BO
O GLOBO
Quinta-feira, 19 de agosto de 2010
I GEM
Acesso à cidade inca é restabelecido
e Vale Sagrado ganha novas opções
de hospedagem e gastronomia
Trilhos
abertos para
Machu Picchu
NESTA EDIÇÃO
N
Luisa Valle
o início do ano, dois destinos turísticos
importantes tiveram destaque no noticiário internacional por razões nada turísti-
cas. Chuvas fortes na Ilha da Madeira, em Portugal, e
em Machu Picchu, no Peru, deixaram dezenas de
turistas ilhados (ainda que não literalmente) e devastaram os cenários locais. Cerca de seis meses depois, felizmente a situação é outra. Os dois lugares
estão restabelecidos e prontos para receber você
com novidades. Na Ilha da Madeira, turistas mais jovens são atraídos por esportes radicais e por novos
bares e boates abertos a noite inteira. No Peru, a linha férrea que liga Cuzco a Machu Picchu acaba de
ser inteiramente liberada e o Vale Sagrado dos incas
está com novas e confortáveis opções de hospedagem, como mostra a repórter Luisa Valle a partir da
página 22. Além, claro, de muitos restaurantes com a
excelente cozinha peruana que cada vez conquista
mais adeptos mundo afora.
● CARLA LENCASTRE, EDITORA
6
EXPEDIENTE
BO
FUNCHAL
Esportes e noitadas
na Ilha da Madeira
32
RIO SAGRADO, novo hotel de luxo do grupo Orient-Express, em Urubamba, no Vale Sagrado dos incas
GIGANTE NOS ARES
O novo A380 rouba a
cena por onde passa
I GEM
EDITORA Carla Lencastre (carla@oglobo.com.br)
EDITORES ASSISTENTES Cristina Massari (cristina.massari@oglobo.com.br) e Gustavo Alves (gustal@oglobo.com.br)
REPÓRTERES Bruno Agostini (bruno.agostini@oglobo.com.br), Eduardo Maia (eduardo.maia@oglobo.com.br) e Luisa Valle (luisa.valle@oglobo.com.br)
DIAGRAMADORA Raquel Cordeiro Telefones Redação 2534-5000 Publicidade 2534-4310 publicidade@oglobo.com.br
Correspondência Rua Irineu Marinho 35,
2-o
andar, Rio de Janeiro, CEP 20230-901/RJ. Boa.Viagem@oglobo.com.br
42
SÃO PAULO
Por Gilberto Scofield Jr.
CAPA Peruana em trajes típicos
vende tecidos feitos com lã de
lhama na cidade de Chinchero, no
Vale Sagrado. Foto de Luisa Valle
oglobo.com.br/viagem
.............................................................
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twitter.com/BoaViagemOGlobo
Boa Viagem ● 3
Fotos de Luisa Valle
OS DIVERSOS tipos coloridos de milho que fazem parte da gastronomia peruana
BRAVO RESTOBAR, restaurante do chef Christian Bravo em Lima: gastronomia fusion
INCA RAIL: trem começou a operar ano passado
NO VALE SAGRADO DE D
CAUSAS: prato típico do Peru feito com batatas
NOVO HOTEL do Orient-Express, em Urubamba
Luisa Valle • LIMA
epois das fortes chuvas que fecharam os aces-
trimônios ameaçados da Unesco — ou então para passar
sos ao Vale Sagrado, no Peru, em janeiro deste
uns dias no meio do caminho mesmo, em Urubamba e Ya-
ano, os caminhos para Machu Picchu finalmen-
nahuara, onde novos hotéis de luxo oferecem aos seus hós-
te foram reabertos, junto com sua estrada de ferro, que ga-
pedes conforto aliado a uma gastronomia de primeira para
nhou uma nova empresa de trens para competir com a Peru
mostrar que a região não se resume a Cuzco e a Machu Pic-
Rail, do Orient-Express. E o que não faltam são motivos para
chu. Adicione ao roteiro um passeio por Lima, com direito
uma visita, seja para caminhar pela cidadela perdida dos
a uma ótima gastronomia peruana, com ceviches, batatas,
incas — que em 2011 completa cem anos de sua descoberta
milhos e pimentas, para ter certeza de uma viagem tão in-
e hoje comemora o fato de não ter entrado na lista de pa-
teressante como saborosa.
