A (RE)PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO DE SÃO JOÃO DEL REI E
SUA IMPORTÂNCIA COMO PÓLO REGIONAL DA MESORREGIÃO
DO CAMPO DAS VERTENTES
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Bruno Henrique dos Santos
Aluno de Geografia
Depto de Geociências – Geografia
Universidade Federal de São João Del Rei - UFSJ
e-mail: bruno_xiv@yahoo.com.br
Denise Natalia Carmo dos Santos
Aluna de Geografia
Depto de Geociências – Geografia
Universidade Federal de São João Del Rei - UFSJ
e-mail: galganne@yahoo.com.br
Lígia Maria Brochado de Aguiar
Professora Adjunta II
Depto de Geociências – Geografia
Universidade federal de São João Del Rei – UFSJ
e-mail: ligbro@uol.com.br
RESUMO
Este projeto propõe a investigação das transformações ocorridas no espaço urbano de
São João Del Rei – MG durante o longo dos seus trezentos anos de história. No
decorrer do trabalho procuramos identificar e classificar o uso do solo urbano, os
problemas para a região e os agentes sociais que comandam esse processo. A
identificação e a classificação do uso do solo urbano se realizaram através dos ciclos
econômicos, da demografia e, da expansão da mancha territorial urbana que,
envolvem a segregação e a periferização sócio-espacial, a desorganização na
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ocupação do espaço, e a constituição de São João Del Rei como pólo de atração de
cidades contígua a ela. A analise teórica metodológica tem como pressuposto a
produção capitalista do espaço pelas praticas sociais, no contexto da reorganização
produtiva do capital e da divisão social do trabalho. Por fim analisamos a importância
de São João Del rei como centro de atração de cidades contiguas a si.
Palavras – chave: Expansão urbana; uso do Solo; (re) produção do espaço; espaço urbano.
ABSTRACT
This paper proposes to investigate the changes occurring in the urban space of São
João Del Rei - MG during three hundred years of its long history. Throughout the paper
we identify and classify urban land use, the problems for the region and the social
agents that govern this process. The identification and classification of urban land use
were held across economic, population cycles and the expansion of urban land spot
that involve segregation and socio-spatial periphery, disorganization in space
occupation and the establishment of São João Del Rei as a pole of attraction of cities
adjacent to it. The methodological theoretical analysis presupposes the capitalist
production of space by social practices in the context of the reorganization of
productive capital and social division of labor. Finally we analyze the importance of São
João Del Rei as cynosure of contiguous cities themselves.
Keywords: Urban Sprawl; Land Use; (re) production of space; urban space.
1.
INTRODUÇÃO
Para Henri Lefebvre (1994) a cidade é uma categoria histórica porque
espacializa o tempo e se materializa por um processo social. Como condição e
produto das relações sociais, a cidade é história da cultura da mercadoria. A
dissociação entre a arquitetura e o urbanismo resulta dessa dinâmica espacial que
transforma o espaço na representação pública da vontade privada.
Esta representação do espaço, do espaço concebido, institucionalizado pelo
Estado vincula-se às relações de produção, aos signos e aos códigos. A este espaço
concebido se contrapõe o espaço vivido/percebido, o espaço de representação,
carregado de simbolismos que compõem a vida social, a identidade urbana. As
práticas sociais, no jogo dialético entre as diferentes territorialidades, são a expressão
das disputas pela apropriação do espaço.
Segundo Vargas (2011) na produção do espaço urbano, a terra e as
edificações representam mercadorias, portanto, têm preço e valor. Assim, na
sociedade de classes, uma classe social se apropria da terra como forma de promover
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o monopólio sobre um bem natural, que não pode ser reproduzido, ao mesmo tempo,
em que impõe o domínio sobre outra classe social desprovida desse bem.
Nesse contexto procuraremos compreender como deu – se o continuo
processo de urbanização e da cidade de São João Del Rei através da periodização da
expansão urbana, que se dará em função dos ciclos econômicos, da ampliação física
da mancha urbana, das mudanças estruturais do conjunto urbano que, envolvem a
segregação e a periferização sócio – espacial, a desorganização na ocupação do
espaço devido suas limitações físicas, e a constituição de São João Del Rei como pólo
de atração de cidades contíguas a ela.
