VidaBosch
Outubro | Novembro | Dezembro de 2009 • nº 19
Nnononononono nononono
Recicle a informação: passe esta revista adiante
Mãos verdes à obra
Edição especial destaca temas sustentáveis e mostra o que podemos fazer pelo planeta
editorial
Escolhas da vida
A vida é feita de escolhas. Todos os dias
temos a opção de escolher novos caminhos na busca de uma vida melhor. E foi
pensando nessas escolhas que preparamos uma edição pra lá de especial da
VidaBosch, em que o conteúdo inteiro foi
permeado pelo tema “sustentabilidade”,
resultando em muitas dicas “verdes” ao
nosso querido leitor. Preservar o mundo
para as futuras gerações é uma causa
necessária, pois uma nova sociedade
com novos desejos e aspirações está
se formando, e esse é um desafio que
deve ser assumido por todos.
A VidaBosch, como grande ferramenta
de comunicação que é, oficializa o seu
papel de porta-voz da mensagem de
“sustentabilidade” Bosch junto a seus
stakeholders e destaca, a partir desta
edição, o lançamento da versão on-line,
uma forma ecologicamente correta de
levar informação às pessoas.
Com tecnologia de páginas digitais,
você poderá ler as edições completas da VidaBosch na internet, além de
navegar por conteúdo exclusivo. São
vídeos, links, pesquisas e entrevistas
que complementam a versão impressa, um canal que reforça o alcance da
informação de forma mais econômica
e menos poluente.
É mais um passo da Bosch para usar a
tecnologia em benefício da vida.
Acesse www.vidabosch.com.br e navegue nessa novidade!
Sumário
02 viagem | Conhecer a Amazônia sem retoques não é programa de índio
08 eu e meu carro | Carro básico combina com ambiente, mostra Marcos Frota
10 torque e potência | Diesel menos poluente brota nas plantações de cana
14 casa e conforto | Como economizar água sem entrar pelo cano
20 saudável e gostoso | Comida que você joga fora pode virar prato de primeira
26 tendências | Motor elétrico traz carros de volta para o futuro
30 grandes obras | União com ambientalistas dá novo gás a plataforma marítima
34 Brasil cresce | Cultivo de orgânicos dispara, regado por aumento no consumo
38 atitude cidadã | Educação ambiental é muito mais do que plantar sementes
42 aquilo deu nisso | A reciclagem se recria para reaproveitar novos tipos de lixo
46 áudio | Show “zero carbono” é música para os ouvidos do planeta
10
20
46
42
Destaques online | www.vidabosch.com.br
eu e meu carro
viagem
Ellen Paula
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Expediente
VidaBosch é uma publicação trimestral da Robert Bosch Ltda., desenvolvida pelo depto. de
Marketing Communication, Brand Management
e Call Center (MKC). Dúvidas, reclamações ou
sugestões, fale com o SAC Bosch: (011) 21261950 (Grande São Paulo) e 0800-7045446 ou
www.bosch.com.br/contato
Gerente de Mar­keting: Ellen Paula • Produção
e edição: Pri­maPagina (www.primapagina.com.
br), tel. (11) 3512-2100 / [email protected]
com.br • Projeto gráfico e diagramação: Buono
Disegno (www.buonodisegno.com.br), tel.
(11) 3512-2122 • Tratamento de imagem e
fi­nalização: Inovater • Impressão: Gráfica Ideal
• Revisão: Dayane Pal ([email protected])
• Jornalista responsável: Jaime Spitzcovsky
(DRT-SP 26479)
grandes obras
Vídeo Carro flex sem
tanquinho?
Veja como
isso é possível
saudável e gostoso
Site - Íons
de Lítio:
conheça
mais sobre
essa
tecnologia
Vídeo Descubra a
versatilidade
de uma
ferramenta
térmica
a gás
2 | VidaBosch |
viagem
A natureza como ela é
Andre Seale / Pulsar Imagens
Reserva de Mamirauá, no meio da Floresta Amazônica, é um mundo à parte, em que
| Por Rômulo Melo
a fauna e a flora ditam as regras. O homem apenas se adapta – e aprecia
4 | VidaBosch |
viagem
viagem | VidaBosch | 5
Wener Rudhart/kino.com.br
Luiz Cláudio Marigo
A pousada
flutuante,
que fica
presa às
árvores e
em trecho
quase sem
correnteza:
toras sob
a estrutura
permitem
que ela
funcione
mesmo nos
períodos
de cheia
E
m poucos lugares do Brasil a expressão “ecoturismo” faz tanto sentido
como em Mamirauá, uma reserva de desenvolvimento sustentável no centro-norte do
Amazonas. A estadia é no meio da Floresta
Amazônica – a três horas de barco da cidade
de Tefé, que fica a uma hora de avião (525
quilômetros) de Manaus. Os passeios e a
hospedagem são planejados para causar o
menor impacto ambiental possível.
A reserva, de 1,1 milhão de hectares (quase o dobro da área do Distrito Federal), foi
criada em 1999. Os moradores não foram
retirados; receberam noções de preservação, ajudam a fiscalizar a floresta e podem
lucrar com o produto das árvores e rios.
Isso significa tanto explorar o turismo como
eventualmente ter permissão para vender
couro e carne de jacaré quando há superpopulação desse animal na reserva.
A iniciativa foi reconhecida internacionalmente: a maior área protegida de
várzea da Amazônia já ganhou diversos
prêmios da ONU e, desde 2003, faz parte
do Patrimônio Natural da Unesco, junto
com outras reservas da região.
Para o turista, isso significa ter a oportunidade de entrar em contato com a natureza
como ela é – não há jardins com “paisagismo”, não há animais domesticados, não há
trilhas pavimentadas. Mas há uma estrutura
confortável, a pousada Uacari.
Na entrada, o visitante até precisa assinar um termo legal que isenta a reserva
e a pousada de quaisquer acidentes que
possam ocorrer durante a estadia. Mas
não se preocupe, com cuidados básicos
de segurança ninguém vai cair na boca de
nenhum jacaré. Pela manhã, por exemplo,
os bichos que visitam o turista no café são
Reserva de 1,1 milhão de hectares
(quase o dobro da área do
Distrito Federal) foi criada em 1999.
Os moradores ajudam a fiscalizar
a floresta e podem lucrar com ela
só animais brincalhões, como araras ou
pequenos macacos-de-cheiro, que vêm às
janelas em busca de pedacinhos de fruta.
De noite, ouve-se uma sinfonia de insetos,
pássaros, macacos e peixes. Da janela, é
possível ver ao longe alguns pontos brilhantes refletindo na água, como lanterninhas. São os olhos dos jacarés.
A pousada flutua – fica sobre grandes
toras – e é presa às árvores por cordas grossas. Conta com dez suítes simples, mas confortáveis e arejadas. Abriga somente 20
pessoas por vez. Cada suíte tem varanda,
chuveiro com água quente e duas camas
de casal. É cercada por telas para evitar os
mosquitos (chamados na região de carapanãs) e coberta com palha para garantir
o frescor. Todas as suítes têm vista para a
floresta, já que o lodge é cercado por elas.
Ao todo, são sete flutuantes; num deles, o
central, é onde fica recepção, restaurante, bar, sala de TV, sala de apresentações
e uma piscina telada de água do rio. Há
também serviço de lavanderia.
O sistema de flutuação é que garante que
a pousada funcione mesmo no período de
cheia dos rios, de dezembro a julho. E, não
se preocupe, você não se sentirá dormindo
em um navio sacolejante – a estrutura fica
num canto sem correnteza forte, numa confluência dos rios Japurá e Solimões.
O esquema é de pensão completa, com
bebidas à parte. O cardápio valoriza pro-
dutos e pratos típicos da Amazônia, com
muito peixe fresco (pirarucu, tucunaré e
tambaqui, por exemplo), frutas e sucos regionais (de cupuaçu, graviola, camu-camu,
taperebá). O bar oferece vinhos nacionais
e estrangeiros, caipirinhas, cerveja e refrigerantes. Há telefone no local, mas celular
e internet não pegam.
A pousada foi desenhada de modo a minimizar o impacto no meio ambiente, com
instalação de tecnologias apropriadas, como coleta de água de chuva, energia solar
para eletricidade e aquecimento da água
e sistema de esgoto.
Entre botos e macacos
Pescar e caçar, na reserva, é algo só permitido aos moradores. Ao visitante, resta
apreciar a fauna e a flora – os grandes fascínios de Mamirauá. Há mais de 300 es-
pécies de peixes, cerca de 400 espécies
de aves e 45 de mamíferos. Dentre estes,
destaca-se o uacari, que deu nome à pousada, um macaco de cerca de 4 quilos, com
pelo marrom esbranquiçado e cara vermelha, que se alimenta quase exclusivamente de sementes. Os uacaris – uma das dez
espécies de símios da região – vivem em
bandos de até 50 e andam muitos quilômetros por dia à procura de seus alimentos preferidos.
Essas atrações podem ser vistas com o
acompanhamento de guias locais. Nos passeios de canoa, muitas vezes os inofensivos
botos cor-de-rosa acompanham o barco,
mergulhando ao redor. Também é possível
avistar os jacarés, que durante o dia ficam
quase sempre tomando sol às margens do
rio. Outra opção, paga à parte, é sair com os
pesquisadores do projeto Boto Vermelho
viagem
viagem | VidaBosch | 7
Luiz Cláudio Marigo / Opção Brasil Imagens
Convém levar calçados para
caminhadas que possam molhar e
andar de calça e camisa comprida
O macaco
uacari, que
deu nome à
pousada, é
um dos 45
mamíferos
que podem ser
encontrados
em passeios
pela reserva
Como chegar
A partir de Manaus, é possível ir a Tefé
de avião ou barco. De avião, há voos
da TRIP todos os dias (menos terça),
com duração de cerca de 50 minutos.
De barco, há várias alternativas, que
podem ser consultadas no porto de
Manaus – há os comuns, em que a
viagem leva 48 horas, até lanchas, em
que o trajeto é feito em 13 horas.
Em Tefé, a própria pousada busca os
turistas (o traslado está incluído no
pacote). O trajeto entre o porto de
Tefé e a pousada é feito num barco
simples, com capacidade para 20 pessoas; demora duas horas.
COLÔMBIA
RORAIMA
B
Reserva
Mamirauá
Parque
Nacional
do Jaú
Reserva
Amanã
Manaus
Tefé
AMAZONAS
Pacotes
O tempo ideal de estadia é sete
dias, mas há pacotes para períodos mais curtos. Informações sobre
preços e detalhes sobre a reserva
e a pousada podem ser obtidos em
www.uakarilodge.com.br e www.
mamiraua.org.br
ACRE
MATO GROSSO
RONDÔNIA
BOLÍVIA
Ciência e artesanato
A viagem inclui ainda algo de pesquisa ambiental. Em Mamirauá, pode-se conhecer
o Sistema Automático de Monitoramento
Aquático (Sima), que desde junho opera em uma plataforma flutuante no Lago
Mamirauá.
O sistema funciona via satélite e foi
desenvolvido pelo Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (Inpe). Coleta dados
úteis a várias pesquisas em andamento,
como a que estuda a distribuição do pirarucu nos lagos da reserva. Sensores colocados acima da linha d’água medem fenômenos como direção e intensidade de
ventos, radiação solar e temperatura do
ar. Já embaixo d´água, medem variáveis
como turbidez e pH.
Como teria de ser mesmo em uma reserva
de desenvolvimento sustentável, o turismo
em Mamirauá não se restringe a fauna e flora. A produção artesanal dos moradores da
reserva – como leques, peneiras, chapéus,
potes e cestas de palha e barro – pode ser
comprada na própria pousada Uacari.
Também é possível visitar as comunidades ribeirinhas da região. A população local
é de cerca de 11 mil pessoas, distribuídas
em 218 comunidades ou sítios, nos quais
o Instituto Mamirauá desenvolve ações
de educação ambiental, saúde, comunicação e moradia, entre outras iniciativas
de organização e articulação comunitária.
Nas visitas, pode-se verificar o dia a dia do
homem amazônico – as dificuldades que
enfrentam, a engenhosidade com que driblam alguns de seus problemas e o respeito
que têm à floresta.
A Bosch na sua vida
VENEZUELA
PERU
para verificar como é feito o estudo desse
primo amazonense do golfinho.
Os passeios a pé, mais comuns na época
da seca (de agosto a dezembro), podem ser
feitos por sete trilhas, sempre com guias. É
nesse momento que a atenção para a copa
das árvores brinda os olhos com o pulo de
macacos, bichos-preguiça e uma diversidade
de pássaros e borboletas coloridas.
As trilhas são planas e leves, mas convém
levar calçados próprios para caminhadas
(e que possam molhar, porque chove com
frequência na região). Além disso, não esqueça o protetor solar e o repelente para
os carapanãs. Como às vezes os mosquitos
são insistentes, ande sempre de calça e camisa de manga comprida. Convém ainda
levar boné ou chapéu, óculos de sol e, para eventualidades, medicamentos de uso
pessoal. E nada de fazer barulho durante
as caminhadas – algazarra, em Mamirauá,
tem de ser exclusividade dos bichos.
Uma rede de oficinas verdes
Uma oficina mecânica que pretenda ser de excelência precisa
se preocupar com gestão ambiental. É por isso que o Bosch
Service incluiu um módulo sobre o tema em seu programa
de melhoria contínua Bosch Service Excellence, que padroniza a qualidade do serviço e do atendimento prestado por
sua rede em todos os países.
O programa é formado por 11 módulos considerados chave
para o sucesso, chamados de fatores. No Brasil, estreou em
2009, oferecendo treinamento presencial e virtual em atendimento ao cliente e gestão financeira, numa parceria com o
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). A Bosch
recomenda que as oficinas participem para garantir melhoria
contínua e diferenciar-se no mercado.
Os treinamentos em gestão ambiental devem ser dados em 2010
ou em 2011. A capacitação será ministrada via internet, e eventualmente poderá ser complementada de outras maneiras (por
meio de envio de informativos para as oficinas, por exemplo).
O conteúdo vai incluir uma explicação sobre o que é gerenciamento ambiental, por que ele é importante e quais são as leis
ambientais que as oficinas devem seguir.
Arquivo Bosch
6 | VidaBosch |
Num material distribuído às oficinas, a Bosch salienta que um
Bosch Service deve ser “um precursor e exemplo em questão
de proteção ao meio ambiente e comportamento ambiental”.
Isso significa, por exemplo, usar equipamentos para reduzir impactos à natureza (como exaustor de gases de escapamento),
enfatizar a prevenção, monitorar o desempenho ambiental da
oficina e cumprir não só as obrigações previstas na legislação,
mas também as diretrizes internacionais da Bosch.
Conteúdo exclusivo on-line I www.vidabosch.com.br
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eu e meu carro
| Por Mariana Desidério
Humberto de Castro
8 | VidaBosch |
infância. “Desde que me entendo por gente,
vejo em meu pai, minha mãe, meus irmãos
mais velhos e meus tios a importância da
preservação do meio ambiente, de uma
atitude interna própria, até espiritualizada
em relação a essa questão”, lembra.
