10 ações que não têm medo de chuva (#2_VLID3)
O lado “singing in the rain” de Valid ainda vai entrar no preço
Quem leu nosso livro sabe que consideramos Valid um dos casos mais emblemáticos de
opcionalidades da Bolsa brasileira. Com a ação caindo 26% num ano em que todos os
seus drivers se tornaram ainda mais evidentes, temos sérias razões para crer que essas
opcionalidades ainda não estão no preço de tela, sequer de maneira parcial.
Dentre as alternativas mais promissoras para o período 2014-16, destacamos (i) ramp up
da subsidiária americana, (ii) ganhos de escala no business de certificação e (iii) novos
contratos estaduais para emitir identidades.
É difícil ranquear qual dessas alternativas merece mais atenção. Felizmente, não
precisamos cravar hierarquias estritas. Raríssimas companhias se dão ao luxo de contar na falta de uma - com três opcionalidades desse nível.
Por isso falarei aqui de todas elas, caracterizando-as como free options. Segundo essa
abordagem, VLID não depende do sucesso nessas empreitadas seminais, pois seu arroz
com feijão já basta para matar a fome da cotação atual, com direito a sobremesa. Mesmo
sem computar as referidas opcionalidades, projetamos um target de R$ 40,50 para o
papel - upside de 28% frente ao preço de tela. Já com todas as três balas na agulha, o
preço-alvo seria de pelo menos R$ 53 - upside de 67%.
Além dos potenciais de valorização, o acionista de Valid fica sujeito a um ativo de beta
bem mais sóbrio que o da economia brasileira. Não bomba com Brasil bombando, mas
também não fica encharcada nos contextos de Tempestade Perfeita. No limite, podemos
deduzir que o cidadão sempre tem que renovar sua carteira de habilitação, renovar seu
cartão de crédito ou trocar de celular; os serviços prestados pela Valid são serviços
essenciais.
Este 2013 é prova prática da resiliência em questão. Num ano de influência macro
desfavorável e resultados abaixo da expectativa, o management mostrou que consegue
readequar rapidamente a estrutura operacional sempre que necessário.
Assim, chegamos mais bem preparados a 2014, um ano que tende a ser ainda desafiador,
embora melhor que 2013. Em especial, as perspectivas para os negócios fora do Brasil
são muito positivas, e isso pode fazer uma baita diferença.
Surfing USA
A Valid USA praticamente não existia um ano atrás, e hoje já representa mais de 20% das
receitas consolidadas. Não ficaríamos surpresos de encontrar 40% ou 50% do top line
denominado em doletas ao final de 2015. A operação está enxuta (ajuste de 9 para 5
plantas, demissão de 400 funcionários) e pronta para colher alavancagem operacional via
incrementos de faturamento.
Grosso modo, Valid quer replicar nos EUA tudo o que tem funcionado no Brasil,
seguindo a ordem de meios de pagamento, telecom e depois identificação.
Em meios de pagamento, EUA propõem um crescimento muito interessante. Quase
100% dos cartões lá são magnéticos por enquanto, mas migrarão para cartões com chip.
Market share atual da Valid é de 7%, achamos que chega rapidamente a 10% ainda no
modelo de magnéticos. A empresa já atende marcas estabelecidas como Citi, Chase e
BofA; pode expandir share nesses clientes e conquistar novos.
Com o extra da migração, esses números devem mudar radicalmente. Até 2016, metade
da base de cartões americana pode ter migrado, com a interessante derivada de que
preços médios para chipados são maiores. Graças à experiência brasileira, Valid tem um
baita know-how em cartões com chip. Isso vai dar samba em terra de gringo.
Em telecom, o principal serviço é fornecimento de SIM Cards, aqueles chips que vão
dentro do celular e estão ficando cada vez menores. Nesse segmento, Valid atente todas
as grandes operadoras no Brasil, a maior parte das operadoras na Argentina e agora está
tentando também alcançar o mercado americano.
A empresa está muito perto da homologação para se tornar fornecedora da T-Mobile,
filha da Deutsche Telekom (que não é um dos principais players lá, mas funciona como
bela porta de entrada). Projetamos essa homologação ocorrendo no 1T13. Processos de
homologação costumam ser demorados, mas já há outros em vista, para AT&T, Verizon e
TracFone.
Metade dos telefones nos EUA ainda são tecnologia CDMA, e vão migrar para 4G LTE. A
exemplo do caso dos cartões, essa conversão significa um potencial gigantesco de
growth. Market share por enquanto é zero, vai ganhar porte dentro de dois a três anos.
Por fim, em identificação, fica como uma opção long shot. É mais difícil penetrar em ID
nos EUA, tem que convencer o Governo de que Valid é capacitada para fazer carteiras de
habilitação, e já tem um dono que domina o mercado. Mas isso não impede de começar
comendo pelas beiradas, conquistando aos poucos o coração dos americanos.
Surfando Brasil
Por aqui, estamos bem interessados na emissão de carteiras de identidade seguindo o
protocolo das carteiras de motorista; ou seja, com formação de um banco de dados
prático, confiável e sem redundâcias. O verdadeiro serviço aqui não é a entrega física do
documento, mas sim gerenciamento de informação.
O governo de São Paulo foi o primeiro a entender isso, assinando um contrato que é
vitrine para o Brasil e cujo processo de licitação foi bem competitivo.
Em um ano, o contrato paulista trará receitas de até R$ 40 milhões. Como ID hoje
responde por R$ 350 milhões de faturamento, estamos falando de mais de 10% do
negócio de identificação. Além disso, é trampolim para novos deals.
Penso que outros estados podem aderir a esse mesmo upgrade a partir de 2015 - logo
após um ano de eleições e Copa do Mundo, que tende a ser devagar para licitações.
Em paralelo, Valid está em fase de estudos com os Correios, fruto de memorando de
entendimentos para formar uma nova empresa com 51% da Valid e 49% dos Correios.
Foco seria em impressão digital de documentos, acesso a documentos impressos sob via
digital e certificação digital.
Essa contratação também foi muito competitiva, saindo de um pool de 300 empresas
analisadas pelos Correios e pelo Banco do Brasil. Dá moral para a Valid vencedora.
Configuração final da joint venture deve sair em fevereiro ou março de 2014, ninguém
está dando bola para isso ainda…
Analistas Responsáveis
Beatriz Nantes, CNPI
Felipe Miranda, CNPI
Assistentes de Análise
Gabriel Casonato, CNPI-T
João Françolin
Rodolfo Amstalden, CNPI*
Roberto Altenhofen, CNPI
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