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Revista Locus Científico
A Revista Locus Científico é uma publicação da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos
Inovadores (ANPROTEC). Seu escopo de ação engloba a divulgação de artigos técnicos inéditos, avaliados por um
renomado Conselho Editorial.
EXPEDIENTE
ESTRUTURA DA PUBLICAÇÃO
A revista é composta de textos e artigos de divulgação da cultura do empreendedorismo inovador e
artigos inéditos referendados por revisores "ad-hoc".
MISSÃO
Publicar informações relevantes, artigos técnicos
originais e trabalhos de revisão na área do
Empreendedorismo Inovador.
EDITOR
Josealdo Tonholo (ANPROTEC/UFAL)
COORDENAÇÃO EXECUTIVA
Márcio Caetano (MTB 4964/14/95/DF)
DIAGRAMAÇÃO
Consenso Editora Gráfica (48) 3028 2924
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5.000 exemplares
IMPRESSÃO
Gráfica Brasil - Uberlândia
CONSELHO EDITORIAL
Afrânio Craveiro (PADETEC)
Carlos Eduardo Negrão Bizzotto (FURB)
Cláudio Furtado Soares (UFV)
Conceição Vedovello (FAPESP)
Desirée M. Zouain (IPEN)
Esteban Cassin (Univ. de San Martín, Argentina)
Fernando Dolabela (Fundação Dom Cabral)
Guilherme Ary Plonski - (ANPROTEC/USP)
Jorge Audy (PUC/RS)
José Carlos Assis Dornelas (EMPREENDE)
Josemar Xavier de Medeiros (UnB)
Luís Afonso Bermúdez (UnB)
Maria Alice Lahorgue (UFRGS)
Norman de Paula Arruda Filho (FGV/PR)
Paulo Alvim (SEBRAE)
Renato de Aquino Faria Nunes (UNIFEI)
Roberto Sbragia (USP)
ANPROTEC
DIRETORIA:
Guilherme Ary Plonski – Presidente - USP
Gisa Bassalo – UFPA
Francilene Procópio Garcia – UFCG
Josealdo Tonholo – UFAL
Paulo Roberto de Castro Gonzalez – CIENTEC
Silvestre Labiak Junior – UFTPR
Sheila Oliveira Pires – Superintendente executiva
CONSELHO CONSULTIVO
Fernando Kreutz (Diretor da FK Biotecnologia)
José Eduardo Fiates (ex-presidente da ANPROTEC, Diretor da Fundação Certi)
Luís Afonso Bermúdez (ex-presidente da ANPROTEC, Diretor do CDT/UNB)
Marco Antônio Raupp (Presidente da SBPC)
Maurício Pereira Guedes (ex-presidente da ANPROTEC, COPPE/UFRJ)
Newton Lima Neto (Prefeito de São Carlos e ex-reitor da UFSCar)
Rafael Lucchesi (Diretor de Operações da CNI)
EQUIPE TÉCNICA ANPROTEC
Coordenação Unidade Administrativa e Financeira - Francisca Silva Aguiar
Coordenação Unidade Comunicação e Marketing- Márcio Caetano Setúbal
Coordenação Unidade Atendimento ao Associado - Kátia Sitta Fortini
Coordenação Unidade Projetos - Rutiléia Azevedo de Jesus
Locus Científico - Uma revista ANPROTEC
Editor: [email protected]
ISSN - 1981-6790 - versão impressa
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(300 dpi/grayscale) com extensão tif/jpg, para atender ao padrão
da revista. As fotografias deverão ser preferencialmente em preto e
branco. Os autores devem ponderar sobre a efetiva necessidade de
anexar fotografias, considerando a possível sazonalidade das imagens e dos casos registrados.
Para figuras, gráficos, esquemas, tabelas, etc, idênticos aos já
publicados anteriormente na literatura, os autores devem providenciar a permissão para publicação junto à empresa/sociedade científica que detenha o copyright e enviar à editoria da Locus junto com
a versão final do manuscrito.
As referências serão nominadas entre colchetes ( [SOBRENOME,
ANO] ou [SOBRENOME e OUTRO-SOBRENOME, ANO] ou [SOBRENOME et al., ANO] ) e a lista de referências será colocada no final do
texto, em ordem alfabética por sobrenome de autor. As legendas
das figuras devem ser colocadas em folha à parte, separadas das
figuras. A seguir, devem ser colocadas as figuras, os gráficos, os
esquemas, as tabelas e os quadros. No texto, apenas indicar a inserção de cada um(a).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A lista de referências completas, por ordem alfabética de sobrenome do autor, com apenas a inicial do nome, deve vir ao final do
texto. Sua apresentação deve pautar-se, sempre que possível, nos
modelos apresentados a seguir:
SOBRENOME, N.; OUTROSOBRENOME, N2; TERCEIROSOBRENOME, N3; Título: subtítulo. Cidade: Editora, ano. (Coleção tal)
SOBRENOME, N. Título do capítulo. In: SOBRENOME, N. Título
do livro. Cidade: Editora, ano. p.
SOBRENOME, N. Título da obra. Editora, ano. Título do capítulo. p.
SOBRENOME, N. Título do artigo. Nome do Periódico, Cidade, v.
, n. , p. , mês abreviado ano.
SOBRENOME, N.. Título: subtítulo. Cidade, ano. Disponível em:
<http://www.endereco_eletronico_completo.com.br>. Acessado
em: Dia Mês Ano.
Recomendamos fortemente que os proponentes:
1- verifiquem exaustivamente a conexão entre a referência citada e o texto em que é inserida [todas as referências citadas
devem estar explicitas no texto, entre colchetes];
2- avaliem a qualidade da referência e sua efetiva vinculação
com o conteúdo a ser referenciado;
3- baseiem-se nos últimos textos publicados pela revista para
dirimir dúvidas quanto às referências bibliográficas.
pequenas alterações nos manuscritos, de modo a adequá-los às normas da revista ou tornar seu estilo mais claro, respeitando, naturalmente, o conteúdo do trabalho.
Qualquer que seja a natureza do manuscrito submetido, ele deve
ser original quanto à metodologia, informação, interpretação ou
crítica.
A qualificação do trabalho será atestada por no mínimo dois
consultores “ad hoc”, de reconhecida atuação nas áreas, indicados
pela Editoria.
Manuscritos aprovados e enviados aos autores para revisão devem retornar à editoria dentro de prazo máximo de dois meses ou
serão considerados retirados da pauta da publicação.
RESENHAS DE LIVROS
Autores de livros que desejem ver a resenha de seu livro publicada na Locus Científico, devem enviar uma cópia do livro aos cuidados do editor, no endereço da ANPROTEC. O editor definirá um
relator para providenciar a resenha do livro que poderá ser publicado no caso de ser considerado documento relevante ao Movimento
de Empreendedorismo Inovador. Somente serão considerados livros
que tenham responsabilidade editorial e ISBN.
COPYRIGHT
Ao submeter o artigo, o autor concorda automaticamente com
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intelectual dos autores. Ao receber o aceite, o autor de contato providenciará a assinatura do documento de anuência e autorização
de publicação (enviado pelo editor).
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exemplares, estes serão cobrados do solicitante ao custo de R$ 10,00
(dez reais) cada, para lotes de 50 revistas. Há possibilidade de preparação de separatas especiais, com capa idêntica à da revista e o
artigo completo, com ônus para o solicitante, sob consulta.
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Os manuscritos devem ser enviados à editoria do Locus Científico, através do email [email protected], ou em mídia digital
para a ANPROTEC.
Devem ser acompanhados de carta indicando:
a) modalidade do artigo (artigo original, revisão ou educação);
b) a área de interesse (CEI, PIT, DLS ou HIS);
c) o e-mail do autor principal, para correspondência.
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LOCUS
ISSN -1981-6790 - versão impressa
LOCUS
CIENTÍFICO
ISSN -1981-6804 - versão digital
CIENTÍFICO
SUMÁRIO
EDITORIAL
Josealdo Tonholo ...........................................................................................................................................................
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ARTIGOS ORIGINAIS E DE OPINIÃO
INSTRUÇÕES PARA AUTORES
Cultura do Empreendedorismo e Inovação (CEI)
A Revista Locus Científico é uma publicação da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores
(ANPROTEC). Seu escopo de ação engloba a divulgação de artigos
técnicos inéditos, avaliados por um renomado Conselho Editorial.
ESTRUTURA DA PUBLICAÇÃO
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MISSÃO
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EDITOR
Josealdo Tonholo (ANPROTEC/UFAL)
CONSELHO EDITORIAL
• Afrânio Craveiro (PADETEC)
• Carlos Eduardo Negrão Bizzotto (FURB)
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OBJETIVO E POLÍTICA EDITORIAL
Serão considerados para publicação na Locus Científico artigos
técnicos ou revisões, preferencialmente escritos em português, abordando temas relacionados ao Empreendedorismo Inovador, dentro
de um dos temas a seguir:
a) Cultura do Empreendedorismo e Inovação (CEI);
b) Promoção de Empreendimentos Orientados para o Uso Intensivo de Tecnologias (PIT);
c) Promoção de Empreendimentos Orientados para o Desenvol-
vimento Local e Setorial (DLS);
d) Habitats de Inovação Sustentáveis (HIS).
Artigos Originais: referem-se aos trabalhos inéditos de opinião
ou pesquisa (não podem ter sido publicados em revistas nem anais
de congressos ou similares, exceto quando houver convite do
editor). Devem seguir a forma usual de apresentação, contendo introdução, desenvolvimento, considerações, conclusões, referências
bibliográficas, etc.
Artigos de Revisão: são destinados à apresentação do progresso, contendo uma visão crítica, com o objetivo principal de beneficiar clientela formada por especialistas da área. O editor da Locus
poderá, eventualmente, convidar pesquisadores qualificados para
submeter artigo de revisão.
Artigos sobre Educação: refere-se a trabalhos de pesquisas relacionadas ao ensino de empreendedorismo e/ou de experiências
inovadoras no ensino nos níveis infantil, fundamental, médio, graduação e pós-graduação.
PREPARAÇÃO DE MANUSCRITOS
Todos os trabalhos deverão ser enviados pela forma digital, aos
cuidados do editor da Locus Científico, através do e-mail
[email protected]. Recomendamos que os autores observem
atentamente os últimos artigos publicados, para verificar aderência
ao conteúdo e formato solicitado.
O texto deve ser digitado em ARIAL 12 página A4, com espaço
duplo, utilizando somente Microsoft Word®. Deverão ter no máximo 25 páginas (no formato acima), incluindo figuras, tabelas, esquemas, etc. Todas as páginas devem ser numeradas, bem como as
de figuras, tabelas, gráficos, esquemas, etc.
A primeira página deverá conter o título do trabalho, nome,
instituição, emails e endereços dos autores. Havendo autores com
diferentes endereços estes deverão se seguir imediatamente ao nome
de cada autor. Os autores devem ser agrupados por endereço. Indicar com asterisco(*) o autor para correspondência, responsável pelo
artigo, anotando seu e-mail no rodapé desta página (um só e-mail).
A segunda página deverá conter o título e o resumo do trabalho em inglês e português (Abstract), com no máximo 200 palavras
cada, além da indicação de três palavras-chave em português e também em inglês (Keywords).
As figuras (gráficos, esquemas, etc.) deverão ter qualidade gráfica adequada (usar somente fundo branco). Caso os arquivos de
texto e imagens sejam grandes a ponto de inviabilizar o envio pela
Internet, deve ser enviado um CD, com conteúdo completo do trabalho (ressaltamos que o tempo de trânsito postal pode implicar
em maior demora no processo editorial).
As figuras devem ser enviadas em arquivo eletrônico separado
do texto (a imagem aplicada no processador de texto não significa
que o original está copiado) e digitalizadas em alta resolução com
A cultura da criatividade e sua dinâmica reflexiva nos empreendimentos inovadores
The culture of creativity and its dynamics of Reflexivity in innovative business
Robert Menezes ..................................................................................................................................................
Design para quem usa Design
Design for who use Design
Ligia Aparecida Inhan Matos ..............................................................................................................................
95
103-109
Uso Intensivo de Tecnologia (PIT)
Panorama das Empresas Privadas de Biotecnologia do Estado de Pernambuco 2007
Panorama of biotechnology industries in Pernambuco State – Brazil, 2007
Emanoel Sérvio Coqueiro dos Santos, Paulo Paes de Andrade ........................................................................
110-120
EDITORIAL
Caros Colegas,
Com alegria avaliamos o grande feito de chegarmos ao final do segundo volume da revista Locus
Científico, com o lançamento do quarto número. Neste ano de 2008 a revista avançou, com publicação de
três artigos por número, sempre referendados por pelo menos dois assessores ad-hoc. O alto índice de
retorno dos artigos, seja para pequena adequação, seja reestruturação completa, é um indicativo do esmero dos assessores com a qualidade dos trabalhos que são publicados. Se por um lado a qualidade dos
trabalhos está garantida, cabe a nossa comunidade exercer com mais vivacidade o papel de divulgador do
conhecimento gerado, submetendo mais e melhores trabalhos para a revista - o que de fato aconteceu
neste ano. Considerando a possibilidade de qualificar a revista através do sistema Qualis da CAPES, temos
pela frente um enorme desafio: garantir o aumento do número de trabalhos e a adoção do Sistema de
Editoração Eletrônico de Revistas-SEER. A segunda parte depende da ANPROTEC, que já está se qualificando
para implantar o SEER, que deverá melhorar significativamente o fluxo documental da revista. A primeira
parte depende exclusivamente de você – leitor altamente qualificado – que certamente trará sua contribuição para os próximos números.
