Efeito da interação interespecífica entre duas espécies de vespas
sociais sobre suas assinaturas químicas
Erika F. Neves1; Thiago S. Montagna1; Luis H. C. Andrade2; Yzel R. Súarez2;
Sandro M. Lima2 & William F. Antonialli-Junior1,2
1
Programa de Pós-Graduação em Entomologia e Conservação da Biodiversidade, Universidade
Federal da Grande Dourados, CEP 79804-970, Dourados, MS, erika_snakes@yahoo.com.br,
thiagomontag@yahoo.com.br
2
Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul,
CEP 79804-970, Dourados, MS, williamantonialli@yahoo.com.br.
Um fenômeno de parasitismo facultativo de colônias em vespas sociais foi
registrado recentemente no gênero Mischocyttarus. As vespas sociais reconhecem
seus companheiros de ninho através de sinais químicos, sendo que esse perfil
químico é específico para cada colônia e é adquirido por cada indivíduo,
provavelmente logo após a sua emergência. Se aproveitando dessa situação,
parasitas sociais utilizam-se de estratégia química para ocultar sua identidade por
meio de hidrocarbonos cuticulares (HC) e assim melhorar as chances de sucesso
durante a invasão de colônias hospedeiras. Desta maneira, este trabalho investigou
o efeito das interações entre duas espécies, durante fenômeno de parasitismo
facultativo da vespa M. consimilis em colônias de M. cerberus sobre os seus perfis
de hidrocarbono cuticular. Foram avaliadas colônias das duas espécies, com e sem
interação. O método para avaliação das assinaturas químicas foi o de
espectroscopia óptica por transformada de Fourier no infravermelho médio por
detecção fotoacústica (FTIR-PAS), ainda não usual para estudos deste tema. A
análise de discriminação canônica detectou diferenças significativas entre os
espectros no infravermelho-médio das duas espécies (Wilks's Lambda = 0,033;
F=14.551; P<0.001). Esta análise forneceu um diagrama de dispersão dos
resultados para diferenciação das espécies, no qual o primeiro eixo explicou 61%
dos resultados. Esses resultados demonstraram que as duas espécies possuem
nítida distinção entre seus perfis de hidrocarbono cuticulares em colônias sem
nenhum tipo de interação. No entanto, quando avaliadas colônias com interação
entre as duas espécies o método aponta que as assinaturas químicas de ambas as
espécies sofreram modificação, sugerindo que, como os hidrocarbonos cuticulares
servem como sinais de reconhecimento entre as espécies, podem ser “usados”
como estratégia para aumentar as chances de sucesso em casos de parasitismo
social.
Palavras-chave: Distinção de espécies; assinatura química; Vespidae.
Apoio/ financiamento: UEMS; UFGD; FUNDECT e CNPq.
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