O IMAGINÁRIO DO HERÓI E SUA FUNÇÃO SOCIAL NA CULTURA
BRASILEIRA E SUAS ORGANIZAÇÕES
Wellington Félix Cornélio1 - ESAB
Resumo
O presente trabalho pretende promover uma reflexão acerca da cultura e significados da figura
do “herói” ao homem contemporâneo; contextualizando a discussão do “individualismo” na
sociedade, os mecanismos utilizados no processo de construção e finalmente, a função social
desta representação, pensando sobre esta individualidade e a necessidade pela busca do
“herói/salvador do mundo”. Marcante em culturas milenares, o assunto ainda ecoa na
contemporaneidade, por exemplo nos esportes, na política, no bairro e na Escola.
Perpassaremos por campos de análises distintos, todavia, complementares, objetivando a
identificação de elementos de construção de uma cultura no ambiente; correlacionando o
imaginário do herói, dentre estes elementos de construção da cultura nas organizações
brasileiras (incluindo sugestivamente a “Escola”) e verificando as possibilidades, admitindose a acomodação dos colaboradores destas organizações que visam estabelecer e formar uma
cultura organizacional, pautada exclusivamente por este imaginário. Entraremos na Psicologia
Social com teorias de Goffman (Instituições Totais) e Hofstede (Cultura e Organizações). Na
Antropologia, falaremos sobre traços marcantes do povo brasileiro, “jeitinho”,
“malandragem”, “homem cordial” e “aventureiro”, nossa relação pessoal de “intimidade
social”; demonstrando que a sociedade brasileira varia e oscila entre a modernidade e
tradição; e em muitas das vezes, sobrevive, trabalha no “batente”, festeja, defini e influencia
os rumos do nosso glorioso país. Será realizado levantamento e revisão bibliográfica,
buscando embasamento teórico para abordagens comparativas de tais elaborações textuais
com a práxis rotineira, ensejando ponderações coincidentes ou conflitantes, compilando com
aspectos comportamentais, experiências habituais e perceptíveis em nosso cotidiano.
Palavras-chave: Herói. Cultura Brasileira. Organizações. Escola.
Introdução
O assunto ‘herói’ foi marcante em culturas milenares, mas ainda ecoa na
contemporaneidade. Tais ecos, encontramos, por exemplo, nos esportes, na política, no bairro
e também na Escola.
Antes, vale esclarecer, que recorrendo a qualquer dicionário da língua portuguesa, o
termo “herói” poderá ser definido como uma pessoa que se distingue por coragem
extraordinária na guerra ou diante de outro qualquer perigo; ou ainda, preeminente/central
1
Advogado e Cientista Social. Pós-graduado com MBA (Master in Business Administration) Executivo em
Gestão Administrativa e Marketing. Professor e Servidor Público Municipal.
E-mail: [email protected]
que, por sua parte admirável em uma ação ou evento notável, é considerado um modelo de
nobreza. (Apesar de parecer muitas das vezes, apenas um termo surreal e abstrato, admitindose a denominação dada aos descendentes de divindades e seres humanos da era pré-homérica -semideuses--).
Neste trabalho desenvolveremos uma reflexão acerca da cultura, expressão, dimensão
e utilidade da figura do “herói” ao homem contemporâneo; correlacionando a discussão do
“individualismo” na sociedade, os mecanismos utilizados no processo de construção,
pensando sobre esta individualidade dos dias atuais e a necessidade de se buscar o
“herói/salvador do mundo”. O que é, aliás, ambíguo, na medida em que o individualismo do
‘ser’ herói contrasta com ‘para quem’ ser herói – que são os outros, isto é, além do horizonte
do indivíduo.
Ademais, será realizada uma abordagem acerca da função social desta simbologia, os
efeitos deste imaginário na cultura brasileira. (Incluindo sugestivamente Empresas e a
“Escola”)
Como já acima apontado, em uma cultura individualista e imediatista em nossa
sociedade, algumas instituições, baseadas exclusivamente no imaginário do herói, tal cultura
interna organizacional pode gerar acomodação, riscos e prejuízos, seja para o tal herói ou para
aqueles que assim o veem.
1. O Conceito de Cultura e o Conceito de Homem.
O homem é uma singularidade social e cultural. Nesse sentido Costa (2005) considera
que ao pensarmos e sermos capazes de projetar, ordenar, prever e interpretar; o ser humano,
sempre vivendo em grupos, começou a travar com o mundo ao seu redor uma relação dotada
de significado e sentido. A noção de mundo – organizado, comunicado e compartilhado com
seus semelhantes e transmitido à descendência – produziu um legado cumulativo para
interpretar a realidade e agir sobre ela, ou seja, deu origem à cultura humana. (Grifo nosso)
Desde a formação do “conceito de homem”, podemos afirmar que se acompanha
também o “conceito de cultura”.
