FUTEBOL BRASILEIRO:
UM PROJETO DE CALENDÁRIO
Propostas de Melhorias do
Calendário de Nosso Futebol
Luis Filipe Chateaubriand
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Copyright© 2009 por Luis Filipe Chateaubriand
Título Original: Futebol Brasileiro: Um Projeto de Calendário –
propostas de melhorias do calendário de nosso futebol
Editor
André Figueiredo
Editoração Eletrônica
Luciana Lima de Albuquerque
PUBLIT SOLUÇÕES EDITORIAIS
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2
APRESENTAÇÃO
Entre os anos de 2000 e 2002, escrevi três livros sobre o
calendário do futebol brasileiro. O fiz porque considerava o mau
calendário o principal problema do nosso futebol.
Da lá para cá, houve mudanças: primeiro, com a adoção do
Calendário Quadrienal, ainda em 2002, um fracasso1 ; depois, a
implantação, em 2003, da metodologia de competição em turno
e returno e resultado de acordo com pontos corridos para o
Campeonato Brasileiro – medida acertada, relevante e exitosa.
A questão central deste trabalho é que muita gente que milita
no futebol acredita que, agora que temos o Campeonato Brasileiro
realizado em turno e returno e com pontos corridos, os problemas
de calendário do futebol brasileiro acabaram, ou reduziram-se
drasticamente. E isto está longe de ser verdade.
Definir-se que o Campeonato Brasileiro tem divisões de 20
clubes e é jogado em turno e returno e com pontos corridos é
algo fundamental, porém insuficiente, para que se possa dizer
______________________________________
1
Como, aliás, eu já previa, conforme escrevi no artigo “Mais Equívocos do
que Acertos”, publicado no “Jornal do Brasil” de 08 de Julho de 2001.
3
que o calendário do nosso futebol é bom, já que uma série de
nocivas práticas, em termos de calendário, convive com esta
salutar medida.
Podemos dizer, metaforicamente, que este copo ainda está
muito mais para vazio, do que para cheio.
É acreditando na idéia de que estamos longe de ter um calendário ao menos razoável que escrevo este documento. Passaram-se
alguns anos desde que havia escrito algo a respeito, pela última
vez, e pouco mudou.
Continuo alimentando a esperança que, algum dia, o futebol
brasileiro terá um bom calendário. É na pretensão de ajudar a
construí-lo que escrevo o presente livro.
O autor
4
Sumário
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO ............................................................... 7
CAPÍTULO II – UM CALENDÁRIO PARA OS CLUBES BRASILEIROS .. 15
2.01) Como é e como Deve Ser ............................................. 15
2.02) Campeonato Brasileiro .................................................. 18
2.03) Campeonatos Interestaduais ......................................... 42
2.04) Campeonatos Estaduais ................................................. 55
2.05) Copa do Brasil ................................................................. 77
2.06) Taça Libertadores da América ...................................... 84
2.07) Copa Panamericana ........................................................ 89
2.08) Supercopa do Brasil ........................................................ 94
2.09) Recopa das Américas ..................................................... 95
2.10) Torneio de Integração Nacional .................................. 96
2.11) Campeonato Mundial de Clubes ................................ 109
2.12) Projeto Final .................................................................. 113
CAPÍTULO III – UM CALENDÁRIO PARA A SELEÇÃO BRASILEIRA ..... 117
3.01) Como é e como Deve Ser ........................................... 117
3.02) Copa América ................................................................ 120
3.03) Copa das Confederações ............................................. 122
3.04) Campeonato da FIFA .................................................. 125
3.05) Copa do Mundo ............................................................ 127
3.06) Projeto Final .................................................................. 132
CAPÍTULO IV – QUESTÕES ESSENCIAIS A RESPEITO DO
CALENDÁRIO PROPOSTO ................................................................. 134
4.01) Benefícios do Modelo de Calendário Proposto ...... 134
4.02) Principais Dúvidas (e Respostas) sobre o
Calendário Proposto .............................................................. 138
4.03) Implantação do Projeto ............................................... 153
CAPÍTULO V – CONCLUSÕES .......................................................... 156
5
6
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO
À vista do cidadão comum, o futebol brasileiro representa o
Brasil que dá certo. Afinal, somos o único país que esteve presente em todas as Copas do Mundo de futebol. Somos, também,
o país de Pelé – o rei do futebol e cidadão mais conhecido do
planeta – e de uma quantidade incomensurável de outros craques.
Somos, ainda, cinco vezes campeões mundiais de futebol, número de conquistas no principal torneio futebolístico do mundo
inalcançado por seleções de outros países.
Com um histórico destes, aparenta-se ter, em nosso país, o
futebol como uma atividade muito desenvolvida, extremamente
organizada, gerida de modo profissional...
Falso como ouro de tolo!
As conquistas do futebol brasileiro, ainda há pouco comentadas, são, unicamente, fruto do trabalho dos profissionais
que atuam ligados às quatro linhas. Notadamente, do jogador de futebol brasileiro, dotado de técnica, malícia e picardia
incomuns.
Do ponto de vista da gestão, o futebol brasileiro é atrasado:
não foi por causa da boa gestão do futebol brasileiro que chegamos
7
ao que somos; foi apesar da má gestão do futebol brasileiro que
chegamos lá.
Vários problemas, resultado da má gestão, afetam o futebol
brasileiro: estádios precários; violência (dentro e fora do campo);
livre atuação dos cambistas na venda de ingressos; ação nociva
de empresários, que extrapolam suas funções naturais; falta de
profissionais qualificados nas divisões de base, mais preocupados
em formar atletas medíocres do que em formar jogadores tecnicamente bons, o que vai de encontro à nossa escola futebolística;
dirigentes de clubes despreparados e truculentos; e por aí vai.
Entretanto, um destes problemas parece central, e, sem dúvida,
acaba por ampliar a intensidade dos demais: o calendário irracional!
O calendário do futebol brasileiro é ruim, muito ruim! Já foi
pior, mas, ainda assim, não está sequer em patamar mediano.
Enquanto não tivermos, no Brasil, um calendário decente, se
continuará a ver o êxodo de nossos melhores jogadores para o
exterior.
Por seu turno, se conseguirmos reverter esta situação, tendo
o melhor calendário possível, os clubes alcançarão receitas maiores, podendo manter os craques nacionais atuando por aqui.
Mas, então, cumpre indagar: o que é um bom calendário?
Para se responder a esta pergunta, deve-se desmembrar em
três perspectivas a observação do calendário: a técnica, a comercial e a sistêmica.
Do ponto de vista técnico, a idéia central é que o calendário
não deve comprometer a saúde dos jogadores, ou seja, os jogadores precisam de tempo para treinamentos e descanso para
que, estando em perfeitas condições físicas, possam apresentar
melhor desempenho nas partidas. Assim, do ponto de vista técnico, bom calendário é o que:
8
•
•
•
Garante um mês de férias aos jogadores.
Garante que os clubes terão um mês de pré-temporada para
treinamentos físicos, técnicos e táticos, e jogos amistosos,
propiciando aos jogadores a possibilidade de desenvolverem melhores condições de bom desempenho ao longo da temporada.
Garante que o número de jogos por semana de cada clube
nunca seja inferior a um, ou seja, zero (para que os jogadores
não fiquem inativos por muito tempo, perdendo ritmo de
jogo), nem superior a dois (para que o desgaste dos jogadores
não seja excessivo e, assim, os jogadores não tenham queda
de rendimento)2 .
Do ponto de vista comercial, bom calendário é o que possa
garantir aos cerca de 700 clubes profissionais brasileiros jogos
oficiais durante cerca de 10 dos 12 meses de um ano (dos dois
meses restantes, um deve ser dedicado às férias dos jogadores, e
outro, à pré-temporada), para que tenham atividades ao longo de
uma temporada (ano) inteira, gerando receitas constantemente.
Do ponto de vista sistêmico, bom calendário é:
•
O alinhado com o calendário do futebol europeu, o que permite que as transferências de jogadores entre um mercado e
outro se dêem em épocas em que nenhum dos centros seja
objeto das competições oficiais.
______________________________________
2
Na verdade, o ideal, do ponto de vista técnico, seria que os jogadores fizessem
apenas uma partida por semana. Contudo, isto se torna impraticável, devido ao
número de competições existentes e à inviabilidade de extinguir algumas delas.
Garantir que cada jogador faça um máximo de duas partidas por semana, assim,
parece ser uma medida razoável, sobretudo se as competições periféricas, jogadas aos meios de semanas, tiverem fórmulas de disputa de caráter eliminatório,
no todo ou parcialmente, o que diminui o tempo de duração da seqüência de
dois jogos por semana – e é o que proponho.
9
•
•
O em que as competições de seleções nunca coincidem com
as competições de clubes, com as referidas competições de
seleções sendo realizadas em momentos nos quais os clubes
não possuem jogos oficiais.
O em que uma competição principal, normalmente o
campeonato nacional, é jogada aos finais de semanas que
envolvem a temporada, ao passo que os meios de semanas
são reservados às outras competições – para que esta competição principal seja valorizada, sendo disputada nas melhores
datas do calendário, os referidos finais de semanas.
Daí, pergunto: existe um bom calendário no futebol brasileiro? A resposta é não: nem do ponto de vista técnico, nem do
ponto de vista comercial, nem do ponto de vista sistêmico.
Em assim sendo, cabe constatar que:
•
•
•
Do ponto de vista técnico, não temos um bom calendário,
pois pré-temporada é algo que quase inexiste no futebol brasileiro – a maioria dos clubes tem pouco mais de 10 dias para
realizá-la, anualmente.
Do ponto de vista comercial, não temos um bom calendário,
pois os clubes que não disputam o Campeonato Brasileiro
em suas diversas divisões ficam “meses a fio” sem jogos oficiais.
Assim, perdem os clubes, que ficam impossibilitados de usufruir de receitas de bilheteria e patrocínio durante a maior
parte do ano, e perdem os próprios jogadores, já que o clube
que fica sem jogar boa parte do ano dissolve seu elenco, e os
jogadores ficam desempregados.
Do ponto de vista sistêmico, não temos um bom calendário,
pois não temos nem o calendário do futebol brasileiro
alinhado ao calendário do futebol europeu (na Europa, de
Julho de um ano até Junho do ano seguinte; aqui, de Janeiro
10
a Dezembro do mesmo ano), nem a Seleção Brasileira joga
apenas quando não há jogos oficiais de clubes brasileiros (vêse, com freqüência, por exemplo, a Seleção jogar em dias em
que há rodada de algum campeonato, ou no dia anterior ou
posterior), e nem o Campeonato Brasileiro é jogado apenas
aos finais de semanas (boa parte das rodadas do Campeonato
Brasileiro, quase metade, é jogada em meios de semanas).
Em resumo, muito se deve fazer para que o calendário do futebol brasileiro seja bom. Temos um calendário que beira o sofrível!
Bem verdade é que houve melhorias, embora poucas, nos
últimos anos, em termos de calendário: se tem, no Campeonato
Brasileiro, da primeira e da segunda divisão, competições em turno e returno e por pontos corridos, o que mantém 40 clubes
brasileiros em atividade ao longo de toda a temporada; e o
enxugamento da forma de disputa de algumas competições,
notadamente os Campeonatos Estaduais, fez com que o número
de jogos máximo que um clube pode fazer por ano (que ultrapassava os 100 jogos, nas décadas de 80 e 90 do século passado)
sofresse uma razoável redução.
No entanto, graves problemas ainda persistem no calendário
atual, a saber:
a) Mais de 600 clubes jogam apenas os Campeonatos Estaduais
durante a temporada toda, em cerca de três meses, e ficam o
resto da temporada sem jogar.
b) O número de datas necessárias para se cumprir o calendário
atual é próximo a 90, o que é alto, embora apenas ligeiramente.
c) É adotada, no calendário atual, a insensata prática de proibir
clubes que disputam a Taça Libertadores da América de disputarem a Copa do Brasil, punindo a competência.
11
d) Amistosos e competições oficiais que envolvem a Seleção Brasileira são jogados em rodadas em que há, também, jogos de
campeonatos que envolvem o futebol brasileiro. É comum, por
exemplo, que quando a Seleção joga em uma quarta feira, haja
rodada completa do campeonato em andamento na terça feira,
ou que, quando a Seleção joga em um domingo, haja rodada completa do campeonato em andamento no sábado (entenda-se que,
quando a Seleção joga, não deve haver rodada de competições de
clubes e, por sua vez, só se devem programar jogos da Seleção
quando não há rodadas de competições entre clubes; qualquer
coisa fora disto é falta de profissionalismo, pois desfalca-se os
clubes de seus principais jogadores, cedidos à Seleção).
e) Várias rodadas do Campeonato Brasileiro, em suas divisões,
são jogadas em meios de semanas, enquanto várias rodadas dos
Campeonatos Estaduais são jogadas em finais de semanas. Em
um calendário bem organizado, todas as rodadas do Campeonato
Brasileiro – a competição mais importante – deveriam ser realizadas em finais de semanas, e todas as rodadas dos Campeonatos
Estaduais – as competições menos importantes – deveriam ser
realizadas em meios de semanas.
f) Como já assinalado, a pré-temporada é algo que quase inexiste
no Brasil, e isso não combina com calendário racional.
g) Embora rara, a possibilidade de um clube jogar mais de duas
partidas oficiais no período de uma semana, um contra senso,
existe. A possibilidade de, por exemplo, um clube ter que jogar
duas partidas pelo Campeonato Estadual e uma pela Copa do
Brasil, totalizando três partidas na semana, pode acontecer, embora não seja freqüente.
h) A falta de alinhamento com o calendário do futebol europeu
faz com que os clubes principais percam seus principais jogadores,
12
transferidos para a Europa, perto da metade do Campeonato
Brasileiro, desvalorizando a principal competição do calendário.
i) As competições são mal distribuídas ao longo do ano. Isso faz
com que, por exemplo, as finais da Taça Libertadores da América e da Copa do Brasil sejam na mesma época, e jogadas paralelamente ao início do Campeonato Brasileiro. O resultado disso é
que os clubes envolvidos em alguma final jogam com o time
reserva no início do Campeonato Brasileiro, desprestigiando-o
(fácil seria resolver isso: era só programar a realização da Copa
do Brasil e da Taça Libertadores da América para a segunda metade da temporada, quando o Campeonato Brasileiro já estivesse
mais próximo do fim; duvido que, em um cenário destes, algum
clube escalasse reservas no Campeonato Brasileiro, comprometendo a campanha em sua seqüência nesta competição...).
Enfim, poderia continuar citando vicissitudes, mas as até aqui
descritas parecem suficientes para mostrar que o calendário atual
do futebol brasileiro não é bom! Melhorar é preciso.
Este trabalho, assim, constitui-se em um projeto de
aperfeiçoamento do calendário do futebol brasileiro. O primeiro
capítulo, denominado “Introdução”, é o atual, prestes a se
encerrar. O segundo capítulo, “Um Calendário para os Clubes
Brasileiros”, constituir-se-á de uma metodologia para se construir,
temporada a temporada, um calendário racional, que comporte
os interesses de 700 clubes brasileiros. O terceiro capítulo, “Um
Calendário para a Seleção Brasileira”, mostrará uma metodologia
de calendário para as competições que envolvem a Seleção
principal, com o intuito de se evitar que os jogos da Seleção
coincidam com os jogos de competições de clubes. O quarto
capítulo, “Questões Essenciais a Respeito do Calendário
Proposto”, versará sobre o detalhamento dos fatores mais críticos
13
do trabalho. Enfim, o quinto capítulo, “Conclusões”, mostrará a
síntese do projeto e sua relação com a realidade do futebol.
Ao terminar este primeiro capítulo, devo dizer algo que será
diretriz para as próximas linhas e páginas: para proceder-se um
bom calendário, equilíbrio é a palavra chave. Clubes jogarem muito
é ruim, gera desgaste de imagem. Clubes jogarem pouco também
é ruim, incorre-se em falta de receitas. Ter poucos clubes que
jogam muito e muitos clubes que jogam pouco é o pior dos mundos,
e é próximo a isto que se está. É hora de mudar de rumo!
14
CAPÍTULO II – UM CALENDÁRIO PARA OS
CLUBES BRASILEIROS
2.01) Como é e como Deve Ser
As mazelas do calendário atual foram descritas genericamente no capítulo anterior, e detalhá-las seria algo chato aos olhos de
quem lê. Em assim sendo, pouparei o leitor desse dissabor.
Apenas é necessário retratar, de forma ligeira, como é o
calendário atual. Ele é composto de 91 datas, ou rodadas, por
temporada3 , a saber:
•
•
Trinta e oito datas, ou rodadas, são dedicadas ao Campeonato
Brasileiro.
Vinte e três datas, ou rodadas, são dedicadas aos Campeonatos Estaduais (tomando-se, como base, o Campeonato
Paulista).
______________________________________
3
Não está incluso o Campeonato Mundial Interclubes, realizado anualmente,
no Japão. Esta competição não é realizada ao longo da temporada regular do
futebol brasileiro, mas já no período de férias dos jogadores, em Dezembro.
15
•
•
•
Dezesseis datas, ou rodadas, são dedicadas à Taça Libertadores
da América e à Copa do Brasil, realizadas simultaneamente
(as 12 rodadas da Copa do Brasil, assim, estão englobadas
nas 16 rodadas da Libertadores).
Doze datas, ou rodadas, são dedicadas à Copa Sulamericana.
Duas datas, ou rodadas, são dedicadas à Recopa Sulamericana
(dois jogos entre o clube campeão da Libertadores e o clube
campeão da Sulamericana da temporada anterior).
Ora, apenas aí, já se tem uma distorção considerável: para se
ter 91 datas, ou rodadas, para cumprir o calendário – ao ritmo de
duas datas, ou rodadas, por semana –, precisa-se de 46 semanas
incompletas. Com de quatro a cinco semanas de férias dos jogadores,
são precisas 50 ou 51 semanas por ano para se realizar tudo. Como
cada ano tem 52 semanas, sobram uma, ou, no máximo, duas
semanas para que os clubes façam a pré-temporada – algo ridículo.
Não é razoável que seja assim!
A partir deste dado, começo a estruturar o meu projeto: o
razoável, ao meu ponto de vista, é que tenhamos dois meses seguidos sem jogos oficiais – um deles, dedicado às férias dos jogadores; outro, à pré-temporada – e, depois, os 10 meses seguintes
com competições em jogos oficiais. Ora, dois meses equivalem a
nove semanas. Como, em um ano, temos 52 semanas, sobram 43
semanas para jogos e competições oficiais.
Levando em consideração que se deve ter algumas datas
sobrantes para jogos que tenham sido adiados por algum motivo, parece que 42 semanas para jogos e competições oficiais é
um bom número. Se cada uma dessas 42 semanas tiver duas datas, ou rodadas, disponíveis (uma, no meio de semana; outra, no
final de semana), tem-se 84 datas, ou rodadas, para se estruturar
o calendário.
16
Bom, mas como distribuir, pelas competições, as 84 datas, ou
rodadas, disponíveis? Da seguinte forma:
Competição
Campeonato Brasileiro (três divisões)
Campeonatos Interestaduais e Campeonatos
Estaduais (simultâneos)
Taça Libertadores da América e Copa
Panamericana (simultâneos)
Copa do Brasil
Supercopa do Brasil
Recopa das Américas
Total
Datas /
Rodadas
38
21
11
10
2
2
84
Observação: Proponho, também, a realização do Torneio
de Integração Nacional, uma espécie de quarta divisão do Campeonato Brasileiro, a se realizar em 42 datas, ou rodadas. As 42
datas, ou rodadas, desta competição devem ser jogadas simultaneamente a três competições que também somam 42 datas, ou
rodadas: a Supercopa do Brasil (duas rodadas), o Campeonato
Brasileiro (38 rodadas) e a Recopa das Américas (duas rodadas).
Algo é importante acrescentar: como proponho que o calendário
do futebol brasileiro seja alinhado ao calendário do futebol europeu,
as 84 datas, ou rodadas, aqui propostas, devem ser arroladas entre
Agosto (ou final de Julho) de um ano e Maio do ano seguinte.
O passo seguinte é responder como realizar cada uma das
competições no número de datas, ou rodadas, mencionado. Como
realizar o Campeonato Brasileiro em 38 datas, ou rodadas? Como
realizar os Campeonatos Interestaduais em 21 datas, ou rodadas?
Como realizar os Campeonatos Estaduais em 21 datas, ou rodadas?
E assim por diante. Esta é a tarefa que procederei em seguida.
17
2.02) Campeonato Brasileiro
Então, a pergunta é: como realizar o Campeonato Brasileiro
em 38 datas, ou rodadas?
Não parece ser muito difícil responder: da mesma forma que
atualmente, com algumas adaptações.
Se há algo que parece acertado no que os dirigentes principais do futebol brasileiro fizeram nas últimas décadas, isto foi a
adoção do Campeonato Brasileiro realizado em turno e returno
e com pontos corridos.
Confesso que tenho dúvidas se 20 clubes por divisão, como
tem sido, é o número ideal. Alguns argumentam, não sem certa
razão, que 22 clubes por divisão permitiriam que mais mercados
fossem contemplados. Outros preferem 18 por divisão, o que
abriria espaço para excursões dos clubes principais. Ainda há os
que preferem 16 clubes por divisão, o que poderia permitir que
as excursões dos clubes principais fossem maiores.
Quantos por divisão? Dezesseis? Dezoito? Vinte e dois? Ou
20? Qualquer desses números é aceitável: no máximo deles, ocupa-se melhor a temporada com competições oficiais; no mínimo
deles, as competições oficiais são mais enxutas, e há um período
generoso para excursões dos clubes principais.
Mas, já há alguns anos, tem-se 20 clubes por divisão. Isso
criou um hábito, um costume, deu à competição uma aura de
estabilidade e de credibilidade. Então, mudar seria um risco que
não vale a pena correr.
Assim, defendo a idéia de que os 20 clubes por divisão devem ser mantidos. Como todos jogam contra todos em turno e
returno, são 19 rodadas no turno e 19 rodadas no returno, ou
seja, 38 rodadas.
18
A proposta, então, é que, como hoje, tenhamos o Campeonato Brasileiro em três divisões, cada uma delas com 20 clubes.
O modo de disputa continuaria sendo a prática de todos os clubes
jogando entre si em turno e returno e com pontos corridos4 .
Não se pense, entretanto, que o modelo atual do Campeonato Brasileiro é perfeito. Algumas disfunções devem ser sanadas,
a saber:
a) Os quatro primeiros colocados da competição classificaremse para a Libertadores da temporada seguinte, como atualmente,
é pouco, não condiz com a tradição do futebol brasileiro. Cinco
clubes devem se classificar, por temporada, para a Libertadores.
b) Os quatro últimos colocados de cada divisão irem para a divisão imediatamente inferior, por temporada, também é pouco.
Vários clubes de bom nível de divisões menores pleiteiam uma
vaga na divisão maior. Para aumentar os atrativos das competições
das divisões menores, o acesso / descenso entre uma divisão e
outra deve ser de cinco clubes.
c) É exagerado permitir que até o décimo primeiro colocado
da primeira divisão classifique-se para a Copa Sulamericana
– ou seja, um clube da “parte de baixo da tabela” pode classificar-se para uma competição internacional. Proponho que
só se classifiquem para a Copa Panamericana (que substituiria
a Copa Sulamericana) clubes que chegarem até a décima colocação
______________________________________
4
Inclusive no recém criado Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão com
20 clubes. A crítica que se faz à terceira divisão em pontos corridos é que os
gastos seriam expressivos, devidos às necessidades de transporte dos clubes.
Porém, qualquer forma alternativa poderia reduzir custos, mas também reduziria ganhos, pois a metodologia de turno e returno e com pontos corridos é a
mais fácil de entender, a que gera maior credibilidade e, em conseqüência, a
que alavanca mais receitas.
19
na primeira divisão – mais precisamente, entre a sexta e a décima
colocação.
d) A tabela do Campeonato Brasileiro, em qualquer de suas divisões, possui imperfeições grosseiras, como clubes que jogam até
quatro rodadas seguidas com, ou sem, o mando de campo. Isto
deve ser corrigido.
e) Principal problema: várias rodadas do Campeonato Brasileiro,
com suas divisões, são jogadas em meios de semanas. O Campeonato Brasileiro é a principal competição do calendário e, para ser
valorizado, deve ser jogado apenas aos finais de semanas.
