O AMBIENTE DE INFORMAÇÃO BIBLIOTECA ESCOLAR PÚBLICA DA ESCOLA
MUNICIPAL EM PERÍODO INTEGRAL PROFESSORA IRACEMA MARIA
VICENTE: A QUESTÃO DO DESENVOLVIMENTO DE SEUS SISTEMAS DE
INFORMAÇÃO.
Roger Pereira1
roger.my.world@gmail.com
RESUMO
As unidades informacionais escolares ainda estão sujeitas as limitações quanto ao
uso de recursos digitais. Apesar dos crescentes avanços tecnológicos, o que seria o
seu maior legado, a real democratização da informação, se restringe ao uso de
recursos precários e de baixa usabilidade. O trabalho desenvolvido na Escola
Municipal Professora Iracema Maria Vicente é uma proposta inovadora voltada à
nova realidade exigida para as bibliotecas escolares. Buscou-se, desta forma,
alguns apontamentos com relação às orientações úteis aos responsáveis pela
tomada de decisão para o desenvolvimento da unidade e sistemas de informação
dentro do ambiente informacional da biblioteca escolar, como coleta de dados sobre
a instituição e usuários. Por intermédio da avaliação destas informações pode-se
assinalar as deficiências daquela unidade de informação, ação que possibilitou a
criação de medidas de mudança organizacional para a aplicação naquele ambiente
escolar.
Palavras-chave: Biblioteca escolar. Avaliação. Desenvolvimento organizacional de
biblioteca escolar.
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Graduando do 5° semestre do curso de Biblioteconomia do Instituto de Ensino Superior da Funlec – IESF/CG
Campo Grande/MS.
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1 INTRODUÇÃO
A informação é a chave para qualquer sujeito interagir com inúmeros campos
da sociedade; social, político e econômico. A capacidade de aprender, reter e
compreender uma informação é um determinante fundamental para que qualquer
pessoa se desenvolva dentro de seu convívio social.
Analisando o termo
informação, se destaca a questão: Quais são os primeiros locais que poderíamos
ilustrar como meio de iniciação ao contexto informacional?
É nas escolas, sejam elas públicas ou particulares, que são dadas as
primeiras orientações sistêmicas aos pequenos cidadãos em formação. O ambiente
escolar é responsável por instigar a pesquisa, para que haja melhor assimilação e
entendimento da realidade pelos alunos:
Existe uma concordância generalizada entre os educadores de que a
pesquisa escolar é uma excelente estratégia de aprendizagem, pois permite
maior participação do aluno nesse processo, o que o leva a construir o seu
próprio conhecimento. Aproxima o estudante da realidade e lhe permite
trabalhar em grupo, ao mesmo tempo individualiza o ensino. Mas, na
realidade, a situação é bem diferente: ninguém está satisfeito com a
pesquisa escolar. [...] É preciso reconhecer que a pesquisa escolar é um
processo complexo, que exige do aluno habilidades que precisam estar
previamente desenvolvidas, para que ocorra em toda a sua riqueza. O
estudante deve ter familiaridade com a biblioteca, com a localização dos
materiais ali reunidos. [...] precisa saber escolher e consultar diferentes
fontes de informação e, mais do que isso, precisa ser capaz de localizar e
interpretar essa informação (ABREU, 2002, p. 25-27).
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É por intermédio das pesquisas que se desenvolvem os avanços oriundos das
mais variadas áreas do conhecimento. A iniciação correta dos alunos nesta arte é
fundamental para o seu autodesenvolvimento. Os fatores que desenvolvem as
habilidades de pesquisa não ocorrem isolados uns dos outros, devem ser
trabalhados exaustivamente desde a educação fundamental. Desta forma, a escola
carrega uma grande carga de compromissos com relação aos objetivos aos quais se
propõe.
Destaca-se que dentro do universo do ensino escolar há – ou ao menos
deveria haver – uma ferramenta fundamental na busca pela melhor formação dos
alunos:
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A biblioteca escolar é, sem dúvida, o espaço por excelência para promover
experiências criativas do uso de informação [...] A escola não pode mais
contentar-se em ser apenas transmissora de conhecimentos [...] tem que
promover oportunidades de aprendizagem que deem ao estudante
condições a aprender a aprender, permitindo-lhe educar-se a vida inteira.
