XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
FATORES DETERMINANTES QUE COMPÕEM A
CADEIA PRODUTIVA DO ESPORTE DA REGIÃO
SUL DO BRASIL
Ana Paula Kloeckner Tudesco (UFRGS)
anatudesco@producao.ufrgs.br
Ricardo Augusto Cassel (UFRGS)
cassel@producao.ufrgs.br
Juliano Denicol (UFRGS)
juliano_denicol@hotmail.com
Aline Marian Callegaro (UFRGS)
nimacall@gmail.com
Segundo Kasznar (2013) a prática esportiva no Brasil representa 1,9% do PIB
(Produto Interno Bruto). Entretanto, comparado aos Estados Unidos, onde
esse valor corresponde a 3,2%, esse é um valor subestimado, pois o
mapeamento do setor esportivo no Brasil possui alguns obstáculos. É preciso
entender que o universo econômico da prática esportiva no Brasil vai além
das modalidades profissionais e amadoras, englobando diversas cadeias
produtivas como a produção de artigos esportivos (como vestuário, calçados,
redes), serviços especializados (mídia e jornalismo, administração de clubes,
eventos, gestão e manutenção de quadras e academias de ginástica),
serviços de saúde, turismo, projetos sociais, terceiro setor, entre outros. O
presente estudo tem como objetivo identificar quais são esses fatores
determinantes que compõem a cadeia produtiva do esporte, bem como eles
se relacionam. Como resultados obteve-se um desenho com três cadeias
principais (infraestrutura, equipamentos e serviços), suportadas por cadeias
auxiliares, as quais possuem elementos similares em mais de uma cadeia
principal.
Palavras-chave: Cadeia produtiva, Mapeamento, Esporte, Região Sul do
Brasil
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1. Introdução
Segundo Kasznar (2013) a prática esportiva no Brasil representa 1,9% do PIB (Produto Interno Bruto).
Entretanto, comparado aos Estados Unidos, onde esse valor corresponde a 3,2%, esse é um valor
subestimado, pois o mapeamento do setor esportivo no Brasil possui alguns obstáculos. Entretanto
quando se fala em prática esportiva é importante entender que alguns conceitos que diferenciam a
prática esportiva da atividade física, bom como o que são esportes de alto rendimento e esporte
amador.
O esporte está relacionado a todas as formas de atividades físicas que, por meio de participação casual
ou organizada, objetivam expressar ou promover a forma física e o bem estar mental, formando
relações sociais ou obtendo resultados em competições de todos os níveis. Esporte de alto nível, ou de
alto rendimento, é aquele que exige do atleta uma dedicação intensa para a obtenção dos melhores
níveis de desempenho, alcançar os resultados esperados, ou seja, as vitórias pessoais ou coletivas
(MCPHERSON; CURTIS; LOY, 1989). Para dar suporte a essa promoção da forma física, bem estar
para a prática esportiva e resultados de desempenho do atleta, passa a ser essencial uma estrutura que
permita que essas atividades físicas possam ser realizadas. A prática esportiva necessita de lugares
apropriados, criados de acordo com os princípios, regras e aspirações de cada modalidade. Tais lugares
podem ser denominados de instalações esportivas. São estádios, ginásios, autódromos, pistas de esqui,
velódromos, campos de golfe, hipódromos, campos de futebol, quadras, pistas de atletismo, piscinas
não residenciais, ginásios (DA COSTA, 2004).
É preciso entender que o universo econômico da prática esportiva no Brasil vai além das modalidades
profissionais e amadoras, englobando diversas cadeias produtivas como a produção de artigos
esportivos (como vestuário, calçados, redes), serviços especializados (mídia e jornalismo,
administração de clubes, eventos, gestão e manutenção de quadras e academias de ginástica), serviços
de saúde, turismo, projetos sociais, terceiro setor, entre outros (KASZNAR, 2013).
Procurando entender a influência do esporte sob alguns aspectos relacionados à cadeia produtiva,
Borlan e MacDonald (2003) verificaram os determinantes-chave para a participação das pessoas em
eventos esportivos. Poupaux e Breuer (2009) procuraram identificar fatores que influenciavam a
prática do esporte, entre eles a infra-estrutura. Ratten e Ratten (2011) procuraram entender como o
esporte influenciava nas marcas, no turismo e no desenvolvimento regional. Concluíram que o esporte
é uma atividade econômica com grande potencial de desenvolvimento. Entretanto, nenhum dos
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estudos apresentaram os fatores que compõe a cadeia produtiva do esporte, nem mesmo como se
relacionam. São apresentadas apenas segmentações com algumas das partes que podem fazer parte de
uma cadeia produtiva genérica para o esporte, independente da modalidade.
Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo identificar quais são esses fatores determinantes
que compõem a cadeia produtiva do esporte, bem como eles se relacionam. Este artigo está organizado
em cinco seções, sendo a primeira elas esta introdução, seguido pelo referencial teórico, procedimento
metodológicos, resultados e discussão e considerações finais.
2. Referencial teórico
2.1. Cadeia Produtiva do Esporte
Conforme apresentado anteriormente, alguns autores apresentaram alguns aspectos relacionados à
cadeia produtiva do esporte (BORLAN; MACDONALD, 2003; POUPAUX; BREUER, 2009;
RATTEN; RATTEN, 2011). Ratten e Ratten (2011), em um estudo voltado a discutir o marketing
internacional dos esportes, bem como a importância da integração entre o marketing e negócios,
observaram que o esporte é uma atividade econômica indicada para se empreender. Traz como
exemplos as organizações esportivas, como a National Basketball Association, National Hockey
League, a Major League Baseball e a FIFA. O estudo avalia a importância do esporte na economia
global, e como muitas organizações esportivas já dominam o mercado mundial, bem como o esporte
influencia nas marcas, no turismo, no desenvolvimento regional. Concluem que no que tange aos
times, as marcas são importantes no mercado. Dessa forma, apresentam que empresas do meio
esportivo devem aproveitar as oportunidades disponíveis no mercado global para os negócios e as
estratégias de marketing (RATTEN; RATTEN, 2011).
Já Borlan e MacDonald (2003) realizaram uma pesquisa voltada à cadeia do esporte voltada aos
eventos esportivos. Analisaram o comparecimento de torcedores nos jogos esportivos profissionais.
Primeiramente, identificaram a origem e os determinantes da demanda de competições esportivas.
Posteriormente verificaram quais os determinantes-chave da participação em eventos esportivos.
Utilizam algumas modalidades esportivas para análise: Baseball, basquete, futebol americano, hockey,
futebol, cricket, rugby. Compararam o comparecimento das pessoas nos jogos de competições.
Concluíram que um maior número de pessoas comparece nos jogos quando a qualidade da partida é
mais alta - o que se observa no futebol inglês, onde nas baixas divisões das competições, menos
pessoas vão assistir. A qualidade da visão durante o jogo também importa para os fãs, assim como
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estádios novos, o tempo da partida e as condições climáticas também influenciam no comparecimento
das pessoas nos jogos; o preço do transporte também influencia (BORLAN; MACDONALD, 2003).
Poupaux e Breuer (2009) buscaram uma visão um pouco mais aprofundada em relação à
infraestrutura. A infraestrutura, segundo Da Costa (2004) no Atlas do Esporte, compõe-se de duas
partes: (i) recursos humanos e instalações; e (ii) academias e clubes. O estudo de Poupaux e Breuer
(2009) focou na segunda parte, que está relacionado aos locais de práticas. Estudaram fundamentos
teóricos sobre demanda do esporte, apresentaram um modelo empírico e, por fim, um estudo
econométrico usando Munique como base para a pesquisa. O objetivo foi avaliar se a prática de
esportes é influenciada por fatores de nível macro, como a disponibilidade de infraestruturas de
esporte. Concluíram que o número de diferentes infraestruturas de esporte em Munique parece não ter
impacto na decisão de praticar esporte, mas tem impacto positivo na frequência da prática de esporte.
Além disso, notaram que o número de estruturas ao ar livre tem impacto negativo na frequência da
prática do esporte. Essa última frase foi interpretada por eles no sentido de que a construção de uma
estrutura ao ar livre não teria impacto na demanda por haver suficientes suprimentos nesses tipos de
esporte.
2.2. Fatores que impactam e determinam a Cadeia Produtiva do Esporte
Appelqvist et al. (2013), procuraram entender o que melhoraria a cadeia produtiva de empresas de
equipamentos esportivos, através da análise da complexidade da cadeia produtiva e do tipo da cadeia
(make or buy). O objetivo do estudo foi documentar um trabalho desenvolvido por três anos a fim de
melhorar a cadeia produtiva de sete empresas de equipamentos esportivos. Os resultados apontaram
que a simplificação na cadeia produtiva melhora a performance da mesma; e que empresas sem
produção terceirizada apresentaram um maior nível de desenvolvimento criativo.