Resumindo: embora o Campeonato Brasileiro esteja sendo
disputado com a fórmula correta, há diversas imperfeições a ser
objeto de atenção.
Então, começando a detalhar como deve ser o Campeonato
Brasileiro, ter-se-ia 20 clubes na primeira divisão, ter-se-ia 20
clubes na segunda divisão e ter-se-ia 20 clubes na terceira divisão
– como atualmente.
Em cada divisão, a fórmula de disputa seria a seguinte: todos
os clubes jogariam entre si em turno e returno, com o clube campeão sendo o que conseguisse somar, ao longo da competição, o
maior número de pontos corridos. Seriam, portanto, 19 rodadas
no turno e 19 rodadas no returno, em um total de 38 rodadas –
também como atualmente.
Como dito anteriormente, parece-me insuficiente que, como
acontece atualmente, apenas os quatro primeiros colocados consigam uma vaga na Taça Libertadores da América da temporada
seguinte. Partindo do pressuposto, que julgo razoável, que o
número de clubes que disputa estas vagas até a última rodada da
competição é, a grosso modo, o dobro do número de vagas,
20
temos, na situação atual, oito clubes disputando as quatro vagas
até a última rodada.
Ora, se cinco clubes se classificarem para a Libertadores, seguindo a mesma linha de raciocínio, haverá 10 clubes disputando
as cinco vagas. E 10 clubes são a metade do total de clubes de
uma divisão do Campeonato Brasileiro. Ou seja: tendo-se cinco
classificados para a Libertadores, ao invés de quatro, conseguese que metade dos clubes envolvidos na competição lutem por
essas vagas até o fim do campeonato.
Óbvio está que o mesmo raciocínio vale para a segunda e a
terceira divisão: o acesso dos cinco melhores da segunda para a
primeira permite que 10 clubes da segunda disputem estas vagas
até o final do certame; e o acesso dos cinco melhores da terceira
para a segunda permite que 10 clubes da terceira disputem estas
vagas até o final do certame. Por divisão, dos 10 melhores clubes,
cinco se classificam para a divisão acima (ou para a Libertadores,
no caso da primeira divisão), e cinco não são contemplados.
Para o descenso, o raciocínio é similar. Ou seja, os cinco últimos
colocados de cada divisão devem ser rebaixados para a divisão
imediatamente posterior, na temporada seguinte. Assim, os 10
piores clubes da primeira divisão lutam até o final do certame
para não irem para a segunda divisão, da mesma forma que os 10
piores clubes da segunda divisão lutam até o final do certame
para não irem para a terceira divisão, da mesma forma que os 10
piores clubes da terceira divisão lutam até o final do certame para
não saírem dela, indo para o Torneio de Integração Nacional.
Por divisão, dos 10 piores clubes, cinco se livram do rebaixamento,
e cinco são rebaixados.
O objetivo desta medida é propiciar que, por divisão, os
clubes possam ter objetivos a serem cumpridos até o final das
21
competições, o que evita os conhecidos “jogos que não valem
nada”. Na medida que, por divisão, os 10 melhores clubes lutam
para estar entre os cinco primeiros (sendo premiados com o acesso
e, no caso da primeira divisão, com a classificação para a Taça
Libertadores da América), e os 10 piores clubes lutam para não
estar entre os cinco últimos (para escaparem do rebaixamento),
todos os 20 clubes de cada divisão têm objetivos a cumprir ao
longo do campeonato.
Resumindo, a proposta para acesso e descenso é esta:
•
•
Os cinco primeiros colocados do Campeonato Brasileiro da
Primeira Divisão disputam a Taça Libertadores da América
da temporada seguinte, da mesma forma que os cinco
primeiros colocados do Campeonato Brasileiro da Segunda
Divisão disputam o Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão da temporada seguinte, da mesma forma que os cinco
primeiros colocados do Campeonato Brasileiro da Terceira
Divisão disputam o Campeonato Brasileiro da Segunda
Divisão da temporada seguinte, da mesma forma que os cinco primeiros colocados do Torneio de Integração Nacional
disputam o Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão da
temporada seguinte.
Os cinco últimos colocados do Campeonato Brasileiro da
Primeira Divisão disputam o Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão da temporada seguinte, da mesma forma que
os cinco últimos colocados do Campeonato Brasileiro da
Segunda Divisão disputam o Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão da temporada seguinte, da mesma forma que
os cinco últimos colocados do Campeonato Brasileiro da
Terceira Divisão disputam o Torneio de Integração Nacional
da temporada seguinte.
22
Pela proposta, as 38 rodadas seriam realizadas em 19 finais
de semana entre Agosto (ou final de Julho, dependendo das
circunstâncias) e Dezembro de um ano (primeiro turno) e em
19 finais de semanas entre Janeiro e Maio do ano seguinte
(segundo turno).
Elaborar uma tabela racional para este tipo de competição
parece algo fácil, mas as aparências enganam. A confecção de
uma boa tabela para competições de 20 clubes em pontos corridos
inclui a necessidade da existência de três critérios, a saber:
•
•
Clubes rivais devem formar pares em situações opostas. Por
exemplo: se o Flamengo RJ joga com o mando de campo, o
Fluminense RJ deve jogar sem o mando de campo (e vice
versa); tal situação deve-se dar, também, com Corínthians SP
e Palmeiras SP, Grêmio RS e Internacional RS, Atlético MG
e Cruzeiro MG, etc. A adoção desta medida evita que, a cada
rodada, clubes do mesmo centro estejam na mesma situação,
evitando o excesso ou a falta de jogos em uma mesma rodada em determinada praça (por exemplo, ao longo do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, o Grêmio RS realizará
19 jogos em casa e o Internacional RS, também, em um total
de 38 jogos realizados em Porto Alegre. Como são 38 rodadas, é melhor que se tenha um jogo em Porto Alegre a cada
rodada do que se ter rodadas em Porto Alegre com dois jogos
e rodadas sem nenhum). Em um campeonato de 20 clubes, é
possível formar 10 pares em situações opostas.
Metade dos clubes deve fazer 10 jogos com mando de campo no turno e nove jogos com mando de campo no returno.
A outra metade deve fazer nove jogos com mando de campo
no turno e 10 jogos com mando de campo no returno. Esta
configuração garante um equilíbrio de situação entre os
clubes disputantes.
23
•
Nenhum clube deve fazer uma série maior de dois jogos seguidos em casa ou fora de casa (o que estou chamando de
jogar em casa ou fora de casa é ter ou não o mando de campo. Se há, em São Paulo, um jogo São Paulo SP x Corínthians
SP, o Corínthians SP está jogando fora de casa – apesar de
estar atuando em sua cidade – já que o mando de campo é do
São Paulo SP), para se evitar que os clubes fiquem afastados
de sua torcida por muito tempo, ou que fiquem perto de sua
torcida repetidamente.
Como se vê, montar uma tabela para um campeonato de 20
clubes em turno e returno e com pontos corridos não chega a ser
uma tarefa difícil. O difícil é montar uma boa tabela, já que se
deve atender aos três critérios mencionados simultaneamente.
Dá para fazer? Com certeza. Como? Eis uma alternativa (chamarei os clubes de time01, time02, time03, ..., time20; os clubes que
tiverem o mando de campo terão seu nome destacado em negrito):
Primeira Rodada
Time01
Time02
x
x
time20
time19
Time03
Time04
Time05
Time06
x
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time18
time17
time16
time15
Time07
Time08
Time09
x
x
x
time14
time13
time12
Time10
x
time11
24
Segunda Rodada
Terceira Rodada
Quarta Rodada
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
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x
x
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25
time19
time18
time17
time16
time15
time14
time13
time12
time11
time20
time18
time17
time16
time15
time14
time13
time12
time11
time20
time19
time17
time16
time15
time14
time13
time12
time11
time20
time19
time18
Quinta Rodada
Sexta Rodada
Sétima Rodada
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
x
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x
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26
time16
time15
time14
time13
time12
time11
time20
time19
time18
time17
time15
time14
time13
time12
time11
time20
time19
time18
time17
time16
time14
time13
time12
time11
time20
time19
time18
time17
time16
time15
Oitava Rodada
Nona Rodada
Décima Rodada
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
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27
time13
time12
time11
time20
time19
time18
time17
time16
time15
time14
time12
time11
time20
time19
time18
time17
time16
time15
time14
time13
time11
time20
time19
time18
time17
time16
time15
time14
time13
time12
Décima Primeira
Rodada
Décima Segunda
Rodada
Décima Terceira
Rodada
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time11
Time12
Time13
Time14
Time15
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time11
Time12
Time13
Time14
Time15
Time01
Time02
Time03
Time04
Time09
Time11
Time12
Time13
Time14
Time19
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28
time10
time09
time08
time07
time06
time20
time19
time18
time17
time16
time09
time08
time07
time06
time10
time19
time18
time17
time16
time20
time08
time07
time06
time05
time10
time18
time17
time16
time15
time20
Décima Quarta
Rodada
Décima Quinta
Rodada
Décima Sexta
Rodada
Time01
Time02
Time03
Time04
Time08
Time11
Time12
Time13
Time14
Time18
Time01
Time02
Time03
Time07
Time08
Time11
Time12
Time13
Time17
Time18
Time01
Time02
Time03
Time06
Time07
Time11
Time12
Time13
Time16
Time17
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29
time07
time06
time05
time10
time09
time17
time16
time15
time20
time19
time06
time05
time04
time09
time10
time16
time15
time14
time19
time20
time05
time04
time10
time09
time08
time15
time14
time20
time19
time18
Décima Sétima
Rodada
Décima Oitava
Rodada
Décima Nona
Rodada
Time01
Time02
Time05
Time06
Time07
Time11
Time12
Time15
Time16
Time17
Time01
Time02
Time04
Time05
Time06
Time11
Time12
Time14
Time15
Time16
Time01
Time03
Time04
Time05
Time06
Time11
Time13
Time14
Time15
Time16
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30
time04
time03
time09
time08
time10
time14
time13
time19
time18
time20
time03
time10
time09
time08
time07
time13
time20
time19
time18
time17
time02
time09
time08
time07
time10
time12
time19
time18
time17
time20
Vigésima Rodada
Vigésima
Primeira Rodada
Vigésima
Segunda Rodada
Time01
Time03
Time04
Time05
Time06
Time11
Time13
Time14
Time15
Time16
Time01
Time02
Time04
Time05
Time06
Time11
Time12
Time14
Time15
Time16
Time01
Time02
Time05
Time06
Time07
Time11
Time12
Time15
Time16
Time17
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31
time02
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time08
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time19
time18
time17
time20
time03
time10
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time13
time20
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time17
time04
time03
time09
time08
time10
time14
time13
time19
time18
time20
Vigésima Terceira
Rodada
Vigésima Quarta
Rodada
Vigésima Quinta
Rodada
Time01
Time02
Time03
Time06
Time07
Time11
Time12
Time13
Time16
Time17
Time01
Time02
Time03
Time07
Time08
Time11
Time12
Time13
Time17
Time18
Time01
Time02
Time03
Time04
Time08
Time11
Time12
Time13
Time14
Time18
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32
time05
time04
time10
time09
time08
time15
time14
time20
time19
time18
time06
time05
time04
time09
time10
time16
time15
time14
time19
time20
time07
time06
time05
time10
time09
time17
time16
time15
time20
time19
Vigésima Sexta
Rodada
Vigésima Sétima
Rodada
Vigésima Oitava
Rodada
Time01
Time02
Time03
Time04
Time09
Time11
Time12
Time13
Time14
Time19
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time11
Time12
Time13
Time14
Time15
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time11
Time12
Time13
Time14
Time15
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33
time08
time07
time06
time05
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time16
time15
time20
time09
time08
time07
time06
time10
time19
time18
time17
time16
time20
time10
time09
time08
time07
time06
time20
time19
time18
time17
time16
Vigésima Nona
Rodada
Trigésima Rodada
Trigésima
Primeira Rodada
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
Time01
Time02
Time03
Time04
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Time07
Time08
Time09
Time10
Time01
Time02
Time03
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Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
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34
time11
time20
time19
time18
time17
time16
time15
time14
time13
time12
time12
time11
time20
time19
time18
time17
time16
time15
time14
time13
time13
time12
time11
time20
time19
time18
time17
time16
time15
time14
Trigésima
Segunda Rodada
Trigésima
Terceira Rodada
Trigésima Quarta
Rodada
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
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35
time14
time13
time12
time11
time20
time19
time18
time17
time16
time15
time15
time14
time13
time12
time11
time20
time19
time18
time17
time16
time16
time15
time14
time13
time12
time11
time20
time19
time18
time17
Trigésima Quinta
Rodada
Trigésima Sexta
Rodada
Trigésima Sétima
Rodada
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
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36
time17
time16
time15
time14
time13
time12
time11
time20
time19
time18
time18
time17
time16
time15
time14
time13
time12
time11
time20
time19
time19
time18
time17
time16
time15
time14
time13
time12
time11
time20
Trigésima Oitava
Rodada
Time01
Time02
Time03
Time04
Time05
Time06
Time07
Time08
Time09
Time10
x
x
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x
x
time20
time19
time18
time17
time16
time15
time14
time13
time12
time11
Esta tabela confeccionada pode servir de modelo padrão para
qualquer campeonato de 20 clubes onde todos jogam contra todos em sistema de pontos corridos, já que atende aos três critérios para uma boa elaboração já citados. Se não, vejamos:
•
•
•
Como proposto, cada time tem o seu par (time01 com time20,
time02 com time19, time03 com time18, time04 com time17,
time05 com time16, time06 com time15, time07 com time14,
time08 com time13, time09 com time12 e time10 com time11).
Metade dos clubes está jogando 10 partidas com o mando de
campo no turno e nove partidas com o mando de campo no
returno. A outra metade está jogando nove partidas com o
mando de campo no turno e 10 partidas com o mando de
campo no returno.
Nenhum clube faz, por turno, uma seqüência de três partidas
em casa ou de três partidas fora de casa. Este número chega,
no máximo, a duas partidas.
Logo, resta tão somente substituir os times numerados (time01,
time02, time03, etc.) pelos nomes dos clubes que se desejar.
37
Observação:
Repare-se que o modelo serve para colocar clubes em situações
opostas até com um deles participando de uma das divisões e o
outro participando de outra.
Exemplo: imagine-se que o Flamengo RJ está na primeira
divisão e o Vasco da Gama RJ está na segunda divisão. Dois
times do Rio de Janeiro – cada um deles terá o mando de campo
em 19 jogos –, tem-se um total de 38 jogos dos dois clubes juntos na capital carioca ao longo da temporada. O bom senso diz
que se deve fazer apenas um jogo por rodada desses clubes no
Rio de Janeiro, já que são 38 jogos em 38 rodadas. Para isto, o
Flamengo RJ deve ter um comportamento oposto ao do Vasco
da Gama RJ.
Como fazer? Simples. Basta que o número do time do Vasco
da Gama RJ, na segunda divisão, seja o número oposto ao do
time do Flamengo RJ, na primeira. Assim, por exemplo, se o
Flamengo RJ for o time01 na primeira divisão, o Vasco da Gama
RJ será o time20 (oposto do time01), na segunda. Como quando
o time01 joga em casa o time20 joga fora de casa e vice versa,
apenas um dos dois clubes jogará com o mando de campo em cada
rodada, tornando fácil o cumprimento do objetivo estabelecido.
Desta forma, façamos um esboço imaginário, uma simulação, do que podem vir a ser o Campeonato Brasileiro da Primeira
Divisão, o Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão e o
Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão, com os clubes que
jogarão estas divisões em 2009.
•
Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão:
Clubes: São Paulo SP, Santos SP, Palmeiras SP, Corínthians
SP, Santo André SP, Barueri SP, Flamengo RJ, Fluminense RJ,
38
Botafogo RJ, Atlético MG, Cruzeiro MG, Grêmio RS, Internacional
RS, Atlético PR, Coritiba PR, Sport PE, Náutico PE, Avaí SC,
Vitória BA, Goiás GO.
Regulamento: Todos os clubes jogam entre si em jogos de
ida e volta. O clube que somar maior número de pontos é o
campeão. Os clubes que chegarem nas cinco primeiras colocações
disputam a Taça Libertadores da América da próxima temporada.
Os clubes que chegarem entre a sexta e a décima colocação disputam a Copa Panamericana da próxima temporada. Os clubes
que chegarem nas cinco últimas colocações disputam o Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão da próxima temporada.
Numeração dos Clubes (sabendo-se o número de cada clube,
pode-se elaborar a tabela da competição, conforme mostrei ainda há pouco): time01 – Flamengo RJ; time02 – Botafogo RJ;
time03 – Barueri SP; time04 – Náutico PE; time05 – Grêmio RS;
time06 – Corínthians SP; time07 – Atlético MG; time08 – Atlético
PR; time09 – São Paulo SP; time10 – Avaí SC; time11 – Goiás
GO; time12 – Santos SP; time13 – Coritiba PR; time14 – Cruzeiro
MG; time15 – Palmeiras SP; time16 – Internacional RS; time17 –
Sport PE; time18 – Santo André SP; time19 – Vitória BA; time20
– Fluminense RJ.
•
Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão:
Clubes: Bragantino SP, Ponte Preta SP, Guarani SP, Portuguesa SP, São Caetano SP, América RN, ABC RN, Fortaleza CE,
Ceará CE, Vasco da Gama RJ, Caxias RJ, Vila Nova GO, Atlético
GO, Brasiliense DF, Juventude RS, Paraná PR, Bahia BA,
Figueirense SC, Ipatinga MG, Campinense PB.
Regulamento: Todos os clubes jogam entre si em jogos de
ida e volta. O clube que somar maior número de pontos é o
39
campeão. Os clubes que chegarem nas cinco primeiras colocações disputam o Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão da
próxima temporada. Os clubes que chegarem nas cinco últimas
colocações disputam o Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão
da próxima temporada.
Numeração dos Clubes (sabendo-se o número de cada
clube, pode-se elaborar a tabela da competição, conforme
mostrei ainda há pouco): time01 – Caxias RJ; time02 – Bahia
BA; time03 – São Caetano SP; time04 – ABC RN; time05 –
Ipatinga MG; time06 – Ponte Preta SP; time07 – Fortaleza
CE; time08 – Paraná PR; time09 – Brasiliense DF; time10 –
Vila Nova GO; time11 – Figueirense SC; time12 – Atlético
GO; time13 – Juventude RS; time14 – Ceará CE; time15 –
Guarani SP; time16 – Bragantino SP; time17 – América RN;
time18 – Portuguesa SP; time19 – Campinense PB; time20 –
Vasco da Gama RJ.
•
Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão:
Clubes: Marília SP, Guaratinguetá SP, Brasil RS, Caxias RS,
Criciúma SC, Marcílio Dias SC, Águia Marabá PA, Paysandu PA,
CRB AL, ASA AL, América MG, Ituiutaba MG, Mixto MT,
Luverdense MT, Confiança SE, Salgueiro PE, Icasa CE, Sampaio
Corrêa MA, Rio Branco AC, Gama DF.
Regulamento: Todos os clubes jogam entre si em jogos de
ida e volta. O clube que somar maior número de pontos é o
campeão. Os clubes que chegarem nas cinco primeiras colocações disputam o Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão da
próxima temporada. Os clubes que chegarem nas cinco últimas
colocações disputam o Torneio de Integração Nacional da
próxima temporada.
40
Numeração dos Clubes (sabendo-se o número de cada clube,
pode-se elaborar a tabela da competição, conforme mostrei ainda há pouco): time01 – Paysandu PA; time02 – CRB AL; time03
– Marcílio Dias SC; time04 – Ituiutaba MG; time05 – Marília SP;
time06 – Luverdense MT; time07 – Icasa CE; time08 – Caxias
RS; time09 – Rio Branco AC; time10 – Salgueiro PE; time11 –
Confiança SE; time12 – Gama DF; time13 – Brasil RS; time14 –
Sampaio Corrêa MA; time15 – Mixto MT; time16 – Guaratinguetá
SP; time17 – América MG; time18 – Criciúma SC; time19 – ASA
AL; time20 – Águia Marabá PA.
Esse é o formato de Campeonato Brasileiro que idealizo. Uma
competição que deve ser o eixo do calendário, como acontece
em todos os países civilizados, onde os campeonatos nacionais
são a base de tudo. Uma competição que deve ser disputada ao
longo de quase toda a temporada, aos finais de semanas. Com
isso, 60 privilegiados clubes têm a oportunidade de se manter em
atividade durante toda a temporada.
41
2.03) Campeonatos Interestaduais
Então, a pergunta é: como realizar os Campeonatos Interestaduais em 21 datas, ou rodadas?
Mas, antes de tudo, outra pergunta faz-se mister: o que são
Campeonatos Interestaduais?
No início da primeira década do século XXI, a Confederação
Brasileira de Futebol criou cinco competições, a saber: Copa Rio
/ São Paulo (reeditada, pois era regularmente disputada até os
anos 60 do século XX), Copa Sul / Minas, Copa do Nordeste,
Copa Norte e Copa Centro Oeste.
Eram competições que reuniam os principais clubes das
regiões do país e, por isso, foram chamadas de Campeonatos
Regionais (eu, contudo, sempre preferi chamá-las de Campeonatos Interestaduais, pois nem sempre se respeitava as regiões do
país, completamente; exemplo era a Copa Sul / Minas, onde os
clubes mineiros não são, obviamente, da Região Sul do Brasil).
O que se sucedeu, na ocasião, foi que duas destas competições
foram sucessos – Copa Sul / Minas e, principalmente, Copa do
Nordeste – e as outras três redundaram em retumbantes fiascos:
Copa Rio / São Paulo, Copa Norte e Copa Centro Oeste.
Todas elas, então, foram extintas.
Pois, então, o argumento que advogo é que as duas competições
que deram certo – a Copa do Nordeste e a Copa Sul / Minas –
não deveriam ter sido extintas, e devem recomeçar.
Acredito que é mais interessante para o Cruzeiro MG e o
Atlético MG jogarem a Copa Sul / Minas do que jogarem o
Campeonato Mineiro! Acredito que é mais interessante para o
Grêmio RS e o Internacional RS jogarem a Copa Sul / Minas do
42
que jogaram o Campeonato Gaúcho! Acredito que é mais interessante para Coritiba PR e Atlético PR jogarem a Copa Sul /
Minas do que jogarem o Campeonato Paranaense!
Acredito que é mais interessante para Sport PE, Santa Cruz
PE e Náutico PE jogarem a Copa do Nordeste do que jogarem o
Campeonato Pernambucano! Acredito que é mais interessante
para Bahia BA e Vitória BA jogarem a Copa do Nordeste do que
jogarem o Campeonato Baiano! Acredito que é mais interessante
para Fortaleza CE e Ceará CE jogarem a Copa do Nordeste do
que jogarem o Campeonato Cearense!
Portanto, proponho que a Copa Sul / Minas e a Copa do
Nordeste sejam reativadas. Proponho, também, que os clubes
que vierem a disputá-las deixem de disputar os seus respectivos
Campeonatos Estaduais.
Mas, voltando à pergunta básica, como realizar a Copa Sul /
Minas e a Copa do Nordeste em 21 rodadas?
Cada uma das competições teria 16 clubes fixos, a saber:
•
•
Copa Sul / Minas: Grêmio RS, Internacional RS, Juventude
RS e Caxias RS (do Rio Grande do Sul); Figueirense SC, Avaí
SC, Criciúma SC e Joinville SC (de Santa Catarina); Atlético
PR, Coritiba PR, Paraná PR e Londrina PR (do Paraná);
Atlético MG, Cruzeiro MG, América MG e Ipatinga MG
(de Minas Gerais).
Copa do Nordeste: Bahia BA, Vitória BA e Fluminense de
Feira de Santana BA (da Bahia); Sport PE, Santa Cruz PE e
Náutico PE (de Pernambuco); Sergipe SE e Confiança SE
(de Sergipe); CRB AL e CSA AL (de Alagoas); Botafogo PB
e Treze PB (da Paraíba); ABC RN e América RN (do Rio
Grande do Norte); Ceará CE e Fortaleza CE (do Ceará).