(CAMPELLO, 2002, p. 11).
É importante ressaltar que, por fazer parte de uma instituição pautada na
aprendizagem de variadas habilidades, a biblioteca escolar é a porta de entrada da
descoberta, deve trabalhar em função de uma educação que possibilite ao aluno o
acesso a informações e ao seu desenvolvimento nos campos sociais, psicológicos e
cognitivos.
Como ficou evidente, em uma pesquisa aplicada em instituições de ensino
dos Estados Unidos da América, os programas desenvolvidos em bibliotecas
escolares são fundamentais ao desenvolvimento de competências informacionais:
[...] um bom programa de biblioteca, contando com profissional
especializado, equipe de apoio treinada, acervo atualizado e constituído por
diversos tipos de materiais informacionais, computadores em rede e
interligando os recursos da biblioteca às salas de aula resultou no melhor
aproveitamento escolar dos estudantes, independente das características
sociais e econômicas da onde a escola estivesse localizada. As conclusões
do estudo feito nos estados do Alaska, Pennsylvania e do Colorado
demonstraram que os alunos que obtiveram melhores resultados eram
oriundos de escolas cujas bibliotecas contavam com bibliotecário em horário
integral. (ANDRADE, 2002, p. 15).
Percebe-se que as instituições de ensino daquelas regiões agregaram
qualidade ao ensino disponibilizado aos alunos, utilizando-se da biblioteca escolar
como uma ferramenta pedagógica. Em nosso país, com a criação de programas
voltados ao uso das bibliotecas escolares, e de legislações como a Lei Nº 12.244 de
24 de maio 2010, que institui a universalização de bibliotecas escolares no país,
surgiu à oportunidade de que o bibliotecário escolar realmente possa assumir o seu
papel no ambiente informacional escolar: o papel de atender as reais necessidades
de seus usuários.
2 A REALIDADE DA BIBLIOTECA ESCOLAR DA ESCOLA MUNICIPAL
PROFESSORA IRACEMA MARIA VICENTE.
A Escola Municipal Professora Iracema Maria Vicente, é uma instituição
de ensino em tempo integral da cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Sua
criação se deu por intermédio do decreto municipal n. 10.489 de 21/05/2008 e teve
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suas atividades iniciadas no dia 01/02/2009. Com composição funcional de 84
funcionários, a instituição atende a quantidade de 585 alunos no ano letivo de 2012.
A escola é um novo projeto do município que está em processo de experimentação
e futuramente servirá de parâmetro para outras escolas do município.
Segundo o Projeto Político Pedagógico (PPP) a instituição tem como o seu
objetivo “assegurar ao aluno atividades curriculares estimuladoras, acesso as
tecnologias, oferecendo condições adequadas para promover o seu bem-estar e
desenvolvimento” e, ainda, “buscar ampliar suas experiências por meio da
pesquisa, estimulando assim, o interesse pelo seu conhecimento como ser humano,
complementando a ação da família e da sociedade”. Devido à necessidade de ser
uma instituição modelo a outras de uma mesma rede, houve uma enorme ansiedade
da direção com relação a todos os espaços componentes da escola, principalmente
com a biblioteca.
A realidade observada naquela unidade informacional não correspondia essa
nova proposta, pois havia ausência de profissionais bibliotecários no ambiente
biblioteca, geralmente a mesma ficava aos cuidados de alguns professores que
passam por readaptações e, sem contar com a ajuda dos conhecimentos
biblioteconômicos, organizavam os livros nas estantes e/ou promoviam pequenos
projetos na tentativa de chamar a atenção de sua clientela.
O próprio Projeto Político Pedagógico (PPP) relata esta insatisfação: “A
biblioteca é ampla e bem iluminada, com um pequeno acervo, faltando ainda muito
investimento neste local”. Todos estes fatores levaram a direção da escola a buscar
profissionais que estivessem interessados em intervir efetivamente em todos os
aspectos daquela unidade informacional.
O projeto deu-se pela necessidade percebida pela direção da escola. A
entidade estava em busca de profissionais bibliotecários que pudessem trazer uma
nova perspectiva àquela unidade de informação, dada extrema urgência em corrigir
a lacuna formada pela falta de uma biblioteca bem estruturada em todos os seus
aspectos.
