Diversas Outras Espécies
Diversas Outras Espécies
Douglas C. Daly
Quem percorre a Amazônia brasileira encontra centenas de qualidades de plantas que fornecem frutos,
nozes, remédios e seivas. Isso não poderia ser diferente, pois a Amazônia é muito grande - sua bacia cobre 5
milhões de quilômetros quadrados no Brasil. No entanto, a riqueza de recursos na Amazônia não pode ser
explicada apenas pelo fato de ela ser imensa. Também não é suficiente afirmar que 1 hectare de mata amazônica
normalmente contém entre 125 a 200 e até 300 espécies de árvores. Isso porque 1 hectare no Acre amostra
uma flora bem diferente de 1 hectare no Pará. Ou seja, os frutos e outros produtos variam entre as regiões da
Amazônia, tanto na diversidade de espécies como em sua abundância.
A riqueza única de cada região deve-se a um conjunto especial de fatores como localização geográfica,
condições ambientais e história geológica. São peças de um quebra-cabeças que ajudam a decifrar a diversidade
biológica. Juntando essas peças, temos uma série de mosaicos em várias escalas: de região para paisagem e
de paisagem para parcela de mata.
229
Frutíferas e Plantas Úteis na Vida Amazônica
A localização geográfica interage com a história porque a flora de cada lugar é influenciada pelas floras
dos arredores, por migrações e pela evolução de novas espécies ao longo do tempo. Ainda não se sabe a razão,
mas certos grupos de plantas têm-se diversificado rapidamente e mais ou menos recentemente na Amazônia.
Esses grupos incluem alguns gêneros de frutíferas. O grupo dos ingás (Inga spp.) compreende mais ou menos
130 qualidades (espécies e subespécies), com mais de 50 tanto no Pará como no Acre. Também há mais de 100
qualidades de árvores de Pouteria, o gênero principal dos abius e abioranas, das quais 52 têm sido registradas
no Pará e mais de 30 no Acre.
Os Estados do Acre e Pará são mosaicos bem divergentes de diversidade e, conseqüentemente, as suas
floras apresentam complementos distintos de frutíferas e outros recursos. Observar cada um pode ajudar a
entender a diversidade da Amazônia.
O Acre ocupa apenas entre 2% a 3% da bacia amazônica, mas sua flora é uma das mais diversas e
interessantes da região. Sua flora é estritamente ligada com a flora da Amazônia ocidental - especificamente
com o restante do sudoeste da Amazônia no Peru e na Bolívia - e muito menos com o restante da Amazônia
brasileira.
Os parentes de algumas das espécies mais conhecidas de frutíferas também
produzem frutos comestíveis e valorizados. O Acre constitui um centro de diversidade
para vários grupos de frutíferas: os ingás (cerca de 58 espécies), os cacaus (mais de
7 espécies), as abioranas (31 espécies ou mais), os biribás/atas bravas (mais de 7
espécies), os cajás/cajaranas (3 espécies e 1 variedade), os apuruís (8 espécies) e os
araçás/azeitonas da mata (mais de 23 espécies). Além disso, há espécies
desconhecidas fora de certas partes do sudoeste da Amazônia como o cajarana ou
cajá de jabuti (Spondias testudinis, registrada apenas no Acre, Huánuco e Ucayali/Peru
e Pando/Bolívia), a envira caju (Onychopetalum krukovii, no Acre e Madre de Dios/Peru)
e 2 das atas bravas (Rollinia calcarata, somente no Acre, e R. mammifera, no Acre e
em San Martín/Peru). Finalmente, o chamado bacuri da várzea, uma árvore com frutos deliciosos, comum nas
várzeas de alguns afluentes menores do rio Purus, ainda não foi identificado e pode até ser uma espécie
desconhecida pela ciência. Isso destaca a importância e a urgência de acelerar o levantamento da flora acreana.
