CONTRIBUIÇÕES AO ENSINO DE MATEMÁTICA
PARA ALUNOS DEFICIENTES AUDITIVOS
Liliane Lino Soares dos Santos (UNIFIEO)*
Sueli Ramalho Segala (UNINOVE)**
Resumo
Este artigo busca esclarecer como foi a trajetória dos surdos ao longo da história,
definindo as características da surdez. Diante das novas políticas de inclusão
estabelecidas na legislação brasileira, os profissionais da educação devem estar
preparados para atender os alunos, em especial o aluno surdo. O presente artigo traz
informações de como ministrar melhor as aulas de matemática por meio de recursos
visuais e utilizando a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) como primeira língua para
a educação de alunos deficientes auditivos.
Palavras Chaves: Surdez. Inclusão. Matemática. Educação. Libras.
Abstract
This paper aims to clarify how was the trajectory of the deaf throughout history,
defining the characteristics of deafness. Before the new set inclusion policies, education
professionals must be prepared to meet the students, especially the deaf student. This
article provides information on how best to teach the math classes through visuals and
using LBS (Brazilian Sign Language) as a first language for the education of hearing
impaired students.
Keywords: Deafness. Inclusion. Mathematics. Education. Brazilian Sign Language.
Introdução
A matemática é conhecida mundialmente como uma ciência exata, sendo que a
maioria das pessoas a julgam como algo difícil, como se sua compreensão fosse
*
Pós-graduada em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) pela Universidade Nove de Julho – UNINOVE.
Bacharel em Matemática pelo Centro Universitário Fundação Instituto de Ensino para Osasco –
UNIFIEO. Contato: lilytick@hotmail.com
**
Pós-graduada em LIBRAS pela Universidade Nove de Julho – UNINOVE. Especialista em Gestão
Estratégica de Pessoas. Graduada em Letras (Português/Espanhol) pelo Centro Universitário Sant’Anna.
Graduada em LIBRAS pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Docente na UNINOVE.
Contato: sueliramalho@gmail.com
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privilégio apenas de alguns. Essa ideia talvez tenha se formado por meio da má
formação de alguns profissionais da educação, o que deixa marcas em nossos alunos
fazendo com que não admirem a matemática como uma ciência que está presente em
nosso cotidiano. Nessa perspectiva, para Gil (2007) é necessário que haja um preparo
dos professores para atender as necessidades educacionais dos alunos surdos.
Professores de alunos surdos relatam que a matemática é a disciplina que
apresenta menos dificuldade de compreensão por parte desses alunos, com exceção dos
exercícios problematizados que envolvem o português, pois a interpretação torna-se
inacessível se não houver utilização da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), na
comunicação.
A relevância deste artigo está no fato de contribuir para que os professores de
matemática possam superar as dificuldades do ensino de matemática com deficientes
auditivos, por meio de informações de como trabalhar com esses alunos em classes
mistas. Parte-se do princípio de que todas as crianças têm direito de aprender as mesmas
coisas, sendo elas surdas ou não; sendo assim, devemos oferecer todos os recursos
possíveis para que isso aconteça.
Com a realização deste trabalho espera-se contribuir para um ensino mais
efetivo e de qualidade para os alunos surdos, conscientizando os professores sobre isso.
O objetivo deste trabalho é despertar nos profissionais da educação, assim como na
sociedade de um modo geral, a importância de se utilizar LIBRAS no ensino de alunos
surdos, em especial na disciplina de matemática.
1 Surdos na Antiguidade e na Idade Média
Segundo Quadros (2006), na Antiguidade, os surdos eram considerados seres
incapazes de pensar, pois para Aristóteles a linguagem era o que dava condição de
humano ao indivíduo; então, se a pessoa não falava, não era humana. Na Idade Média, a
Igreja católica acreditava que as almas dos surdos não poderiam ser imortais, porque
eles não conseguiam falar os sacramentos.