A VISTA de Machu
Picchu, a cidadela
perdida dos incas
22 ● Boa Viagem
Boa Viagem ● 23
Fotos de Luisa Valle
24 ● Boa Viagem
Divulgação
HÓSPEDES APRENDEM a cozinhar a pachamanca...
chu Picchu Sanctuary Lodge,
também do grupo Orient-Express. Aberto em 1999, foi o
primeiro hotel de luxo instalado no Vale Sagrado. São apenas 31 quartos, a maioria com
vista para o vale.
Um pouco antes da entrada
da cidadela, no povoado de
Aguas Calientes, onde fica a
última estação da linha de
....E DEPOIS saboreiam a receita típica do Peru no restaurante Qunuq, do Sumaq Hotel
trem Cuzco-Machu Picchu, há
outro hotel de luxo, o Sumaq.
Aberto há cerca de três anos,
entre seus atrativos estão o
spa, que oferece oito tipos de
tratamentos, como massagem
com pedras andinas, e o restaurante Qunuq, comandado
pelo chef Carlos Mayta.
— Trabalhamos com produtos locais, que repaginaDivulgação
CASA ANDINA Private Collection, hotel de luxo que fica em Yanahuara, no Vale Sagrado: novas opções na região para atrair mais visitantes
ner, gerente do hotel.
O Rio Sagrado tem ainda
um spa com 230 metros quadrados, com sala para massagens, sauna e uma jacuzzi
com vista para o rio. A gastronomia é outro ponto para
atrair novos hóspedes. O restaurante El Huerto é comandado pelo chef Angel Hilaris,
que trabalhava no luxuoso
Hotel Monasterio, também do
Orient-Express, em Cuzco, e
oferece uma cozinha regional,
feita com ingredientes típicos,
como batata, milho e pimenta
peruana. Até o fim do ano, o
Rio Sagrado pretende ter uma
estação de trem privativa para
seus hóspedes.
O outro novo hotel inaugu-
rado no Vale do Urubamba é
o Tambo del Inka. Com a bandeira Luxury Collection, do
grupo Starwood, em parceria
com a rede peruana Libertador, o resort também prevê a
construção em breve de uma
estação de trem exclusiva.
Aberto em maio deste ano, o
hotel tem 128 quartos, com janelas que vão do chão ao teto
e vista para o Rio Vilcanota e
os Andes. Para relaxar, o spa
do Tambo del Inka oferece 12
salas de tratamentos — disputadas no fim da tarde, depois
dos passeios ao longo do dia
— que incluem massagens
com chocolate andino e lama
terapêutica com ingredientes
incas como a folha da coca.
O restaurante Hawa, comandado pelo chef Rafael Casin, oferece uma nova cozinha andina, com pratos locais
em estilo gourmet, e o cardápio muda de acordo com as
estações do ano. A gastronomia também é um ponto forte
em outro hotel de luxo da região, o Casa Andina Private
Collection, que fica em Yanahuara, entre Urubamba e
Ollantaytambo. Ali funciona
mais uma filial do restaurante
Alma, do chef Javier Morante,
que assina todos os cardápios
da rede Casa Andina. São pratos sofisticados à base de cordeiro, frango, truta e camarão,
todos com temperos regionais. Entre seus drinques fa-
mosos estão os feitos com o
pisco, bebida típica do país.
O Casa Andina, construído
há seis anos numa antiga fazenda de três hectares, tem 85
quartos. Além de um spa, como os outros hotéis da região
oferece passeios para diversos
pontos do Vale Sagrado, além
das ruínas de Machu Picchu.
Dentro da propriedade existe
ainda um planetário, onde os
hóspedes podem observar as
constelações do hemisfério
sul.
Quem preferir ficar mesmo
ao lado de Machu Picchu também encontra boas opções,
ainda que mais concorridas e
mais caras. O hotel mais próximo da cidade inca é o Ma-
SPA NO TAMBO
del Inka,
novo hotel
em Urubamba
O LODGE
mais antigo,
na entrada
das ruínas
mos para dar uma cara gourmet e retomar a gastronomia
de nossos ancestrais — divaga o chef.