Em grande contraste com o Acre, no outro extremo da Amazônia,
fica o Estado do Pará. Como no restante da Amazônia, as várzeas do
Pará são ricas em frutíferas, principalmente palmeiras como o açaí,
buriti, patauá e murumuru, mas também árvores como o bacuripari
(Rheedia brasiliensis), alguns araçás (por exemplo, Eugenia feijoi Berg),
o famoso camu-camu (Myrciaria dubia (H.B.K.) McVaugh) e alguns
dos ingás (por exemplo, Inga cinnamomea Benth. e I. nobilis Willd.).
Três frutos com polpa oleosa e muito apreciados no Pará são o
uxi (Endopleura uchi), registrado nas Guianas, na Amazônia Oriental e
Central e no sul da Venezuela e 2 espécies de umari (Poraqueiba paraensis Ducke e P. guianensis),
aparentemente ausentes na Amazônia Ocidental. A P. sericea, muito popular em Iquitos, ocorre apenas na
Amazônia Central e Ocidental.1 Veja a seguir como existem espécies ainda pouco conhecidas mas muito
importantes para a população da Amazônia.
230
Diversas Outras Espécies
Abiorana, abiu, maparajuba e pariri (Pouteria spp.Aubl.)
A Amazônia possui abioranas de vários tamanhos, formas e cores - todos
comestíveis. Muitas das árvores de abiorana são grandes, possuem látex branco em
todas as partes, e são valorizadas pela madeira. A maioria das espécies não é muito
comum; as espécies mais conhecidas são Pouteria caimito, P. glomerata subsp.
glomerata e P. macrophylla, todas conhecidas como abiu, e P. pariry, conhecida como
pariri. Veja a seguir as características específicas de cada espécie.1
Espécie
Fruto
Ocorrência
Árvore / Frutificação
Abiu
P. caimito (Ruiz &
Pavón) Radlk.
2,7 a 7,5 cm de comprimento;
ápice agudo ou redondo; base
redonda ou truncada; casca com
pêlos ou sem pêlos; lisos; 1 a 4
sementes
vários ambientes; amplamente
cultivada nos neotrópicos
até 30 m de altura, mas já
produz com poucos metros /
esporadicamente
P. glomerata (Miq.)
Radlk. subsp.
glomerata
2,5 a 9 cm de diâmetro; ápice e
base truncados
margens de rios e matas de
várzea; amplamente
distribuída na Amazônia e na
América Central
até 30 m de altura /
esporadicamente
P. macrophylla (Lam.)
Eyma
2,5 a 3,5 cm de comprimento;
ápice e base redondos; liso
florestas de terra firme, em
mata secundária; e em matas
semi-caducifólias no
Suriname, na Guiana
Francesa e na Amazônia
brasileira, boliviana e peruana
atinge 30 m de altura; tem
pequenas sapopemas / entre
outubro e fevereiro
Pariri
P. pariry (Ducke)
Baehni
9 a 10 cm de diâmetro; liso e
glabro; com 2 a 3 sementes; 3 a
4,5 cm de comprimento; a polpa
é consumida fresca ou em
refrescos
matas de terra firme na
Amazônia brasileira
até 30 m de altura / de
dezembro a abril
231
Frutíferas e Plantas Úteis na Vida Amazônica
Ameixa ou jacaiacá (Antrocaryon amazonicum (Ducke) B.L. Burtt
A ameixeira possui de 25 a 37 metros de altura e até 80 centímetros de diâmetro,
normalmente com sapopemas. O fruto é amarelo ou alaranjado, globoso-achatado, liso, com 6
centímetros de diâmetro. A casca é fina e uma polpa doce envolve o endocarpo duro. É registrada
no Acre, Pará e Roraima; ocasional em mata de terra firme. Frutifica de outubro a novembro, ou
em março. A ameixa é bastante valorizada onde ocorre; a polpa é usada para fazer refrescos.
Araçá e azeitona da mata (Eugenia spp.L.)
