A aldeia Buridina dos Karajá situa-se nas margens do Rio Araguaia. Os Karajá tiveram seu territorio quase todo tomado pela cidade, deixando a aldeia entre as águas e a cidade de Aruanã. Seu cemitério foi invadido pelos não indígenas ,hoje, funcionando um guarda-barcos em cima dele. A caça, a pesca e a venda de artesanato são as principais fontes de renda dos moradores da aldeia, ou seja, daqueles que não saíram para trabalhar na cidade. O contato interétnico se intensificou com o turismo nas praias do Araguaia, que hoje é a fonte de renda dos moradores da cidade. Essa intensificação levou a quase extinção da língua m
OLHARES SOBRE BURIDINA E ARUANÃ: ONDE COMEÇA A
ALDEIA, ONDE TERMINA A CIDADE?
Natália Rita de Almeida
Universidade Estadual de Goiás
DEFINIÇÃO DO OBJETO
A aldeia Buridina situa-se nas margens do Rio Araguaia,
os Karajá tiveram seu território quase todo tomado pela
cidade, ficando a aldeia entre as águas do rio e a
urbanização. Tiveram o cemitério invadido pelos tori (nãoíndios) , funcionando hoje um guarda-barcos em cima dele.
A caça, a pesca e o artesanato, são as principais fontes de
renda dos moradores da aldeia. A intensificação do contato
interétnico ocorre desde o século XIX, com o interesse do
Governo da povoação da região e posteriormente na
década de 1980 com o turismo,levou a quase extinção da
cultura Iny nessa região. Apesar do exposto através de
projetos conseguidos das reivindicações das populações
indígenas, essa situação vem se modificando. Exemplo
disso é o Projeto de Educação e Cultura Indígena Maurehi,
constituído a partir da preocupação do antigo cacique
Maurehi em manter a cultura viva, partindo das solicitações
do atual cacique Hawakati com cartas enviadas a FUNAI de
“um professor para ensinar a sua língua materna para as
crianças”. Na mesma década surge o Projeto Maurehi,
promovendo desde 1994 encontros com educadores Karajá,
participação anual da comunidade em rituais tradicionais da
cultura Iny, divulgação da cultura, produção de material
didático
em
língua
materna,
documentação
dos
conhecimentos Karajá e desenvolvimentos de projetos autosustentáveis que visam a qualidade de vida da comunidade.
OBJETIVOS DO TRABALHO
Demonstrar as novas relações interétnicas entre os povos indígenas
Iny(Karajá) da aldeia Buridina e os povos tori ( não-índigenas) da cidade de
Aruanã-Go ressaltando a luta Iny pela sobrevivência cultural dentro de um
espaço invadido pela urbanização, tendo como ponto de partida a valorização
da educação popular partindo do princípio libertador da oposição, segundo
PORTELA (2003), à universalização e homogeneização cultural imposta pelos
grupos dominantes resgatando as práticas coletivas de modo que elas sejam
pensadas e direcionadas ao comprometimento com a transformação das
estruturas sociais.
METODOLOGIA
Inclui-se revisão bibliográfica sobre o contexto histórico de Aruanã e da
aldeia Buridina, além de textos sobre interculturalidade e educação
bilíngue; Observação participante das aulas na Escola Estadual Indígena
Maurehi; entrevistas com moradores e lideranças indígenas, professores
indígenas e não-índigenas e registros audio-visuais (fotografias e
pequenos vídeos); diário de campo.
RESULTADOS ( AINDA QUE PARCIAIS)
“Tiveram os jogos de futebol em Mozarlândia, nós levamos os meninos da
escola, falamos para eles que eles iam jogar, aí pintamos eles, chegando lá
eles dançaram na abertura, nós “enganamos” eles, porque se nós falássemos
para eles que eles iam dançar, eles não iam, aí eles dançaram e depois
jogaram bola, assim eles vão perdendo a vergonha” (Bõla- professora da
Escola Maurehi e mãe de alunos, entrevista, 2013)
As relações interétnicas entre aldeia e cidade surgem de uma constatação
dos indígenas entrevistados de que as culturas resultam de mútuas trocas e
empréstimos uma vez que estão sempre se transformando. Apesar dos
conflitos exteriores e interiores na aldeia o diálogo intercultural resiste, os
alunos são motivados a praticar a cultura materna e quando ficam tímidos os
professores buscam saídas para que eles pratiquem como o exemplo dado por
Bõla.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Escola Indígena Maurehi. UEG, Cidade de Goiás. 2010
CANDAU, Vera Maria. Diferenças Culturais. Interculturalidade e Educação em
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CARNEIRO, Sélvia Lima de. Os Karajá de Aruanã e seus territórios restritos:
biodiversidade reduzida, integridade abalada
CARNEIRO, Sélvia Lima de. A Aldeia, A Cidade, O Espaço Híbrido: A Resitência
dos Karajá de Aruanã-Go
R. CARNEIRO. A Educação Intercultural
GEERTZ. Clifford. A Interpretação das Culturas.Rio de Janeiro, Zahar, 1978.
LIMA FILHO. Manuel F. Karajá de Aruanã: Quando os mortos não são nossos!
PIMENTEL Silva. Maria do Socorro. Situação de Línguas Indígenas no Contexto
Escolar. Anais Celsus, Curitiba PR. 2003
PORTELA. Cristiane de Assis. A Educação Indígena e suas Implicações: uma
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QUIJANO. Anibal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In:
LANDER.Edgardo (org.) A colonialidade do saber. Eurocentrismo e Ciências
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ROCHA. Leandro Mendes.Aruanã-Go:identidades e fronteiras étnicas no rio
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