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Nesta busca a diretoria da instituição entrou em contato com a Bibliotecária
Marluce Bruno da Silva Bueno, de CRB 1ª Região n. 0505. Ciente do compromisso
de se transformar a realidade biblioteconômica da região, a Bibliotecária propôs aos
alunos de graduação em Biblioteconomia a participação para compor a equipe do
projeto. A equipe final do trabalho foi composta pela Bibliotecária e um estagiário de
projeto extensão que até então cursava o quarto período do curso de
Biblioteconomia do Instituto de Ensino Superior da Funlec (IESF/CG).
3 CONHECER PARA REESTRUTURAR: UMA QUESTÃO DA AVALIAÇÃO DA
UNIDADE DE INFORMAÇÃO
Para início dos trabalhos foi marcada uma reunião com a diretoria da
instituição, para a tomada do conhecimento sobre quais eram as expectativas da
organização com relação ao desenvolvimento de sua unidade de informação.
A proposta desenvolvida para aquela unidade de informação foi divida em três
níveis fundamentais de atuação. O trabalho visou contemplar os aspectos
biblioteconômicos, pedagógicos e administrativos, para a obtenção de ensino de
qualidade. Este relato discute mais os fatores relacionados à organicidade e,
consequentemente, a sua administração. O principal objetivo deste trabalho foi
transformar o espaço anteriormente creditado como biblioteca em um real ambiente
de informação. Idealizou-se um projeto de reestruturação da biblioteca da instituição,
utilizando-se de ferramentas tecnológicas disponíveis.
Na busca por metodologias, que subsidiassem o desenvolvimento dos
sistemas de informação, encontrou-se uma extensa lista de literaturas que abordam
tal assunto, mas, especificamente sob o contexto de grandes organizações, o que
exigiu que as mesmas fossem adequadas ao universo escolar. Cita-se dentro
dessas
metodologias
o
modelo
SIEA
(Sistema
de
Informação
Estratégico/Administrativo) que é definido como: “[...] um conjunto estruturado e
interativo de dados e informações sobre a organização, que proporcionam a
otimização do processo decisório” (TARAPANOFF, 2002, p. 16). Esta abordagem é
muito pertinente quanto ao fato de que o bibliotecário possa trabalhar com esta
metodologia a fim de levantar dados qualitativos e quantitativos, que o ajudem na
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tomada de decisão para o desenvolvimento das unidades sob sua responsabilidade.
Os dados levantados, em concomitância com outros questionamentos, podem
buscar por sinais eficiência, mas de pouca eficácia:
Sabemos quais são as necessidades de informação das diferentes equipes
da organização? Estamos oferecendo serviços e atividades que deveriam
ser atendidas? [...] Asseguramos serviços de qualidade? Estamos
satisfazendo as necessidades de nossos usuários? (ALMEIDA, 2005, p.
14).
Estas questões sugeridas foram úteis ao levantamento de dados sobre quais
são as necessidades da instituição, dos clientes internos como professores,
diretores etc. Elas nortearam os profissionais ao planejamento de medidas que
viabilizassem maior apoio aos trabalhos exercidos pelos docentes.
Tais questionamentos foram postos em prática com o intuito de fazer uma
avaliação qualitativa junto à instituição de ensino. Estas são somente algumas
propostas de perguntas para o levantamento de dados importantes à análise dos
sistemas informacionais.
A avaliação deve ser uma atividade constante em ambientes escolares, a
elaboração de novos questionários trará novas concepções que podem não ter sido
percebidas em um primeiro momento de levantamento de dados institucionais. Estas
atitudes podem manter projetos em curso, ou mesmo alterá-los, de acordo com as
necessidades da instituição.
A atitude avaliativa tomada para uma análise geral daquele ambiente, buscou
conhecer de forma mais profunda a instituição, levantar informações como, por
exemplo, a quantidade de profissionais envolvidos nos trabalhos desenvolvidos na
escola, alunos atendidos, horários de funcionamento e uma avaliação física da
biblioteca. Avaliou-se para:
[...] conhecer, construindo momentos reflexivos que permitam a análise da
realidade dos fatos para direcionar ações. A avaliação é, assim, uma forma
de aprendizagem. Avalia-se, também, [...] para poder escolher prioridades,
tomar decisões, definir o que mudar e como mudar acompanhar ações e
realimentar decisões e opções políticas e programáticas, contribuindo para
a sua melhoria. (ALMEIDA, 2005, p. 16)
Constatou-se que a mesma era uma biblioteca-embrião, organizada e
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utilizada de forma isolada, e até mesmo sem comunicação entre outros campos da
organização, o que acarretou na "quebra" dos processos que deveriam ser
realizados em conjunto entre biblioteca e professores.