Esta preocupação aparece quando o
assunto é carro. Dono de um econômico Volkswagen Fox com motor flex – que,
além da gasolina, possibilita o uso de álcool, combustível com emissão menor de
poluentes –, Frota acredita que cada vez
menos os carros são valorizados pelo luxo. “Carro eu acho que tem que ser cada
vez mais discreto, mais simples, sabe? Sou
voltado para um carro totalmente prático, sem grande ostentação. Estamos num
momento em que se deve buscar simplicidade em tudo, e o automóvel, hoje, perdeu um pouco esse sentido de posse, de
sonho”, argumenta.
Sobre o fato de ter optado por um flex,
o ator diz que a escolha não exigiu grande
reflexão. “Hoje em dia, esses carros básicos
são todos flex. Não tem tanta dúvida. Isso
já está incorporado no comportamento do
povo brasileiro”, afirma. Em seu novo veículo, ele só usa o álcool como combustível
e, por isso, deve lembrar de abastecer o
tanquinho da gasolina da partida. O que
nunca acontece. “Eu nunca lembro. Mas o
frentista sempre lembra, viu?”, conta.
Além de não se ligar muito no abastecimento do tanquinho, Frota também é desprendido em relação a conforto e a luxo.
“A coisa mais importante num carro para
mim hoje é a discrição. Conforto, sonorização, iluminação, espaço interno, essas
coisas todas... eu realmente não estou nem
um pouco preocupado com isso. Quero um
carro seguro, limpo e discreto”, resume.
Frota afirma que essa busca por simplicidade veio com a maturidade. O ator
aprendeu a dirigir com o pai e, logo aos
18 anos, possuía um Fusca cujos detalhes,
como cor, rodas, escapamento e acabamento, eram cuidados com carinho. “Na
época eu pensava nisso, agora, não mais”,
afirma o artista, que antes de estrear na TV
chegou a ser motorista de táxi, office boy,
porteiro de motel, caixa de banco, caixa
de supermercado, vendedor de elevador
e vendedor de Baú da Felicidade.
Assim como a preocupação com questões
socioambientais, a ligação de Marcos Frota
com o circo vem de sua infância em Guaxupé (sul de Minas). “No interior, a presença
do circo é sempre bem-vinda, e quando eu
era menino, era fã. Hoje, o circo é o exercício da minha cidadania, é a maneira de
retribuir tudo aquilo que recebi nestes anos
de carreira”, conta o ator, que deu início à
Unicirco em 1991.
Hoje, seja no picadeiro, seja em frente
às câmeras, não se esquece do que está à
sua volta. “Procuro sempre manter a limpeza e a preservação do local onde está o
circo, que é sempre um local de jardins,
árvores e flores. Toda a atitude da minha
equipe é no sentido de preservação daquilo
e de conscientização do público sobre a
importância do meio ambiente nas nossas
vidas”, conta. E conclui: “Acho que, hoje,
a gente não pode mais caminhar sem essa
consciência ambiental. Se a coisa não se
reverter, a gente está com o planeta completamente inviabilizado daqui a 30, 40,
50 anos, não é?”
Discrição ao volante
Participante de
movimento ambiental, o
ator Marcos Frota prefere
carros básicos, menos
agressivos à natureza
N
as telas, Marcos Magano Frota, 54,
ficou famoso por interpretar personagens de novelas da Globo, como o cego
Jatobá, em “América”, e Tonho da Lua, em
“Mulheres de Areia”. A atuação de Frota,
entretanto, vai além das telas. Consciente
de seu papel como formador de opinião, ele
se dedica a projetos sociais, como o evento
“Somos Todos Brasileiros”, com foco na
cidadania de pessoas com deficiência; a
Universidade Livre do Circo (Unicirco), que
criou em 1991; e o Movimento Humanos Direitos, voltado a ações socioambientais e à
demarcação de terras indígenas.
O ator procura estar presente nas reuniões do movimento. Para Frota, que entrou
no Humanos Direitos entre 2005 e 2006,
o artista tem um papel especial na defesa
destes pontos. “A gente tem que emprestar
um pouco a popularidade que a carreira
nos oferece às questões sociais. O artista
brasileiro, o ator, o músico, o atleta, é muito
consciente dessa parcela de responsabilidade que lhe cabe”, afirma.
Embora as aulas de Pedagogia da PUCSP (que o ator cursou até o terceiro ano)
o tenham influenciado, a consciência ambiental faz parte de seu cotidiano desde a
Tanquinho com os dias contados
Como Marcos Frota, muitos motoristas que
têm um carro flex acabam esquecendo-se
de abastecer o tanquinho de gasolina da
partida a frio. Sem um frentista atento para
lembrar, essas pessoas podem demorar
bem mais do que gostariam para sair da
garagem nas manhãs de inverno.
Isso começa a deixar de ser uma preocupação. Desenvolvido pela Bosch, o sistema
Flex Start pré-aquece o álcool antes de
ele ir para a combustão e acaba com a necessidade da injeção de gasolina no motor
nos dias frios. Além de eliminar o incômodo de abastecer o tanquinho, aumenta a
agilidade de resposta do carro e diminui a
emissão de gases poluentes. O Flex Start
já é encontrado no Polo E-Flex.
O sistema funciona assim: quando o automóvel é ligado, são checadas a temperatura do ambiente e a do motor, e é
calculada a energia que será necessária
para esquentar o álcool. Então, aquecedores instalados na galeria de combustível elevam a temperatura do álcool,
que chega à combustão já aquecido. A
energia usada vem da bateria.
A melhor pulverização do jato de combustível quente proporciona uma queima
melhor e gera uma redução de até 40% na
emissão de gases poluentes. Isso acontece porque cerca de 90% das emissões
de um carro ocorrem nos primeiros 90
segundos depois de ligado, justamente
quando o combustível ainda está frio.
O desempenho do veículo também agra-
Arquivo Bosch
A Bosch na sua vida
dece. Logo depois da partida, os carros
abastecidos com álcool podem falhar
nas primeiras aceleradas. Com o Flex
Start, o carro responde à aceleração,
sem engasgos. E o motorista consciente das questões ambientais sabe que,
através da escolha do seu carro, está
fazendo a sua parte.
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10 | VidaBosch |
torque e potência
| Por Manuel Alves Filho
Shutterstock
Argus
Um
diesel
irmão
da
garapa
Nova tecnologia permite
obter, da cana-de-açúcar,
produto semelhante ao
extraído do petróleo, mas
menos poluente
A
versatilidade da cana-de-açúcar está prestes a ser ampliada. Matériaprima usada na produção da cachaça, do
açúcar, da garapa e do etanol, essa planta
deve servir, em menos de dois anos, como fonte para a fabricação comercial de
diesel. E não se trata de biodiesel, produto obtido a partir de plantas oleaginosas
ou gordura animal. “É diesel mesmo, com
as mesmas características do extraído do
petróleo”, afirma o belga Roel Win Collier,
diretor-geral da Amyris Biocombustíveis
Ltda., empresa de origem norte-americana
que, em escala piloto, começou em julho
de 2009 a fazer o chamado diesel de cana
em sua filial instalada em Campinas, interior de São Paulo. “Em abril de 2011, nossa
expectativa é chegar a uma produção de
2 milhões de toneladas ao ano desse novo
combustível”, adianta o executivo.
O diesel extraído de cana-de-açúcar tem
sido apresentado pela Amyris como um
produto com potencial para ampliar a participação das fontes renováveis na matriz
energética brasileira e, quem sabe, mundial.
A tecnologia capaz de extrair diesel de cana
foi desenvolvida nos Estados Unidos por
quatro cientistas ligados ao Departamento
de Engenharia Química e Bioengenharia
da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Dito de maneira simplificada, os pesquisadores descobriram como modificar
geneticamente a levedura Saccharomyces
cerevisiae e programá-la para gerar diesel
em vez de etanol durante a etapa de fermentação do caldo de cana.
O produto obtido por meio desse processo original tem as mesmas propriedades
do petrodiesel, sustenta o também belga
Karl Heinz Leimes, gerente de tecnologia de fermentação da Amyris. “Aliás, ele
é ainda melhor do que o diesel fóssil, pois
não contém enxofre, substância altamente poluente, e apresenta melhor combustão.” Ou seja, assim como o álcool, o novo
combustível é menos poluente. Além disso,
completa o técnico, testes realizados nos
Estados Unidos teriam comprovado que o
diesel extraído de cana-de-açúcar pode ser
usado normalmente pelos motores a diesel
convencionais, sem que eles tenham de ser
submetidos a qualquer tipo de preparação
ou adaptação e sem o uso de aditivo.
Collier explica que a opção da empresa
pela produção do diesel de cana deu-se
por motivos estritamente comerciais. A
Amyris aposta no combustível por prever um forte crescimento no consumo de
diesel no Brasil. O executivo calcula que o
novo produto de cana será competitivo se
o preço do barril de petróleo se mantiver
próximo de US$ 60.
Mesmo tendo apostado no “diesel verde”, a Amyris não descarta desenvolver
outros biocombustíveis a partir da cana.
A empresa informa já deter conhecimento
necessário para programar geneticamente
micro-organismos que transformariam a
prosaica garapa em gasolina e querosene
de aviação. “Essa é uma possibilidade real,
da qual poderemos lançar mão se houver
demanda”, adianta Leimes.
torque e potência
fixar e serão produzidas em larga escala.
Outras, porém, vão se perder no caminho
ou tenderão a satisfazer pequenos nichos
de mercado. Ou seja, essas novas tecnologias ainda precisarão amadurecer e mostrar suas eficiências, viabilidades econômicas, vantagens e desvantagens. Somente
as melhores ficarão”, avalia Ennio Peres
da Silva, professor do Instituto de Física
da Unicamp e membro do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético
da mesma universidade.
Jean Cesare Negri, coordenador de Energia da Secretaria de Saneamento e Energia
do Estado de São Paulo, diz não conhecer
em detalhes a tecnologia que transforma
caldo de cana em diesel. Entretanto, com
base nas informações até agora disponíveis, ele considera que a alternativa pode
vir a ser promissora. “A produção de diesel de cana surge no momento em que o
Estado de São Paulo está fazendo esforços
para ampliar a participação das fontes renováveis na sua matriz energética. Nossa
expectativa é que o percentual cresça dos
Especialistas avaliam que
o momento é propício para
desenvolvimento de combustíveis
a partir de fontes renováveis
como a desenvolvida pela Amyris surgem
num contexto altamente favorável.
Atualmente, acrescenta Wahnfried, a
pressão socioambiental em favor da redução do consumo de combustíveis derivados
de petróleo é muito grande. “A sociedade
em geral exige, cada vez mais, combustíveis menos poluentes e que tenham certa
sustentabilidade na sua produção. Além
disso, é bom lembrar que o diesel fóssil
está na base da atividade de transporte de
cargas e passageiros no Brasil. Qualquer
oscilação no preço do petróleo acaba refletindo, por exemplo, no preço dos fretes,
o que por sua vez interfere no valor final
dos produtos. Encontrar uma alternativa
viável ao petrodiesel é uma medida extremamente importante para o país.”
Na visão do integrante da SAE-Brasil,
um possível limitante para a produção de
diesel a partir da cana-de-açúcar está na
disponibilidade de matéria-prima. Embora
o Brasil seja o maior produtor mundial da
cultura (algo como 622 milhões de toneladas até o final de 2009), esta é destinada à
atuais 53% para algo em torno de 60% até
2020, o que deverá se constituir em um
caso único no mundo.”
Para Christian Wahnfried, engenheiro
mecânico da Bosch do Brasil e integrante
do Fórum Diesel da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE-Brasil), o diesel
de cana é uma tecnologia potencialmente
promissora. Na opinião do especialista, toda iniciativa que tenha por meta reduzir a
dependência brasileira dos combustíveis
fósseis deve ser estimulada. “Representantes da Amyris visitaram a SAE-Brasil
quando fizeram uma apresentação técnica
do biocombustível. Nós ainda não testamos
o produto, mas, pelo que nos foi informado, ele apresenta vantagens sobre o diesel
fóssil, pois além de ser livre de enxofre tem
melhor propriedade de combustão.” O engenheiro também considera que tecnologias
Divulgação
Em meados de agosto de 2009, a planta
piloto da Amyris já estava em operação.
A produção era de 300 litros de diesel de
cana por operação. A expectativa, porém,
era de que uma segunda planta, chamada
de “demonstração”, com dimensões semiindustriais, começasse a funcionar em breve,
gerando 5 mil litros por operação.
Para além das dependências da Amyris,
o disel extraído de cana-de-açúcar é visto com um pouco menos de empolgação.
Por ser o resultado de uma tecnologia nova, técnicos e especialistas ligados à área
de energia preferem conhecer mais detalhes sobre o método desenvolvido antes
de opinar. Todos, porém, consideram interessante a busca contínua por combustíveis obtidos a partir de fontes renováveis. “O que estamos vendo é que muitos
grupos econômicos e de pesquisas estão
desenvolvendo várias tecnologias para a
produção de biocombustíveis. O processo
normal de desenvolvimento tecnológico
vai conduzir a uma seleção. Algumas tecnologias se mostrarão vantajosas, vão se
torque e potência | VidaBosch | 13
Empresários
esperam
produzir,
até 2011,
2 milhões
de toneladas
por ano de
diesel de cana
fabricação de açúcar e álcool. “Seria mais
um produto brigando pela mesma fonte. A
escolha deve ficar entre dividir a produção
atual ou aumentar a área plantada. A decisão
certamente vai caber à sociedade.”
Automóveis
Mesmo ainda não sendo uma realidade
comercial, o diesel de cana pode contribuir para a liberação da venda de carros
de passeio movidos por motores a ciclo
diesel no Brasil. Essa é a opinião de Rubens Avanzini, engenheiro da Bosch e coordenador da Comissão Técnica de Motores Diesel da SAE-Brasil. Segundo ele, a
proibição, que já dura 33 anos, foi adotada
acertadamente na época. “Ocorre que o
cenário atual é totalmente diferente. Antes,
o país importava petróleo e os motores,
de maneira geral, eram muito poluentes,
devido à ausência de leis de emissões e da
tecnologia hoje disponível para motores e
combustíveis. Atualmente, somos autossuficientes em produção de petróleo e os
motores diesel são muito mais eficientes
em relação à performance, dirigibilidade
e emissões”, avalia.
Conforme Avanzini, para os motores Otto
(aqueles cuja combustão inicia-se por meio
de uma centelha, diferentemente do ciclo
diesel, em que a combustão começa de forma espontânea, por compressão da mistura
de ar e combustível) houve possibilidade
de investimento em desenvolvimento de
tecnologia para usarem combustíveis renováveis, como o álcool. “Agora, devido a
iniciativas como o diesel de cana e à realidade do biodiesel que está nos postos, o ciclo
diesel teria a mesma oportunidade, com
uma característica muito interessante que
é a elevada eficiência. Não há mais razões
técnicas que justifiquem a proibição do uso
de motores diesel em carros de passeio no
Brasil”, opina. As boas características do
ciclo diesel já foram comprovadas na Europa, onde sua aplicação em automóveis
é um sucesso. “Penso que, se a proibição
permanecer em vigor, estaremos perdendo oportunidades em não explorar esse
potencial”, reforça.
