15/10/2015
Análise dos Custos de Produção em Cultura de Abacaxizeiro Irrigado
Análise dos Custos de Produção em Cultivo de Abacaxizeiro Irrigado
Miguel Barreiro Neto, Geraldo Magela Leite, Elson Soares dos Santos,
José Teotônio de Lacerda e Camilo Flamarion de Oliveira Franco
Resumo ­ Visando um melhor conhecimento da estrutura dos custos e receitas do cultivo do abacaxizeiro (Ananas
comosus (L) Merril.) irrigado, foi realizado este estudo no Município de Santa Rita, PB, área amplamente representativa
da atividade. Foram calculados os custos fixos e variáveis, a margem líquida e a taxa de retorno, com base em
metodologia utilizada pelo Instituto de Economia Agrícola. Os resultados indicam ser necessário um dispêndio de R$
4.811,00 para a condução da lavoura, do plantio à colheita, sendo de R$ 7.872,92 o custo operacional total. Desta
forma, o custo de um fruto ficou por R$ 0,25 e o de um fruto tipo 3 por R$ 0,31. As receitas importaram em R$ 14.256,00,
obtendo­se uma margem líquida de R$ 6.383,08, suficiente para remunerar a atividade na base de R$ 354,62 / ha / mês.
A relação benefício / custo foi de 1,81.
Analyses of Production Costs in an Irrigated Pineapple Crop
Abstract: This study was carried out in the municipality of Santa Rita ­ PB (a very representative area of the activity) in
order to get a better knowledge of the structure of costs and revenues. Fixed and variable costs, the net margin and the
return rate were calculated based on methodology used by the Institute of Agricultural Economy. The results show that it
is necessary a capital expenditure of R$ 4,811.00 to carry the crop out from planting to harvesting, being of R$ 7,872.92
the total operational cost. Thus, the cost of a fruit was R$ 0.25 and that of a kind 3 fruit was R$ 0.31. The revenues were
of R$ 14,256.00 and the net margin was of R$ 6,383.08, enough to pay the activity at a rate of R$ 354.62 / ha / month. The cost / benefit relation was of 1.81.
Introdução
A abacaxicultura é uma atividade tradicionalmente realizada em regime de sequeiro. Sob este aspecto,
já existe um acervo de tecnologias suficiente para o suporte da produção em bases tecnológicas avançadas e
com perspectivas de sucesso econômico. É reconhecida, entretanto, a necessidade e a urgência em se
disponibilizar mais informações sobre o cultivo irrigado, como forma de regularização do fluxo de produção
durante todo o ano, evitando a sazonalidade da oferta e contribuindo para o aumento da produção e melhoria da
qualidade.
A pouca quantidade de informações existentes sobre a tecnologia de produção em cultivo irrigado, torna­
se mais grave ainda quando se observam limitações com referência aos custos das atividades, restringindo­se a
apresentação de um orçamento dos dispêndios referentes às práticas culturais envolvidas, desde o plantio até a
colheita do produto. Em trabalho realizado com abacaxi em cultivo de sequeiro, Takagui et al. (1996)
demonstrarem preocupação em calcular os custos da atividade, mesmo assim, centrando­se nos itens
correspondentes a desembolso.
Numa atividade moderna, de cunho empresarial e com acompanhamento de custos, além do
conhecimento do custo operacional total (COT), que reflete o custo de produção global, torna­se necessário
conhecer ainda a participação relativa dos itens do custo operacional efetivo (COE) que reflete os custos
variáveis ou os dispêndios efetivamente realizados. Igualmente importante é conhecer a estrutura dos custos
fixos ou dispêndios indiretos, representados pelos custos e encargos administrativos (CEA), como forma de
detalhar a remuneração atribuída a outros fatores de produção importantes, sem os quais, o cálculo da
lucratividade fica prejudicado.
