ÉvoraHotel, 19 a 22 de Abril
April 19 to 22
PATROCINADORES PLATINA | PLATINIUM SPONSORS
PATROCINADORES OURO | GOLD SPONSORS
PATROCINADORES BRONZE | BRONZE SPONSORS
LEO Pharma
APOIANTES | SUPPORTERS
VIATURA OFICIAL | OFFICIAL CAR
AGÊNCIA OFICIAL | OFFICIAL AGENCY
Edifício Central Park
R. Alexandre Herculano, Edf. 1-4º C 2795-240 Linda-a-Velha PORTUGAL
Tel 21 430 77 40 Fax 21 430 77 49 Email [email protected]
www.factorchave.pt
ENCONTROS da PRIMAVERA ONCOLOGIA 2012
SPRING MEETING ONCOLOGY 2012
PATROCINADORES PRATA | SILVER SPONSORS
ENCONTROS
da PRIMAVERA
ONCOLOGIA 2012
ÉvoraHotel, 19 a 22 de Abril
SPRING MEETING
ONCOLOGY 2012
PROGRAMA
www.encontrosdaprimavera.com
AGRADECIMENTO ESPECIAL
Aos Organizadores e à Agência Oficial, pelo empenho e dedicação que demonstraram.
Aos Patrocinadores, sem os quais não teria sido possível a realização deste evento.
Bem Vindos aos
Encontros da Primavera 2012
Évora, 19 de Abril de 2012
Caro Congressista,
Ao abrir este programa está a dar início a mais uma edição dos ENCONTROS da PRIMAVERA, a oitava!
O programa é ambicioso, mas sem ambição o mundo não avança! Foi construído numa base multidisciplinar,
procurando em cada tema “mostrar o estado da arte e desvendar o futuro“.
É um programa diversificado, que tenta responder aos interesses e necessidades de formação dos diversos
participantes, envolvendo jovens e menos jovens, médicos e não médicos, juntos num objectivo comum:
tratamento de excelência do doente oncológico.
Este objectivo, deve orientar o nosso dia-a-dia e nos tempos de mudança que vivemos, em que cada um de nós
é chamado a dar mais e melhor optimizando os recursos disponíveis, ele é ainda mais importante.
Somos o “provedor“ do doente e ele espera que o sejamos. As questões do acesso, as limitações orçamentais,
a reorganização e a sustentabilidade do sistema de saúde, são aspectos a que não podemos nem devemos ser
alheios, mas não nos devemos esquecer nunca que a nossa função é tratar o doente, de acordo com o estado
da arte e com os princípios éticos que a profissão exige.
Os ENCONTROS da PRIMAVERA, orgulham-se de poder contribuir para alcançar este objectivo de excelência,
fomentando a formação dos profissionais, do ponto de vista científico e ético.
Agradeço a sua presença, sendo certo que ela contribuirá de forma significativa para o enriquecimento do
evento.
Cumprimentos,
Sérgio Barroso
Presidente dos Encontros da Primavera
1
PATROCINADORES PLATINA | PLATINIUM SPONSORS
PATROCINADORES OURO | GOLD SPONSORS
PATROCINADORES PRATA | SILVER SPONSORS
PATROCINADORES BRONZE | BRONZE SPONSORS
APOIANTES | SUPPORTERS
VIATURA OFICIAL | OFFICIAL CAR
2
ORGANIZAÇÃO | ORGANIZATION
PRESIDENTE | PRESIDENT
Sérgio Barroso
COMISSÃO CIENTÍFICA | SCIENTIFIC COMMITTEE
Sérgio Barroso
Cardoso Oliveira
Carlos Quintana
Jorge Caravana
M. Jorge Freitas
Manuel Carvalho
Manuel Murta
Margarida Carvalho
Pedro Chinita
Rui Dinis
Teresa Timóteo
Victor Caeiro
PATROCÍNIOS CIENTÍFICOS | SCIENTIFIC SPONSORS
PATROCÍNIOS INSTITUCIONAIS | INSTITUTIONAL SPONSORS
3
Ana Cristina Ferreira
Ana Escoval
Ana Macedo
Ana Maria Nogueira
Ana Martins
Ana Paula Figueiredo
Ana Paula Santos
Ana Raimundo
Ana Salgado
Ana Videira
Ângelo Oliveira
António Araújo
Antonio Lombard
Bruno Magalhães
Camila Coutinho
Cardoso de Oliveira
Carina Raposo
Carlos de Oliveira
Carlos Lopes
Carlos Nogueira
Carlos Quintana
Carlos Rabaça
Cecília Moura
Charles Leonard
Cristina Galvão
Cristina Lacerda
Daniel Ferreira
Deolinda Pereira
Dialina Brilhante
Dulce Nunes
Dulce Santos
Elisabete Valério
Elzbieta Senkus
Emanuel Jesus
Emilia Magalhães
Fátima Teixeira
Fátima Vaz
Fausto Roila
Fernando Barata
Filipa Fontes
Filipa Tavares
Francisco Pimentel
4
PALESTRANTES | FACULTY
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Escola Nacional de Saúde Pública, Lisboa, Portugal
KeyPoint, Lisboa, Portugal
Colégio de Competência em Medicina Farmacêutica, Lisboa, Portugal
Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Coimbra, Portugal
Grupo de Estudos de Tumores Neuro-Endócrinos, Porto, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Colégio da Especialidade de Radioterapia da Ordem dos Médicos, Lisboa, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto / Hospital de São Sebastião, Feira, Portugal
Instituto Valenciano de Oncologia, Valência, Espanha
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Centro Hospitalar do Alto Ave, Guimarães, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Centro Hospitalar do Porto, Portugal
Liga Portuguesa Contra o Cancro, Lisboa, Portugal
Sociedade Portuguesa de Senologia, Lisboa, Portugal
Colégio da Especialidade de Cirurgia da Ordem dos Médicos, Lisboa, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Coimbra, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal
Denver, EUA
Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, Beja, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Medical University of Gdansk, Polónia
Instituto Português de Oncologia, Coimbra, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
ACES Sotavento Algarvio, Tavira, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal
Silvestrini Hospital, Perugia, Itália
Centro Hospitalar de Coimbra, Coimbra, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Centro Hospitalar Lisboa Norte, Lisboa, Portugal
Lenitudes, Lisboa, Portugal
Gabriela Sousa
Gonçalo Fernandez
Guy Vieira
Hélder Mansinho
Helena Gervásio
Helena Magalhães
Helena Rodrigues
Henrique Nabais
Isabel Fernandes
Jacinto Costa
Joana Ferreira
Joana Macedo
Joaninha Costa Rosa
João Prata
João Ribeiro
Joaquim Abreu
Joaquina Mauricio
Joel Cardoso
Jorge Caravana
Jorge Espírito Santo
Jorge Penedo
José Carlos Machado
José Dinis
José Luis Passos Coelho
Juan Mellidez
Juliana Santos
Júlio Leite
Kathleen Pritchard
Lúcio Lara Santos
Luís Costa
Luís Lázaro
Luís Miguel Ferreira
Lurdes Trigo
M. Jorge Freitas
Madalena Mela
Manuel Carvalho
Manuel Murta
Margarida Carvalho
Margarida Damasceno
Maria Braz
Maria Filomena Mendes
Maria Inês Antunes
PALESTRANTES | FACULTY
Instituto Português de Oncologia, Coimbra, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal
Clínica Quadrantes, Portugal
Centro Hospitalar Barreiro / Montijo, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Coimbra, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Hospital da Luz, Lisboa, Portugal
Centro Hospitalar Lisboa Norte, Lisboa, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Coimbra, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Coimbra, Portugal
Hospital de São Sebastião, Feira, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Coimbra, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Hospitais da Universidade de Coimbra, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Colégio da Especialidade de Oncologia da Ordem dos Médicos, Lisboa, Portugal
Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa, Portugal
IPATIMUP, Porto, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Hospital da Luz, Lisboa, Portugal
Hospital Infante D. Pedro, Aveiro, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Sociedade Portuguesa de Cirurgia, Lisboa, Portugal
Faculty of Medicine University of Toronto, Canadá
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Centro Hospitalar Lisboa Norte, Lisboa, Portugal
Cuidados Paliativos da Extremadura, Espanha
Escola Superior de Enfermagem, Porto, Portugal
Sociedade Portuguesa de Radioterapia Oncológica, Lisboa, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Hospital Garcia de Orta, Almada, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Hospital do Litoral Alentejano, Santiago do Cacém, Portugal
Hospital de São João, Porto, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
5
Maria João Cardoso
Maria José Passos
Marta Soares
Miguel Barbosa
Mónica Nave
Noémia Afonso
Nuno Bonito
Nunes Marques
Ondina Rabaça
Paulo Coelho
Paulo Cortes Paulo Costa
Paulo Reis Pina
Pedro Caetano
Pedro Cardoso
Pedro Chinita
Pedro Rocha
Pereira Alves
Philippe Cassier
Pierpaolo Cusati
Ricardo da Luz
Richard Kefford
Robert Motzer
Rui Dinis
Rui Santos
Sandra Bento
Sandra Santos
Sebastian Schavena
Selma Faustino
Sérgio Barroso
Sérgio Galo
Sílvia Nunes
Sónia Rego
Soraia Pinto
Susana Sousa
Tânia Rodrigues
Teresa Timóteo
Thierry André
Vanessa Leomaro
Vasco Herédia
Vitor Caeiro
Vitor Farrincha
Wolfgang Eiermann
6
PALESTRANTES | FACULTY
Fundação Champalimaud, Lisboa, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal
Hospital da Luz, Lisboa, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Coimbra, Portugal
Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Centro Hospitalar Lisboa Norte, Lisboa, Portugal
Centro Hospitalar Barreiro / Montijo, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal
Universidade Nova de Lisboa, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Coimbra, Portugal
Hospital do Espírito Santo / Lenicare, Évora, Portugal
KeyPoint, Lisboa, Portugal
Lisboa, Portugal
Unicancer, Paris, França
Hospital do Litoral Alentejano, Santiago do Cacém, Portugal
Centro Hospitalar Lisboa Central, Lisboa, Portugal
Westmead Hospital, Sydney, Austrália
Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, Nova Iorque, EUA
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Hospitais da Universidade de Coimbra, Portugal
Hospital de Santarém, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Coimbra, Portugal
Barcelona, Espanha
Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal
Hospital de São Sebastião, Feira, Portugal
Hospital de São João, Porto, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal
Hospital da Luz, Lisboa, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Hopital Saint Antoine, Paris, França
Hospital Fernando Fonseca, Amadora, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Hospital do Espírito Santo, Évora, Portugal
Instituto Português de Oncologia, Lisboa, Portugal
Ludwig Maximilians Universität, Munique, Alemanha
INFORMAÇÃO GERAL | GENERAL INFORMATION
Horário de Funcionamento do Secretariado
Dia 19 de Abril, Quinta-feira 08h00 às 19h00
Dia 20 de Abril, Sexta-feira 08h00 às 19h00
Dia 21 de Abril, Sábado
08h00 às 19h00
Dia 22 de Abril, Domingo
08h00 às 14h00
Horário de Funcionamento do Slide Desk
Dia 19 de Abril, Quinta-feira 08h00 às 18h00
Dia 20 de Abril, Sexta-feira 08h00 às 18h00
Dia 21 de Abril, Sábado
08h00 às 19h00
Dia 22 de Abril, Domingo
08h00 às 11h30
Todas as apresentações deverão ser entregues no slide desk pelo menos 2 horas
antes da apresentação.
Será pedido a todos os palestrantes para cederem os direitos de utilização da sua
apresentação para futura inclusão em meios de divulgação médica.
CERTIFICADOS | CERTIFICATES
O certificado de presença, palestrante ou de apresentação de abstract, pode ser obtido no quiosque
de certificados, junto ao secretariado.
REFEIÇÕES | MEALS
Serão servidos coffee breaks e almoços de trabalho, disponíveis apenas aos participantes inscritos,
devidamente identificados com o crachá válido para o efeito.
Na 5ª feira, dia 19 de Abril, o almoço é reservado aos participantes dos Cursos de Pré-Congresso.
O Jantar do Congresso realizar-se-á no dia 21 de Abril, pelas 20h30, na Quinta do Louredo.
Haverá transferes de cada hotel para o Jantar do Congresso às 20h00, e de regresso.
É obrigatório a apresentação do convite.
7
PRÉMIOS COMUNICAÇÕES ORAIS E POSTERS
ORAL AND POSTER PRESENTATIONS AWARDS
COMUNICAÇÕES ORAIS GERAIS | ORAL PRESENTATIONS
1ª PRÉMIO | AWARD
2º PRÉMIO | AWARD
3º PRÉMIO | AWARD
1.500 Euros
1.000 Euros
750 euros
POSTERS | POSTERS
1ª PRÉMIO | AWARD
2º PRÉMIO | AWARD
3º PRÉMIO | AWARD
1.000 Euros
750 euros
500 Euros
PRÉMIOS COMUNICAÇÕES ORAIS E POSTERS, SESSÃO I
ORAL PRESENTATIONS AND POSTERS AWARDS, SESSION I
PATROCÍNIO | SPONSOR
PRÉMIOS COMUNICAÇÕES ORAIS E POSTERS, SESSÃO II
ORAL PRESENTATIONS AND POSTERS AWARDS, SESSION II
PATROCÍNIO | SPONSOR
8
HOTÉIS OFICIAIS DO CONGRESSO | OFFICIAL HOTELS OF THE CONGRESS
Évora Hotel
Avenida Túlio Espanca
7002-502 Évora
Telefone: (+351) 266 748 800
Fax: (+351) 266 748 806
Albergaria do Calvário
Travessa dos Lagares, 3
7000-565 Évora
Telefone: (+351) 266 745 930
Fax: (+351) 266 745 939
M’AR de AR Aqueduto Hotel
Rua Cândido dos Reis, 72
7000-782 Évora
Telefone: (+351) 266 740 700
Fax: (+351) 266 740 735
Pousada dos Lóios
Largo Conde Vila-Flor
7000-804 Évora
Telefone: (+351) 266 730 070
Fax: (+351) 266 707 248
M’AR de AR Muralhas Hotel
Travessa da Palmeira, 4/6
7000-546 Évora
Telefone: (+351) 266 739 300
Fax: (+351) 266 739 305
Convento do Espinheiro Hotel
Canaviais
7000-502 Évora
Telefone: (+351) 266 788 200
Fax: (+351) 266 788 202
Hotel Dom Fernando
Avenida Dr. Barahona, 2
7005-150 Évora
Telefone: (+351) 266 737 990
Fax: (+351) 266 737 999
Hotel Ibis Évora
Quinta da Tapada
Urbanização da Muralha
7000-968 Évora
Telefone: (+ 351) 266 760 700
Fax: (+351) 266 760 799
Albergaria Vitória
Rua Diana de Lis, 5
7005-413 Évora
Telefone: (+351) 266 707 174
Fax: (+351) 266 700 974
9
MAPA ÉVORA | ÉVORA MAP
9
Arraiolos
Redondo
Espanha
8
6
C
A 1
B
3
LISBOA
D
2
ENCONTROS
da PRIMAVERA
ONCOLOGIA 2012
5
ÉvoraHotel, 19 a 22 de Abril
7
4
Alcáçovas
Beja
Reguengos
Espanha
1 Pousada dos Lóios
6
Albergaria do Calvário
A
Templo de Diana
2 Évora Hotel
7
Albergaria Vitória
B
Praça do Giraldo
3 M´AR de Ar Muralhas
8
M´AR de Ar Aqueduto
C
Universidade
4 Hotel D. Fernando
9
Convento do Espinheiro
D
Hospital Espírito Santo
5 Hotel Ibis
10
l
E
>
SLIDE
DESK
l
EXPOSIÇÃO
DE POSTERS
EXPOSIÇÃO
DE POSTERS
e
e
e
SALA A
.
SECRETARIADO
E
o
RECEPÇÃO HOTEL
¡
RESTAURANTE
Î
Î
ENTRADA
LOJA
p
@ EXPOSIÇÃO TÉCNICA
.
SALA C
.
ê
ARRUMOS
SALA B
PLANTA HOTEL | HOTEL MAP
11
AGÊNCIA OFICIAL | OFFICIAL AGENCY
Edifício Central Park
R. Alexandre Herculano, Edf. 1-4º C
2795-240 Linda-a-Velha | PORTUGAL
Tel 21 430 77 40
Fax 21 430 77 49
Email [email protected]
www.factorchave.pt
12
13
5ª FEIRA, 19 ABRIL | THURSDAY, APRIL 19
NOTAS
14
Sala D | Room D
09.00 | 10.20 Farmacoeconomia - Módulo 1
Pharmacoeconomy - Module 1
Coordenador | Coordinator Ana Macedo
10.20 | 10.30 Intervalo
Break
10.30 | 13.00 Farmacoeconomia - Módulo 1
Pharmacoeconomy - Module 1
Coordenador | Coordinator Ana Macedo
13.00 | 14.30 Almoço
Lunch
Nota: O Módulo 2 terá lugar em Outubro, no Congresso Nacional de Cancro Digestivo.
Sala C | Room C
11.00 | 13.00 Investigação em Enfermagem
Nursing Investigation
Coordenador | Coordinator Bruno Magalhães
13.00 | 14.30 Almoço
Lunch
15
5ª FEIRA, 19 ABRIL | THURSDAY, APRIL 19
5ª FEIRA, 19 ABRIL | THURSDAY, APRIL 19
CURSOS PRÉ-CONGRESSO
PRE-CONGRESS COURSES
Sala B | Room B
Tumores Cabeça e Pescoço
Head and Neck Tumors
Coordenador | Coordinator Rui Dinis
9.00 | 9.10
| Apresentação
Presentation
Pedro Chinita
9.10 | 9.20
| Epidemiologia e factores de risco
Epidemiology and risk factors
Rui Dinis
Tabaco, álcool e vírus
9.20 | 9.50
| Clínica, patologia e diagnóstico
Clinic, pathology and diagnosis
Dulce Nunes
Nasofaringe, cavidade oral, faringe, laringe e seios paranasais
Histologias
Inspecção, palpação, exame indirecto espelho,
endoscopia directa, panendoscopia e citologia aspirativa
9.50 | 10.20
| Imagiologia e estadiamento
Imagiology and staging
Sérgio Galo
TAC, RM e PET-CT: indicações, vantagens e desvantagens
10.20 | 10.30 Intervalo
Break
16
5ª FEIRA, 19 ABRIL | THURSDAY, APRIL 19
10.30 | 11.00 | Tratamento de doença localizada: com e sem preservação do orgão
Treatment of localized disease: with and without preservation
Paulo Coelho, Maria Inês Antunes
11.00 | 11.40 | Tratamento de doença loco-regionalmente avançada:
Tratamento sequencial e quimio-radioterapia
Treatment of loco-regionally advanced disease: Sequential treatment
and chemo-radiotherapy
Rui Dinis, Pedro Chinita
11.40 | 12.00 | Tratamento de doença metastática e recorrente
Treatment of metastatic disease and recurring
Rui Dinis
12.00 | 12.15 | Vigilância / Follow-up
Surveillance / Follow-up
12.15 | 13.00 | Casos clínicos e discussão final
Clinical cases and final discussion
13.00 | 14.30 Almoço
Lunch
17
5ª FEIRA, 19 ABRIL | THURSDAY, APRIL 19
PROGRAMA MÉDICO
PHYSICIANS PROGRAM
Sala A | Room A
14.30 | 16.30 SESSÃO 1 - TERAPÊUTICAS DE SUPORTE
SESSION 1 - SUPPORTIVE THERAPIES
Presidente | Chairman Juan Mellidez
Moderadores | Co-Chairmen Tânia Rodrigues, Sandra Bento
| Antiemese - Como ser custo-efectivo
Anti-emetic therapy - How to be cost-effective
Fausto Roila
Sónia Rego
Dulce Santos
Miguel Barbosa
| Mucosite: abordagem sistemática
Mucositis: sistematic aproach
| Dor em oncologia - Individualização terapêutica
Pain in oncology - How to individualized treatment
| Factores de crescimento: normas de utilização
Growth factors: guidelines
| Discussão
Discussion
16.30 | 17.00 Intervalo
Break
17.00 | 18.30 SESSÃO 2 - COMUNICAÇÕES ORAIS I
SESSION 2 - ORAL ABSTRACT PRESENTATIONS I
Presidente | Chairman Lúcio Lara Santos
Moderadores | Co-Chairmen Camila Coutinho, Joana Macedo, Ana Videira,
Pierpaolo Cusati
18
5ª FEIRA, 19 ABRIL | THURSDAY, APRIL 19
NOTAS
19
NOTAS
20
21
6ª FEIRA, 20 ABRIL | FRIDAY, APRIL 20
NOTAS
22
Sala A | Room A
09.00 | 11.00 SESSÃO 3 - CANCRO DA MAMA
SESSION 3 - BREAST CANCER
Presidente | Chairman Helena Rodrigues
Moderadores | Co-Chairmen Joaquim Abreu, Pedro Chinita
| Terapêutica neoadjuvante: como e quando usar?
Neoadjuvant therapy: how and when?
Wolfgang Eiermann
Maria João Cardoso
Paulo Costa
Gonçalo Fernandez
Charles Leonard, Sebastian Schavena
| Abordagem da axila no cancro da mama precoce em 2012
Aproach of the axila in early breast cancer in 2012
| Irradiação parcial da mama: as várias técnicas
Partial radiotherapy of the breast: the different technics
| Novas modalidades: IMRT, IGRT, Gating
New modalities of breast radiotherapy: IMRT, IGRT, Gating
| Ensaios genómicos
Genomic tools
| Discussão
Discussion
11.00 | 11.30 Intervalo
Break
23
6ª FEIRA, 20 ABRIL | FRIDAY, APRIL 20
6ª FEIRA, 20 ABRIL | FRIDAY, APRIL 20
PROGRAMA MÉDICO
PHYSICIANS PROGRAM
11.30 | 13.00 SESSÃO 4 - CUIDADOS PALIATIVOS
SESSION 4 - PALIATIVE CARE
Presidente | Chairman Margarida Carvalho
Moderador | Co-Chairman Filipa Tavares
| Cuidados paliativos e oncologia. O estado da arte
Palliative care and oncology. The state of the art
Filipa Tavares
| A propósito de um caso clínico
A clinical case study
Cristina Galvão
| Estremadura espanhola - um programa modelo
Spanish Extremadura - a model program
Luís Lázaro
Fátima Teixeira
Paulo Reis Pina
| Cuidados paliativos. Uma questão de custos?
Palliative care. A question of cost?
| Controvérsias
Controversies
| Discussão
Discussion
13.00 | 14.30 Almoço
Lunch
24
6ª FEIRA, 20 ABRIL | FRIDAY, APRIL 20
14.30 | 16.30 SESSÃO 5 - MELANOMA
SESSION 5 - MELANOMA
Presidente | Chairman Maria José Passos
Moderadores | Co-Chairmen Manuel Murta, Emanuel Jesus
| O papel do patologista
Chalenging the pathologist
Joaninha Costa Rosa
Vítor Farrincha
Ana Raimundo
Richard Kefford
Cecília Moura
| Electroquimioterapia
Electrochemotherapy
| Terapêutica adjuvante: quais os doentes?
Adjuvant therapy: for which patients?
| Terapêutica sistémica: estado da arte e novos fármacos
Sistemic therapy: state of the art and new agents
| Toxicidades cutâneas
Cutaneous toxicities
| Discussão
Discussion
16.30 | 17.00 Intervalo
Break
25
17.00 | 17.40 SESSÃO 6 - TROMBOSE E CANCRO
SESSION 6 - THROMBOSIS AND CANCER
Presidente | Chairman Pereira Alves
Moderadores | Co-Chairmen Sérgio Barroso , Joaquim Abreu
|
Apresentação do documento final do consenso
- Grupo de reflexão TEV no doente oncológico
Presentation of the final consensus document
- Focus group on VTE in cancer patients
Dialina Brilhante
Pedro Rocha
| Registo nacional de TEV em doentes com cancro
National registry project of VTE in cancer patients
18.00 | 19.00 SESSÃO 7 - SESSÃO ESPECIAL
SESSION 7 - SPECIAL SESSION
| Nota de boas vindas
Welcome adress
Sérgio Barroso
José Robalo, Maria Filomena Mendes, Manuel Carvalho
Carlos de Oliveira, Margarida Ferreira
| Centros de excelência em oncologia: o caminho a seguir
Cancer centres of excellence: the way to go
| Entrega de bolsa Liga Portuguesa Contra Cancro / Pfizer
Grant of Portuguese League Against Cancer / Pfizer
26
Sala B | Room B
11.30 | 13.00 SESSÃO 1 - CANCRO CABEÇA E PESCOÇO
SESSION 1 - HEAD AND NECK CANCER
Moderador | Co-Chairman Sandra Santos
| Distress, o que significa?
Distress, which means?
Joana Ferreira
Pedro Cardoso
| Estudo multicêntrico para avaliação da evolução do distress
no doente de cabeça e pescoço
Multicenter study of evaluation to distress evolution in the head and neck patient | Apresentação dos resultados do estudo multicêntrico do distress
Results presentation of multicenter distress study
Oncologia cirúrgica IPO Coimbra
Jacinto Costa
Oncologia cirúrgica IPO Porto
Filipa Fontes
| Discussão
Discussion
Juliana Santos
Pedro Cardoso
13.00 | 14.00 Almoço
Lunch
27
6ª FEIRA, 20 ABRIL | FRIDAY, APRIL 20
6ª FEIRA, 20 ABRIL | FRIDAY, APRIL 20
PROGRAMA ENFERMAGEM
NURSES PROGRAM
14.00 | 15.30
SESSÃO 2 - EDUCAÇÃO EM ONCOLOGIA:
ESTRATÉGIAS PARA MUDANÇA DE COMPORTAMENTOS
SESSION 2 - EDUCATION IN ONCOLOGY:
STRATEGIES FOR CHANGING ATTITUDES IN HEALTH
Moderador | Co-Chairman Cristina Lacerda
| Que factores intervêm na educação para a saúde
Which factors are involved in health education
Daniel Ferreira
| Educar para prevenir
Educate to prevent
O que se faz no IPO Porto
Maria Braz
O que se faz no IPO Lisboa
Sílvia Nunes
| Apresentação de livro inserido no projecto AEOP “Educar e Prevenir”
Presentation of book inserted in the AEOP Project “Educate and Prevent”
Ana Paula Figueiredo
| Conclusões
Conclusions
15.30 | 16.00 Intervalo
Break
16.00 | 18.00
SESSÃO 3 - CANCRO MAMA: DISCUSSÃO DE LINHA CONSENSO:
DOENTE EM TRATAMENTO HORMONAL
SESSION 3 - BREAST CANCER: DISCUSSION OF CONSENSUS LINE:
BREAST CANCER PATIENT IN HORMONE THERAPY TREATMENT
Presidente | Chairman Ana Salgado
Moderador | Co-Chairman Elisabete Valério
| Painel discussão
Discussion panel
Ondina Rabaça
28
Vanessa Leomaro
Soraia Pinto
Luís Miguel Ferreira
29
SÁBADO, 21 ABRIL | SATURDAY, APRIL 21
NOTAS
30
SÁBADO, 21 ABRIL | SATURDAY, APRIL 21
SÁBADO, 21 ABRIL | SATURDAY, APRIL 21
PROGRAMA MÉDICO
PHYSICIANS PROGRAM
Sala A | Room A
08.30 | 09.30 SESSÃO 8 - COMUNICAÇÕES ORAIS II
SESSION 8 - ORAL ABSTRACTS PRESENTATIONS II
Presidente | Chairman Teresa Timóteo
Moderadores | Co-Chairmen Carlos Rabaça, Nunes Marques, Carlos Quintana, Guy Vieira
09.30 | 10.40 SESSÃO 9 - CANCRO DO OVÁRIO
SESSION 9 - OVARIAN CANCER
Presidente | Chairman Deolinda Pereira
Moderadores | Co-Chairmen Vitor Caeiro, Fátima Vaz
| Perspectiva cirúrgica: actualização
Surgical perspective: update
Henrique Nabais
Mónica Nave
Susana Sousa
| Tumores raros do ovário: estratégias terapêuticas
Rare ovarian tumours: terapeutic strategies
| Quimioterapia no carcinoma epitelial do ovário:
estado da arte e perspectivas futuras
Ovarian carcinoma chemotherapy: state of the art and future perspectives
| Discussão
Discussion
10.40 | 11.00 Intervalo
Break
31
11.00 | 12.45 SESSÃO 10 - CANCRO GÉNITO-URINÁRIO
SESSION 10 - GENITO-URINARY CANCER
Presidente | Chairman Cardoso de Oliveira
Moderadores | Co-Chairmen Gabriela Sousa, Joaquina Maurício
| Carcinoma células renais avançado: terapêutica actual e futura
Advanced renal cell carcinoma: current standard therapy and future directions
Robert Motzer
| Tumores de células germinais - terapêutica de 1ª linha
Germinal cells tumors - 1st line therapy
José Luís Passos Coelho
| Tumores de células germinais: terapêutica de “salvage”
Germ cell tumors: salvage therapy
Robert Motzer
| Cancro da próstata resistente castração: novos tratamentos
New treatments: for castration resistent prostate cancer
Sérgio Barroso
| Discussão
Discussion
12.45 | 14.15 Almoço
Lunch
14.15 | 15.30 SESSÃO 11 - SARCOMA
SESSION 11 - SARCOMA
Presidente | Chairman Teresa Timóteo
Moderadores | Co-Chairmen Jorge Penedo, Nuno Bonito
| Sarcomas dos tecidos moles:
Novas opções terapêuticas em 2012 e perspectivas futuras
Soft tissue sarcomas: new therapy options in 2012 and beyond
Isabel Fernandes
| Casos clínicos especiais
Challenging clinical cases
Philippe Cassier
| GIST, terapêutica adjuvante: como, quando e porquê
GIST, adjuvant therapy: what, when and why
Marta Soares
| Discussão
Discussion
32
SÁBADO, 21 ABRIL | SATURDAY, APRIL 21
15.30 | 17.00 SESSÃO 12 - CANCRO COLORECTAL
SESSION 12 - COLORECTAL CANCER
Presidente | Chairman Jorge Caravana
Moderadores | Co-Chairmen Ana Martins, João Ribeiro
| Instabilidade de microssatélites e principais vias de sinalização:
implicações para a terapêutica
Microsatellite instability and key signalling pathways: implications for therapy
José Carlos Machado
Vasco Herédia
| Tumores do recto: TAC vs RMN
Rectal tumors: CT scan vs MRI
| Terapêutica adjuvante: estado da arte e futuro
Adjuvant therapy of colon cancer: state of the art and beyond
Thierry André
| Tratamento de doença avançada
Advanced disease treatment
Hélder Mansinho
| Discussão
Discussion
17.00 | 17.30 Intervalo
Break
33
17.30 | 19.30 SESSÃO 13 - CANCRO DA MAMA II
SESSION 13 - BREAST CANCER II
Presidente | Chairman Helena Gervásio
Moderadores | Co-Chairmen José Luís Passos Coelho, Margarida Damasceno
|
A importância da doença óssea no cancro da mama:
magnitude do problema e estratégia terapêutica
The importance of bone disease in breast cancer: the magnitude of the problem
and how to manage it
Luís Costa
Noémia Afonso
Antonio Lombard
Kathleen Pritchard
| Cancro da mama triplo negativo: como tratar?
Triple negative breast cancer: how to manage?
| Cancro de mama avançado: novas opções de quimioterapia
Advanced breast cancer: new chemotherapy options
| Novos alvos terapêuticos: inibidores Her2 e mTOR
New therapeutic targets: focus on Her2 and mTOR inhibitors
| Recomendações internacionais do ABC1
International recomendations from ABC1
Elzbieta Senkus
| Discussão
Discussion
20.30 Jantar do congresso
Official congress dinner
34
SÁBADO, 21 ABRIL | SATURDAY, APRIL 21
SÁBADO, 21 ABRIL | SATURDAY, APRIL 21
PROGRAMA ENFERMAGEM
NURSES PROGRAM
Sala B | Room B
09.30 | 11.00 SESSÃO 4 - SARCOMA
SESSION 4 - SARCOMA
Moderador | Co-Chairman Rui Santos
| Sarcomas ósseos
Osteosarcomas
Joel Cardoso
| Sarcomas tecidos moles
Soft tissue sarcomas
João Prata
| Suporte social do doente em tratamento.
Apresentação de estudo investigacional
Social support of the patient in treatment. Investigational study presentation
Emília Magalhães
M. Jorge Freitas
| Conclusões
Conclusions
11.00 | 11.30 Intervalo
Break
35
11.30 | 13.00 SESSÃO 5 - DOR CRÓNICA EM ONCOLOGIA:
DIFERENTES EXPERIÊNCIAS HOSPITALARES
SESSION 5 - CHRONIC PAIN IN ONCOLOGY: THE DIFFERENT EXPERIENCES
Moderador | Co-Chairman Helena Magalhães
| A dor crónica no doente com cancro
Chronic pain in patients with cancer
Carina Raposo
| Intervenção integrada no controlo da dor
Integrated intervention in pain management
Na Unidade Dor do IPO Lisboa
Selma Faustino
Na Unidade Dor do IPO Coimbra
Na Unidade Dor do Hospital Garcia de Orta
Ana Cristina Ferreira
Madalena Mela
| Discussão
Discussion
36
37
DOMINGO, 22 ABRIL | SUNDAY, APRIL 22
NOTAS
38
DOMINGO, 22 ABRIL | SUNDAY, APRIL 22
DOMINGO, 22 ABRIL | SUNDAY, APRIL 22
PROGRAMA MÉDICO
PHYSICIANS PROGRAM
Sala A | Room A
09.00 | 11.00 SESSÃO 14 - ESPECIFICIDADE DA ONCOLOGIA
SESSION 14 - SPECIFICITY IN ONCOLOGY
Presidente | Chairman Francisco Pimentel
| O papel da medicina farmacêutica
The role of pharmaceutical medicine
Ana Maria Nogueira
| Formação em oncologia
Training in oncology
Lúcio Lara Santos
Ricardo da Luz
António Araújo
Ana Escoval
| O papel das sociedades científicas
The role of scientific societies
| Custos em oncologia
Costs in oncology
| Financiamento em oncologia
Funding in oncology
Painel de Discussão
Discussion panel
Sociedade Portuguesa de Oncologia
Joaquim Abreu
Sociedade Portuguesa de Senologia
Carlos Lopes
Sociedade Portuguesa de Radioterapia Oncológica
Lurdes Trigo
Sociedade Portuguesa de Cirurgia
Júlio Leite
Colégios de Especialidade da Ordem dos Médicos
Oncologia
Jorge Espírito Santo
Cirurgia
Radioterapia
Carlos Nogueira
Ângelo Oliveira
39
11.00 | 11.30 Intervalo
Break
11.30 | 13.00 SESSÃO 15 - INVESTIGAÇÃO CLÍNICA
SESSION 15 - CLINICAL INVESTIGATION MEETING
Moderadores | Co-Chairmen José Dinis, Paulo Cortes
| Como construir uma plataforma nacional de investigação
How to set up a national research platform
Universidade Nova de Lisboa
Pedro Caetano
Grupo de Investigação do Cancro Digestivo
Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão
Grupo de Estudos do Cancro da Cabeça e Pescoço
Intergrupo Português de Melanoma
Grupo de Estudos de Tumores Neuro-Endócrinos
Hélder Mansinho
Fernando Barata
José Dinis
Maria José Passos
Ana Paula Santos
13.00
Encerramento dos Encontros da Primavera 2012
Adjourn
40
Sérgio Barroso
41
ABSTRACTS | ABSTRACTS
NOTAS
42
SESSÃO 2 - COMUNICAÇÕES ORAIS I
1 FACTORES PREDITIVOS DE SOBREVIVÊNCIA GLOBAL NOS DOENTES COM TROMBOEMBOLISMO VENOSO E NEOPLASIA
PULMONAR.
2 ASSOCIATION BETWEEN EGF+61 GENETIC POLYMORPHISMS AND NON-SMALL-CELL LUNG CANCER INCREASED RISK IN A
PORTUGUESE POPULATION: A CASE-CONTROL STUDY.
3 INFLUÊNCIA DO POLIMORFISMO GGH -401C>T NA DETERMINAÇÃO DA RESPOSTA À QUIMIORADIOTERAPIA COM CISPLATINA
EM DOENTES COM CANCRO DO COLO UTERINO.
4 NEOPLASIA DO RETO BAIXO: DISSECÇÃO INTERESFINCTERIANA.
5 CARCINOSARCOMAS UTERINOS – A EXPERIÊNCIA DE UM SERVIÇO.
6 INFLUÊNCIA DAS ADIPOCITOCINAS NA PROGRESSÃO E DESENVOLVIMENTO DO CANCRO COLORECTAL.
7 ESTUDO MOLECULAR RETROSPETIVO DOS RECETORES TIROSINA CINASE EM SARCOMAS DO ESTROMA ENDOMETRIAL.
UM ESTUDO DO GRUPO ESPANHOL DE INVESTIGAÇÃO EM SARCOMAS (GEIS 18).
8 TUMORES DO ESTROMA GASTRO-INTESTINAL (GIST) CASUÍSTICA DOS HOSPITAIS DA REGIÃO ALENTEJO 1999-2011.
SESSÃO 8 - COMUNICAÇÕES ORAIS II
9 ASSOCIAÇÃO ENTRE LINFOMA NÃO HODGKIN E CARCINOMA DE CÉLULAS RENAIS
10 CABAZITAXEL: A NOVA REALIDADE NO TRATAMENTO DO CANCRO DA PRÓSTATA METASTÁTICO RESISTENTE À CASTRAÇÃO.
11 TUMORES GERMINATIVOS DO TESTÍCULO - REVISÃO DE 10 ANOS
12 RADIOTERAPIA NOS SARCOMAS PARA-TESTICULARES - A PROPÓSITO DE 2 CASOS CLÍNICOS.
13 ABIRATERONA NO CANCRO DA PRÓSTATA METASTÁTICO RESISTENTE À CASTRAÇÃO ( MCPRC).
14 CARCINOMA DE CÉLULAS RENAIS - ANÁLISE RETROSPECTIVA DOS DOENTES DO HOSPITAL SANTA MARIA.
COMUNICAÇÕES ORAIS ENFERMAGEM
1 APLICAÇÃO DO MALNUTRITION UNIVERSAL SCREENING TOOL EM HOSPITAL DE DIA DE ONCOLOGIA.
43
ABSTRACTS | ABSTRACTS
COMUNICAÇÕES ORAIS MÉDICAS
POSTERS MÉDICOS
1 UTILIZAÇÃO DE PRO- E SIMBIÓTICOS EM ONCOLOGIA: REVISÃO SISTEMÁTICA DE ENSAIOS CLÍNICOS ALEATORIZADOS E
CONTROLADOS.
2
ABORDAGEM MULTIMODAL DO SARCOMA CARDÍACO IRRESECÁVEL EM DOENTE COM CARCINOMA DA MAMA METASTIZADO.
3
TRATAMENTO POTENCIALMENTE CURATIVO NO CANCRO COLORECTAL METASTIZADO, A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO.
4
O PAPEL DA QUIMIOTERAPIA NEOADJUVANTE NO CANCRO DA MAMA TRIPLO NEGATIVO.
5
UMA FORMA EXPLOSIVA DE METASTIZAÇÃO DE MELANOMA MALIGNO.
6
GIST - LONGA SOBREVIVÊNCIA APÓS RESISTÊNCIA AO IMATINIB.
7
UM CASO CLÍNICO DE MELANOMA AVANÇADO B-RAF+.
8
CASUÍSTICA DOS DIAGNÓSTICOS DE NEOPLASIAS EM DOENTES INTERNADOS NUM SERVIÇO DE MEDICINA INTERNA AO
LONGO DE 24 MESES.
9
TERAPÊUTICA ADJUVANTE NAS MULHERES MAIS VELHAS COM CANCRO DA MAMA EM ESTADIO PRECOCE:
ESTADO DA ARTE E CAMINHOS FUTUROS NO IPO LISBOA ENVOLVIMENTO SISTÉMICO RARO.
10 RADIOTERAPIA NA METASTIZAÇÃO HEPÁTICA.
11 CASO CLÍNICO DE NEUROCITOMA CENTRAL ATÍPICO EXTRA-VENTRICULAR.
12 RABDOMIOSSARCOMA PEDIÁTRICO TRATADO COM I.M.R.T. - CASO CLÍNICO.
13 CAUSA RARA DE HEPATITE COLESTÁTICA.
14 HIPERTENSÃO PULMONAR PARANEOPLÁSICA COMO FORMA DE APRESENTAÇÃO DE ADENOCARCINOMAS SÍNCRONOS DO
PÂNCREAS E CÓLON DIREITO COM PADRÃO BIZARRO DE METASTIZAÇÃO.
15 TUMORES DO INTESTINO DELGADO.
16 FISIOPATOLOGIA DA ASSOCIAÇÃO ENTRE NEOPLASIAS MALIGNAS E ESCLEROSE SISTÉMICA: BASE MOLECULAR COMUM,
COINCIDÊNCIA OU UMA JANELA PARA A COMPREENSÃO DA RELAÇÃO ENTRE IMUNIDADE E CANCRO?
17 MELANOMA MALIGNO ESTADIO IV – CASOS COM SOBREVIVÊNCIA LONGA.
18 INDICAÇÕES DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NO CANCRO DA MAMA - O ESTADO DA ARTE.
19 PANICULITE PANCREÁTICA EM CARCINOMA NEUROENDÓCRINO: PATOLOGIA RARA COM ASSOCIAÇÃO RARA.
44
21 REVERSÃO DE MIELOPATIA – CASO CLÍNICO TRATADO COM RT INSTITUÍDA PRECOCEMENTE.
22 DOENÇA DO DELGADO: O CORAÇÃO TAMBÉM SOFRE.
23 RADIOTERAPIA NEOADJUVANTE NO CARCINOMA DA MAMA LOCALMENTE AVANÇADO – UM CASO CLÍNICO.
24 PREVALÊNCIA DE NEOPLASIA EM DOENTES COM ARTRITE REUMATÓIDE EM CONSULTA DE DOENÇAS AUTO-IMUNES .
25 PLASMOCITOMAS DA VIA AERO-DIGESTIVA.
26 DESNUTRIÇÃO NO DOENTE ONCOLÓGICO - PREVENIR E COMBATER. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL DOS DOENTES INTERNADOS
NA UNIDADE FUNCIONAL DE ONCOLOGIA DO CENTRO HOSPITALAR BARREIRO MONTIJO, EPE.
27 QUIMIOTERAPIA NO ADENOCARCINOMA PULMONAR EM ESTADIO AVANÇADO: O CASO CLÍNICO DE UM SUCESSO
INESPERADO.
28 SEGUNDOS TUMORES PRIMÁRIOS EM DOENTES COM MELANOMA MALIGNO.
29 RESPOSTA PATOLÓGICA COMPLETA PÓS TRATAMENTO NEOADJUVANTE DO RECTO DIMINUI A RECIDIVA LOCAL?
30 RADIOTERAPIA RADICAL NO LINFOMA NÃO HODGKIN – CASO CLÍNICO.
31 RADIOTERAPIA EM SARCOMAS RETROPERITONEAIS: RESULTADOS DE UM SERVIÇO.
32 UTILIZAÇÃO DE FOTEMUSTINA NO TRATAMENTO DE MELANOMA MALIGNO METASTIZADO NO IPOLFG-LISBOA.
33 SÍNDROME TROUSSEAU - UM CASO CLÍNICO.
34 ADENOCARCINOMA APÓCRINO DA AXILA MIMETIZANDO METÁSTASE GANGLIONAR REVELADORA DE CARCINOMA DA MAMA
“VOA COMO UM PATO, GRASNA COMO UM PATO... MAS É UM GANSO!”
35 SARCOMA DE KAPOSI - CASO CLÍNICO - RADIOTERAPIA ANTÁLGICA.
36 A SÍNDROME DE LISE TUMORAL ESPONTÂNEA: UMA EMERGÊNCIA ONCOLÓGICA RARA.
37 TRATAMENTO DE SUPORTE COM FACTOR ESTIMULANTE DA COLONIZAÇÃO DE GRANULÓCITOS ASSOCIADO A QUIMIOTERAPIA
EM DOENTES COM NEOPLASIA DE MAMA.
38 TUMOR BORDERLINE DO OVÁRIO-CASO CLÍNICO.
39 CARCINOMAS PRIMÁRIOS MÚLTIPLOS: TRÊS TUMORES METÁCRONOS - NÃO HÁ DUAS SEM TRÊS.
40 HIPOCALIÉMIA E NEOPLASIA DO PULMÃO.
45
ABSTRACTS | ABSTRACTS
20 PNEUMONITE AGUDA INDUZIDA PELO PACLITAXEL: 2 CASOS CLÍNICOS.
41 ALTA DOSE DE IFOSFAMIDA ADMINISTRADA EM PERFUSÃO CONTÍNUA AMBULATÓRIA.
42 TRABECTEDINA NO TRATAMENTO DE SARCOMAS AVANÇADOS – REVISÃO DE CASUÍSTICA.
43 DERMATOMIOSITE E CARCINOMA DA NASOFARINGE – ABORDAGEM DE UMA ASSOCIAÇÃO RARA.
44 METASTIZAÇÃO TARDIA DO CARCINOMA MAMÁRIO: A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO COM APRESENTAÇÃO RARA.
45 ACANTOSIS NIGRICANS COMO MANIFESTAÇÃO PARANEOPLÁSICA DE CARCINOMA POUCO DIFERENCIADO DO ENDOMÉTRIO
– CASO CLÍNICO. HORMONOTERAPIA: FAZ SENTIDO PENSAR EM REINTRODUÇÃO DE TAXANOS?
46 CARCINOMA PAVIMENTO CELULAR DO ESOFAGO COM METASTIZAÇÃO CARDÍACA.
47 CASUÍSTICA DE PATOLOGIA ONCOLÓGICA MAMÁRIA TRATADA NO CENTRO HOSPITALAR DE TRÁS-OS-MONTES
E ALTO DOURO DURANTE O ANO 2011.
48 TEMPOS DE ESPERA EM DOENTES COM CANCRO DA MAMA: DO DIAGNÓSTICO À TERAPÊUTICA.
49 A GESTA DE UM GIST: ANÁLISE DE UM CASO DE GIST PÉLVICO E DOS EFEITOS ADVERSOS DA TERAPÊUTICA NO CONTEXTO
DE PLURIPATOLOGIA.
50 UM CASO DE MESOTELIOMA MALIGNO - UMA PROFISSÃO DE RISCO?
51 CANCRO DO CANAL ANAL COM METASTIZAÇÃO SUPRA-DIAFRAGMÁTICA: UM CASO CLINICO.
52 CANCRO DA MAMA E GRAVIDEZ – A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO.
53 DERRAME PLEURAL SECUNDÁRIO A LINFOMA NÃO-HODGKIN DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS B – CASO CLÍNICO.
54 METÁSTASE EM SANTUÁRIO SOB TERAPÊUTICA BIOLÓGICA - CASO CLÍNICO.
55 TUMOR DO ESTROMA GASTROINTESTINAL EM DOENTE COM NEUROFIBROMATOSE TIPO I
– A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO.
56 METÁSTASES PARA A MEDULA ESPINHAL DE ADENOCARCINOMA DO CÓLON – 2 ABORDAGENS DISTINTAS DE UMA
ENTIDADE CLÍNICA RARA.
57 AVC E CANCRO:CASUÍSTICA DA UNIDADE DE AVC’S E SERVIÇO DE ONCOLOGIA, HOSPITAL DO EPÍRITO SANTO – ÉVORA.
58 TUMOR NEUROENDÓCRINO DO PÂNCREAS E SUNITIB – A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO.
59 TRATAMENTO DE UM PARAGANGLIOMA PANCREÁTICO – A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO.
60 NEOPLASIA MALIGNA DO TROFOBLASTO: CASUÍSTICA DO SERVIÇO DE ONCOLOGIA MÉDICA DO HOSPITAL GARCIA DE ORTA.
61 TRATAMENTO PALIATIVO DE SARCOMAS DE TECIDOS MOLES COM TRABECTADINA.
46
63 ESTUDO DO IMPACTO DA IMPLEMENTAÇÃO DA TÉCNICA DE RAPIDARC.
64 CARCINOMA VERRUCOSO DO ÂNUS - UM CASO CLÍNICO.
65 ENTEROCOLITE NEUTROPÉNICA: A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO.
66 CARCINOMA BASOCELULAR – UMA DOENÇA FREQUENTE COM EVOLUÇÃO CLINICA RARA.
67 NEOPLASIA PULMONAR EM DOENTE COM ANTECEDENTE DE MELANOMA PRIMÁRIO - RELATO DE UM CASO.
68 EXCISÃO LOCAL TRANSANAL DE TUMOR DO RECTO – CASO CLÍNICO.
69 DEPRESSÃO NA NEOPLASIA DO PÂNCREAS: SÍNDROME PARANEOPLÁSICO?
70 PNEUMONITE NÃO INFECCIOSA EM DOENTE SOB TERAPÊUTICA COM EVEROLÍMUS.
71 TUMORES NEUROENDÓCRINOS METASTÁTICOS – QUANDO A CIRURGIA NÃO É UMA OPÇÃO: MARCADORES SEROLÓGICOS
E PARÂMETROS CLÍNICOS ESPELHANDO TUMORES DE ORIGEM PRIMÁRIA DESCONHECIDA.
72 CARCINOMA NEUROENDÓCRINO DE GRANDES CÉLULAS DO OVÁRIO.
73 TUMOR NEUROENDÓCRINO DO PÂNCREAS – CASO CLÍNICO.
74 ARTRITE REUMATOIDE E CANCRO: QUE RELAÇÃO?
75 NEOPLASIA SÍNCRONA DO COLON.
76 TUMOR DE COLISÃO DO CÓLON: ADENOCARCINOMA E LINFOMA LINFOIDE – RELATO DE UM CASO CLÍNICO.
77 METÁSTASE ESOFÁGICA DE CARCINOMA DA MAMA - A RARIDADE E O DESAFIO DIAGNÓSTICO.
78 TERAPÊUTICA NEOADJUVANTE NO TRATAMENTO DA NEOPLASIA DO RECTO – ESTUDO RETROSPECTIVO DOS CASOS COM
REMISSÃO COMPLETA.
79 “IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO GENÉTICA NO CANCRO DA MAMA”
80 CANCRO COLO-RECTAL CASUÍSTICA DO CENTRO HOSPITALAR BARREIRO MONTIJO DURANTE O ANO DE 2005.
81 CARCINOMA SERREADO DO CÓLON. CASO CLÍNICO COM EVOLUÇÃO DRAMÁTICA.
82 TOXICIDADE CARDÍACA DO TRASTUZUMAB - A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO.
83 ARRITMIA MALIGNA SECUNDÁRIA A PROCESSO NEOPLÁSICO.
47
ABSTRACTS | ABSTRACTS
62 TUMOR FILOIDE DA MAMA - A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO.
84 MIXOFIBROSSARCOMA DA COXA – CASO CLÍNICO.
85 SARCOMAS E RADIOTERAPIA EXTERNA.
86 LINFOMAS / RADIOTERAPIA E PET/CT – VANTAGENS E LIMITAÇÕES.
87 REMISSÃO COMPLETA ESPONTANEA DE MELANOMA METASTATICO.
88 EXPERIÊNCIA DO SERVIÇO DE ONCOLOGIA MÉDICA DO IPOCFG-EPE NO TRATAMENTO DO CANCRO DA MAMA METASTIZADO
COM LAPATINIB.
89 CANCRO DA CABEÇA E PESCOÇO: TUMORES PRIMITIVOS SÍNCRONOS E METÁCRONOS.
90 RADIOTERAPIA NEOADJUVANTE NO CARCINOMA DO RECTO: EXPERIÊNCIA DE 10 ANOS.
91 RADIOQUIMIOTERAPIA NO CARCINOMA DO COLO DO ÚTERO ESTÁDIOS II E III.
92 CANCRO DA MAMA EM ANGOLA.
93 EPISÓDIO MANÍACO E PACLITAXEL: A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO.
94 TIMOMA: EVOLUÇÃO CLÍNICA POUCO FREQUENTE.
95 SARCOMA DE EWING: CASO CLÍNICO DE UM TUMOR PEDIÁTRICO.
96 “CANCRO DA PROSTATA: INCIDÊNCIA DA PATOLOGIA NO SERVIÇO DE ONCOLOGIA DO CHEDV ENTRE FEVEREIRO/2009
A FEVEIRO/2012”
97 SEMINOMA DO TESTÍCULO COM SKIP METÁSTASE EM GÂNGLIO LINFÁTICO SUPRACLAVICULAR.
98 METÁSTASE HEPÁTICA DE TUMOR GERMINATIVO DO TESTÍCULO OU HEMANGIOMA HEPÁTICO?
99 CARCINOMA DE CÉLULAS RENAIS DE CÉLULAS RENAIS- EVOLUÇÃO LONGA E ENVOLVIMENTO SISTÉMICO RARO.
100 ADENOCARCINOMA DA PRÓSTATA METASTIZADO: A PROPÓSITO DE QUATRO CASOS CLÍNICOS.
101 PIELONEFRITE XANTOGRANULOMATOSA ERRADAMENTE DIAGNOSTICADA COMO NEOPLASIA MALIGNA DO RIM:
QUANDO COLOCAR EM CAUSA UM DIAGNÓSTICO?
102 NEUTROPÉNIA FEBRIL EM DOENTES COM CARCINOMA DA PRÓSTATA METASTIZADO, RESISTENTE À CASTRAÇÃO TRATADOS
COM DOCETAXEL.
103 DOCETAXEL NO TRATAMENTO DO CANCRO DA PRÓSTATA METASTIZADO RESISTENTE À CASTRAÇÃO.
104 METÁSTASES TESTICULARES.
48
106 CIRURGIA RENAL RADICAL – CASUÍSTICA DO HOSPITAL DO ESPÍRITO SANTO – ÉVORA (2004 – 2011).
107 SUNITINIB E LONGA SOBREVIVÊNCIA LIVRE DE PROGRESSÃO EM CARCINOMA RENAL DE CÉLULAS CLARAS METASTIZADO.
108 ADENOCARCINOMA DA PRÓSTATA VERSUS PROSTATITE GRAULOMATOSA RESPONSIVA À TERAPIA HORMONAL:
UM DESAFIO CLÍNICO.
109 CARCINOMA DA PRÓSTATA REFRACTÁRIO A.
110 DE CANCRO DE PRIMÁRIO DESCONHECIDO A UMA RARA APRESENTAÇÃO DE TUMOR DO UROTÉLIO.
111 ACETATO DE ABIRATERONA NO CANCRO DA PRÓSTATA METASTÁTICO RESISTENTE À CASTRAÇÃO: A PROPÓSITO DE UM
CASO CLÍNICO.
112 REVISÃO DE DOENTES COM DIAGNÓSTICO DE CARCINOMA DA PRÓSTATA EFECTUADOS DURANTE O ANO DE 2007 NUM
HOSPITAL DISTRITAL.
113 TUMOR DE CÉLULAS GERMINATIVAS NÃO SEMINOMATOSO DO TESTÍCULO – UM DESAFIO.
114 TUMOR DE CÉLULAS GERMINATIVAS BILATERAL DO TESTÍCULO – A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO.
115 CARCINOMA DE CÉLULAS RENAIS METASTÁTICO: TERAPÊUTICAS DIRIGIDAS – A CAMINHO DE UMA PATOLOGIA CRÓNICA?
116 CARCINOMA DE CÉLULAS RENAIS METASTIZADO (MRCC): UM CASO DE SUCESSO/UMA SOBREVIVÊNCIA POUCO HABITUAL.
POSTERS ENFERMAGEM
1
CONSULTA DE ENFERMAGEM, O SEU PAPEL NA EDUCAÇÃO DO DOENTE ONCOLÓGICO.
2
“UM DIA DE CADA VEZ...”
3
AVALIAÇÃO DO RISCO NUTRICIONAL DE DOENTES ONCOLÓGICOS EM REGIME DE HOSPITAL DE DIA.
4
CANCRO - NUTRIÇÃO VERSUS DESNUTRIÇÃO.
5
FERIDAS NO DOENTE ONCOLÓGICO.
6
DOENTES EM FIM DE VIDA NA UNIDADE DE CUIDADOS INTENSIVOS.
7
“ A IMPORTÂNCIA DOS EXAMES DE IMAGEM NO DIAGNÓSTICO DO CARCINOMA DA MAMA”
8
RADIOTERAPIA EXTERNA EM MÚLTIPLOS BASALIOMAS DISPERSOS NO COURO CABELUDO – UM CASO CLÍNICO.
9
APRENDER PARA DESENVOLVER COM O ESPELHO DA ONCOLOGIA.
10
APOIO AO DOENTE ONCOLÓGICO - LINHA TELEFÓNICA DEDICADA.
49
ABSTRACTS | ABSTRACTS
105 MESOTELIOMA MALIGNO DA TÚNICA VAGINAL.
COMUNICAÇÕES ORAIS MÉDICAS
1 FACTORES PREDITIVOS DE SOBREVIVÊNCIA GLOBAL NOS DOENTES COM TROMBOEMBOLISMO VENOSO E NEOPLASIA PULMONAR
Sara Meireles(1);Inês Neves(2);António Morais(2);Maria Sucena(2)
(1) Centro Hospitalar São João (2) Centro Hospitalar de São João
Introdução: O tromboembolismo venoso (TEV), que inclui trombose venosa profunda (TVP) e tromboembolismo pulmonar (TEP),
pode ser o primeiro sinal de neoplasia não diagnosticada. A incidência em doentes com neoplasia pulmonar (NP) tem aumentado
ao longo dos anos, embora seja muitas vezes subvalorizado. Objectivos: Caracterização dos doentes com diagnóstico de TEV e
NP e identificação de factores preditivos para a sobrevivência global (SG). Material e métodos: Estudo retrospectivo de doentes
internados com diagnóstico de TEV e NP entre Janeiro 2008 e Agosto 2011. A SG foi avaliada pelo método de Kaplan-Meier e foi
definida a partir do evento trombótico. Resultados: Dos 58 doentes, 74,1% eram do sexo masculino e a mediana de idade foi
66 anos. Todos tinham doença avançada (IIIb: 15,8%; IV: 77,2%) e 67,2% tinham ECOG ? 3. O tipo histológico mais comum foi
o adenocarcinoma (82,8%). O TEP ocorreu isoladamente em 70,7% dos doentes (TEP+TVP: 13,8%; TVP: 10,3%). No momento
do evento trombótico, 74,1% tinham sido tratados com quimioterapia e 69% tinham progressão da doença. A mediana de
tempo desde o diagnóstico de neoplasia e o evento foi 3 meses, embora em 13,7% o TEV tenha ocorrido antes do diagnóstico.
A mediana da SG foi 51 dias e a SG ao 1 ano foi 18%. Na análise univariada, os factores preditivos para a SG foram: ECOG
(p=0.022), progressão da doença (p=0.001) e metastização à distância (p=0.026; metástases cerebrais p=0.017). Os factores
independentes com impacto na SG foram: progressão de doença (HR 3,58; IC95% 1,55-8,31) e metastização cerebral (HR
2,48; IC95% 1,01-6,10). Conclusões: O diagnóstico de TEV em doentes com NP está associado a mau prognóstico e ocorre,
mais frequentemente, em doença avançada e nos primeiros meses após diagnóstico de cancro. A progressão da doença e as
metástases cerebrais são factores preditivos independentes com impacto negativo na SG.
2 ASSOCIATION BETWEEN EGF+61 GENETIC POLYMORPHISMS AND NON-SMALL-CELL LUNG CANCER INCREASED
RISK IN A PORTUGUESE POPULATION: A CASE-CONTROL STUDY
Ramon Andrade de Mello(1);Mónica Ferreira(2);Sandra Costa(2);Bruno Marques Costa(2);Filipa Soares Pires(3);Inês
Neves(3);João Cunha(4);Pedro Oliveira(5);Venceslau Hespanhol(3);Rui Manuel Reis(2)
(1) Serviço de Oncologia Médica - IPO Porto (Directora: Dra. Helena Rodrigues) (2) Life and Health Sciences Research Institute
(ICVS), School of Health Sciences, University of Minho, (3) Department of Pneumology, Hospital São João (4) Department of
Pneumology, Hospital de Braga, (5) Department of Populations Studies, ICBAS, Universidade do Porto
Introduction: Epidermal growth factor (EGF) and its receptor play critical roles in non-small-cell lung cancer (NSCLC)
carcinogenesis. A functional polymorphism in the EGF gene has been linked to increased cancer susceptibility. This study aimed
to evaluate the role of the EGF +61A/G polymorphism as risk factors in NSCLC patients. Methods: For the present case-control
study we analyzed 112 NSCLC and 126 cancer-free controls from Portugal. Following DNA isolation from peripheral blood, EGF
+61A/G polymorphism was assessed by polymerase chain reaction – restriction fragment length polymorphism (PCR-RFLP).
Univariate and multivariate logistic regression analyses were used to calculate odds ratio (OR) and 95% confidence intervals
(95% CI). False-positive report probability was also assessed. Results: The EGF+61 genotypes frequencies in NSCLC were: AA
(23.2%), AG (51.8%), GG (25%); and in controls: AA (40.5%), AG (41.3%), GG (18.3%). When compared to the reference genotype
(EGF +61A/A), we found a statistically significant association between EGF +61 A/G (OR = 2.142, 95% CI: 1.170 – 3.924) and EGF
+61G/G (OR = 2.398, 95% CI: 1.157 – 4.968) genotypes and susceptibility to development of NSCLC. Furthermore, stratification
by sex revealed a trend to increased risk of males carrying +61A/G genotype for developing NSCLC (OR = 2.044, 95 %CI: 0.998
– 4.188) when compared to A/A genotype. Conclusion: Our data suggests an increased risk to develop NSCLC in Portuguese
population carrying the EGF +61A/G and +61G/G genotypes.
50
Inês Hilário Silva(1);Cristina Nogueira Silva(2);Tiago Figueiredo(3);Liliana Lombo(3);Ilda Faustino(4);Raquel
Catarino(5);Augusto Nogueira(5);Deolinda Pereira(4);Rui Medeiros(5)
(1) IPO Porto (2) Serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Hospital de Braga (3) Serviço de Radioterapia, Instituto Português de
Oncologia, Porto (4) Serviço de Oncologia Médica, Instituto Português de Oncologia, Porto (5) Grupo de Oncologia Molecular,
Instituto Português de Oncologia, Porto
Introdução: O cancro do colo uterino (CCU) constitui, mundialmente, um grave problema de saúde pública. Em Portugal
representa a quarta neoplasia mais comum e a sétima causa de morte por cancro na mulher, de acordo com os dados mais
recentemente publicados relativos ao ano de 2008. Estes revelam uma taxa de incidência por CCU de 949 casos (4.9%) e
uma taxa de mortalidade de 3.6%, correspondente a 346 mortes. Dados relativos à Região Norte de Portugal no ano de 2007
referem uma taxa de incidência superior à incidência nacional (12,6%), uma vez que programas de rastreio organizado foram
recentemente institucionalizados nesta região do país. Consequentemente, grande parte destes tumores é diagnosticada em
estadios avançados. Variações na resposta à quimioradioterapia com cisplatina semanal, modelo de terapêutica standard nos
estadios avançados do CCU (IB2-IVA), têm sido associadas ao perfil genético individual e ao metabolismo celular. Baseandonos no papel do folato como cofactor fundamental do metabolismo dos grupos de um-carbono, estudou-se a influência da
desregulação metabólica na citotoxicidade da cisplatina. Objectivos: Estudar a influência do polimorfismo Gamma Glutamyl
Hydrolase -401C>T na determinação da resposta à cisplatina semanal em doentes com CCU. Material e Métodos: Num estudo
de base hospitalar foram analisadas 193 doentes com CCU submetidas a quimioradioterapia com cisplatina semanal. Utilizou-se
a técnica de PCR em tempo real para discriminação alélica. Recorreu-se à análise e interpretação das curvas de Kaplan-Meier,
recorrendo ao teste de log rank, e regressão de Cox ajustada ao estadio tumoral para cálculo das probabilidades de sobrevivência.