A Bosch na sua vida
Precisão contra a poluição
Se o diesel de cana-de-açúcar promete
reduzir as emissões melhorando o combustível, uma tecnologia hoje já disponível
nos carros de passeio a diesel assegura
que os motores produzam uma quantidade
bem menor de gases poluentes. É isso o
que faz o injetor CRI 2.2 da Bosch, que
reduz, nos carros de passeio e em picapes, em até 90% a emissão de materiais
particulados e em até 60% a de óxidos
de nitrogênio, substâncias que podem
causar problemas respiratórios.
“Esta tecnologia capacita motores diesel
a atender os níveis de emissões que entrarão em vigor a partir de 2012 e praticamente coloca as emissões de gases
poluentes do diesel no mesmo patamar
dos motores movidos a gasolina”, afirma
Rubens Avanzini, gerente de desenvolvi-
mento de produto da Bosch. No Brasil,
o CRI 2.2 é usado em utilitários, como
picapes e pequenos caminhões. Para conseguir esses resultados, o produto da
Bosch tem como característica principal
injetar pequenas quantidades de diesel
na câmara de combustão do motor antes
do início da queima principal, o que diminui consideravelmente a formação de
gases poluentes. Uma unidade de controle eletrônico calcula as injeções com
precisão. No final do processo, o sistema ainda pode efetuar mais uma injeção
pequena antes de recomeçar o ciclo, o
que ajuda a “limpar” os equipamentos
de controle de fumaça, como o filtro de
particulados e catalisadores.
Além de reduzir a quantidade de gases
resultantes de queimas malfeitas, o controle das condições de combustão feito
Arquivo Bosch
12 | VidaBosch |
pelo CRI 2.2 tem grande efeito sobre
redução dos ruídos do motor e sobre o
aproveitamento do combustível, o que
gera mais economia. A Bosch oferece
tecnologia diesel para motores mais limpos, econômicos e eficientes, dentro
dos padrões de preocupação da empresa com o meio ambiente e a sociedade, que ainda incluem parâmetros
de segurança.
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• Redução de emissão de poluentes? Veja como a tecnologia CRI 2.2 funciona
14 | VidaBosch |
casa e conforto
| Por Chantal Brissac
Economia
até a última gota
Olga Miltsova
Os brasileiros consomem quase o dobro da quantidade de água indicada
pela ONU; aprenda a cortar o desperdício com mudanças no lar e nos hábitos
16 | VidaBosch |
casa e conforto
casa e conforto | VidaBosch | 17
Fotos Shutterstock
Boumen & Japet
Diminuição do
desperdício
requer mudança
de hábito, como
ensaboar a
louça em água
parada, instalar
descarga com
jatos diferentes
para líquidos e
sólidos e usar um
copo ao escovar
os dentes
D
urante décadas o mundo se preocupou pouco com o uso de água, o
que, de acordo com especialistas, já começa a nos trazer problemas. “Os sinais
de que a humanidade está exaurindo esse vital recurso natural estão mais que
evidentes”, afirma Sergio Luiz Pereira,
professor da USP que defendeu tese de
livre-docência sobre automação e desenvolvimento sustentável. Engenheiro,
Pereira diz que os cuidados com a água
são um dos maiores desafios a serem enfrentados pela humanidade no século 21
e ressalta a necessidade de se aprimorar
a forma como usamos esse bem.
O primeiro passo para a mudança pode ser dado dentro de casa. Checar se há
torneiras pingando, dificuldade na hora
de acionar a descarga e se o chuveiro demora muito a esquentar a água pode gerar economia (leia no quadro na página
18). Identificados os problemas, quanto
mais rápido o conserto, menor o prejuízo. Ao construir, é recomendável escolher
equipamentos e materiais que atendem os
requisitos de desempenho do Programa
Brasileiro da Qualidade e Produtividade
do Habitat (PBQP- H). Isso pode evitar vazamentos futuros e vale para a escolha dos
tubos de PVC, reservatórios, boias, metais
sanitários, chuveiros e torneiras com arejadores, restritores, entre outros.
Além de vazamentos, o desperdício pode vir de defeitos nos equipamentos. Uma
válvula de descarga antiga ou mal regulada, tipo hidra, gasta de 10 a 15 litros de
água por acionamento. “O ideal é substituir
por um sistema mais moderno. As novas
válvulas possibilitam programar o tempo
da descarga e as bacias consomem apenas
seis litros”, informa Adilson Lourenço Rocha, especialista do Instituto de Pesquisas
Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT).
Entre as novas alternativas, há modelos
com duas opções de descarga, para dejetos líquidos e sólidos.
Apesar de a caixa externa acoplada à
privada ainda ser o dispositivo mais usado
no país, nem sempre é o mais econômico, e
o sistema da boia é frágil para o uso intenso: desregula facilmente, o que leva a mais
acionamentos de água e a gastos. Já a caixa
de descarga embutida na parede, uma das
preferidas nos países europeus, tem muitas vantagens: não ocupa espaço, dispensa
limpeza e, por ser instalada no alto, garante
um melhor arraste dos dejetos.
O banheiro é mesmo o maior vilão no
gasto de água, segundo especialistas. Calcula-se que 27% do consumo doméstico
são para cozinhar e beber; 25% para a higiene, 12% para a lavagem de roupa e 3%
para outros empregos, como lavagem de
carro, calçada e jardim. E a maior parte,
33%, é usada para a descarga de banheiro.
Se a água descartada no banho e em outras
Especialistas estimam que
a descarga do banheiro seja
responsável por até um terço do
consumo de água doméstico
lavagens (a chamada “água cinzenta”) pudesse ser aproveitada nos vasos sanitários,
haveria uma economia de até um terço de
toda água usada na casa.
As águas de chuva são outra esperança
na luta contra o desperdício. Apesar de serem consideradas ‘esgoto’ pela legislação
brasileira, uma pesquisa na Universidade
da Malásia mostrou que apenas os primeiros jatos de chuva carregam ácidos, microorganismos e outros poluentes da atmosfera. Depois de um tempo, elas adquirem
características de água destilada e podem
ser coletadas em reservatórios fechados.
Ou até virar potáveis, se bem filtradas e cloradas. Mas nem sempre o processo natural
de diluição e autodepuração é suficiente.
“É possível usar a água de chuva ou reusar
efluentes. Mas o maior desafio é a gestão
desses projetos, que precisam ser analisados com muita cautela, para não virar
um problema de saúde pública”, explica
o engenheiro Humberto Oyamada, mestre em engenharia de sistemas prediais do
Programa de Uso Racional da Água (Pura),
desenvolvido pela companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) em
parceria com a USP.
Má distribuição
Mesmo o Brasil sendo detentor de 12% de
toda a água doce da Terra, todos os cuidados contra o desperdício são justificados.
Primeiro, porque há má distribuição geográfica. “Enquanto no Norte temos uma
disponibilidade per capita anual de mais
de 20 mil m3, em Pernambuco, Paraíba e
no Distrito Federal este valor não chega
a 1.500 m3, e indica, segundo a ONU, uma situação crítica”, explica o professor de geografia e pesquisador Enildo Gouveia. De
acordo com as Nações Unidas, cada pessoa
precisa, em média, de 110 litros de água
por dia para atender suas necessidades
de consumo e higiene, mas no Brasil esse gasto quase duplica: são mais de 200
litros por pessoa.
Isso faz com que grandes centros já
comecem a enfrentar escassez. A disponibilidade hídrica na Grande São Paulo,
por exemplo, é de 200 m3 por habitante
ao ano, o que significa apenas 8% do recomendado pela ONU (2.500 m3). Por conta
desse problema, foram lançados o Pura e
o Programa Sabesp Soluções Ambientais,
ambos direcionados ao consumo consciente
da água e a mudanças culturais. Durante o lançamento dos programas, o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, fez um
discurso categórico: “Nada que fizermos
casa e conforto
casa e conforto | VidaBosch | 19
Shutterstock
Saiba se há
vazamentos em casa
terá efeito se a sociedade não se conscientizar sobre a questão ambiental”.
Consciência
Relógio de água (hidrômetro) Deixe os
registros abertos, feche todas as torneiras,
desligue os aparelhos que usam água e
não use os sanitários. Anote o número ou
marque a posição do ponteiro maior do
hidrômetro. Depois de uma hora, verifique se houve alteração. Se isso aconteceu, há algum vazamento em sua casa.
A conscientização passa não apenas por
adequar a estrutura da casa para evitar desperdício, mas também por mudar hábitos.
O Pura e a ONG Universidade da Água têm
cartilhas com informações sobre pequenos ajustes que podem fazer uma grande
diferença. As instruções vão além das dicas básicas, como fechar o chuveiro enquanto se ensaboa, fazer a barba com a
torneira fechada e usar copo de água ao
escovar os dentes.
No banheiro, por exemplo, uma das sugestões é comprar ducha de vazão moderada – as duchas normalmente vão de 6 a 25
litros por minuto – quanto menor a vazão,
menor o desperdício. A banheira, quando
bem usada, também pode ajudar. Os modelos comuns têm, em média, de 150 a 200
litros. No seu limite máximo e sem troca de
água, equivale a um banho de 15 a 20 minu-
Canos alimentados diretamente pela
rede Feche o registro na parede. Abra
uma torneira alimentada diretamente pela rede da companhia de abastecimento
(pode ser a do tanque) e espere a água
parar de sair. Coloque um copo cheio de
água na boca da torneira – se ela sugar
a água do copo, há vazamento.
Canos alimentados pela caixa d’água
Feche todas as torneiras, desligue os
aparelhos que usam água e não utilize
os sanitários. Feche bem a torneira de
boia da caixa. Marque, na caixa, o nível
da água e verifique, após uma hora, se ele
baixou. Em caso afirmativo, há vazamento
na canalização ou nos sanitários.
de retirar o excesso de resíduos com um
papel absorvente, antes de colocar os
utensílios na máquina.
Nas partes externas da casa, também
há espaço para reduzir o consumo. Lavar
o carro com balde, ao invés de mangueira, reduz o gasto de 216 para 40 litros, em
média. No jardim, prefira o regador ou um
esguicho-revólver – são mais econômicos
do que a mangueira. A rega deve ser feita
pela manhã, no final da tarde ou à noite: é
melhor para as plantas e reduz a evaporação. Com essas medidas pode-se chegar
a uma economia de até 96 litros.
Também há de se ter cuidado com a piscina. A de tamanho médio, a céu aberto,
perde cerca de 3.785 litros de água por mês
por causa da evaporação. Coloque uma cobertura de encerado ou material plástico,
o que reduz a perda em 90%.
Esses exemplos todos mostram que já
existem soluções e tecnologias para evitar
a escassez de água. Falta, agora, colocar
de fato essas ações em prática.
A Bosch na sua vida
Banho ecologicamente correto
Gira a torneira para um lado, gira a torneira para o outro, estica a ponta do pé, e,
até acertar a temperatura da água, uma
boa parte dela vai pelo ralo. Para evitar
esse desperdício no banho e proporcionar mais conforto, a Bosch conta com
dois aquecedores a gás que fazem a água
chegar ao chuveiro na temperatura escolhida, não importa o quanto o misturador
estiver aberto.
Os modelos GWH 500 (foto ao lado) e GWH
720 deixam a água entre 37ºC e 70ºC,
calculando o calor necessário para que
a temperatura na ducha fique constante.
Escolher e visualizar a temperatura é fácil — os aparelhos têm mostrador digital.
Pode-se conseguir economia ainda maior
se eles forem usados com duchas de vazão
moderada (8 litros por minuto), consideradas ecologicamente corretas.
Torneiras Quando as torneiras, mesmo
fechadas, pingarem, troque o “courinho”.
Gotejando, uma torneira chega a um
desperdício de 1.380 litros por mês.
Vaso Sanitário Jogue cinzas no fundo da
privada. Se ficarem depositadas no fundo,
o vaso está livre de vazamentos. Se houver movimentação, é sinal de vazamento
na válvula ou na caixa de descarga.
Reservatórios subterrâneos de edifícios Feche o registro de saída do reservatório e a torneira da boia. Marque
no reservatório o nível da água. Se após
uma hora ele baixar, há vazamento nas
paredes do reservatório, nas tubulações
de alimentação do reservatório superior
ou na tubulação de limpeza.
Fonte: Programa de Uso Racional da Água
tos num chuveiro de vazão média. Usá-la
com água pela metade ou pelo menos ¾
pode ser uma boa fonte de economia.
Na cozinha, lavar a louça por cerca de 15
minutos, com a torneira meio aberta, corresponde a um gasto de 117 litros (casa) e
243 litros (apartamento, onde a pressão é
maior). Ensaboar a louça numa cuba cheia
até a metade e enxaguar depois pode poupar até 20 litros. Jogar óleo no ralo da pia
também é prejudicial ao meio ambiente –
um litro de óleo contamina cerca de 1 milhão de litros de água. A recomendação é
que ele seja colocado em uma garrafa pet
e levado a ONGs que o recolhem para reciclagem, como a Trevo (www.trevo.org)
e o Instituto Triângulo (www.aitech.com.
br/SiteTriangulo).
As cartilhas ainda recomendam que as
lavadoras de louça e de roupa só sejam
usadas quando puderem ser totalmente preenchidas e com programas mais
curtos, que economizam água. No caso
das louças, é importante ter o cuidado
O controle sobre o aquecimento também
traz economia de gás na comparação com
os modelos convencionais. Normalmente,
os aquecedores esquentam além do necessário, com o objetivo de que a pessoa
misture água quente e fria na ducha até
chegar à temperatura ideal. Assim, usa-se
mais gás do que seria preciso para obter o
calor. Nos equipamentos da Bosch, o volume é calculado com precisão a fim de que
não haja desperdício de energia.
Os aquecedores GWH 500 e GWH 720, que
contam com três anos de garantia, têm entre
seus diferenciais a tecnologia de segurança.
São ao todo quatro dispositivos, entre eles
um sistema de exaustão forçada (espécie
de ventoinha que expulsa gás para o meio
externo, diminuindo o risco de acidentes),
uma câmara de combustão que “blinda”
o equipamento contra vazamentos e um
limitador de temperatura.
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Lavar o carro com balde, em vez de mangueira, diminui em 80% o gasto com água
• Economize água! Compre aquecedores Bosch e ainda participe da promoção 3 anos de garantia
Arquivo Bosch
18 | VidaBosch |
saudável e gostoso
| Por Maria Eduarda Mattar
Dina Magnat
20 | VidaBosch |
Criatividade
de sobra
Além de evitar o desperdício, reaproveitar
restos de alimentos pode ser nutritivo e
resultar em pratos saborosos
E
m tempos de conscientização ambiental em alta, evitar
desperdício nunca esteve tão na moda. E isso pode
começar dentro de casa, fazendo o arroz com feijão - literalmente. Saber usar tudo que os alimentos têm a oferecer,
incorporando às receitas talos, cascas, ramas e sementes,
por exemplo, é o que se costuma chamar de aproveitamento integral dos alimentos. A ideia básica é não desperdiçar
partes consideradas menos nobres, não só em função das
altas taxas de nutrientes que trazem, mas também pelo
sabor que podem adicionar aos pratos.
