CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
A MUDANÇA DA CONFIGURAÇÃO DO SISTEMA BANCÁRIO NACIONAL NOS ANOS
90.
Fernanda Menegoli Ribeiro 1* fermene@yahoo.com.br, Dra. Vanessa Petrelli Corrêa 2 (Orientadora)
1, 2 – Instituto de Economia – Universidade Federal de Uberlândia
Introdução:
Nos últimos anos a Estrutura de Financiamento Nacional vem passando por importantes
modificações, que envolvem uma maior abertura financeira e busca de maior articulação entre o mercado de
crédito e de capitais, na medida em que cresce o processo de securitização. No caso do Sistema Financeiro
Nacional (mercado de créditos) verificamos uma mudança da estrutura de propriedade deste sistema, com uma
redução da participação dos Bancos Públicos e com uma maior participação de Bancos Estrangeiros. O
objetivo geral de nosso trabalho foi o de analisar a nova configuração do Sistema e seus impactos sobre a
oferta de crédito. A partir daí os objetivos específicos foram: i) Levantar qual a configuração atual da estrutura
de propriedade do sistema e da distribuição do crédito por segmento; ii) Fazer um estudo dos balancetes
bancários para verificar se esta nova configuração do Sistema modificou a lógica de operação dos Bancos,
especialmente no que tange a liberação de crédito.
Metodologia: A hipótese de nosso trabalho segue o Trabalho desenvolvido por Corrêa e Almeida (2001), de
que houve uma mudança importante da estrutura de propriedade do sistema e que esta mudança não mudou a
essência do Sistema Financeiro Nacional, que é a de baixa oferta de créditos e de altos ganhos especulativos.
A hipótese é a de que o ingresso dos bancos estrangeiros não gera impactos diferenciados sobre o crédito.
Quanto aos dados, foram levantados os debates atuais através de revistas e jornais especializados como
Conjuntura Econômica, Balancetes do Banco Central, Balanço anual do jornal Gazeta Mercantil e Jornal Valor
Econômico. Para o estudo da nova estrutura do Sistema Bancário foram utilizados os dados eletrônicos do
Banco Central (SISBACEN), sendo que levantamos também os dados de distribuição de agências bancárias. O
período do levantamento desta modificação do sistema engloba especialmente a mudança que ocorre após o
Plano Real. Para os dados dos Balancetes (contas de ativo e de passivo) fizemos a classificação Bancos
Públicos/ Bancos Privados Nacionais/ Bancos com Participação Estrangeira e os dados foram levantados
agregados por estes segmentos. Foram também levantados dados de demonstrativos de resultado também
por segmento. Os dados agregados para o Sistema Bancário foram levantados por Boletins do Banco Central.
Os dados por segmento foram levantados diretamente por consulta no Banco Central, por termos verificado
que os dados do SISBACEN apresentaram algumas discrepância com os valores levantados por algumas
revistas especializadas que consultamos. A partir do levantamento destes dados foram feitas análises com
respeito a atuação do Sistema Bancário como um todo e comparações por segmento.
Resultados: Através dos dados obtidos, conseguimos verificar que a onda de fusões e incorporações
bancárias levou a um aumento do processo de concentração, com uma sensível redução da participação dos
bancos públicos na área bancária e maior participação dos bancos estrangeiros, principalmente bancos norteamericanos e espanhóis. Ao analisar os balanços dos bancos percebemos que eles estão aumentando seu
patrimônio, seus ativos e sua rentabilidade, sem aumentar o crédito. Esta performance tem se efetuado em
detrimento do crédito, através do fortalecimento de operações de rentabilidade pela via da especulação com
títulos públicos e com câmbio. Se, de um lado, os bancos estrangeiros são aqueles que vem apresentando um
índice crescente de eficiência e de rentabilidade, são eles que também que mais têm se beneficiado com os
ganhos não vinculados às atividades de crédito. Ao longo dessa trajetória foi notável a reação dos bancos
privados nacionais, em especial o Bradesco, Itaú e Unibanco, que participaram ativamente no processo de
aquisições bancárias, crescendo organicamente e aprimorando sua eficiência e desempenho.
Conclusões: Conclui-se a partir destes dados que a entrada de bancos estrangeiros e redução da
participação de bancos públicos não levou a um crescimento do crédito e muito menos da forma básica
histórica de atuação do Sistema Bancário Nacional. Não foi um fator que contribuiu para uma mudança na
lógica operacional desses bancos, uma vez que os bancos estrangeiros adaptaram-se à lógica de operação
dos bancos nacionais. A reestruturação processada levou a uma melhora paulatina dos índices de eficiência,
sem que isto significasse, paralelamente, uma maior oferta de crédito a custos mais baixos.
Agência Financiadora: PIBIC/CNPq
TRABALHO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA
54a Reunião Anual da SBPC - Goiânia, GO - Julho/2002
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