Resultados: Estes resultados demonstram que o genótipo TT se associa de forma estatisticamente significativa à sobrevivência
de doentes com CCU tratadas com cisplatina semanal. A análise das curvas de sobrevivência global revelou diferenças
significativas entre genótipos (Sobrevivência global – genótipo/meses: CC/CT: 72 vs TT: 91; p=0.035, teste log rank). Uma análise
por regressão de Cox está de acordo com este resultado (HR=0.442 95% CI 0.185-1.058, p=0.067). Não existem diferenças
significativas em função do genótipo individual (CC/CT VS TT) quanto ao tipo histológico (p=0.825) ou estadio tumoral (p=0.608).
Conclusão: Estes resultados mostram que o genótipo TT é um potencial biomarcador preditivo da resposta ao tratamento de CCU
com cisplatina semanal. Esta hipótese é suportada pelo efeito de indução da sobre-expressão enzimática desencadeada pelo
polimorfismo GGH -401C>T. A consequente perturbação do metabolismo dos grupos de um-carbono deve desregular a síntese,
reparação e metilação do DNA, contribuindo para o aumento da citotoxicidade do fármaco e para a activação da apoptose.
4 - NEOPLASIA DO RETO BAIXO: DISSECÇÃO INTERESFINCTERIANA
Stelio Sampaio Rua(1);Alda Pinto(2);Carlos Sousa (2);Jose Augusto Martins(2);Andre Santos Mateus(2);Diogo
Sousa(2);Ana Cruz(1);Diogo Marinho(1)
(1) H. Litoral Alentejano (2) Hospital Litoral Alentejano
Introdução: No HLA a patologia coloretal é abordada por laparoscopia desde 2005. A Excisão Total do Mesoreto (TEM)
associada a terapêutica neoadjuvante permitiram diminuir a taxa de recidiva local e de aumentar a sobrevivência. A abordagem
laparoscopica permitiu ao doente de usufruir das vantagens de uma intervenção miniinvasiva. Objectivos: Este estudo tem
como finalidade analisar os resultados obtidos nos doentes submetidos a dissecção interesfinteriana (DIS) num total de 20
casos. Material e métodos: Apresentamos um estudo retrospectivo desde 2006 a fevereiro 2012 intervalo de tempo no qual
foram efectuadas 270 intervenções em doentes com patologia colo-retal das quais 74 retos ( 40 ressecções anteriores, 20
dissecções interesfinterianas e 14 Amputações abdomino- perineais). Resultados: 85% da população foi do sexo masculino
e em 65% dos casos com idade inferior a 70 anos. 25% da população apresentava um IMC superior ou igual a 30 e um ASA
superior ou igual a 3 em 50%. A sintomatologia mais frequente foi a rectorragia que levou o doente a realizar uma colonoscopia
51
ABSTRACTS | ABSTRACTS
3 INFLUÊNCIA DO POLIMORFISMO GGH -401C>T NA DETERMINAÇÃO DA RESPOSTA À QUIMIORADIOTERAPIA
COM CISPLATINA EM DOENTES COM CANCRO DO COLO UTERINO
que identificou uma lesão localizada entre os 30 e 70 mm da margem anal. Cada doente foi avaliado em Reunião de Decisão
Terapêutica e o tratamento neo adjuvante foi realizado em 80% dos casos. O tempo abdominal foi realizado por laparoscopia na
totalidade dos casos. O tempo cirúrgico em media foi de 411 min e o internamento em media de 15 dias. Em termos oncológico
a linfadenectomia isolou em media 11 ganglios; a margem proximal foi superior a 50 mm em 100% dos casos; a margem distal
foi superior a 10 mm em 85 % e, a margem radial foi superior a 1 mm em 100% dos casos. De realçar que em 16% dos casos
houve regressão completa do tumor após tratamento neoadjuvante. Na avalicaçao de qualidade de vida utilizamos o índice de
Wexner. Em 88% o Wexner estava inferior a 3. Conclusões: Este estudo tem como finalidade demostrar os beneficio a curto e
longo prazo de uma abordagem laparoscópica associada a conservação do esfíncter externo evitando a colostomia definitiva;
com resultados oncológicos sobreponíveis a abordagem clássica.
5 CARCINOSARCOMAS UTERINOS – A EXPERIÊNCIA DE UM SERVIÇO
Ana Amado(1);Ana Vasconcelos(1);Marília Jorge(1);Isabel Monteiro Grillo(1)
(1) CHLN -HSM - Serviço Radioterapia
Introdução: Os carcinosarcomas uterinos são tumores raros, muito agressivos e com mau prognóstico, principalmente nos
casos em que existe doença extra-uterina. São constituídos por elementos carcinomatosos (epiteliais) e sarcomatosos (tecidos
conectivos), sendo o diagnóstico histológico. A epidemiologia, os factores de risco e o comportamento clínico são muito similares
aos dos carcinomas endometriais, sendo no entanto, os carcinosarcomas mais agressivos. Objectivos: É intenção dos autores,
demonstrar qual o tipo de recaída mais comum, bem como comprovar a agressividade dos carcionosarcomas calculando a
sobrevida media de uma série de doentes (dts) tratados num Serviço de Radioterapia. É também parte do nosso objectivo,
demonstrar o impacto da radioterapia adjuvante no controlo local deste tipo de tumores. Material e Métodos: Os autores
analisaram retrospectivamente um grupo de 25 dts com carcinosarcoma, tratados entre 1988-2009 no Serviço de Radioterapia.
A idade mediana da amostra é de 70 anos (variando entre 51-83). A apresentação clínica mais comum foram as metrorragias
(96%-24 dts). A histología inclui tumores homólogos (40%-10 dts) e heterólogos (60%-15 dts). Os estadios variam entre I-IVb
(Estadio I 40%-10 dts; Estadio II 24%-6 dts; Estadio III 28%-7 dts; Estadio IV 8%-2 dts). Ao diagnóstico 36% das dts apresentavam
doença extra-uterina. Todas as dts foram submetidas a cirurgía (HTSOB) com ou sem linfadenectomía associada, seguida de
radioterapia externa (+/-50Gy). A maioria das dts (76%) foi também submetida a braquiterapia (24Gy/4fracções -19 dts) e 6 dts
foram ainda submetidas a quimioterapia. Foi avaliada a recidiva local e à distancia, assim como a sobrevivência média, ao 1
ano, aos 2 e 5 anos. Resultados: Com um seguimento médio de 31 meses (variando entre 1-115) foram detectados 2 dts com
progressão da doença e apenas uma doente com recaída local (15 meses). A recaída à distância foi comprovada em 16 dts,
sendo a maioria em mais do que uma localização (44% carcinomatose peritoneal; 38% ganglionar; 19% óssea; 19% pulmonar;
13% hepática). A sobrevivência média foi de 32 meses, a sobrevida ao 1 ano foi de 64%, aos 2 anos de 52% e aos 5 anos de
20%. Conclusões: Os resultados obtidos na análise deste grupo de dts estão de acordo com a literatura, pois mostram que
mesmo quando se diagnosticam e tratam em estadios iniciais, os carcinosarcomas são muito agressivos e têm mau prognóstico
(sobrevivência média de 32 meses). Há que assinalar o impacto da radioterapia no controlo local, dado que apenas se detectou
uma recidiva local, não mostrando no entanto ter influência na sobrevida.
6 INFLUÊNCIA DAS ADIPOCITOCINAS NA PROGRESSÃO E DESENVOLVIMENTO DO CANCRO COLORECTAL
Maria Amélia Fonseca Pereira(1);João Pinho(1);Filipa Santos(1);Daniela Silva(2);Paulo Matafome(3);Ana Cristina
Gonçalves(4);Fátima Guedes(5);Raquel Seiça(2);Ana Bela Sarmento Ribeiro(4);José Nascimento Costa(6)
(1) Hospital Distrital da Figueira da Foz, EPE (2) Instituto de Fisiologia, Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
(FMUC) (3) 4Instituto de Fisiologia, Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (4) Biologia Molecular Aplicada e Clínica
Universitária de Hematologia (5) Serviço de Medicina Interna, Hospital Distrital da Figueira da Foz (6) Serviço de Medicina Interna,
Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
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7 ESTUDO MOLECULAR RETROSPETIVO DOS RECETORES TIROSINA CINASE EM SARCOMAS DO ESTROMA
ENDOMETRIAL. UM ESTUDO DO GRUPO ESPANHOL DE INVESTIGAÇÃO EM SARCOMAS (GEIS 18)
Ruth Sardinha(1);Teresa Hernández(2);Susana Fraile (2);Francesc Tresserra(3);August Vidal(4);M.ª Carmen Gómez
Plaza(5);Aurora Astudillo(6);Nieves Hernández León(7);Carmen Balañá(8);Enrique de Alava(2)
(1) HESE E.P.E (2) CIC - Salamanca (3) Clinica Dexeus (4) Hospital Universitario Bellvitge (5) Hospital Germans Trias i Pujol (6)
Hospital Central de Asturias (7) Hospital Universitario de Canarias (8) ICO-Hospital Germans Trias i Pujol
Introdução: A evidência de expressão de Recetores Tirosina Cinase (RTC) em Sarcomas do Estroma Endometrial (SEE) é
controversa. Uma elevada proporção de SEE de baixo grau são positivos para RTC como EGFR ou PDGFRA. Estes achados podem
indicar um potencial significado terapêutico como alvos de terapia molecular. De forma semelhante, a expressão de c-Kit e HER2 é comum em Sarcomas Endometriais Indiferenciados (SEI), mas tipicamente negativa em SEE de baixo grau, sugerindo uma
possibilidade terapêutica para mulheres com SEI. Objetivo: efetuar uma análise retrospetiva aos possíveis alvos moleculares
em Sarcomas do Estroma Endometrial: c-kit, PDGFRA e EGFR. Material e métodos: amostras de 67 pacientes com diagnóstico
prévio de ambas as categorias de 9 instituições de Espanha e Portugal foram revistas e analisadas. Os exões 9, 11, 13 e 17 do
gene c-kit, 12 e 18 do gene PDGFRA e os exões 18, 19, 20 e 21 do gene EGFR foram amplificados por PCR e sequenciados. A
incidência e distribuição da expressão de KIT, PDGFRA, EGFR, CD10 e Calponina foram avaliadas por Imunohistoquímica, sendo
a amplificação de EGFR estimada por Hibridação in situ por Fluorescência (FISH). Resultados: não se observaram mutações
missense nos genes c-kit, PDGFRA e EGFR. Foram observadas várias mutações silenciosas: (ATC>ATT) no exão 17 do gene
c-kit no codão 798 (I798I) em dois casos. Na análise mutacional do gene PDGFRA verificou-se a presença de várias mutações
silenciosas: a substituição de uma base (CCA>CCG) no codão 567 (P567P) no exão 12 foi verificada em todos os casos, 32.3%
53
ABSTRACTS | ABSTRACTS
O Cancro do Cólon e Recto (CCR) é uma das formas mais comuns de cancro, com elevada incidência e mortalidade. Os
mecanismos celulares e moleculares envolvidos no desenvolvimento e progressão do CCR são múltiplos, ocorrendo em várias
etapas, desde a lesão inicial nas criptas (pólipos adenomatosos), ao carcinoma in situ e posteriormente metastático. Além da
instabilidade genética, quer sob a forma de instabilidade de microsatélites (MIN) ou perda de heterozigotia, outras alterações
genéticas e epigenéticas em vários genes, nomeadamente supressores tumorais como o APC e o p53, e em protooncogenes
envolvidos na sinalização MAPK-Ras-Raf e Notch/Wnt são alguns dos mecanismos que conduzem aos vários estádios clínicos
e histopatológicos do CCR. Por outro lado, a etiologia e o risco de CCR são complexas envolvendo a acção combinada de
factores genéticos/epigenéticos e ambientais, nomeadamente a inflamação e obesidade/sindrome metabólica. Apesar de várias
hipóteses terem sido colocadas, como por exemplo, os níveis elevados de estrogénios, a insulina circulante, o IGF-1, a existência
de um estado pro-inflamatório e os níveis de adipocitocinas produzidas pelo adipócito, os mecanismos envolvidos não estão
ainda totalmente esclarecidos, e sobretudo não se conhece ainda qual ou quais dos diversos parâmetros terá maior relevância
clínica no CCR. Neste sentido, com este trabalho pretende-se avaliar a potencial utilização dos níveis de adipocitocinas como
marcadores de desenvolvimento e progressão do CCR. Para atingir estes objectivos foram estudados 39 doentes com CCR
(13F/26M) com uma mediana de idades de 72 (41 a 91) anos, dos quais 62% apresenta adenocarcinoma do recto e 38%
adenocarcinoma do cólon; ao diagnóstico 11% dos doentes encontrava-se em estádio I, 36% em estádio II, 39% em estádio III e
14% em estádio IV. Foram ainda estudados 18 controlos (7F/11M) com idade mediana de 66 (48-85) anos. A determinação dos
níveis séricos das adipocitocinas – resistina, visfatina, leptina e adiponectina – e do MCP-1 foram determinados por técnicas
de ELISA de acordo com as instruções do fabricante. Os nossos resultados preliminares mostram que os doentes com CCR e
excesso de peso apresentam aumento dos níveis de resistina (23?20,6 ng/ml), visfatina (124?95 pg/ml) e MCP-1 (735?335
ng/ml), e diminuição dos níveis de adiponectina (5.3?2,8 µg/ml), relativamente aos doentes com peso normal e controlos.
Nestes doentes observou-se também uma variação dos níveis de MCP-1 de acordo com a localização tumoral, sendo esta
estatisticamente significativa entre os tumores do cólon ascendente (463?171 ng/ml) e do cólon sigmoide (81?41 ng/ml). Por
outro lado, os níveis de visfatina e leptina poderão estar relacionados com o prognósticos dos doentes com CCR uma vez que
se observou diferenças estatisticamente significativas entre os estádios III (leptina 10.1?6.0 ng/ml; visfatina 115?76 pg/ml) e IV
(leptina 5.78?0.12 ng/ml; visfatina 52.5?2.7 pg/ml). Este estudo sugere o envolvimento das adipocitocinas no CCR, podendo a
disfunção do tecido adiposo contribuir para o desenvolvimento e/ou progressão do CCR.
dos casos (21/65) apresentaram uma substituição silenciosa de uma base (GTC>GTT) no codão 824 (V824V) do exão 18 e 1
caso apresentava substituições silenciosas nos codões 824 e 838 (GTC>GTT e GGC>GGT respetivamente) ambos no exão
18. No gene EGFR foram detetadas mutações silenciosas no codão 787 (CAG>CAA; Q787Q) em 6 de 7 casos, e num caso foi
identificada uma substituição silenciosa no codão 790 (ACG>ACA; T790T)ambas no exão 20. Sobreexpressão de KIT, PDGFRA,
EGFR, CD10 e Calponin foi detetada em 2 (3%), 23 (35%), 7 (11%), 30 (45%) e 26 (39%) casos respetivamente. Por outro lado não
foi identificada amplificação de EGFR por FISH. Conclusão: Expressão de KIT em casos de SEE é infrequente e sempre fraca. A
expressão de PDGFRA foi observada em 35% dos casos estudados, e a expressão de EGFR foi observada numa minoria de casos.
Não foram observadas quaisquer mutações missense em c-kit, PDGFRA e EGFR, ou amplificação do gene EGFR. Estes resultados
sugerem que é pouco provável que pacientes com SEE possam beneficiar de terapias anti-EGFR e/ou inibidores tirosina cinase.
8 TUMORES DO ESTROMA GASTRO-INTESTINAL (GIST) CASUÍSTICA DOS HOSPITAIS DA REGIÃO ALENTEJO
1999-2011
Augusto J(1); Sardinha R(2); Barbosa M(2); Afonso E(2); Inácio M(1); Santos J(1); Dinis R(1); Timóteo T(1);Murillo M(2);
Garcia J(2); Cusati P(3); Quintana C(2); Barroso S(1)
(1) Serviço de Oncologia do Hospital Espírito Santo de Évora (2) Unidade de Patologia Molecular e Serviço de Anatomia Patológica
do Hospital Espírito Santo de Évora (3) Serviço de Anatomia Patológica Hospital do Litoral Alentejano
Introdução: Os GISTs são os tumores mesenquimatosos mais comuns do sistema gastrointestinal (GI), correspondendo a 5% de
todos os sarcomas, e menos de 1% de todos os tumores GI. Têm origem nas células intersticiais de Cajal que são responsáveis
pela motilidade intestinal, apresentam características imunofenotípicas e ultra-estruturais de músculo liso e de diferenciação
neural e expressam o recetor Kit (CD117). O Kit é um recetor tirosina-quinase transmembranar, responsável por várias funções
celulares, entre as quais proliferação, adesão, apoptose e diferenciação celular. A mutação no gene Kit é responsável pela
ativação constitutiva na proteína Kit, que causa estimulação contínua da proliferação celular, estando assim implicada na génese
dos GISTs. Objetivo: Análise retrospetiva, epidemiológica, clínica e do perfil mutacional, da população com GIST, diagnosticada
nos hospitais do Alentejo (Beja, Elvas, Évora, Litoral Alentejano e Portalegre) entre 01/01/1999 e 30/6/2011. Métodos: Colheita
de dados através da consulta dos processos clínicos, em papel, SAM® e ALERT®, segundo protocolo que incluía a avaliação de:
idade, sexo, apresentação, localização anatómica, caracterização histológica, perfil mutacional, estádio, tratamento e evolução.
Os dados foram submetidos a análise estatística por Excel e SPSS. Resultados: Neste período, foram seguidos 45 doentes, a
maioria proveniente de Évora (42.2%), do sexo feminino (57.8%), com média de idades de 67 anos. As manifestações clínicas
mais frequentes foram: perdas hemáticas (38.5%), anemia (30.8%) e dor abdominal (28.2%). O diagnóstico foi incidental em
25.6% dos casos. A maioria dos doentes provinha do SU (53.6%). A localização anatómica mais frequente foi o estômago
(48.9%), seguida do jejuno-ílion (40%). O tipo celular mais comum foi o fusiforme (66.7%). A avaliação do risco mostrou uma
distribuição uniforme pelos diferentes grupos com 30.2% no muito baixo, 25.6% no intermédio, 23.3% no alto e 20.9% no
baixo. Segundo a análise mutacional, a maioria apresentava-se mutada (79.1%), ao nível do gene KIT (65.1%), exão 11 (92.9%).
Foram detectadas 19 mutações diferentes (KIT e PDGFRa). As alterações genéticas mais frequentes foram as mutações pontuais
(52.9%), seguidas das deleções (38.2%). As alterações mais frequentes foram KITex11,Trp557Arg (14.3%); KITex11,Val559Asp
(14.3%) e KITex11,Val560_Glu561del (8.6%). A localização mais frequente de metastização foi o fígado (85.7%), seguida pelo
peritoneu (57.1%). A maioria dos doentes foi diagnosticada no estádio I (44.2%), com apenas 7% dos doentes em estádio IV à
data do diagnóstico. Apenas 20.9% dos doentes fez tratamento adjuvante e 2.3% paliativo (100% com Imatinib). Somente 13.3%
dos doentes experimentou recidiva ao longo do curso da sua doença, com tempo mediano até a progressão de 29.5 meses. A
sobrevida global mediana foi de 21 meses. Discussão: A população estudada apresenta-se, com características semelhantes às
descritas na literatura. Contudo, difere no que respeita ao sexo – mais comum no sexo feminino; o tipo de alterações genéticas
– predominância de mutações pontuais em detrimento das deleções; estádio IV à data de apresentação e recidiva – em número
reduzido, comparando com os valores descritos na literatura que podem atingir os 50%; sobrevida livre de progressão – superior
aos 24 meses descritos na literatura. Estes dados parecem traduzir que o GIST na nossa população de estudo, apresentou
uma evolução favorável. Conclusão: A população analisada apresenta globalmente características semelhantes ao descrito
na literatura. Existem algumas diferenças no perfil mutacional encontrado, que podem traduzir-se em diferenças clínicas e de
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9 ASSOCIAÇÃO ENTRE LINFOMA NÃO HODGKIN E CARCINOMA DE CÉLULAS RENAIS
Teresa Amaral(1);Ana Rita Sousa(2);Lúcia Costa(3);Catarina Abreu(2);Joana Ribeiro(4);Paulo Cortes(4);António
Quintela(4);Luís Costa(4)
(1) CHLC - H. Santa Maria (2) Serviço de Oncologia Médica, Hospital de Santa Maria (CHLN) (3) Srviço de Oncologia Médica,
Hospital de Santa Maria (CHLN) (4) Serviço de Oncologia Médica; Hospital de Santa Maria (CHLN)
O carcinoma de células renais (CCR) que se origina no córtex renal, é responsável por cerca de 80 a 85% de todas as neoplasias
primárias do rim. Os carcinomas de células de transição da pelve renal são os segundos mais frequentes contribuindo com
cerca de 8% dos casos. Um aumento da incidência de segundas neoplasias está bem documentado em algumas situações
nomeadamente neoplasias da cabeça e pescoço e leucemia hairy cell. Além disso, existem também descrições de segundas
neoplasias (linfomas, leucemias e tumores sólidos) em long term survivors de LNH, aparentemente relacionadas com a terapêutica
realizada e idade precoce de diagnóstico. Existe descrita na literatura uma associação entre CCR e LNH, embora esta não seja
clara. O número de casos de CCR após LNH parece ser maior do que o esperado, embora o contrário aparentemente não se
verifique. O diagnóstico síncrone, como o caso que a seguir descrevemos, é ainda mais raro. Homem de 76 anos, raça branca.
Antecedentes conhecidos de hiperuricemia, HTA, dislipidemia e hábitos alcoólicos moderados. Antecedentes familiares: mãe
falecida aos 68 anos com carcinoma do endométrio e irmã falecida aos 75 anos com tumor da cabeça e pescoço. Aparentemente
bem até Agosto de 2011 altura em que refere início de queixas de dispepsia que motivaram realização de endoscopia digestiva
alta que revelou lesão exofítica do estômago com 25-30mm ulcerada, localizada na grande curvatura – curva distal. Feita biópsia
desta lesão cujo resultado anatomopatológico revelou tratar-se de linfoma difuso de grandes células B CD20+. Ecoendoscopia
revelou presença de adenopatias perilesionais suspeitas. Realiza TC TAP para estadiamento que revela lesão sólida no terço
superior do rim direito com 8-7 cm, com várias lesões pulmonares bilaterais compatíveis com lesões secundárias. Massa
mesentérica com envolvimento de ansas do delgado no flanco esquerdo com 8x4 cm com irregularidade da parede do intestino.
Várias lesões sugestivas de implantes na gordura mesentérica. Para esclarecimento da lesão renal foi feita biópsia dirigida
cujo diagnóstico anatomopatológico refere – carcinoma de células renais tipo células clara. Dada a localização e dimensão das
lesões pulmonares não foi possível fazer biópsia para caracterização histológica. Fez no entanto biópsia das lesões da massa
do delgado que confirmou infiltração por LNH difuso de grandes células B (CD20+). Neste contexto iniciou terapêutica com
Sunitinib, ainda sem avaliação de resposta neste momento. A natureza da associação entre estas duas neoplasias não é clara,
embora se verifique mais frequentemente do que seria de esperar. A sua forma síncrone é significativamente mais rara.
10 CABAZITAXEL: A NOVA REALIDADE NO TRATAMENTO DO CANCRO DA PRÓSTATA METASTÁTICO RESISTENTE À
CASTRAÇÃO
Sara Meireles(1);Matilde Salgado(2);Catarina Fernandes(2);Carlos Silva(2);Carmen Rey(2);Isabel Augusto(2);Margarida
Damasceno(2)
(1) Centro Hospitalar São João (2) Centro Hospitalar de São João
Introdução: As opções terapêuticas nos doentes com cancro da próstata metastático resistente à castração (CPRC), uma vez
refractários à quimioterapia (QT) com docetaxel, eram até recentemente limitadas. O cabazitaxel é um taxano com ligação às
tubulinas, com impacto na sobrevivência global (SG) destes doentes. Objectivo: Descrever a experiência da nossa instituição
quanto à eficácia e tolerância deste agente no tratamento do CPRC após docetaxel. Material e métodos: Estudo retrospectivo
dos doentes com CPRC que efectuaram tratamento com cabazitaxel. A análise de sobrevivência foi efectuada pelo método de
Kaplan-Meier. A SG foi definida a partir do início do tratamento com cabazitaxel. Resultados: Até à data, 12 doentes efectuaram
tratamentos com cabazitaxel. A mediana de idade no início do tratamento foi de 70 anos (60-75) e 10 doentes tinham ECOG
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ABSTRACTS | ABSTRACTS
prognóstico, mas necessitam de ser validadas. Dado que as classificações de estratificação do risco são baseadas em estudos
retrospetivos, sem inclusão do perfil mutacional, os autores alertam para a necessidade de integração futura das alterações
genéticas nas ferramentas de avaliação prognóstica.
0-1. A mediana do número de ciclos efectuados foi de 5 (2-13). A taxa de resposta do PSA foi 63,6%. Ao fim de 3 meses, a
taxa de redução de PSA >50% ocorreu em 4 doentes. A resposta máxima do PSA foi atingida em média no 3º ciclo. Quatro
doentes mantêm tratamento e 5 descontinuaram por progressão (41,7%). Três doentes faleceram, 2 por progressão e um na
sequência de tromboembolismo pulmonar. Os efeitos laterais mais frequentes foram a anemia (83,3%), neutropenia (25%) e a
diarreia (25%), e ocorreram maioritariamente nos primeiros 3 ciclos. Dois doentes tiveram neutropenia grau 3-4 e nenhum teve
neutropenia febril. A mediana da sobrevivência livre de progressão (SLP) foi de 7 meses e a SLP aos 12 meses foi de 31,3%. A SG
ao fim de 1 ano é de 68,7%. Conclusão: A nossa experiência revela que a utilização do cabazitaxel na prática clínica apresenta
taxas de resposta e tolerância comparáveis ao estudo de aprovação, apresentando-se como opção terapêutica de benefício
comprovado nestes doentes refractários ao docetaxel.
11 TUMORES GERMINATIVOS DO TESTÍCULO - REVISÃO DE 10 ANOS
Marta Mesquita Pinto(1);Carolina Carvalho(2);Daniel Romeira(3);Filipe Alpoim(3);Maria Dolores Alberca(3);Adélia
Félix(3);Ana Massena(3);Ana Plácido(3);Helena Miranda(3);Nunes Marques(3);Ana Martins(3)
(1) CHLO - HSFX (2) Hospital São Francisco Xavier - Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (3) HSFX-Lisboa
Introdução: Os tumores germinativos do testículo (TGT) são uma patologia rara. Representam 1-1.5% de todos os cancros
no homem, contudo retratam 95% das neoplasias testiculares. São o tumor sólido mais frequente no sexo masculino na faixa
etária entre os 15 e 34 anos. A mortalidade por neoplasia do testículo tem vindo a diminuir progressivamente, estimando-se
0,35 óbitos/100.000 doentes (dts) na União Europeia. Actualmente, a taxa de cura dos doentes com TGT ultrapassa os 90%. Em
Portugal, no ano 2000, foram estimados 170 novos casos de tumores do testículo. Com cerca de 20 óbitos por ano, Portugal
apresenta uma mortalidade superior à média Europeia e Norte-Americana. No homem, os tumores germinativos desenvolvem-se
mais frequentemente no testículo, e ocasionalmente no retroperitoneu, mediastino e hipófise. Após a introdução de esquemas
de quimioterapia (QT) baseados em Cisplatina, passou a observar-se a cura da maioria dos doentes. A sobrevivência a longo
prazo é condicionada pelo estadio e por factores de prognóstico conhecidos (marcadores séricos elevados, localização primária
no mediastino, metastização hepática, pulmonar (mais de 20 metastases), óssea ou cerebral. A classificação histológica dos TGT
permite subdividi-los em dois tipos: seminoma e não seminoma. Após a avaliação inicial com orquidectomia radical inguinal
e laqueação do cordão espermático, o diagnóstico histológico, o estadiamento e a definição de factores de prognóstico, é
estabelecida a estratégia terapêutica. O seguimento adequado destes doentes, permite diagnóstico e tratamento oportuno
das recidivas, com consequente aumento da taxa de remissão completa. Objectivos: Caracterização e avaliação da sobrevida
dos doentes com TGT, tratados e em seguimento num Hospital Central, no período de 2001 a 2011. Material e métodos:
Estudo retrospectivo, observacional dos doentes com diagnóstico de TGT, seguidos num Hospital Central, entre 2001 e 2011.
A análise estatística foi efectuada no software SPSS 18. Resultados: Foram identificados 22 doentes. Destes, 12 (54.5%)
eram não seminoma e 10 (43.5%) seminoma. A idade média foi de 33.1 ± 10.3 anos, o doente (dt) mais novo tinha 21 anos
e o mais velho 66 anos. O sinal e/ou sintoma inicial mais frequente foi: nódulo ou aumento do volume testicular em 12 dts
(54.5%), desconhecido em 3 dts (13.6%), dor testicular ou lombar em 2 dts (9.1%),– infertilidade num dt (4.5%), sintomatologia
metastática num dt (4.5%), ginecomastia num dt (4.5%), dor e nódulo testicular num dt (4.5%) e dor testicular associada a
malformações congénitas num dt (4.5%). A localização dos TGT foi igualmente frequente no lado direito e lado esquerdo, em 9
dts cada (40.9%), desconhecido em 3 dts (13.6%) e bilateral em 1 doente (4.5%). A classificação dos doentes por estadio, foi a
seguinte: - estadio I: seminoma 7 dts (31.8%), não seminoma 2 dts (9%); - estadio IIA/B: seminoma 2 dts (9%), não seminoma
1 dt (4.5%); - doença avançada: seminoma estadio IIC 1 dt, não seminoma IIC 1 dt , não seminoma IIIA 1 dt; desconhecendose o estadio em 1 dt (4.5%). A classificação dos doentes por grau de prognóstico/risco, foi a que se segue: Bom Prognóstico
13 dts (59%), Prognóstico Intermédio 7 dts (32%), Mau Prognóstico 1 dt (4.5%) e desconhecido em 1 dt (4.5%). Optou-se por
QT adjuvante com BEP (Bleomicina, Etoposido e Cisplatina) em 13 dts (59%) e vigilância em 9 dts (41%). Dos doentes que
realizaram terapêutica sistémica, 3 dts realizaram também radioterapia, um doente fez cirurgia a massas residuais e um doente
fez linfadenectomia retroperitoneal. Como complicações da terapêutica há a referir neuropatia periférica (1dt) e toxicidade
pulmonar (1dt). Verificou-se apenas uma recidiva, com metastização ganglionar mediastínica e retroperitoneal. Apresentava
à data de diagnóstico um estadio de doença avançada e o óbito ocorreu 6.5 anos após o diagnóstico por evolução natural da
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12 RADIOTERAPIA NOS SARCOMAS PARA-TESTICULARES - A PROPÓSITO DE 2 CASOS CLÍNICOS
Ana Amado(1);Ana Vasconcelos(1);Catarina Duarte(1);Filomena Pina(1);Isabel Monteiro Grillo(1)
(1) CHLN -HSM - Serviço Radioterapia
Introdução: Os Sarcomas de partes moles (SPM) são raros, correspondendo a <1% de todos os tumores malignos. Podem ter
origem numa grande variedade de tecidos moles e consequentemente ocorrer em diversas localizações (50% nas extremidades,
40% abdominais/pélvicos e 10% na região da cabeça e pescoço). Localmente invasivos e com disseminação sobretudo
hematogénica, sendo a metastização ganglionar rara (<5%). Os Factores de Prognóstico mais Importantes são o tamanho
do tumor, a localização e o grau histológico. Os tumores para-testiculares, embora pouco frequentes, são malignos em cerca
de 30% dos casos. Os sub-tipos histológicos de SPM mais comuns são o leiomiossarcoma (LMS) e o lipossarcoma (LPS). A
radioterapia (RT) tem um papel importante no controlo local dos sarcomas, principalmente se de localização profunda, com
dimensões superiores a 5cm e de alto grau histológico. Não existe consenso sobre a definição de volumes nos SPM paratesticulares e apesar de ser um tema de grande controvérsia, há poucos estudos prospectivos que tentem esclarecer qual o
volume a usar no planeamento de RT. Objectivos: Os autores têm como objectivo salientar a existência desta entidade rara
na literatura e sem guide-lines bem estabelecidas, bem como dar a conhecer uma das abordagens possíveis, tendo em vista
uma eventual uniformização dos tratamentos. Material e Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo do planeamento de
dois casos clínicos (CC) com diagnóstico de SPM para-testiculares tratados no Serviço de RT. O planeamento foi efectuado de
acordo com a dose e volumes previstos para o tratamento dos sarcomas das extremidades, localização mais frequente e para
a qual existem múltiplos estudos. CC1 - Doente de sexo masculino, 61 anos, diagnóstico de LMS para-testicular de alto grau,
com 11 x5.2 x6cm, com invasão vascular neoplásica de uma veia do cordão espermático e margens cirúrgicas livres de lesão.
Submetido a Cirurgia seguida de Quimioterapia adjuvante (Antraciclinas - 4 ciclos) e posteriormente RT - 63Gy/ 35 fracções/
1.8Gy por fracção (3 campos; energia de 6 e 15MV). O Clinical Target Volume (CTV) inclui o leito tumoral e a cicatriz operatória,
numa primeira fase de tratamento com uma margem craneo-caudal de 5cm e radial de 2cm e numa segunda fase com uma
margem isotrópica de 2cm. CC2 - Doente de sexo masculino, 61 anos, com diagnóstico de LPS para-testicular desdiferenciado
com padrão pleomórfico, envolvido por uma fina cápsula (margem cirúrgica integra), com 12.5 x7 x7cm, que envolve o testículo,
não o invadindo; não se isolou o cordão espermático. Submetido a Cirurgia seguida de Quimioterapia adjuvante (Antraciclinas - 4
ciclos) e posteriormente RT adjuvante - 52Gy/ 26 fracções/ 2Gy por fracção (5 campos; energia de 6 e 15MV). O CTV inclui o leito
tumoral e a cicatriz operatória com uma margem craneo-caudal de 5cm e radial de 2cm. Resultados: CC1: Toxicidade aguda
gastro-intestinal e genito-urinária grau 2, radiodermite grau 3 e edema do pénis. Aos 23 meses após RT o doente encontra-se
assintomático, sem evidência clínica e imagiológica de recidiva local ou a distância. CC2: De salientar como toxicidade aguda,
prurido na região perineal e radiodermite grau 4 com necessidade de suspender RT durante 5 dias. Com 20 meses de follow-up
após RT, o doente encontra-se assintomático, sem evidência clínica e imagiológica de recidiva local ou a distância. Conclusões:
É fundamental conhecer a agressividade do tumor, o padrão de disseminação, bem como a eficácia dos tratamentos disponíveis
para uma decisão terapêutica acertada, sendo nesta entidade, dada a sua raridade, difícil de obter. Apesar da escassez de
material bibliográfico referente aos sarcomas para-testiculares, está documentado que a recidiva local é maior se após a Cirurgia
não se instituir Radioterapia adjuvante, principalmente nos casos com dimensões superiores a 5cm, de alto grau e localização
profunda. A margem dada para o CTV poderá ter sido exagerada, contudo, dada a inexistência de orientações respeitantes ao
SPM e dado o conhecimento actual, considera-se mais prudente aplicar a mesma margem na região para-testicular que para o
sarcomas das extremidades, bem mais conhecidos e estudados. Embora o follow-up não seja muito longo, não há, até à data,
nem evidência de recidiva local nem toxicidade tardia associada, pelo que a RT demonstrou um excelente controlo local da
doença, sem incremento significativo da toxicidade tardia, evidenciando ser um tratamento seguro.
57
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doença. Neste estudo ocorreram dois óbitos (taxa de mortalidade de 9%), um dos quais é o acima descrito e o outro ocorreu
em contexto de toxicidade pulmonar à Bleomicina. Discussão/conclusão: Na série apresentada a taxa de mortalidade é inferior
à taxa de mortalidade em Portugal mas semelhante aos dados internacionais. Admitimos, que o facto da maioria dos doentes
(59%) se incluírem no grupo de Bom Prognóstico, e terem sido tratados e seguidos de acordo com as orientações estabelecidas,
tenha contribuído para os resultados encontrados.
13 ABIRATERONA NO CANCRO DA PRÓSTATA METASTÁTICO RESISTENTE À CASTRAÇÃO (mCPRC)
Santos J; Augusto J; Inácio M; Carrageta I; Trinca F; Dinis R;Timóteo T; Barroso S
Serviço de Oncologia, Hospital do Espírito Santo, Évora
Introdução: O cancro da próstata é o segundo em incidência e o sexto em mortalidade a nível mundial. Em Portugal existem
anualmente 5140 novos casos e a mortalidade é de 2021 indivíduos. Quando em estádio IV, o bloqueio hormonal com antiandrogénios e/ou inibidores LHRH, é geralmente a primeira terapêutica, com uma duração de resposta de 2 a 3 anos. Quando
a terapêutica hormonal falha, a quimioterapia baseada em Docetaxel é uma alternativa obtendo-se beneficio na sobrevida e
paliativo, mas com toxicidade significativa. O mCPRC mesmo na fase avançada da doença mantem dependência importante
da via do receptor de androgénio. O Acetato de Abiraterona é convertido in vivo em Abiraterona, um inibidor seletivo da
síntese de androgénios que inibe a enzima 17α-hidroxilase/C17,20-liase (CYP17), reduzindo a produção de androgénios a
nível das glândulas suprarrenais, no testículo e no próprio tumor. A Abiraterona em associação com prednisona, demonstrou
recentemente no estudo COU-AA-301, um aumento significativo da sobrevida global de 4,6 meses vs placebo (HR = 0,74),
em doentes previamente tratados com Docetaxel. A Abiraterona foi recentemente aprovada para o tratamento mCPRC, em
associação com prednisona ou prednisolona, quando a doença progrediu sob ou após quimioterapia à base de Docetaxel.
Objectivos: Análise preliminar e retrospetiva de toxicidade e eficácia em 9 doentes com mCPRC, tratados com Abiraterona.
Material e Métodos: Avaliação de 9 doentes consecutivos, em progressão após quimioterapia com Docetaxel que iniciaram
tratamento com Abiraterona, entre 01-11-2011 e 29-03-2011. A avaliação de resposta será feita de acordo com os critérios de
PSAWG2/PCCTWG (PSA Working Group 2/Prostate Cancer Clinical Trials Working Group); a resposta radiológica segundo critérios
RECIST; será efetuada avaliação de beneficio clínico. A toxicidade será avaliada de acordo com CTC-CTCAE, V4.0 (Common
Toxicity Criteria and Common Terminology Criteria for Adverse Events).Os ciclos de tratamento são de 28 dias. A avaliação de
segurança e aderência terapêutica é feita semanalmente durante o primeiro ciclo e no dia 1 dos ciclos subsequentes ou sempre
que clinicamente se justifique e inclui: anamnese, exame físico, avaliação da dor, medicação concomitante e avaliação analítica
com PSA. A avaliação imagiológica realiza-se a cada 3 ciclos ou quando clinicamente justificado. Resultados: Os resultados
apresentados são preliminares e censurados à data de 29-03-2012; Todos os doentes mantiveram terapêutica com inibidores
LHRH e apresentavam valores compatíveis com castração (testosterona ≤ 50 ng/dl) à data de início de tratamento. A duração de
tratamento varia entre 146 e 09 dias; O Performance Status foi ≤ 2 em todos os doentes; a média de idade foi de 77 anos; as
co-morbilidades mais frequentes foram diabetes tipo II em 1 doente, HTA em 3 ; 1 doente com insuficiência mitral e tricúspide;
a localização de doença mais frequente foi a óssea em 8 doentes e em 2 doença ganglionar; o perfil de segurança foi muito
favorável, salientando-se hipocaliémia de grau I em 1 doente; 8 doentes apresentaram diminuição do PSA, sendo o valor máximo
de 88%; 1 doente apresentou aumento de PSA sem outros critérios de progressão; não houve nenhuma interrupção terapêutica
ou ajuste de dose por toxicidade; não foi documentada progressão em nenhum dos doentes em tratamento. Conclusões: Esta
análise preliminar incide sobretudo na avaliação de toxicidade. Parece revelar que a Abiraterona é muito bem tolerada, não tendo
havido nenhuma interrupção ou modificação de dose. Serão apresentados resultados atualizados de toxicidade e eficácia. O
reduzido número de doentes e a curta duração de tratamento não permite ainda perceber com segurança, se os resultados na
nossa população serão sobreponíveis aos descritos na literatura.
14 CARCINOMA DE CÉLULAS RENAIS - ANÁLISE RETROSPECTIVA DOS DOENTES DO HOSPITAL SANTA MARIA
Joana Briosa Neves(1);Daniela Macedo(2);Isabel Fernandes(3);Luis Costa(4)
(1) Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa (2) Serviço de Oncologia Médica do Centro Hospitalar Lisboa Norte (3) Centro
Hospitalar de Lisboa Norte (4) HSM
Introdução: Estima-se que a neoplasia maligna do rim seja a 9ª neoplasia mais frequente a nível europeu e que mais de 85%
destas neoplasias sejam carcinomas de células renais (CCR). Apesar da evolução na área da imagiologia ter permitido o maior e
mais precoce diagnóstico destes tumores, cerca de um terço dos doentes com CCR são diagnosticados com doença metastática.
A investigação na área da biologia molecular permitiu que fossem introduzidas novas opções terapêuticas, contribuindo para
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COMUNICAÇÕES ORAIS ENFERMAGEM
1 APLICAÇÃO DO MALNUTRITION UNIVERSAL SCREENING TOOL EM HOSPITAL DE DIA DE ONCOLOGIA
Sara Parreira(1);Vanessa Leomaro(1);Vanessa Agostinho(1)
(1) Hospital Prof. Dr. Fernando da Fonseca
Introdução: O Doente Oncológico está particularmente susceptível à subnutrição/desnutrição não só devido ao processo de
doença mas também pelos tratamentos a que é sujeito. A deterioração nutricional e perda de peso não intencional são problemas
comuns em doentes com cancro, especialmente nos idosos. A perda de peso pode aumentar a morbilidade, condicionar a
resposta à terapêutica antineoplásica e diminuir a qualidade de vida e sobrevida (Amaral, et al, 2008). A aplicação de um rastreio
nutricional é essencial para o controlo e intervenção efectiva nos doentes (Caro, et al, 2008). O Hospital de Dia de Oncologia
(HDO) do Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca, EPE, iniciou a aplicação do Malnutrition Universal Screening Tool (MUST) de forma
sistemática desde Julho de 2010. A escala de MUST foi desenvolvida pela British Association for Parenteral and Enteral Nutrition,
pode ser aplicada a todos os adultos nos diversos serviços de saúde e tem como principal objectivo diagnosticar situações
presentes ou em risco de perda de peso excessiva e/ou má nutrição (Borges, et al, 2009). A escala MUST apoia-se na avaliação
de dois critérios: o Índice de Massa Corporal (IMC) e a percentagem de perda de peso nos últimos seis meses. Cada parâmetro
pode ser avaliado em 0, 1 ou 2. Score de 0 significa baixo risco de má nutrição. Score de 1, médio risco de má nutrição e
Score de 2 (ou superior) alto risco de má nutrição (BAPEN, 2006). Conforme estabelecido em Procedimento de Enfermagem,
no HDO, o Score de MUST é avaliado na primeira consulta de enfermagem, antes do doente iniciar quimioterapia. Se Score de
MUST ? 2 o utente é encaminhado para consulta com Dietista. Preconiza-se que a reavaliação do Score de MUST se realize
mensalmente, ou antes, se o doente apresentar Score de MUST inicial ? 2 ou evidente perda de peso. Objectivos: • Avaliar a
aplicação da escala MUST em todos os doentes que iniciaram tratamentos de quimioterapia no ano de 2011; • Relacionar o
Score de MUST avaliado com o encaminhamento para consulta com o Dietista; Metodologia: Estudo retrospectivo, descritivo
de abordagem quantitativa; Duração: de Janeiro a Dezembro de 2011; Tratamento de dados: Excel. Resultados e Conclusões:
Das 302 consultas de enfermagem realizadas durante o ano de 2011, foram efectuadas 222 avaliações com recurso à aplicação
do MUST. Constatou-se que 52 doentes apresentaram Score ? 2, sendo que 35 destes doentes foram encaminhados para
consulta com o dietista. Os restantes doentes não foram encaminhados por inúmeras razões como: ganho de peso recente, IMC
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ABSTRACTS | ABSTRACTS
a melhoria da sobrevida nestes doentes. Em Portugal, apenas existem publicações referentes a casos clínicos de CCR, não
existindo estudos com séries de casos ou epidemiológicos. Torna-se assim relevante dar a conhecer a realidade portuguesa
através da análise de casos de um centro de referência. Objectivo: Estudar os casos de doentes com CCR do Serviço de
Oncologia do Hospital de Santa Maria (HSM). Material e Métodos: Foi realizada uma análise retrospectiva dos processos clínicos
dos doentes diagnosticados com CCR referenciados ao Serviço de Oncologia do HSM entre Janeiro de 2006 e Outubro de 2010.
Foram recolhidos dados demográficos; da histologia; do estadio da doença na data do diagnóstico; o tempo de evolução para
estadio IV; as localizações metastáticas; a existência e caracterização de intervenções cirúrgicas (primário e metástases); a
estratificação de risco segundo a classificação Memorial Sloan-Kettering Cancer Center (MSKCC) para CCR; o tipo e sequência
de terapêutica médica realizada; e os efeitos adversos das terapêuticas-alvo. Resultados: A maioria dos doentes eram do sexo
masculino (n=35, 71,4%) e, à data do diagnóstico, a média de idades era 63,6 anos (SD - 12,2). Foram diagnosticados em fase
avançada 44,9% (n=22) dos doentes. Dos doentes com estádio I, II ou III (n=27), 22 (81,5%) evoluíram para estadio IV numa
média de 45,9 meses (SD - 58,7). Ocorreu metastização em mais de 1 localização em 77,3% (n=34) dos casos sendo os órgãos
mais frequentemente afectados os gânglios linfáticos, o pulmão, o osso e o fígado. Trinta doentes (61,2%) foram submetidos a
nefrectomia. Como primeira linha de terapêutica, 15 (30,6%) doentes fizeram imunoterapia e 23 (46,9%) iniciaram terapêuticaalvo (22 sunitinib e 1 temsirolimus). No segundo grupo, em segunda-linha, 4 fizeram everolimus e 4 fizeram sorafenib. Conclusão:
Os dados obtidos foram compatíveis com a literatura embora a taxa de diagnósticos em estadio IV tenha sido muito superior à
relatada, correspondendo a quase metade dos doentes (45%). Este dado pode indicar que um maior investimento no diagnóstico
precoce desta neoplasia poderá contribuir para a redução da morbilidade e mortalidade por CCR em Portugal.
adequado, manutenção de dieta equilibrada ou recusa dos próprios. Pela análise dos dados concluiu-se também que os doentes
com neoplasias do sistema gastrointestinal são os que apresentam, mais frequentemente, Score de MUST ? 2. Constatou-se que
a aplicação da escala de MUST na primeira consulta de enfermagem é fundamental para despiste de problemas nutricionais que
possam afectar a qualidade de vida do doente e a sua resposta à quimioterapia.
POSTERS MÉDICOS
1 UTILIZAÇÃO DE PRO- E SIMBIÓTICOS EM ONCOLOGIA: REVISÃO SISTEMÁTICA DE ENSAIOS CLÍNICOS
ALEATORIZADOS E CONTROLADOS
Renata Ramalho(1);Nuno Couto(2);Sónia Cabral(2);Bruno Magalhães(2);Paula Alves(2)
(1) Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (2) Instituto Português de Oncologia do Porto Dr. Francisco Gentil, E.P.E.
Introdução: Numa era dominada pelo “molecular”, a investigação procura estudar a modulação da resposta do hospedeiro com
o intuito de prevenir a doença ou melhorar a sintomatologia. Desde a sua descoberta pelo Nobel Élie Metchnikoff, que a utilidade
dos probióticos na prevenção da doença tem suscitado interesse e discussão. Resultados de investigação in vitro e in vivo
sugerem que os probióticos exercem a sua ação anti-carcinogénica por modificação do pH intestinal, alteração do metabolismo
de xenobióticos, modulação imunológica, ação antioxidante e por anti-genotoxicidade. Métodos: Revisão sistemática de ensaios
clínicos aleatorizados e controlados que avaliam o efeito de pro- e simbióticos administrados oralmente na doença oncológica
sobre: composição da microflora e/ou funcionalidade da barreira intestinal; imunidade e/ou inflamação sistémica; invasão por
células tumorais e/ou desenvolvimento de novas lesões; marcadores de stress oxidativo e/ou apoptose; sintomas e toxicidade.
Foi efetuada pesquisa nas seguintes bases de dados: Cochrane Database of Systematic Reviews, MEDLINE/PubMed (1966-2011)
e EMBASE (1980-2011). A qualidade dos estudos incluídos foi avaliada segundo os critérios de Cochrane Collaboration e Grade
Profiler. Esta revisão sistemática foi elaborada de acordo com os PRISMA guidelines. Devido a uma elevada heterogeneidade
clínica entre os estudos, não foi possível efetuar metanálise dos resultados. Resultados: Numa pesquisa incial obtiveram-se
34 estudos com potencial interesse. Após aplicação dos critérios de exclusão, obtiveram-se 10 estudos que foram divididos
por 2 áreas: digestivos (n=5) e diarreia secundária a QT ou RT (n=5). Os estudos incluídos eram heterogenéneos quanto a
doses, esquemas, duração e tipo de intervenção e características dos doentes incluídos. Esta revisão sistemática mostrou o
potencial de algumas estirpes de probióticos em alterar favoravelmente a composição da microflora e a funcionalidade da
barreira intestinal e em diminuir a inflamação sistémica (particularmente, os níveis de interferão-alfa) em doentes com neoplasia
do cólon. Adicionalmente, verificou-se diminuição do grau de severidade da diarreia, aumento da consistência das fezes e menor
necessidade de recurso a antidiarreicos em doentes com diarreia secundária a QT ou RT. As estirpes mais estudadas formam
L. casei, L. acidophilus e L. rhamnosus, isolados ou em combinação com inulina. Conclusão: A escassa evidência científica
disponível sugere que os mecanismos de acção, bem como os efeitos sistémicos dos probióticos e simbióticos sejam “estirpedependentes” e que a sua aplicação com benefício no campo da oncologia deve ser limitada a doentes com neoplasia do cólon
e no controlo da diarreia secundária a QT ou RT. O acompanhamento nutricional individualizado é fundamental para a formulação
da decisão sobre a estirpe a ser utilizada, a dose a ser implementada e o tempo de duração do tratamento.
60
Manuel Magalhaes(1);Joana Febra(1);Franklim Marques(1)
(1) Centro Hospitalar do Porto
Introdução: Os sarcomas cardíacos são entidades raras, habitualmente com mau prognóstico em consequência do diagnóstico
tardio. Representam um desafio médico interdisciplinar dado que na altura no diagnóstico habitualmente não são completamente
ressecáveis e os tratamentos complementares disponíveis são pouco eficazes. Nos doentes com ressecção incompleta, o papel
da quimioterapia adjuvante ainda não foi estabelecido embora estejam descritos casos de aumento da sobrevida com protocolos
de quimioterapia (QT) com Adriamicina. Também estão descritos casos em que foi usada QT neoadjuvante com o objectivo
de induzir citoredução e assim possibilitar ressecção completa do tumor. A radioterapia (RT), embora possa ser usada nos
doentes com margens positivas, apresenta limitações relacionadas com a cardiotoxicidade. Objectivos: Revisão do tratamento
multimodal do sarcoma cardíaco irresecável, a propósito de um caso clínico. Desenvolvimento: Apresentamos o caso de uma
doente de 58 anos, com história de carcinoma ductal invasor da mama esquerda T1 N1 M0 diagnosticado em 1997, tendo
sido submetida a mastectomia radical modificada seguida de QT (Fluorouracilo, Epirrubicina e Ciclofosfamida) e RT da parede
torácica (50 Gy em 5 semanas). Fez hormonoterapia adjuvante durante 5 anos com tamoxifeno, que terminou em 2002. Em
2008 é diagnosticada recidiva pulmonar confirmada por biópsia tendo realizado QT com Docetaxel e Capecitabina (8 ciclos),
com remissão completa. Iniciou hormonoterapia com Letrozole, que ainda mantém. No final de 2009 inicia quadro de tosse e
dispneia seguido de edemas periféricos, mãos e órbitas. O RX de tórax revelava proeminência do arco da aurícula esquerda e o
ecocardiograma transtorácico e transesofágico revelavam massa na aurícula esquerda com 36 x 47 mm. Submetida a cirurgia
(ressecção de massa com 38,6 g) com melhoria acentuada do estado geral e sintomas. A ressecção não foi completa dada a
invasão do tecto da aurícula esquerda e extensão para as veias pulmonares. O exame histológico da peça revelou sarcoma
indiferenciado primário do coração. O estadiamento do sarcoma e pesquisa de recidiva de neoplasia da mama foram negativos.
O TAC pós-operatório mostrava lesão com 5,6 cm de maior eixo. Realizou QT adjuvante com Adriamicina lipossómica (6 ciclos)
que terminou em Junho de 2010. O TAC realizado após a QT revelou redução do tamanho da lesão de 5,4 cm de maior eixo
para 4,6 cm. Posteriormente foi submetida a RT externa sobre a aurícula esquerda, 50 Gy em 25 fracções, que terminou em
Agosto de 2010. Presentemente encontra-se assintomática e a avaliação com imagem revelou estabilização da massa cardíaca
pelos critérios de RECIST. Conclusões: A resistência dos sarcomas cardíacos à QT e RT dificulta a abordagem destes tumores.
O número muito limitado de casos publicados não permite estabelecer conclusões sólidas sobre a eficácia das terapêuticas
disponíveis. A sobrevida média dos doentes com sarcomas cardíacos é de 6 meses, contudo o caso divulgado revela uma
sobrevida significativamente superior, 23 meses.
3 TRATAMENTO POTENCIALMENTE CURATIVO NO CANCRO COLORECTAL METASTIZADO, A PROPÓSITO DE UM
CASO CLÍNICO.
Manuel Magalhaes(1);Joana Febra(1);Franklim Marques(1);Filipe Coutinho(1)
(1) Centro Hospitalar do Porto
Introdução: O cancro colorectal é o terceiro mais frequente e mortal a nível mundial. Nos últimos anos têm ocorrido avanços
significativos na redução da mortalidade, devido ao diagnóstico mais precoce e tratamentos mais eficazes. O plano de tratamento
do cancro do cólon depende se a doença está apenas localizada, em que a opção é cirúrgica seguida ou não de terapêutica
adjuvante de acordo com o estadio, ou metastizada. O cancro do recto coloca desafios especiais devido à dificuldade de cirurgia
local alargada, com necessidade de ressecção do mesorecto complementada ou não de radioterapia (RT). A metastização do
Cancro Colorectal é mais comum como recorrência após tratamento de doença loco-regional (metastização metácrona), sendo
o fígado o órgão mais atingido. A abordagem do Carcinoma Colorectal Metastizado deverá ser multidisciplinar e individualizada,
englobando terapêuticas sistémicas e loco-regionais que resultam na melhoria da média de sobrevivência e no aumento do
grupo de doentes que podem ser abordados com intenção curativa. Com a terapêutica sistémica, alguns casos de metastização
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ABSTRACTS | ABSTRACTS
2 ABORDAGEM MULTIMODAL DO SARCOMA CARDÍACO IRRESECÁVEL EM DOENTE COM CARCINOMA DA MAMA
METASTIZADO
hepática do carcinoma colorectal entram em remissão completa mas a cura a longo prazo apenas com quimioterapia (QT) é rara.
Objectivos: Revisão do tratamento potencialmente curativo no Cancro Colorectal Metastizado, a propósito de um caso clínico de
Adenocarcinoma do Recto com metastização hepática síncrona. Desenvolvimento: Apresentamos o caso de um doente de 51
anos com adenocarcinoma do recto localmente avançado (uT3 N1) com metástase hepática única em localização central, junto
do ramo direito da veia porta, de difícil abordagem cirúrgica, comprovada por TAC, RMN e PET-CT. Neste doente foi decidido iniciar
o tratamento com quimioradioterapia (QT/RT) neoadjuvante e optou-se por esquema de QT mais agressivo com oxaliplatina e
capecitabina para aumentar a probabilidade de actuar também na metástase hepática, embora com maior risco de toxicidade.
A TAC de reavaliação pré-operatória revelava regressão total da metástase hepática. Operado ao tumor primário às 6 semanas
após terminar a QT/RT neoadjuvante, constatando-se remissão completa do tumor primário - ypT0N0. No pós-operatório foi reestadiado com meios de imagem incluindo TAC abdomino-pélvica e PET-CT que não mostraram evidência de lesões metastáticas,
confirmando o desaparecimento completo da lesão hepática. Em Consulta de Grupo Oncológica Multidisciplinar foi decidido
vigiar e não realizar ressecção de metástase hepática por desaparecimento completo da mesma na TAC, não captação na PETCT e dada a sua localização central de difícil acesso cirúrgico. Fez QT pós-operatória até perfazer no total 6 meses de tratamento.
Tem-se mantido em vigilância clínica e imagiológica apertada para detecção precoce de recidiva. Actualmente com seguimento
de 3 anos após cirurgia ao tumor primário, não existindo evidência de doença. Conclusões: As metástases de adenocarcinoma
colorectal podem entrar em remissão imagiológica completa com os actuais esquemas de quimioterapia associados ou não à
terapêutica biológica. Nos casos de remissão imagiológica completa em que se opta por não intervir cirurgicamente, é necessária
uma vigilância clínica e imagiológica muito apertada e intervenção rápida no caso de recidiva.
4 O PAPEL DA QUIMIOTERAPIA NEOADJUVANTE NO CANCRO DA MAMA TRIPLO NEGATIVO
Sara Meireles(1);Daniela Almeida(2);Rosa Gomes(2);Andreia Capela(2);Gabriela Pinto(2);Fernando Osório(2);Isabel
Augusto(2);Cláudia Caeiro(2);Cândida Cruz(2);Margarida Damasceno(2)
(1) Centro Hospitalar São João (2) Centro Hospitalar de São João
Introdução: O cancro da mama triplo negativo (TN) é um subtipo agressivo e resistente ao tratamento. A quimioterapia
neoadjuvante (QNA) proporciona a realização de cirurgias conservadoras e maiores taxas de resposta patológica completa (pRC).
Objectivos: Impacto da QNA na taxa de pRC, sobrevivência livre de doença (SLD) e global (SG) dos TN e análise comparativa
com os não-triplo negativo (nTN). Material e métodos: Estudo retrospectivo de 155 doentes com cancro da mama localmente
avançado submetidos a QNA entre Janeiro 2003 e Agosto de 2011. A análise de sobrevivência foi efectuada pelo método KaplanMeier e a avaliação de factores de prognóstico pelo modelo de Cox. Resultados: 41 doentes (26,5%), com mediana de idade de
49 anos, apresentavam tumores TN. A maioria correspondia a carcinoma ductal invasor (89%) de grau 3 (84,6%). O estadio clínico
mais frequente foi o IIB (48,8%). Observou-se downstaging em 65,9%, pRC em 39% e possibilidade de cirurgia conservadora em
51,2%. 31,7% dos TN recidivaram (local: 19,5%; metastização à distância: 12,2%). A SLD aos 3 anos foi de 67,1% e a SG aos 3 e
5 anos foi de 81,0% e 70,9% respectivamente. Não se observaram diferenças estatisticamente significativas em relação aos nTN
nas variáveis estudadas. Na análise univariada, foram fatores de prognóstico para a SG: estadio clínico (p=0.024), downstaging
tumoral (p=0.01), pRC (p<0.001) e recidiva (p=0.002). Apenas o downstaging tumoral (HR:0.07, IC95% 0.01-0.92;p=0.043)
e a recidiva (HR: 33.6; IC95% 1,59-709,1; p=0.024) estavam independentemente associados com a SG. Conclusão: A nossa
experiência demonstra elevadas taxas de pRC, SLD e SG nos TN. Contudo, contrariamente aos dados da literatura, a taxa de pRC
não foi significativamente mais elevada que as dos nTN, podendo tal dever-se à reduzida dimensão da amostra. O downstaging
tumoral e a recidiva foram factores de prognóstico independentes para a SG no TN.
62
Isália Miguel(1);Diogo Alpuim Costa(2);Emanuel Gouveia(2);João Mouta(2);Mafalda Carneiro(2);Maria José Passos(2)
(1) IPO Lisboa (2) IPO Lisboa Francisco Gentil, EPE
Introdução: O melanoma é um tumor que resulta da transformação maligna dos melanócitos, células que derivam da crista
neural. Cerca de 90% ocorrem na pele. Nas últimas décadas, a sua incidência tem aumentado muito em todo o mundo e mais
rapidamente do que nos outros tumores sólidos, apresentando uma mortalidade elevada. Em 2011 o melanoma foi o 4º tumor
mais frequente na Austrália e ocupa o 6º lugar nos EUA. Em Portugal o melanoma apresenta uma incidência que ronda os 8
casos por 100.000 habitantes e a taxa de mortalidade estimada pelo ROR Sul para 2004/2005 é de 2,35/100.000 habitantes.
Na etiopatogénia desta doença existem factores genéticos, familiares e ambientais. O melanoma quando diagnosticado
precocemente cura-se em mais de 90% dos casos com cirurgia. Pelo contrário, em estadio IV a sobrevivência aos 5 anos é
inferior a 5%. Embora se tenham registado progressos nos últimos anos, o tratamento do melanoma metastizado continua a
ser um desafio. Caso Clínico: Mulher de 46 anos, sem antecedentes pessoais e familiares de doença oncológica, que em 1997,
notou aparecimento de maculapapulosa na região frontal e 18 meses depois lesões satélite da região parietal, motivo pelo que
foi enviada à consulta de dermatologia. Foi submetida a excisão destas lesões e pesquisa de gânglio sentinela que foi negativo.
