ENERGIA E MEIO AMBIENTE: APLICAÇÕES GEOESTATÍSTICAS
Vandeir Robson da Silva Matias
vandeir@deii.cefetmg.br
Professor do CEFET-MG
Doutor em Geografia pelo IGC/UFMG
1374
Resumo
As diversas fontes de energia são elementos importantes e indispensáveis à nossa
vida cotidiana, ao desenvolvimento econômico e à melhoria da qualidade de vida da
população. Atualmente, cerca de cinco milhões de domicílios do Brasil não possuem
energia elétrica. Grande parte desses domicílios pertence às regiões nacionais mais
opacas como o Norte e o Nordeste. O problema é complexo, Contudo, a única solução
permanente que poderá manter um desenvolvimento sustentável, não durante 20 ou
30 anos, mas durante muitas décadas, é o uso de fontes renováveis de energia. O
presente artigo utilizou os recursos da geoestatística para tratar banco de dados sobre
a questão energética do Brasil, ou seja, pretende-se conhecer e aplicar técnicas para
coleta, tratamento estatístico, representação gráfica e análise espacial de dados
energéticos. A partir desses bancos é possível desenvolver projetos para conservação
e preservação ambiental a partir da modelagem de sistemas ambientais.
Palavras-chaves: Energia; Meio ambiente; Desenvolvimento socioeconômico .
ABSTRACT
The various energy sources are important and essential to our everyday life, economic
development and improved quality of life elements. Currently, about five million
households in Brazil do not have electricity. Most of these households belong to more
opaque national regions as the North and Northeast. The problem is complex;
however, the only permanent solution that can maintain sustainable development, not
for 20 or 30 years, but for many decades, is the use of renewable energy sources. This
article used the resources of geostatistics to address database on the energy issue in
Brazil, we intend to learn and apply techniques for collection, statistical analysis,
graphing and spatial analysis of energy data. From these banks can develop projects
for environmental conservation and preservation from the modeling of environmental
systems.
Keywords: Energy; Environment and Socioeconomic; Development
Eixo temático: Geografia econômica
ISBN: 978-85-99907-05-4
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Introdução
Podemos dizer que a história da energia inicia-se há cerca de um milhão de
anos, quando o homem primitivo, no leste da África, possuía como única fonte de
energia disponível aquela oriunda dos alimentos que consumia, já que ainda não se
usava o fogo. Essa energia química dos alimentos coletados e ingeridos pelo homem
primitivo garantia suas necessidades básicas de sobrevivência, correspondendo a um
consumo muito baixo de energia (cerca de 2.000 kcal por dia).
De acordo com
Goldember (2003):
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A conexão energia- meio ambiente tem sido o objeto de muitos
estudos e algumas vezes é possível estabelecer uma relação “causa
e efeito” entre o uso da energia e os danos ao meio ambiente. Em
400 a.C., por exemplo, Platão lamentou as florestas perdidas,
descritas por Homero séculos antes, que haviam coberto as
montanhas estéreis da Grécia. Nesse caso particular, foi o uso da
madeira, principalmente para a construção de navios e fornalhas
usadas para produzir armas, que levou à destruição das antigas
florestas gregas. Um exemplo mais recente é a degradação do solo e
desertificação que ocorrem em algumas áreas da África, devido ao
uso da lenha como combustível. (GOLDEMBERG, 2003, p.21)
Há aproximadamente cem mil anos, o homem caçador europeu dispunha de
mais alimentos e também obtinha energia térmica resultante da queima da madeira,
que era utilizada para o aquecimento e o preparo dos alimentos. O homem primitivo
agricultor, no Oriente Médio no ano 5000 a.C., cultivava a terra e utilizava a tração
animal para gerar energia mecânica. Já na Idade Média, em 1400, o homem agricultor
avançado, no noroeste da Europa, queimava carvão para obter calor e vapor;
empregava os animais como meio de transporte e tração; usava o vento para mover
barcos a vela, acionar moinhos e quebrar grãos. A partir desse momento, entre o final
do século XVI e a segunda metade do século XVII, Galileu Galilei e Isaac Newton
estabeleceram os fundamentos da Mecânica. Seus estudos compuseram a base para
a compreensão das diversas formas de energia mecânica, como a cinética, a potencial
gravitacional e a potencial elástica.