Um relatório da ONU deste ano diz que mais da metade
dos alimentos produzidos no mundo é perdida, desperdiçada ou descartada até chegar aos domicílios. Dados da FAO,
braço da ONU sobre alimentação e agricultura, apontam
que o Brasil desperdiça anualmente cerca de 70 mil toneladas de alimentos. Já a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa) tem pesquisas indicando que a
média de desperdício no Brasil está entre 30% e 40%. Na
maioria das vezes, são partes de alimentos não utilizadas
nas receitas, ou comidas que azedam ou estragam.
Na equação do desperdício alto multiplicado por hábitos não sustentáveis, o resultado é negativo: alimentos
menos nutritivos e dinheiro jogado no lixo. “Consideremos uma família que gaste R$ 500 por mês com alimentos:
desperdiçando um terço, ela joga no lixo cerca de R$ 165.
Se a família depositasse o dinheiro na poupança, apenas
com os juros de 0,5% ao mês, significaria R$ 2.045, em um
ano”, calcula Heloisa Torres de Mello, Gerente de Operações do Instituto Akatu. A organização milita pelo consumo
consciente e, no início de 2009, lançou a campanha “Um
terço de tudo que você compra vai para o lixo”, com foco
justamente no desperdício de alimentos.
Ruim para o bolso, pior para a saúde. Pesquisas e especialistas indicam que talos, cascas, ramas e sementes partes descartadas a priori por várias pessoas - em muitos
Frutas
muito
maduras não
precisam ser
descartadas:
podem
virar geleia
ou suco
22 | VidaBosch |
saudável e gostoso
saudável e gostoso | VidaBosch | 23
Shutterstock
casos são mais nutritivos que a polpa ou
raiz que acompanham. “A casca da abóbora
tem 20% mais fibra que a polpa. A rama da
cenoura tem 13 vezes mais cálcio que a raiz,
além de ser também mais rica em ferro”,
exemplifica a nutricionista Rosita Camargo
Amaral. Os exemplos não param por aí: a
casca de banana tem duas vezes mais potássio e duas vezes e meia mais vitamina C
que a polpa. A da manga, com 30,3 mg de
vitamina A, é mais rica neste quesito que
a polpa, com 17,3 mg do nutriente.
Bochkarev Photography
a ‘elite’ dos alimentos e fazer panquecas.
As cascas de melancias e melão podem ser
raladas ou picadas e misturadas em saladas ou cozidos”, sugere. Informações de
higiene e de armazenamento de alimentos
também estão presentes nos treinamentos
do Cozinha Brasil, como a dica de nunca
deixar um alimento mais de 30 minutos fora
da geladeira e a de só acondicioná-los em
potes tampados, nunca em sacos.
Colocando em prática
Várias frutas
têm mais
nutrientes
na casca
do que
na polpa
da manga, colocá-la em saladas agridoces
ou até mesmo fazer bolo com ela. Além dos
carotenóides [substâncias antioxidantes,
que combatem o envelhecimento], enriquecemos as receitas com fibras”, conta
a nutricionista Silvia Honorato da Silva,
coordenadora do programa Alimente-se
Bem, desenvolvido pelo Serviço Social da
Indústria de São Paulo (Sesi-SP).
Criada em 2000, a partir de uma pesquisa que apontou má qualidade na alimenta-
Para evitar o desperdício
• Faça quatro compras por mês. Dessa
forma, você sempre comprará os produtos perecíveis mais frescos, em menor quantidade e, portanto, com menos
chance de estragar e ir para o lixo.
• Não faça compras com fome. O consumidor faminto compra mais e desnecessariamente.
• Não jogue fora as sobras. Aprenda a
reciclá-las: do feijão, faça sopa; com arroz, cenouras cozidas, carne assada ou
o que restou da bacalhoada, prepare
deliciosos bolinhos.
• O maior desperdício doméstico veri-
ção dos industriários paulistas, a iniciativa
compreende cursos gratuitos para quem
quer aprender a aproveitar melhor os alimentos. Além de ensinar técnicas de aproveitamento, dá dicas de receitas. Já foram
quase 24 mil cursos, formando mais de 569
mil pessoas, em 37 municípios de São Paulo. O sucesso inspirou um outro programa,
o Cozinha Brasil (www.cozinhabrasil.org.
br), do Sesi Nacional, que ministra cursos
semelhantes e passa conceitos de saúde.
Reaproveitar
“Mostramos como é possível reduzir
custo e mesmo assim ter maior aporte de
vitaminas, minerais e fibras. Ensinamos
não só a aproveitar melhor, mas como ter
escolhas saudáveis”, explica a nutricionista Rosita, que é também a supervisora do
Cozinha Brasil no Rio de Janeiro.
Ela adianta algumas das dicas ensinadas
nos cursos realizados em todo o país. “Os
vegetais verdes escuros são ricos em ferro e
cálcio. Pode-se bater no liquidificador com
Essas dicas são ainda mais importantes
quando o que está nos potes são sobras
de alimentos já preparados ou legumes e
frutas passando do ponto. Neste caso, o assunto tende mais para o reaproveitamento
de alimentos do que para o aproveitamento
integral. Há, no entanto, a mesma infinidade
de dicas. “Alguns podem ser guardados por
um período maior, mas é bom ter cuidado
com o armazenamento e o modo de usálos na próxima preparação. Coisas cruas
perdem muito da textura e do sensorial
quando descongeladas”, afirma Silvia.
Arroz que sobrou do dia anterior pode
ser refogado de novo e virar risoto, arroz
de forno ou bolinho. Seu companheiro habitual, o feijão, se traveste de tutu. Frutas
maduras sempre podem deliciar em doces,
geleias e sucos. Legumes e verduras viram suflês, sopas ou bolinhos. Pão dormido
pode “despertar” como torrada, farinha
de rosca ou rabanada. “A palavra-chave
é criatividade”, resume a coordenadora
do programa Alimente-se Bem.
Se é assim para quem está em casa, imagine em restaurantes, onde se lida com
grandes quantidades de comida. É o caso do carioca Universo Orgânico, da chef
Tiana Rodrigues, que serve refeições da
alimentação viva (prática que preconiza
que as comidas só podem ser submetidas
até determinadas temperaturas e devem,
preferencialmente, ser consumidas cruas).
Gerido com preocupações como sustentabilidade e reciclagem, o restaurante leva o
aproveitamento integral a outro estágio.
Tiana conta que nada se perde em sua
cozinha, já que, quando um alimento está
perto de estragar, é levado ao desidratador. É o caso de tomates muito maduros e
ervas passando do ponto. Agrião, alface,
espinafre e outras verduras viram sucos na
lanchonete, já laureada com o prêmio “Melhor Suco” do guia Comer & Beber 2007 da
revista Veja Rio. Quando não podem mais ser
aproveitados, os alimentos são separados
e doados aos fornecedores do restaurante,
para fazer compostagem nas plantações.
“Não temos nenhuma perda”, orgulha-se
a chef, mostrando que combater o desperdício não precisa ser só uma moda.
A Bosch na sua vida
fica-se em frutas, legumes e verduras,
ou seja, nos produtos típicos das compras semanais. Pensar no cardápio da
semana antes de ir ao supermercado
permite comprar apenas o necessário para aquelas refeições, evitando
o desperdício.
• Nas compras a granel (alimentos não
embalados) não leve tão em conta a “limpeza” de legumes e das batatas. Muita
limpeza reduz seu tempo de vida. Legume
ou batata com um pouco de terra dura
mais e pode ser lavado em casa.
Fonte: Instituto Akatu
Amilcar Packer
A dúvida é como incorporar devidamente
esses coadjuvantes. “O primeiro passo é
‘sair do automático’ e refletir sobre seus
hábitos de consumo”, aconselha Heloisa.
“O segundo é incorporar os novos hábitos
ao cotidiano, não fazendo sacrifícios que
não poderão ser mantidos”, completa.
Cascas batidas rendem belos sucos e podem ser incorporadas em molhos. Talos são
ótimas bases para caldos e sopas. Sementes
secas e trituradas viram condimento. “Aipo
desidratado e batido no liquidificador rende
um ótimo sal, um dos melhores”, assegura a chef Tiana Rodrigues, do restaurante
carioca Universo Orgânico. Ramas são cozidas em sopas ou usadas em acompanhamentos. Algumas vezes, os coadjuvantes
são alçados ao papel principal.
“Fazemos o suco só com a casca da manga. Pode-se fazer rolê de frango com a casca
Cascas batidas rendem sucos e
molhos; talos são ótimas bases para
caldos ou sopas. Já sementes secas
trituradas podem virar tempero
Reciclagem não apenas nos alimentos
Mesmo reaproveitando ingredientes, é possível dar a eles um acabamento de primeira.
Gratinar, flambar e grelhar os alimentos ajuda a torná-los mais atraentes e saborosos.
Para fazer isso sem precisar de um forno
especial ou de malabarismos, a Dremel,
empresa do grupo Bosch, fabrica o Versaflame, ferramenta térmica a gás que pode
ser usada na confecção de receitas como
crème brûlée, frutas flambadas ou salmão
no maçarico. É útil ainda para dourar e
derreter o queijo por cima da massa.
O Versaflame aquece a uma temperatura de
até 1.200oC, mais do que os equipamentos
convencionais, que chegam a 800oC. Com
isso, além de ser mais ágil, economiza gás,
poupando o meio ambiente. Para dar um
aspecto mais uniforme ao alimento, evitando
que a chama entre em contato direto com
ele, o maçarico também tem um prolongador — pequeno cano que leva apenas o ar
quente à comida. Esse detalhe, somado ao
design do aparelho, faz com que seja possível trazê-lo à mesa, para gratinar pouco
antes de consumir o alimento.
Todos os componentes da ferramenta são
recicláveis. No descarte do equipamento
(que tem a maior garantia do mercado,
de dois anos), basta levá-lo a uma assistência técnica autorizada da Bosch – a
companhia se encarrega de conduzir a
reciclagem das peças.
Conteúdo exclusivo on-line I www.vidabosch.com.br
• Descubra as outras utilidades do Versaflame. Assista ao vídeo
saudável e gostoso
| Por Maria Eduarda Mattar
Fotos Amilcar Packer
24 | VidaBosch |
Crepe
Suflê
Recheio
Ingredientes
2 xícaras de sobra de legumes ou
proteínas (sobras de carne de ave,
boi, porco ou peixe)
60 g de azeitonas verdes picadas
Cheiro verde picado (a gosto)
Pimenta biquinho picada (a gosto)
100 g de queijo meia cura ralado
Recheio
Ingredientes
2 xícaras de sobra de legumes ou
proteínas (sobras de carne de ave,
boi, porco ou peixe)
1 cebola roxa
½ pimentão vermelho, verde
ou amarelo
Tomilho (a gosto)
40 g de manteiga
40 g de farinha
400 ml de leite
Noz moscada (a gosto)
5 gemas de ovo
6 claras de ovo
80 g de queijo gruyère
Sal (a gosto)
Massa
Ingredientes
1 xícara de farinha de trigo
¼ de xícara de leite
1 ovo
Sal (a gosto) Molho
Ingredientes
30 g de manteiga
30 g de farinha de trigo
600 ml de leite
Sal (a gosto)
Noz moscada (a gosto)
Reaproveitando até o talo
Cascas, ossos e pedaços pouco usados de legumes podem virar ingredientes de
pratos sofisticados nas aulas da chef e professora de Gastronomia Michele Bunemer
E
m suas aulas de culinária francesa, ensina aos estudantes que uma das coisas
mais comuns na comida do país europeu é
o uso de molhos. “E ramas de cenoura, talo
de salsão e de outros vegetais são ótimas
bases de caldos e molhos”, diz Michele Bunemer, chef e professora de Gastronomia
do Centro Universitário Senac.
Com 31 anos, quatro e meio deles ensinando, Michele já trabalhou em restaurantes,
mas considera a atividade solitária. Prefere
cozinhar para eventos - “jantares, almoço,
coquetel, festa de aniversário” -, desenvolvendo cardápios ou dando aulas. “Gosto
mais de trabalhar em grupo”, revela.
Sente-se bem, portanto, com os alunos.
Assim pode mostrar aos estudantes, por
exemplo, que a casca do camarão não precisa
ser jogada no lixo. “A gente torra e faz caldo
ou sopa, que ficam mais saborosos do que
se tivessem só o camarão”, afirma. Ensina
também que osso de frango, boi ou peixe
podem ser torrados ou dourados e levados
ao caldo. “Cozinhamos horas, para extrair
todo o sabor e nutrientes”, explica.
Recém-transferida para o campus do Se­
nac em Águas de São Pedro (interior de São
Paulo), referência na formação em Gastronomia, leciona cozinha francesa, planejamento
de cardápio e cozinha europeia. Preocupada
em usar ao máximo os alimentos, Michele
tem especial gosto pelo uso das cascas na
culinária. “Com a casca, a beterraba fica mais
vermelha. A batata também fica com a cor
melhor, além de reter melhor os nutrientes
e não soltar tanta água”, ensina.
Talos também podem ser aproveitados
integralmente em receitas com carnes e
frango, diz. Quando se depara com legumes já cozidos, os transforma em torta de
liquidificador. Do arroz, faz risoto ou arroz
cremoso. “Sempre lembrando de refogar
novamente, para mudar o tempero e não
ficar com gosto de ‘almoço de ontem.’”
Natural de São Carlos, o interesse por
panelas e fogões veio quando a mãe ganhou
um concurso que sorteava um curso de cozinha para crianças. Michele, então com 10
anos, fez o curso e adorou. “Continuei gostando, até que larguei o curso de Direito no
terceiro ano para fazer Gastronomia.”
Modo de preparo
Desfie ou pique a proteína em
pequenos pedaços, pique também
os legumes se for necessário. Misture
as azeitonas verdes e a pimenta
biquinho e reserve.
Bata os ingredientes do crepe em um
liquidificador, rapidamente. Reserve
por cerca de 30 minutos.
Em uma crepeira ou frigideira
antiaderente, espalhe pequenas
quantidades de massa e cozinhe em
fogo baixo. Vire e doure do outro
lado. Recheie cada crepe e reserve.
Para o molho branco, leve a manteiga
e a farinha de trigo ao fogo e espere
até que a farinha esteja cozida. Em
seguida, adicione o leite aos poucos,
o sal e a noz moscada e cozinhe por
cerca de 20 minutos em fogo brando.
Disponha o molho sobre os crepes
recheados, polvilhe o queijo ralado
por cima e gratine com o auxilio de
um maçarico. Rende seis porções.
Modo de preparo
Desfie ou pique a proteína em
pedaços pequenos. Pique também
os legumes, se for necessário.
Refogue a cebola roxa em fogo baixo
até que esteja completamente doce.