E.H.–Melanoma do couro cabeludo com lesões satélite, Clark IV, Breslow 1.66mm. Sem invasão ganglionar. A TAC toracoabdomino-pélvica (TAP) e craneo-encefálica (CE) de estadiamento não mostraram alterações. Por se tratar de um melanoma de
alto risco efectuou durante um ano Interferão-? adjuvante. Três meses após o tratamento adjuvante surgiu mácula puntiforme
castanha na região parietal esquerda e na periferia da cicatriz frontal. Estas lesões foram retiradas e eram metástases cutâneas
de melanoma. A doente ficou em remissão completa durante 7 anos com seguimento regular em consulta de oncologia médica.
Em 2006 nova lesão no braço direito, cuja excisão–biópsia revelou: MM in situ, margens sem tumor; mácula pericicatricial
na região frontal – biópsia: metástases de MM. Foi efectuada cirurgia com alargamento de margem destas lesões. Ficou de
novo bem, em remissão completa. Doze anos depois começa com dorsalgia persistente em repouso com agravamento à
mobilização. Apresenta também lesão periodontal superior esquerda, compatível com metástase de MM. Realiza TAC da coluna
dorsal, Cintigrafia óssea e RNM do neuroeixo que revelaram: extensa infiltração secundária que atingia quase todas as vértebras
dorsais e sagradas; havia colapso subtotal de D7 com componente epidural, causando desvio da medula e discretos sinais de
mielopatia compressiva. Referenciada para radioterapia paliativa descompressiva. Concomitantemente realizou TAC CE e TAP
que revelaram: metastização cerebral múltipla, pulmonar bilateral; extenso envolvimento adenopático supraclavicular direito e
mediastínico; metastização hepática e dos rins; múltiplas lesões osteolíticas dos corpos vertebrais dorsais e lombares, ilíacos e
sacro. A doente faleceu em 2 semanas. Conclusão: Este caso clínico é paradigmático de uma forma de evolução muito agressiva
e pouco habitual num melanoma que na altura do diagnóstico era T4bN0M0, estadio IIb, com follow-up de 12 anos em remissão
completa, com uma forma explosiva de metastização múltipla sincrona: cerebral, óssea, pulmonar, hepática, renal e periodontal,
facto pouco frequente.
6 GIST - LONGA SOBREVIVÊNCIA APÓS RESISTÊNCIA AO IMATINIB
Isália Miguel(1);Maria Teresa Condessa(2);João Mouta(2);Emanuel Gouveia(2);Mafalda Carneiro(2);Diogo Alpuim
Costa(2);João Freire(2)
(1) IPO Lisboa (2) IPO Lisboa Francisco Gentil, EPE
Introdução: Os tumores do estroma gastrointestinal (GIST) representam menos de 1% das neoplasias malignas gastrointestinais,
diferenciando-se dos leiomiosarcomas e outros tumores do mesenquima pela sua imunoreactividade para o antigénio CD117,
produto da expressão do KIT (receptor com actividade tirosine cinase), tendo mutações activadoras em KIT (75-80%) ou PDGFRa
(5-10%). Tem uma incidência de 10-20 casos por 1.000.000 de habitantes, com média de idades ao diagnóstico de 55-65 anos.
As localizações mais frequentes são: estômago ou duodeno (60%), intestino delgado (25%) e recto (5%). Cerca de 50% dos
doentes tem metástases à distância no momento do diagnóstico (fígado ou peritoneu). A taxa de sobrevivência da doença pode
variar de acordo com o estadio do tumor e a ressecabilidade do mesmo. Tumores irressecáveis ou metastáticos tem geralmente
63
ABSTRACTS | ABSTRACTS
5 UMA FORMA EXPLOSIVA DE METASTIZAÇÃO DE MELANOMA MALIGNO
mau prognóstico. Caso clínico: Homem de 64 anos, sem antecedentes relevantes, que em 2004 por dor no hipocondrio direito
realiza TAC abdominal que revelou figado metastático. Efectuada biópsia dirigida, com diagnóstico de metástase hepática de
GIST. Fez PET que sugere localização primária no intestino delgado. Não fez estudo mutacional. Esteve sob Imatinib (400 mg/
dia) de Fevereiro de 2004 a Fevereiro de 2009 com estabilidade imagiológica das lesões e excelente tolerância. Por progressão
metabólica da doença detectada em PET escalou-se dose de Imatinib para 800mg/dia, com boa tolerância mas progressão.
Em Janeiro de 2010 passou a Sunitib, inicialmente na dose de 37.5mg/dia continuo. Por progressão rápida da doença passa
a esquema clássico intermitente (50mg/dia, 4 semanas em cada 6). Clinicamente noção de resposta em “harmónio”, com dor
nos 15 dias de pausa e alívio parcial no retomar da terapêutica. Por TAC confirma-se progressão. Em Abril de 2010 passa a
fazer tratamento com Sorafenib, 40mg 2 vezes/dia, com má tolerância (diarreia), pelo que se reduz dose para 200mg/dia, com
melhoria. Clinica e imagiologicamente tem critérios de doença estável, com boa tolerância. Em Abril de de 2011, por progressão
com alterações das provas de função hepática passou a Nilotinib 400 mg/dia, com razoável tolerância após uma fase inicial de
adaptação. Verificou-se progressão da doença tendo falecido em Janeiro de 2012. Conclusão: O tratamento de eleição dos GIST
localizados é a ressecção cirúrgica. No entanto cerca de 50% dos doentes apresentam já doença metastizada no momento do
diagnóstico o que condicionava uma média de sobrevivência de 20 meses em doença metastásica. O prognóstico dos doentes
com doença metastásica ou irressecável mudou substancialmente com o Imatinib, sendo considerado o tratamento de eleição
para GIST avançados e o Sunitinib a segunda linha de tratamento. Outros inibidores da tirosine cinase como o Sorafenib e
Nilotinib são opções terapêuticas de terceira linha. A resistência ao Imatinib é multifactorial e a utilização de outros inibidores da
tirosine cinase permite apenas respostas de curta duração. O caso clínico apresentado destaca-se pelo tempo de sobrevivência
após progressão sob Imatinib, percorrendo todas as opções terapêuticas disponíveis.
7 UM CASO CLÍNICO DE MELANOMA AVANÇADO B-RAF+
Isália Miguel(1);Joana Magalhães(2);Diogo Alpuim Costa(3);Mafalda Carneiro(3);Emanuel Gouveia(3);João Mouta(3);Maria
José Passos(3)
(1) IPO Lisboa (2) Hospital de Faro (3) IPO Lisboa Francisco Gentil, EPE
Introdução: O melanoma metastático é uma doença agressiva para a qual existem poucas terapêuticas efectivas. As duas opções
aprovadas pela FDA, IL2 e Dacarbazina, estão associadas a respostas globais de apenas 10-20%. A mediana de sobrevivência
dos doentes tratados com Dacarbazina é inferior a 8 meses. Sabe-se que cerca de 50% dos melanomas tem mutação no
gene da proteína cinasa serine-treonine: BRAF (V600E). Os melanomas com mutação BRAF têm um comportamento clínico
mais agressivo e um prognóstico pior. Caso Clínico: Mulher de 55 anos, sem antecedentes pessoais e familiares de doença
oncológica. Em 2009 foi-lhe diagnosticado um melanoma maligno do dorso, operado em Dezembro de 2009. EH.- Melanoma
do dorso, Breslow 1.66mm, Clark IV, ulcerado com áreas de regressão, com invasão do tecido muscular. Posteriormente,
em Outubro de 2010 metastização hepática múltipla. Em Janeiro de 2011 por aparecimento de múltiplas lesões cutâneas
pigmentadas da região cervical e tronco compatíveis com metastização cutânea e sub-cutânea de melanoma, iniciou tratamento
com Dacarbazina e Carmustina noutro hospital. A partir de Outubro de 2011, crescimento rápido e ulceração dessas lesões
cutâneas/ subcutâneas, sobretudo do tronco, punho direito e região popliteia direita. Foi-nos referenciada em Fevereiro de
2012 para eventual inclusão num estudo clínico com inibidor seletivo de B-RAF e foi-lhe detectada aquela mutação, mas foi
excluída do estudo por apresentar metastização cerebral múltipla. Actualmente sob tratamento paliativo, visando o conforto da
doente. Conclusão: Com a apresentação deste caso pretendemos salientar a agressividade clínica que a mutação B-RAF parece
acrescentar ao comportamento do melanoma avançado, como aliás foi recentemente publicado.
64
João Mouta(1);Emanuel Gouveia(1);Maria João Oliveira(2);Ana Catarina Rodrigues(2);Ana Grilo(3)
(1) IPO Lisboa (2) Centro Hospitalar de Lisboa Central (3) Hospital Beatriz Ângelo
Introdução: O envelhecimento da população tem levado a um aumento da incidência e prevalência de neoplasias malignas.
Estes doentes constituem uma importante fatia dos doentes tratados nos hospitais e consomem muitos recursos. Com frequência
necessitam de internamento, quer na fase da investigação e diagnóstico, quer no decurso dos seus tratamentos e respectivas
complicações, quer na fase final da vida. As características, impacto nas actividades assistenciais e parâmetros de qualidade
assistencial destes doentes internados nas enfermarias de medicina interna são insuficientemente conhecidos, existindo poucos
trabalhos publicados nesta área. Objectivos: Descrever quanto às suas características, impacto nas actividades assistenciais
e parâmetros de qualidade assistencial uma população de doentes com diagnóstico de neoplasia maligna internados numa
enfermaria de medicina ao longo de um período de dois anos. Material e Métodos: A recolha da informação foi feita com
recurso ao levantamento e revisão manual dos registos clínicos de todos os doentes internados no serviço de Medicina Interna
II do Hospital de Curry Cabral, que estiveram à responsabilidade da equipa assistencial em que estava integrado o primeiro
autor, e que tiveram alta entre o dia 1 de Janeiro de 2010 e o dia 31 de Janeiro de 2011. Foram colhidos e registados dados
relativos à idade, sexo, número de dias de internamento, diagnóstico principal, diagnósticos secundários, proveniência e destino
dos doentes que cumpriam esses pressupostos. Com base nesses dados foram calculados de acordo com as fórmulas do
Portal de Codificação dos Grupos de Diagnóstico Homogéneos da Administração Central dos Cuidados de Saúde os parâmetros
assistenciais: número de internamentos; número de reinternamentos; número de doentes assistidos; idade média dos doentes
internados; demora média em dias; taxa de mortalidade. Considerou-se o intervalo de cinco dias como critério de reinternamento.
Os diagnósticos principais e secundários foram codificados de acordo com a International Statistical Classification of Diseases
and Related Health Problems 10th Revision (ICD-10). Foram analisados de forma separada, constituindo o objecto deste trabalho,
os doentes em que pelo menos um dos diagnósticos era pertencente ao Grupo II – Neoplasias. Os parâmetros calculados foram
analisados comparativamente aos calculados para a totalidade dos doentes internados. Resultados: No período estudado foram
assistidos 580 doentes (351 homens, 229 mulheres), num total de 595 internamentos. Destes, 83 doentes tinham pelo menos
um diagnóstico de neoplasia, correspondendo a 86 internamentos (14,5% do total de internamentos). Houve 3 reinternamentos
(taxa de reinternamento de 3,5%, versus 2,5% na totalidade dos doentes). A percentagem de homens com neoplasia foi superior
à da totalidade dos doentes internados (76% versus 61%). A média de idades foi de 72,9 anos (versus 73 anos), com uma idade
média nos homens de 73 anos (versus 72,2 anos na totalidade dos doentes internados, variando de 39-95 anos) e nas mulheres
de 73,3 anos (versus 73,4 anos, variando de 62-93 anos de idade). A estratificação dos doentes por idades é semelhante à
da totalidade dos doentes internados, com cerca de metade dos doentes na faixa dos 65-84 anos. A demora média em dias
calculada para os doentes com neoplasia foi de 15,57 dias (versus 11,25 dias na totalidade dos doentes), e foi superior nas
mulheres. Do total dos doentes falecidos no período em estudo, 9,7% tinham como primeiro diagnóstico neoplasia (14,6%
dos homens falecidos versus nenhum óbito nas mulheres). A taxa de mortalidade foi superior nos doentes com pelo menos
um diagnóstico de neoplasia (25,3% versus 12,4% nos doentes sem neoplasia), especialmente à custa de maior mortalidade
nos homens (31,2% versus .13,7%), enquanto que as mulheres com neoplasia tiveram mortalidade mais baixa (5% versus
10,5%). Os 83 doentes concentravam 144 diagnósticos pertencentes ao Grupo II – Neoplasias – da ICD-10 (1,7 diagnósticos por
doente). Destes diagnósticos, 53% correspondiam a neoplasias malignas primárias, 37% a neoplasias malignas secundárias,
5% a neoplasias malignas hematológicas e 5% a neoplasias com significado indeterminado. Quanto à localização, a maioria
das neoplasias primárias era do sistema digestivo (35%), seguidos dos tumores uroginecológicos (25%), do pulmão e pleura
(12%), hematológicos (8%), primário desconhecido (5%), mama (4%), cabeça e pescoço (4%) e outros (5%). Quanto à sede das
neoplasias secundárias, na maioria dos casos era hepática (21%), seguida da óssea (13%), pulmonar (9%), peritoneal (8%),
ganglionar (7%), pleural (4%) ou outra (2%); dos doentes com diagnóstico de neoplasia secundária, 36% tinha metastização
em múltiplas localizações. Conclusões: Os doentes com neoplasia constituem uma fatia importante dos doentes internados
nos serviços de medicina interna. Têm sensivelmente a mesma distribuição etária mas são mais frequentemente do sexo
masculino do que os doentes sem neoplasia. Relativamente aos doentes sem neoplasia são doentes desafiantes, com taxas
de reinternamento, demoras médias em dias e taxas de mortalidade superiores. Concentram vários diagnósticos de neoplasia.
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ABSTRACTS | ABSTRACTS
8 CASUÍSTICA DOS DIAGNÓSTICOS DE NEOPLASIAS EM DOENTES INTERNADOS NUM SERVIÇO DE MEDICINA
INTERNA AO LONGO DE 24 MESES
Os tumores primários são mais frequentemente do sistema digestivo. Nos doentes metastizados, a sede mais frequente de
neoplasias secundárias é o fígado. Estudos mais abrangentes e com números de doentes superiores são essenciais. Estudos
comparativos com enfermarias dedicadas ao tratamento de doentes oncológicos são necessários.
9 TERAPÊUTICA ADJUVANTE NAS MULHERES MAIS VELHAS COM CANCRO DA MAMA EM ESTADIO PRECOCE:
ESTADO DA ARTE E CAMINHOS FUTUROS NO IPO LISBOA
João Mouta(1);Diogo Alpuim Costa(1);Mafalda Carneiro(2);Isália Miguel(1);Emanuel Gouveia(1);Margarida Brito
Gonçalves(2);António Rita Moreira(2)
(1) IPO Lisboa (2) Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil, E.P.E.
Introdução: O envelhecimento da população tem levado a um aumento da incidência e prevalência de cancro, nomeadamente
na faixa etária da população mais idosa. Dois terços das mulheres com cancro da mama têm mais de 65 anos, mas a evidência
científica nesta faixa etária é de qualidade inferior. Estas doentes estão em risco de ser subtratadas e experimentar morbilidade e
mortalidade superiores do seu tratamento. A população idosa tem várias especificidades que tornam o tratamento do cancro mais
desafiante. Não existem dados publicados sobre as opções e resultados do tratamento adjuvante do cancro da mama em estadio
precoce no nosso país. Não são conhecidas as especificidades da população mais idosa a ser tratada no Instituto Português de
Oncologia de Lisboa para cancro da mama em estadio precoce, desconhecendo-se se os resultados deste tratamento diferem
significativamente dos obtidos nas mulheres mais jovens. Objectivos: Rever a literatura publicada existente sobre o tratamento
adjuvante do cancro da mama em estadio precoce em mulheres com mais de 65 anos. Propor estudos observacionais ou de
intervenção que permitam conhecer esta realidade no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, identificando excessos, falhas
e omissões nas práticas actuais e permitindo o desenvolvimento de um protocolo de abordagem específico para esta faixa etária.
Material e Métodos: Para a realização deste trabalho fez-se uma pesquisa no motor de busca PubMed, restringida a trabalhos
originais e artigos de revisão publicados nos últimos 10 anos, utilizando os termos “breast cancer”, “adjuvant”, “older women”,
“oncogeriatrics”. Os abstracts resultantes desta pesquisa foram manualmente revistos, tendo sido seleccionados 23 trabalhos.
Das referências citadas por estes trabalhos seleccionaram-se mais 11 publicações, tendo sido analisados um total de 34 trabalhos.
Foi feita uma leitura crítica dos trabalhos. Foi seleccionada pelo primeiro autor a informação a incluir. Resultados: O cancro é a
principal causa de morte na população dos 60-79 anos; 50% de todos os cancros e 70% de todas as mortes por cancro ocorrem
em indivíduos com mais de 65 anos, sendo que esta proporção tende a aumentar à medida que envelhece a população. O cancro
da mama é a neoplasia mais comum nas mulheres em todo o mundo. A biologia destes tumores parece ser mais favorável mas
por outro lado são mais frequentemente avançados na apresentação. Apesar de os benefícios, taxas de resposta, toxicidades
e mortes relacionadas com o tratamento não serem diferentes dos das mulheres mais jovens, estas doentes tendem a ser
subtratadas com impacto na sobrevivência e sobrevida livre de doença. As doentes idosas estão subrepresentadas nos ensaios
clínicos, e as doentes incluídas não são representativas da população idosa geral. Os dados da maioria dos ensaios clínicos
podem não ser directamente transponíveis para esta população. O organismo em envelhecimento é um sistema complexo em
que interagem alterações fisiológicas normais decorrentes da senescência, alterações na farmacocinética e farmacodinâmica
e comorbilidades. A National Comprehensive Cancer Network emitiu linhas de orientação que ajudam a seleccionar os doentes
candidatos a tratamento activo, com base na esperança média de vida e no estado de saúde. A avaliação geriátrica global
éuma avaliação aprofundada e multidisciplinar da expectativa de vida e do risco de mortalidade e morbilidade por cancro em
doentes idosos, e pode apoiar essa decisão. A Sociedade Internacional de Oncologia Geriátrica emitiu linhas de orientação para
orientar o tratamento das mulheres com mais de 70 anos e cancro da mama, que se revêm. Propomos a realização na Clínica
Multidisciplinar da Mama (CLIMA) do Instituto Português de Oncologia de Lisboa de dois estudos. O primeiro, observacional e
retrospectivo, com o objectivo de conhecer a população de mulheres com mais de 65 anos a receber tratamento para cancro da
mama em estadio precoce, os critérios utilizados para selecionar as candidatas a tratamento activo, as estratégias de tratamento
utilizadas e os resultados obtidos, nomeadamente de eficácia, toxicidade e taxas de conclusão e interrupção do tratamento.
O segundo, prospectivo e com carácter de intervenção, destinado a avaliar o impacto de uma criteriosa selecção destas
doentes e da aplicação das linhas de orientação disponíveis nestas variáveis, com vista a determinar se existem diferenças
na sobrevivência global e sobrevida livre de doença. Conclusões: O tratamento do cancro na população mais idosa é difícil
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10 RADIOTERAPIA NA METASTIZAÇÃO HEPÁTICA
Rui Vale Marques(1);Maria João Guardado(2);Domingos Roda(3);Tania Serra(4);Gilberto Melo(1);Paula Alves(2)
(1) Serviço de Radioterapia - IPO Coimbra (2) Serviço radioterapia- IPOCFG, E.P.E. (3) IPOCFG,EPE (4) IPOC, FG, EPE
Introdução: O fígado é sede comum de doença metastática. Durante a última década tem havido um aumento gradual da
utilização da Radioterapia (RT) para tratamento de metástases hepáticas, a nível internacional. Mais frequentemente, esta
modalidade terapêutica é utilizada de forma ablativa focal, com o objectivo de alcançar controlo local e, em última análise,
melhorar a sobrevida dos doentes. Além disso, a irradiação do fígado com baixas-doses pode ser usada com intuito paliativo, na
metastização hepática difusa sintomática. Objectivos: Rever o papel da RT na abordagem da doença metastática hepática, no
panorama actual. Materiais e Métodos: Partindo de um artigo de revisão recentemente publicado numa revista de referência,
fez-se a revisão dos dados actualmente disponíveis na literatura existente. Pesquisa on-line na base de dados Medline, com o
Medical Subject Heading term: “liver metastases” e as palavras-chave: “stereotatic body radiation therapy”, “conformal radiation
therapy”, “brachytherapy”, “whole-liver radiation therapy”, compreendendo o período entre Janeiro de 1990 e Janeiro de 2012.
Pesquisa de artigos por referências bibliográficas. Resultados: Encontraram-se diversos estudos retrospectivos e prospectivos
(de Fase I e II), sobre as diversas técnicas de RT existentes, tanto no contexto intensivo/radical, como no paliativo. A revisão
efectuada demonstrou efectividade da RT na abordagem das metástases hepáticas, com toxicidades aceitáveis: taxas de
controlo local de 70 a 100% ao fim de um ano, e 60 a 90% aos 2 anos, na ablação focal de oligometástases; e alívio de dor entre
55 e 80% dos casos, na paliação de metástases difusas sintomáticas. Conclusões: Apesar de se poder esperar alta eficácia e
baixa toxicidade no tratamento (intensivo ou paliativo) de doentes com metástases hepáticas com Radioterapia, esta modalidade
terapêutica não tem sido amplamente utilizada. Admite-se merecer um papel activo e, porventura, mais significativo, integrado
numa abordagem multidisciplinar destes doentes. Embora exista já considerável evidência clínica, suportada por vários estudos
retrospectivos e prospectivos, resultados de ensaios clínicos randomizados de Fase III são ainda esperados.
11 - CASO CLÍNICO DE NEUROCITOMA CENTRAL ATÍPICO EXTRA-VENTRICULAR
Domingos Roda(1);Marisa Padilha(2);Tania Serra(3);Rui Marques(3);Gilberto Melo(2);Paula Alves(4)
(1) IPOCFG,EPE (2) Serviço de Radioterapia - IPO Coimbra (3) IPOC, FG, EPE (4) Serviço radioterapia- IPOCFG, E.P.E.
Introdução: Os Neurocitomas Centrais são tumores raros do Sistema Nervoso Central, que se localizam, tipicamente, no sistema
ventricular lateral supratentorial de adultos jovens. Apresentam em geral um comportamento biológico benigno, mas em 20% dos
casos estão associados a pior prognóstico, com características de anaplasia, proliferação celular aumentada, sendo designados
por Neurocitomas Centrais Atípicos. A localização Extra-Ventricular é extremamente rara, condicionando clínica neurológica
muito variável e dependente da localização. Materiais e Métodos: Os autores descrevem o caso clínico de uma doente do sexo
feminino, de 40 anos, com o diagnóstico de Neurocitoma extra-ventricular com atipia (grau II da OMS), localizado ao parênquima
cerebral frontal esquerdo intra-axial. Foi submetida a cirurgia electiva com remoção sub-total da lesão, tendo realizado além
da terapêutica médica, Radioterapia Externa. A dose total realizada foi de 59,4 Gy/33fr/6,2semanas, tendo sido realizada numa
primeira fase 41,4 Gy/23fr, seguido de um “boost” de 18 Gy/10fr ao resíduo tumoral. Resultado: A doente cumpriu o esquema de
Radioterapia proposto, tendo tolerado sem complicações. Com melhoria clínica e controlo local da lesão neoplásica. Conclusões:
A Radioterapia é uma modalidade terapêutica a ser considerada neste tipo de neoplasia quando ocorre evidência de doença
residual.
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ABSTRACTS | ABSTRACTS
e por vezes insuficientemente baseado na evidência. Desconhecem-se a realidade da nossa população e os resultados do
tratamento do cancro da mama em estadio precoce nas mulheres com mais de 65 anos. Propõe-se a realização de um estudo
retrospectivo observacional para preencher esta lacuna. Propõe-se a realização de um outro estudo, prospectivo e com carácter
de intervenção, para avaliar diferenças nos resultados obtidos com intervenções baseadas nas linhas de orientação.
12 RABDOMIOSSARCOMA PEDIÁTRICO TRATADO COM I.M.R.T. - CASO CLÍNICO
Carlos Fardilha(1);Marisa Padilha(2);Sara Gonçalves(1);Maria João Guardado(1);Fernando Costa(1);Leila Khouri(2);Paula
Alves(1)
(1) Serviço radioterapia- IPOCFG, E.P.E. (2) Serviço de Radioterapia - IPO Coimbra
Introdução: O rabdomiossarcoma é um tumor agressivo que por vezes se desenvolve no escalão etário pediátrico. Na
localização nasossinusal constitui um grupo clinicamente importante, devido à dificuldade de ressecção cirúrgica completa e
ao mau prognóstico. Objectivos: Descrever o papel da radioterapia no contexto de rabdomiossarcoma nasossinusal. Material
e Métodos: Criança de 9 anos de idade com o diagnóstico de rabdomiossarcoma, variante fusocelular, da região nasossinusal
e extensão orbitária com 5 cm de maior dimensão. Realizou 4 ciclos quimioterapia sem resposta favorável e posteriormente
proposta para a realização de radioterapia (IMRT). Resultados e Conclusões: O rabdomiossarcoma constitui uma neoplasia
pediátrica agressiva e o diagnóstico precoce é crucial para a sobrevivência do paciente. A radioterapia surge em contexto de
terapia multimodal e a utilização de técnicas diferenciadas permite o escalonamento de dose e evitar órgãos nobres adjacentes,
particularmente em doentes com patologia associada a cabeça e pescoço.
13 CAUSA RARA DE HEPATITE COLESTÁTICA
Ana Rita Garcia(1);Sara Leitão(1);Sofia Lazaro(1);Rui Santos(1);Nascimento Costa(1)
(1) Serviço de Medicina Interna-HUC
Introdução: Os tumores neuroendócrinos do pulmão representam 20-25% de todas as neoplasias invasivas do pulmão e
classificam-se em tumor carcinóide típico, carcinóide atípico, carcinoma neuroendócrino de células grandes e neuroendócrino
de pequenas células, sendo este último o mais frequente (15-20%) e o mais agressivo. Objectivos: Apresentação e discussão
de um caso de tumor neuroendócrino de pequenas células do pulmão com forma de apresentação atípica. Métodos: Revisão
do processo clínico e da literatura. Resultados: Homem de 80 anos, parcialmente dependente, admitido no Serviço de Urgência
(SU) por hipoglicémia e internado no Serviço de Medicina Interna por hepatite colestática. Tinha história de glicémias mal
controladas nas 2 semanas anteriores, astenia, anorexia e mialgias generalizadas, para as quais se automedicou com Ibuprofeno
600 mg 2id. Negou sintomatologia respiratória ou outra, referindo antecedentes de Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus tipo
2 insulinotratada, neoplasia vesical submetida a RTU e QT+RT há 20 anos, sem recidiva, e tuberculose pulmonar >30 anos.
Medicação habitual: Insulina Mixtard?, oxazepam e captopril + hidroclorotiazida. Negou ingestão de produtos de ervanária.
De referir hábitos alcoólicos no passado, mas sem história de tabagismo. Ao exame objectivo: bom estado geral, icterícia da
pele e mucosas e edema dos membros inferiores. No estudo complementar: glicémia 50mg/dl, hiperbilirrubinemia direta com
bilirrubina total 6xN, AST 10xN, ALT 13xN, Fosfatase alcalina 2,5xN, Gama-GT 20xN. Serologias para vírus hepatotrópicos e
estudo da autoimunidade negativos. Ecografia abdominal com hepatomegalia discreta e esboço de nódulo de 2,8cm com
estrutura heterogénea, no segmento VIII. Radiografia do tórax com foco de consolidação arredondado de contornos bem
definidos, no 1/3 médio do campo pulmonar direito, com 46 mm de maior diâmetro. O Score da CIOMS classificou como provável
a hipótese de hepatite colestática 2ª ao ibuprofeno. Foi feita correção da hipoglicémia, terapêutica de suporte com exclusão
de todos os medicamentos com potencial hepatotóxico conhecido e tratamento com azitromicina por suspeita de pneumonia.
Por evolução desfavorável com agravamento do estado geral, insuficiência hepática com encefalopatia e ausência de resposta
à antibioterapia foram realizadas: TC-Torácica que identificou adenopatias mediastínicas, nomeadamente no compartimento
paratraqueal superior direito, loca de Baréty e subcarinais, e não caracterizou etiologicamente a lesão pulmonar; e biopsia
hepática, englobando escasso tecido hepático, compatível com “carcinoma neuroendócrino de pequenas células, com provável
origem pulmonar”. Veio a falecer em falência hepática aguda na 3ª semana de internamento. Conclusão: Este caso é exemplo
de uma apresentação invulgar de um tumor de pequenas células do pulmão, em que um quadro colestático foi a manifestação
inaugural. A hipótese de “infiltração neoplásica” deve ser considerada no diagnóstico diferencial de todos os doentes com
colestase inexplicada, sobretudo se imunodeprimidos ou com factores de risco para doença neoplásica, mesmo em doentes sem
história de tabagismo ou quaisquer queixas respiratórias.
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João Mouta(1);Daniel Machado(2);Mafalda Carneiro(2);Diogo Alpuim Costa(1);Isália Miguel(1);Emanuel Gouveia(1);João
Geraldes Freire(2);António Rita Moreira(2)
(1) IPO Lisboa (2) Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil, E.P.E.
Introdução: O diagnóstico de hipertensão pulmonar é pouco frequente, especialmente se excluirmos os casos em que existe
patologia cardíaca ou respiratória primária. A hipertensão pulmonar paraneoplásica é rara e habitualmente relacionada com
doença microvascular de natureza embólica, no contexto de hipercoagulabilidade associada ao cancro. São muito raros os casos
descritos de hipertensão pulmonar paraneoplásica não associada a microembolismo, e este é um diagnóstico de exclusão.
Descrevemos aqui um caso invulgar de uma doente de 34 anos de idade com adenocarcinomas síncronos do cólon direito
e pâncreas com padrão bizarro de metastização, que se apresentaram como acantose nigricans e hipertensão pulmonar
paraneoplásica de agravamento rapidamente progressivo. Objectivos: O objectivo deste trabalho é a descrição pormenorizada
de um caso clínico que encerra várias peculiaridades, procurando confrontá-lo com a escassa literatura disponível. Material e
Métodos: Para a realização deste trabalho reuniram-se dados dos processos clínicos da doente em causa dos vários hospitais em
que recebeu cuidados. A selecção e organização da informação apresentada é da responsabilidade do primeiro autor. De seguida,
e para efeitos de discussão, fez-se uma pesquisa no motor de busca PubMed utilizando os termos “paraneoplastic”, “pulmonary
hypertension”, “acantosis nigricans”, “synchronous adenocarcinomas”, “leptomeningeal carcinomatosis”. Os abstracts das
publicações relevantes que resultaram desta pesquisa foram manualmente revistos e seleccionados pelo primeiro autor, que fez
a sua leitura crítica e apresenta os resultados dessa pesquisa. Resultados: Apresenta-se o caso clínico de uma doente de 34 anos
de idade, independente nas actividades, com história de tuberculose pulmonar aos 25 anos, sem outros antecedentes pessoais,
história clínica, obstétrica ou familiar relevante. Cerca de um ano antes do diagnóstico apresenta-se com alterações cutâneas
diagnosticadas como acantose nigricans, tripe palms e papilomatose cutânea florida; pela inexistência de outras manifestações
clínicas não realizou investigação adicional. Em Junho de 2011 é internada no hospital da área de residência por quadro com 1
mês de evolução de cansaço e dispneia de agravamento progressivo, palpitações e desconforto precordial, associado a vários
episódios de síncope. Da investigação realizada destacam-se Angio-Tomografia Axial Computurizada (TAC) torácica negativa
para tromboembolismo pulmonar, ecocardiograma transtorácico mostrando hipertensão pulmonar grave, estudo analítico
com anemia ferropénica, velocidade de sedimentação elevada, e imunologia para ENA’s e anticorpo Anti-SSA (Ro), elevação
do CA 19.9 e NSE, sem outras alterações laboratoriais. A TAC cervical, torácica, abdominal e pélvica mostrou exuberantes
conglomerados adenopáticos nas cadeias abdominais, retroperitoneais, torácicas e cervicais, sem outras alterações dignas de
nota. A colonoscopia revelou a existência de pólipo séssil do cego, ulcerado e hemorrágico, cuja biópsia revelou tratar-se de um
adenocarcinoma pouco diferenciado. A restante investigação não mostrou alterações. Foi pedida uma Tomografia por Emissão de
Positrões/TAC (PET/TC). Enquanto aguardava pelo resultado da PET/TC, é admitida em Agosto de 2011 num Hospital distrital por
novo quadro de instalação rápida de cansaço, dispneia, desconforto precordial e palpitações. Gasimetricamente com hipoxémia
e hipocápnia; realizou nova Angio-TC, que excluiu tromboembolismo pulmonar, e novo ecocardiograma que mostrou hipertensão
pulmonar severa. A doente foi transferida depois de estabilizada para o Hospital de Curry Cabral, onde permaneceu clinicamente
estável, mantendo queixas de cansaço e dispneia, com hipoxémia persistente. A PET/CT revelou hiperfixação na transição da
cauda para o corpo do pâncreas, em relação com provável lesão primária pancreática, bem como hiperfixação em todas as
cadeias ganglionares visualizáveis na TAC de corpo., sem aspectos sugestivos de doença noutras localizações. Um dos gânglios
cervicais era palpável e abordável, pelo que se realizou biópsia excisional, cujo exame anatomopatológico revelou infiltração por
adenocarcinoma com expressão de CK7 e CK20, compatíveis com origem pancreática. A doente foi transferida para o Instituto
Português de Oncologia de Lisboa no final de Agosto de 2011 para avaliação clínica e início de tratamento sistémico, tendo
iniciado tratamento de quimioterapia de primeira linha para doença metastática com origem no pâncreas com FOLFIRINOX
(Oxaliplatina 85mg/m2, Irinotecano 180mg/m2, Leucovorina 400mg/m2 e 5-Fluorouracilo 400mg/m2 em bolus seguido de
infusão contínua de 2400mg/m2 em infusão de 46 horas, a cada 2 semanas). Realizou 3 ciclos com boa tolerância e excelente
resposta clínica no que diz respeito às queixas de dispneia, cansaço e desconforto precordial. O ecocardiograma transtorácico
realizado em Outubro de 2011 mostrava inexistência de regurgitação tricúspide ou sinais de hipertensão pulmonar. No final de
Outubro de 2011, porém, iniciou quadro de cefaleias intensas refractárias à terapêutica, inicialmente isoladas e posteriormente
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14 HIPERTENSÃO PULMONAR PARANEOPLÁSICA COMO FORMA DE APRESENTAÇÃO DE ADENOCARCINOMAS
SÍNCRONOS DO PÂNCREAS E CÓLON DIREITO COM PADRÃO BIZARRO DE METASTIZAÇÃO
com sintomatologia intermitente sugestiva de hipertensão intracraneana. Os exames imagiológicos não mostraram alterações,
pelo que realizou punção lombar que documentou presença no liquor de células de adenocarcinoma. Iniciou tratamentos de
quimioterapia intratecal com Metotrexato 12mg 3/3 dias, com resolução das cefaleias entre a primeira e segunda administrações.
Apesar disso, as citologias persistiram positivas e houve progressão da sintomatologia neurológica no final Novembro de 2011,
pelo que suspendeu Metotrexato após 7 administrações e iniciou Citarabina, sem resultado favorável. Em Dezembro de 2011
ocorre franca deterioração do estado geral e de consciência e decide-se pela suspensão de tratamento activo para a doença
neoplásica, tendo a doente vindo a falecer no início de Janeiro de 2012. Conclusões: Apresenta-se um caso clínico notável que
concentra várias raridades. A forma de apresentação, com síndromes paraneoplásicos raros antecedendo toda a sintomatologia,
é invulgar. A ocorrência de hipertensão pulmonar paraneoplásica não associada a fenómenos microtromboembólicos de repetição
é extraordinariamente rara, bem como a sua resolução completa após tratamento sistémico. A ocorrência de tumores síncronos
do cólon e pâncreas é menos inusual, mas não é frequente na faixa etária da doente.Por outro lado, o padrão de metastização
do adenocarcinoma do pâncreas é aberrante, com metastização ganglionar maciça e leptomeníngea na ausência de metástases
viscerais.
15 TUMORES DO INTESTINO DELGADO
Alda Maria Pinto(1);Ana Isabel Cruz(2);Diogo Sousa(2);Diogo Marinho(2);André Santos Mateus(2);Carlos de Sousa(2);Stelio
Sampaio Rua(2)
(1) Serviço de Cirurgia - Hospital do Litoral Alentejano, E.P.E. (2) H. Litoral Alentejano
Introdução: O Intestino delgado é sede de uma grande diversidade de tumores, sendo 0,2 % dos tumores do tracto digestivo.
Apresenta sintomas inespecificos que dificultam o seu diagnóstico precoce com impacto negativo na sobrevivência dos doentes.
Objectivos: Avaliar a casuistica dos tumores do intestino delgado na nossa instituição e seu manejamento. Material e métodos:
Análise retrospectiva da incidência dos tumores do intestino delgado diagnosticados no nosso hospital, entre Setembro de 2006
e Setembro de 2011 (5 anos) , com avaliação da distribuição por género, idade, apresentação clínica, meios de diagnóstico,
tipo histológico, abordagem cirúrgica, estadiamento, terapêutica adjuvante e seguimento. Resultados: No período do estudo
foram diagnosticados 10 casos de tumores do intestino delgado com predominância em doentes do sexo masculino (70%),
idade média de 62,9 anos (51-82 anos).A forma de apresentação mais frequênte foi a anemia em 60% dos casos. O diagnóstico
foi feito com recurso a Tomografia computorizada (TC) em 4 casos, Endoscopia digestiva alta (EDA) em 2 casos e por EDA por
cápsula e enteroscopia em 4 casos. O tipo histológico mais frequênte foi o adenocarcinoma (ADC) - 4 casos , GIST - 3 casos,
Tumor neuroendócrino(TNE)- 2 casos e Pólipo hamartomatoso -1 caso. Houve predominio dos estadios mais avançados, sendo
que 1 doente com TNE encontra-se sob terapûtica com sandostatina e 2 doentes com ADC realizaram terapêutica adjuvante com
Folfox 4. A mortalidade foi de 22%. Conclusões: Os tumores do intestino delgado são entidades raras,variadas, sendo necessário
um alto indice de suspeição para o seu diagnóstico.
16 FISIOPATOLOGIA DA ASSOCIAÇÃO ENTRE NEOPLASIAS MALIGNAS E ESCLEROSE SISTÉMICA: BASE MOLECULAR
COMUM, COINCIDÊNCIA OU UMA JANELA PARA A COMPREENSÃO DA RELAÇÃO ENTRE IMUNIDADE E CANCRO?
João Mouta(1);Mafalda Carneiro(1);Diogo Alpuim Costa(1);Emanuel Gouveia(1);Isália Miguel(1);Maria João
Oliveira(2);António Guimarães(3);António Rita Moreira(3)
(1) IPO Lisboa (2) Centro Hospitalar de Lisboa Central (3) Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil, E.P.E.
Introdução: A esclerose sistémica é uma doença inflamatória autoimune relativamente rara. A sua relação com as neoplasias
malignas é reconhecida, tendo estes doentes um risco de malignidade aumentado face à população em geral. As neoplasias mais
frequentemente associadas são as neoplasias do pulmão, mama, gastrointestinais, genitourinárias, hematológicas e cutâneas.
O diagnóstico da neoplasia pode anteceder, ocorrer concomitantemente ou seguir-se ao diagnóstico de esclerose sistémica, e a
relação entre os dois fenómenos permanece por esclarecer. Diversos mecanismos celulares e moleculares foram recentemente
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17 MELANOMA MALIGNO ESTADIO IV – CASOS COM SOBREVIVÊNCIA LONGA
Natacha Amaral(1);Ana Raimundo(2)
(1) IPO - Porto (2) IPO Porto
Introdução: O melanoma maligno quando metastiza à distância tem um prognóstico muito reservado, com uma sobrevivência
mediana de 6-8 meses. Os casos de sobrevivência longa são raros e a melhor forma de tratamento gera ainda muita controvérsia,
tendo em conta a baixa eficácia da terapêutica existente. Não se sabe se a sobrevivência longa está relacionada com factores
associados ao tratamento ou ao tumor/doente. Objectivos: Identificação e caracterização de casos de melanoma maligno
metastático tratados com quimioterapia e com sobrevivência longa. Material e Métodos: Recolha dos dados de todos os doentes
que efectuaram quimioterapia sistémica para Melanoma Maligno Metastizado e seguidos na consulta de Oncologia Médica do
IPO-Porto. Durante o período de 10 anos foram identificados os doentes com sobrevivência longa definida por período superior a
24 meses (desde a data do início da quimioterapia). Resultados: Foram analisados 7 casos de doentes (3 homens e 4 mulheres)
com idades compreendidas entre os 21 e 74 anos. Ao diagnóstico inicial apresentavam melanomas cutâneos em estadio IIB,
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propostos para explicar a fisiopatologia da relação entre neoplasias e esclerose sistémica. O seu conhecimento pode permitir
avanços no tratamento de ambas as patologias. Objectivos: O objectivo deste trabalho é fazer a revisão da literatura publicada
nesta área, procurando identificar os mecanismos fisiopatológicos mais provavelmente subjacentes à relação entre esclerose
sistémica e neoplasias malignas, apontando caminhos possíveis para o conhecimento mais profundo de ambos os fenómenos.
Material e Métodos: Para a realização deste trabalho fez-se uma pesquisa no motor de busca PubMed, restringida a trabalhos
originais e artigos de revisão publicados nos últimos 10 anos, utilizando os termos “cancer”, “malignancy”, “systemic sclerosis”,
“scleroderma”, “autoimmune diseases” e “physiopathology”. Os abstracts resultantes desta pesquisa foram manualmente
revistos, tendo sido seleccionados para análise 31 trabalhos. Das referências citadas por estes trabalhos seleccionaram-se mais
12 publicações, tendo sido analisados um total de 43 trabalhos. Foi feita uma leitura crítica dos trabalhos. Foi seleccionada pelo
primeiro autor a informação a incluir. Resultados: A esclerose sistémica é uma doença inflamatória autoimune que se caracteriza
pela desregulação dos mecanismos celulares e humorais e deposição descontrolada de colagénio e matriz extracelular na pele
e órgãos internos, com alterações marcadas da microvasculatura. Os doentes com esclerose sistémica têm maior risco de
doença maligna do que a população em geral, com uma incidência de cancro que varia entre os 3,6 e os 10,7%. As mulheres
são afectadas com incidência dupla da dos homens, e a idade média do diagnóstico ronda os 58 anos. Os sinais e sintomas de
esclerose sistémica podem preceder o diagnóstico, ocorrer na altura do diagnóstico ou tratamento da neoplasia, ou seguir-se
em vários anos ao diagnóstico. A neoplasia mais frequentemente associada é a neoplasia do pulmão, seguida do carcinoma
da mama; neste último, a relação temporal entre o aparecimento da esclerose sistémica e o diagnóstico da neoplasia parece
ser mais estreito. Vários mecanismos fisiopatológicos foram propostos como estando subjacentes a esta relação. Entre estes
incluem-se defeitos na vigilância imune, clearance defeituosa de carcinogénios, hiperplasia epitelial como factor predisponente
a malignização, secreção inadequada de radicais livres de oxigénio pelos tecidos inflamatórios, predisposição familiar com
terreno genético comum (incluindo complexo major de histocompatibilidade), instabilidade e lesões genéticas, agressão directa
dos órgãos internos pelas alterações inflamatórias, exposição ambiental comum a agentes, secreção exagerada de citocinas
fibrogénicas, secreção desregulada paraneoplásica de hormonas, angiogénese e reparação vascular defeituosas, exposição de
autoantigénios anteriormente desconhecidos para o self, alterações da regulação da imunidade celular, e autoanticorpos. Os
mecanismos moleculares propostos ou conhecidos são revistos, com destaque para a resposta do sistema inflamatório contra
o tumor baseada em anticorpos e a sua importância para o aparecimento de fenómenos de autoimunidade coincidindo com
respostas clínicas aos tratamentos de imunoterapia. Conclusões: A relação entre patologias autoimunes e cancro é fascinante,
e a sua compreensão em profundidade pode auxiliar no esclarecimento das relações entre o sistema imunitário e as neoplasias,
com implicações no tratamento. A esclerose sistémica é um bom modelo desta relação. Os doentes com esclerose sistémica
conhecida devem ser alvo de intensa vigilância clínica, com vista à detecção e tratamento precoce de uma neoplasia maligna;
na altura do diagnóstico da esclerose, a presença de neoplasia deve ser activamente excluída. Vários trabalhos realizados nos
últimos anos têm levado a um conhecimento mais pormenorizado dos mecanismos celulares e moleculares da sua relação com
neoplasias malignas. Espera-se que esse conhecimento leve a inovações no tratamento de ambas as patologias.
IIIA, IIIC e IV. Os intervalos livres de doença foram 12-108 meses. A quimioterapia utilizada foi a Dacarbazina e/ou Fotemustina
sendo o número médio de ciclos por tratamento de 6 e 5, respectivamente. Em 3 casos houve resposta completa ao tratamento
e 3 casos apresentaram doença estável. Um doente apresentou progressão da doença. Verificou-se uma sobrevivência de 4278 meses. Conclusões: A sobrevivência longa parece dever-se mais a determinadas características biológicas do tumor e do
doente do que à terapêutica instituída. Este facto permite um controlo da doença, tendo uma evolução indolente. Especula-se
que a resposta do sistema imune poderá ter um papel importante. São necessários estudos genéticos e imunológicos nestes
doentes para uma melhor compreensão da doença e desenvolvimento de mais terapêuticas imunológicas para poder aumentar
a sobrevivência de mais doentes.
18 INDICAÇÕES DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NO CANCRO DA MAMA - O ESTADO DA ARTE
Maria João Guardado(1);Carlos Fardilha(1);Sara Gonçalves(1);Rui Vale Marques(2);Maria João Serra(1);Cristina
Miranda(1);Paula Alves(1);Joana Brandão(1)
(1) Serviço radioterapia- IPOCFG, E.P.E. (2) Serviço de Radioterapia - IPO Coimbra
Introdução: O carcinoma da mama é, na Europa, o tumor com maior incidência na mulher. Em Portugal, os dados disponíveis
referentes a 2000 indicam uma incidência de 73/100000 e uma mortalidade de 24,9/100000. Estima-se uma diminuição destes
valores, devido em muito, à precocidade e correcto diagnóstico e a uma melhoria no tratamento. Neste sentido, os exames
imagiológicos são imprescindíveis para o diagnóstico e follow up, conhecendo-se porém algumas limitações. A ressonância
magnética para estudo mamário tendo vindo a assumir um papel crescente na última década. Objectivos: Revisão das indicações
clínicas da ressonância magnética na neoplasia maligna da mama. Materiais e métodos: Pesquisa bibliográfica nas revistas
médicas: “Radiotherapy and Oncology”, “International Journal of Radiation Oncology”, “European Journal of Radiology” com
o uso das palavras-chave: “magnetic resonance”, “ breast cancer”, desde o ano 2000. Resultados: Os autores encontraram
diversos estudos sobre a aplicabilidade da ressonância magnética no estudo da patologia neoplasia mamária, tendo reunido
as indicações e limitações, mais consensuais, para este exame complementar de diagnóstico. Conclusões: A ressonância
magnética é um exame dispendioso, com resultados falsos-positivos potenciais. Apresenta uma sensibilidade de 94% a 99% e
uma especificidade de 37% a 86%. A sua utilização deve dirigir-se a casos seleccionados. A selecção correcta permitirá evitar
procedimentos de diagnóstico invasivos, que se tornam assim, desnecessários.
19 PANICULITE PANCREÁTICA EM CARCINOMA NEUROENDÓCRINO: PATOLOGIA RARA COM ASSOCIAÇÃO RARA
Rita Sousa(1);Teresa Amaral(2);Lúcia Costa(1);Catarina Abreu(1);Joana Ribeiro(1);Paulo Cortes(1);Luís Costa(1)
(1) Serviço de Oncologia; Hospital de Santa Maria (2) CHLC - H. Santa Maria
Paniculites definem-se como um grupo de doenças inflamatórias heterogéneas da gordura subcutânea. A paniculite pancreática
é uma complicação rara, que só ocorre em 0.3 -3 % dos casos de doenças pancreáticas, nomeadamente pancreatite aguda
e crónica, pseudoquistos ou tumores malignos pancreáticos, mais comummente (80% dos casos) carcinoma pancreático
de células acinares. A associação com carcinoma neuroendócrino pancreática, encontra-se descrita em apenas 6 casos.
Habitualmente o quadro clínico de paniculite pancreática caracteriza-se por nódulos subcutâneos eritematosos, potencialmente
exsudativos, que se localizam predominantemente nos membros inferiores. Esta manifestação cutânea pode preceder (em
40% dos casos), ocorrer simultaneamente ou posteriormente ao diagnóstico de doença pancreática. A sua patogénese não
está bem estabelecida, presumindo-se que alterações vasculares induzam ocorrência de lipólise pelas enzimas pancreáticas,
levando eventualmente à necrose de tecido subcutâneo. O caso clínico descrito refere-se a um doente do sexo masculino, com
59 anos de idade, aparentemente saudável até Novembro de 2011, quando refere aparecimento de nódulos eritematosos dos
membros inferiores, com drenagem de líquido hemato-purulento espontâneo e estéril. Por persistência dos mesmos, acaba
por recorrer em Dezembro de 2011 ao Serviço de Urgência do Hospital de Santa Maria, onde é referenciado à consulta de
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20 PNEUMONITE AGUDA INDUZIDA PELO PACLITAXEL: 2 CASOS CLÍNICOS
Diogo Alpuim Costa(1);Mafalda Carneiro(1);João Mouta(1);Emanuel
Almodôvar(1);António Guimarães(1);Isabel Sargento(1);António Moreira(1)
(1) IPO Lisboa
Gouveia(1);Isália
Miguel(1);Teresa
Introdução: O paclitaxel é um agente quimioterápico comumente utilizado no tratamento do cancro da mama, ovário e pulmão
(não-pequenas células). Os efeitos adversos major são: mialgias/artralgias, neuropatia periférica, convulsões, mielotoxicidade
e reacções de hipersensibilidade. Neste último caso, a incidência é variável entre os 3-30% e o espectro clínico é inespecífico,
podendo ir desde sintomatologia geral e ligeira (rash eritematoso, urticariforme e a febrícula) até à mais severa (broncospasmo,
angioedema, dispneia, hipotensão e bradicardia). É neste contexto, que se poderá estar perante um quadro clínico de pneumonite
por hipersensibilidade. Esta entidade, também conhecida por alveolite alérgica extrínseca é uma doença inflamatória intersticial
pulmonar causada pela exposição a um antigénio específico, que poderá ser efeito secundário do agente quimioterápico per si
ou mesmo do seu diluente, Cremophor EL. Contudo, a sua fisiopatologia é pouco clara, postulando-se de que estarão implícitos
mecanismos imunes e não-imunes, incluindo reacções de hipersensibilidade, libertação de citocinas pelos macrófagos e
eventualmente a própria acção da irradiação prévia do tórax. A doença evoluirá de forma progressiva e irreversível para fibrose
pulmonar e insuficiência respiratória aguda. Objectivos: Reportar dois casos clínicos de pneumonite por hipersensibilidade
aguda induzida pelo paclitaxel. Caso clínico 1: Doente de 62 anos de idade, sexo feminino, raça leucodérmica,PS 0, com
antecedentes pessoais de rinite alérgica, sinusite e de patologia benigna tiroideia. Sem hábitos tabágicos e/ou exposição a
factores ambientais/profissionais potencialmente alergénios. Foi submetida a mastectomia radical modificada da mama direita
em Novembro de 2007 por carcinoma lobular invasivo (pT2 N3 M0). Iniciou quimioterapia (QT) adjuvante em Janeiro de 2008
com o esquema TAC (6 ciclos) [doxorrubicina 50 mg/m2; ciclofosfamida 500 mg/m2; docetaxel 75 mg/m2]. Fez radioterapia
(RT) adjuvante em Maio de 2008, com a dose total de radiação de 50 Gy. Iniciou hormonoterapia (tamoxifeno 20 mg/dia) que
cessou em Janeiro do presente ano. Por progressão da doença oncológica (metástases a nível do SNC e da cavidade abdominal),
decidiu-se por novo esquema de QT com paclitaxel semanal (150 mg/m2). Doze dias após o mesmo, inicia quadro clínico de
dispneia e astenia de agravamento progressivo, tosse seca persistente e farfalheira, pelo que recorre à urgência. Ao exame
clínico, apresentava-se asteniada, sub-febril, hemodinamicamente estável, polipneica, com sinais de tiragem, com sO2 de 84%
em ar ambiente e auscultação pulmonar com murmúrio vesicular diminuído bilateralmente no 1/3 inferior e com crepitações
dispersas; Gasimetria arterial (5 L/m por sonda nasal): padrão de insuficiência respiratória parcial. Iniciou múltiplos esquemas de
antibioterapia empírica por suspeita de infecção respiratória da comunidade/nosocomial, mas por ausência de resposta eficaz,
decidiu-se iniciar prednisolona 1 mg/Kg/dia (70 mg/dia), pela eventual suspeita de pneumonite por hipersensibilidade. A partir
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Dermatologia. Da avaliação laboratorial realizada, destaca-se elevação da GGT e da fosfatase alcalina, bem como de LDH de
2099 U/L. Para investigação do quadro descrito, foi internado no Serviço de Dermatologia, tendo sido realizada biopsia cutânea
incisional, cujo relatório anatomo-patológico estabelece diagnóstico de paniculite pancreática. No decurso da investigação
realiza TC toraco-abdomino-pélvica, que revela massa heterogénea na cauda do pâncreas com 6,5 cm, com extensão ao hilo
esplénico e invasão das estruturas vasculares do mesmo; fígado com múltiplas áreas nodulares e baço com suspeita de invasão
tumoral (VS isquémia). Neste contexto é realizada biopsia hepática ecoguiada, que estabelece diagnóstico definitivo de tumor
neuro-endócrino G3/ Carcinoma neuroendócrino com ki67 > 20%. Da avaliação laboratorial complementar destaca-se elevação
marcada de lipase (6480 U/L), do NSE ( 108.5 ug/L) e da cromogranina A (50.9 nmol/L). Doseamentos hormonais efectuados,
nomeadamente insulina e IGF-2, dentro dos valores da normalidade. Na avaliação em consulta de Oncologia, ao exame objectivo,
verifica-se existência de nódulos subcutâneos no hipogastro esquerdo e direito, de consistência dura, assim como múltiplos
nódulos eritematosos, indolores em ambos os membros inferiores e na região glútea. Neste contexto, foi iniciada quimioterapia
com cisplatina e etoposido tendo efectuado até à actualidade 4 ciclos, com excelente resposta clínica, tendo-se verificado
resolução quase completa das alterações cutâneas descritas. Laboratorialmente ocorreu descida marcada dos marcadores
tumorais (com valores de lipase de 240 U/L e NSE de 27.5 ug/L), bem como normalização dos parâmetros hepatobiliares e
da LDH. Com este caso pretende-se salientar a associação entre paniculite pancreática e neoplasia do pâncreas, consistindo
numa forma rara, mas possível de manifestação inicial da doença. A presente associação é ainda mais rara, tratando-se de um
carcinoma neuroendócrino.
do 10º dia de corticoterapia assistiu-se a uma evolução clínica, laboratorial e radiológica muito favorável. Os exames de imagem
torácica pré, durante e pós terapêutica com paclitaxel confirmam que as alterações em vidro despolido com distribuição difusa
e bilateral foram objectivadas durante a quimioterapia com paclitaxel e que cessaram com a suspensão da mesma e com a
implementação da corticoterapia. Caso clínico 2: Doente de 63 anos de idade, sexo feminino, raça leucodérmica, PS 0, com
antecedentes de hipertensão arterial essencial, dislipidemia, doença arterial oclusiva das artérias ilíacas, ex-fumadora (cessação
há cerca de dois anos - 70 UMA) e com doença pulmonar obstrutiva crónica em estadio I GOLD com componente enfisematosa
predominante, documentada por provas de função respiratória e por TAC. Nega exposição a factores ambientais/profissionais
potencialmente alergénios. Iniciou QT neoadjuvante em Agosto de 2011 com carboplatina (300 mg/m2) e paclitaxel (175 mg/m2)
(4 ciclos) por adenocarcinoma bilateral seroso do ovário (IV - ganglionar axilar e supraclavicular direito). Entre o 1º e o 2º ciclo
de QT iniciou quadro clínico de astenia e dispneia de esforço, tendo sido objectivado na TC-torácica de controlo alterações de
novo, correspondentes a um padrão em vidro despolido com distribuição difusa e bilateral. Gasimetria (ar ambiente): padrão de
insuficiência respiratória parcial. Por suspeita de toxicidade pulmonar, iniciou prednisolona 20 mg/dia PO, assistindo-se a uma
evolução favorável com regressão do objectivado anteriormente. Conclusões: A pneumonite intersticial induzida pelo paclitaxel
é uma complicação rara. Até à data, foram descritos poucos casos, facto que se poderá dever por um lado ao protocolo de
QT com corticoterapia incluída (prednisolona e dexametasona) e por outro a um possível mecanismo de escape à presunção
diagnóstica, na medida em que a sintomatologia do quadro clínico é inespecífica, sendo facilmente confundível, por exemplo,
com uma infecção do tracto respiratório. Em relação aos dois casos clínicos apresentados, a sintomatologia inespecífica, apesar
de típica, do quadro de pneumonite por hipersensibilidade, ocorreu durante a 1ª ou 2ª exposição ao paclitaxel, facto constatado,
como mais frequente, em casos similares. No que concerne o 1º caso clínico, deverá ser evidenciado que o docetaxel e a
própria RT adjuvante poderão também ter exercido alguma acção cumulativa no que concerne a toxicidade pulmonar. De referir
a regressão do quadro clínico de hipersensibilidade com a cessação da terapêutica com paclitaxel e com a corticoterapia
implementada, apesar da resposta clínica ter sido mais rápida no 1º caso, facto esse relacionável, possivelmente, com a maior
dose de prednisolona empregue e com a ausência de doença pulmonar prévia concomitante. Uma das limitações inerentes ao
diagnóstico dos casos apresentados, foi o de não ter sido possível obter a histologia das lesões pulmonares em causa. Em suma,
o diagnóstico de pneumonite intersticial induzida pelo paclitaxel deverá ser considerada em todo o doente que apresenta, horas
a semanas após a infusão deste agente quimioterápico, sintomatologia respiratória inespecífica e um padrão intersticial bilateral
difuso ao nível dos exames de imagem.
21 - REVERSÃO DE MIELOPATIA – CASO CLÍNICO TRATADO COM RT INSTITUÍDA PRECOCEMENTE
Sara Monteiro Gonçalves(1);Maria João Guardado(1);Maria João Serra(1);Carlos Fardilha(1);Fernando Costa(1);Paula
Alves(1);Cristina Oliveira(1);Joana Brandão(1)
(1) Serviço radioterapia- IPOCFG, E.P.E.
Introdução: A radioterapia tem um papel sobejamente conhecido na terapêutica da doença oncológica. No entanto, a radiação
ionizante pode ser utilizada com sucesso no tratamento de doenças não malignas. Esta modalidade de tratamento pode
ter aplicação terapêutica em doenças “benignas” com crescimento invasivo e agressivo, que condicionem perda funcional,
alterações cosméticas ou conduzam a complicações que coloquem em risco a vida do doente. Objectivo: A propósito de um
caso clínico, os autores sublinham a importância da abordagem precoce por Radioterapia de uma situação de mielopatia, num
contexto de neurofibromatose. Material e Métodos: Homem de 54 anos de idade, com o diagnóstico de neurofibromatose,
que em Setembro de 2009 apresenta quadro clínico caracterizado por paraparésia grau dois, retenção urinária e alterações
poliradiculares do plexo lombosagrado. Efectua RMN da coluna vertebral, que evidencia: ”Lesão tumoral da bainha nervosa
em L1–L2, que condiciona marcado compromisso intra-canalar, estendendo-se dentro do canal medular superiormente até ao
plano de D11. Desvia para a frente e para a esquerda e comprime a medula distal, cone e cauda equina… Numerosas lesões
compativeis com nueurofibroma nos restantes níveis…” Inicia RT externa a título urgente, com objectivo de reversão do deficit
mielopático, o que foi atingido, num hiato temporal de 4 a 6 meses, estando actualmente o doente com marcha autónoma.
Resultados e Conclusões: A Mielopatia neoplásica de etiologia “benigna” pode e deve constituir indicação para Radioterapia,
sendo fundamental a intervenção precoce.
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Rita Sousa(1);Teresa Amaral(2);Lúcia Costa(1);Catarina Abreu(1);Joana Ribeiro(1);Paulo Cortes(1);Luís Costa(1)
(1) Serviço de Oncologia; Hospital de Santa Maria (2) CHLC - H. Santa Maria
Os tumores neuroendócrinos malignos são raros, consistindo em cerca de 2% dos tumores malignos diagnosticados no mundo
ocidental. Podem caracterizar-se pela capacidade de produzir pépticos, causando síndromes hormonais, como o síndrome
carcinóide, embora este fenómeno só ocorra em cerca de 10% dos casos. A síndrome carcinóide caracteriza-se habitualmente
por alterações vasomotoras, hipermotilidade intestinal, broncoespasmo e hipotensão. Em mais de 50% dos casos pode ocorrer
doença cardíaca carcinóide, que consiste em depósitos de tecido fibrinoso nas válvulas cardíacas ou no endocárdio. Não se
encontra bem estabelecida a patogénese da doença cardíaca carcinóide, mas verificou-se que o envolvimento cardíaco ocorria
mais frequentemente em doentes com níveis mais elevados de serotonina, pelo que se presume que a serotonina estará
envolvida no desenvolvimento desta patologia. Tipicamente ocorre disfunção cardíaca direita, com envolvimento da válvula
tricúspide e pulmonar. O presente caso clínico refere-se a um doente do sexo masculino, de 53 anos de idade, sem antecedentes
pessoais relevantes, que inicia em Novembro de 2010, episódios ocasionais de cólicas abdominais. Em Janeiro de 2011, por
agravamento desta sintomatologia e aparecimento de quadro clínico caracterizado por alteração dos hábitos intestinais, com 2-3
dejecções diarreicas diárias e perda ponderal significativa (cerca de 15 kg), realiza ecografia abdominal que revela 2 formações
nodulares hepáticas. Para melhor esclarecimento, é efectuada RMN que revelou, pelo menos 5 lesões nodulares, a maior com
10 cm, compatíveis com lesões secundárias. Realiza também um ecocardiograma transtorácico, destacando-se cavidades
direitas ligeiramente dilatadas, regurgitação tricúspide moderada, estenose pulmonar e regurgitação pulmonar direita. Efectuado
octreosan que revelou 2 focos de hiperfixação na região abdominal anterior direita, correspondendo a lesões com receptores
de somatostatina, com heterogeneidade na região hepática. Requisitada colonoscopia que demonstrou diversos polipos, tendo
sido efectuadas biópsias, cujo relatório anatomo-patológico refere fragmentos da mucosa da válvula ileoceal, com tumor
neuroendócrino G1 (carcinóide). Dos doseamentos hormonais efectuados, destaca-se 5-HIAA de 48.5 mg/24h. É referenciado a
consulta de Gastroenterologia, tendo sido iniciada terapêutica com sandostatina. Em Setembro de 2011, por quadro de oclusão
intestinal, é submetido a hemicolectomia direita de urgência, tendo o relatório anatomo-patológico da peça operatória revelado
tratar-se de um tumor neuroendócrino G1 do íleon, com ki67 < 2%, com infiltração da serosa e metástases em 2 dos 14
gânglios linfátidos isolados. Em consulta de Oncologia, destaca-se cansaço para pequenos esforços e ao exame objectivo,
doente emagrecido e auscultação cardíaca com sopro holossistólico grau III/VI na área pulmonar. Da avaliação laboratorial
requisitada, de realçar cromogranina A de 429 nmol/L e 5-HIAA de 101.2 mg/24h. Por sintomatologia cardíaca foi iniciada
terapêutica com IECA e diurético. Realiza ecocardiograma transesofágico que confirma coração carcinóide com envolvimento
d válvula tricúspide e pulmonar, com insuficiência e estenose concomitante, em ambas. Assim trata-se de um doente com
carcinoma neuroendócrino do íleon, operado, com metastização hepática, ganglionar com síndrome e coração carcinóide, que se
mantém com doença estabilizada, com redução significativa dos marcadores tumorais e resolução da sintomatologia carcinóide,
sob terapêutica com sandostatina. Actualmente encontra-se em avaliação para eventual terapêutica endovascular cardíaca. Com
este caso pretendemos salientar a possibilidade de envolvimento cardíaco em doentes com sindrome carcinóide e das suas
consequências, assim como das novas abordagens, nomeadamente endovasculares cardíacas.
