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Documento:TA039
Notas fitopatológicas
II — Fungos da folha de bananeira
Author: Mª DE LOURDES BORGES
Date: 1967
Published by: Missão de Estudos Agronómicos do Ultramar
Summary
Phytopathological studies.
II Fungi of banana leaves
The author studies the fungi present on the leaves of banana
in Timor, S.Tomé and Guiné. The fungi ident ified on the leaves
are: a) Mycosphaerella musicola Leach and its imperfect form
Cercospora musae Zimm in S.Tomé and Guiné and only of the
imperfect form in Cape Verde and Timor b) of Leptosphaeria
eustoma (Fries) Sacc. f. musarum Sacc. et Berl. in S.Tomé and
Guiné and of de Deightoniella torulosa (Sydow) Ellis in Guiné and
in Cape Verde. The report presents pictures of the fungi causing the
diseases.
The report presents a detailed description of diseases and
the fungi that cause it.
The typical lesions of Mycosphaerella
musicola Leach. on the leaves of banana are yelow elongated
stains, following the secondary nerves, around 1-2mm in width and
5-12mm long, of a light brown color, with well defined dark brown
margins.
There has been reference to the presence of the imperfect
form Cercospora musae Zimm. which causes the light stain of the
banana leave, but they do not consider it serious for the crop, in the
cases studied so far.
Resumo
O autor estuda os fungos presentes nas folhas da bananeira em
Timor, S. Tomé e Guiné. Os fungos identificados nas folhas são: a)
Mycosphaerella musicola Leach e respectiva forma imperfeita
Cercospora musae Zimm. em S. Tomé e Guiné e apenas a forma
imperfeita em Cabo Verde e Timor; b) Cordana musae (Zim.) van
Hohn. e Leptosphaeria eustoma (Fries) Sacc. f. musarum Sacc. et
Berl. em S. Tomé e Guiné e de Deightoniella torulosa (Sydow)
Ellis na Guiné e em Cabo Verde. O relatório apresenta fotografias
dos fungos que causam a doença.
É apresentada uma descrição detalhada da doença e dos
fungos que a causam. As lesões típicas de Mycosphaerella musicola
Leach são, pequenas manchas alongadas segundo as nervuras
secundárias, com 1-2mm de largura por 5-12 mm de comprimento,
de cor castanho-claro com margem bem definida em castanhoescuro.
Existe referência à forma imperfeita do Cercospora musae
Zimm, que provoca a mancha clara da folha da bananeira, mas não
é considerada grave para a cultura, nos casos até agora observados.
Resumo
Nota ba fitopatológicas
II — Fungos nebe ataka ba Hudi (bananeira) nia tahan
Autor estuda kona ba fungo sira nebe iha Hudi nia tahan iha
Timor, S. Tome no Guiné. Fungo sira nebe maka identifika iha
hudia nia tahan maka hanesan: a) Mycosphaerella musicola Leach
no ho nia imperfeita Cercospora musae Zimm. iha S. Tomé no
Guiné no ho nia forma imperfeitaiha Cabo Verde no Timor; b)
Cordana musae (Zim.) van Hohn. no
Leptosphaeria eustoma
(Fries) Sacc. f. musarum Sacc. et Berl. iha S. Tomé e Guiné no de
Deightoniella torulosa (Sydow) Ellis iha Guiné no iha Cabo
Verde. Relatório ida ne’e apresenta mos fotografias ba fungos
bebe fo moras ba Hudi.
Apresenta mos deskrisaun ida nebe diak tebes kona ba moras
no mos kona ba fungos sira nebe maka causa. Kanek sira nebe
tipikas husi Mycosphaerella musicola Leach maka hanesan mancha
nebe maka naruk husi nia nervuras ho luan 1-2 mm no naruk 1-12
mm nebe apresenta kor castanha claro ho nia margem nebe difina
diak ho kor kastanho nakukun.
