, o hospital
é de ensino, com cirurgiões residentes que estão
sendo habilitados para a realização de cirurgias.
Entretanto, a literatura8 considera que a duração do
procedimento cirúrgico, quando elevada, é um dos
fatores desencadeantes de ISC.
DISCUSSÃO
A prevalência de ISC encontrada no hospital do
estudo foi de 3,68%, 81 pacientes dos 2.203
pacientes operados no semestre estudado. Este
resultado é considerado satisfatório e coincide com
estudo realizado no Rio Grande do Norte9, que
encontrou prevalência de 3,70%, ao analisar 3.120
pacientes no período de 1999 a 2002. Uma pesquisa
realizada nos Estados Unidos10 também identificou
3,70% de ISC, monitorizando 84.691 pacientes
operados em 44 hospitais americanos.
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 60-70
67
Das 81 ISC encontradas no presente estudo, 16,05%
(13 pacientes) ocorreram em cirurgias limpas,
72,84% (59 pacientes) em cirurgias potencialmente
contaminadas, 8,64% (sete pacientes) em cirurgias
contaminadas e 2,47% (dois pacientes) em cirurgias
infectadas, concordando com o potencial de contaminação aceito pelo Center for Desease Control and
Prevention (CDC) dos Estados Unidos, que preconiza que 1 a 5% das ISC ocorram em cirurgias limpas,
3 a 11% em cirurgias potencialmente contaminadas,
10 a 17% em cirurgias contaminadas e 27% em cirurgias infectadas11.
A média de idade dos participantes da pesquisa foi
de 48,4 anos, variando de 2 a 93 anos. Considerase que o risco cirúrgico não aumenta apenas com
a idade, com exceção dos pacientes com 70 anos
ou mais, mas também deve ser considerada em
conjunto com patologias associadas, como coronariopatias, pneumopatias, disfunção renal e doenças
sistêmicas graves8.
A média do tempo de estudo dos participantes da
pesquisa foi de 4,6 anos, obtendo-se o desvio padrão
de 3,8. A baixa escolaridade, assim como as desfavoráveis condições sócio-econômicas, favorece o
risco de desenvolvimento de ISC.
Os participantes da pesquisa foram analisados, ainda,
quanto ao hábito de fumar e de beber e foi identificado que 33,33% (27 pacientes) eram tabagistas e
22,22% (18 pacientes) etilistas. Esta análise foi feita
levando em consideração que o álcool e o tabagismo são extremamente prejudiciais ao processo de
cicatrização, pois dificultam, dentre outros fatores, a
disponibilidade sanguínea local, sendo o tabagismo
um dos principais fatores envolvidos na infecção de
ferida pós-operatória8.
Em relação ao período pré-operatório, a maioria dos
pacientes (62,96% ou 51) permaneceu internada
apenas um dia antes da realização da cirurgia e
11,11% (nove pacientes) permaneceram internados
por dois dias, reforçando o preconizado na literatura, que considera que, devido à maior quantidade
de operações realizadas em nível ambulatorial e à
redução nos dias de internação hospitalar, são menores as possibilidades destes pacientes adquirirem
infecção pelo contato com bactérias presente em
ambiente hospitalar1,8.
68
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 60-70
No que se refere ao risco cirúrgico, de acordo com a
classificação da American Society of Anestesiologists
(ASA), obteve-se que a maioria dos pacientes com
ISC pertenciam à categoria ASA II, ou seja, tinham
apenas uma alteração sistêmica leve, o que minimiza
complicações pós-operatórias e favorece a melhor
recuperação do paciente. O risco cirúrgico é um dos
fatores que pode predispor à ISC, principalmente na
vigência de doença sistêmica grave, incapacitante e
que causa algum tipo de limitação ao paciente5,8.
Quanto às comorbidades, verificou-se que 34,57%
(28 pacientes) pacientes apresentaram hipertensão
arterial, seguidos, em proporções menores, dos
pacientes com diabetes, hipertensão e diabetes associadas, portadores da Doença de Chagas, além
de um portador de Malária. A presença de comorbidades é um fator extremamente importante para o
prognóstico do paciente, principalmente a presença
de diabetes, que retarda o processo de cicatrização
tecidual e outras doenças que têm consequências
sistêmicas, como a hipertensão, podendo resultar
em déficit renal, cardiovascular e perfusão arterial
periférica reduzida e, ainda, interferem na imunidade
humoral e celular do indivíduo, contribuindo, assim,
para o surgimento de infecções hospitalares1.
No período pré-operatório, o banho foi realizado
pela quase totalidade dos pacientes, com intervalo
de tempo mais frequente entre uma e duas horas
antes da cirurgia. O banho antes da cirurgia é um
fator importante na remoção de boa parte da flora
bacteriana transitória, reduzindo as complicações
pós-cirúrgicas que o paciente possa apresentar. O
banho antes da cirurgia é categorizado, de acordo
com as normas do CDC, em categoria IB, que são
práticas altamente recomendadas para que sejam
implementadas, sendo apoiada por vários estudos
clínicos, experimentais e epidemiológicos11. Desta
forma, esta atitude minimiza a chance de ocorrência
de ISC.
Quanto à realização da tricotomia, a maior parte
dos pacientes com ISC a realizou antes da cirurgia,
sendo a maioria em até uma hora antes do procedimento, o que é adequado e recomendado, porém, a
maior parte utilizou lâmina de barbear, o que não é
preconizado. A realização da tricotomia só deve ser
feita se esta for indispensável para a realização do
procedimento cirúrgico, e o mais próximo da cirurgia
possível, com o uso de aparelho elétrico2. O uso da
lâmina de barbear provoca microlesões na pele, que
podem ser colonizadas por microrganismos, especialmente se a raspagem dos pelos for realizada mais
de duas horas antes do procedimento cirúrgico.
Foi analisada, também, a presença de drenos e
observou-se que 46,91% (38 pacientes) dos pacientes estavam portando algum tipo de dreno e sua
utilização em incisões cirúrgicas está relacionada a
um aumento nas taxas de ISC1. Apesar de ter sido
encontrado um valor elevado de pacientes com
presença de secreção cirúrgica (26 ou 32,10%), a
realização de cultura foi feita em apenas 6,17% deles.
Dentre os cinco pacientes que tiveram as culturas
realizadas, foi isolado Staphilococcus aureus em
metade das culturas, dados estes corroboram com
outros, nos quais os cocos Gram positivos são relativamente mais isolados em cirurgias limpas e as
bactérias Gram negativas aeróbias e anaeróbias são
mais comuns após procedimentos contaminados ou
potencialmente contaminados2
.
Com relação à antibioticoterapia pós-cirúrgica, constatou-se que em 90,12% dos casos (73 pacientes)
ela foi prescrita, com uma ampla variedade de antibióticos usados. Dentre estes, a cefalotina foi a mais
prescrita pelos médicos, seguida de ciprofloxacina e
cefazolina. Percebemos que a equipe médica levou
em consideração os princípios gerais para a escolha
dos antibióticos a serem administrados aos pacientes
com ISC, principalmente um espectro de ação amplo,
sendo que a duração da antibioticoterapia na vigência de infecções da ferida operatória não tem um
tempo definido, e geralmente é empregada até que
as respostas locais e sistêmicas estejam suficientes
para poder limitar o retorno ou o reaparecimento da
infecção8.
CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS
A prevalência de ISC encontrada neste estudo
(3,68%) está dentro dos padrões preconizados pelo
CDC e é corroborada por outros estudos nacionais
e internacionais, mostrando que o referido hospital
tem controle deste tipo de infecção.