43
Os 16 clubes de cada competição jogariam entre si em turno
único (15 rodadas), com os oito melhores se classificando para a
fase seguinte. Então, os oito clubes classificados seriam divididos
em quatro grupos de dois, com jogos de ida e volta, classificando-se o melhor de cada grupo (duas rodadas, quartas de finais).
Em seguida, os quatro clubes classificados seriam divididos em
dois grupos de dois, com jogos de ida e volta, classificando-se o
melhor de cada grupo (duas rodadas, semi finais). Finalmente, os
dois clubes finalistas decidiriam o título em jogos de ida e volta
(duas rodadas, finais).
Como se vê, há 15 rodadas para a fase classificatória, duas
para as quartas de finais, duas para as semi finais, e duas para as
finais. O total é de 21 rodadas, jogadas em 21 meios de semanas
entre Agosto (ou, dependendo da situação, final de Julho) e
Dezembro de determinado ano.
Observação:
A tabela da fase classificatória, de 15 rodadas, pode ser aproveitada na temporada seguinte, simplesmente com a inversão dos
mandos de campos e, obviamente, a fixação de novas datas para
os jogos.
A tabela da fase classificatória contemplaria 16 clubes, e a
confecção de uma boa tabela para competições de 16 clubes em
pontos corridos (mesmo que em turno único) inclui a necessidade
de três critérios, a saber:
•
Clubes rivais devem formar pares em situações opostas. Por
exemplo: se o Coritiba PR joga com o mando de campo, o
Atlético PR deve jogar sem o mando de campo (e vice versa);
tal situação deve-se dar, também, com Grêmio RS e Internacional RS, Juventude RS e Caxias RS, Figueirense SC e Avaí
44
•
•
SC, Criciúma SC e Joinville SC, Paraná PR e Londrina PR,
Cruzeiro MG e Atlético MG, Ipatinga MG e América MG
(na Copa Sul / Minas), e Bahia BA e Vitória BA, Sport PE e
Naútico PE, Sergipe SE e Confiança SE, CRB AL e CSA
AL, Botafogo PB e Treze PB, América RN e ABC RN,
Ceará CE e Fortaleza CE, Fluminense de Feira de Santana
BA e Santa Cruz PE (na Copa do Nordeste). A adoção
desta medida evita que, a cada rodada, clubes do mesmo
centro estejam na mesma situação, evitando o excesso ou
a falta de jogos em uma mesma rodada em determinada
praça. Em um campeonato de 16 clubes, é possível formar
oito pares em situações opostas.
Metade dos clubes deve fazer oito jogos com mando de campo e sete jogos sem o mando de campo, e a outra metade
deve fazer sete jogos com o mando de campo e oito jogos
sem o mando de campo. Na temporada seguinte – quando a
tabela será a mesma, mas com os mandos de campo invertidos
–, quem fez sete jogos com mando de campo na temporada
anterior, faz oito, e quem fez oito jogos com mando de campo
na temporada anterior, faz sete. Esta configuração garante
um equilíbrio de situação entre os clubes disputantes.
Nenhum clube deve fazer uma série maior de dois jogos
seguidos em casa ou fora de casa (o que estou chamando de
jogar em casa ou fora de casa é ter ou não o mando de
campo), para se evitar que os clubes fiquem afastados de
sua torcida por muito tempo, ou que fiquem perto de sua
torcida repetidamente.
Dá para fazer? Com certeza. Como? Eis uma alternativa
(chamarei os clubes de time01, time02, time03, ..., time16; os
clubes que tiverem o mando de campo terão seu nome destacado
em negrito):
45
Primeira Rodada
Segunda Rodada
Terceira Rodada
Time01
x
time16
Time02
x
time15
Time03
x
time14
Time04
x
time13
Time05
x
time12
Time06
x
time11
Time07
x
time10
Time08
x
time09
Time01
x
time15
Time02
x
time14
Time03
x
time13
Time04
x
time12
Time05
x
time11
Time06
x
time10
Time07
x
time09
Time08
x
time16
Time01
x
time14
Time02
x
time13
Time03
x
time12
Time04
x
time11
Time05
x
time10
Time06
x
time09
Time07
x
time16
Time08
x
time15
46
Quarta Rodada
Quinta Rodada
Sexta Rodada
Time01
x
time13
Time02
x
time12
Time03
x
time11
Time04
x
time10
Time05
x
time09
Time06
x
time16
Time07
x
time15
Time08
x
time14
Time01
x
time12
Time02
x
time11
Time03
x
time10
Time04
x
time09
Time05
x
time16
Time06
x
time15
Time07
x
time14
Time08
x
time13
Time01
x
time11
Time02
x
time10
Time03
x
time09
Time04
x
time16
Time05
x
time15
Time06
x
time14
Time07
x
time13
Time08
x
time12
47
Sétima Rodada
Oitava Rodada
Nona Rodada
Time01
x
time10
Time02
x
time09
Time03
x
time16
Time04
x
time15
Time05
x
time14
Time06
x
time13
Time07
x
time12
Time08
x
time11
Time01
x
time09
Time02
x
time16
Time03
x
time15
Time04
x
time14
Time05
x
time13
Time06
x
time12
Time07
x
time11
Time08
x
time10
Time01
x
time08
Time02
x
time07
Time03
x
time06
Time04
x
time05
Time09
x
time16
Time10
x
time15
Time11
x
time14
Time12
x
time13
48
Décima Rodada
Décima Primeira
Rodada
Décima Segunda
Rodada
Time01
x
time07
Time02
x
time06
Time03
x
time05
Time04
x
time08
Time09
x
time15
Time10
x
time14
Time11
x
time13
Time12
x
time12
Time01
x
time06
Time02
x
time05
Time03
x
time08
Time04
x
time07
Time09
x
time14
Time10
x
time13
Time11
x
time16
Time12
x
time15
Time01
x
time05
Time02
x
time08
Time03
x
time07
Time04
x
time06
Time09
x
time13
Time10
x
time16
Time11
x
time15
Time12
x
time14
49
Décima Terceira
Rodada
Décima Quarta
Rodada
Décima Quinta
Rodada
Time01
x
time04
Time02
x
time03
Time05
x
time08
Time06
x
time07
Time09
x
time12
Time10
x
time11
Time13
x
time16
Time14
x
time15
Time01
x
time03
Time02
x
time04
Time05
x
time07
Time06
x
time08
Time09
x
time11
Time10
x
time12
Time13
x
time15
Time14
x
time16
Time01
X
time02
Time03
x
time04
Time05
x
time06
Time07
x
time08
Time09
x
time10
Time11
x
time12
Time03
x
time14
Time15
x
time16
Esta tabela confeccionada pode servir de modelo padrão para
os dois Campeonatos Interestaduais, já que atende aos três critérios
para uma boa elaboração já citados. Se não, vejamos:
50
•
•
•
Como proposto, cada time tem o seu par (time01 com time16,
time02 com time15, time03 com time14, time04 com time13,
time05 com time12, time06 com time11, time07 com time10
e time08 com time09).
Metade dos clubes está jogando oito partidas com o mando
de campo e a outra metade está jogando sete partidas com o
mando de campo.
Nenhum clube faz uma seqüência de três partidas em casa
ou de três partidas fora de casa. Este número chega, no
máximo, a duas partidas.
Logo, resta tão somente substituir os times numerados (time01,
time02, time03, etc.) pelos nomes dos clubes que se desejar.
Nas quartas de finais, o oitavo da fase classificatória jogaria
com o primeiro, assim como o sétimo com o segundo, o sexto
com o terceiro, e o quinto com o quarto. O clube com melhor
campanha na fase classificatória teria a vantagem de jogar a segunda partida com o mando de campo e de poder empatar as
duas partidas, ou perder uma e ganhar outra pelo mesmo saldo
de gols, para se classificar.
Nas semi finais, o vencedor entre a disputa de oitavo com
primeiro jogaria com o vencedor da disputa entre quarto e quinto, da mesma forma que o vencedor da disputa entre sétimo e
segundo jogaria com o vencedor da disputa de sexto com terceiro.
O clube com melhor campanha na fase classificatória teria a vantagem de jogar a segunda partida com o mando de campo e de
poder empatar as duas partidas, ou perder uma e ganhar outra
pelo mesmo saldo de gols, para se classificar.
Os clubes vencedores na fase anterior disputariam as finais.
O clube com melhor campanha na fase classificatória teria a
vantagem de jogar a segunda partida com o mando de campo e
51
de poder empatar as duas partidas, ou perder uma e ganhar outra
pelo mesmo saldo de gols, para ser campeão.
Portanto, o esquema de disputa da Copa Sul / Minas e da
Copa do Nordeste, nesta fase de “playoffs”, seria este.
Décima Sexta
Rodada
Décima Sétima
Rodada
a) Oitavo da Primeira Fase x Primeiro da
Primeira Fase
b) Quinto da Primeira Fase x Quarto da
Primeira Fase
c) Sétimo da Primeira Fase x Segundo da
Primeira Fase
d) Sexto da Primeira Fase x Terceiro da
Primeira Fase
a) Primeiro da Primeira Fase x Oitavo da
Primeira Fase
b) Quarto da Primeira Fase x Quinto da
Primeira Fase
c) Segundo da Primeira Fase x Sétimo da
Primeira Fase
d) Terceiro da Primeira Fase x Sexto da
Primeira Fase
e) Vencedor de b x Vencedor de a
f) Vencedor de d x Vencedor de c
e) Vencedor de a x Vencedor de b
f) Vencedor de c x Vencedor de d
Vencedor de f x Vencedor de e
Décima Oitava
Rodada
Décima Nona
Rodada
Vigésima
Rodada
Vigésima
Vencedor de e x Vencedor de f
Primeira Rodada
52
Desta forma, façamos um esboço imaginário do que poderia
vir a ser a Copa Sul / Minas e a Copa do Nordeste.
•
Copa Sul / Minas:
Clubes: Grêmio RS, Internacional RS, Juventude RS, Caxias
RS, Figueirense SC, Avaí SC, Criciúma SC, Joinville SC, Atlético
PR, Coritiba PR, Paraná PR, Londrina PR, Cruzeiro MG, Atlético
MG, Ipatinga MG, América MG.
Regulamento: Todos os clubes jogam entre si em turno único
(15 rodadas). Os oito classificados jogam “playoffs” em quartas
de finais, semi finais e finais (seis rodadas).
Numeração dos Clubes: time01 – Internacional RS; time02
– Atlético MG ; time03 – Figueirense SC; time04 – Coritiba
PR; time05 – Caxias RS; time06 – América MG; time07 –
Joinville SC; time08 – Londrina PR; time09 – Paraná PR; time10
– Criciúma SC; time11 – Ipatinga MG; time12 – Juventude RS;
time13 – Atlético PR; time14 – Avaí SC; time15 – Cruzeiro
MG; time16 – Grêmio RS.
•
Copa do Nordeste:
Clubes: Sport PE, Santa Cruz PE, Náutico PE, Bahia BA,
Vitória BA, Fluminense de Feira de Santana BA, Sergipe SE,
Confiança SE, CRB AL, CSA AL, Botafogo PB, Treze PB, ABC
RN, América RN, Fortaleza CE, Ceará CE.
Regulamento: Todos os clubes jogam entre si em turno único
(15 rodadas). Os oito classificados jogam “playoffs” em quartas
de finais, semi finais e finais (seis rodadas).
Numeração dos Clubes: time01 – Bahia BA; time02 – Ceará
CE; time03 – CSA AL; time04 – América RN; time05 – Confiança
53
SE; time06 – Treze PB; time07 – Fluminense de Feira de Santana
BA; time08 – Náutico PE; time09 – Sport PE; time10 – Santa
Cruz PE; time11 – Botafogo PB; time12 – Sergipe SE; time13 –
ABC RN; time14 – CRB AL; time15 – Fortaleza CE; time16 –
Vitória BA.
Proceder a volta dos Campeonatos Interestaduais referidos é
garantir para os clubes envolvidos possibilidades de receitas
muito superiores às que estes clubes teriam disputando os
Campeonatos Estaduais.
54
2.04) Campeonatos Estaduais
Então, a pergunta é: como realizar os Campeonatos Estaduais
em 21 datas, ou rodadas?
Antes de mais nada, devo dizer que não “morro de amores”
pelos Estaduais, que considero competições tecnicamente pobres,
comercialmente quase que inviáveis e, fora raras exceções, de
resultados previsíveis.
Nem mesmo o tão elogiado Campeonato Paulista me seduz,
não me sinto estimulado a acompanhá-lo de perto.
Então, seria o caso de extinguir os Estaduais? No futuro, talvez. De repente, vai-se caminhar para a criação de uma Liga
Sulamericana (ou Panamericana) de Clubes, e esta liga pode estipular uma competição própria, jogada nas datas que, a princípio,
seriam dos Estaduais (e até dos Interestaduais). Seria um sonho...
Enquanto isto não acontece, é melhor se ter os Estaduais, do
que não ter nenhuma competição nas datas que seriam reservadas a eles, pois é melhor para os clubes estarem ativos – o que
propicia receitas de televisão, bilheteria e publicidade – do que
estarem sem jogar.
Proponho que todos os Estaduais tenham duas divisões: a
primeira, com oito clubes; a segunda, com todos os clubes do
Estado, no universo dos 700 clubes profissionais do Brasil.
Assim, por exemplo:
•
•
Em um Estado onde haja 10 clubes profissionais, oito clubes
disputam a primeira divisão e dois clubes disputam a segunda divisão.
Em um Estado onde haja 17 clubes profissionais, oito clubes
disputam a primeira divisão e nove clubes disputam a segunda
divisão.
55
•
•
•
Em um Estado onde haja 35 clubes profissionais, oito clubes
disputam a primeira divisão e 27 clubes disputam a segunda
divisão.
Em um Estado onde haja 63 clubes profissionais, oito clubes
disputam a primeira divisão e 55 clubes disputam a segunda
divisão.
Em um Estado onde haja 147 clubes profissionais, oito
clubes disputam a primeira divisão e 139 clubes disputam
a segunda divisão.
E assim por diante.
É importante escrever, primeiro, sobre os campeonatos de
primeira divisão, todos eles com oito clubes: só poderão ser interessantes na medida em que haja muitos jogos decisivos, pois o
fato de se decidir algo pode, em alguma medida, compensar a má
qualidade técnica.
O que proponho, nesse sentido, é que os campeonatos tenham turno e returno (com semi final e final para cada um deles)
e decisão entre os vencedores dos turnos.
No turno, os oito clubes jogam entre si, com os quatro primeiros se classificando para a semi final (sete rodadas). Na semi
final, os quatro clubes classificados são divididos em dois grupos
de dois e, em um jogo, classifica-se o melhor de cada grupo (uma
rodada). Os dois clubes classificados fazem a final, em um jogo,
tendo-se o campeão do turno (uma rodada).
No returno, os oito clubes jogam entrei si (com o mando de
campo invertido), com os quatro primeiros se classificando para
a semi final (sete rodadas). Na semi final, os quatro clubes classificados são divididos em dois grupos de dois e, em um jogo,
classifica-se o melhor de cada grupo (uma rodada). Os dois
56
clubes classificados fazem a final, em um jogo, tendo-se o campeão do returno (uma rodada).
Na decisão, os dois clubes finalistas disputam três jogos, para
se decidir o clube campeão do certame (três rodadas). Obviamente, se um mesmo clube ganhar os dois turnos, é proclamado
campeão, sem a necessidade de haver decisão.
Como se vê, há nove rodadas no turno, nove rodadas no
returno e três rodadas na decisão. O total é de 21 rodadas, jogadas em 21 meios de semanas entre Agosto (ou, dependendo da
situação, final de Julho) e Dezembro de determinado ano (as
mesmas 21 rodadas dos Campeonatos Interestaduais, sendo que
os clubes que jogam os Interestaduais não jogam os Estaduais).
A tabela da fase classificatória do primeiro e do segundo turno contemplaria oito clubes, e a confecção de uma boa tabela
para competições de oito clubes em pontos corridos (para cada
turno) inclui a necessidade de três critérios, a saber:
•
•
•
Clubes rivais devem formar pares em situações opostas. Em
um campeonato de oito clubes, é possível formar quatro pares
em situações opostas.
Metade dos clubes deve fazer quatro jogos com mando de
campo na fase classificatória do turno e três jogos com mando
de campo na fase classificatória do returno. A outra metade
deve fazer três jogos com mando de campo na fase
classificatória do turno e quatro jogos com mando de campo
na fase classificatória do returno. Esta configuração garante
um equilíbrio de situação entre os clubes disputantes.
Nenhum clube deve fazer uma série de dois jogos seguidos
com o mando de campo ou de dois jogos seguidos sem o
mando de campo, para se evitar que os clubes fiquem afastados ou próximos de sua torcida por muito tempo.
57
Mostrarei, adiante, uma tabela padrão, para os dois turnos,
montada sob medida para atender estes três critérios.
Importante ressaltar que:
a) Na semi final, tanto do turno como do returno, o primeiro
colocado da fase classificatória joga contra o quarto, e o
segundo da fase classificatória, contra o terceiro. Se o jogo
terminar empatado, classifica-se à final do turno (ou returno)
o clube com melhor campanha da fase classificatória (este,
aliás, também possuirá o mando de campo do jogo único).
b) Na final, do turno ou do returno, jogam os vencedores do
confronto da semi final. Dos dois finalistas, o que fez melhor
campanha na fase classificatória joga com o empate a favor
(este, aliás, também possuirá o mando de campo do jogo
único).
c) Na decisão entre o vencedor do turno e o vencedor do returno,
o clube que fez melhor campanha somando a fase
classificatória do turno e a fase classificatória do returno leva
um ponto de bonificação.
Portanto, o esquema de disputa dos Campeonatos Estaduais
de primeira divisão seria este.
Turno:
Fase Classificatória:
Primeira Rodada
Time01
Time02
Time03
Time04
58
x
x
x
x
time08
time07
time06
time05
Segunda Rodada
Terceira Rodada
Quarta Rodada
Quinta Rodada
Sexta Rodada
Sétima Rodada
Time01
Time02
Time03
Time04
Time01
Time02
Time03
Time04
Time01
Time02
Time03
Time04
Time01
Time02
Time05
Time06
Time01
Time02
Time05
Time06
Time01
Time03
Time05
Time07
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
time07
time06
time05
time08
time06
time05
time08
time07
time05
time08
time07
time06
time04
time03
time08
time07
time03
time04
time07
time08
time02
time04
time06
time08
Fase Semi Final:
Oitava Rodada
a) Classificado 1
b) Classificado 2
59
x
x
a) Classificado 4
b) Classificado 3
Fase Final:
Nona Rodada
A
x
B
Returno:
Fase Classificatória:
Décima Rodada
Décima Primeira
Rodada
Décima Segunda
Rodada
Décima Terceira
Rodada
Décima Quarta
Rodada
Time01
Time03
Time05
Time07
Time01
Time02
Time05
Time06
Time01
Time02
Time05
Time06
Time01
Time02
Time03
Time04
Time01
Time02
Time03
Time04
60
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
time02
time04
time06
time08
time03
time04
time07
time08
time04
time03
time08
time07
time05
time08
time07
time06
time06
time05
time08
time07
Décima Quinta
Rodada
Décima Sexta
Rodada
Time01
Time02
Time03
Time04
Time01
Time02
Time03
Time04
x
x
x
x
x
x
x
x
time07
time06
time05
time08
time08
time07
time06
time05
Fase Semi Final:
Décima Sétima
Rodada
a) Classificado 1
b) Classificado 2
x
x
a) Classificado 4
b) Classificado 3
A
x
B
Décima Nona
Rodada
Vencedor Turno
x
Vencedor Returno
Vigésima Rodada
Vencedor Turno
x
Vencedor Returno
Vigésima
Primeira Rodada
Vencedor Turno
x
Vencedor Returno
Fase Final:
Décima Oitava
Rodada
Decisão:
61
A tabela das fases classificatórias de turno e returno pode
servir de padrão para qualquer campeonato de oito clubes realizado em dois turnos, já que atende aos três critérios para uma
boa elaboração citados. Se não, vejamos:
•
•
•
Como proposto, cada clube tem o seu par (time01 com time08,
time02 com time07, time03 com time06 e time04 com time05).
Metade dos clubes está jogando quatro partidas com mando
de campo na fase classificatória do turno e três partidas com
mando de campo na fase classificatória do returno. A outra
metade está jogando três partidas com mando de campo na
fase classificatória do turno e quatro partidas com mando de
campo na fase classificatória do returno.
Nenhum clube faz, por turno, na fase classificatória, uma
seqüência de três partidas com o mando de campo ou de três
partidas sem o mando de campo. Este número chega, no
máximo, a duas partidas.
Posto isto, resta tão somente substituir o número dos times
pelos clubes, o que deve ser feito campeonato a campeonato.
Cabe ressaltar que o último colocado do Estadual de primeira divisão seria rebaixado para o Estadual da segunda
divisão, da mesma forma que o Estadual de segunda divisão
teria o seu campeão promovido para a primeira divisão da
temporada seguinte.
Sobre a segunda divisão dos Estaduais, cada Federação teria
liberdade para escolher a forma de disputa, pois o número de
clubes que a segunda divisão de um Estado pode possuir é
variável e, assim, fica impossível definir uma fórmula de disputa padrão. Apenas recomenda-se que:
62
•
•
•
A segunda divisão contemple todos os clubes profissionais
do Estado que não joguem a primeira divisão.
Seja disputada em, no máximo, 21 rodadas, para que o
período de disputa esteja incluso no período de disputa da
primeira divisão, havendo simultaneidade das disputas das
duas divisões.
Que se pense uma fórmula de disputa em que cada clube
jogue pelo menos seis jogos na segunda divisão (o que é
facilmente realizável se, na primeira parte da competição,
tiver-se chaves com quatro clubes ou mais, havendo turno e
returno).
É importante ressaltar que nenhum Estado deve ter terceira,
quarta ou quinta divisão. Ao se ter apenas duas divisões, qualquer
clube da segunda divisão tem possibilidades reais de ascender à
primeira divisão em apenas uma temporada, algo muito mais estimulante do que ter que se sair, por exemplo, de uma quinta
divisão, demorando-se, ao menos, quatro temporadas para se
chegar à primeira.
Segue um esboço do funcionamento das competições,
Estadual a Estadual5 :
______________________________________
5
Contemplando 700 clubes profissionais brasileiros, de acordo com os clubes
que disputam o Campeonato Brasileiro e o Torneio de Integração Nacional,
excluídos os clubes que jogam Campeonatos Interestaduais.
63
Campeonato Gaúcho:
Número de Clubes: 41 (45 totais – dois do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, um do Campeonato Brasileiro da
Segunda Divisão, dois do Campeonato Brasileiro da Terceira
Divisão, 40 do Torneio de Integração Nacional –, menos Grêmio
RS, Internacional RS, Juventude RS e Caxias RS, que disputam a
Copa Sul / Minas).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 33.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
Campeonato Catarinense:
Número de Clubes: 20 (24 totais – um do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, um do Campeonato Brasileiro da
Segunda Divisão, dois do Campeonato Brasileiro da Terceira
Divisão, 20 do Torneio de Integração Nacional –, menos Avaí
SC, Figueirense SC, Criciúma SC, Joinville SC, que disputam a
Copa Sul / Minas).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 12.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos.
64
Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
Campeonato Paranaense:
Número de Clubes: 29 (33 totais – dois do Campeonato
Brasileiro da Primeira Divisão, um do Campeonato Brasileiro
da Segunda Divisão, 30 do Torneio de Integração Nacional –,
menos Coritiba PR, Atlético PR, Paraná PR, Londrina PR, que
disputam a Copa Sul / Minas).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 21.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
Campeonato Paulista:
Número de Clubes: 133 (seis do Campeonato Brasileiro da
Primeira Divisão, cinco do Campeonato Brasileiro da Segunda
Divisão, dois do Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão, 120
do Torneio de Integração Nacional).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 125.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
65
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos.
Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da
mesma forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado
à segunda divisão.
Campeonato Fluminense:
Número de Clubes: 45 (três do Campeonato Brasileiro da
Primeira Divisão, dois do Campeonato Brasileiro da Segunda
Divisão, 40 do Torneio de Integração Nacional).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 37.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao longo
do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida, desde que
todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma forma que
último colocado da primeira divisão é rebaixado à segunda divisão.