Tudo isto é de grande importância, uma vez que, muitas das tecnologias geradas nas instituições de
pesquisa vêm sendo recomendadas sem uma análise mais precisa da relação benefício/custo. É indispensável
saber o quanto se obtém a mais de produto pela incorporação de um novo procedimento tecnológico. Produzir
mais, com melhor qualidade e menor custo operacional, significa melhorar as condições de competitividade e
garantir maior retorno econômico.
Este trabalho teve como objetivo contribuir para uma melhor análise da rentabilidade da cultura, bem
como, das receitas e dos custos de produção em abacaxizeiro irrigado.
Material e Métodos
O estudo foi realizado na propriedade Senhor do Bonfim situada no Município de Santa Rita­ PB,
localizada na Mesorregião Mata Paraibana, nos anos de 1998e 1999 em uma área de 5 hectares, irrigada por
aspersão, cujas precipitações pluviais no período variaram de 34,3 a 105,6 mm (janeiro­março), de 161,4 a 209,3
mm (maio­agosto) e de 16,4 a 43,8 mm (setembro­dezembro).
Os dados foram coletados com base em planilha de custos previamente preparada, de modo a permitir o
registro detalhado das operações. Neste imóvel, os plantios vêm sendo feitos em sistema de renovação de área,
em solo arenoso (areia quartzoza) preparado com três gradagens. A cultivar plantada foi Pérola, usando­se
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mudas tipo filhote no espaçamento 0,80 x 0,30 m com estande final de aproximadamente 35.000 plantas/ha,
tendo sido realizadas sete capinas à enxada.
Foram realizadas três adubações aos dois, cinco e oito meses, usando­se as fórmulas: 16­08­24, 22­
00­22 e 22­00­29, respectivamente. A indução floral ocorreu aos dez meses utilizando­se 35 kg/ha de carbureto
de cálcio. As irrigações foram procedidas usando­se o método da aspersão convencional, aplicando­se uma
lâmina equivalente a 3 mm, em dias alternados, suficiente para manter o solo em capacidade de campo. Houve
necessidade de duas aplicações de defensivos para o controle da cochonilha e quatro contra a broca e
fusariose. O preço dos produtos, insumos e serviços utilizados foram obtidos no comércio local, em janeiro de
2000.
Na análise dos custos, os dispêndios e encargos foram agrupados em categorias correspondentes a:
(1) Custo Operacional Efetivo (COE), que corresponde aos custos variáveis ou despesas diretas com
desembolso financeiro, para as atividades compreendidas desde o preparo do solo até a colheita; (2) Custos e
Encargos Administrativos (CEA), que refletem os custos fixos ou despesas indiretas referentes a juros,
impostos, encargos sociais, taxas de administração e depreciação de equipamentos e (3) Custo Operacional
Total (COT), correspondentes ao somatório dos dispêndios globais de (1) + (2).
Estas definições guardam coerência e similaridade com Matsunaga et al. (1976) e Dourado et al. (1999).
Custo Operacional Efetivo
Compreende os desembolsos com a mecanização para o preparo do solo; despesas de mão­de­obra
para as operações de plantio, tratos culturais e fitossanitários, irrigação, adubação e colheita. Também foram
contabilizados neste item, todos os custos com aquisição de insumos.
Custos e Encargos Administrativos
O detalhamento da participação de cada item orçamentário foi assim considerado:
­Remuneração do capital próprio – calculado à base de 0,5% a.m. sobre metade do valor do COE e objetiva
remunerar o uso alternativo do capital do produtor caso optasse por aplicação financeira em poupança.
­Remuneração do fator terra ­ corresponde ao valor real de aluguel de 1,0 ha na região, para este tipo de
cultivo.
­Encargos sociais – calculados sobre o custo total da mão­de­obra e objetiva dar respaldo financeiro para
indenizações trabalhistas e dispensas de pessoal.
­Depreciação de máquinas e equipamentos – recursos necessários para cobrir peças de reposição e
substituição do equipamento ao final de sua vida útil e correspondem a 10,0% do valor do equipamento de
irrigação.
­Taxa de administração/gerência – calculados na base de 5,0% do COE.
­INSS ­ valor referente a 2,0% da Receita Total (RT).