Os espaços daquele ambiente eram razoavelmente propícios à alocação do
acervo e ao atendimento dos usuários. A biblioteca não dispunha de qualquer
sistema automatizado para organização das obras presentes naquele espaço físico.
Foi constatado, também, que a biblioteca estava relegada a ser o espaço de guarda
de livros didáticos. Sua principal função, que seria a disseminação interativa e plural
de informações, não estava sendo posta em prática eficientemente.
Durante a analise primária ficou explicita a lacuna que se formou naquele
ambiente educacional, assinalou-se que a demanda de serviços solicitados pelos
usuários não estavam sendo atendidas satisfatoriamente, ou mesmo, foram
relegadas para outras instituições, como as bibliotecas públicas.
Esta situação estava se perpetuando em decorrência da prática do “encaixe
funcional”, ou seja, a alocação de profissionais não bibliotecários na regência da
biblioteca,
um
fator
presente
em
bibliotecas
escolares,
conhecido
como
extrabibliotecário, como se percebe por intermédio das concepções de Silva (1999,
p. 59) “muitos dos fatores que atrapalham o uso da biblioteca escolar são
provocados pela própria estrutura da biblioteca, pela maneira como funciona ou pela
ação do profissional que nela atua”.
Atualmente, os modernos profissionais bibliotecários vêm trabalhando na
tentativa mudar essa condição dentro das unidades de informação em colégios
públicos, seja realizando projetos inovadores ou trazendo novos aspectos para
melhor atender às reais funções de uma biblioteca escolar, consequentemente,
afastando-as do paradigma de meros depósitos de livros velhos.
Na época da realização da reunião de inicio dos trabalhos, aquela instituição
tinha como responsável pela biblioteca uma professora de História, esta assumiu o
cargo de auxiliar de biblioteca sem possuir o curso técnico de biblioteconomia. Com
uma noção básica de biblioteconomia, disponibilizada pelo núcleo de bibliotecários
da prefeitura, esta profissional exercia as práticas de tombamento de livros
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manualmente, auxiliava as professoras em programas como a hora conto, estava
sendo constantemente cobrada para a criação de projetos que elevassem a
biblioteca a sua real função pedagógica, mesmo sem dispor de qualquer documento
ou manual de bibliotecas que pudessem orientar suas funções.
As avaliações feitas durante a primeira reunião foram grande valor aos
profissionais envolvidos no projeto, não somente para o próximo passo da gestão da
unidade informacional. Serviu, também, para assinalar à direção da escola o
sucesso, ou insucesso, que a instituição/ambiente de informação vinha obtendo por
intermédio da atual gestão empregada, expor a necessidade da intervenção de um
profissional habilitado e, sua permanência nesta função, divulgando-se desta forma
as atividades biblioteconômicas.
Foi em decorrência desta avaliação que houve a criação de uma estratégia
preliminar que pudesse suprir às necessidades informacionais da instituição e de
seus usuários.
Em consenso foi delimitado que o primeiro passo a ser tomado naquela
unidade de informação seria o reconhecimento das obras ali armazenadas, sua
seleção, catalogação e, posteriormente, a implementação de um sistema de
automação de bibliotecas, para que se procedesse à organização sistêmica do
acervo, disponibilizando uma recuperação ótima das obras disponíveis na biblioteca.
4 O INÍCIO DAS ATIVIDADES PRÁTICAS: A ANÁLISE DO CONTEÚDO DAS
OBRAS E A BUSCA POR UM SISTEMA DE AUTOMAÇÃO
No paradigma contemporâneo da Biblioteconomia percebe-se uma singela
união de fatores que devem ser aplicados em união, uma junção de atividades
interdisciplinares, que propiciam sucesso aos trabalhos desenvolvidos em
bibliotecas escolares. Podem-se considerar as funções biblioteconômicas, funções
pedagógicas e funções administrativas como agentes fundamentais na viabilização
de uma biblioteca escolar de qualidade. Naquela unidade informacional essas
égides da biblioteca escolar puderam ser consideradas como falhas, devido à falta
de profissionais bibliotecários no ambiente biblioteca e do desconhecimento de sua
própria potencialidade por uma parte da instituição. Esta se encontrava limitada a
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ferramentas analógicas de baixa eficiência.