Como estamos em final de ano, ascendem-se as esperanças e expectativas por coisas boas, inclusive no
nosso movimento, que aguarda ansiosamente o desenrolar do programa PRIME da FINEP. Esperamos que
até o primeiro semestre as empresas inovadoras já estejam operando esta linha de fomento na plenitude,
trazendo à tona para a sociedade brasileira o que de melhor existe em criatividade, gerando inovação. Que
venha o novo ano, pois nossas portas estão sempre abertas!
Josealdo Tonholo
Editor
[email protected]
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ARTIGO CIENTÍFICO
CULTURA DO EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO (CEI)
LOCUS
ISSN -1981-6790 - versão impressa
CIENTÍFICO
ISSN -1981-6804 - versão digital
LOCUS
A cultura da criatividade e sua dinâmica reflexiva nos
empreendimentos inovadores
ISSN -1981-6790 - versão impressa
The culture of creativity and its dynamics of Reflexivity in innovative
business
Robert Menezes
CIENTÍFICO
ISSN -1981-6804 - versão digital
AGRADEMIMENTOS
O Conselho Editorial da revista Locus Científico e a Diretoria da ANPROTEC agradecem aos esforços dispendidos pelos nossos assessores ad-hocs, que no ano de 2008 atuaram na avaliação dos artigos, sempre com prestatividade, acuidade e esmero.
Universidade Federal de Campina Grande
Centro de Engenharia Elétrica e Informática
Departamento de Sistemas e Computação
Rua Aprígio Veloso, 882
58109 970 – Campina Grande – Paraíba
Josealdo Tonholo
Editor
E-mail: [email protected]
Atuaram como assessores na revista Locus Científico Vol 02(1-4)(2008):
Artigo submetido em 14 de julho de 2008, recebido na forma corrigida em 06 de outubro de 2008 e aceito em 30 de outubro
de 2008.
..........
RESUMO
O autor deste artigo pretende apresentar algumas importantes considerações sobre a cultura da criatividade, tema
bastante valorizado na sociedade moderna globalizada pelo
seu potencial de competitividade. Serão abordados alguns
aspectos sociológicos, filosóficos e gerenciais com a finalidade de compreender a interferência humana reflexiva nas
relações entre os setores produtivos e os mercados consumidores, com foco no processo de geração de ideias e de
identificação de oportunidades para inovação. O conteúdo
para discussão envolve os seguintes itens: introdução à cultura da criatividade; comportamento criativo e criatividade
empreendedora; processo de geração de ideias; identificação de oportunidades; e gestão da criatividade para práticas sistemáticas de inovação.
The author of this paper intends to present some important considerations about the culture of creativity. This
theme is very valuable in modern globalized society because of the potential for competitiveness. Will be addressed some sociological, philosophical and management topics with the aim of understanding the reflexive human
interference in the relationship between productive sectors and consumer markets, with focus on the process of
generating ideas and identifying opportunities for innovation. The content for discussion involves the following: introduction to the culture of creativity, creative behavior
and entrepreneurial creativity, process of generating ideas, and management of creativity to systematic practice of
innovation.
PALAVRAS-CHAVE:
KEYWORDS:
• empreendedorismo
• criatividade
• inovação
• Entrepreneurship
• creativity
• innovation
Na linguagem sociológica, cultura é tudo o que resulta
da criação humana, compreendendo, desta forma, todas as
elaborações resultantes das capacidades adquiridas pelo
homem através do convívio social. Destacam-se os aspectos
materiais constituídos pelos objetos e artefatos, além dos
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Antônio Pereira Lima Junior
Armando Augusto Clemente
Bezamat de Souza Neto
Carlos Eduardo Negrão Bizzoto
Cláudia Maria Milito
Cleusa Asanome
Conceição Vedovello
Cristane Stainsack
Edemar de Paula
Ednalva Morais
Elzo Aranha
Emerson Corazza
Francilene Procópio Garcia
Gisa Bassalo
Janaina Galdino de Barros
José Carlos Cressoni
Katia Aguiar
Luciana Peixoto Santarita
Luis Afonso Bermúdez
Marcelo Gonçalves do Amaral
Marli Elizabeth Ritter dos Santos
Neila Cunha
Nelsio Rodrigues de Abreu
Norman de Paula Arruda Filho
Paulo da Cruz Freire
Regina Faria
Sérgio José Mecena da Silva Filho
ABSTRACT
aspectos imateriais, representados pelo domínio das ideias,
crenças, técnicas, valores, normas e outros fatores. É clássica a definição de Edward Burnett Tylor: “Um todo complexo
que abarca conhecimentos, crenças, artes, moral, leis, costumes e outras capacidades adquiridas pelo homem como
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Menezes, R., Locus Científico, Vol.02, nº. 04 (2008) pp 96-102
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ARTIGO CIENTÍFICO
USO INTENSIVO DE TECNOLOGIA (PIT)
Análise quanto ao grau de dificuldade em questões relativas a aspectos técnicos, administrativos e de negócios:
Aspectos Técnicos
Grau de dificuldade
Baixíssimo
Baixo
Moderado
Alto
Altíssimo
Alto
Altíssimo
Aquisição de máquinas eequipamentos
Aquisição de matéria-prima einsumos
Acesso a novas tecnologias
Acesso à mão-de-obraespecializada
Acesso a informações técnicas epesquisas recentes
Interação com universidade ecentros de pesquisa
Acesso à informação egestão da propriedade intelectual
Aspectos Administrativose de negócios
Grau de dificuldade
Baixíssimo
Baixo
Moderado
Acesso a novos mercados nacionais
Acesso a compras governamentais
Obtenção de registros e licenças (MAPA e ANVISA)
Acesso a certificações (ISO, BPF, etc)
Acesso a linhas de crédito subsidiadas (FINEP, BNB, BNDES, etc)
Interação com potenciais parceiros em negócios
Administração e gerenciamento da empresa
Informações sobre dispositivos de isenção fiscal
DEFINIÇÃO DOS SETORES:
Saúde Humana: empresas que desenvolvem/comercializam produtos ou serviços especializados voltados para a saúde humana como kits de diagnóstico, vacinas, proteínas recombinantes, anticorpos, materiais para próteses,
próteses e devices médicos especializados, meios de cultura, produção de reagentes e antígenos, terapia
celular, curativos e peles artificiais, identificação de novas moléculas e fármacos, biossensores.
Saúde Animal:
empresas que desenvolvem/comercializam produtos ou têm serviços especializados voltados para a saúde
animal como kits de diagnóstico, vacinas ou outros produtos terapêuticos, transferência de embriões,
melhoramento genético, clonagem, diagnóstico molecular.
Agricultura:
empresas que desenvolvem ou comercializam sementes e plantas transgênicas, novos métodos para controle de pragas, clonagem de plantas, diagnóstico molecular, produção de fertilizantes a partir de microorganismos, melhoramento genético, catalisadores.
Meio Ambiente: biorremediação, tratamento de efluentes e áreas degradadas.
Bioenergia:
empresas que desenvolvem/comercializam projetos em bioenergia ou tecnologias aplicadas. Dada a importância desta categoria no setor brasileiro decidimos separá-la de Agricultura
Insumos:
empresas que produzem reagentes; por exemplo, empresas que produzem enzimas ou kits para extração
integrante da sociedade.” Ao contrário dos animais que têm
os padrões básicos de comportamento transmitidos através
de herança biológica, o ser humano desenvolve padrões artificiais a partir da comunicação simbólica, especialmente
através da linguagem, o que permite a produção cultural
resultante da socialização, que pode ser comparada ao processo de aprendizagem, no sentido mais amplo dessa expressão [VILA NOVA, 2008]. Desta forma, os padrões do
comportamento humano são extremamente flexíveis e variáveis no tempo e no espaço, e são reproduzidos conforme
as necessidades específicas dos grupos, o que gera a diversidade cultural. O trabalho humano, portanto, apresenta-se
como uma resposta aos desafios da natureza e a cultura
tem como função evidente satisfazer necessidades humanas [VILA NOVA, 2008]. Numa concepção filosófica, a cultura é um conjunto de respostas para melhor satisfazer as
necessidades e os desejos humanos. Isso pode ser percebido ao longo da história, quando grupos humanos vêm resolvendo seus problemas com base na informação disponível – conjunto de conhecimentos teóricos e práticos transmitidos aos contemporâneos – ou desenvolvendo novas práticas, o que torna a cultura uma criação dinâmica contínua.
Para Elias [1994] a sociedade expressa uma cadeia em que
cada pessoa singular está realmente presa por viver em permanente dependência funcional de outras, formando um
elo nas cadeias que ligam outras pessoas, assim como todas
as demais, direta ou indiretamente, são elos nas cadeias que
a prendem. Desta forma, a rede de funções que as pessoas
desempenham umas em relação a outras cria a estrutura
coletiva chamada de sociedade e faz surgir a cultura que a
representa. É fundamental esta observação de Elias [1994],
visto que é comum a existência de antinomias entre os conceitos de indivíduo e de sociedade, sendo quase incomum
falar-se em uma sociedade de indivíduos. Todavia, a cultura
é resultado das contribuições individuais através do processo de socialização ocorrido em determinada sociedade, que
se tornaram padrões de comportamento coletivo a partir
das relações sociais estabelecidas. Por outro lado, Giddens
[1991] enfatiza que a vida moderna é caracterizada por várias descontinuidades e aceleração do ritmo de mudança.
Segundo este autor “a reflexividade da vida social moderna
consiste no fato de que as práticas sociais são constantemente examinadas e reformadas à luz de informação renovada sobre estas próprias práticas, alterando assim constitutivamente seu caráter.” Na medida em que têm o poder
de transformações, alguns indivíduos fazendo uso da criatividade tornam-se agentes de mudança, criando novas ideias e conceitos e implementando novos processos ou normas. Como conseqüência da interferência humana reflexiva, a criatividade surge como fonte de inovação e mudanças, nasce a partir dos indivíduos, requer conhecimento e
experiência, e pode ser transformada em cultura imaterial
de valor para organizações. O objeto de análise deste artigo
está no processo de desenvolvimento da criatividade verificado nas culturas organizacionais ou corporativas, espaços
120 Dos Santos, E.S.C e Andrade, P.P., Locus Científico, Vol 02, nº.04 (2008) pp 110-120
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delimitados de inovação que envolvem aspectos tecnológicos ou organizacionais, além dos mecanismos de assimilação, disseminação e implementação de ideias. Pensar em
cultura da criatividade nas organizações exige o entendimento dos processos interativos entre indivíduos, o que
envolve aspectos da individualização – preservação das singularidades – e dos propósitos corporativos estabelecidos
em dimensão coletiva pela política de gestão organizacional. Este artigo tem por objetivo apresentar uma visão da
cultura da criatividade como espaço e tempo de toda criação organizacional voltada para as estratégias competitivas
ou de sobrevivência, constituindo pressuposto básico para
inovação e percepção de oportunidades, fatores essenciais
para iniciativas empreendedoras. Serão abordados os aspectos do comportamento criativo e criatividade empreendedora, o processo de geração de ideias, o processo de identificação de oportunidades e a gestão da criatividade para a
prática sistemática de inovação.
2. COMPORTAMENTO CRIATIVO E CRIATIVIDADE EMPREENDEDORA
A criatividade é condição necessária para a inovação.
Representa a capacidade humana de construir soluções inteligentes e estéticas para problemas em qualquer área do
conhecimento. O ato de criar está associado à ideia de algo
novo, algo que nunca existiu antes. Criar, portanto, poderia
ser visto como um fato inédito, surpreendente e original,
que possibilita a construção de novos conceitos ou a destruição e substituição de conceitos já estabelecidos. Criar é
ver antes dos outros e fazer ver aos outros o segredo da
descoberta. Apresenta-se como um pensamento dotado de
originalidade que supera o lugar-comum do conformismo e
da passividade. Albert Einstein escreveu: “Quando observo
a mim mesmo e os meus métodos de pensamento, chego à
conclusão de que o dom da imaginação foi mais importante para mim do que a minha capacidade de assimilar conhecimentos.” Em outro momento, Albert Einstein afirmou: “A
imaginação é mais importante do que o conhecimento.”
Percebe-se aqui que as palavras criatividade e imaginação
estão bem próximas. Contudo, para diferenciá-las, pode-se
compreender a criatividade como a imaginação utilizada para
a resolução de um determinado problema. Barreto [1997]
afirma que “não há criatividade sem um problema referente.” E que problema? Aquele que ainda não se conseguiu
resolver pelos meios tradicionais disponíveis. O desafio de
se encontrar uma solução diferenciada e original é um bom
motivo para o desenvolvimento da criatividade. Segundo
Barreto [1997] a criatividade não se aprende. O ser humano
já é criativo, já sabe. Criatividade, portanto, está relacionada a coisas que os indivíduos já sabem, mas deixam ficar
encobertas por uma camada de conformismo, de rotina, de
desinteresse, ou de racionalização excessiva. Marcel Proust
escreveu: “A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar nova paisagem, mas em ter novos olhos.”