No século XIX, na Inglaterra em 1875, o homem industrial já possuía
conhecimento mais amplo sobre a energia, utilizando intensamente a energia térmica,
resultante da queima de combustíveis fósseis, nas máquinas a vapor. Nos Estados
Unidos, em 1970, o homem tecnológico consumia uma energia química proveniente
dos alimentos de 230.000 kcal por dia. Na atualidade, as diversas formas de energias
descobertas ao longo da história ainda continuam a ser usadas, mas também há o
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grande interesse em se desenvolver novas fontes energéticas, que sejam mais
eficientes e menos danosas ao meio ambiente e à sociedade em geral, gerando-se
menos poluição. Podemos citar como exemplos dessas novas fontes energéticas os
combustíveis renováveis: biocombustíveis, biogás, biomassa, energia eólica, energia
geotérmica, energia hidrelétrica, energia do mar e energia solar.
Observa-se que na sociedade atual, também existem aquelas energias que
facilitam a comunicação e o acesso às mais variadas informações, como a proveniente
de pilhas e baterias portáteis, que tornaram possível o desenvolvimento do telefone
celular e do computador portátil. A natureza, sob determinadas circunstâncias, pode
fornecer recursos naturais que dão origem a um determinado tipo de energia, como a
energia mecânica, elétrica, térmica ou química.
As diversas fontes de energia são elementos importantes e indispensáveis à
nossa vida cotidiana, ao desenvolvimento econômico e à melhoria da qualidade de
vida das pessoas. As fontes de energia podem classificar-se em primárias e
secundárias, dependendo da sua origem.
A fonte de energia primária, também conhecida como fonte de energia natural,
é encontrada ou captada diretamente da natureza, sendo fornecida por ela. As fontes
de energia primária são classificadas em renováveis e não renováveis. As energias
renováveis são uma infinita fonte geradora mesmo que sejam utilizadas pelo Homem,
possuindo a capacidade de se regenerar naturalmente. Elas nunca se esgotam, isto é,
são fontes contínuas de energia. Como exemplos de energias renováveis, podemos
citar os biocombustíveis, biogás, biomassa, energia eólica, energia geotérmica,
energia hidrelétrica, energia do mar e energia solar. As energias não renováveis são
os recursos naturais que, quando utillizados, não podem ser repostos pela ação
humana ou pela natureza, e as suas quantidades tornam-se cada vez mais reduzidas
com o consumo por parte do Homem, ou seja, são esgotadas com o seu uso. Os
combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral e gás natural) e a energia nuclear são
exemplos de energias não renováveis.
Já a fonte de energia secundária são aquelas resultantes de um ou mais
processos de transformação das fontes primárias. Como exemplos, podemos citar o
óleo diesel, óleo combustível, gasolina (automotiva e de aviação), GLP (gás liquefeito
de petróleo), querosene (para iluminação e de aviação), gases siderúrgicos (de altoforno e de coqueria), coque de carvão mineral, eletricidade, carvão vegetal, álcool
etílico (anidro e hidratado) e alcatrão.
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Observa-se que a energia possui um papel importante no desenvolvimento dos
países, pois é um dos elementos mais importantes dos sistemas de engenharia, assim
como o transporte e a comunicação. Observam-se acessos desiguais aos recursos
energéticos assim como estratégias no âmbito empresarial para garantir os recursos e
minimizar o seu impacto no meio ambiente. Segundo Hinrichs (2011):
A energia permeia todos os setores da sociedade- economia,
trabalho, ambiente, relações internacionais, assim como as nossas
próprias vidas- moradia, alimentação, saúde, transporte, lazer e muito
mais. O uso dos recursos energéticos nos libertou de muitos
trabalhos penosos e tornou nossos esforços mais produtivos.
(HINRICHS, 2011, p.2).