Em seguida, refogue rapidamente
o pimentão cortado em pedaços
pequenos. Junte as sobras e o
tomilho e refogue por alguns
minutos. Reserve.
Bata as claras em ponto de neve
firme. Leve a manteiga e a farinha
de trigo ao fogo e espere até que a
farinha esteja cozida. Adicione o leite
aos poucos – essa mistura dará um
creme espesso. Misture bem o queijo,
as gemas e o recheio. Adicione as
claras, mexendo delicadamente de
baixo para cima. Disponha o suflê em
ramequins (refratários individuais)
untados e enfarinhados. Asse em
forno pré-aquecido a 180ºC.
Rende seis porções.
tendências
| Por Fábio Brandt
Bernd Jürgens
26 | VidaBosch |
Futuro do pretérito
Uma das principais
apostas para reduzir a
emissão de poluentes no
futuro é um combustível
muito usado nos
primórdios da indústria
automobilística:
a eletricidade
A
julgar por algumas pesquisas de
ponta da indústria automobilística, o combustível do futuro poderá ser o
combustível do passado — a eletricidade.
Mais ecológicos que os convencionais, os
carros movidos a energia elétrica já podem
ser comprados em alguns países, embora
ainda sejam minoria no mercado. Nos primórdios do setor, era justamente o contrário: os veículos elétricos ou híbridos (que
funcionam com eletricidade e outra fonte)
faziam grande sucesso.
O primeiro automóvel a gasolina foi feito
em 1885 pelo alemão Karl Benz. Em 1900,
o austríaco Ferdinand Porsche exibiu um
veículo com quatro motores elétricos (cada
um ligado a uma das rodas) abastecidos
por baterias pesadas. No ano seguinte,
apresentou outro modelo, que manteve
os quatro motores, mas excluiu as baterias, usando um gerador a combustão para
alimentá-las. Outros inventos semelhantes
se sucederam, e os carros com motores
elétricos abocanharam fatia importante
do incipiente mercado.
Havia espaço para essas inovações porque as empresas ainda não sabiam qual
carro seria mais vantajoso, e o petróleo
não era um combustível difundido, analisa Ricardo Bock, professor do curso de
Engenharia Mecânica Automobilística da
FEI (Faculdade de Engenharia Industrial).
“Hoje você vai à esquina e compra um derivado de petróleo, mas naquele tempo nem
todos os países dispunham disso.” Com o
tempo, o motor a gasolina tornou-se o mais
produzido, porque tinha combustível mais
viável e garantia o melhor rendimento.
Se o desenvolvimento da indústria petrolífera ofuscou projetos automobilísticos
alternativos, a crise do início dos anos 70
recolocou-os sob os holofotes da engenharia. “Mas, na época, tinha várias limitações, como custo, autonomia e tamanho
dos veículos”, avalia Reinaldo Muratori,
diretor da Sociedade de Engenheiros da
Mobilidade (SAE-Brasil).
O impulso maior veio na década de 80,
nos Estados Unidos, quando a Califórnia
adotou uma legislação ambiental que obrigava montadoras a reduzir progressivamente as emissões. “Em certo momento, surge
a ideia de desenvolver o híbrido. Apesar
dos dois sistemas [elétrico e combustão],
ele tinha autonomia e propulsão viáveis”,
lembra o diretor da SAE.
Começava, então, uma volta às primeiras décadas da indústria automobilística.
O sistema, porém, guarda algumas diferen-
ças em relação aos do início do século 20.
O princípio é semelhante ao dos automóveis comuns. A diferença é que, quando
o carro não precisa da potência do motor
a combustão – em congestionamento ou
baixa aceleração, por exemplo –, apenas
o elétrico é acionado. Nesses momentos, a
emissão de poluentes é zero. Caso precise
de mais potência, como numa ultrapassagem, os dois motores trabalham juntos.
Com o sucesso do sistema, diversos tipos
de híbridos foram desenvolvidos. Eles se
diferenciam, ressalta Muratori, na forma
de ligar os motores ao câmbio. Há três tipos
mais comuns: o híbrido-série tem apenas
um motor conectado às rodas, o outro é
auxiliar; se o motor elétrico é o principal,
como acontece com mais frequência, o motor a combustão funciona como gerador de
eletricidade para ele, explica Muratori. O
híbrido-paralelo tem os dois motores ligados ao câmbio, e ambos movem o carro,
alternadamente — mas aqui o motor elétrico é alimentado por baterias. Já o híbridomisto é semelhante ao paralelo, mas nele
o motor a combustão pode, além de mover o veículo, gerar energia para o motor
elétrico, como no híbrido-série.
Primeiro híbrido moderno produzido
em larga escala, o Toyota Prius, lançado
em 1997, é um sedan com motor a combustão 1.8 que, aliado ao elétrico, roda
cerca de 20,4 quilômetros com 1 litro de
combustível na cidade e 21,7 na estrada.
Para efeito de comparação: o Corolla 1.8,
sedan da Toyota com combustível con-
28 | VidaBosch |
tendências
vencional, faz 11,1 km/l na cidade e 14,5
na estrada. Nos Estados Unidos, o Prius
custa de US$ 22 mil a US$ 27.270 e o Corolla, de US$ 15.350 a US$ 18.860.
O Prius já vendeu 2 milhões de unidades
em 44 países. O número é suficiente para
colocá-lo na liderança entre os híbridos,
mas seu desempenho em dez anos representa uma magra fatia do mercado automotivo: em 2008, somente no Brasil foram
vendidos cerca de 3,2 milhões de carros.
No mesmo período, nos Estados Unidos,
foram comercializadas 13,2 milhões de
unidades — o pior ano desde 1992.
Ainda mais incipiente é o mercado de
carros puramente elétricos. Um marco
nessa área é o EV1, produzido pela General
Motors entre 1996 e 1999. Foi o primeiro
elétrico moderno lançado por uma grande
montadora — tratava-se de um automóvel
esporte, para dois passageiros, que vendeu 1.100 de unidades.
O EV1 também ganhou versões híbridas,
e indicou tendências. Os dois principais
protótipos desse tipo empregavam combustíveis diferentes: um deles funcionava
com gasolina e gás natural veicular (GNV)
e o outro, com diesel — combustível usado em híbridos de transporte de carga,
de passageiros e de coleta de lixo que já
rodam na Europa e nos EUA.
O automóvel da GM teve ainda um modelo com célula de combustível, outra
tendência. Trata-se de um componente
que faz o oxigênio (capturado do ar) reagir com hidrogênio (que pode ser obtido
tendências | VidaBosch | 29
Elétrico, que é 100% movido a eletricidade
(não é um híbrido, portanto) e não emite
poluentes. Por enquanto, foram fabricadas
21 unidades. O objetivo, segundo a montadora italiana, é produzir 50 veículos até o
primeiro semestre de 2010.
O motor é pouco potente (37,8 cv) e a
velocidade máxima é bem inferior à dos
modelos convencionais (100 km/h). Com
carga completa, roda 120 quilômetros. Para
ser recarregada, a bateria precisa ficar oito
horas na tomada. Por enquanto, o modelo
só está disponível para grandes empresas
de eletricidade.
Há pesquisas também com veículos
pesados. A Volvo desenvolve um projeto
de caminhão híbrido em parceria com o
Ministério do Meio Ambiente. A Empresa
Metropolitana de Transportes Urbanos
de São Paulo (EMTU), em parceria com o
ministério e com o Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento, colocou
nas ruas da capital paulista, em agosto, um
ônibus movido a célula de combustível.
De qualquer modo, é certo que as condições brasileiras ajudam o setor — a energia
elétrica é abundante e proveniente de fonte renovável. Os economistas Gustavo dos
Santos e Rodrigo Medeiros chegam a ver
no carro com motor elétrico uma “oportunidade única” para o país. Em artigo recente, eles argumentam que este é um bom
momento para o Brasil criar uma empresa
nacional. “A nova indústria automobilística ainda está para ser construída. Esta é a
hora de entrar”, defendem.
O motor
elétrico do
Pálio Weekend
faz o carro
rodar até 120
quilômetros
sem recarregar
Nos países em que os carros
híbridos já são comercializados,
eles contam com incentivo
fiscal dos governos
O que falta para veículos como esses serem lançados no Brasil? “O carro é o de
menos”, afirma Bock, da FEI. A carga tributária brasileira dificulta a importação e
a fabricação de híbridos ou elétricos por
aqui, concordam Bock, Muratori e também
Edson Orikassa, diretor de tecnologia da
Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) e gerente de certificação
de produto da Toyota.
O incentivo fiscal que a Toyota recebe
do governo dos EUA e dos países europeus
onde o Prius é vendido explica o desempenho comercial do produto, diz Orikassa. No
Brasil, onde não há incentivos previstos,
custaria cerca de R$ 100 mil, estima.
Menos energia, mais leveza
O desenvolvimento de carros parcialmente
ou totalmente elétricos é uma tendência da
indústria automobilística que sinaliza como
será o veículo do futuro: aquele que economize combustível e não cause danos ao
meio ambiente. Para auxiliar as montadoras
nessa empreitada, a Bosch investe em novas
iniciativas, como a que envolve um grupo de
400 engenheiros da Hybrid House – criada
pela empresa em 2004 para produzir siste-
mas de veículos híbridos e elétricos.
São especialistas de diversas áreas (como
softwares, segurança e conforto veicular e
redução de emissão de poluentes) envolvidos no desenvolvimento de um sistema
híbrido completo, que abrange do eixo de
direção elétrica aos geradores para o motor, além das baterias de íons de lítio. A
equipe, formada por engenheiros dos EUA,
Europa, Japão e China, verá seu sistema
disponível no catálogo de grandes monta-
doras, pela primeira vez, no final de 2009,
com a apresentação do Volkswagen Touareg e do Porsche Cayenne, dotados da
Tecnologia Híbrida da Bosch.
No Brasil, o conceito de carros sustentáveis chegou à Bosch de Campinas. Ali, a
divisão Eletrical Drives prepara o sistema de limpadores de para-brisa do carro
da água) para produzir energia elétrica
e alimentar o motor do carro.
E o Brasil?
Para emplacarem, porém, os automóveis
movidos a eletricidade precisam mais do
que ser competitivos, diz Bock. “Depende
da conjuntura política, da cultura local,
da moda. O consumidor tem que ter se-
gurança e vontade de comprar”, destaca.
Além disso, as fábricas precisam adquirir
ferramentas e treinar técnicos para lidar
com o novo sistema. Outra particularidade
brasileira, lembra Muratori, é a disseminação dos carros flex, alternativa eficiente e
econômica aos carros convencionais. “Isso
limita um pouco os híbridos.”
O projeto brasileiro mais adiantado para
automóveis nessa área é o Palio Weekend
Arquivo Bosch
A Bosch na sua vida
Pininfarina AE (autoelétrico), produzido
pelo estúdio italiano de design Pininfarina
– que projeta modelos de marcas como
Ferrari, Maserati e Alfa Romeo.
A diminuição do peso do limpador é o
objetivo da Bosch no projeto, já que a leveza do material aumenta a autonomia do
motor elétrico. Após participar do desen-
volvimento dos limpadores para o Honda
Fit, no Japão, e para o Renault Logan, na
França, os brasileiros foram convidados
a assumir o Pininfarina. Se aprovado, o
projeto será produzido no Brasil e exportado para a Itália, tornando-se mais uma
contribuição da Bosch em eficiência para
o carro do futuro.
Conteúdo exclusivo on-line I www.vidabosch.com.br
• Conheça algumas tecnologias e componentes Bosch para carros do futuro
grandes obras
| Por Aline Buaes
Cássio Vasconcellos/SambaPhoto
30 | VidaBosch |
Unidos,
preservaremos
Parceria entre ambientalistas e
Petrobras redefine o empreendimento
que será responsável por 30% da
produção brasileira de gás natural
O
Polo de Mexilhão, no litoral de São Paulo, tem
importância suficiente para ganhar destaque na
economia nacional — de lá sairá 30% da produção do
gás natural do país, que abastecerá a região de maior
Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, o Sudeste. Mas
é em outra vertente, a ambiental, que o empreendimento já fez história. Pela primeira vez, organizações
ambientalistas, grandes empresas e órgãos governamentais uniram-se formalmente para definir pontos
essenciais do projeto.
Considerado estratégico para o abastecimento brasileiro de gás, o polo é um dos cinco complexos de produção a serem implantados na Bacia de Santos, que se
estende de Cabo Frio (RJ) até as proximidades de Florianópolis (SC). O projeto prevê a instalação de uma megaplataforma posicionada entre o campo de Mexilhão
(localizado a 160 quilômetros da costa) e uma unidade
de tratamento de gás a ser construída no município de
Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo.
O polo envolve a construção e a instalação da maior
plataforma fixa de gás natural do Brasil, de 227 metros
de altura, que já está em fase de testes e será instalada
a 140 km da costa de Caraguatatuba. Envolve também
a construção de um gasoduto de 146 quilômetros (que
grandes obras
ligará a plataforma até uma unidade de
tratamento de gás), da própria Unidade
de Tratamento de Gás de Caraguatatuba
e, por fim, a implantação de um gasoduto de 96 quilômetros que levará o gás de
Caraguatatuba para Taubaté (SP), onde se
interligará à rede nacional. O investimento
total é de US$ 3,5 bilhões.
Com previsão de entrar em operação em
maio de 2010, o Polo de Mexilhão vai receber
também a produção de gás de outros dois
campos, Uruguá e Tambaú (localizados 170
quilômetros a leste do campo de Mexilhão),
e do projeto piloto de Tupi, localizado no
Polo Pré-sal da Bacia de Santos.
Desse modo, quando a unidade de Caraguatatuba estiver a todo vapor, vai processar até 18 milhões de m³ de gás natural
por dia — o equivalente a cerca de 30%
da produção diária atual do Brasil. Isso
ajudará a reduzir a dependência externa nesse setor.
O anúncio desse megaempreendimento,
em meados de 2006, mobilizou os ambientalistas no Litoral Norte de São Paulo, região conhecida por sua forte vocação para
o ecoturismo, recoberta em boa parte por
Mata Atlântica e ecossistemas de restingas e manguezais e protegida por diversas
unidades de conservação. A preocupação
não era apenas com problemas como a
interferência nas atividades da pesca artesanal, a modificação dos ecossistemas
terrestres e marinhos, os impactos nas áreas
do entorno dos parques estaduais da Serra
do Mar, de Ilhabela e Ilha Anchieta, a desestabilização das encostas ou a poluição
dos rios. É que o Polo de Mexilhão deve
atrair outros grandes empreendimentos
nos próximos anos, como a ampliação do
porto de São Sebastião, um aeroporto e a
instalação de uma penitenciária.
“Foi diante desse cenário que surgiu
a principal preocupação dos ambientalistas”, afirma o arquiteto e consultor
ambiental Paulo André, presidente do
Instituto Onda Verde, de Caraguatatuba.