Campeonato Mineiro:
Número de Clubes: 41 (45 totais – dois do Campeonato
Brasileiro da Primeira Divisão, um do Campeonato Brasileiro da
Segunda Divisão, dois do Campeonato Brasileiro da Terceira
Divisão, 40 do Torneio de Integração Nacional –, menos Cruzeiro
MG, Atlético MG, América MG, Ipatinga MG, que disputam a
Copa Sul / Minas).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 33.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
66
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos.
Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da
mesma forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à segunda divisão.
Campeonato Capixaba:
Número de Clubes: 20 (20 do Torneio de Integração Nacional).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 12.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
Campeonato Baiano:
Número de Clubes: 29 (32 totais – um do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, um do Campeonato Brasileiro da
Segunda Divisão, 30 do Torneio de Integração Nacional –, menos
Bahia BA, Vitória BA, Fluminense de Feira de Santana BA, que
disputam a Copa do Nordeste).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 21.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
67
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
Campeonato Sergipano:
Número de Clubes: 19 (21 totais – um do Campeonato
Brasileiro da Terceira Divisão, 20 do Torneio de Integração Nacional –, menos Confiança SE e Sergipe SE, que disputam a Copa
do Nordeste).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 11.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
Campeonato Alagoano:
Número de Clubes: 20 (22 totais – dois do Campeonato
Brasileiro da Terceira Divisão, 20 do Torneio de Integração
Nacional –, menos CRB AL e CSA AL, que disputam a Copa
do Nordeste).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 12.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos.
Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da
68
mesma forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à segunda divisão.
Campeonato Pernambucano:
Número de Clubes: 30 (33 totais – dois do Campeonato
Brasileiro da Primeira Divisão, um do Campeonato Brasileiro
da Terceira Divisão, 30 do Torneio de Integração Nacional –,
menos Sport PE, Santa Cruz PE, Náutico PE, que disputam a
Copa do Nordeste).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 22.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos.
Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da
mesma forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à segunda divisão.
Campeonato Paraibano:
Número de Clubes: 19 (21 totais – um do Campeonato
Brasileiro da Segunda Divisão, 20 do Torneio de Integração
Nacional –, menos Botafogo PB e Treze PB, que disputam a
Copa do Nordeste).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 11.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos.
69
Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da
mesma forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado
à segunda divisão.
Campeonato Potiguar:
Número de Clubes: 20 (22 totais – dois do Campeonato
Brasileiro da Segunda Divisão, 20 do Torneio de Integração
Nacional –, menos ABC RN e América RN, que disputam a
Copa do Nordeste).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 12.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos.
Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da
mesma forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à segunda divisão.
Campeonato Cearense:
Número de Clubes: 31 (33 totais – dois do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, um do Campeonato Brasileiro da
Terceira Divisão, 30 do Torneio de Integração Nacional – menos
Ceará CE e Fortaleza CE, que disputam a Copa do Nordeste).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 23.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos.
70
Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da
mesma forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à segunda divisão.
Campeonato Piauiense:
Número de Clubes: 10 (10 do Torneio de Integração Nacional).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: Dois.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
Campeonato Maranhense:
Número de Clubes: 11 (um do Campeonato Brasileiro da
Terceira Divisão, 10 do Torneio de Integração Nacional).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: Três.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
71
Campeonato Amapaense:
Número de Clubes: 10 (10 do Torneio de Integração Nacional).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: Dois.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos.
Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da
mesma forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à segunda divisão.
Campeonato Paraense:
Número de Clubes: 22 (dois do Campeonato Brasileiro da
Terceira Divisão, 20 do Torneio de Integração Nacional).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 14.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos.
Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da
mesma forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à segunda divisão.
Campeonato Tocantinense:
Número de Clubes: 10 (10 do Torneio de Integração Nacional).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
72
Número de Clubes na Segunda Divisão: Dois.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
Campeonato Roraimense:
Número de Clubes: 10 (10 do Torneio de Integração Nacional).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: Dois.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
Campeonato Amazonense:
Número de Clubes: 10 (10 do Torneio de Integração Nacional).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: Dois.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
73
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
Campeonato Acreano:
Número de Clubes: 11 (um do Campeonato Brasileiro da
Terceira Divisão, 10 do Torneio de Integração Nacional).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: Três.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
Campeonato Rondonense:
Número de Clubes: 10 (10 do Torneio de Integração Nacional).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: Dois.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
74
Campeonato Matogrossense:
Número de Clubes: 12 (dois do Campeonato Brasileiro da
Terceira Divisão, 10 do Torneio de Integração Nacional).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: Quatro.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
Campeonato Matogrossense do Sul:
Número de Clubes: 10 (10 do Torneio de Integração Nacional).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: Dois.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
Campeonato Goiano:
Número de Clubes: 23 (um do Campeonato Brasileiro da
Primeira Divisão, dois do Campeonato Brasileiro da Segunda
Divisão, 20 do Torneio de Integração Nacional).
75
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 15.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
Campeonato do Distrito Federal:
Número de Clubes: 22 (um do Campeonato Brasileiro da
Segunda Divisão, um do Campeonato Brasileiro da Terceira
Divisão, 20 do Torneio de Integração Nacional).
Número de Clubes na Primeira Divisão: Oito.
Número de Clubes na Segunda Divisão: 14.
Regulamento: Na primeira divisão, conforme retratado ao
longo do capítulo; na segunda divisão, fórmula a ser definida,
desde que todos os clubes façam um mínimo de seis jogos. Campeão da segunda divisão ascende à primeira divisão, da mesma
forma que último colocado da primeira divisão é rebaixado à
segunda divisão.
Se os Estaduais ainda sobrevivem, que se faça, ao menos,
boa parte de seus jogos serem decisivos, para que se possa, na
medida do possível, atrair o torcedor.
76
2.05) Copa do Brasil
Em minha proposição, a Copa do Brasil seria realizada em 10
rodadas. Então, a pergunta é: como realizar a Copa do Brasil em
10 datas, ou rodadas?
Acredito que a Copa do Brasil deve ser uma competição democrática, que incorpore muitos clubes participantes, além de
viável (realizada em poucas rodadas) e competitiva (disputada
em sistema eliminatório). Objetivamente, a Copa do Brasil é a
oportunidade que os clubes pequenos devem ter para jogar com
os clubes de maior porte em igualdade de condições.
Vou além: se queremos que a competição seja verdadeiramente democrática, os 700 clubes profissionais do Brasil (60
que disputam o Campeonato Brasileiro nas três divisões e 640
que disputam o Torneio de Integração Nacional; esses mesmos
700 clubes disputam os Campeonatos Interestaduais ou Estaduais) devem ter a oportunidade de disputá-la, e alguns clubes
amadores, também.
Assim, proponho que a Copa do Brasil seja disputada por
1024 clubes, a saber:
•
•
Os 700 clubes profissionais brasileiros.
Outros 324 clubes amadores, escolhidos pela Confederação
Brasileira de Futebol.
Óbvio está que ninguém é louco de propor que uma
competição com 1024 clubes seja disputada em “mata mata” simples, pois isso levaria muitos clubes a percorrerem longuíssimas
distâncias para jogar, gerando desgaste físico excessivo para
jogadores e gastos proibitivos.
Proponho, assim, duas grandes fases:
77
•
•
Na primeira grande fase, os 1024 clubes seriam divididos em
32 grupos regionais (com o intuito de se reduzir custos e
distâncias percorridas), com 32 clubes cada um. Jogariam em
“mata mata” dentro do grupo, até que sobrasse, apenas, o
clube vencedor do grupo (a Confederação Brasileira de Futebol
definiria os membros de cada grupo, de uma forma dirigida).
Na segunda grande fase, os 32 clubes que saíssem vencedores em
cada grupo jogariam em “mata mata”, até se conhecer o clube
campeão (um sorteio definiria os “cruzamentos” entre os clubes).
Detalharei, a partir de agora, como isto poderia funcionar.
Na primeira grande fase, os 1024 clubes seriam divididos em 32
grupos, com 32 clubes, de acordo com critérios regionais – ou seja,
os clubes devem fazer parte de um grupo em que os outros clubes
são do mesmo Estado, ou, eventualmente, de Estados vizinhos. Como
os jogos, nessa grande fase, são dentro do grupo, isso geraria menos
gastos de locomoção e menor desgaste físico para jogadores.
Dentro de cada grupo de 32 clubes, estes seriam divididos
em 16 grupos de dois, classificando-se um clube (uma rodada).
Os 16 clubes classificados seriam divididos em oito grupos de
dois, classificando-se um clube (uma rodada). Os oito clubes
classificados seriam divididos em quatro grupos de dois, classificando-se um clube (uma rodada). Os quatro clubes classificados
seriam divididos em dois grupos de dois, classificando-se um clube
(uma rodada). Finalmente, os dois clubes classificados decidiriam
quem seria o vencedor do grupo (uma rodada). Como se vê, em
cinco rodadas se realiza a primeira grande fase.
Dessa primeira grande fase, ter-se-ia o vencedor de cada um
dos 32 grupos regionais classificado, ou seja, 32 clubes classificados.
Daí, começa a segunda grande fase, com 32 clubes. Estes seriam
divididos em 16 grupos de dois, classificando-se um clube (uma
rodada). Os 16 clubes classificados seriam divididos em oito grupos
78
de dois, classificando-se um clube (uma rodada). Os oito clubes
classificados seriam divididos em quatro grupos de dois, classificando-se um clube (uma rodada). Os quatro clubes classificados
seriam divididos em dois grupos de dois, classificando-se um clube
(uma rodada). Finalmente, os dois clubes classificados decidiriam
quem seria o clube campeão da Copa do Brasil (uma rodada).
Como se vê, em cinco rodadas se realiza a segunda grande fase.
O clube campeão da Copa do Brasil estaria classificado para
a Taça Libertadores da América da próxima temporada. O clube
vice campeão da Copa do Brasil estaria classificado para a Copa
Panamericana da próxima temporada.
Assim, temos cinco rodadas na primeira grande fase, e cinco
rodadas na segunda grande fase. Portanto, o total de rodadas da
competição é de 10, realizadas em meios de semanas de final de
Março, e nos meios de semanas de Abril e de Maio.
Como se pode notar, não estou propondo que os jogos
eliminatórios, nas duas grandes fases, sejam em sistema de “ida
e volta”, mas únicos. Tal se dá porque, assim, se economiza datas,
ou rodadas, no calendário, com o intuito de não torná-lo inchado.
De quebra, decidir-se em um jogo, ao invés de dois, dá mais margem
ao imponderável, todos os jogos são decisivos, o que torna a
competição mais emocionante.
Mas, daí, surge uma questão relevante: então, se é apenas um
jogo, qual dos clubes possui o mando de campo?
Pode-se pensar na seguinte medida: dos dois clubes que jogam entre si, um deles, necessariamente, terá o mando de campo,
e o outro, necessariamente, terá a vantagem de poder empatar
para se classificar.
Como proceder isso? Sempre, quando se for decidir o local
de um jogo, procede-se um sorteio entre os dois clubes que jogarão.
79
O clube que vencer o sorteio decide se prefere ter o mando de
campo ou se prefere poder empatar para se classificar. Se optar
por ter o mando de campo, o outro clube joga podendo empatar
para se classificar. Se optar por poder ter o empate como resultado
que lhe classifica, o outro clube terá o mando de campo.
Um exemplo de como isso pode funcionar: se o jogo for
Flamengo RJ x Tupi de Juiz de Fora MG, procede-se o sorteio.
Daí, uma das quatro situações acontecerá:
•
•
•
•
Tupi de Juiz de Fora MG ganha o sorteio, e opta pelo mando
de campo. Nesse caso, o Flamengo RJ se classifica se o jogo
terminar empatado.
Tupi de Juiz de Fora MG ganha o sorteio, e opta por poder
empatar para se classificar. Nesse caso, o Flamengo RJ tem o
mando de campo.
Flamengo RJ ganha o sorteio, e opta pelo mando de campo.
Nesse caso, o Tupi de Juiz de Fora MG pode empatar para se
classificar.
Flamengo RJ ganha o sorteio, e opta por poder empatar para
se classificar. Nesse caso, o Tupi de Juiz de Fora MG tem o
mando de campo.
Assim, em todos os jogos, há, anteriormente, o sorteio. A partir
dele, ficará determinado qual dos dois clubes poderá empatar e qual
deles terá o mando de campo. Essa metodologia cria uma vantagem
para cada lado, sendo justa, e, de quebra, elimina a possibilidade de
ter que se decidir classificados em prorrogação ou pênaltis.
Mostro, a seguir, o esquema de funcionamento da Copa do Brasil.
Primeira Grande Fase:
Os 32 grupos:
80
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Grupo I: 23 clubes profissionais gaúchos; nove clubes
amadores gaúchos.
Grupo II: 22 clubes profissionais gaúchos; 10 clubes amadores
gaúchos.
Grupo III: 24 clubes profissionais catarinenses; oito clubes
amadores catarinenses.
Grupo IV: 23 clubes profissionais paranaenses; nove clubes
amadores paranaenses.
Grupo V: 27 clubes profissionais paulistas; dois clubes
profissionais paranaenses; três clubes amadores paulistas.
Grupo VI: 27 clubes profissionais paulistas; dois clubes
profissionais paranaenses; três clubes amadores paulistas.
Grupo VII: 27 clubes profissionais paulistas; dois clubes
profissionais paranaenses; três clubes amadores paulistas.
Grupo VIII: 26 clubes profissionais paulistas; dois clubes
profissionais paranaenses; quatro clubes amadores paulistas.
Grupo IX: 26 clubes profissionais paulistas; dois clubes
profissionais paranaenses; quatro clubes amadores paulistas.
Grupo X: 23 clubes profissionais fluminenses; nove clubes
amadores fluminenses.
Grupo XI: 22 clubes profissionais fluminenses; 10 clubes
amadores fluminenses.
Grupo XII: 23 clubes profissionais mineiros; nove clubes
amadores mineiros.
Grupo XIII: 22 clubes profissionais mineiros; 10 clubes
amadores mineiros.
Grupo XIV: 20 clubes profissionais capixabas; 12 clubes
amadores capixabas.
Grupo XV: 16 clubes profissionais baianos; 16 clubes amadores baianos.
Grupo XVI: 16 clubes profissionais baianos; 16 clubes
amadores baianos.
81
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•
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Grupo XVII: 21 clubes profissionais sergipanos; 11 clubes
amadores sergipanos.
Grupo XVIII: 22 clubes profissionais alagoanos; 10 clubes
amadores alagoanos.
Grupo XIX: 17 clubes profissionais pernambucanos; 15 clubes
amadores pernambucanos.
Grupo XX: 16 clubes profissionais pernambucanos; 16 clubes
amadores pernambucanos.
Grupo XXI: 21 clubes profissionais paraibanos; 11 clubes
amadores paraibanos.
Grupo XXII: 22 clubes profissionais potiguares; 10 clubes
amadores potiguares.
Grupo XXIII: 17 clubes profissionais cearenses; 15 clubes
amadores cearenses.
Grupo XXIV: 16 clubes profissionais cearenses; 16 clubes
amadores cearenses.
Grupo XXV: 10 clubes profissionais piauienses; seis clubes
amadores piauienses; 11 clubes profissionais maranhenses;
cinco clubes amadores maranhenses.
Grupo XXVI: 11 clubes profissionais paraenses; seis clubes
amadores paraenses; 10 clubes profissionais amapaenses;
cinco clubes amadores amapaenses.
Grupo XXVII: 11 clubes profissionais paraenses; seis clubes
amadores paraenses; 10 clubes profissionais tocantinenses;
cinco clubes amadores tocantinenses.
Grupo XXVIII: 10 clubes profissionais amazonenses; seis
clubes amadores amazonenses; 10 clubes profissionais
roraimenses; seis clubes amadores roraimenses.
Grupo XXIX: 11 clubes profissionais acreanos; cinco clubes
amadores acreanos; 10 clubes profissionais rondonenses; seis
clubes amadores rondonenses.
Grupo XXX: 12 clubes profissionais matogrossenses; cinco
clubes amadores matogrossenses; 10 clubes profissionais
82
•
•
matogrossenses do sul; cinco clubes amadores
matogrossenses do sul.
Grupo XXXI: 23 clubes profissionais goianos; nove clubes
amadores goianos.
Grupo XXXII: 22 clubes profissionais distritais; 10 clubes
amadores distritais.
As Rodadas:
Primeira Rodada Décima Sexta de Final (nos grupos regionais)
Segunda Rodada Oitava de Final (nos grupos regionais)
Terceira Rodada Quarta de Final (nos grupos regionais)
Quarta Rodada
Semi Final (nos grupos regionais)
Quinta Rodada
Final (nos grupos regionais)
Segunda Grande Fase:
Os clubes vencedores dos 32 grupos regionais classificam-se
para esta fase. As rodadas:
Sexta Rodada
Décima Sexta de Final da Competição
Sétima Rodada
Oitava de Final da Competição
Oitava Rodada
Quarta de Final da Competição
Nona Rodada
Semi Final da Competição
Décima Rodada
Final da Competição
A Copa do Brasil deve significar a oportunidade dos clubes
pequenos mostrarem seu valor em uma competição nacional.
83
2.06) Taça Libertadores da América
A Taça Libertadores da América é uma competição que existe
para dar espaço aos melhores clubes de cada país em suas respectivas competições nacionais da temporada anterior, propiciando a
estes a chance de disputarem um torneio internacional relevante.
Atualmente, a competição é disputada por 38 clubes, em 16
rodadas. Ora, acredito que este número de rodadas pode ser reduzido para 11, e ainda se alargando o número de participantes,
para 64. Então, a pergunta é: como jogar a Taça Libertadores da
América em 11 datas, ou rodadas?
Mas, antes de tudo, deve-se responder: por que alargar o número de clubes participantes? Dois motivos me levam a propor isso:
•
•
Quanto mais clubes houver na Taça Libertadores da América,
mais clubes haverá de cada país. E, se se aumenta o número
de clubes de cada país, cria-se estímulos adicionais para o
campeonato nacional de cada país. Por exemplo: se os cinco
melhores do Campeonato Brasileiro se classificam para a Taça
Libertadores da América, ao invés de quatro, mais clubes se
motivam para disputar o Campeonato Brasileiro com afinco
até o fim do que na outra possibilidade, aumentando o interesse pelo Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão. Se esse
raciocínio vale para os clubes brasileiros, também vale para
os clubes dos demais países, que precisam ter o seu número
de clubes participantes ampliado, para maior valorização das
competições locais.
Cria-se a oportunidade de inserir clubes participantes da
América Central, dos Estados Unidos e do Canadá. Assim, a
competição passa a cumprir um caráter mais integrador e
mais abrangente, bem ao estilo dos blocos de integração
econômica.
84
Claro que pode haver reclamações de que, com mais clubes,
o nível técnico da competição cai. Não encaro assim, pois concebo a competição sendo eliminatória. Logo, em duas rodadas, o
excesso de clubes já é eliminado, como mostrarei adiante.
Os 64 clubes seriam assim selecionados por país:
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•
Seis clubes brasileiros.
Seis clubes argentinos.
Cinco clubes mexicanos.
Cinco clubes norte americanos.
Cinco clubes uruguaios.
Cinco clubes colombianos.
Quatro clubes paraguaios.
Quatro clubes equatorianos.
Quatro clubes bolivianos.
Quatro clubes venezuelanos.
Quatro clubes peruanos.
Quatro clubes chilenos.
Um clube panamenho.
Um clube costarriquenho.
Um clube nicaragüense.
Um clube salvadorenho.
Um clube guatemalteco.
Um clube hondurenho.
Um clube belizenho.
Um clube canadense.
Cada país teria o seu critério para definir os participantes da
Taça Libertadores da América. No caso brasileiro, entrariam os
cinco melhores do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão
da temporada anterior e o clube de melhor desempenho na Copa
do Brasil da temporada anterior.
85
Os 64 clubes seriam divididos em 32 grupos de dois clubes,
sendo que se definiria o melhor de cada grupo em jogos de ida e
volta (duas rodadas). Os 32 clubes classificados seriam divididos
em 16 grupos de dois clubes, sendo que se definiria o melhor de
cada grupo em jogos de ida e volta (duas rodadas). Os 16 clubes
classificados seriam divididos em oito grupos de dois clubes, sendo
que se definiria o melhor de cada grupo em jogos de ida e volta
(duas rodadas). Os oito clubes classificados seriam divididos em
quatro grupos de dois clubes, sendo que se definiria o melhor de
cada grupo em jogos de ida e volta (duas rodadas). Os quatro
clubes classificados seriam divididos em dois grupos de dois clubes, sendo que se definiria o melhor de cada grupo em jogos de
ida e volta (duas rodadas). Finalmente, os dois finalistas decidiriam
o título em apenas um jogo, disputado em alguma importante
cidade do continente americano pré definida (uma rodada).
Estas 11 rodadas seriam disputadas em meios de semanas dos
meses de Janeiro, Fevereiro e da maior parte de Março.
Surge, então, uma questão relevante: qual dos clubes possui o
mando de campo no segundo jogo, e qual dos clubes possui o
mando de campo no primeiro jogo?
Pode-se pensar na seguinte medida: dos dois clubes que jogam entre si, um deles poderá escolher ter o mando de campo no
segundo jogo, e o outro, necessariamente, terá a vantagem de
poder empatar as duas partidas (ou perder uma e ganhar a outra
pelo mesmo saldo de gols) para se classificar.
Como proceder isso? Sempre, quando se for decidir o local
dos dois jogos, procede-se um sorteio entre os dois clubes que
jogarão. O clube que vencer o sorteio decide se prefere ter o
mando de campo do segundo jogo ou se prefere poder empatar
(ou perder um e ganhar o outro pelo mesmo saldo de gols) para
se classificar. Se optar por ter o mando de campo do segundo
86
jogo, o outro clube joga podendo empatar os dois (ou perder um
e ganhar o outro pelo mesmo saldo de gols) para se classificar.
Se optar por poder ter o empate nos dois jogos (ou perder um
e ganhar o outro pelo mesmo saldo de gols) como resultados
que lhe classificam, o outro clube terá o mando de campo no
segundo jogo.
Um exemplo de como isso pode funcionar: se o jogo for São
Paulo SP x Boca Juniors ARG, procede-se o sorteio. Daí, uma
das quatro situações acontecerá:
•
•
•
•
Boca Juniors ARG ganha o sorteio, e opta pelo mando de
campo no segundo jogo. Nesse caso, o São Paulo SP se
classifica se empatar os dois jogos (ou se perder um e ganhar
o outro pelo mesmo saldo de gols)
Boca Juniors ARG ganha o sorteio, e opta por poder empatar
as duas partidas (ou perder uma e ganhar a outra pelo mesmo
saldo de gols) para se classificar. Nesse caso, o São Paulo SP
tem o mando de campo do segundo jogo.
São Paulo SP ganha o sorteio, e opta pelo mando de campo
no segundo jogo. Nesse caso, o Boca Juniors ARG pode
empatar as duas partidas (ou perder uma e ganhar a outra
pelo mesmo saldo de gols) para se classificar.
São Paulo SP ganha o sorteio, e opta por poder empatar as
duas partidas (ou perder uma e ganhar a outra pelo mesmo
saldo de gols) para se classificar. Nesse caso, o Boca Juniors
ARG tem o mando de campo do segundo jogo.
Assim, em todos os jogos de ida e volta de dois clubes, há,
anteriormente, o sorteio. A partir dele, ficará determinado qual
dos dois clubes poderá empatar os dois jogos (ou perder um e
ganhar o outro pelo mesmo saldo de gols) e qual deles terá o
mando de campo do segundo jogo (o outro, obviamente, tem o
87
mando de campo do primeiro jogo). Essa metodologia cria uma
vantagem para cada lado, sendo justa, e, de quebra, elimina a
possibilidade de ter que se decidir classificados em prorrogação
ou pênaltis.
Na final, em apenas um jogo, o clube que fez melhor campanha
ao longo da competição joga podendo empatar para ser campeão.
Continuam não sendo necessárias prorrogações e pênaltis.