A falta de acesso à energia, especialmente à eletricidade, é um fator chave na
perpetuação da pobreza no mundo. Inversamente, o acesso à energia significa mais
oportunidade econômica. Na África do Sul, por exemplo, são criados de 10 a 20 novos
negócios para cada 100 domicílios eletrificados. A eletricidade liberta o homem de
tarefas de sobrevivência diária. Em países pobres em recursos, simplesmente
encontrar lenha ou estrume suficiente para aquecer a casa ou cozinhar pode levar
horas de cada dia.
Objetivo
O projeto visa utilizar os recursos da geoestatística para tratar banco de dados
sobre a questão energética do Brasil, ou seja, pretende-se conhecer e aplicar técnicas
para coleta, tratamento estatístico, representação gráfica e análise espacial de dados
energéticos. Muitas das atividades do profissional de geografia são desenvolvidas com
o aporte de banco de dados ambientais.
A partir desses bancos é possível desenvolver projetos para conservação,
preservação ambiental, além de modelagem de sistemas ambientais que, por
conseguinte agrega valor a qualidade de vida das mais diversas populações. Utilizarse-á o banco de dados gerado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaIBGE e o Balanço Energético Nacional (2013). Pretende-se realizar uma análise
exploratória de dados para subsidiar futuros projetos de pesquisa da área ambiental.
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Fundamentação teórica
As expectativas para o futuro, não muito distante, apontam para a dependência
de combustíveis fósseis pelos países industrializados em quantidades que tendem a
crescer. O desafio será conseguir aumentar a independência dessas energias não
renováveis e substituí-las por energias renováveis, para também diminuir a emissão
de CO2 e outros gases causadores do efeito estufa e outras mudanças climáticas que
prejudicam a sociedade e todo o planeta. A preocupação global com o consumo de
combustíveis fósseis é tão crescente que a Organização das Nações Unidas (ONU)
declarou que até 2030, 35% da demanda mundial de combustíveis deve ser suprida
com o uso de energias renováveis.
A situação é complexa já que a utilização da energia está relacionada á
qualidade de vida das pessoas. Atualmente, cerca de cinco milhões de domicílios do
Brasil não possuem energia elétrica. Grande parte desses domicílios pertence às
regiões nacionais mais ignoradas pelo governo, como o Norte e o Nordeste, com
pessoas de classes sociais menos favorecidas e que habitam regiões rurais isoladas.
Prover energia elétrica a essas pessoas significa melhorar a qualidade de vida delas e
impedir sua saída do campo rumo à cidade, diminuindo o êxodo rural.
Em 2008, segundo dados do Balanço Energético Nacional (BEN), o consumo
energético nacional cresceu 5,2%. E também em 2008 o crescimento do Produto
Interno Bruto (PIB) nacional foi de 5,1%. Ou seja, podemos concluir que o crescimento
do consumo de energia está diretamente relacionado ao crescimento econômico do
país. Na maioria dos países nos quais o consumo de energia comercial per capita está
abaixo de uma tonelada equivalente de petróleo (TEP) por ano, as taxas de
analfabetismo, mortalidade infantil e fertilidade total são altas, enquanto a expectativa
de vida é baixa. Ultrapassar a barreira de 1 TEP/per capita parece ser, portanto,
essencial para o desenvolvimento.
Na medida em que o consumo de energia comercial per capita aumenta para
valores acima de 2 TEP (ou mais), como é o caso dos países desenvolvidos, as
condições sociais melhoram consideravelmente. O consumo médio per capita nos
países industrializados da União Europeia é de 3.22 TEP/per capita, sendo que a
média mundial é de 1.66 TEP/per capita. As reservas brasileiras de combustíveis
fósseis não são muito grandes, mas deverão ser capazes de suprir as necessidades
nacionais durante 20 a 30 anos.
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Decorrido esse período de tempo, o país terá de aumentar drasticamente suas
importações de países vizinhos ou do Oriente Médio. No caso da hidroeletricidade, há
boas possibilidades de interligar vários países da América Latina, principalmente
Argentina e Venezuela, aumentando portando o suprimento nacional. A importação de
gás da Bolívia e da Argentina é outra solução que está em execução e poderá ser
ampliada.