A antropologia tem tentado encontrar seu caminho para um conceito mais viável sobre
o homem, no qual a cultura, e a variedade cultural possam ser mais levadas em conta do que
concebidas como capricho ou preconceito e sim; ao mesmo tempo, um conceito no qual o
princípio dominante na área, como Geertz (2008) denomina, “unidade básica da humanidade”
não seja transformado numa expressão vazia. Conceber a ideia de que a diversidade de
costumes no tempo e no espaço não é simplesmente uma questão de “indumentária ou
aparência”, de cenários e máscaras de comediantes, é também nutrir a ideia de que a
humanidade é tão variada em sua essência como em sua expressão.
Roque Laraia, conclui que
Culturas são sistemas (de padrões de comportamento socialmente transmitidos) que
servem para adaptar as comunidades humanas aos seus embasamentos biológicos.
Esse modo de vida das comunidades inclui tecnologias e modos de organização
econômica, padrões de estabelecimentos, de agrupamento social e organização
política, crenças e práticas religiosas, e assim por diante. (LARAIA, 2009, 59)
Diante disto, temos que o surgimento do próprio conceito de cultura se confunde com
o surgimento do conceito do homem. De maneira breve, alguns preferem defender que o
desenvolvimento da capacidade de adquirir cultura foi um tipo de ocorrência súbita dos
primatas, onde em um momento específico da nova evolução “Homo sapiens”, ocorreu uma
alteração orgânica, passando a comunicar-se, a aprender, a ensinar e a generalizar a partir de
uma cadeia ilimitada de sentimentos e atitudes; partindo do estado anterior, tornando-se capaz
de agir como receptor e transmissor, iniciando a acumulação, que chamamos de cultura.
Desta forma, como o humano nasceu à cultura e, uma vez nascidos, a cultura
determinou o seu próprio curso de maneira a possibilitar crescer totalmente independente de
qualquer evolução exclusivamente orgânica do homem.
Aliás, temos aqui a ambiguidade na qual o tornar-se humano é tornar-se individual, e
nós nos tornamos individuais sob a direção dos padrões culturais, sistemas de significados
criados progressivamente em termos dos quais damos forma, ordem, objetivo e direção às
nossas vidas sejam como indivíduos singulares, sejam como seres sociais.
Não são apenas sensações ou motivos, elas constituem tanto uma atividade
basicamente privada dos seres humanos quanto o pensamento orientador. Os recursos
culturais não são simplesmente acessórios, adornos ou de natureza secundária; são
essencialmente, ingredientes necessários ao pensamento humano.
2 Psicologia Social e Cultura Organizacional
2.1 Goffman e seus estudos sobre Instituições Totais
Goffman (1990) desenvolveu estudos sobre o comportamento, objetivando conhecer o
mundo social do interno em hospital para doentes mentais, a partir de uma análise sociológica
da estrutura do eu que utilizou como método de obtenção de dados etnográficos a sua inserção
no mundo dos internos, na condição de auxiliar observador, sem utilizar medidas de controles.
Os resultados desse estudo que o permitiram formular o conceito de “instituição total”.
O mencionado autor indica que certos mecanismos de estruturação de uma instituição
determinam a sua condição de instituição total e acarretam consequências na formação do eu,
do indivíduo que nela participa em determinada condição2.
O ser age nas esferas da vida em diferentes lugares, com diferentes coparticipantes; e
condicionado a diferentes autoridades sem um plano racional geral, ao inserir-se numa
instituição social passa a agir num mesmo lugar, com um mesmo grupo de pessoas e
tratamento, obrigações e regras iguais para a realização de atividades impostas.
Quando essa instituição social se organiza de modo a atender indivíduos (internados)
em situações semelhantes, separando-os da sociedade mais ampla por um período de tempo e
impondo-lhes uma vida fechada sob uma administração rigorosamente formal (equipe
dirigente) que se baseia no discurso de atendimento aos objetivos institucionais, ela apresenta
a tendência de “fechamento” o que vai simbolizar o seu caráter “total”.
Em síntese, é importante destacar no estudo em questão, uma reflexão acerca de uma
“ideologia institucional”, considerando o fato que sociedade define os comportamentos,
ditando o que seria apropriado ou não para se viver em comunidade; oportunizando a
percepção que certos conceitos também podem ser utilizados em análises sobre outros tipos
de instituição, com tendência de fechamento como: prisões, conventos, internatos escolares,
organizações e até empresas.
2.2 Hofstede: Cultura e Organizações
A teoria da cultura de Geert Hofstede baseia-se em um estudo empírico desenvolvido
sobre diferenças culturais. Nos anos 70, a multinacional “IBM” recorreu a este estudo para
compreender porque algumas de suas filiais (no Brasil e no Japão, por exemplo) continuavam
a ser geridas de maneira muito diferente, apesar de todos os esforços desenvolvidos para pôr
em prática procedimentos e normas comuns.