A “gastronomia ancestral” é
representada por típicas causas, massa à base de batatas,
aqui recheada com cubos de
frango. Ou pelo milho que vira pastel, feito com rabo de
boi, queijo andino e champignon. Os hóspedes também podem ter aulas para aprender a
fazer receitas típicas como o
ceviche ou a pachamanca,
prato inca com carne e legumes cozidos na terra.
Hotel Rio Sagrado: Diárias para
casal a partir de US$ 205.
Km 75,8 Carretera Cuzco,
Urubamba. Tel. (51 84) 201 631.
www.riosagrado.com
Tambo del Inka: Diárias para casal
a partir de US$ 341. Avenida
Ferrocarril s/n o-, Urubamba.
Tel. (51 84) 581 777.
www.starwoodhotels.com
Casa Andina: Diárias a partir de
US$ 102. 5to Paradero, Yanahuara.
Tel. (51 84) 98476 5501.
www.casa-andina.com
Hotel Sumaq: Quarto para casal
a partir de US$ 478,50.
Av. Hermanos Ayar Mz 1 Lote 3,
Aguas Calientes. Tel. (51 84) 211
059. www.sumaqhotelperu.com
Machu Picchu Sanctuary Lodge:
Diárias a partir de US$ 825.
Tel. (51 84) 816 956.
machupicchu.orient-express.com
DRINQUES feitos com pisco
Para preparar um ceviche
CEVICHE
do Qunuq
O ceviche é o prato símbolo do Peru, que disputa
com o Equador a sua invenção — assim como
existe com o Chile uma discussão sobre a origem do
pisco, espécie de aguardente feita de uva. O prato
normalmente é feito com
peixe cru marinado com
suco de limão, mas existem
algumas variações.
O chef Carlos Mayta, responsável pela cozinha do
restaurante Qunuq, do Hotel Sumaq, em Aguas Calientes, sugere uma receita
simples feita com truta. Para
isso, você vai precisar do
ção
uem pensa que o
Vale Sagrado se limita a Cuzco e
Machu Picchu se
surpreende ao descobrir que
nos cerca de 110 quilômetros
que separam os dois pontos
se escondem algumas riquezas que merecem uma visita,
como o Mercado Artesanal
de Chinchero — onde todos
os domingos os moradores,
vestindo trajes tradicionais,
se encontram para trocar
produtos agrícolas — ou a
Fortaleza de Ollantaybambo,
na pequena cidade de casas
de pedras. São locais que
acabam ficando apenas como parte da paisagem de
quem passa pela região, considerada pelos incas a representação do céu na terra.
Mas, aos poucos, grandes
redes de hotéis estão descobrindo o “meio do caminho”,
e oferecendo ótimas opções
de hospedagem com preços
menos extravagantes que os
hotéis próximos de Machu
Picchu, normalmente mais
concorridos. Melhor para nós,
turistas, que podemos curtir o
vale sem precisar se preocupar com o horário dos trens
para voltar para Cuzco.
A cerca de 15 minutos da
estação de Ollantaybambo fica o Vale do Urubamba, onde
estão dois novos hotéis, entre
eles o Rio Sagrado, o mais novo do grupo Orient-Express,
inaugurado em abril do ano
passado e há seis meses administrado pela rede.
— Queremos fazer com
que as pessoas possam relaxar, e nossos 21 quartos não
possuem televisão. Oferecemos passeios e atividades ao
ar livre, como caminhadas e
rafting no Rio Urubamba —
conta o brasileiro Rodrigo Of-
Divulga
Q
No meio do caminho, há bons hotéis e ‘gastronomia ancestral’
peixe, de limão, gengibre,
alho amassado, cebola,
coentro, sal e uma pitada de
pimenta vermelha, além de
milho, batata doce e alface.
Para preparar é simples:
basta cortar a truta em cubinhos uniforme; colocar
numa vasilha grande, junto
com o sal, a pimenta, o
alho, a cebola e o gengibre,
e misturar. Depois, adicione o suco do limão e o
coentro. Deixe marinar por
cerca de 30 minutos. Na
hora de servir, o chef sugere como acompanhamentos milho e batata doce cozidos, e alface.