No decorrer dos mais de trezentos anos de história do município, o modo de
ocupação do espaço e o uso do solo na formação da cidade sempre estiveram ligados
aos interesses das administrações locais e das classes dominantes.
O modo de ocupação do espaço que irá constituir a cidade está ligado à
necessidade da ação produtiva de cada período econômico, como bem explicita
Carlos:
O uso do solo ligado a momentos particulares do processo de produção das relações
capitalistas é o modo de ocupação de determinado lugar na cidade. O ser humano
necessita, para viver, ocupar um determinado lugar no espaço. Só que o ato em si, não
é meramente ocupar uma parcela do espaço; tal ato envolve o de produzir o lugar.
Essa necessidade advém do fato de se ter que suprir as condições materiais de
existência do ser humano na produção dos meios de vida. Isso varia com o
desenvolvimento das forças produtivas, que traz implícita a (re) produção do espaço.
(2009, p.45).
Dessa maneira, a produção do espaço resultará das ações humanas,
principalmente, do trabalho sobre uma parcela da superfície terrestre. Além de
produzir transformações em suas feições originais, estas transformações têm que ser
compreendidas no contexto da lógica da dinâmica social sendo, por isso, espaço
socialmente produzido e reproduzido. Assim, de acordo com Carlos (2011) a
produção/reprodução do espaço faz dele uma “obra civilizatória”, a qual, sob o
capitalismo, toma também a “forma de mercadoria.” Obra e produto tornam-se,
portanto, indissociáveis no movimento da reprodução do espaço.
A cidade resulta da concentração da produção, ao mesmo tempo em que, é
resultante da própria produção. Por isso, a cidade é local de produção, de circulação e
de consumo, mas também, é produto, circulação e consumo e palco do conflito de
classes. Portanto, a produção do espaço urbano sob a dimensão da sociedade de
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classes é desigual, os atores sociais têm perspectivas diferentes sobre como, para
que e para quem produzir espaço.
2.
O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO DE SÃO JOÃO DEL REI.
O município de São João Del Rei está localizado na mesorregião dos Campos
das Vertentes, no centro-sul do estado de Minas Gerais, São João Del Rei está
distante 181 Km de Belo Horizonte, capital do estado. Limita-se com os municípios de
Barbacena, Carrancas, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves,
Ibertioga, Madre de Deus de Minas, Nazareno, Piedade do Rio Grande, Prados,
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Ritápolis, Tiradentes e Santa Cruz de Minas como mostra o mapa 1.
Mapa
Fonte:
Base
Cartográfica
IBGE- Municípios
2007 - Municípios
Minas Gerais
Figura 11- -Fonte:
Base
Cartográfica
IBGE 2007
de Minas de
Gerais
Elaboração
Cartográfica:
OPUR
- PROEX/PUC
Minas -Sant´Anna
Rogério Sant´Anna
de Souza - 2008
Elaboração Cartográfica:
OPUR
- PROEX/PUC
Minas - Rogério
de Souza - 2008
A história de sua ocupação está diretamente ligada ao ciclo do minerador. De
acordo com o site do IBGE (2008), o primeiro povoado estabeleceu-se na região ainda
nos fins do século XVII, quando fixou residência às margens do Rio das Mortes
estendendo – se pelas margens do Córrego do Lenheiro com a descoberta de ouro na
Serra do Lenheiro. Nos primeiros anos do século XVIII, povoadores provenientes de
São Paulo foram se estabelecendo. Nos fins do século XVIII, a construção da estrada
de ferro (1878-1881) e a chegada, em 1886, de imigrantes italianos, aceleraram o
progresso do Município. Esses imigrantes italianos se dedicaram basicamente a
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atividades de agricultura. Posteriormente, grande número de sírios fixou-se no
Município, dedicando-se de preferência ao comércio. Atualmente, o município São
João Del Rei possui população predominantemente urbana e sua economia é voltada
principalmente para atividades comerciais e turísticas.