23 RADIOTERAPIA NEOADJUVANTE NO CARCINOMA DA MAMA LOCALMENTE AVANÇADO – UM CASO CLÍNICO.
Maria João Serra(1);Maria João Guardado(1);Sara Gonçalves(1);Cristina Miranda(1);Paula Alves(1)
(1) Serviço radioterapia- IPOCFG, E.P.E.
Introdução: O carcinoma da mama localmente avançado é uma entidade clínica complexa, exigindo no seu tratamento uma
abordagem multidisciplinar. A radioterapia há muito que assumiu o seu lugar enquanto terapêutica loco-regional válida na
abordagem deste tipo de tumor. Objectivos: Apresentar um caso clínico em que a radioterapia é utilizada como terapêutica
neoadjuvante num caso de carcinoma da mama localmente avançado. Materiais e Métodos: Caso clínico de doente do sexo
feminino, 44 anos, enviada para o IPOCFG por apresentar lesão ulcerada da mama direita, com 5 meses de evolução. A lesão
era compatível com carcinoma mamário invasivo, tipo ductal, grau III de Scharff e Bloom, e o estudo imunohistoquímico revelou
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ABSTRACTS | ABSTRACTS
22 DOENÇA DO DELGADO: O CORAÇÃO TAMBÉM SOFRE
ausência de receptores hormonais e c-erb-B2 positivo, sendo classificada clinicamente em Estadio IIIB (cT4bN2M0). A doente
efectuou quimioterapia a título neoadjuvante, não apresentando posteriormente condições cirúrgicas, pelo que foi proposto
prosseguir com radioterapia. Resultados: Ao longo do tratamento por radioterapia a lesão apresentou evolução muito favorável,
com resolução completa da lesão tumoral ulcerada. Este resultado permitiu abordagem cirúrgica na sequência. Conclusões:
Em doentes com carcinoma da mama localmente avançado sem condições para quimioterapia ou em doentes com resposta
insuficiente à quimioterapia a título primário, a radioterapia pode ser utilizada a título neoadjuvante ou como terapêutica locoregional definitiva.
24 PREVALÊNCIA DE NEOPLASIA EM DOENTES COM ARTRITE REUMATÓIDE EM CONSULTA DE DOENÇAS
AUTO-IMUNES
Emanuel Gouveia(1);Ana Antunes(2);Ana Rafaela Alves(3);Heidi Gruner(3);Ana Ferreira(3);Nuno Riso(3)
(1) IPO Lisboa (2) H. Curry Cabral (3) Hospital Curry Cabral
Tal como acontece com outras doenças auto-imunes, parece haver maior prevalência de determinadas neoplasias em
doentes com Artrite Reumatóide (AR), em particular hematopoiéticas, como o linfoma, sendo que determinadas terapêuticas
imunossupressoras parecem ter também um papel no aumento da sua incidência. Os autores avaliaram os doentes com
diagnóstico de AR e Neoplasia seguidos em Consulta de Doenças Auto-imunes, mediante a consulta dos registos clínicos
informáticos dos doentes, no periodo compreendido entre 01 de Janeiro 2009 e 31 de Dezembro 2010. Dos 638 doentes
observados 97 doentes (15%) tinham AR, dos quais 75 (77,3%) eram do sexo feminino, com uma idade média de 64.4 anos,
todos submetidos a terapêutica imunomoduladora e 34 sob terapêutica com biológicos. Foi diagnosticada neoplasia maligna
em alguma altura em 14 destes doentes (14.4%). Os doentes com AR e Neoplasia tinham uma idade média mais elevada (72.2
anos), com um predomínio do sexo feminino (86%). Registou-se apenas 3 (21,4%) com neoplasias hematológicas: um linfoma,
uma leucemia de células gigantes e uma síndrome mielodisplásica. O adenocarcinoma da mama foi a neoplasia mais frequente
(28,6%). Admitindo à partida as limitações deste trabalho retrospectivo, assinala-se a prevalência considerável de doenças
neoplásicas nesta população. São necessários mais estudos nesta área, nomeadamente estudos prospectivos na tentativa de
identificar a existência ou não de relação causal entre auto-imunidade e cancro.
25 PLASMOCITOMAS DA VIA AERO-DIGESTIVA
Ana Amado(1);Laurentiu Bujor(1);Beatriz Nunes(1);Ana Vasconcelos(1);Isabel Monteiro Grillo(1)
(1) CHLN -HSM - Serviço Radioterapia
Introdução: O plasmocitoma é uma entidade rara, correspondendo a cerca de 10% dos tumores das células plasmáticas e
que se subdivide em plasmocitoma ósseo, o mais comum, e plasmocitoma extra-ósseo (PEO). Os plasmocitomas extra-ósseos
correspondem a cerca de 3% dos tumores de células plasmáticas e desenvolvem-se em localização extra-medular. A maioria
dos casos ocorre na região da cabeça e pescoço, podendo contudo ocorrer no tracto gastro-intestinal, bexiga, sistema nervoso
central, tiróide, mama, testículo, glândula parótida, gânglios linfáticos e pele. A idade média de diagnóstico é de 55-60 anos e
tem predomínio no sexo masculino (2:1). Cerca de 10-40% dos doentes (dts) com PEO evolui para mieloma múltiplo em 10 anos.
A dose ideal de Radioterapia não está ainda estabelecida, encontrando-se valores na literatura que variam entre 40-50Gy; no
entanto, a maioria dos Centros opta por realizar o tratamento com doses iguais ou superiores a 45Gy. Apesar de não haver ainda
evidência clínica de aumento da sobrevida com a irradiação das áreas ganglionares adjacentes, por norma, nos órgãos que têm
uma grande rede linfática, estas são incluídas no volume a irradiar. Objectivos: Reportar três casos clínicos (CC) tratados na
mesma Instituição num curto espaço de tempo, bem como a estratégia terapêutica adoptada e resultados obtidos até à data.
Material e Métodos:Três dts de sexo masculino, com idade média de 65 anos com diagnóstico comprovado de POE foram
submetidos a Radioterapia (RT) externa conformacional 3D, com uma dose compreendida entre 50-54Gy/1.8-2Gy/fracção entre
Dezembro de 2008 e Fevereiro de 2012: CC1 – POE do canal anal submetido a RT radical (50.4Gy/28fracções); CC2 – POE
76
26 DESNUTRIÇÃO NO DOENTE ONCOLÓGICO - PREVENIR E COMBATER. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL DOS DOENTES
INTERNADOS NA UNIDADE FUNCIONAL DE ONCOLOGIA DO CENTRO HOSPITALAR BARREIRO MONTIJO, EPE
Paulina Rosa valentim Chitonho(1) Joana Lopes (2) Filipa Xavier (1) Teresa Xavier (1)
(1) Unidade Funcional de Oncologia, Centro Hospitalar Barreiro Montijo, EPE (2) Serviço de Nutrição e Dietética, Centro Hospitalar
Barreiro Montijo, EPE
Introdução: Manter um bom estado nutricional, melhorar o sistema imunológico e consequentemente a qualidade de vida do
doente, é muito importante para proteger o organismo dos efeitos adversos decorrentes dos diferentes tipos de tratamento
oncológico. O cancro é causa major de morbilidade, sendo a segunda causa de morte mais frequente a nível mundial. A
prevalência estimada de desnutrição no doente oncológico varia de 40 a 80%, sendo o estado nutricional um dos factores
prognóstico destes doentes. Apesar da desnutrição no doente oncológico ser multifactorial, factores como a localização do tumor
e a ocorrência de sintomas decorrentes tanto da doença como dos tratamentos antineoplásicos podem comprometer o estado
nutricional e a capacidade funcional dos doentes, implicando um acréscimo de cerca de 20% nos custos com o internamento.
Neste contexto, a evidência demonstra que a nutrição é uma terapêutica obrigatória, e como tal deve ser integrada sempre em
abordagem multidisciplinar no tratamento global do doente oncológico. Objectivo: Identificar nos doentes internados aqueles
que estão em situação de risco nutricional tendo em vista uma rápida intervenção no sentido de prevenir ou minimizar eventuais
complicações relacionadas com a desnutrição, e continuar o seu acompanhamento no pós-alta. Material e Métodos: Estudo
de 157 doentes internados na UO, que decorreu de 1 de Março de 2011 a 14 de Março de 2012 aquando da avaliação do
rastreio do risco nutricional na admissão. Todos os doentes, com diversos tipos e estadios de cancro, foram considerados
elegíveis para a inclusão excepto os não colaborantes e/ou em estado comatoso. A ferramenta de rastreio utilizada foi a Avaliação
Subjectiva Global Gerada pelo Doente (AGS-GD) que é destinada e validada para os doentes oncológicos. O AGS-GD gera uma
pontuação numérica e disponibiliza também uma classificação global do estado nutricional em três categorias: sem desnutrição
ou anabólico, desnutrição moderada ou em risco de desnutrição, e desnutrição grave. É um método dinâmico com sensibilidade
de 82% e especificidade de 92%. Resultados: 53% do sexo feminino e 47% do masculino. Média de idades 62,5 anos. As
patologias tumorais mais frequentes foram a digestiva (49%), mamária (12,1%) e ginecológica (10,2%) e genito-urinária (6,4%).
A média de duração do internamento foi de 11,7 dias sendo os motivos de internamento mais frequente a progressão da
doença (35%), tratamento antineoplásico (21%) e quadros infecciosos incluindo neutropenia febril pós QT (12,5%), toxicidade
gastro-intestinal (10%) e procedimentos técnicos como biópsias guiadas por imagem, colocação de próteses, CPRE e CPT
(10%). Os sintomas com maior impacto nutricional foram a anorexia, os vómitos e náuseas, obstipação e diarreia, dor não
controlada, odinofagia e xerostomia. Status nutricional: bem nutridos 59,2%; malnutrição moderada 30,6%; malnutrição severa
10,2%. O suporte nutricional instituído consistiu em: personalização da dieta 84%, suplementos nutricionais orais 8,3%; nutrição
parentérica 2,5% e nutrição entérica 0,6%. Discussão e Conclusão: O internamento de oncologia por si só pode representar um
viés porque os doentes internados são na sua maioria os mais graves. Cerca de 10% foi internado por toxicidade gastro-intestinal
e 8% por neutropenia febril pós QT alguns com mucosite sendo crucial o controlo da sintomatologia o mais rápido possível
77
ABSTRACTS | ABSTRACTS
sub-mandibular submetido a RT radical (54Gy/27fracções); CC3 – POE da nasofaringe submetido a cirurgia e RT adjuvante
(50Gy/25fracções). O volume a irradiar foi delimitado na TC de planeamento de forma a incluir o tumor visível (GTV) ou o leito
tumoral, tendo sido adicionada uma margem para os volumes de CTV e PTV. Foi também incluído no volume a irradiar a primeira
área de drenagem ganglionar. A isodose de 95% envolve todo o PTV e na avaliação dos Histogramas Dose-Volume, as doses
de constrangimento dos órgãos em risco (Emami et al) não foram excedidas. Resultados: Toxicidade aguda registada durante
o tratamento foi de grau 1- 2 (RTOG). Com um follow-up médio de 14.8 meses (1.5 - 37 meses), todos os dts estão vivos, sem
progressão da doença ou toxicidade tardia associada. Um doente, aos 37 meses de follow-up com diagnóstico de um segundo
tumor (adenocarcinoma bem diferenciado do colon sigmoideu). Conclusões: O tratamento ideal dos PEO ainda não é consensual,
dependendo de cada instituição, podendo incluir uma de três modalidades, RT sobre o campo envolvido, cirurgia ou ambas as
modalidades em associação, caso a ressecção não tenha sido completa. Apesar do pequeno número de dts e de o follow-up
não ser muito longo, os autores consideram importante relatar a estratégia terapêutica adoptada (dose e volumes de irradiação),
bem como os resultados obtidos.
para evitar a desnutrição e o uso dos suplementos nutricionais quando indicado deve ser feito o mais precoce possível. O mau
estado nutricional teve correlação positiva com um performance status alto. Na nossa amostra dos doentes com malnutrição
severa, 60% tinha valores de albumina < 3g/dl o que se enquadra na bibliografia publicada sendo que os valores laboratoriais
como albumina < 3g/dl, contagem total de linfocitos < 1500/mm³ e transferrina correlacionam-se com o prognóstico e risco
nutricional, nomeadamente risco de complicações clínicas e mortalidade. Os doentes com malnutrição severa tiveram maior
média de dias de internamento sendo importante combater a malnutrição pelo prognóstico do doente e por, outro lado, quanto
maior for a duração do internamento, contribui para maiores custos ao Sistema Nacional de Saúde.
27 QUIMIOTERAPIA NO ADENOCARCINOMA PULMONAR EM ESTADIO AVANÇADO: O CASO CLÍNICO DE UM SUCESSO
INESPERADO
Élio Rodrigues(1);Marta Amaral Silva(1);Maria Luísa Loureiro(1);Ana Linda Borges(1);Fernando Ferraz e Sousa(1);Maria
Fátima Guedes(1);Maria Amélia Pereira(1)
(1) Hospital Distrital da Figueira da Foz EPE
Introdução: As neoplasias do pulmão são a causa mais frequente de mortalidade por cancro, em ambos os sexos, em todo o
mundo. Na maioria dos casos, o diagnóstico é feito em fases avançadas da doença e a abordagem terapêutica é condicionada
pela localização específica e estado geral do doente. Actualmente, a opção que confere maior sobrevida é a ressecção cirúrgica.
Objectivos: Tendo por base um caso clínico, pretende-se sublinhar a importância da aplicação de novas terapêuticas
oncológicas decorrentes de investigações científicas em curso. Material e Métodos: Consulta do processo clínico pessoal e
respectivos exames complementares de diagnóstico. Revisão sistemática da literatura. Resultado: Apresenta-se o caso clínico
de uma doente do sexo feminino, 68 anos de idade, seguida em consulta de oncologia do Hospital Distrital da Figueira da Foz
por adenocarcinoma acinar do pulmão com 6 anos de evolução. A doente foi referenciada em finais de 2005 ao serviço de
medicina interna pelo seu médico assistente após investigação etiológica por queixas de tosse seca, toracalgia esquerda e
perda ponderal com cerca de quatro meses de evolução. Não tinha antecedentes patológicos de relevo e, ao exame objectivo,
não foram encontradas alterações. O RX do tórax evidenciava uma opacidade mediastínica à direita e a TC torácica confirmou
uma formação tumoral de grandes dimensões no lobo inferior direito, envolvendo o brônquio inferior direito, com aparentes
adenomegalias hilares homolaterais. Realizou biopsia por broncofibroscopia que concluiu tratar-se de adenocarcinoma acinar
com características imunohistoquímicas compatíveis com origem pulmonar. O conjunto dos exames efectuados indicou,
então, um estadio IIIA. Perante a impossibilidade de ressecção cirúrgica, iniciou terapêutica neoadjuvante com carboplatina
e vinorelbina, que interrompeu por aparecimento de efeitos secundários e ausência de sinais de remissão. Efectuou então
terapêutica de segunda linha com pemetrexed, verificando-se melhoria significativa da qualidade de vida. A reavaliação após
os 6 ciclos de terapêutica mostrava apenas redução ligeira da massa tumoral, pelo que se optou por iniciar, em Novembro de
2006, quimioterapia de terceira linha com erlotinib. A doente mantém esta terapêutica há cinco anos e quatro meses, com boa
tolerância e estabilização da massa tumoral. Conclusões: Perante o estadiamento, a impossibilidade de ressecção cirúrgica,
a resposta pouco favorável à quimioterapia de primeira e segunda linhas, seria expectável uma evolução menos insidiosa da
doença. O facto de a doente apresentada se encontrar assintomática e com uma qualidade de vida excelente mais de 6 anos
após o início da quimioterapia é um exemplo paradigmático da superação da sobrevida esperada.
28 SEGUNDOS TUMORES PRIMÁRIOS EM DOENTES COM MELANOMA MALIGNO
Sofia Torres(1);Emanuel Gouveia(1);Maria José Passos(1);António Moreira(1)
(1) IPO Lisboa
Introdução: Nas últimas décadas, a incidência de Melanoma Maligno Cutâneo (MM) tem aumentado. Vários estudos mostram
que os doentes com MM apresentam um risco mais elevado de desenvolver outros tumores primários (OTP), após o diagnóstico
de melanoma. Os mais comuns, numa incidência que varia entre 1.5 e 20% nos vários estudos, são: segundos melanomas e
78
29 RESPOSTA PATOLÓGICA COMPLETA PÓS TRATAMENTO NEOADJUVANTE DO RECTO DIMINUI A RECIDIVA LOCAL?
Monica Lacerda Semedo(1);Ana Rita Sousa(2);Isa Santos(2);Mafalda Casa-Nova(1);Ana Lucia Santos(2);Margarida
Matias(1);Mariana Faria(1);Teresa Amaral(2)
(1) HSM (2) CHLC - H. Santa Maria
Introdução: Aproximadamente 50.000 novos casos de carcinoma do recto são diagnosticados nos EUA e 412.900 na União
Europeia, representando 12,9% de todas as neoplasias. É a segunda causa da morte no mundo e a sua incidência tem vindo
a diminuir pelo diagnóstico precoce e melhores modalidades de tratamento. O tratamento de quimioradioterapia neoadjuvante
seguido de cirurgia é a abordagem standard nos estádios II e III, implicando a redução de toxicidade e a melhoria do controlo local
da doença quando comparado com a quimioradioterapia adjuvante. Existe uma grande variabilidade de resposta à neoadjuvância
e apenas 10-30% dos doentes atingem resposta patológica completa (pCR), definida como a não existência de células de
adenocarcinoma na peça operatória (ypT0N0M0). Contudo a implicação prognóstica não é clara. Objectivo: Avaliar a implicação
clínica da resposta patológica completa (pCR) (T0N0M0) pós quimioradioterapia neoadjuvante e cirurgia em doentes com
carcinoma do recto localmente avançado. Caracterizar os doentes de forma a avaliar a nossa prática na instituição. Material
e Métodos: Estudo de um único Centro, prospectivo, utilizando uma base de dados de doentes com carcinoma do recto nos
estadios clínicos II e III, por TC, ecoendoscopia/RM, submetidos a quimioradioterapia neoadjuvante e cirurgia com intuito curativo
entre 2008 e 2011. Os doentes foram estratificados em 2 grupos pCR e não pCR e foram comparados quanto as seguintes
variáveis: demográficas, tumor, características do tratamento, marcadores tumorais, sobrevida global, sobrevida livre de doença
e recidiva local ou à distância. Resultados: Consideramos 130 doentes com adenocarcinoma do recto, 68% sexo masculino,
média etária de 60 anos; obtivemos resposta patológica completa em 12 doentes (9%); Os doentes com pCR e não pCR eram
estatisticamente comparáveis quanto aos dados demográficos, regimes de quimioradioterapia, distância endoscópica, estadio
clínico, tempo para cirurgia, procedimentos cirúrgicos e tempo de follow-up. Nenhum doente com pCR apresentou recidiva local.
Conclusão: O estudo indica que os doentes com resposta patológica completa após terapêutica neoadjuvante tem significativamente
melhores resultados oncológicos, sendo que a melhoria é particularmente pronunciada em relação à recorrência local.
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outros tumores cutâneos, linfoma não-Hodgkin, cancro da mama, tiróide, próstata, rim e sarcomas de tecidos moles. Objectivos:
Caracterização dos doentes com o diagnóstico de MM entre 1998 e 2007, seguidos no nosso hospital e determinação da
ocorrência de OTP nesta população. Material e Métodos: Retrospectivamente, analisámos a ocorrência de OTP em todos os
doentes com o diagnóstico de MM seguidos no nosso hospital entre 1998 e 2007. Os doentes foram seleccionados a partir
das bases de dados do Registo Oncológico Regional-Sul e do Serviço de Anatomia Patológica. Sempre que necessário foram
consultados os processos clínicos. Os segundos tumores foram divididos em tumores cutâneos, tumores sólidos e doenças
hematológicas. Resultado: Entre 1998 e 2007 foram seguidos no IPO de Lisboa 1571 doentes com o diagnóstico de MM
cutâneo. Verificou-se um discreto aumento da incidência de MM ao longo do período analisado. Apesar de 42% dos casos de
MM primários terem sido diagnosticados na faixa etária dos 60 - 79 anos; 31% dos doentes com MM tinham menos de 50 anos,
o que mostra a importância desta patologia na população jovem, em idade activa. Com um follow-up mediano de 6 anos após
o diagnóstico de MM, foram diagnosticados OTP em aproximadamente 12% dos doentes. Os tumores mais frequentemente
diagnosticados foram outros tumores cutâneos (basalioma: 4,2%; MM: 2,2% e carcinoma-pavimento celular: 2,1%), traduzindo
muito provavelmente a maior vigilância destes doentes. Entre os tumores sólidos, o mais frequente foi o carcinoma da mama,
mas destacamos o diagnóstico de 10 casos de sarcomas de partes moles. Nas doenças hematológicas, a mais comum foi o
Linfomas não Hodgkin. Conclusões: A determinação do risco de OTP após o diagnóstico de MM torna-se importante não só para
planear o seguimento destes doentes mas também para a determinação de possíveis riscos genéticos ou ambientais.
30 RADIOTERAPIA RADICAL NO LINFOMA NÃO HODGKIN – CASO CLÍNICO
Carlos Ferreira(1);Sara Miranda(1);Diana Silva(1)
(1) Unidade de Radioterapia HESE
Introdução: Os linfomas são tumores do sistema linfático que se dividem, histologicamente, em dois tipos: Hodgkin e Não
Hodgkin. Nos últimos anos, o papel da radioterapia tem sido o de complementar a quimioterapia seja como terapêutica de
consolidação, seja porque persiste doença residual. Objectivo: Pretende-se avaliar a eficácia da radioterapia externa, com
intuito radical, num caso clínico de Linfoma Não Hodgkin e salientar que, em casos de boa resposta no decorrer da irradiação,
pode ser necessário realizar alterações. Material/Métodos: Este caso clínico retrata um doente do sexo masculino, com 84
anos de idade, com adenopatia cervical esquerda que o exame histológico identificou como sendo um “Linfoma Não Hodgkin
B de células do manto” e que foi classificado em estadio IV A. Não foi administrada quimioterapia, devido à sua idade idade e à
existência de diversas co-morbilidades. A dose administrada, recorrendo a um fraccionamento diário de 2 Gy, foi de 40 Gy na
região cervical esquerda e mediastino e um boost de 10 Gy apenas sobre o conglomerado adenopático cervical, recorrendo-se a
fraccionamento diário de 2 Gy. A observação directa do doente e a aquisição de Cone Beam CT constituíram a avaliação clínica
da resposta à terapêutica empregue. Discussão de resultados/Resultados: No decurso da irradiação constatou-se uma boa
resposta com apenas 24 Gy que obrigou à realização de uma segunda máscara termoplástica de imobilização, uma segunda
tomografia computorizada de planeamento e novo plano dosimétrico. Conclusão: Este poster reflecte uma boa resposta clínica
à radioterapia, a qual se verifica com alguma frequência neste tipo de linfomas.
31 RADIOTERAPIA EM SARCOMAS RETROPERITONEAIS: RESULTADOS DE UM SERVIÇO
Catarina Travancinha(1);Guilhermina Peralta(2);Gonçalo Fernandez(3);Telma Almeida(2);Eduado
Mirones(3);Margarida Roldão(2)
(1) IPO Lisboa (2) Serviço Radioterapia - IPO Lisboa (3) Serviço de Oncologia, IPO Lisboa
Netto(2);Luisa
Introdução: Os sarcomas retroperitoneais são tumores raros, correspondendo a cerca de 15% dos sarcomas de partes moles.
Vários estudos têm vindo a incidir sobre tratamentos complementares à cirurgia, que possam diminuir a taxa de recidiva local
destes tumores. Extrapolando a evidência existente do uso de Radioterapia (RT) nos sarcomas das extremidades, esta é uma
técnica igualmente utilizada nos tumores retroperitoneais, quer como terapêutica neoadjuvante, quer como adjuvante. No entanto,
até à data, não existem estudos randomizados que avaliem o papel da RT como tratamento complementar nestes tumores.
Objectivo: Análise dos resultados do tratamento de sarcomas retroperitoneais com Radioterapia Externa (RTE), com intuito
curativo. Material e Métodos: Foi conduzido um estudo retrospectivo dos doentes com diagnóstico de sarcoma retroperitoneal,
tratados no Serviço de Radioterapia do IPOLFG, entre Janeiro de 2007 e Janeiro de 2011. A análise foi efectuada através da
revisão de processos clínicos. Foram avaliadas as toxicidades aguda e tardia (segundo as tabelas da Radiation Therapy Oncology
Group [RTOG]), a taxa de recidiva local e à distância, a sobrevida livre de doença (SLD) e a sobrevida global (SG). Resultados:
Foram avaliados 12 doentes, dos quais 3 não completaram o tratamento de RT, pelo que foram excluídos do estudo. Dos 9 doentes
incluídos, 6 eram homens e 3 eram mulheres, com uma mediana de idades de 62 anos (30 a 80). Cinco doentes apresentaram
diagnóstico histológico de lipossarcoma e 4 de leiomiossarcoma e, em relação ao estadiamento, 8 encontravam-se no estadio
IIA e 1 no estadio III. Quanto ao tratamento efectuado, 5 doentes foram submetidos a RT no contexto do tratamento inicial (3 RT
adjuvante, 1 QRT adjuvante e 1 RT neoadjuvante) e 4 a RT de resgate. Todos os doentes realizaram RTE 3D conformacional com
uma dose média de 50Gy (45 a 60Gy) e o tempo médio de tratamento foi de 38 dias. O follow-up mediano foi de 17 meses (74
a 5). Não se verificaram mortes nem necessidade de hospitalização por toxicidade relacionada com o tratamento. Verificaram-se
4 mortes (44,4%), 2 por progressão da doença (22,2%%), 1 durante a cirurgia e outra por intercorrência infecciosa. À data, 5
doentes (55,5%) encontram-se vivos, 4 livres de doença (44,4%) e 1 com metástases à distância (11,1%). No grupo de doentes
tratados RT no contexto do tratamento inicial, verificou-se uma taxa de recidiva local e à distância de 40% (2/5 doentes). Aos 2
anos, a SG e a SLD (local e à distância) foram de 75%. No grupo de doentes submetidos a RT de resgate, a taxa de recidiva local
foi de 50% (2/4 doentes) e à distância de 0% (0/4 doentes). A SG aos 2 anos foi de 50%, a SLD local de 30% e a SLD à distância
80
32 UTILIZAÇÃO DE FOTEMUSTINA NO TRATAMENTO DE MELANOMA MALIGNO METASTIZADO NO IPOLFG-LISBOA
Teresa Alexandre(1);Ana Luís(1);vasco Fonseca(2);Maria José Passos(2)
(1) IPO-Lisboa (2) IPO Lisboa
Introdução: O melanoma maligno, em fase avançada, é uma doença agressiva com mau prognóstico, com uma taxa de
sobrevivência aos 5 anos inferior a 10%. O tratamento convencional é a Dacarbazina, com uma taxa de resposta global que não
ultrapassa os 20%. Um estudo de fase III comparou a utilização de Dacarbazina com Fotemustina no tratamento de 1ªlinha de
melanoma maligno metastizado e conclui não existirem diferenças em termos de sobrevivência global. Da revisão da literatura
não existem estudos referentes á utilização de Fotemustina no tratamento de 2ªlinha do melanoma avançado. Objectivos: Avaliar
a eficácia e a toxicidade da Fotemustina no tratamento de 2ª linha em doentes com melanoma maligno metastizado no IPOLFG
Material e métodos: Os doentes foram seleccionados através da listagem de autorização do uso da Fotemustina da comissão
de farmácia hospitalar desde Janeiro de 2004 até Abril 2011. Foi efectuada uma revisão retrospetiva dos processos clínicos.A
eficácia foi medida pela taxa de resposta e sobrevida globais depois do tratamento de 2ª linha. Resultados: Dos 34 doentes
propostos para administração de Fotemustina, apenas 28 receberam tratamento, tendo os restantes progredido antes da
primeira administração. 65% dos doentes eram dosexo masculino e 35% dosexo feminino.A mediana de idades foi de 51 anos
(5-72 anos). A localização mais frequente do tumor primário foi o tronco; 6 doentes apresentaram melanoma da coroideia.Os
locais mais frequentes de metastização foram a nível visceral e ganglionar, 25 doentes apresentaram metastização em 4 ou
mais locais. 13 doentes tinham ECOG PS 0-1, 13 PS-2 e os restantes PS-3. 4 doentes receberam apenas uma administração de
Fotemustina e a mediana de administrações foi de 3. Verificou-se toxicidade hematológica importante: neutropénia grau II/IV em
10 doentes, anemia grau III/IV em 12 doentes e trombocitopénia grau III/IV em 11 doentes. Foram documentadas:uma resposta
parcial, uma doença estável, uma resposta indeterminada (doente abandonou o follow-up) e as restantes foram progressão de
doença. A sobrevida mediana depois do primeiro tratamento com Fotemustina foi de 2.7 meses. Conclusão: A baixa eficácia e
elevada toxicidade da Fotemustina, no tratamento de 2ª linha do melanoma cutâneo metastizado não justificam a sua utilização.
No entanto, no melanoma da coroideia metastizado poderá ser considerada a sua utilização por apresentar maior eficácia.
33 SÍNDROME TROUSSEAU - UM CASO CLÍNICO
Daniel Machado(1);Maria Helena Oliveira(2);Cristina Sousa(3);João Freire(4)
(1) IPO Lisboa (2) Hospital Beatriz Ângelo (3) Clinica CUF Cascais (4) IPO - Lisboa
O cancro predispõe a fenómenos trombóticos. A associação de cancro com eventos trombóticos foi estabelecida pela primeira
vez em 1865. Armand Trousseau foi quem primeiro descreveu compreensivamente a síndrome baseado nas suas observações
clínicas cuidadosas e nos achados de autópsia de uma grande série de doentes que faleceram com cancro. Numa das maiores
ironias da história médica, o Professor Trousseau desenvolveu ele próprio tromboflebite antes de sucumbir com cancro gástrico.
Descreve-se o caso clínico de um homem, de 65 anos de idade, que recorreu ao serviço de urgência de um hospital central
por agravamento súbito de dispneia. Por suspeita de tromboembolismo pulmonar, realizou angio-TC de torax que não revelou
obstrução das artérias pulmonares principais. Pouco tempo depois da admissão houve agravamento clínico e paragem cardiorespiratória que não foi possível reverter. No caso apresentado, não havia dados que sugerissem doença neoplásica.
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de 100%. Conclusão: Os resultados demonstraram que, na totalidade da amostra, as recidivas foram maioritariamente locais.
Como seria de esperar, no grupo dos doentes com recidiva verificou-se um pior controlo local do que à distância e uma SG aos
2 anos inferior ao grupo que efectuou radioterapia no contexto do tratamento inicial. Estes resultados, apesar de não serem
estatisticamente significativos, devido à dimensão reduzida da amostra, apontam para um benefício do tratamento com RT no
controlo local destes tumores e indicam a sua importância como tratamento complementar de primeira linha, e não apenas na
recidiva local. No entanto, são necessários mais estudos que comprovem o verdadeiro impacto da RT nestes tumores.
Dados observacionais mais contemporâneos têm mostrado que a incidência de trombose associada ao cancro tem vindo a
aumentar. Isto tem implicações clínicas significativas: o tromboembolismo venoso (TEV) ocorre em pacientes com cancro com
um risco anual de 21%, requer anti-coagulação de longa duração com um risco anual de complicações hemorrágicas major de
12%, pode atrasar tratamento com quimioterapia, tem um impacto negativo na qualidade de vida do doente e é responsável por
cerca de 10% das mortes nos doentes com cancro. Doentes oncológicos com TEV têm um aumento de mortalidade duas vezes
maior do que doentes sem TEV. Dada a elevada frequência de TEV e a sua associação com doença neoplásica, este diagnóstico
apesar de muitas vezes difícil, deverá ser considerado em doentes com dispneia súbita.
34 ADENOCARCINOMA APÓCRINO DA AXILA MIMETIZANDO METÁSTASE GANGLIONAR REVELADORA DE
CARCINOMA DA MAMA “VOA COMO UM PATO, GRASNA COMO UM PATO... MAS É UM GANSO!”
Lara Rodrigues Madeira(1);Vânia Tavares(1);Olga Oliveira(1);Joana Miranda(2);António Estrela(1);Natacha Nunes(1);José
Vilchez(2);Sandra Bento(1);José Barbosa(2)
(1) Hospital Distrital de Santarém (2) Hospital Distrital de Santarem
Introdução: Os tumores da axila são com frequência metástases de outras neoplasias, em particular da mama. O carcinoma
apócrino é um tipo raro de neoplasia cutânea (cerca de uma centena de casos descritos na literatura internacional), que ocorre
principalmente na pele da axila pela maior densidade de glândulas apócrinas. Objectivo/Material e Métodos: O caso clínico
apresentado refere-se a uma mulher de 60 anos, referenciada ao Serviço de Urgência por “quisto sebáceo infectado da axila
esquerda”. No entanto, a história da doença e aspecto da lesão nodular ao exame objectivo eram suspeitos de outra etiologia.
Após excisão, o diagnóstico anatomo-patológico inicial foi de metástase de carcinoma de provável origem mamária. O estudo
anátomo-patológico imunohistoquímico e imagiológico complementar excluiu a presença de doença primária na mama, e
estabeleceu o diagnóstico definitivo de adenocarcinoma apócrino pouco diferenciado da pele. Verificava-se ainda metastização
ganglionar e pulmonar. Conclusões: Apesar da maioria dos carcinomas apócrinos serem indolentes e de crescimento lento,
alguns são extremamente agressivos. Pela sua raridade, não existem “guidelines” para o tratamento da doença avançada.
35 SARCOMA DE KAPOSI - CASO CLÍNICO - RADIOTERAPIA ANTÁLGICA
Tânia Quinás Serra(1);Domingos Roda(2);Marisa Padilha(3);Mónica Henriques(4);Paula Alves(5)
(1) IPOC, FG, EPE (2) IPOCFG,EPE (3) Serviço de Radioterapia - IPO Coimbra (4) IPOC-FG, EPE (5) Serviço radioterapia- IPOCFG,
E.P.E.
Introdução: O Sarcoma de Kaposi (SK) deve-se à infecção pelo vírus herpes humano tipo 8 (HHV-8), frequentemente associado
à coinfecção HIV, que cursa com lesões cutâneas e/ou mucosas, por vezes dolorosas, sangrantes, desfigurantes e que podem
mesmo chegar a ser incapacitantes. Objectivos: Apresentação de caso clínico de doente com Sarcoma de Kaposi tratada no
Serviço de Radioterapia do IPOCFG, EPE. Material e Métodos: Doente com diagnóstico de Sarcoma de Kaposi com lesões
localizadas sobretudo ao nível do terço inferior do membro inferior esquerdo, condicionando quadro clínico álgico resistente aos
fármacos analgésicos prescritos. Os autores apresentam a prescrição e planeamento efectuados. Resultados e Conclusões: Os
autores concluíram pelo cumprimento do objectivo terapêutico pretendido – a paliação de sintomas, salientando a relevância da
Radioterapia nesta indicação específica.
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Amanda Nobre(1);André Cruz(1);André Oliveira(1);Carlos Reis(1);Irene Furtado(1)
(1) Hospital de Dia de Oncologia- Hospital de Faro, EPE
Introdução: A síndrome de lise tumoral (SLT) é caracterizada pela destruição maciça de células malignas e consequente
libertação do seu conteúdo no espaço extracelular. Embora possa ocorrer de modo espontâneo, a SLT surge em geral após o
início do tratamento com agentes quimioterápicos citotóxicos. Caso Clínico: Doente de 52 anos, sexo masculino, que recorre
ao serviço de urgência por dor abdominal do tipo cólica e vómitos com 3 dias de evolução. Relata, ainda, internamento recente
para investigação de poliadenopatias mediastínicas e abdominais, tendo realizado biopsia ganglionar guiada por tomografia há
1 semana. Objectivamente, a destacar hipotensão, desidratação e oligoanúria. Analiticamente, pancitopenia, insuficiência renal
aguda (creatinina 5.74), hipercaliemia (K 7.11), hiperuricemia (ácido úrico 20.8), hiperfosfatemia (P 9.6) e acidose metabólica
grave (pH 7.2/ HCO3 8). Identificaram-se 3 critérios de Cairo-Bishop e estabeleceu-se o diagnóstico de SLT. O doente foi
tratado com hemodiálise, alcalinização da urina, agentes hipouricemiantes e quelantes do fósforo, evoluindo com melhoria
clínica e analítica. O resultado histopatológico revelou tratar-se de um Linfoma não Hodgkin (LNH) B de grandes células. No
momento atual, o doente encontra-se sob quimioterapia (QT) com R-CHOP. Discussão: A SLT espontânea tem sido descrita
especialmente em LNH e leucemias agudas, havendo alguns relatos em tumores sólidos, como carcinoma inflamatório da mama
e pulmão. A sua incidência é difícil de determinar e em geral está associada a mau prognóstico. Características intrínsecas como
elevada taxa de proliferação tumoral ou grandes massas tumorais podem favorecer a ocorrência. O doente acima apresentava
comprometimento ganglionar extenso, associado a envolvimento visceral do fígado, do baço e renal bilateral, além de níveis
elevados de desidrogenase láctica (LDH 1812). Todos esses fatores de risco orientavam para o início precoce de medidas
profiláticas para prevenir ou limitar as consequências clínicas da SLT. Após a primeira sessão de QT, observou-se melhoria
clínica significativa e a adequada profilaxia evitou a SLT secundária. Conclusão: Segundo dados da literatura, a estratificação de
risco, baseada nas características do tumor e em testes laboratoriais, é o método mais adequado na seleção das estratégias de
prevenção da SLT, que devem incluir hidratação vigorosa, agentes uricolíticos, identificação dos fatores que predispõem à lesão
renal aguda e, nos doentes críticos, a indicação de métodos de substituição da função renal.
37 TRATAMENTO DE SUPORTE COM FACTOR ESTIMULANTE DA COLONIZAÇÃO DE GRANULÓCITOS ASSOCIADO A
QUIMIOTERAPIA EM DOENTES COM NEOPLASIA DE MAMA
Amanda Nobre(1);Beatriz Gosalbez(1);André Oliveira(1);Carlos Reis(1);Irene Furtado(1)
(1) Hospital de Dia de Oncologia- Hospital de Faro, EPE
Introdução: Segundo recomendações europeias, a profilaxia primária com factor estimulante da colonização de granulócitos
(G-CSF) está indicada para todos os regimes quimioterápicos com incidência igual ou superior a 20% de neutropenia febril. Os
protocolos atuais de tratamento para a mama incluem agentes altamente mielossupressores. Objectivo: Avaliar a prevalência de
neutropenias nos doentes com neoplasia da mama que realizaram a quimioterapia (QT) associada a pegfilgrastim como profilaxia
primária (PF). Material e Métodos: Realizou-se estudo retrospectivo através da consulta de processos clínicos no período entre
2009 a 2011. Variáveis: idade; histologia; estadio; receptores hormonais; co morbilidades; o número (nº) de sessões de QT; nº
de neutropenias e grau; hospitalizações; adiamentos e mudança ou suspensão de protocolo. Resultados: Nesse período 87
doentes, com mediana de idade de 51 anos, realizaram QT associada ao pegfilgrastim como profilaxia primária. Os protocolos
incluíram em todos os casos taxanos (docetaxel) e/ou alquilantes (ciclofosfamida) e em mais de 90% eram neoadjuvantes e/ou
adjuvantes. Ao todo foram realizadas 494 sessões de QT, tendo ocorrido 36 episódios de neutropenia (7,3%). Destas, mais de
80% eram neutropenias graves (graus III e IV) e 70% febris. A taxa de hospitalização foi de 3.8% por ciclo. A destacar, ainda, que
11 episódios de neutropenia (28%) ocorreram no contexto de QT paliativa. A taxa de adiamento de sessões foi de 6% por ciclo.
As principais co morbilidades encontradas foram doenças imunossupressoras (como a artrite reumatoide) e linhas de QT prévias.
Por fim, as neutropenias levaram à mudança de protocolo em 5 doentes e à suspensão de tratamento em 3. Discussão: Trata-se
de um estudo com número reduzido de doentes, porém a amostra é ampla no leque etário, sendo representativa da população
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36 A SÍNDROME DE LISE TUMORAL ESPONTÂNEA: UMA EMERGÊNCIA ONCOLÓGICA RARA
com neoplasia de mama. Destacaram-se como factores de risco para neutropenia, o expressivo número de doentes com mais
de 65 anos (20%) e à realização de protocolos muito mielotóxicos, mesmo em regime paliativo. Os resultados obtidos parecem
estar de acordo com a literatura. Conclusão: Recomenda-se o uso de G-CSF na QT mielotóxica para neoplasia de mama, uma
vez que a redução na dose-densidade e/ou dose-intensidade nesses grupos relaciona-se a pior prognóstico.
38 TUMOR BORDERLINE DO OVÁRIO-CASO CLÍNICO
Ana Raquel Pereira Martins, Gonçalo Pinto, Cátia Rito, Raquel Sanches, José Filipe Cunha, Jorge Caravana
(1) Serviço Cirurgia, Hospital do Espírito Santo de Évora EPE
Introdução: Nos países desenvolvidos a neoplasia epitelial do ovário é a principal causa de morte por patologia maligna
ginecológica e a quinta causa de morte por neoplasia na mulher. Os tipos histológicos mais comuns são o tumor epitelial e o
tumor epitelial borderline. Caso clínico: Doente do sexo feminino, 33 anos, recorreu ao Serviço de Urgência por distensão e
dor abdominal intensa. Diagnóstico anterior de tumor quístico do ovário esquerdo realizado por exames de imagem, a aguardar
consulta no IPO de Lisboa. Pelo quadro abdominal agudo realizou-se anexectomia esquerda urgente com excisão de massa
do ovário de cerca de 20 cm de maior eixo e 3Kg. O exame histológico concluiu ser um tumor borderline (baixo potencial
de malignidade). Conclusão: O tumor epitelial e borderline comportam-se de formas diferentes. O primeiro é agressivo,
diagnosticando-se maioritariamente na quinta década de vida, necessitando na maioria dos casos de cirurgia e quimioterapia para
o seu tratamento. Pelo contrário o tumor borderline do ovário também conhecido por tumor de baixo potencial de malignidade, é
pouco agressivo, sendo diagnosticado principalmente em mulheres mais jovens, conseguindo-se a cura, na maioria das vezes,
apenas com cirurgia. A sobrevivência aos cinco anos é de 80%, recomendando-se um follow-up com ecografia caso não tenho
sido realizada histerectomia com anexectomia bilateral e marcadores tumorais se estes se encontravam elevados aquando do
diagnóstico.
39 CARCINOMAS PRIMÁRIOS MÚLTIPLOS: TRÊS TUMORES METÁCRONOS - NÃO HÁ DUAS SEM TRÊS
Sónia Oliveira(1);Pedro Barata(2);Catarina Ribeiro(2);Fábio Gomes(1);Lígia Costa(2);João S Coelho(3);Maria P.
Custódio(2);Manuel O. Sousa(2);Jorge Albuquerque(2);Ricardo Luz(2);M.Lurdes Batarda(2)
(1) CHLC - H. Sto Antonio dos Capuchos, Lisboa (2) CHLC - H. Capuchos (3) Hospital de Curry Cabral
Introdução: A incidência de carcinomas primários múltiplos têm vindo a aumentar sobretudo devido ao desenvolvimento de
técnicas de diagnóstico com maior acuidade e ao aumento de incidência de early stage carcinomas. Objectivos: Os autores
pretendem com este trabalho salientar a importância da investigação etiológica/diagnóstico diferencial face a lesões ocupantes
de espaço (LOE) hepáticas mesmo em doentes em follow-up de primitivos que metastizam para o fígado. Material e métodos:
Doente do sexo masculino de 69 anos de idade, PS0. Diagnóstico, em Fevereiro de 2008, de adenocarcinoma da próstata
(Gleason7) – estadioT2b com invasão perineural, tendo efectuado tratamento com goserelina e bicalutamida (HT) seguido de
radioterapia (RT) com dose total no leito tumoral de 76Gy, que terminou em Agosto de 2008. Desde o início do tratamento
com RT e HT referência a vómitos e perda ponderal. Sem outros antecedentes patológicos conhecidos. Sem história de abuso
etanólico. Em Novembro de 2008 sem evidência de progressão de carcinoma da próstata. Resultado: Por quadro de vómitos
persistentes foi submetido a endoscopia digestiva alta (EDA) em Novembro de 2008 que revelou úlcera gástrica, gastropatia
do antro e mucosa duodenal hiperémica. O resultado anatomopatológico (AP) foi a favor de adenocarcinoma. Procedeu-se, em
seguida, a exames de estadiamento: ecoendoscopia, TC torácico, abdominal e pélvico bem como RM abdominal tendo sido
estadiado T1N0M0. Os valores de CEA e CA 19.9 eram de 0.8 e 13, respectivamente. Foi sujeito a gastrectomia subtotal com
linfandenectomia inferior a D1. O resultado AP da peça operatória documentou um adenocarcinoma gástrico tipo intestinal
pT1pN1 (3N+/14N). Foi submetido a tratamento adjuvante com capecitabina perfazendo um total de 8 ciclos. Aos 27 meses de
seguimento, encontrava-se assintomático mantendo PS0 apresentando, no entanto, na TC torácica e abdominal LOE hepática
única esquerda com 72x58 mm. Efectuou biópsia que documentou metástase (M1) de adenocarcinoma pouco diferenciado
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40 HIPOCALIÉMIA E NEOPLASIA DO PULMÃO
Elisabete Gavancho(1)
(1) Hospital Garcia de Orta
A produção ectópica de ACTH é um Síndrome paraneoplásico relativamente frequente e com uma forte associação com
o Carcinoma de pequenas células do pulmão. Apresenta-se o caso de um doente do sexo masculino de 72 anos de idade
com antecedentes pessoais de neoplasia da próstata em 1999 e neoplasia da laringe em 2004, internado em Janeiro de
2011 na Enfermaria de Medicina Interna por Pneumonia adquirida na comunidade e hipocaliémia. À data de internamento
encontrava-se em seguimento em Consulta de Pneumologia para estudo de massa no lobo superior do pulmão direito. Foi
medicado empiricamente com antibioterapia e iniciou medidas correctoras da caliémia com potássio endovenoso ao qual foi
posteriormente adicionado potássio oral e diurético poupador do potássio, tendo sido eliminadas da prescrição potenciais causas
de hipocaliémia, nomeadamente diuréticos de ansa. Não obstante esta terapêutica nunca foi possível obter valores normais de
caliémia. Para investigação etiológica e tendo como hipótese diagnóstica um aumento da produção de ACTH foram realizados
exames complementares de diagnóstico que revelaram um aumento marcado do cortisol sérico e urinário (24h). Realizaram-se
ainda provas de supressão com baixa e alta dose de dexametasona, após as quais os valores de cortisol se mantiveram elevados.
Posteriormente foram conhecidos os resultados de uma biopsia à massa pulmonar realizada em ambulatório e que mostrou
tratar-se de um Carcinoma de pequenas células do pulmão. Dada a associação deste tumor com a produção de ACTH fez-se o
diagnóstico presumptivo de Síndrome de secreção ectópica de ACTH. O óbito do doente, após realização de um primeiro ciclo de
quimioterapia, impediu o prosseguimento da investigação no sentido de fazer o diagnóstico definitivo desta síndrome.
41 ALTA DOSE DE IFOSFAMIDA ADMINISTRADA EM PERFUSÃO CONTÍNUA AMBULATÓRIA
Maria Teresa Marques(1);Isália Miguel(1);Ana de Lara(1);Humberto Gonçalves(1);João Freire(1);António Moreira(1)
(1) Serviço de Oncologia, IPO Lisboa
Introdução: a ifosfamida constitui um agente alquilante, com actividade clínica contra um amplo espectro de neoplasias,
incluindo sarcomas de tecidos moles e ósseos. Dada a evidência de efeito dose/resposta, a sua utilização em alta dose (? 12
g/m2) é uma alternativa de tratamento para doentes com sarcoma de tecidos moles metastático, tratados previamente com
doxorrubicina e ifosfamida na dose de 9 g/m2 (em sequência ou em associação). Os estudos de farmacocinética respeitantes à
ifosfamida indicam que o esquema ótimo de tratamento consiste na administração em perfusão curta de doses repetidas deste
fármaco (3 g/m2) durante 3 a 5 dias. A infusão contínua é considerada um modo alternativo de administração, com menos
toxicidade, pois leva a redução da semi-vida dos metabolitos ativos da ifosfamida, aumentando a sua clearance e dando origem
a uma maior AUC, sem alterar a sua actividade alquilante. Relato de caso: doente do sexo feminino, de 32 anos de idade, casada,
1 filho, residente em Torres Novas, admitida por tumor supraclavicular esquerdo em Fevereiro de 2007, com biopsia sugestiva de
tumor fibroso solitário. Foi submetida a cirurgia em Março de 2007 com o diagnóstico histológico de sarcoma sinovial bifásico, a
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sugerindo M1 de carcinoma gástrico. Nesta data, apresentava astenia e dor no hipocôndrio direito mantendo bom estado geral
e actividade habitual. Os marcadores tumorais encontravam-se dentro dos limites da normalidade com CEA e CA 19.9 de
1.3 e 19.9, respectivamente. Contudo, pela apresentação imagiológica atípica com lesão volumosa única, sem evidência de
recidiva local ou ganglionar e sem progressão bioquímica, solicitou-se revisão de lâminas da biopsia hepática e doseamento
de alfafetoproteína (AFP). A AFP foi de 26402. A revisão de lâminas documentou carcinoma hepatocelular (HCC). O doente foi,
então enviado ao Hospital Curry Cabral onde devido ao volume da lesão foi realizada embolização hepática esquerda seguido
de hepatectomia esquerda. O resultado AP da peça operatória documentou um tumor de células germinativas. Documentou-se
doença metastática sistémica com metástases ganglionares, hepáticas e pulmonares múltiplas 3 meses após a hepatectomia.
Conclusões: Este trabalho destaca a importância de um elevado índice de suspeição clínico para se chegar a um diagnóstico
correcto. Só com um diagnóstico exacto e precoce é possível oferecer o tratamento mais adequado aos pacientes.
que se seguiu radioterapia adjuvante com a dose de 66 Gy. Em Maio de 2009, por metastização pulmonar, iniciou doxorrubicina
75 mg/m2, 6 ciclos, que suspendeu por dose cumulativa. Em Fevereiro de 2010, por progressão da doença pulmonar, iniciou
ifosfamida 9 g/m2, tendo feito 9 ciclos. Teve toxicidade hematológica importante, com neutropenia febril apesar de profilaxia com
G-CSF. Em Junho de 2011 apresentou novamente progressão da doença pulmonar. Atendendo à toxicidade prévia e ao desejo
expresso da doente de se manter o mais possível em ambulatório e no domicílio, procurou-se alternativas ao regime habitual
de ifosfamida em alta dose (15gr/m2= 3gr/m2 x 5 dias). Decidiu-se realizar uma perfusão contínua de ifosfamida na dose de
14 g/m2, durante 14 dias, a cada 4 semanas, em ambulatório. A doente dispunha de cateter venoso central e foi estudado qual
o infusor elastométrico adequado ao volume e débito dos fármacos em causa para o tempo pretendido. Foi associada mesna
na mesma dose, reforço hídrico per os, vigilância de hematúria e granissetrom oral. Durante este tratamento, manteve-se
assintomática, com independência nas actividades da vida diária e boa tolerância, sem toxicidade atribuída ao tratamento.
Esta terapêutica acabou por ser suspensa após 3 ciclos por progressão pulmonar, com episódios recorrentes de hemoptises e
toracalgia. Dado o agravamento do estado geral e funcional, optou-se por tratamento sintomático, com terapêutica opióide e
oxigenoterapia de longa duração. Perdida para seguimento em Janeiro de 2012, com a informação de estar internada no hospital
da área de residência para ajuste da terapêutica sintomática. Conclusão: esta forma inovadora de administrar ifosfamida em alta
dose mostrou-se exequível e pouco tóxica em comparação com o regime habitual, permitindo manter a doente em ambulatório.
Deve ser considerada como alternativa para doentes que tiveram toxicidade prévia com ifosfamida 9g/m2, que tenham indicação
para doses altas, no sentido de se conseguir novamente resposta perante sarcomas metastáticos sensíveis a este agente.
42 TRABECTEDINA NO TRATAMENTO DE SARCOMAS AVANÇADOS – REVISÃO DE CASUÍSTICA.
Maria Teresa Marques(1);Isália Miguel(1);João Freire(1);António Moreira(1)
(1) Serviço de Oncologia, IPO Lisboa
Introdução: Os sarcomas representam menos de 1% de todas as neoplasias malignas, constituindo um grupo heterogéneo de
neoplasias, com mais de 50 subtipos diferentes. A raridade e diversidade destes tumores têm dificultado o desenvolvimento de
novas terapêuticas. O tratamento standard dos sarcomas avançados ou metastáticos tem sido a doxorrubicina e a ifosfamida,
sequenciais ou em associação. A trabectedina foi aprovada para utilização em segunda linha no tratamento de doentes com
sarcoma avançado dos tecidos moles, após insucesso das antraciclinas e ifosfamida, ou de doentes a quem não convenha
receber estes agentes. Objectivo, material e métodos: Os autores realizaram um estudo retrospectivo, descritivo, de todos
os doentes com diagnóstico de sarcoma tratados com trabectedina na sua instituição. Resultados: De 2005 a 2011 foram
identificados 14 doentes para os quais foi autorizada a administração de trabectedina. A idade mediana foi de 57 anos (idade
mínima de 24 anos e idade máxima de 80 anos). Nove eram do sexo masculino e 5 eram do sexo feminino. O diagnóstico
histológico foi de leiomiossarcoma para 10 doentes, sarcoma sinovial para 3 doentes e lipossarcoma para 1 doente. No que
respeita ao tratamento prévio, todos os doentes tinham sido submetidos a cirurgia com intuito curativo, 9 doentes haviam
realizado 1 linha de quimioterapia, 4 doentes haviam realizado 2 linhas de quimioterapia e 1 doente não havia realizado
quimioterapia prévia por doença cardiovascular. À data da autorização da trabectedina, 11 doentes apresentavam metastização
pulmonar, 2 doentes metastização óssea e 1 doente metastização cutânea. A performance status dos doentes foi de 0 para
3 doentes, 1 para 10 doentes e 3 para um doente. Este último doente faleceu antes do início da terapêutica. Os principais
sintomas prévios à administração de trabectedina foram astenia em 6 doentes, dor em 4 doentes e dispneia em 1 doente.
Dois doentes encontravam-se assintomáticos à data de início da trabectedina. A principal toxicidade foi hematológica, com
neutropénia febril documentada em 5 doentes. Quanto a sintomas, foi preponderante a dor em 4 doentes e dispneia em 4
doentes. Todos os doentes suspenderam trabectedina por progressão após uma mediana de 3 ciclos (mínimo de 1 ciclo e
máximo de 14 ciclos). Foram constatados 8 óbitos à data da última observação. Os doentes vivos são os que tiveram progressão
lenta da sua doença (3 com dor e 2 assintomáticos). A sobrevida global (mediana do tempo decorrido entre a data do diagnóstico
e a data da última observação) foi de 3 anos e 5 meses. A sobrevida após inicio da trabectedina (mediana do tempo decorrido
entre a data do início da trabectedina e a data da última observação) foi de 8 meses. Conclusão: Apesar do reduzido número
de doentes desta amostra, a mediana dos ciclos administrados, a prevalência de sintomas e a toxicidade observada favorecem
pouco a escolha deste tratamento. Não existem no entanto alternativas terapêuticas para tratamento em 3ª linha de sarcomas
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43 DERMATOMIOSITE E CARCINOMA DA NASOFARINGE – ABORDAGEM DE UMA ASSOCIAÇÃO RARA
Filipa Carneiro(1);Joana Godinho(1);Cláudia Vieira(1);Isabel Azevedo(1);José Dinis(1)
(1) IPO-porto
A associação entre as miosites inflamatórias e as neoplasias malignas está bem estabelecida, no entanto esta combinação é
rara. A dermatomiosite pode manifestar-se antes ou depois do diagnóstico de cancro. Os autores pretendem descrever o caso
de uma associação incomum entre carcinoma da nasofaringe e dermatomiosite. Trata-se de um homem, de 48 anos, com
carcinoma indiferenciado da nasofaringe cT4N3M0 (estádio III), proposto para quimioterapia e radioterapia sequenciais. Iniciou
terapêutica sistémica (com cisplatina 100mg/m2 e 5-fluouracilo 1000 mg/m2) e cerca de 15 dias após desenvolveu alterações
dermatológicas na face e membros, edema palpebral e queixas álgicas musculares exuberantes. Inicialmente a sintomatologia
foi interpretada como toxicidade à quimioterapia, pelo que a suspendeu após 3 ciclos. A persistência e agravamento dos
sintomas levaram à deteção de elevação nas enzimas de lise muscular (CPK e Mioglobina >5x o limite superior do normal) e
alterações eletromiográficas típicas de miosite. A combinação dos dados clínicos e laboratoriais foi sugestiva de Dermatomiosite
Paraneoplásica. Iniciou tratamento com glucocorticoides (prednisolona 1mg/Kg/dia) com normalização progressiva das alterações
cutâneas e das enzimas musculares, bem como acentuada melhoria funcional. Dois meses depois do início da corticoterapia
iniciou o programa de radioterapia planeado. Com este caso os autores pretendem salientar a raridade da associação desta
miosite e do carcinoma da nasofaringe, bem como a abordagem diagnóstica e terapêutica da Dermatomiosite Paraneoplásica.
44 METASTIZAÇÃO TARDIA DO CARCINOMA MAMÁRIO:
A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO COM APRESENTAÇÃO RARA
Inês Carrageta(1);Rui Dinis(2);Jaime Magalhães(2);Sergio Barroso(2)
(1) Hospital do Espírito Santo de Évora EPE (2) Hospital Espirito Santo de Évora, EPE
Apresentamos o caso de uma doente de 50 anos submetida, em 1997, a mastectomia radical modificada da mama direita e
quimioterapia adjuvante por carcinoma mamário invasivo, tipo ductal (CDI), grau II, sem invasões vasculares pT1pN1pMx, RE
(-), RP (-) e HER2 (-). Esteve sempre assintomática até Setembro de 2010, quando iniciou “ sensação de peso ” e “inchaço”
ocular matinal à esquerda, detectando um mês depois um nódulo supraorbitário esquerdo. O exame oftalmológico foi porventura
normal. Em Fevereiro de 2011, a ressonância magnética revelou componente tecidular anómalo no tecto da órbita esquerda
com extensão à dura vizinha, sem envolvimento do parênquima cerebral. A citologia aspirativa foi compatível com metástase de
carcinoma da mama. Analiticamente, os marcadores tumorais estavam muito elevados: CA 15.3 e CEA de 4000.0U/mL e 24.2ng/
mL, respectivamente. A TAC toraco-abdomino-pélvica evidenciou poliadenopatias toracoabdominais, lesão pulmonar infiltrativa
do hilo direito e micronódulos pulmonares bilaterais. A cintigrafia óssea identificou metastização óssea múltipla e a TAC cérvicodorso-lombar revelou depósitos osteocondensantes envolvendo C2, C3, D2, D4, D11 e possivelmente L2. Neste contexto de
CDI mama com metastização órbita esquerda com invasão dural da fossa anterior e metastização óssea múltipla, pulmonar
bilateral e poliadenopatias toracoabdominais, recebeu 6 ciclos de quimioterapia com regime “TAC” e bifosfonato, ao fim dos
quais apresentava redução clínica da lesão e descida acentuada dos marcadores tumorais (CA 15.3 227.7 U/mL e CEA 2.8 ng/
mL). A RM-CE e orbitária de controlo em Agosto de 2010 constatou marcada redução do componente tecidular tumoral. Então
em Setembro foi submetida a radioterapia sobre OE e fossa anterior (60 Gy) bem como da coluna vertebral (30 Gy). Ficou em
tratamento de manutenção com hormonoterapia, mas, perante ligeira progressão bioquímica, decidiu-se iniciar quimioterapia
em Março de 2012. A doente nunca deixou de trabalhar e refere aumento substancial da sua qualidade de vida após instituição
terapêutica. Conclusão: Este caso vem demonstrar a importância de uma vigilância cuidadosa no cancro da mama, mesmo
87
ABSTRACTS | ABSTRACTS
metastáticos. A sobrevida mediana foi sobreponível à documentada em ensaios de fase II. Dada a reduzida amostra de doentes,
não foi possível calcular o risco relativo de progressão. Justifica-se uma avaliação prospetiva para melhor avaliar a utilização da
trabectedina neste contexto. Seria útil se existissem fatores preditivos de resposta que permitissem identificar os doentes que
mais beneficiam deste fármaco.
muitos anos após o tratamento, uma vez que a metastização tardia não é rara. Porém, quando esta ocorre, um tratamento
agressivo pode resgatar o doente para uma remissão clínica e uma excelente qualidade de vida.
