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mercado
Safra norte-americana de soja é
estimada em 85,7 milhões de toneladas
Montante está ainda mais próximo da
quantidade colhida do ano passado,
de 82 milhões de toneladas, quando
o Meio-Oeste foi devastado pela pior
seca em 50 anos; já em relação ao
milho, notícia é de safra cheia
Da Redação – Ao divulgar no
último dia 12 a previsão para
a safra de soja deste ano nos
Estados Unidos, o departamento de agricultura daquele
país (Usda) confirmou a notícia que estava sendo aguardada com expectativa pelo
mercado: a seca que assola há
dois meses o Meio-Oeste já
produziu estragos irreversíveis. Com isso, a projeção
anunciada em agosto, em
torno de 88 milhões de toneladas, foi reduzida para 85,7
milhões em setembro e há indicativos de que poderá cair
ainda mais.
Com isso, o Usda valida o
número anunciado no dia 23
de agosto pelo Crop Tour Pro
Farm, ao redor de 85,9 milhões de toneladas, reconhecendo os danos causados pelo
clima.
FASE CRÍTICA - No final de
agosto, um grupo formado
por cooperados, técnicos e
convidados da Cocamar visitou propriedades no estado de
Illinois e constatou a preocupação de produtores em relação ao clima seco, até então
com cerca de 40 dias sem
Lavoura de soja da região de Champaign,
no estado de Illinois, onde a produtividade
já foi bastante prejudicada pela seca
chuvas, em meio a um calor
intenso, sendo que as lavouras se encontravam em sua
fase mais crítica, de enchimento de grãos. Em contato
com a cooperativa Topt Light
Grain, que possui 1,2 mil associados na região de Champaign, os brasileiros foram
informados que a expectativa
já era de uma forte quebra de
produtividade.
Entre os convidados da Cocamar estava o engenheiro
agrônomo Henrique de Biasi,
da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), de Londrina. "Há um déficit hídrico elevado em pleno
período de enchimento de
grãos", comenta Biasi. Segundo ele, a lavoura teve até
agora um bom desenvolvimento, mas o potencial produtivo está diminuindo devido a
falta de umidade. "Se não chover logo, a situação vai piorar", acrescenta, dizendo ser
difícil, por enquanto, fazer
uma estimativa. Mas mencionou que se um quadro de déficit hídrico semelhante ocorresse no Brasil durante a fase
de granação da soja, a safra
estaria liquidada.
Mercado
sustentado
O relatório do Usda trouxe
a informação que os produtores queriam ouvir: o atual
cenário de quebra da safra
americana assegura sustentação ao mercado de soja,
embora o mesmo departamento tenha revisto para
cima a expectativa para a
safra brasileira 2013/14, de
85 para 88 milhões de toneladas.
Num contexto mais amplo,
o Usda manteve praticamente estável sua projeção
para a produção mundial,
em 281,7 milhões de toneladas (apenas 60 mil toneladas a menos que o esperado
em agosto). De qualquer
maneira, trata-se de um aumento de 14,2 milhões de toneladas em relação à safra
passada. Assim, de acordo
com o departamento, os estoques ao fim da safra
2013/14 seriam elevados
em 10 milhões de toneladas,
a 71,54 milhões.
“Se um quadro de déficit hídrico semelhante
ocorresse no Brasil, a safra estaria liquidada”
HENRIQUE DE BIASI, agrônomo da Embrapa
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Agricultor vê situação complicada
Com a experiência de produzir soja há 26 anos em
Terra Boa e há 10 em Querência do Norte, no Paraná,
Valdomiro Peres Júnior, um dos produtores de soja
que participaram da viagem aos EUA promovida pela
Cocamar, diz que, pelo visto, as lavouras de soja apresentam comprometimento em sua produtividade, resultado do longo período sem chuvas. "Diferente dos
nossos solos, que não retêm umidade, no Meio-Oeste
dos Estados Unidos os solos permitem umidade por
mais tempo, o que favorece a cultura, mas o momento
atual é crítico porque as plantas necessitam de bastante água para o enchimento de grãos, e não está chovendo".
Jason Goodner,
gerente da cooperativa
Topt Light Grain, que
espera uma
produtividade média
de 362 sacas de
milho por alqueire
este ano, mesmo
sob seca
Atraso na comercialização
Um detalhe na viagem aos
Estados Unidos chamou a
atenção do superintendente
de Operações da Cocamar,
Arquimedes Alexandrino: o
atraso na comercialização
da safra deste ano, fenômeno que se observa tanto
nos EUA quanto no Brasil,
respectivamente o primeiro
e o segundo maior produtor
mundial da oleaginosa.
Alexandrino lembra que
na visita à cooperativa Topt
Light Grain, em Seymour,
os brasileiros souberam que
apenas 38% do milho e 25%
da soja foram comercializados antecipadamente pelos
produtores, sendo que, de
acordo com o histórico, ao
menos metade da safra já
deveria ter sido vendida.
"No Brasil também os produtores estão segurando a
comercialização, de um lado
porque a cotação do milho
está baixa e, de outro, porque certamente apostam
em novas altas para a soja."
OFERTA - O problema é que
isto pode ter um efeito negativo, observa o superintendente, explicando que se os
sojicultores decidirem, em
determinado momento, efetivar a comercialização, a
oferta maciça da commodity
poderá contribuir para derrubar o preço.
A explicação dos técnicos
da consultoria AGProfessional para essa demora é que
os produtores norte-americanos estariam capitalizados em razão de vários anos
seguidos de preços bons
para as commodities e se
colocam agora numa posição cômoda frente ao mercado, sem enfrentar pressão
e segurando as vendas ao
aguardo de novas altas.
Com atraso da lavoura,
frio passa a preocupar
Também integrando o grupo da Cocamar, o professor Antônio
Luiz Fancelli, consultor da cooperativa e docente da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queirós (Esalq), da Universidade
de São Paulo (USP), diz que a variabilidade do estado das lavouras é grande, mas, de um modo geral, elas apresentam
bom desenvolvimento. Fancelli considera que, pelo menos até
o momento, não é possível ainda ter uma noção precisa em
relação a perdas, embora acredite que elas já existam. Ele, no
entanto, chama atenção para a possibilidade de uma mudança
rápida do clima em setembro, com a chegada do frio e até das
primeiras geadas. O clima, pelo menos, mostra sinais de semelhança com o ocorrido em 1996 e 1998, quando houve geadas precoces. “Se isto acontecer, o risco de a soja ser atingida
é grande e perdas serão inevitáveis", pontua.
Em relação ao milho, uma ducha fria
O relatório do Usda jogou
uma ducha fria no mercado
internacional de milho. De
acordo com o governo, os
americanos devem colher
351,64 milhões de toneladas
do grão neste ano, 2 milhões
a mais que o estimado em
agosto. Trata-se de um aumento de 77,8 milhões de toneladas em relação à safra do
ano passado, devastada pela
seca. O número surpreendeu
o mercado, que esperava um
corte para 346,6 milhões de
toneladas. Com isso, o USDA
projeta estoques americanos
de passagem em 47,11 milhões
de toneladas, volume 2,7 vezes maior do que o remanescente de 2012/13.
Segundo o Usda, a produção
mundial de milho deve totalizar 956,67 milhões de toneladas. Embora ligeiramente in-
ferior à estimativa de agosto,
trata-se de um acréscimo de
96,6 milhões de toneladas em
relação ao ciclo anterior.
Na viagem da Cocamar, integrantes observaram que a cultura, em alguns lugares, apresenta danos, mas seu ciclo já
estava adiantado e a conclusão é que as perdas serão menores que na comparação com
a soja.
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opiniões
Manobras políticas
ameaçam a agricultura
CESARIO RAMALHO DA SILVA,
presidente da Sociedade Rural Brasileira
Nos últimos tempos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)
se enfraqueceu. Perdeu autonomia, função estratégica, poder político e recursos,
deixando o setor produtivo órfão e sem acesso ao centro nervoso do governo. De
imediato, é uma absoluta incongruência, já que a agricultura é a atividade de maior
força econômica do País, Mas, paradoxalmente, é a mais fraca politicamente. Além
disso, temos um ministro com período de mandato contado, em razão das eleições
de 2014.
Mais grave ainda é o uso do Mapa para fins partidários, num claríssimo exemplo
de esbulho do dinheiro público, somado ao contingenciamento de recursos no seguro rural e também da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A Embrapa também sofre com cortes e com as amarras institucionais que cerceiam seu poder de decisão e atuação. A falta de liberdade orçamentária que aplaca
a instituição dilapida sua competitividade. A busca pela inovação - pilar das nações
desenvolvidas - exige impreterivelmente capital, planejamento e velocidade.
Por sua importância e complexidade, num Brasil cujo agronegócio é o carro-chefe
da economia, o ministério responsável por esse setor não pode ficar à mercê de interesses políticos particulares. O Mapa tem de continuar sendo dos produtores, permanecendo como uma trincheira do setor.
Como vimos e continuamos observando nas ruas, a sociedade brasileira não suporta mais o conluio particular subjugando o interesse coletivo na administração
pública, e o Mapa é apenas um exemplo, entre tantos outros.
O Brasil é o país mais caro para produzir
“Mais grave
ainda é o
uso
do Mapa
para fins
partidários,
num
claríssimo
exemplo de
esbulho do
dinheiro
público
ANTONIO LUZ, economista do Sistema Farsul
em programas de incentivo são isentos de impostos, é preciso
alertar que há tributação das peças, aumentando o valor do proUm estudo encomendado ao Instituto Brasileiro do Planeja- duto final. Em um trator, a tributação do aço chega a 34,12%; do
mento Tributário (IBPT) pelo Sistema Farsul revela que o peso sistema hidráulico, 33,42%; da suspensão, 32,91%; e dos pneus,
da carga tributária no custo de produção do setor agropecuário 32,55%.
do Brasil é o mais alto do mundo. Na Argentina, o valor chega
a 277,87 dólares/hectare; nos Estados Unidos, a 555,52 dóla- O veículo de passeio do produtor pode ser tributado, mas o trares/hectare; e, no Brasil, a 779,23 dólares/hectare.
tor não. É um bem de capital, que gera renda.
Na safra 2012/13, nas quatro culturas – trigo, milho,soja e arroz
– o produtor gaúcho pagou R$ 3,3 bilhões em impostos apenas
para a produção. Isto acontece nos outros Estados, obviamente.
Por isso, a proposta que se defende é uma nova forma de tributar.
Não se pode tributar no momento da produção até o escoamento.
Isso deveria ocorrer apenas sobre a renda do produtor.
Apesar dos programas federais alegarem que tratores incluídos
Dados do IBPT revelam que o preço comercial de um trator 105
cv, 12 marchas 4x4 é de R$ 121 mil. O preço sem impostos seria
de R$ 85 mil – economia de R$ 36 mil ao produtor.
No caso de uma colheitadeira 175, o preço do mercado é de R$
311 mil. Sem impostos, chegaria a R$ 227 mil, gerando uma economia de R$ 84 mil. O mesmo se aplica à carga tributária de
plantadeiras, ureia, fertilizantes e defensivos agrícolas.