De tal modo nosso objetivo a partir de agora é compreender como se deu a
produção do espaço urbano, quais foram os agentes produtores do espaço urbano,
por meio de quais modalidades se dá à extração da renda da terra urbana e como se
dá a relação entre o poder local e a produção do espaço urbano do município de São
João Del Rei.
2.1.
A (Re)Produção do Espaço Urbano da Dinâmica São João Del Rei.
O processo de urbanização de São João Del Rei inicia – se com a descoberta
do ouro na província das Minas Gerais durante o século XVIII, conseqüentemente a
exploração do ouro possibilitou a formação do Arraial Novo do Rio das Mortes e
posteriormente a criação da Vila de São João Del Rei. Nesse período a ocupação
urbana vai concentrar – se próximo as áreas mineradora, localizadas em torno do vale
do Córrego do Lenheiro e na encosta da Serra do Lenheiro.
Com a queda da produção aurífera e a elevação de São João Del Rei como
cidade, ela torna o principal entreposto comercial da Coroa, sendo responsável pelo
abastecimento de gêneros agropastoril para as províncias do Rio de Janeiro, São
Paulo, Mato Grosso e Goiás. Durante esse período, que vigora a partir da segunda
metade do século XVIII até o final do XIX, São João Del Rei sofre uma grande
transformação no seu espaço físico, pois a cidade já não se limitava mais pelo vale do
Córrego do Lenheiro, pois ela se encontrava interligada pelas pontes do Rosário e da
Cadeia, e as duas margens do córrego encontrava – se densamente urbanizada. Alem
disso com a implantação da linha férrea a cidade começou a expandir acompanhando
os trilhos aproximando progressivamente do arraial de Matosinhos e dos núcleos de
imigração das colônias do Marçal e do José Teodoro, orientando assim seu
crescimento pela ferrovia.
Podemos observar no mapa abaixo que a área que apresentou maior
crescimento urbano a partir do final do século XIX, foi nas imediações da estação
ferroviária.
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Mapa 2 - Fonte: LIMA, Sérgio José Fagundes de Souza. Arquitetura São-Joanense do
Século XVIII ao XX. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei.
Vol. VIII. São João del-Rei: Gráfica da APAE, 1995.
Assim o crescimento da cidade no final do século XIX e inicio do XX está
diretamente influenciada pela linha férrea, pois ao redor a população passa se
organizar e estruturar, já que o para o “funcionamento era exigido um contingente
enorme de mão-de-obra na operação e nas oficinas inauguradas em 1882, estes
trabalhadores passaram a habitar o mais próximo possível do local de trabalho. Além
disso, casas comerciais dos mais variados tipos se instalaram nas proximidades da
estação, hotéis e casas comerciais de todo tipo” (CAMPOS, B. N. 2005, pag.31).
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Em consequência da implantação da ferrovia na cidade várias melhorias foram
introduzidas nos serviços urbanos. Não perdendo de vista que este período, de fins do
Império e início da República, foi, em várias regiões do país, de modernização da
indústria e da introdução de melhoramentos nos serviços urbanos. Assim a cidade
passa por uma grande transformação urbana, a qual proporciona o deslocamento do
eixo urbano da região central para, até então, zona rural da cidade. Rapidamente o
Arraial do Matozinhos e a Várzea do Marçal são ocupados pela malha urbana. Nessas
regiões encontrava – se a grande massa de operários, principalmente imigrantes
italianos, das diversas indústrias, pois suas moradias eram construídas distante do
centro da cidade.
Porém com a chegada das indústrias têxteis, em especial a Companhia
Industrial São Joanense, que preferiu instalar nas áreas com melhores condições para
seu funcionamento. E em suas proximidades foram construídas residências para
abrigar a mão – de – obra e facilitar o seu deslocamento até o trabalho. Desses
pequenos núcleos urbanos formaram – se varias vilas operarias que posteriormente
deram origem ao atual Bairro das Fabricas.
A partir da fundação das indústrias têxteis na região do Bairro das Fabricas, a
região apresenta como um novo espaço para a expansão urbana de São João del-Rei,
devido ao seu afastamento da centro da cidade.