Embora a prevalência da ISC encontrar-se em parâmetros adequados, os resultados da pesquisa nos
alertaram para alguns fatores de risco sócio-econô-
micos e demográficos, como: idade acima de 48 anos,
sexo feminino, cor parda, mulheres com ocupação
do lar e moradia em casas de madeira. Os fatores
relacionados ao pré-operatório, como tabagismo, etilismo, hipertensão e diabetes, devem ser controlados
antes da realização cirúrgica. Houve predominância,
ainda, de pacientes com risco cirúrgico ASA II, que
realizaram tricotomia com lâminas de barbear e não
com aparelho elétrico. No tocante aos fatores presentes no período transoperatório, destacaram-se as
cirurgias de colecistectomia, laparotomia, herniorrafia, histerectomia e gastrectomia, classificadas como
cirurgias potencialmente contaminadas e cirurgias
limpas, com as maiores prevalências de ISC, além
do tempo cirúrgico prolongado e uso de drenos. No
período pós-operatório, alerta-se para a realização
de cultura da secreção e os cuidados de enfermagem com drenos e curativos, além do controle das
comorbidades.
Este estudo contribuiu para a compreensão dos
riscos ao qual o paciente pode estar envolvido, a
partir de sua internação, seja por agressão de
microorganismos ao seu organismo, seja por
orientações incompletas ou insuficientes sobre
procedimentos considerados como fatores de risco
para o desenvolvimento de ISC, tais como: tricotomia,
banho e higienização. Pôde-se observar a falta de
conhecimento por parte dos pacientes a respeito
dos fatores que podem desenvolver complicações
pós-cirúrgicas ao se realizar a entrevista.
Entretanto, uma das contribuições desta investigação
foi a reflexão que a mesma causou em cada paciente
participante deste estudo, quando lhes foi explicado,
durante as entrevistas, as formas de se evitar uma
complicação e especificamente infecção após a
realização da cirurgia, mostrando a importância de
observar o local da cirurgia, quanto ao aparecimento
de sinais de infecção, higienizar adequadamente o
local, seguindo as técnicas recomendadas.
Esta pesquisa reforça o que a literatura, mais
especificamente a National Healthcare Safety
Network e o CDC preconizam, ou seja, a importância
de se identificar os fatores de risco aos quais o
paciente está exposto e os fatores relacionados
ao período perioperatório, além de minimizar sua
ocorrência durante seu período de internação e o
processo de reabilitação cirúrgica.
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 60-70
69
Destaca-se que este trabalho foi pioneiro no Estado
do Acre, reforçando sua contribuição para aspectos
do perioperatório e, também, por este hospital ser de
referência para todo o Estado, o que reflete a real
situação da ISC.
REFERÊNCIAS
1. Silva MAAR, Cesarreti AL, Ribeiro IU. Enfermagem
na unidade de centro cirúrgico. 2ªed. São Paulo:
EPU; 1997.
2. Moraes CM, Galvão CM Infecção do sitio cirúrgico:
análise da produção científica na enfermagem. Rev
SOBECC 2006; 11(2):22-31.
3. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria 2.616, de
12 de maio de 1998. Diretrizes e Normas para a
Prevenção e Controle das Infecções Hospitalares.
Diário Oficial da República Federativa do Brasil. 13
de maio de 1998, seção 1. Brasília (DF); 1998.
4. Oliveira AC. Infecções hospitalares: epidemiologia,
prevenção e controle. Rio de Janeiro: Medsi; 2005.
5. American Society of Anestesiologists (ASA).
Physical status classification system. [acesso 2012
julho 11]. Disponível em: http:www.asahq.org.
6. Emori TG, Culver DH, Horan TC, Jarvis WR,
White JW, Olson DR et al. National Nosocomial
Infections Surveillance System (NNIS): description
of surveillance methods. Am J Infect Control. 1991
Feb;19(1):19-35.
7. Hinrichsen SL. Biossegurança e controle de
infecções: risco sanitário hospitalar. Rio de Janeiro:
Medsi; 2004. 827p.
8. Courtney, TM. Tratado de cirurgia: a base biológica
da prática cirúrgica moderna. 17ªed, 2ª tiragem. Rio
de Janeiro: Elsevier; 2005.
9. Medeiros AC, Aires Neto T, Dantas Filho AM,
Pinto Jr FEL, Uchôa RAC, Carvalho MR. Infecção
hospitalar em pacientes cirúrgicos de Hospital
Universitário. Acta Cir Bras [online] 2003. [citado 2011
jul 10].18(suppl 1):15-18. Disponível em: http://www.
scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010286502003000700003&lng=en&nrm=iso&tlng=pt
70
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 60-70
10. Culver DH, Horan TC, Gaynes RP. Surgical
wound infection rates by wound class operative
procedure, and risk index. Am J Med 1991; 91(suppl
3B):152-7.
11. Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro
cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de
Material e Esterilização (SOBECC). Práticas
recomendadas SOBECC. 5ªed. São Paulo: SOBECC;
2009. 304 p.
Autores
Ana Paula Lima Aguiar
Discente do Curso de Bacharelado em
Enfermagem da Universidade Federal do Acre
(UFAC) e de Iniciação Científica do PIBIC.
E-mail: [email protected].
Patricia Rezende do Prado
Enfermeira, Especialista em UTI e Auditoria em
Serviços de Saúde, Mestranda do Programa
de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da
Universidade Federal do Acre (UFAC), Professora
Auxiliar de Ensino.
Simone Perufo Opitz
Enfermeira, Doutora em Enfermagem pela Escola
de Enfermagem da Universidade de São Paulo de
Ribeirão Preto (EERP/USP), Professora Adjunta
e Coordenadora do Programa de Pós-Graduação
em Saúde Coletiva da Universidade Federal do
Acre (UFAC).
Suleima Pedroza Optiz
Enfermeira, Doutoranda na Faculdade de Saúde
Pública da Universidade de São Paulo (USP),
Professora Assistente da Universidade Federal do
Acre (UFAC).
André Ricardo Maia da Costa de Faro
Enfermeiro, Especialista em Terapia Intensiva, MBA
em Controle de Infecção Hospitalar, Mestrando do
Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
da Universidade Federal do Acre (UFAC), Professor
Auxiliar de Ensino.
Revisão de literatura
SÍNDROME COMPARTIMENTAL RELACIONADA AO
POSICIONAMENTO CIRÚRGICO: UM INIMIGO SILENCIOSO
COMPARTMENT SYNDROME RELATED TO Surgical positioning: A SILENT ENEMY
SÍNDROME COMPARTIMENTAL RELACIONADA CON EL POSICIONAMIENTO QUIRÚRGICO: UN
ENEMIGO SILENCIOSO
SERGIO, Fernanda Rabello; CAMERON, Lys Eiras; VITAL, Isabel Cristina Oliveira.
RESUMO: Objetivo: Relacionar a evolução da
Síndrome Compartimental com o posicionamento
cirúrgico, a partir da discussão da fisiopatologia, apresentação dos posicionamentos de risco e mecanismos de prevenção, controle e intervenção. Método:
Revisão sistemática de artigos encontrados por meio
de busca nas bases de dados da Biblioteca Virtual
em Saúde e PubMed. Resultados: O posicionamento
cirúrgico se relaciona com o desenvolvimento da Síndrome Compartimental principalmente pelo comprometimento do fluxo sanguíneo a determinadas áreas.
