Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
Rev Port Pneumol. 2014;20(Esp Cong 1):1-23
volume 20 / Especial Congresso 1 / Março 2014
21º CONGRESSO DE PNEUMOLOGIA
DO NORTE
Porto, 13-15 de Março 2014
www.revportpneumol.org
POSTERS
21º Congresso de Pneumologia do Norte
Porto, 13-15 de Março 2014
PO01. O CANTO NA DPOC: UM ESTUDO PILOTO
EM PORTUGAL
C. Pacheco1, A. Costa2, J. Amado3, P. Almeida2
Serviço de Pneumologia, Hospital de Braga. 2Serviço de Medicina
Física e Reabilitação; 3Serviço de Pneumologia, Hospital Pedro
Hispano, Matosinhos.
1
Introdução: Apesar dos programas de reabilitação respiratória
convencional, alguns doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica continuam a sentir a dispneia como principal limitante das
suas tarefas do dia-a-dia. Parece haver alguma evidência de que
os programas de canto possam ser benéficos, especialmente nestes
doentes.
Objectivos: As hipóteses colocadas ao idealizar este trabalho foram
avaliar se as sessões de canto como adjuvantes de um programa de
reabilitação respiratória poderiam aumentar as pressões respiratórias máximas, diminuir a dispneia, aumentar a distância percorrida
na prova de 6 minutos de marcha (P6MM), diminuir o tempo expiratório máximo e melhorar a qualidade de vida (QoL) em doentes
com DPOC estável.
Material e métodos: Os doentes com DPOC foram convidados a
participar em 10 aulas de canto. A resposta a esta intervenção foi
avaliada através de questionários do estado de saúde, medidas de
controlo da respiração e valores espirométricos, um questionário
subjetivo e uma prova de marcha de seis minutos.
Resultados: Oito doentes foram convidados a participar neste estudo mas apenas quatro deles foram incluídos para a análise final
de resultados. Apesar do pequeno número de doentes foi possível
observar que o FEV1 melhorou de 1,15 L (45%) para 1,21 L (47%) em
um doente, permaneceu igual em dois doentes (33 e 34%) e piorou
noutro (54% a 51%). A pressão expiratória máxima (MEP) também
melhorou em três dos quatro doentes. Quando analisamos os resultados para a prova de 6 minutos de marcha (P6MM) notamos
um aumento na distância média percorrida por dois doentes (60
metros para um e 99 metros para outro) e uma diminuição para os
outros dois. Só um dos doentes apresentou saturações periféricas
de oxigénio no final da P6MM abaixo de 90%, quando este exame foi
realizado no final das sessões de canto (anteriormente existiam 3
doentes com dessaturação durante este esforço). O tempo expira-
tório diminuiu em todos os doentes testados. Os doentes relataram
melhoria do controle ventilatório, redução da ansiedade e melhor
auto-estima após as sessões de canto. Além disso, os doentes referiram uma sensação de bem-estar e registaram a experiência como
muito agradável.
Conclusões: Este estudo sugere que o canto produz benefícios específicos e que a participação em aulas de canto, onde estas se
encontram disponíveis, deve ser incentivada.
Palavras-chave: Canto. Reabilitação respiratória. Doença pulmonar obstrutiva crónica.
PO02. PROVA DE EXERCÍCIO CARDIORRESPIRATÓRIA
E RISCO DE EXACERBAÇÕES NA DOENÇA PULMONAR
OBSTRUTIVA CRÓNICA
J.F. Cruz1, R. Lima2, C. Martins2, R.C. Sá2, M. Guimarães2
Serviço de Pneumologia, Hospital de Braga. 2Laboratório de
Exploração Funcional Respiratória, Serviço de Pneumologia,
Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.
1
Introdução: A prova de exercício cardiorrespiratória (PECR) tem
tido um papel crescente na avaliação funcional e prognóstica de
doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). A utilidade deste exame na predição do risco de exacerbações tem sido
pouco estudada.
Objectivos: Avaliação de parâmetros da PECR potencialmente preditores do risco de exacerbações na DPOC.
Material e métodos: Estudo retrospetivo de doentes com diagnóstico de DPOC que, num período de 2 anos (2010 a 2011), realizaram
uma PECR utilizando um protocolo incremental máximo. Revisão
dos processos clínicos com registo das exacerbações ocorridas no 1º
ano após a realização da PECR. Os seguintes parâmetros obtidos durante o esforço foram incluídos numa análise estatística: consumo
de oxigénio (VO­2), carga, frequência cardíaca máxima (FCmax), reserva cardíaca, pulso de oxigénio, limiar de anaerobiose (LA), ventilação minuto máxima (VEmax), reserva respiratória, equivalente
de dióxido de carbono (VE/CO2), saturação de oxigénio, pressão
arterial e alterações electrocardiográficas.
0873-2159/$ - see front matter © 2014 Publicado por Elsevier España, S.L. en nome da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.
Todos os direitos reservados.
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
2
Resultados: Foram incluídos 79 doentes com idade média de 61,1
anos, 78,3% do sexo masculino, 43,6% com DPOC moderada e 26,9%
com DPOC grave ou muito grave. O VO2 médio foi de 74,3 ± 14,6%,
sendo que 51,9% dos doentes apresentavam limitação ligeira da capacidade de exercício e 15,2% limitação moderada a grave. Não foi
possível determinar o LA em 25,3% dos casos. Nenhum parâmetro
da PECR se associou de forma estatisticamente significativa com o
aumento do risco de exacerbações na DPOC.
Conclusões: Nesta amostra, a realização da PCER não permitiu
identificar nenhum parâmetro preditor do aumento do risco de
exacerbações em doentes com DPOC.
Palavras-chave: Doença pulmonar obstrutiva crónica. Exacerbações. Prova de exercício cardiorrespiratória.
PO03. AVALIAÇÃO FUNCIONAL RESPIRATÓRIA
DE SOBREVIVENTES A SÍNDROME DE DISFUNÇÃO
RESPIRATÓRIA AGUDA SEVERO
A. Vale, A. Loureiro, B. Conde, I. Ferradosa, L. Gonçalves,
F. Esteves, A. Afonso
Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Introdução: O Síndrome de Disfunção Respiratória Aguda (ARDS) é
uma patologia inflamatória aguda, extensa e com elevada taxa de
mortalidade, que condiciona múltiplas alterações estruturais sequelares e atingimento funcional diversificado nos sobreviventes.
Objectivos: Avaliação funcional respiratória de sobreviventes a
ARDS severo.
Material e métodos: Estudo prospetivo, resultante de um protocolo
de seguimento dos pacientes com diagnóstico de ARDS, que incluiu
sobreviventes a ARDS severo, segundo classificação de Berlim, internados no Serviço de Cuidados Intensivos do CHTMAD entre Dezembro de 2010 e Dezembro de 2012. Foi realizada avaliação funcional respiratória entre os 9 e os 12 meses após a alta hospitalar,
que consistia em determinação dos volumes pulmonares estáticos e
débitos, capacidade de difusão do monóxido de carbono (DLOC) e
prova de marcha de 6 minutos (PM6M). Definiram-se como critérios
de exclusão deste estudo o diagnóstico prévio de doença pulmonar
crónica e história de tabagismo.
Resultados: Foram incluídos 15 pacientes, 11 do sexo masculino. A
idade média foi de 55 ± 17 anos. As comorbilidades mais frequentes
foram a obesidade (n = 4), doença psiquiátrica (n = 4) e a hipertensão arterial (n = 4), Todos os doentes foram admitidos em Unidade
de Cuidados Intensivos e ventilados invasivamente por insuficiência
respiratória aguda. O índice de gravidade APACHE II foi de 23 ±
9 e o SAPS II de 49 ± 11. Em 13 doentes optou -se por ventilação
controlada por volume, nos restantes controlada por pressão. O
tempo médio de internamento em ambiente de cuidados intensivos foi de 20 ± 15 dias e o tempo médio de ventilação invasiva
foi de 15 ± 11 dias. Em 10 doentes utilizaram- se corticosteróides
sistémicos. A avaliação funcional respiratória foi realizada aos 9 ±
1 mês após a alta hospitalar. Dos 15 pacientes avaliados, 10 (66,7%)
apresentaram alterações funcionais respiratórias. O estudo da mecânica ventilatória identificou 5 pacientes com alteração ventilatória obstrutiva e 1 com alteração ventilatória restritiva. A DLOC
encontrava-se diminuída em 5 doentes. Um doente apresentava hipoxemia em repouso, e a PaO2 média encontrada foi 77 ± 11 mmHg.
Nenhum doente apresentava hipercapnia. Foram realizadas PM6M
a 11 doentes e foi possível identificar dessaturação com o exercício
em 5 doentes, um deles com DLOC normal.
Conclusões: Este estudo demonstra que o compromisso funcional
respiratório dos doentes sobreviventes a ARDS severo é frequente,
variado e pode persistir por períodos longos após a alta hospitalar.
Apenas um terço dos pacientes apresenta avaliação funcional respiratória normal cerca de 1 ano após a alta hospitalar.
Palavras-chave: ARDS. Sobreviventes. Função respiratória.
21º Congresso de Pneumologia do Norte
PO04. AVALIAÇÃO DA PRESERVAÇÃO DA CAPACIDADE
DE EXERCÍCIO EM DOENTES CANDIDATOS A TRANSPLANTE
PULMONAR EM PROGRAMA DE REABILITAÇÃO
L. Meira, C. Damas, M. Vaz, M. Redondo, P. Martins, L. Gaspar,
E. Eusébio, I. Gomes
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar S. João.
Introdução: Os doentes candidatos a transplante pulmonar (TP)
caracteristicamente têm doença avançada e perda marcada da capacidade funcional respiratória, encontrando-se, pela escassez de
órgãos, em lista de espera por vários meses ou anos.
Objectivos: Avaliação da manutenção da capacidade de exercício
durante o tempo de espera para TP em doentes em programa de
reabilitação pulmonar (PRP).
Material e métodos: Avaliação retrospetiva de doentes candidatos
a TP submetidos a PRP e com registo de prova de marcha (PM) no
início, na segunda avaliação e na última consulta imediatamente
antes da chamada para transplante ou da análise em questão.
Resultados: De um total de 54 indivíduos foram revistos 27 doentes
com idade mediana de 52 anos, 17 do sexo masculino. O valor mediano do VEMS% inicial era de 31,9% e o do índice de massa corporal
de 24,2. Os doentes apresentavam pneumoconiose (n = 7), DPOC
(n = 6), pneumonite de hipersensibilidade (n = 4), bronquiectasias
(n = 3), patologia do interstício pulmonar (n = 3), linfangioleiomiomatose (n = 2), fibrose quística (n = 1), S. Sjogren (n = 1). O
tempo mediano de PRP até à segunda avaliação foi de 12 semanas. Dezanove doentes foram transplantados e a duração mediana
de PRP até transplante/avaliação foi de 47 semanas. Os doentes
fizeram exercício em cicloergómetro (quando possível com prova
cardiopulmonar prévia) e treino de força dos membros superiores e
inferiores, complementado por ensino de manobras de mobilização
de secreções nos doentes com expetoração. O valor mediano da PM
no início foi de 400 m e manteve-se constante na segunda avaliação
(400 m) e na última consulta (400 m) antes do transplante pulmonar/avaliação. Considerando apenas o grupo de doentes com menor
capacidade de exercício inicial (PM ≤ 300 m), verificou-se uma melhoria do valor mediano da PM na segunda avaliação (de 187,5 m no
início para 237,5 m) que foi ainda mais elevado na última avaliação
(325 m), neste caso com diferença estatisticamente significativa
em relação ao valor inicial (p = 0,036). A variação do valor da PM
entre o início e a segunda avaliação foi significativamente diferente
entre este grupo de doentes e os demais (p = 0,019).
Conclusões: O valor relativamente elevado da PM inicial pode
dever-se ao facto de se tratar de um grupo de indivíduos relativamente jovem, sendo a melhoria na capacidade de exercício mais
óbvia naqueles com menor distância de PM inicial. Entre outros benefícios, a manutenção dos doentes candidatos a TP em PRP pode
contribuir para a preservação da capacidade de exercício durante
o período de espera, que pode ser longo.
Palavras-chave: Reabilitação pulmonar. Transplante pulmonar.
PO05. TOSSE ASSISTIDA POR INSUFLAÇÃO – EXSUFLAÇÃO
MECÂNICA EM DOENTES NEUROMUSCULARES:
QUAL A COMBINAÇÃO DE PRESSÕES IDEAL?
M.L. Soares1, M.R. Gonçalves2, N. Gazola3, J.R. Bach4
Centro de Atendimento, Associação Portuguesa de Doenças
Neuromusculares. 2Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar
de São João. Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
3
Hospital Universitário do Estado de Santa Catarina, Brasil.
4
Pm&R Department, New Jersey Medical School, Rutgers
University, USA.
1
Introdução: Vários estudos têm demonstrado a eficácia do uso da
insuflação-exsuflação mecânica (I-EM) na remoção de secreções
brônquicas. A evidência suporta que a combinação de pressões de
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
21º Congresso de Pneumologia do Norte
3
40/-40cmH2O é a mais eficaz em doentes neuromusculares (DNM)
que apresentam um pico fluxo de tosse (PFT) < 270 L/min. Recentemente surgiu no mercado um novo dispositivo de I-EM, que apresenta como atualizações tecnológicas, entre outras, a possibilidade de
pressões mais elevadas, diferentes combinações e a monitorização
dos PFT gerados. Tal avanço tecnológico pode permitir uma maior
flexibilidade terapêutica desta técnica, nomeadamente em DNM
com disfunção da musculatura bulbar.
Objectivos: Avaliar os valores de PFT (com e sem assistência manual) gerados por diferentes combinações de pressões de insuflação-exsuflação em DNM.
Material e métodos: Pacientes com patologia neuromuscular e um
PFT < 270 L/min realizaram sessões (com e sem tosse voluntária)
de I-EM (CoughAssist E70TM, Philips-Respironics International Inc.,
Murrysville, Pa) com combinações entre ± 30 e ± 70 cmH2O (com variação máxima de ± 20 cmH2O). Foi avaliada a eficácia da compressão abdominal em complemento á combinação de I-EM que gerou
um PFT mais elevado. Os dados foram avaliados de acordo com a
função bulbar (FB) e a presença de traqueostomia.
Resultados: Foram incluídos 27 DNM (10 mulheres), com uma média
de idade de 58,85 ± 18,4 anos, capacidade vital média de 903,5 ±
563,5 ml e PFT voluntário médio de 114 ± 92 L/min. 16 doentes
(59,3%) tinham FB normal, 4 (14,8%) tinham FB moderada, 2 (7,4%)
tinham disfunção bulbar severa e 5 (18,5%) estavam traqueostomizados. Os dados referentes aos valores de PFT gerados pela melhor
combinação de I-EM de acordo com a função bulbar estão descritos
na tabela. Todas as combinações de pressões foram bem toleradas
pelos doentes incluídos, sem quaisquer efeitos secundários.
Conclusões: Os resultados deste estudo sugerem que a tosse assistida com I-EM aumenta significativamente o PFT em doentes neuromusculares. Combinações de pressões acima dos ± 40 cmH2O produzem PFT mais elevados, sendo a combinação de ± 70 cmH2O mais
eficaz em doentes traqueostomizados. A eficácia da tosse voluntária
e da compressão abdominal durante a exsuflação, está dependente
da integridade da função bulbar.
Palavras-chave: Tosse assistida. Doenças neuromusculares. Pico
fluxo de tosse.
PO06. PERFIL MICROBIOLÓGICO DE DOENTES COM
BRONQUIECTASIAS INTERNADOS POR EXACERBAÇÃO
AGUDA
D.C. Silva Vaz, D. Coutinho, M.J. Pereira, M. Dias, M. Vanzeller,
M.C. Brito, T. Shiang
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/
Espinho.
Introdução: As exacerbações agudas em pacientes com bronquiectasias são frequentemente devidas a agentes infeciosos, contribuindo significativamente para a morbi-mortalidade.
Objectivos: Caracterização de isolamentos microbiológicos durante exacerbações agudas em doentes com bronquiectasias. Efetuar
subanálise do grupo de pacientes com isolamento de agentes multirresistentes (MR).
Material e métodos: Análise retrospetiva dos internamentos por
exacerbações agudas em pacientes com bronquiectasias durante o
período compreendido entre 2009 e 2013.
Resultados: A população incluiu 76 pacientes (78,9% do sexo masculino, idade 63,8 ± 14 anos) A etiologia mais prevalente para bronquiectasias foi a tuberculose pulmonar (41,9%) e a duração média
da doença foi de 11,6 ± 6,4 anos. A comorbidade mais frequente
foi a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC 72,3%). O isolado mais prevalente foi a Pseudomonas aeruginosa (38,7%), seguida
pelo Haemophilus Influenza (25,8%). Entre os agentes multirresistentes (MR), a Pseudomonas aeruginosa foi o isolado mais frequente(40%). 20 doentes tiveram um agente MR identificado na expetoração; este subgrupo distinguia-se nas seguintes variáveis: maior
duração da doença (29,17 ± 16,8 vs 8,29 ± 4 anos, p < 0,001), menor
FEV1 (33,9 ± 10 vs 38, 7 ± 14%, p < 0,04 ), maior número de internamentos anteriores (6 ± 4 vs 3 ± 2, p = 0,008 ) e maior duração de
internamento (17,32 ± 12 vs 10 ± 6 dias, p < 0,001).
Conclusões: A Pseudomonas aeruginosa foi o isolado mais prevalente, o que vem de acordo com dados publicados que mostram que é
uma causa importante de exacerbações e morbimortalidade nesta
população. Em 26,3% dos pacientes foi isolado um agente MR durante a exacerbação aguda; estes doentes apresentavam bronquiectasias diagnosticadas numa idade mais precoce, maior compromisso
funcional, exacerbações mais frequentes e mais prolongadas. Estes
resultados sublinham a importância de suspeitar da presença de
agentes MR em doentes com maior duração e severidade da doença
pulmonar estrutural, e com história prévia de internamentos frequentes. Salienta-se também a importância de uma abordagem terapêutica que procure evitar o aparecimento de estirpes MR.
Palavras-chave: Bronquiectasias.
PO07. ABCESSOS PULMONARES – CASUÍSTICA
DE UM SERVIÇO DE PNEUMOLOGIA
D. Apolinário, A. Vale, L. Ribeiro, A.I. Loureiro, A. Afonso
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e
Alto Douro.
Introdução: Os abcessos pulmonares (AP) são coleções de tecido
necrosado e supurativo localizadas no parênquima pulmonar, de
etiologia infeciosa. Surgem em indivíduos predispostos, nomeadamente aqueles com maior risco de aspiração. A relativa baixa
prevalência e resistência crescente aos antimicrobianos levantam
problemas diagnósticos e terapêuticos.
Objectivos: Estudo das características clínicas, microbiológicas,
tratamento e complicações dos doentes com AP internados num
serviço de Pneumologia.
Material e métodos: Análise retrospetiva dos processos clínicos dos
doentes internados com AP, de 2000 a 2013. Foram excluídos os casos de pneumonias necrotizantes, neoplasias cavitadas, tuberculose
ou cavitações secundárias a enfarte pulmonar. A análise estatística
foi efetuada no SPSS.
Resultados: Foram avaliados 30 doentes, 83,3% homens, com idade
média de 56 ± 15,7 anos. Os AP foram classificados em 80% dos
Tabela P005
Melhor combinação
de pressões (cmH2O)
% Que melhorou com
tosse voluntária
% Que melhorou com
compressão abdominal
Melhor PFT
gerado (l/min)
FB Normal
FB moderada Disfunção bulbar severa Traqueostomia +60/-60
± 40 e ± 60
+50/-60
+70/-70
75
100
0
---
66,2 0
0
20
179,2 ± 41,6*
151,25 ± 35,6*
181 ± 45,2*
199,6 ± 27*
FB - Função Bulbar; PFT - Pico Fluxo de Tosse. *p < 0,05.
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
4
casos como agudos (duração inferior a 6 semanas) e 20% crónicos.
Em 66,7% dos casos corresponderam a AP primários e 33,3% secundários. O principal fator de risco para AP primários foi o alcoolismo (73,3%) e para os AP secundários a imunodeficiência (23,3%)
e neoplasia (6,7%). Existiam comorbilidades em 22 doentes, mais
frequentemente respiratórias (26,7%). A mediana da duração dos
sintomas pré- hospitalização foi 14,5 dias e os sintomas/sinais mais
frequentes foram tosse produtiva (76,7%) e febre (73,3%). Os AP localizaram-se principalmente à direita (63,3%). Houve identificação
de agente microbiano em 9 casos, sendo apenas um anaeróbio. A
broncofibroscopia foi realizada em 63,3% dos casos. A média do
tempo global de antibioterapia foi 31 ± 10,8 dias, foram utilizados
19 esquemas de primeira linha tendo havido posterior alteração
em 16 casos. Foi realizada cinesiterapia respiratória em 26,7% dos
doentes e 3 necessitaram de cirurgia. Ocorreram complicações em
8 doentes (as mais frequentes o empiema e sépsis grave), com 3
óbitos. A duração média do internamento foi de 23 ± 11,6 dias.
Conclusões: Tal como descrito na literatura, verificamos tratar-se
de uma doença pouco frequente com franco predomínio no género
masculino e manifestações clínicas inespecíficas. O modo de apresentação foi maioritariamente agudo e predominaram os AP primários. Houve isolamento microbiano numa minoria dos casos e principalmente aeróbios, contrariamente ao classicamente descrito. O
tratamento foi essencialmente médico com uma grande variedade
de esquemas antimicrobianos. As taxas de complicações e de mortalidade foram similares ao apresentado em outros estudos.
Palavras-chave: Abcesso pulmonar. Pneumonia de aspiração.
PO08. INFECÇÕES RESPIRATÓRIAS POR
STAPHYLOCOCCUS AUREUS RESISTENTES
À METICILINA (MRSA)
L. Nascimento, L. Ribeiro, A. Fernandes, A. Afonso
CHTMAD, Vila Real.
Introdução: O Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA)
é uma causa importante de infecções a nível hospitalar e da comunidade. A prevalência média de infecção por MRSA a nível europeu
é de 17,8% apresentando, no entanto, variações significativas entre
os seus países constituintes sendo que Portugal apresenta a 2ª taxa
mais elevada da Europa. Além disso, e ao contrário da tendência
europeia, Portugal tem visto a sua prevalência aumentar de 31,9%
em 2001 para 53,8% em 2012.
Objectivos: Caracterização da população de doentes internados
por infecção respiratória com isolamento de MRSA na Unidade de
Isolamento de Doenças Infecciosas (UIDI) do Hospital de Vila Real,
identificação de factores de risco associados e determinação da
mortalidade intra-hospitalar.