Iha mos referencia ba forma imperfeito husi Cercospora musae
Zimm, ida nebe provoka manchas clara ba hudi nia tahan mai be la
konsidera hanesan ida nebe grave ba ai oan to’o caso ida ne’e halo
hela abservasaun to’o agora.
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Fungo da folha de bananeira parte II
Notas fitopatológicas
II — Fungos da folha de bananeira (1)1
Mª DE LOURDES BORGES
Orientadora do Grupo de Trabalho de Fitopatologia
da Missão de Estudos Agronómicos do Ultramar
MAUD L. DE BARROS
Fitopatologista da Missão de Estudos Agronómicos do Ultramar
No decurso da prospecção fitopatológica a que se procedeu em S. Tomé de Setembro a
Outubro de 1963, a bananeira mereceu especial atenção, por estar a promover-se o
desenvolvimento da sua cultura.
Depois de se terem assinalado os fungos da palmeira-do-azeite então observados
(Borges, 1964), apresentam-se agora os fungos da folha de bananeira identificados naquela
província e, também, os recebidos de Cabo Verde (ilha de Santiago), Guiné e Timor, para
consulta fitopatológica.
Reconheceu-se a presença: de Mycosphaerella musicola Leach e respectiva forma
imperfeita Cercospora musae Zimm. em S. Tomé e Guiné e apenas da forma imperfeita em
Cabo Verde e Timor; de Cordana musae (Zim.) van Hohn. e de Leptosphaeria eustoma (Fries)
Sacc. f. musarum Sacc. et Berl. em S. Tomé e Guiné e de Deightoniella torulosa (Sydow) Ellis
na Guiné e em Cabo Verde.
Durante a estada em S. Tomé, observou-se ainda, e com grande frequência, outro tipo de
manchas das folhas constituídas por numerosas pontuações necróticas, que se designaram por
«sardas da folha de bananeira». Pelo facto de ser atribuída, na literatura da especialidade, grande
diversidade de causas a sintomas semelhantes e de não ter sido ainda possível realizar um estudo
exaustivo do material proveniente de diversas zonas da ilha, não se incluem nesta nota referências aos causadores desta última enfermidade.
1- Mycosphaerella musicola Leach (Cercospora musae Zimm.)
Em 1962, receberam-se, provenientes de Campeane, região de Cacine, na Guiné
Portuguesa, pedaços de folhas de bananeira colhidos em Maio por J. Ascenso, com o pedido
1
Entregue para publicação em Dezembro de 1966.
1
Ma. de Lourdes Borges et al.,
de identificação duma enfermidade que vinha a acentuar-se há cerca de um ano e que afectava
seriamente a cultura naquela região.
Durante a estada de um de nós em S. Tomé, colheram-se, em Outubro de 1963,
fragmentos de folhas de bananeira com sintomas semelhantes ria Roça Amparo II (Herb. Fitop.
M. E. A. U. 50). Em Março de 1964, recebeu-se novamente da Guiné material idêntico, da
região de Ponta Ferreira (Herb. Fitop. M. E. A. U. 1001), enviado por A. Noronha, e, a partir de
Janeiro de 1965, a nosso pedido, têm-se recebido regularmente para estudo fragmentos de
folhas de bananeira da região de Granja do Pessubé (Herb. Fitop. M. E. A. U. 1001, 1012),
enviados por R. Sardinha. Também de Cabo Verde (Herb. Fitop. M. E. A. U. 2004) e de Timor
(Herb. Fitop. M. E. A. U. 3007, 3008 e 3009) se recebeu material semelhante.