O esquema representativo da Taça libertadores da América
poderia ser este:
Primeira Rodada Trigésimas Segundas de Final (jogos de ida)
Segunda Rodada Trigésimas Segundas de Final (jogos de volta)
Terceira Rodada Décimas Sextas de Final (jogos de ida)
Quarta Rodada
Décimas Sextas de Final (jogos de volta)
Quinta Rodada
Oitavas de Final (jogos de ida)
Sexta Rodada
Oitavas de Final (jogos de volta)
Sétima Rodada
Quartas de Final (jogos de ida)
Oitava Rodada
Quartas de Final (jogos de volta)
Nona Rodada
Semi Finais (jogos de ida)
Décima Rodada
Semi Finais (jogos de volta)
Décima Primeira
Final (jogo em cidade pré definida)
Rodada
Então, esta é a minha proposta para a realização da Taça
Libertadores da América. Os quatro clubes de melhor colocação
no certame garantiriam vaga no Campeonato Mundial de Clubes,
realizado anualmente no Japão.
88
2.07) Copa Panamericana
Esta competição seria criada, em substituição à Copa
Sulamericana. Alguns aspectos que merecem ser considerados a
respeito são que:
a) É melhor ter uma Copa Panamericana, do que uma Copa
Sulamericana. Assim, tem-se uma competição que integra todo
o continente americano, não apenas a América do Sul.
b) O clube que jogar a Taça Libertadores da América, não joga
a Copa Panamericana – e vice-versa. Assim, as duas competições podem ser realizadas paralelamente.
c) Ao contrário do que vem acontecendo com a Copa
Sulamericana, a Copa Panamericana tem que conceder um
incentivo real aos clubes participantes, com vistas a motivá-los.
E esse incentivo é propiciar ao seu campeão vaga no Campeonato Mundial Interclubes, realizado anualmente no Japão.
Atualmente, a competição é disputada por um número variável de clubes, próximo a 40, em 12 rodadas. Acredito que este
número de rodadas pode ser reduzido para 11, e ainda se alargando o número de participantes, para 64, assim como se propôs
para a Libertadores, e pelos mesmos motivos. Então, a pergunta
é: como jogar a Copa Panamericana em 11 datas, ou rodadas?
Os 64 clubes seriam assim selecionados por país:
•
•
•
•
•
•
Seis clubes brasileiros.
Seis clubes argentinos.
Cinco clubes mexicanos.
Cinco clubes norte americanos.
Cinco clubes uruguaios.
Cinco clubes colombianos.
89
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Quatro clubes paraguaios.
Quatro clubes equatorianos.
Quatro clubes bolivianos.
Quatro clubes venezuelanos.
Quatro clubes peruanos.
Quatro clubes chilenos.
Um clube panamenho.
Um clube costarriquenho.
Um clube nicaragüense.
Um clube salvadorenho.
Um clube guatemalteco.
Um clube hondurenho.
Um clube belizenho.
Um clube canadense.
Cada país teria o seu critério para definir os participantes da
Copa Panamericana – os de melhor desempenho de cada país
imediatamente após o desempenho dos clubes selecionados para
a Libertadores. No caso brasileiro, entrariam cinco do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão da temporada anterior (os que
ficassem entre a sexta e a décima colocação) e o clube de segundo
melhor desempenho na Copa do Brasil da temporada anterior.
Os 64 clubes seriam divididos em 32 grupos de dois clubes,
sendo que se definiria o melhor de cada grupo em jogos de ida e
volta (duas rodadas). Os 32 clubes classificados seriam divididos
em 16 grupos de dois clubes, sendo que se definiria o melhor de
cada grupo em jogos de ida e volta (duas rodadas). Os 16 clubes
classificados seriam divididos em oito grupos de dois clubes, sendo
que se definiria o melhor de cada grupo em jogos de ida e volta
(duas rodadas). Os oito clubes classificados seriam divididos em
quatro grupos de dois clubes, sendo que se definiria o melhor de
cada grupo em jogos de ida e volta (duas rodadas). Os quatro
90
clubes classificados seriam divididos em dois grupos de dois clubes,
sendo que se definiria o melhor de cada grupo em jogos de ida e
volta (duas rodadas). Finalmente, os dois finalistas decidiriam o
título em apenas um jogo, disputado em alguma importante cidade
do continente americano pré definida, que não seria a mesma cidade
do jogo final da Libertadores (uma rodada). Estas 11 rodadas seriam
disputadas em meios de semanas dos meses de Janeiro, Fevereiro e
da maior parte de Março (paralelamente à Libertadores).
Surge, então, uma questão relevante: qual dos clubes possui o
mando de campo no segundo jogo, e qual dos clubes possui o
mando de campo no primeiro jogo?
Pode-se pensar na seguinte medida: dos dois clubes que jogam entre si, um deles poderá escolher ter o mando de campo no
segundo jogo, e o outro, necessariamente, terá a vantagem de
poder empatar as duas partidas (ou perder uma e ganhar a outra
pelo mesmo saldo de gols) para se classificar, e vice versa.
Como proceder isso? Sempre, quando se for decidir o local
dos dois jogos, procede-se um sorteio entre os dois clubes que
jogarão. O clube que vencer o sorteio decide se prefere ter o
mando de campo do segundo jogo ou se prefere poder empatar
(ou perder um e ganhar o outro pelo mesmo saldo de gols) para
se classificar. Se optar por ter o mando de campo do segundo
jogo, o outro clube joga podendo empatar os dois (ou perder um
e ganhar o outro pelo mesmo saldo de gols) para se classificar. Se
optar por poder ter o empate nos dois jogos (ou perder um e
ganhar o outro pelo mesmo saldo de gols) como resultados
que lhe classificam, o outro clube terá o mando de campo no
segundo jogo.
Um exemplo de como isso pode funcionar: se o jogo for
Botafogo RJ x Cruz Azul MEX, procede-se o sorteio. Daí, uma
das quatro situações acontecerá:
91
•
•
•
•
Cruz Azul MEX ganha o sorteio, e opta pelo mando de campo no segundo jogo. Nesse caso, o Botafogo RJ se classifica
se empatar os dois jogos (ou se perder um e ganhar o outro
pelo mesmo saldo de gols)
Cruz Azul MEX ganha o sorteio, e opta por poder empatar
as duas partidas (ou perder uma e ganhar a outra pelo mesmo saldo de gols) para se classificar. Nesse caso, o Botafogo
RJ tem o mando de campo do segundo jogo.
Botafogo RJ ganha o sorteio, e opta pelo mando de campo
no segundo jogo. Nesse caso, o Cruz Azul MEX pode empatar as duas partidas (ou perder uma e ganhar a outra pelo
mesmo saldo de gols) para se classificar.
Botafogo RJ ganha o sorteio, e opta por poder empatar as
duas partidas (ou perder uma e ganhar a outra pelo mesmo
saldo de gols) para se classificar. Nesse caso, o Cruz Azul
MEX tem o mando de campo do segundo jogo.
Assim, em todos os jogos de ida e volta de dois clubes, há,
anteriormente, o sorteio. A partir dele, ficará determinado qual
dos dois clubes poderá empatar os dois jogos (ou perder um e
ganhar o outro pelo mesmo saldo de gols) e qual deles terá o
mando de campo do segundo jogo (o outro, obviamente, tem o
mando de campo do primeiro jogo). Essa metodologia cria uma
vantagem para cada lado, sendo justa, e, de quebra, elimina a
possibilidade de ter que se decidir classificados em prorrogação
ou pênaltis.
Na final, em apenas um jogo, o clube que fez melhor campanha
ao longo da competição joga podendo empatar para ser campeão.
Continuam não sendo necessárias prorrogações e pênaltis.
O esquema representativo da Copa Panamericana poderia
ser este:
92
Primeira Rodada Trigésimas Segundas de Final (jogos de ida)
Segunda Rodada Trigésimas Segundas de Final (jogos de volta)
Terceira Rodada Décimas Sextas de Final (jogos de ida)
Quarta Rodada
Décimas Sextas de Final (jogos de volta)
Quinta Rodada
Oitavas de Final (jogos de ida)
Sexta Rodada
Oitavas de Final (jogos de volta)
Sétima Rodada
Quartas de Final (jogos de ida)
Oitava Rodada
Quartas de Final (jogos de volta)
Nona Rodada
Semi Finais (jogos de ida)
Décima Rodada Semi Finais (jogos de volta)
Décima Primeira
Final (jogo em cidade pré definida)
Rodada
Então, esta é a minha proposta para a realização da Copa
Panamericana. O clube campeão do certame garantiria vaga no
Campeonato Mundial de Clubes, realizado anualmente no Japão,
conforme expliquei anteriormente.
93
2.08) Supercopa do Brasil
A pergunta é: como realizar a Supercopa do Brasil em duas
datas, ou rodadas?
Esta competição seria uma espécie de festa, para abrir a
temporada em grande estilo: dois jogos, entre o campeão do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão da temporada anterior, e
o campeão da Copa do Brasil da temporada anterior.
Seriam dois jogos. O primeiro deles, com mando de campo
para o clube campeão da Copa do Brasil, realizado no primeiro
final de semana de Agosto (ou, dependendo das circunstâncias,
no último final de semana de Julho). O segundo, com mando de
campo para o clube campeão brasileiro, realizado no final de semana seguinte. Leva o título o clube que ganhar os dois jogos, ou
o que vencer um e empatar o outro, ou o que ganhar um e perder
o outro, mas tiver vantagem no saldo de gols. Se houver dois
empates, ou uma vitória para cada lado pela mesma diferença de
gols, o clube que for campeão brasileiro da primeira divisão fica
com o título.
Essa competição permite que se comemore dois títulos
nacionais marcantes da temporada anterior e, de quebra, completa o calendário de jogos de finais de semanas da temporada.
94
2.09) Recopa das Américas
A pergunta é: como realizar a Recopa das Américas em duas
datas, ou rodadas?
Esta competição seria, também, uma espécie de festa, para
fechar a temporada em grande estilo: dois jogos, entre o campeão
da Taça Libertadores da América da temporada atual, e o campeão
da Copa Panamericana da temporada atual.
Seriam dois jogos. O primeiro deles, com mando de campo
para o clube campeão da Copa Panamericana, realizado no penúltimo final de semana de Maio. O segundo, com mando de
campo para o clube campeão da Libertadores, realizado no final
de semana seguinte, o último de Maio. Leva o título o clube que
ganhar os dois jogos, ou o que vencer um e empatar o outro, ou
o que ganhar um e perder o outro, mas tiver vantagem no saldo
de gols. Se houver dois empates, ou uma vitória para cada lado
pela mesma diferença de gols, o clube que for campeão da
Libertadores fica com o título.
Essa competição permite que se comemore dois títulos
continentais marcantes da temporada em curso e, de quebra,
completa o calendário de jogos de finais de semanas da temporada.
95
2.10) Torneio de Integração Nacional
Então, a pergunta é: como realizar o Torneio de Integração
Nacional em 42 datas, ou rodadas?
Este torneio merece peculiar atenção, porque é a partir dele
que se pode viabilizar um bom calendário para os clubes pequenos de nosso futebol. Afinal, 60 clubes – os 20 de cada uma das
três divisões do Campeonato Brasileiro – têm atividade para o
ano todo só com a principal competição nacional, pois esta é
jogada durante praticamente toda a temporada.
Mas, e os outros 640 clubes? Ficariam sem nenhuma competição para ocupar a temporada ao longo de seu curso? Isso
não pode acontecer, porque representaria que centenas de clubes
ficariam meses seguidos sem jogar, o que contribuiria para a
penúria financeira das Instituições e o desemprego em massa de
jogadores de futebol.
Esses 640 clubes, assim, jogarão, ao longo da temporada, o Torneio de Integração Nacional. Este não visa coroar um campeão.
Visa, tão somente, indicar os cinco clubes que ascenderão ao
Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão da temporada seguinte
– assim como os cinco últimos clubes do Campeonato Brasileiro
da Terceira Divisão estarão, na temporada seguinte, disputando
o Torneio de Integração Nacional.
Os 640 clubes serão divididos, na Fase Classificatória, em 64
grupos regionalizados, de 10 clubes. Dentro de cada grupo, os
jogos serão em turno (nove rodadas), returno (mais nove rodadas),
novo turno (mais nove rodadas) e novo returno (mais nove rodadas), classificando-se, para a fase seguinte, os cinco primeiros
colocados de cada grupo. Logo, esta primeira fase, a classificatória,
tem 36 rodadas.
96
O que o leitor pode se perguntar é: por que 64 grupos de 10
clubes e jogos em turno, returno, novo turno e novo returno, e não,
por exemplo, 32 grupos de 20 clubes, com turno e returno somente?
Por um motivo, apenas: se os grupos são de 10 clubes, não de
20, a região onde eles, os clubes, estarão jogando entre si será
menor, o que diminuirá gastos de locomoção. Não se deve esquecer que são clubes pequenos, com poucos recursos
pecuniários, que estarão jogando, e reduzir gastos de locomoção
parece uma boa idéia.
Voltando à forma de disputa, se são 64 grupos, e cinco clubes
se classificam em cada grupo, tem-se 320 clubes classificados.
Daí, começa a segunda fase, a final. Os 320 clubes classificados
são divididos em 160 grupos de dois e, após um jogo, tem-se um
clube classificado (uma rodada). Em seguida, os 160 clubes classificados são divididos em 80 grupos de dois e, após um jogo,
tem-se um clube classificado (uma rodada). Logo após, os 80
clubes classificados são divididos em 40 grupos de dois e, após
um jogo, tem-se um clube classificado (uma rodada). Em continuidade, os 40 clubes classificados são divididos em 20 grupos
de dois e, após um jogo, tem-se um clube classificado (uma rodada).
Então, os 20 clubes classificados são divididos em 10 grupos de
dois e, após um jogo, tem-se um clube classificado (uma rodada).
Finalmente, os 10 clubes classificados são divididos em cinco
grupos de dois e, após um jogo, tem-se um clube classificado
(uma rodada). Então, aí termina o torneio, pois já se tem os cinco
clubes que ascenderão, na temporada seguinte, ao Campeonato
Brasileiro da Terceira Divisão. Como se vê, em seis rodadas
resolve-se a fase final.
Já que só há um jogo, na fase final, entre os clubes, e não
jogos de ida e volta, cumpre indagar: o mando de campo seria de
qual dos dois clubes?
97
Simples: por sorteio, se indicaria quem joga com quem.
E, obviamente, o clube que, entre os dois, fez melhor campanha
nas 36 rodadas da fase classificatória, tem não somente o mando de
campo, como pode empatar para seguir em frente no “mata mata”.
Então, a fase classificatória tem 36 rodadas, e a fase final, seis.
São 42 rodadas, jogadas nos 42 finais de semanas disponíveis
para jogos no calendário oficial (essas 42 rodadas são, portanto,
paralelas às duas rodadas da Supercopa do Brasil, às 38 rodadas do
Campeonato Brasileiro em suas três divisões, e às duas rodadas da
Recopa das Américas).
Fácil perceber que o mínimo de jogos que qualquer um dos 640
clubes fará nesta competição é de 36 jogos, e o máximo, 42 jogos.
Eis, então, o esboço do torneio.
Fase Classificatória:
São 64 grupos regionalizados, onde se joga em turno, returno,
novo turno e novo returno. Os grupos são:
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Grupo I: 10 clubes gaúchos.
Grupo II: 10 clubes gaúchos
Grupo III: 10 clubes gaúchos.
Grupo IV: 10 clubes gaúchos.
Grupo V: 10 clubes catarinenses.
Grupo VI: 10 clubes catarinenses.
Grupo VII: 10 clubes paranaenses.
Grupo VIII: 10 clubes paranaenses.
Grupo IX: 10 clubes paranaenses.
Grupo X: 10 clubes paulistas.
Grupo XI: 10 clubes paulistas.
Grupo XII: 10 clubes paulistas.
98
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Grupo XIII: 10 clubes paulistas.
Grupo XIV: 10 clubes paulistas.
Grupo XV: 10 clubes paulistas.
Grupo XVI: 10 clubes paulistas.
Grupo XVII: 10 clubes paulistas.
Grupo XVIII: 10 clubes paulistas.
Grupo XIX: 10 clubes paulistas.
Grupo XX: 10 clubes paulistas.
Grupo XXI: 10 clubes paulistas.
Grupo XXII: 10 clubes fluminenses.
Grupo XXIII: 10 clubes fluminenses.
Grupo XXIV: 10 clubes fluminenses.
Grupo XXV: 10 clubes fluminenses.
Grupo XXVI: 10 clubes mineiros.
Grupo XXVII: 10 clubes mineiros.
Grupo XXVIII: 10 clubes mineiros.
Grupo XXIX: 10 clubes mineiros.
Grupo XXX: 10 clubes capixabas.
Grupo XXXI: 10 clubes capixabas.
Grupo XXXII: 10 clubes baianos.
Grupo XXXIII: 10 clubes baianos.
Grupo XXXIV: 10 clubes baianos.
Grupo XXXV: 10 clubes sergipanos.
Grupo XXXVI: 10 clubes sergipanos.
Grupo XXXVII: 10 clubes alagoanos.
Grupo XXXVIII: 10 clubes alagoanos.
Grupo XXXIX: 10 clubes pernambucanos.
Grupo XL: 10 clubes pernambucanos.
Grupo XLI: 10 clubes pernambucanos.
Grupo XLII: 10 clubes paraibanos.
Grupo XLIII: 10 clubes paraibanos.
Grupo XLIV: 10 clubes potiguares.
99
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Grupo XLV: 10 clubes potiguares.
Grupo XLVI: 10 clubes cearenses.
Grupo XLVII: 10 clubes cearenses.
Grupo XLVIII: 10 clubes cearenses.
Grupo: XLIX: 10 clubes piauienses.
Grupo L: 10 clubes maranhenses.
Grupo LI: 10 clubes amapaenses.
Grupo LII: 10 clubes paraenses.
Grupo LIII: 10 clubes paraenses.
Grupo LIV: 10 clubes tocantinenses.
Grupo LV: 10 clubes roraimenses.
Grupo LVI: 10 clubes amazonenses.
Grupo LVII: 10 clubes acreanos.
Grupo LVIII: 10 clubes rondonenses.
Grupo LIX: 10 clubes matogrossenses.
Grupo LX: 10 clubes matogrossenses do sul.
Grupo LXI: 10 clubes goianos.
GrupoLXII: 10 clubes goianos.
Grupo LXIII: 10 clubes distritais.
Grupo LXIV: 10 clubes distritais.
A tabela de cada um dos 64 grupos deve seguir o seguinte
padrão:
Primeira Rodada
Time01
x
time10
Time02
x
time09
Time03
x
time08
Time04
x
time07
Time05
x
time06
100
Segunda Rodada
Terceira Rodada
Quarta Rodada
Quinta Rodada
Sexta Rodada
Time01
x
time09
Time02
x
time08
Time03
x
time07
Time04
x
time06
Time05
x
time10
Time01
x
time08
Time02
x
time07
Time03
x
time06
Time04
x
time05
Time09
x
time10
Time01
x
time07
Time02
x
time06
Time03
x
time05
Time04
x
time10
Time08
x
time09
Time01
x
time06
Time02
x
time05
Time03
x
time04
Time07
x
time09
Time08
x
time10
Time01
x
time05
Time02
x
time04
Time03
x
time10
Time06
x
time09
Time07
x
time08
101
Sétima Rodada
Oitava Rodada
Nona Rodada
Décima Rodada
Décima Primeira
Rodada
Time01
x
time04
Time02
x
time03
Time05
x
time09
Time06
x
time08
Time07
x
time10
Time01
x
time03
Time02
x
time10
Time04
x
time09
Time05
x
time08
Time06
x
time07
Time01
x
time02
Time03
x
time09
Time04
x
time08
Time05
x
time07
Time06
x
time10
Time01
x
time02
Time03
x
time09
Time04
x
time08
Time05
x
time07
Time06
x
time10
Time01
x
time03
Time02
x
time10
Time04
x
time09
Time05
x
time08
Time06
x
time07
102
Décima Segunda
Rodada
Décima Terceira
Rodada
Décima Quarta
Rodada
Décima Quinta
Rodada
Décima Sexta
Rodada
Time01
x
time04
Time02
x
time03
Time05
x
time09
Time06
x
time08
Time07
x
time10
Time01
x
time05
Time02
x
time04
Time03
x
time10
Time06
x
time09
Time07
x
time08
Time01
x
time06
Time02
x
time05
Time03
x
time04
Time07
x
time09
Time08
x
time10
Time01
x
time07
Time02
x
time06
Time03
x
time05
Time04
x
time10
Time08
x
time09
Time01
x
time08
Time02
x
time07
Time03
x
time06
Time04
x
time05
Time09
x
time10
103
Décima Sétima
Rodada
Décima Oitava
Rodada
Décima Nona
Rodada
Vigésima Rodada
Vigésima Primeira
Rodada
Time01
x
time09
Time02
x
time08
Time03
x
time07
Time04
x
time06
Time05
x
time10
Time01
x
time10
Time02
x
time09
Time03
x
time08
Time04
x
time07
Time05
x
time06
Time01
x
time10
Time02
x
time09
Time03
x
time08
Time04
x
time07
Time05
x
time06
Time01
x
time09
Time02
x
time08
Time03
x
time07
Time04
x
time06
Time05
x
time10
Time01
x
time08
Time02
x
time07
Time03
x
time06
Time04
x
time05
Time09
x
time10
104
Vigésima Segunda
Rodada
Vigésima Terceira
Rodada
Vigésima Quarta
Rodada
Vigésima Quinta
Rodada
Vigésima Sexta
Rodada
Time01
x
time07
Time02
x
time06
Time03
x
time05
Time04
x
time10
Time08
x
time09
Time01
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time06
Time02
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Time03
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Time07
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Time08
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time10
Time01
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Time02
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Time03
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Time06
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Time07
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Time01
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Time06
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Time07
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Time02
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Time04
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Time05
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time08
Time06
x
time07
105
Vigésima Sétima
Rodada
Vigésima Oitava
Rodada
Vigésima Nona
Rodada
Trigésima Rodada
Trigésima Primeira
Rodada
Time01
x
time02
Time03
x
time09
Time04
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time08
Time05
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Time06
x
time10
Time01
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time02
Time03
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Time04
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time08
Time05
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time07
Time06
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time10
Time01
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time03
Time02
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time10
Time04
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time09
Time05
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time08
Time06
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time07
Time01
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time04
Time02
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time03
Time05
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time09
Time06
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time08
Time07
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time10
Time01
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time05
Time02
x
time04
Time03
x
time10
Time06
x
time09
Time07
x
time08
106
Trigésima Segunda
Rodada
Trigésima Terceira
Rodada
Trigésima Quarta
Rodada
Trigésima Quinta
Rodada
Trigésima Sexta
Rodada
Time01
x
time06
Time02
x
time05
Time03
x
time04
Time07
x
time09
Time08
x
time10
Time01
x
time07
Time02
x
time06
Time03
x
time05
Time04
x
time10
Time08
x
time09
Time01
x
time08
Time02
x
time07
Time03
x
time06
Time04
x
time05
Time09
x
time10
Time01
x
time09
Time02
x
time08
Time03
x
time07
Time04
x
time06
Time05
x
time10
Time01
x
time10
Time02
x
time09
Time03
x
time08
Time04
x
time07
Time05
x
time06
107
Fase Final:
Dos 64 grupos de 10 clubes da fase anterior, classificam-se
cinco de cada grupo. São, portanto, 320 clubes, que jogam entre
si em eliminatórias simples ao estilo “mata mata”, em um jogo
em cada etapa, até que se chegue aos cinco clubes que disputarão
o Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão da temporada
seguinte. A representação do modelo é esta:
Trigésima Sétima
Rodada
Trigésima Oitava
Rodada
Trigésima Nona
Rodada
Quadragésima
Rodada
Quadragésima
Primeira Rodada
Quadragésima
Segunda Rodada
Eliminatória Simples
(de 320 clubes para 160 clubes)
Eliminatória Simples
(de 160 clubes para 80 clubes)
Eliminatória Simples
(de 80 clubes para 40 clubes)
Eliminatória Simples
(de 40 clubes para 20 clubes)
Eliminatória Simples
(de 20 clubes para 10 clubes)
Eliminatória Simples
(de 10 clubes para cinco clubes)
Então, este é o Torneio de Integração Nacional, que deve
funcionar como uma espécie de “Campeonato Brasileiro da Quarta
Divisão”, colocando 640 clubes em ação ao longo de um intervalo
de tempo que vai de 36 finais de semanas (para os clubes eliminados
na fase classificatória) a 42 finais de semanas (para os clubes que
disputam, até a última rodada, o acesso ao Campeonato Brasileiro
da Terceira Divisão da temporada seguinte), quase a temporada
inteira, portanto. Evitei chamar este torneio de campeonato, pois
o objetivo dele não é determinar um clube campeão, mas, tão
somente, definir quais os clubes que terão o acesso à “Terceirona”.