Material e métodos: Estudo retrospectivo, baseado na análise dos
processos clínicos dos doentes internados por infecção respiratória
por MRSA, na UIDI do Hospital de Vila Real entre Abril de 2011 e
Dezembro de 2012.
Resultados: Foram identificados 162 episódios de internamento
por infecção respiratória com isolamento de MRSA dos quais 34,6%
(n 56) eram do sexo feminino e 65,4% (n 106) do sexo masculino,
apresentando idades médias de 81,70 (± 9,612) e 77,88 (± 12,349)
anos, respectivamente. A duração média do internamento foi de
32,06 dias (± 26,878), sendo superior nos doentes do sexo masculino (34,93 vs 26,61 dias). Verificou-se que 51,2% (n 83) dos doentes
tinha um ou mais internamentos nos últimos 6 meses e que 59,3% (n
96) tinham sido medicados com antibiótico no último ano. Destes,
a 40,1% (n 65) tinha sido prescrito até dois antibióticos e 18,5% (n
30) realizaram três ou mais antibióticos no último ano. Realizaram
controlo bacteriológico da expectoração após o tratamento 54,3%
(n 88) dos doentes dos quais 30,7% (n 27) mantinham isolamento de
MRSA. Dos 162 doentes, 80,6% (n 131) apresentavam dependência
parcial ou total para as actividades da vida diária, 98,8% (n 160)
21º Congresso de Pneumologia do Norte
tinham catéter periférico, 29,6% (n 48) tinham úlceras de decúbito
e 68,5% (n 111) foram algaliados. A taxa de mortalidade hospitalar
foi de 30,2% (n 49), sendo de 30,4% (n 17) no sexo feminino e 30,2%
(n 32) no sexo masculino.
Conclusões: No estudo realizado verificou-se que a maioria dos
doentes teve contacto recente com os cuidados de saúde bem como
tinha realizado antibioterapia no último ano. A população estudada
era maioritariamente idosa, do sexo masculino, com algum grau de
dependência e com úlceras de decúbitos. A taxa de mortalidade foi
de 30,2% (n 49).
Palavras-chave: Infecções respiratórias. MRSA. Factores de risco.
Mortalidade.
PO09. A INFEÇÃO VIH EM CUIDADOS INTENSIVOS:
A IMPORTÂNCIA DA PATOLOGIA RESPIRATÓRIA
R. Marçôa, C. Nogueira, R. Linhas, A.L. Barbosa, M. Guimarães,
P. Castelões
Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.
Introdução: A introdução da terapêutica anti-retrovírica (TARV) aumentou a sobrevida dos doentes com infeção VIH (VIH+) e diminuiu
a incidência de doenças definidoras de SIDA. Porém, complicações
infeciosas e não infeciosas com necessidade de tratamento médico
intensivo continuam a ocorrer.
Objectivos: Caracterizar os doentes VIH+ admitidos na Unidade
de Cuidados Intensivos (UCI) do Centro Hospitalar de Vila Nova
de Gaia/Espinho e avaliar os principais motivos de internamento,
sobretudo os que condicionaram insuficiência respiratória aguda
(IRA).
Material e métodos: Realizou-se um estudo observacional retrospetivo consultando o processo clínico. Incluíram-se os doentes VIH+
internados na UCI de Janeiro/2005- Dezembro/2013. Registaram-se
dados demográficos, comorbilidades, estadio VIH, presença/ausência de TARV, estado à alta, motivos de internamento e, naqueles
admitidos por IRA, as etiologias responsáveis.
Resultados: Foram incluídos 22 doentes: 95,5% sexo masculino, idade média 43 anos (± 11), 27% provenientes do serviço de urgência,
13% do pós-operatório e 60% de outros internamentos. O diagnóstico VIH+ foi efetuado no internamento na UCI em 36% dos casos.
A média de anos de evolução da doença foi 2,7 anos (± 4,6); 50%
dos doentes encontravam-se sob TARV, mediana de CD4+154 cél/
mm3, 59% em estadio C. Quanto à gravidade da doença à admissão,
a pontuação SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) média foi
10,11 (± 3,5); SAPS II (Simplified Acute Physiology Score) 51,00 (±
31) e APACHE II (Acute Physiology and Chronic Health Evaluation)
28,67 (± 9,6) O tempo médio de internamento foi de 7,8 dias. À
admissão 82% dos doentes apresentavam IRA (N = 18). Em 78% dos
casos o diagnóstico responsável pela IRA foi a pneumonia: 9 pneumonia adquirida na comunidade (8 sem isolamento de agente, 1
Legionella pneumophila), 2 nosocomiais, 3 Pneumocystis jirovecci.
Foram submetidos a ventilação mecânica invasiva 91% dos doentes.
À data de alta faleceram 16 doentes (73%), dos quais 10 tinham sido
admitidos por IRA. Os falecidos apresentavam maior pontuação média nos índices SOFA e SAPSII em relação aos sobreviventes (11,85
versus 6,33; p < 0,005 e 69,25 versus 36,40; p > 0,4 ) e mais casos
de sépsis grave (62,5% versus 50%).
Conclusões: A IRA foi o principal motivo de admissão e a pneumonia
constituiu a sua etiologia mais frequente. Apesar da investigação
exaustiva, em 57% dos doentes VIH+ não foi isolado qualquer agente. Os microrganismos oportunistas devem ser sempre pesquisados.
A sobrevida foi inferior à reportada noutros estudos, o que provavelmente se deveu às pontuações APACHE II, SOFA e prevalência de
sépsis grave/choque séptico mais elevadas neste trabalho.
Palavras-chave: Infeção VIH. Cuidados Intensivos. Patologia
respiratória.
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
21º Congresso de Pneumologia do Norte
PO10. CASO RARO DE DERRAME PLEURAL –
TOXOCARIASIS
P. Matos, C. Cruz, P. Ferreira, F. Gamboa
Serviço de Pneumologia, CHUC-HUC.
Introdução: Os derrames pleurais (DP) eosinofilicos correspondem a
cerca de 5 a 16% da totalidade dos derrames e em cerca de 1/3 destes a etiologia permanece obscura. Praticamente todas as causas de
DP podem cursar com eosinofilia no líquido, embora as mais comuns
sejam as malignas, infecciosas e pós traumatismo torácico. A infecção
por larvas dos nematodes Toxara canis ou Toxara gati, habitualmente
através das fezes dos animais, pode levar à migração destas para vários órgãos ou sistemas, estando o respiratório frequentemente envolvido. O contacto com as larvas é frequente na nossa população, apesar
do diagnóstico de Larva Migrans Visceral (LMV) ser raro. Descrevemos
um caso de DP recidivante secundário a esta etiologia.
Caso clínico: Mulher de 85 anos, não fumadora, reformada de agricultora, com antecedentes de Insuficiência cardíaca, prótese valvular
aórtica mecânica, neoplasia do endométrio tratada há 10 anos e patologia tiroideia crónica. Recorre ao Serviço de Urgência por agravamento da dispneia de esforço, ortopneia e trepopneia. Sem queixas
constitucionais como febre ou perda de peso. Radiografia torácica com
DP à direita volumoso e livre, drenado por toracocenteses evacuadoras
seriadas com cerca de 2.200 cc de líquido sero-fibrinoso e com critérios bioquímicos de exsudato não complicado, de celularidade de 700
cc/mL e eosinofilia de 15%. A microbiologia e micobacteriologia foi
negativa, ADA baixo e citologia negativa para malignidade. A biópsia
pleural mostrou pleurite inespecífica. Foi ainda realizada Angio-TC que
excluiu patologia trombo-embólica. Por recorrência do DP, cerca de 1
mês depois foi realizada toracoscopia médica que apenas demonstrou
pleura parietal com sinais inflamatórios e aderências. Posteriormente,
os resultados serológicos enviados para o Instituto Ricardo Jorge positivaram para LMV. Foi iniciado tratamento com mebendazol 200mg,
sem recorrência do quadro clínico.
Discussão: O DP eosinofilico é sempre um desafio etiológico dada a
pluralidade de patologias causadoras. A infecção pleural por larvas
de parasitas de animais domésticos é rara, mas poderá ser uma
patologia subdiagnosticada dada a frequência elevada do contacto
com estes seres na nossa população. O diagnóstico acertivo de LMV
obriga à identificação histológica dos parasitas, ainda que tal não
seja possível na grande maioria dos casos. No entanto, as serologias
apresentam alta sensibilidade e especificidade (> 90% e 95% respectivamente), pelo que deverão ser pedidas no estudo complementar
de DP eosinofílicos, já que esta patologia apresenta tratamento
efectivo e bom prognóstico.
Palavras-chave: Toxocariosis. Derrame pleural. Larva migrans
visceral.
PO11. END-STAGE SILICOSIS & LUNG TRANSPLANTATION:
A WAY FORWARD
M. Torres Redondo, M. Vaz, C. Damas
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de São João.
Introduction: Lung transplantation is the only available therapeutic
treatment for selected patients with end-stage lung disease. Endstage silicosis is one of the indications for lung transplantation and
there’s few data concerning this topic.
Objective: To investigate the selection of recipients, operative technique, and follow-up of lung transplantation for silicosis.
Material and methods: We retrospectively analyzed data for six
consecutive patients with silicosis between 2008 and 2013, who
underwent lung transplantation, from outpatient respiratory clinic
at the Centro Hospitalar São João. Silicosis was defined as chest
radiograph with an International Labour Office classification of ≥
1/0 in a worker with a history of silica dust exposure.
5
Results: Six males underwent lung transplantation for silicosis, with
a mean age of 55.5 ± 6.9 years old. Of the 6 patients, 3 subjects
worked in exploration wells (50%). The mean pulmonary artery
pressure was 61 mmHg, NYHA III or IV. The mean of time between
the first observation and lung transplant was 18.5 months. All patients underwent single lung transplantation (4 patients underwent
left lung transplantation). There was no perioperative mortality,
although two patients developed primary graft dysfunction after
transplant. During follow-up, two recipients had Cytomegalovirus
infection. All recipients are alive with a mean follow-up time of
32.8 ± 17.2 months,with a good quality of life and improved lung
function.
Conclusions: Lung transplantation is a viable option in selected
patients with end-stage silicosis, with good results in what concerns
to quality of life and survival.
Key words: Silicosis. Lung Transplantation.
PO12. ESTUDO DE GENES CANDIDATOS DE EXPRESSÃO
FENOTÍPICA NA FIBROSE PULMONAR IDIOPÁTICA
P. Caetano Mota1,2, A.C. Ferreira2,3, C.D. Vasconcelos2,3,
M. Luz Soares2,3, N. Melo1, J.M. Pereira4, C. Souto Moura5,
A. Morais1,2, J.A. Marques1,2
Serviço de Pneumologia; 4Serviço de Radiologia; 5Serviço de
Anatomia Patológica, Centro Hospitalar de São João, EPE, Porto.
2
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. 3Laboratório de
Apoio à Investigação em Medicina Molecular, Departamento de
Biologia Experimental.
1
Introdução: A etiopatogenia da fibrose pulmonar idiopática (FPI) é
provavelmente determinada pela interação entre eventos despoletantes de natureza celular ou ambiental e múltiplos fatores genéticos, portanto de susceptibilidade, para a doença. A identificação
dos mesmos será crucial para o diagnóstico precoce, prognóstico
rigoroso e investigação de novos alvos terapêuticos.
Objectivos: Identificação de variantes genéticas moduladoras da
FPI na população portuguesa.
Material e métodos: Foram incluídos 30 doentes com diagnóstico de
FPI, efetuado de acordo com as normas ATS/ERS/JRS/ALAT, seguidos em consulta de Doenças Pulmonares Difusas e 36 controlos sem
doença pulmonar. Analisou-se a distribuição alélica e genotípica de
um total de 8 polimorfismos (single nucleotide polymorphisms, SNPs)
em regiões genómicas não codificantes de 5 genes candidatos: PLAU
(Urokinase-type plasminogen activator), BMPR1A (Bone morphogenetic protein receptor type- 1A), SERPINB1 (Leukocyte elastase inhibitor), SFTPA1 (Surfactant protein A1) e MUC5B (Mucin 5B).
Resultados: Não se verificou qualquer associação entre as variantes
analisadas nas regiões candidatas dos genes PLAU, BMPR1A, SERPINB1 e SFTPA1 e a doença. Na região promotora do gene MUC5B, a
análise do polimorfismo rs35705950, localizado 3 kb a montante do
local de início da transcrição, revelou uma forte associação do alelo
variante (T) com a FPI. A frequência deste alelo é de 46% entre os
indivíduos com FPI e de 17% nos indivíduos controlo (associação
alélica com FPI, P = 1,5 × 10-5). O odds ratio para a doença entre os
indivíduos que são heterozigóticos e os que são homozigóticos para
o alelo variante deste SNP é de 5,7 (intervalo de confiança [IC] de
95%, 1,8-18,1) e 17,9 (IC95%, 1,8-179,1), respetivamente.
Conclusões: O polimorfismo rs35705950 no promotor do gene MUC5B está associado com a FPI nesta amostra da população portuguesa. Este estudo piloto corrobora a associação descrita em doentes
norte-americanos com FPI e indica que o alelo variante representa
um fator de suscetibilidade que, em conjugação com eventos de
natureza ambiental e/ou fisiológica, contribui para o desenvolvimento da patologia em doentes portugueses.
Palavras-chave: Fibrose pulmonar idiopática. SNPs. Genes moduladores. MUC5B.
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
6
PO13. DOENÇAS PULMONARES INTERSTICIAIS NÃO
CLASSIFICÁVEIS – REALIDADE DE UMA CONSULTA
I. Franco1, S. Campainha1, F. Costa2, A. Sanches3, M.C. Brito1,
S. Torres1, S. Neves1
Serviço de Pneumologia; 2Serviço de Imagiologia; 3Serviço de
Anatomia Patológica, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho.
1
Introdução: Um número significativo de doenças pulmonares intersticiais (DPI) é de difícil classificação apesar da avaliação por
equipas multidisciplinares. A revisão da classificação internacional
das PII da ATS/ERS de 2013 reconhece as DPI inclassificáveis como
uma entidade formal.
Objectivos: Determinar o número de casos de DPI inclassificáveis,
após avaliação em consulta multidisciplinar, em seguimento na
consulta de DPI de um hospital central. Analisar as características demográficas, clínicas e radiológicas, bem como a evolução da
doença, causas de impossibilidade de classificação e diagnósticos
diferenciais realizados.
Material e métodos: Análise retrospetiva dos dados dos doentes com DPI inclassificável seguidos na consulta. Foram incluídos
os doentes com primeira consulta realizada entre 01.04.2008 e
30.11.2013
Resultados: De um total de 272 doentes em follow-up, identificaram-se 22 (8,1%) doentes com DPI inclassificáveis. A idade média
foi 68 anos; a maioria do sexo feminino (68,2%) e não fumadores
(63,6%). Foi observada exposição a fármacos com possível toxicidade pulmonar (amiodarona, estatinas e varfarina) em 54,5% dos
doentes. As alterações radiológicas mais prevalentes foram: reticulação (81,8%), vidro despolido (81,8%), bronquiectasias (63,6%) e
favo de mel (40,9%). A capacidade vital forçada média foi 89,5% +
21,4 e a DLCO foi 64,0% + 20,8. Nove doentes (40,9%) apresentavam
alterações no estudo imunológico (maioritariamente anticorpos
ANCA e ANA). Nos 13 doentes que realizaram lavado broncoalveolar, os achados mais comuns foram: alveolite linfocítica (30,7%) e
alveolite linfocítica e eosinofílica (23%). Dezassete doentes com
seguimento > 1 ano foram classificados de acordo com a evolução
da doença segundo a classificação da ATS/ERS (2013): 2 (11,7%) com
doença reversível com risco de progressão, 6 (35,3%) com doença
estável residual, 4 (23,5%) com doença irreversível e progressiva
com potencial para estabilização e 5 (29,4%) com doença irreversível e progressiva apesar da terapêutica. As principais causas de
impossibilidade de classificação foram a discordância clínica/radiológica/histológica (40,9%) e a ausência de condições para biópsia
cirúrgica (36,4%). Os principais diagnósticos diferenciais foram: FPI
(31,8%), PH (31,8%), NSIP (22,7%) e vasculite (13,6%).
Conclusões: As doenças pulmonares intersticiais inclassificáveis
parecem englobar um grupo heterogéneo de doenças. A prevalência das DPI inclassificáveis foi menor (8,1% vs 10%) que a descrita
na literatura. As características demográficas (sexo feminino predominante) e clínicas (predomínio de não fumadores, maior CVF
e DLCO) também diferiram, mas as causas de impossibilidade de
classificação e os principais diagnósticos diferenciais colocados foram concordantes com o descrito. A avaliação da evolução clínica
e radiológica poderá permitir, no futuro, uma melhor compreensão
e orientação destas DPI.
Palavras-chave: ILD não classificáveis.
PO14. SARCOIDOSE INDUZIDA PELO INFLIXIMAB
M. Vaz1, L. Figueira2, I. Brito3, N. Melo1, P. Caetano Mota1,
A. Morais1
Serviço de Pneumologia; 2Serviço de Oftalmologia; 3Serviço de
Reumatologia, Centro Hospitalar do Hospital São João, EPE.
1
Os agentes inibidores do fator de necrose tumoral a (anti-TNF-a)
têm sido amplamente utilizados nomeadamente no tratamento
21º Congresso de Pneumologia do Norte
de diversas doenças autoimunes. No contexto da sarcoidose, o
seu uso é mais recente e habitualmente é reservado para casos
de ausência de eficácia ou intolerância aos corticóides ou a outros
imunosupressores. Paradoxalmente, tem sido descritos alguns casos clínicos em que a ocorrência da sarcoidose tem sido associada
ao uso de anti-TNF-a. Os autores apresentam um caso de um homem de 25 anos, desempregado, com o diagnóstico de Artrite Juvenil Idiopática (AJI) desde os 2 anos de idade e actualmente com
uveíte crónica bilateral refractária e actualmente em remissão
articular. Em março de 2013, por agravamento da uveíte foi-lhe
prescrito terapêutica anti-TNF-a, mais concretamente infliximab,
que se associou a uma melhoria dos sintomas e posterior estabilização do envolvimento ocular. Em maio de 2013, apresentou um
quadro clínico de toracalgia esquerda associado a dispneia e emagrecimento tendo sido suspenso a administração de infliximab. Do
estudo efectuado na altura, destaca-se a TAC torácica com exuberantes adenomegalias nos vários compartimentos mediastínicos e
padrão micronodular de distribuição peribroncovascular no parênquima pulmonar. Realizou lavado broncoalveolar que mostrou linfocitose intensa (54%) com relação CD4/CD8 elevada (3,6), para
além de eosinofilia discreta (1,8%) e punção aspirativa ganglionar
transbrônquica por agulha guiada por ecoendoscopia (EBUS-TBNA)
que revelou um processo inflamatório crónico granulomatoso.
Diagnosticada sarcoidose, sem envolvimento extratorácico, tendo
o doente iniciado corticoterapia. Este caso acrescenta evidência
aos efeitos paradoxais que a terapêutica anti-TNF-a pode desencadear no contexto da sarcoidose.
Palavras-chave: Sarcoidose. Infliximab. Anti-TNF-a.
PO15. DOENÇAS INTERSTICIAIS PULMONARES
INICIALMENTE DIAGNOSTICADAS COMO NEOPLASIA
PULMONAR
A.F. Gonçalves1, A. Antunes2, S. Campainha2, M.C. Brito1,
C. Nogueira1, S. Torres1, A. Sanches3, F. Costa4, S. Neves1
Serviço de Pneumologia; 2Serviço de Pneumologia, Unidade de
Pneumologia Oncológica; 3Serviço de Anatomia Patológica;
4
Serviço de Radiologia, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/
Espinho.
1
Introdução: Dada a magnitude das implicações terapêuticas e prognósticas, é fundamental o diagnóstico preciso das doenças difusas
do parênquima pulmonar (DDPP). Isto pode revelar-se um verdadeiro desafio, por vezes com diagnósticos falso positivos de neoplasia pulmonar. Os autores apresentam 3 casos clínicos previamente
diagnosticados como neoplasia pulmonar.
Casos clínicos: Caso 1: Homem, 45 anos, fumador (20 UMA) com
diagnóstico de cancro do pulmão não pequenas células (CPNPC),
estadio IV por biópsiapor agulha fina (BAF) transtorácica. Realizou
quimioterapia com remissão completa. Assintomático durante 15
meses, iniciando posteriormente dispneia de esforço, tosse seca,
anorexia e emagrecimento. TC- tórax: nódulos e massas, algumas
cavitadas. Repetida BAF transtorácica apresentando necrose tumoral. Posteriormente aparecimento de úlceras orais, rash purpúrico e petéquias no palato. Título de anticorpos anti-citoplasma
neutrofílico citoplasmáticos (cANCA) de 1/300 para proteinase
3 (PR3) > 200 e sedimento urinário ativo. Broncoscopia rígida:
lesões ulceradas na árvore traqueobrônquica. Biopsias brônquicas: extensa necrose e vasculite. Biopsia de lesãocutânea: vasculite leucocitoclástica, traduzindo quadro de granulomatose com
poliangeíte. Iniciou metilprednisolona seguida deciclofosfamida,
prednisolona e rituximab. Apesar da terapêutica doente veio a falecer. Caso 2: Mulher, 58 anos, não fumadora, ex-tapeteira. Apresentou dispneia, toracalgia pleurítica esquerda e tosse seca. TCtórax:espessamento dos septos, padrão vidro despolido esboçando
micronodulos. Broncofibroscopia normal e lavado broncoalveolar
comneutrofilia e eosinófilia. Biopsia transbrônquica: amostra es-
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
21º Congresso de Pneumologia do Norte
cassa e suspeita de adenocarcinoma. Mutação EGFR negativa com
escassascélulas tumorais. Core needle biopsy sugestiva de pneumonite de hipersensibilidade, iniciando corticoterapia com melhoriaclinicoradiológica. Agravamento funcional e clinico iniciando
ciclofosfamida. Caso 3: Homem, 76 anos, exfumador (70 UMA),
diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, realizado no exterior
e através de BAT.Submetido a resseção em cunha. Revisão das
lâminas mostrou vasculite, focos de necrose e granulomas. Sem
evidência deadenocarcinoma. Estudo imunológico negativo. EBUSTBNA: 4R- processo granulomatoso ; 12R – linfócitos, macrófagos e
linfócitos. TC-tórax: densificação infra-hilar nodulariforme. Core
needle biopsy: vasculite, espessamento dos septos com infiltrado
plasmocítico, polimorfonucleados, eosinófilos e linfócitos. Agravamento clinicoradiológico iniciando corticoterapia com melhoria. Aparecimento denovas lesões, insuficiência renal, sedimento
urinário ativo com a redução da corticoterapia, iniciando metilprednisolona e ciclofosfamida. Quadro compatível com vasculite, enquadrado numa granulomatose com poliangite (forma não
clássica).