O problema é complexo, Contudo, a única solução permanente que poderá
manter um desenvolvimento sustentável, não durante 20 ou 30 anos, mas durante
muitas décadas, é o uso de fontes renováveis de energia, como os biocombustíveis,
biogás, biomassa, energia eólica, energia geotérmica, energia hidrelétrica, energia do
mar e energia solar.
De toda a energia renovável utilizada nos dias atuais, 13% a 14% são obtidas a
partir da biomassa, representando cerca de 25 milhões de barrir de petróleo por dia.
Nos países em desenvolvimento, essa porcentagem é ainda maior, representando
cerca de 30% do total. Estima-se, que em alguns países, a biomassa representa 90%
ou mais da energia total.
Por ser considerado um combustível inferior, a biomassa é raramente incluída
em estatísticas energéticas. Este é um grave erro, pois esta deveria ser considerada
uma fonte renovável e equivalente aos combustíveis fósseis. As maneiras de obtenção
e utilização são variadas. A biomassa pode ser queimada diretamente para produzir
eletricidade ou calor, ou pode ser convertida em combustíveis sólidos, gasosos e
líquidos por meios de tecnologias de conversão, como a fermentação. Os resíduos
industriais, agrícolas e florestais também podem ser usados para este fim.
Não resta dúvida de que essa fonte potencial de energia armazenada deve ser
cuidadosamente
levada
em
consideração
em
qualquer discussão
sobre
o
fornecimento de energia nos dias atuais e no futuro uma vez que a produção
fotossintética anual da biomassa é cerca de oito vezes maior que a energia total usada
no mundo e que essa energia pode ser produzida e usada de forma ambientalmente
sustentável, visto que não libera gás carbônico. A partir das progressões constata-se
que, no ano 2050, aproximadamente 90% da população mundial estará vivendo em
países em desenvolvimento, assim que o cultivo da biomassa para fornecer energia
estará muito presente.
O uso da biomassa energética, especialmente nas suas formas tradicionais, é
difícil de ser quantificado, o que acarreta problemas adicionais e de utilização. As duas
principais razões para isso são: A biomassa ser considerada um combustível inferior e
dificuldades em medir, quantificar e manusear a biomassa, visto que se trata de uma
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fonte de energia dispersa, e seu uso ineficiente resulta na obtenção de pouca energia
útil.
Apesar de todos os fatos anteriormente citados, a utilização da biomassa vem
permanecendo estável ou apresenta ligeiro crescimento, devido, principalmente, a
urbanização e a melhoria dos padrões de vida da população. Conforme os padrões de
vida sobem, muitas pessoas nas áreas rurais e urbanas nos países em
desenvolvimento passam a usar a biomassa de formas diferentes, como, por exemplo,
o uso de carvão vegetal e madeira, em relação aos resíduos e gravetos, o emprego da
biomassa na produção de matérias de construção e em casas pré-fabricadas, além de
outros usos. Por conseguinte, a urbanização não leva necessariamente a uma
substituição da biomassa por combustíveis fósseis.
Percebe-se que, cada vez mais, a biomassa vem rompendo as fronteiras de
seu uso somente doméstico e reafirmando seu papel como bom combustível,
principalmente nas regiões mais humildes. Espera-se que a demanda por biomassa
cresça consideravelmente no futuro por várias razões:
° Devido ao grande crescimento demográfico nos países em desenvolvimento, o que
demandará mais energia;
° Em decorrência do maior uso nos países industrializados, destacando as questões
ambientais;
° O desenvolvimento de tecnologias que permitirão a produção de novos combustíveis
e o aperfeiçoamento dos já existentes ou da conversão de biocombustíveis em vetores
energéticos mais eficientes, estimulando a forma e a demanda por matéria-prima.