Nesse período, os clérigos argumentavam que se o homem foi criado a
“imagem e semelhança de Deus”, o surdo, por não ouvir, não correspondia a essa
similaridade, logo, não era considerado humano. Até 1760, para o surdo ter direito a
herança, precisava falar; por isso, as famílias ricas contratavam tutores, médicos ou
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padres, para oralizarem as crianças surdas (VIEIRA, 2000, apud GUERRA, 2009).
2 O surdo na Idade Moderna
Durante toda a Idade Moderna, os surdos continuavam sendo perseguidos.
Muitos médicos se interessavam pelos surdos e também por outros deficientes, para
fazerem pesquisas. Já a Igreja Católica os ajudavam somente para promover a caridade.
Girolamo Cardano (1501-1576), médico italiano, foi um dos primeiros a se interessar
pela educação dos surdos. Declarou que os surdos podiam e deviam receber uma
instrução. Cardano iniciou seus estudos sobre ouvido, nariz e cérebro porque seu
primeiro filho era surdo. Outro nome de grande importância foi Ponce de León (15201584), monge considerado o primeiro professor de surdos na história; seu trabalho
serviu de base para muitos outros educadores; foi com ele que se iniciou a verdadeira
educação com surdos (MOURA, 2000).
Segundo Pereira (2008), em 1620, o padre espanhol Juan Pablo Bonet, se
interessou pela educação dos surdos e escreveu o alfabeto manual e as técnicas de
trabalho utilizadas por Ponce de León; então Bonet publica “Redação das Letras e Arte
de ensinar Mudos a Falar”. É o primeiro livro sobre educação dos surdos, que consiste
no aprendizado do alfabeto manual.
Durante toda a Idade Moderna existiram outros nomes que ajudaram na
educação dos surdos, entre eles Abbé de L’ Eppée, que começou a ensinar os surdos,
em 1760; iniciando seu trabalho com suas duas irmãs surdas, ele reconheceu que a
língua de sinais era essencial para a comunicação dos surdos. Esse século foi muito
importante para os surdos, pois foi nele que muitas escolas foram criadas, e o
desenvolvimento do ensino dos surdos, iniciado.
3 O surdo na Idade Contemporânea
Em 1790, Abbé Sicard foi nomeado diretor do Instituto Nacional de SurdosMudos (Paris) no lugar de L’ Eppée. Publicou dois livros: uma gramática geral e um
relato detalhado de como havia treinado Jean Massieu (surdo). Massieu se tornou
famoso professor. Com a morte de Sicard, Massieu foi nomeado diretor do Instituto
Nacional de Surdos-Mudos e foi um dos primeiros professores surdos do mundo; mas
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tudo isso fez desencadear uma briga com dois estudiosos da surdez, Itard e Gérando, o
que provocou o afastamento de Massieu (MOURA, 2000).
Então, Jean Marc Itard se tornou médico residente do Instituto. Para ele, as
sensações eram a base para o conhecimento humano; ele reconhecia somente a
experiência externa como fonte de conhecimento. Por essa concepção, para que o surdo
tivesse acesso ao conhecimento, era necessária a erradicação ou a diminuição da surdez.
O que era considerado como diferença, passou-se a ser reconhecido como doença.
Segundo Honora, Frizanco e Saruta (2009):
Para descobrir as causas visíveis da surdez Itard:
- dissecou cadáveres de surdos;
- aplicou cargas elétricas nos ouvidos dos surdos;
- usou sangue sugas para provocar sangramentos;
- furou as membranas timpânicas de alunos (um aluno morreu por esse
motivo).
Itard fez várias experiências e publicou vários artigos sobre uma técnica
especial, para colocar cateteres no ouvido de pessoas com problemas auditivos. A
surdez começava a ser vista como uma doença e, por isso, todas as tentativas para
erradicá-la eram encaradas como válidas, não obstante o sofrimento do paciente surdo.
No ano de 1880, na Itália, foi realizado um Congresso Internacional de
professores de surdos, cuja proposta era discutir sobre a educação dos surdos nas
escolas especiais de todo o mundo. Ficou decidido nesse congresso que a única forma
de educação dos surdos seria a fala (VIEIRA, 2000, apud GUERRA, 2009).