No Acre, além do araçá-boi (Eugenia stipitata McVaugh) - árvore nativa do
Peru mas amplamente cultivada na Amazônia - também ocorrem seus parentes
silvestres com frutos comestíveis. Veja a seguir:
Espécie
Fruto
Ocorrência
Árvore / Frutificação
azeitona brava
E. egensis DC.
globoso; preto e vermelho
terra firme e de várzea, no sul da América
Central, na Amazônia e no norte do
Paraguai; amplamente distribuída no Acre
arbusto ou árvore
pequena, 3 a 6 m de
altura / novembro
araçá
E. feijoi O. Berg
flutuante; alaranjado;
globoso; 2,5 cm de
diâmetro; casca como a de
tangerina; polpa fofa e
doce
lugares inundáveis (várzea e margens de
rios), mas também em tabocal. Ocorre na
Amazônia e no Suriname
arbusto ou árvore
pequena, 3 a 4 m de
altura / novembro a
março
Apuruí e puruí ou puruí grande (Borojoa Cuatrec.ou Alibertia spp.A. Rich.
ex DC.)
Piero Delprete
Alibertia ou Borojoa é um gênero com cerca de 21 espécies que ocorrem em florestas úmidas da América
Central e do Sul. Todas as espécies produzem frutos comestíveis que são consumidos frescos ou usados para
fazer sucos e sorvetes. Os frutos variam em tamanho - de 6 a 15 centímetros de diâmetro - e seu mesocarpo é
carnoso. O gênero é representado por arbustos e árvores de 4 a 10 metros de altura.
Existem várias espécies de Alibertia no Acre, mas as 2 que produzem os frutos mais consumidos são
Alibertia sorbilis e Alibertia claviflora. Essas espécies são muito apreciadas pela população, no entanto, os
frutos ainda não são vendidos no mercado local. Os caboclos sempre sabem onde estão algumas árvores de
apuruí e normalmente estão atentos para a estação de frutificação. Essas espécies ocorrem em várzea, em
florestas sazonalmente inundadas e crescem na sombra do dossel da floresta. Por isso, o cultivo poderia ser
feito com impacto mínimo sobre a vegetação natural. As áreas de várzea - onde a maior parte das culturas
amazônicas não se adapta - também seriam uma alternativa.
Espécie
Árvore
Fruto
A. sorbilis (Ducke) Cuatrec.
4a7m
12 a 15 cm de diâmetro com mesocarpo carnudo de 3 a 5 cm
A. claviflora (K. Schum.) Cuatrec.
5 a 12 m
8 a 12 cm de diâmetro com mesocarpo carnudo de 2 a 4 cm
232
Diversas Outras Espécies
Biribá, biribá bravo e ata brava (Rollinia spp. A. St.-Hil.)
O Acre constitui um centro de diversidade de biribazeiros. Na maioria deles, o fruto
parece escamoso, como a ata verdadeira (Annona spp.), enquanto outros são lisos e
irregularmente lobados quando as sementes amadurecem. Em alguns, a “escama” tem
um ponto agudo mas nunca muito duro. Das 7 espécies de biribás conhecidas, 3 têm
distribuição restrita ao Acre e a uma pequena parte do Peru ou da Bolívia, adjacente ao
Acre.2
Espécie
Ocorrência
Árvore / Frutificação
ata brava
globoso
R. calcarata R.E.
Fries
rara, encontrada em mata de terra firme,
mas também em baixios e, aparentemente, restrita ao Acre
25 m de altura /
final do ano
biribá bravo, ata
brava, ata preta
R. mucosa (Jacq.)
Baill.
pendente; amarelo; ovóide; 2 a 20 cm de
comprimento por 2,5 a 15 cm de diâmetro;
coberto de pêlos marrons; com
“espinhos” curvados na parte final
cresce em mata de terra firme, em terreno
ondulado, em tabocal, e, às vezes, em
mata de várzea. Bastante comum no
Acre e bem distribuída nos trópicos
americanos
até 20 m de altura /
no Acre,
aproximadamente
em março
1,5 a 2 cm de comprimento e 2 a 2,5 cm
de diâmetro; quando imaturo, densamente coberto de pêlos marrons; parte
final com um pontinho recurvado com 1 a
3 mm de comprimento
mata primária ou secundária de terra
firme; ocorre na Amazônia Ocidental
até 15 m de altura /
outubro até
fevereiro
R. peruviana Diels
Fruto
Breu (Protium spp. Burm. f.)