Discussão: Estes casos revelam a importância da abordagem multidisciplinar no diagnóstico das DDPP e permitem reconhecer as
limitações diagnosticas das pequenas amostras citológicas obtidas
por BAT e biopsia pulmonar trânsbronquica.
Palavras-chave: Doenças intersticiais pulmonares.
PO16. LOCAIS RAROS DE METASTIZAÇÃO DE NEOPLASIAS
DO PULMÃO – A PROPÓSITO DE CINCO CASOS CLÍNICOS
C. Saraiva1, P. Ferreira2, J. Dionísio2, B. Santos1, T. Almodôvar2,
U. Brito2, D. Costa2
Hospital de Faro, EPE. 2Instituto Português de Oncologia de
Lisboa Francisco Gentil.
1
Introdução: Os autores submetem cinco casos de doentes com
neoplasia do pulmão com metastização extra-pulmonar em localizações pouco frequentes.
Casos clínicos: Descrição dos casos: JGO, sexo masculino, 78
anos, ex-fumador (50 U.M.A.) e o diagnóstico de Carcinoma de
pequenas células em Abril de 2012, tendo efetuado radioterapia
e quimioterapia concomitante com carboplatino e etoposido com
resposta parcial. Esteve em vigilância até Outubro de 2013, tendo
iniciado dor abdominal e vómitos e cuja TC revelou metastização
múltipla com envolvimento das vesículas seminais, com suspeita
inicial de neoplasia síncrona da próstata e cuja biópsia, confirmou
metástase do pulmão. JMD, sexo masculino, 64 anos, fumador (70
U.M.A.), com o diagnóstico de Carcinoma Pavimento-Celular em
Outubro de 2011. O doente encontrava-se a fazer terapêutica de
terceira linha com erlotinib desde Junho de 2013. Inicia quadro
de confusão mental, alterações de memória, afasia e dor ocular,
cujo estudo radiológico revelou múltiplas metástases cerebrais e
volumosa lesão sólida heterogénea da coróideia do globo ocular,
com descolamento da retina. 2. JLD, sexo masculino, 56 anos,
ex-fumador (25 U.M.A.) com o diagnóstico de adenocarcinoma
pouco diferenciado em Janeiro de 2012 e com erlotinib em terceira linha desde Outubro de 2013. Em Dezembro de 2013 iniciou
dor abdominal e melenas, cuja tomografia de abdómen revelou
espessamento gástrico difuso e múltiplas adenopatias abdominais
e inguinais. A endoscopia digestiva alta revelou infiltração difusa
da mucosa gástrica, com provável envolvimento neoplásico secundário. PAP, sexo masculino, 54 anos, ex-fumador (30 U.M.A)
com o diagnóstico de Carcinoma Pavimento-Celular da laringe em
1991 submetido a radioterapia cirurgia parcial laringofaringectomia. Em 1999 é detetado tumor renal esquerdo, tendo efetuado
nefrectomia e cujo resultado da anatomia patológica foi de tumor
de células renais e 2 focos metastáticos de carcinoma pavimento
celular no parênquima renal. Foi detetado nódulo pulmonar no
LSD, assumido como lesão primária. MCN, sexo feminino, 64 anos,
7
ex-fumadora (50 U.M.A) com infeções respiratórias de repetição
desde 1999 e que por persistência de queixas de cansaço, síndrome febril de etiologia indeterminada e dor escapular direita. Fez
TC tórax que revela massa do LSD pulmão em estudo quando inicia
dor na rótula direita, cuja biopsia revelou metástase de carcinoma não pequenas células do pulmão.
Discussão: Os autores trazem estes casos dado poderem existir metástases de neoplasias primitivas do pulmão em localizações raras
e pouco descritas na literatura – próstata, membrana coróideia,
estômago, rim e rótula – pelo que é importante estar atentos a toda
a sintomatologia dos doentes.
Palavras-chave: Metastização. Extra-pulmonar. Locais raros.
PO17. SLEEVE LOBECTOMY AS AN ALTERNATIVE TO
PNEUMONECTOMY IN PATIENTS WITH CENTRAL LUNG
CANCER: OUR SURGICAL EXPERIENCE
P. Fernandes, M. Guerra, J. Miranda, L. Vouga
Serviço de Cirurgia Cardio-Torácica, Centro Hospitalar Vila Nova
de Gaia/Espinho.
Introduction: A sleeve lobectomy is the removal of a portion of a
main bronchus in conjunction with the involved lobar bronchus and
associated lung tissue. The remaining lobe(s) is then re-implanted
on the main bronchus. This procedure was originally designed for
cancer patients unable to tolerate pneumonectomy, or for the
treatment of uncommon benign endobronchial lesions. As patientselection criteria have changed and surgical techniques have
improved over the years, sleeve lobectomy can now be provided to
patients who have bronchogenic tumours with central location, in
whom a pneumonectomy would be tolerated. However, it remains
controversial whether sleeve lobectomy is associated with a high
rate of operative mortality and postoperative complications.
Objective: The purpose of this study is to report our experience
in our institution with sleeve lobectomy concerning surgical
techniques and operative outcomes.
Material and methods: We retrospectively reviewed the records
of 10 patients who underwent sleeve lobectomy for central
bronchogenic tumours, during the period of January 2007 and
December 2013. There were 6 men and 4 women with mean age of
52.3 years (range 24-79 years). Preoperative pulmonary functions
studies were done with a mean FEV1 (%) of 76.7 ± 9.9, a mean FVC
(%) of 86.0 ± 6.6 and a mean DLCO (%) of 63.9 ± 8.1.
Results: The procedures performed were: right upper
lobectomy in 4 patients, left upper lobectomy in 3 patients
and left lower lobectomy in 3 patients. All patients underwent
oncological resections with negative results for malignancy in
the bronchial resection margins. Median hospital stay was 9
days. Complications were observed in 4 patients and included:
prolonged air leak (> 7 days) in 3 patients and atelectasis
with daily need of bronchoscopy in one patient. All patients
underwent bronchoscopy in the day prior to hospital discharge
and none had bronchial stenosis or anastomotic dehiscence. No
operative mortality was observed, however, one patient died one
month after hospital discharge.
Conclusions: Sleeve lobectomy is a widely accepted procedure for
central tumours for which the alternative is a pneumonectomy.
Although technically demanding, it is associated with low mortality
and low bronchial anastomotic complication rates. Careful patient
selection and a good surgical technique are vital to achieve a
morbid-mortality rate lower than that for pneumonectomy, along
with a better quality of life. In addition, it allows further lung
resection, if necessary. For central tumours, we believe that sleeve
resection is the procedure of choice. With increasing experience,
more lung-sparing procedures should be performed.
Key words: Sleeve lobectomy. Lung cancer.
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
8
PO18. LOBECTOMY VERSUS SUBLOBAR RESECTION FOR
NON-SMALL CELL LUNG CANCER IN OCTOGENARIANS
P. Neves, M. Guerra, D. Martins, P. Ponce, J. Miranda, L. Vouga
Serviço de Cirurgia Cardiotorácica, Centro Hospitalar de Vila
Nova de Gaia/Espinho, EPE.
Objective: As the EU population ages, surgeons are increasingly
challenged with octogenarians with resectable non- small cell lung
cancer. Therefore, the present study reviewed these patients, in
order to understand whether there were short term morbidity and
mortality differences regarding the surgery performed – lobectomy
versus sublobar resection.
Material and methods: In the last six years (2008-2013), there were
included 40 patients over 80 years who underwent lobectomy or
sublobar resection (anatomic or atypical) with curative intent for
lung cancer (20 lobectomies - L group - and 20 sublobar resections – S
group). Mean age was 81.3 years in the L group and 83.7 years in the
S group. The presence of preoperative comorbidities was significant(L
group vs S group): chronic lung disease – 25.0% vs 50.0%; cardiovascular
disease – 25.0% vs40.0%; and history of other malignancy – 5.0% vs
45.0%. However, their respiratory function was very acceptable with a
mean FEV1 of 86.4% vs 75.8% and a mean FVC of 88.1% vs 84.5%.
Results: We performed 18 lobectomies (45%), 2 sleeve lobectomies
(5%), 19 wedge resections (47.5%) and 1 anatomic segmentectomy
(2.5%) through lateral thoracotomy. Average hospital stay was 8.1 ±
5.2 days in the L group and 6.6 ± 4.6 days in the S group (NS). Main
surgical complications recorded were (L group vs S group): prolonged
air leak (25.0% vs 10.0%), atelectasis requiring bronchoscopy (15.0%
vs 0.0%) and persistent air chamber (10.0% vs 10.0%). We observed
no inhospital or 30-day mortality. In a mean follow-up time of 29.6
months, there were 3 cancerrelated deaths in the S group and 2 noncancer related deaths in the L group. Mean survival time was 28.2
months in the L group and 21.8 months in the S group (NS).
Conclusions: Octogenarians should not be denied surgery
exclusively due to age. Anatomical resections are safe procedures
in these patients and should be done whenever possible, as they are
associated with lower mortality and local recurrence rates.
Key words: Octogenarians. Cancer. Surgery. Lobectomy.
PO19. HEMANGIOENDOTELIOMA EPITELIAL DO PULMÃO
M. Reis, R. Gomes, S. Correia, A. Tavares, L. Ferreira
Serviço de Pneumologia, Hospital Sousa Martins da Guarda.
Introdução: O Hemangioendotelioma epitelial é um tumor endotelial raro. Pode ter origem simultânea ou sequencial em vários
órgãos e estruturas como pulmão, pleura, fígado, tecidos moles
e osso. O Hemangioendotelioma epitelial do pulmão (HEP) é mais
frequente no sexo feminino, os doentes encontram-se geralmente assintomáticos ou com sintomatologia inespecífica à altura do
diagnóstico. O padrão imagiológico mais comum de apresentação
consiste em múltiplos nódulos pulmonares unilaterais ou bilaterais.
O diagnóstico é difícil de estabelecer e na maioria dos casos é efectuado por biópsia cirúrgica. O estudo imuno-histoquimico identifica
a sua origem endotelial. Não existem esquemas terapêuticos aprovados. A ressecção cirúrgica está indicada na presença de lesão nodular única ou múltipla unilateral. O prognóstico é imprevisível e a
sobrevida média variável de acordo com os escassos casos descritos
na literatura, havendo referência a remissão espontânea.
Caso clínico: Doente do sexo masculino, de 54 anos de idade. Mecânico. Ex-fumador. Referia queixas de tosse produtiva e toracalgia
anterior direita tipo pleurítica com 4 dias de evolução e expectoração hemoptóica. Exame objectivo sem alterações. Na Radiografia
do tórax apresentava hipotransparência heterogénea para-hilar direita. Dos exames complementares realizados destacam-se: TC de
tórax com identificação de massa hilar direita com 5,3 × 4,8 mm,
21º Congresso de Pneumologia do Norte
com captação heterogénea do contraste e que engloba o brônquio
principal direito e brônquio lobar superior direito, sem plano de clivagem com a artéria pulmonar direita. Adenopatias mediastínicas. A
Broncoscopia e respectivos procedimentos realizados foram inconclusivos. A PET demonstrou hiperfixação de 18 FDG a nível da massa
para-hilar direita, gânglios mediastínicos, lobo direito do fígado,
glândula supra-renal esquerda, ilíaco direito e nádega esquerda. Na
TC crânio-encefálica identificaram- se múltiplos depósitos secundários. O diagnóstico foi estabelecido por biópsia pulmonar cirúrgica,
cujo estudo imunohistoquímico positivo para o factor 8, CD31 e
CD34 indica tratar-se de hemangioendotelioma epitelial pulmonar.
Considerando as localizações anteriormente referidas trata-se de
provável metastização múltifocal, não se podendo excluir origem
multifocal. O doente foi observado em consulta de grupo de decisão terapêutica do Hospital Oncológico da área de residência.
Iniciou radioterapia holocraniana, acabando por falecer cerca de 2
meses após o diagnóstico por progressão da doença.
Discussão: Descrevemos o caso dado a raridade da patologia, a
dificuldade diagnóstica, bem como a apresentação distinta e rápida
progressão relativamente a maioria dos casos descritos na literatura. São necessários mais estudos sobre os esquemas terapêuticos a
instituir neste tumor.
Palavras-chave: Hemangioendotelioma epitelial. Pulmão.
PO20. TUMOR DE ASKIN – CASO CLÍNICO
D. Apolinário1, I. Militão2, A.I. Loureiro1, F. Guimarães2, A. Afonso1
Serviço de Pneumologia; 2Serviço de Medicina Interna, Centro
Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro.
1
Introdução: O Tumor de Askin é uma neoplasia maligna da região
torácica, rara e de mau prognóstico, que pertence aos tumores da
família do sarcoma de Ewing. Ocorre maioritariamente em crianças/
adultos jovens mas têm sido descritos casos em idade mais tardia.
Caso clínico: Doente do género masculino de 76 anos, caucasiano e
fumador ativo (30 UMA). Dos antecedentes pessoais destaque para
clínica de bronquite crónica, hipertensão arterial, obesidade, hipertrofia benigna da próstata e portador de pacemaker. Recorreu
ao serviço de urgência em Maio de 2013 por quadro com 6 meses
de evolução de agravamento de dispneia para pequenos esforços,
tosse pouco produtiva, toracalgia pleurítica direita e sintomas
constitucionais. Ao exame físico apresentava sinais de dificuldade
respiratória e auscultação pulmonar com murmúrio vesicular globalmente diminuído. Analiticamente com elevação dos marcadores da inflamação e DHL de 944 U/L. A gasometria arterial em ar
ambiente demonstrava hipoxemia e hipocápnia. A radiografia do
tórax PA revelou hipotransparências arredondadas no parênquima
pulmonar bilateralmente e a TC torácica confirmou a presença de
massas pulmonares (uma no LID de 6,1 cm de maior diâmetro e
duas no LSE com 5,8 cm e 3 cm) bem como uma massa mediastínica (9 cm) e costal direita, lítica, com significativo componente de
tecidos moles (7,9 cm), para além de enfisema pulmonar. O doente
foi internado para estudo e tratamento. Realizou biópsia guiada por
ecografia da massa costal cujo resultado histológico foi compatível
com neoplasia maligna pouco diferenciada de pequenas células e
perfil imunofenotípico correspondente a um sarcoma de Ewing/tumor neuroectodérmico primitivo. Durante o estadiamento foi ainda
identificada uma lesão hepática de possível natureza secundária e
foi apresentado em consulta de grupo oncológico com indicação
para radioterapia antiálgica paliativa. Evolução desfavorável após
intercorrência infeciosa respiratória nosocomial por Pseudomonas
aeruginosa acabando por falecer.
Discussão: Os autores apresentam um caso de tumor de Askin, pela
raridade da ocorrência neste grupo etário e como diagnóstico diferencial no estudo de massas torácicas.
Palavras-chave: Tumor de Askin. Sarcoma de Ewing. Tumor neuroectodérmico primitivo.
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
21º Congresso de Pneumologia do Norte
PO21. CARCINOMA PULMONAR PRIMÁRIO SINCRONO
D. Coutinho, A. Antunes, S. Campainha, S. Conde, A. Barroso
Serviço de Pneumologia, CHVNG/E.
Introdução: Neste trabalho relatamos dois casos clínicos de doentes com carcinomas pulmonares primários síncronos que se apresentam sob a combinação de carcinoma pulmonar de pequenas células
(CPPC) e carcinoma pulmonar não pequenas células.
Casos clínicos: Caso 1: mulher de 78 anos, ex-fumadora (60 UMA)
e sem história ocupacional de relevo, com seguimento prévio em
outra unidade hospitalar por DPOC e nódulo pulmonar (sugestivo de
hamartoma) no lobo médio. Durante o seguimento nesse hospital,
apresentou nódulo pulmonar de novo no lobo inferior direito (LID) e
espessamento parietal do segmento médio do esófago em tomografia computadorizada (TC). Neste contexto, realizou eco-endoscopia
esofágica com biópsia da lesão paraesofágica revelando-se inconclusiva (escassez de material, mas com características de CPPC).
Foi posteriormente submetida a resseção em cunha do LID e de duas
adenopatias paraesofágicas, tendo o estudo anatomopatológico revelado adenocarcinoma misto, sem invasão ganglionar (T1aN0M0).
Por quebra do estado geral passa a residir com a filha, interrompendo seguimento prévio. Recorre ao serviço de urgência (SU) deste hospital por intolerância alimentar. O estudo realizado no SU
revelou manutenção da lesão paraesofágica, pelo que foi orientada
para consulta de Pneumologia Oncológica. Realizou EBUS-TBNA,
com histologia confirmando CPPC síncrono (TxN2M0). Atendendo
à idade e ao performance status foi decidido iniciar quimioterapia
com carboplatina e etoposideo e radioterapia sequencial. A doente
apresentou remissão completa após quimioterapia, encontrandose neste momento a realizar radioterapia. Caso 2: homem de 46
anos, fumador (30 UMA), sem outros antecedentes relevantes, observado num hospital privado por toracalgia esquerda associada a
exame radiológico mostrando massa localizada no LID. Realizou TC
com evidência de nódulo espiculado com 5 cm de diâmetro ao nível do LID, linfangite contralateral e outra lesão nodular peri-hilar
esquerda, sugestiva de conglomerado adenopático. Procedeu-se a
biópsia aspirativa transtorácica do nódulo direito, diagnóstica de
adenocarcinoma pulmonar, estadiado como T2aN3M1a. Orientado
para consulta de Pneumologia Oncológica do nosso hospital, iniciando quimioterapia com cisplatina e pemetrexed, com remissão
parcial ao 4º ciclo. Ao 2º ciclo de manutenção com pemetrexed,
apresenta aumento da lesão peri-hilar esquerda, suspeitando-se de
progressão. Neste contexto, realizou broncofibroscopia com biópsia
da lesão peri-hilar esquerda, que revelou CPPC síncrono, estadiado
como TxN2M1b (metastização óssea e cerebral). Iniciou quimioterapia com carboplatina e etoposideo com remissão parcial ao 2º ciclo,
pelo que mantém este esquema atualmente.
Discussão: A possibilidade de carcinomas primários pulmonares
síncronos deve ser sempre colocada nos casos em que existe uma
incoerente resposta das lesões iniciais à terapêutica preconizada.
Palavras-chave: CPPC. CPNPC. Sincrono. Neoplasia pulmonar.
PO22. HAMARTOMAS PULMONARES: EXPERIÊNCIA CLINICA
DE 13 ANOS
D.C. Silva Vaz1, N. Taveira1, J. Miranda2, M. Vanzeller1,
T. Shiang Tzer1
Serviço de Pneumologia; 2Serviço de Cirurgia Cardio-torácica,
Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho.
1
Introdução: Os hamartomas pulmonares constituem 75% dos tumores benignos pulmonares sendo diagnosticados na maioria acidentalmente, em homens na 6ª década.
Objectivos: Analise retrospetiva de doentes com diagnóstico histológico de hamartoma entre 1990 e 2013.
9
Material e métodos: Na população com diagnóstico de hamartoma,
foram caraterizados fatores demográficos, forma de apresentação,
características imagiológicas, método de diagnóstico, opção terapêutica e evolução.
Resultados: 50 Indivíduos (idade 53,9 ± 13,6 anos; 62% homens)
apresentavam história prévia de tabagismo e tuberculose pulmonar
em 36% e 16% respetivamente. Na maioria o nodulo era único (94%),
a forma de apresentação incluiu o achado radiológico acidental
(92%), toracalgia (4%), dispnéia (2%) e pneumonia obstrutiva (2%).
A dimensão média era 1,9 ± 0,8 cm; 24% apresentava calcificação
“popcorn”, 96% e 92% apresentavam bordos regulares e densidade
homogénea respetivamente; 96% não apresentavam adenopatias
mediastínicas. A maioria estava no pulmão direito (62%); 48% tinha
localização periférica. 56,3% (n = 16) não apresentava avidez para
5-Fluorodesoxiglicose na tomografia de positrões (PET). Em 84% o
diagnóstico foi feito após exame extemporâneo durante toracotomia/toracoscopia; nos restantes o diagnóstico foi feito por biópsia
aspirativa transtorácica (BAT), nestes a sensibilidade diagnóstica foi
38% (n = 21). Em 88% o nódulo foi ressecado, na maioria por exérese
simples (65,9%). O sub-tipo histológico prevalente foi a variedade
condroide (98%). No subgrupo operado, não houve recidivas até
168 meses após resseção; nos doentes sob vigilância expectante,
verificou-se crescimento de 0,75 mm/ano até 2 anos após diagnóstico. Durante follow up foram detetados nódulos em 2 doentes nos
quais o estudo diagnóstico revelou tratarem-se de adenocarcinoma
e carcinoma epidermoide respetivamente.
Conclusões: Neste estudo verificou-se que a maioria dos doentes
com hamartoma pulmonar eram homens na 6ª década, referenciados para estudo de nodulo pulmonar solitário descoberto acidentalmente, em média com 1,9 cm de diâmetro, bordos regulares
e densidade homogénea. Na maioria não se assinalava presença
de adenopatias mediastínicas; e a típica calcificação “popcorn” foi
descrita numa frequência que vem de acordo com a percentagem
deste achado assinalada na literatura (15-30% em TAC torácica).
Na maioria o diagnóstico definitivo só foi possível por toracotomia/
toracoscopia e nestes não houve evidência de recidiva salientando
a natureza benigna destas lesões. Nos doentes não operados, verificou-se crescimento nodular não desprezível justificando vigilância
imagiológica para detetar precocemente dano compressivo e eventuais falsos positivos da BAT. O pequeno número de doentes com
neoplasias pulmonares após diagnóstico de hamartoma não permite
concluir sobre predisposição para cancro do pulmão associada a
história prévia de hamartoma.
Palavras-chave: Hamartoma.
PO23. CARACTERIZAÇÃO DA CONSULTA DE ESTUDO
DE NÓDULOS/MASSAS PULMONARES – 2 ANOS DE
SEGUIMENTO
V. Santos1, E. Padrão1, V. Hespanhol1,2, C. Damas1
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de São João, EPE,
Porto. 2Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
1
Introdução: Os nódulos/massas pulmonares são achados radiológicos comuns, identificados na maioria dos casos incidentalmente.
Devido à resolução mais elevada e mais fácil acesso da TC torácica,
a sua identificação tornou-se mais simples e frequente. A existência de uma consulta de Pneumologia(CP) especializada, de fácil
acesso, nas suspeitas de neoplasia pulmonar(NP), tornou-se uma
necessidade.