Yu-Kun e Min-Han (2009) procuraram definir uma cadeia de suprimentos global para produtos
esportivos para melhorar o gerenciamento da mesma. O termo “cadeia de suprimentos” refere-se a um
conjunto de empresas integrantes de uma cadeia produtiva específica voltada para um determinado
segmento, vinculando-se a um consumidor específico para melhorar seus fatores competitivos em
nível de mercado consumidor (VACHON et al., 2009; GUNASEKARAN et al., 2008). Dessa forma, o
estudo de Yu-Kun e Min-Han (2009) enfoca sobre produtos esportivos gerais, com foco na Nike na
China. O estudo ilustra o caminho da informação e dos produtos, a estrutura da cadeia e a cadeia de
suprimentos integrada. Os resultados apresentam a complexidade de uma cadeia de suprimentos, onde
se depende muito da dificuldade no alinhamento de objetivos entre empresas e definição e
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variabilidade da demanda, devido principalmente ao ciclo de vida curto dos produtos. Destacam ainda
a necessidade de cooperação entre todos os níveis da cadeia.
Roscoe e Baker (2014) estudaram fatores que influenciavam a segmentação da cadeia de suprimentos
do esporte, através das vendas aos consumidores por cadeias de varejo. O estudo foi direcionado à
corrida, aplicados a duas empresas específicas: Reebok e Adidas. Foram entrevistados 22 especialistas
que eram intimamente envolvidos com as duas empresas. Os autores afirmam que múltiplas cadeias de
suprimentos podem coexistir dentro de uma companhia e serem usadas como estratégia de venda,
exemplo: caso de customização-ágil e o reabastecimento lento de grandes quantidades de produto. Os
autores propõem um framework de nove passos, para o relacionamento com varejistas: (i) determinar
comportamento dos consumidores; (ii) determinar onde compram; (iii) decidir sobre o critério de
atendimento para o varejista; (iv) proposição de valor aos varejistas; (v) definir melhores produtos e
preços; (vi) descrever atributos de demanda; (vii) definir padrões do tipo de produto para o varejista
específico; (viii) estabelecer qual das 4 cadeias de suprimentos melhor se enquadra; (ix) configurar os
modelos da cadeia de suprimentos para se encaixar no tipo prático da cadeia.
Com uma visão diferente, Gibson et al. (2005) procuraram entender o impacto econômico das
atividades esportivas, eventos esportivos e turismo esportivo no Reino Unido, através da observação
da cadeia de suprimentos em nível regional, nacional e global. Os autores modelaram em computador
o comportamento dos eventos observados dadas algumas variáveis. O modelo traça a geografia dos
eventos ou atividade em si e da cadeia de abastecimento da área local através de áreas vizinhas ao
nível regional, nacional e global. Concluem que cada região ou localidade é responsável pela sua
cadeia de abastecimento, não só em termos de vendas e compras, mas também em termos de valor
agregado, renda e empregos.
3. Método
O presente trabalho caracteriza-se por uma pesquisa de natureza aplicada, exploratória, utilizando
como procedimento a pesquisa de campo. O uso da pesquisa exploratória ocorreu por haver pouco
material bibliográfico e conhecimento disponível sobre a temática abordada. Dessa forma, buscou-se
conhecer o assunto com maior profundidade, proporcionando uma visão geral cerca do fato estudado
(CERVO; BREVIAN, 1983; GIL, 1999). Nessa fase do estudo não formulada hipóteses acerca do
tema, já que o mesmo está pouco explorado na literatura, tornando-se difícil formulá-las de forma
precisa e operacional. Dessa forma, buscou-se identificar quais os principais fatores a serem
considerados para o entendimento e delineamento da Cadeia Produtiva do Esporte. O estudo foi
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realizado em 5 etapas principais, realizadas para a obtenção e consolidação dessas informações.