Notaram-se sempre as lesões típicas da mancha foliar da bananeira, ou seja, pequenas manchas
alongadas segundo as nervuras secundárias, de 1 a 2 por 5 a 12 mm, de cor castanho-claro com
QUADRO I
Cercospora Musae Zimm — Dimensões dos conídios (II)
Compriment
o
Largura
Médias
60-80
4
—
Java
60-75
7-8
—
Fiji
30-65
2,5-5
46,2 x 4,2
Congo
Steyaert, 1948
20,5-60,5
4-5
36 x 4,5
Guiné
Bouriquet et al., 1958
32,8-79
3-3,8
54 x 3,1
Costa do Marfim
Brun, 1963
(a) 18-78
(a) 28-4,8
Guine
Brun, 1963
(b) 23-81
(b) 2,1-3,4
Guine
Brun, 1963
(c) 19-110
(c) 2,4-3,6
Guine
Brun, 1963
32,1-64,2
3,2-4,8
(a)
43,3 x 3,6
(b)
56,5 x 2,9
(c)
72,5 x 2,9
51,6x3,7
Guiné Portuguesa
-
22,5-80,6
2,9-5,1
46,9 x3,9
Timor
-
Local
Autor
Zimmermann, 1902
Massee, 1914
(a) Medidas obtidas em material colhido em Fevereiro.
(b) Medidas obtidas em material colhido em Julho.
(c) Medidas obtidas em material mantido em câmara húmida.
margem bem definida em castanho-escuro (Est. I, fig. 1).
A observação microscópica de cortes histológicos das lesões permite verificar a
presença de frutificações típicas de Cercospora Musae Zimm. (Est. 1, fig. 2). Dos conidióforos
muito curtos, pardo - acastanhados, partem os conídios com 1 a 5 septos e com as dimensões
máximas, mínimas e médias, respectivamente, de 80,6 x 5,1 µ, 22,5 x 2,9 µ, e 46,9 x 3,9 µ, no
2
Fungo da folha de bananeira parte II
material proveniente de Timor, e de 64,2 x 4,8 p., 32,1 x 3,2 µ, e 51,6 x x3,7 no material da
Guiné. Para o material proveniente de Cabo Verde e de S. Tomé a escassez de esporos não
permite a apresentação de medidas.
Estes valores estão dentro das variações dos valores apresentados por diversos autores
(quadro I) e por Chupp (1953). Assim, quando este fungo foi descrito pela primeira vez, em
1962, por Zimmermann, em folhas de bananeira provenientes de Java, foi dado como tendo
conídios de 4 a 5 septos e 60 a 80 µ, de comprimento por 4 µ de largura. Massee (1914),
desconhecendo a citação do autor anterior, designou-o por Cercospora Musae Massee ao
descrevê-lo em material observado em Fiji e atribuiu aos conídios 60 a 75 µ de comprimento e
7 a 8 µ de largura. Por sua vez, Steyaert (1948) citou a Cercospora Musae Zimm. como muito
frequente no Baixo Congo e bastante prejudicial para a cultura da bananeira, mas considera que
não penetrou no interior do território. Indica para os conídios 1 a 6 septos e 30 a 60 µ de
comprimento por 2,5 a 5 µ de largura (Me=46,5 x 4 µ).
Brun (1963) compara os valores obtidos para as dimensões dos conídios por diversos
autores, incluindo os já citados, e também os valores que encontrou em diversas épocas no
mesmo local ou em câmara húmida e atribui as variações às diversas condições de ambiente,
principalmente a variações de humidade.
A forma perfeita, Mycosphaerella musicola Leach observou-se em fragmentos de folha
de bananeira colhidos em S. Tomé, nas Roças Amparo II, Santa Catarina, Diogo Vaz,
Milagrosa e Santa Margarida (Herb. Fitop. M. E. A. U. 50, 63, 64, 68, 88 e 91), e também em
material recebido da Granja do Pessubé, na Guiné (Herb. Fitop. M. E. A. U. 1011).