Objectivos: Caracterizar os doentes seguidos em CP especializada,
referenciados por alterações radiológicas suspeitas de NP.
Material e métodos: Análise retrospectiva com base nos registos
clínicos de doentes referenciados a CP por apresentarem alterações
radiológicas suspeitas de neoformação durante os anos 2012 e 2013.
Caracterização das alterações demográficas, clínicas e radiológicas,
bem como da repercussão na história natural da doença.
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
10
Resultados: Durante este período foram referenciados 142 doentes,
incluíram-se 139, 67,6% do sexo masculino, 32,4% do sexo feminino,
com média de idades de 62,4 ± 13anos. Destes, 49 eram fumadores
e 35 ex-fumadores. Vinte (19,4%) doentes apresentavam antecedentes neoplásicos. O tempo médio entre o pedido de avaliação
e a consulta foi de duas semanas. A maioria dos doentes foi referenciada por achado radiológico. A forma de apresentação como
nódulo solitário do pulmão ocorreu em 67 (49,6%) casos, 65 (48,1%)
apresentavam nódulos múltiplos e 3 (2,2%) massas. Relativamente
à dimensão, foram encontrados 87 (64,4%) doentes com nódulos
≥ 8 mm e 41 (30,4%) com < 8 mm. Foram submetidos a biopsia pulmonar transtorácica(BPT) 67 doentes (49,6%), 43 (64,2%) tiveram
diagnóstico de NP. A histologia mostrou adenocarcinoma em vinte
(50%) casos, carcinoma epidermóide em onze (27,5%) e carcinoma
de pequenas células em um (2,5%). Destes doentes, dez (23,3%)
foram submetidos a cirurgia, sete com diagnóstico de adenocarcinoma, um carcinoma epidermóide, um tumor fibroso solitário da
pleura e um tumor carcinóide típico. Em quatro casos o tratamento
cirúrgico foi recusado pelo doente. A prevalência de cancro pulmonar na amostra foi de 31,9% e a de benignidade 13%. Dos casos referenciados, 67 (49,6%) doentes tiveram alta da consulta: 35 (52,2%)
para CP Oncológica, 18 (26,9%) para o médico assistente, 8 (11,9%)
para outra especialidade e 6 (9,2%) para outra CP. O tempo médio
entre a admissão e o diagnóstico foi de duas semanas e o estadiamento foi concluído em quatro semanas em média.
Conclusões: No estudo efectuado, menos de 40% dos doentes referenciados por alterações radiológicas pulmonares provaram tratar-se de NP. O adenocarcinoma e o carcinoma epidermóide foram
predominantes. Apesar da rapidez na avaliação inicial, a cirurgia
só foi possível em dez doentes. Estes resultados confirmam a necessidade de uma consulta especializada, que dê resposta a estas
referenciações.
Palavras-chave: Nódulos pulmonares. Massas pulmonares. Consulta.
PO24. O PAPEL DA MUTAÇÃO EGFR NA RESPOSTA
À QUIMIOTERAPIA CLÁSSICA EM PRIMEIRA LINHA EM
DOENTES COM CANCRO DO PULMÃO NÃO PEQUENAS
CÉLULAS
I. Franco, A. Antunes, S. Campainha, S. Conde, A. Barroso
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho.
Introdução: Vários estudos demonstraram que a mutação EGFR é
um preditor de resposta ao tratamento com inibidores do recetor
tirosina-cinase (EGFR-TKI) em doentes com cancro do pulmão não
pequenas células (CPNPC). No entanto, a influência do estado mutacional EGFR na resposta ao tratamento com outros regimes de
quimioterapia que não EGFR-TKI não é conhecido. Em Portugal, o
tratamento em primeira linha com EGFR-TKI foi aprovado em 2010.
No nosso centro, a análise do estado mutacional EGFR começou em
2006 a doentes selecionados.
Objectivos: Avaliar a resposta à quimioterapia clássica em primeira
linha – controlo de doença, sobrevida livre de progressão (PFS) e sobrevida global (OS) – de acordo com o estado mutacional do EGFR.
Material e métodos: Análise retrospectiva dos dados clínicos de 120
doentes com CPNPC – estadios IIIA (sem tratamento com radioterapia), IIIB e IV (6ª edição TNM) – diagnosticados e tratados em primeira linha com quimioterapia clássica desde 01.01.06 a 31.12.10.
Todos os doentes realizaram sequenciação do EGFR e mantiveram
follow-up até 31.10.13. A PFS e a OS foram avaliadas pelas curvas
de Kaplan-Meier e o controlo da doença através do Odds Ratio.
Resultados: Cento e vinte doentes foram incluídos no estudo: 72
(60%) homens, 62,63 + 12,24 (média + DP) anos, 76 (63,5%) fumadores ou ex-fumadores. A mutação EGFR foi detectada em 17 (14,2%)
doentes. A PFS mediana após 1ª linha de QT foi 12 meses no grupo
com mutação EGFR versus 5 meses no grupo wild-type (p = 0,021).
A OS mediana foi 23 meses no grupo com mutação EGFR versus 12
21º Congresso de Pneumologia do Norte
meses no grupo wild-type (p = 0,152). O controlo da doença foi
obtido em 82 doentes (68%); a presença de mutação EGFR esteve
associada a controlo da doença – 2,402 (IC95%, 0,646- 8,919), apesar de não estatisticamente significativo.
Conclusões: A presença de mutação EGFR parece ser um preditor de
resposta favorável ao tratamento, não só com terapêutica-alvo EGFRTKI, mas também com quimioterapia clássica em primeira linha,
demonstrado pelo aumento significativo da PFS nestes doentes com
CPNPC. O facto do aumento da OS no grupo EGFR mutado não ser estatisticamente significativo poderá resultar quer da deterioração do performance status (impossibilitando terapêuticas subsequentes), quer
de possíveis alterações no estado mutacional EGFR após a QT clássica
(diminuindo o efeito do EGFR-TKI usado em 2ª ou 3ª linha).
Palavras-chave: Cancro do pulmão não pequenas células. EGFR.
PO25. VALOR PROGNÓSTICO DA MUTAÇÃO EGFR
NOS CPNPC EM ESTADIO CIRÚRGICO
A. Gonçalves1, A. Antunes2, S. Campainha2, A. Barroso2, S. Conde2,
J. Miranda3, B. Parente3
Serviço de Pneumologia; 2Serviço de Pneumologia, Unidade de
Pneumologia Oncológica; 3Serviço de Cirurgia Cardiotorácica,
Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho.
1
Introdução: A presença da mutação do EGFR, tem sido estudada
e reconhecida enquanto fator prognóstico e preditivo à resposta
ao tratamento com os inibidores da tirosina cinase no carcinoma
do pulmão não pequenas células (CPNPC) em estádios avançados,
contudo pouco se sabe acerca do seu valor prognóstico na doença
operável.
Objectivos: Avaliar se a presença da mutação do EGFR influencia
a sobrevida livre de progressão (SLP) e a sobrevida global (SG) nos
doentes comCPNPC sujeitos a cirurgia com intuito curativo.
Material e métodos: Estudo retrospetivo, realizado através da
consulta de processos de doentes operados entre01/01/2006 a
31/12/2012, nos quais foi feita a pesquisa da mutação do EGFR e
mantidos em seguimento até31/12/2013. Dados analisados: clinicodemográficos; antecedentes tabágicos; método diagnóstico; mutação EGFR;tipo de cirurgia e complicações; SLP e SG.
Resultados: Incluídos 63 doentes (70% homens), nos quais foi efetuado o estudo da mutação do EGFR, sendo que em 14,3% dos casos
o estudo da mutação do EGFR foi positivo. Idade média de 62,06
(± 10,62) anos. 27% eram não fumadores, 35% fumadores e 38%
ex-fumadores. Método diagnóstico: 31,7% biopsia aspirativa transtorácica; 44,1% cirurgia; 3,2% mediastinoscopia; 17,5% broncofibroscopia e 3,2% EBUS. A histologia mais frequente foi o adenocarcinoma (81%), seguida do epidermoide (12,7%) e do carcinoma
de grandes células (6,3%). Tipo de cirurgia realizada: lobectomia
(71,4%), bilobectomia (11,1%), pneumectomia (7,9%) e ressecção
em cunha (9,5%). Registou-se uma taxa de complicações de 19%. Na
população EGFR positiva foi observada uma SLP mediana de 62,8
meses e nos doentes wild type de 44,4 meses (p = 0,595). A SGmédia nos EGFR positivos foi de 77,2 meses e nos doentes wild type
de 69,9 meses (p = 0,309). A presença de mutação do EGFR não
está associada a maior SLP ou SG, de acordo com os seguintes OR
(OR (SLP):1,07 IC95% 0,2 a 5; OR (SG): 8 IC95% 0,3 a 24 ). Quando
avaliamos a SLP em função do estadio patológico vemos que os estádios mais precoces estãoassociados a uma maior sobrevida livre
de progressão (p = 0.011).
Conclusões: Na nossa serie, nos doentes com estadio cirúrgico, o
estadio patológico da doença parece ter um maior valor prognóstico de recidiva do queas características moleculares da doença,
aqui representado pelo estado mutacional do EGFR. A presença da
mutação do EGFR não foiassociada a um aumento da SLP ou da SG
nos doentes com CPNPC em estadio cirúrgico.
Palavras-chave: EGFR.
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
21º Congresso de Pneumologia do Norte
PO26. RADIOCIRURGIA ESTEREOTÁCICA DE METÁSTASES
CEREBRAIS NO DOENTE COM CANCRO DO PULMÃO
M.J. Oliveira1, A. Antunes1, S. Campainha1, S. Conde1, P. Costa2,
S. Conde3, A. Barroso1
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia
e Espinho. 2Serviço de Radioterapia, Hospital CUF Porto. 3Serviço
de Radioterapia, IPO Porto.
1
Introdução: Nos doentes com cancro do pulmão, a metastização
cerebral é frequente (30-50% dos doentes com carcinoma não pequenas células e 40-50% do pequenas células), conferindo um pior
prognóstico. O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame neurológico e exame de imagem. As abordagens terapêuticas incluem,
além da quimioterapia, radioterapia holocraniana, neurocirurgia,
radiocirurgia estereotácica ou a combinação das mesmas.
Objectivos: Caracterizar os doentes com metástases cerebrais de
cancro do pulmão, submetidos a radiocirurgia estereotácica cerebral (REC).
Material e métodos: Analisaram-se retrospetivamente os doentes
seguidos em consulta de pneumologia oncológica, com cancro dopulmão e metastização cerebral, submetidos a REC, até 31/07/2013
e a sua sobrevivência mediana.
Resultados: Incluídos 6 doentes (4 homens), com idade média ao
diagnóstico de 56,5 ± 6,7 anos. Tinham história tabágica 50% dosdoentes. Os fatores de risco cardiovasculares foram a comorbilidade mais frequente (66,7%). Quanto ao tipo histológico: 3 adenocarcinomas, 2 carcinomas pulmonares de pequenas células (CPPC) e
1 mesotelioma. O estadio à data de diagnóstico foi: Ia num doente,
IIIb em 3 doentes e IV em 2 doentes. Como sintomas decorrentes da
presença de metastização cerebral evidenciaram-se as cefaleias e
as alterações sensitivas. Todos os doentes foram referenciados para
REC por metástase cerebral única confirmada por ressonância magnética nuclear. A metastização cerebral não foi apresentação inicial
em nenhum dos doentes e o tempo médio do diagnóstico até a REC
foi de 14.2 meses. 50% dos doentes tiveram resolução imediata da
clínica após a REC, sendo que os restantes apresentaram resposta
a terapêutica, mas sem resolução completa. A complicação mais
frequente foram as convulsões verificadas durante a redução da
corticoterapia. A sobrevivência mediana pós REC foi de 5,7 meses e
a global foi de 21,8 meses.
Conclusões: A RCE é uma opção terapêutica recente no tratamento
de metástases cerebrais, que se apresenta vantajosa, comparativamente com a irradiação holocraniana, pelo fato de minimizar os
efeitos secundários decorrentes da irradiação cerebral. A seleção
dos doentes deve ser criteriosa. Neste estudo, verificou-se que o
tempo médiodecorrido entre o diagnóstico e a RCE foi superior ao
descrito na literatura, o que se atribui ao limitado número de doentes incluídos e também à pequena percentagem de doentes com
CPPC. Dos resultados, salienta-se ainda quedada a possibilidade de
complicações decorrentes de ajustes terapêuticos, deve ser dada
especial atenção ao follow up destes doentes, no período pós RCE,
com vista a minimizar estes episódios.
Palavras-chave: Cancro. Radiocirurgia. Metastases cerebrais.
PO27. AVALIAÇÃO DE UMA CURTA SÉRIE DE DOENTES
SUBMETIDOS A RADIOTERAPIA ESTEREOTÁCICA
PULMONAR
J. Cordeiro da Costa1, A. Antunes1, S. Campainha1, S. Conde1,
B. Parente1, P. Costa2, T. Figueiredo3, A. Barroso1
1
Centro Hospitalar de Gaia/Espinho. 2Instituto CUF. 3IPO Porto.
Introdução: A radioterapia estereotácica (SBRT) está indicada em
casos de doentes com neoplasia pulmonar em estadio precoce e
com risco cirúrgico elevado. A literatura existente evidencia um
controlo do tumor primário e uma sobrevida relacionada com a neo-
11
plasia após radioterapia estereotácica comparável com a ressecção
sublobar.
Objectivos: Analisar o perfil dos doentes submetidos a SBRT por
neoplasia pulmonar numa Unidade de Pneumologia Oncológica e o
tempo para progressão.
Material e métodos: Estudo descritivo retrospetivo. Foram recolhidos dados de todos os doentes de uma Unidade de Pneumologia
Oncológica submetidos a SBRT. Foi efetuada uma caracterização
demográfica (género e idade), do tipo histológico de neoplasia, do
estadiamento, do Performance Status e avaliado o tempo de seguimento (TS) e de progressão da doença (TPP).
Resultados: O n foi 7 doentes (homens); a média de idades foi 77,7
anos (s = 7,52); 1 indivíduo era fumador, todos os outros eram exfumadores; a carga tabágica média foi 45,7 UMA (s = 15,9); os Performance Status foram entre 0-1; o tipo histológico mais frequente
foi o adenocarcinoma (6/7, o restante era epidermóide); as localizações foram o lobo superior direito (n = 3), inferior esquerdo (n =
3) e superior esquerdo (n = 1); cinco doentes estavam no estadio IA
e dois no estadio IB; o motivo mais frequente de recusa cirúrgica foi
a má reserva respiratória. Um doente ainda está a terminar o tratamento; dos 6 restantes, apenas o doente com a lesão de maiores
dimensões (4,3 cm maior eixo) apresentou progressão (TPP 3,6 meses; lesão periférica); 1 faleceu por motivos não relacionados com
a neoplasia (aos 6,3 meses de seguimento; 3,6 cm maior eixo; lesão
central) e os restantes 4 apresentam ainda doença estável (TS de
2,5 meses [1,8 cm maior eixo; lesão periférica], 3,4 meses [2,5 cm
maior eixo; lesão periférica], 11,2 meses [1,9cm maior eixo; lesão
periférica] e 12,7 meses [1,1cm maior eixo; lesão periférica]).
Conclusões: A SBRT permite um grande poder de controlo local.
A mediana do tamanho das lesões na literatura que avalia a técnica
é < 3 cm, sendo mais frequentemente utilizada em lesões até 5 cm.
O único doente da nossa série que progrediu tinha uma lesão com
4,3 cm, o que levanta a questão da inclusão de lesões de maiores dimensões. O presente estudo está limitado pela dimensão da
amostra, permitindo no entanto levantar a hipótese de uma maior
rentabilidade clinicamente significativa em relação com a dimensão
da lesão. Uma avaliação da eficácia e uma avaliação económica
completa da técnica, relacionadas com a dimensão do tumor deverão ser priorizadas em estudos futuros.
Palavras-chave: Cancro. Radioterapia. Estereotácica.
PO28. CARCINÓIDES PULMONARES TÍPICOS SÍNCRONOS,
MÚLTIPLOS E BILATERAIS
V. Santos1, N. Melo1, C. Souto Moura2, G. Fernandes3
Serviço de Pneumologia; 2Serviço de Anatomia Patológica,
Faculdade de Medicina da Universidade; 3Serviço de Pneumologia,
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Centro
Hospitalar de São João, EPE, Porto.
1
Introdução: Os carcinóides pulmonares são neoplasias neuroendócrinas pouco frequentes. A ocorrência de carcinóides síncronos e
bilaterais é extremamente rara. Em 25% dos casos estão localizados
no aparelho respiratório, sendo responsáveis por 1-2% de todas as
neoplasias pulmonares. Cerca de 80% de todos os carcinóides são
típicos. Existe um maior risco de aparecimento de carcinóides em
doentes com neoplasias endócrinas múltiplas (MEN1).
Resultados: Doente de 67 anos, sexo feminino, reformada, com
antecedentes de tuberculose pulmonar, carcinoma espinocelular
invasor do útero e lesões de carcinoma in situ submetida a histerectomia e radioterapia há 13 anos, esteatose hepática, dislipidemia e HTA. Não fumadora. Medicada com irbesartan/hidroclorotiazida e sinvastatina. Referenciada a consulta de Pneumologia
por tosse seca com um ano de evolução, associada a dispneia para
médios esforços e pieira. Sem alterações relevantes no exame objectivo. Estudo funcional respiratório e analítico sem alterações.
Radiografia torácica sem alterações. TC tórax revelou presença de
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
12
múltiplos nódulos bilaterais, de limites bem definidos, suspeitos
de metastização. Efectuou biopsia pulmonar transtorácica (BPT)
a nódulo no lobo médio, cuja histologia revelou neoplasia epitelial com expressão de marcadores neuroendócrinos (sinaptofisina
e cromogranina), com TTF1 positiva, não sendo possível o diagnóstico diferencial entre carcinóide e adenocarcinoma tipo fetal.
Posteriormente, foi efectuada BPT a nódulo no lobo inferior direito cuja histologia mostrou neoplasia de padrão fusocelular, compatível com carcinóide típico, imunohistoquímica com marcação
para cromogranina, sinaptofisina, CD56 e AE1/AE3. Cromogranina
A sérica normal. Broncofibroscopia sem lesões endobrônquicas,
citologia de lavado brônquico e broncoalveolar negativa para malignidade. Efectuou cintigrafia de receptores da somatostatina
que revelou imagem de hiperfixação do radiofármaco com localização cefalopancreática e 68Ga-DOTATOC-PET com hiperfixação
na projecção do rochedo do osso temporal esquerdo, alterações
não confirmadas por exames subsequentes. Foram excluídas neoplasias de outros órgãos. Pela multiplicidade de lesões não foi
possível tratamento cirúrgico, mantendo vigilância clínica e radiológica. Após 18 meses de vigilância, mantém-se assintomática
do ponto de vista respiratório, não se verificando crescimento dos
nódulos pulmonares.
Conclusões: Nesta doente, após exclusão de outra neoplasia, foi
estabelecido o diagnóstico de carcinóides múltiplos síncronos, com
evolução clínica favorável. Realça-se a raridade do caso, pois os tumores carcinóides pulmonares raramente têm atingimento síncrono
e bilateral, existindo apenas quatro referências alusivas a casos
clínicos semelhantes. O tratamento preferencial é o tratamento
cirúrgico, nem sempre possível.
Palavras-chave: Carcinóides pulmonares. Carcinóides típicos
síncronos. Carcinóides múltiplos e bilaterais.
PO29. LOCALIZAÇÃO RARA DE METÁSTASE DE
CARCINOMA EPIDERMÓIDE DO PULMÃO: A PROPÓSITO
DE UM CASO CLÍNICO
R. Linhas, A. Antunes, M. Dias, A. Barroso
Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.
Introdução: O cancro do pulmão é a causa mais frequente de morte
por cancro. Cerca de 50% dos carcinomas do pulmão apresentam
metástases à distância na altura do diagnóstico. As metástases do
cólon/pericólicas são raras e muito excecionalmente sintomáticas.
Os autores apresentam um caso de um carcinoma epidermóide do
pulmão que se manifestou por sintomas intestinais.
Caso clínico: Doente do sexo masculino, 63 anos, autónomo nas
atividades de vida diária. Pescador reformado. Fumador dos 15
aos 52 anos-55 UMA. Em maio de 2013 iniciou sintomas de obstipação seguidos de rectorragias que manteve durante 3 meses até
procurar assistência hospitalar em hospital privado. Realizou colonoscopia que mostrou abaulamento do cólon sigmóide. A biópsia
desta lesão mostrou fragmentos de mucosa cólica com invasão
extrínseca por neoplasia de padrão pavimentóide de células de
citoplasma clarificado e positividade intensa para CK7. Apesar de
não conclusivos estes achados apontavam para neoplasia primária
do pulmão. Efetuou TC toracoabdominal que mostrou duas massas
neoformativas nos segmentos superior e posterior do lobo pulmonar inferior direito e adenopatias subcarinal e paratraqueais. Posteriormente realizou bióspia aspirativa trans-torácica, que mostrou tratar-se de carcinoma epidermóide do pulmão; CK7 e p53
positivos. A PET revelou captação numa volumosa massa pulmonar
direita justamediastínica e justavertebral com invasão do mediastino posterior, traqueia e região subcarínica; intensa captação
em volumosa massa no cólon sigmóide e recto. Efetuou ainda TC
cerebral, sem evidência de lesões secundárias. Orientado para
consulta de Pneumologia Oncológica no CHVNG/E. Realizou broncofibroscopia que mostrou compressão extrínseca da porção ter-
21º Congresso de Pneumologia do Norte
minal da traqueia e do brônquio principal direito. Após discussão
do caso em reunião de Oncologia Médica foi assumido como diagnóstico definitivo carcinoma epidermóide do pulmão em estadio
IV. Mutação EFGR negativa. Foi incluído no ensaio clínico IDEATE
(carboplatina, paclitaxel e ipilimumab) tendo completado 2 ciclos
de quimioterapia com carboplatina e paclitaxel com progressão
por crescimento da metástase pericólica. Na TC de avaliação dos
2 ciclos constatou-se TEP que levou ao início de hipocoagulação.
Posteriormente iniciou retorragias de difícil controlo acabando
por efetuar radioterapia paliativa da metástase pericólica. Iniciou 2ª linha de quimioterapia com gemcitabina, mas registou-se
o óbito no decurso do 1º ciclo.
Discussão: Este caso clínico descreve uma ocorrência rara de metástase pericólica sintomática de um carcinoma primário do pulmão. Na literatura as metástases gastrointestinais sintomáticas em
doentes com cancro do pulmão estão habitualmente associadas a
um mau prognóstico, tal como se verificou neste caso.