A identificação dos sinais e sintomas é geralmente
realizada pela enfermagem e pode influenciar o
resultado, se a intervenção for implementada precocemente. Conclusão: A enfermagem, por ter seu foco
no cuidado e prestar assistência direta ao paciente
no período intraoperatório, na sala de recuperação pós-anestésica e após o retorno à enfermaria,
desempenha importante papel, principalmente no
reconhecimento precoce de complicações, contribuindo para prevenção e minimização de agravos
decorrentes da Síndrome Compartimental.
Palavras-chave: Síndromes de compartimento.
Posicionamento do paciente. Período intra-operatório.
Enfermagem.
ABSTRACT: Objective: To relate the development of
Compartment Syndrome with surgical positioning, from
the discussion of the pathophysiology, presentation of
risk positions and prevention, control and intervention
mechanisms. Method: Systematic review of articles
found by search in the Virtual Health Library and
PubMed databases. Results: Surgical positioning is
related to the development of compartment syndrome
mostly because of the impairment of blood flow to
certain areas. The identification of signs and symptoms
is usually performed by nurses and can influence
the outcome if early intervention is implemented.
Conclusion: By having focus on care and providing
direct assistance to patients during intraoperative
period, in the post-anaesthetic recuperation unit and
after the return to the ward, nursing plays important
role especially in the early recognition, contributing
to the prevention and reduction of complications
resulting from Compartment Syndrome.
Key words: Compartment syndromes; Patient positioning; Intraoperative period; Nursing.
RESUMEN: Objetivo: Relacionar la evolución del
Síndrome compartimental con el posicionamiento
quirúrgico, a partir de la discusión de la fisiopatología,
presentación de las posiciones y los mecanismos de
prevención de riesgos, control e intervención. Método:
Revisión sistemática de artículos encontrados
mediante la búsqueda en la base de datos de la
Biblioteca Virtual en Salud y PubMed. Resultados:
El posicionamiento quirúrgico está relacionado al
desarrollo de síndrome compartimental en su mayoría
por el deterioro del aflujo sanguíneo a determinadas
zonas. Los enfermeros generalmente identifican los
signos y síntomas y eso puede influir en el resultado
si se realiza la intervención precozmente. Conclusión:
La enfermería, que tiene su foco de atención y
asistencia directa al paciente durante el periodo
intraoperatório, en la sala de recuperación post
anestésica y después de regresar a la enfermeria,
tiene un papel importante en el reconocimiento
precoz, de complicaciones lo que contribuye para la
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 71-80
71
prevención y minimización de trastornos derivados
del Síndrome Compartimental.
cirurgias prolongadas1,5.
Uma possível complicação de determinadas posições
adotadas em cirurgias é a Síndrome Compartimental,
que, apesar de ser mais frequentemente associada
a traumas, tem sido relatada como consequência
do posicionamento nas mesas de operação durante
Face à grande complexidade da Síndrome Compartimental relacionada ao posicionamento cirúrgico
e seu impacto na evolução do estado de saúde do
paciente, além da pequena quantidade de estudos
realizados pela enfermagem no Brasil sobre o tema,
A Síndrome Compartimental se caracteriza por um
Palabras clave: Síndromes compartimentales; Po- aumento na pressão dentro de um compartimento
sicionamiento del paciente; Periodo intraoperatorio; corporal, que reduz a perfusão capilar até abaixo do
Enfermería.
nível necessário para a viabilidade tecidual, levando à
oclusão da microcirculação. Um aumento da pressão
INTRODUÇÃO
dentro do compartimento não é dissipado facilmente,
em virtude da ineslasticidade da fáscia que envolve
À medida que as cirurgias se tornam mais complexas o músculo 6. A isquemia resultante pode levar a
e demoradas, os profissionais atuantes no intraopera- um déficit neuromuscular permanente se houver
tório necessitam assegurar que os pacientes estejam demora no diagnóstico e na realização de fasciotomia
devidamente preparados e posicionados para o proce- descompressiva5.
dimento ao qual serão submetidos, de forma a garantir
o sucesso, a segurança e o bem-estar do cliente1.
A evolução do quadro pode levar à rabdomiólise,
caracterizada pela destruição do músculo estriado,
A responsabilidade por esse bem-estar é dividida que ocasiona a liberação de mioglobina, substância
entre os profissionais que atuam durante a cirurgia, capaz de ocluir o túbulo convoluto distal e causar
envolvendo o cirurgião, o anestesiologista e o falência renal. Se não tratada, a rabdomiólise pode
enfermeiro, que durante todo o procedimento cirúrgico levar à sepse e até à morte1.
monitoram o seu estado fisiológico, sendo o enfermeiro
o profissional que deve participar ativamente do Apesar de ser uma complicação do posicionamento
posicionamento cirúrgico2-3.
cirúrgico capaz de ocasionar graves danos à saúde
do paciente, pouco se é divulgado sobre a Síndrome
O posicionamento cirúrgico é o modo como o paciente Compartimental, especialmente na área da enfermaestá disposto na mesa de operação durante todo o gem, visto que a grande maioria dos artigos sobre
processo anestésico-cirúrgico. É um procedimento posicionamento cirúrgico e desenvolvimento desta
que envolve sérios riscos, que, se não observados síndrome é escrita por médicos.
com a devida responsabilidade e competência, podem
comprometer definitivamente a saúde do paciente3. É importante que os profissionais de saúde, atuantes
Em decorrência disto, o posicionamento cirúrgico no período perioperatório, estejam preparados
adotado deve ser individualizado e adaptado às para lidar com esta complicação, principalmente o
necessidades de cada indivíduo e aos procedimentos enfermeiro, que participa ativamente do monitoramento
previstos2, respeitando o alinhamento corporal do e da evolução do paciente durante a cirurgia, bem
paciente, sem prejudicar as funções circulatória e como tem atuação direta nas salas de recuperação
respiratória e sem comprometer a integridade da pele pós-anestésica. O enfermeiro deve estar apto a
e outras estruturas corporais4.
reconhecer os sinais do desenvolvimento da Síndrome
Compartimental, contribuir com o diagnóstico precoce
O posicionamento do paciente para a cirurgia é um fator- e o devido tratamento, visando a minimização do risco
chave no desempenho de um procedimento seguro de sequelas para o paciente.
e eficiente, por isso todos os membros da equipe
cirúrgica devem proteger o cliente de qualquer efeito Sendo assim, o tema central deste estudo é o desendanoso decorrente do inadequado posicionamento volvimento de Síndrome Compartimental relacionado
cirúrgico ou de cirurgias prolongadas2.
ao posicionamento do paciente para a cirurgia.
72
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 71-80
elaborou-se este artigo com o intuito de fundamentar
o conhecimento e o entendimento do profissional
de saúde a respeito de tal síndrome e apresentar
os posicionamentos de risco, discutindo aspectos
fisiopatológicos envolvidos e mecanismos de prevenção, controle e intervenção diante da presença
da Síndrome Compartimental.
OBJETIVO
Relacionar a evolução da Síndrome Compartimental
com o posicionamento cirúrgico, a partir da discussão
da fisiopatologia, apresentação dos posicionamentos de risco e mecanismos de prevenção, controle
e intervenção.
MÉTODO
Procedeu-se a uma revisão bibliográfica, que utilizou materiais publicados sobre o desenvolvimento
de Síndrome Compartimental relacionado com o
posicionamento cirúrgico adotado como base para
realizar uma pesquisa acerca do tema.
Devido à importância do conhecimento do assunto,
este estudo apresenta uma revisão sistemática de
artigos publicados sobre o desenvolvimento de
Síndrome Compartimental relacionado ao posicionamento cirúrgico.