Hofstede (1997) tentou então procurar as diferenças no funcionamento destas
empresas e chegou à conclusão que as diferenças identificadas, adviriam da cultura dos
empregados e; em grande parte, da cultura do país de acolhimento. Descreveu então a cultura
como "(...) a programação coletiva dos espíritos que distingue os membros de um grupo
humano do outro". (HOFSTEDE, 1997, p.3)
2
Sobre a temática em discussão: Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n.33, p.289-294, mar.2009 - ISSN:
1676-2584.
De acordo com autor, não existe um método de gestão universal nem uma teoria de
gestão no mundo. A própria palavra "gestão" tem diferentes origens e culturas nos países do
mundo. A gestão não é um fenômeno que possa ser isolado dos outros processos que
decorrem na sociedade. Interage com aquilo que acontece no nível familiar, escolar, político e
governamental. Está também, relacionado com a religião e as crenças sobre a ciência3.
A cultura organizacional é um fenômeno em si mesmo, diferenciando-se em muitos
aspectos da cultura nacional. A diferença reside no fato de que as culturas nacionais têm como
elemento central os valores, os quais são adquiridos na família, na comunidade e na escola, já
as culturas organizacionais diferenciam-se pelas práticas, aprendidas a partir da socialização
no ambiente de trabalho.
A Teoria das Dimensões Culturais é essencial para compreensão das diferenças
culturais e da correlação com o imaginário do mito ou do herói na estrutura das organizações
– sejam estas públicas ou privadas -, auxiliando e balizando as estratégias administrativas e de
gestão, medindo um referencial a partir das próprias experiências do ambiente organizacional.
3 Nossa Cultura Brasileira
3.1 Compreendendo nossa Formação e Construção
Apesar do que Geertz defende, isto é, que existem sérias dificuldades em
estabelecermos os fatos históricos, sociais e culturais que não sejam apenas ficções ou
construções mentais. Ainda assim, o passado pode nos oferecer certas análises e algumas
respostas. Buscaremos nos antecedentes da nossa sociedade, determinados elementos para
entendermos a nossa formação cultural e seus desdobramentos nas questões afins com o mito
e o herói.
Como característica intrínseca temos que a nossa sociedade, desde o nosso
descobrimento, vive a incerteza acerca da separação do que seria público e do privado.
O Brasil pode ser visto como resultado da tradição viva da Península Ibérica, pautada
na frouxidão da estrutura social e a falta de hierarquia organizada, no sentido de demonstrar
que “toda hierarquia se funda necessariamente em privilégios”, que acarreta a injustiça social.
(HOLANDA, 1995)
A sociedade portuguesa, talvez por conta do seu território diminuto em comparação
com outras nações europeias e sua escassa população tenha se mostrado mais receptiva ao
3
Ibidem, 1997.
contato com outras camadas sociais, povos e culturas distintas. O que resultou numa
flexibilidade social incomum para a época.
Tanto os portugueses quanto os espanhóis, no cenário europeu, representavam uma
peculiaridade quando se tratava de mobilidade social, sendo as hierarquias e os privilégios
considerados uma irracionalidade, especialmente na idade média.
Percebe-se, contudo, que a estrutura social ibérica não era fixa. O mérito e o êxito
pessoais podiam trazer benefícios – mesmo que o sangue da nobreza pesasse quando se
tratava de prestígio. Daí, segundo Freyre, uma grande aptidão dos portugueses conquistadores
e colonizadores para a miscigenação com povos e culturas distintas da europeia. “Os
contrários se justapõem, frequentemente de forma ambígua, e convivem em harmonia”
(FREYRE, 2006, p. 23).
Para Holanda (1995), podemos classificar o modus operandi do homem, quanto às
suas atividades, observando intimamente duas características, uma sendo divergente e às
vezes, conflitante em relação à outra: O tipo aventureiro e o tipo trabalhador. O tipo humano
aventureiro se resume em ignorar fronteiras na vastidão do mundo, agindo de forma
imediatista, sem se preocupar com dificuldades, barreiras; pois o objetivo final, com espírito
competitivo, de disputa em busca da vitória, seria o mais importante. Contrariamente, o tipo
humano trabalhador é aquele que observa primeiro a dificuldade a vencer, não o triunfo a
alcançar. Sendo mais cauteloso, previdente e confiante somente em ações que não terá
dúvidas em praticar.
Objetivamente, a “plasticidade social” seria uma característica concernente aos
portugueses. Entendida como capacidade de adaptação ao meio americano (tendo em vista
que a tendência aventureira dos lusitanos), foi o fator que os levou à expansão no início da
Modernidade, mesmo funcionando “com desleixo e certo abandono”. 4
Nesse sentido, contextualizando a época em discussão, a colonização de terras tão
distantes da terra mater, materializada na exploração da cana, foi considerada uma atitude
tipicamente aventureira; já que Portugal não possuía nenhuma referência ou credenciais que a
denominasse como uma “civilização agrícola”, pois esta não era a finalidade. Uma vez mais
temos a cultura organizacional influenciando os indivíduos e estes determinando a forma
desta.