Palavras-chave: Metástase pericólica. Carcinoma primário do
pulmão. Carcinoma epidermoide.
PO30. JOVEM COM TROMBOEMBOLISMO PULMONARCASO CLíNICO
M.M. Sala
Hospital Santa Maria.
Introdução: O tromboembolismo pulmonar (TEP) é a obstrução da
artéria pulmonar ou de um dos seus ramos por um trombo originário, na maioria das vezes, do território venoso. Pode ser agudo ou
crónico; na maioria das vezes a instalação é súbita. Sessenta e cinco a 90% dos episódios originam-se no sistema venoso profundo dos
membros inferiores. A principal manifestação clínica é a dispneia
de início súbito.
Caso clínico: Mulher de 27 anos, fumadora de 10 UMA, professora
de educação física, com antecedentes de cólica renal recidivante
à direita por litíase e insuficiência venosa dos membros inferiores. Medicada apenas com anticonceptivos orais. Em Setembro de
2013, inicia subitamente toracalgia pleurítica intensa, associada a
cervicalgia e lombalgia homolateral. Nega febre, tosse, expectoração. Recorre à urgência, é avaliada e tem alta com analgésicos
e anti-inflamatórios. Após seis dias no domicílio, nota agravamento
da toracalgia, instalação de tosse e expectoração hemoptóica. Volta a recorrer à urgência e é internada. Na admissão: consciente,
hidratada, cianose labial, Fr: 22 ciclos/mn, PA: 120/56 mmHg, FC:
72 bat/min, SpO2 (FiO2 21%): 94%, AC: S1+S2 rítmicos, AP: MV diminuído na base direita e fervores crepitantes bi-basais, membros
inferiores com insuficiência venosa ligeira e sem sinais de trombose venosa. Laboratorialmente: Hg: 13,1 g/dl, PCR: 0,5 mg/dl, DDímeros: 0,56 µg/ml, ureia: 36 mg/dl,creatinina: 0,7 mg/dl, TGO:
25U/L. Gasometria arterial (FiO2: 21%): pH: 7,46, PaCO2: 34 mmHg,
PaO2: 74 mmHg, HCO3: 25 mmol/L, SatO2: 92%. Telerradiografia do
tórax: sem alterações. Foi colocado o diagnóstico provisório de TEP
e é iniciada terapêutica com heparina. Da avaliação complementar
realizada durante o internamento destacam-se: Laboratorialmente: factor V Leiden, anti-trombina III, Proteína C, Proteína S, Resistência à proteína C activada e anticorpos antifosfolípidos (anticardiolipina e anti-coagulante lúpico)-normais Eco-Doppler venoso
dos membros inferiores:sem alterações. Ecocardiograma: sem alterações. Angio-TAC tórax: sinais de tromboembolismo pulmonar
nos ramos arteriais lobares e segmentares do lobo inferior à direita
e envolvimento segmentar do lobo inferior à esquerda. Áreas de
enfarte no lobo médio. Calibre da artéria pulmonar normal. Após
a instituição da terapêutica, verificou-se melhoria clínica, negativação dos D-dímeros e correcção da insuficiência respiratória. O
diagnóstico definitivo foi de tromboembolismo pulmonar bilateral
com múltiplas áreas de enfarte pulmonar. A doente teve alta com
anticoagulação oral.
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
21º Congresso de Pneumologia do Norte
Discussão: O presente caso ilustra claramente a inespecificidade do quadro clínico por vezes associado ao TEP. O facto de se
tratar de uma mulher jovem, fumadora e sob anticonceptivos
orais, com dispneia súbita, taquipneia e D-dímeros positivos, faz
suspeitar fortemente do diagnóstico. As alterações gasométricas
são, aparentemente, marginais, no entanto, o cálculo do gradiente alvéolo-arterial de O 2 (33 mmHg) mostra a existência de um
desequilíbrio importante da relação ventilação-perfusão. A AngioTAC torácica confirmou o diagnóstico e a anti-concepção oral foi
interrompida.
Palavras-chave: Tromboembolismo pulmonar. Angio-TAC.
PO31. UNIPORTAL VIDEO-ASSISTED THORACOSCOPIC
SURGERY: SINGLE CENTER INITIAL EXPERIENCE
D. Martins
Centro Hospital de Vila Nova de Gaia/Espinho.
Introduction: Conventional video-assisted thoracoscopic surgery
(VATS) uses multiple incisions, including an access incision and several port incisions. VATS greatly reduces patient postoperative pain,
chest wall paresthesia and hospital stay compared with traditional
thoracotomy incisions. However, the effort to reduce even more
the invasiveness of thoracic surgery is increasing in our specialty.
In this context, preliminary evidence has shown that uniportal VATS
represents a valuable option to perform different diagnostic and
therapeutic procedures.
Material and methods: We report our initial experience of uniportal VATS to evaluate the technical feasibility and early results
treating pleural diseases, mediastinal neoplasm, lung cancer and
diaphragmatic hernia. Under general anaesthesia and single-lung
ventilation, a VATS approach using a 2-5-cm single incision was
made in the fifth intercostal space with total muscle-sparing and
no rib spreading. For pneumotorax, a 10-mm 0o videothoracoscope, a roticulating grasper, and an endoGIA stapler were introduced through the single port. Apical lung blebs were stapled, and
pleurodesis was performed. For lobectomy, true anatomic hilar
dissection, individual vascular and bronchial ligation, and mediastinal lymph node dissection were performed under thoracoscopic
visualization.
Results: Between November 2013 and December 2013, 19 uniportal VATS procedures (11 male and 8 female; median age, 49.0
years; range, 20 to 71) were performed. This figure represents
38% of all the thoracic surgical procedures in the study period
(2 months). Of the 19 uniportal VATS, 3 patients (15.8%) had
malignant diseases, and 16 patients (84.2%) had benign diseases.
We performed 9 pleurectomy, 4 wedge resections, 2 lobectomy
and 4 cases for other conditions (mediastinal and thoracic wall
tumors and diaphragmatic hernia correction). Mean operative
time was 180 ± 10 min for lobectomy and 40 ± 20 min for pleurectomy or wedge resection. Conversion to either 2 port VATS
or minithoracotomy was necessary in 2 of the patients, often
due to incomplete lung collapse or pleural adhesion. The chest
drain was removed after a median of 2 days (range, 1 to 6) and
median hospitalization after surgery for uniportal VATS was 4
days (range, 2 to 8).
Conclusions: In our experience, uniportal VATS is nowadays performed in more than one third of our surgical candidates with a
very low conversion rate to minithoracotomy, a very low morbidity
and mortality, and, short hospitalization. As such, uniportal VATS
represents a consolidated addition to the surgical armamentarium
which has the potential of reducing even more the trauma of the
surgical access and postoperative pain and can be reliably used in
the diagnostic or therapeutic purposes.
Key words: Video-assisted thoracic surgery. Uniportal. Lung
cancer.
13
PO32. DESNUTRIÇÃO EM DOENTES INTERNADOS
NO SERVIÇO DE PNEUMOLOGIA DO CHVNG/E
I. Maia1, S. Silva2, S. Xará2, T. Shiang3, T. Freitas Amaral4
Nutricionista. 2Serviço de Nutrição e Dietética; 3Serviço de
Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.
4
Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação, Universidade
do Porto.
1
Introdução: A desnutrição está presente em cerca de 30% dos doentes internados à admissão hospitalar. A avaliação do risco de desnutrição é justificada pelo fato de esta estar associada ao aumento
da morbilidade, do tempo de internamento e da mortalidade que
se traduzem num aumento dos custos e diminuição da qualidade de
vida. Dada a escassez de informação sobre a situação nutricional
dos doentes internados em unidades de Pneumologia, o seu estudo
reveste-se da maior importância.
Objectivos: Caracterizar o risco de desnutrição dos doentes internados no Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar de Vila Nova
de Gaia/Espinho, Entidade Pública Empresarial.
Material e métodos: Realizou-se um estudo descritivo no Serviço
de Pneumologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, Entidade Pública Empresarial, tendo sido incluídos os doentes
admitidos no internamento deste Serviço entre fevereiro e julho
e entre setembro e novembro de 2013 que tinham idade igual ou
superior a 18 anos. Avaliaram-se características sociodemográficas,
o motivo de admissão e o risco de desnutrição através da aplicação
do Malnutrition Universal Screening Tool.
Resultados: A amostra compreende 545 doentes, a maioria do sexo
masculino (67,3%), com uma média de idade de 63,4 (± 16,2) anos.
Destes doentes, 15% apresentavam risco elevado e 14,7% risco
moderado de desnutrição. A patologia que mais frequentemente
motivou o internamento foi a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica
(24,4%). Nos doentes com risco de desnutrição elevado, os motivos
de admissão mais representativos foram a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (25,6%) e o Cancro do Pulmão (22,3%). Nos doentes
que apresentavam risco de desnutrição moderado, observaram-se
igualmente os mesmos motivos de admissão como os mais representativos (23,8% e 20%, respetivamente).
Conclusões: Os doentes internados no Serviço de Pneumologia
apresentavam uma frequência considerável de risco de desnutrição
elevado (15,0%), sendo que os doentes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica e com Cancro do Pulmão foram os que apresentaram maior risco de desnutrição. Estes resultados reforçam a importância de realização da avaliação do risco de desnutrição a todos os
doentes internados, na perspetiva de uma atuação precoce.
Palavras-chave: Desnutrição. Risco nutricional.
PO33. IMPACTO DAS COMPLICAÇÕES ASSOCIADAS
AO TRANSPLANTE PULMONAR NA QUALIDADE DE VIDA
E NO ESTADO FUNCIONAL DOS DOENTES
A.V. Cardoso1, H. Novais e Bastos1-3, C. Damas1
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de São João, Porto.
Instituto de Investigação das Ciências da Vida e da Saúde (ICVS),
Escola de Ciências da Saúde, Universidade do Minho. 3ICVS/3B’sPT Government Associate Laboratory, Braga/Guimarães.
1
2
Introdução: O transplante pulmonar (TP) é uma opção terapêutica
a ponderar em doentes com patologia pulmonar não maligna em estádio terminal. Num grupo seleccionado de doentes, o transplante
prolonga a sobrevida e melhora a qualidade de vida. No entanto,
está também associado a complicações que podem causar uma elevada morbilidade.
Objectivos: Avaliar o impacto das complicações associadas ao TP
na qualidade de vida, na limitação física e na ansiedade/depressão
dos doentes transplantados.
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
14
Material e métodos: Estudo retrospectivo dos doentes transplantados seguidos em Consulta de TP do Centro Hospitalar de São João.
Análise das complicações relacionadas com o TP e da sua correlação
com a qualidade de vida, a limitação física para as atividades de
vida diária e a ansiedade/depressão, avaliadas, respetivamente,
através da aplicação do questionário Medical Outcomes Study Short
Form-36 (SF-36), da escala London Chest Activity of Daily Living
(LCADL) e pela Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS). A análise estatística foi efetuada com o SPSS statistics 19.
Resultados: Em Janeiro de 2014 eram seguidos na Consulta de
TP 35 doentes. Destes foram incluídos 30 [homens: 19 (63,3%);
idade média: 48,4 ± 12,3 anos; transplantes uni/bilaterais: 19
(63,3%)/11 (36,7%)]. As complicações mais frequentes foram: osteoporose – 14 (46,7%), infeção por CMV – 12 (40%), disfunção
renal – 10 (33,3%), dislipidemia – 10 (33,3%), HTA – 9 (30%) e rejeição aguda – 9 (30%). A síndrome de bronquiolite obliterante
ocorreu em 1 doente (3,3%). Verificou-se uma correlação negativa
entre o número de complicações e a qualidade de vida pelo SF-36
nos domínios da dor física (r = -0,36; p = 0,04), da vitalidade (r =
-0,37; p = 0,04), do desempenho emocional (r = -0,37; p = 0,04)
e da saúde mental (r = -0,39; p = 0,03). Não foi estabelecida
associação significativa com os restantes quatro domínios do SF36. Em relação ao estado funcional dos doentes, observou-se uma
correlação positiva entre as complicações e a limitação física no
domínio do cuidado pessoal da LCADL (r = 0,45; p = 0,01), não se
verificando essa associação com os outros domínios nem com score
total da LCADL. A ansiedade e a depressão não se correlacionaram
com as complicações.
Conclusões: As complicações associadas ao transplante pulmonar contribuem para a diminuição da qualidade de vida e para o
aumento da limitação física dos doentes transplantados. Contudo,
na população estudada, o seu papel não foi determinante, apresentando apenas associações moderadas a baixas com alguns dos domínios do SF-36 e da LCADL, sugerindo que existem outros fatores
importantes a influenciar estas variáveis.
Palavras-chave: Transplante pulmonar. Complicações. Qualidade
de vida. Limitação física.
PO34. PÓLIPOS DAS CORDAS VOCAIS: UMA CAUSA RARA
DE SÍNCOPE?
M. Dias1, J. Almeida1, T. Bernardo2, A. Antunes1
Serviço de Pneumologia; 2Serviço de Otorrinolaringologia, Centro
Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho.
1
Introdução: A síncope é frequentemente causada por patologia
cardíaca ou vasomotora. No entanto, existem outras causas que,
embora menos frequentes, não devem ser negligenciadas.
Caso clínico: Sexo masculino, 77 anos, sapateiro reformado, fumador (65 UMA). Antecedentes de hipertensão arterial e dislipidemia, sem patologia pulmonar conhecida. Em Março de 2012,
recorreu ao Serviço de Urgência (SU) por síncope. Sem sintomas
respiratórios, sem palpitações, sem sintomas constitucionais.
Já tinha tido dois episódios semelhantes no passado mas não
tinha recorrido ao médico. No SU apresentava-se normotenso,
normocárdico, normoglicémico, apirético, SatO 2: 95%, sem alterações neurológicas, auscultação cardiopulmonar normal. O
electrocardiograma, a tomografia cerebral e o estudo analítico
não revelaram alterações. Realizou angiotomografia pulmonar
que revelou nódulo pulmonar no lobo superior esquerdo, sendo orientado para a consulta de Pneumologia Oncológica. Em
ambulatório realizou um holter sem alterações. Realizou broncofibroscopia para estudo da lesão pulmonar que mostrou volumoso pólipo pediculado e móvel na comissura anterior da corda
vocal direita, entrando com facilidade para a fenda glótica, sem
outras alterações. Citologia do lavado brônquico negativa para
células malignas. Foi pedida colaboração de otorrinolaringologia
21º Congresso de Pneumologia do Norte
que optou pela realização de biópsia excisional da lesão polipóide. O exame histológico revelou mucosa laríngea com epitélio
pavimentoso estratificado sem alterações e córion com edemas
e alguns vasos congestionados, sem sinais de malignidade. O
doente mantém-se em seguimento por Pneumologia pelo nódulo
pulmonar que se mantém estável. Diminuiu os hábitos tabágicos
para evitar recidiva da lesão nas cordas vocais. Não teve novos
episódios de síncope.
Discussão: Os pólipos das cordas vocais são uma entidade benigna,
mas pode cursar com morbilidade importante. Neste caso clínico,
o doente apresentava um pólipo de grandes dimensões das cordas vocais que condicionava uma obstrução quase completa da via
aérea superior. Essa obstrução pode ser, ocasionalmente, completa
e consequentemente causar uma diminuição transitória da oxigenação cerebral, provocando uma síncope. Após excluída patologia
cardiocirculatória e realizada a excisão do pólipo, o doente não voltou a ter episódios de síncope. Nestes casos, é também importante
o aconselhamento sobre a importância da desabituação tabágica
para evitar recidivas.
Palavras-chave: Pólipos das cordas vocais. Síncope. Obstrução
vias aéreas.
PO35. TROMBOEMBOLISMO PULMONAR – MAIS
UM DISFARCE, A PROPÓSITO DE UM CASO
L. Meira1, I. Gomes1, J. Rema2, M. Vaz1, I. Barbosa2
Serviço de Pneumologia; 2Serviço de Medicina Interna,
Centro Hospitalar S. João.
1
Introdução: O diagnóstico do tromboembolismo pulmonar (TEP)
constitui um desafio devido às múltiplas apresentações possíveis,
podendo simular várias entidades nosológicas. Apresentação de
caso de TEP num doente internado no Serviço de Medicina Interna,
de diagnóstico dificultado pela apresentação sugestiva de infecção
não controlada.
Caso clínico: Homem de 57 anos, fumador, com múltiplas co-morbilidades (hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2 insulinotratado com nefropatia em hemodiálise, insuficiência cardíaca grave,
insuficiências mitral e tricúspide ligeiras e hepatopatia crónica).
Foi internado no Serviço de Medicina Interna com o diagnóstico de
pneumonia adquirida na comunidade (PAC), após transferência do
Hospital da Póvoa de Varzim onde recorreu por dor pleurítica no
hemitorax esquerdo, tosse e expetoração mucosa, com uma semana de evolução após queda no domicílio. À admissão: hemodinamicamente estável, edemas periféricos ligeiros, simétricos, sem
dispneia ou sinais de dificuldade respiratória, radiografia torácica
com imagem de derrame pleural (DP) direito e hipotransparência
à esquerda. Analiticamente, apresentava elevação dos parâmetros
inflamatórios. A gasometria arterial revelava hipoxemia (PaO2 – 61
mmHg), com normocapnia (PaCO2 – 42 mmHg). Iniciou azitromicina
e ceftriaxone, tendo-se escalado a antibioterapia para vancomicina
e imipenem por resposta precária à inicial, verificando-se melhoria
transitória dos parâmetros de infecção. Contudo, por aumento do
derrame pleural, foram realizadas toracocenteses, para diagnóstico
e alívio, que revelaram exsudado sem evidência de malignidade
ou isolamentos microbiológicos. A biópsia pleural sugeriu pleurite
aguda fibrinóide em organização. Por nova elevação dos parâmetros
inflamatórios, sem melhoria radiológica, realizou TC torácica que
demonstrou derrame pleural de pequeno volume bilateralmente,
multisseptado, com captação dos folhetos pleurais à direita sugerindo exsudado e com infiltrados pulmonares bilaterais, aparentando pneumonia necrotizante com cavitação importante no lobo
inferior direito. Após reavaliação das imagens, e porque o exame
tinha sido realizado com contraste (ainda que não angio-TC), foram
identificadas imagens endovasculares compatíveis com êmbolos das
artérias pulmonares bilateralmente, nomeadamente na área de
cavitação, correspondendo a enfarte pulmonar extenso. O doente
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
21º Congresso de Pneumologia do Norte
iniciou heparina de baixo peso molecular em dose ajustada às suas
co-morbilidades.
Discussão: A apresentação mais insidiosa, sem o “típico” quadro
de “distress” respiratório e cardiovascular, a par da tosse e da dor
pleurítica, contribuíram para que a clínica fosse inicialmente atribuída a PAC e à queda. Contudo, “a posteriori” é possível entender que a constelação de sinais e sintomas, bem como o quadro
laboratorial e imagiológico podiam desde o início dever-se ao TEP
importante, pelo que o índice de suspeita deve ser sempre elevado
para que o tratamento dirigido seja precoce.
Palavras-chave: Tromboembolismo pulmonar. Diagnóstico diferencial.
PO36. ESTENOSE DAS VEIAS PULMONARES APÓS
ABLAÇÃO DE FIBRILHAÇÃO AURICULAR – UM DESAFIO
DIAGNÓSTICO
A.V. Cardoso1, P. Caetano Moura1,2, N. Melo1, J. Campos3, R. Mota
Garcia1, C. Souto Moura2,4, J.M. Jesus5, A. Morais1,2,
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de São João, EPE,
Porto. 2Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. 3Serviço
de Cardiologia; 4Serviço de Anatomia Patológica; 5Serviço de
Radiologia. Centro Hospitalar de São João, EPE, Porto.
1
Introdução: A estenose das veias pulmonares (EVP) é uma complicação rara (incidência inferior a 3%) do isolamento das veias
pulmonares por radiofrequência durante a ablação da fibrilhação
auricular (FA). Apenas uma minoria dos doentes apresenta sintomas, os quais são variáveis de acordo com extensão, distribuição e
gravidade da EVP.
Caso clínico: Homem caucasiano de 59 anos, com FA persistente,
recorrente e sintomática, de difícil controlo, que foi submetido
a ablação percutânea de FA com isolamento circunferencial das
veias pulmonares por radiofrequência. Sem recorrência clínica
ou registo de episódios assintomáticos de FA. Contudo, cerca de
6 meses após, o doente inicia dispneia e tosse seca associadas
ao esforço. O Holter, a prova de esforço e o ECG não revelaram
alterações, observando-se uma dilatação ligeira da AE no ecocardiograma. A angioTC cardíaca revelou oclusão da veia pulmonar inferior esquerda (VPIE) e estenose grave da veia pulmonar
superior esquerda (VPSE), pelo que se manteve hipocoagulado.
Após episódio de hemoptises, realizou TCAR torácica que revelou
consolidações e opacidades em vidro despolido bilaterais. A BFC
com LBA para estudo celular e biopsia transtorácica realizadas
não permitiram estabelecer um diagnóstico preciso. Entretanto,
verificou- se um agravamento clínico e imagiológico com maior
extensão das zonas em vidro despolido e progressão da estenose
da VPSE para suboclusão. Foi submetido a lobectomia inferior esquerda e plastia da VPSE com retalho de pericárdio bovino, após
falência da dilatação percutânea dessa suboclusão. A avaliação
anátomo-patológica do LIE revelou achados compatíveis com hipertensão pulmonar pulmonar (grau II na escala de Heath and
Edwards) e congestão venosa crónica por EVP. Após um mês de
evolução clínica favorável, re-iniciou dispneia de esforço e tosse.
A angioTC torácica revelou re-oclusão da VPSE e a cintigrafia pulmonar quantificou uma perfusão pulmonar esquerda < 6%. Atendendo à evolução e gravidade do quadro nesta fase optou-se por
pedir colaboração a um Centro de Referência de Cardiologia de
Intervenção para orientação terapêutica.
Discussão: O caso apresentado exemplifica e alerta para a ocorrência de EVP de extrema gravidade num doente com história de
ablação de FA, para além da considerável complexidade em torno
da sua apresentação clínica e imagiológica, bem como abordagem
terapêutica.
Palavras-chave: Estenose das veias pulmonares. Ablação da
fibrilhação auricular. Dispneia de esforço. Hemoptises.
15
PO37. OXIGENOTERAPIA EM ADULTOS INTERNADOS:
AUDITORIA NUMA ENFERMARIA MÉDICA DE UM HOSPITAL
CENTRAL
A.L. Vieira, D. Alves, B. Fernandes, J. Cunha
Serviço de Pneumologia, Hospital de Braga.
