A ENFERMAGEM E A
CLÍNICA CIRÚRGICA
COLÉGIO SENES
Disciplina: Saúde Pública
Profº: Daniel Pires
Turma: ________
Dia: ___________________________________________________________
Horário: ________________________________________________________
Aluno: _________________________________________________________
Avaliação: ______/________/__________.
Trabalho: ______/________/___________.
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A ENFERMAGEM E A CLÍNICA CIRÚRGICA I
Índice:
Introdução ........................................................................................................................... 03
História ................................................................................................................................ 03
Finalidade do Centro Cirúrgico ....................................................................................... 04
Importância do Centro Cirúrgico .................................................................................... 04
Localização do Centro Cirúrgico ..................................................................................... 04
Seção do Centro Cirúrgico ............................................................................................... 05
Ø Seção de Bloco Operatório .................................................................................... 05
Ø Seção de Recuperação Pós-Anestésica ................................................................ 05
Ø Seção de Material ou Suprimentos ...................................................................... 05
Seção do Centro de Material e Esterilização .................................................................. 06
Composição Física do CC ................................................................................................. 06
Ø Vestário .................................................................................................................. 06
Ø Conforto ................................................................................................................. 06
Ø Sala dos Anestesiologistas/Cirurgiões ................................................................. 06
Ø Sala de Enfermagem ............................................................................................. 06
Ø Sala de Recepção de Pacientes ............................................................................ 07
Ø Sala de Material de Limpeza ............................................................................. . 07
Ø Sala para Guardar Equipamentos ...................................................................... 07
Ø Sala de Operação .................................................................................................. 07
Ø Sala para depósitos de gazes medicinais ............................................................ 07
Ø Sala de expurgo .................................................................................................... 07
Elementos de Apoio Técnico .......................................................................................... 07
Elementos de Apoio Administrativo .............................................................................. 08
Zoneamento do CC ......................................................................................................... 08
Ø Área Restrita ....................................................................................................... 08
Ø Área Semi-Restrita ............................................................................................. 08
Ø Área Não-Restrita ............................................................................................... 08
Equipamentos da Sala de Operação ............................................................................. 08
Organização do CC ........................................................................................................ 09
Posições do Cliente na Mesa Cirúrgica ........................................................................ 09
Anestesia e Analgesia .................................................................................................... 10
Ø Objetivos da Anestesia ...................................................................................... 10
Ø Profundidade da Anestesia ............................................................................... 10
Ø Medicações Pré-Anestésicas ............................................................................. 11
Ø Anestesia Geral .................................................................................................. 12
Ø Anestesia Loco-Regional ................................................................................... 12
Ø Regressão da Anestesia ..................................................................................... 12
Ø Fases da Regressão da Anestesia ..................................................................... 12
Ø Estágio Clínico da Regressão da Anestesia .................................................... 12
Cirurgia ......................................................................................................................... 13
Classificação da Cirurgia ............................................................................................. 13
Ø Segundo a Urgência .......................................................................................... 13
Ø Segundo o Risco Cardiológico ......................................................................... 13
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Ø Segundo a Duração .......................................................................................... 13
Ø Segundo o Potencial de Contaminação .......................................................... 13
Ø Segundo a Finalidade ...................................................................................... 14
Tempos Cirúrgicos ......................................................................................................... 14
Ø Diérese ................................................................................................................. 14
Ø Hemostasia .......................................................................................................... 14
Ø Exérese ................................................................................................................ 14
Ø Síntese ................................................................................................................. 14
Degermação das Mãos ................................................................................................... 15
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Introdução:
O Centro Cirúrgico (CC) pode ser considerado uma das unidades mais complexas do
hospital pela sua especialidade, presença constante de estresse e a possibilidade de riscos à
saúde a que os pacientes estão sujeitos ao serem submetidos à intervenção cirúrgica.
Defini-se CC como um conjunto de elementos destinados às atividades cirúrgicas, bem
como à Recuperação Anestésica, e pode ser considerado uma oganização complexa devido às
suas características e assistência especializada.