45 ACANTOSIS NIGRICANS COMO MANIFESTAÇÃO PARANEOPLÁSICA DE CARCINOMA POUCO DIFERENCIADO DO
ENDOMÉTRIO – CASO CLÍNICO
Ana Margarida Cruz(1);Gonçalo Marto(1);Inês Costa(1);Maria Castelo Bileu(1);Ana Margarida Simas(1);Rosa
Jorge(1);Miguel Capão Filipe(1)
(1) Centro Hospitalar Baixo Vouga - HIP
A Acantose Nigricans, erupção cutânea caracterizada por hiperqueratose hiperpigmentada simétrica, papilomatose dérmica,
associada a obesidade, resistência à insulina encontra-se também associada a malignidade. Os autores descrevem o caso de
uma mulher de 51 anos, referenciada da Consulta Externa de Medicina Interna por alterações pruriginosas da coloração e textura
da pele das axilas, pregas cervicais, infra-mamárias e virilhas, perda ponderal. Antecedentes pessoais e familiares irrelevantes.
Objectivamente bom estado geral, obesidade andróide, alopécia ligeira, hiperpigmentação acinzentada nas pregas cervical,
inframamárias, axilas, inguinais, pavilhão auricular e canal auditivo externo. Queilite angular e papilomatose lingual. Palma
das mãos com placas hiperpigmentadas, espessadas, com textura áspera. Desconforto à palpação profunda na fossa ilíaca
direita e hipogastro, sem massas ou organomegálias palpáveis; corrimento vaginal escuro fétido. Analiticamente: Leucocitose
neutrofílica, Velocidade de Sedimentação 70; CA 125 208.6 U/mL. Endoscopia Digestiva Alta e Colonoscopia, sem alterações;
Tomografia Axial Computorizada abdominal: útero heterogeneo, com deficiente delimitação do endométrio relativamente ao
miométrio, gordura adjacente infiltrada; cólon sigmóide, com espessamento parietal. Clister Opaco: parece existir patologia
orgânica a nível do cólon sigmóide. Biópsia do colón: “ Alterações inespecíficas”. Biópsia do colo do útero: “carcinoma pouco
diferenciado, tendo em consideração o exame imunocitoquímico, os resultados obtidos apontam para primário ou endocervical
ou endometrial que invade o colo, favorecendo no entanto esse ultimo pela franca positividade para receptores hormonais.”
Conclusão: Doente orientada para o IPO de Coimbra, após reunião de decisão terapêutica. Desta forma, impõe-se investigação
adicional nos casos de Acantose Nigricans, para exclusão de síndrome paraneoplásico.
46 CARCINOMA PAVIMENTO CELULAR DO ESÓFAGO COM METASTIZAÇÃO CARDÍACA
Catarina Abreu, Ana Rita Sousa, Ana Lúcia Costa, Mariana Faria, Margarida Matias, António Quintela, Leonor Ribeiro, Luís
Costa, Frederica Faria, Fernanda Mendes, Leonor Carvalho
Hospital Santa Maria - Centro Hospitalar Lisboa Norte, EPE
Introdução: O cancro do esófago é o 8º mais comum e o 6º com maior mortalidade, com uma incidência crescente, grande
variabilidade geográfica e elevada mortalidade. Em Portugal estima-se uma incidência de cerca de 1,3-8,5 casos em 100.000,
em mulheres e homens respectivamente. Afecta principalmente homens entre os 60-70 anos e a raça negra, apresentando-se
na maioria dos casos em fase de doença localmente avançada, com uma sobrevivência aos 5 anos inferior a 10%. A frequência
de metástases cardíacas é de cerca de 0.3-18.3%, sendo o tumor primário mais frequente o melanoma maligno, e depois
pulmão, mama, esófago e linfoma. Objectivo: Este caso visa dar a conhecer uma forma rara de metastização do carcinoma
pavimentocelular do esófago e alertar para esta possível complicação quando surgem sintomas cardiovasculares “de novo”.
Caso clínico: Doente sexo masculino, 55 anos, com antecedentes conhecidos de carcinoma pavimentocelular do esófago em
estadio IV, submetido a Radioterapia e Quimioterapia paliativas, foi internado por dor oncológica não controlada, fibrilhação
auricular com resposta ventricular rápida “de novo” e infecção respiratória. A radiografia do tórax PA à entrada revelou aumento
marcado do índice cardiotorácico relativamente a outra realizada um mês antes. Realizou Ecocardiograma Transtorácico (TT)
que revelou derrame pericárdico marcado, sem tamponamento. Fez pericardiocentese para esclarecimento da natureza do
derrame, que revelou liquido com características de exsudado, mas negativo para células neoplásicas. Nesta altura repetiu o
ecocardiograma transtorácico que revelou uma imagem no ápex do ventrículo direito, compatível com metastização, que foi
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47 CASUÍSTICA DE PATOLOGIA ONCOLÓGICA MAMÁRIA TRATADA NO CENTRO HOSPITALAR DE TRÁS-OS-MONTES
E ALTO DOURO DURANTE O ANO 2011.
Andreia Coelho(1);Patricia Gago(2);Marta Sousa(1);Antonio Teira(3);Miguel Barbosa(4);Fernando Alves(4);Pedro Santos(5)
(1) Centro Hospitalar Trás-os-Montes e Alto Douro (2) CHTMAD (3) CHTMAD - Unidade Vila Real (4) CHTMAD - Unidade de Vila
Real (5) CHTMAD - Vila Real
Introdução: O cancro de mama é a principal causa de morte por doença oncológica na mulher pelo que o diagnóstico precoce
e tratamento eficaz desta patologia deverão constituir uma prioridade1. Com a abertura recente do Departamento de Oncologia
do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) pretende-se melhorar os cuidados de saúde a nível oncológico
prestados a uma população estimada em cerca de 500 mil pessoas. Este trabalho visa mostrar a experiência do CHTMAD no
tratamento da patologia oncológica mamária ao longo do ano 2011. Material e métodos: Estudo observacional retrospetivo de
doentes com o diagnóstico de novo de cancro da mama apresentados em Reunião de Grupo Oncológico de Patologia Mamária
do CHTMAD durante o ano 2011. Resultados: No período em estudo diagnosticaram-se 136 novos casos de cancro de mama,
4% (5) de carcinoma in situ, 25% (34) no estadio I, 54% (74) no estadio II, 16% (22) no estadio III e 1% (1) no estadio IV. Apenas
se verificou um único caso de cancro da mama no homem. A idade média ao diagnóstico foi de 64 anos (mediana de 67 anos;
idade inferior 29 anos; idade superior 98 anos). O tipo histológico mais frequente foi o carcinoma ductal invasor (93%; 126
casos). 84% (114) das neoplasias mamárias diagnosticadas expressavam positividade para receptores hormonais e 15% (20)
sobreexpressavam HER2. A taxa de cirurgia conservadora foi de 53% (62) e a taxa de pesquisa de gânglio sentinela foi 57%
(66). Cinquenta e dois porcento (71) das doentes realizaram quimioterapia, 25% (18) quimioterapia neoadjuvante, 73% (52)
quimioterapia adjuvante e 2% (1) quimioterapia com intuito paliativo ao diagnóstico. Quarenta e três porcento (58) das doentes
foram submetidas a radioterapia externa. Conclusão: A abertura do Departamento de Oncologia permitiu tratar um número
significativo de doentes com patologia oncológica mamária na área de influência do CHTMAD. Tratando-se de uma região
caracterizada pelo povoamento disperso e difíceis acessos, a proximidade dos doentes em relação ao local de tratamento
constitui uma mais-valia significativa.
48 TEMPOS DE ESPERA EM DOENTES COM CANCRO DA MAMA: DO DIAGNÓSTICO À TERAPÊUTICA
Maria Adelaide Ferreira, Catarina Pragana, Julieta Silva, Sara Carmelo, Inês Matos, Filipe Moura, Filipa Sousa, Ana
Alegria, Nuno Labaredas, Rui Paulo Rodrigues,
Unidade de Radioterapia, Hospital Cuf Descobertas
Introdução: Os tempos de espera entre as diferentes fases do processo oncológico podem estar relacionados com diversos
factores: do doente, dos cuidados de saúde primários, da referenciação e da disponibiilidade de recursos. A redução no tempo
de espera entre os diferentes passos, desde a suspeita ao diagnóstico e acto ou actos terapêuticos em situações oncológicas,
pode melhorar a sobrevivência dos doentes, havendo um aumento superior a 30% no risco de morte por cancro em doentes
com atrasos superiores a 3 meses no início da terapêutica. Objectivo: Avaliar o tempo de espera entre o diagnóstico e as várias
terapêuticas subsequentes em doentes com cancro da mama que foram submetidos a radioterapia no Hospital CUF Descobertas.
Materiais e métodos: A recolha de dados foi realizada através da consulta de 303 processos clínicos de doentes com cancro
da mama que realizaram radioterapia no HCD, entre Janeiro de 2011 e Fevereiro de 2012. Destes, 209 foram referenciados
por instituições públicas e 94 por privadas. Foram registadas as datas de: mamografia, biópsia, cirurgia, primeiro e último
ciclo de QT e início da RT. Foram incluidos casos com diferentes sequências terapêuticas (p.e. cirurgia-radioterapia; cirurgia89
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confirmada por Tomografia computorizada cardíaca. Conclusão: As neoplasias malignas são doenças com uma incidência e
prevalência crescente, pelo que a forma de apresentação e de complicações tornam-se mais variadas. Assim torna-se importante
o diagnóstico de complicações relacionadas com metastização, sendo que a metastização cardíaca deve ser equacionada
quando um paciente com uma doença oncológica conhecida desenvolve sintomas cardíacos “de novo”.
quimioterapia-radioterapia), pelo que os resultados foram obtidos por análise de subgrupos. Resultados: O tempo médio de
espera entre a realização da mamografia e a biópsia é de 23 dias (n=231); o tempo médio de espera para a 1ª abordagem
terapêutica após a biopsia é de 55 dias para a cirurgia (n=234) e 73 dias para o 1º ciclo de quimioterapia (n=30). Os tempos
médios de espera entre actos terapêuticos subsequentes foi de 33 dias entre o último ciclo de quimioterapia e a radioterapia
(n=145) e 64 dias entre a cirurgia e a radioterapia (n=153). Nas doentes tratadas com cirurgia e radioterapia, o tempo médio
de espera entre a mamografia com suspeita de diagnóstico e a cirurgia foi em média de 82 dias (n=96), com cerca de 30% das
doentes sujeitas a um tempo de espera superior a 100 dias para a primeira intervenção terapêutica. Conclusões: Há uma relação
linear entre o tempo de espera e a progressão tumoral, sendo o aumento do tempo para o primeiro tratamento (e tratamentos
subsequentes) inversamente proporcional à probabilidade de obter melhores resultados. Tempos de espera demasiado extensos
entre a suspeita de diagnóstico e a primeira abordagem terapêutica podem por em causa os objectivos de um plano de rastreio
bem organizado. É recomendável implementar as medidas necessárias para minimizar os tempos entre os diversos passos do
processo oncológico, desde a primeira queixa até ao último tratamento, sendo fundamental identificar os pontos críticos do
sistema para que estes possam ser abordados individualmente, através da afectação de recursos ou reorganização do sistema.
49 A GESTA DE UM GIST: ANÁLISE DE UM CASO DE GIST PÉLVICO E DOS EFEITOS ADVERSOS DA TERAPÊUTICA
NO CONTEXTO DE PLURIPATOLOGIA
Duarte Domingues(1);Maria Dília Silva(2);Juan Carlos Mellidez(2)
(1) Hospital Infante D. Pedro, EPE (2) Hospital Infante D. Pedro - Aveiro
Introdução: Os tumores estromais gastrointestinais (GISTs) correspondem aos tumores mesenquimatosos mais frequentes
do tracto gastrointestinal (GI). Raramente (1,5-5% dos casos), podem surgir fora do tracto GI, manifestando-se como massas
pélvicas. O fármaco de eleição para o tratamento destas neoplasias é o Imatinib, o qual é, geralmente bem tolerado. Ainda
assim, o Imatinib pode acarretar efeitos adversos, como edemas, hemorragia intratumoral e, mais raramente, derrame pleural.
No entanto, a causalidade dos efeitos adversos pode ser difícil de avaliar, sobretudo no caso de existirem condições clínicas
concomitantes. Objectivos: Apresentação de um caso de apresentação atípica de GIST. Exposição da importância do sentido
clínico durante o tratamento de uma neoplasia, de forma a averiguar correctamente a etiologia dos potenciais efeitos adversos.
Material e métodos: Colheita de dados relativos ao caso a partir dos registos clínicos e relatórios de exames complementares de
diagnóstico. Revisão da bibliografia e literatura científica relativa à patologia considerada e sua terapêutica. Resultados: Doente
do sexo feminino de 58 anos de idade, com bom estado geral e antecedentes de hipotiroidismo, insuficiência cardíaca (IC) e
lesão iatrogénica dos nervos laríngeos recorrentes, portadora de diagnóstico de GIST no contexto de investigação de volumosa
massa pélvica. Apresentava ainda metastização hepática e pulmonar. Iniciou Imatinib 400 mg 2id. Desenvolveu posteriormente
anemias recorrentes necessitadas de transfusão, tendo sido diagnosticada hemorragia intratumoral extensa com indicação para
cirurgia de ressecção do tumor primário. Por progressão posterior da patologia tumoral, aumentou dosagem do Imatinib para
800 mg 2id. Desenvolveu quadro de dispneia, inicialmente atribuído ao Imatinib, ao hipotiroidismo e à IC, mas que se verificou
ser secundário a patologia otorrinolaringológica, com melhoria após intervenção cirúrgica. Subsequentemente com recidiva da
dispneia, tendo-se verificado desta vez que o quadro sintomático era secundário a derrame pleural pneumónico, provavelmente
agravado pela terapêutica com Imatinib. Melhoria sintomática após drenagem pleural com pleurodese. Actualmente, encontra-se
com neoplasia controlada, mantendo Imatinib. Conclusão: O GIST pode manifestar-se, raramente, como massa extrínseca ao
tracto GI, nomeadamente localizado na pélvis. O oncologista deve ter sempre presente as comorbilidades do doente, bem como
os efeitos adversos das terapêuticas instituídas, para optimizar a condição clínica do doente e, assim, obter ganhos em saúde. A
multidisciplinaridade e o sentido clínico são sempre essenciais.
90
Fábio M Gomes(1);Catarina Ribeiro(1);Sónia Oliveira(1);Pedro Barata(2);Lígia Costa(2);Ricardo da Luz(2);M. Paula
Custódio(1);Manuel Sousa(1);Jorge Albuquerque(2);M. Lurdes Batarda(1)
(1) CHLC - H. Capuchos (2) CHLC - H. Sto Antonio dos Capuchos, Lisboa
Introdução: O mesotelioma maligno é um carcinoma raro, mais comum no sexo masculino. A maioria tem origem na pleura e a
principal causa é a exposição a amianto, muito utilizado até aos anos 80 como isolante térmico numa série de materiais. Após
a exposição existe um período de latência de 25 a 40 anos. A maioria manifesta-se com doença localizada - derrame pleural
recidivante e/ou espessamento pleural. O diagnóstico diferencial é difícil e o tratamento ideal é trimodal (cirurgia, QT e RT). A
cirurgia só está recomendada em estádios I-III, medicamente operáveis, com pneumectomia extrapleural ou pleurectomia com
descorticação. A QT tem reconhecidas evidências, mesmo que utilizada isoladamente, com o uso de platinas e desde 2003 com
o uso conjunto com Pemetrexed. A RT recomenda-se num contexto multimodal ou paliativo. Apesar de tudo a sobrevida média
é de apenas 1 ano. Objectivos: Destacar a marcha diagnóstica num contexto clínico insuspeito e as possibilidades terapêuticas
subsequentes. Material e Métodos: Homem de 66 anos, cabeleireiro e com antecedentes de tabagismo (50 UMA). Iniciou quadro
com 2 meses de evolução de tosse com expectoração mucosa, dispneia progressiva para esforços, astenia e emagrecimento.
Resultados: Em radiografia torácica identificou-se volumoso derrame pleural esquerdo, cuja citologia apenas revelou linfocitose.
A TC TAP identificou o extenso derrame, um espessamento nodular da pleura e atelectasia homolateral quase total. Foi submetido
a broncofibroscopia com lavado brônquico, que apenas identificou alterações inflamatórias inespecíficas. Foram repetidas, por
mais 2 vezes, as citologias do líquido pleural, sempre com exsudados sem células neoplásicas. Efectuou uma biópsia pleural
que identificou marcada fibrose e levantou a hipótese de neoplasia epitelial. Neste contexto optou-se por repetir a biópsia
pleural por VATS (video-assisted thoracoscopic surgery) que, após 1 mês de investigação, identificou um mesotelioma maligno
epitelióide. Do estadiamento com TC TAP contrastada e PET/TC identificou-se a lesão neoplásica a ocupar todo o território pleural
esquerdo, com encarceramento do pulmão, e envolvimento ganglionar ao nível do mediastino e da região abdominal superior
esquerda. A doença foi estadiada como metastizada e irressecável, tendo-se optado por iniciar QT paliativa com Cisplatina
EV (D1 - 80mg/m2) e Gemcitabina EV (D1, 8 e 15 - 1000mg/m2). Sem dados de sobrevida por se encontrar no 1º ciclo de
tratamento. Conclusões: Os mesoteliomas malignos em geral apresentam uma história clássica de contacto com amianto, mas
nos últimos anos têm sido relatados casos em cabeleireiros. Apesar de não se ter conseguido provar uma relação directa, tem-se
identificado a existência de amianto como isolante térmico em antigos aparelhos de secagem de cabelo. Não sendo este grupo
considerado de risco e dada a elevada frequência de citologias do líquido pleural negativas, pode tornar-se um diagnóstico difícil.
O tratamento trimodal é o ideal, mas não sendo ressecável recomenda-se apenas a QT. Apesar de as evidências apontarem para
o uso de Pemetrexed e Cisplatina, a demora na aprovação do uso do 1º e dada a baixa sobrevida, pode levar à escolha de outros
esquemas de primeira linha.
51 CANCRO DO CANAL ANAL COM METASTIZAÇÃO SUPRA-DIAFRAGMÁTICA: UM CASO CLINICO
Carolina Camacho(1);Natacha Amaral(2);Cátia Faustino(3);Nuno Sousa(3);Maria Fragoso(2)
(1) IPO Porto (2) IPO - Porto (3) Serviço de Oncologia Médica - IPO Porto (Directora: Dra. Helena Rodrigues)
Introdução: O cancro do canal anal é uma doença rara (cerca de 4% dos cancros do tracto gastrointestinal inferior), ocorrendo
mais frequentemente em doentes com mais de 60 anos. A maioria destas neoplasias (90-95%) são carcinomas espinocelulares,
cujo factor de risco mais importante é a infeção pelo Vírus do Papiloma Humano (HPV). O tratamento de eleição é quimioradioterapia concomitante com elevadas taxas de sobrevivência livre de doença, sendo que raramente se verifica recidiva
extra-pélvica. Caso clínico: Os autores apresentam o caso clínico de uma doente do sexo feminino, actualmente com 72 anos,
referenciada à Instituição em Agosto 2004 por lesão do canal anal, cuja biopsia revelou tratar-se de carcinoma espinocelular.
A doença foi classificada como estádio IIIB, cT3N2M0. Iniciou tratamento com intuito curativo com quimio-radioterapia
(5-Fluorouracilo+Mitomicina C) concomitantes de Outubro 2004 a Janeiro 2005. Manteve-se em vigilância, sem evidência de
recidiva da doença oncológica, até Fevereiro 2012. Nesta data, a doente iniciou quadro clínico de astenia, dispneia em repouso,
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50 UM CASO DE MESOTELIOMA MALIGNO - UMA PROFISSÃO DE RISCO?
tosse seca, hemoptises e dor neuropática axilar direita. Ao exame objectivo foram detectadas adenomegalias na região cervical
e axilar direita, com cerca 5cm de diâmetro, imóveis e consistência pétrea. A telerradiografia de tórax evidenciou múltiplos
nódulos dispersos por ambos os campos pulmonares, sugestivos de metástases. Realizou TC torácica/abdominal/pélvica
que mostrou adenomegalias cervicais, supraclaviculares e axilares direitas, mediastínicas e múltiplos nódulos pulmonares
bilaterais, sugestivos de metastização, sem evidência de lesões infra-diafragmáticas. A citologia aspirativa do conglomerado
adenopático axilar confirmou a hipótese de metástase ganglionar de carcinoma espinocelular, provavelmente de primário do
canal anal. Dada a ausência de condições clínicas da doente para realização de tratamento paliativo sistémico, foi proposta
para o melhor tratamento de suporte. Conclusão: O tratamento concomitante de quimio-radioterapia do cancro do canal anal
localizado apresenta altas taxas de resposta completa e intervalo livre de doença alargado. Apesar de muito raro, a presença
de lesões atípicas (exclusivamente supra-diafragmáticas), em doente com história de carcinoma do canal anal, deve colocar a
possibilidade de doença metastática.
52 CANCRO DA MAMA E GRAVIDEZ – A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Patricia Gago(1);Andreia Coelho(2);Marta Sousa(3);Antonio Teira(3);Miguel Barbosa(2);Fernando Alves(2);Pedro Santos(4)
(1) CHTMAD (2) CHTMAD - Unidade de Vila Real (3) CHTMAD - Unidade Vila Real (4) CHTMAD - Vila Real
Introdução: O cancro da mama constitui o tumor maligno mais comum diagnosticado durante a gravidez e a sua frequência
tem vindo a aumentar em relação com a idade cada vez mais tardia da primeira gestação1. Trata-se de uma situação clínica
complexa, caracterizada por uma experiência limitada e em que é indispensável o tratamento eficaz da mãe sem que tal se
associe a malefício para o feto 2. Apresenta-se o caso clínico de doente de 35 anos com o diagnóstico de carcinoma da mama
localmente avançado durante a 17ª semana de gestação. Caso Clínico: Doente de 35 anos com antecedentes 2 gestações (1
parto eutócito, 1 aborto espontâneo) e que na 17ª semana de gestação detectou, em auto-exame mamário, nodularidade no
quadrante superior externo da mama esquerda. Tratava-se de uma carcinoma ductal invasor com 2,5 cm de maior diâmetro,
grau 3, com positividade para receptores de estrogénio (50%), positividade para receptores de progesterona (10%), HER positivo
por FISH e Ki67 de 30%, com envolvimento de múltiplos gânglios axilares homolaterais fixos entre si (cT2 N2 Mx). De acordo com
a vontade da doente e após discussão de caso clínico em reunião multidisciplinar e tendo sido providenciado adequado suporte
psicológico (consulta de psico-oncologia e grupo de auto-ajuda de pacientes com cancro da mama) a doente foi tratada com
quimioterapia neoadjuvante. Durante a gravidez realizou 4 ciclos de regime AC (doxorrubicina 60 mg/m2 e ciclofosfamida 600
mg/m2 a cada 21 dias) e 2 ciclos, dos 4 planeados, com regime T (docetaxel 100 mg/m2 a cada 21 dias). Repetiu mensalmente
ecografia morfológica fetal observando-se um normal desenvolvimento fetal. Cumpriu 6º ciclo de quimioterapia à 34ª semana
de gestação, tendo-se verificado parto eutócico à 36ª semana. Posteriormente realizou ainda 2 ciclos de regime T e iniciou
trastuzumab (8 mg mg/kg dose de carga seguido 6 mg/kg a cada 21 dias). Após o final da quimioterapia neoadjuvante procedeuse a cirurgia conservadora com esvaziamento axilar identificando-se carcinoma ductal invasor, grau 3, com 1,9 cm de maior
diâmetro não se detectando envolvimento axilar nos 12 gânglios excisados (ypT1c N0 M0). A doente cumpriu radioterapia
externa mantendo-se actualmente sob tratamento com trastuzumab (1 ano de adjuvância) e hormonoterapia e sem evidência
de recidiva da doença oncológica 10 meses após o diagnóstico. A filha da doente, actualmente com 6 meses de idade apresenta
um desenvolvimento psico-motor adequado à idade. Conclusão: O presente caso clínico alerta para a associação cada vez mais
frequente entre cancro da mama e gravidez e realça a possibilidade de controlo da doença oncológica durante a gravidez com o
recurso à quimioterapia neoadjuvante sem aparente toxicidade fetal.
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Gonçalo Marto(1);Claudia Rosado(1);Margarida Cruz(1);Inês Costa(1);Maria do Castelo Bi(1);Rosa jorge(1);Tatiana
Rodrigues(1);Carlos Seabra(1);Gilberto Teixeira(1)
(1) Centro Hospitalar Baixo Vouga - HIP
O derrame pleural é um problema diagnóstico frequente em Medicina Interna e está associado a uma miríade de doenças
pleuropulmonares ou sistémicas. Em cerca de 25% dos casos, não é possível definir a sua causa após investigação inicial
com recurso a toracocentese. Os autores descrevem o caso de um doente hipertenso de 81 anos, com dor pleurítica esquerda
com 2 meses de evolução, sem febre, dispneia, tosse ou outra sintomatologia associada. Ao exame objectivo, bom estado
geral, eupneico, normotenso e apirético. Murmúrio vesicular abolido na metade inferior do hemitórax esquerdo, com macicez
à percussão e diminuição da transmissão vocal. Sem edema periférico. Analiticamente, hemograma normal, VS 1ªhora 70
mm, PCR 3.1 mg/dL, LDH 242 U/L, Pro-BNP 130 pg/mL, albumina 3.1 mg/dL. Mantoux negativo. Telerradiografia do Tórax
com opacificação homogénea nos 2/3 inferiores do hemitórax esquerdo, com concavidade superior. Toracocente com saída
de líquido sero-hemático: glicose 82.9 mg/dL, pH 7.6, LDH 684 UI/L, ADA 79.5 U/L, albumina 2.4 g/L, CEA negativo, contagem
celular>1000 cél./mL, predomínio de mononucleares; exame bacteriológico e micobacteriológico negativos, PCR-BK negativo,
citologia negativa para células malignas. Biopsia pleural com PCR-BK negativo e cultura Lowenstein negativa. Feita Toracoscopia
com evidência de lesões nodulares sésseis de superfície lisa, eritematosas, com 10-20 mm, cujas biopsias dirigidas revelaram
Linfoma Não-Hodgkin Difuso de Grandes Células B. A investigação adicional caracterizou a doença no estadio IVB IPI score
3, tendo iniciado tratamento com o protocolo R-CHOP, com intenção curativa. Após 3 ciclos, realizou avaliação imagiológica
intermédia, com critérios de resposta completa e mantém protolocolo em curso. Este caso realça a importância da investigação
etiológica do derrame pleural com características de exsudado bem como a importância da toracoscopia médica, como uma
mais valia no diagnóstico.
54 METÁSTASE EM SANTUÁRIO SOB TERAPÊUTICA BIOLÓGICA - CASO CLÍNICO
Daniela Macedo(1) António Alves(2) Isabel Fernandes(1) Sérgio Pereira(3) Luis Costa(1)
(1) Serviço de Oncologia Médica do CHLN (2) Serviço de Anatomia Patológica do CHLN (3) Serviço de Urologia do CHLN
Introdução: O Carcinoma de células renais (RCC) é responsável por 2-3% de todos os tumores malignos no adulto, sendo o
diagnóstico estabelecido em fase localmente avançada/metastática em cerca de 25-30% dos casos. A descoberta de algumas
bases genéticas envolvidas e a investigação molecular da fisiopatologia da angiogenese vieram revolucionar a terapêutica do
RCC metastático. As terapias biológicas com os inibidores da tirosina quinase e os inibidores mTOR aumentaram a sobrevivência
dos doentes, podendo levar a formas de progressão pouco usuais em alguns casos raros. Objectivos: O presente trabalho tem
como finalidade a apresentação de um caso clinico de RCC em fase avançada com metastização em local pouco habitual sob
tratamento com Sunitinib. Material e método: Procedemos à descrição de caso clinico de um doente com metástase testicular
ipsilateral e revisão da literatura sobre localizações raras de metastização sob inibidores da tirosina quinase. Caso Clínico: LMF,
sexo masculino, 31 anos, com diagnóstico de RCC à esquerda localmente avançado com trombose da veia renal submetido
a nefrectomia radical. Aos 5 meses após crirugia com recidiva local e óssea pelo que iniciou terapêutica com Sunitinib. Após
12 meses sob a mesma mantem progressão de doença óssea com aparecimento de nova metastização a nível do testículo
ipsilateral, pelo que suspendeu Sunitinib, fez orquidectomia e iniciou Everolimus. Por degradação do estado geral e contínua
evolução de envolvimento ósseo 4 meses após o início do Everolimus, ficou apenas com medidas de suporte, falecendo 24
meses após o diagnóstico. Conclusões: A metastização testicular é rara, correspondendo a cerca de 0,06% dos casos totais de
neoplasias. O RCC pode corresponder á 3ª causa de neoplasia com possível envolvimento testicular. Na sua maioria trata-se de
metástases ipsilaterais, preferencialmente de localização esquerda, explicado pelas possíveis vias de disseminação. Na revisão
efectuada encontraram-se alguns casos descritos de metástases testiculares sob imunoterapia com IL-2, sem menção sob
terapêuticas biológicas. Os inibidores da tirosina quinase, como por exemplo o Sunitinib, ao aumentarem a sobrevivência podem
originar progressões de doença não esperadas, sobretudo em locais pouco habituais (santuários).
93
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53 DERRAME PLEURAL SECUNDÁRIO A LINFOMA NÃO-HODGKIN DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS B
– CASO CLÍNICO
55 TUMOR DO ESTROMA GASTROINTESTINAL EM DOENTE COM NEUROFIBROMATOSE TIPO I
– A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Elisabete Couto(1);Marta Almeida(2);Ana Daniela Marques(2);Luísa Queiroz(1);Catarina Portela(1)
(1) Hospital de Braga (2) Serviço de Oncologia Médica - Hospital de Braga
Introdução: A Neurofibromatose tipo 1 (NF1) é uma das doenças autossómicas dominantes mais frequentes. Em 25 a 30% dos
casos cursa com manifestações gastrointestinais, incluindo Tumores do Estroma Gastrointestinal (GIST) que ocorrem em 7%
dos doentes. Actualmente, admite-se que os GISTs associados à NF1 são uma entidade diferente da forma esporádica, quer
nas características clínicas, quer na sua patogénese, uma vez que as mutações do KIT e PDGFRA ocorrem raramente neste
grupo de doentes. Caso Clínico: Os autores apresentam o caso de uma doente de 38 anos com antecedentes pessoais de
Neurofibromatose tipo I. Na sequência de quadro clínico de dor abdominal e alterações do trânsito intestinal efectuou estudo
imagiológico, em Setembro de 2011, que revelou presença de formação nodular adjacente a ansas do intestino delgado. A
doente foi submetida a enterectomia segmentar, tendo o exame histológico da peça operatória concluído pela presença de
GIST do intestino delgado com 5 cm de maior eixo, 7 mitoses/ 50 campos de grande ampliação. Atendendo ao alto risco de
recorrência, iniciou terapêutica adjuvante com imatinib. Entretanto, foi solicitada a pesquisa de mutações dos genes KIT e
PDGFRA no tumor que foi negativa – tumor wild type. Foi decidido então suspender a terapêutica adjuvante. Até ao momento,
com cerca de 6 meses de follow up, mantém-se assintomática e em vigilância clínica. Conclusão: Este caso clínico é ilustrativo
de como um melhor conhecimento da patogénese da doença influencia a decisão terapêutica. Os autores consideram também
muito importante a partilha destes casos clínicos com os pares uma vez que se trata de uma patologia com características
próprias, com pequenas séries de doentes publicadas e na qual a melhor estratégia terapêutica ainda está por definir.
56 METÁSTASES PARA A MEDULA ESPINHAL DE ADENOCARCINOMA DO CÓLON – 2 ABORDAGENS DISTINTAS DE
UMA ENTIDADE CLÍNICA RARA
Elisabete Couto(1);Ana Daniela Marques(2);Marta Almeida(2);Luísa Queiroz(1);Teresa Macedo(2)
(1) Hospital de Braga (2) Serviço de Oncologia Médica - Hospital de Braga
Introdução: A metastização para a medula espinhal é uma situação rara. Embora se possa observar numa grande variedade de
tumores, esta é mais frequente no carcinoma do pulmão e da mama. Até à data, existem poucos casos reportados na literatura
da associação destas lesões a carcinoma do cólon. Os doentes apresentam-se geralmente com défices neurológicos e dor e o
seu prognóstico permanece reservado. Caso Clínico 1: Doente do sexo masculino, 71 anos, com diagnóstico de adenocarcinoma
do cólon sigmóide em estádio IV (metástases pulmonares e hepáticas) em 2006, tratado com sucessivas linhas de quimioterapia
(QT) paliativa. Cerca de 4 anos após o diagnóstico, iniciou quadro de dor na coluna lombar com irradiação para o membro inferior
direito que impossibilitava a marcha. Efectuou RM da coluna lombar que mostrou lesão expansiva intra-raquidiana ao nível de
L3-L4, que obliterava o espaço subaracnoideu e desviava as raízes da cauda equina. Foi submetido a laminectomia L3-L4 com
exérese da lesão, cujo exame histológico confirmou metástase de adenocarcinoma do cólon. Após a cirurgia, efectuou ainda
radioterapia (RT). Posteriormente, teve degradação progressiva do estado geral e agravamento neurológico, tendo falecido 5
meses após a cirurgia. Caso Clínico 2: Doente do sexo feminino, 59 anos, com diagnóstico de adenocarcinoma do cólon
sigmóide em estádio IIIB em 2010, submetida a colectomia do sigmóide e QT adjuvante com FOLFOX. Cerca de 9 meses após
a QT, apresentou recidiva local e metastização pulmonar. Foi proposta para QT paliativa mas entretanto iniciou quadro clínico
de dor na coluna lombossagrada com irradiação para os membros inferiores e paraparésia com 1 semana de evolução. A RM
da coluna lombar mostrou lesão expansiva intra-canalar, envolvendo as raízes nervosas ao nível de D12-L1, sugestiva de lesão
metastática. Após discussão do caso clínico em reunião multidisciplinar (com Neurocirurgia e RT), decidiu-se efectuar RT da
lesão expansiva, que decorreu sem intercorrências. Conclusão: Os autores relatam dois casos clínicos de metastização para
a medula espinhal de adenocarcinoma do cólon. É de extrema importância a abordagem multidisciplinar destes doentes, para
ponderar a melhor estratégia terapêutica e o papel do tratamento médico, cirurgia e radioterapia.
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Inácio M (2); Corzo C(1); Lourenço S(1); Rebocho L(1); Timóteo T(2); Barroso S(2)
(1) Unidade de AVC’s (2) Serviço de Oncologia Médica Hospital Espírito Santo Évora
Introdução: A oclusão vascular é comum nos pacientes com cancro, podendo relacionar-se com o próprio tumor, com alterações
na coagulação ou com o tratamento. Os estudos clássicos sugerem que estas alterações vasculares são mais frequentes
em pacientes com cancro do que na população em geral. Sabe-se que os acidentes vasculares cerebrais (AVC) complicam
2-4% dos pacientes oncológicos. O AVC pode ser também o primeiro sinal de cancro ou levar a este diagnóstico. Objectivos:
os autores pretendem fazer um estudo retrospectivo dos pacientes internados na Unidade de AVC’s (UAVC) entre Janeiro de
2009 e Dezembro de 2011 e analisar/ caracterizar os doentes que apresentavam também doença oncológica, antes ou após
o diagnóstico de AVC. Pretende-se ainda perceber qual o tempo que decorre entre o diagnóstico destas duas patologias e se é
possível estabelecer alguma relação causal entre elas. Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo, com recolha de dados
a partir da revisão dos processos clínicos dos doentes, segundo protocolo previamente elaborado, contemplando idade, sexo,
data de diagnóstico do AVC e do cancro, tipo, localização anatómica e tratamento do AVC, factores de risco cardiovasculares
prévios, alterações analíticas relevantes durante o internamento (nomeadamente presença de infecção), localização anatómica
e tipo histológico do cancro, estadiamento à data do diagnóstico e tratamentos efectuados. No estudo apresentado a análise dos
dados foi realizada em Excel. Resultados: Dos 922 pacientes admitidos na UAVC entre Janeiro de 2009 e Dezembro de 2011,
59 (6,4%) apresentaram doenças oncológicas, quer prévias quer num curto espaço de tempo após a alta. Dentro destes, 38
eram do sexo masculino e a média de idades rondava os 72,4 anos. Um total de 80% dos doentes foi diagnosticado de cancro
antes do AVC, com um tempo médio de 51,6 meses (máximo 156 meses). Nos 13 doentes diagnosticados de cancro após o
AVC, o tempo médio para o diagnóstico da doença oncológica foi de 7,1 meses (máximo 12 e mínimo 3 meses). A distribuição
anatómica do AVC foi praticamente igual entre hemisférios esquerdo e direito (25 vs 22), sendo que em 4 casos foi bilateral. O
AVC isquémico foi o mais comum (79,6% dos casos vs 6,8% hemorrágico). Em 8,5% tiveram como diagnóstico final um acidente
isquémico transitório (AIT). Em 3 doentes os sintomas neurológicos foram atribuídos a lesões cerebrais expansivas. O tratamento
efectuado na maioria dos doentes foi a anti-agregação oral (n=33). A localização mais frequente do cancro foi o cólon (n= 9),
seguida da bexiga, próstata e pele (8 doentes cada), estômago e recto (n=5). O tipo histológico mais comummente identificado
foi o adenocarcinoma (44%). Na maioria dos doentes com diagnóstico prévio de cancro, não se conseguiu identificar quais os
tratamentos realizados. Neste grupo, 33 doentes foram submetidos a cirurgia, 7 a Radioterapia (RT), 6 a Quimioterapia (QT) e 5 a
Hormonoterapia (HT). No grupo com diagnóstico de cancro posteriormente, 8 foram submetidos a cirurgia, 5 a QT, 2 a RT e 2 a HT.
Não houve um tipo preponderante de QT. Nos 85% dos doentes onde foram identificados factores de risco cardiovasculares, os
mais comuns foram a hipertensão arterial (74.5%), dislipidémia (55.9%), diabetes mellitus tipo 2 (33.9%) e fibrilhação auricular
(25.4%). Havia antecedentes de AVC em 4 doentes. À data do diagnóstico do AVC, 12 doentes apresentavam concomitantemente
um quadro infeccioso, 11 anemia e 7 trombocitopenia. Apenas num doente se detectou alterações na coagulação. Após a alta
da UAVC 62.7% dos doentes ficou a ser seguido em consulta de doenças vasculo-cerebrais e apenas 6.8% na consulta de
oncologia. Dois doentes faleceram durante o internamento. Discussão: Na maioria dos casos em que o AVC foi diagnosticado
antes do cancro, não se pode estabelecer uma causa-efeito directa, uma vez que estes pacientes apresentavam outros factores
de risco clássicos que podem constituir por si a causa do AVC e além disso o cancro tinha sido diagnosticado medianamente
há mais de 4 anos, não havendo registo de recidiva da doença oncológica à data do AVC. Num destes casos o AVC resultou
duma complicação no pós-cirúrgico imediato (cirurgia vesical por RTU-V). Nalguns dos doentes com diagnóstico de cancro
após a alta e cuja causa do AVC não tinha ficado bem esclarecida, existiam já algumas alterações clínicas/analíticas que terão
levado a uma investigação dum possível cancro como causa do AVC. Conclusões: Os mecanismos fisiopatológicos que podem
contribuir para que os doentes com cancro tenham um AVC são complexos e na maioria das vezes não podem ser identificados
como causadores específicos dum evento vascular. Os autores salientam a importância do reconhecimento de que alguns tipos
de cancro e regimes terapêuticos se associam mais frequentemente aos AVCs. Assim, nos doentes com diagnóstico de doença
oncológica, é crucial estar alerta para os variadíssimos factores presentes nesta população, que podem levar ao surgimento de
doenças vasculares cerebrais, para se possa fazer uma melhor prevenção e para que o seu diagnóstico e tratamento sejam
realizados atempadamente. Os autores questionam também se nos doentes com AVC cuja causa não esteja bem clarificada,
deverá ou não ser pesquisada persistentemente a existência dum tumor.
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57 AVC E CANCRO:CASUÍSTICA DA UNIDADE DE AVC’S E SERVIÇO DE ONCOLOGIA, HOSPITAL DO EPÍRITO SANTO ÉVORA
58 TUMOR NEUROENDÓCRINO DO PÂNCREAS E SUNITIB – A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Joana Godinho(1);Filipa Carneiro(2);Raquel Martins(2);Cristina Sanches(2);Isabel Azevedo(2)
(1) Instituto Português de Oncologia do Porto Dr. Francisco Gentil, E.P.E. (2) IPO-porto
Introdução: Os tumores neuroendócrinos do pâncreas são tumores raros, que representam cerca de 1,3% de todos os tumores
pancreáticos. À apresentação, 50 a 65% dos casos são irressecáveis ou metastizados, sendo a sobrevivência mediana de 24
meses. O tratamento paliativo sistémico pode consistir em terapêutica com radionuclídeos, com peptídeos radiomarcados, com
análogos da somatostatina, com quimioterapia e ainda com terapêuticas-alvo como o Sunitinib ou o Everolimus. O Sunitinb,
um inibidor da tirosina cinase com actividade anti-angiogénica e anti-tumoral, demonstrou aumentar a taxa de resposta e
a sobrevivência livre de progressão em doentes com tumores neuroendócrinos do pâncreas irressecáveis ou metastáticos.
Caso Clínico: Doente do sexo feminino, com antecedentes de litíase renal e bócio multinodular, que aos 43 anos, em 2007, na
sequência de estudo de anorexia, dor no dorso intensa, com irradiação para o abdómen, realizou TAC que revelou a presença de
múltiplas lesões nodulares hepáticas e conglomerados ganglionares abdominais sugestivos de lesões secundárias. A biopsia de
lesão hepática revelou alterações compatíveis com metástase de carcinoma neuroendócrino bem diferenciado com índice Ki-67
de 2%. Analiticamente não apresentava alterações das provas hepáticas e do estudo hormonal salientava-se elevação sérica
de Cromogranina A com doseamentos de catecolaminas, ACTH, cortisol, hormonas tiroideias, calcitonina e gastrina normais. O
estudo endoscópico do tubo digestivo e cintilograma com análogos da somatostatina não revelaram o tumor primário. Realizou
cintigrafia com 123I-mIBG que revelou focos de hipercaptação em adenopatia para-traqueal esquerda, em múltiplos focos
em ambos os lobos do fígado e em conglomerados adenopáticos peripancreáticos e lombo-aórticos, razão pela qual iniciou
tratamento com 131I-mIBG. Cumpriu dois tratamentos com progressão de doença a nível hepático. Iniciou posteriormente,
tratamento com Octeótrido. Cerca de 3,5 anos após o diagnóstico, por lombalgia constante realizou RMN da coluna que revelou
metastização vertebral difusa com componente de tecidos moles endocanalar a nível de D12. Fez ainda 68Ga PET/CT que revelou
um foco de hiperfixação em lesão na dependência da cabeça do pâncreas suspeita de ser o tumor primário para além de várias
lesões metastáticas ganglionares, hepáticas e ósseas (vertebrais e no acetábulo esquerdo). Foi submetida a cifoplastia de D12
e a biopsia vertebral que confirmou o diagnóstico de metastização óssea de primário neuroendócrino. Manteve terapêutica com
Octeótrido. Sete meses depois, por aumento do número de focos metastáticos visualizados em 68Ga PET/CT, acompanhado
de sintomatologia álgica abdominal e náuseas, foi associada terapêutica com Sunitinib 37,5 mg/dia. Durante o tratamento,
verificou-se toxicidade hematológica e estomatite graves, astenia e descoloração capilar e cutânea. Por toxicidade hematológica,
houve necessidade de interrupções temporárias do tratamento com Octeótrido e Sunitinib e de redução da dose deste último até
12,5 mg/dia. Actualmente, tendo cumprido 7,5 meses de tratamento com Sunitinib, com estabilização imagiológica da doença,
suspendeu este tratamento por manutenção da toxicidade hematológica. Encontra-se sob tratamento com Octeótrido, 58 meses
após o diagnóstico. Conclusão: O tratamento dos tumores neuroendócrinos do pâncreas com Sunitinib traduz-se em resposta
clínica e imagiológica, mesmo nos doentes previamente submetidos a outros tratamentos, tal como no caso descrito. A vigilância
e identificação precoce das toxicidades ao tratamento são de fundamental importância, visto que na maioria dos casos, medidas
como a interrupção temporária ou redução de dose, são suficientes para o seu controlo. Com este caso, os autores salientam
ainda a potencial contribuição do 68Ga PET/CT na detecção do tumor primário nos casos de doença metastática de primário não
identificado.
59 TRATAMENTO DE UM PARAGANGLIOMA PANCREÁTICO – A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Joana Godinho(1);Filipa Carneiro(2);Joana Couto(2);Cristina Sanches(2);Isabel Azevedo(2)
(1) Instituto Português de Oncologia do Porto Dr. Francisco Gentil, E.P.E. (2) ipo-porto
Introdução: Os paragangliomas são tumores neuroendócrinos raros com origem nas células cromafins derivadas da crista
neural. A sua localização mais frequente é na supra-renal, sendo que apenas 10% têm localização extra-adrenal. Destas
localizações, as regiões para-aórticas e a cabeça e pescoço são as mais frequentes. A localização no pâncreas é muito rara.
Estão frequentemente associados a síndromes hereditários. Podem manifestar-se por sintomas compressivos, por sintomatologia
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60 NEOPLASIA MALIGNA DO TROFOBLASTO: CASUÍSTICA DO SERVIÇO DE ONCOLOGIA MÉDICA DO HOSPITAL
GARCIA DE ORTA
Gavancho, E., Correia, M., Marreiros, L., Rosado J., Xavier, L., Sanches F., Lopes J., Nunes O.(1)
(1) Hospital Garcia de Orta
A neoplasia maligna do trofoblasto, representa menos que 1% dos tumores malignos ginecológicos, sendo altamente sensível à
quimioterapia e apresentando uma elevada taxa de cura, mesmo em estadios avançados da doença. O presente estudo reúne
a casuística do Serviço de Oncologia Médica do Hospital Garcia de Orta entre 2000 e 2012. A amostra inclui um total de 8
doentes, registando-se 9 casos de neoplasia maligna do trofoblasto, uma das quais com evolução para coriocarcinoma. A média
de idades foi de 36,125 anos, com metade dos casos fora de um dos grupos etários considerados de risco. Outros factores de
risco registados foram a utilização de contraceptivos orais, o nível de ?-hCG>10000, nuliparidade, história de abortamentos
prévios e de infertilidade. O tipo de doença mais frequente foi a mola invasiva (N=4). De referir que três doentes apresentaram
metastização pulmonar. De acordo com a Classificação FIGO, a maioria dos casos inseria-se no Estadio I. Sete doentes realizaram
quimioterapia de primeira linha (6 com Metotrexato e uma com Actinomicina), quatro necessitaram de uma segunda linha
terapêutica com Actinomicina, e optou-se por fazer quimioterapia combinada com Bleomicina/Etoposido/Cisplatina a uma das
doentes que evoluiu para coriocarcinoma. Observou-se a remissão completa de uma doente submetida a histerectomia, sem
necessidade de quimioterapia. O tempo médio entre o início de quimioterapia e a normalização do nível de ?-hCG foi de 3 meses,
obtendo-se uma taxa de sobrevivência de 100%. O pequeno número de casos acompanhados neste Serviço confirma a raridade
desta patologia. Pareceu existir um aumento do número de casos em idades maternas classicamente menos associadas a estes
tumores, nestas doentes. Sem poder estabelecer uma correlação segura, admitimos que tal facto poderá estar associado a um
aumento dos factores de risco nesta população.
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relacionada com a libertação de catecolaminas ou tratar-se de achados incidentais. A cirurgia pode ser curativa nos casos de
doença localizada, permitir remissões longas ou a paliação de sintomas no caso de doença avançada. Na doença metastática
foi descrito o tratamento com 131I-mIBG ou o uso de quimioterapia. Estes tumores apresentam, geralmente, comportamento
indolente, sendo que a sobrevivência esperada aos 5 anos no caso de doença metastática é de 75%. Caso Clínico: Doente do
sexo feminino, sem antecedentes relevantes, foi submetida a pancreatectomia distal em 2002, aos 46 anos, tendo a histologia
da peça operatória revelado a presença de um paraganglioma. Os exames de avaliação da extensão da doença realizados
nessa altura não apresentavam outras lesões. No estudo de dor abdominal recorrente, cerca de 2 anos após cirurgia, verificouse recidiva de doença a nível hepático. Iniciou terapêutica com Octeótrido, verificando-se melhoria clínica. Dois anos após,
apresentou progressão de doença hepática, tendo realizado cintigrafia com I-mIBG que inviabilizou a selecção para tratamento
com esse radionuclídeo. Foi submetida a terapêutica com 177Lu-Octeotrate, num centro estrangeiro, com resposta completa.
Manteve-se assintomática, sob terapêutica com análogo da somatostatina por um período de 4 anos, altura em que se verificou
nova recidiva hepática e necessidade de segundo tratamento com 177Lu-Octeotrate. Por queixas de dor lombar com irradiação
para o membro inferior direito, com início 6 meses após o último tratamento, realizou exames de imagem que revelaram lesão
nodular única hepática com 12 cm de maior diâmetro e lesões ósseas duvidosas. Para melhor esclarecimento do quadro e
tratamento, foi enviada à nossa instituição. Realizou 68Ga PET/CT, que confirmou a presença de metástase hepática única no
lobo direito. Foi realizada embolização selectiva da artéria hepática direita com microesferas, resultando em redução de 20%
do tamanho da lesão. Três meses após, a doente foi submetida a hepatectomia direita, que decorreu sem intercorrências. O
exame histológico da peça operatória foi compatível com metástase de neoplasia neuroendócrina, com positividade difusa
para cromogranina e sinaptofisina, que se encontrava extensamente necrosada, sendo as margens cirúrgicas livres de doença.
Encontra-se actualmente em vigilância, sem evidência de doença oncológica, 10 anos após o diagnóstico. Conclusão: Os autores
apresentam o caso de um paraganglioma pancreático, um tumor raro, salientando a importância da abordagem multidisciplinar,
que tem permitido não só o controlo da sintomatologia e a manutenção da qualidade de vida da doente, mas também um
controlo da doença de longa duração, inclusivamente com período de remissão completa. A apresentação de casos de tumores
raros pode contribuir para melhor compreensão dessas doenças.
61 TRATAMENTO PALIATIVO DE SARCOMAS DE TECIDOS MOLES COM TRABECTADINA
Joana Godinho(1);Filipa Carneiro(2);Rosa Vallinoto(2);Ana Ferreira(2);José
Afonso(2);Jorge Guimarães(2)
(1) Instituto Português de Oncologia do Porto Dr. Francisco Gentil, E.P.E. (2) ipo-porto
Dinis(2);Marta
Soares(2);Mariana
Introdução: Os sarcomas de tecidos moles constituem um grupo raro e heterogéneo de tumores derivados de células do
mesênquima, incluindo diversos subtipos histológicos. Apesar do tratamento do tumor primário, cerca de 50% dos doentes
apresentam recidiva local ou sob a forma de metástases à distância. O tratamento da doença metastática depende frequentemente
de quimioterapia (QT), sendo a sobrevivência mediana variável entre 6 a 12 meses. Os esquemas de QT standard incluem
Doxorrubicina e Ifosfamida, tanto em combinação como em monoterapia. Verificou-se que nas situações em que estes agentes
estão contraindicados, ou em que houve progressão de doença após a sua utilização, a Trabectadina aumenta a taxa de
resposta e a sobrevivência global. Objectivos: Avaliar a efectividade da Trabectadina numa coorte de doentes com sarcomas
de tecidos moles. Material e Métodos: Estudo de coorte retrospectivo de todos os doentes com sarcomas de tecidos moles
tratados com Trabectadina no IPO – Porto. Utilizou-se o Índice de Comorbilidade de Charlson para avaliação de comorbilidade
e a escala Common terminology criteria for adverse events (CTCAE) para avaliação de toxicidade. A eficácia foi avaliada pelo
tempo até progressão e pela sobrevivência global através do método Kaplan-Meier. Foi utilizado um intervalo de confiança de
95%. Resultados: De Julho de 2009 a Fevereiro de 2012, 13 doentes foram tratados com Trabectadina. A idade mediana foi de
55 anos (24-79; 15,4% > 65 anos) e 69,2% eram do sexo feminino. Todos os doentes apresentavam ECOG ?1 e, em 61,5%
dos casos, o Índice de comorbilidade de Charlson era 0 ao início do tratamento. Os subtipos histológicos mais frequentes eram
o Leiomiossarcoma (38,5%), o Lipossarcoma (23,1%) e o Sarcoma sinovial (15,4%). Cerca de 80% dos doentes tinham sido
submetidos previamente a QT com Doxorrubicina e Ifosfamida. Relativamente ao tratamento com Trabectadina, verificou-se que
46% dos doentes cumpriram ? 6 ciclos e 54% obtiveram uma dose-intensidade relativa ? 80%. Eventos adversos graus 3 ou 4
ocorreram em 61,5% dos doentes, sendo os mais comuns a neutropenia (30,8%) e a infecção (23,1%). Dois doentes faleceram
por toxicidade ao tratamento. Cerca de 50% dos doentes obtiveram doença estável e 20% resposta parcial. A duração mediana
da resposta foi de 5 meses [IC95, 2,4 – 7,6]. O tempo mediano até progressão foi de 9 meses [IC95, 3,5 – 14,5] e 61% dos
doentes estavam vivos aos 24 meses de follow-up desde o início do tratamento com Trabectadina. Conclusões: Os nossos
resultados reforçam o benefício da utilização de Trabectadina no tratamento paliativo dos doentes com sarcomas de tecidos
moles. O seu perfil de toxicidade coloca desafios ao Oncologista tanto na selecção como na abordagem dos doentes durante o
tratamento. A pequena dimensão da amostra é uma limitação do presente estudo.
62 TUMOR FILOIDE DA MAMA - A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Vânia Tavares(1);Joana Miranda(1);Olga Oliveira (1);Lara Madeira (1)Nuno Vilela (1); Sandra Bento (1); José Vilchez (1)
(1) Hospital Distrital de Santarem
Introdução: O cancro da mama no homem é raro, com uma incidência de 1/100000 casos ano. O tumor filoide é um tipo de
tumor bifásico, análogo ao fibroadenoma, caracterizado por uma dupla camada de epitélio, que limita espaços lacunares, e
reveste estroma mesenquimatoso hipercelular com arranjo “foleaceo” típico. São classificados como benignos, borderline ou
malignos com base nas características histológicas que apresentam. Representam menos de 1% das neoplasias da mama.
No homem é extremamente raro, encontrando-se descritos na literatura apenas alguns casos. Caso Clínico: Doente do sexo
masculino, 46 anos, com antecedentes de tuberculose pulmonar há 23 anos, vitiligo, lipomatose e hipertensão. Em Janeiro de
2008 foi referenciado à consulta de cirurgia por nódulo na mama direita peri-areolar, doloroso e de crescimento rápido. Foi feita
biópsia excisional do nódulo em cirurgia de ambulatório, anatomia patológica: tumor filoide boderline da mama, com 2 cm,
margens cirúrgicas com tumor, pelo que posteriormente foi submetido a mastectomia simples, com margens livres de tumor. Os
exames de estadiamento excluiram metastização. Mantém-se em follow up desde há 4 anos, sem sinais de recidiva. Conclusão:
A maioria dos pacientes com lesões benignas ou boderline são tratados com cirurgia que pode ser curativa. No entanto, é
conhecida a capacidade de tumores benignos poderem evoluir para malignos. Não havendo fatores preditivos absolutos para
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63 ESTUDO DO IMPACTO DA IMPLEMENTAÇÃO DA TÉCNICA DE RAPIDARC
Isabel Lobato(1);Pedro Chinita(2)
(1) Hese - Radioterapia (2) Hospital do Espírito Santo, E.P.E
Introdução: A 28 de março de 2011, a unidade de radioterapia do HESE, implementa a técnica de RapidArc, radioterapia de
intensidade modulada (IMRT), permitindo uma maior eficiência no tratamento de algumas patologias oncológicas com indicação
clinica, pelo aumento de dose no volume tumoral e diminuição da irradiação de tecidos sãos circundantes. A sua implementação
e crescente aplicação, obrigou a que as rotinas anteriores fossem modificadas, com consequente reorganização estrutural
da atividade. Objetivo: Como objetivo principal, realizámos um balanço ao fim de um ano de atividade, sobre o modo como a
unidade se reorganizou e orientou, para acomodar esta nova técnica de RapidArc, que é por si só uma inovação, não só nesta
unidade, como para a maioria dos profissionais da área da radioterapia em Portugal. Materiais e Métodos: Efetuámos uma
análise à organização estrutural da unidade, antes e após a implementação do RapidArc. Registámos as necessárias adaptações
protocolares que esta nova técnica exigia, bem como a alocação dos recursos humanos indispensáveis a esta nova atividade.
Sistematizaram-se novos procedimentos a nível protocolar, respeitantes à preparação prévia por parte do doente, nomeadamente
nos preenchimentos vesicais e rectais, na sua imobilização e posicionamento, na aquisição de imagens (com OBI-CBCT e kV ou
através de EPID), bem como, na organização da rede informática da unidade (ARIA). Resultados e Conclusões: O estudo ativo da
monitorização das mudanças ocorridas ao longo deste ano, permitiu-nos otimizar a resposta às necessidades de índole clínica,
do doente e da unidade de radioterapia, principalmente no que respeita à introdução de novos protocolos.
64 CARCINOMA VERRUCOSO DO ÂNUS - UM CASO CLÍNICO
Carlos Fardilha(1);Sara Gonçalves(1);Marisa Padilha(2);Rui Vale Marques(2);Gilberto Melo(2);Paula Alves(1)
(1) Serviço radioterapia- IPOCFG, E.P.E. (2) Serviço de Radioterapia - IPO Coimbra
Introdução: O carcinoma epidermóide do canal anal é uma entidade nosológica distinta no contexto de neoplasia digestiva, não só
pelas diferentes características clínicas mas também pela orientação terapêutica que condiciona. A metastização visceral como
forma de apresentação é rara. Objectivos: Descrever o papel da radioterapia com intenção paliativa e de controlo sintomático
em caso clínico de carcinoma verrucoso do canal anal. Material e Métodos: Doente do sexo masculino de 91 anos de idade
com o diagnóstico de carcinoma epidermóide verrucoso do canal anal, apresentando lesão exofitica extensa com mais de 6 cm
de maior diâmetro tratado exclusivamente com radioterapia. Resultados e Conclusões: A radioterapia é uma opção válida em
doentes que não reúnem condições para cirurgia, com particular relevância por doentes de escalão etário elevado, permitindo
controlo sintomático e melhoria na qualidade de vida.
65 ENTEROCOLITE NEUTROPÉNICA: A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Emanuel Gouveia(1);Diogo Alpuim Costa(1);João Mouta(1);Mafalda
Sargento(1);Margarida Ferreira(2);Maria José Passos(1);António Moreira(1)
(1) IPO Lisboa (2) IPO Lisboa Francisco Gentil, EPE
Carneiro(1);Isália
Miguel(1);Isabel
Introdução: A Enterocolite Neutropénica ou Tifilite (do grego typhlon) constitui um quadro clínico relativamente raro mas
potencialmente grave em doentes neutropénicos. Embora tenha sido primariamente descrita na população pediátrica submetida
99
ABSTRACTS | ABSTRACTS
estes tumores, preconiza-se que mediante a utilização sistemática dos critérios de classificação histológica e a obtenção de
margens cirúrgicas adequadas, os tumores benignos e borderline raramente recorrem. São reportadas taxas de sobrevivência
para os tumores benignos e borderline de 100%.
a quimioterapia por leucemia aguda, têm sido reportados números crescentes de casos em doentes adultos, mais frequentemente
após tratamento de neoplasias hematológicas. Mais raramente têm sido descritos casos em doentes sob quimioterapia por
neoplasias sólidas, nomeadamente mama, pulmão, colorrectal e ovário. A etiopatogenia desta síndrome é ainda pouco conhecida,
embora pareça ser resultado de uma combinação de factores: mucosite, neutropénia e translocação microbiana secundária à
imunosupressão. Vários agentes de quimioterapia foram implicados no seu desenvolvimento, nomeadamente 5-fluouracilo (5FU) e taxanos (docetaxel e paclitaxel). A hipótese de diagnóstico deverá ser colocada perante um quadro clínico caracterizado
por febre, dor abdominal (sobretudo a nível do quadrante inferior direito), distensão abdominal, vómitos e/ou diarreia num doente
neutropénico. O quadro pode evoluir de forma rapidamente progressiva para sépsis e falência multi-orgânica, sendo fundamental
o diagnóstico e intervenção precoces. Objectivos: apresentação de caso clínico de Enterocolite neutropénica e revisão teórica do
tema. Métodos: relato de um caso clínico de Enterocolite neutropénica em doente com carcinoma da cavidade oral após 1º ciclo
de quimioterapia neoadjuvante com TPF (Docetaxel, Cisplatina, 5-FU). Resultados: os autores apresentam o caso de um doente
de 61 anos de idade com hábitos tabágicos e etanólicos prévios conhecidos, com diagnóstico de carcinoma pavimento-celular
da cavidade oral locoregionalmente avançado em Janeiro de 2012 (T4aN2c) proposto para QT adjuvante com TPF (Docetaxel,
Cisplatina, 5-FU). O inventário de doença não mostrou doença à distância. Iniciou 1ºciclo de TPF a 19/02/12, tendo o ciclo
decorrido sem intercorrências e o doente iniciado G-CSF segundo protocolo. Em D+9 o doente iniciou quadro de febre, dor
abdominal a nível dos quadrantes inferiores e diarreia aquosa profusa, motivo pelo qual recorreu ao SU. À admissão encontravase febril, hipotenso e com alteração do estado de consciência, tendo iniciado fluidoterapia intensiva e suporte aminérgico com
boa resposta clínica. Da avaliação analítica realizada destacava-se neutropénia e PCR 47.7 mg/dl. Por suspeição diagnóstica
de enterocolite neutropénica realizou TC abdominal que revelou marcado espessamento parietal circunferencial do cólon
direito e transverso, associado a densificação da gordura mesentérica envolvente e proeminência da rede vascular, aspectos
sugestivos de tiflite. Iniciou antibioterapia de largo espectro de forma empírica e por agravamento do estado de consciência
foi transferido para Unidade de Cuidados Intensivos, tendo o quadro clínico evoluído favoravelmente nos dias seguintes. Das
culturas realizadas destaca-se o isolamento de E.coli e Pseudomonas aeruginosa em hemoculturas. Conclusão: a Enterocolite
Neutropénica constitui uma complicação rara mas potencialmente fatal no doente com neutropénia febril após quimioterapia. O
reconhecimento deste quadro clínico e a instituição de medidas terapêuticas agressivas de forma precoce são essenciais. Este
caso ilustra a importância da presença da suspeição diagnóstica para o prognóstico favorável do doente.