Introdução: A oxigenoterapia é uma prática comum nos hospitais,
principalmente nas enfermarias médicas. A prescrição de oxigénio
deve respeitar indicações, doses e modos de administração e monitorização particulares. A literatura aponta para práticas inadequadas nos procedimentos de oxigenoterapia.
Objectivos: Com o objetivo de identificar procedimentos incorretos e planear estratégias de melhoria, procedeu-se a uma auditoria clínica, comparando-se as práticas de oxigenoterapia com as
recomendações da British Thoracic Society (Guideline for oxygen
emergency use in adult patients).
Material e métodos: Selecionou-se uma quinta-feira aleatória numa
enfermaria médica de um hospital central. Incluíram-se doentes
com administração ou prescrição médica de oxigénio. Excluíram-se
doentes com oxigenoterapia por ventilação não- invasiva ou admitidos nas últimas 24 horas. Os profissionais de saúde desconheciam
a realização da auditoria.
Resultados: Obteve-se uma amostra válida de 35 doentes, aos
cuidados de Cardiologia (37,1%), Pneumologia (34,3%) e Medicina
Interna (28,6%), principalmente do género masculino (74,3%) e
idade média de 64,6 ± 16,6 anos, com moda de 54 e mediana de
66. Apesar da prescrição de oxigenoterapia em 45,7% dos doentes, apenas 42,9% se encontrava com oxigenoterapia suplementar.
A administração por enfermagem foi concordante com a prescrição
digital em apenas 62,9% dos episódios. O oxigénio foi maioritariamente prescrito como contínuo (53,3%), versus em SOS, no entanto,
sem monitorização contínua. O principal motivo de prescrição e
administração de oxigénio revelou-se a insuficiência respiratória
hipercápnica (42,9%), seguido da insuficiência respiratória hipoxémica (28,6%). Aproximadamente dois terços dos doentes incluídos
encontravam-se em risco de insuficiência respiratória hipercápnica. Relativamente a este subgrupo de doentes, apenas 18,2% tinha
prescrição médica de oxigenoterapia para objetivo de intervalo de
saturação apropriado e 58,3% encontrava-se com saturações periféricas superiores ao recomendado. A administração de oxigénio foi
concordante com a prescrição em apenas 25%. Menos de metade
(43,8%) dos episódios auditados se encontrava de acordo com as recomendações acima referidas, principalmente devido a prescrições
incompletas de oxigenoterapia. Salienta-se que em 84,6% das prescrições o objetivo de intervalo de saturação não era apropriado
ou não havia informação relativa a saturação-alvo. Além disso,
destaca-se que 11,4% dos doentes se encontrava com saturações
periféricas inferiores ao recomendado.
Conclusões: Este trabalho demonstrou que, apesar de comum, a
oxigenoterapia continua a não ser praticada de acordo com as recomendações. Assim, estabeleceu-se a necessidade de formação
adicional a profissionais de saúde, de implementação de protocolos
relativos a procedimentos de oxigenoterapia e de ajustes nas aplicações informáticas do hospital. Proceder-se-á a uma reauditoria
clínica de modo a avaliar o benefício destas iniciativas.
Palavras-chave: Auditoria clínica. Oxigenoterapia.
PO38. IMPACTO DAS BRONQUIECTASIAS NOS
REINTERNAMENTOS NUM SERVIÇO DE PNEUMOLOGIA
D. Coutinho, M.J. Oliveira, D. Vaz, M. Dias, M.C. Brito, T. Shiang
Serviço de Pneumologia, CHVNG/E.
Introdução: Apesar de se ter observado uma diminuição progressiva
da incidência de bronquiectasias, a sua presença nos doentes internados em serviços de Pneumologia continua a ser muito elevada. As
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
16
bronquiectasias, associadas ou não a outra patologia, representam
um importante desafio na nossa prática clínica, pelo que se torna
fundamental perceber melhor de que modo esta patologia influencia o internamento dos doentes com patologia pulmonar.
Objectivos: Verificar o impacto das bronquiectasias e de outros
fatores no reinternamento de doentes com doença obstrutiva das
vias aéreas.
Material e métodos: Trata-se de um estudo retrospetivo, baseado
nos registos informáticos de todos os doentes internados num serviço de Pneumologia com o diagnóstico primário de exacerbação de
doença obstrutiva das vias aéreas entre Maio de 2010 e Dezembro
de 2012. Os dados colhidos incluem variáveis sociodemográficas,
hábitos tabágicos, provas de função respiratória, oxigenoterapia
ou ventilação não invasiva domiciliária prévia, comorbilidades e
mortalidade. O modelo de regressão de Cox foi usado para analisar
a influência destas variáveis na taxa de reinternamento.
Resultados: Foram incluídos 177 doentes neste estudo (153 doentes com DPOC e 63 doentes com bronquiectasias, sendo que 39
destes doentes apresentavam as duas patologias). A idade média
era de 68,9 ± 13,2 anos, 80,2% eram homens e 70,6% apresentavam história de hábitos tabágicos (27,1% eram fumadores activos).
Mais de metade (53,7%) apresentava-se sob oxigenoterapia de longa duração (OLD). A patologia cardiovascular estava presente em
36,2% dos casos. A taxa de mortalidade anual foi de 18,6%. A taxa
de reinternamento precoce (< 30 dias após data de alta) foi de
7,3%, enquanto que a taxa de reinternamento ao ano foi de 43,5%.
A população foi dividida em dois grupos, com e sem bronquiectasias. Os doentes com bronquiectasias (n = 63) revelaram um risco
aumentado de reinternamento (p = 0,017; OR = 9,60). Na análise
univariada, verificou-se nestes mesmos doentes a presença de uma
associação estatisticamente significativa entre reinternamento e
OLD (p = 0,008), antecedentes de patologia cardiovascular (p =
0,017) e mortalidade global (p = 0,004). Os restantes doentes (n
= 114) revelaram apenas uma associação entre reinternamentos e
mortalidade global (p = 0,013). Apenas a variável OLD (p = 0,003;
HR = 3,95) manteve valor prognóstico na análise multivariada.
Conclusões: As bronquiectasias estão associadas a um risco aumentado de reinternamento hospitalar. Nestes doentes verificamos que
a necessidade de OLD é o principal preditor de reinternamento.
Palavras-chave: Bronquiectasias. DPOC. Reinternamentos.
PO39. PAPEL DAS COMORBILIDADES NOS
INTERNAMENTOS POR AGUDIZAÇÃO DE ASMA
EM PORTUGAL CONTINENTAL (2010-2012)
L. Nascimento1, L. Ribeiro1, T. Calvo1, M.J. Silvestre1, R. Silva2,
C. Pinto1, A. Fernandes1, A. Afonso1
1
Pneumologia; 2Imunoalergologia, CHTMAD Vila Real.
Introdução: A asma é uma doença respiratória crónica cuja prevalência continua a aumentar tornando-a, portanto, um problema
de saúde pública a nível mundial. O número de internamentos por
asma em Portugal tem vindo progressivamente a diminuir possivelmente pelo melhor controlo dos doentes, dos estímulos exacerbadores e das comorbilidades associadas.
Objectivos: Identificação das comorbilidades e dos factores preditivos de reinternamento e de mortalidade por asma em Portugal
Continental entre 2010 e 2012.
Material e métodos: Estudo retrospectivo, baseado na análise da base
de dados da Administração Central dos Serviços de Saúde, dos internamentos hospitalares com diagnóstico principal de asma, ocorridos em
Portugal continental no período compreendido entre 2010 e 2012.
Resultados: Foram analisados 7814 episódios de internamento correspondentes a 7.093 doentes diferentes. Verificou-se que 8,7% (n
676) dos doentes eram obesos, 6,1% (n 475) tinham insuficiência
cardíaca, 5,6% (n 435) eram fumadores, 4,3% (335) tinham insuficiência respiratória crónica, 4% (n 313) tinham depressão e 3,98%
21º Congresso de Pneumologia do Norte
(n 311) tinham o diagnóstico de rinite. Apenas 1,8% (n 137) tinha
sinusite e 1,7% (132) sofria de refluxo gastroesofágico. Nos doentes
com mais do que um internamento no período de tempo estudado (n 721) verificou- se um aumento da prevalência da obesidade
(12,5%), da depressão (7,8%) e da insuficiência respiratória crónica
(8,5%). Os factores preditivos de reinternamento por asma foi o tabagismo (OR 1,708, p < 0,05) e a presença de pneumonia (OR 1,689,
p < 0,05). A taxa de mortalidade intra-hospitalar foi de 0,88% (n 69)
tendo-se constatado o aumento das prevalências da insuficiência
cardíaca, da pneumonia, da insuficiência respiratória crónica e da
obesidade nesse grupo de doentes. Estas foram, respectivamente,
de 30,4% (n 21), 15,9% (n 11), 11,6% (n 8) e 8,7% (n 6). Os preditores
de mortalidade foram a insuficiência cardíaca (OR 7,026, p < 0,05),
a pneumonia (OR 4,195, p < 0,05), a insuficiência respiratória crónica (OR 2,975, p < 0,05) e o tabagismo (OR 2,975, p < 0,05).
Conclusões: As principais comorbilidades identificadas foram a
obesidade, a insuficiência cardíaca e o tabagismo tendo-se verificado, genericamente, um aumento da prevalência das comorbilidades no grupo de doentes reinternados e no grupo de doentes que
faleceram. Identificamos como preditores de mortalidade por asma
a insuficiência cardíaca, a presença de pneumonia, a insuficiência
respiratória crónica e o tabagismo o que permite a sinalização de
doentes de risco.
Palavras-chave: Asma. Portugal. Comorbilidades.
PO40. IMPACTO DA REABILITAÇÃO RESPIRATÓRIA NA
QUALIDADE DE VIDA DE DOENTES COM BRONQUIECTASIAS
L. Gaspar1, P. Martins1, E. Araújo1, P. Viana1, M. van Zeller1,
A. Amorim1,2, M. Borges1, F. Ribeiro3, I. Gomes1
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar São João. 2Faculdade
Medicina Universidade do Porto. 3Instituto Politécnico de Saúde
do Norte, Escola Superior de Saúde do Vale do Ave.
1
Introdução: A informação relativamente ao impacto da reabilitação
pulmonar na qualidade de vida, e na função respiratória dos doentes com bronquiectasias é escassa.
Objectivos: Avaliar o impacto de um programa de reabilitação pulmonar na qualidade de vida (QV), e na avaliação funcional e gasométrica em doentes com bronquiectasias.
Material e métodos: Estudo prospectivo que incluiu doentes com
bronquiectasias confirmadas por tomografia computorizada de alta
resolução e seguidos em consulta de Pneumologia no Centro Hospitalar de São João. Os doentes tinham conhecimentos prévios de
técnicas de mobilização de secreções e o programa de reabilitação
respiratória decorreu 3x/semana, com treino em cicloergómetro e
reforço muscular dos membros superiores e inferiores. Os doentes
efectuaram avaliação no início e no final do programa de reabilitação respiratória da QV através do Questionário de Saint George
(SGRQ) e da função respiratória e gasométrica.
Resultados: Foram incluídos 23 doentes (39,1% homens, 60,9%
mulheres; idade média de 53,3 anos). O programa de reabilitação
respiratória teve uma duração mediana de 12 semanas. A avaliação
inicial da QV foi na avaliação global SGRQ 48,5 (sintomas – 59,2,
actividade- 59,5 e impacto – 44,3), sendo que no final do programa
verificou-se melhoria significativa na avaliação da QV global (p =
0,003) e das subescalas (sintomas p = 0,042; actividade p = 0,009
e impactos p = 0,026). Na avaliação inicial da avaliação funcional
e gasométrica a mediana dos valores foram: CVF: 67,9, VEMS: 42,
IT: 58,5 e o VR: 180. A PO2 inicial foi 69,4. Não foram encontrados
resultados estatisticamente significativos na avaliação funcional.
Conclusões: O programa de reabilitação respiratória condicionou
melhoria significativa na qualidade de vida neste grupo de doentes
com bronquiectasias. Não foi detectada melhoria significativa da
função respiratória nem da avaliação gasométrica.
Palavras-chave: Reabilitação pulmonar. Bronquiectasias.
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
21º Congresso de Pneumologia do Norte
PO41. FATORES PREDITIVOS DE MAIOR TEMPO
DE INTERNAMENTO POR ASMA
L. Ribeiro1, L. Nascimento1, D. Apolinário1, C. Pinto1, R. Silva2,
M.J. Silvestre1, T. Calvo1, A. Afonso1
Serviço de Pneumologia; 2Serviço de Imunoalergologia, CHTMAD,
Vila Real.
1
Introdução: A asma, problema de saúde pública mundial que afeta aproximadamente 300 milhões de pessoas, é responsável por
número elevado de internamentos, com custos diretos e indiretos
elevados.
Objectivos: Caracterizar internamentos por asma em adultos no
Distrito de Vila Real, num período de 2 anos, identificando fatores
com impacto na duração do internamento.
Material e métodos: Estudo retrospetivo baseado na revisão dos
processos clínicos de adultos internados de janeiro/2010 a dezembro/2011 por exacerbação de asma nos hospitais do Distrito de
Vila Real. Análise da relação entre as características demográficas
e tempo de internamento (TI). Análise estatística realizada com
SPSSv.20.0.
Resultados: No período em estudo houve 78 internamentos por asma
em idade adulta, correspondentes a 58 doentes, sendo 82,1% mulheres. A idade média foi 56,6 ± 17,7 anos, tendo-se verificado um
aumento do TI com o aumento da idade (2,9 ± 0,7 dias dos 18-25 anos
vs 10,1 ± 5,3 dias nos > 75 anos, p < 0,05). O TI nas mulheres foi 8,4
± 5,3 dias, nos homens 10,7 ± 15,8 dias (p = 0,343). O TI foi significativamente superior nos doentes com doenças cardiovasculares (10,6
± 9,6 vs 6,5 ± 5 dias, p < 0,05) mas não nos diabéticos (10,7 ± 4,3 vs
8,4 ± 8,7 dias, p = 0,343), fumadores (4,9 ± 3,4 vs 9,6 ± 8,6 dias, p
= 0,078), obesos (10,5 ± 5,4 vs 8,6 ± 8,5 dias, p = 0,455) e atópicos
(6,8 ± 6,8 vs 9,4 ± 8,8 dias, p = 0,338). Nos 33 doentes em que foi
possível classificar a asma em intrínseca (n = 14) e extrínseca (n =
19), verificou-se maior TI nos doentes com asma intrínseca (6,7 ± 5,1
vs 13,8 ± 13,3 dias, p < 0,05). O TI nos doentes não classificados (sem
registo e/ou não estudados, n = 25) foi 7,7 ± 4,4 dias, semelhante aos
dos com asma extrínseca (p = 0,382), inferior ao dos com intrínseca
(p < 0,05). A média de idade nos com asma extrínseca foi 48,7 ± 20,5
anos e na intrínseca 60,9 ± 11,8 anos, p < 0,05). A saturação de oxigénio à admissão foi de 90,3 + 6,3%. O TI nos doentes com saturação
de oxigénio < 91% foi de 8,1 ± 4,7 dias e nos com saturação ≥91% 8,6 ±
5,6 dias (p = 0,682). Dois doentes tiveram necessidade de ventilação,
nestes o TI foi semelhante ao daqueles sem ventilação (8,5 ± 0,7 vs
8,8 ± 8,2 dias, p = 0,954). Quando divididos por degrau de tratamento prévio à admissão, o TI foi de 6 ± 6,3 dias no degrau 1 (n = 8), 10,8
± 6,6 no 2 (n = 9), 7,1 ± 3,7 no 3 (n = 32), 13,6 ± 15,4 no 4 (n = 13) e
9,5 ± 15,4 no 5 (n = 4). Onze internamentos não tinham informação
sobre tratamento prévio.
Conclusões: Nesta amostra a idade, presença de doenças cardiovasculares e asma intrínseca associaram -se a maior TI. Dados os
custos inerentes ao prolongamento do internamento, as estratégias de prevenção de exacerbações devem ser reforçadas nestes
indivíduos.
Palavras-chave: Asma. Internamento. Tempo.
PO42. SÍNDROME DE OVERLAP – ASMA BRÔNQUICA E SAOS
A. Silva, D. Madama, M.J. Matos
CHUC-HUC.
Introdução: Doenças pulmonares obstrutivas (DPO), como asma
brônquica e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) são
doenças muito prevalentes. A apneia obstrutiva do sono (SAOS) é
também uma condição comum que apresenta interações bidirecionais com DPO. Apesar do termo overlap ser usado com maior
frequência entre SAOS e DPOC, é de salientar também a interacção
entre SAOS e asma brônquica.
17
Objectivos: Este estudo teve por objectivo caracterizar os doentes
com o diagnóstico de asma brônquica que realizaram estudo do
sono, do ponto de vista epidemiológico e clínico, índice de massa
corporal (IMC), bem como a abordagem terapêutica; Identificar a
presença de SAOS; Avaliar os resultados após instituição da terapêutica.
Material e métodos: Os autores apresentam um estudo retrospectivo que incluiu todos os doentes com o diagnóstico de asma brônquica, que realizaram estudo do sono, nos últimos 3 anos, nos CHUCHUC. Efectuou-se uma recolha de dados epidemiológicos e clínicos,
IMC, parâmetros do estudo do sono (índice de apneia-hipopneia e
saturações) e tratamento, sendo efectuada uma análise estatística
e comparativa global.
Resultados: A amostra médica era constituída por 47 doentes, dos
quais 33 (70,2%) também apresentavam rinite; A maioria era do
género feminino (n = 32/68%), sendo que a média de idades era
de 55,65 ± 13,04 anos; O sintoma do sono mais frequente foi a
roncopatia (n = 44/93,6%) e tendo em conta a escala de sonolência
de Epworth, 22 (46,81%) doentes apresentavam um score superior
a 10; Relativamente ao IMC, foram observados valores superiores ao limite do normal em 42 (89,36%) dos doentes, 28 (87,5%)
no género feminino e 14 (93,3%) no género masculino; 32 (68%)
doentes realizaram estudo polisonográfico e os restantes estudo
cardio-respiratório; Em 27 (57,4%) doentes foi diagnosticada SAOS,
verificando-se uma maior prevalência no género masculino (73,3%),
comparativamente com o género feminino (50%); A abordagem terapêutica adoptada na maioria dos doentes foi comportamental,
no entanto 22 (46,81%) doentes foram submetidos a ventiloterapia
com melhoria da sintomatologia.
Conclusões: É frequente a associação de asma brônquica e SAOS,
sendo a obesidade um factor agravante, reduzindo a qualidade de
vida destes doentes. O estudo do sono pode identificar a presença
da SAOS e o tratamento direccionado pode melhorar o sono e eventualmente reduzir a necessidade de medicação para controlo da
asma. Portanto, é essencial que a SAOS seja investigada em doentes com asma brônquica, sempre que se verificar mau controlo dos
sintomas.
Palavras-chave: SAOS. Asma brônquica.
PO43. PUNÇÃO ASPIRATIVA TRANSBRÔNQUICA GUIADA
POR ECOENDOSCOPIA (EBUS-TBNA) NO ESTADIAMENTO
MEDIASTÍNICO DE DOENTES COM NEOPLASIAS
EXTRATORÁCICAS
V. Santos1, M. Sucena1, A. Magalhães1, G. Fernandes1,2
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de São João, EPE,
Porto. 2Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
1
Introdução: A metastização ganglionar mediastínica em doentes
com neoplasia extratorácica (NET) tem implicações prognósticas e
terapêuticas, sendo, muitas vezes, necessário confirmar o resultado anatomopatológico de malignidade nas adenopatias envolvidas.
A punção aspirativa transbrônquica guiada por ecoendoscopia (Endonbronchial Ultrasound-guided Transbronchial Needle Aspiration
– EBUS-TBNA) pode ser útil no diagnóstico de adenopatias mediastínicas em doentes com NET.
Objectivos: Avaliar o valor da EBUS-TBNA no diagnóstico de metastização ganglionar mediastínica em doentes com NET.
Material e métodos: Análise retrospectiva dos registos clínicos de
doentes com NET, referenciados para a Unidade de Broncologia do
Centro Hospitalar de São João para realização de EBUS-TBNA entre
2009 e 2012 por suspeita de metastização ganglionar intratorácica.
Resultados: 189 doentes efectuaram EBUS-TBNA entre 2009 e 2012
para investigação etiológica de adenopatias mediastínicas de etiologia desconhecida. Destes, 14,8% (n = 28) realizaram o exame por
suspeita clínica de metastização de NET. 60,7% do sexo masculino
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
18
e 39,3% do sexo feminino, com média de idades de 58,21 ± 16,3
anos. 19 apresentavam antecedentes de neoplasia, oito carcinoma
colorrectal, cinco neoplasia renal, três neoplasia da mama, três
neoplasia do esófago, dois neoplasia do ovário, dois neoplasia cutânea, um neoplasia da tiróide, um neoplasia prostática, um neoplasia testicular e dois apresentavam metastização de neoplasia
primária oculta. Em 9 doentes, o diagnóstico anatomopatológico
de NET ainda não estava esclarecido. Não ocorreu nenhuma complicação decorrente do procedimento. Quanto aos resultados da
EBUS-TBNA, em 10 doentes (35,7%) foi diagnosticada metastização
ganglionar mediastínica de NET, em 13 doentes (46,4%) negatividade para células malignas (gânglio reactivo), um doente com envolvimento ganglionar por tumor sarcomatóide pulmonar, em dois
doença granulomatosa e em dois doentes não se obteve material
representativo de adenopatia. Entre os 15 doentes em que o resultado foi negativo para células malignas (gânglio reactivo) ou a
amostra não representativa, em dois a metastização foi confirmada
por repetição da EBUS-TBNA ou vigilância clínica (falsos negativos),
em 11 doentes o diagnóstico de gânglio reactivo foi confirmado por
vigilância clínica e radiológica (verdadeiros negativos) e em dois
doentes o diagnóstico não foi confirmado. A sensibilidade, valor
preditivo negativo e a capacidade diagnóstica da EBUS-TBNA no
diagnóstico de metastização intratorácica foi de 83,3%, 87,5% e
85,7%, respectivamente.
Conclusões: A EBUS-TBNA é um procedimento eficaz e seguro no
diagnóstico de metástases ganglionares mediastínicas em doentes
com NET, devendo ser uma técnica a incluir na avaliação destes
doentes.
Palavras-chave: Punção aspirativa transbrônquica guiada por
ecoendoscopia (EBUS-TBNA). Estadiamento mediastínico. Neoplasias extratorácicas.
