A Educação para os Meios e uso das tecnologias em uma aprendizagem voltada à
realidade social: avaliação de um projeto de Educomunicação
Aline Nunes Silva, Mestre em Educação pela UFPR
Professora do Curso de Comunicação Social da FAO (Faculdades Opet)
alinenuness@gmail.com
RESUMO
Pesquisa que avalia um projeto de Educação para os Meios desenvolvido na Escola Estadual
Professora Maria Lopes de Paula, em Almirante Tamandaré. Buscou-se compreender como o
projeto, desenvolvido pela ONG Ciranda, colaborou no desenvolvimento do pensamento crítico
e da cidadania dos adolescentes participantes, bem como em um melhor entendimento da
tecnologia e linguagem presentes nos materiais audiovisuais. Para tanto, criou-se dois tipos de
atividades (individuais e coletivas) a serem aplicadas, em dias diferentes, em dois grupos: um de
participantes do projeto e outro de controle. O trabalho foi fundamentado teoricamente nos
Estudos de Recepção e na Educomunicação. Os indivíduos do projeto foram capazes de
decodificar mensagens audiovisuais, de usar a linguagem para propor materiais próprios com
objetivos bem definidos. Demonstraram também conhecimento da tecnologia presente nos
meios audiovisuais. Já o grupo de controle demonstrou superficialidade nas interpretações e
dificuldades nas proposições audiovisuais próprias. Conclui-se que o projeto permitiu aos
estudantes uma experiência comunicativa e educativa singulares, promovendo o pensamento
crítico, o protagonismo social, o uso autônomo e o trabalho criador a partir da linguagem
audiovisual.
Palavras-chave: Educação para os Meios. Linguagem audiovisual. Tecnologia. Aprendizagem.
ABSTRACT
Research that values a project in Education for the Media (EM) developed in Escola Estadual
Maria Lopes de Paula, in the city of Almirante Tamandaré. It’s intent was to understand how
the project, developed by NGO Ciranda, colabored to developed the critical thinking and the
citizenship in the teens that joined the project. The empirical research was developed based in
two activities: individual and grupal. The activities were applied in different days in two groups:
one formed with people that join the project and a control group. The results of the activities
provided more elements to a differentiation between the groups. The individuals in the project
were capable of decoding audiovisual messages, of using language to propose their own
materials, with clear aims. The control group, on the other hand, produced superficial
interpretations and had shown some difficulties in presenting their own audiovisual
propositions. Finally, this EM project promoted the access, the critical sense, the social action
on, the autonomous use of, and the creative work in audiovisual language.
Keywords: Education for the Media. Audiovisual language. Tecnology. Apprenticeship.
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1 INTRODUÇÃO
As tecnologias trazidas pelos meios de comunicação de massa fazem parte da rotina do
homem da Sociedade da Informação. Foi esta presença que alterou os “modos
contemporâneos de ver e sentir” (CITELLI, 2001, p.19). As mudanças nos sujeitos
transformaram as relações sociais, como relatam os autores Toffler (1997), Masuda (1980),
Domenico de Masi (1999), Castells (1999) e Mattelart (1998).
As instituições sociais se modelam ao novo contexto, entre elas a escola. Os estudantes
não são mais os mesmos e não esperam receber dos professores as informações que precisam
para conviver no mundo. Por isso, autores como Ferrés (1996) e Citelli (2001) afirmam que a
escola está em descompasso com a realidade, precisando evoluir no seu papel social.
Os estudantes são bombardeados por turbilhões de informações que chegam a partir de
diferentes plataformas tecnológicas. Por outro lado, recebem na escola conteúdos que não
costumam dialogar com a realidade. Informações, conceitos, mensagens que acabam soltos,
esperando por sentidos, significações. A escola poderia ser o espaço para a costura destas
mensagens.
Esta pesquisa situa-se neste contexto. Busca compreender como é possível trazer a
tecnologia para dentro do espaço escolar de maneira a torná-la significativa para os sujeitos e
resignificar também o aprender formal.