Boa Viagem ● 25
VALE SAGRADO
T
Ruínas com muitos turistas e novas descobertas
Luisa Valle
irar uma foto em
Machu Picchu sem
turistas aparecendo
é uma missão quase
impossível. Com garrafinha de
água, chapéu e protetor solar, é
preciso ter paciência para circular pelas ruínas da cidade
sagrada dos incas, sempre se
desviando dos grupos de visitantes, com cuidado para não
tropeçar em alguma pedra.
As construções perfeitas,
que durante um século foram
sendo encontradas pelos pesquisadores, impressionam. A
mais recente descoberta aconteceu no fim de julho, quando
arqueólogos encontraram três
objetos de cerâmica, perto da
torre de observação, que seriam utilizados como parte de
um ritual de retribuição à terra, uma cerimônia que até hoje é realizada por agricultores
da região para agradecer pela
colheita. Foram descobertas
ainda nove tipos de pedras de
outras partes do Vale Sagrado
e de Cuzco, o que foi considerado uma prova de que pessoas de outros lugares vinham
a Machu Picchu para fazer
suas oferendas.
Quem já visitou as ruínas
costuma comparar as histórias
que são contadas pelos guias
locais. Alguns falam que Machu Picchu foi uma região onde várias famílias moraram, ou-
tros que era uma espécie de cidade universitária, onde apenas homens e sacerdotisas viviam — essa foi a versão que
ouvi quando estive por lá. A
conclusão é que pouco se sabe
das ruínas, apenas que elas até
hoje atraem estudiosos para
desvendar seus mistérios, um
deles a suposta falta de cemitérios, uma dos indícios de que
seria um local de estudos.
Em 2011, serão comemorados os cem anos de “descoberta” da cidadela pelo americano
Hiram Bingham. Machu Picchu
é considerada patrimônio mundial pela Unesco desde 1983,
mas nos últimos anos o excesso de turistas tem sido uma
preocupação constante.No
mês de julho passado, os membros do comitê de Patrimônio
Mundial da Unesco por pouco
não incluíram novamente o
monumento na lista de bens
em perigo, mas acabaram decidindo pedir ao Peru que se
mantenha “vigilante” e que regule o fluxo de visitantes.
Essa não seria a primeira
vez que a cidadela faria parte
da “lista negra” da Unesco. No
final dos anos 1990, o número
de turistas por dia chegou a
mais de quatro mil. Projetos
de construção de uma ponte e
um teleférico, mais um risco
de desabamento, levaram a
Unesco a incluir Machu Picchu na lista. A entidade só revogou a decisão em 2008.
Atualmente, cerca de 2,5 mil
pessoas visitam as ruínas a cada dia, num total de mais de
900 mil turistas por ano.
Machu Picchu: As ruínas podem
ser visitadas diariamente, das 5h
às 17h30m. O ingresso custa o
equivalente a R$ 100.
O que levar
na visita
As ruínas de Machu
Picchu ficam em uma
área aberta, e o sol pode
ser inclemente. A seguir,
dicas para o seu passeio
ficar mais agradável.
CALÇADO: A melhor opção
é um tênis confortável.
Quase seis meses depois das chuvas que
provocaram o fechamento dos acessos ao
Vale Sagrado, a via ferréa que liga Cuzco a
Machu Picchu (estação Aguas Calientes)
foi totalmente reaberta no fim de julho
Aguas Calientes
2.400m
Machu
Picchu
PERU
Lima
Chaullay &
Quillbamba
5.580m
Wakaywillka
(Verónica)
Yanahuara
Ollantaytambo
5.650m
Chicón
BRASIL
Machu
Picchu
BOLÍVIA
Urubamba
Pisac
sac
Rio Ur
uba
m ba
Trilh
a inc
a
6.271m
Salkantay
Linha do trem
Hospedagem
5.168m
Wayanay
Abancay & Ayachucho
Sacsayhuaman
3.360m
Cuzco
O percurso de trem de Cuz
co
e dura quatro horas, com a Machu Picchu tem 110 km
parada em Ollantaytambo,
que
está a 40 km de Machu Pic
chu (duas horas de viagem
)
ÁGUA: Não há onde comprar água dentro das ruínas. Carregue com você
uma garrafinha (ou garrafona) para passar o
dia. Só não exagere,
porque que os banheiros ficam do lado de fora do santuário.