Primeiramente, foi realizada uma busca nas bases
de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e
PubMed, utilizando-se os Descritores em Ciências
da Saúde (DeCS) Compartment syndromes
(Síndromes de compartimento) e Patient positioning
(Posicionamento do paciente), com o operador
boleano and. Após a verificação da ausência de
resultados, acrescentou-se o descritor Nursing
(Enfermagem) aos anteriores e também houve
ausência de resultados, segundo os descritores em
língua portuguesa.
Ao final do processo de revisão, foram encontrados
19 artigos, publicados nos últimos 20 anos, que
tiveram seu conteúdo analisado e 12 deles foram
selecionados para fazerem parte da amostra deste
estudo. O critério de inclusão adotado foi a verificação de possuírem dados de interesse para pesquisa,
contendo relatos de casos de desenvolvimento da
Síndrome Compartimental relacionada com o po-
sicionamento cirúrgico, descrevendo-se o posicionamento usado, a duração da cirurgia, os achados
clínicos e o resultado final após a complicação.
Os dados destes artigos selecionados foram agrupados em um quadro (Quadro 1), contendo os
seguintes itens: identificação do artigo, autor(es),
cidade/país, posição utilizada, duração da cirurgia,
efeito e resultado final.
RESULTADOS
Compreendendo a relação entre Síndrome Compartimental e posicionamento cirúrgico
Um compartimento é um espaço fechado composto
por um grupo de músculos, artérias, veias e nervos,
envolto por uma lâmina de tecido relativamente
inelástico denominado fáscia1,7. O corpo humano
possui 46 compartimentos, sendo que 38 destes se
encontram nas extremidades corporais7.
Apesar de ser possível ocorrer em qualquer compartimento corporal, os quatro compartimentos da extremidade inferior (tibial anterior, fibular lateral, tibiais
posteriores superficial e profundo) são afetados mais
frequentemente6,8. Porém, a Síndrome Compartimental pode ocorrer onde quer que um compartimento
esteja presente, com mais frequencia nas mãos,
antebraço e braço, glúteos, pernas ou pés1,6.
A Síndrome Compartimental é uma condição na qual
a alta pressão dentro de um compartimento corporal
reduz a perfusão capilar até abaixo do nível necessário para a viabilidade tecidual. Um aumento da
pressão dentro do compartimento não é dissipado
facilmente, em virtude da inelasticidade da fáscia
que envolve o músculo. Se a pressão continua suficientemente alta por várias horas, a função normal
do músculo e dos nervos fica comprometida e acaba
desencadeando necrose mioneural, podendo ocorrer
perda permanente da função6.
O posicionamento cirúrgico está relacionado com o
desenvolvimento da Síndrome Compartimental, à
medida que pode causar o comprometimento do fluxo
sanguíneo de determinadas áreas, principalmente
dos membros inferiores, conforme descrito nos casos disponíveis na literatura consultada, relatados
posteriormente.
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 71-80
73
O comprometimento do fluxo sanguíneo local prejudica a capacidade do endotélio capilar de manter
uma barreira semipermeável para a passagem de
solutos, fazendo com que ocorra o extravasamento
de fluidos para dentro do compartimento, causando
edema e elevando a pressão intracompartimental,
comprometendo o sistema vascular9.
Tal comprometimento irá acarretar mais isquemia e
formação de edema, e um ciclo vicioso será estabelecido conforme as células vão sendo privadas de
oxigênio. Se o fluxo sanguíneo adequado não for
restabelecido, o resultado é a morte dos músculos
dentro dos compartimentos, condição que só pode
ser resolvida por meio de descompressão cirúrgica,
denominada fasciotomia1.
A menos que o dano ao endotélio capilar seja reversível, a restauração do fluxo sanguíneo local irá
agravar os danos, causando injúria de reperfusão,
através da exsudação de fluidos do endotélio capilar
danificado e ativação da cascata de coagulação nos
pequenos vasos9.
A evolução do quadro pode levar à rabdomiólise,
caracterizada pela destruição do músculo estriado,
que ocasiona a liberação de mioglobina, substância
capaz de ocluir o túbulo convoluto distal e causar
falência renal. Se não tratada, a rabdomiólise pode
levar à sepse e à morte1.
A Síndrome Compartimental geralmente se apresenta
após a reperfusão de um membro, e a dor e o edema
podem não ocorrer imediatamente. Os primeiros
sinais geralmente ocorrem após o paciente ter
recuperado a consciência, ter sido submetido aos
cuidados pós-anestésicos e retornado à unidade de
internação.
As primeiras suspeitas geralmente surgem quando
o paciente se queixa de dor severa nos membros
inferiores ao recuperar a consciência ou algumas
horas após a cirurgia. Alguns pacientes relatam
dor, apesar do uso de analgesia epidural pósoperatória1,9. Os membros inferiores do paciente
podem apresentar rigidez e edema. O nível de dor
patológica é considerado muito acima do nível da
dor comum pós-operatória, esperada após uma
intervenção cirúrgica1.
74
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 71-80
Dor desproporcional à lesão, dor aos movimentos
passivos do grupo de músculos dentro do compartimento, palidez, enchimento capilar prejudicado,
parestesia e ausência de pulso são achados clínicos
importantes. A dor é um sinal precoce e não deve
ser ignorada. A parestesia pode ser um sintoma mais
tardio e é geralmente descrita como uma sensação
anormal ou de queimação, uma vez que os nervos
são altamente sensíveis à pressão elevada10.
Outros sinais tardios incluem paralisia, devido à prolongada compressão de nervos e danos musculares
irreversíveis, palidez e ausência de pulso10. A pressão
intracompartimental é geralmente mais baixa que
a pressão sanguínea arterial, o que faz dos pulsos
periféricos e do enchimento capilar pobres indicadores do fluxo sanguíneo dentro do compartimento11.
Um exame detalhado das extremidades deve ser
realizado e registrado frequentemente no prontuário
do paciente sob risco de desenvolver a Síndrome
Compartimental10.
O diagnóstico requer um alto índice de suspeita clínica, sendo confirmado pela mensuração das pressões
de compartimento1.
Há discussões na literatura no que diz respeito ao
nível de pressão no qual uma fasciotomia deve ser
realizada. Alguns pesquisadores se baseiam na
pressão de compartimento absoluta, enquanto outros
acreditam que a pressão compartimental é significante apenas quando relacionada com a pressão diastólica do cliente11, considerando que, se a diferença
de pressão (pressão sanguínea diastólica menos a
pressão de compartimento) for maior que 30mmHg,
haverá adequada perfusão do compartimento e a
descompressão cirúrgica pode não ser necessária12.
A maioria das literaturas e recomendações, entretanto, se baseia nas pressões absolutas dentro dos
compartimentos.
As pressões normais do tecido variam entre 0 e
10mmHg7,11. O fluxo sanguíneo capilar dentro do
compartimento pode ser comprometido em pressões maiores que 20mmHg. Fibras musculares e
nervosas estão em risco de necrose isquêmica se
as pressões forem maiores que 30 a 40mmHg. Os
tecidos dentro do compartimento podem se tornar
isquêmicos e necróticos se a pressão não for reduzida prontamente11.
A percepção dos sinais e sintomas é geralmente realizada pela enfermagem e pode influenciar o resultado
se a intervenção for implementada precocemente.
É possível que um diagnóstico inicial de trombose
venosa profunda impeça o diagnóstico correto de
Síndrome Compartimental. A medida das pressões
de compartimento irá confirmar a suspeita, enquanto
um doppler venoso irá confirmar uma suspeita de
trombose venosa profunda1.
Apesar de mais comumente associada ao trauma ou
à cirurgia nos membros, a Síndrome Compartimental
tem sido relatada como uma complicação de algumas
posições adotadas para cirurgia. A possibilidade
de desenvolver a síndrome e rabdomiólise é
especialmente alta na presença de outros fatores de
risco, incluindo obesidade, doença vascular periférica
e duração prolongada da cirurgia1.