Para tanto, estudar-se-á o caso da Escola Estadual Professora Maria Lopes de Paula,
situada em uma área pobre e violenta de Almirante Tamandaré. Um grupo de alunos da
instituição participou do projeto Luz, Câmera... Paz! promovido pela ONG Ciranda que
oferecia aos participantes o contato com a tecnologia e a linguagem audiovisual a partir de
atividades de Educação para os Meios. O objetivo era, a partir deste contato diferenciado
(receptores de informações passaram a ser produtores), promover uma relação consciente com
os MCM e com a tecnologia para desenvolver o senso crítico e os conceitos cidadãos nos
participantes.
Este artigo tem por objetivo compreender como o trabalho de Educação para os Meios,
desenvolvido pela ONG Ciranda, colaborou no desenvolvimento do pensamento crítico e da
cidadania dos adolescentes participantes, bem como em um melhor entendimento da
tecnologia e linguagem presentes nos materiais audiovisuais.
1.2 METODOLOGIA
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Selecionou-se duas amostras de estudantes: um grupo formado por alunos que
participaram do projeto Luz (Grupo A) e um grupo de controle formado por alunos da mesma
idade e séries, mas que não participaram das atividades da ONG (Grupo B). Os dois grupos
participaram de dois tipos de instrumentos de pesquisa: atividades individuais e coletiva.
Ambas tiveram como base a assistência de um videodocumentário.
No total, 20 alunos da escola haviam participado do projeto. Cinco participaram da
pesquisa (a escolha foi acessibilidade). Igual número de estudantes não participantes foi
selecionado. As atividades dos grupos foram realizadas em dias diferentes, para que não
houvesse influência entre os grupos, o que poderia influenciar nos dados da pesquisa. No
entanto, no dia e hora marcados para a atividade do grupo B, apenas quatro estudantes
compareceram. A atividade foi realizada mesmo assim.
Ambos os grupos assistiram ao videodocumentário “Falcão - Meninos do Tráfico” (com
o objetivo de dinamizar a atividade, o vídeo foi editado e reduzido para 38 minutos pela
pesquisadora). O vídeo foi produzido pelo rapper Mv Bill, pelo empresário dele, Celso
Athayde, e pelo centro de audivisual Central Única das Favelas. Retrata a vida de
adolescentes e jovens de favelas brasileiras que trabalham para o tráfico de drogas. O material
foi escolhido por conta da proximidade com a realidade dos estudantes, bem como pela
relação de conteúdo com o projeto Luz, que trabalhou a violência e a cultura de paz como
plano de fundo para o trabalho com a linguagem audiovisual.
1.2.1 ATIVIDADE INDIVIDUAL
Depois da apresentação do vídeo cada estudante (dos dois grupos) recebeu uma
atividade escrita para responder individualmente: a) Escreva com suas palavras como você
percebeu o documentário “Falcão, meninos do tráfico”; b) Como o documentário apresenta a
vida dos meninos e meninas que se envolvem com o tráfico? O objetivo foi perceber a
capacidade dos estudantes em observar de que forma a linguagem audiovisual foi trabalhada
para passar ao receptor determinadas informações, sensações, opiniões e contextualizações da
realidade.
1.2.2
ATIVIDADE EM GRUPO
Em um segundo momento os estudantes foram reunidos em grupo para refletir e
responder os questionamentos: se vocês tivessem a oportunidade de fazer um documentário
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sobre a sua comunidade, seu bairro e a vida das pessoas que moram nele, como seria? Quais
imagens você mostraria? Quem entrevistaria? Que papel este documentário teria na sua vida,
na vida das pessoas que moram no seu bairro e na vida de quem assistisse? Os alunos foram
orientados sobre a possibilidade de usar outras linguagens na resposta, como desenhos,
pinturas, poemas. O objetivo foi perceber as comparações e os paralelos produzidos pelos
estudantes entre o que assistiram e a realidade a que pertencem, bem como avaliar de que
maneira os sujeitos conseguem organizar as idéias e planejar o uso da tecnologia e linguagem
audiovisuais para passar mensagens de transformação a partir do protagonismo social.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
A pesquisa baseou-se nos referenciais de Educomunicação e Estudos de Recepção,
para compreender a tecnologia, a escola e comunicação a partir de novos lugares.