Na família Burseraceae existem 5 gêneros: Protium, Crepidospermum,
Dacryodes, Tetragastris e Trattinnickia, com centenas de espécies. Algumas
dessas espécies produzem resinas aromáticas. A densidade média das
árvores que produzem resina na reserva dos índios Tembé, no Pará, é de
1 árvore por hectare (maiores que 10 centímetros de diâmetro à altura do
peito), mas pode atingir até 10 árvores por hectare. Como se estivessem
nos dando presentes, as árvores de breu botam para fora do tronco pedaços
de resina prontos para serem usados como remédio, para iluminação e
para calafetar barcos e espantar insetos.
A resina é produzida dentro da árvore e sai naturalmente em resposta a vários tipos de ferida. Em
algumas espécies de breu, o ataque de insetos provoca o escorrimento da resina. Os caroços são geralmente
vermelhos com cobertura branca11 e chamam a atenção dos bichos como pacas, porcos e jabutis12 que as
espalham na mata dando mais chance para as mudas nascerem. Muitos caçadores aproveitam para passar
embaixo do pé de breu para ver se encontram algum jabuti comendo os frutos.
233
Frutíferas e Plantas Úteis na Vida Amazônica
Cacau, cacauí, cacaurana e cupuí [Theobroma spp. L. (cacau jacaré: Herrania mariae
(Mart.) Decne. ex Goudot )]
Além do famosíssimo cacau e do valorizado cupuaçu, na Amazônia,
existem mais 5 espécies desse mesmo grupo que merecem atenção.
Os frutos de todas as espécies crescem ou no tronco ou nos galhos principais
das árvores; têm 5 fileiras de sementes juntas a um eixo central envolvidas
em uma polpa saborosa. As sementes assadas de algumas dessas espécies
rendem chocolate ou, no caso de T. bicolor, tira-gosto.
É um gênero de aproximadamente 20 espécies de árvores do subbosque. A polpa dos frutos é usada para fazer refrescos, balas, picolés,
sorvetes, geléias e outros produtos.3
Espécie
Fruto
Ocorrência
Árvore / Frutificação
cacau
T. cacao L.
variável em tamanho, com 10
sulcos. Possui de 40 a 60 sementes
que podem ser assadas para fazer
chocolate caseiro. Da polpa faz-se
um refresco delicioso
amplamente cultivada na América
tropical, mas também ocorre
espontaneamente no sub-bosque
de florestas de terra firme
10 a 12 m de altura /
várias épocas do ano,
depende da região
cacau jacaré
Herrania (Theobroma)
mariae (Mart.) Decne.
com 10 costas longitudinais e com
estrias fibrosas entre as costas;
quando o fruto está maduro, a
casca é coberta por pêlos irritantes.