Habitualmente, a descompressão é realizada por
meio de uma fasciotomia, que envolve a abertura
cirúrgica da fáscia que envolve os compartimentos
musculares, visando prevenir a isquemia e a necrose
neuromusculares7,8,12.
O Quadro 1 apresenta dados de estudos realizados
utilizados nesta pesquisa.
Quadro 1. Estudos realizados sobre síndrome compartimental relacionada ao posicionamento cirúrgico,
segundo título, autores, procedência, posicionamento, tempo de cirurgia, efeito e resultado
Artigo
Autores
Gluteal compartment
syndrome after
prostatectomy caused by
incorrect positioning13
Heyn J, Ladurner
R, Ozimek A,
Vogel T, Hallfeldt
KK, Mussack T
Compression
phenomenon of the
popliteal veins by
bilateral compartment
syndromes after many
hours of surgery in
lithotomy position14
Atamer C, Langer
C, Rominger M
Anterior thigh
compartment syndrome
following prolonged
tourniquet application
and lateral positioning.
Am J Orthop15
Seybold EA,
Busconi BD
Postoperative bilateral
compartment syndrome
resulting from prolonged
urological surgery in
lithotomy position. Serum
creatine kinase activity
(CK) as a warning signal
in sedated, artificially
respirated patients.
Anaesthesist16
Lampert R, Weih
EH, Breucking
E, Kirchhoff S,
Lazica B, Lang K
Bilateral compartment
syndrome complicating
prolonged lithotomy
position. Br J Anaesth17
Tuckey J
Cidade /
País
Posição
utilizada
Munich,
Germany
Litotomia
Würzburg,
Germany
Litotomia
Worcester,
USA
Witten,
Germany
Bristol, UK
Decúbito
lateral
Litotomia
Litotomia
modificada
Duração
da cirurgia
Longa
(tempo não
informado)
Efeito
Resultado
final
Edema e dor crescente
na região glútea e
em ambas as coxas,
mesmo com anestesia
Recuperação
peridural. Extrema dor à
completa.
movimentação passiva
das coxas. Realização de
fasciotomia.
Longa
(tempo não
informado)
Compressão da veia
poplítea, edema
muscular. Realizada
fasciotomia.
12 horas
Síndrome compartimental
de coxa, com atraso
no diagnóstico, devido
Recuperação
à analgesia epidural
completa.
recebida para controle
da dor. Realizada
fasciotomia.
12 horas
Manifestações clínicas
surgiram após a
extubação. Realizada
fasciotomia.
7 horas e 35
minutos
Recuperação
completa
Paresia da
perna esquerda,
sem sinais de
regressão até a
alta do paciente.
Edema e rigidez em
ambas as pernas 15
horas após cirurgia. Dor
Queda plantar
mesmo com uso de
em ambos os
analgesia extradural.
pés.
Rabdomiólise e
mioglobinúria.
Realizada fasciotomia.
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 71-80
75
Artigo
Compartment syndrome
associated with the
Lloyd Davies Position.
Anaesthesia9
Compartment syndrome
following pelvic surgery
in the lithotomy position.
Ann R Coll Surg Engl5
Compartment syndrome
of the leg after less than
4 hours of elevation on
a fracture table. South
Med J18
Autores
Turnbull D, Mills
GH
Dua RS, Bankes
MJK, Dowd GSE,
Lewis AAM
Meldrum R,
Lipscomb P
Compartment syndrome
with acute renal failure:
a rare complication of
spinal surgery in kneechest position. Spine19
Gupta R, Batra
S, Chandra R,
Sharma VK
Gluteal compartment
syndrome following
joint arthroplasty under
epidural anaesthesia:
a report of 4 cases. J
Orthop Surg20
Kumar V, Saeed
K, Panagopoulos
A, Parker PJ
Ischemic orbital
compartment syndrome
after posterior spinal
surgery. Spine21
Rhabdomyolysis
following total hip
arthroplasty. J Bone Joint
Surg [Br]22
Yu Y, Chen W,
Chen L, Chen W
Lachiewicz PF,
Latimer HA
Cidade /
País
Sheffield, UK
London, UK
Oakland, USA
Posição
utilizada
Litotomia
modificada
Litotomia
Litotomia
New Delhi,
India
Genupeitoral
Northallerton,
UK
Decúbito
lateral
Kwei Shan,
Taiwan
Chapel Hill,
USA
Prona
Decúbito
lateral
DISCUSSÃO
A Síndrome Compartimental intraoperatória causada
por posicionamento prolongado tem início sutil
e a ausência de achados sintomáticos enquanto
o paciente está anestesiado faz com que ela
se torne uma complicação que pode facilmente
passar despercebida no período intra ou pósoperatório. É importante que as equipes atuantes
no centro cirúrgico e na sala de recuperação pós76
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 71-80
Duração
da cirurgia
Efeito
Resultado
final
4 horas
Dor bilateral nas
panturrilhas na sala
de recuperação,
mesmo com uso de
analgesia epidural
torácica. Realizadas
fasciotomias.
Dor persistente
e perda de
sensibilidade em
ambas as pernas.
5 horas e
30minutos
Edema e rigidez na
perna esquerda, apesar
da medida profilática
(pernas do paciente
foram abaixadas para
posição horizontal por
10 minutos após a 3ª e
a 5ª hora de cirurgia).
Realizada fasciotomia.
Recuperação
completa.
3 horas e 30
minutos
Edema e rigidez
na perna esquerda,
detectados por
exame físico antes da
extubação. Realizadas
fasciotomias.
Parestesia e dor
moderada na
coxa ao ficar de
pé por mais de 3
horas.
6 horas
Dor gradualmente
crescente e edema na
perna direita. Dor à
extensão passiva dos
dedos e diminuição da
sensibilidade no dorso
do pé. Rabdomiólise
e insuficiência renal
aguda. Realizada
fasciotomia.
Perda de
sensibilidade no
pé e no terço
inferior da perna
com prejuízo da
dorsiflexão.
3 horas
Dor na região glútea
esquerda e rigidez.
Dor à flexão passiva
do quadril. Realizada
fasciotomia.
Recuperação
completa.
4 horas
Dor e edema no olho
direito, ptose, perda de
percepção luminosa,
acuidade visual e
oftalmoplegia completa.
Permanência
de ptose, perda
completa
da visão e
oftalmoplegia.
8 horas e 05
minutos
Dor, edema na região
glútea, paralisia do nervo
ciático, mioglobinúria.
Diminuição da
sensibilidade
no dorso do pé,
função motora
normal.
anestésica estejam alertas para a presença desta
rara complicação enquanto monitoram o paciente
em seu período transoperatório e pós-operatório
imediato18.
A posição litotômica e as suas modificações são mais
frequentemente associadas ao desenvolvimento
da Síndrome Compartimental1,18. A etiologia desta
síndrome em pacientes submetidos às cirurgias em
posição litotômica possivelmente é uma combinação
da redução da pressão de perfusão arterial pela
elevação dos membros inferiores e do aumento
da pressão de compartimento local causado pela
compressão direta oriunda dos suportes para
os membros, seguido de reperfusão arterial e
vazamento capilar do tecido isquêmico e um aumento
no edema tecidual5.
O desenvolvimento da Síndrome Compartimental é
particularmente associado a procedimentos cirúrgicos
prolongados. No entanto, estudos analisados
reportaram a ocorrência desta complicação após
cirurgias de média duração, entre 3 e 4 horas5,18-20.