PROTETOR SOLAR: Use mesmo se o tempo estiver
encoberto. Nos dias ensolarados, um boné ou
chapéu é fundamental.
REPELENTE: Os mosquitos
atacam mesmo.
VISITANTES NA cidadela perdida dos incas: considerado patrimônio mundial pela Unesco, o santuário sofre com o excesso de turistas, que passam de 900 mil em um ano
26 ● Boa Viagem
Boa Viagem ● 27
Fotos de Luisa Valle
Artistas locais na hospedaria
A PLAZA DE ARMAS, em Cuzco, com a Catedral da cidade e emoldurada pelos Andes: de centro do império inca a local frequentado por milhares de turistas de todo o mundo
C
Boa comida e arte em Cuzco
uzco é uma parada
obrigatória no caminho para Machu
Picchu, mas não
apenas por seu aeroporto,
que recebe milhares de turistas diariamente com o objetivo de visitar a cidadela. A antiga capital do império inca
disputa as atenções com o Vale Sagrado com a bela arquitetura que combina construções de pedras feitas pelos incas ao barroco espanhol,
além de artesanato, vida noturna e bons restaurantes,
que oferecem o melhor da
cozinha peruana.
Para ver e comprar artesanato local, uma boa opção é
PISCO BAR
do restaurante
Limo:
gastronomia
peruana com
toque oriental
SUSPIRO
DE LIMÃO
e canela:
sobremesa
imperdível
no Limo
SELEÇÃO DE
ENTRADAS no
Fallen Angel,
que chama
atenção pela
decoração
28 ● Boa Viagem
MERCADO MUNICIPAL: artesanato
passear pelo Mercado Municipal, onde é possível encontrar de tudo um pouco. Ponchos e casacos de lã e colares e brincos de prata fazem
sucesso entre os turistas,
principalmente pelos preços,
que são mais baixos que no
Vale Sagrado e sempre podem ser negociados.
Como uma boa cidade
cosmopolita, Cuzco não se
limita a oferecer apenas artesanato com bons preços.
Na Plaza de Armas, a Catedral e a Igreja dos Jesuítas dividem a praça com boates
como a Mama África. E a
gastronomia peruana está
muito bem representada.
Ano passado, o chef Gastón Acurio, uma espécie de
embaixador da culinária peruana, abriu seu primeiro
restaurante na cidade. O Chicha, uma homenagem a bebida feita com milho fermentado — um tipo de cerveja
inca — ser ve comida novoandina, na qual Acurio valoriza os ingredientes locais
e reinterpreta receitas tradicionais como o ossobuco
com vinho tinto e nhoque
c o m m o l h o d e h u a c at ay,
uma erva peruana.
No Limo, um restaurante
com uma entrada discreta na
Plaza de Armas, a influência
da cozinha oriental, que torna
a gastronomia do país ainda
mais especial, está presente
nos pratos idealizados pelo
chef Coque Ossio. Especializado em frutos do mar, um dos
destaques vai para as entradas, como batatas com sashimi de salmão ou truta assada
com abacate e coentro. De sobremesa, há arroz com leite,
uma versão de nosso arroz doce, ou suspiro de limão com
canela em pó. Imperdível.
Outro restaurante que vale
a visita é o Fallen Angel (on-
Uma televisão dos anos 50
vira uma cômoda no banheiro, a banheira integra a decoração da sala e a cozinha ganha uma geladeira decorada
com Luluzinha e Bolinha. Essa é a descrição de um dos
quartos da guest house que
funciona em cima do restaurante Fallen Angel, em Cuzco. Na pequena hospedaria
de apenas cinco quartos,
inaugurada em março deste
ano, as diárias para casal
custam a partir de US$ 280,
sem café da manhã.