O produtor faz sua parte,
o governo não
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JUSTINO CORREIA FILHO, téc. Agropecuário Crea/PR:3808/ TD, UNICAMPO, Bela Vista do Paraíso-PR
O agronegócio vem, ao longo dos anos, confirmando a sua importância significativa na composição do PIB brasileiro,
salvando seguidamente o discurso otimista do governo de plantão.
A safra 2012/2013 alcançou 186,1 milhões de toneladas de grãos, volume suficiente para atender o mercado interno,
havendo sobra para exportação e saldo positivo na balança comercial. O resultado é bom, digno de comemoração! Mas,
poderia ser melhor, não fosse nossa infraestrutura e logística ineficiente, que tira competitividade dos produtos exportados, limitando o ganho do campo.
O produtor rural brasileiro é dedicado e eficiente, dentro da propriedade. Basta observar o crescimento da produtividade.
Esse desempenho deve ser creditado, em grande parte, exclusivamente ao homem do campo, que segue investindo em
novas tecnologias, sem que tenha uma política agrícola digna da importância do setor. Nesse contexto, basta lembrar o
discurso do governo federal quando do lançamento do plano safra 2013/2014 em junho passado. Com toda a pompa,
foram anunciados recursos da ordem de R$ 700 milhões para serem utilizados como subvenção ao seguro rural, instituto
mitigador de riscos da atividade. No entanto, o plantio da safra de verão se aproxima, sem que os valores anunciados
tenham sido disponibilizados em sua totalidade, para contratação do seguro.
Ficamos mais uma vez apenas no discurso por parte do governo federal, e todo o risco da atividade recai sobre o produtor, que irá plantar com significativo aumento do investimento em relação a safra passada, devido principalmente ao
custo maior com mão de obra e insumos.
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café
Geada abre caminho para produtores
investirem na modernização de cafezais
Sem quererem deixar a atividade, ao contrário, objetivo
deles é fazer o replantio e adaptar o espaçamento das
plantas para mecanizar as lavouras
“Quem é realmente
cafeicultor, tem
raízes, permanece
na atividade. Esta é
uma região propícia
para café e mesmo
com os preços
atuais, dá resultado,
responde se for
bem trabalhado”
esta é uma tendência, segundo afirma o engenheiro
agrônomo Francisco Ubiratã
Aires, o Bira, especialista
em café da Cocamar. E garante: dos 82.300 hectares
cultivados no Paraná, pelo
menos em 90% é possível
fazer a adaptação para entrar com a colhedora.
Com a mecanização, a
maior profissionalização e
os produtores buscando aumentar a produtividade para
SENTIRAM - O cafeicultor
Dirceu Scerbo, dono de 218
hectares em Terra Nova, distrito de São Jerônimo da
Serra, a 80km de Londrina,
tem 73 hectares ocupados
com 390 mil pés em diversos espaçamentos e idades.
Ele é um dos que estão renovando o cafezal. “As lavouras mais velhas vinham
de uma produção grande na
última safra e sentiram
muito com a geada”, afirma.
Dirceu e Antonio vão arrancar cafezais mais antigos e recomeçar de acordo com um novo padrão
Por isso, Dirceu decidiu
aproveitar o momento para
arrancar 120 mil pés e replantar a lavoura sistematizando os talhões para a
mecanização. O produtor
diz que já vinha buscando
adequar as demais áreas
de forma a permitir a entrada da máquina e o último plantio, feito há dois
anos, já obedeceu ao novo
padrão.
BOM NEGÓCIO - Dirceu ressalta que toda cultura tem
seus altos e baixos e que o
produtor deve aproveitar as
fases ruins para se preparar
e tirar o melhor resultado
nos bons momentos.
p
DIRCEU SCERBO
Marly Aires I São Jerônimo
da Serra - O momento atual
de preços baixos e a sequência de fortes geadas neste
ano que queimou parte dos
cafezais paranaenses, estão
sendo vistos por tradicionais
cafeicultores como uma
oportunidade para renovar o
cafezal. Com isso, eles pretendem passar a conduzir a
cultura de acordo com um
novo modelo, apropriado à
mecanização. Devido a crescente falta de mão de obra,
diluir custos, Bira vê que o
atual momento poderá até
mesmo levar ao renascimento da cafeicultura no Paraná, dentro de um novo
padrão.
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p
Para ele, a cultura é
uma boa opção de cultivo, principalmente em
se tratando de uma pequena propriedade. “Com
dois ou três alqueires de
café, uma família consegue sobreviver”, comenta.
PRODUÇÃO - Em suas
terras, cerca de 250 mil
pés foram menos atingidos pela geada e devem
produzir ainda 800 sacas beneficiadas no ano
que vem. “Se tudo tivesse corrido bem, deveríamos produzir umas 3
mil sacas beneficiadas”.
Sua produtividade média é de 35 sacas beneficiadas por hectare.
Em São Jerônimo da
Serra há 1,4 mil hectares
de café, dos quais 1,1 mil
em produção, com média de 32 sacas beneficiadas por hectare. Esta
é a segunda mais importante área de café no Paraná, cuja média é de 22
sacas/ha.
Família Gobbo vai renovar 36 hectares
Outro cafeicultor que está renovando seu cafezal é Antonio Gobbo, cuja família possui mais de 500 mil pés em
73 hectares em São Jerônimo da Serra. A produtividade
média é de 30 sacas beneficiadas por hectare.
Com a chegada das chuvas, o produtor começou a arrancar e a replantar praticamente metade da área atual, entre
250 a 300 mil pés, em 36 hectares, especialmente os talhões mais antigos, que já vinham reduzindo produtividade e que deveriam ser esqueletados este ano. “Vamos
aproveitar para arrancar e começar do zero, já adaptado
à mecanização”, diz Antonio, acrescentando que em algumas áreas estava com dificuldade de entrar com a máquina.
REPETINDO - Na parte a ser renovada estão cafezais plan-
82.300
hectares é a área cultivada com café
no Paraná, das quais 90%, pelo menos,
poderiam ser mecanizados
tados em 1975. “Já estávamos com as mudas feitas quando
veio a geada. Na época, também aproveitamos para arrancar e plantar tudo de novo.” Os novos plantios vão se
somar aos 45 mil pés cultivados em 2011, já dentro do
novo padrão. O restante da área foi adaptado para possibilitar a entrada da máquina.
“A mecanização é que está viabilizando a cafeicultura.
Temos que buscar opções, seja com a máquina, nas áreas
maiores, ou com o cultivo em pequenas espaços onde a
própria família possa conduzir. Mas em qualquer situação
é fundamental ter produtividade e qualidade”, afirma Antonio.
Ele ressalta que o preço agora está ruim, mas vai mudar.
“E quem tiver produção é que vai ganhar”, destaca.
1.400
hectares são ocupados pela cafeicultura
em São Jerônimo da Serra, o 2º mais
importante polo produtor do Estado
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café
Cafeicultores se unem
e compram colheitadeira
Somando cerca de 100 hectares
de café, 12 produtores de São Jerônimo da Serra, Santa Cecília do
Pavão e Nova Santa Bárbara se
juntaram em uma associação para
comprar uma mini colheitadeira
de café, modelo Eletron TDI, financiada, no final do ano passado. O
valor pago foi de R$ 519 mil. O
equipamento tem capacidade para
colher de 80 a 100 sacas por hora,
quando o talhão é adequado e
apresenta boa produção.
O período de negociações e os
prazos necessários para agendamento na indústria fizeram com
que a máquina só chegasse aos
produtores no final de junho.
Como na sequência veio uma fase
de chuvas, isso acabou atrasando
a colheita, mas todos já usaram a
máquina este ano. Com as variedades que o grupo cultiva, é possível escalonar a colheita, item
que será melhor planejado agora
com os novos plantios e com um
prazo maior para a colheita.
Como todos são pequenos produtores, nenhum tinha condições
de comprar sozinho o equipa-
mento. Em conjunto, isso se tornou viável, com a previsão de
pagar em pouco tempo o investimento devido ao custo benefício
e ao uso frequente, compartilhado
por todos. Há ainda a possibilidade de prestar serviços para outros produtores, diluindo ainda
mais os custos, conforme afirma
An- tonio Gobbo, um dos produtores que participam da associação.
A experiência que o cafeicultor
teve com aluguel de uma colheitadeira, durante anos, mostrou
que esta era a saída. “A mecanização é que vai viabilizar a cafeicultura daqui para frente. E com
os produtores se unindo, foi possível para a gente mesmo comprar a nossa máquina”, diz Antonio.
A Associação dos Produtores de
São Jerônimo da Serra – Aprosserra, existe há anos e já foi
usada antes para a compra, em
conjunto, de vários maquinários
destinados a lidar com a produção de verduras e feijão. A experiência serviu de base para o
novo empreendimento.
O equipamento pode colher de
80 a 100 sacas por hora se
o talhão estiver adequado
e apresentar boa produção
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cooperativa
Núcleos femininos inserem mulher de
forma participativa na propriedade
Um total de 550 integrantes reúne-se
em suas cidades para discutir assuntos
relacionados aos negócios da família,
cooperativismo e crescimento profissional
Cleber França I Região - No cenário agrícola atual a mulher
desempenha um papel cada
vez mais importante ao lado
do marido na administração
da propriedade. Neste contexto
se encaixam os núcleos femininos organizados pela Cocamar e que foram criados justamente com o objetivo de inserir a mulher de forma mais
participativa na atividade.
Uma das participantes, a cooperada Yara Barbosa Cavicchiolli, de São Jorge do Ivaí,
conta que está ao lado do marido Euclides Cavicchiolli, em
tudo. “Plantamos 90 alqueires
no município e região. Vou
atrás de financiamentos, a escolha das variedades e insumos. O núcleo feminino da
cooperativa sempre nos ajudou muito”, conta Yara, destacando que sempre há palestras, viagens técnicas e eventos em que ela é convidada a
participar. “É uma forma de
valorizar a gente”.
VOCAÇÃO - A agricultora
Edna Moreno Gabriel, esposa
do cooperado Valdecir Gabriel,
conta que vocação para a lavoura ela sempre teve, tanto
é que, desde os 12 anos, ajudava a pai a cuidar das terras
da família, na Estrada do Pacote. “Nessa época a gente
tinha pasto em 10 alqueires e
plantava milho em outros
dois. Meu pai já tinha um trator, um Davis, e sobrava para
mim arar a terra”, recorda-se.
Edna conta que teve que se
mudar para cidade aos 15
anos e, três anos depois, se
casou. Com o marido sendo
agricultor, voltou para a roça.
“O Valdecir trabalhava com
trator, um Valmet, para o pai
dele. Como o serviço não podia parar, de vez em quando
eu assumia o serviço.”