Nos cortes histológicos notavam-se as peritecas escuras, dispersas nas lesões, com
ostíolo pouco destacado e os diâmetros mínimos de 54,6 a 64,2 p. e máximos de 83,5 a 89,9 µ
Não se observaram paráfises. Os ascos hialinos oblongo - clavados de 28,9 a 32,1 µ por 8,0 a
12,8 µ contêm os ascósporos (Est. I, figs. 3 e 4), também hialinos de 12,8 a 17,7 µ por 3,2 a 4,8
µ (Me=15,2 x 3,7 II ) , monosseptados, elipsoidais, com uma das extremidades mais larga e
arredondada.
Em 1964, Leach atribui a uma nova espécie de Cercospora as «estrias negras da folha
da bananeira», que alguns cultivadores designam por «morte negra» devido à severidade que
apresenta. Propõe o nome específico Mycosphaerella fijiensis Leach para a respectiva forma
perfeita, por ter surgido em Fiji. As dimensões dadas para os ascos e ascósporos são bastante
próximas nas duas espécies (Leach, 1964), as dimensões dos conídios 21,2 a 117,0 µ (Me=68,6
p.) assemelham--se aos valores indicados por Brun para os conídios formados em câmara
húmida (quadro I ) . No mapa de distribuição de doenças do Commonwealth Mycological
Institute (7, 1963), podem avaliar se as zonas do globo em que é conhecidas Mycosphaerella
3
Ma. de Lourdes Borges et al.,
musicola Leach. Do território português, apenas vem citado Moçambique (Carvalho, 1948).
Serafim (1963) refere a presença de Cercospora musae Zimm. em Angola, causando a mancha
clara da folha da bananeira, mas não a considera grave para a cultura, nos casos até agora
observados (comunicação verbal, 1965). Com o presente trabalho fica citada também para Cabo
Verde (ilha de Santiago), Guiné, S. Tomé e Timor.
2. Deightoniella torulosa (Sydow) Ellis
A partir de fragmentos de folhas de bananeira, recebidos da Granja do Pessubé, na
Guiné, de Janeiro a Abril de 1965 (Herb. Fitop. M. E. A. U. 1011, 1012, 1013, 1015, 1018 e
1019), isolou-se um fungo que, pelas suas características morfológicas (Est.
II
fig. 2), se
identificou como Deightoniella torulosa (Sydow) Ellis. A inoculação desse fungo em folhas de
bananeira levou à formação das lesões que lhe são típicas e idênticas às observadas no material
original (est.
II
fig. 1) geralmente designadas por «manchas negras da folha da bananeira».
Também se identificou em folhas de bananeira (Herb. Fitop. M. E. A. U. 2004) provenientes da
Quinta do Serrado, na ilha de Santiago de Cabo Verde.
Descrito pela primeira vez em folhas mortas de bananeira, no Brasil (Sydow, 1909),
como Brachysporium torulosum Sydow, foi considerado por Ashby (1913) como causador da
«mancha negra» da folha da bananeira Gros Michel, na Jamaica, com a designação de
Cercospora musarum Ashby. O próprio Ashby (Mason, 1928) reconhece tratar-se do mesmo
fungo referido por Sydow; verifica também não poder manter-se no género Cercospora e passa
a designá-lo Helminthosporium torulosum (Sydow) Ashby.
Também Torrend (1914), ao descrevê-lo em material colhido no Brasil, o inclui nesse
género com a designação de Helminthosporium nodosum Torrend.