Ele destaca que o maior impacto trazido
por obras de grande porte como estas é
a possível migração de numerosa mãode-obra desqualificada para a região em
busca de emprego, o que provoca maior
número de desempregados e impactos
grandes obras | VidaBosch | 33
AG. Petrobras/Divulgação
Polo de Mexilhão, que deve receber
investimentos de US$ 3,5 bilhões,
inclui maior plataforma fixa de gás
natural do Brasil, dois gasodutos e
uma unidade de tratamento de gás,
no Litoral Norte de São Paulo
A parceria com
ambientalistas
fez com que
a Petrobras
modificasse
os traçados
dos gasodutos
na obra
EP
MG
Bacia do
Espírito Santo
SP
RJ
Caraguatatuba
PR
SC
Plataforma
de Mexilhão
Bacia de Campos
Bacia de Santos
nas áreas de saúde e segurança e saneamento ambiental.
Em julho de 2008, após meses de audiências públicas conturbadas, os ambientalistas, representados pelo colegiado
Real Norte, decidiram firmar um convênio
com a Petrobras para cooperação técnico-científica, mediado pela Universidade
Católica de Santos.
Foi então que nasceu essa parceria
inédita no Brasil entre ambientalistas e
grandes empresas, que chama a atenção
pela organização, estabilidade e, principalmente, efetividade das suas ações. A
parceria funciona por meio do Comitê de
Promoção do Diálogo para a Sustentabi-
lidade do Litoral Norte do Estado de São
Paulo (Comdial), tem duração inicial de
dois anos, orçamento de R$ 2,6 milhões
financiado pela Petrobras e propõe um
conjunto de estratégias para gestão, que
inclui a participação das entidades nos
projetos de construção e instalação da
empresa na região.
A iniciativa, que não faz parte das exigências do Ibama para conceder o licenciamento ambiental, também está centralizando as avaliações sobre outros projetos
que possam trazer impacto à região.
“Trocamos informações com a Petrobras
e interferimos nos projetos e programas
de mitigação ambiental das obras de construção do polo, com sugestões e propostas,
além de articular uma parceria com a empresa”, afirma o presidente da RealNorte,
Roberto Francine.
A inovação desse aspecto do projeto do
Polo de Mexilhão também é destacada pelo gerente-geral da Unidade de Negócios
da Petrobras na Bacia de Santos, José Luiz
Marcusso. “É uma ação completamente inovadora de gestão, pois agrega atividades
empresariais, governamentais, ações de
ONGs, e atividades de ensino e pesquisa.”
Por meio das ações do convênio, os ambientalistas obtiveram algumas vitórias,
como a modificação do traçado original do
gasoduto que ligará a plataforma marítima
à Unidade de Tratamento de Gás. Conforme explica Paulo André, do Instituto Onda
Verde, o traçado original foi modificado no
trecho de entrada no continente através da
praia, a fim de evitar que o gasoduto atravessasse uma área de proteção ambiental
e alterasse os cursos de água.
Mas a grande conquista citada por André foi a modificação no traçado de outro
gasoduto, o que liga Caraguatatuba a Taubaté. A forte influência dos ambientalis-
tas no projeto levou às modificações que
determinaram a construção de um túnel
para a passagem dos dutos por baixo da
Serra do Mar. A Petrobras vai implantar as mudanças, apesar de implicarem
grandes investimentos em tecnologias
alternativas e atrasos consideráveis no
cronograma das obras.
O convênio também prevê a participação dos ambientalistas no planejamento
e na execução das medidas exigidas pelo
Ibama na concessão da licença ambiental.
Essas iniciativas incluem promoção de
atividades de educação ambiental junto
à comunidade e aos trabalhadores das
obras, plantio de árvores no entorno da
unidade produtora de gás, mitigação do
impacto ambiental junto às comunidades
que vivem da pesca artesanal em Ilhabela, além de outras ações visando o monitoramento e o controle da poluição e
da erosão durante as obras na parte terrestre e marítima.
A Bosch na sua vida
Menos descarte, mais praticidade
As obras do Polo de Mexilhão, tanto em
terra quanto no mar, necessitam de grandes estruturas, onde o acesso dos operários nem sempre é simples. Uma ferramenta à bateria da Bosch, que tem entre
suas características a portabilidade, está
ajudando os trabalhadores a chegar com
facilidade aos locais mais complicados.
O Martelete GBH 36 V-LI (foto à dir., no
alto), que tem a função de furar concreto,
é usado na fixação de corrimãos de escada, de aparelhos elétricos e de guindastes
para erguer outros aparelhos, processos
essenciais para montar a estrutura necessária ao serviço. Sem a necessidade de
cabos, o grande diferencial desse martelete é reunir, em uma ferramenta robusta
(suporta queda de altura de 2 metros), a
praticidade das baterias de íons de lítio.
Esse tipo de bateria armazena muito mais
energia que as convencionais, diz Rober-
to Barros, consultor técnico da Bosch.
Ela carrega em metade do tempo e tem
autonomia e vida útil três vezes maiores
do que a convencional, de níquel cádmio.
Com maior vida útil, há menos descarte,
o que faz a obra produzir, ao fim, menos
lixo eletrônico.
Outro equipamento da Bosch usado na
obra traz o mesmo benefício ambiental. O
motor de 1.400 watts da esmerilhadeira
angular GWS 14-125 (foto à dir., abaixo),
usada em Mexilhão para fazer acabamentos
na estrutura metálica da obra, tem vida
útil maior do que os convencionais. Além
disso, a ferramenta traz mais segurança
para os trabalhadores, com o mecanismo
kickback stop. A função identifica quando
há um travamento no disco e desliga a
máquina imediatamente, impedindo que
o disco se quebre. Isso evita que o operário se machuque e diminui o descarte
desnecessário de lixo.
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• Íons de lítio: você sabe o que é isso?
Arquivo Bosch
32 | VidaBosch |
34 | VidaBosch |
brasil cresce
| Por Dayanne Sousa
Yalayama
Ljupco Smokovski
Crescimento vegetativo
Frutas, verduras, grãos e sucos são os expoentes do
mercado de orgânicos, que movimenta US$ 40 bilhões no mundo e cresce 7% ao ano
Elena Moiseeva
O
que já foi coisa de poucos e insistentes defensores da ecologia se
transformou num dos setores agrícolas
economicamente mais promissores. Hoje,
o mercado mundial de orgânicos movimenta US$ 40 bilhões e cresce cerca de
7% por ano, de acordo com o Instituto de
Pesquisa de Agricultura Orgânica, órgão
internacional de pesquisas sobre o setor.
No Brasil, os investimentos são recentes e o crescimento é ainda mais intenso:
chega a 40% ao ano, segundo estimativa
adotada pela associação de produtores
orgânicos BrasilBio. Se há duas ou três
décadas os orgânicos eram encontrados
apenas em poucas feiras, hoje estão em
lojas, no menu de restaurantes e nas prateleiras dos supermercados.
Frutas, verduras, polpas, geleias e grãos
são algumas das principais opções. Para
ser orgânico, o cultivo do produto ou de
seus ingredientes deve seguir uma série
de regras ambientais. É preciso ter um selo ecológico, dado por uma empresa que
faz vistorias nas plantações. Para obtê-lo, o
agricultor não pode usar agrotóxicos, fertilizantes ou qualquer substância química
danosa à saúde e ao meio ambiente, deve evitar fontes de energia não renovável,
preservar o solo e preferir mão-de-obra
humana a máquinas. Alimentos extraídos
da floresta, como castanha e palmito, podem ser considerados orgânicos se forem
retirados sem impacto ao ambiente.
São esses cuidados que fazem um número
cada vez maior de consumidores preferirem
os orgânicos. Um levantamento do Ibope
feito em mais de 100 cidades brasileiras
em 2008 indicou que 50% dos entrevistados escolhem seus alimentos levando em
conta “produtos que venham em embalagens recicláveis e que respeitem critérios
ambientais e sociais”. Outra pesquisa anual
da Natural Marketing Institute, nos Estados
Unidos, aponta aumento de 12% ao ano no
número de consumidores do tipo “devoto”,
ou seja, com grande preocupação com o
ambiente e com a saúde.
“Dá para ver que está crescendo o interesse de grandes redes de supermercado
pelo conceito de natural”, afirma Ming Liu,
coordenador-executivo do projeto Organics
Brasil, que dá consultoria a produtores. “Isso é reflexo de que os consumidores estão
desejando mais esses produtos”, conclui.
“Se antigamente tinha só meio metro [de
prateleiras para orgânicos] num supermercado, hoje tem uns cinco”, diz o produtor
Dionísio Santana, que cultiva frutas e vegetais orgânicos em Jarinú, São Paulo. “Hoje,
tudo de orgânico que se planta é vendido;
se um produtor planta uma couve, ele não
deixa de vender”, conta.
Num levantamento feito junto às maiores certificadoras de terras que atuam no
país, o Organics Brasil calculou que são
1,77 milhão de hectares de áreas agrícolas destinadas aos orgânicos no país. Isso
dá ao Brasil o terceiro lugar no ranking
dos países com maior espaço para cultivo
dos produtos, atrás apenas de Austrália
e Argentina.
36 | VidaBosch |
brasil cresce
brasil cresce | VidaBosch | 37
Baevskiy Dmitry
Outro atrativo para as compras é o benefício à saúde. Há pesquisas que apontam que os orgânicos têm mais nutrientes
que os alimentos convencionais, e outras
apontam o contrário, mas a maior vantagem está na ausência de agrotóxicos. Estudo da Fundação Oswaldo Cruz feito em
2008 em cidades do Paraná mostrou que
tanto agricultores como consumidores de
verduras com muito agrotóxico estavam
sujeitos a queda de fertilidade e problemas
hormonais. O uso intenso desses produtos
também é antiecológico, porque mata microorganismos que fertilizam a terra.
Para Rogério Dias, coordenador de
agroecologia do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, os orgânicos passaram a ganhar destaque no
momento em que discussões ecológicas
entraram na pauta do mundo todo, durante os anos 90. No Brasil, o impacto veio
com mais força nos últimos cinco anos,
quando o crescimento das exportações
foi acompanhado de aumento nas vendas
nos supermercados do país.
associação de produtores BrasilBio. Para
ele, porém, é a partir de agora que as oportunidades vão surgir para os produtores.
“Tudo é muito novo, todo o setor está aberto
ao mercado, tanto na produção como na
embalagem, no transporte, na logística...”.
Há esforços para que as embalagens de
orgânicos sejam, de preferência, biodegradáveis, e a nova lei determina que esses alimentos não podem ser guardados
juntos com outros. Detalhes assim, afirma
Ribeiro, devem estimular as empresas a
desenvolverem novas tecnologias e impulsionar o setor.
Os produtos mais exportados são a soja
e o açúcar, que duram mais e que, mesmo
nos cultivos tradicionais, já tinham conquistado o mercado externo. Mas, além disso,
agricultores aproveitam o apelo exótico
que algumas frutas típicas ganham no exterior. “Esses consumidores estrangeiros
não querem só o produto, eles querem
uma história”, destaca Ming Liu. Ele diz
Para um produto receber
o selo de orgânico, o agricultor
não pode usar agrotóxicos,
fertilizantes ou qualquer
substância química danosa
que têm grande apelo produtos como castanha e polpa de açaí.
Já na cesta de compras do brasileiro, o
tomate orgânico é o campeão, seguido pela
cenoura e folhas como o alface, segundo os
agricultores Dionísio Santana e Fernando
Ataliba. Esses são alguns dos alimentos que
mais recebem contaminação por agrotóxicos, de acordo com análises da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária: o tomate esteve à frente na lista no ano passado,
hoje liderada pelo pimentão.
Mesmo tendo conquistado as prateleiras dos supermercados recentemente,
os orgânicos ainda são vendidos em apenas 27% dos estabelecimentos, segundo
a Associação Brasileira de Supermercados. “Viver de agricultura orgânica só foi
possível quando se começou a trabalhar
com as grandes redes, mas o grosso da venda ainda está por vir, o supermercado só
tem servido para dar mais visibilidade”,
observa Fernando Ataliba, agricultor de
Indaiatuba, São Paulo.
Em média, o preço dos orgânicos é mais
alto que o de produtos equivalentes, já
que em geral são cultivados em menores
quantidades, usando mais mão-de-obra
e, mesmo no caso dos vegetais e frutas,
quase sempre são vendidos embalados. O
Ministério da Agricultura tem criado propagandas e cartilhas educativas apostando
que, mesmo com o preço mais alto, as vendas dentro do país crescerão ainda mais
quando o consumidor souber o que são os
orgânicos e quais seus benefícios.“Temos
a clareza de que o Brasil tem potencial
para ser um grande consumidor de orgânicos”, diz Rogério Dias.
A Bosch na sua vida
No ano que
vem, entra
em vigor a
primeira lei
específica no
Brasil sobre
orgânicos.
Haverá um
selo único
para todos
os produtos
do setor
O grande impulso para o setor brasileiro,
até agora, veio por meio das exportações.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário
estima que 70% da produção orgânica no
Brasil seja exportada. Só entre 2006 e 2007,
o rendimento das exportações de orgânicos quase quadruplicou, saltando de R$ 4,8
milhões para R$ 11,9 milhões. Em 2008, com
o início da crise econômica global, o saldo
continuou crescendo, embora a taxas menores, e ficou em R$ 12,3 milhões.
Governo e produtores esperam que o
mercado interno ganhe mais maturidade
nos próximos anos, já que em 2010 entra
em vigor a primeira lei específica para o
setor. Ao contrário de países como Alemanha, França e Estados Unidos – que têm regras para incentivar os orgânicos desde os
anos 90 –, aqui os incentivos são recentes.
A partir do ano que vem, haverá o primeiro
selo único para que todos os produtos orgânicos brasileiros sejam mais facilmente
identificados. Atualmente, cada empresa
certificadora utiliza um selo diferente.
“O Brasil está pelo menos uns 20 anos
atrasado”, diz José Alexandre Ribeiro, da
Na embalagem, menos é mais
A transformação dos orgânicos em um
grande mercado só foi possível com uma
transformação na mentalidade dos consumidores. Hoje, eles estão mais alertas
e exigentes sobre os impactos ambientais
de tudo o que compram. Esse cuidado
se reflete não apenas no conteúdo, mas
também nas embalagens dos orgânicos,
que, com tecnologia avançada, podem ser
desenvolvidas reduzindo o lixo e economizando recursos naturais.
É isso o que fazem as embaladoras da
Bosch, ao evitar o desperdício de materiais empregados no invólucro, como o
plástico. Com cortes precisos, máquinas como a Flowpack 203 e as da linha
SVB, entre outras, economizam até 12%
do material, diz Franklin Sousa, gerente
de projetos da Divisão de Tecnologia de
Embalagem da Bosch. “Para uma embalagem de 100 milímetros, outras máquinas
gastam 125 milímetros de plástico, mas
a máquina Bosch usa 110 milímetros”,
exemplifica. “Esses 15 milímetros não
vão para o meio ambiente, imagina isso
para cada 100 produtos desses.”