Na primeira etapa, foi realizada a fundamentação teórica sobre o tema, onde se buscou, através de uma
pesquisa sistemática, identificar estudos relacionados ao tema. Na segunda etapa, foi realizada a
identificação dos fatores que fazem parte da cadeia e interferem na mesma para dar sequencia à
terceira etapa, que corresponde à realização de entrevistas em profundidade com atores chave sobre o
desenvolvimento do esporte na região sul do Brasil. O uso de entrevistas em profundidade, foi
realizado para auxiliar no ganho de dados válidos e confiáveis que são relevantes aos objetivos e
questão de pesquisa. As entrevistas seguiram um roteiro semiestruturado, no qual foram listados temas
e questões relevantes, as quais devem ser adequadas de acordo com o conhecimento e área do
entrevistado (SAUNDERS et al., 2009). A partir da quarta etapa, foi realizada a análise qualitativa dos
dados, o que permite desenvolver teorias a partir dos mesmos, através da categorização simples de
respostas para processar e identificar relacionamentos entre categorias (SAUNDERS et al., 2009).
Dessa forma, na quarta etapa, foram definidos os fatores que impactam e compõem a cadeia produtiva
do esporte na região sul do Brasil. A partir da definição dos fatores, partiu-se para o desenho da
Cadeia Produtiva do Esporte Genérica. Para a realização da mesma foram realizados brainstormings
em 4 encontros, nos quais foram utilizados mapas visuais para desenhar a cadeia. A partir das
discussões e entendimentos, cada um dos participantes da pesquisa propôs um desenho, os quais foram
sendo unidos e aprimorados, até chegar a primeira versão das cadeias consolidadas. Após essa etapa,
seguiu-se para a última, na qual o desenho foi validado com os envolvidos na pesquisa, sendo eles, os
pesquisadores do projetos, pesquisadores convidados e entrevistados. O resultado final foi o desenho
da Cadeia Produtiva do Esporte Genérica consolidada.
Tabela 1 – Etapas da pesquisa
Etapa
Ferramentas de coleta utilizadas
Participantes
1 Fundamentação teórica
Pesquisa sistemática de literatura
Pesquisadores do projeto
2 Identificação dos fatores
Análise de texto, brainstorming e
mapas visuais
Pesquisadores
3 Entrevistas em profundidade
Roteiro
entrevista
Pesquisadores e principais
atores do cenário do esporte
na região sul do Brasil
4 Definição dos fatores
Brainstorming
Pesquisadores do projeto +
pesquisadores convidados
5 Desenho da Cadeia Produtiva
do Esporte Genérica
Brainstormings e Mapas visuais
Pesquisadores do projeto
semiestruturado
de
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6 Validação do Desenho da
Cadeia
Apresentação
envolvidos
do
Desenho
aos
Pesquisadores do projeto +
pesquisadores convidados +
entrevistados
4. Resultados e Discussão
A partir do referencial seguiu-se a segunda etapa, onde alguns fatores foram identificados, conforme
seguem na Tabela 2 (fatores que impactam) e Tabela 3 (fatores que compõem). Sage (2004) em um
estudo sobre a evolução da cadeia produtiva do esporte apresenta uma divisão em três segmentos
principais: performance, promoção e produção. Nesses três segmentos, estão englobados grande parte
dos fatores que compõem a cadeia. No primeiro deles, a performance, está relacionado com a prática
esportiva, isto é, em como o esporte é oferecido ao consumidor como participante ou espectador dos
produtos. Podem estar relacionados aos fatores infraestrutura, locais para prática, bem como
profissionais de apoio, corroborando com Da Costa (2004) e Poupax e Breuer (2009). Em relação à
promoção, Sage (2004), relaciona as ferramentas de marketing para promover os produtos do esporte.
Este segmento está relacionado ao grupo de serviços, como os eventos, que são destacados por Borlan
e MacDonald (2003). Indo de encontro às afirmações anteriores, Ratten e Ratten (2011) falam sobre a
importância do marketing na cadeia produtiva do esporte. O terceiro e último segmento apresentado
por Sage (2004) é o de produção, que está relacionado à produção industrial, a qual busca a melhoria
da qualidade performance do esporte. Esses fatores também são apresentados por Yu-Kun e Min-Han
(2009) e Ratten e Ratten (2011).
