Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida
RACIONAMENTO E CRISES PÓS-2001
 A crise de 2001/2002.
 Acordo setorial.
 Impactos no mercado.
 A crise de 2007/2008.
 A crise de 2012/2013.
 Mudanças no PLD.
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ARMAZENAMENTO NO INÍCIO DE 2001
 Foi necessário deplecionar os reservatórios existentes, por
causa da falta de novas usinas.
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ARMAZENAMENTOS EM 2000 E 2001
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RACIONAMENTO DE 2001/2002
 Faltou coordenação política para saber o que estava
acontecendo e o que fazer.
 O racionamento foi suplantado com enorme colaboração
da população e das empresas (por meio de coerção, é
claro).
 Foram identificados enormes desperdícios: aumento da
eficiência energética desde então.
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QUEDA NO CONSUMO
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EVOLUÇÃO DO PIB E DO CONSUMO
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ATRASO DA ENTRADA DE ANGRA II
 Furnas era responsável pela comercialização da energia
de Angra II.
 Por causa do atraso, Furnas teve de adquirir R$ 600
milhões de energia no mercado de curto prazo.
 Furnas, alegando não ser responsável pelo atraso,
recusava-se a saldar a dívida.
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ANEXO 5 DOS CONTRATOS INICIAIS
 Contratos Iniciais eram contratos de transição entre o modelo
anterior e o modelo vigente, assinados entre geradores e
distribuidoras em 1999.
 Por causa do racionamento, distribuidores alegavam que
deveriam receber R$ 12 bilhões, enquanto geradores se
recusavam a pagar mais do que R$ 30 milhões.
 Sendo um mercado autorregulado, o MAE deveria chegar a
uma solução por si mesmo, mas a magnitude dos problemas
era muito grande.
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O CRONOGRAMA DO RACIONAMENTO
 Em abril de 2001 a Aneel interveio no MAE.
 Em 15 de maio o governo criou a Câmara de Gestão da
Crise de Energia Elétrica.
 Em 24 de agosto foi instituído o Programa Emergencial
de Redução do Consumo de Energia Elétrica
(racionamento).
 O racionamento durou até março de 2002.
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O APAGÃO QUE NÃO HOUVE...
Existem vários tipos de desligamentos (apagões):
 Desligamentos intempestivos na distribuição (locais).
 Desligamentos intempestivos na transmissão e na
geração (grande porte).
 Cortes de carga planejados pelo Governo.
 Reduções de tensão planejadas pelas distribuidoras (CVR
– Conservation Voltage Reduction).
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NADA DISSO HOUVE EM 2001/2002
 O que houve foi uma racionalização do consumo, a
pedido do Governo, por meio da aplicação de multas.
 Racionalização de energia sem a aplicação de multas
não funciona, pois os consumidores caem na “tragédia
dos comuns”.
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O ACORDO GERAL DO SETOR
 Assinado em dezembro de 2001, entre governo,
geradores e distribuidores.
 Estabeleceu que o Anexo 5 não se aplicaria durante o
racionamento, que passou a ser encarado como um
problema sistêmico e não como um problema apenas
dos Geradores.
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O ACORDO GERAL DO SETOR
 Estabeleceu que o BNDES ficaria responsável por
financiar até 90% das perdas das empresas.
 Foi criada a Recomposição Tarifária Extraordinária (RTE),
como forma de compensar as perdas das Distribuidoras
durante o racionamento.
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A RTE
 Adicional tarifário de 2,9% para consumidores
residenciais (exceto baixa renda), rurais e
eletrointensivos.
 Adicional de 7,9% para os demais consumidores
(industriais e comerciais).
 Aplicável durante um período determinado pela ANEEL
para cada Distribuidora.
 Não incidente sobre consumidores livres.
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O NOVO GOVERNO DE 2003
 A campanha foi marcada por muitas críticas à questão
energética.
 O governo fez um diagnóstico crítico:
Não havia investimento suficiente em geração.
Existiam pelo menos 15 milhões de brasileiros sem acesso à
energia elétrica.