CRESCIMENTO - Atualmente,
além de continuar guiando
tratores, ela ajuda a puxar a
safra até a cooperativa, conduzindo um caminhão. Por fim,
ainda arruma tempo para cuidar da casa, dar atenção dois
filhos (Giani e Jean) e aos quatro netos (Matheus, Andrei,
Caique e Cassiano) e participar do núcleo feminino da Co-
camar, o que segundo ela,
tem contribuído para o seu
crescimento profissional. “Faço parte há seis anos e estou
muito contente. A coordenação sempre traz boas palestras, o que ajuda os cooperados. Além disso, é um momento de descontração onde
fazemos muitas amizades,
sem contar as viagens, que
são excelentes”, acrescenta.
Envolvimento da
mulher, como de
toda a família, é
uma prioridade
na cooperativa,
que, além de
manter núcleos
nas cidades,
organiza uma
série de eventos
durante o ano
Yara: “É uma forma
de valorizar a gente”
Ao todo, 23 mulheres participam do núcleo. A responsável Silvia Regina Tavares
Modesto, informa que, uma
vez por mês, elas se reúnem
para assistir palestras técnicas relacionadas a assuntos
como produtividade e comercialização das safras.
Algo que se tornou tradição
entre as participantes é o voluntarismo e o trabalho social. “Sempre que há um
evento beneficente para ajudar idosos, crianças ou entidades assistenciais, o pessoal convida as integrantes
do núcleo”, finaliza.
São 550 participantes
O primeiro núcleo feminino da Cocamar surgiu em
2005 na cidade de Floresta,
perto de Maringá. Oito anos
depois, já são 25 grupos e
550 ativas participantes. Em
média há, no total, 100 palestras ou cursos durante o
ano, sem contar as viagens
técnicas, eventos diversos e
encontros de casais.
Dentre os principais temas
abordados, estão: liderança,
oratória, comunicação, infor-
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mática, administração rural,
motivação, autoestima e
qualidade de vida. “O principal objetivo do núcleo é promover e articular a participação feminina na cooperativa e na comunidade local,
de acordo com os princípios
e valores cooperativistas”,
explica a coordenadora de
Relação com o Cooperado,
Cecília Adriana da Silva. “As
mulheres estão ganhando
espaço na sociedade em geral e o mesmo acontece no
cooperativismo. A Cocamar
reconhece a importância da
participação destas mulheres na dinâmica e no dia a
dia das propriedades, e estimula sempre a presença
delas na cooperativa, assim
como a participação destas
na gestão da propriedade
rural”.
Edna: participante
há seis anos
DR. CAMARGO - Com cerca de 180 participantes, o
município de Doutor Camargo, a 30km de Maringá,
sediou no último dia 12, na Casa da Cultura, o seu 1º
Encontro de Mulheres Rurais, que reuniu também representantes de Ivatuba e Paiçandu. A Cocamar foi uma
das empresas organizadoras e a programação constou
de palestras, no período da tarde, sobre temas variados.
De acordo com o gerente da unidade local da cooperativa, José Depieri Conti, o evento agradou as presentes,
por seu conteúdo esclarecedor, e a ideia é realizá-lo, a
partir de agora, todos os anos.
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inverno
Milho enfrentou de tudo,
mas ainda rendeu
Mesmo sob diversos problemas climáticos, média de
produtividade na área de ação da Cocamar foi de 170
sacas por alqueire, 16% a menos que a do ano passado
Cleber França I Região - Na safra de
inverno deste ano, tudo o que poderia haver de problema climático,
aconteceu. Houve excesso de chuva,
estiagem, ventos fortes, enchentes
e, para completar, três geadas.
ano totalizou 726 mil toneladas, o
segundo maior volume de todos os
tempos, pouco abaixo do recorde de
750 mil em 2012.
A produtividade em Sertaneja acompanhou a média da Cocamar de 170
sacas por alqueire. “Mas tivemos extremos, ou seja, produtividade próxima de 300 sacas e também de
apenas 30 sacas por alqueire”, observa o gerente de produção da Cocamar no município, Jaime Alves Junior.
bra de um trator.
Em Rancho Alegre, a média ficou
na casa das 210 sacas por alqueire –
contra 240 do ano anterior. Houve
produtor que plantou mais cedo que
chegou a produzir 320 sacas.
MENOR - Em algumas regiões do
Noroeste do Estado, a média foi de
183 sacas por alqueire. “Além de
uma seca durante o ciclo, tivemos
uma enchente que comprometeu a
produtividade em áreas próximas ao
Rio Ivaí, sem contar as três geadas.
Em comparação com o ano passado
a produtividade foi 20% menor”, calcula o gerente de
p
Em Primeiro de Maio, o agricultor
Carlos Roberto Silveira fez a média
LÍDERES - Os principais municípios de 150 sacas em cada um dos seus
produtores de milho foram Serta- 42 alqueires. “No total, colhi 3.360
Apesar de tudo isso, a produtivi- neja (11.425 alqueires), São Jorge do sacas a menos que o ano passado”,
dade do milho de segunda safra na Ivaí (10.660 alqueires) e Sertanópo- lamenta, justificando o uso de um híregião da Cocamar foi considerada lis (9.114 alqueires). “Setenta por brido que não se adequou à região, à
regular. A média ficou em torno de cento dos plantios foram feitos com falta de chuvas e problemas enfrentados durante o plantio, como a que170 sacas por alqueire, uma redu- híbridos superprecoces e 30%
ção de 16% em comparação com entre precoce e semiprecoce”, inigual período do ano anterior, forma o coor- denador de culturas
quando a média chegou a 200 anuais da cooperativa, Emerson
sacas.
Nunes, lembrando que, no geral,
os produtores investiram na culNa Cocamar, o recebimento deste tura.
Média de produtividade
variou bastante entre as
regiões; houve quem
colheu 320 sacas por
alqueire, enquanto
outros, não mais
que 30
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p
Movimento intenso
de caminhões no
pátio de triagem da
cooperativa em
Maringá, que recebeu
726 mil toneladas,
a segunda maior
safra de sua história
produção da Cocamar
em Paraíso do Norte,
Cristiano Luiz Bergamasco.
Mesmo em meio a tantos
problemas climáticos, o cooperado José Márcio Virtuli,
que planta 20 alqueires na
Água Clara, naquele municí-
pio, colheu bem. “Fiz a média
de 240 sacas por alqueire.
Quem plantou mais cedo fez
uma média melhor. O mesmo vale para quem plantou
em terra roxa, pois as plantas aguentaram mais o período de estiagem no começo”,
explica Virtuli.
Perda no trigo
foi grande
O trigo foi o maior prejudicado com as geadas
nesta safra de inverno,
com cerca de 60% de perdas de média na região da
Cocamar. Em algumas localidades os estragos chegaram a 80%, conforme se
observou nos municípios
de Rolândia, Arapongas,
Serrinha, Tamarana, Congonhinhas e São Jerônimo
da Serra. “Em relação ao
ano passado, a produção
vai diminuir cerca de 40%,
isto porque, mesmo com
as perdas, houve um aumento de 35% de área semeada”, comenta o coordenador técnico de culturas
anuais, Emerson Nunes.
Segundo Nunes, outro
fato chama a atenção. A
qualidade do trigo que sobrou após as geadas está
bastante prejudicada, cerca de 40%, apresentam
qualidade inferior. A média de produtividade, neste
ano não deve passar de 44
sacas por alqueire, frente
às 103 obtidas em 2012.
Pá g . 1 4 - J orna l de Se rv i ç o Coc a ma r - Se t e m b ro 2 0 1 3
safra 2013/14
Caprichar ao máximo
Em contagem regressiva para o início
da semeadura, produtores da região
investem para que seus resultados
sejam os melhores possíveis
Marly Aires I Região - Com
a aquisição de uma moderna plantadeira Semeato de
11 linhas, o cooperado Sílvio
Pereira da Conceição Silva,
cuja família cultiva 120 alqueires de soja em Maringá,
espera melhorar ainda mais
a qualidade de plantio, começando bem a safra
2013/14.
“A cada ano procuramos
melhorar sempre, porque a
base para se ter resultado é
fazer um trabalho bem feito”,
afirma. Ainda em final da
colheita de trigo, mas com
tudo programado e adqui-
rido com antecedência, para
evitar imprevistos, a família
está com tudo pronto para
iniciar o plantio próximo ao
dia 15 de outubro, assim que
tiver condições ideais de
umidade.
Silvio conta que vai plantar
as variedades VMax e Potência, utilizando de 500 a 600
quilos de adubo 10x12x08
por alqueire. “Se realmente
houver quebra da safra
norte-americana, vamos ter
preços ainda melhores do
que os que já temos. Mais do
que nunca, temos que caprichar”, diz.
Ânimo redobrado
As modernas máquinas do cooperado Luiz Pio Lonardoni já foram revisadas e estão prontas para entrar em
campo a partir do início de outubro. Ele vai cultivar 110
alqueires, a maior parte arrendada, em Rolândia. “Deu
condições, entramos plantando”, afirma. As variedades
selecionadas são VTop, que Luiz vai usar na maior parte
da área, informando que irá experimentar duas novas:
Syn 1163 e Tornado, que viu em um dia de campo da Cocamar.
Na adubação ele está aplicando 600 quilos de 06x24x12
NA EXPECTATIVA - Adiantando toda as operações possíveis, Volnei Marcon de
Souza, que planta com o
irmão 104 alqueires de soja
na região do Guerra em Maringá, está na expectativa
para iniciar a próxima safra.
Normalizando as chuvas, a
partir do final de setembro,
começa a plantar. A variedade escolhida é VMax. Vai
fazer uma adubação de base
com 500 quilos de 02x17x10
por alqueire, com um pouco
de nitrogênio para ajudar no
arranque inicial e após a germinação, usar cloreto de potássio na cobertura.
Para que a soja tenha condições de manifestar todo
seu potencial produtivo, o investimento neste ano foi em
um pulverizador autopropelido visando a qualidade de
aplicação de inseticidas, fungicidas e herbicidas, visando
o controle efetivo de pragas,
doenças e plantas daninhas.
“É claro que sempre dependemos do clima para produzir, mas podemos investir
em tecnologia, seguir as recomendações técnicas e fazer
o nosso melhor, tentando minimizar os efeitos do clima”,
comenta.
Pensando em fazer um contrato de venda no mercado
futuro, para cobrir os custos
de produção, Volnei está
acompanhando o que acon-
na base, com micronutrientes, mais adubação foliar. “Seguindo a recomendação técnica, vou dar uma reforçada no
nitrogênio e no potássio, principalmente no enchimento de
grãos, para obter uma produção maior”, ressalta.
Produtor altamente tecnificado, Luiz colheu na safra passada 150 sacas por alqueire de média, chegando a 170
sacas em algumas áreas. “Nunca faço nada ‘meia boca’.
Para ter resultado, tem que caprichar. E, com as perspectivas de mercado, a gente tra- balha ainda mais animado”, sorri.
Silvio investiu na
compra de uma
semeadeira de 11 linhas:
“A cada ano, procuramos
melhorar sempre”
tece nos EUA, através da Cocamar, para decidir quando
comercializar. “Vamos trabalhar para ter o melhor resultado possível. E se o clima e
o mercado ajudar, perfeito”,
afirma. Na última safra suas
médias foram de 145 sacas
de soja e 255 sacas de milho
por alqueire.