Tabela 2 – Fatores que impactam a Cadeia Produtiva do Esporte e autores
Autores
Fatores que impactam a cadeia
Appelqvist et al, 2013
Complexidade da Cadeia
Tipo da Cadeia (make or buy)
Yu-Kun e Min-Han, 2009
Fluxo de informações
Fluxo de produtos
Variabilidade da Demanda
Complexidade
Grau de Cooperação
Roscoe e Baker, 2014
Multiplicidade de cadeias dentro da companhia
Comportamento dos Consumidores
Tipo de produto
Gibson et al., 2005
Geografia da cadeia de abastecimento (regional, nacional e global)
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Ratten e Ratten, 2011
Desenvolvimento Econômico
Demanda
Poupax e Beurer, 2009
Demanda
Borlan e MacDonald, 2003
Demanda
Tabela 3 – Fatores que compõem a Cadeia Produtiva do Esporte e autores
Fatores que compõem a cadeia
Autores
Marketing
Ratten e Ratten, 2011
Turismo
Gibson et al., 2005; Ratten e Ratten, 2011
Eventos
Borlan e MacDonald, 2003
Transporte
Borlan e MacDonald, 2003
Infraestrutura
Poupax e Breuer, 2009
Locais de prática (Academias, Clubes)
Da Costa, 2004; Poupax e Breuer, 2009
Recursos Humanos
Da Costa, 2004
Suprimentos / Produtos esportivos / marcas
Yu-Kun e Min-Han, 2009; Ratten e Ratten, 2011
Com base nos dados levantados na literatura, seguiu-se para o levantamento e entendimento desses
fatores, bem como consolidação dos mesmos, a partir das entrevistas em profundidade (Etapa 3).
Foram realizadas um total de 5 entrevistas em profundidade, buscando entender quais os fatores
compõem a cadeia produtiva do esporte na região sul do Brasil, com representantes de diversos grupos
de representantes do esporte, principalmente do estado do Rio Grande do Sul. Foram entrevistados
dois representantes da Secretaria do Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul, um representante da
Fundação de Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul, dois representante do Ministério do Esporte e um
pesquisador sobre esporte de alto rendimento e políticas de desenvolvimento do esporte.
As entrevistas foram conduzidas através de um roteiro semiestruturado, no qual inicialmente eram
apresentados os fatores identificados na literatura e suas possíveis inter-relações. Depois, eram
questionados por blocos de perguntas, as quais procuravam desenvolver e extrair um maior número de
informações em relação a esses fatores. As entrevistas duraram em média de duas horas cada uma, nas
quais vários fatores puderam ser aprofundados e novos pontos apontados para e definição dos fatores
que compõem a cadeia produtiva do esporte, bem como seus agrupamentos.
Nas entrevistas com os representantes da Secretaria do Esporte do RGS, o foco principal foi entender
como é visto o esporte como fator de desenvolvimento econômico e industrial, bem como a
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representatividade do mesmo para o estado. Foram levantados também os principais entes ligados à
secretaria, identificando que estão fortemente ligados aos grandes eventos esportivos, usando como
exemplo a copa do mundo de futebol realizada nos meses de junho e julho de 2014, apresentando
apoiadores, parceiros e impactos para o esporte. Já na entrevista com a Fundação de Esporte e Lazer
do RGS, foram desenvolvidos com maior aprofundamento os temas relacionados aos projetos
associados ao esporte, apoiados pelo governo através de verbas de incentivo, como eventos de menor
porte, apoio aos atletas para competições e compra de materiais e equipamentos.
Como o ministério do esporte, foi possível entender melhor sobre como o governo atua no apoio ao
desenvolvimento do esporte e dos atletas e como são realizados os incentivos ao esporte de alto
rendimento, assim como os incentivos à pesquisa sobre o esporte olímpico, por exemplo, através de
institutos de pesquisa e universidades. Como último entrevistado, complementando uma série de
informações levantadas durante as demais entrevistas, buscou-se esclarecer e alinhar conceitos
relacionados à modalidades esportivas, esportes de alto rendimento, praticantes do esporte,
equipamentos, infraestrutura. Além disso, procurou-se entender sobre como s relacionam os
profissionais de apoio na formação e desenvolvimento dos atletas.
Após a realização das entrevistas e compiladas e organizadas as informações, foram realizados
brainstormings com um grupo de pesquisadores para identificar padrões e conexões entre os fatores
levantados (Etapa 4). Foram realizados quatro brainstormings para que houvesse um consenso em
relação aos fatores estudados. A partir disso, foram definidos os fatores que compõem a cadeia
produtiva genérica do esporte, através do agrupamento desses fatores em três grandes grupos (Tabela
4). Os grupos foram definidos como Infraestrutura, Equipamentos e Serviços, sendo cada um deles
apoiados por cadeias auxiliares, contendo elementos como manutenção de estruturas, transporte e
hospedagem, formação de profissionais, recursos humanos, P&D, financiadores e órgão reguladores.