Inicialmente foi feita uma varredura nas obras depositadas no espaço
anteriormente chamado de biblioteca, a separação de livros didáticos de outros
conteúdos. Esta primeira triagem serviu para o conhecimento e o ordenamento das
obras ali dispostas. Iniciou-se posteriormente o que poderia ser chamado, a grosso
modo, de “rotulagem” dos livros, ou seja, uma análise de seus conteúdos, sendo
aplicada para cada obra uma indexação de assuntos abordados, e sua devida
classificação, organizando-se os materiais bibliográficos nos parâmetros da CDD.
Tais processos são amplamente difundidos em unidades de informação:
Os sistemas de classificação, os códigos de catalogação e, mais
recentemente, os formatos de intercâmbio bibliográfico (padrões que
possibilitam o intercâmbio de dados catalográficos por computador)
constituem instrumentos básicos que bibliotecários do mundo inteiro
costumam utilizar para organizar os acervos das bibliotecas. (VIANA, 2002,
p. 45).
Ainda no que tange o processo biblioteconômico, para a automação da
biblioteca, foi solicitada a aquisição de dois microcomputadores, sendo que a
direção da escola remanejou aparelhos em boas condições de outros setores da
instituição.
Dada à necessidade de um programa de automação de bibliotecas cogitou-se
a implementação do sistema Personal Home Library – PHL, mas verificou-se que o
mesmo inviabilizava o uso eficaz da biblioteca, dado que o programa funcionaria em
uma versão local, não possibilitando desta maneira sua distribuição por toda a rede
de computadores da escola, ou o intercâmbio de dados com outras instituições.
Na busca por uma solução viável foi encaminhada uma proposta à empresa
WJ Informática desenvolvedora do programa Sistema de automação de
bibliotecas, arquivos, museus e memoriais – Siabi, para que a mesma, em
caráter de divulgação de sua empresa para toda a rede municipal de ensino de
Campo Grande, disponibilizasse para escola o seu programa num período
experimental de um ano de utilização gratuita, dando-se a possibilidade de
renovação desta licença por um preço aquisitivo menor do que seria cobrado ao
consumidor comum do programa.
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A empresa se mostrou muito interessada na proposta, aprovando a licença de
uma estação conforme a solicitação feita.
O sistema Siabi é compatível com padrões nacionais e internacionais
utilizados pela Biblioteconomia: MARC-21, ISO-2709, AACR2, NBR-6023 e Z39.50.
Possui a capacidade de catalogar materiais especiais, artigos, capítulos etc., sendo
este um dos sistemas mais fáceis de serem utilizados disponíveis no mercado.
Por intermédio desta atitude pôde-se oferecer uma ferramenta simples e de
fácil uso em unidades de informação, o que desencadeou o início do planejamento
estratégico da usabilidade da unidade de informação. Como afirma Santos (2002)
fica claro que há a necessidade do planejamento e uso estratégico das tecnologias,
para que este instrumento seja utilizado de maneira proveitosa à aprendizagem.
Cabe-se ressaltar que mesmo sendo uteis às unidades de informação,
atualmente o uso das tecnologias vem sendo argumentadas, dado que um acervo
meramente organizado não justifica a razão de ser de uma biblioteca escolar:
A organização técnica é apenas uma das partes que compõem a biblioteca,
juntamente com a de referência/atendimento e com a pedagógica, a mais
importante. As outras partes, operacionais e técnica, trabalham em prol da
parte didática, ou seja, da aprendizagem na biblioteca escolar (PENNA &
RODRIGUES, 2009, p. 24).
De fato, uma biblioteca escolar somente comprova seu valor quando o seu
uso se dá na construção do saber diferenciado e sob os aspectos pedagógicos.