66 CARCINOMA BASOCELULAR – UMA DOENÇA FREQUENTE COM EVOLUÇÃO CLINICA RARA
Carolina Carvalho(1);Marta Mesquita Pinto(2);Helena Miranda(2);Ana Plácido(2);Ana Martins(2)
(1) Hospital São Francisco Xavier - Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (2) CHLO - HSFX
Introdução: O Carcinoma Basocelular é o cancro da pele mais frequente, com uma evolução benigna na maioria dos casos,
embora com elevada taxa de recorrência local. Cerca de 75% a 86% dos Basaliomas primários localizam-se na cabeça e
pescoço. O Basalioma metastático é extremamente raro, sugerindo estudos recentes uma incidência de 0.03%, tendo sido
reportados reportados 300 casos em todo o mundo. Os factores de risco para o Basalioma metastático incluem: tipos histológicos
agressivos, invasão perineural, persistência do tumor por vários anos, tumores resistentes a terapêuticas prévias, exposição
a radiação, tumores primários de grandes dimensões (com uma taxa de incidência 1.9% para tumores superiores a 3cm de
diâmetro e de 50% para tumores superiores a 10cm de diâmetro). Os locais mais frequentes de metastização são os gânglios
linfáticos (64.6%), o pulmão (33.9%) e mais raramente o osso e a pele (1.5%). O Carcinoma Basocelular metastático acarreta
um pior prognóstico, com taxa de sobrevivência média entre 8 meses e os 3,6 anos. Caso Clínico: Apresenta-se o caso de uma
doente género feminino de 86 anos de idade, com história de lesão ulcerada no antebraço esquerdo, excisada em Junho de 2009,
cujo diagnóstico histológico foi de Carcinoma Basocelular metatípico com 15mm de maior eixo, invadindo a hipoderme e com
margem cirúrgica profunda inferior a 1mm e lateral de 2mm. Em Julho de 2011 foi-lhe diagnosticada artrite reumatoide, tendo
sido medicada com prednisona 1.5g/dia e metotrexato 15mg/dia durante 5 semanas, com melhoria das artralgias. Em Outubro
de 2011, surgiu uma tumefacção axilar esquerda, indolor, cuja biopsia revelou metástase de Carcinoma Basocelular metatípico,
pelo que foi referenciada à consulta de Oncologia Médica. Ao exame objectivo apresentava uma volumosa tumefacção na região
anterior da axila esquerda, dura, indolor e com cerca de 5cm de maior diâmetro e uma tumefacção na região axilar mediana
100
67 NEOPLASIA PULMONAR EM DOENTE COM ANTECEDENTE DE MELANOMA PRIMÁRIO - RELATO DE UM CASO
Michael Sapateiro Luís(1);Paulo Salamanca(1);Patrícia Tavares(1);Ana Simas(1)
(1) IPO Porto
Homem de 57 anos, caucasiano, autónomo. Antecedentes de melanoma da coxa direita, submetido a exérese com esvaziamento
ganglionar inguinal há 10 anos, sem evidência de recidiva no follow-up; Diabetes Mellitus tipo 2 medicado e com retinopatia
diabética; Gonartrose e tendinopatia de inserção do quadricípite à direita. Negava hábitos tabágicos e referia hábitos etílicos
ligeiros. Queixas de dispneia de esforço com agravamento progressivo, com cerca de 1 mês de evolução, sem tosse, febre,
anorexia, hipersudorese noturna ou perda ponderal. Realizou em ambulatório Ecocardiograma sem alterações e Rx tórax que
revelou extenso derrame pleural à direita. Foi internado para estudo. Realizou toracocentese evacuadora e diagnóstica, com
biópsia pleural. O estudo anatomopatológico revelou adenocarcinoma de origem primária no pulmão. Foi decidido em consulta
de grupo de Oncologia Pulmonar início de quimioterapia com carboplatino e pemetrexed. Na revisão da literatura, a história
prévia de melanoma cutâneo primário está associado a diminuição de incidência de neoplasia pulmonar primária subsequente,
com implicação no follow-up. Pretende-se relatar um caso de adenocarcinoma primário do pulmão num doente com antecedente
de melanoma cutâneo primário.
68 EXCISÃO LOCAL TRANSANAL DE TUMOR DO RECTO – CASO CLÍNICO
Cátia Rito(1);Gonçalo Pinto(2);Ana Raquel Martins(2);Raquel Sanchez(2);José Travassos(2);José Filipe Cunha(2)
(1) Serviço de Cirurgia Geral - Hospital Espírito Santo, EPE (2) HESE - Cirurgia II
O pólipo colo-rectal é considerado uma lesão precursora de cancro, classificado histologicamente como adenoma tubular, viloso
ou tubuloviloso. A incidência de carcinoma invasivo encontrado num pólipo depende do tamanho e tipo histológico do pólipo. O
tratamento consiste na polipectomia, geralmente por colonoscopia. Caso Clínico: Mulher de 82 anos com história de rectorragias
e mucorreia com um ano de evolução. Como antecedentes pessoais relevantes apresenta fibrilação auricular com terapêutica
anticoagulante, cardiopatia isquémica e é portadora de pacemaker. Realizou colonoscopia que descreveu lesão exofítica do
recto aos 4 cm com 60 mm de dimensão. A biopsia desta lesão foi descrita histologicamente como transformação adenomatosa
e displasia de baixo grau. Ecografia endorrectal compatível com tumor viloso do terço inferior do recto sem sinais de rotura
da muscular própria. Realizada excisão local por via transanal. O diagnóstico anatomopatológico da peça operatória foi de
adenocarcinoma moderadamente diferenciado em adenoma viloso. A doente foi proposta para radioterapia pélvica adjuvante em
consulta de decisão terapêutica.
101
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esquerda, pétrea, indolor com cerca de 4cm de maior diâmetro. Sem evidência de recidiva local na cicatriz de excisão do
Basalioma. Fez exame de estadiamento com TC toraco-abdomino-pélvico que revelou dois nódulos axilares esquerdos com
2x2.2 cm e com 4.5x5.5 cm e múltiplas adenopatias mediastínicas as maiores das quais com 2x1.7 cm, sem outras lesões
suspeitas de malignidade. A doente iniciou regime de quimioterapia com cisplatina 50mg/m2 (D1) e capecitabina 500mg/m2 (2
vezes dia) durante 14 dias, de 21 em 21 dias, com boa tolerância. Actualmente completou 3 ciclos verificando-se melhoria clinica
com diminuição da consistência das tumefacções axilar anterior e mediana. Conclusões: O Carcinoma Basocelular tem uma
elevada incidência e um comportamento maioritariamente benigno. A determinação do risco de recorrência é fundamental para
estabelecer a estratégia terapêutica. O tratamento cirúrgico inicial, com margens de segurança, inicial é gold standard. Dada a
raridade da disseminação metastática desta neoplasia e à limitada eficácia dos agentes citostácticos, o tratamento sistémico
adotado baseia-se nas combinações utilizadas para o carcinoma pavimento-celular metastizado.
69 DEPRESSÃO NA NEOPLASIA DO PÂNCREAS: SÍNDROME PARANEOPLÁSICO?
Ana Raquel Pereira Martins; Francisco Trinca; Cátia Rito; Gonçalo Pinto; Raquel Sanches; Paulo Calixto; José Filipe
Cunha; Rui Dinis
Hospital do Espírito Santo de Évora EPE
Introdução: A depressão é um sintoma comum nas patologias oncológicas, sendo mais habitual nos doentes com neoplasia do
pâncreas do que nas neoplasias em outras localizações anatómicas, precedendo muitas vezes os sintomas físicos e diagnóstico
de neoplasia. Alguns estudos referem 50% a 70% de depressão em doentes com neoplasia pancreática e apenas 20% nas
neoplasias do cólon e 4% nas neoplasias gástricas, não fazendo distinção entre os vários tipos histológicos. Caso Clínico:
Homem, 65 anos, recorreu ao SU por astenia, tonturas e icterícia progressiva. Ecografia mostrou lesão expansiva sólida da
cabeça do pâncreas e foi internado para estudo. Durante o internamento o doente encontrava-se deprimido. Foi realizada
duodenopancreatectomia cefálica e o doente teve alta ao 10º dia pós-operatório. Iniciou QT+RT. Manteve depressão e recusa
de apoio psicológico ou psiquiátrico, iniciou quando de recusa alimentar. Internado por desnutrição grave acompanhada de
anasarca. Discussão: Ainda não existem conclusões acerca da relação doença oncológica/depressão. Anteriormente pensavase ser um síndrome paraneoplásico, mas atualmente surgem novas teorias relacionadas com a produção de anticorpos para os
recetores de serotonina, alterações hormonais, bioquímicas ou nas citosinas endógenas. Será a depressão uma característica
da doença oncológica ou apenas repercussão dos sintomas e prognóstico sombrio? Será a depressão o promotor da doença
oncológica ou as alterações fisiopatológicas provocadas pelo tumor as responsáveis pela depressão?
70 PNEUMONITE NÃO INFECCIOSA EM DOENTE SOB TERAPÊUTICA COM EVEROLÍMUS
Monica Lacerda Semedo(1);Mafalda Casa-Nova(1);Ana Rita Sousa(2);Ana Lúcia costa(3);Mariana Faria(1);Margarida
Matias(1);Teresa Amaral(2);conceição Lourenço(3);Luis Costa(1)
(1) HSM (2) CHLC - H. Santa Maria (3) CHLN-HSM Radioterapia
Objectivo: realçar a importância de um reconhecimento precoce, intervenção e abordagem dos efeitos adversos dos inibidores
mTOR. Introdução: A pneumonite não-infecciosa é um efeito de classe dos derivados da rapamicina, incluindo o everolímus
(inibidor mTOR). A sua incidência em doentes a realizar terapêutica com Everolímus e com carcinoma metastático de células
renais é de 14%, sendo que apenas 4% apresentam pneumonites não-infecciosas de grau 3/4. A etiologia é associada a
mecanismos mediados imunologicamente. Os doentes podem estar assintomáticos ou apresentarem sintomas ou sinais
inespecíficos tais como tosse, dispneia, hipóxia e raramente derrame pleural. A febre e a fadiga também podem estar presentes.
As infecções, neoplasias e outras causas não medicamentosas devem ser excluídas através de exames adequados. Os doentes
com alterações radiológicas sugestivas de pneumonite não-infecciosa mas assintomáticos ou oligossintomáticos podem
continuar a terapêutica com everolímus sem ajuste de dose. Se os sintomas forem moderados, deve considerar-se a interrupção
do tratamento até melhoria sintomática e a corticoterapia poderá estar indicada, e ao reiniciar o everolímus deve ser em dose
reduzida de 5 mg /dia. Nas formas graves a terapêutica deve ser descontinuada, preconizando-se a realização de corticosteróides
até melhoria sintomática. Apresentação do caso clínico: Doente do sexo masculino, 56 anos, com antecedentes pessoais de
hipertensão arterial, controlado e tabagismo crónico (36 UMA). Nefrectomia radical à direita a 27 de Janeiro de 2009, cujo
resultado anatomo-patológico foi de carcinoma de células renais, variante de células claras, grau 2, estadio II – (pT2aNxM0).
TC abdominal de vigilância (14/4/2010) constata-se recidiva ganglionar retroperitoneal e mediastínica. Referenciado à consulta
de Oncologia Médica, com diagnóstico de carcinoma de células claras do rim com metástases ganglionares retroperitoneais
e mediastínicas, estadio IV. Iniciou terapêutica com sunitinib 50 mg/dia, no total de 4 ciclos, mas por progressão ganglionar
retroperitoneal iniciou everolímus 10 mg/dia, sem toxicidade grau 3 ou 4. Após 3 meses de terapêutica o doente apresentavase clinicamente bem, e imagiologicamente com resposta parcial e posteriormente doença estabilizada. Novembro de 2011
recorreu ao serviço de urgência por quadro com 3 dias de evolução de tosse com expectoração mucosa, dispneia, febre (T3839ºC), hipersudorese e cansaço fácil. Objectivamente constatou-se cianose labial, polipneia (24 cpm) e auscultação pulmonar
102
71 TUMORES NEUROENDÓCRINOS METASTÁTICOS – QUANDO A CIRURGIA NÃO É UMA OPÇÃO: MARCADORES
SEROLÓGICOS E PARÂMETROS CLÍNICOS ESPELHANDO TUMORES DE ORIGEM PRIMÁRIA DESCONHECIDA
Catarina Ribeiro(1);Sónia Oliveira(2);Fábio Gomes(2);Pedro Barata(2);Ricardo da Luz(2);Maria Paula Custódio(2);Jorge
Albuquerque(2);Lígia Costa(2);Manuel de Sousa(2);Lurdes Batarda(2)
(1) CHLC (2) CHLC - H. Sto Antonio dos Capuchos, Lisboa
Introdução: De todos os tumores primários de origem desconhecida, os tumores neuroendócrinos (TNE) representam cerca de
3%, sendo uma patologia relativamente rara. Estes casos representam um enorme desafio pela impossibilidade de ressecção do
tumor primário ou de recurso às suas características histológicas ou imagiológicas para monitorizar a resposta terapêutica ou
progressão da doença. Reportamos, neste trabalho, o caso clínico de uma doente seguida no nosso serviço por TNE estádio IV
com tumor primário de origem desconhecida, como exemplo de monitorização da progressão da doença/resposta ao tratamento
por base unicamente em dados clínicos e laboratoriais, com recurso fundamental aos valores de cromogranina A sérica.
Caso clínico: Mulher de 68 anos, que iniciou em 2005 queixas gastrointestinais, nomeadamente dispepsia e diarreia, associadas
a sensação de calor, rubor facial e agravamento da hipertensão arterial. Os exames complementares de diagnóstico pedidos
identificaram múltiplas lesões hepáticas, cuja biopsia caracterizou histologicamente como carcinoma neuroendócrino G1,
cromogranina A positiva. Não foi identificado nenhum outro foco de doença neoplásica. Iniciou terapêutica com Octreótido tendo
obtido progressiva melhoria dos sintomas da síndrome carcinoide. Em 2010 foi submetida a cirurgia em 2009 para ressecção
das lesões hepáticas (R1) que na avaliação histológica correspondiam a metástases de carcinoma neuroendócrino. Desde então
a doente tem sido seguida em consulta de oncologia, realizando quimioterapia com recurso a vários esquemas sequenciais,
monitorizada clínica e laboratorialmente, com base nas provas de função hepática, valores de cromogranina A e Octreoscan
avaliados periodicamente. Conclusão: Ainda que se apresentem com baixa prevalência, os tumores neuroendócrinos de origem
primária desconhecida permanecem um desafio quando constituem a forma de apresentação da doença. O caso clínico aqui
apresentado ilustra como nos podemos munir de armas clínicas e laboratoriais disponíveis, espelhando a evolução da doença
primária e avaliando a sua resposta às terapêuticas efectuadas.
103
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com fervores subcrepitantes na base do hemitórax esquerdo. Analiticamente com anemia ligeira, aumento dos parâmetros
inflamatórios de fase aguda e LDH e com insuficiência respiratória parcial. Radiografia torácica com hipotransparência parahilar
bilateral mais evidente à esquerda. Internamento no Serviço de Medicina com a hipótese diagnóstica de pneumonia em doente
imunodeprimido, tendo iniciado terapêutica com antibioterapia de largo espectro (piperacilina/tazobactam). Verificou-se um
agravamento progressivo do quadro clínico, laboratorial e radiológico, pelo que realizou outras linhas de antibioterapia mas
sem melhoria. TC torácica realizada foi compatível com uma pneumonite de hipersensibilidade, sem progressão de doença
metastática. Todos os exames culturais foram negativos, incluindo o lavado broncoalveolar e as secreções brônquicas colhidas
durante a broncofibroscopia. Biopsia brônquica foi negativa para células neoplásicas. Perante o quadro clínico apresentado a
hipótese diagnóstica mais provável foi de pneumonite não-infecciosa a everolímus. Neste contexto foi iniciada prova terapêutica
com corticoterapia 1 mg/kg/dia, com melhoria progressiva clínica, laboratorial e imagiológica, apoiando a hipótese diagnóstica
referida. Actualmente mantém-se sob corticoterapia 10 mg/dia, sem novas intercorrências, aguardando reavaliação imagiológica
para reiniciar quimioterapia em dose reduzida. Conclusão: A terapêutica com Everolímus (inibidor mTOR), está aprovada no
tratamento do carcinoma metastático de células renais, após falência da terapêutica de primeira linha com VEGF-targeted
therapy, com prolongamento da sobrevivência livre de progressão (PFS), sendo bem tolerado, e os efeitos adversos são fáceis
manejar. O reconhecimento precoce, intervenção imediata e uma abordagem conservadora são importantes na gestão do risco
associado com pneumonite não-infecciosa em associação com everolímus.
72 CARCINOMA NEUROENDÓCRINO DE GRANDES CÉLULAS DO OVÁRIO
Rita Canário(1);Pedro Silvestre Madeira(1);Isabel Pazos(2);Sofia Broco(2);Teresa Carvalho(1);Helena Gervásio(2)
(1) Instituto Português de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil, EPE (2) IPO - Coimbra
Introdução: Os tumores neuroendócrinos ginecológicos são raros e têm sido descritos a nível do útero e ovário. O carcinoma
neuroendócrino de grandes células (CNGC) do ovário corresponde a um tipo histológico pouco diferenciado, associado a
comportamento clínico agressivo e mau prognóstico. Objectivos: reportar caso clínico de patologia rara bem como abordagem
terapêutica. Material e métodos: análise do processo clínico e revisão da literatura. Resultados: Doente de 45 anos, sexo
feminino, pré-menopausica, recorre em Março de 2011 ao médico assistente por auto-detecção de massa indolor na fossa
ilíaca esquerda, sem outra sintomatologia associada. O estudo imagiológico complementar objectivou volumosa formação
tumoral pélvica sólida com áreas quísticas, com provável origem no ovário direito, envolvendo o útero e estendendo-se para
a região anexial esquerda e invadindo parcialmente a parede posterior da bexiga. Foi submetida em Abril/2011 a laparotomia
exploradora com histerectomia total, anexectomia bilateral, omentectomia total e exérese de implantes peritoneais; o estudo
histopatológico concluiu tratar-se de um CNGC primário do ovário, GIII, Ki67 95% e receptores de somatostatina negativa.
Os exames de estadiamento revelaram ectasia pieolocalical direita, implantes peritoneais, adenopatias abdominais e lesões
secundárias pulmonares bilaterais e hepáticas múltiplas; o estudo do tubo digestivo foi negativo para lesões neoplásicas. A
cintigrafia com octreótido marcado demonstrou hipercaptação no hilo pulmonar bilateralmente. Apresentava elevação do CA
125, CEA e Cromogranina A. Iniciou quimioterapia (QT) em Junho de 2011 com Etoposido (100mg/m2) e Cisplatina (80mg/m2),
objectivando-se resposta imagiológica completa após 4 ciclos de tratamento pelo que prossegui QT, tendo completando 8 ciclos
e permanecendo quatro meses em controlo clínico sem evidência de recidiva. Em Janeiro de 2012 foi objectivada progressão
de doença a nível ganglionar infra e supradiafragmático. Encontra-se a cumprir QT 2ª linha com ifosfamida (7500mg/m2),
mantendo bom estado geral (Karnoffsy performance status 90%). Conclusões: No caso clínico apresentado, as características
anatomopatológicas e imunohistoquímicas bem como a apresentação inicial da doença num estádio avançado (FIGO IV)
demonstram a existência de um do CNGC de comportamento biológico e clínico agressivo. A doente apresentou um intervalo
livre de doença após QT de 1ª linha de 4 meses e até à data tem uma sobrevivência global de 12 meses. Este caso constitui um
desafio terapêutico uma vez que dada a baixa incidência deste tipo de tumores não existe terapêutica estabelecida.
73 TUMOR NEUROENDÓCRINO DO PÂNCREAS – CASO CLÍNICO
Sara Ventura(1);Nuno Bonito(1);Mariela Marques(1);Paula Jacinto(1);João Ribeiro(1);Helena Gervásio(1)
(1) IPO-Coimbra
Objectivos: Reportar caso clínico de Tumor Neuroendócrino do Pâncreas. Métodos: Revisão do processo clínico e da literatura.
Resultados: Doente de 59 anos de idade, que em Fevereiro de 2009 iniciou quadro de astenia e anorexia, tendo realizado, por
indicação do Médico de Família, ecografia abdominal que revelou múltiplas lesões nodulares sólidas hepáticas compatíveis com
lesões secundárias. Em TAC realizada posteriormente evidencia-se formação nodular heterogénea com algumas calcificações
com cerca de 8cm de diâmetro podendo corresponder a lesão neoplásica da cauda do pâncreas. Efectuada biópsia hepática que
revelou metástase de adenocarcinoma compatível com origem pancreática. O doente foi, então, referenciado à nossa Instituição
tendo iniciado QT paliativa com Gemcitabina semanal a 24/09/2009. Realizou TAC toraco abodmino pélvica após 7 semanas
de tratamento na qual é revelada lesão pancreática de dimensões semelhantes, metastização hepática com alguns focos de
calcificação no seu interior assim como algumas imagens de carácter osteocondensante em corpos vertebrais sugestivos de
metastização. Dado o padrão evolutivo e os achados imagiológicos foi solicitada revisão de lâminas. Realizou ainda cintigrafia
óssea que evidencia metastização óssea difusa. A revisão de lâminas revelou tumor com diferenciação neuroendócrina,
indiferenciado e sem imunomarcação para KI67. Realizou cintigrama com octreótido que confirmou envolvimento secundário
hepático e plurimetastização óssea de neoplasia do pâncreas com receptores para a somatostatina. Em virtude do doente
apresentar diarreia refractária ao tratamento foi decidido início de tratamento com octreótido. O doente obteve benefício clínico
e em Maio de 2010, após progressão, foi associada QT segundo esquema EP (Cisplatina 75 mg/m2 e Etoposido 100 mg/m2) 6
104
74 ARTRITE REUMATOIDE E CANCRO: QUE RELAÇÃO?
Ivo Julião(1);Telma Costa(1);Magda Sousa(2);Susana Cavadas(2);Beatriz Pinheiro(3)
(1) Centro Hospitalar Baixo Vouga - HIP (2) HIP - Aveiro (3) HIP-Aveiro
Introdução: A artrite reumatóide (AR) é uma doença auto-imune sistémica com atingimento predominantemente articular, que
evolui de forma crónica, podendo ter uma gravidade variável. Tem uma prevalência significativa na população geral (1%), com
predomínio do sexo feminino (4:1), podendo-se manifestar quer na criança (artrite crónica juvenil), quer no adulto jovem, ou
mesmo no idoso. A coexistência de AR e cancro é conhecida, mas apesar dos inúmeros estudos realizados, ainda não foi possível
estabelecer uma associação entre ambas; mas comparativamente à população geral da mesma idade e sexo, existe um risco
aumentado de linfoma, mieloma e leucemia. O mesmo acontece para determinado tipo de tumores sólidos como os da pele e
pulmão. Alguns estudos, já com grandes amostras, demonstraram uma relação entre a AR e o cancro do pulmão, sem ser possível
obter resultados relativos a factores de risco comuns, ou causalidade entre ambas. As relações descritas tornam crescentes as
preocupações com o uso de terapêuticas modificadoras da atividade da doença reumática (DMARD) e o seu possível papel na
etiologia nos doentes com AR. Objectivo: Pretende-se apresentar um caso clínico que reflita a existência da associação entre AR
e cancro do pulmão. No caso descrito foi diagnosticado adenocarcinoma primário do pulmão numa mulher jovem, sem factores
de risco conhecidos, com antecedentes de AR e sob DMARD’s de longa data. Material e métodos: Descrição de caso clínico
tendo por base registos do processo clínico em papel e constante no programa informático SAM® do Hospital Infante dom Pedro
(HIP) - Centro Hospitalar do Baixo Vouga. Caso clínico: RMMT, sexo feminino, 38 anos, com diagnóstico de artrite idiopática
juvenil desde os 8 anos, que evoluiu, na idade adulta, para artrite crónica com comportamento de AR gravemente destrutiva,
sob corticoterapia de longa duração, bem como metotrexato e plaquinol por períodos. Foi referenciada ao Serviço de Urgências
(SU) do HIP pelo Médico Assistente em Fevereiro de 2012 por quadro de dispneia e toracalgia inespecífica, de agravamento
progressivo, com cerca de 2 meses de evolução. Era portadora de radiografia torácica que mostrava opacidade compatível com
derrame pleural no campo pulmonar esquerdo. À anamnese a doente referia quadro arrastado de tosse seca, sudorese nocturna,
emagrecimento não quantificado, náuseas com vómitos pós-prandiais precoces, anorexia e astenia marcadas. Relatava ainda
toracalgia e dispneia para pequenos esforços. Negava alterações do trânsito gastro-intestinal assim como do aparelho génitourinário. Sem outras queixas, nomeadamente sem agravamento das artralgias/artrite. Ao exame objectivo a doente apresentava
taquicardica (107bpm), com boas saturações periféricas em ar ambiente (99%) e apirética. À auscultação pulmonar era de
salientar a diminuição do MV no ápice do campo pulmonar esquerdo estando mesmo abolido nos 2/3 inferiores. A auscultação
cardíaca era rítmica sem sopros audíveis. Apresentava dor difusa à palpação do abdómen e volumosa hepatomegália palpável de
textura difusamente nodular. Objectivadas deformidades articulares múltiplas de ambas as mãos, punhos, cotovelos em flexão
e ombros anquilosados. Pé reumatóide com dismorfia da marcha. Sem outras alterações. Relativamente aos MCDT’s realizados
em contexto do SU, a radiografia torácica era compatível com derrame pleural à esquerda e na radiografia abdominal era notória
hepatomegália volumosa. Analiticamente: apresentava anemia normocrómica e normocítica, leucocitose com neutrofilia(21.3 e
16.9x10E9), elevação da LDH (348 U/L) e FA (834 U/L), assim como da pCr (14.96 mg/dl). Foi internada no Serviço de Medicina
para estudo. Do estudo efetuado salienta-se elevação dos marcadores tumorais, como CA 15.3 (948.8 U/ml), CEA (12.4 ng/
105
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ciclos com términus a 24/11/2010 e dado continuidade a tratamento com octreótido, que manteve durante 5 meses com doença
estabilizada e remissão dos sintomas. A 02/05/2011 constata-se progressão de doença a nível pulmonar com diminuição das
lesões hepáticas pelo que iniciou quimioterapia paliativa com capecitabina 750 mg/m2 2 id. D1-D14 e temozolamida 150 mg/m2
D10-D14 (21/21d). Efectuou até ao momento 11 ciclos, com benefício clínico e resposta parcial. Conclusão: Neste caso salientase a dificuldade diagnóstica que comprometeu a terapêutica inicial de um tumor raro (0.32/100.000 ano). Na revisão da literatura
evidencia-se uma sobrevivência média de 10 meses para doentes com tumores neuroendócrinos indiferenciados, tendo o nosso
doente até ao momento 36 meses de seguimento sempre com benefício clínico o que motivou continuidade de autonomia nas
actividades da vida diária. A utilidade do octreótido em tumores não-secretores tem sido debatida, no entanto, um estudo recente
indicou um efeito antiproliferativo nos 2 sub-tipos: secretores e não secretores (Estudo PROMID). O tratamento citostático tem
tido um papel limitado nestes tumores no entanto, a associação de capecitabina e temozolamida apresentou taxas de resposta
na ordem dos 35-40%, com baixa incidência de efeitos adversos grau 3-4.
ml) e CA-125 (1581.7 U/ml) e alterações relevantes na ecografia abdominal. Foi então pedida TAC tóraco-abdomino-pélvica
que mostrou destruições líticas ósseas múltiplas, provavelmente secundárias. Derrame pleural a ocupar o hemitórax esquerdo,
com colapso do pulmão esquerdo, visualizando-se brônquio principal esquerdo, interrompido a nível proximal, por área de
aspecto vagamente nodular, com 43 x 37 mm, podendo corresponder a uma massa pulmonar. O tronco arterial pulmonar
esquerdo, aparece truncado. Fígado com incontáveis formações expansivas compatíveis com lesões secundárias. Com base nos
achados da TAC foi pedida broncofibroscopia que revela obstrução do brônquio principal esquerdo por lesão neoplásica que foi
biopsada, cujos resultados histológicos foram obtidos post-mortem, revelando adenocarcinoma primário do pulmão. Durante o
internamento a doente demonstrou agravamento severo do estado geral com insuficiência respiratória grave, sem resposta às
medidas instituídas, tendo falecido ao 17º dias de internamento. Discussão e conclusão: O caso clínico apresentado reflete
a possível relação entre a AR e cancro, sendo muitos os factores que concorrerem para esta coexistência. Em ambas existem
mecanismos de desregulação auto-imune. Se por um lado, na AR, há uma auto-destruição celular progressiva, crónica, no
cancro há proliferação celular anárquica. As duas partilham, ainda, factores responsáveis pelo aumento da incidência, como o
tabagismo, e alguns biomarcadores. O uso de DMARD’s na AR condiciona um efeito imunomodulador que poderá contribuir para
a carcinogénese
75 NEOPLASIA SÍNCRONA DO COLON
Gonçalo Pinto(1);Cátia Rita(2);Ana Raquel Martins(2);Raquel Sanchez(2);Vasco Herédia(1);Paulo Jaleco(2);José
Travassos(2)
(1) HESE (2) HESE - Cirurgia II
Introdução: A Sincronicidade Neoplásica é frequente (2-11%) nos carcinomas colorrectais. É também frequente a impossibilidade
de visualização endoscópica cólica completa (20%), sendo principalmente motivada por neoplasias estenosantes.
Objectivo: Apresentação de caso clínico de Neoplasia Síncrona do Cólon e alertar para a sua detecção pré-operatória de forma
optimizar a planificação e terapêutica. Material e Métodos: Os autores apresentam um caso clínico de um indivíduo do sexo
masculino com 29 anos com quadro de oclusão intestinal com 6 dias de evolução. A rectossigmoidoscopia realizada revelou lesão
sigmoideia inultrapassável aos 30 cm. A TC abdominopélvica revelou estenose cólica dupla, localizadas ao recto e sigmoide distal,
condicionando distensão de todo o colon com dilatação cecal de 9 cm. Foi submetido a Proctocolectomia Total com Ileostomia
de Brooke. Resultados: Ao 20º dia foi reinternado com abcesso da goteira parietocólica direita tendo sido feita drenagem
percutânea e Antibioterapia durante 9 dias. O estudo da peça operatória revelou Adenocarcinomas síncrones do recto e sigmóide,
moderadamente diferenciados, com invasão ganglionar em 3 dos 53 gânglios excisados pT3 pN1b mX. Foi ainda isolado pólipo
no cólon direito com displasia de baixo grau. Foi enviado ao Serviço de Oncologia onde iniciou Quimiorradioterapia adjuvante
e estudo genético. Conclusão: A palpação intraoperatória pode falhar até 70% das neoplasias síncrones do colorrectal e o seu
diagnóstico pré-operatório altera a planificação cirúrgica em cerca de 50% dos casos. Em casos de Neoplasias Estenosantes
Colorrectais deve ser realizada Colonoscopia Virtual, correctamente designada por Colonografia Tomográfica Computorizada,
cujo exame tem sensibilidade próxima dos 85% na detecção destas Neoplasias Síncronas.
76 TUMOR DE COLISÃO DO CÓLON: ADENOCARCINOMA E LINFOMA LINFOIDE – RELATO DE UM CASO CLÍNICO
Olga Oliveira(1);Joana Miranda(2);Lara Madeira(2);Vânia Tavares(2);Sandra Bento(2);José Vílchez(2);António
Soares(2);José Barbosa(2)
(1) Hospital Distrital de Santarém (2) Hospital Distrital de Santarém, EPE
Introdução: O termo “tumor de colisão” refere-se à presença de duas neoplasias síncronas e na mesma localização anatómica,
sem mistura nem transição dos diferentes componentes neoplásicos. Os tumores de colisão são pouco frequentes na generalidade
e raros no cólon, havendo poucos casos descrito de tumores com componente epitelial e linfóide. No presente poster descrevemos
um caso de tumor de colisão do ângulo hepático do cólon, constituído por um adenocarcinoma moderadamente diferenciado
106
77 METÁSTASE ESOFÁGICA DE CARCINOMA DA MAMA - A RARIDADE E O DESAFIO DIAGNÓSTICO
Cristina Oliveira(1);Anne Vaz(1);Inês Pousa(1)
(1) Instituto Português de Oncologia do Porto Dr. Francisco Gentil, E.P.E.
O envolvimento metastático do lúmen do tracto gastrointestinal (GI) por carcinoma da mama é raro, havendo poucos casos
descritos na literatura. O carcinoma lobular, apesar de menos frequente, apresenta maior tendência à metastização GI. O
envolvimento esofágico é raro, descrito em cerca de 0,4% dos carcinomas da mama, surgindo após um longo período desde
o diagnóstico inicial, em média 9,5 anos, podendo ocorrer até 20 anos depois. Apresenta-se geralmente como uma obstrução
extrínseca, sem evidentes alterações da mucosa subjacente, tornando o diagnóstico histológico endoscópico por vezes mais
difícil. Os autores apresentam o caso clínico de uma doente de 75 anos, com diagnóstico em 1992 de carcinoma da mama.
Submetida a mastectomia radical modificada à direita, cujo histológico da peça evidenciou um carcinoma ductal invasor G2
pT2N0M0 com receptores hormonais positivos. Realizou tratamento adjuvante com radioterapia e hormonoterapia, com alta
institucional após 5 anos de tamoxifeno. Readmitida em 2005 por recidiva local e iniciou hormonoterapia paliativa com letrozol
com resposta completa. Em Dezembro de 2011, por quadro de disfagia progressiva para sólidos e líquidos com cerca de 2 meses
de evolução, realizou endoscopia digestiva alta que mostrou subestenose do lúmen esofágico, aos 28 cm da arcada dentária,
por compressão extrínseca, sem alterações da mucosa. Biópsia esofágica sem malignidade. A doente dá entrada no serviço de
urgência em Fevereiro de 2012 com disfagia quase total. Realiza ecoendoscopia e biópsia aspirativa de lesão nodular da parede
esofágica que foi compatível com metástase esofágica de carcinoma de mama. Colocada prótese esofágica para dilatação. Sem
evidência de metastização noutros locais. Iniciou hormonoterapia paliativa de segunda linha com exemestano, que mantém até
à data. Os autores alertam para a importância da suspeição clínica desta entidade, dada a sua raridade e uma vez que com o
aumento da sobrevida dos doentes com carcinoma da mama, manifestações metastáticas mais atípicas podem ser antecipadas,
incluindo do tracto GI, sendo de considerar este diagnóstico, quando surgem queixas de novo deste foro.
107
ABSTRACTS | ABSTRACTS
e linfoma não Hodgkin de células B. Caso Clínico: Doente de 79 anos de idade que em Julho de 2011 fez colonoscopia para
estudo de rectorragias abundantes. A colonoscopia mostrou presença de lesão exofítica e ulcerada do ângulo hepático e pólipo
de irregular a 20 cm da margem do ânus. As biopsias efectuadas revelaram tratar-se de adenocarcinoma moderadamente
diferenciado e ulcerado no ângulo hepático, e adenocarcinoma em adenoma tubular com invasão do eixo, distando 1 mm da
base (totalmente excisado). No mesmo mês foi submetida a colectomia total. O estudo anatomo-patológico da peça operatória
revelou um tumor de colisão no ângulo hepático (adenocarcinoma de baixo grau e linfoma linfocítico / leucémia linfóide crónica
B, isolando-se 291 gânglios linfáticos, 6 dos quais com metástases de adenocarcinoma, e os restantes infiltrados por linfoma.
A doente foi reencaminhada para o Intituto Português de Oncologia para seguimento do linfoma não Hodgkin de Células B e
no Hospital Distrital de Santarém efetuou quimioterapia adjuvante dirigida ao adenocarcinoma do cólon tendo completando
até agora 8 ciclos de Capecitabina. Atualmente a doente encontra-se estável, com bom estado geral. Conclusão: Este caso é
interessante pela raridade da patologia tratada e por demonstrar a importância da colaboração interdisciplinar para benefício
do doente. Casos como este deveriam ser descritos na literatura de modo a ajudar a entender o comportamento deste tipo de
tumores ainda tão desconhecidos e pouco relatados na literatura Médica.
78 TERAPÊUTICA NEOADJUVANTE NO TRATAMENTO DA NEOPLASIA DO RECTO – ESTUDO RETROSPECTIVO DOS
CASOS COM REMISSÃO COMPLETA
Joana Santos Miranda(1);Vânia Tavares(2);José Vílchez(3);Olga Oliveira(4);Lara Madeira(4);Pedro Carvalho(4);Sandra
Bento(4);Luís Ferreira(4);José Barbosa(4)
(1) Hospital Distrital Santarém (2) Hospital Distrital de Santarém (3) Hospital Distrital de Santarém, EPE (4) Hospital Distrital de
Santarem
Introdução: Os tumores do recto representam aproximadamente 40% dos tumores colo-rectais. O estadiamento pré-operatório
do tumor do recto é muito importante, de modo a permitir a programação da terapêutica e avaliação dos resultados. Este se
realiza com base no TNM e o tipo histológico. O estadiamento local define grupos de risco para recidiva local, conforme o grau
de penetração do tumor e a existência de gânglios regionais positivos. Assim, a estratégia terapêutica para os doentes passa a
ser escolhida de acordo com a probabilidade de recidiva definida para cada grupo e a co-morbilidade associada à terapêutica.
Objectivos: O objectivo deste trabalho foi avaliar retrospectivamente a percentagem de doentes com neoplasia do recto distal
que obtiveram remissão completa do tumor após terapia neoadjuvante com quimioterapia e/ou radioterapia, mediante a revisão
do estadiamento TNM patológico e o grau de regressão histopatológico. Resultados e conclusão: Entre 2006 e 2010, foram
operados 190 doentes por neoplasia do recto. Um total de 92 foi submetido a terapêutica neoadjuvante (76 com quimioterapia
e radioterapia, 11 com radioterapia e 5 apenas com quimioterapia). 12 destes doentes (6.3%) tiveram remissão completa
histopatológica, 7 dos quais estão vivos e livres de doença, 2 vivos com neoplasia metastática; e 3 faleceram, 2 dos quais por
causa da doença neoplásica. Estes valores estão dentro dos descritos na literatura.
79 “ IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO GENÉTICA NO CANCRO DA MAMA”
Mariana Faria(1);Margarida Matias(1);Patricia Dias(2);monica semedo(2);mafalda casanova(2);Leonor Ribeiro(1)
(1) HSM (2) H. Sta Maria
Introdução: A avaliação de risco para cancro genético tem vindo a crescer como uma prática clínica especializada e interdisciplinar,
com um arsenal de instrumentos genéticos e genómicos que permitem identificar indivíduos e famílias com risco de cancro
hereditário. A avaliação de risco e gestão de síndromes de predisposição genética com elevada penetrância mostrou aumentar a
aderência à vigilância, a qual está associada ao diagnóstico em fase mais precoce da doença. Várias sociedades internacionais
estabeleceram “guidelines” acerca de avaliação de risco e testes genéticos, que constituem fontes que ajudam a identificar os
doentes que podem beneficiar de uma avaliação de risco genético. Assim, é importante a promoção de uma boa prática clínica
na Oncologia Médica no que se refere à realização de uma história familiar completa que permita então identificar estes doentes.
Indivíduos portadores de mutação patogénica no gene BRCA1 ou BRCA2 têm um risco cumulativo bastante elevado de desenvolver
cancro da mama e cancro do ovário, sendo por isso fundamental a identificação das famílias portadores desta síndrome. O
seguimento de portadores de mutação no gene BRCA1 ou BRCA 2 engloba a adopção de medidas de cirurgia profilática ou de
medidas preventivas não cirúrgicas. Objectivo: Análise dos doentes do Serviço de Oncologia Médica do Hospital de Santa Maria
com cancro da mama e/ou ovário referenciados para a Consulta de Genética e avaliação do grupo submetido a estudo genético
com confirmação de mutação do BRCA 1 e 2. Material e métodos: Análise retrospectiva dos processos clínicos dos doentes
seguidos no Serviço de Oncologia do HSM por cancro da mama e/ou ovário que foram referenciados para Consulta de Genética
a partir de 2006 e cujos estudos genéticos estejam já concluídos à data. Resultados: no período descrito foram referenciados
à Consulta de Genética 112 doentes com cancro da mama e/ou ovário, 106 dos quais mulheres e seis homens, apresentando
109 doentes neoplasia da mama e 3 doentes neoplasia do ovário. Destes doentes, 79% apresentavam história familiar de cancro
da mama e/ou ovário. À data do diagnóstico 62% dos doentes estava dentro da faixa etária dos 30 e 49 anos. Dos doentes com
cancro da mama, 17 (16%) das doentes desenvolveram cancro da mama bilateral e cerca de 7% (8 doentes) apresentaram,
para além da neoplasia da mama, uma segunda neoplasia (três doentes com cancro do ovário e cinco doentes com outras
neoplasias). De todos os doentes referenciados, 19,6% não realizaram estudo genético por não preencherem critérios; dos
78 doentes que prosseguiram estudo genético a 83% foi pedido estudo BRCA 1 e BRCA2, 1% apenas BRCA1 e 15% apenas
108
80 CANCRO COLO-RECTAL CASUÍSTICA DO CENTRO HOSPITALAR BARREIRO MONTIJO DURANTE O ANO DE 2005
Adriano Baptista(1);Paulina Rosa valentim Chitonho(1);Francisco Ineguez(1);Helder Mansinho(1)
(1) Centro hospitalar Barreiro Montijo
Introdução: O cancro colo-rectal já é o terceiro tumor mais frequente no mundo, com mais de 1,1 milhão de novos casos
anuais. As maiores taxas de incidência são observadas em países industrializados, tais como EUA, Canada, Austrália, Nova
Zelândia, Japão e países da Europa ocidental. Consequente a estilos de vida sedentaria e habitos alimentares. O Cancro colorectal também é uma das principais causas de morte por cancro no mundo. Embora a mortalidade pela doença ainda apresente
tendência ascendente em diversos países, há vários anos que já existe diminuição de mortalidade. Objectivos: Caracterizar os
doentes com cancro Colo-rectal admitidos na Unidade oncológica em 2005 e analisar os resultados. Material e Métodos: Estudo
retrospectivo baseado na análise dos processos clínicos de 63 doentes , admitidos na unidade oncológica no ano de 2005 com
o diagnostico de cancro colo-rectal. Os doentes foram caracterizados nas seguintes variáveis: Sexo, idade, localização, tipo e
grau histológico, factores de mau prognóstico, estádio ao diagnostico, terapêutica realizada e sobrevida aos 5 anos. Resultados:
Do total dos doentes analisados constatamos que 60% era do sexo masculino e 40% do sexo feminino e a idade na altura do
diagnostico situava-se preferencialmente na faixa etária dos 51 aos 70 anos. Localização: Cancro do cólon que correspondia
a 78% dos doentes, 54% foi no cólon direito e 38% no sigmoideu; No recto 50% foi no recto médio e 21,4% no recto superior.
Tipo histológico: Adenocarcinoma – 98%. Grau: GI – 31%; GII – 67%; GIII – 2% Distribuição por estádio: I -12,50%; IIA - 20,31%;
IIB - 3,13%; IIC – 1,56% IIIB - 35,94%;IVA – 21,88%; Não classificados 4,68%. Factores de mau prognostico: invasão venosa
11%; invasão linfática 6%; invasão peri neural 3% Tratamento: Operados em oclusão 5,2% e em perfuração 1,7%; Cirurgia
a metástases hepáticas 2 doentes ; Terapêutica adjuvante 53,1% dos doentes Sobrevida com mortes relacionadas aos 60
meses: taxa de mortalidade 19%; taxa de sobrevida 81%; Mediana de 53,5 utentes. Sobrevida com mortes relacionadas e
não relacionadas aos 60 meses: Taxa de mortalidade 25,4%; Taxa de sobrevida 74,6%; mediana 52,2. Conclusão: Apesar da
amostra ser pequena a caracterização demográfica por sexo idade e localização, esta de acordo com a literatura. Dos 63 doentes
houve 12 óbitos relacionados com a doença e 4 mortes não relacionadas.
109
ABSTRACTS | ABSTRACTS
BRCA2. Dos doentes que realizaram estudo genético 14% apresentaram alterações de significado indeterminado que foram
consideradas não apresentar significado clínico. Foram constatados 7 casos de mutações no BRCA2 e 4 casos de mutações no
BRCA 1. Os 4 casos de BRCA1 positivo ocorreram em mulheres com idade à data de diagnóstico entre os 30 e 49 anos, sendo
que duas delas desenvolveram cancro da mama bilateral e as outras duas desenvolveram, para além de cancro da mama
também neoplasia do ovário. Três doentes apresentavam perfil triplo-negativo, p53 positivo e índice proliferativo elevado; da
outra doente apenas temos informação de ter receptores negativos. Dos sete casos com BRCA2 positivo, um dos doentes era
do sexo masculino; a idade à data de diagnóstico variou entre os 30 e 79 anos; três doentes desenvolveram tumor bilateral
da mama. Seis doentes apresentavam RE positivos, com HER2 negativo também em 6. Dois doentes apresentaram mutação
fundadora portuguesa (c156_157ins Alu). Dos11 doentes com mutação identificada, cinco realizaram cirurgia profilática
(mastectomia e/ou ooforectomia bilateral) e dois doentes encontram-se em vigilância; dois doentes aguardam decisão e duas
doentes faleceram entretanto. Conclusão: A principal utilidade clínica da Avaliação de Risco para Cancro Genético é a de
promoção de um “screening” adequado ao risco, prevenção e eventual desenvolvimento de terapêutica-alvo. Este estudo pode
contribuir para a diminuição da ansiedade nos familiares nos quais se demonstre não serem portadores de mutação, bem como
permitir a adopção de medidas profiláticas e/ou de diagnóstico precoce nos portadores. Assim, o desenvolvimento nesta área
permitirá cada vez mais a evolução para uma medicina personalizada. Cabe ao oncologista a identificação dos doentes que
poderão beneficiar de uma avaliação de risco genético, o que constitui um factor de qualidade na prática clínica.
81 CARCINOMA SERREADO DO CÓLON. CASO CLÍNICO COM EVOLUÇÃO DRAMÁTICA.
Ana Rita Garcia(1);Joao Ribeiro(2)
(1) Serviço de Medicina Interna-HUC (2) IPO-Coimbra
Objectivo: chamar a atenção para um subtipo de carcinoma do cólon com prognóstico incerto. O adenocarcinoma serreado é o
produto final do desenvolvimento de um adenoma serreado, por uma via alternativa da clássica sequência adenoma – carcinoma
de Vogelstein. Alguns estudos sugerem que poderá ser uma variante mais agressiva de carcinoma do cólon.
Método: apresentação de caso clínico. Resultado: doente JC, sexo masculino e trinta e nove anos de idade inicia quadro de
dores abdominais em Julho de 2010. Efectua exames imagiológicos que não revelam anomalias significativas. Uma colonoscopia
revela contudo um pólipo do cólon descendente cuja biópsia revela aspectos de carcinoma serreado. Foi então submetido em
Agosto a ressecção segmentar do cólon, não havendo tumor residual na peça operatória e nos gânglios analisados. O doente
esteve bem durante dois meses mas em Novembro inicia um quadro febril cuja causa não era clara. O despiste de uma doença
infecciosa não foi bem sucedida, mas uma TAC toraco-abdominal revelou imagens nodulares hepáticas que fora interpretadas
como podendo corresponder a abcessos. Várias hemoculturas foram negativas e o quadro clínico não melhora com antibioterapia
de largo espectro. Foi então submetido a biópsia hepática que mostrou aspectos de adenocarcinoma serreado. O doente inicia
em Janeiro de 2011 quimioterapia com esquema FOLFIRI com transitória melhoria sintomática, mas vem a falecer três meses
depois, numa tentativa de ressecção das metástases. No acto operatório encontrou-se rotura hepática por um tumor muito
endurecido sem qualquer possibilidade de ressecção. Conclusão: apesar de uma detecção precoce do tumor primário, este caso
clínico teve uma evolução rapidamente fatal sem resposta à terapêutica citostática. Esta variedade tumoral poderá carecer de
estratégias particulares de seguimento e tratamento.
82 TOXICIDADE CARDÍACA DO TRASTUZUMAB - A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Ana Marques(1);Elisabete Couto(1);Marta Almeida(1);Luísa Queiroz(1);Catarina Portela(1);Rui Nabiço(1)
(1) Hospital de Braga
Introdução: O Trastuzumab, utilizado no tratamento do Cancro da mama HER2 positivo, é geralmente bem tolerado, com baixa
incidência de efeitos laterais. Contudo, o risco dos doentes desenvolverem cardiotoxicidade existe (2-7%) e não deve ser
negligenciado. Caso Clinico: Doente de 63 anos, com antecedentes de HTA e hipotiroidismo. Em Abril de 2010, iniciou quadro de
dores ósseas generalizadas, cuja investigação etiológica revelou metastização óssea difusa. Realizou biópsia de lesão blástica
vertebral que revelou envolvimento por Carcinoma, compatível com primário mamário (positividade para receptores de estrogénio
e para HER2). Nos restantes exames efectuados, não se identificou o tumor primário e detectou-se ainda metastização pulmonar
e ganglionar. Decidiu-se realizar quimioterapia (QT) com FEC (5-FU, Epirrubicina e Ciclofosfamida), seguido de Trastuzumab.
Antes de iniciar tratamento, a fracção de ejecção ventricular esquerda (FEVE) estimada por Ecocardiograma foi de 63%. A doente
teve boa resposta clínica, analítica e imagiológica à QT, não apresentou sinais ou sintomas de insuficiência cardíaca e a FEVE no
final do tratamento era de 58%. Posteriormente, iniciou Trastuzumab e inibidores da aromatase. Após 4 administrações, surgiu
clínica compatível com insuficiência cardíaca. Foi medicada com Inibidor da Enzima de Conversão da Angiotensina e diurético,
mantendo tratamento com Trastuzumab (FEVE - 48%). Na reavaliação após 3 meses, a doente estava assintomática, mas
verificou-se agravamento da FEVE (44%), pelo que se suspendeu o tratamento com Trastuzumab. Houve recuperação da FEVE
para 51% ao fim de 2 meses. Conclusão: Os autores apresentam este caso por ser ilustrativo da necessidade de monitorizar
periodicamente a função cardíaca dos doentes sob terapêutica com Trastuzumab. Apesar de ser normalmente assintomática
e reversível, a toxicidade cardíaca pode obrigar à suspensão do tratamento, privando os doentes dos benefícios comprovados
desta terapêutica.
110
Diogo Alpuim Costa(1);Mafalda Carneiro(1);João Mouta(1);Emanuel Gouveia(1);Isália Miguel(1);Rui Plácido(2);Pedro
Carrilho-Ferreira(2);Duarte Salgado(1);Isabel Sargento(1);António Moreira(1)
(1) IPO Lisboa (2) Hospital Santa Maria, Lisboa
Introdução: Os sarcomas meníngeos são tumores primários do sistema nervoso central localmente agressivos, raros e com
uma incidência maior na idade pediátrica (0,1-5,5% da totalidade dos tumores intracranianos da infância), havendo mesmo
alguns casos descritos de natureza congénita. Têm origem nos componentes mesenquimatosos da dura-máter, adventícia dos
vasos sanguíneos, plexo coroideu e leptomeninges. A semiologia não compreende uma constelação de sintomas específicos,
mas de manifestações relacionadas com a localização e/ou hipertensão intracraniana. A metastização extracraniana de tumores
intracranianos é um fenómeno extremamente raro, apesar da sua incidência não estar estabelecida na infância, com a excepção
do meduloblastoma. O padrão clínico das metástases sistémicas dos tumores intracranianos é variado, podendo apresentar-se
ad initium ou mesmo passados vários anos do diagnóstico (nalguns casos apenas verificadas na autópsia). A principal localização
da metastização é óssea, medular e raramente pulmonar. A sobrevida após a metastização é inferior a um ano.
Caso Clínico: Doente de 23 anos de idade, sexo masculino, raça leucodérmica, sem antecedentes pessoais relevantes. Em
1999, diagnóstico de sarcoma meníngeo mixóide grau II após investigação de cefaleias e hipertensão intracraniana, inicialmente
localizado na convexidade parieto-occipital esquerda. Foi submetido a inúmeras intervenções (cirurgia e radioterapia adjuvante)
por doença local recidivante, tendo sido a última intervenção cirúrgica em 2002. Esteve em remissão completa até 2011.
Em Março de 2011 iniciou quadro de tosse seca irritativa e febre. Efectuou radiografia do tórax com evidência de derrame
pleural à direita. Os sintomas foram inicialmente interpretados como infecção respiratória baixa e o doente foi medicado com
antibioterapia. Por manter queixas arrastadas e refractárias à terapêutica instituída, efectuou broncofibroscopia (Janeiro de
2012) que evidenciou oclusão parcial do brônquio direito e compressão extrínseca da pirâmide basal. No final do mês de
Janeiro, iniciou quadro clínico de crises focais recorrentes do hemicorpo direito de difícil controlo (medicado com três anticonvulsivantes), sem perturbação do estado de consciência. Realizou TC-CE sem evidência de recidiva tumoral. Após controlo
do quadro neurológico, foi submetido a lobectomia pulmonar inferior direita, sem evidência de tecido neoplásico (resultado
inconclusivo), apenas identificando-se processo inflamatório necrotizante com esboço de formação de granulomas (cultura
microbiológica negativa, tal como a pesquisa de BK). O pós-operatório foi complicado por quadro clínico infeccioso (febre +
elevação dos parâmetros inflamatórios + tosse seca). Efectuou nova broncofibroscopia que mostrou “alargamento do espaço
de divisão do lobo superior direito, coto de lobectomia inferior com sinais inflamatórios e com área necrosada, diminuição
do calibre do lobo médio”. Procedeu-se a punção aspirativa trans-brônquica, sem isolamento de células neoplásicas (exame
extemporâneo). No final do mês de Fevereiro, voltou a ter quadro febril associado a tosse pouco produtiva muco-purulenta. Ao 2º
dia de antibioterapia, referiu dor pré-cordial e dispneia súbita. Ao exame objectivo, apresentava-se pálido, com hipersudorese,
hipotenso, taquicárdico. A auscultação pulmonar caracterizava-se por fervores em ambas as bases com discreto broncospasmo
e com diminuição do murmúrio vesicular à esquerda. Efectuou eletrocardiograma que evidenciou taquicardia ventricular
de complexos alargados e bloqueio completo de ramo esquerdo (de novo). Analiticamente, com elevação dos parâmetros
inflamatórios e biomarcadores cardíacos negativos. Foi transferido para o Hospital de Santa Maria, onde deu entrada em edema
agudo do pulmão, refractário à terapêutica instituída. Efectuou ecocardiograma com evidência de estrutura hiperecogénica
nodular de limites mal definidos, aparentemente em continuidade com a parede lateral do ventrículo direito e porção lateral do
anel tricúspide, sugestiva de massa miocárdica com invasão da cavidade do ventrículo direito. Foram feitas várias tentativas
de cardioversão eléctrica, sem sucesso. Entrou em paragem cárdio-respiratória irreversível. A autópsia confirmou a invasão do
tecido miocárdico por metastização do tumor primário conhecido. Discussão: O caso clínico apresentado revela uma entidade
rara com padrão metastático não documentado na literatura revista – extensão da doença para as câmaras direitas - apenas
52 casos descritos com invasão cardíaca à esquerda. A história natural da doença costuma ser breve, com rápida deterioração
clínica secundária às características intracranianas do tumor ou à recorrência após abordagem da Neurocirurgia. Este doente
sobreviveu 12 anos após o diagnóstico, dos quais 10 em remissão completa.
111
ABSTRACTS | ABSTRACTS
83 ARRITMIA MALIGNA SECUNDÁRIA A PROCESSO NEOPLÁSICO
84 MIXOFIBROSSARCOMA DA COXA – CASO CLÍNICO
Antonio Silva(1);Miguel Jacobetty(2)
(1) Serviço de Radioterapia CHUC-HUC (2) Serviço de Radioterapia dos Hospitais da Universidade de Coimbra
Introdução: Os sarcomas constituem um grupo de neoplasias muito heterogéneo representando aproximadamente 1% dos
tumores malignos. Em cerca de 50% dos casos, a sua localização refere-se aos membros superiores e inferiores. A maioria
apresenta um comportamento clínico similar, determinado mais pela sua localização anatómica, dimensões e grau de
malignidade, que pelo seu padrão histológico especifico. Actualmente a abordagem mais comum de tratamento dos sarcomas
de tecidos moles é a ressecção cirúrgica ampla, preservando-se ao máximo a função, seguida de radioterapia complementar
no sentido de esterilizar o leito operatório. Material e Métodos: Apresenta-se o caso de uma doente de 55 anos, portadora de
Mixofibrossarcoma da face interna da coxa direita, que foi submetida inicialmente a cirurgia. Em Reunião de Decisão Terapêutica,
foi proposta para Radioterapia adjuvante. São descritos os aspectos inerentes a um planeamento 3D-CRT neste tipo específico
de patologia tendo em consideração a localização do tumor, e a presença de estruturas radiossensíveis. Para o posicionamento
da doente, foi necessário determinar a opção mais adequada, tendo em conta a localização tumoral, com o objectivo de
optimizar a dosimetria. O posicionamento deve, por um lado ser facilmente reproduzível, e por outro o mais cómodo possível
para permitir uma melhor colaboração da doente e evitar movimentos não desejados durante o tratamento que iriam condicionar
a reprodutibilidade do mesmo. São ilustrados os aspectos mais relevantes do respectivo planeamento de radiações, dosimetria
e controlo de qualidade. Em função das características do caso, nomeadamente margens cirúrgicas atingidas, foi administrada a
dose de 66 Gy em 36 fracções, após a realização de planeamento. Resultados e Conclusões: A Radioterapia associada a cirurgia
conservadora numa perspectiva curativa, tem sido amplamente utilizada no tratamento de sarcomas, no sentido de promover o
controlo local da doença, minimizando a toxicidade e promovendo a maximização da função, neste caso, do membro em causa.
O planeamento deste tipo de tratamento é complexo, e exige a colaboração estreita com a Ortopedia/Oncologia no seguimento
e durante a terapia, deste tipo de patologia. O respectivo tratamento decorreu sem complicações significativas mas o seu termo
foi relativamente recente pelo que se considera prematuro falar de resultados.
85 SARCOMAS E RADIOTERAPIA EXTERNA
António Silva(1);Miguel Jacobetty(2)
(1) Serviço de Radioterapia CHUC-HUC (2) Serviço de Radioterapia dos Hospitais da Universidade de Coimbra
Introdução: A Radioterapia é uma arma terapêutica fundamental no âmbito do tratamento pluridisciplinar em Oncologia.
A grande diversidade de localizações anatómicas e a variedade histológica dos sarcomas de tecidos moles, realçam a
complexidade do seu processo terapêutico. Neste trabalho é apresentada uma visão pratica sobre a utilização de Radioterapia
Externa no tratamento de sarcomas de tecidos moles a titulo pré-operatório e pós-operatório onde são evidenciadas as
suas respectivas vantagens e limitações. Material e Métodos: As indicações para realização de Radioterapia Externa são
fundamentadas pela localização do tumor, dimensões, tipo histológico, pelas margens cirúrgicas e eventual envolvimento de
regiões ganglionares adjacentes. O planeamento do tratamento de Radioterapia, inclui exame físico, exames imagiológicos
pré-operatórios (Tomografia Computorizada e Ressonância Magnética sempre que possível), procedimento cirúrgico, relatórios
de anatomia patológica, reconhecimento através da TC de planeamento da lesão tumoral, a correcta identificação da cicatriz
cirúrgica e da loca tumoral (utilização de clips cirúrgicos radiopacos) e/ou a inclusão de técnicas de fusão CT/RM no sentido de
optimizar o volume alvo. Aspectos técnicos de Radioterapia, como delimitação de volumes-alvo, protecção de órgãos de risco,
dose e fraccionamento, são fundamentais para uma correcta planificação do tratamento, maximizando o controlo da doença e
minimizando a toxicidade. Resultados e Conclusões: Desta forma são ilustrados os aspectos técnicos mais relevantes para uma
boa pratica em Radioterapia, desde a imobilização, delimitação do volume alvo, a respectiva dosimetria e controle de qualidade
em doentes com indicação para Radioterapia pré-operatória e pós-operatória. Há indicações claras para o uso de Radioterapia
com o objectivo de aumentar o controlo local da doença, sem prejuízo da poli-quimioterapia a qual tem registado significativos
progressos no sentido de minimizar o risco de lesões secundárias à distância. O aperfeiçoamento dos aspectos técnicos de
Radioterapia, numa perspectiva pluridisciplinar, tem também contribuído significativamente para melhorar o resultado final do
tratamento a nível do intervalo livre de doença e sobrevida.
112
Antonio Silva(1);Miguel Jacobetty(2)
(1) Serviço de Radioterapia CHUC-HUC (2) Serviço de Radioterapia dos Hospitais da Universidade de Coimbra
Introdução: Com a utilização de forma sistemática pelo Serviço de Hematologia dos HUC, de PET/CT no estadiamento imagiológico
dos linfomas Hodgkin e não Hodgkin (com excepção para os de baixo grau), e subsequentes exames de controlo de resposta
à terapia, os autores, com base na experiência adquirida nos últimos anos, fazem uma avaliação critica sobre as vantagens e
limitações da técnica de fusão de imagens PET/CT no âmbito do diagnóstico, avaliação da resposta ao tratamento e da sua
influencia no planeamento de Radioterapia. Material e Métodos: No presente trabalho apresentam-se, de forma sucinta, quatro
casos nos quais a informação cedida por esta técnica influenciou de diferentes formas (quer pela positiva quer pela negativa)
a opção terapêutica. 1º - Doença de Hodgkin (Estádio II) com “bulky mediastinico” – definição do volume alvo em Radioterapia,
com base em imagens anatomo-funcionais e respectivo diferencial entre imagens de diagnóstico e de avaliação da resposta à
terapia. 2º - Doença de Hodgkin (Estádio II supra-diafragmático) – diagnóstico de recidiva na região inguinal por PET/CT com
confirmação anatomo-patológica, e relevância da imagem no planeamento da Radioterapia subsequente. 3º - Linfoma folicular
(Estádio IV) – avaliação da resposta à terapia por TAC com remissão parcial (persistência de massa para-aortica), negatividade
pela PET, técnica de Radioterapia em função dos órgãos críticos adjacentes. 4º - Linfoma NH de grandes células – persistência
pós-QT com conglomerado adenopático mediastinico e axilar de grandes dimensões com compromisso clínico do plexo braquial
– definição do volume alvo em Radioterapia, morbilidade e limitações da técnica. Resultados e Conclusões: A utilização da PET/
CT no processo de planeamento de Radioterapia implica, de uma forma geral, a realização e registo de uma PET de diagnóstico
(pré-QT) no sentido de definir com exactidão o volume tumoral e a realização de outra PET/CT de avaliação de resposta à
Quimioterapia no sentido de uniformizar critérios para a definição do respectivo volume alvo. No sentido minimizar a existência
de falsos negativos deve ser respeitado o intervalo de 4 semanas entre a realização do último ciclo de QT e a realização da PET/
CT. Actualmente e no sentido de minimizar a morbilidade no âmbito de uma terapêutica de 2ªlinha a qual irá, na maior parte
dos casos implicar Quimioterapia, admite-se, em alguns casos, limitar o campo de irradiação ao volume biologicamente activo,
embora não se deva, de forma sistemática, dissociar a doença evidenciada morfologicamente mas não hipercaptante. Como
limitações mais relevantes são de salientar os LNH de baixo grau, que na maior dos casos são “PET negativos” e a presença de
doença nas regiões ganglionares adjacentes à bexiga a qual, por vezes, é de difícil valorização neste tipo de exames; problema
similar existe também em gânglios a nível do anel de Waldeyer em virtude da captação fisiológica das glândulas salivares. De
uma forma geral o objectivo é administrar uma dose eficaz sobre um volume reduzido (mas biologicamente activo) no sentido de
diminuir a morbilidade aguda e a tardia (por ex: 2º tumores rádio induzidos).