As tarifas aumentavam mais que a inflação.
“Racionamento” de grandes proporções havia ocorrido.
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CONSEQUÊNCIAS
 Perda de arrecadação, gerando dificuldades financeiras
para as distribuidoras.
 Sobra de energia, gerando dificuldades para os
geradores.
 Aumento de tarifas para os consumidores cativos, por
causa da RTE.
 Início da migração para o Mercado Livre, por causa da
ausência da RTE e de menores preços de energia.
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CONJUNTURA POLÍTICA
O governo Lula foi muito crítico para com o governo FHC,
por causa do racionamento, tomando várias providências
para que este evento não se repetisse.
“Não vai faltar energia nem que a vaca tussa”,
Dilma Roussef, então ministra, Folha de São Paulo,
29/10/2006.
Mesmo que empresas estatais devessem
ser sacrificadas...
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BALANÇO DE POTÊNCIA INSTALADA
 A comparação oferta x demanda não pode ser feita em
termos de potência instalada x demanda máxima, pois
as hidrelétricas e térmicas de mesma potência produzem
quantidades muito diferentes de energia “sustentável”
(energia firme ou garantia física).
 Exemplos:
– UHE Furnas: Potência de 1.312 MW e Firme de 598
MWmed (Firme / Potência = 45,6%).
– UNE Angra 2: Potência de 1.309 MW e Firme de 1.205
MWmed (92%).
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FALHA DE ANÁLISE
“Seria preciso um crescimento maluco do país
para suprir toda a folga existente. Temos folga
de mais de 50%.”
Silas Rondeau, Folha de São Paulo,
18/10/2006, então Ministro de Minas e Energia.
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CRITÉRIOS DE ANÁLISE
 Balanço estrutural: verifica se o sistema de geração
pode atender à demanda de maneira sustentável,
mesmo que a condição hidrológica seja desfavorável.
 Separa o que é planejamento adequado do que é sorte,
(por exemplo, a capacidade é inadequada, mas choveu
muito).
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CRITÉRIOS DE ANÁLISE
 Risco de racionamento: a operação do sistema é
simulada para os anos seguintes, supondo um grande
número de cenários de vazões.
 A partir dos resultados das simulações, estima-se o risco
e severidade das falhas de suprimento
 Esta análise combina os componentes estruturais e
conjunturais, tais como condições hidrológicas favoráveis
ou desfavoráveis.
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RISCO DE RACIONAMENTO
 Em um sistema hidrotérmico como o brasileiro, sempre
existe risco de racionamento.
 A pergunta que interessa é: qual a magnitude desse
risco??
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BALANÇO DE ENERGIA FIRME
 Energia firme é calculada durante o período crítico de
um sistema, ou seja, durante o período de menor
afluência histórica.
 Vantagem: o balanço de energia firme não depende
das afluências de determinado ano.
 Período crítico do Sudeste: maio de 1952 a novembro de
1956.
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ENERGIA ARMAZENADA DURANTE O
PERÍODO CRÍTICO DO SUDESTE
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GERAÇÃO DE ILHA SOLTEIRA (3.444 MW)
DURANTE O PER. CRÍTICO DO SE/CO
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A CRISE DE 2008
 O risco de se decretar racionamento nos meses
seguintes, em fins de janeiro de 2008, atingiu 22%.
 Estudos do ONS da época apontavam um risco de déficit
de 32,8% no Sudeste.
 Os preços de curto prazo (PLD), que são diretamente
afetados pelo risco de déficit, atingiram o “teto” semanal
de 570 R$/MWh.
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ARMAZENAMENTO E CURVA DE AVERSÃO
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SEGURANÇA A QUALQUER CUSTO
 A ultrapassagem da CAR implicou no despacho de todas
as térmicas do SIN, incluindo aquelas a diesel e a óleo
combustível.
 As térmicas permaneceram acionadas até maio, embora
o aumento das vazões indicasse o desligamento a partir
de meados de fevereiro.