Mas, em nosso atual contexto, um sistema de informação deve ser concebido
também em seus aspectos tecnológicos – sistemas de informação automatizados
pelas Tecnologias de Informação (TIC´s). É importante considerar tais fatores, dada
a realidade na qual as bibliotecas públicas escolares se encontram, as quais muitas
vezes carecem não somente de profissionais qualificados, mas, também, de
recursos financeiros para a aquisição de tais tecnologias, sendo que, cabe aos
profissionais bibliotecários à responsabilidade pela busca de programas de
automação de bibliotecas gratuitos, ou, ainda, o fechamento de parcerias que
tragam essas ferramentas para dentro das instituições de ensino das quais fazem
parte, concebendo a melhor utilização das unidades de informação.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
O projeto de desenvolvimento da biblioteca escolar da instituição municipal de
ensino Professora Iracema Maria Vicente ainda está sendo realizado, em
decorrência de seu recente inicio e de fatores como, por exemplo, o retorno das
aulas para o período letivo de 2012.
A implantação do sistema de automação de bibliotecas pode ser considerada
somente como um dos passos para o desenvolvimento estratégico da unidade
informação, mas, é claro, que isto não significa que o seu objetivo final seja proceder
à mera organização de uma biblioteca escolar. Este foi somente o inicio de um
processo mais amplo e complexo de sua reestruturação, na realidade, foi a primeira
etapa de um ciclo contínuo, de uma nova proposta de biblioteca escolar.
A iniciativa de automação serviu como alavanca para outros processos,
garante a possibilidade de direcionar-se a biblioteca para uma prática pedagógica
rica e diversificada, trabalhando o ensino em conjunto com as tecnologias de
informação. A partir desta atitude Os profissionais que ali estão presentes não
desperdiçarão mais tempo com elucubrações desnecessárias em decorrência da
falta de organicidade da biblioteca.
Por intermédio da aplicação das práticas biblioteconômicas, pode-se afirmar
que o processo de obtenção dos frutos almejados pela instituição, que neste caso é
a qualidade do ensino, foram enriquecidos. Na verdade todas estas medidas
deverão passar, sempre que possível, novamente por avaliações futuras, que
aferirão o nível de sucesso alcançado. A investigação dos programas aplicados, e
seu aferimento, são fundamentais à melhoria contínua da unidade informacional da
instituição.
Este projeto pode contemplar vários outros aspectos a serem aplicados
futuramente à instituição, como a criação de grupos voltados à interação continua
com a biblioteca, que contará com a participação de professores, administração e
outras áreas do ambiente escolar. Todos os componentes da escola poderão
demonstrar suas ansiedades e necessidades perante a mesma, desta forma, os
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profissionais envolvidos farão parte de uma rede interconectada e objetivada sob os
mesmos aspectos, a qualidade da educação transmitida.
É dever do profissional bibliotecário o fornecimento de subsídios para a
criação de projetos em conjunto aos docentes e a elaboração de novas
metodologias que usem materiais mais interativos. Estas ações são empregadas
para que haja o desenvolvimento de medidas aplicáveis ao próprio ambiente de
informação e, consequentemente, aos seus sistemas de informação. A qualidade do
planejamento e gerenciamento de tais recursos dependerá dos profissionais
envolvidos, da permanência de bibliotecários naquele ambiente informacional e da
continuidade dos trabalhos desenvolvidos neste projeto.
As bibliotecas escolares de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, ainda
carecem de profissionais habilitados para a gerência estratégica da informação
nestes ambientes. A realidade mostra que este é um campo que ainda pode ser
melhor trabalhado em artigos futuros que contemplem o desenvolvimento das
habilidades e competências informacionais relacionadas ao planejamento de
ambientes informacionais escolares em concomitância ao uso racional das TIC´s.
Para concluir, pode-se dizer que o projeto apresentado neste trabalho visou
não somente a organização de uma biblioteca, mas, contemplou a criação de
subsídios organizacionais, viabiliza a aquisição de novas obras ou novas tecnologias
junto ao governo, servirá como modelo programas a serem implantados a curto,
médio e longo prazo, desenvolverá roteiros que deverão ser seguidos futuramente
como modelos em outros ambientes informacionais escolares. Visou-se também a
realização do marketing de profissionais bibliotecários e de suas práticas em escolas
públicas da Cidade de Campo Grande, demonstrando para as instituições de ensino
de todo estado a necessidade de que toda a biblioteca escolar conte com esses
profissionais para a gestão e uso informacional efetivo.
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14
Download

o ambiente de informação biblioteca escolar pública da