PO44. PUNÇÃO ASPIRATIVA TRANSBRÔNQUICA GUIADA
POR ECOENDOSCOPIA (EBUS-TBNA) NO DIAGNÓSTICO DE
DOENÇAS LINFOPROLIFERATIVAS MEDIASTÍNICAS
V. Santos1, M. Sucena1, A. Magalhães1, G. Fernandes1,2
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de São João, EPE,
Porto. 2Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
1
Introdução: A utilidade da punção aspirativa transbrônquica guiada
por ecoendoscopia (Endonbronchial Ultrasound-guided Transbronchial Needle Aspiration – EBUS-TBNA) no diagnóstico de doenças linfoproliferativas (DLP) não está bem estabelecida. A EBUS-TBNA é uma
técnica minimamente invasiva, que permite a obtenção de amostras
de gânglios mediastínicos para avaliação anatomopatológica e imunofenotipagem que poderão ser úteis para o diagnóstico de DLP.
Objectivos: Avaliar a utilidade da EBUS-TBNA no diagnóstico de DLP
em doentes com adenopatias ou massas mediastínicas e suspeita
clínica de DLP.
Material e métodos: Análise retrospectiva dos registos clínicos de
doentes com adenopatias mediastínicas referenciados para a Unidade de Broncologia do Centro Hospitalar de São João para a realização de EBUS- TBNA entre 2009 e 2012 com suspeita de DLP.
Resultados: 189 doentes efectuaram EBUS-TBNA entre 2009 e 2012
para investigação etiológica de adenopatias mediastínicas de etiologia desconhecida. 6,9% (n = 13) realizaram o exame por suspeita
de DLP. 61,5% do sexo masculino e 38,5% do sexo feminino, com média de idades de 58,4 ± 15,9 anos. Com EBUS-TBNA obtiveram-se os
seguintes resultados: três doentes com DLP, dois com doença granulomatosa, quatro com gânglio reactivo/negatividade para células
malignas, um com material inadequado e três sem material representativo da lesão. Entre os doentes em que a EBUS-TBNA mostrou
gânglio reactivo, material inadequado ou não representativo (n =
8), em dois (25%) a DLP foi confirmada por outros métodos (toracotomia e repetição de EBUS-TBNA), em três doentes confirmou-se o
diagnóstico de gânglio reactivo com vigilância clínica e radiológica
21º Congresso de Pneumologia do Norte
e em três as adenopatias em questão não foram investigadas por
outro método. Um dos doentes com lesões não confirmadas teve
diagnóstico de DLP por biopsia de gânglio periférico. Nesta amostra de doentes, em cinco foi estabelecido o diagnóstico de DLP.
A sensibilidade, valor preditivo negativo e a precisão diagnóstica
da EBUS-TBNA no diagnóstico de DLP foi de 60%, 71,4% e 61,5%,
respectivamente.
Conclusões: A EBUS-TBNA é um método útil e seguro na investigação
de doentes com suspeita de linfoma que apresentam adenopatias
mediastínicas, podendo diminuir a necessidade de exames mais invasivos. Deste modo, poderá ser considerada na avaliação inicial de
doentes com suspeita de DLP com envolvimento mediastínico.
Palavras-chave: Punção aspirativa transbrônquica guiada por
ecoendoscopia (EBUS-TBNA). Doenças linfoproliferativas mediastínicas. Estadiamento mediastínico.
PO45. MICOBACTERIAS NÃO TUBERCULOSAS –
ISOLAMENTO EM AMOSTRAS RESPIRATÓRIAS E
SIGNIFICADO CLÍNICO
H. Dabó1, V. Santos1, A. Marinho1, T. Carvalho2, A. Ramos2,
M. Ribeiro2, A. Amorim3
Serviço de Pneumologia; 2Serviço de Patologia Clínica; 3Serviço
de Pneumologia, Faculdade de Medicina da Universidade do
Porto, Centro Hospitalar de São João, EPE.
1
Introdução: As micobactérias não tuberculosas (MNT) são organismos ubíquos na natureza. Isolamento em amostras respiratórias
coloca frequentemente desafios ao clínico.
Objectivos: Identificar e avaliar a relevância clínica do isolamento
das MNT e sua interpretação de acordo com os critérios ATS/IDSA.
Material e métodos: Análise retrospetiva dos doentes seguidos em
consulta de Pneumologia, com isolamento de MNT em pelo menos
uma amostra respiratória, de Jan/08 a Dez/12. A identificação e
caraterização dos doentes foram efetuadas através da revisão dos
processos clínicos.
Resultados: Identificaram-se 202 doentes, 118 homens (58.4%), idade média de 64 anos (23-89). Comorbilidades pulmonares: DPOC 73
(36%), bronquiectasias 62 (31%) e sequelas de tuberculose pulmonar
(STP) 40 (20%). Outros fatores de risco: Diabetes mellitus (DM) 18
(9%), doença de refluxo gastroesofágico (DRGE) 16 (8%) e tratamento
imunossupressor 12 (6%). Funcionalmente, obstrução brônquica em
125 doentes (62%). Isoladas MNT em 407 amostras, e identificou-se a
espécie em 378: MAC (237), M. gordonae (43), M. peregrinum (33),
M. chelonae (26), M. kansasii (13), M. abscessus (12), M. scrofulaceum (8), M. xenopi (2) e as outras 4 foram a M. malmoense, M.
mycogenicum, M. lentiflavum e M. fortuitum. As MNT foram isoladas
na expetoração em 192 (95%) doentes, no LB em 13 (6%), no LBA em
7 (4%), na biopsia pulmonar em 1 e no suco gástrico em 1. Número
de isolamentos/ano: 2008 (52), 2009 (58), 2010 (74), 2011 (86) e
2012 (137). Dos 202 doentes, 36 (18%) iniciaram tratamento (32/89%
cumpriam os critérios ATS/IDSA); 22 homens (61%), idade média de
62 anos (32-89). Comorbilidades pulmonares: DPOC 12 (33%), Bronquiectasias 9 (25%) e STP 8 (22%). Outros fatores de risco: DRGE 3
(8%), NEP 3 (8%) e IRC 2 (6%). Obstrução brônquica em 25 doentes
(69%). A radiografia do tórax mostrava maioritariamente opacidades
reticulonodulares e era normal em 7 doentes (19%). Achados principais na TC foram bronquiectasias, nódulos e micronódulos. As MNT
tratadas foram MAC em 34 doentes (94%), M. kansasii 1 (3%) e M. xenopi 1 (3%). Dois doentes tratados para MAC tiveram um tratamento
posterior para M. scrofulaceum e M. abscessus.
Conclusões: A maioria dos doentes não cumpriu os critérios de
doença pulmonar por MNT (critérios ATS/IDSA). O MAC foi o mais
frequentemente isolado, e com maior relevância clínica. O aumento
progressivo do número de isolamentos das MNT, provavelmente se
deve ao desenvolvimento das metodologias de deteção e ao crescente aumento das comorbilidades respiratórias e sistémicas.
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
21º Congresso de Pneumologia do Norte
19
Palavras-chave: Micobactérias não tuberculosas. Doença pulmonar. Mycobacterium avium complex.
PO47. RENTABILIDADE DIAGNÓSTICA DA ANÁLISE
MICROBIOLÓGICA DA EXPETORAÇÃO NO DIAGNÓSTICO
DA TUBERCULOSE PULMONAR NUM PERÍODO DE 10 ANOS
PO46. FACTORES PREDITIVOS DE MORTALIDADE
POR TUBERCULOSE PULMONAR EM INDIVÍDUOS SEM
CO-MORBILIDADES SIGNIFICATIVAS: UM ESTUDO DE
COORTE RETROSPECTIVO
A. Tavares e Castro1, M. Mendes2, S. Freitas1, P. Cravo Roxo3
H. Novais e Bastos1-3, A. Ramos4,5, T. Carvalho4,5, G. Castro2,3,
M. Saraiva2,3, J.T. Guimarães4-6
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar São João. 2Instituto
de Investigação das Ciências da Vida e da Saúde (ICVS), Escola de
Ciências da Saúde, Universidade do Minho. 3ICVS/3B’s-PT
Government Associate Laboratory, Braga/Guimarães. 4Serviço de
Patologia Clínica, Centro Hospitalar São João. 5Instituto de Saúde
Pública da Universidade do Porto. 6Faculdade de Medicina da
Universidade do Porto.
1
Introdução: A tuberculose é a segunda doença infecciosa com maior
taxa de mortalidade a nível global. A maioria dos estudos que analisaram a mortalidade por tuberculose tiveram um carácter epidemiológico e indicaram factores de risco essencialmente sócio-demográficos, que poderão não ser generalizáveis para outras populações.
Objectivos: Neste trabalho pretendemos determinar quais os factores clínicos preditivos de morte numa coorte de indivíduos sem
co-morbilidades significativas que foram diagnosticados com tuberculose pulmonar em contexto hospitalar.
Material e métodos: Realizámos uma avaliação retrospectiva de
casos diagnosticados entre 2007 e 2013 no nosso hospital. Excluíram-se doentes com < 18 anos, infecção HIV, imunossupressão farmacológica, Diabetes mellitus, insuficiência renal crónica nos estádios 4 e 5, doença oncológica activa, doença auto-imune e cirrose/
insuficiência hepática. Também foram excluídos os casos de tuberculose disseminada ou exclusivamente extra-pulmonar. Nos casos
seleccionados efectuou-se uma caracterização: (1) clínica, com a
avaliação de uma escala de sintomas; (2) microbiológica, incluindo
a positividade da baciloscopia, classificação da carga bacilar e perfil
de sensibilidade aos antibióticos; (3) e radiológica, através da aplicação de um score que classifica a gravidade das lesões pulmonares
em “mínimo”, “moderado” ou “avançado”, conforme a presença
e dimensão das cavitações, extensão da consolidação pulmonar ou
do derrame pleural. Foi determinada a sobrevida aos 6 meses após
o diagnóstico e comparam- se as características entre os grupos de
sobreviventes e de óbitos. Posteriormente, efectuámos uma análise
de sobrevivência pelos métodos de Kaplan-Meier e regressão de Cox
para identificar os factores preditivos de mortalidade.
Resultados: Entre os 188 casos de tuberculose pulmonar incluídos
(73,9% do sexo masculino, idade mediana 45 anos), verificou-se uma
sobrevida aos 6 meses de 89,9%. Entre os óbitos, 61,1% dos casos
ocorreram nos primeiros 30 dias após o diagnóstico. Na análise univariada, o óbito associou-se significativamente à idade, alcoolismo,
presença de dispneia, insuficiência respiratória, consolidação pulmonar bilateral, cavitação > 4 cm, existência de derrame pleural,
adenopatias mediastínicas e score radiológico avançado. Porém, na
análise multivariada apenas a idade (Hazard Ratio ajustado (HRa) =
1,07; IC95% 1,02-1,11), o alcoolismo (HRa = 4,33; IC95% 1,01-18,57)
e o score radiológico avançado (HRa = 5,25; IC95% 1,16-23,82) se
revelaram factores preditivos independentes de mortalidade.
Conclusões: Os nossos resultados sugerem que em doentes imunocompetentes e sem outras co-morbilidades debilitantes, a mortalidade na tuberculose pulmonar se associa a lesões pulmonares mais
extensas, independentemente de outras variáveis, como a idade
mais avançada e o alcoolismo. Uma vez que a maioria dos casos fatais ocorre precocemente, estes factores devem ser especialmente
considerados na avaliação inicial destes doentes.
Palavras-chave: Tuberculose. Mortalidade. Factores de risco.
Score radiológico.
Hospitais da Universidade de Coimbra–CHUC. 2Centro Hospitalar
Cova da Beira. 3Centro Diagnóstico e Pneumológico de Coimbra.
1
Introdução: A tuberculose pulmonar (TBP) exige um diagnóstico
precoce para o início atempado do tratamento e prevenção da sua
transmissão. O diagnóstico definitivo é obtido pela identificação microbiológica e cultural do Mycobacterium tuberculosis em amostras
respiratórias, em particular da expetoração.
Objectivos: Analisar a sensibilidade e rentabilidade da microscopia
direta com Ziehl-Neelsen (ZN) e exame cultural com meios sólidos
e líquidos no diagnóstico da TBP no Centro de Diagnóstico Pneumológico (CDP) de Coimbra.
Material e métodos: Entre 2004 e 2013, foram retrospectivamente analisados os dados de todos os pacientes submetidos à análise
de 3 amostras consecutivas de expetoração no laboratório do CDP.
Foram excluídos os casos de TB extrapulmonar, pleural e latente,
bem como outras micobacterioses. A partir de cada amostra foram
realizados: dois esfregaços com coloração ZN, um direto e um concentrado; inoculações em meios de cultura líquido e sólido; teste
de amplificação de ácidos nucleicos; e testes de suscetibilidade aos
antibacilares de primeira linha. A análise estatística foi executada
por SPSS
Resultados: Foram analisadas as amostras de expetoração pertencentes a 697 pacientes, 65,1% homens, média de idades de 48,6
± 18,6 anos e nacionalidade essencialmente portuguesa (96,8%).
Dentro do grupo de doentes com TBP, o diagnóstico foi feito por
rastreio ativo de sintomas em 90,6% dos casos, rastreio passivo de
contatos em 4,5% e por rastreio passivo de outros grupos em 4,8%.
A radiografia do tórax denotava lesões não-cavitadas em 158 pacientes (54,9%), cavitadas 99 (34,5%) e normais em 10 (3,5%). Em
21 casos (7,3%) o padrão radiográfico era desconhecido. Em 108
pacientes a análise da expetoração foi negativa (15,5%) e a doença
confirmada por outros métodos microbiológicos e anátomo-patológicos. Relativamente à baciloscopia, os valores de sensibilidade
cumulativa de cada um dos três esfregaços foram de 24,3%, 26,4%
e 28,5% para as amostras concentradas e de 19,1%, 20,1% e 22,2%
para as amostras diretas. Quanto ao exame cultural, a sensibilidades cumulativas foram de 43,3%, 51,0% e 54,9% em meio líquido
e de 33,0%, 37,5% e 41,3% em meio sólido. Considerando todas as
formas de análise microbiológica, as sensibilidades cumulativas de
cada amostra foram de 50,7%, 59,0% e 62,5%.
Conclusões: Evidenciou-se um rendimento incremental ao analisar
mais do que uma amostra de expetoração, ao recorrer ao esfregaço
concentrado e à cultura em meio líquido. No entanto, a sensibilidade global foi consistentemente baixa, sugerindo a necessidade de
desenvolver novas e melhores ferramentas de diagnóstico.
Palavras-chave: Tuberculose. Expetoração. Cultura. Microbiologia. Microscopia. Diagnóstico.
PO48. VENTILAÇÃO NÃO INVASIVA DURANTE O EXERCÍCIO
EM PACIENTES COM DPOC: REVISÃO SISTEMÁTICA COM
META-ANÁLISE
S. Correia1, T. Tomas2, E. Carolino2
ResMed, Portugal. 2Escola Superior de Tecnologia de Saúde de
Lisboa.
1
Introdução: A DPOC é uma das principais causas mundiais de morbilidade e mortalidade, representando um problema de saúde pública
devido ao elevado consumo de recursos sanitários e económicos
associados. A reabilitação pulmonar é uma recomendação standard
nos cuidados a estes pacientes, de forma a controlar os sintomas
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
20
21º Congresso de Pneumologia do Norte
da doença e optimizar a capacidade funcional destes indivíduos,
reduzindo assim os custos de saúde associados às exacerbações e
limitação da actividade e participação. Contudo, em pacientes com
DPOC severa o exercício físico pode ser de difícil desempenho devido a dispneia extrema, diminuição da força muscular e fadiga, ou
inclusivé hipoxémia e dispneia durante pequenos esforços e actividades diárias, limitando a sua qualidade de vida. Assim, a VNI têm
sido usada em combinação com o exercício, de forma a melhorar a
capacidade de exercício nestes doentes, ainda que sem consenso
para a sua recomendação.
Objectivos: Verificar se a utilização de VNI durante o exercício é
mais eficaz que exercício sem VNI, na dispneia, distância percorrida, gasimetria e estado de saúde, em pacientes com DPOC, através
de revisão sistemática e meta-análise.
Material e métodos: Pesquisa sistematizada de estudos clínicos
randomizados publicados entre 2002 e 2012 nas bases de dados
MEDLINE, PEDro, Cochrane, Science Direct e B-On, com as palavras-chave “Noninvasive Ventilation”; “BiPAP”; “Pressure Support”;
“Exercise”; “Rehabilitation”; “Exercise Training” e “COPD”. Apenas
estudos com associação de VNI e exercício em DPOC, com medição
de pelo menos dois dos parâmetros dispneia, 6MWT, SGRQ, gases
arteriais ou SpO2 foram incluídos. Utilizou-se a estatística descritiva e o software “comprehensive meta analisys” versão 2.0 para
a meta-análise.
Resultados: Dos 208 estudos randomizados controlados identificados, foram incluídos apenas 7. Destes, 4 possibilitaram a realização
de meta- análise para PaCO2 e dispneia. 6 dos 7 estudos apontaram
para maior benefício da VNI em relação ao grupo controlo.
Conclusões: Verificou-se a influência positiva da VNI durante o
exercício, quer em termos de respostas agudas ou crónicas ao exercício, em pacientes hipercapnicos e normocapnicos. independentemente da realização de programas de treino de exercício.
Palavras-chave: Ventilação não invasiva (VNI). Exercício. Treino
de exercício. Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).
PO49. IMPACTO DE UM PROGRAMA DE VENTILOTERAPIA
COM TELEMONITORIZAÇÃO: ANÁLISE PRELIMINAR
DE UM ESTUDO ALEATORIZADO
Apesar da progressiva evolução tecnológica, o contributo da telemonitorização não está ainda estabelecido.
Objectivos: Avaliar os resultados preliminares da implementação
de um programa de telemonitorização em doentes com Insuficiência Respiratória Crónica (IRC) sob VMNId.
Material e métodos: Foram incluídos doentes com IRC de diferentes etiologias com indicação para VMNId. No momento da 1ª adaptação, todos os doentes foram adaptados em laboratório a pressão
positiva bi-nível (A30, Philips Respironics®). Após a adaptação, os
doentes foram randomizados para o Grupo de Cuidados de Telemedicina (TCC) ou para o Grupo dos Cuidados Usuais (UCC). Os doentes
do grupo TCC foram continuamente telemonitorizados através de
um sistema específico de satélite (GPRS) conectado ao ventilador
com ligação a um software específico (EncoreAnywhere, Phillips
Respironics®). Após os 3 meses de seguimento, todos os doentes
realizaram uma poligrafia cardio-respiratória domiciliária (Alice 5,
Phillips Respironics®) para controlo da eficácia da ventilação. Em
ambos os grupos, foram analisados a escala de Epworth, o índice
de apneia-hipopneia (IAH), a adesão, parâmetros gasométricos e
funcionais.
Resultados: Foram estudados 35 doentes, 51,4% do sexo masculino,
com uma idade média de 64,8 ± 12,8 anos. Catorze doentes com
SHO (40,0%), 8 com DPOC (22,8%), 4 com DNM (11,4%), 1 com alterações sequelares de tuberculose pulmonar (2,9%), 1 com Cifoescoliose (2,9%) e 7 doentes (20,0%) com IRC de causa multifactorial.
Não foram encontradas diferenças significativas nas características
demográficas e clínicas entre os dois grupos no momento da randomização. Os doentes do grupo TCC tiveram uma adesão significativamente superior tanto na média de horas de uso (6,95 ± 1,58
vs 4,26 ± 2,99, p = 0,004) como na percentagem de dias de uso > 6
horas (74,76 ± 22,82 vs 43,32 ± 34,69, p = 0,012).
Conclusões: Estes resultados preliminares sugerem que as ferramentas de telemonitorização melhoram a adesão e a eficácia do
tratamento. Estudos que avaliem o custo-benefício destes sistemas
são necessários para justificar a sua aplicação na prática clínica.
Palavras-chave: Telemonitorização. Ventilação mecânica não
invasiva domiciliária.
M. Torres Redondo1, J. Moreira2, C. Freitas2, F. Pires1, A. Marinho1,
M. Sucena1, T. Pinto1, M. Gonçalves1,3, M. Drummond1,3, J. Winck2,3
PO50. SÍNDROME DE HIPOVENTILAÇÃO OBESIDADE
COM ALTA DEPENDÊNCIA VENTILATÓRIA: A PROPÓSITO
DE 2 CASOS CLÍNICOS
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de S. João. 2Linde
Healthcare. 3Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
T. Pinto1, A. Marinho1, M.R. Gonçalves1,2
1
Introdução: A eficácia clínica da ventilação mecânica não invasiva
domiciliária (VMNId) depende de uma adequada vigilância e monitorização, particularmente nas primeiras semanas de tratamento. Têm surgido novas ferramentas, incorporadas no software dos
ventiladores, que melhoram o seguimento dos doentes sob VMNId.
Unidade de Fisiopatologia e Ventilação, Serviço de Pneumologia,
Centro Hospitalar São João, EPE. 2Faculdade de Medicina da
Universidade do Porto.
1
Introdução: Está descrito que pacientes com síndrome de hipoventilação obesidade (SHO) apresentam uma elevada resistência da
Tabela P049
Grupo TCC (n = 19)
Grupo UCC (n = 16)
Inicial
Aos 3 meses
p
Inicial
Aos 3 meses
p
IPAP
EPAP
pH
PaCO2
PaO2
HCO3
FVC (%)
FEV1 (%)
FEV1/FVC
Epworth
IAH
19,05 ± 3,5
7,3 ± 2,6
7,41 ± 0,3
50,87 ± 8,8
66,74 ± 14,8
31,17 ± 4,7
67,91 ± 21,9
51,46 ± 23,5
62,83 ± 23,1
8,6 ± 6,1
24,47 ± 25,6
21,47 ± 3,6
9,47 ± 3,4
7,42 ± 0,02
47,29 ± 4,9
67,68 ± 11,4
30,52 ± 3,2
68,03 ± 16,7
49,96 ± 19,6
60,08 ± 22,3
5,47 ± 5,5
6,04 ± 6,6
0,07
0,02
0,088
< 0,001
0,001
0,011
0,197
0,131
0,477
0,107
0,008
20,81 ± 4,4
7,86 ± 3,1
7,39 ± 0,03
52,14 ± 6,5
67,26 ± 10,5
31,47 ± 4,2
67,42 ± 22,9
57,91 ± 28,2
67,68 ± 16,6
7,0 ± 6,1
34,23 ± 30,3
20,71 ± 5,1
8,0 ± 2,9
7,40 ± 0,2
48,04 ± 8,4
73,47 ± 13,9
29,3 ± 4,8
69,58 ± 20,5
50,36 ± 19,0
58,61 ± 17,2
5,25 ± 4,05
10,31 ± 15,22
0,593
0,655
0,683
0,065
0,117
0,060
0,123
0,889
0,123
0,313
0,017
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
21º Congresso de Pneumologia do Norte
21
via aérea superior e um aumento do trabalho respiratório, devido
à diminuição da compliance da caixa torácica e posicionamento
desvantajoso do diafragma. Este quadro agrava durante o sono
tornando-se num dos diagnósticos mais comuns para a iniciação de
ventilação não invasiva (VNI) domiciliária. Apesar da total optimização e adesão da VNI noturna, cerca de 25% dos indivíduos com
SHO grave mantêm hipercápnia diurna e consequente necessidade
de VNI diurna para controlo sintomático. Pretendemos descrever
os procedimentos que permitiram a eficácia da VNI contínua em 2
doentes com SHO severo, com elevada dependência ventilatória (>
16 horas/dia).