Tal espírito aventureiro poderia ser analisado como positivo, comparando-se à
experiência holandesa; pois o povo lusitano manifestou grande adaptação, enquanto tais
4
Ibidem, 1995.
europeus dos países baixos demonstraram todo um trabalho rígido, cheio de regras e
metodologias. Outra questão que dificultou, foi uma religião que não era universalista como a
Igreja Católica, bem como o orgulho da raça, o que acabaram por demonstrar a nenhuma
plasticidade, tão comum aos “aventureiros portugueses”.
Por outro lado, Portugal não se identificava como raça, havia uma carência do
“orgulho de raça”, já que o povo era mestiço, uma “mistura”, devido à grande quantidade de
escravos africanos na época das “Descobertas”. Destacavam ainda, o trabalho mental ligado à
inteligência, à “cabeça” (conhecido como “talento”), o que distantemente poderia relacionarse com o trabalho manual, considerado como desonroso. Em síntese, como já referido
anteriormente, a família rural era organizada em um sistema patriarcal tradicionalista, em
torno de vínculos biológicos e afetivos, que se uniam ao chefe da família, descendentes e
agregados; extrapolando-se como modelo para a vida política, nas relações entre governantes
e súditos.
O autor5 descreve ainda, a figura do “homem cordial”, originado pela estrutura
familiar que, naturalmente gera relações de simpatia e afeto e condena energicamente relações
impessoais. A cordialidade nega a polidez, já que tal característica (resultante da sociedade
urbana de tipo moderna) está orientada pela individualidade (“homem polido”), confronta e
afronta a vida em sociedade e a predominância da família tradicional brasileira.
O “homem cordial” não tem necessariamente em sua essência a bondade, mas ele
leva-nos a supor ações e comportamentos de caráter afetivo, transmitidos especialmente na
religião, identificável claramente no tratamento dos santos e divindades; neste caso, próximas
e amigáveis, trazendo à tona ritos afrouxados e humanizados. (Grifos nossos)
Sérgio Buarque de Holanda complementa, a “cordialidade” na política é
“combustível” ao “patrimonialismo”, não há distinção do domínio público e privado, pautado
fortemente pelas relações pessoais.
Vale ressaltar, discussão acerca da “cordialidade” não tem relação com um modo
cortês e sim se reforça pelo trato dócil e flexível que o brasileiro costuma se relacionar no seu
dia-a-dia. Podendo ser compreendido pelo famoso “jeitinho brasileiro”. A presença da
“cordialidade” faz com que os indivíduos tenham dificuldade para classificar e separar o
público daquilo que é privado. Desta forma, as pessoas de forma automática, em situações de
âmbito público, utilizam suas preferências particulares, o que deveriam ficar limitadas aos
relacionamentos e aos assuntos de ordem pessoal e privada. Isto evidencia que a estrutura da
5
Ibid., 1995.
cultura organizacional tem sérias e profundas relações com os modos de ser e agir dos
indivíduos em sociedade. Uma sociedade imersa por gerações nesse ambiente não se furta a
assimilar seus valores.
Numa perspectiva de uma análise mais psicológica (lembrando-se do “homem
cordial”, do “aventureiro” e do “trabalhador”) na formação e construção de nossa sociedade,
nos parâmetros da história social, iniciando os traços que foram adaptados da cultura ibérica,
até a compreensão histórica vivida na primeira metade do século XX; possibilitou e de certa
forma, denunciou uma “conciliável” e ao mesmo tempo “oposição”, entre uma aura antiga e
uma aura completamente atual, que permanece hoje, em pleno início do século XXI.
3.2 Nossa Identidade
DaMatta (1986), antropólogo, entende que o Brasil é marcadamente diferenciado pelo
seu povo e suas coisas. O Brasil e suas comidas típicas; suas bonitas e esbeltas mulheres; a
religião que não precisa da teologia complicada nem de padres estudados; as leis da amizade e
do parentesco, que atuam pelas lágrimas, pelas emoções do dar e do receber, e dentro das
sombras acolhedoras das casas e quartos onde vivemos o nosso quotidiano. “Dos jogos
espertos e vivos da malandragem e do carnaval” e “(...) podemos vadiar sem sermos
criminosos e, experimentamos a sublime marginalidade que tem hora para começar e
terminar”.
Que se recusa a viver de forma totalmente planificada e que sabe tão bem conjugar
lei com grei, indivíduo com pessoa, evento com estrutura, comida farta com pobreza
estrutural, hino sagrado com samba apócrifo e relativizador de todos os valores,
carnaval com comício político, homem com mulher e até mesmo Deus com o Diabo.
(DAMATTA, 1986, p.10)
O Brasil é feito de uma combinação especial dessas possibilidades universais. As
sociedades e os comportamentos se definem por seus estilos, seus modos de fazer as coisas, o
que faz uma imensa “inesgotável criatividade acasaladora”.