Tabela 4 – Grupos de fatores que compõem a cadeia produtiva do esporte
Grupos
Principais Características
1
Infraestrutura
Demanda e suporte à construção de locais para prática esportiva
2
Equipamentos
Cadeia que compõe a produção de materiais esportivos desde a matéria-prima
até chegar ao atleta
3
Serviços
Atividades de suporte/apoio ao atleta
Para a construção da cadeia, buscou-se desenvolver toda a cadeia, até a chegada dos produtos e
serviços até o ponto final desejado na cadeia: o atleta. As cadeias produtivas são a soma de todas as
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operações de produção e comercialização que foram necessárias para passar de uma ou várias matérias
primas a um produto final, que chegará às mãos do usuário, no caso, o atleta. Para Christopher (2000),
dar importância ao que gera valor par o cliente, em termos da cadeia produtiva, deve estar também
associada ao que oferece vantagem competitiva em relação aos custos.
O primeiro grande grupo é composto pela Infraestrutura, a qual pode ser caracterizada pela demanda e
suporte à construção de locais para prática esportiva, composto por construtoras, por exemplo, e seus
fornecedores. O segundo grande grupo são os Equipamentos, nos quais estão incluídos os materiais
necessários para a prática esportiva, vestuários e equipamentos de musculação, por exemplo. Neste
grupo, é representada a cadeia que corresponde à produção de materiais esportivos, desde a matéria
prima, até os produtos chegarem ao atleta, o que deve passar por fabricantes, distribuidores e
varejistas. Para Sage (2004), os bens esportivos são uniformes, tênis, bolas, luvas, equipamentos de
proteção e o que mais for necessário para praticar o esporte. Além disso, o mesmo autor destaca a
importância desse segmento por constituir uma indústria global de U$ 170 bilhões, afirmando que os
bens esportivos são componentes chave na indústria e comercialização do esporte. O terceiro e último
grupo é composto pelos serviços, os quais são aquelas atividades que dão suporte/apoio para a prática
esportiva do ponto de vista do atleta. É composto por profissionais de apoio, clubes e academias,
mídia, eventos, federações, clínicas e hospitais, entre outros.
Com base em todas as informações levantadas, prosseguiu-se com o desenho da cadeia produtiva do
esporte genérica, bem como com a validação da mesma. Como resultados finais, obteve-se um
desenho com três cadeias principais organizadas de acordo com os três grandes grupos identificados
(Figura 1). É importante destacar que todas as cadeias principais (infraestrutura, equipamentos e
serviços), são suportadas por cadeias auxiliares, as quais possuem elementos similares em mais de
uma cadeia principal.
Figura 1 – Desenho da Cadeia Produtiva do Esporte Genérica
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5. Considerações Finais
Considerando que a prática esportiva no Brasil possui um grande potencial de crescimento, bem como
estudos apontam sua importância para o desenvolvimento econômico das regiões, sejam elas em
termos regionais, nacionais ou globais, é importante lembrar que existe uma cadeia produtiva que deve
dar suporte à prática esportiva e ao atleta. Conhecer a cadeia produtiva do esporte pode ser uma forma
de identificar dificuldades das indústrias e impulsionar o crescimento e desenvolvimento das mesmas,
bem como saber quais são os elos mais fracos e necessitam de maior atenção e investimentos.
O presente estudo procurou levantar os fatores que fazem parte da cadeia produtiva do esporte e como
se relacionam de uma forma geral. Dessa forma, pode-se identificar 3 grupos principais, os quais
aglomeram os fatores identificados nesta pesquisa que estão relacionados entre si. Isso possibilitou
uma representação visual dessa cadeia produtiva genérica, através de um desenho, onde são
apresentados os principais fatores que compõem a cadeia, assim como a forma como se relacionam.
Entende-se que os relacionamentos entre os componentes da cadeia ainda é mais complexo do que a
representação visual apresentada, entretanto, tamanha complexidade impossibilitaria o entendimento e
visualização dos principais fatores atuantes na cadeia. É importante destacar que a literatura ainda não
apresenta dados suficientes para poder comparar os resultados obtidos nesse estudo, como uma cadeia
genérica que engloba todos os fatores apresentados.
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