Contém de 30 a 40 sementes
arvoreta do sub-bosque em
florestas de terra firme, nunca
abundante, e amplamente
distribuída na Amazônia
arbusto ou árvore fina,
normalmente sem
ramificação; máximo
10 m de altura /
esporádica
cacau de macaco,
cacaurana, cabeça de urubu
T. obovatum Klotzsch ex
Bernoulli
5 a 7 cm por 3 a 4 cm; a casca é
verrucosa
restrita às matas de terra firme da
Amazônia Ocidental
até 15 m de altura /
entre outubro e junho
ovóide-oblongo, até 12 cm de
comprimento; amarelo-esverdeado
rara em florestas de terra firme,
ocorre na Amazônia Ocidental,
inclusive na Colômbia (Caquetá),
disjunto no rio Tapajós e cultivada
em Belém e em Trinidad e Tobago
até 18 m de altura /
várias épocas do ano
aproximadamente 10 cm por 7 a 8
cm; a casca é lisa, levemente
aveludada e dura. Uma polpa
branca envolve as 20 a 26
sementes. Ocasionalmente
prepara-se chocolate das
sementes
normalmente de terra firme, às
vezes, encontrada em matas
secundárias mas nunca
abundante. Amplamente
distribuída na Amazônia com a
exceção da parte nordeste da
região
7 a 15 m de altura /
setembro a novembro
na maioria da região
pesa até 1,5 kg; a casca é lisa,
verde e coberta de pêlos marrons;
as 20 a 50 sementes são envoltas
por uma polpa creme. Além dos
demais produtos, a polpa é
misturada com castanha-do-brasil
e coco para fazer o “salame de
cupuaçu” do Pará
nativa do sul do Pará e oeste do
Maranhão, mas amplamente
cultivada na Amazônia brasileira,
na Venezuela, Equador, Costa Rica
e Colômbia
de 4 a 10 m de altura,
atingindo 18 m /
primeiro semestre do
ano
cacauarana
T. microcarpum Mart.
cacauí
T. speciosum Willd. ex
Spreng.
cupuaçu
T. grandiflorum (Willd. ex
Spreng.) K. Schum.
234
Diversas Outras Espécies
Cajá, cajarana, cajá de jaboti e taperibá (Spondias spp. L. )
O gênero Spondias compreende pelo menos 10 espécies de
frutíferas nas américas tropicais.Todas produzem grandes quantidades
de frutos carnudos, amarelados ou alaranjados. A casca dos frutos é
relativamente fina, a polpa, da mesma cor da casca, é ácida, doce,
cheirosa e agradável. Os frutos caídos são coletados e podem ser
consumidos na mata. No entanto, as pessoas normalmente retiram a
casca e separam a polpa com peneira. Nas comunidades, prepara-se
um refresco; já nas cidades há sorvete de cajá e polpa congelada para
a venda. Algumas famílias ribeirinhas do Acre elaboram um molho de
pimenta com os frutos do cajá-de-jabuti. Na floresta, as espécies nativas
servem como “árvores de espera” porque os frutos caídos atraem vários
animais como porcos do mato, antas e jabutis.
Espécie
Fruto
Ocorrência
Árvore / Frutificação
cajarana, cajá-de-jabuti
S. testudinis J.D. Mitch. &
D.C. Daly
5 cm a 6,5 cm por 2,5 cm a 3
cm; áspero com manchas
elevadas
restrita ao Acre, Huánuco e
Ucayali, no Peru, e Pando, na
Bolívia
atinge 38 m de altura e 65
cm de diâmetro / março a
abril
cajá
S. mombin L. var. mombin
amarelado ou alaranjado; 2 a
4 cm por 1,8 a 2,7 cm
amplamente distribuída na
América tropical e cultivada no
restante dos trópicos. Ocorre em
restingas, no dossel
pelo menos 28 m de altura
e 56 cm de diâmetro; o
tronco pode ter espinhos
quando cresce ao sol /
março
taperibá, taperebá, cajá
S. mombin L. var. globosa
J.D. Mitch. & D.C. Daly
amarelo; 3,5 cm a 4 cm de
diâmetro; menos doce que a
da var. mombin
No dossel, freqüente em áreas
temporariamente inundáveis da
Amazônia Ocidental e Venezuela
40 m de altura e 105 cm de
diâmetro / março e junho
cajarana
S. dulcis Parkinson
amarelado ou alaranjado; 5 a
10 cm por 3 a 8 cm
árvore nativa da Ásia mas
cultivada em todos os trópicos
úmidos
cultivada, atingindo 25 m
de altura / agosto a
setembro
cajá-açu
S. mombin x testudinis
parece ter o maior fruto do
grupo
árvore aparentemente restrita ao
Acre, em mata de terra firme
pode ser um híbrido do
cajá verdadeiro com o cajá
de jabuti / fevereiro
235
Frutíferas e Plantas Úteis na Vida Amazônica
Castanha-de-porco, castanhola ou castaninha (Caryodendron amazonicum Ducke)
A castanha-de-porco serve como “árvore de espera” para caça como
paca e porco do mato. Na Venezuela, é cultivada em escala modesta para o
comércio de sementes comestíveis, que normalmente são assadas.