(...) Múltiplo e rico, o Brasil é o país do carnaval e do feijão com arroz: da mistura e
da fantasia. Mas também do jeitinho que dribla a lei e da hierarquia velada pela
cordialidade. Somos brasileiros na devoção e no sincretismo, no culto à ordem e na
malandragem, no trabalho duro e na preguiça. O Brasil maiúsculo que Roberto
DaMatta apresenta não é um conjunto de instituições ou de fatos históricos, e sim o
fundamento de nossa identidade. Nossa brasilidade é um estilo, uma maneira
particular de construir e perceber a realidade6.
Enfim, adotando os vários fatores, condicionantes, nuances e panoramas, a sociedade
brasileira não poderia ser entendida de modo unitário, sob apenas um aspecto, causa ou
6
Ibidem, 1986, p.06.
questão social. O autor em referência chama de lógica relacional, sob uma ótica
comportamental e cultural; equiparando-se também, na política como a costumeira
negociação e conciliação. Já no mundo econômico permite dizer uma combinação entre a
economia estatizada com a iniciativa privada vigorosa. Ou na religião a mistura do
catolicismo com religiões populares de matrizes africanas.
E seja dito, o brasileiro possui a característica de criar personagens intermediários
(mitos e heróis), que atuam de forma conciliadora, em assuntos, que possam a princípio,
parecerem absolutamente divididos, por um senso comum imposto convenientemente pela
nossa sociedade. É a nossa ambiguidade essencial, o convívio com os extremos e
antagonismos.
Enfim, como bem definiu DaMatta (1986, p.80), a sociedade brasileira:
(...) é moderna e tradicional. Combinou, no seu curso histórico e social, o indivíduo
e a pessoa, a família e a classe social, a religião e as formas econômicas mais
modernas.
O que é típico de um povo em construção de sua identidade e de seus valores. A
capacidade, de viver, administrar, morar, festejar e influenciar nos rumos da economia e do
país e ao mesmo tempo, não se abalar com as dificuldades. Aliás, o português é sensível à
dinâmica do seu existir. Ele é plástico, a fixidez não lhe cai bem.
4 O Imaginário do Herói
4.1 O Individualismo e a correlação entre a função social do Imaginário do Herói
A questão do individualismo é intrigante. O fato de se pensar coletivamente ou o
inverso, individualmente nos chama a atenção para inúmeras considerações.
Dumont (1985) considera os primórdios da ideia, entre os primeiros cristãos. A
religião teria sido o agente essencial da sua propagação e evolução histórica, pois acontece,
mediante a ideia de que o cristão é um “indivíduo-em-relação-com-Deus”.
O valor infinito do indivíduo é ao mesmo tempo o aviltamento, a desvalorização do
mundo tal como existe: é postulado um dualismo, estabelece-se uma tensão que é
constitutiva do cristianismo e atravessará toda a história. Tem-se então um indivíduo
“essencialmente fora do mundo” (DUMONT, 1985, 43).
Birou (1976) define o individualismo como: “Qualquer doutrina, teoria, prática que
coloca o indivíduo humano na base do seu sistema de explicação ou de suas normas de
conduta, tornando-os como realidade essencial ou como mais alto valor. ” (BIROU, 1976,
200-201).
À pergunta ‘quem precisa’, podemos responder que, hoje, muitos acreditam precisar
de um herói. Melhor seria dizer, talvez, que hoje muitos são levados a acreditar na
necessidade de um herói. Mas, para efeito deste artigo, interessa-nos saber como o
homem comum, aquele que vive o seu cotidiano e que o experimenta como a
‘essência de sua realidade é levado a ter necessidade de heróis. Para milhões de
indivíduos cujas vidas se apresentam como meras repetições de tarefas rotineiras,
que acabam por negar a criatividade diluída em rotinas e ações pré-determinadas, a
necessidade de heróis parece ser mais facilmente encontrada. O homem comum do
qual nos ocuparemos neste artigo e que logo adiante definiremos com mais precisão,
parece viver seu cotidiano não por uma ‘escolha’ pessoal, mas sim por uma
imposição, por uma necessidade exterior. Esse fato, na visão de alguns estudiosos da
chamada cultura de massa, seria uma das características que definem a sociedade
atual. (NASCIMENTO FILHO, 2006, 39-45).
O conceito durkheimniano de solidariedade orgânica define a questão essencial
referenciando a teoria sociológica, uma vez que explicação passa, necessariamente, pela troca
a partir de algum tipo de especialização e divisão do trabalho.
Émile Durkheim7 trabalhava com duas categorias quando se falava de solidariedade. A
solidariedade orgânica e a solidariedade mecânica. A primeira se baseava em laços
sanguíneos e os indivíduos, tinham mais ou menos, as mesmas funções dentro da sociedade,
faziam tudo sem muitas especializações, o que ocorria em sociedades com estruturas mais
simples, com pouca divisão do trabalho social, onde havia somente uma divisão básica pelos
sexos, por exemplo. Com o avanço da industrialização e divisão do trabalho social estaríamos
passando de sociedades baseadas na solidariedade mecânica para orgânica, nesta última o
indivíduo se solidariza pela interdependência dos outros para sobreviver.