História:
A partir do século XIX, a cirurgia tornou-se uma especialidade médica (Potter & Perry,
1999) e surgiram com ela novos horizontes e possibilidades que favoreceram a melhora da
qualidade de vida. Até então, muitos problemas não podiam ser clinicamente minimizados ou
resolvidos, o que contribuirá sobremaneira para aumentar os índices de morbi-mortalidade, hoje
facilmente contornados por meio de intervenções cirúrgicas.
Por se tratar de uma nova “especialidade” da medicina, conhecia-se pouco risco que os
procedimentos cirúrgicos poderiam oferecer ao paciente. A dor ainda era um grande problema
durante as cirurgias, que obrigava os médicos cirurgiões a realizarem interveções no mais curto
espaço de tempo possível. No entanto, por volta de 1840, o advento da anestesia tornou
possível para o cirurgião realizar as intervenções sem que o cliente sentisse dor.
De acordo com Potter e Perry, o papel dos profissionais de enfermagem que atuavam
nas primeiras cirurgias limitavam-se apenas à limpeza das salas e dos equipamentos utilizados.
O contato com o cliente restrigia-se a algumas tarefas técnicas, como coleta de materiais, e
ocasionalmente o profissional acompanhava os clientes até as salas de cirurgia para prestar
lhes algum tipo de cuidado.
Mais tarde, com a descobeta de soluções anti-sépticas, a criação de técnicas assépticas
e, um pouco depois, com a descoberta dos bloqueios anestésicos por meio de gazes
anestésicos, o tratamento cirúrgico passou a ser utilizado em larga escala. Dessa forma,
percebia-se a necessidade de se qualificar os profissionais de enfermagem, visto que as
complicações decorrentes das novas técnicas de anestesia, exigiam deles cada vez mais
conhecimento. O cuidado passou a ser um aspecto fundamental no sucesso da cirurgia.
Em 1876, o Massachusetts General Hospital ofereceu a primeira oportunidade de
treinamento para enfermeiros em sala de cirurgia. Essa iniciativa se estendeu até o ano de
1900, quando as primeiras escolas de enfermagem, notando a tendência e a necessidade,
incluíram em seu currículum disciplinas que objetivavam possibilitar aos seus formandos
experiências em salas de cirurgia. Em 1956, a Association of Operating Room Nurses é criada
com o objetivo de solidificar e fortalecer essa área de atuação da enfermagem por meio de
novos métodos e novas tecnologias, e com isso melhorar a prestação dos cuidados de
enfermagem aos clientes cirúrgicos.
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Finalidade do Centro Cirúrgico:
As principais finalidades do CC são:
ü Realizar procedimentos cirúrugicos e devolver os pacientes às suas unidades de
origem nas melhores condições possíveis de integridade.
ü Servir de campo de estágio para formação, treinamento e desenvolvimento de
recursos humanos.
ü Servir de local para desenvolver programas e projetos de pesquisa voltados para o
desenvolvimento científico e especialmente para o aprimoramento de novas
técnicas cirúrugicas e assépticas.
Importância do Centro Cirúrgico:
O CC é o setor mais importante do hospital ou, pelo menos, o que mais atrai a atenção
pela evidência dos resultados, dramaticidade das operações, importancia demostrativa e
didática e, principalmente, pela decisiva ação curativa da cirurgia. Sua importancia é devido:
ü Ser o local onde o paciente deposita toda esperança de cura.
ü Necessitar de tecnologia de ponta para prestar assistência à clientela.
ü Ser praticamente o local mais caro do hospital.
ü Ao grande número de profissionais que ali trabalham (cirurgião, anestesiologista,
enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem, instrumentador cirúrgico, técnico de
raio x, farmacéutico).
ü Ao grande número de alunos que ali estagiam.
ü Aos aspectos específicos, principalmente em sua construção, relacionados ao
controle de infecção.
ü A utilização racional dos recursos humanos e materiais com vistas à otimização de
custos tanto para o paciente quanto para a instituição.