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PLD SE/CO ATÉ 2005
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PLD SE/CO ATÉ 2006
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PLD SE/CO ATÉ 2007
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PLD SE/CO ATÉ 2008
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AFLUÊNCIAS EM 2007
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AFLUÊNCIAS EM 2008
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ARMAZENAMENTOS EM 2007
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ARMAZENAMENTOS EM 2008
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CONSEQUÊNCIAS DA CRISE DE 2008
 Aumento da inadimplência na CCEE.
 Arbitragem e processos judiciais entre consumidores e
comercializadoras.
 Aumento das tarifas dos consumidores cativos, das
distribuidoras que ficaram sub-contratadas com a saída
da oferta.
 Repasse dos custos de compra no curto prazo para o
consumidor.
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CONSEQUÊNCIAS DA CRISE DE 2008
 Apesar de declarações à imprensa de que o risco de
racionamento era boato, o governo ficou bem preocupado.
 De fato, o armazenamento do SE/CO passou de 86,7%, no
início de maio/2007, para 46,2%, no final de dez./2007.
 E isso considerando-se que as vazões no início de 2007
foram muito boas e não foram excepcionalmente ruins
depois.
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SEGURANÇA A QUALQUER CUSTO
Medidas para o aumento da segurança energética:
 Curvas de Aversão ao Risco (CAR, adotadas após o
racionamento de 2001).
 Despacho térmico fora da ordem de mérito (POCPs –
Procedimentos Operativos de Curto Prazo).
 Adoção de níveis-meta.
 Contratação de energia de reserva.
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PROCEDIMENTOS OPERATIVOS DE
CURTO PRAZO – POCPs
 Aprovados pela Aneel em fev/2009.
 Destinados a subsidiar a decisão de despacho térmico
fora da ordem de mérito.
 Aplicados de maio a novembro (período seco).
 POCPs indicam que o ONS pode despachar térmicas fora
da ordem de mérito caso os níveis-meta não estejam
sendo atingidos
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NÍVEIS-META
 Níveis mínimos que os reservatórios devem atingir em
novembro (início do período úmido).
 Alterados em julho de 2011.
 SE/CO: 46%.
 Nordeste: 32%.
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ENERGIA DE RESERVA: CONCEITO
 Energia de usinas contratadas a partir de 2008,
destinadas especialmente a elevar a segurança do SIN.
 Eólicas ou biomassa.
 Contratada no ACR, via Contratos de Energia de Reserva,
entre os agentes vencedores nos leilões e a CCEE.
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A CRISE DE 2012
 O armazenamento do SE/CO em 2012 permaneceu
aderente ao de 2010 entre o final de julho e o final de
agosto.
 Em setembro, com a desconfiguração do fenômeno El
Niño e atraso das vazões, as coisas começaram a se
complicar.
 Em outubro todas as térmicas estavam despachadas.
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AFLUÊNCIAS EM 2012
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ARMAZENAMENTO EM 2012
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ARMAZENAMENTOS ENTRE 2007 E 2014
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PROD. TERMO ENTRE 2010 E 2014
(Mwmed.)
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PROD. TERMO ENTRE 2010 E 2014 (%)
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PLD SE/CO ATÉ 2009
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PLD SE/CO ATÉ 2010
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PLD SE/CO ATÉ 2011
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PLD SE/CO ATÉ 2012
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PLD SE/CO ATÉ 2014
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CONSEQUÊNCIAS DA CRISE DE 2012
 Aumento do PLD e da inadimplência na CCEE.
 Aumento da desconfiança de que, “ceteris paribus”, o
atraso do período úmido sempre aumentará o risco de
déficit, provocando o despacho de todas as térmicas.
 Mudanças no cálculo do PLD.
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MUDANÇAS NO CÁLCULO DO PLD
 Resolução n°3 do CNPE, 6/3/2013.
 “Mecanismos de aversão ao risco” serão embutidos no
Newave e no Decomp. Prazo: 31/05/2013.
 Mesmo assim, CMSE poderá ordenar o despacho fora da
ordem de mérito.
 ESS, que era pago somente pelos consumidores (livres e
cativos), passa a ser pago por todos os agentes expostos
no curto prazo.
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