A economia é possível porque essas embaladoras têm sensores para detectar melhor o tamanho do produto, e um software coordena os movimentos da máquina
de acordo com a medição. Outra forma
de diminuir o lixo é a embalagem com
zíper, que pode ser feita pelas máquinas
da linha SVB. “O zíper possibilita a utilização desta embalagem por um longo
período, evitando que os produtos sejam
colocados em outros recipientes e esta
embalagem seja jogada imediatamente
no meio ambiente”, observa Sousa. Os
equipamentos podem fazer pacotes de
diferentes tipos, como os que servem
para café e açúcar, alguns dos principais
produtos orgânicos do Brasil.
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• Desperdício zero! Saiba por que a Bosch é líder mundial em tecnologia de embalagem
Arquivo Bosch
Correndo atrás
38 | VidaBosch |
atitude cidadã
| Por Isabel Malzoni
Arquivo Bosch
Estudantes
aprendem
sobre cultivo
sustentável de
alimentos no
Laboratório de
Vivência Verde
e Educação
Ambiental,
em Campinas
Lições verdes no quadro negro
Brasil dá capacitação em
educação ambiental para
23 mil professores da rede
pública e vê número de
cursos ligados à área mais
do que triplicar
Shutterstock
Q
uando foi criada a Política Nacional
da Educação Ambiental, que completou uma década em abril de 2009, ecologia, para muitos, ainda era assunto só
de ambientalista e aquecimento global,
de pessimista. O cenário mudou, e especialistas comemoraram o aniversário do
documento com a constatação de avanços na área. “A sociedade percebeu a urgência de cuidarmos do meio ambiente e
repensarmos nosso modo de vida. Muito
disso se deve à educação”, defende Declev Dib-Ferreira, educador ambiental e
um dos responsáveis pela Rede Brasileira
de Educação Ambiental (REBEA).
A entidade que Dib-Ferreira integra é
um exemplo da evolução brasileira na área.
Começou como um grupo que, para não
deixar a articulação entre os profissionais
de educação esfriar após a Conferência
Rio-92 (reunião de líderes mundiais que
estabeleceu parâmetros para políticas em
relação ao meio ambiente), se organizou
para fazer intercâmbio de experiências.
Hoje, conta com 45 sub-redes estaduais.
Um mecanismo complementar de troca de
informações entre os professores, o Sistema
Brasileiro de Educação Ambiental, mostra
que esse tipo de comunicação cresceu. São
mais de 16 mil professores ligados ao meio
ambiente cadastrados na plataforma para
troca de informações sobre a área.
Desde a criação da política nacional para
o setor, os projetos educacionais cresceram e amadureceram. De 1999 até 2007, o
governo capacitou 23 mil professores na
área ambiental por meio de cursos de especialização de 180 horas, ministrados em
dez universidades federais. Em 2009, um
novo programa, desta vez em formato de
educação continuada à distância, pretende
formar mais 12 mil professores.
Não apenas os professores estão envolvidos com o tema. Em abril, a 3a Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo
Meio Ambiente reuniu em Goiás cerca de
700 alunos com idade entre 11 e 14 anos
para discutir o fortalecimento da escola
nas políticas de meio ambiente. O processo
de discussão anterior ao encontro mobi-
lizou 20 mil escolas. Depois do evento, o
governo anunciou que pretende que o país
sedie uma conferência internacional de
jovens em 2010, nos mesmos moldes. “O
Brasil é forte em movimento popular. Não
temos só gente fazendo, mas sim pensando
também. Hoje a população tem uma visão
mais clara do que é educação ambiental,
de que nosso papel é questionar o modo
de vida que gasta indiscriminadamente
os recursos do planeta, não apenas fazer
gincanas para recolher latinhas como era
antes”, afirma Dib-Ferreira.
A parte do governo
A Política de Educação Ambiental é coordenada pelos Ministérios do Meio Ambiente
e da Educação, tendo como diretrizes curriculares recursos hídricos, unidades de
conservação, licenciamentos ambientais,
saneamento e mudanças climáticas. Entre
os principais projetos do Ministério do Meio
Ambiente, responsável pela educação não
formal, estão as Salas Verdes, espaços de
informação, educação e ação socioambiental
situados em 360 instituições de ensino. Já
o Ministério da Educação conduz a qualificação de professores e estabelece ações
estruturantes, como as Comissões de Meio
Ambiente e Qualidade de Vida (Com-Vida),
40 | VidaBosch |
atitude cidadã
que acompanham o ensino ambiental, e,
junto com os alunos, tentam implantar nas
escolas a Agenda 21 (diretrizes da ONU para
viabilizar a sustentabilidade). Nas escolas
públicas, a educação ambiental não entra
como disciplina, mas como conhecimento
a perpassar todas as matérias.
Apesar da preocupação com o tema,
pouco se sabe sobre os resultados do direcionamento dado às políticas de educação
ambiental na última década. “Falta avaliar
a política pública e talvez revê-la, debater
o conceito do que é a educação relativa ao
meio ambiente e atualizar outros”, afirma
Renata Maranhão, gerente de projetos do
Departamento de Educação Ambiental do
Ministério do Meio Ambiente. Mesmo sem
ter indicadores, afirma Renata, avalia-se
dentro do governo que descentralizar as
medidas educacionais e encorajá-las na
sociedade foi uma posição acertada.
Não é apenas o governo que se preocupa com a educação ambiental. Várias
atitude cidadã | VidaBosch | 41
Arquivo Bosch
Ampliação
da educação
ambiental,
por iniciativas
públicas ou
privadas,
baseia-se no
entendimento
de que é
essencial agir
no presente
e localmente
ONGs têm atividades relacionadas ao setor, algumas delas reunidas na Ecolista,
um cadastro nacional de instituições da
área mantido pelo Instituto de Estudos
Ambientais Mater Natura.
Uma delas é a Fundação Gaia que, em
parceria com a inglesa Global Ecovillage
Network (GEN), fez da cidade litorânea
catarinense Garopaba a primeira “cidade em movimento” do Brasil. O conceito
nasceu em Totnes, no sul da Inglaterra, em
2005, e consiste em buscar soluções para a
substituição do petróleo como combustível e para as mudanças climáticas criando
comunidades sustentáveis. Já há cerca de
100 cidades engajadas nesta procura de
soluções. O projeto de educação ambiental
catarinense já havia começado dez anos antes, com a atuação da ONG. Com a parceria
da prefeitura e a colaboração dos desenvolvedores do conceito, já são realizados
projetos ambientais em todas as escolas da
cidade e iniciativas de fortalecimento da
agricultura orgânica familiar. Além disso,
foi criado um pátio de compostagem para
gerar adubo à agricultura e incentiva-se a
bioarquitetura, que minimiza desperdícios
e reaproveita materiais construtivos. Com
medidas ambientais por todos os lados, Garopaba consegue fortalecer seu exemplo
frente à população, servindo de incentivo
para que as ações sustentáveis do governo
sejam incorporadas pelos habitantes.
O papel das empresas
As empresas acompanham o movimento
do poder público e começam a também
adotar políticas ecologicamente corretas.
“A sociedade entende que agir localmente
e no presente passou a ser uma necessidade de sobrevivência. Isso reflete diretamente em empresas que investem cada vez mais em produtos que preservem
nosso planeta, desde que faça bem para o
bolso”, afirma o professor Eduardo Mario
Mendiondo, da Escola de Engenharia de
São Carlos (USP). No Brasil, 227 empresas
já assinaram o Pacto Global da ONU, que
prevê, entre outras coisas, compromissos
com a adoção de medidas preventivas em
relação a danos à natureza.
Essa mentalidade se reverteu no aumento da procura e da demanda por cursos
superiores voltados ao meio ambiente. De
acordo com o Censo da Educação Superior,
o número de cursos de Engenharia Ambiental triplicou entre 2000 e 2007 (de 31
para 97) e a oferta de vagas quase dobrou
(de 4.881 para 8.493). Nas vagas de cursos
classificados como de “Proteção do Meio
Ambiente” (o que inclui Gestão Ambiental, Meio Ambiente e Recursos Naturais),
o número é ainda mais surpreendente. De
apenas 42 vagas em dois cursos, em 2001,
passou para 13.708 vagas, em 159 cursos. Esse
crescimento, de acordo com Mendiondo, se
deve a um aumento na demanda por profissionais capazes de gerenciar e otimizar
as etapas de uma produção ambiental.
Arquivo Bosch
A Bosch na sua vida
Da esquerda para direita: projeto Trilhando o Futuro, Laboratório de Vivência Verde e Educação Ambiental, Cooperativa das Costureiras
Fora da sala, dentro da natureza
A Bosch estabeleceu, em nível mundial, uma série de princípios
de responsabilidade ambiental que incluem desde verificações
e visitas técnicas a empresas fornecedoras de matéria-prima até
a preocupação com o descarte de seus produtos. As diretrizes
estabelecem também que deve ser priorizado o uso racional dos
recursos e que todos os colaboradores da companhia devem prezar pela segurança no trabalho e pela preservação ambiental.
Os princípios desdobram-se em ações sociais, como as iniciativas
de educação ambiental que o Instituto Robert Bosch desenvolve
em comunidades próximas às unidades da empresa no Brasil.
Um exemplo é o Laboratório de Vivência Verde e Educação Ambiental, que ensina cultivo de alimentos para alunos da Escola
Estadual Professor Carlos Cristovam Zink, de Campinas. Situado
no clube da Bosch, tem orquidário, minhocário, pomar orgânico
e destina sua produção de hortaliças à merenda da escola.
Os estudantes visitam o laboratório três vezes em um ano. Na
primeira visita, conhecem as etapas do cultivo. Na segunda,
plantam mudas e, na terceira, colhem. O projeto mostra aos
alunos que uma horta pode ser feita em qualquer espaço. Entre
os parceiros da iniciativa também está a Associação dos Funcionários da Robert Bosch.
Ensinar a plantar também é o foco em Simões Filho (BA). O Instituto apoia a ONG Cidade da Criança em um projeto de horta
hidropônica (em meio líquido). Por ano, 700 jovens de 7 a 24 anos
participam da horta – que não usa agrotóxicos – e são instruídos
sobre como cuidar dela. Colhem-se, por dia, até 700 pés de alface, usados no preparo das 600 refeições servidas pela ONG.
da Vila Verde e Projeto Mundo que eu Quero Verde – iniciativas do Instituto Robert Bosch que ensinam noções sobre sustentabilidade
Uma parte é vendida para a comunidade a preços baixos.
Em vez de alfaces, crianças atendidas pelo Instituto Robert
Bosch em Curitiba aprendem a plantar árvores e a cuidar de
sua comunidade. Isso é importante para duas comunidades nos
arredores do rio Barigui, região castigada por enchentes e poluição. No projeto Trilhando o Futuro, a companhia cede mudas
para serem plantadas na estufa da escola infantil Nova Barigui
e nas margens do rio por 130 crianças e seus familiares. Os
alunos disseminam consciência ambiental entre os moradores
da região e aprendem a fazer coleta seletiva.
Já o projeto O Mundo que eu Quero Verde envolve 140 alunos
da escola infantil Barigui na reciclagem do lixo coletado por eles.
Na escola, o material é separado e colocado em coletores.
Ainda em Curitiba, a Cooperativa das Costureiras da Vila Verde,
fundada em 2001 com auxílio financeiro do Instituto, reúne 20
profissionais que confeccionam produtos ambientalmente corretos,
como sacolas de algodão cru e embalagens de TNT – reutilizáveis
e com vida útil maior. Hoje elas arcam com as próprias despesas,
têm site (www.coopercostura.com.br) e são auxiliadas pelo Instituto para conseguir cursos de costura e cooperativismo.
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• Preocupação com o futuro: conheça os projetos apoiados pelo Instituto Robert Bosch
• Conheça o novo site de Sustentabilidade Bosch: www.bosch.com.br/sustentabilidade
aquilo deu nisso
| Por Felipe Lessa
Fotos Shutterstock
42 | VidaBosch |
A reciclagem se recicla
Reaproveitamento de
materiais evolui
e desenvolve novas
técnicas para acompanhar
mudanças de hábitos
de consumo
na sociedade
R
eaproveitar materiais não é propriamente uma novidade. Os japoneses
reutilizam papel há mais de mil anos, os
norte-americanos fundiam metais gastos
para fabricar armas já na Guerra de Independência, e nossos avôs compravam
vasilhames retornáveis. Mesmo assim,
transformar produtos em matéria-prima
para dar origem a novos objetos ainda é um
processo pouco difundido em comparação
aos resíduos que produzimos. Se reciclar
papel e cobre são técnicas há muito tempo
conhecidas, boa parte do que consumimos
(plástico, isopor e componentes eletrônicos, por exemplo) carece de tecnologia ou
de mudanças culturais para que tenha um
bom reaproveitamento.
A reciclagem em larga escala começou
nos países desenvolvidos – sobretudo Estados Unidos e Europa Ocidental –, na década de 40, durante a 2ª Guerra Mundial.
Com a indústria focada na produção de
armas, os bens de consumo se tornaram
mais caros e até escassos. Levando isso em
conta, os governos começaram a estimular
os cidadãos a reciclar para diminuir a pressão sobre a indústria e conter os elevados
níveis de inflação daquela época.
Isso, no entanto, não durou muito. A
partir dos anos 50, o descarte e o consumo desenfreado se tornam mais frequentes, conta Emílio Eigenheer, professor da
pós-graduação em Ciência Ambiental da
Universidade Federal Fluminense (UFF).
Afinal, não fazia sentido reutilizar o que
havia sido comprado se a maior parte dos
bens passou a ser produzida rapidamente
e a preços mais baixos. Resultado: aterros abarrotados nas grandes cidades e o
início dos debates públicos sobre o tema
- principalmente nas nações ricas.
Você se lembra do quanto de “quinquilharias” sua avó guardava? Pois a luta pela
reciclagem hoje tenta retomar um pouco
desse padrão de consumo. “Mudar os hábitos se tornou um dos principais paradigmas
da reciclagem. Quanto mais consumimos,
mais lixo”, afirma Eigenheer, que foi responsável pela implementação do primeiro
sistema de coleta seletiva do Brasil.
Nos anos 80, os movimentos sociais conseguiram colocar o meio ambiente em pauta
com o relatório “Nosso Futuro Comum”,
elaborado por um grupo de ambientalistas
sob a coordenação da então premiê norueguesa, Gro Brundtland. Pela primeira vez
usou-se “desenvolvimento sustentável” em
um documento oficial. “A ideia era criar um
meio termo entre as necessidades atuais e
o compromisso de que as gerações futuras terão recursos naturais”, afirma André
Vilhena, diretor da organização Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre). Nessa fase, além da reciclagem, foram
introduzidas tarefas complementares: a
redução do consumo e a reutilização. É a
famosa tríade dos “erres”.
Diferentemente dos EUA ou da Europa,
o desenvolvimento da atividade no Brasil
aconteceu pelas mãos dos catadores. “Os
carroceiros e os catadores de papel que
circulam pelos bairros são figuras antigas, e a reciclagem no Brasil deve muito
aquilo deu nisso
aquilo deu nisso | VidaBosch | 45
Somente
8,2% dos
municípios
brasileiros
têm serviços
de coleta
seletiva
Com a ajuda dos catadores,
o Brasil é o país que mais recicla
alumínio, chegando a 96,5%
das latinhas
a eles”, ressalta o presidente do Instituto
Brasil Ambiente, Sabetai Calderoni.