Um dos casos demonstrou que esta complicação
pode ocorrer mesmo com a aplicação de medidas
profiláticas que visam a minimização do prejuízo
circulatório, no qual os membros inferiores do
paciente foram abaixados intermitentemente durante
a cirurgia, realizada na posição de litotomia5.
O período de tempo até o surgimento das manifestações clínicas varia em cada caso, havendo situações
em que sinais e sintomas como dor, edema e perda
de sensibilidade foram notados somente no quarto
dia após a cirurgia5, e outros casos em que houve
achados clínicos na sala de recuperação pós-anestésica9,18. Porém, um dos casos aqui retratados, se
destaca por ter sido diagnosticado ainda no centro cirúrgico antes da extubação do paciente, por ocasião
do exame físico realizado ao final da cirurgia, que
possibilitou o pronto reconhecimento e o tratamento
precoce da Síndrome Compartimental18, Desta forma,
demonstra-se a relevância da adequada monitorização e avaliação do paciente durante todo o período
transoperatório.
Conforme descrito em um estudo realizado no Reino
Unido9, pacientes podem apresentar queixas de dor
mesmo na vigência de uma analgesia epidural, quando
o desenvolvimento da Síndrome Compartimental
deve ser considerado. Os relatos de dor não devem
ser negligenciados e vigilância especial deve ser
realizada quando se trata de pacientes sob anestesia,
já que estes podem não apresentar as queixas de
dor características dos casos de desenvolvimento
da síndrome, possivelmente levando ao atraso
do diagnóstico e ao agravamento do quadro. A
imediata mensuração da pressão compartimental
e fasciotomia apropriada são essenciais para a
prevenção de morbidade permanente decorrente da
Síndrome Compartimental5.
Há relatos de sequelas incluindo parestesia e dor,
dois anos após a realização da cirurgia18, exemplificando os danos e as limitações que a Síndrome
Compartimental pode acarretar à vida do indivíduo,
prejudicando, inclusive, sua habilidade de continuar
a exercer atividades laborais como anteriormente.
O erro no diagnóstico, identificando trombose venosa
profunda, por exemplo, ou o atraso no tratamento da
Síndrome Compartimental no pós-operatório, quando
o paciente foi submetido à cirurgia prolongada em
posição de risco, é considerado negligência. Um
diagnóstico tardio ou um erro em diagnosticar a
síndrome pode levar, não somente a danos nos
membros e prolongar a internação hospitalar, como
também por em risco a vida do cliente, conforme
ocorreu na Índia19. O paciente evoluiu para um
quadro de rabdomiólise e insuficiência renal aguda.
A insuficiência renal foi revertida com sucesso, porém
houve perda da sensibilidade em parte do membro
inferior e prejuízo na dorsiflexão, mesmo após
realização da fasciotomia19.
Com o conhecimento dos dias atuais, a equipe de
profissionais de saúde, envolvida na cirurgia e nos
cuidados trans e pós-operatórios, deve estar atenta e
alerta para o desenvolvimento desta complicação1.
Conforme já mencionado, a peça-chave para o
sucesso do tratamento da Síndrome Compartimental
é o diagnóstico precoce, facilitado pela avaliação do
enfermeiro e pela monitorização dos sinais clínicos,
bem como pela adequada descompressão dos
compartimentos afetados23,24.
O enfermeiro desempenha importante papel na
prevenção, na identificação de sinais e sintomas,
na monitorização de complicações e no tratamento
após a intervenção cirúrgica.
São ações importantes aplicáveis ao processo de
prevenção, identificação, tratamento e reabilitação
do paciente24: aplicação adequada dos recursos
de proteção utilizados no posicionamento cirúrgico;
mudança periódica de posicionamento ou abaixamento dos membros, no caso de posição litotômica,
durante a cirurgia; avaliação criteriosa e maior índice
de suspeita nos casos dos pacientes obesos, portadores de doenças vasculares, com estado mental
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 71-80
77
alterado ou que estão incapazes de verbalizar dor
ou alterações de sensibilidade; realização de exame
físico rigoroso, atentando para sinais do desenvolvimento da síndrome, como dor à movimentação,
enchimento capilar prejudicado, parestesia, palidez,
paralisia e ausência de pulso; notificação imediata à
equipe da suspeita de Síndrome Compartimental, a
fim de prevenir maior dano tecidual devido ao atraso
no diagnóstico; remoção de dispositivos constritivos,
caso haja, como por exemplo, ataduras; preparação
do paciente para a intervenção cirúrgica, explicando
procedimentos, criando uma atmosfera de confiança
e diminuindo seu medo e sua ansiedade; após a fasciotomia, a ferida geralmente é coberta com gazes
embebidas em solução salina, que devem ser trocadas a cada 6 a 8 horas, utilizando técnica asséptica
e realizando avaliação cuidadosa da ferida cirúrgica
para identificação de sinais de infecção; realização
de exercícios ativos e passivos, a fim de assegurar a
mobilidade articular e melhorar a drenagem linfática
e venosa, prevenindo complicações a longo prazo,
relacionadas à imobilidade.
CONCLUSÃO
A revisão sistemática da literatura acerca do
tema Síndrome Compartimental relacionada ao
posicionamento, nas bases de dados BVS e
PubMed, levou-nos à análise de 12 artigos científicos,
publicados entre 1991 e 2008, em diversos países.
Dentre os posicionamentos de risco apresentados no
Quadro 1, a posição litotômica e as suas modificações
destacaram-se como as mais prevalentes nos
casos relatados de desenvolvimento da Síndrome
Compartimental no período intraoperatório, por
ocasionar comprometimento do fluxo sanguíneo,
principalmente dos membros inferiores.
O enfermeiro deve desempenhar importantes ações
relacionadas com a prevenção desta complicação,
como a aplicação adequada dos recursos de
proteção e a mudança periódica de posicionamento
do paciente durante a cirurgia. Também deve manter
vigilância especial em casos de pacientes obesos,
portadores de doença vascular periférica e cirurgias
de longa duração, que são fatores de risco que
aumentam a possibilidade de desenvolvimento de
Síndrome Compartimental e rabdomiólise.
Evidenciou-se que o principal fator para um trata78
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 71-80
mento bem sucedido e para prevenção de agravos
é o diagnóstico precoce, possível de ser realizado
mediante exame físico e avaliação criteriosa por
parte do enfermeiro, principalmente nos casos de
pacientes incapazes de verbalizar dor ou alterações
de sensibilidade.
A notificação imediata à equipe da suspeita de
Síndrome Compartimental, a remoção de dispositivos
constritivos e a preparação do paciente para a
fasciotomia descompressiva são intervenções de
controle também realizadas pela enfermagem e
que influenciam diretamente no prognóstico do
paciente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A escassez de artigos científicos nacionais sobre
o assunto, conforme evidenciado pela pesquisa
realizada nas bases de dados é um fator que
prejudica a obtenção e o aprimoramento de
conhecimento por parte dos enfermeiros e demais
profissionais, tão necessário para uma assistência
adequada nessa situação de risco, que é a Síndrome
Compartimental.
A enfermagem, por ter seu foco no cuidado e prestar
assistência direta ao paciente no período transoperatório, durante sua permanência na sala de recuperação pós-anestésica e após o paciente retornar
para a enfermaria, possui fundamental importância,
principalmente para o reconhecimento precoce do
desenvolvimento desta síndrome, podendo contribuir,
assim, para a minimização de agravos e sequelas
decorrentes deste acometimento.