Inegavelmente é um processo complexo, chamado de “sín-
Menezes, R., Locus Científico, Vol.02, nº. 04 (2008) pp 96-102
16/7/2009, 09:05
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ARTIGO CIENTÍFICO
CULTURA DO EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO (CEI)
tese mágica” por Arieti [1976], referindo-se à habilidade que
um indivíduo tem de combinar os processos primários do
cérebro – fontes das emoções subconscientes ou inconscientes: sonhos, imaginação e associações – e os processos
secundários do cérebro – fonte da racionalidade consciente: pensamento lógico ou a forma de externalizar os processos primários – A Figura 1 abaixo ilustra a Síntese Mágica de
Arieti [1976], que tenta explicar o modo de pensar criativo:
Figura 1: Criatividade: A Síntese Mágica de Arieti
A capacidade de criar tem origem na aparente contradição entre a racionalidade e a emoção, o concreto e a imaginação, o consciente e o inconsciente. O comportamento criativo representa o uso intensivo das fontes interiores de criação em processo de aprendizado, colaboração e integração,
para desenvolvimento e validação de ideias ou soluções. Segundo Predebom [2001], “o comportamento criativo é produto de uma visão da vida, de um estado permanente de
espírito, de uma verdadeira opção pessoal quanto a desempenhar um papel no mundo. Essa base mobiliza no indivíduo
seu potencial imaginativo e desenvolve suas competências
além da média, nos campos dependentes da criatividade”.
Desta forma, pode-se compreender o comportamento criativo como uma experiência eminentemente pessoal, embora
receba influência do grau de motivação do indivíduo em usar
seu pensamento criativo diante dos valores e práticas predominantes no ambiente [ALENCAR, 2003]. No âmbito dos
empreendimentos pessoais ou organizacionais a criatividade
está relacionada ao processo de descoberta de oportunidades e elaboração de alternativas para decisão. O processo
empreendedor exige criatividade não apenas para gerar ideias, mas, também para implementar as ideias geradas, transformando-as em oportunidades. A partir de uma visão pragmática, Kao [1997] define criatividade como um processo por
meio do qual as ideias são geradas, desenvolvidas e transformadas em valor. Torrance [1976] ratifica este conceito quando sugere que a criatividade é o processo de tornar-se sensível a problemas, deficiências e lacunas no conhecimento,
98
acrescentando-se a isso a busca de soluções e a apresentação
de resultados. Baron [2007] reconhece “três processos-chave
do empreendedorismo: geração da ideia – produção de ideias para algo novo; criatividade – geração de ideias potencialmente úteis; e reconhecimento de oportunidades – processo pelo qual empreendedores concluem que identificaram o
potencial para criar algo novo com capacidade de gerar valor
econômico”. Para o autor, a criatividade pode ser entendida
como um processo criterioso e seletivo que exclui a fantasia
através de uma avaliação crítica do potencial de utilidade das
ideias. Esta classificação pode ser chamada de criatividade
empreendedora e representa a criatividade humana orientada para resultados práticos no âmbito dos empreendimentos. A criatividade empreendedora apresenta-se, portanto,
como um processo mental complexo, a princípio ilimitado,
que promove a geração de ideias em dois níveis: espontâneo
– quando tudo que pode ser pensado de forma livre é aceito;
e crítico – quando as ideias são filtradas, selecionadas e aproveitadas em combinações diferentes para solução de problemas. Este último nível representa a validação das ideias em
forma de produtos e serviços. A criatividade empreendedora
é o processo de geração, desenvolvimento e transformação
de ideias em oportunidades. Atualmente, devido à importância do tema para todos os setores de negócios, um novo perfil profissional mais criativo e inovador é unanimidade nas
avaliações de desempenho profissional. Para a sociedade de
um modo geral, a criatividade emerge como um valor positivo e já faz parte da expectativa do cliente em relação ao desempenho de produtos ou prestação de serviços. A ênfase
em explorar fontes interiores de criação, ampliar a capacidade de inovar e utilizar técnicas de resolução criativa de problemas é hoje quase uma regra na capacitação e treinamento
do empreendedor, qualquer que seja o seu ambiente de trabalho. Segundo Mirshawka [2003], no momento em que a
tecnologia passa a ser um produto comum e habitual e todos
os concorrentes alcançarem o mesmo nível de idoneidade, só
a criatividade poderá fazer a diferença.
II - A TECNOLOGIA
1. Sua empresa está atualmente desenvolvendo novos
projetos para produtos ou serviços baseados em
alta tecnologia?
Sim
Sim
Não
Não
2. Sua empresa já utilizou linhas de financiamento de
pesquisa através de instituições de fomento tipo
FINEP, CNPq, FACEPE, etc...?
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4. Indique qual tecnologia sua empresa utiliza com
maior predomínio.
Biotecnologia clássica ou tradicional (Ex.: processos
Sim
fermentativos, melhoramento clássico, etc.)
Não
Biotecnologia moderna (Ex.: engenharia genética, PCR,
anticorpos monoclonais, transgênicos, etc.)
Biotecnologia tradicional e moderna
III - O NEGÓCIO
1. Sua empresa vende produtos ou serviços para fora
do Estado de Pernambuco?
Sim
4. A administração da sua empresa é feita por um
profissional da área de administração (Formado em
Administração de empresas)?
Sim
Não
Não
2. Se você respondeu Sim na última pergunta para
quais mercados você vende? Pode responder
utilizando mais de uma opção.
5. Sua empresa já exportou?
Sim
Sul
Não
Norte
6. Você considera que sua empresa tem potencial
exportador?
Nordeste
Sudeste
Centro-oeste
Sim
Não
3. Seus concorrentes são empresas de que porte?
3. PROCESSO DE GERAÇÃO DE IDEIAS
A origem das ideias, segundo Hume [1990], está nas percepções mais vivas do indivíduo – as impressões – que nascem a partir de elementos primitivos da experiência: ouvir,
ver, sentir, amar, odiar, desejar ou querer. As impressões são
registros da vivência humana guardados na memória. É necessário, portanto, se ter experiência para se ter impressões.
Reflexões sobre essa experiência levam o pensamento a construir ideias – fracas imagens das impressões. Desta forma, as
impressões representam o modelo, enquanto as ideias representam a cópia desse modelo – percepções menos vivas. Indivíduos com deficiência de algum sentido têm a mesma incapacidade para formar ideias correspondentes – um cego não
pode ter noção das cores nem um surdo dos sons. De forma
semelhante, o ser humano não pode ter noção das sensações
reais de um peixe, por exemplo, embora construa ideias imperfeitas a respeito, com base em analogias e combinações
Grandes empresas
Médias empresas
7. Sua empresa está vinculada a algum programa de
incubação?
Pequenas empresas
Sim
Micro empresas
Não
Não tenho concorrente
8. Utilize as linhas abaixo e descreva seus principais produtos
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3. Sua empresa tem atualmente algum projeto em
curso que esteja sendo financiado por alguma
destas instituições?
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ARTIGO CIENTÍFICO
USO INTENSIVO DE TECNOLOGIA (PIT)
ANEXO I
I – CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA
Razão Social da empresa:
Nome fantasia:Endereço:
Nome do principal responsável:
Cargo:
E-mail:
Telefones com DDD:
Ano de fundação:
Se sua empresa ainda está em fase de constituição marque um x aqui
I - A EMPRESA
1. Qual o porte de sua empresa em termos de
faturamento anual?
Não fatura
4. Sua empresa possui algum depósito de patente?
Registre mesmo que a patente estiver sido
depositada em nome de algum sócio ou
colaborador.
1 a 240 mil
241 a 500 mil
Sim
501 a 1 milhão
Não
Mais de 1 milhão
2. Quantos funcionários você tem na sua empresa?
Contando com os sócios.
5. Se você respondeu Sim na última pergunta agora
informe quantas patentes você tem depositadas:
1 (uma)
1a5
2 (duas)
5 a 10
3 (três)
10 a 25
4 ou mais
que seu conhecimento lhe permita. Ter conhecimento de uma
situação é condição essencial para a geração de ideias a respeito dessa situação. Para Hume [1990] “à primeira vista, nada
pode parecer mais ilimitado do que o pensamento humano,
que não apenas escapa a toda autoridade e a todo poder do
homem, mas também nem sempre é reprimido dentro dos
limites da natureza e da realidade... Entretanto, embora nosso pensamento pareça possuir esta liberdade ilimitada, verificaremos, através de um exame mais minucioso, que ele está
realmente confinado dentro de limites muito reduzidos e que
todo poder criador do espírito não ultrapassa a faculdade de
combinar, de transpor, aumentar ou de diminuir os materiais
que nos foram fornecidos pelos sentidos e pela existência.”
Hume [1990] conclui que todos os materiais do pensamento
derivam das sensações externas ou internas, contudo a mistura e composição desses materiais dependem da vontade.
Mesmo considerando que exista esta limitação do pensamento
na perspectiva prática, as possibilidades de construção de
novas ideias são quase infinitas. Baron [2007] afirma que “novas ideias e o reconhecimento de oportunidades estão presentes no sistema cognitivo de certas pessoas como resultado de sua experiência de vida. Pelo fato de a experiência de
cada um ser única, as informações que têm a seu dispor são
igualmente únicas, essa é a razão principal pela qual ideias
específicas ocorrem a algumas pessoas e não a outras.” Desta forma, indivíduos diferentes têm percepções diferentes,
adquirem impressões diferentes e desenvolvem ideias diferentes, e finalmente, encontram oportunidades diferentes. O
comportamento empreendedor é essencialmente prático e
intuitivo, de estilo idiossincrático quase intransferível. Com
as ideias o empreendedor constrói estruturas mentais cog-
nitivas, elabora novas representações e significados, desenvolve novas ideias, cria sua visão particular de compreender
o mundo através da observação sistemática, ao mesmo tempo em que propõe soluções inteligentes para problemas.
Em contexto mais amplo, a cultura também pode ter influência no modo de pensar e agir, a partir de crenças e valores. Desta forma, o empreendedor tanto pode encontrar
motivos dentro de si mesmo como receber influência da
sociedade ao exercitar sua criatividade. Como hábito que
pode ser adquirido sistematicamente, a criatividade consiste em construir, modificar, classificar, substituir ou destruir
ideias. Em 1926 Graham Wallas apresentou em sua obra “The
Art of Thought” um dos primeiros modelos do processo criativo. Em seu modelo, Wallas apresenta quatro fases para o
processo de geração de ideias: Preparação – capacitação do
cérebro, através dos sentidos, para conceber ideias a partir
do fornecimento de dados, informação e conhecimento;
Incubação – trabalho inconsciente do cérebro na recombinação do material recebido de modo a encontrar a solução
do problema (amadurecimento da ideia); Iluminação – conexão do inconsciente com o consciente, momento em que
nasce a ideia em sua forma consciente, quando os bloqueios mentais são mínimos (insights); e Verificação – observação da consistência da ideia em termos práticos para posterior utilização. A Figura 2, abaixo, ilustra o processo de geração de ideias inspirado no modelo de Wallas, com acréscimo de mais duas fases: Motivação – começo do processo,
quando o indivíduo é impulsionado para resolver um problema e aciona sua vontade em fazê-lo, e Implementação –
transformação de algo que é basicamente mental em algo
material e realizável.
25 a 50
Mais de 50
3 Escolha na lista abaixo o setor predominante de
especialização de sua empresa*.
Agricultura
6. Sua empresa possui algum depósito de marca?
Registre mesmo que a marca estiver sido depositada
em nome de algum sócio ou colaborador.
Sim
Não
Saúde humana
7. Se você respondeu Sim na última pergunta agora
informe quantas marcas você tem depositadas:
Saúde animal
Meio ambiente
Insumos
1 (uma)
Bioenergia
2 (duas)
* - Os setores foram escolhidos com base no último estudo das Empresas de Biotecnologia do Brasil. Fundação Biominas – 2007 – Veja no
final deste questionário a definição de cada setor.
3 (três)
4 ou mais
Figura 2 - O processo de geração de ideias inspirado no modelo de Wallas
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ARTIGO CIENTÍFICO
CULTURA DO EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO (CEI)
Modelos e técnicas de geração de ideias estão disponíveis na literatura e podem ser adaptados com facilidade
para práticas sistemáticas de inovação, através de modelos de gestão da criatividade. Um exemplo de boas práticas de criatividade é o alto nível das melhores agências de
propaganda no país, onde se destaca o trabalho criativo
dos profissionais na geração e utilização de boas ideias de
marketing e comunicação.