87 REMISSÃO COMPLETA ESPONTANEA DE MELANOMA METASTATICO
V. Fonseca(1);M. Carneiro(1);T. Alexandre(1);M. Brito(1);J. Freire(1);M. J. Passos(1);A. Moreira(1)
(1) IPO Lisboa
Introdução: O melanoma maligno (MM) apresenta comportamentos biológicos muito heterogéneos, podendo-se inclusivamente
observar raros casos de remissão completa espontânea, estando 76 casos descritos na literatura até 2009.
Caso Clínico: Doente de sexo masculino, caucasiano, apicultor, 61 anos, com diagnóstico em 2007 de melanoma maligno da
região plantar do pé direito. Foi operado: excisão com enxerto livre e pesquisa de gânglio sentinela. O resultado histológico foi MM
tipo nodular, Breslow 19mm, Clark IV, distancia à margem 15mm, ulcerado, com angioinvasão. O gânglio sentinela apresentava
metástase de MM em 1 dos 2 gânglios excisados. Posteriormente realizou celulectomia com exerese de 14 gânglios, todos
sem MM. Em Julho de 2008 foi detectado em TAC de vigilância nódulo pulmonar direito, adenopatia ilíaca externa direita e
lesão do calcaneo homolateral. Fez PET que mostrou serem lesões hipermetabolicas. Em Outubro foi tratado com perfusão
de isolada do membro inferior direito com melfalan. Em Dezembro de 2008, por persistência de doença no membro inferior e
metástase pulmonar iniciou quimioterapia com dacarbazina (250mg/m2 /5 dias 3/3 semanas). Realizou 6 ciclos com óptima
tolerância e remissão parcial, mantendo apenas nódulo pulmonar com 3cm. Foi submetido a ressecção atípica de metástase do
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86 LINFOMAS / RADIOTERAPIA E PET/CT – VANTAGENS E LIMITAÇÕES
lobo superior direito em Dezembro de 2009. O resultado histológico confirmou MM. Manteve-se assintomático e em Fevereiro
de 2010 apresentou nova lesão pulmonar confirmada por TAC tendo realizado um mês depois PET que confirmou múltiplas
lesões hipermetabolicas a nível pulmonar e hepático. Estando assintomático, optou-se por controlo evolutivo, mantendo o
doente a sua actividade normal. Em Setembro do mesmo ano realizamos nova PET de reavaliação que demonstrou diminuição
acentuada de captação nas lesões já conhecidas. Em Maio de 2011 repetimos o PET que demonstrou desaparecimento das
lesões anteriormente visualizadas sem evidência de doença activa. O doente continua em seguimento na consulta de Oncologia
Medica mantendo-se em remissão completa. Discussão: A remissão espontânea de melanoma maligno é uma situação rara e
pouco compreendida pelo que consideramos com interesse a apresentação deste caso clinico. A revisão da literatura destaca o
papel do sistema imunológico neste evento, no entanto não se conseguiu esclarecer qual o factor que leva à activação imunitária.
Neste caso clinico é curioso o facto de o doente ser apicultor e o manter a sua actividade, colocando-se a hipótese de as picadas
de abelha terem contribuído para activação do sistema imunológico. A literatura refere que o veneno de abelha encontra-se
actualmente a ser estudado em modelos experimentais no tratamento de vários tumores nomeadamente no melanoma. Torna-se
importante compreender se existe associação do veneno de abelha com a activação do sistema imunológico. O eventual estudo
do perfil imunológico deste doente e outros relatos de caso que venham a ser publicados podem vir ajudar a compreender a
possível associação entre o veneno de abelha e a activação do sistema de defesa do organismo contra o tumor.
88 EXPERIÊNCIA DO SERVIÇO DE ONCOLOGIA MÉDICA DO IPOCFG-EPE NO TRATAMENTO DO CANCRO DA MAMA
METASTIZADO COM LAPATINIB
Judy Paulo(1);Mariela Marques(2);Gabriela Sousa(2);Ana Pais(2);António Pêgo(2);Isabel Pazos(2);Pedro Madeira(2);Sofia
Broco(2);Teresa Carvalho(2);Helena Gervásio(2)
(1) IPO-Coimbra (2) IPO - Coimbra
Introdução: O Lapatinib é um inibidor oral da tirosina cinase, que tem como alvos os receptores de EGF (Epidermal Growth
Factor) e HER 2. Foi aprovado inicialmente em associação com a Capecitabina no carcinoma da mama metastizado, com sobreexpressão de HER-2, que progrediram sob ou após tratamento prévio com Trastuzumab, (Estudo fase III randomizado Geyer 2006).
Em Fevereiro de 2010 a FDA aprovou o Lapatinib em combinação com Letrozol no tratamento de Cancro da mama avançado
com receptores hormonais positivos e HER2-positivo em mulheres pós-menopausicas, o que permitiu optimizar o tratamento
deste grupo de doentes com responsividade hormonal. Objectivos: Procedeu-se a avaliação retrospectiva dos resultados da
utilização do lapatinib em cancro da mama HER2 positivo metastizado avaliando eficácia e tolerância do tratamento. Material e
Métodos: No presente estudo foram analisadas as doentes com carcinoma da mama metastizado submetidas a tratamento com
quimioterapia ou hormonoterapia associada a Lapatinib, seguidas no Serviço de Oncologia Médica, tratadas desde 1 Janeiro de
2008 até 28 de Março de 2012. Foi feita a análise estatística com programa SPSS ®. Resultados: Incluídas 23 mulheres com
idade mediana de 57 anos (mínima 41 anos, máxima 82 anos) que apresentavam metastização hepática, óssea, pulmonar e/
ou cerebral. Todas as doentes tinham o diagnóstico de carcinoma da mama do tipo ductal invasivo, com 21% apresentando
receptores de estrogénios e/ou progesterona negativos. Na amostra, 30,4% das doentes apresentavam estadio IV à data do
diagnóstico; 13,04% realizaram esquema de Lapatinib em associação letrozol, e os restantes 86,95% realizaram a associação
capecitabina e lapatinib. Dos doentes com terapêutica incluindo Lapatinib 3 doentes suspenderam terapêutica com capecitabina
por toxicidade gastrointestinal grau 3, mantendo Lapatinib. Na amostra avaliada, 2 doentes suspenderam Lapatinib no contexto
hepatotoxicidade. Conclusões: Os resultados obtidos confirmam o benefício da associação do Lapatinib à quimioterapia ou à
hormonoterapia nas doentes com cancro da mama HER-2 positivo com um perfil de toxicidade manuseável.
114
Margarida Matias(1);Mariana Faria(1);Mafalda Casa-Nova(1);Monica Lacerda Semedo(1);Ana Rita Santos(1);Leonor
Ribeiro(1);Luis Costa(1)
(1) HSM
Introdução: Os tumores da cabeça e pescoço, nomeadamente o tipo histológico mais frequente, carcinoma pavimentocelular, associam-se muito frequentemente a factores de risco como alcoolismo e tabagismo. É relativamente frequente o
desenvolvimento de segundos tumores nos doentes com cancro da cabeça e pescoço. No entanto não é tão frequente a
existência de tumores síncronos. Objectivo: Análise dos doentes com tumores síncronos e metácronos da cabeça e pescoço
referenciados ao Serviço de Oncologia desde 2008. Material e métodos: Análise retrospectiva dos processos dos doentes
seguidos no serviço de Oncologia do HSM por cancro da cabeça e pescoço, desde 2008 até à data actual, nomeadamente das
seguintes variáveis: idade, sexo, histologia, factores de risco associados, história familiar, idade de diagnóstico dos tumores,
localização dos tumores, estadio inicial, tratamento efectuado. Resultados: Neste período foram referenciados à consulta de
Oncologia 317 doentes com Tumores da Cabeça e Pescoço. Consideraram-se 22 doentes com Cancro da Cabeça e Pescoço
com história de 2 ou mais tumores primitivos no momento da referenciação à consulta de Oncologia. Dos 22, 17 doentes
apresentavam história de 2 neoplasias enquanto que 5 apresentavam 3 neoplasias. A média de idades destes doentes à data da
referenciação à consulta de Oncologia foi de 63 anos. Todos os doentes eram do sexo masculino. Todos os doentes apresentavam
hábitos tabágicos e alcoólicos moderados ou marcados. 30% dos doentes apresentava história familiar de Cancro. Quanto à
localização dos tumores de cabeça e pescoço, 8 doentes (38%) apresentavam neoplasia da laringe, 5 da orofaringe (24%), 1 da
nasofaringe (5%), 2 da hipofaringe (10%), 1 dos 3 andares da faringe (5%), um doente apresentava neoplasia da pálpebra (5%)
e 2 doentes apresentavam-se com metastização ganglionar cervical de neoplasia oculta (10%). 21 doentes (95%) apresentava
histologia reveladora de carcinoma pavimento-celular enquanto que apenas 1 doente apresentava Carcinoma indiferenciado
(5%). O estadio IVA foi o mais frequente (40%), seguido do estadio III (30%) sendo que apenas 11% apresentavam metastização
à distância. Nove doentes apresentavam tumores síncronos à data da referenciação (41%), 1 dos quais apresentava 3 tumores
síncronos (epiglote, hipofaringe e esófago), sendo as restantes situações de tumores metácronos (13 doentes, 59%). Quanto
à localização dos segundos tumores, 7 doentes apresentavam tumores da esfera ORL (6 da laringe e 1 da hipofaringe), 4
doentes do esófago, 4 da próstata, tendo-se constatado 1 doente com tumor do cárdia, 1 com tumor do couro cabeludo, 1 com
carcinoma-hepatocelular, 1 tumor do rim e 1 tumor da traqueia e 2 do pulmão. Quanto à localização dos terceiros tumores, 2
doente apresentavam tumores do esófago, 2 apresentavam tumores da esfera ORL (hipofaringe e orofaringe), 1 apresentava
Carcinoma Hepato-celular e outro metastização ganglionar cervical de neoplasia oculta. Conclusão: Pelo número de doentes
analisados confirma-se a associação muito frequente deste tumores a factores de risco com tabaco e alcoolismo. A percentagem
de metastização à distância é sobreponível à descrita na literatura. Mesmo com resposta patológica completa estes doentes
apresentam uma alta probabilidade de desenvolvimento de segundos tumores metácronos. No entanto neste estudo verifica-se
uma alta percentagem de tumores síncronos à altura do diagnóstico.
90 RADIOTERAPIA NEOADJUVANTE NO CARCINOMA DO RECTO: EXPERIÊNCIA DE 10 ANOS
Inês Nobre-Góis(1);João Casalta-Lopes(1);Tânia Teixeira(1);Margarida Borrego(1);Anabela Sá(1);Paula Soares(1)
(1) Serviço de Radioterapia - CHUC
Introdução: O cancro colo-rectal é a terceira neoplasia mais frequente em Portugal e a segunda a nível mundial. No tratamento
do carcinoma do recto (CR) localmente avançado a realização de Radioterapia (RT) neoadjuvante é actualmente a abordagem
consensual. Existem dois esquemas possíveis para irradiação pré-operatória: o esquema longo (45 50,4 Gy / 25 28 fr / 5 5,5
sem), associado a Quimioterapia (QT), seguido de cirurgia após 6 8 semanas (mais utilizado no Sul da Europa e EUA); e o esquema
curto (25 Gy / 5 fr / 1 sem) seguido de cirurgia realizada habitualmente uma semana após (preferido nos países nórdicos). Alguns
estudos sobre esquema curto mostraram efeito de downstaging quando é maior o intervalo de tempo entre RT e cirurgia.
115
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89 CANCRO DA CABEÇA E PESCOÇO: TUMORES PRIMITIVOS SÍNCRONOS E METÁCRONOS
Objectivos: Descrever a experiência de um Serviço de Radioterapia nos últimos 10 anos quanto ao tratamento neoadjuvante dos
doentes com carcinoma do recto. Material e Métodos: Foram incluídos os doentes portadores de CR tratados a título neoadjuvante
de 2002 a 2012. A RT foi efectuada segundo um de dois esquemas: esquema longo (GRUPO 1), com RT isolada (GRUPO 1A) ou
associada a QT oral concomitante (GRUPO 1B: com Capecitabina ou UFT + Folinato de Cálcio) ou infusional (GRUPO 1C: com 5
FU); ou com esquema curto (GRUPO 2). Resultados: Foram tratados com RT neoadjuvante 265 doentes com CR. Dos 227 doentes
do GRUPO 1, os do GRUPO 1A tinham idade mediana superior em relação aos dos GRUPOS 1B e 1C (73,5 vs 64 vs 61 anos,
respectivamente; p < 0,001). Foram registadas reacções de toxicidade aguda grau 3-4 apenas nos grupos com QT concomitante
(GRUPOS 1B e 1C com 8,1% e 10,9%, respectivamente). A mediana de tempo entre RT e cirurgia foi de 7 semanas. Em termos de
resposta à terapêutica houve diferenças estatisticamente significativas no downstaging ganglionar (58,3% vs 77,1% vs 55,8%;
p = 0,015) e resposta loco-regional (56,3 vs 82,6% vs 70,5%; p = 0,020). Quanto ao downstaging tumoral e resposta completa
verificou se que os grupos 1B e 1C apresentaram melhores resultados (p > 0,05). No GRUPO 2 foram incluídos 38 doentes, com
idade mediana superior ao GRUPO 1 (79 vs 65 anos, p < 0,001), Karnofsky inferior (p = 0,004) e com várias co-morbilidades.
Eram M1 15,8% dos doentes (vs 0% no GRUPO 1). Foi encontrado um maior número de tumores localizados a mais de 5 cm da
margem anal no GRUPO 2 (68,4% vs 49,8%, p = 0,033). Não se verificou toxicidade aguda no GRUPO 2. A mediana de tempo
entre RT e cirurgia neste grupo foi de 2 semanas, tendo sido identificadas mais complicações pós-operatórias do que no GRUPO
1 (47,2% vs 35,8%, p = 0,191). Houve resposta loco-regional em 65,7% dos doentes do GRUPO 2. Considerando o intervalo de
tempo entre RT e cirurgia (?1 semana vs. >1 semana) houve diferenças estatisticamente significativas na resposta loco-regional
(28,6% vs 75,0%; p = 0,033), não se verificando diferenças quanto à existência de complicações pós-operatórias. Nos 2 doentes
que tiveram resposta completa a cirurgia foi realizada com maior intervalo de tempo após a RT. Conclusões: Os resultados deste
estudo estão de acordo com a literatura: o esquema longo com QT concomitante proporcionou melhor resposta loco-regional
ainda que associada a alguma toxicidade aguda; no esquema curto o maior intervalo de tempo entre a RT e a cirurgia parece
estar associado a melhores resultados, sem aumento das complicações pós operatórias. Apesar do reduzido número de doentes
que realizaram esquema curto neste estudo, esta também é uma boa opção de tratamento.
91 RADIOQUIMIOTERAPIA NO CARCINOMA DO COLO DO ÚTERO ESTÁDIOS II E III
João Casalta-Lopes(1);Inês Nobre-Góis(1);Tânia Teixeira(1);Margarida Borrego(1);Paula Soares(1)
(1) Serviço de Radioterapia - CHUC
Introdução: O cancro do colo do útero é o terceiro mais frequente a nível mundial na mulher e o sétimo em Portugal. Ensaios
clínicos demonstraram que o tratamento com Radioquimioterapia concomitante no carcinoma do colo do útero localmente
avançado aumenta consideravelmente a sobrevivência e controlo local da doença. Objectivos: Avaliar os resultados obtidos
e complicações registadas nas doentes com carcinoma do colo estádios II e III que realizaram Radioquimioterapia seguida de
Braquiterapia intracavitária com alta taxa de dose. Material e métodos: Análise retrospectiva das doentes tratadas entre Julho
de 2002 e Dezembro de 2009. Foram incluídas todas as doentes com estádios IIB, IIIA e IIIB que realizaram radioterapia externa
pélvica com doses entre 50,4 Gy / 28 fr e 59,4 Gy / 33 fr, seguida de braquiterapia intracavitária com dose nos pontos A de 21
Gy / 3 fr e 14 Gy / 2 fr respectivamente. Efectuaram quimioterapia concomitante com Cisplatina (40 mg / m2 / semana iv). Foram
considerados como critérios de exclusão a realização prévia de quimioterapia e a não realização de quimioterapia concomitante.
A escala de toxicidade aguda utilizada foi a CTC 2.0 e para a toxicidade tardia o Glossário Franco Italiano. Resultados: Foram
incluídas 73 doentes, das quais 32,9% foram estadiadas como IIB, 2,7% IIIA e 64,4% IIIB, a maioria (95,9%) com carcinoma
espinho celular. 56,5% apresentavam tumores de dimensão superior a 4 cm; 80,8% dos tumores invadiam bilateralmente os
paramétrios, ocorrendo invasão vaginal em 76,7% com adenopatias pélvicas em 36,8%. A mediana da duração total do tratamento
foi de 58 dias. As complicações agudas de grau 3-4 foram exclusivamente hematológicas, essencialmente leucopenias grau 3
(30,1%) e um caso de trombocitopenia grau 4. O valor de hemoglobina foi inferior a 10 g/dL em 32,9% das doentes. Em relação
às toxicidades tardias, 8,2% apresentaram cistite grau 1-2 e 31,5% rectite, sendo uma de grau 3. O tempo mediano de follow
up foi de 56 meses. Verificou-se recorrência loco-regional em 19,2% das doentes, em que 21,4% pertenciam ao estádio IIB,
14,3% ao estádio IIIA e 64,3% ao estádio IIIB. Três doentes apresentaram persistência tumoral, sendo duas do estádio IIIB. Houve
metástases à distância em 22,2% das doentes, em que 31,2% eram IIB e 68,8% IIIB. Nos estádios IIB e IIIB, a sobrevivência
116
92 CANCRO DA MAMA EM ANGOLA
Lygia Vieira Lopes(1), António Tavares Frederico(2), Lúcio Lara Santos(3)
(1)Clínica Sagrada Esperança – Luanda (2) Centro Nacional de Oncologia – Luanda (3) IPO-Porto – Porto
Introdução: O cancro da mama é o segundo tumor maligno mais frequente em Angola. As taxas de incidência e de mortalidade
estimadas são de 19/100 000 habitantes e de 11,9/100 000 habitantes, respectivamente. Porém, o conhecimento sobre as
características clinico-patológicas, estádio predominante e a terapêutica realizada é ainda escasso. Material e Métodos: Foram
avaliados retrospectivamente os processos clínicos de 82 doentes com cancro da mama, admitidos consecutivamente no Centro
Nacional de Oncologia, em Luanda, Angola, durante 2009. Resultados: A idade mediana foi de 45 anos (27 a 88 anos), 72 casos
(87,8%) encontravam-se no estádio III e IV. O carcinoma ductal invasor foi o tipo histológico dominante (82%), apenas 15% eram
neoplasias de baixo grau. O tratamento cirúrgico mais frequente foi a mastectomia radical modificada (67,1%) , quimioterapia
neoadjuvante foi realizada em 12 doentes (14,6%), quimioterapia adjuvante foi realizada em 36 doentes (43,9%). As drogas mais
utilizadas foram: Doxorrubicina, Ciclofosfamida,Paclitaxel,tamoxifeno. Conclusão: O cancro da mama em Angola é diagnosticado
tardiamente, predominam as neoplasias localmente avançadas e metastizadas. É fundamental um programa de educação para a
saúde e a organização de unidades em que quadros treinados realizem o diagnóstico precoce desta neoplasia maligna.
93 - EPISÓDIO MANÍACO E PACLITAXEL: A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Zaida Pires(1);Inês Cargaleiro(2);Cristina do Vale(1);Andreia Ribeiro(1);Lúcia Monteiro(3)
(1) IPOLFG, EPE (2) Cenhtro Hospitalar de Lisboa Ocidental (3) IPOL FG EPE
Introdução e Objectivos: Os autores apresentam um caso clínico de uma paciente do sexo feminino de 54 anos com um
adenocarcinoma do cólo do útero, sem antecedentes psiquiátricos pessoais ou familiares e um primeiro episódio maníaco
temporalmenteassociado a monoterapia com paclitaxel . A associação de sintomas psiquiátricos e este agente antineoplásico
só foi descrito num outro caso, e com diferente apresentação clínica. Material e Métodos: Apresenta-se um caso seguido no
Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil, com ênfase nos dados clínicos, processo de diagnóstico diferencial,
compreensão e abordagem multidisciplinar, implicações sociofamiliares e ocupacionais e evolução. Os autores realizaram
uma revisão bibliográfica relacionando apresentações psiquiátricas e reacções adversas ao paclitaxel, usando a Medline e
centrada nas publicações da última década. Resultados: Após suspensão do paclitaxel, mudança para esquema alternativo
de quimioterapia e instituição de medicação psicotrópica, o quadro psiquiátrico melhorou progressivamente até à remissão
completa, o que sugere uma reacção adversa aquele agente antineoplásico. Conclusões: Os autores pretendem alertar outros
clínicos para a possibilidade de manifestações psiquiátricas relacionadas com a utilização deste agente comum em protocolos
de quimioterapia. Esta associação pode ter importantes implicações clínicas, requerendo avaliação de antecedentes e sintomas
psiquiátricos antes da introdução deste fármaco em monoterapia. Este, como muitos outros casos, demonstram a importância
117
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global (SG) aos 2 anos foi respectivamente de 95,8% e 82,5%; aos 5 anos foi 75,8% e 70,4%. Não foram encontradas diferenças
estatisticamente significativas na SG (p = 0,479) ou na sobrevivência livre de doença (SLD) (p = 0,174). Das variáveis analisadas
a dimensão do tumor (superior a 4 cm) e o valor de SCC na primeira consulta de follow-up (superior a 1,5 ng/mL) tiveram impacto
prognóstico significativo quanto à SG, SLD e SLD loco-regional (SLDLR). A existência de adenopatias loco-regionais à data de
diagnóstico mostrou ter impacto prognóstico na SG e SLD e a invasão vaginal mostrou ser relevante na SLD, ambos de modo
significativo. A existência de anemia com hemoglobina inferior a 10 g/dL durante o tratamento revelou implicações significativas
na SLDLR. Nenhuma das restantes variáveis mostrou impacto prognóstico significativo. Conclusão: A dimensão tumoral, valor de
SCC na primeira consulta de follow-up, invasão vaginal e ganglionar mostraram ter impacto prognóstico. O mesmo foi verificado
para os níveis de hemoglobina durante o tratamento, o que poderá ser particularmente relevante já que a toxicidade aguda foi
essencialmente hematológica. Apesar das sobrevivências aos 2 e 5 anos não terem mostrado diferenças entre os estádios IIB e
IIIB, os valores obtidos encontram se de acordo com a literatura.
e a eficácia da abordagem multidisciplinar em Oncologia Clínica. Escassa literatura foi encontrada e investigação futura seria
relevante para uma melhor compreensão dos mecanismos fisiopatológicos responsáveis por esta associação.
94 TIMOMA: EVOLUÇÃO CLÍNICA POUCO FREQUENTE
Marta Mesquita Pinto(1);Carolina Carvalho(2);Ana Plácido(3);Helena Miranda(3);Ana Martins(3)
(1) CHLO - HSFX (2) Hospital São Francisco Xavier - Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (3) HSFX-Lisboa
Introdução: Os Timomas representam 20% das neoplasias mediastínicas e localizam-se sobretudo no mediastino anterior. São
localmente invasivos em 30% dos casos, podendo manifestar-se com envolvimento do pericárdio, do miocárdio, do pulmão, do
esterno ou dos grandes vasos mediastínicos. A disseminação metastática é rara. Os Timomas ocorrem mais frequentemente
na faixa etária dos 40-60 anos, com ligeiro predomínio no sexo masculino. Cerca de 50% dos casos são diagnosticados
acidentalmente, em doentes assintomáticos. Estão associados a uma grande variedade de Síndromes Paraneoplásicos, dos
quais se destacam: a Miastenia gravis em 30-50% dos doentes; a Hipogamaglobulinémia adquirida em cerca de 10% dos
casos; a Aplasia pura da série eritróide em <5% e ainda mais raramente o Lúpus Eritematoso Sistémico, a Polimiosite, a
Dermatomiosite e o Síndrome de Cushing ectópico. O gold standard terapêutico é a Cirurgia, sendo curativa em mais de 95%
dos casos. A Radioterapia (RT) subsequente reduz a recidiva local. Os regimes combinados de Quimioterapia (QT) são utilizados
no tratamento da doença localmente avançada ou metastizada. Caso clínico: Apresenta-se um caso clínico de um doente do
sexo masculino, de 68 anos de idade, previamente saudável. Em estudo pré-operatório para herniorrafia inguinal, em 2004,
constatou-se a presença de volumosa massa mediastínica anterior e superior. Realizou estudo complementar com Tomografia
computorizada (TC) e Ressonância magnética (RM) torácicas, que confirmaram a presença da tumefação mediastínica. Foi
submetido a ressecção tumoral, mas dado o envolvimento do tronco braquio-cefálico e da veia cava superior, ficou com doença
residual. O exame anatomo-patológico diagnosticou um Timoma tipo B2, com invasão da cápsula, coincidindo com as margens
cirúrgicas. Realizou RT complementar, com resposta loco-regional completa. Manteve-se em vigilância na consulta de Oncologia,
com avaliação clínica e imagiológica periódicas. Em Outubro de 2010, documentou-se recaída com disseminação ganglionar,
metastização pulmonar e envolvimento pleural (TC-tóracica e PET-TC), pelo que iniciou um regime de poliquimioterapia com
Ciclofosfamida (500mg/m2), Doxorrubicina (50mg/m2) e Cisplatina (50mg/m2), de 21/21dias, num total de 8 ciclos, com resposta
parcial significativa (50-75%). Cerca de 6 meses após suspender QT por toxicidade e apesar de apresentar doença estabilizada,
instalou-se um quadro laboratorial de anemia normocítica normocrómica (Hb=6,4g/dL), associada a uma baixa contagem de
reticulócitos no sangue periférico (0,01%), que tem implicado suporte transfusional frequente. Para esclarecimento etiológico da
anemia realizou endoscopia digestiva alta e colonoscopia (negativas), serologias virais (HCV, HBV, HIV e Parvovírus - negativas)
e biópsia osteo-medular documentou uma hipoplasia medular com aplasia eritróide pura. Conclusão: A estratégia terapêutica
combinada (ressecção cirúrgica + RT) é a indicada em Timomas tipo B2. A disseminação da doença implicou a instituição de um
regime de poliquimioterapia, tendo-se obtido uma resposta parcial considerável (50–75%). Posteriormente e, apesar da doença
permanecer clinicamente estacionária, instalou-se um quadro de Aplasia pura da série eritróide, cuja incidência é inferior a 5%
nos Timomas.
95 SARCOMA DE EWING: CASO CLÍNICO DE UM TUMOR PEDIÁTRICO
Sílvia Leitão(1);Pedro Chinita(1);Joana Lourenço(1);Ana Pitti(1);André Pereira(1);Adriana Martins(1);Isabel Lobato(1)
(1) Hese - Radioterapia
Introdução: O Sarcoma de Ewing é um tumor ósseo de pequenas células que se caracteriza por um crescimento acelerado e
metastização precoce. Em pediatria é o segundo tumor ósseo primário mais frequente. Apresenta uma incidência de 200 casos
anuais, a nível mundial. As localizações mais comuns são as extremidades inferiores e a pélvis. Objectivos: Demonstrar o papel
da radioterapia no tratamento do Sarcoma de Ewing localizado na zona pélvica.
118
96 “CANCRO DA PROSTATA: INCIDÊNCIA DA PATOLOGIA NO SERVIÇO DE ONCOLOGIA DO CHEDV ENTRE
FEVEREIRO/2009 A FEVEIRO/2012”
Francisca Elisa Oliveira Ferreira(1);Prof. Dr. António Manuel Ferreira Araújo(2);Cláudia Alexandra Santos Almeida
(2);Emilio Mecias Bravo (2)
(1) Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga - Oncologia Médica (2) Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga – Hospital De São
Sebastião, EPE
Objectivos: O objetivo deste trabalho visa um reforço da evidência na pesquisa efetuada, para além da necessidade de alertar
os profissionais para a problemática. Material e Métodos: A metodologia deste trabalho é descritiva, incidindo na pesquisa
bibliográfica e de dados do Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga (CHEDV). Deste modo, esperamos que o mesmo vá de
encontro aos objectivos de formação, delineados para este evento. Resultados: O cancro da próstata é uma doença com
enorme impacto na saúde mundial. Em Portugal, é o tipo de cancro mais frequente no homem, estimando-se que 1 em cada
6 homens padecerão deste tipo de doença ao longo da sua vida. Aproximadamente 50% dos homens com mais de 70 anos
sofre deste tipo de neoplasia. Uma percentagem que aumenta exponencialmente em indivíduos do sexo masculino com mais
de 90 anos. Atualmente, o cancro da próstata é o mais frequente nos países industrializados. Na Europa, a doença representa
13% dos novos casos de neoplasia diagnosticados, pervencendo-se que um em cada nove portugueses possa vir a sofrer da
mesma. Segundo o Portal de Oncologia Português, a incidência é de 82 casos/100.000 habitantes, com uma mortalidade de 33
casos/100.000 habitantes. É considerada a terceira causa de morte oncológica, logo após o cancro do pulmão e do cólon. Um
outro dado importante refere que cerca de 40 a 50% dos doentes atualmente diagnosticados apresenta pelo menos um dos
fatores impeditivos de tratamento com fins curativos: fase avançada da doença ou idade elevada. Conclusão: O aprofundar de
conhecimentos sobre esta patologia, vai permitir uma melhor prestação de cuidados, qualificar os profissionais, mas acima de
tudo, dar aos pacientes mais e melhor qualidade de vida. A elaboração de estudos e divulgação dos seus resultados é essencial
para a partilha e aquisição de novos conhecimentos, que são cruciais na área da Oncologia.
119
ABSTRACTS | ABSTRACTS
Material e métodos: Descrição e ilustração de um caso clínico. Caso Clínico: Indivíduo do sexo masculino de 13 anos de idade,
com o diagnóstico de «tumor neuroectodérmico primitivo (PNET/ Sarcoma de Ewing), previamente submetido a laminectomia de
L5 e parcial de S1. Iniciou Quimioterapia segundo o protocolo EURO EWING 99 e foi referenciado para radioterapia. O planeamento
do tratamento iniciou-se com a aquisição de uma TC na qual se procedeu à imobilização pélvica recorrendo a um colchão de
vácuo. Para a irradiação da lesão foi utilizada a técnica RapidArc® com dois arcos coplanares, energia de 6MV, durante 25
fracções de 1,8Gy/dia (45Gy) que foi complementado com 21,6Gy (12 x 1,8Gy) administrados através de uma segunda fase de
tratamento, alcançando assim uma dose total de 66,6Gy, limite de dose imposto pelos órgãos adjacentes.
Resultados: Na distribuição de dose o principal órgão de risco avaliado foi a medula que recebeu uma dose média de 33,2Gy.
Foram também considerados: ambos os fémures (colo), recto, bexiga e intestino. Em todos eles foi respeitada a dose de tolerância.
Conclusões: O Sarcoma de Ewing é radiossensível e, em geral, responde bem ao tratamento de radioterapia. No entanto, existem
poucos estudos randomizados relativamente ao papel desta opção terapêutica no controlo tumoral deste sarcoma. A doença
metastática está relacionada com um baixo controlo local e pior prognóstico. Com a utilização do RapidArc® consegue-se
reduzir as doses nos tecidos adjacentes e desta forma minimizar os efeitos secundários da radiação.
97 SEMINOMA DO TESTÍCULO COM SKIP METÁSTASE EM GÂNGLIO LINFÁTICO SUPRACLAVICULAR
Virgínia Mareco(1);André N. Abrunhosa Branquinho(1);Ana Amado(1);Filomena Pina(1);Isabel Monteiro Grillo(1);
(1) Serviço de Radioterapia, CHLN, EPE
Introdução: O seminoma puro do testículo é a histologia mais frequente entre os tumores do testículo e, na sua maioria (7580%), apresenta-se em estádio I à data do diagnóstico. Dada a longa sobrevida destes doentes (dts), as guidelines de 2011 da
ESMO preconizam cirurgia e vigilância activa, sempre que aplicável, ou rádio (RTA) ou quimioterapia (QT) adjuvantes. A incidência
global de recaída é maior na estratégia expectante. A recaída global aos 5 anos em tumores com factores de risco (tumores ?4
cm e invasão da rete testis) é de 32%, e, cerca de 97% ocorre nos gânglios linfáticos retroperitoneais ou ilíacos comuns, podendo
ocorrer também skip metástases mais à distância. A irradiação mediastínica e supraclavicular profilática foi sendo abandonada
e a RTA ficou limitada à hemipélvis ipsilateral e aos gânglios para-aórticos, com bons resultados em termos de recaída local. As
guidelines de 2011 da EAU preconizam para estes dts um tratamento adaptado, de acordo com os factores de risco, preferindo
o uso de carboplatina em detrimento da RTA como 1.ª linha adjuvante. A escolha deveu-se, não à eficácia do tratamento ou à
significativa taxa de recorrência, mas, à probabilidade de neoplasias secundárias e à toxicidade a longo prazo com a RTA.
Objectivos: Demonstrar a eficácia da RTA quer no tratamento adjuvante do seminoma puro de estádio I, quer na terapêutica
de resgate de skip metástase. Material e Métodos: Doente de 25 anos, com seminoma puro testicular, estádio Ib, diagnosticado
em 2005. Submetido na altura a orquidectomia esquerda e RTA 3DC, dose total de 27 Gy. No final de 2006, metástase única na
região supraclavicular esquerda, 3 cm de maior diâmetro, tendo realizado 4 ciclos de QT (bleomicina, etopósido e cisplatina),
com resposta total. Posteriormente realizou RTA sobre a região cervical esquerda e boost sobre a adenopatia, na dose total de
36 Gy, com boa tolerância. Resultado: Desde o tratamento de resgate, em 2007 (antes das novas guidelines), até à data, o dt
apresenta-se sem evidências clínica e imagiológica de recidiva e com marcadores tumorais dentro dos valores de normalidade;
sem queixas ou efeitos tardios adversos. Conclusões: A maioria das recorrências após RTA adjuvante ocorre fora do campo de
irradiação. QT nas recorrências é a terapêutica standard, mas a RTA tem um papel importante na consolidação da terapêutica de
resgate. Este caso exemplifica como a metastização pode ocorrer, podendo ser do tipo skip. A terapêutica de resgate tem quase
sempre bons resultados, e a RTA é uma opção eficaz.
98 METÁSTASE HEPÁTICA DE TUMOR GERMINATIVO DO TESTÍCULO OU HEMANGIOMA HEPÁTICO?
Manuel Magalhães(1);Joana Febra(1);Franklim Marques(1);Joao Pedro Ferreira(1)
(1) Centro Hospitalar do Porto
Introdução: Os tumores de células germinativas do testículo são as neoplasias sólidas mais frequentes no adulto jovem do sexo
masculino. Os seminomas correspondem a 40% dos casos e os não-seminomas a 60%, sendo este último grupo clinicamente
mais agressivo. A presença de metástases viscerais não pulmonares é um factor de prognóstico independente que coloca o doente
num grupo de maior risco. A abordagem dos doentes com metástases viscerais não pulmonares de tumores germinativos do tipo
não-seminomas inclui quimioterapia com 4 ciclos de bleomicina, etoposídeo e cisplatino (BEP) e ressecção de qualquer alteração
radiográfica sugestiva de doença residual, se tecnicamente possível. Os hemangiomas hepáticos são os tumores primários
mais frequentes do fígado e são inteiramente benignos. A distinção entre os hemangiomas e as metástases hepáticas pode ser
realizada através de exames imagiológicos, incluindo ressonância magnética, com base na morfologia da lesão e características
na ponderação T2. No entanto, em alguns casos a distinção entre estas duas entidades pode não ser clara, sobretudo quando
as metástases são hipervasculares. Objectivos: Demonstrar a dificuldade na abordagem dos doentes com lesões hepáticas de
etiologia não totalmente esclarecida. Desenvolvimento: Apresentamos o caso de um doente de 28 anos que em auto-exame
detecta tumefacção do testículo esquerdo, confirmando-se por ecografia nódulo com 20x18x13 mm. Apresentava marcadores
tumorais elevados (alfa-fetoproteína: 33 mcg/dL e Beta-HCG: 16 U/L). A TAC de estadiamento revelava apenas nódulo com 27
mm no lobo hepático direito sugestivo de hemangioma, hipótese corroborada pela RMN. Submetido a orquidectomia radical e o
exame histológico revelou tratar-se de neoplasia maligna de células germinativas com características de teratocarcinoma. Após
orquidectomia houve aumento dos marcadores tumorais (alfa-fetoproteína: 428,2 mcg/dL e Beta-HCG: 46,7 U/L). Admitiu-se que
a lesão hepática correspondia a provável hemangioma pelo que o tumor foi estadiado como IS. Planeada quimioterapia com 3
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99 CARCINOMA DE CÉLULAS RENAIS DE CÉLULAS RENAIS- EVOLUÇÃO LONGA E ENVOLVIMENTO SISTÉMICO
RARO
Teresa Amaral(1);Ana Rita Sousa(2);Lúcia Costa(3);Catarina Abreu(2);Joana Ribeiro(4);Paulo Cortes(4);António
Quintela(4);Luís Costa(4)
(1) CHLC - H. Santa Maria (2) Serviço de Oncologia Médica, Hospital de Santa Maria (CHLN) (3) Srviço de Oncologia Médica,
Hospital de Santa Maria (CHLN) (4) Serviço de Oncologia Médica; Hospital de Santa Maria (CHLN)
O carcinoma de células renais com origem no córtex renal é responsável por cerca de 80 a 85% de todas as neoplasias
primitivas do rim. Os carcinomas de células de transição da pelve renal são os segundos mais frequentes contribuindo para
cerca de 8% dos casos. Outros tipos de neoplasia nomeadamente tumores do epitélio parenquimatoso, oncocitomas, tumores
dos ductos colectores e sarcomas do rim são claramente mais raros. Os dados disponíveis apontam para que em 60% dos
casos se trate de uma doença localizada (confinada ao rim), em 19% de doença regional (envolvimento ganglionar) e em 21%
de doença metastizada. Verificou-se um aumento do diagnóstico da doença em fase localizada com uma diminuição dos casos
de doença regional e metastática, pensa-se fruto de um diagnóstico mais precoce. O aumento do número de terapêuticas
dirigidas, sobretudo no âmbito da terapêutica biológica terão contribuído também para o aumento da sobrevivência. O caso
apresentado é o de uma mulher de 62 anos com diagnóstico de neoplasia do rim desde há cerca de19 anos. Sem antecedentes
pessoais relevantes. Em 1992, realiza ecografia abdominal e pélvica, sem qualquer sintomatologia, tendo sido descrita massa de
características suspeitas no rim direito. Proposta para nefrectomia radical. O diagnóstico anatomopatológico refere carcinoma de
células renais com predomínio de células clara com padrão quístico. Áreas de invasão da cápsula, sem invasão do uretero, vasos
ou gordura. Iniciou terapêutica adjuvante com INF que manteve durante 7 meses e que suspendeu por toxicidade hematológica
grave. Em vigilância posteriormente, verifica-se recidiva local cerca de 12 anos depois. Nova intervenção cirúrgica- recessão R0,
confirmando-se na avaliação anatomopatológica tratar-se de uma recidiva de carcinoma de células clara AE1/AE3 e vimentina
positivas. Proposta novamente para terapêutica com INF que manteve apenas durante 1 ano, tendo sido suspenso por toxicidade
GI e hematológica. Em Maio de 2011 por queixas de cefaleias e vómitos é feita TC CE que revela presença de lesão expansiva
no lobo temporal direito com 19 mm de diâmetro com significativo efeito de massa. Lesão cerebelosa à esquerda. Tendo em
conta a sintomatologia é proposta para cirurgia. Na TC TAP para avaliação de doença, constata-se presença de metastização
pulmonar bilateral e de volumosa lesão intracardíaca com ponto de partida no ventrículo esquerdo. Sem evidência de recidiva
local. A biópsia das lesões pulmonares não foi conclusiva. Feita biópsia ecoguiada da massa cardíaca cujo diagnóstico
anatomopatológico revelou tratar-se de metástase de carcinoma de células clara. Pela localização a lesão apresentava um
elevado risco cirúrgico tendo sido recusada excisão pela cirurgia cardiotorácica. Feita excisão da lesão cerebral, confirmando-se
tratar-se de metástase de carcinoma de células clara. Fez RT holocraneana no pós-operatório, sem toxicidade aguda relevante.
Proposta para terapêutica sistémica dirigida com Sunitinib que inicia em Setembro de 2011. Após 2 meses de terapêutica é
internada com quadro abdominal agudo que se verificou estar relacionado com necrose de massa mestastática da parede
abdominal com fistulização cutânea. Suspendeu Sunitinib e iniciou tratamento com Everolimus em Dezembro que mantém até
à data com excelente tolerabilidade e doença estabilizada. Consideramos de relevo o presente caso, dada a longa evolução da
doença, com grande e raro envolvimento sistémico.
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ciclos de BEP seguido re-avaliação imagiológica. Com a quimioterapia os marcadores tumorais normalizaram. A re-avaliação
posterior com TAC revelou redução da lesão hepática de 27 para 18 mm. Em Consulta Multidisciplinar de Oncologia foi decidido
realizar exérese de lesão hepática, dada a sua redução de tamanho com a quimioterapia. Se a lesão fosse comprovadamente
metástase de tumor germinativo, deveria ser considerada a hipótese de QT pós-operatória. Foi então submetido a cirurgia
hepática e o exame histológico revelou tratar-se de hemangioma fibrosado. Existem 2 outros casos descritos na literatura de
regressão parcial de hemangiomas hepáticos com BEP, um caso de tumor germinativo misto do testículo e outro de tumor de
células do saco vitelino do ovário. Vários factores poderão estar envolvidos neste tipo de resposta, nomeadamente através
de mecanismos anti-angiogénicos induzidos pela QT. Conclusão: Não existe consenso em relação à melhor abordagem para
diferenciar hemangioma de metástase hepática. Este caso demonstra que na falta de critérios imagiológicos definitivos, a
regressão parcial de um hemangioma induzida pela QT pode simular metástase hepática, dificultando a distinção entre estas
duas entidades com base apenas em dados clínicos e laboratoriais.
100ADENOCARCINOMA DA PRÓSTATA METASTIZADO: A PROPÓSITO DE QUATRO CASOS CLÍNICOS
Ana Isabel Vieira Nobre Joaquim(1);Sandra Custódio(1);Ana Luísa Faria(1);Emílio Bravo(1);Joana Macedo(1);Sónia
Rego(1);Vânia Peixoto(1);António Araújo(1)
(1) Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga
Introdução: O adenocarcinoma da próstata metastizado engloba doenças diferentes que, mesmo resistentes à castração,
mantêm dependência androgénica. Apresentam-se quatro casos clínicos:
#1 Diagnóstico aos 56 anos, Gleason 8, PSA 18 ng/mL, pT2cNxM0. Submetido a prostatectomia radical (PR) e radioterapia (RT).
Por recidiva bioquímica, dos 58 aos 66 anos realizou hormonoterapia (HT) intermitente. Por recidiva óssea, realizou bisfosfonato e
docetaxel (4 ciclos), com progressão óssea e ganglionar. Iniciou abiraterona. Ao 14º dia, apresentava resposta clínica e analítica,
sem toxicidade.
#2 Diagnóstico aos 70 anos, Gleason 8, PSA 65 ng/mL, cT3aN0M1 (óssea). Submetido a RT prostática, HT (2 anos) e bisfosfonato.
Por progressão óssea, realizou docetaxel (10 ciclos, com resposta). Três meses após, por progressão óssea, foi reintroduzido
docetaxel (6 ciclos), sem resposta. Foi proposto para abiraterona.
#3 Diagnóstico aos 64 anos, Gleason 6, PSA 6 ng/mL, pT3bN0cM0. Submetido a PR e HT contínua até aos 70 anos noutro
centro. Por progressão óssea, realizou docetaxel (7 ciclos, com resposta, suspenso por neuropatia), bisfosfonato e RT óssea. Por
progressão óssea um ano após, foi reintroduzido docetaxel (6 ciclos), com resposta, suspenso por neuropatia. Após 9 meses de
HT isolada, documentou-se progressão óssea, pelo que foi proposto para abiraterona.
#4 Diagnóstico aos 59 anos, Gleason 6, PSA 450 ng/mL, cT1NxM1 (óssea). Submetido RT prostática e HT, suspensa após 6
meses por má adesão terapêutica. Seis meses depois, documentou-se progressão óssea, reiniciando HT. Um ano após, por
paraparésia compressiva, realizou RT e docetaxel (10 ciclos), com progressão pulmonar, hepática e óssea. Foi proposto para
abiraterona mas, por degradação do estado geral durante o tempo em que se aguardava a aprovação, deixou de ter indicação.
Conclusões: Até recentemente, não existiam soluções terapêuticas de eficácia comprovada para casos de falência ou com
contraindicação para docetaxel. Actualmente, a abiraterona é uma opção para estes doentes.
101 PIELONEFRITE XANTOGRANULOMATOSA ERRADAMENTE DIAGNOSTICADA COMO NEOPLASIA MALIGNA
DO RIM: QUANDO COLOCAR EM CAUSA UM DIAGNÓSTICO?
João Mouta(1);Emanuel Gouveia(1);Maria João Oliveira(2);Ana Catarina Rodrigues(2);Ana Grilo(3)
(1) IPO Lisboa (2) Centro Hospitalar de Lisboa Central (3) Hospital Beatriz Ângelo
Introdução: O aumento da disponibilidade de exames de imagem leva a oportunidades e desafios. O diagnóstico definitivo de
qualquer neoplasia maligna é feito com base no exame anatomopatológico de material biológico obtido através de procedimentos
cirúrgicos, colheita ou biópsia de produtos acessíveis, ou através de procedimentos guiados por imagem. A maioria dos tumores
sólidos apresenta aspectos radiológicos característicos, mas o diagnóstico diferencial que se coloca é normalmente vasto e
obriga à compatibilização dos elementos clínicos com o aspecto imagiológico, não dispensando porém o exame patológico.
Apresenta-se um caso bizarro de um indivíduo com um diagnóstico de carcinoma metastático do rim cuja clínica regrediu
espontaneamente e a quem se fez um diagnóstico retrospectivo de pilonefrite xantogranulomatosa com sepsis associada e
embolização séptica múltipla com posterior regressão espontânea. Objectivos: O objectivo deste trabalho é a descrição de um
caso clínico que encerra peculiaridades, procurando confrontá-lo com a escassa literatura disponível. Material e Métodos:
Para a realização deste trabalho reuniram-se dados do processo clínico do doente. A selecção e organização da informação
apresentada é da responsabilidade do primeiro autor. De seguida, e para efeitos de discussão, fez-se uma pesquisa no motor de
busca PubMed utilizando os termos “xantogranulomatous pyelonephritis”, “renal cell carcinoma”, “misdiagnosis”. Os abstracts
das publicações relevantes que resultaram desta pesquisa foram manualmente revistos e seleccionados pelo primeiro autor,
que fez a sua leitura crítica e apresenta os resultados dessa pesquisa. Resultados: Apresenta-se um caso clínico de um doente
de 70 anos de idade, natural de Tomar e residente em Lisboa, previamente independente, com história de hipertensão arterial
essencial, com um diagnóstico poucos dias antes da admissão de neoplasia do rim direito de provável carácter maligno,
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diagnosticado no decurso de investigação de anemia normocítica e normocrómica. Não tinha outros antecedentes médicos
ou história familiar relevante. Admitido no Serviço de Urgência do Hospital de Curry Cabral a 25 de Março de 2010 por quadro
com 24 a 48 horas de evolução caracterizado por mal-estar geral, deterioração do estado de consciência com prostração de
agravamento recente, calafrios e tremores, com dois episódios de lipotímia. À admissão doente comatoso, febril, polipneico,
hemodinamicamente instável, hipotenso e taquicárdico, desconfortável, com fervores bibasais na auscultação pulmonar e uma
massa palpável no flanco direito. Analiticamente com anemia grave normocítica e normocrómica de 5,5g/dL de hemoglobina,
leucocitose neutrofílica, elevação da proteína C reactiva de 29,5mg/dL, parâmetros de lesão renal aguda, elevação das provas
hepáticas e sedimento urinário activo. Admitindo-se sepsis grave com ponto de partida urinário iniciou medidas de reanimação
com hidratação vigorosa, oxigenioterapia suplementar e antibioterapia empírica de largo espectro após colheita de produtos
para exames culturais. Teve boa resposta às medidas e foi internado após estabilização do quadro. Durante a permanência no
Serviço de Medicina II teve uma lenta mas favorável evolução clínica, com resolução paulatina das disfunções cardiovascular,
renal, neurológica e hepática, persistindo apenas febre vespertina refractária com boa cedência à indometacina, e anemia
refractária com necessidade transfusional frequente. Cumpriu 21 dias de antibioterapia empírica com meropenem e 14 dias
de antibioterapia com gentamicina. Os exames culturais foram negativos. Durante o internamento realizou tomografia axial
computorizada (TAC) torácica, abdominal e pélvica, que mostrou aspectos descritos como em relação com neoplasia renal direita
com envolvimento loco-regional (invasão directa do fígado e metastização ganglionar) e à distância, com metastização pulmonar
bilateral. Foi proposta ao doente biópsia percutânea da massa e tratamento sistémico com intuito paliativo, que o doente recusou.
Não houve intercorrências a registar. Depois de clinicamente estável teve alta referenciado às consultas externas de medicina
interna e imunohemoterapia. Durante os primeiros 3 meses de seguimento o doente permaneceu clinicamente debilitado, com
astenia, anorexia, perda ponderal progressiva, mantendo episódios de febre várias vezes por semana e necessidade frequente
de terapêutica transfusional. A partir de Agosto de 2010 verifica-se uma melhoria paulatina deste quadro, com resolução lenta
e progressiva das queixas referidas ao longo dos meses seguintes. Por se sentir melhor, o doente aceitou realizar a biópsia da
massa renal e receber tratamento de acordo com o resultado. Repetiu TAC abdominal e pélvica nessa altura (Setembro 2010),
que mostrava estabilidade da massa renal. A biópsia foi realizada e o diagnóstico histológico foi de tecido conjuntivo com
denso infiltrado inflamatório misto, não se documentanto a presença de neoplasia maligna, o que foi interpretado como erro de
amostragem na colheita da peça. Devidamente informado, o doente recusou repetir a biópsia e recusou novamente tratamento
activo, permanecendo em seguimento na consulta. Entre Outubro de 2010 e Abril de 2011 o doente foi progressivamente
melhorando, com regressão definitiva de toda a sintomatologia, melhoria franca do estado geral e nutricional e ganho ponderal.
Retomou as suas actividades. Repetiu TAC torácica, abdominal e pélvica em Junho de 2011, que mostrou apenas pequena
cicatriz polar superior do rim direito e resolução completa da massa renal, desaparecimento das imagens pulmonares sugestivas
de depósitos secundários, dos aspectos sugestivos de invasão hep+atica por contiguidade e das hipertrofias ganglionares.
Discutido novamente o caso com imagiologistas e urologistas, fez-se o diagnóstico retrospectivo de pielonefrite
xantogranulomatosa sem agente isolado, com sepsis grave associada, adenopatias locorregionais reactivas e embolização
séptica pulmonar hematogénea. Conclusões: O diagnóstico de neoplasia não é definitivo até que haja comprovação histológica
da presença de células neoplásicas. A disponibilidade de meios auxiliares de diagnóstico por imagem é um recurso valioso, na
medida em que permite o diagnóstico e caracterização de lesões inacessíveis, mas não se pode substituir à clínica. O diagnóstico
diferencial das massas renais, por vezes difícil de fazer por imagem, deve incluir a pielonefrite xantogranulomatosa, em especial
quando há quadro infeccioso associado. Deve manter-se alguma flexibilidade e disponibilidade para voltar a trás e questionar
um diagnóstico, em particular quando este não está comprovado.
102NEUTROPÉNIA FEBRIL EM DOENTES COM CARCINOMA DA PRÓSTATA METASTIZADO, RESISTENTE À CASTRAÇÃO
TRATADOS COM DOCETAXEL
Carolina Carvalho(1);Marta Mesquita Pinto(2);Daniel Romeira(2);Filipe Alboim(3);Maria Dolores Alberca(2);Adélia
Felix(2);Ana Massena(2);Ana Plácido(2);Helena Miranda(2);J. C. Nunes Marques(2);Ana Martins(2)
(1) Hospital São Francisco Xavier - Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (2) CHLO - HSFX (3) CHLO - Egas Moniz
Introdução: O cancro da próstata é a neoplasia mais frequente no homem em todo o mundo. Foram estimados, em 2008, 900.000
casos e 258.000 mortes. A idade média de diagnóstico é 67 anos, predominantemente dos idosos. O comportamento clínico
do cancro da próstata varia desde tumor bem diferenciado a neoplasia agressiva com propensão para invasão e metastização.
Nos homens com cancro da próstata metastático a hormonoterapia (HT) geralmente permite o controlo da doença. No entanto,
quase todos os doentes desenvolverão doença progressiva num período de 18 a 24 meses. A quimioterapia (QT) com o Docetaxel
permite obter taxas de resposta objectiva, com descida do antigénio específico da próstata (PSA) e aumento da sobrevida. A
neutropénia é um dos efeitos secundários frequentes e clinicamente significativo, que se apresenta em grau 3/4 em 30%
dos doentes. Surge habitualmente entre o 4º-7º dia, podendo exigir internamento hospitalar. Objectivos: Analise dos doentes
com carcinoma da próstata metastizado resistente à castração química (CPRCm), tratados com Docetaxel e Prednisolona, que
desenvolveram neutropénia febril. Material e métodos: Estudo rectrospectivo, observacional dos doentes com CPRCm, que
desenvolveram neutropénia febril, seguidos numa Unidade de Oncologia de um Hospital Central, no período compreendido entre
Janeiro de 2009 e Dezembro de 2011. Resultados: Entre 2009 e 2011 foram seguidos 58 doentes, com idade média 75 anos, o
doente mais novo com 60 anos e o mais idoso com 90 anos. Destes, dois doentes (3.4%) desenvolveram neutropénia grau 3/4.
O primeiro doente com 72 anos de idade iniciou QT com Docetaxel em 29/12/2010, e ao sétimo dia do 6º ciclo teve episódio de
neutropénia febril, que motivou internamento, com evolução favorável e sem isolamento de agente microbiano nas hemoculturas
(HC) e urocultura (UC). Posteriormente, por progressão da doença suspendeu QT e ficou sob terapêutica sintomática. O segundo
doente, de 71 anos de idade, iniciou QT a 04/07/2011 e no quarto dia do 1º ciclo teve episódio de neutropénia febril, que motivou
internamento. Respondeu favoravelmente à terapêutica instituída, e os exames culturais também foram negativos (HC e UC).
Reiniciou QT com Docetaxel, com factor de crescimento de colónias de granulócitos (G-CSF) profilático, sem novos episódios de
neutropénia. Discussão/conclusão: Numa população de 58 doentes, com média de idade de 75 anos, com CPRCm tratados com
Docetaxel, apenas se observou neutropénia febril em dois doentes, com necessidade de internamento, mas sem complicações
major. A frequência de neutropénia febril não foi superior à esperada, apesar da idade avançada dos doentes. Concluiu-se que é
possível tratar em segurança, uma população de doentes idosos com CPRCm com este regime de QT standard.
103DOCETAXEL NO TRATAMENTO DO CANCRO DA PRÓSTATA METASTIZADO RESISTENTE À CASTRAÇÃO
Filipa Carneiro(1);Joana Godinho(1);Alina Rosinha(1);Cátia Faustino(1);Nuno Sousa(1);Rosa Begonha(1);Joaquina
Maurício(1)
(1) IPO-Porto
Introdução: No cancro da próstata metastizado resistente à castração (CPmRC) e sintomático o docetaxel é a opção terapêutica
de primeira linha. Objectivos: Avaliação da efetividade do tratamento com docetaxel em doentes com CPmRC. Material e
Métodos: Série consecutiva de doentes, com CPmRC, tratados com docetaxel entre 2000-2010 no IPO-Porto. Foram registados
os eventos adversos ? grau 3 e os eventos adversos graves (motivaram internamento/morte) de acordo com CTCAE v3. A medida
de eficácia utilizada foi a sobrevivência global (SG). Resultados: Identificados 136 indivíduos, com mediana da idade no 1º ciclo
de docetaxel de 71 anos. O tempo mediano desde o diagnóstico foi de 34 meses e o número mediano de ciclos do 1º curso de
docetaxel foi de 6 (1-23). A principal causa de suspensão de docetaxel foi a conclusão do tratamento programado. A toxicidade
mais frequente foi a hematológica (7%) - 8 doentes com neutropenia febril. A toxicidade não hematológica mais comum foi a
neuropatia (3%). Tiveram resposta objetiva após o 1º curso de docetaxel 66% dos doentes. A SG mediana desde o 1º curso
de docetaxel foi de 18 meses (IC95 15-22). Trinta e quatro doentes (25%) realizaram reintrodução desse fármaco aquando da
progressão de doença. O tempo mediano entre os 2 cursos de docetaxel foi de 6,5 meses. Neste grupo a toxicidade foi similar à
124
104METÁSTASES TESTICULARES
A.L. Costa (1), C. Abreu (1), A.R. Sousa (1), T. Amaral (1), A. Quintela (1), L. Costa (1), P. Luís (2), L. Correia (2), P. Oliveira (3)
(1) Serviço de Oncologia Médica, CHLN – Hospital de Santa Maria, E.P.E., Lisboa (2) Serviço de Anatomia Patológica, CHLN –
Hospital de Santa Maria, E.P.E., Lisboa (3) Serviço de Anatomia Patológica, Hospital da Luz
Introdução: Os tumores sólidos raramente metastizam para os testículos, verificando-se uma incidência de 0.06 a 2.5% de
metástases nestes órgãos. Tal deve-se a que o microambiente testicular (nomeadamente a baixa temperatura no escroto) seja
pouco propício à metastização e ao crescimento de tumores. Os tumores sólidos que mais metastizam para o testículo são os
prostáticos (os mais frequentes), os pulmonares, os melanomas e os renais. Este diagnóstico é feito geralmente em doentes
na 5ª e 6ª décadas de vida, ao contrário dos tumores testiculares primários que surgem em doentes mais jovens. Objectivos:
Relembrar que os testículos são locais possíveis para metastização de tumores sólidos e salientar a importância do exame
histológico e imunocitoquímico para este diagnóstico. Metodologia: Apresentação de dois casos clínicos de metastização de
tumores sólidos (próstata e rim) para o testículo. Casos Clínicos: Caso 1 - Homem de 64 anos, a quem foi feito o diagnóstico
de adenocarcinoma da próstata (score de Gleason 7) em Abril de 2000. Fez radioterapia local e bloqueio anti-androgénico. Em
Julho de 2008 apercebeu-se de aumento do volume do testículo direito. A ecografia testicular sugeriu lesão atípica. Foi feita
orquidectomia radical direita e identificou-se um tumor quístico com 7,5 cm de maior eixo, com duas áreas nodulares sólidas,
ambas com 1,5 cm. O exame histológico revelou tratar-se de neoplasia maligna de tipo epitelióide com padrão glandular. No estudo
imunocitoquímico as células neoplásicas foram positivas para AE1/AE3 e PSA e negativas para PLAP, CD117, CD30 e inibina. Em
conclusão, compatível com metástase testicular de carcinoma da próstata. Caso 2 - Homem de 61 anos, que em Setembro de
2006 notou aumento do volume do testículo direito. A ecografia testicular revelou uma formação quística de provável natureza
benigna. Em Março de 2009 verificou novo aumento do volume deste testículo, tendo sido repetida ecografia que mostrou quisto
associado a hidrocelo. No mês seguinte surgiram sinais inflamatórios locais, pelo que foi submetido a orquiectomia radical
direita. O estudo anatomo-patológico revelou tratar-se de tumor de células de Sertoli maligno. A TC de estadiamento revelou
metastização pulmonar bilateral. Fez três ciclos de quimioterapia - esquema BEP - verificando-se estabilização da doença. Foi
feita biópsia de lesão pulmonar cujo estudo histológico mostrou ser metástase de carcinoma de células de Sertoli maligno.
Retomou então quimioterapia – esquema EP – durante 3 ciclos. A TC de Dezembro revelou progressão da doença com aumento
do número e tamanho das lesões metastáticas pulmonares. Fez análogo de LHRH desde Novembro até Abril de 2010. Dado
tratar-se de uma entidade rara fez-se revisão das lâminas. Verificou-se neoplasia maligna com padrão de células claras em
tecidos para-testiculares, associada a angioinvasão. A imunocitoquímica revelou positividade para citoqueratinas, vimentina
e inibina e negatividade para a calretinina. Dado não haver imagem sugestiva de tumor renal, as lâminas foram enviadas
para centro de referência no estrangeiro onde havia anticorpo RCC. A neoplasia foi fortemente positiva para este anticorpo e
só muito focalmente positiva para a inibina, o que permitiu excluir o diagnóstico de tumor maligno de células de Sertoli. Fez
PET-TC em Abril de 2010 que revelou alteração do pólo superior do rim esquerdo de significado indeterminado. Assumindo-se
tumor do rim com metastização pulmonar e para-testicular direita (ressecada) iniciou-se sunitinib que manteve até Outubro,
quando se verificou metastização cerebral múltipla. Conclusão: Apesar de raros, os tumores secundários nos testículos devem
ser considerados em doentes com neoplasias primárias conhecidas, principalmente quando a idade dos doentes se encontra
entre a 5ª e a 6ª décadas de vida. Quando o padrão histológico é duvidoso, o estudo imunocitoquímico pode ajudar a chegar ao
diagnóstico correcto.
125
ABSTRACTS | ABSTRACTS
descrita no 1º curso de docetaxel e a sobrevivência mediana após início do 2º curso foi de 17,5 meses (IC95 12-23).
Conclusão: Nesta série a efetividade do docetaxel no contexto de CPmRC é sobreponível à descrita no ensaio TAX327, contudo
a toxicidade grave parece ser inferior. A reintrodução de doecetaxel em doentes julgados clinicamente sensíveis a este fármaco
mostrou ter uma eficácia sobreponível à descrita com o cabazitaxel. Esta análise retrospetiva de uma população altamente
selecionada deve ser interpretada com prudência.