ü A necessidade de controle de assepsia para minimizar o risco de infecção da
ferida operatória.
Localização do Centro Cirúrugico:
Atualmente, com a introdução e ratificação da importância da iluminação artificial, bem
como da ventilação e ar condicionado no CC, ele pode estar localizado em qualquer área do
hospital. Entretanto, algumas ressalvas devem ser consideradas, como estar localizado em uma
área que ofereça a segurança necessária à técnica asséptica, portanto distante de locais de
grande circulação de pessoas, de ruídos e poeira.
A localização ideal do CC, no contexto hospitalar, deve ser a mais próxima das Unidades
de Internação, do Pronto Socorro e da Unidade de Terapia Intensiva, de modo a contribuir com
a intervenção imediata e melhor fluxo de pacientes.
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Seção do Centro Cirúrgico:
Conforme a organização institucional, o CC terá ou não, sob sua responsabilidade, a
Recuperação Pós-Anestésica e o Centro Centro de Material e Esterilização.
Considerando um CC complexo e centralizado, ele pode dividir-se em quantro seções:
Seção de Bloco Operatório:
Salas de operação devidamente aparelhadas pera realização dos diversos tipos de
cirurgias.
Seção de Recuperação Pós-Anestésica:
É o local destinado ao atendimento dos pacientes no pós-operatório imediato até que
eles estejam recuperados e em condições de irem para suas áreas de origem. Deve estar
localizada o mais próximo das salas de operação, permitindo o fácil acesso dos membros das
equipes de enfermagem, cirurgia e anestesia.
As finalidades da Recuperação Pós-Anestésica são:
ü Oferecer melhores condições de assistência médica e de enfermagem no pósoperatório e pós-anestésico imediato.
ü Reduzir a mortalidade pós-anestésica e pós-operatória.
ü Facilitar o trabalho de rotina nas unidades de internação, que se desobrigam com
a presença de um recém-operado em condições precárias.
ü Proporcionar maior segurança aos pacientes e familiares.
ü Diminuir os possíveis acidentes pós-operatórios e pós-anestésicos imediatos.
Seção de Material ou de Suprimentos:
É o local destinado á guarda de artigos estéreis e não-estéreis utilizados pelas várias
equipes nas operações (fios de sutura, agulhas, cateteres, próteses, sondas, etc).
As finalidades são:
ü Fornecer à sala de operação carros abastecedores com artigos necesário ao
procedimento anestésico-cirúrgico.
ü Acondicionar e controlar o prazo de validade dos artigos esterilizados.controlar o
consumo diário e estoque mínimo de artigos.
ü Reduzir custos.
ü Conferir e guardar artigos descartáveis e medicamentos.
ü Atender solicitações da sala de operação via comunicação interna (telefone,
interfone)
ü Conferir débitos da sala de operação e da Recuperação Pós-anestésica.
ü Providenciar, distribuir e conferir débitos de atigos de implante.
ü Atualizar rotinas de montagem dos carros abastecedores de anestesia/cirurgia.
ü Distribuir, testar e instalar equipamentos em sala de operação.
ü Testar e implantar artigos novos.
ü Manter contato com os fornecedores.
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Seção do Centro de Material e Esterilização:
È definido pelo MS como “conjunto de elementos destinados à recepção, expurgo,
acondicionamento, esterilização, guarda e distribuição dos artigos para as unidades dos
estabelecimentos assistenciais de saúde.”
As principais finalidades do CME são:
ü Concentrar os artigos e instumental esterilizados ou não, tornando mais fácil seu
controle, conservação e manutenção.
ü Padronizar técnicas de limpeza, preparo, acondicionamento e esterilização,
assegurando economia de pessoal, material e tempo.
ü Distribuir artigos esterilizados para as diversas unidades de atendimento a
pacientes.
ü Treinar pessoal para as atividades específicas do setor, conferindo-lhe maior
produtividade.
ü Facilitar o controle do consumo, da qualidade dos artigos e das técnicas de
esterilização, aumentando a segurança do uso.