4. A IDENTIFICAÇÃO DE OPORTUNIDADES
Oportunidades podem ser entendidas como ideias com
grande potencial de exploração prática que apresentam
possibilidades de novos negócios, produtos ou serviços. A
gestão da criatividade promove a inovação deliberada e
sistemática, o que para Drucker [2005] é um processo tanto conceitual como perceptual. Portanto, ser criativo é inovar, é sair para olhar, perguntar e ouvir. Inovadores bem
sucedidos usam os dois lados do cérebro – usam números
ao mesmo tempo em que procuram compreender pessoas, trabalham as emoções e a racionalidade, elaboram a
síntese mágica da criatividade sugerida por Arieti [1976],
ilustrada na Figura 1, já vista anteriormente. Para melhor
compreensão da contribuição de David Hume sobre o tema,
o modelo de evolução do processo cognitivo para identificação de oportunidades para inovação está ilustrado de
forma resumida na Tabela 1, abaixo:
Tabela 1 - Modelo de Evolução do Processo Cognitivo para Identificação de Oportunidades
Estágios do Conhecimento
Impressões
Ideias
Oportunidades
Representação
• Percepções vivas
• Percepções menos vivas
• Imagens das impressões
• Ideias com valor
• Utilidade
Processo
• Experiências sensoriais
• Outras experiências
primitivas: sentir,
amar, odiar, desejar...
•
•
•
•
• Experiência profissional
• Atitude inovadora
Contexto
• Pessoal
• Pessoal
• Grupos
5. GESTÃO DA CRIATIVIDADE PARA PRÁTICAS SISTEMÁTICAS DE INOVAÇÃO
Para Drucker [2005] “a inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente.” Assim, o empreendedor não precisa ter um tipo especial de personalidade, é suficiente apenas ter compromisso com a prática sistemática de inovação. Buscar mudanças, reagir a elas e
explorá-las como oportunidades é a síntese da ação empreendedora, operacionalizada pelo aprendizado continuado. É razoável concluir que indivíduos comprometidos com
inovação adquiram conhecimento e experiência no setor
em que atuam e passam a ter mais chances de aproveitar
oportunidades. “Uma descoberta básica na pesquisa sobre empreendedorismo é que quanto mais experiência as
pessoas tiverem em um dado campo, maior a probabilidade de nele identificarem oportunidades.” [BARON, 2007].
Por outro lado, indivíduos que adquiriram conhecimento,
mas perderam sensibilidade em relação a mudanças, estão
em desvantagem competitiva. Kelley [2001] sugere cinco
etapas para o processo de inovação: compreender o mercado, o cliente, a tecnologia e as limitações; observar pessoas em situações de vida real e descobrir o que modifica o
Preparação
Incubação
Iluminação
Verificação(Wallas)
• Pessoal
• Grupos
• Ambientes de negócios
comportamento; visualizar conceitos novos para o mundo
e para os clientes; avaliar e aprimorar os protótipos em
série de iterações sem se prender às primeiras ideias; e implementar o novo conceito de negócio. Compreender o
mercado é acompanhar mudanças de comportamento do
cliente e definir estratégias que garantam o posicionamento
do empreendimento. Observar pessoas na vida real é conhecer motivos e emoções que determinam suas escolhas.
Visualizar conceitos novos é olhar para o futuro e antecipar mudanças antes dos concorrentes. Avaliar e aprimorar
os protótipos consiste em reavaliar e repensar as ideias,
através de uma dinâmica inovadora, considerando que
nenhuma ideia é tão boa que não possa ser aperfeiçoada.
Finalmente, implementar o novo conceito parece ser a etapa mais difícil do processo de inovação, momento em que
as incongruências do planejamento precisam ser ajustadas
às evidências comprovadas. Todas essas sugestões não teriam eficácia em ambientes organizacionais desprovidos de
uma política de gestão da criatividade – processo que pode
ser operacionalizado a partir de um sistema de gestão do
conhecimento – necessária para estimular a integração de
pessoas criativas em trabalho colaborativo, com perspectivas de gerar ambientes de inovação e empreendimentos
competitivos. A gestão da criatividade apresenta-se como
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CROCCO, M. A.; GALINARI, R.; SANTOS, F.; LEMOS, M. B.; SIMÕES, R. Metodologia de identificação de aglomerações produtivas
locais. Nova Economia. Belo Horizonte. 16 (2) 211-241, 2006.
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em: 08 fev. 2008.
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<www.sectma.pe.gov.br/seties/index.htm>. Acesso em: 08 fev. 2008.
JUDICE, V. M. M.; COELHO BAÊTA, A. M. Modelo Empresarial, Gestão de Inovação e Investimentos de Venture Capital em
Empresas de Biotecnologia no Brasil. RAC. 9 (1) 171-191, 2005.
LEI No. 10.973, de 2 de dezembro de 2004. Dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científição e tecnológica no
ambiente produtivo. E dá outras providências.
LEI COMPLEMENTAR Nº. 123, de 14 de dezembro de 2006. Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de
Pequeno Porte. E dá outra providências.
LEI Nº. 11.105, de 24 de março de 2005. Regulamenta os incisos II, IV e V do § 1o do art. 225 da Constituição Federal, estabelece
normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados
– OGM e seus derivados, cria o Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS. E dá outras providências.
LEI No. 9.456, de 25 de abril de 1997. Institui a Lei de Proteção de Cultivares e dá outras providências.
LEI Nº 9.279 de 14 de maio de 1996. Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial.
MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.186-16, de 23 de agosto de 2001. Regulamenta o inciso II do § 1º e o § 4º do art. 225 da Constituição,
os arts. 1º, 8º, alínea “j”, 10, alínea “c”, 15 e 16, alíneas 3 e 4 da Convenção sobre Diversidade Biológica, dispõe sobre o
acesso ao patrimônio genético, a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado, a repartição de benefícios
e o acesso à tecnologia e a transferência de tecnologia para sua conservação e utilização, e dá outras providências.
OECD. The knowledge based economy: a set of facts and diagrams. Apresentado em 1999 Ministerial meeting on science and
technology policy. OECD, Paris, 1999.
PEREIRA, L. B.; MUNIZ, R. M. “Obstáculos à Inovação: um estudo sobre a geração de spin-offs universitárias na realidade
brasileira”. XXIV Simpósio de Gestão da Inovação Tecnológica. Gramado. Rio Grande do Sul, 2006.
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<http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/66226.html>. Acesso em: 09 fev. 2008.
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TRIGUEIRO, M. G. S. O clone de Prometeu – Biotecnologia no Brasil: abordagem para avaliação. UnB. Brasília, 2002.
100 Menezes, R., Locus Científico, Vol.02, nº. 04 (2008) pp 96-102
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ARTIGO CIENTÍFICO
USO INTENSIVO DE TECNOLOGIA (PIT)
6 - INSERÇÃO DA BIOTECNOLOGIA PERNAMBUCANA
NO CENÁRIO NACIONAL
Para que se possa mensurar a relevância da biotecnologia Pernambucana no cenário nacional, são comparados a
seguir os dados do estudo da Fundação Biominas com o
perfil das empresas Pernambucanas. Em linhas gerais, os dois
estudos apresentam empresas que são, na maioria, micro
ou pequenas. Seus faturamentos anuais não passam de 1
milhão, mantêm entre 5 a 20 funcionários, a atividade principal é de natureza industrial, os setores de saúde humana e
animal, agricultura e insumos são destaques e bioenergia e
meio ambiente aparecem em um segundo patamar.
No âmbito da pesquisa quantitativa, também as semelhanças são bem visíveis. Dentro dos aspectos técnicos as empresa demonstram grande dificuldade na aquisição de máquinas e equipamentos e agregação de mão-de-obra especializada. E nos aspectos Administrativos e de negócios a falta de
conhecimento em administração e gerência (know-how comercial) e a baixa oferta de créditos acessíveis são constantes.
Entretanto, quando considerados os 235 grupos de pesquisa nas áreas das ciências biológicas e de saúde existentes
em Pernambuco, o Estado com 10 empresas em biotecnologia demonstra um alto grau de iniciativas empreendedoras
no setor, principalmente quando comparado com Estados
como São Paulo com 30 empresas e 2049 grupos de pesquisa e Minas Gerais com 21 empresas e 533 grupos (Figura 7)1*.
Mais surpreendente é saber que em Pernambuco não existe
nenhuma estrutura de clusters ou similar na área, diferentemente dos Estados acima citados. As empresas pernambucanas estão sós e suas iniciativas são independentes.
Figura 7: Empresas de biotecnologia criadas em cada 100 grupos de pesquisa
na área das ciências biológicas e de saúde. Pernambuco tem 235 grupos
cadastrados (Diretório, 2006), São Paulo e Minas apresentam 2049 e 533 grupos,
respectivamente.
7 - CONCLUSÂO
Quando se olha para Pernambuco, com 4,6% da população do País e só representando 2,8% do PIB em uma participação declinante, percebe-se claramente que o Estado tem
que buscar novas fontes de riquezas para alavancar seu desenvolvimento e reconquistar posições outrora perdidas.
Considerando a relevância da agroindústria Pernambucana,
a força da pecuária, a existência de um pólo médico importante, o apelo social quanto da preservação do meio ambiente e uma eventual mudança na matriz energética, a Biotecnologia se apresenta como uma opção.
A construção de ambientes adequados a empreendimentos desta ordem potencializa seu grau de sucesso. O governo, em suas três esferas, possui ferramentas apropriadas para
contribuir de forma decisiva neste caminho. Encomendas
tecnológicas, compras governamentais, linha de crédito especiais e muitas outras iniciativas são comuns em países
desenvolvidos e foi o caminho seguido pelos atuais novos
emergentes como Coréia, China e Taiwan.
Em todo o país iniciativas empresariais ligadas a universidades surgem de forma acelerada. As universidades brasileiras são o centro gerador do conhecimento e dentro de
uma nova perspectiva social, responsáveis pela sua difusão
e emprego. Teóricos modernos apontam para a academia
adquirindo um papel de liderança empreendedora em inovações tecnológicas.
Expostas a um mundo de incerteza, as empresas em seus
primeiros anos sofrem para estabelecer uma imagem e buscar credibilidade junto a clientes e fornecedores. Têm que
enfrentar atrasos e transtornos para obtenção de licenças e
certificações e ao mesmo tempo investir muito na espera
por longos ciclos de maturação de seus produtos.
No atual contexto, governo, universidades e empresas
devem atuar como parceiros em um ciclo virtuoso voltado
para geração de inovação, que transbordará para a sociedade na forma de novos produtos e serviços, na criação de
mais empregos e renda e no desenvolvimento com sustentabilidade.
Em nenhum momento o presente estudo teve como
objetivo esgotar o tema. Os autores julgam que, a partir da
divulgação deste, novos estudos deverão surgir, com maior
profundidade e especificidade, apresentando de forma mais
clara o cenário a que estão expostas as empresas de biotecnologia do Estado de Pernambuco.
*
Cabe ressaltar que os números referentes a São Paulo e Minas podem não representar todo o universo (Estudo das Empresas de Biotecnologia Fundação Biominas, 2007).
uma estrutura essencial para que os seguintes objetivos
sejam alcançados: estímulo à criatividade individual e coletiva; desenvolvimento e compartilhamento do conhecimento; criação de um ambiente de motivação e satisfação;
estímulo ao comportamento colaborativo; engajamento em
projetos de inovação; reconhecimento dos esforços individuais e coletivos; premiação dos resultados; e construção
da cultura da criatividade na organização.
6. CONCLUSÃO
A cultura da criatividade é o resultado de dois processos básicos que fazem funcionar as estruturas organizacionais. O primeiro está relacionado à dimensão interacional da organização e refere-se ao comportamento dos indivíduos, suas ações e conseqüências como tomadores ou
utilizadores de decisões. Importantes aspectos das relações
sociais como a cooperação, competição, antagonismos, dominação, conflitos, liderança, por exemplo, fazem parte
desse processo. O segundo está relacionado à dimensão
intermental ou intersubjetiva e refere-se à imaterialidade
das crenças, atitudes, símbolos ou normas, que representam os valores proclamados pela organização e internalizados nos indivíduos que dela fazem parte. Desta forma, a
cultura da criatividade como subcultura da organização,
se desenvolve de uma forma reflexiva, com mais facilidade
em organizações que aprendem e permitem mudanças de
mentalidade. Há neste processo de formação da cultura da
criatividade forte influência da sociedade globalizada, cosmopolita, que pelo seu caráter pós-tradicional permite
novas formas de diálogo, o que resulta em espaço aberto
para mudanças. Em algumas situações os processos criativos estão integrados em culturas organizacionais que ultrapassam fronteiras culturais nacionais, formando ilhas
de comportamento diferenciado, a exemplo de empresas
transnacionais focadas em tecnologias intensivas, produtividade e eficácia gerencial. Chesbrough (2003), pesquisador sobre práticas de inovação em grandes empresas,
sugere um novo paradigma de inovação para o século XXI
– o modelo Open Innovation – baseado na liberdade de
colaboração entre empresas diferentes, de modo a aproveitar iniciativas criativas em diferentes estágios, transferindo-se experiências através de uma rede empresarial de
relacionamentos. Com este modelo empresas podem comercializar suas próprias inovações tecnológicas através de
licenciamento ou utilizar inovações geradas por outras
empresas. O modelo Open Innovation constitui, portanto,
uma solução gerencial de grande estímulo ao desenvolvimento e valorização da criatividade. Não obstante a grande importância dos aspectos estruturais, como a gestão
da criatividade e programas organizacionais de apoio à
criatividade, a principal fonte de inspiração e ideias está
no indivíduo perceptivo, protagonista dos processos cognitivos que levam a descobertas inovadoras. Os processos
cognitivos são sensores que captam e interpretam a informação sobre a realidade e contribuem para a construção
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101
da base de conhecimento pessoal necessária para identificação de oportunidades. As impressões nascem da experiência e da observação, permitem reflexões e conduzem o
pensamento no processo de elaboração de ideias. Todos
os negócios existentes foram, em algum momento, ideias
preliminares elaboradas a partir de impressões pessoais.