No decorrer do século XX São João Del Rei apresentou um significativo
desenvolvimento urbano nessas regiões por onde a estrada de ferro margeava, pois
através delas o município se desenvolveu economicamente, foi fundamental para a
descentralização e para o crescimento urbano da cidade, alem disso esses bairros são
atualmente as principais vias de acesso que liga São João Del Rei as principais
cidades da Região Sudeste, onde temos no Bairro do Matozinhos a BR 265 que leva
as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, e a Colônia do Marçal que liga o município
a Belo Horizonte.
Porém a partir da segunda metade do século XX, São João Del Rei reduziu
gradativamente sua importância econômica no Estado, sobretudo, com a ascensão de
outros centros mineiros como Belo Horizonte e Juiz de Fora, e com a substituição da
matriz de transporte ferroviário para o rodoviário a partir de 1960 ameaçando sua
posição hegemônica de São João Del Rei como centro regional. A diversificação das
atividades, especialmente com a valorização dos serviços de educação, saúde,
comércio e prestação de serviços (bancos, cartórios, fórum, etc) surge como opção
para a cidade manter certa influência política e econômica regional.
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3.
A IMPORTÂNCIA DE SÃO JOÃO DEL REI COMO PÓLO DE ATRAÇÃO DE
CIDADES CONTÍGUAS A SI.
Em conseqüência do processo dinâmico da urbanização de São João Del –
Rei, o município consolidou – se como uma das cidades pólo da mesorregião o
Campo das Vertentes, desencadeando um processo de transformação do espaço da
microregião de São João Del Rei, onde as relações de mercado promovem as redes
de relações espaciais decorrentes da cadeia produtiva em que se entrelaçam e se
dinamizam no território, sobretudo, em escala regional e local.
Assim produzir um produto agregando um valor cultural que hoje faz parte da
economia de várias cidades da microrregião de São João Del Rei e da mesorregião do
Campo das Vertentes reorganiza o território e escreve outra paisagem do lugar,
permitindo melhor condição de vida aos seus moradores.
A Mesorregião do Campo das Vertentes é constituída de três microrregiões
que, englobam no total 36 municípios, apresentados no mapa 3.
Mapa 3: Municípios da mesorregião Campo das Vertentes
Fonte: IBGE (2002).
Municípios por Microrregiões
Microrregião de Lavras
Carrancas (28)
Ijaci (33
Ingaí (31)
Itumirim (32)
Itutinga (29)
Lavras (34)
Luminárias (30)
Nepomuceno (36)
Ribeirão Vermelho (35)
Alfredo Vasconcelos (8)
Antônio Carlos (10)
Barbacena (9)
Barroso (16)
Capela Nova (4)
Caranaíba (5)
Carandaí (6)
Desterro do Melo (2)
Ibertióga (11)
Ressaquinha (7)
Santa Bárbara do Tugúrio (1)
Senhora dos Remédios (3)
Microrregião de Barbacena
Microrregião de São João Del Rei
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Conceição da Barra de Minas (26)
Coronel Xavier Chaves (21)
Dores do Campo (17)
Lagoa Dourada (22)
Madre de Deus de Minas (14)
Nazareno (27)
Piedade do Rio Grande (13)
Prados (19)
Resende Costa (23)
Ritapólis (24)
Santa Cruz de Minas (20)
Santana do Garambéu (12)
São João Del Rei (15)
São Tiago (25)
Tiradentes (18)
Em sua formação econômica, social e espacial, São João Del - Rei teve um
papel que ultrapassa o que se enraizou nas vulgatas presentes em seus discursos
territoriais: simples local da reprodução urbana. O conteúdo das suas imagens do
passado ou do futuro não está oculto ou aparente nas suas formas: o conjunto das
formas geográficas de São João Del - Rei é a própria lógica impessoal e abstrata das
mercadorias, das trocas, do mundo das coisas que, desumanizam a vida todos os
dias.