[...] ficou decidido no Congresso Internacional de Professores Surdos,
em Milão, que o método oral deveria receber o status de ser o único
método de treinamento adequado para pessoas surdas. Ao mesmo
tempo, o método de sinais foi rejeitado, porque alegava que ele
destruía a capacidade de fala das crianças. O argumento para isso era
que ‘todos sabem que as crianças são preguiçosas’, e por isso, sempre
que possível, elas mudariam da difícil oral para a língua de sinais.
(WIDELL, 1992, p. 26)
Já no Brasil, segundo Honora (2009), a educação dos surdos só teve início
durante o Segundo Império com a chegada do professor francês Hernest Huet que
trouxe a língua francesa de sinais e o alfabeto manual. Foi então que solicitou ao
imperador um prédio para fundar o Instituto dos Surdos-Mudos do Rio de Janeiro (atual
Instituto Nacional de Educação dos Surdos - INES), em 26 de setembro de 1857.
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4 Os surdos na atualidade
Como podemos perceber, a trajetória dos surdos foi, por muito tempo,
caracterizada pela exclusão e perseguição. Mas a história mudou: hoje os surdos têm
direitos que devem ser respeitados e cumpridos. Para isso, é importante conhecer esses
direitos. A Constituição Federal em seu Título VIII, Artigo 205, esclarece que:
“A Educação é direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e
incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
Complementa em seu Artigo 208, III, quando se refere ao “atendimento educacional
especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de
ensino” (BRASIL, 1988).
Essas leis são de suma importância para os surdos, pois, por meio delas, o
surdo pode exigir seus direitos como, por exemplo, ter acesso a um método bilíngue de
aprendizagem, visando sempre a LIBRAS como sua língua oficial. A lei estabelece
também que os profissionais da educação têm direito a cursos específicos de formação
que deem ênfase ao ensino da LIBRAS. A sociedade, de um modo geral, deve se
interessar em aprender essa segunda língua.
5 Tipos de Surdez e características da surdez
Para Fernandes (2006), o conhecimento sobre as características da surdez
permite que o profissional da educação trabalhe de maneira mais apropriada com os
deficientes auditivos. A surdez pode ser dividida em dois grandes grupos:
 Congênitas, quando o individuo já nasceu surdo. Nesse caso, a surdez é
“pré-lingual”, ou seja, ocorreu antes da aquisição da linguagem;
 Adquiridas, quando o indivíduo perde a audição no decorrer da sua vida.
Nesse caso, a surdez é “pré ou pós-lingual”, dependendo da sua ocorrência
ter se dado antes ou depois da aquisição da linguagem.
As causas da surdez se dividem em:
 Pré-natais: surdez provocada por fatores genéticos e hereditários, doenças
adquiridas pela mãe na época da gestação (rubéola, toxoplasmose,
citomegalovírus), exposição da mãe a drogas ototóxicas (medicamentos que
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podem afetar a audição);
 Perinatais: surdez provocada, mais frequentemente, por parto prematuro,
anóxia cerebral (falta de oxigenação no cérebro, logo após o nascimento) e
trauma de parto (uso inadequado de fórceps, parto excessivamente rápido ou
parto demorado);
 Pós-natais: surdez provocada por doenças adquiridas pelo indivíduo ao
longo da vida, como: caxumba, meningite, sarampo. Além do uso de
medicamentos ototóxico, outros fatores também tem relação com a surdez,
como o avanço da idade e acidentes (FERNANDES, 2006).
Com relação à localização, ou seja, ao tipo de perda auditiva, Bevilacqua
(1998) faz a seguinte divisão:
 Condutiva: quando está localizada no ouvido externo ou ouvido médio; as
principais causas são otites, rolha de cera, acúmulo de secreção que vai da
tuba auditiva para o interior do ouvido médio, prejudicando a vibração dos
ossículos. Na maioria dos casos, essas perdas são reversíveis após
tratamento;
 Neurossensorial: quando a localização está no ouvido interno (cóclea ou
fibras do nervo auditivo). Esse tipo de lesão é irreversível; as causas mais
comuns são a meningite e a rubéola materna;
 Mista: quando a alteração auditiva está localizada no ouvido externo ou
médio e ouvido interno. Geralmente ocorre por fatores genéticos de má
formação;
 Central: a alteração pode se localizar desde o tronco cerebral até as regiões
subcorticais e córtex cerebral.