108
2.11) Campeonato Mundial de Clubes
Primeiramente, é importante dizer que defendo a idéia de
que este campeonato não deve ser realizado ao longo da temporada regular, mas sim no intervalo de tempo de um mês que seria
dedicado às férias dos jogadores. Tomando a Europa como
parâmetro (e não esquecer que proponho a adaptação do
calendário do futebol brasileiro ao calendário do futebol europeu, como já acontece na Argentina), as férias dos jogadores, lá,
são em Junho. Portanto, seria em Junho, mais precisamente na
primeira metade de Junho, que o certame seria realizado – o evento
continuaria sendo no Japão, feito de forma anual.
É claro que isso invadiria as férias dos jogadores, mas não dá
para “fazer omelete sem quebrar ovos”, ou seja, não há como
trazer a competição para o período regular do calendário, o que
prejudicaria o andamento das outras competições, envolvendo
os clubes dos diversos países.
Proponho, assim, que os clubes dos jogadores que disputarem
esta competição possam seguir duas políticas, a respeito das férias
dos jogadores:
•
•
Concedam um mês de férias, na segunda metade de Junho e
na primeira metade de Julho. A desvantagem é que se perdem
15 dias, relativos à primeira metade de Julho, em treinamentos
e jogos de pré-temporada.
Concedam apenas 15 dias de férias, na segunda metade de
Junho, e paguem os outros 15 com todas as bonificações e
gratificações que caracterizam hora extra, de acordo com as
leis trabalhistas de cada país. A desvantagem, óbvio, é para os
jogadores, que perdem parte do período de férias a que teriam
direto, mas, em compensação, são recompensados financeiramente por isso.
109
Cada clube decidiria o seu caminho a seguir, a este respeito.
Mas o ponto central é, de novo: os jogos do Campeonato Mundial de Clubes não devem fazer parte da temporada regular,
logo suas datas não devem nela ser computadas. Deste modo,
a realização do Campeonato Mundial de Clubes na primeira
metade de Junho não geraria estorvos em relação ao calendário
da temporada oficial.
A competição seria disputada por 16 clubes, assim selecionados:
•
•
•
•
•
•
Sete clubes europeus (cinco primeiros colocados da
“Champions League” e dois finalistas da Copa da UEFA).
Cinco clubes de todo o continente americano (quatro primeiros colocados da Taça Libertadores da América e campeão da
Copa Panamericana).
Um clube africano, o campeão do continente.
Um clube asiático, o campeão do continente.
Um clube da Oceania, o campeão do continente.
Um clube do Japão, pais sede, o campeão nacional.
E como realizar a competição com 16 clubes? Simples.
Seriam formados quatro grupos (A, B, C, D), cada um com
quatro clubes, que jogariam entre si (três rodadas). O vencedor
do grupo A jogaria, em uma semi final, com o vencedor do
grupo B, da mesma forma que o vencedor do grupo C faria
outra semi final com o vencedor do grupo D (uma rodada),
sendo que o semifinalista que tivesse feito melhor campanha
na fase de grupos levaria a vantagem de empatar sobre o seu
adversário. Os dois vencedores da semi final decidiriam o título
em um jogo, com o clube que fez melhor campanha na competição podendo empatar a partida (uma rodada).
Esquematicamente, ter-se-ia a seguinte situação:
110
Grupo A: Time01, Time02, Time03, Time04
Grupo B: Time05, Time06, Time07, Time08
Grupo C: Time09, Time10, Time11, Time12
Grupo D: Time13, Time14, Time15, Time16
A tabela da competição seria esta:
Primeiro Dia (Sábado) Time01 x Time02; Time03 x Time04
Segundo Dia
(Domingo)
Terceiro Dia (Segunda
Feira)
Quarto Dia (Terça
Feira)
Quinto Dia (Quarta
Feira)
Sexto Dia (Quinta
Feira)
Sétimo Dia (Sexta
Feira)
Oitavo Dia (Sábado)
Time05 x Time06; Time07 x Time08
Time09 x Time10; Time11 x Time12
Time13 x Time14; Time15 x Time16
Time01 x Time03; Time02 x Time04
Time05 x Time07; Time06 x Time08
Time09 x Time11; Time10 x Time12
Time13 x Time15; Time14 x Time16
Nono Dia (Domingo) Time01 x Time04; Time02 x Time03
Décimo Dia (Segunda Time05 x Time08; Time06 x Time07
Feira)
Décimo Primeiro Dia Time09 x Time12; Time10 x Time11
(Terça Feira)
Décimo Segundo Dia Time13 x Time16; Time14 x Time15
(Quarta Feira)
111
Décimo Terceiro Dia
(Quinta Feira)
Décimo Quarto Dia
(Sexta Feira)
Décimo Sexto Dia
(Domingo)
Vencedor de A x Vencedor de B
Vencedor de C x Vencedor de D
Disputa do Terceiro Lugar e Final
Assim, a proposta é que o Campeonato Mundial de Clubes
possa ser realizado sempre no mês de Junho, em um período de
16 dias, com 16 clubes o disputando. Os clubes escolhidos viriam
de critérios técnicos, privilegiando-se, assim, a qualidade dos espetáculos. Esta competição não faria parte, assim, do calendário
anual de clubes, porque seria realizada em período de férias dos
jogadores.
112
2.12) Projeto Final
Uma vez que já fiz as proposições para cada uma das competições, resta fazer uma proposta de distribuição destas ao longo
da temporada.
Antes disso, porém, uma ressalva deve ser feita: como já foi
afirmado neste documento antes, deve haver uma coincidência
dos calendários americanos com o calendário europeu. Isto é
vantajoso porque, assim, se facilita o trabalho das seleções nacionais de futebol. Como o calendário das competições oficiais
de seleções é baseado no calendário dos clubes europeus, ao se
fazer esta adaptação se está facilitando a preparação da Seleção
Brasileira para a disputa de campeonatos oficiais (é sabido que a
maioria das competições oficiais de seleções é marcada para os
meses de Junho e Julho, quando os clubes europeus estão no
período de recesso e início de temporada).
Assim, proponho que se tenha uma estrutura de temporada
similar à da Europa. Ou seja: a temporada poderia começar em
Julho, se encerrando em Junho do ano seguinte.
O calendário de clubes compreenderia quatro períodos básicos:
Julho; Agosto a Dezembro; Janeiro a Maio; Junho. Escreverei
sobre cada um deles.
•
Julho:
Seria o início da temporada. Nesses 30 dias, os clubes fariam
o trabalho de preparação física típico da pré-temporada, inclusive
com jogos treinos. Sobretudo o final do período seria reservado
para amistosos, onde as equipes iriam adquirir ritmo de jogo.
Com isso, haveria um tempo suficiente para a realização da prétemporada, algo a que tradicionalmente não se dá muita
113
importância no Brasil (eventualmente, alguns jogos oficiais poderiam ser realizados no final do período, conforme mostrarei
em seguida).
•
Agosto a Dezembro:
Se se consultar um calendário comum, ver-se-á que sempre há 21 ou 22 domingos (ou finais de semanas) entre os
meses de Agosto e Dezembro. Da mesma forma, sempre há
21 ou 22 quartas feiras (ou meios de semanas) no período.
Assim, proponho que:
a) Sejam aproveitados 21 domingos (ou finais de semanas)
do período, preferencialmente os 21 primeiros (eventualmente, se os domingos coincidirem com o período de
Natal ou de Ano Novo, pode-se ter que utilizar o último
domingo de Julho). Destes, os dois primeiros são reservados à Supercopa do Brasil, e os 19 seguintes, às 19
primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro em suas três
divisões. Também, nos 21 domingos (ou finais de semanas), são realizadas as primeiras 21 rodadas do Torneio
de Integração Nacional.
b) Sejam aproveitadas 21 quartas feiras (ou meios de semanas)
do período, preferencialmente as 21 primeiras (eventualmente,
se as quartas feiras coincidirem com o período de Natal ou
de Ano Novo, pode-se ter que utilizar a última quarta feira de
Julho). Todas as quartas feiras (meios de semanas) seriam
preenchidas pelas 21 rodadas dos Campeonatos Interestaduais
e pelas 21 rodadas dos Campeonatos Estaduais (fazendo-se a
ressalva que os clubes que jogarem os Interestaduais, não
jogam os Estaduais).
114
•
Janeiro a Maio:
Se se consultar um calendário comum, ver-se-á que sempre
há 21 ou 22 domingos (ou finais de semanas) entre os meses de
Janeiro e Maio. Da mesma forma, sempre há 21 ou 22 quartas
feiras (ou meios de semanas) no período. Assim, proponho que:
a) Sejam aproveitados 21 domingos (ou finais de semanas) do
período. Destes, os 19 primeiros são reservados às 19 últimas
rodadas do Campeonato Brasileiro em suas três divisões, e
os dois últimos, à Recopa das Américas. Também, nos 21
domingos (ou finais de semanas), são realizadas as últimas 21
rodadas do Torneio de Integração Nacional.
b) Sejam aproveitadas 21 quartas feiras (ou meios de semanas)
do período. Destas, as 11 primeiras quartas feiras (ou meios
de semanas) são reservadas às 11 rodadas da Taça Libertadores da América e da Copa Panamericana (realizadas de forma
simultânea – clube que joga uma, não joga a outra). As 10
quartas feiras (ou meios de semanas) seguintes são reservadas às 10 rodadas da Copa do Brasil. As quartas feiras (ou
meios de semanas) da Libertadores / Panamericana abrangem os meses de Janeiro, Fevereiro e maior parte de Março.
As quartas feiras (ou meios de semanas) da Copa do Brasil
abrangem os meses de Março, em seu final, Abril e Maio.
•
Junho:
Encerrando o calendário, o mês de Junho pode ser reservado
às férias dos jogadores.
Assim, passar-se-ia a ter um calendário permanente de clubes,
já que cada competição teria critérios fixos para o seu início e o
seu final (o calendário atual também contém esta possibilidade,
115
mas não de forma tão descritiva e regular como este, que proponho).
Melhores possibilidades para o planejamento dos clubes seriam
uma decorrência lógica deste fato.
Para encerrar este capítulo, e fazer um preâmbulo do próximo,
devo dizer que o calendário das seleções deve ser adaptado ao
calendário dos clubes. Bom calendário é o em que as datas de
jogos das seleções não coincidem com as datas de jogos dos clubes,
pondo fim às intermináveis discussões sobre liberação de jogadores
para jogos das seleções (se as datas de jogos não coincidirem,
não há porque existir problemas com liberação de jogadores).
Note-se um detalhe importante: primeiro, deve-se organizar
o calendário dos clubes; é a partir das datas sobrantes do calendário dos clubes que se deve organizar o calendário das seleções.
O clube é a Instituição máxima do futebol, é a própria razão de ser
do esporte. Sem clubes fortes, seleções fortes pouco importam.
Então, esta será uma premissa vital para a elaboração do nosso
calendário de seleções.
116
CAPÍTULO III – UM CALENDÁRIO PARA A
SELEÇÃO BRASILEIRA
3.01) Como é e como Deve Ser
Um primeiro problema que se pode vislumbrar quando se
fala em calendário das seleções em geral – e da Seleção Brasileira,
em particular – é que sempre há coincidência de datas entre jogos
de clubes e de seleções. Com isso, ou os clubes jogam desfalcados
de suas principais estrelas quando estas estão servindo à Seleção,
ou a Seleção joga desfalcada de vários de seus titulares em cada
jogo, o que impede que a equipe ganhe entrosamento. Grande
problema, este: sem um sentido de conjunto, mesmo seleções
com destacadas potencialidades em termos de capacidades individuais acabam não rendendo o esperado.
Daí, a constatação: se alguns jogadores são liberados para
alguns jogos e outros não, como criar esse sentido de conjunto
para a equipe? Não se deve esperar que sempre que uma seleção
jogue, o faça com sua força máxima? Defendo a idéia que
mesmo os amistosos devem ser jogados pelos times principais.
A questão é se saber fazer os amistosos na hora correta.
117
Como resolver a questão? Simples. Que as seleções façam o
seu trabalho quando os clubes não estiverem participando de
competições oficiais. Pelo que proponho – e como já acontece
na Europa6 –, os meses de Junho e Julho. Logo, pode-se criar um
consenso: que as competições oficiais realizadas pelas seleções
aconteçam nos dois terços finais do mês de Julho; a segunda
metade de Junho e o primeiro terço de Julho podem ser dedicados
à preparação física e técnica das equipes, o que inclui os jogos
amistosos – todos disputados nesse período.
Aí, se pergunta: e as férias dos jogadores? A convocação para
a competição oficial seria feita no final de Maio. Na primeira
metade de Junho, os jogadores convocados tirariam férias de 15
dias, sendo que, dos outros 15 dias, abririam mão (perante o
respectivo pagamento da “compra” das férias, conforme a legislação trabalhista, pela Confederação Brasileira de Futebol).
Na segunda metade de Junho, estariam prontos para fazer o trabalho de preparação física e técnica, bem como para jogar amistosos,
visando à competição oficial dos dois terços finais de Julho.
Outro problema é que as seleções jogam mais do que devem.
Se falo da racionalização do calendário para clubes, estendo essa
argumentação para a racionalização do calendário de seleções.
Eliminatórias da Copa do Mundo com 18 rodadas? Com o perdão
da gíria, “fala sério!”. Assim, proponho que haja uma competição
oficial por ano envolvendo a Seleção principal, o que tornaria a
situação mais clara. Portanto, teríamos:
•
•
Nos anos de 2015, 2019, 2023 e etc., a Copa América.
Nos anos de 2016, 2020, 2024 e etc., a Copa das Confederações.
______________________________________
6
Embora, na Europa, as seleções tenham o hábito de jogar em um meio de semana a cada mês de competições do calendário dos clubes – seja em competições
oficiais, seja em jogos amistosos. Discordo de que o mesmo seja feito no Brasil.
118
•
•
Nos anos de 2017, 2021, 2025 e etc., o Campeonato da FIFA.
Nos anos de 2018, 2022, 2026 e etc., a Copa do Mundo.
Resta dizer, então, como realizar cada um destes torneios.
Antes de proceder esta tarefa, porém, devo fazer uma observação:
definitivamente, que se tire do futebol profissional a obrigação
de ceder jogadores para as competições de futebol dos Jogos
Panamericanos, dos Jogos Pré Olímpicos e dos Jogos Olímpicos
(que, inclusive, não se sabe se continuarão existindo, ou se serão
extintas). Só devem atuar nestas competições jogadores amadores,
que não tenham vínculo contratual, e, mesmo dos amadores, os
que não sejam utilizados regularmente pelos clubes profissionais.
Devo dizer que, em tese, eu seria simpatizante da idéia de se
poder jogar tanto o Pan como as Olimpíadas com a Seleção principal. Mas existem embaraços políticos entre a Instituição máxima
que cuida destas competições, o Comitê Olímpico Internacional
(COI) e a FIFA, órgão máximo do futebol mundial. Portanto, é
de bom tom que os jogadores profissionais sejam liberados para
jogar apenas as competições chanceladas pela FIFA.
Aliás, e estendendo-me um pouco mais do que o escopo inicial,
um clube de futebol brasileiro ter que liberar um valoroso jovem jogador seu para competições de seleções sub-23, ou sub-20, ou sub-17, e
não poder aproveitá-lo nas suas competições oficiais, também é um
equívoco. Em minha visão, é o clube que deve decidir, de acordo
com os seus interesses, se dispensa um jovem jogador vinculado a ele
para jogar uma competição dessas, ou não.
Voltando ao assunto em questão, jogadores profissionais ou
amadores que os clubes brasileiros muito precisem não devem
ser convocados para Pan, Pré Olímpico e Olimpíadas, para que
os clubes não fiquem desfalcados em meio às suas competições.
Segue a apresentação de cada competição.
119
3.02) Copa América
Pela minha proposta, a Copa América (jogada nos anos de
2015, 2019, 2023, etc.) seria disputada, em um país previamente
escolhido, por 12 seleções, a saber: Brasil, Argentina, Uruguai,
Paraguai, Colômbia, Chile, Peru, Equador, Bolívia, Venezuela,
México e Estados Unidos.
As 12 seleções seriam divididas em quatro grupos de três,
com as três seleções de um mesmo grupo jogando entre si,
classificando-se para a fase seguinte a melhor seleção de cada
grupo – se houvesse empate na melhor campanha de mais de
uma seleção, a de melhor colocação no Ranking da FIFA iria
adiante (três rodadas). As quatro seleções classificadas jogariam
a semi final (vencedor do grupo A x vencedor do grupo B;
vencedor do grupo C x vencedor do grupo D), sendo que a seleção de melhor campanha na fase anterior jogaria pelo empate –
ou, se houvesse igualdade de campanhas, a seleção de melhor
colocação no Ranking da FIFA jogaria pelo empate (uma rodada).
As duas seleções classificadas fariam a final em um jogo, onde a
seleção que fez melhor campanha na competição jogaria pelo
empate – ou, se houvesse igualdade de campanhas, a seleção de
melhor colocação no Ranking da FIFA jogaria pelo empate (uma
rodada). Em cinco rodadas, ou duas semanas (as duas últimas de
Julho), a competição seria totalmente disputada.
Esquematicamente, ter-se-ia a seguinte situação:
Grupo A: Seleção01, Seleção02, Seleção03
Grupo B: Seleção04, Seleção05, Seleção06
Grupo C: Seleção07, Seleção08, Seleção09
Grupo D: Seleção10, Seleção11, Seleção12
120
A tabela da competição seria esta:
Primeiro Dia (Sábado) Seleção01 x Seleção02;
Seleção04 x Seleção05
Segundo Dia
(Domingo)
Seleção07 x Seleção08;
Seleção10 x Seleção11
Quinto Dia (Quarta
Feira)
Seleção01 x Seleção03;
Seleção04 x Seleção06
Sexto Dia (Quinta
Feira)
Seleção07 x Seleção09;
Seleção10 x Seleção12
Oitavo Dia (Sábado)
Seleção02 x Seleção03;
Seleção05 x Seleção06
Nono Dia (Domingo) Seleção08 x Seleção09;
Seleção11 x Seleção12
Décimo Segundo Dia
(Quarta Feira)
Vencedor de A x Vencedor de B
Décimo Terceiro Dia
(Quinta Feira)
Vencedor de C x Vencedor de D
Décimo Sexto Dia
(Domingo)
Final
Essa é a Copa América que proponho.
121
3.03) Copa das Confederações
Pela minha proposta, a Copa das Confederações (jogada nos
anos de 2016, 2020, 2024, etc.) seria disputada, no país da Copa
do Mundo seguinte, por 16 seleções, a saber: seleção campeã do
mundo; seleção vice campeã do mundo; seleção do país sede da
próxima Copa do Mundo; seleção do país sede da Copa do Mundo
anterior; seleção campeã da Copa América; seleção vice campeã
da Copa América; seleção campeã da Copa de Ouro, da
CONCACAF; seleção vice campeã da Copa de Ouro, da
CONCACAF; seleção campeã européia; seleção vice campeã
européia; seleção campeã asiática; seleção vice campeã asiática;
seleção campeã africana; seleção vice campeã africana; seleção
campeã da Oceania; seleção vice campeã da Oceania.
As 16 seleções seriam divididas em quatro grupos de quatro,
com as quatro seleções de um mesmo grupo jogando entre si,
classificando-se para a fase seguinte a melhor seleção de cada
grupo – se houvesse empate na melhor campanha de mais de
uma seleção, a de melhor colocação no Ranking da FIFA iria
adiante (três rodadas). As quatro seleções classificadas jogariam
a semi final (vencedor do grupo A x vencedor do grupo B; vencedor do grupo C x vencedor do grupo D), sendo que a seleção
de melhor campanha na fase anterior jogaria pelo empate – ou,
se houvesse igualdade de campanhas, a seleção de melhor colocação no Ranking da FIFA jogaria pelo empate (uma rodada).
As duas seleções classificadas fariam a final em um jogo, onde a
seleção que fez melhor campanha na competição jogaria pelo
empate – ou, se houvesse igualdade de campanhas, a seleção de
melhor colocação no Ranking da FIFA jogaria pelo empate (uma
rodada). Em cinco rodadas, ou duas semanas (as duas últimas de
Julho), a competição seria totalmente disputada.
122
Esquematicamente, ter-se-ia a seguinte situação:
Grupo A: Seleção01, Seleção02, Seleção03, Seleção04
Grupo B: Seleção05, Seleção06, Seleção07, Seleção08
Grupo C: Seleção09, Seleção10, Seleção11, Seleção12
Grupo D: Seleção13, Seleção14, Seleção15, Seleção16
A tabela da competição seria esta:
Primeiro Dia (Sábado) Seleção01 x Seleção02;
Seleção03 x Seleção04
Segundo Dia
(Domingo)
Seleção05 x Seleção06;
Seleção07 x Seleção08
Terceiro Dia (Segunda Seleção09 x Seleção10;
Feira)
Seleção11 x Seleção12
Quarto Dia (Terça
Feira)
Seleção13 x Seleção14;
Seleção15 x Seleção16
Quinto Dia (Quarta
Feira)
Seleção01 x Seleção03;
Seleção02 x Seleção04
Sexto Dia (Quinta
Feira)
Seleção05 x Seleção07;
Seleção06 x Seleção08
Sétimo Dia (Sexta
Feira)
Seleção09 x Seleção11;
Seleção10 x Seleção12
Oitavo Dia (Sábado)
Seleção13 x Seleção15;
Seleção14 x Seleção16
Nono Dia (Domingo) Seleção01 x Seleção04;
Seleção02 x Seleção03
Décimo Dia (Segunda Seleção05 x Seleção08;
Feira)
Seleção06 x Seleção07
123
Décimo Primeiro Dia Seleção09 x Seleção12;
(Terça Feira)
Seleção10 x Seleção11
Décimo Segundo Dia
(Quarta Feira)
Seleção13 x Seleção16;
Seleção14 x Seleção15
Décimo Terceiro Dia
(Quinta Feira)
Vencedor de A x Vencedor de B
Décimo Quarto Dia
(Sexta Feira)
Vencedor de C x Vencedor de D
Décimo Sexto Dia
(Domingo)
Disputa do Terceiro Lugar e Final
Essa é a Copa das Confederações que proponho.
124
3.04) Campeonato da FIFA
Em todos os anos imediatamente anteriores a Copas do Mundo
(portanto, 2017, 2021, 2025, etc.), deveriam ser jogadas as Eliminatórias da Copa do Mundo. Mas proponho que oito países não
tenham que disputar as Eliminatórias, estando automaticamente
classificados para a Copa do Mundo: os sete países que já foram
campeões mundiais (Brasil, Argentina, Uruguai, França, Inglaterra,
Alemanha e Itália) e o país sede da Copa do Mundo seguinte.
Assim, no ano anterior à Copa do Mundo, e no país sede da
próxima Copa do Mundo, estes oito países jogariam o Campeonato
da FIFA, como forma de promover o país da Copa ainda mais,
um ano antes de sua realização.
Seria uma competição de turno único, onde todos jogariam
entre si, com o país campeão sendo o que somasse maior número
de pontos corridos (sete rodadas). Seriam três semanas de
competição, realizadas nas três últimas semanas de Julho.