2.1 O PAPEL SOCIAL DA TECNOLOGIA
As ferramentas usadas pelos homens ajudam a reconhecer os povos e as sociedades.
No passado, comunidades mais ligadas à agricultura desenvolveram arados. Outras
dependentes do comércio usavam, por exemplo, balanças para pesar produtos. Vermelho
(2002, p.38) percebe que as ferramentas criadas pelos homens mudam a percepção da
realidade, “nossa capacidade de perceber o mundo e de (re) construí-lo cotidianamente
provém, em grande medida, dos artefatos que construímos para ampliar nossas capacidades e
habilidades”.
Hoje as capacidades e habilidades humanas são ampliadas por tecnologias que ajudam
a definir a sociedade atual, já que são artefatos totalmente diferentes dos usados por outras
sociedades: “os/as humanos/as sempre tiveram associações íntimas com os dispositivos e
tecnologias que eles/as construíram, mas nunca, antes com tecnologias que operam à
velocidade das novas tecnologias da comunicação” (GREEN, BIGUM, 1995, p. 230). É
interessante destacar que tais instrumentos são importantes por servir como ferramenta para "a
geração de conhecimentos e dispositivos de processamento/comunicação da informação, em
um ciclo de realimentação cumulativo entre a inovação e seu uso" (CASTELLS, 1999, p. 69).
Tais tecnologias são igualmente determinantes para a definição da realidade, uma vez
que as transformações são resultado de uma “interação entre a tecnologia e a sociedade”
(CASTELLS, 1999, p.91). Por isso, hoje a comunicação é diferente, criam-se identidades por
meio de um novo processo, assim como se inventa uma outra forma de viver coletivamente.
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Para o sociólogo Lévy (1990, p.18), as tecnologias da informação não são apenas
instrumentos, “são fontes importantes do imaginário, entidades que participam plenamente na
instituição de mundos percebidos”.
Se as tecnologias não são apenas instrumentos e sim entidades, é preciso dar a elas sua
devida importância. “A incidência cada vez mais forte das realidades técnico- económicas
sobre todos os aspectos da vida social, mas também as subtis transformações que se operam
na esfera intelectual, obrigam-nos a reconhecer a tecnologia como um dos principais temas
filosóficos e políticos do nosso tempo" (LÉVY,1990, p.9). Ainda para o sociólogo, a
sociedade transforma-se com o uso das novas tecnologias, "uma informática cada vez mais
aperfeiçoada apropria-se da escrita, da leitura, da visão, da audição, do pensamento e da
aprendizagem" (LÉVY, 1990, p.9).
Para Green e Bigum (1995), as novas tecnologias não só transformam a sociedade,
como modificam a forma com que as pessoas percebem a realidade e a maneira com que se
relacionam com as novas tecnologias. Ao mesmo tempo as próprias pessoas são modificadas
pelas tecnologias, já que elas colaboram na percepção e visão de mundo das pessoas (LÉVY,
1990).
Grande parte dos adolescentes e crianças de hoje relacionam-se de maneira natural
com tecnologias proporcionadas pela televisão, pelos computadores, pela internet. Ao mesmo
tempo, os adultos construíram-se como pessoas a partir do uso de outras tecnologias, como o
papel, a caneta, a escrita, a leitura, o quadro negro.
Crianças e adultos e suas construções de identidade mediadas por um ou outro tipo de
tecnologia convivem. Em casa, na escola, na rua. No entanto, nem sempre estas diferenças são
levadas em conta. Se em outros tempos as pessoas eram preparadas para conviver, trabalhar e
usar as tecnologias disponíveis (escrita, leitura no papel) hoje isso nem sempre acontece nas
escolas. Não é freqüente observar escolas preocupadas em ensinar os estudantes a “ler” a
televisão, a “selecionar” as informações da internet, a “pesquisar” e a construir conhecimentos
a partir das tecnologias existentes atualmente, que ultrapassam o papel e a linearidade.