Seu proprietário, Andrés
Zúniga, conta que a ideia foi
aproveitar a arquitetura da
casa, uma construção de
cerca de 500 anos, onde já
estava instalado o restaurante. A decoração, cujas peças
estão todas à venda, aproveita trabalhos de artistas locais
como Carlos Bardales e Richard Peralta, que usam
principalmente ouro, prata e
cobre em suas obras.
— Foi a forma que encontrei de incentivar a produção
local — diz Andrés.
GELADEIRA RETRÔ num quarto da pousada: objetos à venda
de também funciona uma
guest house), comandado pela chef Claudia Canessa. Assim como no Limo, o cardápio propõe uma gastronomia
fusion, com um toque oriental e ingredientes marcantes.
Mas é a decoração o que
mais chama a atenção no restaurante, onde os clientes são
convidados a comer em mesas feitas com banheiras (que
funcionam como aquários) e
se sentar em camas em vez
de cadeiras.
Situada a uma altitude de
3.360 metros acima do mar,
Cuzco exige algum esforço
de quem vem do nível do
mar, sobretudo na chegada
à cidade. Para evitar dores
de cabeça e cansaço físico,
siga os conselhos dos peruanos: descanse nas primeiras
horas, e abuse do chá de coca ou do ice coca, a versão
gelada do chá.
Chicha: Calle Plaza Regocijo 261.
Tel. (51 84) 240 520.
Limo: Portal de Carnes 236.
Tel. (51 84) 240 668
Restaurante e Guest House Fallen
Angel: Plazoleta Nazarenas 221.
Tel. (51) (84) 258 184.
Boa Viagem ● 29
❁ COMO CHEGAR
A
Fotos de Luisa Valle
Em Lima, causas e ceviches
cozinha peruana
tem conquistado o
mundo combinando pescados frescos com ingredientes dos Andes. O ceviche está com tudo
em restaurantes de cidades
como Rio, São Paulo, Buenos
Aires, Nova York, Londres,
mas os cubinhos de peixe marinados em limão não são a
única atração dos cardápios.
Para conhecer melhor a culinária peruana, é fundamental
reservar uns dias do seu roteiro para Lima, a capital e porta
de entrada no país.
A primeira parada de um
passeio gastronômico pela cidade banhada pelo Oceano
Pacífico pode ser no La Mar, a
cevicheria do chef Gastón
Acurio, que ano passado inaugurou uma filial de seu restaurante em São Paulo. Em Lima,
o La Mar funciona no charmoso bairro à beira-mar de Miraflores. Num clima praiano, para combinar com a região da
cidade e o tipo de comida servida, os ceviches, claro, são os
destaques da refeição, normalmente acompanhados por
uma cerveja ou pela Inca Kola, bebida de cor amarela e
com gostinho de chiclete. Os
pratos de batatas recheadas
com frutos do mar também fazem sucesso.
— Em 2011, queremos inaugurar em São Paulo uma filial
do Panchita, que é um outro
restaurante do chef Gastón
Acurio — conta Karla Novoa,
AS CAUSAS de
frutos do mar,
no restaurante
de Gastón
Acurio
(acima);
o ceviche
servido na
colher por
Christian
Bravo (à
esquerda)
e a Inca Kola
30 ● Boa Viagem
gerente do La Mar original.
Especializado em carnes, o
Panchita de Lima foi inaugurado ano passado. Karla diz que
Gastón Acurio também tem
planos de abrir em Lima um
restaurante chifa, de comida
peruana com influência chinesa, e uma trattoria.
Outro que aposta na mistura com a culinária de outros
países que torna a cozinha peruana tão especial é o chef Christian Bravo, que em seu Bravo Restobar, no badalado bairro de San Isidro, oferece um
cardápio com pratos fusion.
— Os espanhóis trouxeram
muita coisa para nossa gastronomia, como frango e limão.
Já os africanos vieram com
suas técnicas, e os chineses e
japoneses trouxeram outros
ingredientes — diz o chef.
Bravo explica que seus pratos, além de carregarem todas
as influências locais, são
apresentados de uma forma
que “os estrangeiros possam
entender”. Assim, a causa virou um sushi roll, ou causa
roll, em que a batata substitui
o arroz. O lomo saltado, o prato típico com tiras de filé,
transformou-se um rolinho
primavera, e o ceviche é servido numa colher.