Todos os produtos foram pensados, projetados e desenvolvidos – evolução de uma realidade mental para a uma
realidade material – e depois produzidos e comercializados no mercado. Pesquisas revelam que a experiência pessoal é essencial para a identificação de oportunidades, o
que torna a memória o aspecto principal do sistema cognitivo pela sua função de armazenamento da informação.
Desta forma a criatividade depende do conhecimento vivenciado ou adquirido. Parte do que é chamado de intuição é na verdade a iluminação – a terceira fase do modelo
de Wallas, demonstrado na Figura 2, já vista anteriormente – o despertar da consciência para ideias incubadas no
inconsciente, o ininterrupto trabalho da mente em elaborar novas ideias a partir de ideias já conhecidas. E todo
esse processo é pessoal e subjetivo. Desta forma, o modo
particular de observação do indivíduo é único, quase intransferível. Inevitavelmente existe uma convergência entre oportunidades e indivíduos empreendedores – indivíduos específicos que têm capacidade de resposta para as
oportunidades porque têm conhecimento e estão preparados e capacitados. Portanto, compreender os fundamentos cognitivos do processo de identificação de oportunidades significa compreender a criatividade e os mecanismos de reconhecimento de oportunidades, duas questões
primordiais da atividade empreendedora. Embora os fundamentos cognitivos estejam relacionados ao indivíduo
como sujeito da criatividade, a experiência tem demonstrado que o processo criativo pode ser ampliado consideravelmente a partir do conceito de criatividade coletiva,
estudado por De Masi [2003] em retrospectiva histórica
desde o Renascimento até nossos dias. Segundo o autor,
os indivíduos apresentam grande capacidade de criação em
grupo, o que torna possível a ponte entre a imaginação e a
concretude – o encontro de indivíduos mais imaginativos
com indivíduos mais racionais com os mesmos objetivos,
o que torna mais ágil o processo criativo, que é, ao mesmo
tempo, racional e emocional, de acordo com Arieti [1976]
e demonstrado na Figura 1, já vista anteriormente. É atribuição da gestão da criatividade promover a dinâmica desse
processo nas organizações, mobilizando os indivíduos a
dar o melhor de si em clima de colaboração interna e competição externa, percebendo a concorrência como um desafio, ao mesmo tempo, identificar os fatores que inibem
a capacidade criativa dos indivíduos, os chamados bloqueios psicológicos – hábitos mentais, medo de errar, medo
da crítica, insegurança – os bloqueios socioeducativos –
dependência de outras opiniões – e os bloqueios grupais –
práticas da desqualificação do outro e questões de relacionamentos. Finalizando o artigo, é interessante relembrar o
Menezes, R., Locus Científico, Vol.02, nº. 04 (2008) pp 96-102 101
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ARTIGO CIENTÍFICO
CULTURA DO EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO (CEI)
que foi dito por Mirshawka [2003], já citado anteriormente, “só a criatividade poderá fazer a diferença” neste mun-
do globalizado, onde tecnologias, produtos e serviços têm
a mesma semelhança.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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PREDEBOM, José. Criatividade: Abrindo o Lado Inovador da Mente. São Paulo: Atlas, 2001.
VILA NOVA, Sebastião. Introdução à Sociologia. São Paulo: Atlas, 2008.
cação com pré-requisito ao licenciamento de produtos e instalações. Entretanto, o acesso a tais certificações é considerado pelo empresariado como de altíssima dificuldade. Ainda
vale ressaltar que no Estado de Pernambuco não existem consultores devidamente habilitados em certificação especificamente para indústrias em Biotecnologia.
Outro ponto que é conseqüente da ausência de certificações é a exportação. Apesar de 87% dos empresários declararem que suas empresas têm potencial exportador, 50% deles
também declaram que é altíssima a dificuldade em certificar
seus produtos. Sem certificação é impossível a qualquer produto entrar hoje em mercados como Estados Unidos, Comunidade Européia, China, Japão e Sudeste Asiático.
Ainda analisando o potencial exportador, observa-se, no
que tange a proteção intelectual, que as empresas pernambucanas parecem bem, uma vez que 62% (5/8) declararam já
ter depositado patentes e marcas que protegem seus interesses, pelo menos no Brasil. Outro ponto importante é o fato
do empresariado parecer não ter grandes dificuldades em
obter informações sobre gestão em propriedade intelectual.
É preciso, porém, considerar que depósitos de patente apenas no Brasil não garantem proteção no exterior. É certo, contudo, que o primeiro passo já foi dado.
No que tange ao acesso a linhas de crédito subsidiadas
(FINEP, BNB, BNDES, etc.), 87,5% das empresas apontaram
como alta ou, na maioria, altíssima a dificuldade de obtenção deste tipo de financiamento.
Em que pese o perfil dos empresários, é notável a baixa
utilização de linhas de crédito subsidiadas ou mesmo de recursos a fundo perdido (subvenção) nestas empresas. É verdade que as linhas de subvenção são recentes e as chamadas,
via editais, escassas. Entretanto, opções como o programa
RHAE/CNPq também aportam dinheiro nas empresas a fundo
perdido e mesmo assim parecem não atrair os empresários.
Contudo, uma análise mais pormenorizada pudesse talvez indicar uma baixa capacidade destes empresários em redigir
projetos com uma ênfase maior no empreendimento do que
na ciência. Mas é preciso lembrar que garantias e exigências
burocráticas também inibem o empreendedor.
Outro desdobramento está ligado à dificuldade declarada
na aquisição de máquinas e equipamentos e contratação de
mão-de-obra especializada. Não podendo contar com o financiamento ou bolsa, o empresariado só tem como opção o recurso próprio, tendo em vista que 100% das empresas declararam que estão atualmente desenvolvendo novos produtos e
serviços e que apenas uma declarou que tem financiamento
para tanto. Então, a maioria dos projetos está sendo financiada
mais uma vez por recursos próprios. Considerando ainda que
as empresa são micro e pequenas, seus recursos são escassos,
o que redunda em lentidão no desenvolvimento.
Interação com potenciais parceiros de negócios e informações sobre dispositivos de isenção fiscal foram parâmetros que apresentaram um comportamento muito parecido.
Em ambos o nível de dificuldade demonstrada variou entre
baixo e alto. A diferença foi que em relação a potenciais parceiros de negócios a moda mostrou-se de moderada a baixa,
enquanto que para informações sobre dispositivos de isenção fiscal a moda foi de moderada a alta.
Estes parâmetros demonstram duas posições pouco definidas dos empresários. De um lado, eles consideram de grande importância o conhecimento de mecanismos de isenção
fiscal. Entretanto, não são capazes de reconhecer nestes mecanismos uma forma de incremento no faturamento de suas
empresas.
A administração e gerenciamento da empresa é sentida
pela maioria dos empresários (75%) como um parâmetro de
moderada dificuldade; os outros 25% classificam como alta.
Os empresários da Biotecnologia pernambucana reconhecem a importância de uma administração profissional. Entretanto, não refletem este pensamento em atos porque apenas
uma empresa declarou ter um profissional devidamente habilitado na direção do negócio. Mais uma vez, deve ser levado em
consideração o porte das empresas e a já mencionada dificuldade na seleção e contratação de mão-de-obra especializada.
Figura 6: Análise de grau de dificuldade em 8 aspectos administrativos e de negócios da rotina das empresas de biotecnologia Pernambucanas.
102 Menezes, R., Locus Científico, Vol.02, nº. 04 (2008) pp 96-102
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ARTIGO CIENTÍFICO
ARTIGO DE OPINIÃO
USO INTENSIVO DE TECNOLOGIA (PIT)
CULTURA DO EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO (CEI)
LOCUS CIENTÍFICO
ISSN -1981-6790 - versão impressa
O acesso a novas tecnologias e contratação de mão-deobra especializada é considerado pela a maioria das empresas
(75%) como uma variável de moderada a altíssima dificuldade.
O acesso a informações técnicas de pesquisas recentes
não é problema para a maioria das empresas. Oitenta e sete
por cento delas classificou-a com de baixa ou baixíssima dificuldade.
Um número elevado de empresas (86%) considera de
moderada a baixíssima alguma barreira que impeça a interação com universidades e centros de pesquisas.
Analisando os três itens anteriores, vê-se que apesar de um
bom trânsito entre as universidades e centros de pesquisas, os
empresários pernambucanos não estão conseguindo traduzir
isto em facilidades para busca de mão-de-obra especializada.
Quanto ao acesso a informações e gestão da propriedade intelectual, as empresa se distribuem de forma homogênea ao longo da pesquisa. O nível de dificuldade vai de baixíssima a altíssima sem uma moda determinada. Quando,
entretanto, se analisa esta distribuição versus as empresas
que declararam possuir depósitos de marcar ou patentes
(62%), observamos que o grau de dificuldade varia de moderado a altíssimo para estas mesmas empresas (62,5%). Ou
seja, só vê a dificuldade quem já buscou redigir um relatório
de patente e iniciou o processo.
b) Aspectos Administrativos e de negócios
Cinqüenta por cento das empresas consideram como
baixa a dificuldade de acesso a novos mercados. Os outros
50% registraram como moderada a alta (Figura 6).
A facilidade declarada em atingir novos mercados se reflete na tendência de crescimento do setor. Também se expressa nos investimentos em novos produtos, no emprego
de Biotecnologia de ponta e no potencial exportador.
O acesso às compras governamentais é considerado um
grande problema para a maioria das empresas (87,5% - 7/8).
O grau de dificuldade varia de moderado a altíssimo com uma
tendência maior para altíssimo (37,5%). A pouca penetração
das empresa no mercado governamental do Estado é um dos
obstáculos ao crescimento do setor. Analisando os vários produtos e serviços das empresas, observa-se que todos são direta ou indiretamente empregados pelo governo ou órgãos
do mesmo em suas ações e rotinas. Entretanto, o alto nível
de dificuldade expresso pelos empresários em vender para o
governo demonstra que provavelmente o problema esteja na
falta de informação associada à não-implementação de uma
política pública já existente para a questão.
A obtenção de registros e licenças (MAPA, ANVISA, IBAMA, etc..) foi considerada como de moderada a altíssima dificuldade pela grande maioria dos empresários (87,5%). A
Figura 5: Análise de grau de dificuldade em 8 aspectos técnicos da rotina das empresas de biotecnologia Pernambucanas.
maior parte destes considerou o parâmetro como de alta dificuldade (50%).
O acesso a certificações (ISO, BPF, etc.) teve um comportamento geral muito próximo do item anterior. Entretanto,
quando analisada a moda observamos que a maioria considera o nível de dificuldade como altíssimo (50%). O setor de
biotecnologia é sem dúvida um dos mais normatizados e regulamentados. Registros e licenças são obrigatórios a todas
as empresas, antecedendo muitas vezes ao início da produção e a comercialização de qualquer produto. O alto grau de
dificuldade apresentado pelos empresários em atender tais
normas reflete-se diretamente nos longos períodos de incu-
bação e no alto custo dos empreendimentos. O excesso de
burocracia associado a exigências legais, muitas vezes impossíveis de serem atendidas por micro empresas incubadas, inviabiliza negócios promissores. O longo tempo necessário ao
cumprimento de tais normas encarece o investimento exigindo alto capital de giro e potencializa o risco.
As certificações são hoje uma rotina principalmente em
Biotecnologia voltada para saúde humana ou animal. Conforme normas já estabelecidas tanto pelo MAPA (Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) como pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), é exigido que
indústrias apresentem certificação de Boas Práticas de Fabri-
Design para quem usa Design
Design for who use Design
Ligia Aparecida Inhan Matos
Curso de Tecnólogo em Design Gráfico
Faculdade Estácio de Sá de Juiz de Fora – MG
R. Tom Fagundes, 93/102 – Cascatinha - Juiz de Fora - MG
E-mail: [email protected]
Artigo submetido em 13 de agosto de 2008, recebido na forma corrigida e aceito em 30 de outubro de 2008.