2.2 EDUCOMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO PARA OS MEIOS
Esta é justamente uma das preocupações dos estudiosos de Educomunicação. Eles
procuram compreender como a escola pode participar e auxiliar na significação das
mensagens dos meios de comunicação de massa, acessíveis por meio de diferentes tipos de
tecnologia.
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Uma das vertentes da Educomunicação se ocupa justamente de como a educação pode
ajudar a preparar os sujeitos para uma convivência sadia e interessante com as tecnologias da
informação.
Estes teóricos entendem a educação à maneira de Freire: “não é possível fazer uma
reflexão sobre o que é a educação sem refletir sobre o próprio homem” (1999, p. 27). Se a
educação é o que forma o homem enquanto ser humano, a escola é um mecanismo promotor
da cidadania dentro da sociedade. Neste sentido, a escola deve estar em sintonia com seu
tempo histórico e promover a transformação social a partir da compreensão da realidade
(FREIRE, 1999).
A compreensão da comunicação caminha no mesmo sentido: a partir dos sujeitos e
consequentemente a partir de um novo lugar: a recepção. “A recepção não é uma simples
etapa da comunicação, mas constitui um novo lugar a partir do qual devemos repensá-la. [...]
a recepção pode ser vista como um ponto de reencontro da sociedade latino-americana com os
meios, através de novas mediações” (BARBERO, 1991, p. 5). A recepção é busca do sujeito,
do cotidiano do qual ele faz parte e da cultura em que está inserido. A recepção passa de etapa
final de um processo a lugar, a um espaço de reflexão sobre a comunicação e a sociedade.
A Educação para os Meios busca, portanto, criar experiências educativas que formem
receptores críticos e autônomos frente aos meios (SOARES, 1999, p. 27). Tais experiências
podem ser desenvolvidas a partir da família, da escola, do bairro, dos grupos de pertencimento
e também na escola. O objetivo da EM é tornar o receptor exigente e agente de crítica e de
transformação dos produtos culturais oferecidos a ele. É a partir da mudança no receptor que
se opera a mudança nas demais fases e nos demais participantes da comunicação (OROZCO,
1992, 1993, 1997).
3 ANÁLISE DOS RESULTADOS
O Grupo A apresentou respostas mais completas para as duas questões propostas nas
atividades individuais. Os estudantes descreveram todos os aspectos que observaram no
vídeo, demonstrando capacidade em decodificar com competência as mensagens e
demonstraram compreensão do material.
Os estudantes também observaram aspectos com relação ao “trabalho” no tráfico. A
carga horária puxada, o horário noturno, o risco de morrer, a exposição ao perigo e os salários
baixos. Os sujeitos pesquisados concluem que estes fatores são consequências da falta de
políticas públicas que gerem perspectivas de futuro para estes meninos. Outra observação
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feita por eles foi sobre a desestruturação familiar sofrida por aqueles jovens. A falta do pai ou
o pai agressivo leva ao abandono desses meninos e de suas mães. Para sustentá-las, eles fazem
qualquer negócio, incluindo matar e morrer. A falta de estrutura familiar é um assunto tratado
pelo documentário de forma indireta, o que demonstra capacidade por parte dos estudantes de
compreensão da linguagem audiovisual, inclusive daquilo que está presente nas entrelinhas do
discurso.
Os integrantes do Grupo A demonstram preocupação com as conseqüências da
banalização do crime nas comunidades pobres. Os adolescentes entenderam o quanto que
matar, traficar e subornar policiais se tornou rotineiro naquelas comunidades e mostraram o
perigo que é criar seres humanos em ambientes assim.
Os integrantes do Grupo B, também demonstraram entendimento do documentário
apresentado, porém com outro nível de interpretação. Eles se limitaram a escrever sobre o
problema do tráfico de drogas. Destaca-se que estes estudantes procuraram e apontaram
responsáveis pelo problema: as autoridades não estão fazendo seu papel ao abandonar estas
comunidades. Eles observam que a falta de oportunidades, a falta de estudos, de trabalho,
ocasionam conseqüências graves. O único caminho para muitos jovens acaba se tornando o
tráfico de drogas e a morte chega mais cedo para eles também.