— Desde 2000 nossa culinária passou a ser reconhecida,
EL GRIFO, restaurante que funciona num antigo posto de gasolina
e percebemos como somos
bons nisso. Acho que agora
n o s va l o r i z a m o s m a i s —
acrescenta Bravo.
Já a chef Jana Escudero, do
Grifo, prepara receitas da culinária peruana com um toque
de cozinha caseira. Seu carro
chefe é o lomo saltado, que
ano passado recebeu um prêmio na feira de gastronomia
internacional realizada na cidade. Instalado em uma área
industrial, El Grifo fica no local de um antigo posto de gasolina — daí seu nome, já que
grifo pode significar posto de
gasolina. Jana conta que o restaurante começou como uma
simples venda, que funcionava no posto de seu pai. Hoje o
Grifo vive lotado de executivos durante a semana e de famílias nos fins de semana.
Além do lomo saltado, Jana
prepara um fettuccine com
molho de huacaina (uma espécie de erva peruana) e um
filé que derrete na boca. Mas
o prato mais interessante e de
gosto marcante é o medalhão
de filé com purê de ervilhas
feito com salsichas de huacho
(uma região do país) e ovo
poché. Na hora da sobremesa, Jana, que gosta de chocolates Toblerone, resolveu inventar um doce que tira qualquer um da dieta: o cheese
cake de Toblerone.
Luisa Valle viajou a convite
do Hotel Sumaq e da LAN
La Mar: Av. La Mar 770, Miraflores.
Tel. (51) (1) 421 3365.
www.lamarcebicheria.com
Bravo Restobar: Av. Conquistadores
1.005, San Isidro. Tel (51) (1) 221
5700. www.bravorestobar.com
El Grifo: Av. Colonial 2.703.
Tel. (51) (1) 564 7789.
De avião: Pela Taca, o
bilhete de ida e volta do Rio
para Lima, sem escalas, sai
a partir de R$ 1.151. Pela
Lan, o voo para Lima saindo
do Rio (operado pela TAM)
com conexão em Guarulhos
fica a partir de R$ 1.061.
Pela TAM, o bilhete de ida e
volta do Rio para Lima, com
conexão em Guarulhos, sai
a partir de R$ 1.255. Para
Cuzco, a Taca voa saindo
de Lima a partir de R$ 532.
Pela Lan, a passagem de ida
e volta para Cuzco, saindo
de Lima, fica a partir de
R$ 973. Tarifas (com taxas)
pesquisadas para a primeira
quinzena de setembro.
De trem: Pela Peru Rail
(www.perurail.com),
empresa operada pelo
Orient-Express, a viagem
de ida e volta de Cuzco a
Machu Picchu custa a partir
de US$ 96. O trecho de ida
e volta entre Ollantaytambo
e Machu Picchu sai a
partir de US$ 62. Já a Inca
Rail (www.incarail.com)
oferece apenas o trecho
entre Ollantaytambo
e Machu Picchu, com
bilhetes de ida e volta
a partir de US$ 100.
De carro: Em Cuzco é
possível contratar passeios
pela estrada do Vale
Sagrado, que nem sempre
está em boas condições, ou
fazer o percurso de táxi por
cerca de 50 novos soles
(em torno de R$ 30).
❁ QUANDO IR
A alta estação em Cuzco e
no Vale Sagrado é nos meses
de inverno, quando chove
menos e o tempo fica mais
seco. Devido à altitude, pode
fazer muito frio em Cuzco.
A época de chuvas vai de
dezembro a março, com
médias de 12 graus Celsius.
❁ FEBRE AMARELA
É preciso apresentar o
certificado internacional de
vacinação contra a febra
amarela no embarque no
Brasil (www.anvisa.gov.br).
❁ CÂMBIO
R$ 1 equivale a 1,59 novo
sol peruano. O dólar vale
2,80 novos sóis peruanos.
❁ NA INTERNET
Sites: Outras informações
em www.peru.info e
www.peru.gob.pe.
Boa Viagem ● 31
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Acesso à cidade inca é restabelecido e Vale Sagrado ganha novas