105MESOTELIOMA MALIGNO DA TÚNICA VAGINAL
A.L. Costa (1), C. Abreu (1), A.R. Sousa (1), T. Amaral (1), A. Quintela (1), L. Costa (1), A. Alves (2), A. Pignatelli (2)
(1) Serviço de Oncologia Médica, CHLN – Hospital de Santa Maria, E.P.E., Lisboa (2) Serviço de Anatomia Patológica, CHLN –
Hospital de Santa Maria, E.P.E., Lisboa
Introdução: Os mesoteliomas são tumores raros que têm origem nas membranas serosas da pleura, peritoneu, pericárdio
e túnica vaginal testicular. Os mesoteliomas malignos da túnica vaginal são ainda mais raros que os pleurais ou peritoneais,
correspondendo a menos de 5% de todos os mesoteliomas malignos. Este tumor apresenta-se geralmente como uma massa
escrotal indolor, em homens com idade superior a 50 anos e, em até metade dos casos há história de exposição a asbestos.
O diagnóstico baseia-se principalmente nas características macroscópicas e microscópicas (incluindo a imunocitotoquímica)
da peça operatória. O tratamento curativo é a orquidectomia radical. Nos estadios avançados, as respostas à quimioterapia e/
ou radioterapia são muito fracas, pelo que o prognóstico é mau, com sobrevida média inferior a 24 meses após o diagnóstico.
Objectivos: Mencionar uma patologia rara, associada a elevada mortalidade, que não pode ser esquecida no diagnóstico
diferencial de massas intra-escrotais ou de hidrocelos. Metodologia: Apresentação de um caso clínico de mesotelioma maligno
da túnica vaginal metastizado. Caso Clínico: Homem, 68 anos, que em Maio de 2009 foi submetido a orquidectomia radical
esquerda por aumento insidioso e indolor do hemiescroto esquerdo e formação nodular sólida em ecografia escrotal. O relatório
anatomo-patológico revelou tratar-se de mesotelioma maligno da túnica vaginal. Foi então referenciado a este hospital. A TC de
estadiamento e a PET-TC mostraram massa retroperitoneal. Em Dezembro foi feita ressecção dessa massa, cujo diagnóstico
histológico revelou infiltração por mesotelioma maligno, epitelióide, de arquitectura tubulo-papilar, com estudo imunocitoquímico
positivo para vimentina, calretinina e WT1. Em Fevereiro de 2010 surgiu edema do membro inferior e do escroto esquerdos
e conglomerado ganglionar na região inguinal esquerda (evidente em TC). Foi feita linfadenectomia inguinal esquerda em
Março, tendo sido isolados quatro gânglios linfáticos, todos com metastização por mesotelioma maligno. Fez PET-TC para reestadiamento em Abril verificando-se manter doença ganglionar inguinal bilateral com extensão íleo-femoral esquerda. Iniciouse quimioterapia paliativa com pemetrexedo + cisplatina (7 ciclos). Após progressão da doença, foram ainda feitas quatro linhas
de quimioterapia com, no máximo, estabilidade temporária da doença. Em Dezembro de 2011 verificou-se agravamento clínico
com edema subcutâneo generalizado por provável linfedema/infiltração subcutânea tumoral (biópsia cutânea não realizada),
sendo que em Fevereiro de 2012 foi internado por anasarca. Faleceu em Março de 2012. Conclusão: Os mesoteliomas malignos
da túnica vaginal são uma patologia rara. Apresentam um comportamento agressivo com rápida progressão, resultando em
recorrência local e metastização regional ou à distância. Os locais de metastização à distância mais frequentes são o pulmão, o
fígado e a pleura. Dada a sua raridade, não há estudos que indiquem esquemas quimioterápicos preferenciais a usar na doença
metastizada. Trata-se assim de uma doença com um prognóstico pobre.
106CIRURGIA RENAL RADICAL – CASUÍSTICA DO HOSPITAL DO ESPÍRITO SANTO – ÉVORA (2004 – 2011)
Nuno Azevedo(1);José Eduardo Carrasquinho(2);José Eduardo Cardoso de Oliveira(2)
(1) Hospital do Espírito Santo - Évora, Urologia (2) Hospital do Espírito Santo, Serviço de Urologia
Introdução: A nível mundial as neoplasias renais representam 2 a 3% dos cancros em adultos. Nos EUA têm uma incidência de
52 mil casos, com pico na 7ª década, e uma mortalidade de 13 mil casos por ano. O tipo mais frequente é o carcinoma de células
renais – e a sua incidência está a aumentar. Apesar do diagnóstico precoce, a mortalidade é elevada – é o tumor urológico mais
letal. Ainda que as terapêuticas imunológicas sejam uma promessa, as taxas globais de resposta são baixas e o carcinoma de
células renais permanece uma doença primariamente cirúrgica e ainda é considerado o paradigma do tumor quimiorrefractário.
Objectivo: Caracterização epidemiológica retrospectiva dos doentes submetidos a cirurgia radical do rim (nefrectomia e
nefroureterectomia radicais) no Serviço de Urologia do Hospital do Espírito Santo – Évora, entre Janeiro de 2004 e Dezembro
de 2011. Métodos: Revisão sistemática dos processos clínicos dos doentes submetidos a cirurgia renal radical, nomeadamente
características dos doentes (idade, sexo) e da peça operatória (histologia e estadio tumoral). Os dados obtidos foram submetidos
a análise estatística com o Excel®. Resultados: Em oito anos foram efectuadas 84 cirurgias radicais do rim, das quais 75 foram
126
107SUNITINIB E LONGA SOBREVIVÊNCIA LIVRE DE PROGRESSÃO EM CARCINOMA RENAL DE CÉLULAS CLARAS
METASTIZADO
Filipa Carneiro(1);Joana Godinho(1);Cátia Faustino(2);Nuno Sousa(2);Rosa Begonha(1);Joaquina Maurício(2)
(1) IPO-Porto (2) Serviço de Oncologia Médica - IPO Porto (Directora: Dra. Helena Rodrigues)
O cancro renal é a décima neoplasia mais frequente na Europa, com uma incidência de 3,3 20 por 100000 habitantes. Ao
diagnóstico 20-30% dos doentes apresentam doença disseminada e daqueles com doença localizada 20-40% irão metastizar.
O tratamento da doença metastizada inclui terapêutica dirigida a alvos celulares, sendo controverso se a manutenção do
tratamento após resposta se traduz em benefício clínico. Descreve-se o caso de um homem com cancro renal de células claras
metastizado, associado à translocação Xp11.2, que após uma sobrevivência livre de doença de 20 anos efectuou Sunitinib por
doença metastática pulmonar e renal contra-lateral. Com este fármaco, obteve-se uma resposta parcial, mas foi necessária a
sua suspensão, após 18 meses, por toxicidade. Um ano após suspensão do Sunitinib realizou nefrectomia parcial por progressão
de doença a esse nível. Está actualmente sem evidência de progressão 6 meses após a cirurgia. Neste doente com cancro renal
de células claras metastizado, a abordagem multidisciplinar condicionou uma sobrevivência de 36 meses, muito superior à
descrita na literatura de 26,4 meses.
108ADENOCARCINOMA DA PRÓSTATA VERSUS PROSTATITE GRAULOMATOSA RESPONSIVA À TERAPIA HORMONAL:
UM DESAFIO CLÍNICO
Ramon Andrade de Mello(1);Alina Rosinha(2);Nuno Sousa(2);Cátia Faustino(2);Rosa Begonha(2);Joaquina Maurício(2)
(1) Serviço de Oncologia Médica - IPO Porto (Directora: Dra. Helena Rodrigues) (2) Serviço de Oncologia Médica, Instituto
Português de Oncologia Francisco Gentil, Rua Dr. António Bern
Introdução: O adenocarcinoma da próstata é uma neoplasia com elevada incidência em Portugal. A elevação do antigénio
prostático específico (PSA) pode estar relacionada com hiperplasia prostática benigna, trauma perineal, neoplasia da próstata
ou prostatite. Os autores relatam um caso cuja abordagem terapêutica inicial constituiu um desafio na prática clínica habitual.
Relato do Caso: Homem de 79 anos de idade referenciado em Maio de 2001 para o IPO Porto com queixas de polaquiúria,
nictúria, disúria, dores osteoarticulares, e adenomegalias cervicais indolores. A ecografia revelou próstata de 100 gramas. O PSA
total foi de 5 236 ng/mL. Cintilograma ósseo não revelou metastização óssea. Fez várias biópsias prostáticas que não revelaram
células malignas, mas morfologia compatível com prostatite granulomatosa. O doente iniciou acetato de ciproterona per os
diário em alta dose. Após 1 mês as adenomegalias cervicais desapareceram, tendo transitado para bloqueio androgênico total
(BAT) com acetato de ciproterona per os diário e goserelina sub-cutâneo trimestral. Em 2004, o PSA encontrava-se próximo de
zero pelo que suspendeu BAT. Em Junho de 2007, houve nova elevação do PSA e reiniciou BAT. Em Fevereiro de 2010 evoluiu
com novo escape hormonal sem evidência de doença extra prostática. Como as sucessivas biópsias da próstata continuaram
a sugerir prostatite granulomatosa, foi suspenso tratamento hormonal e o doente ficou em vigilância. Em Outubro de 2011,
apresentou nova elevação do PSA (269 ng/mL) e metastização óssea detectada em cintilograma e ressonância magnética
127
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nefrectomias radicais e nove foram nefro-ureterectomias radicais. O doente mais jovem tinha 17 anos e o mais velho 92 anos,
com uma idade média de 69 anos. A maioria dos doentes era do sexo masculino (61%). O tipo histológico mais frequente foi o
carcinoma de células renais (81%). Destes, a maioria estava no grau nuclear de Furhman 2 (53%), sendo a classificação T1b a
mais habitual (41%). Não ocorreu nenhuma morte no pós-operatório imediato nem no período peri-operatório.
Discussão: Os dados obtidos estão, em geral, de acordo com o descrito na literatura internacional, nomeadamente a nível
europeu. Aguardam-se estudos à escala nacional ou a eventual criação de um registo de âmbito nacional.
Conclusão: A nefrectomia radical permanece actualmente como o único procedimento curativo para o tratamento do carcinoma
de células renais. A cirurgia radical do rim pode ser executada com elevado grau de sucesso oncológico – nesta revisão não
esteve associada a mortalidade.
da coluna dorso-lombro-sagrada. Em Janeiro de 2012, foi submetido a biópsia óssea que confirmou lesão metastática de
adenocarcinoma da próstata. Foi novamente submetido a terapêutica hormonal evoluindo com doença estável. Em Fevereiro de
2012, em por doença metastática progressão iniciou quimioterapia paliativa com docetaxel 75mg/m2 a cada 21 dias com boa
tolerância. Conclusão: Este caso ilustra uma situação difícil e pouco habitual de um doente com elevada suspeição clínica de
neoplasia (PSA = 5 236 ng/mL) mas sem diagnóstico histológico de adenocarcinoma da próstata. Foi decidido iniciar tratamento
hormonal como prova terapêutica, com sucesso. O diagnóstico definitivo foi confirmado 10 anos após o início do quadro clínico
por biópsia de metástase óssea, o que deu suporte às medidas terapêuticas iniciais e subsequentemente ao tratamento da
doença metastática com quimioterapia paliativa.
109CARCINOMA DA PRÓSTATA REFRACTÁRIO A HORMONOTERAPIA: FAZ SENTIDO PENSAR EM REINTRODUÇÃO
DE TAXANOS?
Pedro Barata(1);Fábio Gomes(2);Catarina Ribeiro(2);Sónia Oliveira(2);Maria Paula Custódio(2);Ligia Costa(2);Manuel
Sousa(2);Jorge Albuquerque(2);Ricardo da Luz(2);Lurdes Batarda(2)
(1) CHLC - H. Sto António dos Capuchos, Lisboa (2) Hospital dos Capuchos, CHLC
Objectivos: Rever os resultados da introdução e re-introdução dos taxanos em doentes com carcinoma da próstata metastizado,
refractário a hormonoterapia (CPRH). Métodos: 28 doentes com CPRH receberam 1ªlinha de quimioterapia com taxanos, entre
Janeiro 2008 e Setembro 2011. Os regimes de tratamento utilizados maioritariamente incluíram docetaxel 75mg/m2 de 3/3
semanas e paclitaxel 80mg/m2, dia 1,8,15,22, a cada 6/6 semanas. A avaliação do tempo livre de progressão foi feita segundo
os critérios do Prostate Cancer Working Group (PCWG). A toxicidade hematológica foi classificada de acordo com o Common
Toxicity Criteria of the National Cancer Institute, versão 4.0. Resultados: A idade mediana (min-máx) foi de 73 anos (60-92).
O performance status (PS) e o score de Gleason medianos foram respectivamente, 1 (0-3) e 8 (6-10). A sobrevivência global
mediana foi de 24 meses. O tempo livre de progressão mediano com 1ªlinha de quimioterapia com taxanos foi de 6,3 meses
(n=22). Quatro doentes (18%) apresentaram neutropénia grau 2-3 neutropenia e 4 doentes (18%) anemia grau 2-3. Após 2ªlinha
de tratamento, os taxanos foram re-introduzidos em 14 doentes, com uma mediana de tempo livre de progressão de 5,7 meses.
Foi documentada neutropénia grau 2-3 num único doente (7%) e 6 doentes (43%) tiveram anemia grau 2-3. Não foi reportada
toxicidade hematológica grau 4 com taxanos nesta revisão. Conclusões: A re-introdução de taxanos mostrou ser uma boa opção
terapêutica, efectiva e sem toxicidades major em doentes com carcinoma da próstata metastizado e refractário a hormonoterapia
(CPRH), já tratados em 1ªlinha com taxanos.
110 - DE CANCRO DE PRIMÁRIO DESCONHECIDO A UMA RARA APRESENTAÇÃO DE TUMOR DO UROTÉLIO
Fábio M Gomes(1);Catarina Ribeiro(2);Pedro Barata(3);Sónia Oliveira(3);Lígia Costa(3);Ricardo da Luz(3);M. Paula
Custódio(1);Manuel Sousa(1);Jorge Albuquerque(3);M. Lurdes Batarda(1)
(1) CHLC - H. Capuchos (2) CHLC (3) CHLC - H. Sto Antonio dos Capuchos, Lisboa
Introdução: O cancro de primário desconhecido (CPD) responde por cerca de 4% dos casos de neoplasias malignas, abrangendo
uma elevada heterogeneidade de tumores. Aquando do diagnóstico inicial, a maioria apresenta metastização múltipla com
mau prognóstico. Se o tumor primitivo não for identificado a sobrevivência média é de apenas 6 meses, daí que, para orientar
o tratamento e a abordagem diagnóstica, se procure uma categorização histopatológica em 5 diferentes grupos, sendo o
adenocarcinoma o mais frequente (70%). Contudo, no decorrer da doença só se localiza o tumor primário em 25% dos casos.
Objectivos: Enfatizar a importância da localização do tumor primário e sua implicação terapêutica.
Material e Métodos: Homem de 66 anos, mecânico e com antecedentes de tabagismo. Em contexto de infecções urinárias
de repetição, foram identificadas adenopatias inguinais esquerdas. A sua biópsia revelou “metástase de carcinoma pouco
diferenciado, com padrão pavimentoso e por vezes basalóide. CK 5 e 7 positivo e CK20 negativo.”. Analiticamente apenas
com elevação de CEA (10ng/mL) e CA 19.9 (79.5U/mL). Fez biópsia osteomedular, recto-sigmoidoscopia e uretro-cistoscopia,
128
111 ACETATO DE ABIRATERONA NO CANCRO DA PRÓSTATA METASTÁTICO RESISTENTE À CASTRAÇÃO: A PROPÓSITO
DE UM CASO CLÍNICO
Sara Meireles(1);João Silva(2);Isabel Augusto(2)
(1) Centro Hospitalar São João (2) Centro Hospitalar de São João
Introdução: O acetato de abiraterona é um inibidor da biossíntese dos androgénios que tem adquirido um papel fundamental na
evolução do tratamento do cancro da próstata metastático resistente à castração (CPRC). Apresenta benefício comprovado na
sobrevivência global destes doentes que progrediram sob quimioterapia com docetaxel. Objectivo: Descrição de um caso clínico
de CPRC que efectuou tratamento com acetato de abiraterona. Caso Clínico: Doente de 60 anos, que iniciou em Dezembro de
2008 queixas de polaquiúria. Apresentava PSA elevado e ao toque rectal foi objectivada próstata endurecida com lesão sugestiva
de neoplasia. Realizou biópsia prostática que revelou adenocarcinoma bilateral Gleason 9 (4+5) à esquerda e 7 (4+3) à direita.
O cintilograma ósseo mostrou patologia metastática multifocal, tendo iniciado análogo LHRH, com associação posterior de
anti-androgénico. Foi constatada hormonorresistência em Maio de 2010, com progressão imagiológica e reaparecimento da
sintomatologia urinária, pelo que iniciou docetaxel 75 mg/m2 e prednisolona 10 mg/dia. Em Fevereiro de 2011, apresentou
nova progressão do valor de PSA associado a agravamento da sintomatologia. Foi alterado tratamento para cabazitazel 25 mg/
m2, mantendo o corticóide, com evolução desfavorável e compromisso franco da qualidade de vida do doente. Iniciou acetato
de abiraterona 1000 mg/dia e prednisolona 10 mg/dia, que manteve durante 7 meses, com doença controlada e impacto
significativo na melhoria da qualidade de vida do doente. Conclusão: O presente caso vem demonstrar a eficácia e a boa
tolerância do acetato de abiraterona como opção terapêutica nos doentes com CPRC, que progrediram após docetaxel.
112 REVISÃO DE DOENTES COM DIAGNÓSTICO DE CARCINOMA DA PRÓSTATA EFECTUADOS DURANTE O ANO DE
2007 NUM HOSPITAL DISTRITAL
Ana Cristina albuquerque(1);Paula Banha(1)
(1) Serviço Oncologia, Centro Hospitalar Setúbal
Introdução: o carcinoma da próstata continua a ser a neoplasia mais frequente no sexo masculino, conjuntamente com o
carcinoma colorectal. Actualmente as diferentes modalidades terapêuticas vêm permitir ganhos na sobrevivência com boa
qualidade de vida, manutenção da autonomia, e morbilidades controláveis. Objectivos: Este trabalho pretende avaliar o tipo de
tratamento, evolução e sobrevivência aos 5 anos dos doentes com carcinoma da próstata diagnosticados e tratados no Serviço
de Oncologia do H S Bernardo no ano de 2007. Material e Métodos: Recolha de processos de doentes inscritos no Serviço de
Oncologia no ano de 2007 com o diagnóstico de carcinoma da próstata, com confirmação histológica, com processamento e
129
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sem lesões identificáveis. E a TC TAP identificou múltiplas adenopatias abdómino-pélvicas. Perante os dados foi assumido o
diagnóstico de cancro de primário desconhecido com metastização linfática e com provável origem no aparelho urinário. Iniciou
quimioterapia (QT) segundo o protocolo de Carboplatina EV (D1 - AUC6) mais Paclitaxel EV (D1 - 175mg/m2), num total de 6 ciclos
(21/21 dias) seguidos de radioterapia (RT) sob a região inguinal, na dose total de 59Gy. Resultados: Resposta apenas parcial
após a QT, pelo que foi de seguida submetido a RT, contudo persistiram pequenas adenopatias abdomino-pélvicas. Progressão da
doença aos 9 meses após tratamento (19 meses após diagnóstico histológico) com aparecimento de adenopatias mediastínicas
e identificação de uma lesão proliferativa multicêntrica, bilateral e estenosante ao nível dos ureteros, a condicionar insuficiência
renal. Foram colocados stents ureterais e iniciada QT dirigida segundo o protocolo de Gemcitabina com Cisplatino. Conclusões:
Os carcinomas pouco diferenciados correspondem a 20% dos CPD e o seu padrão de envolvimento apenas linfático representa
um grupo de prognóstico mais favorável. O tratamento inicial foi escolhido atendendo a este subgrupo e à possibilidade de um
carcinoma pavimentoso primário, contudo com a progressão da doença identificou-se o tumor primário ao nível do urotélio
superior. Este caso de apresentação atípica pertence à minoria cujo primário é localizado, permitindo assim uma escolha
terapêutica dirigida.
cálculo de dados em folha excel. Resultados: No ano de 2007 foram diagnosticados 45 doentes no H S Bernardo, dos quais
40 foram seguidos no serviço de oncologia e os restantes na consulta externa de urologia. Destes doentes 28 doentes foram
tratados com prostatectomia radical e 27 doentes com Radioterapia externa e castração hormonal combinada. A duração média
da castração foi de 3 anos, com 1 doente mantendo a mesma aos 5 anos. Do grupo de doentes operados 1 encontra-se sob
em progressão confirmada sob terapêutica com nizale, e 6 doentes apresentam elevação do PSA em avaliação para inicio de
terapêutica de 1ª linha. No grupo dos doentes tratados com radioterapia e bloqueio androgénico todos os doentes mantêm
valores de PSA controlados. Conclusões: O carcinoma da próstata pode ser uma neoplasia tratada com qualidade num Hospital
Distrital, com longas sobrevivências, e opções terapêuticas adequadas ao individuo. Com acesso aos novos fármacos, podemos
mais facilmente aumentar a sobrevivência dos doentes com morbilidades controláveis, e manutenção de qualidade de vida dos
indivíduos.
113 TUMOR DE CÉLULAS GERMINATIVAS NÃO SEMINOMATOSO DO TESTÍCULO – UM DESAFIO
Joana Godinho(1);Natália Loureiro(2);Nuno Sousa(3);Rosa Begonha(4);Joaquina Maurício(4)
(1) Instituto Português de Oncologia do Porto Dr. Francisco Gentil, E.P.E. (2) Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, Unidade Padre
Américo (3) Serviço de Oncologia Médica - IPO Porto (Directora: Dra. Helena Rodrigues) (4) IPO-Porto
Introdução: Os tumores de células germinativas são os tumores sólidos mais frequentes em homens jovens e a sua incidência
nos países industrializados tem vindo a aumentar. Cerca de 50% dos casos são tumores não seminomatosos e destes, cerca
de 1/3 são metastizados ao diagnóstico. Desde a introdução de quimioterapia (QT) com esquema BEP (bleomicina, etoposídeo,
cisplatina), até 80% dos doentes metastizados podem ser curados. Cerca de 20 a 30% dos doentes submetidos a QT de 1ª
linha necessitam de QT de resgate. Caso Clínico: Homem de 30 anos, sem antecedentes relevantes, com aumento progressivo
e indolor do testículo esquerdo associado a perda ponderal com evolução de 1 ano. Apresentava ainda dorsalgia constante
com 2 semanas de evolução. Realizou ecografia testicular que revelou uma massa escrotal esquerda sugestiva de hematoma
organizado / neoplasia. Analiticamente, verificava-se elevação de ?-fetoproteína (?-FT) e ?-HCG. Foi submetido a orquidectomia
radical inguinal esquerda e, às 24 horas de pós-operatório, iniciou incontinência urinária e paraparésia. Exames de estadiamento
revelaram elevação pós-operatória de ?-FT, metastização óssea vertebral, com fractura patológica de D3 e componente de partes
moles para-vertebral, associada a compressão medular. Iniciou corticoterapia e foi submetido a laminectomia descompressiva
de D3 e D4 com exérese da massa para-vertebral. Os exames histológicos do testículo e da massa para-vertebral revelaram a
presença de um tumor de células germinativas não seminomatoso, de histologia mista. Foi classificado como estádio IIIc (pT2
cN0pM1bS3), grupo de mau prognóstico do IGCCCG. Iniciou QT com BEP, 72 h pós-orquidectomia e 24 h pós-laminectomia.
Ao D+16 do 1º ciclo, por não apresentar melhoria neurológica, iniciou radioterapia a D3 e D4, e reabilitação motora. Cumpriu
4 ciclos de BEP, tendo-se verificado remissão parcial das lesões ósseas com elevação persistente do marcador tumoral.
Durante o tratamento, ocorreram toxicidades graves como: toxicidade hematológica G4, infecção G4, toxicidade neurológica
G4 (encefalopatia posterior reversível). Por falência da QT de 1ª linha e ser enquadrável no grupo de alto risco do score de
prognóstico de Beyer, iniciou QT de resgate com esquema VeIP (Vinblastina, Ifosfamida, Cisplatina). Ao fim de 3 ciclos, obteve-se
reposta imagiológica parcial e normalização da ?-FT. Apresentou toxicidade hematológica G4 e infecção G3. Cerca de 26 meses
após o diagnóstico, está em vigilância, com ?-FT negativa e evidencia recuperação neurológica parcial com continência de
esfíncteres e capacidade de deambular com andarilho. Conclusão: Os tumores de células germinativas do testículo são tumores
quimiossensíveis, em que, mesmo na presença de factores de prognóstico adverso e após 1ª linha de QT, é possível obter taxas
de remissão em até 70% dos doentes. Contudo, estes resultados só são possíveis se o cuidado destes doentes for realizado
por equipas multidisciplinares com experiência nesta patologia. O diagnóstico e a abordagem multidisciplinar da compressão
medular são cruciais para o sucesso terapêutico, tal como ilustra o caso apresentado. Os autores salientam ainda a ocorrência de
uma complicação rara do tratamento - a encefalopatia posterior reversível - que deve ser considerada no diagnóstico diferencial
de cefaleia, hipertensão arterial e convulsões de novo, num doente sob tratamento citotóxico.
130
Mafalda Carneiro(1);João Mouta(1);Diogo Alpuim Costa(1);Emanuel Gouveia(1);Isália Miguel(1);Jorge Silva(1);Ana
Félix(1);Margarida Brito(1);António Marques(1);António Moreira(1)
(1) IPO Lisboa
Introdução: O tumor de células germinativas do testículo é o tumor sólido maligno mais frequente nos homens entre os 15-34
anos. Os doentes com este tipo de tumor apresentam risco superior de desenvolver tumor do testículo contralateral (incidência
de 1-5%). Apesar da apresentação bilateral metacrónica ser a mais frequente (recidiva tardia após 5 anos >50%), existem casos
descritos de tumores bilaterais síncronos. Na literatura, a histologia de ambos os tumores é habitualmente concordante. Estes
casos necessitam de uma abordagem multidisciplinar especializada, nomeadamente para selecção de eventuais candidatos
a realização de cirurgia conservadora para preservação da função testicular. Caso Clínico: Adolescente do sexo masculino
de 17 anos, referenciado ao IPO-LFG por tumor bilateral síncrono do testículo (ecografia escrotal: “formação tumoral na bolsa
escrotal direita com cerca de 6X4X5 cm de diâmetro, heretogénea, com múltiplas áreas quísticas; nódulo maioritariamente
hipoecogénico na vertente anterior do terço superior do testículo esquerdo de contornos lobulados com 8 mm de maior
diâmetro, não hipervascular e nódulo fortemente hipoecogénico em topografia póstero-externa sugestivo de corresponder a
formação quística com 2 mm”) com metastização pulmonar e ganglionar (retroperitoneal) a data do diagnóstico. Analiticamente,
apresentava ?-fetoproteína 438 ng/mL e ?-HCG 71.9 mUI/mL. Foi submetido a orquidectomia radical direita e tumorectomia
testicular esquerda, seguido de 4 ciclos de Quimioterapia com Bleomicina, Etoposido e Cisplatina (BEP). A orquidectomia direita
revelou um tumor germinativo não seminomatoso misto (75% teratoma; 20% carcinoma embrionário; 5% tumor do saco vitelino)
e atumorectomiado testículo esquerdo evidenciou carcinoma embrionário, tendo a peça operatória margens negativas. O doente
obteve após quimioterapia remissão imagiológica e laboratorial completa. Actualmente aguarda doseamento de Testosterona,
LH e FSH para despiste de hipogonadismo primário sequelar. Foi feita criopreservação de esperma pré cirurgia. Para além do
follow-up habitual irão ser preconizadas neste doente avaliações ecográficas escrotais periódicas. Discussão: O caso clínico
descrito evidencia o diagnóstico de um tipo de tumor raro com uma forma de apresentação ainda mais rara (bilateral síncrono).
A orquidectomia radical é a terapêutica cirúrgica gold standard. No entanto, em doentes seleccionados (como em doentes
com tumor bilateral), pode-se optar por cirurgia conservadora. Numa série publicada pela German Testicular Câncer Study
Group(GTCSG) em 2004 de 115 doentes submetidos a cirurgia conservadora do testículo mostrou que 21% dos doentes com
tumor síncrono desenvolveram tumor metácrono no restante parênquima. A sobrevida aos 10 anos dos tumores síncronos
é de85%; enquanto que a sobrevida aos 10 anos da doença metastática é de 65%. Pelo facto de ser um tumor com uma
sobrevida prolongada, a abordagem cirúrgica foi conservadora na tentativa de evitar a castração cirúrgica e as complicações do
hipogonadismo primário sequelar. O follow-up a longo prazo deve ser mantido pelo risco de recidiva tardia.
115 CARCINOMA DE CÉLULAS RENAIS METASTÁTICO: TERAPÊUTICAS DIRIGIDAS – A CAMINHO DE UMA PATOLOGIA
CRÓNICA?
Catarina Ribeiro(1);Fábio Gomes(2);Pedro Barata(2);Sónia Oliveira(2);Maria Paula Custódio(2);Lígia Costa(2);Manuel de
Sousa(2);Ricardo da Luz(2);Jorge Albuquerque(2);Lurdes Batarda(2)
(1) CHLC (2) CHLC - H. Sto Antonio dos Capuchos, Lisboa
Introdução: A prevalência do carcinoma de células renais parece estar a aumentar. Para casos com doença localizada, há opções
terapêuticas com grande impacto na sobrevida. Por outro lado, já o carcinoma de células renais metastático (CCRm) permanece
um desafio e recentes desenvolvimentos na área das terapêuticas alvo têm sido conseguidos nos últimos anos. Aqui reportamos
um caso de um longo-sobrevivente com CCRm, diagnosticado há 9 anos e que foi percorrendo diferentes linhas de opções
terapêuticas. Caso Clínico: Homem de 53 anos, diagnostico do com CCR estágio III (pT3pNxM0) in 2003. Submetido no mesmo
ano a Nefrectomia radical esquerda. Por doença metastática óssea e pulmonar com múltiplas lesões iniciou quimioterapia com
Interferão e Vinblastina concomitante. A progressão da doença e toxicidade motivaram alteração de esquemas de quimioterapia
diversas vezes ao longo dos anos, tentando atingir um equilíbrio vantajoso entre controlo da doença e efeitos secundários.
131
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114 TUMOR DE CÉLULAS GERMINATIVAS BILATERAL DO TESTÍCULO – A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Nove anos após o diagnostico o paciente encontra-se com doença controlada levando uma vida diária com total desempenho
nas suas AVDS. Conclusão: Tendo entrado na era das terapêuticas dirigidas a moléculas alvo novas opções terapêuticas têm
ficado disponíveis, contribuindo para uma sobrevida prolongada com pouco impacto na qualidade de vida diária. Estes recentes
avanços permitem encarar doença oncológica metastática como uma potencial patologia crónica.
116 CARCINOMA DE CÉLULAS RENAIS METASTIZADO (MRCC): UM CASO DE SUCESSO/UMA SOBREVIVÊNCIA
POUCO HABITUAL
Alina Rosinha(1);Ramon Andrade de Mello(2);Filipa Carneiro(3);Cátia Faustino(2);Nuno Sousa(2);Rosa Begonha(2);Joaquina
Maurício(2)
(1) Serviço de Oncologia Médica, Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, Rua Dr. António Bern (2) Serviço de Oncologia
Médica - IPO Porto (Directora: Dra. Helena Rodrigues) (3) IPO-Porto
Introdução: O Carcinoma de Células Renais é uma doença heterogénea, consistindo de diversos tipos histológicos, resistentes à
quimioterapia e radioterapia. Representa 2-3% de todos os cancros e é responsável por 2,4% das mortes por cancro. Cerca de
1/3 dos doentes apresentam doença localmente invasiva ou metastática ao diagnóstico, para os quais o prognóstico é reservado,
com uma sobrevivência aos 5 anos inferior a 11%. Relato do Caso: Mulher de 38 anos de idade, empregada fabril, a quem em
Julho de 2006, no contexto do estudo diagnóstico de toracalgia esquerda, foi identificada uma volumosa massa renal esquerda.
A avaliação diagnóstica complementar revelou um carcinoma de células claras do rim, estádio IV (metastização pulmonar),
enquadrável no grupo de prognóstico intermédio do MSKCC. Dada a extensão da lesão renal e estádio clínico avançado, o tumor
primário não foi ressecado. Iniciou tratamento sistémico com Interferão ?2b e Interleucina-2, que manteve durante 4 meses,
com doença estável e toxicidade ligeira. Nesta altura, por estar disponível o Sunitinib, iniciou este fármaco, com resposta parcial.
Dada a resposta parcial sustentada, foi realizada nefrectomia radical esquerda com manutenção de Sunitinib após a recuperação
cirúrgica. O Sunitinib foi suspenso, após 23 meses de tratamento, devido a uma hemorragia digestiva alta, com necessidade de
suporte transfusional e internamento para embolização da artéria gastroduodenal. Seis meses após a suspensão de Sunitinib,
teve progressão da doença a nível pulmonar. Reiniciou, então, Sunitinib, com estabilização da doença e toxicidade ligeira, pelo
que mantém este tratamento até à data. Conclusão: O aparecimento de novas moléculas cujos alvos terapêuticos se localizam
em vias moleculares relacionadas com a angiogénese revolucionou o tratamento e o prognóstico dos doentes com carcinoma
de células renais metastizado (mRCC). Neste contexto, o Sunitinib é a estratégia terapêutica com melhor taxa de resposta e
está associado a uma sobrevivência livre de progressão de 11 meses e uma sobrevivência global de 26,4 meses. O caso clínico
evidencia não só a mudança de paradigma no tratamento do mRCC assim como as vantagens das novas estratégicas. Para além
disso, realça a relevância e impacto da toxicidade associada ao uso destas terapêuticas.
132
1 CONSULTA DE ENFERMAGEM, O SEU PAPEL NA EDUCAÇÃO DO DOENTE ONCOLÓGICO
Alexandra Madeira(1);Ana Honrado(2);Ana Melão(2);Carla Estanque(2);Mª Jose Serra(2);Vanda Catita(2);Beatriz
Louro(2);Lurdes Baptista(2);Guida Balbino(2)
(1) ULSBA - Quimioterapia (2) Unidade Oncologia ULSBA, Beja
Introdução: A assistência de enfermagem com vista à educação para a saúde e bem-estar do doente oncológico em tratamento
de quimioterapia é uma necessidade comtemplada na unidade de oncologia da ULSBA. Desta forma foi criada a consulta de
enfermagem com o objectivo de dar resposta a duas grandes questões, a monitorização de efeitos adversos e a educação e
adesão aos tratamentos. A consulta de enfermagem dá resposta á carência de informação por parte do doente oncológico que
pela sua situação de doença neoplásica tem necessidades de ensino, informação e esclarecimentos inerentes ao processo de
evolução e tratamento da doença. Pretendemos com a nossa apresentação dar a conhecer o funcionamento e aspectos relevantes
da consulta. Resumo: Os enfermeiros são responsáveis por monitorizar os efeitos adversos da quimioterapia revertendo-se os
seus registos de extrema importância. São uma forma de controlar e avaliar os cuidados de enfermagem e um instrumento
de educação. É importante a utilização de um instrumento fiável para a avaliação e documentação standard das toxicidades
provocadas pelos tratamentos, pelo que utilizamos na consulta a escala do National Câncer Institute (CTACE versão 3.0). A equipa
pretende efectuar a avaliação e classificação dos efeitos adversos e promover a comunicação entre técnicos e doente/família.
Os enfermeiros desenvolvem com os doentes planos de gestão do regime terapêutico que envolvem orientações de diferentes
profissionais, terapêutica medicamentosa, modificações de estilo de vida, manuseamento de défices dos autocuidados e
acompanhamentos que podem ser difíceis para os doentes/família. Cabe ao enfermeiro planear com os doentes/famílias a melhor
forma de adesão face ás dificuldades e constrangimentos identificados, funcionando como parceiros e recurso nos diferentes
aspectos do regime terapêutico (Nunes, 2009). Um estudo de DiMatteu (2004) verificou que em média 24,8% dos clientes não
aderem ás recomendações de tratamento. A não adesão ao tratamento tem implicações a nível do aumento da morbilidade e
mortalidade, com redução da qualidade de vida, insatisfação dos clientes, complicações medicas e psicológicas e desperdício
de recursos de cuidados de saúde. Conclusão: Os enfermeiros devem avaliar, diagnosticar, intervir e avaliar os resultados nas
questões relacionadas com a adesão e monitorização de efeitos adversos, em colaboração com outros prestadores de cuidados,
desempenhando um papel relevante na optimização da adesão ao tratamento. Os estudos indicam que os doentes e famílias com
mais conhecimentos acerca da doença e plano de tratamentos experimentam significativamente menos ansiedade e stress. Em
suma, a consulta de enfermagem em oncologia tem um carácter educativo e de triagem demonstrando resultados positivos em
termos de organização e planeamento de cuidados.
2 “UM DIA DE CADA VEZ...”
Paula Banha(1)
(1) Serviço Oncologia, Centro Hospitalar Setubal
Introdução: Os cuidados paliativos segundo a OMS têm o objectivo de melhorar a qualidade de vida dos doentes e suas familias,
que enfrentam problemas decorrentes de uma doença que ameaça a vida, não só através do alivio do sofrimento fisico, como
também do alivio dos sintomas psicossociais e espirituais. Neste estudo de caso abordamos uma familia constituida pela pessoa
doente, cuidadora de dois filhos, o J de 34 anos a quem foi dignosticada esquizofrenia paranoide, e o J. de 32 anos com oligofrenia,
dependente fisica e emcionalmente dos cuidados da mãe e do irmão. A doente é uma mulher de 63 anos, viuva, doméstica, com
neoplasia da mama, metastização óssea multipla, pulmonar, cerebral e carcinomatose meningea. À equipa de cuidados paliativos
colocou-se o desafio de compreender o processo de transição do ponto de vista do cuidador informal e programar as intervenções
que apoiem afectivamente as pessoas. Ao enfermeiro coube ser o elemento facilitador deste processo, pois tem por missão ajudar
as pessoas a gerir as transições ao longo do ciclo da vida. Estudos como o de Driscoll (2000) ou mais recentemente o de Petronilho
133
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POSTERS ENFERMAGEM
(2006) relatam-nos qual o impacto que a prestação de cuidadoa à pessoa com doença crónica, tem na saúde dos cuidadores.
Como é que nós profissionais de saude preparamos os cuidadores para este processo, para que assumam a responsabilidade
da prestação “dos melhores cuidados”. Objectivos: Enfatizar a importancia do trabalho da equipa multidisciplinar de suporte em
cuidados paliativos no cuidar do doente/familia em fim de vida, no hospital e no domicilio, mesmo quando os cuidadores “parecem
incapazes”. Material e Métodos: Estudo de caso. Conclusão: Analisando as definições de cuidados palaitivos que foram surgindo
ao longo dos anos, por vários autores, verifica-se que se trata de uma construção complexa de elementos, que permitem integrar
o doente como um ser completo, que apesar de ter uma doença incurável, existe como ser humano, com capacidade de decisão,
que necessita de ser cuidado até ao fim da sua vida. Esta pessoa encontra-se inserida em contexto familiar, que também necessita
de ser apoiado, escutado, integrado como elemento da equipa prestadora de cuidados. “A essência dos cuidados paliativos é a
aliança entre a equipa de cuidados e o doente e sua familia. (…) os doentes são especialistas na forma como se sentem e no
impacto subjectivo da sua doença, e os profissionais são especialistas no diagnóstico e nas opções de tratamento.” Twycross
(2003) Cuidar implica cooperar, exige respeito mútuo, capacidade de ouvir e explicar, acordar sobre prioridades e objectivos,
discutir alternativas de tratamento e aceitar a recusa dos tratamentos. Cuidados paliativos, segundo Correia (2008) são esperança,
esperança de um fim de vida com dignidade e sem sofrimento inútil. Cuidados paliativos significa que não existe possibilidade
de tratamentos terapêuticos no contexto da cura, mas existem no contexto da acção e do cuidado da pessoa em fim de vida
(Casmarrinha, 2008). Esta doente faleceu no domicilio, cuidada pelos familiares, pela Equipa Intra Hospitalar de suporte em
Cuidados Paliativos, pela Equipa Comunitaria de Suporte em Cuidados Paliativos, assim como com o apoio de todos os técnicos
de saude mental das diferentes instituições com quem articulamos. A principal conclusão é que é possível cuidar, satisfazendo as
necessidades do doente e familia, mesmo que numa fase inicial isso nos pareça impossível.
3 AVALIAÇÃO DO RISCO NUTRICIONAL DE DOENTES ONCOLÓGICOS EM REGIME DE HOSPITAL DE DIA
Belo A., Silva A., Lopes N., Rosa T., Serra H., Pereira A., Mendes P., Guedes F.
(1) Hospital Distrital da Figueira da Foz, Unidade Funcional Hospital de Dia de Oncologia
Introdução: A desnutrição em oncologia contribui para o aumento das co-morbilidades, com consequente aumento do número
de internamentos e respectiva duração, o que representa um acréscimo directo dos custos em saúde, concomitante à diminuição
da qualidade de vida do doente e família. Ponderando o beneficio dos cuidados nutricionais na recuperação dos doentes e na sua
qualidade de vida, e propendendo a identificação de doentes com alteração do estado nutricional, ou em risco de desnutrição,
a Unidade Funcional Hospital de Dia de Oncologia do Hospital Distrital da Figueira da Foz, EPE desenvolveu a avaliação do risco
nutricional de doentes oncológicos. Objectivos: Avaliar, monitorizar e referenciar os doentes oncológicos com risco nutricional ou
em estado de desnutrição. Metodologia: Todos os doentes oncológicos em regime de tratamento foram submetidos a avaliação
de risco nutricional, através do MUST (Malnutrition Universal Screening Tool), no período compreendido entre Fevereiro de 2011 e
Janeiro de 2012. Para determinar o risco de desnutrição foi avaliado o índice de massa corporal, efectuada averiguação das perdas
ponderais involuntárias no período de 3 a 6 meses anteriores à data da avaliação, e considerada a relação entre a severidade
da doença e o risco de desnutrição. Os doentes foram agrupados de acordo com a classificação do MUST, e categorizados em
grupos de Baixo risco, correspondente ao score=0; Médio Risco ao score=1; e Elevado Risco ao score ?2. Todos os doentes
foram monitorizados em cada sessão terapêutica, sendo que, os doentes do grupo de médio risco foram alvo de abordagem
pedagógica realizada pela equipa de Enfermagem, no âmbito da educação alimentar, e o grupo correspondente ao score ?2, foi
referenciado para tratamento dietético e suplementação nutricional. Todos os doentes foram também referenciados para ajuste
da terapêutica farmacológica, sempre que o quadro clínico o justificou. Resultados: Foram efectuadas 941 avaliações, sendo que
14.1% corresponde ao grupo de doentes com idades ? 50 anos, 43.3% aos doentes com idades compreendidas entre os 51 e
os 70 anos, e 42.6% com idades superiores aos 70 anos. Do grupo de doentes com idades inferiores a 50 anos, verificou-se que
84.9% não apresentavam risco nutricional, 10.5% demonstrou médio risco, e apenas 4.6% dos doentes deste grupo apresentou
elevado risco. Destes, 66.7% padeciam de patologia gastrointestinal e 33.3% a patologia pulmonar. Relativamente à faixa etária
compreendida entre os 51 e os 70 anos, 93.4% não apresentavam risco nutricional, 3.9% apresentavam médio risco, e apenas
2.7% apresentavam elevado risco, dos quais 63.6% com patologia do foro gastrointestinal, e 27.3% do foro pulmonar. No que
se refere aos doentes com idades superiores a 70 anos, não foi encontrado risco nutricional em 85% dos casos, foi identificado
médio risco em 5.3%, e referenciados para tratamento dietético e suplementação nutricional 9.7% dos doentes deste grupo,
134
4 CANCRO - NUTRIÇÃO VERSUS DESNUTRIÇÃO
Eugénia Tareco(1);Elisabete Rodrigues Fernandes(2)
(1) ULS Baixo Alentejo (2) Unidade Oncologia ULSBA, Beja
Introdução: A doença oncológica geralmente conhecida por cancro é talvez a doença mais temida do nosso século. Normalmente
conduz a pessoa a uma grande carga emocional, relacionada com o sofrimento, medo, angustia, dor e morte. Esta doença não
afecta somente o doente mas também a sua família. Resumo: O diagnóstico de cancro, bem como os tratamentos associados,
transmitem uma carga emocional inexplicável ao doente, família e amigos. Ao longo da sua existência uma família constrói uma
estrutura onde cada elemento tem o seu papel e desempenha as suas funções. Com o surgimento de uma doença oncológica todo
esta estrutura abana, é destruída levando ao sofrimento, ansiedade e medo de todos os seus elementos. Neto, Aitken & Paldron
(2004) referem que o sofrimento existencial associado à doença terminal é um estado de stress que confronta o indivíduo com a
sua mortalidade. As causas ou razões para o sofrimento podem resultar de sentimentos de impotência, futilidade, perda de sentido,
desilusão, remorso, medo da morte e da disrupção da identidade pessoal. Estas causas podem ser mais ou menos evidentes mas
a sua essência enquanto vivencia interior e pessoal só pode ser entendida de forma subjectiva. As expressões e os significados
do sofrimento são sempre únicas e pessoais e é neste âmbito que devem ser abordadas. A enfermeira que presta cuidados ao
doente oncológico teve ter um conhecimento profundo de todas as situações relacionadas com a doença. Saber ouvir mostrando
sempre disponibilidade é importante para se estabelecer uma relação de confiança, de modo a que o doente consiga expressar
as suas preocupações, dúvidas e medos. A desnutrição em doentes oncológicos é frequente e está relacionada com o aumento
da morbilidade e da toxicidade do tratamento, com a redução da resposta ao tratamento e com a diminuição da Qualidade de
Vida, piorando o prognóstico e aumentando os custos de saúde. Uma detecção precoce das alterações nutricionais no doente
oncológico permite uma intervenção oportuna. Esta intervenção deve iniciar-se no primeiro contacto entre o enfermeiro e o doente.
A orientação nutricional deve ser conduzida mediante as queixas do doente, No geral a anorexia, o emagrecimento involuntário e
consequentemente a caquexia surgem com muita frequência no doente oncológico. A caquexia tem um impacto negativo sobre a
qualidade de vida do doente. Conclusão: A desnutrição é comum em doentes oncológicos e esta relacionada com diversos efeitos
adversos clinicamente relevantes, como a diminuição da tolerância ao tratamento, reacções adversas e redução da qualidade
de vida. Logo torna-se necessário estabelecer estratégias para identificação dos doentes em risco nutricional, de modo ser
implementado um suporte nutricional efectivo e reduzir a morbilidade associada ao cancro. Holleb refere que anorexia é um dos
factores que contribui para a perda de peso, na medida em que é a causa mais comum de diminuição da ingestão alimentar. A
anorexia esta presente em 15% a 25% dos casos de cancro, na altura do diagnostico, e, praticamente, 100%, na altura em que a
doença já se encontra disseminada segundo Langstein.
5 FERIDAS NO DOENTE ONCOLÓGICO
Eugénia Tareco(1);Alexandra Madeira(2)
(1) ULS Baixo Alentejo (2) ULSBA - quimioterapia
Introdução: Com o desenvolvimento científico e tecnológico verificado nas últimas décadas a área da oncologia sofreu um grande
incremento ao nível do diagnóstico e do tratamento sendo a cura um objectivo em cerca de 50% dos doentes diagnosticados,
135
ABSTRACTS | ABSTRACTS
por apresentarem elevado risco nutricional, ou quadro de desnutrição. Destes, 35.9% apresentavam quadro hemato-oncológico,
35.9% ginecológico, 15.4% gastrointestinal, e 12.8% doença oncológica pulmonar. Conclusões: O estudo desenvolvido permitiu
averiguar que 89.5% da amostra não apresentava risco nutricional, 5.5% apresentava médio risco, e 6% apresentava elevado
risco. Apesar de se verificar que os grupos correspondentes a médio e elevado risco não apresentam significância estatística
relevante, podemos concluir que a avaliação do risco nutricional deve ser efectuada aquando do diagnóstico da doença, no sentido
de assegurar a optimização da monitorização, e a referenciação precoce. O MUST constitui assim uma excelente ferramenta
de detecção de risco nutricional e/ou desnutrição, é de fácil aplicação, e representa um contributo de excelência no âmbito da
elaboração de estratégias e metodologias de rastreabilidade.
segundo Secoli S.R. et al (2005). Os doentes do foro oncológico necessitam de cuidados especiais que melhorem sua qualidade de
vida e os protejam de possíveis complicações. Objectivos: Uniformizar cuidados de enfermagem ao doente com feridas tumorais.
Resumo: Cada vez mais o doente com cancro pode requerer cuidados mais especializados e intensivos exigindo dos enfermeiros
conhecimentos acerca do tipo de cancro, tratamentos e intervenções a realizar. (Muehlbauer.P & White.R., 2000). Com o aumento
da esperança de vida dos doentes oncológicos surge a necessidade de controlar algumas complicações associadas ao cancro
como é o caso das feridas neoplasias. As feridas tumorais causam um grande impacto na equipa de enfermagem principalmente
num estádio avançado da doença, devida à sua extensão, odor e exsudado. Conclusão: Os doentes com este tipo de ferida
necessitam de uma equipa especializada, para receberem cuidados especializados do ponto de vista físico e psicológico. Embora
as feridas tumorais sejam um fenómeno antigo, existe pouca pesquisa relevante sobre o tema, o que compromete a qualidade de
vida destes doentes. Há necessidade de desenvolver estudos e protocolos para melhorar o controlo sintomático e desta forma os
cuidados prestados ao doente e família.
6 DOENTES EM FIM DE VIDA NA UNIDADE DE CUIDADOS INTENSIVOS
Alexandra Madeira(1);Ana Cristina Honrado(1);Sérgio Guerreiro(1)
(1) ULSBA - quimioterapia
O presente poster consiste na divulgação dos resultados de uma revisão sistemática da literatura cuja temática central são
as dificuldades dos enfermeiros de cuidados intensivos ao cuidar de doentes em fim de vida. Objectivo: Através deste poster
propomo-nos identificar quais as principais dificuldades/obstáculos dos enfermeiros de cuidados intensivos ao cuidar de doentes
em fim de vida assim como identificar algumas medidas facilitadoras na prestação desses cuidados. Metodologia: Para a
elaboração deste trabalho foram seleccionados artigos de investigação de uma amostra inicial de 29 retirados da base de dados
EBSCO. Resumo: Cuidar em fim de vida é uma das preocupações da Enfermagem exigindo um maior envolvimento e reflexão por
parte dos profissionais. Com o aumento da esperança média de vida, a maior incidência de doenças crónicas, a evolução técnica
e científica e o aumento de situações de doença terminal a sociedade necessita cada vez mais de cuidados de enfermagem. Os
doentes são muitas vezes internados em unidades altamente especializadas e submetidos a procedimentos diagnósticos e de
tratamento complexos esquecendo-nos muitas vezes de simplesmente proporcionar conforto e melhorar a qualidade de vida dos
seus últimos dias. Os principais obstáculos identificados pelos enfermeiros da UCI á prestação de cuidados ao doente em fim de
vida relacionam-se com a comunicação de informações acerca da situação do doente, utilização de tratamentos e procedimentos
agressivos, desacordo quanto ao plano de cuidados e familiares zangados e que não compreendem o prognóstico. Foram sugeridas
algumas medidas como facilitadoras da prestação desses cuidados entre elas proporcionar um ambiente digno e pacifico á
cabeceira do doente, permitir acesso ilimitado aos familiares e ensiná-los a agir perto de um doente terminal. Conclusões: As
principais conclusões obtidas através da realização deste poster revelam que os enfermeiros das UCI têm a percepção de quais
os obstáculos á prestação de cuidados ao doente em fim de vida e de que a integração dos cuidados paliativos nos cuidados
prestados na UCI será uma mais-valia. É fundamental uma mudança de paradigma no foco do cuidado dos doentes, partir do
modelo estritamente voltado para os cuidados curativos para uma nova visão na qual os cuidados curativos e paliativos sejam
oferecidos de forma integrada aos doentes. (Cicarello, G.2003)
7 “ A IMPORTÂNCIA DOS EXAMES DE IMAGEM NO DIAGNÓSTICO DO CARCINOMA DA MAMA”
Raquel Alagoinha(1);Ana Rita Sousa Dias(1)
(1) HESE E.P.E
Introdução: O cancro da mama corresponde à segunda causa de morte, por cancro, na mulher. Em Portugal, anualmente são
detetados cerca de 4500 novos casos de cancro da mama e 1500 mulheres morrem com esta doença. Os exames de Imagem,
tais como a Mamografia, Ecografia Mamária e Ressonância Magnética Mamária têm um papel fundamental do diagnóstico,
caracterização e estadiamento do Cancro da Mama. Objetivos: As autoras têm como objetivo principal demonstrar a importância
dos exames imagiológicos na deteção do cancro de mama. Como objectivo secundário pretende-se apresentar a estatística do
136
8 RADIOTERAPIA EXTERNA EM MÚLTIPLOS BASALIOMAS DISPERSOS NO COURO CABELUDO
– UM CASO CLÍNICO.
Ana Filipa Nunes(1);Ana Lúcia Espadinha(1);Filipa Banha(1)
(1) Hospital do Espirito Santo de Evora/Lenicare
Introdução: O carcinoma basocelular representa 70% das neoplasias da pele que afectam um crescente número de indivíduos.
Localiza-se, em 80% dos casos, na cabeça e pescoço e muito especialmente na face, isto é, em áreas de exposição solar.
Objectivo: Apresentação e análise de um caso clínico de múltiplos basaliomas no couro cabeludo, visível por observação directa,
recorrendo à Radioterapia Externa. Material e métodos: Doente do sexo feminino, de 76 anos de idade, encaminhado pelo Serviço
de Dermatologia do Hospital do Espírito Santo de Évora para radioterapia paliativa de múltiplos basaliomas dispersos em vários
pontos do corpo mas, de um modo mais expressivo, no couro cabeludo no qual exibe extensa ulceração. O tratamento teve início a
22 de Junho de 2010 após a realização de uma máscara termoplástica para imobilização da cabeça da doente, TC de planeamento
e planimetria tridimensional. Foram realizadas 18 fracções com fotões (6MV), com a administração de 3Gy/dia, através de 4
campos conformacionais, perfazendo uma dose total de 54 Gy. Após 45 dias da conclusão do tratamento a doente voltou para
reavaliação. Resultados: No final imediato do tratamento constatou-se uma melhoria cosmética muito significativa das lesões
com diminuição das suas dimensão e ulceração. Cerca de 45 dias após a conclusão do tratamento constatou-se, na consulta de
vigilância, completa cicatrização das lesões irradiadas. Conclusão: A região do Alentejo é uma área de grande exposição solar
e com uma população idosa com elevada incidência de neoplasias cutâneas. A Radioterapia Externa desempenha um papel
importante no tratamento destas lesões constituindo uma boa opção terapêutica.
9 APRENDER PARA DESENVOLVER COM O ESPELHO DA ONCOLOGIA
Fernanda Relveiro(1);Francisco Pereira (1) Rui Filipe Cunha Branco(1)
(1) Clínica CUF Cascais
Introdução: “Aprender Para Desenvolver” enquadra-se no sector da educação para a Saúde, especificamente na educação formal,
ao visar abrir novas perspectivas de cuidados informação, e complementar a qualidade dos cuidados no Concelho de Cascais a
doentes com situação Oncológica. Globalmente, pretende-se que este projecto seja um motor para o desenvolvimento no local,
através da qualificação e capacitação de um serviço 24h disponível no outro e para o outro. É um projecto pioneiro! A nossa Missão
alicerça, estrutura e fundamenta o trabalho que realizamos no quotidiano. Face a um número crescente de solicitações nas mais
variadas áreas e o surgimento de múltiplas oportunidades em vários campos, queremos que a nossa missão seja instrumento de
discernimento e de tomada de decisão. A nova aposta neste sector da saúde partiu da constatação que esta continua a ser um
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ABSTRACTS | ABSTRACTS
serviço de radiologia referente a estudos de imagem assumindo assim o seu papel chave no diagnóstico do cancro da mama.
Material e Métodos: As autoras pretendem apresentar uma análise descritiva e pictórica dos diversos exames imagiológicos
utilizados no diagnóstico do ca mama, tais como, Mamografia, Eco mamária, Rm mamária e outros que ajudam no estadiamento
e follow up da doença, como a TC e ainda no apoio à intervenção, como as biópsias e colocação de arpões guiados por eco ou
raio-x. Pretendemos ainda dar a conhecer a estatística do Serviço de Imagiologia do HESE referente aos exames realizados em
doentes com cancro da mama no ano de 2011. Resultados: As imagens apresentadas foram de exames realizados no Serviço
de Imagiologia do HESE. Da análise estatística dos exames realizados verificámos a sua importância no diagnóstico de cancro
da mama. Conclusão: A mamografia complementada pela ecografia mamária e observação clinica continuam a ser o principal
método de diagnóstico utilizado em todos os doentes com cancro da mama. Em quase todos os doentes operados o diagnóstico
inclui apoio de imagem a gestos de intervenção. A Radiologia tem um papel fundamental na referenciação da lesão através do
arpão em todas as lesões não palpáveis em que são feitas cirurgias conservadoras da mama. A TC Tóraco-Abdomino-Pélvica é
o um bom método para estadiamento e follow up do cancro mama, tendo a Ressonância Magnética um papel crescente neste
âmbito. A RM tem um papel crescente em determinadas situações tais como caracterização e classificação de lesões suspeitas
identificadas na mamografia.
dos pontos sensíveis na sua eficácia. Assim, criam-se novas necessidades e prioridades a estabelecer. Nesta matéria, para além
das competências dos recursos humanos ou da experiência institucional acumulada ao longo dos anos de forma transversal,
a unidade conta com uma forma de actuação singular, enraizada numa relação de confiança e de grande proximidade com
os seus doentes. Forma de actuação, que se enquadra bem nas aspirações de muitas outras… Este é o ponto nevrálgico do
desenvolvimento, e a forma como este ponto é trabalhado por cada determina a sustentabilidade do seu próprio desenvolvimento.
A empatia, bom humor e compreensão são integrantes fundamentais de terapêutica. A abordagem é multidisciplinar, contando
com 2 médicos Oncologistas, 2 médicos senologistas, 1 médica anestesiologista, 3 enfermeiros, 2 Assistentes Operacionais e
Psicóloga. Objectivos: 1º- Aumentar a satisfação do Cliente, através de uma maior e diferenciada oferta na continuidade da
excelência e Qualidade dos cuidados; 2º- Melhorar o acesso da Comunidade local a Serviços de Saúde de qualidade na área
da Hemato-Oncologia; 3º- Reforçar os conhecimentos e competências dos parceiros no âmbito do projectos e áreas técnicas;
4º- Melhorar a qualidade de vida do doente oncológico no Concelho de Cascais; 5º - Aumentar recursos financeiros. Métodos:
Expositivo (Poster). Resultados: Intrínsecos às conclusões. Conclusões: As conclusões a que nos propomos dependem acima de
tudo de uma multiplicidade de factores que se influenciam mutuamente. Neste sentido, a forma como os objectivos escolhidos
interagem entre si, ilustra a natureza estrutural e a inerente complexidade dos desafios em presença. Acrescenta-se, por fim, que
a execução deste projecto será um factor de dinamização da economia local, já que serão utilizados maioritariamente (e sempre
que possível), recursos do respectivo Grupo. Queremos continuar a: Ser assertivos! A Saber criar a tão importante relação empática
com o Cliente! A Ser diferentes num mundo de iguais. É essa diferença que nos vai levar mais além: Ao Aumento da referenciação
externa e interna, ao aumento dos MCDT´s, Consultas, Internamento e cirurgias, a uma maior referenciação para os Hospitais cuf
(Radioterapia, Medicina Nuclear, cirurgia pesada), a uma melhoria da acessibilidade, uma melhoria significativa do “Serviço ao
Cliente”. Queremos Ser diferentes não nos equiparando aos demais, aprendendo, deixando a aspiração, aprendendo a desenvolver
com o espelho da Oncologia!
10 APOIO AO DOENTE ONCOLÓGICO - LINHA TELEFÓNICA DEDICADA
Maria José Dias(1);Armada Nogueira(1);Paula Mendes(1);Emilia Alves(1);Susana Santos(1);Fatima Teixeira(1)
(1) IPO-Porto
Patient Navigation, apoio ao doente, tem como objectivo acompanhar o doente oncológico bem como de membros de familia
prestaodres de cuidados desde o momento de diagnóstico até ao fim do tratamento, de modo a que este ultrapasse todas as
barreiras nomeadamente pessoais, da doença, do tratamento e do sistema de cuidados. A equipa de enfermagem da Clínica de
Patologia Digestiva do IPO-Porto desenvolveu um programa de apoio ao doente com cancro colo/rectal nas seguintes vertentes:
1- Apoio durante o tratamento com quimioterapia; 2- Apoio durante o tratamento com Radioterapia; 3- Apoio após tratamento
cirúrgico; 4- Seguimento dos doentes; 5- Apoio à organização da agenda do doente (consultas, exames, etc.). Esta Linha telefónica
integrou o programa “Tempo de Viver” com a construção de uma plataforma informática que é a base do conhecimento científico
para a tomada de decisão dos enfermeiros que operacionalizam diariamente este programa. O contacto telefónico é realizado pela
equipa de enfermagem após a identificação dos doentes que podem benificiar deste apoio e sua concordância expressa.
De março de 2011 a março de 2012 foram apoiados 503 doentes. Este apoio ao doente cumpre os objectivos definidos e é
um instrumento útil na organização dos cuidados ao doente oncológico. Avaliando a percepção dos doentes e familiares deste
programa, são referidos sentimentos de segurança, próximidade nos cuidados, maior adesão ao tratamento, despiste precoce de
complicação, menos idas ao hospital ao hospital, que se resume em qualidade de vida.
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AGRADECIMENTO ESPECIAL
Aos Organizadores e à Agência Oficial, pelo empenho e dedicação que demonstraram.
Aos Patrocinadores, sem os quais não teria sido possível a realização deste evento.
ÉvoraHotel, 19 a 22 de Abril
April 19 to 22
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PATROCINADORES OURO | GOLD SPONSORS
PATROCINADORES BRONZE | BRONZE SPONSORS
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Tel 21 430 77 40 Fax 21 430 77 49 Email [email protected]
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ENCONTROS da PRIMAVERA ONCOLOGIA 2012
SPRING MEETING ONCOLOGY 2012
PATROCINADORES PRATA | SILVER SPONSORS
ENCONTROS
da PRIMAVERA
ONCOLOGIA 2012
ÉvoraHotel, 19 a 22 de Abril
SPRING MEETING
ONCOLOGY 2012
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