Frutifica de outubro a novembro e em abril.
A árvore é de médio até grande porte, com 15 a 40 metros de altura.
Cresce em mata de terra firme, muitas vezes em terreno ondulado. É uma
espécie da Amazônia Ocidental, no entanto, também se encontra no rio Jari;
no Acre, está aparentemente restrita à parte oriental do Estado (conhecida,
por enquanto, nos rios Iaco, Macauã e Tarauacá).
O fruto é uma cápsula globosa de aproximadamente 4 centímetros de
comprimento, com 3 lobos e abre em 3 partes. As sementes têm cerca de 3
centímetros de comprimento.
Cocão (Attalea tessmannii Burret)
Cocão é uma palmeira que ocorre agrupada em populações densas. A semente de cocão é usada para
extração de óleo e na elaboração de vários alimentos. Os seringueiros queimam o endocarpo do fruto para
defumar a borracha. Essa espécie merece atenção especial porque é nativa, parece ser abundante onde ocorre
e pelo menos 1 de seus produtos, o óleo, não é imediatamente perecível.
A planta é solitária, robusta e com altura de 8 a 19 metros. Os frutos são marrons com 12 a 13 centímetros
de comprimento por 6 a 7 centímetros de diâmetro. A casca é dura e fibrosa, cobrindo uma camada fina de amido
em cima de um endocarpo lenhoso com 2 a 3 sementes ricas em óleo. Ocorre no sub-bosque ou no dossel em
mata de terra firme. O cocão é nativo no oeste e sudoeste da Amazônia, ocorrendo no Peru e no Acre, na bacia
do alto Juruá.
Envira caju (Onychopetalum periquino (Rusby) D. M. Johnson & N. A.
Murray)
O fruto de envira caju é bastante valorizado pelas comunidades tradicionais que conhecem bem essa
espécie. Falta, no entanto, conhecer melhor algumas características importantes do fruto para avaliar o seu
potencial comercial na região. Por exemplo, os frutos são adstringentes até estarem totalmente maduros. Além
disso, não se conhece a produtividade das árvores.
Envira caju é uma fruta vermelha, globosa, com aproximadamente 4 centímetros de diâmetro e possui
polpa doce. A árvore tem de 8 a 28 metros de altura; é freqüente em matas de terra firme, muitas vezes em
terreno ondulado. A sua distribuição é aparentemente restrita ao Acre e ao Departamento de Madre de Dios, no
Peru. No Acre, parece estar restrita à parte oriental do Estado (desde Tarauacá para o leste). Frutifica em
outubro e novembro.
236
Diversas Outras Espécies
Ingá (Inga spp.Mill.)
Inga é um dos gêneros de árvores mais importantes na Amazônia,
pois além da sua diversidade (aproximadamente 130 espécies na
região), possui características que aumentam seu potencial como
recurso para sistemas agroflorestais, recuperação de áreas degradadas
e comercialização de frutos. O gênero é abundante em vários ambientes
e vários dos ingás ocorrem em florestas secundárias ou em florestas
de várzea. Muitas são árvores pequenas que crescem rapidamente e
mostram alta produtividade. Por serem leguminosas (parentes do feijão),
contribuem para a fertilidade dos solos, que nos trópicos normalmente
são pobres. Tanto o Pará como o Acre abrigam mais de 50 espécies de
Inga.