“Nunca faço nada
‘meia boca’. Para ter
resultado, tem que
caprichar. E, com
as perspectivas de
mercado, a gente
trabalha ainda
mais animado”
LUIZ PIO LONARDONI,
de Rolândia
Pá g . 1 6 - J orna l de Se rv i ç o Coc a ma r - Se t e m b ro 2 0 1 3
família do campo
Os Vendramin cresceram
na região de Paranavaí
Marly Aires I Paranavaí - O
primeiro contato da família
Vendramin com Paranavaí
foi em 1950, quando Antonio,
um dos filhos do casal Vergílio e Izabel, passou por ali
com a finalidade de avaliar
as terras da região e atuar
como corretor para agricultores de Flórida Paulista (SP),
interessados em investir no
Paraná.
Um ano depois, o próprio
Antonio Vendramin (que faleceu em 1975) comprou os
primeiros 10 alqueires da família no Paraná, se estabelecendo com a esposa Luíza e
os filhos Antonio Plácido e
Vergílio Neto.
Seus irmãos, Paulo e Paschoal, acompanhados das
Lúcia e Ângela, vieram nos
anos seguintes (com a morte
de Lúcia, em 1965, Paulo se
casou com Maria Aparecida).
Junto vieram os filhos de
Paulo: Lúcio, João e Neide, e
de Paschoal: Luciano, José
Clair, Oswaldo e Hélio.
no Estado de São Paulo e
comprando 25 com café plantado em Alto Paraná.
MÁQUINA - Além de derrubar a mata e plantar café com
os irmãos, Antonio, um empreendedor nato, continuou a
atuar como corretor de imóveis e ainda montou em 1952
uma máquina para beneficiar café e arroz, vendida em
1956. Por isso, quando em
1955 a geada queimou o café
no toco, ano que faria a primeira colheita, a família conseguiu se manter sem grandes problemas.
CAFÉ - Em 1956 a família adquiriu a Fazenda Santa
Luíza, de 140 alqueires de
mata, que permaneceu intocada por um bom tempo. Só
em 1971, com o incentivo do
governo federal, é que foram
plantados 45 mil pés de café
em 15 alqueires. Na propriedade eles preservados 45 alqueires de mata nativa.
Em 1958 Antonio montou
uma serraria em Piracema,
distrito de Paranavaí, em sociedade com os primos Borin,
um ano depois, outra em
Guairaçá, com irmãos e primos. Na década de 1970, as
“O café sempre
foi nosso alicerce
serrarias foram transferidas
para o Mato Grosso do Sul.
LOTEAMENTO - Na década
de 1960 foram feitos vários
investimentos pela família,
que expandiu suas fronteiras: em 1961 foi adquirida a
Fazenda Bela Manhã, em
Guairaçá, em 1964 a Fazenda
Arara em Paranavaí e, entre
1967 e 1968, as fazendas Araraquara e Paraná, em Paranavaí. Também em 1960 eles
começaram um novo negócio, a Sociedade Comercial
Imobiliária Ibirapuera, para
Na Nova fronteira
loteamento de uma das fazendas. O bairro hoje é considerado central, o Jardim
Ibirapuera. A família chegou
a ter, também, uma fábrica
de colchões.
Em 1966 começaram os investimentos no Mato Grosso do Sul, terras
que foram vendidas na sequência para compra da Fazenda Iguaçu,
em Itaqueraí em 1968, e Fazenda Flor de Maio, em Naviraí, em 1970.
e a alavanca
das demais
atividades”
Antonio Plácido
Vendramin
Integrantes atuais da
família e, ao lado, Vergílio
e Izabel; em 1955, o
casal acompanhou os
filhos que haviam se
mudado para o Paraná
Antonio, com espírito
empreendedor, desenvolveu
vários negócios
Outra fazenda comprada em 1979, em Paranatinga, ficou na história.
Com mato para todo lado, a única forma de chegar era cruzando o Rio
Batovi, que tinha mais de 40 metros de largura. Para conhecer, os
Vendramin foram de bote, mas para transportar todo maquinário e
mudança, a família teve que construir uma balsa na barranca do rio.
p
Para completar a mudança,
os pais, Vergílio e Izabel e as
irmãs Amélia e Maria, só se
mudaram em 1955, vendendo 20 alqueires que tinham
Família investiu no café mas, com
visão de futuro, apostou também
em vários outros empreendimentos,
ao longo das décadas
Se t e m b ro 2 0 1 3 - J orna l de Se rv i ç o Coc a ma r - Pá g . 1 7
Do café à citricultura
No início, o principal negócio da família era café e madeira. “O café sempre foi nosso alicerce e a alavanca das demais atividades”, afirma Antonio Plácido Vendramin, filho de
Antonio. Tanto que em 1961 a família montou uma máquina de café, em sociedade com
amigos, que funcionou até 1968. A cultura foi erradicada em 1975.
O pasto no fundo da propriedade começou a ganhar destaque nos negócios da família a
partir de 1972. O gado misto do início foi todo transformado em Nelore, se tornando uma
atividade importante nas fazendas da família no Paraná e Mato Grosso do Sul. Mais tarde,
passaram a investir em cana de açúcar no Estado vizinho.
A citricultura foi outro marco na vida dos Vendramin.
Eles começaram a investir na atividade em 1986,
quando cederam sete alqueires para o Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) montar um campo experimental, antes da liberação do plantio comercial
da cultura no Paraná, em 1989. Com isso, participou ativamente dos movimentos em defesa da citricultura no Paraná. A
expansão dos plantios de laranja nas
fazendas só se deu a partir de 1991.
Conforme a cidade ia crescendo em direção à vala, os
prefeitos, neste período, iam
O Estádio Municipal Waldemiro Wagner
construindo a infraestrutura
necessária e aterrando, mas
por muito tempo os últimos
700 metros ficaram parados, de 1964 a 1992. “Era
uma terra de ninguém,
abandonada, era o buracão”,
diz. Hoje o local abriga o Es-
O “barulho” que deu certo
Em 1989 houve a divisão
da sociedade. Até então,
todos os núcleos da família
trabalhavam juntos. A sociedade acabou, mas todos continuaram uns ajudando aos
outros. Antigamente, entre
os anos de 1980 a 1990, as
festas de Natal, aniversário
e outras datas especiais juntavam mais de 80 pessoas
da família por quatro dias
ou mais.
“Era uma festança. Vinha
gente de todo lado e ficávamos vários dias juntos, na
chácara”, conta Marilza Vendramin, nora de Paulo.
O buracão que virou estádio
Uma semana depois de a
família chegar a Paranavaí,
em 1952, quando o município ainda era distrito de
Mandaguari, houve uma
tromba d’ água de quatro
horas de chuva pesada que
abriu uma vala enorme na
cidade. Com mais de 1.400
metros de extensão, ia desde onde hoje é o terminal rodoviário até o córrego Paranavaí. “Dava medo, e com
o tempo só foi aumentando
a profundidade”, conta Antonio Plácido Vendramin, ressaltando que o buraco era
tão grande que começou a
ser aterrado em 1953 e só
terminou em 1992.
Juntos e separados
tádio Municipal Waldemiro
Wagner. “O buraco foi aproveitado para fazer as arquibancadas, mesmo assim,
fala-se que foram jogados
mais de 15 mil caminhões
de terra no local”, comenta
Marilza Vendramin.
A construção do estádio é uma história à parte. A família sempre teve uma relação bem
estreita com a política e o esporte na cidade. Antonio Plácido Vendramin comenta que na
época havia o projeto para construção do estádio, mas nenhum prazo estabelecido e quando
se falava a respeito, a resposta era sempre: “estamos vendo”.
Para dar um “empurrãozinho” na obra, Antonio montou uma estratégia que deu certo.
Levou várias máquinas para preparo de solo da família até próximo ao buracão e ligou
para o jornalista de maior audiência na rádio, na época, Armando Trindade Fonseca e fez
um barulho dizendo que as obras no estádio estavam começando. Após conferir a presença
das máquinas no local, o jornalista ligou ao vivo para o prefeito Rubens Felippe dando o
fato como certo, ao que este não negou, dando início efetivamente à obra.
Dos cinco filhos de Vergílio
e Izabel foram gerados 36
netos, 67 bisnetos e 35 tataranetos, somando toda família mais de 250 pessoas.
O início
A saga da família no Brasil
tem início em 1889, quando
Giuseppe Vendramin veio
da Itália para o Brasil tentar
superar as dificuldades que
a família enfrentava. No navio conheceu Maria Borin,
com quem se casou mais
tarde, já que foram trabalhar em lavouras de café na
mesma cidade, em Itatiba
(SP). Dessa união nasceu
Vergílio.
250
é o número atual
de integrantes
da família
O “Bateau Mouche”
Jogar futebol e torcer para o Atlético Clube Paranavaí
está no sangue dos Vendramin. Vários integrantes jogaram nos campinhos nas fazendas, chegaram a formar time
e houve até alguns que atuaram como amadores.
Quando jovem, na época em que as partidas de futebol
eram a grande atração nas comunidades, Paulo Vendramin não só jogava, mas era o encarregado de passar com
o caminhão nas colônias para pegar o time que ia jogar
fora de casa e também alguns torcedores. Cada grupo
tinha o seu campinho e no final do jogo já combinava onde
seria o próximo.
Mantendo a tradição, a família comprou um ônibus, o
“Bateau Mouche”, onde juntava os amigos e viajava por
todo o Paraná acompanhando os jogos do time da cidade.
“Teve ano de rodarmos mais de 10 mil quilômetros. Era a
maior festa. Como resultado dessas viagens, deu até casamento”, conta Antonio Plácido Vendramin.
Pá g . 1 8 - J orna l de Se rv i ç o Coc a ma r - Se t e m b ro 2 0 1 3
oportunidade
Integração é tema de encontro
durante a Expo-Prudente
Evento foi organizado pela Cocamar e a
Universidade do Oeste Paulista (Unoeste);
para presidente da cooperativa, sistema
pode impulsionar a atividade agropecuária
Com a participação de cerca de 250 participantes, entre pecuaristas e produtores
do município e região, o
evento contou com a presença do presidente da cooperativa, Luiz Lourenço, e
dos especialistas Geraldo
Moreli, do Instituto Emater,
que falou sobre “Estratégias
de produção e comercialização de carne de novilho precoce”, e Sérgio José Alves,
do Instituto Agronômico do
Paraná (Iapar), que apresentou as vantagens da ILPF.