Por meio do audiômetro (instrumento utilizado para medir a sensibilidade
auditiva de um indivíduo), podemos fazer alguns testes e obter uma classificação para a
surdez, quanto ao grau de comprometimento ou intensidade da perda auditiva, que está
classificada em níveis, de acordo com a sensibilidade do indivíduo, tal como escreve
Fernandes (2006):
 Audição Normal: de 0 a 15 decibéis (dB);
 Surdez Leve: de 16 a 40 dB. Nesse caso, a pessoa apresenta dificuldade para
ouvir o som do tic tac do relógio, ou mesmo uma conversa mais silenciosa;
 Surdez Moderada: de 41 a 55 dB. Com esse grau, a pessoa pode apresentar
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dificuldade para ouvir uma voz fraca ou o canto de um pássaro;
 Surdez Acentuada: de 56 a 70 dB. Com esse grau, a pessoa poderá ter
dificuldade para ouvir uma conversação normal;
 Surdez Severa: de 71 a 90 dB. Com esse grau, a pessoa tem dificuldade para
ouvir o telefone tocando ou ruídos do teclado em um escritório;
 Surdez Profunda: acima de 91 dB. Nesse caso, a pessoa poderá ter
dificuldade para ouvir o ruído de caminhão, de discoteca, de uma máquina de serrar
madeira ou ainda o ruído de um avião decolando.
A surdez pode ainda ser classificada como unilateral, quando se apresenta em
apenas um ouvido ou bilateral, quando acontece em ambos os ouvidos. Segundo
Azevedo (1991, apud GUERRA, 2009), a perda auditiva, nos primeiros anos de vida,
provoca um atraso na aquisição da linguagem que interfere no desenvolvimento social,
psíquico e educacional da criança.
6 O ensino da matemática para surdos
O ensino de matemática é considerado, para muitos, uma matéria de difícil
aprendizagem, tendo em vista suas fórmulas e contextos que são, na maioria das vezes,
de difícil entendimento. Normalmente, o ensino é ministrado de uma forma
desarticulada, fugindo da realidade contextual, e se resume em testes, por meio dos
quais, o aluno mostra o que aprendeu.
D’Ambrósio nos lembra que:
[...] um dos maiores erros que se pratica, em educação, em particular
na matemática, é desvincular a matemática das outras atividades
humanas, pois, em todas as civilizações existem conhecimentos
matemáticos inseridos em contextos culturais. (D’AMBRÓSIO, 1996,
p. 97)
Diante desse cenário, o que acaba se concretizando nas escolas é a repetência,
acompanhada da evasão dos alunos e, consequentemente, da exclusão. Isso sem
considerar que, no meio dos alunos ditos “normais”, existem aqueles com necessidades
especiais; estamos nos referindo, sobretudo, ao aluno surdo, já que, para ele, são
garantidos os mesmos direitos dos demais alunos.
O conceito de necessidades educacionais especiais teve origem no Relatório
Warnock, publicado em 1978, na Inglaterra, o qual afirma que nenhuma criança deve
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ser considerada ineducável, pois a finalidade da educação é a mesma para todos, por ser
um bem a que todos têm direito, sendo que a meta da educação é propiciar uma
formação que assegure a qualquer pessoa dirigir sua própria vida e ter acesso ao
mercado de trabalho.
O Relatório Warnok (1978) ressalta que ter um aluno com necessidades
educacionais especiais é dizer que esse aluno tem maior dificuldade para aprender do
que a maioria das crianças de sua idade, ou ainda, que o aluno tem uma deficiência que
torna difícil a utilização das facilidades que a escola proporciona normalmente.