Desta forma, evidencia-se a necessidade de se
enfatizar a importância da observação criteriosa e
do exame físico do paciente durante todo o período
transoperatório e pós-operatório imediato, importantes contribuintes para o diagnóstico precoce desta
complicação.
Evidencia-se, também, a necessidade da produção
de mais estudos realizados pela enfermagem sobre
a Síndrome Compartimental relacionada ao posicionamento cirúrgico, com a finalidade de servirem de
instrumentos de aprendizagem e conhecimento para
os profissionais, visando uma assistência cada vez
mais qualificada.
REFERÊNCIAS
1. Wilde S. Compartment syndrome: the silent
danger related to patient positioning and surgery. Br
J Perioper Nurs. 2004;14(12):546-54.
2. Heizenroth PA. Posicionamento do paciente para
cirurgia. In: Rothrock JC. Alexander: cuidados de
enfermagem ao paciente cirúrgico. 13ª ed. Rio de
Janeiro: Elsevier; 2007. p.130-57.
3. Silveira CT. A assistência da equipe de enfermagem
no posicionamento cirúrgico do paciente durante o
período intra-operatório [dissertação]. São Paulo:
Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo;
2008.
4. Lopes CMM. Posicionamento cirúrgico: evidências
para o cuidado de enfermagem [dissertação].
Ribeirão Preto: Escola de Enfermagem de Ribeirão
Preto, Universidade de São Paulo; 2009.
5. Dua RS, Bankes MJK, Dowd GSE, Lewis AAM.
Compartment syndrome following pelvic surgery in
the lithotomy position. Ann R Coll Surg Engl. 2002;
84(3):170-1.
6. Mubarak SJ, Hargens AR. Síndromes compartimentais agudas. Surg Clin North Am. 1983;63(3):539-65.
12. Harvey C. Compartment syndrome: when it is
least expected. Orthop Nurs. 2001;20(3):15-23.
13. Heyn J, Ladurner R, Ozimek A, Vogel T, Hallfeldt
KK, Mussack T. Gluteal compartment syndrome after
prostatectomy caused by incorrect positioning. Eur J
Med Res. 2006;11(4):170-3.
14. Atamer C, Langer C, Rominger M. Compression
phenomenon of the popliteal veins by bilateral
compartment syndromes after many hours of surgery
in lithotomy position. Vasa 1996;25(3):295-8.
15. Seybold EA, Busconi BD. Anterior thigh compartment syndrome following prolonged tourniquet
application and lateral positioning. Am J Orthop.
1996;25(7):493-6.
16. Lampert R, Weih EH, Breucking E, Kirchhoff S,
Lazica B, Lang K. Postoperative bilateral compartment
syndrome resulting from prolonged urological surgery
in lithotomy position. Serum creatine kinase activity
(CK) as a warning signal in sedated, artificially
respirated patients. Anaesthesist. 1995;44(1):43-7.
17. Tuckey J. Bilateral compartment syndrome
complicating prolonged lithotomy position. Br J
Anaesth. 1996;77(4):546-9.
7. Tucker KR. Compartment syndrome: the orthopaedic
nurse‘s vital role. J Orthopaedic Nurs. 1998;2(1):33-6.
18. Meldrum R, Lipscomb P. Compartment syndrome
of the leg after less than 4 hours of elevation on a
fracture table. South Med J. 2002;95(2):269-71.
8. Pitta GBB, Santos CAS, Braga FA. Fasciotomias
de extremidades. In: Pitta GBB, Castro AA, Burihan E,
editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado.
Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. p.1-10.
19. Gupta R, Batra S, Chandra R, Sharma VK.
Compartment syndrome with acute renal failure: a
rare complication of spinal surgery in knee-chest
position. Spine. 2008;33(8):272-3.
9. Turnbull D, Mills GH. Compartment syndrome
associated with the Lloyd Davies position: three case
reports and review of the literature. Anaesthesia.
2001; 56(10):980-7.
20. Kumar V, Saeed K, Panagopoulos A, Parker
PJ. Gluteal compartment syndrome following joint
arthroplasty under epidural anaesthesia: a report of
4 cases. J Orthop Surg. 2007;15(1):113-7.
10. Bongiovanni MS, Bradley SL, Kelley DM.
Orthopedic trauma: critical care nursing issues. Crit
Care Nurs Q. 2005;28(1):60-71.
21. Yu Y, Chen W, Chen L, Chen W. Ischemic orbital
compartment syndrome after posterior spinal surgery.
Spine. 2008;33(16):569–72.
11. Perron AD, Brady WJ, Keats TE. Orthopedic
pitfalls in the ED: acute compartment syndrome. Am
J Emerg Med. 2001;19(5):413-6.
22. Lachiewicz PF, Latimer HA. Rhabdomyolysis
following total hip arthroplasty. J Bone Joint Surg Br.
1991;73(4):576-9.
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 71-80
79
23. Singh S, Trikha SP, Lewis J. Acute compartment
syndrome. Curr Orthop. 2004 Dec;18(6):468-76.
24. Tumbarello C. Acute extremity compartment
syndrome. J Trauma Nurs. 2000;7(2):30-6.
Autoras
Fernanda Rabello Sérgio
Enfermeira graduada pela Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ).
E-mail: [email protected].
Lys Eiras Cameron
Enfermeira, Doutora em Enfermagem, Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica
da Escola de Enfermagem Anna Nery, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Coordenadora do
Grupo de Estudos em Enfermagem Traumato-Ortopédica.
E-mail: [email protected].
Isabel Cristina Oliveira Vital
Enfermeira, Mestranda em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), Membro do Grupo de Estudos em Enfermagem Traumato-Ortopédica.
E-mail: [email protected].
$0/530-&4%&&45&3*-*;"…0$*4"
Vapor a Alta Temperatura, Vapor a Baixa Temperatura e
Formaldeído, Peróxido de Hidrogênio.
Integrador e Emulador Químico
Bowie&Dick
Indicadores Biológicos
Helix Test
Incubadora
vai ter um novo anuncio
Controle do equipamento, da exposição
e da carga com a segurança e a qualidade
da marca Cisa.
80
Rev. SOBECC, São Paulo. Julho/Setembro. 2012; 18, (3) 72-81
Publique na SOBECC
Normas de publicação da Revista SOBECC
A Revista SOBECC (Rev. SOBECC), ISSN 14144425,
é uma publicação oficial de divulgação técnico-científica da Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de
Material e Esterilização (SOBECC), sendo publicada
trimestralmente com a finalidade de divulgar a produção
científica da Enfermagem nas áreas de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e
Esterilização. São aceitos para publicação trabalhos
desenvolvidos por enfermeiros, outros profissionais da
saúde e discentes de cursos de graduação e de pósgraduação em Enfermagem.
• Revisões de literatura: análises abrangentes de literatura, compilando conhecimentos disponíveis sobre
determinado tema de interesse para o desenvolvimento
da Enfermagem. Devem ser baseados em bibliografia
pertinente, atualizada, crítica e sistemática, enfatizando
a delimitação do tema e as conclusões. Também devem
ser redigidos segundo metodologia científica e as especificações gerais são as mesmas que as dos artigos
originais e dos relatos de experiência.
Os manuscritos devem ser enviados exclusivamente à
Revista SOBECC e estar de acordo com as orientações
descritas a seguir.
4.1. Primeira página:
• Título do artigo em português, inglês e espanhol (não
exceder doze palavras);
1. Pelo menos um dos autores deve ser sócio da SOBECC ou assinante da Revista SOBECC.
• Nome completo, profissão, titulação e local de atuação
profissional dos autores;
2. Os temas devem estar relacionados com as áreas de
Enfermagem Cirúrgica, Enfermagem em Centro Cirúrgico (CC), Recuperação Anestésica (RA) ou Centro de
Material e Esterilização (CME). A seleção dos trabalhos
fica a critério do Conselho Editorial, que leva em conta
a relevância para a prática, a clareza e a coerência dos
dados, evitando, ainda, a redundância no conteúdo.