ü Favorecer o ensino e o desenvolvimento de pesquisas.
ü Manter estoque de artigo, a fim de atender prontamente à necessidade de
qualquer unidade do hospital.
Composição Física do Centro Cirúrugico:
O CC é constituído de elementos independentes e indispensáveis para o seu
funcionamento. O elemento é a área ou compartimento com finalidade determinada que, em
conjunto, compõe uma unidade do hospital.
Os principais elementos do CC são:
Vestiários (masculino e feminino):
Devem estar localizados na entrada do CC, onde se realiza o controle, permitindo
somente a entrada de pessoas autorizadas depois de vestirem roupas privativas. Eles devem
possuir sanitários, chuveiros e principalmente armários com chaves individuias para que as
pessoas possam guardar suas roupas e seus pertences.
Conforto:
Áreas adequadas para lanches a fim de que os profissionais os façam em local
inadequado.
Sala dos Anestesiologistas/Cirurgiões:
Áreas relacionadas aos relatórios médicos.
Sala de Enfermagem:
Área reservada ao controle administrativo do CC. Ela deve estar em local de fácil acesso
e com boa visão de todo conjunto do CC.
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Sala de Recepção de Pacientes:
Espaço para receber os pacientes no CC. Na sala de recepção os pacientes devem ser
reavaliados clinicamente antes da cirurgia, ou ainda receber medicamentos pré-anestésico caso
não tenha sido administrada na sua respectiva unidade de origem. Essa sala deve ser mais
tranquila possível, a fim de diminuir o estresse do período pré-operatório.
Sala de Material de Limpeza:
Local de reserva de materiais e utensílios na limpeza do CC.
Sala para Guardar Equipamentos:
Áeas para armazenamento dos artigos estéreis, para uso nas salas de operações.
Sala de Operação:
Esse elemento do CC exige um enfoque especial à parte, por ser o local onde o paciente
permanece a maior parte do tempo e onde atuam as equipes que lhe prestam assistência.
Sala para Depósito de Gases Medicinais:
Local para armazenamento de torpedos que contêm gases medicinais como oxigênio, ar
comprimido, óxido nítroso e especialmente o nitrogênio para uso em sistemas pneumáticos.
Sala de Expurgo:
Reservado para desprezar as secreções oriundas das salas de operações. Ela deve
estar provida de um vaso sanitário apropriado com descarga para receber as secreções e uma
pia para lavar artigos usados nos procedimentos cirúrgicos, se forem necessário.
Elementos de Apoio Técnico:
ü
ü
ü
ü
ü
ü
Banco de Sangue
Raio X
Laboratório e Anatomia Patológica
Auxiliares de Anestesia
Serviços de Engenharia Clínica e Engenharia de Manutenção
Farmácia
Elementos de Apoio Adminsitrativo:
ü Segurança
ü Secretaria
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Zoneamento do Centro Cirúrgico:
O Centro Cirúrgico é considerado pelas Portarias nº 1884/94 e 930/92 e atualmente pela
RDC 307 como área crítica, ou seja, ambiente em que existe risco aumentado de transmissão
de infecção pelos procedimentos ali realizados.
Àrea Restrita:
Entendida como a que tem limites definidos para a circulação de pessoal e
equipamentos, com rotinas próprias para o controle e manutenção da assepsia. Privativa do
pessoal vestido com o uniforme privativo, gorro ou touca, protetores de calçados (abolidos em
algumas instituições) e especialmente a máscara cirúrgica, com rígido controle de trânsito e
assepsia.
Área Semi-Restrita:
Permite a circulação de pessoal e equipamentos de modo a não interferir nas rotinas de
controle e manutenção da assepsia da área restrita.
Área Não-Restrita:
Área de circulação livre no ambiente interno do CC, não precisa de uniforme privativo.