A maneira como se ensina uma criança surda, não se diferencia das demais
crianças. Segundo Rabelo (2002), a matemática é uma ciência exata, um objeto
sociocultural de conhecimento derivado da evolução do homem, um objeto com formas
e que cumpre várias funções sociais. O Professor que trabalha com o aluno surdo,
necessita trabalhar um pouco mais a leitura, pois sua dificuldade consiste na
decodificação dos códigos, então é necessário repetir várias vezes, até obter o
entendimento.
O aluno surdo, na maioria das vezes, consegue resolver o algoritmo do
exercício, mas não sabe identificá-lo no enunciado de um problema mais
contextualizado; para isso, o professor precisa fazer algumas adaptações nas atividades
utilizando a Língua Brasileira de Sinais. Só assim o professor conseguirá fazer uma
ponte entre o seu conhecimento e o silêncio do aluno surdo.
Devemos lembrar que as políticas de inclusão, estabelecidas pela legislação
brasileira, ainda são muito recentes e que os professores não estão sendo preparados
para atender alunos com deficiências em classes de alunos ditos “normais”; tudo está
sendo muito difícil, pois, sem o devido preparo dos docentes, os alunos com
necessidades educacionais especiais acabam esquecidos nos bancos escolares.
Diante desse cenário, Booth e Ainscow (2000, p. 44) apontam alguns
indicadores para que se possa realizar uma educação inclusiva com sucesso:
 As aulas devem atender à diversidade de necessidade, de interesses
e estilos dos alunos e alunas;
 Os conteúdos e atividades de aprendizagem devem ser acessíveis a
todos os alunos e alunas;
 Um conjunto de atividades que promovam a compreensão, a ação e
a valorização das diferenças pode ser desenvolvido;
 Processos que levem à participação ativa e responsável dos alunos
e alunas ao longo de sua aprendizagem precisam ser promovidos;
 As atividades devem promover a aprendizagem cooperativa entre
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alunos e alunas;
 As atividades de avaliação devem estimular o sucesso de todos os
alunos e alunas;
 A disciplina em sala de aula deve estimular o respeito mútuo;
 Os professores devem incentivar a participação e se
responsabilizarem pela promoção e apoio à aprendizagem dos alunos
e alunas;
 As tarefas e deveres de casa devem contribuir para a aprendizagem
de todos os alunos e alunas.
Se a educação inclusiva seguir os padrões citados acima, teremos uma
educação de qualidade, sem excluir os alunos com necessidades educacionais especiais
da sociedade. Devemos ressaltar, ainda, que tudo depende de como a escola vê a
educação inclusiva, pois ela pode ser objeto de fracasso ou sucesso.
Com o auxílio da LIBRAS o trabalho do professor será bem mais fácil; mas,
não podemos deixar de mencionar aqueles alunos que vão para a escola e não sabem a
língua de sinais. Muitos desses alunos são filhos de pais ouvintes que rejeitam a língua
de sinais; esses alunos, por sua vez, utilizam a leitura labial (ler os lábios dos ouvintes,
apenas pelo movimento na pronúncia da palavra). O professor, em sala de aula, deve
ficar atento e verificar como seu aluno se comunica, pois isso direcionará o seu
trabalho.
Considerações Finais
Durante muito tempo, os surdos têm lutado por uma educação de qualidade, e
finalmente alguns resultados estão sendo obtidos. Não são os melhores, mas estamos em
busca do aperfeiçoamento de todos aqueles que trabalham com inclusão. Começa na
escola o processo de crescimento do aluno surdo, pois é nessa instituição que, muitas
vezes, ele tem o primeiro contato com a língua de sinais.
Nessa mesma escola, surgem dificuldades, tanto por parte dos alunos que não
conseguem assimilar as matérias, quanto por parte do professor, por não saber qual
metodologia usar, ou ainda, pela falta de intérpretes para suprir a comunicação entre
ouvinte e surdo. Em suma, os professores devem receber e trabalhar com esses alunos,
abrindo os horizontes para o futuro, mostrando que eles também são capazes, basta
querer.
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