Nesse contexto, para considerar programas de produção de bioenergia em
larga escala, deve-se levar em conta os seguintes fatores:
° Disponibilidade de terras em curto ou longo prazo;
° Produtividades;
° Espécies e variedades;
° Sustentabilidade ambiental;
° Fatores sociais;
° Viabilidade econômica;
° Benefícios indiretos;
° Desvantagens e problemas decorrentes;
° Modernização das técnicas e utilizações da biomassa.
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Sendo assim, muitos desses problemas socioeconômicos se minimizam quando a
energia da biomassa é vista como uma forma de obtenção de vários benefícios locais
e globais. Agrega-se assim ainda a oportunidade de empreendimentos em longo
prazo, para o melhor manejo da terra, com base em boa produtividade, além de um
investimento menor de recursos, enquanto se obtém benefícios ambientais e sociais.
Metodologia
O tema do artigo é complexo, pois envolve uma série de termos
contemporâneos e dinâmicos da organização do espaço brasileiro. O método de
investigação selecionado será misto, perpassando em alguns momentos pela
dedução1, indução2 e análise-síntese. A proposta da pesquisa é utilizar duas correntes
teórico-metodológicas. Primeiro, a empírico-analítica, a partir de técnicas de análise de
conteúdo, análise de dados secundários, definição de variáveis para tratamento de
dados e imparcialidade do pesquisador, (SPÓSITO, 2004). Segundo, a corrente
crítico-dialética
priorizando
a
análise
do
discurso,
incorporação
de
dados
contraditórios, análise do conflito de interesses, eleição de categorias e sua aplicação
à realidade estudada e estabelecimento de possibilidades de mudanças.
Entre os procedimentos utilizados, destaca-se primeiramente a revisão
bibliográfica, pois a mesma permitirá resgatar temas como os sistemas energéticos,
fontes energia renovável e não renovável balanço energético brasileiro e problemas
ambientais.
Agrega-se como instrumento metodológico o levantamento dos indicadores
recentes do balanço energético do IBGE e do Ministério das Minas e Energia, tratados
por técnicas estatísticas e pelo software EstatD+.
A metodologia quantitativa é um método para chegar ao conhecimento sobre
determinado fato, baseada em quantificação, cálculo, e na mensuração das
possibilidades. A pesquisa quantitativa basea-se na experimentação e procupa-se com
a validade referente às informações. Faz o uso intensivo de técnicas estatísticas,
relacionando as variáveis e verificando o impacto e a validade do experimento.
1
Parte do geral para o particular disponibilizando pressupostos já conhecidos e trazidos como
verdades universais. SPÓSITO, E.S. Geografia e Filosofia: Contribuição para o ensino do
pensamento geográfico. São Paulo: Editora UNESP, 2004, 219p.
2
Parte do particular para o geral é um exercício do pensamento podendo levar a
generalizações. SPÓSITO, E.S. Geografia e Filosofia: Contribuição para o ensino do
pensamento geográfico. São Paulo: Editora UNESP, 2004, 219p.
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A pesquisa quantitativa nas ciências sociais se iniciou com a filosofia positivista
de Auguste Comte, o considerado pai da sociologia. A filosofia positiva de Comte nega
que a explicação dos fenômenos naturais, assim como sociais, provenha de um só
princípio. A visão positiva dos fatos abandona a consideração das causas dos
fenômenos e pesquisa suas leis, vistas como relações entre fenômenos observáveis.
Adotando os critérios histórico e sistemático, outras ciências abstratas antes
da Sociologia, segundo Comte, atingiram a positividade: a Matemática, a Astronomia,
a Física, a Química e a Biologia. Assim como nessas ciências, em sua nova ciência
inicialmente chamada de física social e posteriormente Sociologia, Comte usaria a
observação, a experimentação, da comparação e a classificação como métodos, para
o conhecimento da realidade social. Comte afirmou que os fenômenos sociais podem
e devem ser percebidos como os outros fenômenos da natureza, ou seja, obedecendo
a leis gerais. Nascia aí uma forma de pesquisa baseada em dados estatísticos, em
regras, que posteriormente se tornou a metodologia quantitativa.