Equipamentos da Sala de Operação:
Equipamentos e Acessórios Móveis:
ü Aparelho de Anestesia;
ü Aspirador Portátil elétrico;
ü Banco Giratório;
ü Balde para Lixo;
ü Balança para Pesar Compressas;
ü Bisturi Eletrônico;
ü Carro abastecedor (compressa, campos e aventais, cuba rim, cúspulas, manoplas,
entre outros);
ü Carro de Medicamentos;
ü Coxins;
ü Escada com Dois Degraus;
ü Estrados;
ü Foco Auxiliar;
ü Mesa de Operação com todos os acessórios (arco de narcose, ombreiras, suporte
laterais, porta-coxas, munhequeiras, colchonetes em espuma);
ü Mesa Auxiliar para acondicionar pacote de aventais;
ü Mesa de Mayo;
ü Mesa para Instrumental Cirúrgico
ü Suporte de Braço;
ü Suporte de Hamper;
ü Suporte de Soro;
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Equipamentos Fixos da Sala de Operação:
ü Foco Central;
ü Negatoscópio
ü Torre Retrátil ou Painel de Gazes Medicinais.
Organização do Centro Cirúrgico:
Equipe Cirrugica:
É um grupo de profissionais habilitados e capacitados para trabalharem juntos e
harmoniosamente, cada qual dentro de sua esfera de competência, dentro da sala de cirurgia
ao longo de todos os procedimentos cirúrgicos.
Os Profissionais da Equipe Cirúrugica:
ü Médico-Cirurgião Chefe
ü Médico-Cirurgião 1º Assistente
ü Médico-Cirurgião 2º Assistente
ü Médico-Anestesiologista
ü Instrumentador Cirúrgico
ü Enfermeiro
ü Circulante de Sala
Posições do Cliente na Mesa Cirúrgica:
A indicação da posição depende do tipo de cirugia a ser realizado e da técnica cirúrgica a
ser empregada. As principais posições utilizadas são:
Decúbito Dorsal:
É aquela em que o paciente fica deitado de costas, com as pernas estendidas e os
braços estendidos, às vezes, apoiado em talas.
Decúbito Ventral:
O paciente fica deitado de abdômen para baixo, com os braços estendidos para frente e
apoiados em talas (às vezes). Essa posição é usada nas cirurgias das regiões dorsal, lombar,
sacrococcígea e occipital.
Posição de Fowler:
O paciente permanece semi-sentado na mesa de operação. Usado como posição de
conforto, quando há dispnéia após cirurgia de tireóide, mamoplastias e abdominoplastias.
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Posição Litotômica e Ginecológia:
Litotômica: o paciente permanece em decúbito dorsal, com as pernas flexionadas
apoiadas na prórpia mesa cirúrgica.
Ginecológica: o paciente permane em decúbito dorsal, com as pernas fletidas e apoiadas
em uma perneira.
Essas cirurgias são uilizadas nas cirurgias proctológicas orificiais, ginecológicas e
urológicas por via baixa, bem como em obstetrícia, para partos vaginal.
Posição de Jackknife:
O paciente se encontra em decúbito ventral, com a região glútea mais alta que os MMII e
MMSS. Esta posição é muito utilizada para cirurgias na região anal.
Posição de SIMS:
O paciente permanece em decúbito lateral, esquerdo ou direito, com a perna que está do
lado de cima flexionada, afastada e apoiada na superfície de repouso.
Posição de Trendelenburg:
O paciente permanece em decúbito dorsal, em que a parte superior do dorso é abaixada
e os membros inferiores são elevados através da plataforma da mesa de operação.
Anestesia e Analgesia:
Objetivos da Anestesia:
A anestesia é caracterizada pela perda da sensibilidade dolorosa, com perda de
consciência e certo grau de amnésia, ao passo que a analgesia é a perda da sensibilidade
dolorosa com preservação do estado de consciência.
Os principais objetivos são:
ü Suprir a sensibilidade dolorosa durante a cirurgia, com manutenção ou não da
consciência;
ü Relaxamento muscular;
ü Proporcionar condições ideias para a ação da equipe cirúrgica.