POTENCIAL - Reconhecido
como um dos principais defensores do sistema de integração no país, Lourenço
lembrou que, espalhados
por várias regiões do Brasil,
há cerca de 200 milhões de
hectares de pastos degradados que podem ser incorporados de forma sustentável à
produção de alimentos. Só o
noroeste do Paraná, o sul do
Mato Grosso do Sul e o oeste
paulista, onde está inserida
a região de Presidente Prudente, oferecem aproximadamente 7 milhões de hectares de pastagens nessa situação, com baixa produtividade. “Temos diante de nós
uma grande oportunidade
de virar o jogo”, enfatizou
Lourenço, explicando que a
Foto: Douglas Eduardo de Mattos
Da Redação - Durante a Expo-Prudente 2013, realizada
no início de setembro em
Presidente Prudente (SP), a
Cocamar promoveu em parceria com a Universidade do
Oeste Paulista (Unoeste), no
Recinto de Exposições Jacob
Tosello, um encontro sobre o
tema “Integração lavoura,
pecuária e floresta (ILPF)”.
Luiz Lourenço: “Temos
diante de nós uma
grande oportunidade
para virar o jogo”
integração prevê a reforma
dos pastos com o cultivo de
soja no verão, a partir do
plantio direto, mexendo o
mínimo no solo. “A soja vai
oferecer uma renda para financiar a pecuária”, disse.
Por esse modelo, a propriedade é revitalizada, uma vez
que, no outono seguinte, faz
o plantio de capim braquiária que, já no inverno, produzirá forragem em abundância para alimentar e engordar o gado, podendo-se
ampliar o número de cabe-
Sistema já conta com 42,6 mil
hectares atendidos pela cooperativa
O programa de integração lavoura, pecuária e floresta vem crescendo em
ritmo rápido, nos últimos anos, na região da Cocamar. Somente nos últimos
quatro anos, o montante de hectares atendidos pela cooperativa em sua região
e proximidades saltou de 9.337 hectares (ciclo 2010/11) para os atuais 42.669
hectares (programados para a safra 2013/14). Ou seja, foi ampliado em quase
cinco vezes, como resultado da adesão de um grande número de produtores
cujas propriedades estão localizadas em solos arenosos e eram destinadas exclusivamente à pecuária.
De acordo com o engenheiro agrônomo Rafael Franciscatti dos Reis, coordenador técnico de ILPF na Cocamar, o trabalho intenso de difusão desse modelo,
por parte da cooperativa, está conseguindo sensibilizar proprietários de áreas
degradadas, mostrando-lhes que quem investe nesse sistema, utilizando toda
a tecnologia preconizada e seguindo a orientação dos técnicos, reduz as possibilidades de insucesso em sua atividade.
ças por hectare. Fechando o
ciclo, a braquiária é dessecada na primavera para proteger o solo, o qual será
destinado novamente para o
cultivo de soja.
O presidente da Cocamar
disse que em Rancharia, a
70km de Presidente Prudente, a Fazenda Ybiete-Porã
é considerada uma das referências em ILPF no Brasil,
com uma pecuária altamente produtiva que se soma à
produção de soja, com exce-
lentes resultados. Ele destacou que a ILPF vem crescendo rapidamente, nos últimos anos, na região da Cocamar, e que há recursos a
custos subsidiados oferecidos pelo programa ABC
(Agricultura de Baixo Carbono) do governo federal.
A Cocamar atua desde meados deste ano com uma
unidade de atendimento em
Presidente Prudente, a primeira fora do Estado do Paraná.
Jornal de Serviço Cocamar
Se te mbro 2013 - Pág. 20
especial
ESTADOS UNIDOS
• Família é a base da agricultura do país
• Tudo bem organizado e altamente produtivo
• Máquinas ultramodernas invadem o campo
• Uma feira de tecnologias que lembra ficção científica
O Jornal Cocamar acompanhou um grupo organizado pela
cooperativa, composto por produtores, técnicos e convidados que,
no final de agosto, viajou ao Meio-Oeste dos Estados Unidos.
Lá, visitou propriedades, cooperativa, centro de pesquisa da
Monsanto e também a 60ª edição da Farm Progress Show,
uma das maiores feiras de tecnologias agrícolas do planeta
Se t e m b ro 2 0 1 3 - J orna l de Se rv i ç o Coc a m a r - Pá g . 2 1
Rogério Recco – Conhecer um pouco da agricultura
dos Estados Unidos vale cada centavo investido. Para
o produtor brasileiro, é uma aula de profissionalismo,
organização, tecnologias e produtividade.
Há vários anos consecutivos a Cocamar promove,
sempre no mês de agosto, uma incursão pelo MeioOeste daquele país, onde o grupo – geralmente formado de cooperados, técnicos e convidados – mantém
contato com produtores, cooperativas, unidades de
pesquisa e visita uma das feiras de tecnologias agrícolas mais importantes do mundo, a Farm Progress
Show.
Neste ano a viagem que ocorreu entre os dias 24 de
agosto a 2 de setembro, concentrou-se no estado de
Illinois, ao norte, o segundo mais importante produtor
de grãos do Meio-Oeste. A cada dois anos, a feira acontece em Decatur, cidade que reveza a realização anual
com Boone, no vizinho Iowa.
A família faz tudo sozinha
Depois da chegada a Chicago, a delegação da Cocamar
seguiu na manhã do dia 26
para o sul do estado de Illinois
onde, na região de Champaign, conheceu a propriedade da família Fischer. De
cara, a visita impressionou e
permitiu conhecer um pouco
da realidade dos agricultores
norte-americanos. Eles cultivam 600 hectares, sendo metade milho e metade soja usada em sistema de rotação.
Fischer citou que a maior
parte das lavouras teve que
ser plantada fora do prazo
recomendado, bem depois
de 15 de maio, a data limite,
por causa do excesso de
chuvas. "Ficamos totalmente
fora de época", acrescentou.
Ele disse que, devido a exiguidade de tempo, foi obrigado a acelerar o plantio,
completando-o em apenas
seis dias quando, em épocas
normais, gastaria 20.
Em sua explanação, o produtor comentou que apenas ele,
de 42 anos, e o pai, de 65, trabalham na gestão dos negócios e nas atividades nas
lavouras. Não há empregados
e também não se pode contar
com assistência técnica para
as máquinas, porque isto
custa muito caro.
Todos foram levados para
ver o barracão onde as
máquinas são guardadas
p
Jeff Fischer estava preocupado com a seca e o forte
calor em pleno período de enchimento de grãos, mas explicou que as lavouras são
inteiramente seguradas. O seguro cobre 85% da produtividade do milho e 50% da soja,
considerando a média dos 5
últimos anos de produtividade
normal (excluindo os anos
ruins, como 2012). Isto assegura que ele terá rentabilidade mesmo se não colher
um grão sequer.
Bem-estruturada, a primeira fazenda a receber
os brasileiros está situada nos arredores de
Champaing, a 222km de Chicago
Pá g . 2 2 - J orna l de Se rv i ç o Coc a m a r - Se t e m b ro 2 0 1 3
especial/estados unidos
Acima, Jeff Fischer (centro) com o produtor
Flávio Haruki Kobata e o agrônomo Antonio
Ramires, de Floresta, município próximo
a Maringá. Para Flávio, que foi campeão
de produtividade de soja na região de
Maringá em concurso promovido este ano
pela Cocamar, só a visita a essa propriedade
“valeu a viagem”. Ao lado, o barracão de
máquinas da fazenda, onde também é feita
a manutenção das mesmas: observe
a estrutura da construção e a limpeza.
Nas outras fotos, a confortável residência
e a estrutura de armazenamento.
Nos Estados Unidos, os produtores
residem em suas propriedades, sendo
que as próprias famílias cuidam de tudo
no empreendimento rural, pois não têm
empregados e nem mesmo podem contar
com mecânicos
p
e onde o próprio Jeff, sozinho, faz a manutenção
das mesmas. Chama atenção
a qualidade da construção, a
limpeza e, claro, o tamanho
dos tratores e colhedeiras.
Ao ser perguntado sobre os
híbridos de milho tolerantes à
seca, que passou a utilizar no
ano passado, Fischer respondeu: "Apesar de ter sido uma
safra muito castigada pelo
clima seco, a produtividade
desses materiais foi boa". Enquanto um híbrido não tole-
rante produziu determinada
quantidade, o outro rendeu
dez vezes mais – acrescentou.
Os Fischer são donos da propriedade há 42 anos, onde
também produzem sementes
de milho.
O produtor salientou que, habitualmente, vende 50 por
cento de sua produção antecipadamente, mas este não vendeu nada ainda, porque as
cotações vinham abaixo das
do ano passado.
Se t e m b ro 2 0 1 3 - J orna l de Se rv i ç o Coc a m a r - Pá g . 2 3
p
CONFINAMENTO - Na Wood
and Woos Farm, o grupo da
Cocamar foi recebido pelos
proprietários Rony e Louis
Wood. A fazenda opera o
maior confinamento de gado
do estado de Illinois, sendo
mais de 1.800 cabeças
anualmente. Eles também
cultivam 405 hectares
de milho e soja. O milho
colhido é mantido para
alimentar o gado.
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TURISMO RURAL – Entre uma visita técnica e outra,
os integrantes da comitiva fizeram uma parada, para
almoço e descanso, na Hardy´s Reindeer Farm, uma
pequena e agradável propriedade da região de Champaing,
cujos proprietários lançaram mão da criatividade e
investiram, como principal marca, nas próprias tradições
do Velho Oeste norte-americano. O restaurante mais se
parecia com um saloon e ali foi servido um prato típico:
feijão acridoce com purê de batatas, carne bovina e um
bolo de milho, acompanhado de chá gelado. Como
sobremesa, torta de maçã. Os visitantes foram
surpreendidos por uma criação de renas, trazidas do
Alasca – que, com sua enorme galhada à cabeça, são
animais dóceis, para serem alimentados à mão.
Construções antigas, como a de um posto de combustíveis,
também chamaram a atenção, mas os visitantes se
divertiram também ao presenciar o lançamento de
abóboras a longa distância, disparadas por um canhão
de ar comprimido. Com tudo isso, a propriedade é um
sucesso, recebendo turistas de várias partes dos Estados
Unidos e também do exterior. Nos finais do ano,
o faturamento fica por conta da venda de árvores
de Natal, cultivadas ali.
Se t e m b ro 2 0 1 3 - J orna l de Se rv i ç o Coc a ma r - Pá g . 2 5
GORDON - Em visita a mais
uma fazenda, a Bernie Gordon
Centennial, que é produtora
de sementes de milho e se
estende por 810 hectares, a
delegação observou
maquinários de alta tecnologia.
O produtor disse que, não raro,
consegue média superior a
400 sacas de milho por
alqueire. De uma família que
é dona das terras há mais de
um século, ele minimizou os
efeitos da seca sobre as
culturas de milho e soja,
dizendo que “poderá ter
alguma perda sim”
Perdas nas lavouras variam
Em visita na manhã de 27
de agosto à cooperativa Topt
Light Grain Cooperative, em
Seymour, o grupo da Cocamar
soube que a previsão é de
safra sem muitos danos no
milho, mas bastante prejudicada na soja. A Topt Light possui 1,2 mil cooperados com
área média de 1 mil hectares.
Em safras normais, a entidade recebe cerca de 12 milhões de sacas de milho e soja.