Pensando acerca da interdependência, que Durkheim apresentou e considerando-se
que nos dias atuais ela se encontra cada vez maior, a solidariedade, grosso modo, deveria
acompanhar as pessoas que sabendo que todos são imprescindíveis deveria ser mais unida.
Porque isso não ocorre? Porque vemos cada vez um distanciamento entre as pessoas, mais
conflitos, guerras, desigualdades sociais, falta de oportunidades para ascensão social?
Preocupados em cuidar dos “pequenos mundos”, aumenta a concepção individualista.
No brilhante ensaio, “A Síndrome do Individualismo: E Durkheim Com Isso? ”8, a
discussão é apresentada, considerando que a solidariedade mecânica, ou por semelhança,
provém do fato de existir certo número de estados de consciência comuns a todos os membros
da sociedade. Marcando os primórdios da vida social, ela caracteriza as sociedades primitivas
onde o indivíduo, por não ter individualidade própria, é confundido com os seus pares dentro
de uma coletividade à qual está ligado sem nenhuma intermediação.
7
8
In: DURKHEIM, Émile. A divisão do trabalho social. Lisboa, Presença, 1989 (vol. I e II).
RODRIGUES, Cyro Mascarenhas. A síndrome do Individualismo: E Durkheim com isso? (1990). O autor é
Doutor em Sociologia, radicado em Brasília (DF), aposentou-se como pesquisador da EMBRAPA, em 2005.
Verificando as reflexões apontadas no citado ensaio, à medida que aumenta o volume
e a densidade populacionais ocorrem diferenciações de funções e a necessidade de
sobrevivência em comum leva a outra forma de consciência coletiva, que deixa de ser
caracterizada pela semelhança para se expressar nas diferenças funcionais, a exemplo do que
ocorre com o organismo vivo. Os valores anteriores de fé social se transformam em valores
próprios de grupos profissionais e de regras que organizam a interação de grupos
diferenciados.
Trata-se da solidariedade orgânica, devida à divisão do trabalho, característica das
sociedades mais complexas e modernas. Com a evolução do capitalismo, a “Divisão do
Trabalho” é cada vez mais acentuada, distanciando as pessoas de uma necessidade e noção de
coletividade.
Seria então um paradoxo, ou um procedimento equivocado insinuar-se um
comprometimento de Durkheim com os ideais individualistas?
Não, verdadeiramente, existe uma dualidade e não uma contradição.
E é desta contradição que nasce a necessidade cada vez maior dos heróis, dos mitos
em nosso cotidiano.
Com a evolução do capitalismo, a “Divisão do Trabalho” é cada vez mais acentuada,
distanciando as pessoas de uma necessidade e noção de coletividade.
Resultante deste comportamento, isto é, a noção cada vez mais longínqua do “homem,
enquanto ser coletivo”, a solução de seus problemas, ou mesmo dos problemas de certa esfera
(cidade, comunidade, empresas, organizações, país...), ou categoria, ou grupo social; é
“terceirizado” à figura de um “salvador/ herói”. 9
É importante ressaltar, “(...) cada tempo tem o seu herói, cada época elege qualidades
de heróis (...)”10, pois a cada momento histórico, o homem possui necessidade de adequar seus
infortúnios, suas barbáries a um determinado e diferente “herói”.
4.2 O Imaginário do Herói na Cultura Brasileira
Numa sociedade como a brasileira, tudo deve estar sob o rígido controle dos códigos
dominantes. Tão centrada na imposição de formas rígidas, sua maioria com formato jurídico
definitivo, nos modos de fazer, reproduzir, comemorar, ritualizar...!
9
O que pode dar certa explicação também ao esvaziamento e refluxo dos movimentos sociais atualmente, mas
este tema pode ser objeto de discussão entre outra oportunidade.
10
“O homem comum e a percepção do herói na sociedade contemporânea”, do Professor Nelson do Nascimento
Filho. (2006)
O brasileiro está normalmente sujeito a regras fixas, condicionando-o a um
relacionamento constante entre ele e o seu grupo (ou a grupos), impedindo sua ação como
indivíduo (como consequência, sempre fica situada fora das normas e tende a ser vista e
interpretada como ilegítima). Todavia, o projeto da sociedade brasileira, com regras e ritos, é
fazer dissolver e desaparecer o indivíduo. Entre sua vontade individual e um curso de ação
ditado por essas normas e ritos; o brasileiro oscila, equilibrando, conciliando e interpretando.
Não é dono de si mesmo, ao contrário, é possuído pelas leis, normas e regulamentos.
No Brasil, as situações sociais têm algum “dono”. Se este não é uma pessoa concreta,
é um santo. Se não é um herói, é algum domínio. Existe uma necessidade de impor um código
qualquer, de modo que situação possa ser hierarquizada11.