RESUMO
ABSTRACT
A própria definição do design implica em desenhar
The definition of the design teases in drawing products
mercadorias pensando no ser humano. Entretanto, têm-se
thinking about the human being. Meantime, it have been
percebido que o designer vem enfatizando o desenvolvimen-
realized that the designer is emphasizing the development
to de produtos voltados para a classe alta, esquecendo-se
of products turned to the upper class, forgetting the lower
das classes mais baixas. Nos lares das famílias abastadas,
classes. At homes of the wealthy families, when it refers to
quando se refere aos utensílios e eletrodomésticos de cozi-
utensils and household appliances of kitchen, the one who
nha, quem os usa, de fato, são as empregadas, faxineiras e
uses them, in fact, it is the employees, cleaners and nannies
babás que não sabem como conservá-los, ou porque igno-
who cannot know how to preserve them, or because they
ram suas instruções, ou porque utilizam força excessiva para
ignore its instructions, or because they use excessive strength
limpá-los, manchando ou quebrando-os. Paralelo a esse fato,
to clean them, staining or breaking them. Parallel to this
o descarte desses artefatos provenientes das classes mais
fact, discards of products originating from the upper clas-
altas, invariavelmente chegam às classes pobres. Deprecia-
ses invariably reaches the lower classes. These
dos, os objetos, que não foram projetados para essa popu-
devalued objects, which were not projected for this popu-
lação, geram uma alta quantidade de lixo ao derredor das
lation, produce a high quantity of garbage to around of the
moradias dessas populações provocando um impacto am-
dwellings of these populations provoking an environmen-
biental negativo. O designer pode, no entanto, resolver es-
tal negative impact. The designer can resolve, however, the-
sas questões, ao elaborar produtos com novos materiais que
se questions, while preparing products with new materials
pensem nessas necessidades. Ao inovar, pode se apoiar nas
that considers these necessities. While innovating, he can
incubadoras de design que estão se proliferando no Brasil,
be helped by business design incubators. These
possibilitando ao designer ter todo o apoio para desenvol-
incubators are proliferating at Brazil, making possible a
ver seu projeto de acordo com suas próprias necessidades
designer to have all support in developing his project accor-
de retorno financeiro e de ideal.
ding to his goals of financial return and ideal.
PALAVRAS-CHAVE:
•
•
•
inovação de materiais
classes sociais
incubadoras de design.
114 Dos Santos, E.S.C e Andrade, P.P., Locus Científico, Vol 02, nº.04 (2008) pp 110-120
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ISSN -1981-6804 - versão digital
KEYWORDS:
•
•
•
materials innovation
socials classes
design businesses incubator
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ARTIGO DE OPINIÃO
CULTURA DO EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO (CEI)
INTRODUÇÃO
“Porque todos os homens não são igualmente ricos? Por uma razão muito simples: é que não são igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem
sóbrios e previdentes para conservar.”
(Allan Kardec, séc. XIX)
Segundo Löbach [2001] design pode ser definido como
o ato de gerar uma ideia, um projeto ou um plano para a
solução de um problema determinado, corporificando-os em
objetos bi ou tridimensionais passíveis de produção em série.
Com o desenvolvimento das indústrias, associado ao
aumento das necessidades físicas, emocionais e psicológicas, bem como ao natural aumento da população, ampliaram-se a diversidade dos produtos [PUERTO, 1999].
A partir das últimas décadas, surgiram os produtos que
empregam alta tecnologia e eles têm sido o foco de muitos
designers [BONSIEPE, 2005]. No entanto, esse tipo de produto parece estar sendo exageradamente valorizado pelos
profissionais do desenho industrial, pelo fato de que projetar essas mercadorias excita tanto a vaidade quanto aumenta de forma exponencial o retorno financeiro.
Mais e mais design tem se afastado da ideia da resolução inteligente de um problema (James Dyson)
aproximando-o do efêmero, do modismo e do rapidamente obsoleto, para a interpretação do estéticoformal, para a “botiquização” de um universo de
produtos da vida diária. Por essa razão o design hoje
é frequentemente identificado como caro, refinado,
particularmente não prático, engraçado e formalmente levado a objetos coloridos. A hipertrofia dos
aspectos da moda é acompanhada e aumentada pela
mídia com seu apetite voraz por novidades. O design tem tornado-se então um evento de mídia – e
nós temos um considerável número de publicações
que serve como caixas ressonantes deste processo
[BONSIEPE, 2005, pg. 2].
Esse modelo acentua a percepção de que a atividade é
voltada para um público de classe alta, e conseqüentemente, não tem interesse, nem tempo, para desenvolver projetos para as demais faixas de renda, principalmente as classes mais baixas.
No entanto, existe um mercado. Conforme Sen [2000]
revela, a insatisfação no vestir-se ou morar de modo apropriado, indicam que essas pessoas têm necessidades de objetos de uso produzidos para elas. Um dos principais problemas das pessoas desfavorecidas socialmente se apresenta pela falta de liberdade de escolha.
As mulheres de baixa renda, chefes de família, tentam
preservar certa “ordem e funcionalidade” na sua cozinha,
no entanto, percebem-se objetos retorcidos pelo uso e pela
força excessiva empregada para limpá-los. Muitas dessas
mulheres trabalham em casas “de família” como faxineiras,
empregadas domésticas ou babás onde encontram utensílios e eletrodomésticos parecidos com os que existem em suas
casas, com poucas variações no design. Quase todos esses
objetos de uso têm o mesmo material e acabamento, apresentando-se frágeis e rapidamente se deterioram pela força
muscular empregada por essas trabalhadoras para conservá-los. Isso demonstra que o design não está sendo feito
para quem usa e mantém o bem, mas para quem o vê e
aprecia.
Por outro lado, quando as camadas sociais mais altas
trocam seus móveis e eletrodomésticos, invariavelmente os
doam para instituições de caridade ou encaminham para
suas próprias serviçais. Em ambos os casos, o bem, que já
está deteriorado e não foi pensado para aquela população,
torna-se mais um objeto de lixo a ser agregado nos locais
onde mora, gerando um impacto ambiental negativo nesses locais.
O designer, com conhecimento sobre o desenho do produto, pode interferir nesse consumismo ao elaborar projetos que aumentem o seu ciclo de vida, contribuindo para
diminuir o impacto ambiental.
Para isso, o designer não necessita estar vinculado a
uma empresa de grande porte. Ele mesmo pode deter todo
o mecanismo de produção a partir da ajuda das incubadoras e órgãos de fomento. As incubadoras de design abrigam as empresas especificamente desta área e que apresentem propostas inovadoras, abrindo um caminho seguro para
que o designer possa empreender na busca de novos materiais, processos ou criando algo totalmente novo.
Este artigo apresenta inicialmente um panorama sobre
a pobreza no Brasil e como o designer, atuando neste contexto com apoio da incubadora de design, pode atingir um
mercado muito amplo que não está sendo suprido pelo design, contribuindo de forma eficaz no atendimento às necessidades das classes sociais mais baixas.
OS “SEM-OBJETOS DE LUXO”, MAS “COM-OBJETOS
DE LIXO”
A pobreza, segundo Sen [2000], economista indiano,
ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1998, envolve
uma complexidade de características e circunstâncias pessoais muito além do alcance de números e dados estatísticos sobre determinadas classes sociais, não sendo possível
separá-las em níveis rígidos.
Ser pobre envolve fatores sociais, geográficos e biológicos que alteram de modo significativo no rendimento de
cada indivíduo. Além disso, a falta de elementos básicos
como a instrução, acesso a terra, a saúde e a longevidade, a
justiça, o apoio familiar e comunitário, o crédito e outros
recursos produtivos e de voz ativa nas instituições e oferta
oportunidades, diminuem substancialmente os meios de
atender as necessidades básicas de consumo pelo indivíduo.
A despeito de aumentos sem precedentes na opulência global, o mundo atual nega liberdades ele-
Figura 2: Porte das empresas com base no faturamento anual.
número de funcionários, observa-se que a maioria das empresas (62% - 5/8) tem entre 5 e 10 funcionários, incluindo
os sócios. Nenhuma empresa declarou ter mais de 25 funcionários.
Dentre as 8 empresas pesquisadas, 6 são indústrias e 2
são prestadoras de serviços. Quanto ao setor de atividade,
saúde animal é o predominante (24%), seguido por saúde
humana, agricultura, insumos e bioenergia (17%) e meio
ambiente com 8%. Duas empresas se declararam como atuantes em mais de um setor.
O grau de inovação tecnológica, bem como a inserção
da empresa no mercado, foi medido através do número de
depósitos de patentes e marcas. Em ambos foi considerado
o depósito em nome da empresa ou de seus representantes.
Nos dois casos 62% (5/8) das empresas informaram ter depósitos de marcas e patentes. Em nenhum dos casos foi ainda concedida carta patente ou o registro definitivo da marca. Para as questões acima foi considerado apenas o depósito nacional. Somente uma empresa declarou ter mais de um
pedido de patente depositado.
b) A Tecnologia
Todas as empresas declaram que estão atualmente com
novos produtos e serviços, baseados em tecnologia de ponta, em fase de desenvolvimento. Entretanto, apesar da forte
vertente tecnológica, apenas 38% (3/8) declararam já ter
utilizado financiamentos para pesquisa através de órgãos
governamentais, tais como: FACEPE, FINEP, CNPq, etc. E destas, apenas uma declarou ter atualmente projeto sendo financiado por órgãos de fomento oficial.
Quando analisada a base tecnológica de cada empresa,
25% declararam empregar Biotecnologia moderna (ex.: DNA
recombinante, PCR, anticorpos monoclonais, transgênicos,
etc.) como técnicas corriqueiras em suas linhas de produção
ou serviços. Outros 25% empregam apenas Biotecnologia clássica (ex.: processos fermentativos, melhoramento clássico, etc.)
e os restantes 50% empregam as duas formas.
c) O negócio
Oitenta e sete por cento das empresas (7/8) vendem para
fora do Estado de Pernambuco. A única empresa que ainda
não comercializa seus produtos para fora do Estado é a
mesma que declarou ainda não está faturando. Todas as regiões do País são atendidas pelas empresas pernambucanas. Com predomínio para região Sudeste (30%), seguida
pela região Centro-Oeste (25%) e as demais regiões: Sul,
Nordeste e Norte com 15% cada uma (Figura 3).
104 Inhan, L., Locus Científico, Vol 02, nº.04 (2008) pp 103-109
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Figura 3: Regiões do país atendidas pelas empresas pernambucanas. Os
percentuais são referentes ao total para o Brasil.
Quando analisado o porte da concorrência, 58% dos
concorrentes são empresas de grande e médio porte e 35%
são de micro e pequenas empresas. Uma das empresas pesquisadas declarou não ter concorrência em sua área de
atuação (Figura 4).
Figura 4: Porte das empresas concorrentes.
Apenas uma empresa declarou ter administração profissional, feita por profissional devidamente habilitado em
administração de empresas ou similar.
Quando analisado o potencial exportador, 87% (7/8) das
empresas acreditam que podem exportar. Entretanto, apenas 1 empresa declarou que já exporta.
5.3 - Análise Qualitativa
Tendo como espelho a pesquisa realizada pela Biominas, foi sondado o grau de dificuldades das empresas Pernambucanas em vários aspectos da rotina de seus negócios. A análise foi dividida em dois aspectos, a saber: Aspectos Técnicos e Aspectos Administrativos e de Negócios. As
perguntas foram respondidas com base em uma tabela de
gradação com valores crescentes entre 1 e 5, onde 1 era
baixíssimo e 5 altíssimo.
a) Aspectos Técnicos
Dentre os parâmetros técnicos, o primeiro a ser analisado foi a aquisição de máquinas e equipamentos, apresentando dificuldade de alta a altíssima em 37,5% das empresas e moderada em 50% delas. Já a aquisição de matériaprima e insumos teve um comportamento homogêneo se
distribuído entre os vários níveis (Figura 5).
Os setores emergentes (Meio Ambiente, Bioenergia e
Insumos) são os mais prejudicados com a dificuldade na
aquisição de máquinas e equipamentos, matéria-prima e
insumos. Este obstáculo a mais reflete o pioneirismo destes
setores, que ainda estão buscando solidez.
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ARTIGO CIENTÍFICO
USO INTENSIVO DE TECNOLOGIA (PIT)
4 - MATERIAL E MÉTODOS
4.1 - Definição de critérios de inclusão
Para nortear o presente trabalho tomou-se como definição de empresas de biotecnologia a mesma utilizada pela
Fundação Biominas em seu estudo mais recente – Estudo de
Empresas de Biotecnologia do Brasil 2007, p15:
“Uma empresa de biotecnologia é aquela que tem como
atividade comercial principal a aplicação tecnológica que utilize organismos vivos, sistemas ou processos biológicos, na
pesquisa e desenvolvimento, na manufatura ou na provisão
de serviços especializados”.
As empresas foram identificadas através de conhecimentos pessoais e indicações de outros empresários do ramo.
Para o presente estudo só foram consideradas as empresas privadas genuinamente pernambucanas. Não foram consideradas empresas estatais como o IPA (Instituto Agronômico de Pernambuco) e a Fundação HEMOPE.
4.2 - Metodologia de coleta de informações e análise
A coleta de informações foi feita através de um questionário (anexo I) respondido diretamente pelos dirigentes das
empresas e formulado com base em outros questionários do
gênero como, por exemplo, o questionário qualitativo empregado na pesquisa da Fundação Biominas, 2007.