Profundidade da Anestesia:
A profundidade da anestesia é determinada por sinais físicos. Sua classificação é
dividida em quatro estágios, cada um dos quais apresenta um grupo definido de sinais e
sintomas:
v ESTÁGIO I: representa o estágio inicial da anestesia até a perda da consciência.
O pulso e a respiração são irregulaes.
v ESTÁGIO II: começa com perda da consciência e termina com o início de um
padrão regular respiratório e o desaparecimento do reflexo palpebral. É
caracterizado por exitações e muitas reações indesejáveis, tais como: vômitos,
laringoespasmo e mesmo parada cardíaca podem ocorrer durante esse período.
As pupulas estão dilatadas, mas contraem quando expostas a luz.
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v ESTÁGIO III: a respiração é irregular, a pulsação tem rítmo quase normal e bom
volume, a pele está rosada ou levemente enrubescida. Com a administração
adequada do anestésico, este estágio pode ser mantido por várias horas.
v ESTÁGIO IV: dura desde o momento da cessação da respiração até a
insuficiência do sistema circulatório. O pulso é fliforme e fraco.
Medicações Pré-Anestésicas:
Consiste na administração de drogas antes do ato anestésico.
Os principais objetivos são: produzir amnésia e sedação, diminuir ou abolir dor
eventualmente existente, potencializar os agentes anestésicos, bloquear o nervo vago, diminuir
as secreções das vias aéreas e o metabolismo, reduzir volume de conteúdo gástrico e
aumentar o seu pH, reduzindo as necessidades de anestésicos. Portanto, deve proporcionar a
redução da ansiedade, de modo que a indução e manutenção da anestesia sejam mais fáceis,
pois o estresse pré-operatório pode provocar inquietação, insônia, arritmias, hipertensão arterial
e crise de angina.
As medicações deve ser prescrita de acordo com as necessidades individuais do
paciente, as quais podem ser distribuídas em três grupos:
ANTICOLINÉRGICOS:
Diminuem a secreção salivar e os reflexos vagais sobre o coração.
A atropina exerce sua ação por antagonistas competitivo com a acetilcolina. Ela tem
como efeito colateral taquicardia, agitação psicomotora, hipertemia, sialosquiese, aumento de
pressão intra-ocular em doentes glaucomatosos, midríase, no aparelho renal relaxa a bexiga e
contrai os esfíncteres.
A escopolamina provaca agitação por atravessar a barreira hematoencefálica.
O glicopirrolato é mais potente que a atropina. Aumenta a frequência cardíaca, atravessa
a barreira hematoencefálica, pode elevar o pH gástrico mais que a atropina.
TRANQUILIZANTES:
Possuem efeitos ansiolíticos, amnésico, sedativo, anticonvulsivante e relaxante muscular.
Podem ser administrado por via intramuscular ou oral, com melhor absorção pela mucosa
gástrica.
O diazepan, lorazepan, flunitrazepan, midazolan são drogas mais utilizadas, cujo efeito
colateral mais significativo está relacionado com as depressões respiratória discreta, sendo
mais perigosa em idosos; a sonolência pode se prolongar no período pós-anestésico,
prejudicando a alta da sala de recuperação e alta do doente de ambulatório.
HIPNOANALGÉSICOS:
Diminuem a ansiedade dolorosa com sedação. As drogas morfina, meperidina, dolantina,
fentanil, alfentanil produzem analgesia em pacientes com dores pré-operatórias. Entretanto, em
doses analgésicas podem deprimir a respiração e aumentar o risco de acidose respiratória.
Grandes doses podem causar hipotensão, náuseas, vômitos, constipação e distensão
abdominal. A ocorrência de urticária e broncoespasmo indica hipersensibilidade.
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Anestesia Geral:
È um estado induzido por um ou uma combinação de agentes propiciando controle,
depressão reversível da função do sistema nervoso central (SNC), incluindo a consciência.
Elementos básicos da anestesia geral incluem diminuição do nível de consciência ou sono,
amnésia, analgesia, relaxamento muscular, resposta motora diminuída a estímulos e
reversibilidade.
OBS.: Manter as funções vitais em todo momento da anestesia é obviamente importante.