Casos clínicos: Dois pacientes do sexo feminino de 64 e 66 anos de
idade e obesidade mórbida (índice de massa corporal: 67 e 56), que
iniciaram suporte ventilatório noturno em 2009 e 2004, respectivamente. A adaptação inicial a VNI noturna em modo bi-nível, foi
realizada em laboratório hospitalar para aferição de parâmetros
ventilatórios registando-se valores de IPAP de 33 e 18 cmH2O, EPAP
de 10 e 12 cmH2O, FR de 14 e 16 cpm, complemento de O2 a 3 e 5
L/min e interface nasal e facial, respectivamente.
Discussão: Devido a persistência de hipoventilação, noturna e
diurna, a VNI noturna foi optimizada (paciente 1 [2010]: alteração
do modo ventilatório para volume com VT de 1.300 ml; paciente
2 [2013]: aumento de IPAP para 30 cmH2O e complemento de O2 a
1L/min) e foi introduzida ventilação volumétrica intermitente por
peça bucal (VVPB) para o período diurno. Os parâmetros ventilatórios diurnos foram titulados para uma máxima redução de TcCO2
e os pacientes foram instruídos a utilizar a VVPB para manter a
SpO2 > 95%. A VVPB foi titulada com volume corrente (VT) diurno
de 1100 e 750 ml, com PEEP de 6 e 4 cmH2O, FR de 14 e 15 cpm,
respectivamente. A adesão à terapia ventilatória instituída é de
24 e 18 horas/dia, respectivamente. Estes casos de SHO severo
sugerem que a hipoventilação noturna e diurna podem ser controladas com adequada optimização da VNI que inclui o seu uso
diurno intermitente.
Palavras-chave: Síndrome de hipoventilação obesidade. Alta
dependência ventilatória. Ventilação volumétrica intermitente
por peça bucal.
PO51. ADESÃO TERAPÊUTICA À VENTILAÇÃO MECÂNICA
NÃO INVASIVA DOMICILIÁRIA EM DOENTES IDOSOS
M. Torres Redondo1, D. Araújo1, F. Pires1, A. Marinho1, T. Pinto1,
M. Gonçalves1,2, M. Drummond1,2, M. Sucena1,2
1
2
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de S. João.
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
Introdução: Dado o envelhecimento populacional e o aumento da
prevalência da patologia respiratória crónica, o número de doentes
idosos com critérios para ventilação mecânica não invasiva domiciliária (VMNId) tem vindo a aumentar. Os dados publicados sobre a
eficiência e adesão são escassos.
Objectivos: Avaliar a adesão terapêutica à VMNId dos doentes idosos com Insuficiência Respiratória Crónica (IRC).
Material e métodos: Foram incluídos doentes com IRC, de diferentes etiologias, adaptados pela primeira vez a VMNId em laboratório
no ano de 2012. Os registos clínicos foram analisados retrospectivamente. Caracterizaram-se os doentes do ponto de vista clínico,
funcional e gasométrico. Registaram-se os parâmetros ventilatórios
da adaptação. Os doentes foram divididos em dois grupos pelo critério da idade (≥ 75 anos versus < 75 anos). Foram recolhidos dados
relativos à adesão aos 12 meses de tratamento, fornecidos pelo
cartão de memória dos ventiladores.
Resultados: Foram incluídos 150 doentes, 54,7% do sexo masculino,
com uma idade média de 66,8 ± 12,9 anos. Quarenta e oito doentes
com idade ≥ 75 anos (idade média 79,92 ± 3,9 anos), 102 doentes
com idade < 75 anos (60,62 ± 10,9 anos). Os diagnósticos incluíram:
Síndrome de Hipoventilação Obesidade (n = 46, 30,7%), DPOC (n =
28, 18,7%), Síndrome de Overlap (DPOC + SAOS) (n = 20, 13,3%) e
Obesidade + DPCO + SAOS (n = 12, 8,0%). Não foram encontradas
diferenças significativas nos parâmetros funcionais e gasométricos
do momento da adaptação, entre os dois grupos. Não se verificaram
diferenças significativas nos parâmetros da adesão após 1 ano de
seguimento, entre os dois grupos de doentes, ao nível da percentagem de dias de uso, percentagem de dias de uso > 4 horas e média
de horas de uso.
Conclusões: Os resultados sugerem que os doentes idosos (≥ 75
anos) são igualmente aderentes após 1 ano de VMNId. A idade não
deverá ser considerada à partida, um critério de má adesão à VMNId.
Palavras-chave: Ventilação mecânica não invasiva domiciliária.
Idosos.
PO52. DOENTES TRANSFERIDOS DE UM SERVIÇO
DE PNEUMOLOGIA PARA UMA UNIDADE DE CUIDADOS
INTENSIVOS – CARACTERIZAÇÃO E OUTCOMES
M. Dias, D. Coutinho, M.J. Oliveira, D. Vaz, M.C. Brito, A. Antunes
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/
Espinho.
Introdução: Os doentes transferidos de uma enfermaria geral para
uma Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) constituem um desafio
médico pelo maior risco de mortalidade associada e pela importância de uma decisão num timing adequado.
Objectivos: Analisar as características dos doentes internados
numa enfermaria de Pneumologia que apresentaram necessidade
de transferência para uma UCI.
Material e métodos: Estudo retrospetivo que incluiu os doentes
internados num Serviço de Pneumologia com necessidade de transferência para uma UCI, entre 2009 e 2013. Foram analisadas características clinicodemográficas, motivos de transferência e outcomes
na UCI.
Resultados: Foram incluídos 40 doentes correspondendo a 45
transferências para a UCI. Apresentavam idade média 63 ± 15
anos, 73% eram homens. A maioria apresentavam antecedentes
de patologia respiratória prévia (n = 29, 64%) e foram maioritariamente internados com o diagnóstico de pneumonia (n = 20, 44%).
A maioria dos doentes com pneumonias (70%, n = 14) apresentava
um score CURB65 inferior ou igual a 2 à admissão e esse valor
não mostra correlação significativa com a mortalidade na UCI.
Tabela P051
Idade = 75 anos
Idade < 75 anos
p
Média
DP
Média
DP
IPAP inicial (cmH2O)
EPAP inicial (cmH2O)
% dias de uso
% dias de uso > 4h
Média de uso (h.min)
18,68
7,43
86,72
82,31
6,49
3,43
2,23
23,97
25,76
2,39
18,58
7,26
84,85
83,41
6,86
3,77
2,23
26,75
26,29
2,28
0,519
0,906
0,772
0,756
0,393
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
22
O motivo mais frequente de transferência para a UCI foi o agravamento da insuficiência respiratória (n = 29, 64%). Os doentes
foram transferidos, em mediana, 8 dias após o internamento na
Pneumologia (AIQ = 3-14). Foi instituída ventilação invasiva a 69%
dos doentes (n = 31) e ventilação não invasiva a 27% (n = 12). A
presença de insuficiência respiratória tipo 2 (OR = 9,55, p = 0,031)
e a presença de acidemia respiratória (OR = 134,55, p = 0,0006)
são os únicos fatores que aumentam o risco de necessidade de
ventilação invasiva. Dezasseis doentes (37%) morreram na UCI, a
maioria nos primeiros 7 dias após a transferência. A necessidade
de ventilação mecânica está associada a uma maior mortalidade
na UCI (OR = 12,27; p = 0,008).
Conclusões: Este estudo reforça os resultados de outros estudos
que mostram que doentes transferidos de uma enfermaria geral
para a UCI apresentam uma mortalidade superior aos doentes
que são internados diretamente para a UCI. Neste estudo, mais
de 1/3 dos doentes transferidos de um Serviço de Pneumologia para uma UCI morreram, independentemente dos seus fatores clinicodemográficos, o que poderá estar relacionado com
um atraso na prestação de cuidados críticos. Por outro lado, a
maioria dos doentes internados por pneumonia com necessidade
de transferência para a UCI não apresentava um score CURB65
elevado à admissão, o que questiona a sua utilidade na estratificação de risco destes doentes. Alerta-se para a importância
da insuficiência respiratória tipo 2 e principalmente da acidemia respiratória, já que são fatores preditores da necessidade
de ventilação invasiva e a necessidade de ventilação invasiva
associa-se a maior mortalidade.
Palavras-chave: Unidade de Cuidados Intensivos. Ventilação.
Enfermaria de pneumologia.
PO53. MONITORIZAÇÃO DOMICILIÁRIA DO DIÓXIDO DE
CARBONO TRANSCUTÂNEO NOTURNO PARA AVALIAÇÃO
DA EFICÁCIA DA VENTILAÇÃO MECÂNICA NÃO INVASIVA
C. Freitas1, J. Moreira1, T. Pinto2, M. Redondo2, F. Pires2,
A. Marinho2, M. Sucena2, M. Drummond2, J.C. Winck1,3
Linde Healthcare. 2Unidade de Ventilação e Função Pulmonar,
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de São João.
3
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
1
Introdução: A avaliação noturna contínua e não invasiva dos gases
do sangue para avaliação da ventilação alveolar com a combinação
do CO2 Transcutâneo (TcCO2) e da Oximetria de Pulso (OP) no domicílio parecem ser medidas importantes para assegurar a eficácia
da Ventilação Mecânica Não Invasiva Domiciliária (VMNId) no tratamento da IRC hipercápnica.
Objectivos: Determinar a utilidade do registo TcCO2 noturno comparativamente com a gasimetria diurna e com a OP noturna, em
doentes com IRC hipercápnica sob VMNId.
Material e métodos: Foram avaliados pacientes com IRC hipercápnica de diferentes etiologias. Todos foram adaptados em
ambiente hospitalar a ventilação bi-nível com pressão positiva
(A30, Phillips Respironics ®). Ao final do terceiro mês sob VMNId
todos realizaram uma Poligrafia Cardiorespiratória Domiciliária
(PCRD) (Alice 5, Phillips Respironics ®,10 canais, incluindo Z-RIP
(Protech) e incluindo TcCO 2 (SenTec AG ®)) e gasimetria arterial
para avaliar a eficácia da VMNId. Como critério de ventilação
eficaz pela OP considerou-se uma SpO 2 média noturna > 90%,
IOD ≤5 /h e um T90 ≤ 10%; para o TcCO 2 noturno considerou-se
critério de ventilação eficaz um aumento menor do que 10 mmHg
ou tempo > 50 mmHg < a 50%. O TcCO 2 foi monitorizado continuamente durante todo o período de sono dos doentes. Todas as
PCRD foram revistas manualmente.
Resultados: Os dados são apresentados como mediana (per 2575). Foram incluídos 35 pacientes (51,4% do sexo masculino) com
média de idade de 64,8 (56,8-73,0) anos. Catorze doentes com
21º Congresso de Pneumologia do Norte
SHO (40,0%), 8 com DPOC (22,8%), 4 com DNM (11,4%), 1 com
alterações sequelares de tuberculose pulmonar (2,9%), 1 com cifoescoliose (2,9%) e 7 doentes (20,0%) com IRC de causa multifatorial. Na avaliação noturna realizada aos 3 meses o TcCO2 médio
foi de 46 (41,5-48) mmHg, IOD de 6,2 (3,7-15,7)/h, SpO2 média
de 94 (92,8-95,3)%, T < 90% de 0,8 (0-11,8)%; PaO2 diurna de 70,8
(60,8-78,9) mmHg e PaCO2 diurna de 45,7 (43,1-52,1) mmHg. Treze doentes (44,8%) apresentaram critérios de ventilação noturna
eficaz pela OP e pelo TcCO2, destes, 5 (38,5%) apresentaram normocápnia diurna (p = 0,53). Dois doentes (6,9%) cumpriram critérios de ventilação eficaz pela OP mas não pelo TcCO2. Observou-se
uma correlação positiva entre a PaCO2 diurna e o TcCO2 durante a
noite (r =,66, p < 0,01) e entre a PaCO2 diurna e tempo TcCO2 > 50
mmHg (r =,41, p = 0,03).
Conclusões: A medição do TcCO2 noturno é factível no domicílio. O
TcCO2 e a OP parecem ser complementares na avaliação da eficácia
da VMNId em doentes com IRC.
Palavras-chave: CO2 transcutâneo. Oximetria de pulso. Gasimetria
arterial. Ventilação mecânica não invasiva domiciliária.
PO54. EXPERIÊNCIA COM VENTILAÇÃO MECÂNICA NÃO
INVASIVA NUMA UNIDADE DE CUIDADOS INTENSIVOS
R. Linhas1, R. Marçoa1, C. Nogueira1, P. Castelões2
Pneumologia; 2Unidade de Cuidados Intensivos Polivalentes
(UCIP), Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.
1
Introdução: A ventilação mecânica não invasiva (VMNI) poder ser
uma opção sobretudo quando necessário suporte ventilatório apenas por algumas horas ou de forma intermitente. Pode também ser
considerada no desmame ventilatório de doentes entubados permitindo uma extubação mais precoce e desta forma reduzir o tempo
de ventilação mecânica invasiva (VMI) e a incidência de pneumonia
associada ao ventilador.
Objectivos: Avaliar o papel da VMNI como facilitador na extubação
e, secundariamente, na prevenção da entubação oro- traqueal
(EOT).
Material e métodos: Foram considerados todos os doentes admitidos na UCIP por causa médica entre setembro 2011 e setembro de
2013. Destes foram selecionados os doentes que realizaram VMNI
previamente à entrada na UCIP e durante o internamento na UCIP
pré e pós EOT.
Resultados: Durante um período de 3 anos foram internados na
UCIP 378 doentes por causa médica. Destes, 40 doentes (10,6%)
foram submetidos a VMNI. A média etária foi de 72 anos (DP 11,2)
com uma percentagem de 52,5% dos doentes do sexo masculino.
O principal motivo de internamento foi insuficiência respiratória
aguda (37,5%), seguida de choque séptico (20%). O tempo médio de internamento foi 12,2 (DP 8,3) dias. 52,5% dos doentes
apresentavam IR tipo 1 e 27,5% doença respiratória de base. Os
scores de gravidade médios calculados foram SAPS II 51,7; APACHE 24,4 e SOFA à admissão 7,47. 80% apresentavam SOFA respiratório 3 ou 4 (i.e. respetivamente paO2/fiO2 < 200 e paO2/fiO2 <
100). Do total dos 40 doentes da amostra selecionada 23 (57,5%)
fizeram VMNI pré-EOT numa tentativa de evitar a extubação (10
deles previamente à entrada na UCIP). A EOT foi evitada apenas
em 2 casos (8,7% de sucesso). O uso da VMNI como facilitador de
extubação e/ou evitar re-EOT na insuficiência respiratória pós
extubação verificou-se em 27 doentes (67,5%), com uma percentagem de sucesso de 74,07%. O tempo de VMI nos doentes
submetidos a VMNI pós extubação foi em média 11 dias (DP 8
dias). A mortalidade à saída da UCIP foi de 20% e à saída hospitalar de 42,5%.
Conclusões: A VMNI é uma arma importante sobretudo para permitir a extubação precoce e evitar a re-EOT. O mesmo não foi possível
mostrar na prevenção de EOT. Este fato poderá ser explicado pelo
Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 06/03/2014. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.
21º Congresso de Pneumologia do Norte
23
viés dos elevados índices de gravidade dos doentes admitidos na
unidade.
PO56. AVALIAÇÃO DO COMPRIMENTO DOS TELÓMEROS NA
SÍNDROME COMBINADA FIBROSE PULMONAR – ENFISEMA
Palavras-chave: VMNI. UCIP.
A.V. Cardoso1, P. Caetano Mota1,2, A. Palmeiro3, P. Rendeiro3,
N. Melo1, J.M. Pereira4, C. Souto Moura5, O. Sokhatska2,6,
A. Morais1,2
PO55. NOVOS CRITÉRIOS NA MARCAÇÃO DE EVENTOS
RESPIRATÓRIOS DO SONO: SERÁ A DIFERENÇA ASSIM
TÃO GRANDE?
1
Centro de Medicina do Sono, Hospital CUF Porto.
Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de São João, EPE,
Porto. 2Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. 3Centro
de Genética Clínica do Porto. 4Serviço de Radiologia, Centro
Hospitalar de São João, EPE, Porto. 5Serviço de Anatomia
Patológica, Centro Hospitalar de São João, EPE, Porto. 6Serviço e
Laboratório de Imunologia.
Introdução: A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é uma
causa major de morbimortalidade afetando 2-26% da população.
Em 2007 foi publicado o Manual de Estadiamento do Sono e Eventos Associados (MESEA) pela Academia Americana de Medicina do
Sono com a estandardização e uniformização das técnicas de monitorização e estadiamento. Em 2012 foi publicada a versão 2.0
do MESEA com as principais alterações ocorrendo na definição de
apneia (queda no pico de sinal de fluxo ≥90% em relação à linha de
base durante 10 ou mais segundos) e hipopneia (queda no pico de
sinal ≥30% em relação à linha de base durante 10 ou mais segundos
associada a dessaturação periférica ≥3% ou a arousal).
Objectivos: Comparar as duas versões do MESEA no diagnóstico e
classificação de SAOS por polissonografia (PSG).
Material e métodos: Registo e análise descritiva dos dados clínicodemográficos dos doentes que realizaram PSG por suspeita de
SAOS, num período de 17 meses, com estadiamento e classificação
das polissonografias pelo MESEA 2007. Revistas as mesmas PSG pelo
mesmo observador, com estadiamento e classificação pelo MESEA2.0. Comparação do índice de apneia/hiponeia (IAH) e do grau
da doença (sem SAOS, SAOS ligeira, moderada e acentuada) obtido
pelos dois manuais através de teste de diferença de médias e de
avaliação da concordância.
Resultados: Avaliados 88 doentes, 70% homens, idade média 47,8
± 13,5. IMC médio 29,9 ± 5,8 Kg/m2, perímetro cervical médio 39,4
cm (mínimo 29; máximo 47) perímetro abdominal médio 100,4 cm
(mínimo 62; máximo 146). Classificação das PSG pelo MESEA 2007
mostrando IAH médio 31,6/h (mínimo 0; máximo 149,9), sendo excluída SAOS em 9 (10%) e diagnosticada SAOS ligeira, moderada e
acentuada em 16 (18%), 28 (32%) e 35 (40%) doentes, respetivamente. Pelo MESEA2.0 obteve-se IAH médio 33,0/h (mínimo 0,2;
máximo 156,7), sendo excluída SAOS em 7 (8%) e diagnosticada
SAOS ligeira, moderada e acentuada em 17 (19%), 26 (30%) e 38
(43%) doentes, respetivamente. Apesar da diferença do valor médio
de IAH dado pelos dois manuais ser estatisticamente diferente (p <
0,001), constatou-se que a classificação pelos dois é muito concordante (Kappa = 0,901; p < 0,001).
Conclusões: Apesar do MESEA2.0 apresentar critérios mais sensíveis
para o diagnóstico da SAOS, que se traduzem por um IAH médio
mais elevado e por um maior número de doentes diagnosticados,
conclui-se que ambos são bastante concordantes. Assim, a não ser
que haja discrepância acentuada entre a clínica e o grau de doença,
não parece existir necessidade de se rever a PSG dos doentes diagnosticados segundo o MESEA 2007.
Introdução: No contexto da Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI), a
síndrome combinada Fibrose Pulmonar -Enfisema (combined pulmonar fibrosis and emphysema - CPFE) apresenta características
distintas que sugerem tratar-se de um fenótipo específico. Apesar
do tabagismo ser uma causa major, a patofisiologia da CPFE ainda
não está esclarecida, enfatizando-se o potencial papel do substrato
genético individual. As mutações nos dois componentes da telomerase (TERT e TERC), determinantes do encurtamento dos telómeros, encontram-se descritas tanto no enfisema como na FPI, sendo
de equacionar uma maior relevância nos doentes com CPFE.
Objectivos: Determinação da frequência do encurtamento dos telómeros numa amostra de doentes com CPFE e sua comparação com
os restantes doentes com FPI sem enfisema associado.
Material e métodos: Estudo de doentes com FPI seguidos em consulta de Doenças Pulmonares Difusas, cujo DNA foi extraído a partir
de amostras de sangue periférico. A determinação do comprimento
dos telómeros foi realizada através de uma reação de polymerase
chain reaction quantitativo (qPCR) com SYBR® Green para medição
do comprimento relativo dos telómeros, expresso pela razão entre
número de cópias da repetição dos telómeros (T) e o single copy
gene (S) nas amostras experimentais, relativamente a uma amostra
de referência (T/S relativo). A análise estatística foi efetuada através do programa estatístico SPSS versão 21.0.
Resultados: Foram incluídos 33 doentes com média de idades de
69,1 ± 10,2 anos, sendo 81,8% do sexo masculino. A maioria dos
doentes apresentava história de tabagismo (63,6% ex-fumadores;
9,1% fumadores). Dezassete (51,5%) doentes apresentavam CPFE,
sendo a quantificação de enfisema > 20% em 58,8% desses casos. O
encurtamento dos telómeros (T/S relativo < 1) foi verificado em
76,5% dos doentes com CPFE e 50,0% dos doentes com FPI sem
enfisema, contudo esta diferença não foi estatisticamente significativa (p = 0,114). Adicionalmente, a proporção do encurtamento
dos telómeros não diferiu significativamente entre os doentes com
CPFE e enfisema > 20% (80,0%) ou < 20% (71,4%) e os doentes com
FPI sem enfisema (50,0%) (p = 0,269).
Conclusões: Apesar de ausência de significado estatístico, o encurtamento dos telómeros foi mais frequente nos doentes com CPFE,
independentemente da extensão do enfisema, comparativamente
com os doentes com FPI sem enfisema associado, o que sugere a
possibilidade desta alteração ser mais relevante nos doentes com
essa síndrome. Contudo, serão necessários estudos de maior tamanho amostral de forma a determinar a verdadeira influência deste
mecanismo genético na patofisiologia da CPFE. Palavras-chave: SAOS. Estadiamento. Classificação.
Palavras-chave: Fibrose pulmonar. Enfisema. Telómeros.
A. Leão, S. Maia, A. Antunes, M. Gonçalves
Download

21º Congresso de Pneumologia do Norte - Skyros