­PIS/Confins/Contribuição Social – encargos no valor de 5,0% da RT.
Receita Total (RT)
Origina­se da venda de frutos e de mudas para plantio, sendo obtida a partir das quantidades
produzidas, multiplicadas pelo preço na data da venda. O preço em cada classe de peso, foi definido conforme
as normas comerciais de classificação do abacaxi .
Na análise da renda cotejou­se o COT frente a RT, obtendo­se da diferença entre estes valores um diferencial
que constitui a Margem Líquida (ML).
A relação Benefício/Custo (B/C) foi calculada conforme procedimento já adotado por Clark et al. (1993)
e Pessoa et al. (2000) e foi o resultado do quociente entre RT e COT.
Resultados e Discussão
A análise da Tabela 1 revela que para se produzir 1,0 ha de abacaxi foi necessário um desembolso
efetivo de R$ 4.811,00. Deste custo operacional efetivo (COE), as despesas com mecanização para o preparo
do solo foram responsáveis por 7,28%, com o custo da mão de obra correspondente a 46,98% e os insumos a
45,74%. Por ordem decrescente, os itens que mais oneraram o COE foram: adubação (12,97%), aquisição de
mudas (18,71%), capinas manuais (15,13%), energia elétrica (9,35%), tratamento fitossanitário (6,24%) e
colheita (12,47%). Estes aspectos ressaltam a grande importância da cultura como geradora de emprego no
meio rural, em atividades que promovem a ocupação do homem durante todo o ano. Considerando os custos de
tratos fitossanitários mais aquisição de inseticidas/fungicidas, o desembolso foi de 10,08%. Igualmente,
considerando­se manejo da irrigação mais custo da energia elétrica, este item passa para 15,34%. Reinhart et
al. (2000), apresenta dados de custos/ha na ordem de U$ 3.990,93, onde os dispêndios com insumos foram de
52,26% e com irrigação de 21,12%.
Tabela 1. Custo Operacional Efetivo (COE) no cultivo de 1,0 hectare de abacaxizeiro irrigado, em Santa Rita, PB, janeiro de 2000.
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Descrição
1­ Preparo do solo
Gradagem
Sulcamento
2­ Plantio
Seleção, preparo de
mudas
Plantio
3. Tratos culturais
Capinas manuais (7)
Aplicação de Carbureto
4­ Adubação (3)
5­ Irrigaçao manejo
6­ Tratos fitossanitários (6)
7­ Colheita
8­ Aquisição de insumos
Mudas
NPK
Inseticidas
Fungicidas
Carbureto
Energia Elétrica
Total
d/H – dia/Homem; h/tr – hora/trator
Unidade
Quantidade
h/tr
h/tr
12
2
25,00
25,00
d/H
2
8,00
d/H
26
8,00
d/H
d/H
d/H
d/H
d/H
d/H
91
3
12
36
30
60
8,00
8,00
8,00
8,00
10,00
10,00
caminhão
saco
l
l
kg
kwa
­
3
39
3
2
35
5000
­
300,00
16,00
35,00
40,00
1,20
0,09
­
Valor unitário
(R$)
Valor total
(R$)
350,00
300,00
50,00
224,00
16,00
% do COE
208,00
752,00
728,00
24,00
96,00
288,00
300,00
600,00
2.201,00
900,00
624,00
105,00
80,00
42,00
450,00
4.811,00
7,28
6,24
1,04
4,65
0,33
4,32
15,63
15,13
0,50
2,00
5,99
6,24
12,47
45,74
18,71
12,97
2,18
1,66
0,87
9,35
100,00
Na Tabela 2 encontram­se os custos e encargos administrativos (CEA) no cultivo de 1,0 hectare de
abacaxizeiro irrigado, em solo arenoso. Verifica­se que o recolhimento de encargos sociais onerou
significativamente os custos, sendo que INSS e PIS/Confins/Contribuição social somam R$ 997,92 e
representam 7,0% da RT. Isto sem se considerar o ICMS, cuja cobrança para o abacaxi está suspensa nas
operações do produtor rural na Paraíba. Mesmo assim, os encargos administrativos oneraram a cultura em R$
3.061,92 ou 21,48% da RT. Representaram, ainda, 38,90% do COT e equivaleram a 63,65% do COE. Estes
percentuais orçamentários devem se constituir reservas obrigatórias para uma efetiva liquidez do
empreendimento. Isto significa que o produtor deve estar prevenido financeiramente para a necessidade de
promover recolhimentos mesmo antes de concretizar receitas. No caso do recolhimento sobre a mão­de­obra,
objetiva­se enfrentar possíveis demandas de origem trabalhista. O Custo Operacional Total foi equivalente a R$
7. 872,92. Desta forma, o custo de produção de um fruto fica por R$ 0,25 e o de um fruto tipo 3 por R$ 0,31.