É notória a importância dos métodos quantitativos, a utilização de modelos
baseados em nestes métodos tem se tornado cada vez mais frequente, decorrente do
rápido desenvolvimento da tecnologia da informação e da utilização corriqueira dos
microcomputadores e seus programas, essa prática oferece aos usuários informações
mais úteis e adequadas.
O uso da estatística tem tornado possível à resolução de grande variedade de
problemas, nos levando mais próximos da objetividade e, eliminando ou diminuindo,
possíveis desvios de interpretação. É tarefa deste método transformar dados em
informações, em números testados e comprovados. E com ele, chegamos a resultados
universais e de fácil aplicação no meio socioeconômico.
RESULTADOS
O levantamento de dados ambientais é algo extremamente novo na nossa sociedade
haja vista, que a preocupação mais sistemática com meio ambiente começa na
década de 70. Ações, pesquisa e tecnologias que tendem minimizar impactos da
urbanização e garantir um pouco mais de qualidade ambiental/de vida, para a
população são pertinentes uma vez que, o consumo de carros e produtos aumentam
gradativamente, incrementando o consumo de energia. Desvendar os dados do
balanço energético significa desvendar a dinâmica socioambiental para melhor
interagir e planejar o espaço em prol de um desenvolviemnto sustentável.
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O petróleo é na atualidade, a fonte energética mais consumida no mundo. A
demanda por esse combustível fóssil tende a crescer, enquanto a sua quantidade
tende a diminuir rapidamente, uma vez que ele é um recurso não renovável. Assim,
possuir autonomia energética é uma das questões chave para o desenvolvimento
econômico de qualquer nação. Quanto a essa fonte energética no Brasil observa-se a
distribuição da produção no gráfico 1.
Gráfico 1- Produção de Petróleo- 2000-2013
Fonte: Balanço energético nacional 2013.
Analisando este gráfico, pode-se observar que o estado do Rio de Janeiro é
responsável pela maior parte da produção de petróleo dos estados Brasileiros,
deixando os outros demais em segundo plano. Tal fato deve-se à concentração de
grandes bacias petrolíferas em seu estado, ou em seus arredores e à grande
exploração feita por este.
Sobre o gás natural gráfico 2 e quadro 1, podemos observar grande destaque
dos estados do Amazonas e da Bahia como fornecedores de Gás Natural, diferindo-se
assim do gráfico anterior.
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Gráfico 2- Produção gás natural 2000-2013
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Fonte: Balanço energético nacional 2013
Quadro 1- Estatística descritiva- Gás Natural-Brasil- 2003-2013
Estatísticas.
Dados Brutos
Tab. Freq. em classes
Média
14192946,8
13444160,8
Mediana
10914020,5
9356412,7
Moda
-
5640278,0
Primeiro Quartil
880064,8
4711244,3
Amplitude
44593616
-
Intervalo interquartil
22447974,4
14864538,7
Desvio médio absoluto
11034281,5
-
Variância populacional
195065182176000,0
125529780864768,0
Variância amostral
216739091306752,0
139477534294272,0
Desvio padrão populacional
13966573,7
112040007,4
Desvio padrão amostral
14722061,4
11810060,1
Coef. De variação amost. (%)
103,7
87,8
Assimetria
1,0
0,7
Curtose
0,3
0,2
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Esse destaque deve-se à concentração de reservas brasileiras de gás natural
se situarem principalmente na Região Sudeste (67%), nas Bacias de Campos, Espírito
Santo e Santos, próximas dos grandes centros consumidores (São Paulo e Rio de
Janeiro) e na Região Norte, que possui uma grande reserva concentrada na Bacia do
Rio Solimões, entre os Rios Urucu e Juruá.
Já a produção do biodiesel, apresenta melhor distribuição da participação por
estado. A liderança está no Rio Grande do Sul, que vem seguido pelos estados de
Goiás e Mato Grosso. O destaque dessas regiões está ligado, principalmente, aos
investimentos feitos nessas áreas para tal fim e à disponibilidade de recursos para
este tipo de geração de energia, gráfico 3.