As evidências de uma estrutura com hierarquia baseada na “intimidade social”, com
relações marcadas, de início, economicamente pelo trabalho e após; de conteúdo pessoal e
exaltação pela moralidade. Tal sistemática iguala num plano e classifica no outro,
promovendo uma complexa separação; contudo, possibilitando paradoxalmente, um
sentimento de compensação e complementariedade, impedindo certamente a tomada de
consciência coletiva horizontal. Desta resultante, a tomada de consciência vertical é facilitada.
Veremos o empregado identificando-se em certas ocasiões com o seu patrão, a empregada
com a casa onde ela trabalha; o trabalhador com a empresa que o emprega, e a empresa e os
empresários com certos órgãos do Estado. É muito mais fácil a identificação com o superior,
do que com o igual, geralmente cercado pelos medos da inveja e da competição, o que
inviabiliza a construção de éticas na direção horizontal.
Dando continuidade a argumentação; insta salientar, as noções de indivíduo e pessoa
são importantes, pois elas permitem entender uma série de processos sociais básicos,
considerando as individualizações, de forma holística, constituírem movimentos e passagens
intermediárias, denominadas liminariedade. Esta liminariedade pode ser equacionada à
individualização, e da mesma forma, em universos individualistas, pode ser igualada a uma
alta pessoalização, quando o indivíduo alcança o sucesso e passa a ser o foco dos desejos,
aspirações e motivações de uma massa de outros indivíduos, ao se montar um sistema de
“patronagem simbólica” (DAMATTA, 1997). É pelo menos isso que nosso sistema midiático,
de cinema e televisão autoriza dizer, operando na construção dos “VIPs”, ou “superpessoas”,
isto é, no imaginário do mega, super-heróis, figuras paradigmáticas do mundo social
brasileiro, a ser imitado e possivelmente seguido.
11
Idem, 1997, 124.
(...) para quem o mito é produzido e se torna, na perspectiva sociológica, seu
personagem. Quando falamos em ‘acreditar, não estamos circunscrevendo (como é
comum nas análises sociológicas modernas) somente o inocente receptor da
narrativa, que paga um preço pela mesma, mas também seus sagazes criadores, que
estão tão presos ao mito e às ações que ele ajuda a desencadear quando as camadas
da sociedade que decididamente ‘acreditam’ nele. É nesse sentido que o ‘mito’ é um
mediador entre produtores e consumidores, sustentando e – em certas ocasiões que a
análise sociológica tem a obrigação de determinar – colocando uns e outros dentro
do grande saco de ilusões do seu personagem principal. (...) 12
A sociedade determina seus atores, seus heróis. Ela não inventa somente a peça, a
cena, o enredo, o cenário, a trama, autorreproduzindo em diversas instâncias, provocando
desníveis que conduzem àquilo que se percebe como “transformação social”.
Considerações Finais
A presente produção científica procurou, ao longo de suas páginas, desenvolver uma
investigação crítica acerca da cultura, expressão, significados e utilidade da figura do “herói”
ao homem contemporâneo; correlacionando a discussão do “individualismo” na sociedade, os
mecanismos utilizados no processo de construção e finalmente, a função social desta
representação, pensando sobre esta individualidade dos dias atuais e a necessidade de se
buscar o “herói/salvador do mundo”.
Analisamos ainda, os efeitos deste imaginário na cultura brasileira, destacando os
traços culturalmente marcantes do povo brasileiro, por exemplo: nosso “jeitinho”,
“malandragem”, o “homem cordial” e “aventureiro”, nossa relação pessoal de “intimidade
social”; demonstrando que a nação brasileira varia e oscila entre a modernidade e tradição,
promovendo um estudo sociológico e antropológico; perpassando até a seara da psicologia
social e cultura organizacional, apresentando uma singela abordagem sobre as teorias de
Goffman (estudos sobre Instituições Totais) e Hofstede (Cultura e Organizações).
Ao longo de toda exposição argumentativa foram buscadas respostas a indagações
propositadamente provocadas, que, no entanto, não caberiam aqui ser esgotadas: além do
caráter inconcluso da ciência, não há como aprisionar o fazer social, com todo o imprevisto
que o caracteriza, nas páginas deste artigo. Por isso, seguramente está presente aqui é o desejo
de investigar, mesmo com a certeza de que qualquer resposta encontrada hoje, amanhã,
tenderá a estar ultrapassada.
O principal ponto de partida, é considerar através das instigantes observações de
Roberto DaMatta, que perdura no Brasil a tradição católica romana e não a tradição
protestante, que transformou o trabalho como castigo numa ação destinada à salvação.
12
Idem, 1997, p. 267.
Achamos o trabalho um horror, o famoso “batente”, nome indicativo de um obstáculo. O fato
é que não temos a glorificação do trabalhador, nem a ideia de que o trabalho seja um local,
onde honestamente podemos enriquecer e ganhar a dignidade.
Segundo DaMatta (1986), “(...) poderia ser de outro jeito numa sociedade em que até
outro dia havia escravos e onde as pessoas decentes não saíam à rua nem podiam trabalhar
com as mãos? É claro que não... (...)”.