As respostas foram analisadas através de tabelas e gráficos confeccionados em Microsoft® Excel 2003.
mentares a um grande número de pessoas – talvez
até mesmo à maioria. Às vezes a ausência de liberdades substantivas relaciona-se diretamente com a
pobreza econômica, que rouba das pessoas a liberdade de saciar a fome, de obter uma nutrição satisfatória ou remédios para doenças tratáveis, a oportunidade de vestir-se ou morar de modo apropriado1, de ter acesso à água tratada ou saneamento
básico [SEN, 2000].
sadas. Dos 8 pesquisados 7 tem currículos na base. Todos
são mestres ou doutores em várias especialidades das ciências biomédicas ou biológicas. Seis já coordenaram projetos de pesquisa e são docente ou ex-docente de alguma
universidade. Todos possuem várias publicações técnicocientíficas, orientações em vários níveis e de moderada a
grande experiência na área de pesquisa dentro e fora do
país. Entretanto, apenas um possui em seu currículo alguma menção a cursos na área de administração de empresas ou similares.
5.2 - Análise Quantitativa
a) As empresas
A distribuição das empresa sob o território do Estado é
muito desigual. Como não poderia deixar de ser, Recife tem
a maior concentração de empresas (8), das quais 6 foram
pesquisadas. Ao norte do Estado, no município de Goiana,
há uma empresa e outra localizada na região do Agreste, no
município de Caruaru. Das empresas localizadas em Recife,
todas estão dentro de incubadoras.
O perfil apresentado acima parece corresponder ao que,
costumeiramente, chama-se de classes D e E brasileiras.
Tais fatores interferem de forma significativa na maneira
de como as pessoas sem esses elementos básicos lidam com
os bens produzidos. Mas como perceber as necessidades das
camadas sociais carentes? Uma alternativa seria uma pesquisa ampla a fim de avaliar como essas pessoas interagem com
os objetos de uso. No entanto, uma simples visita exploratória a tais ambientes pode desencadear inúmeras hipóteses.
No Brasil, as mulheres das classes sociais mais baixas
são, na maioria das vezes, a chefe da casa, segundo Cardoso [2008]. Elas tentam manter certa “ordem” e “funcionalidade” nos objetos do seu lar. De forma geral, a cozinha é o
primeiro ambiente que se observa ao se adentrar em suas
casas, onde as panelas, os talheres e os armários estão deformados devido ao tempo de uso, invariavelmente esses
objetos são de segunda ou terceira mão e também à forma
como são manejados e conservados.
5 - RESULTADOS E DISCUSSÃO
Dez empresas foram identificadas no Estado. Porém, duas
não responderam ao questionário, ficando fora da pesquisa
(Tabela 1).
Número
Nome
Localização
Situação quanto
à pesquisa
Recife – POSITIVA1
sim
01
Biogene
02
Biovetech
Recife – POSITIVA
sim
03
Genetech
Recife – POSITIVA
sim
04
TargetDNA
Recife – POSITIVA
sim
05
TissueBond
Recife – POSITIVA
sim
06
BioLogicus
Recife – INCUBATEP2
sim
07
Biolab
Goiana
sim
08
Bioenzimas
Caruaru
sim
09
InsideDNA
Recife – NECTAR3
não
10
Bioticom
Recife - NECTAR
não
Tabela 1: Relação das empresas de biotecnologia do Estado de Pernambuco e
situação quanto à pesquisa. 1 Incubadora de empresas da Universidade Federal
de Pernambuco. 2 Incubadora de empresas do Instituto Tecnológico de
Pernambuco. 3 Incubadora de empresas privada.
5.1 - O perfil dos empresários
Para uma análise mínima do perfil dos empresários foi
feita uma busca na base Lattes através do nome dos mencionados responsáveis de cada uma das empresa pesqui-
Figura 1: Distribuição das empresas de biotecnologia em Pernambuco. Estão
representados apenas os municípios do Litoral, Zona da Mata e Agreste. A barra
horizontal indica a escala.
Quanto à idade, as empresas dividem-se em três grupos distintos: Três empresas têm até 2 anos de fundação,
duas estão entre 3 a 5 anos e as três últimas chegam a 10
anos. A grande maioria (7/8) é vinculada a programas de
incubação.
A análise do porte, tendo como base o faturamento,
apresenta perfis de micro e pequenas empresas, com faturamento médio anual próximo dos R$ 500 mil reais. Metade
das empresas (4/8) fatura entre R$ 1 e 240 mil reais ano.
Estas empresas estão entre as empresas mais jovens pesquisadas. Apenas uma empresa declarou que ainda não está
faturando (Figura 2).
Quando o porte da empresa é analisado com base no
Figura 1 – As panelas brilham. “Ordem e funcionalidade” na casa de S.T. moradora do bairro Olavo Costa, Juiz de Fora – MG.
Figura 2 – Esses talheres podem ser encontrados em redes de supermercados, geralmente, utilizados para churrascos de fins de semana nas residências de classe
média. Cabos de talheres deformados e partidos, panelas amassadas e com as alças quebradas. Casa de S.T. moradora do bairro Olavo Costa, Juiz de Fora – MG.
1
Grifos da autora
112 Dos Santos, E.S.C e Andrade, P.P., Locus Científico, Vol 02, nº.04 (2008) pp 110-120
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ARTIGO CIENTÍFICO
CULTURA DO EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO (CEI)
Segundo Mestriner [2002], elas prezam a limpeza como
ponto de honra, dentro dos próprios lares e na vida profissional. Dados do IBGE [2005], indicam mais de 6,2 milhões
de mulheres exercendo trabalhos domésticos, como empregada doméstica, faxineira, babá, entre outras, e muitas vezes, servindo a mais de uma residência [IBGE, 2007] e esse
tipo de serviço dota a trabalhadora de musculatura desenvolvida, principalmente dos membros superiores.
Assim, o emprego de força excessiva no uso e manutenção dos produtos em geral leva a sua rápida deterioração. Outro fator que contribui para essa conseqüência é a
falta de compreensão das instruções de conservação e manuseio. Segundo Frisoni e Borges [2006], os produtos desenhados nas instruções de uso e conservação levam em consideração o conhecimento prévio da existência desses produtos pelo usuário, embora na realidade, o usuário possa
não possuí-los.
O fogão e a geladeira, por exemplo, são fabricados com
os mesmos materiais para todos os modelos e vendidos para
quase todas as classes sociais. Logo, em pouco tempo estão
riscados, manchados ou quebrados. Esses danos podem ser
explicados porque o tipo de material desses bens não se
adequa ao sujeito que o usa ou porque a maioria das mu-
lheres com função de domésticas ignora como utilizar e conservar tais produtos, ou ambas situações. Consequentemente, o design desses eletrodomésticos e utensílios tem sido
pensado para quem os vê e os aprecia, mas não para aquelas que os usam e os mantém. Assim, o consumo dos produtos que deveriam ser duráveis aumenta porque seu ciclo
de vida diminui, provocando a necessidade de substitui-lo
por um novo, levando ao consumismo.
Por outro lado, o descarte desses objetos em estado de
deterioração originários das classes mais altas e que chegam às mãos das classes sociais mais baixas, provocam um
impacto ambiental relevante [IBGE, 2007a].
Segundo entrevista concedida pelo gerente da Líder Interiores, loja da fábrica Líder Interiores, de Juiz de Fora MG, a maioria dos móveis descartados pelas proprietárias
que adquirem novos produtos são doados para instituições
de caridade ou são encaminhados diretamente para famílias carentes, vivendo sob condições de insegurança alimentar. Se esse dado for extrapolado para o Brasil, os números
tornam-se alarmantes impactando no meio ambiente. São
mais 23,2 milhões de pessoas que vivem sob essas condições residentes nas áreas urbanas do país, segundo dados
levantados pelo IBGE em 2004 [IBGE, 2007a].
a Lei de Biossegurança, a Medida Provisória de Acesso ao
Patrimônio Genético e a Lei de Proteção aos Cultivares delimitaram e normatizaram o uso e acesso a nossa biodiversidade, ofertando grande gama de matéria prima para a geração de novos negócios. A Biotecnologia desponta como
um setor de grande potencial, uma indústria de produtos
com alto valor agregado e de imenso potencial inovador.
Entretanto, como será percebido ao logo deste artigo,
a Biotecnologia Pernambucana é ainda uma indústria carente de apoio, rica em ideias e projetos, mas com pouco
poder de investimento, desenvolvendo produtos que já fazem sucesso em todas as regiões do País, mas pouco ou
nada conhecidos em seu próprio Estado, e dirigida por pesquisadores de competência reconhecida, mas que ainda estão aprendendo a administrar uma empresa.
Este cenário é o grande motivador do presente trabalho.
2 - OBJETIVOS
O principal objetivo aqui é apresentar um panorama o
mais completo possível do setor de biotecnologia representado pelas 10 empresas privadas pernambucanas identificadas. Mais especificamente, este estudo também objetiva uma
análise do perfil tecnológico, econômico e setorial destas
empresas, além de prospectar o nível de dificuldade a que
as empresas estão expostas em várias de suas atividades do
ponto de vista técnico, administrativo ou de negócios.
3 - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
São dois os fundamentos básicos que norteiam este estudo: o ambiente empresarial e tecnológico em que estão
envolvidas as empresas de biotecnologia em Pernambuco e
seu posicionamento frente aos desafios futuros e às demandas da sociedade.
Figura 3: Fim do caminho dos móveis usados?
Fonte: Viva Favela. Comunidade Invisível. (www.vivafavela.com.br, 2008]
Nas favelas localizadas em regiões geográficas de difícil acesso e sem coleta de lixo, essas pessoas costumam descartar os
detritos desses produtos próximos à sua residência, implicando
em um aumento do problema ambiental das regiões urbanas.
3.1 - O ambiente empresarial e tecnológico
No debate público e acadêmico contemporâneo, o conhecimento tem sido considerado fator chave para o desenvolvimento socioeconômico. Não é por outra razão que
se convencionou chamar a fase atual do desenvolvimento
capitalista de “economia baseada no conhecimento” [OECD,
1999].
Este novo modelo econômico é caracterizado por ambientes competitivos e intensivos em tecnologia, financeiramente globalizados e liberalizados produtiva e comercialmente.
Entretanto, o conhecimento e os processos de aprendizagem
e de construção de competências a eles relacionados, na medida em que são processos essencialmente interativos e incorporados em pessoas, organizações e relacionamentos, são
muito influenciados pelo território [CROCCO et al., 2006].
O território atua como um espaço comum onde as interdependências intencionais e não-intencionais, tangíveis
e intangíveis, comercializáveis e não-comercializáveis, se sobrepõem. Para que estas relações possam se dar plenamente e originarem processos de aprendizado coletivo e de difusão do conhecimento, são necessárias as proximidades
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106
cognitiva e física. Elas devem estar “imersas” em um ambiente local, que atue como facilitador e estimulador dessas
relações e como ligação entre um sistema de produção e
uma cultura tecnológica específica [CROCCO et al., 2006].
No Brasil os empreendimentos em biotecnologia deram
início a uma grande expansão na última década. Naturalmente, as empresas nascentes tornaram-se participantes de
arranjos produtivos especiais, tais como incubadoras e parques tecnológicos, geralmente de vinculação universitária
[JUDICE et al., 2005]. Oriundas ou atraídas por estes ambientes, as empresas são hoje dependentes destes, buscando
assim o acesso à tecnologia, base de sua existência, uma
certa proteção institucional e o aporte em infra-estrutura
[PEREIRA e MUNIZ, 2006].
Em Pernambuco estes ambientes estão resumidos a programas de incubação, cujo potencial de absorção de tecnologia e agregação de valor ainda é muito resumido, particularmente na área de biotecnologia. Não existe no Estado
um ambiente especifico. As empresas, apesar de suas necessidades particulares, estão misturadas a outros empreendimentos e muitas vezes competem com estes por espaços físicos e atenção institucional.
3.2 - Desafios futuros e demandas sociais
O Brasil como novo emergente frente ao mundo globalizado é questionado quanto a sua competência em cumprir determinados papéis com nação desenvolvida, democrática e capitalista. A proteção ao meio ambiente, em particular à floresta amazônica, a mudança na matriz energética, a crescente demanda por alimentos e o combate a doenças ressusgentes e emergentes, tanto humanas como animais, são exemplos de desafios já presentes em nossos dias.
Em um plano mais elevado a biotecnologia é entendida
como uma trama complexa de relações técnicas, sociais, econômicas, políticas, éticas e institucionais que demanda esforço transdisciplinar e interinstitucional para seu desenvolvimento [TRIGUEIRO, 2002]. Para a sociedade, a biotecnologia se apresenta como uma verdadeira caixa de Pandora:
Inspirando curiosidade, oferece a chave para a solução de
inúmeras questões envolvendo saúde, alimentação, produção de energia, meio ambiente, etc. Entretanto, há também
a percepção de que ela pode ser assustadora por abordar
questões e valores culturais tradicionais, como, por exemplo, o controle da vida, a clonagem humana e a criação de
novos organismos em laboratório.