Ellis (1957), ao apresentar algumas espécies do género Deightoniella então
recentemente criado por Hughes (1952), propõe nova arranjo Deightoniella torulosa (Sydow)
Ellis. Baseia-se para isso nas características atribuídas ao género que considera presentes nesta
espécie, ou seja, no processo de crescimento dos conidióforos por alongamento de proliferações
apicais, subglobosas, sucessivas e na formação dos conídios por gemulação da extremidade dos
conidióforos ou das subsequentes proliferações Para o território português está citada por
Carvalho & Mendes (1958) para Marracuene, Moçambique, onde causa a «mancha negra» na
folha e o enegrecimento da extremidade apical do fruto. Serafim (comun. verbal, 1965) não a
observou em Angola. Só a notamos até agora em material proveniente de Cabo Verde e da
Guiné
3. Cordana musae (Zimm.) van Hahnel
Em 1961 receberam-se, provenientes de S. Tomé e enviados por A. S. Cardoso,
fragmentos de folha de bananeira que apresentavam lesões necróticas, zonadas, mais claras do
4
Fungo da folha de bananeira parte II
que a folha quando seca. Quando em S. Tomé, tive-mos ocasião de observar nas Roças Potó,
Boa Nova, Ribeira Peixe, Rio do Ouro, Amparo II e Santa Catarina (Herb. Fitop. M. E. A. U. 6,
11, 16, 43 e 63), muito frequentemente, lesões necróticas semelhantes e que se caracterizam,
sobretudo, pelo aspecto zona do que apresentam (est.
II
fig. 3), tendo as zonas mais claras 2 a 3
mm e as mais escuras 1 mm. As dimensões das manchas variam, tendo muito frequentemente 3
por 5 cm, forma oval ou elíptica e, quando coalescem, inutilizam extensas zonas foliares.
O exame à lupa permitiu observar e destacar conidióforos. Os conidióforos, ao microscópio, apresentam-se fuscos, septados, bolbosos na base e de dimensões variáveis com a idade,
de 57,8 a 160,5 µ de comprimento e 4,8 a 6,6 µ de largura, com conídios dispostos em verticilo,
na extremidade ou em pontos intermédios dos conidióforos (est. u, fig. 4). Os conídios de forma
oval, com ligeira papila na extremidade proximal, são monosseptados de dimensões muito
semelhantes entre si, 16 a 20,9 µ por 9,6 a 11,2 µ), (Me =16,9 x 10,5 µ) (Herb. Fitop. M. E. A.
U. 6). Também se observaram conídios e conidióforos semelhantes em fragmentos de folha de
bananeira enviados da Guiné, de Janeiro a Abril de 1965 (Herb. Fitop. M. E. A. U 1011, 1012,
1013 e 1014). As dimensões nestes casos oscilaram de 14,4 a 20,8 µ por 7,2 a 12,0 µ (Me=16,6
x 9,3 µ) para os conídios.
Os sintomas causados nas folhas e as características morfológicas do patogéneo
demonstraram (Wardlaw, 1961) estar-se em presença das lesões devidas a Cordana musae
(Zimm.) van Hohnel descrito pela primeira vez por Zimmermann em 1902, em folhas de
bananeira provenientes de Java, como Scolecotrichum musae Zimm. e transferido para o
género Cordana por van Hohnel (1923). Com efeito a descrição apresentada por
QUADRO II
Leptosphaeria spp. — Dimensões ( µ )
Peritecas
Leptosphaeria musarum (=L. eustoma f . musarum) ……………………125 a 166
Leptosphaeria musicola ( = Leptosphaerella musicola) …………… 120 a 125
24x6
Espécie de S. Tomé …………………………………………………. {60,0-112,5x37,5-67,5
22,5x4,4-5,0
(Me=79,1x46,1)
(Me=20,5x4,8)
Espécie da Guiné ……………………………………………………. {96,3-102,7 x 89,8-99,5
4,8
( Me=99,5x95,5)
(Me=17,9x4,3)
Ascos
60x10-12
60x12
35,3-53x8,0-9,6
Ascósporos
15-18x5-6
1817,5-
(Me =44,7x8,6)
38,5-54,6x6,4-9,6
16,1-22,5x3,2-
(Me=43,9x7,4)
Zimmermann (1902) concorda perfeitamente com o caso presente incluindo nas dimensões dos
esporos, 20 µ de comprimento por 8 a 10 µ de largura, e com os pormenores apresentados a
respeito dos conidióforos.