Anestésicos para anestesia geral são adminisrados por várias vias. Embora a EV e
Inalatória sejam as preferidas, porque a relação efeito-dose e o tempo de curso de efeito são
mais previsíveis, outras vias podem ser aceitas e usadas, quando apropriadas ao amplo
espectro da anestesia. Obtém-se anestesia geral por inalação ou por meio de técnicas
endovenosas ou retais.
Anestesia Loco-Regional:
ANESTESIA LOCAL:
Empregada para procedimentos menores nos quais o local cirúrgico é infiltrado com um
anestésico local ou administrado na superfície da mucosa. Ela pode ser por infiltração (injeção
de uma solução que contém anestésico local nos tecidos através dos quais deve passar a
incisão) ou tópica (adminisrados na superfícies mucosas do nariz, boca, árvore brônquica,
esôfago e trato geniturinário).
ANESTESIA REGIONAL:
É uma forma de anestesia local que um agente anestésico é injetado nos nervos ou ao
redor deles, de modo a anestesiar a área por eles inervada.
ANESTESIA ESPINAL: EPIDURAL OU PERIDURAL.
Obtém-se pela injeção de um anestésico local no canal medular no espaço ao redor da
dura-máter.
ANESTESIA ESPINAL: RAQUIANESTESIA:
A anestesia raquiana goza de grande prestígio, uma vez que permite obter grandes
efeitos com emprego de pequenas quantidades de anestésicos de ação local.
Regressão da Anestesia:
A recuperação da anestesia é um processo dinâmico que se inicia na sala de operação.
Especialmente após cessar a administração de drogas anestesicas deve ocorrer progressivo
retorno da consciência, paralelo à eliminação ou biotransformação dos agentes anestésicos.
Portanto, trata-se do processo de recuperação da consciência, em consequência da regressão
da anestesia.
Fases da Regressão da Anestesia:
v Imediata (minutos): o paciente apresenta volta à consciência, existe presença de
reflexos das vias aéreas superiores (VAS) e movimentação.
v Intermediária (minutos/horas): identificação de sinais luminosos ou auditivos.
v Tardia: motora e sensorial.
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Estágio Clínico da Regressão da Anestesia:
v 1º) o paciente responde a estímulos dolorosos;
v 2º) ocorre abertura dos olhos ao comando verbal;
v 3º) o paciente responde a perguntas simples.
v 4º) o paciente apresenta boa orientação no tempo e no espaço.
Cirurgia:
A palavra “cirurgia” deriva do latim chirurgia, que vem do grego cheiros (mãos) e ergon
(trabalho). Portanto, pode-se definir cirurgia como conjunto de gestos manuais ou instrumentais,
executados pelo cirurgião, que abrange a abertura ou não do corpo com finalidade diagnóstica,
terapêutica ou estética.
Classificação das Cirurgias:
Segundo a Urgência:
ü Cirurgia Eletiva: pode ser programado
ü Cururgia de Urgência: requer pronta atenção e deve ser realizado dentro de 24 a
48 horas.
ü Cirurgia de Emergência: requer atenção imediata por se tratar de uma situação
crítica “salvar a vida”.
Segundo o Risco Cardiológico:
ü Cirurgia de Grande Porte: com grande probabilidade de perda de fluido e sangue.
ü Cirurgia de Médio Porte: com média probabilidade de perca de fluido e sangue.
ü Cirurgia de Pequeno Porte: com pequena probabilidade de perda de fluido e
sangue.
Segundo a Duração:
ü Cirurgia de Porte I: até 2 horas.
ü Cirurgiade Porte II: com duração de 2 à 4 horas.
ü Cirurgia de Porte III: com tempo de duração de 4 à 6 horas.
ü Cirurgia de Porte IV: com duração superior a 6 horas.
Segundo o Potencial de Contaminação:
ü Cirurgia Limpa: Cirurgias realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de
descontaminação, na ausência de processo infeccioso e inflamatório local, ou
falhas técnicas grosseiras. Cirurgias que não ocorrem penetrações nos tratos
digestivo, respiratório ou urinário.