Tabela 2. Custos e Encargos Administrativos (CEA) no cultivo de 1,0 hectare de abacaxizeiro irrigado, em Santa Rita, PB, janeiro 2000.
Descrição
1­ Remuneração do capital próprio
2­ Remuneração do fator terra
3­ Encargos Sociais
4­ Depreciação Maq./Equip.
5­ Taxa de Administração (Gerência)
6­ INSS
7­ PIS / Confins / Contribuição Social
Total Total dos custos (COT=COE + CEA)
Base de cálculo
9,0% do COE
R$ 300,00 / ha
35,0% sobre M.O.
10,0% V. equipamento
5,0% COE
2,0% R.T
5,0% RT
Valor total (R$)
433,00
300,00
791,00
300,00
240,00
285,12
712,80
3. 061,92
7. 872,92
Na Tabela 3 estão apresentadas as receitas obtidas no cultivo de 1,0 hectare de abacaxizeiro
irrigado.Considerando­se um stand de 35.000 plantas/ha e que as falhas de indução e as perdas na colheita
representaram em torno de 10%, obteve­se um total de 31.500 frutos. Deste total 80% correspondem a frutos de
primeira (25.200) que foram vendidos a R$ 0,46. Os outros 20% correspondentes aos frutos de segunda (6.300)
foram vendidos a R$ 0,28. As receitas com a venda de frutos e mudas totalizaram R$ 14.256,00. Deste valor,
subtraindo­se o COT obtém­se a Margem Líquida (R$ 6.383,08) que representa o lucro obtido no
empreendimento. Para a atividade em questão e considerando­se os 18 meses do intervalo plantio­colheita,
equivale a uma remuneração mensal de R$ 354,62 / ha.
A relação benefício/custo encontrada foi de 1,81, revelando­se expressivo quando comparado com
outras atividades agrícolas, mesmo aquelas de ciclo curto e que propiciam maior rotatividade do capital.
Significa dizer que para cada unidade monetária investida, houve retorno de 1,81 ou 81%. Choairy et al. (1984) e
Takagui et al (1996) obtiveram uma taxa de retorno de 63% e 83,5%, respectivamente, para o abacaxizeiro
cultivado em sequeiro.
Tabela 3. Receitas obtidas no cultivo de 1,0 hectare de abacaxizeiro irrigado, em Santa Rita, PB, janeiro 2000.
Origem da receita
Quantidade
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Valor unitário (R$)
Total (R$)
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Frutos de 1a
Frutos de 2a
Mudas (caminhões)
Total (RT)
25.200
6.300
3
­
0,46
0,28
300,00
­
11.592,00
1.764,00
900,00
14. 256,00
Conclusões
1 ­ A aquisição de mudas, a irrigação, os tratos culturais, a adubação e a colheita são, nesta ordem, os
itens de maior dispêndio no custeio.
2 ­ Mesmo sem a cobrança de ICMS, os encargos e contribuições sociais correspondem a 38,0% dos
dispêndios e 13,0% da receita obtida.
3 ­ Com uma taxa de retorno de 81%, a abacaxicultura é uma atividade das mais lucrativas, desde que
seja estabalecido um cronograma para colheita na entressafra, quando o produto atinge alta cotação no
mercado.
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