Se, por exemplo, houvesse o Campeonato da FIFA antes da
Copa do Mundo da África do Sul, de 2010, a tabela da competição
poderia ser esta:
Primeira Rodada
(Sábado e Domingo)
Segunda Rodada
(Quarta e Quinta)
Brasil
X
África do Sul
Argentina
x
Uruguai
Itália
x
Inglaterra
Alemanha
x
França
Brasil
X
Uruguai
Argentina
x
Inglaterra
Itália
x
França
Alemanha
x
África do Sul
125
Terceira Rodada
(Sábado e Domingo)
Quarta Rodada
(Quarta e Quinta)
Quinta Rodada
(Sábado e Domingo)
Sexta Rodada
(Quarta e Quinta)
Sétima Rodada
(Sábado e Domingo)
Brasil
X
Inglaterra
Argentina
x
França
Itália
x
África do Sul
Alemanha
x
Uruguai
Brasil
X
França
Argentina
x
África do Sul
Itália
x
Uruguai
Alemanha
x
Inglaterra
Brasil
X
Alemanha
Argentina
x
Itália
França
x
África do Sul
Inglaterra
x
Uruguai
Brasil
X
Itália
Argentina
x
Alemanha
França
x
Uruguai
Inglaterra
x
África do Sul
Brasil
X
Argentina
Itália
x
Alemanha
França
x
Inglaterra
Uruguai
x
África do Sul
Criar uma competição que, todos os anos imediatamente
anteriores a uma Copa do Mundo, reúna as sete seleções campeãs
mundiais e o país sede da próxima Copa parece uma boa idéia
para promover a Copa do Mundo do ano seguinte. È isso que o
Campeonato da FIFA pode propiciar.
126
3.05) Copa do Mundo
A Copa do Mundo seria realizada de quatro em quatro anos
(2018, 2022, 2026, etc.), sempre nas três últimas semanas do mês
de Julho. Assim, a segunda metade do mês de Junho e o início de
Julho seriam preparatórios para o evento. Seria disputada por 32
seleções, assim constituídas:
•
•
•
•
•
•
•
Sete seleções de países anteriormente campeões mundiais
(Brasil, Argentina, Uruguai, França, Inglaterra, Alemanha,
Itália), previamente classificadas.
Seleção do país sede, previamente classificada.
12 seleções européias.
Duas seleções sulamericanas.
Quatro seleções africanas.
Três seleções das América Central e do Norte.
Três seleções da Ásia e Oceania.
Acredito que um mês inteiro de competição acaba tornando-a
arrastada. Portanto, defendo um modelo com duração um pouco
menor. Logo, deve-se elaborar uma forma de disputa que atenda
a este objetivo. Qual seria?
Teríamos a seguinte fórmula para a disputa da Copa do
Mundo: as 32 seleções seriam divididas em oito grupos de quatro equipes, com elas jogando entre si em turno único. A seleção
de melhor campanha no grupo seria a classificada (em caso de
empate na classificação entre duas ou mais seleções em todos os
critérios de desempate, seria contemplada a seleção com melhor
colocação no Ranking da FIFA. Discordo de que se classifiquem
duas seleções por grupo, como acontece atualmente. Tal expediente
dá margem a resultados combinados, como o vergonhoso
127
Alemanha x Áustria da Copa do Mundo de 1982. Quando
apenas uma seleção se classifica, não há hipótese de – nos jogos
finais do grupo – haver resultados que sejam favoráveis simultaneamente às duas seleções que estão jogando). Desta forma, as
oito seleções classificadas seriam divididas em quatro grupos de
duas equipes, classificando-se uma delas (em caso de empate,
classificar-se-ia a seleção com melhor colocação no Ranking da
FIFA). As quatro seleções classificadas seriam divididas em dois
grupos de duas equipes, classificando-se uma destas (em caso de
empate, classificar-se-ia a seleção com melhor colocação no
Ranking da FIFA). Enfim, os perdedores da fase anterior
disputariam o terceiro lugar, enquanto os vencedores decidiriam o
título mundial (em caso de empate, alcançaria o terceiro lugar, ou
o título, dependendo do caso, a seleção com melhor colocação
no Ranking da FIFA).
Mostro, esquematicamente, como poderia funcionar a Copa
do Mundo:
Grupo A: Seleção01, Seleção02, Seleção03, Seleção04
Grupo B: Seleção05, Seleção06, Seleção07, Seleção08
Grupo C: Seleção09, Seleção10, Seleção11, Seleção12
Grupo D: Seleção13, Seleção14, Seleção15, Seleção16
Grupo E: Seleção17, Seleção18, Seleção19, Seleção20
Grupo F: Seleção21, Seleção22, Seleção23, Seleção24
Grupo G: Seleção25, Seleção26, Seleção27, Seleção28
Grupo H: Seleção29, Seleção30, Seleção31, Seleção32
A tabela da competição seria esta:
128
Primeiro Dia
(Sexta Feira)
Seleção01 x Seleção02
Segundo Dia
(Sábado)
Seleção03 x Seleção04
Seleção05 x Seleção06
Seleção07 x Seleção08
Terceiro Dia
(Domingo)
Seleção09 x Seleção10
Seleção11 x Seleção12
Seleção13 x Seleção14
Seleção15 x Seleção16
Quarto Dia
(Segunda Feira)
Seleção17 x Seleção18
Seleção19 x Seleção20
Seleção21 x Seleção22
Seleção23 x Seleção24
Quinto Dia
(Terça Feira)
Seleção25 x Seleção26
Seleção27 x Seleção28
Seleção29 x Seleção30
Seleção31 x Seleção32
Sexto Dia
(Quarta Feira)
Seleção01 x Seleção03
Seleção02 x Seleção04
Seleção05 x Seleção07
Seleção06 x Seleção08
Sétimo Dia
(Quinta Feira)
Seleção09 x Seleção11
Seleção10 x Seleção12
Seleção13 x Seleção15
Oitavo Dia
(Sexta Feira)
Seleção14 x Seleção16
Seleção17 x Seleção19
Seleção18 x Seleção20
Seleção21 x Seleção23
Seleção22 x Seleção24
129
Nono Dia
(Sábado)
Seleção25 x Seleção27
Seleção26 x Seleção28
Seleção29 x Seleção31
Décimo Dia
(Domingo)
Seleção30 x Seleção32
Seleção01 x Seleção04
Seleção02 x Seleção03
Seleção05 x Seleção08
Décimo Primeiro Dia
(Segunda Feira)
Seleção06 x Seleção07
Seleção09 x Seleção12
Seleção10 x Seleção11
Seleção13 x Seleção16
Décimo Segundo Dia
(Terça Feira)
Seleção14 x Seleção15
Seleção17 x Seleção20
Seleção18 x Seleção19
Seleção21 x Seleção24
Décimo Terceiro Dia
(Quarta Feira)
Seleção22 x Seleção23
Seleção25 x Seleção28
Seleção26 x Seleção27
Seleção29 x Seleção32
Décimo Quarto Dia
(Quinta Feira)
Décimo Quinto Dia
(Sexta Feira)
Décimo Sexto Dia
(Sábado)
Décimo Sétimo Dia
(Domingo)
Vigésimo Dia
(Quarta Feira)
Seleção30 x Seleção31
Grupo I:
Vencedor de A x Vencedor de B
Grupo J:
Vencedor de C x Vencedor de D
Grupo K:
Vencedor de E x Vencedor de F
Grupo L:
Vencedor de G x Vencedor de H
Vencedor de I x Vencedor de J
130
Vigésimo Primeiro Dia Vencedor de K x Vencedor de L
(Quinta Feira)
Vigésimo Terceiro Dia Decisão do Terceiro Lugar
(Sábado)
Vigésimo Quarto Dia
(Domingo)
Final
Desta forma, a Copa do mundo teria 24 dias de duração, ou
pouco mais de três semanas, conforme já havia ressaltado.
No modelo proposto, a Copa do Mundo poderia ser uma
competição mais competitiva do que atualmente, na medida em
que todos os jogos seriam decisivos (mesmo os da primeira fase).
131
3.06) Projeto Final
Minha preocupação central, em termos de calendário, é com
os clubes. Incluí este capítulo no trabalho – escrevendo sobre as
seleções – apenas para deixar claro que é possível conciliar um
calendário de clubes com um calendário de seleções, sem que
haja prejuízos para nenhuma das partes.
Dentro desta perspectiva, propus que as datas de jogos para
seleções fossem arroladas no período em que os clubes não estivessem realizando competições oficiais. Ofereci uma proposta
de calendário para seleções compatível com este objetivo.
Desta forma, criei uma estrutura permanente para o calendário
de seleções. Veja-se como ficou o modelo.
Anos de 2015, 2019, 2023, etc.:
•
•
•
•
Final de Maio: Convocação dos jogadores.
Primeira metade de Junho: Férias dos jogadores convocados.
Segunda metade de Junho e início de Julho: preparação para
a Copa América.
Restante do mês de Julho: Copa América (16 dias).
Anos de 2016, 2020, 2024, etc.:
•
•
•
•
Final de Maio: Convocação dos jogadores.
Primeira metade de Junho: Férias dos jogadores convocados.
Segunda metade de Junho e início de Julho: preparação para
a Copa das Confederações.
Restante do mês de Julho: Copa das Confederações (16 dias).
132
Anos de 2017, 2021, 2025, etc.:
•
•
•
•
Final de Maio: Convocação dos jogadores.
Primeira metade de Junho: Férias dos jogadores convocados.
Segunda metade de Junho e início de Julho: preparação para
o Campeonato da FIFA.
Restante do mês de Julho: Campeonato da FIFA (23 dias).
Anos de 2018, 2022, 2026, etc.:
•
•
•
•
Final de Maio: Convocação dos jogadores.
Primeira metade de Junho: Férias dos jogadores convocados.
Segunda metade de Junho e início de Julho: preparação para
a Copa do Mundo.
Restante do mês de Julho: Copa do Mundo (24 dias).
Encerro, assim, a parte do trabalho reservada ao calendário
para a Seleção Brasileira e, com isso, também encerro as propostas contidas neste trabalho. O próximo capítulo constitui-se em
uma análise crítica do mesmo.
133
CAPÍTULO IV – QUESTÕES ESSENCIAIS A RESPEITO
DO CALENDÁRIO PROPOSTO
4.01) Benefícios do Modelo de Calendário Proposto
A proposta ora apresentada tem o intuito de fazer com que o
calendário do futebol brasileiro torne-se algo racional – entenda-se
como racional fazer com que os clubes joguem, no mínimo, uma
partida e, no máximo, duas partidas por semana ao longo da maior
parte possível da temporada oficial.
Não é o que acontece atualmente, como não é o que historicamente tem acontecido em nosso futebol. O que costuma
acontecer, normalmente, no futebol brasileiro, é isto:
•
Muitos clubes ficam a temporada inteira jogando
ininterruptamente (notadamente, os clubes grandes). Jogam,
por vezes, mais de duas partidas por semana, durante parte
da temporada. Resultado: jogadores machucados, pouca
atenção da mídia, pouca atenção do torcedor7 .
______________________________________
7
Há de se reconhecer que, a partir de 2003, a situação está melhor, neste
sentido. No entanto, ainda se encontra longe do razoável.
134
•
•
Outros clubes ficam grande parte da temporada sem jogar
(notadamente, os clubes pequenos). Jogam regulamente ao
longo dos Campeonatos Estaduais e, depois deles, ficam sem
nada para fazer. Resultado: desmanche de elencos, clubes sem
receitas, jogadores de futebol profissional sem emprego.
Ainda há os clubes que jogam tresloucadamente durante uma
parte da temporada para ficarem sem atividade nenhuma em
outra parte. Não que as duas situações ainda agora demonstradas sejam boas, mas este é o pior dos mundos...
A irracionalidade do calendário do futebol brasileiro faz com
que não se enxergue o óbvio: que tem de existir uma competição
central, que seja disputada ao longo de toda a temporada, capaz
de manter todas as agremiações em atividade durante o tempo
de duração da temporada, sempre aos finais de semanas8 ; e que,
em meios de semanas, deve haver competições intermediárias,
preferencialmente de caráter eliminatório.
É o que propus. Segundo meu projeto, o calendário apresentado teria as seguintes características:
•
O clube que disputar mais jogos oficiais terá feito, no máximo,
84 partidas: 38 pelo Campeonato Brasileiro, 21 pelo Campeonato Interestadual ou pelo Campeonato Estadual, 11 pela
Taça Libertadores da América ou pela Copa Panamericana,
10 pela Copa do Brasil, duas pela Supercopa do Brasil e duas
______________________________________
8
Neste caso, a situação de a partir de 2003 mitigou o problema, mas não o
resolveu, de forma alguma. Tanto é que o Campeonato Brasileiro não ocupa a
quase totalidade do ano, mas pouco mais de seis meses dele (de final de Maio a
início de Dezembro). Ademais, muitas rodadas deste campeonato são em meios
de semanas e, para se cumprir a diretriz que propus, deveriam ser aos finais de
semanas.
135
•
•
pela Recopa das Américas. Historicamente, este número, o
máximo de partidas que um clube pode fazer ao longo da
temporada, tem sido de 100 partidas, ou mais. O falecido
Calendário Quadrienal propunha 80 partidas (ou datas, ou
rodadas, por ano), mas sem um método racional de distribuição
das datas. No calendário atual, um clube pode jogar até 91
partidas oficiais na temporada, o que é excessivo.
O clube que disputar menos jogos oficiais terá feito, no mínimo,
43 partidas: 36 pelo Torneio de Integração Nacional (se
disputar este certame), seis pelo Campeonato Estadual respectivo (se for clube da segunda divisão) e um pela Copa do
Brasil (se for eliminado “de cara”). Sabe-se que existem
muitos clubes por aí que não chegam a fazer 20 jogos oficiais
ao longo da temporada. Estes clubes, normalmente, jogam
os Campeonatos Estaduais por três ou quatro meses, e só.
Os clubes grandes, apesar de nunca disputarem mais de 84
partidas oficiais por temporada, terão um mínimo de 53 partidas oficiais para cumprir: 38 pelo Campeonato Brasileiro
(independentemente da divisão em que estiverem), 14 pelos
Campeonatos Estaduais (número de jogos total das fases
classificatórias do turno e returno destas competições)9 e uma
pela Copa do Brasil (se for eliminado “de cara”). A principal
queixa dos grandes clubes em relação a uma possível mudança
de calendário é que estes não podem fazer poucos jogos por
temporada, sob pena de não obterem receitas no ritmo
apropriado. Logo, um mínimo de 53 partidas, com a garantia
de que nunca se ultrapassará 84, parece algo propício.
______________________________________
9
Se o referido clube grande jogar algum Campeonato Interestadual, ao invés
de Estadual, o número de rodadas mínimo é de 15, não de 14. Conseqüentemente, o número mínimo de jogos oficiais na temporada é de 54, não de 53.
136
•
•
•
Os 640 clubes profissionais do Torneio de Integração Nacional
jogam pelo menos 36 jogos nos 42 finais de semanas disponíveis. Os outros 60 clubes profissionais do Campeonato
Brasileiro (nas três divisões) jogam pelo menos 38 jogos nos
42 finais de semanas disponíveis.
Os jogos de meios de semanas são, quase sempre, eliminatórios.
Em outros termos: apenas alguns clubes jogam em meios de
semanas, a maioria deles concentra suas energias nos jogos
de finais de semanas (mais no segundo semestre da temporada,
do que no primeiro).
Conseqüentemente, a temporada regular se estende entre
Agosto de um ano e Maio do ano seguinte, com os clubes
jogando, com certeza, um jogo por semana (nos finais de
semana) e podendo jogar, no máximo, outro jogo por semana
(nos meios de semanas).
Tudo pré-definido, pensado anteriormente, estrategicamente montado para que não haja nem clubes que joguem toda hora,
nem clubes que fiquem extensas épocas sem jogar. Uma tarefa
que, apesar de não ser difícil de ser elaborada, nunca mobilizou a
energia dos cartolas brasileiros...
Chegará o momento em que o futebol brasileiro terá o
calendário que merece. Se, com a bagunça que há, somos penta,
imagine-se com organização.
137
4.02) Principais Dúvidas (e Respostas) sobre o
Calendário Proposto
Quando se discute o calendário do futebol brasileiro, diversas
polêmicas vêm à tona. O que é normal, as pessoas têm opiniões
divergentes sobre o formato das competições, a distribuição de datas, os clubes participantes de cada competição, e assim por diante.
Não tenho, portanto, a pretensão de julgar que meu projeto
não possa ser objeto de críticas e discordâncias. Sem dúvida, o
será. Como também deve ser objeto de algumas interrogações,
às quais gostaria de responder claramente.
Segue, portanto, uma série de 20 perguntas que dizem respeito
ao calendário por mim proposto. Óbvio está que o projeto pode
ser objeto de dezenas, para não dizer centenas, de indagações,
discordâncias, críticas – construtivas ou não – e tudo mais. Concentrar-me-ei, contudo, nas indagações que me parecem mais freqüentes.
Estas aparecem em seguida, com suas respectivas respostas.
1. É proposto que os clubes joguem um mínimo de 43 jogos
oficiais por temporada (para os clubes grandes, um mínimo de 53 jogos oficiais por temporada, ou de 54, se
jogarem os Interestaduais ao invés dos Estaduais), e um
máximo de 84 jogos oficiais por temporada. O número de
84 jogos para um clube na temporada não é muito alto?
Cumpre esclarecer que apenas um ou dois clubes podem chegar ao ponto de fazer 84 jogos oficiais em uma temporada, pela
metodologia proposta. E, para isso acontecer, seria necessário
que estes clubes disputassem todas as competições possíveis e
chegassem ao final em todas elas – acompanho futebol há 30
anos, e nunca vi isso acontecer.
138
Posto isto, o número é, realmente, alto, mas não excessivamente alto. Nos países europeus, este número é próximo a 70,
mas eles têm o hábito de fazer um jogo de seleções por mês,
sempre em um meio de semana. Se não fosse isso, teriam algo
próximo às 84 datas disponíveis.
O fato é que, em um país em que sempre foi tradição o calendário com mais de 100 datas por temporada (e, ainda hoje, precisa-se
de 91 datas), reduzir-se isso ao número de 84 – sendo que quatro
delas são para a disputa de torneios comemorativos, como a
Supercopa do Brasil e a Recopa das Américas – é um grande avanço.
Mas, isso, o Calendário Quadrienal também fazia. Não basta colocar
cerca de 80 datas à disposição dos clubes por ano: é preciso que estas
datas sejam recheadas por competições bem concebidas.
Seria muito fácil “cortar” algumas das 84 datas, se fosse o caso:
bastava transformar os Campeonatos Estaduais e os Campeonatos
Interestaduais em competições eliminatórias simples, ao estilo “mata
mata”, em toda a sua extensão. O ponto é que não vale a pena, pois,
se assim fosse, os grande clubes ficariam com um número mínimo
de jogos por temporada aquém do que seria razoável, o que não
acontece por terem de jogar, obrigatoriamente, ou 15 rodadas pelo
Interestadual (número mínimo de jogos de quem disputa este tipo
de competição), ou 14 rodadas pelo Estadual (número mínimo de
jogos de quem disputa este tipo de competição).
2. A proposta caminha, inequivocamente, para o sentido de
se adaptar o calendário do futebol brasileiro ao calendário
europeu. Isso não se consistiria em renunciar a um aspecto da cultura nacional, que são as férias em Dezembro?
Adaptar o calendário brasileiro ao europeu permite fazer com
que o período de nossa pré-temporada seja o mesmo período
139
que a de lá, que é quando acontecem as competições que envolvem
seleções, majoritariamente. Portanto, adaptar nosso calendário para
que não haja competições de clubes no meio do ano (fora o Campeonato Mundial de Clubes, uma exceção, o que não compromete o
andamento dos trabalhos das seleções) é atitude que favorece a
preparação da Seleção Brasileira para as competições que venha a
disputar, já que a Seleção estará fazendo o seu trabalho quando os
clubes estiverem inativos e, assim, estes não ficam prejudicados.
Claro está que, no Brasil, todos preferem tirar férias em Dezembro, ao invés de Junho. Mas essa mudança de calendário geraria benefícios à atividade econômica futebol brasileiro como
um todo e, conseqüentemente, os jogadores de futebol também
seriam beneficiados – o que compensaria o fato de não tirarem
férias no verão.
3. É da tradição do futebol brasileiro se jogar algumas
competições em um semestre do ano, e outras em outro
semestre. Pela proposta feita, o Campeonato Brasileiro e o
Torneio da Integração Nacional duram a temporada
inteira. Isso não contraria outro aspecto de nossa cultura?
Existem aspectos de nossa cultura que devem ser contrariados, mesmo. Isso faz parte do espírito de qualquer reforma.
Ter uma competição, ou melhor, um conjunto de competições
paralelas e relacionadas – o Campeonato Brasileiro, em suas três
divisões, e o Torneio de Integração Nacional, no caso – sendo
jogadas durante a temporada inteira é o segredo para manter todos
os clubes profissionais em atividade durante a temporada integral,
algo extremamente benéfico. É o caso de minha proposta, que
mantém os 700 clubes profissionais em atividade ao longo de toda
a temporada, graças ao fato dessas competições serem extensas.
140
4. Pelo projeto de Campeonato Brasileiro apresentado,
cada divisão tem 20 clubes. Isso não torna a sua duração extremamente longa, inviabilizando um tempo maior
para preparação e amistosos?
É bom lembrar que, na proposta, os clubes possuem um mês
inteiro para isso, o mês de Julho, e isso não acontece, por exemplo,
no calendário atual.
Posto isso, realmente, se tivéssemos um Campeonato Brasileiro com divisões de 16 clubes, teríamos 30 finais de semanas
para disputá-lo, cerca de oito meses. Sobraria tempo para férias,
pré-temporada com dois meses (um de preparação física / técnica, outro para amistosos antes do início da temporada oficial) e
mais de um mês para a Seleção Brasileira se preparar para as
competições que disputasse.
Seria uma solução tecnicamente perfeita, mas com dois problemas: poucos clubes por divisão em um país de dimensões
continentais e, principalmente, longo período de inatividade para
os clubes.
A solução de um Campeonato Brasileiro com divisões de
20 clubes requer 38 finais de semanas para a disputa, cerca de
10 meses. Tem-se menos tempo para pré-temporada e preparação da Seleção, mas, em compensação, os clubes permanecem em atividade por mais tempo. É, portanto, do ponto de
vista comercial, uma alternativa mais interessante para quem
realmente conta: os clubes.
141
5. O projeto preconiza que o Campeonato Brasileiro, em
suas divisões, seja disputado em turno e returno com
pontos corridos. Isso não vai contra a cultura brasileira,
mais uma vez, em que os torcedores gostam de assistir
finais?
Continuará havendo finais para a Copa do Brasil, a Taça
Libertadores da América, a Copa Panamericana, Campeonatos
Interestaduais, Campeonatos Estaduais, etc. O que não faltarão
são finais para o torcedor assistir. Nessas competições, que são
eliminatórias ou no modelo classificação e “playoffs”, as finais
são uma decorrência óbvia.
Diferente deve ser a situação em campeonatos nacionais, programados para durar a temporada inteira. Eles devem existir para
garantir seqüência de jogos e melhor planejamento dos diversos
clubes. Nesse caso, então, é melhor se abdicar das finais, para se
ter uma competição que seja “vitrine” para o resto do mundo,
por trazer a credibilidade e a meritocracia que só competições de
pontos corridos podem propiciar.
6. Realizar o Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão em
turno e returno com pontos corridos não é muito caro?
Sim, é caro, só que também gera mais receitas. Logo, na relação custo / benefício, parece apropriado.
A fórmula, por exemplo, adotada para o Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão de 2009 é mais barata do que o turno e
returno e pontos corridos, já que há grupos regionais e, assim,
redução dos custos de transporte. Em compensação, a maioria
dos 20 clubes só faz 18 jogos, quando todos eles fariam 38 jogos,
se houvesse turno, returno e pontos corridos.
142
Fazer os clubes jogarem 20 partidas oficiais a menos por temporada, para se ter uma competição mais barata, não parece valer
a pena. É o típico barato que sai caro. Se não, vejamos: ao deixar
de fazer 20 jogos por temporada, os clubes da “Terceirona” deixam de ganhar maiores receitas de patrocínio, auferem menos
receitas de bilheteria, têm cotas de televisionamento menores,
além de ficarem um bom período sem jogar.
Outro ponto importante: campeonatos em turno e returno e
com pontos corridos são os mais fáceis de entender, os mais
justos e, em conseqüência, os que geram maior numerário, decorrente de maior atratividade. Logo, a “Terceirona” em turno e
returno e pontos corridos seria, sim, mais cara. Porém, geraria
mais dinheiro, também – com a vantagem de ajudar os clubes
que dela participassem a ocuparem melhor o tempo, com jogos
ao longo de toda a temporada.