A expectativa é de que a
média de produtividade fique
em 95 sacas por alqueire. Em
condições normais, seriam ao
menos 160 sacas por alqueire.
Para o milho, são esperadas
362 sacas por alqueire, em
média. O panorama varia bastante de uma região para
outra e, quanto ao milho,
havia otimismo.
Sobre a expectativa de produtividade dos agricultores,
a cooperativa tinha acabado
de fazer um minucioso levantamento, verificando 100
propriedades de sua área de
atuação. Em algumas dessas
propriedades, há quem aposte ainda em conseguir a
média de 448 sacas de milho
por alqueire. No ano passado, os produtores da Topt
Light fecharam um dos piores anos da história com 307
362
sacas por alqueire.
Presente no grupo, o presidente do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Florindo
Dalberto, avalia que os produtores estão em meio a muitas
incertezas. "De qualquer forma, os números são muito
ruins", cita. Já o pesquisador
Sérgio José Alves, da mesma
instituição, avalia que há danos irreversíveis. Para o professor Antonio Luiz Fancelli,
da Esalq/USP, que atua como
consultor de produtividade da
Cocamar, os produtores norteamericanos demonstram que
ainda continuam muito dependentes do clima.
sacas de milho por alqueire
é a expectativa de produtividade
p
Atuando apenas na recepção, padronização e comercia-
lização de soja e milho, a cooperativa destina parte do milho recebido para uma planta
de etanol da qual seus associados são proprietários.
Pá g . 2 6 - J orna l de Se rv i ç o Coc a m a r - Se t e m b ro 2 0 1 3
especial/estados unidos
DANOS - Participando
da viagem, o presidente
do Iapar, Florindo Dalberto,
ressaltou que “os números
da safra americana são
muito ruins” e, na foto ao
lado, o pesquisador da
mesma instituição, Sérgio
José Alves (ao lado do
coordenador comercial
de pecuária da Cocamar,
Clóvis Aparecido
Domingues), avaliou que
há perdas irreversíveis
tanto no milho quanto
na soja
Solos do Meio-Oeste estão perdendo nutrientes
A afirmação feita no dia 28
pelo consultor brasileiro Amilcar Centeno, durante palestra
em Champaign, de que os produtores norte-americanos do
Meio-Oeste não estão fazendo
a reposição adequada de nutrientes no solo, surpreendeu
o grupo da Cocamar. Com
mais de 30 anos de experiência, Centeno já atuou em importantes companhias do setor, entre as quais a John
Deere, e colabora com o site
Notícias Agrícolas.
Para o professor Cássio Tormena, especialista em solos
do departamento de Agronomia da Universidade Estadual
de Maringá (UEM), que integrou a comitiva, isto é uma realidade, apesar de muitos não
se darem conta. Segundo Tormena, enquanto os produtores
brasileiros estão construindo
a fertilidade dos solos em suas
propriedades, a situação é um
pouco diferente em relação a
seus colegas norte-americanos. Além disso, ele citou que
nas extensas planícies do
Meio-Oeste, o solo precisa ser
drenado para eliminar o excesso de água, mas a superfície é rica em matéria orgânica
(entre 5 e 6 por cento) - com
cerca de um metro de espessura - e há bom nível de ferti-
lidade natural. De acordo com
o professor, o agricultor norteamericano pode estar esgotando gradativamente a fertilidade do solo em alguns nutrientes, mas lembrou que, de
qualquer forma, eles contam
com fertilidade natural e alta
capacidade de retenção de
água. No Brasil, de maneira
geral os solos agricultáveis
são naturalmente mais pobres, com modestos teores de
matéria orgânica.
CONTAMINAÇÃO - Entretanto, como o lençol freático é
próximo da superfície, os produtores do Meio-Oeste enfrentam um dilema: a lixiviação de
nutrientes, fator que somado
à necessidade de drenagem
quando ocorre encharcamento, impacta fortemente nos
rios, contaminando-os.
Centeno comentou em sua
palestra que os níveis de fósforo e potássio estão caindo, o
que obriga os agricultores a
investirem cada vez mais em
fertilizantes, mas sem conseguir recuperar fertilidade. O
efeito disso, conforme mencionou Centeno, é que 47 por
cento dos rios apresentam excesso de fósforo e 53 por cento
uma quantidade além da conta de nitrogênio.
PLANTIO CONVENCIONAL Outra informação citada por
Centeno que, segundo Tormena, merece destaque, é
que só 10 por cento dos agricultores norte-americanos
fazem plantio direto e os restantes 90 por cento, convencional. Isto porque a janela
para o plantio é curta e ocorre logo após o inverno. A
exemplo do que aconteceu
neste ano, os produtores de
diversas regiões tiveram
que revolver o solo a superfície para aquecê-lo e conseguir plantar. A uma temperatura inferior a 10 graus
centígrados, as sementes
não germinam.
Detalhe da
palestra em
Champaign e,
ao lado, o prof.
Cássio Tormena,
da UEM, que
participou
da viagem
BRASIL X EUA
Se t e m b ro 2 0 1 3 - J orna l de Se rv i ç o Coc a ma r - Pá g . 2 7
Amilcar Centeno apresentou algumas informações e comparativos ao grupo da Cocamar que revelam
o crescimento da importância do Brasil frente aos EUA e no agronegócio mundial:
• O saldo da balança comercial do Brasil é
maior que o dos Estados Unidos. De 2006 a
2010, nós crescemos 123 por cento em exportações, enquanto os EUA, só 92 por cento;
• O Brasil cultiva 69 milhões de hectares e os
EUA, 165 milhões. O valor da produção do agronegócio brasileiro é de US$ 122 bilhões e, do
pais norte-americano, US$ 352 bilhões;
• O agronegócio brasileiro é bem menos dependente que o dos EUA. Importa só US$ 11 bilhões,
em média, contra US$ 102 bilhões do outro país;
• O Cerrado brasileiro é maior que todo o MeioOeste dos Estados Unidos. O Cerrado está para
a alimentação do mundo, no século 21, o que o
Meio-Oeste foi no século 20, segundo a FAO;
• O Meio-Oeste é composto por 12 estados e responde por 90 por cento de todo o milho produzido nos Estados Unidos. São 35 milhões de
hectares e uma produção ao redor de 300 milhões de toneladas. De 1965 a 2010, os EUA ampliaram a produtividade de milho de 4 para 8
toneladas por hectare;
• No Brasil, são 27 milhões de hectares cultivados com milhões uma produção de cerca de
72 milhões de toneladas;
p
• A China é o país que mais subsidia a agricultura em todo o mundo: são US$ 147 bilhões por
ano, seguida de União Europeia (US$ 101bi),
EUA (US$ 25,5 bilhões), Rússia (US$ 15,5) e
Brasil (US$ 7,1).
Tudo organizado e seguro
No Meio-Oeste dos EUA, os agricultores
moram nas propriedades, onde geralmente
vivem em uma confortável residência, cercada
por ajardinamento, barracão para oficina e
guarda de tratores, silos e galpão. É tudo bem
organizado, com a grama bem aparada, flores
e a pintura das instalações renovada constantemente.
Nas propriedades, observa-se que não há preocupação alguma com a segurança. Tudo é
aberto, sem portões ou cercas. A despreocupação é tamanha que, não raro, as famílias garantem nunca trancar as portas das casas.
Correspondências e encomendas são deixadas
nas entradas das fazendas. Ficam ali até que o
morador venha recolher. Ninguém mexe.
Nos períodos de muito frio, quando é preciso
ir à cidade fazer compras, os produtores deixam os veículos ligados, nos estacionamentos,
para manter o aquecimento funcionando.
As máquinas são muito grandes, possantes e
sofisticadas, para que os fazendeiros consigam
executar rapidamente os serviços. Como muitos
deles são idosos e não têm auxiliares, compram
tratores já atrelados a equipamentos, para que
não precisem fazer força.
As estradas rurais são pavimentadas e os pátios das fazendas, quase sempre, estão com
uma grossa camada de concreto.
Os fazendeiros têm a cultura de fazerem seguro de tudo.
É comum não usarem fungicida na cultura da
soja. Da mesma forma, não fazem plantio direto, pois, quase sempre, no início do plantio, o
solo está muito frio ou até mesmo congelado.
Eles reviram o solo para aquecê-lo sob a exposição ao sol.
Os norte-americanos produzem apenas uma
safra no ano, enquanto os brasileiros dos Estados do Centro-Oeste e do Sul, colhem duas.
Pá g . 2 8 - J orna l de Se rv i ç o Coc a m a r - Se t e m b ro 2 0 1 3
especial/estados unidos
Na Monsanto,
brasileiros veem
avanços na
cultura do milho
Formado em agronomia pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queirós (Esalq), o piracicabano Walter
Trevisan trabalha há 42 anos na Monsanto. Foi ele
quem recepcionou na manhã do dia 29 em Dekalb, região de Chicago, o grupo da Cocamar.
Amigo pessoal do prof. Antônio Luiz Fancelli, que integra a delegação, Trevisan trabalha com resistência à
seca de milho na África. Ele informou que a Monsanto
possui 25 estações de melhoramento nos EUA, que
atuam desde 1930. Atualmente, em suas unidades, a
empresa faz uma avaliação prévia dos híbridos antes
de plantar, descartando as que apresentam algum tipo
de problema. "Com as novas tecnologias, o progresso
nessa área vai muito rápido daqui para a frente", afirmou o especialista. O problema, segundo ele, é que isto
poderá acabar com a grande variabilidade do milho pelo
mundo. Prevenida, a Monsanto já possui, de acordo
com Trevisan, mais de 25 mil variedades guardadas
em seus laboratórios.
PRODUTIVIDADE - Os visitantes ficaram impressionados quando Trevisan afirmou que a meta para 2030 é
chegar a uma produtividade média de 18 toneladas por
hectare nos Estados Unidos. Sobre os híbridos de milho
resistentes a seca, ele disse que tais materiais proporcionam "uma tranquilidade adicional de pelo menos dez
dias" em comparação aos híbridos convencionais. Esse
período, acrescenta, pode fazer uma grande diferença
na produtividade. "O resultado aparece melhor em regiões mais secas", disse.
A partir da esquerda:
Florindo Dalberto,
presidente do Iapar,
Cássio Tormena, prof.
da UEM, Walter Trevisan,
especialista da Monsanto,
Antonio Luiz Fancelli,
prof. da Esalq/USP e
consultor da Cocamar,
Arquimedes Alexandrino,
superintendente de
Operações da Cocamar,
e Sérgio José Alves,
especialista do Iapar,
em visita ao centro de
pesquisa da Monsanto,
em Dekalb, com detalhe
na foto abaixo
EVOLUÇÃO - Mesmo os híbridos não resistentes já
estão bem evoluídos no país, de acordo com o especialista. O ano de 2012 serviu de exemplo: mesmo com
a pior seca em 50 anos, em que a agricultura ficou
exposta há mais de 40 dias sem chuvas e sob temperaturas muito altas, a produtividade média das lavouras de milho foi de 340 sacas por alqueire. Não raro,
houve quem conseguiu colher ao redor de 500 sacas
por alqueire.