5
Ma. de Lourdes Borges et al.,
Pelo que nos foi dado observar em S. Tomé, esta enfermidade, que designaremos por «mancha tonada da folha», está muito difundida, sendo mais notada nas plantas cultivadas com
sombreamento, chegando a causar necroses de extensas zonas foliares, mas não parece
prejudicar a cultura de forma sensível. Em relação à Guiné apenas se assinala a presença. Está
também citada para Moçambique como sendo de ocorrência geral (Carvalho e Mendes, 1958) e
causando a mancha escura da folha. Serafim (comun. verbal, 1965) reconheceu a sua existência
em Angola.
4. Leptosphaeria eustoma
Em folhas de bananeira colhidas em S. Tomé, em Outubro de 1963, nas Roças Amparo
II, Milagrosa e Santa Margarida (Herb. Fitop. M. E. A. U. 50, 51, 90, 94 e 95), notaram-se, ao
examinar à lupa, minúsculas pontuações escuras. A observação de cortes histológicos fez notar a
presença de peritecas globos as, castanhos-escuros, de 37,5 a 67,5 p. de diâmetro. No interior das
peritecas (Est.
II
fig. 5) pôde observar-se ascos hialinos com Ascósporos fuscos, rectos,
trisseptados, estreitando gradual e insensivelmente para as extremidades, com o comprimento de
17,5 a 22,5 µ e a largura de 4,4 a 5,0 µ (Me = 20,5 x 4,8 µ). Mais tarde, em Outubro de 1965,
recebeu-se da Guiné material semelhante (Herb. Fitop. M. E. A. U. 1019).
Pelas características observadas, considerou-se estar em presença dum fungo do género
Leptosphaeria. Consultando a bibliografia sobre as espécies deste género já identificadas em
folha de bananeira, verificou-se que a citação mais antiga (Saccardo & Berlese, 1889)
corresponde a material colhido em S. Tomé, na Roça Nova Man, e diz respeito à espécie
Leptosphaeria musicola Sacc. et Berl. Esta referência é dada mais tarde por Saccardo (1891).
Berlese, em 1894, apresenta, porém, novo arranjo: Leptosphaeria eustoma (Fries) Sacc. f.
musarum Sacc. et Berl. Ainda Saccardo, em 1913, cita Leptosphaeria musicola (Speg.) Sacc.
et Trott., que considera como sinónimo da espécie descrita para a Argentina por Spegazzini em
1909 como Leptosphaerella musicola Speg., pondo em dúvida também que seja distinta da
anterior (quadro n) a ponto de se manter separada.
Todas estas citações se referem a fungos observados em folhas mortas. O nosso material
provém de folhas colhidas vivas, mas não se nota distinção apreciável entre as características
que apresentam e as descrições dadas pelos autores citados, a não ser nas dimensões que diferem
ligeiramente (quadro II).
Stahel (1937) refere-se a Leptosphaeria sp. também com ascósporos trisseptados. Por
sua vez, Bouriquet & Battaille (1958) assinalam a presença de Leptosphaeria sp., também em
folhas de bananeira, mas com ascósporos bisseptados.
Afigura-se-nos que as diferenças registadas nas dimensões de esporos e peritecas entre as
espécies trisseptados referidas (quadro II) não justificam a consideração de mais do que uma
6
Fungo da folha de bananeira parte II
espécie, mas é de aconselhar o estudo comparado de material de diversas proveniências, e por
especialistas neste género. Assim, entretanto, considera-se como pertencendo à espécie
Leptosphaeria eustoma (Fries) Sacc. f. musarum Sacc. et Berl. a identificada no material
proveniente de S. Tomé e da Guiné. M a se lhe atribui qualquer gravidade e não se tem
conhecimento de citações para outros territórios portugueses.
AGRADECIMENTOS
A Dr.ª Maria Teresa Lucas o apoio dado à identificação das espécies.