• Nome e endereço completo dos autores para recebimento de correspondência, incluindo telefones comercial e residencial e e-mail.
3. Os trabalhos enviados serão classificados em uma
das três categorias:
• Palavras-chave, elaboradas segundo os Descritores
em Ciências da Saúde (DeCS), disponíveis no endereço
eletrônico www.decs.bvs.br;
• Artigos originais: investigações resultantes de pesquisas que apresentam resultados inéditos e sejam redigidos utilizando-se metodologia científica. Sua estrutura
deve conter: introdução, objetivos, métodos, resultados,
discussão, conclusões e/ou considerações finais e referências. Devem ser limitados a doze páginas impressas
em formato final, incluindo resumo, abstract, resumen,
figuras, tabelas, quadros, referências e anexos;
• Relatos de experiência: descrições analíticas acerca
da assistência de Enfermagem, com interesse para
atuação de enfermeiros no período perioperatório, contendo análise de implicações conceituais ou descrição
de procedimentos, com estratégias de intervenção e
evidência metodológica apropriada de avaliação da
eficácia. As especificações gerais são as mesmas que
as dos artigos originais;
4. A apresentação dos trabalhos científicos deve obedecer à ordem abaixo especificada:
4.2. Segunda página: Resumos em português, inglês e
espanhol, apresentados em espaço simples e com, no
máximo, 150 palavras cada um;
• abstract, isto é, versão do resumo em inglês;
• key words, ou seja, palavras-chave em inglês;
• Resumen, isto é, versão do resumo em espanhol;
• Palabras clave, ou seja, palavras-chave em espanhol.
4.3. Terceira página:
• Texto produzido conforme as características individuais
de cada trabalho, ou seja, artigos originais, relatos de
experiência e revisões de literatura;
• Anexos, tabelas, quadros e figuras devem estar em
folhas separadas, com os devidos títulos e as devidas
legendas;
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 81-82
81
• Referências bibliográficas devem ser construídas de
acordo com as normas de Vancouver, elaboradas pelo
International Committee of Medical Editors, indicadas
numericamente na sequência em que aparecem no
texto, no qual precisam ser identificadas por números
arábicos sobrescritos, colocados entre parênteses. Se
forem sequenciais, devem ser separadas por hífen; se
forem aleatórias, a separação pode ser feita por vírgulas.
A exatidão das referências é de responsabilidade dos
autores. Existindo mais de seis autores, deve-se usar a
expressão et al após o sexto nome. Cada artigo deverá
ter, no máximo, 20 referências bibliográficas.
5. O conteúdo dos trabalhos é da inteira responsabilidade
dos autores e não refletem, obrigatoriamente, a opinião
do Conselho Editorial da Revista SOBECC e nem da
Associação.
6. A redação deve ser feita em português, na ortografia
oficial.
7. A construção das referências bibliográficas deve seguir
as normas elaboradas pelo International Committee of
Medical Journal Editors – Comitê Internacional de
Editores de Revistas Médicas (ICMJE), sendo baseadas
no padrão ANSI, adaptado pela US National Library of
Medicine (www.bu.ufsc.br/bsccsm/vancouver.html).
8. É necessário que os trabalhos sejam elaborados
em arquivo Word, com fonte em letra Arial, tamanho
11, espaço 1,5, margens de 2,5 cm, com o máximo de
15 laudas e 20 referências. Devem ser enviados em
CD, acompanhado de duas cópias do original.
9. Exceto com autorização do Conselho Editorial,
os textos não devem exceder 15 páginas digitadas,
incluindo anexos e referências bibliográficas. Até
cinco fotos originais podem ser encaminhadas para
publicação.
10. A reprodução de matérias da Revista
SOBECC é permitida mediante autorização da
entidade e a devida citação da fonte.
Rev. SOBECC, São Paulo. jul./set. 2012; 17(3) 81-82
82
www.sobecc.org.br
11. Ao Conselho Editorial é reservado o direito de
sugerir modificações de estrutura e/ou no conteúdo nos
trabalhos, em comum acordo com os autores.
12. Os artigos não aceitos para publicação serão
devolvidos aos autores com justificativa do Conselho
Editorial.
13. Os trabalhos devem respeitar os princípios éticos
que regem as pesquisas científicas na área da saúde
envolvendo seres humanos, constando o número do
protocolo de aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa
do local onde foi desenvolvido o estudo, conforme a Resolução no196, de 10 de outubro de 1996, do Conselho
Nacional de Saúde (Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo Seres Humanos).
14. Os autores devem enviar os trabalhos para o
Conselho Editorial da Revista SOBECC, situado na Rua
Vergueiro, número 875, conjunto 64, Liberdade, São
Paulo – SP, CEP 01504-001. Telefone (11) 3341.4044. Email: [email protected]. Site: www.sobecc.org.br.
15. Os artigos devem ser enviados à SOBECC juntamente com uma carta, redigida conforme o modelo
abaixo e assinada por todos os autores:
“O(s) autor(es) abaixo assinado(s) transfere(m) todos os
direitos de publicação do manuscrito intitulado (título do
artigo) para a Associação Brasileira de Enfermeiros de
Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de
Material e Esterilização, caso este trabalho seja publicado. Cada autor abaixo assinado assegura que participou
suficientemente do estudo para justificar sua autoria,
garantindo, ainda, que o artigo é original, que não está
sob apreciação de outra revista simultaneamente e
que o texto e os dados nele apresentados não foram
anteriormente publicados. O(s) autor(es) concorda(m)
que as opiniões expressas neste manuscrito não representam, necessariamente, o ponto de vista dos editores
ou da Associação, que renunciam toda responsabilidade
e compromissos sobre seu conteúdo.”
82
Bretas
3M Prevenção de Infecção
Barba
bem feita
Pré-operatório
não
Orientações do CDC:
t Não remover o pelo pré-operatório, a não ser que este
esteja na área da incisão e for interferir na cirurgia.
t Se for necessário remover o pelo, remova imediatamente
antes da cirurgia, preferencialmente com clipper elétrico.
Categoria 1A.
Fonte: Center for Disease Control and Prevention, GUIDELINE FOR
PREVENTION OF SURGICAL SITE INFECON 1999, pg-266
Qual o custo do tratamento de uma infecção de sítio cirúrgico?
Pesquisas demonstram que o uso de lâminas de barbear
na remoção de pelos produz cortes e lesões microscópicas,
aumentando o risco de infecções. Os tricotomizadores cirúrgicos
3M são versáteis e ideais na remoção segura de pelos para a
preparação do paciente.
Recomendações da AORN:
t Recomenda-se a remoção de pelos quando ocorrer
interferência com o procedimento cirúrgico, com as
medidas de precauções.
t Realização da remoção de pelos no dia da cirurgia, no
local fora da sala cirúrgica.
t A lâmina durante a sua utilização tem uma potencial
chance de se contaminar com a flora da pele do paciente.
t Remoção dos pelos com clipper evita o risco de lesões
microscópicas.
Fonte: Recomendação IV - AORN 2010 - Antissepsia de pele do paciente
Acesse o site www.prevencaodeinfeccao.com.br
e agende uma demonstração dos tricotomizadores
3M em seu hospital.
Tricotomizadores Cirúrgicos 3M.
Remoção de pelos sem cortes e irritações.
Download

Revista sObEcc - Itarget Tecnologia