A produção capitalista do espaço com a globalização ou pós-fordismo (Lipietz,
1998), não significa como é comum pensar, uma homogeneização do espaço, ao
contrário, o que ocorre é uma fragmentação, com isso, a especialização produtiva do
território. Chesnais (1997) prefere o termo mundialização à globalização que para ele
é muito vago e não refletem as mudanças na economia e no espaço, decorrentes da
busca da viabialização dos fluxos econômicos para o lucro. Para Benko (2000) a
geopolítica da produção produz um novo “mosaico de regiões”. Algumas regiões se
tornam mais competitivas que outras e determinados segmentos produtivos,
conseguem mobilizar, por conta do território recursos relacionados a aspectos sociais,
culturais, históricos, institucionais locais que vão além dos custos de mercado e de
preço, produzindo uma complexa rede de relações entre empresas, associações e
sindicatos e poder público.
Santos (1992) reconhecendo o espaço geográfico como território, considerou
que cada unidade espacial é constituída por “frações funcionais” e que a articulação
destas diversas frações se realiza a partir das atividades produtivas, portanto, o seu
estudo deve estar focado na estrutura interna de cada fração (cidades) e nas
interações entre elas. O desenvolvimento territorial, por sua vez, é um processo de
construção e organização de recursos materiais e imateriais com o objetivo de
maximizar a produtividade de cada lugar e, que não são transferidos facilmente para
outros. Os benefícios tecnológicos e de organização por meio do estímulo à
proximidade de atores, construção de redes comerciais, cognitivas, culturais e
informacionais que definem as regulações locais são aspectos importantes e
determinantes na dinâmica do desenvolvimento territorial.
Segundo George (1984) as concentrações resultantes de toda a evolução
econômica provocada pela revolução industrial acabaram reunindo nas cidades mais
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importantes certos mecanismos essenciais da vida regional. Os centros locais
perderam, com isso, a sua possibilidade de iniciativa, mas conservaram a sua
autonomia em certos domínios restritos e servem de mecanismos intermediários para
o resto.
Assim, constituem-se e evoluem redes urbanas que são a verdadeira
armação de cada região. São João Del Rei é para a microrregião do Campo das
Vertentes um centro local de referência quanto à prestação de serviços às demais
cidades da região. Para Pierre a cidade quando é recolocada em duplo contexto:
regional e citadino convergem para explicar melhor a arquitetura da economia e da
sociedade.
4.
METODOLOGIA
No desenvolvimento desse trabalho foi utilizando como procedimento
metodológico a pesquisa – ação. A análise teórica e metodológica desse trabalho
enfocou a produção capitalista do espaço pela ação das praticas dos agentes sociais.
Para isso realizamos levantamento de informações sobre o tema da pesquisa
abordando à área geográfica estudada, com base em leituras e discussões de artigos
acadêmicos sobre a produção capitalista do espaço, a urbanização brasileira e as
cidades médias no contexto da reorganização produtiva do capitalismo e a divisão
social e territorial do trabalho, o preço da terra, prática que nos acompanhou durante
todo o decorrer da pesquisa.
Para obtenção e manipulação de dados para a realização da pesquisa,
utilizamos as informações sobre a caracterização da expansão urbana da cidade
encontradas no banco de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), do Anuário Estatístico de São João Del Rei, do Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), idade Federal de São João Del Rei (LABDOCUFSJ), acervos particulares, etc., com a finalidade de confeccionar os mapas urbanos
referentes à dinâmica espacial/territorial de São João Del Rei que foram utilizados no
trabalho para melhor exemplificar o processo de urbanização da cidade no decorrer
dos seus mais de trezentos anos de história.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao desenvolver esse trabalho procuramos a partir da investigação das
transformações no espaço urbano de São João Del Rei, identificar e classificar o
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uso do solo urbano, os problemas para a região, as áreas preferenciais e os
agentes sociais que comandam esse processo.
Apesar da existência de vários agentes produtores na produção do espaço
urbano de São João Del Rei, não há presença de empresas de grande capital
atuantes na cidade, já que a maioria se constitui de empreendedores locais. Mas,
devido ao significativo número desses agentes modeladores do espaço, hoje
podemos destacar que o principal agente produtor do espaço urbano sãojoanense
é o poder publico municipal que é responsável pela implantação de loteamentos,
seja pela dotação de infra-estrutura urbana ou pelas relações entre o público e o
privado, permeadas pelo poder local, que determina a atual dinâmica urbana da
cidade e sua área de influencia como pólo de atração de cidades próxima a ela.
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