Os frutos das ingazeiras são pendentes e, dependendo da espécie,
podem medir desde 5 centímetros até mais de 1 metro de comprimento.
Apesar de não abrirem espontaneamente são fáceis de abrir com a mão.
As sementes de algumas espécies são envolvidas em uma polpa
comestível, branca, fofa e doce. Os frutos de algumas espécies são vendidos nos mercados de Belém, Manaus,
Iquitos (Peru) e outras cidades na Amazônia, sendo a maioria colhida na mata. Poucas espécies são cultivadas.
A tabela seguinte resume a distribuição geográfica (nativa) para alguns dos ingás, bem como os ambientes
onde são encontrados.4
Espécie de Ingá
Distribuição
Ambiente
I. alba (Sw.) Willd.
sul do México, América Central e norte da América do Sul
terra firme
I. cayennensis Sagot ex
Benth.
norte da América do Sul até o Peru, também Nordeste do
Brasil
terra firme
I. chartacea Poepp.
sudoeste da Amazônia e sul do Pará
terra firme
I. cinnamomea Spruce ex
Benth.
Amazônia
várzea; cultivada
I. edulis Mart.
norte da América do Sul ao leste dos Andes, Mata
Atlântica
clareiras em terra firme
I. grandis T.D. Penn.
restrita ao sudoeste da Amazônia
terra firme
I. ingoides (Rich.) Willd.
norte da América do Sul, Bolívia, Brasil Central, Mata
Atlântica, Nordeste do Brasil, Antilhas menores
terra firme e várzea
I. macrophylla Humb. &
Bonpl. ex Willd.
Amazônia e costa pacífica do noroeste da América do Sul
florestas secundárias e
perturbadas; cultivada
I. nobilis Willd. var. nobilis.
Amazônia, Guianas, centro e sul da Venezuela, Brasil
Central
várzea
I. stipularis DC.
Amazônia e Guianas
terra firme e margens de rios
I. velutina Willd.
Amazônia
terra firme e várzea
237
Frutíferas e Plantas Úteis na Vida Amazônica
Sapota ou sapota-do-solimões [Matisia cordata Bonpl.] e sapota macho (M.
bicolor Ducke)
Sapota e sapota macho são árvores de grande porte, alcançando 40 metros de altura nas matas de terra
firme. O fruto da sapota é ligeiramente ovóide ou, às vezes, globoso, liso, com 7 a 15 centímetros de comprimento
por 5 a 15 centímetros de diâmetro. O fruto da sapota macho é globoso e menor, rugoso, com até 7 centímetros
de diâmetro. Os frutos de ambas espécies são marrom-amarelados ou alaranjados, com pêlos e casca coriácea
(menos espessa em M. bicolor). A polpa alaranjada, que envolve um endocarpo duro, é um pouco fibrosa e
doce, parecida com a da manga.5
Espécie
Distribuição
Fruto
Sapota
M. cordata Bonpl.
nativa da Amazônia Ocidental e talvez Central, mas também
é amplamente cultivada tanto onde se originou como na
Amazônia peruana, costa pacífica da Colômbia e Equador
e em Belém
as árvores cultivadas são menores,
mas podem produzir 700 a 1.000
frutos por ano. O fruto, maduro no
período de fevereiro a maio, é
vendido nos mercados de Iquitos
tem uma distribuição bem mais restrita, registrada apenas
no canto sudoeste da Amazônia (Acre e Sudeste do Peru) e
disjunta na bacia do rio Xingu.
não é cultivada, mas pode ser
freqüente onde ocorre. Frutifica em
outubro e novembro.
Sapota macho
M. bicolor (Ducke) Cuatrec.
1
2
3
4
5
Pennington, T. D. 1990
Maas, P. J. M.; Westra, L.Y. Th. e colaboradores. 1992
Cuatrecasas, J. 1964
Pennington, T. D. 1997
Cavalcante, P. 1991
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