Nesta ótica, o aludido antropólogo, promove uma reflexão que nosso sistema tão
fortemente marcado pelo trabalho escravo, as relações entre patrões e empregados ficaram
definitivamente confundidas e que não seria algo apenas econômico, mas certamente uma
relação moral onde não só um tirava o trabalho do outro, mas era seu representante e dono
perante a sociedade como um todo.
Quiçá, seja a questão central, porque isso incorporou nossas concepções de trabalho e
suas relações que até hoje, misturamos tais relações econômicas com laços pessoais de
simpatia, amizade, o que confunde o empregado e permite ao patrão exercer duplo controle da
situação. Esta confusão acarretou a perda da noção do seu verdadeiro papel, de situar-se
enquanto cidadão perante a sociedade e promover o seu crescimento em todas as
possibilidades.
Todavia, acrescentamos às perguntas iniciais, a seguinte indagação: Qual a função
social do imaginário do herói, do mito? Qualquer sociedade precisa de mitologia. A mitologia
está vinculada a rituais que legitimam figuras públicas ou civis para atuar em certas funções.
Por exemplo, a toga magistral legitima um juiz a exercer sua profissão, assim como a faixa
presidencial legitima um indivíduo a se tornar presidente.
Os filmes, por si só, apresentam atributos mitológicos. Exemplo disso é o fato de
muitos atores se tornarem heróis no imaginário popular. Raramente conheceremos um artista
famoso, um pop star, somente assistindo-o em filmes, desenhos, histórias ou novelas de
ficção.
Enfim, segundo Campbell (1993), o motivo disso é que "a pessoa que você vê está no
mesmo tempo em algum outro lugar. Esse é um atributo de Deus". Que ainda complementa,
"o cinema diferentemente da televisão exige um ritual de transferência para outra realidade,
exige um 'templo especial', no caso a sala de cinema".
Em uma visão individualista, o herói “superfantástico” é o meio para propagar a ilusão
de que o “indivíduo, individualmente”, por exemplo, um presidente ou diretor de uma grande
corporação, o prefeito de uma cidade, ou até mesmo o presidente de nosso país, solucionará
os problemas sociais, a política, as dificuldades e intempéries de uma organização ou
empresa; e não será a sociedade ou a equipe de colaboradores, como uma sincronia, uma
engrenagem.
Entretanto, em uma visão de coletivo, mais holista, a função social do herói, é
nenhuma. Durante o presente trabalho, frisamos, até ironicamente, uma figura “abstrata”, para
demonstrar ao final, que somente serve ao individualismo e que não existe solução imediata
para os grandes problemas, através de um “super-herói”.
O olhar sociológico sobre a empresa desvela dos fenômenos consideráveis para a
compreensão de seu futuro. De um lado, a empresa é uma entidade em si que hoje
em dia encontra sua força e sua eficiência não mais nas virtudes e nas possibilidades
de seus dirigentes, mas no valor criador de seu próprio sistema de funcionamento.
De outro lado, autônoma porque se tornou social em seu âmago, a empresa não pode
mais limitar sua eficiência unicamente ao lucro econômico, ela 'fabrica’ também
emprego, tecnologia, solidariedades, modos de vida, cultura. (SAINSAULIEU,
1997:421-422).
“Não basta fazer bem seu trabalho. Devemos fazer bem juntos, estar mobilizados por
um objetivo comum”. (KIRSCHNER, A.M., GOMES, E. R. orgs, 1999). É preciso considerar
que o sentido da motivação é social: não corresponde a necessidades universais e
fundamentais, mas a construções sociais enraizadas nos indivíduos e em grupos complexos.
Um indivíduo só se motiva quando sua situação social relativa, sua identidade profissional – a
maneira como ele é visto pelos outros – evolui num sentido favorável a seus olhos, de forma
que ele se sinta valorizado e reconhecido em sua função.
Finalmente, concluímos que a sociedade deve resgatar seus valores coletivos, a visão
maior de organização social e sua função e participação, através de seus grupos sociais,
classes, instituições políticas diretamente ligadas às estruturas de poder ou mesmo da
sociedade civil; movimentos sociais, ou partidos políticos, empresas, corporações, entre
outras. Somente desta forma, terá força e eficácia para defender ou resolver as contradições
que perpetuam nossa Humanidade.
Referências
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SP: Companhia das Letras, 1995.
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KIRSCHNER, A.M., GOMES, E. R. (orgs.). Empresas, empresários e sociedade. Rio de
Janeiro: Sette letras, 1999.
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(1990). Site Recanto das Letras, 2009. Disponível em:
<http://recantodasletras.uol.com.br/ensaios/588467>. Acesso em: 16 dez. 2009.
SAINSAULIEU, Renaud. (1997), Sociologie de l’entreprise: organisation, culture et
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(ed. revista e ampliada). 1ª edição, 1985.
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