Gráfico 3- Produção de Biodiesel- 2005-2013
Fonte: Balanço energético nacional 2013
O Rio Grande do Sul pode vir a ser referência em padrões mundiais, pois em
meados de 2007 se iniciou a produção de Biodiesel, sendo responsável, neste mesmo
ano, por 10,61% (42.696 m3/ano) da produção nacional. No final de 2007, o Estado se
consagrou como o maior produtor de biodiesel do país ao vender 20% de todo o
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biodiesel negociado em leilões realizados para abastecer o mercado no primeiro
semestre de 2008.
Além disso, os produtores rurais gaúchos estão ampliando investimentos no
cultivo do Biodiesel, fazendo com que, no ano de 2008, o plantio ocupasse uma área
maior em relação à safra anterior e assim progressivamente. Isso se traduz na área
plantada, que, no ano de 2007, foi de 22 mil hectares e, em 2008, chegou a 30 mil
hectares, o que significa um aumento de 36% na área cultivada para tal fim.
A soja vem se destacando como a principal matéria prima utilizada no Rio
Grande do Sul para a produção de Biodiesel, muito em função do estado ser o terceiro
maior produtor de soja no país, e por ter sua cadeia produtiva preparada para atender
a demanda de Biodiesel a médio e em curto prazo. Este destaque demonstra que a
cultura da soja está extremamente inserida no contexto produtivo gaúcho, devido ao
domínio tecnológico da cultura e o reflexo dos bons preços pagos pelo mercado.
Assim, observa-se que o Rio Grande do Sul está à frente dos demais estados
da Federação, tanto na produção, quanto na comercialização e implementação da
cultura do Biodiesel, localizando-se as principais empresas no estado, a Brasil
Ecodiesel, em Rosário do Sul, a Granol em Cachoeira do Sul, a OLEOPLAN em
Veranópolis e a BSBIOS em Passo Fundo. Juntas, essas empresas possuem uma
capacidade instalada para a produção de 432,3 milhões de litros anuais, considerando
uma operação de 300 dias/ano em capacidade plena.
Considerações finais
Durante os anos de 2012 e 2013, desenvolveu-se uma pesquisa sobre a
distribuição energética dos estados brasileiros. Com base nos dados e através da
metodologia quantitativa, procuramos traçar o perfil energético das principais fontes
energéticas brasileiras.
Focou-se, dentre os variados tipos de obtenção desta, na Biomassa, e para
comparação e melhor análise, utilizamos também dados da obtenção por petróleo, gás
natural e biodiesel. O papel que cada tipo desempenha no balanço energético geral
brasileiro, a concentração por região de cada um e o motivo desta concentração, são
os objetivos de nossa pesquisa.
A espacialização da energia no Brasil se apresenta bastante desigual,
consequentemente de acordo com o tipo de produção energética o impacto ambiental
será específico também. Em relação ao petróleo destaca-se o estado do Rio de
Janeiro, já no gás natural destaca-se o Estado do Amazonas. Já o Rio Grande do Sul
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pode vir a ser uma referência dos padrões mundiais de biodiesel. Desde 2007 sua
produção avançou e hoje ele responde por 10,61% da produção nacional.
Com base em nossa pesquisa, observou-se que às energias renováveis vem
tomando nosso mercado. Com características menos poluentes, com maior
durabilidade (ou inesgotáveis) e às vezes com preços mais acessíveis, forma-se um
combustível para o futuro. Tendo em vista as carências energéticas Brasileiras,
espera-se investimentos urgentes nessa área e assim, o suprimento de uma
necessidade tão básica ao nosso dia-a-dia.
Referências bibliográficas
GOLDEMBERG, José. Energia, Meio ambiente & Desenvolvimento. São Paulo:
Editora da Universidade de São Paulo, 2003.
HINRICHS, Roger A. Energia e Meio ambiente. São Paulo: Cengage Learning, 2010.
SPÓSITO, E.S. Geografia e Filosofia: Contribuição para o ensino do pensamento
geográfico. São Paulo: Editora UNESP, 2004, 219p.
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