7. Foi proposto que dois Campeonatos Interestaduais voltassem, a Copa do Nordeste e a Copa Sul / Minas. Não
seria o caso da volta da Copa Rio / São Paulo, também?
Do meu ponto de vista, sim. Mas o fato é que os grandes clubes
do Rio de Janeiro e os grandes clubes de São Paulo não desejam isso,
preferem jogar os Campeonatos Estaduais. Ponto final.
8. Ter Campeonatos Interestaduais e Estaduais paralelamente às 19 primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro não é um esforço demasiado que os clubes precisam
fazer, na primeira metade da temporada?
Sim, de fato, é. A primeira metade da temporada é mais
desgastante que a segunda. Afinal, as competições de meios de
semanas da segunda metade são totalmente eliminatórias ao estilo
143
“mata mata”. Ou seja: só uma pequena parte dos clubes persiste
em um grande esforço até o final do período, mas estes poucos
clubes são recompensados em termos de prestígio e financeiramente, por irem adiante nas competições.
As competições de meios de semanas da primeira metade da
temporada, Campeonatos Estaduais e Campeonatos Interestaduais, não são eliminatórias simples, mas compostas de fases
classificatória e final – ou seja, são apenas parcialmente eliminatórias.
São mais jogos para boa parte dos clubes do que na segunda
metade da temporada.
Mas, fazer o quê? Extinguir os Interestaduais (ou não
recomeçá-los)? Extinguir os Estaduais? Os clubes não querem
isso, então, não adianta “dar murro em ponta de faca”.
Uma maneira inteligente de lidar com isso seria os clubes
terem uma estratégia, fazerem um planejamento. Que tal, por
exemplo, disputar os Estaduais com reservas, e guardar forças
para o Campeonato Brasileiro? Ou escalar time misto? Ou, especificamente para os Estaduais, ganhar o turno e, já estando na
final, poupar o time no returno? Ou, no caso dos Interestaduais,
poupar o time titular a partir do momento imediato que se
conseguiu a classificação para os “playoffs”?
Estratégias para lidar com a situação existem, sabendo-se
definir prioridades.
9. O Campeonato Paulista da Primeira Divisão ser disputado por apenas oito clubes não é um contra senso?
Acho que contra senso seria ter que estender o número de
datas de todos os outros Estaduais, só para fazer um “Paulistão”
maior, com mais clubes. O fato é que há 21 datas, ou rodadas,
144
para os Estaduais. O modelo com oito clubes na primeira divisão,
tal qual proposto, permite utilizar todas as 21 datas, em um campeonato de satisfatório nível técnico, visto que disputado apenas
pelos oito melhores paulistas.
Se, entretanto, se quiser optar por outro modelo de disputa,
com um número maior de clubes, não há problemas, desde que
se respeite as 21 datas – nem uma a mais, nem uma a
menos! Isto vale, aliás, para qualquer Estadual, e para qualquer
Interestadual.
10. Pelo modelo proposto, a Copa do Brasil seria disputada
por 1024 clubes (700 profissionais e 324 amadores), quando, hoje, é disputada por 64. Não seria inchar demais o
torneio?
A Copa do Brasil é uma competição que existe para dar
chances para os pequenos clubes chegarem a uma competição
internacional, como a Taça Libertadores da América ou a Copa
Panamericana, em pé de igualdade com os clubes grandes. Então, o mais justo é estender esta oportunidade a todos os clubes
profissionais (e a alguns amadores, também). Se não houvesse
datas suficientes para isso no calendário, não seria o caso. Mas,
com a metodologia pensada, as datas existem.
11. Mas não seria melhor reduzir o número de clubes participantes e haver jogos de ida e volta, ao invés de se ter
muitos clubes, mas com jogo único?
Com jogo único, dá para fazer a Copa do Brasil em 10 rodadas e com 1024 clubes. Com jogos de ida e volta, dá para fazer a
Copa do Brasil em 10 rodadas e com 32 clubes. Por ser mais
democrática, prefiro a primeira hipótese.
145
Ademais, há jogo único, mas, conforme mostrei ao apresentar a Copa do Brasil, cada um dos dois clubes em embate leva
uma vantagem (um deles, joga podendo empatar para se classificar; outro deles, joga com o mando de campo). Logo, considero
a situação justa.
12. Taça Libertadores da América e Copa Panamericana
com 64 clubes cada uma não é algo exagerado?
Depende do ponto de vista que se adota. Quando se critica
que estas competições tenham este número de clubes, é porque,
obviamente, clubes de baixo nível técnico acabarão as disputando.
Contudo, não dá para esquecer que proponho que as competições sejam do tipo eliminatórias simples, em jogos de ida e
volta. Logo, em duas rodadas, metade dos clubes é eliminada, em
cada competição. E, em mais duas, metade da metade. Ou seja:
os clubes de baixo nível técnico ficam pouquíssimo tempo nas
competições.
Ter abundante número de clubes nas competições permite,
por tabela, se ter bom número de clubes oriundo de cada país, e
isso ajuda a valorizar as competições internas de cada país. Esse,
aliás, é um dos maiores objetivos das competições internacionais
em geral, mais facilmente cumprido com o alargamento do
número de clubes.
Isso sem contar, é claro, que proponho que clubes de novos
países do continente americano participem. Isso gera maior
integração continental, e decorrentes vantagens comerciais.
146
13. Classificarem-se os quatro melhores da Taça Libertadores da América e apenas o clube campeão da Copa
Panamericana para o Campeonato Mundial de Clubes
não é injusto?
Em absoluto! Há que se ter em mente que, em meu projeto,
a Taça Libertadores da América é muito mais importante que a
Copa Panamericana, e é por este motivo que a distribuição de
vagas pelas duas competições é desigual.
Pode-se fazer a seguinte analogia: a Taça Libertadores da
América equivale à “Champions League” européia. E a Copa
Panamericana equivale à “UEFA´s Cup”, também européia. Ou
seja: os clubes que disputam a Libertadores tiveram, nos campeonatos locais, melhor desempenho que os que disputam a
Panamericana. Então, devem ter mais vagas no Mundial à sua
disposição, é bastante lógico isso.
14. Campeonato Mundial de Clubes com 16 clubes não é
um exagero?
Acredito que não. Alargar os participantes, de sete para 16, é
uma maneira de introduzir mais dos melhores clubes dos continentes europeu e americano – os mais relevantes – na disputa.
Assim, o nível técnico é melhor e, comercialmente, a competição
é mais relevante, por contar com mais clubes representantes dos
mercados principais.
15. O Torneio de Integração Nacional é, realmente, necessário?
Inquestionavelmente, sim! Ao momento em que escrevo, o
projeto da Confederação Brasileira de Futebol é ter Campeonato
147
Brasileiro com 20 clubes nas três primeiras divisões, e com 40
clubes, na quarta – um total de 100 clubes.
Ora, o futebol brasileiro não tem 100 clubes, mas 700! E os
outros? Ficariam com sua atuação anual reduzida aos Campeonatos
Estaduais? Não parece que seja bom, em termos de engrandecimento das Instituições e de geração de emprego e renda.
Assim, pelo que proponho, 60 clubes disputam as três divisões do Campeonato Brasileiro, e 640 clubes disputam o Torneio
de Integração Nacional. Destarte, os 700 clubes permanecem
ocupados ao longo dos finais de semanas da temporada regular.
16. Para que a Copa das Confederações possa ser realizada
em 2016, 2020, 2024, etc., seria interessante que a
Eurocopa, ou Copa Européia de Seleções, fosse nos anos
anteriores a esta competição, ou seja, um ano antes do
que é normalmente disputada. Isso seria possível?
Explicando melhor: todas as competições continentais de
seleções devem ser um ano antes da Copa das Confederações,
já que os classificados desta dependem dos resultados dos certames continentais. E, pelo que acontece atualmente, o ano
da Copa Européia acabaria coincidindo com o ano da Copa
das Confederações.
Qual a solução? Adiantar, em um ano, a Copa Européia de
Seleções – a FIFA deveria obrigar a UEFA a isso.
Ajudaria, e muito, se a Copa Européia de Seleções deixasse
de ser disputada em duas fases, eliminatória e final, e houvesse
apenas uma fase final, com todas as seleções européias. Com isso,
resolver-se-ia tudo em apenas um ano, não em dois, como atualmente, e, portanto, seria viável essa antecipação.
148
17. Seria bom criar o Campeonato da FIFA?
Isso propiciaria que, enquanto as outras seleções estivessem
buscando vaga na Copa do Mundo através das Eliminatórias, as
seleções campeãs mundiais e a do país sede da próxima Copa do
Mundo – que estariam classificadas antecipadamente para esta –
jogassem um interessantíssimo torneio entre elas, no país sede
da Copa do Mundo.
Como a competição seria no país da próxima Copa, um ano
antes dessa, isso ajudaria a atrair mais os “olhos do mundo” para
o país da próxima Copa.
18. Pelo proposto, determinado país sede de uma Copa do
Mundo seria sede, também, do Campeonato da FIFA
(um ano antes da Copa do Mundo) e da Copa das Confederações (dois anos antes da Copa do Mundo). Qual
seria a vantagem disso?
Não dará para fazer para a Copa do Mundo do Brasil, em
2014, pois já está definido que a Copa das Confederações no
Brasil será em 2013 – e, pela metodologia que proponho, deveria ser em 2012, acontecendo o Campeonato da FIFA em 2013.
Imagine-se, contudo, que valesse para o país sede da Copa
do Mundo de 2018. Imagine-se, ainda, que este fosse a Inglaterra. Sucederia que:
•
•
•
Em 2016, haveria a Copa das Confederações, na Inglaterra.
Em 2017, haveria o Campeonato da FIFA, na Inglaterra.
Em 2018, haveria a Copa do Mundo, na Inglaterra.
149
Parece claro, então, que a Inglaterra estaria no centro da mídia
mundial em três anos seguidos, e poderia experimentar o retorno,
não só financeiro, disto. E nada mais justo para um país que vai
fazer tantos investimentos para sediar uma Copa do Mundo, consiga
o máximo de benefícios que estiver ao seu alcance.
19. Nota-se que, no projeto, nenhuma competição contempla a possibilidade de se decidir classificação ou título
em prorrogação ou pênaltis? Por que isso?
Considero que se decidir classificações para fases seguintes, ou até títulos, por prorrogação ou pênaltis é algo nocivo
ao futebol.
Prorrogação é um abuso contra o atleta, que se prepara
fisicamente para jogar 90 minutos, e se vê obrigado a jogar
120. O resultado são jogadores de futebol extenuados, incapazes de colocar em prática o seu talento.
Decisão por pênaltis não é loteria, mas é algo muito próximo
a isso. Só se valoriza um fundamento importante do futebol, que
é o chute. Passes, dribles, lançamentos, velocidade, posicionamento
e capacidade coletiva ficam de fora. Acaba sendo comum que o
time menos dotado tecnicamente tenha vantagem. Não tenho
nada contra o time menos dotado tecnicamente levar vantagem,
mas desde que tenha sido mais competente no jogo, não em uma
fração limitadíssima desse.
Como mostrei ao longo do trabalho, há maneiras eficazes de
se deixar de recorrer tanto à prorrogação, como aos pênaltis –
tanto se optando por sorteio para contrapor possibilidade de
empate como resultado positivo ao mando de campo, como ver
quem teve mais mérito através de fases anteriores de um mesmo
torneio, ou de rankings oficiais.
150
20. O projeto apresentado não privilegia os grandes clubes,
em detrimento dos pequenos clubes?
O projeto representa, para os grandes clubes, uma solução
melhor do que já tenha existido. Mas, de forma alguma, nega
benefícios aos clubes pequenos.
Em primeiro lugar, o calendário proposto contempla os interesses de, e competições dedicadas a, 700 clubes. E então, óbvio,
os pequenos clubes estão incluídos.
Em segundo lugar, o calendário proposto gera a possibilidade
dos clubes pequenos jogarem, final de semana a final de semana,
durante entre oito meses e meio e 10 meses (dependendo de seus
êxitos), via Torneio de Integração Nacional – de Agosto de um
ano a Maio do outro. A maioria avassaladora dos clubes pequenos joga os Estaduais durante alguns meses, ficando sem jogos
oficiais em relação à maior parte da temporada.
Em terceiro lugar, e pelos mesmos motivos, a garantia de que
qualquer um dos 700 clubes vai fazer ao menos 43 partidas oficiais
ao longo da temporada beneficia os clubes pequenos.
Em quarto lugar, todos os clubes têm possibilidades de Acesso
ao Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, anseio geral.
Os clubes mais competentes vão subindo de divisão, primeiro,
passando pelo Torneio de Integração Nacional, depois, pelo Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão, depois, pelo Campeonato
Brasileiro da Segunda Divisão, até chegarem à primeira divisão. Em
três temporadas, pode-se sair do patamar mais baixo, para o patamar
mais alto. Desde que tenha méritos, qualquer clube pequeno pode
chegar às divisões mais avançadas, o modelo permite isso.
Em quinto lugar, mesmo no limite dos Estados, há a possibilidade de ascensão, e, no caso, mais rápida. Por haver, nos
151
Campeonatos Estaduais, no máximo duas divisões, um clube
pequeno pode ascender para a divisão principal em apenas uma
temporada.
Em sexto lugar, privilegio a Copa do Brasil, competição de
excelência para os clubes pequenos, em que estes têm a possibilidade de assegurar vaga na Libertadores ou na Panamericana da
temporada seguinte. Proponho que o número de clubes participantes da Copa do Brasil suba de 64 para 1024 (contemplando 700
clubes profissionais e 324 amadores), um aumento excepcional.
Assim, o número de pequenos clubes beneficiados por jogar esta
competição seria irrestrito.
Encaro a proposta apresentada como uma forma de alavancar
receitas para os grandes clubes e uma forma de ascensão esportiva
para os clubes pequenos.
Dúvidas e polêmicas, há muito mais do que essas. Mas chega
de cansá-lo, caro leitor...
152
4.03) Implantação do Projeto
O projeto é totalmente atemporal, podendo ser implementado
a qualquer momento. Tudo depende da vontade dos senhores
que decidem os destinos do futebol brasileiro.
Todavia, acho que o ano de 2014 é emblemático, por ser o
ano da Copa do Mundo no Brasil. Não deixaria, assim, de ser
interessante que, finda a Copa, começasse a existir um calendário
“novinho em folha” para vigorar nas temporadas seguintes, a
começar pela de 2014 – 2015.
Assim, dois períodos são relevantes: primeiro semestre de
2014 e temporada 2014 – 2015.
•
Primeiro Semestre de 2014:
Seriam usados 21 finais de semanas e 21 meios de semanas,
entre Janeiro e Maio.
Nos 21 meios de semanas, já se adotaria a metodologia nova.
Ou seja, 11 primeiros meios de semanas para Taça Libertadores
da América já com 64 clubes (os seis clubes brasileiros seriam os
cinco primeiros do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão
de 2013 e o campeão da Copa do Brasil de 2013) e Copa
Panamericana já com 64 clubes (os seis clubes brasileiros seriam
do sexto ao décimo colocado do Campeonato Brasileiro da
Primeira Divisão de 2013 e o vice campeão da Copa do Brasil de
2013), e 10 meios de semanas seguintes para a Copa do Brasil (já
com 1024 clubes).
Nos 21 finais de semanas, teríamos uma competição especial,
que seria realizada uma única vez, o Torneio Brasil Especial, que
indicaria cinco dos seis representantes brasileiros na Libertadores
153
de 2015 (o sexto clube seria o campeão da Copa do Brasil de 2014),
e cinco dos seis representantes Brasileiros na Panamericana de 2015
(o sexto clube seria o vice campeão da Copa do Brasil de 2014).
Esse Torneio Brasil Especial contaria com 80 clubes
disputantes: os 20 que disputaram o Campeonato Brasileiro da
Primeira Divisão de 2013, os 20 que disputaram o Campeonato
Brasileiro da Segunda Divisão em 2013, os 20 que disputaram o
Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão de 2013, e os 20
melhores do Campeonato Brasileiro da Quarta Divisão de 2013.
Os 80 clubes seriam divididos em 10 grupos de oito clubes
cada um, com jogos em turno e returno e com pontos corridos
dentro de cada grupo (14 rodadas). Classificar-se-iam os quatro
primeiros de cada grupo, em um total de 40 clubes classificados.
Os 40 clubes classificados seriam divididos em 20 grupos de
dois, com jogos de ida e volta (duas rodadas). Os 20 clubes classificados seriam divididos em 10 grupos de dois, com jogos de
ida e volta (duas rodadas). Os 10 clubes classificados seriam divididos em cinco grupos de dois, com jogos de ida, volta e, se
necessário, desempate em campo neutro (três rodadas). Os cinco
clubes classificados jogariam a Libertadores de 2015, e os cinco
derrotados, a Panamericana de 2015.
Como se vê, o total de rodadas Torneio Brasil Especial seria de 21.
•
Temporada 2014 – 2015:
Iria de Julho de 2014 a Junho de 2015, já totalmente adaptada ao
calendário que propus para ser permanente. Óbvio está que, na
Libertadores de 2015, cinco dos clubes brasileiros classificados viriam do Torneio Brasil Especial, não do Campeonato Brasileiro
da Primeira Divisão (que só irá se encerrar em Maio de 2015).
154
Óbvio está, também, que, na Panamericana de 2015, cinco dos
clubes brasileiros classificados viriam, também, do Torneio Brasil
Especial, não do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão (que
só irá se encerrar em Maio de 2015). De resto, esta temporada
deveria ser tal qual a minha proposta de calendário.
Então, as temporadas 2015 – 2016, 2016 – 2017, 2017 – 2018,
e assim por diante, seriam integralmente da forma que se propôs
neste documento.
Observação: Nos Campeonatos Estaduais de 2013, seria feita
a divisão do “joio do trigo”, ou seja, valeriam determinados
critérios para que, nos Estaduais de 2014 (já parte do novo
calendário), as primeiras divisões tivessem apenas oito clubes.
Como se vê, a transição para o modelo proposto pode ser
feita, a um só tempo, rapidamente e sem traumas.
Estou chegando ao fim da apresentação de minhas propostas de calendário para as competições que envolvem o futebol
brasileiro. Este trabalho constitui-se em uma tentativa para se
resolver um grave problema. Contudo, não será surpresa se os
cartolas decidirem deixar tudo como está. Afinal, somos penta
campeões. Deve estar tudo muito bem, não é mesmo?
155
CAPÍTULO V – CONCLUSÕES
Nos idos de 1999, tive a idéia de escrever, pela primeira vez, algo
sobre o calendário do futebol brasileiro. Era uma época em que se
apostava muito no nosso futebol, considerado uma atividade
promissora, com grande potencial de desenvolvimento.
Naqueles tempos, a Lei Pelé havia sido aprovada no Congresso Nacional, trazendo esperanças para o esporte em geral e
o futebol, em particular. Acreditava-se em uma série de fatos
novos que poderiam ter surgido, tais como:
•
•
•
•
•
Gestão dos clubes mais democrática e transparente.
Vultoso aporte de recursos na atividade do futebol, vindos,
sobretudo, de investidores estrangeiros.
Estreitamento dos laços de parceria com as redes de televisão.
Aposentadoria dos cartolas tradicionais, adeptos de uma
mentalidade arcaica e ultrapassada.
Organização do calendário, como mecanismo de ampliação
do interesse público, facilitando a obtenção de receitas.
Uma primeira leitura, superficial, nos diz que nada disso
aconteceu: a gestão dos clubes continua sendo quase segredo de
156
Estado, verdadeira “caixa preta”, não há transparência; os investimentos estrangeiros vieram e se foram, não confiaram em um
ambiente em que as regras do jogo não são claras; as televisões,
ao invés de unirem esforços com os clubes em prol do engrandecimento da atividade, procuram enfraquecê-los, para negociarem
direitos de transmissão de jogos a preços módicos; os cartolas
tradicionais estão aí mesmo, mandando em clubes, federações e
confederações; o calendário continua ruim, apesar de melhorias
pontuais, mas muitíssimo aquém do necessário.
Está tudo perdido? Nem tanto. Em meio a gente reacionária,
vícios quase intransponíveis, interesses particulares prevalecendo
sobre os dos clubes, temos novidades: em alguns clubes, grupos
de mentalidade renovada chegaram ao poder; existem destacados
espaços da mídia esportiva que exercem um trabalho de vanguarda, em prol da moralização e da reforma; o crescente interesse de
alunos por cursos de gestão esportiva mostra que há gente interessada em ter uma perspectiva empresarial da atividade referida.
O novo está aí mesmo. Não que vá suplantar a carcomida
estrutura atual com facilidade, mas paciência e perseverança
podem fazer os reformadores ganharem o jogo.
No caso específico do calendário, a grande esperança está
depositada no entendimento, por parte das nascentes lideranças
dos grandes clubes, de que é preciso se privilegiar uma estrutura
em que haja um limite de jogos por temporada e, dentro deste
limite de jogos, os grandes clubes devem jogar entre si com a
maior freqüência possível. Temos condições de estabelecer um
Liga Nacional muito forte, extremamente vigorosa, como não é
possível acontecer em qualquer outro país do mundo. Temos
condições de estabelecer ligas interestaduais (e, em poucos
casos, estaduais) atuantes, representativas, porta vozes de clubes
de torcida, tradição e potencial arrecadador.
157
O calendário é o aspecto central para que tenhamos o futebol
brasileiro bem gerido: o bom calendário gera mais receitas de bilheterias; o bom calendário gera mais receitas de televisionamento;
o bom calendário gera atrativos para jogos serem transmitidos no
exterior; o bom calendário atrai patrocinadores, que têm uma noção muito boa de quantas vezes poderão expor sua marca ao
longo da temporada; o bom calendário permite que a matéria
prima de tudo, os atletas, seja bem cuidada e protegida.
Não quero, pretensiosamente, afirmar que o meu projeto de
calendário é o melhor possível dos que se tem notícia. Mas acredito que, dentro de minhas limitações, concebi um bom projeto.
Seria importante que esta iniciativa estimulasse outros autores
com interesse no tema a falarem sobre os seus projetos, que houvesse uma grande discussão democrática, enfim, que da quantidade
se extraísse a qualidade.
Quando falo da elaboração de um calendário racional e de
estrutura profissional, indiretamente defendo a visão de que o
futebol é um negócio. Para ser mais preciso, digo que existe uma
dimensão negócio no futebol.
Nos últimos anos, tem sido comum a crítica ao futebol de
negócios. Alguns autores dizem que a dimensão negócio tirou o
brilho do futebol, que se acha mais mecânico, mais burocrático,
mais chato.
Trata-se de uma relação causa efeito imprópria: o futebol pode
não ser, do ponto de vista técnico, o que era há algumas décadas,
o que, aliás, é uma pena; mas, com certeza, não é porque seja “de
negócios”. A palavra negócio significa negar o ócio, portanto,
trabalho. E, pelo que se saiba, trabalho não destrói nada...
Negócio é tudo que existe para viabilizar a atividade de
empresas, ou, de uma forma mais moderna, organizações.
158
Mas organizações só se viabilizam quando se atende às necessidades dos clientes. Logo, os negócios existem para atender os
clientes. E, no futebol, os clientes são os torcedores. Conseqüência óbvia: se negócios existem para atender às necessidades dos
torcedores, não podem ser ruins.
Arrisco, mesmo, dizer que – ao contrário – o que falta ao
futebol brasileiro é uma verdadeira visão de negócios. O que se
tem, hoje, não são negócios, mas negociatas. Algo muito distinto:
com negócios, as pessoas conseguem ganhos financeiros na medida
em que os propiciam para as suas Instituições; com negociatas,
as pessoas conseguem ganhos financeiros às custas da penúria
das Instituições a que se serve. Qualquer pessoa minimamente
informada sobre o nosso futebol sabe em que categoria se está...
Mudar é preciso. Mas há gente nova no pedaço, o que me
deixa mais confiante. Há que se tentar. No Brasil, o futebol é
importante demais para ser mal tratado como vem sendo. Tentar
mudar é, mais que um ideal, um dever.
159
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