ü Cirurgia Potencialmente Contaminada: realizada em tecidos colonizados por flora
microbiana pouco numerosa ou em tecido de difícil descontaminação, na ausência
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A ENFERMAGEM E A CLÍNICA CIRÚRGICA I
de processo infeccioso e inflamatório, e com falhas técnicas discretas no transoperatórios.
ü Cirurgia Contaminada: realizadas em tecidos abertos e recentemente
traumatizados, colonizados por flora bacteriana abundante, de descontaminação
difícil ou impossível.
ü Cirurgia Infectada: são as realizadas em qualqer tecido ou órgão em presença de
processo infeccioso, tecido necrótico, corpos estranhos e feridas de origem suja.
Segundo a Finalidade:
ü Tratamento Paliativo: utilizado para compensar os distúrbios, para melhorar as
condições, aliviar a dor.
ü Tratamento Radical: empregada para remoção parcial ou total do órgão.
ü Tratamento Plástico: tem a finalidade estética ou corretiva.
ü Tratamento Reconstrutivo: tem a finalidade de reconstruir o tecido lesado e
restabelecer a sua capacidade funcional.
ü Tratamento Diagnóstico: é a exploração de um determinado órgão para
diagnóstico a ser confirmado.
ü Tratamento transplante: tem a finalidade de substituir órgão ou estrutura não
funcionante.
Tempos Cirúrgicos:
De modo geral, todas as intervenções cirúrgicas são realizadas em quatro fases ou
tempos básicos e fundamentais:
v Diérese:
É o rompimento da continuidade ou contiguidade dos tecidos, ou planos anatômicos, para
atingir uma região ou órgão.
v Hemostasia:
É o processo que consiste em impedir, deter ou prevenir o sangramento.
v Exérese:
É a etapa do procedimento cirúrgico em que ocorre a remoção cirúrgica de um tecido ou
órgão mal-funcionante ou doente.
v Síntese:
É a união de tecidos, que será mais perfeita quanto mais anatômica for a separação, para
facilitar o processo de cicatrização e restabelecer a continuidade tecidual por primeira interação.
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COLÉGIO SENES – SÃO GONÇALO / MUTONDO / ITABORAÍ
Profº Daniel Pires ([email protected])
Site: enf.danielpires.googlepages.com
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Degermação das Mãos:
É uma técnica que consiste na escovação criteriosa e sistemátizada das mãos utilizando
uma escova de cerdas macias, devidamente embebida e impregnada com solução antisértica degermante (sabonete) geralmente a base de PVPI ou clorexidina. O principal
objetivo é obter a máxima redução da flora microbiana sobre a pele das mãos e dos
antebraços. Deve ser realizada sempre que houver a necessidade de realização de técnicas
com rigor assíptico.
PASSOS:
1) Lavar normalmente mão, antebraço e cotovelo, enxaguando com água corrente.
2) Iniciar a escovação pelas unhas (leito ungueal), passando para os dedos (do mínimo ao
polegar), sempre de cima para baixo, nunca em vai-e-vem.
3) Escovar em seguida as faces posteriores e anteriores das mãos , utilizando os mesmos
movimento.
4) Escovar as porções anteriores, posteriores e anteriores das mãos, utilizando o mesmo
movimento.
5) Ao escovar os cotovelos, os movimentos da escova deverão ser circulares.
6) Manter as mãos mais elevadas que os cotovelos para realizar o enxague, permitindo que
a água corrente da torneira flua intensa e livremente pelo antebraço, dos dedos para os
cotovelos.
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Referências Bibliográficas:
POSSARI, J.F. CENTRO CIRÚRGICO: Planejamento, Organização e Gestão. SP. Editora Iária.
2006. 2ª Edição.
FIGUEIREDO, N.M.A. PRÁTICAS DE ENFERMAGEM: Ensinando a Cuidar de Clientes em
Situações Clínicas e Cirúrgicas. SP. Yendis Editora. 2003
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