Sobre o Brasil, ele disse que também têm havido
muitos progressos. A grande preocupação é com a
África, onde a produtividade, de apenas uma tonelada
de milho por hectare, vem diminuindo. "Temos lá um
grande horizonte a desenvolver", finalizou.
Os integrantes da comitiva conversaram também,
na Monsanto, com a brasileira Ana Paula Dias, especialista em patologia, que os acompanhou em visita
a campos demonstrativos.
Se t e m b ro 2 0 1 3 - J orna l de Se rv i ç o Coc a ma r - Pá g . 2 9
A visita à 60ª
Farm Progress Show
Em um dos pontos culminantes da viagem, cooperados, técnicos e convidados da
Cocamar se depararam durante a 60ª edição da Farm
Progress Show, realizada de
27 a 29 de agosto em Ducatur, com uma constatação: a
agricultura está ganhando
ares de ficção científica.
MÁQUINAS - Os visitantes
se sentiram atraídos, principalmente, pelo tamanho das
máquinas, diferentes do que
existe no Brasil. Entre as curiosidades, um distribuidor
de adubo líquido, tratores
com rodados de esteira, articulados com esteira de borracha, plantadeira articulada só para semente, plataforma de milho para facilitar
o transporte e muita outras.
VARIEDADE - O evento exibiu todo o potencial da alta
tecnologia na área de sementes, fertilizantes, agroquímicos, irrigação, maquinários
agrícolas, estruturas e construções rurais, carros, caminhões e produtos diversos.
Entre os expositores, desde
as principais empresa multinacionais de insumos e maquinários até pequenas companhias regionais com suas
inovações e produtos.
PRECISÃO - Dentre os estandes mais apreciados pelos
brasileiros, o grande destaque ficou mesmo por conta
das máquinas agrícolas,
principalmente pelo porte e
tecnologia. Os produtores conheceram os mais potentes e
modernos tratores, pulverizadores e colhedeiras, com
porte muito superior aos encontrados no Brasil. Outros
equipamentos e sistemas que
despertaram gran-de interesse foram os de agricultura
de precisão, amplamente utilizados pelos americanos, os
quais garantem um trato
ideal no manejo de fertilizantes e um plantio com grande
uniformidade.
Na área de sementes e biotecnologia, todas as grandes
multinacionais do setor, como Monsanto, Bayer, Pioneer
e Syngenta estavam representadas, com estandes apresentando o que possuem de
mais avançado em cultivares
de milho e soja principalmente, além de suas biotecnologias utilizadas no controle de pragas, doenças e resistência a herbicidas e a seca.
“A gente tem uma ideia de
como eles estão avançados e
também do quanto precisamos evoluir”, comentou Gerson Bortoli, cooperado em
Umuarama. Diferente dos
agricultores do Meio-Oeste
norte-americano, que cultivam solo extremamente fértil, Bortoli aprendeu a dominar a superfície arenosa e,
no último ano, foi campeão
de produtividade de soja em
sua região.
“Foi importante ver o que
futuramente vai chegar ao
Brasil”, afirmou Juliano Varaschini, produtor do município de Ivatuba, perto de Maringá. Para Nazareno Maróstica, de Doutor Camargo, a realidade entre os dois países é
muito diferente, mas disse
ser preciso ir ver como os
norte-americanos trabalham
para extrair o máximo de lições e tentar acompanhar.
“Com suas tecnologias modernas, eles procuram ser
cada vez mais competitivos”, afirmou.
p
A área de estandes da feira
ocupa 12 hectares e outros
360 hectares para demonstração de máquinas em ação.
Durante os três dias, mais de
100 mil pessoas passaram
por ali, oriundas de 40 países, com destaque para brasileiros e argentinos. A feira
é a maior do agronegócio dos
Estados Unidos da América
(EUA) e uma das mais importantes do gênero, no
mundo. São 715 expositores,
entre eles as maiores multinacionais do setor.
Um total de 63 integrantes, entre cooperados, técnicos e
convidados, compôs a delegação da Cocamar que, anualmente,
promove viagem técnica aos Estados Unidos. Na foto, a
chegada a Decatur, que sedia a cada dois anos a feira –
uma das mais importantes em tecnologias para o
agronegócio em todo o mundo. Em 2014, evento será
em Boone, no estado de Iowa
Pá g . 3 0 - J orna l de Se rv i ç o Coc a ma r - Se t e m b ro 2 0 1 3
especial/estados unidos
p
César Formighieri,
agropecuarista
de
Umuarama, lamentou que o
Brasil demore a incorporar
as tecnologias que vão sendo
di- fundidas nos Estados Unidos, porque elas chegam
muito caro no Brasil.
Participantes
falam sobre
o que mais
gostaram
Cooperados que viajaram
pela primeira vez aos Estados Unidos, voltaram bastante impressionados com o
que viram. Juliano Varaschini, de Ivatuba, disse que
a ida à Farm Progress Show
permitiu ter uma ideia dos
produtos e novas tecnologias
que futuramente estarão
chegando ao Brasil. Conhecer a Bolsa de Chicago - a
meca da comercialização de
soja e milho no mundo, culturas com as quais trabalha
- "foi também uma experiência muito boa", que atendeu
suas expectativas.
FARM - A maior parte dos
integrantes do grupo era de
Umuarama e entre eles estava o agropecuarista Gérson Bórtoli, que viajou em
companhia da esposa Neli e
do filho Hugo. De acordo com
Bórtoli, que esteve nos EUA
pela segunda vez (a primeira
foi no ano passado), o ponto
alto da excursão foi a visita
à Farm Progress Show. "A
gente teve a oportunidade de
ver o que há de mais avançado em tecnologia para o
agronegócio no mundo", frisou. No roteiro pelo Illinois,
ele disse ter observado que,
com relação à produtividade
de soja, o Brasil não está
muito atrás, diferente do que
se vê quando o assunto é o
milho.
INTERCÂMBIO - Vinícius
Su-rek, campeão de produtividade de soja na região de
Londrina, afirmou que a via-
Se t e m b ro 2 0 1 3 - J orna l de Se rv i ç o Coc a ma r - Pá g . 3 1
gem foi "um aprendizado em
todos os sentidos". Nos Estados Unidos pela primeira vez,
ele disse esperar ter a oportunidade de fazer mais intercâmbios assim, que o ajudam
a "ampliar horizontes".
O coordenador técnico de culturas anuais da Cocamar,
agrônomo Emerson Nunes, e
o agrônomo Renato Watanabe, da Unidade Maringá, estiveram entre os colaboradores
que participaram do grupo.
Pelo segundo ano consecutivo
nos Estados Unidos, Nunes
lembra que desta vez, mesmo
com a seca de mais de 40 dias
e o calor forte que encontraram, as lavouras estão bem
melhores que as observadas
no ano passado.
Já Watanabe citou que uma
das características do produtor norte-americano é ser um
profissional bem esclarecido,
que busca estar informado
sobre tudo o que se relaciona
ao seu meio. Outra, é ter uma
autonomia muito grande, sendo que os próprios produtores
fazem a manutenção de suas
máquinas, uma vez que custa
caro contratar esse serviço. É
uma regra, também, morarem em suas propriedades e
executarem todos os serviços,
pois não há empregados. Por
fim, costumam acompanhar
atentamente tudo o que se
passa na agricultura brasileira, em especial no CentroOeste. E recebem pelos seus
produtos um valor praticamente igual ao da Bolsa de
Chicago - sem as variações de
distância do porto, comoves
vê no Brasil.
p
LEITE E TURISMO RURAL O gerente estadual do Instituto Emater, Diniz Dias Doliveira, que é agrônomo há 32
anos, foi um dos convidados
da Cocamar a compor o grupo
na viagem aos Estados Unidos. De acordo com Doliveira,
uma das propriedades visitadas que o impressionou foi a
especializada em produção de
leite na região de Chicago. Ali
são obtidos cerca de 24 mil litros por dia, com aproveitamento racional da alimentação, para uma média ao
redor de 30 litros/ dia
por cabeça.
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especial/estados unidos
p
Ele disse ter gostado
bastante, também, da
fazenda de apenas 30 hectares situada nos arredores
de Champaign que sobrevive principalmente do turismo rural. Conforme o gerente
estadual do Instituto Emater,
os proprietários são bem sucedidos nessa proposta, viabilizando um negócio rentável.
DESTAQUE - Doliveira destacou também o curioso silo
aberto da cooperativa Topt
Light Grain, onde o milho é
despejado e fica ali coberto,
por algum tempo. Isto também chamou a atenção dos integrantes do grupo, que fizeram muitas perguntas sobre
o seu funcionamento. A explicação é que o cereal ali guardado passa por um sistema
de aeração e a retirada de
todo o ar, não sofrendo perdas
mesmo sendo guardado assim, em espaço tão rústico e
simples.
Utilitários e até um Camaro conversível fizeram parte das
atrações da Farm Progress Show que, tradicionalmente,
expõe máquinas antigas, mostrando a trajetória de
desenvolvimento das tecnologias. A primeira feira
com essa configuração foi realizada em 1953
SHOW RURAL - Resguardadas as proporções, Doliveira
comparou a Farm Progress
Show à realização do Show
Rural em Cascavel (PR), que
considera de alta qualidade.
"Na Farm, é de encher os
olhos a quantidade de atrações em tecnologias e a impecável organização geral, mas
em Cascavel temos também
uma mostra de excelência
para o agronegócio brasileiro
e internacional", completou.
Jornal de Serviço Cocamar
Se te mbro 2013 - Pág. 33
almanaque
EM FLORAÍ -
Recentemente na cidade, onde
anunciou obras, o governador Beto Richa foi
presenteado com uma caixa de suco de laranja
“Purity” pelo prefeito Fausto Eduardo Herradon,
o vice-prefeito Maurílio Marangoni e a presidente
da Câmara Municipal, Edna Contin. Floraí mantém
uma atividade agropecuária diversificada, produzindo
soja, milho, pomares de laranja e cana-de-açúcar,
entre outras culturas. Ao receber o presente,
o governador disse que “Purity” é o suco preferido
de sua família. Na foto, à esquerda, o gerente de
produção da unidade local da cooperativa,
Claudinei Donizete Marcondes.
EM SÃO JORGE DO IVAÍ -
O cooperado Fábio
Deganutti (o segundo na foto, a partir da esquerda)
comemorou o final da safra de milho, em sua
propriedade, no último dia 14, com um churrasco
ao fogo de chão. Na foto, ao seu lado, o presidente
da Cocamar, Luiz Lourenço, o diretor-secretário
Divanir Higino da Silva e o gerente da unidade
local da cooperativa, Cleber Lúcio Davi Vilar.
(Colaboração: Lourenço Gonçalves)
GRATIDÃO – No dia 14 de setembro,
a coordenadora do núcleo feminino de Maringá,
Maria Rufato, organizou em parceria com a
Unidade Maringá um jantar comemorativo
reunindo integrantes e convidados. A finalidade
foi agradecer o empenho de cada participante
nas conquistas das metas que haviam sido
estabelecidas para o primeiro semestre.