Nas reuniões entre moradores de rua
para receber ajuda de entidades religiosas,
no Glicério, região degradada da capital
paulista, surgiu, em 1989, a ideia de criar a
primeira cooperativa do gênero no Brasil, a
Coopmare. Hoje são 80 catadores associados
e 120 avulsos, que recolhem 200 toneladas
por mês de material reciclável.
A dependência dos catadores é fruto
da falta de estrutura de coleta seletiva:
apenas 8,2% dos municípios brasileiros
contavam com o serviço em 2004, segun-
do o IBGE. Mesmo assim, com a ajuda deles, o Brasil está entre os países que mais
reciclam alguns materiais no mundo. Em
2007 foram reaproveitadas 96,5% das latas de alumínio, o que coloca o país na
primeira posição do ranking da área. No
caso do vidro, a porcentagem chegou a
47% no mesmo ano, contra 40% nos Estados Unidos. Quando se fala em resíduos
orgânicos, entretanto, somente 1,5% vira
adubo e fertilizante. “Quase não se ouve falar em compostagem. São raros os
programas que mexem com isso. É uma
lacuna”, lamenta Eigenheer.
Resíduos high-tech
A relação entre tecnologia e reciclagem é
paradoxal. Se os avanços permitiram fabricar mais produtos – produzindo mais
resíduos – , eles também tornaram possível
a reciclagem de uma gama maior de materiais. O caso mais emblemático é o das
embalagens longa-vida, que tinham reciclagem bastante limitada em função de sua
composição: papel (75%), plástico (20%)
e alumínio (5%). Extrair separadamente
todos esses elementos com alto índice de
aproveitamento era o grande desafio.
Após sete anos de pesquisa, uma parceria entre Klabin, Tetra Pak , Alcoa e TSL
Ambiental mudou esse quadro. Em uma
fábrica em Piracicaba, no interior de São
Paulo, a tecnologia de plasma – pioneira
no mundo – permitiu a separação total entre plástico e alumínio. A mistura é submetida à aplicação de plasma dentro de
reatores. Como resultado, o plástico se
quebra em moléculas, transformando-se
em parafina, que pode ser reaproveitada em diversos setores. Já o alumínio se
funde em alta temperatura, pronto para
ser empregado novamente em embalagens. A inovação já deu resultados: das 10
bilhões de caixas colocadas no mercado
no ano passado, 26,6% foram recicladas,
segundo a Tetra Pak.
Outro material que começa a ser mais
reaproveitado é o óleo de cozinha, geralmente jogado no ralo após o uso – o
que polui rios e entope encanamentos.
Foi desenvolvido um processo no qual
um composto químico é misturado ao
óleo, o que dá origem a matéria-prima
para fabricar sabão, amaciante de couro,
biodiesel e até ração para animais. Neste
caso, uma mudança de comportamento e
a mobilização popular para não despejar
óleo e levá-lo aos postos de coleta são
fundamentais, ressalta Fabrício França, diretor da ONG ambiental Instituto
Triângulo, uma das entidades que fazem
reciclagem do material.
Mobilização, desta vez do governo, impulsionou a reciclagem de outro material
de decomposição difícil: os pneus. Após um
decreto de 2001 que prevê aplicar multa a
quem descartar esse material nos lixões,
começou a crescer o número de entidades
para transformar pneus velhos em uma espécie de substituto do carvão que pode ser
usada nos fornos das usinas siderúrgicas
ou em brinquedos para crianças.
Se a tecnologia resolve alguns problemas relacionados aos resíduos, outros
continuam sendo criados. Usar lâmpada
fluorescente economiza energia e é bom
para o meio ambiente, certo? Sim, mas
quando elas chegam ao descarte, é muito
mais difícil de reciclar alguns de seus componentes (metais pesados e gases tóxicos
que podem contaminar o meio ambiente).
Nas lâmpadas incandescentes, que gastam
mais energia, isso não acontece (são feitas
apenas de vidro e metal).
A expansão do acesso a eletrônicos traz
problema semelhante: como descartá-los,
já que uma parte é fabricada com materiais
tóxicos. No Brasil a coleta é feita pelos próprios fabricantes ou por empresas especializadas. Esse tipo de material, porém, tem
porcentagem baixa de reaproveitamento e
as perspectivas não são animadoras para
os próximos anos, diz Eigenheer.
A Bosch na sua vida
Reaproveitar antes mesmo do produto
A evolução da consciência ambiental fez reciclagem ir além do reaproveitamento dos
produtos finais. Sistemas pioneiros começam a reduzir o desperdício e a reaproveitar os resíduos nos processos industriais. Nesse sentido, a Bosch tem desde 2001
o Conceito Descarga Zero, que consiste em transformar subprodutos da indústria
(como água imprópria para consumo ou óleo) em energia para as fábricas.
“Se o resíduo for para um aterro, ele se torna um passivo, mas se o transformarmos em energia novamente, ele se tornará um ativo”, afirma Theóphilo
Arruda, gerente de Engenharia de Meio Ambiente, Segurança do Trabalho e
Segurança Empresarial da Robert Bosch América Latina. Desde 2001, a produção de subprodutos destinados a aterros foi reduzida em 85%. Hoje, 95%
deles são reciclados. A meta é chegar ao reaproveitamento total até 2012.
“O custo da água fornecida por um sistema público é até 10 vezes maior que
o da água que tratamos. Com isso, há economia e redução dos impactos ambientais”, exemplifica Arruda. Para obter mais pureza nesse reaproveitamento, são usadas resinas de troca iônica, que mudam o pH da água, retirando
acidez ou o caráter básico dela. Além disso, é usado o sistema de neutralização contínua, que permite o tratamento de esgoto em diversos níveis, com a
identificação de eventuais falhas no processo.
O Conceito Descarga Zero ainda inclui o reaproveitamento do calor na produção
de ar comprimido, como é feito na fábrica de Curitiba, no Paraná. Para fabricar
sistemas a diesel, é necessário refrigerar a água usada durante o processo,
o que gera calor (retirado do líquido). Essa energia térmica é reutilizada no
aquecimento da água usada em banheiros, duchas dos vestiários e sistemas
de ar condicionado da empresa. São atitudes como essas que demonstram o
compromisso da Bosch com a sustentabilidade.
Arquivo Bosch
ZQ Fotography
44 | VidaBosch |
Nas fotos à esquerda, equipamentos para tratamento de água. À direita, sistema de neutralização contínua de esgotos (no alto) e processo de troca iônica (abaixo)
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• Reduza, reutilize e recicle: saiba mais sobre o Conceito Descarga Zero
46 | VidaBosch |
áudio
| Por Fábio Brandt
DW Photos
Andrey.tiyk
Som ambiente
D
iante do palco, uma massa ansiosa
pela aparição dos astros. Canhões de
luz são disparados do alto dos dez, vinte ou
mais metros de altura da estrutura metálica
montada para o show. Enquanto os músicos
afinam os instrumentos, integrantes da produção sobem e descem andaimes, dirigem
carrinhos e caminhões. Levam material de
lá para cá, fazem ligações elétricas e consomem energia. Ao soarem os primeiros
acordes, por mais ambientalmente correta
que seja a canção, uma grande apresentação musical está, direta e indiretamente,
lançando carbono na atmosfera.
Essas emissões – como outras – contribuem com o aquecimento global, responsável pelo derretimento do gelo polar, pelo
aumento no nível dos oceanos e por outras
mudanças climáticas. Dióxido de carbono
(CO2) e Metano (CH4) são alguns dos gases
nocivos liberados durante shows. Como?
Basta pensar no diesel e na gasolina que
abastecem os geradores de energia usados
nos palcos e nos automóveis que trouxeram
boa parte do público. O impacto causado
por esses grandes eventos não é de hoje. A
novidade é que, com artistas adotando cada
vez mais um discurso ambiental, os canhões
de luz começam a se voltar para ideias que
tentem minimizar esses efeitos.
De 1.200 a 4.900 toneladas de carbono
foram emitidas durante cada um dos shows
do Live Earth, uma série de apresentações
musicais em 2007 que teve o objetivo de
alertar o mundo sobre os efeitos da crise
climática. No melhor cenário, isso equivale
ao carbono que 6 mil árvores plantadas na
Mata Atlântica absorvem durante todo o
ciclo de vida, de acordo com a consultoria Max Ambiental, que faz cálculos para
projetos de compensação ambiental. No
pior, seriam necessárias 24,5 mil árvores
Organizadores de shows passam a calcular impacto ambiental dos eventos para
compensá-los com o plantio de árvores, mas ações ainda podem ser aperfeiçoadas
para absorver as emissões. O relatório do
Live Earth afirma que de 300 a 400 toneladas de carbono vêm de atividades “dos
membros da produção e dos contratantes”
e 900 a 4.500 mil toneladas, dos músicos e
do público. Os cálculos foram usados para
minimizar os efeitos causados pela realização do festival. Os organizadores afirmam
que as 19,7 mil toneladas de carbono emitidas pelo show foram compensadas com
investimentos em projetos ambientais e
que houve reciclagem de 81% dos resíduos
produzidos durante os eventos.
Na onda do Live Earth, outros festivais
começaram a se preocupar em mitigar os
danos que causam ao meio ambiente. O Rock
in Rio Lisboa de 2008 anunciou o plantio de
pelo menos 15 mil árvores para minimizar
os impactos criados pelo show. Também em
2008, o Festival de Verão de Salvador teve
sua primeira versão “carbon free”, qualificação assumida pelos promotores do evento
após anunciarem o plantio de 1.074 árvores
na área de preservação ambiental de Itacaré Serra Grande, no sul da Bahia.
Para calcular o necessário para compensar, empresas especializadas em contabilizar
a emissão de gases de efeito estufa seguem
protocolos internacionais, como o ISO 14064
e o GHG Protocol, explica a consultora especializada em gestão ambiental Melissa
Hirschheimer. A Ecopart, consultoria para
a qual trabalha, classifica as emissões em
três tipos: as diretas (feitas por geradores
ou fontes de energia do realizador do show),
as indiretas (pelo fornecedor de energia
elétrica convencional) e as do transporte
de materiais e do tratamento de resíduos
sólidos (como a reciclagem de latinhas).
Melissa explica que os protocolos oferecem apenas recomendações sobre como
inventariar emissões e que cada empresa
48 | VidaBosch |
áudio
Conta para compensar danos
ambientais pode incluir desde
consumo de energia no show
até as emissões geradas durante
a fabricação dos instrumentos
decide a forma de fazê-lo. Em um show, a
conta pode incluir emissões geradas pelo
consumo energético do evento e dos hotéis
onde o público se hospeda até as provocadas pela produção dos instrumentos.
Debate
Mas até que ponto essas medidas são
efetivas? “Tem gente que diz que é puro marketing, mas quero acreditar que se
trata de uma consciência nova”, comenta
o professor Paulo Roberto de Moraes, do
curso de Ciências Biológicas com Ênfase
em Meio Ambiente, da PUC de São Paulo.
“Em princípio é benéfico. Mas virou moda,
e a coisa ficou tão sem controle que dá
impressão de que, se realmente fizessem
o plantio, estaríamos cercados de árvores”, desconfia o economista José Eli da
Veiga, professor da USP e especialista em
desenvolvimento sustentável.
Os dois ressaltam que falta fiscalização
sobre a neutralização do carbono e explicam que ainda há muito a se aperfeiçoar na
forma como isso é feito. Veiga frisa que não
basta plantar mudas; elas devem ser do tipo
certo e na quantidade correta para que o
carbono seja realmente “sequestrado”. Além
disso, precisa-se controlar o tempo que as
árvores levam para crescer e quantas não
crescem. Outro ponto, diz Moraes, é que,
em alguns casos, a compensação é feita em
âmbito global, mas não local. “A emissão é
causada em um local, mas o plantio é feito em
outro. Qual a efetividade?”, indaga, acrescentando que a comunidade acadêmica ainda
não se debruçou sobre o assunto.
Plantar árvores é benéfico para combater
os danos ao meio ambiente causados pelos
shows, mas o mais eficiente é a adoção de
“mecanismos permanentes” para anular a
emissão de carbono, ressalta Melissa. Ela
indica a troca de combustíveis fósseis (caso do petróleo e do carvão) por renováveis
(biodiesel, energia solar, eólica, etc.) como
uma forma efetiva de fazer isso.
Por conta da polêmica em torno dessas
questões, os ingleses do grupo Artic Monkeys,
por exemplo, recusaram o convite dos organizadores do Live Earth, argumentando
que o gasto energético para iluminar seu
palco seria suficiente para abastecer dez
casas. A organização do evento tentou fazer
os 150 artistas que se apresentaram seguirem mandamentos como “usar vídeoconferências em vez de viajar”, “usar plástico
biodegradável e reciclável” e “encorajar o
público a usar transporte coletivo”. No entanto, bandas como o Red Hot Chili Pepers
não deixaram de ser criticadas por irem
em avião privado de Paris a Londres para
o Live Earth, enquanto o próprio festival
incentivava “uso de voos comerciais”.
“Mas isso tudo tem algo positivo”, pondera o professor da PUC. “As pessoas que
vão ao evento ‘carbon free’ vão se perguntar o que é isso. É uma ideia em construção
e quando se está nesse estágio há muitos
erros e acertos”, conclui.
Som para todos os gêneros
Foram vários os locais que abrigaram
os palcos do Live Earth. Em Londres,
no estádio de Wembley, o público ouviu
seus artistas favoritos pelo equipamento
de som X-Line da Electro-Voice (EV),
uma das marcas da linha de Comunicação recém-incorporada à Divisão de
Sistemas de Segurança da Bosch. O
X-Line (na foto à direita e abaixo) foi escolhido porque a grande diferença entre
os gêneros musicais tocados pedia versatilidade – era preciso reproduzir da
levada dançante da Madonna ao rock
pesado do Metallica.
Foi também importante para a escolha o
fato de a divisão fabricar componentes
seguindo as rígidas regras da RoHS WEEE
– diretriz da União Europeia que proíbe
a produção de equipamentos eletrônicos
com substâncias perigosas à natureza
(como mercúrio e chumbo) e faz com
que as empresas se tornem responsáveis
pela reciclagem dos aparelhos.
As caixas de alta potência da linha X-Line
preenchem shows de grande porte com
a robustez de sons pesados e a inteligibilidade de vocais líricos simultaneamente. E o melhor: o ganho em eficiência
da nova linha de amplificadores faz com
que o desperdício de energia elétrica seja cortado pela metade, economizando
recursos naturais e reduzindo custos. Para
aliar a eficiência à versartilidade, a equipe de engenharia da Bosch se valeu de
tecnologias como um filtro que elimina
ressonâncias indesejadas e um design
inovador para as caixas sonoras.
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• Economia de energia em shows sustentáveis
• Veja mais detalhes sobre o equipamento de som X-Line
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