O Estado de Pernambuco se posiciona hoje em meio a
um turbilhão de oportunidades. Os mega investimentos
no litoral sul do Estado (SUAPE) proprocionarão vantagens
competitivas e demandas antes inexistentes. A biotecnologia pode responder com eficiência a muitas destas demandas, sejam elas diretas, a partir do novo pólo industrial (biocombustíveis, remediação ambiental, novos materiais, otimização de processos, etc), sejam indiretas, como por exemplo, o controle de endemias locais existentes e re-emergentes.
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ARTIGO CIENTÍFICO
LOCUS CIENTÍFICO
USO INTENSIVO DE TECNOLOGIA (PIT)
ISSN -1981-6790 - versão impressa
ISSN -1981-6804 - versão digital
Panorama das Empresas Privadas de Biotecnologia do
Estado de Pernambuco 2007
Panorama of biotechnology industries in Pernambuco State – Brazil, 2007
Emanoel Sérvio Coqueiro dos Santos
1, *
e Paulo Paes de Andrade
1,2
1 - Biogene Indústria e Comércio Ltda ME,
Rua Costa Sepúlvida, 749, Engenho do Meio
Recife – PE, CEP 50.730-260
2 - Departamento de Genética,
Universidade Federal de Pernambuco,
Av. Moraes Rego s/n, Recife – PE, CEP 50.670-901
E-mail: [email protected] e [email protected]
*Autor de contato
Artigo submetido em 08 de novembro de 2008, recebido na forma corrigida e aceito em 30 de novembro de 2008.
RESUMO
ABSTRACT
Este trabalho apresenta um panorama das empresas
pernambucanas de biotecnologia. Os dados foram obtidos
através de questionários respondidos pelos empresários e
analisados com base no estudo elaborado pela Fundação
Biominas. Os resultados apresentam um perfil semelhante
ao nacional. Porém, revelam o Estado de Pernambuco em
um patamar superior ao esperado.
This paper presents the panorama of biotechnology industries and services from Pernambuco. Data were consolidated from questionnaires answered by CEOs or presidents,
following the Biominas Foundation guidelines. The results
show a similarity between the State and the National profiles, ranking however Pernambuco higher than previously
anticipated.
PALAVRAS-CHAVE:
•
•
•
•
KEYWORDS:
Biotecnologia
Pernambuco
Política de Inovação
Incubadora
•
•
•
•
1 - INTRODUÇÃO
Nos últimos meses do ano de 2007 o Governo do Estado de Pernambuco iniciou uma série de debates tendo como
meta a criação de uma Política e Plano de Ação da Ciência,
Tecnologia e Inovação para o período 2008-2010. Ao longo
dos primeiros debates ficou clara a ausência de informações mais específicas sobre o setor de Biotecnologia Estadual. Esta lacuna despertou o interesse no levantamento que
demonstrasse o real perfil do setor, seu porte e potencialidades.
Nesse mesmo período, a Fundação Biominas lançou seu
primeiro estudo a respeito das empresas de biotecnologia
do Brasil. Em uma análise superficial já foi possível notar
que Pernambuco era o 5º. Estado em número de empresas
atuantes na área das Biociências. Neste estudo, a Biominas
conseguiu rastrear apenas 6 empresas em Pernambuco, enquanto os autores deste artigo rastrearam 10 empresas. Este
Biotechnology
Pernambuco Brazil
National Policy, Inovation Policy,
Incubator
último número coloca este Estado em posição de grande
prestígio e destaque nacional: embora continue na 5º. colocação, está de fato muito mais próximo ao 4º. colocado, o
Estado do Rio de Janeiro, que tem um longo histórico em
empreendedorismo e negócios na área. Desta forma, Pernambuco se coloca a frente de vários Estados mais ricos e
com maior tradição nas ciências médicas e biológicas, posição que sem dúvida surpreende. A frente de Pernambuco
estão São Paulo (com 66 empresas), Minas Gerais (também
com 66 empresas), Rio Grande do Sul (com 12 empresas) e
Rio de Janeiro (com 11 empresas).
Nos últimos anos os estímulos à inovação vêm se multiplicando no país. Marcos legais como a Lei de Inovação Tecnológica, Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, Lei do
Bem e outros mais antigos, como a Lei de Propriedade Intelectual, apontam para um caminho sem volta rumo ao crescimento do País. Especificamente na área da biotecnologia,
Figura 4: Descarte dos restos dos objetos de uso.
Fonte: Viva Favela. Trinta anos de abandono. [www.vivafavela.com.br, 2008]
NAS MÃOS DE QUEM SABE
Há bem pouco tempo atrás, o designer poderia justificar que a escolha dos materiais não estava em suas mãos,
porque estava submetido aos compromissos daquele que
contratava o serviço do design, normalmente preocupado
em diminuir os custos, inclusive pela economia das matérias primas substituindo-as por materiais de baixa qualidade
[LOBACH, 2001].
Contudo, atualmente está cada vez mais arriscado a
empresa permanecer atada a diminuição de preços para
manter-se no mercado. A qualidade tem se tornado importante fator na preferência dos consumidores. As novas mercadorias, técnicas, fontes de suprimento ou tipo de organização determinam a superioridade sobre os preços, levando
muitas empresas tradicionais com sistemas ultrapassados a
fecharem suas portas [SHUMPETER, 1997].
Nesse sentido, o designer encontra um caminho alternativo e seguro, com o surgimento das incubadoras de design e o amparo dos órgãos de fomento permitindo a ampliação do ato de projetar conforme seus ideais, além de
aplicar e desenvolver o conhecimento adquirido na academia.
As incubadoras de design foram criadas com o fim de
apoiar as empresas nascentes até que se consolidem em seu
negócio. Tem como principal objetivo estimular a criação e
desenvolvimento de microempresas industriais ou de prestação de serviços de base tecnológica e de manufaturas leves, possibilitando a oportunidade, àquele que queira, de
tornar-se um empreendedor [CRITT, 2005].
No Brasil, desde a década de 80, tem surgido parcerias
110 Dos Santos, E.S.C e Andrade, P.P., Locus Científico, Vol 02, nº.04 (2008) pp 110-120
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de incentivo e fomento desse movimento empresarial. O
apoio do Governo Federal às universidades, aos centros de
pesquisa e às instituições, juntamente com o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), possibilitou capacitar e empreender a expansão do sistema de
incubação pelo país.
As incubadoras, geralmente, são montadas em um espaço físico específico para alojar as microempresas temporariamente. Dispõem de serviços compartilhados e facilidades individuais, recursos humanos e serviços especializados
que auxiliam nas suas atividades, na capacitação, formação
e treinamento dos empresários, acesso a laboratórios, bibliotecas, além dos aspectos gerenciais e financeiros, buscando atender as particularidades de cada empresa incubada.
Além do ao apoio técnico-econômico, a concentração
de diversos empresários permite um clima empreendedor
que propicia maiores chances de sucesso empresarial para
aqueles que estão incubados. Surgem ao redor do círculo
de influência da incubadora, fornecedores, clientes e pessoas que incrementam e possibilitam a geração de recursos,
materiais e processos para a inovação constante necessária
a qualquer empresa, principalmente para a empresa de design [CRITT, 2005].
Logo, o designer consegue reter todo o processo produtivo em suas mãos e pode, efetivamente, criar uma nova
qualidade não conhecida pelo consumidor, permitindo a
abertura para novos mercados ou novos métodos de produção e não somente permanecer restrito a pequenos incrementos nas mercadorias.
O conceituado designer Aloísio Magalhães [1998] alerInhan, L., Locus Científico, Vol 02, nº.04 (2008) pp 103-109 107
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ARTIGO CIENTÍFICO
CULTURA DO EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO (CEI)
ta sobre a falta de originalidade dos produtos brasileiros,
levando à cópia de modelos importados inadequados para
as realidades de um país tropical. Percebe-se que os utensílios e eletrodomésticos produzidos no Brasil, são basicamente
os mesmos para todas as camadas sociais, com poucas diferenças de design, então, as inovações nesse setor poderão
criar mudanças de hábito de consumo, permitindo inovações radicais.
Nesse sentido, a definição de Schumpeter [1997] para a
inovação estimula o designer a ser mais do que um inventor
ou um prestador de serviços de projetos, leva-o a essência
do empreendedorismo, pois viabiliza o projeto determinando os requisitos de material e acabamento além de fabricálos. Para esse autor, enquanto a ideia ou plano se restringe
ao projeto não há inovação, ela só se efetiva se for incorporada à produção e/ou circulação de mercadorias.
Enquanto as indústrias brasileiras têm pouca consciência de sua influência no meio ambiente, produzindo devastações e transformações na natureza urbana, o designer
neste momento, empreendedor, que materializa seu ideal
para o mercado, pode estabelecer um novo padrão de fabricação. Ao utilizar materiais sustentáveis aumentando o ciclo de vida dos produtos fabricados por ele, irá diminuir o
impacto ambiental dos bens e, consequentemente, diminuir
o consumismo de todas as classes sociais.
No entanto, essa abordagem não é nova. A Rede Brasileira de Produção mais Limpa difunde o conceito de ecoeficiência e uma Metodologia de Produção mais Limpa. Com
instrumentos para aumentar a competitividade, a inovação
e a responsabilidade ambiental do setor produtivo brasileiro consegue desenvolver a consciência ambiental necessária para aumento da eficiência produtiva e do lucro [HINZ;
VALENTINA; FRANCO, 2007].
Em países industrializados, existem empresas que já perceberam sua responsabilidade como contribuinte na degradação dos recursos naturais. Atualmente, elas já dispõem
de recursos financeiros, organizacionais e tecnológicos de
forma a resolver ou minorar direta e indiretamente o impacto no ambiente causado pela fabricação de bens. Assim,
a preocupação com o ciclo de vida do produto tem sido
importante em muitos países.
A inserção de ações para melhorar as necessidades ambientais, focando o controle da poluição, incorporando o processo de manufatura e planejamento de produtos, aumenta
exponencialmente a importância do papel do designer na busca de soluções para as mudanças em direção ao desenvolvimento sustentável [VEZZOLI; CHAVES, 2006, pg. 2].
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A consciência da importância do papel do designer na
sociedade talvez não tenha sido ainda alcançada no setor
produtivo brasileiro. Percebe-se a existência de muitos nichos de mercado que podem ser entendidos e atendidos
pelo designer com um objetivo além da riqueza puramente
material, que busque também o ideal da profissão.
O designer também pode buscar conhecer as dificuldades das indústrias que produzem para as classes sociais carentes, a fim de conseguir soluções de forma a desenvolver
efetivamente produtos e processos diferenciados. Também
pode utilizar pesquisas acadêmicas nas diversas áreas do
conhecimento para perceber essas necessidades não atendidas.
Os dados do IBGE de 2005 indicam que 97,5% dos domicílios particulares permanentes possuem fogão e 88%
possuem geladeira, em uma população de mais de 53 milhões de pessoas. Soma-se a quantidade de utensílios para
esse público e um nicho de mercado significativo se revela
[IBGE, 2007].
Ademais, como empresário, detentor dos meios de produção, capital e conhecimento do design, ele pode, caso
queira, desenvolver materiais que melhor se adequem aos
consumidores que de fato usam os produtos domésticos ou
pode montar sua própria fábrica de produtos domésticos
voltados para a realidade brasileira.
As incubadoras e os órgãos de fomento têm importante papel para o estímulo do emprego da qualidade nos produtos e processos, bem como apoio no aspecto gerencial e
financeiro para qualquer tipo de empresa. Podem disponibilizar capital e conhecimento tecnológico para ajudá-la a
manufaturar baseada na prevenção da poluição com a redução de resíduos. Logo, o incentivo governamental que o
designer tem a sua disposição pode ajudá-lo a realizar-se
com sua própria empresa e desenvolver os produtos conforme deseja.
Conforme palestra proferida por Luciano Deos, durante o Seminário de Design Gráfico: estratégia empresarial,
em outubro de 2007, “o momento atual é do design”. O
designer tem conquistado um importante papel dentro das
empresas. Conforme foi mostrado, paralelo a esse fato, surge uma abordagem da evolução sistemática ambiental dentro das companhias.
O designer utilizando do seu potencial empreendedor,
bem como dos seus conhecimentos técnicos aliados ao capital dos órgãos de fomento e apoio das incubadoras de
design, pode, por um lado, atender a esse mercado e por
outro, satisfazer suas próprias necessidades de ideal e riqueza.
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VEZZOLI, Carlo; CHAVES, Liliane Iten. Design para a sustentabilidade: um percurso metodológico para pesquisa aplicada no
setor de móveis de escritório. Anais 7º P&D Design 2006. Curitiba, 2006.
Longe de ser uma atividade artística neutra e inofensiva, o design, por sua própria natureza, provoca
efeitos muito mais duradouros do que os produtos
efêmeros da mídia porque pode dar formas tangíveis e permanentes às ideias sobre quem somos e
como devemos nos comportar [FORTY, Adrian, 2007,
pg. 12].
AGRADECIMENTOS:
Ely Edison da Silva Matos, sempre próximo do perfeito.
Ao Prof. João Leite, pelas sugestões e pela referência à Amartya Sen.
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