Na atividade coletiva, as diferenças entre os grupos ficaram mais claras. Os estudantes
do grupo A apresentaram a proposta com um desenho e em forma de texto. Deixaram claro
que não retratariam apenas aspectos negativos da comunidade. Um dos elementos positivos
destacado por eles foi a união entre as pessoas para resolver os problemas existentes. Os
problemas também seriam abordados, porém não receberiam toda a atenção. Nota-se o
conhecimento dos alunos sobre a comunidade. Eles demonstraram conhecer a linguagem
audiovisual pela forma com que organizaram a resposta, pela preocupação que tiveram em
apontar as imagens e as entrevistas que fariam.
Já o Grupo B revelou não ter tanta intimidade com a linguagem audiovisual e não
saber ao certo a mensagem que gostaria de passar e de que forma iria fazê-lo. Esta falta de
preparo tem conseqüências diretas no cotidiano destes estudantes, em sua relação diária com
os MCM. Vermelho (2003, p. 110) afirma que assim como as máquinas impõem um modo de
ser trabalhador, os meios de comunicação impõem, por sua vez, um modo de ser cidadão.
Porém, muitos destes cidadãos não estão sendo preparados para um contato crítico. E
cidadania pressupõe consciência.
O grupo A mostrou-se mais à vontade com a linguagem, tive percepções e
interpretações mais profundas sobre as mensagens presentes no documentário. Quando foram
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incentivados a propor um material para retratar a própria comunidade, foram organizados,
desenvolveram objetivos claros e indicaram ter domínio sobre o como usar a linguagem
audiovisual para passar mensagens a outras pessoas. Os estudantes deixaram claro que o
objetivo principal do material seria passar a mensagem de que “você pode mudar o mundo, a
sociedade que vive a partir de você”. Além do domínio da linguagem, eles demonstraram
compreender também a finalidade da comunicação e da educação, que é incentivar as pessoas
a serem protagonistas da transformação da própria história e da própria sociedade.
Segundo Ferrés (1998, p. 132), as escolas trabalham fortemente com a linguagem
verbal, que processa as informações de maneira linear. A linguagem audiovisual processa em
paralelo e mexe com às emoções, por causa dos elementos visuais e sonoros. É uma forma
diferenciada de expressão e de processamento de informações, que não é tão fortemente
trabalhada nas escolas. As atividades propostas e analisadas neste item apontam
desigualdades entre alunos que mantiveram contato e aprenderam sobre esta linguagem e
alunos que não mantiveram.
O resultado da análise aponta para uma grande diferença entre estes dois grupos quanto
ao domínio e facilidade que têm para interpretar, compreender e criar a partir e com a
linguagem audiovisual.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O trabalho de EM ajudou a desenvolver no Grupo A uma atitude mais autônoma,
crítica, democrática e preocupada em encontrar e solucionar os problemas comunitários. A
linguagem audiovisual e os meios de comunicação são para eles instrumentos de
transformação social, a partir da ação de mostrar as dificuldades e propor soluções.
Após a intervenção de Educação para os Meios os sujeitos participantes do projeto
apropriaram-se da linguagem audiovisual a partir de uma experiência comunicativa e
educativa. O projeto de EM trabalha no sentido do que propõe Freire (1999), que considera a
educação como um instrumento de transformação social e de incentivo às pessoas na
compreensão da comunidade em que vivem. A linguagem e tecnologia audiovisuais foram
trabalhadas enquanto uma forma de transmitir mensagens para as pessoas e envolvê-las nas
mudanças sociais. Os alunos foram “alfabetizados” em uma linguagem muito presente na vida
da Sociedade da Informação. A EM promoveu aos sujeitos o acesso, o pensamento crítico, o
protagonismo social, o uso autônomo e o trabalho criador sobre a linguagem audiovisual, a
realidade e os meios de comunicação, principalmente a televisão.
9
O estudo contribui para a avaliação dos projetos de Educação para os Meios que são
desenvolvidos em algumas escolas por ONGs, universidades e pesquisadores autônomos.
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