Pá g . 3 4 - J orna l de Se rv i ç o Coc a m a r - Se t e m b ro 2 0 1 3
receita
Um
irresistível
bolo verde
de laranja
Quando os netos chegam de surpresa ou aquela visita não programada, a produtora Maria do
Rocio Vendramin, esposa do cooperado José Clair Vendramin, de
Paranavaí, não se aperta: premia
a todos com uma receita que é
certeza de sucesso. “O preparo é
muito fácil”, afirma Maria, que
ensina a fazer.
INGREDIENTES
• 4 ovos
• 1 caixa de mistura para bolo de
laranja
• 1 gelatina de limão
Reaproveitar e transformar,
o passatempo de seu Geraldo
Acostumado a trabalhar desde muito cedo, o produtor Geraldo Firmano,
83 anos, de Alvorada do Sul, não se acostumou a ficar parado depois de
aposentar-se. Ele conta que desde os 15 dias de vida a mãe o levava com
ela para a roça. Ficava numa bacia, debaixo de um pé de café.
Sempre gostou de inventar coisas, aproveitando peças velhas. Com discos
de plantadeiras, produz machadinhas e, utilizando facões velhos de cortar
cana, traçador ou mola de porta de enrolar, faz facas de todo tipo e tamanho, objetos que comercializa.
• 1 copo de iogurte natural
• 1 copo (medida do iogurte) de óleo
• 1 colher (sopa) de fermento em pó
COBERTURA:
• 1 lata de leite condensado
• Caldo de três limões Taiti
PREPARO
Bata todos os ingredientes no liquidificador até obter uma massa homogênea. Coloque em forma untada
e enfarinhada e leve parta assar.
Desenforne. Misture bem os ingredientes da cobertura e passe sobre
o bolo depois de frio.
Recentemente seu Geraldo
plantou dois pés de cabaça
no sítio. Com os frutos maduros, “crescidos em meio
à quiçaça”, como ele diz,
conseguiu obter cabaças
com os formatos mais estranhos, que transformou
em moringas ou em objetos
de arte.
Produtor aposentado,
que não consegue
ficar parado
correção do solo
Se t e m b ro 2 0 1 3 - J orna l de Se rv i ç o Coc a ma r - Pá g . 3 5
Cooperado pode pagar calcário em três anos na Cocamar
Objetivo é reforçar o investimento na produtividade
da lavoura, em busca do melhor resultado
Corrigir corretamente o solo é medida básica e indispensável para que
o produtor invista, a custo baixo, no
aumento da produtividade da cultura
de verão que, mais uma vez, promete
ser remuneradora. Com uma nova redução da safra norte-americana, o
mercado continua firme.
Assim, para que os produtores cooperados possam investir na correção
do solo em suas propriedades e, com
isso, oferecer condições básicas para
incrementar a produtividade das lavouras, a Cocamar está financiando a
aquisição de calcário com plano de pagamento em três anos.
IMPRESCINDÍVEL - Campanhas como essas são promovidas todos os
anos pela cooperativa, uma vez que
os solos de sua região, predominantemente ácidos, exigem que os produtores não descuidem da correção. "O
calcário é um corretivo imprescindível", afirma o engenheiro agrônomo
Emerson Nunes, coordenador técnico
de culturas anuais. Sua deficiência
nortox
pode impedir que as variedades de
grãos, por exemplo, desenvolvam
todo o seu potencial produtivo. Segundo ele, entre outros benefícios, a
calagem promove a correção do pH do
solo e a neutralização dos teores de
alumínio, melhorando o aproveitamento dos nutrientes do solo e da adubação com NPK. Além disso, fornece
cálcio e magnésio às plantas, favorecendo a distribuição do sistema radicular em profundidade, assegurando
melhor resistência aos veranicos.
CUIDADOS - O coordenador comercial
de Insumos, Geraldo Amarildo Ganaza, lembra que a correção com calcário é um investimento indispensável
mas que exige atenção por parte do
agricultor no sentido de que o solo receba a dosagem certa, nem a menos
e nem a mais. Para isso, ele não pode
deixar de fazer uma amostragem do
solo, enviando-a para laboratórios confiáveis. "Vale a pena buscar a orientação de um agrônomo ou técnico da
Cocamar para fazer bem feito", cita Ganaza, enfatizando que o produtor está
Corretivo é insumo indispensável, segundo o agrônomo Emerson
Nunes, coordenador técnico de culturas anuais, da cooperativa
diante de um momento especial na
agricultura e vale a pena investir para
produzir mais. "Os cooperados têm investido em tecnologias e bons materiais para produzirem bem e uma
correta calagem traz reflexos imediatos na produtividade", afirma. O coordenador insiste que os produtores
atentem para a correção, que pode ser
feita sem correria após a colheita do
milho, preocupando-se em adquirir
um calcário de qualidade. E acres-
centa: "Investir no aumento da produtividade, aos preços praticados atualmente, vale qualquer esforço.
PROVIDÊNCIAS - A orientação dele é
que os cooperados tomem providências imediatamente e procurem suas
unidades operacionais para fazer a
aquisição de calcário, "aproveitando
um plano de financiamento concedido
pela Cocamar e que oferece condições
vantajosas", finaliza.
Tecnologias avançadas à disposição da agricultura moderna
Os desafios atuais e futuros da
agricultura estão basicamente voltados a criar métodos avançados e
eficientes para o aumento da produção de alimentos e energia renovável, sem esgotar os recursos
naturais. Este desafio também faz
parte da missão da Nortox, empresa brasileira de 59 anos que, há
três, iniciou a diversificação das
suas atividades com a inclusão da
Linha de Nutrição Vegetal. Hoje, a
Nortox é uma empresa de Proteção
de Plantas e Produção Vegetal.
Originalmente, as culturas possuem um potencial genético de
produção. Quanto mais adversidades ocorrem - sejam fatores bióticos ou abióticos - mais haverá
distanciamento entre a produtividade final e o potencial genético
de produção da cultura.
Entre as vantagens em se utilizar o Portfólio Nortox de Nutrição
Vegetal está a de propiciar à
planta condições ideais para que
ela se desenvolva normalmente
em todo o seu ciclo, fazendo com
que suporte melhor os períodos de
estresse, diminuindo a distância
entre a produtividade final e o potencial produtivo genético.
A Linha da Nortox Nutrição Vegetal é composta por Bioativadores
e Indutores de Resistência, Complexos Nutricionais, Adjuvantes e
Equalizadores de Caldas, totali-
zando 25 itens no portfólio. São
produtos com a assinatura Nortox
de qualidade e confiança. Conheça
alguns desses produtos:
BIOATIVADORES
• Nobrico Star - (Maior vigor e
arranque inicial da cultura)
• Aminolom Foliar 24% - (Fonte
de energia adicional para a
planta)
COMPLEXOS NUTRICIONAIS
• Manganês Full NTX - (Manganês concentrado, com adição de
enxofre, mais aditivo especial,
compatível com glifosato)
• Complex Bagual NTX -(Complexo nutricional balanceado com
manganês, zinco, boro, cobre, enxofre, mais aditivo especial, compatível com glifosato
• Nitrofix NTX - (Fonte de N, com
alto poder de adesividade, melhor
retenção e absorção da calda
sobre a folha, proporcionando
uma cobertura uniforme por toda
a planta)
• Protac NTX - (Manganês, enxofre e zinco com alto poder para
equalizar caldas)
• Potássio Full NTX - (Melhor
qualidade do produto final e
maior peso de frutos)
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categoria
Cocamar conta com mais de 100 agrônomos
Profissionais trabalham em serviços a
campo e na gestão, oferecendo suporte para
que a cooperativa dissemine, constantemente,
novidades tecnológicas para o
aprimoramento da agricultura regional
Cleber França I Maringá - No
dia 12 de outro é comemorado o Dia do Engenheiro
Agrônomo, profissional que
atua em diferentes áreas do
agronegócio, não apenas na
orientação aos produtores,
mas também na geração de
tecnologias.
Mais de uma centena deles
prestam serviços à cooperativa, compreendendo atividades de campo e gestão. “Eles
são responsáveis por levar
as informações mais atuais
aos cooperados, permitindo a
estes tomar as melhores decisões para a rentabilidade
de seus negócios. Em suma,
são a linha de frente, fundamentais para fortalecer o relacionamento da cooperativa
junto aos produtores, contribuindo para o avanço tecnológico do campo”, comenta o
gerente de produção agrícola
da Cocamar, Leandro Cezar
Teixeira.
Segundo ele, com o trabalho de seus agrônomos, a
São a linha de frente, fundamentais
para fortalecer o relacionamento da
cooperativa junto aos produtores,
contribuindo para o avanço
tecnológico do campo”
LEANDRO CEZAR TEIXEIRA, gerente de
Produção Agrícola da Cocamar
cooperativa tem trazido muitas inovações à agricultura
regional, como a implantação, na década de 90, da cafeicultura em sistema adensado, o cultivo de canola, o
desenvolvimento da integração lavoura-pecuária, o cultivo mecanizado de café, o
consórcio milho e braquiária, a agricultura de precisão, enfim. “Por outro lado,
trabalha-se no aumento da
produtividade das lavouras,
na constante introdução de
novidades para que os produtores se mantenham competitivos em seus negócios,
outras alternativas de explo-
ração econômica“, acrescenta
Teixeira.
UNICAMPO - Além de sua
equipe própria, a Cocamar
mantém uma parceria de
mais de 20 anos com a Cooperativa de Trabalho dos
Profissionais de Agronomia,
a Unicampo. Ao todo, 43 profissionais, entre engenheiros
e técnicos, reforçam o atendimento aos cooperados. De
acordo com o gerente administrativo da Unicampo, José
Willame da Silva, a cooperativa atua em todo o território
nacional e possui clientes na
região do Mercosul. Seu qua-
Rafael Herrig Furlaneto, 28 anos, é graduado
pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e,
em 2008, ingressou como trainee na cooperativa
Corol, em Rolândia. “Assim que a Cocamar arrendou
entrepostos daquela cooperativa, para oferecer apoio
aos cooperados, passei a fazer parte de sua equipe.
Logo depois fui transferido para a Unidade Maringá,
onde estou até hoje. Sou muito feliz trabalhando aqui,
uma cooperativa sólida e que garante todo o suporte
para o colaborador crescer profissionalmente.
“Ser engenheiro agrônomo é o que eu sempre quis,
uma profissão gratificante, pois a gente trabalha
com a produção de alimentos”
Além de orientar
o produtor nas
diferentes fases de
sua lavoura, agrônomo
leva informações e
novidades que o
mantêm competitivo
em seus negócios
dro conta com 1,5 mil profissionais ativos, em média,
prestando serviços para empresas agroquímicas, instituições financeiras, seguradoras, revendas, órgãos
públicos, produtores rurais
entre outros
43
profissionais
da Unicampo
reforçam a equipe
de agrônomos
da cooperativa
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