Ao Eng.°Silv. R. Sardinha, Eng.°-gr.°. M. Mayer Gonçalves e Reg.Agr. Oliveira e Sousa
cuidado posto no envio de material da Guiné, de Timor e de Cabo Verde, respectivamente
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8
Fungo da folha de bananeira parte II
LEGENDAS DAS ESTAMPAS
ESTAMPA I
Fig.1. Lesões em folhas de bananeira devidas a Mycosphaerella musicola Leach
(Cercospora musae Zimm.)
Fig.2. Comidióforos e conídios de Cercospora musae.
Figs.3 e 4. Ascos e ascósporos de Mycosphaerella musicola.
ESTAMPA II
Fig.1. Lesões em folha de bananeira causadas por Deightoniella torulosa (Syd.) Ellis.
Fig.2. Conidióforos e conídios de Deightoniella torulosa.
Fig.3. Lesão ozonada em folha de bananeira causada por Cordana musae (Zimm.),
van Hohnel.
Fig.4.Conidióforo e conídios de Cordana musae.
Fig.5. Periteca com ascos e ascósporos de Leptosphaeria eustoma (Fries) Sacc. f.
Musarum Sacc. & Berlese.
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Ma. de Lourdes Borges et al.,
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Fungo da folha de bananeira parte II
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Ma. de Lourdes Borges et al.,
ALGUMAS ANOMALIAS MORFOLÓGICAS E FUNCIONAIS
OBSERVADAS EM THYSANIEZIA GIARDI (MONIEZ, 1879)
(CESTODA, ANOPLOCEPHALIDAE)
J. A. CRUZ E SILVA
Investigador do Centro de Zoologia da Junta de Investigações do Ultramar
M. MANUELA DE SERPA SOARES
Estagiária do Centro de Zoologia da Junta de Investigações do Ultramar
RESUMO
Os autores descrevem vários casos de anomalias morfológicas e funcionais observadas num
mesmo espécime de Thysaniezia giardie em porções de diferente estado de desenvolvimento
dos segmentos do estróbilo. Essas anomalias consistem na fusão incompleta de dois anéis e suas
consequentes modificações estruturais, na duplicação de órgãos genitais, na localização anormal
de alguns deles e na ausência total de outros. Os autores incluem igualmente uma descrição da
morfologia normal do cestóide.
RSUMO
Autor sira descreve caso barak kona ba anomalias morfologicas ho funcionais nebe observar
iha especimo hanesan e porsaun nebe diferente iha nia estado desenvolvimento ba segmentos do
estrolio. Anomalias hotu cinsistem iha fusaun incompleta ho aneis rua ho nia consequentes
modificadas
QUELQUES ANOMALIES MORPHOLOGIQUES ET FONCTIONELLES OBSERVÉES CHEZ THYSANIEZIA GIARDI (MONIEZ,
1879) (CESTODA, ANOPLOCEPHALIDAE)
RESUME
Les auteurs décrivent quelques anomalies morphologiques et fonctionelles observées chez un
même spécimen de Thysaniezia giardi et situêes en différentes portions du strobile. Ces
anomalies sont •consistées par la fusion incomplète de deux segments et par leurs conséquentes
modifications structurales, la duplication des organes génitaux, 1a localisation anormale ou,
méme, l'absence totale de quelques-uns. Pour mettre plus en évidence ces anomalies, les auteurs
ont fait aussi la description de la morphologie normale du cestode.
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Fungo da folha de bananeira parte II
SOME CASES OF MORPHOLOGICAL AND FUNCTIONAL
ABNORMALITIES OBSERVED IN THYSANIEZIA GIARDI
(MONIEZ, 1879) (CESTODA, ANOPLOCEPHALIDAE)
SYNOPSIS
The authors describe some cases of morphologica.1 and functional abnormalities all observed
in an unique specimen of Thysaniezia giardi, in different portions of the strobile. They were as
follow: an incomplete fusion of two proglottides and their consequent structural changes,
duplication of some parts of the genital system, abnormal localization or even a total absence of
some ones. The authors include a description of the normal morphology of the cestode.
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Notas fitopatológicas (fungos da folha bananeira)